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A DENOMINADA "SITUAÇÃO SUBSTANCIAL" COMO OBJETO DO
PROCESSO NA OBRA DE FAZZALARI
Revista de Processo | vol. 68/1992 | p. 271 - 281 | Out - Dez / 1992
DTR\1992\302
José Rogério Cruz e Tucci
Área do Direito: Processual
Sumário:
1. Introdução - 2. Breve aceno às teorias da substanciação e da individualização - 3.
Crítica à tendência reducionista do conceito de objeto litigioso - 4. Interação entre direito
e processo - 6. "Situação substancial" - 7. Situação substancial e legitimação para agir -
8. À guisa de conclusão. Bibliografia -
1. Introdução
É notório que a questão concernente à individuação da demanda1 delineia-se de suma
importância, uma vez que guarda estreitíssima vizinhança com outros importantes
institutos processuais, como a litispendência, coisa julgada, cumulação de ações e a
modificação da demanda.
Com referência a cada um destes institutos podem ser feitos inúmeros questionamentos
quanto à sua dinâmica prática, e das respostas colhidas dependerão, a meu ver, os
critérios para configurar o objeto material do processo em determinado sistema de
direito positivo.
Com efeito, como exortava Chiovenda, nas hipóteses em que se impõe a necessidade de
verificar o conteúdo minimum da petição inicial para atingir o fim por ela colimado, ou de
analisar se o pedido introduzido no curso do processo tem o condão de modificar a
demanda inicialmente proposta, ou, ainda, de estabelecer se uma precedente sentença é
prejudicial de uma nova causa, "sempre teremos de enfrentar um único problema
fundamental: o problema da identificação de ações".2
E, por isso, desde os fins do século passado, a doutrina processual tem recorrido a
diversas construções dogmáticas na tentativa de individuar ares in judicium deducta.
Escrevendo sobre esse palpitante tema, Mario Bellavitis,3 em obra que se tomou
clássica, relembra as duas teorias precursoras: a) a da tríplice identidade - pessoas,
causa de pedir e pedido - proveniente das fontes romanas clássicas,4e b) a da identidade
da relação jurídica, cunhada por Savigny.5
Enquanto a erigida pelo expoente da Escola Histórica restou isolada, a dos tria eadem,
malgrado algumas críticas que lhe são dirigidas na atualidade, ainda prevalece na obra
de renomados Processualistas.
É bem de ver, por outro lado, que a problemática atinente à causa de pedir é, sem
dúvida, a mais complexa e controvertida dentre aquelas que plasmam a questão da
individuação da demanda.
Complexa, em razão do inescondível desafio para se esquadrinhar um conceito acerca do
elemento causal da pretensão, estabelecendo qual o seu conteúdo e quais os seus
efeitos.
Controvertida, em virtude de ser possível afirmar que, nas últimas cinco décadas, cada
autor que tratou do assunto tem encontrado soluções próprias, discrepantes, não poucas
vezes, de resultados anteriormente atingidos, e dando, assim, margem para a
construção de inúmeras teorias.
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Realmente, como escreve Silvio Sorace, a questão relativa aos aspectos conceptuais da
causa petendi sempre despertou a atenção de muitos juristas, e a insuficiência das
respectivas doutrinações deu azo a várias dúvidas, que culminaram fomentando o
dissenso entre os especialista.6
2. Breve aceno às teorias da substanciação e da individualização
Acerca da causa de pedir, como também é cediço, após a entrada em vigor do ZPO
alemão, foram elaboradas pelos processualistas germânicos, a partir da investigação do
conteúdo do objeto litigioso (Streitgegenstand),duas teorias: a) a da substanciação; e b)
a da individualização.
Vale lembrar que a construção dogmática sobre o denominado Streitgegenstand tem em
mira a análise dos mesmos institutos processuais para os quais Chiovenda traçou de
modo definitivo a "tese da identificação das ações". Na Alemanha, como na Itália, pois,
vem proposta uma concepção central do processo visando à mesma finalidade.
Para os seguidores da primeira Substantiierungstheorie - a causa petendi consiste no
fato jurídico constitutivo do direito afirmado pelo autor. Assim a definição de uma
relação jurídica faz-se relevante para precisar o objeto do processo e, portanto, para
individualizar a demanda.7
Seguindo esse mesmo raciocínio, Giannozzi afirma que a teoria da substanciação
identifica a causa de pedir especialmente no "compêndio dos fatos constitutivos inseridos
como fundamento da demanda (causa agendi remota)".8
Por outro lado, em conformidade com os prosélitos da denominada teoria da
individualização - Individualisierungstheorie - faz-se suficiente, para o fim de identificar
a demanda, a mera alegação da relação jurídica da qual o demandante extrai a
conseqüência afirmada; vale dizer, reclama-se "che la pretesa fatta valere dovesse
essere indicata con una tale precisione rispetto alia causa, che non vi potes se essere
alcun dubbio intorno al rapporto giuridico, formante l'oggetto del processo".9
A causa petendi - anota Rispoli é o rapporto segundo o qual a pretensão processual vem
fundamentada, sendo que a alteração dos fatos ab initio deduzidos não implicará
modificação da demanda, e, por via de conseqüência, a sentença que vier a ser proferida
acerca da relação jurídica repercutirá sobre todos os fatos por ela compreendidos, ainda
que não invocados.10
Com declarado intuito de determinar o conceito do enigmático objeto litigioso, boa parte
da doutrina processual alemã, valendo-se da teoria da individualização, tende a extirpar
do objeto do processo a causa de pedir, ensejando verdadeira cisão entre direito
substancial e processo.
Após a contribuição inicial de Arthur Nikisch,11 o seu compatriota Karl Heinz Schwab,
considerado o principal expoente dentre tais scholars, reserva um matiz eminentemente
processual ao objeto do processo, distante de qualquer tonalidade da situação de Direito
Material.
Com efeito, na famosa obra Der Streitgegenstand im Zivilprozess, estampada em 1954,
o citado jurista alemão expõe a tese pela qual o objeto do processo vem demarcado
apenas pelas conclusões do autor (Begehren des Klagers),sem o concurso de qualquer
Klagegrund (fundamento): "O Streitgegenstand als den Antrag des KHigers auf Erlass
eines in ihm naher bezeichneten Urteils zu definieren".12
E isso porque - elucida Schwab quem instaura um processo tem inegável interesse em
que o juiz acolha a sua demanda: "Esta, portanto, é o efetivo objeto do processo".13
Se, p. ex., o autor reclama do demandado a devolução de um piano, fundando a sua
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demanda no direito de propriedade e se o réu contesta tal direito, mas afirma que, na
verdade, possui o bem reivindicado por força de contrato de locação celebrado com o
autor, não haverá nova demanda se o requerente modificar o respectivo fundamento,
passando a alicerçá-la no término do contrato de locação.14
É bem de ver que a orientação de Schwab foi perfilhada por inúmeros outros cultores do
direito processual, que, em linhas gerais, centram no pedido o conteúdo do objeto do
processo.15
Acrescente-se que, embora por outra angulação, Walter Habscheid também despreza a
indicação de qualquer fundamento jurídico para a delimitação do objeto litigioso.
Sustenta, destarte, ser necessária a exposição de um fato da vida (Lebenssachverhalt),
idônea a compreender todos os episódios, mesmo que implicitamente, aptos a identificar
o fundamento da demanda.
Escreve, a propósito, que, no seu entender, a noção de objeto do processo compõe-se
de duas partes muito nítidas: "la pretesa (Rechtsbehauptung) dell' attore, quale appare
nelle sue conclusioni e che comprende sia il diritto sostanziale sia quello processuale, e
lo stato di fatto (Lebenssachverhalt)su cui si basa tale pretesa".16
Menos arbitrária do que a anteriormente exposta, a posição de Habscheid, quanto aos
fatos que constituem determinado relacionamento humano, corresponde, segundo
imagino, a uma afirmação global, sendo que o juiz deve valorar o seu respectivo
fundamentosob todos os aspectos possíveis.
3. Crítica à tendência reducionista do conceito de objeto litigioso
A doutrina italiana moderna, contudo, considerando os pressupostos das teorias da
substanciação e da individualização, tende a superar o cerne da discussão, afirmando
que aquelas não representam mais do que as faces da mesma moeda, porquanto
culminam por aludir ao direito substancial: "...superando la tradizionale contrapposizione
"sostanziazione" - "individuzione" si puo proficuamente utilizzare la nozione di
fattispecie, osservando, con Proto Pisani, che la causa petendi consiste, in definitiva,
negli elementi di fatto e di diritto della fattispecie da cui deriva il diritto sostanziale".17
Fazzalari, provavelmente oprecursor em destacar a similitude prática de ambas as
teorias, já asseverava, há mais de 30 anos, que escolher entre "a alegação dos fatos
constitutivos" ou "a afirmação da relação jurídica", significa pôr-se, respectivamente, do
ponto de vista da fattispecie (substancial) e daquele dos efeitos que dela derivam, isto é,
de dois prismas perfeitamente compatíveis ... Mas com a "única advertência, de resto
pacificamente aceita, de que o nomen juris que o autor utiliza para caracterizar a
situação jurídica substancial deduzida não é vinculante para o juiz".18
Desenvolvendo essa linha de raciocínio, o eminente Professor, a quem o presente ensaio
é dedicado, demonstra grande perplexidade diante do "moderno pensamento
germânico", o qual estaria sacrificando, em nome do "altar da autonomia do processo", a
correlação entre as esferas processual e substancial ("distintas, mas não
incomunicáveis").
Afirma, pois, que' de tal sacrifício constituem evidências, aliás alarmantes, algumas
soluções alvitradas pela dogmática processual alemã, como, p. ex., "a de Nikisch,
segundo a qual a situação substancial não se faz relevante para individuar a afirmação
substancial não se faz relevante para individuar a afirmação jurídica do ator (
Rechtsbehauptung);a de Schwab, para quem o pedido do autor (Begehren) afigura-se
suficiente à individuação independentemente do concurso do Klagegrund; a de Botticher,
para quem o "objeto" do processo é o petitum, individuado não em relação ao
Klagegrund, mas, sim, ao seu escopo; a de Habscheid que, embora tenha o mérito de
reconhecer que a afirmação do autor se concretiza também através de seu fundamento,
acaba identificando este último com o vago conceito de "episódio da vida" (
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Lebensvorgang)por ele criado, mas sem aparente benefício, a partir daquele de
Lebenssachverhalt".19
Assim, para fixar o conteúdo do objeto do processo, Fazzalari confessa preferir a
orientação consolidada de há muito na doutrina peninsular, qual seja a que propala uma
coordenação entre situação substancial e processo...20
Despiciendo salientar, em minha opinião, que esta postura, lastreada em tradicional
visualização, de modo algum compromete a autonomia do processo em face da relação
de Direito Material controvertida, posto que constituem, à evidência, realidades de
patamares dogmáticos diferentes.
4. Interação entre direito e processo
A despeito da dificuldade - sobrelevada por Liebman21 - de serem traçados os horizontes
que delimitam os preceitos primários dos secundários, a separação do Direito Processual
do Direito Material, ocorrida a partir de meados do século passado, constituiu uma das
mais importantes conquistas no campo do Direito: a passagem da técnica à ciência teve
o condão de transformar a procedura no diritto processuale.22
Impende reconhecer que, na atualidade, os mais diversificados sistemas jurídicos são
construídos para ser articulados "em dois planos distintos, havendo normas com
diferentes graus de imperatividade, havendo códigos diferenciados (em que, bastante
aproximadamente, separa-se a matéria substancial da processual), havendo soluções
práticas diversas conforme se trate de questões de mérito ou de forma, havendo, enfim,
cada qual com o seu método, seus critérios, suas finalidades, um Direito Material e um
Direito Processual bem distintos entre si".23
Ocupando-se, igualmente, desse tema, para defender os fundamentos da chamada tese
dualista do ordenamento jurídico, Elio Fazzalari afirma que a atividade jurisdicional
pressupõe a existência e a atuação em concreto das normas materiais, não apenas no
âmbito do processo de cognição, mas, também, no das outras espécies de processo
existentes no ordenamento positivo.
Destaca, ainda, a necessária convivência das esferas de direito substancial e processual,
sendo que a primeira em relação à segunda, delineia-se como um prius lógico.24
Nesse mesmo sentido, ressalta Carnelutti que entre direito e processo existe um
relacionamento lógico circular: "O processo serve ao Direito, mas, para que sirva ao
Direito, deve ser servido pelo Direito".25
5. Função da causa petendi
Complementando o lúcido pensamento, acrescenta Fazzalari que a exposição da causa
de pedir é indispensável para o desenvolvimento do processo de conhecimento: "tal
alegação representa, na verdade, o parâmetro para a determinação da jurisdição, da
competência, da legitimação para agir...".
Desse modo, a argumentação alusiva à causa petendi consiste no meio pelo qual o
demandante introduz o seu direito subjetivo (substancial) no processo: "se é verdade
que o autor deduz fatos amoldando-os no esquema de uma norma, gerando
determinadas conseqüências jurídicas, não pode haver dúvida de que são deduzidos
fatos constitutivos da situação jurídica (substancial) preexistente e, antes de mais nada,
a hipótese concreta da qual deriva a posição de preeminência em relação ao bem; vale
dizer o direito subjetivo (substancial)".26
Direito subjetivo meramente afirmado, como é óbvio, em razão da autonomia do
processo no que se refere à relação de Direito Material, que se exprime, no âmbito da
ação civil, em termos de direito a uma decisão de mérito, e não a uma sentença
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favorável: se a circunstância fática da qual decorre o poder de agir não implica a
titularidade de uma situação de vantagem, mas a mera afirmação desta, o objeto do
processo será um direito não efetivamente existente, mas meramente afirmado. De tal
sorte, resta íntegra a distinção entre direito processual e direito substancial, sendo
respeitada a autonomia do primeiro em relação ao segundo; e, de outro lado, mantida a
correspondência entre ação e direito subjetivo, reafirma-se a instrumentalidade daquela
em relação a este.27
Em suma, para o Mestre de Roma, a causa petendi,contemplada como um dos
elementos componentes da demanda, corresponde, em última análise, ao elo de ligação
entre a norma de Direito Material supostamente violada e o juízo, a partir do momento
em que a situação substancial, retratada. na petição inicial, é levada à cognição judicial.
6. "Situação substancial"
Daí por que, realçando a importância desse nexo necessário entre o processo e a
situação substancial deduzida in statu assertionis, Fazzalari esclarece que o processo
jurisdicional é idealizado de modo que durante a sua tramitação seja possível constatar a
existência ou não de tal situação, e, caso seja positiva a respectiva verificação, haverá
lugar para o pronunciamento do órgão judiciário conforme a natureza do pedido
formulado.
Anota, outrossim, que a mencionada situação, no transcorrer do iter procedimental,
apresenta-se de modo diferenciado: na petição inicial da ação de conhecimento, p. ex.,
exsurge como afirmação do autor; transformar-se, em seguida, em objeto das
alegações, das provas e do debate, ou seja, do contraditório; por fim, no momento em
que o juiz verifica a sua existência, manifesta-se como situação declarada ou negada
pelo órgão jurisdicional.28
6.1 Processo civil de conhecimento
A situação substancial, que, de hábito, no processo civil de conhecimento, aparece no
ato introdutório da demanda, corresponde à "inobservânciado dever substancial posto a
serviço do direito subjetivo, e portanto, à lesão deste"; e que são descritas na petição
inicial.29
E essa desobediência do dever imposto pela lei culmina, em última análise, constituindo
o "pressuposto" da decisão almejada pelo demandante.
Assim, na ação de natureza condenatória referido pressuposto afigura-se evidente: Tício
não pagou a quantia devida a Caio; ou invadiu a propriedade deste.
Já no processo que se finda com sentença meramente declaratória, objeta-se o "dever
de não contestar o patrimônio de outrem, negando a existência de uma posição jurídica
que existe, ou afirmando a existência de uma inexistente posição alheia". Desse modo, a
"sentença declaratória da "nulidade" de um contrato pressupõe a violação do dever de
não se intrometer na esfera de direitos alheia, mediante um contrato nulo, vale dizer,
mediante a afirmação e o exercício de poderes que dele derivam".
Por fim, o ato decisório proferido em ação de natureza constitutiva também deve
considerar a não observância de um dever. Com efeito, a sentença que constitui a
situação que deveria decorrer do contrato definitivo, pressupõe a violação do comando
emergente da lei para que o contratante cumpra os termos da avença...30
Deve, pois, a situação substancial ser articulada: a) num dever e na sua respectiva
transgressão. A existência de um dever implica a invocação de uma norma material
qualificadora de uma especificada conduta. A desobediência consiste numa conduta
desconforme ao modelo-normativo; e, b) no direito subjetivo correspondente ao dever,
bem como na lesão do direito correlata à inobservância do dever: "A justiça civil é
institucionalmente considerada como resposta do Estado à lesão do direito subjetivo".
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A lesão do direito - complementa Fazzalari - conecta-se a "necessidade de justiça", a
necessidade de recorrer-se ao juiz: "necessidade que se distingue - na linguagem
tradicional e legislativa - do interesse (do titular) de agir. Lesão do direito, necessidade
de tutela e necessidade de exigi-Ia do juiz, constituem três momentos de uma única
seqüência lógica".31
O mesmo ocorre nas hipóteses em que se encontram em jogo interesses coletivos, uma
vez que o interesse é coletivo como matriz prática, embora, no plano jurídico,
delineia-se "individuado", desde que haja reconhecimento legislativo para a sua
respectiva proteção.32
6.2 Processo de execução
No processo de execução a situação substancial, consistente no inadimplemento da
obrigação e na respectiva lesão do direito subjetivo do credor, é igualmente introduzida
in limine em decorrência da prova do título que propicia a execução, sendo que os atos
processuais subseqüentes têm por pressuposto a situação de qua agitur descrita na
inicial.33
6.3 Processo penal de conhecimento
No âmbito do processo penal, a situação substancial deve ser retratada pela violação de
um dever imposto pelas normas penais materiais.34
6.4 Processo constitucional
Visualizando o processo que se finda com a declaração de inconstitucionalidade da lei,
Fazzalari assevera que este pressupõe a inobservância do "dever" do órgão legislativo,
no concernente ao conteúdo ou a outros elementos do ato atacado.
É bem de ver, no entanto, que, a exemplo do que ocorre no campo do processo penal, o
aludido "dever" da atividade legislativa não implica - no plano substancial - uma posição
de vantagem de outro sujeito. Trata-se, na verdade, de um "dever" contemplado em
benefício de toda a coletividade, sem que haja específicos destinatários.35
6.5 Processo administrativo
Concluindo a exposição acerca da relevância da situação substancial na tipologia do
fenômeno processual por ele concebida,36 aduz Fazzalari que na órbita do processo
administrativo aquela também é constituída pela transgressão ("ilícito") de uma norma
que impõe um dever a um órgão da Administração Pública e pelo pedido de correlata
prestação jurisdicional.37
7. Situação substancial e legitimação para agir
Examinando os pressupostos da legitimação ad causam no quadro dos denominados
"principi dei processi giurisdizionali", explica Fazzalari que "há hipóteses nas quais a
decisão jurisdicional pleiteada se delineia como um pronunciamento que criará uma
situação jurídica nova no patrimônio de certos sujeitos, mas uma situação nova de
conteúdo igual àquela substancial afirmada".
A condenação de Caio a pagar certa soma a Tício emerge como um comando que cria
uma nova obrigação para Caio, mas de conotação igual àquela já imposta pela norma de
Direito Material, embora não cumprida pelo devedor.
Em tais casos "pode-se admitir que o critério para estabelecer-se a legitimação dos
participantes é constituído tanto pelo conteúdo do pronunciamento reclamado, quanto
pela situação substancial preexistente ao processo: pelos dois prismas, legitimados
serão sempre Tício e Caio. E, por isso, é de acrescentar-se que a legitimação decorre da
"relação substancial" que circunscreve a lide".38
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8. À guisa de conclusão. Bibliografia
Diante das considerações tecidas, não me parece realmente possível dissociar-se, para a
demarcação do objeto do processo, a relação existente entre o Direito Material e o ato
processual que tem por pressuposto a afirmação daquele, no sentido imprimido por
Fazzalari, ou seja, a alegação da situação substancial como elemento integrante da
pretensão deduzida.
O objeto do processo, portanto, identifica-se com a circunstância jurídica concreta
deduzida em juízo in statu assertionis, e que aflora individualizada pela situação de fato
contrária ao modelo traçado pelo Direito Material.
Entendo, pois, que a sistematização idealizada pelo ilustre Professor ora homenageado
ostenta, na verdade, o grande mérito de valorizar a causa petendi, colocando-a, salvo
engano, em perfeita sintonia com prestigiosa doutrina que centra o direito subjetivo no
âmago da fenomenologia do processo.
Aliás, como lembra Attardi, para delimitar-se a correlação entre Direito Material e Direito
Processual é indispensável partir-se do primeiro. O processo é meio para a produção de
determinados efeitos jurídicos em favor do titular de um direito. As normas materiais, e
não somente as processuais, devem ser levadas em conta pelo juiz, existindo, portanto,
um sem número de possibilidades de que o titular do direito obtenha uma sentença, pois
o processo existe para que quem tenha direito possa conseguir sua realização ou
declaração.39
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* O presente ensaio destina-se a integrar a coletânea de estudos em homenagem ao
Prof. Elio Fazzalari.
9. Cf. Heinitz, I Limiti Oggettivi della Cosa Giudicata cit., p. 146; "Considerazioni attuali
sui limiti oggettivi deI giudicato", Giurisprudenza Italiana, 1955, parte I, p. 759.
1. Locução esta empregada, dentre outros, por Silvio Sorace, "Note intomo al problema
della individuzione della domanda giudiziale", Scritti Giuridici in Memoria de Francesco
Calasso, Roma, Ateneo, 1967, p. 373; e, na literatura pátria, por Araken de Assis,
Cumulação de Ações, São Paulo, Ed. RT, 1989, p. 103. Chiovenda, considerando a
autonomia da ação, prefere a expressão identificação das ações, cf. Principii di Diritto
Processuale Civile, 3.ª ed., Nápoles, Jovene, 1923, p. 278. Assim também, Liebman,
Manuale di Diritto Processuale Civile, v. I" 3.ª ed., Milão,Giuffrè, 1973, p. 152. Betti fala
em identificação da razão deduzida ("ragione fatta valere"): Diritto Processuale Civile
Italiano, 2.ª ed., Roma, Foro Italiano, 1936, p. 169; e Mandrioli em individuação do
objeto do processo: Corso di Diritto Processuale Civile, v. 1, 6.ª ed., Turim, Giappichelli,
1987, p. 131. Maria Victoria Berzosa Francos, em senso análogo, também se refere à
identificação do objeto do processo, cf. Demanda, Causa Petendi y Objeto dei Proceso,
Córdoba, Almendro, 1984, pp. 23 e ss.
2. "Identificazione delle azioni. Sulla regola ne eat judex uItra petita partium", Saggi di
Diritto Processuale Civile, v. 1, Roma, Foro Italiano, 1930, p. 159.
3. L' Identificazione delle Azioni, 2.ª ed., Pádua, Litotipo Ed. Univ., 1924, pp. 19 e ss.
4. V., sob o prisma do processo romano, Emst Levy, Die Konkurrenz der Actionen und
Personen im Klassischen Romischen Recht, v. 1, Aalen, Scientia, 1964, (reimpr. da ed.
1918), pp. 76 e ss.; Giuseppina Sacconi, La "Pluris Petitio" nel Processo Formulare
Contributo allo Studio dell' Oggetto del Processo, Milão, Giuffre, 1977, pp. 20 e ss.
5. System des heutigen Romischen Rechts, v. 5, Berlin, Veit und Comp., 1841, pp. 204 e
ss. (= Sistema dei Diritto Romano Attuale, trad. it. vittorio Scialoja, v. 5, Turim, Uno Tip.
Ed., 1893, pp. 236 e ss.).
6. "Note intomo aI problema della individuazione della domanda giudiziale" cit., p. 376.
7. Cf. Tullio Segré, "La causa petendi nell'identificazione della dom anda", Giurisprudenza
Italiana, 1958, parte I, p. 140; Emesto Heinitz, I Limiti Oggettivi della Cosa Giudicata,
Pádua, Cedam, 1937, p. 146, aduzindo que a aludida teoria reclama a "alegazione dei
fatti constitutivi" pelo autor.
8. La Modificazione de lia Domanda nel Processo Civile, Milão, Giuffre, 1958, p. 158. V.,
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a respeito da adoção da teoria da substanciação pelo direito processual civil brasileiro, a
partir do disposto nos arts. 158, III, do CPC (LGL\1973\5) de 1939, e 282, III, do atual
CPC (LGL\1973\5), Arruda Alvim, Direito Processual Civil, São Paulo, Ed. RT, 1972, pp.
46 e ss.; Botelho de Mesquita, "A causa petendi nas ações reivindicatórias", Ajuris,
20(1980)/166 e ss.; e, mais recentemente, Mílton Paulo de Carvalho, Do Pedido no
Processo Civil, Porto Alegre, Sérgio Fabris-FIEO, 1992, pp. 89 e ss.
10. Arturo Rispoli, "Ancora sul concetto di "causa petendi", Archivio di Ricerche
Giuridiche, Roma, Studio di Ricerche Giuridiche degli Avvocati, 1954, p. 113. V., ainda,
as precisas exposições de Botelho de Mesquita, "A "causa petendi" nas ações
reivindicatórias" cit., pp. 169 e 170; e de Araken de Assis, Cumulação de Ações cit.,
p.115.
11. Nikisch, sobrelevando os conhecidos aforismos jura novit curia e da mihi factum,
dabo tibi jus, rechaçou a concepção substancial e desenvolveu a denominada teoria
processual sobre o objeto litigoso, v. Der Streitgegenstand im Zivilprozess, Tübingen,
Mohr, 1935, pp. 14 e ss. e 81 e ss. (Einheit und Mehrheit der prozessualen Ansprüche).
12. Der Streitgegenstand im Zivilprozess, Munique, Beck'sche, 1954, p. 185 (em
vernáculo: "... objeto litigioso como o pedido do autor no sentido de que se pronuncie
uma sentença consoante tal solicitação").
13. Cf. "La teoria dell'oggetto del processo nell 'attuale dottrina tedesca", Studi in Onore
di Antonio Segui, v. 4, Milão, Giuffrè, 1967, p. 321.
14. Cf. Schwab, Der Streitgegenstand cit., p. 110.
15. É o próprio Schwab que ressalta a adesão de Rosenberg ao seu ponto de vista: "La
teoria dell'oggetto deI processo" cit., p. 320. V., ainda, acerca de posicionamentos
assemelhados, Sorace, "Note intorno aI problema della individuazione della domanda"
cit., pp. 386 e ss.
16. "L'oggetto deI processo nel diritto processuale civi1e tedesco", Rivista di Diritto
Processuale, 1980(3):457. Tais idéias já haviam sidoexaradas, muito antes, em sua
clássica obra Der Streitgegenstand im Zivilprozess und im Streiverfahren der Freiwilligen
Gerichtsbarketi, Bielefeld, Deutscher Heimat, 1956, pp. 109 e ss. Consulte-se, a
propósito, Elicio de Cresci Sobrinho, "Objeto litigioso - De Lent a Habscheid e Jauernig",
Revista Brasileira de Direito Processual, 19(1979)/56.
17. Cf. Corrado Ferri, Struttura dei processo e modificazíone de lIa domanda, Pádua,
Cedam, 1975, p. 87. V., em idêntico, senso, Cri santo Mandrioli, "Riflessioni in tema di
petitum e di causa petendi", Rivista di Diritto Processuale, 1984(3)/473; Augusto Cerino
Canova, "La domanda giudiziale ed il suo contenuto", Commentario dei Codice di
Procedura Civile, v. 2, t. 1, Turim, Utet, 1980, p. 36.
18. Note in Tema di Diritto e Processo, Milão, Giuffre, 1957, pp. 118 e 119.
19. Cf. Fazzalari, Note in Tema di Diritto e Processo cit., pp. 119 e 120.
20. Idem, p. 121. V., a respeito, Enrico Allorio, "Per una teoria dell' oggetto
dell'accertamento giudizia1e", Jus, 1955: 164 e ss.
21. V., a propósito, "Norme processuali nel Codice Civile", Rivista di Diritto Processuale,
1948: 158.
22. Cf. Carnelutti, "Profilo del rapporti tra diritto e processo", Rivista di Diritto
Processuale, 1960: 545, salientando, ainda, que não se requer muito esforço para intuir
que "a diferença entre Direito Material e Direito Processual pode ser feita a partir da
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comparação entre a fisiologia e a patologia: o Direito Processual entra em ação quando
no mecanismo do Direito Material ocorre alguma coisa que obsta o seu normal
desenvolvimento ... Na verdade, O Direito Processual serve para encontrar o remédio
que permitirá o restabelecimento da normalidade daquele desenvolvimento; mas, para
conhecer a ação do remédio, é necessário, antes de mais nada, estudar a doença" (p.
546).
23. Cf. Dinamarco, "Direito e Processo", Fundamentos do Processo Civil Moderno, São
Paulo, Ed. RT, 1986, pp. 31 e 32. V., em senso assemelhado, Arruda Alvim, Tratado de
Direito Processual Civil, v. 1, São Paulo, Ed. RT, 1990, p. 295.
24. Note in Tema di Diritto e Processo cit., pp. 47 e 115.
25. "Profilo dei rapporti tra diritto e processo" cit., pp. 544 e 545. Cf., também,
Carnelutti, Diritto e Processo, Nápoles, Morano, 1958, p. 33.
26. Note in Tema di Diritto e Processo cit.; p. 122.
27. Cf. Sergio Menchini, I Limiti Oggettivi dei Giudicato Civile, Milão, Giuffrè, 1987, pp.
45 e 46.
28. Istituzíoni di Diritto Processuale, 4.ª ed., Pádua, Cedam, 1986, pp. 228 e 232;
"Processo civile (dir. vig.)", Encic/opedia del Diritto, 36(1987)/149 e 150.
29. Cf. Fazza1ari, Istituzioni di Dirilto Processuale cit., p. 229; Lezione di Dirirto
Processuale Civile, v. 1, Pádua, Cedam. 1985. p. 17. V., ainda, o verbo "situazione
sostanziale" no Appendix que acompanha o recentíssimo Italian Yearbook of Civil
Procedure, v. 1, ed. geral Elio Fazzalari, Milão, Giuffrè, 1991, p. LXVIII. Despiciendo
ressaltar que, à luz de nosso CPC (LGL\1973\5), a situação substancial concerne à
indicação do fato e dos fundamentos jurídicos do pedido reclamada pelo inc. III do art.
282, como requisito da petição inicial.
30. Istituzioni di Diritto Processuale cit., pp. 243-245.
31. Istituzioni di Diritto Processuale cit., pp. 233 e 234; Processo Civile cit., p. 151.
32. Istituzioni cit., pp. 238 e ss.; Processo Civile cit., p. 153.
33. Istituzioni cit., p. 230; Processo Civile cit., p. 150.
34. Istituzioni cit., pp. 251 e 252.
35. Idem, pp. 252 e 253.
36. V., a respeito, Fazzalari, I Processi nell' ordinamento Italiano, Pádua, Cedam, 1973,
passim; Introduzione alia Giurisprudenza, Pádua, Cedam, 1984, pp. 91 e ss.
37. Istituzioni cit., pp. 245 e ss.
38. Cf. Fazzalari, I Processinell' Ordinamento Italiano, cit., p. 138.
39. Cf. Aldo Attardi, L' Interesse ad Agire, Pádua, Cedam, 1958, pp. 72 e 73.
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