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UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO – (UFOP)
INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS – (ICHS)
DEPARTAMENTO DE LETRAS – (DELET)
DISCIPLINA: PORTUGUÊS COMO SEGUNDA LÍNGUA- LIBRAS - (LET817).
DOCENTE: PROfª. ELI RIBEIRO
DISCENTE: MARISA C. S. OLIVEIRA.
RESENHA
FILME: A FAMÍLIA BÉLIER
	A Família Bélier é um longa francês, do ano de 2014, cujo autores Eric Lartigau e Thomas Bidegain, trazem um olhar realista sobre o enredo. A premissa deste filme é a história de uma garota tímida que descobre que tem um talento para o canto, gerando problemas sociais e principalmente familiares para ingressar esta carreira de cantora. Mas o maior diferencial na história é o fato de os pais e o irmão desta garota chamada Paula serem surdos. Sendo ela a única capaz de escutar, trabalha como intérprete nas negociações comerciais da fazenda da família, e se encarrega a ajudar na comunicação com os amigos e vizinhos. Outro ponto interessante a se destacar, é o fato do talento vocal da garota ganhar outro significado a partir do momento em que não pode ser apreciado pelos pais, a música se torna uma forma de escape da vida de dependência familiar, ressaltando a maturidade que ambas as partes têm ao lidar com esta situação.
	A Família Bélier visa amarrar pelo menos três contexturas paralelas, consisti em: a descoberta amorosa de Paula, a descoberta do talento para a música e a vontade do pai de se tornar prefeito do vilarejo. O mesmo se esforça para equilibrar paralelamente todas essas tramas, mas aos poucos abandona as histórias secundárias para se consagrar apenas na música. Existe a parte política envolvendo o pai e personagens como o irmão de Paula, que não ganham desenvolvimento forte. É compreensível que a intenção é equiparar os sonhos de cada um: tanto a filha, com dificuldades de abandonar a família para se tornar cantora, quanto do pai, sofrendo preconceito em se tornar político com a surdez. 
	Em face disso, destacando a surdez da família que é tratada no filme sem nenhuma vitimização, durante seus diálogos em libras, acompanhado por toda a conversa em legendas, se desdobrando em uma série de expressões identitárias a confrontar a ideia de condição limitante que precisa ser superada e que a sociedade muitas das vezes impõe. Por isso, se antes eram percebidos como “portadores” de uma enfermidade que os apequenava diante de um mundo ouvinte, ou como deficientes (na acepção vulgar e redutora do termo) acolhidos com caridade por instituições, hoje muitos surdos enlaçam-se em lutas políticas, organizados em associações e movimentos populares, a reafirmar e reivindicar direitos, como é bem percebido ao assistir ao filme, onde a família representada não possui nenhuma limitação em viver na sociedade, em trabalhar, ou seja, realizar qualquer função. 
	Outro enfoque, demarcado pelo filme A Família Bélier, traz à tona a enfática de reordenação de vida que aquela família foi obrigada a enfrentar, pelo fato da filha ser a única ouvinte e responsável por fazer os trabalhos administrativos da fazenda. Assim, percebe-se que a família assume um papel significativo no desenvolvimento por exemplo da criança surda, pois é ela uma das instâncias responsáveis para suprir, por meio do diálogo contextualizado, a falta de informações a que os surdos estão sujeitos, os mesmos sendo também influência no processo educacional, por isso observa tamanha contrariedade dos pais da garota no filme, quando ela revela que quer ir para Paris para participar de um concurso de canto. 
	Enfim, a partir da análise feita conclui-se que a relação entre pais surdos e filhos ouvintes tem, principalmente no aspecto afetivo, uma forma diferenciada de se desenvolver, com dificuldades características, mas em nada beira a impossibilidade. O que acontece certamente é que a surdez proporciona ao filho desenvolver uma sensibilidade maior no que diz respeito a língua de sinais ou a aquisição de uma nova linguagem 
	Compreendendo que, nem todos os pais surdos receberam durante a educação escolar, o aprendizado necessário para se fazer entender através do uso da linguagem brasileira de sinais – a libras, e de acordo com a necessidade é criada uma forma particular de os familiares se comunicarem com os surdos e eles próprios exteriorizarem aquilo que não é possível ser verbalizado. A comunicação pode tranquilamente acontecer, independentemente dos meios formais apresentados pela sociedade organizada, e também deve ser entendida como válida na medida em que o ciclo comunicacional se fecha. Logo, o filho ouvinte aprende a administrar a forma preconceituosa em que os pais são tratados para que a exclusão deixe de existir com o passar do tempo. É acima de tudo transformadora essa relação familiar.

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