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1
 
 
O PROCESSO HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E SUAS IMPLICAÇÕES: 
DESAFIOS E POSSIBILIDADES 
 
Maria Cristina L. P. Lopes – UCDB 
Arlinda Cantero Dorsa – UCDB 
Blanca Martín Salvago – UCDB 
Cláudio Zarate Sanavria – UCDB 
Jeferson Pistori – UCDB 
 
 
Introdução 
 
 Para entender a Educação a Distância (EAD) hoje, precisamos conhecer a sua história: sua 
origem, seu passado, sua evolução, e, por conseqüência, suas implicações, desafios e 
possibilidades atuais. 
Portanto, discutimos inicialmente a EAD no Brasil e no mundo nos remontando às datas e 
aos acontecimentos mais marcantes dessa história: cursos por correspondência, experiências 
radiofônicas e utilização de programas de televisão em projetos educativos, e a inserção das 
Tecnologias da Informação e da Comunicação no contexto educacional. 
Em seguida, focamos a EAD em uma Instituição de Ensino Superior de Mato Grosso do 
Sul (Universidade Católica Dom Bosco - UCDB): sua história, particularidades e proposta 
pedagógica. 
Por fim, centramos nossa discussão nos desafios que a EAD enfrenta: novas formas de 
enxergar o currículo, a integração da modalidade presencial e a distância, o processo de ensino e 
de aprendizagem com foco na interação e colaboração e a formação do professor em uma 
sociedade em processo de digitalização. 
 
A EAD no Brasil e no mundo 
 
Para entendermos melhor o atual contexto da Educação a Distância, é necessário que 
analisemos, em princípio, o seu processo histórico de construção e evolução. Segundo Barros 
(2003), os primeiros indícios de utilização da Educação a Distância remontam ao século XVIII, 
 2
 
 
quando um curso por correspondência foi oferecido por uma instituição de Boston (EUA). A 
partir de então, é possível estabelecermos uma cronologia da evolução da EAD no mundo. 
As primeiras experiências com EAD no século XIX, apresentam uma concentração maior 
na Europa, com o oferecimento de cursos por correspondência na Suécia, Reino Unido e 
Espanha, além dos Estados Unidos. No início do século XX, países como Austrália, Alemanha, 
Noruega, Canadá, França e África do Sul começam a vivenciar suas primeiras experiências com 
esse tipo de ensino. Entretanto, apenas na segunda metade do século XX é que a EAD começou a 
se fortalecer e a se estabelecer como uma importante modalidade de ensino. 
Em 1969, na Inglaterra, é autorizada a abertura da British Open University, considerada 
como um importante acontecimento dentro da evolução da EAD por trazer inovações nos 
instrumentos de comunicação entre professores e alunos, assim como na recepção e envio dos 
materiais educativos. Para Barros (2003), esta instituição é pioneira no que hoje entendemos 
como ensino superior a distância. Segundo Litwin (2001, p. 15), a Open University “[...] mostrou 
ao mundo uma proposta com um desenho complexo, a qual conseguiu, utilizando meios 
impressos, televisão e cursos intensivos em períodos de recesso de outras universidades 
convencionais, produzir cursos acadêmicos de qualidade. [...] A Open University transformou-se 
em um modelo de ensino a distância”. 
Litwin (2001) e Barros (2003) também citam a criação da Universidade Nacional de 
Educação a Distância, na Espanha, em 1972, que surgiu com idéias atrativas para estudantes de 
graduação e pós-graduação do mundo inteiro, com grande parcela de alunos latino-americanos. 
Na América Latina, países como Costa Rica, Venezuela, El Salvador, México, Chile, 
Argentina, Bolívia e Equador também implementaram programas de Educação a Distância, como 
aponta Barros (2003). Litwin (2001) afirma que instituições como a Universidade Aberta da 
Venezuela e a Universidade Estatal a Distância da Costa Rica, ambas criadas em 1977, adotaram 
o modelo da British Open University de produção e implementação. 
No Brasil, o desenvolvimento da EAD tem seu início no século XX, em decorrência do 
iminente processo de industrialização cuja trajetória gerou uma demanda por políticas 
educacionais que formassem o trabalhador para a ocupação industrial. Dentro desse contexto, a 
Educação a Distância surge como uma alternativa para atender à demanda, principalmente 
através de meios radiofônicos, o que permitiria a formação dos trabalhadores do meio rural sem a 
necessidade de deslocamento para os centros urbanos. 
 3
 
 
A história da educação a distância no Brasil esteve sempre ligada à formação profissional, 
capacitando pessoas ao exercício de certas atividades ou ao domínio de determinadas habilidades, 
sempre motivadas por questões de mercado. A partir dos anos 30, as políticas públicas viram na 
Educação a Distância uma forma de atingir uma grande massa de analfabetos sem permitir que 
houvesse grandes reflexões sobre questões sociais. Com o estabelecimento do Estado Novo, em 
1937, a educação passou a ter o papel de “adestrar” o profissional para o exercício de trabalhos 
essenciais à modernização administrativa. Dentro deste contexto de formação profissional, 
surgem o Instituto Rádio-Técnico Monitor em 1939, e o Instituto Universal Brasileiro, em 1941, 
como aponta Nunes (1992). 
Foram várias experiências radiofônicas até a implantação da televisão no Brasil, nos anos 
50, que possibilitou o desenvolvimento de idéias relacionadas ao uso deste novo meio de 
comunicação na educação. Dessa maneira, nos anos 60, surgem as televisões educativas. 
Já na década de 70, a Educação a Distância começa a ser usada na capacitação de 
professores através da Associação Brasileira de Teleducação (ABT) e o MEC, através dos 
Seminários Brasileiros de Tecnologia Educacional. Ainda no contexto do rádio, é criado em 1973 
o Projeto Minerva, que disponibilizou cursos para pessoas com baixo poder aquisitivo. Na mesma 
época surge o Projeto Sistema Avançado de Comunicações Interdisciplinares (SACI) que, dentro 
de uma perspectiva de uso de satélites, chegou a atender 16.000 alunos entre os anos de 1973 e 
1974. 
Em 1978 é criado o Telecurso 2º grau, através de uma parceria da Fundação Padre 
Anchieta e Fundação Roberto Marinho. Seu foco era a preparação de alunos para exames 
supletivos de 2º grau. Já em 1979 temos a criação da Fundação Centro Brasileiro de Televisão 
Educativa (FCTVE), utilizando programas de televisão no projeto Movimento Brasileiro de 
Alfabetização (MOBRAL). Neste mesmo ano, a Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de 
Ensino Superior (CAPES) faz experimentos de formação de professores do interior do país 
através da implementação da Pós-Graduação Experimental a Distância. 
Já em 1984, em São Paulo, é criado o Projeto Ipê, com o objetivo de aperfeiçoar 
professores para o Magistério de 1º e 2º graus. Na década de 90 temos, em 1995, a reformulação 
do Telecurso 2º Grau, que passa a se chamar Telecurso 2000, incluindo nesse o curso técnico de 
mecânica. Nessa mesma década, surge o projeto “Um Salto para o Futuro” que objetivava o 
aperfeiçoamento de professores das séries iniciais. 
 4
 
 
Em 1995, também é criada a Secretaria de Educação a Distância (SEED/MEC) que 
desenvolveu e implantou, em 2000, um curso a distância vinculado ao Projeto TV Escola, 
também objetivando a formação de professores. Ainda nos anos 90, podemos citar a criação do 
Canal Futura, uma iniciativa de empresas privadas para a criação de um canal com programas 
exclusivamente educativos. 
Para Barros (2003), assim como as exigências educacionais sofreram grandes alterações 
advindas das mudanças nas relações de trabalho com a Revolução Francesa e a Revolução 
Industrial, hoje vivenciamos a revolução das tecnologias, mais especificamente das tecnologias 
da informação, que mais uma vez afeta as relações de trabalho, e isso certamente se reflete na 
educação. 
Duas tendênciaseducacionais se firmaram no Brasil, no contexto da Educação a 
Distância, segundo Barros (2003, p. 52): “[...] a universalização das oportunidades e a preparação 
para o universo do trabalho”. Autores como Nunes (1992) observam que, em todo o seu processo 
histórico, a Educação a Distância sofreu todo um processo de transformação, principalmente no 
que diz respeito ao preconceito sofrido por essa modalidade. 
Aos poucos, a Educação a Distância está perdendo o estigma de ensino de baixa 
qualidade, emergencial e ineficiente na formação do cidadão. Mas, como toda modalidade de 
ensino, não se constitui na solução para todos os problemas. Atualmente vivenciamos novos 
desafios, principalmente no que diz respeito ao impacto nas novas tecnologias na Educação a 
Distância. 
 
EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA EAD-UCDB: ESTUDO DE CASO 
 
O ano de 1996 foi um marco importante para toda a educação brasileira, mais 
precisamente, o dia 20 de dezembro de 1996, no qual a lei 9.394 foi sancionada pelo presidente 
da república. Esta lei, que ficou mais conhecida como Lei de Diretrizes e Bases (LDB), 
estabeleceu as diretrizes e bases da educação nacional. 
Para a Educação a Distância, esta lei teve muita importância, e mesmo não abrangendo 
aspectos necessários de regulamentação da modalidade, assinalou que a mesma deveria ser uma 
realidade próxima à educação brasileira, inclusive indicando tratamento diferenciado que incluía: 
custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e 
 5
 
 
imagens; concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas e reserva de tempo 
mínimo, sem ônus para o Poder Público, pelos concessionários de canais comerciais. 
Mas de fato, mesmo tendo diversos decretos e portarias emitidas, a consolidação da 
regulamentação da EAD veio através do decreto 5.622 de 19 de dezembro de 2005. Há ainda 
alguns aspectos que precisam ser reconsiderados, mas já foi possível que as instituições de ensino 
pudessem desenvolver seus programas e cursos de maneira mais regulamentada e com alguns 
parâmetros de qualidade pré-definidos. Destacamos como ponto positivo deste decreto, a 
definição de competências de regulação e a equiparação de validade dos cursos na modalidade 
EAD com os cursos presenciais. 
Para exemplificar a utilização da EAD no ensino superior, descrevemos a experiência de 
quase 10 anos de Educação a Distância na Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). 
A UCDB desenvolve e propaga conhecimento em todas as grandes áreas da ciência. Ela 
oferece atualmente mais de 40 cursos de graduação e vários cursos de pós-graduação presenciais 
e a distância. A instituição tem aproximadamente 12.000 estudantes, em três campi e 12 pólos de 
apoio presencial no Brasil, contando com mais de 1.000 funcionários, sendo aproximadamente a 
metade destes, professores. 
A proposta pedagógica da UCDB para o desenvolvimento de cursos na modalidade a 
distância é fundamentada no estímulo ao aprendizado interativo, cooperativo e na auto-
aprendizagem, utilizando para isso uma combinação de mídias, priorizando a Internet e 
promovendo a autonomia acadêmica de forma responsável e criativa. 
Ao longo dos cursos, o aluno deverá estabelecer uma rotina de estudos, mantendo uma 
interação constante com o professor, tutor e colegas, para tirar dúvidas, trocar impressões, pedir 
orientações, partilhar experiências, visando sempre a construção cooperativa do conhecimento. 
No Quadro 1, apresentamos um pouco da história de EAD na UCDB, e vale comentar que 
o processo de utilização da EAD se assemelha bastante com as demais universidades do país, 
iniciando com a experimentação em laboratório de ensino, ofertando depois cursos de extensão 
acadêmica, pós-graduação lato sensu e cursos de graduação, nesta seqüência. 
 
Ano Acontecimento 
1998 Um grupo de professores, das áreas de informática e licenciatura em 
 6
 
 
matemática, inicia estudos sobre a utilização de novas tecnologias de informação e 
comunicação no contexto de sala de aula presencial. Pesquisando, dentre outras 
coisas, a utilização de ferramentas de autoria e de apoio ao trabalho cooperativo 
para a criação de ambientes multimídias com o uso do computador como 
instrumento principal neste contexto. As experiências aconteciam nos laboratórios 
de informática da instituição. 
2000 
Com os estudos e pesquisas caminhando para a descoberta da EAD na 
UCDB, neste ano foi constituído um grupo de estudos e de pesquisa denominado 
Grupo de Educação a Distância - GEAD, com o objetivo de estudar as 
metodologias e ferramentas para uso em cursos a distância. O grupo era composto 
pelas pessoas que estudavam as tecnologias de comunicação e informação, mais 
alguns professores das áreas de letras e pedagogia. 
2001 
Neste ano, foi criado o laboratório de educação a distância, onde eram 
feitos experimentos com mídias para a construção de cursos on-line. O curso 
“Formação do Professor para o Uso das Novas Tecnologias” foi oferecido à 
comunidade acadêmica a distância. 
2002 
Visando o oferecimento de cursos de graduação a distância, foi criada a 
Coordenadoria de Educação a Distância, órgão ligado à Pró-reitoria Acadêmica e 
aprovado pelo Conselho Universitário (CONSU), que iniciou os trabalhos para a 
oferta de cursos superiores a distância. Neste mesmo ano, a UCDB assina 
convênio de cooperação e intercâmbio científico e tecnológico com as 
universidades que constituem a Comunidade Virtual de Aprendizagem da Rede de 
Instituições Católicas de Ensino Superior CVA-RICESU. 
2003 
A oferta de cursos de extensão acadêmica se fortaleceu e, neste mesmo 
ano, foi feita a solicitação ao MEC da autorização para oferta de cursos superiores 
na modalidade EAD. Dois projetos pedagógicos de curso foram enviados, 
Administração Pública e Administração em Agronegócio, com parte do material 
didático a ser utilizado já pronto e testado. 
2004 A UCDB recebe a visita da Comissão de Avaliação do MEC para 
 7
 
 
credenciamento no oferecimento de cursos superiores a distância 
2005 
A UCDB é credenciada para ofertar cursos superiores a distância, através 
dos convênios firmados com a Missão Salesiana em todo Brasil e a CVA-
RICESU (Portaria Ministerial Nº. 550, de 25 de Fevereiro de 2005). 
2006 
A Coordenadoria de Educação a Distância é transformada em Diretoria 
Acadêmica de Educação a Distância, com representatividade nos Conselhos de 
Ensino, Pesquisa e Extensão e Conselho Universitário. E neste mesmo ano, foi 
criado o GETED - Grupo de Pesquisa e Estudos em Tecnologia Educacional e 
EAD da UCDB, registrado como grupo de pesquisa no Conselho Nacional de 
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 
2007 
Consolidação da utilização de 20% da carga-horária dos currículos dos 
cursos presenciais, com a utilização de metodologia a distância. Foi instituída a 
utilização de algumas disciplinas nos currículos dos alunos dos cursos presenciais, 
utilizando totalmente a EAD. 
Quadro 1 - Histórico-descritivo da evolução da EAD na UCDB 
 
Atualmente a Educação a Distância da UCDB atua em cinco áreas de oferta: 
Graduação: Os cursos de Graduação na EAD têm como orientação uma aprendizagem 
ativa, onde os acadêmicos são o centro do processo de ensino-aprendizagem. O professor tem um 
papel fundamental como mediador e motivador, sendo o responsável pelo processo de ensino-
aprendizagem. 
Pós-Graduação: Os cursos de Pós-Graduação Lato Sensu em nível de especialização são 
voltados às expectativas de aprimoramento acadêmico e técnico-profissional com caráter de 
educação continuada. 
Extensão/capacitação: A EAD oferece, também, cursos de Extensão para atualização e 
qualificação profissionalde nível básico, em várias áreas de atuação para a comunidade em geral, 
promovendo a difusão dos conhecimentos gerados pela comunidade acadêmica. 
Cursos Corporativos: A EAD está aberta para o oferecimento de cursos em convênio 
com órgãos públicos e privados, empresas e universidades que tiverem interesse na capacitação e 
formação continuada de seus membros colaboradores. 
 8
 
 
Apoio ao Ensino Presencial: A EAD oferece apoio logístico e pedagógico para 
oferecimento de disciplinas na modalidade a distância e semi-presencial em diferentes cursos da 
universidade. 
O perfil dos alunos que estudam nos curso de graduação a distância da UCDB é indicado 
com a ajuda da Figura 1. 
 
 
Figura 1 - Perfil dos alunos de EAD na UCDB 
 
Podemos notar que mais de 40% dos alunos estão acima dos 40 anos de idade, não moram 
nas capitais e são de predominância masculina. Esta análise foi feita levando em consideração os 
cursos de Administração e Ciências Contábeis, motivo pelo qual o perfil indica faixa etária tão 
elevada, porém, a média etária nacional está em torno de 30 anos. Isso mostra que a EAD está 
diretamente ligada ao aprendizado ao longo da vida e à inclusão social. 
O modelo de EAD adotado pela UCDB busca construir uma Comunidade Virtual de 
Aprendizagem (CVA). Na figura 2, apresentamos a mudança de paradigma que se faz necessária 
para uma educação a distância de qualidade. 
 9
 
 
 
Figura 2 - Construção da Comunidade Virtual de Aprendizagem 
 
Por meio desta breve apresentação, podemos perceber que, se comparado com a história e 
a experiência que a instituição tem de ensino presencial, a educação a distância está apenas 
começando e, mesmo assim, já mostra indícios de inovações, de novas perspectivas e, também, 
desafios. Por isso, a seguir apresentamos os principais desafios que merecem uma maior reflexão 
e discussão. 
 
FLEXIBILIDADE NO ENSINAR E NO APRENDER: O PRIMEIRO DESAFIO 
 
Uma das grandes vantagens da EAD é a flexibilidade, característica que faz com que essa 
modalidade seja atrativa para os que buscam escapar dos moldes convencionais da educação. 
Quando se fala em flexibilidade, pensa-se em primeiro lugar na flexibilidade de tempo e 
espaço, pelo fato do aluno poder acessar e estudar no lugar e tempo desejado. Além disso, há a 
possibilidade do aluno estabelecer o próprio ritmo de estudo, abreviando ou alongando o tempo 
considerado como ideal para os cursos presenciais. É uma abertura real que começa a se 
concretizar na vida acadêmica na modalidade a distância. 
Outra possibilidade que se abre como desafio para o futuro é a flexibilidade no sentido de 
deixar que o aluno possa fazer disciplinas em outras Instituições, com outros professores, 
enriquecendo seu currículo com o que tem de melhor na sua área de formação. Estamos a 
 10
 
 
caminho de uma educação sem fronteiras mesmo. Talvez seja sonhar, mas, não faz tanto tempo, 
poucos sonhavam que seria possível estudar uma graduação sem necessidade de freqüentar as 
carteiras de uma Universidade. 
Com essa nova flexibilidade, o conceito de grade curricular abre espaço a outros conceitos 
mais dinâmicos que permitem uma maior abertura e liberdade ao processo educacional. Se 
procurarmos a palavra “matriz” no dicionário Aurélio, vemos que as duas primeiras definições 
são: “lugar onde algo se gera ou cria”, “aquilo que é fonte, origem, base, etc.”. Portanto, a palavra 
matriz evoca as idéias de “criação” e “geração” que norteiam uma concepção mais abrangente, 
flexível e dinâmica de currículo, não devendo ser uma coisa fechada, engessada. 
A Matriz Curricular deve ser um referencial que oriente a formação dos acadêmicos de 
cada área do conhecimento. Os eixos temáticos e as atividades integradoras e interdisciplinares 
permitem uma abertura nesse sentido. Sendo assim, há espaço para contemplar, além das 
disciplinas básicas e específicas da profissão, experiências vividas, contextos culturais 
diferenciados, necessidades específicas das regiões e dos próprios alunos. 
Toda essa abertura traz diversidade e riqueza que não pode permanecer limitada ao 
contexto da EAD, pois é possível otimizar o contexto da educação presencial utilizando toda essa 
flexibilidade. 
E é nesse contexto que a integração da modalidade presencial e a distância se apresenta 
como um desafio no sentido de poder alcançar uma educação com qualidade, com foco na 
formação integral do indivíduo. 
 
INTEGRAÇÃO DAS DUAS MODALIDADES PRESENCIAL E A DISTÂNCIA: O 
SEGUNDO DESAFIO 
 
Quase todos nós conhecemos a educação presencial, mas poucos conhecem a modalidade 
a distância. Porém, este panorama está mudando devido à inclusão das TICs (Tecnologias de 
Informação e Comunicação) na educação convencional: os alunos dos cursos presenciais estão 
tendo a oportunidade de conhecer as possibilidades que oferecem as novas tecnologias no 
contexto educacional. 
Como afirma Moran, 
 
 11
 
 
Estamos caminhando para uma aproximação sem precedentes entre os cursos 
presenciais (cada vez mais semi-presenciais) e os a distância. Os presenciais 
terão disciplinas parcialmente a distância e outras totalmente a distância. [...] 
Teremos inúmeras possibilidades de aprendizagem que combinarão o melhor do 
presencial (quando possível) com as facilidades do virtual. Em poucos anos 
dificilmente teremos um curso totalmente presencial (MORAN, 2005: pp.19-
20). 
 
 Estamos caminhando para formas de gestão mais flexíveis e menos centralizadas, mesmo 
que, como Moran (2006) alerta, o processo de mudança na educação não seja fácil nem uniforme. 
Do mesmo jeito que na sociedade a integração das tecnologias acontece de maneira desigual, na 
educação também existe desigualdade de possibilidades, pois nem todos têm acesso aos recursos 
tecnológicos que poderiam democratizar a informação e a educação. 
Por outro lado, temos que dizer que também é difícil se adaptar a novos modelos 
educacionais, deixando para trás os velhos paradigmas e padrões conhecidos. E essa resistência 
não é só no sentido do preconceito ou do receio que pode se sentir perante o novo, o 
desconhecido. A proposta de novos paradigmas educacionais centrados na figura do aluno mais 
do que no professor, na aprendizagem mais do que no ensino, ainda provoca desconfiança em 
alunos e professores. 
Num diálogo entre as duas modalidades, a educação começa a reconfigurar-se e os 
envolvidos –alunos e professores- começam a perceber que a aula pode continuar fora do espaço 
físico escolar. Por exemplo, o uso de um fórum de discussão pode se configurar como uma sala 
de construção de conhecimento. Essa ferramenta propicia um espaço de discussão em que todos 
se posicionam, refletem e argumentam, “num fluxo que na modalidade presencial se torna difícil, 
pois o tempo de reflexão, leitura e fala é diferente” (SCHERER, s.d.). 
A aproximação das duas modalidades fará com que no futuro não se faça mais essa 
distinção radical entre cursos a distância e cursos presenciais como modalidades distantes e, às 
vezes, até contrárias na metodologia e na proposta educacional. Poderemos falar de híbridos, isto 
é, teremos uma nova modalidade que consistirá na integração das duas agora existentes, pegando 
o melhor dos modelos atuais. “Os conceitos de presencial e a distância sofrerão tais remodelações 
que se tornarão rapidamente obsoletos” (MORAN, s.d.). 
 O momento atual que estamos vivendo de separação das duas modalidades faz parte de 
um processo, mas representa apenas a fase inicial do mesmo. Ainda há muito caminho a trilhar e 
a tendência é a convergência e integração: os cursos “presenciais” usarão de momentos virtuais 
 12
 
 
para enriquecer e diversificar a aprendizagem,como mais um recurso entre tantos; e os cursos “a 
distância” poderão usar de momentos presenciais quando a especificidade do curso assim o 
exigir. 
 Ainda de acordo com Moran, 
 
Com o aumento do acesso dos alunos à Internet, poderemos flexibilizar bem 
mais o curriculum, combinando momentos de encontro numa sala de aula, com 
outros de aprendizagem individual e grupal. Aprender a ensinar e a aprender 
integrando ambientes presenciais e virtuais é um dos grandes desafios que 
estamos enfrentando atualmente na educação no mundo inteiro (MORAN, s.d.) . 
 
O próprio MEC acredita na integração da educação presencial e a educação a distância, 
pois permite que 20% da carga horária total do curso seja a distância, abrindo novas 
possibilidades de aumento desse percentual para 50%, minimizando a distinção entre as duas 
modalidades. O que na verdade se prioriza é a qualidade da educação, independente da 
modalidade que prevaleça. 
 
INTERAÇÃO E COLABORAÇÃO NO ENSINAR E NO APRENDER: O TERCEIRO 
DESAFIO 
 
O uso de material impresso ainda é usado como suporte quase que exclusivo na EAD. 
Segundo Scherer (s.d.), 
a EAD continua reduzida para muitos a um ensino por tutoria utilizando material 
impresso, apesar das possibilidades de uso das diferentes tecnologias 
desenvolvidas com o avanço das ciências. Tanto se privilegia o ensino nestas 
práticas, que fica difícil falar em educação, pois o design dos cursos continua 
centrado na instrução, na leitura, numa troca restrita a perguntas e repostas entre 
alunos e professores, numa relação que prioriza o resultado e não o processo. 
 
Quando falamos em educação, independente de onde esta ocorra, é necessário pensarmos 
que nossa intenção é educar, educar seres humanos. O que isto significa? Significa que estamos 
“dialogando” com seres que pensam, sentem, fazem e são. Seres que já pensavam antes de 
entrarem na escola ou no espaço para o qual foram para aprender e ensinar. Como podem eles 
ensinar, se foram aprender? 
A Educação a Distância pode ocorrer por meio de diferentes modalidades: material 
impresso, TV, CD, Internet, entre outros. 
 13
 
 
Porém um dos principais fatores de crescimento e aceitação da EAD como 
forma eficaz de aprendizado é o uso de tecnologia para permitir uma maior 
interatividade, tanto com o professor quanto com os colegas de uma turma 
virtual. [...] Por se tratar de um método de ensino em que é outorgado ao aluno 
um alto grau de autonomia, tem a vantagem de permitir o controle do ritmo e, 
até certo ponto, do direcionamento do aprendizado. Porém, quando a EAD não 
conta com ferramentas de comunicação e interatividade eficientes, esta 
autonomia é acompanhada por um forte efeito de dispersão, onde o aluno se 
sente sozinho no processo de aprendizado, sem apoio facilitado e sem referência 
(FARIAS, 2007). 
 
Neste sentido, a Universidade Católica Dom Bosco, oferece Educação a Distância 
integrando várias mídias, com o intuito de facilitar a interação: material didático impresso, 
ambiente virtual de aprendizagem, aulas audiovisuais, vídeo-aulas, etc. 
 
 
Figura 3 – Material didático utilizado no processo de ensino-aprendizagem 
 
Um dos maiores desafios da educação é sair de uma aula linear, passiva e individual, 
tendo o professor como o detentor do conhecimento e responsável do processo educacional, 
trabalhar a motivação dos alunos, não transformar a sala de aula virtual em modelos de conteúdos 
feitos para assimilar e repetir. Moran reforça este conceito quando afirma que: 
 
É difícil manter a motivação no presencial e muito mais no virtual, se não 
envolvermos os alunos em processos participativos, afetivos, que inspirem 
confiança. Os cursos que se limitam à transmissão de informação, de conteúdo, 
mesmo que estejam brilhantemente produzidos, correm o risco da desmotivação 
 14
 
 
a longo prazo e, principalmente, de que a aprendizagem seja só teórica, 
insuficiente para dar conta da relação teoria/prática. Em sala de aula, se 
estivermos atentos, podemos mais facilmente obter feedback dos problemas que 
acontecem e procurar dialogar ou encontrar novas estratégias pedagógicas. No 
virtual, o aluno está mais distante, normalmente só acessível por e-mail, que é 
frio, não imediato, ou por um telefonema eventual, que embora seja mais direto, 
num curso à distância encarece o custo final (MORAN, s.d.: p.3). 
 
 Silva (2006) aborda as exigências da cibercultura referentes à prática docente, à 
aprendizagem significativa, à implementação de um conjunto diverso de estratégias para criar e 
partilhar on-line soluções que podem ser elaboradas pelos professores com seus alunos. 
 Na concepção da autora, isto significa sair da velha sala de aula presencial para uma 
interface hipertextual, hipermediática e interativa. Outra exigência seria a proposta de construção 
do conhecimento com o uso correto da tecnologia de informação e comunicação (TIC), coisa que 
não se garante com o simples acesso. 
 Sendo assim, fica claro que o interesse pelo ambiente de aprendizagem é de suma 
importância para a efetivação dos cursos, desde que ele propicie a interação feita por meio de 
uma postura de relacionamento entre professor e aluno. 
O que é efetivamente esta interação? 
A palavra interação acontece na ação realizada entre duas ou mais pessoas ou coisas e que 
mesmo realizadas de formas diferentes, possuem a mesma finalidade: comunicar-se. 
Já a palavra interatividade contém significações diversas. Por exemplo, Amstel (2003) 
classifica a interatividade como “um canal de mão dupla onde um sujeito ajuda o outro para realizar 
uma ação conjunta”. Para Silva (s.d.), a “interatividade é um conceito de comunicação e não de 
informática”. 
 Assim como os dois autores citados, Lévy (1999: p. 82) caracteriza a interatividade como “a 
necessidade de um novo trabalho de observação, de concepção e avaliação dos modos de 
comunicação”. 
 Esses três autores concordam com o fato de que interatividade implica uma ação e para 
que haja essa ação deve ter uma boa comunicação não se limitando às tecnologias digitais. 
Silva faz uma crítica à banalização da expressão interatividade quando afirma que: 
 
Há uma crescente utilização do adjetivo “interativo” para qualificar qualquer 
coisa (computador e derivados, brinquedos eletrônicos, eletrodomésticos, 
sistema bancário on-line, shows, teatro, estratégias de propaganda e marketing, 
 15
 
 
programas de rádio e tv, etc.), cujo funcionamento permite ao usuário-
consumidor-espectador-receptor algum nível de participação, de troca de ações e 
de controle sobre acontecimentos. Podemos dizer então que há uma indústria da 
interatividade em franco progresso acenando para um futuro interativo. 
Há, certamente, a banalização decorrente do seu uso indiscriminado como 
argumento de venda. No entanto, o adjetivo “interativo” qualifica 
oportunamente a modalidade comunicacional emergente no último quarto do 
século XX. Qualifica a nova relação emissão-mensagem-recepção, diferente 
daquela que caracteriza o modelo unidirecional próprio da mídia de massa 
(rádio, cinema, imprensa e tv) baseado na transmissão. 
 
A interatividade, em cursos a distância, não consiste apenas em trocar informações e/ou 
obter conhecimento, mas também em exercer um convício virtual. Notamos que um simples 
“Bom dia” e “Obrigada” sempre estimula o aluno a continuar sua caminhada. É por isso que a 
interatividade está em todo lugar, de várias formas, mas visando a comunicação entre duas ou 
mais coisas e/ou pessoas. 
Segundo Lopes & Salvago (2005): 
 
A interatividade assinala muito mais um problema: a necessidade de um novo 
trabalho de observação, de concepção e de avaliação dosmodos de 
comunicação do que uma característica simples e unívoca atribuível a um 
sistema específico. Acreditamos que não basta dispor das novas tecnologias 
para garantir a interatividade e sim de disposição em engajar-se nas atividades 
propostas, espírito aberto às discussões e envolvimento no curso como um todo. 
 
Moran (s.d.) assinala que as tecnologias interativas, sobretudo, vêm evidenciando, na 
educação a distância, o que deveria ser o cerne de qualquer processo de educação: a interação e a 
interlocução entre todos os que estão envolvidos nesse processo. 
Já Scherer (s.d.) considera 
 
 um desafio para os formadores transformarem a ação de ensinar em uma ação 
de aprender, em criação de possibilidades para a construção do conhecimento, 
abandonando a transferência deste para os alunos. Ou seja, todos são aprendizes 
no processo, pois não há docência sem discência, enquanto aprendemos também 
ensinamos e enquanto ensinamos também aprendemos, apesar das diferenças 
entre alunos e professores, nenhum se reduz à condição de objeto, um do outro. 
 
Aprender uns com os outros, construir conhecimento juntos e partilhar experiências são 
ações que vão ao encontro dos quatro pilares da educação para o século XXI, sugeridos por 
Delors et al. (1998): aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a conviver. 
 16
 
 
Centrados no aprender a conviver, podemos focar a questão da colaboração. A concepção 
colaborativa no ensinar e no aprender mediada pelas tecnologias pode tirar as pessoas do 
isolamento. Segundo Kenski (2003: p.112), 
a criação de ambientes virtuais tecnologicamente apropriados para a 
realização de atividades educacionais precisa ser complementada com 
ações que tirem as pessoas do isolamento e as encaminhem para 
atividades em grupo, em que possam atuar de forma colaborativa. Com a 
colaboração de cada um para a realização de atividades de aprendizagem, 
formam-se laços e identidades sociais. Assim, criam-se grupos que, além 
dos conteúdos específicos, aprendem regras e formas de convivência e 
sociabilidade que persistem no plano virtual e fora dele. 
 
Ao contrário do que alguns acreditam, as atividades colaborativas não desconsideram o 
individual e sim o somatório das individualidades em que “cada um é um centro” (Lévy: 1999) 
que pode contribuir para a construção dos saberes. 
Além da construção individual dos saberes, o aprender e viver juntos é uma possibilidade 
de colaboração, como diz Scherer (s.d.): 
 
Um dos sentidos da criação e utilização de ambientes virtuais é a oportunidade 
de respeitar diferentes formas de aprender e viver juntos, possibilitando a criação 
de comunidades de aprendizagem que possam existir enquanto houver interesse 
do grupo em aprender juntos. Este aprender juntos envolve colaboração e 
cooperação entre os sujeitos da comunidade, envolve ume star disposto a viver 
em um espaço aberto, possibilitando fluxos contínuos entre as suas e as outras 
histórias, saberes, certezas e dúvidas presentes no grupo ou provocadas por 
outras pessoas conectadas àquele ambiente. É estar dispostos a desequilibrar-se 
em suas certezas e contribuir com os equilíbrios cognitivos dos seres do grupo, 
seja num processo de colaboração ou num processo de cooperação. 
 
Nesse desequilibrar-se, o professor necessita lidar com uma nova forma de ensinar e de aprender, 
ou seja, necessita uma formação para exercer posturas pedagógicas que estejam de acordo com a realidade 
do contexto atual. 
 
FORMAÇÃO DO PROFESSOR NA ERA TECNOLÓGICA: QUARTO DESAFIO 
 
Estamos vivendo em uma sociedade em processo de digitalização. E, sendo assim, o 
professor também está inserido nesse contexto e precisa familiarizar-se com as novidades que o 
circundam. Um novo desafio aflora: a formação do professor em plena era tecnológica. As 
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tecnologias fazem, cada vez mais, parte de nossas vidas e o desafio passa a ser a implementação 
de propostas de ensino e de aprendizagem que integrem muito mais do que simples recursos 
tecnológicos, mas que propiciem novas práticas pedagógicas. 
Segundo Lopes (2005), é importante que se inclua um componente crítico-reflexivo na 
capacitação do docente para que este saiba por quê, para quê, quando e como usar a tecnologia 
no processo educacional: uma formação tecnológica. Para a autora, a formação tecnológica deve 
ser um processo continuado, com potencial ilimitado de expansão e entendimento, 
desenvolvimento, crescimento contínuo, em que se vislumbrem novas formas de interação, de 
acesso à informação e de canais de exposição que promovam a construção do conhecimento. 
O professor continua tendo papel fundamental no processo ensino-aprendizagem e, por 
isso mesmo, torna-se necessário que passe por um processo de formação e desenvolvimento 
tecnológico que o leve a pensar de forma mais abrangente, manuseando as novas tecnologias, 
interpretando-as, aplicando-as quando for necessário, lidando com novas linguagens e formas de 
comunicação, propondo e solucionando problemas também com a mediação de recursos 
tecnológicos. 
Muito mais do que codificar e decodificar símbolos, a formação tecnológica do professor 
requer novas habilidades, novas formas de engajamento e comprometimento, novos processos 
para compreender o mundo e nele atuar. Portanto, já não é suficiente saber ler e escrever para se 
compreender o mundo; hoje se faz também necessário, ler e escrever digitalmente, conhecer e 
saber utilizar as tecnologias que estão inseridas no contexto do nosso dia-a-dia e seus respectivos 
códigos. 
Um novo paradigma educacional aflora (Moraes, 1997) em que as pessoas precisam estar 
preparadas para aprender umas com as outras e ao longo da vida, podendo intervir, adaptar-se e 
criar novos cenários, um paradigma em que a visão de fragmentação vem sendo superada pela 
concepção de uma sociedade do conhecimento, propondo a totalidade, reassumindo o todo. 
Esses são os nossos desafios se almejamos aprimorar e dar qualidade às nossas práticas 
educacionais, às nossas inter-relações pessoais e por que não, às nossas vidas em termos gerais 
nas suas múltiplas facetas. 
 
 
 
 18
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
A maioria dos professores da modalidade a distância já foi professor no ensino presencial 
e, quando esse professor inicia sua prática na EAD, traz consigo todas as experiências 
acumuladas ao longo dos anos de docência. Isso, em princípio, é muito bom, pois no passado 
houve aprendizado que deve ser contemplado no novo contexto. Porém, é necessário lembrar que 
não basta repetir as mesmas metodologias, práticas, conceitos, sem se adaptar às características e 
especificidades da nova modalidade. Nesse sentido, é fundamental que as instituições mantenham 
um programa de capacitação continuada dos professores para oportunizar um espaço de 
discussão, reflexão dos novos desafios. 
A EAD pode e deve trazer contribuições significativas para a educação em geral a partir 
do momento em que começamos a refletir, discutir, repensar e reelaborar nossas práticas 
educacionais, nossas experiências, nossos paradigmas, nossas interações e inter-relações 
professor e aluno. 
As possibilidades que a EAD pode nos propiciar são: a flexibilização de espaço e de 
tempo; o acesso a um grande número de informações; a possibilidade de comunicação em tempo 
real; a troca de experiências entre pessoas que vivem em espaços físicos diferenciados e 
distantes; a chance de uma inclusão educacional, social e digital; a construção do conhecimento 
de maneira partilhada; e, o protagonismo dos participantes do processo na história. 
É claro que há necessidade de abertura de espírito, envolvimento, responsabilidade, 
organização, pesquisa e principalmente criticidade parasaber optar pela melhor e mais adequada 
maneira de ensinar e de aprender, dependendo do contexto em que nos situamos. 
Podemos perceber que a História é fundamental, pois por meio do curso dos 
acontecimentos e dos fatos históricos da EAD começamos a entender suas origens e seu 
progresso e nos posicionarmos melhor diante das novas possibilidades e dos novos desafios que 
ela nos propõe. 
 
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 19
 
 
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