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ESCOLA DE ENSINO SUPERIOR DA AMAZÔNIA
CURSO DE DIREITO
TURMA: DIR3MA
DISCENTES
BEN HUR ANJOS
DANILO DOS ANJOS MONTEIRO
LEANDRO
MARCO ANTONIO DE JESUS SANTOS JUNIOR 
MATEUS JUAN BARRETO DA COSTA
1° TRABALHO AVALIATIVO DE JURISDIÇÃO
Trabalho avaliativo apresentado à disciplina Jurísdição ministrada pela Professora MSc. Carla Maria Peixoto Pereira como pré-requisito para 1°AV.
Belém
2020
Após leitura da decisão de Tutela Provisória Incidental na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 347 Distrito Federal, relacione o disposto lá com os itens abaixo: Conceitue e explique o que é controle de constitucionalidade.
1. Cite os requisitos do controle de constitucionalidade.
O controle de constitucionalidade é a forma que o estado encontrou para manter a supremacia formal da constituição, portanto, o controle de constitucionalidade se define como juízo relacional que procura estabelecer uma comparação valorativamente relevantes entre dois elementos, tendo como parâmetros a Constituição Federal de 1988 e como objeto a lei (sentido amplo), os fatos do processo legislativo (regulamentação procedimental) ou omissão da fonte de produção do direito. 
O controle de constitucionalidade como mecanismo para sanar as inconstitucionalidades e para o reestabelecimento da harmonia constitucional como controle, tem dois pressupostos/requisitos básicos:
· Supremacia formal da constituição: Esse primeiro pressuposto segue a teoria do escalonamento normativo de Hans Kelsen que define o ordenamento jurídico como se fosse uma pirâmide, onde a constituição deve ficar no topo e as demais normas inferiores devem ficar abaixo dela, então para que haja controle de constitucionalidade a verificação de compatibilidade entre norma suprema e as demais normas inferiores tem que se partir do pressuposto que uma dessas normas é superior as demais. Nesse caso a norma maior do ordenamento jurídico é a constituição.
As normas infraconstitucionais só serão consideradas válidas quando apresentarem consonância com a forma e/ou conteúdo constitucionalmente determinado.
· Rigidez constitucional: onde as normas constitucionais são alteráveis mediante a um procedimento mais difícil/rigoroso que as demais normas do ordenamento jurídico e quem possui a função típica de alterar o texto constitucional e o poder constituinte. A alteração do texto constitucional e mais rígida justamente para manter a supremacia.
Constituição rígida – deve ser escrita – deve ter a supremacia formal = controle de constitucionalidade.
2. Discorra sobre bloco de constitucionalidade.
Sobre o bloco de constitucionalidade.
Foi um conceito desenvolvido por Louis Favoreau na França, no Brasil surgiu a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988, no bloco de constitucionalidade estão inseridas normas que, não estão necessariamente expressas no texto constitucional, mas tem como referência as normas que tem o valor constitucional, como a declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, além de outras normas de valor constitucional.
Segundo a doutrina, podemos conceituar bloco de constitucionalidade como o conjunto de normas de nível constitucional que tem o papel de ampliar o paradigma do controle de constitucionalidade. Dessa forma, podemos dizer que o bloco de constitucionalidade permite ao intérprete a aplicação das normas constitucionais em função da realidade através dos princípios fundamentados num conjunto de normas presentes na Constituição. Assim, é possível a alteração na classificação constitucional, a compatibilização do conflito entre normas constitucionais e atuação do poder reformador, de forma que o bloco de constitucionalidade permite o aumento da quantidade de normas utilizadas como paradigma no controle de constitucionalidade. Vale ressaltar que a interpretação da Constituição segundo o conceito de bloco de constitucionalidade não viola o princípio da Supremacia Constitucional, ao contrário o reforça, ao interpretar os princípios constitucionais fortalecendo a sua força normativa tendo em vista que o sistema constitucional brasileiro é um sistema aberto de regras e princípios coordenados, fundamentados na supremacia das normas constitucionais. A existência de um bloco de constitucionalidade está fundamentado nos parágrafos 2º e 3º do art. 5º da Constituição Federal.
O Supremo Tribunal Federal em decisão na ADI 595 ES14 cujo Relator foi o Ministro Celso de Melo, deixou expresso sobre a importância e o significado jurídico do tema: 
A definição do significado de bloco de constitucionalidade - independentemente da abrangência material que se lhe reconheça - reveste-se de fundamental importância no processo de fiscalização normativa abstrata, pois a exata qualificação conceitual dessa categoria jurídica projeta-se como fator determinante do caráter constitucional, ou não, dos atos estatais contestados em face da Carta Política.
[Trata-se de] [...] uma pluralidade de acepções, dando ensejo à elaboração teórica do conceito de bloco de constitucionalidade (ou de parâmetro constitucional), cujo significado - revestido de maior ou de menor abrangência material - projeta-se, tal seja o sentido que se lhe dê, para além da totalidade das regras constitucionais meramente escritas e dos princípios contemplados, explicita ou implicitamente, no corpo normativo da própria Constituição formal, chegando, até mesmo, a compreender normas de caráter infraconstitucional, desde que vocacionadas a desenvolver, em toda a sua plenitude, a eficácia dos postulados e dos preceitos inscritos na Lei Fundamental, viabilizando, desse modo, e em função de perspectivas conceituais mais amplas, a concretização da ideia de ordem constitucional global.
		
3. Explique se a decisão tomada se deu em sede de controle preventivo ou repressivo e de quem é a competência para fazê-lo. 
	Na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 347 Distrito Federal (DF), requerida pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) que solicita o reconhecimento da violação de direitos fundamentais da população carcerária e pede que seja determinada a adoção de diversas providências no tratamento da questão prisional do país.
	 A decisão tomada pelo Ministro Marco Aurélio relator da ADPF, se deu em sede de controle repressivo sendo esse de método concentrado, já que é buscado obter uma declaração de inconstitucionalidade na violação dos direitos fundamentais da população carcerária.
	O Controle Repressivo tem como características de ocorrer após a promulgação da lei ou atos normativos, controle esse feito pelo Poder Judiciário, onde os sujeitos legitimados buscam a Justiça para que a Inconstitucionalidade deixe de surtir efeitos. (MORAES, 2001).
	O método concentrado ou via de ação direta é atribuído o julgamento da ação por um órgão competente jurídico como nos diz o artigo 102, I, a, § 1° da Constituição Federal:
Art.102 - Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
I -  processar e julgar, originariamente:
a)  a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal;
 § 1º A arguição de descumprimento de preceito fundamental, decorrente desta Constituição, será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, na forma da lei.
	O controle concentrado busca além da obtenção da declaração de inconstitucionalidade sendo esse o objeto principal da ação e a invalidação da lei, visando garantir as relações jurídicas de forma segura. (MORAES, 2001). 
4. Explique se a decisão tomada se deu em sede de controle difuso ou abstrato e de quem é a competência para fazê-lo.
5. Explique o que é o Estado de Coisas Inconstitucional e quais são os seus requisitos.
	O Estado de Coisas Inconstitucional (ECI), teve sua origem diante da Corte Constitucional Colombiana (CCC), devido ter sido contestado “violações generalizadas, contínuas e sistemáticas de direitos fundamentais”, desse modo tal estado tem por função primária a construçãode Soluções Estruturais, com o objetivo de superar tais quadros de violação massiva dos direitos da população que são vulneráveis tendo em vista as omissões do poder público. 
De acordo com a Corte Constitucional Colombiana a sua primeira decisão reconhecendo o Estado de Coisas Inconstitucional foi proferida em 06/11/1997 (Sentencia de Unificación - SU 559), sendo promovida por diversos professores que tiveram seus direitos violados pelas autoridades públicas. 
Agora falando de território nacional brasileiro, esse estado teve proposta inicial na sessão plenária do dia 09 de setembro de 2015, quando o Supremo Tribunal Federal (STF), deferiu de forma parcial o pedido de medidas cautelares que foi formulado na ADPF n° 347/DF. Tal proposta foi feita por conta da crise no sistema carcerário brasileiro, desse modo, reconhecendo de forma expressa a existência do Estado de Coisas Inconstitucional no sistema penitenciário brasileiro. Tais ações só foram medidas por causa das “graves, generalizadas e sistemáticas” violações de direitos dos encarcerados.
Assim, deferido pelo STF:
(a) “proibiu o Poder Executivo de contingenciar os valores disponíveis no Fundo Penitenciário Nacional (FUNPEN). A decisão determinou que a União libere o saldo acumulado do Fundo Penitenciário Nacional para utilização com a finalidade para a qual foi criado, abstendo-se de realizar novos contingenciamentos” 
(b) “determinou aos Juízes e Tribunais que passem a realizar audiências de custódia para viabilizar o comparecimento do preso perante a autoridade judiciária, num prazo de até 24 horas do momento da prisão.”
De acordo com o que já foi citado, há a noção de que existem certos requisitos a serem apresentados para o Supremo Tribunal Federal para o reconhecimento do Estado de Coisas Inconstitucional, bastando verificar a existência de:
“(a) violação massiva de Direitos Fundamentais.” 
(b) “Omissão reiterada e persistente das autoridades políticas/públicas, no cumprimento de suas obrigações de defesa e promoção dos Direitos Fundamentais.”
(c) “Praticas inconstitucionais que desencadeia na obrigatoriedade de se ajuizar ação para obter a garantia do direito.”
(d) “A omissão de medidas legislativas, administrativas e orçamentárias no afã de evitar violações de direitos.”
(e) “Problema social genérico, que abrange vários órgãos e autoridades.”
(f) “Possibilidade de abarrotamento do Poder Judiciário com várias demandas individuais. Ocorrendo o preenchimento dos pontos acima, já se encontra existente o instituto em tela abordado.”  
Desse modo o STF passa obter a senha de acesso a Tutela estrutural para reconhecer o Estado de Coisas Inconstitucional.
6. Apresente crítica sobre a decisão, com base em seu conhecimento jurídico constitucional.

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