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Prévia do material em texto

Stélio Furlan
José Carlos Siqueira
Doutor em Literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina 
(UFSC), mestre em Literatura Brasileira pela UFSC e graduado em História 
pela UFSC.
Mestre em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portu-
guesa pela Universidade de São Paulo (USP) e bacharel em Linguística 
pela USP.
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., 
mais informações www.iesde.com.br
Arcadismo: 1756-1825
Stélio Furlan
Para ser grande, sê inteiro: nada 
Teu exagera ou exclui. 
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és 
No mínimo que fazes. 
Assim em cada lago a lua toda 
Brilha, porque alta vive.
Ricardo Reis
A reação contra o Barroco literário 
Há uma passagem de Memórias 
Póstumas de Brás Cubas, de Machado de 
Assis, lançado em 1881, que nos interes-
sa. No capítulo VI, no cume de uma monta-
nha, ao narrador do romance Brás Cubas é 
concedida a oportunidade de ver a descon-
tínua história da humanidade passar diante 
de seus olhos:
E fixei os olhos, e continuei a ver as idades, que 
vinham chegando e passando, já então tran-
quilo e resoluto, não sei se até alegre. Talvez 
alegre. Cada século trazia a sua porção de 
sombra e de luz, de apatia e de combate, de 
verdade e de erro, e o seu cortejo de sistemas, 
de ideias novas, de novas ilusões; em cada 
um deles rebentavam as verduras de uma pri-
mavera, e amareleciam depois, para remoçar 
mais tarde. (MACHADO DE ASSIS, 2008) 
Is
to
ck
 P
ho
to
.
Partenon, templo grego dedicado à deusa Athena, erigido em 
meados do século VI.
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84 | Arcadismo: 1756-1825
A descrição desse delírio, no qual as gerações “se superpunham às gerações”, pode nos servir de 
mote para o estudo das “ideias novas” da literatura portuguesa ao longo do século XVIII. Em um viés pa-
norâmico, esse “cortejo de sistemas” evoca a possibilidade de se pensar a Literatura por meio de sécu-
los ou épocas. É o que ocorre na monumental História da Literatura Portuguesa, de António José Saraiva 
e Óscar Lopes. Para tornar o estudo acessível e a difusão mais didática, a literatura portuguesa é divi-
da em época medieval, renascentista, barroca, do século das luzes (arcadismo), do romantismo e con-
temporânea. É mais uma tentativa de mapear e registrar a complexa textualidade lusitana, toda uma 
constelação de obras e de autores e os diferentes contextos históricos e gostos de época. No Brasil, vale 
mencionar A Literatura Portuguesa Através dos Textos, de Massaud Moisés, que a divide em fases históri-
cas, do Trovadorismo ao Modernismo. É um bom livro introdutório para o estudo da literatura lusitana, 
com comentários sobre as características principais de cada fase, aspectos biográficos de seus autores e 
análises dos textos selecionados.
Mas há que se evitar qualquer ideia de progresso ou de evolução no campo literário. A poesia lí-
rica trovadoresca medieval, que inaugura a literatura portuguesa, não possui menos fulgor poético ou 
consciência artesanal do que o lirismo clássico. Se o barroco foi considerado uma arte complicada, de 
mau gosto, no aspecto formal ela possui o mesmo rigor que as composições árcades. E vale lembrar que 
houve uma retomada do trovadorismo medieval ao longo dos séculos XIX e XX.
A palavra inflexão é o melhor termo que nos ocorre para definir os percursos da literatura portugue-
sa. Conforme o sentido dicionarizado do termo, inflexão significa: “mudança da direção”; “ponto de uma 
curva no qual a concavidade se inverte”, “modulação”, enfim, “ação de dobrar; sinuosidade, desvio, vol-
ta”. Observe a ambiguidade do termo, pois a guinada para outra direção também pode significar retorno. 
Observe um fragmento da Dissertação Terceira, recitada na conferência da Arcádia Lusitana, em 1757:
Devemos imitar e seguir os Antigos: assim no-lo ensina Horácio, no-lo dita a razão, e o confessa todo o mundo literário. 
Mas esta doutrina, este bom conselho, devemos abraçá-lo e segui-lo de modo que mais pareça que o rejeitamos, isto 
é, imitando e não traduzindo. Os poetas devem ser imitados nas fábulas, nas imagens, nos pensamentos, no estilo; mas 
quem imita deve fazer seu o que imita.
[...]
Se imito o estilo, não devo servir-me das palavras dos Antigos, mas achar na linguagem portuguesa termos equivalen-
tes, enérgicos e majestosos, sem torcer as frases, sem adoptar barbarismos. (FERREIRA, s.d., p. 61b)
A Dissertação Terceira, de Pedro António Correia Garção (1724-1772), é um dos vários textos 
teóricos que definem o ideal neoclássico do Arcadismo. Em Portugal, convencionou-se situar o movi-
mento literário entre 1756 (ano da fundação da Arcádia Lusitana ou Ulissiponense e da publicação do 
Verdadeiro Método de Estudar) e 1825 (ano da publicação do poema “Camões”, de Almeida Garrett, um 
dos principais escritores do Romantismo). O principal teorizador da estética neoclássica em Portugal foi 
Candido Lusitano, pseudônimo poético de Francisco José Freire (1719-1773), sobretudo pela elabora-
ção de uma Arte Poética ou Regras da Verdadeira Poesia (1748). Os dois fragmentos de Garção que trans-
crevemos revelam os aspectos centrais desse “novo” movimento literário. Em primeiro lugar se propõe a 
retomada dos preceitos da arte clássica – esse gosto pela Antiguidade também foi renovado pelas des-
cobertas arqueológicas de Pompéia e Herculano, na Itália, e pelas numerosas traduções da Arte Poética, 
de Horácio (68 a.C. – 8 d.C.), um dos principais estudos sobre os preceitos da arte na Antiguidade. Em 
segundo lugar, a crítica ao estilo dificultoso e pomposo do Barroco literário.
A origem do termo Arcadismo deriva de uma região da Grécia antiga, habitada por pastores que, 
segundo consta, viviam de modo simples e espontâneo, e se divertiam cantando, fazendo jogos poéti-
cos para celebrar o amor e a vida.
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85|Arcadismo: 1756-1825
Em 1690, inspirados na lenda antiga, po-
etas italianos criaram uma academia literária 
denominada Arcádia, cujo programa era jus-
tamente retomar os ideais da poética clássica 
como forma de combater o que consideravam 
mau gosto na arte. Para evidenciar os princípios 
da simplicidade e da igualdade, os literatos árca-
des adotaram pseudônimos de pastores gregos 
e realizaram reuniões em parques e jardins com 
a proposta de cultuar a vida junto à natureza. Em 
Portugal, a Arcádia Lusitana, fundada em 1756, 
tomou por base a Arcádia Romana. Entre os prin-
cipais escritores do período destacam-se Correia 
Garção e Bocage.
Principais lemas 
dos poetas árcades 
Se a poética barroca possui uma conste-
lação de definições, o mesmo não se pode dizer 
do Arcadismo, compreendido a partir de algu-
mas bem definidas regras da arte. Os principais 
lugares-comuns que definem o Arcadismo foram 
extraídos da arte poética de Horácio (68 a.C.– 8 
d.C.). Recortamos, a seguir, quatro aspectos que 
condicionaram o pensamento e as atitudes dos 
poetas árcades.
Inutilia truncat 
Esse lema, que significa cortar as inutilidades, foi o privilegiado pelos árcades lusitanos. O mote 
aparecia subscrito na insígnia da Arcádia Lusitana, representada por uma mão segurando um podão ou 
foice. O lema fazia jus ao primado da “imitação dos antigos”. Lembre-se que, em Portugal, os princípios 
teóricos de Horácio já haviam sido sistematizados por António Ferreira, na Carta XII a Diogo Bernardes, 
em meados do século XVI. Na Carta XII, Ferreira recomendava eliminar o sobejo (remover os excessos), 
retocar constantemente os versos a fim de se alcançar a perfeição formal. Leia-se:
Corta o sobejo, vai acrescentando
O que falta, o baixo ergue, o alto modera
Tudo a ûa igual regra conformando. (FERREIRA, 2008)
Nos quadros do pintor francês Jean-Baptiste Joseph Pater 
(1695 - 1736) há uma aproximação com o natural bem ao 
gosto da “festa campestre” típica do Arcadismo. Esta tela se 
chama justamente Fête Champêtre (1730).A Grécia Antiga.
M
ar
ilu
 S
ou
za
.
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86 | Arcadismo: 1756-1825
O lema Inutilia truncat expressava também a “magnífica ideia de banir da poesia portuguesa o inú-
til adorno de palavras empoladas, conceitos estudados, frequentes antíteses, metáforas exorbitantes” 
com a finalidade de introduzir “em nossos versos o delicioso e apetecido ar de nobre simplicidade”.1
Nesse sentido, os árcades buscavam uma arte sem antíteses, desequilíbrios ou dilacerações. 
Contra o retorcimento da sintaxe barroca, “sem torcer as frases”, os poetas árcades cultuavam a sereni-
dade, o equilíbrio, a clareza e a simplicidade das ideias. Em outras palavras, cultivavam um vocabulário 
simples, com frases na ordem direta e com uso muito comedido de figuras de linguagem.
Aurea mediocritas
A leitura do poema de Ricardo Reis (um heterônimo de Fernando Pessoa) que é a epígrafe desta 
aula é bastante sugestiva para a compreensão do ideário clássico da Aurea mediocritas. O verso “nada 
teu exagera, ou exclui”, traduz o anseio da justa medida, do equilíbrio, da busca do meio termo. No sé-
culo XVIII, tal ideário era personificado na exaltação do ideal de herói humilde e honrado. Vejamos como 
isso é cultivado por Corydon Erymantheo, pseudônimo poético de Correia Garção (1724-1772):
Não cobre vastos campos o meu gado,
O maioral não sou da nossa aldeia,
Do meu trabalho como, mas, Dirceia,
Ainda que sou pobre, vivo honrado.
No jogo da carreira e do cajado
Até o destro Algano me receia,
Qual loura espiga de grãozinhos cheia
Me alegra ver teu rosto delicado.
O poema revela a imitação dos princípios horacianos: a poetização do dia a dia, da simplicidade do 
ritual familiar, o elogio da virtude, da vida rústica, a indiferença pela vida citadina, e a recorrência às enti-
dades inspiradoras em geral abstratas (Lídia, no caso de Horácio; Marília, no caso de Correia Garção).
Fugere urbem
A opção pela vida campestre em oposição à vida urbana era sugerida pelas expressões Fugere 
urbem, “fugir da cidade”, e Sequi naturam, “seguir a natureza”. Lembre-se que o Arcadismo foi um movi-
mento patrocinado pelos filhos da burguesia e não por elementos oriundos da corte. Assim, no ideal do 
Fugere urbem lê-se uma posição político-ideológica que remete à luta do burguês culto contra a nobre-
za. Em outras palavras, a exaltação do pastor humilde e honrado remete ao ideal pequeno-burguês de 
vida sustentada pelo trabalho contra os valores aristocráticos. Vale notar que afora a idealização da vida 
natural, a poesia árcade surge impregnada pelas ideias dos Século das Luzes ou Iluminismo. Segundo 
o Dicionário de Literatura Portuguesa, o iluminismo constitui um amplo e matizado movimento cultural 
europeu que teve impacto considerável em Portugal no século XVIII. Entre as marcas comuns do movi-
mento, vale citar a crença sem limites na Razão, o racionalismo contra todas as manifestações de bar-
bárie, o desprezo pelo fanatismo religioso e pelo espírito da Contrarreforma e a mentalidade crítica em 
favor da liberdade de pensamento. Em Portugal, o espírito das Luzes pode ser constatado no combate 
ao Barroco literário; na poesia de Bocage, cujo verso “Liberdade, onde estás? Quem te demora” é influen-
ciado pelas ideias revolucionárias da época; enfim, esse “espírito renovador estendeu-se ao urbanismo 
bem visível na ousada reconstrução pombalina da cidade de Lisboa” (MACHADO, 1996, p. 524).
1 A passagem foi extraída da Oração quarta em que se declama contra a falta de aplicação dos Árcades aos estudos, notando-os esquecidos já das 
leis da sua empresa e obrigações dos seus estatutos, de Correia Garção, recitada na conferência da Arcádia Lusitana, no dia 30 de Junho de 1759.
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87|Arcadismo: 1756-1825
Locus amoenus 
A expressão latina Locus amoenus designa um lugar ideal, favorável para a celebração do amor. Na lite-
ratura portuguesa, o mais antológico desses lugares foi desenhado n´Os Lusíadas, de Luís de Camões, no epi-
sódio da Ilha dos Amores. No desenho da fermosa Ilha, alegre e deleitosa, Camões descreve um vale ameno, 
com claras fontes e pedras alvas e um vasto arvoredo com seus frutos odoríferos e belos e por aí afora. Observe 
como Bocage retoma essa tópica com a elegância da forma que caracteriza a sua produção poética:
Olha, Marília, as flautas dos pastores 
Que bem que soam, como estão cadentes! (cadentes: com cadência) 
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes 
Os Zéfiros brincar por entre as flores? (Zéfiro: deus mitológico dos ventos suaves)
Vê como ali beijando-se os Amores 
Incitam nossos ósculos ardentes! (Ósculos: beijos) 
Ei-las de planta em planta as inocentes, 
As vagas borboletas de mil cores!
Naquele arbusto o rouxinol suspira, 
Ora nas folhas a abelhinha pára, 
Ora nos ares sussurrando gira. 
Que alegre campo! Que manhã tão clara! 
Mas ah! Tudo o que vês, se eu não te vira, 
Mais tristeza que a noite me causara. (BOCAGE, 2008) 
No final desse soneto, quando exclama “Que alegre campo! Que manhã tão clara!”, o sujeito poé-
tico sugere a retomada da poesia camoniana, em especial o verso “Alegres campos, verdes arvoredos”, 
de Camões. Dita paisagem ideal para os encontros amorosos era prevista pela tradição clássica da lírica 
greco-latina. Assim, esta
natureza mágica é conducente ao amor, ao encantamento sensorial e espiritual do Homem, que se integra na perfei-
ção em tal plenitude, marcada pela harmonia e homogeneidade. Enfim, estamos perante um paraíso terrestre, onde se 
enquadra o ser humano que busca a satisfação pela simplicidade. (LOCUS AMOENUS, 2008)
Carpe diem
Por certo, um dos temas horacianos que mais recebeu variações ao longo da literatura portugue-
sa é o Carpe diem. Em um de seus poemas líricos, Horácio aconselhava Leucônoe a aproveitar o dia de 
hoje por ser incerto o vindouro:
[...] corta a longa esperança,
que é breve o nosso prazo de existência.
Enquanto conversamos,
foge o tempo invejoso.
Desfruta o dia de hoje, acreditando
o mínimo possível no dia de amanhã (apud ACHCAR, 1994, p. 119) 
Conforme Francisco Achcar, o verbo carpere já mereceu muitos comentários, que geralmente le-
vam à conclusão de que seu sentido é “fruir”, “gozar” (ACHCAR, 1994, p. 93). Em geral, há uma associação 
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88 | Arcadismo: 1756-1825
com a tópica da efemeridade da vida. Em outras palavras, à certeza da fugacidade do tempo donde o 
apelo à fruição imediata dos prazeres, o convite amoroso.
Percebemos a presença desse lema na Lira XIV, de Marília de Dirceu, do poeta Tomás Antônio 
Gonzaga2:
Minha bela Marília, tudo passa; 
A sorte deste mundo é mal segura; 
Se vem depois dos males a ventura, 
Vem depois dos prazeres a desgraça.
[...]
Que havemos de esperar, Marília bela? 
Que vão passando os florescentes dias? 
As glórias, que vêm tarde, já vêm frias; 
E pode enfim mudar-se a nossa estrela.
Ah! Não, minha Marília,
Aproveite-se o tempo, antes que faça 
O estrago de roubar ao corpo as forças
E ao semblante a graça. (GONZAGA, 2008)
Resta dizer que a poesia de feições clássicas não ficou reduzida ao século XVII. Quer como críti-
ca, quer como apologia, entre os vários exemplos possíveis, esse aspecto foi revisitado por Fernando 
Pessoa, para a construção do seu heterônimo Ricardo Reis, e mais recentemente por Sophia de Mello 
Breyner Andresen3. Vale lembrar aqueles versos do poema I, publicado em Dual (1972), nos quais acon-
selha Lídia a aproveitar o momento presente:
Não creias, Lídia, que nenhum estio 
Por nós perdido possa regressar 
Oferecendo a flor 
Que adiámos colher.
Cada dia te é dado uma só vez 
E no redondo círculo da noite 
Não existe piedade 
Para aquele que hesita.
Mais tarde será tarde e já é tarde. 
O tempo apaga tudo menos esse 
Longo indelével rasto 
Que o nãovivido deixa.
Não creias na demora em que te medes. 
Jamais se detém Kronos cujo passo (Kronos: divindade que personifica o Tempo)
Vai sempre mais à frente 
Do que o teu próprio passo. (apud TAVARES, 2008)
2 Tomás Antônio Gonzaga (Porto, 1744-Moçambique,1810?), filho de um magistrado brasileiro, passou a sua infância na Bahia e formou-se no 
curso de Direito, em Coimbra. Foi um dos líderes mais importantes da Inconfidência Mineira, em Minas Gerais, no Brasil.
3 Sophia de Mello Breyner Andresen, autora de intenso entusiasmo poético, recebeu vários prêmios entre os quais vale destacar: Grande 
Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças, 1992; Prémio Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores, 1994; e o Prémio 
Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana, em 2003. Poesia (1944), O Dia do Mar (1947), Coral (1950), No Tempo Dividido (1954), Mar Novo (1958), 
O Cristo Cigano (1961), Livro Sexto (1962), Geografia (1967), Dual (1972), O Nome das Coisas (1977), Navegações (1983), Ilhas (1989), Musa (1994) 
O Búzio de Cós (1998) são alguns dos seus principais livros de poesia.
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89|Arcadismo: 1756-1825
Bocage e o Arcadismo
Manuel Maria L´Hedoux Barbosa du Bocage (1765-
1805) é considerado o melhor poeta do século XVIII e um 
dos melhores sonetistas da literatura portuguesa, ao lado 
de Camões, Antero de Quental e Florbela Espanca. Embora 
considerado “o máximo cinzelador da métrica”, inigualável 
na construção de versos tecnicamente perfeitos, também 
foi desqualificado como “vadio e inútil”. Escritor polêmi-
co, por certo.
Em 1790, Bocage integrou-se à Nova Arcádia, agre-
miação literária que pretendia dar continuidade às ideias 
da Arcádia Lusitana ou Ulissiponense. E, como era usual 
entre escritores dessa estirpe, adotou o pseudônimo de 
Elmano Sadino. O nome Elmano surgiu de uma inversão 
de Manoel, e Sadino deriva de Sado, em homenagem ao 
rio que banha Setúbal, cidade em que o poeta nasceu.
No início de sua atividade literária, Bocage reflete niti-
damente a influência das convenções do Arcadismo: cultiva a poesia satírica e a lírica (idílios, odes, canções, 
elegias, sonetos...). Seus poemas cedem ao convencionalismo arcádico, seja na sugestão pastoril, seja no uso 
de figuras da mitologia clássica. Nesse caso, vale dizer que são permeados por certo ar de artificialismo. E 
Bocage tem consciência disso, uma vez que finda um dos seus sonetos afirmando que certos versos são
Escritos pela mão do Fingimento 
Cantados pela voz da Dependência. 
(BOCAGE, 2008) 
Bocage sugere que o credo arcádico descamba na inautenticidade por conta da adoção mecâ-
nica de processos de exprimir, pela dependência ou subserviência aos modismos dados de antemão. 
Observe estes tercetos dedicados a Marília:
Reside em teus costumes a candura, (Candura: doçura, brandura) 
Mora a firmeza no teu peito amante, 
A razão com teus risos se mistura; 
És dos céus o composto mais brilhante: 
Deram-se as mãos virtude e formosura, 
Para criar tua alma e teu semblante. (BOCAGE, 2008)
Os tercetos de Bocage se resumem na exaltação da mulher como um verdadeiro prodígio de be-
leza, de equilíbrio emocional e racional, bem ao gosto das ideias do Iluminismo, também chamado 
Século das Luzes.
Não se pode deixar de mencionar o convencionalismo amoroso que atravessa o poema, expresso 
não só no desenho dos traços femininos que o recato então permitia como também no nome da mu-
lher. É como se todos os poemas tratassem de um mesmo sujeito amoroso, de uma mesma mulher ins-
piradora e de um mesmo tipo de amor.
Na oficina do poema árcade, empregava-se a ferramenta clássica para talhar uma composição 
poética: reproduzem-se os modelos consagrados pela tradição, tanto na estrutura métrica e estrófica 
Bocage e as Ninfas (óleo de Fernando Santos – Mu-
seu de Setúbal).
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90 | Arcadismo: 1756-1825
quanto na atmosfera do poema. É que o leitor se reconhecia no poema sintonizando a sua sensibilida-
de na longa cadeia da tradição.
Tomás Antônio Gonzaga, “o mais árcade de nossos árcades”, também sintoniza a sua sensibilida-
de nesse repertório de elementos básicos da poética clássica:
Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheio gado;
De tosco trato, d’expressões grosseiro,
Dos frios gelos, e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal, e nele assisto; (Casal: pequena propriedade)
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.
 Graças, Marília bela,
 Graças à minha Estrela! (GONZAGA, 2008) 
Afora Marília, Lídia, Neera e Cloe eram as figuras femininas abstratas a quem os poetas árcades 
endereçavam seus poemas. Assim, as imagens e os motivos poéticos são elaborados a partir de traços 
de uma experiência herdada e acabavam por cercear a liberdade da imaginação.
Conclusão
Para concluir, resta dizer que, se há uma retomada das arte poéticas renascentista e da antigui-
dade clássica, há também o desvio que conduz à renovação. As transgressões de Bocage são bastante 
ilustrativas. Trata-se de um poeta criador, inventivo e não de mero reprodutor dos preceitos clássicos. 
Observe como ele ultrapassa os limites e convenções árcades em favor de uma expressão mais pura e 
livre de seu mundo pessoal:
A frouxidão no amor é uma ofensa,
Ofensa que se eleva a grau supremo; 
Paixão requer paixão, fervor e extremo;
Com extremo e fervor se recompensa.
Vê qual sou, vê qual és, vê que diferença!
Eu descoro, eu praguejo, eu ardo, eu gemo;
Eu choro, eu desespero, eu clamo, eu tremo;
Em sombras a razão se me condensa.
Tu só tens gratidão, só tens brandura, (Brandura: ternura, doçura)
E antes que um coração pouco amoroso
Quisera ver-te uma alma ingrata e dura.
Talvez me enfadaria aspecto iroso,
Mas de teu peito a lânguida ternura (Lânguida; sensual ou fraca)
Tem-me cativo e não me faz ditoso. (Ditoso: feliz)
 (BOCAGE, 2008)
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91|Arcadismo: 1756-1825
No que diz respeito à estrutura interna do poema, podemos identificar quatro momentos distin-
tos. Como se lê no primeiro verso da primeira estrofe, diante da “brandura” da amada na relação amoro-
sa, o sujeito poético afirma a única forma como entende o amor: deve ser vivido de modo intenso.
No segundo quarteto, o sujeito poético compara a maneira como ele ama e os sentimentos com 
os quais é retribuído.
No primeiro terceto, ele confessa qual o tipo de comportamento que gostaria de ver na amada, 
em lugar da gratidão e da ternura.
Por fim, arremata o poema explicando que a falta de paixão da amada é capaz de o fazer sofrer 
ou o enfadar muito mais que o “aspecto iroso”, considerando-se infeliz por estar preso a um amor ape-
nas terno, sem fervor.
Ao confessar as palpitações do seu mundo emocional, Bocage passa do convencional ao confes-
sional, da pose arcádica à liberação dos sentimentos reprimidos. Em outras palavras, brinda o leitor com 
um poema que apresenta elementos da poética árcade (a forma fixa do soneto, o verso decassílabo, a 
alusão à razão), bem como apresenta elementos românticos (o tom confessional do poema e a superva-
lorização das emoções pessoais).
Nesse sentido, pode-se dizer que Bocage é um poeta que se torna arrebatador quando defen-
de a libertação do sentimento da camisa de força do convencionalismo e artificialismo dos árcades. Em 
suma, por conta da veemência passional, do ardor dos sentimentos, Bocage faz estalar a casca das con-
venções e inicia uma nova maneira de compreender o fazer literário, prenunciando a aurora romântica.
Texto complementar
Estilo simples e estilo medíocre
(VERNEY, 2008)
Ao estilo sublime contrapomos o estilo simples ou humilde. Assim como as coisas grandes de-
vem explicar-se magnificamente, o que é humilde deve-se dizer com estilomui simples e modo de 
exprimir mui natural. As expressões do estilo simples são tiradas dos modos mais comuns de falar a 
língua; e isto não se pode fazer sem perfeito conhecimento da dita língua. Esta é, segundo os mes-
tres da arte, a grande dificuldade do estilo simples. Fácil coisa é a um homem de alguma literatura 
ornar o discurso com figuras; antes todos propendemos para isso, não só porque o discurso se en-
curta, mas porque talvez nos explicamos melhor com uma figura do que com muitas palavras. Pelo 
contrário, para nos explicarmos naturalmente e sem figura, é necessário buscar o termo próprio, 
que exprima o que se quer, o qual nem sempre se acha, ou, ao menos, não sem dificuldade, e sem-
pre se quer perfeita inteligência da língua para executá-lo. Além disso, as figuras encantam o leitor 
e impedem-lhe penetrar e descobrir os vícios que se cobrem com tão ricos vestidos. Não assim no 
estilo simples, o qual, como não faz pompa de ornamentos, deixa considerar miudamente os pen-
samentos do escritor...
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92 | Arcadismo: 1756-1825
Lá, quando em mim perder a humanidade
(BOCAGE, 2008)
Lá, quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles que não fazem falta,
Verbi-gratia o teólogo, o peralta, (Verbi-gratia: por exemplo)
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:
Não quero funeral comunidade,
Que engrole sub-venites em voz alta; (Engrole sub-venites: recita afobadas preces em latim)
Isso que digo das expressões comuns e naturais deve-se entender com proporção. Não quero 
dizer que um homem civil fale como a plebe, mas que fale naturalmente. A matéria do estilo humil-
de não pede elevação de figuras etc., mas nem por isso se deve exprimir com aquelas toscas pala-
vras de que usa o povo ignorante. Não é o mesmo estilo baixo que estilo simples. O estilo baixo são 
modos de falar dos ignorantes e pouco cultos: o estilo simples é modo de falar natural e sem orna-
mentos, mas com palavras próprias e puras. Pode um pensamento ter estilo sublime, e não ser pen-
samento sublime; e pode achar-se um pensamento sublime, com estilo simples. Explico-me. Para 
ser sublime o estilo, basta que eu vista um pensamento e o orne com figuras próprias, ainda que o 
pensamento nada tenha de sublime. Pelo contrário, chamamos simplesmente sublime (com os retó-
ricos) àquela beleza e galantaria de um pensamento que agrada e eleva o leitor, ainda que seja pro-
ferida com as mais simples palavras. De sorte que o sublime pode-se achar em um só pensamento, 
numa figura etc. Importa muito entender e distinguir isso, para não ser enfadonho nas conversações 
e nas obras que pedem estilo humilde.
Do que tenho dito fica claro qual é o estilo medíocre: aquele, digo, que participa de um e ou-
tro estilo. Também esse estilo não é pouco dificultoso, porque é necessário conservar uma mediania 
que não degenere em viciosos extremos. E são poucos aqueles que conhecem as coisas na sua justa 
proporção e formam aquela ideia que merecem. Já disse que a matéria é a que determina qual há de 
ser o estilo; e assim uma matéria medíocre pede um estilo proporcionado. A maior parte das coisas 
de que falamos são medíocres; e daqui vem que nesse estilo de falar deve-se empregar um homem 
que quer falar bem e conseguir fama de homem eloquente. Um homem de juízo, que conhece as 
coisas como são, forma delas ideias justas e verdadeiras, e as explica com as palavras que são mais 
próprias. Donde vem que o estilo medíocre compete propriamente às Ciências todas, à História e 
outras coisas desse gênero, nas quais se representam coisas não vis, mas medíocres; porém repre-
sentam-se da mesma sorte que são, e com palavras próprias. Também as cartas de negócios graves, 
ou eruditas, e aquelas de cerimônia a pessoas grandes etc., costumam ser nesse estilo. É, porém, de 
advertir que o estilo medíocre admite todos os ornamentos da arte: beleza de figuras, metáforas, 
pensamentos finos, belas descrições, harmonia do número e da cadência. Contudo, não tem a viva-
cidade e grandeza do sublime. Participa de um e outro, sem se assemelhar a nenhum. Tem mais for-
ça e abundância que o simples, menos elevação que o sublime, e prossegue com passo igual e mui 
brandamente.
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Pingados gatarrões, gente de malta, (Gatarrões, gente de malta: gatunos, marginais) 
Eu também vos dispenso a caridade:
 
Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro, (Ermo outeiro: colina solitária)
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:
 
“Aqui dorme Bocage, o putanheiro;
Passou vida folgada e milagrosa;
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro”.
Atividades 
1. Observe a estrofe do poema intitulado “A Henriqueta, Minha Filha”, da poetisa lusitana Marquesa 
de Alorna (1750-1839), e identifique uma das principais características do Arcadismo.
Gosta os frutos da Quina do Descanso:
Para longa esperança o espaço é breve;
A idade foge enquanto discorremos:
Aproveita os momentos.
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2. Pedro António Correia Garção define, no texto intitulado “Sátira II”, um dos aspectos fundamen-
tais do ideal árcade. Identifique-o.
Imite-se a pureza dos Antigos,
Mas sem escravidão, com gosto livre,
Com polida dicção, com frase nova,
Que a fez ou adoptou a nossa idade.
Ao tempo estão sujeitas as palavras;
Umas se fazem velhas, outras nascem:
Assim vemos a fértil Primavera
Encher de folhas robustas ao robusto tronco,
A quem despiu o Inverno desabrido. (Desabrido: severo)
Mudam-se os tempos, mudam-se os costumes:
Camões dizia imigo, eu inimigo;
O ponto está que ambos expliquemos
Aquilo que pensamos. A energia
Do discurso e da frase não consiste
No feitio das vozes, mas na força.
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3. O fragmento colhido na “Epístola I”, de Pedro António Correia Garção (1724-1772), aponta para 
dois dos aspectos fundamentais da literatura árcade. Identifique-os.
Não busques pensamentos esquisitos,
Em denegridas nuvens embrulhados; (Denegridas: enegrecidas, manchadas)
Não tragas, não, metáforas violentas,
Imitando esse corvo do Mondego, Corvo do Mondego: o gongorista Francisco de Pina e Melo)
Que entre os cisnes do Tejo anda grasnando;
Usa da pura língua portuguesa
Que aprendido já tens no bom Ferreira,
No Camões imortal, um Sousa e Barros.
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4. O poeta luso-brasileiro Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810?) foi um dos principais representantes 
do Arcadismo, movimento literário também conhecido como setecentismo. Leia o fragmento a se-
guir, extraído de Marília de Dirceu, e identifique ao menos duas características da poesia árcade.
Se não tivermos lãs, e peles finas, 
podem mui bem cobrir as carnes nossas 
as peles dos cordeiros mal curtidas, 
e os panos feitos com as lãs mais grossas. 
Mas ao menos será o teu vestido 
por mãos de amor, por minhas mãos cosido.
Nós iremos pescar na quente sesta 
Com canas, e com cestos os peixinhos: 
Nós iremos caçar nas manhãs frias 
Com a vara envisgada os passarinhos. (Envisgada: untada com visgo ou cola) 
Para nos divertir faremos quanto 
Reputa o varão sábio, honesto e santo. (Reputa: julga, aconselha)
Nas noites de serão nos sentaremos 
c’os filhos, se os tivermos, à fogueira; 
entre as falsas histórias, que contares, 
lhes contarás a minha, verdadeira. 
Pasmados te ouvirão; eu, entretanto 
ainda o rosto banharei de pranto.
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Referências
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Gabarito
1. No seu poema, a Marquesa de Alorna retoma um dos lugares-comuns típicos do Arcadismo: 
a tópica da brevidade da vida expresso no lema carpe diem, como se pode perceber no verso 
“Aproveita os momentos”.
2. O movimento literário denominado Arcadismo consiste fundamentalmente em uma retomada 
das formas e dos modelos da literatura greco-latina. Isso se constata no texto de Correia Garção, 
que defende a imitação da “pureza dos antigos”.
3. O movimento literário denominado Arcadismo possui dois aspectos fundamentais. Em primeiro 
lugar, uma crítica aos excessos do barroco literário, concebido como estilo dificultoso, obscuro, 
como é sugerido nos três primeiros versos da referida estrofe. Em segundo lugar, o movimento se 
caracteriza pela imitação dos modelos consagrados pela tradição – no caso, a imitação dos mes-
tres da poesia renascentista, a exemplo de Camões e Ferreira.
4. Entre os lugares-comuns do Arcadismo presentes no poema dedicado à Marília, pode-se mencio-
nar a opção pela vida campestre, o que nos remete aos lemas do Fugere urbem, “fugir da cidade” e 
Sequi naturam, “seguir a natureza”. Concorde à proposta de cultuar a vida natural, personificada no 
pastor honesto, os poetas árcades cultivaram a simplicidade de vocabulário e de ideias e um uso 
muito comedido de figuras de linguagem, como se pode ler nas estrofes do poema de Gonzaga.
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