Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

1 
 
 
MANUAL 
DE 
CONDUTAS 
 
 
 
PRONTO-SOCORRO 
 
 
 
CLÍNICA OFTALMOLÓGICA 
 
HOSPITAL DAS CLÍNICAS - FMUSP 
 
 
São Paulo 
 2 
2011 
 
 
 
 
 
Professor Titular: 
Remo Susanna Jr 
 
 
Assistente Responsável pelo Pronto-Socorro: 
Sergio Luis Gianotti Pimentel 
 
 
 
 
 
 
 
Edição e Coordenação: 
 
Julio Zaki Abucham Neto 
André Augusto Miranda Torricelli 
 
 
 3 
Índice 
 
 
Tema Organizador Revisor Pág. 
Pálpebras e Vias 
Lacrimais 
Camilla Duarte Silva Suzana Matayoshi 4-11 
Órbita 
Rafael Miranda Silva 
Frederico Castelo Moura 
Allan Christian Pieroni 
Gonçalves 
Mario Luiz Ribeiro Monteiro 12-19 
Córnea e 
Conjuntiva 
Cristiana Dumaresq de 
Oliveira 
Milton Ruiz Alves 
Ruth Miyuki Santo 
20-31 
Glaucoma 
Renata de Iracema 
Pulcheri Ramos 
Roberto Freire Santiago 
Malta 
32-38 
Uveíte 
Ana Paula Calil 
Guermandi 
Carlos Eduardo Hirata 39-42 
Retina e Vítreo Marcelo Mendes Lavezzo 
Walter Yukihiko Takahashi 
Sergio Luis Gianotti 
Pimentel 
43-56 
Neuroftalmologia 
Aron Barbosa Caixeta 
Guimarães 
André Carvalho Kreuz 
Mario Luiz Ribeiro Monteiro 
Roberto Battistella 
57-67 
Trauma 
Emanuel Fernando 
Pandolfo Machado 
Pedro Carlos Carricondo 68-75 
Complicações 
Pós-operatórias 
Thiago Gonçalves dos 
Santos Martins 
Leandro Cabral Zacharias 76-90 
Adendos André Carvalho Kreuz 
Sergio Luis Gianotti 
Pimentel 
91-97 
 
 
 
 4 
Pálpebras e Vias Lacrimais 
 
 
Capítulo Autor Página 
Laceração Palpebral Camilla Duarte Silva 05-06 
Dacriocistite Aguda 
Rafael Garcia 
Fernandes Nogueira 
07 
Herpes Simples Gustavo Yamamoto 08-09 
Herpes Zoster Gustavo Yamamoto 10-11 
 
 
 
 
 
 
Organização: 
Camilla Duarte Silva 
 
Revisão: 
Suzana Matayoshi 
 
 
 5 
LACERAÇÃO PALPEBRAL 
 
 
 
História de trauma 
facial, TCE ou 
mordedura 
Perda de 
consciência
? 
Sim Não 
Aval. da 
cirurgia 
geral 
Exame oftalmológico 
completo. Perfuração 
ocular associada? 
 
 
Avaliação 
oftalmol. da 
lesão 
ocular 
Estabilização 
sistêmica 
 
Não 
 
Sim 
 
Suspeita de CE, ruptura 
de globo ou trauma grave 
 
1.Laceração nasal aos 
pontos lacrimais? 
2.Crianças que não 
cooperam? 
3.Extensa perda tissular 
ou distorção 
anatômica? 
4.Lesão do elevador 
(ptose) ou reto superior 
(altura)? 
 
Internação + 
jejum + pré-op + 
cirurgia de 
sutura da 
perfuração com 
ou sem VVPP 
(caso de CEIO 
associado) 
 
TC 
órbita 
axial e 
coronal 
 
Sim 
 
 
 
 
Não 
Internação + jejum + pré-op : 
1. Comunicar ao R3 da plástica ocular 
para efetuar a sutura + intubação da 
VL. 
2.Checar possiblidade de sondagem e 
verificação da laceração canalicular. 
 
Sutura da 
laceração no 
PS (vide 
tratamento) 
 
 6 
Tratamento no PS: 
(Somente em casos de laceração palpebral sem acometimento canalicular ou muscular) 
 
 Todos os pacientes devem ser avaliados quanto à necessidade de profilaxia anti-
tetânica e anti-rábica (ver apêndice). 
 Sempre que possível, deve-se optar pelo fechamento 1ário devido ao intenso 
suprimento sanguíneo palpebral e às possíveis complicações que podem estabelecer-
se em consequência à sua má oclusão: lagoftalmo, úlcera de córnea, etc. No entanto, 
feridas contaminadas e com muito edema tecidual, que inviabilizem o fechamento 
1ário, podem ser deixadas abertas para cicatrização por segunda intenção ou sutura 
num segundo tempo. 
 Preferência pela reparação imediata ou nas 1as 24h. Em caso de falta de condições 
clínicas e/ou falta de cirurgião experiente diante de laceração complexa e/ou edema 
importante, pode-se postergar a reparação até 72h com resultado satisfatório. 
 
 Deixar o paciente em DDH em sala devidamente iluminada; 
 Aplicar anestésico tópico em ambos os olhos; 
 Realizar assepsia da ferida e da pele ao redor com iodopovidona tópico; 
 Colocar campo oftalmológico estéril e a partir deste momento utilizar apenas material 
estéril; 
 Aplicar anestesia local com lidocaína 2% com adrenalina 1:200000 nas margens da 
lesão; 
 Irrigar abundantemente a ferida com SF (soro fisiológico); 
 Retirar possíveis corpos estranhos presentes na ferida; 
 Colocar protetor ocular antes da sutura (lente escleral). 
 
Lacerações não envolvendo a margem palpebral: 
 Sutura da pele com mononylon 6-0 pontos simples. 
 
Lacerações envolvendo a margem palpebral: 
 Sutura da margem em três planos com seda 6-0 ou Vicryl 6-0 (linha dos cílios 
anterior, linha cinzenta intermediária e linha posterior) deixando o fio longo para 
posicionamento final dentro da sutura da pele perto da margem palpebral; 
 Sutura do tarso em toda sua extensão com Vicryl 6-0, caso haja acometimento do 
mesmo, para preservação da anatomia palpebral; 
 Sutura do orbicular com Vicryl 6-0 caso haja dificuldade de aproximação da pele; 
 Sutura da pele com mononylon 6-0 ponto simples. 
 
 Remover o protetor ocular; 
 Aplicar pomoda antibiótica (por ex. gentamicina) na ferida 3x/dia por 7 dias; 
 Antibiótico sistêmico por 7-10 dias no caso de contaminação da ferida (adultos: 
cefalexina 500mg 6/6h; crianças: cefalexina 50mg/Kg/dia de 6/6h → diluição de 
50mg/ml = peso/4); 
 Orientar remoção de suturas da pele em 7 dias e da margem em 14 dias. 
 
 7 
DACRIOCISTITE AGUDA 
 
Definição: Inflamação aguda do saco lacrimal, podendo formar ou não abscesso. 
Etiologia: Infecciosa, quase sempre relacionada à obstrução do ducto nasolacrimal. 
Sinais e sintomas: Tumefação dolorosa, de instalação rápida, avermelhada e com 
edema de partes moles adjacentes, sob o tendão cantal medial, na topografia do 
saco lacrimal. 
Diagnóstico: História de infecções prévias e concomitantes de ouvido, nariz ou 
garganta; Saída de secreção muco-purulenta pelo ponto lacrimal quando se produz 
uma leve compressão na topografia do saco lacrimal; Avaliar motilidade ocular 
extrínseca e acuidade visual para diferenciar de celulite pós-septal. Não 
realizar sondagem ou irrigação da via lacrimal durante infecção aguda!!! 
 
 
Tratamento 
 
 
Compressas mornas e massagem. 
Promover analgesia com AINE e 
antibioticoterapia sistêmica. Considerar 
incisão e drenagem para abscesso que 
esteja flutuando (colher Gram e culturas) 
CRIANÇAS: 
O agente etiológico mais comum é o 
estafilococo. Considerar também 
Haemophilus influenza. Deve-se pesquisar 
sinusite e otite simultaneamente. 
ADULTOS: 
Os agentes etiológicos mais comuns são o 
estafilococo e o pneumococo 
Cefalosporinas de 2a geração (cefuroxima 
VO 125mg de 12/12h, suspensão de 
250mg/5ml); Cefalosporina de 3ª geração 
(ceftriaxone injetável 25mg/kg de 12/12h); 
Alternativo: Amoxicilina/Clavulonato 20 a 
40 mg/kg/dia em três doses. 
Cefalosporinas de 2a geração (cefaclor 500 
mg de 8/8hs ou cefuroxima 500mg de 
12/12hs); Cefalosporinas de 1a geração 
(Cefalexina 500 mg de 6/6hs); Em casos 
graves Ceftriaxone 1g EV/IM de 12/12hs 7-14 
dias. Alternativo: Amoxicilina/Clavulonato 
500mg 8/8hs. 
*Na maioria das vezes o tratamento é domiciliar com retornos diários até melhora do quadro. 
*Considerar internação hospitalar para antibioticoterapia EV em casos refratários ao 
tratamento VO e/ou pacientes com comprometimento do estado geral. Solicitar avaliação via 
PS da Pediatria ou Clinica Médica conforme o caso. Na melhora do quadro, agendar cirurgia 
a curto prazo (dacriocistorrinostomia). 
*Após resolução do quadro agudo, encaminhar o paciente para o ambulatório de plástica 
ocular para avaliar possível obstrução das vias lacrimais e tratamento adequado. 
*Nota: Considerar realização de TC órbita e seios paranasais em casos atípicos, graves ou 
que não responderam à antibioticoterapia. 
 
 
 
 8 
VÍRUS HERPES SIMPLES 
 
1) Epidemiologia: 
 
Fatores de risco para doença grave: AIDS, crianças, desnutrição, sarampo, malária 
e doença ocular atópica. 
 
2) Quadro Clínico: 
 
Sintomas 
 
Dor, vermelhidão, fotofobia, lacrimejamento, embaçamento visual, episódios prévios. 
Geralmente unilateral. 
 
Sinais 
 
Neonatal: infecção de pele, oculare boca localizada, SNC ou múltiplos órgãos. 
 
Demais idades: lesões de pele e pálpebras, conjuntivite folicular aguda, lesão de 
córnea (ulceração com dendritos, diminuição de sensibilidade, cicatrizes, úlcera 
neurotrófica, neovasos, lesões estromais), uveíte e lesão de retina. 
 
3) Diagnósticos Diferenciais: 
 
Herpes Zoster: pseudodendritos (sem bulbo terminal verdadeiro), não atravessam 
linha média, distribuída em dermátomo. 
 
Acanthamoeba: pseudodendritos, uso prévio de LC, curso crônico, dor 
desproporcional. 
 
Ceratite por vaccínia: vacinação recente contra varíola. 
 
Erosão corneana recorrente: lesão semelhante a dendrito. 
 
4) Avaliação: 
 
História: episódios prévios, trauma, uso de LC, estado de imunodeficiência, lesões 
de mucosa, uso de corticóide. 
 
Exame físico: exame ocular externo, biomicroscopia, PIO, sensibilidade corneana, 
fundoscopia. 
 
5) Diagnóstico e Conduta: 
 
O diagnóstico é clínico. Em casos duvidosos, raspar lesão (PCR, cultura). Vide 
algoritmo. Trocar medicamento tópico para via oral se não puder ser administrado. 
 9 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pele, Pálpebra, Conjuntiva 
Aciclovir pomada 
oftálmica, 5x/ dia; 
compressas frias 
3x/dia; retornar em 2-
7 dias no PS OFT 
para reavaliar 
Córnea 
Aciclovir pomada 
oftálmica, 5x/ dia; 
compressas quentes ou 
frias 3x/dia; retornar em 2 
dias no PS OFT para 
reavaliar. Se lesão 
estromal, acompanhar e 
discutir no amb. da córnea 
(2ªf, 3ªf ou 4ªf), considerar 
uso de corticosteróide 
(contra indicado se 
doença epitelial), ATB, 
cicloplégicos e 
hipotensores se PIO 
elevada (exceto análogos 
de prostaglandinas) 
Perfuração 
 
 
Internação (ramal 6287), 
solicitar exames pré-
operatórios, fazer aviso, 
conseguir carimbo do 
chefe do PS e enfermeira 
de plantão, ligar no CC 9º 
andar para conseguir sala 
(ramal 6358), contactar 
R3 da córnea. 
Uveíte 
Aciclovir pomada 
oftálmica, 5x/ dia, 
cicloplégico, 
hipotensores se PIO 
elevada, considerar 
corticoesteróides, 
levar para discutir 
caso na uveíte (3ªf ou 
6ªf de manhã ou às 
4ª feiras à tarde). 
Solicitar exames 
laboratoriais (RX 
tórax, sorologias, 
PPD, hemograma 
para afastar outras 
causas) 
Acometimento: 
 10 
VÍRUS HERPES-ZOSTER 
 
1) Epidemiologia 
 
Mais freqüente na 6ª e 7ª décadas de vida. Pode ser a 1ª manifestação do HIV e é 
mais grave nestes pacientes e em idosos. Geralmente unilateral e acomete mais 
pálpebra superior. 
 
2) Quadro Clínico 
 
Sintomas 
Acomete dermátomo (dor, vermelhidão, erupção ou desconforto cutâneo), alteração 
de sensibilidade (parestesia, hipoestesia), febre, embaçamento visual e cefaléia. 
 
 Sinais 
 Lesões de pele e pálpebras (respeita linha média); 
 Sinal de Hutchinson: lesão em ponta de nariz por acomentimento de nervo 
nasociliar – indica risco de lesão ocular; 
 Conjuntivite; 
 Lesão de córnea (pseudodendritos, ceratite estromal imune, ceratite 
neurotrófica). Pode durar anos e ocorrer antes ou após a lesão de pele; 
 Uveíte, Esclerite; 
 Neurite óptica; 
 Coroidite; 
 Paralisia de nervos cranianos. 
3) Diagnóstico Diferencial 
 
Herpes simples: jóvens, dendritos (com bulbo terminal verdadeiro), atravessam a 
linha média, não distribuída em dermátomo. 
 
4) Avaliação 
 
História: duração de lesão e dor, episódios prévios, trauma, uso de LC, estado de 
imunodeficiência, lesões de mucosa, uso de corticóide. 
 
Exame físico: exame ocular externo, biomicroscopia, PIO, sensibilidade corneana, 
fundoscopia (atentar para necrose de retina). 
 
5) Diagnóstico e Conduta 
 
É clínico. Nos casos duvidosos raspar lesão (PCR, cultura). Vide algoritmo. Se 
houver dor intensa, usar opióides e/ou amitriptilina 25mg VO 3x/dia. 
 11 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cutâneo 
Aciclovir VO 800mg, 
5x/ dia por 7-10 
dias; compressas 
frias 3x/dia; retornar 
em 1-4 semanas no 
PS OFT para 
reavaliar. 
Córnea 
Aciclovir pomada oftálmica, 5x/ 
dia; compressas quentes ou 
frias 3x/dia; lubrificantes; 
retornar em 2 dias no PS OFT 
para reavaliar. Se lesão 
estromal, acompanhar e 
discutir no Amb. da Córnea 
(2ªf, 3ªf, 4ªf ou 6ªf de manhã), 
considerar corticosteróide 
(contra indicado se doença 
epitelial), ATB, cicloplégicos e 
hipotensores se PIO elevada 
(exceto análogos de PG) 
perfuração 
Internação, solicitar 
exames pré-
operatórios, fazer 
aviso, conseguir 
carimbo do chefe do 
PS e enfermeira de 
plantão, ligar no CC 9º 
andar para solicitar sala 
(ramal 6358). 
Uveíte 
Aciclovir pomada 
oftálmica, 5x/ dia, 
cicloplégico, 
hipotensores se PIO 
elevada, considerar 
corticoesteróides, levar 
para discutir caso na 
uveíte (3ªf ou 6ªf de 
manhã ou 4ªf à tarde). 
Solicitar exames (RX 
tórax, sorologias, PPD, 
hemograma) para 
afastar outras causas. 
Acometimento 
úlcera 
Colher esfregaço e 
cultura. Se estéril e 
sem resposta 
LC terapêutica, tarsorrafia, enxerto 
de membrana amniótica ou retalho 
conjuntival 
Craniano, orbital, nervo óptico, retina, coróide 
Internação, exames laboratoriais p/ avaliar 
imunidade, solicitar avaliação da neurologia. Se 
criança, solicitar avaliação da pediatria. 
Aciclovir 5-10mg/kg EV 8/8h por 5 a 10 dias. 
Levar o caso para discutir na neuroftalmo (2ªf ou 
4ªf de manhã). 
 12 
Órbita 
 
 
Capítulo Autor Página 
Celulite Pré-Septal Rafael Miranda Silva 13-14 
Celulite Pós-Septal Rafael Miranda Silva 15-16 
Fístula Carótido-
Cavernosa 
Marina Bacal de 
Campos Mello 
Oksman 
17-18 
Fratura Orbitária 
Rodrigo Bernal da 
Costa Moritz 
19 
 
 
 
 
Organização: 
Rafael Miranda Silva 
Frederico Castelo Moura 
Allan Christian Pieroni Gonçalves 
 
Revisão: 
Mario Luiz Ribeiro Monteiro 
 
 
 13 
CELULITE PRÉ-SEPTAL 
 
 
1. Causas e fatores de risco: 
Infecção do tecido subcutâneo anterior ao septo orbitário. 
 
Etiologia: 
Pós-trauma: Staphylococcus aureus ou Streptococccus 
pyogenes (beta-hemolítico do grupo A). 
Bacteremia (3 meses a 3 anos): Streptococcus 
pneumoniae e Haemophilus influenzae (participação 
reduzida após a introdução da imunização). 
Fatores de Risco: 
Infecção do trato respiratório, trauma (ex.: laceração, 
picada de inseto), infecções adjacentes (ex.: dacriocistite, 
conjuntivite e hordéolo), bacteremia. 
Faixa Etária: Pico: 0 - 10 anos e 51 – 60 anos. 
 
 
 
2. Quadro Clínico: 
Unilateral, edema periorbitário, eritema pálpebral, febre, mal-estar e dor à palpação. 
 
Nota: Diferente da celulite orbitária, na celulite pré-septal não ocorre proptose, 
defeito pupilar aferente relativo (DPAR), oftalmoplegia e comprometimento do estado 
geral. Outro diagnóstico diferencial são outras causas de edema peri-orbitário 
importante como, por exemplo, as conjuntivites adenovirais que devem ser excluídos 
para evitar tratamento antibiótico sem necessidade. 
 
 
 
 
 
 
 14 
 
3. Conduta: 
 
a) Avaliar estado geral do paciente e se necessário: solicitar hemograma, 
VHS e TC de órbita com e sem contraste para excluir outros diagnósticos. 
 
b) Cefalexina; adultos a dose deve ser de 500 mg, vo, em 4x ao dia. Em 
crianças: a dose diária é de 25 a 50 mg/kg em doses fracionadas (suspensão 250mg 
em 05 ml), por no mínimo 10 dias. 
 
c) Amoxacilina/Clavulonato: Adultos e crianças acima dos 12 anos: 250 a 
500mg a cada 8 horas; duração de pelo menos 10 dias. Crianças: 20 a 40mg/kg/dia 
divididos em doses a cada 8 horas. 
 
d) Casos mais graves (toxemia, pacientes com dificuldade de seguimento, 
crianças menores de 5 anos) considerar internação hospitalar e tratamento com 
antibiótico EV e posterior introdução de antibiótico oral conforme esquema abaixo: 
- Ceftriaxone 1 a 2 gramas de 12/12h para adultos. Para crianças 
100mg/kg/dia em duas doses; 
- Casos de alergia a penicilina, usar moxifloxacina para adultos ou 
vancomicina em casos deresistência bacteriana do staphylococcus. 
e) Retorno semanal para acompanhamento no PS. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 15 
CELULITE PÓS-SEPTAL 
 
1. Causas e Fatores de Risco: 
Infecção de tecidos moles posterior ao septo orbitário. Trata-se de doença grave que 
ameaça a vida, podendo ocorrer em qualquer faixa etária, porém com maior 
incidência na infância. 
 
Etiologia: 
Adultos: Staphylococcus sp, streptococcus 
sp, anaeróbios (secundário a infecção 
dentária, abscessos, sinusite crônica). 
Pós-traumático: Bacilos gram negativos. 
*H. influenzae (menos comum após 
imunização). 
Fatores de Risco: 
Sinusite (mais importante etmoidal), trauma 
(ex.: fratura orbitária e corpo estranho 
intraorbitário), endoftalmite, infecção 
dentária, bacteremia e complicação de 
cirurgias orbitária ou paranasal. 
Faixa Etária: Mais comum em adultos jovens. 
 
Nota: Mucormicose é uma rara infecção oportunista que ocorre em pacientes 
imunodeprimidos ou em diabéticos, causada por fungo da família Mucoracea e que se 
caracteriza por ser muito agressiva e potencialmente fatal. Acometem seios faciais, órbitas e 
progride para demais tecidos. Deve-se considerar esta hipótese na presença das condições 
acima, devido ao seu pior prognóstico. 
 
2. Quadro Clínico: 
Sintomas: Queda rápida do estado geral, mal-estar, dor e perda visual. 
Sinais: Edema periorbitário unilateral com sinais flogísticos e febre, associado à 
proptose geralmente lateral e inferior, às vezes mascarada pelo edema palpebral, 
oftalmoplegia dolorosa e defeito pupilar aferente relativo (DPAR). Outros sinais são 
quemose, dor à palpação e secreção conjuntival purulenta. 
 
 16 
3. Conduta: 
 
 
 3.1. Opções terapêuticas (EV): 
Vancomicina 500mg a cada 6/6h, associada às seguintes combinações: 
Ceftriaxone 2g/dia + Metronidazol 500mg de 06/06 h. 
Ceftriaxone 2g/dia + Clindamicina 600mg de 06/06 h. 
Ampicilina-sulbactam 3g/dia dividida em 4 dose/dia. 
 
3.2. Discutir no Setor da Órbita (terça-feira de manhã) e afastar diagnósticos 
diferenciais: abscesso intra-orbitário, abscesso subperiostal, mucormicose, corpo 
estranho orbitário e trombose de seio cavernoso. 
 
3.3. Complicações: ceratite neurotrófica e por exposição, oclusão arterial retiniana, 
neuropatia óptica, meningite, abscesso cerebral e septicemia. 
 
3.4. Em casos associados a abscesso que necessitem de tratamento cirúrgico, 
deixar dreno de penrose por 24 a 48 horas, dependendo da evolução do quadro. 
 
3.5. Aguardar 48 a 72 horas após a drenagem para solicitar TC, a não ser em casos 
de piora clínica. 
 17 
FÍSTULA CARÓTIDO-CAVERNOSA 
 
 
1- Definição: 
 
Comunicação anormal entre a artéria carótida interna ou externa e o seio cavernoso. 
 
2- Classificação: 
 
a) Etiológica - traumática ou idiopática. 
b) Anatômica - diretamente da a. carótida interna ou de ramos durais das aa. 
carótida interna ou externa. 
c) Velocidade do fluxo sanguíneo - alto debito ou baixo debito. 
 
3 – Epidemiologia: 
 
Fatores de Risco 
Traumática: relacionadas ao trauma 
Idiopática: HAS 
Faixa Etária Idiopática: pós-menopausa 
Sexo Idiopática: predominante em mulheres 
 
4 – Quadro Clínico: 
 
a) Dilatação de vasos conjuntivais e episclerais. 
b) Tríade de Dandy: Exoftalmo pulsátil + quemose + sopro. 
c) Limitação da movimentação ocular por comprometimento dos músculos na 
órbita e mais raramente por paralisia do 3º, 4º ou 6º nervos cranianos. 
d) Ptose palpebral. 
e) Aumento da PIO. 
f) Usualmente ipsilateral, podendo ser bilateral ou contra-lateral. 
Obs: As fístulas de baixo débito apresentam quadro clínico menos exuberante. 
A proptose geralmente não é pulsátil. 
 
 
 
 
 
 18 
5 – Conduta: 
 Quadro Clínico Característico 
 
 
Solicitar TC de Órbita (ênfase no seio cavernoso e na veia oftálmica superior) 
com e sem contraste 
 
 
Confirmada Suspeita 
SIM NÃO 
 
Angiografia Investigar outras causas 
 
 
 Confirmação Definitiva 
 
NÃO SIM 
 
 Investigar outras causas Radiologia Intervencionista 
 
 
NOTA: Levar caso para discussão no serviço de órbita. 
Se PIO aumentada entrar com medicação hipotensora (evitar prostaglandina). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 19 
FRATURA ORBITÁRIA 
1. Definição: 
 
São lesões traumáticas comuns devido à posição anterior da orbita e do globo 
ocular no esqueleto. Podem estar associadas a lesões oculares e a fraturas de 
ossos da face e do crânio. 
 
2. Classificação: 
 
Podem ser divididas em fraturas internas, que acometem as paredes orbitarias, e 
fraturas externas, quando o rebordo orbitário é comprometido. 
As fraturas complexas são associadas a alterações craniofaciais. 
 
3. Quadro Clínico: 
 
a) Deformidade óssea, dor, hiperestesia no território do nervo infraorbitário. 
b) Edema e equimose palpebral, enfisema, proptose e enoftalmo. 
c) Restrição da MOE, diplopia e baixa da acuidade visual. 
d) Edema de Berlin, hifema e trauma corneano são as lesões oculares associadas mais 
comuns. 
 
4. Conduta: 
 
a) Solicitar TC de órbita sem contraste com cortes coronal, axial e sagital. 
b) Se houver edema importante, prescrever antiinflamatórios não hormonais. 
c) Compressas frias podem ser utilizadas em caso de edema importante. 
d) Realizar blefarorrafia se apresentar quemose conjuntival importante com exposição ou 
úlcera corneana. 
e) Se houver sinusite associada, solicitar avaliação otorrinolaringológica. Considerar 
utilização de antibioticoterapia específica para VAS. 
f) Orientar a não realizar Manobra de Valsalva, assoprar o nariz e tossir. 
g) Encaminhar para avaliação no grupo de Órbita na primeira semana se houver diplopia, 
enoftalmo, proptose, encarceramento de músculo ocular ou se a fratura for muito grande. 
 
 20 
Córnea e Conjuntiva 
 
 
Capítulo Autor Página 
Conjuntivite Viral 
(Epidêmica) 
Arles Silva dos Santos 21 
Outras Conjuntivites Arles Silva dos Santos 22-23 
Conjuntivites 
Neonatais 
Fabricio Lopes da 
Fonseca 
24 
Ceratites 
 
(Cristiana Dumaresq 
de Oliveira) 
Bacteriana 
Fúngica 
Acanthamoeba 
Herpes Simples 
Herpes Zoster 
 
25-26 
27 
28 
29 
30 
 
Flictenulose Suellen Tiemi Shibata 31 
 
Organização: 
Cristiana Dumaresq de Oliveira 
 
Revisão: 
Milton Ruiz Alves 
Ruth Miyuki Santo 
 
 
 21 
Conjuntivite Viral (Epidêmica) 
 
1) Epidemiologia: 
Etiologia: Adenovírus (mais comum), Enterovírus. 
Fatores de risco: acomete qualquer idade, sem predileção por sexo; geralmente 
associada com infecção do trato respiratório superior. 
 
2) Quadro clínico: 
 Pode durar até 10-21 dias. 
 Sensação de corpo estranho (areia), queimação; 
 Secreção aquosa, hiperemia conjuntival difusa, quemose; 
 Eritema e edema palpebrais, 
 Folículos conjuntivais na pálpebra inferior; 
 Linfonodo pré-auricular palpável; 
 Geralmente inicia em um olho, acometendo o outro olho após alguns dias; 
 Pseudo-membranas podem ser vistas, principalmente em quadros que há 
demora da resolução; 
 Podem surgir ainda infiltrados corneanos subepiteliais após 1-2 semanas do 
início dos sintomas. 
 
3) Conduta: 
a) Colírios lubrificantes (se utilizado mais do que 5 x/dia, dar preferência àqueles 
sem conservantes); 
b) Compressas frias várias vezes por dia (água filtrada, chá de camomila, soro 
fisiológico); 
c) Orientações de higiene e cuidados para evitar contaminação e transmissão (vide 
folha de orientações presente no PS); 
d) Em caso de pseudo-membranas: retirada mecânica com cotonete ou pinça sob 
anestesia tópica; introduzir corticóide* de baixa penetração cameral, como 
fluormetolona (Florate®), loteprednol (Alrex® ou Loteprol®) 6/6 h ou 8/8h e retorno 
no PS-Oftalmo a cada 2-3 dias para reavaliações e novas remoções, até cessar 
o processo; 
e) Em caso de infiltrados corneanos centrais em atividade, associados à BAV 
(<20/40):pode ser introduzido corticóide* de baixa penetração cameral, 
receitando esquema de desmame lento, com orientação para procurar serviço 
ambulatorial de UBS para seguimento, pois tratamento costuma ser prolongado; 
 
NOTAS: 
* O uso de corticóides deve ser feito com muito critério! Uso inadvertido ou antes do 
momento recomendado podem agravar o quadro. 
Não é necessária a coleta de culturas ou swabs; 
Afastamento das atividades: solicitar ficha de atestado (balcão onde é feita ficha de 
atendimento), preencher com CID 10 (H10.0, H13.1, H10.2, ou H16.9) e dias de 
afastamento (7 dias ou mais se achar necessário). Carimbar e assinar. 
 
 22 
OUTRAS CONJUNTIVITES 
 
 
Conjuntivite bacteriana 
(não-gonocócica) 
 
 
Conjuntivite gonocócica 
 
Etiologia e 
Fatores de Risco 
 
Staphylococcus aureus 
(em todas as faixas 
etárias), Streptococcus 
pneumoniae e 
Haemophilus influenzae 
(mais comuns em 
crianças). 
 
Neisseria gonorrheae 
 
Quadro Clínico 
 
 
 
Agudo. Hiperemia, 
sensação de corpo 
estranho, secreção 
mucopurulenta leve a 
moderada, reação papilar; 
linfonodo pré-auricular 
ausente. 
 
Hiperaguda, 1-4 dias após 
nascimento. Secreção 
purulenta grave, edema 
palpebral, papilas 
conjuntivais, quemose 
acentuada, adenopatia 
pré-auricular. 
 
Exames Laboratoriais 
 
Não são necessários de 
rotina. 
 
 
Raspados conjuntivais 
para coloração Gram 
imediata e para cultura. 
 
 
Conduta Específica 
 
Colírio de antibiótico 
(quinolonas de amplo 
espectro – Oflox ou Cipro) 
4x/d por 5 a 7 dias. 
 
* em crianças, usar 
tobramicina. 
 
* não utilizar ATB de 4ª 
geração (reservar para 
ceratites infecciosas e 
profilaxia pós-cirúrgica). 
 
 
Tratamento (se Gram 
mostrar diplococos 
intracelulares G- ou se alta 
suspeita): 
1) Ceftriaxone 1g IM, dose 
única. Se envolver córnea: 
internação para 
ceftriaxone 1g EV. 
2) Colírio de ciprofloxacino 
2/2h (ou gati/ 
moxifloxacino 1/1h se 
envolve córnea). 3) Tratar 
os parceiros sexuais com 
ATB orais para gonorreia 
e clamídia. Seguimento 
diário até melhora 
consistente. 
 
 
 23 
OUTRAS CONJUNTIVITES 
 
 
 
Conjuntivite alérgica 
 
Ceratoconjuntivite 
vernal/ atópica 
 
 
Etiologia e 
Fatores de Risco 
Alérgenos 
desencadeantes. 
Histórico de alergias. 
 
Mecanismos imuno-
mediados (IgE e celular). 
Meninos, primeira década 
de vida. Atopia. 
 
 
Quadro Clínico 
 
 
Prurido, secreção aquosa, 
associado a espirros e 
coriza. Edema palpebral, 
quemose e reação papilar 
leve. 
 
Bilateral. Recorrência. 
Prurido, que pode estar 
associado a 
lacrimejamento, fotofobia, 
secreção mucóide 
espessa. Papilas 
conjuntivais grandes no 
tarso superior ou limbo. 
Úlcera em escudo; pontos 
de Horner-Trantas; 
punctata superficial. 
 
 
Exames Laboratoriais 
 
Não são necessários. Não são necessários. 
 
Conduta Específica 
 
Eliminar agente 
desencadeante. 
 
Leve: lubrificante; 
Moderado: anti-
histamínicos e/ou 
estabilizadores de 
mastócitos. 
Grave: associar corticóide 
tópico leve por 01 
semana. 
 
 
Como conjuntivite 
alérgica. Orientar 
seguimento ambulatorial 
para tratamento profilático. 
 
Se úlcera em escudo: 
corticóide, antibiótico 
tópicos; retorno 1-3 dias; 
remoção da placa de 
fibrina. 
 
 
Condutas gerais: 
 
Colírios lubrificantes (se utilizado mais do que 5 x/dia, dar preferência àqueles 
sem conservantes); 
Compressas frias várias vezes por dia; 
Orientações de higiene e cuidados para evitar contaminação e transmissão 
(vide folha de orientações presente no PS). 
 24 
CONJUNTIVITES NEONATAIS 
Definição: Conjuntivites que ocorrem nos primeiros 28 dias de vida. 
Etiologia: 
Mais freqüentes: Química (secundária à profilaxia pelo método de Credé), Chlamydia 
trachomatis; Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermidis, Viridans streptococci, Haemophilus 
sp. e S. pneumoniae. 
Menos freqüente: Viral (geralmente presente em crianças maiores), Neisseria gonorrhea (em 
virtude da profilaxia neonatal). 
 
Tempo de evolução Etiologia provável Quadro Clínico Conduta 
< 24h 
Conjuntivite química 
(Nitrato de prata) 
 
Conjuntivite 
purulenta 
moderada 
Observação (é esperada 
melhora em 48h) 
< 1 semana 
Neisseria gonorrhea 
 
*Anamnese: via de parto, 
sintomas ginecológicos 
maternos 
Conjuntivite 
purulenta grave 
entre 3º e 5º dia de 
vida; em casos 
mais avançados, 
úlcera corneana e 
perfuração ocular 
Internação para limpeza 
ocular adequada 
Coleta de secreção 
ocular** (Gram e cultura) 
Ceftriaxone 25 a 
50mg/Kg IV ou IM, dose 
única. 
Avaliação Pediatria 
(Artrite? Meningite? 
Sepse?) 
Tratamento dos pais 
Avaliação Serviço Social 
 
 
1 a 2 semanas 
Chlamydia trachomatis 
 
*Anamnese: via de parto, 
sintomas ginecológicos 
maternos 
Hiperemia 
moderada a 
acentuada, 
secreção mucóide 
a purulenta 
Coleta de secreção 
ocular** (Gram, 
Imunofluorescência e 
cultura) 
Eritromicina VO 
50mg/Kg/dia, 6/6h, por 
10 a 14 dias. 
Avaliação Pediatria 
(pneumonia afebril?) 
Tratamento dos pais 
Sem otite: H. influenza, 
S. pneumoniae, S. 
aureus, S. epidermidis 
Conjuntivite 
mucupurulenta 
Aval ORL (avaliar se há 
otite), orientações gerais 
(limpeza, compressas 
frias), Tobrex 4/4h e 
reavaliar 
Com otite: H. influenzae 
Conjuntivite 
mucopurulenta 
Aval Otorrino (tratamento 
sistêmico) 
Orientações gerais 
(limpeza, compressas) 
 
 
**Lâmina para Gram: colocar 2 a 3 gotas de solução salina estéril na lâmina, coleta de secreção 
ocular com cotonete estéril, homogeneizar o material na salina colocada da lâmina, distender a 
suspensão bacteriana com movimentos elípticos até que esta forme um “filme” tênue e homogêneo, 
deixar o esfregaço secar a temperatura ambiente e fixar o esfregaço à lâmina passando o verso desta 
por 3-5 vezes sobre chama. 
 
**Semeadura em meios de crescimento e isolamento (Agar-sangue; agar-chocolate; McCoy para 
Chlamydia; Ágar Thayer-Martin Chocolate para Neisseria): semear o material (secreção ocular) 
com o auxílio de cotonete estéril fazendo seqüências de estrias ou “C” no material da placa de Petri 
até obter o esgotamento do inoculo. 
 25 
CERATITE BACTERIANA 
ETIOLOGIA 
Staphylococcus aureus, Pseudomonas sp, Streptococcus sp, 
Moraxella sp: são os agentes infecciosos mais freqüentes. 
 
FATORES DE 
RISCO 
Usuários de lentes de contato (LC), desepitelização traumática, 
cirurgias prévias, erosões recorrentes, doenças da superfície ocular, 
imunodepressão. 
 
HISTÓRIA CLÍNICA 
Dor ocular de moderada a intensa, fotofobia, diminuição da 
acuidade visual (intensa se atingir o eixo visual), sensação de corpo 
estranho e secreção ocular. Atenção aos fatores de risco acima 
mencionados! 
 
EXAME 
OFTALMOLÓGICO 
Presença de infiltrado estromal focal ou difuso, associado à injeção 
perilímbica, podendo se associar com edema estromal e hipópio. 
 
Úlcera: defeito epitelial existente + perda de estroma + tinge com 
fluoresceína. 
 
Outros sinais importantes: secreção mucopurulenta, injeção 
conjuntival, edema de pálpebra superior, reação de câmara anterior, 
afilamento corneano, dobras de descemet. 
 
CONDUTA 
1.Exame laboratorial: bacterioscopia (Gram), cultura e antibiograma 
do raspado da úlcera***. Considerar também a cultura do estojo e 
lente de contato, se história positiva. 
 
2.Indicações do raspado corneano: infiltrados maiores que 2mm, no 
eixo visual, comprometimento de mais de 50% da espessura da 
córnea, com reação de câmara anterior ou não responsivos ao 
tratamento inicial. 
 
3.Infiltrados pequenos (<2mm), periféricos, superficiais, sem sinais 
de reação de câmara anterior poderão ser tratados mesmo sem 
exame laboratorial. 
 
TRATAMENTO 
Infiltrados e úlceras são inicialmente tratados com antibióticos, a 
não ser que exista alta suspeita de outro agente infeccioso. Podem-
se associar drogas cicloplégicas (tropicamida ou atropina, por 
exemplo) para proporcionar conforto e evitar a formação de 
sinéquias. 
 
BAIXO RISCO DE PERDA VISUAL: pequeno infiltrado na periferia que 
não cora com fluoresceína, sem RCA e pouca secreção– 
Antibiótico de amplo espectro: Fluorquinolona (moxifloxacino, 
gatifloxacino, ciprofloxacino – 1 gt 3/3hs inicialmente); 
 
MODERADO RISCO DE PERDA VISUAL: Infiltrado periférico de 
tamanho menor que 2mm associado a defeito epitelial, sem RCA e 
secreção moderada – Fluorquinolona, 1 gt 1/1hs inicialmente; 
 
ALTO RISCO DE PERDA VISUAL: úlceras maiores que 1 a 2 mm, no 
eixo visual, comprometendo > 50% da espessura da córnea, com 
RCA, hipópio ou não responsivas ao tratamento inicial - Cefazolina 
forte a 5% (Gram +) e gentamicina forte a 1,2% (Gram -), 1 gota de 
hora em hora. 
 
 26 
 
 
*** O exame é feito após a instilação de anestésico tópico, procedendo em seguida à coleta do 
raspado das margens e base da lesão. O material deverá ser semeado em meio líquido, meio ÁGAR-
SANGUE, meio ÁGAR CHOCOLATE e em uma lâmina de vidro (Gram). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTERNAÇÃO 
HOSPITALAR 
Infecção na iminência de perfuração corneana, pacientes com má 
adesão ao tratamento, necessidade de uso de medicações 
intravenosas (perfuração corneana, conjuntivite gonocócica 
associada, extensão escleral da infecção, imunossuprimidos). 
 
SEGUIMENTO 
Medidas periódicas (diárias) do tamanho do infiltrado e do defeito 
epitelial, RCA e intensidade da dor. Se ocorrer melhora dos 
parâmetros, a freqüência do antibiótico é reduzida, após o 6º dia. 
 
Se não ocorrer melhora, apesar dos antibióticos, pode-se repetir o 
raspado corneano e realizar culturas em meios especiais para o 
diagnóstico diferencial (fungos, mycobacteria, acanthamoeba, por 
exemplo), ou até mesmo proceder à biópsia da córnea. 
 
 27 
 
CERATITE FÚNGICA 
ETILOGIA 
 
Fungos filamentosos: Fusarium sp, Aspergillus sp. 
Fungos leveduriformes: Candida sp. 
 
FATORES DE 
RISCO 
Trauma, principalmente com material vegetal, usuários crônicos de 
colírios a base de corticosteróides, doença crônica da superfície 
ocular, diabetes, defeito epitelial, imunossupressão sistêmica, lente 
de contato hidrofílica. 
 
HISTÓRIA CLÍNICA 
Apresenta, em geral, um curso mais indolente em comparação com 
as ceratites bacterianas. 
 
EXAME 
OFTALMOLÓGICO 
Infiltrado esbranquiçado ou branco-acinzentado, com lesões finas 
ou granulares, de localização intra-epitelial ou estromal. O epitélio 
pode estar elevado, intacto ou ulcerado. O curso da doença 
geralmente é lento, porém podem ser encontrados alguns fungos 
com evolução mais rápida, levando à perfuração de córnea e 
endoftalmite. 
Outros sinais importantes: Pouca RCA, lesões-satélite, abscesso 
em anel, injeção conjuntival, hipópio, secreção mucupurulenta. 
 
CONDUTA 
Exame laboratorial: bacterioscopia (Gram), cultura e antibiograma 
do raspado da úlcera*** 
 
Na suspeita de ceratite fúngica, semear o raspado da córnea em 
meio ÁGAR-SABOURAUD. 
 
TRATAMENTO 
Tópico: Fungos filamentosos: Natamicina 5% (Piramicina) 1/1h. 
 Fungos leveduriformes: Anfotericina B 0,5% 1/1h. 
Considerar o uso de drogas antifúngicas via oral (cetoconazol 
200mg 12/12h) se úlceras profundas ou suspeita de endoftalmite 
fúngica. 
 
Suspender uso de colírios com corticosteróides. Fazer o desmame 
rápido de corticóide oral, se estiver em uso do mesmo. 
 
Considerar debridamento epitelial para facilitar a penetração das 
medicações antifúngicas, pois os colírios antifúngicos não penetram 
bem em córneas com epitélio intacto. 
 
Podem-se associar drogas cicloplégicas (tropicamida, por exemplo) 
para proporcionar conforto e evitar a formação de sinéquias. 
 
INTERNAÇÃO 
HOSPITALAR 
Infecção na iminência de perfuração corneana, pacientes com má 
adesão ao tratamento, necessidade de uso de medicações 
intravenosas (perfuração corneana, conjuntivite gonocócica 
associada, extensão escleral da infecção, imunossuprimidos). 
 
SEGUIMENTO 
A resposta clínica ao tratamento é mais lenta do que a ceratite 
bacteriana. A estabilização da infecção após iniciado o tratamento é 
um sinal favorável. Úlceras mais profundas requerem semanas a 
meses de tratamento, e o transplante de córnea pode ser 
considerado em alguns casos desfavoráveis. 
 
 28 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CERATITE POR ACANTHAMOEBA 
ETILOGIA 
Acanthamoeba spp (formas císticas e trofozoítas) 
 
FATORES DE 
RISCO 
Usuários de LC com higienização inadequada, uso de solução 
salina, tomar banho de chuveiro, piscinas, rios usando a LC. 
Outros: trauma com material em contato com o solo ou vegetal. 
 
HISTÓRIA CLÍNICA 
Dor desproporcional aos achados clínicos, borramento visual, 
fotofobia, irritação ocular, incapacidade de usar as LC. 
 
EXAME 
OFTALMOLÓGICO 
Inicialmente há irregularidades epiteliais, ceratite ponteada e 
hiperemia conjuntival. A presença de ceratoneurite radial é um 
achado patognomônico. Posteriormente, ocorre a formação de 
pseudodendritos epiteliais e anel estromal. Em casos avançados 
ocorre a formação de afilamento corneano, opacidade do estroma 
e esclerite. 
 
Outros sinais importantes: ulceração corneana com infecção 
bacteriana secundária pode ocorrer em fases mais tardias. 
 
CONDUTA 
Exame laboratorial: bacterioscopia (Gram), cultura e antibiograma 
do raspado da úlcera *** 
 
As colorações Gram, Giemsa e acridine Orange, coram os 
trofozoítas e cistos; o calcoflúor e imunofluorescência evidenciam 
melhor os cistos. A cultura, apesar de mais demorada, é mais 
sensível e deve ser realizada. 
Considerar cultura do estojo e da LC. 
Microscopia confocal da córnea para identificação dos cistos. 
Em todos os pacientes deve-se suspender o uso de LC nos dois 
olhos 
 
TRATAMENTO 
O tratamento da certatite por acanthamoeba é prolongado e inclui 
uso de vários colírios. Inicialmente tratamento tópico com colírio 
de isotionato de propamidina a 0,15% (Brolene ®) e colírio de 
Biguanida 0,02% de hora em hora. 
 
Alternativa: Associações de colírio de Biguanida 0,02% com colírio 
de Clorexidina 0,05%. 
 
Pode-se associar cicloplégico. 
Se dor, adicionar AINE via oral. 
 
Nos casos de esclerite, associar corticosteróide sistêmico. Evitar 
corticosteróide tópico: aumenta a chance de persistência de cistos 
e o risco de perfuração corneana. 
 
INTERNAÇÃO 
HOSPITALAR 
 
Infecção na iminência de perfuração corneana, pacientes com má 
adesão ao tratamento, necessidade de uso de medicações 
intravenosas (perfuração corneana, conjuntivite gonocócica 
associada, extensão escleral da infecção, imunossuprimidos). 
 
 
 29 
 
CERATITE VIRAL 
1. HERPES SIMPLES 
ETILOGIA 
 
Herpes simples tipo I (principalmente) e herpes simples tipo II 
(relacionados à DST, menos comumente acomete os olhos). 
 
FATORES DE 
RISCO 
História prévia de vesículas orais, imunodepressão, sol, estresse 
psíquico, gripe, infecções febris, alergias, uso de corticosteróide tópico ou 
sistêmico. 
 
HISTÓRIA 
CLÍNICA 
Vesículas ao redor do olho (sem extensão para região frontal e nariz), 
olho vermelho, fotofobia, lacrimejamento, história de episódios anteriores, 
redução da visão, sensação de corpo estranho. 
 
EXAME 
OFTALMOLÓGI
CO 
Pode apresentar-se com uma ou todas as manifestação a seguir: 
- vesículas claras com base eritematosa na pálpebra, que progridem para 
crostas; conjuntivite folicular unilateral; ceratite dendrítica (tinge com 
fluoresceína e rosa-bengala) ou úlcera geográfica; hipoestesia corneana; 
- úlcera neurotrófica (defeito epitelial persistente apesar da terapia); 
- endotelite disciforme (edema estromal com epitélio intacto), com irite e 
precipitados ceráticos, podendo haver aumento da PIO; 
- ceratite intersticial necrotizante (incomum); uveíte; sensibilidade 
corneana reduzida. 
 
CONDUTA 
Medir a sensibilidade corneana antes da instilação de colírio anestésico!!! 
Não esquecer de medir a PIO!! 
O diagnóstico é clínico!! 
 
TRATAMENTO 
Envolvimento palpebral apenas: aciclovir 3% pomada oftálmica (zovirax®) 
5x/dia por 7 a 14 dias; compressa morna ao redor da pele; 
Conjuntivite: aciclovir 3% pomada oftálmica 5x/dia durante 7 a 14 dias. 
Doença epitelialcorneana: iniciar com aciclovir pomada 5x/dia,reduzir 
com a melhora do quadro e não utilizar a medicação por mais de 14 a 21 
dias); cicloplegia, se RCA ou fotofobia;considerar debridamento do 
epitélio infectado no tratamento adjuvante; Na úlcera neurotrófica, deve-
se considerar lubrificação,lente de contato terapêutica e, em casos mais 
recalcitrantes, recobrimento conjuntival. 
Lembrar: corticosteróides tópicos são totalmente contra-indicados na 
ceratite infecciosa em atividade!!! 
Endotelite disciforme: colírio de acetato de prednisolona 1% ou 
dexametasona 0,1% em alta freqüência inicialmente, com redução lenta 
da dose. Quando em uso na alta freqüência recomenda-se profilaxia com 
pomada de aciclovir. 
Indicações de tratamento com aciclovir oral: pacientes imunossuprimidos, 
lesões cutâneas extensas, recorrência freqüente, endotelites graves e 
crianças que não permitem o uso de medicação tópica. 
 
INTERNAÇÃO 
HOSPITALAR 
Infecção na iminência de perfuração corneana, pacientes com má adesão 
ao tratamento, necessidade de uso de medicações intravenosas 
(perfuração corneana, conjuntivite gonocócica associada, extensão 
escleral da infecção, imunossuprimidos). 
 
SEGUIMENTO 
Acompanhar o paciente de perto através dos seguintes parâmetros: o 
tamanho do defeito epitelial e da úlcera, espessura corneana e a 
profundidade do acometimento corneano, RCA e PIO. 
 
 30 
 
 
CERATITE VIRAL 
2. HERPES ZOSTER 
ETILOGIA Vírus varicella-zoster 
FATORES DE 
RISCO 
Idosos, Imunodepressão adquirida. 
HISTÓRIA CLÍNICA 
Dor, seguindo a distribuição do dermátomo, parestesias, e rash cutâneo. 
Pode ser precedida por cefaléia, febre, visão borrada, dor ocular e 
hiperemia ocular 
 
EXAME 
OFTALMOLÓGICO 
Inicialmente há apenas vermelhidão da pele, evoluindo com a formação 
de um rash vesicular. O rash é unilateral, respeitando a linha média. 
Quando o rash atinge a ponta do nariz (sinal de Hutchinson), indica o 
comprometimento do ramo nasocilar, sendo sinal sugestivo de 
acometimento ocular. 
As manifestações oculares são: ceratite, limbite, esclerite, uveíte e 
retinite, isoladamente ou em associação. Pode haver também 
acometimento de outros nervos cranianos (II, IV e VI), levando a desvios 
oculares. 
A córnea pode apresentar apenas uma ceratite ponteada e diminuição 
da sensibilidade. Os defeitos epiteliais podem ocorrer na forma de 
ceratite dendrítica, ceratite ulcerativa periférica e ceratite neurotrófica. Os 
dendritos diferem da ceratite causada pelo herpes simples, por serem 
menores, de localização mais periférica, pela ausência de bulbo terminal 
e por corarem menos com a fluoresceína. 
 
CONDUTA 
Medir a sensibilidade corneana antes da instilação de colírio anestésico! 
Não esquecer de medir a PIO!! 
O diagnóstico é clínico!! 
 
TRATAMENTO 
Sistêmico: imunocompetentes: aciclovir via oral 800mg 5x/dia, de 07 a 10 
dias. Introduzir o antiviral preferencialmente nas primeiras 72hs do início 
da doença. Imunussuprimidos: Inicialmente aciclovir endovenoso, 05-
10mg/kg, de 8/8hs por 1 ou 2 semanas e, posteriormente, mantidos com 
aciclovir oral (600-800mg/dia) por várias semanas. Alternativa: 
Valaciclovir (Valtrex®) 1000mg via oral 8/8hs por 07 dias. 
Lesões dermatológicas: limpeza e compressa morna na pele; pomada de 
antibiótico, para evitar infecção secundária. 
Envolvimento ocular: se ocorrer envolvimento do epitélio corneano, 
pode-se prescrever lubrificantes, e em lesões extensas, 
antibioticoprofilaxia. A iridociclite e a inflamação estromal da córnea são 
tratadas com corticosteróides tópicos e cicloplégicos. 
Lembrar: corticosteróides tópicos são totalmente contra-indicados na 
ceratite infecciosa!!! 
Neuralgia pós-herpética: analgésicos de ação central e antidepressivos. 
 
 
INTERNAÇÃO 
HOSPITALAR 
Infecção na iminência de perfuração corneana, pacientes com má 
adesão ao tratamento, necessidade de uso de medicações intravenosas 
(perfuração corneana, conjuntivite gonocócica associada, extensão 
escleral da infecção, imunossuprimidos). 
 
SEGUIMENTO 
Acompanhar o paciente de perto através dos seguintes parâmetros: o 
tamanho do defeito epitelial e da úlcera, espessura corneana e a 
profundidade do acometimento corneano, RCA e PIO. 
 31 
FLICTENULOSE 
 
1- Causas 
 
Reação de hipersensibilidadde tardia (tipo IV) como resultado de: 
 
- Staphylococcus (associado a blefarite) 
- Tuberculose (raramente) ou outras infecções 
 
2- Quadro clínico 
 
Sintomas: 
História de dor, lacrimejamento, irritação e fotofobia. 
 
Sinais: 
Flictênula conjuntival: pequeno nódulo triangular esbranquiçado na 
conjuntiva bulbar (em geral, no limbo), no centro de uma área hiperemiada. 
 
Flictênula corneana: quando associado à ulceração epitelial e migração 
corneana central do nódulo, produzindo fibrose e neovascularização. 
Sintomas são mais intensos. 
 
 
3- Conduta 
 
 Avaliação: 
- Procurar sinais de blefarite ou rosácea 
- Verificar ocorrência de TB ou outra infecção prévia 
 
 Exames: 
- PPD em pacientes sem blefarite e/ou com alto risco para TB 
 
 Tratamento: 
 - Esteróide tópico: Prednisolona 1% (Ster®, Pred Forte®) até 4x/dia 
 - ATB tópico se úlcera de córnea (Oflox, Vigamox) 
 - Tratar blefarite com ATB pomada 
 
 Seguimento: 
 - Semanal no PS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 32 
Glaucoma 
 
 
Capítulo Autor Página 
Fechamento Angular 
Agudo Primário 
Renata de Iracema 
Pulcheri Ramos 
33-34 
Glaucoma 
Neovascular 
Renata de Iracema 
Pulcheri Ramos 
35-36 
Glaucoma Congênito 
Primário 
Francisco Javier 
Solano 
37-38 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Organização: 
Renata de Iracema Pulcheri Ramos 
 
Revisão: 
Roberto Freire Santiago Malta 
 
 
 33 
FECHAMENTO ANGULAR AGUDO PRIMÁRIO 
 
1) Epidemiologia: 
 
Faixa etária 5ª e 6ª décadas 
Sexo Mulheres 
Raça Asiáticos (1:100) > Brancos (1:1000) > Negros 
Fatores de Risco 
Ângulo oclusível; Câmara rasa; Pequeno comprimento 
axial; Diâmetro corneano diminuído; Hipermetropia 
Patogênese 
Bloqueio Pupilar 
Aposição da íris no cristalino  obstrução do fluxo do 
humor aquoso da câmara posterior para a CA  
anteriorização da periferia da íris  fechamento do 
ângulo da CA 
 
2) Quadro Clínico: 
 
Sintomas 
Dor Ocular 
Baixa de Acuidade Visual c/ visão de halos 
Náuseas e vômitos 
Sinais 
PIO elevada 
Biomicroscopia: 
Abaulamento periférico da íris 
Câmara Anterior periférica rasa (Van Herick Grau I ou II) 
Pupila em média midríase, hiporreativa ou paralítica 
Hiperemia conjuntival 
Edema corneano epitelial 
Reação de Câmara Anterior 
Edema do disco óptico, congestão venosa 
Sinais que indicam crises anteriores de fechamento 
 angular: glaukomflecken, atrofia setorial de íris, 
 sinéquias posteriores e anteriores 
Gonioscopia: 
Ângulo Fechado: impossibilidade de observar o 
 trabeculado pigmentado em mais de 180° de extensão 
 e/ou presença de goniossinéquias. 
Sinais de crises anteriores: impressão iriana, 
 goniossinéquias 
Diagnósticos 
diferenciais 
Bloqueio pupilar secundário a uveítes 
Glaucomas facogênicos 
Glaucoma maligno 
Efusão ciliocoróidea 
Esclerite posterior 
Panfotocoagulaçao retiniana 
Buckle 
Glaucoma neovascular 
Uveíte hipertensiva 
Reação idiossincrática a medicações (sulfa, topiramato) 
 34 
 
3) Conduta: 
 
 
Fechamento Angular Agudo 
Primário
Avaliar 
profundidade da 
Camara Anterior 
pelo Van Herick
 Decúbito Dorsal
 Acetazolamida 250mg 2cp VO
 Manitol 20% - 250ml IV (1-2g/kg de peso)
 Colírios
 Timolol 0,5% 12/12h
 Tartarato de Brimonidina 12/12h
 Prednisolona 1% 2/2h
Melhora da 
PIO e da dor
SIM NÃO
Repetir Manitol
 Manobra de indentação c/ tonômetro (3x 
por 10s, c/ intervalo de 10s) 
 Pilocarpina 2% 0' 30' 60' e após, 4/4h
Reavaliação em 40 min
Iridotomia com YAG laser
Potência 4-8mJ, tiro duplo
Realizar tb iridotomia profilática 
no olho contra-lateral se indicado 
(ângulo oclusível na Gonio)
Retorno no Ambulatório em 24h
Considerar abordagem cirúrgica
IridectomiaCirúrgica
Sem sucesso
Grau I – PCA <¼ EC
Grau II – PCA entre ¼ e ½ da EC
Grau III – PCA entre ½ e 1 EC
Grau IV – PCA > 1EC
Excluir Causas de 
Fechamento 
Angular 
Secundário
Manter medicações em casa:
Pilocarpina 1gt 4/4h
Timolol 1gt 12/12h
Brimonidina 1gt 12/12h
Prednisolona 1% 6/6h
Acetazolamida 250mg VO 6/6h
Xarope de KCl ou Slow K
Controle da PIO?
ALTA
Encaminhar à UBS 
para seguimento
SIM
Manter medicações
Avaliar perviedade da iridotomia
NÃO
Com Sucesso
GONIOSCOPIA
Considerar Abordagem Cirúrgica
(Trabeculectomia?)
 
 35 
GLAUCOMA NEOVASCULAR 
 
 
1) Epidemiologia: 
Causas 
OVCR (36%); RDP (32%); Sd. Ocular Isquêmica (13%); 
OACR; Tumores intra-oculares; Retinopatia falciforme 
Patogênese 
Isquemia retina  fatores angiogênicos (VEGF)  
neovascularização de Iris e ângulo  contração de 
membrana fibrovascular  fechamento angular 
 
 
2) Quadro Clínico: 
Sintomas 
Dor; 
Baixa de acuidade visual 
Sinais 
Tufos de neovasos na margem pupilar; 
NV no ângulo; 
Sinéquias anteriores; 
PIO elevada; 
Hiperemia conjuntival; 
Edema de córnea; 
Ectropio uveae; 
Reação de câmara anterior, flare; 
Hifema 
Diagnósticos 
Diferenciais 
Glaucoma uveítico; 
Fechamento Angular Agudo Primário; 
Glaucoma Crônico de Ângulo Estreito; 
Síndrome ICE; 
Iridociclite Heterocrômica de Fuchs 
Classificação 
Estágio 1: Rubeosis Iridis, com PIO normal 
Estágio 2: Glaucoma de Ângulo Aberto (PIO ↑ , NVI e 
NVA) 
Estágio 3: Glaucoma de Ângulo Fechado (PIO ↑↑ , BAV, 
sinéquias) 
Prognóstico Ruim 
 
 
 
 
 36 
3) Conduta: 
 
 
Glaucoma Neovascular
Com Visão
Sem Visão 
(SPL)
Pancrioterapia
Opacidades de Meios
TTO Clínico
Corticoides
Cicloplégico
Hipotensores que 
↓ prod de HA
Neovascularização 
de Íris ou Ângulo
PIO Normal PIO Elevada
NÃO
DOR?
SIM
DX da Dça de 
Base
Isquemia 
Retiniana
PFC 
+
Anti-angiogenico 
(Avastin)
TTO da Causa
Clínico
TTO da PIO
Considerar AGF, 
Doppler de Carótidas, 
US Ocular
Anamnese
Exame Oftalmológico completo
Gonioscopia
FO
Prednisolona 1%
Atropina 1%
Timolol 0,5%
Brimonidina
Cirúrgico 
(TREC, Tubo)
+ Avastin
Encaminhar à UBS para seguimento
 
 
Notas: 
1. Caso seja necessário discutir o caso, levar o paciente no setor do glaucoma 
(2a – 5a feira de manhã). 
2. Caso esteja indicada panfotocoagulação a laser ou injeção de anti-
angiogênico, levar o paciente no setor da retina (2a – 6a feira de manhã). 
 
 37 
GLAUCOMA CONGÊNITO PRIMÁRIO 
 
1) Epidemiologia: 
 
Incidência 1:10.000 nascidos vivos 
Sexo Masculino 3:2 Feminino 
Causas 
2/3 são primários 
Maioria esporádico; 
Herança autossômica recessiva com penetrância variável 
Patogênese 
Disgenesia trabecular: 
Alteração do desenvolvimento 
Persistência de pectíneo no seio camerular 
Imaturidade do tecido trabecular 
 
2) Quadro Clínico: 
 
Sinais e sintomas variam de acordo com a idade no início da doença e do 
nível da PIO. 
 
Sintomas 
Tríade Clássica: lacrimejamento, fotofobia, blefarospasmo 
Córnea Turva 
Aumento do globo ocular 
Sinais 
PIO elevada 
Diâmetro corneano: 
>11mm (antes de 1 ano de idade) ou >13mm (qualquer idade) 
Estrias de Haab 
Edema de córnea 
Câmara anterior profunda 
Buftalmia (se elevação da PIO ocorreu antes dos 3 anos) 
Esclera azulada 
Aumento da escavação do nervo óptico 
Gonioscopia 
Ângulo aberto 
Pectíneo preenchendo o seio camerular 
Metaplasia do seio camerular 
Aplasia do seio camerular 
Classificação 
Glaucoma Congênito: 70% antes de um mês 
 98% < 3 anos de vida 
Glaucoma Juvenil: 2% entre 3 e 16 anos 
 38 
 
Diagnóstico 
Diferencial 
Lacrimejamento: Obstrução do canal lacrimal (epífora); Defeitos 
epiteliais corneanos; Conjuntivite 
Aumento corneano : Megalocornea hereditaria (ligada ao X); Alta 
miopia 
Opacidade corneana: Trauma de parto; Esclerocórnea; Anomalia 
de Peter; outras (distrofias hereditárias; malformações; 
ceratomalacia; doenças metabólicas - mucopolissacaridoses, 
lipidoses, cistinose; doenças dermatológicas afetando córnea 
(ictiose congenital, disqueratose congenital) 
Alterações do n. óptico: pit de NO; coloboma; hipoplasia; 
escavação fisiológica 
Glaucoma Infantil Secundário: Retinoblastoma, Xantogranuloma 
Juvenil, trauma, ROP 
 
 
3) Conduta: 
 
Crianças de colo que apresentam lacrimejamento, fotofobia, irritabilidade e 
blefarospasmo reativo devem ser avaliadas sempre com o intuito de afastar 
glaucoma congênito. Crianças com antecedente familiar, com doenças comumente 
associadas ou com encaminhamento externo sugerindo o diagnóstico de GC ou 
outras anomalias do Segmento Anterior devem completar a avaliação oftalmológica 
no ambulatório. 
 
O simples exame na sala do pronto socorro costuma não ser suficientemente 
acurado para afastar a hipótese de GC. É necessário examinar a criança sob 
sedação para realizar a biomicroscopia (avaliar a íris, transparência corneana, sinais 
clássicos), a medição da PIO e do diâmetro corneano, gonioscopia e fundo de olho. 
O residente responsável pelo paciente deverá matriculá-lo e encaminhá-lo ao setor 
do Glaucoma Congênito com urgência (na próxima 6ª feira às 07:30h) com consulta 
de encaixe marcada para avaliação sob sedação e caso novo completo. Deve-se 
orientar jejum obrigatório de 8 horas no dia do exame sob sedação e o residente 
responsável deverá discutir o caso com o médico assistente. Após o exame será 
decidida a conduta a ser tomada e o serviço de destino (ambulatório geral, 
ambulatório do GC ou alta com encaminhamento externo). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 39 
Uveíte 
 
 
Capítulo Autor Página 
Esclerites e 
Episclerites 
Ana Paula Calil 
Guermandi 
40 
Uveítes Anteriores 
Ana Paula Calil 
Guermandi 
41 
Uveítes Posteriores Suzana Crispin Leite 42 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Organização: 
Ana Paula Calil Guermandi 
 
Revisão: 
Carlos Eduardo Hirata 
 
 
 40 
 
ESCLERITES E EPISCLERITES 
 
 
 41 
UVEÍTES ANTERIORES 
 
 
 42 
 
UVEÍTES POSTERIORES 
 
 
 
 
 
 43 
Retina e Vítreo 
 
 
Capítulo Autor Página 
Descolamento de 
Retina 
Marcelo Mendes 
Lavezzo 
44-45 
Hemorragia Vítrea 
Marcelo Mendes 
Lavezzo 
46-47 
Oclusão de Artéria 
Central da Retina 
Marcelo Mendes 
Lavezzo 
48-49 
Oclusão de Veia 
Central da Retina 
Marcelo Mendes 
Lavezzo 
50-51 
Endoftalmites 
Marcelo Mendes 
Lavezzo 
52-54 
Retinoblastoma 
Marcelo Mendes 
Lavezzo 
55-56 
 
Organização: 
Marcelo Mendes Lavezzo 
 
Revisão: 
Walter Yukihiko Takahashi 
Sergio Luis Gianotti Pimentel 
 
 44 
DESCOLAMENTO DE RETINA (DR) 
 
1) Epidemiologia: 
 
Principais 
fatores de risco 
(1) Alta miopia (≥–5,00DE); (2) Trauma (principalmente 
contuso); (3) Facectomia; (4) História familiar; (5) 
Degeneração lattice; (6) Retinosquise 
 
 
 
 
Tipos 
(1) Regmatogênico: secundário a uma rotura retiniana; 
(2) Tracional: a retina é tracionada por membranas vítreo-
retinianas contráteis, na ausência de rotura retiniana; 
(3) Misto: a rotura retiniana está associada à área de 
tração vitreorretiniana adjacente (ex: retinopatia diabética 
proliferativa avançada); 
(4) Exsudativo (ou seroso): não é causado por rotura, nem 
por tração, sendo que o fluido sub-retiniano é proveniente 
dos vasos da retina e/ou da coróide. 
 
2) Quadro Clínico: 
 
 
Sintomas 
(1) BAV súbita e indolor, precedida ou não por fotopsias 
(flashes de luz); (2) Visão de “cortina fechando”; (3) Moscas 
volantes; (4) Defeitos de campo visual. 
 
Sinais 
(1) DAR pode estar presente; (2) Células pigmentares no 
vítreo anterior; (3) Roturas retinianas; (4) Pode manifestar-se 
como leucocoria 
Diagnósticos 
diferenciais 
(1) Retinosquise; (2) Descolamento de coróide; (3) Síndrome 
de efusão uveal 
 
3) Conduta: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
* Vide texto 
 
 
 
 
 
Suspeita de DR 
Tratamento conservador* 
(DR com pequena extensão): 
- Crioterapia 
- Fotocoagulação a laser 
 
 
- Fotocoagulação a laser 
Verificação de detalhes da história (trauma) e existência de comorbidadesMapeamento de retina: 
- Oftalmoscopia indireta (Schepens) 
- Biomicroscopia de fundo 
Se opacidade de meios 
(leucoma, catarata densa ou 
hemorragia vítrea): USG de 
globo ocular 
Diagnóstico de DR 
Tratamento cirúrgico*: 
- Introflexão escleral (buckle) 
- Retinopexia pneumática (C3F8) 
- Vitrectomia (VVPP) 
 45 
A fotocoagulação a laser pode ser empregada nos seguintes casos: 
1. roturas assintomáticas, sem DR ou com DR de pequena extensão associado; 
2. lattice no olho contralateral a um descolamento de retina; 
3. diálise em olhos míopes, fácicos, afácicos ou no olho contralateral a DR. 
 
A retinopexia pneumática costuma estar reservada para tratamento de DRs 
não-complicados com uma rotura retiniana pequena ou um conjunto de roturas se 
extendendo por uma área < 2 horas, situada nos 2/3 superiores da periferia da retina. 
 
A indicação clássica para Introflexão escleral é: 
1. DR regmatogênico com diálise ou rotura regular <90º de extensão, periférica 
(anterior ao equador), sem componente tracional, com meios claro em 
paciente fácico. 
 
As principais indicações de VVPP são: 
1. DR tracional que envolva ou ameace a fóvea; 
2. DR regmatogênico em olho pseudofácico; 
3. DR regmatogênico em que a rotura causadora do DR não pode ser selada 
pelos métodos convencionais ou não foi encontrada; 
4. DR misto; 
5. DR com roturas muito grandes (incluindo roturas gigantes); 
6. DR com roturas muito posteriores (incluindo buracos maculares); 
7. DR com presença de proliferação vítreo-retiniana (PVR). 
 
Os descolamentos traumáticos são mais comuns em jovens (80% < 40 anos) 
e no sexo masculino (80%). As roturas mais comuns, suas características e opções 
terapêuticas são detalhadas na tabela abaixo: 
 
Roturas mais freqüentes Características Terapêutica 
Diálise (68-87%) 
Localização TI (66%); 
progressão lenta; extensão 
limitada, pouco elevada 
1. Laser (sem DR ou qdo DR 
associado é pequeno) 
2. Introflexão escleral 
Rotura gigante > 90 graus VVPP + Introflexão escleral 
Ferraduras Tração vitreorretiniana focal 
1. Laser (sem DR) 
2. VVPP primária 
3. Introflexão escleral 
Rotura por necrose focal 
da retina 
Mais posteriores e 
maiores; associação com 
outras lesões retinianas 
(edema de Berlim, 
hemorragias) 
1. VVPP primária 
2. VVPP + Introflexão 
escleral 
 
Há urgência na indicação cirúrgica. A recuperação funcional está relacionada 
ao tempo de descolamento macular. Usualmente, não há necessidade de internação. 
Solicitar mapeamento de retina com indentação ou lente de três espelhos (R3 da 
Retina) e discutir no Ambulatório da Retina (segundas a sextas-feiras, pela manhã) o 
mais rápido possível para indicação do tratamento adequado. 
 
 
 
 46 
HEMORRAGIA VÍTREA (HV) 
 
 
1) Epidemiologia: 
 
Causas 
- Retinopatia diabética proliferativa (31,5 - 54%) 
- Rotura retiniana (11,4 - 44%) 
- Trauma (12 - 18,8%) 
- DVP com ruptura de vasos retinianos (3,7 - 11,7%) 
- DR regmatogênico (7 - 10%) 
- Retinopatia falciforme 
- Causas menos comuns: 
1. Macroaneurisma; 
2. DMRI exsudativa; 
3. Síndrome de Terson (hemorragia subaracnóide 
levando ao aumento da pressão intra-craniana e 
ruptura de capilares ou vasos retinianos); 
4. Neovascularização retiniana secundária à oclusão 
de ramo ou veia central da retina; 
5. Retinosquise congênita; 
6. Pars-planite. 
 
 
 
2) Quadro Clínico: 
 
Sinais 
1. Embaçamento ou turvação visual de caráter súbito e 
indolor; Moscas volantes; 
2. Fotofobia; 
3. Percepção de sombras e teias de aranha. 
Sintomas 
1. Sangue pode ser observado no vítreo anterior e/ou 
hialóide anterior; 
2. Periferia pode ser visível; 
3. Reflexo vermelho pode estar ausente em HV densa 
(FO impossível). 
Diagnósticos 
diferenciais 
1. Hiperviscosidade sanguínea; 
2. Complicações peri-operatórias (anestesia com 
perfuração ocular, pós-TREC); 
3. Tumores (melanoma, retinoblastoma, hemangioma); 
4. Desordens inflamatórias (Behçet, Lues); 
5. Desordens hematológicas (leucemia, deficiência de 
proteína C). 
 
 
 
 
 47 
3) Conduta: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Inicialmente, os pacientes com HV devem ser monitorados (clinicamente ou 
ultrassonograficamente) por 2-5 dias para excluir rotura retiniana ou DR. A partir de 
então, a monitorização deve ser feita a cada 2 semanas até melhora espontânea do 
quadro ou até que haja indicação cirúrgica. 
Usualmente, não há necessidade de internação. 
Discutir os casos de maior risco no Ambulatório da Retina (segundas a sextas-feiras, 
pela manhã). 
 
 
T
o
d
o
s
 o
s
 
p
a
c
ie
n
te
s
 
Hemorragia vítrea 
- Avaliação oftalmológica completa 
- Verificação de detalhes da história (trauma) e 
existência de comorbidades 
USG do globo ocular: 
- Avaliação do pólo posterior 
(DR, rotura retiniana, CEIO, 
tumor intra-ocular) 
OBS: Considerar TC e/ou 
RNM de órbitas para excluir: 
perfuração ocular, CEIO, 
avulsão de NO, tumor intra-
ocular, buckle deslocado 
 
FO visível 
Considerar realização de AGF 
para diferenciar causas de HV 
FO impossível 
Observação ou 
Tratamento da causa-base 
Sem alteração no 
pólo posterior 
Alteração no pólo 
posterior 
Tratamento da 
causa-base 
Conduta expectante: 
- Repouso com cabeceira 
elevada a 30-45° 
- Evitar aspirina e outros 
agentes anti-coagulantes 
- Hidratação 
- Tratamento da causa-base 
Conduta cirúrgica (VVPP): 
- HV + DR 
- HV densa, de duração ≥ 2-3 
meses 
- HV em olho único 
- HV + rubeosis 
- HV + glaucoma hemolítico 
ou de células fantasmas 
 48 
OCLUSÃO DE ARTÉRIA CENTRAL DA RETINA 
(OACR) 
 
1) Epidemiologia: 
 
Faixa etária 60-70 anos (>90%) 
Sexo ♂ > ♀ 
Etiologia 
- Trombose relacionada à aterosclerose (80% dos casos) 
- Embolização (origem: carotídea ou cardíaca) 20% 
- Causas incomuns: arterite de células gigantes; 
vasculites; trombofilias; hemoglobinopatias; migrânea 
retiniana; síndrome de Susac (tríade: OACR, surdez 
neurossensorial e encefalopatia); hemorragia sob placa de 
aterosclerose; espasmo arteriolar; aneurisma dissecante 
da artéria central da retina. 
Fatores de risco 
HAS, DM2, hiper-homocisteinemia, LDL alto, obesidade, 
tabagismo e sedentarismo. 
 
 
2) Quadro Clínico: 
 
Sinais e Sintomas 
1. BAV súbita (CD-PL), severa, indolor e 
unilateral; 
2. Pode ser precedida por crises de 
amaurose fugaz (25% dos pacientes); 
3. DAR pode estar presente. 
Fundoscopia 
1. Retina pálida, opaca e edematosa, 
principalmente em pólo posterior; 
2. Mácula em cereja; 
3. Arteríolas retinianas estreitadas ou 
segmentadas; 
4. Êmbolos: visualizados em 20%. 
Diagnósticos diferenciais: 
 
 
- Oclusão de ramo da arterial central da retina: 
1. Perda súbita de CV setorial ou altitudinal; 
2. Isquemia retiniana setorial. 
 
- Oclusão da artéria cílio-retiniana: 
1. Artéria cílio-retiniana está presente em 
20% da população e irriga a mácula e o 
feixe papilo-macular; 
2. Oclusão é mais comum em jóvens com 
vasculite sistêmica; 
3. BAV aguda e severa da visão central; 
4. Edema retiniano localizado da área de 
irrigação da a. cílio-retiniana; 
5. Defeito de enchimento correspondente à 
AFG 
 49 
3) Conduta: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
* Vide texto 
 
 
Além dos exames gerais, deve-se considerar exames laboratoriais 
especializados (pesquisa de trombofilias, auto-anticorpos: anticardiolipina, anti-
coagulante lúpico, FAN, DNA, ANCA; e homocisteína). 
Os achados possíveis da AGF são: (1) atraso no enchimento arterial; (2) fase 
arterio-venosa prolongada, com enchimento incompleto; (3) hipofluorescência: 
bloqueio da fluorescência coroidal pelo edema retiniano + hipoperfusão; (4) 
impregnação do NO. 
 
O tratamento visa restabelecer a circulação retiniana e consiste em: 
1. Paracentese de CA: após colírio anestésico, introduzir parcialmente 
agulha de insulina perpendicular ao limbo temporal e observar saída de 
humor aquoso (0,1 a 0,4ml), deixando ATB profilático após 
procedimento (Ofloxacino 0,3% ou Ciprofloxacino 0,3% 1 gota 6/6h por 
5 dias);2. Redução da PIO com massagem ocular: movimentos de pressão e 
contrapressão bidigital sobre o globo ocular durante 10-15s com pausa 
para relaxamento de 5s; 
3. Inalação de mistura de 95% de O2 e 5% de CO2; 
4. Manitol 20% 250ml EV, para obter diminuição mais prolongada da PIO. 
 
Usualmente, não há necessidade de internação. 
Discutir os casos no Ambulatório da Retina (segundas a sextas-feiras, pela manhã). 
 
 
T
o
d
o
s
 o
s
 
p
a
c
ie
n
te
s
 
Suspeita de OACR 
- Avaliação clínica (pulso, PA, carótidas, ECG) e laboratorial (HMG, VHS, 
PCR, glicemia de jejum, lipidograma) 
- AFG via ambulatorial* 
Considerar em pacientes 
selecionados: ecocardiograma, 
duplex de carótidas, exames 
laboratoriais especializados* 
- Paracentese de CA* 
- Massagem ocular* 
- Inalação de mistura de O2 e CO2* 
- Manitol 20% 250ml EV* 
≤ 48h de história > 48h de história 
Observação 
Seguimento ambulatorial 
 50 
OCLUSÃO DE VEIA CENTRAL DA RETINA 
(OVCR) 
 
1) Epidemiologia: 
 
Faixa etária 60-70 anos (90% > 50 anos) 
Fatores de risco 
- HAS, DM2, hipercolesterolemia, GPAA. 
- Menos comuns: 
1. Síndromes de hiperviscosidade: disproteinemias 
(mieloma múltiplo); 
2. Discrasias: policitemia vera, leucemia, linfoma, 
anemia falciforme; 
3. Estados de hipercoagulabilidade: homocisteina 
sérica elevada, deficiência do fator XII, resistência à 
proteína C ativada, deficiência de proteína C ou S, 
fator V de Leiden, fibrinogênio sérico anormal, 
redução do folato sérico, anemia, síndrome do Atc-
antifosfolípide; 
4. Vasculites inflamatória (LES) ou infecciosa (HIV, 
lues, Sarcoidose, H. Zoster); 
5. Medicações: contraceptivos orais, diuréticos 
 
2) Quadro Clínico: 
 
 Forma não-isquêmica Forma isquêmica 
Evolução Mais branda Mais grave 
Freqüência Mais comum (75%) Menos comum 
Área de não 
perfusão capilar 
(AFG) 
< 10 DD ≥ 10 DD 
FO Hemorragias < 
Hemorragias >, edema 
macular e de disco, 
exsudatos algodonosos 
AV > 20/100 < 20/100 
AV final > < 
DAR Ausente Presente 
ERG Normal ou redução leve 
↓ amplitude b (≥60%); ↓ 
razão b:a; ↑ ∆t implícito b 
Glaucoma 
neovascular 
10% 35% 
 
Diagnósticos diferenciais: (1) Retinopatia da doença oclusiva da carótida 
(síndrome ocular isquêmica): hemorragias arredondadas em médio-periferia, veias 
dilatadas, mas não tortuosas; (2) Oclusão de ramo venoso da retina: dilatação e 
tortuosidade venosas e hemorragias afetando apenas o setor drenado pela veia 
obstruída; neovascularização retiniana é mais comum que na OVCR. 
Transformação da forma não-isquêmica para a forma isquêmica: 34% em 3 
anos, sendo 15% nos primeiros 4 meses e 19% entre 5-32 meses. 
 51 
 
3) Conduta: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na forma isquêmica, o prognóstico é muito reservado, devido à isquemia 
macular. 
Rubeosis iridis desenvolve-se em cerca de 50% dos olhos dentro de 2-4 
meses (“glaucoma dos 100 dias”) e, a menos que a PFC seja feita, há um grande 
risco de desenvolvimento de glaucoma neovascular. A neovascularização retiniana 
ocorre em cerca de 5% dos olhos (menos comum que na oclusão de ramo venoso 
retiniano). 
Triancinolona intra-vítrea (4mg, 0,1ml) ou anti-angiogênicos podem 
proporcionar regressão do edema macular e melhora da AV, em geral por curtos 
períodos, sendo necessárias reaplicações constantes para manter seu efeito. 
Usualmente, não há necessidade de internação. 
Discutir no Ambulatório da Retina (segundas a sextas-feiras, pela manhã). 
 
 
 
 
 
 
< 50 anos 
T
o
d
o
s
 o
s
 
p
a
c
ie
n
te
s
 
Suspeita de OVCR 
- Avaliação clínica (PA, ECG) e laboratorial (HMG, VHS, glicemia de jejum, 
lipidograma, eletroforese de proteínas) 
- AFG via ambulatorial 
Rx tórax, exames laboratoriais 
especializados (screening para 
trombofilias; auto-Acs: 
anticardiolipina, anti-coagulante 
lúpico, FAN, DNA); homocisteína 
- Seguimento mensal com AFG e 
gonioscopia por 6 meses para detectar 
neovascularização do segmento anterior, 
retina e do ângulo camerular. 
- PFC em olhos com neovascularização 
de ângulo e/ou de disco/retina e/ou 
rubeosis iridis. 
Forma não-isquêmica Forma 
isquêmica 
Observação 
Tratamento das condições clínicas associadas (HAS, DM2, hipercolesterolemia) 
 52 
ENDOFTALMITES 
 
1) Epidemiologia: 
 
Tipos Pós-operatória (75%) Trauma (20-30%) Endógena (5-7%) 
Etiologia 
1. Gram + (75-95%) 
(Stafilo, Strepto); 
2. Gram – (10%) 
(Pseudomonas, 
Klebsiella, Proteus); 
3. Fungos (raramente); 
4. Cultura – (25-35%) 
1. Gram + (60-75%) 
(Stafilo, Strepto); 
2. Bacillus sp (25%) 
(CEIO); 
3. Fungos (10-15%) 
1. Fungos (50-62%; 
(Candida, 
Aspergillus sp) 
2. Bacteriana: G + ou 
G – (Bacillus 
cereus) 
Fatores 
de risco 
Idade > 80 anos; DM2; 
ruptura capsular; 
facectomia combinada 
com outros 
procedimentos; 
infecções das 
pálpebras e conjuntiva; 
bolha filtrante, trave 
vítrea na incisão, 
Seidel+ 
Solução de 
continuidade; CEIO; 
fechamento ocular 
tardio; contaminação 
orgânica 
Imunossuprimidos; 
drogas 
endovenosas; 
septicemia; DM2; 
neoplasia; cateteres 
centrais; infecções 
 
2) Quadro Clínico: 
 
Sintomas (1) BAV; (2) Hiperemia; (3) Dor 
 
Sinais 
(1) Conjuntiva: hiperemia, quemose, secreção; (2) Córnea: 
PKs, edema; (3) CA: células, flare, hipópio, fibrina sobre a LIO; 
(4) Vitreíte; (5) Edema palpebral superior 
Diagnósticos 
diferenciais 
(1) Uveíte pós-operatória; (2) TASS (Síndrome tóxica do 
segmento anterior); (3) Hemorragia vítrea; (4) Blebite 
 
3) Conduta: 
 
O tratamento deve ser instituído assim que houver suspeita clínica de 
endoftalmite. Em todos os casos, deve-se realizar coleta de amostra de vítreo, 
injeção intra-vítrea (IVT), instituição de colírios fortificados ou fortes e considerar uso 
de antibiótico (ATB) via oral em casos severos. A conduta cirúrgica (VVPP) fica 
reservada apenas a alguns casos. Deve-se explicar ao paciente sobre a gravidade 
da patologia, bem como sobre os procedimentos a serem realizados. 
 
Coleta de amostra de vítreo e IVT: 
1. Aplicar colírio anestésico. 
2. Aplicar iodopovidona tópica. 
3. Colocação de campo com proteção dos cílios e blefarostato. 
4. Marcação do ponto de coleta e injeção: 3,5 mm do limbo nos 
pseudofácicos e 4,0 mm, nos fácicos. 
 53 
5. Coleta de material para cultura: 
a. Opção 1: Introduzir agulha de insulina conectada à seringa de 
insulina vazia em direção ao nervo óptico, e aspirar 0,4 ml para 
cultura. 
b. Opção 2: Coleta com ponta de vitreófago (20G ou 23G). Não 
conectar a infusão para não diluir a amostra. Identar o globo para 
manter a PIO. Aspirar o material coletado da conexão de silicone. 
Suturar a incisão (20G). Esta técnica permite colher maior volume, 
além de não tracionar a base vítrea (formação de roturas). 
6. Semear o material colhido nos meios apropriados (ágar sangue, ágar 
chocolate, Sabouraud e tioglicolato). Os meios estão disponíveis na 
Microbiologia (PAMB, 2º andar, bloco 3, ramal 6348). 
7. Injetar os antibióticos e a dexametasona, uma de cada vez (total de 0,4 
ml). Os antibióticos não devem ser misturados em uma mesma seringa 
devido ao risco de precipitação dos mesmos em forma de cristais. 
8. Ao retirar a agulha junto à seringa, posicione um cotonete para tamponar o 
orifício de aplicação. Avaliar a tensão óculodigital; se aumentada, proceder 
à paracentese de câmara anterior. 
Preparo da IVT: 
1. Vancomicina: Adicionar 10 ml de água destilada em um frasco de 500mg 
de vancomicina (50mg/ml). Aspirar, com seringa de 10 ml, 1 ml da solução 
(50mg) e adicionar 4 ml de água destilada (10mg/ml). Aspirar, com seringa 
de insulina, 0,1 ml da solução (1mg). 
2. Ceftazidime (Fortaz): Adicionar 10 ml de água destilada em um frasco de 
1 grama de ceftazidime (100mg/ml). Aspirar, com seringa de 10 ml, 1 ml 
da solução (100mg) e adicionar 4 ml de água destilada (20mg/ml). Aspirar, 
com seringa de insulina, 0,1 ml da solução (2mg). 
3. Dexametasona (Decadron): Aspirar 0,2 ml (0,8 mg) do frasco de 
dexametasona (4mg/ml).Preparo dos colírios fortes: 
1. Gentamicina forte: Aspirar 04 ampolas de gentamicina (40mg/ml), com 
seringa de 10ml, e aspirar 06 ml de água destilada, totalizando 10 ml de 
solução (16mg/ml). Pode-se colocar a solução em um frasco de 
metilcelulose vazio. Manter refrigerado. Validade de 14 dias. 
2. Cefalotina forte: Injetar 05 ml de água destilada em um frasco de 01 
grama de cefalotina (200mg/ml). Aspirar 2,5 ml (500mg), com seringa de 
10 ml, e completar com 7,5 ml de água destilada, totalizando 10 ml 
(50mg/ml). Pode-se colocar a solução em um frasco de metilcelulose 
vazio. Manter refrigerado. Validade de 07 dias. 
 
ATB via oral: 
1. Ciprofloxacino 500mg 12/12h por 10 dias ou Levofloxacino 500mg 1x/dia 
por 10 dias. OBS: Considerar seu uso em casos severos. 
 54 
2. Considerar internação hospitalar para melhor manejo desta grave 
condição, bem como devido à posologia dos colírios (1/1h). 
3. Discutir no Ambulatório da Retina (segundas a sextas-feiras, pela 
manhã). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 * Vide texto 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Suspeita de Endoftalmite 
- Avaliação de detalhes da história (pós-operatório) 
- Verificação da existência de comorbidades 
- Avaliação oftalmológica completa 
- Coleta de cultura* 
- IVT* 
- Colírios fortes* 
- Considerar ATB VO* 
- VVPP 
US globo ocular: 
- Auxílio diagnóstico para confirmar suspeita clínica 
- Parâmetro para seguimento e indicar sucesso terapêutico 
AV = PL AV ≥ MM 
- Coleta de cultura* 
- IVT* 
- Colírios fortes* 
- Considerar ATB VO* 
 
 55 
 
RETINOBLASTOMA 
 
1) Epidemiologia: 
 
Faixa etária 
- Casos bilaterais: primeiro ano de vida 
- Tumor unilateral: próximo a 2 anos de idade 
Lateralidade 
Unilateral (60%) ou bilateral (40%) 
Formas: 
Hereditária: 
- 40% dos casos, herança AD; tumores bilaterais e 
multifocais; predisposição a neoplasias não-oculares 
Esporádica: 
- 60% dos casos, tumor unilateral e unifocal, não 
predispondo a outras neoplasias 
 
 
2) Quadro Clínico: 
 
Apresentação 
- Leucocoria (60%) 
- Estrabismo (20%): envolvimento macular 
- Glaucoma secundário, podendo apresentar buftalmia 
- Retinoblastoma difuso invadindo o segmento anterior: uveíte, 
nódulos irianos e pseudo-hipópio (crianças mais velhas) 
- Inflamação orbitária, mimetizando celulite orbitária ou pré-
septal (tumores necróticos) 
- Invasão orbitária com proptose e invasão óssea em casos 
muito avançados 
Sinais 
- Tumor intra-retiniano: homogêneo, esbranquiçado, em forma 
de abóboda, tornando-se irregular e com áreas de calcificação; 
- Tumor endofítico: projeta-se no vítreo como uma massa 
branca, que pode semear células no mesmo; 
- Tumor exofítico: massas esbranquiçadas, sub-retinianas e 
multilobuladas, com descolamento de retina subjacente. 
Diagnóstico 
diferencial de 
leucocoria 
(1) Catarata congênita; (2) Doença de Coats; (3) Persistência 
do vítreo primário hiperplásico; (4) Toxocaríase; (5) Retinopatia 
da prematuridade; (6) Hamartoma astrocítico; (7) Uveíte; (8) 
Persistência da vasculatura fetal anterior; (9) Displasia 
retiniana; (10) Incontinência pigmentar; (11) Retinoma (ou 
retinocitoma). 
 
 
 56 
 
3) Conduta: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
* Vide texto 
 
 
Às vezes, é necessário internar o paciente para adiantar a investigação 
diagnóstica. 
Discutir no Ambulatório da Retina (5ª feira de manhã: Drª. Maria Teresa). Se houver 
necessidade de exame sob sedação para avaliação minuciosa, solicitar ao Dr. Ernst, 
no Ambulatório do Glaucoma Congênito (6ª feira pela manhã). 
 
 
 
 
 
 
 
Calcificação 
não detectada 
T
o
d
o
s
 o
s
 
p
a
c
ie
n
te
s
 
Suspeita de Retinoblastoma 
- Avaliação clínica e oftalmológica 
- Verificar história familiar 
TC de órbitas: 
- Vantagem: detecta 
calcificação 
- Desvantagem: alta 
dose de radiação 
Tumores pequenos (< 3mm 
dø X 2mm de espessura): 
- Fotocoagulação 
- Crioterapia 
- Quimioterapia 
Tumores médios (até 12mm 
dø X 6mm de espessura): 
- Braquiterapia 
- Quimioterapia primária 
- Crioterapia / TTT 
- Radioterapia externa 
 
US globo ocular: 
- avaliação do tamanho tumoral 
- detecção de calcificação 
- afastar diagnósticos diferenciais* Suspeita de 
acometimento de NO; 
extensão extra-ocular 
ou acometimento pineal 
(retinoblastoma 
trilateral) 
RNM de órbitas com contraste 
e supressão de gordura 
OBS: não detecta calcificação 
Diagnóstico de 
Retinoblastoma 
Tratamento 
Tumores grandes: 
- Quimioterapia 
- Enucleação* 
Doença metastática: 
- Quimioterapia em altas doses 
- Quimioterapia intra-tecal 
- Terapia mielo-ablativa 
- Radioterapia focal, crânio-espinhal ou 
de corpo inteiro 
Doença extra-ocular: 
- Quimioterapia 
adjuvante, após 
enucleação 
- Radioterapia externa 
 57 
Neuroftalmologia 
 
Capítulo Autor Página 
Anisocorias 
Aron Barbosa Caixeta 
Guimarães 
58-59 
Neurite Óptica 
Aron Barbosa Caixeta 
Guimarães 
60 
NOIA - Arterítica André Carvalho Kreuz 61 
NOIA - Não Arterítica André Carvalho Kreuz 62 
Pseudotumor Cerebral Gustavo Yamamoto 63-64 
Paralisias de NC 
Augusto Cesar Costa 
de Almeida 
Jayme Augusto Rocha 
Vianna 
65-67 
 
Organização: 
Aron Barbosa Caixeta Guimarães 
André Carvalho Kreuz 
 
Revisão: 
Mario Luiz Ribeiro Monteiro 
Roberto Battistella 
 
 58 
ANISOCORIAS 
 
 
 
 
 
 
 
1. Anisocoria Fisiológica 
a. Considerações: 
i. Diferença normalmente não ultrapassa 1-2 mm. 
ii. Anisocoria pode ser maior no escuro ou ser indiferente. 
b. Conduta: 
i. Nada a fazer. 
 
 
 
2. Síndrome de Horner 
a. Causas : 
i. Central: Doença cerebral (TU, vascular), doença da coluna 
cervical e torácica. 
ii. Pré-ganglionar: Tumor de ápice de pulmão (Pancoast) e 
pescoço, doença da carótida. 
iii. Pós-ganglionar: Dissecção de carótida interna (Horner com dor 
facial ipsilateral), lesão no seio cavernoso. 
b. Quadro Clínico: 
i. Ptose leve (1-2 mm), elevação discreta da pálpebra inferior. 
ii. Miose (pupila afetada dilata pouco no escuro). 
iii. Heterocromia (íris hipocrômica do lado afetado quando 
congênito). 
iv. Redução da sudorese ipsilateral (se lesão de 1º ou 2º neurônio). 
v. Retardo na dilatação da pupila doente. Na Sd. Horner a pupila 
dilata lentamente no escuro, assim a anisocoria é maior nos 4-5 
segundos iniciais após apagar as luzes. 
 59 
c. Conduta: 
i. Horner de início recente requer investigação da via simpática 
baseado nos sinais clínicos. 
ii. Exame físico: procurar massa cervical, gânglios supra-
claviculares. 
iii. TC (ou RM) crânio, pescoço e coluna cervical e AngioTC (ou 
AngioRessonância arterial) dos vasos da cabeça e pescoço, Rx 
tórax, HMG. 
iv. Discutir caso no ambulatório da neuro-oftalmo (2ª ou 4ª-feira de 
manhã) ou no PS-Neuro (no caso de Horner doloroso ou na 
presença de outros sintomas neurológicos). 
 
 
3. Pupila de Adie 
a. Causas (denervação do suprimento pós-ganglionar do músculo 
esfíncter da pupila e músculo ciliar): 
i. Idiopático (maioria) 
ii. trauma e cirurgia orbital 
iii. sífilis 
iv. herpes. 
b. Epidemiologia: 
i. Adulto jovem 
ii. 80% unilateral. 
c. Quadro Clínico: 
i. Pupila grande e regular: fotofobia e dificuldade para 
acomodação perto. 
ii. Reflexo direto reduzido ou ausente associado a movimentos 
vermiformes (no exame de lâmpada de fenda). 
iii. Reflexo de perto: responde e volta lentamente (dissociação luz-
perto). 
iv. Acomodação tônica: Demora em relaxar o músculo ciliar: visão 
prejudicada para perto. 
v. Supersensibilidade à pilocarpina (miose com pilo 0,125%). 
d. Conduta: 
i. Pilocarpina 0,125% para estética e acomodação se necessário. 
ii. Nos quadros bilaterais, diferencial com Síndrome de Parinaud 
(acometimento de mesencéfalo dorsal, limitação no olhar para 
cima e nistagmo de convergência). 
 
 
 
Paralisia de III NC – Vide capítulo específico 
 
 
 
 
 
 
 
 60 
NEURITE ÓPTICA 
 
 
1. Causas: 
Causas mais comuns Idiopática e Esclerose Múltipla (EM) 
Outras Causas 
Neuromielite Óptica, Vasculites, infecções 
bacterianase virais (lues, TB, herpes, Lyme) 
Faixa etária (EM) 18 a 45 anos 
 
2. Quadro Clínico: 
 
a. Sintomas: Redução aguda da acuidade visual (horas a dias), 
geralmente visão central, unilateral (mais comum no adulto) ou bilateral 
(principalmente crianças); dor ocular com piora à movimentação ocular. 
b. Sinais: visão variável (20/20 a SPL), DAR, diminuição da visão de 
cores. A forma retrobulbar é a mais comum no adulto (70% sem edema 
de papila) e a papilite a mais comum na criança. O edema, quando 
presente, geralmente é leve com hiperemia. Se houver achados de 
celularidade vítrea, focos de coriorretinite, hemorragias e exsudatos de 
retina ou vasculite, deve-se considerar outras causas de neurite óptica 
além da EM. Defeitos no CV: central, ceco-central (mais comum), 
arqueado, altitudinal e constrição difusa (menos comum). 
 
3. Conduta 
 
a. No PS, realizar TC órbitas (com e sem contraste) para descartar causa 
compressiva de neuropatia óptica (pode simular neurite). 
b. Internação. 
c. Realizar RNM de encéfalo e RNM de órbitas (sem e com contraste, 
com cortes para nervo óptico, com supressão de gordura). 
d. Colher: hemograma, glicemia, FAN, FR, Anti-Ro, Anti-La, 
Antifosfolípide, Anticardiolipina, VHS, PCR, VDRL, FTA-Abs, Anti-HIV, 
herpes. 
e. Colher líquor: com manometria, quimiocitológico e sorologias. 
f. Realizar CV manual. 
g. Solicitar avaliação da neurologia quando houver perda visual grave ou 
associação de sintomas e sinais clínicos e neurológicos sistêmicos 
(parestesias e perda de força em membros). 
h. Iniciar anti-helmintico: albendazol 400 mg VO (dose única por 3 dias; 
contra-indicado em gestantes) e metilprednisolona 1g/dia EV por 3 dias 
(iniciar corticóide só após 24h do início do albendazol). 
i. Alta com prednisona 1 mg/kg/dia por 11 dias. 
j. Discutir caso na Neuro-oftalmologia (2ª e 4ª-feira de manhã) e 
seguimento com CV. 
 
 
 
 61 
NEUROPATIA ÓPTICA ISQUÊMICA ANTERIOR 
ARTERÍTICA (NOIA-A) 
1. Causas e Fatores de risco: 
Causa mais comum Arterite Temporal 
Faixa Etária > 65 anos, em geral 
2. Quadro Clínico: 
a. Sintomas: perda visual súbita, indolor, inicialmente unilateral, podendo 
acometer o olho contralateral se não tratado. Sintomas indicativos de arterite 
temporal: cefaléia, hipersensibilidade na região temporal, claudicação de 
mandíbula, cervicalgia de início recente, febre, anorexia, perda de peso, 
artralgia, mialgia e fraqueza muscular proximal (polimialgia reumática). A 
perda visual pode ser precedida de episódios de perda transitória da visão. 
b. Sinais: pode ter artéria temporal espessada e sem pulsação, acuidade visual 
severamente reduzida (conta-dedos ou pior), DAR, disco edemaciado e 
intensamente pálido, podendo apresentar hemorragia na margem do disco. 
Evolução para atrofia óptica podendo ocorrer aumento da escavação. Campo 
visual com perda grave e difusa ou defeito altitudinal ou central nas perdas 
menos graves de visão. A NOIA-Arterítica não tem preferência por disco 
óptico de pequenas dimensões, podendo ocorrer em discos de qualquer 
tamanho. 
c. Laboratório: colher VHS, PCR, glicemia, hemograma (plaquetas podem estar 
aumentados; anemia variável), eletroforese de proteínas (pode também 
mostrar alterações). Colher os exames antes da introdução do corticóide. 
3. Conduta: 
a. Se arterite temporal for suspeitada, deve-se colher os exames laboratoriais e 
iniciar corticoterapia por via oral 80 a 120 mg/dia. Nos casos de perda 
recente, perda muito grave em um dos olhos ou presença de perda transitória 
da visão no olho ainda não acometido, internar o paciente e iniciar 
pulsoterapia EV com metilprednisolona 250mg de 06/06 horas por três dias, 
seguida de prednisona 01 mg/Kg/dia. Solicitar seguimento conjunto pela 
clínica médica. Associar proteção gástrica. 
Nota: sempre iniciar, concomitantemente com a pulsoterapia, 
profilaxia anti-helmintica com albendazol 400 mg VO (dose única por 3 dias; 
contra-indicado em gestantes). 
b. Programar biópsia de artéria temporal preferencialmente em até sete dias do 
início da pulsoterapia ou, no máximo, em até 14 dias. 
c. Em caso de biópsia positiva manter prednisona via oral 1mg/kg/dia e controlar 
seu desmame através do VHS e PCR. Realizar o tratamento em conjunto 
com a clínica médica. 
d. Caso a biópsia seja negativa deve ser reconsiderado o diagnóstico. Uma 
biópsia negativa não exclui totalmente o diagnóstico, porém torna-o pouco 
provável. Caso existam dados clínicos muito sugestivos da arterite o 
diagnóstico poderá ainda ser considerado, embora o diagnóstico mais 
provável seja a NOIA não-arterítica. 
 62 
NEUROPATIA ÓPTICA ISQUÊMICA ANTERIOR 
NÃO-ARTERÍTICA (NOIA-NA) 
 
1. Causas e Fatores de Risco: 
Faixa etária > 50anos 
Fatores de Risco 
HAS, DM, DLP, apnéia do sono, 
hipotensão sistêmica noturna, disco 
óptico de pequenas dimensões 
(escavação pequena ou ausente) 
 
2. Quadro Clínico: 
a. Sintomas: Baixa visual súbita, indolor, unilateral, freqüentemente percebida 
nas primeiras horas após acordar. 
 
b. Sinais: acuidade visual 20/20 a SPL (perda visual é menos grave do que na 
forma arterítica; maioria melhor que 20/200), DAR, edema de disco setorial ou 
difuso (pálido ou hiperemiado), podendo estar associado à hemorragia em 
chama de vela. NOIA-NA tem preferência por disco óptico pequeno 
(escavação pequena ou ausente). A ocorrência de NOIA em disco óptico de 
grandes dimensões deve levantar a suspeita da forma arterítica da doença. 
Defeito de campo altitudinal ou arqueado, mais freqüentemente inferior. 
 
3. Conduta: 
a. Sempre afastar forma arterítica da doença (proceder à pesquisa laboratorial 
como na forma arterítica); procurar: fatores de risco para vasculopatia (HAS, 
DM, dislipidemias); atenção para uso de drogas (Viagra), apnéia do sono, 
hipotensão noturna. 
b. Se o tempo de instalação da doença < 2 semanas, considerar prednisona 80 
mg/dia por 3 a 4 semanas (enquanto persistir edema da papila) e posterior 
retirada gradual, desde que não exista contra-indicação clínica. Associar 
proteção gástrica. 
c. Orientar controle dos fatores de risco de arteriosclerose. 
d. Orientar o médico clínico do paciente a evitar o uso de medicações 
hipotensoras antes de dormir para minimizar o risco da hipotensão noturna. 
Orientá-lo a pesquisar apnéia obstrutiva do sono. Se esta estiver presente, 
enfatizar a importância do tratamento para reduzir a chance de acometimento 
contra-lateral. 
Considerar (juntamente com o médico clínico) o uso de aspirina como anti-adesivo 
plaquetário nos casos de acometimento unilateral, desde que não exista contra-
indicação clínica. 
 
 63 
PSEUDOTUMOR CEREBRAL 
 
1) Etiologia e Epidemiologia 
Causa mais comum 
(forma primária) 
Idiopático 
(Hipertensão Intracraniana Idiopática) 
Outras Causas 
(forma secundária) 
Obstrução de Seio Venoso Cerebral: causa idiopática, 
decorrente de trombofilia, trauma, tumor, otite média 
Medicamentosa: tetraciclina, nitrofurantoína, ácido 
nalidíxico, contraceptivo oral, corticóide, amiodarona, 
indometacina 
Epidemiologia Mulher (2:1), obesa, 20 a 45 anos 
 
2) Quadro Clínico 
a) Sintomas (relacionados à HI): cefaléia pulsátil que pode estar associada a 
náuseas e vômitos, obscurecimento transitório da visão uni ou bilateral, ruídos 
pulsáteis, diplopia horizontal secundária ao acometimento do nervo 
abducente pela HI, perda visual decorrente do edema de disco. 
b) Sinais: Papiledema (sinal mais característico), paralisia do nervo abducente 
uni ou bilateral (sinal não localizatório de HI), acuidade visual preservada 
(exceto nos casos de longa duração), diminuição da sensibilidade ao 
contraste. O DAR geralmente está ausente, pois a doença freqüentemente 
acomete os dois nervos ópticos. Os defeitos de campo visual são comuns 
(constrição de campo, depressão do setor nasal inferior, defeitos arqueados). 
 
3) Critérios Diagnósticos para HII 
a) Sinais e sintomas de HI. 
b) Pressão Liquórica superior a20 mm H2O (decúbito lateral). 
c) Composição Liquórica normal (sem células inflamatórias). 
d) Exames de neuroimagem normais (sem ventriculomegalia ou massas intra-
cranianas). 
e) Sem outras causas de hipertensão intracraniana. 
 64 
4) Conduta 
a) Solicitar TC e RNM de crânio. 
b) Solicitar exame de líquor incluindo manometria caso os exames de imagem 
sejam normais. 
c) Solicitar angiorressonância venosa de crânio para afastar obstrução de seios 
venosos durais. 
d) Solicitar avaliação da neurologia/neurocirurgia. 
e) Investigar trombofilia nos casos de obstrução de seios venosos. Solicitar 
orientação terapêutica da neurologia/hematologia nestes casos. 
f) Observação dos casos idiopáticos leves (assintomáticos, visão normal, 
papiledema leve). 
g) Casos com perda visual ou de campo, papiledema moderado a grave ou 
cefaléia persistente orientar: 
i) Descontinuar medicamento causador, caso presente. 
ii) Orientar perda de peso nos casos associados à obesidade. 
iii) Iniciar acetazolamida 250mg VO - 1 a 2 g/dia (dose máxima de 4g/dia). 
h) Realizar campo visual manual e computadorizado e discutir no ambulatório da 
neuro-oftalmologia (2ª e 4ª-feira de manhã). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 65 
 
 66 
 
 67 
 
 68 
Trauma 
 
 
Capítulo Autor Página 
Corpo Estranho 
Corneano 
Adriane Almeida 
Brasil 
69 
Desepitelizações 
Corneanas 
Roberto Dellape 70 
Queimaduras 
Químicas 
Luiz Angelo 71 
Trauma Ocular 
Contuso 
Rafael Garcia 
Fernandes Nogueira 
72 
Hifema Higor 73 
Trauma Ocular 
Penetrante e CEIO 
Emanuel Fernando 
Pandolfo Machado 
74-75 
 
Organização: 
Emanuel Fernando Pandolfo Machado 
 
Revisão: 
Pedro Carlos Carricondo 
 
 
 69 
CORPO ESTRANHO CORNEANO 
 
Causas 
O acidente de trabalho é a causa mais freqüente. 
Normalmente, é constituído de metal, vidro ou material orgânico. 
 
Quadro Clínico 
História de trauma, dor, sensação de corpo estranho, lacrimejamento, 
fotofobia e AV normal ou diminuída. Geralmente a dor e a fotofobia podem ser 
intensas e desproporcionais aos sinais clínicos. 
BIOMICROSCOPIA: Hiperemia conjuntival com injeção ciliar; corpo estranho 
corneano com ou sem anel ferruginoso; pequeno infiltrado estéril pode circundar o 
corpo estranho; abrasões corneanas lineares (em “arranhadura”) sugerem a 
presença de corpo estranho sob a pálpebra superior; reação de câmara anterior 
pode estar presente. 
Em história compatível com corpo estranho, sempre corar com fluoresceína. 
Avaliar possibilidade de corpo estranho intra-ocular ou perfuração. 
 
Conduta 
1. Avaliar a profundidade do corpo estranho para excluir a presença de perfuração 
auto-selante. 
2. Instilação de anestésico tópico. 
3. Eversão das pálpebras a procura de outros corpos estranhos. 
4. Remoção do corpo estranho sob lâmpada de fenda usando uma agulha estéril 
calibre 26 (agulha de insulina). 
5. Remover todo o anel de ferrugem, pois sua remoção incompleta pode resultar em 
defeito epitelial persistente. Caso esteja em localização muito profunda, deve-se retirar 
após alguns dias, quando estiver mais superficial. 
6. Medir o tamanho do defeito epitelial resultante, com uso de fluoresceína. 
7. Aplicação de antibiótico em colírio (ex. Ofloxacino 0,3%) ou em pomadas 
reepitelizantes (ex. Regencel®, Epitegel®, Epitezan®) associado a colírio lubrificante. 
8. Curativo oclusivo pode ser usado para o conforto do paciente, mas raramente é 
necessário. Deve-se evitar o uso se a lesão envolver material vegetal. 
9. Atenção para os casos que apresentarem infiltrado acompanhado por reação 
significativa de câmara anterior, dor e injeção ciliar excessivas, devido à possibilidade de 
ceratite infecciosa. Nesses casos, além do uso de antibiótico tópico, proceder à coleta de 
material para cultura e seguir cuidadosamente o caso. 
10. Reavaliação no dia seguinte no PS caso seja usado curativo, tenha anel de ferrugem 
residual, ou se abrasão corneana grande ou central. 
11. Em todos os casos, manter pomada ou colírio antibiótico por 7 dias ou até a 
cicatrização completa. 
 70 
DESEPITELIZAÇÕES CORNEANAS 
 
Sintomas: 
- Dor ocular, olho vermelho, sensação de corpo estranho, fotofobia e BAV. 
 
Etiologia: 
- Síndrome do olho seco 
- Blefarite 
- Trauma 
- Ceratopatia de exposição 
- Ceratite fotoelétrica 
- Queimadura química 
- Uso de lente de contato 
- Corpo estranho palpebral 
- Conjuntivite 
- Triquíase / Distiquíase 
- Entrópio / Ectrópio 
- Frouxidão palpebral 
- Distrofias corneanas 
 
Avaliação: 
- Avaliar a córnea e o filme lacrimal com fluoresceína. 
- Everter pálpebras superiores e inferiores à procura de corpo estranho. 
- Avaliar borda palpebral, frouxidão, disposição dos cílios e fechamento correto das 
pálpebras. 
- Se usuário de lentes de contato e fazendo uso no momento, avaliar a presença de 
irregularidades em sua borda, depósitos e se está muito apertada. 
 
Tratamento: 
1. Não usuário de LC: 
a. Desepitelização pequena: colírio lubrificante 4x por dia e pomada lubrificante à 
noite. 
b. Desepitelização extensa: colírio lubrificante 3/3 horas (para freqüência maior tem 
que ser colírio sem conservante), colírio antibiótico (tobramicina, cloranfenicol, 
ofloxacino ou ciprofloxacino) ou pomada de antibiótico (tobramicina ou 
ciprofloxacino). Pode ser usada pomada reepitelizante (epitegel, epitezan, vitamina 
A e D). Considerar cicloplégico se fotofobia e dor intensa. 
2. Usuário de LC: 
a. Desepitelização leve: colírio lubrificante 6x por dia, interrupção do uso das lentes. 
b. Desepitelização extensa: fluorquinolona (ciprofloxacino, levofloxacino ou ofloxacino) 
ou tobramicina 4 a 6 x por dia, colírio lubrificante, pomada de antibiótico 
(ciprofloxacino ou tobramicina) à noite. Considerar cicloplégico se fotofobia e dor 
intensa. Observação: não utilizar quinolona de quarta geração como antibiótico 
profilático. 
 
NOTA: Se sinal infeccioso, tratar como desepitelização infecciosa (ver capítulo de ceratites). 
 
Seguimento: 
1. Não usuário de LC: retornar para reavaliação no PS em 2 a 3 dias se desepitelização for 
extensa. 
2. Usuários de LC: retornar para reavaliação no PS em 2 a 3 dias se desepitelização for 
leve e diariamente se desepitelização for extensa. 
 
 71 
QUEIMADURAS QUÍMICAS 
Etiologia: 
 
 Bases/Álcalis: amônia, detergentes, cal, soda cáustica (mais graves). 
 Ácidos: sulfúrico (baterias), sulfuroso, fluorídrico, acético, crômico, clorídrico. 
 
Quadro Clínico: 
 
Queimadura da pele periocular, edema palpebral, quemose, isquemia conjuntival e limbar, 
ceratite puntacta, desepitelização corneana, RCA. 
 
Tratamento imediato: 
- Instituído mesmo antes de checar AV (exceto se há suspeita de perfuração ocular) para todos os 
tipos de queimaduras. 
- Irrigação copiosa preferencialmente com Ringer lactato por 30-60 minutos (mínimo de 2L, até 
normalizar o pH). 
- Usar equipamento de soro, blefarostato e anestésico tópico. 
- Everter e irrigar fórnices superior e inferior. Limpá-los com cotonete umedecido para remover 
resíduos ou conjuntiva necrótica. 
- Checar pH após 5-10 minutos de descanso e continuar irrigação até pH entre 7,3 e 7,7 (usar fita de 
tornassol – medidor de pH da urina). 
- Nunca promover reação de neutralização acido-básica (reação exotérmica). 
 
Avaliação: 
 
Tipo de substância, tempo de exposição e de início de irrigação, duração da irrigação, uso de 
proteção ocular. Exame em lâmpada de fenda com fluoresceína, eversão de pálpebras à procura de 
resíduos ou CE, procura por úlceras e lesões conjuntivais. Verificar PIO se possível ou TOD. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
*Queimaduras leves a moderadas: ausência de critérios de gravidade 
**Queimaduras Graves: qualquer critério de gravidade: 1) Isquemia limbar > 2/3; 2) Edema ou opacidade corneanos 
(borramento de detalhes da íris); 3) RCA > 2+/4; 4) Aumento de PIO; 5) Retinopatia necrótica 
 
Outras considerações para os casos graves: 
 Considerar curativo oclusivo entre aplicações de colírio/pomada. Lente escleral para evitar simbléfaro quando extensa necrose da conjuntiva. 
 Retorno diário. 
 Discussão no ambulatório de córnea: todos os casos graves. 
 Geralmente não há necessidade de internação. 
 Se houver risco de melting corneano: doxiciclina 100 mg 2x/dia. 
 Se houver progressão do melting ou perfuração corneana: considerar adesivo tecidual de cianoacrilato, 
enxerto conjuntival, transplante de membrana amniótica ou transplante tectônico de córnea de 
emergência. 
 Vitamina C 1g/dia parece ter benefícios principalmente nos casos mais graves. 
Queimaduras Leves a Moderadas* Queimaduras graves ** 
- Pomada de antibiótico 4x/dia 
- Lubrificante colírio e gel 
- Tropicamida 3x/dia ou atropina 1% 2x/dia 
- Timolol 2x/dia e/ou acetazolamida 250 mg 
VO até 8/8 s/n 
- Esteróide tópico na primeira semana se 
inflamação importante (suspender após 7 
dias) 
- Retorno em 48h 
 
- Fluorquinolona 6x/dia ou pomada de antibiótico 
4x/dia 
- Prednisolona 1% ou dexametasona 0,1% 4x/dia 
se RCA por 7-10 dias 
- Lubrificante colírio e gel 
- Tropicamida 3x/dia ou atropina 1% 2x/dia 
- Timolol 2x/dia e/ou acetazolamida 250 mg VO 
3x/dia s/n 
- Retorno em 24 horas 
 
 
 
 72 
TRAUMA OCULAR CONTUSO 
 
 
Define-se trauma ocular contuso todo trauma ocular sem solução de 
continuidade. Portanto deve-se sempre afastar a hipótese de trauma penetrante. 
 
Sintomas: Baixa acuidade visual; amaurose fugaz; dor ocular; sensação de corpo 
estranho; fotofobia; fotopsias e floaters. 
Sinais, diagnósticos e respectivo tratamento: Vide fluxograma abaixo. 
 
 
 
 
 
 73 
HIFEMA 
 
 
Definição: 
Presença de sangue e/ou coágulos na câmara anterior. 
 
Causas: 
Trauma contuso, após cirurgia intra-ocular, espontâneo. 
 
História: 
Trauma contuso prévio, uso de anticoagulantes, história familiar ou pessoal 
de anemia falciforme. 
 
Exame: 
Verificar integridade do globo ocular e ausência de lesão penetrante. Medir a 
altura do hifema, documentar a localização de coágulos e a acuidade visual. Sempre 
medir a PIO! 
 
Conduta: 
Orientar repouso e elevar a cabeceira da cama por pelo menos 5 dias. 
Controle da PIO com colírios hipotensores se maior que 30mmHg. Iniciar se possível 
com timolol. Caso necessário, introduzir brimonidina e/ou dorzolamida. 
Corticóide (dexametasona) 3/3h, Mydriacyl 08/08h. Evitar análogos da 
prostaglandina e mióticos. Em crianças menores de cinco anos alfa-agonistas são 
contra indicados. 
Retorno no PS a cada 02 dias na primeira semana, pelo risco de novo 
sangramento e aumento da PIO, ou antes se piora da visão ou da dor. 
 
Indicações cirúrgicas (lavagem de CA): 
 
1. Impregnação de sangue no estroma corneano; 
2. Hifema total por mais de 05 dias; 
3. Qualquer Hifema quando PIO não responder ao tratamento clínico e 
permanecer: 
a. > 50 mmHg por 05 dias, 
b. > 35 mmHg por 07 dias, 
4. Na Hemoglobinopatia Talassêmica ou Falciforme quando PIO permancer, 
após tratamento clínico: 
a. > 25 mmHg por 24 horas, 
b. > 30 mmHg sem levar em consideração o tempo, 
5. Evitar lavar com menos de 02 ou 03 dias pelo risco de ressangramento; 
6. Se hifema total, solicitar ecografia. 
 
 
 
 
 
 
 74 
TRAUMA PENETRANTE E CEIO 
Definição: Laceração de espessura total da esclera ou córnea, sem orifício de saída. 
Histórias sugestivas: 
 Trauma com objeto pontiagudo 
 Trauma com objeto pequeno em alta velocidade 
 Batendo metal contra metal 
 Acidente automobilístico 
 Perda de sangue ou saída de líquido do olho no momento do trauma, principalmente 
se acompanhadas de BAV 
Sintomas e sinais sugestivos: 
Diminuição da AV, hemorragia subconjuntival, câmara anterior rasa ou muito 
profunda, hifema, pupila irregular, iridodiálise, ciclodiálise, TOD diminuída (não medir 
PIO se suspeita de perfuração), hemorragia vítrea, identificação de corpo-estranho 
intra-ocular, restrição da motilidade ocular. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Trauma Ocular 
Sinais e Sintomas Sugestivos 
- 
Excluído perfuração ao Exame 
Orientar retorno se sinais de infecção ou 
piora da acuidade 
TC de Órbitas sem contraste com cortes Axiais e 
Coronais de 1 mm 
 
Perfuração Provável ou Suspeita 
2 ou 3 1 
Sim Não 
+ 
Diagnóstico Confirmado 
Sim Não 
OUTRA PATOLOGIA DIAGNOSTICADA 
Instituir tratamento e 
cirurgia 
Trauma Penetrante Ocular ou Corpo 
Estranho Intra-Ocular Sim 
Não 
NÃO SIM 
Instituir tratamento e retorno específicos 
1 - Trauma contuso orbitário/ocular de baixa energia; 
 2 - Trauma orbitário de alta energia (inclui projéteis de 
arma de fogo); 
 3 - Trauma perfurante em qualquer parte da órbita 
com possibilidade de atingir o globo posteriormente 
(ex: trauma perfuro-cortante com arma branca). 
 
 75 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
*CE metálico poderá ser acompanhado com conduta eletiva se metalose ausente e não houver riscos de lesão 
mecânica. O cobre é o único metal que não poder ser acompanhado com conduta eletiva. 
 
 
Tratamento: 
 Internação hospitalar e Jejum 
 Proteção Ocular (utilizar copo ou tapa-olho) 
 Vacina Antitetânica (vide indicações no capítulo “Adendos") 
 Medicação para dor (dipirona, cetoprofeno ou morfina dependendo da dor) e antieméticos para 
prevenir valsalva (plasil ou ondansetrona quando usar morfina) 
 Moxifloxacino 400mg EV 1x/dia ou Ciprofloxacino 400mg EV 12/12 possuem melhor penetração que a 
associação Vancomicina (1g EV 12/12h) e Ceftazidime (1g EV 12/12h). 
 Para CE de segmento posterior: Atropina 1% 1 gota de 8/8h 
 Pequenas Lacerações Corneanas (< 2mm) que são auto-selantes ou seidel positivo intermitente podem 
ser tratadas com lente de contato terapêutica, antibióticos tópicos (gatifloxacina ou moxifloxacina 
2h/2h), cicloplégicos (ciclopentolato 12/12h), e um supressor de produção do humor aquoso (timolol 
ou brimonidina 12/12h); observar diariamente durante 5-7 dias, considerar suturar se seidel positivo 
após uma semana. 
 
Cirurgia para os traumas penetrantes e Corpo Estranho Intra-Ocular agudo. 
Avaliar os seguintes itens para determinar a urgência do caso: 
 
- Os tecidos danificados e o tipo de trauma (material infectado ou contaminado, considerando todo material 
orgânico como contaminado) – cirurgia em menos de 6 horas caso material contaminado (nesse caso avaliar 
injeção de antibióticos intravítreo); 
- A experiência do cirurgião; 
- O equipamento e equipes disponíveis à noite e pela manhã (principalmente se houver lesão de cristalino ou 
pólo posterior); 
- As condições gerais do paciente e o ambiente Médico-Legal do caso. 
Avaliar : Riscos da remoção versus 
acompanhamento regular 
 
Instituir tratamento e 
avaliar cirurgia de 
emergência 
*Metálico 
SEM SINAIS DE INFECÇÃO 
E/OU PERFURAÇÃO 
SINAIS DE INFECÇÃO 
E/OU PERFURAÇÃO 
Eixo visual acometido ou 
inflamação recorrente 
Cirurgia eletiva NÃO SIM 
Não-metálico 
Corpo Estranho Intra-Ocular 
 76 
 
Complicações Pós-operatórias 
 
 
Capítulo Autor Página 
Complicações após 
Cirurgia de Catarata 
Thiago Gonçalves dos 
Santos Martins 
77-80 
Complicações após 
Transplante Corneano 
Francisco Javier 
Solano 
81-82 
Complicações após 
Trabeculectomia 
Edson Martins da 
Rocha Neto 
83-85 
Complicações após 
Cirurgia de Retina 
Tatiana Tanaka 86-88 
Complicações após 
Injeção Intra-vítrea 
Thiago Gonçalves dos 
Santos Martins 
89-90 
 
 
Organização: 
ThiagoGonçalves dos Santos Martins 
 
Revisão: 
Leandro Cabral Zacharias 
 
 
 77 
COMPLICAÇÕES APÓS CIRURGIA DE CATARATA 
 
DIAGNÓSTICO QUADRO CLÍNICO CONDUTA 
ENDOFTALMITE 
(0,15% dos casos) 
 
Fatores de risco: Idosos, 
diabéticos, cirurgia com 
ruptura de cápsula 
posterior, blefarite, 
conjuntivite e 
dacriocistite crônica. 
 
BAV dolorosa, quemose, 
hiperemia conjuntival, 
edema de córnea, 
hipópio e opacidade 
vítrea. 
Internação + jejum 
 
Exames pré-operatórios 
 
Colírios fortificados 
(Vide capítulo 
“adendos”) 
 
Avaliar com cirurgião 
USG 
 
Injeção intravítrea ATB 
(vide capítulo “adendos”) 
 ou 
Vitrectomia posterior 
OPACIFICAÇÃO DA 
CÁPSULA POSTERIOR 
Complicação tardia. 
 
BAV indolor, diminuição 
de sensibilidade ao 
contraste e diplopia. 
Retorno ambulatorial 
para aplicação de YAG 
laser com o cirurgião. 
EDEMA DE CÓRNEA 
Fatores de risco: 
Pacientes com distrofia 
endotelial de Fuchs e 
cirurgias demoradas ou 
complicadas. 
Colírios de corticóides e 
hipotensores oculares. 
 
Se edema epitelial, usar 
NaCl 5% 4x/d. 
 
Maioria resolve em 06 
semanas. 
DESLOCAMENTO DA 
LIO 
Diplopia monocular, 
glare e halos. 
Colírios mióticos e 
encaminhar ao cirurgião 
para avaliar 
reposicionamento da 
LIO. 
 
Mapeamento de Retina: 
bloqueio de possíveis 
roturas com laser. 
DESCOLAMENTO DE 
RETINA 
Pacientes alto míopes e 
quadro de degeneração 
lattice. 
 
Cirurgia com perda 
vítrea. 
 
BAV, perda de campo 
visual, fotopsias e DAR. 
Mapeamento de retina. 
 
Exames pré-operatórios. 
 
Discutir conduta 
cirúrgica na retina. 
 
USG se necessário. 
 78 
EDEMA MACULAR 
CISTÓIDE 
(1% dos casos) 
Fatores de risco: 
Pacientes diabéticos ou 
com retinose pigmentar 
cirurgias com perda 
vítrea. 
 
Baixa acuidade visual 
indolor que costuma 
ocorrer 06 a 10 
semanas após cirurgia. 
 
Aparecimento pode ser 
mais tardio. 
 
Perda da depressão 
foveal, espessamento 
de retina, cistos 
intrarretinianos. 
Maioria resolve 
espontaneamente em 06 
meses, mas tratamento 
deve se seguir ao 
diagnóstico. 
 
Primeira linha de 
tratamento: combinação 
de AINH e esteróides 
tópicos. 
 
Inibidores de anidrase 
carbônica VO: 
principalmente em casos 
de retinose pigmentar. 
 
Discutir com o cirurgião 
as indicações de AFG, 
OCT, injeção intravítrea 
de triancinolona. 
 
 
NOTA: Todas as complicações de catarata devem ser encaminhadas aos 
respectivos cirurgiões. 
 
Maiores informações sobre condutas citadas podem ser encontradas nos 
respectivos capítulos. 
 
 
 
HIPERTENSÃO OCULAR NO PÓS-OPERATÓRIO DA 
CATARATA 
 
 
PO precoce: PO tardio: 
1. Viscoelástico na CA 1. Vítreo na CA 
2. Inflamação 2. Inflamação 
3. Hemorragia 3. Cortisônico 
4. Alteração anatômica do ângulo 4. Glaucoma prévio 
 
5. Bloqueio pupilar 
 
6. Glaucoma maligno 
 
7. Pós-capsulotomia 
 79 
 
PO precoce: 
 
1. Viscoelástico na CA: 
 Não remoção completa obstrui o trabeculado. 
 Apresenta edema de córnea, células, flare e material inerte na câmara 
anterior. 
 Tratamento: Colírio de acetato de prednisolona 1%, hipotensores oculares e 
avaliar lavagem da câmara anterior em casos não responsivos. 
 
2. Inflamação: 
 As células inflamatórias e restos do cristalino obstruem o trabeculado. Podem 
originar Glaucomas Facoanafiláticos (grande aumento da PIO, difícil controle). 
 Reação de câmara anterior, sinéquias e edema de córnea. 
 Tratamento: colírio de acetato de prednisolona 1%, hipotensores oculares e 
lavagem de CA ou vitrectomia anterior em casos de grandes restos de córtex. 
 
3. Hemorragia: 
 Hifema e edema de córnea. 
 Tratamento: colírio de acetato de prednisolona 1% e hipotensores oculares. 
 Tratamento: lavagem da CA em casos de difícil controle da PIO ou tingimento 
do endotélio corneano. 
 
4. Alteração anatômica do ângulo da câmara anterior: 
 Sutura apertada que altera o escoamento do humor aquoso. 
 Tratamento: reabordar sutura com cirurgião. 
 
PO tardio: 
 
1. Vítreo na CA (ruptura de cápsula posterior): 
 Material inerte na CA, edema de córnea e reação inflamatória. 
 Tratamento: colírio de corticóide, hipotensor ocular, avaliar vitrectomia 
(grande quantidade de vítreo) ou lise com Yag Laser (no caso de traves 
vítreas causando corectopia ou se aderindo ao endotélio corneano) a fim de 
se reduzir as chances de edema cistóide de mácula e endoftalmite. 
 
2. Inflamação e viscoelástico: 
 Sinéquias, edema de córnea e íris em bombé. 
 Membrana inflamatória periférica (CA rosa na periferia). 
 LIO deslocada tocando íris com dispersão de pigmentos na CA. 
 Tratamento: hipotensores oculares, acetato de prednisolona 1% e cicloplégico. 
 Avaliar necessidade de iridotomia a laser. 
 Avaliar necessidade de extração da LIO nos casos de dispersão pigmentar 
incontrolável. 
 80 
 Discutir lavagem de CA nos casos de muita substância viscoelástica. 
 TREC em casos refratários. 
 
3. Cortisônico: 
 Em olhos pouco inflamados, realizar teste terapêutico: retirada do corticóide e 
verificação do controle pressórico. 
 
4. Glaucoma prévio: 
 Diagnostico de exclusão quando há o aumento tardio da PIO sem qualquer 
alteração fisiopatológica. 
 
5. Bloqueio pupilar: 
 CA rasa na periferia, afacia ou pseudofacia e seclusão pupilar por membrana 
inflamatória. 
 Tratamento: colírios cicloplégicos, hipotensores. 
 Avaliar iridotomia a laser. 
 Avaliar TREC se não responsivo à iridotomia. 
 
6. Glaucoma maligno: 
 CA rasa na região central e aumento da PIO que não responde a colírios 
hipotensores, em casos onde o bloqueio pupilar e hemorragia supracoroidea 
tenham sido descartados. 
 Tratamento: internação hospitalar, colírios cicloplégicos (atropina + 
ciclopentolato + tropicamida), colírio hipotensor, corticóide tópico, Inibidor de 
anidrase carbônica VO, Manitol 20% 5ml/kg IV de 8/8h. 
 Avaliar cirurgia de VVPP em casos não responsivos. 
 
7. Pós-capsulotomia a laser: 
 1hora após o laser. 
 Tratamento: colírio hipotensor e corticóide por 01 semana. 
 
 
 
NOTA: Todas as complicações de catarata devem ser encaminhadas aos 
respectivos cirurgiões. 
 
Maiores informações sobre condutas citadas podem ser encontradas nos 
respectivos capítulos. 
 
 
 
 
 
 
 
 81 
COMPLICAÇÕES APÓS TRANSPLANTE DE 
CÓRNEA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
*Todas as rejeições endoteliais devem ser consideradas graves! 
**Metilprednisolona EV 500mg dose única demonstrou ser mais efetiva do que o 
corticóide oral quando utilizado na primeira semana de rejeição. 
NOTA: importante encaminhar todos os casos de rejeição ao ambulatório de córnea 
aos cuidados do cirurgião responsável. 
Encaminhar ao setor de 
córnea 2ª, 3ª, 4ª ou 6ª feira, 
às 08:00. 
Afastar infecções e 
outras causas. 
 
Aumentar corticóide 
(potência ou 
dosagem). 
Considerar uso de 
cort. sistêmico (EV / 
oral **) principalmente 
em rejeição endotelial 
 
Re-orientar uso 
adequado 
Explicar riscos 
Retorno a critério. 
médico 
Rejeição 
(é a causa mais comum de insucesso do Tx) 
Apresenta queixas de dor, desconforto, fotofobia, olho vermelho, BAV?* 
 
Anamnese completa: data do transplante? Primeiro tx? Rejeitou antes? Já 
apresentou herpes? Avaliar defeitos do epitélio e avaliar comprometimento do 
estroma ou endotélio (mais grave)* 
Revisar pontos e conjuntiva tarsal. Pingar fluoresceína sempre! 
afastar outras causas- tratar se necessário 
 
 
TX Recente TX Tardio 
Reintroduzir corticóide 
(esquema mais agressivo 
para quem já rejeitou antes ou 
apresenta ↑ vascular. limbar**) 
 
Conferir posologia e uso correto 
dos colírios 
Sim Não 
Pingando adequadamente? 
 82 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
positivo negativo 
CA formada: 
LC terapêutica; 
ATB profilático; 
Encaminhar ao setor 
de córnea no 
próximo 
ambulatório. 
 
CA Rasa 
Internar em jejum; 
AvisarR3 da 
córnea; 
Cirurgia 
emergência. 
 
Tirar ponto; 
Identificar outros pontos 
soltos e retirá-los se 
estiverem cicatrizados; 
ATB Profilático e 
lubrificação. 
Não-Rejeição 
Apresenta sensação de corpo estranho e olho vermelho 
Histórico de risco para corpo estranho? (p.e, risco laboral, motociclista, etc) 
 
Sim Não 
Propedêutica de corpo estranho: 
Avaliação dos fórnices, retirada de 
CEC se localizado, ATB profilático e 
lubrificação sempre. 
Exame completo / 
biomicroscopia Avaliar 
conjuntiva tarsal 
Ponto solto CP Gigante 
Considerar 
tempo de PO Tratar/melhorar 
lubrificação 
Seidel 
 83 
COMPLICAÇÕES APÓS TRABECULECTOMIA 
 
 
1. COMPLICAÇÕES IMEDIATAS: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
* Normalmente o choque ciliar se resolve espontaneamente em alguns dias, 
podendo ser dado aporte anti-inflamatório apropriado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PIO BAIXA 
Câmara Anterior Profunda Câmara Anterior Rasa 
Choque Ciliar* 
Extravasamento pela Bolha 
Hiperfiltração 
Descolamento de Coróide 
Ciclodiálise 
Descolamento Seroso 
Retina 
PIO ELEVADA 
Câmara Anterior Profunda Câmara Anterior Rasa 
Obstrução do óstio interno 
ou externo 
Bolha encapsulada 
Bloqueio Pupilar 
Hemorragia Supracoróidea 
Glaucoma Maligno 
 84 
1.1. Extravasamento pela Ferida Cirúrgica 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NOTA: 
- Cuidado na realização do curativo compressivo quanto à localização superior do algodão. 
Orientar o paciente a manter o olho maior parte do tempo aberto para evitar fenômeno de 
Bell. 
 
 
 
 
1.2. Hiperfiltração 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NOTA: 
- A bolha da hiperfiltração geralmente é alta e difusa e ocorre por sutura frouxa do 
retalho escleral, retalho fino ou ceratectomia ampla. 
- A correção cirúrgica visa confeccionar novos pontos mais apertados no flap 
escleral ou até mesmo a utilização de enxerto de esclera. 
 
 
 
Extravasamento pela Bolha 
Cirúrgica 
Seidel pequeno e 
ausência de 
toque 
iridocristaliniano 
Seidel 
espontâneo 
Supressores da 
produção Humor 
Aquoso e redução 
do corticóide 
tópico 
Curativo Oclusivo 
Lente de Contato Gelatinosa 
Cola de Fibrina 
Reparo Cirúrgico 
Seidel pequeno e 
persistente mesmo 
com tratamento clínico 
Hiperfiltração 
Câmara anterior formada 
e ausência de DC 
Câmara Anterior Rasa 
e/ou DC 
Conduta 
Expectante 
Tamponament
o Externo 
Correção 
cirúrgica 
 85 
1.3. Descolamento Ciliocoroideo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
*NOTA: 
- É controverso o uso de prednisona 1mg/kg/dia para acelerar a absorção do 
descolamento de coróide. 
 
 
1.4. PIO elevada e CA rasa 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NOTA: 
- O descolamento do anel do corpo ciliar tem a clínica 
bem semelhante ao Glaucoma Maligno, porém o nível 
de pressão intra-ocular costuma ser inferior a 30 mmHg. 
 
DC 
Ausência de kissing de 
coróide 
Persistência >10-14 dias 
Diminuição importante da 
AV 
Kissing de coróide 
Expectante 
Corticóide via oral* 
Drenagem cirúrgica 
PIO elevada e CA rasa 
Bloqueio Pupilar 
Hemorragia 
Supracoroidea Tardia 
Iridotomia a laser 
ou iridectomia 
cirúrgica 
Midriáticos e cicloplégicos 
Manitol 
Supressores da produção 
HA 
YAG laser em hialóide anterior 
Vitrectomia via pars plana 
Glaucoma Maligno 
Iridotomia não 
patente 
DC limites visíveis de cor 
escura marrom 
avermelhada ou 
constatação ecográfica 
Iridotomia patente + 
Rotação anterior do 
diafragma 
iridocristaliniano 
 
Conduta 
expectante 
(dissolução 
coágulo) 
Cirurgia 
Kissing de 
coróide 
PIO elevada e CA rasa 
Bloqueio Pupilar 
Hemorragia 
Supracoroidea 
tardia 
Iridotomia a laser ou 
iridectomia cirúrgica 
Midriáticos e cicloplégicos 
Internação para Manitol IV 
Supressores da produção HA 
YAG laser em hialóide anterior 
VVPP em casos refratários 
GLAUCOMA 
MALIGNO 
Iridectomia não 
patente 
DC: limites visíveis de 
cor escura, marrom 
avermelhada, ou 
constatação ecográfica 
Iridectomia patente 
+ 
Rotação anterior do 
diafragma 
iridocristaliniano 
 
Conduta 
expectante 
(dissolução 
coágulo) 
Cirurgia 
Kissing de 
coróide 
 86 
COMPLICAÇÕES APÓS VITRECTOMIA 
 
1. Precoces (até 14 dias): 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
- Manitol 
- Colírios hipotensores 
- Iridotomia 
- Comunicar cirurgião 
- Colírios 
hipotensores 
- Comunicar 
cirurgião 
 
Processo 
inflamatório 
decorrente do 
procedimento 
cirúrgico 
Analgésico oral 
Lubrificante 
Manter 
conduta pós 
operatória 
Gás Óleo 
Expansão 
excessiva do gás 
intra-ocular 
Vide 
capítulo de 
endoftalmite 
Hipertensão 
associada ao 
óleo de silicone 
Dor 
Exame 
biomicroscópico 
normal 
Desepitelização 
da córnea 
Aumento da 
PIO 
Sinais de 
Endoftalmite 
Afácico Fácico Migração de óleo 
para camara 
anterior 
Iridotomia 
inferior? 
Sim: está 
pérvia? 
Não 
Bloqueio 
Pupilar Sim Não 
- Colírios 
hipotensores 
- Comunicar 
cirurgião 
 
- Comunicar cirurgião 
para retirada precoce 
do óleo de silicone 
-Colírios hipotensores 
- Comunicar 
cirurgião 
- Avaliar 
drenagem de 
gás via pars 
plana 
- Colírios 
hipotensores 
 87 
2. Tardias (após 14 dias): 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Glaucoma 
neovascula
r 
Re-descolamento 
de retina 
- Comunicar 
cirurgião 
- Discutir na 
Retina (segunda 
a sexta-feira de 
manhã) 
Células 
fantasmas 
Glaucoma de 
células 
fantasmas 
 
- Colírios 
hipotensores 
- Comunicar 
cirurgião para 
programar VVPP 
Aumento da PIO 
Silicone 
emulsificado 
na câmara 
anterior 
Glaucoma 
induzido por 
esteróides 
Bloqueio 
pupilar 
Processo 
inflamatório 
- Remoção 
precoce do 
óleo de 
silicone 
-Comunicar 
cirurgião 
Tratar 
inflamação 
Vide conduta: 
“Complicações 
precoces de 
VVPP” 
- Colirios 
hipotensores 
- Comunicar 
cirurgião 
Sindrome de Schwartz 
(glaucoma associado ao 
entupimento do 
trabeculado por 
segmentos de 
fotorreceptores) 
 88 
COMPLICAÇÕES APÓS INTROFLEXÃO 
ESCLERAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Extrusão 
de Buckle 
Avaliar sinais de 
infecção (edema 
de palpebra, 
quemose, 
secreção em 
fundo de saco) 
Exame 
biomicroscopico 
normal 
Processo 
inflamatório 
decorrente do 
procedimento 
cirurgico 
Analgésico oral 
Aumento da PIO 
- Colirios 
hipotensores 
- Comunicar 
cirurgião 
 
Desepitelização 
da cornea 
- Lubrificante 
- Manter 
conduta pós 
operatória 
- Colirios antibióticos 
- Comunicar cirurgião 
Vide capítulo 
de 
endoftalmite 
Re-descolamento 
de retina 
- Comunicar 
cirurgião 
 ou 
- Discutir na 
Retina (2 a 6ª 
feira de manhã) 
Sinais de 
Endoftalmite 
 89 
COMPLICAÇÕES APÓS INJEÇÃO INTRAVÍTREA 
 
 
DIAGNÓSTICO 
FATORES DE RISCO e 
QUADRO CLÍNICO 
CONDUTA 
ENDOFTALMITE 
(0,3% das injeções) 
Mais associada a 
injeções de 
triancinolona, pacientes 
com má preparação 
antisséptica, infecção 
ocular externa, 
diabéticos, PO de 
TREC, imunodeprimidos 
e defeitos de 
fechamento palpebral. 
 
Baixa acuidade visual 
dolorosa, secreção, 
hiperemia ocular, 
hipópio, reação de 
câmara anterior, 
turvação vítrea, edema 
palpebral e quemose. 
Internação + jejum 
 
Exames pré-operatórios 
 
Colírios fortificados 
(Vide capítulo 
“adendos”) 
 
Avaliar com cirurgião 
 
USG 
 
Discutir caso na retina: 
Injeção intravítrea de 
ATB (vide capítulo 
“adendos”) 
 ou 
Vitrectomia posterior 
DESCOLAMENTO DE 
RETINA 
(0,5% das injeções) 
Mais prevalente em 
casos de retinite por 
CMV e retinopatia 
diabética proliferativa. 
 
Diminuição da acuidade 
visual indolor, 
diminuição da PIO, 
perda de campo visual, 
DAR e fotopsias. 
Mapeamento de retina. 
 
Exames pré-operatórios. 
 
USG 
 
Discutir na retina o mais 
breve possível, 
introflexão escleral ou 
vitrectomia posterior. 
HEMORRAGIA VÍTREA 
(1% das injeções) 
Baixa acuidade visual 
indolor e turvação vítrea. 
Suspender possíveis 
medicações 
anticoagulantes.USG seriados. 
Coagulograma. 
Aumento da PIO 
(2% das injeções) 
Mais freqüente após 
injeções de acetato de 
triamcinolona. Pode 
levar à oclusão da 
artéria central da retina 
(acuidade visual de PL 
ou pior, palidez do pólo 
posterior e “mácula em 
cereja”). 
Colírios hipotensores, 
Acetazolamida VO, 
Manitol EV. 
Paracentese da câmara 
anterior e massagem 
ocular em casos de 
diagnóstico imediato de 
oclusão da artéria 
central. 
Discutir caso na retina. 
 90 
UVEÍTE 
(1% dos casos) 
 
Baixa acuidade visual 
dolorosa, hiperemia 
ocular, células e flare na 
CA e pode apresentar 
opacidades vítreas. 
Colirios cicloplégicos/ 
midriáticos e corticóides. 
 
USG 
 
Retorno na retina. 
CATARATA 
Trauma do cristalino 
com sintomas 
particulares baseados 
na localização e 
densidade da opacidade 
do cristalino. 
Avaliação do segmento 
posterior. 
 
Exames pré-operatórios. 
 
Avaliar tratamento 
cirúrgico na retina. 
 
NOTA: Todas as complicações de catarata devem ser encaminhadas aos 
respectivos cirurgiões. 
 
Maiores informações sobre condutas citadas podem ser encontradas nos 
respectivos capítulos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 91 
Adendos 
 
 
Capítulo Autor Página 
DROGAS IVT André Carvalho Kreuz 92 
COLÍRIOS FORTES André Carvalho Kreuz 93 
ANTIBIÓTICOS EV André Carvalho Kreuz 94 
PROFILAXIA DO 
TÉTANO 
André Carvalho Kreuz 95 
RAMAIS ÚTEIS André Carvalho Kreuz 96 
ORIENTAÇÕES 
GERAIS 
André Carvalho Kreuz 97 
 
Organização: 
André Carvalho Kreuz 
 
Revisão: 
Sergio Luis Gianotti Pimentel 
 
 
 92 
 
DROGAS IVT 
 
1. Indicação: Endoftalmite 
2. Medicações Utilizadas (concentração alvo): 
 -Vancomicina (1mg/0,1 ml) 
 -Ceftazidime (2mg/0,1 ml) 
 -Dexametasona (0,8mg/0,2 ml) 
3. Preparação dos Antibióticos: 
1. Vancomicina: Adicionar 10 ml de água destilada em um frasco de 500mg de 
vancomicina (50mg/ml). Aspirar, com seringa de 10 ml, 1 ml da solução (50mg) e 
adicionar 4 ml de água destilada (10mg/ml). Aspirar, com seringa de insulina, 0,1 ml 
da solução (1mg). 
2. Ceftazidime (Fortaz): Adicionar 10 ml de água destilada em um frasco de 1 grama de 
ceftazidime (100mg/ml). Aspirar, com seringa de 10 ml, 1 ml da solução (100mg) e 
adicionar 4 ml de água destilada (20mg/ml). Aspirar, com seringa de insulina, 0,1 ml 
da solução (2mg). 
3. Dexametasona (Decadron): Aspirar 0,2 ml (0,8 mg) do frasco de dexametasona 
(4mg/ml). 
4. Procedimento: 
1. Aplicar colírio anestésico no olho. 
2. Aplicar iodopovidona tópica no olho e na região ao redor. 
3. Colocação de blefarostato. 
4. Marcação do ponto de injeção, utilizando um compasso, no quadrante temporal 
inferior, distando 3,5 mm do limbo nos pseudofácicos e 4,0 mm, nos fácicos. 
5. Coleta de material para cultura: 
a. Opção 1: Introduzir agulha de insulina conectada à seringa de insulina 
vazia em direção ao nervo óptico, e aspirar 0,4 ml para cultura. 
b. Opção 2: Coleta com ponta de vitreófago (20g ou 23g). Não conecte a 
infusão para não diluir a amostra. Indente o globo para manter a PIO. 
Aspire o material coletado da conexão de silicone. Suture a incisão (20g). 
Esta técnica permite colher maior volume, além de não tracionar a base 
vítrea (previne formação de roturas). 
6. Semear o material colhido nos meios apropriados (ágar sangue, ágar chocolate, 
Sabouraud e tioglicolato). Os meios estão disponíveis na Microbiologia (PAMB, 
2º andar, bloco 3, ramal 6348). 
7. Injetar os antibióticos e a dexametasona, uma de cada vez (total de 0,4 ml). Os 
antibióticos não devem ser misturados em uma mesma seringa devido ao risco 
de precipitação dos mesmos em forma de cristais. 
8. Ao retirar a agulha junto à seringa, posicione um cotonete para tamponar o 
orifício de aplicação. Avaliar a tensão óculo-digital; se aumentada, proceder 
paracentese de câmara anterior. 
 
OBS: Em caso de endoftalmite fúngica, a concentração da Anfotericina B é de 5 a 10 
ugm/0,1ml e do Fluconazol é de 25 ugm/0,1ml. 
 93 
COLÍRIOS FORTES 
 
1. Indicação: úlcera de córnea 
 
2. Medicações Utilizadas (concentração alvo): 
 
 - Gentamicina forte (15mg/ml) 
 - Cefalotina forte (50mg/ml) 
 
3. Preparo dos Antibióticos: 
 
1. Gentamicina forte: 
 
Aspirar 04 ampolas de gentamicina (40mg/ml), com seringa de 10ml, e aspirar 06 
ml de água destilada, totalizando 10 ml de solução (16mg/ml). Pode-se colocar a 
solução em um frasco de metilcelulose vazio. Manter refrigerado; validade de 14 
dias. 
 
2. Cefalotina Forte: 
 
Injetar 05 ml de água destilada em um frasco de 01 grama de cefalotina (200mg/ml). 
Aspirar 2,5 ml (500mg), com seringa de 10 ml, e completar com 7,5 ml de água 
destilada, totalizando 10 ml (50mg/ml). Pode-se colocar a solução em um frasco de 
metilcelulose vazio. Manter refrigerado; validade de 07 dias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 94 
ANTIBIÓTICOS EV 
 
1. Indicação: Celulites Orbitárias 
 
2. Antibióticos utilizados: 
 
 - Oxacilina: 
 - Adulto: 02 gramas IV de 06/06 horas 
 - Criança: 200mg/kg/dia IV 06/06 horas (50mg/kg /dose) 
 
 - Ceftriaxone: 
 - Adulto: 01 grama IV 12/12 horas 
 - Criança: 100mg/kg/dia IV 12/12 horas 
 
3. Contra-indicações: 
 
 -Oxacilina: Reações de hipersensibilidade às penicilinas. 
 
-Ceftriaxone: Insuficiência renal e hepática grave. Neonatos com icterícia. 
Hipoalbuminemia e acidose. Pacientes alérgicos aos antibióticos do grupo das 
cefalosporinas e penicilinas. 
 
4. Efeitos Adversos: 
 
-Oxacilina: Reações de hipersensibilidade, como erupções cutâneas 
maculopapulares, prurido, febre, artralgia, anafilaxia, síndrome de Stevens-
Johnson. Alterações hematológicas. Nefrite intersticial transitória. Confusão, 
hipertonia e tonturas. Alterações gastro-intestinais. Colite pseudomembranosa. 
Candidíase. Alterações de transaminases. 
 
-Ceftriaxone: Abcesso, tromboflebite no local da administração. Reações de 
hipersensibilidade (erupções cutâneas, prurido, artralgia, anafilaxia, síndrome 
de Stevens-Johnson). Alterações hematológicas. Nefrite intersticial transitória. 
Confusão, hipertonia, tonturas. Alterações gastro-intestinais. Candidíase. 
Alterações de transaminases, icterícia transitória. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 95 
PROFILAXIA DO TÉTANO 
 
 
 Ferimentos pequenos e 
limpos 
Todos outros ferimentos 
Histrória de 
imunização 
para tétano 
(doses) 
 
Toxoide 
Tetânico 
(vacina) 
Globulina 
Imune 
(soro) 
Toxóide 
Tetânico 
(vacina) 
Globulina 
Imune 
(soro) 
Incerto Sim Não Sim Sim 
0 -1 Sim Não Sim Sim 
2 Sim Não Sim Não (a) 
3 ou mais Não (b) Não Não (c) Não 
 
 
Dose do toxóide tetânico é de 0,5 ml intramuscular. 
 
 
(a) A menos que a ferida tenha mais de 24 horas. 
(b) A menos que tenha mais de dez anos da última dose. 
(c) A menos que tenha mais de cinco anos da última dose. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 96 
RAMAIS ÚTEIS 
 
1. Ambulatório: -Roseli (Ass. Social): 6568 
 -Heloísa (Enfermeira): 6596 
 -Edmar (Manutenção): 6567 
 -Tadeu (Guichê): 6578, 6213 
2. CCIH: 6444 
3. Central de Materiais: 6681 
4. Centro Cirúrgico 9º andar: -Bloco 1: 6661 
 -Bloco 2: 6660 
 -Bloco 3: 6687 
 -Posto de Enfermagem: 6663, 6358 
5. CC 10º Andar: 7886 
6. Enfermaria Oftalmo: 6287 
7. Ouvidoria: 7176 
8. Pequenas Cirurgias: 7212, 7213 
9. Plantão Controlador: 6352 
10. Pronto Socorro: -PSC: 7241 
 -PSN: 6226 
 -PSO: 6242 
11. Radiologia: 7091 
12. Secretarias: -Sandra: 7870 
 -Cristina: 7876 
13. Microbiologia: 6348 
14. UAC: 6686 
15. UTI PSM: 7233 
16. UTI MI: 6045 
 
 97 
ORIENTAÇÕES GERAIS 
 
 
1. Sempre preencher completamente as fichas de atendimento: 
a. Carimbo 
b. Assinatura 
c. Data 
d. Hora 
e. Destino 
f. Diagnóstico 
 
2. Nunca autorizar a vinda de pacientes de fora sem a liberação do plantão 
controlador. 
3. Não internar pacientes com pendências de outras especialidades. 
4. Tomografias de órbita: sempre pedir corte coronal.