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O Casamento Como Instituto Jurídico do Código de Hamurabi e no Ordenamento Jurídico Brasileiro Atual. Jessimaily Souza Silva1 1Estudante do Curso de Graduação em Direito – UNIFTC, jessy_1yes@hotmail.com O rei Kham-um-rabi, conhecido como Hamurabi foi o fundador do Império da Babilônia e o criador do código jurídico mais antigo a ser descoberto: o Código de Hamurabi. O rei Hamurabi mandou erigir em praça pública um obelisco de basalto que continha 282 artigos, coberto por texto cuneiforme. Os documentos e textos jurídicos do Código de Hamurabi falam sobre várias áreas do Direito: Penal, Imobiliário, Rural, Direito da Família e sucessões, e também sobre, a disciplina, os contratos e a organização da justiça e do processo. O casamento como Instituto Jurídico está presente no Direito de Família, no código civil brasileiro, e também está assim organizado no Código de Hamurabi. No Código de Hamurabi o vínculo matrimonial é monogâmico e sua validação é realizada através de um contrato, segundo a cláusula 128, sendo o vínculo respaldado pelo Direito. Esse contrato é realizado entre o pretendente e o pai da noiva, através de um pagamento em dinheiro (a tirhatu). No Brasil da atualidade, também só é permitido a monogamia, sendo que no Código Penal brasileiro são definidas penalidades para quem infringir a lei. No Código de Hamurabi é permitido a bigamia somente quando o homem se casar com uma mulher e ela adoecer, mas continuando viva, ele cuidará dela e mesmo assim pode casar-se novamente. As regras de casamento na Babilônia não descrevem idade mínima para casar, porém o acordo de casamento era realizado pelo pai da moça. Já no Código Civil brasileiro é estabelecido a idade mínima de 18 anos, sem necessitar nenhum tipo de autorização, mas como descrito no artigo 1.517, “homem e mulher com dezesseis anos podem casar, exigindo-se autorização de ambos os pais, ou de seus representantes legais, enquanto não atingida a maioridade civil”. O Casamento na atualidade é mais complexo que no Código Babilônico, um casamento não pode ser estabelecido por instrumento particular entre as partes, muito menos por pai e pretendente. Um casamento válido é realizado em um cartório de registro de casamentos, ou casamento religioso com efeitos civis, que deve seguir as prescrições legais. Primeiramente é necessário separar toda a documentação necessária no processo de habilitação do casamento, onde após o pagamento de algumas taxas, o cartório irá verificar se os noivos estão livres para casar, depois disso a cerimônia poderá ser marcada. O regime de bens em um casamento civil, ou seja a distribuição dos bens de cada um dos noivos tem de ser escolhido por eles na habilitação do casamento, o fato é estabelecido pelo artigo 1.639 do Código Civil. O regime de bens também é utilizado para estipular a responsabilidade patrimonial no pagamento de dívidas, e funciona diferente para cada tipo de comunhão de bens, o código babilônico fala sobre o direito da mulher de solicitar uma declaração isentando-a das dívidas do marido, já as dívidas contraídas após o matrimônio eram responsabilidades de ambos. No Código de Hamurabi não são citados bens a serem divididos, mas a tirhatu pago pelo pai da noiva, é o que mais se assimila a um bem material. Caso o marido desista de tomar a mulher por esposa deve devolver o valor ao pai da moça, se o pai impedir o casamento deverá devolver o valor em dobro. O valor retorna ao marido se o vínculo for terminado (se o casal não possuir filhos) e se houver morte prematura da esposa. A tirhatu pertence a mulher se o marido repudiar a esposa. No texto de Hamurabi, a cláusula 128, aponta que “ se um homem tomar uma mulher como esposa, mas não tiver relações com ela, esta mulher não será esposa dele” poderíamos supor que essa seja uma possível anulação do vínculo. O Código civil prevê algumas formas de formas de anulação do casamento, a falta de consumação do matrimônio pode ser considerada uma delas na interpretação do artigo 1.548, III. O adultério é citado muitas vezes no Código de Hamurabi, e o fato é considerado um crime e são atribuídas algumas penalidades dependendo de quem o comete. A cláusula de número 129 diz que: “se a esposa de alguém for surpreendida em flagrante com outro homem, ambos devem ser amarrados e jogados dentro d’água, mas o marido pode perdoar a sua esposa, assim como o rei perdoa a seus escravos”, no caso de o homem cometer infidelidade ele somente restituirá a tirhatu à mulher, observa-se que somente a mulher sofria penalidade grave. No Direito penal brasileiro a prática do adultério era considerada crime até 2005, apesar de que eram raros os processos criminais que pediam aplicação da pena, somente era requerido a fim de basear o pedido de divórcio e de indenizações por danos morais, mas antes de 2005, quem pratica o adultério, e se fosse provado poderia receber como pena simbólica de 15 (quinze) dias a 6 (seis) meses de detenção. O Código de Hamurabi ainda cita a possibilidade de realização do Divórcio: nos casos em que o homem queira se separar, ou repudiasse a esposa, se a mulher fosse infértil, se o homem fugisse da cidade, se a mulher fosse sacerdotisa, se a mulher acumulasse bens, negligenciasse sua casa e marido e fosse embora e se a mulher sentisse aversão pela infidelidade do homem. O divórcio está descrito no Código Civil na Lei nº 6.515/77, desde 1977, sendo que sofreu algumas modificações ao longo desse período até os anos atuais. O divórcio é realizado se pelo menos uma das partes quiser, mesmo sem o consentimento da outra parte, pode até mesmo ser realizado em cartório (com o consentimento de ambos) ou através do juiz (se houver resistência de uma das partes). REFERÊNCIAS: https://siaiap32.univali.br/seer/index.php/rdp/article/viewFile/7635/4367 https://jus.com.br/artigos/7871/adulterio-traicao-e-dano-moral https://lapisdenoiva.com/casamento-civil/ https://lucasferreira1910.jusbrasil.com.br/artigos/251379033/o-instituto-do- casamento?ref=serp ICIZUKA, Atilio de Castro; ABDALLAH, Rhamice Ibrahim Ali Ahmad. A trajetória da descriminalização do adultério no direito brasileiro: uma análise à luz das transformações sociais e da política jurídica. Revista Eletrônica Direito e Política, Itajaí, v.2, n.3, 3o quadrimestre de 2007. Disponível em: www.univali.br/direitoepolitica - ISSN 1980-7791 MATERIAL DE APOIO DA DISCIPLINA HISTÓRIA DE DIREITO - Código de Hamurabi NINA-E-SILVA, C. H; ALVARENGA, L. F. C. A Importância Histórica e as principais Características dos Códigos de Hamurabi e de Manu. Revista Jurídica Eletrônica, Goiás, Ano 6, Número 8, páginas 89-95, Fevereiro, 2017.