Prévia do material em texto
2 IMPORTÂNCIA DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS NO ATENDIMENTO A PAIS E RESPONSÁVEIS Elaine Mohr Magalhães¹ Franciney Pereira Goncalves¹ Daiana kohler² RESUMO A escola é o local em que os alunos buscam a formação necessária para o seu desenvolvimento. Nesse contexto, a contribuição da Equipe pedagógica é de suma importância para essa construção, pois esses profissionais promovem a interação em todas as dimensões do grupo educativo no contexto escolar. O presente trabalho tem por objetivo principal apresentar os aspectos das relações interpessoais no atendimento dos pais e responsáveis na educação especial. Especificamente se busca: apontar os aspectos do ambiente escolar com a colaboração dos pais e professores; destacar a necessidade da integração dos pais com os projetos escolar; citar os resultados no processo de ensino e aprendizagem da criança com a presença dos pais ou responsáveis na escola. Por resultados aponta-se que a participação da família mediante a relação interpessoal com os professores o processo de ensino e aprendizagem é sempre positivo. A pesquisa se classifica como bibliográfica com o aporte no aspecto qualitativo. Na conclusão é possível perceber que escola e família devem buscar o mesmo proposito no contexto escolar e em parceria auxiliam as crianças no processo de ensino. Palavras-chave: Relação interpessoal. Escola. Família. 1. INTRODUÇÃO O presente trabalho tem por finalidade estudar os aspectos das relações interpessoais no atendimento a pais ou responsáveis de modo a perceber a necessidade de contribuição para o desenvolvimento da criança dentro e fora da escola. Aqui o tema se limita a educação especial. Tendo em vista a busca constante em trocar experiências com os pais e professores a partir do melhor relacionamento para assegurar as crianças da educação especial, não bastando a inclusão e sim o progresso do aluno no ambiente escolar. Desse modo, tem-se por objetivo geral conceituar as relações interpessoais dentro da escola e citar o relacionamento estabelecido entre os professores, pais e direção escolar. Especificamente o trabalho visa apontar os aspectos do ambiente escolar com a colaboração dos pais e professores; destacar a necessidade da integração dos pais com os projetos escolar; citar os resultados no processo de ensino e aprendizagem da criança com a presença dos pais ou responsáveis na escola. O tema se justifica pela necessidade de melhor compreensão da família do aluno e da escola com as dificuldades do seio familiar a fim de em conjunto perceberem as vulnerabilidades sociais a que estão expostas essas famílias e proporcionar a busca por resoluções em conjunto. Não se pretende esgotar a temática aqui apontada, mas sim destacar a necessidade da gestão escolar com o apoio da família para melhor os aspectos educacionais e possibilitar o entendimento que a escola e família andam lado a lado para o desenvolvimento da criança e avanço da educação especial. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA É compreensível, segundo o art. 21 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que o poder familiar será exercido, em igualdade de condições, pelo pai e pela mãe, na forma do que dispuser a legislação civil, assegurado a qualquer deles o direito de, em caso de discordância, recorrer à autoridade judiciária competente para a solução da divergência. Este campo criado pela lei visa proteger a criança contra ações de abuso e violência, praticadas por um dos genitores que não respeitem os direitos de seus filhos. A gestão democrática não é só um princípio pedagógico. É também um preceito constitucional. O parágrafo único do artigo primeiro da Constituição Federal de 1988 estabelece como cláusula pétrea que “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente”, consagrando uma nova ordem jurídica e política no país com base em dois pilares: a democracia representativa e a democracia participativa (direta), entendendo a participação social e popular como princípio inerente à democracia. Em seu artigo 206, quando a Constituição Federal estabelece os “princípios do ensino”, inclui, entre eles, no Inciso VI, a “gestão democrática do ensino público”, princípio este retomado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996. A legislação brasileira vê a família como alicerce fundamental e privilegiado para o desenvolvimento completo dos indivíduos. De acordo com a Constituição Federal de 1988, artigo 226 “ O ECA garante em seu art. 22 que “aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais”. Mas até que ponto é propiciado às famílias estas condições? Elas têm estas obrigações, mas muitas vezes não tem acesso a situações que permitam o cumprimento delas. Partindo desse princípio, a escola precisa rever o papel do gestor no sentido de promover a gestão democrática como prática mediadora do trabalho pedagógico, portanto, cabe a todos que fazem parte do processo educativo, buscar mecanismos de mudança frente às novas perspectivas educacionais no que diz respeito à efetivação da gestão democrática nas escolas públicas de todo país. Partindo desse pressuposto, “a relação entre Família e Escola tem vindo a ser alvo de todo um conjunto de atenções: através de notícias nos meios de comunicação de discursos políticos, da divulgação de projetos de investigação e de nova legislação”. (PEREIRA, 2009, p. 29) O local em que se realiza a educação sistematizada precisa ser o ambiente mais propício possível à prática da democracia. Por isso, na realização da educação escolar, a coerência entre meios e fins exige que tanto a estrutura didática quanto a organização do trabalho no interior da escola estejam dispostas de modo a favorecer relações democráticas. Esses são requisitos importantes para que uma gestão escolar, pautada em princípios de cooperação humana e solidariedade possam concorrer tanto para ética quanto para a liberdade, componentes imprescindíveis de uma educação de qualidade (PARO, 2001). Com isso, percebe-se que a sociedade brasileira ainda engatinha no que se refere à inclusão. Devido à falta de informação e ao preconceito, todos os indivíduos passam por dificuldades. O deficiente sente-se excluído porque o tratam como incapaz. Os pais, por sua vez, infantilizam ou superprotegem os filhos. E o professor que recebe um aluno com esse histórico teme fracassar na tentativa de integrá-lo à sociedade, principalmente se não tiver orientação sistematizada. Assim, aos poucos a relação que deve ser estabelecida entre pais e alunos se fortalecem na busca da harmonia dentro e fora da escola. Isto, pois, na educação especial o relacionamento interpessoal é de sua importância devido aos desafios pertencentes aos pais e professores na interação com os alunos. (CAVALCANTE, 2004, p. 32) No entendimento de Pereira (2004) as ações da criança excedem a própria escola, e as atividades de ensino e aprendizagem irão incidir sobre suas famílias. Essa é uma problemática que extrapola as possibilidades de pesquisas, ou seja, as diversas modalidades das relações estabelecidas entre a família e a escola têm o aluno como eixo nessa relação. A inclusão escolar tem início na educação infantil, onde se desenvolvem as bases necessárias para a construção do conhecimento e seu desenvolvimento global. Nessa etapa, o lúdico, o acesso às formas diferenciadas de comunicação, a riqueza de estímulos nos aspectos físicos, emocionais, cognitivos, psicomotores e sociais e a convivência com as diferenças favorecem as relações interpessoais, o respeito e a valorização da criança. Do nascimento aos três anos,o atendimento educacional especializado se expressa por meio de serviços de intervenção precoce que objetivam otimizar o processo de desenvolvimento e aprendizagem em interface com os serviços de saúde e assistência social. (PNEE/PEI, 2008, p. 16) Silva (2010) afirma que para atingir a parceria colaborativa é preciso realizar o empoderamento da família; os profissionais devem encorajar os familiares a expressar suas ideias e opiniões e ajudá-los a adquirir habilidades na tomada de decisões. A família, nesta perspectiva, é uma das instituições responsáveis pelo processo de socialização realizado mediante práticas exercidas por aqueles que têm o papel transmissor – os pais – e desenvolvidas junto aos que são os receptores – os filhos. (SZYMANSKI, 2010, p. 20) Embora nas escolas existem inúmeros problemas a serem analisados, dois podem ser isolados, cuja importância e amplitude superam as dos outros: a educação como processo de formação, tendo por base as relações interpessoais; a educação como processo de preparação para relações interpessoais. Para Moscovici (2011, p. 72), “competência interpessoal é a habilidade de lidar eficazmente com as relações interpessoais, de lidar com outras pessoas de forma adequada às necessidades de cada uma”. Certamente não é simples o desenvolvimento desta competência, porém é algo que deve ser trabalhado e valorizado a cada dia. Uma sociedade sem conflitos seria, ou uma sociedade sem ovelhas, que se curvam sem resistência diante da autoridade do chefe ou uma sociedade na qual ninguém pensa, o que exclui a divergência, isto é, o progresso que nasce do confronto sobre a ação a empreender. (PERRENOUD, 2000, p. 90). Assim, pode-se observar que não se vislumbra educação sem a participação da família, ou mesmo, proporcionar uma boa educação para os filhos sem o auxílio do ambiente escolar e os profissionais ali inseridos. Logo, a relação interpessoal entre os pais e professores é de suma importância no processo cooperativo para os anseios das boas práticas de educação e a interação entre os membros. 3. MATERIAIS E MÉTODOS Para o desenvolvimento dessa pesquisa foi abordada a forma qualitativa visando a aproximação com a realidade sobre a qual se formulou determinada pergunta. Pois, a pesquisa qualitativa trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. (MINAYO, 2001, p. 22). Em seguida, quanto aos objetivos eles se darão de forma exploratória, pois este tipo de pesquisa tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vista a torná-lo mais explícito ou a construir hipóteses. A grande maioria dessas pesquisas envolve: levantamento bibliográfico; entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado; e análise de exemplos que estimulem a compreensão (GIL, 2002, p. 41). Logo, o tipo de pesquisa será feito através de pesquisa de campo, onde a pesquisa de campo deve merecer grande atenção, pois devem ser indicados os critérios de escolha da amostragem (das pessoas que serão escolhidas como exemplares de certa situação), a forma pela qual serão coletados os dados e os critérios de análise dos dados obtidos. (MARCONI, LAKATOS, E. V. 2004) Diante dos procedimentos para coleta de dados, na imagem é possível perceber a participação dos pais no acompanhamento das atividades desenvolvidas na escola. Regularmente são realizadas reuniões com pais e mestres a fim de discutir e apontar os projetos pedagógicos a serem trabalhados com as crianças, possibilidade de melhor compreensão por parte dos pais ou responsáveis no auxílio para o desenvolvimento escolar dentro e fora da escola. FIGURA 1: FOTO DA REUNIÃO DE PAIS Fonte: A autora 2019) Percebe-se com a imagem que a troca de experiência e relatos entre os pais e professores possibilita o diálogo entre a comunidade e a escola. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO O relacionamento interpessoal se contextualiza na interação entre pessoas, grupos e times, seja ele no meio profissional, pessoal ou familiar. Nesse cenário o desenvolvimento do relacionamento interpessoal onde se permite entender o outro, sua sensibilidade e as dificuldades de pedir ajuda e compreender a capacidade e a disponibilidade em ajudar. Na psicologia ou Sociologia pode-se definir que a relação interpessoal é qualquer tipo de relação entre duas ou mais pessoas. No entanto, relacionamento é muito mais complexo, pessoas pensam, agem e comportam-se de forma diferente. Expõem suas emoções de forma distinta a sua personalidade ou trauma. Pensando em um modelo de escola democrática, gestores e docentes devem proporcionar um espaço de interação de saberes e delegação de poder em prol da aprendizagem significativa do aluno. Pensar o trabalho coletivamente significa construir mediações capazes de garantir que os obstáculos não se constituam em oposição a toda inovação, que as diferenças não sejam impeditivas da ação educativa coerente, responsável e transformadora. 5. CONCLUSÃO Nos dias atuais, mais do que no passado recente, a relação interpessoal se torna uma questão de garantia dos preceitos morais e éticos da sociedade e da família. É necessário maior atenção aos sentimentos, ao comprometimento e atuação dentro do espaço familiar (membros da família) para que de alguma forma a falta de relacionamento interpessoal não se torne um problema social de intervenção. Ficou demonstrado neste artigo que a participação da família juntamente com a escola soma muitos pontos positivos através das relações interpessoais. Posto que a comunidade deve participar dos processos educacionais e promover junto a escola melhorias para os alunos. Caso se busque uma escola transformadora, precisa-se transformar a escola que existe, pois a escola, assim como a família, é uma instituição de caráter essencial na formação dos indivíduos de uma sociedade. A participação da psicopedagogia é muito importante no processo de aprendizado e letramento. Bem como fator relevante em se tratando de fracasso escolar. Pois, sua atuação deve buscar o que seja o aprender para o sujeito envolvido no processo de aprendizagem e sua família, buscando descobrir e entender o motivo pelo qual não se busca ou não se deseja aprender. REFERÊNCIAS ALEXANDRE, Neuzeli D. CARMO, Ilso Fernandes do. A ética nas relações interpessoais: possibilidades para aprender a viver juntos no ambiente escolar. Disponível em: <https://www.revista.ajes.edu.br/index.php/rca/article/view/16/5>. RCA – Revista Científica da Ajes, BRASIL, Blunilde Brito B. A influência da relação interpessoal no atendimento educacional especializado. Disponível em: <https://www.webartigos.com/artigos/a-influencia-da-relacao-interpessoal-no-atendimento-educacional-especializado/137849>. Aceso em: 02 fev. 2020. v. 4, n. 9 (2013). Acesso em: 02 fev. 2020. CAVALCANTE, Meire. Aparências diferentes? Talentos também. Rev. Nova Escola. Editora. São Paulo: Abril. Jun./jul. 2004. GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4 ed, São Paulo. Atlas, 2007. MARCONI, M. A; LAKATOS, E. V. Metodologia científica. São Paulo: Editora Atlas, 2004. MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001. PARO, Vitor Henrique. Escritos sobre educação. São Paulo: Xamã, 2001. PEREIRA, M. A relação entre pais e professores: uma construção de proximidade para uma escola de sucesso. Universidade de Málaga, 2009. PEREIRA. Esther Cristina. Escola e família: uma parceria que dá certo. Curitiba: E. C. Pereira, 2004. SILVA, Aline Maira da. Educação especial e inclusão escolar: história e fundamentos. Curitiba: Ibpex, 2010. (Série Inclusão Escolar). SZYMANSKI, Heloisa. A relação família e escola: desafios e perspectivas. Brasília: Liber, 2010. 1 Nome dos acadêmicos 2 Nome do Professor tutor externo Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI- Curso (FLEX 1104) – Prática do Módulo VIII – 02/02/2020