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RELATÓRIO DE ESTÁGIO I Autor (Gladys Lenuzia Kestering) Orientador Local ( Mª Terezinha De Bona Mendes) Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Curso de Bacharelado em Serviço Social (0455) – Estágio I 20/06/2019 1 INTRODUÇÃO O estágio supervisionado em Serviço Social e um espaço de excelência para o aprendizado teórico-prático para que o (a) acadêmico (a) estagiário (a) tenha uma aproximação com a prática profissional do assistente social. E por vezes são esses aprendizados que ele tem no campo de estágio que subsidiarão a tomada de decisão sobre a área que terá maior interesse em atuar profissionalmente, embora saibamos que o profissional é formado para atuar em qualquer área. De acordo com o artigo 1º da Lei Nº 11.788 de 2008 “o estágio é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam frequentando o ensino regular em instituições de educação superior [...]” ou seja, é no estágio supervisionado que o aluno(a) tem contato com a prática que ele(a) poderá ter após a formação acadêmica. E é nesse momento que o supervisor de campo é o prisma pelo qual o estagiário vai sentir-se motivado ou desmotivado a atuar naquela área em que está inserido. Uma vez que: O estágio supervisionado no curso de Serviço Social apresenta como uma de suas premissas oportunizar ao(a) estudante o estabelecimento de relações mediatas entre os conhecimentos teórico-metodológicos e o trabalho profissional, a capacitação técnico- operativa e o desenvolvimento de competências necessárias ao exercício da profissão (PNE, 2010, p.14). Sabe-se que existem limites e desafios postos ao cotidiano profissional do assistente social, pois, trata-se de uma profissão que convive com as correlações de forças, a burocracia institucional [...], entre outras questões que interferem no saber- fazer profissional (IAMAMOTO, 2008), e por sua vez, se tais fatos não forem encarados de forma coerente e respaldada técnica e teoricamente fragiliza o processo de ensino-aprendizagem no estagio supervisionado. 2. RELATO E ANALISE DO PROCESSO DE TRABALHO A Política de Assistência Social apresenta como um de seus objetivos a garantia da proteção social, a qual “consiste no conjunto de ações, cuidados, atenções, benefícios e auxílios ofertados pelo SUAS para redução e prevenção do impacto das vicissitudes sociais e naturais ao ciclo da vida, à dignidade humana e à família como núcleo básico de sustentação afetiva, biológica e relacional” (BRASIL, 2005, p. 90). Na perspectiva do Sistema Único de Assistência Social, a proteção social tem como pressuposto a garantia das seguranças de acolhida, de renda, do convívio ou vivência familiar, comunitária e social, do desenvolvimento da autonomia individual, familiar e social, e, de sobrevivência a riscos circunstanciais (BRASIL, 2005). No que se refere as seguranças que devem ser afiançadas pelos serviços de proteção social de Assistência Social, o CREAS busca garantir, por meio da execução de seus serviços, três delas: a segurança de acolhida, a segurança de convívio ou vivência familiar, comunitária e social, e, a segurança de desenvolvimento de autonomia individual, familiar e social. As outras duas seguranças, a de renda e a de sobrevivência a riscos circunstanciais são garantidas a partir de benefícios e de programas de transferência de renda, os quais são ofertados pelas instituições da proteção social básica (BRASIL, 2005), sendo que o CREAS busca sua garantia através do encaminhamento das famílias às instituições que executam a Proteção Social Básica. Para que a segurança de acolhida seja garantida na execução dos serviços ofertados pelo CREAS, a Tipificação define que é preciso afiançar as seguintes provisões para o usuário(a): Ser acolhido em condições de dignidade em ambiente favorecedor da expressão e do diálogo; ser estimulado a expressar necessidades e interesses; ter reparados ou minimizados os danos por vivências de violações e riscos sociais; ter sua identidade, integridade e história de vida preservadas; ser orientado e ter garantida efetividade nos encaminhamentos (CONSELHO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, 2009, p. 20-21). O que se percebeu no CREAS Criciúma em relação à garantia desta segurança é que a equipe proporciona um ambiente favorecedor da expressão e do diálogo. No entanto, a estrutura física não dispõe de condições apropriadas, tendo em vista que trata-se de um imóvel antigo, que foi adaptado para instalação do CREAS, e sendo este único existente para uma população de quase 220 mil habitantes dificulta ter a visão ampla de todo o território. Apesar de ter mais de uma equipe de multiprofissionais como psicólogo e assistente social, só tem 1 coordenador e 01 advogado para dar conta de toda demanda. As famílias sempre são orientadas, porém, a equipe nem sempre consegue garantir a efetividade dos encaminhamentos realizados. Em relação à segurança de as famílias e sujeitos terem reparados ou minimizados os danos por vivências de violações e riscos sociais, os dados existentes ou levantamentos a respeito de quanto, ou, em que medida os serviços contribuem ou não para que os danos sejam reparados ou minimizados são computados em planilhas e a inserção dos dados se da de forma manual. A equipe do CREAS atualmente não utiliza um instrumento formal para que esta avaliação seja realizada com a participação da família. Entretanto, a equipe analisa que os serviços vêm contribuindo para a reparação ou minimização de danos causados pela vivência de situações de violência, a partir das avaliações técnicas que são realizadas no processo de acompanhamento das famílias, e, principalmente através do retorno dado pela família no decorrer do acompanhamento ou mesmo após o encerramento deste. A acolhida junto ao serviço é realizada com os sujeitos que comparecem ao CREAS, momento em que o profissional que realiza a acolhida se apresenta e apresenta o outro profissional que trabalha junto na mesma equipe, sendo estes a assistente social e a psicóloga. De forma que de acordo com as demandas apresentadas são feitos outros encaminhamentos para outras equipes ou outros serviços na rede. São realizadas entrevistas individuais e/ou coletivas (com a família), a fim de se ter uma maior aproximação com a situação identificada como demanda para intervenção junto ao CREAS. A visita domiciliar também é um instrumento utilizado, juntamente com técnicas de observação e escuta qualificada. A visita domiciliar possibilita o envolvimento do profissional com o usuário, favorecendo um atendimento mais humanizado, o qual vai além do procedimento técnico por envolver a subjetividade e o vínculo afetivo e solidariedade. A presença do profissional in loco, atuando no ambiente doméstico permitiu um planejamento de ações mais próximas da realidade dos indivíduos mediante visualização das condições econômicas e sociais, tais como: habitação, higiene, costumes, etc. A visita domiciliar é um dos instrumentos que potencializa as condições de conhecimento do cotidiano dos sujeitos, no seu ambiente de convivência familiar e comunitária. As visitas domiciliares “tem como objetivo conhecer as condições em que vivem tais sujeitos e aprender aspectos do cotidiano das suas relações, aspectos esses que geralmente escapam às entrevistas de gabinete” (MIOTO,2001,p.148). Pude perceber que a experiência profissional demonstrada pelas profissionais, a postura respeitosa, ética de não intimidação possibilitou a receptividade por parte dos sujeitos envolvidos. Do ponto de vista analisado também pudemos perceber que a visita domiciliar configurou-se como um importante dispositivo para oportunizar a vinculação da familia ao CREAS. Os sujeitos envolvidos mostram-se receptivos em atender a equipe e conversarsobre o que foi pontuado. A Visita domiciliar é um meio facilitador de aproximação com as famílias pois facilita compreender e analisar a realidade das famílias e o seu cotidiano. A visita domiciliar esta no rol de atendimentos do PAEFI segundo a Tipificação dos Serviços Socioassitenciais, que o principal serviço a ser ofertado dentro do CREAS. 2.1 PROCESSO DE INSERÇÃO E ATIVIDADES REALIZADAS O Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS constitui-se numa unidade pública estatal, de prestação de serviços especializados e continuados a indivíduos e famílias com seus direitos violados, promovendo a integração de esforços, recursos e meios para enfrentar a dispersão dos serviços e potencializar a ação para os seus usuários, envolvendo um conjunto de profissionais e processos de trabalhos que devem ofertar apoio e acompanhamento individualizado especializado (BRASIL, 2003) No Sistema Único de Assistência Social - SUAS os serviços, programas, projetos e benefícios da assistência social são reorganizados por níveis de proteção, a saber: Proteção Social Básica e Proteção Social Especial de Média e Alta Complexidade . O CREAS deve articular os serviços de média complexidade e operar a referência e a contra referência com a rede de serviços socioassistenciais da proteção social básica e especial, com as demais políticas públicas e demais instituições que compõem o Sistema de Garantia de Direitos. O profissional de Serviço Social deve e precisa investigar a realidade social dos usuários dos serviços, para que possa intervir de forma crítica, consciente e, acima de tudo, com conhecimentos, garantindo um novo futuro à profissão, capaz de criar condições para um exercício profissional ético, técnico e político, ainda que imbricados na teia contraditória de nossa sociedade. (Oliveira, 2009, p. 19). Foi no espaço do CREAS que se deu o estágio supervisionado. Além de orientar e encaminhar os cidadãos para os serviços da assistência social ou demais serviços públicos existentes no município, o Creas também oferece informações, orientação jurídica, apoio à família, apoio no acesso à documentação pessoal e faz atendimento de medidas socioeducativas. O publico alvo de atendimento no CREAS são as Famílias e indivíduos em situação de risco pessoal e social, com violação de direitos, como: violência física, psicológica e negligência; violência sexual; afastamento do convívio familiar devido à aplicação de medida de proteção; situação de rua; abandono; trabalho infantil; discriminação por orientação sexual e/ou raça/etnia; descumprimento de condicionalidades do Programa Bolsa Família em decorrência de violação de direitos; cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto de Liberdade Assistida e de Prestação de Serviços à Comunidade por adolescentes, entre outras. Dentre as atividades exercidas podemos destacar com a equipe as principais atividades desenvolvidas: Acompanhamento a indivíduos com direitos violados e suas famílias; Visitas Domiciliares; Atendimento às pessoas idosas e deficientes com direitos violados; Serviços articulado com as demais políticas públicas e órgãos do Sistema de Garantia de Direitos; Ações preventivas, Palestras e Campanhas educativas. 2.2 AVALIAÇÃO DO PROCESSO DE SUPERVISÃO O Estágio Supervisionado proporciona a aproximação com a realidade social dos sujeitos e é um momento de coroação da práxis social. O estudante no processo de estágio consagra o mundo acadêmico com o mundo real das diversas faces da questão social, as quais demandam por uma atuação competente por parte do assistente social de modo que, o estagiário ao acompanhar este momento vivencia a aprendizagem e reflete mais profundamente sobre o exercício profissional. Nessa direção, Buriolla (1996, p. 16) certifica que: [...] a Supervisão de estágio é essencial à formação do aluno de Serviço Social, enquanto lhe propicia um momento específico de aprendizagem, de reflexão sobre a ação profissional, de visão crítica da dinâmica das relações existentes no campo institucional. É importante mencionar que o Estágio Supervisionado se operacionaliza a partir do conjunto formado por: Tutor Supervisor Orientadora Pedagógica Local, Supervisor de Campo e Estagiário, cabendo a cada um, atribuições que nortearão o processo de estágio. 2.2.1 Auto-Avaliação Além das rotinas diárias de trabalho como verificar correspondências recebidas, os prontuários dos usuários e encaminhamentos feitos, foi realizada visita domiciliar a pessoa idosa que se encontrava em vulnerabilidade, dentre outras. A presença do profissional in loco, atuando no ambiente doméstico permitiu um planejamento de ações mais próximas da realidade dos indivíduos mediante visualização das condições econômicas e sociais, tais como: habitação, higiene, costumes. Pude perceber que a experiência profissional demonstrada pelas profissionais, a postura respeitosa, ética de não intimidação possibilitou a receptividade por parte dos sujeitos envolvidos, tanto os idosos como de outros sujeitos envolvidos nos atendimentos, possibilitando assim um diálogo mais aberto e consciencioso. 2.2.2 Avaliação das Condições Institucionais A importância da prática profissional do assistente social está para além de atividades burocráticas e rotineiras, que apenas respondam aos interesses institucionais, esta requer uma prática comprometida com os sujeitos que procuram os serviços sociais, uma prática que procure desvelar as complexidades da realidade que o envolve, uma prática profissional pautada no compromisso ético- político e na direção de transformação da realidade. O Município de Criciúma conta com uma população estimada em 220 mil habitantes, possui apenas um CREAS central para atender uma demanda de 6 (seis) CRAS em todo território do município. Outro fato que chamou atenção foi de que o coordenador não é do quadro efetivo, sendo assim há uma troca constante, isso dificulta o trabalho e impede o vínculo com a equipe. Coordenar é uma atividade que requer qualificação e espírito de liderança na condução de pessoas e dos processos de trabalho. É necessário amplo conhecimento de onde se vai atuar, capacidade de organização, responsabilidade e percepção, a fim de conciliar meios e esforços para consecução de objetivos e metas. Além de muitas e importantes atribuições são de competência do (a) coordenador (a) do CREAS, o que demanda maior atenção às complexidades das vulnerabilidades que se desenvolvem nos territórios, além da busca de estratégias técnicas no enfrentamento dos desafios postos ao trabalho cotidiano de proporcionar atenção especial às pessoas em situação de violação de direitos. Por isso é importante que o Coordenador tenha conhecimento do território. Além de se ter um único CREAS e só um Coordenador para as 4 equipes para uma população de quase 220 mil habitantes fica difícil que este não sendo do quadro efetivo e com uma área de abrangência muito extensa não possa dar conta de toda demanda dos territórios. Outro ponto também que diz respeito do trabalho do CREAS é devido à visão que ainda persiste sobre a Assistência Social, a equipe de profissionais do CREAS várias vezes tem sido solicitada a realizar atividades que não são de sua competência. 2.2.3 Avaliação da Dinâmica De Supervisão O processo de avaliação e supervisão deixou claro a relação didático/pedagógica do assistente social/supervisor de campo com o estagiário. O profissional supervisor do estágio demonstrou interesse em colaborar para a formação acadêmica do estagiário de forma que buscou instrumentalizar o estágio através de acompanhamento em visitas domiciliares para que de maneira objetiva conhece o cotidiano do trabalho do assistente social. 3 REGISTROS DO ESTÁGIO I3.1 VISITA O CAMPO DE ESTÁGIO Registro fotográfico no CREAS/Criciúma com aTutora/Orientadora pedagógica Local: Samara Corrêa D. Bihl e a Supervisora de Campo Assitente Social Maria Terezinha de Bona. Fonte: Gladys L. Kestering 3.2 SAÍDA DE CAMPO/VISITA DOMICILIAR Visita Domiciliar do PAEFI com a Assistente Social Supervisora de Campo. Fonte: Gladys L. Kestering 3.3 PARTICIPAÇÃO EM EVENTOS Registro fotográfico do Dia de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes no centro de Criciúma. Fonte: Gladys L. Kestering Participação de evento na AMREC sobre ILPI’s. Apresentação do CREAS. Fonte: Gladys L. Kestering 3.5 SOCIALIZAÇÃO DO CAMPO DE ESTÁGIO Apresentação em sala de aula do Estudo e Análise da Instituição. Fonte: Gladys L. Kestering 4 CONCLUSÃO O aprendizado prático, o aperfeiçoamento técnico-cultural, o conhecimento científico foram importantes assim como também o relacionamento humano, afim de que pudesse criar um vínculo com a instituição e com seus colaboradores. Importante aliar a teoria com a prática e o conhecimento do campo de estágio assim como a equipe de trabalho faz parte desse contexto para poder atingir os objetivos. Como afirma Pimenta e Lima, 2008., o estágio é o lócus onde a identidade profissional é gerada, construída e referida; volta-se para o desenvolvimento de uma ação vivenciada, reflexiva e crítica e, por isso, deve ser planejado gradativa e sistematicamente com essa finalidade. Desta forma, o contato com a equipe multiprofissional do CREAS no campo de estágio permitiu uma aproximação com a realidade da profissão na qual será a atuação no futuro, essa aproximação oportunizou-me a conhecer melhor a realidade da profissão, como esta é representada e valorizada na sociedade, ter conhecimento de como o profissional vai atuar no seu dia a dia. REFERÊNCIAS AMARO, Sarita. . Visita Domiciliar: Guia para uma abordagem complexa. Porto Alegre: Editora AGE, 2003. BURIOLLA, Marta Alice Feiten. Supervisão em serviço social: o supervisor, sua relação e seus papéis. – 2. ed. – São Paulo : Cortez, 1996. IAMAMOTO, Marilda Villela. O Serviço Social na Contemporaneidade: Trabalho e Formação Profissional. São Paulo: Cortez, 2008. ______. Política Nacional de Assistência Social. MDS. Brasília, 2004. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Nacional de Assistência Social. Política Nacional de Assistência Social. Brasília, 2004. PIMENTA, Selma Garrido; LIMA, Maria Socorro Lucena. Estágio e Docência. 3ª ed. São Paulo: Cortez, 2008