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ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM OBSERVATÓRIO SOCIAL: CIDADANIA E POLÍTICAS PÚBLICAS Professora Me. Maria Cristina Gabriel de Oliveira Professora Esp. Roni Enara Rodrigues GRADUAÇÃO Unicesumar C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; OLIVEIRA, Maria Cristina Gabriel de; RODRIGUES, Roni Enara. Estágio Supervisionado em Observatório Social: Cidadania e Políticas Públicas Maria Cristina Gabriel de Oliveira; Roni Enara Rodrigues. Maringá-Pr.: UniCesumar, 2017. Reimpresso em 2019. 206 p. “Graduação - EaD”. 1. Observatório Social. 2. Cidadania . 3. Política 4. EaD. I. Título. ISBN 978-85-459-0636-0 CDD - 22 ed. 361 CIP - NBR 12899 - AACR/2 Ficha catalográica elaborada pelo bibliotecário João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828 Impresso por: Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD - Núcleo de Educação a Distância Diretoria Executiva Chrystiano Minco� James Prestes Tiago Stachon Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Diretoria de Design Educacional Débora Leite Head de Produção de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho Head de Curadoria e Inovação Jorge Luiz Vargas Prudencio de Barros Pires Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey Gerência de Processos Acadêmicos Taessa Penha Shiraishi Vieira Gerência de Curadoria Giovana Costa Alfredo Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila Toledo Supervisão Operacional de Ensino Luiz Arthur Sanglard Coordenador de Conteúdo Maria Cristina Araújo de Brito Cunha Designer Educacional Rossana Costa Giani Projeto Gráico Jaime de Marchi Junior José Jhonny Coelho Editoração Isabela Mezzaroba Belido Qualidade Textual Pedro Afonso Barth Ilustração Marta Kakitani Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos com princípios éticos e proissionalismo, não so- mente para oferecer uma educação de qualidade, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão in- tegral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos em 4 pilares: intelectual, proissional, emocional e espiritual. Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil. A rapidez do mundo moderno exige dos educa- dores soluções inteligentes para as necessidades de todos. Para continuar relevante, a instituição de educação precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, coragem e compromisso com a quali- dade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância. Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando proissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. Vamos juntos! Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quando investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou proissional, nos transformamos e, consequentemente, transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportu- nidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desaios que surgem no mundo contemporâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e encontram-se integrados à proposta pedagógica, con- tribuindo no processo educacional, complementando sua formação proissional, desenvolvendo competên- cias e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessá- rios para a sua formação pessoal e proissional. Portanto, nossa distância nesse processo de cresci- mento e construção do conhecimento deve ser apenas geográica. Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das dis- cussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranqui- lidade e segurança sua trajetória acadêmica. A U T O R A S Professora Me. Maria Cristina Gabriel de Oliveira Mestre em Serviço Social pela Universidade Estadual de Londrina (UEL/2009). Especialista em Políticas Sociais: Infância e Adolescência pela Universidade Estadual de Maringá (UEM/1999). Especialista em Educação no Sistema Prisional pela Faculdade de Paraiso do Norte (FAPAN/2014). Historiadora pela Universidade Estadual de Maringá (UEM/1995). Bacharel em Serviço Social pelo Centro Universitário Leonardo Da Vinci (UNIASSELVI/2014). Atualmente é docente no Curso de Serviço Social na Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR). Também é professora mediadora do Curso de Serviço Social do Núcleo de Educação a Distância do Centro Universitário Cesumar (NEAD Unicesumar). Para informações mais detalhadas sobre sua atuação proissional, pesquisas e publicações, acesse seu currículo, disponível no endereço a seguir: Link: <http://lattes.cnpq.br/0516115749258585>. Professora Esp. Roni Enara Rodrigues Formada em Serviço Social, Socioterapia, Practitioner em PNL e Coaching Sistêmico; consultora organizacional especializada em Gestão do Terceiro Setor, Gestão de Pessoas e Gestão de Qualidade e Produtividade. Atualmente é Diretora Executiva do Observatório Social do Brasil, tendo sido uma de suas fundadoras. Para informações mais detalhadas sobre sua atuação proissional, pesquisas e publicações, acesse seu currículo, disponível no endereço a seguir: Link: <http://lattes.cnpq.br/0897759676697295>. SEJA BEM-VINDO(A)! Prezado(a) aluno(a), o Estágio Supervisionado em Serviço Social é um passo importante no seu processo de formação acadêmica. É o momento em que cada um (a) irá a campo vivenciar o cotidiano das diferentes políticas públicas, mas também contribuir com o aprendizado que vem construindo ao longo do curso. Portanto, o campo de estágio é um espaço de troca entre você, sua supervisão acadêmica e de campo e com o usuário dos serviços. Para alcançar esta troca e para que ela tenha qualidade e relevância para todos os en- volvidos, é fundamental que você se prepare acerca dos mais diferentes temas que per- meiam a proissão. Portanto, nesse livro de Estágio Supervisionado: Observatório Social: Cidadania e Políticas Públicas, você irá conhecer um pouco mais sobre cidadania, po- líticas públicas e controle social e os instrumentos de controle social que possibilitam ao cidadão compreender o processo de construção, implantação/implementação, is- calização e avaliação das ações da gestão pública. Apresentaremos uma ferramenta de controle social eexercício da cidadania que está operando transformações na maneira de fazer a gestão dos recursos públicos, com a participação de cidadãos voluntários e técnicos especializados. É o Observatório Social, que nasce do desejo dos cidadãos de acompanhar e iscalizar a coisa pública, porém de uma forma mais ativa, dinâmica e transparente. Já nos anos 2000 alcançamos este patamar, no entanto, era necessária uma articulação em rede com uma metodologia que congregasse todas as unidades de observatórios que nasciam. Da ação de voluntários e técnicos surge então um espaço que responde a essa necessidade. Trata-se do Observatório Social do Brasil que, em sistema federativo, articula e coordena a maior rede de entidades do Terceiro Setor, hoje, no Brasil, voltada para contribuir com a eiciência da gestão pública, por meio do controle social dos gastos públicos munici- pais e da vigilância sobre a transparência de todos os atos dos prefeitos, secretários e servidores municipais e dos vereadores e assessores parlamentares. O trabalho dos técnicos e voluntários do Observatório Social do Brasil, em todas as suas unidades iliadas, possibilita transformar a indignação dos cidadãos, com a ineiciência e falta de qualidade dos serviços públicos e com a corrupção, em atitude. Atitude no exer- cício da cidadania e em favor de políticas públicas que realmente atendam os anseios da população contribuinte, pagadora de impostos e tributos que deveriam retornar em forma de serviços públicos de qualidade. Os conceitos e práticas do controle social e da coniguração jurídica dos Observatórios Sociais serão apresentados com o intuito de facilitar a compreensão e o entendimento sobre o contexto em que se desenrola atuação dos observadores nas suas cidades. Além disso, você poderá inteirar-se sobre direitos e deveres do cidadão, pagamento de tributos, exercício da cidadania e do controle social; aspectos legais que conferem le- gitimidade no acompanhamento da administração pública e iscalização dos recursos oriundos dos impostos que todo cidadão paga. APRESENTAÇÃO ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM OBSERVATÓRIO SOCIAL: CIDADANIA E POLÍTICAS PÚBLICAS Aqui também vamos trabalhar questões relativas a sistemas de informação, fontes e bancos de dados, sua análise e interpretação, aliados a instrumentais para o exercí- cio do controle social e sua aplicação na formulação e prática das políticas públicas. Apresentaremos experiências e boas práticas dos observadores sociais que vem construindo interessante espaço junto às gestões públicas pelo Brasil afora. E, tam- bém, você poderá acessar informações e orientações sobre como articular a forma- ção de um observatório social no seu município, podendo contribuir diretamente para a disseminação do conhecimento acerca da cidadania e para a expansão da Rede Observatório Social do Brasil. Meus queridos e minhas queridas venham conosco nestas páginas conhecer as di- versas possibilidades de acessar elementos que contribuirão com o nosso sonho de construção de uma sociedade justa e inclusiva. Vamos embarcar nesta viagem? APRESENTAÇÃO SUMÁRIO 09 UNIDADE I OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL 13 Introdução 14 Contextualização Observatório Social: Histórico e Fundamentação Teórica 31 O Papel do Controle Social 39 Diferenças e Similaridades entre Observatório Social e Observatório das Metrópoles 43 Considerações Finais UNIDADE II CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO. 55 Introdução 56 Trabalhar com Dados, Informação e Conhecimento 62 Indicadores; Indicadores Sociais e Suas Propriedades 71 Diagnóstico 77 Considerações Finais SUMÁRIO 10 UNIDADE III BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO 87 Introdução 88 Acesso aos Bancos de Dados aos Diversos Sistemas de Informação 94 Acesso à Informação 103 Conselhos Gestores de Políticas Públicas 110 Considerações Finais UNIDADE IV OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA 121 Introdução 122 Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório 147 Orientações sobre como Articular a Formação de um Observatório Social 151 Considerações Finais UNIDADE V EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL 161 Introdução 162 Experiência de Atuação do Observatório Social do Brasil 181 Relato de Casos de Sucesso da Atuação do Observatório Social do Brasil 195 Considerações Finais U N ID A D E I Professora Me. Maria Cristina Gabriel de Oliveira OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL Objetivos de Aprendizagem ■ Apresentar o histórico do nascimento dos Observatórios Sociais. Plano de Estudo ■ Reletir sobre o papel do controle social. ■ Conhecer as características que compõe a função do conselheiro. ■ Diferenciar observatório social e observatório das metrópoles. ■ Conhecer o Observatório Social do Brasil. Objetivos de Aprendizagem A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Contextualização Observatório Social: histórico e fundamentação teórica. ■ O papel do controle social. ■ Diferenças e similaridades entre observatório social e observatório das metrópoles. INTRODUÇÃO Olá, prezado (a) aluno (a)! Nesta unidade de estudo apresentaremos uma das ferramentas de controle social e exercício da cidadania que está operando transformações na maneira de fazer a gestão dos recursos públicos. Trata-se do Observatório Social, um instrumento de controle social que nasceu da neces- sidade do cidadão em iscalizar a gestão pública, a aplicação dos recursos e a atuação dos gestores públicos. Trataremos de sua importância, processo de organização, articulação e grau de alcance na gestão pública, destacando o trabalho dos técnicos e voluntários dos Observatórios Sociais em todos os municípios e que possibilitam a transfor- mação da indignação dos cidadãos diante da ineiciência, falta de qualidade nos serviços e corrupção, em atitude. Atitude que pode signiicar o retorno qualita- tivo dos serviços públicos em todas as suas instâncias assegurando o bem-estar social do cidadão. Apresentaremos os conceitos e práticas adotadas para o controle social e a coniguração jurídica dos Observatórios com o intuito de facilitar a apreen- são sobre o contexto em que ocorre a atuação dos observadores sociais em suas cidades, respeitando os aspectos legais que conferem poder a estes cidadãos no acompanhamento da administração pública e iscalização dos recursos oriundos dos impostos pagos. Legitimando assim, o papel do controle social preconizado na Constituição Federal de 1988, que está nas mãos do cidadão. Abordaremos as diferenças e similaridades entre um Observatório Social, que pode ser organizado por qualquer cidadão interessado no tema, e Observatório das Metrópoles, implantado em alguns municípios, que segue orientação aca- dêmica especíica no processo de observação do desenvolvimento regional das grandes metrópoles. Você se familiarizará com experiências e boas práticas dos observadores sociais em diferentes municípios do país que compreenderam a importância de agir no processo de acompanhamento da gestão pública. Vamos nos apropriar das discussões! Introdução R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 13 OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IU N I D A D E14 CONTEXTUALIZAÇÃO OBSERVATÓRIO SOCIAL: HISTÓRICO E FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A Constituição de 1988 é um marco no desenvolvimento das políticas públicas no Brasil, após anos de luta, os movimentos sociais, fortalecidos por meio de sua organização, e com apoio popular, conseguiram inscrever na Carta Magna de 1988 as especiicidades de cada política pública para que sua efetivação ocorresse em cada área,possibilitando, assim, acesso e garantia de direitos dos cidadãos. No entanto, esse movimento não foi simples ou fácil, estávamos no período da ditadura militar no Brasil, com nossos direitos civis e políticos suspensos, por ordem do poder estabelecido. Portanto organizar-se para reivindicações era um passo que poderia colocar a vida de cada cidadão em risco literalmente. Mesmo diante desse quadro assustador, os cidadãos brasileiros buscaram se organizar para que seu direito a uma vida digna fosse restaurado e avançasse por meio do estabelecimento de políticas públicas que respondessem as necessidades da sociedade. Assim, é indispensável compreendermos que política pública é essa que os movimentos sociais vislumbravam, e que ainda hoje lutamos para efetivar. Contextualização Observatório Social: Histórico e Fundamentação Teórica R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 15 Aqui não estamos falando de políticas públicas apenas como estratégias governamentais voltadas para determinado assunto ou problema da sociedade. Ou mesmo como um conjunto de decisões, planos, metas e ações governa- mentais, nos três níveis de governo, voltados para a resolução de problemas de interesse público. Estamos falando de algo que vai mais além, ou seja, a construção de política como possibilidade de estruturação de um diálogo construtivo entre as pessoas, assegurando a participação da sociedade nesse processo de construção. Pois a função do Estado diante das responsabilidades com a sociedade não se restringe apenas à segurança pública e à defesa em caso de embate externo, como nos séculos XVIII e XIX. Na atualidade busca-se a efetiva atuação do Estado na garantia do bem-estar social. Para alcançar esse patamar faz-se necessário que o estado trabalhe na perspectiva da inclusão com políticas públicas que dialo- guem entre si oportunizando a melhoria da qualidade de vida da população, seja na redistribuição de renda ou na busca da redução da concentração da renda e da desigualdade social. Portanto, o Estado deve utilizar as Políticas Públicas, como: Educação, Saúde, Trabalho, Assistência Social, Previdência, Justiça, Agricultura, Saneamento, Habitação, Meio Ambiente, entre outras para cumprir sua função e proporcio- nar resultados em diferentes áreas, garantindo o exercício pleno dos direitos e condições dignas de vida ao cidadão. De acordo com Rodrigues (2011) as Políticas Públicas só serão eicazes se a gestão for eiciente, implicando não apenas na qualidade dos gestores para exercer seu ofício público, mas também em um ambiente que favoreça a gover- nança democrática e a responsabilização política, contando com a participação de diversos atores para dinamizar o processo. OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IU N I D A D E16 É indispensável à participação de todos os atores socais em todas as fases do processo de construção das políticas, desde a identiicação do problema, for- mação da agenda, implementação até a avaliação dos resultados. Desse modo os grupos organizados devem atuar junto aos seus representantes, vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores entre outros para que as solicita- ções da população sejam atendidas. Nem sempre as reivindicações serão atendidas no processo de implementa- ção das Políticas Públicas, pois em muitos momentos prioriza-se as demandas das áreas mais vulneráveis da sociedade, o que não abrangerá todas as questões postas. No entanto há que se fazer um esforço para que o maior número de deman- das postas sejam contempladas e que estas não sejam atendidas de forma pontual, com ações implantadas por meio de políticas de governo, que podem não ter continuidade e não atendem todo o conjunto de necessidades apresentadas pela sociedade e se indam ao inal de cada gestão. Contextualização Observatório Social: Histórico e Fundamentação Teórica R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 17 Portanto, é nesse cenário de contradições, avanços e conlitos que se estabe- lece a participação popular, fruto desta mudança de cenário ratiicada na Carta Magna de 1988, quando destaca em diversos artigos de seu texto dispositivos que asseguram a participação efetiva da sociedade. Esses elementos asseguram que a sociedade não mais será conduzida de maneira passiva, mas que poderá e deverá interagir com as gestões de acordo com os mecanismos disponibilizados pela Constituição Federal. Assim, a relevância da participação popular, sejam em Conselhos, Conferências ou outros, é um fato presente na Carta Magna, e que a sociedade brasileira deve trabalhar para fazer acontecer (Rocha, 2014, on-line)1. É nesse espaço propício à relação democrática do estado com a Sociedade que nascem algumas iniciativas que contribuem signiicativamente para o avanço dessa participação e controle social. A seguir, destacaremos o Observatório Social como um desses elementos que nasce da ação conjunta de indivíduos movidos por um interesse comum, a convivência em uma sociedade digna e justa. No cenário brasileiro, por vezes, política pública e política de governo se confundem, porém há distinção signiicativa: Políticas de Governo são unilaterais, respondendo a interesses de grupos especíicos, seu alcance é restrito cobrindo, por vezes, um período de man- dato. Política de Estado é mais complexa, exigindo a participação de diferentes agências estatais, e de instâncias organizadas do terceiro setor no seu pro- cesso de formulação. Incidindo nas estruturas organizacionais podendo ge- rar alterações nas leis e impactar o orçamento da união. Fonte: as autoras. OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IU N I D A D E18 OBSERVATÓRIO SOCIAL: UMA INICIATIVA DE CIDADÃOS COMUNS A indignação diante da má administração, o descontrole no que tange à gestão pública e ao desvio de recursos, exige da sociedade uma atitude. Não é mais acei- tável que iquemos à margem dos acontecimentos, aguardando os resultados em uma postura fatalista. Na atualidade, os cidadãos têm buscado novas possibili- dades de ação, e dessa busca nasce um instrumento de controle que possibilita uma de mudança de postura. É o Observatório Social, por meio do qual a socie- dade pode acompanhar e iscalizar o uso dos recursos públicos. Esse espaço que possibilita um acompanhamento real da gestão é constitu- ído como pessoa jurídica de direito privado, de im não econômico regido pelo seu estatuto, podendo se conigurar como uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIP, com prazo de duração indeterminado (BRASIL, Lei n. 9.790/99). Os observatórios foram inspirados por convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), desde 1999, que versam sobre os impactos Contextualização Observatório Social: Histórico e Fundamentação Teórica R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 19 das relações comerciais brasileiras no mercado de trabalho a partir de quesitos como liberdade sindical, negociações coletivas, trabalho infantil, trabalho for- çado, discriminação de gênero e raça, meio ambiente, saúde e segurança entre outros pontos. Assim a OIT, que é uma estrutura internacional com relexos no mundo todo, baseando-se em princípios de paz universal permanente e justiça social trabalha na perspectiva daconstrução de uma agenda social que possibilite a continuidade de um processo de globalização que equilibre eiciência econô- mica e equidade social. Conta com braços, como os observatórios sociais, que auxiliam no processo de implementação de práticas que direcionam a sociedade para a construção pautada na justiça social. Como processo de democratização vivenciado no Brasil nas últimas três décadas, o nascimento de instituições que trabalham com o acompanhamento, discus- são e relexão sobre as questões ligadas a gestões transparentes, foi inevitável. Ainal, é de extrema importância que o gestor compreenda, nesse contexto que se desenha, seu novo papel diante da coisa pública e que consiga atuar a partir de todo o aparato legal implementado com competência, técnica e gerencia- mento de qualidade. Deixar para trás as velhas práticas de nepotismo, coronelismo e decisões ado- tadas com vistas em atender a interesses de poucos em detrimento da maioria A Organização Internacional do Trabalho foi criada em 1919, como parte do Tratado de Versalhes que encerrava a 1ª Guerra Mundial. Objetivava contri- buir para a construção da Paz Mundial e da Justiça Social por meio do res- peito às relações de trabalho, formulando normas internacionais para essa inalidade. Em quase um século de existência, a organização contribuiu para que a justiça social fosse cunhada nos mais diferentes países signatários, dentre eles o Brasil que respeita e adota as convenções deliberadas por esse órgão. Fonte: adaptado de Organização Internacional do Trabalho ([2017], on-line)2. OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IU N I D A D E20 da população, que ainda permeiam a gestão, é imprescindível na constru- ção de uma sociedade com equidade e justiça social. Há muito que ser feito para que tais práticas sejam superadas. No entanto, esse processo já se iniciou com discussões e ações concretas em relação às instâncias de gestão pública. Um exemplo ocorreu no ano de 2000, com a aprovação da Lei Complementar nº 101/2000, a Lei de Responsabilidade Fiscal, ou simplesmente LRF. Essa lei passou a disciplinar a gestão inanceira dos Estados, Municípios e Distrito Federal, impedindo que os recursos públicos fossem utilizados com ins eleitoreiros, obras faraônicas inacabadas ou para atender práticas delituosas que contrariam os anseios da sociedade. De acordo com Motta, Santana, Fernandes e Alves (2000) os recursos públicos são elementos fundamentais para manter vivas as atividades de responsabilidade da gestão pública com equilíbrio das contas públicas e atendimento as deman- das sociais, sem que haja uso equivocado dos recursos e sim a aplicação correta destes e melhores condições de organização inanceira na perspectiva de aten- der às necessidades mais básicas da população. Sobre as inanças, a LRF/2000 (BRASIL, 2000) se mostrou como mais um instrumento disponibilizado à sociedade para o exercício do controle social preconizado na Constituição de 1988. O controle social que deve ser exercido por meio dos Conselhos Gestores que são espaços públicos institucionais para a manifestação regrada, dos interesses dos diferentes “segmentos” envolvidos nas políticas públicas de modo que as decisões resultem da negociação, tam- bém regrada, daqueles interesses. É fato que os pressupostos de que as decisões sobre políticas públicas são mais legítimas e mais eicazes quando há partilha de poder e de responsabilidades, bem como, das decisões baseadas na explicitação e na negociação dos diferen- tes interesses envolvidos o que amplia as chances de concretizar a justiça social. Contextualização Observatório Social: Histórico e Fundamentação Teórica R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 21 Como mostra a igura 1, a seguir nesta relação não há sobreposição de uma ação em relação a outra, pois todas as ações compõe um conjunto, que só se con- cretiza se interligado. Publicidade Partilha do poder Justiça Legitimidade E�cácia Figura 1 - Relações de poder Fonte: adaptado de Cartilha Capacita SUAS (2013, on-line)3. Portanto a LRF/2000 reforça o desenho de relação social, apontado na Constituição de 1988, possibilitado o acompanhamento das ações da gestão, estabelecendo eiciência e transparência no processo de prestação de contas de forma que a sociedade civil organizada pode se organizar, acompanhar e iscalizar a adminis- tração pública, tendo a Lei como instrumento efetivo no processo de mitigação à corrupção que tem permeado a administração pública, assim permitido ao cida- dão atuar de forma responsável, autônoma com vistas à efetivação dos direitos deinidos na Carta Magna de 1988. O papel do cidadão é fundamental na construção da materialização e efeti- vação da Lei proposta em 2000. Nessa perspectiva, nascem espaços organizados que possibilitam a sociedade acompanhar as ações da gestão de modo pormeno- rizado e mesmo em linguagem acessível. Portanto, realizando o controle social de fato. Um dos instrumentos que efetivamente tem contribuído para o controle social, é o observatório social que congregação cidadãos comuns com objetivo de acompanhar a gestão qualiicando-a. OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IU N I D A D E22 Os Observatórios Sociais são iniciativas da sociedade civil que visam acom- panhar as ações dos gestores em todos os aspectos da administração. De acordo com Schommer e Moraes (2010), os observatórios sociais surgem na perspec- tiva de controle social para contribuir para qualiicar a gestão pública ampliando a qualidade de vida das cidades brasileiras e para tal, alia elementos técnicos, políticos e administrativos que possibilitam uma visão ampliada sobre as rela- ções sociais em todos os seus aspectos, por meio da construção de indicadores de desenvolvimento que permitem acompanhar o alcance de cada ação imple- mentada e essas iniciativas qualiicam as relações sociais. Houve uma exigência para que os administradores públicos prestassem con- tas à população de todos os seus atos, assim muitos escândalos administrativos vieram a público cobrando da sociedade uma postura para enfrentar tais situa- ções. Nesse processo, a estruturação dos Observatórios Sociais foi fundamental, pois possibilitou ao cidadão um espaço de exercício de cidadania, com acesso a conhecimento e dados concretos sobre as demandas da sociedade, que até então eram nebulosos e pouco esclarecedores sobre o que deveria ser implantado para atender as necessidades da população. Esses espaços de exercício cidadão pro- põe o rompimento da atuação de gestores que até então administravam a partir de seus olhares individuais e, por vezes, com ins eleitoreiros, sem analisar as demandas sociais, com vistas na organização de ações que respondessem ao apelo da sociedade no que tange à gestão pública transparente e inclusiva. Nascimento dos observatórios sociais No Brasil, as discussões sobre gestões transparentes e eicien- tes ganham espaço a partir de reflexões sobre a corrupção na administração pública que muitos Estados e Municípios vivenciaram no inal dos anos 90. Portanto, algumas iniciati- vas no sentido de assegurar a Contextualização Observatório Social: Histórico e Fundamentação Teórica R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 23 transparência nas relações foram tomadas, mas só se concretizaram após o ano 2000,e a LRF/2000 contribuiu muito nesse processo, pois ela trouxe elementos que instrumentalizaram o exercício do controle social. Com o crescente acompanhamento da sociedade as ações de gestores em todo o país, as ações que desencadearam o nascimento do primeiro observatório social foi uma consequência do quadro que se desenhou diante da popula- ção, ou seja escândalos inanceiros, gestões que ineicientes, o agravamento dos problemas sociais nos diversos municípios entre muitos outros problemas apre- sentados. Assim era mister uma ação prática que freasse de alguma forma esse quadro decadente na gestão pública. É nesse cenário desalentador que surge a primeira experiência de Observatório Social no Brasil. Foi no município de Maringá-PR, que no início dos anos 2000, em função de escândalo econômico que ultrapassou os R$100 milhões, e fez com que a população fosse forçada a se articular para cobrar transparência e punição em relação ao lagrante desvio de recursos públicos. A indignação da sociedade era palpável, e essa situação fez com que os cidadãos buscassem formas de lutar por transparência na administração pública. De acordo com Godoy, Nychal e Assis (2013) a experiência maringaense foi a mais bem sucedida em termo de controle no Estado do Paraná, sendo inclusive premiada por organismo internacional. Para responder a situação de desvio de recursos, um grupo de pessoas se organizou para discutir o quadro e buscar alter- nativas que não deixassem a gestão municipal tão vulnerável diante de gestores pouco qualiicados e que acreditavam que suas ações não seriam acompanhadas ou punidas. Em conjunto com esse grupo de cidadãos preocupados somaram- -se diferentes espaços sociais com o intuído de contribuir com as discussões e construção de ações concretas. Entre estes estavam entidades como a Receitas Federal e Estadual, os clubes de serviços, Ordem dos Advogados do Brasil sub- seção de Maringá (OSB), Universidade Estadual de Maringá (UEM), Núcleo Regional de Educação (NRE), Secretaria Municipal de Educação, Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim), Centro Universitário de Maringá (Cesumar), hoje Unicesumar, entre outros (GODOY, 2013). Esse grupo passou a trabalhar em conjunto para responder as necessida- des postas para a sociedade naquele momento. No entanto não perdeu de vista OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IU N I D A D E24 o futuro, e para tal se organizou através de propostas e regras de conduta e atu- ação que garantiriam as relexões e intervenções tanto no quadro atual como buscaram estruturar um trabalho de formação/educação que possibilitaria aos maringaenses compreender de maneira mais simples o seu papel iscalizador, bem como a importância dos impostos pagos e sua destinação. Caminhando neste cenário muito esforço foi empregado para que a estru- tura do observatório social, que se estabeleceu após a organização efetiva desse grupo, respondesse de forma mais dinâmica e clara ao processo de acompanha- mento e possíveis intervenções no que tange às contas públicas. Para realizar essa tarefa, o Observatório Social Maringá (OSM) estruturou sua atuação em dois pilares, “a inovação e os apoios da iniciativa privada, da área acadêmica (ACIM, CESUMAR e UEM) e, particularmente, das organizações com poder de coer- ção (Justiça Federal, Ministério Público Federal, Receita Federal)” (GODOY; NYCHAI; ASSIS, 2013, p.13). Portanto, o que os fundadores dessa organização buscavam era a união de atores e organizações com vistas a acelerar o processo de acompanhamento das contas públicas, mas não mais de forma amadora, pois contando com os cen- tros universitários e órgãos de controle poderiam ter estabelecido um processo para tal acompanhamento, porque não se buscava apenas apontar os erros, mas sim contribuir com estratégias para superar as deiciências encontradas, pois o controle sistematizado das ações exige uma tomada de postura para que se in- dem os equívocos cometidos. É nessa linha de atuação que o observatório social se coloca, ele é um instrumentos de monitoramento das ações, principalmente das licitatórias. No entanto, não se exime de contribuir para a alteração efetiva do quadro encontrado, interagindo diretamente no problema. Em consequência desse primeiro passo no município de Maringá-PR, a partir de 2005 no Estado do Paraná, nasceram mais de 50 observatórios sociais com o intuito de iscalizar as cidades e também contribuir na educação para a cidadania, o que permitiu ao cidadão acompanhar e compreender os proces- sos da gestão pública. Tal iniciativa reletiu o período de muitos de escândalos inanceiros e administrativos que algumas cidades vivenciaram. A atuação dos observatórios sociais foi decisiva no processo de mobilização social em busca da transparência. Em muitos momentos, a ação dos observatórios sociais contribuiu Contextualização Observatório Social: Histórico e Fundamentação Teórica R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 25 para levantamento e constatação de informações que auxiliaram no processo de cassação de prefeitos e demais proissionais integrantes das gestões em função de má administração e/ou desvio de recursos (SCHOMMER; MORAES, 2010). O Observatório Social é, portanto, um espaço de exercício de cidadania, que canaliza a indignação popular para a formulação de ações concretas de exercí- cio do controle social com vistas em materializar a justiça social (OSB, 2017, on-line)4. Em linhas gerais, os Observatórios Sociais tem como objetivos: I. Atuar como organismo de apoio à comunidade para pesquisa, análise e divulgação de informações sobre o comportamento de entidades e órgãos públicos com relação à aplicação dos recursos, ao comporta- mento ético de seus funcionários e dirigentes, aos resultados gerados e à qualidade dos serviços prestados. II. Congregar, localmente, representantes da sociedade civil organiza- da, executivos e proissionais liberais de todas as categorias, sem vincu- lação político-partidária, dispostos a contribuir no processo de difusão do conceito de cidadania iscal, servindo a seu grupo proissional e à sociedade em geral. III. Possibilitar o exercício do direito de inluenciar as políticas públicas que afetam a comunidade, conforme está assegurado pelo artigo 1° da Constituição Federal de 1988: “todo poder emana do povo”. VI. Incentivar e contribuir com o aprimoramento pessoal e proissional de membros da comunidade e de proissionais ligados às áreas de in- teresse do OS, através de cursos, seminários, palestras, debates, grupos de estudos, entre outras atividades. V. Incentivar e promover eventos artísticos e culturais que possam con- tribuir para a criação da cultura da cidadania iscal e popularização das ferramentas de participação dos cidadãos na avaliação e monitoramen- to da gestão dos recursos públicos. VI. Contribuir, diretamente, para que haja maior transparência na ges- tão dos recursos públicos, de acordo com o previsto no artigo 5º, inci- sos XIV e XXXIV; no artigo 37, parágrafo 3º da Constituição Federal de 1988. VII. Estimular a participação da sociedade civil organizada no proces- so de avaliação da gestão dos recursos públicos, visando defender e rei- vindicar a austeridade necessária na sua aplicação, dentro de princípios éticos com vistas à paz e à justiça social. OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IU N I D A D E26 VIII. Incentivar e promover o voluntariado nas ações educativas e ope- racionais em favor dos direitosdo cidadão e contra a corrupção. IX. Realizar e divulgar estudos relativos a atividades governamentais e empresarias de interesse da comunidade. X. Participar da Rede da Cidadania Fiscal como forma de facilitar o cumprimento das ações locais de Educação Fiscal e Controle dos Gas- tos Públicos. XI. Reverter o quadro de desconhecimento, por parte de indivíduos, empresas e entidades, de mecanismos capazes de possibilitar o exercí- cio da cidadania iscal e o controle da qualidade na aplicação dos re- cursos públicos. XII. Apresentar propostas para o desenvolvimento de projetos, ativida- des, estudos, que contemplem a promoção de mudanças fundamentais e essenciais no processo de gestão dos recursos públicos, principalmen- te nas áreas de saúde, educação, recursos humanos, licitações, gastos do poder legislativo e assistência social (OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL, 1988, on-line)5. Para que esses objetivos se cumpram é de suma importância a organização e padronização das ações. Com este intuito nasce o Observatório Social do Brasil, que congrega todas as ações dos observatórios sociais no país, sendo um catalisa- dor das necessidades e anseios apresentados por eles, bem como um proponente de metodologia comum a todos, evitando desse modo que seus objetivos se per- cam no exercício cotidiano das ações. Assim, quando falamos em observatórios sociais hoje, estamos falando de espaços de exercício pleno de cidadania, sem comprometimento partidário, e com metodologia comum, mas com respeito às especiicidades locais. Contextualização Observatório Social: Histórico e Fundamentação Teórica R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 27 OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL Atualmente, há uma rede que organiza os Observatórios Sociais no Brasil, coor- denando as ações desenvolvidas em diversos municípios do país, assegurando a aplicação de uma metodologia padronizada que proporciona suporte técnico e teórico para mais de 105 municípios em 19 Estados do Brasil. De acordo com dados da própria instituição, no ano de 2016, constavam em seus registros mais de 100 observatórios organizados pelo Brasil, sendo que a instituição contribui com suporte técnico e orientações a todos eles, pois a meto- dologia de atuação é única. Portanto, é fundamental que os novos observatórios tenham espaço para buscar orientações para que sua atuação atenda de fato, as necessidades de acompanhamento e iscalização das demandas apresentadas pelas gestões públicas. Na sequência, apresentamos o Quadro 1 com todos os Estados e Municípios que até 2016 estavam cadastrados junto ao Observatório Social do Brasil. Observatório Social do Brasil: é uma instituição não governamental, sem ins lucrativos, disseminadora de uma metodologia padronizada pela cria- ção e atuação de uma rede e organizações democráticas e apartidárias do terceiro setor. A Rede OSB é formada por voluntários engajados na causa da justiça social e contribui para melhoria da gestão pública. Fonte: OSB (2017, on-line)5. OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IU N I D A D E28 Quadro 1 - Estados e Municípios vinculados ao OSB BAHIA (BA) - 5 Bahia – Ilhéus; Bahia – Jequié; Bahia – Porto Se- guro; Bahia – Santo Antônio de Jesus DISTRITO FEDERAL (DF) – 1 Distrito Federal – Brasília GOIÁS (GO) – 1 Goiânia MINAS GERAIS (MG) – 2 Minas Gerais – Piumhi; Minas Gerais e Uberlândia MATO GROSSO (MT) – 4 Mato Grosso – Cáceres; Mato Grosso – Cuiabá; Mato Grosso – Rondonópolis; Mato Grosso – Sorriso MATO GROSSO DO SUL (MS) – 2 Mato Grosso do Sul – Campo Grande PARÁ (PA) – 4 Pará – Abaetetuba; Pará – Belém; Pará – Capane- ma PERNAMBUCO (PE) – 1 PARANÁ (PR) – 35 Paraná – Campo Largo; Paraná – Assis Chateau- briand; Paraná – Campo Mourão; Paraná – Cam- pos Gerais; Paraná – Campos Gerais – Palmeira; Paraná – Cascavel; Paraná – Castro; Paraná – Cianorte; Paraná – Colorado; Paraná – Curitiba; Paraná – Faxinal; Paraná – Foz do Iguaçu; Paraná – Francisco Beltrão; Paraná – Goioerê; Paraná – Guarapuava; Paraná – Irati; Paraná – Londrina; Paraná – Marechal Cândido Rondon; Paraná – Mandaguari; Paraná – Medianeira; Paraná – Paranavaí; Paraná – Paranaguá ; Paraná – Toledo; Paraná – Umuarama PARAÍBA (PB) -1 Paraíba PIAUÍ (PI) - 1 Piauí RIO DE JANEIRO (RJ) – 3 Niterói; Rio de Janeiro e Teresópolis RIO GRANDE DO NORTE (RN) - 1 Rio Grande do Norte RIO GRANDE DO SUL (RS) – 7 Rio Grande do Sul – Cruz Alta; Rio Grande do Sul – Erechim; Rio Grande do Sul – Gravataí e Glori- nha; Rio Grande do Sul – Lajeado; Rio Grande do Sul – Pelotas; Rio Grande do Sul – Porto Alegre RONDÔNIA (RO) – 2 Rondônia; Rolim de Moura Contextualização Observatório Social: Histórico e Fundamentação Teórica R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 29 SANTA CATARINA (SC) – 19 Santa Catarina – Balneário Camboriú; Santa Cata- rina – Blumenau; Santa Catarina – Brusque; Santa Catarina – Chapecó; Santa Catarina – Criciúma; Santa Catarina – Florianópolis; Santa Catarina – Imbituba; Santa Catarina – Indaial; Santa Catarina – Itajaí; Santa Catarina – Itapema; Santa Catarina – Lages; Santa Catarina – Rio do Sul; Santa Catari- na – São Bento do Sul; Santa Catarina – São José SÃO PAULO (SP) – 14 São Paulo – Ilhabela; São Paulo – Itu; São Paulo – Jundiaí; São Paulo – Mococa; São Paulo – Ribei- rão Preto; São Paulo – São José dos Campos; São Paulo – São José do Rio Preto; São Paulo – São Sebastião; São Paulo – Sorocaba; São Paulo – Taubaté SERGIPE (SE) – 1 Aracaju TOCANTINS (TO) – 1 Palmas Fonte: adaptado de OSB (2017, on-line)6. Os dados da instituição evidenciam e impressionam com os números aponta- dos acerca de todos os envolvidos no processo de acompanhamento das gestões públicas e do uso do dinheiro do cidadão. São cerca de 3 mil voluntários trabalhando pela causa da justiça social nos Observatórios Sociais pelo Brasil afora. Estima-se que nos últimos quatro anos (2013 – 2016), com a contribuição desses voluntários, hou- ve uma economia de mais de R$ 1,5 bilhão para os cofres municipais. E a cada ano mais de R$ 300 milhões do dinheiro público deixam de ser gastos desnecessariamente (OSB, 2017, on-line)7. No entanto, mesmo com números impressionantes a instituição está centrada em ir além, pois busca a transformação da realidade social por meio da participação efetiva do cidadão no acompanhamento e iscalização da gestão pública. “O mais importante não são os números! É a nova cultura que está se formando: da parti- cipação do cidadão de olho no dinheiro público” (OSB, 2017, on-line)7. Partindo dessa fala podemos perceber é que os números são importantes, pois por meio deles é possível constatar a atuação dos observatórios nos diversos municípios do país. No entanto, a participação popular tem lugar de destaque junto à insti- tuição, pois é através dela que será possível alcançar o sonho de uma sociedade justa. O OSB está fundamentado em bases e valores que o orienta por meio da missão traçada que fundamenta sua atuação junto à sociedade. OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IU N I D A D E30 Para que os diversos observatórios ailiados trabalhem de maneira organizada e articulada com os objetivos, missão e valores, o OBS precisou estabelecer uma metodologia única que atendesse as demandas de cada um, mas que ao mesmo tempo respeitasse as suas especiicidades. Assim, visando alinhar as ações, são organizados encontros sistemáticos viaweb, que ocorrem mensalmente, sendo que neles são tratados os temas gerais pertinentes a todos, também há o traba- lho de atendimento individualizado para cada ailiado buscando trabalhar com suas necessidades (OSB, 2017, on-line)7. Além desse trabalho voltado para os órgãos e demandas internas o OSB tra- balha ainda com demais parceiros e organismos nacionais e internacionais com o objetivo de acompanhar, iscalizar e contribuir com as questões geradas pelas gestões seja em âmbito municipal ou estadual, para tanto conta com diferen- tes parceiros, que consequentemente trazem contribuições diversiicadas e de grande importância aos temas tratados. Para desenvolver as ações propostas, um Observatório Social deve trabalhar com instrumentos diversos, e utilizar dados apresentados pelas muitas agên- cias oiciais nacionais e mesmo internacionais, dados que estão disponíveis aos cidadãos e aos serviços estruturados. No entanto há a necessidade de apropria- ção sobre tais instrumentais. Para isso é fundamental conhecer todos os dados e informações disponíveis e saber aplicá-los adequadamente para extrair daí informações que possam ser materializadas na formulação das políticas públicas. O Papel do Controle Social R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 31 O PAPEL DO CONTROLE SOCIAL Como preconiza a Constituição Federal de 1988, Controle Social é uma das prer- rogativas da sociedade no acompanhamento e iscalização da gestão da coisa pública. Esse direito, que atualmente acessamos foi conquistado em decorrên- cia da atuação dos movimentos sociais, que se iniciaram nos anos 70, mesmo durante o período da ditadura militar no Brasil. Ações que visavam acompanhar e intervir na gestão, mesmo que de forma limitada. Esses movimentos buscavam intervir na organização social e propor uma atuação da sociedade junto ao Estado, apoiando e auxiliando no processo de democratização das ações e das relações. Nesse processo, era preciso estabele- cer instrumentos que dessem conta dessa relação. Portanto, os mecanismos de controle social precisavam ser estruturados para que respaldassem a aços dos cidadãos (PÓLIS, 2008, on-line)8. O controle social pode ser exercido de diversas formas tanto pelos canais institucionais de participação como por meio de outros mecanismos. O ponto relevante é que essa participação deve ser qualiicada, objetivando não apenas OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IU N I D A D E32 apontar os problemas, mas sim, atuar antes no processo de elaboração das ações e mesmo contribuir com soluções para os entraves encontrados. O controle social pode ser realizado tanto no momento da deinição das políticas a serem implementadas, quanto no momento da iscali- zação, do acompanhamento e da avaliação das condições de gestão, execução das ações e aplicação dos recursos inanceiros destinados à implementação de uma política pública (PÓLIS, 2008, on-line, p. 1)8. Desse modo, a contribuição da sociedade na formulação de políticas públicas avançará concretamente para que as necessidades prioritárias da população sejam atendidas com serviços de qualidade. É essa participação que fortalecerá as políticas públicas tornando-a mais eiciente e democrática. Os gestores já não tomarão medidas de maneira unilateral, terão apoio da sociedade para tal, é o poder sendo partilhado com consequências positivas para todos os cidadãos (PÓLIS, 2008, on-line)8. CONSELHOS GESTORES Os conselhos de direitos ou conselhos gestores foram pensados a partir da pro- mulgação da Constituição Federal de 1988, Constituição Cidadã, que exaltou em seu texto a participação popular. As Conferências, os Conselhos de Políticas Públicas e os Orçamentos Partici- pativos constituem espaços importantes para a concretização do exercício do controle social. O Papel do Controle Social R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 33 Buscando materializar o que a Constituição Cidadão (1988) apregoa em seus artigos e preâmbulo os Conselhos Gestores das Políticas Públicas são canais per- manentes, institucionais e plurais que representam a sociedade civil organizada em conjunto com o poder público. Sempre respeitando a paridade com vistas a propor políticas públicas para atender as demandas sociais, bem como iscali- zar, deliberar e propor ações voltadas à garantia dos direitos sociais. Os Conselhos representam uma nova relação do Estado com a sociedade, pois apresentam novas possibilidades nessa relação, ampliando a participação popular nas decisões, e fazendo com que a responsabilidade sobre essas seja par- tilhada entre todos os proponentes. Os Conselhos são criados por lei e são seus membros que deinem em seu regi- mento interno sua forma organizacional, respeitando o código legal vigente. No entanto não podemos ver esta relação com ilusões sobre sua coesão, pois estamos lidando com forças representantes de diferentes aspectos da sociedade, assim, em muitos momentos ocorrerão embates entre pessoas ou grupos que divergem não forma de compreender as relações sociais e de como estas podem ser trabalhadas. Este embate é totalmente saudável e esperado nestes espaços de construção das relações, pois é neste movimento que o Estado democrático se constrói. Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte, para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem- -estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmo- nia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacíica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguin- te Constituição da República Federativa do Brasil. Fonte: Brasil, Constituição Federal de 1988 (2016, on-line). OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IU N I D A D E34 É papel dos Conselhos, independente da sua área de atuação, trabalhar com a pro- posição de políticas públicas para sua área especiica acompanhando, iscalizando, aprovando a aplicação de recursos públicos, bem como aprovar planos especíicos entre outras ações correlatas (PORTAL DA TRANSPARÊNCIA, 2017, on-line)10. Papel do Conselheiro O Conselheiro tem grande responsabilidade no processo de formulação das polí- ticas públicas. Embora ele tenha sido eleito por um segmento especíico, quando está atuando no Conselho ele tem a responsabilidade de pensar a sociedade como um todo, deixando a margem seu olhar especíico, pois é ele que irá articular, for- mular, supervisionar, acompanhar, iscalizar, avaliar as Políticas Públicas, dentre outros pontos relevantes para a população. Portanto, não lhe cabe voltar o olhar apenas ao seu segmento, mas sim, ampliar sua atuação para toda a sociedade, posto que ele é seu representante legítimo. Para ilustrar mais detalhadamente o papel do conselho gestor tomaremos como exemplo o Conselho da Assistência Social e sua organização. Artigo 16. As instâncias deliberativas do sistema descentralizado e par- ticipativo da assistência social, de caráter permanente e composição paritária entre governo e sociedade civil são: I – Conselho Nacional de Assistência Social II – Conselhos Estaduais de Assistência Social III – Conselho de Assistência Social do Distrito Federal IV– Conselhos Municipaisde Assistência Social (BRASIL, LOAS, 1993, p. 6993). Os conselhos são espaços públicos de composição plural e paritária entre Estado e sociedade civil, de natureza deliberativa e consultiva, cuja função é formular e controlar a execução das políticas públicas setoriais. Os conse- lhos são o principal canal de participação popular encontrada nas três ins- tâncias de governo (federal, estadual e municipal). Fonte: BRASIL (2017, on-line)9. O Papel do Controle Social R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 35 O Conselho é paritário, ou seja, tem o mesmo número de representantes governa- mentais e da sociedade civil, se esses atuarem de forma irme e com compromisso, certamente alcançarão as mudanças tão almejadas, que os cidadãos vem bus- cando incessantemente. No entanto é fundamental que cada grupo cumpra com suas responsabi- lidades sempre com vistas no bem comum. De acordo com a Lei Orgânica da Assistência Social(1993) o conselheiro deve conduzir-se: ■ pela legalidade, ou seja, só pode fazer aquilo que está na lei; ■ pela impessoalidade, ou seja, não se pode caracterizar a ação pública como pessoal ou dela tirar proveito como se privada fosse; ■ pela moralidade, ou seja, as ações têm que se pautar pelos princípios éti- cos da conduta humana; ■ pela publicidade, ou seja, os órgãos, entes, instalações, equipamentos do governo são públicos e assim têm que estar colocados à disposição e uso público (BRASIL, LEI 8.429/93, on-line). No Quadro 2 a seguir é possível observarmos o que compete a cada conselheiro tanto governamental como da sociedade civil, suas responsabilidades, forma de acessar o conselho e o que se espera de cada um no que tange às políticas públicas. Quadro 2 - Atuação do Conselheiro MEMBROS DO CONSELHO Conselheiros e Conselheiras gover- namentais. Conselheiros e Conselheiras da socie- dade civil. Representantes do Poder Executivo, sendo importante incluir setores que desenvolvam ações ligadas às políticas sociais e econômicas, como Saúde, Educação, Trabalho etc. Representantes de organizações e enti- dades (de assistência social, de traba- lhadores do setor e de usuários). Indicados pelo gestor (secretário de assistência social ou equivalente). Indicados em eleições da própria socie- dade civil. OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IU N I D A D E36 Espera-se que tragam para os demais conselheiros informações claras e atu- alizadas sobre as diretrizes eque diga qual é a posição do governo nos assun- tos em pauta. Espera-se que tragam as contribuições dos segmentos que representam em favor da política pública, alimentadas também pelos debates e discussões próprias da sociedade civil, como os fó- runs , movimentos sociais etc. Não devem atuar como conselheiros (as) de assistência social: vereado- res, deputados, juízes, promotores ou quaisquer outros representantes dos Poderes Legislativo ou Judiciário. Não devem utilizar o espaço do conse- lho para defender os interesses das en- tidades que representam. Fonte: Cartilha-SUAS (2013, on-line)3. Portanto, um conselheiro que reconhece as suas funções tem plena condição de trabalhar com as demandas das políticas públicas, contribuindo para sua efeti- vação, por meio dos instrumentos disponíveis para tal. O Artigo 115 da Norma Operacional Básica do Sistema único de Assistência Social. (NOB/SUAS/2005) apresenta as principais atribuições de um conselheiro da assistência social, que aqui destacamos como ações que um conselheiro de um conselho gestor eleito deve adotar. Elaborar o Regimento Interno que deve conter: detalhamento de suas competências, de acordo com o que está deinido na LOAS; criação de comissões e grupos de trabalho temporários e permanentes; deinição da substituição de conselheiros (as) e perda de mandato; deinição da periodicidade das reuniões do Plenário (deve ser, no mínimo, 1 vez por mês) e das comissões; indicação das condições que devem ser seguidas para alterar o Regimento Interno; Aprovar a Política de Assistência So- cial em sua esfera de governo (estado, município, DF) em consonância com a PNAS, com o SUAS e com as deliberações das Conferências de Assistência Social; Convocar, em conjunto com o órgão gestor, a Con- ferência em sua esfera de governo, bem como acompanhar o cumpri- mento de suas deliberações; Acompanhar, avaliar e iscalizar a gestão de recursos e a execução da Política de Assistência Social em sua esfera de governo; Aprovar o plano integrado de capacitação de recursos hu- manos para a área de assistência social, conforme previsto na NOB/ SUAS/2005 e NOB-SUAS-RH; Aprovar a proposta orçamentária dos recursos destinados a todas as ações de assistência social e alocadas no Fundo de Assistência Social, em sua esfera de governo; Aprovar critérios de partilha de recursos, respeitando os parâmetros adotados na LOAS e explicitar os indicadores de acompanhamento; Inscrever as entidades e organizações de assistência social, bem como os serviços, O Papel do Controle Social R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 37 programas, projetos e benefícios socioassistenciais; Acionar o Ministé- rio Público, como instituição de defesa e garantia de suas prerrogativas legais (NOB/SUAS, 2005, on-line). Assim, o controle social requer uma organização e sistematização que organize os interesses sociais, canalizando-os para a estruturação de espaços que possam responder as necessidades apontadas. Os conselhos gestores integram o rol de dispositivos legais que contribuem com esse processo. Ao lado dos Observatórios Sociais os Conselhos Gestores são instrumentos valiosos no processo de demo- cratização das relações. O parágrafo único, que foi incluído pela Lei nº 12.435/2011 ao art. 16 da LOAS prevê que o órgão gestor de assistência social deve providenciar a in- fraestrutura necessária para o funcionamento de seu conselho, garantindo recursos materiais, humanos e inanceiros e, inclusive, as despesas referente a passagens e diárias de conselheiros(as) e representantes do governo ou da sociedade civil quando estiverem no exercício de suas atribuições. Fonte: Cartilha-SUAS (2013, on-line)3. OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IU N I D A D E38 Como participar das discussões sobre o uso do dinheiro público e como controlar a sua aplicação: ■ Conselhos municipais e controle social. ■ Orçamento participativo. ■ Controle social nas prefeituras. ■ Portal da Transparência. ■ Órgãos de iscalização. ■ Denuncie irregularidades. ■ Olho vivo. ■ Cursos para a promoção do controle social oferecidos pela CGU ■ Transparência como Instrumento de Controle Social. ■ Manual Prático do Portal da Transparência. Fonte: BRASIL ([2017, on-line)9. Diferenças e Similaridades entre Observatório Social e Observatório das Metrópoles R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 39 DIFERENÇAS E SIMILARIDADES ENTRE OBSERVATÓRIO SOCIAL E OBSERVATÓRIO DAS METRÓPOLES Não podemos confundir Observatório das Metrópoles, que alguns estados têm, com os observatórios sociais. Aqui buscamos diferenciá-los para que você possa trabalhar cada um deles em sua própria especiicidade. Embora tenham alguns pontos similares sua atuação e organização tem diferenças signiicativas: ■ Observatório Social: está voltado para iscalizaçãodas contas públicas. Utilizam instrumentos e dados disponíveis pelas muitas agências oiciais nacionais e internacionais. Propondo apropriação sobre os instrumentais que geram conhecimento dos dados e informações disponíveis, utilizan- do-os na busca de informações e na iscalização e acompanhamento da gestão da coisa pública. ■ Observatório das Metrópoles: integra um grupo de pesquisa voltado para as questões urbanas de grandes áreas de concentração. Forma um Instituto em Rede Nacional - trabalha sobre o tema das metrópoles bra- sileiras e os desaios do desenvolvimento. OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IU N I D A D E40 OBSERVATÓRIO DAS METRÓPOLES De acordo com o site do Observatório das Metrópoles (2017, on-line)11, essa iniciativa funciona como um instituto virtual que congrega pesquisadores e ins- tituições de ensino superior, com pesquisas voltadas para o acompanhamento das movimentações e alterações das metrópoles e aglomerações urbanas. Essa ação é coordenada pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR). O Observatório das Metrópoles articula a sociedade civil, academia e poder público, e utiliza uma metodologia uniicada de pesquisa, monitoramento e intervenção através de base de dados. Em 2009, o Observatório das Metrópoles passou a ser um dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT). O projeto é con- duzido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientíico e Tecnológico (CNPq), em parceria com a FAPERJ (Observatório das Metrópoles, 2017, on-line)11. As Instituições reunidas no Observatório das Metrópoles trabalham de maneira sistemática sobre 14 metrópoles e uma aglomeração urbana: Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia, Recife, Salvador, Natal, Fortaleza, Belém, Santos, Vitória, Brasília e a aglomeração urbana de Maringá. Diferenças e Similaridades entre Observatório Social e Observatório das Metrópoles R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 41 O Núcleo Maringá compõe a rede nacional de pesquisadores Observatório das Metrópoles (IPPUR/UFRJ/FASE), criado com o apoio do Programa de Apoio a Núcleos de Excelência/PRONEX/CNPq, cuja inalidade é desenvolver ativi- dades de ensino e extensão universitárias que concorram para a construção de uma esfera pública que inluencie as decisões dos atores que atuam no âmbito da formulação de políticas públicas. Desenvolveu-se com apoio do Instituto do Milênio/CNPq no período 2005-2008 e atualmente realiza atividades no âmbito do Edital: Institutos Nacionais-INCT/CNPq. Como um instituto virtual que reúne pesquisadores e instituições dos campos universitário (programas de pós-gradu- ação), governamental (fundações estaduais e prefeitura) e não governamental, o Observatório tem condições de apresentar dados resultantes de suas pesqui- sas, bem como propor ações que possam atender as necessidades da sociedade O Observatório das Metrópoles tem origem no projeto Avaliação da Conjun- tura Social e do Desempenho das Políticas Públicas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro cujo objetivo era analisar as transformações do quadro de carências e desigualdades sociais na RMRJ ao longo da década de 80, inanciado pelo Banco Mundial/Prefeitura do Rio de Janeiro. Esse projeto possibilitou a constituição de uma parceria entre o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR/UFRJ), o Programa de Urbanismo também da UFRJ e a organização não governamental Federação de Órgãos para a Assistência Social e Edu- cacional (FASE), tendo como temática central a relexão sistemática sobre novos desaios metropolitanos do modelo de política urbana desenhada na Constituição Federal de 1988 e airmado com a constituição do Movimento Nacional da Reforma Urbana, diante das transformações econômicas do i- nal dos anos 1980. Para saber mais acesse o histórico e as propostas do Observatório das Me- trópoles acesse o link disponível em: <http://www.observatoriodasmetro- poles.net/index.php?option=com_content&view=article&id=47&Itemi- d=144&lang=pt#>. Fonte: Observatório das Metrópoles ([2017], on-line)12. OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IU N I D A D E42 alinhando-as ao conhecimento e pesquisas desenvolvidos pelos centros de ensino, que se volta para a redução das desigualdades sociais e regionais recorrentes no Brasil. Ele adota em sua metodologia orientações que possibilitam a relexão e construção de possibilidades para a organização das cidades. Dentre estas des- tacamos as linhas de pesquisa que organizam o desenvolvimento das ações: Linha I - Metropolização, dinâmicas intrametropolitanas e o Território Nacional Linha II - Dimensão sócio-espacial da Exclusão/Integração nas metró- poles: reprodução das desigualdades e impactos na sociabilidade ur- bana Linha III - Governança Urbana, Cidadania e Gestão das Metrópoles Linha IV - Monitoramento da realidade metropolitana e desenvolvi- mento institucional (Observatório das Metrópoles, 2017, on-line)13. Portanto, o que ica claro é que cada uma dessas instituições/observatórios tem um papel relevante diante da sociedade. No entanto para cumpri-los é fundamen- tal o acompanhamento das ações por parte dos cidadãos, pois as ações devem ser pensadas e construídas em conjunto. Considerações Finais R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 43 CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) aluno(a), nesta unidade apresentamos a vocês o Observatório Social, histórico, construção e objetivos deste instrumento de controle social, que foi possível ser articulado a partir da promulgação da Constituição de 1988. No entanto, a Lei é letra morta, caso não exista uma atuação direta da socie- dade para sua implementação. Assim, buscando exercer o seu compromisso na construção de uma sociedade pautada na justiça social alguns cidadãos iniciaram um processo de mobilização para acompanhar a gestão pública com o intuito de iscalizar e contribuir com essa construção. Desse modo a metodologia dos observatórios sociais se mostra como uma importante ferramenta para assegurar a vivência de mudanças nas relações sociais a partir de uma iscalização consciente pautada no arcabouço legal vigente. Essa discussão é importante na medida em que discutimos o controle social, suas pos- sibilidades, limites e avanços ao longo das últimas três décadas. Os observatórios sociais que nascem da indignação e dos sonhos dos cidadãos podem concretizar ações que possibilitem que a gestão pública seja cada vez mais transparente em sua organização/atuação, uma vez que, o acompanhamento sistemático da socie- dade não icará restrita apenas a um aspecto, e sim contemplará todo o processo de elaboração e execução das políticas públicas. Essa possibilidade de controle social inova no campo das ações e instrumentais de acompanhamento, monito- ramento e avaliação da gestão pública de da atuação do gestor e agentes públicos. Assim, avancemos nas discussões sobre o tema para compreendermos o processo de materialização deste controle social no cotidiano. Nas próximas unidades, trabalharemos os instrumentais que devem ser utilizados na concre- tização do papel do observatório. 44 1. A constituição Federal de 1988 é considerada um marco importante para:I. Barrar o avanço da ditadura no país. II. Fortalecer o avanço e organização dos movimentos sociais no Brasil. III. Garantir o respeito as especiicidades de cada política pública, bem como sua efetivação. IV. Foi um movimento fácil, sem grandes repercussões sociais. V. Assegurou os direitos de todos os cidadãos brasileiros. Assinale a alternativa que corresponde as airmativas corretas: a. Estão corretas somente as alternativas I e III. b. Estão corretas somente as alternativas IV e V. c. Estão corretas somente as alternativas III, IV e V. d. Estão corretas somente as alternativas II, III e V. e. Estão corretas somente as alternativas I e V. 2. No cenário brasileiro, é comum a confusão sobre o signiicado dos termos políti- ca pública e política de governo. Nas asserções a seguir assinale aquelas que se referem apenas a política pública. I. Respondem a interesses de grupos especíicos. II. Seu campo de alcance é restrito apenas ao período de mandato. III. Exige a participação de diferentes agencias estatais para sua formulação. IV. Sua ação impacta no orçamento da União. V. Tem um grau de complexidade e pode até mesmo alterar as leis. Estão corretas apenas as assertivas: a. II, III e IV. b. I e IV. c. III e V. d. IV e V. e. III, IV e V. 3. De acordo com Schommer e Moraes (2010) os observatórios sociais nascem na perspectiva de assegurar o controle social e qualiicar as relações sociais. Partin- do dessa perspectiva comente o papel que o cidadão deve desempenhar nesse processo. 45 4. É imprescindível buscar clareza sobre o que é um observatório social e o que é um observatório das metrópoles, bem como o seu papel e modo de atuação. Assim, analise as alternativas abaixo e coloque V para verdadeiro e F para falso no que se refere ao observatório das metrópoles. ( ) Está voltado para a iscalização das contas públicas municipais, estaduais e federal. ( ) Integra um grupo de pesquisa voltado para as questões urbanas de grandes áreas de concentração. ( ) Forma um Instituto em Rede Nacional cuja ação é coordenada pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. ( ) No Observatório das Metrópoles trabalham de maneira sistemática sobre 14 metrópoles e uma aglomeração urbana. ( ) A organização do trabalho do observatório das Metrópoles não segue uma metodologia uniicada, permitindo a cada unidade deinir seus caminhos no que tange a pesquisa sobre desenvolvimento urbano. Assinale a sequência correta: a. F, F, V, V, V. b. V, F, F, F, V. c. V, V, V, V, F. d. F, V, V, F, F. e. F, V, V, V, F. 46 5. Dentre os instrumentos de controle social, estabelecidos pela Constituição de 1988, a instituição dos Conselhos teve um espaço signiicativo, pois representa- va o acompanhamento popular das gestões públicas. Partindo dessa relexão assinale a alternativa que corresponda ao papel do conselho: a. Os conselhos são espaços privados, com composição unilateral, tem natureza deliberativa e consultiva, sendo o principal canal de participação popular nas três instâncias de governo na formulação e execução das políticas públicas. b. Os conselhos são espaços públicos, com composição paritária entre a socie- dade civil e o Estado, tem natureza deliberativa e consultiva, sendo o princi- pal canal de participação popular nas três instâncias de governo na formula- ção e execução das políticas públicas. c. Os conselhos são espaços públicos, com composição paritária entre a socie- dade civil e o Estado, não podem interferir no processo de formulação das políticas públicas, sem ser solicitados pelo poder público. d. Os conselhos são espaços privados, com composição paritária entre a socie- dade civil e o Estado, tem natureza deliberativa e consultiva, porém só po- dem atuar quando provocados pelos poderes instituídos. e. Os conselhos são espaços públicos, compostos por representantes governa- mentais, tem natureza deliberativa e consultiva, sendo o principal canal de comunicação do governo com a população. 47 CONTROLE SOCIAL: UM CONCEITO E MUITAS CONFUSÕES Comecemos pelo que não é. Controle Social não é consulta. Mesmo porque, consulta não gera controle sobre nenhum ato, mas é apenas uma escuta, nem sempre criando intera- ção ou continuidade da relação entre as partes. Na mesma linha, não se trata de feedback. Feedback é um retorno, uma notícia do impacto que uma ação gerou no outro. Também não se trata de convencer o outro sobre uma política correta. Nem mesmo ouvir demandas para montar um projeto ou programa. Como se percebe, todas as modalida- des acima não geram controle, mas apenas uma relação entre uma parte que se mantém sujeito da ação e uma outra, que é ouvida. Mas o que se faz com o que o não-sujeito fala é prerrogativa de quem solicita a informação. Segundo Sherry Arnstein, controle social é uma relação de co-gestão, quando planeja- mento e execução são deinidos em participação. [...] O conceito de controle social indica, portanto, a participação da sociedade civil na elabora- ção, acompanhamento e veriicação (ou monitoramento) das ações de gestão pública. [...] No Brasil, tal conceito foi estabelecido legalmente com a promulgação da Constituição Federal de 1988, que introduz elementos e diretrizes de democracia participativa. [...]. Alguns artigos da Constituição são orientadores desta ilosoia. No primeiro artigo, parágrafo único, airma-se que “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constitui- ção”. Já se anuncia uma novidade política, que indica que o representado pode exercer seu poder diretamente [...]. Os conselhos de gestão pública (saúde, educação, assistência social, direitos da criança e adolescente, entre outros) nascem deste artigo. Há mais artigos: Seguridade Social: Art. 194. A seguridade social compreende um con- junto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. [...] Na Saúde: Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionaliza- da e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguin- tes diretrizes: participação da comunidade. Na Política de Assistência Social: Art. 204. As ações governamentais na área da assistência social serão realizadas com recursos do orçamento da seguridade social, previstos no art. 195, além de outras fontes, e organizadas com base na diretriz: participação da população, por meio de organizações representativas, na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis. [...]A Constituição Federal garante, ainda: a) Peticionar junto aos Poderes Públicos para defesa de direitos (artigo 5º); b) Fiscalizar as contas municipais (artigo 31); c) Denunciar irregularidades (artigo 74); (...) O Decreto-Lei 201/67 possibilita denúncia contra Prefeitos. A Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei 101/2000 artigos 48 e 49) garante acesso às contas 48 públicas, planos e diretrizes orçamentárias. [...] Romualdo Dropa lista, ainda como exemplos de nova legislação que se seguiu, incorpo- rando a ilosoia participacionista: o Estatuto da Criança e do Adolescente, a lei de Direito Autoral, o Novo Código de Trânsito, o Código de Defesa do Consumidor, a Lei de Patentes, a Lei de Defesa do Meio Ambiente, o papel iscalizador consagrado ao Ministério Público, o fortalecimento da atuação do Tribunal de Contas da União, dentre outros. Além dos ins- trumentos citados acima, existem legalmente constituídos outros instrumentos de Estado que objetivam o controle público. São eles: Ministério Público - Tecnicamente é o defensor e guardião dos direitos da sociedade, as- segurados na Constituição. Tribunal de Contas - Órgão auxiliar dos Parlamentos (municipais, estaduais e federal), compete a iscalização contábil, orçamentária, operacional e patrimonial de todos entes federativos (municípios,Estados e União). Todo cidadão pode denunciar irregularidades aos Tribunais de Contas. Ação Civil Pública - O Ministério Público ou associação civil (com ao menos um ano de existência) podem apresentar representações, sem custas, honorários ou outras despesas. Mandato de Segurança Coletiva - Denúncia que protege um direito certo. Esta ação pode ser impetrada por associação civil, partido político ou organização de representação de classe, contra autoridade pública que descumprir este direito. Mandato de Injunção - Quando a ausência de uma norma que regulamente uma situação impede o exercício de um direito ou liberdade garantida constitucionalmente. Ação Popular - No caso de um direito ou interesse público for lesado, qualquer cidadão pode, individualmente, entrar no Judiciário com uma ação popular. Visa proteger o patri- mônio público, a moralidade da administração pública, o meio ambiente e o patrimônio ambiental e cultural. Defensoria Pública - Àqueles que não possuírem recursos inanceiros para contratar um advogado de defesa, o Estado garante esta assistência jurídica gratuita. Audiência Pública - Consulta pública à sociedade sobre determinado problema que afeta- rá uma parcela da sociedade. [...] Enim, caminhamos numa direção muito nítida, na direção do controle social, a partir da Constituição Federal, até meados dos anos 90. Mas, a partir daí, paramos. Já temos 30 mil conselhos de gestão pública em nosso país. [...] Já se faz necessária uma nova geração de políticas de natureza participacionista. [...] Mas que também se articulem para pensar a cidade. Precisamos, ainda, aumentar o conheci- mento técnico de conselheiros e lideranças sociais nesta nova dinâmica. Ainal, controle social não é mera presença. É co-gestão. Fonte: Ricci (2009, p. 1532-1537). Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Observatório das Metrópoles O Observatório das Metrópoles tem origem no projeto Avaliação da Conjuntura Social e do Desempenho das Políticas Públicas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro cujo objetivo era analisar as transformações do quadro de carências e desigualdades sociais na RMRJ ao longo da década de 80, i nanciado pelo Banco Mundial/Prefeitura do Rio de Janeiro. Saiba como funciona o observatório das metrópoles, objetivos e trabalho desenvolvido no Brasil. Acesse o link: <http://www.observatoriodasmetropoles.net/#>. O que é Controle Social? A importância de se existir o Controle Social institucionalizado nas cidades, como forma de garantir qualidade de vida a todos os cidadãos. Sobre controle social, sua organização e processo de acompanhamento da gestão, acesse o link: <https://www.youtube.com/watch?v=Avdqg3Q3p1E>. Controle social da política de assistência social Loiva Mara de Oliveira Machado Editora: EdiPUCRS Ano: 2010 Sinopse: desvendar os caminhos e descaminhos do controle social com foco na participação da sociedade civil nos espaços públicos de debate das políticas sociais, em especial da política de assistência social, é o desai o enfrentado por esta pesquisa. Ao longo da publicação, pretende ajudar o leitor a problematizar o Estado, a democracia, a participação popular e a formatação dos conselhos e fóruns de políticas públicas. REFERÊNCIAS RODRIGUES, M. M. A. Políticas Públicas. São Paulo: Publifolha, 2011. BRASIL. Constituição Federal de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm>. Acesso em 20 jan. 2017. ______. LOAS. Lei 8.429, de 02 de fev. 1992. Diário Oicial [da] República do Brasil. Poder Executivo. Brasília: Poder executivo, 1992. ______. Lei n. 9.790/99. Dispõe sobre a qualiicação de pessoas jurídicas de direi- to privado, sem ins lucrativos, como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, institui e disciplina o Termo de Parceria, e dá outras providências. Disponí- vel em <http://portal.convenios.gov.br/legislacao/leis/lei-n-9-790-de-23-de-marco- de-1999>. Acesso em: 09 fev. 2017. ______.Lei de Responsabilidade Fiscal. Lei 101/2000 (Lei Complementar) de 04 de maio 2000. Diário Oicial [da] República do Brasil. Poder Legislativo, Brasília, DF, 04 maio 2000. ______. Norma Operacional Básica. Sistema Único da Assistência Social NOB/ SUAS. Brasília, 2005. Disponível em: <http://www.assistenciasocial.al.gov.br/sala- -de-imprensa/arquivos/NOB-SUAS.pdf>. Acesso em: 09 fev. 2017. GODOY, A. M. G.; NYCHAI, L.; ASSIS, P. C. O observatório social de Maringá e o contro- le do processo licitatório. Dos puntas, n. 7, p. 21-45, 2013. MOTTA, C. P. C.; SANTANA, J. E.; FERNANDES, J.U. J.; ALVES, L. da S. Responsabilidade Fiscal: Lei Complementar 101. Belo Horizonte: Del Rey, junho de 2000. RICCI, R. Controle social: um conceito e muitas confusões. Revista Espaço Acadêmi- co, n. 98, jul. 2009, Ano IX, ISSN 1519-6186. Disponível em: <http://eduem.uem.br/ojs/ index.php/EspacoAcademico/article/viewFile/7590/4362>. Acesso em: 30 jan. 2017. SCHOMMER, P.C.; MORAES, R.L. Observatórios sociais como promotores de controle social e accountability: relexões a partir da experiência do Observatório Social de Itajaí. GESTÃO.Org. Recife, v. 8, n. 3, 2010. REFERÊNCIAS 51 REFERÊNCIAS ON-LINE 1Em: <http://www.ipea.gov.br/participacao/images/pdfs/participacao/ outras_pes- quisas/a%20constituio%20cidad%20e%20a%20institucionalizao%20dos%20espa- os%20de%20participao%20social.pdf>. Acesso em: 03 fev. 2017. 2Em: <www.oit.org.br/>. Acesso em: 03 fev. 2017. 3Em: <http://oicinadeimagens.org.br/wp-content/uploads/2014/01/CARTILHA-SU- AS.pdf>. Acesso em: 03 fev. 2017. 4Em: <http://osbrasil.org.br/>. Acesso em: 03 fev. 2017. 5Em: <https://ositajai.wordpress.com/o-que-e/>. Acesso em: 03 fev. 2017. 6Em: <http://osbrasil.org.br/observatorios-pelo-brasil>. Acesso em: 03 fev. 2017. 7Em: <http://osbrasil.org.br/o-que-e-o-observatorio-social-do-brasil-osb/>. Acesso em: 03 fev. 2017. 8Em: <http://www.polis.org.br/uploads/1058/1058.pdf>. Acesso em: 03 fev. 2017. 9Em: < http://www.portaldatransparencia.gov.br/controlesocial/>. Acesso em: 03 fev. 2017. 10Em: < http://www.portaldatransparencia.gov.br/controlesocial/Conselhos Munici- paiseControleSocial.asp/>. Acesso em: 03 fev. 2017. 11Em: <http://www.observatoriodasmetropoles.net#>. Acesso em: 03 fev. 2017. 12Em: <http://www.observatoriodasmetropoles.net/index.php?option=com _con- tent&view=article&id=47&Itemid=144&lang=pt# >. Acesso em: 03 fev. 2017. 13Em: < http://web.observatoriodasmetropoles.net/index.php?option=com _con- tent&view=article&id=1053%3Ametropoles-territorio-co..# >. Acesso em: 03 fev. 2017. GABARITO 1. Letra D. 2. Letra E. 3. Resposta: Ao cidadão compete exercer a sua cidadania, buscando conhecer os dados e demandas concretas da sociedade para que possa acompanhar, isca- lizar e propor ações que contribuam com a construção de uma sociedade pau- tada na justiça social, rompendo com a visão e atuação de gestores que não prestavam contas de seus atos e dos investimentos dos recursos públicos. 4. Letra E. 5. Letra B. U N ID A D E II Professora Me. Maria Cristina Gabriel de Oliveira CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO Objetivos de Aprendizagem ■ Trabalhar com Dados, Informação e Conhecimento ■ Conhecer os instrumentais utilizados para pesquisa dos observatórios sociais. ■ Diferenciar dados, fontes e conhecimento. ■ Compreender o conceito de dados primários e secundários. ■ Aprender sobre a importância dos indicadores sociais. Objetivos de Aprendizagem A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Trabalhar com Dados, Informação e Conhecimento ■ Indicadores; Indicadores sociais e suas propriedades ■ Diagnóstico Introdução R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 55 INTRODUÇÃO Prezado(a) aluno(a), na unidade I deste livro resgatamos o histórico do Observatório Social, bem como a sua organizaçãoe metodologia. Nesta uni- dade a proposta é apresentar e detalhar as ações desenvolvidas pelo Observatório Social e os instrumentos diversos utilizados nesse processo. Os observatórios sociais trabalham com dados de diferentes agências e órgãos nacionais e inter- nacionais na formulação das informações que pautam as ações dos cidadãos. Esses dados estão disponíveis aos cidadãos e a todos os serviços estruturados que desejem acessá-los. É preciso ter clareza de que apenas ter um grande número de dados dispo- níveis não gera informação e conhecimento sobre a realidade tratada, assim é indispensável que nos apropriemos adequadamente de tais dados. Para tal, é pre- ciso saber onde buscar dados concretos, e como extrair as informações que esses contêm para que possamos usá-las para subsidiar a tomada de ação. Portanto, prezado(a) aluno(a), é fundamental nos apropriarmos de tais ins- trumentais fazendo leitura e análises técnicas adequadas dos dados e informações disponíveis para aplicá-los de acordo com as necessidades apresentadas, extraindo informações que possam ser materializadas na formulação das políticas públicas. Essa apropriação sobre as fontes e instrumentais é indispensável. No entanto, não se pode utilizar quaisquer dados e fontes. Antes de tudo, é necessário fazer a checagem, pois apenas fontes coniáveis podem gerar informações idedignas à realidade com a qual se está trabalhando, proporcionando a estruturação de ações condizentes com as necessidades da parcela especíica da população com a qual se está trabalhando. Na unidade a seguir trabalharemos o conceito e as diferenças entre os três elementos que utilizamos para fundamentar nossas pesquisas, são os dados, informações e conhecimento, pois somente com esses elementos podemos tra- çar propostas que deem conta da demanda social. Vamos conhecê-los? CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IIU N I D A D E56 TRABALHAR COM DADOS, INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO Vivemos em um momento da organização social no qual as informações estão disponíveis apenas a distância de um clique. Realmente temos uma imensa quan- tidade de dados disponíveis. Assim, Dados, Informação e Conhecimento são elementos indispensáveis no processo de organização de qualquer política pública, desempenhando um papel que fundamenta as decisões adotadas diante de uma demanda especíica que exija informações precisas e coniáveis. Como os dados já estão em processo de produção, a nossa proposta não é inventar a roda, porém fazê-la rodar, transformando dados em informações úteis que garantam aos cidadãos o acesso de qualidade aos direitos socioassistencias. Nas Políticas Públicas, o acesso aos dados podem ocorrer de duas formas. Para tanto é necessário compreender os tipos de dados que podem ser utilizados. No quadro 1, a seguir você pode observar a diferença entre os dados primários e secundários que sustentam as pesquisas em política públicas. Trabalhar com Dados, Informação e Conhecimento R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 57 Quadro 1 - Dados primários e secundários DADOS PRIMÁRIOS DADOS SECUNDÁRIOS São dados/informações que a própria política pública que está em pauta produz. Na Política de Assistência So- cial podemos acessar dados primários no Centro de Referência da Assistência Social-CRAS; Centro de Referência Especializado da Assistência Social- -CREAS; Gestão; Cadastro Único do Governo Federal-CADUNICO Relató- rios técnicos, entre outros. São dados/informações produzidas por outros setores ou políticas públicas. Exemplo: sites oiciais do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário-MD- SA; Instituto Brasileiro de Geograia e Estatística-IBGE; Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social-IPARDES; Instituto Nacional de Seguridade Social-INSS; Departamento de Informática do Sistema único da Saúde-DATASUS; UNIVERSIDADES, entre outros. Fonte: as autoras. Há diferentes fontes para busca de dados, no entanto, o pesquisador deve se certiicar que os dados acessados são coniáveis. As agências oiciais de coletas e tratamento de dados, mantém estes dados disponíveis para o público. Mas é preciso saber o que se procura para acessar as fontes corretas, pois há muitas possibilidades. Dentre elas destacamos na igura 1, a seguir: Sabemos onde e o que buscar? Temos competência para trabalhar com os dados e as informações que acessamos? Conseguimos transformá-los em informações que subsidiam a construção de políticas públicas? CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IIU N I D A D E58 MAPA DA INFORMAÇÃO Governos Estaduais MDS (Cadúnico, Censo SUAS, Data SUAS) IBGE - SIDRA INSS DATASUS Institutos Estaduais Universidades Informações das unidades socioassistenciais M IC R O IN FO R M A Ç Ã O M A C R O IN FO R M A Ç Ã O Informações dos usuários Conhecimento do território DADOS SECUNDÁRIOS INSTRUMENTOS DE VALIDAÇÃO E SISTEMATIZAÇÃO DADOS PRIMÁRIOS INSTRUMENTOS DE COLETA E SISTEMATIZAÇÃO Outros setores municipais Figura 1 - Fontes primárias e secundárias Fonte: adaptada de Cartilha Capacita Suas (2013, on-line)1. Acessar e trabalhar com os dados disponíveis exige, de forma geral, uma mudança de postura por parte dos gestores, dos proissionais e técnicos que manuseiam diretamente ou indiretamente tais dados e consequentemente as informações que estes geram. Todas as políticas públicas produzem muitos dados e coletam uma quantidade signiicativa de dados formulados por outras áreas do saber. Portanto, dados não nos faltam para fundamentar as tomadas decisões. Porém, o que precisamos discutir aqui é se estes são coniáveis e se os lemos e utiliza- mos de maneira adequada na formulação das políticas públicas. Para utilizá-los adequadamente é imprescindível trabalhar com esses elemen- tos diferenciando-os e tendo clareza do signiicado de dados, de informações e de conhecimento. É preciso observar o conceito de cada um, pois eles não são a mesma coisa. Trabalhar com Dados, Informação e Conhecimento R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 59 No entanto, é comum em muitos momen- tos tratarmos os três elementos como se tivessem o mesmo signiicado. Assim é mis- ter nos apropriarmos de seus conceitos para que façamos uso adequado desses, pois no pro- cesso de formulação das políticas públicas, a tomada de decisões deve ocorrer em bases informacionais claras, transparentes e objetivas para que as ações sejam adequadas à demanda apresentada. De acordo com a tecnologia da informação um dado é a representação física de algo no tempo e no espaço, mas que não agrega conhecimento para quem o acesa ou recebe se o mesmo não for tratado/qualiicado. Pode, por exemplo, ser um número qualquer disponibilizado para alguém ou um evento no tempo/ espaço. Não é possível saber o que ele signiica ou o que ele representa, podendo representar qualquer coisa ou não representar nada, se ele não for qualiicado, ou seja, se não agregarmos outros dados e esclarecimentos a este, e assim trans- formá-lo em uma informação (DAVENPORT; PRUSAK, 1998). Quadro 2 - Dados aleatórios e Dados organizados A) NÚMERO 2016 B) NÚMERO 2016 Apresentado desse modo ele é um número que pode ter inúmeros signii- cados ou mesmo nenhum signiicado. Representa o ano das Olimpíadas disputadas no Brasil, nas quais o país conheceu diversos talentosaté então anônimos que brilharam nas competi- ções e inscreveram seus nomes no rol dos grandes atletas. Fonte: as autoras. No quadro 2 temos a letra A apenas um dado numérico aleatório, que pode sus- citar ou não conhecimento. Na letra B temos um dado numérico seguido de outros dados que o torna uma informação, possibilitando ao leitor a formulação de uma ideia sobre o que ele representa. Podemos então dizer que informação é um dado organizado, que pode ser um texto, um relatório, um boletim escolar, uma folha de pagamento entre outros CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IIU N I D A D E60 e que fazem sentido a quem lê, permitindo atribuir valor aquilo que foi disponi- bilizado, incidindo diretamente na interpretação deste, tornando-o valioso ou não e gerando conhecimento. O conhecimento é resultado lógico da organização de várias informações agrupadas e que criam possibilidades para que o indivíduo compreenda um evento, suas causas, eventos anteriores e resultados que se ligam a estes, criando um modelo mental que descreve um objeto e indique as ações a implementar, as decisões a tomar no que se refere a este. Davenport e Prusak (1998) apresentam no Quadro 3 interessantes dados sobre esses três elementos e sua estruturação: Quadro 3 - Estrutura de dados, formações e Conhecimento DADOS INFORMAÇÃO CONHECIMENTO • Simples observação sobre estado do mundo. • Facilmente estrutu- rado; • Facilmente obtido por máquinas. • Frequentemente quantiicado; • Facilmente transferí- vel. • Dados dotados de rele- vância e propósito. • Requer unidade de análise. • Exige consenso em rela- ção ao signiicado. • Exige necessariamente a mediação humana. • Informação valiosa da mente humana. Inclui relexão, síntese, con- texto. • De difícil estruturação. De difícil captura em máquinas. • Frequentemente tácito. • De difícil transferência. Fonte: adaptado de Davenport e Prusak (1998). De acordo com Davenport e Prusak (1998), não há como dispensar os dados para acessar informações, que consequentemente construirão o conhecimento. Portanto, mesmo fazendo as devidas distinções entre esses elementos, não podemos deixar de constatar que os mesmos estão interligados entre si, com papéis diferentes, porém indispensáveis para o processo de consolidação do conhecimento. No que tange ao conhecimento o autor concebe que nas organizações o conhe- cimento é construído coletivamente, partindo de conhecimentos individuais das pessoas que convivem e atuam nos ambientes. Assim, de acordo com Valentim: Trabalhar com Dados, Informação e Conhecimento R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 61 [...] o conhecimento construído por um indivíduo alimenta a constru- ção do conhecimento coletivo e, por outro lado, o conhecimento cole- tivo alimenta a construção do conhecimento individual em ambientes organizacionais (VALENTIM, 2008, p.19). De posse desses conceitos e esclarecimentos, é preciso pensar no processo de apropriação das informações para que estas orientem a formulação de políticas públicas, lembrando que se utilizam de indicadores para traduzir o conceito das demandas postas para a sociedade. Possibilitando assim a tradução do conceito de pobreza, desigualdade, vulnerabilidade de exclusão social, assegurando deste modo a materialização de propostas de intervenção na realidade. Poderemos trabalhar com indicadores para transformar os chamados fenôme- nos conceitos abstratos em medidas, e estas nos permitirão analisar os conceitos e fenômenos, na medida em que permite quantiicá-los e falar da sua represen- tação empírica. CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IIU N I D A D E62 INDICADORES; INDICADORES SOCIAIS E SUAS PROPRIEDADES Indicadores são recursos metodológicos utilizados para materializar os con- ceitos abstratos, e desse modo possibilitar o trabalho com as demandas sociais, diagnosticando, monitorando e avaliando os elementos que precisam ser tra- duzidos em medidas quantiicáveis. Dessa forma, há a possibilidade de elaborar propostas concretas de interferência. Usamos os indicadores para transformar conceitos abstratos em algo palpável que possa ser analisado e quantiicado em números, taxas e razões sobre uma dada realidade o que permite uma interven- ção através da observação e avaliação (JANNUZZI, 2009). De acordo com Januzzi (2009) os indicadores apresentam algumas carac- terísticas que não podem ser desconsideradas, pois estas que possibilitarão a sua compreensão diante do contexto posto. São estas: Indicadores Objetivos e Indicadores subjetivos. Indicadores Descritivos e Indicadores normativos. Estatísticas Públicas e Indicadores Sociais. Indicadores Simples e Indicadores Compostos. Indicador absoluto e Indicador relativo. No Quadro 4, a seguir temos uma descrição do que signiica cada um des- tes elementos e o que representam. Indicadores; Indicadores Sociais e Suas Propriedades R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 63 PARA QUE SERVE UM INDICADOR? 1. Subsidiar as atividades de planejamento público e a formulação das polí- ticas sociais nas diversas esferas de governo. 2. Possibilitam o monitoramento das condições de vida e bem-estar da po- pulação por parte do poder público e sociedade civil 3. Permitem o aprofundamento da investigação acadêmica sobre a mudan- ça social e sobre os determinantes dos fenômenos sociais. Fonte: adaptado de Jannuzzi (2009). Indicadores são ferramentas para o planejamento das políticas públicas e para a realização de diagnósticos sociais. (Paulo de Martino Jannuzzi) CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IIU N I D A D E64 Quadro 4 - Características dos indicadores 1. Indicadores Objetivos Também chamado de indicador quantitativo. Referem-se a ocorrências concretas ou entes empíricos na realidade social, construídos a partir de estatísticas públicas (dados) dispo- níveis. (Taxa de mortalidade infantil, deslocamento para o trabalho...). 2. Indicadores Subjetivos Também chamados de indicadores qualitativos. São medidas construídas a partir da avaliação de indivíduos ou de espe- cialistas em relação a determinados aspectos da realidade, levantados em pesquisas de opinião pública ou grupos dis- cussão (ex. Índices de coniança das instituições, performance etc.). 3. Indicadores Descritivos Descrevem características e aspectos da realidade empírica e não são dotados de signiicados valorativos (ex. taxa de mortalidade infantil e evasão escolar). 4. Indicadores Normativos Esses, ao contrário, reletem explicitamente juízos de valor ou critérios normativos em relação à dimensão social estuda (ex. proporção de pobres, taxa de desemprego). 5. Estatísticas Públicas/ dados Não inteiramente contextualizados em uma teoria social ou em uma inalidade programática; só parcialmente preparado na interpretação empírica da realidade. 6. Indicadores Sociais/ informação Dado dotado de um valor social substantivo, usado para substituir, quantiicar ou operacionalizar um conceito social abstrato, de interesse teórico ou programático. É um dado tra- tado para certa inalidade explicita e contextualizada. 7. Indicador Simples Construído a partir de uma estatística social8. Indicador Composto Também chamados de indicadores sintéticos ou índices sociais; são construídos a partir de dois ou mais indicadores simples, referidos a uma mesma ou a diferentes dimensões da realidade social. Ou em outras palavras, representa a relação entre duas ou mais variáveis (ex. IDH). 9. Indicador Absoluto Envolvem quantidades absolutas, contagens. 10. Indicador Relativo Envolvem proporções, taxas, índices, percentuais. Fonte: adaptado de Jannuzzi (2009). Indicadores; Indicadores Sociais e Suas Propriedades R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 65 Esses dados devem ter certas propriedades para serem trabalhados sem risco de problemas na formulação da informação, dentre esses destacamos no Quadro 5, a seguir como eles devem estar organizados: Quadro 5 - Propriedades dos indicadores 1. Validade do cons- truto: Relete o grau de proximidade entre o conceito e a medida, ou seja, a sua capacidade de reletir de fato um conceito abstrato a que o indicador se propõe a “substituir”, a operacionalizar. 2. Coniabilidade: Qualidade do levantamento dos dados no seu compu- to: instituições, metodologia, proissionais. 3. Grau de cobertura: Tem a ver com a abrangência populacional e espacial do levantamento. 4. Sensibilidade: Tem a ver com a capacidade de o indicador reletir as mudanças na realidade. Está, portanto, ligado à coniabilidade. 5. Especiicidade: Capacidade de reletir alterações estritamente ligadas às mudanças relacionadas às mudanças sociais de interesse. 6. Reprodutível: Transparência metodológica na construção do indica- dor. 7. Comunicável: Pode ser compreendido pelo público. 8. Atualizável: Possibilidade de atualizar com certa frequência o indicador. 9. Custos factíveis: envolve a possibilidade (técnica e política) de sua produção. 10. Desagregabilidade: Unidades espaciais que podemos agregar/desagregar aos dados (País, Grande Região, Estado, Mesorregiões, municípios, distritos, setores censitários, endereços). 11. Historicidade/ periodicidade: Disponibilidade de séries históricas para fazer compa- rações intertemporais. De quanto em quanto tempo o indicador é produzido? Fonte: adaptado de Jannuzzi (2009). CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IIU N I D A D E66 ELABORAÇÃO DE INDICADOR Para a construção de indicadores é imprescindível a apropriação da linguagem especíica para encontrar as informações necessárias a partir dos dados disponí- veis pelas diversas agências oiciais e mesmo os relatórios técnicos que a própria política produz. Assim, é importante dominar elementos como os apontados no quadro 6, a seguir: Quadro 6 - Para construção de indicadores 1. Dado absoluto: Relete o grau de proximidade entre o conceito e a medida, ou seja, a sua capacidade de reletir de fato um conceito abstrato a que o indicador se propõe a “substituir”, a operacionalizar. 2. Média Aritmética Simples: Qualidade do levantamento dos dados no seu com- puto: instituições, metodologia, proissionais. 3. Razão: Tem a ver com a abrangência populacional e espacial do levantamento. 4. Proporção: Tem a ver com a capacidade de o indicador reletir as mudanças na realidade. Está, portanto, ligado à coniabilidade. 5. Taxa: Capacidade de reletir alterações estritamente ligadas às mudanças relacionadas às mudanças sociais de interesse. 6. Incidência: Transparência metodológica na construção do indi- cador. 7. Prevalência: Pode ser compreendido pelo público. 8. Historicidade/ periodicidade: Disponibilidade de séries históricas para fazer comparações intertemporais. De quanto em quanto tempo o indicador é produzido? Fonte: adaptado de Jannuzzi (2009). No processo de formulação de uma política pública é indispensável observar os indicadores da realidade social, pois eles orientam a análise da situação posta em relação às carências e demandas populacionais por serviços públicos, tradu- zindo em termos quantitativos e de recursos disponíveis para atendimento das demandas por meio de programas sugeridos. Indicadores; Indicadores Sociais e Suas Propriedades R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 67 Os indicadores apontam, indicam, aproximam, traduzem em termos operacionais as dimensões sociais de interesse deinidas a partir de es- colhas teóricas ou políticas realizadas anteriormente. Eles se prestam a subsidiar as atividades de planejamento público e a formulação de po- líticas sociais nas diferentes esferas de governo, possibilitam o monito- ramento das condições de vida e bem-estar da população por parte do poder público e sociedade civil e permitem o aprofundamento da in- vestigação acadêmica sobre a mudança social e sobre os determinantes dos diferentes fenômenos sociais. Proporção de pobres, taxa de analfa- betismo, rendimento médio do trabalho, taxas de mortalidade infantil, taxas de desemprego, índice de Gini, proporção de crianças matricula- das em escolas são, neste sentido, indicadores sociais, ao traduzir em cifras tangíveis e operacionais várias das dimensões relevantes, especí- icas e dinâmicas da realidade social (JANNUZZI, 2009, p. 22). É preciso apropriação sobre a elaboração de indicadores. Para tal, é mister conhe- cer alguns passos que fundamentarão essa construção. No processo de construção de um indicador, a primeira etapa está centrada na decisão sobre qual será a dimensão ou fenômeno da realidade social que será mensurada. Portanto, nessa etapa deine-se o objetivo programático da política pública em tela exemplo: melhorar a saúde do município, a educação, a segurança pública, entre outros. Esses são objetivos abstratos, e precisam ser materializados para que possa- mos acompanhar seu processo de implementação e que possibilite a apreensão do conteúdo e contexto das políticas públicas e desse modo operacionalizá-lo de maneira quantitativa, indicadores usados com responsabilidade e comprometi- mento possibilitam estabelecer parâmetros para a formulação de políticas públicas. Ao deinir como objetivo programático melhorar a saúde da população é necessário reletir e deinir quais dados serão utilizados para traduzir o conceito abstrato de saúde. Por exemplo: ■ Anos de vida da população. ■ Número de nascidos vivos. ■ Número de leitos na cidade. ■ Número de médicos. ■ Número de estabelecimentos de saúde. ■ Número de internações por doença relacionadas ao saneamento básico. CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IIU N I D A D E68 Com esses elementos é possível estabelecer o que determinado grupo deine como saúde e consequentemente pensar as ações para atender as necessidades da população em consonância com o conceito estabelecido. Para formular os conceitos, os agentes e técnicos podem trabalhar com dados públicos e administrativos que os programas governamentais e os cadastros oi- ciais geram e que podem ser acessados pelos serviços para que a partir de sua combinação (taxas, proporções, índices ou mesmo em valores absolutos) pos- sam ser transformados em indicadores sociais. Usando ainda como exemplo a Saúde, teríamos os indicadores a seguir: ■ Esperança de vida ao nascer. ■ Taxa de mortalidade infantil. ■ Número de leitos por mil habitantes. ■ Número de empregos médicos por mil habitantes. ■ Número de estabelecimentos de saúde por mil habitantes. ■ Número de internações por doenças relacionadas ao saneamento. Usar essesindicadores ajuda a fazer comparações intertemporais (sem con- litos de leis no tempo) e avaliar melhor o volume e a qualidade dos serviços. Possibilitando assim, a aplicação adequada dos recursos, a partir da instrumen- talização dos gestores para que visualizem os setores/políticas em que devem ser aplicados os recursos de forma que contemple os anseios da população. Os indicadores devem ser integrados em uma base de dados objetiva, coni- ável e consistente para que possam subsidiar a gestão por meio de um sistema de informação. Sua dimensão deve contemplar uma visão macro de um contexto. Indicadores; Indicadores Sociais e Suas Propriedades R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 69 Indicadores Sociais Olhando para a História podemos dizer que os indicadores sociais são um pro- duto do século XX, com estreita relação com o Estado de Bem Estar Social e o planejamento da coisa pública. David Émile Durkheim (1858-1917) em seus estudos pontuou que os indicadores sociais têm o objetivo de acompanhar as transformações sociais, mensurando os impactos causados pelas políticas sociais nas sociedades desenvolvidas e subdesenvolvidas (JANNUZZI, 2009). Januzzi (2009) aponta em sua produção que é preciso que técnicos, gestores e agentes públicos que atuam junto as politicas públicas, tenham clareza de seu papel no processo de formulação de politicas públicas, e que conheçam a demanda social presente nas relações sociais, pois as mesmas afetam de modo signiicativo o desenvolvimento econômico e mesmo socioambiental contribuindo na for- mulação de Indicadores Socioeconômicos. A pobreza e o desemprego impactam na vida das pessoas, portanto é indispensável compreender o debate em torno da questão social, que exige a formulação de politicas públicas que deem res- postas as demandas sociais. Quando uma política pública está em processo de Indicadores sociais usados de forma responsável e transparente podem es- tabelecer parâmetros das políticas governamentais, dos programas públi- cos e dos projetos de ação social. (Paulo de Martino Jannuzzi) CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IIU N I D A D E70 elaboração, é fundamental que os indicadores da realidade social sejam obser- vados. Eles possibilitam analisar o grau das carências e demandas populacionais por serviços públicos, traduzindo quantitativamente a dotação dos recursos exis- tentes e dos recursos exigidos pelas diferentes opções de programas sugeridos. Neste processo, de acordo com Januzzi (2009) o uso de indicadores sociais pos- sibilita a materialização de conceitos abstratos permitindo a aproximação com a realidade com a qual se pretende trabalhar. Como a realidade está em movimento e tem diferentes faces, não há ape- nas uma forma de captá-la e ou representá-la de modo simples. Assim um único indicador não poderá dimensionar todo o contexto. Portanto, para um diagnós- tico consistente, há necessidade da construção de um conjunto de indicadores sociais que trabalhem com diferentes aspectos da realidade social em pauta (JANUZZI, 2009). Diagnóstico R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 71 DIAGNÓSTICO O diagnóstico enquanto análise interpretativa possibilita a leitura de uma deter- minada realidade social auxiliando o município/estado/união a conhecer mais detidamente as necessidades e demandas dos cidadãos de forma particularizada no território. O diagnóstico deve ser retratar a realidade com dados concretos de modo tal que possibilite aos agentes sociais pautaram-se em suas informações para elaboração das políticas públicas que atendam às necessidades dos cidadãos. O diagnóstico é uma das partes do ciclo de políticas públicas e consiste em analisar a realidade socioeconômica do município, elencando os principais problemas a serem resolvidos e deinindo o tamanho da oferta e demanda de serviços sociais. É uma ferramenta usada para compreender uma realida- de social, classiicando as necessidades e os principais problemas de uma sociedade. Fonte: adaptado de Brasil (2008, on-line)2. CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IIU N I D A D E72 Os diagnósticos devem contemplar informações que versem sobre as caracterís- ticas, potencialidades, fragilidades acerca do público alvo a ser atendido por sua análise, bem como sobre as condições socioambientais e do controle de recur- sos disponíveis para a formulação de políticas públicas que atendam a demanda apresentada. Podemos observar no quadro a seguir que o diagnóstico deve con- templar diferentes etapas para sua concretização que perpassam desde a análise do público alvo com detalhamento populacional até a participação social que busca a consolidação da justiça social. Quadro 7 - Tópicos para Diagnóstico Análise do público- -alvo a atender • Tendências do crescimento demográico. • Perspectivas de crescimento futuro da população e do público atendido. • Características educacionais, habitacionais e da saúde da população. • Condição de atividade da força de trabalho, ocupação e rendimentos. • Beneiciários de outros programas sociais. Análise do contexto econômico regional • Tendências do desenvolvimento regional (indústria, comércio, agropecuária). • Perspectivas de investimento público e privado. • Infraestrutura viária, transporte e comunicações. • Estrutura do emprego e ocupações mais e menos dinâ- micas. Análise dos condicio- nantes ambientais • Identiicação de áreas de proteção e restrições. • Passivos e agravos ambientais. • Oportunidades de exploração do turismo e desenvolvi- mento sustentável. Análise da Capa- cidade de Gestão Local • Estrutura administrativa já instalada. • Quantidade e características do pessoal técnico envolvi- do ou disponível. • Experiência anterior na gestão de programas. Análise da Partici- pação Social • Comissões de participação popular/social existentes. • Histórico/cultura de participação. Fonte: BRASIL (2008, p. 3)2. Diagnóstico R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 73 O diagnóstico tem a função de organizar os dados relativos a realidade com a qual se está trabalhando, pois desse modo eles podem se tornar informações adequadas para a implementação das políticas públicas. Para ser útil, o diagnóstico deve consistir em um estudo da situação de uma determinada população e sua região, com textos descritivos ou analíticos, tabelas de dados, cartogramas e, especialmente, indicado- res especíicos sobre os vários aspectos da realidade local e regional. Bons diagnósticos socioeconômicos empregam, com maior ou menor abrangência, informações e dados da economia local, além de informa- ções de saúde, de educação, de mercado de trabalho, de habitação, de infraestrutura urbana, de renda e desigualdade (BRASIL, 2013, p. 75)3. Além de articular todos os elementos próprios de sua constituição, o diagnóstico deve ainda considerar as particularidades do território, pois ele tem inluência direta e indireta sobre os dados levantados. Isso porque o território não pode ser pensado apenas como limite físico, e sim, como algo vivo e dinâmico. Portanto, as diferenças, desigualdades e heterogeneidades socioterritoriais devem ser con- sideradas no processo de formulação das estratégias com vistas à proteção sociale à defesa de direitos. O território é mais que a paisagem física, ou o perímetro que delimita uma comunidade, bairro ou cidade. O Território é o espaço recheado pelas rela- ções sociais passadas ou presentes, a forma especíica de apropriação e inte- ração com o ambiente físico, as ofertas e as ausências de políticas públicas, as relações políticas e econômicas que o perpassam, os conlitos e os laços de solidariedade nele existentes. Isso signiica dizer que, em grande medida, as potencialidades ou vulnerabilidades de uma família ou indivíduo são, em larga medida, determinadas pelo território no qual ela está inserida. Fonte: Santos e Silveira (2006). CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IIU N I D A D E74 De acordo com Santos e Silveira (2006) o território deve ser trabalhado e pen- sado a partir das expressões e experiências dos indivíduos, sua mobilidade e condições de renovação de acordo com as necessidades de cada cidadão. Logo, no processo de elaboração do diagnóstico esses elementos precisam ser respei- tados para que a essência das relações sociais não se perca. Trabalhar o território de acordo com Santos e Silveira (2006) é responsabi- lidade da rede de serviços sociassistenciais e do poder público, pois com ações alinhadas estes podem assegurar que o vínculos que se formam entre as equi- pes no território possibilitem condições para o enfrentamento e a superação dos problemas que apresentam necessidade de intervenção com respeito as caracte- rísticas e especiicidades que cada território apresenta. Assim, é fundamental o respeito em relação a cada lugar, cada território, pois há diferentes características e dinâmicas, bem como as necessidades próprias que os tornam únicos. Portanto, os diagnósticos devem ser personalizados, ou seja, elaborados para ler as especiicidades daquele lugar e assim mais eiciente para atender às necessidades apontadas em cada território. O diagnóstico deve ir além de conter dados estatísticos, primários e/ou secundários, ele deve considerar os fenômenos que não podem ser expressos matematicamente. Ou seja, as percepções sobre o território, que são importantes para elaborar as Políticas Públicas. Com o objetivo de elaborar políticas públi- cas, o diagnóstico exige: conceituação do problema em foco e a Mensuração do conteúdo mapeado (JANNUZZI, 2009). A construção de um sistema de indi- cadores pode responder a um determinado aspecto da realidade com elementos necessários à composição de uma informação sobre um aspecto da realidade. Diagnóstico R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 75 Portanto, para formularmos indicadores que respondam o mais precisamente possível às necessidades apresentadas devemos utilizar todas as ferramentas que já dispomos para começar a entender as subjetividades em relação às demandas: RMA (relatório mensal de atendimento), Prontuário, Estudos Sociais, Cotidiano dos proissionais e das equipes na Assistência Social e na relação com outras polí- ticas, bem como a história de vida dos lugares. E também nos utilizarmos das grandes ferramentas que podem contribuir com dados coniáveis para o pro- cesso de formulação de indicadores. Embora os indicadores facilitem a vida do gestor, é fundamental tam- bém que o diagnóstico social não se restrinja ao levantamento de dados e indicadores quantitativos, abrangendo a captação de elementos quali- tativos que expressem aspectos culturais, valores, expectativas e outros traços da população residente no território (BRASIL, 2016, p. 95)3. Nem tudo se pode medir É preciso incorporar abordagens qualitativas e construções coletivas do conhecimento, uma vez que nem tudo pode ser expresso em números. Vi- são dos Beneiciários, cadastrados e representantes da comunidade local na construção de diagnósticos participativos. Estratégias assim podem ser muito úteis para estabelecer prioridades de ação. Fonte: as autoras. CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IIU N I D A D E76 Não podemos perder de vista o fato de que os indicadores devem traduzir além dos dados quantitativos e mensuráveis, os dados que nos permitem observar os aspectos qualitativos que são expressos no território, assegurando assim, que no processo de formulação das políticas públicas, o capital sociocultural acumulado será respeitado e considerado na formulação dos serviços, programas e projetos que atenderão à demanda levantada. Os indicadores são expressos em números, médias, razões, proporções, ta- xas, incidência ou prevalência. Cada um tem uma lógica própria de cons- trução. Exemplo: taxa de mortalidade infantil (por mil nascidos vivos), in- cidência de novos casos de tuberculose em 2012, razão entre o número de mulheres e homens beneiciários do Bolsa Família. Fonte: Brasil (2010, p. 86)3. Considerações Finais R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 77 CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado(a) aluno(a), nesta unidade do livro você pôde ter contato com temas que o auxiliarão na construção e aprofundamento do conhecimento sobre o controle social, ferramentas disponíveis para sua efetivação e elementos que compõem estas ferramentas, como futuros proissionais do serviço social, é indispensá- vel compreender o signiicado desses elementos, a forma de acessá-los e como transformá-los em informações. Ainal, dentre os papéis desempenhados pelo proissional do serviço social, atuar na gestão, reletindo e apoiando a construção das ações faz parte de suas atribuições. No entanto, para trabalhar com a ges- tão o proissional deve conhecer as diferentes fontes e formas de acessar dados concretos sobre a realidade em tela, pois deste modo, ele terá uma visão mais abrangente do tema em debate. Sem esses dados não há possibilidade de contribuir na formulação das polí- ticas públicas com ações que deem conta de atender as demandas oriundas da sociedade. Portanto, aqui tivemos o cuidado de apresentar para vocês o conceito e diferenças entre dados, que sem a qualiicação podem ter inúmeros signiicados ou nenhum. A informação que é um dado organizado que permite a interpre- tação de algo e o conhecimento que é a informação organizada e articulada que permite a compreensão de um evento. Concomitante a essa discussão apresentamos também os indicadores e indi- cadores sociais que apresentam parâmetros para transformar conceitos abstratos em conceitos poupáveis, concretos, o que possibilita a construção do planejamento nas políticas públicas. Os indicadores apontam, indicam caminhos e proporcio- nam a tradução das dimensões sociais que precisam ser pensadas para que as políticas públicas possam atender as demandas da sociedade. Você pôde também reletir sobre o papel e a importância do diagnóstico no processo de formulação das políticas públicas, uma vez que, tem a função de organizar os dados acerca do tema pesquisado, subsidiando a construção de informações sobre determinada realidade, que permitirá a implementação de ações adequadas às necessidades daquele determinado grupo social. 78 1. Os dados compõem a informação que nos leva ao conhecimento. Na formulação das politicas públicas utilizamos dados primários e secundários para acessar o conhecimento. Partindo dessa airmação, explique o que são dados secun- dários e onde encontrá-los. 2. Quando falamos em informação temos clareza que é preciso acessar dados con- iáveis paraque ela seja um retrato concreto da realidade. Assim, aponte os itens que devem compor a informação e cite três exemplos de onde pode- mos retirar tais elementos: 3. De acordo com Januzzi (2009) os indicadores devem ser utilizados para: I. Trabalhar somente com conceitos concretos. II. Diagnosticar, monitorar e avaliar os elementos apresentados pelas deman- das sociais. III. Realizar diagnósticos sociais. IV. Aprofundar a investigação sobre as mudanças sociais. V. Tratar de problemas que já ocorreram e nunca em questões que ainda estão em andamento. Assinale as alternativas corretas: a. II, IV e V b. II, III e IV c. III, IV e V d. I e V e. I, II e IV 4. O Diagnóstico objetiva fazer uma análise interpretativa de determinada realida- de, para tal é preciso que ele seja pautado em alguns elementos em sua compo- sição. Assinale V para verdadeiro e F para falso sobre os elementos que compõe um diagnóstico. ( ) O diagnóstico trabalha com dados concretos. ( ) O diagnóstico é uma das partes do ciclo de políticas públicas. ( ) O diagnóstico é o último elemento que deve ser pensado no processo de formulação das políticas públicas. ( ) O diagnóstico é uma ferramenta usada para compreender uma realidade social e classiicar as necessidades e problemas de uma sociedade. ( ) O diagnóstico deve desconsiderar as condições socioambientais e do controle de recursos disponíveis. 79 Assinale a sequência cujas airmativas estão corretas: a. V, F, V, F, V. b. V, V, V, F, F. c. F, F, V, V, V. d. V, V, F, V, F. e. F, F, F, V, V. 5. Para a elaboração de um diagnóstico que retrate a realidade é imprescindível que o pesquisador considere as especiicidades territoriais. Santos e Silveira (2006) apresentam uma abordagem sobre território que tem permeado as po- líticas públicas, principalmente a política de assistência social nos últimos anos. Fale sobre esta concepção de território apresentado pelos autores. Sabedoria Conhecimento Informação Dados 80 SABEDORIA X CONHECIMENTO X INFORMAÇÃO X DADOS Há certa confusão sobre a diferença entre dado, informação, conhecimento e sabedoria. O dado é um pingo de chuva. Você está andando e sente um pingo, um segundo pingo, um terceiro pingo. Aquilo não signiica que é uma chuva, pode ser um ar condicionado, pingando num dia de calor. No momento em que você olha para o céu e repara que existem nuvens e que começa ver os primeiros raios e sentir mais pingos, complementa aquele conjunto de dados e chega a uma informação: vai chover! O conhecimento é quando você percebe que com a chuva você vai se molhar, e se você se molhar não vai poder chegar ao trabalho todo molhado, podendo até icar resfriado. A sabedoria é o que vai fazer com tudo isso. Se você vai continuar andando desespe- radamente no meio da chuva e se molhar todo, ou vai se preservar numa marquise e deixar a chuva passar. A harmonia entre o dado, a informação, o conhecimento e a sabedoria poderíamos resu- mir que é a arte de viver. E isso funciona tanto para cada pessoa, para cada grupo, para cada empresa e para cada país. Para uma deinição mais detalhada de cada palavra, separamos algumas deinições de autores famosos, para que icasse claro. Em resumo: Dados: segundo Le Coadic (2004) dados são uma representação composta de infor- mação codiicada de uma forma a permitir colocá-las sob processamento eletrônico. Já para Turban (2003) os dados são nada mais que a matéria prima da informação. Os da- dos são descrições de coisas, eventos e atividades os quais sozinhos não conseguem se unir e representar algum signiicado. Já Souza(2006) diz que os dados são uma sequên- cia de símbolos codiicados de tal forma a permitir sua manipulação pelo computador. De acordo com as 3 opiniões citadas acima, nós podemos resumir dados como sendo 81 a matéria prima da informação a qual deve ser representada de forma a permitir sua manipulação pelo computador. Informação: de acordo com Zeman (1970) o termo informação se resume na ideia de dar forma e representar uma ideia. Para ele informação são dados contextualizados para algum propósito. Já para Shannon informação é algo recebido por um receptor de um transmissor em um processo de comunicação. Igualmente Davenport e Prusak concor- dam com Shannon no que diz respeito a informação ser resultado da comunicação en- tre um transmissor e um receptor. Desta forma podemos resumir informação como sendo algo que dá forma a uma de- terminada ideia e surge como resultado da comunicação entre um receptor e um trans- missor. Conhecimento: para Mizzaro conhecimento é a forma como uma pessoa reconhece o mundo a sua volta. Rezende por sua vez, resume conhecimento como a habilidade de criar um modelo mental que descreva os objetos que estão ao redor do homem. Já para Burke, conhecimento é o que foi processado pela mente. Para ele existem vários tipos de conhecimento. – Seguindo os conceitos apresentados acima sobre conhecimento, concluímos que ele nada mais é que uma habilidade de cada um de nós em representar os objetos que es- tão a nossa volta (o mundo em nossa volta). Sabedoria: pode ser vista como uma extensão do conceito de conhecimento. Na verda- de, ela é o conhecimento acrescido de ética e valores. Fonte: Braga et al. (2013, on-line)4. MATERIAL COMPLEMENTAR Indicadores Sociais no Brasil Paulo de Martino Jannuzzi Ano: 2012 Sinopse: qualquer pessoa que queira compreender melhor o debate atual sobre pobreza, distribuição de renda, desigualdades sociais, condições de vida e desenvolvimento humano precisa entender mais profundamente o que são os Indicadores Sociais, como são construídos, o que signii cam, para que servem. Tais questões são tratadas neste livro, em linguagem simples e precisa. Além de se destinar à leitura e à informação do público em geral, este livro tem grande utilidade em disciplinas de graduação como Metodologia da Pesquisa Cientíi ca, Técnicas de Pesquisa em Economia e Estatística Aplicada. O livro pode ser útil, ainda, como guia de referência, para pesquisadores, analistas socioeconômicos e técnicos de planejamento no setor público e privado. REFERÊNCIAS 83 DAVENPORT, T. H.; PRUSAK, L. Conhecimento empresarial: como as organizações gerenciam o seu capital intelectual. Rio de Janeiro: Campus, 1998. JANNUZZI, P. de M. Indicadores para diagnóstico, monitoramento e avaliação de programas sociais no Brasil. Revista do Serviço Público, Brasília, v. 56, n. 2, p. 137- 159, 2005. ______. Indicadores socioeconômicos na gestão pública. Florianópolis: UFSC, Departamento. 2009. SANTOS, M.; SILVEIRA, M. L. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2006. VALENTIM, M. L. P. Gestão da informação e do conhecimento no âmbito da Ciên- cia da Informação. São Paulo: Polis; Cultura Acadêmica, 2008. REFERÊNCIAS ON-LINE: 1Em: <http://oicinadeimagens.org.br/wp-content/uploads/2014/01/CARTILHA-SU- AS.pdf >. Acesso em: 06 fev. 2017. 2Em: <http://187.4.200.245:81/cogemas/2a.Reuni%C3%A3o_ CALMON%20 14%20DE%20ABRIL%20DE%202015/DIAGN%C3%93STICO%20PARA%20GEST%- C3%83O%20MUNICIPAL.pdf>. Acesso em: 06 fev. 2017. 3Em: <https://www.ufrgs.br/cegov/iles/pub_71.pdf >. Acesso em: 06 fev. 2017. 4Em: <https://mundodalogica.wordpress.com/2013/03/04/sabedoria-x-conheci- mento-x-informacao-x-dados-2/>. Acesso em: 06 fev. 2017. GABARITO 1. Resposta: dados secundários são aqueles produzidos por diferentes setores e políticas públicas e que são disponibilizados para acesso público. Eles podem ser acessados em diferentes sistemas e sites oiciais nacionais e internacionais, como o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário-(MDSA); Instituto Bra- sileiro de Geograia e Estatística, (IBGE); Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS); Departamento de Informática do Sistema único da Saúde (DATASUS), Universidades entre outros órgãos. 2. Resposta: a informação para ser crível deve ter relevância e propósito, bem como consenso sobreseu signiicado. No entanto, não se pode esquecer que eles ele- mentos se transformam em informações a partir da mediação humana que os organiza dando um sentido. A informação pode estar presente em diferentes instrumentos, como boletins escolares, relatórios diversos e textos. 3. Letra C. 4. Letra D. 5. Resposta: para o autor, território é algo vivo e em constante mutação, pois é nele que se desenvolvem todas as relações do indivíduo, desde a sua mobilidade até o atendimento de suas necessidades. É nesse espaço que se formam os laços sociais e afetivos que possibilitam ao indivíduo construir estratégias para a su- peração dos obstáculos cotidianos. U N ID A D E III Professora Me. Maria Cristina Gabriel de Oliveira Professora Esp. Roni Enara Rodrigues BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO Objetivos de Aprendizagem ■ Conhecer os diferentes sistemas de informação. ■ Acessar diferentes bancos de dados disponíveis. ■ Extrair informações dos bancos de dados. ■ Trabalhar com informações extraídas dos bancos de dados. ■ Reletir sobre a atuação dos conselhos gestores. Plano de Estudos A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Acesso aos bancos de dados dos diversos sistemas de informação ■ Acesso à informação ■ Conselhos Gestores de Políticas Públicas Introdução R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 87 INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), para a organização de uma pesquisa que dê suporte as toma- das de decisões nas diferentes instâncias, é indispensável conhecer as fontes e ter certeza da sua coniabilidade para que o trabalho seja de qualidade. Como falamos anteriormente, os dados estão disponíveis na internet e em outros lugares e todo cidadão pode acessá-los. No entanto, para formulação de políticas públicas é necessária a constatação da coniabilidade do que está dis- ponível. Para alcançar esse patamar de segurança é fundamental trabalhar com dados e informações das agências regulamentadas, que adotam metodologia rigorosa para sua coleta e distribuição. Portanto, ao acessarmos os sites de tais agências podemos nos tranquilizar que seus dados estão o mais próximo possível da realidade pesquisada, que não há “maquiagem” das informações para beneiciar essa ou aquela situação. Trabalharemos também com alguns aspectos da legislação brasileira que tra- tam do direito de acesso à informação pública. Assim, a publicidade é um dos princípios a serem obedecidos pela Administração Pública, conferindo trans- parência aos dados, atos e fatos públicos. Você vai compreender a diferença entre transparência ativa e passiva, e conhe- cer os caminhos para acessar os portais de transparência do Governo Federal e dos municípios, bem como portais especíicos das políticas públicas que auxi- liarão no processo de pesquisas. Mais que isso, você vai entender porque muitos órgãos públicos, notadamente em nível municipal, prefeituras e câmaras, não disponibilizam as informações como deveriam nos seus portais de transparên- cia e quais soluções já foram encontradas para resolver isso, especialmente no Estado do Paraná. Assim, convido você a nos acompanhar nas próximas páginas revivendo informações que já acessou em um determinado momento e conhecendo as pos- sibilidades de outros acessos em busca do conhecimento. Vamos lá? BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IIIU N I D A D E88 ACESSO AOS BANCOS DE DADOS AOS DIVERSOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO Os sistemas e fontes de informações disponíveis são muitos. Dados sobre cada política pública podem ser encontrados em diferentes sites e portais. Aqui centra- mos nos portais mantidos pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA), pois como futuros proissionais do Serviço Social, os dados ali apre- sentados são relevantes para nosso conhecimento. Na sequência trabalharemos com dados mais gerais de agências nacionais que apresentam possibilidades que contribuem com o controle social. De acordo com a Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação (SAGI) produzir informações é muito importante, no entanto não podemos perder de vista a forma como ela chega até as pessoas, que podem de uma forma ou de outra fazer uso inteligente do que acessaram. Não é a simples apropriação das informações, mas sim, a sua consequente transformação em conhecimento, pois há complexidade nos diversos sistemas utilizados para acesso as informações. No entanto, não é impossível trabalhar com tais elementos, basta nos atentar- mos para os processos, desenhos e objetivos propostos pelas diferentes agências de informação e teremos condições de captar aquilo que responderá as necessi- dades apresentadas pela população. Acesso aos Bancos de Dados aos Diversos Sistemas de Informação R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 89 Para que as ações sejam adequadas às necessidades populacionais, é preciso observar se os dados levantados correspondem a real demanda daquele deter- minado segmento social. Isso porque é preciso que haja o cuidado para que os serviços ofertados a partir das análises dos dados levantados sejam condizentes com o que é esperado para sanar as vulnerabilidades. Esclarecidos esses pontos vamos visualizar as diferentes agências de informações que podemos acessar na área social e demais áreas que contribuem na formula- ção das ações das políticas públicas. APRESENTAÇÃO DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO NACIONAIS E PRINCIPAIS FERRAMENTAS DE PUBLICAÇÕES DE INDICADORES Com o advento da internet, temos toda uma gama de dados e informações disponíveis que podemos acessar rapidamente. Esse fato possibilitou aos prois- sionais, técnicos, agentes públicos, políticos e ao cidadão comum uma condição de acessar informações sobre a realidade de uma maneira que há alguns anos não era possível. Em função dessa agilidade e facilidade, reiteramos ao longo deste livro a importância de acessar informações coniáveis. Tendo esse cuidado em mente é preciso organizar-se para encontrar as informações que procura e saber Para trabalhar com os dados não podemos esquecer alguns conceitos como: DEMANDA: riscos e vulnerabilidades que precisam de atendimento e co- bertura dois serviços. OFERTA: os serviços disponibilizados para atender as necessidades dos ci- dadãos. Fonte: as autoras. BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IIIU N I D A D E90 interpretá-las. Mas lembre-se, é necessário saber o que você precisa localizar e a fonte onde encontrar os dados e informações para construir o conhecimento. No Quadro 1, a seguir, apresentamos os sites mais utilizados na formulação das políticas públicas, destacando os assuntos tratados em cada um deles. Quadro 1 - Sites para busca de dados SITE ENDEREÇO O QUE ACESSAR/ENCONTRAR IBGE www.ibge.gov.br • Síntese de Indicadores Sociais. • Brasil em Números. • Cidades@. • Estados@. • Países@. • Peril dos Municípios Brasileiros. • Comitê de Estatísticas Sociais. IPEA www.ipea.gov.br • IPEADATA. • Relatório de Acompanhamento dos ODM. • Boletim de Conjuntura. ANIPES www.anipes.org.br • Acesso aos sites de mais de 25 institui- ções subnacionais que compilam dados e indicadores sociais e econômicos, além de estudos para subsidiar o Planejamento Governamental. PNUD www.pnud.org.br • Aplicativo Atlas do Desenvolvimento Humano • Relatório do Desenvolvimento Humano. Ministério da Jusiça www.mj.gov.br • Ocorrênciaspoliciais. • Efetivo e Gastos em Segurança Pública. Ministério da Saúde www.datasus.gov.br • Indicadores e Dados Básicos. • Cadernos de Informações Municipais. • Painel Situacional. Ministério das Cidades www.cidades.gov.br • Sistema Nacional de Informações sobre Cidades. Ministério da Educação www.inep.gov.br • Edudata Brasil. • Sistema de Consulta ao IDEB. Ministério da Previdência www.previdência.gov.br • Infologo. • Anuário da Previdência Social. Acesso aos Bancos de Dados aos Diversos Sistemas de Informação R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 91 Ministério do Trabalho www.mte.gov.br • Peril do Município. • Acesso on-line à RAIS e CAGED. Ministério do Desenvolvimento Social www.mds.gov.br • Matriz de Informações Sociais. • Relatórios de Informações Sociais. • Portal Data Social. • Identiicação de Domicílios Vulneráveis. • Mapa de Oportunidades e Serviços Públi- cos. • Censo SUAS. • Tabuladores de microdados. Fonte: BRASIL (2008, p. 8)1. O site do Instituto Brasileiro de Geograia e Estatística (IBGE) apresenta muitas possibilidades para pesquisa e levantamento de dados. Portanto, não podemos desprezar o seu acesso quando das discussões e formulações de políticas públicas. Vocês podem questionar que o Censo ocorre com uma rotatividade de dez anos e que, portanto, alguns itens poder icar defasados, ou a realidade daquele momento pode ter se alterado de modo signiicativo. Porém, o que não podemos deixar de perceber, é que ao longo dos 10 anos entre uma pesquisa de Censo e outra, são realizadas pesquisas paralelas que atualizam dados móveis. O site do IBGE traz todas essas possibilidades nos permitindo acesso a informações de último momento. O primeiro Censo realizado no Brasil foi em 1872. O último Censo foi realizado em 2010, o próximo ocorrerá em 2020. Para saber mais sobre dados do Censo, acesse: <http://7a12.ibge.gov.br/so- bre-o-ibge/o-que-e-censo.html>. Fonte: Brasil ([2017], on-line)2. BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IIIU N I D A D E92 Vejamos exemplos de como acessar informações de seu município por meio do banco de dados do IBGE. EX: DADOS DEMOGRÁFICOS: CAMINHO PARA ACESSO AOS DADOS: IBGE > População > Censo 2010 > Resultados do Universo > Características da População e dos Municípios > Tabelas (em formato .xls compactado) > Municípios > Paraná Acessando cada link desses descritos teremos condições de chegar a informa- ções mais detalhadas sobre o município escolhido. Faça a experiência! Você vai se maravilhar com todas as informações em âmbito macro e micro que pode apreender sobre seu município e demais municípios vizinhos. Outro exemplo de site para buscar dados e informações pormenorizadas sobre os municípios no que tange a política social de inclusão, é o site do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA). Nesse site podemos acessar muitas informações referentes à política pública de assistência social, dados e as ações desenvolvidas. Outro site muito interessante para pesquisa qualiquantitativa é o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. Ele apresenta dados atualizados de cada município do Brasil. Nele encontramos informações sobre o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e outros 200 indicadores que versam desde a demograia, educação, renda, trabalho, habitação, até as vulne- rabilidades dos municípios brasileiros. Como futuro proissional do serviço social é indispensável o conhecimento sobre os dados quantitativos que reletem a realidade do município traba- lhado. Acesso aos Bancos de Dados aos Diversos Sistemas de Informação R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 93 Cada um dos sites listados apresentam possibilidades de acesso a dados no âmbito municipal, estadual e ou federal, com os quais a compreensão do cená- rio social se torna mais palpável, pois é possível visualizar os números e o seu signiicado o em cada região, o que auxilia na proposição das ações das políti- cas públicas. Todos os sites citados estão listados como Material complementar Web no inal da unidade. Falamos e pensamos em uma organização da sociedade com transparência, inclu- são e justiça social. Portanto o conhecimento acerca da realidade é elemento imprescindível, pois assegura aos gestores, agentes públicos e população de uma forma geral trabalhar com uma realidade concreta que pode sofrer interferên- cia em sua organização. Por que é importante acessar dados em sites oiciais? Por que é importante obter informações idedignas? BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IIIU N I D A D E94 ACESSO À INFORMAÇÃO Importante registrar que, pela legislação brasileira, tudo que é público deve estar publicado na internet e disponível a qualquer cidadão, salvo raras exceções que a Lei de Acesso à Informação (LAI) prevê – (Lei 12.527, de 18 de novem- bro de 2011). Então vamos conhecer um pouco sobre a legislação, consultando a Cartilha “Acesso à Informação”, publicada pela CGU – Controladoria-Geral da União, em 2011: Com a aprovação da Lei 12.527 de 18 de novembro de 2011, a Lei de Acesso à Informação, o Brasil dá mais um importante passo para a con- solidação do seu regime democrático, ampliando a participação cidadã e fortalecendo os instrumentos de controle da gestão pública. Ao regulamentar o artigo 5º, inciso XXXIII da Constituição Federal, o Brasil, além de garantir ao cidadão o exercício do seu direito de acesso à informação, cumpre, também, o compromisso assumido pelo país ante a comunidade internacional em vários tratados e convenções. [...]. A Lei 12.527 representa uma mudança de paradigma em matéria de transparência pública, pois estabelece que o acesso é a regra e o sigilo, a exceção. Qualquer cidadão poderá solicitar acesso às informações pú- blicas, ou seja, àquelas não classiicadas como sigilosas, conforme pro- cedimento que observará as regras, prazos, instrumentos de controle e recursos previstos (CGU, 2012, p. 4, on-line)3. Acesso à Informação R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 95 Especialmente aos proissionais do Serviço Social cabe conhecer e fazer uso da LAI para o desenvolvimento do seu trabalho em relação às políticas públicas e junto aos conselhos gestores. A LAI tornou-se uma importante ferramenta para o cidadão buscar todas as informações de que precisa para garantia dos direi- tos e para o exercício do controle social sobre a administração pública, uma vez que o acesso às informações sob a guarda de órgãos e entidades públicas é um direito fundamental do cidadão. Reconhecido como um direito humano fundamental, o acesso à infor- mação pública está inscrito em diversas convenções e tratados interna- cionais assinados pelo Brasil. Ao contemplá-lo, o País integra-se, ainda, a um amplo grupo de nações que reconhece ser a informação sob a guarda do Estado um bem público. Preceito que, como mostra a expe- riência internacional, favorece a boa gestão e, fundamentalmente, for- talece os sistemas democráticos, resultando em ganhos para todos. [...] O cidadão bem informado tem melhores condições de conhecer e aces- sar outros direitos essenciais, como saúde, educação e benefícios so- ciais (CGU, 2012, p. 8)3. A publicidade é um dos principais pontos a serem obedecidos pela AdministraçãoPública, ao lado dos de legalidade, impessoalidade, moralidade e eiciência. A Lei 12.527 determina que todos os órgãos e entidades públicas devem divulgar informações de interesse coletivo, com exceção das poucas cuja conidenciali- dade esteja prevista, como o sigilo em caso de segurança nacional. O acesso às informações deverá ser feito por meio de todos os meios disponíveis e, obriga- toriamente, em sites da internet. A transparência pode ser classiicada em ATIVA: quando a Administração Pública divulga informações à sociedade por iniciativa própria, de forma espon- tânea, independentemente de qualquer solicitação. E transparência PASSIVA: quando a Administração Pública divulga informações sob demanda em atendi- mento às solicitações da sociedade. Dessa maneira, toda vez que um cidadão não encontrar a informação que procura disponível e acessível “ativamente” oferecida pelo órgão público, pode proceder ao “pedido de informação”. Veja o Quadro 2, a seguir: BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IIIU N I D A D E96 Quadro 2 - Diferença entre Ativa e Passiva TRANSPARÊNCIA ATIVA PUBLICAÇÃO DE ROTINA TRANSPARÊNCIA PASSIVA PEDIDO DE INFORMAÇÃO A divulgação de informações está estabelecida a partir de critérios mí- nimos. Todo órgão deve, pelo menos, disponibilizar automaticamente, por todos os meios legítimos que dispuser, suas competências, organograma e contatos, sua movimentação inancei- ra e despesas, informações sobre pro- cedimentos licitatórios, dados gerais para acompanhamento de políticas e obras públicas e respostas a perguntas frequentes da sociedade. Todo órgão público deve manter uma página eletrônica na internet em que, anualmente, disponibilizará a lista de documentos que deixaram de ser sigilosos, a lista de documentos que são sigilosos e um relatório estatístico sobre pedidos de informação recebi- dos, atendidos e indeferidos. Os pedidos devem ser encaminhados ao serviço de informação do órgão público, inclusive pela internet. Eles devem identiicar o requerente, mas sem exigências que inviabilizem a solici- tação, e não se pode exigir justiicativas para solicitar informações de interesse público. Uma vez recebido um pedido de infor- mação, o Poder Público deve autorizar ou conceder acesso imediato à informa- ção. Não sendo possível acesso imedia- to, em até 20 dias o órgão deve respon- der o requerente apresentando: • Data, local e modo para se realizar o acesso. • Razões para se recusar o acesso pre- tendido, informando sobre os procedi- mentos de recurso. • Comunicado de que não possui a informação ou que encaminhou o pedido ao órgão que realmente detém a informação. • Justiicativa para prorrogar o pedido por mais 10 dias. Fonte: adaptado de Artigo 19 ([2017], on-line)4. PORTAIS DE TRANSPARÊNCIA Uma vez que já abordamos a importância da Lei de Acesso à Informação e sobre o direito fundamental do cidadão de acesso às informações públicas, é impor- tante indagar: agora, onde e como vamos encontrá-las? Para responder à pergunta, é preciso antes conhecer a Lei da Transparência. Sim, tem mais uma Lei especíica sobre o assunto. Trata-se da Lei Complementar Acesso à Informação R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 97 nº 131, de 27 de maio de 2009, que alterou a redação da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000) no que se refere à trans- parência da gestão iscal, trazendo inovações ao determinar a disponibilização, em tempo real, de informações pormenorizadas sobre a execução orçamentá- ria e inanceira da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Conforme determina a Lei, todos os entes públicos deverão divulgar: ■ Quanto à despesa: todos os atos praticados pelas unidades gestoras no decorrer da execução da despesa, no momento de sua realização, com a disponibilização mínima dos dados referentes ao número do correspon- dente processo, ao bem fornecido ou ao serviço prestado, à pessoa física ou jurídica beneiciária do pagamento e, quando for o caso, ao procedi- mento licitatório realizado; ■ Quanto à receita: o lançamento e o recebimento de toda a receita das uni- dades gestoras, inclusive referente a recursos extraordinários (BRASIL, 2009, on-line). Pois bem, sabemos que existe a Lei da Transparência que exige dos órgãos públi- cos a divulgação dos dados contábeis e a LAI que determina a publicação de todos os atos, dados e serviços públicos. Então, nos resta saber como usar esses dados para o trabalho proissional ou de controle social. Agora essa é outra questão. Todos os portais de transparência dos órgãos públicos são iguais? Eles seguem um padrão? Todas as informações que preci- samos encontram-se disponíveis no mesmo lugar ou no mesmo formato?! A resposta é NÃO para todas as perguntas. Com um agravante: apesar da legisla- ção especíica já ter mais de cinco anos, muitas administrações públicas não a cumprem, especialmente as prefeituras e câmaras municipais. BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IIIU N I D A D E98 Figura 1 - Logo da Cartilha Entendendo a Lei Geral de Acesso à Informação Fonte: Artigo 19 (2016, on-line)4. Como cada órgão público tem um modelo próprio de portal e nem sempre res- peita o direito fundamental à informação e não fornece total transparência dos seus atos, precisamos aprender a pesquisar cada um daqueles que temos inte- resse ou necessidade. E, não encontrando o que procuramos, usar da prerrogativa legal do “pedido de acesso à informação”, do qual já falamos. Resta-nos aqui, então, falar do Portal de Transparência do Governo Federal, administrado pelo Ministério de Transparência, Fiscalização e Controladoria- Geral da União (CGU). Neste portal podemos encontrar: Quadro 3 - Informações do Portal da Transparência Informações sobre TRANSFERÊNCIAS de recursos federais para estados, municí- pios, ao exterior, pessoas jurídicas, pessoas físicas. Informações sobre GASTOS DIRETOS do Governo Federal, contratação de obras e compras governamentais, por órgão, despesas por ação governamental, por favorecidos (empresas privadas ou pessoas físicas), diárias pagas, cartões de pagamento do Governo Federal. Informações sobre RECEITAS, as previstas e as realizadas pelo Governo Federal, por órgão e por categoria das receitas. Informações sobre CONVÊNIOS. Informações sobre a lista de EMPRESAS SANCIONADAS (inidôneas, impedidas de contratar com o poder público federal). Informações sobre cargo, função e situação funcional dos SERVIDORES E AGEN- TES PÚBLICOS do Poder Executivo Federal. Fonte: Brasil (2010, on-line)5. Acesso à Informação R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 99 No mesmo portal podemos encontrar, também, informações para incremento do controle social, como: ■ Informações sobre Transparência no Governo: lista com os órgãos e enti- dades do Governo Federal que possuem páginas de transparência pública próprias. ■ Informações sobre Participação e Controle Social. ■ Rede de Transparência: informações sobre projetos e ações no âmbito do Poder Executivo Federal, que são divulgados pelos órgãos em suas res- pectivas páginas eletrônicas. ■ Informações sobre o Portal: origem dos dados, notícias, Fale Conosco, Perguntas Frequentes, Glossário e Links (BRASIL, 2010, on-line)5. A igura a seguir ilustra o que acabamos de relacionar e chamamos a atenção para o fato do portalrepresentado na imagem já ter recebido prêmios internacio- nais, por ser bastante completo e acessível. Em razão do tutorial ser igualmente completo e prático, não faremos a sua reprodução e propomos que você faça sua pesquisa e conheça todos os caminhos para acessar as informações sobre os dados das contas do Governo Federal e dos repasses aos governos estaduais e municipais. BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IIIU N I D A D E100 Figura 2 - Manual Portal da Transparência Fonte: Brasil (2010, on-line)5. Como você pode constatar, a pesquisa por meio do Portal de Transparência do Governo Federal não é difícil e você pode conhecer todos os recursos repassados ao seu município, contribuindo para seu estágio ou trabalho proissional. Acesse, conheça, pesquise, seja um expert no Portal de Transparência e in- centive colegas, cidadãos, conselheiros, usuários, acessando o site: <http://www.portaltransparencia.gov.br/faleConosco/perguntas-tema- -transparencia-lei-complementar>. Fonte: as autoras. Acesso à Informação R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 101 Se a transparência não é assunto novo no País e existem diferentes leis e políticas contemplam, como a própria Constituição de 1988, a Lei de Res- ponsabilidade Fiscal, a Lei do Processo Administrativo, a Lei do Habeas Data, a Lei de Arquivos e a LAI, que governos divulguem dados orçamentários e inanceiros, bem como atos administrativos, perguntamos: Se leis não faltam, por que a transparência é algo raro no setor público? Quais seriam as razões do descumprimento da legislação?! O que pode o cidadão fazer para mudar essa situação? Não ique triste, o assunto ainda não acabou... Existe um projeto conhecido como “Transparência nos Municípios” que tende a informar sobre os mu- nicípios do Paraná para serem pesquisados no Portal da Transparência dos Municípios, lançado pelo Ministério Público Estadual para dar suporte as prefeituras, câmaras e demais órgãos públicos de todo o estado na adequa- ção às Leis de Transparência e Acesso à Informação. Transparência nos Municípios: zelar pela transparência da gestão pública municipal é o objetivo do projeto institucional “TRANSPARÊNCIA NOS MU- NICÍPIOS”, que incentiva a implantação e aperfeiçoamento de portais dos entes municipais do Estado do Paraná para tornar públicos dados necessá- rios ao efetivo exercício da transparência governamental. Fonte: Ministério Público do Paraná (2016, on-line)6. BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IIIU N I D A D E102 Como muitas prefeituras e câmaras, especialmente de cidades pequenas, alega- vam não ter recursos inanceiros para construção do website e disponibilização das informações da transparência ATIVA, o Ministério Público do Paraná (MPPR) desenvolveu parceria com a Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar) para construção de uma ferramenta eletrô- nica que “permite a utilização de um modelo gratuito e adequado aos municípios que não têm portal de transparência ou que possuem sistemas que não aten- dem aos requisitos legais”. Como descrito na matéria postada no site do MPPR: Além da economia dos recursos públicos com o desenvolvimento de sites próprios, a solução garante que a população tenha acesso às infor- mações da administração pública, no menor período de tempo possí- vel, e evita ainda que as prefeituras tenham que responder, na Justiça, pelo desrespeito às leis que tratam do tema (MPPR, 2014, on-line)7. Em cumprimento ao projeto Transparência nos Municípios, sob a coordenação do Procurador de Justiça Dr. Bruno Galatti, o MPPR mobilizou todos os pro- motores públicos nos municípios para realizarem a avaliação dos portais das prefeituras e câmaras municipais, mediante um cheklist de procedimentos. A partir do cheklist, oiciou aos gestores públicos sobre as irregularidades encon- tradas e procedeu aos Termos de Ajuste de Conduta (TACs), mantendo também um portal de informações em que qualquer cidadão pode acompanhar a situa- ção do seu município. Acerca dos dados públicos e informações das prefeituras e câmaras das cida- des do seu Estado, você também pode pesquisar nos sites dos Tribunais de Contas Estaduais (TCEs). Infelizmente, nem todos publicam os dados disponíveis sobre as receitas e despesas, licitações, contratos e obras como o fazem os TCEs do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais, de São Paulo e do Ceará. Para este tópico, entendemos ter cumprido nosso propósito de despertar o interesse pelos dados públicos, dar a conhecer alguns caminhos para pesquisa e estimular a utilização das informações públicas para tornar mais eicaz o tra- balho dos acadêmicos de Serviço Social na disciplina de Estágio e, depois, na sua vida proissional. Conselhos Gestores de Políticas Públicas R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 103 CONSELHOS GESTORES DE POLÍTICAS PÚBLICAS Para que você entenda melhor tudo que envolve a atuação dos Conselhos Gestores de Políticas Públicas, apresentamos o assunto em dois momentos: concepções e legalidade e a realidade dos conselhos. CONCEPÇÕES E LEGALIDADE Não podemos dar por concluído nosso trabalho nesta Unidade sem antes falar dos Conselhos Gestores de Políticas Públicas, especialmente aqueles que atuam em nível municipal. Iniciamos a apresentação do tema com um texto da publicação da CGU: Controle Social, da série “Olho Vivo no Dinheiro Público”, publicada em 2012: [...] os conselhos são instâncias de exercício da cidadania, que abrem espaço para a participação popular na gestão pública. Nesse sentido, os conselhos podem ser classiicados conforme as funções que exercem. Assim, os conselhos podem desempenhar, conforme o caso, funções de iscalização, de mobilização, de de- liberação ou de consultoria. BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IIIU N I D A D E104 A função iscalizadora dos conselhos pressupõe o acompanha- mento e o controle dos atos praticados pelos governantes. A função mobilizadora refere-se ao estímulo à participação po- pular na gestão pública e às contribuições para a formulação e disseminação de estratégias de informação para a sociedade so- bre as políticas públicas. A função deliberativa, por sua vez, refere-se à prerrogativa dos conselhos de decidir sobre as estratégias utilizadas nas políticas públicas de sua competência, enquanto a função consultiva re- laciona-se à emissão de opiniões e sugestões sobre assuntos que lhes são correlatos. A legislação brasileira prevê a existência de inúmeros conselhos de políticas públicas, alguns com abrangência nacional e outros cuja atuação é restrita a estados e municípios. A instituição de conselhos e o fornecimento das condições ne- cessárias para o seu funcionamento são condições obrigatórias para que estados e municípios possam receber recursos do Go- verno Federal para o desenvolvimento de uma série de ações. No caso dos municípios, os conselhos foram criados para au- xiliar a prefeitura na tarefa de utilizar bem o dinheiro público. (CGU, 2012, on-line)3. A atuação dos conselhos municipais tem sido uma preocupação dos órgãos públicos de controle, tanto que o assunto foi tema da 1ª Conferência Nacional de Transparência e Controle Social – Consocial, realizadaem 2012, ocupando o Eixo III, com o título: “A Atuação Dos Conselhos De Políticas Públicas Como Instâncias De Controle”. Por trazer importantes informações, transcrevemos a seguir o enunciado do texto-base do Eixo III da 1ª Consocial: Conselhos Gestores de Políticas Públicas R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 105 Quadro 4 - Eixo III da 1ª Consocial A Constituição Federal de 1988 propôs importantes modiicações no arranjo de importantes políticas públicas com a transferência de sua gestão aos municípios. Com isso, foram introduzidas, no texto constitucional, diversas formas partici- pativas de gestão e controle em áreas como saúde, educação, assistência social, políticas urbanas, meio ambiente, entre outras Os conselhos gestores de políticas públicas constituem uma das principais expe- riências de democracia participativa no Brasil contemporâneo. Esses conselhos contribuem para o aprofundamento da relação Estado e Sociedade, permitindo que os cidadãos se integrem à gestão administrativa e participem da formulação, planejamento e controle das políticas públicas. A partir das diretrizes constitucionais de participação da sociedade nas deci- sões governamentais, especialmente nas políticas sociais, a legislação brasileira passou a prever a existência de inúmeros conselhos de políticas públicas, alguns com abrangência nacional e outros cuja atuação é restrita a estados e municípios Atualmente, a maior parte dos programas do governo federal prevê a parti- cipação dos cidadãos na execução e controle das políticas públicas por meio de conselhos. Além disso, a liberação de recursos a estados e municípios está vinculada à instituição de conselhos, que devem contar com condições necessá- rias para o seu funcionamento, a exemplo do Programa Nacional de Alimentação Escolar - PNAE, Programa Bolsa Família, Programa Saúde da Família - PSF, Fundo de Educação Básica – Fundeb, dentre outros. A lei que institui cada conselho deine sua composição, atribuições, duração de mandatos, dentre outras especiicações. Os conselhos podem desempenhar, conforme o caso, funções de iscalização, mobilização, deliberação ou função consultiva e, em geral, sua composição é orientada pelo princípio da paridade, de forma a garantir a representação de diferentes segmentos sociais. A organização e o funcionamento de cada conselho gestor de políticas públicas podem ser deinidos tanto na lei que o criou como em seu regimento interno. Em geral, os conselhos municipais se organizam em plenárias, comissões, secre- tarias executivas e audiências públicas. Fonte: CGU (2012, on-line)3. Ainda utilizando o texto-base da 1ª Consocial, que demonstra a preocupação com o cumprimento do real papel dos conselhos gestores de políticas públicas, enquanto espaço de participação dos cidadãos na gestão e no controle da admi- nistração pública, repetimos as perguntas que lá constam: BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IIIU N I D A D E106 1. Esse espaço da cidadania está servindo ao seu propósito? 2. O que falta para os conselhos poderem exercer, de fato, o controle social? 3. Autonomia? Infraestrutura? Capacitação? Mobilização Social? A própria população tem apresentado outras questões como: a forma de instituição e estruturação dos conselhos, sua composição, autonomia administrativo-inan- ceira. Contudo, outros fatores inluenciam na atuação dos conselheiros, como a diiculdade de acesso aos documentos e informações, além da capacitação téc- nica para que os conselheiros tenham efetivamente condições de iscalizar e avaliar a execução das políticas públicas. Outras perguntas discutidas na 1ª Consocial continuam sem resposta, pelo menos no sentido da aplicação das propostas apresentadas na conferência. Valem uma boa relexão dos acadêmicos e dos proissionais do Serviço Social: 1. Como avançar na qualiicação dos conselheiros? 2. Como fortalecer o vínculo entre conselho e sociedade? 3. Como ampliar a participação da sociedade nos conselhos? 4. Como engajar os cidadãos? 5. Como o Estado pode contribuir nesse processo?! Você sabe quais os conselhos gestores de políticas públicas devem ser cria- dos na sua cidade?! Você já participou de uma conferência municipal que discute as políticas públicas de uma área especíica e elege os conselheiros? Conselhos Gestores de Políticas Públicas R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 107 A REALIDADE DOS CONSELHOS MUNICIPAIS Em 2013, durante o Encontro Internacional Participação, Democracia e Políticas Públicas: aproximando Agendas e Agentes, na Universidade Estadual paulista (UNESP) de Araraquara-SP, Danitza Passamai Rojas Buvinich, doutouranda da Universidad Complutense de Madrid, apresentou o trabalho “O Mapeamento Da Institucionalização Dos Conselhos Gestores De Políticas Públicas Nos Municípios Brasileiros”, cujo resumo apresentamos a seguir: O artigo apresenta os principais resultados da pesquisa exploratória que teve por objetivo identiicar as características gerais da institucio- nalização dos conselhos municipais de políticas no Brasil. Baseada em dados do IBGE, complementada por uma análise legislativa, são anali- sados 36 conselhos federais como requisito prévio para a análise muni- cipal de conselhos em 11 áreas temáticas. Como resultado, identiicou-se que a maioria dos conselhos não é de conformação obrigatória, no entanto, existe uma relação direta entre a obrigatoriedade e o índice de implementação municipal desses conse- lhos. Identiicou-se também, padrões de conformação institucionais regio- nais, que determinam que os conselhos da região Nordeste sejam, pro- porcionalmente, mais paritários e deliberativos que os das regiões Sul e Sudeste. Por último, a análise transversal dos dados aponta para uma tendência de alteração no modelo institucional dos conselhos de políti- cas brasileiros (BUVINICH, 2013, p. 2)8. Importante notar o comentário da autora com relação à pesquisa sobre como são implantados os conselhos de políticas nos municípios brasileiros, airmando que isso “possibilita formar uma visão sistêmica ampla, raramente fornecida nos estudos sobre o tema, que buscam em geral enfocar uma área temática especí- ica, ou uma região determinada” (BUVINICH, 2013, p. 3)8. Isso nos chama a atenção porque é justamente o que os Observatórios Sociais têm constatado em seu trabalho junto aos conselhos municipais. Como os obser- vadores buscam levar informações e oferecer capacitação aos diversos conselhos, especialmente àqueles que são gestores de recursos públicos, têm encontrado muita disparidade na condução da maioria deles, desde a sua constituição até a qualiicação dos conselheiros, passando pela dinâmica de sua atuação. BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IIIU N I D A D E108 Foi possível constatar, por exemplo, que há municípios em que alguns conselhos estão instituídos em decreto municipal, mas não existem de fato. Observadores colheram depoimentos de conselheiros que airmaram não haver reuniões do seu conselho. Sendo questionados sobre a existência de atas de reu- niões assinadas por eles, conirmaram que assinavam o que o prefeito mandava. Outro fato facilmente comprovado é o desconhecimento das funções do con- selho e do papel de conselheiro, originado na falta de mecanismos e eventos de capacitação e, minimamente, de repasse dos instrumentos legais. Isso, sem falar da composição dos conselhos esua paridade representativa, da legitimidade das conferências municipais que elegem os conselheiros e deinem as diretrizes das políticas públicas. Há registros de conferências que sequer foram realizadas e os conselhos foram criados sem a representatividade paritária prevista em Lei. E os disparates não cessam por aí! Foram encontradas situações como a de prefeituras que publicam o Plano Municipal de Saúde sem que tenha sido apre- sentado ou discutido pelo conselho da área. Em termos de Brasil, com uma abrangência continental, não é fácil conseguir um mapeamento da existência dos conselhos municipais. Pesquisar os dados e conseguir informações idedignas sobre o funcionamento deles, ainda mais tra- balhoso. Encontramos no citado o artigo de Buvinich, alguns dados: No total, no ano de 2009, o Brasil contabilizou 43.156 conselhos mu- nicipais. Destaca-se que não estão contabilizados os conselhos federais e estaduais. Há de se destacar também, que as distintas políticas inves- tigadas pelo Munic/2009 não cobrem a totalidade das políticas para as quais existe o modelo de conselho implantado. Isso signiica dizer, que o total apresentado é, certamente, inferior ao total real. Somados aos conselhos federais, o Brasil possui hoje, ao menos 43.192 conselhos. Quanto ao número de conselhos municipais implantados, veriica-se que os que têm maior percentual total de implantação são os Conselhos de Assistência Social, presentes em 99% dos municípios, seguido dos Conselhos de Alimentação Escolar (CAEs), com 98% dos municípios brasileiros, cerca de 5.466. Em seguida vêm os conselhos de saúde, com 97% e os conselhos do Fundeb, com 94% (BUVINICH, 2013, p. 9)8. Conselhos Gestores de Políticas Públicas R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 109 Buvinich (2013, on-line)8 relata um agravante: o expressivo número de tipos de conselhos e a diversidade da legislação que os obrigam, sem uma uniformidade e com baixa qualidade na sua regulamentação e muito menos instrumentos de iscalização da sua correta aplicação. Pois bem, temos uma pergunta a responder: o que podem fazer os acadêmi- cos e proissionais do Serviço Social para mudar a realidade que aqui, brevemente, apresentamos? Imaginamos propor um desaio para os acadêmicos da disciplina de Estágio: fazer o mapeamento da situação dos conselhos municipais, levantando dados como: ■ Quantos e quais conselhos em cada município. ■ A existência dos decretos municipais criando esses conselhos. ■ A realização das respectivas conferências. ■ Representatividade e paridade. ■ Condições e periodicidade de capacitações para os conselheiros. ■ Dinâmica dos conselhos quanto à gestão administrativa, reuniões, reso- luções e respectivas atas. ■ Outros aspectos que possam agregar valor à pesquisa. Estamos certos de que essas informações poderiam compor um importante compêndio, a ser publicado pela Unicesumar, que em muito contribuiria para a avaliação da situação do controle social no Brasil, do ponto de vista dos Conselhos Gestores de Políticas Públicas. Ousamos dizer que tal trabalho poderia, inclusive, inluenciar mudanças na legislação e na regulamentação dos conselhos e também na estrutura e ges- tão dos programas de capacitação de conselheiros, geridos pelos órgãos oiciais, como a Controladoria-Geral da União. Quem aceita o desaio? BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IIIU N I D A D E110 CONSIDERAÇÕES FINAIS Querido(a) aluno(a) buscamos nesta unidade possibilitar a vocês apreensão sobre informações de domínio público, bem como onde buscar tais informações. Também aprendemos que tudo que é público deve estar publicado e acessível a todo cidadão, que tem o direito fundamental de acesso à informação pública. Constatamos que, apesar de farta legislação a respeito deste tema, muitos órgãos públicos ainda não a cumprem, negando esse direito à população. Apresentamos diferentes portais de transparência que tratam de temas varia- dos desde a questão inanceira até as relações sociais e políticas, por meio dos quais podemos acessar os dados de execução orçamentária, atos administrativos, licitações, contratos e outros dados das prefeituras municipais, especialmente os portais da CGU-Controladoria-Geral da União, de alguns Tribunais de Contas e, como bom exemplo, o Portal dos Municípios do Paraná, organizado e divul- gado pelo Ministério Público Estadual. Trabalhamos ainda, com os portais que tratam das políticas públicas, des- tacando o site do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, cujos links apresentam dados detalhados das ações e avanços na política de assistência social nos municípios, bem como o site do Atlas do Desenvolvimento Humano que apresenta dados reais dos municípios em todas as áreas. Por im, izemos uma relexão sobre as concepções, legalidade e a realidade dos Conselhos Gestores de Políticas Públicas. Uma realidade que causa preocu- pação pela falta de cumprimento da legislação e falta de condições adequadas de funcionamento, do ponto de vista administrativo e de capacitação de conselheiros. O Brasil carece muito de investimentos no controle social, especialmente no trabalho dos conselhos e concluímos que acadêmicos, professores e proissio- nais do Serviço Social podem contribuir para mudar essa realidade. Assim, caro estudante, compete também à você alterar este quadro preocupante. 111 1. A respeito do acesso a informação, assinale com verdadeiro ou falso: ( ) Todos os órgãos públicos, especialmente de nível municipal, possuem portais da transparência padronizados, o que facilita o acesso à informação ao cidadão. ( ) A maioria da população já conhece a LAI e busca informações nos portais da transparência. ( ) Muitas prefeituras e câmaras, especialmente de cidades pequenas, alegam não ter recursos inanceiros para construção do website e disponibilização das informações. ( ) A publicidade é um dos princípios a serem obedecidos pela Administração Pública, ao lado dos de legalidade, impessoalidade, moralidade e eiciência. ( ) O acesso às informações deverá ser feito por meio de todos os meios disponí- veis e, obrigatoriamente, em sítios da internet. ( ) A transparência pode ser classiicada em ATIVA: quando a Administração Públi- ca divulga informações à sociedade por iniciativa própria, de forma espontânea, contudo por meio de pedidos. ( ) Transparência PASSIVA é quando a Administração Pública divulga informações sob demanda em atendimento às solicitações da sociedade. ( ) Em matéria de transparência pública, o sigilo é a regra e o acesso, a exceção. Assinale a resposta correta: a. F, F, V, V, V, F, V, F. b. V, V, F, F, V, F, V, F. c. F, V, V, V, F, V, F, F. d. F, F, F, V, V, F, V, F. e. F, F, V, V, V, F, V, V. 2. Os conselhos são instâncias de exercício da cidadania, que abrem espaço para a participação popular na gestão pública. Nesse sentido, podem ser classiicados conforme as funções que exercem. Assim, os conselhos podem desempenhar, conforme o caso, funções de iscalização, de mobilização, de deliberação ou de consultoria. Correlacione: ( ) Fiscalizadora. ( ) Mobilizadora. ( ) Deliberativa. ( ) Consultiva. 112 (A) Refere-se à prerrogativa dos conselhos de decidir sobre as estratégias utiliza- das nas políticas públicas de sua competência. (B) Relaciona-se à emissão de opiniões e sugestões sobre assuntos que lhes são correlatos. (C) Pressupõe o acompanhamento e o controle dos atos praticados pelos gover- nantes. (D) Refere-se ao estímulo à participação popular na gestão pública e às contri- buições para a formulação e disseminação de estratégias de informação para a sociedade sobre as políticaspúblicas. Assinale a alternativa correta: a. D, C, B, A. b. C, D, A, B. c. D, C, A, B. d. C, A, B, D. e. B, D, B, A. 3. Os conselhos são instâncias de exercício da cidadania, que abrem espaço para a participação popular na gestão pública. Nesse sentido, podem ser classiicados conforme as funções que exercem. Assim, os conselhos podem desempenhar, conforme o caso, funções de iscalização, de mobilização, de deliberação ou de consultoria. Correlacione: ( ) Fiscalizadora. ( ) Mobilizadora. ( ) Deliberativa. ( ) Consultiva. ( ) Punitiva. 113 (A) Refere-se à prerrogativa dos conselhos de decidir sobre as estratégias utiliza- das nas políticas públicas de sua competência. (B) Relaciona-se à emissão de opiniões e sugestões sobre assuntos que lhes são correlatos. (C) Pressupõe o acompanhamento e o controle dos atos praticados pelos gover- nantes. (D) Refere-se ao estímulo à participação popular na gestão pública e às contri- buições para a formulação e disseminação de estratégias de informação para a sociedade sobre as políticas públicas. (E) Não é função dos conselhos. Assinale a alternativa correta: a. E, D, B, A, E. b. C, D, B, A, E. c. C, D, A, B, E. d. D, C, E, B, A. e. C, D, E, A, B. 4. De acordo com as discussões desenvolvidas nesta unidade do livro, o Censo é um instrumento pelo qual se levanta diferentes dados sobre a população que posteriormente são disponibilizados para consultas e pesquisas. Assinale nas airmativas a seguir aquela que corresponde a periodicidade com esta pesquisa é aplicada e o órgão responsável pela sua execução: a. A cada 15 anos. Aplicada pelo Instituto Brasileiro de Geograia e Estatística. b. A cada 10 anos. Aplicada pelo Instituto Brasileiro de Geograia e Estatística. c. A cada 5 anos. Aplicada pelo Instituto Brasileiro de Geograia e Estatística. d. A cada 10 anos. Aplicada pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Eco- nômico e Social. e. A cada 5 anos. Aplicada pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Eco- nômico e Social. 5. Para que as ações das políticas públicas possam ser elaboradas de acordo com as necessidades apontadas em cada território pelos diferentes grupos sociais é imprescindível compreendermos o que é demanda e o que oferta dos serviços. Diante dessa airmação explique o que é demanda e o que é oferta dos serviços: 114 LEITURA COMPLEMENTAR A prática do controle social e participação social são fundamentais no desenvolvimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e ter acesso às informações sobre história dos conse- lhos, sua organização, formas de praticá-los e legislação relacionada ao tema” você po- derá encontrar na publicação “Para Entender O Controle Social Na Saúde”, do Conselho Nacional de Saúde, 2013. Assim como um roteiro para atuação em caso de denúncias, solicitações e pedidos de orientação ao Conselho Nacional de Saúde. Ao longo dos anos, a participação da sociedade no setor Saúde passou por processos de mudanças complexos, que resultaram em um sistema de controle social cada vez mais qualiicado, deliberativo, independente e representativo. A democratização das políticas de saúde é exemplo de um dos avanços viabilizados pela existência do controle social. Os conselhos de saúde e as conferências de saúde se constituem, atualmente, nos prin- cipais espaços para o exercício da participação e do controle social na implantação e na implementação das políticas de saúde em todas as esferas de governo. Atuando como mecanismos essencialmente democráticos, através deles, a sociedade se organiza para a efetiva proteção da saúde como direito de todos e dever do Estado. A amplitude do campo de atuação dos conselhos de saúde, além de valiosa, é extensa. Como exemplo, a instituição dos conselhos de saúde atende à exigência legal estabelecida para o repasse de recursos inanceiros, estaduais ou federais, ao setor Saúde. Sua atuação e variedade de competências fazem com que, hoje em dia, todos os municípios brasileiros dispo- nham de um conselho de saúde. A importância e o valor que os conselhos e as conferências de saúde representam para a sociedade brasileira deram origem a esse manual. Ele surge com o objetivo de atender a necessidade de qualiicação constante, dinâmica e progressiva de todos os sujeitos envolvidos no exercício do controle social na saúde no país. Além disso, o manual nasce com o intuito de difundir conhecimentos, de ser uma ferramenta útil ao intercâmbio de ideias e de experiências entre os diversos conselhos municipais e estaduais existentes no país e de fornecer informações atualizadas sobre o controle social na saúde à socie- dade brasileira. Esperamos que a sua leitura resulte em processos de aperfeiçoamento e de inovação, as- sim como provoque o fortalecimento, ainda maior, dos conselhos municipais, Estaduais e do Conselho Nacional de Saúde (CNS). Acreditamos que, pela via de um controle social cada vez mais eicaz e efetivo, a formulação, a iscalização e a deliberação das políticas de saúde serão sempre desenvolvidas sob o pilar da democratização, da gestão e da qualidade da prestação dos serviços de saúde. Fonte: Brasil, Ministério da Saúde (2013, on-line)9. REFERÊNCIAS 115 BRASIL. LEI COMPLEMENTAR Nº 131, DE 27 DE MAIO DE 2009. Acrescenta disposi- tivos à Lei Complementar no 101, de 4 de maio de 2000, que estabelece normas de inanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão iscal e dá outras pro- vidências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/leis/LCP/Lcp131. htm>. Acesso em 16 jan. 2017. REFERÊNCIAS ON-LINE: 1Em: <http://187.4.200.245:81/cogemas/2a.Reuni%C3%A3o_CALMON%20 14%20DE%20ABRIL%20DE%202015/DIAGN%C3%93STICO%20PARA%20GEST%- C3%83O%20MUNICIPAL.pdf >. Acesso em: 06 fev. 2017. 2Em: <http://7a12.ibge.gov.br/sobre-o-ibge/o-que-e-censo.html >. Acesso em: 06 fev. 2017. 3Em: <http://www.cgu.gov.br/Publicacoes/controle-social/arquivos/controleso- cial2012.pdf >. Acesso em: 06 fev. 2017. 4Em: < http://artigo19.org/wp-content/blogs.dir/24/iles/2013/04/Lei_Geral_de_ Acesso_%C3%A0_Informa%C3%A7%C3%A3o-1.pdf >. Acesso em: 06 fev. 2017. 5Em: <http://www.portaldatransparencia.gov.br/manual/manualCompleto.pdf >. Acesso em: 06 fev. 2017. 6Em: <http://www.transparencia.mppr.mp.br/arquivos/File/transp/prestacao_con- tas/PrestContasMP2015_Internet.pdf>. Acesso em: 06 fev. 2017. 7Em: <www.mppr.mp.br/modules/noticias/article.4939>. Acesso em: 06 fev. 2017. 8Em: < www.fclar.unesp.br/Home/Pesquisa/GruposdePesquisa/participacaodemo- craciaepoliticaspublicas/encontrosinternacionais/pdf-st06-trab-aceito-0148-5.pdf>. Acesso em: 06 fev. 2017. 9Em: < http://conselho.saude.gov.br/biblioteca/livros/Manual_Para_Entender_Con- trole_Social.pdf >. Acesso em: 06 fev. 2017. MATERIAL COMPLEMENTAR Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário Consulte as informações no site do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário. O menu com os links icam ao lado esquerdo da tela. Exemplo: ao clicar em Assistência Social temos informações especiicas sobre esta política pública. Ao acessarmos o link avaliação e Gestão da informação podemos acessar o nosso município em números por meio dos relatórios encaminhados pelo município ao Governo Federal. Portanto, a transparência se evidencia aqui, o que qualiica a gestão. Para saber mais acesse: <http://www.mds.gov.br/>. Lei de Acesso à Informação (Lei n. 12.527) O acesso à informação contribui para aumentar a eiciência do Poder Público, diminuir a corrupção e elevar a participação social. Acesso à informação: direito do cidadão e dever do Estado. Para saber mais sobre a Lei de Acesso à Informação, acesse: BRASIL. Lei de Acesso à Informação. Disponível em: <http://www.acessoainformacao.gov.br/menu-de-apoio/entenda-a-lai>. Portal Informação Para Todos O TCE do Paraná lançou o Portal Informação Para Todos em setembro de 2016, após quatro anos de apelos da sociedade civil, tendo inclusive assinado um novo acordo de cooperação com o OSB, como se pode veriicar namatéria publicada no site do OSB, acessada pelo link: <osbrasil.org.br/ termo-e-irmado-entre-osb-e-tce-pr-e-populacao-ganha-acesso-a-informacoes>. Os dados do Portal Informação para Todos podem ser acessados pelo site do próprio TCE-PR, pelo link: <www1.tce.pr.gov.br>. Você pode buscar conhecer mais sobre o que exige a Lei nos portais de transparência dos municípios e realizar o monitoramento do site da prefeitura da sua cidade, utilizando o checklist publicado pelo MPPR. Acesse o link: <http://www.planejamento.mppr.mp.br/arquivos/File/transparencia/ RequisitosPortaldaTransparenciaMunicipal__1.pdf>. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Para complementar as informações a respeito da Lei de Acesso à Informação, você pode ler a cartilha “Entendendo A Lei Geral De Acesso À Informação”, publicada pela Artigo 19, uma ONG de direitos humanos nascida em 1987, em Londres, com a missão de defender e promover o direito à liberdade de expressão e de acesso à informação em todo o mundo. Seu nome tem origem no 19º artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU. Para saber mais acesse: ARTIGO 19 BRASIL. Entendendo a Lei Geral de Acesso à Informação, disponível em: <http://artigo19.org/wp-content/blogs.dir/24/iles/2013/04/Lei_Geral_de_ Acesso_%C3%A0_Informa%C3%A7%C3%A3o-1.pdf>. Os livros publicados pelo Conselho Nacional de Saúde são de grande importância para quem deseja conhecer mais sobre a política de controle social no Brasil. No site do conselho podemos encontrar manuais, textos de referência e publicações avulsas. Link: <http://conselho.saude.gov.br/biblioteca/livro.htm>. GABARITO 1. Letra A. 2. Letra B. 3. Letra C. 4. Letra B. 5. Resposta: a demanda se apresenta no território a partir das vulnerabilidades que este apresenta em relação a falta de cobertura de determinados serviço públi- co. Já a oferta são os serviços disponibilizados para atender as necessidades da população. Eles podem ser serviços da rede governamental ou da rede não go- vernamental. U N ID A D E IV Professora Esp. Roni Enara Rodrigues OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA Objetivos de Aprendizagem ■ Apresentar o Observatório Social do Brasil, seu histórico, formatação e marco regulatório, enquanto organização de controle social. ■ Apresentar a metodologia de trabalho dos observadores. ■ Orientar sobre articulação de novos observatórios sociais. Plano de Estudos A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Observatório Social Brasil: histórico e marco regulatório ■ Metodologia do Observatório Social Brasil ■ Orientações sobre como articular a formação de um observatório social Introdução R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 121 INTRODUÇÃO Olá, Caro(a) Aluno (a). Agora vamos conhecer mais de perto o trabalho da Rede Observatório Social do Brasil (OSB), composta por mais de 3 mil volun- tários em 115 cidades de 19 estados, cuja missão é “Despertar o espírito de Cidadania Fiscal na sociedade organizada, tornando-a proativa, através do seu próprio Observatório Social, exercendo a vigilância social na sua comunidade, integrando a Rede de Observatório Social do Brasil”. Vamos passear pela linha do tempo, identiicando fatos e eventos que marcaram a história do OSB e dos observadores Brasil afora. Os conceitos e práticas do controle social e da coniguração jurídica dos Observatórios Sociais (OSs) serão apresentados com o intuito de facilitar a com- preensão e o entendimento sobre o contexto em que se desenrola atuação dos observadores nas suas cidades. Esta Unidade também traz mais detalhes acerca do funcionamento da Rede OSB e da metodologia padronizada seguida pelos observadores, cercada pelos princípios e diretrizes expressas no Código de Conduta e nos manuais de proce- dimentos e orientações, o que garante a credibilidade da sua atuação. A primeira regra para criação de um Observatório Social é a não iliação partidária, seguida da representatividade do maior número possível de entidades da sociedade civil. Além disso, você poderá inteirar-se sobre direitos e deveres do cidadão, paga- mento de tributos, exercício da cidadania e do controle social. Aspectos legais que conferem legitimidade no acompanhamento da administração pública e is- calização dos recursos oriundos dos impostos que todo cidadão paga. Você deseja fazer parte dessa história e contribuir para a constituição de um OS na sua cidade? Nesta unidade encontrará as orientações e o passo a passo para fazer desse propósito uma realidade. Sugerimos que aproveite as indicações de leitura, pesquisa e materiais com- plementares, ainal, você é um cidadão e, como tal, pode ser protagonista de dias melhores para sua cidade, bairro onde mora ou somente para sua rua. OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IVU N I D A D E122 OBSERVATÓRIO SOCIAL BRASIL: HISTÓRICO E MARCO REGULATÓRIO O Observatório Social do Brasil congrega e articula uma Rede de cidades que constituíram o seu Observatório Social, cujo propósito é contribuir para a ei- ciência da gestão pública municipal por meio do monitoramento das contas da prefeitura e da câmara, além de outros programas que conheceremos neste tópico. LINHA DO TEMPO Caro(a) aluno(a) como na Unidade I acerca do contexto histórico da constituição do primeiro Observatório Social na cidade de Maringá, no Paraná, é importante ressaltar que, como precursor dos OSs e primeiro evento mobilizador da sociedade civil no Estado do Paraná, tivemos o Movimento Pela Cidadania Fiscal – MPCF (veja logomarca história, a seguir), nascido em 2004 e com forte atuação em 2005 na maioria das cidades que contavam com uma associação comercial, ligada à Federação das Associações Comerciais do Paraná (FACIAP), que capitaneava Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 123 o Movimento sob a coordenação do seu Vice-Presidente Eduardo José Daibert Araújo, também idealizador da proposta dos Observatórios Sociais. Fazemos questão também de registrar que a Unicesumar, à época, foi uma das instituições indutoras e apoiadoras desse trabalho, especialmente com a parti- cipação do seu Reitor, Professor Wilson de Mattos Silva. Pois bem, tão logo os primeiros resultados do trabalho em Maringá, em razão da economia proporcionada aos cofres municipais, foram divulgados, cidadãos de outras cidades se interessaram pela criação de uma unidade local. Reunidos os Observatórios Sociais das cidades de Campo Mourão, Goioerê, Toledo, Cascavel e Francisco Beltrão, todas no Paraná, decidiram por criar um sistema federativo, com uma entidade central que congregasse todas as cidades e fosse responsá- vel pela articulação de parcerias e apoios institucionais, realizasse capacitações e izesse o suporte técnico aos observatórios locais, além de ser o guardião dos princípios e da metodologia de trabalho, orientando e coordenando a abertura de novos Observatórios Sociais. Assim nasceu o Observatório Social do Brasil que, à época – em 2008, chama- va-se Instituto da Cidadania Fiscal (ver logomarca histórica, a seguir). Entendendo que esse nome não facilitava a identiicação com os Observatórios Sociais, em 2010 foi alterado para Observatório Social do Brasil (ver logomarca abaixo). Figura 1 - Logomarcas do Observatório Social do Brasil Fonte: OSB ([2017]1, on-line) A última logomarca é a atual e que se encontra na referência descrita na fonte da Figura 1. As duas primeiras logomarcas foram retiradasdo acervo pessoal das autoras e representam um registro histórico da evolução do Observatório Social do Brasil. Tendo iniciado seu trabalho em 2008, com 05 cidades, o Observatório Social do Brasil (OSB) passou a ser demandado por cidadãos de várias partes do Brasil para promover a disseminação da metodologia, tendo expandido a Rede OSB OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IVU N I D A D E124 para 115 cidades de 19 Estados, segundo dados de dezembro de 2016 (veja no website do OSB a relação de cidades, por Estado)2. A seguir, na Figura 2 o mapa ilustra a distribuição dos Observatórios Sociais nos Estados brasileiros: Figura 2 - Rede OSB pelo Brasil Fonte: a autora No Quadro 1 a seguir, veja a linha do tempo do OSB, os eventos que marca- ram a sua história, desde 2005 quando foi apresentada a proposta de criação de Observatório Social no Estado do Paraná: Quadro 1 - Linha do tempo do OSB LINHA DO TEMPO DO OSB 2005 Lançamento da proposta de criação de observatórios sociais na XV Convenção das Associações Comerciais do PR. 2006 Constituição do Observatório Social de Maringá. 2007 Primeiros resultados apresentados na Convenção da Confederação das Associações Comerciais do Brasil. 2008 Constituição do Observatório Social do Brasil, por 05 Observatórios Sociais do Paraná. Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 125 2008 e 2009 Realização de 14 reuniões presenciais para teste e validação da me- todologia de trabalho e alavancagem de parcerias para capacitação dos observadores e estruturação da Rede OSB de Controle Social. 2009 1º Encontro dos Observatórios Sociais, com 25 cidades. 2010 1º Seminário Nacional de Educação Fiscal e Controle Social, organi- zado pelo OSB em parceria com Universidade Estadual de Maringá. 2012/ março: 1º ENOS - Encontro Nacional dos Observatórios Sociais, em Curiti- ba, com 51 cidades. 2012/ setembro: 2º ENOS, em Curitiba, com 56 cidades. 2013/abril: 3º ENOS, em Curitiba, com 60 cidades. 2013/ novembro: 4º ENOS, em Curitiba, com 71 cidades. 2014 5º ENOS, em Balneário Camboriú, com 74 cidades. 2015: 6º ENOS, em Brasília, com 90 cidades. 2016 7º ENOS, em Curitiba, com 105 cidades. 2016/ dezembro Fechamento do ano com 115 cidades. Fonte: as autoras. No quadro 2 a seguir, veja a Rede OSB retratada em números: Quadro 2 - OSB em números Presença em mais de 100 cidades de 19 Estados, o que equivale a: • Mesmo nº de municípios de RR, AP, AC e RO juntos! • Maior nº de municípios que os Estados de MS ou AM ou SE ou ES ou RJ. Cobertura de quase 30 milhões de habi- tantes (15% da po- pulação brasileira): • Mesmo nº de habitantes que os Estados de ES, RN, AL, MT, PI, DF, MS, SE, RO, TO, AC, AP, RR juntos! • Ou mesma população que MG e PE juntos! • Ou a mesma população que a Região Sul. Monitoramento do gasto público: • Orçamento anual (total) das 100 prefeituras: superior à R$ 69 bi. • Orçamento anual de compras das 100 prefeituras: cerca de R$ 34 bi. OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IVU N I D A D E126 Potencial de eco- nomia gerada pelo trabalho dos OS nas licitações acompa- nhadas: • De 10 a 15% do valor do orçamento total de compras. • Considerando que os Observatórios monitoram ape- nas 25% das licitações, em média. • Economia contabilizada nos últimos 4 anos: mais de R$ 1,5 bilhões. • Recursos que deixaram de ser mal gastos ou desviados. Nicho de mercado para as empresas nas compras gover- namentais: • Dados do Sebrae PR: as compras das prefeituras têm 70% dos fornecedores de fora dos municípios parana- enses, o que signiica que 70% do valor dos impostos (alocados em aquisição de bens e serviços) não está circulando na economia local. • Com o trabalho dos Observatórios Sociais, na divulga- ção dos editais e na preparação das empresas locais para se tornarem fornecedoras da prefeitura, essa equação poderá inverter-se, injetando mais recursos no comércio local, gerando mais emprego e renda. Fonte: as autoras. Fazemos destaque ao volume de recursos dos cofres municipais economizados pela contribuição que o trabalho de monitoramento das licitações proporcionou. Entre 2012 e 2016, a economia foi superior à cifra de R$ 1,5 bilhões, conforme a igura 3. Falaremos na Unidade V sobre alguns exemplos de casos de sucesso que levaram a esse resultado. Figura 3 - Economia para os cofres municipais Fonte: as autoras. Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 127 Na próxima igura ilustrativa, encontramos uma síntese dos números apresen- tados nos quadros anteriores: Figura 4 - OSB em números Fonte: Observatório Social do Brasil (2017, on-line)3. Importante ressaltar que não só de números e economia são compostos os resulta- dos da Rede OSB, mas também de mobilização de cidadãos voluntários e técnicos e de entidades representativas e parceiras. São mais de 40 entidades parceiras com acordos de cooperação assinados. Órgãos oiciais de controle, em todos os Estados, são apoiadores do trabalho da Rede OSB, como os Ministérios Públicos Estadual e Federal, os Tribunais de Contas Estaduais e o próprio Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU). Conira no Quadro 3, a seguir: OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IVU N I D A D E128 Quadro 3 - Maior rede no Brasil em articulação da sociedade civil MAIOR REDE NO BRASIL EM ARTICULAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL: • São 115 cidades, com previsão de chegar a 150 até o inal de 2017. • São mais de 3 mil voluntários. • Maior número de entidades representativas no País mobilizadas: ■ Organismos governamentais de iscalização e controle da gestão pública (ministério público, tribunais de contas, CGU). ■ Entidades empresariais (indústria, comércio, serviços). ■ Entidades proissionais e empresariais (conselhos, federações, sindicatos, associações). ■ Terceiro Setor (clubes de serviço, ONGs, igrejas e associações) ■ Universidades, faculdades e colégios de ensino médio e fundamental. • Mais de 130 palestras realizadas nos últimos 4 anos. • Mais de 8 mil pessoas assistiram às palestras. • Quase 200 mil km rodados pelo Brasil, disseminando o propósito dos Observa- tórios Sociais. • Mais de 3 mil horas de capacitações e suporte técnico aos observadores. • 30 mil empresas cadastradas no Sistema, recebendo divulgação gratuita dos editais de licitação. • Mais de 40 entidades parceiras da Rede OSB, com termos de cooperação assi- nados. Fonte: as autoras. MARCO REGULATÓRIO Para que que você tenha uma boa compreensão da legislação que ampara o tra- balho da Rede OSB, apresentaremos as explicações sobre o controle social e as prerrogativas legais, seguidas das informações acerca da coniguração jurídica dos Observatórios Sociais. Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 129 Com relação ao Controle Social Cabem aqui explicações sobre o controle social e as prerrogativaslegais para a sua prática. Com a chamada “Constituição Cidadã”, de 2008, o Brasil avançou muito nas questões de direitos dos cidadãos e deveres do Estado, prevendo o controle social e os mecanismos de participação nas decisões, controle e isca- lização das ações dos governantes e da correta aplicação dos recursos públicos. Lembrando que são os impostos que todos os cidadãos pagam é que compõem os “recursos públicos”. Aliás, o Brasil tem uma das mais altas cargas tributárias do mundo, sendo que valores expressivos são cobrados de maneira indireta, ou seja, embutidos no preço dos produtos e serviços que qualquer cidadão adquire, sem mesmo ter consciência do seu valor em comparação com o custo do produto ou serviço. Em seguida, no Quadro 4, uma relação dos principais impostos cobrados pelos governos, conforme sua competência: Quadro 4 - Relação de tributos Impostos de Competência da União 6. II – Imposto sobre a Importação e Produto Estrangeiro 7. IE – Imposto sobre a Exportação de Produtos Nacionalizados. 8. IR – Imposto Sobre Renda e Proventos de Qualquer Natureza. 9. IPI – Imposto Sobre Produto Industrializado. 10. IOF – Importo Sobre Operações Financeiras. 11. ITR – Imposto Sobre Propriedade Territorial Rural. 12. IGF – Imposto Sobre Grandes Fortunas. Impostos de Competência do Estado 1. ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços de Transportes. 2. ITD – Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de quaisquer Bens e Direitos. 3. IPVA – Imposto sobre a Propriedade de Veículo Auto Motor. Impostos de Competência do Município 1. ISS – Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza. 2. IPTU – Importo sobre Propriedade Predial Territorial Urbana. 3. ITBI – Importo sobre Transmissão de Bens Intervivos a qual- quer Título. Fonte: PORTAL TRIBUTÁRIO (2016, on-line)4. OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IVU N I D A D E130 Em razão do pagamento de tantos tributos que a população tem seus direitos asse- gurados na Constituição Federal, tanto em relação ao acesso a serviços públicos gratuitos e de qualidade, quanto em relação à transparência, acesso às informa- ções da gestão pública e ao controle sobre o uso desses recursos. Veja a seguir, algumas citações da Constituição Federal acerca do direito dos cidadãos de tomar contas do Estado: Constituição Federal de 1988, artigo 74, § 2º: Qualquer cidadão, par- tido político, associação ou sindicato é parte legítima para, na forma da lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União. Constituição Federal de 1988, artigo 5º, inciso LXXIII: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do di- reito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) qualquer cidadão é parte legítima para propor Quem paga imposto? Para onde vai? Como deveria retornar? Quem é o pa- trão? Como dissemos, em cada produto ou serviço adquirido pelo cidadão, há impostos embutidos no preço e que o fornecedor deve recolher aos cofres públicos. A maioria dos cidadãos não tem conhecimento disso e entende que não é contribuinte do governo porque não paga imposto sobre a renda. Para saber a média de impostos que pagamos, por produto, você pode aces- sar o link: <www.iepr.org.br/sombradoimposto>. Fonte: FIEPR ([2017], on-line)5. Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 131 ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, icando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da su- cumbência; Constituição Federal de 1988, artigo 31, § 3º: As contas dos Municípios icarão, durante sessenta dias, anualmente, à disposição de qualquer contribuinte, para exame e apreciação, o qual poderá questionar-lhes a legitimidade, nos termos da lei (BRASIL, 1988, on-line). Mas ainal, o que é controle social?! Segundo o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União, na coleção Olho Vivo – Cartilha de Controle Social, publicada em 2012: O controle social pode ser entendido como a participação do cidadão na gestão pública, na iscalização, no monitoramento e no controle das ações da Administração Pública. Trata-se de importante mecanismo de prevenção da corrupção e de fortalecimento da cidadania. No Brasil, a preocupação em se estabelecer um controle social forte e atuante torna-se ainda maior, em razão da extensão territorial do país e da descentralização geográica dos órgãos públicos integrantes dos diversos níveis federativos – União, estados, Distrito Federal e muni- cípios. No caso destes, há que considerar, ainda, o seu grande número. Por isso, a iscalização da aplicação dos recursos públicos precisa ser feita com o apoio da sociedade. O controle social é um complemento indispensável ao controle ins- titucional realizado pelos órgãos que iscalizam os recursos públicos. Essa participação é importante porque contribui para a boa e correta aplicação dos recursos públicos, fazendo com que as necessidades da sociedade sejam atendidas de forma eiciente. No entanto, para que os cidadãos possam desempenhar de maneira ei- caz o controle social, é necessário que sejam mobilizados e recebam orientações sobre como podem ser iscais dos gastos públicos (CON- TROLADORIA-GERAL DA UNIÃO, 2012, p.16-17). A abrangência do assunto é estendida pela citação contida no artigo de pós-gra- duação “Como O Controle Social Pode Melhorar A Gestão Pública Utilizando Observatórios Sociais Como Ferramenta”, das acadêmicas Fernanda Junges e Letícia Cardoso: OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IVU N I D A D E132 Se torna importante que as pessoas sejam conscientizadas de que o Es- tado não é um ente no qual se pode cegamente coniar e que o dinheiro que este administra é arrecadado do cidadão, sendo o cidadão responsá- vel por acompanhar e controlar o uso desse dinheiro para que sua apli- cação aconteça de maneira a beneiciar toda a população. Conforme exposto, o papel da população no controle social é fundamen- tal. Quanto mais esta for informada a respeito de seus direitos e quanto mais souber a respeito das diferentes maneiras através das quais ela pode exercer a sua cidadania, melhores serão os métodos que ela desenvolverá para promover o controle social de órgãos do governo e administração pública em geral, defendendo assim os interesses da coletividade e par- ticipando ativamente da vida do país (JUNGES; CARDOSO, 2015, p. 6). O controle social, portanto, é a participação da sociedade civil nos processos de planejamento, acompanhamento, monitoramento e avaliação das ações da gestão pública e na execução das políticas e programas públicos. Como ao administra- dor público só é permitido fazer o que a Lei determina, ao cidadão é computado o direito de exercer o controle, cobrando o respeito aos princípios constitucionais, descritos no Art. 37 da Constituição Federal. São eles: legalidade, impessoali- dade, moralidade, publicidade e eiciência. A sua função é possibilitar o controle das atividades administrativas de todos os entes que integram a federação bra- sileira (União, Estados, Distrito Federal e Municípios). O exercício da cidadania por meio do controle social podeser consolidado de diversas formas e por muitos meios, como a participação em: conselhos municipais de políticas públicas, movimentos sociais, ONGs de monitoramento, processos eleitorais (exercendo o poder do voto), em ações pontuais como nas audiências públicas e no acompanhamento de serviços de saúde ou de alimentação escolar. Um entendimento importante da Rede OSB é a diferenciação entre controle social e iscalização. Os Observatórios Sociais exercem o controle social, mediante monitoramento e não a iscalização, pois esta é de competência dos órgãos oi- ciais controladores, como as câmaras municipais e a promotoria pública. Por que é necessário que o cidadão participe de alguma forma de ações de controle social?! Primeiro, porque os órgãos oiciais controladores não têm estru- tura, pessoal e condições suicientes para atendimento de toda demanda. Veja o exemplo do tamanho das equipes de auditores e analistas da CGU e do Tribunal de Contas da União (TCU) no Estado do Paraná, para atender a 399 municípios: Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 133 CGU-PR são 43 servidores, incluindo analistas e técnicos. Os técnicos também fazem iscalização. SECEX-PR (TCU) são 29 ao todo, sendo que apenas 16 servidores têm competência de iscalizar (OSB, 2010, p. 6)6. Agora, imagine que um estudo publicado pela CGU em abril de 2008 já dava conta de que 91,67% das licitações analisadas continham fraudes, ou seja, 55 dos 60 municípios iscalizados pelo país. Só mesmo com a participação da população no monitoramento dos gastos públicos. Essa foi uma das razões da realização da 1ª Conferência Nacional sobre Transparência e Controle Social (1ª Consocial), coordenada pela Controladoria-Geral da União (CGU). Convocada pelo Decreto Presidencial de 08 de julho de 2011, a Conferência teve etapas preparatórias de julho de 2011 a abril de 2012 em todo o Brasil, mobilizando diretamente mais de 150 mil cidadãos representados por cerca de 1,2 mil delegados na etapa nacio- nal, que ocorreu em Brasília entre 18 e 20 de maio de 2012. Segundo informações da própria Controladoria-Geral da União (CGU), o tema central “A Sociedade no Acompanhamento e Controle da Gestão Pública” teve como objetivo promover a transparência pública e estimular a participação da sociedade no acompanhamento e controle da gestão pública, contribuindo para um controle social mais efetivo e democrático. Conheça os resultados, o processo da 1ª Consocial e as propostas priorizadas que foram objeto de um amplo debate nacional e são representativas dos anseios da sociedade brasileira. Registramos a questão da 1ª Consocial por sua importância histórica no for- talecimento do controle social e pela ampla participação dos observadores sociais em todas as etapas da conferência, em nível municipal, estadual e na nacional, com 11 OSs representados em Brasília em maio de 2012. Aqui também ressalta- mos o reconhecimento alcançado pela Rede OSB, já em 2012, tanto que das 80 propostas que sinalizaram as prioridades da sociedade quanto à transparência pública, controle social, prevenção e combate à corrupção, a 11ª mais votada foi: Incentivo à Criação de Observatórios de Controle Social (OCS) em to- dos municípios brasileiros, formados por representantes da sociedade civil, que não tenham cargos de coniança ou similar em governos e/ou partidos políticos. Os eleitos nos OCSs serão responsáveis por exercer controle social sobre os governos locais, estaduais e nacional (iscali- zar as licitações em todas as suas fases, conscientização e educação da OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IVU N I D A D E134 sociedade sobre os temas ains e fazer denúncias de irregularidades e má gestão da coisa pública). Os OCSs deverão ter apoio dos governos em capacitação, mas, sem se constituir como um órgão público ou com regras similares às da lei que instituiu os conselhos tutelares e modelos de iscalização feita pelas OSCIPs (CONSOCIAL, 2012, p. 3)7. Os assuntos cidadania e controle social são candentes e não se esgotam com faci- lidade. Há muito por pesquisar, falar, entender e praticar. Deixaremos por conta do leitor a tarefa de complementar as informações a respeito e prosseguiremos falando do Observatório Social do Brasil como uma das possibilidades para o exercício da cidadania e a prática do controle social. Deixamos também o registro de que o Observatório Social é uma das inúme- ras organizações que trabalham em favor da transparência e da correta aplicação dos recursos públicos no Brasil, embora com sistema federativo e organizado em rede, seja uma das poucas. Você também pode concluir seus estudos pesqui- sando sobre o trabalho das outras organizações. Olho vivo no dinheiro público A cartilha foi elaborada pela Controladoria-Geral da União (CGU), órgão en- carregado do controle dos gastos públicos do Governo Federal com apoio da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). A CGU passou a ter status ministerial, passando, em 2016, a chamar-se Mi- nistério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União e tem escritórios em todos os estados brasileiros. Ela ajuda a iscalizar o uso das verbas federais, recebendo e apurando denúncias e corrigindo o que está errado. Mas a CGU não pode iscalizar tudo sozinha e é por isso que a parti- cipação da população, a ajuda de todos nós, é tão importante. Um material bem completo sobre o acesso aos serviços públicos e direito ao controle social pode ser encontrado na fonte descrita a seguir. Fonte: adaptado de Controladoria-geral da união (2009). Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 135 Com relação à coniguração jurídica O Observatório Social do Brasil conigura-se como uma pessoa jurídica de direito privado, constituída em forma de associação, de ins não econômicos, subordi- nando-se, portanto, ao Código Civil Brasileiro: Lei 10.406/2002. O termo pessoa jurídica é utilizado na ciência jurídica para designar uma entidade que pode ser detentora de direitos e obrigações, a que se atribui per- sonalidade jurídica. No direito brasileiro, sua regulamentação encontra grande parte do fundamento legal no Código Civil que classiica as pessoas jurídicas de direito privado, instituídas por iniciativa de particulares, nas categorias: associa- ções, sociedades, fundações, organizações religiosas, partidos políticos e empresas individuais de responsabilidade limitada. Por outro lado, as pessoas jurídicas de direito privado podem ser classiica- das como estatais, quando tem participação do governo e parte da origem dos recursos é pública; e particulares, quando são constituídas apenas com a parti- cipação e recursos privados. Portanto, as associações, como é o caso do OSB e dos Observatórios Sociais iliados, não têm ins econômicos, ou seja, não têm como objetivo a distribuição de lucros ou vantagens aos seus associados. Todo recurso auferido por meio de O cidadão sabe exercer o controle social em nosso País? Apesar de estar previsto em nossa Constituição Federal, desde 1988, o con- trole social, uma das três formas de exercer a iscalização de entes públicos, só se desenvolveu recentemente a partir das mobilizações sociais que de- monstraram ao cidadão indignado que apenas tomando atitude algo pode sofrer mudanças positivas. Relita: essa mudança de cultura, que ainda está se conigurando reforça a importância do controle social?Encoraja cidadãos a estarem mais presentes e atentos na vigilância sobre como são aplicados os recursos públicos e na cobrança de seus governantes para buscarem uma mudança de postura na gestão pública? OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IVU N I D A D E136 doações, realização de eventos, prestação de serviços, entre outras fontes, deve ser investido nas atividades que fazem cumprir os seus objetivos e inalidades. Mais informações a respeito da orientação legal sobre a constituição de asso- ciações e seus estatutos, podem ser apreendidas no quadro a seguir: Quadro 5 - Constituição de uma associação SUGESTÃO DE ROTEIRO PARA CONSTITUIÇÃO DE UMA ASSOCIAÇÃO Os interessados em constituir uma Associação precisam elaborar uma proposta de estatuto, que será analisada e votada na Assembleia de Fundação. Aprovada a proposta, o estatuto passa a ser o instrumento constitutivo da Associação, sujeitando os associados às regras ali consignadas. O estatuto é o instrumento de constituição de uma Associação e nele estarão dispostas as regras que a regerão. Por isso, é importante que esse documento contemple as exigências legais e traga regras especíicas, notadamente acerca de suas inalidades, organização dos órgãos constitutivos e respectivas compe- tências, bem como atribuições de responsabilidades. Esse roteiro é uma sugestão para criar/constituir Associações. Apresenta alguns pontos a serem seguidos e observados buscando organizar um passo a passo orientador, mas deve sempre ser considerado na perspectiva da realidade de quem está organizando/criando uma Associação. Cabe ressaltar que deve ser adaptado conforme a necessidade de cada grupo. Lembrando que, para se cons- tituir uma Associação, a lei não deine o número mínimo/máximo de pessoas para sua composição. Devem, portanto, os futuros associados deinir os princi- pais objetivos da Associação, sua importância e sua necessidade. É sugerida que seja deinida no estatuto a responsabilidade de cada membro (associado), contendo uma divisão de tarefas que possibilite o mais rápido e eiciente desenvolvimento das atividades. [...] Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 137 Realização de Assembleia de Consti- tuição A Assembleia de Constituição é uma etapa formal do processo de legaliza- ção. É realizada no ato de constituição da associação, faz-se necessária a pre- sença de todos os associados. Nessa assembleia será escolhido o nome da associação, sua sede, será discutido, de- inido e aprovado seu estatuto social, sendo também eleitos os representan- tes dos órgãos de direção (Conselho de Administração/Diretoria e Conselho Fiscal). Após essa etapa encaminhar a documentação para registro. Para se constituir uma pessoa jurídica5 como uma associação, é preciso reali- zar alguns procedimentos legais para que a associação tenha personalidade jurídica. O processo de criação de asso- ciação no Brasil acontece com a reunião de pessoas que deliberam e decidem fundar uma entidade com personalida- de jurídica. Toda associação tem um es- tatuto, que é aprovado pela assembleia geral, convocada em edital publicado em mídia de acesso ao território que se planeja representar. Compete privativamente à Assembleia Geral, conforme disposto no art. 59 da Lei nº 10.406/2002: I – destituir os admi- nistradores; II – alterar o estatuto. Para essas duas hipóteses, determina a lei que a Assembleia Geral seja especial- mente convocada para esse im. Documentos necessários para regu- larização da associação O registro das associações é feito no Cartório de Registro de Pessoas Jurídi- cas. Nas cidades maiores, provavelmen- te existe um cartório especíico para essa inalidade. Nas menores, é feito no cartório de registro geral. 5 Veja concei- to de pessoa jurídica em: http://pt.wiki- pedia.org/wiki/Pessoa_jurídica. Um aspecto diicultador é o fato de al- guns cartórios terem exigências espe- ciais que extrapolam o que determina lei. A seguir estão relacionados os do- cumentos previstos na legislação. Vale orientar que as pessoas que icarão res- ponsáveis por essa tarefa tenham bas- tante paciência e estejam preparadas para enfrentar um pouco de burocracia. De acordo com a Lei nº 6.015/73 (arti- go 121), são necessários os seguintes documentos para se registrar uma as- sociação: Elaboração e discussão do projeto e Es- tatuto Social: • Assembleia Geral de constituição da associação. • Registro do estatuto e ata da assem- bleia de constituição em Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas. • Obtenção de inscrição na Receita Federal – CNPJ. • Obtenção de inscrição na Secretaria da Fazenda – Inscrição Estadual (se exercer comércio). • Obtenção de registro no INSS. • Registro na Prefeitura Municipal. Fonte: CARDOSO (2014, p. 30-33). OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IVU N I D A D E138 METODOLOGIA DO OBSERVATÓRIO SOCIAL BRASIL Para facilitar o entendimento sobre o Observatório Social do Brasil e sua liga- ção com os Observatórios Sociais iliados, dividimos este tópico em duas partes, falando sobre a metodologia de trabalho e o funcionamento da Rede OSB. SOBRE A METODOLOGIA DO OBSERVATÓRIO SOCIAL O Observatório Social divide sua atuação em quatro eixos: 1. Gestão Pública, 2. Educação para a Cidadania Fiscal, 3. Ambiente de Negócios e 4. Transparência, Conselhos e Indicadores. Conforme a Figura 5 a seguir, veja sua respectiva descrição. Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 139 Figura 5 - Eixos de atuação da Rede OSB Fonte: as autoras. ■ Eixo 1. Gestão Pública: os Observatórios Sociais primam pelo trabalho técnico, fazendo uso de uma metodologia de monitoramento das com- pras públicas em nível municipal, desde a publicação do edital de licitação até o acompanhamento da entrega do produto ou serviço, de modo a agir preventivamente no controle social dos gastos públicos. Essa é a principal ação voltada para o controle social. Contudo, os observadores também realizam o monitoramento dos cargos em comissão, dos convênios, das obras e dos processos em andamento contra a administração municipal e fazem o controle dos estoques nos almoxarifados. A atuação do controle social, exercido pelos observadores, é focada no âmbito municipal, estendendo-se à Câmara de Vereadores, tanto na questão dos recursos – licitações, diárias e cargos em comissão, quanto na produção legislativa. Assim, os observadores também demonstram à população a importância do real papel dos vereadores: iscalizar o execu- tivo municipal e produzir leis e políticas públicas que busquem melhorar os serviços prestados à população e a melhoria de vida dos cidadãos. OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IVU N I D A D E140 Como na Unidade V conversaremos mais especiicamente sobre os resul- tados, casos de sucesso e boas práticas dos OSs, daremos também mais detalhes sobre a metodologia de monitoramento das licitações. ■ Eixo 2. Educação Fiscal: a Educação para a Cidadania Fiscal, demons- trando a importância social e econômica dos tributos e a necessidade de o cidadão acompanhar a aplicação dos recursos públicosgerados pelos impostos. Esse é o segundo pilar que move o trabalho dos Observatórios Sociais, visando a longo prazo, contribuir para a mudança cultural no país, fomentando a educação para a cidadania iscal. Cada vez mais faz- -se necessária sua ampliação para todo o Brasil, como forma de estimular novos hábitos e costumes no cidadão de todas as idades, utilizando de mecanismos como: palestras, concursos de desenho e redação, teatro de fantoches, auditorias cívicas na saúde, Semanas da Cidadania, vídeos e jogos educativos. ■ Eixo 3. Ambiente de Negócios: no Ambiente de Negócios o trabalho dos Observatórios Sociais tem o objetivo de ampliar o número de fornecedo- res nas compras públicas, garantindo melhores condições de negociação para o gestor, reduzindo preços e melhorando a qualidade dos produtos ou serviços, além de evitar o oferecimento de propina e o direcionamento para alguma empresa especíica. Para cumprimento desse objetivo, os OSs realizam a divulgação ostensiva dos editais de licitação, por meio de um sistema informatizado oferecido pelo OSB; e promovem palestras e capa- citações para as empresas locais, visando habilitá-las como fornecedores das compras governamentais. Também importa aos observadores a inserção da micro e pequena empresa nos processos licitatórios, contribuindo para geração de emprego e redução da informalidade, bem como aumentando a concorrência e melhorando qualidade e preço nas compras públicas e contribuindo para o desenvol- vimento local, porque garante que os recursos públicos municipais, gastos em licitações, permaneçam circulando no comércio local. ■ Eixo 4. Transparência: esse eixo fecha o “circuito” do trabalho dos OSs, pois sem monitorar o portal de transparência do município, em que devem estar publicados todos os atos e a contabilidade da prefeitura e da câmara municipais, o trabalho de um observador não se completa. Assim, os OSs realizam periodicamente o monitoramento dos portais, por Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 141 meio de checklist especíico, geralmente em parceria com o Ministério Público. Ao identiicar alguma irregularidade, oicia-se ao gestor solici- tando a devida correção. Neste eixo também é realizado um trabalho de aproximação com os Conselhos Municipais, especialmente aqueles que votam recursos e pres- tações de contas da prefeitura. Nessa “aproximação” o OS se coloca à disposição dos conselheiros para apoiá-los no seu trabalho, tanto ofere- cendo as informações coletadas no monitoramento das compras do setor especíico, como saúde, educação, assistência social e alimentação esco- lar, quanto promovendo capacitações para sua qualiicação. Cabe ainda neste eixo, falar algo sobre a construção de Indicadores da Gestão Pública (IGPs), com base na execução orçamentária e nos indica- dores sociais do município, fazendo o comparativo com outras cidades de mesmo porte. É um trabalho inédito realizado por estatístico voluntário, que permite aos observadores avaliarem a qualidade dos gastos munici- pais, por função de governo (secretarias). Para encerrar este eixo, a metodologia do OSB prevê que a cada 4 meses os OSs realizem a apresentação do seu Relatório Quadrimestral, com prestação de contas do seu trabalho à sociedade, mostrando o que foi monitorado naquele período e quais foram os resultados alcançados. SOBRE O FUNCIONAMENTO DA REDE OSB Os Observatórios Sociais são organizados em rede, coordenada pelo Observatório Social do Brasil (OSB), que assegura a disseminação da metodologia padroni- zada para atuação dos observadores, promovendo a capacitação e oferecendo o suporte técnico aos OSs, além de estabelecer as parcerias estaduais e nacionais para o melhor desempenho das ações locais (OSB, [2017], on-line)8. Embora tenha a estrutura jurídica em formato associativista e federativo, o funcionamento do OSB acontece em forma de “rede”, cuja comunicação é hori- zontal e as boas práticas são compartilhadas e incorporadas nos programas de trabalho. OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IVU N I D A D E142 Desde sua fundação, o OSB assumiu a “guarda” dos princípios e diretrizes do trabalho dos OSs, de forma a manter a identidade e a metodologia padroni- zadas e a garantir que em todas as cidades sejam respeitados os princípios, as diretrizes, a metodologia, o nome e a marca. Vamos conhecer um pouco sobre isso, iniciando pela síntese do Quadro 6 a seguir. Quadro 6 - Resultados da atuação dos OS PRINCÍPIO GERAL A justiça social será alcançada quando todos os agentes eco- nômicos recolherem seus tributos corretamente e os agentes públicos os aplicarem com ética e eicácia. MISSÃO Despertar o espírito de Cidadania Fiscal na sociedade organiza- da, tornando-a proativa, por meio do seu próprio Observatório Social, exercendo a vigilância social na sua comunidade, inte- grando a Rede de Observatório Social do Brasil. VISÃO Ser uma rede nacional propulsora do controle social para o apri- moramento da gestão pública e integridade empresarial. VALORES Apartidarismo; cidadania; comprometimento com a justiça social; atitude ética, técnica e proativa; ação preventiva e visão de longo prazo. OBJETIVO Fomentar e apoiar a consolidação da Rede OSB de Controle Social, a partir da padronização dos procedimentos de monito- ramento e controle da gestão pública, além da disseminação de ferramentas de educação iscal e de inserção da micro e peque- na empresa no rol de fornecedores das prefeituras municipais. OBJETO DE ATUAÇÃO As ações de educação para a cidadania iscal e controle social focadas no presente serão objeto de atuação do OS, atuando preventivamente, em tempo real, contribuindo para a eiciência da gestão pública, por meio da vigilância social da execução orçamentária, em sinergia com os órgãos oiciais controladores. Fonte: OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL (2017, on-line)8. Considerando a necessidade de padronização na atuação dos OSs que integram a Rede OSB de Controle Social, conforme deinido em reuniões e encontros dos observadores, o primeiro documento a ser criado para orientação aos interes- sados em criar um OS, foi a Orientação Normativa nº 01, que dá as primeiras coordenadas sobre os princípios e diretrizes da Rede para cidadãos que procu- ram informações. Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 143 A seguir, transcrevemos parte da O.N nº 01, de forma a apresentar seu con- teúdo e estimular sua leitura no site do OSB. Quadro 7 - Orientação Normativa nº 1 ORIENTAÇÃO NORMATIVA N° 01 - NORMAS GERAIS [...] Considerando o interesse das entidades representativas da sociedade em atuar proativamente no pleno exercício da cidadania e em favor da justiça social e considerando que o Observatório Social do Brasil – OSB atua especiicamente na busca da transparência e qualidade na aplicação dos recursos públicos, deixa claro as seguintes premissas: a) O Observatório Social municipal, estadual ou federal deverá ser constituído como pessoa jurídica, em forma de associação, com registro no cadastro nacional de pessoas jurídicas – CNPJ, sendo fundado pelo maior número possível de entidades da sociedade civil. Para tanto, o ato da sua constituição deverá seguir todos os ritos legais, de modo a garantir a ampla publicidade para participação da sociedade, sem vínculos partidários. 1. Cada OS deve limitar sua atuação à respectiva esfera de competência: Se Mu- nicipal, à Prefeitura e Câmara municipaise entidades vinculadas; Se Estadual, ao Governo do Estado e Assembleia Legislativa, bem como entidades vincu- ladas; Se Federal, aos órgãos da Administração Federal e Congresso Nacional. 2. O OS local poderá apoiar as ações do Observatório Estadual ou Federal, no tocante à extensão dos trabalhos. b) Será objeto de atuação do OS as ações de cidadania iscal e controle social a partir de sua fundação, atuando preferencialmente no presente e de forma preventiva, contribuindo para a eiciência da gestão pública, por meio da vigilância social da execução orçamentária, em sinergia com os órgãos insti- tucionais de controle das esferas Estaduais e Federal, como Ministério Público, Tribunal de Contas, Judiciário e Órgãos de Controle Interno. c) O OS seguirá todas as diretrizes, programas e projetos do OSB, para quali- dade na aplicação dos recursos públicos, agindo com total transparência de todos os seus atos e efeitos. Todas as ações de controle social serão levadas a público, formalmente, por meio dos relatórios quadrimestrais de prestação de contas. d) O OS será uma ferramenta de controle social a disposição dos cidadãos, sem vinculação partidária e sem caráter personalístico individual, atuando demo- craticamente em nome da coletividade, seguindo as normativas estabelecidas pela Rede OSB de Controle Social. Fonte: Observatório Social do Brasil (2016, p. 1-2, on-line)9 Em 2009, quando o trabalho dos OS foi premiado pela ONU, em ação promovida pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), como a melhor iniciativa de tecnologia social da América Latina e Caribe, o OSB recebeu OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IVU N I D A D E144 consultoria gratuita da Price WaterHouse Coopers, hoje PwC, para manualiza- ção dos programas e procedimentos de monitoramento de licitações. A PwC colheu todos os documentos redigidos até então, entrevistou obser- vadores e presidentes dos OS, consultou os registros das 14 reuniões realizadas entre 2008 e 2009, que balizaram a aplicação e validação da metodologia pelos OS, e compilou todo esse material em formato de Manual. Esse Manual de Procedimentos foi utilizado até 2015, quando passou a ser revisado e melhor estruturado conforme a prática e a necessidade demonstraram. Assim, a par- tir de 2016, o Manual de Procedimentos foi dimensionado em fascículos, que são oferecidos aos novos observadores gradativamente, durante as capacitações mensais/virtuais que são realizadas. Nesse tópico, vale destacar que o Manual de Procedimentos, desde sua publi- cação em 2010, já trazia também o Código de Conduta para os Observatórios Sociais e os Observadores, tratando de disseminar os princípios, as diretrizes e as regras de funcionamento dos OS e de conduta dos observadores. A seguir, apresentamos a Carta de Identidade dos OS, conforme foi elaborada em assembleia geral, durante o 1º ENOS – Encontro Nacional dos Observatórios Sociais, em 2012, que é a síntese do Código de Conduta. Veja quadro 8 a seguir: Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 145 Quadro 8 - Carta de Identidade Garantir, em qualquer nível organizacional, a associação de pessoas idôneas, sem vinculação partidária ou subordinação a órgão observado. Fundamentar o alicerce institucional a partir da mais ampla diversidade repre- sentativa da sociedade civil organizada. Estimular o trabalho voluntário no controle social e pela cidadania iscal. Respeitar as diretrizes estabelecidas pelo Observatório Social do Brasil, funda- mentado na padronização dos trabalhos. Primar pela sustentabilidade ética, sem vínculo com recursos de órgão iscaliza- do ou de fonte inidônea. Garantir a adequação dos Estatutos Sociais ao do Observatório Social do Brasil. Submeter-se ao Conselho de Ética instituído pelo Observatório Social do Brasil. Primar pela qualidade da aplicação dos recursos públicos e estimular a cidadania iscal, focado no interesse coletivo. Divulgar, pública e periodicamente, os relatórios de atividades e prestação de contas, aprovadas pela diretoria. Manter uma postura imparcial e impessoal, focada na avaliação construtiva de processos e resultados. Fonte: OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL (2012, on-line)10. Dessa maneira, evidenciamos a preocupação e o cuidado da Rede OSB com o respeito e manutenção dos seus princípios, valores e diretrizes, como forma de garantir a credibilidade do seu trabalho, seja aonde for. A seguir, vamos apre- sentar orientações sobre como articular a formação de um OS. Todos os novos OSs recebem o “enxoval” completo, contendo: pacote de iden- tidade e comunicação – logomarca padrão, contas de e-mail, página na Web e Manual de Comunicação; pacote de capacitações e manuais de orientação e apoio; sistemas informatizados e pacote Oice da Microsot; suporte técnico contínuo. Para entender melhor a diferenciação entre os papéis do OSB e de cada OS iliado, explicitamos a seguir o que faz o OSB: ■ Articula e coordena a Rede dos Observatórios Sociais. ■ Responde pela guarda dos princípios e diretrizes da Rede. ■ Apoia e orienta a criação de novos OSs. OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IVU N I D A D E146 ■ Fornece a metodologia e sistemas de trabalho. ■ Propõe e aperfeiçoa os padrões de atuação. ■ Oferece capacitação e suporte técnico de maneira contínua. ■ Supervisiona e promove a certiicação dos OSs iliados. ■ Estabelece as parcerias nacionais e estaduais. ■ Atua em nível nacional. O que fazem os Observatórios Sociais: ■ Aplicam as diretrizes da Rede OSB, respeitando os princípios. ■ Executam os programas de trabalho. ■ Agem preventivamente no monitoramento dos gastos públicos municipais. ■ Evitam utilização da mídia com notícias denuncistas ou de caráter pejorativo. ■ Realizam ações de conscientização dos cidadãos. ■ Buscam a eiciência da gestão pública. ■ Atuam em nível municipal. Orientações sobre como Articular a Formação de um Observatório Social R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 147 ORIENTAÇÕES SOBRE COMO ARTICULAR A FORMAÇÃO DE UM OBSERVATÓRIO SOCIAL Para a constituição de um novo OS, há um passo a passo a seguir, conforme des- crito resumidamente na Figura 6, a seguir: Figura 6 - Passo a passo para criar um OS Fonte: Observatório Social do Brasil ([2017], on-line)11. Sempre que um cidadão ou representante de entidade de um município conhece o trabalho dos OS e procura o OSB, realiza um breve cadastro no website e parti- cipa de uma entrevista por fone ou reunião virtual com a equipe técnica. Recebe OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IVU N I D A D E148 as informações iniciais acerca do funcionamento de um OS e dos princípios da Rede, incluindo as regras para criação de uma unidade na sua cidade. Havendo interesse na continuidade do processo, receberá por meio eletrô- nico a Orientação Normativa nº 1 e deverá assinar um termo de compromisso, assegurando que seguirá as orientações e respeitará os princípios da Rede OSB. Nesse momento, a equipe técnica do OSB abre um prontuário em nome da cidade, com os registros das pessoas de contato, que se manterá alimentado à medida queo processo de constituição do OS local evolua. Nessa fase a cidade é consi- derada INTERESSADA em criar um OS. Assinado o Termo de Adesão e Compromisso, pelas pessoas que passaram a compor a “comissão organizadora” do novo OS, a cidade entra na fase de instala- ção e passa a ser chamada CANDIDATA a ter um OS. A comissão organizadora recebe as orientações de trabalho, incluindo as subcomissões em 4 áreas: insti- tucional, de sustentabilidade, operacional e de legalidade. O primeiro desaio da comissão é organizar a palestra de sensibilização, que será proferida por algum diretor do OSB ou facilitador devidamente treinado. Para essa tarefa, a comissão recebe todas as orientações necessárias, a im de garantir público qualiicado, ou seja, pessoas ligadas às diversas entidades repre- sentativas da cidade e formadoras de opinião. Porque o mandamento nº 2 da Carta de Identidade fala a respeito da representatividade como forma de garantir que o processo seja democrático e que tenha a participação de muitas entidades. Após a palestra de sensibilização, novas pessoas passam a integrar a comis- são organizadora, com o propósito de realizar com assertividade as tarefas de cada subcomissão. Nessa fase os integrantes da comissão já participam de capa- citação com a equipe técnica do OSB e seu trabalho é acompanhado à distância, por meios eletrônicos. Concluídas as tarefas de cada subcomissão e garantidas a representatividade e a sustentabilidade, incluindo a deinição de local para sede do OS e todas as condições operacionais para seu funcionamento, a comissão organizadora promove a assembleia de constituição do OS local, com a nomi- nação e eleição da sua primeira diretoria. Tão logo seja registrado em cartório a ata e o estatuto do novo OS e o ime- diato registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ, com a retirada do alvará de funcionamento junto à prefeitura, a diretoria do novo OS já pode Orientações sobre como Articular a Formação de um Observatório Social R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 149 providenciar a documentação para iliação ao OSB. Tendo se iliado ao OSB, o novo OS entra na terceira fase como UNIDADE FILIADA e passa a receber todo o “enxoval” para seu funcionamento, como já descrito no tópico Sobre o Funcionamento da Rede OSB, já tendo programada a participação da sua diretoria, equipe técnica e voluntários, na capacitação espe- cíica para cada público. Os procedimentos, no passo a passo, para constituição de novos OSs objeti- vam não apenas oferecer o suporte necessário a cada grupo de cidadãos que se interessam por esta “ferramenta” de controle social, mas inclusive para garantir que os princípios da Rede OSB sejam respeitados, evitando que grupos políti- cos se apossem dos conhecimentos e instrumentos, imagem e logomarca dos OSs para outros ins. E até mesmo como forma de garantir que o novo OS tenha todas as condições operacionais, técnicas e de representatividade e sustentabili- dade, suicientes para que seu perfeito funcionamento e manutenção. Para complementar e facilitar o trabalho da comissão organizadora no cum- primento dos procedimentos e o alcance dos objetivos de constituição de um OS forte e sustentável, o OSB oferece ainda modelos de diversos documentos, desde o projeto de implantação e o estatuto social, até convite para palestra de sensibi- lização e o edital de convocação de assembleia. Tudo o que foi desenvolvido de orientações e modelos que se tornaram boas práticas na constituição de novos OSs é repassado gratuitamente para a comissão organizadora, inclusive o aten- dimento personalizado em reuniões virtuais, além da capacitação em grupos. O Observatório Social de Porto Alegre é o melhor exemplo de atendimento aos procedimentos, pois levou o OSPOA, como é chamado, à conquista de muitas entidades que oferecem apoio institucional e outras tantas que oferecem recursos inanceiros (mantenedoras) e se tornou um modelo a ser seguido pelos novos OSs. Você entende que princípios, diretrizes e metodologia de trabalho são im- portantes para manter uma organização alinhada e coesa por muito tempo? OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . IVU N I D A D E150 CONSIDERAÇÕES FINAIS Com a chamada “Constituição Cidadã”, de 2008, o Brasil avançou muito nas ques- tões de direitos dos cidadãos e deveres do Estado, prevendo o controle social e os mecanismos de participação nas decisões, controle e iscalização das ações dos governantes e da correta aplicação dos recursos públicos. Nesta Unidade, entendemos que o controle social e o monitoramento das ações da Administração Pública são um importante mecanismo de prevenção da corrupção e de fortalecimento da cidadania. Embora tenha a estrutura jurídica em formato associativista e federativo, o funcionamento do Observatório Social do Brasil se dá em forma de “rede”, onde a comunicação é horizontal e as boas práticas são compartilhadas e incorpora- das nos programas de trabalho. Uma base sólida foi construída sobre princípios e valores, que garantem a credibilidade do trabalho de cada Observatório Social, cuidados que são repas- sados desde o primeiro contato de um cidadão que se interessa por disseminar o projeto na sua cidade, recebendo também todas as orientações e participando de capacitações técnicas, gratuitamente. Diretrizes e regras claras, oferecem mais segurança para quem deseja implementar uma unidade do OSB em seu município. Não é preciso “inventar a roda”, basta copiar e replicar, assumindo o compromisso de respeitar os princípios e seguir a metodologia de trabalho. Muitos são os resultados já alcançados pela Rede OSB, mas destacamos a força da mobilização de cidadãos voluntários e técnicos e a participação de entidades representativas e parceiras. São mais de 40 entidades parceiras com acordos de cooperação assinados, em nível nacional, e outras tantas entidades locais que apoiam os OSs. Concluímos que o Observatório Social é uma das inúmeras organizações que trabalham em favor da transparência e da correta aplicação dos recursos públicos no Brasil, embora como sistema federativo e organizado em rede, seja uma das poucas. 151 1. Os chamados “recursos públicos” são compostos de taxas, impostos, contribui- ção de melhoria, tributos, advindos de quais esferas: I. Municipal. II. Estadual. III. Federal. Podemos airmar que: a. Somente alternativa I está correta. b. Somente alternativas I e II estão corretas. c. Somente alternativas I e III estão corretas. d. Somente alternativas II e III estão corretas. e. Todas alternativas estão corretas. 2. A formação de um Observatório Social acontece por meio: a. Da mobilização de partidos políticos. b. Da mobilização da Sociedade Civil Organizada. c. Da mobilização de empresas. d. Da mobilização de politicos. e. Da mobilização de Prefeitura Municipal e Câmara de Vereadores. 3. Sobre a forma como atuam os Observatórios Sociais é correto airmar: a. É um órgão de iscalização externo, cujo trabalho é realizado por proissionais altamente qualiicados e remunerados. b. É uma entidade que estimula o controle social, congregando esforços de téc- nicos e voluntários que iscalizam e punem os agentes corruptores. c. É uma associação que, por meio do trabalho voluntário, estimula o controle social através do monitoramento da aplicação dos recursos públicos. d. É uma empresa de auditoria e iscalização dos recursos públicos e. É um órgão governamental de controle externo. 152 4. De acordo com o processo de abertura de novas unidades e suas respectivas etapas: I. Interessada considera-se o cidadão, que conheceu o projeto e individual-mente criou um Observatório Social na sua cidade. II. Interessada considera-se o cidadão ou grupo de pessoas, que conheceu o projeto, contatou o Observatório Social do Brasil e buscou orientações para constituir uma unidade em sua cidade. III. Candidata considera-se a cidade que após receber suporte e orientações do OSB, cumprir as etapas, estará pronta para fundar uma unidade do Observa- tório Social. IV. Candidata considera-se o cidadão que será avaliado pelo OSB e será autoriza- do ou não a criar um Observatório Social. Podemos airmar que: a. Somente alternativa I está correta. b. Somente alternativas I e IV estão corretas. c. Somente alternativas I e III estão corretas. d. Somente alternativas II e III estão corretas. e. Todas alternativas estão incorretas. 5. A Rede OSB preza muito os seus princípios e diretrizes, tem um Código de Con- duta e sua síntese na forma da Carta de Identidade dos OSs. Quais são os dois “mandamentos” mais importantes para constituição de um novo OS? a. A participação de políticos e os recursos inanceiros de origem pública. b. A não iliação partidária de nenhum de seus membros e a representatividade da sociedade local. c. A valorização do voluntariado e a iscalização dos recursos públicos. d. O reconhecimento da sociedade local e a punição dos corruptos. e. O monitoramento das licitações e o relatório quadrimestral. 153 No site do Observatório Social do Brasil encontram-se alguns trabalhos de conclusão de cursos de graduação, pós-graduação, mestrado ou doutorado, dos quais salienta- mos o de autoria de Marcus Aurélio Alves Carneiro, de Cuiabá-MT, 2015, sob o título “Instrumentalização Do Controle Social: a experiência da Rede Observatório Social do Brasil (OSB)”, trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de Pós-graduação em Direito: Administração Pública e Controle Externo da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. Destacamos o trecho a seguir como leitura complementar acerca do tema “controle social”. Emerson Afonso da Costa Moura e Laila Rainho de Oliveira trazem uma deinição inte- ressante sobre o controle social[...]: Compreende o controle social, o conjunto de instrumentos empregados pela sociedade, capaz de induzir a conformação dos Poderes Públicos às determinadas diretrizes, ordenando a atuação institucional no ambiente social e estabelecendo as condições necessárias para que sejam alcan- çados os ins e objetivos almejados pelo grupo social. O controle social pode ser exercido de forma direta pelo grupo social, através de instru- mentos administrativos que buscam atribuir através da participação, colaboração e avaliação um maior grau de racionalidade, legitimidade e eiciência à gestão administrativa, mas que demandam acesso às infor- mações necessárias acerca da atividade administrativa. Luiz Henrique Lima, em sua obra Controle Externo, dedica ao controle social todo um subtítulo do primeiro capítulo, iniciando com os seguintes dizeres [...]: Numa democracia, o controle social é exercido desde o processo de elaboração das políticas públicas, por exemplo, mediante consultas e audiências públicas, até o acompanhamento e monitoramento de sua execução. Transparência e participação na gestão pública são fatores de- terminantes para o controle efetivo da sociedade sobre a gestão pública. Jair Lima Santos, citado por Luiz Henrique Lima, [...]caracteriza o controle social como “controle público não estatal, que atua de fora para dentro do Estado, como exercício do direito de iscalização da atividade pública, complementar ao estatal, sustentando que a efetividade da atuação do TCU converge para a ampliação da participação popular no exercício do controle”. Benjamin Zymler e Guilherme Henrique de La Rocque Almeida, citados por Luiz Hen- rique Lima [...], preconizam que a eicácia do controle social “dependerá do estabele- cimento de vínculos sistêmicos entre a sociedade civil organizada e os entes estatais encarregados do controle. Ou seja, eles acreditam que não é possível exercer controle social sem a participação do controle externo e interno, considerados controle oiciais (exercidos por órgãos públicos)”. Fonte: adaptado de Carneiro (2015) MATERIAL COMPLEMENTAR 1. O Ministério Público do Paraná, em parceria com muitas entidades da sociedade civil, desenvolve o programa PARANÁ SEM CORRUPÇÃO, tendo criado o Guia do Cidadão, o qual recomendamos com toda certeza. Acessível pelo link: <http://www.planejamento.mppr.mp.br/ arquivos/File/Geracao_Atitude/GuiadoCidadao2016.pdf>. 2. Uma excelente iniciativa é participar do curso Disseminadores da Educação Fiscal, promovido gratuitamente pela Escola de Administração Fazendária. Importante icar atento para abertura de novas turmas. Acesse o link: <https://moodle.eadesaf.serpro.gov.br/>. 3. Conira relação completa de contribuições, taxas e outros tributos, relacionados no site: <www. portaltributario.com.br> Para complementar as informações a respeito da Rede OSB, você pode visitar o website, acessando o link: <www.osbrasil.org.br>, especialmente a área de comunicação, no menu, conferindo as notícias e se cadastrando para receber a Newsletter periodicamente. O Observatório Social do Brasil criou um canal na internet chamado TV OSB, que publica programas, em vídeo, sobre o trabalho realizado pelos OSs. Para saber mais sobre o passo a passo para constituição de um OS, indicamos conhecer a experiência de sucesso do OSPOA. Para isso, assista ao 3º programa da TV OSB, no site do OSB, acessando o link: <http://osbrasil.org. br/tv-osb/> REFERÊNCIAS 155 BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasí- lia, DF: Senado Federal: Centro Gráico, 1988. CARDOSO, U. C. OSCIP: organização da sociedade civil de interesse público. Brasília, Sebrae, 2014. CARNEIRO, M. A. A. Instrumentalização do Controle Social: a experiência da Rede Observatório Social do Brasil (OSB). Trabalho de Conclusão de Curso. Curso de Di- reito. Cuiabá/MT: FGV, 2015. Disponível em: <http://osbrasil.org.br/wp-content/ uploads/2015/10/TCC-OSB-MARCUS-AURELIO-ALVES-CARNEIRO.pdf>. Acesso em: 16 jan. 2017. CONTROLADORIA-GERAL DA UNIÃO. Olho Vivo no dinheiro público. Um guia para o cidadão garantir os seus direitos. Edição Revisada. Brasília: controladoria geral, 2009. Disponível em: <http://www.cgu.gov.br/Publicacoes/controle-social/arqui- vos/cartillhaolhovivo_baixa_v2.pdf>. Acesso em: 16 jan. 2017. JUNGES, F.; CARDOSO, L. Como o Controle Social Pode Melhorar a Gestão Pública Utilizando Observatórios Sociais Como Ferramenta. Curitiba: FESP – Faculdade de Educação Superior do Paraná, 2015. REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS ON-LINE 1Em: <http://osbrasil.org.br/>. Acesso em: 13 fev. 2017. 2Em: <http://osbrasil.org.br/observatorios-pelo-brasil/ >. Acesso em: 13 fev. 2017. 3Em: <http://osbrasil.org.br/osb-faz-um-balanco-do-ultimo-ano-e-preve-novida- des-pra-2017 >. Acesso em: 13 fev. 2017. 4Em: <http://www.portaltributario.com.br/tributos.htm>. Acesso em: 13 fev. 2017. 5Em: <www.iepr.org.br/sombradoimposto>. Acesso em: 13 fev. 2017. 6Em: <http://docslide.com.br/documents/observatorio-social-programa-do-volun- tariado-da-classe-contabil-julho-de-2010.html>. Acesso em: 13 fev. 2017. 7Em: <http://www.cgu.gov.br/assuntos/controle-social/consocial/arquivos/lista80_ propostas_inais.pdf>. Acesso em: 13 fev. 2017. 8Em: <osbrasil.org.br/o-que-e-o-observatorio-social-do-brasil>. Acesso em: 13 fev. 2017. 9Em: <http://osbrasil.org.br/wp-content/uploads/2017/01/OSB_ON-n%C2%BA1-a- tualizada.pdf>. Acesso em: 13 fev. 2017. 10Em: <http://osbrasil.org.br/carta-de-identidade-dos-observatorios-sociais/>. Acesso em: 13 fev. 2017. 11Em: <http://osbrasil.org.br/como-constituir-um-os/>. Acesso em: 13 fev. 2017. GABARITO 157 1. Resposta: alternativa E. 2. Resposta: alternativa B. 3. Resposta: alternativa C. 4. Resposta: alternativa D. 5. Resposta: alternativa B. U N ID A D E V Professora Esp. Roni Enara Rodrigues EXPERIÊNCIAS E CASOSDE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL Objetivos de Aprendizagem ■ Apresentar a experiência dos voluntários atuantes na Rede Observatório Social do Brasil ■ Oferecer orientações e esclarecimentos sobre o trabalho dos observadores ■ Apresentar o relato dos resultados, casos de sucesso e boas práticas dos observadores sociais ■ Promover a relexão sobre a importância do controle social para a eiciência da gestão pública e correta aplicação dos recursos públicos Plano de Estudos A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Experiência de atuação do Observatório Social do Brasil ■ Relato de casos de sucesso da atuação do Observatório Social do Brasil Introdução R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 161 INTRODUÇÃO Olá, Caro(a) Aluno(a)! Nesta unidade falaremos sobre o estrago que a corrupção faz no Brasil, corroendo os recursos, as possibilidades e as esperanças dos cida- dãos. Dados de pesquisas realizadas por institutos e universidades de renome ilustram o fato da corrupção estar incorporada no seio do Brasil como uma cultura. Como não só de corrupção vive a ineiciência da gestão pública no Brasil, também será abordada a questão da transferência do conhecimento e das fer- ramentas de gestão empresarial para a área pública, que é uma das propostas do Observatório Social do Brasil (OSB) uma vez que seu propósito é contribuir com a eiciência da gestão pública. O diferencial do trabalho dos OSs é a ação preventiva, antes dos recursos públicos serem gastos, evitando o desperdício ou o desvio do dinheiro do cida- dão. Você conhecerá um pouco mais sobre a experiência de atuação da Rede OSB, incluindo seus programas e subprogramas, conforme os eixos de atuação já explicitados na Unidade IV. Falaremos sobre a metodologia de monitoramento das licitações, com luxograma de trabalho e conquistas de resultados, dentro das prerrogativas legais. As boas práticas e casos de sucesso serão apresentados, demonstrando como é possível mudar a realidade do serviço público no Brasil, quando o cidadão participa e se envolve no cotidiano da sua cidade, acompanhando a atuação do executivo e do legislativo municipal. Os resultados positivos poderão estimular a pesquisa e o interesse em participar desta iniciativa de controle social e como uma opção para exercer a cidadania de maneira prática e efetiva. Você também será estimulado a participar do Pacto Pelo Brasil, respondendo à pergunta: qual a sua contribuição para o Brasil tornar-se um ambiente “Área Livre de Corrupção”? Esse é o grande desaio de todos os brasileiros que dese- jam legar uma nova Nação para as gerações futuras! EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . VU N I D A D E162 EXPERIÊNCIA DE ATUAÇÃO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL Para facilitar o entendimento acerca da atuação do OSB, falaremos um pouco sobre controle social, corrupção, ineiciência da gestão pública. Em seguida, conheceremos a metodologia de atuação, com foco no monitoramento das lici- tações, passando nosso olhar também sobre a câmara de vereadores. CONTROLE SOCIAL, CORRUPÇÃO E INEFICIÊNCIA Caro(a) aluno(a), não podemos falar de controle social sem falar da corrupção e da ineiciência da gestão pública. Um dos materiais mais contundentes já publica- dos a respeito, refere-se à experiência da AMARRIBO – Associação dos Amigos de Ribeirão Bonito, em São Paulo, publicada no livro “O Combate à Corrupção nas Prefeituras do Brasil” que, em 2012 já teve sua 5ª edição. Transcrevemos no Quadro 1 a seguir um texto de muita relevância, com o título “Porque Lutar Contra a Corrupção”. Experiência de Atuação do Observatório Social do Brasil R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 163 Quadro 1 - Porque Lutar Contra a Corrupção PORQUE LUTAR CONTRA A CORRUPÇÃO O exercício da cidadania requer indivíduos que participem cotidianamente da vida de sua cidade. Organizados para alcançar o desenvolvimento da comunida- de onde vivem, devem exigir inicialmente comportamento ético dos ocupantes dos poderes constituídos e eiciência na gestão dos serviços públicos. Uma das obrigações mais importantes do cidadão é não aceitar ser vítima da corrupção. De qualquer modo que se apresente, a corrupção é um dos grandes males que destrói a vida social e desqualiica o poder público em nosso século. É, compro- vadamente, uma das causas decisivas da carência dos serviços públicos essen- ciais, da pobreza de muitos municípios e razão da penúria inanceira de cidades e da miséria permanente de muitos países. A corrupção corrói a dignidade do cidadão, deteriora o convívio social, contami- na os indivíduos e compromete a vida das gerações atuais e futuras. Os impostos pagos pelos cidadãos são apropriados por agentes gananciosos. Os indivíduos para se protegerem, isolam-se nos seus interesses particulares e a desconiança mútua rompe os laços de solidariedade social. Opor-se à corrupção é, pois, um dever de quem acredita na capacidade de se construir uma vida digna. Aceitar a corrupção é deixar-se corromper por ela. As consequências da corrupção são graves, pois o desvio de recursos públicos arruína todos os serviços urbanos, inviabiliza a melhoria dos equipamentos necessários ao bem-estar dos cidadãos e impede a construção e conclusão de obras indispensáveis às cidades e ao país. Os efeitos mais visíveis da corrupção são perceptíveis na carência crônica de ver- bas para obras públicas, para a manutenção dos serviços nas cidades e, sobretu- do, para garantir o direito à educação e à saúde de qualidade. A corrupção afeta seriamente a educação e a assistência aos estudantes, pois os desvios subtraem recursos destinados ao material escolar, à melhoria dos espaços da escola, à merenda adequada para crianças, à formação dos professo- res entre outras. Prejudica, desse modo, não só toda a educação escolar, como também o desenvolvimento intelectual e cultural de crianças e jovens, e os con- denam a uma vida com menores perspectivas de um futuro melhor. A corrupção é, por isso, intolerável. A corrupção também subtrai verbas indispensáveis à saúde, comprometendo diretamente o bem-estar dos cidadãos, pois impede as pessoas de ter acesso à prevenção de males que poderiam ser debelados, ao tratamento de doen- ças que poderiam ser facilmente curadas ou de sofrimentos que poderiam ser aliviados. Pode até mesmo encurtar, injustamente, muitas vidas, condenando-as prematuramente à morte. A corrupção, por esses motivos é abominável e jamais deve ser admitida na vida social. EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . VU N I D A D E164 O desvio sistemático de recursos públicos que seriam aplicados na melhoria da sociedade condena não só as cidades, mas também o país ao subdesenvolvi- mento econômico e social crônicos. Por isso o combate à corrupção nas adminis- trações públicas deve ser um compromisso de todas as pessoas que se preocu- pam com o desenvolvimento social e querem construir um país melhor para si e seus ilhos. Aqueles que compartilham da corrupção, ativa ou passivamente, e os que dela tiram algum tipo de proveito comprometem, eticamente, O combate à cor- rupção nas prefeituras do Brasil 15 a administração e o convívio decente e não podem gerir os negócios públicos; pelo contrário, devem ser responsabilizados civil e criminalmente por todos os atos comissivos e omissivos que solapam oerário público. Não se pode admitir que a corrupção seja aceita como fato natural no dia-a-dia das pessoas e, portanto, admitida como um comportamento aceitável na socie- dade. O volume de recursos mobilizados pelo setor público atrai a ganância dos malfeitores e estimula a formação de quadrilhas que evoluem para o crime orga- nizado, o tráico de drogas e de armas, e o adensamento de criminosos provoca a violência em todos os setores da sociedade. Além disso, as pessoas e investidores sérios afastam-se de cidades e regiões onde vigoram práticas de corrupção e de descontrole administrativo. Os cor- ruptos também, para ocultar os recursos amealhados das comunidades locais, tendem ardilosamente a aplicar o dinheiro desviado longe dos locais onde os delitos foram praticados e prejudicam duplamente as comunidades afetadas. Em ambiente em que predomina a corrupção, diicilmente prosperam projetos de desenvolvimento econômico e social se antes ela não for extirpada da adminis- tração Pública. É inaceitável e inadmissível que a corrupção possa ter espaço na cultura na- cional. Além do desvio de recursos públicos, a corrupção deve ser entendida também pela ineiciência na gestão pública, onde os recursos gastos em nada contribuem para garantir os direitos da população. O combate às numerosas modalidades de desvio de recursos públicos deve, por- tanto, constituir-se em compromisso de todos os cidadãos e grupos organizados que almejem construir uma sociedade mais justa e equilibrada. É um dever dos pais para com seus ilhos, uma obrigação moral da geração atual para com as gerações futuras. É também um dever social: de nada adianta uma sociedade organizada ajudar na canalização de esforços e recursos para projetos sociais, culturais ou de desenvolvimento se as autoridades responsáveis por esses pro- jetos se dedicam ao desvio do dinheiro público para seus interesses particulares ou para negócios escusos. Fonte: Amarribo (2012, p. 13). Experiência de Atuação do Observatório Social do Brasil R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 165 Cabe complementar o texto citado com dados da corrupção no Brasil, que demonstram o tamanho do desaio que precisamos enfrentar. Especialmente por conta da cultura do “levar vantagem” que se instalou em nosso país há muito tempo, levando a maioria dos cidadãos a encarar a corrupção como uma “coisa normal”. Os dados foram apresentados durante palestra realizada no Fórum Paraibano de Combate à Corrupção, em 2015, intitulada “Cooperação para a Prevenção e o Combate à Corrupção” do Dr. Fábio George Cruz da Nóbrega, Procurador do Ministério Público Federal e membro do Conselho Nacional do Ministério Público. Quadro 2 - Estimativa de prejuízo PERDA ANUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA COM A CORRUPÇÃO • 2,3 % do PIB (R$ 100 bilhões) estimativa da FIESP. • R$ 20 bilhões somente com as licitações viciadas (combinação, cartel, fraude) [dados da Secretaria de Direito Econômico, em 2007]. • 25% de desvios dos recursos federais repassados aos municípios/prefeituras (cerca de R$ 120 bilhões) [estimativa dos órgãos de iscalização]. • O Banco Mundial estima a perda anual, no mundo, só com suborno e propina, em 1 trilhão de dólares. Fonte: Nóbrega (2016, p. 2)1. Segundo apresentado pelo Dr. Fábio George, há estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que indicam que: se o nível de corrupção for reduzido em apenas 10%, em 25 anos a renda per capita dos brasileiros poderá aumentar em 50%, comparados com os dados atuais. No caso de se evitar o prejuízo anual com a corrupção, cada brasileiro poderia ter cerca de R$ 500,00 a mais na sua renda pessoal, anualmente. Outro dado interessante é que, sem corrupção, o Governo Federal poderia duplicar o orçamento das áreas da Saúde e da Educação. Interessante notar que a população brasileira, em pesquisa realizada pela FGV em 2012, já possui uma visão crítica sobre as organizações, provavelmente formada pelas notícias veiculadas na mídia de grande alcance e nas experiên- cias com relação aos serviços prestados por elas. A pesquisa da FGV estabeleceu o “ranking da coniança” e, conforme podemos veriicar no quadro abaixo, as Forças Armadas, a Igreja Católica e o Ministério Público estão entre as insti- tuições que a população mais conia. Já o Congresso Nacional e os Partidos Políticos, encontram-se com os índices mais baixos, especialmente os Partidos. EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . VU N I D A D E166 Veja a seguir, no Quadro 3. Quadro 3 - Ranking da Coniança PESQUISA DA FGV (2012) 1. Forças Armadas 72% 2. Igreja Católica 58% 3. Ministério Público 51% 4. Grandes empresas 46% 5. Imprensa escrita 44% 6. Poder Judiciário 39% 7. Governo Federal 38% 8. Polícia 38% 9. Emissoras de TV 36% 10. Congresso Nacional 28% 11. Partidos políticos 8% Fonte: Nóbrega (2016, p. 26)1. Infelizmente, o que mais nos assusta é a constatação de que a corrupção está instalada no seio da nossa Nação como uma “cultura”. Podemos airmar, pelos dados do Instituto Brasileiro de Pesquisas – Ibope (ver quadro 4), já em 2006, que a maioria da população brasileira está, por assim dizer, contaminada pelo “jeitinho brasileiro” (vide Quadro 4). Essa é a cultura do levar vantagem em tudo. Demonstra que nossos cidadãos ainda não conseguem separar o público do privado e o fato corrobora para a conirmação do que o trabalho dos OSs tem constatado, com airmações como este dito popular: “se é dinheiro público, não é de ninguém... então, posso pegar pra mim...” Quadro 4 - Jeitinho brasileiro CULTURA DA CORRUPÇÃO • O “jeitinho brasileiro”: a população brasileira também não aprendeu ainda a separar o público do privado. Ibope (2006) • 75% airmaram que cometeriam atos de corrupção se tivessem oportunidade de fazê-lo • 59% airmaram que, se fossem autoridades, contratariam familiares ou amigos para cargos de coniança • 43% disseram que aproveitariam viagens oiciais para lazer próprio e dos fami- liares. Fonte: Nóbrega (2016, p. 17)1. Já as pesquisas dos Institutos Datafolha e Vox Populi e da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), relatadas no quadro a seguir, só vêm conirmar o que vínhamos dizendo: quando 79% das pessoas entrevistadas acreditam que os eleitores vendem seus votos, percebemos que essa atitude danosa ao sistema Experiência de Atuação do Observatório Social do Brasil R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 167 de gestão pública é muito comum. O que nos leva a concluir que aqueles 8% de índice de coniança nos partidos políticos (Ranking de Coniança da pesquisa da FGV), são apenas um relexo da cultura da população. Quadro 5 - Cultura da Corrupção Datafolha (2009) • 36% dos ouvidos já pagaram propina. • 27% receberam troco a mais e não devolveram. • 79% acreditam que os eleitores vendem seus votos. • 13% admite já ter trocado o voto por emprego, dinheiro ou presente (esse índice chega a 19% na região Nordeste. AMB (2010) • 41 % dos eleitores conhecem pessoas que venderam o voto. Vox Populi (2008) • Apenas 4% dos brasileiros airmaram que coniam na maioria das pessoas que conhecem. Fonte: Nóbrega (2016, p. 18)1. Outros dados interessantes foram constatados em pesquisa realizada pela Unicarioca em 2015, junto ao meio acadêmico, conforme apresentado no Quadro 6 a seguir. Quando constatamos que 69% dos alunos entrevistados admitem ter colado nas provas, podemos entender que a “cultura” da corrupção não está ligada ao baixo nível de escolaridade, mas a ausência de valores e princípios morais e éticos. Quadro 6 - PesquisaUnicarioca CULTURA DA CORRUPÇÃO - UNICARIOCA (2015) • 58% dos alunos já pediram para colocar o nome em trabalho de grupo sem ter participado. • 68% já copiaram textos da internet para apresentar em seus trabalhos. • 59 já assinaram lista de presença em nome de colegas. • 69% já colaram em provas. Fonte: Nóbrega (2016, p. 21)1. EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . VU N I D A D E168 Esta é uma das razões pelas quais os OSs investem fortemente nas ações do Eixo 2: educação para a Cidadania, conforme já descrito na Unidade IV deste livro. Porque não basta conhecimento técnico ou escolaridade, é preciso resgatar os valores e o espírito de cidadania, em favor do bem coletivo e não dos interes- ses individuais. Vale registrar o convite para visita ao site do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU), para conhecer mais sobre as campanhas oiciais de combate à cultura da corrupção e assistir aos vídeos sobre a corrupção no cotidiano dos brasileiros. Os links de acesso estão dispo- níveis nos materiais complementares. Não há como falar de corrupção sem apresentar a contrapartida dela: a inte- gridade. Aliás, é a palavra do momento nos assuntos internacionais e nacionais na prevenção à corrupção. A Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do Pacto Global, tem disseminado a ideia nos Grupos de Trabalho (GTs) Anticorrupção em vários países, especialmente no Brasil. O OSB tem assento no GT Brasil, tendo acompanhado sua dinâmica e proposto ações pertinentes à interiorização de atividades que buscam disseminar a cultura da integridade nos negócios e na relação entre as pessoas, empresas e poder público. O 10º princípio do Pacto Global propõe às empresas “combater a corrupção em todas as suas formas, inclusive extorsão e propina”. Em razão da Operação Lava Jato, que tem revelado ao Brasil e ao mundo os bastidores da política e da administração pública federal, o Juiz Dr. Sérgio Moro e o Procurador da República Dr. Deltan Dallagnol acabaram registran- do uma nova expressão para explicar a extensão do intrincado esquema de desvios de recursos públicos: “corrupção sistêmica”. O que você, leitor, pensa a respeito?! Experiência de Atuação do Observatório Social do Brasil R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 169 Com foco na dimensão ética e de boa governança da sustentabilidade, o GT tem atuado no desenvolvimento de ferramentas e outros recur- sos para implementação do 10º princípio, contra a corrupção. Entre as atividades realizadas, busca promover a capacitação em sistemas de compliance, a partir de metodologia própria desenvolvida por seus membros, com o objetivo de mitigar riscos. Também foi responsável pela versão em português do guia Anticorrupção e Avaliação de Risco, lançado em outubro de 2015, e pela promoção do guia combatendo a Corrupção no Patrocínio Esportivo e nas Ações de Hospitalidade (PACTO GLOBAL, on-line)2. Como vimos, integridade é um conceito com extensão internacional por meio do qual se propõe uma prática de prevenção à corrupção com base na consolidação de valores e princípios que induzem ao comportamento ético de empresários, empregados, gestores e servidores públicos, políticos e cidadãos. Nesse mister da prevenção à corrupção e disseminação do conceito e prática da integridade, também a CGU tem colaborado divulgando várias publicações das quais destacamos a cartilha: Integridade nos Pequenos Negócios, elaborada por técnicos da CGU e do Sebrae Nacional. Importante notar que as empresas, desde a promulgação da Lei Anticorrupção, ou Lei da Empresa Limpa (Lei 12.846) em 2013, estão obrigadas a desenvolve- rem seus planos internos de prevenção à corrupção (sistemas de compliance), de maneira a abrandar as penas e multas previstas na Lei, caso algum dos seus dirigentes os funcionários sejam indiciados por atos de corrupção na relação com o poder público. Qual é o seu entendimento sobre a relação corruptos e corruptores? Você acha que só os políticos são responsáveis pelo caos causado pela corrupção no Brasil?! EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . VU N I D A D E170 METODOLOGIA DE TRABALHO DOS OBSERVATÓRIOS SOCIAIS É chegado o momento de falarmos sobre o trabalho dos OSs no exercício do controle social sobre a gestão pública municipal, brevemente anunciado na apre- sentação do Eixo 1. Gestão Pública, na Unidade IV deste livro. Vale registrar que o trabalho dos OSs, dentro dos 4 Eixos, é dividido em Programas e Subprogramas, conforme apresentado no Quadro 7, a seguir: Quadro 7 - Programas da Rede OSB Qualidade na aplicação dos recursos públicos Monitoramento sistemático: das licitações e contratos (desde a publicação dos editais até a entrega do produto/serviço); da execução orçamentária (receitas e despesas); dos recursos humanos (cargos comissionados); da produção legislativa; das diárias no legislativo; dos processos judiciários contra órgãos públicos e contra seus gestores. Semeando a ci- dadania iscal Realização de eventos de educação iscal, como: concurso de redação, concurso de monograia, feirão do imposto, peças de teatro, festival de música, pesquisa sobre cidadania. Dinamizan- doa cidadania iscal Potencialização dos Conselhos Municipais e aumento da com- petitividade nas licitações municipais por meio da inserção de MPEs, bem como realização de palestras de sensibilização e capacitação para empresários, fornecedores e compradores. Relatório qua- drimestral Realização de evento público de prestação de contas e apre- sentação de relatório das ações do OS, preferencialmente na mesma semana em que a prefeitura realiza sua prestação de contas quadrimestral, e serão convidados os mantenedores, as fundadoras, os apoiadores, representantes de órgãos públicos e sociedade. Indicadores da gestão pública Apresentar para a sociedade os Indicadores da Gestão Pública - IGP, para ins de análise comparativa da execução orçamentá- ria X indicadores socioeconômicos, permitindo a comparação com os dados de outras cidades onde há OS. Fonte: Observatório Social do Brasil (2016, p. 3-4)3. Nesta unidade focaremos o monitoramento das licitações, atividade prevista no Programa Qualidade na Aplicação dos Recursos Públicos, por ser o “carro- -chefe” do trabalho da Rede OSB no controle social e pelo qual os OSs são mais conhecidos, em razão dos excelentes resultados apresentados em economia aos cofres municipais, justamente pela ação preventiva que realizam. Experiência de Atuação do Observatório Social do Brasil R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 171 A metodologia de monitoramento das licitações foi conigurada a partir de estudos a respeito do funcionamento das aquisições dentro de uma prefeitura ou câmara municipal. Foi testada e aprovada pelos primeiros OSs que constituíram o OSB e depois compilada e manualizada pela consultoria da PwC (Unidade IV). Seguem, portanto, critérios legais e técnicos e não apenas empíricos. Ou seja, o processo licitatório é analisado com base no cumprimento dos ritos exi- gidos pela legislação vigente, especialmente a Lei de Licitações (Lei 8.666/93) e a Lei do Pregão (Lei 10.520/02); com base em critérios administrativos e de ges- tão, como por exemplo a quantidade e a qualidade do que se pretende adquirir; e levando em consideração os valores que se pretende pagar pelosprodutos ou serviços descritos no edital publicado, se estão de acordo com os valores de mer- cado e não há sobrepreço. Referências legais para os processos licitatórios Antes de entrarmos nos procedimentos, propriamente ditos, importante conhe- cer um pouco da sistemática de aquisições nos órgãos públicos. Na Cartilha Olho Vivo no Dinheiro Público, publicada pela CGU, encontramos uma explicação bem simples sobre licitação: A licitação acontece quando a prefeitura precisa comprar algum pro- duto (comida, remédio, material de limpeza etc.) ou contratar serviços de uma pessoa ou de uma empresa (para fazer uma obra, asfaltar uma rua). A licitação é feita entre diferentes fornecedores. É um aviso, por escrito, para todos os interessados em participar. Ganha aquele que ti- ver qualidade e menor preço. Tudo deve ser feito às claras. É a lei. Só nas compras de até R$8 mil a licitação não precisa ser feita. Os adminis- tradores públicos têm o dever de informar qualquer pessoa a respeito de suas licitações (art. 3º da Lei 8.666, de 21/06/93, a Lei das Licita- ções). Os governos estaduais (governador) e federal (presidente) tam- bém precisam fazer licitação na hora de comprar. As licitações devem ser sempre transparentes e ter editais publicados nos principais jornais da região para conhecimento de todos os interessados. OLHO VIVO – Muitos administradores públicos costumam fraudar ou forjar licitações de várias formas: 1. Não publicando os editais, o que limita a participação dos interessados e acaba beneiciando empresas de amigos e parentes do prefeito ou de outros gestores. 2.Utilizando EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . VU N I D A D E172 documentos falsos para tentar provar a participação de empresas que na verdade nem tomaram conhecimento da licitação. 3.Criando, com a participação de amigos, empresas “fantasmas”, muitas com endereços falsos ou inexistentes. 4. Usando notas iscais “frias” dessas empresas “fantasmas”. 5. Direcionando para uma única empresa a totalidade ou a imensa maioria das licitações. 6.Pagando integralmente por obras e serviços que não foram concluídos (CGU, 2009, p. 24-25). Em linguagem mais técnica, mas igualmente de fácil compreensão ao cidadão leigo, podemos aprender sobre as compras governamentais usando o Manual de Licitações do OSB, conforme indicado na seção Materiais Complementares desta Unidade. Veja no Quadro 8, a seguir os Fundamentos Legais para as Licitações Públicas. Quadro 8 - Fundamentos Legais para as Licitações Públicas FUNDAMENTOS LEGAIS PARA AS LICITAÇÕES PÚBLICAS A Constituição Federal de 1988 em seu art. 37, inciso XXI, estabelece que “as obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorren- tes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualiicação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações”; e a im de regulamentar as licitações e contratos da Administração Pública foi elaborada a Lei 8.666, de 21 de junho de 1993. A Lei 8.666/93 regulamenta as modalidades de licitação: concorrência, tomada de preços, convite, concurso e leilão. A modalidade de pregão foi oicialmente instituída através da Medida Provisória nº 2.026 de 04 de maio de 2000, poste- riormente renumerada como Medida Provisória nº 2.108, em 27 de dezembro do mesmo ano, que foi mais uma vez alterada para nº 2.182, em sua reedição nº 16, em junho de 2001, e, inalmente, estendida a todos os entes da Federação com sua conversão na Lei Federal nº 10.520 de 17 de julho de 2002. A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia e a selecionar a proposta mais vantajosa para a Administração e será processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julga- mento objetivo e dos que lhes são correlatos (art. 3º da Lei 8.666/93). As licitações públicas são divididas em duas fases, sendo a primeira a fase interna e a segunda a fase externa. A fase interna é realizada, desde a solicitação de um material ou serviço, por meio do setor competente ou seus funcionários (profes- sores, auxiliares de limpeza, auxiliares de escritório), até a publicação do edital. Experiência de Atuação do Observatório Social do Brasil R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 173 A fase externa acontece a partir da publicação do edital, até a sua efetiva con- tratação. Para a abertura da licitação é necessário que o objeto seja deinido, de acordo com as necessidades, a utilidade, e o orçamento disponível; por estes motivos é ideal que seja elaborado um Projeto Básico para as licitações de obras e serviços ou um Termo de Referência para aquisição de bens e serviços, para propiciar uma avaliação de custos detalhada, baseados nos valores de mercado, além de conter os quantitativos estimados do objeto periodicamente, e o prazo de execução contratual. Fonte: Luqui (2014, p. 6). Toda e qualquer aquisição que um órgão público precise realizar, deve seguir estritamente o que a Lei 8.666/93 determina. Conforme o que será comprado ou a quantidade há uma modalidade de licitação a ser respeitada. Veja no qua- dro 9, a seguir, as modalidades de licitação: Quadro 9 - Modalidades de licitação SÃO MODALIDADES DE LICITAÇÃO DEFINIDAS ELA LEI 8.666/93, EM SEU ARTIGO 22: I – Concorrência - é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados que, na fase inicial de habilitação preliminar, comprovem possuir os requisitos mínimos de qualiicação exigidos no edital para execução de seu objeto. II - Tomada de Preços - é a modalidade de licitação entre interessados devidamen- te cadastrados ou que atenderem a todas as condições exigidas para cadastra- mento até o terceiro dia anterior à data do recebimento das propostas, observada a necessária qualiicação. III – Convite - é a modalidade de licitação entre interessados do ramo pertinente ao seu objeto, cadastrados ou não, escolhidos e convidados em número mínimo de 3 (três) pela unidade administrativa, a qual aixará, em local apropriado, cópia do instrumento convocatório e o estenderá aos demais cadastrados na correspon- dente especialidade que manifestarem seu interesse com antecedência de até 24 (vinte e quatro) horas da apresentação das propostas. IV - Concurso - é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para es- colha de trabalho técnico, cientíico ou artístico, mediante a instituição de prêmios ou remuneração aos vencedores, conforme critérios constantes de edital publica- do na imprensa oicial com antecedência mínima de 45 (quarenta e cinco) dias. V - Leilão - é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para a venda de bens móveis inservíveis para a administração ou de produtos legalmente 10 apreendidos ou penhorados, ou para a alienação de bens imóveis, prevista no art. 19, a quem oferecer o maior lance, igual ou superior ao valor da avaliação. Além das modalidades regulamentadas em 1993, a Lei 10.520/02 regulamentou uma nova modalidade de licitação que pode ser denominada da seguinte forma: EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . VU N I D A D E174 I - Pregão - é a modalidade de licitação para aquisição de bens e serviços comuns,poderá ser realizado pregão por meio da utilização de recursos de tecnologia da informação, nos termos de regulamentação especíica. Em alguns casos descritos na Lei, podem ocorrer Licitações Dispensadas, como previsto no Art. 17, o objeto pode ser adquirido por Dispensa de Licitação nos casos mencionados no Art. 24 e ainda em alguns casos especíicos, a aquisição de serviços pode ser realizada através da chamada Inexigibilidade, tratada no Art. 25. Veja o anexo IV, onde colocamos um arquivo disponibilizado pelo TCU e que detalha estas modalidades. As modalidades de licitação são determinadas tendo em vista o valor estimado para contratação, conforme Art. 23 da Lei 8.666/93: I - para obras e serviços de engenharia: a) convite - até R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais); b) tomada de preços - até R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais); c) concorrência - acima de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais). II - para compras e serviços não referidos no inciso anterior: a) convite - até R$ 80.000,00 (oitenta mil reais); b) tomada de preços - até R$ 650.000,00 (seiscentos e cinquenta mil reais); c) concorrência - acima de R$ 650.000,00 (seiscentos e cinquenta mil reais). Além destes valores a Lei 8.666/93, também prevê o valor máximo a ser contra- tado nos casos Dispensáveis de Licitação, em seu art. 24, que se encaixem nos incisos I e II. I - para obras e serviços de engenharia de valor até 10% (dez por cento) do limite previsto na alínea “a”, do inciso I do artigo anterior, desde que não se reiram a parcelas de uma mesma obra ou serviço ou ainda para obras e serviços da 11 mesma natureza e no mesmo local que possam ser realizadas conjunta e conco- mitantemente; ou seja, até R$ 15.000,00 (quinze mil reais). II - para outros serviços e compras de valor até 10% (dez por cento) do limite previsto na alínea “a”, do inciso II do artigo anterior e para alienações, nos casos previstos nesta Lei, desde que não se reiram a parcelas de um mesmo serviço, compra ou alienação de maior vulto que possa ser realizada de uma só vez; ou seja, até R$ 8.000,00 (oito mil reais). Fonte: Luqui (2014, p. 11-13). Experiência de Atuação do Observatório Social do Brasil R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 175 A fase externa do processo licitatório inicia-se com a publicação do edital, momento em que qualquer cidadão ou empresa interessada em fornecer para o órgão público tem acesso ao descritivo dos produtos ou serviços que o órgão deseja adquirir. É também nessa fase que se inicia o trabalho dos observadores sociais na análise do cumprimento dos aspectos legais e na confrontação dos preços que o órgão se propõe a pagar pelos produtos ou serviços, podendo pro- por as alterações necessárias e até a impugnação do processo, conforme art. 41 da Lei Geral de Licitações: Art. 41. A Administração não pode descumprir as normas e condições do edital, ao qual se acha estritamente vinculada. § 1º Qualquer cidadão é parte legítima para impugnar edital de lici- tação por irregularidade na aplicação desta Lei, devendo protocolar o pedido até 5 (cinco) dias úteis antes da data ixada para a abertura dos envelopes de habilitação, devendo a Administração julgar e responder à impugnação em até 3 (três) dias úteis, sem prejuízo da faculdade pre- vista no § 1º do art. 113. § 2º (apud LUQUI, 2014, p. 18). Chamamos a atenção para uma citação de Aguillar no artigo de pós-gradu- ação “Como O Controle Social Pode Melhorar A Gestão Pública Utilizando Observatórios Sociais Como Ferramenta”, das acadêmicas Fernanda Junges e Letícia Cardoso, publicado no website do OSB, tratando exatamente da razão pela qual um órgão público deve proceder nas aquisições, ao rigor da Lei: O interesse em jogo quando se procede a uma licitação pública não é, exclusivamente, o da empresa concorrente que quer adjudicar uma obra ou um serviço rentável economicamente, mas o interesse dos ci- dadãos de zelar pelo bom uso da coisa pública, notadamente seus re- cursos inanceiros (AGUILLAR; 1999, p. 109). Sobre os procedimentos padronizados no monitoramento das licitações Com o intuito de capacitar e facilitar aos observadores o entendimento acerca do monitoramento das licitações, nas suas três fases, a equipe técnica do OSB desenvolveu o POP das Licitações (procedimento operacional padrão). EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . VU N I D A D E176 Na Figura 1 a seguir, icam demonstrados os passos que são traçados pelos observadores no monitoramento das licitações. Figura 1 - Fluxograma Análise e Monitoramento de Editais Fonte: Observatório Social do Brasil (2016, p. 16)4. Procedimentos expressos no luxograma: Pesquisar todos os editais publicados pelo município, encontrados no site da prefeitura ou no Diário Oicial. Todos os editais devem ser cadastrados no SIM (Sistema Informatizado de Monitoramento das Licitações). Priorização dos edi- tais para acompanhamento: Pesquisar todos os editais publicados pelo município Selecionar editais que serão acompanhados em todas as fases Comunicar não conformidade ao Gestor Público Enviar ofício ao Ministério Público Acompanhar o processo no Legislativo Enviar e-mail para empresas cadastradas no SIM Enviar Ofício à Câmara Agendar voluntários para acompanhar o certame Pesquisar empresas no mercado Analisar o edital 100% dos editais Correções do Gestor Público Manifes- tação da Câmara Gestor Público corrige? Há novo edital publicado? Câmara se manifesta? Há legalidade no edital? Ofício Ofício Empresas locais Gerar Relatório Gerar Relatório Legenda Processo Cadastro de informações no SIM Decisão Geração de relatório Fim do processo Próxima fase FASE 2 A não correção pelo Gestor Público pode resultar em reenvio do ofício ao mesmo Sim Sim Sim Sim Não Não Não Não Experiência de Atuação do Observatório Social do Brasil R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 177 ■ Valor do edital. ■ Denúncia de irregularidade. ■ Objeto / complexidade. ■ Limitadores de concorrência. ■ Experiência anterior. É indicado que a análise do edital seja feita por dois proissionais: um com conhe- cimento contábil e outro, jurídico. Havendo legalidade no edital, buscar empresas no mercado local para participar do processo licitatório e deinir voluntários para participar do acompanhamento do certame. Não havendo legalidade, enviar o apontamento de não conformidade ao Gestor Público por meio de ofício e ana- lisar novamente o edital publicado com as correções, quando assim for. Não havendo correção, um segundo ofício poderá ser enviado, cabendo à diretoria do OS a decisão de enviá-lo com cópia à Câmara Municipal. Caso a Câmara não se manifeste, o OS deverá enviar um ofício ao Ministério Público, relatando o ocorrido, encerrando sua participação neste caso. A depender da gravidade do caso ou de elevado valor, o OS pode recorrer às prerrogativas legais e proceder à impugnação do edital. Como é possível notar no quadro que acabamos de descrever, não faz parte dos procedimentos fazer notícia em veículos de comunicação acerca das diver- gências ou irregularidades encontradas. No mesmo artigo citado anteriormente, das acadêmicas Fernanda Junges e Letícia Cardoso, podemos destacar que a: A Rede OSB não atua de maneira denuncista uma vez que seu obje- tivo é contribuir para a melhoria da gestão pública. Assim sendo, as manifestações se dão através das prestações de contas quadrimestrais e expõem apenas casos concluídos (JUNGES; CARDOSO, 2015,p. 9). É importante registrar isso. Tanto pelo fato de preservar os observadores de pos- síveis retaliações quanto por oferecer aos gestores a oportunidade de corrigir as irregularidades e imprimir à sua gestão a primazia do cumprimento da legislação e do iel atendimento às necessidades e anseios da população que os elegeram. Outro fato a destacar é de que o controle social promovido pela Rede OSB só será efetivo na medida em que sejam eicazes os órgãos oiciais de controle. EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . VU N I D A D E178 Airmamos isso pela simples razão de que o trabalho do controle social carece do apoio, orientação e providências dos órgãos que têm o “dever de ofício” de exer- cer o controle externo oicial e prover de julgamento e punição os atos públicos ilícitos e seus praticantes, em que se enquadram o Ministério Público, tanto esta- dual quanto federal, os Tribunais de Contas Estaduais e da União, o Ministério Público de Contas, a Controladoria Geral da União e, em última instância, o Supremo Tribunal Federal. UMA PITADA SOBRE A CÂMARA DE VEREADORES Na carona do tópico anterior, faremos uma breve citação sobre o trabalho dos vereadores que são, perante a Lei, o primeiro órgão de controle externo às ações e contas do executivo municipal. Conforme encontramos na introdução da car- tilha publicada pela CGU com o título O Vereador e a Fiscalização dos Recursos Públicos Municipais: Quadro 10 - Papel do Vereador Controlar signiica veriicar se a realização de uma determinada atividade não se desvia dos objetivos ou das normas e princípios que a regem. Na Administração Pública, o ato de controlar possui signiicado similar, na medida em que pres- supõe examinar se a atividade governamental atendeu à inalidade pública, à legislação e aos princípios básicos aplicáveis ao setor público. No Brasil, a preocupação em se estabelecer um controle permanente do gas- to público – seja por meio das instituições incumbidas de tal tarefa, seja pela própria população – ganha contornos fundamentais ao desenvolvimento da nação, em razão da sua extensão territorial e do grande número de municípios que possui. Nesse contexto, a ação do Poder Legislativo municipal na iscalização dos gastos públicos é fundamental para garantir que a sua aplicação esteja de acordo com os interesses coletivos. É importante salientar que o vereador quando controla a atuação do gestor público municipal está, na verdade, cumprindo uma obriga- ção ixada pelo texto da Constituição Federal Brasileira de 1988, a qual esta- belece em seu art. 31 que a iscalização do município será exercida pelo Poder Legislativo municipal, mediante controle externo. Fonte: CGU (2011, p. 8). Experiência de Atuação do Observatório Social do Brasil R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 179 Na chamada “Cartilha do Vereador”, podemos encontrar o esclarecimento de que o papel de controle externo no município deve ser exercido pelos vereado- res, citando inclusive a Constituição Federal: Os artigos 70, 71 e 74 da Constituição Federal Brasileira estabelecem que o controle institucional cabe essencialmente ao Congresso Na- cional, responsável pelo controle externo, realizado com o auxílio do Tribunal de Contas da União, e a cada Poder, por meio de um sistema integrado de controle interno (CGU, 2011, p.15). Como funções típicas, a Câmara Legislativa Municipal deve, portanto, desempenhar as tarefas de legislar e de exercer o controle externo do Poder Executivo Municipal: A função legislativa consiste em elaborar, apreciar, alterar ou revogar as leis de interesse para a vida do município. Essas leis podem ter origem na própria Câmara ou resultar de projetos de iniciativa do Prefeito, ou da própria sociedade, através da iniciativa popular. A função iscalizadora está relacionada com o controle parlamentar, isto é, a atividade que o Poder Legislativo exerce para iscalizar o Exe- cutivo e a burocracia. O controle parlamentar diz respeito ao acom- panhamento por parte do Legislativo, da implementação das decisões tomadas no âmbito do governo e da administração (CGU, 2011, p.15). Contudo, via de regra, no trabalho de monitoramento da Câmara Municipal, os observadores têm encontrado disfunções intrigantes, especialmente na “produ- ção legislativa”, ou seja, no cumprimento de uma das principais funções típicas dos vereadores – elaboração de leis e de políticas públicas. Nos Observatórios Sociais que já aplicam a metodologia de monitoramento da Câmara Municipal, acompanhando todas as sessões e preenchendo o che- cklist especíico que demonstra desde a presença de cada vereador até as suas manifestações e apresentação de projetos, a Rede OSB tem constatado que mais de 90% dos projetos apresentados pelos vereadores não se referem às suas fun- ções típicas: legislar e iscalizar o Executivo. A maior parte da “produção” dos vereadores está focada em projetos de nominação de ruas, de homenagens, ou de requerimentos que nada obrigam ao gestor municipal. Além da distorcida atuação como “despachante” do elei- tor, favorecendo uns em detrimento de outros. Não cabe ao vereador promessas como inalização de obras, aumento de número de vagas em escolas e reforçar EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . VU N I D A D E180 policiamento, por exemplo, essas ações são da alçada do executivo municipal ou governo estadual. Essa prática só será modiicada com a participação dos cidadãos, eleito- res que são, cobrando dos seus vereadores o cumprimento do seu real papel, em defesa do interesse coletivo, inclusive contribuindo para a redução dos cus- tos administrativos da própria Câmara Municipal, como os gastos com diárias desnecessárias e com assessores parlamentares, em cargos comissionados, em quantidade acima do proposto pela legislação e pelo bom senso. Como a população pode impulsionar mudanças na qualidade do serviço prestado pelos vereadores? Relato de Casos de Sucesso da Atuação do Observatório Social do Brasil R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 181 RELATO DE CASOS DE SUCESSO DA ATUAÇÃO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL A Rede OSB coleciona inúmeros casos de sucesso no seu trabalho, tanto para a economia aos cofres públicos municipais, quanto para a eiciência da gestão pública. Apresentaremos alguns desses casos que chegam também ao legislativo municipal, com relação à redução de gastos e criação de novos procedimentos de gestão. Este tópico será inalizado com a proposição de mudanças na cultura da corrupção. ECONOMIA PARA OS COFRES MUNICIPAIS As boas práticas e casos de sucesso serão apresentados, como uma forma de esti- mular a pesquisa e o interesse em participar desta iniciativa de controle social e como uma opção para exercer a cidadania de maneira prática e efetiva. Na Unidade IV mostramos que a Rede OSB contribuiu para uma econo- mia da ordem de R$ 1,5 bilhões aos cofres municipais nos últimos 4 anos. Aqui vamos comprovar essa economia, apresentando alguns casos de sucesso. Começamos pela cidade de Picos, no Piauí, onde não existe um hospital EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . VU N I D A D E182 municipal. No entanto, a prefeitura publicou editalde licitação para a compra de materiais usados somente em centros cirúrgicos, como anestésicos para cirur- gias de alta complexidade. Após a interpelação do Observatório Social, os itens foram retirados do edital, obtendo uma redução de mais de 6 milhões de reais. Ainda em Picos, temos outro exemplo gritante com relação à merenda esco- lar, porque após quatro meses sem oferecer alimentação para as crianças nas escolas municipais, a prefeitura lançou um edital para aquisição dos gêneros alimentícios em que constavam itens como perfume, esmalte de unha e creme de barbear. Não bastasse isso, muitos itens estavam com sobrepreço, como os dois tipos de iogurte que destacamos no quadro a seguir que, no mercado local, poderiam ser adquiridos pela metade do preço. Somente nesses dois itens, com a intervenção do OS Picos, evitou-se o desperdício de R$ 198 mil. Figura 2 - Exemplo de contribuição para economia (Picos-PI) Fonte: Observatório Social do Brasil (2016, p. 20)4. Relato de Casos de Sucesso da Atuação do Observatório Social do Brasil R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 183 Em Paranaguá, no Paraná, com os alertas do OS (BRANCO, 2016)10, a prefei- tura já economizou 65 milhões de reais em 166 licitações nos últimos 2 anos. No quadro a seguir, destacamos um dos casos de sucesso: o cancelamento de um edital de compra de papel higiênico e sacos de lixo no valor de R$ 10.417.001,98. A quantidade era exagerada e, se fosse dividir os itens para todos os habitantes da cidade, seria suiciente para 20 anos. A prefeitura se desculpou alegando que houve um erro de cálculo e os observadores aproveitaram para propor a cria- ção da Secretaria de Compras e Abastecimento e a instalação do almoxarifado central, além da ampliação do portal de transparência. Figura 3: Exemplo de contribuição para economia (Paranaguá-PR) Fonte: Observatório Social do Brasil (2016, p. 17)4. Na cidade de Ponta Grossa, no Paraná, como na maioria dos municípios brasi- leiros, a média de empresas fornecedoras das prefeituras não passa de três. Isso diiculta a qualidade nas negociações e favorece a formação de conluios ou o pagamento de propinas. Lá, os observadores têm se empenhado nas ações para a conquista de mais fornecedores, fazendo isso por meio da divulgação osten- siva dos editais e na mobilização de parcerias com as entidades empresariais. EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . VU N I D A D E184 Um dos casos que ilustra essa conquista está no Quadro 4, a seguir, quando a prefeitura publicou um edital de material de higiene e limpeza em que, entre outros itens com sobrepreço, havia um carrinho de plásticos com equipamentos de limpeza pelo qual se propunha pagar mais de R$ 20 mil. O mesmo carrinho havia sido adquirido no ano anterior pelo valor de R$ 627,00. Os observadores izeram um amplo trabalho de divulgação e levaram mais de 30 fornecedores para o referido pregão eletrônico, sendo que o carrinho foi vendido ao preço de R$ 418,00. Só neste item a economia foi de quase R$ 2 milhões. Figura 4 - Exemplo de contribuição para economia (Campos Gerais/Ponta Grossa-PR) Fonte: Observatório Social do Brasil (2016, p. 19)4. A partir desse caso, o Observatório Social do Brasil – Seção Campos Gerais, em Ponta Grossa, também conquistou avanços na melhoria da gestão municipal, criando uma agenda de diálogo com as secretarias e o controle interno da pre- feitura, facilitando o acompanhamento das entregas (Fase 3 do trabalho dos OS), além da capacitação dos servidores com a função de iscal de contrato e a realiza- ção de audiências públicas conjuntas para planejamento das melhorias na gestão. Relato de Casos de Sucesso da Atuação do Observatório Social do Brasil R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 185 Em Lages, Santa Catarina, também os observadores constataram equívo- cos no edital de licitação de material odontológico. O mesmo produto, selante incolor com lúor, que havia sido adquirido em 2014 pelo valor de R$ 24,00 a unidade estava sendo comprado no ano seguinte por R$ 7.084,00. O que one- rava os cofres públicos em valor superior a R$ 360 mil. Figura 5 - Exemplo de contribuição para economia (Lages-SC) Fonte: Observatório Social do Brasil (2016, p. 18)4. Em Mandaguari, no Paraná, o OS é um exemplo quanto à aplicação dos progra- mas, apresentação dos Relatórios Quadrimestrais e ao respeito aos princípios e diretrizes da Rede OSB. São muitas as boas práticas do OS e com resultados Nos casos que já relatamos, o que você acha que aconteceria se nenhum cidadão estivesse acompanhando?! EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . VU N I D A D E186 expressivos. Destacamos aqui apenas um de tantos casos, referente a um show de dupla sertaneja contratada pela prefeitura, que pagou duas vezes pelo mesmo. Isso foi comprovado pelos observadores com a informação do OS de Campo Mourão, cuja prefeitura também tinha contratado os mesmos artistas. Esse fato comprova, inclusive, que o trabalho em rede, com banco de dados acessível e uma comunicação facilitada, favorece a atuação no controle social, criando uma inteligência que nenhum órgão público possui. Figura 6 - Exemplo de Relatórios Quadrimestrais de Mandaguari Fonte: Observatório Social de Mandaguari (2016, p. 36)5. Na igura 7, temos o registro de uma situação Porto Alegre em que, ao fazer o levantamento do quadro de pessoal da prefeitura, o OS constatou que, em 2016, ainda havia funcionários públicos em cargos comissionados e funções gratii- cadas sendo pagos na extinta Secretaria da Copa, criada em 2014 por tempo determinado. Relato de Casos de Sucesso da Atuação do Observatório Social do Brasil R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 187 Figura 7 - Exemplo de situações irregulares (Porto Alegre - RS) Fonte: Observatório Social Do Brasil (2016, p. 21)4. Com todos os exemplos acima, conirmamos o que disse o Procurador Federal, Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava-Jato, para a Revista Exame: “A capilaridade dos observatórios permite que a iscalização no emprego de recursos públicos se espalhe por toda a estrutura do governo, mesmo onde a iscalização do Estado não chega” (BRANCO, 2016)10. EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . VU N I D A D E188 BOAS PRÁTICAS NO LEGISLATIVO MUNICIPAL Também no legislativo municipal os observadores têm sua atuação registrada com bons exemplos e conquistas, tanto na questão de economia quanto na mudança de procedimentos. Uma boa prática vem de Rondonópolis, no Mato Grosso, quando o OS pro- pôs aos vereadores a divulgação dos motivos e resultados de suas viagens no portal de transparência da câmara. Somente com essa obrigatoriedade o número de viagens diminuiu e o gasto com diárias reduziu pela metade. Figura 8 - Exemplo de contribuição para economia (Rondonópolis-MT) Fonte: Observatório Social do Brasil (2016, p. 22)4. No início de 2016, na cidade de Teresópolis, região serrana do estado do Rio de Janeiro, os 12 vereadores tiveram que devolver mais de 1 milhão de reais aos cofres públicos,por força judicial em resposta a processo iniciado pelo OS. A razão: restou provado que boa parte dos recursos gastos com viagens e alimen- tação dos vereadores tinha sido paga a empresas inexistentes ou mediante notas iscais falsas. Relato de Casos de Sucesso da Atuação do Observatório Social do Brasil R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 189 Já em Tubarão, Santa Catarina, o trabalho do Observatório Social foi maior e com resultado inédito para o Brasil: conseguiu emplacar uma Lei de Iniciativa Popular, reduzindo o repasse da prefeitura para a câmara, o chamado “duodé- cimo”. Em reportagem publicada no site do OSB, podemos conhecer as razões: O OST realizou um comparativo entre os custos da Câmara de Vere- adores de Tubarão e a Câmara de Brusque – SC, pelo fato de as duas cidades terem o mesmo porte populacional. Tubarão com 102 mil ha- bitantes e Brusque, 120 mil. Nesses estudos restou constatado pelo site do Tribunal de Contas do Estado (TCE) que a Câmara de Tubarão gastou, em 2015, o valor de R$ 9,5 milhões (com uma receita corrente líquida de R$ 182 milhões), enquanto Brusque gastou R$ 5,2 milhões (com uma receita corrente líquida do município de R$ 300 milhões), ou seja, quase metade e com 65% a mais de arrecadação que Tubarão na manutenção de sua casa legislativa. Desse gasto, Tubarão despendeu R$ 8,3 milhões com folha de pagamento e Brusque apenas R$ 4,4 milhões. (NICOFORENKO, 2016, on-line)6. A economia prevista para os cofres do Município em 2017, com a redução orçamentária alcançada da câmara municipal, representa cerca de 10% dos investimentos públicos de Tubarão, ou seja, serão economizados cerca de R$ 4,7 milhões (43% do atual orçamento da câmara). Tal conquista foi precedida de muito trabalho dos observadores e da mobili- zação da comunidade, das entidades representativas e da imprensa local. Abaixo, segue a Figura 9, um dos materiais de divulgação da campanha. EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . VU N I D A D E190 Figura 9 - Material de divulgação da Campanha Fonte: Nicoforeko (2016, on-line)6. EFICIÊNCIA DA GESTÃO PÚBLICA Em Blumenau as secretarias municipais tinham estoques próprios e a prefei- tura mantinha vários locais de recebimento e armazenagem de mercadorias, os chamados almoxarifados, o que favorecia as compras em duplicidade, a perda de produtos com prazo de validade vencido e até os desvios de mercadorias pela falta de controle. Por proposição do OS local, a prefeitura terceirizou todo o recebimento e distribuição de mercadorias para uma empresa especializada, reduzindo o desperdício em mais de R$ 800 mil por ano e garantindo o con- trole de maneira proissional. A Prefeitura Municipal de Blumenau, pelo projeto do almoxarifado, criação da Secretaria da Transparência, transmissão ao vivo dos certames de licitação e criação de outros sistemas de gestão proissional, tornou-se um modelo de Relato de Casos de Sucesso da Atuação do Observatório Social do Brasil R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 191 administração pública para o Brasil. Tudo isso pelo interesse do gestor e pela atuação dos observadores locais. Outra prefeitura que surpreende pela proposta proissional na gestão pública é a de Pinhais, no Paraná. Desde 2010 vem incorporando os conceitos de exce- lência na gestão e satisfação dos contribuintes, implantando as ferramentas de gestão da qualidade propostas pelo programa do Governo Federal, chamado Gespública. Este fator facilitou a implantação do sistema de certiicação ABNT/ISO 18091, a certiicação internacional de qualidade para as prefeituras municipais, conforme adaptação da ISO 9000, referência para as empresas. Mesmo sem haver um Observatório Social na cidade, a Prefeitura Municipal de Pinhais interessou-se pela certiicação e tornou-se a primeira cidade da América Latina a implantar o processo da ISO 18091. O processo se deu em razão de uma parceria entre o OSB e a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), com a participação de consultores espe- cializados que, voluntariamente, se dedicaram a essa experiência piloto. São eles os professores Deise Wischral da Silva e Basílio Dagnino Vasconcelos que, inclu- sive, apresentaram o trabalho em reunião do Comitê Internacional da ISO em Madri, Espanha. Os dois exemplos, das prefeituras de Blumenau e Pinhais, provam que é per- feitamente possível, que quando há interesse e propósito, fazer uma boa gestão pública, de maneira proissionalizada e dentro da Lei, fazendo uso dos recursos públicos com qualidade e oferecendo bons serviços à população. Em razão da impossibilidade de relatar todos os casos de sucesso obtidos pela Rede OSB, neste livro não falaremos das boas práticas nos demais Eixos de trabalho, como Educação para a Cidadania Fiscal, o Ambiente de Negócios e a Transparência. Importante, contudo, demonstrar uma questão relatada em artigo já comen- tado nesta unidade, das acadêmicas Fernanda Junges e Letícia Cardoso: A principal e mais importante conquista observada é o reconhecimen- to, tanto da sociedade civil e empresarial que tem entendido a impor- tância do controle social e aderido aos observatórios, quanto dos ór- gãos oiciais de controle, Controladoria Geral da União, Tribunal de Contas da União, Tribunais de Contas Estaduais e Ministérios Públicos EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt. 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e Le i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e fe v e re iro d e 1 9 9 8 . VU N I D A D E192 Estaduais, através de parcerias e convênios técnicos que contribuem para a melhoria do controle realizado por todos. Esse reconhecimento induz à uma mudança de cultura, envolvendo cidadãos e empresas na gestão de seus municípios. Aumentando a participação em planejamentos e tomadas de decisões em conselhos municipais e consultas públicas, por exemplo (JUNGES; CARDOSO, 2015, p. 10). ÁREA LIVRE DE CORRUPÇÃO Ao concluir esta unidade, precisamos dizer que o mais importante não são os números. É a nova cultura que está se formando: da participação do cidadão de olho no dinheiro público. Isso está bem ilustrado na Figura 10, em campanha educativa produzida pelo OS Brasília: As experiências práticas do trabalho dos OS e seus resultados comprovados podem servir de estímulo a muitos outros cidadãos, mostrando que vale a pena cuidar do que é nosso: o dinheiro público. Você pode aprender mais com as inúmeras boas práticas e os exemplos de economia proporcionados pelo trabalho dos mais de 3 mil observadores. Fonte: as autoras. Relato de Casos de Sucesso da Atuação do Observatório Social do Brasil R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 193 Figura 10 - Peças de Campanha do Observatório Social de Brasília no Facebook Fonte: Observatório Social de Brasília (2014, on-line)7. É com esse propósito que o OSB mantém e divulga o movimento Área Livre de Corrupção, visando despertar nas pessoas o espírito de patriotismo e a consci- ência cidadã, resgatando valores e atitudes que compõem o senso de moralidade, civismo e cidadania para construção de um Brasil mais justo. O objetivo é sensibilizar, por meio de diversas atividades e peças pu- blicitárias, cada cidadão para reletir sobre a inluência do seu com- portamento na vida da sociedade e perceber que, a partir de pequenas atitudes, forma-se o conceito coletivo de boaspráticas de conduta, con- tribuindo para que as relações pessoais, comerciais e de governo sejam construídas sobre as bases da honestidade e da integridade. O Movimento Área Livre de Corrupção propõe que cada cidadão as- suma o papel de protagonista das mudanças que todos querem ver no Brasil, praticando e motivando outras pessoas, posicionando-se como exemplo na família, na escola, na empresa, no serviço público, nos eventos sociais. E propõe um Pacto Pelo Brasil, respondendo a uma pergunta: qual a sua contribuição? (OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL, 2012, on-line)8. EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. VU N I D A D E194 Figura 11 - Peça da Campanha Área Livre de Corrupção! Fonte: Observatório Social do Brasil (2016, p. 37)4. Por que o brasileiro ainda deixa-se vitimar pela corrupção? Seria pelo fato de, culturalmente, temer os governantes? De acreditar que se cobrar sua postura ética e correta, corre riscos? Ou seria pela simples ignorância do seu poder, enquanto eleitor, contribuinte, cidadão? Considerações Finais R e p ro d u çã o p ro ib id a . A rt . 1 8 4 d o C ó d ig o P e n a l e L e i 9 .6 1 0 d e 1 9 d e f e v e re ir o d e 1 9 9 8 . 195 CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) Aluno(a), os dados da corrupção no Brasil, apresentados nesta unidade, demonstram o tamanho do desaio que precisamos enfrentar, especialmente por conta da cultura do “levar vantagem” que se instalou em nosso país desde há muito tempo, levando a maioria dos cidadãos a encarar a corrupção como uma “coisa normal”. Apesar disso, temos visto o esforço dos órgãos oicias de controle e de muitas organizações em favor da prevenção e do combate à corrupção e, especialmente, da disseminação do conceito e prática da integridade nos negócios e na relação com o poder público. Inclusive, alinhado com a prática internacional, o Brasil publicou a Lei Anticorrupção ou Lei da Empresa Limpa. Vimos que a transparência e o controle social podem impedir a corrupção, por mobilizar pessoas, ensiná-las a monitorar as compras públicas, abrir opor- tunidades para empresas locais venderem para as prefeituras, como fazem os Observatórios Sociais. São mais de 3 mil cidadãos que, seguindo um protocolo de monitoramento das compras públicas, estão criando uma nova cultura anticorrupção no Brasil, cumprindo a missão de gerar maior consciência em cada brasileiro, mostrando que para ter retorno do dinheiro pago em tributos, é necessário que se aprenda a monitorar as contas públicas de sua própria cidade. É dessa forma que estão colaborando para gerar maior transparência e economia aos cofres das prefei- turas municipais. Com a metodologia de trabalho dos OS e os inúmeros casos de sucesso e boas práticas, pudemos constatar que a incompetência e falta de ferramentas gestão e capacitação dos servidores no governo municipal pode sofrer grandes transformações no caminho da eiciência da gestão. Então, podemos encerrar este unidade com a resposta a uma pergunta: vale a pena fazer o controle social? Sim, o trabalho dos observadores comprova um antigo ditado popular: “é o olho do dono que engorda o boi”. Quando o cidadão exerce a cidadania e participa, a gestão dos recursos e serviços públicos torna- -se melhor. 196 1. A corrupção pode ocorrer: I. No cotidiano das pessoas, no seio familiar, na relação com vizinhos, no conví- vio na comunidade, no ambiente escolar. II. No cotidiano de empresas públicas e privadas. III. No cotidiano de órgãos públicos: Poder Executivo, Legislativo e Judiciário. IV. Não existe corrupção na sociedade, apenas em órgãos públicos. Podemos airmar que: a. Somente alternativa I está correta. b. Somente alternativas I e II estão corretas. c. Somente alternativas I e III estão corretas. d. Somente alternativas II e III estão corretas. e. Somente alternativa IV está incorreta. 2. De acordo com o “ranking da coniança” a população conia mais: a. Nas Forças Armadas, na Igreja Católica e no Ministério Público. b. No Poder Legislativo, por meio dos Vereadores que representam comunida- des. c. Nos Partidos Políticos e sua força representativa. d. No Congresso Nacional e seu poder decisivo para o País. e. Nenhuma das alternativas. 197 3. Em substituição à cultura da corrupção, qual vem sendo implantada em órgãos públicos, empresas públicas e privadas, na relação entre pessoas, com intenção de reverter esse quadro: a. Cultura da honestidade. b. Cultura da integridade. c. Cultura da vantage. d. Cultura do “ganha-ganha”. e. Nenhuma das alternativas. 4. De acordo com a CGU “Muitos administradores públicos costumam fraudar ou forjar licitações de várias formas”: I. Não publicando os editais, o que limita a participação dos interessados e aca- ba beneiciando empresas de amigos e parentes do prefeito ou de outros gestores. II. Usando notas iscais “frias” dessas empresas “fantasmas” e pagando integral- mente por obras e serviços que não foram concluídos. III. Utilizando documentos falsos para tentar provar a participação de empresas que na verdade nem tomaram conhecimento da licitação. IV. Criando, com a participação de amigos, empresas “fantasmas”, muitas com endereços falsos ou inexistentes. Podemos airmar que: a. Somente alternativa I está correta. b. Somente alternativas I e IV estão corretas. c. Somente alternativas I e III estão corretas. d. Somente alternativas II e III estão corretas. e. Todas alternativas estão corretas. 198 5. De acordo com o luxograma de atuação dos Observatórios Sociais, correlacione: ( ) Prevenção. ( ) Fiscalização. ( ) Denúncia. ( ) Julgamento. ( ) Punição. a. Após dadas oportunidades ao Gestor Público (Prefeito), apontando os indí- cios de irregularidade e solicitadas providências à Câmara de Vereadores e não havendo nenhuma atitude, o OS recorre ao Ministério Público. b. Não se aplica ao trabalho dos OSs. c. Veriicados indícios de irregularidades nas licitações, o OS requer, por meio de ofício, providências do Gestor Público e encaminha ofício à Prefeitura Mu- nicipal. d. Não se aplica ao trabalho dos OSs. e. Não havendo qualquer atitude por meio do Gestor Público, o OS recorre à Câmara Municipal, com pedido de providências. Marque a resposta correta: a. C, E, A, B e D. b. C, B, E, D e A. c. A, C, D, E e B. d. B, A, D, E e C. e. A, B, E, D e C. 199 Os observadores acreditam que, para acabar com o círculo vicioso de corrupção pri- vada e pública, é preciso implementar mudanças sistêmicas e estruturais, incluindo o im da impunidade, por estar claramente relacionada à prática da corrupção. Por isso, o Observatório Social do Brasil foi um dos apoiadores do projeto de Lei da campanha 10 Medidas Contra a Corrupção do Ministério Público Federal, colaborando na coleta das mais de 2,5 milhões de assinaturas dos eleitores e acompanhando a sua entrega no Congresso Nacional no início de 2016. Recomendamos, como leitura complementar, a visita ao site do Ministério Público Fede- ral: para conhecer tudo o que diz respeito a esse tão importante projeto de mudança da legislação brasileira para prevenir e combater a corrupção em nosso país. Objetivo geral das propostas Se queremos um país livre de corrupção, precisamos nos unir. O Ministério Público Fe- deral (MPF) acredita em um Brasil mais justo, com menos corrupção e menos impuni- dade. É possível transformar a indignação com a corrupção em mudanças efetivas para a sociedade. Para acabar com o círculo vicioso de corrupção privada e pública, é preciso implementar mudanças sistêmicas e estruturais. Essas mudanças incluem o im da impunidade, pois esta e a corrupção aparecem intimamente relacionadas em diversos estudos e pesqui- sas internacionais sobre esse problema. O MPF tem trabalhado com rapidez e agilidade nos processos envolvendo crimes decorrupção. Mesmo assim, nem sempre alcança efetividade, porque o sistema favorece a demora, a prescrição (cancelamento do caso penal decorrente da demora) e a anulação do caso com base em formalidades. Para construirmos uma nova realidade, o MPF apresentou à sociedade dez medidas para aprimorar a prevenção e o combate à corrupção e à impunidade. As propostas objeti- vam Transparência, Prevenção, Eiciência e Efetividade. As propostas de alterações legislativas buscam, entre outros resultados: ■ Evitar a ocorrência de corrupção (via prestação de contas, treinamentos e testes morais de servidores, ações de marketing/conscientização e proteção a quem denuncia a corrupção). ■ Criminalizar o enriquecimento ilícito. ■ Aumentar penas da corrupção e tornar hedionda aquela de altos valores. ■ Agilizar o processo penal e o processo civil de crimes e atos de improbidade. ■ Fechar brechas da lei por onde criminosos escapam (via reforma dos sistemas de prescrição e nulidades). 200 ■ Criminalizar caixa dois e lavagem eleitorais. ■ Permitir punição objetiva de partidos políticos por corrupção em condutas futuras. ■ Viabilizar a prisão para evitar que o dinheiro desviado desapareça. ■ Agilizar o rastreamento do dinheiro desviado. ■ Fechar brechas da lei por onde o dinheiro desviado escapa (por meio da ação de extinção de domínio e do conisco alargado). A iniciativa, sem qualquer vínculo político-partidário, foi abraçada pela sociedade que, por meio de voluntários em todo o país, coletou mais de dois milhões de assinaturas em apoio à campanha para que as propostas pudessem ser apresentadas ao Congresso Nacional em forma de projeto de iniciativa popular. Fonte: Ministério Público Federal (2016, on-line)9. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Para entender o contexto do controle social e da importância do cidadão tomar conta do que é da sua conta – o dinheiro público, uma boa leitura está pode ser encontrada no livro “O Combate à corrupção nas prefeituras do Brasil”. A obra está Disponível gratuitamente no link: <http://www. amarribo.org.br/assets/cartilha_pt.pdf>. No contraponto da corrupção está a ética, como valor nas relações de negócios e entre o meio empresarial e o poder público. Para auxiliar na pesquisa desse assunto, especialmente na construção de sistemas de compliance, indicamos o livro “Ética Empresarial”, Disponível para download, pelo link: <http://loja.fnq.org.br/products/etica-empresarial-1>. Com o interesse de contribuir para o entendimento de que a corrupção começa nas pequenas atitudes, a CGU divulga em seu site uma série de vídeos ilustrando situações do dia a dia do cidadão. Vale conferir, acessando o site: <http://www.cgu.gov.br/noticias/2016/12/ ministerio-da-transparencia-divulga-curtas-sobre-corrupcao-no-cotidiano-dos-brasileiros>. Uma parceria da CGU com o Sebrae que visa levar aos pequenos negócios os conceitos da integridade e estimular a prática de ações preventivas à corrupção nas relações público-privadas, propiciou a publicação da cartilha Integridade “Para Pequenos Negócios”, acessível pelo link: <http://www.cgu.gov.br/Publicacoes/etica-e-integridade/arquivos/integridade-para-pequenos- negocios.pdf>. Vale a pesquisa para conhecer mais sobre os “sistemas de compliance” e tudo o que as empresas precisam saber e aplicar para mitigarem os riscos de envolvimento de sua diretoria ou corpo funcional em atos de corrupção. Para saber mais leia o guia Anticorrupção e Avaliação de Risco no link: <https://issuu.com/pnudbrasil/docs/caderno_do_pacto_-_anticorrup____o>. MATERIAL COMPLEMENTAR A Associação dos Amigos de Ribeirão Bonito (AMARRIBO), desenvolveu uma cartilha chamada “Olho no Legislativo”, por meio da qual podemos compreender mais sobre o papel do vereador e como o cidadão pode acompanhar seu trabalho. Para saber mais, acesse pelo link: <http://www.amarribo.org.br/assets/olho_no_legislativo.pdf>. Você pode conhecer outras duas boas experiências de trabalho dos observadores sociais junto às câmaras municipais. Trata-se do OS Cuiabá, no Mato Grosso, que lançou a campanha pública “Adote um Vereador”, veiculada na televisão. Acesse pelo: <http://g1.globo.com/mato-grosso/mttv-2edicao/videos/t/edicoes/v/ campanha-incentiva-cidadao-a-acompanhar-o-trabalho-realizado-pelos-vereadores/5553811/>. Outro exemplo que vale registrar é a parceria do OS Porto Seguro, na Bahia, com uma universidade local para o monitoramento da produção legislativa. Saiba mais acessando o link: <http://osportoseguro.org.br/de-olho-na-camara>. REFERÊNCIAS 203 AGUILLAR, F.H. Controle social de serviços públicos. São Paulo: Max Limonad, 1999. AMARRIBO. O Combate à corrupção nas prefeituras do Brasil. 5.ed. São Paulo: Amarribo, 2012. Disponível em: <http://www.amarribo.org.br/assets/cartilha_ pt.pdf>. Acesso em 17 jan. 2017. BRASIL. Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. Regulamenta o art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, institui normas para licitações e contratos da Administração Pública e dá outras providências. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/cci- vil_03/leis/L8666cons.htm>. Acesso em 17 jan. 2017. _____. Lei nº 10.520, de 17 de julho de 2002. Institui, no âmbito da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, nos termos do art. 37, inciso XXI, da Constituição Fede- ral, modalidade de licitação denominada pregão, para aquisição de bens e serviços comuns, e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/cci- vil_03/LEIS/2002/L10520.htm>. Acesso em 17 jan. 2017. _____. Lei 12.846, de 1 de agosto de 2013. Dispõe sobre a responsabilização ad- ministrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira, e dá outras providências. Disponível em: http:// www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12846.htm>. Acesso em 22 jan. 2017. CONTROLADORIA-GERAL DA UNIÃO. Olho Vivo no dinheiro público. Um guia para o cidadão garantir os seus direitos. Edição Revisada. Brasília, 2009. Disponível em: <http://www.cgu.gov.br/Publicacoes/controle-social/arquivos/cartillhaolhovivo_ baixa_v2.pdf>. Acesso em 16 jan. 2017. ______. O Vereador e a Fiscalização dos Recursos Públicos Municipais. Brasília: Controladoria Geral da União, 2011. Disponível em: <http://www.cgu.gov.br/carti- lhavereadores>. Acesso em 17 jan. 2017. JUNGES, F.; CARDOSO, L. Como o Controle Social Pode Melhorar a Gestão Pública Utilizando Observatórios Sociais Como Ferramenta. Curitiba: FESP – Faculdade de Educação Superior do Paraná, 2015. LUQUI, A. F. M. C. Manual de Licitações: Capacitação Técnica de Observadores. Curitiba/PR: OSB, 2014. 1ª edição. 102 p. Disponível em: <http://novo.osbrasil.org. br/wp-content/uploads/2014/12/Manual_de_licitacoes_OSB50787.pdf>. Acesso em 17 jan. 2017. REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS ON-LINE: 1- Em: <http://osbrasil.org.br/wp-content/uploads/2017/01/Dr.-F%C3%A1bio_Cor- rup%C3%A7%C3%A3o-junho.2016.pdf>. Acesso em: 14 fev. 2017. 2- Em: <http://www.pactoglobal.org.br/artigo/89/GTs---Grupos-Temáticos>. Acesso em: 14 fev. 2017. 3- Em: <http://osbrasil.org.br/wp-content/uploads/2017/01/OSB_ON-n%C2%BA1-a- tualizada.pdf>. Acesso em: 14 fev. 2017. 4- Em: <osbrasil.org.br/wp-content/uploads/2017/01/Rede-OSB_nov.16.pdf>. Aces- so em: 14 fev. 2017. 5- Em: <http://mandaguari.osbrasil.org.br/wp-content/uploads/sites/20/2016/10/ Relat%C3%B3rio-Quadrimestral-OS-2%C2%BA-Quadrimestre-de-2016.pdf>. Aces- so em: 14 fev. 2017. 6- Em: <http://osbrasil.org.br/proposta-do-os-tubarao-e-pressao-popular-garan- tem-economia-para-o-legislativo-do-municipio/>. Acesso em: 14 fev. 2017. 7- Em: <http://brasilia.osbrasil.org.br/wp-content/uploads/sites/32/2015/07/OSBRA- SILIA_Campanha-Participa%C3%A7%C3%A3o-Relat%C3%B3rio.pdf>. Acesso em: 14 fev. 2017. 8- Em: <http://osbrasil.org.br/movimento-area-livre-de-corrupcao-tem-aderencia- -nacional/>. Acesso em: 14 fev. 2017. 9- Em: <http://www.dezmedidas.mpf.mp.br/apresentacao/objetivo-geral-das-pro-postas>. Acesso em: 14 fev. 2017. 10- Em: <http://exame.abril.com.br/revista-exame/efeito-lava-jato/>. Acesso em: 14 fev. 2017. GABARITO 205 1. Resposta: alternativa E. 2. Resposta: alternativa A. 3. Resposta: alternativa B. 4. Resposta: alternativa D. 5. Resposta: alternativa A. CONCLUSÃO Caro(a) Aluno(a), com a chamada “Constituição Cidadã”, de 2008, o Brasil avançou muito nas questões de direitos dos cidadãos e deveres do Estado, prevendo o con- trole social e os mecanismos de participação nas decisões, controle e iscalização das ações dos governantes e da correta aplicação dos recursos públicos. Contudo, constatamos que a legislação, por melhor que seja, não é suiciente se os órgãos de iscalização não puderem garantir o seu cumprimento e a sociedade civil não izer a sua parte, cobrando a correta aplicação dos recursos e a qualidade na prestação dos serviços públicos. Tivemos a oportunidade de conhecer a metodologia, os programas de trabalho, os resultados e boas práticas da Rede Observatório Social do Brasil que, como uma das opções bem-sucedidas no exercício da cidadania e na prática do controle social, tem o propósito de contribuir para a eiciência da gestão pública municipal. Reco- nhecemos também que o OSB tem uma base sólida, construída sobre princípios e valores que garantem a credibilidade do trabalho. São mais de 3 mil cidadãos que estão criando uma nova cultura anticorrupção no Brasil, cumprindo a missão de gerar maior consciência em cada brasileiro, mostran- do que para ter retorno do dinheiro pago em tributos, é necessário que se apren- da a monitorar as contas públicas de sua própria cidade. É dessa forma que estão colaborando para gerar maior transparência e economia aos cofres das prefeituras municipais. Além disso, percebemos que o papel dos acadêmicos, professores e proissionais do Serviço Social vai muito além do exercício da proissão, porque antes de tudo somos cidadãos e, como tal podemos e precisamos contribuir para a construção de uma nova cultura entre os brasileiros, resgatando os valores éticos e imprimindo a postura da integridade nas relações de trabalho, na política e na administração dos bens públicos. O Brasil espera muito mais de nós!