Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

ESTÁGIO 
SUPERVISIONADO 
EM OBSERVATÓRIO 
SOCIAL: CIDADANIA 
E POLÍTICAS 
PÚBLICAS
Professora Me. Maria Cristina Gabriel de Oliveira
Professora Esp. Roni Enara Rodrigues
GRADUAÇÃO
Unicesumar
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação 
a Distância; OLIVEIRA, Maria Cristina Gabriel de; RODRIGUES, 
Roni Enara. 
 
 Estágio Supervisionado em Observatório Social: Cidadania 
e Políticas Públicas Maria Cristina Gabriel de Oliveira; Roni 
Enara Rodrigues. 
 Maringá-Pr.: UniCesumar, 2017. Reimpresso em 2019.
 206 p.
“Graduação - EaD”.
 
 1. Observatório Social. 2. Cidadania . 3. Política 4. EaD. I. Título.
 ISBN 978-85-459-0636-0
 CDD - 22 ed. 361
CIP - NBR 12899 - AACR/2
Ficha catalográica elaborada pelo bibliotecário 
João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828
Impresso por:
Reitor
Wilson de Matos Silva
Vice-Reitor
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor Executivo de EAD
William Victor Kendrick de Matos Silva
Pró-Reitor de Ensino de EAD
Janes Fidélis Tomelin
Presidente da Mantenedora
Cláudio Ferdinandi
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Diretoria Executiva
Chrystiano Minco�
James Prestes
Tiago Stachon 
Diretoria de Graduação e Pós-graduação 
Kátia Coelho
Diretoria de Permanência 
Leonardo Spaine
Diretoria de Design Educacional
Débora Leite
Head de Produção de Conteúdos
Celso Luiz Braga de Souza Filho
Head de Curadoria e Inovação
Jorge Luiz Vargas Prudencio de Barros Pires
Gerência de Produção de Conteúdo
Diogo Ribeiro Garcia
Gerência de Projetos Especiais
Daniel Fuverki Hey
Gerência de Processos Acadêmicos
Taessa Penha Shiraishi Vieira
Gerência de Curadoria
Giovana Costa Alfredo
Supervisão do Núcleo de Produção 
de Materiais
Nádila Toledo
Supervisão Operacional de Ensino
Luiz Arthur Sanglard
Coordenador de Conteúdo
Maria Cristina Araújo de Brito Cunha
Designer Educacional
Rossana Costa Giani
Projeto Gráico
Jaime de Marchi Junior
José Jhonny Coelho
Editoração
Isabela Mezzaroba Belido
Qualidade Textual
Pedro Afonso Barth
Ilustração
Marta Kakitani
Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos 
com princípios éticos e proissionalismo, não so-
mente para oferecer uma educação de qualidade, 
mas, acima de tudo, para gerar uma conversão in-
tegral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos 
em 4 pilares: intelectual, proissional, emocional e 
espiritual.
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos 
de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 
100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil: 
nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba, 
Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos 
EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e 
pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros 
e distribuímos mais de 500 mil exemplares por 
ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma 
instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos 
consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos 
educacionais do Brasil.
A rapidez do mundo moderno exige dos educa-
dores soluções inteligentes para as necessidades 
de todos. Para continuar relevante, a instituição 
de educação precisa ter pelo menos três virtudes: 
inovação, coragem e compromisso com a quali-
dade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de 
Engenharia, metodologias ativas, as quais visam 
reunir o melhor do ensino presencial e a distância.
Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é 
promover a educação de qualidade nas diferentes 
áreas do conhecimento, formando proissionais 
cidadãos que contribuam para o desenvolvimento 
de uma sociedade justa e solidária.
Vamos juntos!
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está 
iniciando um processo de transformação, pois quando 
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou 
proissional, nos transformamos e, consequentemente, 
transformamos também a sociedade na qual estamos 
inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportu-
nidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de 
alcançar um nível de desenvolvimento compatível com 
os desaios que surgem no mundo contemporâneo. 
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de 
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo 
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens 
se educam juntos, na transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica 
e encontram-se integrados à proposta pedagógica, con-
tribuindo no processo educacional, complementando 
sua formação proissional, desenvolvendo competên-
cias e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em 
situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado 
de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal 
objetivo “provocar uma aproximação entre você e o 
conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento 
da autonomia em busca dos conhecimentos necessá-
rios para a sua formação pessoal e proissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de cresci-
mento e construção do conhecimento deve ser apenas 
geográica. Utilize os diversos recursos pedagógicos 
que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. 
Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu 
Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns 
e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das dis-
cussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe 
de professores e tutores que se encontra disponível para 
sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de 
aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranqui-
lidade e segurança sua trajetória acadêmica.
A
U
T
O
R
A
S
Professora Me. Maria Cristina Gabriel de Oliveira
Mestre em Serviço Social pela Universidade Estadual de Londrina (UEL/2009). 
Especialista em Políticas Sociais: Infância e Adolescência pela Universidade 
Estadual de Maringá (UEM/1999). Especialista em Educação no Sistema 
Prisional pela Faculdade de Paraiso do Norte (FAPAN/2014). Historiadora pela 
Universidade Estadual de Maringá (UEM/1995). Bacharel em Serviço Social 
pelo Centro Universitário Leonardo Da Vinci (UNIASSELVI/2014). Atualmente 
é docente no Curso de Serviço Social na Universidade Estadual do Paraná 
(UNESPAR). Também é professora mediadora do Curso de Serviço Social do 
Núcleo de Educação a Distância do Centro Universitário Cesumar (NEAD 
Unicesumar). 
Para informações mais detalhadas sobre sua atuação proissional, pesquisas e 
publicações, acesse seu currículo, disponível no endereço a seguir:
Link: <http://lattes.cnpq.br/0516115749258585>.
Professora Esp. Roni Enara Rodrigues
Formada em Serviço Social, Socioterapia, Practitioner em PNL e Coaching 
Sistêmico; consultora organizacional especializada em Gestão do Terceiro 
Setor, Gestão de Pessoas e Gestão de Qualidade e Produtividade. Atualmente 
é Diretora Executiva do Observatório Social do Brasil, tendo sido uma de suas 
fundadoras. 
Para informações mais detalhadas sobre sua atuação proissional, pesquisas e 
publicações, acesse seu currículo, disponível no endereço a seguir: 
Link: <http://lattes.cnpq.br/0897759676697295>.
SEJA BEM-VINDO(A)!
Prezado(a) aluno(a), o Estágio Supervisionado em Serviço Social é um passo importante 
no seu processo de formação acadêmica. É o momento em que cada um (a) irá a campo 
vivenciar o cotidiano das diferentes políticas públicas, mas também contribuir com o 
aprendizado que vem construindo ao longo do curso. Portanto, o campo de estágio é 
um espaço de troca entre você, sua supervisão acadêmica e de campo e com o usuário 
dos serviços. 
Para alcançar esta troca e para que ela tenha qualidade e relevância para todos os en-
volvidos, é fundamental que você se prepare acerca dos mais diferentes temas que per-
meiam a proissão. Portanto, nesse livro de Estágio Supervisionado: Observatório Social: 
Cidadania e Políticas Públicas, você irá conhecer um pouco mais sobre cidadania, po-
líticas públicas e controle social e os instrumentos de controle social que possibilitam 
ao cidadão compreender o processo de construção, implantação/implementação, is-
calização e avaliação das ações da gestão pública. Apresentaremos uma ferramenta de 
controle social eexercício da cidadania que está operando transformações na maneira 
de fazer a gestão dos recursos públicos, com a participação de cidadãos voluntários e 
técnicos especializados. É o Observatório Social, que nasce do desejo dos cidadãos de 
acompanhar e iscalizar a coisa pública, porém de uma forma mais ativa, dinâmica e 
transparente. Já nos anos 2000 alcançamos este patamar, no entanto, era necessária 
uma articulação em rede com uma metodologia que congregasse todas as unidades de 
observatórios que nasciam. Da ação de voluntários e técnicos surge então um espaço 
que responde a essa necessidade.
Trata-se do Observatório Social do Brasil que, em sistema federativo, articula e coordena 
a maior rede de entidades do Terceiro Setor, hoje, no Brasil, voltada para contribuir com 
a eiciência da gestão pública, por meio do controle social dos gastos públicos munici-
pais e da vigilância sobre a transparência de todos os atos dos prefeitos, secretários e 
servidores municipais e dos vereadores e assessores parlamentares.
O trabalho dos técnicos e voluntários do Observatório Social do Brasil, em todas as suas 
unidades iliadas, possibilita transformar a indignação dos cidadãos, com a ineiciência e 
falta de qualidade dos serviços públicos e com a corrupção, em atitude. Atitude no exer-
cício da cidadania e em favor de políticas públicas que realmente atendam os anseios 
da população contribuinte, pagadora de impostos e tributos que deveriam retornar em 
forma de serviços públicos de qualidade.
Os conceitos e práticas do controle social e da coniguração jurídica dos Observatórios 
Sociais serão apresentados com o intuito de facilitar a compreensão e o entendimento 
sobre o contexto em que se desenrola atuação dos observadores nas suas cidades.
Além disso, você poderá inteirar-se sobre direitos e deveres do cidadão, pagamento de 
tributos, exercício da cidadania e do controle social; aspectos legais que conferem le-
gitimidade no acompanhamento da administração pública e iscalização dos recursos 
oriundos dos impostos que todo cidadão paga.
APRESENTAÇÃO
ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM OBSERVATÓRIO 
SOCIAL: CIDADANIA E POLÍTICAS PÚBLICAS
Aqui também vamos trabalhar questões relativas a sistemas de informação, fontes e 
bancos de dados, sua análise e interpretação, aliados a instrumentais para o exercí-
cio do controle social e sua aplicação na formulação e prática das políticas públicas.
Apresentaremos experiências e boas práticas dos observadores sociais que vem 
construindo interessante espaço junto às gestões públicas pelo Brasil afora. E, tam-
bém, você poderá acessar informações e orientações sobre como articular a forma-
ção de um observatório social no seu município, podendo contribuir diretamente 
para a disseminação do conhecimento acerca da cidadania e para a expansão da 
Rede Observatório Social do Brasil.
Meus queridos e minhas queridas venham conosco nestas páginas conhecer as di-
versas possibilidades de acessar elementos que contribuirão com o nosso sonho 
de construção de uma sociedade justa e inclusiva. Vamos embarcar nesta viagem? 
APRESENTAÇÃO
SUMÁRIO
09
UNIDADE I
OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL
13 Introdução
14 Contextualização Observatório Social: Histórico e Fundamentação 
Teórica
31 O Papel do Controle Social 
39 Diferenças e Similaridades entre Observatório Social e Observatório das 
Metrópoles
43 Considerações Finais 
UNIDADE II
CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO.
55 Introdução
56 Trabalhar com Dados, Informação e Conhecimento 
62 Indicadores; Indicadores Sociais e Suas Propriedades 
71 Diagnóstico 
77 Considerações Finais 
SUMÁRIO
10
UNIDADE III
BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
87 Introdução
88 Acesso aos Bancos de Dados aos Diversos Sistemas de Informação 
94 Acesso à Informação 
103 Conselhos Gestores de Políticas Públicas 
110 Considerações Finais 
UNIDADE IV
OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA
121 Introdução
122 Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório 
147 Orientações sobre como Articular a Formação de um Observatório Social 
151 Considerações Finais 
UNIDADE V
EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL
161 Introdução
162 Experiência de Atuação do Observatório Social do Brasil 
181 Relato de Casos de Sucesso da Atuação do Observatório Social do Brasil 
195 Considerações Finais 
U
N
ID
A
D
E I
Professora Me. Maria Cristina Gabriel de Oliveira
OBSERVATÓRIO SOCIAL E O 
CONTROLE SOCIAL
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Apresentar o histórico do nascimento dos Observatórios Sociais.
Plano de Estudo
 ■ Reletir sobre o papel do controle social.
 ■ Conhecer as características que compõe a função do conselheiro.
 ■ Diferenciar observatório social e observatório das metrópoles.
 ■ Conhecer o Observatório Social do Brasil.
Objetivos de Aprendizagem
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Contextualização Observatório Social: histórico e fundamentação 
teórica.
 ■ O papel do controle social.
 ■ Diferenças e similaridades entre observatório social e observatório 
das metrópoles.
INTRODUÇÃO
Olá, prezado (a) aluno (a)! Nesta unidade de estudo apresentaremos uma das 
ferramentas de controle social e exercício da cidadania que está operando 
transformações na maneira de fazer a gestão dos recursos públicos. Trata-se do 
Observatório Social, um instrumento de controle social que nasceu da neces-
sidade do cidadão em iscalizar a gestão pública, a aplicação dos recursos e a 
atuação dos gestores públicos.
Trataremos de sua importância, processo de organização, articulação e grau 
de alcance na gestão pública, destacando o trabalho dos técnicos e voluntários 
dos Observatórios Sociais em todos os municípios e que possibilitam a transfor-
mação da indignação dos cidadãos diante da ineiciência, falta de qualidade nos 
serviços e corrupção, em atitude. Atitude que pode signiicar o retorno qualita-
tivo dos serviços públicos em todas as suas instâncias assegurando o bem-estar 
social do cidadão. 
Apresentaremos os conceitos e práticas adotadas para o controle social e 
a coniguração jurídica dos Observatórios com o intuito de facilitar a apreen-
são sobre o contexto em que ocorre a atuação dos observadores sociais em suas 
cidades, respeitando os aspectos legais que conferem poder a estes cidadãos no 
acompanhamento da administração pública e iscalização dos recursos oriundos 
dos impostos pagos. Legitimando assim, o papel do controle social preconizado 
na Constituição Federal de 1988, que está nas mãos do cidadão.
Abordaremos as diferenças e similaridades entre um Observatório Social, que 
pode ser organizado por qualquer cidadão interessado no tema, e Observatório 
das Metrópoles, implantado em alguns municípios, que segue orientação aca-
dêmica especíica no processo de observação do desenvolvimento regional das 
grandes metrópoles.
Você se familiarizará com experiências e boas práticas dos observadores 
sociais em diferentes municípios do país que compreenderam a importância de 
agir no processo de acompanhamento da gestão pública. 
Vamos nos apropriar das discussões!
Introdução
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
13
OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IU N I D A D E14
CONTEXTUALIZAÇÃO OBSERVATÓRIO SOCIAL: 
HISTÓRICO E FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A Constituição de 1988 é um marco no desenvolvimento das políticas públicas 
no Brasil, após anos de luta, os movimentos sociais, fortalecidos por meio de sua 
organização, e com apoio popular, conseguiram inscrever na Carta Magna de 
1988 as especiicidades de cada política pública para que sua efetivação ocorresse 
em cada área,possibilitando, assim, acesso e garantia de direitos dos cidadãos.
No entanto, esse movimento não foi simples ou fácil, estávamos no período da 
ditadura militar no Brasil, com nossos direitos civis e políticos suspensos, por 
ordem do poder estabelecido. Portanto organizar-se para reivindicações era um 
passo que poderia colocar a vida de cada cidadão em risco literalmente.
Mesmo diante desse quadro assustador, os cidadãos brasileiros buscaram se 
organizar para que seu direito a uma vida digna fosse restaurado e avançasse por 
meio do estabelecimento de políticas públicas que respondessem as necessidades 
da sociedade. Assim, é indispensável compreendermos que política pública é essa 
que os movimentos sociais vislumbravam, e que ainda hoje lutamos para efetivar.
Contextualização Observatório Social: Histórico e Fundamentação Teórica
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
15
Aqui não estamos falando de políticas públicas apenas como estratégias 
governamentais voltadas para determinado assunto ou problema da sociedade. 
Ou mesmo como um conjunto de decisões, planos, metas e ações governa-
mentais, nos três níveis de governo, voltados para a resolução de problemas de 
interesse público.
Estamos falando de algo que vai mais além, ou seja, a construção de política 
como possibilidade de estruturação de um diálogo construtivo entre as pessoas, 
assegurando a participação da sociedade nesse processo de construção.
Pois a função do Estado diante das responsabilidades com a sociedade não se 
restringe apenas à segurança pública e à defesa em caso de embate externo, como 
nos séculos XVIII e XIX. Na atualidade busca-se a efetiva atuação do Estado na 
garantia do bem-estar social. Para alcançar esse patamar faz-se necessário que 
o estado trabalhe na perspectiva da inclusão com políticas públicas que dialo-
guem entre si oportunizando a melhoria da qualidade de vida da população, seja 
na redistribuição de renda ou na busca da redução da concentração da renda e 
da desigualdade social.
Portanto, o Estado deve utilizar as Políticas Públicas, como: Educação, Saúde, 
Trabalho, Assistência Social, Previdência, Justiça, Agricultura, Saneamento, 
Habitação, Meio Ambiente, entre outras para cumprir sua função e proporcio-
nar resultados em diferentes áreas, garantindo o exercício pleno dos direitos e 
condições dignas de vida ao cidadão.
De acordo com Rodrigues (2011) as Políticas Públicas só serão eicazes se 
a gestão for eiciente, implicando não apenas na qualidade dos gestores para 
exercer seu ofício público, mas também em um ambiente que favoreça a gover-
nança democrática e a responsabilização política, contando com a participação 
de diversos atores para dinamizar o processo.
OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IU N I D A D E16
É indispensável à participação de todos os atores socais em todas as fases do 
processo de construção das políticas, desde a identiicação do problema, for-
mação da agenda, implementação até a avaliação dos resultados. Desse modo 
os grupos organizados devem atuar junto aos seus representantes, vereadores, 
deputados, senadores, prefeitos, governadores entre outros para que as solicita-
ções da população sejam atendidas.
Nem sempre as reivindicações serão atendidas no processo de implementa-
ção das Políticas Públicas, pois em muitos momentos prioriza-se as demandas das 
áreas mais vulneráveis da sociedade, o que não abrangerá todas as questões postas. 
No entanto há que se fazer um esforço para que o maior número de deman-
das postas sejam contempladas e que estas não sejam atendidas de forma pontual, 
com ações implantadas por meio de políticas de governo, que podem não ter 
continuidade e não atendem todo o conjunto de necessidades apresentadas pela 
sociedade e se indam ao inal de cada gestão.
Contextualização Observatório Social: Histórico e Fundamentação Teórica
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
17
Portanto, é nesse cenário de contradições, avanços e conlitos que se estabe-
lece a participação popular, fruto desta mudança de cenário ratiicada na Carta 
Magna de 1988, quando destaca em diversos artigos de seu texto dispositivos 
que asseguram a participação efetiva da sociedade. Esses elementos asseguram 
que a sociedade não mais será conduzida de maneira passiva, mas que poderá e 
deverá interagir com as gestões de acordo com os mecanismos disponibilizados 
pela Constituição Federal. Assim, a relevância da participação popular, sejam em 
Conselhos, Conferências ou outros, é um fato presente na Carta Magna, e que a 
sociedade brasileira deve trabalhar para fazer acontecer (Rocha, 2014, on-line)1.
É nesse espaço propício à relação democrática do estado com a Sociedade 
que nascem algumas iniciativas que contribuem signiicativamente para o avanço 
dessa participação e controle social. A seguir, destacaremos o Observatório Social 
como um desses elementos que nasce da ação conjunta de indivíduos movidos 
por um interesse comum, a convivência em uma sociedade digna e justa.
No cenário brasileiro, por vezes, política pública e política de governo se 
confundem, porém há distinção signiicativa:
Políticas de Governo são unilaterais, respondendo a interesses de grupos 
especíicos, seu alcance é restrito cobrindo, por vezes, um período de man-
dato. 
Política de Estado é mais complexa, exigindo a participação de diferentes 
agências estatais, e de instâncias organizadas do terceiro setor no seu pro-
cesso de formulação. Incidindo nas estruturas organizacionais podendo ge-
rar alterações nas leis e impactar o orçamento da união.
Fonte: as autoras.
OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IU N I D A D E18
OBSERVATÓRIO SOCIAL: UMA INICIATIVA DE CIDADÃOS 
COMUNS
A indignação diante da má administração, o descontrole no que tange à gestão 
pública e ao desvio de recursos, exige da sociedade uma atitude. Não é mais acei-
tável que iquemos à margem dos acontecimentos, aguardando os resultados em 
uma postura fatalista. Na atualidade, os cidadãos têm buscado novas possibili-
dades de ação, e dessa busca nasce um instrumento de controle que possibilita 
uma de mudança de postura. É o Observatório Social, por meio do qual a socie-
dade pode acompanhar e iscalizar o uso dos recursos públicos.
Esse espaço que possibilita um acompanhamento real da gestão é constitu-
ído como pessoa jurídica de direito privado, de im não econômico regido pelo 
seu estatuto, podendo se conigurar como uma Organização da Sociedade Civil 
de Interesse Público - OSCIP, com prazo de duração indeterminado (BRASIL, 
Lei n. 9.790/99).
Os observatórios foram inspirados por convenções da Organização 
Internacional do Trabalho (OIT), desde 1999, que versam sobre os impactos 
Contextualização Observatório Social: Histórico e Fundamentação Teórica
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
19
das relações comerciais brasileiras no mercado de trabalho a partir de quesitos 
como liberdade sindical, negociações coletivas, trabalho infantil, trabalho for-
çado, discriminação de gênero e raça, meio ambiente, saúde e segurança entre 
outros pontos. Assim a OIT, que é uma estrutura internacional com relexos no 
mundo todo, baseando-se em princípios de paz universal permanente e justiça 
social trabalha na perspectiva daconstrução de uma agenda social que possibilite 
a continuidade de um processo de globalização que equilibre eiciência econô-
mica e equidade social. Conta com braços, como os observatórios sociais, que 
auxiliam no processo de implementação de práticas que direcionam a sociedade 
para a construção pautada na justiça social.
Como processo de democratização vivenciado no Brasil nas últimas três décadas, 
o nascimento de instituições que trabalham com o acompanhamento, discus-
são e relexão sobre as questões ligadas a gestões transparentes, foi inevitável. 
Ainal, é de extrema importância que o gestor compreenda, nesse contexto que 
se desenha, seu novo papel diante da coisa pública e que consiga atuar a partir 
de todo o aparato legal implementado com competência, técnica e gerencia-
mento de qualidade.
Deixar para trás as velhas práticas de nepotismo, coronelismo e decisões ado-
tadas com vistas em atender a interesses de poucos em detrimento da maioria 
A Organização Internacional do Trabalho foi criada em 1919, como parte do 
Tratado de Versalhes que encerrava a 1ª Guerra Mundial. Objetivava contri-
buir para a construção da Paz Mundial e da Justiça Social por meio do res-
peito às relações de trabalho, formulando normas internacionais para essa 
inalidade. Em quase um século de existência, a organização contribuiu para 
que a justiça social fosse cunhada nos mais diferentes países signatários, 
dentre eles o Brasil que respeita e adota as convenções deliberadas por esse 
órgão.
Fonte: adaptado de Organização Internacional do Trabalho ([2017], on-line)2.
OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IU N I D A D E20
da população, que ainda permeiam a 
gestão, é imprescindível na constru-
ção de uma sociedade com equidade 
e justiça social. 
Há muito que ser feito para que 
tais práticas sejam superadas. No 
entanto, esse processo já se iniciou 
com discussões e ações concretas 
em relação às instâncias de gestão 
pública. Um exemplo ocorreu no 
ano de 2000, com a aprovação da Lei 
Complementar nº 101/2000, a Lei de Responsabilidade Fiscal, ou simplesmente 
LRF. Essa lei passou a disciplinar a gestão inanceira dos Estados, Municípios e 
Distrito Federal, impedindo que os recursos públicos fossem utilizados com ins 
eleitoreiros, obras faraônicas inacabadas ou para atender práticas delituosas que 
contrariam os anseios da sociedade.
De acordo com Motta, Santana, Fernandes e Alves (2000) os recursos públicos 
são elementos fundamentais para manter vivas as atividades de responsabilidade 
da gestão pública com equilíbrio das contas públicas e atendimento as deman-
das sociais, sem que haja uso equivocado dos recursos e sim a aplicação correta 
destes e melhores condições de organização inanceira na perspectiva de aten-
der às necessidades mais básicas da população.
Sobre as inanças, a LRF/2000 (BRASIL, 2000) se mostrou como mais um 
instrumento disponibilizado à sociedade para o exercício do controle social 
preconizado na Constituição de 1988. O controle social que deve ser exercido 
por meio dos Conselhos Gestores que são espaços públicos institucionais para 
a manifestação regrada, dos interesses dos diferentes “segmentos” envolvidos 
nas políticas públicas de modo que as decisões resultem da negociação, tam-
bém regrada, daqueles interesses. 
É fato que os pressupostos de que as decisões sobre políticas públicas são mais 
legítimas e mais eicazes quando há partilha de poder e de responsabilidades, 
bem como, das decisões baseadas na explicitação e na negociação dos diferen-
tes interesses envolvidos o que amplia as chances de concretizar a justiça social. 
Contextualização Observatório Social: Histórico e Fundamentação Teórica
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
21
Como mostra a igura 1, a seguir nesta relação não há sobreposição de uma 
ação em relação a outra, pois todas as ações compõe um conjunto, que só se con-
cretiza se interligado.
Publicidade
Partilha 
do poder
Justiça
Legitimidade
E�cácia
Figura 1 - Relações de poder
Fonte: adaptado de Cartilha Capacita SUAS (2013, on-line)3.
Portanto a LRF/2000 reforça o desenho de relação social, apontado na Constituição 
de 1988, possibilitado o acompanhamento das ações da gestão, estabelecendo 
eiciência e transparência no processo de prestação de contas de forma que a 
sociedade civil organizada pode se organizar, acompanhar e iscalizar a adminis-
tração pública, tendo a Lei como instrumento efetivo no processo de mitigação à 
corrupção que tem permeado a administração pública, assim permitido ao cida-
dão atuar de forma responsável, autônoma com vistas à efetivação dos direitos 
deinidos na Carta Magna de 1988. 
O papel do cidadão é fundamental na construção da materialização e efeti-
vação da Lei proposta em 2000. Nessa perspectiva, nascem espaços organizados 
que possibilitam a sociedade acompanhar as ações da gestão de modo pormeno-
rizado e mesmo em linguagem acessível. Portanto, realizando o controle social 
de fato. Um dos instrumentos que efetivamente tem contribuído para o controle 
social, é o observatório social que congregação cidadãos comuns com objetivo 
de acompanhar a gestão qualiicando-a.
OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IU N I D A D E22
Os Observatórios Sociais são iniciativas da sociedade civil que visam acom-
panhar as ações dos gestores em todos os aspectos da administração. De acordo 
com Schommer e Moraes (2010), os observatórios sociais surgem na perspec-
tiva de controle social para contribuir para qualiicar a gestão pública ampliando 
a qualidade de vida das cidades brasileiras e para tal, alia elementos técnicos, 
políticos e administrativos que possibilitam uma visão ampliada sobre as rela-
ções sociais em todos os seus aspectos, por meio da construção de indicadores 
de desenvolvimento que permitem acompanhar o alcance de cada ação imple-
mentada e essas iniciativas qualiicam as relações sociais. 
Houve uma exigência para que os administradores públicos prestassem con-
tas à população de todos os seus atos, assim muitos escândalos administrativos 
vieram a público cobrando da sociedade uma postura para enfrentar tais situa-
ções. Nesse processo, a estruturação dos Observatórios Sociais foi fundamental, 
pois possibilitou ao cidadão um espaço de exercício de cidadania, com acesso a 
conhecimento e dados concretos sobre as demandas da sociedade, que até então 
eram nebulosos e pouco esclarecedores sobre o que deveria ser implantado para 
atender as necessidades da população. Esses espaços de exercício cidadão pro-
põe o rompimento da atuação de gestores que até então administravam a partir 
de seus olhares individuais e, por vezes, com ins eleitoreiros, sem analisar as 
demandas sociais, com vistas na organização de ações que respondessem ao apelo 
da sociedade no que tange à gestão pública transparente e inclusiva. 
Nascimento dos observatórios sociais
No Brasil, as discussões sobre 
gestões transparentes e eicien-
tes ganham espaço a partir de 
reflexões sobre a corrupção 
na administração pública que 
muitos Estados e Municípios 
vivenciaram no inal dos anos 
90. Portanto, algumas iniciati-
vas no sentido de assegurar a 
Contextualização Observatório Social: Histórico e Fundamentação Teórica
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
23
transparência nas relações foram tomadas, mas só se concretizaram após o ano 
2000,e a LRF/2000 contribuiu muito nesse processo, pois ela trouxe elementos 
que instrumentalizaram o exercício do controle social. 
Com o crescente acompanhamento da sociedade as ações de gestores em 
todo o país, as ações que desencadearam o nascimento do primeiro observatório 
social foi uma consequência do quadro que se desenhou diante da popula-
ção, ou seja escândalos inanceiros, gestões que ineicientes, o agravamento dos 
problemas sociais nos diversos municípios entre muitos outros problemas apre-
sentados. Assim era mister uma ação prática que freasse de alguma forma esse 
quadro decadente na gestão pública.
É nesse cenário desalentador que surge a primeira experiência de Observatório 
Social no Brasil. Foi no município de Maringá-PR, que no início dos anos 2000, 
em função de escândalo econômico que ultrapassou os R$100 milhões, e fez com 
que a população fosse forçada a se articular para cobrar transparência e punição 
em relação ao lagrante desvio de recursos públicos. A indignação da sociedade 
era palpável, e essa situação fez com que os cidadãos buscassem formas de lutar 
por transparência na administração pública.
De acordo com Godoy, Nychal e Assis (2013) a experiência maringaense foi 
a mais bem sucedida em termo de controle no Estado do Paraná, sendo inclusive 
premiada por organismo internacional. Para responder a situação de desvio de 
recursos, um grupo de pessoas se organizou para discutir o quadro e buscar alter-
nativas que não deixassem a gestão municipal tão vulnerável diante de gestores 
pouco qualiicados e que acreditavam que suas ações não seriam acompanhadas 
ou punidas. Em conjunto com esse grupo de cidadãos preocupados somaram-
-se diferentes espaços sociais com o intuído de contribuir com as discussões e 
construção de ações concretas. Entre estes estavam entidades como a Receitas 
Federal e Estadual, os clubes de serviços, Ordem dos Advogados do Brasil sub-
seção de Maringá (OSB), Universidade Estadual de Maringá (UEM), Núcleo 
Regional de Educação (NRE), Secretaria Municipal de Educação, Associação 
Comercial e Empresarial de Maringá (Acim), Centro Universitário de Maringá 
(Cesumar), hoje Unicesumar, entre outros (GODOY, 2013).
Esse grupo passou a trabalhar em conjunto para responder as necessida-
des postas para a sociedade naquele momento. No entanto não perdeu de vista 
OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IU N I D A D E24
o futuro, e para tal se organizou através de propostas e regras de conduta e atu-
ação que garantiriam as relexões e intervenções tanto no quadro atual como 
buscaram estruturar um trabalho de formação/educação que possibilitaria aos 
maringaenses compreender de maneira mais simples o seu papel iscalizador, 
bem como a importância dos impostos pagos e sua destinação. 
Caminhando neste cenário muito esforço foi empregado para que a estru-
tura do observatório social, que se estabeleceu após a organização efetiva desse 
grupo, respondesse de forma mais dinâmica e clara ao processo de acompanha-
mento e possíveis intervenções no que tange às contas públicas. Para realizar essa 
tarefa, o Observatório Social Maringá (OSM) estruturou sua atuação em dois 
pilares, “a inovação e os apoios da iniciativa privada, da área acadêmica (ACIM, 
CESUMAR e UEM) e, particularmente, das organizações com poder de coer-
ção (Justiça Federal, Ministério Público Federal, Receita Federal)” (GODOY; 
NYCHAI; ASSIS, 2013, p.13).
Portanto, o que os fundadores dessa organização buscavam era a união de 
atores e organizações com vistas a acelerar o processo de acompanhamento das 
contas públicas, mas não mais de forma amadora, pois contando com os cen-
tros universitários e órgãos de controle poderiam ter estabelecido um processo 
para tal acompanhamento, porque não se buscava apenas apontar os erros, mas 
sim contribuir com estratégias para superar as deiciências encontradas, pois o 
controle sistematizado das ações exige uma tomada de postura para que se in-
dem os equívocos cometidos. É nessa linha de atuação que o observatório social 
se coloca, ele é um instrumentos de monitoramento das ações, principalmente 
das licitatórias. No entanto, não se exime de contribuir para a alteração efetiva 
do quadro encontrado, interagindo diretamente no problema. 
Em consequência desse primeiro passo no município de Maringá-PR, a 
partir de 2005 no Estado do Paraná, nasceram mais de 50 observatórios sociais 
com o intuito de iscalizar as cidades e também contribuir na educação para a 
cidadania, o que permitiu ao cidadão acompanhar e compreender os proces-
sos da gestão pública. Tal iniciativa reletiu o período de muitos de escândalos 
inanceiros e administrativos que algumas cidades vivenciaram. A atuação dos 
observatórios sociais foi decisiva no processo de mobilização social em busca da 
transparência. Em muitos momentos, a ação dos observatórios sociais contribuiu 
Contextualização Observatório Social: Histórico e Fundamentação Teórica
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
25
para levantamento e constatação de informações que auxiliaram no processo de 
cassação de prefeitos e demais proissionais integrantes das gestões em função 
de má administração e/ou desvio de recursos (SCHOMMER; MORAES, 2010).
O Observatório Social é, portanto, um espaço de exercício de cidadania, que 
canaliza a indignação popular para a formulação de ações concretas de exercí-
cio do controle social com vistas em materializar a justiça social (OSB, 2017, 
on-line)4. Em linhas gerais, os Observatórios Sociais tem como objetivos:
I. Atuar como organismo de apoio à comunidade para pesquisa, análise 
e divulgação de informações sobre o comportamento de entidades e 
órgãos públicos com relação à aplicação dos recursos, ao comporta-
mento ético de seus funcionários e dirigentes, aos resultados gerados e 
à qualidade dos serviços prestados.
II. Congregar, localmente, representantes da sociedade civil organiza-
da, executivos e proissionais liberais de todas as categorias, sem vincu-
lação político-partidária, dispostos a contribuir no processo de difusão 
do conceito de cidadania iscal, servindo a seu grupo proissional e à 
sociedade em geral.
III. Possibilitar o exercício do direito de inluenciar as políticas públicas 
que afetam a comunidade, conforme está assegurado pelo artigo 1° da 
Constituição Federal de 1988: “todo poder emana do povo”.
VI. Incentivar e contribuir com o aprimoramento pessoal e proissional 
de membros da comunidade e de proissionais ligados às áreas de in-
teresse do OS, através de cursos, seminários, palestras, debates, grupos 
de estudos, entre outras atividades.
V. Incentivar e promover eventos artísticos e culturais que possam con-
tribuir para a criação da cultura da cidadania iscal e popularização das 
ferramentas de participação dos cidadãos na avaliação e monitoramen-
to da gestão dos recursos públicos.
VI. Contribuir, diretamente, para que haja maior transparência na ges-
tão dos recursos públicos, de acordo com o previsto no artigo 5º, inci-
sos XIV e XXXIV; no artigo 37, parágrafo 3º da Constituição Federal 
de 1988.
VII. Estimular a participação da sociedade civil organizada no proces-
so de avaliação da gestão dos recursos públicos, visando defender e rei-
vindicar a austeridade necessária na sua aplicação, dentro de princípios 
éticos com vistas à paz e à justiça social.
OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IU N I D A D E26
VIII. Incentivar e promover o voluntariado nas ações educativas e ope-
racionais em favor dos direitosdo cidadão e contra a corrupção.
IX. Realizar e divulgar estudos relativos a atividades governamentais e 
empresarias de interesse da comunidade.
X. Participar da Rede da Cidadania Fiscal como forma de facilitar o 
cumprimento das ações locais de Educação Fiscal e Controle dos Gas-
tos Públicos.
XI. Reverter o quadro de desconhecimento, por parte de indivíduos, 
empresas e entidades, de mecanismos capazes de possibilitar o exercí-
cio da cidadania iscal e o controle da qualidade na aplicação dos re-
cursos públicos.
XII. Apresentar propostas para o desenvolvimento de projetos, ativida-
des, estudos, que contemplem a promoção de mudanças fundamentais 
e essenciais no processo de gestão dos recursos públicos, principalmen-
te nas áreas de saúde, educação, recursos humanos, licitações, gastos do 
poder legislativo e assistência social (OBSERVATÓRIO SOCIAL DO 
BRASIL, 1988, on-line)5.
Para que esses objetivos se cumpram é de suma importância a organização e 
padronização das ações. Com este intuito nasce o Observatório Social do Brasil, 
que congrega todas as ações dos observatórios sociais no país, sendo um catalisa-
dor das necessidades e anseios apresentados por eles, bem como um proponente 
de metodologia comum a todos, evitando desse modo que seus objetivos se per-
cam no exercício cotidiano das ações.
Assim, quando falamos em observatórios sociais hoje, estamos falando de 
espaços de exercício pleno de cidadania, sem comprometimento partidário, e 
com metodologia comum, mas com respeito às especiicidades locais.
Contextualização Observatório Social: Histórico e Fundamentação Teórica
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
27
OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL
Atualmente, há uma rede que organiza os Observatórios Sociais no Brasil, coor-
denando as ações desenvolvidas em diversos municípios do país, assegurando a 
aplicação de uma metodologia padronizada que proporciona suporte técnico e 
teórico para mais de 105 municípios em 19 Estados do Brasil.
De acordo com dados da própria instituição, no ano de 2016, constavam em 
seus registros mais de 100 observatórios organizados pelo Brasil, sendo que a 
instituição contribui com suporte técnico e orientações a todos eles, pois a meto-
dologia de atuação é única. Portanto, é fundamental que os novos observatórios 
tenham espaço para buscar orientações para que sua atuação atenda de fato, as 
necessidades de acompanhamento e iscalização das demandas apresentadas 
pelas gestões públicas. Na sequência, apresentamos o Quadro 1 com todos os 
Estados e Municípios que até 2016 estavam cadastrados junto ao Observatório 
Social do Brasil. 
Observatório Social do Brasil: é uma instituição não governamental, sem 
ins lucrativos, disseminadora de uma metodologia padronizada pela cria-
ção e atuação de uma rede e organizações democráticas e apartidárias do 
terceiro setor. A Rede OSB é formada por voluntários engajados na causa da 
justiça social e contribui para melhoria da gestão pública.
Fonte: OSB (2017, on-line)5.
OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IU N I D A D E28
Quadro 1 - Estados e Municípios vinculados ao OSB
BAHIA (BA) - 5
Bahia – Ilhéus; Bahia – Jequié; Bahia – Porto Se-
guro; Bahia – Santo Antônio de Jesus
DISTRITO FEDERAL (DF) – 1 Distrito Federal – Brasília
GOIÁS (GO) – 1 Goiânia
MINAS GERAIS (MG) – 2 Minas Gerais – Piumhi; Minas Gerais e Uberlândia
MATO GROSSO (MT) – 4
Mato Grosso – Cáceres; Mato Grosso – Cuiabá; 
Mato Grosso – Rondonópolis; Mato Grosso – 
Sorriso
MATO GROSSO DO SUL (MS) 
– 2
Mato Grosso do Sul – Campo Grande
PARÁ (PA) – 4
Pará – Abaetetuba; Pará – Belém; Pará – Capane-
ma
PERNAMBUCO (PE) – 1
PARANÁ (PR) – 35
Paraná – Campo Largo; Paraná – Assis Chateau-
briand; Paraná – Campo Mourão; Paraná – Cam-
pos Gerais; Paraná – Campos Gerais – Palmeira; 
Paraná – Cascavel; Paraná – Castro; Paraná – 
Cianorte; Paraná – Colorado; Paraná – Curitiba; 
Paraná – Faxinal; Paraná – Foz do Iguaçu; Paraná 
– Francisco Beltrão; Paraná – Goioerê; Paraná – 
Guarapuava; Paraná – Irati; Paraná – Londrina; 
Paraná – Marechal Cândido Rondon; Paraná 
– Mandaguari; Paraná – Medianeira; Paraná – 
Paranavaí; Paraná – Paranaguá ; Paraná – Toledo; 
Paraná – Umuarama
PARAÍBA (PB) -1 Paraíba
PIAUÍ (PI) - 1 Piauí
RIO DE JANEIRO (RJ) – 3 Niterói; Rio de Janeiro e Teresópolis 
RIO GRANDE DO NORTE 
(RN) - 1
Rio Grande do Norte 
RIO GRANDE DO SUL (RS) – 7
Rio Grande do Sul – Cruz Alta; Rio Grande do Sul 
– Erechim; Rio Grande do Sul – Gravataí e Glori-
nha; Rio Grande do Sul – Lajeado; Rio Grande do 
Sul – Pelotas; Rio Grande do Sul – Porto Alegre 
RONDÔNIA (RO) – 2 Rondônia; Rolim de Moura
Contextualização Observatório Social: Histórico e Fundamentação Teórica
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
29
SANTA CATARINA (SC) – 19
Santa Catarina – Balneário Camboriú; Santa Cata-
rina – Blumenau; Santa Catarina – Brusque; Santa 
Catarina – Chapecó; Santa Catarina – Criciúma; 
Santa Catarina – Florianópolis; Santa Catarina – 
Imbituba; Santa Catarina – Indaial; Santa Catarina 
– Itajaí; Santa Catarina – Itapema; Santa Catarina 
– Lages; Santa Catarina – Rio do Sul; Santa Catari-
na – São Bento do Sul; Santa Catarina – São José 
SÃO PAULO (SP) – 14
São Paulo – Ilhabela; São Paulo – Itu; São Paulo 
– Jundiaí; São Paulo – Mococa; São Paulo – Ribei-
rão Preto; São Paulo – São José dos Campos; São 
Paulo – São José do Rio Preto; São Paulo – São 
Sebastião; São Paulo – Sorocaba; São Paulo – 
Taubaté
SERGIPE (SE) – 1 Aracaju
TOCANTINS (TO) – 1 Palmas
Fonte: adaptado de OSB (2017, on-line)6.
Os dados da instituição evidenciam e impressionam com os números aponta-
dos acerca de todos os envolvidos no processo de acompanhamento das gestões 
públicas e do uso do dinheiro do cidadão. 
São cerca de 3 mil voluntários trabalhando pela causa da justiça social 
nos Observatórios Sociais pelo Brasil afora. Estima-se que nos últimos 
quatro anos (2013 – 2016), com a contribuição desses voluntários, hou-
ve uma economia de mais de R$ 1,5 bilhão para os cofres municipais. E 
a cada ano mais de R$ 300 milhões do dinheiro público deixam de ser 
gastos desnecessariamente (OSB, 2017, on-line)7.
No entanto, mesmo com números impressionantes a instituição está centrada em 
ir além, pois busca a transformação da realidade social por meio da participação 
efetiva do cidadão no acompanhamento e iscalização da gestão pública. “O mais 
importante não são os números! É a nova cultura que está se formando: da parti-
cipação do cidadão de olho no dinheiro público” (OSB, 2017, on-line)7. Partindo 
dessa fala podemos perceber é que os números são importantes, pois por meio 
deles é possível constatar a atuação dos observatórios nos diversos municípios 
do país. No entanto, a participação popular tem lugar de destaque junto à insti-
tuição, pois é através dela que será possível alcançar o sonho de uma sociedade 
justa. O OSB está fundamentado em bases e valores que o orienta por meio da 
missão traçada que fundamenta sua atuação junto à sociedade.
OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IU N I D A D E30
Para que os diversos observatórios ailiados trabalhem de maneira organizada 
e articulada com os objetivos, missão e valores, o OBS precisou estabelecer uma 
metodologia única que atendesse as demandas de cada um, mas que ao mesmo 
tempo respeitasse as suas especiicidades. Assim, visando alinhar as ações, são 
organizados encontros sistemáticos viaweb, que ocorrem mensalmente, sendo 
que neles são tratados os temas gerais pertinentes a todos, também há o traba-
lho de atendimento individualizado para cada ailiado buscando trabalhar com 
suas necessidades (OSB, 2017, on-line)7. 
Além desse trabalho voltado para os órgãos e demandas internas o OSB tra-
balha ainda com demais parceiros e organismos nacionais e internacionais com 
o objetivo de acompanhar, iscalizar e contribuir com as questões geradas pelas 
gestões seja em âmbito municipal ou estadual, para tanto conta com diferen-
tes parceiros, que consequentemente trazem contribuições diversiicadas e de 
grande importância aos temas tratados.
Para desenvolver as ações propostas, um Observatório Social deve trabalhar 
com instrumentos diversos, e utilizar dados apresentados pelas muitas agên-
cias oiciais nacionais e mesmo internacionais, dados que estão disponíveis aos 
cidadãos e aos serviços estruturados. No entanto há a necessidade de apropria-
ção sobre tais instrumentais. Para isso é fundamental conhecer todos os dados 
e informações disponíveis e saber aplicá-los adequadamente para extrair daí 
informações que possam ser materializadas na formulação das políticas públicas.
O Papel do Controle Social
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
31
O PAPEL DO CONTROLE SOCIAL
Como preconiza a Constituição Federal de 1988, Controle Social é uma das prer-
rogativas da sociedade no acompanhamento e iscalização da gestão da coisa 
pública. Esse direito, que atualmente acessamos foi conquistado em decorrên-
cia da atuação dos movimentos sociais, que se iniciaram nos anos 70, mesmo 
durante o período da ditadura militar no Brasil. Ações que visavam acompanhar 
e intervir na gestão, mesmo que de forma limitada. 
Esses movimentos buscavam intervir na organização social e propor uma 
atuação da sociedade junto ao Estado, apoiando e auxiliando no processo de 
democratização das ações e das relações. Nesse processo, era preciso estabele-
cer instrumentos que dessem conta dessa relação. Portanto, os mecanismos de 
controle social precisavam ser estruturados para que respaldassem a aços dos 
cidadãos (PÓLIS, 2008, on-line)8.
O controle social pode ser exercido de diversas formas tanto pelos canais 
institucionais de participação como por meio de outros mecanismos. O ponto 
relevante é que essa participação deve ser qualiicada, objetivando não apenas 
OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IU N I D A D E32
apontar os problemas, mas sim, atuar antes no processo de elaboração das ações 
e mesmo contribuir com soluções para os entraves encontrados. 
O controle social pode ser realizado tanto no momento da deinição 
das políticas a serem implementadas, quanto no momento da iscali-
zação, do acompanhamento e da avaliação das condições de gestão, 
execução das ações e aplicação dos recursos inanceiros destinados à 
implementação de uma política pública (PÓLIS, 2008, on-line, p. 1)8.
Desse modo, a contribuição da sociedade na formulação de políticas públicas 
avançará concretamente para que as necessidades prioritárias da população 
sejam atendidas com serviços de qualidade. É essa participação que fortalecerá 
as políticas públicas tornando-a mais eiciente e democrática. Os gestores já não 
tomarão medidas de maneira unilateral, terão apoio da sociedade para tal, é o 
poder sendo partilhado com consequências positivas para todos os cidadãos 
(PÓLIS, 2008, on-line)8.
CONSELHOS GESTORES
Os conselhos de direitos ou conselhos gestores foram pensados a partir da pro-
mulgação da Constituição Federal de 1988, Constituição Cidadã, que exaltou 
em seu texto a participação popular.
As Conferências, os Conselhos de Políticas Públicas e os Orçamentos Partici-
pativos constituem espaços importantes para a concretização do exercício 
do controle social. 
O Papel do Controle Social
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
33
Buscando materializar o que a Constituição Cidadão (1988) apregoa em seus 
artigos e preâmbulo os Conselhos Gestores das Políticas Públicas são canais per-
manentes, institucionais e plurais que representam a sociedade civil organizada 
em conjunto com o poder público. Sempre respeitando a paridade com vistas a 
propor políticas públicas para atender as demandas sociais, bem como iscali-
zar, deliberar e propor ações voltadas à garantia dos direitos sociais.
Os Conselhos representam uma nova relação do Estado com a sociedade, 
pois apresentam novas possibilidades nessa relação, ampliando a participação 
popular nas decisões, e fazendo com que a responsabilidade sobre essas seja par-
tilhada entre todos os proponentes.
Os Conselhos são criados por lei e são seus membros que deinem em seu regi-
mento interno sua forma organizacional, respeitando o código legal vigente. No 
entanto não podemos ver esta relação com ilusões sobre sua coesão, pois estamos 
lidando com forças representantes de diferentes aspectos da sociedade, assim, em 
muitos momentos ocorrerão embates entre pessoas ou grupos que divergem não 
forma de compreender as relações sociais e de como estas podem ser trabalhadas. 
Este embate é totalmente saudável e esperado nestes espaços de construção das 
relações, pois é neste movimento que o Estado democrático se constrói.
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional 
Constituinte, para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o 
exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-
-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de 
uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmo-
nia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução 
pacíica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguin-
te Constituição da República Federativa do Brasil.
Fonte: Brasil, Constituição Federal de 1988 (2016, on-line).
OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IU N I D A D E34
É papel dos Conselhos, independente da sua área de atuação, trabalhar com a pro-
posição de políticas públicas para sua área especiica acompanhando, iscalizando, 
aprovando a aplicação de recursos públicos, bem como aprovar planos especíicos 
entre outras ações correlatas (PORTAL DA TRANSPARÊNCIA, 2017, on-line)10. 
Papel do Conselheiro
O Conselheiro tem grande responsabilidade no processo de formulação das polí-
ticas públicas. Embora ele tenha sido eleito por um segmento especíico, quando 
está atuando no Conselho ele tem a responsabilidade de pensar a sociedade como 
um todo, deixando a margem seu olhar especíico, pois é ele que irá articular, for-
mular, supervisionar, acompanhar, iscalizar, avaliar as Políticas Públicas, dentre 
outros pontos relevantes para a população. Portanto, não lhe cabe voltar o olhar 
apenas ao seu segmento, mas sim, ampliar sua atuação para toda a sociedade, 
posto que ele é seu representante legítimo.
Para ilustrar mais detalhadamente o papel do conselho gestor tomaremos 
como exemplo o Conselho da Assistência Social e sua organização.
Artigo 16. As instâncias deliberativas do sistema descentralizado e par-
ticipativo da assistência social, de caráter permanente e composição 
paritária entre governo e sociedade civil são: I – Conselho Nacional 
de Assistência Social II – Conselhos Estaduais de Assistência Social III 
– Conselho de Assistência Social do Distrito Federal IV– Conselhos 
Municipaisde Assistência Social (BRASIL, LOAS, 1993, p. 6993).
Os conselhos são espaços públicos de composição plural e paritária entre 
Estado e sociedade civil, de natureza deliberativa e consultiva, cuja função 
é formular e controlar a execução das políticas públicas setoriais. Os conse-
lhos são o principal canal de participação popular encontrada nas três ins-
tâncias de governo (federal, estadual e municipal).
Fonte: BRASIL (2017, on-line)9.
O Papel do Controle Social
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
35
O Conselho é paritário, ou seja, tem o mesmo número de representantes governa-
mentais e da sociedade civil, se esses atuarem de forma irme e com compromisso, 
certamente alcançarão as mudanças tão almejadas, que os cidadãos vem bus-
cando incessantemente.
No entanto é fundamental que cada grupo cumpra com suas responsabi-
lidades sempre com vistas no bem comum. De acordo com a Lei Orgânica da 
Assistência Social(1993) o conselheiro deve conduzir-se:
 ■ pela legalidade, ou seja, só pode fazer aquilo que está na lei; 
 ■ pela impessoalidade, ou seja, não se pode caracterizar a ação pública como 
pessoal ou dela tirar proveito como se privada fosse; 
 ■ pela moralidade, ou seja, as ações têm que se pautar pelos princípios éti-
cos da conduta humana; 
 ■ pela publicidade, ou seja, os órgãos, entes, instalações, equipamentos do 
governo são públicos e assim têm que estar colocados à disposição e uso 
público (BRASIL, LEI 8.429/93, on-line).
No Quadro 2 a seguir é possível observarmos o que compete a cada conselheiro 
tanto governamental como da sociedade civil, suas responsabilidades, forma de 
acessar o conselho e o que se espera de cada um no que tange às políticas públicas.
Quadro 2 - Atuação do Conselheiro
MEMBROS DO CONSELHO
Conselheiros e Conselheiras gover-
namentais.
Conselheiros e Conselheiras da socie-
dade civil.
Representantes do Poder Executivo, 
sendo importante incluir setores que 
desenvolvam ações ligadas às políticas 
sociais e econômicas, como Saúde, 
Educação, Trabalho etc.
Representantes de organizações e enti-
dades (de assistência social, de traba-
lhadores do setor e de usuários).
Indicados pelo gestor (secretário de 
assistência social ou equivalente).
Indicados em eleições da própria socie-
dade civil.
OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IU N I D A D E36
Espera-se que tragam para os demais 
conselheiros informações claras e atu-
alizadas sobre as diretrizes eque diga 
qual é a posição do governo nos assun-
tos em pauta.
Espera-se que tragam as contribuições 
dos segmentos que representam em 
favor da política pública, alimentadas 
também pelos debates e discussões 
próprias da sociedade civil, como os fó-
runs , movimentos sociais etc.
Não devem atuar como conselheiros 
(as) de assistência social: vereado-
res, deputados, juízes, promotores ou 
quaisquer outros representantes dos 
Poderes Legislativo ou Judiciário.
Não devem utilizar o espaço do conse-
lho para defender os interesses das en-
tidades que representam.
Fonte: Cartilha-SUAS (2013, on-line)3.
Portanto, um conselheiro que reconhece as suas funções tem plena condição de 
trabalhar com as demandas das políticas públicas, contribuindo para sua efeti-
vação, por meio dos instrumentos disponíveis para tal. O Artigo 115 da Norma 
Operacional Básica do Sistema único de Assistência Social. (NOB/SUAS/2005) 
apresenta as principais atribuições de um conselheiro da assistência social, que 
aqui destacamos como ações que um conselheiro de um conselho gestor eleito 
deve adotar.
Elaborar o Regimento Interno que deve conter: detalhamento de suas 
competências, de acordo com o que está deinido na LOAS; criação de 
comissões e grupos de trabalho temporários e permanentes; deinição 
da substituição de conselheiros (as) e perda de mandato; deinição da 
periodicidade das reuniões do Plenário (deve ser, no mínimo, 1 vez por 
mês) e das comissões; indicação das condições que devem ser seguidas 
para alterar o Regimento Interno; Aprovar a Política de Assistência So-
cial em sua esfera de governo (estado, município, DF) em consonância 
com a PNAS, com o SUAS e com as deliberações das Conferências de 
Assistência Social; Convocar, em conjunto com o órgão gestor, a Con-
ferência em sua esfera de governo, bem como acompanhar o cumpri-
mento de suas deliberações; Acompanhar, avaliar e iscalizar a gestão 
de recursos e a execução da Política de Assistência Social em sua esfera 
de governo; Aprovar o plano integrado de capacitação de recursos hu-
manos para a área de assistência social, conforme previsto na NOB/
SUAS/2005 e NOB-SUAS-RH; Aprovar a proposta orçamentária dos 
recursos destinados a todas as ações de assistência social e alocadas 
no Fundo de Assistência Social, em sua esfera de governo; Aprovar 
critérios de partilha de recursos, respeitando os parâmetros adotados 
na LOAS e explicitar os indicadores de acompanhamento; Inscrever as 
entidades e organizações de assistência social, bem como os serviços, 
O Papel do Controle Social
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
37
programas, projetos e benefícios socioassistenciais; Acionar o Ministé-
rio Público, como instituição de defesa e garantia de suas prerrogativas 
legais (NOB/SUAS, 2005, on-line).
Assim, o controle social requer uma organização e sistematização que organize 
os interesses sociais, canalizando-os para a estruturação de espaços que possam 
responder as necessidades apontadas. Os conselhos gestores integram o rol de 
dispositivos legais que contribuem com esse processo. Ao lado dos Observatórios 
Sociais os Conselhos Gestores são instrumentos valiosos no processo de demo-
cratização das relações.
O parágrafo único, que foi incluído pela Lei nº 12.435/2011 ao art. 16 da 
LOAS prevê que o órgão gestor de assistência social deve providenciar a in-
fraestrutura necessária para o funcionamento de seu conselho, garantindo 
recursos materiais, humanos e inanceiros e, inclusive, as despesas referente 
a passagens e diárias de conselheiros(as) e representantes do governo ou da 
sociedade civil quando estiverem no exercício de suas atribuições.
Fonte: Cartilha-SUAS (2013, on-line)3.
OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IU N I D A D E38
Como participar das discussões sobre o uso do dinheiro público e como 
controlar a sua aplicação:
 ■ Conselhos municipais e controle social.
 ■ Orçamento participativo.
 ■ Controle social nas prefeituras.
 ■ Portal da Transparência.
 ■ Órgãos de iscalização.
 ■ Denuncie irregularidades.
 ■ Olho vivo.
 ■ Cursos para a promoção do controle social oferecidos pela CGU
 ■ Transparência como Instrumento de Controle Social.
 ■ Manual Prático do Portal da Transparência.
Fonte: BRASIL ([2017, on-line)9.
Diferenças e Similaridades entre Observatório Social e Observatório das Metrópoles
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
39
DIFERENÇAS E SIMILARIDADES ENTRE 
OBSERVATÓRIO SOCIAL E OBSERVATÓRIO DAS 
METRÓPOLES
Não podemos confundir Observatório das Metrópoles, que alguns estados têm, 
com os observatórios sociais. Aqui buscamos diferenciá-los para que você possa 
trabalhar cada um deles em sua própria especiicidade. Embora tenham alguns 
pontos similares sua atuação e organização tem diferenças signiicativas:
 ■ Observatório Social: está voltado para iscalizaçãodas contas públicas. 
Utilizam instrumentos e dados disponíveis pelas muitas agências oiciais 
nacionais e internacionais. Propondo apropriação sobre os instrumentais 
que geram conhecimento dos dados e informações disponíveis, utilizan-
do-os na busca de informações e na iscalização e acompanhamento da 
gestão da coisa pública.
 ■ Observatório das Metrópoles: integra um grupo de pesquisa voltado 
para as questões urbanas de grandes áreas de concentração. Forma um 
Instituto em Rede Nacional - trabalha sobre o tema das metrópoles bra-
sileiras e os desaios do desenvolvimento. 
OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IU N I D A D E40
OBSERVATÓRIO DAS METRÓPOLES
De acordo com o site do Observatório das Metrópoles (2017, on-line)11, essa 
iniciativa funciona como um instituto virtual que congrega pesquisadores e ins-
tituições de ensino superior, com pesquisas voltadas para o acompanhamento 
das movimentações e alterações das metrópoles e aglomerações urbanas. 
Essa ação é coordenada pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano 
e Regional da Universidade Federal 
do Rio de Janeiro (IPPUR). O 
Observatório das Metrópoles articula 
a sociedade civil, academia e poder 
público, e utiliza uma metodologia 
uniicada de pesquisa, monitoramento 
e intervenção através de base de dados. 
Em 2009, o Observatório das 
Metrópoles passou a ser um dos 
Institutos Nacionais de Ciência e 
Tecnologia (INCT). O projeto é con-
duzido pelo Ministério da Ciência e 
Tecnologia (MCT) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientíico e 
Tecnológico (CNPq), em parceria com a FAPERJ (Observatório das Metrópoles, 
2017, on-line)11.
As Instituições reunidas no Observatório das Metrópoles trabalham de 
maneira sistemática sobre 14 metrópoles e uma aglomeração urbana: Rio de 
Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia, Recife, 
Salvador, Natal, Fortaleza, Belém, Santos, Vitória, Brasília e a aglomeração urbana 
de Maringá.
Diferenças e Similaridades entre Observatório Social e Observatório das Metrópoles
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
41
O Núcleo Maringá compõe a rede nacional de pesquisadores Observatório das 
Metrópoles (IPPUR/UFRJ/FASE), criado com o apoio do Programa de Apoio 
a Núcleos de Excelência/PRONEX/CNPq, cuja inalidade é desenvolver ativi-
dades de ensino e extensão universitárias que concorram para a construção de 
uma esfera pública que inluencie as decisões dos atores que atuam no âmbito 
da formulação de políticas públicas. Desenvolveu-se com apoio do Instituto do 
Milênio/CNPq no período 2005-2008 e atualmente realiza atividades no âmbito 
do Edital: Institutos Nacionais-INCT/CNPq. Como um instituto virtual que reúne 
pesquisadores e instituições dos campos universitário (programas de pós-gradu-
ação), governamental (fundações estaduais e prefeitura) e não governamental, 
o Observatório tem condições de apresentar dados resultantes de suas pesqui-
sas, bem como propor ações que possam atender as necessidades da sociedade 
O Observatório das Metrópoles tem origem no projeto Avaliação da Conjun-
tura Social e do Desempenho das Políticas Públicas na Região Metropolitana 
do Rio de Janeiro cujo objetivo era analisar as transformações do quadro 
de carências e desigualdades sociais na RMRJ ao longo da década de 80, 
inanciado pelo Banco Mundial/Prefeitura do Rio de Janeiro. Esse projeto 
possibilitou a constituição de uma parceria entre o Instituto de Pesquisa e 
Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro 
(IPPUR/UFRJ), o Programa de Urbanismo também da UFRJ e a organização 
não governamental Federação de Órgãos para a Assistência Social e Edu-
cacional (FASE), tendo como temática central a relexão sistemática sobre 
novos desaios metropolitanos do modelo de política urbana desenhada na 
Constituição Federal de 1988 e airmado com a constituição do Movimento 
Nacional da Reforma Urbana, diante das transformações econômicas do i-
nal dos anos 1980.
Para saber mais acesse o histórico e as propostas do Observatório das Me-
trópoles acesse o link disponível em: <http://www.observatoriodasmetro-
poles.net/index.php?option=com_content&view=article&id=47&Itemi-
d=144&lang=pt#>. 
Fonte: Observatório das Metrópoles ([2017], on-line)12.
OBSERVATÓRIO SOCIAL E O CONTROLE SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IU N I D A D E42
alinhando-as ao conhecimento e pesquisas desenvolvidos pelos centros de ensino, 
que se volta para a redução das desigualdades sociais e regionais recorrentes no 
Brasil. Ele adota em sua metodologia orientações que possibilitam a relexão e 
construção de possibilidades para a organização das cidades. Dentre estas des-
tacamos as linhas de pesquisa que organizam o desenvolvimento das ações: 
Linha I - Metropolização, dinâmicas intrametropolitanas e o Território 
Nacional
Linha II - Dimensão sócio-espacial da Exclusão/Integração nas metró-
poles: reprodução das desigualdades e impactos na sociabilidade ur-
bana
Linha III - Governança Urbana, Cidadania e Gestão das Metrópoles
Linha IV - Monitoramento da realidade metropolitana e desenvolvi-
mento institucional (Observatório das Metrópoles, 2017, on-line)13.
Portanto, o que ica claro é que cada uma dessas instituições/observatórios tem 
um papel relevante diante da sociedade. No entanto para cumpri-los é fundamen-
tal o acompanhamento das ações por parte dos cidadãos, pois as ações devem 
ser pensadas e construídas em conjunto. 
Considerações Finais
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
43
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro(a) aluno(a), nesta unidade apresentamos a vocês o Observatório Social, 
histórico, construção e objetivos deste instrumento de controle social, que foi 
possível ser articulado a partir da promulgação da Constituição de 1988.
No entanto, a Lei é letra morta, caso não exista uma atuação direta da socie-
dade para sua implementação. Assim, buscando exercer o seu compromisso na 
construção de uma sociedade pautada na justiça social alguns cidadãos iniciaram 
um processo de mobilização para acompanhar a gestão pública com o intuito de 
iscalizar e contribuir com essa construção. 
Desse modo a metodologia dos observatórios sociais se mostra como uma 
importante ferramenta para assegurar a vivência de mudanças nas relações sociais 
a partir de uma iscalização consciente pautada no arcabouço legal vigente. Essa 
discussão é importante na medida em que discutimos o controle social, suas pos-
sibilidades, limites e avanços ao longo das últimas três décadas. Os observatórios 
sociais que nascem da indignação e dos sonhos dos cidadãos podem concretizar 
ações que possibilitem que a gestão pública seja cada vez mais transparente em 
sua organização/atuação, uma vez que, o acompanhamento sistemático da socie-
dade não icará restrita apenas a um aspecto, e sim contemplará todo o processo 
de elaboração e execução das políticas públicas. Essa possibilidade de controle 
social inova no campo das ações e instrumentais de acompanhamento, monito-
ramento e avaliação da gestão pública de da atuação do gestor e agentes públicos.
Assim, avancemos nas discussões sobre o tema para compreendermos o 
processo de materialização deste controle social no cotidiano. Nas próximas 
unidades, trabalharemos os instrumentais que devem ser utilizados na concre-
tização do papel do observatório.
44 
1. A constituição Federal de 1988 é considerada um marco importante para:I. Barrar o avanço da ditadura no país.
II. Fortalecer o avanço e organização dos movimentos sociais no Brasil.
III. Garantir o respeito as especiicidades de cada política pública, bem como sua 
efetivação.
IV. Foi um movimento fácil, sem grandes repercussões sociais.
V. Assegurou os direitos de todos os cidadãos brasileiros.
Assinale a alternativa que corresponde as airmativas corretas:
a. Estão corretas somente as alternativas I e III.
b. Estão corretas somente as alternativas IV e V.
c. Estão corretas somente as alternativas III, IV e V.
d. Estão corretas somente as alternativas II, III e V.
e. Estão corretas somente as alternativas I e V.
2. No cenário brasileiro, é comum a confusão sobre o signiicado dos termos políti-
ca pública e política de governo. Nas asserções a seguir assinale aquelas que se 
referem apenas a política pública.
I. Respondem a interesses de grupos especíicos.
II. Seu campo de alcance é restrito apenas ao período de mandato.
III. Exige a participação de diferentes agencias estatais para sua formulação.
IV. Sua ação impacta no orçamento da União.
V. Tem um grau de complexidade e pode até mesmo alterar as leis.
Estão corretas apenas as assertivas:
a. II, III e IV.
b. I e IV.
c. III e V.
d. IV e V.
e. III, IV e V.
3. De acordo com Schommer e Moraes (2010) os observatórios sociais nascem na 
perspectiva de assegurar o controle social e qualiicar as relações sociais. Partin-
do dessa perspectiva comente o papel que o cidadão deve desempenhar 
nesse processo.
45 
4. É imprescindível buscar clareza sobre o que é um observatório social e o que é 
um observatório das metrópoles, bem como o seu papel e modo de atuação. 
Assim, analise as alternativas abaixo e coloque V para verdadeiro e F para falso 
no que se refere ao observatório das metrópoles.
( ) Está voltado para a iscalização das contas públicas municipais, estaduais e 
federal.
( ) Integra um grupo de pesquisa voltado para as questões urbanas de grandes 
áreas de concentração.
( ) Forma um Instituto em Rede Nacional cuja ação é coordenada pelo Instituto 
de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio 
de Janeiro. 
( ) No Observatório das Metrópoles trabalham de maneira sistemática sobre 14 
metrópoles e uma aglomeração urbana. 
( ) A organização do trabalho do observatório das Metrópoles não segue uma 
metodologia uniicada, permitindo a cada unidade deinir seus caminhos no que 
tange a pesquisa sobre desenvolvimento urbano.
Assinale a sequência correta:
a. F, F, V, V, V.
b. V, F, F, F, V.
c. V, V, V, V, F.
d. F, V, V, F, F.
e. F, V, V, V, F.
46 
5. Dentre os instrumentos de controle social, estabelecidos pela Constituição de 
1988, a instituição dos Conselhos teve um espaço signiicativo, pois representa-
va o acompanhamento popular das gestões públicas. Partindo dessa relexão 
assinale a alternativa que corresponda ao papel do conselho:
a. Os conselhos são espaços privados, com composição unilateral, tem natureza 
deliberativa e consultiva, sendo o principal canal de participação popular nas 
três instâncias de governo na formulação e execução das políticas públicas.
b. Os conselhos são espaços públicos, com composição paritária entre a socie-
dade civil e o Estado, tem natureza deliberativa e consultiva, sendo o princi-
pal canal de participação popular nas três instâncias de governo na formula-
ção e execução das políticas públicas.
c. Os conselhos são espaços públicos, com composição paritária entre a socie-
dade civil e o Estado, não podem interferir no processo de formulação das 
políticas públicas, sem ser solicitados pelo poder público. 
d. Os conselhos são espaços privados, com composição paritária entre a socie-
dade civil e o Estado, tem natureza deliberativa e consultiva, porém só po-
dem atuar quando provocados pelos poderes instituídos.
e. Os conselhos são espaços públicos, compostos por representantes governa-
mentais, tem natureza deliberativa e consultiva, sendo o principal canal de 
comunicação do governo com a população.
47 
CONTROLE SOCIAL: UM CONCEITO E MUITAS CONFUSÕES 
Comecemos pelo que não é. Controle Social não é consulta. Mesmo porque, consulta não 
gera controle sobre nenhum ato, mas é apenas uma escuta, nem sempre criando intera-
ção ou continuidade da relação entre as partes. Na mesma linha, não se trata de feedback. 
Feedback é um retorno, uma notícia do impacto que uma ação gerou no outro. 
Também não se trata de convencer o outro sobre uma política correta. Nem mesmo ouvir 
demandas para montar um projeto ou programa. Como se percebe, todas as modalida-
des acima não geram controle, mas apenas uma relação entre uma parte que se mantém 
sujeito da ação e uma outra, que é ouvida. Mas o que se faz com o que o não-sujeito fala é 
prerrogativa de quem solicita a informação. 
Segundo Sherry Arnstein, controle social é uma relação de co-gestão, quando planeja-
mento e execução são deinidos em participação. [...]
O conceito de controle social indica, portanto, a participação da sociedade civil na elabora-
ção, acompanhamento e veriicação (ou monitoramento) das ações de gestão pública. [...]
No Brasil, tal conceito foi estabelecido legalmente com a promulgação da Constituição 
Federal de 1988, que introduz elementos e diretrizes de democracia participativa. [...].
Alguns artigos da Constituição são orientadores desta ilosoia. 
No primeiro artigo, parágrafo único, airma-se que “todo o poder emana do povo, que o 
exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constitui-
ção”. Já se anuncia uma novidade política, que indica que o representado pode exercer 
seu poder diretamente [...]. Os conselhos de gestão pública (saúde, educação, assistência 
social, direitos da criança e adolescente, entre outros) nascem deste artigo. 
Há mais artigos: Seguridade Social: Art. 194. A seguridade social compreende um con-
junto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a 
assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. [...]
Na Saúde: Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionaliza-
da e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguin-
tes diretrizes: participação da comunidade. 
Na Política de Assistência Social: Art. 204. As ações governamentais na área da assistência 
social serão realizadas com recursos do orçamento da seguridade social, previstos no art. 
195, além de outras fontes, e organizadas com base na diretriz: participação da população, 
por meio de organizações representativas, na formulação das políticas e no controle das 
ações em todos os níveis. 
[...]A Constituição Federal garante, ainda: a) Peticionar junto aos Poderes Públicos para 
defesa de direitos (artigo 5º); b) Fiscalizar as contas municipais (artigo 31); c) Denunciar 
irregularidades (artigo 74); (...) O Decreto-Lei 201/67 possibilita denúncia contra Prefeitos. 
A Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei 101/2000 artigos 48 e 49) garante acesso às contas 
48 
públicas, planos e diretrizes orçamentárias. [...]
Romualdo Dropa lista, ainda como exemplos de nova legislação que se seguiu, incorpo-
rando a ilosoia participacionista: o Estatuto da Criança e do Adolescente, a lei de Direito 
Autoral, o Novo Código de Trânsito, o Código de Defesa do Consumidor, a Lei de Patentes, 
a Lei de Defesa do Meio Ambiente, o papel iscalizador consagrado ao Ministério Público, 
o fortalecimento da atuação do Tribunal de Contas da União, dentre outros. Além dos ins-
trumentos citados acima, existem legalmente constituídos outros instrumentos de Estado 
que objetivam o controle público. São eles: 
Ministério Público - Tecnicamente é o defensor e guardião dos direitos da sociedade, as-
segurados na Constituição. 
Tribunal de Contas - Órgão auxiliar dos Parlamentos (municipais, estaduais e federal), 
compete a iscalização contábil, orçamentária, operacional e patrimonial de todos entes 
federativos (municípios,Estados e União). Todo cidadão pode denunciar irregularidades 
aos Tribunais de Contas. 
Ação Civil Pública - O Ministério Público ou associação civil (com ao menos um ano de 
existência) podem apresentar representações, sem custas, honorários ou outras despesas. 
Mandato de Segurança Coletiva - Denúncia que protege um direito certo. Esta ação pode 
ser impetrada por associação civil, partido político ou organização de representação de 
classe, contra autoridade pública que descumprir este direito. 
Mandato de Injunção - Quando a ausência de uma norma que regulamente uma situação 
impede o exercício de um direito ou liberdade garantida constitucionalmente. 
Ação Popular - No caso de um direito ou interesse público for lesado, qualquer cidadão 
pode, individualmente, entrar no Judiciário com uma ação popular. Visa proteger o patri-
mônio público, a moralidade da administração pública, o meio ambiente e o patrimônio 
ambiental e cultural. 
Defensoria Pública - Àqueles que não possuírem recursos inanceiros para contratar um 
advogado de defesa, o Estado garante esta assistência jurídica gratuita.
Audiência Pública - Consulta pública à sociedade sobre determinado problema que afeta-
rá uma parcela da sociedade. [...]
Enim, caminhamos numa direção muito nítida, na direção do controle social, a partir da 
Constituição Federal, até meados dos anos 90. Mas, a partir daí, paramos. Já temos 30 mil 
conselhos de gestão pública em nosso país. [...] 
Já se faz necessária uma nova geração de políticas de natureza participacionista. [...] Mas 
que também se articulem para pensar a cidade. Precisamos, ainda, aumentar o conheci-
mento técnico de conselheiros e lideranças sociais nesta nova dinâmica. Ainal, controle 
social não é mera presença. É co-gestão. 
Fonte: Ricci (2009, p. 1532-1537).
Material Complementar
MATERIAL COMPLEMENTAR
Observatório das Metrópoles 
O Observatório das Metrópoles tem origem no projeto Avaliação da Conjuntura Social e do 
Desempenho das Políticas Públicas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro cujo objetivo era 
analisar as transformações do quadro de carências e desigualdades sociais na RMRJ ao longo da 
década de 80, i nanciado pelo Banco Mundial/Prefeitura do Rio de Janeiro. Saiba como funciona o 
observatório das metrópoles, objetivos e trabalho desenvolvido no Brasil. 
Acesse o link: <http://www.observatoriodasmetropoles.net/#>.
O que é Controle Social?
A importância de se existir o Controle Social institucionalizado nas cidades, como forma de garantir 
qualidade de vida a todos os cidadãos. 
Sobre controle social, sua organização e processo de acompanhamento da gestão, acesse o link: 
<https://www.youtube.com/watch?v=Avdqg3Q3p1E>.
Controle social da política de assistência social
Loiva Mara de Oliveira Machado 
Editora: EdiPUCRS
Ano: 2010
Sinopse: desvendar os caminhos e descaminhos do controle 
social com foco na participação da sociedade civil nos espaços 
públicos de debate das políticas sociais, em especial da 
política de assistência social, é o desai o enfrentado por esta 
pesquisa. Ao longo da publicação, pretende ajudar o leitor a 
problematizar o Estado, a democracia, a participação popular 
e a formatação dos conselhos e fóruns de políticas públicas.
REFERÊNCIAS
RODRIGUES, M. M. A. Políticas Públicas. São Paulo: Publifolha, 2011. 
BRASIL. Constituição Federal de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm>. Acesso em 20 jan. 2017.
______. LOAS. Lei 8.429, de 02 de fev. 1992. Diário Oicial [da] República do Brasil. 
Poder Executivo. Brasília: Poder executivo, 1992. 
______. Lei n. 9.790/99. Dispõe sobre a qualiicação de pessoas jurídicas de direi-
to privado, sem ins lucrativos, como Organizações da Sociedade Civil de Interesse 
Público, institui e disciplina o Termo de Parceria, e dá outras providências. Disponí-
vel em <http://portal.convenios.gov.br/legislacao/leis/lei-n-9-790-de-23-de-marco-
de-1999>. Acesso em: 09 fev. 2017.
______.Lei de Responsabilidade Fiscal. Lei 101/2000 (Lei Complementar) de 04 
de maio 2000. Diário Oicial [da] República do Brasil. Poder Legislativo, Brasília, DF, 
04 maio 2000.
______. Norma Operacional Básica. Sistema Único da Assistência Social NOB/
SUAS. Brasília, 2005. Disponível em: <http://www.assistenciasocial.al.gov.br/sala-
-de-imprensa/arquivos/NOB-SUAS.pdf>. Acesso em: 09 fev. 2017.
GODOY, A. M. G.; NYCHAI, L.; ASSIS, P. C. O observatório social de Maringá e o contro-
le do processo licitatório. Dos puntas, n. 7, p. 21-45, 2013.
MOTTA, C. P. C.; SANTANA, J. E.; FERNANDES, J.U. J.; ALVES, L. da S. Responsabilidade 
Fiscal: Lei Complementar 101. Belo Horizonte: Del Rey, junho de 2000.
RICCI, R. Controle social: um conceito e muitas confusões. Revista Espaço Acadêmi-
co, n. 98, jul. 2009, Ano IX, ISSN 1519-6186. Disponível em: <http://eduem.uem.br/ojs/
index.php/EspacoAcademico/article/viewFile/7590/4362>. Acesso em: 30 jan. 2017.
SCHOMMER, P.C.; MORAES, R.L. Observatórios sociais como promotores de controle 
social e accountability: relexões a partir da experiência do Observatório Social de 
Itajaí. GESTÃO.Org. Recife, v. 8, n. 3, 2010. 
REFERÊNCIAS
51
REFERÊNCIAS ON-LINE
1Em: <http://www.ipea.gov.br/participacao/images/pdfs/participacao/ outras_pes-
quisas/a%20constituio%20cidad%20e%20a%20institucionalizao%20dos%20espa-
os%20de%20participao%20social.pdf>. Acesso em: 03 fev. 2017.
2Em: <www.oit.org.br/>. Acesso em: 03 fev. 2017.
3Em: <http://oicinadeimagens.org.br/wp-content/uploads/2014/01/CARTILHA-SU-
AS.pdf>. Acesso em: 03 fev. 2017.
4Em: <http://osbrasil.org.br/>. Acesso em: 03 fev. 2017.
5Em: <https://ositajai.wordpress.com/o-que-e/>. Acesso em: 03 fev. 2017.
6Em: <http://osbrasil.org.br/observatorios-pelo-brasil>. Acesso em: 03 fev. 2017.
7Em: <http://osbrasil.org.br/o-que-e-o-observatorio-social-do-brasil-osb/>. Acesso 
em: 03 fev. 2017.
8Em: <http://www.polis.org.br/uploads/1058/1058.pdf>. Acesso em: 03 fev. 2017.
9Em: < http://www.portaldatransparencia.gov.br/controlesocial/>. Acesso em: 03 
fev. 2017.
10Em: < http://www.portaldatransparencia.gov.br/controlesocial/Conselhos Munici-
paiseControleSocial.asp/>. Acesso em: 03 fev. 2017.
11Em: <http://www.observatoriodasmetropoles.net#>. Acesso em: 03 fev. 2017.
12Em: <http://www.observatoriodasmetropoles.net/index.php?option=com _con-
tent&view=article&id=47&Itemid=144&lang=pt# >. Acesso em: 03 fev. 2017.
13Em: < http://web.observatoriodasmetropoles.net/index.php?option=com _con-
tent&view=article&id=1053%3Ametropoles-territorio-co..# >. Acesso em: 03 fev. 
2017.
GABARITO
1. Letra D.
2. Letra E.
3. Resposta: Ao cidadão compete exercer a sua cidadania, buscando conhecer os 
dados e demandas concretas da sociedade para que possa acompanhar, isca-
lizar e propor ações que contribuam com a construção de uma sociedade pau-
tada na justiça social, rompendo com a visão e atuação de gestores que não 
prestavam contas de seus atos e dos investimentos dos recursos públicos.
4. Letra E.
5. Letra B.
U
N
ID
A
D
E II
Professora Me. Maria Cristina Gabriel de Oliveira
CONTROLE SOCIAL: 
DADOS, INFORMAÇÕES E 
CONHECIMENTO
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Trabalhar com Dados, Informação e Conhecimento
 ■ Conhecer os instrumentais utilizados para pesquisa dos 
observatórios sociais.
 ■ Diferenciar dados, fontes e conhecimento.
 ■ Compreender o conceito de dados primários e secundários.
 ■ Aprender sobre a importância dos indicadores sociais.
Objetivos de Aprendizagem
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Trabalhar com Dados, Informação e Conhecimento
 ■ Indicadores; Indicadores sociais e suas propriedades
 ■ Diagnóstico
Introdução
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
55
INTRODUÇÃO
Prezado(a) aluno(a), na unidade I deste livro resgatamos o histórico do 
Observatório Social, bem como a sua organizaçãoe metodologia. Nesta uni-
dade a proposta é apresentar e detalhar as ações desenvolvidas pelo Observatório 
Social e os instrumentos diversos utilizados nesse processo. Os observatórios 
sociais trabalham com dados de diferentes agências e órgãos nacionais e inter-
nacionais na formulação das informações que pautam as ações dos cidadãos. 
Esses dados estão disponíveis aos cidadãos e a todos os serviços estruturados 
que desejem acessá-los.
É preciso ter clareza de que apenas ter um grande número de dados dispo-
níveis não gera informação e conhecimento sobre a realidade tratada, assim é 
indispensável que nos apropriemos adequadamente de tais dados. Para tal, é pre-
ciso saber onde buscar dados concretos, e como extrair as informações que esses 
contêm para que possamos usá-las para subsidiar a tomada de ação.
Portanto, prezado(a) aluno(a), é fundamental nos apropriarmos de tais ins-
trumentais fazendo leitura e análises técnicas adequadas dos dados e informações 
disponíveis para aplicá-los de acordo com as necessidades apresentadas, extraindo 
informações que possam ser materializadas na formulação das políticas públicas. 
Essa apropriação sobre as fontes e instrumentais é indispensável. No entanto, 
não se pode utilizar quaisquer dados e fontes. Antes de tudo, é necessário fazer 
a checagem, pois apenas fontes coniáveis podem gerar informações idedignas 
à realidade com a qual se está trabalhando, proporcionando a estruturação de 
ações condizentes com as necessidades da parcela especíica da população com 
a qual se está trabalhando.
Na unidade a seguir trabalharemos o conceito e as diferenças entre os três 
elementos que utilizamos para fundamentar nossas pesquisas, são os dados, 
informações e conhecimento, pois somente com esses elementos podemos tra-
çar propostas que deem conta da demanda social. Vamos conhecê-los?
CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IIU N I D A D E56
TRABALHAR COM DADOS, INFORMAÇÃO E 
CONHECIMENTO
Vivemos em um momento da organização social no qual as informações estão 
disponíveis apenas a distância de um clique. Realmente temos uma imensa quan-
tidade de dados disponíveis. 
Assim, Dados, Informação e Conhecimento são elementos indispensáveis 
no processo de organização de qualquer política pública, desempenhando um 
papel que fundamenta as decisões adotadas diante de uma demanda especíica 
que exija informações precisas e coniáveis.
Como os dados já estão em processo de produção, a nossa proposta não é 
inventar a roda, porém fazê-la rodar, transformando dados em informações úteis 
que garantam aos cidadãos o acesso de qualidade aos direitos socioassistencias. 
Nas Políticas Públicas, o acesso aos dados podem ocorrer de duas formas. Para 
tanto é necessário compreender os tipos de dados que podem ser utilizados. No 
quadro 1, a seguir você pode observar a diferença entre os dados primários e 
secundários que sustentam as pesquisas em política públicas.
Trabalhar com Dados, Informação e Conhecimento
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
57
Quadro 1 - Dados primários e secundários
DADOS PRIMÁRIOS DADOS SECUNDÁRIOS
São dados/informações que a própria 
política pública que está em pauta 
produz. Na Política de Assistência So-
cial podemos acessar dados primários 
no Centro de Referência da Assistência 
Social-CRAS; Centro de Referência 
Especializado da Assistência Social-
-CREAS; Gestão; Cadastro Único do 
Governo Federal-CADUNICO Relató-
rios técnicos, entre outros.
São dados/informações produzidas por 
outros setores ou políticas públicas. 
Exemplo: sites oiciais do Ministério do 
Desenvolvimento Social e Agrário-MD-
SA; Instituto Brasileiro de Geograia e 
Estatística-IBGE; Instituto Paranaense 
de Desenvolvimento Econômico e 
Social-IPARDES; Instituto Nacional de 
Seguridade Social-INSS; Departamento 
de Informática do Sistema único da 
Saúde-DATASUS; UNIVERSIDADES, entre 
outros.
Fonte: as autoras.
Há diferentes fontes para busca de dados, no entanto, o pesquisador deve se 
certiicar que os dados acessados são coniáveis. As agências oiciais de coletas 
e tratamento de dados, mantém estes dados disponíveis para o público. Mas é 
preciso saber o que se procura para acessar as fontes corretas, pois há muitas 
possibilidades. Dentre elas destacamos na igura 1, a seguir:
Sabemos onde e o que buscar? Temos competência para trabalhar com os 
dados e as informações que acessamos? Conseguimos transformá-los em 
informações que subsidiam a construção de políticas públicas?
CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IIU N I D A D E58
MAPA DA INFORMAÇÃO
Governos
Estaduais
MDS 
(Cadúnico,
Censo SUAS,
Data SUAS)
IBGE - SIDRA
INSS
DATASUS
Institutos
Estaduais
Universidades
Informações
das unidades
socioassistenciais
M
IC
R
O
IN
FO
R
M
A
Ç
Ã
O
M
A
C
R
O
IN
FO
R
M
A
Ç
Ã
O
Informações
dos usuários
Conhecimento
do território
DADOS SECUNDÁRIOS
INSTRUMENTOS DE 
VALIDAÇÃO E
SISTEMATIZAÇÃO
DADOS PRIMÁRIOS
INSTRUMENTOS DE
COLETA E SISTEMATIZAÇÃO
Outros setores
municipais
Figura 1 - Fontes primárias e secundárias
Fonte: adaptada de Cartilha Capacita Suas (2013, on-line)1.
Acessar e trabalhar com os dados disponíveis exige, de forma geral, uma mudança 
de postura por parte dos gestores, dos proissionais e técnicos que manuseiam 
diretamente ou indiretamente tais dados e consequentemente as informações 
que estes geram. Todas as políticas públicas produzem muitos dados e coletam 
uma quantidade signiicativa de dados formulados por outras áreas do saber. 
Portanto, dados não nos faltam para fundamentar as tomadas decisões. Porém, 
o que precisamos discutir aqui é se estes são coniáveis e se os lemos e utiliza-
mos de maneira adequada na formulação das políticas públicas.
Para utilizá-los adequadamente é imprescindível trabalhar com esses elemen-
tos diferenciando-os e tendo clareza do signiicado de dados, de informações e 
de conhecimento. É preciso observar o conceito de cada um, pois eles não são 
a mesma coisa. 
Trabalhar com Dados, Informação e Conhecimento
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
59
No entanto, é comum em muitos momen-
tos tratarmos os três elementos como se 
tivessem o mesmo signiicado. Assim é mis-
ter nos apropriarmos de seus conceitos para 
que façamos uso adequado desses, pois no pro-
cesso de formulação das políticas públicas, 
a tomada de decisões deve ocorrer em bases 
informacionais claras, transparentes e objetivas 
para que as ações sejam adequadas à demanda 
apresentada. 
De acordo com a tecnologia da informação um dado é a representação física 
de algo no tempo e no espaço, mas que não agrega conhecimento para quem 
o acesa ou recebe se o mesmo não for tratado/qualiicado. Pode, por exemplo, 
ser um número qualquer disponibilizado para alguém ou um evento no tempo/
espaço. Não é possível saber o que ele signiica ou o que ele representa, podendo 
representar qualquer coisa ou não representar nada, se ele não for qualiicado, 
ou seja, se não agregarmos outros dados e esclarecimentos a este, e assim trans-
formá-lo em uma informação (DAVENPORT; PRUSAK, 1998).
Quadro 2 - Dados aleatórios e Dados organizados 
A) NÚMERO 2016 B) NÚMERO 2016
Apresentado desse modo ele é um 
número que pode ter inúmeros signii-
cados ou mesmo nenhum signiicado.
Representa o ano das Olimpíadas 
disputadas no Brasil, nas quais o país 
conheceu diversos talentosaté então 
anônimos que brilharam nas competi-
ções e inscreveram seus nomes no rol 
dos grandes atletas.
Fonte: as autoras.
No quadro 2 temos a letra A apenas um dado numérico aleatório, que pode sus-
citar ou não conhecimento. 
Na letra B temos um dado numérico seguido de outros dados que o torna 
uma informação, possibilitando ao leitor a formulação de uma ideia sobre o que 
ele representa. 
Podemos então dizer que informação é um dado organizado, que pode ser 
um texto, um relatório, um boletim escolar, uma folha de pagamento entre outros 
CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IIU N I D A D E60
e que fazem sentido a quem lê, permitindo atribuir valor aquilo que foi disponi-
bilizado, incidindo diretamente na interpretação deste, tornando-o valioso ou 
não e gerando conhecimento.
O conhecimento é resultado lógico da organização de várias informações 
agrupadas e que criam possibilidades para que o indivíduo compreenda um 
evento, suas causas, eventos anteriores e resultados que se ligam a estes, criando 
um modelo mental que descreve um objeto e indique as ações a implementar, as 
decisões a tomar no que se refere a este. Davenport e Prusak (1998) apresentam 
no Quadro 3 interessantes dados sobre esses três elementos e sua estruturação:
Quadro 3 - Estrutura de dados, formações e Conhecimento
DADOS INFORMAÇÃO CONHECIMENTO
• Simples observação 
sobre estado do 
mundo.
• Facilmente estrutu-
rado;
• Facilmente obtido por 
máquinas.
• Frequentemente 
quantiicado;
• Facilmente transferí-
vel.
• Dados dotados de rele-
vância e propósito.
• Requer unidade de 
análise.
• Exige consenso em rela-
ção ao signiicado.
• Exige necessariamente a 
mediação humana.
• Informação valiosa da 
mente humana. Inclui 
relexão, síntese, con-
texto.
•  De difícil estruturação. 
De difícil captura em 
máquinas.
• Frequentemente tácito.
• De difícil transferência.
 Fonte: adaptado de Davenport e Prusak (1998).
De acordo com Davenport e Prusak (1998), não há como dispensar os dados 
para acessar informações, que consequentemente construirão o conhecimento. 
Portanto, mesmo fazendo as devidas distinções entre esses elementos, não 
podemos deixar de constatar que os mesmos estão interligados entre si, com 
papéis diferentes, porém indispensáveis para o processo de consolidação do 
conhecimento. 
No que tange ao conhecimento o autor concebe que nas organizações o conhe-
cimento é construído coletivamente, partindo de conhecimentos individuais das 
pessoas que convivem e atuam nos ambientes. Assim, de acordo com Valentim:
Trabalhar com Dados, Informação e Conhecimento
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
61
[...] o conhecimento construído por um indivíduo alimenta a constru-
ção do conhecimento coletivo e, por outro lado, o conhecimento cole-
tivo alimenta a construção do conhecimento individual em ambientes 
organizacionais (VALENTIM, 2008, p.19).
De posse desses conceitos e esclarecimentos, é preciso pensar no processo de 
apropriação das informações para que estas orientem a formulação de políticas 
públicas, lembrando que se utilizam de indicadores para traduzir o conceito das 
demandas postas para a sociedade. Possibilitando assim a tradução do conceito 
de pobreza, desigualdade, vulnerabilidade de exclusão social, assegurando deste 
modo a materialização de propostas de intervenção na realidade.
Poderemos trabalhar com indicadores para transformar os chamados fenôme-
nos conceitos abstratos em medidas, e estas nos permitirão analisar os conceitos 
e fenômenos, na medida em que permite quantiicá-los e falar da sua represen-
tação empírica. 
CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IIU N I D A D E62
INDICADORES; INDICADORES SOCIAIS E SUAS 
PROPRIEDADES
Indicadores são recursos metodológicos utilizados para materializar os con-
ceitos abstratos, e desse modo possibilitar o trabalho com as demandas sociais, 
diagnosticando, monitorando e avaliando os elementos que precisam ser tra-
duzidos em medidas quantiicáveis. Dessa forma, há a possibilidade de elaborar 
propostas concretas de interferência. Usamos os indicadores para transformar 
conceitos abstratos em algo palpável que possa ser analisado e quantiicado em 
números, taxas e razões sobre uma dada realidade o que permite uma interven-
ção através da observação e avaliação (JANNUZZI, 2009).
De acordo com Januzzi (2009) os indicadores apresentam algumas carac-
terísticas que não podem ser desconsideradas, pois estas que possibilitarão a 
sua compreensão diante do contexto posto. São estas: Indicadores Objetivos 
e Indicadores subjetivos. Indicadores Descritivos e Indicadores normativos. 
Estatísticas Públicas e Indicadores Sociais. Indicadores Simples e Indicadores 
Compostos. Indicador absoluto e Indicador relativo. 
No Quadro 4, a seguir temos uma descrição do que signiica cada um des-
tes elementos e o que representam.
Indicadores; Indicadores Sociais e Suas Propriedades
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
63
PARA QUE SERVE UM INDICADOR?
1. Subsidiar as atividades de planejamento público e a formulação das polí-
ticas sociais nas diversas esferas de governo.
2. Possibilitam o monitoramento das condições de vida e bem-estar da po-
pulação por parte do poder público e sociedade civil
3. Permitem o aprofundamento da investigação acadêmica sobre a mudan-
ça social e sobre os determinantes dos fenômenos sociais.
Fonte: adaptado de Jannuzzi (2009).
Indicadores são ferramentas para o planejamento das políticas públicas e 
para a realização de diagnósticos sociais.
(Paulo de Martino Jannuzzi)
CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IIU N I D A D E64
Quadro 4 - Características dos indicadores
1. Indicadores 
Objetivos
Também chamado de indicador quantitativo. Referem-se a 
ocorrências concretas ou entes empíricos na realidade social, 
construídos a partir de estatísticas públicas (dados) dispo-
níveis. (Taxa de mortalidade infantil, deslocamento para o 
trabalho...).
2. Indicadores 
Subjetivos
Também chamados de indicadores qualitativos. São medidas 
construídas a partir da avaliação de indivíduos ou de espe-
cialistas em relação a determinados aspectos da realidade, 
levantados em pesquisas de opinião pública ou grupos dis-
cussão (ex. Índices de coniança das instituições, performance 
etc.).
3. Indicadores 
Descritivos
Descrevem características e aspectos da realidade empírica 
e não são dotados de signiicados valorativos (ex. taxa de 
mortalidade infantil e evasão escolar).
4. Indicadores 
Normativos
Esses, ao contrário, reletem explicitamente juízos de valor ou 
critérios normativos em relação à dimensão social estuda (ex. 
proporção de pobres, taxa de desemprego).
5. Estatísticas 
Públicas/
dados
Não inteiramente contextualizados em uma teoria social ou 
em uma inalidade programática; só parcialmente preparado 
na interpretação empírica da realidade.
6. Indicadores 
Sociais/ 
informação 
Dado dotado de um valor social substantivo, usado para 
substituir, quantiicar ou operacionalizar um conceito social 
abstrato, de interesse teórico ou programático. É um dado tra-
tado para certa inalidade explicita e contextualizada.
7. Indicador 
Simples 
Construído a partir de uma estatística social8. Indicador 
Composto
Também chamados de indicadores sintéticos ou índices 
sociais; são construídos a partir de dois ou mais indicadores 
simples, referidos a uma mesma ou a diferentes dimensões da 
realidade social. Ou em outras palavras, representa a relação 
entre duas ou mais variáveis (ex. IDH).
9. Indicador 
Absoluto
Envolvem quantidades absolutas, contagens.
10. Indicador 
Relativo
Envolvem proporções, taxas, índices, percentuais.
Fonte: adaptado de Jannuzzi (2009). 
Indicadores; Indicadores Sociais e Suas Propriedades
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
65
Esses dados devem ter certas propriedades para serem trabalhados sem risco de 
problemas na formulação da informação, dentre esses destacamos no Quadro 5, 
a seguir como eles devem estar organizados:
Quadro 5 - Propriedades dos indicadores
1. Validade do cons-
truto: 
Relete o grau de proximidade entre o conceito e a 
medida, ou seja, a sua capacidade de reletir de fato 
um conceito abstrato a que o indicador se propõe a 
“substituir”, a operacionalizar.
2. Coniabilidade: Qualidade do levantamento dos dados no seu compu-
to: instituições, metodologia, proissionais.
3. Grau de cobertura: Tem a ver com a abrangência populacional e espacial 
do levantamento.
4. Sensibilidade: Tem a ver com a capacidade de o indicador reletir 
as mudanças na realidade. Está, portanto, ligado à 
coniabilidade.
5. Especiicidade: Capacidade de reletir alterações estritamente ligadas 
às mudanças relacionadas às mudanças sociais de 
interesse.
6. Reprodutível: Transparência metodológica na construção do indica-
dor.
7. Comunicável: Pode ser compreendido pelo público.
8. Atualizável: Possibilidade de atualizar com certa frequência o 
indicador.
9. Custos factíveis: envolve a possibilidade (técnica e política) de sua 
produção.
10. Desagregabilidade: Unidades espaciais que podemos agregar/desagregar 
aos dados (País, Grande Região, Estado, Mesorregiões, 
municípios, distritos, setores censitários, endereços).
11. Historicidade/ 
periodicidade:
Disponibilidade de séries históricas para fazer compa-
rações intertemporais. De quanto em quanto tempo o 
indicador é produzido?
Fonte: adaptado de Jannuzzi (2009).
CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IIU N I D A D E66
ELABORAÇÃO DE INDICADOR
Para a construção de indicadores é imprescindível a apropriação da linguagem 
especíica para encontrar as informações necessárias a partir dos dados disponí-
veis pelas diversas agências oiciais e mesmo os relatórios técnicos que a própria 
política produz. Assim, é importante dominar elementos como os apontados no 
quadro 6, a seguir:
Quadro 6 - Para construção de indicadores
1. Dado absoluto: Relete o grau de proximidade entre o conceito e a 
medida, ou seja, a sua capacidade de reletir de fato 
um conceito abstrato a que o indicador se propõe a 
“substituir”, a operacionalizar.
2. Média Aritmética 
Simples: 
Qualidade do levantamento dos dados no seu com-
puto: instituições, metodologia, proissionais.
3. Razão: Tem a ver com a abrangência populacional e espacial 
do levantamento.
4. Proporção: Tem a ver com a capacidade de o indicador reletir 
as mudanças na realidade. Está, portanto, ligado à 
coniabilidade.
5. Taxa: Capacidade de reletir alterações estritamente ligadas 
às mudanças relacionadas às mudanças sociais de 
interesse.
6. Incidência: Transparência metodológica na construção do indi-
cador.
7. Prevalência: Pode ser compreendido pelo público.
8. Historicidade/ 
periodicidade:
Disponibilidade de séries históricas para fazer 
comparações intertemporais. De quanto em quanto 
tempo o indicador é produzido?
Fonte: adaptado de Jannuzzi (2009).
No processo de formulação de uma política pública é indispensável observar os 
indicadores da realidade social, pois eles orientam a análise da situação posta 
em relação às carências e demandas populacionais por serviços públicos, tradu-
zindo em termos quantitativos e de recursos disponíveis para atendimento das 
demandas por meio de programas sugeridos.
Indicadores; Indicadores Sociais e Suas Propriedades
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
67
Os indicadores apontam, indicam, aproximam, traduzem em termos 
operacionais as dimensões sociais de interesse deinidas a partir de es-
colhas teóricas ou políticas realizadas anteriormente. Eles se prestam a 
subsidiar as atividades de planejamento público e a formulação de po-
líticas sociais nas diferentes esferas de governo, possibilitam o monito-
ramento das condições de vida e bem-estar da população por parte do 
poder público e sociedade civil e permitem o aprofundamento da in-
vestigação acadêmica sobre a mudança social e sobre os determinantes 
dos diferentes fenômenos sociais. Proporção de pobres, taxa de analfa-
betismo, rendimento médio do trabalho, taxas de mortalidade infantil, 
taxas de desemprego, índice de Gini, proporção de crianças matricula-
das em escolas são, neste sentido, indicadores sociais, ao traduzir em 
cifras tangíveis e operacionais várias das dimensões relevantes, especí-
icas e dinâmicas da realidade social (JANNUZZI, 2009, p. 22).
É preciso apropriação sobre a elaboração de indicadores. Para tal, é mister conhe-
cer alguns passos que fundamentarão essa construção. No processo de construção 
de um indicador, a primeira etapa está centrada na decisão sobre qual será a 
dimensão ou fenômeno da realidade social que será mensurada. Portanto, nessa 
etapa deine-se o objetivo programático da política pública em tela exemplo: 
melhorar a saúde do município, a educação, a segurança pública, entre outros. 
Esses são objetivos abstratos, e precisam ser materializados para que possa-
mos acompanhar seu processo de implementação e que possibilite a apreensão 
do conteúdo e contexto das políticas públicas e desse modo operacionalizá-lo de 
maneira quantitativa, indicadores usados com responsabilidade e comprometi-
mento possibilitam estabelecer parâmetros para a formulação de políticas públicas. 
Ao deinir como objetivo programático melhorar a saúde da população é 
necessário reletir e deinir quais dados serão utilizados para traduzir o conceito 
abstrato de saúde. Por exemplo: 
 ■ Anos de vida da população. 
 ■ Número de nascidos vivos. 
 ■ Número de leitos na cidade. 
 ■ Número de médicos. 
 ■ Número de estabelecimentos de saúde. 
 ■ Número de internações por doença relacionadas ao saneamento básico. 
CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IIU N I D A D E68
Com esses elementos é possível estabelecer o que determinado grupo deine 
como saúde e consequentemente pensar as ações para atender as necessidades 
da população em consonância com o conceito estabelecido.
Para formular os conceitos, os agentes e técnicos podem trabalhar com dados 
públicos e administrativos que os programas governamentais e os cadastros oi-
ciais geram e que podem ser acessados pelos serviços para que a partir de sua 
combinação (taxas, proporções, índices ou mesmo em valores absolutos) pos-
sam ser transformados em indicadores sociais. Usando ainda como exemplo a 
Saúde, teríamos os indicadores a seguir: 
 ■ Esperança de vida ao nascer.
 ■ Taxa de mortalidade infantil.
 ■ Número de leitos por mil habitantes.
 ■ Número de empregos médicos por mil habitantes.
 ■ Número de estabelecimentos de saúde por mil habitantes.
 ■ Número de internações por doenças relacionadas ao saneamento.
Usar essesindicadores ajuda a fazer comparações intertemporais (sem con-
litos de leis no tempo) e avaliar melhor o volume e a qualidade dos serviços. 
Possibilitando assim, a aplicação adequada dos recursos, a partir da instrumen-
talização dos gestores para que visualizem os setores/políticas em que devem ser 
aplicados os recursos de forma que contemple os anseios da população.
Os indicadores devem ser integrados em uma base de dados objetiva, coni-
ável e consistente para que possam subsidiar a gestão por meio de um sistema de 
informação. Sua dimensão deve contemplar uma visão macro de um contexto.
Indicadores; Indicadores Sociais e Suas Propriedades
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
69
Indicadores Sociais
Olhando para a História podemos dizer que os indicadores sociais são um pro-
duto do século XX, com estreita relação com o Estado de Bem Estar Social e o 
planejamento da coisa pública. David Émile Durkheim (1858-1917) em seus 
estudos pontuou que os indicadores sociais têm o objetivo de acompanhar as 
transformações sociais, mensurando os impactos causados pelas políticas sociais 
nas sociedades desenvolvidas e subdesenvolvidas (JANNUZZI, 2009).
Januzzi (2009) aponta em sua produção que é preciso que técnicos, gestores 
e agentes públicos que atuam junto as politicas públicas, tenham clareza de seu 
papel no processo de formulação de politicas públicas, e que conheçam a demanda 
social presente nas relações sociais, pois as mesmas afetam de modo signiicativo 
o desenvolvimento econômico e mesmo socioambiental contribuindo na for-
mulação de Indicadores Socioeconômicos. A pobreza e o desemprego impactam 
na vida das pessoas, portanto é indispensável compreender o debate em torno 
da questão social, que exige a formulação de politicas públicas que deem res-
postas as demandas sociais. Quando uma política pública está em processo de 
Indicadores sociais usados de forma responsável e transparente podem es-
tabelecer parâmetros das políticas governamentais, dos programas públi-
cos e dos projetos de ação social.
(Paulo de Martino Jannuzzi)
CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IIU N I D A D E70
elaboração, é fundamental que os indicadores da realidade social sejam obser-
vados. Eles possibilitam analisar o grau das carências e demandas populacionais 
por serviços públicos, traduzindo quantitativamente a dotação dos recursos exis-
tentes e dos recursos exigidos pelas diferentes opções de programas sugeridos. 
Neste processo, de acordo com Januzzi (2009) o uso de indicadores sociais pos-
sibilita a materialização de conceitos abstratos permitindo a aproximação com 
a realidade com a qual se pretende trabalhar.
Como a realidade está em movimento e tem diferentes faces, não há ape-
nas uma forma de captá-la e ou representá-la de modo simples. Assim um único 
indicador não poderá dimensionar todo o contexto. Portanto, para um diagnós-
tico consistente, há necessidade da construção de um conjunto de indicadores 
sociais que trabalhem com diferentes aspectos da realidade social em pauta 
(JANUZZI, 2009). 
Diagnóstico
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
71
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico enquanto análise interpretativa possibilita a leitura de uma deter-
minada realidade social auxiliando o município/estado/união a conhecer mais 
detidamente as necessidades e demandas dos cidadãos de forma particularizada 
no território. O diagnóstico deve ser retratar a realidade com dados concretos de 
modo tal que possibilite aos agentes sociais pautaram-se em suas informações 
para elaboração das políticas públicas que atendam às necessidades dos cidadãos.
O diagnóstico é uma das partes do ciclo de políticas públicas e consiste em 
analisar a realidade socioeconômica do município, elencando os principais 
problemas a serem resolvidos e deinindo o tamanho da oferta e demanda 
de serviços sociais. É uma ferramenta usada para compreender uma realida-
de social, classiicando as necessidades e os principais problemas de uma 
sociedade.
Fonte: adaptado de Brasil (2008, on-line)2.
CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IIU N I D A D E72
Os diagnósticos devem contemplar informações que versem sobre as caracterís-
ticas, potencialidades, fragilidades acerca do público alvo a ser atendido por sua 
análise, bem como sobre as condições socioambientais e do controle de recur-
sos disponíveis para a formulação de políticas públicas que atendam a demanda 
apresentada. Podemos observar no quadro a seguir que o diagnóstico deve con-
templar diferentes etapas para sua concretização que perpassam desde a análise 
do público alvo com detalhamento populacional até a participação social que 
busca a consolidação da justiça social.
Quadro 7 - Tópicos para Diagnóstico
Análise do público-
-alvo a atender
• Tendências do crescimento demográico.
• Perspectivas de crescimento futuro da população e do 
público atendido.
• Características educacionais, habitacionais e da saúde 
da população.
• Condição de atividade da força de trabalho, ocupação e 
rendimentos.
• Beneiciários de outros programas sociais.
Análise do contexto 
econômico regional
• Tendências do desenvolvimento regional (indústria, 
comércio, agropecuária).
• Perspectivas de investimento público e privado.
• Infraestrutura viária, transporte e comunicações.
• Estrutura do emprego e ocupações mais e menos dinâ-
micas.
Análise dos condicio-
nantes ambientais
• Identiicação de áreas de proteção e restrições.
• Passivos e agravos ambientais.
• Oportunidades de exploração do turismo e desenvolvi-
mento sustentável.
Análise da Capa-
cidade de Gestão 
Local
• Estrutura administrativa já instalada.
• Quantidade e características do pessoal técnico envolvi-
do ou disponível.
• Experiência anterior na gestão de programas.
Análise da Partici-
pação Social
• Comissões de participação popular/social existentes.
• Histórico/cultura de participação.
Fonte: BRASIL (2008, p. 3)2.
Diagnóstico
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
73
O diagnóstico tem a função de organizar os dados relativos a realidade com a 
qual se está trabalhando, pois desse modo eles podem se tornar informações 
adequadas para a implementação das políticas públicas.
Para ser útil, o diagnóstico deve consistir em um estudo da situação de 
uma determinada população e sua região, com textos descritivos ou 
analíticos, tabelas de dados, cartogramas e, especialmente, indicado-
res especíicos sobre os vários aspectos da realidade local e regional. 
Bons diagnósticos socioeconômicos empregam, com maior ou menor 
abrangência, informações e dados da economia local, além de informa-
ções de saúde, de educação, de mercado de trabalho, de habitação, de 
infraestrutura urbana, de renda e desigualdade (BRASIL, 2013, p. 75)3.
Além de articular todos os elementos próprios de sua constituição, o diagnóstico 
deve ainda considerar as particularidades do território, pois ele tem inluência 
direta e indireta sobre os dados levantados. Isso porque o território não pode ser 
pensado apenas como limite físico, e sim, como algo vivo e dinâmico. Portanto, 
as diferenças, desigualdades e heterogeneidades socioterritoriais devem ser con-
sideradas no processo de formulação das estratégias com vistas à proteção sociale à defesa de direitos. 
O território é mais que a paisagem física, ou o perímetro que delimita uma 
comunidade, bairro ou cidade. O Território é o espaço recheado pelas rela-
ções sociais passadas ou presentes, a forma especíica de apropriação e inte-
ração com o ambiente físico, as ofertas e as ausências de políticas públicas, 
as relações políticas e econômicas que o perpassam, os conlitos e os laços 
de solidariedade nele existentes. Isso signiica dizer que, em grande medida, 
as potencialidades ou vulnerabilidades de uma família ou indivíduo são, em 
larga medida, determinadas pelo território no qual ela está inserida.
Fonte: Santos e Silveira (2006).
CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IIU N I D A D E74
De acordo com Santos e Silveira (2006) o território deve ser trabalhado e pen-
sado a partir das expressões e experiências dos indivíduos, sua mobilidade e 
condições de renovação de acordo com as necessidades de cada cidadão. Logo, 
no processo de elaboração do diagnóstico esses elementos precisam ser respei-
tados para que a essência das relações sociais não se perca.
Trabalhar o território de acordo com Santos e Silveira (2006) é responsabi-
lidade da rede de serviços sociassistenciais e do poder público, pois com ações 
alinhadas estes podem assegurar que o vínculos que se formam entre as equi-
pes no território possibilitem condições para o enfrentamento e a superação dos 
problemas que apresentam necessidade de intervenção com respeito as caracte-
rísticas e especiicidades que cada território apresenta. 
Assim, é fundamental o respeito em relação a cada lugar, cada território, pois 
há diferentes características e dinâmicas, bem como as necessidades próprias que 
os tornam únicos. Portanto, os diagnósticos devem ser personalizados, ou seja, 
elaborados para ler as especiicidades daquele lugar e assim mais eiciente para 
atender às necessidades apontadas em cada território. 
O diagnóstico deve ir além de conter dados estatísticos, primários e/ou 
secundários, ele deve considerar os fenômenos que não podem ser expressos 
matematicamente. Ou seja, as percepções sobre o território, que são importantes 
para elaborar as Políticas Públicas. Com o objetivo de elaborar políticas públi-
cas, o diagnóstico exige: conceituação do problema em foco e a Mensuração do 
conteúdo mapeado (JANNUZZI, 2009). A construção de um sistema de indi-
cadores pode responder a um determinado aspecto da realidade com elementos 
necessários à composição de uma informação sobre um aspecto da realidade. 
Diagnóstico
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
75
Portanto, para formularmos indicadores que respondam o mais precisamente 
possível às necessidades apresentadas devemos utilizar todas as ferramentas que 
já dispomos para começar a entender as subjetividades em relação às demandas: 
RMA (relatório mensal de atendimento), Prontuário, Estudos Sociais, Cotidiano 
dos proissionais e das equipes na Assistência Social e na relação com outras polí-
ticas, bem como a história de vida dos lugares. E também nos utilizarmos das 
grandes ferramentas que podem contribuir com dados coniáveis para o pro-
cesso de formulação de indicadores.
Embora os indicadores facilitem a vida do gestor, é fundamental tam-
bém que o diagnóstico social não se restrinja ao levantamento de dados 
e indicadores quantitativos, abrangendo a captação de elementos quali-
tativos que expressem aspectos culturais, valores, expectativas e outros 
traços da população residente no território (BRASIL, 2016, p. 95)3.
Nem tudo se pode medir
É preciso incorporar abordagens qualitativas e construções coletivas do 
conhecimento, uma vez que nem tudo pode ser expresso em números. Vi-
são dos Beneiciários, cadastrados e representantes da comunidade local 
na construção de diagnósticos participativos. Estratégias assim podem ser 
muito úteis para estabelecer prioridades de ação.
Fonte: as autoras. 
CONTROLE SOCIAL: DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IIU N I D A D E76
Não podemos perder de vista o fato de que os indicadores devem traduzir além 
dos dados quantitativos e mensuráveis, os dados que nos permitem observar os 
aspectos qualitativos que são expressos no território, assegurando assim, que no 
processo de formulação das políticas públicas, o capital sociocultural acumulado 
será respeitado e considerado na formulação dos serviços, programas e projetos 
que atenderão à demanda levantada. 
Os indicadores são expressos em números, médias, razões, proporções, ta-
xas, incidência ou prevalência. Cada um tem uma lógica própria de cons-
trução. Exemplo: taxa de mortalidade infantil (por mil nascidos vivos), in-
cidência de novos casos de tuberculose em 2012, razão entre o número de 
mulheres e homens beneiciários do Bolsa Família.
Fonte: Brasil (2010, p. 86)3.
Considerações Finais
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
77
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Prezado(a) aluno(a), nesta unidade do livro você pôde ter contato com temas que 
o auxiliarão na construção e aprofundamento do conhecimento sobre o controle 
social, ferramentas disponíveis para sua efetivação e elementos que compõem 
estas ferramentas, como futuros proissionais do serviço social, é indispensá-
vel compreender o signiicado desses elementos, a forma de acessá-los e como 
transformá-los em informações. Ainal, dentre os papéis desempenhados pelo 
proissional do serviço social, atuar na gestão, reletindo e apoiando a construção 
das ações faz parte de suas atribuições. No entanto, para trabalhar com a ges-
tão o proissional deve conhecer as diferentes fontes e formas de acessar dados 
concretos sobre a realidade em tela, pois deste modo, ele terá uma visão mais 
abrangente do tema em debate.
Sem esses dados não há possibilidade de contribuir na formulação das polí-
ticas públicas com ações que deem conta de atender as demandas oriundas da 
sociedade. Portanto, aqui tivemos o cuidado de apresentar para vocês o conceito 
e diferenças entre dados, que sem a qualiicação podem ter inúmeros signiicados 
ou nenhum. A informação que é um dado organizado que permite a interpre-
tação de algo e o conhecimento que é a informação organizada e articulada que 
permite a compreensão de um evento.
Concomitante a essa discussão apresentamos também os indicadores e indi-
cadores sociais que apresentam parâmetros para transformar conceitos abstratos 
em conceitos poupáveis, concretos, o que possibilita a construção do planejamento 
nas políticas públicas. Os indicadores apontam, indicam caminhos e proporcio-
nam a tradução das dimensões sociais que precisam ser pensadas para que as 
políticas públicas possam atender as demandas da sociedade.
Você pôde também reletir sobre o papel e a importância do diagnóstico 
no processo de formulação das políticas públicas, uma vez que, tem a função 
de organizar os dados acerca do tema pesquisado, subsidiando a construção de 
informações sobre determinada realidade, que permitirá a implementação de 
ações adequadas às necessidades daquele determinado grupo social. 
78 
1. Os dados compõem a informação que nos leva ao conhecimento. Na formulação 
das politicas públicas utilizamos dados primários e secundários para acessar o 
conhecimento. Partindo dessa airmação, explique o que são dados secun-
dários e onde encontrá-los.
2. Quando falamos em informação temos clareza que é preciso acessar dados con-
iáveis paraque ela seja um retrato concreto da realidade. Assim, aponte os 
itens que devem compor a informação e cite três exemplos de onde pode-
mos retirar tais elementos:
3. De acordo com Januzzi (2009) os indicadores devem ser utilizados para:
I. Trabalhar somente com conceitos concretos.
II. Diagnosticar, monitorar e avaliar os elementos apresentados pelas deman-
das sociais.
III. Realizar diagnósticos sociais.
IV. Aprofundar a investigação sobre as mudanças sociais.
V. Tratar de problemas que já ocorreram e nunca em questões que ainda estão 
em andamento.
Assinale as alternativas corretas:
a. II, IV e V
b. II, III e IV
c. III, IV e V
d. I e V
e. I, II e IV
4. O Diagnóstico objetiva fazer uma análise interpretativa de determinada realida-
de, para tal é preciso que ele seja pautado em alguns elementos em sua compo-
sição. Assinale V para verdadeiro e F para falso sobre os elementos que compõe 
um diagnóstico.
( ) O diagnóstico trabalha com dados concretos.
( ) O diagnóstico é uma das partes do ciclo de políticas públicas.
( ) O diagnóstico é o último elemento que deve ser pensado no processo de 
formulação das políticas públicas.
( ) O diagnóstico é uma ferramenta usada para compreender uma realidade 
social e classiicar as necessidades e problemas de uma sociedade.
( ) O diagnóstico deve desconsiderar as condições socioambientais e do controle 
de recursos disponíveis.
79 
Assinale a sequência cujas airmativas estão corretas:
a. V, F, V, F, V.
b. V, V, V, F, F.
c. F, F, V, V, V.
d. V, V, F, V, F.
e. F, F, F, V, V.
5. Para a elaboração de um diagnóstico que retrate a realidade é imprescindível 
que o pesquisador considere as especiicidades territoriais. Santos e Silveira 
(2006) apresentam uma abordagem sobre território que tem permeado as po-
líticas públicas, principalmente a política de assistência social nos últimos anos. 
Fale sobre esta concepção de território apresentado pelos autores.
Sabedoria
Conhecimento
Informação
Dados
80 
SABEDORIA X CONHECIMENTO X INFORMAÇÃO X DADOS
Há certa confusão sobre a diferença entre dado, informação, conhecimento e sabedoria.
O dado é um pingo de chuva. Você está andando e sente um pingo, um segundo pingo, 
um terceiro pingo. Aquilo não signiica que é uma chuva, pode ser um ar condicionado, 
pingando num dia de calor. No momento em que você olha para o céu e repara que 
existem nuvens e que começa ver os primeiros raios e sentir mais pingos, complementa 
aquele conjunto de dados e chega a uma informação: vai chover! 
O conhecimento é quando você percebe que com a chuva você vai se molhar, e se você 
se molhar não vai poder chegar ao trabalho todo molhado, podendo até icar resfriado.
A sabedoria é o que vai fazer com tudo isso. Se você vai continuar andando desespe-
radamente no meio da chuva e se molhar todo, ou vai se preservar numa marquise e 
deixar a chuva passar. 
A harmonia entre o dado, a informação, o conhecimento e a sabedoria poderíamos resu-
mir que é a arte de viver. E isso funciona tanto para cada pessoa, para cada grupo, para 
cada empresa e para cada país.
Para uma deinição mais detalhada de cada palavra, separamos algumas deinições de 
autores famosos, para que icasse claro. Em resumo:
Dados:  segundo Le Coadic (2004) dados são uma representação composta de infor-
mação codiicada de uma forma a permitir colocá-las sob processamento eletrônico. Já 
para Turban (2003) os dados são nada mais que a matéria prima da informação. Os da-
dos são descrições de coisas, eventos e atividades os quais sozinhos não conseguem se 
unir e representar algum signiicado. Já Souza(2006) diz que os dados são uma sequên-
cia de símbolos codiicados de tal forma a permitir sua manipulação pelo computador.
De acordo com as 3 opiniões citadas acima, nós podemos resumir dados como sendo 
81 
a matéria prima da informação a qual deve ser representada de forma a permitir sua 
manipulação pelo computador.
Informação: de acordo com Zeman (1970) o termo informação se resume na ideia de 
dar forma e representar uma ideia. Para ele informação são dados contextualizados para 
algum propósito. Já para Shannon informação é algo recebido por um receptor de um 
transmissor em um processo de comunicação. Igualmente Davenport e Prusak concor-
dam com Shannon no que diz respeito a informação ser resultado da comunicação en-
tre um transmissor e um receptor.
Desta forma podemos resumir informação como sendo algo que dá forma a uma de-
terminada ideia e surge como resultado da comunicação entre um receptor e um trans-
missor.
Conhecimento: para Mizzaro conhecimento é a forma como uma pessoa reconhece o 
mundo a sua volta. Rezende por sua vez, resume conhecimento como a habilidade de 
criar um modelo mental que descreva os objetos que estão ao redor do homem. Já para 
Burke, conhecimento é o que foi processado pela mente. Para ele existem vários tipos 
de conhecimento.
– Seguindo os conceitos apresentados acima sobre conhecimento, concluímos que ele 
nada mais é que uma habilidade de cada um de nós em representar os objetos que es-
tão a nossa volta (o mundo em nossa volta).
Sabedoria: pode ser vista como uma extensão do conceito de conhecimento. Na verda-
de, ela é o conhecimento acrescido de ética e valores.
Fonte: Braga et al. (2013, on-line)4.
MATERIAL COMPLEMENTAR
Indicadores Sociais no Brasil
Paulo de Martino Jannuzzi
Ano: 2012
Sinopse: qualquer pessoa que queira compreender 
melhor o debate atual sobre pobreza, distribuição 
de renda, desigualdades sociais, condições de vida 
e desenvolvimento humano precisa entender mais 
profundamente o que são os Indicadores Sociais, como 
são construídos, o que signii cam, para que servem. Tais 
questões são tratadas neste livro, em linguagem simples 
e precisa. Além de se destinar à leitura e à informação 
do público em geral, este livro tem grande utilidade 
em disciplinas de graduação como Metodologia da 
Pesquisa Cientíi ca, Técnicas de Pesquisa em Economia 
e Estatística Aplicada. O livro pode ser útil, ainda, 
como guia de referência, para pesquisadores, analistas 
socioeconômicos e técnicos de planejamento no setor 
público e privado.
REFERÊNCIAS
83
DAVENPORT, T. H.; PRUSAK, L. Conhecimento empresarial: como as organizações 
gerenciam o seu capital intelectual. Rio de Janeiro: Campus, 1998.
JANNUZZI, P. de M. Indicadores para diagnóstico, monitoramento e avaliação de 
programas sociais no Brasil. Revista do Serviço Público, Brasília, v. 56, n. 2, p. 137-
159, 2005.
______. Indicadores socioeconômicos na gestão pública. Florianópolis: UFSC, 
Departamento. 2009.
SANTOS, M.; SILVEIRA, M. L. O Brasil: território e sociedade no início do século 
XXI. Rio de Janeiro: Record, 2006.
VALENTIM, M. L. P. Gestão da informação e do conhecimento no âmbito da Ciên-
cia da Informação. São Paulo: Polis; Cultura Acadêmica, 2008. 
REFERÊNCIAS ON-LINE:
1Em: <http://oicinadeimagens.org.br/wp-content/uploads/2014/01/CARTILHA-SU-
AS.pdf >. Acesso em: 06 fev. 2017. 
2Em: <http://187.4.200.245:81/cogemas/2a.Reuni%C3%A3o_ CALMON%20
14%20DE%20ABRIL%20DE%202015/DIAGN%C3%93STICO%20PARA%20GEST%-
C3%83O%20MUNICIPAL.pdf>. Acesso em: 06 fev. 2017. 
3Em: <https://www.ufrgs.br/cegov/iles/pub_71.pdf >. Acesso em: 06 fev. 2017. 
4Em: <https://mundodalogica.wordpress.com/2013/03/04/sabedoria-x-conheci-
mento-x-informacao-x-dados-2/>. Acesso em: 06 fev. 2017. 
GABARITO
1. Resposta: dados secundários são aqueles produzidos por diferentes setores e 
políticas públicas e que são disponibilizados para acesso público. Eles podem 
ser acessados em diferentes sistemas e sites oiciais nacionais e internacionais, 
como o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário-(MDSA); Instituto Bra-
sileiro de Geograia e Estatística, (IBGE); Instituto Nacional de Seguridade Social 
(INSS); Departamento de Informática do Sistema único da Saúde (DATASUS), 
Universidades entre outros órgãos. 
2. Resposta: a informação para ser crível deve ter relevância e propósito, bem como 
consenso sobreseu signiicado. No entanto, não se pode esquecer que eles ele-
mentos se transformam em informações a partir da mediação humana que os 
organiza dando um sentido. A informação pode estar presente em diferentes 
instrumentos, como boletins escolares, relatórios diversos e textos.
3. Letra C.
4. Letra D.
5. Resposta: para o autor, território é algo vivo e em constante mutação, pois é nele 
que se desenvolvem todas as relações do indivíduo, desde a sua mobilidade até 
o atendimento de suas necessidades. É nesse espaço que se formam os laços 
sociais e afetivos que possibilitam ao indivíduo construir estratégias para a su-
peração dos obstáculos cotidianos.
U
N
ID
A
D
E III
Professora Me. Maria Cristina Gabriel de Oliveira
Professora Esp. Roni Enara Rodrigues
BANCO DE DADOS E 
SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Conhecer os diferentes sistemas de informação.
 ■ Acessar diferentes bancos de dados disponíveis.
 ■ Extrair informações dos bancos de dados.
 ■ Trabalhar com informações extraídas dos bancos de dados.
 ■ Reletir sobre a atuação dos conselhos gestores.
Plano de Estudos
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Acesso aos bancos de dados dos diversos sistemas de informação
 ■ Acesso à informação
 ■ Conselhos Gestores de Políticas Públicas
Introdução
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
87
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a), para a organização de uma pesquisa que dê suporte as toma-
das de decisões nas diferentes instâncias, é indispensável conhecer as fontes e ter 
certeza da sua coniabilidade para que o trabalho seja de qualidade.
Como falamos anteriormente, os dados estão disponíveis na internet e em 
outros lugares e todo cidadão pode acessá-los. No entanto, para formulação de 
políticas públicas é necessária a constatação da coniabilidade do que está dis-
ponível. Para alcançar esse patamar de segurança é fundamental trabalhar com 
dados e informações das agências regulamentadas, que adotam metodologia 
rigorosa para sua coleta e distribuição. 
Portanto, ao acessarmos os sites de tais agências podemos nos tranquilizar 
que seus dados estão o mais próximo possível da realidade pesquisada, que não 
há “maquiagem” das informações para beneiciar essa ou aquela situação.
Trabalharemos também com alguns aspectos da legislação brasileira que tra-
tam do direito de acesso à informação pública. Assim, a publicidade é um dos 
princípios a serem obedecidos pela Administração Pública, conferindo trans-
parência aos dados, atos e fatos públicos.
Você vai compreender a diferença entre transparência ativa e passiva, e conhe-
cer os caminhos para acessar os portais de transparência do Governo Federal e 
dos municípios, bem como portais especíicos das políticas públicas que auxi-
liarão no processo de pesquisas. Mais que isso, você vai entender porque muitos 
órgãos públicos, notadamente em nível municipal, prefeituras e câmaras, não 
disponibilizam as informações como deveriam nos seus portais de transparên-
cia e quais soluções já foram encontradas para resolver isso, especialmente no 
Estado do Paraná. 
 Assim, convido você a nos acompanhar nas próximas páginas revivendo 
informações que já acessou em um determinado momento e conhecendo as pos-
sibilidades de outros acessos em busca do conhecimento. Vamos lá?
BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IIIU N I D A D E88
ACESSO AOS BANCOS DE DADOS AOS DIVERSOS 
SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
Os sistemas e fontes de informações disponíveis são muitos. Dados sobre cada 
política pública podem ser encontrados em diferentes sites e portais. Aqui centra-
mos nos portais mantidos pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário 
(MDSA), pois como futuros proissionais do Serviço Social, os dados ali apre-
sentados são relevantes para nosso conhecimento. Na sequência trabalharemos 
com dados mais gerais de agências nacionais que apresentam possibilidades que 
contribuem com o controle social.
De acordo com a Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação (SAGI) 
produzir informações é muito importante, no entanto não podemos perder de 
vista a forma como ela chega até as pessoas, que podem de uma forma ou de 
outra fazer uso inteligente do que acessaram. Não é a simples apropriação das 
informações, mas sim, a sua consequente transformação em conhecimento, pois 
há complexidade nos diversos sistemas utilizados para acesso as informações. 
No entanto, não é impossível trabalhar com tais elementos, basta nos atentar-
mos para os processos, desenhos e objetivos propostos pelas diferentes agências 
de informação e teremos condições de captar aquilo que responderá as necessi-
dades apresentadas pela população.
Acesso aos Bancos de Dados aos Diversos Sistemas de Informação
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
89
Para que as ações sejam adequadas às necessidades populacionais, é preciso 
observar se os dados levantados correspondem a real demanda daquele deter-
minado segmento social. Isso porque é preciso que haja o cuidado para que os 
serviços ofertados a partir das análises dos dados levantados sejam condizentes 
com o que é esperado para sanar as vulnerabilidades.
Esclarecidos esses pontos vamos visualizar as diferentes agências de informações 
que podemos acessar na área social e demais áreas que contribuem na formula-
ção das ações das políticas públicas.
APRESENTAÇÃO DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO NACIONAIS 
E PRINCIPAIS FERRAMENTAS DE PUBLICAÇÕES DE 
INDICADORES
Com o advento da internet, temos toda uma gama de dados e informações 
disponíveis que podemos acessar rapidamente. Esse fato possibilitou aos prois-
sionais, técnicos, agentes públicos, políticos e ao cidadão comum uma condição 
de acessar informações sobre a realidade de uma maneira que há alguns anos não 
era possível. Em função dessa agilidade e facilidade, reiteramos ao longo deste 
livro a importância de acessar informações coniáveis. Tendo esse cuidado em 
mente é preciso organizar-se para encontrar as informações que procura e saber 
Para trabalhar com os dados não podemos esquecer alguns conceitos como:
DEMANDA: riscos e vulnerabilidades que precisam de atendimento e co-
bertura dois serviços.
OFERTA: os serviços disponibilizados para atender as necessidades dos ci-
dadãos.
Fonte: as autoras.
BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IIIU N I D A D E90
interpretá-las. Mas lembre-se, é necessário saber o que você precisa localizar e 
a fonte onde encontrar os dados e informações para construir o conhecimento. 
No Quadro 1, a seguir, apresentamos os sites mais utilizados na formulação das 
políticas públicas, destacando os assuntos tratados em cada um deles.
Quadro 1 - Sites para busca de dados
SITE ENDEREÇO O QUE ACESSAR/ENCONTRAR
IBGE www.ibge.gov.br
• Síntese de Indicadores Sociais.
• Brasil em Números. 
• Cidades@.
• Estados@. 
• Países@. 
• Peril dos Municípios Brasileiros. 
• Comitê de Estatísticas Sociais.
IPEA www.ipea.gov.br
• IPEADATA.
• Relatório de Acompanhamento dos ODM. 
• Boletim de Conjuntura. 
ANIPES www.anipes.org.br
• Acesso aos sites de mais de 25 institui-
ções subnacionais que compilam dados 
e indicadores sociais e econômicos, além 
de estudos para subsidiar o Planejamento 
Governamental. 
PNUD www.pnud.org.br
• Aplicativo Atlas do Desenvolvimento 
Humano 
• Relatório do Desenvolvimento Humano.
Ministério da 
Jusiça www.mj.gov.br
• Ocorrênciaspoliciais. 
• Efetivo e Gastos em Segurança Pública.
Ministério da 
Saúde
www.datasus.gov.br
• Indicadores e Dados Básicos. 
• Cadernos de Informações Municipais.
• Painel Situacional.
Ministério das 
Cidades
www.cidades.gov.br
• Sistema Nacional de Informações sobre 
Cidades.
Ministério da 
Educação www.inep.gov.br
• Edudata Brasil.
• Sistema de Consulta ao IDEB.
Ministério da 
Previdência
www.previdência.gov.br
• Infologo. 
• Anuário da Previdência Social.
Acesso aos Bancos de Dados aos Diversos Sistemas de Informação
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
91
Ministério do 
Trabalho
www.mte.gov.br
• Peril do Município.
• Acesso on-line à RAIS e CAGED.
Ministério do 
Desenvolvimento 
Social
www.mds.gov.br
• Matriz de Informações Sociais.
• Relatórios de Informações Sociais. 
• Portal Data Social.
• Identiicação de Domicílios Vulneráveis.
• Mapa de Oportunidades e Serviços Públi-
cos. 
• Censo SUAS.
• Tabuladores de microdados.
Fonte: BRASIL (2008, p. 8)1.
O site do Instituto Brasileiro de Geograia e Estatística (IBGE) apresenta muitas 
possibilidades para pesquisa e levantamento de dados. Portanto, não podemos 
desprezar o seu acesso quando das discussões e formulações de políticas públicas. 
Vocês podem questionar que o Censo ocorre com uma rotatividade de dez 
anos e que, portanto, alguns itens poder icar defasados, ou a realidade daquele 
momento pode ter se alterado de modo signiicativo. Porém, o que não podemos 
deixar de perceber, é que ao longo dos 10 anos entre uma pesquisa de Censo e 
outra, são realizadas pesquisas paralelas que atualizam dados móveis. O site do 
IBGE traz todas essas possibilidades nos permitindo acesso a informações de 
último momento.
O primeiro Censo realizado no Brasil foi em 1872.
O último Censo foi realizado em 2010, o próximo ocorrerá em 2020.
Para saber mais sobre dados do Censo, acesse: <http://7a12.ibge.gov.br/so-
bre-o-ibge/o-que-e-censo.html>.
Fonte: Brasil ([2017], on-line)2.
BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IIIU N I D A D E92
Vejamos exemplos de como acessar informações de seu município por meio do 
banco de dados do IBGE. EX: DADOS DEMOGRÁFICOS: CAMINHO PARA 
ACESSO AOS DADOS:
IBGE > População > Censo 2010 > Resultados do Universo 
> Características da População e dos Municípios > Tabelas 
(em formato .xls compactado) > Municípios > Paraná
Acessando cada link desses descritos teremos condições de chegar a informa-
ções mais detalhadas sobre o município escolhido. Faça a experiência! Você vai 
se maravilhar com todas as informações em âmbito macro e micro que pode 
apreender sobre seu município e demais municípios vizinhos.
Outro exemplo de site para buscar dados e informações pormenorizadas sobre 
os municípios no que tange a política social de inclusão, é o site do Ministério do 
Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA). Nesse site podemos acessar muitas 
informações referentes à política pública de assistência social, dados e as ações 
desenvolvidas.
Outro site muito interessante para pesquisa qualiquantitativa é o Atlas 
do Desenvolvimento Humano no Brasil. Ele apresenta dados atualizados de 
cada município do Brasil. Nele encontramos informações sobre o Índice de 
Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e outros 200 indicadores que 
versam desde a demograia, educação, renda, trabalho, habitação, até as vulne-
rabilidades dos municípios brasileiros.
Como futuro proissional do serviço social é indispensável o conhecimento 
sobre os dados quantitativos que reletem a realidade do município traba-
lhado.
Acesso aos Bancos de Dados aos Diversos Sistemas de Informação
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
93
Cada um dos sites listados apresentam possibilidades de acesso a dados no 
âmbito municipal, estadual e ou federal, com os quais a compreensão do cená-
rio social se torna mais palpável, pois é possível visualizar os números e o seu 
signiicado o em cada região, o que auxilia na proposição das ações das políti-
cas públicas. Todos os sites citados estão listados como Material complementar 
Web no inal da unidade. 
Falamos e pensamos em uma organização da sociedade com transparência, inclu-
são e justiça social. Portanto o conhecimento acerca da realidade é elemento 
imprescindível, pois assegura aos gestores, agentes públicos e população de uma 
forma geral trabalhar com uma realidade concreta que pode sofrer interferên-
cia em sua organização. 
Por que é importante acessar dados em sites oiciais?
Por que é importante obter informações idedignas?
BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IIIU N I D A D E94
ACESSO À INFORMAÇÃO
Importante registrar que, pela legislação brasileira, tudo que é público deve 
estar publicado na internet e disponível a qualquer cidadão, salvo raras exceções 
que a Lei de Acesso à Informação (LAI) prevê – (Lei 12.527, de 18 de novem-
bro de 2011). Então vamos conhecer um pouco sobre a legislação, consultando 
a Cartilha “Acesso à Informação”, publicada pela CGU – Controladoria-Geral 
da União, em 2011:
Com a aprovação da Lei 12.527 de 18 de novembro de 2011, a Lei de 
Acesso à Informação, o Brasil dá mais um importante passo para a con-
solidação do seu regime democrático, ampliando a participação cidadã 
e fortalecendo os instrumentos de controle da gestão pública. 
Ao regulamentar o artigo 5º, inciso XXXIII da Constituição Federal, o 
Brasil, além de garantir ao cidadão o exercício do seu direito de acesso à 
informação, cumpre, também, o compromisso assumido pelo país ante 
a comunidade internacional em vários tratados e convenções. [...].
A Lei 12.527 representa uma mudança de paradigma em matéria de 
transparência pública, pois estabelece que o acesso é a regra e o sigilo, a 
exceção. Qualquer cidadão poderá solicitar acesso às informações pú-
blicas, ou seja, àquelas não classiicadas como sigilosas, conforme pro-
cedimento que observará as regras, prazos, instrumentos de controle e 
recursos previstos (CGU, 2012, p. 4, on-line)3.
Acesso à Informação
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
95
Especialmente aos proissionais do Serviço Social cabe conhecer e fazer uso da 
LAI para o desenvolvimento do seu trabalho em relação às políticas públicas e 
junto aos conselhos gestores. A LAI tornou-se uma importante ferramenta para 
o cidadão buscar todas as informações de que precisa para garantia dos direi-
tos e para o exercício do controle social sobre a administração pública, uma vez 
que o acesso às informações sob a guarda de órgãos e entidades públicas é um 
direito fundamental do cidadão.
Reconhecido como um direito humano fundamental, o acesso à infor-
mação pública está inscrito em diversas convenções e tratados interna-
cionais assinados pelo Brasil. Ao contemplá-lo, o País integra-se, ainda, 
a um amplo grupo de nações que reconhece ser a informação sob a 
guarda do Estado um bem público. Preceito que, como mostra a expe-
riência internacional, favorece a boa gestão e, fundamentalmente, for-
talece os sistemas democráticos, resultando em ganhos para todos. [...]
O cidadão bem informado tem melhores condições de conhecer e aces-
sar outros direitos essenciais, como saúde, educação e benefícios so-
ciais (CGU, 2012, p. 8)3.
A publicidade é um dos principais pontos a serem obedecidos pela AdministraçãoPública, ao lado dos de legalidade, impessoalidade, moralidade e eiciência. A 
Lei 12.527 determina que todos os órgãos e entidades públicas devem divulgar 
informações de interesse coletivo, com exceção das poucas cuja conidenciali-
dade esteja prevista, como o sigilo em caso de segurança nacional. O acesso às 
informações deverá ser feito por meio de todos os meios disponíveis e, obriga-
toriamente, em sites da internet.
A transparência pode ser classiicada em ATIVA: quando a Administração 
Pública divulga informações à sociedade por iniciativa própria, de forma espon-
tânea, independentemente de qualquer solicitação. E transparência PASSIVA: 
quando a Administração Pública divulga informações sob demanda em atendi-
mento às solicitações da sociedade.
Dessa maneira, toda vez que um cidadão não encontrar a informação que 
procura disponível e acessível “ativamente” oferecida pelo órgão público, pode 
proceder ao “pedido de informação”. Veja o Quadro 2, a seguir: 
BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IIIU N I D A D E96
Quadro 2 - Diferença entre Ativa e Passiva
TRANSPARÊNCIA ATIVA
PUBLICAÇÃO DE ROTINA
TRANSPARÊNCIA PASSIVA
PEDIDO DE INFORMAÇÃO
A divulgação de informações está 
estabelecida a partir de critérios mí-
nimos. Todo órgão deve, pelo menos, 
disponibilizar automaticamente, por 
todos os meios legítimos que dispuser, 
suas competências, organograma e 
contatos, sua movimentação inancei-
ra e despesas, informações sobre pro-
cedimentos licitatórios, dados gerais 
para acompanhamento de políticas e 
obras públicas e respostas a perguntas 
frequentes da sociedade. 
Todo órgão público deve manter uma 
página eletrônica na internet em que, 
anualmente, disponibilizará a lista 
de documentos que deixaram de ser 
sigilosos, a lista de documentos que 
são sigilosos e um relatório estatístico 
sobre pedidos de informação recebi-
dos, atendidos e indeferidos.
Os pedidos devem ser encaminhados 
ao serviço de informação do órgão 
público, inclusive pela internet. Eles 
devem identiicar o requerente, mas 
sem exigências que inviabilizem a solici-
tação, e não se pode exigir justiicativas 
para solicitar informações de interesse 
público. 
Uma vez recebido um pedido de infor-
mação, o Poder Público deve autorizar 
ou conceder acesso imediato à informa-
ção. Não sendo possível acesso imedia-
to, em até 20 dias o órgão deve respon-
der o requerente apresentando:   
• Data, local e modo para se realizar o 
acesso.   
• Razões para se recusar o acesso pre-
tendido, informando sobre os procedi-
mentos de recurso.   
• Comunicado de que não possui a 
informação ou que encaminhou o 
pedido ao órgão que realmente detém 
a informação.   
• Justiicativa para prorrogar o pedido 
por mais 10 dias.
Fonte: adaptado de Artigo 19 ([2017], on-line)4.
 PORTAIS DE TRANSPARÊNCIA
Uma vez que já abordamos a importância da Lei de Acesso à Informação e sobre 
o direito fundamental do cidadão de acesso às informações públicas, é impor-
tante indagar: agora, onde e como vamos encontrá-las? 
Para responder à pergunta, é preciso antes conhecer a Lei da Transparência. 
Sim, tem mais uma Lei especíica sobre o assunto. Trata-se da Lei Complementar 
Acesso à Informação
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
97
nº 131, de 27 de maio de 2009, que alterou a redação da Lei de Responsabilidade 
Fiscal (Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000) no que se refere à trans-
parência da gestão iscal, trazendo inovações ao determinar a disponibilização, 
em tempo real, de informações pormenorizadas sobre a execução orçamentá-
ria e inanceira da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Conforme determina a Lei, todos os entes públicos deverão divulgar:
 ■ Quanto à despesa: todos os atos praticados pelas unidades gestoras no 
decorrer da execução da despesa, no momento de sua realização, com a 
disponibilização mínima dos dados referentes ao número do correspon-
dente processo, ao bem fornecido ou ao serviço prestado, à pessoa física 
ou jurídica beneiciária do pagamento e, quando for o caso, ao procedi-
mento licitatório realizado; 
 ■ Quanto à receita: o lançamento e o recebimento de toda a receita das uni-
dades gestoras, inclusive referente a recursos extraordinários (BRASIL, 
2009, on-line).
Pois bem, sabemos que existe a Lei da Transparência que exige dos órgãos públi-
cos a divulgação dos dados contábeis e a LAI que determina a publicação de 
todos os atos, dados e serviços públicos. Então, nos resta saber como usar esses 
dados para o trabalho proissional ou de controle social.
Agora essa é outra questão. Todos os portais de transparência dos órgãos 
públicos são iguais? Eles seguem um padrão? Todas as informações que preci-
samos encontram-se disponíveis no mesmo lugar ou no mesmo formato?! A 
resposta é NÃO para todas as perguntas. Com um agravante: apesar da legisla-
ção especíica já ter mais de cinco anos, muitas administrações públicas não a 
cumprem, especialmente as prefeituras e câmaras municipais.
BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IIIU N I D A D E98
Figura 1 - Logo da Cartilha Entendendo a Lei Geral de Acesso à Informação
Fonte: Artigo 19 (2016, on-line)4.
Como cada órgão público tem um modelo próprio de portal e nem sempre res-
peita o direito fundamental à informação e não fornece total transparência dos 
seus atos, precisamos aprender a pesquisar cada um daqueles que temos inte-
resse ou necessidade. E, não encontrando o que procuramos, usar da prerrogativa 
legal do “pedido de acesso à informação”, do qual já falamos.
Resta-nos aqui, então, falar do Portal de Transparência do Governo Federal, 
administrado pelo Ministério de Transparência, Fiscalização e Controladoria-
Geral da União (CGU). Neste portal podemos encontrar:
Quadro 3 - Informações do Portal da Transparência
Informações sobre TRANSFERÊNCIAS de recursos federais para estados, municí-
pios, ao exterior, pessoas jurídicas, pessoas físicas.
Informações sobre GASTOS DIRETOS do Governo Federal, contratação de obras 
e compras governamentais, por órgão, despesas por ação governamental, por 
favorecidos (empresas privadas ou pessoas físicas), diárias pagas, cartões de 
pagamento do Governo Federal. 
Informações sobre RECEITAS, as previstas e as realizadas pelo Governo Federal, 
por órgão e por categoria das receitas. 
Informações sobre CONVÊNIOS.
Informações sobre a lista de EMPRESAS SANCIONADAS (inidôneas, impedidas 
de contratar com o poder público federal). 
Informações sobre cargo, função e situação funcional dos SERVIDORES E AGEN-
TES PÚBLICOS do Poder Executivo Federal.
Fonte: Brasil (2010, on-line)5.
Acesso à Informação
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
99
No mesmo portal podemos encontrar, também, informações para incremento 
do controle social, como:
 ■ Informações sobre Transparência no Governo: lista com os órgãos e enti-
dades do Governo Federal que possuem páginas de transparência pública 
próprias.
 ■ Informações sobre Participação e Controle Social.
 ■ Rede de Transparência: informações sobre projetos e ações no âmbito do 
Poder Executivo Federal, que são divulgados pelos órgãos em suas res-
pectivas páginas eletrônicas. 
 ■ Informações sobre o Portal: origem dos dados, notícias, Fale Conosco, 
Perguntas Frequentes, Glossário e Links (BRASIL, 2010, on-line)5.
A igura a seguir ilustra o que acabamos de relacionar e chamamos a atenção 
para o fato do portalrepresentado na imagem já ter recebido prêmios internacio-
nais, por ser bastante completo e acessível. Em razão do tutorial ser igualmente 
completo e prático, não faremos a sua reprodução e propomos que você faça 
sua pesquisa e conheça todos os caminhos para acessar as informações sobre 
os dados das contas do Governo Federal e dos repasses aos governos estaduais 
e municipais.
BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IIIU N I D A D E100
Figura 2 - Manual Portal da Transparência
Fonte: Brasil (2010, on-line)5.
Como você pode constatar, a pesquisa por meio do Portal de Transparência 
do Governo Federal não é difícil e você pode conhecer todos os recursos 
repassados ao seu município, contribuindo para seu estágio ou trabalho 
proissional.
Acesse, conheça, pesquise, seja um expert no Portal de Transparência e in-
centive colegas, cidadãos, conselheiros, usuários, acessando o site:
<http://www.portaltransparencia.gov.br/faleConosco/perguntas-tema-
-transparencia-lei-complementar>. 
Fonte: as autoras. 
Acesso à Informação
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
101
Se a transparência não é assunto novo no País e existem diferentes leis e 
políticas contemplam, como a própria Constituição de 1988, a Lei de Res-
ponsabilidade Fiscal, a Lei do Processo Administrativo, a Lei do Habeas Data, 
a Lei de Arquivos e a LAI, que governos divulguem dados orçamentários e 
inanceiros, bem como atos administrativos, perguntamos:
Se leis não faltam, por que a transparência é algo raro no setor público?
Quais seriam as razões do descumprimento da legislação?!
O que pode o cidadão fazer para mudar essa situação?
Não ique triste, o assunto ainda não acabou... Existe um projeto conhecido 
como “Transparência nos Municípios” que tende a informar sobre os mu-
nicípios do Paraná para serem pesquisados no Portal da Transparência dos 
Municípios, lançado pelo Ministério Público Estadual para dar suporte as 
prefeituras, câmaras e demais órgãos públicos de todo o estado na adequa-
ção às Leis de Transparência e Acesso à Informação. 
Transparência nos Municípios: zelar pela transparência da gestão pública 
municipal é o objetivo do projeto institucional “TRANSPARÊNCIA NOS MU-
NICÍPIOS”, que incentiva a implantação e aperfeiçoamento de portais dos 
entes municipais do Estado do Paraná para tornar públicos dados necessá-
rios ao efetivo exercício da transparência governamental.
Fonte: Ministério Público do Paraná (2016, on-line)6.
BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IIIU N I D A D E102
Como muitas prefeituras e câmaras, especialmente de cidades pequenas, alega-
vam não ter recursos inanceiros para construção do website e disponibilização 
das informações da transparência ATIVA, o Ministério Público do Paraná 
(MPPR) desenvolveu parceria com a Companhia de Tecnologia da Informação 
e Comunicação do Paraná (Celepar) para construção de uma ferramenta eletrô-
nica que “permite a utilização de um modelo gratuito e adequado aos municípios 
que não têm portal de transparência ou que possuem sistemas que não aten-
dem aos requisitos legais”. Como descrito na matéria postada no site do MPPR:
Além da economia dos recursos públicos com o desenvolvimento de 
sites próprios, a solução garante que a população tenha acesso às infor-
mações da administração pública, no menor período de tempo possí-
vel, e evita ainda que as prefeituras tenham que responder, na Justiça, 
pelo desrespeito às leis que tratam do tema (MPPR, 2014, on-line)7.
Em cumprimento ao projeto Transparência nos Municípios, sob a coordenação 
do Procurador de Justiça Dr. Bruno Galatti, o MPPR mobilizou todos os pro-
motores públicos nos municípios para realizarem a avaliação dos portais das 
prefeituras e câmaras municipais, mediante um cheklist de procedimentos. A 
partir do cheklist, oiciou aos gestores públicos sobre as irregularidades encon-
tradas e procedeu aos Termos de Ajuste de Conduta (TACs), mantendo também 
um portal de informações em que qualquer cidadão pode acompanhar a situa-
ção do seu município.
Acerca dos dados públicos e informações das prefeituras e câmaras das cida-
des do seu Estado, você também pode pesquisar nos sites dos Tribunais de Contas 
Estaduais (TCEs). Infelizmente, nem todos publicam os dados disponíveis sobre 
as receitas e despesas, licitações, contratos e obras como o fazem os TCEs do Rio 
Grande do Sul, de Minas Gerais, de São Paulo e do Ceará. 
Para este tópico, entendemos ter cumprido nosso propósito de despertar o 
interesse pelos dados públicos, dar a conhecer alguns caminhos para pesquisa 
e estimular a utilização das informações públicas para tornar mais eicaz o tra-
balho dos acadêmicos de Serviço Social na disciplina de Estágio e, depois, na 
sua vida proissional.
Conselhos Gestores de Políticas Públicas
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
103
CONSELHOS GESTORES DE POLÍTICAS PÚBLICAS
Para que você entenda melhor tudo que envolve a atuação dos Conselhos Gestores 
de Políticas Públicas, apresentamos o assunto em dois momentos: concepções e 
legalidade e a realidade dos conselhos.
CONCEPÇÕES E LEGALIDADE
Não podemos dar por concluído nosso trabalho nesta Unidade sem antes falar 
dos Conselhos Gestores de Políticas Públicas, especialmente aqueles que atuam 
em nível municipal.
Iniciamos a apresentação do tema com um texto da publicação da CGU: 
Controle Social, da série “Olho Vivo no Dinheiro Público”, publicada em 2012:
[...] os conselhos são instâncias de exercício da cidadania, que 
abrem espaço para a participação popular na gestão pública. 
Nesse sentido, os conselhos podem ser classiicados conforme as 
funções que exercem. Assim, os conselhos podem desempenhar, 
conforme o caso, funções de iscalização, de mobilização, de de-
liberação ou de consultoria. 
BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IIIU N I D A D E104
A função iscalizadora dos conselhos pressupõe o acompanha-
mento e o controle dos atos praticados pelos governantes. 
A função mobilizadora refere-se ao estímulo à participação po-
pular na gestão pública e às contribuições para a formulação e 
disseminação de estratégias de informação para a sociedade so-
bre as políticas públicas. 
A função deliberativa, por sua vez, refere-se à prerrogativa dos 
conselhos de decidir sobre as estratégias utilizadas nas políticas 
públicas de sua competência, enquanto a função consultiva re-
laciona-se à emissão de opiniões e sugestões sobre assuntos que 
lhes são correlatos. 
A legislação brasileira prevê a existência de inúmeros conselhos 
de políticas públicas, alguns com abrangência nacional e outros 
cuja atuação é restrita a estados e municípios. 
A instituição de conselhos e o fornecimento das condições ne-
cessárias para o seu funcionamento são condições obrigatórias 
para que estados e municípios possam receber recursos do Go-
verno Federal para o desenvolvimento de uma série de ações. 
No caso dos municípios, os conselhos foram criados para au-
xiliar a prefeitura na tarefa de utilizar bem o dinheiro público. 
(CGU, 2012, on-line)3.
A atuação dos conselhos municipais tem sido uma preocupação dos órgãos 
públicos de controle, tanto que o assunto foi tema da 1ª Conferência Nacional 
de Transparência e Controle Social – Consocial, realizadaem 2012, ocupando 
o Eixo III, com o título: “A Atuação Dos Conselhos De Políticas Públicas Como 
Instâncias De Controle”. Por trazer importantes informações, transcrevemos a 
seguir o enunciado do texto-base do Eixo III da 1ª Consocial:
Conselhos Gestores de Políticas Públicas
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
105
Quadro 4 - Eixo III da 1ª Consocial
A Constituição Federal de 1988 propôs importantes modiicações no arranjo de 
importantes políticas públicas com a transferência de sua gestão aos municípios. 
Com isso, foram introduzidas, no texto constitucional, diversas formas partici-
pativas de gestão e controle em áreas como saúde, educação, assistência social, 
políticas urbanas, meio ambiente, entre outras
Os conselhos gestores de políticas públicas constituem uma das principais expe-
riências de democracia participativa no Brasil contemporâneo. Esses conselhos 
contribuem para o aprofundamento da relação Estado e Sociedade, permitindo 
que os cidadãos se integrem à gestão administrativa e participem da formulação, 
planejamento e controle das políticas públicas.
A partir das diretrizes constitucionais de participação da sociedade nas deci-
sões governamentais, especialmente nas políticas sociais, a legislação brasileira 
passou a prever a existência de inúmeros conselhos de políticas públicas, alguns 
com abrangência nacional e outros cuja atuação é restrita a estados e municípios
Atualmente, a maior parte dos programas do governo federal prevê a parti-
cipação dos cidadãos na execução e controle das políticas públicas por meio 
de conselhos. Além disso, a liberação de recursos a estados e municípios está 
vinculada à instituição de conselhos, que devem contar com condições necessá-
rias para o seu funcionamento, a exemplo do Programa Nacional de Alimentação 
Escolar - PNAE, Programa Bolsa Família, Programa Saúde da Família - PSF, Fundo 
de Educação Básica – Fundeb, dentre outros.
A lei que institui cada conselho deine sua composição, atribuições, duração de 
mandatos, dentre outras especiicações. Os conselhos podem desempenhar, 
conforme o caso, funções de iscalização, mobilização, deliberação ou função 
consultiva e, em geral, sua composição é orientada pelo princípio da paridade, 
de forma a garantir a representação de diferentes segmentos sociais.
A organização e o funcionamento de cada conselho gestor de políticas públicas 
podem ser deinidos tanto na lei que o criou como em seu regimento interno. 
Em geral, os conselhos municipais se organizam em plenárias, comissões, secre-
tarias executivas e audiências públicas.
Fonte: CGU (2012, on-line)3.
Ainda utilizando o texto-base da 1ª Consocial, que demonstra a preocupação 
com o cumprimento do real papel dos conselhos gestores de políticas públicas, 
enquanto espaço de participação dos cidadãos na gestão e no controle da admi-
nistração pública, repetimos as perguntas que lá constam:
BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IIIU N I D A D E106
1. Esse espaço da cidadania está servindo ao seu propósito? 
2. O que falta para os conselhos poderem exercer, de fato, o controle social? 
3. Autonomia? Infraestrutura? Capacitação? Mobilização Social?
A própria população tem apresentado outras questões como: a forma de instituição 
e estruturação dos conselhos, sua composição, autonomia administrativo-inan-
ceira. Contudo, outros fatores inluenciam na atuação dos conselheiros, como a 
diiculdade de acesso aos documentos e informações, além da capacitação téc-
nica para que os conselheiros tenham efetivamente condições de iscalizar e 
avaliar a execução das políticas públicas.
Outras perguntas discutidas na 1ª Consocial continuam sem resposta, pelo 
menos no sentido da aplicação das propostas apresentadas na conferência. Valem 
uma boa relexão dos acadêmicos e dos proissionais do Serviço Social:
1. Como avançar na qualiicação dos conselheiros?
2. Como fortalecer o vínculo entre conselho e sociedade?
3. Como ampliar a participação da sociedade nos conselhos?
4. Como engajar os cidadãos?
5. Como o Estado pode contribuir nesse processo?!
Você sabe quais os conselhos gestores de políticas públicas devem ser cria-
dos na sua cidade?!
Você já participou de uma conferência municipal que discute as políticas 
públicas de uma área especíica e elege os conselheiros?
Conselhos Gestores de Políticas Públicas
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
107
 A REALIDADE DOS CONSELHOS MUNICIPAIS
Em 2013, durante o Encontro Internacional Participação, Democracia e Políticas 
Públicas: aproximando Agendas e Agentes, na Universidade Estadual paulista 
(UNESP) de Araraquara-SP, Danitza Passamai Rojas Buvinich, doutouranda da 
Universidad Complutense de Madrid, apresentou o trabalho “O Mapeamento Da 
Institucionalização Dos Conselhos Gestores De Políticas Públicas Nos Municípios 
Brasileiros”, cujo resumo apresentamos a seguir:
O artigo apresenta os principais resultados da pesquisa exploratória 
que teve por objetivo identiicar as características gerais da institucio-
nalização dos conselhos municipais de políticas no Brasil. Baseada em 
dados do IBGE, complementada por uma análise legislativa, são anali-
sados 36 conselhos federais como requisito prévio para a análise muni-
cipal de conselhos em 11 áreas temáticas. 
Como resultado, identiicou-se que a maioria dos conselhos não é de 
conformação obrigatória, no entanto, existe uma relação direta entre a 
obrigatoriedade e o índice de implementação municipal desses conse-
lhos. 
Identiicou-se também, padrões de conformação institucionais regio-
nais, que determinam que os conselhos da região Nordeste sejam, pro-
porcionalmente, mais paritários e deliberativos que os das regiões Sul 
e Sudeste. Por último, a análise transversal dos dados aponta para uma 
tendência de alteração no modelo institucional dos conselhos de políti-
cas brasileiros (BUVINICH, 2013, p. 2)8.
Importante notar o comentário da autora com relação à pesquisa sobre como 
são implantados os conselhos de políticas nos municípios brasileiros, airmando 
que isso “possibilita formar uma visão sistêmica ampla, raramente fornecida nos 
estudos sobre o tema, que buscam em geral enfocar uma área temática especí-
ica, ou uma região determinada” (BUVINICH, 2013, p. 3)8.
Isso nos chama a atenção porque é justamente o que os Observatórios Sociais 
têm constatado em seu trabalho junto aos conselhos municipais. Como os obser-
vadores buscam levar informações e oferecer capacitação aos diversos conselhos, 
especialmente àqueles que são gestores de recursos públicos, têm encontrado 
muita disparidade na condução da maioria deles, desde a sua constituição até a 
qualiicação dos conselheiros, passando pela dinâmica de sua atuação.
BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IIIU N I D A D E108
Foi possível constatar, por exemplo, que há municípios em que alguns 
conselhos estão instituídos em decreto municipal, mas não existem de fato. 
Observadores colheram depoimentos de conselheiros que airmaram não haver 
reuniões do seu conselho. Sendo questionados sobre a existência de atas de reu-
niões assinadas por eles, conirmaram que assinavam o que o prefeito mandava.
Outro fato facilmente comprovado é o desconhecimento das funções do con-
selho e do papel de conselheiro, originado na falta de mecanismos e eventos de 
capacitação e, minimamente, de repasse dos instrumentos legais. Isso, sem falar 
da composição dos conselhos esua paridade representativa, da legitimidade das 
conferências municipais que elegem os conselheiros e deinem as diretrizes das 
políticas públicas. Há registros de conferências que sequer foram realizadas e 
os conselhos foram criados sem a representatividade paritária prevista em Lei.
E os disparates não cessam por aí! Foram encontradas situações como a de 
prefeituras que publicam o Plano Municipal de Saúde sem que tenha sido apre-
sentado ou discutido pelo conselho da área.
Em termos de Brasil, com uma abrangência continental, não é fácil conseguir 
um mapeamento da existência dos conselhos municipais. Pesquisar os dados e 
conseguir informações idedignas sobre o funcionamento deles, ainda mais tra-
balhoso. Encontramos no citado o artigo de Buvinich, alguns dados:
No total, no ano de 2009, o Brasil contabilizou 43.156 conselhos mu-
nicipais. Destaca-se que não estão contabilizados os conselhos federais 
e estaduais. Há de se destacar também, que as distintas políticas inves-
tigadas pelo Munic/2009 não cobrem a totalidade das políticas para as 
quais existe o modelo de conselho implantado. Isso signiica dizer, que 
o total apresentado é, certamente, inferior ao total real. Somados aos 
conselhos federais, o Brasil possui hoje, ao menos 43.192 conselhos. 
Quanto ao número de conselhos municipais implantados, veriica-se 
que os que têm maior percentual total de implantação são os Conselhos 
de Assistência Social, presentes em 99% dos municípios, seguido dos 
Conselhos de Alimentação Escolar (CAEs), com 98% dos municípios 
brasileiros, cerca de 5.466. Em seguida vêm os conselhos de saúde, com 
97% e os conselhos do Fundeb, com 94% (BUVINICH, 2013, p. 9)8.
Conselhos Gestores de Políticas Públicas
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
109
Buvinich (2013, on-line)8 relata um agravante: o expressivo número de tipos de 
conselhos e a diversidade da legislação que os obrigam, sem uma uniformidade 
e com baixa qualidade na sua regulamentação e muito menos instrumentos de 
iscalização da sua correta aplicação.
Pois bem, temos uma pergunta a responder: o que podem fazer os acadêmi-
cos e proissionais do Serviço Social para mudar a realidade que aqui, brevemente, 
apresentamos?
Imaginamos propor um desaio para os acadêmicos da disciplina de Estágio: 
fazer o mapeamento da situação dos conselhos municipais, levantando dados 
como:
 ■ Quantos e quais conselhos em cada município.
 ■ A existência dos decretos municipais criando esses conselhos.
 ■ A realização das respectivas conferências.
 ■ Representatividade e paridade.
 ■ Condições e periodicidade de capacitações para os conselheiros.
 ■ Dinâmica dos conselhos quanto à gestão administrativa, reuniões, reso-
luções e respectivas atas.
 ■ Outros aspectos que possam agregar valor à pesquisa.
Estamos certos de que essas informações poderiam compor um importante 
compêndio, a ser publicado pela Unicesumar, que em muito contribuiria para a 
avaliação da situação do controle social no Brasil, do ponto de vista dos Conselhos 
Gestores de Políticas Públicas.
Ousamos dizer que tal trabalho poderia, inclusive, inluenciar mudanças 
na legislação e na regulamentação dos conselhos e também na estrutura e ges-
tão dos programas de capacitação de conselheiros, geridos pelos órgãos oiciais, 
como a Controladoria-Geral da União.
Quem aceita o desaio?
BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IIIU N I D A D E110
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Querido(a) aluno(a) buscamos nesta unidade possibilitar a vocês apreensão 
sobre informações de domínio público, bem como onde buscar tais informações. 
Também aprendemos que tudo que é público deve estar publicado e acessível 
a todo cidadão, que tem o direito fundamental de acesso à informação pública. 
Constatamos que, apesar de farta legislação a respeito deste tema, muitos órgãos 
públicos ainda não a cumprem, negando esse direito à população.
Apresentamos diferentes portais de transparência que tratam de temas varia-
dos desde a questão inanceira até as relações sociais e políticas, por meio dos 
quais podemos acessar os dados de execução orçamentária, atos administrativos, 
licitações, contratos e outros dados das prefeituras municipais, especialmente os 
portais da CGU-Controladoria-Geral da União, de alguns Tribunais de Contas 
e, como bom exemplo, o Portal dos Municípios do Paraná, organizado e divul-
gado pelo Ministério Público Estadual.
Trabalhamos ainda, com os portais que tratam das políticas públicas, des-
tacando o site do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, cujos links 
apresentam dados detalhados das ações e avanços na política de assistência social 
nos municípios, bem como o site do Atlas do Desenvolvimento Humano que 
apresenta dados reais dos municípios em todas as áreas.
Por im, izemos uma relexão sobre as concepções, legalidade e a realidade 
dos Conselhos Gestores de Políticas Públicas. Uma realidade que causa preocu-
pação pela falta de cumprimento da legislação e falta de condições adequadas de 
funcionamento, do ponto de vista administrativo e de capacitação de conselheiros.
O Brasil carece muito de investimentos no controle social, especialmente no 
trabalho dos conselhos e concluímos que acadêmicos, professores e proissio-
nais do Serviço Social podem contribuir para mudar essa realidade. Assim, caro 
estudante, compete também à você alterar este quadro preocupante.
111 
1. A respeito do acesso a informação, assinale com verdadeiro ou falso:
( ) Todos os órgãos públicos, especialmente de nível municipal, possuem portais 
da transparência padronizados, o que facilita o acesso à informação ao cidadão.
( ) A maioria da população já conhece a LAI e busca informações nos portais da 
transparência.
( ) Muitas prefeituras e câmaras, especialmente de cidades pequenas, alegam 
não ter recursos inanceiros para construção do website e disponibilização das 
informações.
( ) A publicidade é um dos princípios a serem obedecidos pela Administração 
Pública, ao lado dos de legalidade, impessoalidade, moralidade e eiciência.
( ) O acesso às informações deverá ser feito por meio de todos os meios disponí-
veis e, obrigatoriamente, em sítios da internet.
( ) A transparência pode ser classiicada em ATIVA: quando a Administração Públi-
ca divulga informações à sociedade por iniciativa própria, de forma espontânea, 
contudo por meio de pedidos. 
( ) Transparência PASSIVA é quando a Administração Pública divulga informações 
sob demanda em atendimento às solicitações da sociedade.
( ) Em matéria de transparência pública, o sigilo é a regra e o acesso, a exceção.
Assinale a resposta correta:
a. F, F, V, V, V, F, V, F.
b. V, V, F, F, V, F, V, F.
c. F, V, V, V, F, V, F, F.
d. F, F, F, V, V, F, V, F.
e. F, F, V, V, V, F, V, V.
2. Os conselhos são instâncias de exercício da cidadania, que abrem espaço para a 
participação popular na gestão pública. Nesse sentido, podem ser classiicados 
conforme as funções que exercem. Assim, os conselhos podem desempenhar, 
conforme o caso, funções de iscalização, de mobilização, de deliberação ou de 
consultoria. Correlacione:
( ) Fiscalizadora.
( ) Mobilizadora.
( ) Deliberativa.
( ) Consultiva.
112 
(A) Refere-se à prerrogativa dos conselhos de decidir sobre as estratégias utiliza-
das nas políticas públicas de sua competência.
(B) Relaciona-se à emissão de opiniões e sugestões sobre assuntos que lhes são 
correlatos. 
(C) Pressupõe o acompanhamento e o controle dos atos praticados pelos gover-
nantes.
(D) Refere-se ao estímulo à participação popular na gestão pública e às contri-
buições para a formulação e disseminação de estratégias de informação para a 
sociedade sobre as políticaspúblicas. 
Assinale a alternativa correta:
a. D, C, B, A.
b. C, D, A, B.
c. D, C, A, B.
d. C, A, B, D.
e. B, D, B, A.
3. Os conselhos são instâncias de exercício da cidadania, que abrem espaço para a 
participação popular na gestão pública. Nesse sentido, podem ser classiicados 
conforme as funções que exercem. Assim, os conselhos podem desempenhar, 
conforme o caso, funções de iscalização, de mobilização, de deliberação ou de 
consultoria. Correlacione:
(   ) Fiscalizadora.
(   ) Mobilizadora. 
(   ) Deliberativa.
(   ) Consultiva.
(   ) Punitiva.
113 
(A) Refere-se à prerrogativa dos conselhos de decidir sobre as estratégias utiliza-
das nas políticas públicas de sua competência.
(B) Relaciona-se à emissão de opiniões e sugestões sobre assuntos que lhes são 
correlatos. 
(C) Pressupõe o acompanhamento e o controle dos atos praticados pelos gover-
nantes.
(D) Refere-se ao estímulo à participação popular na gestão pública e às contri-
buições para a formulação e disseminação de estratégias de informação para a 
sociedade sobre as políticas públicas. 
(E) Não é função dos conselhos.
Assinale a alternativa correta:
a. E, D, B, A, E.
b. C, D, B, A, E.
c. C, D, A, B, E.
d. D, C, E, B, A.
e. C, D, E, A, B.
4. De acordo com as discussões desenvolvidas nesta unidade do livro, o Censo é 
um instrumento pelo qual se levanta diferentes dados sobre a população que 
posteriormente são disponibilizados para consultas e pesquisas. Assinale nas 
airmativas a seguir aquela que corresponde a periodicidade com esta pesquisa 
é aplicada e o órgão responsável pela sua execução:
a. A cada 15 anos. Aplicada pelo Instituto Brasileiro de Geograia e Estatística.
b. A cada 10 anos. Aplicada pelo Instituto Brasileiro de Geograia e Estatística.
c. A cada 5 anos. Aplicada pelo Instituto Brasileiro de Geograia e Estatística.
d. A cada 10 anos. Aplicada pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Eco-
nômico e Social.
e. A cada 5 anos. Aplicada pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Eco-
nômico e Social.
5. Para que as ações das políticas públicas possam ser elaboradas de acordo com 
as necessidades apontadas em cada território pelos diferentes grupos sociais é 
imprescindível compreendermos o que é demanda e o que oferta dos serviços. 
Diante dessa airmação explique o que é demanda e o que é oferta dos serviços:
114 
LEITURA COMPLEMENTAR
A prática do controle social e participação social são fundamentais no desenvolvimento 
do Sistema Único de Saúde (SUS) e ter acesso às informações sobre história dos conse-
lhos, sua organização, formas de praticá-los e legislação relacionada ao tema” você po-
derá encontrar na publicação “Para Entender O Controle Social Na Saúde”, do Conselho 
Nacional de Saúde, 2013. Assim como um roteiro para atuação em caso de denúncias, 
solicitações e pedidos de orientação ao Conselho Nacional de Saúde. 
Ao longo dos anos, a participação da sociedade no setor Saúde passou por processos de 
mudanças complexos, que resultaram em um sistema de controle social cada vez mais 
qualiicado, deliberativo, independente e representativo. A democratização das políticas 
de saúde é exemplo de um dos avanços viabilizados pela existência do controle social. 
Os conselhos de saúde e as conferências de saúde se constituem, atualmente, nos prin-
cipais espaços para o exercício da participação e do controle social na implantação e na 
implementação das políticas de saúde em todas as esferas de governo. Atuando como 
mecanismos essencialmente democráticos, através deles, a sociedade se organiza para 
a efetiva proteção da saúde como direito de todos e dever do Estado. A amplitude do 
campo de atuação dos conselhos de saúde, além de valiosa, é extensa. Como exemplo, a 
instituição dos conselhos de saúde atende à exigência legal estabelecida para o repasse 
de recursos inanceiros, estaduais ou federais, ao setor Saúde. Sua atuação e variedade 
de competências fazem com que, hoje em dia, todos os municípios brasileiros dispo-
nham de um conselho de saúde. 
A importância e o valor que os conselhos e as conferências de saúde representam para 
a sociedade brasileira deram origem a esse manual. Ele surge com o objetivo de atender 
a necessidade de qualiicação constante, dinâmica e progressiva de todos os sujeitos 
envolvidos no exercício do controle social na saúde no país. Além disso, o manual nasce 
com o intuito de difundir conhecimentos, de ser uma ferramenta útil ao intercâmbio de 
ideias e de experiências entre os diversos conselhos municipais e estaduais existentes 
no país e de fornecer informações atualizadas sobre o controle social na saúde à socie-
dade brasileira. 
Esperamos que a sua leitura resulte em processos de aperfeiçoamento e de inovação, as-
sim como provoque o fortalecimento, ainda maior, dos conselhos municipais, Estaduais 
e do Conselho Nacional de Saúde (CNS). Acreditamos que, pela via de um controle social 
cada vez mais eicaz e efetivo, a formulação, a iscalização e a deliberação das políticas 
de saúde serão sempre desenvolvidas sob o pilar da democratização, da gestão e da 
qualidade da prestação dos serviços de saúde.
Fonte: Brasil, Ministério da Saúde (2013, on-line)9.
REFERÊNCIAS
115
BRASIL. LEI COMPLEMENTAR Nº 131, DE 27 DE MAIO DE 2009. Acrescenta disposi-
tivos à Lei Complementar  no 101, de 4 de maio de 2000, que estabelece normas de 
inanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão iscal e dá outras pro-
vidências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/leis/LCP/Lcp131.
htm>. Acesso em 16 jan. 2017.
REFERÊNCIAS ON-LINE:
1Em: <http://187.4.200.245:81/cogemas/2a.Reuni%C3%A3o_CALMON%20
14%20DE%20ABRIL%20DE%202015/DIAGN%C3%93STICO%20PARA%20GEST%-
C3%83O%20MUNICIPAL.pdf >. Acesso em: 06 fev. 2017. 
2Em: <http://7a12.ibge.gov.br/sobre-o-ibge/o-que-e-censo.html >. Acesso em: 06 
fev. 2017. 
3Em: <http://www.cgu.gov.br/Publicacoes/controle-social/arquivos/controleso-
cial2012.pdf >. Acesso em: 06 fev. 2017. 
4Em: < http://artigo19.org/wp-content/blogs.dir/24/iles/2013/04/Lei_Geral_de_
Acesso_%C3%A0_Informa%C3%A7%C3%A3o-1.pdf >. Acesso em: 06 fev. 2017. 
5Em: <http://www.portaldatransparencia.gov.br/manual/manualCompleto.pdf >. 
Acesso em: 06 fev. 2017. 
6Em: <http://www.transparencia.mppr.mp.br/arquivos/File/transp/prestacao_con-
tas/PrestContasMP2015_Internet.pdf>. Acesso em: 06 fev. 2017. 
7Em: <www.mppr.mp.br/modules/noticias/article.4939>. Acesso em: 06 fev. 2017. 
8Em: < www.fclar.unesp.br/Home/Pesquisa/GruposdePesquisa/participacaodemo-
craciaepoliticaspublicas/encontrosinternacionais/pdf-st06-trab-aceito-0148-5.pdf>. 
Acesso em: 06 fev. 2017. 
9Em: < http://conselho.saude.gov.br/biblioteca/livros/Manual_Para_Entender_Con-
trole_Social.pdf >. Acesso em: 06 fev. 2017. 
MATERIAL COMPLEMENTAR
Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário
Consulte as informações no site do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário. O menu 
com os links icam ao lado esquerdo da tela. Exemplo: ao clicar em Assistência Social temos 
informações especiicas sobre esta política pública. Ao acessarmos o link avaliação e Gestão 
da informação podemos acessar o nosso município em números por meio dos relatórios 
encaminhados pelo município ao Governo Federal. Portanto, a transparência se evidencia aqui, o 
que qualiica a gestão.
Para saber mais acesse: <http://www.mds.gov.br/>. 
Lei de Acesso à Informação (Lei n. 12.527)
O acesso à informação contribui para aumentar a eiciência do Poder Público, diminuir a 
corrupção e elevar a participação social. Acesso à informação: direito do cidadão e dever do 
Estado.
Para saber mais sobre a Lei de Acesso à Informação, acesse: BRASIL. Lei de Acesso à Informação. 
Disponível em: 
<http://www.acessoainformacao.gov.br/menu-de-apoio/entenda-a-lai>. 
Portal Informação Para Todos
O TCE do Paraná lançou o Portal Informação Para Todos em setembro de 2016, após quatro anos 
de apelos da sociedade civil, tendo inclusive assinado um novo acordo de cooperação com o OSB, 
como se pode veriicar namatéria publicada no site do OSB, acessada pelo link: <osbrasil.org.br/
termo-e-irmado-entre-osb-e-tce-pr-e-populacao-ganha-acesso-a-informacoes>.
Os dados do Portal Informação para Todos podem ser acessados pelo site do próprio TCE-PR, pelo 
link: <www1.tce.pr.gov.br>.
Você pode buscar conhecer mais sobre o que exige a Lei nos portais de transparência dos 
municípios e realizar o monitoramento do site da prefeitura da sua cidade, utilizando o checklist 
publicado pelo MPPR.
Acesse o link: <http://www.planejamento.mppr.mp.br/arquivos/File/transparencia/
RequisitosPortaldaTransparenciaMunicipal__1.pdf>.
Material Complementar
MATERIAL COMPLEMENTAR
Para complementar as informações a respeito da Lei de Acesso à Informação, você pode ler a 
cartilha “Entendendo A Lei Geral De Acesso À Informação”, publicada pela Artigo 19, uma ONG de 
direitos humanos nascida em 1987, em Londres, com a missão de defender e promover o direito à 
liberdade de expressão e de acesso à informação em todo o mundo. Seu nome tem origem no 19º 
artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU.
Para saber mais acesse: ARTIGO 19 BRASIL. Entendendo a Lei Geral de Acesso à Informação, 
disponível em: <http://artigo19.org/wp-content/blogs.dir/24/iles/2013/04/Lei_Geral_de_
Acesso_%C3%A0_Informa%C3%A7%C3%A3o-1.pdf>.
Os livros publicados pelo Conselho Nacional de Saúde são de grande importância para quem 
deseja conhecer mais sobre a política de controle social no Brasil. No site do conselho podemos 
encontrar manuais, textos de referência e publicações avulsas. 
Link: <http://conselho.saude.gov.br/biblioteca/livro.htm>.
GABARITO
1. Letra A.
2. Letra B.
3. Letra C.
4. Letra B.
5. Resposta: a demanda se apresenta no território a partir das vulnerabilidades que 
este apresenta em relação a falta de cobertura de determinados serviço públi-
co. Já a oferta são os serviços disponibilizados para atender as necessidades da 
população. Eles podem ser serviços da rede governamental ou da rede não go-
vernamental.
U
N
ID
A
D
E IV
Professora Esp. Roni Enara Rodrigues
OBSERVATÓRIO SOCIAL 
DO BRASIL – HISTÓRICO E 
METODOLOGIA
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Apresentar o Observatório Social do Brasil, seu histórico, formatação e 
marco regulatório, enquanto organização de controle social.
 ■ Apresentar a metodologia de trabalho dos observadores.
 ■ Orientar sobre articulação de novos observatórios sociais.
Plano de Estudos
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Observatório Social Brasil: histórico e marco regulatório
 ■ Metodologia do Observatório Social Brasil
 ■ Orientações sobre como articular a formação de um observatório social
Introdução
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
121
INTRODUÇÃO
Olá, Caro(a) Aluno (a). Agora vamos conhecer mais de perto o trabalho da 
Rede Observatório Social do Brasil (OSB), composta por mais de 3 mil volun-
tários em 115 cidades de 19 estados, cuja missão é “Despertar o espírito de 
Cidadania Fiscal na sociedade organizada, tornando-a proativa, através do seu 
próprio Observatório Social, exercendo a vigilância social na sua comunidade, 
integrando a Rede de Observatório Social do Brasil”. Vamos passear pela linha 
do tempo, identiicando fatos e eventos que marcaram a história do OSB e dos 
observadores Brasil afora.
Os conceitos e práticas do controle social e da coniguração jurídica dos 
Observatórios Sociais (OSs) serão apresentados com o intuito de facilitar a com-
preensão e o entendimento sobre o contexto em que se desenrola atuação dos 
observadores nas suas cidades.
Esta Unidade também traz mais detalhes acerca do funcionamento da Rede 
OSB e da metodologia padronizada seguida pelos observadores, cercada pelos 
princípios e diretrizes expressas no Código de Conduta e nos manuais de proce-
dimentos e orientações, o que garante a credibilidade da sua atuação. A primeira 
regra para criação de um Observatório Social é a não iliação partidária, seguida 
da representatividade do maior número possível de entidades da sociedade civil.
Além disso, você poderá inteirar-se sobre direitos e deveres do cidadão, paga-
mento de tributos, exercício da cidadania e do controle social. Aspectos legais 
que conferem legitimidade no acompanhamento da administração pública e is-
calização dos recursos oriundos dos impostos que todo cidadão paga.
Você deseja fazer parte dessa história e contribuir para a constituição de um 
OS na sua cidade? Nesta unidade encontrará as orientações e o passo a passo 
para fazer desse propósito uma realidade.
Sugerimos que aproveite as indicações de leitura, pesquisa e materiais com-
plementares, ainal, você é um cidadão e, como tal, pode ser protagonista de dias 
melhores para sua cidade, bairro onde mora ou somente para sua rua. 
OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IVU N I D A D E122
OBSERVATÓRIO SOCIAL BRASIL: HISTÓRICO E 
MARCO REGULATÓRIO
O Observatório Social do Brasil congrega e articula uma Rede de cidades que 
constituíram o seu Observatório Social, cujo propósito é contribuir para a ei-
ciência da gestão pública municipal por meio do monitoramento das contas da 
prefeitura e da câmara, além de outros programas que conheceremos neste tópico.
LINHA DO TEMPO
Caro(a) aluno(a) como na Unidade I acerca do contexto histórico da constituição 
do primeiro Observatório Social na cidade de Maringá, no Paraná, é importante 
ressaltar que, como precursor dos OSs e primeiro evento mobilizador da sociedade 
civil no Estado do Paraná, tivemos o Movimento Pela Cidadania Fiscal – MPCF 
(veja logomarca história, a seguir), nascido em 2004 e com forte atuação em 2005 
na maioria das cidades que contavam com uma associação comercial, ligada à 
Federação das Associações Comerciais do Paraná (FACIAP), que capitaneava 
Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
123
o Movimento sob a coordenação do seu Vice-Presidente Eduardo José Daibert 
Araújo, também idealizador da proposta dos Observatórios Sociais.
Fazemos questão também de registrar que a Unicesumar, à época, foi uma das 
instituições indutoras e apoiadoras desse trabalho, especialmente com a parti-
cipação do seu Reitor, Professor Wilson de Mattos Silva. 
Pois bem, tão logo os primeiros resultados do trabalho em Maringá, em razão 
da economia proporcionada aos cofres municipais, foram divulgados, cidadãos 
de outras cidades se interessaram pela criação de uma unidade local. Reunidos os 
Observatórios Sociais das cidades de Campo Mourão, Goioerê, Toledo, Cascavel 
e Francisco Beltrão, todas no Paraná, decidiram por criar um sistema federativo, 
com uma entidade central que congregasse todas as cidades e fosse responsá-
vel pela articulação de parcerias e apoios institucionais, realizasse capacitações 
e izesse o suporte técnico aos observatórios locais, além de ser o guardião dos 
princípios e da metodologia de trabalho, orientando e coordenando a abertura 
de novos Observatórios Sociais.
Assim nasceu o Observatório Social do Brasil que, à época – em 2008, chama-
va-se Instituto da Cidadania Fiscal (ver logomarca histórica, a seguir). Entendendo 
que esse nome não facilitava a identiicação com os Observatórios Sociais, em 
2010 foi alterado para Observatório Social do Brasil (ver logomarca abaixo). 
Figura 1 - Logomarcas do Observatório Social do Brasil
Fonte: OSB ([2017]1, on-line)
A última logomarca é a atual e que se encontra na referência descrita na fonte 
da Figura 1. As duas primeiras logomarcas foram retiradasdo acervo pessoal 
das autoras e representam um registro histórico da evolução do Observatório 
Social do Brasil.
Tendo iniciado seu trabalho em 2008, com 05 cidades, o Observatório Social 
do Brasil (OSB) passou a ser demandado por cidadãos de várias partes do Brasil 
para promover a disseminação da metodologia, tendo expandido a Rede OSB 
OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IVU N I D A D E124
para 115 cidades de 19 Estados, segundo dados de dezembro de 2016 (veja no 
website do OSB a relação de cidades, por Estado)2.
A seguir, na Figura 2 o mapa ilustra a distribuição dos Observatórios Sociais 
nos Estados brasileiros:
Figura 2 - Rede OSB pelo Brasil
Fonte: a autora 
No Quadro 1 a seguir, veja a linha do tempo do OSB, os eventos que marca-
ram a sua história, desde 2005 quando foi apresentada a proposta de criação de 
Observatório Social no Estado do Paraná:
Quadro 1 - Linha do tempo do OSB
LINHA DO TEMPO DO OSB
2005
Lançamento da proposta de criação de observatórios sociais na XV 
Convenção das Associações Comerciais do PR.
2006 Constituição do Observatório Social de Maringá.
2007
Primeiros resultados apresentados na Convenção da Confederação 
das Associações Comerciais do Brasil.
2008
Constituição do Observatório Social do Brasil, por 05 Observatórios 
Sociais do Paraná.
Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
125
2008 e 
2009
Realização de 14 reuniões presenciais para teste e validação da me-
todologia de trabalho e alavancagem de parcerias para capacitação 
dos observadores e estruturação da Rede OSB de Controle Social.
2009 1º Encontro dos Observatórios Sociais, com 25 cidades.
2010
1º Seminário Nacional de Educação Fiscal e Controle Social, organi-
zado pelo OSB em parceria com Universidade Estadual de Maringá.
2012/ 
março:
1º ENOS - Encontro Nacional dos Observatórios Sociais, em Curiti-
ba, com 51 cidades.
2012/ 
setembro:
2º ENOS, em Curitiba, com 56 cidades.
2013/abril: 3º ENOS, em Curitiba, com 60 cidades.
2013/ 
novembro:
4º ENOS, em Curitiba, com 71 cidades.
2014 5º ENOS, em Balneário Camboriú, com 74 cidades.
2015: 6º ENOS, em Brasília, com 90 cidades.
2016 7º ENOS, em Curitiba, com 105 cidades.
2016/ 
dezembro
Fechamento do ano com 115 cidades.
Fonte: as autoras.
No quadro 2 a seguir, veja a Rede OSB retratada em números:
Quadro 2 - OSB em números
Presença em mais 
de 100 cidades de 
19 Estados, o que 
equivale a:
• Mesmo nº de municípios de RR, AP, AC e RO juntos!
• Maior nº de municípios que os Estados de MS ou AM 
ou SE ou ES ou RJ.
Cobertura de quase 
30 milhões de habi-
tantes (15% da po-
pulação brasileira):
• Mesmo nº de habitantes que os Estados de ES, RN, AL, 
MT, PI, DF, MS, SE, RO, TO, AC, AP, RR juntos!
• Ou mesma população que MG e PE juntos!
• Ou a mesma população que a Região Sul.
Monitoramento do 
gasto público:
• Orçamento anual (total) das 100 prefeituras: superior à 
R$ 69 bi.
• Orçamento anual de compras das 100 prefeituras: 
cerca de R$ 34 bi.
OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IVU N I D A D E126
Potencial de eco-
nomia gerada pelo 
trabalho dos OS nas 
licitações acompa-
nhadas:
• De 10 a 15% do valor do orçamento total de compras.
• Considerando que os Observatórios monitoram ape-
nas 25% das licitações, em média.
• Economia contabilizada nos últimos 4 anos: mais de R$ 
1,5 bilhões.
• Recursos que deixaram de ser mal gastos ou desviados.
Nicho de mercado 
para as empresas 
nas compras gover-
namentais:
• Dados do Sebrae PR: as compras das prefeituras têm 
70% dos fornecedores de fora dos municípios parana-
enses, o que signiica que 70% do valor dos impostos 
(alocados em aquisição de bens e serviços) não está 
circulando na economia local. 
• Com o trabalho dos Observatórios Sociais, na divulga-
ção dos editais e na preparação das empresas locais 
para se tornarem fornecedoras da prefeitura, essa 
equação poderá inverter-se, injetando mais recursos 
no comércio local, gerando mais emprego e renda.
Fonte: as autoras.
Fazemos destaque ao volume de recursos dos cofres municipais economizados 
pela contribuição que o trabalho de monitoramento das licitações proporcionou. 
Entre 2012 e 2016, a economia foi superior à cifra de R$ 1,5 bilhões, conforme 
a igura 3. Falaremos na Unidade V sobre alguns exemplos de casos de sucesso 
que levaram a esse resultado. 
Figura 3 - Economia para os cofres municipais
Fonte: as autoras.
Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
127
Na próxima igura ilustrativa, encontramos uma síntese dos números apresen-
tados nos quadros anteriores:
Figura 4 - OSB em números
Fonte: Observatório Social do Brasil (2017, on-line)3.
Importante ressaltar que não só de números e economia são compostos os resulta-
dos da Rede OSB, mas também de mobilização de cidadãos voluntários e técnicos 
e de entidades representativas e parceiras. São mais de 40 entidades parceiras 
com acordos de cooperação assinados. Órgãos oiciais de controle, em todos os 
Estados, são apoiadores do trabalho da Rede OSB, como os Ministérios Públicos 
Estadual e Federal, os Tribunais de Contas Estaduais e o próprio Ministério da 
Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU). Conira 
no Quadro 3, a seguir:
OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IVU N I D A D E128
Quadro 3 - Maior rede no Brasil em articulação da sociedade civil
MAIOR REDE NO BRASIL EM ARTICULAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL:
• São 115 cidades, com previsão de chegar a 150 até o inal de 2017.
• São mais de 3 mil voluntários.
• Maior número de entidades representativas no País mobilizadas:
 ■ Organismos governamentais de iscalização e controle da gestão pública 
(ministério público, tribunais de contas, CGU).
 ■ Entidades empresariais (indústria, comércio, serviços).
 ■ Entidades proissionais e empresariais (conselhos, federações, sindicatos, 
associações).
 ■ Terceiro Setor (clubes de serviço, ONGs, igrejas e associações)
 ■ Universidades, faculdades e colégios de ensino médio e fundamental.
• Mais de 130 palestras realizadas nos últimos 4 anos.
• Mais de 8 mil pessoas assistiram às palestras.
• Quase 200 mil km rodados pelo Brasil, disseminando o propósito dos Observa-
tórios Sociais.
• Mais de 3 mil horas de capacitações e suporte técnico aos observadores.
• 30 mil empresas cadastradas no Sistema, recebendo divulgação gratuita dos 
editais de licitação.
• Mais de 40 entidades parceiras da Rede OSB, com termos de cooperação assi-
nados.
Fonte: as autoras.
MARCO REGULATÓRIO
Para que que você tenha uma boa compreensão da legislação que ampara o tra-
balho da Rede OSB, apresentaremos as explicações sobre o controle social e as 
prerrogativas legais, seguidas das informações acerca da coniguração jurídica 
dos Observatórios Sociais.
Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
129
Com relação ao Controle Social
Cabem aqui explicações sobre o controle social e as prerrogativaslegais para a 
sua prática. Com a chamada “Constituição Cidadã”, de 2008, o Brasil avançou 
muito nas questões de direitos dos cidadãos e deveres do Estado, prevendo o 
controle social e os mecanismos de participação nas decisões, controle e isca-
lização das ações dos governantes e da correta aplicação dos recursos públicos. 
Lembrando que são os impostos que todos os cidadãos pagam é que compõem 
os “recursos públicos”. 
Aliás, o Brasil tem uma das mais altas cargas tributárias do mundo, sendo 
que valores expressivos são cobrados de maneira indireta, ou seja, embutidos 
no preço dos produtos e serviços que qualquer cidadão adquire, sem mesmo ter 
consciência do seu valor em comparação com o custo do produto ou serviço.
Em seguida, no Quadro 4, uma relação dos principais impostos cobrados 
pelos governos, conforme sua competência:
Quadro 4 - Relação de tributos
Impostos de 
Competência 
da União
6. II – Imposto sobre a Importação e Produto Estrangeiro
7. IE – Imposto sobre a Exportação de Produtos Nacionalizados.
8. IR – Imposto Sobre Renda e Proventos de Qualquer Natureza. 
9. IPI – Imposto Sobre Produto Industrializado.
10. IOF – Importo Sobre Operações Financeiras. 
11. ITR – Imposto Sobre Propriedade Territorial Rural. 
12. IGF – Imposto Sobre Grandes Fortunas.
Impostos de 
Competência 
do Estado 
1. ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços 
de Transportes.
2. ITD – Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de 
quaisquer Bens e Direitos.
3. IPVA – Imposto sobre a Propriedade de Veículo Auto Motor. 
Impostos de 
Competência 
do Município 
1. ISS – Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza.
2. IPTU – Importo sobre Propriedade Predial Territorial Urbana. 
3. ITBI – Importo sobre Transmissão de Bens Intervivos a qual-
quer Título.
Fonte: PORTAL TRIBUTÁRIO (2016, on-line)4. 
OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IVU N I D A D E130
Em razão do pagamento de tantos tributos que a população tem seus direitos asse-
gurados na Constituição Federal, tanto em relação ao acesso a serviços públicos 
gratuitos e de qualidade, quanto em relação à transparência, acesso às informa-
ções da gestão pública e ao controle sobre o uso desses recursos.
Veja a seguir, algumas citações da Constituição Federal acerca do direito dos 
cidadãos de tomar contas do Estado:
Constituição Federal de 1988, artigo 74, § 2º: Qualquer cidadão, par-
tido político, associação ou sindicato é parte legítima para, na forma 
da lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de 
Contas da União. 
Constituição Federal de 1988, artigo 5º, inciso LXXIII: Todos são iguais 
perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos 
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do di-
reito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos 
termos seguintes: (...) qualquer cidadão é parte legítima para propor 
Quem paga imposto? Para onde vai? Como deveria retornar? Quem é o pa-
trão?
Como dissemos, em cada produto ou serviço adquirido pelo cidadão, há 
impostos embutidos no preço e que o fornecedor deve recolher aos cofres 
públicos. A maioria dos cidadãos não tem conhecimento disso e entende 
que não é contribuinte do governo porque não paga imposto sobre a renda.
Para saber a média de impostos que pagamos, por produto, você pode aces-
sar o link: <www.iepr.org.br/sombradoimposto>.
Fonte: FIEPR ([2017], on-line)5.
Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
131
ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de 
entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao 
meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, icando o autor, 
salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da su-
cumbência; 
Constituição Federal de 1988, artigo 31, § 3º: As contas dos Municípios 
icarão, durante sessenta dias, anualmente, à disposição de qualquer 
contribuinte, para exame e apreciação, o qual poderá questionar-lhes a 
legitimidade, nos termos da lei (BRASIL, 1988, on-line).
Mas ainal, o que é controle social?! Segundo o Ministério da Transparência, 
Fiscalização e Controladoria-Geral da União, na coleção Olho Vivo – Cartilha 
de Controle Social, publicada em 2012:
O controle social pode ser entendido como a participação do cidadão 
na gestão pública, na iscalização, no monitoramento e no controle das 
ações da Administração Pública. Trata-se de importante mecanismo de 
prevenção da corrupção e de fortalecimento da cidadania.
No Brasil, a preocupação em se estabelecer um controle social forte e 
atuante torna-se ainda maior, em razão da extensão territorial do país 
e da descentralização geográica dos órgãos públicos integrantes dos 
diversos níveis federativos – União, estados, Distrito Federal e muni-
cípios. No caso destes, há que considerar, ainda, o seu grande número. 
Por isso, a iscalização da aplicação dos recursos públicos precisa ser 
feita com o apoio da sociedade. 
O controle social é um complemento indispensável ao controle ins-
titucional realizado pelos órgãos que iscalizam os recursos públicos. 
Essa participação é importante porque contribui para a boa e correta 
aplicação dos recursos públicos, fazendo com que as necessidades da 
sociedade sejam atendidas de forma eiciente. 
No entanto, para que os cidadãos possam desempenhar de maneira ei-
caz o controle social, é necessário que sejam mobilizados e recebam 
orientações sobre como podem ser iscais dos gastos públicos (CON-
TROLADORIA-GERAL DA UNIÃO, 2012, p.16-17).
A abrangência do assunto é estendida pela citação contida no artigo de pós-gra-
duação “Como O Controle Social Pode Melhorar A Gestão Pública Utilizando 
Observatórios Sociais Como Ferramenta”, das acadêmicas Fernanda Junges e 
Letícia Cardoso:
OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IVU N I D A D E132
Se torna importante que as pessoas sejam conscientizadas de que o Es-
tado não é um ente no qual se pode cegamente coniar e que o dinheiro 
que este administra é arrecadado do cidadão, sendo o cidadão responsá-
vel por acompanhar e controlar o uso desse dinheiro para que sua apli-
cação aconteça de maneira a beneiciar toda a população.
Conforme exposto, o papel da população no controle social é fundamen-
tal. Quanto mais esta for informada a respeito de seus direitos e quanto 
mais souber a respeito das diferentes maneiras através das quais ela pode 
exercer a sua cidadania, melhores serão os métodos que ela desenvolverá 
para promover o controle social de órgãos do governo e administração 
pública em geral, defendendo assim os interesses da coletividade e par-
ticipando ativamente da vida do país (JUNGES; CARDOSO, 2015, p. 6).
O controle social, portanto, é a participação da sociedade civil nos processos de 
planejamento, acompanhamento, monitoramento e avaliação das ações da gestão 
pública e na execução das políticas e programas públicos. Como ao administra-
dor público só é permitido fazer o que a Lei determina, ao cidadão é computado 
o direito de exercer o controle, cobrando o respeito aos princípios constitucionais, 
descritos no Art. 37 da Constituição Federal. São eles: legalidade, impessoali-
dade, moralidade, publicidade e eiciência. A sua função é possibilitar o controle 
das atividades administrativas de todos os entes que integram a federação bra-
sileira (União, Estados, Distrito Federal e Municípios).
O exercício da cidadania por meio do controle social podeser consolidado de 
diversas formas e por muitos meios, como a participação em: conselhos municipais 
de políticas públicas, movimentos sociais, ONGs de monitoramento, processos 
eleitorais (exercendo o poder do voto), em ações pontuais como nas audiências 
públicas e no acompanhamento de serviços de saúde ou de alimentação escolar.
Um entendimento importante da Rede OSB é a diferenciação entre controle 
social e iscalização. Os Observatórios Sociais exercem o controle social, mediante 
monitoramento e não a iscalização, pois esta é de competência dos órgãos oi-
ciais controladores, como as câmaras municipais e a promotoria pública.
Por que é necessário que o cidadão participe de alguma forma de ações de 
controle social?! Primeiro, porque os órgãos oiciais controladores não têm estru-
tura, pessoal e condições suicientes para atendimento de toda demanda. Veja o 
exemplo do tamanho das equipes de auditores e analistas da CGU e do Tribunal 
de Contas da União (TCU) no Estado do Paraná, para atender a 399 municípios:
Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
133
CGU-PR são 43 servidores, incluindo analistas e técnicos. Os técnicos 
também fazem iscalização.
SECEX-PR (TCU) são 29 ao todo, sendo que apenas 16 servidores têm 
competência de iscalizar (OSB, 2010, p. 6)6.
Agora, imagine que um estudo publicado pela CGU em abril de 2008 já dava 
conta de que 91,67% das licitações analisadas continham fraudes, ou seja, 55 dos 
60 municípios iscalizados pelo país. Só mesmo com a participação da população 
no monitoramento dos gastos públicos. Essa foi uma das razões da realização da 
1ª Conferência Nacional sobre Transparência e Controle Social (1ª Consocial), 
coordenada pela Controladoria-Geral da União (CGU). Convocada pelo Decreto 
Presidencial de 08 de julho de 2011, a Conferência teve etapas preparatórias de 
julho de 2011 a abril de 2012 em todo o Brasil, mobilizando diretamente mais de 
150 mil cidadãos representados por cerca de 1,2 mil delegados na etapa nacio-
nal, que ocorreu em Brasília entre 18 e 20 de maio de 2012.
Segundo informações da própria Controladoria-Geral da União (CGU), o 
tema central “A Sociedade no Acompanhamento e Controle da Gestão Pública” 
teve como objetivo promover a transparência pública e estimular a participação 
da sociedade no acompanhamento e controle da gestão pública, contribuindo 
para um controle social mais efetivo e democrático. Conheça os resultados, o 
processo da 1ª Consocial e as propostas priorizadas que foram objeto de um 
amplo debate nacional e são representativas dos anseios da sociedade brasileira. 
Registramos a questão da 1ª Consocial por sua importância histórica no for-
talecimento do controle social e pela ampla participação dos observadores sociais 
em todas as etapas da conferência, em nível municipal, estadual e na nacional, 
com 11 OSs representados em Brasília em maio de 2012. Aqui também ressalta-
mos o reconhecimento alcançado pela Rede OSB, já em 2012, tanto que das 80 
propostas que sinalizaram as prioridades da sociedade quanto à transparência 
pública, controle social, prevenção e combate à corrupção, a 11ª mais votada foi: 
Incentivo à Criação de Observatórios de Controle Social (OCS) em to-
dos municípios brasileiros, formados por representantes da sociedade 
civil, que não tenham cargos de coniança ou similar em governos e/ou 
partidos políticos. Os eleitos nos OCSs serão responsáveis por exercer 
controle social sobre os governos locais, estaduais e nacional (iscali-
zar as licitações em todas as suas fases, conscientização e educação da 
OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IVU N I D A D E134
sociedade sobre os temas ains e fazer denúncias de irregularidades e 
má gestão da coisa pública). Os OCSs deverão ter apoio dos governos 
em capacitação, mas, sem se constituir como um órgão público ou com 
regras similares às da lei que instituiu os conselhos tutelares e modelos 
de iscalização feita pelas OSCIPs (CONSOCIAL, 2012, p. 3)7.
Os assuntos cidadania e controle social são candentes e não se esgotam com faci-
lidade. Há muito por pesquisar, falar, entender e praticar. Deixaremos por conta 
do leitor a tarefa de complementar as informações a respeito e prosseguiremos 
falando do Observatório Social do Brasil como uma das possibilidades para o 
exercício da cidadania e a prática do controle social.
Deixamos também o registro de que o Observatório Social é uma das inúme-
ras organizações que trabalham em favor da transparência e da correta aplicação 
dos recursos públicos no Brasil, embora com sistema federativo e organizado 
em rede, seja uma das poucas. Você também pode concluir seus estudos pesqui-
sando sobre o trabalho das outras organizações.
Olho vivo no dinheiro público
A cartilha foi elaborada pela Controladoria-Geral da União (CGU), órgão en-
carregado do controle dos gastos públicos do Governo Federal com apoio 
da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). 
A CGU passou a ter status ministerial, passando, em 2016, a chamar-se Mi-
nistério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União e tem 
escritórios em todos os estados brasileiros. Ela ajuda a iscalizar o uso das 
verbas federais, recebendo e apurando denúncias e corrigindo o que está 
errado. Mas a CGU não pode iscalizar tudo sozinha e é por isso que a parti-
cipação da população, a ajuda de todos nós, é tão importante. Um material 
bem completo sobre o acesso aos serviços públicos e direito ao controle 
social pode ser encontrado na fonte descrita a seguir.
Fonte: adaptado de Controladoria-geral da união (2009).
Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
135
Com relação à coniguração jurídica
O Observatório Social do Brasil conigura-se como uma pessoa jurídica de direito 
privado, constituída em forma de associação, de ins não econômicos, subordi-
nando-se, portanto, ao Código Civil Brasileiro: Lei 10.406/2002. 
O termo pessoa jurídica é utilizado na ciência jurídica para designar uma 
entidade que pode ser detentora de direitos e obrigações, a que se atribui per-
sonalidade jurídica. No direito brasileiro, sua regulamentação encontra grande 
parte do fundamento legal no Código Civil que classiica as pessoas jurídicas de 
direito privado, instituídas por iniciativa de particulares, nas categorias: associa-
ções, sociedades, fundações, organizações religiosas, partidos políticos e empresas 
individuais de responsabilidade limitada.
Por outro lado, as pessoas jurídicas de direito privado podem ser classiica-
das como estatais, quando tem participação do governo e parte da origem dos 
recursos é pública; e particulares, quando são constituídas apenas com a parti-
cipação e recursos privados.
Portanto, as associações, como é o caso do OSB e dos Observatórios Sociais 
iliados, não têm ins econômicos, ou seja, não têm como objetivo a distribuição 
de lucros ou vantagens aos seus associados. Todo recurso auferido por meio de 
O cidadão sabe exercer o controle social em nosso País?
Apesar de estar previsto em nossa Constituição Federal, desde 1988, o con-
trole social, uma das três formas de exercer a iscalização de entes públicos, 
só se desenvolveu recentemente a partir das mobilizações sociais que de-
monstraram ao cidadão indignado que apenas tomando atitude algo pode 
sofrer mudanças positivas. 
Relita: essa mudança de cultura, que ainda está se conigurando reforça a 
importância do controle social?Encoraja cidadãos a estarem mais presentes 
e atentos na vigilância sobre como são aplicados os recursos públicos e na 
cobrança de seus governantes para buscarem uma mudança de postura na 
gestão pública?
OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IVU N I D A D E136
doações, realização de eventos, prestação de serviços, entre outras fontes, deve 
ser investido nas atividades que fazem cumprir os seus objetivos e inalidades.
Mais informações a respeito da orientação legal sobre a constituição de asso-
ciações e seus estatutos, podem ser apreendidas no quadro a seguir:
Quadro 5 - Constituição de uma associação
SUGESTÃO DE ROTEIRO PARA CONSTITUIÇÃO DE UMA ASSOCIAÇÃO
Os interessados em constituir uma Associação precisam elaborar uma proposta 
de estatuto, que será analisada e votada na Assembleia de Fundação. Aprovada 
a proposta, o estatuto passa a ser o instrumento constitutivo da Associação, 
sujeitando os associados às regras ali consignadas.
O estatuto é o instrumento de constituição de uma Associação e nele estarão 
dispostas as regras que a regerão. Por isso, é importante que esse documento 
contemple as exigências legais e traga regras especíicas, notadamente acerca 
de suas inalidades, organização dos órgãos constitutivos e respectivas compe-
tências, bem como atribuições de responsabilidades. 
Esse roteiro é uma sugestão para criar/constituir Associações. Apresenta alguns 
pontos a serem seguidos e observados buscando organizar um passo a passo 
orientador, mas deve sempre ser considerado na perspectiva da realidade de 
quem está organizando/criando uma Associação. Cabe ressaltar que deve ser 
adaptado conforme a necessidade de cada grupo. Lembrando que, para se cons-
tituir uma Associação, a lei não deine o número mínimo/máximo de pessoas 
para sua composição. Devem, portanto, os futuros associados deinir os princi-
pais objetivos da Associação, sua importância e sua necessidade. 
É sugerida que seja deinida no estatuto a responsabilidade de cada membro 
(associado), contendo uma divisão de tarefas que possibilite o mais rápido e 
eiciente desenvolvimento das atividades. [...]
Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
137
Realização de Assembleia de Consti-
tuição
A Assembleia de Constituição é uma 
etapa formal do processo de legaliza-
ção. É realizada no ato de constituição 
da associação, faz-se necessária a pre-
sença de todos os associados. Nessa 
assembleia será escolhido o nome da 
associação, sua sede, será discutido, de-
inido e aprovado seu estatuto social, 
sendo também eleitos os representan-
tes dos órgãos de direção (Conselho 
de Administração/Diretoria e Conselho 
Fiscal). Após essa etapa encaminhar a 
documentação para registro. 
Para se constituir uma pessoa jurídica5 
como uma associação, é preciso reali-
zar alguns procedimentos legais para 
que a associação tenha personalidade 
jurídica. O processo de criação de asso-
ciação no Brasil acontece com a reunião 
de pessoas que deliberam e decidem 
fundar uma entidade com personalida-
de jurídica. Toda associação tem um es-
tatuto, que é aprovado pela assembleia 
geral, convocada em edital publicado 
em mídia de acesso ao território que se 
planeja representar. 
Compete privativamente à Assembleia 
Geral, conforme disposto no art. 59 da 
Lei nº 10.406/2002: I – destituir os admi-
nistradores; II – alterar o estatuto. 
Para essas duas hipóteses, determina a 
lei que a Assembleia Geral seja especial-
mente convocada para esse im. 
Documentos necessários para regu-
larização da associação
O registro das associações é feito no 
Cartório de Registro de Pessoas Jurídi-
cas. Nas cidades maiores, provavelmen-
te existe um cartório especíico para 
essa inalidade. Nas menores, é feito no 
cartório de registro geral. 5 Veja concei-
to de pessoa jurídica em: http://pt.wiki-
pedia.org/wiki/Pessoa_jurídica. 
Um aspecto diicultador é o fato de al-
guns cartórios terem exigências espe-
ciais que extrapolam o que determina 
lei. A seguir estão relacionados os do-
cumentos previstos na legislação. Vale 
orientar que as pessoas que icarão res-
ponsáveis por essa tarefa tenham bas-
tante paciência e estejam preparadas 
para enfrentar um pouco de burocracia. 
De acordo com a Lei nº 6.015/73 (arti-
go 121), são necessários os seguintes 
documentos para se registrar uma as-
sociação: 
Elaboração e discussão do projeto e Es-
tatuto Social:
• Assembleia Geral de constituição da 
associação.
• Registro do estatuto e ata da assem-
bleia de constituição em Cartório de 
Registro de Pessoas Jurídicas.
• Obtenção de inscrição na Receita 
Federal – CNPJ.
• Obtenção de inscrição na Secretaria 
da Fazenda – Inscrição Estadual (se 
exercer comércio). 
• Obtenção de registro no INSS.
• Registro na Prefeitura Municipal.
 Fonte: CARDOSO (2014, p. 30-33).
OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IVU N I D A D E138
METODOLOGIA DO OBSERVATÓRIO SOCIAL BRASIL
Para facilitar o entendimento sobre o Observatório Social do Brasil e sua liga-
ção com os Observatórios Sociais iliados, dividimos este tópico em duas partes, 
falando sobre a metodologia de trabalho e o funcionamento da Rede OSB. 
SOBRE A METODOLOGIA DO OBSERVATÓRIO SOCIAL 
O Observatório Social divide sua atuação em quatro eixos: 1. Gestão Pública, 2. 
Educação para a Cidadania Fiscal, 3. Ambiente de Negócios e 4. Transparência, 
Conselhos e Indicadores. Conforme a Figura 5 a seguir, veja sua respectiva 
descrição. 
Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
139
Figura 5 - Eixos de atuação da Rede OSB
Fonte: as autoras.
 ■ Eixo 1. Gestão Pública: os Observatórios Sociais primam pelo trabalho 
técnico, fazendo uso de uma metodologia de monitoramento das com-
pras públicas em nível municipal, desde a publicação do edital de licitação 
até o acompanhamento da entrega do produto ou serviço, de modo a agir 
preventivamente no controle social dos gastos públicos. Essa é a principal 
ação voltada para o controle social. Contudo, os observadores também 
realizam o monitoramento dos cargos em comissão, dos convênios, das 
obras e dos processos em andamento contra a administração municipal 
e fazem o controle dos estoques nos almoxarifados.
A atuação do controle social, exercido pelos observadores, é focada no 
âmbito municipal, estendendo-se à Câmara de Vereadores, tanto na 
questão dos recursos – licitações, diárias e cargos em comissão, quanto 
na produção legislativa. Assim, os observadores também demonstram à 
população a importância do real papel dos vereadores: iscalizar o execu-
tivo municipal e produzir leis e políticas públicas que busquem melhorar 
os serviços prestados à população e a melhoria de vida dos cidadãos.
OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IVU N I D A D E140
Como na Unidade V conversaremos mais especiicamente sobre os resul-
tados, casos de sucesso e boas práticas dos OSs, daremos também mais 
detalhes sobre a metodologia de monitoramento das licitações.
 ■ Eixo 2. Educação Fiscal: a Educação para a Cidadania Fiscal, demons-
trando a importância social e econômica dos tributos e a necessidade de 
o cidadão acompanhar a aplicação dos recursos públicosgerados pelos 
impostos. Esse é o segundo pilar que move o trabalho dos Observatórios 
Sociais, visando a longo prazo, contribuir para a mudança cultural no 
país, fomentando a educação para a cidadania iscal. Cada vez mais faz-
-se necessária sua ampliação para todo o Brasil, como forma de estimular 
novos hábitos e costumes no cidadão de todas as idades, utilizando de 
mecanismos como: palestras, concursos de desenho e redação, teatro de 
fantoches, auditorias cívicas na saúde, Semanas da Cidadania, vídeos e 
jogos educativos.
 ■ Eixo 3. Ambiente de Negócios: no Ambiente de Negócios o trabalho dos 
Observatórios Sociais tem o objetivo de ampliar o número de fornecedo-
res nas compras públicas, garantindo melhores condições de negociação 
para o gestor, reduzindo preços e melhorando a qualidade dos produtos 
ou serviços, além de evitar o oferecimento de propina e o direcionamento 
para alguma empresa especíica. Para cumprimento desse objetivo, os OSs 
realizam a divulgação ostensiva dos editais de licitação, por meio de um 
sistema informatizado oferecido pelo OSB; e promovem palestras e capa-
citações para as empresas locais, visando habilitá-las como fornecedores 
das compras governamentais. 
Também importa aos observadores a inserção da micro e pequena empresa 
nos processos licitatórios, contribuindo para geração de emprego e redução 
da informalidade, bem como aumentando a concorrência e melhorando 
qualidade e preço nas compras públicas e contribuindo para o desenvol-
vimento local, porque garante que os recursos públicos municipais, gastos 
em licitações, permaneçam circulando no comércio local.
 ■ Eixo 4. Transparência: esse eixo fecha o “circuito” do trabalho dos OSs, 
pois sem monitorar o portal de transparência do município, em que 
devem estar publicados todos os atos e a contabilidade da prefeitura e 
da câmara municipais, o trabalho de um observador não se completa. 
Assim, os OSs realizam periodicamente o monitoramento dos portais, por 
Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
141
meio de checklist especíico, geralmente em parceria com o Ministério 
Público. Ao identiicar alguma irregularidade, oicia-se ao gestor solici-
tando a devida correção. 
Neste eixo também é realizado um trabalho de aproximação com os 
Conselhos Municipais, especialmente aqueles que votam recursos e pres-
tações de contas da prefeitura. Nessa “aproximação” o OS se coloca à 
disposição dos conselheiros para apoiá-los no seu trabalho, tanto ofere-
cendo as informações coletadas no monitoramento das compras do setor 
especíico, como saúde, educação, assistência social e alimentação esco-
lar, quanto promovendo capacitações para sua qualiicação. 
Cabe ainda neste eixo, falar algo sobre a construção de Indicadores da 
Gestão Pública (IGPs), com base na execução orçamentária e nos indica-
dores sociais do município, fazendo o comparativo com outras cidades de 
mesmo porte. É um trabalho inédito realizado por estatístico voluntário, 
que permite aos observadores avaliarem a qualidade dos gastos munici-
pais, por função de governo (secretarias). 
Para encerrar este eixo, a metodologia do OSB prevê que a cada 4 meses 
os OSs realizem a apresentação do seu Relatório Quadrimestral, com 
prestação de contas do seu trabalho à sociedade, mostrando o que foi 
monitorado naquele período e quais foram os resultados alcançados.
SOBRE O FUNCIONAMENTO DA REDE OSB
Os Observatórios Sociais são organizados em rede, coordenada pelo Observatório 
Social do Brasil (OSB), que assegura a disseminação da metodologia padroni-
zada para atuação dos observadores, promovendo a capacitação e oferecendo o 
suporte técnico aos OSs, além de estabelecer as parcerias estaduais e nacionais 
para o melhor desempenho das ações locais (OSB, [2017], on-line)8. 
Embora tenha a estrutura jurídica em formato associativista e federativo, o 
funcionamento do OSB acontece em forma de “rede”, cuja comunicação é hori-
zontal e as boas práticas são compartilhadas e incorporadas nos programas de 
trabalho.
OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IVU N I D A D E142
Desde sua fundação, o OSB assumiu a “guarda” dos princípios e diretrizes 
do trabalho dos OSs, de forma a manter a identidade e a metodologia padroni-
zadas e a garantir que em todas as cidades sejam respeitados os princípios, as 
diretrizes, a metodologia, o nome e a marca. Vamos conhecer um pouco sobre 
isso, iniciando pela síntese do Quadro 6 a seguir. 
Quadro 6 - Resultados da atuação dos OS
PRINCÍPIO 
GERAL
A justiça social será alcançada quando todos os agentes eco-
nômicos recolherem seus tributos corretamente e os agentes 
públicos os aplicarem com ética e eicácia.
MISSÃO
Despertar o espírito de Cidadania Fiscal na sociedade organiza-
da, tornando-a proativa, por meio do seu próprio Observatório 
Social, exercendo a vigilância social na sua comunidade, inte-
grando a Rede de Observatório Social do Brasil.
VISÃO
Ser uma rede nacional propulsora do controle social para o apri-
moramento da gestão pública e integridade empresarial.
VALORES
Apartidarismo; cidadania; comprometimento com a justiça 
social; atitude ética, técnica e proativa; ação preventiva e visão 
de longo prazo.
OBJETIVO
Fomentar e apoiar a consolidação da Rede OSB de Controle 
Social, a partir da padronização dos procedimentos de monito-
ramento e controle da gestão pública, além da disseminação de 
ferramentas de educação iscal e de inserção da micro e peque-
na empresa no rol de fornecedores das prefeituras municipais.
OBJETO DE 
ATUAÇÃO
As ações de educação para a cidadania iscal e controle social 
focadas no presente serão objeto de atuação do OS, atuando 
preventivamente, em tempo real, contribuindo para a eiciência 
da gestão pública, por meio da vigilância social da execução 
orçamentária, em sinergia com os órgãos oiciais controladores.
 Fonte: OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL (2017, on-line)8.
Considerando a necessidade de padronização na atuação dos OSs que integram 
a Rede OSB de Controle Social, conforme deinido em reuniões e encontros dos 
observadores, o primeiro documento a ser criado para orientação aos interes-
sados em criar um OS, foi a Orientação Normativa nº 01, que dá as primeiras 
coordenadas sobre os princípios e diretrizes da Rede para cidadãos que procu-
ram informações. 
Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
143
A seguir, transcrevemos parte da O.N nº 01, de forma a apresentar seu con-
teúdo e estimular sua leitura no site do OSB.
Quadro 7 - Orientação Normativa nº 1
ORIENTAÇÃO NORMATIVA N° 01 - NORMAS GERAIS
[...] Considerando o interesse das entidades representativas da sociedade em 
atuar proativamente no pleno exercício da cidadania e em favor da justiça social 
e considerando que o Observatório Social do Brasil – OSB atua especiicamente 
na busca da transparência e qualidade na aplicação dos recursos públicos, deixa 
claro as seguintes premissas:
a) O Observatório Social municipal, estadual ou federal deverá ser constituído 
como pessoa jurídica, em forma de associação, com registro no cadastro 
nacional de pessoas jurídicas – CNPJ, sendo fundado pelo maior número 
possível de entidades da sociedade civil. Para tanto, o ato da sua constituição 
deverá seguir todos os ritos legais, de modo a garantir a ampla publicidade 
para participação da sociedade, sem vínculos partidários.
1. Cada OS deve limitar sua atuação à respectiva esfera de competência: Se Mu-
nicipal, à Prefeitura e Câmara municipaise entidades vinculadas; Se Estadual, 
ao Governo do Estado e Assembleia Legislativa, bem como entidades vincu-
ladas; Se Federal, aos órgãos da Administração Federal e Congresso Nacional.
2. O OS local poderá apoiar as ações do Observatório Estadual ou Federal, no 
tocante à extensão dos trabalhos.
b) Será objeto de atuação do OS as ações de cidadania iscal e controle social a 
partir de sua fundação, atuando preferencialmente no presente e de forma 
preventiva, contribuindo para a eiciência da gestão pública, por meio da 
vigilância social da execução orçamentária, em sinergia com os órgãos insti-
tucionais de controle das esferas Estaduais e Federal, como Ministério Público, 
Tribunal de Contas, Judiciário e Órgãos de Controle Interno. 
c) O OS seguirá todas as diretrizes, programas e projetos do OSB, para quali-
dade na aplicação dos recursos públicos, agindo com total transparência de 
todos os seus atos e efeitos. Todas as ações de controle social serão levadas a 
público, formalmente, por meio dos relatórios quadrimestrais de prestação de 
contas.
d) O OS será uma ferramenta de controle social a disposição dos cidadãos, sem 
vinculação partidária e sem caráter personalístico individual, atuando demo-
craticamente em nome da coletividade, seguindo as normativas estabelecidas 
pela Rede OSB de Controle Social.
Fonte: Observatório Social do Brasil (2016, p. 1-2, on-line)9
Em 2009, quando o trabalho dos OS foi premiado pela ONU, em ação promovida 
pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), como a 
melhor iniciativa de tecnologia social da América Latina e Caribe, o OSB recebeu 
OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IVU N I D A D E144
consultoria gratuita da Price WaterHouse Coopers, hoje PwC, para manualiza-
ção dos programas e procedimentos de monitoramento de licitações. 
A PwC colheu todos os documentos redigidos até então, entrevistou obser-
vadores e presidentes dos OS, consultou os registros das 14 reuniões realizadas 
entre 2008 e 2009, que balizaram a aplicação e validação da metodologia pelos 
OS, e compilou todo esse material em formato de Manual. Esse Manual de 
Procedimentos foi utilizado até 2015, quando passou a ser revisado e melhor 
estruturado conforme a prática e a necessidade demonstraram. Assim, a par-
tir de 2016, o Manual de Procedimentos foi dimensionado em fascículos, que 
são oferecidos aos novos observadores gradativamente, durante as capacitações 
mensais/virtuais que são realizadas.
Nesse tópico, vale destacar que o Manual de Procedimentos, desde sua publi-
cação em 2010, já trazia também o Código de Conduta para os Observatórios 
Sociais e os Observadores, tratando de disseminar os princípios, as diretrizes e 
as regras de funcionamento dos OS e de conduta dos observadores.
A seguir, apresentamos a Carta de Identidade dos OS, conforme foi elaborada 
em assembleia geral, durante o 1º ENOS – Encontro Nacional dos Observatórios 
Sociais, em 2012, que é a síntese do Código de Conduta. Veja quadro 8 a seguir: 
Observatório Social Brasil: Histórico e Marco Regulatório
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
145
Quadro 8 - Carta de Identidade
Garantir, em qualquer nível organizacional, a associação de pessoas idôneas, sem 
vinculação partidária ou subordinação a órgão observado.
Fundamentar o alicerce institucional a partir da mais ampla diversidade repre-
sentativa da sociedade civil organizada.
Estimular o trabalho voluntário no controle social e pela cidadania iscal.
Respeitar as diretrizes estabelecidas pelo Observatório Social do Brasil, funda-
mentado na padronização dos trabalhos.
Primar pela sustentabilidade ética, sem vínculo com recursos de órgão iscaliza-
do ou de fonte inidônea.
Garantir a adequação dos Estatutos Sociais ao do Observatório Social do Brasil.
Submeter-se ao Conselho de Ética instituído pelo Observatório Social do Brasil.
Primar pela qualidade da aplicação dos recursos públicos e estimular a cidadania 
iscal, focado no interesse coletivo.
Divulgar, pública e periodicamente, os relatórios de atividades e prestação de 
contas, aprovadas pela diretoria.
Manter uma postura imparcial e impessoal, focada na avaliação construtiva de 
processos e resultados.
Fonte: OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL (2012, on-line)10.
Dessa maneira, evidenciamos a preocupação e o cuidado da Rede OSB com o 
respeito e manutenção dos seus princípios, valores e diretrizes, como forma de 
garantir a credibilidade do seu trabalho, seja aonde for. A seguir, vamos apre-
sentar orientações sobre como articular a formação de um OS.
Todos os novos OSs recebem o “enxoval” completo, contendo: pacote de iden-
tidade e comunicação – logomarca padrão, contas de e-mail, página na Web e 
Manual de Comunicação; pacote de capacitações e manuais de orientação e apoio; 
sistemas informatizados e pacote Oice da Microsot; suporte técnico contínuo.
Para entender melhor a diferenciação entre os papéis do OSB e de cada OS 
iliado, explicitamos a seguir o que faz o OSB:
 ■ Articula e coordena a Rede dos Observatórios Sociais.
 ■ Responde pela guarda dos princípios e diretrizes da Rede.
 ■ Apoia e orienta a criação de novos OSs.
OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IVU N I D A D E146
 ■ Fornece a metodologia e sistemas de trabalho.
 ■ Propõe e aperfeiçoa os padrões de atuação.
 ■ Oferece capacitação e suporte técnico de maneira contínua.
 ■ Supervisiona e promove a certiicação dos OSs iliados.
 ■ Estabelece as parcerias nacionais e estaduais.
 ■ Atua em nível nacional.
O que fazem os Observatórios Sociais:
 ■ Aplicam as diretrizes da Rede OSB, respeitando os princípios.
 ■ Executam os programas de trabalho.
 ■ Agem preventivamente no monitoramento dos gastos públicos municipais.
 ■ Evitam utilização da mídia com notícias denuncistas ou de caráter 
pejorativo.
 ■ Realizam ações de conscientização dos cidadãos.
 ■ Buscam a eiciência da gestão pública.
 ■ Atuam em nível municipal.
Orientações sobre como Articular a Formação de um Observatório Social
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
147
ORIENTAÇÕES SOBRE COMO ARTICULAR A 
FORMAÇÃO DE UM OBSERVATÓRIO SOCIAL
Para a constituição de um novo OS, há um passo a passo a seguir, conforme des-
crito resumidamente na Figura 6, a seguir: 
Figura 6 - Passo a passo para criar um OS
Fonte: Observatório Social do Brasil ([2017], on-line)11.
Sempre que um cidadão ou representante de entidade de um município conhece 
o trabalho dos OS e procura o OSB, realiza um breve cadastro no website e parti-
cipa de uma entrevista por fone ou reunião virtual com a equipe técnica. Recebe 
OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IVU N I D A D E148
as informações iniciais acerca do funcionamento de um OS e dos princípios da 
Rede, incluindo as regras para criação de uma unidade na sua cidade. 
Havendo interesse na continuidade do processo, receberá por meio eletrô-
nico a Orientação Normativa nº 1 e deverá assinar um termo de compromisso, 
assegurando que seguirá as orientações e respeitará os princípios da Rede OSB. 
Nesse momento, a equipe técnica do OSB abre um prontuário em nome da cidade, 
com os registros das pessoas de contato, que se manterá alimentado à medida 
queo processo de constituição do OS local evolua. Nessa fase a cidade é consi-
derada INTERESSADA em criar um OS.
Assinado o Termo de Adesão e Compromisso, pelas pessoas que passaram a 
compor a “comissão organizadora” do novo OS, a cidade entra na fase de instala-
ção e passa a ser chamada CANDIDATA a ter um OS. A comissão organizadora 
recebe as orientações de trabalho, incluindo as subcomissões em 4 áreas: insti-
tucional, de sustentabilidade, operacional e de legalidade. 
O primeiro desaio da comissão é organizar a palestra de sensibilização, que 
será proferida por algum diretor do OSB ou facilitador devidamente treinado. 
Para essa tarefa, a comissão recebe todas as orientações necessárias, a im de 
garantir público qualiicado, ou seja, pessoas ligadas às diversas entidades repre-
sentativas da cidade e formadoras de opinião. Porque o mandamento nº 2 da 
Carta de Identidade fala a respeito da representatividade como forma de garantir 
que o processo seja democrático e que tenha a participação de muitas entidades.
Após a palestra de sensibilização, novas pessoas passam a integrar a comis-
são organizadora, com o propósito de realizar com assertividade as tarefas de 
cada subcomissão. Nessa fase os integrantes da comissão já participam de capa-
citação com a equipe técnica do OSB e seu trabalho é acompanhado à distância, 
por meios eletrônicos. Concluídas as tarefas de cada subcomissão e garantidas a 
representatividade e a sustentabilidade, incluindo a deinição de local para sede 
do OS e todas as condições operacionais para seu funcionamento, a comissão 
organizadora promove a assembleia de constituição do OS local, com a nomi-
nação e eleição da sua primeira diretoria.
Tão logo seja registrado em cartório a ata e o estatuto do novo OS e o ime-
diato registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ, com a retirada 
do alvará de funcionamento junto à prefeitura, a diretoria do novo OS já pode 
Orientações sobre como Articular a Formação de um Observatório Social
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
149
providenciar a documentação para iliação ao OSB.
Tendo se iliado ao OSB, o novo OS entra na terceira fase como UNIDADE 
FILIADA e passa a receber todo o “enxoval” para seu funcionamento, como já 
descrito no tópico Sobre o Funcionamento da Rede OSB, já tendo programada a 
participação da sua diretoria, equipe técnica e voluntários, na capacitação espe-
cíica para cada público.
Os procedimentos, no passo a passo, para constituição de novos OSs objeti-
vam não apenas oferecer o suporte necessário a cada grupo de cidadãos que se 
interessam por esta “ferramenta” de controle social, mas inclusive para garantir 
que os princípios da Rede OSB sejam respeitados, evitando que grupos políti-
cos se apossem dos conhecimentos e instrumentos, imagem e logomarca dos 
OSs para outros ins. E até mesmo como forma de garantir que o novo OS tenha 
todas as condições operacionais, técnicas e de representatividade e sustentabili-
dade, suicientes para que seu perfeito funcionamento e manutenção. 
Para complementar e facilitar o trabalho da comissão organizadora no cum-
primento dos procedimentos e o alcance dos objetivos de constituição de um OS 
forte e sustentável, o OSB oferece ainda modelos de diversos documentos, desde 
o projeto de implantação e o estatuto social, até convite para palestra de sensibi-
lização e o edital de convocação de assembleia. Tudo o que foi desenvolvido de 
orientações e modelos que se tornaram boas práticas na constituição de novos 
OSs é repassado gratuitamente para a comissão organizadora, inclusive o aten-
dimento personalizado em reuniões virtuais, além da capacitação em grupos.
O Observatório Social de Porto Alegre é o melhor exemplo de atendimento 
aos procedimentos, pois levou o OSPOA, como é chamado, à conquista de muitas 
entidades que oferecem apoio institucional e outras tantas que oferecem recursos 
inanceiros (mantenedoras) e se tornou um modelo a ser seguido pelos novos OSs.
Você entende que princípios, diretrizes e metodologia de trabalho são im-
portantes para manter uma organização alinhada e coesa por muito tempo?
OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL – HISTÓRICO E METODOLOGIA
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
IVU N I D A D E150
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com a chamada “Constituição Cidadã”, de 2008, o Brasil avançou muito nas ques-
tões de direitos dos cidadãos e deveres do Estado, prevendo o controle social e 
os mecanismos de participação nas decisões, controle e iscalização das ações 
dos governantes e da correta aplicação dos recursos públicos.
Nesta Unidade, entendemos que o controle social e o monitoramento das 
ações da Administração Pública são um importante mecanismo de prevenção 
da corrupção e de fortalecimento da cidadania.
Embora tenha a estrutura jurídica em formato associativista e federativo, o 
funcionamento do Observatório Social do Brasil se dá em forma de “rede”, onde 
a comunicação é horizontal e as boas práticas são compartilhadas e incorpora-
das nos programas de trabalho.
Uma base sólida foi construída sobre princípios e valores, que garantem a 
credibilidade do trabalho de cada Observatório Social, cuidados que são repas-
sados desde o primeiro contato de um cidadão que se interessa por disseminar 
o projeto na sua cidade, recebendo também todas as orientações e participando 
de capacitações técnicas, gratuitamente. Diretrizes e regras claras, oferecem 
mais segurança para quem deseja implementar uma unidade do OSB em seu 
município. Não é preciso “inventar a roda”, basta copiar e replicar, assumindo 
o compromisso de respeitar os princípios e seguir a metodologia de trabalho. 
Muitos são os resultados já alcançados pela Rede OSB, mas destacamos 
a força da mobilização de cidadãos voluntários e técnicos e a participação de 
entidades representativas e parceiras. São mais de 40 entidades parceiras com 
acordos de cooperação assinados, em nível nacional, e outras tantas entidades 
locais que apoiam os OSs.
Concluímos que o Observatório Social é uma das inúmeras organizações 
que trabalham em favor da transparência e da correta aplicação dos recursos 
públicos no Brasil, embora como sistema federativo e organizado em rede, seja 
uma das poucas. 
151 
1. Os chamados “recursos públicos” são compostos de taxas, impostos, contribui-
ção de melhoria, tributos, advindos de quais esferas:
I. Municipal.
II. Estadual.
III. Federal.
Podemos airmar que:
a. Somente alternativa I está correta.
b. Somente alternativas I e II estão corretas.
c. Somente alternativas I e III estão corretas.
d. Somente alternativas II e III estão corretas.
e. Todas alternativas estão corretas.
2. A formação de um Observatório Social acontece por meio:
a. Da mobilização de partidos políticos.
b. Da mobilização da Sociedade Civil Organizada.
c. Da mobilização de empresas.
d. Da mobilização de politicos.
e. Da mobilização de Prefeitura Municipal e Câmara de Vereadores.
3. Sobre a forma como atuam os Observatórios Sociais é correto airmar:
a. É um órgão de iscalização externo, cujo trabalho é realizado por proissionais 
altamente qualiicados e remunerados.
b. É uma entidade que estimula o controle social, congregando esforços de téc-
nicos e voluntários que iscalizam e punem os agentes corruptores.
c. É uma associação que, por meio do trabalho voluntário, estimula o controle 
social através do monitoramento da aplicação dos recursos públicos.
d. É uma empresa de auditoria e iscalização dos recursos públicos
e. É um órgão governamental de controle externo.
152 
4. De acordo com o processo de abertura de novas unidades e suas respectivas 
etapas:
I. Interessada considera-se o cidadão, que conheceu o projeto e individual-mente criou um Observatório Social na sua cidade.
II. Interessada considera-se o cidadão ou grupo de pessoas, que conheceu o 
projeto, contatou o Observatório Social do Brasil e buscou orientações para 
constituir uma unidade em sua cidade.
III. Candidata considera-se a cidade que após receber suporte e orientações do 
OSB, cumprir as etapas, estará pronta para fundar uma unidade do Observa-
tório Social.
IV. Candidata considera-se o cidadão que será avaliado pelo OSB e será autoriza-
do ou não a criar um Observatório Social.
Podemos airmar que:
a. Somente alternativa I está correta.
b. Somente alternativas I e IV estão corretas.
c. Somente alternativas I e III estão corretas.
d. Somente alternativas II e III estão corretas.
e. Todas alternativas estão incorretas.
5. A Rede OSB preza muito os seus princípios e diretrizes, tem um Código de Con-
duta e sua síntese na forma da Carta de Identidade dos OSs. Quais são os dois 
“mandamentos” mais importantes para constituição de um novo OS?
a. A participação de políticos e os recursos inanceiros de origem pública.
b. A não iliação partidária de nenhum de seus membros e a representatividade 
da sociedade local.
c. A valorização do voluntariado e a iscalização dos recursos públicos.
d. O reconhecimento da sociedade local e a punição dos corruptos.
e. O monitoramento das licitações e o relatório quadrimestral.
153 
No site do Observatório Social do Brasil encontram-se alguns trabalhos de conclusão 
de cursos de graduação, pós-graduação, mestrado ou doutorado, dos quais salienta-
mos o de autoria de Marcus Aurélio Alves Carneiro, de Cuiabá-MT, 2015, sob o título 
“Instrumentalização Do Controle Social: a experiência da Rede Observatório Social do 
Brasil (OSB)”, trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de Pós-graduação 
em Direito: Administração Pública e Controle Externo da Fundação Getúlio Vargas do 
Rio de Janeiro. Destacamos o trecho a seguir como leitura complementar acerca do 
tema “controle social”. 
Emerson Afonso da Costa Moura e Laila Rainho de Oliveira trazem uma deinição inte-
ressante sobre o controle social[...]: 
Compreende o controle social, o conjunto de instrumentos empregados 
pela sociedade, capaz de induzir a conformação dos Poderes Públicos às 
determinadas diretrizes, ordenando a atuação institucional no ambiente 
social e estabelecendo as condições necessárias para que sejam alcan-
çados os ins e objetivos almejados pelo grupo social. O controle social 
pode ser exercido de forma direta pelo grupo social, através de instru-
mentos administrativos que buscam atribuir através da participação, 
colaboração e avaliação um maior grau de racionalidade, legitimidade e 
eiciência à gestão administrativa, mas que demandam acesso às infor-
mações necessárias acerca da atividade administrativa. 
Luiz Henrique Lima, em sua obra Controle Externo, dedica ao controle social todo um 
subtítulo do primeiro capítulo, iniciando com os seguintes dizeres [...]: 
Numa democracia, o controle social é exercido desde o processo de 
elaboração das políticas públicas, por exemplo, mediante consultas e 
audiências públicas, até o acompanhamento e monitoramento de sua 
execução. Transparência e participação na gestão pública são fatores de-
terminantes para o controle efetivo da sociedade sobre a gestão pública. 
Jair Lima Santos, citado por Luiz Henrique Lima, [...]caracteriza o controle social como 
“controle público não estatal, que atua de fora para dentro do Estado, como exercício do 
direito de iscalização da atividade pública, complementar ao estatal, sustentando que 
a efetividade da atuação do TCU converge para a ampliação da participação popular no 
exercício do controle”. 
Benjamin Zymler e Guilherme Henrique de La Rocque Almeida, citados por Luiz Hen-
rique Lima [...], preconizam que a eicácia do controle social “dependerá do estabele-
cimento de vínculos sistêmicos entre a sociedade civil organizada e os entes estatais 
encarregados do controle. Ou seja, eles acreditam que não é possível exercer controle 
social sem a participação do controle externo e interno, considerados controle oiciais 
(exercidos por órgãos públicos)”. 
Fonte: adaptado de Carneiro (2015)
MATERIAL COMPLEMENTAR
1. O Ministério Público do Paraná, em parceria com muitas entidades da sociedade civil, 
desenvolve o programa PARANÁ SEM CORRUPÇÃO, tendo criado o Guia do Cidadão, o qual 
recomendamos com toda certeza. Acessível pelo link: <http://www.planejamento.mppr.mp.br/
arquivos/File/Geracao_Atitude/GuiadoCidadao2016.pdf>.
2. Uma excelente iniciativa é participar do curso Disseminadores da Educação Fiscal, promovido 
gratuitamente pela Escola de Administração Fazendária. Importante icar atento para abertura de 
novas turmas. Acesse o link: <https://moodle.eadesaf.serpro.gov.br/>.
3. Conira relação completa de contribuições, taxas e outros tributos, relacionados no site: <www.
portaltributario.com.br> 
Para complementar as informações a respeito da Rede OSB, você pode visitar o website, 
acessando o link: <www.osbrasil.org.br>, especialmente a área de comunicação, no menu, 
conferindo as notícias e se cadastrando para receber a Newsletter periodicamente.
O Observatório Social do Brasil criou um canal na internet chamado TV OSB, que publica 
programas, em vídeo, sobre o trabalho realizado pelos OSs.
Para saber mais sobre o passo a passo para constituição de um OS, indicamos conhecer a 
experiência de sucesso do OSPOA. 
Para isso, assista ao 3º programa da TV OSB, no site do OSB, acessando o link: <http://osbrasil.org.
br/tv-osb/>
REFERÊNCIAS
155
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasí-
lia, DF: Senado Federal: Centro Gráico, 1988. 
CARDOSO, U. C. OSCIP: organização da sociedade civil de interesse público. Brasília, 
Sebrae, 2014.
CARNEIRO, M. A. A. Instrumentalização do Controle Social: a experiência da Rede 
Observatório Social do Brasil (OSB). Trabalho de Conclusão de Curso. Curso de Di-
reito. Cuiabá/MT: FGV, 2015. Disponível em: <http://osbrasil.org.br/wp-content/
uploads/2015/10/TCC-OSB-MARCUS-AURELIO-ALVES-CARNEIRO.pdf>. Acesso em: 
16 jan. 2017.
CONTROLADORIA-GERAL DA UNIÃO. Olho Vivo no dinheiro público. Um guia para 
o cidadão garantir os seus direitos. Edição Revisada. Brasília: controladoria geral, 
2009. Disponível em: <http://www.cgu.gov.br/Publicacoes/controle-social/arqui-
vos/cartillhaolhovivo_baixa_v2.pdf>. Acesso em: 16 jan. 2017.
JUNGES, F.; CARDOSO, L. Como o Controle Social Pode Melhorar a Gestão Pública 
Utilizando Observatórios Sociais Como Ferramenta. Curitiba: FESP – Faculdade 
de Educação Superior do Paraná, 2015.
REFERÊNCIAS
REFERÊNCIAS ON-LINE
1Em: <http://osbrasil.org.br/>. Acesso em: 13 fev. 2017. 
2Em: <http://osbrasil.org.br/observatorios-pelo-brasil/ >. Acesso em: 13 fev. 2017. 
3Em: <http://osbrasil.org.br/osb-faz-um-balanco-do-ultimo-ano-e-preve-novida-
des-pra-2017 >. Acesso em: 13 fev. 2017. 
4Em: <http://www.portaltributario.com.br/tributos.htm>. Acesso em: 13 fev. 2017. 
5Em: <www.iepr.org.br/sombradoimposto>. Acesso em: 13 fev. 2017. 
6Em: <http://docslide.com.br/documents/observatorio-social-programa-do-volun-
tariado-da-classe-contabil-julho-de-2010.html>. Acesso em: 13 fev. 2017. 
7Em: <http://www.cgu.gov.br/assuntos/controle-social/consocial/arquivos/lista80_
propostas_inais.pdf>. Acesso em: 13 fev. 2017. 
8Em: <osbrasil.org.br/o-que-e-o-observatorio-social-do-brasil>. Acesso em: 13 fev. 
2017. 
9Em: <http://osbrasil.org.br/wp-content/uploads/2017/01/OSB_ON-n%C2%BA1-a-
tualizada.pdf>. Acesso em: 13 fev. 2017. 
10Em: <http://osbrasil.org.br/carta-de-identidade-dos-observatorios-sociais/>. 
Acesso em: 13 fev. 2017. 
11Em: <http://osbrasil.org.br/como-constituir-um-os/>. Acesso em: 13 fev. 2017. 
GABARITO
157
1. Resposta: alternativa E.
2. Resposta: alternativa B.
3. Resposta: alternativa C.
4. Resposta: alternativa D.
5. Resposta: alternativa B.
U
N
ID
A
D
E V
Professora Esp. Roni Enara Rodrigues
EXPERIÊNCIAS E CASOSDE SUCESSO DO 
OBSERVATÓRIO SOCIAL
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Apresentar a experiência dos voluntários atuantes na Rede Observatório 
Social do Brasil
 ■ Oferecer orientações e esclarecimentos sobre o trabalho dos observadores
 ■ Apresentar o relato dos resultados, casos de sucesso e boas práticas dos 
observadores sociais
 ■ Promover a relexão sobre a importância do controle social para a eiciência 
da gestão pública e correta aplicação dos recursos públicos
Plano de Estudos
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Experiência de atuação do Observatório Social do Brasil
 ■ Relato de casos de sucesso da atuação do Observatório Social do Brasil
Introdução
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
161
INTRODUÇÃO
Olá, Caro(a) Aluno(a)! Nesta unidade falaremos sobre o estrago que a corrupção 
faz no Brasil, corroendo os recursos, as possibilidades e as esperanças dos cida-
dãos. Dados de pesquisas realizadas por institutos e universidades de renome 
ilustram o fato da corrupção estar incorporada no seio do Brasil como uma cultura.
Como não só de corrupção vive a ineiciência da gestão pública no Brasil, 
também será abordada a questão da transferência do conhecimento e das fer-
ramentas de gestão empresarial para a área pública, que é uma das propostas 
do Observatório Social do Brasil (OSB) uma vez que seu propósito é contribuir 
com a eiciência da gestão pública.
O diferencial do trabalho dos OSs é a ação preventiva, antes dos recursos 
públicos serem gastos, evitando o desperdício ou o desvio do dinheiro do cida-
dão. Você conhecerá um pouco mais sobre a experiência de atuação da Rede 
OSB, incluindo seus programas e subprogramas, conforme os eixos de atuação 
já explicitados na Unidade IV. Falaremos sobre a metodologia de monitoramento 
das licitações, com luxograma de trabalho e conquistas de resultados, dentro 
das prerrogativas legais. 
As boas práticas e casos de sucesso serão apresentados, demonstrando como 
é possível mudar a realidade do serviço público no Brasil, quando o cidadão 
participa e se envolve no cotidiano da sua cidade, acompanhando a atuação do 
executivo e do legislativo municipal. Os resultados positivos poderão estimular 
a pesquisa e o interesse em participar desta iniciativa de controle social e como 
uma opção para exercer a cidadania de maneira prática e efetiva. 
Você também será estimulado a participar do Pacto Pelo Brasil, respondendo 
à pergunta: qual a sua contribuição para o Brasil tornar-se um ambiente “Área 
Livre de Corrupção”? Esse é o grande desaio de todos os brasileiros que dese-
jam legar uma nova Nação para as gerações futuras! 
EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
VU N I D A D E162
EXPERIÊNCIA DE ATUAÇÃO DO OBSERVATÓRIO 
SOCIAL DO BRASIL
Para facilitar o entendimento acerca da atuação do OSB, falaremos um pouco 
sobre controle social, corrupção, ineiciência da gestão pública. Em seguida, 
conheceremos a metodologia de atuação, com foco no monitoramento das lici-
tações, passando nosso olhar também sobre a câmara de vereadores.
CONTROLE SOCIAL, CORRUPÇÃO E INEFICIÊNCIA
Caro(a) aluno(a), não podemos falar de controle social sem falar da corrupção e 
da ineiciência da gestão pública. Um dos materiais mais contundentes já publica-
dos a respeito, refere-se à experiência da AMARRIBO – Associação dos Amigos 
de Ribeirão Bonito, em São Paulo, publicada no livro “O Combate à Corrupção 
nas Prefeituras do Brasil” que, em 2012 já teve sua 5ª edição.
Transcrevemos no Quadro 1 a seguir um texto de muita relevância, com o 
título “Porque Lutar Contra a Corrupção”.
Experiência de Atuação do Observatório Social do Brasil
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
163
Quadro 1 - Porque Lutar Contra a Corrupção
PORQUE LUTAR CONTRA A CORRUPÇÃO
O exercício da cidadania requer indivíduos que participem cotidianamente da 
vida de sua cidade. Organizados para alcançar o desenvolvimento da comunida-
de onde vivem, devem exigir inicialmente comportamento ético dos ocupantes 
dos poderes constituídos e eiciência na gestão dos serviços públicos. Uma das 
obrigações mais importantes do cidadão é não aceitar ser vítima da corrupção. 
De qualquer modo que se apresente, a corrupção é um dos grandes males que 
destrói a vida social e desqualiica o poder público em nosso século. É, compro-
vadamente, uma das causas decisivas da carência dos serviços públicos essen-
ciais, da pobreza de muitos municípios e razão da penúria inanceira de cidades 
e da miséria permanente de muitos países.
A corrupção corrói a dignidade do cidadão, deteriora o convívio social, contami-
na os indivíduos e compromete a vida das gerações atuais e futuras. Os impostos 
pagos pelos cidadãos são apropriados por agentes gananciosos. Os indivíduos 
para se protegerem, isolam-se nos seus interesses particulares e a desconiança 
mútua rompe os laços de solidariedade social. Opor-se à corrupção é, pois, um 
dever de quem acredita na capacidade de se construir uma vida digna. Aceitar a 
corrupção é deixar-se corromper por ela. 
As consequências da corrupção são graves, pois o desvio de recursos públicos 
arruína todos os serviços urbanos, inviabiliza a melhoria dos equipamentos 
necessários ao bem-estar dos cidadãos e impede a construção e conclusão de 
obras indispensáveis às cidades e ao país. 
Os efeitos mais visíveis da corrupção são perceptíveis na carência crônica de ver-
bas para obras públicas, para a manutenção dos serviços nas cidades e, sobretu-
do, para garantir o direito à educação e à saúde de qualidade. 
A corrupção afeta seriamente a educação e a assistência aos estudantes, pois 
os desvios subtraem recursos destinados ao material escolar, à melhoria dos 
espaços da escola, à merenda adequada para crianças, à formação dos professo-
res entre outras. Prejudica, desse modo, não só toda a educação escolar, como 
também o desenvolvimento intelectual e cultural de crianças e jovens, e os con-
denam a uma vida com menores perspectivas de um futuro melhor. A corrupção 
é, por isso, intolerável. 
A corrupção também subtrai verbas indispensáveis à saúde, comprometendo 
diretamente o bem-estar dos cidadãos, pois impede as pessoas de ter acesso 
à prevenção de males que poderiam ser debelados, ao tratamento de doen-
ças que poderiam ser facilmente curadas ou de sofrimentos que poderiam ser 
aliviados. Pode até mesmo encurtar, injustamente, muitas vidas, condenando-as 
prematuramente à morte. A corrupção, por esses motivos é abominável e jamais 
deve ser admitida na vida social. 
EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
VU N I D A D E164
O desvio sistemático de recursos públicos que seriam aplicados na melhoria da 
sociedade condena não só as cidades, mas também o país ao subdesenvolvi-
mento econômico e social crônicos. Por isso o combate à corrupção nas adminis-
trações públicas deve ser um compromisso de todas as pessoas que se preocu-
pam com o desenvolvimento social e querem construir um país melhor para si e 
seus ilhos.
Aqueles que compartilham da corrupção, ativa ou passivamente, e os que dela 
tiram algum tipo de proveito comprometem, eticamente, O combate à cor-
rupção nas prefeituras do Brasil 15 a administração e o convívio decente e não 
podem gerir os negócios públicos; pelo contrário, devem ser responsabilizados 
civil e criminalmente por todos os atos comissivos e omissivos que solapam oerário público. 
Não se pode admitir que a corrupção seja aceita como fato natural no dia-a-dia 
das pessoas e, portanto, admitida como um comportamento aceitável na socie-
dade. O volume de recursos mobilizados pelo setor público atrai a ganância dos 
malfeitores e estimula a formação de quadrilhas que evoluem para o crime orga-
nizado, o tráico de drogas e de armas, e o adensamento de criminosos provoca 
a violência em todos os setores da sociedade. 
Além disso, as pessoas e investidores sérios afastam-se de cidades e regiões 
onde vigoram práticas de corrupção e de descontrole administrativo. Os cor-
ruptos também, para ocultar os recursos amealhados das comunidades locais, 
tendem ardilosamente a aplicar o dinheiro desviado longe dos locais onde os 
delitos foram praticados e prejudicam duplamente as comunidades afetadas. Em 
ambiente em que predomina a corrupção, diicilmente prosperam projetos de 
desenvolvimento econômico e social se antes ela não for extirpada da adminis-
tração Pública. 
É inaceitável e inadmissível que a corrupção possa ter espaço na cultura na-
cional. Além do desvio de recursos públicos, a corrupção deve ser entendida 
também pela ineiciência na gestão pública, onde os recursos gastos em nada 
contribuem para garantir os direitos da população. 
O combate às numerosas modalidades de desvio de recursos públicos deve, por-
tanto, constituir-se em compromisso de todos os cidadãos e grupos organizados 
que almejem construir uma sociedade mais justa e equilibrada. É um dever dos 
pais para com seus ilhos, uma obrigação moral da geração atual para com as 
gerações futuras. É também um dever social: de nada adianta uma sociedade 
organizada ajudar na canalização de esforços e recursos para projetos sociais, 
culturais ou de desenvolvimento se as autoridades responsáveis por esses pro-
jetos se dedicam ao desvio do dinheiro público para seus interesses particulares 
ou para negócios escusos.
Fonte: Amarribo (2012, p. 13).
Experiência de Atuação do Observatório Social do Brasil
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
165
Cabe complementar o texto citado com dados da corrupção no Brasil, que 
demonstram o tamanho do desaio que precisamos enfrentar. Especialmente por 
conta da cultura do “levar vantagem” que se instalou em nosso país há muito 
tempo, levando a maioria dos cidadãos a encarar a corrupção como uma “coisa 
normal”. Os dados foram apresentados durante palestra realizada no Fórum 
Paraibano de Combate à Corrupção, em 2015, intitulada “Cooperação para a 
Prevenção e o Combate à Corrupção” do Dr. Fábio George Cruz da Nóbrega, 
Procurador do Ministério Público Federal e membro do Conselho Nacional do 
Ministério Público. 
Quadro 2 - Estimativa de prejuízo
PERDA ANUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA COM A CORRUPÇÃO
• 2,3 % do PIB (R$ 100 bilhões) estimativa da FIESP.
• R$ 20 bilhões somente com as licitações viciadas (combinação, cartel, fraude) 
[dados da Secretaria de Direito Econômico, em 2007].
• 25% de desvios dos recursos federais repassados aos municípios/prefeituras 
(cerca de R$ 120 bilhões) [estimativa dos órgãos de iscalização].
• O Banco Mundial estima a perda anual, no mundo, só com suborno e propina, 
em 1 trilhão de dólares.
Fonte: Nóbrega (2016, p. 2)1.
Segundo apresentado pelo Dr. Fábio George, há estudos da Fundação Getúlio 
Vargas (FGV) que indicam que: se o nível de corrupção for reduzido em apenas 
10%, em 25 anos a renda per capita dos brasileiros poderá aumentar em 50%, 
comparados com os dados atuais. No caso de se evitar o prejuízo anual com a 
corrupção, cada brasileiro poderia ter cerca de R$ 500,00 a mais na sua renda 
pessoal, anualmente. Outro dado interessante é que, sem corrupção, o Governo 
Federal poderia duplicar o orçamento das áreas da Saúde e da Educação.
Interessante notar que a população brasileira, em pesquisa realizada pela 
FGV em 2012, já possui uma visão crítica sobre as organizações, provavelmente 
formada pelas notícias veiculadas na mídia de grande alcance e nas experiên-
cias com relação aos serviços prestados por elas. A pesquisa da FGV estabeleceu 
o “ranking da coniança” e, conforme podemos veriicar no quadro abaixo, as 
Forças Armadas, a Igreja Católica e o Ministério Público estão entre as insti-
tuições que a população mais conia. Já o Congresso Nacional e os Partidos 
Políticos, encontram-se com os índices mais baixos, especialmente os Partidos. 
EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
VU N I D A D E166
Veja a seguir, no Quadro 3.
Quadro 3 - Ranking da Coniança
PESQUISA DA FGV (2012)
1. Forças Armadas 72%
2. Igreja Católica 58%
3. Ministério Público 51%
4. Grandes empresas 46%
5. Imprensa escrita 44%
6. Poder Judiciário 39%
7. Governo Federal 38%
8. Polícia 38%
9. Emissoras de TV 36%
10. Congresso Nacional 28%
11. Partidos políticos 8%
Fonte: Nóbrega (2016, p. 26)1.
Infelizmente, o que mais nos assusta é a constatação de que a corrupção está 
instalada no seio da nossa Nação como uma “cultura”. Podemos airmar, pelos 
dados do Instituto Brasileiro de Pesquisas – Ibope (ver quadro 4), já em 2006, 
que a maioria da população brasileira está, por assim dizer, contaminada pelo 
“jeitinho brasileiro” (vide Quadro 4). Essa é a cultura do levar vantagem em 
tudo. Demonstra que nossos cidadãos ainda não conseguem separar o público 
do privado e o fato corrobora para a conirmação do que o trabalho dos OSs tem 
constatado, com airmações como este dito popular: “se é dinheiro público, não 
é de ninguém... então, posso pegar pra mim...”
Quadro 4 - Jeitinho brasileiro
CULTURA DA CORRUPÇÃO
• O “jeitinho brasileiro”: a população brasileira também não aprendeu ainda a 
separar o público do privado. Ibope (2006)
• 75% airmaram que cometeriam atos de corrupção se tivessem oportunidade 
de fazê-lo
• 59% airmaram que, se fossem autoridades, contratariam familiares ou amigos 
para cargos de coniança
• 43% disseram que aproveitariam viagens oiciais para lazer próprio e dos fami-
liares.
Fonte: Nóbrega (2016, p. 17)1.
Já as pesquisas dos Institutos Datafolha e Vox Populi e da Associação dos 
Magistrados do Brasil (AMB), relatadas no quadro a seguir, só vêm conirmar 
o que vínhamos dizendo: quando 79% das pessoas entrevistadas acreditam que 
os eleitores vendem seus votos, percebemos que essa atitude danosa ao sistema 
Experiência de Atuação do Observatório Social do Brasil
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
167
de gestão pública é muito comum. O que nos leva a concluir que aqueles 8% de 
índice de coniança nos partidos políticos (Ranking de Coniança da pesquisa 
da FGV), são apenas um relexo da cultura da população.
Quadro 5 - Cultura da Corrupção
Datafolha (2009) • 36% dos ouvidos já pagaram propina.
• 27% receberam troco a mais e não devolveram.
• 79% acreditam que os eleitores vendem seus votos.
• 13% admite já ter trocado o voto por emprego, dinheiro 
ou presente (esse índice chega a 19% na região Nordeste.
AMB (2010) • 41 % dos eleitores conhecem pessoas que venderam o 
voto.
Vox Populi (2008) • Apenas 4% dos brasileiros airmaram que coniam na 
maioria das pessoas que conhecem.
Fonte: Nóbrega (2016, p. 18)1.
Outros dados interessantes foram constatados em pesquisa realizada pela 
Unicarioca em 2015, junto ao meio acadêmico, conforme apresentado no Quadro 
6 a seguir. Quando constatamos que 69% dos alunos entrevistados admitem ter 
colado nas provas, podemos entender que a “cultura” da corrupção não está 
ligada ao baixo nível de escolaridade, mas a ausência de valores e princípios 
morais e éticos. 
Quadro 6 - PesquisaUnicarioca
CULTURA DA CORRUPÇÃO - UNICARIOCA (2015)
• 58% dos alunos já pediram para colocar o nome em trabalho de grupo sem ter 
participado.
• 68% já copiaram textos da internet para apresentar em seus trabalhos.
• 59 já assinaram lista de presença em nome de colegas.
• 69% já colaram em provas.
Fonte: Nóbrega (2016, p. 21)1.
EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
VU N I D A D E168
Esta é uma das razões pelas quais os OSs investem fortemente nas ações do Eixo 
2: educação para a Cidadania, conforme já descrito na Unidade IV deste livro. 
Porque não basta conhecimento técnico ou escolaridade, é preciso resgatar os 
valores e o espírito de cidadania, em favor do bem coletivo e não dos interes-
ses individuais.
Vale registrar o convite para visita ao site do Ministério da Transparência, 
Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU), para conhecer mais sobre 
as campanhas oiciais de combate à cultura da corrupção e assistir aos vídeos 
sobre a corrupção no cotidiano dos brasileiros. Os links de acesso estão dispo-
níveis nos materiais complementares.
Não há como falar de corrupção sem apresentar a contrapartida dela: a inte-
gridade. Aliás, é a palavra do momento nos assuntos internacionais e nacionais 
na prevenção à corrupção. A Organização das Nações Unidas (ONU), por 
meio do Pacto Global, tem disseminado a ideia nos Grupos de Trabalho (GTs) 
Anticorrupção em vários países, especialmente no Brasil. O OSB tem assento 
no GT Brasil, tendo acompanhado sua dinâmica e proposto ações pertinentes à 
interiorização de atividades que buscam disseminar a cultura da integridade nos 
negócios e na relação entre as pessoas, empresas e poder público. 
O 10º princípio do Pacto Global propõe às empresas “combater a corrupção 
em todas as suas formas, inclusive extorsão e propina”.
Em razão da Operação Lava Jato, que tem revelado ao Brasil e ao mundo os 
bastidores da política e da administração pública federal, o Juiz Dr. Sérgio 
Moro e o Procurador da República Dr. Deltan Dallagnol acabaram registran-
do uma nova expressão para explicar a extensão do intrincado esquema de 
desvios de recursos públicos: “corrupção sistêmica”.
O que você, leitor, pensa a respeito?! 
Experiência de Atuação do Observatório Social do Brasil
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
169
Com foco na dimensão ética e de boa governança da sustentabilidade, 
o GT tem atuado no desenvolvimento de ferramentas e outros recur-
sos para implementação do 10º princípio, contra a corrupção. Entre 
as atividades realizadas, busca promover a capacitação em sistemas 
de compliance, a partir de metodologia própria desenvolvida por seus 
membros, com o objetivo de mitigar riscos. Também foi responsável 
pela versão em português do guia Anticorrupção e Avaliação de Risco, 
lançado em outubro de 2015, e pela promoção do guia combatendo 
a Corrupção no Patrocínio Esportivo e nas Ações de Hospitalidade 
(PACTO GLOBAL, on-line)2.
Como vimos, integridade é um conceito com extensão internacional por meio do 
qual se propõe uma prática de prevenção à corrupção com base na consolidação 
de valores e princípios que induzem ao comportamento ético de empresários, 
empregados, gestores e servidores públicos, políticos e cidadãos.
Nesse mister da prevenção à corrupção e disseminação do conceito e prática 
da integridade, também a CGU tem colaborado divulgando várias publicações 
das quais destacamos a cartilha: Integridade nos Pequenos Negócios, elaborada 
por técnicos da CGU e do Sebrae Nacional.
Importante notar que as empresas, desde a promulgação da Lei Anticorrupção, 
ou Lei da Empresa Limpa (Lei 12.846) em 2013, estão obrigadas a desenvolve-
rem seus planos internos de prevenção à corrupção (sistemas de compliance), 
de maneira a abrandar as penas e multas previstas na Lei, caso algum dos seus 
dirigentes os funcionários sejam indiciados por atos de corrupção na relação 
com o poder público.
Qual é o seu entendimento sobre a relação corruptos e corruptores? Você 
acha que só os políticos são responsáveis pelo caos causado pela corrupção 
no Brasil?!
EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
VU N I D A D E170
 METODOLOGIA DE TRABALHO DOS OBSERVATÓRIOS SOCIAIS
É chegado o momento de falarmos sobre o trabalho dos OSs no exercício do 
controle social sobre a gestão pública municipal, brevemente anunciado na apre-
sentação do Eixo 1. Gestão Pública, na Unidade IV deste livro.
Vale registrar que o trabalho dos OSs, dentro dos 4 Eixos, é dividido em 
Programas e Subprogramas, conforme apresentado no Quadro 7, a seguir:
Quadro 7 - Programas da Rede OSB
Qualidade 
na aplicação 
dos recursos 
públicos
Monitoramento sistemático: das licitações e contratos (desde 
a publicação dos editais até a entrega do produto/serviço); 
da execução orçamentária (receitas e despesas); dos recursos 
humanos (cargos comissionados); da produção legislativa; das 
diárias no legislativo; dos processos judiciários contra órgãos 
públicos e contra seus gestores.
Semeando a ci-
dadania iscal
Realização de eventos de educação iscal, como: concurso de 
redação, concurso de monograia, feirão do imposto, peças de 
teatro, festival de música, pesquisa sobre cidadania.
Dinamizan-
doa cidadania 
iscal
Potencialização dos Conselhos Municipais e aumento da com-
petitividade nas licitações municipais por meio da inserção de 
MPEs, bem como realização de palestras de sensibilização e 
capacitação para empresários, fornecedores e compradores.
Relatório qua-
drimestral
Realização de evento público de prestação de contas e apre-
sentação de relatório das ações do OS, preferencialmente na 
mesma semana em que a prefeitura realiza sua prestação de 
contas quadrimestral, e serão convidados os mantenedores, as 
fundadoras, os apoiadores, representantes de órgãos públicos 
e sociedade.
Indicadores da 
gestão pública
Apresentar para a sociedade os Indicadores da Gestão Pública 
- IGP, para ins de análise comparativa da execução orçamentá-
ria X indicadores socioeconômicos, permitindo a comparação 
com os dados de outras cidades onde há OS.
Fonte: Observatório Social do Brasil (2016, p. 3-4)3.
Nesta unidade focaremos o monitoramento das licitações, atividade prevista no 
Programa Qualidade na Aplicação dos Recursos Públicos, por ser o “carro-
-chefe” do trabalho da Rede OSB no controle social e pelo qual os OSs são mais 
conhecidos, em razão dos excelentes resultados apresentados em economia aos 
cofres municipais, justamente pela ação preventiva que realizam.
Experiência de Atuação do Observatório Social do Brasil
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
171
A metodologia de monitoramento das licitações foi conigurada a partir de 
estudos a respeito do funcionamento das aquisições dentro de uma prefeitura ou 
câmara municipal. Foi testada e aprovada pelos primeiros OSs que constituíram 
o OSB e depois compilada e manualizada pela consultoria da PwC (Unidade IV).
Seguem, portanto, critérios legais e técnicos e não apenas empíricos. Ou 
seja, o processo licitatório é analisado com base no cumprimento dos ritos exi-
gidos pela legislação vigente, especialmente a Lei de Licitações (Lei 8.666/93) e 
a Lei do Pregão (Lei 10.520/02); com base em critérios administrativos e de ges-
tão, como por exemplo a quantidade e a qualidade do que se pretende adquirir; 
e levando em consideração os valores que se pretende pagar pelosprodutos ou 
serviços descritos no edital publicado, se estão de acordo com os valores de mer-
cado e não há sobrepreço. 
Referências legais para os processos licitatórios
Antes de entrarmos nos procedimentos, propriamente ditos, importante conhe-
cer um pouco da sistemática de aquisições nos órgãos públicos. Na Cartilha Olho 
Vivo no Dinheiro Público, publicada pela CGU, encontramos uma explicação 
bem simples sobre licitação:
A licitação acontece quando a prefeitura precisa comprar algum pro-
duto (comida, remédio, material de limpeza etc.) ou contratar serviços 
de uma pessoa ou de uma empresa (para fazer uma obra, asfaltar uma 
rua). A licitação é feita entre diferentes fornecedores. É um aviso, por 
escrito, para todos os interessados em participar. Ganha aquele que ti-
ver qualidade e menor preço. Tudo deve ser feito às claras. É a lei. Só 
nas compras de até R$8 mil a licitação não precisa ser feita. Os adminis-
tradores públicos têm o dever de informar qualquer pessoa a respeito 
de suas licitações (art. 3º da Lei 8.666, de 21/06/93, a Lei das Licita-
ções). Os governos estaduais (governador) e federal (presidente) tam-
bém precisam fazer licitação na hora de comprar. As licitações devem 
ser sempre transparentes e ter editais publicados nos principais jornais 
da região para conhecimento de todos os interessados. 
OLHO VIVO – Muitos administradores públicos costumam fraudar 
ou forjar licitações de várias formas: 1. Não publicando os editais, o que 
limita a participação dos interessados e acaba beneiciando empresas 
de amigos e parentes do prefeito ou de outros gestores. 2.Utilizando 
EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
VU N I D A D E172
documentos falsos para tentar provar a participação de empresas que 
na verdade nem tomaram conhecimento da licitação. 3.Criando, com 
a participação de amigos, empresas “fantasmas”, muitas com endereços 
falsos ou inexistentes. 4. Usando notas iscais “frias” dessas empresas 
“fantasmas”. 5. Direcionando para uma única empresa a totalidade ou 
a imensa maioria das licitações. 6.Pagando integralmente por obras e 
serviços que não foram concluídos (CGU, 2009, p. 24-25).
Em linguagem mais técnica, mas igualmente de fácil compreensão ao cidadão 
leigo, podemos aprender sobre as compras governamentais usando o Manual 
de Licitações do OSB, conforme indicado na seção Materiais Complementares 
desta Unidade.
Veja no Quadro 8, a seguir os Fundamentos Legais para as Licitações Públicas.
Quadro 8 - Fundamentos Legais para as Licitações Públicas
FUNDAMENTOS LEGAIS PARA AS LICITAÇÕES PÚBLICAS
A Constituição Federal de 1988 em seu art. 37, inciso XXI, estabelece que “as 
obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo de 
licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorren-
tes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as 
condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as 
exigências de qualiicação técnica e econômica indispensáveis à garantia do 
cumprimento das obrigações”; e a im de regulamentar as licitações e contratos 
da Administração Pública foi elaborada a Lei 8.666, de 21 de junho de 1993. 
A Lei 8.666/93 regulamenta as modalidades de licitação: concorrência, tomada 
de preços, convite, concurso e leilão. A modalidade de pregão foi oicialmente 
instituída através da Medida Provisória nº 2.026 de 04 de maio de 2000, poste-
riormente renumerada como Medida Provisória nº 2.108, em 27 de dezembro do 
mesmo ano, que foi mais uma vez alterada para nº 2.182, em sua reedição nº 16, 
em junho de 2001, e, inalmente, estendida a todos os entes da Federação com 
sua conversão na Lei Federal nº 10.520 de 17 de julho de 2002. 
A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da 
isonomia e a selecionar a proposta mais vantajosa para a Administração e será 
processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da 
legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da 
probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julga-
mento objetivo e dos que lhes são correlatos (art. 3º da Lei 8.666/93). 
As licitações públicas são divididas em duas fases, sendo a primeira a fase interna 
e a segunda a fase externa. A fase interna é realizada, desde a solicitação de um 
material ou serviço, por meio do setor competente ou seus funcionários (profes-
sores, auxiliares de limpeza, auxiliares de escritório), até a publicação do edital. 
Experiência de Atuação do Observatório Social do Brasil
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
173
A fase externa acontece a partir da publicação do edital, até a sua efetiva con-
tratação. Para a abertura da licitação é necessário que o objeto seja deinido, de 
acordo com as necessidades, a utilidade, e o orçamento disponível; por estes 
motivos é ideal que seja elaborado um Projeto Básico para as licitações de obras 
e serviços ou um Termo de Referência para aquisição de bens e serviços, para 
propiciar uma avaliação de custos detalhada, baseados nos valores de mercado, 
além de conter os quantitativos estimados do objeto periodicamente, e o prazo 
de execução contratual. 
Fonte: Luqui (2014, p. 6).
Toda e qualquer aquisição que um órgão público precise realizar, deve seguir 
estritamente o que a Lei 8.666/93 determina. Conforme o que será comprado 
ou a quantidade há uma modalidade de licitação a ser respeitada. Veja no qua-
dro 9, a seguir, as modalidades de licitação:
Quadro 9 - Modalidades de licitação
SÃO MODALIDADES DE LICITAÇÃO DEFINIDAS ELA LEI 8.666/93, EM SEU ARTIGO 22:
I – Concorrência - é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados que, 
na fase inicial de habilitação preliminar, comprovem possuir os requisitos mínimos 
de qualiicação exigidos no edital para execução de seu objeto. 
II - Tomada de Preços - é a modalidade de licitação entre interessados devidamen-
te cadastrados ou que atenderem a todas as condições exigidas para cadastra-
mento até o terceiro dia anterior à data do recebimento das propostas, observada 
a necessária qualiicação. 
III – Convite - é a modalidade de licitação entre interessados do ramo pertinente 
ao seu objeto, cadastrados ou não, escolhidos e convidados em número mínimo 
de 3 (três) pela unidade administrativa, a qual aixará, em local apropriado, cópia 
do instrumento convocatório e o estenderá aos demais cadastrados na correspon-
dente especialidade que manifestarem seu interesse com antecedência de até 24 
(vinte e quatro) horas da apresentação das propostas. 
IV - Concurso - é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para es-
colha de trabalho técnico, cientíico ou artístico, mediante a instituição de prêmios 
ou remuneração aos vencedores, conforme critérios constantes de edital publica-
do na imprensa oicial com antecedência mínima de 45 (quarenta e cinco) dias. 
V - Leilão - é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para a venda 
de bens móveis inservíveis para a administração ou de produtos legalmente 10 
apreendidos ou penhorados, ou para a alienação de bens imóveis, prevista no art. 
19, a quem oferecer o maior lance, igual ou superior ao valor da avaliação. 
Além das modalidades regulamentadas em 1993, a Lei 10.520/02 regulamentou 
uma nova modalidade de licitação que pode ser denominada da seguinte forma: 
EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
VU N I D A D E174
I - Pregão - é a modalidade de licitação para aquisição de bens e serviços comuns,poderá ser realizado pregão por meio da utilização de recursos de tecnologia da 
informação, nos termos de regulamentação especíica. 
Em alguns casos descritos na Lei, podem ocorrer Licitações Dispensadas, como 
previsto no Art. 17, o objeto pode ser adquirido por Dispensa de Licitação nos 
casos mencionados no Art. 24 e ainda em alguns casos especíicos, a aquisição 
de serviços pode ser realizada através da chamada Inexigibilidade, tratada no Art. 
25. Veja o anexo IV, onde colocamos um arquivo disponibilizado pelo TCU e que 
detalha estas modalidades. 
As modalidades de licitação são determinadas tendo em vista o valor estimado 
para contratação, conforme Art. 23 da Lei 8.666/93: 
I - para obras e serviços de engenharia: a) convite - até R$ 150.000,00 (cento e 
cinquenta mil reais); b) tomada de preços - até R$ 1.500.000,00 (um milhão e 
quinhentos mil reais); c) concorrência - acima de R$ 1.500.000,00 (um milhão e 
quinhentos mil reais).
II - para compras e serviços não referidos no inciso anterior: a) convite - até R$ 
80.000,00 (oitenta mil reais); b) tomada de preços - até R$ 650.000,00 (seiscentos 
e cinquenta mil reais); c) concorrência - acima de R$ 650.000,00 (seiscentos e 
cinquenta mil reais). 
Além destes valores a Lei 8.666/93, também prevê o valor máximo a ser contra-
tado nos casos Dispensáveis de Licitação, em seu art. 24, que se encaixem nos 
incisos I e II. 
I - para obras e serviços de engenharia de valor até 10% (dez por cento) do limite 
previsto na alínea “a”, do inciso I do artigo anterior, desde que não se reiram a 
parcelas de uma mesma obra ou serviço ou ainda para obras e serviços da 11 
mesma natureza e no mesmo local que possam ser realizadas conjunta e conco-
mitantemente; ou seja, até R$ 15.000,00 (quinze mil reais).
II - para outros serviços e compras de valor até 10% (dez por cento) do limite 
previsto na alínea “a”, do inciso II do artigo anterior e para alienações, nos casos 
previstos nesta Lei, desde que não se reiram a parcelas de um mesmo serviço, 
compra ou alienação de maior vulto que possa ser realizada de uma só vez; ou 
seja, até R$ 8.000,00 (oito mil reais).
Fonte: Luqui (2014, p. 11-13).
Experiência de Atuação do Observatório Social do Brasil
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
175
A fase externa do processo licitatório inicia-se com a publicação do edital, 
momento em que qualquer cidadão ou empresa interessada em fornecer para 
o órgão público tem acesso ao descritivo dos produtos ou serviços que o órgão 
deseja adquirir. É também nessa fase que se inicia o trabalho dos observadores 
sociais na análise do cumprimento dos aspectos legais e na confrontação dos 
preços que o órgão se propõe a pagar pelos produtos ou serviços, podendo pro-
por as alterações necessárias e até a impugnação do processo, conforme art. 41 
da Lei Geral de Licitações:
Art. 41. A Administração não pode descumprir as normas e condições 
do edital, ao qual se acha estritamente vinculada. 
§ 1º Qualquer cidadão é parte legítima para impugnar edital de lici-
tação por irregularidade na aplicação desta Lei, devendo protocolar o 
pedido até 5 (cinco) dias úteis antes da data ixada para a abertura dos 
envelopes de habilitação, devendo a Administração julgar e responder 
à impugnação em até 3 (três) dias úteis, sem prejuízo da faculdade pre-
vista no § 1º do art. 113. § 2º (apud LUQUI, 2014, p. 18).
Chamamos a atenção para uma citação de Aguillar no artigo de pós-gradu-
ação “Como O Controle Social Pode Melhorar A Gestão Pública Utilizando 
Observatórios Sociais Como Ferramenta”, das acadêmicas Fernanda Junges e 
Letícia Cardoso, publicado no website do OSB, tratando exatamente da razão 
pela qual um órgão público deve proceder nas aquisições, ao rigor da Lei:
O interesse em jogo quando se procede a uma licitação pública não 
é, exclusivamente, o da empresa concorrente que quer adjudicar uma 
obra ou um serviço rentável economicamente, mas o interesse dos ci-
dadãos de zelar pelo bom uso da coisa pública, notadamente seus re-
cursos inanceiros (AGUILLAR; 1999, p. 109).
Sobre os procedimentos padronizados no monitoramento das 
licitações
Com o intuito de capacitar e facilitar aos observadores o entendimento acerca 
do monitoramento das licitações, nas suas três fases, a equipe técnica do OSB 
desenvolveu o POP das Licitações (procedimento operacional padrão).
EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
VU N I D A D E176
Na Figura 1 a seguir, icam demonstrados os passos que são traçados pelos 
observadores no monitoramento das licitações.
Figura 1 - Fluxograma Análise e Monitoramento de Editais
Fonte: Observatório Social do Brasil (2016, p. 16)4.
Procedimentos expressos no luxograma:
Pesquisar todos os editais publicados pelo município, encontrados no site da 
prefeitura ou no Diário Oicial. Todos os editais devem ser cadastrados no SIM 
(Sistema Informatizado de Monitoramento das Licitações). Priorização dos edi-
tais para acompanhamento:
Pesquisar todos 
os editais 
publicados pelo 
município
Selecionar editais 
que serão 
acompanhados 
em todas as fases
Comunicar não
conformidade ao
Gestor Público
Enviar ofício ao
Ministério
Público
Acompanhar o
processo no
Legislativo
Enviar e-mail
para empresas
cadastradas no
SIM
Enviar Ofício
à Câmara
Agendar
voluntários para
acompanhar o
certame
Pesquisar
empresas no
mercado
Analisar o
edital
 100% dos
editais
 Correções
do Gestor
Público
Manifes-
tação da 
Câmara
Gestor
Público
corrige?
Há
novo edital
publicado?
Câmara se 
manifesta?
Há
legalidade no 
edital?
Ofício
Ofício
Empresas
locais
Gerar
Relatório
Gerar
Relatório
Legenda
Processo
Cadastro de informações no SIM
Decisão
Geração de relatório
Fim do processo
Próxima fase
FASE 2
A não correção pelo Gestor Público pode
resultar em reenvio do ofício ao mesmo
Sim
Sim
Sim
Sim
Não
Não
Não Não
Experiência de Atuação do Observatório Social do Brasil
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
177
 ■ Valor do edital.
 ■ Denúncia de irregularidade.
 ■ Objeto / complexidade.
 ■ Limitadores de concorrência.
 ■ Experiência anterior.
É indicado que a análise do edital seja feita por dois proissionais: um com conhe-
cimento contábil e outro, jurídico. Havendo legalidade no edital, buscar empresas 
no mercado local para participar do processo licitatório e deinir voluntários para 
participar do acompanhamento do certame. Não havendo legalidade, enviar o 
apontamento de não conformidade ao Gestor Público por meio de ofício e ana-
lisar novamente o edital publicado com as correções, quando assim for. 
Não havendo correção, um segundo ofício poderá ser enviado, cabendo à 
diretoria do OS a decisão de enviá-lo com cópia à Câmara Municipal. Caso a 
Câmara não se manifeste, o OS deverá enviar um ofício ao Ministério Público, 
relatando o ocorrido, encerrando sua participação neste caso.
A depender da gravidade do caso ou de elevado valor, o OS pode recorrer 
às prerrogativas legais e proceder à impugnação do edital.
Como é possível notar no quadro que acabamos de descrever, não faz parte 
dos procedimentos fazer notícia em veículos de comunicação acerca das diver-
gências ou irregularidades encontradas. No mesmo artigo citado anteriormente, 
das acadêmicas Fernanda Junges e Letícia Cardoso, podemos destacar que a:
A Rede OSB não atua de maneira denuncista uma vez que seu obje-
tivo é contribuir para a melhoria da gestão pública. Assim sendo, as 
manifestações se dão através das prestações de contas quadrimestrais 
e expõem apenas casos concluídos (JUNGES; CARDOSO, 2015,p. 9).
É importante registrar isso. Tanto pelo fato de preservar os observadores de pos-
síveis retaliações quanto por oferecer aos gestores a oportunidade de corrigir as 
irregularidades e imprimir à sua gestão a primazia do cumprimento da legislação 
e do iel atendimento às necessidades e anseios da população que os elegeram. 
Outro fato a destacar é de que o controle social promovido pela Rede OSB 
só será efetivo na medida em que sejam eicazes os órgãos oiciais de controle. 
EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
VU N I D A D E178
Airmamos isso pela simples razão de que o trabalho do controle social carece do 
apoio, orientação e providências dos órgãos que têm o “dever de ofício” de exer-
cer o controle externo oicial e prover de julgamento e punição os atos públicos 
ilícitos e seus praticantes, em que se enquadram o Ministério Público, tanto esta-
dual quanto federal, os Tribunais de Contas Estaduais e da União, o Ministério 
Público de Contas, a Controladoria Geral da União e, em última instância, o 
Supremo Tribunal Federal. 
UMA PITADA SOBRE A CÂMARA DE VEREADORES
Na carona do tópico anterior, faremos uma breve citação sobre o trabalho dos 
vereadores que são, perante a Lei, o primeiro órgão de controle externo às ações 
e contas do executivo municipal. Conforme encontramos na introdução da car-
tilha publicada pela CGU com o título O Vereador e a Fiscalização dos Recursos 
Públicos Municipais:
Quadro 10 - Papel do Vereador
Controlar signiica veriicar se a realização de uma determinada atividade não se 
desvia dos objetivos ou das normas e princípios que a regem. Na Administração 
Pública, o ato de controlar possui signiicado similar, na medida em que pres-
supõe examinar se a atividade governamental atendeu à inalidade pública, à 
legislação e aos princípios básicos aplicáveis ao setor público. 
No Brasil, a preocupação em se estabelecer um controle permanente do gas-
to público – seja por meio das instituições incumbidas de tal tarefa, seja pela 
própria população – ganha contornos fundamentais ao desenvolvimento da 
nação, em razão da sua extensão territorial e do grande número de municípios 
que possui. 
Nesse contexto, a ação do Poder Legislativo municipal na iscalização dos gastos 
públicos é fundamental para garantir que a sua aplicação esteja de acordo com 
os interesses coletivos. É importante salientar que o vereador quando controla a 
atuação do gestor público municipal está, na verdade, cumprindo uma obriga-
ção ixada pelo texto da Constituição Federal Brasileira de 1988, a qual esta-
belece em seu art. 31 que a iscalização do município será exercida pelo Poder 
Legislativo municipal, mediante controle externo.
Fonte: CGU (2011, p. 8).
Experiência de Atuação do Observatório Social do Brasil
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
179
Na chamada “Cartilha do Vereador”, podemos encontrar o esclarecimento de 
que o papel de controle externo no município deve ser exercido pelos vereado-
res, citando inclusive a Constituição Federal:
Os artigos 70, 71 e 74 da Constituição Federal Brasileira estabelecem 
que o controle institucional cabe essencialmente ao Congresso Na-
cional, responsável pelo controle externo, realizado com o auxílio do 
Tribunal de Contas da União, e a cada Poder, por meio de um sistema 
integrado de controle interno (CGU, 2011, p.15).
Como funções típicas, a Câmara Legislativa Municipal deve, portanto, desempenhar 
as tarefas de legislar e de exercer o controle externo do Poder Executivo Municipal:
A função legislativa consiste em elaborar, apreciar, alterar ou revogar as 
leis de interesse para a vida do município. Essas leis podem ter origem 
na própria Câmara ou resultar de projetos de iniciativa do Prefeito, ou 
da própria sociedade, através da iniciativa popular. 
A função iscalizadora está relacionada com o controle parlamentar, 
isto é, a atividade que o Poder Legislativo exerce para iscalizar o Exe-
cutivo e a burocracia. O controle parlamentar diz respeito ao acom-
panhamento por parte do Legislativo, da implementação das decisões 
tomadas no âmbito do governo e da administração (CGU, 2011, p.15).
Contudo, via de regra, no trabalho de monitoramento da Câmara Municipal, os 
observadores têm encontrado disfunções intrigantes, especialmente na “produ-
ção legislativa”, ou seja, no cumprimento de uma das principais funções típicas 
dos vereadores – elaboração de leis e de políticas públicas. 
Nos Observatórios Sociais que já aplicam a metodologia de monitoramento 
da Câmara Municipal, acompanhando todas as sessões e preenchendo o che-
cklist especíico que demonstra desde a presença de cada vereador até as suas 
manifestações e apresentação de projetos, a Rede OSB tem constatado que mais 
de 90% dos projetos apresentados pelos vereadores não se referem às suas fun-
ções típicas: legislar e iscalizar o Executivo.
A maior parte da “produção” dos vereadores está focada em projetos de 
nominação de ruas, de homenagens, ou de requerimentos que nada obrigam 
ao gestor municipal. Além da distorcida atuação como “despachante” do elei-
tor, favorecendo uns em detrimento de outros. Não cabe ao vereador promessas 
como inalização de obras, aumento de número de vagas em escolas e reforçar 
EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
VU N I D A D E180
policiamento, por exemplo, essas ações são da alçada do executivo municipal 
ou governo estadual.
Essa prática só será modiicada com a participação dos cidadãos, eleito-
res que são, cobrando dos seus vereadores o cumprimento do seu real papel, 
em defesa do interesse coletivo, inclusive contribuindo para a redução dos cus-
tos administrativos da própria Câmara Municipal, como os gastos com diárias 
desnecessárias e com assessores parlamentares, em cargos comissionados, em 
quantidade acima do proposto pela legislação e pelo bom senso.
Como a população pode impulsionar mudanças na qualidade do serviço 
prestado pelos vereadores?
Relato de Casos de Sucesso da Atuação do Observatório Social do Brasil 
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
181
RELATO DE CASOS DE SUCESSO DA ATUAÇÃO DO 
OBSERVATÓRIO SOCIAL DO BRASIL 
A Rede OSB coleciona inúmeros casos de sucesso no seu trabalho, tanto para 
a economia aos cofres públicos municipais, quanto para a eiciência da gestão 
pública. Apresentaremos alguns desses casos que chegam também ao legislativo 
municipal, com relação à redução de gastos e criação de novos procedimentos 
de gestão. Este tópico será inalizado com a proposição de mudanças na cultura 
da corrupção.
ECONOMIA PARA OS COFRES MUNICIPAIS
As boas práticas e casos de sucesso serão apresentados, como uma forma de esti-
mular a pesquisa e o interesse em participar desta iniciativa de controle social e 
como uma opção para exercer a cidadania de maneira prática e efetiva. 
Na Unidade IV mostramos que a Rede OSB contribuiu para uma econo-
mia da ordem de R$ 1,5 bilhões aos cofres municipais nos últimos 4 anos. Aqui 
vamos comprovar essa economia, apresentando alguns casos de sucesso.
Começamos pela cidade de Picos, no Piauí, onde não existe um hospital 
EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
VU N I D A D E182
municipal. No entanto, a prefeitura publicou editalde licitação para a compra de 
materiais usados somente em centros cirúrgicos, como anestésicos para cirur-
gias de alta complexidade. Após a interpelação do Observatório Social, os itens 
foram retirados do edital, obtendo uma redução de mais de 6 milhões de reais.
Ainda em Picos, temos outro exemplo gritante com relação à merenda esco-
lar, porque após quatro meses sem oferecer alimentação para as crianças nas 
escolas municipais, a prefeitura lançou um edital para aquisição dos gêneros 
alimentícios em que constavam itens como perfume, esmalte de unha e creme 
de barbear. Não bastasse isso, muitos itens estavam com sobrepreço, como os 
dois tipos de iogurte que destacamos no quadro a seguir que, no mercado local, 
poderiam ser adquiridos pela metade do preço. Somente nesses dois itens, com 
a intervenção do OS Picos, evitou-se o desperdício de R$ 198 mil.
Figura 2 - Exemplo de contribuição para economia (Picos-PI)
Fonte: Observatório Social do Brasil (2016, p. 20)4.
Relato de Casos de Sucesso da Atuação do Observatório Social do Brasil 
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
183
Em Paranaguá, no Paraná, com os alertas do OS (BRANCO, 2016)10, a prefei-
tura já economizou 65 milhões de reais em 166 licitações nos últimos 2 anos. 
No quadro a seguir, destacamos um dos casos de sucesso: o cancelamento de um 
edital de compra de papel higiênico e sacos de lixo no valor de R$ 10.417.001,98. 
A quantidade era exagerada e, se fosse dividir os itens para todos os habitantes 
da cidade, seria suiciente para 20 anos. A prefeitura se desculpou alegando que 
houve um erro de cálculo e os observadores aproveitaram para propor a cria-
ção da Secretaria de Compras e Abastecimento e a instalação do almoxarifado 
central, além da ampliação do portal de transparência.
Figura 3: Exemplo de contribuição para economia (Paranaguá-PR)
Fonte: Observatório Social do Brasil (2016, p. 17)4.
Na cidade de Ponta Grossa, no Paraná, como na maioria dos municípios brasi-
leiros, a média de empresas fornecedoras das prefeituras não passa de três. Isso 
diiculta a qualidade nas negociações e favorece a formação de conluios ou o 
pagamento de propinas. Lá, os observadores têm se empenhado nas ações para 
a conquista de mais fornecedores, fazendo isso por meio da divulgação osten-
siva dos editais e na mobilização de parcerias com as entidades empresariais.
EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
VU N I D A D E184
Um dos casos que ilustra essa conquista está no Quadro 4, a seguir, quando 
a prefeitura publicou um edital de material de higiene e limpeza em que, entre 
outros itens com sobrepreço, havia um carrinho de plásticos com equipamentos 
de limpeza pelo qual se propunha pagar mais de R$ 20 mil. O mesmo carrinho 
havia sido adquirido no ano anterior pelo valor de R$ 627,00. Os observadores 
izeram um amplo trabalho de divulgação e levaram mais de 30 fornecedores 
para o referido pregão eletrônico, sendo que o carrinho foi vendido ao preço de 
R$ 418,00. Só neste item a economia foi de quase R$ 2 milhões. 
Figura 4 - Exemplo de contribuição para economia (Campos Gerais/Ponta Grossa-PR)
Fonte: Observatório Social do Brasil (2016, p. 19)4.
A partir desse caso, o Observatório Social do Brasil – Seção Campos Gerais, em 
Ponta Grossa, também conquistou avanços na melhoria da gestão municipal, 
criando uma agenda de diálogo com as secretarias e o controle interno da pre-
feitura, facilitando o acompanhamento das entregas (Fase 3 do trabalho dos OS), 
além da capacitação dos servidores com a função de iscal de contrato e a realiza-
ção de audiências públicas conjuntas para planejamento das melhorias na gestão.
Relato de Casos de Sucesso da Atuação do Observatório Social do Brasil 
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
185
Em Lages, Santa Catarina, também os observadores constataram equívo-
cos no edital de licitação de material odontológico. O mesmo produto, selante 
incolor com lúor, que havia sido adquirido em 2014 pelo valor de R$ 24,00 a 
unidade estava sendo comprado no ano seguinte por R$ 7.084,00. O que one-
rava os cofres públicos em valor superior a R$ 360 mil.
Figura 5 - Exemplo de contribuição para economia (Lages-SC)
Fonte: Observatório Social do Brasil (2016, p. 18)4.
Em Mandaguari, no Paraná, o OS é um exemplo quanto à aplicação dos progra-
mas, apresentação dos Relatórios Quadrimestrais e ao respeito aos princípios 
e diretrizes da Rede OSB. São muitas as boas práticas do OS e com resultados 
Nos casos que já relatamos, o que você acha que aconteceria se nenhum 
cidadão estivesse acompanhando?!
EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
VU N I D A D E186
expressivos. Destacamos aqui apenas um de tantos casos, referente a um show 
de dupla sertaneja contratada pela prefeitura, que pagou duas vezes pelo mesmo. 
Isso foi comprovado pelos observadores com a informação do OS de Campo 
Mourão, cuja prefeitura também tinha contratado os mesmos artistas.
Esse fato comprova, inclusive, que o trabalho em rede, com banco de dados 
acessível e uma comunicação facilitada, favorece a atuação no controle social, 
criando uma inteligência que nenhum órgão público possui.
Figura 6 - Exemplo de Relatórios Quadrimestrais de Mandaguari
Fonte: Observatório Social de Mandaguari (2016, p. 36)5.
Na igura 7, temos o registro de uma situação Porto Alegre em que, ao fazer o 
levantamento do quadro de pessoal da prefeitura, o OS constatou que, em 2016, 
ainda havia funcionários públicos em cargos comissionados e funções gratii-
cadas sendo pagos na extinta Secretaria da Copa, criada em 2014 por tempo 
determinado.
Relato de Casos de Sucesso da Atuação do Observatório Social do Brasil 
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
187
Figura 7 - Exemplo de situações irregulares (Porto Alegre - RS)
Fonte: Observatório Social Do Brasil (2016, p. 21)4.
Com todos os exemplos acima, conirmamos o que disse o Procurador Federal, 
Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava-Jato, para a Revista 
Exame: “A capilaridade dos observatórios permite que a iscalização no emprego 
de recursos públicos se espalhe por toda a estrutura do governo, mesmo onde a 
iscalização do Estado não chega” (BRANCO, 2016)10.
EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
VU N I D A D E188
BOAS PRÁTICAS NO LEGISLATIVO MUNICIPAL
Também no legislativo municipal os observadores têm sua atuação registrada com 
bons exemplos e conquistas, tanto na questão de economia quanto na mudança 
de procedimentos.
Uma boa prática vem de Rondonópolis, no Mato Grosso, quando o OS pro-
pôs aos vereadores a divulgação dos motivos e resultados de suas viagens no 
portal de transparência da câmara. Somente com essa obrigatoriedade o número 
de viagens diminuiu e o gasto com diárias reduziu pela metade.
Figura 8 - Exemplo de contribuição para economia (Rondonópolis-MT)
Fonte: Observatório Social do Brasil (2016, p. 22)4.
No início de 2016, na cidade de Teresópolis, região serrana do estado do Rio 
de Janeiro, os 12 vereadores tiveram que devolver mais de 1 milhão de reais aos 
cofres públicos,por força judicial em resposta a processo iniciado pelo OS. A 
razão: restou provado que boa parte dos recursos gastos com viagens e alimen-
tação dos vereadores tinha sido paga a empresas inexistentes ou mediante notas 
iscais falsas.
Relato de Casos de Sucesso da Atuação do Observatório Social do Brasil 
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
189
Já em Tubarão, Santa Catarina, o trabalho do Observatório Social foi maior 
e com resultado inédito para o Brasil: conseguiu emplacar uma Lei de Iniciativa 
Popular, reduzindo o repasse da prefeitura para a câmara, o chamado “duodé-
cimo”. Em reportagem publicada no site do OSB, podemos conhecer as razões:
O OST realizou um comparativo entre os custos da Câmara de Vere-
adores de Tubarão e a Câmara de Brusque – SC, pelo fato de as duas 
cidades terem o mesmo porte populacional. Tubarão com 102 mil ha-
bitantes e Brusque, 120 mil.
Nesses estudos restou constatado pelo site do Tribunal de Contas do 
Estado (TCE) que a Câmara de Tubarão gastou, em 2015, o valor de 
R$ 9,5 milhões (com uma receita corrente líquida de R$ 182 milhões), 
enquanto Brusque gastou R$ 5,2 milhões (com uma receita corrente 
líquida do município de R$ 300 milhões), ou seja, quase metade e com 
65% a mais de arrecadação que Tubarão na manutenção de sua casa 
legislativa.  Desse gasto, Tubarão despendeu R$ 8,3 milhões com folha 
de pagamento e Brusque apenas R$ 4,4 milhões. 
(NICOFORENKO, 2016, on-line)6.
A economia prevista para os cofres do Município em 2017, com a redução 
orçamentária alcançada da câmara municipal, representa cerca de 10% dos 
investimentos públicos de Tubarão, ou seja, serão economizados cerca de R$ 4,7 
milhões (43% do atual orçamento da câmara).
Tal conquista foi precedida de muito trabalho dos observadores e da mobili-
zação da comunidade, das entidades representativas e da imprensa local. Abaixo, 
segue a Figura 9, um dos materiais de divulgação da campanha.
EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
VU N I D A D E190
Figura 9 - Material de divulgação da Campanha
Fonte: Nicoforeko (2016, on-line)6.
EFICIÊNCIA DA GESTÃO PÚBLICA
Em Blumenau as secretarias municipais tinham estoques próprios e a prefei-
tura mantinha vários locais de recebimento e armazenagem de mercadorias, os 
chamados almoxarifados, o que favorecia as compras em duplicidade, a perda 
de produtos com prazo de validade vencido e até os desvios de mercadorias 
pela falta de controle. Por proposição do OS local, a prefeitura terceirizou todo 
o recebimento e distribuição de mercadorias para uma empresa especializada, 
reduzindo o desperdício em mais de R$ 800 mil por ano e garantindo o con-
trole de maneira proissional.
A Prefeitura Municipal de Blumenau, pelo projeto do almoxarifado, criação 
da Secretaria da Transparência, transmissão ao vivo dos certames de licitação 
e criação de outros sistemas de gestão proissional, tornou-se um modelo de 
Relato de Casos de Sucesso da Atuação do Observatório Social do Brasil 
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
191
administração pública para o Brasil. Tudo isso pelo interesse do gestor e pela 
atuação dos observadores locais.
Outra prefeitura que surpreende pela proposta proissional na gestão pública 
é a de Pinhais, no Paraná. Desde 2010 vem incorporando os conceitos de exce-
lência na gestão e satisfação dos contribuintes, implantando as ferramentas de 
gestão da qualidade propostas pelo programa do Governo Federal, chamado 
Gespública.
Este fator facilitou a implantação do sistema de certiicação ABNT/ISO 
18091, a certiicação internacional de qualidade para as prefeituras municipais, 
conforme adaptação da ISO 9000, referência para as empresas.
Mesmo sem haver um Observatório Social na cidade, a Prefeitura Municipal 
de Pinhais interessou-se pela certiicação e tornou-se a primeira cidade da América 
Latina a implantar o processo da ISO 18091.
O processo se deu em razão de uma parceria entre o OSB e a Associação 
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), com a participação de consultores espe-
cializados que, voluntariamente, se dedicaram a essa experiência piloto. São eles 
os professores Deise Wischral da Silva e Basílio Dagnino Vasconcelos que, inclu-
sive, apresentaram o trabalho em reunião do Comitê Internacional da ISO em 
Madri, Espanha.
Os dois exemplos, das prefeituras de Blumenau e Pinhais, provam que é per-
feitamente possível, que quando há interesse e propósito, fazer uma boa gestão 
pública, de maneira proissionalizada e dentro da Lei, fazendo uso dos recursos 
públicos com qualidade e oferecendo bons serviços à população.
Em razão da impossibilidade de relatar todos os casos de sucesso obtidos 
pela Rede OSB, neste livro não falaremos das boas práticas nos demais Eixos de 
trabalho, como Educação para a Cidadania Fiscal, o Ambiente de Negócios e a 
Transparência.
Importante, contudo, demonstrar uma questão relatada em artigo já comen-
tado nesta unidade, das acadêmicas Fernanda Junges e Letícia Cardoso: 
A principal e mais importante conquista observada é o reconhecimen-
to, tanto da sociedade civil e empresarial que tem entendido a impor-
tância do controle social e aderido aos observatórios, quanto dos ór-
gãos oiciais de controle, Controladoria Geral da União, Tribunal de 
Contas da União, Tribunais de Contas Estaduais e Ministérios Públicos 
EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 Le
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 fe
v
e
re
iro
 d
e
 1
9
9
8
.
VU N I D A D E192
Estaduais, através de parcerias e convênios técnicos que contribuem 
para a melhoria do controle realizado por todos.
Esse reconhecimento induz à uma mudança de cultura, envolvendo 
cidadãos e empresas na gestão de seus municípios. Aumentando a 
participação em planejamentos e tomadas de decisões em conselhos 
municipais e consultas públicas, por exemplo (JUNGES; CARDOSO, 
2015, p. 10).
ÁREA LIVRE DE CORRUPÇÃO
Ao concluir esta unidade, precisamos dizer que o mais importante não são os 
números. É a nova cultura que está se formando: da participação do cidadão de 
olho no dinheiro público. Isso está bem ilustrado na Figura 10, em campanha 
educativa produzida pelo OS Brasília:
As experiências práticas do trabalho dos OS e seus resultados comprovados 
podem servir de estímulo a muitos outros cidadãos, mostrando que vale a 
pena cuidar do que é nosso: o dinheiro público. 
Você pode aprender mais com as inúmeras boas práticas e os exemplos de 
economia proporcionados pelo trabalho dos mais de 3 mil observadores. 
Fonte: as autoras.
Relato de Casos de Sucesso da Atuação do Observatório Social do Brasil 
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
193
Figura 10 - Peças de Campanha do Observatório Social de Brasília no Facebook
Fonte: Observatório Social de Brasília (2014, on-line)7.
É com esse propósito que o OSB mantém e divulga o movimento Área Livre de 
Corrupção, visando despertar nas pessoas o espírito de patriotismo e a consci-
ência cidadã, resgatando valores e atitudes que compõem o senso de moralidade, 
civismo e cidadania para construção de um Brasil mais justo.
O objetivo é sensibilizar, por meio de diversas atividades e peças pu-
blicitárias, cada cidadão para reletir sobre a inluência do seu com-
portamento na vida da sociedade e perceber que, a partir de pequenas 
atitudes, forma-se o conceito coletivo de boaspráticas de conduta, con-
tribuindo para que as relações pessoais, comerciais e de governo sejam 
construídas sobre as bases da honestidade e da integridade.
O Movimento Área Livre de Corrupção propõe que cada cidadão as-
suma o papel de protagonista das mudanças que todos querem ver no 
Brasil, praticando e motivando outras pessoas, posicionando-se como 
exemplo na família, na escola, na empresa, no serviço público, nos 
eventos sociais. E propõe um Pacto Pelo Brasil, respondendo a uma 
pergunta: qual a sua contribuição? (OBSERVATÓRIO SOCIAL DO 
BRASIL, 2012, on-line)8.
EXPERIÊNCIAS E CASOS DE SUCESSO DO OBSERVATÓRIO SOCIAL
R
ep
ro
d
u
ção
 p
ro
ib
id
a. A
rt. 184 d
o
 C
ó
d
ig
o
 Pen
al e Lei 9.610 d
e 19 d
e fevereiro
 d
e 1998.
VU N I D A D E194
Figura 11 - Peça da Campanha Área Livre de Corrupção!
Fonte: Observatório Social do Brasil (2016, p. 37)4.
Por que o brasileiro ainda deixa-se vitimar pela corrupção? Seria pelo fato 
de, culturalmente, temer os governantes? De acreditar que se cobrar sua 
postura ética e correta, corre riscos? Ou seria pela simples ignorância do seu 
poder, enquanto eleitor, contribuinte, cidadão? 
Considerações Finais
R
e
p
ro
d
u
çã
o
 p
ro
ib
id
a
. A
rt
. 1
8
4
 d
o
 C
ó
d
ig
o
 P
e
n
a
l e
 L
e
i 9
.6
1
0
 d
e
 1
9
 d
e
 f
e
v
e
re
ir
o
 d
e
 1
9
9
8
.
195
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro(a) Aluno(a), os dados da corrupção no Brasil, apresentados nesta unidade, 
demonstram o tamanho do desaio que precisamos enfrentar, especialmente 
por conta da cultura do “levar vantagem” que se instalou em nosso país desde 
há muito tempo, levando a maioria dos cidadãos a encarar a corrupção como 
uma “coisa normal”. 
Apesar disso, temos visto o esforço dos órgãos oicias de controle e de muitas 
organizações em favor da prevenção e do combate à corrupção e, especialmente, 
da disseminação do conceito e prática da integridade nos negócios e na relação 
com o poder público. Inclusive, alinhado com a prática internacional, o Brasil 
publicou a Lei Anticorrupção ou Lei da Empresa Limpa.
Vimos que a transparência e o controle social podem impedir a corrupção, 
por mobilizar pessoas, ensiná-las a monitorar as compras públicas, abrir opor-
tunidades para empresas locais venderem para as prefeituras, como fazem os 
Observatórios Sociais. 
São mais de 3 mil cidadãos que, seguindo um protocolo de monitoramento 
das compras públicas, estão criando uma nova cultura anticorrupção no Brasil, 
cumprindo a missão de gerar maior consciência em cada brasileiro, mostrando 
que para ter retorno do dinheiro pago em tributos, é necessário que se aprenda 
a monitorar as contas públicas de sua própria cidade. É dessa forma que estão 
colaborando para gerar maior transparência e economia aos cofres das prefei-
turas municipais.
Com a metodologia de trabalho dos OS e os inúmeros casos de sucesso e 
boas práticas, pudemos constatar que a incompetência e falta de ferramentas 
gestão e capacitação dos servidores no governo municipal pode sofrer grandes 
transformações no caminho da eiciência da gestão.
Então, podemos encerrar este unidade com a resposta a uma pergunta: vale 
a pena fazer o controle social? Sim, o trabalho dos observadores comprova um 
antigo ditado popular: “é o olho do dono que engorda o boi”. Quando o cidadão 
exerce a cidadania e participa, a gestão dos recursos e serviços públicos torna-
-se melhor.
196 
1. A corrupção pode ocorrer:
I. No cotidiano das pessoas, no seio familiar, na relação com vizinhos, no conví-
vio na comunidade, no ambiente escolar.
II. No cotidiano de empresas públicas e privadas.
III. No cotidiano de órgãos públicos: Poder Executivo, Legislativo e Judiciário.
IV. Não existe corrupção na sociedade, apenas em órgãos públicos.
Podemos airmar que:
a. Somente alternativa I está correta.
b. Somente alternativas I e II estão corretas.
c. Somente alternativas I e III estão corretas.
d. Somente alternativas II e III estão corretas.
e. Somente alternativa IV está incorreta.
2. De acordo com o “ranking da coniança” a população conia mais:
a. Nas Forças Armadas, na Igreja Católica e no Ministério Público.
b. No Poder Legislativo, por meio dos Vereadores que representam comunida-
des.
c. Nos Partidos Políticos e sua força representativa.
d. No Congresso Nacional e seu poder decisivo para o País.
e. Nenhuma das alternativas.
197 
3. Em substituição à cultura da corrupção, qual vem sendo implantada em 
órgãos públicos, empresas públicas e privadas, na relação entre pessoas, 
com intenção de reverter esse quadro:
a. Cultura da honestidade.
b. Cultura da integridade.
c. Cultura da vantage.
d. Cultura do “ganha-ganha”.
e. Nenhuma das alternativas.
4. De acordo com a CGU “Muitos administradores públicos costumam fraudar ou 
forjar licitações de várias formas”:
I. Não publicando os editais, o que limita a participação dos interessados e aca-
ba beneiciando empresas de amigos e parentes do prefeito ou de outros 
gestores.
II. Usando notas iscais “frias” dessas empresas “fantasmas” e pagando integral-
mente por obras e serviços que não foram concluídos.
III. Utilizando documentos falsos para tentar provar a participação de empresas 
que na verdade nem tomaram conhecimento da licitação. 
IV. Criando, com a participação de amigos, empresas “fantasmas”, muitas com 
endereços falsos ou inexistentes.
Podemos airmar que:
a. Somente alternativa I está correta.
b. Somente alternativas I e IV estão corretas.
c. Somente alternativas I e III estão corretas.
d. Somente alternativas II e III estão corretas.
e. Todas alternativas estão corretas.
198 
5. De acordo com o luxograma de atuação dos Observatórios Sociais, correlacione:
( ) Prevenção. 
( ) Fiscalização. 
( ) Denúncia. 
( ) Julgamento. 
( ) Punição. 
a. Após dadas oportunidades ao Gestor Público (Prefeito), apontando os indí-
cios de irregularidade e solicitadas providências à Câmara de Vereadores e 
não havendo nenhuma atitude, o OS recorre ao Ministério Público.
b. Não se aplica ao trabalho dos OSs.
c. Veriicados indícios de irregularidades nas licitações, o OS requer, por meio 
de ofício, providências do Gestor Público e encaminha ofício à Prefeitura Mu-
nicipal.
d. Não se aplica ao trabalho dos OSs.
e. Não havendo qualquer atitude por meio do Gestor Público, o OS recorre à 
Câmara Municipal, com pedido de providências.
Marque a resposta correta:
a. C, E, A, B e D.
b. C, B, E, D e A.
c. A, C, D, E e B.
d. B, A, D, E e C.
e. A, B, E, D e C.
199 
Os observadores acreditam que, para acabar com o círculo vicioso de corrupção pri-
vada e pública, é preciso implementar mudanças sistêmicas e estruturais, incluindo o 
im da impunidade, por estar claramente relacionada à prática da corrupção. Por isso, 
o Observatório Social do Brasil foi um dos apoiadores do projeto de Lei da campanha 
10 Medidas Contra a Corrupção do Ministério Público Federal, colaborando na coleta 
das mais de 2,5 milhões de assinaturas dos eleitores e acompanhando a sua entrega no 
Congresso Nacional no início de 2016. 
Recomendamos, como leitura complementar, a visita ao site do Ministério Público Fede-
ral: para conhecer tudo o que diz respeito a esse tão importante projeto de mudança da 
legislação brasileira para prevenir e combater a corrupção em nosso país.
Objetivo geral das propostas
Se queremos um país livre de corrupção, precisamos nos unir. O Ministério Público Fe-
deral (MPF) acredita em um Brasil mais justo, com menos corrupção e menos impuni-
dade. É possível transformar a indignação com a corrupção em mudanças efetivas para 
a sociedade.
Para acabar com o círculo vicioso de corrupção privada e pública, é preciso implementar 
mudanças sistêmicas e estruturais. Essas mudanças incluem o im da impunidade, pois 
esta e a corrupção aparecem intimamente relacionadas em diversos estudos e pesqui-
sas internacionais sobre esse problema.
O MPF tem trabalhado com rapidez e agilidade nos processos envolvendo crimes decorrupção. Mesmo assim, nem sempre alcança efetividade, porque o sistema favorece a 
demora, a prescrição (cancelamento do caso penal decorrente da demora) e a anulação 
do caso com base em formalidades.
Para construirmos uma nova realidade, o MPF apresentou à sociedade dez medidas para 
aprimorar a prevenção e o combate à corrupção e à impunidade. As propostas objeti-
vam Transparência, Prevenção, Eiciência e Efetividade.
As propostas de alterações legislativas buscam, entre outros resultados:
 ■ Evitar a ocorrência de corrupção (via prestação de contas, treinamentos e testes 
morais de servidores, ações de marketing/conscientização e proteção a quem 
denuncia a corrupção).
 ■ Criminalizar o enriquecimento ilícito.
 ■ Aumentar penas da corrupção e tornar hedionda aquela de altos valores.
 ■ Agilizar o processo penal e o processo civil de crimes e atos de improbidade.
 ■ Fechar brechas da lei por onde criminosos escapam (via reforma dos sistemas de 
prescrição e nulidades).
200 
 ■ Criminalizar caixa dois e lavagem eleitorais.
 ■ Permitir punição objetiva de partidos políticos por corrupção em condutas futuras.
 ■ Viabilizar a prisão para evitar que o dinheiro desviado desapareça.
 ■ Agilizar o rastreamento do dinheiro desviado.
 ■ Fechar brechas da lei por onde o dinheiro desviado escapa (por meio da ação de 
extinção de domínio e do conisco alargado).
A iniciativa, sem qualquer vínculo político-partidário, foi abraçada pela sociedade que, 
por meio de voluntários em todo o país, coletou mais de dois milhões de assinaturas 
em apoio à campanha para que as propostas pudessem ser apresentadas ao Congresso 
Nacional em forma de projeto de iniciativa popular. 
Fonte: Ministério Público Federal (2016, on-line)9.
Material Complementar
MATERIAL COMPLEMENTAR
Para entender o contexto do controle social e da importância do cidadão tomar conta do que é 
da sua conta – o dinheiro público, uma boa leitura está pode ser encontrada no livro “O Combate 
à corrupção nas prefeituras do Brasil”. A obra está Disponível gratuitamente no link: <http://www.
amarribo.org.br/assets/cartilha_pt.pdf>.
No contraponto da corrupção está a ética, como valor nas relações de negócios e entre o meio 
empresarial e o poder público. Para auxiliar na pesquisa desse assunto, especialmente na 
construção de sistemas de compliance, indicamos o livro “Ética Empresarial”, Disponível para 
download, pelo link: <http://loja.fnq.org.br/products/etica-empresarial-1>.
Com o interesse de contribuir para o entendimento de que a corrupção começa nas pequenas 
atitudes, a CGU divulga em seu site uma série de vídeos ilustrando situações do dia a dia do 
cidadão. 
Vale conferir, acessando o site:
<http://www.cgu.gov.br/noticias/2016/12/
ministerio-da-transparencia-divulga-curtas-sobre-corrupcao-no-cotidiano-dos-brasileiros>.
Uma parceria da CGU com o Sebrae que visa levar aos pequenos negócios os conceitos da 
integridade e estimular a prática de ações preventivas à corrupção nas relações público-privadas, 
propiciou a publicação da cartilha Integridade “Para Pequenos Negócios”, acessível pelo link: 
<http://www.cgu.gov.br/Publicacoes/etica-e-integridade/arquivos/integridade-para-pequenos-
negocios.pdf>.
Vale a pesquisa para conhecer mais sobre os “sistemas de compliance” e tudo o que as empresas 
precisam saber e aplicar para mitigarem os riscos de envolvimento de sua diretoria ou corpo 
funcional em atos de corrupção. 
Para saber mais leia o guia Anticorrupção e Avaliação de Risco no link:
<https://issuu.com/pnudbrasil/docs/caderno_do_pacto_-_anticorrup____o>. 
MATERIAL COMPLEMENTAR
A Associação dos Amigos de Ribeirão Bonito (AMARRIBO), desenvolveu uma cartilha chamada 
“Olho no Legislativo”, por meio da qual podemos compreender mais sobre o papel do vereador e 
como o cidadão pode acompanhar seu trabalho.
Para saber mais, acesse pelo link: 
<http://www.amarribo.org.br/assets/olho_no_legislativo.pdf>.
Você pode conhecer outras duas boas experiências de trabalho dos observadores sociais junto 
às câmaras municipais. Trata-se do OS Cuiabá, no Mato Grosso, que lançou a campanha pública 
“Adote um Vereador”, veiculada na televisão. 
Acesse pelo: <http://g1.globo.com/mato-grosso/mttv-2edicao/videos/t/edicoes/v/
campanha-incentiva-cidadao-a-acompanhar-o-trabalho-realizado-pelos-vereadores/5553811/>. 
Outro exemplo que vale registrar é a parceria do OS Porto Seguro, na Bahia, com uma 
universidade local para o monitoramento da produção legislativa. Saiba mais acessando o link: 
<http://osportoseguro.org.br/de-olho-na-camara>.
REFERÊNCIAS
203
AGUILLAR, F.H. Controle social de serviços públicos. São Paulo: Max Limonad, 1999.
AMARRIBO. O Combate à corrupção nas prefeituras do Brasil. 5.ed. São Paulo: 
Amarribo, 2012. Disponível em: <http://www.amarribo.org.br/assets/cartilha_
pt.pdf>. Acesso em 17 jan. 2017.
BRASIL. Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. Regulamenta o art. 37, inciso XXI, da 
Constituição Federal, institui normas para licitações e contratos da Administração 
Pública e dá outras providências. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/cci-
vil_03/leis/L8666cons.htm>. Acesso em 17 jan. 2017.
_____. Lei nº 10.520, de 17 de julho de 2002. Institui, no âmbito da União, Estados, 
Distrito Federal e Municípios, nos termos do art. 37, inciso XXI, da Constituição Fede-
ral, modalidade de licitação denominada pregão, para aquisição de bens e serviços 
comuns, e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/cci-
vil_03/LEIS/2002/L10520.htm>. Acesso em 17 jan. 2017.
_____. Lei 12.846, de 1 de agosto de 2013. Dispõe sobre a responsabilização ad-
ministrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração 
pública, nacional ou estrangeira, e dá outras providências. Disponível em: http://
www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12846.htm>. Acesso 
em 22 jan. 2017.
CONTROLADORIA-GERAL DA UNIÃO. Olho Vivo no dinheiro público. Um guia para 
o cidadão garantir os seus direitos. Edição Revisada. Brasília, 2009. Disponível em: 
<http://www.cgu.gov.br/Publicacoes/controle-social/arquivos/cartillhaolhovivo_
baixa_v2.pdf>. Acesso em 16 jan. 2017.
______. O Vereador e a Fiscalização dos Recursos Públicos Municipais. Brasília: 
Controladoria Geral da União, 2011. Disponível em: <http://www.cgu.gov.br/carti-
lhavereadores>. Acesso em 17 jan. 2017.
JUNGES, F.; CARDOSO, L. Como o Controle Social Pode Melhorar a Gestão Pública 
Utilizando Observatórios Sociais Como Ferramenta. Curitiba: FESP – Faculdade 
de Educação Superior do Paraná, 2015.
LUQUI, A. F. M. C. Manual de Licitações: Capacitação Técnica de Observadores. 
Curitiba/PR: OSB, 2014. 1ª edição. 102 p. Disponível em: <http://novo.osbrasil.org.
br/wp-content/uploads/2014/12/Manual_de_licitacoes_OSB50787.pdf>. Acesso 
em 17 jan. 2017.
REFERÊNCIAS
REFERÊNCIAS ON-LINE:
1- Em: <http://osbrasil.org.br/wp-content/uploads/2017/01/Dr.-F%C3%A1bio_Cor-
rup%C3%A7%C3%A3o-junho.2016.pdf>. Acesso em: 14 fev. 2017. 
2- Em: <http://www.pactoglobal.org.br/artigo/89/GTs---Grupos-Temáticos>. Acesso 
em: 14 fev. 2017. 
3- Em: <http://osbrasil.org.br/wp-content/uploads/2017/01/OSB_ON-n%C2%BA1-a-
tualizada.pdf>. Acesso em: 14 fev. 2017. 
4- Em: <osbrasil.org.br/wp-content/uploads/2017/01/Rede-OSB_nov.16.pdf>. Aces-
so em: 14 fev. 2017. 
5- Em: <http://mandaguari.osbrasil.org.br/wp-content/uploads/sites/20/2016/10/
Relat%C3%B3rio-Quadrimestral-OS-2%C2%BA-Quadrimestre-de-2016.pdf>. Aces-
so em: 14 fev. 2017. 
6- Em: <http://osbrasil.org.br/proposta-do-os-tubarao-e-pressao-popular-garan-
tem-economia-para-o-legislativo-do-municipio/>. Acesso em: 14 fev. 2017. 
7- Em: <http://brasilia.osbrasil.org.br/wp-content/uploads/sites/32/2015/07/OSBRA-
SILIA_Campanha-Participa%C3%A7%C3%A3o-Relat%C3%B3rio.pdf>. Acesso em: 
14 fev. 2017. 
8- Em: <http://osbrasil.org.br/movimento-area-livre-de-corrupcao-tem-aderencia-
-nacional/>. Acesso em: 14 fev. 2017. 
9- Em: <http://www.dezmedidas.mpf.mp.br/apresentacao/objetivo-geral-das-pro-postas>. Acesso em: 14 fev. 2017. 
10- Em: <http://exame.abril.com.br/revista-exame/efeito-lava-jato/>. Acesso em: 14 
fev. 2017. 
GABARITO
205
1. Resposta: alternativa E.
2. Resposta: alternativa A.
3. Resposta: alternativa B.
4. Resposta: alternativa D.
5. Resposta: alternativa A.
CONCLUSÃO
Caro(a) Aluno(a), com a chamada “Constituição Cidadã”, de 2008, o Brasil avançou 
muito nas questões de direitos dos cidadãos e deveres do Estado, prevendo o con-
trole social e os mecanismos de participação nas decisões, controle e iscalização 
das ações dos governantes e da correta aplicação dos recursos públicos. Contudo, 
constatamos que a legislação, por melhor que seja, não é suiciente se os órgãos de 
iscalização não puderem garantir o seu cumprimento e a sociedade civil não izer 
a sua parte, cobrando a correta aplicação dos recursos e a qualidade na prestação 
dos serviços públicos.
Tivemos a oportunidade de conhecer a metodologia, os programas de trabalho, os 
resultados e boas práticas da Rede Observatório Social do Brasil que, como uma das 
opções bem-sucedidas no exercício da cidadania e na prática do controle social, 
tem o propósito de contribuir para a eiciência da gestão pública municipal. Reco-
nhecemos também que o OSB tem uma base sólida, construída sobre princípios e 
valores que garantem a credibilidade do trabalho.
São mais de 3 mil cidadãos que estão criando uma nova cultura anticorrupção no 
Brasil, cumprindo a missão de gerar maior consciência em cada brasileiro, mostran-
do que para ter retorno do dinheiro pago em tributos, é necessário que se apren-
da a monitorar as contas públicas de sua própria cidade. É dessa forma que estão 
colaborando para gerar maior transparência e economia aos cofres das prefeituras 
municipais.
Além disso, percebemos que o papel dos acadêmicos, professores e proissionais 
do Serviço Social vai muito além do exercício da proissão, porque antes de tudo 
somos cidadãos e, como tal podemos e precisamos contribuir para a construção de 
uma nova cultura entre os brasileiros, resgatando os valores éticos e imprimindo a 
postura da integridade nas relações de trabalho, na política e na administração dos 
bens públicos. 
O Brasil espera muito mais de nós!

Mais conteúdos dessa disciplina