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A PSICOMOTRICIDADE E O 
PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Belo Horizonte 
 
2 
 
 
 Instituto Pedagógico de Minas Gerais http://www.ipemig.com 
(31) 3270 4500 
SUMÁRIO 
 
INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 03 
 
1 AS DIMENSÕES DA PSICOMOTRICIDADE E O DESENVOLVIMENTO DA 
APRENDIZAGEM .................................................................................................. 04 
1.1 As dimensões da psicomotricidade ................................................................. 07 
1.2.1 Dimensão motora ......................................................................................... 07 
1.2.2 Dimensão cognitiva ...................................................................................... 08 
 
2 O USO DA PSICOMOTRICIDADE NO PROCESSO DA APRENDIZAGEM .... 15 
3 PSICOMOTRICIDADE E LINGUAGEM NA ALFABETIZAÇÃO ......................... 24 
3.1 Psicomotricidade x linguagem ......................................................................... 24 
3.2 Psicomotricidade no processo de aprendizagem da leitura e da escrita ......... 25 
3.3 Educação e Reeducação Psicomotora ........................................................... 33 
3.4 A relação entre o corpo e a escrita ................................................................. 36 
3.4.1 Movimento de pinça e posicionamento corporal ......................................... 38 
4 A PSICOMOTRICIDADE E O FAZER DOCENTE ............................................. 44 
4.1 Jogos e brincadeiras: arte, recreação e cognição ........................................... 46 
4.1.1 Desenvolvimento da coordenação motora fina ............................................ 47 
4.1.2 Dicas para estimulação da memória ............................................................ 51 
4.2 Vivendo a psicomotricidade ........................................................................... 54 
REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 56 
AVALIAÇÃO ............................................................. Erro! Indicador não definido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
 Instituto Pedagógico de Minas Gerais http://www.ipemig.com 
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INTRODUÇÃO 
 
 
A interface entre psicologia e educação permite aventar as inúmeras 
articulações existentes entre desenvolvimento e aprendizagem. Em decorrência 
disso, a relação entre a atuação pedagógica e psicológica na escola, tem adquirido 
um destaque cada vez maior, tendo em vista que, essa parceria, permite uma reflexão 
em torno das problemáticas que acometem a educação infantil, bem como 
ponderações acerca das melhores estratégias de intervenção no ambiente escolar. 
Revela-se assim a importância de se estabelecer uma atuação integrada entre 
professores e psicólogos com vistas a evitar o fracasso escolar e promover uma maior 
adaptação do aluno à escola. 
Partindo desses pressupostos desenvolvemos esta disciplina, objetivando a 
análise da teoria do desenvolvimento de Vygotsky, que nos fornece, juntamente com 
outros autores, uma nova imagem da primeira infância, elucidando a relevância do 
conhecimento do nível de maturação, apresentado pela criança, bem como, da 
importância das interações desta com o meio para o seu desenvolvimento cognitivo e 
motor. 
Nesta ótica, a educação é de fundamental importância para a criança, uma vez 
que mediante o processo da aprendizagem ela se apropria dos saberes acumulados 
pela humanidade, bem como das formas de agir e se situar no mundo, essas novas 
aquisições alavancam o seu desenvolvimento infantil abrindo caminhos para a 
aquisição de novas aprendizagens que, por sua vez, oportunizarão maior 
desenvolvimento e, assim, dialeticamente, a criança vai adquirindo formas mais 
elaboradas de raciocínio e motricidade. Segundo Costallat (1976, p. 01) ―a 
psicomotricidade, como ciência da educação, enfoca esta unidade educando o 
movimento, ao mesmo tempo em que, põe em jogo as funções intelectivas‖. 
Pensando nisso, analisaremos o processo de alfabetização, bem como, as 
questões do desenvolvimento infantil, ligadas à psicomotricidade e todas as suas 
possibilidades. Assim, esperamos que você desenvolva seus conhecimentos e que 
faça, também, uma excelente leitura, obtendo o sucesso que almejas. Outras 
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informações e aprofundamentos devem ser buscados através da leitura da farta 
bibliografia utilizada e relacionada ao final desta. 
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1 AS DIMENSÕES DA PSICOMOTRICIDADE E O 
DESENVOLVIMENTO DA APRENDIZAGEM 
 
Sousa (2004), afirma que, para Wallon o conhecimento, a consciência e o 
desenvolvimento geral da personalidade, não podem ser isolados das emoções. Esse 
é o momento do paralelismo, de que nos fala LEVIN (1995, p. 25). 
Contudo, em 1947, Ajuriaguerra, então líder da escola de psicomotricidade, 
delimita os transtornos psicomotores, que oscilam entre o neurológico e o psiquiátrico, 
a partir de técnicas reeducativas. Ajuriaguerra atualiza o conceito de psicomotricidade, 
associando-o ao movimento. 
Todavia, Sousa (2004) afirma que, a prática de Piaget, também contribuiu para 
o enriquecimento teórico da psicomotricidade, já que o mesmo estudou, com 
profundidade, as inter-relações entre a motricidade e a percepção, por meio de uma 
ampla experimentação. Ainda, conforme Sousa (2004), Piaget entende que a 
motricidade interfere na inteligência, antes da aquisição da linguagem, pois, considera 
que o resultado de uma certa experimentação motora, integrada e interiorizada como 
processo de adaptação, é essencialmente movimento. 
No entanto, segundo Levin (1995), a partir de três grandes vertentes chamadas 
de cortes epistemológicos, há uma tentativa de aproximação desse corpo como sendo 
único e global: 
1 - O primeiro, focado na neuropsiquiatria em que o corpo é um instrumento, uma 
máquina de movimento; estava basicamente ligado à reeducação psicomotora em 
que, a reabilitação centrava-se por meio de exercícios motores repetitivos. Neste 
período, foi marcante a presença e a fundamentação dos ideais teóricos de Wallon e 
Dupré; 
2 - O segundo ligado ao campo da psicologia genética, nos quais os sentimentos 
passam a ter importância na formação do indivíduo, surgia então, a terapia 
psicomotora que valoriza a emoção, a formação de um ser pensante global e total. 
Para Levin (1995), já não se trata de uma reeducação, mas de uma terapia em um 
corpo em movimento que constrói a realidade, que sente e se relaciona. Além disso, 
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três dimensões serão centradas pela psicomotricidade: a instrumental, cognitiva e a 
tônico-emocional. Nesse sentido, o novo enfoque dado à relação, à afetividade e ao 
movimento, possibilita uma reformulação na prática da psicomotricidade. 
3 - O terceiro, chamado de clínica psicomotora, iniciou segundo Sousa (2004), a 
partir das contribuições da psicanálise por meio de interesses teóricos e 
metodológicos dos psicomotricistas. Há uma mudança no que diz respeito ao olhar 
deste profissional, já que a preocupação foca-se num sujeito desejante, com seu corpo 
em movimento. Levin (1995) destaca que por meio do simbolismo o corpo não apenas 
se movimenta, mas se relaciona, tem seus papéis definidos na sociedade, tudo isso 
influencia na tomada de um ser desejante. 
No entanto, a partir de Negrine (1995) e, de seus estudos acerca de Pierre 
Vayer e Le Bouch surge a educação psicomotora, que utilizava a educação física como 
meio para se trabalhar a psicomotricidade no contexto educacional,com o intuito de 
promover, na criança inadaptada, uma educação motriz (coordenação, equilíbrio etc) 
e psicomotriz (memória e consciência). Le Bouch (1983) propõe uma educação 
baseada na psicocinética, ou seja, no desenvolvimento de qualidades dos indivíduos, 
proporcionando uma relação melhor com seu meio. 
Atualmente, a educação psicomotora vem sendo enfatizada em instituições 
escolares e pré-escolares, clubes, espaços de recreação etc., através de variadas 
estratégias e trabalhos que, multiplicam-se, promovendo uma revisão da noção de 
infância e da práxis educativa. Segundo Le Boulch (1983), a Educação Psicomotora 
pode ser entendida como uma metodologia de ensino, que instrumentaliza o 
movimento humano, enquanto meio pedagógico, para favorecer o desenvolvimento 
da criança. 
Todo este processo de formação, de uma área do saber, proporcionou uma 
identidade marcante na psicomotricidade com as questões voltadas a um 
conhecimento que tem uma aplicabilidade funcional e dirigida. Todas as vertentes 
citadas, anteriormente, utilizam-se de ferramentas para atuar sobre o corpo de forma 
mecânica, embora alguns autores fundamentem suas teorias, em relação à 
importância e a necessidade de compreender o ser humano, como totalidade. 
7 
 
 
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Não obstante e historicamente, diferentes concepções acerca do 
desenvolvimento humano têm sido traçadas na psicologia. Elas buscam responder 
como cada um chegou a ser aquilo que é, mostrando quais os caminhos abertos para 
mudanças nessas maneiras de ser, desvelando quais as possibilidades de cada 
indivíduo para aprender. 
Para Oliveira (2002, p. 125), os fatores hereditários e o papel da maturação 
orgânica, têm sido superestimados por correntes afins do biologismo ou do inatismo, 
que enfatizam a espontaneidade das transformações, nas capacidades psicológicas 
do indivíduo, sustentando que dependeriam, muito pouco, da influência de fatores 
externos a ele. 
Nesse sentido, o desenvolvimento seria, então, como o desenrolar de um 
novelo em que estariam, previamente inscritas, as características de cada pessoa. 
Bastaria alimentar um processo de maturação e, as aptidões individuais, em estado 
de prontidão, guiariam o comportamento do sujeito. Essa corrente de pensamento, 
ainda hoje é particularmente forte na educação infantil, subsidiando concepções de 
que, a educação da infância, envolveria apenas regar as pequenas sementes para 
que estas desabrochem suas aptidões. 
Outras correntes explicativas, ao contrário, têm asseverado que o ambiente é o 
principal elemento de determinação do desenvolvimento humano. Segundo elas, o 
homem tem plasticidade para adaptar-se, a diferentes situações de existências, 
aprendendo novos comportamentos, desde que lhe sejam dadas condições 
favoráveis. Na educação infantil, tal concepção promoveu a criação de muitos 
programas de intervenção sobre o cotidiano e a aprendizagem da criança, em idades 
cada vez mais precoces. Todavia, essa visão minimiza a iniciativa do próprio sujeito 
e, também o fato de, as reações dos diversos sujeitos, submetidos às pressões de um 
mesmo meio social, não serem semelhantes. 
Para responder ao impasse criado pelas posições precedentes, surgiu na 
psicologia, uma corrente que advoga a existência de uma relação, de recíproca 
constituição, entre indivíduo e meio, a conhecida vertente interacionista. Segundo 
Oliveira (2002, p. 126), o desenvolvimento humano não decorre da ação isolada de 
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fatores genéticos, que buscam condições para o seu amadurecimento, nem de fatores 
ambientais que agem sobre o organismo, controlando seu comportamento. Decorre, 
antes, das trocas recíprocas que se estabelecem durante toda a vida entre o indivíduo 
e o meio, cada aspecto influindo sobre o outro. Como todo organismo vivo, o humano 
inscreve-se em uma linha de desenvolvimento condicionada, tanto pelo equipamento 
biocomportamental da espécie, quanto pela operação de mecanismos gerais de 
interação com o meio. 
Por essa perspectiva, não há uma essência humana, mas uma construção do 
homem em sua permanente atividade de adaptação a um ambiente. Ao mesmo tempo 
em que a criança modifica seu meio, é modificada por ele. Em outras palavras, ao 
constituir seu meio, atribuindo-lhe a cada momento determinado significado, a criança 
é por ele constituída; adota formas culturais de ação que transformam sua maneira de 
expressar-se, pensar, agir e sentir, isto é, seu desempenho, através do corpo, com 
suas representações. 
 
1.1 As dimensões da psicomotricidade 
 
A psicomotricidade possui três dimensões que são exercidas de forma 
integrada. A seguir analisaremos cada uma delas: 
 
1.1.1 Dimensão motora 
 
Esta dimensão envolve as funções da evolução da tonicidade muscular, o 
desenvolvimento do controle da eficiência motora (velocidade e precisão), o 
desenvolvimento das possibilidades de equilíbrio e o desenvolvimento e afirmação da 
lateralidade. 
Ao obter estas habilidades motoras, o indivíduo pode executar ações como 
correr, escalar, pular, etc. 
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As coordenações dinâmicas manuais, indispensáveis para a leitura e escrita 
como a coordenação óculo-manual ou Visio-digital, também são adquiridas a partir da 
aquisição destas habilidades. 
O desenvolvimento da tonicidade muscular está ligado à evolução do sistema 
nervoso, basicamente, ao desenvolvimento das funções piramidais e a mielinização 
das fibras nervosas. Existe no bebê, recém-nascido, uma hipotonia no eixo corporal e 
uma hipertonia nas suas extremidades. Contudo, à medida em que o bebê vai se 
desenvolvendo, vai havendo um equilíbrio, graças à progressiva tonicidade do tronco. 
A dissociação dos movimentos é a destreza que nos permite realizar, 
movimentos independentes, entre os distintos segmentos corporais. 
A eficiência motora se refere ao desenvolvimento da velocidade e precisão da 
motricidade fina, ou seja, o desenvolvimento dos grandes conjuntos musculares finos 
precisos. A diferenciação céfalo-caudal significa que, a motricidade da cabeça e do 
tronco se diferencia antes das extremidades inferiores. A diferenciação próximo-distal 
significa que os conjuntos musculares, mais próximos do tronco, diferenciam-se antes 
que aqueles que estão localizados nas extremidades. 
Por exemplo: a diferenciação dos movimentos globais do braço ocorre antes da 
diferenciação dos movimentos do cotovelo e esta, antes da do pulso, que por sua vez, 
ocorre antes da dos dedos. A precisão, velocidade e coordenação dos movimentos 
dos dedos e mãos são indispensáveis para a aprendizagem da escrita. 
A coordenação é a concordância, que ocorre entre as ações musculares em 
descanso e em movimento, nas respostas aos estímulos. A coordenação se refere a 
um conjunto de ações musculares, seja em repouso ou em movimento, que estão 
sujeitas a determinados estímulos. Envolve o desenvolvimento da flexibilidade, no que 
se refere ao controle motor. A coordenação requer a tomada de consciência do seu 
corpo e do mesmo, no espaço. 
O equilíbrio é uma parte necessária da coordenação dinâmica. Significa a 
capacidade, que temos, de controlar nosso corpo no espaço e, em sendo, podermos 
recuperar nossa postura, normal e correta, depois de ter realizado um movimento. 
Para manter um equilíbrio dinâmico é necessário manter uma atitude postural, 
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apropriada, durante os movimentos. O equilíbrio estático exige uma coordenação 
neuromotora adequada para manter uma determinada postura. 
 
1.1.2 Dimensão cognitiva 
 
A dimensão cognitiva trata do desenvolvimento das funções cognitivas,as quais 
permitem, ao indivíduo, realizar movimentos corporais, ou seja, dominar as relações 
espaciais, temporais e simbólicas. 
 
 
Espacialidade 
O conceito de espaço não é inato, mas, é elaborado por meio da ação e da 
interpretação de dados e dos estímulos sensoriais. 
A compreensão do espaço tem origem no conhecimento do próprio corpo. O 
esquema corporal significa a tomada de consciência global do corpo. É muito difícil 
estabelecer uma boa relação entre o EU e o mundo exterior, se não somos capazes 
de reconhecer e representar mentalmente, de forma adequada, o próprio corpo. A 
criança vai desenvolvendo o esquema corporal e, torna-se consciente do seu corpo 
para, assim, poder dirigi-lo. No princípio, o bebê não distingue a si mesmo do mundo 
exterior e, somente vai conhecendo este, por meio de ações e movimentos corporais. 
O desenvolvimento do esquema corporal vai sendo estruturado de acordo com 
a maturação neurológica, que ocorre em diferentes períodos: 
 Nos dois primeiros anos: a criança vai dominando, progressivamente, primeiro a 
cabeça, em seguida o tronco e, depois, as extremidades inferiores. 
 Dos dois aos três anos: há uma predominância dos elementos motores e 
sinestésicos, sobre os visuais e espaciais. 
 Dos cinco aos sete anos: a criança já é capaz de ir tomando consciência do seu 
próprio corpo e de representá-lo. 
 Dos oito aos nove anos: a criança transpõe, com segurança, sua imagem aos 
demais e, já pode transferir, progressivamente, esta orientação aos objetos, o que 
permite uma estruturação do seu espaço de ação, bem como, a disponibilidade 
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global do seu corpo, como conjunto organizado, chegando assim, a um controle 
acabado da sua mobilidade segmentar. 
 
Desta maneira, o indivíduo segue na construção do espaço ao seu redor, na 
medida em que vai se desenvolvendo. Sua única referência é o próprio corpo, ou seja, 
nas atividades corporais do indivíduo, sua relação com o espaço vai sendo 
estabelecida. Aos dois anos, o conhecimento do seu esquema corporal é fragmentado 
e, por volta dos 3 ou 4 anos, ainda não tem noção de unidade. É, somente, por volta 
dos sete anos de idade, que a criança começa a tomada de consciência, dos pontos 
de referência externos, passando a experimentar a relação do seu corpo com o 
espaço. Esta tomada de consciência, de que falamos, trata do reconhecimento das 
noções topológicas, contidas nos sentidos de: distância; altura; direita e esquerda; 
frente e atrás. Em seguida, a criança aprende sobre as relações entre os objetos e ela 
mesma. 
Assim, podemos afirmar que, o desenvolvimento corporal é progressivo e 
acontece de cima para baixo, ou seja, da cabeça para os pés. Quando este 
desenvolvimento acontece de maneira adequada possibilita que o indivíduo conheça 
seu corpo e o utilize bem. Sem que ocorra o desenvolvimento adequado do esquema 
corporal o indivíduo não poderá realizar nenhum movimento que dependa de 
coordenação ou equilíbrio. 
A noção espacial ou espacialidade é constituída por três aspectos: 
1- Orientação Espacial: permite que o indivíduo tenha consciência, permanente, da 
localização do seu corpo, em relação aos objetos, no espaço e da maneira adequada 
de posicioná-lo no espaço, de acordo com sua localização. 
O comprometimento na orientação espacial pode comprometer a aprendizagem 
da escrita. Durante o processo de aprendizagem, a criança poderá confundir letras 
com grafias parecidas e, que são diferenciadas pela orientação espacial que cada uma 
possui, como por exemplos: 
 
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p - q 
 
b - d 
 
Na matemática também podem ocorrer confusões na leitura e na escrita dos 
números, como: 
6 - 9 
 
3 - 5 
 
 
2 - Estruturação Espacial: contribui para que o indivíduo tenha capacidade de formar 
um todo, a partir de determinados elementos. Em relação à estruturação espacial, 
podemos citar três categorias fundamentais que a compõe, as quais foram 
mencionadas por Piaget. São elas: 
 Relações Topológicas: ação de separar, ordenar, sequenciar, entre outras. Estas 
relações são básicas e acontecem entre os objetos; 
 Relações Projetivas: estão baseadas nas relações topológicas e respondem às 
necessidades, em função de um determinado ponto de vista, para situar um objeto 
em relação aos demais. 
 Relações Métricas: estão baseadas na capacidade que o indivíduo possui para 
coordenar objetos, entre si, de acordo com uma referência, como por exemplo, o 
sistema de medidas. 
 
3 - Organização Espacial: a organização espacial permite que o indivíduo organize 
os elementos no espaço ou no tempo, como por exemplo, a habilidade para 
estabelecer relações independentes, tais como: a proximidade; a anterioridade; a 
posterioridade, etc. Quando a criança apresenta dificuldade na organização espacial, 
possivelmente, poderá sofrer algum prejuízo em sua capacidade para ordenar as 
letras, na formação de palavras. 
Por exemplo: se apresentarmos as letras A, S, C e A para a criança e pedirmos 
que, a partir delas, forme a palavra CASA, esperamos que ela realize a atividade desta 
forma: 
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A – S – C - A → CASA 
 
 
No entanto, se a criança não tiver organização espacial, ela poderá encontrar 
dificuldade para respeitar a ordem das letras e, em consequência disto, apresentarnos: 
 
 “SACA” OU “ASCA” 
 
 
A Noção do Tempo ou Temporalidade 
O tempo é percebido como a situação ordenada de ações e transformações. A 
construção do tempo, assim como a do espaço, passa por várias fases. No começo, 
para a criança que vive centrada em si mesma, a noção de tempo é bastante subjetiva. 
A ordem é a primeira coisa que a criança aprende (primeiro me levanto, depois vou à 
escola, depois almoço...), ou seja, a sucessão ordenada de elementos isolados. 
Desta forma, podemos dizer que a criança começa a medir o tempo, através de 
suas atividades rotineiras. Posteriormente, ela passa a compreender ciclos mais 
longos como, férias, aniversário, natal, etc. Com cerca de três anos, a criança inicia o 
uso ainda inadequado de termos e conceitos como amanhã, hoje, ontem, antes, 
depois, etc. Somente a partir dos quatro anos, tais termos são empregados, 
adequadamente, na fala da criança. Em torno dos sete anos, a criança já domina o 
significado dos dias da semana e dos meses, estando apta para aprender a interpretar 
o relógio. 
A noção de espaço e tempo tem grande importância no processo de ensino e 
aprendizagem. A compreensão da relação existente entre estes dois elementos 
(espaço e tempo) é decisiva no processo de aprendizagem, especialmente, na 
reprodução de fonemas, letras, números, palavras, etc. 
As habilidades de lateralidade e da direcionalidade apresentam uma íntima 
relação com a estruturação espaço-temporal. A lateralidade está ligada à dominância 
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lateral do indivíduo (destro, canhoto, ambidestro), ou seja, com que lado do corpo o 
sujeito realiza funções ou atividades motoras, com maior frequência e desenvoltura. 
Já as habilidades referentes à direcionalidade estão relacionadas com a tomada de 
consciência, por parte do indivíduo, no que diz respeito à lateralidade do seu corpo. 
Quando a criança já identifica o lado direito e esquerdo do seu corpo, ela já está 
preparada para usar estes conceitos, externamente. Ao experimentar a consciência 
lateral do seu corpo, a criança está pronta para compreender, também, as relações 
espaciais. 
Assim, como no espaço não existem direções objetivas, podemos concluir que 
as noções de direita e esquerda, frente e atrás, acima e abaixo, são determinadasde 
acordo com as atividades motoras do corpo. 
 
 
 
Dimensão emocional 
A dimensão cognitiva envolve os estímulos emocionais, os quais interferem no 
movimento do corpo, podendo estimulá-los ou inibi-los. Ao pensarmos a motricidade, 
como parte integrante do psiquismo, concluímos que as habilidades motoras 
expressivas ou criativas do indivíduo, estão relacionadas com sua afetividade. Isto nos 
permite concluir, ainda que as diversas formas de intervenção psicomotoras 
contribuem para que o indivíduo conheça, de maneira concreta, seu EU e o meio em 
que vive, podendo assim, agir de forma adaptada. 
 
É a inteligência que se encarrega de coordenar a motricidade, de forma a 
acomodá-la ao real, para conhecê-lo e transformá-lo. É este mesmo princípio 
que deve ser transferido para as aprendizagens escolares ou extra-escolares. 
Para aprender a ler, a escrever, a cantar e a pensar, a criança deve 
experimentar e realizar ações e interações múltiplas com os sistemas 
proprioceptivos, vestibulares, táctil-cinestésicos, visuais e auditivos. (PIAGET 
apud FONSECA, 2008, p. 98). 
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2 O USO DA PSICOMOTRICIDADE NO PROCESSO 
DA APRENDIZAGEM 
 
Os menores gestos e atividades humanas carregam, em si, a Psicomotricidade. 
Em vista disso, podemos admitir que, a mesma, é um fator essencial ao 
desenvolvimento global e uniforme da criança, posto que, a estrutura da Educação 
Psicomotora é a base fundamental para o processo intelectivo e de aprendizagem da 
criança. 
Isto por que, o desenvolvimento evolui do geral para o específico e, em sendo, 
quando uma criança apresenta dificuldades de aprendizagem, o problema pode estar 
nos níveis das bases do desenvolvimento psicomotor. 
 
 
 
 
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Nessa perspectiva, podemos aferir que, se durante o processo de 
aprendizagem, os elementos básicos da psicomotricidade (esquema corporal, 
lateralidade, estruturação espacial, orientação temporal, pré-escrita), forem utilizados 
ou aprendidos, inadequadamente, acarretará dificuldades na aprendizagem, posto 
que, os mesmos são fundamentais para que esse processo ocorra com sucesso. 
Assim, um problema, em um destes elementos, prejudicará a realização de uma boa 
aprendizagem. 
O ato antecipa a palavra e, a fala é uma importante ferramenta psicológica 
organizadora. Através da fala, a criança integra os fatos culturais ao desenvolvimento 
pessoal. Quando, então, ocorrem falhas no desenvolvimento motor, poderá também 
ocorrer falhas na aquisição da linguagem verbal e escrita. Isto porque, faltando, à 
criança, um repertório de vivências concretas, que serviriam ao seu universo 
simbólico, constituído na linguagem, afetará o seu processo de aprendizagem. A 
criança, cujo desenvolvimento psicomotor é constituído de forma deficitária, poderá 
apresentar problemas na escrita, na leitura, na direção gráfica, na distinção de letras 
(ex: b/d), na ordenação de sílabas, no pensamento abstrato (matemática), na análise 
gramatical e em muitas outras questões ligadas à aprendizagem. 
 Nesse sentido, relacionaremos as habilidades exigidas para a efetiva 
aprendizagem da leitura e da escrita. São elas: 
 Dominância manual já estabelecida; 
 Conhecimento numérico, para saber quantas sílabas formam uma palavra; 
 Movimentação dos olhos, da esquerda para a direita, que são os adequados para 
escrita; 
 Discriminação de sons (percepção auditiva); 
 Adequação da escrita às dimensões do papel, bem como à proporção das letras 
etc.; 
 Pronúncia adequada das letras, sílabas e palavras; 
 Noção de linearidade e da disposição sucessiva das letras e palavras; 
 Capacidade de decompor palavras em sílabas e letras; 
 Possibilidade de reunir letras e sílabas para formar palavras etc. 
 
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Contudo, diante da sociedade do conhecimento e da informação, que exige 
cada vez mais rapidez na atividade intelectual, prescindindo-a da atividade motora, 
vemos que, as consequências se apresentarão no tempo. E na educação? 
 A escola ainda mantém o caráter mecanicista instalado na Educação Infantil, 
ignorando a psicomotricidade, também nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Os 
professores, preocupados com a leitura e a escrita, muitas vezes não sabem como 
resolver as dificuldades apresentadas por alguns alunos, rotulando-os como 
portadores de distúrbios de aprendizagem. Na realidade, muitas dessas dificuldades 
poderiam ser resolvidas na própria escola e, até evitadas precocemente, se houvesse 
um olhar atento e qualificado, dos agentes educacionais, para o desenvolvimento 
psicomotor. 
Entendemos hoje que o uso da psicomotricidade tornou-se fundamental, haja 
vista que, a sua utilização, ajudaria a sanar estas dificuldades. Isto porque, através 
dela, podemos oportunizar, aos alunos, condições de desenvolver capacidades 
básicas, aumentando seu potencial motor, utilizando o movimento para atingir 
aquisições mais elaboradas, como as intelectuais etc. 
Neuropsiquiatras, psicólogos, fonoaudiólogos e educadores, têm insistido sobre 
a importância do desenvolvimento psicomotor, durante os três primeiros anos de vida, 
entendendo que, é nesse período, o momento mais importante de aquisições físicas, 
significativas, para o desenvolvimento global da criança. Aquisições que marcam 
conquistas igualmente importantes no universo emocional e intelectual. 
Aos três anos, as aquisições da criança são consideráveis, possuindo, então, 
todas as coordenações neuromotoras essenciais, tais como: andar, correr, pular, 
aprender a falar, se expressar, utilizando de jogos e brincadeiras. Estas aquisições 
são, sem dúvida, o resultado de uma maturação orgânica progressiva, mas, 
sobretudo, o fruto da experiência pessoal, sendo, parcialmente, um produto da 
educação, haja vista que, elas são obtidas e complementadas, progressivamente, ao 
tocar, ao apalpar, ao andar, ao cair, ao comparar, sendo resultado das experiências 
vivenciadas. 
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Esta ligação estreita entre maturação e experiência neuromotora, segundo 
Wallon (1995), passa por diferentes estados: 
 
 Estado de impulsividade motora - onde os atos são simples descargas de reflexos; 
 Estados emotivos - as primeiras emoções aparecem no tônus muscular. As 
situações são conhecidas pela agitação que produzem, evidenciando uma 
interação da criança com o meio; 
 Estado sensitivo-motor - coordenação mútua de percepções diversas (adquire a 
marcha, a preensão e o desenvolvimento simbólico e da linguagem); 
 Estado projetivo - mobilidade intencional dirigida para o objeto. Associa à 
necessidade do uso de gestos para exteriorizar o ato mental (inteligência prática e 
simbólica). 
 
Do ato motor à representação mental, graduam-se todos os níveis de relação 
entre o organismo e o meio (WALLON, 1995). O desenvolvimento para o autor é uma 
constante e progressiva construção, com predominância afetiva e cognitiva. 
Na segunda infância, surgem em funcionamento territórios nervosos, ainda 
adormecidos e processos da mielinização. As aquisições motoras, neuromotoras e 
perceptivo-motoras efetuam-se num ritmo rápido: tomada de consciência do próprio 
corpo, afirmação da dominância lateral, orientação em relação a si mesmo e 
adaptação ao mundo exterior. 
Este período de 3 a 4 e de 7 a 8 anos é, ao mesmo tempo, o período de 
aprendizagens essenciais e de integração progressiva, no plano social. 
Segundo Wallon (1995), nesses períodos, outras fases estarão presentes, a 
saber: 
 Estado de personalismo – formação da personalidade que se processa através 
das interações sociais, reorientandoo interesse da criança com as pessoas, 
predominância das relações afetivas; 
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 Estado categorial – observa-se progressos intelectuais, o interesse da criança 
para as coisas, para o conhecimento e as conquistas do mundo exterior, 
imprimindo suas relações com o meio, com predominância do aspecto cognitivo. 
Trata-se do período escolar, onde a psicomotricidade deve ser desenvolvida 
em atividades enriquecedoras e, onde a criança de aprendizagem lenta, terá que ter, 
ao seu lado, adultos que interpretem o significado de seus movimentos e expressões, 
auxiliando a na satisfação de suas necessidades. 
Na educação infantil, a prioridade deve ser ajudar a criança a ter uma 
percepção adequada de si mesma, compreendendo suas possibilidades e limitações 
reais e, ao mesmo tempo, auxiliando-a no processo de a se expressar, corporalmente, 
com maior liberdade, conquistando e aperfeiçoando novas competências motoras. 
Nesse sentido, o movimento e sua aprendizagem abre um espaço para 
desenvolver: 
 As habilidades motoras além das dimensões cinéticas, que levem a criança a 
aprender a conhecer seu próprio corpo e a se movimentar expressivamente; 
 um saber corporal que deve incluir as dimensões do movimento, desde funções 
que indiquem estados afetivos, até representações de movimentos, mais 
elaborados, de sentidos e ideias; 
 um caminho para trocas afetivas; 
 a comunicação e a expressão das ideias; 
 a exploração do mundo físico e o conhecimento do espaço; 
 a apropriação da imagem corporal; 
 as percepções rítmicas, estimulando reações novas, através de jogos corporais e 
danças; 
 as habilidades motoras finas no desenho, na pintura, na modelagem, na escultura, 
no recorte e na colagem, e nas atividades de escrita. 
 
Os materiais que colaboram para as experiências motoras, das crianças, 
podem incluir: 
 Túneis para as crianças percorrerem; 
 Caixas de madeira; 
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 Móbiles; 
 Materiais que rolem e onde as crianças possam entrar; 
 Instrumentos musicais ou geradores de som (bandinhas de diversos objetos etc.); 
 Cordas; 
 Bancos, sacos de diversos tamanhos, pneus, tijolos; 
 Espelhos, bastões, varinhas; 
 Papéis de todos os formatos; 
 Giz, lápis, canetas hidrográficas (de diversos tamanhos);  Elásticos e outros. 
 
Enfim, estimular atividades corporais, para além da sala de aula, propiciando 
experiências que favorecerão a motricidade fina, auxiliaria os alunos, de ritmo normal 
e os de aprendizagem lenta, a vencer melhor os desafios da leitura e da escrita. 
 Além disso, pode ser destacado o fato de que, as brincadeiras e os jogos, são 
importantes no mundo da fantasia da criança, o que torna possível transcender o 
mundo imediatamente disponível e diretamente perceptível. O mundo perceptível das 
pessoas é sempre um mundo significativo, isto é, um mundo interpretado por alguém 
e, portanto, singular e subjetivo, tal como a escrita. 
As crianças estão sempre em movimento, se deslocando entre ações incertas 
e aleatórias, em função de sua curiosidade com o mundo, para a construção de 
interesses próprios mais claros. A escola pode aproveitar esse movimento ou então, 
pode inibi-lo, de tal modo, que desencoraje a criança em sua pesquisa com o meio. 
A atitude da escola, frente à espontaneidade do movimento de cada criança, 
poderá influenciar o rumo do processo de aprendizagem da criança. A escola que 
trabalha, com especial atenção, para o desenvolvimento psicomotor da criança, tende 
a contribuir para o seu efetivo aprendizado. 
A educação psicomotora, nas escolas, visa desenvolver uma postura correta, 
frente à aprendizagem de caráter preventivo e do desenvolvimento integral do 
indivíduo, nas várias etapas de crescimento. 
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A educação psicomotora, assim, ajuda a criança a adquirir o estágio de 
perfeição motora, até o final da infância (7 a 11 anos), nos seus aspectos neurológicos 
de maturação, nos planos rítmico e espacial, no plano da palavra e no plano corporal. 
 Os princípios do RITMO — TÔNUS — DINÂMICA CORPORAL obedecem às 
leis: 
• Céfalo-caudal; 
• Próximo-distal. 
 O equilíbrio dos opostos será a psicomotricidade. 
PSICO: intelectual (cognitivo), emocional (querer), mental (intenção), 
movimento, gesto + MOTRICIDADE 
 Fatores psicomotores e as atividades a serem trabalhadas na Educação 
Psicomotora. (LURIA e COSTALLAT): 
1. Atividade Tônica: Tonicidade; Equilíbrio. 
2. Atividade Psicofuncional: Lateralidade; Noção do corpo; 
Estruturação espaço corporal. 
3. Atividade de Relação: Memória corporal. 
 
Portanto, para a psicomotricidade interessa o indivíduo como um todo, 
procurando auxiliar na investigação e descoberta, acerca dos problemas ligados à 
aprendizagem. Vê-se então, se o problema está no corpo, na área da inteligência ou 
na afetividade, para então, definir quais atividades devem ser desenvolvidas, visando 
a superação do problema. 
Nesse sentido, é comum, nas escolas, crianças com distúrbios psicomotores. 
Embora aparentemente normais, muitas vezes são incapazes de ler ou escrever, 
apresentando vários problemas que interferem no processo escolar. Pode até ser 
gerado por uma disfunção cerebral mínima, por um problema físico ou até mesmo 
emocional. 
O ideal seria que todos os educadores tivessem, como alicerce para as suas 
atividades, a psicomotricidade, pois, fariam com que as crianças tivessem liberdade 
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de realizar experiência com o corpo, fato indispensável no desenvolvimento das 
funções mentais e sociais. 
Desenvolvendo, assim, pouco a pouco, a confiança em si mesma e o melhor 
conhecimento de suas possibilidades e limites, as crianças teriam as condições 
necessárias para uma boa relação com o mundo. 
Para tanto, na escola, é importante que se leve em consideração todos os 
aspectos: 
1. Socioafetivo: visando favorecer sua autoimagem positiva, valorizando suas 
possibilidades de ação e crescimento à medida que desenvolve seu processo de 
socialização e interage com o grupo independente de classe social, sexo ou etnia; 
2. Cognitivo: Acreditar que, através das descobertas e resoluções de situações, ele 
constrói as noções e conceitos. Enfrentando desafios e trocando experiências com 
os colegas e adultos, ele desenvolve seu pensamento; 
3. Psicomotor: Através da expansão de seus movimentos e exploração do corpo e 
do meio a sua volta. Realizando atividades que envolvam esquema e imagem 
corporal, lateralidade, relações têmporo-espaciais. 
Nesse aspecto, o professor não deverá esquecer que, o material de seu 
trabalho é o seu aluno. Portanto, não deverá preocupar-se apenas em preparar o 
ambiente escolar com cartazes, painéis, faixas. Mas em preparar a si mesmo. É 
necessário que ele conheça seu aluno, tornando-se seu amigo. 
Isto porque, é a partir de uma relação de confiança, estabelecida entre 
professor e aluno, que se poderá propor dinâmicas que auxiliem o desenvolvimento 
infantil, contribuindo na capacidade de expressão e de desenvolvimento das 
habilidades motoras das crianças. 
A autenticidade e a cumplicidade das relações, no campo educacional, 
favorecem o desenvolvimento das habilidades psicomotoras, de forma motivante e 
significativa, facilitando assim, a aprendizagem e o desenvolvimento global das 
crianças. 
Para que haja intercâmbio entre o professor, o aluno e a aprendizagem, o 
trabalho da psicomotricidade é da mais valiosa função, tanto no maternal como na pré-
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escola, bem como, no período dealfabetização, por haver um estreito paralelismo 
entre o desenvolvimento das funções psíquicas, que são as principais responsáveis 
pelo bom comportamento social e acadêmico do homem. 
É inegável que o exercício físico é necessário para o desenvolvimento mental, 
corporal e emocional do ser humano e, em especial, da criança. O exercício físico 
estimula a respiração, a circulação, o aparelho digestivo, além de fortalecer os ossos, 
músculos e aumentar a capacidade física geral, dando ao corpo, um pleno 
desenvolvimento. 
Quanto à parte mental, se a criança possuir um bom controle motor, poderá 
explorar o mundo exterior, fazer experiências concretas, que ampliam o seu repertório 
de atividades e solução de problemas, adquirindo, assim, várias noções básicas para 
o próprio desenvolvimento intelectual, o que permitirá a tomada de conhecimento do 
mundo que a rodeia, permitindo-lhe ter o domínio da relação corpo-meio. 
Assim, devemos ter consciência da importância da educação pelo movimento, 
posto que, a mesma, permite à criança resolver, mais facilmente, os problemas atuais 
de sua escolaridade, preparando-a para a sua existência no mundo adulto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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3 PSICOMOTRICIDADE E LINGUAGEM NA ALFABETIZAÇÃO 
 
 
3.1 Psicomotricidade x linguagem 
 
 
 
 
 
Representação Mental 
 
 
 
Linguagem 
 
 
 
Sistema Simbólico 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PSICOMOTRICIDADE 
Estimulação Psicomotora 
Af eto paço Es mulo Estí 
reta Experiência Conc 
ocional Em M otor Cogn itivo 
Sistem a Límbico Sistem a Reticular Córtex C erebral 
Motivação Atenção Memória 
Aprendizagem 
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Analisando o quadro acima é possível perceber que, pelo movimento, a criança 
integra a relação, significativa, das primeiras formas de linguagem. 
Através do movimento, a criança consegue provocar mudança no meio exterior, 
que por sua vez, muda o próprio indivíduo. Isto ocorre, por meio da representação, 
como forma criadora das relações. As representações de que falamos são individuais, 
ou seja, são experiências vividas, por cada um, contribuindo para que o sujeito 
compreenda e se relacione com a significação social. 
Ainda analisando o quadro ―Psicomotricidade x Linguagem‖, é possível 
perceber que a aprendizagem é consequência da linguagem como resultado das 
representações. 
 
3.2 Psicomotricidade no Processo de Aprendizagem da Leitura e da Escrita 
Anteriormente, verificamos que a aquisição adequada das habilidades para a 
prática da leitura e da escrita dependem intimamente do bom desenvolvimento 
fisiológico, emocional, neurológico, intelectual e social do indivíduo. 
a fala, a leitura e a escrita não podem ser consideradas como funções 
autônomas e isoladas, mas sim como manifestações de um mesmo sistema, 
que é o sistema funcional da linguagem. A fala, a leitura e a escrita resultam 
de um harmônico desenvolvimento e da integração das várias funções que 
servem de base ao sistema funcional da linguagem desde o inicio de sua 
organização (POPPOVIC, 1996, p. 64). 
 
A prática da escrita é realizada pela criança, mas para que ela realize esta 
atividade será necessário que ela faça uso de sua mão, assim como de sua 
capacidade de orientação espacial (lateralidade), de um ritmo motor (relaxamento e 
contração), de sua postura (eixo postural) e de seu reconhecimento a cerca da 
atividade (função cognitiva). Daí a importância do desenvolvimento e da prática 
gradual de atividades que envolvam e estimulem a coordenação motora, o equilíbrio, 
o relaxamento, a variação de movimentos, o esquema corporal, a lateralidade, a 
espacialidade e também a motricidade fina. 
Para Luria (1990, p.37), percepção envolve um processo complexo que 
compreende atividades de orientação, uma estrutura probabilística, uma análise e 
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síntese dos aspectos compreendidos, e uma tomada de decisão. Neste momento 
buscaremos entender melhor como os canais sensoriais e a estimulação 
sensórioperceptivo-motora contribuem para o sucesso da aprendizagem escolar. 
Promover atividades que permitam que a criança vivencie situações de contato com o 
mundo das sensações faz com que ela perceba ativamente o meio em que vive 
transformando experiência em aprendizagem e aprendizagem em inteligência. 
A seguir veremos alguns dos canais exteroceptivos mais importantes no 
processo de ensino aprendizagem. 
A Visão: é o mais competente, rápido e preciso canalizador de informações e o mais 
importante meio de comunicação interpessoal que o ser humano possui. 
 A percepção visual da criança atinge o grau mais alto de evolução aos sete anos, o 
que é determinante no processo de aprendizagem de conteúdos mais complexos, 
como ler e escrever. Caso esta evolução não aconteça de maneira adequada, a 
criança poderá enfrentar dificuldades na aquisição das habilidades para leitura e 
escrita. Para dominar tais competências escolares, a criança também deverá possuir 
algumas capacidades psicomotoras, as quais precisam ser estimuladas e bem 
desenvolvidas. 
 
o Coordenação Visomotora: está relacionado com a capacidade para produzir 
respostas grafomotoras através da coordenação visual. 
 
Ex.: desenhos, escrita, atividades lúdicas de manipulação... 
 
 
 
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o Figura-Fundo: refere-se à capacidade do indivíduo em distinguir uma determinada 
figura grafada em um fundo onde existem outras figuras. Esta capacidade contribui 
significativa para que a criança seja capaz de analisar e sintetizar palavras, frases 
e textos, frequentes nas atividades que requerem a prática de leitura; 
 
 
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Constância de Forma: Refere-se à habilidade da criança em reconhecer e 
identificar variadas formas e figuras, independente de seu tamanho, orientação ou 
posição. Quando a criança demonstra essa capacidade provavelmente já estará 
pronta para usá-la também identificação de letras com traçados parecidos, 
palavras escritas com tipos de letras ou cores diferenciadas. 
 
 
 
 
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o Posição no Espaço: Refere-se à habilidade da criança para reconhecer e 
identificar quaisquer formas, independente da posição no espaço. Esta habilidade 
possibilita que a criança realize a diferenciação, seleção, distinção ou 
discriminação de igual x diferente, ainda que estes estejam posicionados de 
maneira invertida, revertidas ou rodadas. 
o Relações Espaciais: está relacionado com a capacidade para reconhecer e 
identificar a posição de dados espaciais em objetos, figuras, letras, pontos e 
números entre si e relacionados com o indivíduo. A criança utilizará esta habilidade 
em atividades que possam requerer o reconhecimento de uma sequência de letras 
em uma palavra ou uma sequência de palavras em uma frase. 
 Diante da importância no processo de alfabetização, a percepção visual deve 
ser desenvolvida antes das primeiras exigências escolares. 
A Audição: a audição é outro canal de grande importância no processo de ensino 
aprendizagem. Através deste sentido, o indivíduo é capaz perceber e reconhecer uma 
infinidade de sons. Um destes sons é o da voz do outro (fala) e diante dela, o ouvinte 
reage discriminando-a. Isto é fundamental para que a criança faça o seu 
reconhecimento de mundo. 
A audição é principal meio utilizadona aprendizagem da fala. O bebê ouve a 
fala do outro e elabora sua linguagem. Novamente constatamos que a apartir de 
algumas competências perceptivas ligadas a genética humana, a criança adquire 
outras habilidades e capacidades que lhe serão úteis na relação com o meio. 
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As competências da Percepção Auditiva são: 
o Perceber diferentes direções verbais; o Traduzir músicas e ritmos 
em movimentos corporais; o Perceber a diferença nos sons emitidos 
por instrumentos diversos de percussão; 
o Perceber e internalizar sons, timbres e tonalidades; o Alterar a 
expressão motora relacionando-a com o som; o Promover integração 
intersensorial auditivo-motora. 
 
O Tato: trata-se de um importante e refinado canal externo de exploração sensorial e 
aprendizagem; este sentido pode ser percebido por toda a extensão de pele do corpo 
humano de formas diferentes e permite que o indivíduo perceba e identifique texturas, 
temperaturas, dor e outras sensações, que se manifestam através do estímulo. 
O tato representa ainda grande importância na comunicação humana, pois 
pode ser percebido em grande parte da superfície do corpo, ou seja, o indivíduo pode 
através deste sentido, receber os mais variados estímulos, inclusive, o carinho. 
Ações como pegar, soltar, manipular e jogar objetos estão intimamente ligadas 
a este estímulo, o qual permitirá que a criança possa estudar um objeto de várias 
maneiras, através de vários canais sensoriais. 
o Percepção Tátil: Projetar, analisar, registrar e integrar; estas são ações que o 
indivíduo integra ao cérebro graças aos receptores tácteis, por meio do 
manuseio e manipulação. 
No momento em que atinge seu maior nível de atividade a percepção tátil 
contribui para que o indivíduo confirme informações recebidas através da visão, por 
estender a percepção das características físicas do objeto em questão. 
Por ser um sentido analítico, a percepção tátil permite que o indivíduo receba 
informações que dificilmente seriam fornecidas por outro sentido, como: texturas e 
temperaturas. 
É através da percepção tátil que a criança desenvolve sua capacidade de 
representação mental. 
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O Olfato: está relacionado com sensações agradáveis e desagradáveis e trata-se de 
um importante meio de aprendizagem simbólica. O nariz é o órgão receptor dos 
estímulos olfativos e permite que o indivíduo perceba odores variados. 
O olfato é considerado um referencial na orientação espacial. É importante dizer 
que muitas vezes algumas mensagens são recebidas mais rapidamente pelo indivíduo 
através do olfato. 
o Percepção Olfativa: através da percepção olfativa são desenvolvidos processos 
de atenção seletiva e comparativa, os quais o indivíduo relaciona com situações 
vividas anteriormente. 
Diante de um odor o indivíduo pode ainda aceitar, rejeitar, aproximar-se ou 
afastar-se de outras pessoas, objetos e até espaços físicos. De acordo com 
Fonseca (2004, p. 56), ―(...) com a percepção olfativa, pode-se construir mapas 
territoriais e topográficos que permitam perambulações na escuridão e planificações 
mentais das ações‖. 
 
O Paladar – Percepção Gustativa: permite que o ser humano perceba por meio da 
língua, o sabor de substâncias. Isto acontece porque as papilas gustativas, localizadas 
na superfície da língua, possuem suas estruturas compostas por células sensoriais, 
as quais transmitem ao cérebro informações que permitem que o indivíduo identifique 
as sensações de doce, amargo, azedo e salgado. O olfato também exerce influencia 
sobre o paladar e ajuda o cérebro a identificar o gosto das substâncias levadas à boca. 
 
Cinestésico: este sentido permite que o indivíduo obtenha informações a cerca da 
velocidade, da posição e força exercida pelo seu corpo ao realizar um movimento. 
Para que o sentido cinestésico possa agir, os receptores musculares, os tendões, os 
ligamentos e as articulações devem estar em perfeito funcionamento. 
Trata-se de um intencional e voluntário, ou seja, ele se manifesta de acordo 
com a vontade do indivíduo. Este, por sua vez precisar representar sua própria 
experiência induzindo o movimento em seu próprio corpo, a fim de reconhecer um 
movimento fora do corpo. 
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Os sentidos de equilíbrio associados aos cinestésicos possibilitam que o ser 
humano note superfícies e arestas, uma figura linear, extensões, larguras, alturas e 
profundidades. Através da sensação corporal, a criança experimenta o verdadeiro 
conhecimento do seu corpo. 
A percepção sensorial do movimento (interno ou externo) desperta o cérebro 
para que este atue sobre a parte do corpo em movimento. Quando o cérebro humano 
exerce essa função, busca perceber as partes do corpo da maneira como se encontra 
ou da maneira como se movimenta naquele momento específico, comparando suas 
características atuais com as percebidas em atividades psicomotoras realizadas 
anteriormente. 
 
 
As situações posturais, espaciais, temporais e coordenativas, indispensáveis 
para que o indivíduo obtenha êxito na aquisição de conhecimentos, são 
automaticamente ajustados por meio da percepção cinestésica. 
As atividades sensório-motoras passam, com a integração da experiência, a 
atividades perceptivo-motoras, tornando possível a interiorização das 
imagens mentais que, por sua vez, constituirão, como primeiras estruturas 
operacionais, o suporte da linguagem e da reflexão. (FONSECA apud 
DANTAS, 1992, p. 25). 
 
Uma integração sensorial em evolução gradual e integrada, ocorre através do 
desenvolvimento psicomotor (cognitivo, emocional, motor e social) da criança, 
tornando real o desenvolvimento global. 
 
 
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3.3 Educação e Reeducação Psicomotora 
Etimologicamente, educar significa promover a educação, transmitir 
conhecimentos a, instruir. Já a palavra reeducar, significa tornar a educar, completar 
ou aprimorar a educação. 
Em sendo e, sabendo que as capacidades físicas, intelectuais e morais do 
indivíduo, se desenvolvem dentro do processo de educação, objetivando contribuir 
para a integração individual e social da criança, é importante que o educador tenha 
consciência deste fato, uma vez que passaremos a pensar sobre a diferença entre 
―educação psicomotora‖ e ―reeducação psicomotora‖. 
Como já vimos anteriormente, a educação psicomotora envolve todas as 
habilidades e capacidades individuais ou coletivas, da criança e, que esta se 
desenvolve de forma gradual. Vimos também que, a educação psicomotora, é 
primordial no processo de aquisição de conhecimentos escolares. 
Os pais são os primeiros educadores a contribuírem para o desenvolvimento 
global da criança, visto que, cotidianamente, compartilham com ela, momentos de 
estimulação, como o banho. Neste momento, a criança desfrutará da aprendizagem 
do seu próprio corpo, através das sensações. A mãe ou o adulto, que acompanha a 
criança, deve cuidar para que ela vivencie também, experiências e estímulos durante 
a alimentação e ao brincar, propiciando a oportunidade de elaborarem estratégias que 
facilitem suas atividades. 
Um pouco mais a frente, o professor passa a integrar o grupo que contribui para 
o desenvolvimento da criança. Nesse sentido, os jogos psicomotores tornam-se um 
recurso fundamental na educação psicomotora. Segundo os educadores Bastos e Sá 
(2001, p. 62), 
devemos acabar com a ideia de que jogos psicomotores constituem perda de 
tempo, fazendo assim, com que as crianças trabalhem o tempo inteiro 
sentadas em frente à folha de papel ofício, colorindo pontinhos, colorindo 
limites desenhos pré elaborados, executandotarefas em livros ou folhas 
mimeografadas, deixando alguns pais satisfeitos ao final de cada mês, pois 
recebem uma pasta (feita pelo professor) cheia de trabalhos que na verdade 
tolheram a criatividade de seus filhos. 
 
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Diante da colocação dos autores, podemos concluir que as atividades 
desenvolvidas em sala de aula, precisam ser diversificadas e elaboradas com 
propriedade, buscando oportunizar a aquisição e construção do conhecimento, por 
parte da criança. 
O processo de reeducação psicomotora deve ser iniciado o mais cedo possível. 
No entanto, é importante que o educador saiba que não se trata de uma simples 
―ginástica corretiva‖ ou ―rítmica especializada‖. Este processo parte de um aspecto 
essencial que tem como objetivo, apoiar a criança em suas diversas ações de 
adaptação cotidianas. 
Normalmente, é tranquilo oportunizar momentos em que, as crianças 
pequenas, possam adquirir suas habilidades motoras e intelectuais. Porém, quando 
estes estímulos são inadequados, causando déficit na aquisição dos esquemas 
psicomotores, esta criança deverá ser reeducada, ou seja, os conhecimentos 
(esquemas) devem ser esquecidos, para que só então, o reeducador possa 
apresentar-lhe os esquemas de maneira adequada. 
Nesse sentido, a reeducação ganha um caráter de urgência, quando o déficit 
está relacionado com problemas afetivos, uma vez que, com o passar do tempo, a 
criança poderá apresentar algum tipo de bloqueio ou sinais de angústia, diante da 
reprovação e punição do outro. Através da reeducação, a criança poderá adotar uma 
postura, comportamental, mais adequada. 
Bastos e Sá (2001) apresentam algumas indicações e sugestões referentes ao 
processo de reeducação: 
-A reeducação pode começar entre a idade de 18 a 24 meses no caso de 
crianças que apresentarem atraso psicomotor e grande déficit motor ou 
bloqueio afetivo. Neste caso ocorrerá uma reeducação mais parecida com 
educação devido a pouca idade do indivíduo. No entanto, tratando-se de 
―dificuldades psicomotoras‖, é mais indicado que o educador utilize os 
métodos de reeducação. 
-Diante de problemas relacionados ao esquema corporal e estruturação 
espacial, seria mais indicada a reeducação da criança com 
aproximadamente, cinco anos. 
-Em casos de dificuldade motora ou em alguns casos de instabilidade 
psicomotora, a reeducação pode começar por volta dos 4 anos. 
-Quando a criança chega ao 1º ano do Ensino Fundamental. Nesta fase do 
desenvolvimento o educador identifica mais precisamente as dificuldades da 
criança na organização espacial e temporal e ainda sua lentidão na realização 
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das atividades propostas e dificuldade para concentrar-se. Diante destes 
fatos, a idade dos seis anos é considerada a mais comum para o processo de 
reeducação. (BASTOS e SÁ, 2001, p. 62-63). 
 
 
As idades citadas acima, para que se inicie o processo de reeducação, não são 
regras, visto que, crianças com mais idade, adolescentes e jovens com idade entre 16 
e 17 anos e até mesmo adultos, apresentam a necessidade de reeducação. Esta 
realidade é resultado da negligência de muitos pais e educadores, diante das 
dificuldades apresentadas e acumuladas pelo educando, ao longo dos anos. Por não 
reconhecerem ou, por não aceitarem que, a raiz do problema estava no alicerce do 
desenvolvimento, do processo de ensino e aprendizagem, educadores e pais, 
principais responsáveis pela educação da criança, se acomodaram. 
No processo de reeducação é imprescindível considerar a qualidade do 
relacionamento entre o reeducador e a criança. No entanto, cabe ao reeducador 
compreender que um bom relacionamento acontece com o tempo e dificilmente será 
possível estabelecê-lo previamente. 
A seguir, veremos alguns exemplos, do que poderíamos chamar de 
perturbações ou atrasos psicomotores, o que por sua vez, caracterizaria a 
necessidade da reeducação psicomotora. Observe os seguintes aspectos com 
atenção: 
 Atraso no Desenvolvimento Motor → Sintoma: não é capaz de subir escadas 
ou andar para trás; 
 Grandes Déficits Motores → Sintoma: Hemiplegia (apresenta dificuldades para 
mover as pernas ou não consegue movê-las); 
 Perturbações do Equilíbrio → Sintoma: a criança sofre quedas frequentes, corre 
com o tronco posicionado para trás, anda com os pés afastados um do outro e 
choca-se com outras crianças durante as brincadeiras; 
 Perturbações da Coordenação → Sintoma: a criança não apresenta destreza nas 
atividades manuais. Frequentemente poderá ser inadequada ou desajeitada em 
atividades simples como comer, vestir-se e recortar; 
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 Perturbações da Sensibilidade → Sintoma: A criança não é capaz realizar os 
gestos demonstrados por outra pessoa, a não ser que isto seja feito diante de um 
espelho; apresenta dificuldade para segurar um objeto nas mãos sem deixar que 
caia, torce os tornozelos com frequência e sensibilidade no contato humano. 
 Perturbações no Esquema Corporal → Sintoma: não reconhece as partes do 
seu corpo e não aponta corretamente seus membros, seus movimentos não são 
bem coordenados; 
 Perturbações da Lateralidade → Sintoma: se confunde ao definir com que mão 
realizará as atividades, é desajeitada e apresenta dificuldades para definir sua 
dominância lateral (direita e esquerda), escreve números e letras de forma 
espelhada. Para recortar usa a mão direita, mas ao brincar prefere a esquerda. 
 Perturbações da Estrutura Espacial → Sintoma: não considera termos espaciais 
como ―em cima‖, embaixo‖ e ―ao lado‖. Orienta-se com dificuldade e sua 
memória espacial é comprometida; 
 Perturbações de Orientação Temporal → Sintoma: Não é capaz de diferenciar 
ordens numéricas (primeiro e último), não identifica curto e grande espaço de 
tempo. Para desenvolver ações motoras como correr, apresenta dificuldade, pois 
sua corrida é constituída de passos longos demais ou curtos demais. Por não ter 
noção do tempo, em geral é desorganizado. 
 Perturbações Afetivas→ Sintoma: Encontra dificuldade para compartilhar seus 
sentimentos e desejos. Não consegue estabelecer contato corporal. 
Diante destas características, podemos concluir que, quando a criança 
apresenta algum sintoma, relacionado a um comprometimento psicomotor, esta deve 
obter atendimento, através das sessões de reeducação psicomotora. 
 
3.4 A Relação entre o Corpo e a Escrita 
 
Como já vimos anteriormente, após os seis anos de idade a criança já deve ter 
definido sua dominância lateral (canhota – destra - ambidestra). A atenção do 
professor nesta etapa é imprescindível. O educador deve iniciar o processo de 
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alfabetização somente quando constatar que seu aluno já venceu as etapas 
anteriores, necessárias para ao processo de aquisição da lectoescrita. 
Outra questão a ser lembrada é que, a prática ou ação, da escrita constitui uma 
forma superior de linguagem, a qual, depende da capacidade do indivíduo em 
sustentar uma ideia e posteriormente, ordená-la em uma determinada sequência e 
relação. A relação que o indivíduo estabelece entre a palavra falada (audição), o 
sentido da palavra (significado) e o registro gráfico da palavra (signo), permite que 
este, interiorize o significado do objeto mais facilmente, beneficiando o seu processo 
de aprendizagem e prática da escrita. Desta maneira, fica mais fácil entender porque 
a criança aprende a ler e, posteriormente, aprende a escrever. Isto se deve à relação 
entre a palavra impressa e o som. 
O educador deve estar atento às mudanças no uso da mão durante as 
atividades de escrita. Após esta faixa etária, mudanças podemser prejudiciais. Por 
exemplo, se uma criança com tendência a ser canhota, anteriormente foi forçada a 
utilizar sua mão direita para escrever, esta não deve ser contrariada novamente, ou 
seja, é mais indicado que o professor enfrente junto ao seu aluno os problemas que 
poderão surgir pelo uso da mão indevida, tais como: lentidão motora, giro no sentido 
inverso, etc. 
Mais à frente, entre os sete e oito anos, a criança canhota tende a cobrir o que 
escreve, na medida em que, sua mão se move da esquerda para a direita. Desta 
forma, ela é impedida de visualizar (ler) sua própria escrita enquanto a faz, levando a 
criança a adotar posições que poderão prejudicá-la, ainda mais. Nestes casos, é 
comum que o aluno procure encolher o ombro esquerdo, aproximando o braço do 
tronco ou, inclinar-se para a direita, para mobilizar melhor seu braço, colocando sua 
mão por cima da linha, para deixá-la livre. Algumas sugestões poderão ajudar ao 
educador, na elaboração de estratégias pedagógicas, que possam contribuir para a 
adequação da postura da criança em questão. 
o Posicionar a folha de papel no canto esquerdo; o Inclinar a folha de papel para 
a direita; o Posicionar a mão da criança de maneira parecida com o 
posicionamento do destro, ou seja, abaixo da linha; 
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o Sugerir que o aluno segure o lápis e realize o movimento de progressão da 
esquerda para a direita. 
 
No caso da criança destra, o ideal é que ocorra um predomínio homogêneo, ou 
seja, deve ser destro na mão, no olho e no pé. Quando existe um cruzamento, ou seja, 
o indivíduo é canhoto no uso do pé, mas destro no uso da mão, ocorre o que podemos 
chamar de lateralidade cruzada, a qual deve ser superada através da educação 
psicomotora. Desta forma, haverá um predomínio lateral que contribuirá para o 
processo de ensino aprendizagem que virá. 
 
3.4.1 Movimento de Pinça e Posicionamento Corporal 
 
A posição adotada pela criança é muito importante e devemos estar atentos, 
desde o início, buscando corrigir quaisquer erros diagnosticados, já que uma postura 
correta é aquela que permite realizar, de forma adequada, todos os movimentos que 
estão envolvidos na prática da escrita. 
Algumas características são comuns, no processo em que a criança se torna 
capaz de representar graficamente as palavras. Este fato motivou vários autores, a 
apresentarem suas concepções a cerca dos estágios do desenvolvimento gráfico. 
Neste momento, nos importa a classificação do desenvolvimento gráfico segundo 
Ajuriaguerra (1983). 
 
Estágio Faixa Etária Características das crianças 
 
Pré-caligráfico 
 
De 5/6 anos a 8/9 
anos 
▫ não possui perfeito domínio motor para os traçados gráficos; 
▫ não tem controle na inclinação e dimensão das letras; 
▫ não faz margens ou apresenta-se de forma desordenada; 
▫ mantem uma postura errada do tronco; 
▫ copia as palavras letra por letra. 
 
Caligráfico 
 
De 10 a 12 anos 
▫ não apresenta dificuldades para pegar e manusear os 
instrumentos gráficos; 
▫ apresenta uma escrita mais rápida e regular; 
▫ distribui corretamente as margens; 
▫ apresenta uma postura mais adequada do tronco e da 
cabeça; 
▫ sua escrita imita o modelo, é ainda pouco pessoal. 
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Pós Caligráfico 
 
Dos 12 anos em diante 
▫ modifica a escrita dada a necessidade de maior agilidade para 
acompanhar o pensamento, raciocínio e as atividades 
escolares; 
▫ apresenta postura correta. 
 
Existem ainda, alguns aspectos importantes a serem considerados, dentre eles, 
estão: a postura da criança, a maneira como deve segurar o lápis, entre outros. 
A seguir veremos mais detalhadamente o que é necessário para o êxito na 
aquisição da prática da escrita e o que deve ser corrigido pelo educador, durante o 
processo de alfabetização. 
A criança deve posicionar-se paralelamente a mesa, evitando a formação de 
um ângulo reto com esta. Deve ainda, estar sentada, confortavelmente, com o dorso 
apoiado no encosto, os pés apoiados no chão e os braços sobre a mesa, a mão 
esquerda sobre a mesa e seu braço direito deve estar na posição paralela às bordas 
laterais do papel. O caderno deve estar inclinado para a esquerda. No caso da criança 
canhota a posição é a mesma, entretanto, deve-se inverter a inclinação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
No início, o lápis que a criança utiliza deve ser mais grosso que os comuns. 
Este tipo de lápis, evita que a criança aperte os dedos, ao segurar o lápis. É importante 
que o educador tenha consciência da maneira correta de segurar o lápis. Na preensão 
do lápis deve ser utilizado o dedo indicador, o dedo polegar e o dedo médio. O 
indicador e o médio são responsáveis pelo movimento do lápis. Eles seguram e 
executam uma pressão média que permite, ao mesmo tempo, segurar e movimentar 
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o lápis. Por sua vez, o médio serve para apoiar e reforçar o movimento de pinça, 
estabilizando e proporcionando firmeza no traçar. 
 
 
Algumas posturas incorretas podem provocar erros disgráficos, agrupados em 
dois tipos: 
o Posturas que quebram o prolongamento mão-antebraço, por meio de um giro 
forçado do pulso. Isso faz com que a mão esteja estendida, para frente ou para 
trás, em relação ao antebraço. 
 
 
 
 
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o Posturas nas quais a mão adota uma posição muito marcada, com a palma 
para baixo, com o polegar posicionado próximo à mesa ou, aquelas que 
apóiam, excessivamente, a lateral externa da mão, provocando a elevação da 
pinça escritora. 
 
 
Outras posturas adotadas, para segurar o lápis, podem comprometer a fluidez, 
o tamanho e a qualidade do traço da escrita. 
 
o Posicionando o dedo polegar em cima do lápis, ao lado do dedo indicador, a 
criança deixa de usar corretamente o dedo médio, o qual, não funcionará mais 
como apoio para o movimento da pinça escritora diminuindo a fluidez da escrita; 
escrever nesta posição provoca cansaço na mão. 
 
 
 
 
Para ajudar a criança que usa esta posição para segurar o lápis, o educador 
poderá propor atividades motoras que envolvam a utilização de pinceis, a perfuração 
 
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e até mesmo o uso de giz, entre outros. Elogiar a criança e motivá-la, quando fizer uso 
da posição correta, também é muito importante. 
o Algumas pessoas adotam a posição correta ao segurar o lápis, no entanto, 
flexionam de maneira excessiva os dedos e seguram o lápis com rigidez. Esta 
posição causa dor nos dedos do escritor, o que geralmente contribui para que 
a criança não sinta prazer na prática da escrita. 
 
 
 
 
 
 
Aqui, o educador deve utilizar técnicas de relaxamento, envolvendo 
frequentemente a mão e o braço, bem como, com atividades que estimulem o gesto 
manual e digital e a estimulação da coordenação motora fina, explorando o manuseio 
do pincel. 
o A próxima posição é chamada de varredura e consiste na quebra, da 
prolongação correta da mão e do antebraço, ao fazer um giro do pulso para 
frente e para dentro. Segurando o lápis desta maneira, a pessoa não 
conseguirá ver o que está escrevendo. Como já vimos anteriormente, é uma 
postura comum em pessoas canhotas, mas pode acontecer também com 
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pessoas destras. Além destas questões, a posição de varredura causa fadiga 
e dor no escritor. 
 
 
 
O educador poderá ajudar propondo atividades de segmentação e, como já foi 
sugerido, cuidando para que a criança posicione a mão abaixoda linha, bem como, 
posicionando o papel corretamente. 
 
 
o A criança que utiliza a posição chamada de empunhadora, segura o lápis com 
a pinça inferior, ou seja, apóia-o no local da interseção dos dedos indicador e 
polegar. Nesta posição, a polpa do polegar não tem a função de segurar o lápis, 
fazendo com que a fluidez da prática da escrita diminua, 
provocando ainda, contração e fadiga. 
 
 
A intervenção professor deve ser 
gradual neste caso 
 
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indicando à criança, a maneira correta da pinça escritora; 
 
Assim como a mão escritora, é importante considerar a posição da outra mão. 
Esta deve servir de apoio na prática da escrita, posicionando sobre a mesa em posição 
palmar e, outras vezes, pode servir para segurar o papel. 
 
 
4 A PSICOMOTRICIDADE E O FAZER DOCENTE 
 
Como já vimos anteriormente, é necessário que o aluno tenha domínio de 
algumas habilidades antes de iniciar o processo de alfabetização. ―A escrita, além 
de exigir o desenvolvimento de muitas habilidades, requer certa mudança de 
perspectiva em relação a determinadas noções da realidade‖ (ZORZI, 2003, p. 11). 
Cabe ao professor, ter domínio de sua prática, bem como, a consciência de sua 
responsabilidade e papel fundamental na vida acadêmica de cada um dos seus 
alunos. Normalmente, as crianças apresentam certa ansiedade em relação à 
aprendizagem e prática da leitura e da escrita de suas primeiras palavras e textos. 
Neste momento o professor deve garantir que seus alunos sejam cuidados, apoiados 
e respeitados, inclusive no que diz respeito a elementos indissociáveis como a 
afetividade, a cognição e a motricidade. 
Compreender que a psicomotricidade garante uma base sólida, para uma 
prática docente significativa e dinâmica, na alfabetização, servirá de eixo norteador ao 
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professor no que se refere à elaboração e orientação de suas atividades, beneficiando 
enfim, o principal personagem da alfabetização que é o aluno, em seu processo de 
aquisição de conhecimento. 
[...] é necessário projetar um plano de ação que cubra os diversos âmbitos do 
desenvolvimento infantil. Isto significa que a questão formativa está vinculada 
a este processo em todas e em cada uma das dimensões da criança: da sua 
capacidade intelectual à sua afetividade, da sua personalidade à sua conduta, 
da linguagem ou a lógica à pintura, à música ou ao esporte (ZABALZA, 2008, 
p. 61). 
 
A fala de Zabalza trata necessariamente na necessidade de que o educador 
realize, previamente, uma análise diagnóstica de sua turma. Anteriormente, vimos que 
em cada faixa-etária a criança apresenta características especificas e que tais 
especificidades, devem ser consideradas pelo educador ao elaborar e desenvolver 
sua prática docente. 
Atualmente, enfrentamos grandes problemas no que diz respeito à 
alfabetização nas escolas públicas brasileiras. Estes problemas poderiam ser 
amenizados e algumas vezes, até mesmo evitados, se o educador brasileiro 
considerasse e aceitasse que a criança desenvolve-se, em todos os seus aspectos 
simultaneamente. Portanto, é dever do professor e direito do aluno que suas 
habilidades, capacidades, limites e potenciais sejam diagnosticados e considerados 
progressivamente, no decorrer de sua vida acadêmica, assim como seus aspectos 
afetivos, sociais e cognitivos. 
O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI) é um 
documento indispensável à prática do educador, que considera a importância do 
desenvolvimento global do educando e empenha-se em contribuir para que seu aluno 
desenvolva habilidades imprescindíveis ao processo de aquisição da lectoescrita. No 
RCNEI, o professor certamente encontrará respaldo para uma prática que envolve o 
desenvolvimento das habilidades psicomotoras, essenciais à alfabetização. Ora, é na 
Educação Infantil que devem ocorrer os primeiros esboços desta prática social tão 
importante, especialmente nos dias de hoje. 
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Assim, de acordo com o RCNEI, ―as crianças se movimentam desde que 
nascem adquirindo cada vez maior controle sobre seu próprio corpo e se apropriando 
cada vez mais das possibilidades de interação com o mundo‖ (BRASIL, 1998. p. 15). 
Sabermos que o processo de ensino e aprendizagem deve ser mediado pelo 
professor, o qual no momento oportuno deverá intervir a fim de sanar as possíveis 
dificuldades apresentadas pelos seus alunos. O movimento corporal não deve ser 
considerado pelo professor, como um simples deslocamento. Ao educador, cabe 
refletir e interpretar o verdadeiro sentido deste movimento, o qual se refere à interação 
e relação do indivíduo com o mundo, estimulado pela expressividade, considerando 
ainda que a escrita é uma forma de expressão. 
Dificilmente, encontraremos um profissional especialista em psicomotricidade 
nas escolas públicas, no entanto o educador não deve privar seus alunos dos 
benefícios gerados pelas atividades psicomotoras na prática educativa. Enquanto o 
psicomotricista ainda não integra o quadro de funcionários das escolas públicas, o 
professor alfabetizador deve se capacitar a fim de proporcionar as condições 
necessárias para que seus alunos possam alfabetizar-se. A psicomotricidade não é o 
único aspecto essencial na aquisição da prática da lectoescrita, no entanto o sucesso 
da alfabetização depende intimamente das habilidades adquiridas através das 
atividades psicomotoras. 
 
4.1 Jogos e brincadeiras: arte, recreação e cognição 
 
O espaço lúdico é essencial ao desenvolvimento humano. Embasados nesta 
certeza, buscaremos subsídios que nos permita entender como a ludicidade se integra 
ao processo de ensino e aprendizagem desenvolvido na sala de aula. 
No brinquedo, a criança opera com significados desligados dos objetos e 
ações aos quais estão habitualmente vinculados; entretanto, uma contradição 
muito interessante surge, uma vez que, no brinquedo, ela inclui, também, 
ações reais e objetos reais. Isto caracteriza a natureza de transição da 
atividade do brinquedo: é um estágio entre as restrições puramente 
situacionais da primeira infância e o pensamento adulto, que pode ser 
totalmente desvinculado de situações reais (VIGOTSKY, 1984, p. 
207). 
 
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A experiência só terá algum significado para o indivíduo, quando este puder 
vivenciar a aprendizagem de maneira significante, em sua totalidade. 
(...) aprender é o grande segredo da vida: transformar toda ação passível de 
introjeção e reflexão, bem como toda oportunidade, em ação construtiva. 
Cada momento de aprendizagem apresenta a possibilidade de aprender o 
sentido do conhecimento. (ALESSANDRINI, 1996, p. 01). 
 
A criação de um espaço mais amplo para a fantasia e para o jogo na escola é 
fundamental para que ocorra, de forma plena, o desenvolvimento global do educando, 
ou seja, a prática da ludicidade aliada ao fazer docente, estimula a cognição, a 
afetividade e as habilidades psicomotoras da criança, de maneira simultânea. 
Quando a criança é vista e compreendida de forma globalizada, seu 
desenvolvimento propicia que ele mesmo construa e acesse as várias formas de 
conhecimento disponíveis. 
A construção do conhecimento é estimulada, quando a inteligência da criança 
é desafiada considerando seus interesses e suas necessidades. O processo de 
aquisição do conhecimento requer motivação do sujeito, por isso é tão importante que 
o educador faça um diagnóstico e entenda as necessidades do educando, para que 
desta forma, sejam criadas situações que incentive e promova a construção do 
conhecimento, a capacidade de elaborare expressar suas ideias e conceitos de forma 
convicta. Desta forma, o educador favorecerá a formação integrada da personalidade 
da criança. 
O jogo integra os aspectos motores, afetivos, cognitivos e sociais do indivíduo. 
Ao ser estimulado a jogar, o aluno é convidado a participar, de forma lúdica e ativa do 
processo de ensino e aprendizagem. 
A prática da psicomotricidade no trabalho pedagógico contribui através de 
atividades preparatórias, como as que são sugeridas pela Terapeuta Ocupacional 
Johanna Cordeiro Melo Franco, as quais veremos a seguir: 
 
4.1.1 Desenvolvimento da Coordenação Motora Fina 
 
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1. Rasgar papel livremente utilizando, de início, papéis que não ofereçam muita 
resistência ao serem rasgados: 
• Rasgar papel em pedaços grandes, em tiras, em pedaços pequenos. 
 
2. Recortar com tesoura: 
• Treinar o modo de segurar a tesoura e seu manuseio, cortando o ar, sem papel. 
• Recortar vários tipos de papel com a tesoura livremente. 
• Recortar tiras de papel largas e compridas. 
• Recortar formas geométricas e figuras simples desenhadas em papel dobrado. 
 
3. Colar: 
• Colar recortes em folha de papel, livremente. 
• Colar recortes em folha de papel, apenas numa área determinada. 
• Colar recortes sobre apenas uma linha vertical. 
• Colar recortes sobre apenas uma linha horizontal. 
• Colar recortes sobre apenas uma linha diagonal. 
 
4. Modelar: 
• Modelar com massa e argila e formas circulares, esféricas, achatadas nos pólos 
(como tomate), ovais, cônicas (como cenoura), cilíndricas (como pau de 
vassoura), quadrangulares (como tijolo), etc. 
 
5. Perfurar: 
• Perfurar livremente uma folha de isopor com agulha de tricô ou caneta de ponta 
fina sem carga. 
• Perfurar folha de cartolina em sequência semelhante à proposta para o trabalho 
com isopor. 
• Perfurar o contorno de figuras desenhadas em cartolina e procurar recortá-las 
apenas perfurando. 
 
6. Bordar: 
• Enfiar macarrão e contas em fio de náilon ou de plástico. 
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• De início as contas e o macarrão terão orifícios graúdos e o fio será bem grosso 
e firme. Numa segunda etapa, o material deverá ter orifícios menores e os fios 
deverão ser mais finos e flexíveis. 
• Bordar em talagarça. 
• Alinhavar em cartões de cartolina. 
• Pregar botões. 
 
7. Manchar e traçar: 
• Fazer os quatro exercícios seguintes usando inicialmente giz de cera e depois 
pincel e tinta, lápis de cor e lápis preto. 
• Fazer manchas em folha de papel, livremente. 
• Fazer manchas dentro de figuras grandes. 
• Fazer manchas sobre uma linha. 
• Fazer manchas entre linhas paralelas, de início, distantes e depois, mais 
próximas. 
• Passar andando por dentro de caminhos feitos com cordas estendidas no chão, 
como pré-requisito para realizar os exercícios que se seguem. 
• Com caneta hidrográfica passar um traço entre duas linhas paralelas. 
• No papel sulfite, entre as linhas paralelas, traçar várias linhas com lápis de cor, 
cada uma de uma cor (traço do arco-íris). 
• Traçar linhas sobre desenhos e letras pontilhadas em papel sulfite. 
 
8. Pintar: 
• Pintar áreas delimitadas por formas geométricas e partes de desenhos de 
objetos. 
 
9. Dobraduras 
• Dobrar folha de papel ao meio, na altura de linhas pontilhadas (horizontais e 
verticais) marcadas na folha. 
• Dobrar guardanapos de papel e de pano em retas perpendiculares e diagonais 
em relação às bordas. 
• Dobrar papel e montar figuras (cachorro, chapéu, sapo, flor, etc.) 
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10. Brincadeiras 
• Separe algumas revistas velhas e deixe seu filho recortar a figura de que mais 
gosta. Depois, pegue a tesoura e corte uma parte da imagem. Cole esse recorte 
em um papel branco para seu filho completar a figura, fazendo o desenho do 
que falta. Isso vale para paisagens, objetos. Outra forma de brincar com 
revistas velhas é separar os olhos, bocas e narizes de várias fotos para depois 
montar rostos bem malucos em um papel. Vocês podem desenhar o contorno 
do rosto e preenchê-lo com os recortes. 
• Passar anel 
Todos juntam as mãos, palma com palma. O passador da vez vai 'cortando' 
as mãos dos outros até deixar, discretamente, o anel em uma delas. Então, 
pergunta a um dos jogadores com quem está o anel. Se o jogador acertar, é 
o próximo passador. 
Exercícios para estimular o movimento de pinça fina: 
 
 
 
 
 
 
http://johannaterapeutaocupacional.blogspot.com/2009/02/exercicios-de-pinca-fina.html
http://johannaterapeutaocupacional.blogspot.com/2009/02/exercicios-de-pinca-fina.html
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Recurso de adaptação para lápis: 
 
4.1.2 Dicas para estimulação da Memória 
 
A memória é a nossa capacidade de guardar coisas na mente e de recuperá-
las em algum momento futuro. Procuramos recordar nomes, datas, listas de compras 
ou detalhes das viagens. A memória do dia-dia refere-se também ao preparo de uma 
refeição para noite ou aniversário de um amigo na semana que vem. Alguns aspectos 
da memória estão envolvidos em quase todas as nossas atividades, a maneira como 
a usarmos, dependerá dos nossos hábitos de vida e nossa experiência. 
Tipos de memória: 
 A Memória de Curto prazo guarda durante alguns segundos a informação, antes 
de ser transferida para memória de longo prazo. 
 A Memória de longo prazo retém informações durante períodos que vão alguns 
minutos a muitos anos. 
Outros tipos de memória: 
- Memória procedimental – são todas as habilidades motoras e de linguagem que 
aprendemos como nadar, andar de bicicleta, jogar futebol... 
- Memória Declarativa - é a recordação do nosso conhecimento relativo a pessoas, 
objetos, lugares e acontecimentos. 
 
 
 
 
 
 
 
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- Memória prospectiva - consiste em lembrar o que é preciso fazer e quando fazêlo. 
É uma memória explícita que depende do processamento da atenção. 
Exemplo: lembrar de tomar o remédio ou de assistir uma reunião às duas horas. 
Atividade diária: 
 Praticar jogos de memória, dama, xadrez ou palavras cruzadas, exercícios 
simples como recordar fatos do dia-a-dia (o que comeu no almoço, o que 
aconteceu na escola, nomes dos colegas e professores). 
 Aprender novas habilidades: computador, pintura, música. 
 
Exercícios mnemônicos: 
 Associar fatos a imagens e procurar guardá-los na memória. Imaginar um 
alimento ou fato e imaginar todas as suas características. 
Exemplo: hoje ele comeu uma fruta, vermelha, redonda, começa com a letra 
m..., qual o dia da semana que tem natação ou educação física (..) 
 Alimentação: A boa alimentação é fundamental para a conservação da 
memória. 
 Atividade física: 
Os exercícios feitos regularmente trazem benefícios importantes para o 
processo de memorização. (natação, futebol.)  Sono: é muito importante para se 
ter uma boa memória. 
 Lazer: passeios, viagens, ir ao teatro, ler histórias... 
 Anotações em agenda ou quadro de recados. 
 
Atividades de fortalecimento e estabilidade muscular 
 
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 O grande Impulso 
Você precisa de: você e uma parede 
 
Como fazê-lo: Diga à criança que a parede 
está caindo, e peça para ela empurrá-la 
para mantê-la. Certifiquese que ele tem 
apenas as suas mãos na parede (no 
ombro), e tentar manter os cotovelos 
ligeiramente dobrados. 
 
 
 
 Caranguejo 
Você precisa: não há caranguejos! 
Apenas a criança e um trecho de chão. 
 
Como fazê-lo:Auxilie a criança até que 
ela alcance a posição de caranguejo e 
peça que ela ande para 
 
trás como um caranguejo. 
 
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 Brincadeiras sensoriais 
(espuma, massinha, areia, 
tinta e vasilha com feijão) 
 
 
 
 
 
- 
 
 Brincadeiras com bola, 
corda ou elástico (puxar com as duas 
mãos). 
 
 
 
4.2 Vivendo a psicomotricidade 
As crianças vivem de uma 
maneira bem diferente. Há algumas 
décadas atrás, as famílias tinham outro perfil e, porque não dizer outras prioridades. 
Hoje os pais estão cada vez mais distantes de seus filhos e não tem a chance de 
perceber e contribuir com o seu processo de desenvolvimento. O foco principal é 
manter-se num mercado de trabalho cada vez mais competitivo e participar de uma 
sociedade cada vez mais capitalista. As relações familiares já não são as mesmas, a 
sociedade já não é a mesma, a escola já não é a mesma. O progresso trouxe mudança 
à vida da sociedade, influenciando em seus costumes e valores. 
Na educação é fácil perceber as mudanças nos valores familiares e infantis, as 
quais impuseram limites à liberdade das crianças, em especial, no direito de brincar. 
A cada dia, as crianças integram o quadro discente mais cedo, sendo cobradas e 
avaliadas. 
 
 
 
 
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A escola passou a ser uma das grandes responsáveis, por grande parte da 
estimulação motora, emocional, cognitiva e social da criança e, portanto, não deve 
preocupar-se somente com a formação acadêmica de seus alunos. As instituições de 
ensino devem oferecer um espaço que garanta a criança, o direito de experimentar e 
vivenciar situações novas, respeitando seu nível de desenvolvimento, em todos os 
seus aspectos. 
Diante desta nova realidade em que as crianças apresentam necessidades e 
habilidades das mais diversas, a Educação Infantil tem uma importância fundamental 
na formação da base do desenvolvimento psicomotor do indivíduo; é na educação 
infantil que a criança estrutura os fundamentos de seu desenvolvimento, os quais 
serão determinantes em toda a sua vida, dentro e fora da escola. 
A psicomotricidade na teoria Walloniana encara a motricidade como um meio 
privilegiado para enriquecer e ampliar as possibilidades expressivas, afetivas 
e cognitivas das crianças e dos jovens, promovendo a sua flexibilidade e a 
sua plasticidade. (WALLON apud FONSECA, 2008, p. 52) 
 
 
Estimular e educar a criança e ao mesmo tempo garantir seu direito de 
desenvolver-se ludicamente tem sido um desafio para os educadores de hoje. 
Proporcionar ao educando a vivência de experiências necessárias seu 
desenvolvimento e ao mesmo tempo, brincar com ele, não é tarefa fácil e requer 
grande comprometimento, seriedade e responsabilidade por parte do educador. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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