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1 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
 
 
2 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
Livro “Assoalho Pélvico” 
Seja mais assertivo em seus atendimentos aprendendo a 
anatomia do assoalho pélvico 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
Livro Assoalho Pélvico 2019 
Autora: Janaína Cintas 
Retrato autora: Vitor Guilherme Alves da Cunha 
Revisão e Diagramação: Priscila Cunha Castro 
Capa desenvolvida por: Vitor Guilherme Alves da Cunha 
Ilustrações: Vitor Guilherme Alves da Cunha e Priscila 
Castro 
Fotos: Vitor Guilherme Alves da Cunha 
Apoio: Grupo Voll Pilates 
Colaboração: Marcio Fernando da Silva e Waleska Braga 
Buarque 
 
 
 
 
 
Nenhuma parte pode ser duplicada ou reproduzida sem 
expressa autorização do Editor. 
 
 
 
4 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
Livro Assoalho Pélvico 
Aprenda ser mais assertivo em seus atendimentos através 
do conhecimento anatômico do assoalho pélvico. 
 
 Janaína Cintas 
Escritora, Bicampeã mundial de BMX e Fisioterapeuta 
graduada pela Universidade da Cidade de São Paulo. 
Posteriormente aperfeiçoou em Gerontologia na Pós-Graduação 
da Universidade Federal do Estado de São Paulo. 
Subsequentemente se especializou em Cadeias Fisiológicas do 
 
5 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
Método Busquet, RPG de Philippe Souchard, estudiosa das 
relações viscerais com a pressão intra- -abdominal, formou-se 
em Pilates e Pilates Aéreo pela Escola de Madrid, trabalhou 
como fisioterapeuta no Hospital Albert Einstein e atualmente faz 
parte do Grupo Voll Pilates, onde ministra cursos e palestras. 
Janaína também é autora do Livro Cadeias Musculares do Tronco 
lançado em 2015 em Madrid e no Brasil, A Ciência do Pilates em 
2017 pela Sarvier Editora de Livros Médicos Ltda e Livro de 
Avaliação Postural 2018, Ganhadora do Prêmio Contrology 2017 
Influenciador Digital e 2018 Profissional do Ano, 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
Agradecimento 
 
 
À Deus, por todas as oportunidades que me tem 
concedido. 
Agradeço especialmente àqueles que acreditam e 
possibilitam a concretização deste projeto. 
Dedico este livro às pessoas que saem todos os dias de 
manhã para construir o próprio futuro, àqueles que superam 
suas adversidades e se mantêm firmes em busca de seus sonhos. 
 
 
 
Janaína Cintas 
 
 
 
 
 
 
7 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
Sumário 
Capítulo 1 – Anatomia do assoalho pélvico ......................08 
 Capítulo 2 – A função do assoalho pélvico .....................25 
Capítulo 3 – Sinergia abdomino-pélvica ...........................29 
Capítulo 4 – Incontinência urinária no Brasil ....................37 
 Capítulo 5 – Ilíacos no parto e pós-parto e as cadeias 
musculares ...............................................................................43 
 Capítulo 6 - Avaliação do assoalho pélvico .....................47 
 Capítulo 7 – Treino proprioceptivo..................................53 
 Capítulo 8 – Tratamento conservador ............................59 
 Capítulo 9 – Pilates e assoalho pélvico ...........................65 
 Conclusão - .....................................................................71 
 Referências – ..................................................................74 
 
 
 
 
 
 
8 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
O assoalho pélvico e um complexo anatômico que ainda 
gera muitas dúvidas, porém nos profissionais do movimento 
temos de compreender muito bem seu funcionamento, visto 
que são músculos participantes do powerhouse, sendo, 
portanto, de extrema importância sua perfeita compreensão, 
sabemos que um bom funcionamento do assoalho pélvico se faz 
fundamental para o controle fecal, mictório e para a função 
sexual. Porem antes de falarmos sobre o assoalho 
pélvico, precisamos entender um pouco sobre a anatomia da 
estrutura que comporta todos os órgãos pélvicos. 
 
 Imagem - 1.1 – Assoalho Pélvico 
 
10 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
A pelve 
 
 Imagem - 1.2 – Pelve 
 
 
 
 
11 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
A cintura pélvica, onde se anulam a força de peso normal e solo, 
é composta pelos dois ilíacos e o sacro. Essas estruturas formam 
a articulação Sacro ilíaca. 
 
 Imagem - 1.3 – Sacro ilíaca 
 
 
12 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
A Sacro ilíaca transfere a carga dos membros inferiores para: 
• Parte superior do corpo; 
• Sínfise Púbica (púbis de um lado se articulando com o 
púbis do lado oposto). 
Na parte medial do forame obturado, o púbis se junta ao ísquio. 
Já na parte lateral ele está voltado para os membros inferiores. 
Nessa região o púbis dá a inserção a diversos músculos mediais 
da coxa. 
Fortes inserções ligamentares e musculares se localizam na face 
póstero inferior do ísquio, mais precisamente no tubérculo 
isquiático, dando a pelve sua estabilidade. 
Os ligamentos que dão uma estabilidade estática a pelve, são: 
- Ligamento iliolombares: limitam a inclinação lateral do tronco 
e são responsáveis pelo funcionamento do conjunto L5- Sacro, 
tensões nesses ligamentos podem ocorrer por alteração 
postural, levando a dores. 
- Ligamentos sacroilíacos anteriores: estabilizam a articulação 
sacroilíaca e limitam o movimento de tranutação. 
- Ligamento sacrotuberoso e sacroespinhoso: vão do sacro a 
tuberosidade isquiática e na espinha ilíaca e limitam os 
movimentos de nutação. 
 
 
13 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
 
 Imagem - 1.4 – Ligamentos 
O acetábulo é a parte óssea côncava formada pela fusão dos 
ossos: ilíaco, ísquio e púbis e é aprofundada por um anel de 
fibrocartilagem, o lábio do acetábulo. 
 
 
 
 
14 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
 
 Imagem - 1.5 – Acetábulo 
 
 
 
 
15 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
 
 Imagem - 1.6 – Forças atuantes na pelve 
 
 
 
 
16 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
*Força da Gravidade: Força gerada pela massa corporal em kg, 
quanto pesamos vezes aceleração gravitacional 
(aproximadamente 9,8) 
*A Força de Reação Solo: É uma força que atua do solo para o 
corpo que está em contato, representando uma resposta às 
ações musculares e ao peso corporal transmitido por meio dos 
pés. 
Apesar da pelve masculina e feminina serem similares, existe 
uma ligeira diferença entre ambas. A região da pelve menor 
masculina é mais profunda que a da mulher, sua abertura 
superior é mais estreita e a inferior menor, já a pelve feminina é 
mais larga e grande, adaptações necessárias para o momento da 
gravidez e do parto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
Na figura abaixo vemos a diferença entre a pelve masculina e 
feminina: 
 
 Imagem – 1.7 – Pelve masculina e feminina 
 
O Assoalho pélvico é formado por músculos, ligamentos e fáscias 
que encerram a pelve inferiormente, tanto no homem, quanto 
na mulher. 
Tem como função: a sustentação dos órgãos internos, e o 
controle da movimentação dos esfíncteres. 
 
 
 
 
 
 
18 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
Os músculosdo assoalho pélvico (MAP) são organizados 
anatomicamente em camadas: 
 
• Superficial: 
A camada superficial do assoalho pélvico e chamada de 
períneo sendo constituída pelos órgãos genitais 
externos e o ânus. No homem inicia-se na bolsa escrotal 
(testículos) seguindo até o ânus, e na mulher segue da 
vulva até o ânus. E a camada superficial e formada pelos 
seguintes músculos: bulboesponjoso, isquiocavernoso, 
transverso superficial e profundo do períneo, esfíncter 
uretral externo e esfíncter anal externo. Estes têm como 
função manter o fluxo urinário, além de tornar possível 
o ato sexual (promove a ereção do pênis e do clitóris, a 
ejaculação e as contrações da vagina durante o 
orgasmo), além do parto. 
 
 
• Profunda. A camada profunda é composta pelos 
músculos: isquioscoccígeos e levantadores do 
ânus (puborretal, pubococcígeo (levantador da próstata 
e pubovaginal, além do iliococcígeo), o conjunto desses 
músculos formam o diafragma pélvico. 
Na figura abaixo vemos os músculos superficiais e profundos 
do assoalho: 
 
 
 
19 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
 
 
 
 Imagem - 1.8 – Assoalho pélvico 
 
 
Os músculos do diafragma pélvico são de fundamental 
importância para a sustentação dos órgãos internos, e sabemos 
que esses músculos permanecem contraídos constantemente, 
além disso quando num aumento da pressão abdominal 
repentina, como tossir ou espirrar, por exemplo, gerara uma 
contração rápida aumentando a tensão nesses músculos, para 
manter os órgãos em sua posição normal, além disso esses 
 
20 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
músculos possuem esfíncteres que permanecem fechados, 
porem quando urinamos ou defecamos, a musculatura devera 
se relaxar e os esfíncteres se abrem para 
permitir a defecação e a micção. 
 
 
 Imagem - 1.9 – Diafragma 
 
21 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
O assoalho pélvico (AP), composto por um conjunto de órgãos 
(bexiga, útero e reto), músculos, ligamentos e fáscias que 
recobrem a parte inferior da pelve, possui a função de sustentar 
órgãos e manter funções fisiológicas como urinar e defecar. 
O assoalho pélvico é formado por um grupo de músculos e 
ligamentos que tem a função básica de sustentar os órgãos 
pélvicos e abdominais. Ao mesmo tempo em que funciona como 
sustentação das vísceras, também participa da continência fecal 
e urinária e deve permitir o coito, o parto e a eliminação de 
produtos de excreção. 
Possui três camadas de tecido conjuntivo principais: fáscia 
endopélvica, músculo elevador do ânus e membrana perineal-
esfíncter externo do ânus. 
As vísceras pélvicas estão conectadas às paredes pélvicas laterais 
pela fáscia endopélvica, formando a primeira camada do 
assoalho pélvico. 
A segunda camada é o diafragma pélvico, formado pelo músculo 
elevador do ânus e sua aponeurose superior e inferior. 
A terceira camada é a membrana perianal ou diafragma 
urogenital. Que se localiza imediatamente abaixo do elevador do 
ânus. O suporte primário dos órgãos pélvicos é dado pelo 
elevador do ânus, que recobre todo o assoalho pélvico, de modo 
que as estruturas acima deste músculo repousam sobre ele. O 
músculo elevador do ânus constitui a principal defesa contra 
 
22 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
prolapso, sendo constituído de duas partes: a primeira em forma 
de “U” bastante desenvolvida, que se origina na sínfise púbica, 
manda fibras para as paredes laterais da vagina e reto, assim 
como continua posteriormente ao reto formando um sling em 
torno do mesmo e retorna á sínfise púbica (músculo 
pubococcígeo); a segunda parte se origina das paredes laterais 
da pelve de cada lado inserindo-se na linha mediana, é menos 
espessa – músculo ileococcígeo. 
 Os elevadores do ânus formam o maior e mais forte 
componente muscular do assoalho pélvico, sendo subdividido 
em três porções: pubovisceral, puborretal e iliococcígeos. Dos 
três componentes dos elevadores do ânus, o pubovisceral e o 
puborretal parecem ser os maiores responsáveis pela pressão de 
fechamento vaginal e, portanto, pelas aferições clínicas de força 
e função do assoalho pélvico. Já a musculatura superficial do 
assoalho pélvico não parece ter nenhuma ação mecânica 
significativa no suporte e sustentação dos órgãos pélvicos, 
estando mais relacionada à função sexual ao tracionarem 
inferiormente o clitóris ao diminuírem a abertura do vestíbulo 
urogenital. As estruturas sustentadas pelo assoalho pélvico são 
os órgãos pélvicos, como a bexiga, útero e reto, influenciando 
ativamente funções específicas. 
 As funções fisiológicas de urinar e defecar são mantidas em 
funcionamento devido à função da musculatura do assoalho 
pélvico (MAP). Diante da fraqueza ou incoordenação da MAP, 
algumas disfunções podem surgir, dentre as quais têm destaque 
 
23 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
a incontinência urinária, incontinência fecal, prolapsos genitais e 
disfunções sexuais. 
 Estas disfunções podem surgir devido a traumas obstétricos, 
sobrepeso, avanço da idade, questões hormonais ou 
simplesmente por inconsciência da contração desta 
musculatura. 
Sabe-se que a incidência de câncer de próstata na população 
masculina vem crescendo cada vez mais e com isso há também 
o aumento de cirurgias para a retirada da próstata. E, que as 
mulheres têm sido submetidas majoritariamente a partos 
cesárea. Estes fatores associados a outros, são os principais 
causadores da IU tanto na população feminina como na 
masculina. 
 
 
 
 
 
 
24 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
 
 
25 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
As principais funções dos músculos do assoalho pélvico são a de 
sustentação do saco visceral, além de estarem funcionais para a 
detecção e micção. Porém, estes músculos podem não 
desempenhar o seu papel de forma eficaz, por excesso de tensão 
ou fraqueza deles, isso se dá por diferentes motivos: gestação, 
parto, obesidade, idade avançada, dentre outras, gerando assim, 
disfunções importantes. 
 
 
 Imagem – 2.1 – Gestação 
 
 
 
26 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
 
Na gravidez, os músculos do assoalho pélvico tendem a ficar 
mais fracos, alongados e sobrecarregados devido aos efeitos dos 
hormônios e do aumento da pressão abdominal. O alongamento 
muscular é positivo por um lado, pois prepara a pelve para o 
parto normal. Porém, o enfraquecimento muscular secundário 
predispõe ao aparecimento de disfunções, como a incontinência 
urinária (perda involuntária de urina). 
Desde 2009, a Sociedade Internacional de Continência, baseada 
em estudos científicos de alto nível de evidência, recomenda 
que todas as gestantes, independente da via de parto (normal 
ou cesárea), realizem exercícios para os músculos do assoalho 
pélvico, pois eles podem prevenir e tratar as disfunções do 
assoalho pélvico, além de aumentar a percepção sobre essa 
região. 
 
A forma como a gestante deve realizar os exercícios depende 
de como sua musculatura se encontra em relação ao tônus, 
força, resistência, controle e coordenação. Portanto, os 
exercícios devem ser prescritos individualmente, de acordo com 
o diagnóstico muscular feito pelo fisioterapeuta. A avaliação da 
musculatura é realizada por exame físico (inspeção e palpação 
vaginal) e por meio de aparelho de biofeedback, que oferece 
uma medida mais objetiva da função muscular. Pode ser feita 
assim que descoberta a gravidez, exceto se há restrição médica, 
ou idealmente antes da gestação. Já na avaliação, o 
 
 
27 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
fisioterapeuta prescreverá exercícios para cada caso de acordo 
com as necessidades individuais da musculatura da gestante.Na prática cotidiana, de 30 a 50% das mulheres, mesmo jovens, 
são incapazes de contrair eficazmente a musculatura do 
assoalho pélvico quando isso lhes é solicitado, seja por comando 
verbal ou escrito. Isso mostra a importância de um programa de 
conscientização e propriocepção dessa musculatura, visto que a 
incoordenação também é uma das causas de incontinência 
urinária (IU) e outras disfunções do assoalho pélvico. 
Para prevenção e tratamento de tais distúrbios, surgiu a 
fisioterapia pélvica, especialidade que trabalha com o assoalho 
pélvico, incluindo exercícios ativos, uso de dispositivos auxiliares 
como o biofeedback, cones vaginais e a eletroestimulação. 
Todos os exercícios visam o reestabelecimento da estática 
pélvica por meio da reeducação perineal, somado ao ganho na 
consciência corporal. Contudo, esta incapacidade de contração 
do assoalho pélvico por nas mulheres é ponto crítico, 
especialmente no início do tratamento fisioterapêutico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
28 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
 
 
29 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
 
 Imagem – 3.1 – Ilíacos 
 
Um estudo realizado a respeito da sinergia abdomino-pélvica diz 
que aumentos repentinos na pressão intra-abdominal, levam a 
uma rápida atividade reflexa dos músculos do Assoalho Pélvico 
(reflexo guardião). Deve-se considerar que "o aumento 
repentino da pressão intra-abdominal se causada por uma 
manobra intrínseca (tosse, por exemplo) incluem a ativação via 
retroalimentação da musculatura do assoalho pélvico como 
parte de um complexo padrão de ativação muscular. Acredita-se 
que a tosse e o espirro são gerados por um padrão individual 
dentro do tronco cerebral, e assim, a ativação dos músculos do 
Assoalho Pélvico é uma coativação prévia, e não primariamente 
 
30 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
uma reação "reflexa" ao aumento da pressão intra-abdominal. 
Porém, além disso, pode haver uma resposta reflexa adicional 
dos músculos do Assoalho Pélvico em relação ao aumento da 
pressão abdominal devido à distensão dos fusos musculares 
dentro dessa musculatura. 
Outros autores também afirmaram que o aumento da pressão 
de fechamento da uretra e do ânus ocorre imediatamente antes 
do aumento da pressão intra-abdominal. Nos eventos de tossir 
e espirrar, o diafragma, os músculos abdominais e o assoalho 
pélvico são ativados de forma pré-programada pelo sistema 
nervoso central. 
 
Este fato parece sugerir que, a ativação dos músculos do 
períneo, não acontecem, em resposta ao aumento da pressão 
intra-abdominal, sendo antes, produzida por mecanismos 
nervosos centrais que podem ser eventualmente regulados pela 
vontade. 
 
Algumas investigações demonstraram que a contração 
automática dos músculos do Assoalho Pélvico nas mulheres 
continentes é precedida ao aumento da pressão intra-
abdominal. A contração prévia desses músculos, antes do 
aumento intra-abdominal, indica que essa resposta é pré-
programada. A atividade antecipada não pode ser de uma 
resposta reflexa a uma entrada aferente, resultante de um 
aumento da pressão abdominal. 
 
Vários artigos abordaram sobre o comportamento dos músculos 
do Assoalho num esforço de tosse, tanto em mulheres 
 
31 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
continentes quanto em mulheres incontinentes, sugerindo que 
nas incontinentes o padrão de recrutamento sinérgico se 
processa de forma diferente em relação à intensidade de 
ativação dos músculos. 
 
A ativação dos músculos Perineais é essencial para manter a 
continência quando a pressão intra-abdominal aumenta devido 
à contração dos músculos abdominais. 
 
Os músculos do Períneo contribuem para continência urinária, 
através do incremento da pressão de fechamento uretral e da 
manutenção da posição do colo vesical, fornecidos pela sua 
contração. Em um estudo onde as contrações foram feitas sem 
nenhum movimento da coluna lombar, pelve ou caixa torácica, 
os autores observaram que existe um recrutamento dos 
músculos abdominais quando se realizava uma contração do 
assoalho pélvico. 
 
Na figura abaixo vemos o esquema da continência urinária ideal: 
 
32 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
 
 
 Imagem – 3.2 – Função vesical normal 
 
 
Em estudo epidemiológico no Brasil, foi encontrado a 
prevalência de 35% de queixa de perda urinária aos esforços, em 
mulheres entre 45 e 60 anos de idade. A queixa em mulheres 
atletas é de 22% a 47%, sofrendo variação de acordo com a 
atividade. As causas ainda não estão completamente elucidadas 
e algumas ainda são pouco discutidas. 
 
 
33 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
A incontinência urinária de esforço atinge com mais frequência 
mulheres entre 25 e 49 anos de idade. A atividade física de alto 
impacto é um fator de risco para desenvolvê-la, sendo percebida 
apenas a partir da realização de atividades que predisponham a 
perda de urina. Outros fatores de risco incluem constipação, 
como a tosse crônica do fumante, a doença pulmonar, 
obesidade e ocupações que exigem levantamento excessivo de 
peso. 
 
De uma forma geral, a incontinência urinária de esforço é 
atribuída à incapacidade dos músculos do períneo em assegurar 
níveis de pressão intra-uretral superiores ao da pressão 
intravesical. A fraqueza dos músculos perineais é entendida 
como um fenômeno associado a alguns processos, como o de 
envelhecimento, gravidez, parto vaginal, ao número de 
gravidezes e partos, ou até mesmo à redução no número de 
fibras do tipo I. 
 
 
Pouco se sabe acerca do funcionamento dos músculos do 
períneo durante a prática de exercícios físicos. Os exercícios 
abdominais aumentam a pressão intra-abdominal, comprimindo 
vísceras e distribuindo a carga para o aparelho locomotor, e os 
aumentos na pressão intra-abdominal afetam indiretamente a 
pressão sobre a bexiga urinária. Esse aumento é condição 
favorável para haver perda involuntária de urina em ocasiões os 
quais as respostas da musculatura do assoalho pélvico se 
encontram alteradas. Os achados determinam que a maioria das 
atividades físicas não envolve contração voluntária do Assoalho 
Pélvico, o que pode acarretar em deficiência funcional por perda 
 
34 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
ou ausência da consciência e coordenação das estruturas 
neuromusculares do aparelho locomotor, levando à hipotrofia 
por desuso. 
 
O descondicionamento e a carga repetida sobre o assoalho, 
concomitante ao aumento frequente da pressão intra-
abdominal, diminuem a eficiência mecânica do assoalho pélvico 
e alteram a composição de alguns músculos. Portanto, mulheres 
que fazem exercícios físicos não possuem necessariamente 
músculos perineais mais fortes do que as que não fazem. 
 
Neste contexto, outra ideia muito divulgada se refere à relação 
entre condição física geral e desenvolvimento dos músculos do 
períneo. De fato, está genericamente aceito que se uma mulher 
possuir uma boa condição física geral, isso significa uma 
musculatura perineal igualmente forte. 
No entanto, segundo Nichols & Milley (1978) sabe-se que na 
ausência de um trabalho específico para os músculos do 
pavimento pélvico, a carga repetida sobre a musculatura 
perineal, associada a aumentos frequentes da pressão intra-
abdominal, tende a reduzir a eficácia mecânica do ligamento 
cardinal, já Jozwik (1993) diz que e/ou produzir alterações na 
composição de alguns músculos, tal como a redução no número 
de fibras do tipo I observada no músculo elevador do anus. De 
acordo com estas evidências o exercício intenso pode ser 
considerado para algumas mulheres como um fator precipitante 
da incontinência urinária de esforço. 
Na figura abaixo vemos a comparação entre a continência e a 
incontinência quando se coloca esforço: 
 
 
35 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019Imagem – 3.3 – Incontinência Urinária 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
36 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
 
 
 
 
 
 
 
37 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
 
 
38 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
Em estudo epidemiológico no Brasil, foi encontrado a 
prevalência de 35% de queixa de perda urinária aos esforços, em 
mulheres entre 45 e 60 anos de idade. A queixa em mulheres 
atletas é de 22% a 47%, sofrendo variação de acordo com a 
atividade. As causas ainda não estão completamente elucidadas 
e algumas ainda são pouco discutidas. 
A incontinência urinária de esforço atinge com mais frequência 
mulheres entre 25 e 49 anos de idade. A atividade física de alto 
impacto é um fator de risco para desenvolvê-la. Ela só é 
percebida apenas a partir da realização de atividades que 
predisponham a perda de urina. 
Outros fatores de risco incluem: 
• Constipação; 
• Tosse crônica do fumante; 
• Doença pulmonar; 
• Obesidade; 
• Ocupações que exigem levantamento excessivo de peso. 
 
 
 
 
 
 
39 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
Causas da incontinência 
De uma forma geral, a incontinência urinária de esforço é 
atribuída à incapacidade dos músculos do períneo em assegurar 
níveis de pressão intra-uretral superiores ao da pressão 
intravesical. 
A fraqueza dos músculos perineais é entendida como um 
fenômeno associado a alguns processos, como: 
• Envelhecimento; 
• Gravidez; 
• Parto vaginal; 
• Número de gravidezes e partos; 
• Redução no número de fibras do tipo I. 
Pouco se sabe acerca do funcionamento dos músculos do 
períneo durante a prática de exercícios físicos. Os exercícios 
abdominais aumentam a pressão intra-abdominal. Com esse 
aumento as vísceras ficam comprimidas e a carga para o 
aparelho locomotor é distribuída. Os aumentos na pressão 
intra-abdominal afetam indiretamente a pressão sobre a bexiga 
urinária. 
Percebemos que esse aumento favorece a perda involuntária de 
urina em algumas ocasiões. O motivo seriam respostas alteradas 
do assoalho pélvico. 
Os achados determinam que a maioria das atividades físicas não 
envolve contração voluntária do Assoalho Pélvico. Isso pode 
acarretar em deficiência funcional por perda ou ausência da 
 
40 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
consciência e coordenação das estruturas neuromusculares do 
aparelho locomotor. Como consequência podemos ter 
hipotrofia por desuso. 
O assoalho pélvico perde sua eficiência mecânica e também tem 
a composição de alguns músculos causados por: 
• Descondicionamento; 
• Carga excessiva. 
Portanto, mulheres que fazem exercícios físicos não possuem 
necessariamente músculos perineais mais fortes do que as que 
não fazem. 
Segundo a filogênese, a pelve vem evoluindo, desde passamos a 
bipedestacao, o que gerou mudanças importantes numa das 
suas funções fundamentais, a gestação e o suporte do peso das 
vísceras abdominais, além das mudanças de pressão (Merí, 
Moreno & Porta, 2013). Um sistema de fáscias e ligamentos 
suportam os órgãos da pelve menor. Porém, toda essa nova 
distribuição de forças gerada pela bipedestacao submeteu a 
região a cargas frequentes sobre a musculatura perineal que 
associada a aumentos frequentes de pressão abdominal, tende 
a produzir alterações na composição de vários músculos, bem 
como uma redução do número de fibras tipo II observada no 
músculo elevador do ânus (Jozwik, 1993). Diminuindo assim, a 
função de força do pavimento pélvico, sendo uma das causas das 
patologias como prolapsos, ptoses, incontinência fecal, 
incontinência urinária, ou ainda incontinência mista. No 
momento da forca, a parede abdominal deve mobilizar-se para 
 
41 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
dentro e as vísceras pélvicas deslocam-se para baixo e para trás 
em direção ao pavimento pélvico posterior. Ao longo, da 
maturação dos músculos abdominais, por volta dos 8 anos de 
idade, vamos perdendo a capacidade de gerar uma boa 
administração entre os músculos citados, e perdemos eficiência 
destes músculos, gerando, não raramente, durante a contração 
do Transverso um deslocamento anterior da parede abdominal 
e um deslocamento para baixo e para a frente da parede anterior 
da vagina, que pode vir associado a hipotonia do pavimento 
pélvico numa grande percentagem de indivíduos. A cavidade 
abdomino-pélvica está cercada: pelo diafragma (acima); atrás, 
pela coluna vertebral e as costelas na sua porção superior; e 
abaixo pela pelve que possui um encerramento inferior gerido 
pelo diafragma pélvico (Merí et al.,2013). Em situações em que 
a pressão intra-abdominal aumenta para realizar ações 
fisiológicas como espirrar, tossir, defecar, vomitar, realizar um 
esforço, etc. Acabam por aumentar a pressão intra-abdominal, 
diminuindo a área do abdômen, o que ocorre pela ação sinérgica 
da musculatura estabilizadora da coluna vertebral e pela 
musculatura profunda do abdómen. Todo esse mecanismo 
distribuirá a pressão por todas as paredes do pavimento de 
forma integral (Lei Física de Blaise Pascal). A contração do 
diafragma e da musculatura abdominal aumenta a pressão intra-
abdominal que em situação de normalidade elevar-se-á e para 
conter as vísceras em seu posicionamento correto. Porém, 
diversos estudos mostram-nos que com o aumento da pressão 
intra-abdominal, e a falta de competência dos músculos 
abdominais empurram as vísceras para baixo, gerando uma 
contração sinérgica dos músculos do pavimento pélvico. Alguns 
fatores de risco como a gravidez, o parto, as disfunções do 
 
42 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
pavimento pélvico, do diafragma torácico e a dor lombar podem 
alterar estes mecanismos (Merí et al., 2013) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
43 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
 
 
44 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
Em relação à abertura e fechamento dos ilíacos, podemos 
também citar um exemplo que acontece com muitas mulheres e 
que neste momento de sua vida é absolutamente funcional em 
relação aos pequenos e potentes movimentos que fazem os 
ilíacos. 
O exemplo de uma mulher após o parto. 
O corpo da mulher deverá adaptar-se ao vazio da região 
abdominal que fica após o nascimento do bebê. 
Após o parto, esta cavidade abdominal deve se reduzir para se 
ajustar ao novo volume e recriar assim as pressões internas 
necessárias. Isso dá início ao processo de fechamento dos ilíacos. 
A partir deste evento do nascimento, podemos nos atentar as 
informações obtidas por influencias do Método GDS de Cadeias 
Musculares e Articulares. Sendo um método global de 
fisioterapia desenvolvido pela fisioterapeuta, biomecanicista e 
osteopata belga Godelieve Denys Struyf. Método que integra o 
funcionamento do corpo e suas conexões com o 
comportamento psicológico. 
Analisando por este ponto de vista, podemos notar que durante 
alguns anos muitas mulheres darão prioridade ao ciclo materno, 
ao seu lar e seus filhos. Nesse contexto, seu corpo pode 
evidenciar as cadeias de flexão num comportamento de 
enrolamento para abraçar esse mundo afetivo. 
 
45 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
O tempo desse período varia de mulher para mulher. Depois 
dele, ela pode decidir voltar para seu mundo exterior, com suas 
atividades profissionais e físicas. 
O novo estado de espírito faz com que entrem em ação as 
cadeias da comunicação (cadeias de abertura ou para madame 
Godelieve cadeias PM). Tal atitude sinaliza que ela deseja se 
relacionar além de sua vida materna. 
Desta forma, sua pelve pode começar a se modificar e se 
reestruturar em abertura. 
Esta condição psicológica parece se relacionar bastante com as 
cadeias de fechamento e abertura, respectivamente. Mas 
também pode ocorrer desta mulher procurar se equilibrar entre 
essas duas facetas. 
Uma mulher talvez decida enfrentar o mundo externo e este 
ciclo materno. Porém, se seu corpo apresenta pontos de tensão, 
pontosde fixação, cicatrizes, aderências; estas questões 
estruturais acabam vencendo e valorizando as cadeias de 
fechamento. 
Nessa briga de cadeias musculares a vencedora será de 
fechamento. 
O motivo são as tensões internas fazendo com que essa mulher 
pague por períodos de grande fadiga. Ela despendera muita 
energia por conta desse conflito de tensionamento das cadeias, 
gerando sem dúvidas, um processo de tensão nos músculos do 
 
46 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
assoalho pélvico, que como citei anteriormente fecham os ilíacos 
inferiormente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
47 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
 
 
48 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
A avaliação funcional da musculatura do assoalho pélvico (AFA) 
é realizada pela palpação bidigital e pela quantificação da 
contração perineal, utilizando o perineômetro. O exame da 
palpação bidigital é realizado com a paciente em decúbito dorsal 
em posição ginecológica modificada (flexo-abdução de 
coxofemoral com os pés apoiados sobre a maca); os dedos 
indicador e médio do examinador são introduzidos no canal 
vaginal, com a mão devidamente enluvada e untada em gel. É 
solicitado à paciente que contraia a musculatura ao redor dos 
dedos do examinador e sustente essa contração pelo tempo 
máximo que conseguir. Para avaliação da força de contração e 
resistência da musculatura do assoalho pélvico é utilizada a 
classificação de Ortis. 
Imagem – 6.1 – avaliação funcional da musculatura do 
assoalho pélvico 
 
49 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
Para avaliar a pressão de contração exercida pela musculatura 
do assoalho pélvico é utilizado o perineômetro. Tal aparelho 
atende a todos os requisitos da norma de segurança para 
equipamentos eletromédicos IEC 601 (norma geral) e IEC 601-2-
10 (norma particular para eletroestimuladores). A sonda 
intracavitária, conectada a um manômetro de pressão é 
protegida por um preservativo não lubrificado, é untada em gel 
e introduzida no canal vaginal. A válvula é fechada e, na 
sequência, a sonda é insuflada lentamente até que a paciente 
sinta o contato da sonda com a parede vaginal, sem referir dor, 
mas levando a uma ligeira distensão da parede vaginal. Após o 
ajuste do aparelho, a resistência é modulada e é solicitado à 
paciente que contraia a musculatura do assoalho pélvico por três 
vezes consecutivas e mantenha a contração pelo tempo máximo 
que conseguir. São observados o pico de pressão, o tempo e a 
resistência que os músculos perineais permanecem contraídos. 
As médias das medidas realizadas pelo perineômetro são 
consideradas para análise. No final da aferição, a sonda é 
desinflada abrindo-se a válvula e depois é retirada. 
 
 
50 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
 
Imagem – 6.2 – avaliação perineômetro 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
51 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
 
 
 
Cones vaginais 
 
Os dispositivos são de plástico ABS, formato cônico, textura lisa, 
de mesma forma e volume, e com peso variando de 20 a 100g, 
características que lhes atribui um número que varia de um a 
nove. 
Nas sessões fisioterápicas, os cones são utilizados em duas fases, 
a passiva e a ativa. Na passiva, não há contração voluntária dos 
músculos do assoalho pélvico, mas é necessário identificar qual 
é o cone de maior peso que a paciente consegue reter na vagina 
durante um minuto. Após tal determinação, as pacientes são 
orientadas, por um curto período de tempo, a deambular, subir 
e descer escadas etc. Na fase ativa, a paciente, em posição 
ortostática, com o cone mais pesado que conseguir reter na 
vagina e com auxílio da contração dos músculos do assoalho 
pélvico, precisa realizar certo esforço para não o deixar cair. 
 
 
52 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
 
Imagem – 6.3– cones vaginais 
 
Imagem – 6.4 – cone vaginal 
 
 
53 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
ormal deve ter força, resistência, coordenação e propriocepção. 
 
54 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
Todo músculo possui a capacidade de aumentar sua força, 
resistência, coordenação e propriocepção por meio de 
exercícios. Pode-se melhorar a MAP por exercícios simples de 
contração e relaxamento, ou com exercícios junto de acessórios. 
Os exercícios que trabalhem a consciência da paciente em 
contrair corretamente e gerar aumento de força chamam-se de 
treino proprioceptivo. 
O núcleo fibroso central do períneo é o ponto de inserção e de 
cruzamento da maior parte dos músculos do assoalho pélvico, 
representado pela distância anovulvar, entre a parte posterior 
da fúrcula vulvar e o esfíncter anal, sendo normalmente de 3 a 
3,5 cm. Distâncias inferiores a 2 cm podem traduzir 
perineoplastias, patologias obstétricas e alterações 
uroginecológicas, como, por exemplo, quanto maior a distância, 
maior será a probabilidade de haver diminuição da força 
muscular e ocorrência de prolapso. Além da distância 
mensurada, o tônus também é um importante componente para 
manutenção de uma adequada contração. Para a avaliação da 
tonicidade da consistência do núcleo fibroso central do períneo, 
o fisioterapeuta coloca um dedo sobre o núcleo fibroso e exerce 
uma pressão. Quando encontrada uma consistência elástica, é 
indicativo de normalidade. Na deficiência da musculatura, 
quando a pressão digital não encontrar resistência, pode 
sinalizar uma hipotonia ou, se houver uma rigidez, é hipertonia. 
Para manter o mecanismo de continência, é essencial a 
normalidade do tecido de sustentação músculo-aponeurótico do 
assoalho pélvico. Esse suporte proporciona os fatores 
fundamentais para continência, mantendo o colo vesical acima 
da sínfise púbica responsável pelo ângulo uretrovesical posterior 
e pela inclinação uretral. 
 
55 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
Para detectar a contração da musculatura acessória: 
- Através da inspeção durante a tentativa de contração isolada 
perineal; 
- Através do toque bidigital interno. 
 
A avaliação anota três da contração, sendo a primeira, se a 
contração foi isolada, se a paciente fez uma força de expulsão, 
se houve contração dos adutores; 
- A segunda se houve manobra de valsalva, com contração da 
musculatura abdominal e, ainda a anotação dos movimentos 
associados a contração (sincinesias). 
A avaliação funcional do assoalho pélvico através do método 
manual apresenta alta sensibilidade e especifidade, permitindo, 
além da análise inicial, a posibilidade de um prognóstico após 
terapêutica. 
 
 
Em estudo clínico de corte transversal, realizado por Barbosa et 
al., 2011, foi analisada a influência da via de parto sobre a força 
muscular do assoalho pélvico pelo teste da avaliação da força do 
assoalho pélvico (AFA) e uso do perineômetro em primíparas, 
entre 20 e 30 anos de idade, 4 a 6 meses pós-parto. A contração, 
medida pelos dois testes, foi classificada em: zero - ausência, um 
- leve, dois - moderada e três - normal, sustentada por seis 
segundos. Avaliaram-se 94 mulheres, entre 20 e 30 anos, 
divididas em três grupos: pós-parto vaginal (n=32); pós-cesárea 
(n=32) e nulíparas (n=30). A variável independente foi a via de 
parto e a dependente a FM-AP. Resultado: o parto vaginal 
diminuiu a força muscular do AP de primíparas, quando 
comparado com os casos submetidos à cesárea e com as 
 
56 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
nulíparas. 
 
 
O assoalho pélvico também pode ser avaliado através da 
classificação denominada Perfect, proposta por Bo e Larsen, em 
1990, citado por Coletti et al., 2005; Moreno & Mitrano, 2003, 
que permite quantificar a intensidade, o número de contrações, 
tanto rápidas como lentas, além do tempo de sustentação das 
contrações. O esquema Perfect é amplamente utilizado como 
método de avaliação na Universidade Federal de São Paulo 
(Unifesp).57 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
 
Imagem - 7.1 - Tabela 
 
 
Outra técnica para se avaliar o assoalho pélvico é o Stop Test, 
que consiste em solicitar a interrupção da micção por uma a duas 
vezes, após cinco segundos do início da mesma e, a seguir, a 
paciente é classificada de acordo com seu sucesso em 
interromper a micção, sendo: 
- Grau 0, quando não consegue interromper o jato urinário; 
- Grau 1, quando consegue interromper parcialmente o jato 
urinário, mas não consegue manter a interrupção; 
 
58 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
- Grau 2, quando consegue interromper parcialmente o jato 
urinário e mantém por curto intervalo de tempo a interrupção; 
- Grau 3, quando consegue interromper totalmente o jato 
urinário, mantendo a interrupção, mas com tônus muscular 
fraco; 
- Grau 4, consegue interromper totalmente o jato urinário, 
mantendo a interrupção com bom tônus muscular; e 
- Grau 5, quando consegue interromper totalmente o jato 
urinário, mantendo a interrupção com tônus muscular forte. 
Este teste deve ser realizado apenas como método de avaliação 
e não o incorporar à rotina da paciente, pois pode levar ao 
desenvolvimento de resíduo pós-miccional, aumentando as 
chances de infecção urinária além de acarretar alterações nos 
reflexosmiccionais. Mais recentemente, o diagnótico em tempo-
real tem sido usado através de ultrassom e ressonância nuclear 
magnética para avaliar a ação dos músculos do assoalho pélvico 
durante a contração. O ultrassom pode ser utilizado com a sonda 
em região suprapúbica, períneo, intravaginal ou intra-anal. 
 
 
 
59 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
 
 
60 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
Os exercícios são importantes para qualquer gestante, 
independente da via de parto, até o final da gestação. A 
tendência natural da musculatura ao longo do período 
gestacional é enfraquecer, mas, com os exercícios, é possível 
manter as funções musculares ou melhorá-las. Para isso, é 
fundamental a supervisão e reavaliação periódica pelo 
fisioterapeuta que, após a avaliação, irá sugerir atendimentos 
semanais, quinzenais ou mensais de acordo com as necessidades 
individuais e com a evolução em casa. Em geral, se a gestante 
apresentar bom controle e coordenação muscular, é possível 
realizar os exercícios em casa e manter sessões periódicas com 
o fisioterapeuta somente para readequação do programa. 
Nesses casos, há possibilidade também de realização de sessões 
em grupo, nas quais a gestante vai aprender outras formas de 
exercitar sua musculatura, além de realizar exercícios globais 
para a pelve. 
Contrariamente, há estudos científicos demonstrando que os 
exercícios podem facilitar o parto, pois trabalham o controle de 
contração e relaxamento muscular e aumentam a percepção 
sobre a região. Importante lembrar que rigidez e força são 
conceitos diferentes. Muitas pessoas pensam erroneamente que 
músculo “duro” (rígido) é forte. No entanto, quando o músculo 
é excessivamente rígido, ele não consegue desenvolver força, 
pois perde a capacidade de contrair-se e relaxar-se 
adequadamente. O desejável, então, para uma gestante, é ter 
músculos funcionais, fortes e com boa capacidade de 
alongamento para diminuir a possibilidade de lesões durante o 
parto. 
 
61 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
Após os vários testes e identificando a disfunção partimos para 
a reabilitação ou preparo para a gestante. 
O tratamento cinesioterapêutico composto por exercícios de 
conscientização e da série de Kegel, sendo realizados duas vezes 
por semana, de forma individualizada, com duração média de 30 
minutos para cada paciente e totalizando 12 sessões de 
atendimento demonstrou segundo estudos serem eficazes. 
Durante a fase de conscientização à paciente que realiza 
contrações lentas e submáximas intercaladas com relaxamento, 
já que se trata de uma musculatura extremamente fatigável. 
Durante essa fase, a paciente permanece na posição 
ginecológica modificada e o terapeuta, após localizar a 
tuberosidade isquiática com os seus polegares, medializa, 
palpando o núcleo fibroso central do períneo. Esse exercício é 
composto por cinco etapas, e cada etapa é repetida quinze vezes 
consecutivas: 
- A primeira consistiu em “apertar”, exercendo uma leve pressão 
na região; 
- Na segunda, a pressão vem seguida de tração em direção 
caudal; 
- Na terceira, além da pressão e tração, é solicitado que a 
paciente execute uma contração voluntária, acompanhada de 
forma assistida pelo examinador; 
- Na quarta, todos os passos anteriores serão acompanhados de 
uma resistência opositora parcial do examinador durante toda a 
contração; 
 
62 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
- E na última etapa, após as fases anteriores, a contração 
voluntária da paciente é exercida contra a resistência do 
examinador e ao final é realizado um reflexo de estiramento. 
Por sua vez, a série de Kegel basea-se em contrações voluntárias 
da musculatura do assoalho pélvico. 
- Quatro contrações lentas com duração de cinco segundos e 
intervalo de dez segundos entre cada contração e, em seguida, 
oito contrações rápidas sem relaxamento entre elas. 
Esse conjunto de contrações corresponde a uma série de três 
séries de Kegel. 
A série de Kegel intercala as contrações mantidas com as rápidas 
com o propósito de estimular as fibras musculares do tipo I e do 
tipo II do assoalho pélvico. Ao final do tratamento 
cinesioterapêutico é realizada a reavaliação composta pela AFA, 
pelo perineômetro. 
A partir de 34 semanas de idade gestacional, pode ser realizada 
a massagem perineal pela gestante, seu parceiro e/ou pelo 
fisioterapeuta com o objetivo de alongar a musculatura na 
tentativa de prevenir lesões. Com 37 semanas de idade 
gestacional, inicia-se o treino de coordenação para expulsar, que 
será útil no momento do nascimento do bebê. Muitas mulheres 
já sabem naturalmente realizar o movimento de expulsão, mas 
outras têm dificuldade, por ex., para direcionar a força para a 
vagina e coordenar com a respiração. 
Após o nascimento do bebê, independente da via de parto, deve-
se reiniciar os exercícios para os músculos do assoalho pélvico. 
Em geral, o fisioterapeuta já prescreverá esses exercícios no final 
 
63 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
da gestação, mas é possível que seja feito um atendimento na 
maternidade ou em casa para orientações mais específicas. É 
recomendável uma reavaliação muscular com palpação vaginal 
em torno de 30 a 40 dias após o parto, quando o fisioterapeuta 
irá orientar sobre os cuidados com o assoalho pélvico nesse 
período. 
 
O parto vaginal especialmente instrumental, é um fator de risco 
estabelecido para o enfraquecimento dos músculos do assoalho 
pélvico e o desenvolvimento de disfunções tais como 
incontinência urinária (IU). 
Episiotomias resulta em trauma perineal e complicações na 
cicatrização podendo levar a esta mulher não só possível IU na 
idade mais avançada, mas como também problemas nas 
relações sexuais dolorosas. 
Segundo Kari Bo em seu estudo “Does episiotomy influence 
vaginal resting pressure, pelvic floor muscle strength and 
endurance, and prevalence of urinary incontinence 6 weeks 
postpartum? Neurourol Urodyn. 2017 Mar; 36 (3): 683-686. doi: 
10.1002 / nau.22995. Epub 2016 abr 5. 
O objetivo do estudo foi comparar a pressão de repouso vaginal 
(VRP), a força e a resistência da GFP, e prevalência de UI em 
mulheres com e sem episiotomia lateral ou médio-lateral, 6 
semanas após o parto. Três centenas de mulheres grávidas 
nulíparas participaram de um estudo prospectivo de coorte e dar 
à luz no Hospital Universitário Akershus na Noruega foram 
inscritos no estudo. Os resultados do presente estudo mostram 
diferenças estatisticamente significante na pressão de repouso 
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27059092
 
64 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
vaginal, PFMstrengthe resistência, ou de prevalência de IU / IUE 
nas mulheres com ou sem episiotomia a 6 semanas após o parto. 
Este estudo demonstrou, pelos exercícios perineais e da 
eletroestimulação, usados em conjunto com o trabalho postural 
especialmente direcionado à correção da estática do complexo 
lombo-pélvi-femoral, a importância de uma abordagem 
terapêutica bem direcionada no sentido de buscar o 
restabelecimento da continência e da estabilização das 
estruturas pélvicas femininas, uma vez que elas estão em relação 
anatômica com o assoalho pélvico. Assim, a reeducação perineal 
e o correto posicionamento da bacia e da coluna, associados a 
um trabalho de respiração abdominodiafragmático, mostrou ser 
uma abordagem útil, uma vez que os resultados encontrados 
evidenciaram diminuição da perda urinária, ganho de força 
muscular do assoalho pélvico, ganho de flexibilidade das cadeias 
musculares envolvidas e uma equilibração estática pélvica, 
indicando uma melhora do mecanismo esfincterial. Houve, 
ainda, uma redução nas sensações de umidade e desconforto, o 
que sugere uma influência positiva na diminuição do 
constrangimento e impacto psicossocial vivenciados pelas 
mulheres acometidas por esta condição. 
 
 
 
 
65 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
 
 
66 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
As dificuldades encontradas no trabalho de assoalho 
pélvico no Pilates são completamente justificáveis. Para 
entender isso, precisamos compreender também como o MAP é 
formado. 
Ele tem uma elevada quantidade de tecido conjuntivo em sua 
formação. O tônus muscular necessário para todas suas funções 
e para amortecer o deslocamento das vísceras acontece com o 
uso de fibras musculares muito pequenas. 
Assim, temos um pavimento pélvico formado por 80% de tecido 
conjuntivo e 20% de fibras musculares estriadas. Além disso, 
80% dessas fibras musculares são de tipo I e 20% são de tipo II. 
O músculo elevador do ânus é um excelente exemplo do 
funcionamento do assoalho pélvico. Ele é formado 
especialmente por fibras lentas, que são 70% da sua 
composição. 
A filogênese nos indica que a pelve vem evoluindo para que 
consigamos nos adaptar à bipedestação. Assim, ela sofreu 
mudanças nas suas funções fundamentais de gestação e suporte 
das vísceras. 
As mudanças de pressão também tiveram um efeito importante 
na pelve e no assoalho pélvico. Atualmente, um sistema 
complexo de fáscias e ligamentos são responsáveis pelo suporte 
dos órgãos da pelve menor. Com a nova distribuição de forças, a 
região passou a ser submetida a cargas diferentes. 
A musculatura perineal sofre em especial com os frequentes 
aumentos da PIA. As alterações pressóricas podem gerar 
alterações na composição muscular na região, podendo até 
diminuir o número de fibras tipo II no elevador do ânus. 
Outro problema que encontramos ao tentar trabalhar o assoalho 
pélvico no Pilates é o controle da parede abdominal. Durante a 
 
67 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
força, ela deve mobilizar-se para dentro. Assim, as vísceras 
deslocam-se para baixo e para trás em direção ao pavimento, 
que realiza seu suporte. 
Só existe um probleminha: ao longo da maturação dos músculos 
abdominais nós perdemos boa parte da nossa capacidade de 
controlar a parede abdominal. Ao redor dos 8 anos de idade já 
começamos a perder a eficiência dessa musculatura 
Como resultado, a parede abdominal sofre um deslocamento 
anterior e a parede anterior da vagina se desloca para baixo e 
para a frente durante a contração do transverso do abdômen. 
Isso pode ou não estar relacionado à hipotonia do assoalho 
pélvico que existe em boa parte dos indivíduos. 
A PIA aumenta para realizar algumas ações fisiológicas, como 
espirrar, tossir, defecar, vomitar e fazer outros tipos de esforços. 
Para diminuir a PIA, a área do abdômen diminui através da ação 
sinérgica de estabilizadores da coluna e músculos profundos do 
abdômen. 
Esse mecanismo é o responsável por distribuir a pressão 
aumentada pelas paredes do assoalho pélvico. Com a contração 
do diafragma e dos músculos do abdômen a PIA também 
aumenta. Em situações normais e com o MAP em seu 
funcionamento fisiológico, a PIA sofre elevação para conter as 
vísceras no seu posicionamento. 
Porém nem todos têm músculos abdominais com força e 
controle o suficiente para gerar o movimento para baixo das 
vísceras e uma contração sinérgica do assoalho pélvico. Alguns 
fatores de risco alteram esse mecanismo, incluindo: 
 
 
 
https://janainacintas.com.br/principio-da-estabilidade-do-nucleo/
http://blogpilates.com.br/fortalecimento-musculos-obliquos/
 
68 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
• Gravidez; 
• Parto; 
• Disfunções do pavimento pélvico; 
• Disfunções do diafragma torácico; 
• Dor lombar. 
 
 
Quem trabalha com movimento tem um grande desafio 
pela frente. A vida moderna proporciona a hiperpressão 
no corpo por causa da bipedestação e diversos outros 
fatores. Além disso, o conforto trazido pela tecnologia 
aplicada à vida diária criou uma vida que é gerida pelo 
sistema nervoso parassimpático. Portanto, existem 
diversas alterações no sistema corporal. 
O sedentarismo fez com que as musculaturas do 
assoalho pélvico se tornassem mais relaxadas. Para 
resolver esse problema, muitos usam o comando de 
“segure o xixi” durante as aulas de Pilates. Mas isso é um 
erro que pode causar ainda mais dificuldades no futuro. 
Comecemos entendendo que Joseph ou Clara Pilates 
nunca utilizaram esse comando no seu método original. 
Foi Paul Hodges que trouxe esse conceito para nossas 
aulas e, atualmente, ele mesmo admite que errou e que 
muitos também erraram na sua interpretação. 
A pesquisa de Paul Hodges sobre o reflexo antecipatório 
postural ficou conhecida e recebeu poucas críticas. Ele 
mostrou que o transverso abdominal se contra cerca de 
20 milissegundos antes de outras atividades musculares. 
Portanto, imaginava que seria necessário fortalecer 
https://janainacintas.com.br/assoalho-pelvico-no-parto/
http://blogpilates.com.br/pilates-e-sedentarismo/
 
69 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
todas as musculaturas que realizam suporte da coluna 
para protegê-la. 
Como parte das musculaturas de suporte da coluna, o 
assoalho pélvico precisaria de um trabalho de 
fortalecimento nas aulas de Pilates. Mas lembra da 
composição muscular do MAP que mencionei 
anteriormente? Essas musculaturas só conseguem ficar 
contraídas por cerca de 6 segundos, talvez até menos na 
maioria dos indivíduos. 
Passado esse tempo, elas ficam fadigadas e relaxam, 
deixando que as vísceras e o aumento da PIA desabem 
sobre o assoalho pélvico. Assim, sua contração por 
tempo elevado só causa mais carga, o que pode levar 
a incontinência urinária de esforço. 
Para conseguir uma boa estimulação do MAP, 
precisamos ativar e tonificar as fibras do tipo I. Não é tão 
simples conseguir essa estabilização segmentar e, se ela 
for feita da forma errada, pode trazer problemas sérios. 
 
O fortalecimento de assoalho pélvico no Pilates que alguns 
profissionais buscam é bastante problemático. Caso seja mal 
compreendido ou aplicado, nossa aluna será prejudicada e pode 
até desenvolver incontinência urinária. Além disso, boa parte 
das mulheres não consegue contrair o assoalho pélvico somente 
com comando verbal. Cerca de 80% delas empurram as vísceras 
para baixo quando recebem o comando, o que aumenta a 
sobrecarga do MAP. 
Algumas vezes, pedir para a aluna “segurar o xixi” só vai 
prejudicar ainda mais seu assoalho pélvico e aumentar a 
sobrecarga. Na dúvida, é melhor abolir esse comando das nossas 
https://janainacintas.com.br/tratamento-incontinencia-urinaria-de-esforco/
 
70 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
aulas e deixar o trabalho de MAP para profissionais da 
fisioterapia especializados em uro-gineco. Nesse método, é 
possível controlar a estimulação do períneo com o biofeedback.71 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
 
 
72 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
 Em vista dos argumentos apresentados, pudemos ver o 
assoalho pélvico sob uma nova óptica, primeiro discutimos a 
anatomia tentando simplificá-la para elucidar as propostas que 
discutiríamos adiante, e observamos novos estudos que nos 
trouxeram muitas mudanças de paradigmas. 
Como vimos, a avaliação e o tratamento do assoalho pélvico é 
envolvido por ciência, logo não podemos negligenciar a 
biomecânica, nem tampouco subestimar as novas descobertas 
científicas. 
É imprescindível que todos se conscientizem de que nem todas 
nem todas as respostas foram encontradas pela ciência, é de 
suma importância dar continuidade aos nossos estudos, em 
busca da verdade corporal. 
 
 
 
 
 
 
 
73 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
74 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 
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