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Brasília-DF. 
Estratégias E Métodos dE 
atuação EM ErgonoMia
Elaboração
Roberta de Fátima Carreira Moreira
Fabiana Almeida Foltran
Fabio Alexandre Casarin Pastor
Juliana Rodrigues Prada
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
Sumário
APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 5
ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 6
INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 8
UNIDADE I
LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS .................................................................................. 11
CAPÍTULO 1
LER/DORT ............................................................................................................................... 11
CAPÍTULO 2
FATORES DE RISCO RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LER/DORT ............................. 17
UNIDADE II
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES 
MUSCULOESQUELÉTICAS ..................................................................................................................... 31
CAPÍTULO 1
AVALIAÇÃO DOS SINTOMAS MUSCULOESQUELÉTICOS RELACIONADOS AO TRABALHO ............ 31
CAPÍTULO 2
AVALIAÇÃO DO ÍNDICE DE CAPACIDADE PARA O TRABALHO (ICT) .......................................... 35
CAPÍTULO 3
AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DO SONO (ÍNDICE DE PITTSBURGH) ............................................. 42
CAPÍTULO 4
AVALIAÇÃO DO ESTRESSE NO TRABALHO ................................................................................ 47
CAPÍTULO 5
ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO (AET) – ADAPTAÇÃO DE ERGONOMIC WORK ANALYSIS .. 52
CAPÍTULO 6
ESTABELECENDO LIMITES DE CARGA PARA O MANUSEIO DE PESO – EQUAÇÃO DO NIOSH 
(NATIONAL INSTITUTE OF OCCUPATIONAL SAFETY AND HEALTH) ............................................... 72
CAPÍTULO 7
PROTOCOLO DE REGISTRO POSTURAL OWAS (OVAKO WORKING POSTURE ANALYSING SYSTEM) . 78
CAPÍTULO 8
PROTOCOLO DE REGISTRO POSTURAL RULA (RAPID UPPER LIMB ASSESSMENT) ........................ 83
CAPÍTULO 9
PROTOCOLO DE REGISTRO POSTURAL REBA (RAPID ENTIRE BODY ASSESSMENT) ...................... 90
CAPÍTULO 10
LAUDO ERGONÔMICO .......................................................................................................... 96
PARA (NÃO) FINALIZAR ................................................................................................................... 118
REFERÊNCIAS ................................................................................................................................ 119
5
Apresentação
Caro aluno
A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se 
entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. 
Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela 
interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da 
Educação a Distância – EaD.
Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos 
conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da 
área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao profissional que 
busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica 
impõe ao mundo contemporâneo.
Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo 
a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na 
profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.
Conselho Editorial
6
Organização do Caderno 
de Estudos e Pesquisa
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em 
capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos 
básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar 
sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para 
aprofundar os estudos com leituras e pesquisas complementares.
A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de 
Estudos e Pesquisa.
Provocação
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes 
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor 
conteudista.
Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita 
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante 
que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As 
reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.
Sugestão de estudo complementar
Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, 
discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.
Atenção
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a 
síntese/conclusão do assunto abordado.
7
Saiba mais
Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões 
sobre o assunto abordado.
Sintetizando
Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o 
entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.
Para (não) finalizar
Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem 
ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.
8
Introdução
O presente Caderno de Estudos e Pesquisa foi elaborado com o objetivo de propiciar 
conhecimentos acerca dos fatores de risco associados ao desenvolvimento de lesão 
musculoesquelética relacionada ao trabalho, assim como das ferramentas disponíveis 
para avaliar esses fatores de risco. A cada capítulo, pensamos nas horas que você dedica 
ao trabalho destinado às atividades educativas bem como às práticas desenvolvidas no 
cotidiano de um ambiente universitário, lembrando sempre de que você é protagonista 
da história que estamos construindo a partir de agora.
Os estudantes de ergonomia/saúde do trabalhador de hoje serão a próxima geração 
de pesquisadores e profissionais altamente capacitados para atuar em diferentes 
indústrias, empresas comerciais, escolas, entre outros mercados. Ainda estamos longe 
de entender completamente os mecanismos envolvidos no desenvolvimento das lesões 
musculoesqueléticas relacionadas ao trabalho e o papel de cada fator de risco nesse 
desenvolvimento. Além disso, ainda não estão estabelecidos os limites de postura, 
força e repetitividade capazes de desencadear as lesões, principalmente porque as 
doenças ocupacionais são multifatoriais, e é muito difícil isolar o papel de cada fator no 
desenvolvimento das lesões. Dessa forma, quando pensamos em prevenção de doenças 
ocupacionais, temos que avaliar o maior número possível de fatores de risco presentes 
no ambiente de trabalho e, a partir dessa avaliação, tentar minimizá-los.
Nesse material, você encontrará algumas das ferramentas disponíveis para avaliação 
dos fatores de risco ocupacionais. Essa avaliação é fundamental para a implementação 
das medidas paliativas e preventivas em ambiente ocupacional.
Bons estudos!
Objetivos
 » Revisar os fatores de risco associados ao desenvolvimento de lesões 
musculoesqueléticas relacionadas ao trabalho.
 » Introduzir as ferramentas disponíveis para avaliação de fatores de risco.
 » Compreender a aplicação das ferramentas de avaliação de sintomas e 
capacidade para o trabalho.
 » Compreender a aplicação das ferramentaspara a avaliação de aspectos 
psicossociais como estresse e qualidade do sono.
9
 » Compreender a aplicação de ferramentas para a avaliação da carga/força.
 » Compreender a aplicação de ferramentas para avaliação da postura.
 » Compreender a elaboração de laudos ergonômicos.
10
11
UNIDADE ILER/DORT E FATORES DE 
RISCO OCUPACIONAIS
CAPÍTULO 1
LER/DORT
Desordens musculoesqueléticas relacionadas ao trabalho são definidas como doenças 
multifatoriais que acometem a população trabalhadora e, em parte, são causadas pelo 
trabalho, e/ou agravadas, aceleradas ou exacerbadas por exposições ocupacionais, 
sendo a principal causa de prejuízo na capacidade para o trabalho (WEEVERS et al., 
2005). Na legislação brasileira, as Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e as Doenças 
Ocupacionais Relacionadas ao Trabalho (DORT) são atualmente definidas como “uma 
síndrome clínica caracterizada por dor crônica, acompanhada ou não por alterações 
objetivas, que se manifesta principalmente no pescoço, cinturão escapular e/ou 
membros superiores em decorrência do trabalho” (BRASIL, 1998). Essas condições 
compreendem um conjunto de doenças inflamatórias e degenerativas que resultam 
em dor, comprometimento funcional e, por seu caráter crônico, trazem prejuízo à vida 
familiar, social e produtiva do indivíduo (BUCKLE, DEVEREUX, 2002; MELHORN, 
1998; PÅLSSON et al., 1998).
As DORT são as lesões ocupacionais mais frequentes e comumente causam, a longo 
prazo, dor e incapacidade física nos trabalhadores (LEIGH et al., 1999; LEVEILLE, 
2004; PIEDRAHITA, 2006). Essas desordens são um problema de saúde em muitos 
países e geram altos custos em termos de dias perdidos de trabalho, despesas médicas 
e impacto na saúde realcionado à qualidade de vida dos trabalhadores (PUNNETT; 
WEGMAN, 2004). Evidências baseadas em estudo identificaram as DORT como a doença 
profissional que gera mais custos no local de trabalho (BALDWIN, 2004; EUROGIP, 
2004; WACHRER et al., 2005) e a principal preocupação com a saúde relacionada 
ao trabalho nos países desenvolvidos, bem como em países em desenvolvimento, 
representando mais de 30% de todas as lesões que requerem afastamento do trabalho 
(GARDNER et al., 2008).
As estimativas da Organização Internacional do Trabalho apontam que o custo com 
doenças e acidentes no ambiente de trabalho equivale a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) 
12
UNIDADE I │ LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS
mundial, aproximadamente 1,25 trilhão de dólares. Estudos epidemiológicos anteriores 
demonstraram consideráveis diferenças na prevalência de DORT entre os países.
Em 2005, em pesquisa realizada na União Europeia, em 27 Estados-membros, 23-25% 
dos trabalhadores apresentaram DORT. Uma pesquisa similar na Grécia registou 
uma taxa de prevalência de 46-47%; no Reino Unido, a prevalência foi de 9% a 11% 
(PARENT-THIRRION, 2007); na Holanda, a prevalência foi de 45% (PICAVET et 
al., 2014); e na Austrália, o registro foi de 41,7% de todas as lesões (MACDONALD; 
EVANS, 2014). As diferenças na taxa de prevalência entre os países podem estar 
relacionadas à falta de uma definição padronizada de DORT, fato que levaria a 
variações nos procedimentos de coleta de dados dos estudos (BOOCOCK et al., 2009). 
Além disso, em alguns países, distúrbios do pescoço são classificados separadamente 
dos distúrbios do ombro, enquanto que em outros, distúrbios do pescoço e ombros 
são avaliados em conjunto. Outro aspecto que pode ter influenciado essa diferença é 
que em alguns estudos DORT é definida apenas com base em sintomas, enquanto que 
em outros, a definição leva em consideração sintomas e achados de examens físicos. 
Diferenças nas populações estudadas, desigualdades socioeconômicas e costumes 
da área estudada também podem contribuir para a disparidade na prevalência (WU 
et al., 2012). 
No Brasil, essas desordens são consideradas um problema de saúde pública devido à 
alta prevalência e acometimento de diferentes profissionais (BRASIL, 2001). As DORT 
e as doenças mentais têm superado as doenças traumáticas quanto à prevalência. 
Enquanto as primeiras foram responsáveis por 20,76% dos afastamentos, as doenças do 
grupo traumático, acidentes típicos, representaram 19,43% do total dos afastamentos. 
Em conjunto, essas causas foram responsáveis por 40,25% de todo o universo 
previdenciário e estão relacionadas à exposição dos trabalhadores a fatores de risco 
presente no ambiente de trabalho (MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, 2014). 
Portanto, ressalta-se a importância de medidas preventivas no ambiente de trabalho a 
fim de prevenir essas doenças.
As DORT acarretam ônus para os trabalhadores, empregadores e também para o 
Estado (SALDANHA et al., 2013). O trabalhador sofre com o adoecimento, que traz 
prejuízo não só para a atividade laboral como também para a sua qualidade de vida e 
gera dificuldades na realização das atividades de vida diária. A empresa sofre com os 
altos custos dos encargos derivados dos afastamentos, das faltas e absenteísmos dos 
trabalhadores, diminuição do rendimento do trabalhador, dentre outros. Já o Estado é 
onerado com a sobrecarga nos sistemas de saúde e previdenciário por meio dos serviços 
de assistência médica, pagamentos de benefícios como aposentadorias temporárias e 
por invalidez (SALDANHA et al., 2013).
13
LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS │ UNIDADE I
No Brasil, a primeira lei contra acidentes surgiu em 1919, e impunha regulamentos 
prevencionistas ao setor ferroviário, que estava em pauta na época (CUNHA, 2014). 
Em 1934, surgem as leis trabalhistas, que instituíram uma regulamentação bastante 
ampla, no que se refere a prevenção de acidentes (BITENCURT; QUELHAS, 1998) e 
depois desse período o Brasil adequa-se aos objetivos internacionais, e procura dar aos 
seus trabalhadores a devida proteção a que eles têm direito com reformulações das leis 
de acordo com as necessidades e preocupações de cada época.
Assim, em 1943, pelo Decreto-Lei no 5.452, cria-se a Consolidação das Leis Trabalhistas 
(CLT) visando unificar toda a legislação trabalhista existente no Brasil e criar uma 
legislação trabalhista que atendesse à necessidade de proteção do trabalhador (TRIBUNAL 
SUPERIOR DO TRABALHO, 2016). Com o passar do tempo, a CLT foi precisando de 
atualizações que ficaram a cargo de novas leis e reformulações. Dentro dessas leis e 
reformulações, um importante acontecimento ocorreu em 8 de junho de 1978, quando 
foi criada a Portaria no 3.214, que aprovou as Normas Regulamentadoras (NR) relativas à 
Segurança e Medicina do Trabalho, que obrigam as empresas a cumpri-las. 
No Brasil, na década de 1970, houve um aumento do número de doenças ocupacionais, 
devido a uma redução na rotatividade de empregos, aumento da idade média da 
população economicamente ativa e, sobretudo, a um aumento no ritmo de trabalho. 
As modificações no ritmo de trabalho ocorreram pela evolução tecnológica das linhas 
de produção, o que tornou as atividades de trabalho mais simples, sendo exercidas por 
meio de movimentos rápidos e repetidos ao longo de todo o turno de trabalho.
Em 1986, os diretores do Sindicato dos Empregados em Empresa de Processamento de 
Dados no Estado de São Paulo, ante a um aumento no número de casos de tenossinovite 
ocupacional, entraram em contato com a Delegacia Regional do Trabalho buscando meios 
para prevenir as lesões ocupacionais. Nos anos seguintes, os representantes da Secretaria 
de Segurança e Medicina do Trabalho e a Associação de Profissionais de Processamento 
de Dados participaram de várias reuniões para elaborar um projeto de norma que 
estabelecesse limites à cadência de trabalho, assim como critérios de conforto em relação 
ao mobiliário, ambiente térmico, luminoso e ruído. Contudo, apesar do empenho dos 
grupos envolvidos na elaboração da norma, apenas em1990, por insistência do presidente 
do Sindicato de Processamento de Dados, o Ministro do Trabalho assinou a Portaria que 
dava nova redação à Norma Regulamentadora no 17 (NR-17).
Concomitantemente à elaboração da NR-17, o quadro de lesões por esforços repetidos 
foi formalmente reconhecido como doença profissional. Dessa forma, só a partir desse 
período é que as lesões passaram a ser registradas, e, mesmo assim, apenas em cidades 
com núcleos de saúde ocupacional.
14
UNIDADE I │ LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS
Ainda hoje, a única fonte de informações estatísticas em nível nacional é a Previdência 
Social, a qual registra os dados dos trabalhadores que têm vínculo empregatício regido 
pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e segurados do Seguro Acidente do 
Trabalho (SAT). Contudo, os trabalhadores com vínculo empregatício representam, 
provavelmente, menos de 54% das pessoas consideradas empregadas, de acordo com 
dados do IBGE de 2008. Dos trabalhadores que não são segurados pelo SAT, não 
temos estatísticas. Os trabalhadores do mercado informal nunca tiveram suas doenças 
ocupacionais notificadas na Previdência Social, pois não têm cobertura. O Sistema Único 
de Saúde (SUS), que presta assistência e regula os planos de saúde, poderia coletar 
os dados e organizá-los, mas ainda não os incorporou ao seu sistema de informação 
nacional (MAENO, 2003).
A partir de abril de 2007, o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) instituiu uma nova 
sistemática de concessão de benefícios acidentários, o Nexo Técnico Epidemiológico 
Previdenciário (NTEP), o qual teve impacto sobre a forma como são levantadas as 
estatísticas de acidentes de trabalho. O NTEP foi implementado com o objetivo de 
minimizar a subnotificação dos acidentes e das doenças de trabalho, assim como de 
fortalecer a prevenção e a proteção dos trabalhadores em relação aos riscos derivados 
dos ambientes do trabalho e aspectos associados à saúde do trabalhador. A metodologia 
aplicada para estabelecer o NTEP utilizou os fundamentos estatísticos e epidemiológicos 
para cruzar os dados do código da Classificação Internacional de Doenças (CID 10) e do 
código da Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE). O cruzamento dos 
dados permitiu identificar forte associação entre diversas lesões, doenças, transtornos 
de saúde, distúrbios, disfunções subaguda ou crônica, e várias atividades desenvolvidas 
pelo trabalhador. A partir da identificação das fortes associações entre agravo e atividade 
laboral, foi possível construir uma matriz, com pares de associação de códigos da CNAE 
e da CID-10 que subsidia a análise da incapacidade laborativa pela Medicina Pericial do 
INSS: o NTEP.
A implantação dessa sistemática não exige a entrega de uma Comunicação de Acidente 
de Trabalho (CAT) e sua vinculação a um benefício para a caracterização desse benefício 
como acidentário. Embora a entrega da CAT continue sendo uma obrigação legal, o fim 
dessa exigência implicou alterações nas estatísticas do INSS. Dessa forma, passou-se a 
ter um conjunto de benefícios acidentários, presumidamente causados por acidentes de 
trabalho, para os quais não há CAT registrada (BRASIL, 2008).
Após as alterações no Sistema de Notificação Previdenciário, quantos 
trabalhadores se acidentam no trabalho ou sofrem de doenças relacionadas ao 
trabalho no Brasil?
15
LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS │ UNIDADE I
A partir da implementação do NTEP, houve uma mudança radical no perfil da concessão 
de auxílios-doença de natureza acidentária com um incremento da ordem de 148% na 
concessão de benefícios entre 2007 e 2008 (MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, 
2015). Cerca de 747,7 mil acidentes de trabalho foram registrados no INSS durante o 
ano de 2008, o que representou um aumento de 13,4% quando comparado com 2007. 
O maior impacto desse aumento (69,5%) deveu-se aos acidentes sem CAT registrada 
oriunda da nova sistemática de concessão dos benefícios acidentários, mas, mesmo 
para os acidentes de trabalho registrados, houve um aumento de 5,2% no ano de 2008. 
Do total de acidentes registrados, os acidentes típicos representaram 80,4%, os de 
trajeto, 16,2% e as doenças do trabalho, 3,4%. As pessoas do sexo masculino participaram 
com 78,8% e as pessoas do sexo feminino, com 21,2% nos acidentes típicos; 66,4% e 
33,6% nos de trajeto; e 56% e 44% nas doenças do trabalho. Nos acidentes típicos e nos 
de trajeto, a faixa etária decenal com maior incidência de acidentes foi a constituída 
por pessoas de 20 a 29 anos com, respectivamente, 39,8% e 42,7% do total de acidentes 
registrados. Nas doenças de trabalho, a faixa de maior incidência foi a de 30 a 39 anos, 
com 32,3% do total de acidentes registrados (BRASIL, 2008).
É importante ressaltar que com essa medida, são as empresas que precisam, agora, 
provar que o trabalhador não adquiriu ou agravou a doença devido às condições de 
trabalho. Antigamente, esse processo era inverso, pois o trabalhador deveria provar 
que o agravo a sua saúde decorreu ou foi agravado pelo trabalho, independentemente 
se a empresa que o emprega adoece e mata muito ou pouco quando comparada às 
demais. Portanto, ineverte-se o ônus da prova. Atualmente, no Brasil, as empresas 
têm altos custos com a saúde do trabalhador quando, há comprovação de que houve 
negligência dessa, durante um processo de acidente de trabalho. Quando isso ocorre, a 
empresa é responsável em pagar indenização ao empregado acidentado, podendo ser 
ajuizada ação judicial regressiva pelo INSS e sofrer penalidades administrativas a cargo 
da Superintendência Regional do Trabalho, e de seus Agentes de Inspeção (Auditores 
Fiscais do Trabalho); com incidência de uma contribuição previdenciária mais elevada 
(SAT/FAP) em razão de um eventual número progressivo de acidentes de trabalho 
dentro da empresa, podendo a penalidade atingir até 6% da sua folha e se responsabilizar 
com as despesas dos primeiros 15 dias de afastamento do trabalhador (RUBIN, 2016). 
Apesar dessas tributações, muitas empresas ainda não fazem o correto investimento em 
prevenção, portanto, colaboram com o aumento dos acidentes e doenças no trabalho. 
Nesse sentido, vemos a importância da prevenção desses ambientes. A prevenção no 
ambiente de trabalho visa identificar os fatores de risco presentes nesse ambiente a fim 
de evitar os acidentes de trabalho bem como as doenças relacionadas a ele. No entanto, 
ações de prevenção são cada vez mais negligenciadas pelo sistema de produção, que 
precisa a cada dia ser mais produtivo e rentável. 
16
UNIDADE I │ LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS
Para a garantia de um ambiente de trabalho saudável é de fundamental importância 
que se tenha profissionais competentes e capacitados para identificar os fatores de risco 
do ambiente de trabalho e propor as corretas modificações. Assim, no próximo capítulo, 
você entenderá um pouco mais sobre os fatores de risco do ambiente de trabalho.
Leia os princípios de notificação dos acidentes de trabalho no Sistema 
Previdenciário Nacional. Informe-se também, a partir dos textos da biblioteca, 
sobre o NTEP e suas repercussões para a saúde do trabalhador. 
17
CAPÍTULO 2
Fatores de risco relacionados ao 
desenvolvimento de LER/DORT
As DORT têm origem complexa e multifatorial, onde o ambiente de trabalho e 
desenvolvimento do trabalho contribuem significativamente para o seu surgimento. 
Portanto, muitos são os fatores de risco que se combinam e interagem entre si e 
contribuem para o desenvolvimento dessas desordens. Nesse sentido, os fatores de 
risco do ambiente de trabalho devem ser entendidos e compreendidos para que sejam 
identificados e prevenidos, a fim de prevenir o desenvolvimento das DORT.
Os fatores de risco são aspectos do comportamento individual, exposição ambiental ecaracterísticas hereditárias ou congênitas, associados à condição de saúde (BIREME, 
2007). Os fatores de risco relacionados ao trabalho são divididos em: físicos/biomecânicos, 
organizacionais, psicofísicos e individuais (ARIËNS et al., 2001). Os fatores de risco 
físico/biomecânicos descritos na literatura são: alta repetitividade no trabalho, tarefas 
que exijam uso de força, manutenção de contrações estáticas e posturas extremas, 
temperaturas excessivas e vibração (LARSSON, 2007). Hagberg (1996) acrescenta, 
ainda, cargas nas mãos e invariabilidade de tarefas a esses fatores físicos. Já os 
fatores organizacionais e psicossociais são descritos como alta demanda de trabalho, 
baixo suporte social dos colegas de trabalho, pouco controle do ritmo da atividade 
e insatisfação no trabalho (JENSEN; HARMS-RINGDAHL, 2007). Por sua vez, as 
características individuais do trabalhador, tais como idade, gênero, doenças prévias, 
alterações hormonais, também influenciam e determinam as respostas do corpo a cada 
uma dessas exposições.
Fatores de risco físico/biomecânicos 
Postura
As posturas exigidas para realização da tarefa podem causar problemas se elas são 
extremas ou estáticas. As posturas extremas aumentam a demanda física da tarefa 
por aumentar o esforço requerido dos grupos musculares menores, já que os grupos 
musculares maiores não estão trabalhando em sua máxima eficiência. O aumento da 
sobrecarga dos músculos menores prejudica o fluxo sanguíneo e aumenta a taxa de 
fadiga. Posturas são consideradas extremas quando os indivíduos realizam alcances, 
rotação, inclinação, trabalho acima do nível da cabeça, mantêm a posição ajoelhada 
18
UNIDADE I │ LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS
e agachada ou realizam pegas, tal como a pinça. Os efeitos das posturas extremas são 
piores se as tarefas de trabalho incluem movimentos repetitivos ou exigem a realização 
de força.
Figura 1. Exemplos de atividades ocupacionais exigindo a realização de posturas extremas. Dificuldade de 
acesso exigindo posturas extremas de membros superiores e tarefas que exigem inclinação, alcance e rotação.
 
Fonte: Feletto; Lopes, 1998.
As posturas estáticas são aquelas posturas de trabalho em que uma parte do corpo é 
mantida na mesma posição por um longo período, o que exige que os músculos estejam 
em constante estado de contração. Essa condição diminui a circulação sanguínea, 
resultando em falta de nutrientes aos músculos e acúmulo de metabólitos. Dessa forma, 
os músculos ficam cansados, causando desconforto e muitas vezes dor. Os trabalhadores 
que realizam atividades como costura e digitação, frequentemente apresentam relato de 
dor/desconforto nas regiões do pescoço e ombro devido às posturas estáticas mantidas 
durante o turno de trabalho.
Figura 2. Manutenção de posturas estáticas por operadores de computador e costureiras.
Fonte: Occupational Health and Safety, 2000.
Força
Força é a quantidade de esforço muscular despendido para realizar um trabalho. 
A aplicação de grande quantidade de força ocorre em qualquer tarefa na qual os 
trabalhadores encontram dificuldade em realizá-la devido à quantidade de esforço 
requerido. São exemplos:
 » levantar ou carregar um objeto pesado;
 » empurrar ou puxar um objeto difícil de mover;
19
LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS │ UNIDADE I
 » operar ferramentas que exijam muita força de compressão;
 » levantar um objeto de uma prateleira alta.
Ainda devemos avaliar a quantidade de tempo que a carga é manuseada sem pausa 
para recuperação muscular, bem como outros fatores associados que dificultam a 
realização de força, como o número de vezes que a carga é manuseada por hora ou 
turno de trabalho, a quantidade de vibração associada, a postura adotada, a resistência 
a ser superada para a movimentação do objeto, temperatura ambiente e a quantidade 
de força de rotação exigida para a realização da tarefa.
Figura 3. Manuseio de objetos. A- Muito pesado, B- Distante do corpo, C- Objeto pesado sem alças, D- 
Ferramenta sem desenho adequado exigindo manutenção de postura inadequada e força excessiva.
Fonte: Feletto; Lopes, 1998.
Repetição
Trabalho repetitivo é aquele que exige a repetição do mesmo padrão estereotipado de 
movimentos; consequentemente, envolve os mesmos músculos, tendões e articulações 
para a realização da tarefa. Durante o trabalho repetitivo, o aporte sanguíneo diminui, 
implicando escassez de nutrientes e acúmulo de metabólitos. Como resultado, os 
músculos entram em fadiga.
Os riscos do trabalho repetitivo dependem dos seguintes fatores:
 » Frequência: quão frequentemente o movimento repetitivo é realizado.
 » Duração: por quanto tempo o trabalho repetitivo é mantido.
20
UNIDADE I │ LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS
O trabalho repetitivo oferece ainda maior risco ao trabalhador quando associado a 
posturas extremas e/ou esforços excessivos.
Figura 4. Os trabalhos repetitivos são muito comuns em farmácia de manipulação e indústrias de produção 
de cartões.
Fonte: Feletto; Lopes, 1998.
Componentes do local de trabalho
Desenho do posto de trabalho
Os postos de trabalho são locais particulares nos quais as pessoas exercem suas atividades 
laborais. Quando a estação de trabalho apresenta um desenho pobre, geralmente porque 
não atende às dimensões físicas de quem a usa, os trabalhadores podem vir a adotar 
posturas extremas ou fazer uso excessivo de força para realizar a tarefa. Nas estações de 
trabalho, as alturas e os alcances precisam sempre ser considerados.
O desenho dos postos de trabalho, principalmente a altura, tem uma estreita relação 
com as posturas adotadas pelo trabalhador. Se o posto de trabalho é muito baixo, o 
trabalhador tem que se inclinar sobre a superfície de trabalho, o que coloca suas costas 
em postura desfavorável (Figura 5A). Trabalhadores de fábricas de automóveis, por 
exemplo, necessitam constantemente abastecer suas bancadas com peças e componentes, 
realizar alcances dentro de caixas, o que pode colocar as costas em condição de estresse 
se as caixas não estão adequadamente posicionadas. Outro exemplo são os operadores 
de prensas, os quais tem que alcançar os controles acima do nível do ombro, o que pode 
levar a dor e tensão no ombro e no pescoço.
Postos de trabalho confinados frequentemente restringem a habilidade do trabalhador 
de alterar a postura corporal facilmente. Trabalhos mecânicos como os realizados para 
a manutenção de automóveis, nas fuselagens de avião ou as atividades de mineiros e 
eletricistas normalmente exigem que os trabalhadores adotem posturas extremas. Essa 
condição pode levar à fadiga e ao aumento do risco de lesão.
21
LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS │ UNIDADE I
Nos trabalhos de escritório ou em bancadas, geralmente, um grande número de 
pessoas usam o mesmo posto de trabalho. Quando cadeiras e mesas não são ajustáveis, 
os trabalhadores mais altos terão que se inclinar sobre suas mesas e os trabalhadores 
mais baixos poderão não alcançar os pés no chão ou terão que abduzir seus braços 
para realizar a tarefa (Figura 5B). Essas posturas inadequadas podem levar a dores no 
pescoço, ombro, punhos e coluna.
Figura 5. A- O posto de trabalho obriga o trabalhador a inclinar seu corpo excessivamente para realizar o alcance 
do objeto. B- O posto de trabalho fixo faz com que o trabalhador alto incline suas costas e que o trabalhador 
baixo abduza seus braços.
Fonte: Occupational Health and Safety, 2000.
Equipamentos e ferramentas
A maioria dos equipamentos e ferramentas é desenhada sem levar em consideração 
os trabalhadores que irão usá-los. Assim como os postos de trabalho, ferramentas e 
equipamentos com um desenho ruim podem levar os trabalhadores a adotarem posturas 
extremas ou estáticas, ou ainda, aplicarem força excessiva para realizarsuas atividades 
de trabalho.
Desenho do equipamento
Muitos trabalhadores gastam seu dia de trabalho operando equipamentos e maquinários. 
Entretanto, pouca ou nenhuma atenção tem sido dada para os usuários finais – os 
trabalhadores. A maioria dos equipamentos não é ajustável às necessidades individuais 
dos operadores, os quais têm diferentes características físicas. Como consequência, os 
trabalhadores são obrigados a se inclinar, rodar ou alcançar para atender à demanda 
da máquina.
Equipamentos com desenho ruim têm como características:
 » dificuldade de operacionalização;
 » a operação requer posturas estáticas ou extremas do corpo (Figura 6A);
22
UNIDADE I │ LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS
 » os controles são difíceis de serem alcançados ou requerem força para 
operar;
 » controles e instrumentos de medida são difíceis de ler;
 » equipamentos vibram e apresentam ruído (Figura 6B).
Trabalhadores que realizam o reparo de equipamentos e maquinaria estão também em 
risco. Trabalhadores de manutenção são obrigados a se inclinar ou ajoelhar para realizar 
os reparos e estão expostos a um aumento de riscos de lesão para as costas e os joelhos.
Controles e monitores são usados para operar e monitorar equipamentos. Controles 
podem ser maçanetas, alças, interruptores ou pedais. Eles variam em formato e modelo 
e podem requerer a adoção de posturas extremas ou estáticas ou o uso de força excessiva 
para operá-los.
Figura 6. A- O equipamento de trabalho exige adoção de posturas extremas do ombro. B- Além da postura 
inadequada dos membros superiores, a ferramenta vibra e aumenta o risco de lesões musculoesqueléticas de 
membros superiores.
Fonte: Occupational Health and Safety, 2000.
Desenho da ferramenta
A maioria das ocupações requer o uso de ferramentas para a realização de tarefas 
específicas. As ferramentas comerciais incluem desde as tesouras utilizadas por barbeiros 
e cabeleireiras até as chaves de fenda de eletricistas e montadores. Ferramentas com 
desenho inadequado colocam os trabalhadores em risco de desenvolver lesões nos 
membros superiores.
Em geral, as ferramentas com desenhos inadequados têm uma ou mais das seguintes 
características:
 » ferramentas que requerem uma preensão inadequada;
 » ferramentas que provocam o desvio do punho para o uso;
23
LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS │ UNIDADE I
 » o acionamento da ferramenta requer força adicional para operá-la;
 » a ferramenta vibra;
 » a ferramenta é muito pesada;
 » a ferramenta é instável.
Por exemplo, ferramentas com desenho inadequado podem levar o trabalhador a 
flexionar o punho além da posição neutra. Essa condição implica que o trabalhador 
tenha que usar força adicional para operar a ferramenta. Com o tempo, esses fatores de 
risco podem resultar em doenças ocupacionais dos membros superiores. De maneira 
similar, o uso repetido de botões de acionamento pode levar aos dedos em gatilho uma 
lesão do tendão do dedo indicador.
Ferramentas com desenhos inadequados também podem levar ao desenvolvimento 
de lesões musculoesqueléticas por realizarem pressão em partes do corpo (Figura 7). 
Quando isso ocorre, a área de contato comprime os vasos sanguíneos e/ou nervos. 
Isso pode resultar em formigamento e perda de controle. Isso pode acontecer, por 
exemplo, quando a pressão é realizada na palma da mão ao se usar uma chave de fenda. 
Cabeleireiras e manicures são similarmente afetadas pelo uso de tesouras e alicates, os 
quais provocam compressão nos dedos e nas palmas das mãos.
Figura 7. Ferramentas provocando compressão nas palmas das mãos e nos dedos.
Fonte: Feletto; Lopes, 1998.
Manuseio manual de materiais
Na maioria dos locais de trabalho, há a necessidade de levantar, puxar, empurrar e 
carregar materiais. A natureza dessas atividades coloca os trabalhadores em risco de 
desenvolver dor e lesão lombar. Embora lesões nas costas possam resultar de um único 
evento traumático, elas frequentemente se desenvolvem ao longo do tempo. Uma vez 
que as costas estão lesadas, a chance de recorrência é provável se o trabalhador retorna 
para a mesma atividade de trabalho prejudicial.
24
UNIDADE I │ LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS
Vários fatores influenciam a carga na coluna durante o levantamento e manuseio de peso. 
Quanto mais esses fatores estiverem presentes, maior o risco de lesão. Esses fatores incluem:
 » distância do objeto ao corpo;
 » peso do objeto sendo levantado;
 » grau de inclinação e rotação da coluna;
 » tamanho e formato do objeto;
 » frequência de carregamentos;
 » obstáculos interferindo na tarefa de manuseio;
 » altura inicial e final do levantamento do objeto (Figura 8B).
Trabalhadores nunca deveriam ser solicitados a levantar ou manusear cargas que 
poderiam colocar em risco sua saúde e segurança. Qualquer tarefa de carregamento ou 
manuseio exerce alguma força na coluna. Geralmente, quanto mais pesado um material, 
maior a força necessária para levantá-lo.
Materiais podem ser difíceis de manusear se eles apresentam um formato inadequado 
ou são volumosos. A maioria dos materiais é armazenada em caixas de papelão que 
não apresentam alças adequadas para o seu manuseio. Sacos de farinha ou hastes de 
aços são difíceis de ser mantidos próximo ao corpo, requerendo força adicional para 
segurá-los ou carregá-los. Essas cargas instáveis podem causar rotação ou inclinação 
do corpo, o que é mais um risco de desenvolvimento de lesão.
Figura 8. A- Manuseio de pacientes pode envolver movimentos inesperados, a aplicação de alta força e a 
adoção de posturas extremas. B- Levantamento de materiais do chão provoca maior sobrecarga na coluna.
Fonte: Occupational Health and Safety, 2000.
Fatores ambientais
Fatores do ambiente no qual as pessoas trabalham também podem contribuir para o 
desencadeamento das doenças musculoesqueléticas dos membros superiores, incluindo 
temperatura, luminosidade e vibração.
25
LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS │ UNIDADE I
Temperatura
Quando exposto ao frio ou ao calor, o corpo precisa trabalhar para manter a temperatura 
normal. No ambiente frio, os vasos sanguíneos se contraem, o que leva à diminuição 
de aporte de oxigênio para nutrição dos músculos. Quando isso acontece, os dedos 
ficam dormentes, diminuindo sua habilidade de trabalhar adequadamente; isso requer 
que o trabalhador use mais força para prender e segurar as ferramentas na mão. Um 
exemplo dessa condição são os cortadores de carne, que trabalham em salas frias 
usando movimentos repetitivos para o corte da carne (Figura 9), além de utilizarem 
facas com desenho inadequado, que favorecem ainda mais o desenvolvimento de 
lesão musculoesquelética.
A geração de calor em qualquer operação industrial é um fenômeno muito 
comum dentro das indústrias. O trabalho em ambientes muito quentes, como o 
de caldeireiros (Figura 10), causam impacto no desempenho e produtividade dos 
trabalhadores. Os trabalhadores nessa condição estão expostos a grande estresse 
físico bem como psicológico. Uma pessoa que trabalha gera calor internamente no 
corpo, principalmente por meio do trabalho muscular, isso é aumentado quando o 
trabalhador está em um ambiente térmico quente levando a um aumento, portanto, do 
estresse térmico (BRIDGER, 2003). Com a exposição ao calor contínuo, o mecanismo 
de defesa humano passa por transformações progressivas para manter a estabilidade 
térmica interna. No entanto, a aclimatação estratégica para o calor não ocorre no 
caso dos trabalhadores devido à variabilidade das cargas de trabalho, a temperatura 
do local de trabalho, bem como diferentes níveis de exposição (NAG; NAG, 2009). 
Assim, trabalhos nessas condições levam à mal-estar psicológico e físico, transtornos 
fisiológicos, fadiga cerebral, desidratação, sensação de fadiga,diminuição da 
destreza, descoordenação sensorial e motriz, incidência de doenças cardiovasculares 
e musculoesquelética e de perturbações gastrointestinais. 
Figura 9. Trabalho em frigoríficos.
Fonte: <http://www.montibeler.com.br/noticia/novas-regras-tentam-reduzir-acidentes-de-trabalho-em-frigorificos>.
26
UNIDADE I │ LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS
Figura 10. Trabalho dos caldeireiros.
Fonte: <http://www.noticenter.com.br/geral/img/noticias/2014_02_20_11_40_21_image.jpg>.
Iluminação
A quantidade e o tipo de luz também podem contribuir para o desenvolvimento de 
doenças relacionadas ao trabalho. Brilho intenso e falta de luz direta podem induzir o 
trabalhador a adotar posturas extremas para realizar o seu trabalho. Isso pode levar a 
esforço nos olhos, pescoço e ombro (Figuras 11 e 12).
Figura 11. Trabalho com muita iluminação.
Fonte: <http://www.interne.com.br/novidades/index.php?option=com_content&view=article&id=5636>.
Figura 12. Trabalho com pouca iluminação.
Fonte: <http://operamundi.uol.com.br/conteudo/viagens/32771/maior+cidade+das+americas+na+era+colonial+potosi+at
rai+turistas+com+minas+de+prata.shtml>.
27
LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS │ UNIDADE I
Vibração
A vibração pode afetar os vasos sanguíneos, nervos sensoriais e o sistema 
musculoesquelético. Ela pode causar espasmo dos vasos sanguíneos, o que reduz o fluxo 
sanguíneo para os músculos. Essa condição priva os músculos de nutrientes e oxigênio 
necessários para que possam trabalhar adequadamente. A resposta do corpo depende da 
duração, frequência e extensão da vibração.
O uso de ferramentas pneumáticas e elétricas pode afetar o fluxo sanguíneo das mãos. 
Trabalhadores afetados por lesões relacionadas à vibração, tais como síndrome de 
Raynaud ou síndrome do túnel do carpo, são trabalhadores de construção, mineiros, 
serralheiros, (Figura 13A), por exemplo.
Motoristas e operadores de equipamentos móveis (Figura 13B) são exemplos de 
trabalhadores que estão expostos à vibração do corpo inteiro. Motoristas de empilhadeiras 
rotineiramente trabalham com a vibração do corpo inteiro, especialmente quando 
dirigindo sobre superfícies irregulares ou desiguais. Operadores de equipamentos 
móveis que estão expostos à vibração e permanecem na posição sentada por 
longos períodos em assentos com desenho inadequado apresentam maior risco de 
desenvolver lesões nas costas. Outro exemplo de trabalho que expõe o trabalhador 
à vibração de grande parte do corpo é o trabalho com cortadores de grama. 
No entanto, há diferentes tipos de equipamentos que podem gerar mais ou menos 
vibração no corpo. O trabalho com roçadeiras chamadas de “mesa”, envolve vibração 
de membros superiores (Figura 14), já a roçadeira multifuncional envolve vibração 
de MMSS e tronco (Figura 15) e a roçadeira em trator (Figura 16) envolve vibração 
de corpo inteiro.
Figura 13. A- Talhadeira pneumática que provoca vibração no braço e na mão; B- Empilhadeira que provoca 
vibração no corpo todo.
Fonte: Feletto; Lopes, 1998.
28
UNIDADE I │ LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS
Figura 14. Trabalho com roçadeira de “mesa”.
Fonte: <https://www.youtube.com/watch?v=kOclONWhRdU>.
Figura 15. Trabalho com roçadeira multifuncional.
Fonte: <http://projetouca.org.br/2015/04/projeto-uca-inicia-recuperacao-de-mais-9-ha-de-manguezal-na-apa-de-guapi-mirim/>.
Figura 16. Trabalho com roçadeira em trator.
 
Fonte: <http://www.treslagoas.ms.gov.br/noticia/secretaria-de-meio-ambiente-realiza-manutencao-de-areas-verdes-
publicas/11776/>; <https://www.deere.com.br/pt_BR/products/equipment/lawn_tractors/lawn_tractors.page>.
Fatores organizacionais
A organização do trabalho – incluindo o que, como, quando e onde o trabalho é realizado, 
assim como a velocidade de trabalho e a forma de pagamento – é fundamental para o 
entendimento do porquê as lesões ocorrem e como elas podem ser prevenidas. Uma má 
organização do trabalho pode, direta ou indiretamente, afetar a demanda do trabalho.
29
LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS │ UNIDADE I
Alguns fatores de risco são resultados da pobre organização do trabalho. Por exemplo, se 
um sistema de incentivos ou por peça está em vigência, trabalhadores serão encorajados 
a trabalhar mais rápido e por mais tempo. Esse aumento no ritmo de trabalho é um 
estresse adicional ao sistema musculoesquelético. Além disso, o estresse psicossocial 
resultante do aumento de ritmo também pode levar a respostas fisiológicas tais como 
tensão muscular e fadiga. Ainda, devido ao sistema de incentivos, trabalhadores podem 
ser financeiramente recompensados por não participar das pausas de descanso, de tal 
forma que músculos, tendões e ligamentos nunca têm um período de recuperação do 
estresse e do esforço ao qual têm sido expostos.
Má organização do trabalho, a qual pode levar a esses problemas físicos, frequentemente 
tem as seguintes características:
 » impõe muito trabalho ao funcionário;
 » pausas inadequadas ou infrequentes;
 » requer a realização de horas extras ou apresenta sistema de incentivos;
 » trabalho no ritmo controlado pela máquina;
 » falta de variação de tarefas.
Outro fator importante que coloca os trabalhadores em risco de desenvolvimento de 
lesões musculoesqueléticas é a falta de treinamento de como usar o posto de trabalho, 
como usar ou selecionar as ferramentas adequadas para o trabalho ou como seguir 
os procedimentos de segurança. Ferramentas e postos de trabalho bem desenhados 
e procedimentos adequados não prevenirão, sozinhos, o desenvolvimento de lesões. 
Por exemplo, um operador de computador pode não saber como ajustar uma cadeira 
bem desenhada, isso poderia provocar um estresse desnecessário para as articulações 
do pescoço, ombro ou coluna lombar. Treinamento e comunicação efetiva ajudam 
os trabalhadores a tornar suas tarefas mais seguras e a participarem ativamente no 
controle e minimização das LER/DORT.
É fundamental não esquecer da duração das tarefas de trabalho. Você deve 
estar ciente da quantidade do tempo de um dia de trabalho que os funcionários 
gastam realizando tarefas com demanda física ou tarefas repetitivas. Ambos, 
tempo total de trabalho no turno e períodos ininterruptos de trabalho, podem 
ter papel significante em desencadear lesões. Assim como movimentos 
repetitivos, força, postura e outros fatores, a falta de tempo de recuperação 
(pausa) também é um fator de risco para as doenças musculoesqueléticas 
relacionadas ao trabalho.
30
UNIDADE I │ LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS
Tente levantar as ferramentas disponíveis para a avaliação dos diversos fatores 
de risco apresentados anteriormente. Não se esqueça que o mais adequado 
é que a ferramenta tenha sido traduzida e validada para o português para ser 
aplicada aos trabalhadores, principalmente, os questionários.
31
UNIDADE II
FERRAMENTAS PARA 
AVALIAÇÃO DOS RISCOS 
RELACIONADOS AO 
DESENVOLVIMENTO 
DE LESÕES 
MUSCULOESQUELÉTICAS
CAPÍTULO 1
Avaliação dos sintomas musculoesqueléticos 
relacionados ao trabalho
O registro de distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao trabalho tem se tornado 
cada vez mais frequente entre a população trabalhadora. Segundo Ribeiro (1997), 
as razões para esse aumento nos registros são: o uso do computador em quase todos 
os setores da atividade produtiva, a atenção crescente que é dada à possibilidade de 
acometimento das doenças ocupacionais e o fato de as entidades de classe refletirem 
essa preocupação dos trabalhadores, divulgando e realizando pressões nas empresas 
para que cumpram as normas protetoras da saúde de seus empregados.
A literatura internacional descreve questionários e escalas específicos, aplicados 
para avaliar vários aspectos das doenças musculoesqueléticas,incluindo: frequência, 
localização, intensidade dos sintomas, capacidade funcional e qualidade de vida e 
aspectos emocionais e sociais.
Nesse sentido, o Questionário Nórdico Padronizado é um instrumento reconhecido 
internacionalmente para avaliação de queixas musculoesqueléticas (KUORINKA et 
al., 1987). O objetivo do questionário é avaliar problemas musculoesqueléticos numa 
abordagem ergonômica, além de padronizar a mensuração de relatos de sintomas 
osteomusculares e, assim, facilitar a comparação dos resultados entre os estudos. 
O instrumento consiste em questões considerando as partes do corpo humano que 
correspondem a 9 áreas anatômicas (3 para os membros superiores, 3 para os membros 
inferiores e 3 para as costas). As questões são binárias (sim ou não) e o respondente deve 
relatar a ocorrência dos sintomas considerando os 12 meses e os 7 dias precedentes à 
32
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
entrevista, bem como relatar a ocorrência de afastamento das atividades rotineiras no 
último ano.
O instrumento foi adaptado culturalmente para a língua portuguesa por Barros e 
Alexandre em 2003, apresentando uma confiabilidade variando de 0,88 a 1, segundo 
o coeficiente de Kappa. Esses resultados garantem que o questionário poderá ser 
aplicado aos trabalhadores brasileiros e que os resultados serão confiáveis, podendo 
ser utilizados para fornecer dados padronizados para a prática clínica, pesquisa e 
programas de saúde pública. O questionário completo está apresentado na figura 17. 
Uma sugestão de redação para a questão inicial é a seguinte: “Por favor, responda às 
questões colocando um X no quadrado apropriado – um X para cada pergunta. Por 
favor, responda a todas as perguntas mesmo que você nunca tenha tido problemas em 
qualquer parte do seu corpo. Essa figura mostra como o corpo foi dividido. Você deve 
decidir, por si mesmo, qual parte está ou foi afetada, se houver alguma”.
Figura 17. Versão traduzida por Barros e Alexandre (2003) do Questionário Nórdico Padronizado.
Fonte: <http://www.efdeportes.com/efd159/disturbios-osteomusculares-em-cuidadores-de-pessoas-02.jpg>.
O questionário pode ser aplicado em situações ocupacionais para identificação de 
setores mais críticos, ou seja, aqueles que apresentam maior prevalência de sintomas 
musculoesqueléticos. Além disso, pode ser utilizado para comparar os setores e 
identificar as regiões mais acometidas em cada setor para que dessa forma possa 
direcionar as ações preventivas, assim como avaliar os efeitos da intervenção.
33
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
Após a aplicação desse questionário um relatório dos dados obtidos deverá ser 
produzido, contendo gráficos e dados de prevalência, para facilitar a análise das regiões 
mais acometidas pela dor em cada setor e no ambiente de trabalho em geral. Além disso, 
esse questionário também permite que sejam identificadas as regiões onde a dor 
provocou maiores perdas para o trabalhador como a diminuição da produção, bem 
como a procura por médicos. Também, por meio desse questionário podemos ter uma 
análise das regiões mais acometidas durante os últimos dias, permitindo uma análise 
mais imediata da situação.
 » Algumas vezes, após uma intervenção, não encontraremos diferença 
nos achados do Questionário Nórdico. Isso significa que a sua 
intervenção não teve efeito? Muitas vezes não significa que a sua 
intervenção não teve resultado, significa que ela não foi capaz de 
eliminar os sintomas, mas ela pode tê-los minimizado, não pode?
 » Qual ferramenta pode ser utilizada para avaliar a intensidade dos 
sintomas?
A intensidade dos sintomas musculoesqueléticos pode ser avaliada por meio da Escala 
Visual Analógica (EVA), que consiste em uma linha com 10 cm e duas âncoras verbais: 
“sem dor”, no início, e a “pior dor possível”, no final (Figura 18). O indivíduo marca a 
intensidade da sua dor ao longo da linha – um instrumento amplamente utilizado e 
considerado bastante sensível na mensuração da intensidade dolorosa.
A instrução aos sujeitos pode ser a seguinte: “Anote a intensidade do desconforto neste 
momento na escala logo abaixo, com um traço vertical. Considere o valor 0 (zero) como 
nenhum desconforto e o valor 10 (dez) como o pior desconforto que já sentiu na sua vida”.
Figura 18. Modelo de Escala Visual Analógica (EVA).
Intensidade da Dor
0______________________________________10
 Sem desconforto Pior desconforto possível 
Se você optar por aplicar a EVA, não se esqueça que a linha deve ter 10 cm após 
a impressão da folha de avaliação.
Conforme o trabalho de Myles e Troedel (1999), demonstrou-se que a EVA tem 
característica linear quando aplicada à dor de média e de pouca intensidade. 
Essa linearidade preconiza que, quando um paciente apresenta um valor alto e depois 
34
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
um valor mais baixo, a dor realmente diminuiu na proporcionalidade indicada, por 
ser uma escala linear. Esse é um dos fatores de credibilidade da ferramenta.
Entretanto, muitos indivíduos têm dificuldade em interpretá-la e respondê-la. 
Essa dificuldade está intimamente relacionada ao grau de instrução dos respondentes: 
quanto menor o grau de instrução, maior a dificuldade. Para minimizar essa dificuldade, 
foram propostas outras escalas, como a numérica.
A escala numérica de 11 pontos é graduada de 0 (zero) a 10 (dez), em que o 0 (zero) 
significa “ausência de dor” e o 10 (dez) “pior dor imaginável”. Segundo Jensen et al. (1994), 
as escalas numéricas de 11 pontos são tão sensíveis quanto as escalas visuais analógicas, 
com a vantagem de serem facilmente interpretadas pelos indivíduos avaliados.
Qual o tamanho da redução da dor registrada pelas escalas de avaliação 
considerada suficientemente “grande” para que a intervenção seja considerada 
eficiente?
Estudos apontam para uma redução de pelo menos 3 pontos para que a intervenção 
possa ser considerada eficiente (FARRAR et al., 2000; WILLIAMSON, 2004), ou seja, 
se o indivíduo registrar uma intensidade da dor com valor “7” no início da intervenção e 
uma intensidade da dor de valor “4” no final da intervenção, podemos considerar que a 
intervenção foi eficiente.
35
CAPÍTULO 2
Avaliação do Índice de Capacidade 
para o Trabalho (ICT)
A capacidade para o trabalho é uma condição resultante da combinação entre recursos 
humanos em relação às demandas físicas, mentais e sociais do trabalho, cultura 
organizacional e ambiente de trabalho. Esse conceito é expresso como “quão bem está 
ou estará um(a) trabalhador(a) presentemente ou num futuro próximo e quão capaz ele 
ou ela podem executar seu trabalho em função das exigências, de seu estado de saúde e 
capacidades físicas e mentais”.
Segundo Tuoni et al. (1997), a capacidade para o trabalho é a base do bem-estar para o 
ser humano e não permanece satisfatória ao longo da vida, sendo afetada por muitos 
fatores. Entretanto, um ambiente de trabalho saudável e um estilo de vida ativo mudam 
esse prognóstico.
O Índice de Capacidade para o Trabalho (ICT) é um instrumento que permite 
avaliar a capacidade para o trabalho a partir da percepção do próprio trabalhador. 
É determinado com base nas respostas a uma série de questões (ver questionário 
completo no Anexo I, disponível na biblioteca da disciplina) que consideram as 
exigências físicas e mentais do trabalho, o estado de saúde e os recursos do trabalhador. 
O(a) trabalhador(a) preenche o questionário e o profissional de Saúde Ocupacional 
classifica as respostas de acordocom as instruções.
O Índice de Capacidade para o Trabalho é formado por dez questões divididas em sete itens: 
1. capacidade atual para o trabalho comparada com a melhor de toda a vida, 
2. capacidade para o trabalho em relação às exigências do trabalho, 
3. número de doenças atuais diagnosticadas por médico, 
4. perda estimada para o trabalho por causa de doenças, 
5. faltas ao trabalho por doenças no último ano, 
6. prognóstico próprio da capacidade para o trabalho daqui a dois anos e 
7. recursos mentais. 
Cada um avaliado por uma ou mais questões (Tabela 1). Ele é calculado pela soma dos 
pontos recebidos para cada um dos itens, de acordo com a Tabela 1.
36
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
No item 2, a capacidade para o trabalho é avaliada em relação tanto às exigências 
físicas como mentais do trabalho. A resposta à questão é ponderada de forma diferente, 
dependendo se o trabalho é fundamentalmente físico ou mental. O termo quantidade de 
pontos (escore) se refere ao número da resposta assinalada no questionário. Para trabalhos 
com exigências físicas, a quantidade de pontos é multiplicada por 1,5 e a quantidade de 
pontos para as exigências mentais é multiplicada por 0,5. Para trabalhos com exigências 
mentais, a quantidade de pontos para as exigências físicas é multiplicada por 0,5 e a 
quantidade de pontos para as exigências mentais é multiplicada por 1,5. Para trabalhos 
com exigências tanto físicas como mentais, a quantidade de pontos (escore) permanece 
inalterada. As questões que se referem às exigências físicas e mentais são as questões 2 
e 3 do questionário, respectivamente.
Por exemplo, se um trabalhador é funcionário de um setor de telemarketing (maior 
exigência mental do trabalho), e assinalou 5 (na questão 2) para as exigências físicas de 
seu trabalho e 2 para as exigências mentais (na questão 3), devemos realizar o cálculo 
do item 2 da seguinte forma:
Cálculo: (5 x 0,5) + (2 x 1,5) = 2,5 + 3 = 5,5
Já se o trabalhador é funcionário do setor de carregamento de materiais da região 
portuária do litoral carioca (atividade com maior exigência física) e o indivíduo 
assinalou o valor 5 para as exigências físicas de seu trabalho e 2 para as exigências 
mentais, devemos realizar o cálculo do item 2 da seguinte forma:
Cálculo: (5 x 1,5) + (2 x 0,5) = 7,5 + 1 = 8,5
A pontuação dos sete itens deve seguir a explicação da Tabela 1. Assim, o item 1 terá a 
pontuação equivalente à pontuação registrada na questão 1. O item 2 terá a pontuação 
equivalente ao valor final da equação acima, que calcula as exigências físicas e mentais. 
Para a pontuação do item 3, devemos verificar a questão 4 (em sua opinião, quais das lesões 
por acidentes ou doenças citadas abaixo você possui atualmente). Nessa questão devemos 
contar quantas doenças confirmadas pelo médico o trabalhador possui e em seguida, 
conforme a Tabela 1, ver o valor equivalente à quantidade de doenças presentes. Os itens 
4, 5 e 6 são pontuados segundo os valores obtidos nas questões 5, 6 e 7 respectivamente. Já 
no item 7, devemos somar os valores das questões 8, 9 e 10 e ponderar segundo a Tabela 1. 
Tabela 1. Itens abrangidos pelo Índice de Capacidade para o Trabalho, número de questões utilizadas para 
avaliar cada item e escore (número de pontos das respostas).
Item No de questões No de pontos (escore) das respostas
1. Capacidade atual para o trabalho comparada 
com a melhor de toda a vida.
1 0–10 pontos (valor assinalado no questionário)
2. Capacidade para o trabalho em relação às 
exigências do trabalho.
2
Número de pontos ponderados de acordo com a natureza do 
trabalho (fórmula para o cálculo na página seguinte).
37
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
Item No de questões No de pontos (escore) das respostas
3. Número de doenças atuais diagnosticadas por 
médico.
1 (lista de 51 doenças)
Pelo menos 5 doenças = 1 ponto.
4 doenças = 2 pontos.
3 doenças = 3 pontos.
2 doenças = 4 pontos.
1 doença = 5 pontos. 
Nenhuma doença = 7 pontos.
(são contadas somente doenças diagnosticadas por médico)
4. Perda estimada para o trabalho por causa de 
doenças.
1
1–6 pontos (valor circulado no questionário; o pior valor será 
escolhido).
5. Faltas ao trabalho por doenças no último ano 
(12 meses).
1 1–5 pontos (valor circulado no questionário).
6. Prognóstico próprio da capacidade para o 
trabalho daqui a 2 anos.
1 1,4 ou 7 pontos (valor circulado no questionário).
7. Recursos mentais*. 3
Os pontos das questões são somados e o resultado é contado da 
seguinte forma:
Soma 0–3 = 1 ponto
Soma 4–6 = 2 pontos
Soma 7–9 = 3 pontos
Soma 10–12 = 4 pontos
*Esse item se refere à vida em geral, tanto no trabalho como no tempo livre.
Fonte: Tuomi et al., 2005.
A soma da pontuação de todas as respostas do questionário levará a um escore final que 
pode variar entre 7 e 49. Esse número retrata o próprio conceito do(a) trabalhador(a) 
sobre sua capacidade para o trabalho. De acordo com esse escore, o Índice de Capacidade 
para o Trabalho e os objetivos de quaisquer medidas necessárias a serem tomadas são 
assim classificados:
 » 7–27 pontos: baixa capacidade para o trabalho;
 » 28–36 pontos: moderada capacidade para o trabalho;
 » 37–43 pontos: boa capacidade para o trabalho;
 » 44–49 pontos: ótima capacidade para o trabalho.
Com auxílio do questionário, o profissional de Saúde Ocupacional é capaz de, em estágio 
precoce, identificar trabalhadores e ambientes de trabalho que necessitem de medidas 
de apoio. Medidas para restaurar a capacidade para o trabalho ou suas avaliações 
adicionais são necessárias para aqueles que apresentam baixo Índice de Capacidade 
para o Trabalho (pontuação máxima de 27). Para aqueles em que esse Índice é moderado 
(pontuação entre 28 e 36), medidas para melhorá-lo são recomendadas. Trabalhadores 
38
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
com bom Índice de Capacidade para o Trabalho (pontuação entre 37 e 43) devem receber 
informações sobre como mantê-lo. Trabalhadores com ótimo Índice de Capacidade 
para o Trabalho (pontuação entre 44 e 49) também devem ser informados sobre quais 
fatores no trabalho são relacionados ao estilo de vida que mantêm e quais enfraquecem a 
capacidade para o trabalho. Os efeitos das medidas tomadas podem ser acompanhados 
por novo preenchimento dos questionários pelos trabalhadores, em conjunto com os 
exames periódicos de saúde ou outros tipos de processos de acompanhamento (TUOMI 
et al., 2005).
O ICT também pode ser usado para prever o risco de incapacidade. Esse índice foi 
desenvolvido pelo Instituto Finlandês, em seu estudo de acompanhamento de 
trabalhadores em processo de envelhecimento, e foi proposto para predizer a incidência 
de incapacidade para o trabalho nos funcionários de 50 anos de idade. Aproximadamente 
dois terços das pessoas no grupo com baixo ICT aposentaram-se por incapacidade 
durante os 11 anos de acompanhamento. Todavia, mais de um terço dos que estavam 
capacitados para continuar trabalhando na mesma ocupação e que apresentaram baixo 
ICT foram capazes de melhorar sua capacidade para o trabalho mediante modificações 
ergonômicas propostas.
Os estudos a respeito da capacidade para o trabalho dos brasileiros tiveram início 
após a tradução e adaptação do questionário para o Português. Foram feitas algumas 
adaptações no texto original, visando garantir o entendimento das questões e tornando 
o instrumento autoaplicável desde que a escolaridade mínima fosse a quarta série do 
ensino fundamental (hoje equivalente ao quinto ano). Essa versão brasileira pode ser 
encontradaem Tuomi et al. (2005).
Apresentaremos a seguir algumas tabelas com dados de referência a respeito do Índice 
de Capacidade para o Trabalho. Os valores de referência podem ser usados, por exemplo, 
para realizar comparações entre grupos ocupacionais, indivíduos do mesmo setor de 
trabalho etc. Por meio de comparações, é possível determinar se a capacidade para 
o trabalho dos trabalhadores em seu próprio local de trabalho se desvia dos valores 
de referência. É de fundamental importância determinar quantos trabalhadores têm 
baixa capacidade para o trabalho em ocupações diferentes, de acordo com o grupo 
etário. Medidas de apoio direcionadas aos trabalhadores com baixa capacidade para o 
trabalho devem ser implementadas, pois uma grande proporção desses trabalhadores 
pode tornar-se incapacitada para o trabalho em poucos anos, se tais medidas não 
forem adequadamente tomadas. Quando os Índices de Capacidade para o Trabalho 
são avaliados e medidas de apoio são consideradas, diferentes grupos ocupacionais de 
trabalho devem ser considerados.
39
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
Tabela 2. Médias de Índice de Capacidade para o Trabalho de homens e mulheres, em ocupações municipais 
com 50 e 55 anos de idade, de acordo com o conteúdo do trabalho (exigências físicas, mentais e combinação 
de ambas) e perfil de grupos.
Gênero/conteúdo do 
trabalho/perfil de grupos
50 
anos
55 
anos
58 
anos
Gênero/conteúdo do 
trabalho/perfil de grupos
50 
anos
55 
anos
58 
anos
Homens 35 34 34 Mulheres 36 35 34
Trabalho com exigências físicas
Trabalho auxiliar
Assistentes não qualificados
Pintores
Trabalhadores da construção civil
Limpeza/conservação de parques
Varredores de rua
Trabalhadores de estacionamento
Operários
Trabalho de instalação
Bombeiros 
Zeladores
Encanadores
Mecânicos de autos
Carpinteiros
Eletricistas
34
33
35
33
33
33
31
31
31
Trabaho com exigências físicas
Trabalho auxiliar
Limpadoras
Atendentes hospitalares
Auxiliares de cozinha
Trabalhadoras da construção civil
Varredoras de rua
Limpeza/conservação de parques
Trabalho doméstico
Lavadeiras 
Empregadas domésticas
Arrumadeiras
34
34
34
32
33
31
32
31
33
Combinação de exigências
Trabalho físico e mental
Trabalho de transporte
Operadores de máquinas
Motoristas de ônibus
Outros trabalhadores de transporte
Trabalho em depósito
Trabalho em consultório odontológico
Trabalho de enfermagem
Enfermeiros psiquiátricos
34
34
33
37
35
34
34
33
38
36
33
32
...
...
...
Combinação de exigências
Trabalho físico e mental
Supervisoras de cozinha
Trabalho em consultório odontológico
Trabalho de enfermagem
Babás
Auxiliares de enfermagem
Enfermeiras psiquiátricas
Enfermeiras especializadas
Outras enfermeiras
37
36
39
37
35
34
37
35
34
30
38
34
Trabalho com exigências mentais
Trabalho administrativo
Trabalhadores sociais
Supervisores de escritório
Supervisão técnica
Chefes de bombeiros
Supervisores da construção civil
Médicos
Professores
de escola técnica
de escola secundária
39
40
38
44
38
36
38
35
41
35
36
37
36
40
34
Trabalho com exigências mentais
Trabalho de escritório
Projetista desenhista
Datilógrafas
Escriturárias
Pessoal administrativo
Assistentes sociais
Enfermeiras-chefes
de hospital
de unidade
Supervisoras de escritório
Médicas
Professoras
de escola técnica
de escola secundária
de creches
39
38
40
40
38
35
36
37
39
35
35
35
36
38
35
... Falta de dados.
Fonte: Tuomi et al., 2005.
40
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
Tabela 3. Porcentagem de trabalhadores municipais com 50 e 55 anos de idade nas categorias de capacidade 
para o trabalho, de acordo com o gênero e as exigências físicas, mentais ou combinadas de trabalho.
Idade
Gênero/índice de 
capacidade para o 
trabalho
trabalho com 
exigências 
físicas
Trabalho com 
exigências 
físicas e mentais
trabalho COM 
exigências 
mentais
50 anos
Homens
Baixo
Moderado
Bom
Ótimo
Mulheres
Baixo
Moderado
Bom 
Ótimo
18
40
32
10
21
40
30
9
20
38
32
10
10
34
40
16
9
21
39
31
6
24
46
24
55 anos
Homens
Baixo
Moderado
Bom
Ótimo
Mulheres
Baixo
Moderado
Bom 
Ótimo
19
47
28
6
22
52
22
4
18
42
31
9
14
42
31
9
8
37
43
12
10
39
41
10
58 anos
Homens
Baixo
Moderado
Bom
Ótimo
Mulheres
Baixo
Moderado
Bom 
Ótimo
26
50
20
4
28
44
21
7
21
44
25
10
15
47
27
11
13
37
31
19
15
39
34
12
Fonte: Tuomi et al., 2005.
41
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
Quando os trabalhadores com baixa capacidade para o trabalho são identificados, 
algumas medidas para reverter esse quadro devem ser propostas, como: 
 » diminuir a carga de trabalho e melhorar o ambiente de trabalho 
(ergonomia, higiene ocupacional, segurança); 
 » melhorar a interação do grupo de trabalho e a organização de trabalho 
(relações pessoais, colaboração, gerência); 
 » melhorar a capacidade funcional (atividade física, estilos de vida saudáveis 
e revigorantes) e 
 » promover as habilidades profissionais.
Os dados obtidos por intermédio do questionário de avaliação do Índice de 
Capacidade para o Trabalho são estritamente confidenciais. Eles se enquadram 
nas mesmas regulamentações de sigilo que regem as atividades de equipes 
de saúde em geral. As informações obtidas não podem ser fornecidas a 
ninguém que não seja empregado da unidade de Saúde Ocupacional (como, 
por exemplo, o empregador) em uma forma que possibilite a identificação de 
um trabalhador.
42
CAPÍTULO 3
Avaliação da qualidade do sono 
(Índice de Pittsburgh)
Por que avaliar a qualidade do sono em trabalhadores? A qualidade do sono 
deve ser avaliada na população trabalhadora devido ao grande número de 
profissionais que trabalham rotineiramente durante a noite, para atender 
às mudanças econômicas, populacionais e dos processos tecnológicos 
que ocorreram nas últimas duas décadas e que transformaram a sociedade 
numa organização ininterrupta que funciona 24 horas por dia, durante os 
7 dias da semana.
O sono é parte do ritmo de vida. Sem um “bom” sono, o corpo perde a capacidade 
de se revitalizar/recompor, a capacidade cognitiva diminui e o humor é alterado. 
Mudanças naturais da idade interferem na qualidade do sono, enquanto o estado 
geral de saúde, o trabalho noturno e o uso de medicamentos podem afetar os padrões 
de sono de forma negativa.
O trabalho noturno afeta a qualidade do sono, visto que o sono normal é o noturno, 
caracterizado por uma estrutura interna com diferentes estágios de profundidade, 
duração própria e relativa estabilidade da hora de deitar e acordar, principalmente 
quando livre de pressões sociais e profissionais. Assim, o grande desafio do trabalhador 
noturno é, sem dúvida, adequar o seu ritmo de vida aos princípios biológicos e à 
convivência social, pois o desânimo associado ao cansaço faz com que desapareça o 
interesse pela vida social e pelo lazer. Além disso, o trabalho noturno traz alterações 
nos laços, nas relações sociais e na estrutura familiar.
Outra condição preocupante é que a má qualidade do sono traz prejuízospara a 
capacidade cognitiva e de atenção dos trabalhadores, aumentando o risco de acidentes. 
Essa condição é muito frequente em médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, 
motoristas, controladores de voo, entre outros profissionais que trabalham à noite.
O Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (Anexo II, disponível na biblioteca da 
disciplina) é um instrumento eficiente usado para medir a qualidade e os padrões do sono 
em adultos. Esse índice diferencia o “bom” sono, do sono “ruim” por avaliar sete dimensões: 
1. qualidade subjetiva do sono, 
2. latência do sono, 
3. duração do sono, 
43
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
4. eficiência habitual do sono, 
5. distúrbios do sono, 
6. uso de medicamentos para dormir e 
7. sonolência diurna no último mês. 
As respostas de cada questão apresentada no Anexo II são pontuadas de 0 (zero) a 
3 (três), considerando que a pontuação 3 (três) reflete a condição mais prejudicial. 
Por exemplo, para a questão 5 (a), na qual o indivíduo é questionado sobre quantas vezes 
no último mês ele não conseguiu dormir em 30 minutos, se o trabalhador responder 
uma ou duas vezes por semana, sua resposta será pontuada como 2.
a) Não conseguiu adormecer em até 30 minutos:
0 ( ) Nenhuma no último mês 1 ( ) Menos de uma vez/semana
2 ( ) 1 ou 2 vezes/semana 3 ( ) 3 ou mais vezes/semana
A pontuação da escala do sono deve ser realizada de acordo com a Tabela 4, apresentada 
abaixo. Observe que o número das questões (Q) no questionário (Anexo II) corresponde 
ao número das questões na Tabela 4. Após pontuar cada um dos itens como indicado na 
Tabela, para alcançar a pontuação total, devemos somar a pontuação final (total) de cada uma 
das dimensões (1–7). Essa soma corresponde ao Índice de Pittsburgh, o qual deve ser inferior 
a 5 pontos para que o sono do trabalhador avaliado seja considerado de “boa” qualidade.
Agora vamos analisar a pontuação da escala mais detalhadamente. A pontuação total 
da escala de sono é de 11 (soma da última coluna), sendo que a escala de Pittsburg 
tem 19 questões divididas em 7 componentes. Para melhor compreender a pontuação, 
analise a Tabela 4 abaixo e o Anexo II (Escala de Pittsburg).
O componente 1 (Qualidade subjetiva do sono), o componente 3 (Duração do sono), e 
o componente 6 (Uso de medicações para dormir) são calculados da mesma maneira. 
O componente 1 corresponde à resposta da questão 6, o componente 3 corresponde à 
resposta da questão 4 e o componente 6 corresponde à resposta da questão 7. Assim, o 
valor pontuado nessa resposta já é o valor do componente.
O componente 2 (Demora para dormir) é calculado a partir das respostas das questões 
2 e 5A. Deve-se calcular o valor de cada questão. Por exemplo, o trabalhador demora de 
31-60 minutos para conseguir dormir (pontuação 2), e ele teve dificuldade para dormir 
1 ou 2x/ semana (pontuação 2). Assim a soma da Q2 + a Q5A é igual a 4, nesse exemplo. 
Portanto, esse valor corresponde a 2, seguindo a tabela.
O componente 4 (Eficiência habitual do sono) corresponde às questões de 1 a 4. 
Para calcular esse componente, devem ser feitos alguns cálculos. Por exemplo: o 
44
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
trabalhador vai deitar às 22 horas, levanta às 6 horas e costuma ter um tempo médio 
de sono de 5 horas. Assim, deve-se pegar o número de horas dormidas (5 horas) dividir 
pelas horas que ele fica deitado na cama (das 22 horas até às 6 horas = 8 horas). 
Portanto, temos 5/8 * 100 = 62%. Esse valor de 62% corresponde ao número 2, então o 
valor desse componente é 2.
O componente 5 (Distúrbios do sono) corresponde às questões que vão de 5B a 5J. 
Devem ser pontuadas todas essas questões e depois somar todos os seus valores. 
A partir desse valor, pontuasse a soma de acordo com a Tabela 4. Por exemplo, uma 
soma de 5 pontos equivale à 1, segundo a tabela. Assim, o valor do componente é 1.
O componente 7 (Sonolência diurna e distúrbios do sono) corresponde às questões 8 e 
9. Calcule o valor de cada questão. Por exemplo, o trabalhador teve dificuldade de ficar 
acordado enquanto dirigia, comia ou participava de alguma atividade social menos de 
uma vez por mês (pontuação 1) e durante o último mês não teve nenhum problema 
(pontuação 0 – zero) em manter o entusiasmo para fazer as coisas. A soma da Q8 + a 
Q9 é igual a 1, nesse exemplo. Portanto, esse valor corresponde a 1, seguindo a tabela. 
Portanto, o valor do componente é 1.
Quando um trabalhador avaliado é identificado como tendo uma qualidade do sono 
ruim, é importante que o seu questionário seja avaliado detalhadamente, procurando 
identificar quais das dimensões analisadas pela escala apresentam resultados mais 
críticos. Esses resultados vão direcionar as medidas de orientação do trabalhador. 
Algumas orientações gerais são: evitar a ingestão de bebidas com cafeína, evitar 
o uso do computador ou realizar atividades físicas intensas antes do sono, pois são 
comportamentos que estimulam o organismo a se manter alerta. 
Também não é recomendado dormir com luminária acesa ou com a televisão ligada, pois 
o ruído e a luminosidade também prejudicam a qualidade do sono. Todos os hábitos que 
promovam o relaxamento são indicados antes de dormir, como, por exemplo, tomar um 
banho quente, praticar exercícios de alongamentos, ouvir músicas que proporcionem a 
sensação de calma e tranquilidade.
O Índice de Qualidade do Sono é uma medida subjetiva do sono. O autorrelato 
pode enriquecer as questões, mas pode refletir informação incorreta quando 
o indivíduo avaliado tem dificuldade em entender o que está escrito. 
Portanto, é importante sempre questionar se os trabalhadores tiveram 
alguma dificuldade para responder o questionário e sempre se colocar à 
disposição para esclarecer qualquer dúvida que venha a surgir durante o 
preenchimento das respostas.
45
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
Tabela 4. Pontuação do Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh.
Componente/ questão pontuada pontuação parcial total
1. Qualidade subjetiva do sono
Questão (Q) 6
Muito boa 0
Boa 1
Ruim 2
Muito ruim 3
2. Latência do sono
2.1. Q 2
< ou = 15 minutos 0
16–30 minutos 1
31–60 minutos 2
> 60 minutos 3
2.2. Q 5a Nenhuma vez 0
Menos de 1 vez/semana 1
1 a 2 vezes/semana 2
3 vezes/semana 3
2.3. Soma da Q 2 + Q 5a 0 0
1–2 1
3–4 2
5–6 3
3. Duração do sono
Q 4
> 7 horas 0
6–7 horas 1
5–6 horas 2
< 5 horas 3
4. Eficiência habitual do sono
Q 1 a 4 da seguinte maneira:
> 85% 0
4.1. Escreva o no de horas dormidas (Q 4): 75–84% 1
4.2. Calcule o no de horas no leito: 
horário de levantar (Q 3) – horário de deitar (Q 1)
65–74% 2
4.3. Calcule a eficiência do sono:
No de horas dormidas
x 100%
No de horas no leito
< 65% 3
5. Distúrbios do sono
Q 5b a 5j atribuindo a pontuação para cada uma:
Q 5b
Total
Q 5c
Q 5d
Q 5e
Q 5f Pontue a soma
Q 5g 0 0
Q 5h 1–9 1
Q 5i 10–18 2
Q 5j 19–27 3
6. Uso de medicação para dormir
Q 7
Nenhuma vez 0
Menos de 1 vez/semana 1
1 a 2 vezes/semana 2
3 vezes/semana 3
46
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
Componente/ questão pontuada pontuação parcial total
7. Sonolência diurna e distúrbios do sono
7.1. Q 8
Nenhuma vez 0
Menos de 1 vez/semana 1
1 a 2 vezes/semana 2
3 vezes/semana 3
7.2. Q 9 Nenhuma 0
Pequena 1
Moderada 2
Muita 3
7.3. Soma Q 8 + Q 9 0 0
1 - 2 1
3 - 4 2
5 - 6 3
Pontuação Global do PSQI
47
CAPÍTULO 4
Avaliaçãodo estresse no trabalho
O uso de escalas de medidas no âmbito de estudos epidemiológicos tem permitido 
avaliar variáveis como o estresse. Os primeiros estudos que relacionaram o estresse 
no trabalho com desfechos no âmbito da saúde (com destaque para as doenças 
cardiovasculares) apontam para o início da década de 1960.
As fontes geradoras de estresse no ambiente de trabalho e suas repercussões sobre 
a saúde foram, pioneiramente, estudadas por Robert Karasek. Esse pesquisador, 
nos anos 1970, propôs um modelo teórico bidimensional que relacionava dois 
aspectos – demanda e controle no trabalho – ao risco de desenvolvimento de 
doenças. As demandas de trabalho são pressões como tempo e velocidade na 
realização do trabalho, ou demandas de trabalho contraditórias. O controle é a 
possibilidade de o trabalhador utilizar suas habilidades intelectuais para a realização 
de seu trabalho, bem como possuir autoridade para tomar decisões sobre a forma 
de realizá-lo.
De acordo com esse modelo, escores médios são alocados em quatro quadrantes de 
forma a expressar as relações entre demandas e controle (Figura 19). A coexistência 
de grandes demandas psicológicas com baixo controle sobre o processo de trabalho 
gera alto desgaste no trabalhador, com efeitos nocivos à sua saúde. Também nociva 
é a situação que conjuga baixas demandas e baixo controle (trabalho passivo), na 
medida em que podem gerar perda de habilidades e desinteresse. Por outro lado, 
quando altas demandas e alto controle coexistem, os indivíduos experimentam o 
processo de trabalho de forma ativa: ainda que as demandas sejam excessivas, elas 
são menos danosas, visto que o trabalhador pode escolher como planejar suas horas 
de trabalho de acordo com seu ritmo biológico e criar estratégias para lidar com suas 
dificuldades. A situação “ideal”, de baixo desgaste, conjuga baixas demandas e alto 
controle do processo de trabalho. 
Uma terceira dimensão, a do apoio social no ambiente de trabalho, foi acrescentada 
ao modelo e definida por seus autores como os níveis de interação social existentes no 
trabalho, tanto com os colegas quanto com os chefes. Sua escassez também pode gerar 
consequências negativas à saúde
48
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
Figura 19. Modelo de demanda e controle utilizado pela escala de estresse no trabalho.
Demanda psicológica
Baixa Alta
Co
nt
ro
le
Al
to Baixo desgaste Ativo
Ba
ixo Passivo Alto desgaste
Fonte: o autor, s/d.
Entendendo melhor esse modelo e essa escala
O modelo que demanda controle é então definido pela demanda e pelo controle no trabalho 
e também pelo apoio social. Mas como avaliar a demanda e o controle no trabalho? 
Segundo Karasek, a demanda, o controle e o apoio social no trabalho podem ser 
avaliados por algumas questões. As questões seguem abaixo e fazem parte da Escala de 
Estresse no Trabalho.
A demanda no trabalho é avaliada por cinco questões:
1. Com que frequência você tem que fazer suas tarefas de trabalho com 
muita rapidez?
2. Com que frequência você tem que trabalhar intensamente (isto é, produzir 
muito em pouco tempo)?
3. Seu trabalho exige demais de você?
4. Você tem tempo suficiente para cumprir todas as tarefas de seu trabalho?
5. O seu trabalho costuma apresentar exigências contraditórias ou discordantes?
Para cada uma dessas questões, os trabalhadores devem responder: nunca ou quase 
nunca, raramente, às vezes e frequentemente.
Entre as perguntas que avaliam a demanda, quatro se referem a aspectos quantitativos, 
como tempo e velocidade para realização do trabalho, e uma pergunta avalia o aspecto 
predominantemente qualitativo do processo de trabalho, relacionado ao conflito entre 
diferentes demandas.
49
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
O controle no trabalho é avaliado por seis questões:
1. Você tem possibilidade de aprender coisas novas em seu trabalho?
2. Seu trabalho exige muita habilidade ou conhecimentos especializados?
3. Seu trabalho exige que você tome iniciativas?
4. No seu trabalho, você tem que repetir muitas vezes as mesmas tarefas?
5. Você pode escolher COMO fazer o seu trabalho?
6. Você pode escolher O QUE fazer no seu trabalho?
Assim como para as questões relativas à demanda de trabalho, as questões a respeito do 
controle no trabalho devem ser respondidas como: nunca ou quase nunca, raramente, 
às vezes e frequentemente.
Entre as seis questões acerca do controle, quatro se referem ao uso e desenvolvimento 
de habilidades e duas à autoridade para tomada de decisão sobre o processo de trabalho. 
Para ambas as dimensões, as opções de resposta são apresentadas em escala tipo Likert 
(1–4), variando entre “frequentemente” e “nunca/quase nunca”.
O apoio social é avaliado por seis questões:
1. Existe um ambiente calmo e agradável onde trabalho?
2. No trabalho, nos relacionamos bem uns com os outros?
3. Eu posso contar com o apoio dos meus colegas de trabalho?
4. Se eu não estiver num bom dia, meus colegas compreendem?
5. No trabalho, eu me relaciono bem com meus chefes?
6. Eu gosto de trabalhar com meus colegas?
O trabalhador terá as seguintes opções de resposta para as questões apresentadas 
acima: discordo totalmente, discordo mais que concordo, concordo mais que discordo 
e concordo totalmente.
Assim, a dimensão referente ao apoio social contém seis questões sobre as relações 
com colegas e chefes, com quatro opções de resposta em escala tipo Likert (1-4) com 
variação entre “concordo totalmente” e “discordo totalmente”.
50
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
Essa escala não apresenta um índice que defina quais trabalhadores 
estão estressados e quais não estão. Ao final da aplicação da escala, nós 
conseguimos identificar quais das três dimensões avaliadas (demanda, 
controle, apoio social) apresentam condições críticas. Além disso, podemos 
classificar os trabalhadores em uma das categorias da Figura 1 (trabalhador 
ativo, trabalhador passivo, alto desgaste, baixo desgaste), de acordo com 
a demanda e o controle que eles possuem em seu trabalho. Por exemplo, 
um trabalhador que apresenta alta demanda no trabalho e baixo controle 
sobre suas atividades é classificado como um trabalhador com alto 
desgaste. Esse tipo de condição ocorre com a maioria dos trabalhadores dos 
setores industriais, em que o ritmo do trabalho é ditado pelas máquinas, 
os funcionários não têm nenhum controle sobre seu ritmo de trabalho e a 
demanda por produção é alta.
A escala de estresse é apresentada no Anexo III (disponível na biblioteca da disciplina).
Entendendo melhor a pontuação da escala
Como você deve ter percebido a escala de estresse conta com 17 questões. Para a correta 
pontuação dessa escala você deve seguir os seguintes passos:
1. Responder as 17 questões. 
2. Pontuar as questões com valores que vão de 1 a 4. Sendo que as questões 
4 e 10 pontua-se invertido, ou seja, nunca ou quase, nunca vale 4 pontos.
3. Após pontuar as questões, fazer a soma dos domínios, ou seja, somar as 
questões de 1 a 5 para obter o valor da demanda. Somar as questões de 
6 a 11 para obter o valor do controle e por último somar os valores das 
questões de 12 a 17 para obter o valor do suporte social.
4. Após ter os valores de cada domínio (demanda, controle e suporte 
social) devemos classificar esses valores em alto e baixo. Os valores são 
considerados altos ou baixos segundo a mediana do grupo avaliado. Por 
exemplo, ao avaliar um total de 200 profissionais de enfermagem foram 
pontuadas as questões e os domínios e em seguida fez-se uma mediana 
desses valores.O valor de mediana encontrado para cada domínio foi 
de 14, 16 e 19 respectivamente. Assim, os valores da demanda de cada 
trabalhador serão considerados altos se o valor for maior que 14 e serão 
considerados baixos se for menor ou igual a 14. Os valores do controle 
serão considerados altos se o valor for maior que 16 e serão considerados 
51
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
baixos se forem menor ou igual a 16. Os valores do suporte social serão 
considerados altos se o valor for maior que 19 e serão considerados baixos 
se for menor ou igual a 19.
Esses valores (14, 16 e 19) de cada domínio são, na verdade, valores 
médios obtidos por meio de um estudo com enfermeiros (SILVA et al., 
2012) e estão sendo usados como referência, apenas para facilitar o 
entendimento. Cada grupo de trabalhadores deve ter a mediana calculada 
a fim de comparar com os demais trabalhadores.
5. Após a classificação dos domínios (demanda e controle) em alto e baixo 
devemos seguir os quadrantes do Karasek para então classificar o trabalho 
em ativo, passivo, baixo desgaste ou alto desgaste. 
 › O trabalho é considerado ativo se a demanda for alta e o controle 
também for alto.
 › O trabalho é considerado passivo se a demanda for baixa e o controle 
também for baixo.
 › O trabalho é considerado baixo desgaste se a demanda for baixa e o 
controle for alto.
 › O trabalho é considerado alto desgaste se a demanda for alta e o 
controle for baixo.
52
CAPÍTULO 5
Análise Ergonômica do Trabalho (AET) – 
adaptação de Ergonomic Work Analysis
O protocolo “Análise Ergonômica do Trabalho” propõe uma avaliação geral do posto de 
trabalho, tendo por base a descrição cuidadosa e sistemática das tarefas e levando em 
consideração a opinião dos trabalhadores.
De acordo com o Manual Análise Ergonômica do Posto de Trabalho, desenvolvido 
pelo grupo (Ergo & Ação e SinuCad, da UFSCAR, o qual utilizaremos como referência 
nesse capítulo), em um posto de trabalho, a análise se processa de acordo com os três 
passos seguintes:
1. O analista define e delimita a tarefa a ser analisada. A análise deve ser a 
respeito da tarefa ou do local do trabalho. Geralmente, a tarefa é dividida em 
subtarefas, que são analisadas separadamente. São necessárias análises em 
separado para cada uma das subtarefas caso elas sejam muito diferentes.
2. A tarefa deve ser descrita. Para isso, o analista faz uma lista de operações 
e desenha um esboço do posto de trabalho.
3. O analista apresenta ao operador a descrição das tarefas e, em conjunto, 
eles redefinem a lista de tarefas, aproximando-as do trabalho real.
O analista classifica os vários fatores em uma escala, geralmente de 1 a 5. O valor 1 é 
dado quando a situação apresenta o menor desvio em relação à condição ótima, ou 
geralmente aceitável, para as condições e arranjo espacial do trabalho. Os valores 4 e 5 
indicam que a condição de trabalho ou o ambiente pode eventualmente causar danos à 
saúde dos trabalhadores. Atenção especial deve ser dada ao ambiente e às condições de 
trabalho em questão.
Forma de avaliação
As classificações são reunidas em um formulário de avaliação e juntas constituem 
a avaliação global ou o perfil da tarefa em questão. No perfil, o analista pode listar 
sugestões para melhorias baseadas nos resultados das análises. As escalas dos itens não 
são comparativas. Por exemplo, o valor 5 para o item “contatos pessoais” não deve ter 
o mesmo peso em relação ao valor 5 para o item “ruído”, mas, no perfil final, o valor 5 
deve chamar atenção especial para o ambiente de trabalho.
53
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
Relevância da análise
Tarefas que requerem habilidades manuais e movimentação manual de materiais têm sido 
o alvo principal da análise, mas a análise também pode ser usada em outros tipos de tarefas. 
Em alguns casos, a relevância de cada item deve ser avaliada cuidadosamente. Um item 
pode ser irrelevante para uma dada tarefa, por exemplo, o item “repetitividade” pode não 
ser relevante quando se analisa o trabalho de um motorista. A tarefa pode ser diversificada 
e o conteúdo do trabalho abrangente, de forma que o uso da escala pode não ter sentido. 
Em alguns casos, a descrição verbal é mais adequada. Se o analista decide que a maioria dos 
itens não é relevante para a análise, ele pode preferir usar análises mais específicas.
Julgamento do trabalhador
O analista entrevista e anota a avaliação subjetiva do trabalhador como bom (++), regular 
(+), ruim (-) e muito ruim (--). Se o julgamento do trabalhador for muito diferente da 
classificação do analista, a situação de trabalho deve ser analisada mais detalhadamente.
Itens avaliados
Área de trabalho horizontal
Todos os materiais, ferramentas e equipamentos devem estar situados na superfície de 
trabalho, como recomendado abaixo:
 » Área 1: área usual de trabalho.
 » Área 2: atividades leves, pegar materiais.
 » Área 3: atividades não frequentes, utilizada somente quando a área 2 
estiver totalmente preenchida.
Figura 20. Área de trabalho horizontal.
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
54
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
Os controles devem ser colocados de acordo com o alcance natural do trabalhador, que 
é de aproximadamente 65 cm para homens e 58 cm para mulheres, medidos a partir de 
seus ombros.
Altura de trabalho
Nível do cotovelo = altura do cotovelo com o braço em posição relaxada.
Figura 21. Alturas de trabalho de acordo com a demanda do trabalho.
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
Se o trabalho inclui diferentes necessidades (por exemplo, a manutenção de uma 
posição com a combinação de diferentes tarefas), a altura de trabalho é determinada 
pela tarefa de maior demanda.
Visão
A distância visual deve ser proporcional ao tamanho do objeto de trabalho: um objeto 
pequeno requer uma distância menor e uma superfície de trabalho mais alta. Os objetos 
que são comparados continuamente em uma distância visual fixa (menor que um metro) 
devem estar situados a uma mesma distância visual.
Figura 22. Altura de trabalho de acordo com a demanda visual.
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
55
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
Figura 23. Ângulo de visão.
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
Ângulo de visão: O objeto de maior frequência de observação deve ser centralizado 
em frente ao trabalhador. O ângulo de visão recomendado (medido a partir da linha 
horizontal da visão) varia entre 15° e 45°, dependendo da postura de trabalho.
Espaço para as pernas
Durante o trabalho sentado, deve haver espaço suficiente entre a parte de baixo da 
bancada de trabalho e o assento, para permitir o movimento das pernas. O espaço 
recomendado para as pernas é de 60 cm. A profundidade no nível do joelho deve ter no 
mínimo 45 cm e, no nível do piso, 65 cm.
Durante o trabalho em pé, o espaço para os dedos do pé deve ter no mínimo 15 cm de 
profundidade e de altura. Recomenda-se que o espaço livre atrás do trabalhador seja 
de, no mínimo, 90 cm, desde que objetos grandes não sejam manuseados.
Figura 24. Distâncias recomendadas de espaço para as pernas.
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
Assento
Um assento usado continuamente deve conter:
 » altura ajustável;
56
UNIDADE II │ FERRAMENTASPARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
 » estofamento permeável;
 » apoio ajustável para as costas.
Figura 25. Cadeiras para adoção de várias posturas.
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
Assentos usados por diversas pessoas devem ser facilmente ajustáveis.
A necessidade de cadeiras com rodinhas e apoio para coluna cervical ou para os braços 
depende do tipo de trabalho a ser realizado. Para o trabalho em pé, um banco alto ou 
um apoio lombar deve estar disponível para o uso temporário.
Ferramentas manuais
O tamanho, o formato, o peso e a textura do material das ferramentas manuais devem 
permitir uma boa preensão e serem fáceis de manusear. O uso de ferramentas manuais 
não deve requerer força excessiva. Vibrações e ruídos devem ser os menores possíveis.
Figura 26. Exemplo de sistema de elevação.
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
Outros equipamentos
Outros equipamentos incluem, por exemplo, instalações, componentes, equipamentos 
de proteção individual, controles e dispositivos de elevação e movimentação, que devem 
ser avaliados de acordo com seu uso.
Tabela 5.
1 O espaço de trabalho segue as recomendações ou é inteiramente ajustável pelo trabalhador.
2
Existem limitações em atender às recomendações, entretanto, as posturas e os movimentos de trabalho estão adequados às necessidades 
da tarefa.
57
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
3 Nem todas as recomendações são seguidas: as posturas e os movimentos de trabalho são, portanto, inadequados.
4
Há grandes desvios em relação aos padrões recomendados. A organização do espaço de trabalho força o trabalhador a usar posturas de 
trabalho ruins e tensas, bem como movimentos inadequados.
Classificação do analista Julgamento do trabalhador
++ + – – –
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
Atividade física geral
A “atividade física geral” é determinada pela duração do trabalho pelos métodos 
e equipamentos que requerem esforço físico. Esses parâmetros podem estar num 
patamar ideal, acima ou abaixo dessa referência. A qualidade das atividades físicas 
gerais é determinada pela relação entre a possibilidade de o trabalhador regular a carga 
física e a possibilidade dessa carga ser regulada pelo método de produção ou, ainda, 
pela situação em que o trabalho é feito.
Determine, por observação do trabalho, por entrevista com o trabalhador e com a 
chefia imediata do setor, se a quantidade de atividade física necessária é grande, ótima 
ou pequena. Grande atividade física é necessária, por exemplo, na agricultura e no 
trabalho de estivadores. A carga recai sobre os sistemas respiratório e circulatório. 
A atividade física pequena pode ser encontrada no trabalho fragmentado ou de inspeção.
Tabela 6.
4
A atividade depende inteiramente dos métodos de produção ou da organização do trabalho. O trabalho é razoavelmente 
pesado ou pesado, as pausas durante o trabalho não têm sido levadas em consideração. Ocorrem altos picos de carga 
de trabalho. GRANDE
↑
APROPRIADO
↓
LEVE
3
A atividade depende dos métodos de produção ou da organização do trabalho. O risco de um esforço excessivo devido 
a picos de carga de trabalho é relativamente frequente.
2
A atividade depende, em parte, dos métodos de produção ou da organização do trabalho. Os picos de carga de 
trabalho ocorrem com alguma frequência, mas eles não produzem um risco de esforço excessivo.
1
A atividade física é inteiramente determinada pelo trabalhador; os fatores causadores dos picos de carga de trabalho 
não acontecem.
1
A atividade física é inteiramente regulada pelo trabalhador. Os espaços de trabalho, equipamentos e métodos não 
geram restrições de movimentos.
2 Os espaços de trabalho, equipamentos e métodos permitem a realização de movimentos adequados.
3
Os espaços de trabalho, equipamentos e métodos limitam os movimentos de trabalho. As possibilidades de movimentos 
ocorrem durante as pausas de trabalho.
4
Os espaços de trabalho, equipamentos e métodos restringem os movimentos de trabalho ao mínimo. As atividades 
durante as pausas de trabalho nem sempre são possíveis.
Classificação do analista Julgamento do trabalhador
++ + – – –
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
58
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
Levantamento de cargas
O esforço requerido pelo levantamento é dado pelo peso da carga, a distância horizontal 
entre a carga e o corpo e a altura de elevação. Os valores apresentados na tabela foram 
estabelecidos para condições adequadas de levantamento. Em outras palavras, a pessoa 
que realiza a elevação utiliza as duas mãos para conseguir uma boa pega, diretamente 
em frente ao corpo, em uma superfície não escorregadia. A tarefa será avaliada como 
mais difícil em relação aos valores indicados na tabela. São consideradas condições 
inadequadas de elevação aquelas que ocorrem com elevação de peso acima dos ombros 
e as que ocorrem várias vezes por minuto. Nesse caso, a tarefa será avaliada como mais 
difícil do que os valores indicados na tabela.
 » Confira a altura na qual a elevação ocorre. Em uma altura de “elevação 
normal”, a elevação ascendente ou descendente está compreendida em 
uma região entre a altura do ombro e a altura dos dedos das mãos na 
postura ereta. Em uma “altura de elevação baixa”, a elevação ascendente 
ou descendente encontra-se na região abaixo da altura das mãos. Neste 
caso, haverá agachamento.
 » Peso da carga. Faça a estimativa do estresse de acordo com a carga elevada 
que é mais pesada.
 » Meça a distância horizontal entre as mãos e a linha média do corpo.
 » Escolha, na tabela abaixo, a altura da elevação correspondente. Anote 
a distância das mãos e vá para baixo na coluna, para anotar o peso da 
carga. Anote o resultado.
Figura 27. Classificação do levantamento de carga.
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
59
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
Posturas de trabalho e movimentos
As posturas de trabalho se referem às posições do pescoço, braços, costas, quadris e 
pernas durante o trabalho. Os movimentos de trabalho são os movimentos do corpo 
exigidos pelo trabalho.
Determine as posturas de trabalho e os movimentos separadamente para 
pescoço-ombro, cotovelo-punho, costas e quadril-pernas. A análise é feita a partir da 
postura e dos movimentos de maior dificuldade. O resultado final é o pior valor desses 
quatro resultados parciais.
O tempo usado para manter a postura afeta a carga de estresse de uma situação. O valor 
resultante é incrementado de um nível, se a mesma postura for sustentada por mais da 
metade da jornada, e decresce um nível se a mesma postura for mantida não mais que 
uma hora.
Figura 28. Classificação da postura do pescoço-ombro.
1 Livre e relaxado.
2 Em uma postura natural, mas limitada pelo trabalho.
3 Tenso devido ao trabalho.
4 Rotação ou inclinação de cabeça e/ou elevação dos braços acima do nível dos ombros.
5 Pescoço inclinado para trás, com uma demanda de força grande para os braços.
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
Figura 29. Classificação da postura do cotovelo-punho.
1 Livre em uma postura de escolha, pequena demanda de força.
60
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
2 Braços em uma posiçãorequerida pelo trabalho, às vezes pouco tensa.
3 Braços tensos e/ou articulações em postura extrema.
4 Braços mantidos em contração estática e/ou repetição do mesmo movimento 
continuamente.
5 Grande demanda de força para os braços, ou realizando movimentos rápidos.
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
Figura 30. Classificação da postura das costas.
1 Em uma postura natural e/ou bem suportada, em uma posição sentada ou em pé.
2 Em uma posição adequada, mas limitada pelo trabalho.
3 Inclinado e/ou pouco suportado.
4 Inclinado, com rotação e sem apoio.
5 Em uma postura prejudicial durante o trabalho pesado.
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
Figura 31. Classificação da postura do quadril-pernas.
1 Em uma posição livre que pode ser mudada voluntariamente, realizada durante o trabalho 
sentado.
61
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
2 Em uma postura adequada, mas limitada pelo trabalho.
3 Pouco suportada, ou realizada inadequadamente em pé.
4 Em pé, em um dos pés ou de joelho, ou numa posição ortostática.
5 Em uma postura prejudicial durante o trabalho pesado.
Classificação do analista Julgamento do trabalhador
++ + – – –
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
Risco de acidente
Risco de acidente se refere a qualquer possibilidade de lesão aguda ou intoxicação 
causada pela exposição ao trabalho durante uma jornada. É determinado por meio da 
possibilidade do acidente ocorrer e sua severidade.
Roteiro de análise:
 » Familiarize-se com as estatísticas de acidente no posto de trabalho e 
entreviste o pessoal da segurança do trabalho. Pode-se também usar a 
lista de riscos abaixo, que lhe ajudará a determinar se há risco de acidente.
 » Avalie a possibilidade de ocorrência de um acidente e sua severidade e 
escolha a classificação correspondente.
Riscos mecânicos
 » Pode uma superfície, estrutura ou parte móvel da máquina, uma parte da 
mobília ou um equipamento causar explosão, ferida ou queda?
 » Podem os movimentos de deslocamento horizontal ou vertical e de 
rotação de máquinas, material ou outros equipamentos causar acidente?
62
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
 » Podem objetos em movimento ou aerodispersoides causar acidente?
 » Pode a ausência de corrimão, parapeitos, pisos escorregadios ou 
desarrumação causar quedas?
Riscos causados por falha do desenho
 » Podem os controles ou visores causar acidentes por terem sido mal 
projetados e não atenderem às características humanas?
 » Pode um dispositivo de acionamento, a falta de um dispositivo de segurança 
ou um travamento causar acidente?
Riscos relacionados à atividade do trabalhador
 » Pode uma situação de trabalho que ocorre com uma realização de grande 
esforço ou postura e movimentos inadequados causar acidente?
 » Pode a sobrecarga nas habilidades de percepção e atenção causar acidente 
(prestar especial atenção em fatores como o uso de equipamento de 
proteção pessoal, ruído, iluminação, temperatura, entre outros, que 
podem afetar a percepção do trabalhador)?
Riscos relacionados à energia e utilidades
 » A carga ou o fluxo de eletricidade, ar comprimido ou gás pode causar 
acidente?
 » A temperatura pode causar incêndio ou explosão?
 » Os agentes químicos podem causar acidente?
Risco de acidente 
O risco de acidente é:
 » Pequeno: se o trabalhador pode evitar acidentes empregando 
procedimentos normais de segurança. Ocorre não mais de um acidente a 
cada cinco anos. 
 » Médio: se o trabalhador evita o acidente seguindo instruções 
especiais e sendo mais cuidadoso e vigilante que o usual. Pode ocorrer 
um acidente por ano. 
63
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
 » Grande: se o trabalhador evita o acidente sendo extremamente cuidadoso 
e seguindo exatamente os regulamentos de segurança. O risco é aparente, 
e um acidente pode ocorrer a cada três meses. 
 » Muito grande: se o trabalhador somente pode evitar o acidente seguindo 
estritamente e precisamente os regulamentos de segurança. Pode ocorrer 
um acidente por mês.
Severidade do acidente 
A severidade do acidente é:
 » Leve: se causa não mais de um dia de afastamento.
 » Pequena: se causa menos de uma semana de afastamento.
 » Grave: se causa um mês de afastamento.
 » Gravíssima: se causa pelo menos seis meses de afastamento ou 
incapacidade permanente.
Tabela 7.
Severidade
Risco
Pequeno Médio Grande Muito grande
Leve 1 2 2 3
Pequena 2 2 3 4
Grave 2 3 4 5
Gravíssima 3 4 5 5
Classificação do analista Julgamento do trabalhador
++ + – – –
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
Conteúdo do trabalho
O conteúdo do trabalho é determinado pelo número e pela qualidade das tarefas 
individuais inclusas nas atividades do trabalho.
Deve-se seguir o seguinte roteiro para a análise:
 » Avaliar se o trabalho inclui planejamento e preparação, inspeção do produto e 
correção, manutenção e gerenciamento de materiais, além da tarefa original.
64
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
 » Usar a descrição do trabalho, se possível, com o tempo requerido para as 
tarefas individuais como uma ajuda para a análise. O tempo necessário 
para o planejamento afeta a classificação.
 » Considerar o fato de que o planejamento, a execução e a inspeção podem 
ocorrer simultaneamente nas tarefas, demandando alto nível de habilidades.
 » Considerar que, quanto melhor a descrição do conteúdo do trabalho, 
melhor a classificação.
Tabela 8.
1 O trabalhador planeja e executa todo o trabalho, inspeciona e corrige o produto ou resultado e também executa tarefas que 
envolvem reparo e gerenciamento de materiais.
2
3 O trabalhador executa apenas uma parte do trabalho.
4
5 O trabalhador é responsável por uma tarefa simples ou apenas uma operação.
Classificação do analista Julgamento do trabalhador
++ + – – –
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
Restrições no trabalho
No trabalho restrito, as condições de execução limitam os movimentos do trabalhador 
e a liberdade de escolher quando e como fazer o trabalho.
Roteiro de análise:
 » Avalie a limitação da tarefa, determinando se a organização do trabalho 
ou suas condições limitam a atividade do trabalhador ou sua liberdade de 
escolher o tempo de executar a tarefa.
 » Considere que o trabalhador pode ser limitado pela maneira que uma 
máquina ou mecanismo é usado ou pela necessidade de continuidade do 
processo. Ele também pode ser limitado pelo fato de que, em uma etapa 
particular do trabalho, outros trabalhadores determinam o tempo de 
execução ou a forma de trabalho.
 » Se o trabalho é feito em grupo, leve em consideração as possibilidades de 
o grupo regular as limitações de cada trabalhador.
65
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
Tabela 9.
1 As exigências das máquinas, processos, métodos de produção não limitam o trabalho.
2
3 Há ocasionalmente certas limitações no trabalho e exige um certo tempo de concentração.
4
5 O trabalho é completamente limitado por máquinas, processos ou trabalho em grupo.
Classificação do analista Julgamento do trabalhador
++ + – – –
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
Comunicação entre trabalhadores econtatos pessoais
Refere-se às oportunidades que os trabalhadores têm de comunicação sobre o trabalho 
com seus superiores ou colegas.
Para analisar:
 » Determine o grau de isolamento avaliando as oportunidades diretas 
e indiretas de comunicação com outros trabalhadores ou superiores. 
A comunicação visual não é suficiente para eliminar o isolamento quando, 
por exemplo, há muito ruído no local de trabalho.
Tabela 10.
1 Existe uma preocupação em fazer com que a comunicação e os contatos entre os trabalhadores sejam possíveis.
2
3
A comunicação é possível durante o dia de trabalho, mas ela é claramente limitada pela localização do posto, presença de 
ruído ou necessidade de concentração.
4
5
A comunicação e o contato são completamente limitados durante o turno de trabalho. Por exemplo, o trabalhador trabalha 
sozinho, a distância ou está isolado.
Classificação do analista Julgamento do trabalhador
++ + – – –
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
Tomada de decisão
A dificuldade de tomada de decisões é influenciada pelo grau de disponibilidade de 
informação e do risco envolvido na decisão.
66
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
Roteiro de análise:
 » Determine a complexidade de conexão entre a disponibilidade de 
informação e a ação do trabalhador.
 » A conexão deve ser simples e clara como quando a informação recebida 
é composta apenas de um indicador. Por exemplo, uma luz piscando é a 
informação para desligar uma máquina.
 » A conexão pode também ser complicada, requerer a formação de uma 
atividade modelo e a comparação entre ações alternativas.
Tabela 11.
1 O trabalho é composto por tarefas que têm informações claras e não ambíguas.
2
O trabalho é composto por tarefas que incluem informações, de forma que a 
comparação entre possíveis alternativas seja feita e a escolha dos modelos de atividade 
seja fácil.
3
O trabalho é composto por tarefas complicadas com várias alternativas de solução, 
sem possibilidade de comparação. É necessário que o trabalhador monitore seus 
próprios resultados.
4
O trabalhador tem que fazer muitas escolhas sem informações suficientemente claras, 
para basear sua escolha. Uma decisão errada cria a necessidade de correção da 
atividade e do produto, ou cria sérios riscos pessoais.
5
O trabalho envolve vários conjuntos de instruções, visores ou máquinas, e as 
informações podem conter erros. Uma decisão errada pode ocasionar risco de 
acidente, parada na produção ou perda de material.
Classificação do analista Julgamento do trabalhador
++ + – – –
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
Repetitividade do trabalho
A repetitividade do trabalho é determinada pela duração média de um ciclo de trabalho 
repetitivo, sendo medida do começo ao fim desse ciclo. A repetitividade pode ser avaliada 
somente naqueles trabalhos em que a tarefa é continuamente repetida, relativamente, 
do mesmo modo. Esse tipo de trabalho é encontrado na produção seriada ou, por 
exemplo, em tarefas de empacotamento e embalamento.
Roteiro de análise:
 » Avalie a repetitividade, determinando a duração do ciclo repetitivo. 
Determine a duração medindo as tarefas que são inteiramente ou quase 
inteiramente iguais, do começo de um ciclo para o começo do próximo.
67
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
Tabela 12. Duração do ciclo.
1 Acima de 30 minutos
2 De 10 a 30 minutos
3 De 5 a 10 minutos
4 De 30 segundos a 5 minutos
5 Abaixo de 30 segundos
Classificação do analista Julgamento do trabalhador
++ + – – –
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
Atenção
Atenção compreende todo o cuidado e observação que um trabalhador deve atribuir 
para seu trabalho, instrumentos, máquinas, visores, processos etc. A demanda de 
atenção é avaliada pela relação entre a duração da observação e o grau de atenção 
necessário.
Para analisar:
 » Determine a atenção demandada pelo trabalho a partir do tempo que o 
trabalhador leva para realizar a observação e o grau de atenção requerido.
 » Determine a duração de um período de tempo em observação alerta, em 
relação ao tempo completo do ciclo.
 » Determine o grau de atenção, pela estimativa da atenção envolvida na 
tarefa, comparando-a com exemplos dados.
 » O nível de atenção demandada pelo trabalho é a média das classificações.
Tabela 13. Período de observação.
% da duração do ciclo
1 Menor que 30%
2 De 30 a 60%
3 De 60 a 80%
4 Maior que 80%
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
68
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
Tabela 14. Demanda por atenção.
Demanda de Atenção
Exemplos
Indústria do metal Trabalhadores de escritório
1 Superficial Manuseio de materiais Carimbar papéis
2 Médio Posicionar um elemento com um padrão Datilografar
3 Grande Trabalho de montagem Revisão de provas
4 Muito grande Usar instrumentos de ajuste e mensuração Desenhar mapas
Classificação do analista Julgamento do trabalhador
++ + – – –
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
Iluminação
As condições de iluminação de um local de trabalho são avaliadas de acordo com o 
tipo de trabalho. Para tarefas que requerem acuidade visual normal, o iluminamento é 
medido e o grau de ofuscamento é avaliado por observação. Para tarefas que requerem 
alta acuidade visual, se possível, medem-se as diferenças de iluminamento.
Roteiro para medições:
Se o trabalho demanda acuidade visual normal:
 » Meça o iluminamento do local de trabalho com um luxímetro.
 » Calcule a porcentagem de iluminamento, comparando com o que é 
recomendado para o local de trabalho: 
100 x valor medido – valor recomendado.
 » Determine a quantidade de ofuscamento observando se há ou não 
luz clara/radiante, superfícies refletoras ou escuras e também áreas 
brilhantes, que forneçam grande quantidade de iluminamento por todos 
os lados na área de visão.
 » Compare as taxas determinadas para iluminamento e ofuscamento. A 
taxa insatisfatória reflete as condições de iluminamento para todo o local 
de trabalho.
Se o trabalho demanda alta acuidade visual, meça:
 » iluminamento do objeto visado;
69
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
 » iluminamento imediatamente adjacente;
 » iluminamento médio das partes mais escuras das superfícies no campo 
visual;
 » iluminamento das partes mais claras das superfícies no campo visual.
Trabalho que requer acuidade visual normal:
Tabela 15.
Iluminamento
% de valor recomendado
Ofuscamento
1 100% 1 sem ofuscamento
2 50 – 100% 2 sem ofuscamento
3 10 – 50 % 3 algum ofuscamento 
4 Menos que 10% 4 muito ofuscamento
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
Ambiente térmico
Os efeitos térmicos no ambiente de trabalho são distribuídos por todos os postos de 
trabalho. Nos trabalhos ou locais com radiação térmica, ou períodos prolongados com 
temperaturas que continuamente ultrapassam 28° C, a classificação da carga térmica é 
baseada no índice de IBUTG (Índice de Bulbo Úmido Natural, Termômetro de Globo) 
normatizado pela ISO 7243 (Norma Brasileira, NR–15, anexo 3, MTb). A carga de calor 
e os riscos causados pelas condições térmicas dependem do efeito combinado de fatores 
ambientais, tais como: temperatura do ar, umidade do ar, velocidade do ar, radiação 
térmica;do tipo de atividade ou carga de trabalho; e do tipo de vestimenta usada.
Roteiro para medições:
 » Meça a temperatura do ar no posto de trabalho, na altura da cabeça e do 
tornozelo do trabalhador. Para trabalhadores que se movimentam por 
vários locais durante a jornada, meça a temperatura do ar a 1 metro de 
distância das paredes opostas do local de trabalho e também no centro da 
edificação. Essas medidas de temperatura devem ser feitas a alturas de 10 
a 170 cm do piso.
 » Compare a média dos valores obtidos com os valores da tabela anexa, de 
acordo com o tipo de trabalho.
 » Estime o efeito da vestimenta usada pelo trabalhador. Os valores na 
tabela são para pessoas trabalhando em ambientes internos utilizando 
70
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
roupas leves. A classificação dos valores pode aumentar ou diminuir em 
relação aos valores de referência, dependendo do tipo de roupa usada.
 » Medir ou estimar a velocidade do ar e a umidade relativa. Em situações 
de temperaturas elevadas com alta umidade ou situações de baixas 
temperaturas com alta velocidade do ar, a classificação a partir dos 
valores da tabela deve ser acrescida de um nível.
Tabela 16. Velocidade do ar e umidade relativa de condições técnicas semelhantes.
Velocidade do ar m/s Umidade relativa
Trabalho leve Menor que 0,5 20 a 50%
Trabalho moderado 0,2 a 0,5 20 a 50%
Trabalho pesado 0,3 a 0,7 20 a 50%
Trabalho muito pesado 0,4 a 1,0 20 a 50%
Classificação do analista Julgamento do trabalhador
++ + – – –
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
Ruído
A classificação do ruído é obtida em função do tipo de trabalho executado. Existe um 
potencial de risco de dano à audição quando o ruído for maior que 80 dB(A). O uso de 
protetor auricular é então recomendado.
71
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
Nas situações de trabalho em que há necessidade de comunicação verbal, as pessoas 
precisam estar aptas para conversar entre si, para gerenciar ou executar o trabalho.
Nas situações que requerem concentração, o trabalhador deve raciocinar, tomar 
decisões, usar continuamente sua memória e estar concentrado.
Roteiro para medições:
 » Medir ou estimar o nível de ruído nas condições normais de ruído do 
ambiente. Os exemplos a seguir ajudam na estimativa dos níveis de ruído, 
para comparações:
Tabela 17.
DB(A) Exemplos DB(A) Exemplos
Aprox. 
130
Avião a jato 65 Barulho de conversas em escritórios
110 Máquinas de perfurar rochas 55 Salas de controle
100 Metalúrgicas pesadas 45 Pequeno escritório doméstico
85 Estampagens, tornos 10 Sala isolada acusticamente
75 Datilografia, cabine de caminhão 0 Limiar de audição
Trabalho que não requer 
comunicação verbal
Trabalho que requer 
comunicação verbal
Trabalho que requer 
concentração
1 Abaixo de 60dB (A) Abaixo de 50 dB (A) Abaixo de 45 dB (A)
2 60-70 dB (A) 50-60 dB (A) 45-55 dB (A)
3 70-80 dB (A) 60-70 dB (A) 55-65 dB (A)
4 80-90 dB (A) 70-80 dB (A) 65-75 dB (A)
5 Acima de 90 dB (A) Acima de 80 dB (A) Acima de 75 dB (A)
Classificação do analista Julgamento do trabalhador
++ + – – –
Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>.
O quadro de respostas do protocolo Análise Ergonômica de Trabalho encontra-se no 
Anexo IV, disponível na biblioteca da disciplina.
72
CAPÍTULO 6
Estabelecendo limites de carga para o 
manuseio de peso – equação do NIOSH 
(National Institute of Occupational 
Safety and Health)
Essa equação foi desenvolvida para auxiliar no planejamento e na avaliação de 
tarefas de levantamento manual, levando em consideração critérios biomecânicos, 
fisiológicos e psicofísicos. A primeira versão dessa equação foi desenvolvida em 
1981. Posteriormente, em 1991, foi proposta a segunda versão, incluindo a avaliação 
de manuseios assimétricos e tipos de pegas, quando foi fornecida uma tabela mais 
abrangente prevendo durações e frequências dos manuseios.
Cabe lembrar que a aplicação dessa equação é limitada às condições em que ocorre o 
levantamento e/ou abaixamento de cargas, usando-se as duas mãos.
Ela não deve ser aplicada nas situações em que:
 » os manuseios sejam realizados com apenas uma mão;
 » a tarefa tenha duração maior que 8 horas diárias;
 » as cargas manuseadas sejam muito quentes ou muito frias;
 » o manuseio ocorra na posição sentada ou ajoelhada;
 » a situação apresente risco de quedas ou escorregões;
 » o manuseio ocorra em local com espaços muito restritos;
 » o objeto manuseado seja muito instável;
 » ocorra levantamento/abaixamento associado a carregar, puxar e 
empurrar;
 » o manuseio tenha auxílio de pás e carriolas;
 » o manuseio seja realizado de forma muito rápida.
Para as situações nas quais a equação não possa ser aplicada, recomenda-se o uso 
de instrumentos de avaliação ergonômica mais abrangentes, de forma a captar a 
complexidade da situação de trabalho avaliada.
73
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
Os autores afirmam que o método ainda requer validação para que se possa determinar 
a efetividade desse instrumento em reduzir os índices de morbidade associados ao 
manuseio de cargas. No entanto, essa ferramenta é útil e pode ser utilizada em conjunto 
com a NR–17, a fim de verificar a adequação da tarefa de manuseio às características do 
trabalhador e à natureza do trabalho.
A equação do NIOSH é baseada em um modelo multiplicativo, que fornece uma 
ponderação de seis variáveis relacionadas à tarefa. A ponderação é expressa por meio de 
coeficientes que diminuem a constante de carga (valor máximo que pode ser manuseado 
sob condições ideais: 23 kg).
A seguir, apresentaremos a equação e descreveremos cada item (fator multiplicativo) 
utilizado na fórmula.
Massa limite recomendada (RWL)
É o resultado da aplicação da equação do NIOSH. É definida para cada tarefa e 
determinada a partir da combinação de diversos fatores, sendo considerada uma carga 
que os trabalhadores saudáveis podem manusear por longos períodos de tempo (até 8 
horas) sem risco de desenvolver problemas lombares.
RWL = LC x HM x VM x DM x AM x FM x CM
Constante de carga (LC)
A constante de carga é um valor de referência da equação, estabelecido em 23 kg (51 lbs), 
que é a carga máxima permitida para manuseio em condições ideais. Essa constante 
representa um valor seguro para 99% dos homens e 75% das mulheres assintomáticos, 
considerando os limites de segurança para a força de compressão intradiscal. 
Por condições ideais de manuseio entende-se: manuseio sem rotação do tronco, a 75 
cm do solo, com deslocamento de 25 cm da carga, com o trabalhador segurando a carga 
próxima ao corpo (25 cm).
Fator multiplicador da distância horizontal (HM)
A distância horizontal (H) é medida entre a massa manuseada e o corpo do trabalhador. 
Quanto maior essa distância, maior o torque a ser gerado pelos músculos extensores do 
tronco para se contrapor à ação da gravidade agindo sobre a carga manuseada e menor 
será o valor da massa limite recomendada. Por isso, uma forma muito recomendada 
para diminuir a sobrecarga durante o manuseio é aproximar a carga do corpo. Já o fator 
multiplicador da distância horizontal (HM) é dado por: HM = 25/H.
74
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
Fator multiplicador da distância vertical (VM)
A distância vertical (V) é medida entre a carga e o solo no início do levantamento. O 
fator multiplicador (VM) é dado por:
VM = 1 – (0,003/V- 75)
Assim,quanto menor a distância vertical no início do manuseio, menor o RWL, já que o 
risco de ocorrer lesão é maior quando a carga estiver mais próxima do chão, o que exige 
maior flexão do tronco.
Figura 32. Distâncias vertical (V) e horizontal (H) a serem consideradas na equação.
Fonte: Niosh, 1994 apud Waters et al., 1994.
Fator multiplicador da distância percorrida (DM)
A distância percorrida é dada pela subtração da distância vertical final e inicial, ou seja, 
é o deslocamento da carga no eixo vertical. O fator multiplicador é dado por:
DM = 0,82 + (4,5/D)
75
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
Quanto maior a distância percorrida, maior a demanda fisiológica para a execução da 
tarefa e menor o limite recomendado.
Fator multiplicador da assimetria do tronco (AM)
A assimetria do tronco indica o ângulo de rotação do tronco em relação à base de apoio. 
A Figura 33 ilustra como obter esse ângulo.
Figura 33. Planos anatômicos e ilustração de exemplo de rotação corporal.
Fonte: Niosh, 1994 apud Waters et al., 1994.
O fator multiplicador da assimetria é dado por:
AM = 1 – (0,0032 X A)
Os manuseios assimétricos diminuem o limite máximo recomendado por aumentar a 
sobrecarga na coluna vertebral, devido à maior magnitude das forças de cisalhamento.
Fator multiplicador da frequência (FM)
A frequência de levantamentos é dada pelo número de manuseios realizados por minuto, 
que pode variar de menos de 0,2 a mais de 15, o valor máximo considerado.
76
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
Porém, o fator multiplicador de frequência depende da frequência de manuseios, da 
duração da tarefa e da distância vertical do levantamento (V). Esse fator é obtido por 
meio do cruzamento de informações conforme a Tabela 18.
Tabela 18. Parâmetros da tarefa e respectivos fatores multiplicadores
Freq. 
levant./
min
Duração do trabalho
< 1 hora 1 a 2 horas 2 a 8 horas
V < 75 V > 75 V < 75 V > 75 V < 75 V > 75
< 0,2 1.00 1.00 .95 .95 .85 .85
0,5 .97 .97 .92 .92 .81 .81
1 .94 .94 .88 .88 .75 .75
2 .91 .91 .84 .84 .65 .65
3 .88 .88 .79 .79 .55 .55
4 .84 .84 .72 .72 .45 .45
5 .80 .80 .60 .60 .35 .35
6 .75 .75 .50 .50 .27 .27
7 .70 .70 .42 .42 .22 .22
8 .60 .60 .35 .35 .18 .18
9 .52 .52 .30 .30 .00 .15
10 .45 .45 .26 .26 .00 .13
11 .41 .41 .00 .23 .00 .00
12 .37 .37 .00 .21 .00 .00
13 .00 .34 .00 .00 .00 .00
14 .00 .31 .00 .00 .00 .00
15 .00 .28 .00 .00 .00 .00
> 15 .00 .00 .00 .00 .00 .00
Fonte: Niosh, 1994 apud Waters et al., 1994.
Fator multiplicador da pega (CM)
O tipo de pega realizada pelo trabalhador pode ser classificado em bom, moderado ou 
pobre. Para determinar o tipo de pega, devem ser considerados os aspectos e as escolhas 
apresentados na Figura 34.
77
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
Figura 34. Aspectos a serem considerados e suas respectivas avaliações (árvore de decisões) para a classificação 
da qualidade da pega.
Fonte: Niosh, 1994 apud Waters et al., 1994.
O fator multiplicador da pega depende do tipo de pega e da distância vertical do 
manuseio, conforme a Tabela 19.
Tabela 19. Estabelecimento do multiplicador em função do tipo de pega e da distância vertical percorrida (V).
Tipos da pega
Multiplicador de pega
V < 75cm V > 75cm
Bom 1,00 1,00
Moderado 0,95 1,00
Pobre 0,90 0,90
Fonte: Niosh, 1994 apud Waters et al., 1994.
A partir do cálculo do RWL, obtém-se o índice de levantamento (lifting index – LI), dado 
pela razão entre a massa do objeto que é efetivamente manuseada e a massa calculada 
na equação como limite recomendado (RWL – limite seguro). Assim, quanto maior o 
LI, maior o risco de ocorrência de problemas lombares devido ao manuseio de cargas:
Índice de Levantamento =
Massa manuseada
Massa Limite Recomendado (RWL)
O protocolo para aplicação da equação do NIOSH está apresentado no Anexo V, 
disponível na biblioteca da disciplina.
78
CAPÍTULO 7
Protocolo de Registro Postural OWAS 
(Ovako Working Posture Analysing System)
O método OWAS é um modelo simples para o registro e a análise de posturas corporais 
em situação ocupacional. Por esse modelo, é possível realizar de maneira relativamente 
rápida a análise de um grande número de posturas para a identificação das mais críticas. 
A identificação dessas posturas extremas envolvendo grande sobrecarga para o corpo 
permite que elas possam ser corrigidas, reduzindo-se assim os riscos de lesão.
As posturas observadas diretamente no local de trabalho ou a partir de filmagens 
prévias são registradas em uma ficha de registro. Para estudar esses registros, o corpo 
é dividido em segmentos: costas, membros superiores (braços) e membros inferiores 
(pernas). Para registrar a posição de cada um desses segmentos, existe um “menu” de 
possíveis posturas adotadas por cada parte do corpo. 
Cada uma das posições possíveis tem um número por convenção que a representa, 
facilitando assim o registro. Então, por exemplo, para o tronco (coluna) existem quatro 
possíveis posições: 
 » ereto (1); 
 » fletido anteriormente (2); 
 » ereto e rodado ou lateralizado (3) e 
 » fletido e rodado ou lateralizado (4). 
Para os membros superiores, temos três possíveis posturas adotadas: 
 » braços abaixo do nível do ombro (1); 
 » um braço acima e um abaixo do nível do ombro (2) e 
 » os dois braços acima do nível do ombro (3). 
Por fim, os membros inferiores foram classificados em sete diferentes posturas: 
 » sentado (1); 
 » em pé, apoio bilateral, joelhos estendidos (2); 
 » em pé, apoio unilateral, joelho estendido (3); 
 » em pé ou agachado, apoio bilateral, joelhos fletidos (4); 
 » em pé ou agachado, apoio unilateral, joelhos fletidos (5); 
79
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
 » ajoelhado em um ou ambos os joelhos (6) ou 
 » andando ou se movimentando (7). 
Após a análise das posturas dos três segmentos (tronco, membros superiores e 
inferiores), devemos fazer a classificação da carga: 
 » (1) menor ou igual a 10kg; 
 » (2) entre 10 e 20kg; 
 » (3) maior que 20kg.
Um exemplo de aplicação é apresentado a seguir. O trabalhador está realizando a tarefa 
de texturização de uma parede com massa corrida.
Classificação da postura das costas (tronco):
Figura 35. Trabalhador realizando texturização em uma parede.
Fonte: adaptada pelo autor.
Classificação dos membros superiores
Figura 36. Trabalhador realizando texturização em uma parede. Membro superior direito acima do nível do ombro 
e membro superior esquerdo abaixo do nível do ombro.
 
Fonte: adaptada pelo autor.
80
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
Tenha cuidado na avaliação do membro superior. Algumas vezes, a flexão 
do tronco pode dificultar a avaliação do membro superior, fazendo com que 
o avaliador acredite que o membro superior está abaixo do nível do ombro, 
mas, na verdade, ele está acima!
Classificação dos membros inferiores
Figura 37. Trabalhador realizando texturização em uma parede. Trabalhador em pé ou agachado, apoio 
bilateral, joelhos fletidos. 
Fonte: adaptada pelo autor.
Lembre-se, só iremos considerar que o trabalhador está ajoelhado (6) quando 
os joelhos estão apoiados na superfície (chão).
Classificação da carga
Figura 38. Trabalhador realizando texturização em uma parede.
 
Fonte: adaptada pelo autor.
81
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS│ UNIDADE II
Após classificar a postura (tronco, membros superiores e inferiores) e a carga da tarefa 
analisada, devemos cruzar essas informações em uma tabela para chegarmos a um nível 
de ação proposto pelo protocolo, como apresentado na Tabela 20.
O cruzamento das informações de postura e carga analisadas previamente nos permitiu 
encontrar uma pontuação final “4” do protocolo OWAS, de acordo com o apresentado 
na Tabela 20. Essa pontuação significa que o esforço para a execução da tarefa é 
extremamente prejudicial e deve receber atenção imediata.
Os níveis de ação do protocolo OWAS variam de 1 a 4 e são apresentados a seguir:
 » Nível 1: Esforço normal, não requer intervenção.
 » Nível 2: Esforço levemente prejudicial, deve receber atenção no futuro.
 » Nível 3: Esforço claramente prejudicial, deve receber intervenção assim 
que for possível.
 » Nível 4: Esforço extremamente prejudicial, deve receber intervenção 
imediatamente.
Tabela 20. Tabela para o cruzamento das informações de postura do tronco, membros superiores (MMSS) e 
membros inferiores (MMII) com a carga para a atividade analisada. O cruzamento das informações nos permitirá 
alcançar a pontuação final do protocolo OWAS. Essa pontuação indicará o nível de ação recomendada para a 
situação avaliada.
Tronco MMSS
MMII
1 2 3 4 5 6 7
Carga
1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3
1
1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1
2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1
3 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 3 2 2 3 1 1 1 1 1 2
2
1 2 2 3 2 2 3 2 2 3 3 3 3 3 3 3 2 2 2 2 3 3
2 2 2 3 2 2 3 2 2 3 3 4 4 3 4 4 3 3 4 2 3 4
3 3 3 4 2 2 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 2 3 4
3
1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 3 3 3 4 4 4 1 1 1 1 1 1
2 2 2 3 1 1 1 1 1 2 4 4 4 4 4 4 3 3 3 1 1 1
3 2 2 3 1 1 1 2 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 1 1 1
4
1 2 3 3 2 2 3 2 2 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 2 3 4
2 3 3 4 2 3 4 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 2 3 4
3 4 4 4 2 3 4 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 2 3 4
Fonte: <https://www.faac.unesp.br/Home/Pos-Graduacao/MestradoeDoutorado/Design/Dissertacoes/joellen-ligeiro.pdf>.
82
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
Dessa forma, o protocolo OWAS indica o grau de esforço requerido para a realização 
da tarefa e a necessidade de intervenção para minimizar a sobrecarga ao trabalhador.
Não se esqueça que o OWAS é um protocolo de avaliação da postura de 
atividades consideradas mais pesadas, ou seja, que exigem grande esforço físico 
do trabalhador para sua realização.
Para aplicar o protocolo, devemos avaliar uma determinada postura. Como 
selecionar a postura que deve ser avaliada?
A seleção da postura a ser avaliada depende de cada situação de trabalho. De maneira 
geral, optamos pela avaliação da postura mantida pelo trabalhador por um grande 
período do turno de trabalho, ou avaliamos aquela condição na qual o trabalhador está 
exposto a maior sobrecarga. Não se esqueça de que a aplicação do protocolo OWAS é 
realizada para uma postura selecionada, ou seja, condição estática.
A ficha de aplicação do protocolo OWAS é apresentada no Anexo VI, disponível na 
biblioteca da disciplina.
83
CAPÍTULO 8
Protocolo de Registro Postural RULA 
(Rapid Upper Limb Assessment)
O protocolo de registro postural RULA (em português, Avaliação Rápida dos Membros 
Superiores) tem por objetivo analisar principalmente a sobrecarga concentrada no 
pescoço e membros superiores, geralmente presente no trabalho sedentário.
Esse procedimento utiliza diagramas para facilitar a identificação das possíveis 
amplitudes de movimento das articulações de interesse. As posições de cada segmento 
são pontuadas e transpostas para três tabelas, dependendo da região do corpo, para 
avaliar a exposição aos fatores de risco. Além das amplitudes de movimento, o método 
também avalia o trabalho muscular estático e as forças exercidas pelos segmentos 
em análise.
Para facilitar o registro, o corpo foi dividido em segmentos formando dois grupos: 
A e B. O membro superior, formado pelos braços, antebraços e punhos, compõe o grupo A. 
O grupo B é formado por pescoço, tronco e pernas. O movimento de cada articulação a 
ser registrada foi dividido em sessões numeradas, de forma que o número 1 representa 
o movimento ou a postura que apresenta risco mínimo, enquanto os números maiores, 
em ordem progressiva, representam maiores chances de exposição das estruturas 
corporais a cargas musculoesqueléticas. Os autores realizaram uma extensa revisão 
literária para o estabelecimento de critérios para avaliar as posturas e pontuar as 
amplitudes de movimento. As pontuações das amplitudes de movimento do membro 
superior, do membro inferior, da flexo-extensão e prono-supinação do punho são 
apresentadas nas ilustrações abaixo.
A pontuação do ombro é apresentada na Figura 39. Além da pontuação apresentada 
para cada uma das posturas, não devemos esquecer que, se o ombro estiver 
elevado, devemos acrescentar 1 ponto no escore final dessa articulação, o mesmo 
procedimento deve ser adotado se o ombro estiver abduzido. Contudo, se o ombro 
estiver apoiado, ou seja, se a sobrecarga na articulação estiver sendo minimizada pelo 
fato de os braços estarem apoiados, devemos subtrair um ponto da pontuação final 
do ombro.
84
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
Figura 39. Pontuação para o ombro de acordo com as posturas adotadas. (1) Flexão ou extensão do ombro até 
uma amplitude de 20°; (2) Extensão do ombro acima de 20° ou flexão do ombro entre 20 e 45°; (3) Flexão do 
ombro acima entre 45 e 90°; (4) Flexão do ombro acima de 90°.
Fonte: <http://www.rula.co.uk/index.html>.
A articulação a ser avaliada a seguir é o antebraço (Figura 40). Assim como para os 
ombros, a pontuação final do antebraço é acrescida de um ponto quando os cotovelos 
se afastam ou se aproximam da postura neutra.
Figura 40. Pontuação para o cotovelo de acordo com as posturas adotadas. (1) Flexo-extensão do cotovelo 
numa amplitude entre 60° e 100°; (2) Flexo-extensão do cotovelo numa amplitude entre 0° e 60° ou maior que 
100°. Um ponto deve ser adicionado à pontuação final se ocorre afastamento ou cruzamento da linha média do 
cotovelo.
Fonte: <http://www.rula.co.uk/index.html>.
A última articulação a ser avaliada para o diagrama A é o punho. A pontuação do punho 
varia de 1 a 3 pontos, de acordo com a postura adotada, e ainda por ser acrescida de 
mais um ponto se a articulação apresentar desvio ulnar ou radial (Figura 41).
Figura 41. Pontuação para o punho de acordo com as posturas adotadas. (1) Postura neutra; (2) Amplitude média 
de flexoextensão do punho, entre 15° de flexão e 15° de extensão; (3) Acima de 15° de flexão ou extensão. Um 
ponto deve ser acrescentado ao escore final se o punho apresentar desvio radial ou ulnar.
Fonte: <http://www.rula.co.uk/index.html>.
85
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
Ainda devemos avaliar a rotação do punho (Figura 42), ou seja, se o punho está em 
amplitude média de rotação (1) ou se o punho estiver pronado ou supinado (2).
Figura 42. Pontuação para a rotação do punho. (1) Punho em amplitude média de rotação; (2) Punho pronado 
ou supinado.
Fonte: <http://www.rula.co.uk/index.html>.
Para calcular a pontuação parcial do grupo A, é necessário consultar a Tabela 21, 
conforme descrito a seguir. Primeiro, identifique o número registrado para o ombro no 
lado esquerdo da Tabela 21, então, identifique o número registrado para o antebraço na 
segunda coluna da Tabela 21. Siga a linha da pontuação identificada para o antebraço 
até essa cruzar com o número que representa a postura do punho, que podeser 1, 2, 3 
ou 4, em sua respectiva coluna. Finalmente, verifique a pontuação obtida para a rotação 
do punho. Seguindo a coluna da rotação do punho, será encontrado um único valor 
para a combinação dos quatro elementos registrados para o grupo A.
Tabela 21. Pontuação considerando posição e rotação de punho, posição de ombro e antebraço.
Ombro Antebraço
Posição do punho
1 2 3 4
Rotação Rotação Rotação Rotação
1 2 1 2 1 2 1 2
1
1 1 2 2 2 2 3 3 3
2 2 2 2 2 3 3 3 3
3 2 3 3 3 3 3 4 4
2
1 2 3 3 3 3 4 4 4
2 3 3 3 3 3 4 4 4
3 3 4 4 4 4 4 5 5
3
1 3 3 4 4 4 4 5 5
2 3 4 4 4 4 4 5 5
3 4 4 4 4 4 5 5 5
4
1 4 4 4 4 4 5 5 5
2 4 4 4 4 4 5 5 5
3 4 4 4 5 5 5 6 6
5
1 5 5 5 5 5 6 6 7
2 5 6 6 6 6 7 7 7
3 6 6 6 7 7 7 7 8
6
1 7 7 7 7 7 8 8 9
2 8 8 8 8 8 9 9 9
3 9 9 9 9 9 9 9 9
Fonte: Adaptada de <http://www.rula.co.uk/index.html>.
86
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
Após avaliar os segmentos do grupo A, devemos analisar as posturas dos segmentos do 
grupo B (pescoço, tronco e membros inferiores). A avaliação da postura do pescoço é 
apresentada a seguir.
Figura 43. Classificação das posturas do pescoço. (1) Flexão do pescoço entre 0° e 10°; (2) Flexão do pescoço 
entre 10° e 20°; Flexão do pescoço acima de 20°; (4) Qualquer amplitude extensão do pescoço. A pontuação 
final da postura deve ser acrescida de um ponto se o trabalhador estiver com o pescoço inclinado, da mesma 
forma mais um ponto deve ser adicionado se o trabalhador estiver com o pescoço rodado.
Fonte: <http://www.rula.co.uk/index.html>.
Após avaliar a postura do pescoço, o segmento a ser analisado é o tronco. A Figura 44 
apresenta a pontuação para cada uma das faixas de amplitude avaliadas pelo protocolo.
Figura 44. Classificação das posturas do tronco. (1) Tronco ereto; (2) Flexão do tronco entre 0° e 20°; (3) Flexão do 
tronco entre 20° e 60°; (4) Flexão do tronco acima de 60°. Um ponto deve ser adicionado à pontuação final se o 
tronco estiver rodado, da mesma forma, mais um ponto deve ser adicionado se o tronco estiver inclinado.
Fonte: <http://www.rula.co.uk/index.html>.
87
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
O último segmento a ser avaliado no grupo B são os membros inferiores (Figura 45).
Figura 45. Classificação da descarga de peso dos membros inferiores. (1) Descarga de peso igualmente 
distribuída entre as pernas; (2) Descarga de peso não igualmente distribuída entre os membros inferiores.
Fonte: <http://www.rula.co.uk/index.html>.
Para calcular a pontuação parcial do grupo B, é necessário consultar a Tabela 22, 
conforme descrito a seguir. Primeiro, identifique o número registrado para o tronco 
acima da tabela. Então, identifique o número registrado para os membros inferiores 
(1 ou 2) na segunda coluna da tabela. Siga a linha da pontuação identificada para os 
membros inferiores até essa cruzar com o número que representa a postura do pescoço, 
que pode variar de 1 a 6, em sua respectiva coluna. O valor encontrado para a combinação 
dos três elementos registrados é a parcial para o grupo B.
Em seguida, para continuar a avaliação do protocolo, deve-se avaliar o trabalho 
muscular e a força exercida por esse indivíduo. Com relação ao trabalho muscular, 
atribui-se 1 ponto se a tarefa analisada envolver contrações musculares (por exemplo, 
apreensão de objetos, pressionamento de botões etc.) mantidas por períodos maiores 
que 1 minuto e 0 (zero) ponto quando envolver trabalhos musculares por tempos 
menores. Da mesma forma, atribui-se 1 ponto se a tarefa analisada for repetida por 
pelo menos 4 vezes por minuto.
Tabela 22. Pontuação individual de cada segmento do grupo B (pescoço, tronco e membros inferiores).
Pescoço
Tronco
1 2 3 4 5 6
MMII MMII MMII MMII MMII MMII
1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2
1 1 3 2 3 3 4 5 5 6 6 7 7
2 2 3 2 3 4 5 5 5 6 7 7 7
3 3 3 3 4 4 5 5 6 6 7 7 7
4 5 5 5 6 6 7 7 7 7 7 8 8
5 7 7 7 7 7 8 8 8 8 8 8 8
6 8 8 8 8 8 8 8 9 9 9 9 9
Fonte: Adaptada de <http://www.rula.co.uk/index.html>.
88
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
Para avaliar a força exercida, utiliza-se o seguinte critério para pontuação:
 » 0 (zero) = carga intermitente ou força menor que 2 kg;
 » 1 = carga intermitente ou força de 2 a 10 kg;
 » 2 = repetição ou carga estática e forças de 2 a 10 kg;
 » 2 = carga intermitente ou forças maiores que 10 kg;
 » 3 = repetição ou carga estática e forças maiores que 10 kg;
 » 3 = carga ou força de qualquer magnitude com aceleração do movimento 
ou ação de sacudir/dar solavancos.
Após a classificação das posturas dos grupos A e B, assim como do trabalho muscular e 
da carga, devemos adicionar a pontuação do trabalho muscular e da carga à pontuação 
da postura de cada um dos grupos, como apresentado abaixo:
Pontuação final da postura do grupo A:
+
Pontuação do trabalho muscular:
+
Pontuação da carga:
=
Pontuação final do grupo A
Da mesma forma, a pontuação do trabalho muscular e da carga deve ser adicionada ao 
escore de postura do grupo B, como demonstrado abaixo:
Pontuação final da postura do grupo B:
+
Pontuação do trabalho muscular:
+
Pontuação da carga:
=
Pontuação final do grupo B
Finalmente, as pontuações finais A e B são cruzadas na Tabela 23, que integra as 
contribuições de todos os segmentos e modificantes para fornecer a “Pontuação 
Geral”. A Tabela 23 é consultada inserindo-se o valor obtido para a pontuação final 
B (em colunas) e pontuação final A (em linhas). A pontuação final é então inserida no 
Protocolo de Pontuação do RULA, o que permite a classificação da situação registrada 
em uma das quatro possíveis categorias de ação.
89
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
Tabela 23. Possíveis pontuações finais dos grupos para calcular a pontuação geral.
Grupo B
Gr
up
o 
A
1 2 3 4 5 6 7+
1 1 2 3 3 4 5 5
2 2 2 3 4 4 5 5
3 3 3 3 4 4 5 6
4 3 3 3 4 5 6 6
5 4 4 4 5 6 7 7
6 4 4 5 6 6 7 7
7 5 5 6 6 7 7 7
8 5 5 6 7 7 7 7
Fonte: Adaptada de <http://www.rula.co.uk/index.html>.
De acordo com o valor obtido na pontuação geral, a situação analisada irá requerer 
diferentes níveis de atenção para o controle de riscos, conforme a Tabela 24.
Tabela 24. Níveis de ação para controle de riscos propostos pelo protocolo RULA.
1 ou 2 Postura aceitável se não mantida ou repetitiva.
3 ou 4 Requer investigação adicional – medidas de controle podem ser necessárias.
5 ou 6 Requer investigação adicional – medidas de controle são necessárias brevemente.
7 Requer investigação e medidas de controle imediatamente.
Fonte: <http://www.rula.co.uk/index.html>.
O procedimento RULA foi cuidadosamente planejado para fornecer um sistema de 
classificação útil para avaliar as posturas de trabalho rapidamente. O protocolo é 
aplicável quando um grande número de posturas e situações precisam ser analisadas. 
Após identificar as posturas mais críticas, pode ser necessária uma análise adicional, 
utilizando métodos mais específicos. Conforme os autores enfatizam, o corpo humano 
é um sistema muito complexo e pode ser influenciado por um grande número de 
variáveis, incluindo as respostas individuais. Como consequência, métodos como o 
RULA oferecem diretrizes úteis, apesar de genéricas, para avaliação.
O protocolo para aplicação está apresentado no Anexo VII, disponível na biblioteca da 
disciplina.
90
CAPÍTULO 9
Protocolo de Registro Postural REBA 
(Rapid Entire Body Assessment)
O protocolo de registro postural REBA é uma ferramenta para avaliação de posturasde trabalho na área da saúde e algumas atividades na indústria, ou seja, atividades 
mais dinâmicas. Esse protocolo foi desenvolvido por ergonomistas, fisioterapeutas, 
terapeutas ocupacionais e enfermeiros.
Essa ferramenta foi desenvolvida com o objetivo de avaliar riscos posturais em várias 
atividades, considerando aspectos da postura estática, dinâmica, instáveis ou por trocas 
rápidas de postura. Além de estabelecer a interface entre homem e pega.
Assim como o protocolo RULA, o protocolo REBA utiliza diagramas para facilitar a 
identificação das possíveis amplitudes de movimento das articulações de interesse. As 
posições de cada segmento são pontuadas e transpostas para três tabelas, dependendo 
da região do corpo, para avaliar a exposição aos fatores de risco. Além das amplitudes 
de movimento, o método também avalia o trabalho muscular estático, a carga e o tipo 
de pega realizada durante a atividade.
Para facilitar o registro, o corpo foi dividido em segmentos formando dois grupos: A e B. 
O pescoço, tronco e membros inferiores compõem o grupo A. O grupo B é formado por 
ombro, cotovelo/antebraço e punho. O movimento de cada articulação a ser registrada 
foi dividido em sessões numeradas, de forma que o número 1 representa o movimento 
ou a postura que apresenta risco mínimo, enquanto os números maiores, em ordem 
progressiva, representam maiores chances de exposição das estruturas corporais a cargas 
musculoesqueléticas.
A pontuação do grupo A é iniciada pelo tronco como apresentado na Figura 46.
Figura 46. Classificação da postura do tronco. (1) Postura ereta; (2) Até 20° de flexão ou extensão do tronco; (3) 
Flexão do tronco entre 20° e 60°; (4) Flexão do tronco acima de 60°. Um ponto é adicionado à pontuação final se 
o tronco estiver rodado ou lateralizado.
Fonte: Adaptada de <http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/685.pdf>.
91
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
Diferentemente do método RULA, se o tronco do trabalhador estiver, 
simultaneamente, rodado e lateralizado, apenas um ponto será adicionado 
ao escore final do tronco.
Em seguida, a postura do pescoço deve ser analisada, de acordo com a Figura 47.
Figura 47. Classificação da postura do pescoço. (1) Amplitude entre 0° a 20° de flexo-extensão do pescoço; (2) 
Acima de 20° de flexão ou extensão do pescoço. Um ponto deve ser acrescentado ao escore final da postura 
do pescoço quando o pescoço estiver rodado ou inclinado.
Fonte: Adaptada de <http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/685.pdf>.
O último segmento avaliado para o grupo A são os membros inferiores (Figura 48).
Figura 48. Classificação da postura dos membros inferiores. (1) Descarga de peso bilateralmente distribuída; (2) 
Descarga de peso sem distribuição bilateral de peso. Um ponto deve ser acrescentado à pontuação final dos 
membros inferiores quando os joelhos estiverem fletidos entre 30° e 60°, dois pontos devem ser adicionados à 
pontuação final quando os joelhos estiverem com flexão superior a 60°.
Fonte: Adaptada de <http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/685.pdf>.
Para calcular a pontuação parcial do grupo A, é necessário consultar a Tabela 25, 
conforme descrito a seguir. Primeiro, identifique o número registrado para o pescoço 
na parte superior da tabela. Então, identifique o número registrado para os membros 
inferiores na segunda coluna da tabela. Siga a linha da pontuação identificada para os 
membros inferiores até essa cruzar com o número que representa a postura do tronco, 
que pode ser 1, 2, 3 ou 5, em sua respectiva coluna. Finalmente, encontre um único 
valor para a combinação dos três elementos registrados para o grupo A.
92
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
Tabela 25. Pontuação individual de cada segmento do grupo A (pescoço, tronco e membros inferiores).
TRONCO PESCOÇO
1 2 3
MMII 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4
1 1 2 3 4 1 2 3 4 3 3 5 6
2 2 3 4 5 3 4 5 6 4 5 6 7
3 2 4 5 6 4 5 6 7 5 6 7 8
4 3 5 6 7 5 6 7 8 6 7 8 9
5 4 6 7 8 6 7 8 9 7 8 9 9
Fonte: Adaptada de <http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/685.pdf>.
Após avaliar a postura do grupo A (tronco, pescoço e membros inferiores), a pontuação 
da carga/força deve ser avaliada. A pontuação da carga varia entre 0 (zero) e 2, sendo 
que um ponto deve ser adicionado à pontuação final da carga quando a carga acarreta 
impacto ou ocorre aumento rápido de força.
 » 0 (zero) = carga inferior a 5 kg.
 » 1 = carga entre 5 e 10 kg.
 » 2 = carga superior a 10 kg.
A pontuação final do escore A é calculada pela pontuação do diagrama postural do 
grupo A somado à pontuação da carga.
O grupo B é composto por ombro, cotovelo/antebraço e punho. A pontuação da postura 
do ombro é avaliada de acordo com a Figura 49.
Figura 49. Classificação da postura do ombro. (1) Ombro entre 0° e 20° de flexão ou extensão; (2) Acima de 20° 
de extensão ou entre 20° e 45° de flexão; (3) Ombro entre 45° e 90° de flexão; (4) Ombro em flexão acima de 90°. 
Um ponto deve ser adicionado à pontuação final do ombro quando o ombro estiver abduzido; mais um ponto 
deve ser acrescentado se o ombro estiver elevado. Um ponto deve ser subtraído da pontuação final quando os 
ombros estiverem apoiados.
Fonte: Adaptada de <http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/685.pdf>. 
93
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
Após classificar o ombro, devemos avaliar a região do cotovelo/antebraço (Figura 50).
Figura 50. Classificação da postura do cotovelo/antebraço. (1) Amplitude média do cotovelo entre 60° e 100°; (2) 
Amplitude do cotovelo entre 0° e 60° e acima de 100°.
Fonte: Adaptada de <http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/685.pdf>.
A seguir, devemos classificar a postura do punho (Figura 51).
Figura 51. Classificação da postura do cotovelo/antebraço. (1) Postura média do punho, entre 0° e 15° de flexão e 
extensão; (2) Acima de 15° de flexão ou extensão do punho. Um ponto deve ser acrescentado à pontuação final 
do punho, se esse segmento apresentar desvio ulnar ou radial. 
Fonte: Adaptada de <http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/685.pdf>.
Para calcular a pontuação parcial do grupo B, é necessário consultar a Tabela 26, 
conforme descrito a seguir. Primeiro, identifique o número registrado para o antebraço 
na parte lateral esquerda da tabela. Então, identifique o número registrado para os 
punhos na segunda coluna da tabela. Siga a linha da pontuação identificada para os 
punhos até ela cruzar com o número que representa a postura dos ombros, que pode 
variar de 1 até 6, em sua respectiva coluna. Finalmente, encontre um único valor para a 
combinação dos três elementos registrados para o grupo B.
94
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
Tabela 26. Pontuação individual de cada segmento do grupo B (ombro, cotovelo/antebraço e punho).
OMBRO
Antebraço = 1 PUNHO 1 2 3 4 5 6
1 1 1 3 4 6 7
2 2 2 4 5 7 8
3 2 3 5 5 8 8
Antebraço = 2 PUNHO
1 1 2 4 5 7 8
2 2 3 5 6 8 9
3 3 4 5 7 8 9
Fonte: Adaptada de <http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/685.pdf>.
Após avaliar a postura do grupo B (ombro, cotovelo e punhos), a pega deve ser avaliada. 
A pontuação da pega varia entre 0 (zero) e 3, como apresentado abaixo:
 » 0 (zero) (bom) = bom ajuste da mão, amplitude média e preensão forte.
 » 1 (regular) = preensão aceitável, mas não ideal.
 » 2 (ruim) = preensão não é aceitável, embora possível.
 » 3 (inaceitável) = pega inaceitável e insegura, outras partes do corpo sãoutilizadas para manusear o objeto.
A pontuação final do escore B é calculada pela pontuação do diagrama postural do 
grupo B somado à pontuação da pega.
O escore C ocorre pelo cruzamento das informações do escore do grupo A com as 
informações do escore do grupo B, utilizando a Tabela 27 (escore C).
Tabela 27. Cruzamento das informações entre o escore do grupo A e o escore do grupo B.
ESCORE B
ES
CO
RE
 A
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
1 1 1 2 3 4 6 7 8 9 10 11 12
2 1 2 3 4 4 6 7 8 9 10 11 12
3 1 2 3 4 4 6 7 8 9 10 11 12
4 2 3 3 4 5 7 8 9 10 11 11 12
5 3 4 4 5 6 8 9 10 10 11 12 12
6 3 4 5 6 7 8 9 10 10 11 12 12
7 4 5 6 7 8 9 9 10 11 11 12 12
8 5 6 7 8 8 9 10 10 11 12 12 12
9 6 6 7 8 9 10 10 10 11 12 12 12
10 7 7 8 9 9 10 11 11 12 12 12 12
11 7 7 8 9 9 10 11 11 12 12 12 12
12 7 8 8 9 9 10 11 11 12 12 12 12
Fonte: Adaptada de <http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/685.pdf>.
95
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
Após encontrarmos o escore C, devemos fazer a classificação da atividade. A atividade 
pode ser assim classificada:
 » uma ou mais partes do corpo estão estáticas, isto é, mantidas por mais de 
1 minuto na mesma postura;
 » ações de pequenas amplitudes, repetidas mais de 4 vezes por minuto;
 » ações que causam rápidas mudanças de postura ou uma base de apoio 
instável.
Se alguma dessas condições estiver presente na tarefa avaliada, um ponto deve ser 
somado ao escore C. O resultado da soma da pontuação da atividade com o escore C é 
o escore REBA.
De acordo com o valor obtido na pontuação geral, a situação analisada irá requerer 
diferentes níveis de atenção para o controle de riscos, conforme a Tabela 28.
Tabela 28. Níveis de ação para controle de riscos propostos pelo protocolo REBA.
NÍVEL DE AÇÃO ESCORE REBA NÍVEL DE RISCO AÇÃO (incluindo avaliações futuras)
0 1 ––––– não é necessário
1 2 – 3 baixo pode ser necessário
2 4 – 7 médio necessário
3 8 – 10 alto necessário em breve
4 11 – 15 muito alto necessário AGORA!
Fonte: Adaptada de <http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/685.pdf>.
Da mesma maneira que para o protocolo RULA, o protocolo REBA é aplicável quando 
um grande número de posturas e situações precisam ser analisadas. Após identificar as 
posturas mais críticas, pode ser necessária uma análise adicional, utilizando métodos 
mais específicos.
96
CAPÍTULO 10
Laudo ergonômico
Nos capítulos anteriores aprendemos sobre os principais fatores de risco presentes no 
ambiente de trabalho bem como as diferentes ferramentas disponíveis para avaliar 
esses fatores de risco do ambiente de trabalho. Todo esse conteúdo é de fundamental 
importância para formularmos o laudo ergonômico do ambiente de trabalho. Mas o 
que é um laudo ergonômico?
O laudo ergonômico, análise ergonômica, parecer ergonômico ou relatório técnico 
ergonômico é um estudo que avalia todas as possíveis interferências na relação homem/
trabalho visando atender, o prescrito na NR-17 do Ministério do Trabalho (Portaria no 
3.751, de 23 de novembro de 1990). Outras definições ainda podem ser encontradas 
sobre laudo ergonômico, dentre elas destacam-se: 
É o diagnóstico dos problemas e suas consequências tanto para o 
funcionário como para a empresa. É condição primordial para que se 
possa então proceder aos projetos de modificações, visando ao bem-estar 
do ser humano e à produtividade com qualidade. (VOLPI, s.d., p. 1)
As análises ergonômicas são análises quantitativas e qualitativas que 
permitem a descrição e a interpretação do que acontece na realidade da 
atividade enfocada. (VIDAl, 2002, p. 145)
Também Couto (1995 apud LIMA, 2003) apresentou uma definição sobre análise 
ergonômica, apresentando uma divisão entre o que ele chamou de análise ergonômica 
“macroscópica” e “microscópica”:
Uma análise ergonômica simples é muito fácil de ser feita: basta andar 
pela fábrica ou escritório e ir olhando aspectos macroscópicos que 
saltam à vista, tais como: braços acima do nível dos ombros, tronco 
encurvado, situação das cadeiras, posicionamento dos pés, manuseio 
de cargas pesadas, e assim por diante. [...] No entanto, em boa parte 
das vezes, a análise ergonômica de aspectos macroscópicos é falha, 
pois se limita à superficialidade do problema. [...] Daí a importância 
da análise ‘microscópica’ ou de ‘fatores ocultos’. A análise que chamo 
microscópica envolve as questões relacionadas ao trabalho manual e ao 
método de trabalho.
Portanto, vemos que uma análise ergonômica tem como objetivo averiguar as condições 
de trabalho de uma determinada tarefa, sendo um instrumento de grande importância 
97
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
para um sistema produtivo, não só em proporcionar conforto e segurança ao usuário, 
mas em extrair dele maior produtividade, com aumento dos lucros e diminuição das 
perdas. (LIMA, 2004) 
Além disso, essa análise também procura mostrar uma situação global da tarefa, 
abrangendo, dentre outros fatores, o posto de trabalho, as pressões, a carga cognitiva, 
a densidade e a organização do trabalho, o modo operatório, os ritmos e as posturas. 
Assim, ela não se limita tão só ao posto, mas verifica, também, as características do 
ambiente, do método de trabalho, do sistema de trabalho e análise cognitiva do trabalho. 
(COUTO 1995 apud LIMA 2004)
Para a elaboração de um laudo ergonômico é de fundamental importância o conhecimento 
das NR, principalmente da NR 17. A NR 17 é uma norma regulamentadora que trata 
especificamente da Ergonomia. A NR 17 fornece parâmetros legais que norteiam a 
análise ergonômica do trabalho, sendo o principal objetivo dessa análise a modificação 
das situações de trabalho. Essa norma será estudada com mais detalhes nas próximas 
disciplinas, bem como as demais NR. Entretanto, devido à sua importância para a 
elaboração de laudos ergonômicos, ela será também abordada nessa disciplina.
A NR 17, em seus tópicos, aborda o levantamento, transporte e descarga individual de 
materiais, mobiliário dos postos de trabalho, equipamentos dos postos de trabalho, 
condições ambientais de trabalho e organização do trabalho. Além disso, é composta 
por 2 anexos que abordam, respectivamente, o trabalho dos operadores de check-out e 
o trabalho em teleatendimento/telemarketing.
Abaixo estão os itens abordados pela NR 17 – Ergonomia. Os itens foram divididos nos 
temas abordados para facilitar o entendimento e, portanto, serão intitulados conforme 
a abordagem. Alguns pontos serão discutidos.
NR 17 - Definição
Essa Norma Regulamentadora visa estabelecer parâmetros que permitam a adaptação 
das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de 
modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente.
As condições de trabalho incluem aspectos relacionados ao levantamento, transporte e 
descarga de materiais, ao mobiliário, aos equipamentos e às condições ambientais do 
posto de trabalho e à própria organização do trabalho.
Para avaliar a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas 
dos trabalhadores, cabe ao empregador realizar a análise ergonômica do trabalho, 
98
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
devendo a mesma abordar, no mínimo, as condições de trabalho, conforme estabelecido 
nessa Norma Regulamentadora.
OBS.: Vale ressaltar que na NR 17 não há parâmetros para todas as condições de 
trabalho, portanto, é importante utilizar estudos recentes e referências confiáveis para 
o complemento da análise ergonômica. 
NR 17 - Manuseio de cargaLevantamento, transporte e descarga individual 
de materiais
Para efeito dessa Norma Regulamentadora:
 » Transporte manual de cargas designa todo transporte no qual o peso da 
carga é suportado inteiramente por um só trabalhador, compreendendo 
o levantamento e a deposição da carga.
 » Transporte manual regular de cargas designa toda atividade realizada 
de maneira contínua ou que inclua, mesmo de forma descontínua, o 
transporte manual de cargas.
 » Trabalhador jovem designa todo trabalhador com idade inferior a dezoito 
anos e maior de quatorze anos.
 » Não deverá ser exigido nem admitido o transporte manual de cargas, por 
um trabalhador cujo peso seja suscetível de comprometer sua saúde ou 
sua segurança.
 » Todo trabalhador designado para o transporte manual regular de cargas, 
que não as leves, deve receber treinamento ou instruções satisfatórias 
quanto aos métodos de trabalho que deverá utilizar, com vistas a 
salvaguardar sua saúde e prevenir acidentes.
 » Com vistas a limitar ou facilitar o transporte manual de cargas deverão 
ser usados meios técnicos apropriados.
 » Quando mulheres e trabalhadores jovens forem designados para o 
transporte manual de cargas, o peso máximo dessas cargas deverá 
ser nitidamente inferior àquele admitido para os homens, para não 
comprometer a sua saúde ou a sua segurança.
 » O transporte e a descarga de materiais feitos por impulsão ou tração 
de vagonetes sobre trilhos, carros de mão ou qualquer outro aparelho 
99
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
mecânico deverão ser executados de forma que o esforço físico realizado 
pelo trabalhador seja compatível com sua capacidade de força e não 
comprometa a sua saúde ou a sua segurança.
 » O trabalho de levantamento de material feito com equipamento mecânico 
de ação manual deverá ser executado de forma que o esforço físico 
realizado pelo trabalhador seja compatível com sua capacidade de força e 
não comprometa a sua saúde ou a sua segurança.
NR 17 - Mobiliário
Mobiliário dos postos de trabalho
 » Sempre que o trabalho puder ser executado na posição sentada, o posto 
de trabalho deve ser planejado ou adaptado para essa posição.
 » Para trabalho manual sentado ou que tenha de ser feito em pé, as bancadas, 
mesas, escrivaninhas e os painéis devem proporcionar ao trabalhador 
condições de boa postura, visualização e operação e devem atender aos 
seguintes requisitos mínimos:
 › ter altura e características da superfície de trabalho compatíveis com 
o tipo de atividade, com a distância requerida dos olhos ao campo de 
trabalho e com a altura do assento;
 › ter área de trabalho de fácil alcance e visualização pelo trabalhador;
 › ter características dimensionais que possibilitem posicionamento e 
movimentação adequados dos segmentos corporais.
 » Para trabalho que necessite também da utilização dos pés, além dos 
requisitos estabelecidos anteriormente, os pedais e demais comandos 
para acionamento pelos pés devem ter posicionamento e dimensões 
que possibilitem fácil alcance, bem como ângulos adequados entre as 
diversas partes do corpo do trabalhador, em função das características e 
peculiaridades do trabalho a ser executado.
 » Os assentos utilizados nos postos de trabalho devem atender aos seguintes 
requisitos mínimos de conforto:
 › altura ajustável à estatura do trabalhador e à natureza da função exercida;
 › características de pouca ou nenhuma conformação na base do assento;
100
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
 › borda frontal arredondada;
 › encosto com forma levemente adaptada ao corpo para proteção da 
região lombar.
 » Para as atividades em que os trabalhos devam ser realizados sentados, 
a partir da análise ergonômica do trabalho, poderá ser exigido suporte 
para os pés, que se adapte ao comprimento da perna do trabalhador.
 » Para as atividades em que os trabalhos devam ser realizados de pé, 
devem ser colocados assentos para descanso em locais em que possam 
ser utilizados por todos os trabalhadores durante as pausas.
NR 17 – Equipamentos
Equipamentos dos postos de trabalho
 » Todos os equipamentos que compõem um posto de trabalho devem 
estar adequados às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à 
natureza do trabalho a ser executado.
 » Nas atividades que envolvam leitura de documentos para digitação, 
datilografia ou mecanografia deve:
 › ser fornecido suporte adequado para documentos que possa ser 
ajustado proporcionando boa postura, visualização e operação, 
evitando movimentação frequente do pescoço e fadiga visual;
 › ser utilizado documento de fácil legibilidade sempre que possível, 
sendo vedada a utilização do papel brilhante, ou de qualquer outro 
tipo que provoque ofuscamento.
 » Os equipamentos utilizados no processamento eletrônico de dados com 
terminais de vídeo devem observar o seguinte:
 › condições de mobilidade suficientes para permitir o ajuste da tela do 
equipamento à iluminação do ambiente, protegendo-a contra reflexos, 
e proporcionar corretos ângulos de visibilidade ao trabalhador;
 › o teclado deve ser independente e ter mobilidade, permitindo ao 
trabalhador ajustá-lo de acordo com as tarefas a serem executadas;
 › a tela, o teclado e o suporte para documentos devem ser colocados de 
maneira que as distâncias olho-tela, olho-teclado e olho-documento 
sejam aproximadamente iguais;
101
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
 › serem posicionados em superfícies de trabalho com altura ajustável.
 » Quando os equipamentos de processamento eletrônico de dados 
com terminais de vídeo forem utilizados eventualmente poderão ser 
dispensadas as exigências previstas no subitem anterior, observada 
a natureza das tarefas executadas e levando-se em conta a análise 
ergonômica do trabalho.
NR 17 – Condições ambientais
Condições ambientais de trabalho
 » As condições ambientais de trabalho devem estar adequadas às 
características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do 
trabalho a ser executado.
 » Nos locais de trabalho onde são executadas atividades que exijam 
solicitação intelectual e atenção constantes, tais como: salas de controle, 
laboratórios, escritórios, salas de desenvolvimento ou análise de projetos, 
dentre outros, são recomendadas as seguintes condições de conforto:
 › níveis de ruído de acordo com o estabelecido na NBR 10.152, norma 
brasileira registrada no INMETRO;
 › índice de temperatura efetiva entre 20o C (vinte) e 23o C (vinte e três 
graus centígrados);
 › velocidade do ar não superior a 0,75 m/s;
 › umidade relativa do ar não inferior a 40 (quarenta) por cento.
 » Para as atividades que possuam as características definidas no subitem 
anterior, mas não apresentam equivalência ou correlação com aquelas 
relacionadas na NBR 10.152, o nível de ruído aceitável para efeito de 
conforto será de até 65 dB (A) e a curva de avaliação de ruído (NC) de 
valor não superior a 60 dB.
 » Os parâmetros previstos no subitem anterior devem ser medidos nos 
postos de trabalho, sendo os níveis de ruído determinados próximos à 
zona auditiva e as demais variáveis na altura do tórax do trabalhador.
 » Em todos os locais de trabalho deve haver iluminação adequada, natural 
ou artificial, geral ou suplementar, apropriada à natureza da atividade.
102
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
 » A iluminação geral deve ser uniformemente distribuída e difusa.
 » A iluminação geral ou suplementar deve ser projetada e instalada de 
forma a evitar ofuscamento, reflexos incômodos, sombras e contrastesexcessivos.
 » Os níveis mínimos de iluminamento a serem observados nos locais de 
trabalho são os valores de iluminâncias estabelecidos na NBR 5413, 
norma brasileira registrada no INMETRO.
 » A medição dos níveis de iluminamento previstos no subitem anterior deve 
ser feita no campo de trabalho onde se realiza a tarefa visual, utilizando-
se de luxímetro com fotocélula corrigida para a sensibilidade do olho 
humano e em função do ângulo de incidência.
 » Quando não puder ser definido o campo de trabalho previsto no subitem 
anterior, esse será um plano horizontal a 0,75 m (setenta e cinco 
centímetros) do piso.
NR 17 – Organização do Trabalho 
Organização do trabalho
 » A organização do trabalho deve ser adequada às características 
psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser 
executado.
 » A organização do trabalho, para efeito dessa NR, deve levar em consideração, 
no mínimo:
 › as normas de produção;
 › o modo operatório;
 › a exigência de tempo;
 › a determinação do conteúdo de tempo;
 › o ritmo de trabalho;
 › o conteúdo das tarefas.
 » Nas atividades que exijam sobrecarga muscular estática ou dinâmica do 
pescoço, ombros, dorso e membros superiores e inferiores, e a partir da 
análise ergonômica do trabalho, deve ser observado o seguinte:
103
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
 › todo e qualquer sistema de avaliação de desempenho para efeito 
de remuneração e vantagens de qualquer espécie devem levar em 
consideração as repercussões sobre a saúde dos trabalhadores;
 › devem ser incluídas pausas para descanso;
 › quando do retorno do trabalho, após qualquer tipo de afastamento 
igual ou superior a 15 (quinze) dias, a exigência de produção deverá 
permitir um retorno gradativo aos níveis de produção vigentes na 
época anterior ao afastamento.
 » Nas atividades de processamento eletrônico de dados, deve-se, salvo o 
disposto em convenções e acordos coletivos de trabalho, observar o seguinte:
 › o empregador não deve promover qualquer sistema de avaliação dos 
trabalhadores envolvidos nas atividades de digitação, baseado no 
número individual de toques sobre o teclado, inclusive o automatizado, 
para efeito de remuneração e vantagens de qualquer espécie;
 › o número máximo de toques reais exigidos pelo empregador não deve 
ser superior a 8.000 por hora trabalhada, sendo considerado toque 
real, para efeito dessa NR, cada movimento de pressão sobre o teclado;
 › o tempo efetivo de trabalho de entrada de dados não deve exceder o 
limite máximo de 5 (cinco) horas, sendo que, no período de tempo 
restante da jornada, o trabalhador poderá exercer outras atividades, 
observado o disposto no art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho, 
desde que não exijam movimentos repetitivos, nem esforço visual;
 › nas atividades de entrada de dados deve haver, no mínimo, uma pausa 
de 10 minutos para cada 50 minutos trabalhados, não deduzidos da 
jornada normal de trabalho;
 › quando do retorno ao trabalho, após qualquer tipo de afastamento igual 
ou superior a 15 (quinze) dias, a exigência de produção em relação ao 
número de toques deverá ser iniciado em níveis inferiores do máximo 
estabelecido na alínea “b” e ser ampliada progressivamente.
Os anexos I e II regulamentam, respectivamente sobre o trabalho dos operadores de 
check-out e sobre o trabalho de operadores de telemarketing.
Para a elaboração de uma boa análise ergonômica, é importante o conhecimento 
aprofundado da NR 17, portanto, é aconselhável que você releia a norma acima para 
melhor fixação do conteúdo e identifique as principais dúvidas.
104
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
Além do bom conhecimento sobre a NR 17, para uma correta análise ergonômica, é 
extremamente relevante o conhecimento dos fatores de risco a que os trabalhadores 
podem estar expostos, sendo que esses fatores podem ser pessoais/individuais, 
psicossociais/organizacionais e físicos/biomecânicos (COURY; SATO, 2010). Os 
principais fatores de risco foram estudados nos capítulos anteriores, para relembrar e 
aprender alguns fatores de risco novos dedique um tempo à aprendizagem e análise da 
tabela abaixo.
Tabela 29. Fatores de risco do ambiente de trabalho.
PESSOAIS/INDIVIDUAIS PSICOSSOCIAIS/ORGANIZACIONAIS FÍSICOS/BIOMECÂNICOS
Idade
Sexo
Antropometria
Características morfológicas
Repertório genético
Aspectos hormonais
Gravidez
Doenças crônicas prévias
Elasticidade/Força muscular
Tabagismo
Alcoolismo
Nível de escolaridade
Hobbies
Prática de esporte
Trabalho doméstico/Dupla jornada
Habilidades
Treinamento
Estilo individual de trabalho
Satisfação no trabalho
Perfil psicológico (competitivo, 
perfeccionista)
Necessidade de ultrapassar as próprias 
metas
Autopercepção
Expectativa X Realidade
Outros
Tipo de organização do trabalho (linha)
Longas jornadas/hora extra
Trabalhos em turnos
Trabalho monótono
Trabalho repetitivo
Trabalho estereotipado
Ausência de pausas
Ritmo/autodeterminação
Automatização parcial
Rotação de atividade (requisitos físicos dos trabalhos 
incompatíveis)
Grande demanda de trabalho
Trabalho sazonal
Grandes alterações organizacionais
Perspectiva de demissão
Grande responsabilidade em decisões
Falta de autonomia
Flexibilidade de ação
Clareza sobre o processo de trabalho
Demanda cognitiva
Relacionamento com chefia
Relacionamento com colegas
Outros
Posturas inadequadas
Forças excessivas 
Movimentos repetitivos
Trabalho pesado
Manuseio de cargas
Forças e movimentos assimétricos
Vibração
Ferramentas inadequadas
Ferramentas mal conservadas
Mobília inadequada
Contrações mantidas/Trabalho muscular estático
Uso de pinça ou preensão de força
Campo visual restritivo
Espaço para movimentação restrito
Uso de alguns EPI
Fatores ambientais: ruído; iluminação
Temperaturas extremas (frio, calor)
Outros
Fonte. Adaptado de Coury e Sato, 2010.
Além dos principais fatores de risco, você também aprendeu nos capítulos anteriores, as 
principais ferramentas que estão disponíveis para análise desses fatores de risco, assim 
também é importante que você relembre essas ferramentas como por exemplo o AET, 
o método RULA, o método REBA, o método OWAS, dentre outros. Vale ressaltar que a 
↔
↔
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FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
AET (Análise Ergonômica do Trabalho) é um modelo baseado numa proposta dada pelo 
Ministério do Trabalho e Emprego, que, por advir de um órgão oficial do Executivo, traz 
maior correlação às exigências normativas expostas na NR 17. (LIMA, 2004)
A sequência de análise proposta pela AET pode ser resumida nas seguintes ações: 
 » análise da demanda; 
 » definição das situações de trabalho a serem estudadas; 
 » observações gerais e preliminares; 
 » pré-diagnóstico; 
 » levantamento de hipóteses; 
 » plano de observação; 
 » observações detalhadas e sistemáticas; 
 » avaliação das exigências do trabalho; 
 » análise da atividade; 
 » diagnóstico (global e local) e 
 » recomendações. 
Essa sequência permite uma correta avaliação do ambiente de trabalho. Lembrando 
que para a elaboração de um bom laudo ergonômico é necessário uma avaliação que 
contemple todos os fatores de risco a que os colaboradores estão expostos.
Assim, após a realização de uma avaliação do ambiente de trabalho, existe a preocupação 
com a elaboração do relatório técnico ergonômico. O relatório técnico ergonômico é a 
descrição de tudo que foi avaliado, como foi avaliado e também apresentação de ideias 
sobre o queé necessário ser modificado.
A elaboração do relatório técnico ergonômico se dá inicialmente por uma avaliação 
e uma análise detalhada da tarefa realizada e do ambiente de trabalho, sendo esses 
os requisitos essenciais para a elaboração dos relatórios técnicos ergonômicos (LIMA, 
2004). Para a realização da avaliação e análise, alguns métodos podem ser utilizados. 
Dentre eles destaca-se a observação. 
A observação é o método de avaliação mais utilizado para elaboração de laudos 
ergonômicos. A observação permite uma abordagem mais global da atividade no trabalho 
e é pautada na identificação de problemas presentes e futuros (LIMA, 2003). Para essa 
abordagem, é importante que além da observação a “olho nu”, o ergonomista conte com a 
106
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
ajuda de equipamentos audiovisuais, que capturam diversos detalhes que podem passar 
despercebidos (SANTOS; ZAMBERLAN, 2016).
Além da observação também é importante o contato e a comunicação com os colaboradores 
e seus supervisores para entender minuciosamente o trabalho desenvolvido. Essa 
comunicação pode ser realizada por meio de questionários, entrevistas ou check-list. 
Elaborando um relatório técnico ergonômico
Não há um modelo fixo de elaboração de relatório técnico ergonômico, o que temos 
bem estabelecidos são alguns passos comuns que norteiam essa elaboração. São eles: 
 » entender a demanda da análise; 
 » deixar claro o problema avaliado;
 » clareza de métodos e técnicas utilizados para avaliar o problema;
 » descrição dos resultados;
 » proposição de mudanças diante dos resultados encontrados.
Após termos bem definido esses passos, basta relatá-los de forma clara no relatório. 
Também não existe um modelo padronizado para o relato desses passos, no entanto, 
segue abaixo um modelo que tem sido bastante utilizado. 
Assim, é importante que o laudo ergonômico contemple os seguintes itens:
1. Introdução. 
2. População de trabalhadores.
3. Objetivo da análise.
4. Metodologia.
5. Resultados.
6. Diagnóstico.
7. Proposição de modificações.
8. Cronograma. 
9. Acompanhamento.
107
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
Esses itens serão descritos abaixo:
Introdução (caracterização da empresa e análise da 
demanda e do contexto)
Na introdução do relatório técnico ergonômico devemos caracterizar a empresa, 
apontando os dados gerais como ambiente geográfico (localização, vias de acesso, meios 
de transporte disponíveis, dentre outros), bem como grau de evolução técnica e a colocação 
no mercado. Além disso, deve-se indicar também dados como: contexto socioeconômico, 
estrutura jurídica, clientes, produtos e/ou serviços, estrutura administrativa, os aspectos 
de segurança e higiene no trabalho dentre outros pontos (LIMA, 2003).
A análise da demanda é um ponto muito importante desse tópico, pois é o início do 
processo de pesquisa, correspondendo à solicitação do estudo ergonômico. Deve-se 
apontar tanto as demandas explicitas quanto as implícitas, mesmo que sejam de origens 
diferentes como da direção da empresa, ou do sindicato dos trabalhadores, dentre 
outros (LIMA, 2003). A análise da demanda pode estar relacionada tanto a aspectos 
de toda a empresa quanto a aspectos de apenas alguns setores. Além disso, deve-se 
também apresentar justificativas para a realização do estudo, bem como, quando for o 
caso, justificativas para mudança no foco da análise. É importante justificar a análise 
mostrando que a demanda foi atendida.
População de trabalhadores
Nesse item devemos apontar fatores importantes dos trabalhadores, como política 
de pessoal, escolaridade, qualificação, realização de horas extras, a faixa etária dos 
colaboradores bem como as características físicas dos trabalhadores como dados de 
gênero, peso e altura, questões como a rotatividade do trabalho, tempo na função atual 
e na empresa, tipos de contratos, dados de afastamentos, e absenteísmos, dentre outros. 
Essas informações são importantes para que o trabalho seja adaptado a essa população.
Objetivo da análise
Após a correta justificativa para análise e apresentação da população trabalhadora, 
é importante estabelecer o objetivo do laudo ergonômico em questão a partir da 
apresentação das situações de trabalho que serão estudadas e da formulação das 
hipóteses iniciais, que são criadas a partir da demanda e do contato com o trabalhador.
Metodologia
Nesse item deve-se fazer uma descrição do setor a ser analisado e dos métodos de 
avaliação que foram aplicados. É importante descrever minuciosamente:
108
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
 » como foi realizada cada etapa da análise;
 » quais protocolos foram utilizados;
 » como foi feita a observação (caso tenham sido utilizados registros de 
imagem, esses também devem ser descritos). Vale ressaltar que o tipo de 
observação e a duração dependem da natureza da atividade.
Resultados
Esse item deve contemplar todos os resultados encontrados durante a avaliação, 
tais como:
 » Descrição das tarefas e atividades: fazer a descrição das tarefas 
prescritas e reais, das atividades desenvolvidas para execução das 
tarefas, apontar se há divergência entre prescrito e real, e qual o motivo 
dessa divergência, descrever se o trabalhador realiza mudanças posturais 
para ter melhor eficiência diante das condições de trabalho levando ao 
adoecimento, caso não possa interferir no processo. Os indicadores de 
absenteísmo, afastamento e rotatividade são importantes na determinação 
dessas mudanças.
 » Descrição do trabalhador: apontar os operadores que intervêm nos 
postos e seus papeis no sistema de produção, a formação e qualificação 
profissional, o número de operadores trabalhando simultaneamente em 
cada posto e regras de divisão de tarefas (quem faz o que?) e o número 
de operadores trabalhando sucessivamente em cada posto e regras de 
sucessão (horários, turnos, modos de alternância de equipes).
 » Descrição das máquinas: apresentação da estrutura geral das 
máquinas, dimensões características (croqui, foto, fluxograma de 
produção), quais são os órgãos de comando, os órgãos de sinalização, os 
princípios de funcionamento da máquina (mecânico, elétrico, hidráulico, 
pneumático, eletrônico etc.), identificar se há problemas aparentes e 
apontar os aspectos críticos evidentes.
 » Descrição das ações dos trabalhadores: identificar as ações 
imprevistas ou não programadas, os principais gestos realizados pelo(s) 
operador(es), as principais posturas adotadas, principais deslocamentos 
realizados pelo(s) operador(es), principais ligações sensório-motoras, 
grandes categorias de tratamento de informações, principais decisões a 
serem tomadas pelo(s) operador(es), principais regulações ao nível do 
109
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
homem, do posto, do sistema, principais ações do(s) operador(es) sobre 
a(s) máquina(s), as entradas e as saídas. 
 » Descrição das condições ambientais: analisar os espaços e locais 
de trabalho em confronto com dados antropométricos e biomecânicos, o 
ambiente sonoro, térmico, luminoso, vibratório (intensidade, amplitude, 
frequência) e o ambiente tóxico (concentração de partículas e gases tóxicos).
 » Exigências físicas da tarefa: apontar se os esforços são dinâmicos ou 
estáticos. 
 › Esforços dinâmicos: deslocamento a pé, transportes de cargas, 
utilização de escadas e outros. Devem ser levadas em conta a frequência, 
a duração, a amplitude e a força exigida.
 › Esforços estáticos: postura exigida por umadeterminada atividade, 
estimativas de duração da atividade e frequência.
Diagnóstico
Apresentar uma conclusão baseada no problema identificado e resultados atingidos 
durante a análise. O diagnóstico deve ser completo, sem frases vagas. É importante 
apontar as justificativas e as razões para a realização das mudanças.
Proposição de modificações
Esse item é o mais importante e o mais negligenciado. Nesse tópico devemos propor 
melhorias das condições de trabalho a partir dos resultados encontrados e das situações 
identificadas. Para a melhor formulação das proposições de modificações, é interessante 
averiguar a situação econômico-financeira da empresa, para que as soluções propostas 
sejam compatíveis e possíveis de serem realizadas. 
Cronograma
Apresentação dos tempos necessários para implementação das modificações propostas. 
Os prazos devem ser coerentes com as modificações. Deve sempre pensar em propostas 
a curto, médio e longo prazo.
Pode-se apresentar o cronograma em formato de tabelas ou figuras para facilitar o 
entendimento.
Alguns exemplos estão apresentados a seguir.
110
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
Figura 52. Fluxograma com as prioridades para a viabilização das sugestões.
 
Curto Prazo Médio Prazo Longo Prazo 
Compra
de novos 
sapatos
(EPI) Compra de 
novos
mobiliários
Compra de 
cadeiras
com 
encosto 
Compra
de
palminha
Manutenção
da limpeza 
do portão 
Fonte: o autor, 2016.
Tabela 30. Tabela com as prioridades para a viabilização das sugestões.
Medidas de curto prazo Medidas de médio e longo prazos
 » É recomendado que o monitor esteja em uma altura em que sua visão caia sobre o 1/3 superior 
dele. Com a exceção de casos onde se utilize principalmente a parte inferior do monitor, como no 
caso da edição de vídeos.
 » Sobre a altura da cadeira, recomenda-se que ela esteja em uma altura que permita o apoio dos 
cotovelos sobre a mesa. Caso essa regulagem torne a cadeira mais alta do que uma altura que ela 
permita o apoio dos seus pés no chão, é necessária a aquisição de um apoio para pés, para que os 
eles estejam apoiados, permitindo que suas pernas fiquem relaxadas evitando dores nas costas.
 » Em relação à distância do monitor à visão é recomendado um valor de 40 a 75 cm para que a 
visão esteja em uma distância confortável. 
 » Recomenda-se que as cadeiras estejam 
equipadas com os apoios de cotovelo. 
É recomendado também que todas as 
cadeiras da SEaD sejam com regulação 
de altura do assento, altura do apoio para 
braços e altura do apoio para braços.
 » Recomenda-se que todos os 
trabalhadores disponham de um apoio 
para os pés.
Fonte: o autor, 2016.
Acompanhamento
A ação ergonômica apenas começa com a proposição de modificações: as modificações 
podem ter outras implicações que devem ser avaliadas. Por isso, é importante o 
acompanhamento da implementação das modificações pelos profissionais competentes 
para tais funções.
Referências Bibliográficas
Devemos sempre nos basear em estudos recentes e recomendações dos ministérios 
e das NR para a proposição das medidas preventivas, bem como das modificações. 
111
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
As fontes utilizadas para a formulação do relatório técnico ergonômico devem ser 
apontadas.
Enfim, o relatório técnico ergonômico deve contemplar esses itens, no entanto, caso 
seja necessário, outros tópicos podem ser acrescentados. Vale ressaltar que a qualidade 
do relato é muito importante, portanto, algumas dicas serão apresentadas abaixo, a fim 
de facilitar a elaboração dos textos técnicos e das apresentações.
Inicialmente, é notável lembrar que um texto técnico deve ter clareza de linguagem, 
precisão nas informações e objetividade na abordagem do tema, sendo que a primeira 
tarefa ao elaborar esse tipo de material é organizar as ideias.
Quanto à organização e apresentação do material a ser entregue ou enviado aos responsáveis, 
esse deve conter capa, contracapa, resumo, índice/sumário, lista de abreviações, o relatório 
propriamente dito e as referências. Um exemplo de capa e contracapa está apresentado 
abaixo.
Figura 53. Exemplo de capa e contracapa.
TÍTULO DA ANÁLISE 
NOME DA EMPRESA 
AVALIADA 
Cidade e ANO 
Contato
TÍTULO DA ANÁLISE 
NOME DA EMPRESA 
AVALIADA 
NOME DA SUA EMPRESA E 
LOGOTIPO
Cidade e ANO 
Contato
NOME DA SUA EMPRESA E 
LOGOTIPO
Nome do 
ergonomista
responsável
Fonte: o autor, 2016.
O objetivo deve ser escrito de forma clara e adequada. 
Exemplo de forma adequada: “avaliar as condições de trabalho de acordo com as 
recomendações apresentadas pela NR 17”.
Exemplo de forma inadequada: “atender as exigências da NR 17”.
Os métodos devem descrever
 » apenas o que foi utilizado para avaliação do ambiente de trabalho;
112
UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
 » sempre ser descrito no passado, uma vez que a análise já foi realizada 
previamente à confecção do relatório;
 » devem possibilitar atingir os objetivos.
Os resultados devem apresentar se existe inadequação, descrever exatamente o que 
está inadequado. Além disso, os protocolos fornecem categoria de ação para a situação 
ocupacional avaliada, portanto, esse resultado deve ser apresentado e deve refletir o 
que foi apresentado na metodologia.
Os resultados devem estar bem descritos e adequadamente apresentados. Lembrando que 
 » tabelas, quadros e figuras auxiliam na visualização dos dados; e
 » a apresentação correta deve contemplar uso de legendas e descrição das 
figuras, além de retomar as figuras no texto
Abaixo seguem alguns exemplos práticos de apresentação de resultados por meio de 
gráficos e tabelas.
Exemplo prático: Os resultados registrados a partir da aplicação do Questionário 
Nórdico de Sintomas Osteomusculares apontaram alta prevalência de sintomas na 
parte inferior das costas (Figura 54). Também, a dor na parte inferior das costas foi que 
provocou maior procura por médicos pelos trabalhadores.
Figura 54. Distribuição de dor por região nos últimos 7 dias.
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
N
úm
er
o 
de
 tr
ab
al
ha
do
re
s
Fonte: o autor, 2016.
113
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
Figura 55. Necessidade de procura por um profissional da saúde por causa da dor.
0
1
2
3
4
5
6
7
N
úm
er
o 
de
 tr
ab
al
ha
do
re
s
Fonte: o autor, 2016.
Exemplo prático: apresentação de resultados de questionários.
Índice de Capacidade para o trabalho (ICT)
Este questionário revela o quão bem o trabalhador é capaz de realizar seu trabalho 
por meio de uma série de questões que levam em consideração as demandas físicas e 
mentais de seu trabalho. Os resultados do Índice de Capacidade para o Trabalho estão 
representados no Gráfico 1, demonstrando que grande parte da população trabalhadora 
analisada (44%(n=18) apresenta ótima capacidade para o trabalho.
Gráfico 1. Classificação dos trabalhadores quanto ao ICT.
0%
17%
39%
44%
Baixa
Moderada
Boa
Ótima
Fonte: o autor, 2016.
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UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
Exemplo prático: Os resultados apontaram predominância de mulheres no setor 
avaliado, grande maioria dos trabalhadores tinham alto nível de escolaridade e a 
maioria tinha carga de trabalho semanal de 40 horas.
Tabela 31. Porcentagens da distribuição dos trabalhadores incluídos na análise segundo idade, sexo,índice de 
massa corporal (IMC), dominância manual, situação conjugal, escolaridade, posto de trabalho, carga horária 
semana, mudança do setor, idade de ingresso no primeiro trabalho.
Variável Número de trabalhadores (n) Porcentagem (%)
Idade 
 19 – 24 anos 11 26,8%
 25 – 30 anos 13 31,7%
 31 – 40 anos 12 29,3%
 > 40 anos 5 12,2%
Sexo
 Feminino 22 53,6%
 Masculino 19 46,6%
IMC
 ≤ 18,5 (Abaixo do peso) 1 2,3%
 18,6 – 24,0 (Peso ideal) 28 63,6%
 25,0 – 29,9 (Levemente acima do peso) 12 27,3%
 30,0 – 34,9 (1o grau de obesidade) 3 6,8%
 35,0 – 40,0 (2o grau de obesidade) 0 0,0%
Dominância
 Destros 36 87,8%
 Canhotos 4 9,8%
 Ambidestros 1 2,4%
Situação conjugal
 Com vida conjugal 13 31,7%
 Sem vida conjugal 28 68,3%
Escolaridade
 Ensino médio completo 2 4,9%
 Ensino superior completo 9 21,9%
 Ensino superior incompleto 10 24,4%
 Pós-graduação completa/incompleta 20 48,8%
Carga horária semanal
 20 horas 8 18,2%
 30 horas 6 13,6%
 40 horas 30 68,2%
Mudança de setor
 Sim 10 24,%
 Não 31 75,6%
Idade de ingresso no primeiro trabalho
< 16 anos 5 12,2%
< 18 anos 9 22,0%
Com 18 anos 10 24,4%
>18 anos 17 45,5%
Fonte: o autor, 2016.
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FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
Exemplo prático: Portão da entrada da empresa: Na entrada da empresa onde se 
encontram os portões de entrada, verificou-se que existe desabamento de terra sobre 
os trilhos do portão, o que implica na realização de uma força extremamente excessiva 
do guarda para a abertura e fechamento dos portões. Tarefa que é realizada com uma 
frequência de 20 vezes por hora.
Figura 56.
Terra nos trilhos do portão Terra que desaba sobre os trilhos 
Fonte: o autor, 2016.
Exemplo prático: A análise ergonômica dos postos de trabalho apontou alguns 
desvios com relação às recomendações na maioria dos itens avaliados. Alguns problemas 
encontrados são apresentados nas figuras abaixo.
Figura 57. Flexão do tronco para varrer.
Fonte: o autor, 2016.
Figura 58. Flexão do tronco para a organização das cadeiras embaixo das bancadas.
Fonte: o autor, 2016.
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UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS
Figura 59. Sobrecarga do lado dominante do corpo (direito ou esquerdo) para carregamento do lixo.
Fonte: o autor, 2016.
Figura 60. Flexão dos membros superiores acima da cabeça para limpeza da lousa.
Fonte: o autor, 2016.
Exemplo prático: Equipamentos utilizados durante o trabalho e os equipamentos de 
proteção individual – EPI.
 » Os rodos utilizados pelos trabalhadores apresentam, em quase toda a sua 
totalidade, o alongador. Isso é um aspecto positivo, pois diminui a flexão 
de tronco necessária para a realização da tarefa. 
Figura 61.
Fonte: o autor, 2016.
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FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II
Conclusões e recomendações
A conclusão é baseada nos resultados, lembrando que tudo o que for apontado na 
conclusão deve já ter sido abordado anteriormente, principalmente nos resultados. 
Assim, as conclusões devem ser baseadas em dados encontrados e deve ser bem explicada. 
Novos dados não podem surgir nas recomendações sem terem sido apresentados em 
resultados e metodologia. Portanto, caso isso ocorra, deve haver revisão do texto como 
um todo.
As recomendações devem ser embasadas para serem compreendidas e realmente 
aplicadas. Portanto, cuidado com as recomendações! Devemos pensar na repercussão 
de sua aplicação.
Exemplo: mesas amplas podem gerar movimentos mais amplos de alcance, aumentando 
o risco.
Além de todos os pontos abordados, também é importante:
 » Sempre indicar o número de laudas, autor e formação, além da assinatura. 
Exemplo: Relatório composto por 20 laudas, desenvolvido pela Professora 
Doutora Fabiana Almeida Foltran, graduada em Fisioterapia e Doutora 
em Fisioterapia na área de Fisioterapia Preventiva/Ergonomia.
 » Para textos de apresentação ou pôster devemos utilizar fontes sem serifa. 
Exemplo: calibri, arial, verdana, tahoma etc.
 » Para textos de relatórios, livros, trabalhos (textos longos) devemos 
utilizar fontes com serifa.
Exemplo: times new roman, garamond etc.
 » Textos de apresentações devem, preferencialmente, ser alinhados à 
esquerda para que a leitura fique mais fácil. Já os textos longos podem 
ser justificados.
Após todas essas etapas, enfim está pronto o relatório técnico ergonômico!
Agora vamos praticar tudo que aprendemos nas atividades sugeridas!
118
Para (não) Finalizar
A análise postural é uma tarefa complexa, que se torna mais eficiente à medida que 
um maior número de riscos, presentes na situação analisada, são também incluídos 
na análise. Assim, é necessário considerar não apenas as amplitudes de movimento, 
mas também as sobrecargas musculoesqueléticas internas e externas, a repetitividade 
do movimento, a natureza do trabalho muscular (estático ou dinâmico), a duração das 
ações, os intervalos de repouso para a recuperação funcional das estruturas envolvidas, 
os aspectos individuais e organizacionais, as condições físicas presentes na situação, 
tais como ferramentas, equipamentos de proteção individual utilizados, os quais possam 
contribuir para o aumento do desconforto físico e da lesão. 
Em geral, critérios utilizados para análise postural são baseados em resultados de 
estudos, os quais permitem a proposição de limites de segurança para a exposição das 
estruturas musculoesqueléticas. Esses estudos utilizam diferentes abordagens, como 
a epidemiológica, fisiológica (eletromiografia, gasto energético, frequência cardíaca), 
cinesiológica, biomecânica e psicofísica (escalas para registro da percepção de esforços, 
desconfortos etc.). A ampla variedade de indicadores utilizados para avaliar as posturas 
ilustra a complexidade dos aspectos envolvidos nessas análises. Portanto, apesar de o 
registro de movimento ser um importante elemento da análise postural, ele é apenas 
um dos elementos de interesse para a análise.
Dessa forma, o ambiente ocupacional deve ser avaliado em relação a todos os fatores de 
risco apontados no Capítulo 2, seja por meio das ferramentas apresentadas nesse material, 
seja pela observação do avaliador, opinião dos trabalhadores e outros profissionais 
envolvidos com a prevenção do desenvolvimento de lesões musculoesqueléticas.
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