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Brasília-DF. Estratégias E Métodos dE atuação EM ErgonoMia Elaboração Roberta de Fátima Carreira Moreira Fabiana Almeida Foltran Fabio Alexandre Casarin Pastor Juliana Rodrigues Prada Produção Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração Sumário APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 5 ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 6 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 8 UNIDADE I LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS .................................................................................. 11 CAPÍTULO 1 LER/DORT ............................................................................................................................... 11 CAPÍTULO 2 FATORES DE RISCO RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LER/DORT ............................. 17 UNIDADE II FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS ..................................................................................................................... 31 CAPÍTULO 1 AVALIAÇÃO DOS SINTOMAS MUSCULOESQUELÉTICOS RELACIONADOS AO TRABALHO ............ 31 CAPÍTULO 2 AVALIAÇÃO DO ÍNDICE DE CAPACIDADE PARA O TRABALHO (ICT) .......................................... 35 CAPÍTULO 3 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DO SONO (ÍNDICE DE PITTSBURGH) ............................................. 42 CAPÍTULO 4 AVALIAÇÃO DO ESTRESSE NO TRABALHO ................................................................................ 47 CAPÍTULO 5 ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO (AET) – ADAPTAÇÃO DE ERGONOMIC WORK ANALYSIS .. 52 CAPÍTULO 6 ESTABELECENDO LIMITES DE CARGA PARA O MANUSEIO DE PESO – EQUAÇÃO DO NIOSH (NATIONAL INSTITUTE OF OCCUPATIONAL SAFETY AND HEALTH) ............................................... 72 CAPÍTULO 7 PROTOCOLO DE REGISTRO POSTURAL OWAS (OVAKO WORKING POSTURE ANALYSING SYSTEM) . 78 CAPÍTULO 8 PROTOCOLO DE REGISTRO POSTURAL RULA (RAPID UPPER LIMB ASSESSMENT) ........................ 83 CAPÍTULO 9 PROTOCOLO DE REGISTRO POSTURAL REBA (RAPID ENTIRE BODY ASSESSMENT) ...................... 90 CAPÍTULO 10 LAUDO ERGONÔMICO .......................................................................................................... 96 PARA (NÃO) FINALIZAR ................................................................................................................... 118 REFERÊNCIAS ................................................................................................................................ 119 5 Apresentação Caro aluno A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância – EaD. Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo. Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira. Conselho Editorial 6 Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para aprofundar os estudos com leituras e pesquisas complementares. A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de Estudos e Pesquisa. Provocação Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor conteudista. Para refletir Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões. Sugestão de estudo complementar Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso. Atenção Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a síntese/conclusão do assunto abordado. 7 Saiba mais Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões sobre o assunto abordado. Sintetizando Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos. Para (não) finalizar Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado. 8 Introdução O presente Caderno de Estudos e Pesquisa foi elaborado com o objetivo de propiciar conhecimentos acerca dos fatores de risco associados ao desenvolvimento de lesão musculoesquelética relacionada ao trabalho, assim como das ferramentas disponíveis para avaliar esses fatores de risco. A cada capítulo, pensamos nas horas que você dedica ao trabalho destinado às atividades educativas bem como às práticas desenvolvidas no cotidiano de um ambiente universitário, lembrando sempre de que você é protagonista da história que estamos construindo a partir de agora. Os estudantes de ergonomia/saúde do trabalhador de hoje serão a próxima geração de pesquisadores e profissionais altamente capacitados para atuar em diferentes indústrias, empresas comerciais, escolas, entre outros mercados. Ainda estamos longe de entender completamente os mecanismos envolvidos no desenvolvimento das lesões musculoesqueléticas relacionadas ao trabalho e o papel de cada fator de risco nesse desenvolvimento. Além disso, ainda não estão estabelecidos os limites de postura, força e repetitividade capazes de desencadear as lesões, principalmente porque as doenças ocupacionais são multifatoriais, e é muito difícil isolar o papel de cada fator no desenvolvimento das lesões. Dessa forma, quando pensamos em prevenção de doenças ocupacionais, temos que avaliar o maior número possível de fatores de risco presentes no ambiente de trabalho e, a partir dessa avaliação, tentar minimizá-los. Nesse material, você encontrará algumas das ferramentas disponíveis para avaliação dos fatores de risco ocupacionais. Essa avaliação é fundamental para a implementação das medidas paliativas e preventivas em ambiente ocupacional. Bons estudos! Objetivos » Revisar os fatores de risco associados ao desenvolvimento de lesões musculoesqueléticas relacionadas ao trabalho. » Introduzir as ferramentas disponíveis para avaliação de fatores de risco. » Compreender a aplicação das ferramentas de avaliação de sintomas e capacidade para o trabalho. » Compreender a aplicação das ferramentaspara a avaliação de aspectos psicossociais como estresse e qualidade do sono. 9 » Compreender a aplicação de ferramentas para a avaliação da carga/força. » Compreender a aplicação de ferramentas para avaliação da postura. » Compreender a elaboração de laudos ergonômicos. 10 11 UNIDADE ILER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS CAPÍTULO 1 LER/DORT Desordens musculoesqueléticas relacionadas ao trabalho são definidas como doenças multifatoriais que acometem a população trabalhadora e, em parte, são causadas pelo trabalho, e/ou agravadas, aceleradas ou exacerbadas por exposições ocupacionais, sendo a principal causa de prejuízo na capacidade para o trabalho (WEEVERS et al., 2005). Na legislação brasileira, as Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e as Doenças Ocupacionais Relacionadas ao Trabalho (DORT) são atualmente definidas como “uma síndrome clínica caracterizada por dor crônica, acompanhada ou não por alterações objetivas, que se manifesta principalmente no pescoço, cinturão escapular e/ou membros superiores em decorrência do trabalho” (BRASIL, 1998). Essas condições compreendem um conjunto de doenças inflamatórias e degenerativas que resultam em dor, comprometimento funcional e, por seu caráter crônico, trazem prejuízo à vida familiar, social e produtiva do indivíduo (BUCKLE, DEVEREUX, 2002; MELHORN, 1998; PÅLSSON et al., 1998). As DORT são as lesões ocupacionais mais frequentes e comumente causam, a longo prazo, dor e incapacidade física nos trabalhadores (LEIGH et al., 1999; LEVEILLE, 2004; PIEDRAHITA, 2006). Essas desordens são um problema de saúde em muitos países e geram altos custos em termos de dias perdidos de trabalho, despesas médicas e impacto na saúde realcionado à qualidade de vida dos trabalhadores (PUNNETT; WEGMAN, 2004). Evidências baseadas em estudo identificaram as DORT como a doença profissional que gera mais custos no local de trabalho (BALDWIN, 2004; EUROGIP, 2004; WACHRER et al., 2005) e a principal preocupação com a saúde relacionada ao trabalho nos países desenvolvidos, bem como em países em desenvolvimento, representando mais de 30% de todas as lesões que requerem afastamento do trabalho (GARDNER et al., 2008). As estimativas da Organização Internacional do Trabalho apontam que o custo com doenças e acidentes no ambiente de trabalho equivale a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) 12 UNIDADE I │ LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS mundial, aproximadamente 1,25 trilhão de dólares. Estudos epidemiológicos anteriores demonstraram consideráveis diferenças na prevalência de DORT entre os países. Em 2005, em pesquisa realizada na União Europeia, em 27 Estados-membros, 23-25% dos trabalhadores apresentaram DORT. Uma pesquisa similar na Grécia registou uma taxa de prevalência de 46-47%; no Reino Unido, a prevalência foi de 9% a 11% (PARENT-THIRRION, 2007); na Holanda, a prevalência foi de 45% (PICAVET et al., 2014); e na Austrália, o registro foi de 41,7% de todas as lesões (MACDONALD; EVANS, 2014). As diferenças na taxa de prevalência entre os países podem estar relacionadas à falta de uma definição padronizada de DORT, fato que levaria a variações nos procedimentos de coleta de dados dos estudos (BOOCOCK et al., 2009). Além disso, em alguns países, distúrbios do pescoço são classificados separadamente dos distúrbios do ombro, enquanto que em outros, distúrbios do pescoço e ombros são avaliados em conjunto. Outro aspecto que pode ter influenciado essa diferença é que em alguns estudos DORT é definida apenas com base em sintomas, enquanto que em outros, a definição leva em consideração sintomas e achados de examens físicos. Diferenças nas populações estudadas, desigualdades socioeconômicas e costumes da área estudada também podem contribuir para a disparidade na prevalência (WU et al., 2012). No Brasil, essas desordens são consideradas um problema de saúde pública devido à alta prevalência e acometimento de diferentes profissionais (BRASIL, 2001). As DORT e as doenças mentais têm superado as doenças traumáticas quanto à prevalência. Enquanto as primeiras foram responsáveis por 20,76% dos afastamentos, as doenças do grupo traumático, acidentes típicos, representaram 19,43% do total dos afastamentos. Em conjunto, essas causas foram responsáveis por 40,25% de todo o universo previdenciário e estão relacionadas à exposição dos trabalhadores a fatores de risco presente no ambiente de trabalho (MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, 2014). Portanto, ressalta-se a importância de medidas preventivas no ambiente de trabalho a fim de prevenir essas doenças. As DORT acarretam ônus para os trabalhadores, empregadores e também para o Estado (SALDANHA et al., 2013). O trabalhador sofre com o adoecimento, que traz prejuízo não só para a atividade laboral como também para a sua qualidade de vida e gera dificuldades na realização das atividades de vida diária. A empresa sofre com os altos custos dos encargos derivados dos afastamentos, das faltas e absenteísmos dos trabalhadores, diminuição do rendimento do trabalhador, dentre outros. Já o Estado é onerado com a sobrecarga nos sistemas de saúde e previdenciário por meio dos serviços de assistência médica, pagamentos de benefícios como aposentadorias temporárias e por invalidez (SALDANHA et al., 2013). 13 LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS │ UNIDADE I No Brasil, a primeira lei contra acidentes surgiu em 1919, e impunha regulamentos prevencionistas ao setor ferroviário, que estava em pauta na época (CUNHA, 2014). Em 1934, surgem as leis trabalhistas, que instituíram uma regulamentação bastante ampla, no que se refere a prevenção de acidentes (BITENCURT; QUELHAS, 1998) e depois desse período o Brasil adequa-se aos objetivos internacionais, e procura dar aos seus trabalhadores a devida proteção a que eles têm direito com reformulações das leis de acordo com as necessidades e preocupações de cada época. Assim, em 1943, pelo Decreto-Lei no 5.452, cria-se a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) visando unificar toda a legislação trabalhista existente no Brasil e criar uma legislação trabalhista que atendesse à necessidade de proteção do trabalhador (TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO, 2016). Com o passar do tempo, a CLT foi precisando de atualizações que ficaram a cargo de novas leis e reformulações. Dentro dessas leis e reformulações, um importante acontecimento ocorreu em 8 de junho de 1978, quando foi criada a Portaria no 3.214, que aprovou as Normas Regulamentadoras (NR) relativas à Segurança e Medicina do Trabalho, que obrigam as empresas a cumpri-las. No Brasil, na década de 1970, houve um aumento do número de doenças ocupacionais, devido a uma redução na rotatividade de empregos, aumento da idade média da população economicamente ativa e, sobretudo, a um aumento no ritmo de trabalho. As modificações no ritmo de trabalho ocorreram pela evolução tecnológica das linhas de produção, o que tornou as atividades de trabalho mais simples, sendo exercidas por meio de movimentos rápidos e repetidos ao longo de todo o turno de trabalho. Em 1986, os diretores do Sindicato dos Empregados em Empresa de Processamento de Dados no Estado de São Paulo, ante a um aumento no número de casos de tenossinovite ocupacional, entraram em contato com a Delegacia Regional do Trabalho buscando meios para prevenir as lesões ocupacionais. Nos anos seguintes, os representantes da Secretaria de Segurança e Medicina do Trabalho e a Associação de Profissionais de Processamento de Dados participaram de várias reuniões para elaborar um projeto de norma que estabelecesse limites à cadência de trabalho, assim como critérios de conforto em relação ao mobiliário, ambiente térmico, luminoso e ruído. Contudo, apesar do empenho dos grupos envolvidos na elaboração da norma, apenas em1990, por insistência do presidente do Sindicato de Processamento de Dados, o Ministro do Trabalho assinou a Portaria que dava nova redação à Norma Regulamentadora no 17 (NR-17). Concomitantemente à elaboração da NR-17, o quadro de lesões por esforços repetidos foi formalmente reconhecido como doença profissional. Dessa forma, só a partir desse período é que as lesões passaram a ser registradas, e, mesmo assim, apenas em cidades com núcleos de saúde ocupacional. 14 UNIDADE I │ LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS Ainda hoje, a única fonte de informações estatísticas em nível nacional é a Previdência Social, a qual registra os dados dos trabalhadores que têm vínculo empregatício regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e segurados do Seguro Acidente do Trabalho (SAT). Contudo, os trabalhadores com vínculo empregatício representam, provavelmente, menos de 54% das pessoas consideradas empregadas, de acordo com dados do IBGE de 2008. Dos trabalhadores que não são segurados pelo SAT, não temos estatísticas. Os trabalhadores do mercado informal nunca tiveram suas doenças ocupacionais notificadas na Previdência Social, pois não têm cobertura. O Sistema Único de Saúde (SUS), que presta assistência e regula os planos de saúde, poderia coletar os dados e organizá-los, mas ainda não os incorporou ao seu sistema de informação nacional (MAENO, 2003). A partir de abril de 2007, o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) instituiu uma nova sistemática de concessão de benefícios acidentários, o Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP), o qual teve impacto sobre a forma como são levantadas as estatísticas de acidentes de trabalho. O NTEP foi implementado com o objetivo de minimizar a subnotificação dos acidentes e das doenças de trabalho, assim como de fortalecer a prevenção e a proteção dos trabalhadores em relação aos riscos derivados dos ambientes do trabalho e aspectos associados à saúde do trabalhador. A metodologia aplicada para estabelecer o NTEP utilizou os fundamentos estatísticos e epidemiológicos para cruzar os dados do código da Classificação Internacional de Doenças (CID 10) e do código da Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE). O cruzamento dos dados permitiu identificar forte associação entre diversas lesões, doenças, transtornos de saúde, distúrbios, disfunções subaguda ou crônica, e várias atividades desenvolvidas pelo trabalhador. A partir da identificação das fortes associações entre agravo e atividade laboral, foi possível construir uma matriz, com pares de associação de códigos da CNAE e da CID-10 que subsidia a análise da incapacidade laborativa pela Medicina Pericial do INSS: o NTEP. A implantação dessa sistemática não exige a entrega de uma Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) e sua vinculação a um benefício para a caracterização desse benefício como acidentário. Embora a entrega da CAT continue sendo uma obrigação legal, o fim dessa exigência implicou alterações nas estatísticas do INSS. Dessa forma, passou-se a ter um conjunto de benefícios acidentários, presumidamente causados por acidentes de trabalho, para os quais não há CAT registrada (BRASIL, 2008). Após as alterações no Sistema de Notificação Previdenciário, quantos trabalhadores se acidentam no trabalho ou sofrem de doenças relacionadas ao trabalho no Brasil? 15 LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS │ UNIDADE I A partir da implementação do NTEP, houve uma mudança radical no perfil da concessão de auxílios-doença de natureza acidentária com um incremento da ordem de 148% na concessão de benefícios entre 2007 e 2008 (MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, 2015). Cerca de 747,7 mil acidentes de trabalho foram registrados no INSS durante o ano de 2008, o que representou um aumento de 13,4% quando comparado com 2007. O maior impacto desse aumento (69,5%) deveu-se aos acidentes sem CAT registrada oriunda da nova sistemática de concessão dos benefícios acidentários, mas, mesmo para os acidentes de trabalho registrados, houve um aumento de 5,2% no ano de 2008. Do total de acidentes registrados, os acidentes típicos representaram 80,4%, os de trajeto, 16,2% e as doenças do trabalho, 3,4%. As pessoas do sexo masculino participaram com 78,8% e as pessoas do sexo feminino, com 21,2% nos acidentes típicos; 66,4% e 33,6% nos de trajeto; e 56% e 44% nas doenças do trabalho. Nos acidentes típicos e nos de trajeto, a faixa etária decenal com maior incidência de acidentes foi a constituída por pessoas de 20 a 29 anos com, respectivamente, 39,8% e 42,7% do total de acidentes registrados. Nas doenças de trabalho, a faixa de maior incidência foi a de 30 a 39 anos, com 32,3% do total de acidentes registrados (BRASIL, 2008). É importante ressaltar que com essa medida, são as empresas que precisam, agora, provar que o trabalhador não adquiriu ou agravou a doença devido às condições de trabalho. Antigamente, esse processo era inverso, pois o trabalhador deveria provar que o agravo a sua saúde decorreu ou foi agravado pelo trabalho, independentemente se a empresa que o emprega adoece e mata muito ou pouco quando comparada às demais. Portanto, ineverte-se o ônus da prova. Atualmente, no Brasil, as empresas têm altos custos com a saúde do trabalhador quando, há comprovação de que houve negligência dessa, durante um processo de acidente de trabalho. Quando isso ocorre, a empresa é responsável em pagar indenização ao empregado acidentado, podendo ser ajuizada ação judicial regressiva pelo INSS e sofrer penalidades administrativas a cargo da Superintendência Regional do Trabalho, e de seus Agentes de Inspeção (Auditores Fiscais do Trabalho); com incidência de uma contribuição previdenciária mais elevada (SAT/FAP) em razão de um eventual número progressivo de acidentes de trabalho dentro da empresa, podendo a penalidade atingir até 6% da sua folha e se responsabilizar com as despesas dos primeiros 15 dias de afastamento do trabalhador (RUBIN, 2016). Apesar dessas tributações, muitas empresas ainda não fazem o correto investimento em prevenção, portanto, colaboram com o aumento dos acidentes e doenças no trabalho. Nesse sentido, vemos a importância da prevenção desses ambientes. A prevenção no ambiente de trabalho visa identificar os fatores de risco presentes nesse ambiente a fim de evitar os acidentes de trabalho bem como as doenças relacionadas a ele. No entanto, ações de prevenção são cada vez mais negligenciadas pelo sistema de produção, que precisa a cada dia ser mais produtivo e rentável. 16 UNIDADE I │ LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS Para a garantia de um ambiente de trabalho saudável é de fundamental importância que se tenha profissionais competentes e capacitados para identificar os fatores de risco do ambiente de trabalho e propor as corretas modificações. Assim, no próximo capítulo, você entenderá um pouco mais sobre os fatores de risco do ambiente de trabalho. Leia os princípios de notificação dos acidentes de trabalho no Sistema Previdenciário Nacional. Informe-se também, a partir dos textos da biblioteca, sobre o NTEP e suas repercussões para a saúde do trabalhador. 17 CAPÍTULO 2 Fatores de risco relacionados ao desenvolvimento de LER/DORT As DORT têm origem complexa e multifatorial, onde o ambiente de trabalho e desenvolvimento do trabalho contribuem significativamente para o seu surgimento. Portanto, muitos são os fatores de risco que se combinam e interagem entre si e contribuem para o desenvolvimento dessas desordens. Nesse sentido, os fatores de risco do ambiente de trabalho devem ser entendidos e compreendidos para que sejam identificados e prevenidos, a fim de prevenir o desenvolvimento das DORT. Os fatores de risco são aspectos do comportamento individual, exposição ambiental ecaracterísticas hereditárias ou congênitas, associados à condição de saúde (BIREME, 2007). Os fatores de risco relacionados ao trabalho são divididos em: físicos/biomecânicos, organizacionais, psicofísicos e individuais (ARIËNS et al., 2001). Os fatores de risco físico/biomecânicos descritos na literatura são: alta repetitividade no trabalho, tarefas que exijam uso de força, manutenção de contrações estáticas e posturas extremas, temperaturas excessivas e vibração (LARSSON, 2007). Hagberg (1996) acrescenta, ainda, cargas nas mãos e invariabilidade de tarefas a esses fatores físicos. Já os fatores organizacionais e psicossociais são descritos como alta demanda de trabalho, baixo suporte social dos colegas de trabalho, pouco controle do ritmo da atividade e insatisfação no trabalho (JENSEN; HARMS-RINGDAHL, 2007). Por sua vez, as características individuais do trabalhador, tais como idade, gênero, doenças prévias, alterações hormonais, também influenciam e determinam as respostas do corpo a cada uma dessas exposições. Fatores de risco físico/biomecânicos Postura As posturas exigidas para realização da tarefa podem causar problemas se elas são extremas ou estáticas. As posturas extremas aumentam a demanda física da tarefa por aumentar o esforço requerido dos grupos musculares menores, já que os grupos musculares maiores não estão trabalhando em sua máxima eficiência. O aumento da sobrecarga dos músculos menores prejudica o fluxo sanguíneo e aumenta a taxa de fadiga. Posturas são consideradas extremas quando os indivíduos realizam alcances, rotação, inclinação, trabalho acima do nível da cabeça, mantêm a posição ajoelhada 18 UNIDADE I │ LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS e agachada ou realizam pegas, tal como a pinça. Os efeitos das posturas extremas são piores se as tarefas de trabalho incluem movimentos repetitivos ou exigem a realização de força. Figura 1. Exemplos de atividades ocupacionais exigindo a realização de posturas extremas. Dificuldade de acesso exigindo posturas extremas de membros superiores e tarefas que exigem inclinação, alcance e rotação. Fonte: Feletto; Lopes, 1998. As posturas estáticas são aquelas posturas de trabalho em que uma parte do corpo é mantida na mesma posição por um longo período, o que exige que os músculos estejam em constante estado de contração. Essa condição diminui a circulação sanguínea, resultando em falta de nutrientes aos músculos e acúmulo de metabólitos. Dessa forma, os músculos ficam cansados, causando desconforto e muitas vezes dor. Os trabalhadores que realizam atividades como costura e digitação, frequentemente apresentam relato de dor/desconforto nas regiões do pescoço e ombro devido às posturas estáticas mantidas durante o turno de trabalho. Figura 2. Manutenção de posturas estáticas por operadores de computador e costureiras. Fonte: Occupational Health and Safety, 2000. Força Força é a quantidade de esforço muscular despendido para realizar um trabalho. A aplicação de grande quantidade de força ocorre em qualquer tarefa na qual os trabalhadores encontram dificuldade em realizá-la devido à quantidade de esforço requerido. São exemplos: » levantar ou carregar um objeto pesado; » empurrar ou puxar um objeto difícil de mover; 19 LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS │ UNIDADE I » operar ferramentas que exijam muita força de compressão; » levantar um objeto de uma prateleira alta. Ainda devemos avaliar a quantidade de tempo que a carga é manuseada sem pausa para recuperação muscular, bem como outros fatores associados que dificultam a realização de força, como o número de vezes que a carga é manuseada por hora ou turno de trabalho, a quantidade de vibração associada, a postura adotada, a resistência a ser superada para a movimentação do objeto, temperatura ambiente e a quantidade de força de rotação exigida para a realização da tarefa. Figura 3. Manuseio de objetos. A- Muito pesado, B- Distante do corpo, C- Objeto pesado sem alças, D- Ferramenta sem desenho adequado exigindo manutenção de postura inadequada e força excessiva. Fonte: Feletto; Lopes, 1998. Repetição Trabalho repetitivo é aquele que exige a repetição do mesmo padrão estereotipado de movimentos; consequentemente, envolve os mesmos músculos, tendões e articulações para a realização da tarefa. Durante o trabalho repetitivo, o aporte sanguíneo diminui, implicando escassez de nutrientes e acúmulo de metabólitos. Como resultado, os músculos entram em fadiga. Os riscos do trabalho repetitivo dependem dos seguintes fatores: » Frequência: quão frequentemente o movimento repetitivo é realizado. » Duração: por quanto tempo o trabalho repetitivo é mantido. 20 UNIDADE I │ LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS O trabalho repetitivo oferece ainda maior risco ao trabalhador quando associado a posturas extremas e/ou esforços excessivos. Figura 4. Os trabalhos repetitivos são muito comuns em farmácia de manipulação e indústrias de produção de cartões. Fonte: Feletto; Lopes, 1998. Componentes do local de trabalho Desenho do posto de trabalho Os postos de trabalho são locais particulares nos quais as pessoas exercem suas atividades laborais. Quando a estação de trabalho apresenta um desenho pobre, geralmente porque não atende às dimensões físicas de quem a usa, os trabalhadores podem vir a adotar posturas extremas ou fazer uso excessivo de força para realizar a tarefa. Nas estações de trabalho, as alturas e os alcances precisam sempre ser considerados. O desenho dos postos de trabalho, principalmente a altura, tem uma estreita relação com as posturas adotadas pelo trabalhador. Se o posto de trabalho é muito baixo, o trabalhador tem que se inclinar sobre a superfície de trabalho, o que coloca suas costas em postura desfavorável (Figura 5A). Trabalhadores de fábricas de automóveis, por exemplo, necessitam constantemente abastecer suas bancadas com peças e componentes, realizar alcances dentro de caixas, o que pode colocar as costas em condição de estresse se as caixas não estão adequadamente posicionadas. Outro exemplo são os operadores de prensas, os quais tem que alcançar os controles acima do nível do ombro, o que pode levar a dor e tensão no ombro e no pescoço. Postos de trabalho confinados frequentemente restringem a habilidade do trabalhador de alterar a postura corporal facilmente. Trabalhos mecânicos como os realizados para a manutenção de automóveis, nas fuselagens de avião ou as atividades de mineiros e eletricistas normalmente exigem que os trabalhadores adotem posturas extremas. Essa condição pode levar à fadiga e ao aumento do risco de lesão. 21 LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS │ UNIDADE I Nos trabalhos de escritório ou em bancadas, geralmente, um grande número de pessoas usam o mesmo posto de trabalho. Quando cadeiras e mesas não são ajustáveis, os trabalhadores mais altos terão que se inclinar sobre suas mesas e os trabalhadores mais baixos poderão não alcançar os pés no chão ou terão que abduzir seus braços para realizar a tarefa (Figura 5B). Essas posturas inadequadas podem levar a dores no pescoço, ombro, punhos e coluna. Figura 5. A- O posto de trabalho obriga o trabalhador a inclinar seu corpo excessivamente para realizar o alcance do objeto. B- O posto de trabalho fixo faz com que o trabalhador alto incline suas costas e que o trabalhador baixo abduza seus braços. Fonte: Occupational Health and Safety, 2000. Equipamentos e ferramentas A maioria dos equipamentos e ferramentas é desenhada sem levar em consideração os trabalhadores que irão usá-los. Assim como os postos de trabalho, ferramentas e equipamentos com um desenho ruim podem levar os trabalhadores a adotarem posturas extremas ou estáticas, ou ainda, aplicarem força excessiva para realizarsuas atividades de trabalho. Desenho do equipamento Muitos trabalhadores gastam seu dia de trabalho operando equipamentos e maquinários. Entretanto, pouca ou nenhuma atenção tem sido dada para os usuários finais – os trabalhadores. A maioria dos equipamentos não é ajustável às necessidades individuais dos operadores, os quais têm diferentes características físicas. Como consequência, os trabalhadores são obrigados a se inclinar, rodar ou alcançar para atender à demanda da máquina. Equipamentos com desenho ruim têm como características: » dificuldade de operacionalização; » a operação requer posturas estáticas ou extremas do corpo (Figura 6A); 22 UNIDADE I │ LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS » os controles são difíceis de serem alcançados ou requerem força para operar; » controles e instrumentos de medida são difíceis de ler; » equipamentos vibram e apresentam ruído (Figura 6B). Trabalhadores que realizam o reparo de equipamentos e maquinaria estão também em risco. Trabalhadores de manutenção são obrigados a se inclinar ou ajoelhar para realizar os reparos e estão expostos a um aumento de riscos de lesão para as costas e os joelhos. Controles e monitores são usados para operar e monitorar equipamentos. Controles podem ser maçanetas, alças, interruptores ou pedais. Eles variam em formato e modelo e podem requerer a adoção de posturas extremas ou estáticas ou o uso de força excessiva para operá-los. Figura 6. A- O equipamento de trabalho exige adoção de posturas extremas do ombro. B- Além da postura inadequada dos membros superiores, a ferramenta vibra e aumenta o risco de lesões musculoesqueléticas de membros superiores. Fonte: Occupational Health and Safety, 2000. Desenho da ferramenta A maioria das ocupações requer o uso de ferramentas para a realização de tarefas específicas. As ferramentas comerciais incluem desde as tesouras utilizadas por barbeiros e cabeleireiras até as chaves de fenda de eletricistas e montadores. Ferramentas com desenho inadequado colocam os trabalhadores em risco de desenvolver lesões nos membros superiores. Em geral, as ferramentas com desenhos inadequados têm uma ou mais das seguintes características: » ferramentas que requerem uma preensão inadequada; » ferramentas que provocam o desvio do punho para o uso; 23 LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS │ UNIDADE I » o acionamento da ferramenta requer força adicional para operá-la; » a ferramenta vibra; » a ferramenta é muito pesada; » a ferramenta é instável. Por exemplo, ferramentas com desenho inadequado podem levar o trabalhador a flexionar o punho além da posição neutra. Essa condição implica que o trabalhador tenha que usar força adicional para operar a ferramenta. Com o tempo, esses fatores de risco podem resultar em doenças ocupacionais dos membros superiores. De maneira similar, o uso repetido de botões de acionamento pode levar aos dedos em gatilho uma lesão do tendão do dedo indicador. Ferramentas com desenhos inadequados também podem levar ao desenvolvimento de lesões musculoesqueléticas por realizarem pressão em partes do corpo (Figura 7). Quando isso ocorre, a área de contato comprime os vasos sanguíneos e/ou nervos. Isso pode resultar em formigamento e perda de controle. Isso pode acontecer, por exemplo, quando a pressão é realizada na palma da mão ao se usar uma chave de fenda. Cabeleireiras e manicures são similarmente afetadas pelo uso de tesouras e alicates, os quais provocam compressão nos dedos e nas palmas das mãos. Figura 7. Ferramentas provocando compressão nas palmas das mãos e nos dedos. Fonte: Feletto; Lopes, 1998. Manuseio manual de materiais Na maioria dos locais de trabalho, há a necessidade de levantar, puxar, empurrar e carregar materiais. A natureza dessas atividades coloca os trabalhadores em risco de desenvolver dor e lesão lombar. Embora lesões nas costas possam resultar de um único evento traumático, elas frequentemente se desenvolvem ao longo do tempo. Uma vez que as costas estão lesadas, a chance de recorrência é provável se o trabalhador retorna para a mesma atividade de trabalho prejudicial. 24 UNIDADE I │ LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS Vários fatores influenciam a carga na coluna durante o levantamento e manuseio de peso. Quanto mais esses fatores estiverem presentes, maior o risco de lesão. Esses fatores incluem: » distância do objeto ao corpo; » peso do objeto sendo levantado; » grau de inclinação e rotação da coluna; » tamanho e formato do objeto; » frequência de carregamentos; » obstáculos interferindo na tarefa de manuseio; » altura inicial e final do levantamento do objeto (Figura 8B). Trabalhadores nunca deveriam ser solicitados a levantar ou manusear cargas que poderiam colocar em risco sua saúde e segurança. Qualquer tarefa de carregamento ou manuseio exerce alguma força na coluna. Geralmente, quanto mais pesado um material, maior a força necessária para levantá-lo. Materiais podem ser difíceis de manusear se eles apresentam um formato inadequado ou são volumosos. A maioria dos materiais é armazenada em caixas de papelão que não apresentam alças adequadas para o seu manuseio. Sacos de farinha ou hastes de aços são difíceis de ser mantidos próximo ao corpo, requerendo força adicional para segurá-los ou carregá-los. Essas cargas instáveis podem causar rotação ou inclinação do corpo, o que é mais um risco de desenvolvimento de lesão. Figura 8. A- Manuseio de pacientes pode envolver movimentos inesperados, a aplicação de alta força e a adoção de posturas extremas. B- Levantamento de materiais do chão provoca maior sobrecarga na coluna. Fonte: Occupational Health and Safety, 2000. Fatores ambientais Fatores do ambiente no qual as pessoas trabalham também podem contribuir para o desencadeamento das doenças musculoesqueléticas dos membros superiores, incluindo temperatura, luminosidade e vibração. 25 LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS │ UNIDADE I Temperatura Quando exposto ao frio ou ao calor, o corpo precisa trabalhar para manter a temperatura normal. No ambiente frio, os vasos sanguíneos se contraem, o que leva à diminuição de aporte de oxigênio para nutrição dos músculos. Quando isso acontece, os dedos ficam dormentes, diminuindo sua habilidade de trabalhar adequadamente; isso requer que o trabalhador use mais força para prender e segurar as ferramentas na mão. Um exemplo dessa condição são os cortadores de carne, que trabalham em salas frias usando movimentos repetitivos para o corte da carne (Figura 9), além de utilizarem facas com desenho inadequado, que favorecem ainda mais o desenvolvimento de lesão musculoesquelética. A geração de calor em qualquer operação industrial é um fenômeno muito comum dentro das indústrias. O trabalho em ambientes muito quentes, como o de caldeireiros (Figura 10), causam impacto no desempenho e produtividade dos trabalhadores. Os trabalhadores nessa condição estão expostos a grande estresse físico bem como psicológico. Uma pessoa que trabalha gera calor internamente no corpo, principalmente por meio do trabalho muscular, isso é aumentado quando o trabalhador está em um ambiente térmico quente levando a um aumento, portanto, do estresse térmico (BRIDGER, 2003). Com a exposição ao calor contínuo, o mecanismo de defesa humano passa por transformações progressivas para manter a estabilidade térmica interna. No entanto, a aclimatação estratégica para o calor não ocorre no caso dos trabalhadores devido à variabilidade das cargas de trabalho, a temperatura do local de trabalho, bem como diferentes níveis de exposição (NAG; NAG, 2009). Assim, trabalhos nessas condições levam à mal-estar psicológico e físico, transtornos fisiológicos, fadiga cerebral, desidratação, sensação de fadiga,diminuição da destreza, descoordenação sensorial e motriz, incidência de doenças cardiovasculares e musculoesquelética e de perturbações gastrointestinais. Figura 9. Trabalho em frigoríficos. Fonte: <http://www.montibeler.com.br/noticia/novas-regras-tentam-reduzir-acidentes-de-trabalho-em-frigorificos>. 26 UNIDADE I │ LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS Figura 10. Trabalho dos caldeireiros. Fonte: <http://www.noticenter.com.br/geral/img/noticias/2014_02_20_11_40_21_image.jpg>. Iluminação A quantidade e o tipo de luz também podem contribuir para o desenvolvimento de doenças relacionadas ao trabalho. Brilho intenso e falta de luz direta podem induzir o trabalhador a adotar posturas extremas para realizar o seu trabalho. Isso pode levar a esforço nos olhos, pescoço e ombro (Figuras 11 e 12). Figura 11. Trabalho com muita iluminação. Fonte: <http://www.interne.com.br/novidades/index.php?option=com_content&view=article&id=5636>. Figura 12. Trabalho com pouca iluminação. Fonte: <http://operamundi.uol.com.br/conteudo/viagens/32771/maior+cidade+das+americas+na+era+colonial+potosi+at rai+turistas+com+minas+de+prata.shtml>. 27 LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS │ UNIDADE I Vibração A vibração pode afetar os vasos sanguíneos, nervos sensoriais e o sistema musculoesquelético. Ela pode causar espasmo dos vasos sanguíneos, o que reduz o fluxo sanguíneo para os músculos. Essa condição priva os músculos de nutrientes e oxigênio necessários para que possam trabalhar adequadamente. A resposta do corpo depende da duração, frequência e extensão da vibração. O uso de ferramentas pneumáticas e elétricas pode afetar o fluxo sanguíneo das mãos. Trabalhadores afetados por lesões relacionadas à vibração, tais como síndrome de Raynaud ou síndrome do túnel do carpo, são trabalhadores de construção, mineiros, serralheiros, (Figura 13A), por exemplo. Motoristas e operadores de equipamentos móveis (Figura 13B) são exemplos de trabalhadores que estão expostos à vibração do corpo inteiro. Motoristas de empilhadeiras rotineiramente trabalham com a vibração do corpo inteiro, especialmente quando dirigindo sobre superfícies irregulares ou desiguais. Operadores de equipamentos móveis que estão expostos à vibração e permanecem na posição sentada por longos períodos em assentos com desenho inadequado apresentam maior risco de desenvolver lesões nas costas. Outro exemplo de trabalho que expõe o trabalhador à vibração de grande parte do corpo é o trabalho com cortadores de grama. No entanto, há diferentes tipos de equipamentos que podem gerar mais ou menos vibração no corpo. O trabalho com roçadeiras chamadas de “mesa”, envolve vibração de membros superiores (Figura 14), já a roçadeira multifuncional envolve vibração de MMSS e tronco (Figura 15) e a roçadeira em trator (Figura 16) envolve vibração de corpo inteiro. Figura 13. A- Talhadeira pneumática que provoca vibração no braço e na mão; B- Empilhadeira que provoca vibração no corpo todo. Fonte: Feletto; Lopes, 1998. 28 UNIDADE I │ LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS Figura 14. Trabalho com roçadeira de “mesa”. Fonte: <https://www.youtube.com/watch?v=kOclONWhRdU>. Figura 15. Trabalho com roçadeira multifuncional. Fonte: <http://projetouca.org.br/2015/04/projeto-uca-inicia-recuperacao-de-mais-9-ha-de-manguezal-na-apa-de-guapi-mirim/>. Figura 16. Trabalho com roçadeira em trator. Fonte: <http://www.treslagoas.ms.gov.br/noticia/secretaria-de-meio-ambiente-realiza-manutencao-de-areas-verdes- publicas/11776/>; <https://www.deere.com.br/pt_BR/products/equipment/lawn_tractors/lawn_tractors.page>. Fatores organizacionais A organização do trabalho – incluindo o que, como, quando e onde o trabalho é realizado, assim como a velocidade de trabalho e a forma de pagamento – é fundamental para o entendimento do porquê as lesões ocorrem e como elas podem ser prevenidas. Uma má organização do trabalho pode, direta ou indiretamente, afetar a demanda do trabalho. 29 LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS │ UNIDADE I Alguns fatores de risco são resultados da pobre organização do trabalho. Por exemplo, se um sistema de incentivos ou por peça está em vigência, trabalhadores serão encorajados a trabalhar mais rápido e por mais tempo. Esse aumento no ritmo de trabalho é um estresse adicional ao sistema musculoesquelético. Além disso, o estresse psicossocial resultante do aumento de ritmo também pode levar a respostas fisiológicas tais como tensão muscular e fadiga. Ainda, devido ao sistema de incentivos, trabalhadores podem ser financeiramente recompensados por não participar das pausas de descanso, de tal forma que músculos, tendões e ligamentos nunca têm um período de recuperação do estresse e do esforço ao qual têm sido expostos. Má organização do trabalho, a qual pode levar a esses problemas físicos, frequentemente tem as seguintes características: » impõe muito trabalho ao funcionário; » pausas inadequadas ou infrequentes; » requer a realização de horas extras ou apresenta sistema de incentivos; » trabalho no ritmo controlado pela máquina; » falta de variação de tarefas. Outro fator importante que coloca os trabalhadores em risco de desenvolvimento de lesões musculoesqueléticas é a falta de treinamento de como usar o posto de trabalho, como usar ou selecionar as ferramentas adequadas para o trabalho ou como seguir os procedimentos de segurança. Ferramentas e postos de trabalho bem desenhados e procedimentos adequados não prevenirão, sozinhos, o desenvolvimento de lesões. Por exemplo, um operador de computador pode não saber como ajustar uma cadeira bem desenhada, isso poderia provocar um estresse desnecessário para as articulações do pescoço, ombro ou coluna lombar. Treinamento e comunicação efetiva ajudam os trabalhadores a tornar suas tarefas mais seguras e a participarem ativamente no controle e minimização das LER/DORT. É fundamental não esquecer da duração das tarefas de trabalho. Você deve estar ciente da quantidade do tempo de um dia de trabalho que os funcionários gastam realizando tarefas com demanda física ou tarefas repetitivas. Ambos, tempo total de trabalho no turno e períodos ininterruptos de trabalho, podem ter papel significante em desencadear lesões. Assim como movimentos repetitivos, força, postura e outros fatores, a falta de tempo de recuperação (pausa) também é um fator de risco para as doenças musculoesqueléticas relacionadas ao trabalho. 30 UNIDADE I │ LER/DORT E FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS Tente levantar as ferramentas disponíveis para a avaliação dos diversos fatores de risco apresentados anteriormente. Não se esqueça que o mais adequado é que a ferramenta tenha sido traduzida e validada para o português para ser aplicada aos trabalhadores, principalmente, os questionários. 31 UNIDADE II FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS CAPÍTULO 1 Avaliação dos sintomas musculoesqueléticos relacionados ao trabalho O registro de distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao trabalho tem se tornado cada vez mais frequente entre a população trabalhadora. Segundo Ribeiro (1997), as razões para esse aumento nos registros são: o uso do computador em quase todos os setores da atividade produtiva, a atenção crescente que é dada à possibilidade de acometimento das doenças ocupacionais e o fato de as entidades de classe refletirem essa preocupação dos trabalhadores, divulgando e realizando pressões nas empresas para que cumpram as normas protetoras da saúde de seus empregados. A literatura internacional descreve questionários e escalas específicos, aplicados para avaliar vários aspectos das doenças musculoesqueléticas,incluindo: frequência, localização, intensidade dos sintomas, capacidade funcional e qualidade de vida e aspectos emocionais e sociais. Nesse sentido, o Questionário Nórdico Padronizado é um instrumento reconhecido internacionalmente para avaliação de queixas musculoesqueléticas (KUORINKA et al., 1987). O objetivo do questionário é avaliar problemas musculoesqueléticos numa abordagem ergonômica, além de padronizar a mensuração de relatos de sintomas osteomusculares e, assim, facilitar a comparação dos resultados entre os estudos. O instrumento consiste em questões considerando as partes do corpo humano que correspondem a 9 áreas anatômicas (3 para os membros superiores, 3 para os membros inferiores e 3 para as costas). As questões são binárias (sim ou não) e o respondente deve relatar a ocorrência dos sintomas considerando os 12 meses e os 7 dias precedentes à 32 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS entrevista, bem como relatar a ocorrência de afastamento das atividades rotineiras no último ano. O instrumento foi adaptado culturalmente para a língua portuguesa por Barros e Alexandre em 2003, apresentando uma confiabilidade variando de 0,88 a 1, segundo o coeficiente de Kappa. Esses resultados garantem que o questionário poderá ser aplicado aos trabalhadores brasileiros e que os resultados serão confiáveis, podendo ser utilizados para fornecer dados padronizados para a prática clínica, pesquisa e programas de saúde pública. O questionário completo está apresentado na figura 17. Uma sugestão de redação para a questão inicial é a seguinte: “Por favor, responda às questões colocando um X no quadrado apropriado – um X para cada pergunta. Por favor, responda a todas as perguntas mesmo que você nunca tenha tido problemas em qualquer parte do seu corpo. Essa figura mostra como o corpo foi dividido. Você deve decidir, por si mesmo, qual parte está ou foi afetada, se houver alguma”. Figura 17. Versão traduzida por Barros e Alexandre (2003) do Questionário Nórdico Padronizado. Fonte: <http://www.efdeportes.com/efd159/disturbios-osteomusculares-em-cuidadores-de-pessoas-02.jpg>. O questionário pode ser aplicado em situações ocupacionais para identificação de setores mais críticos, ou seja, aqueles que apresentam maior prevalência de sintomas musculoesqueléticos. Além disso, pode ser utilizado para comparar os setores e identificar as regiões mais acometidas em cada setor para que dessa forma possa direcionar as ações preventivas, assim como avaliar os efeitos da intervenção. 33 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II Após a aplicação desse questionário um relatório dos dados obtidos deverá ser produzido, contendo gráficos e dados de prevalência, para facilitar a análise das regiões mais acometidas pela dor em cada setor e no ambiente de trabalho em geral. Além disso, esse questionário também permite que sejam identificadas as regiões onde a dor provocou maiores perdas para o trabalhador como a diminuição da produção, bem como a procura por médicos. Também, por meio desse questionário podemos ter uma análise das regiões mais acometidas durante os últimos dias, permitindo uma análise mais imediata da situação. » Algumas vezes, após uma intervenção, não encontraremos diferença nos achados do Questionário Nórdico. Isso significa que a sua intervenção não teve efeito? Muitas vezes não significa que a sua intervenção não teve resultado, significa que ela não foi capaz de eliminar os sintomas, mas ela pode tê-los minimizado, não pode? » Qual ferramenta pode ser utilizada para avaliar a intensidade dos sintomas? A intensidade dos sintomas musculoesqueléticos pode ser avaliada por meio da Escala Visual Analógica (EVA), que consiste em uma linha com 10 cm e duas âncoras verbais: “sem dor”, no início, e a “pior dor possível”, no final (Figura 18). O indivíduo marca a intensidade da sua dor ao longo da linha – um instrumento amplamente utilizado e considerado bastante sensível na mensuração da intensidade dolorosa. A instrução aos sujeitos pode ser a seguinte: “Anote a intensidade do desconforto neste momento na escala logo abaixo, com um traço vertical. Considere o valor 0 (zero) como nenhum desconforto e o valor 10 (dez) como o pior desconforto que já sentiu na sua vida”. Figura 18. Modelo de Escala Visual Analógica (EVA). Intensidade da Dor 0______________________________________10 Sem desconforto Pior desconforto possível Se você optar por aplicar a EVA, não se esqueça que a linha deve ter 10 cm após a impressão da folha de avaliação. Conforme o trabalho de Myles e Troedel (1999), demonstrou-se que a EVA tem característica linear quando aplicada à dor de média e de pouca intensidade. Essa linearidade preconiza que, quando um paciente apresenta um valor alto e depois 34 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS um valor mais baixo, a dor realmente diminuiu na proporcionalidade indicada, por ser uma escala linear. Esse é um dos fatores de credibilidade da ferramenta. Entretanto, muitos indivíduos têm dificuldade em interpretá-la e respondê-la. Essa dificuldade está intimamente relacionada ao grau de instrução dos respondentes: quanto menor o grau de instrução, maior a dificuldade. Para minimizar essa dificuldade, foram propostas outras escalas, como a numérica. A escala numérica de 11 pontos é graduada de 0 (zero) a 10 (dez), em que o 0 (zero) significa “ausência de dor” e o 10 (dez) “pior dor imaginável”. Segundo Jensen et al. (1994), as escalas numéricas de 11 pontos são tão sensíveis quanto as escalas visuais analógicas, com a vantagem de serem facilmente interpretadas pelos indivíduos avaliados. Qual o tamanho da redução da dor registrada pelas escalas de avaliação considerada suficientemente “grande” para que a intervenção seja considerada eficiente? Estudos apontam para uma redução de pelo menos 3 pontos para que a intervenção possa ser considerada eficiente (FARRAR et al., 2000; WILLIAMSON, 2004), ou seja, se o indivíduo registrar uma intensidade da dor com valor “7” no início da intervenção e uma intensidade da dor de valor “4” no final da intervenção, podemos considerar que a intervenção foi eficiente. 35 CAPÍTULO 2 Avaliação do Índice de Capacidade para o Trabalho (ICT) A capacidade para o trabalho é uma condição resultante da combinação entre recursos humanos em relação às demandas físicas, mentais e sociais do trabalho, cultura organizacional e ambiente de trabalho. Esse conceito é expresso como “quão bem está ou estará um(a) trabalhador(a) presentemente ou num futuro próximo e quão capaz ele ou ela podem executar seu trabalho em função das exigências, de seu estado de saúde e capacidades físicas e mentais”. Segundo Tuoni et al. (1997), a capacidade para o trabalho é a base do bem-estar para o ser humano e não permanece satisfatória ao longo da vida, sendo afetada por muitos fatores. Entretanto, um ambiente de trabalho saudável e um estilo de vida ativo mudam esse prognóstico. O Índice de Capacidade para o Trabalho (ICT) é um instrumento que permite avaliar a capacidade para o trabalho a partir da percepção do próprio trabalhador. É determinado com base nas respostas a uma série de questões (ver questionário completo no Anexo I, disponível na biblioteca da disciplina) que consideram as exigências físicas e mentais do trabalho, o estado de saúde e os recursos do trabalhador. O(a) trabalhador(a) preenche o questionário e o profissional de Saúde Ocupacional classifica as respostas de acordocom as instruções. O Índice de Capacidade para o Trabalho é formado por dez questões divididas em sete itens: 1. capacidade atual para o trabalho comparada com a melhor de toda a vida, 2. capacidade para o trabalho em relação às exigências do trabalho, 3. número de doenças atuais diagnosticadas por médico, 4. perda estimada para o trabalho por causa de doenças, 5. faltas ao trabalho por doenças no último ano, 6. prognóstico próprio da capacidade para o trabalho daqui a dois anos e 7. recursos mentais. Cada um avaliado por uma ou mais questões (Tabela 1). Ele é calculado pela soma dos pontos recebidos para cada um dos itens, de acordo com a Tabela 1. 36 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS No item 2, a capacidade para o trabalho é avaliada em relação tanto às exigências físicas como mentais do trabalho. A resposta à questão é ponderada de forma diferente, dependendo se o trabalho é fundamentalmente físico ou mental. O termo quantidade de pontos (escore) se refere ao número da resposta assinalada no questionário. Para trabalhos com exigências físicas, a quantidade de pontos é multiplicada por 1,5 e a quantidade de pontos para as exigências mentais é multiplicada por 0,5. Para trabalhos com exigências mentais, a quantidade de pontos para as exigências físicas é multiplicada por 0,5 e a quantidade de pontos para as exigências mentais é multiplicada por 1,5. Para trabalhos com exigências tanto físicas como mentais, a quantidade de pontos (escore) permanece inalterada. As questões que se referem às exigências físicas e mentais são as questões 2 e 3 do questionário, respectivamente. Por exemplo, se um trabalhador é funcionário de um setor de telemarketing (maior exigência mental do trabalho), e assinalou 5 (na questão 2) para as exigências físicas de seu trabalho e 2 para as exigências mentais (na questão 3), devemos realizar o cálculo do item 2 da seguinte forma: Cálculo: (5 x 0,5) + (2 x 1,5) = 2,5 + 3 = 5,5 Já se o trabalhador é funcionário do setor de carregamento de materiais da região portuária do litoral carioca (atividade com maior exigência física) e o indivíduo assinalou o valor 5 para as exigências físicas de seu trabalho e 2 para as exigências mentais, devemos realizar o cálculo do item 2 da seguinte forma: Cálculo: (5 x 1,5) + (2 x 0,5) = 7,5 + 1 = 8,5 A pontuação dos sete itens deve seguir a explicação da Tabela 1. Assim, o item 1 terá a pontuação equivalente à pontuação registrada na questão 1. O item 2 terá a pontuação equivalente ao valor final da equação acima, que calcula as exigências físicas e mentais. Para a pontuação do item 3, devemos verificar a questão 4 (em sua opinião, quais das lesões por acidentes ou doenças citadas abaixo você possui atualmente). Nessa questão devemos contar quantas doenças confirmadas pelo médico o trabalhador possui e em seguida, conforme a Tabela 1, ver o valor equivalente à quantidade de doenças presentes. Os itens 4, 5 e 6 são pontuados segundo os valores obtidos nas questões 5, 6 e 7 respectivamente. Já no item 7, devemos somar os valores das questões 8, 9 e 10 e ponderar segundo a Tabela 1. Tabela 1. Itens abrangidos pelo Índice de Capacidade para o Trabalho, número de questões utilizadas para avaliar cada item e escore (número de pontos das respostas). Item No de questões No de pontos (escore) das respostas 1. Capacidade atual para o trabalho comparada com a melhor de toda a vida. 1 0–10 pontos (valor assinalado no questionário) 2. Capacidade para o trabalho em relação às exigências do trabalho. 2 Número de pontos ponderados de acordo com a natureza do trabalho (fórmula para o cálculo na página seguinte). 37 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II Item No de questões No de pontos (escore) das respostas 3. Número de doenças atuais diagnosticadas por médico. 1 (lista de 51 doenças) Pelo menos 5 doenças = 1 ponto. 4 doenças = 2 pontos. 3 doenças = 3 pontos. 2 doenças = 4 pontos. 1 doença = 5 pontos. Nenhuma doença = 7 pontos. (são contadas somente doenças diagnosticadas por médico) 4. Perda estimada para o trabalho por causa de doenças. 1 1–6 pontos (valor circulado no questionário; o pior valor será escolhido). 5. Faltas ao trabalho por doenças no último ano (12 meses). 1 1–5 pontos (valor circulado no questionário). 6. Prognóstico próprio da capacidade para o trabalho daqui a 2 anos. 1 1,4 ou 7 pontos (valor circulado no questionário). 7. Recursos mentais*. 3 Os pontos das questões são somados e o resultado é contado da seguinte forma: Soma 0–3 = 1 ponto Soma 4–6 = 2 pontos Soma 7–9 = 3 pontos Soma 10–12 = 4 pontos *Esse item se refere à vida em geral, tanto no trabalho como no tempo livre. Fonte: Tuomi et al., 2005. A soma da pontuação de todas as respostas do questionário levará a um escore final que pode variar entre 7 e 49. Esse número retrata o próprio conceito do(a) trabalhador(a) sobre sua capacidade para o trabalho. De acordo com esse escore, o Índice de Capacidade para o Trabalho e os objetivos de quaisquer medidas necessárias a serem tomadas são assim classificados: » 7–27 pontos: baixa capacidade para o trabalho; » 28–36 pontos: moderada capacidade para o trabalho; » 37–43 pontos: boa capacidade para o trabalho; » 44–49 pontos: ótima capacidade para o trabalho. Com auxílio do questionário, o profissional de Saúde Ocupacional é capaz de, em estágio precoce, identificar trabalhadores e ambientes de trabalho que necessitem de medidas de apoio. Medidas para restaurar a capacidade para o trabalho ou suas avaliações adicionais são necessárias para aqueles que apresentam baixo Índice de Capacidade para o Trabalho (pontuação máxima de 27). Para aqueles em que esse Índice é moderado (pontuação entre 28 e 36), medidas para melhorá-lo são recomendadas. Trabalhadores 38 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS com bom Índice de Capacidade para o Trabalho (pontuação entre 37 e 43) devem receber informações sobre como mantê-lo. Trabalhadores com ótimo Índice de Capacidade para o Trabalho (pontuação entre 44 e 49) também devem ser informados sobre quais fatores no trabalho são relacionados ao estilo de vida que mantêm e quais enfraquecem a capacidade para o trabalho. Os efeitos das medidas tomadas podem ser acompanhados por novo preenchimento dos questionários pelos trabalhadores, em conjunto com os exames periódicos de saúde ou outros tipos de processos de acompanhamento (TUOMI et al., 2005). O ICT também pode ser usado para prever o risco de incapacidade. Esse índice foi desenvolvido pelo Instituto Finlandês, em seu estudo de acompanhamento de trabalhadores em processo de envelhecimento, e foi proposto para predizer a incidência de incapacidade para o trabalho nos funcionários de 50 anos de idade. Aproximadamente dois terços das pessoas no grupo com baixo ICT aposentaram-se por incapacidade durante os 11 anos de acompanhamento. Todavia, mais de um terço dos que estavam capacitados para continuar trabalhando na mesma ocupação e que apresentaram baixo ICT foram capazes de melhorar sua capacidade para o trabalho mediante modificações ergonômicas propostas. Os estudos a respeito da capacidade para o trabalho dos brasileiros tiveram início após a tradução e adaptação do questionário para o Português. Foram feitas algumas adaptações no texto original, visando garantir o entendimento das questões e tornando o instrumento autoaplicável desde que a escolaridade mínima fosse a quarta série do ensino fundamental (hoje equivalente ao quinto ano). Essa versão brasileira pode ser encontradaem Tuomi et al. (2005). Apresentaremos a seguir algumas tabelas com dados de referência a respeito do Índice de Capacidade para o Trabalho. Os valores de referência podem ser usados, por exemplo, para realizar comparações entre grupos ocupacionais, indivíduos do mesmo setor de trabalho etc. Por meio de comparações, é possível determinar se a capacidade para o trabalho dos trabalhadores em seu próprio local de trabalho se desvia dos valores de referência. É de fundamental importância determinar quantos trabalhadores têm baixa capacidade para o trabalho em ocupações diferentes, de acordo com o grupo etário. Medidas de apoio direcionadas aos trabalhadores com baixa capacidade para o trabalho devem ser implementadas, pois uma grande proporção desses trabalhadores pode tornar-se incapacitada para o trabalho em poucos anos, se tais medidas não forem adequadamente tomadas. Quando os Índices de Capacidade para o Trabalho são avaliados e medidas de apoio são consideradas, diferentes grupos ocupacionais de trabalho devem ser considerados. 39 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II Tabela 2. Médias de Índice de Capacidade para o Trabalho de homens e mulheres, em ocupações municipais com 50 e 55 anos de idade, de acordo com o conteúdo do trabalho (exigências físicas, mentais e combinação de ambas) e perfil de grupos. Gênero/conteúdo do trabalho/perfil de grupos 50 anos 55 anos 58 anos Gênero/conteúdo do trabalho/perfil de grupos 50 anos 55 anos 58 anos Homens 35 34 34 Mulheres 36 35 34 Trabalho com exigências físicas Trabalho auxiliar Assistentes não qualificados Pintores Trabalhadores da construção civil Limpeza/conservação de parques Varredores de rua Trabalhadores de estacionamento Operários Trabalho de instalação Bombeiros Zeladores Encanadores Mecânicos de autos Carpinteiros Eletricistas 34 33 35 33 33 33 31 31 31 Trabaho com exigências físicas Trabalho auxiliar Limpadoras Atendentes hospitalares Auxiliares de cozinha Trabalhadoras da construção civil Varredoras de rua Limpeza/conservação de parques Trabalho doméstico Lavadeiras Empregadas domésticas Arrumadeiras 34 34 34 32 33 31 32 31 33 Combinação de exigências Trabalho físico e mental Trabalho de transporte Operadores de máquinas Motoristas de ônibus Outros trabalhadores de transporte Trabalho em depósito Trabalho em consultório odontológico Trabalho de enfermagem Enfermeiros psiquiátricos 34 34 33 37 35 34 34 33 38 36 33 32 ... ... ... Combinação de exigências Trabalho físico e mental Supervisoras de cozinha Trabalho em consultório odontológico Trabalho de enfermagem Babás Auxiliares de enfermagem Enfermeiras psiquiátricas Enfermeiras especializadas Outras enfermeiras 37 36 39 37 35 34 37 35 34 30 38 34 Trabalho com exigências mentais Trabalho administrativo Trabalhadores sociais Supervisores de escritório Supervisão técnica Chefes de bombeiros Supervisores da construção civil Médicos Professores de escola técnica de escola secundária 39 40 38 44 38 36 38 35 41 35 36 37 36 40 34 Trabalho com exigências mentais Trabalho de escritório Projetista desenhista Datilógrafas Escriturárias Pessoal administrativo Assistentes sociais Enfermeiras-chefes de hospital de unidade Supervisoras de escritório Médicas Professoras de escola técnica de escola secundária de creches 39 38 40 40 38 35 36 37 39 35 35 35 36 38 35 ... Falta de dados. Fonte: Tuomi et al., 2005. 40 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS Tabela 3. Porcentagem de trabalhadores municipais com 50 e 55 anos de idade nas categorias de capacidade para o trabalho, de acordo com o gênero e as exigências físicas, mentais ou combinadas de trabalho. Idade Gênero/índice de capacidade para o trabalho trabalho com exigências físicas Trabalho com exigências físicas e mentais trabalho COM exigências mentais 50 anos Homens Baixo Moderado Bom Ótimo Mulheres Baixo Moderado Bom Ótimo 18 40 32 10 21 40 30 9 20 38 32 10 10 34 40 16 9 21 39 31 6 24 46 24 55 anos Homens Baixo Moderado Bom Ótimo Mulheres Baixo Moderado Bom Ótimo 19 47 28 6 22 52 22 4 18 42 31 9 14 42 31 9 8 37 43 12 10 39 41 10 58 anos Homens Baixo Moderado Bom Ótimo Mulheres Baixo Moderado Bom Ótimo 26 50 20 4 28 44 21 7 21 44 25 10 15 47 27 11 13 37 31 19 15 39 34 12 Fonte: Tuomi et al., 2005. 41 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II Quando os trabalhadores com baixa capacidade para o trabalho são identificados, algumas medidas para reverter esse quadro devem ser propostas, como: » diminuir a carga de trabalho e melhorar o ambiente de trabalho (ergonomia, higiene ocupacional, segurança); » melhorar a interação do grupo de trabalho e a organização de trabalho (relações pessoais, colaboração, gerência); » melhorar a capacidade funcional (atividade física, estilos de vida saudáveis e revigorantes) e » promover as habilidades profissionais. Os dados obtidos por intermédio do questionário de avaliação do Índice de Capacidade para o Trabalho são estritamente confidenciais. Eles se enquadram nas mesmas regulamentações de sigilo que regem as atividades de equipes de saúde em geral. As informações obtidas não podem ser fornecidas a ninguém que não seja empregado da unidade de Saúde Ocupacional (como, por exemplo, o empregador) em uma forma que possibilite a identificação de um trabalhador. 42 CAPÍTULO 3 Avaliação da qualidade do sono (Índice de Pittsburgh) Por que avaliar a qualidade do sono em trabalhadores? A qualidade do sono deve ser avaliada na população trabalhadora devido ao grande número de profissionais que trabalham rotineiramente durante a noite, para atender às mudanças econômicas, populacionais e dos processos tecnológicos que ocorreram nas últimas duas décadas e que transformaram a sociedade numa organização ininterrupta que funciona 24 horas por dia, durante os 7 dias da semana. O sono é parte do ritmo de vida. Sem um “bom” sono, o corpo perde a capacidade de se revitalizar/recompor, a capacidade cognitiva diminui e o humor é alterado. Mudanças naturais da idade interferem na qualidade do sono, enquanto o estado geral de saúde, o trabalho noturno e o uso de medicamentos podem afetar os padrões de sono de forma negativa. O trabalho noturno afeta a qualidade do sono, visto que o sono normal é o noturno, caracterizado por uma estrutura interna com diferentes estágios de profundidade, duração própria e relativa estabilidade da hora de deitar e acordar, principalmente quando livre de pressões sociais e profissionais. Assim, o grande desafio do trabalhador noturno é, sem dúvida, adequar o seu ritmo de vida aos princípios biológicos e à convivência social, pois o desânimo associado ao cansaço faz com que desapareça o interesse pela vida social e pelo lazer. Além disso, o trabalho noturno traz alterações nos laços, nas relações sociais e na estrutura familiar. Outra condição preocupante é que a má qualidade do sono traz prejuízospara a capacidade cognitiva e de atenção dos trabalhadores, aumentando o risco de acidentes. Essa condição é muito frequente em médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, motoristas, controladores de voo, entre outros profissionais que trabalham à noite. O Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (Anexo II, disponível na biblioteca da disciplina) é um instrumento eficiente usado para medir a qualidade e os padrões do sono em adultos. Esse índice diferencia o “bom” sono, do sono “ruim” por avaliar sete dimensões: 1. qualidade subjetiva do sono, 2. latência do sono, 3. duração do sono, 43 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II 4. eficiência habitual do sono, 5. distúrbios do sono, 6. uso de medicamentos para dormir e 7. sonolência diurna no último mês. As respostas de cada questão apresentada no Anexo II são pontuadas de 0 (zero) a 3 (três), considerando que a pontuação 3 (três) reflete a condição mais prejudicial. Por exemplo, para a questão 5 (a), na qual o indivíduo é questionado sobre quantas vezes no último mês ele não conseguiu dormir em 30 minutos, se o trabalhador responder uma ou duas vezes por semana, sua resposta será pontuada como 2. a) Não conseguiu adormecer em até 30 minutos: 0 ( ) Nenhuma no último mês 1 ( ) Menos de uma vez/semana 2 ( ) 1 ou 2 vezes/semana 3 ( ) 3 ou mais vezes/semana A pontuação da escala do sono deve ser realizada de acordo com a Tabela 4, apresentada abaixo. Observe que o número das questões (Q) no questionário (Anexo II) corresponde ao número das questões na Tabela 4. Após pontuar cada um dos itens como indicado na Tabela, para alcançar a pontuação total, devemos somar a pontuação final (total) de cada uma das dimensões (1–7). Essa soma corresponde ao Índice de Pittsburgh, o qual deve ser inferior a 5 pontos para que o sono do trabalhador avaliado seja considerado de “boa” qualidade. Agora vamos analisar a pontuação da escala mais detalhadamente. A pontuação total da escala de sono é de 11 (soma da última coluna), sendo que a escala de Pittsburg tem 19 questões divididas em 7 componentes. Para melhor compreender a pontuação, analise a Tabela 4 abaixo e o Anexo II (Escala de Pittsburg). O componente 1 (Qualidade subjetiva do sono), o componente 3 (Duração do sono), e o componente 6 (Uso de medicações para dormir) são calculados da mesma maneira. O componente 1 corresponde à resposta da questão 6, o componente 3 corresponde à resposta da questão 4 e o componente 6 corresponde à resposta da questão 7. Assim, o valor pontuado nessa resposta já é o valor do componente. O componente 2 (Demora para dormir) é calculado a partir das respostas das questões 2 e 5A. Deve-se calcular o valor de cada questão. Por exemplo, o trabalhador demora de 31-60 minutos para conseguir dormir (pontuação 2), e ele teve dificuldade para dormir 1 ou 2x/ semana (pontuação 2). Assim a soma da Q2 + a Q5A é igual a 4, nesse exemplo. Portanto, esse valor corresponde a 2, seguindo a tabela. O componente 4 (Eficiência habitual do sono) corresponde às questões de 1 a 4. Para calcular esse componente, devem ser feitos alguns cálculos. Por exemplo: o 44 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS trabalhador vai deitar às 22 horas, levanta às 6 horas e costuma ter um tempo médio de sono de 5 horas. Assim, deve-se pegar o número de horas dormidas (5 horas) dividir pelas horas que ele fica deitado na cama (das 22 horas até às 6 horas = 8 horas). Portanto, temos 5/8 * 100 = 62%. Esse valor de 62% corresponde ao número 2, então o valor desse componente é 2. O componente 5 (Distúrbios do sono) corresponde às questões que vão de 5B a 5J. Devem ser pontuadas todas essas questões e depois somar todos os seus valores. A partir desse valor, pontuasse a soma de acordo com a Tabela 4. Por exemplo, uma soma de 5 pontos equivale à 1, segundo a tabela. Assim, o valor do componente é 1. O componente 7 (Sonolência diurna e distúrbios do sono) corresponde às questões 8 e 9. Calcule o valor de cada questão. Por exemplo, o trabalhador teve dificuldade de ficar acordado enquanto dirigia, comia ou participava de alguma atividade social menos de uma vez por mês (pontuação 1) e durante o último mês não teve nenhum problema (pontuação 0 – zero) em manter o entusiasmo para fazer as coisas. A soma da Q8 + a Q9 é igual a 1, nesse exemplo. Portanto, esse valor corresponde a 1, seguindo a tabela. Portanto, o valor do componente é 1. Quando um trabalhador avaliado é identificado como tendo uma qualidade do sono ruim, é importante que o seu questionário seja avaliado detalhadamente, procurando identificar quais das dimensões analisadas pela escala apresentam resultados mais críticos. Esses resultados vão direcionar as medidas de orientação do trabalhador. Algumas orientações gerais são: evitar a ingestão de bebidas com cafeína, evitar o uso do computador ou realizar atividades físicas intensas antes do sono, pois são comportamentos que estimulam o organismo a se manter alerta. Também não é recomendado dormir com luminária acesa ou com a televisão ligada, pois o ruído e a luminosidade também prejudicam a qualidade do sono. Todos os hábitos que promovam o relaxamento são indicados antes de dormir, como, por exemplo, tomar um banho quente, praticar exercícios de alongamentos, ouvir músicas que proporcionem a sensação de calma e tranquilidade. O Índice de Qualidade do Sono é uma medida subjetiva do sono. O autorrelato pode enriquecer as questões, mas pode refletir informação incorreta quando o indivíduo avaliado tem dificuldade em entender o que está escrito. Portanto, é importante sempre questionar se os trabalhadores tiveram alguma dificuldade para responder o questionário e sempre se colocar à disposição para esclarecer qualquer dúvida que venha a surgir durante o preenchimento das respostas. 45 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II Tabela 4. Pontuação do Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh. Componente/ questão pontuada pontuação parcial total 1. Qualidade subjetiva do sono Questão (Q) 6 Muito boa 0 Boa 1 Ruim 2 Muito ruim 3 2. Latência do sono 2.1. Q 2 < ou = 15 minutos 0 16–30 minutos 1 31–60 minutos 2 > 60 minutos 3 2.2. Q 5a Nenhuma vez 0 Menos de 1 vez/semana 1 1 a 2 vezes/semana 2 3 vezes/semana 3 2.3. Soma da Q 2 + Q 5a 0 0 1–2 1 3–4 2 5–6 3 3. Duração do sono Q 4 > 7 horas 0 6–7 horas 1 5–6 horas 2 < 5 horas 3 4. Eficiência habitual do sono Q 1 a 4 da seguinte maneira: > 85% 0 4.1. Escreva o no de horas dormidas (Q 4): 75–84% 1 4.2. Calcule o no de horas no leito: horário de levantar (Q 3) – horário de deitar (Q 1) 65–74% 2 4.3. Calcule a eficiência do sono: No de horas dormidas x 100% No de horas no leito < 65% 3 5. Distúrbios do sono Q 5b a 5j atribuindo a pontuação para cada uma: Q 5b Total Q 5c Q 5d Q 5e Q 5f Pontue a soma Q 5g 0 0 Q 5h 1–9 1 Q 5i 10–18 2 Q 5j 19–27 3 6. Uso de medicação para dormir Q 7 Nenhuma vez 0 Menos de 1 vez/semana 1 1 a 2 vezes/semana 2 3 vezes/semana 3 46 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS Componente/ questão pontuada pontuação parcial total 7. Sonolência diurna e distúrbios do sono 7.1. Q 8 Nenhuma vez 0 Menos de 1 vez/semana 1 1 a 2 vezes/semana 2 3 vezes/semana 3 7.2. Q 9 Nenhuma 0 Pequena 1 Moderada 2 Muita 3 7.3. Soma Q 8 + Q 9 0 0 1 - 2 1 3 - 4 2 5 - 6 3 Pontuação Global do PSQI 47 CAPÍTULO 4 Avaliaçãodo estresse no trabalho O uso de escalas de medidas no âmbito de estudos epidemiológicos tem permitido avaliar variáveis como o estresse. Os primeiros estudos que relacionaram o estresse no trabalho com desfechos no âmbito da saúde (com destaque para as doenças cardiovasculares) apontam para o início da década de 1960. As fontes geradoras de estresse no ambiente de trabalho e suas repercussões sobre a saúde foram, pioneiramente, estudadas por Robert Karasek. Esse pesquisador, nos anos 1970, propôs um modelo teórico bidimensional que relacionava dois aspectos – demanda e controle no trabalho – ao risco de desenvolvimento de doenças. As demandas de trabalho são pressões como tempo e velocidade na realização do trabalho, ou demandas de trabalho contraditórias. O controle é a possibilidade de o trabalhador utilizar suas habilidades intelectuais para a realização de seu trabalho, bem como possuir autoridade para tomar decisões sobre a forma de realizá-lo. De acordo com esse modelo, escores médios são alocados em quatro quadrantes de forma a expressar as relações entre demandas e controle (Figura 19). A coexistência de grandes demandas psicológicas com baixo controle sobre o processo de trabalho gera alto desgaste no trabalhador, com efeitos nocivos à sua saúde. Também nociva é a situação que conjuga baixas demandas e baixo controle (trabalho passivo), na medida em que podem gerar perda de habilidades e desinteresse. Por outro lado, quando altas demandas e alto controle coexistem, os indivíduos experimentam o processo de trabalho de forma ativa: ainda que as demandas sejam excessivas, elas são menos danosas, visto que o trabalhador pode escolher como planejar suas horas de trabalho de acordo com seu ritmo biológico e criar estratégias para lidar com suas dificuldades. A situação “ideal”, de baixo desgaste, conjuga baixas demandas e alto controle do processo de trabalho. Uma terceira dimensão, a do apoio social no ambiente de trabalho, foi acrescentada ao modelo e definida por seus autores como os níveis de interação social existentes no trabalho, tanto com os colegas quanto com os chefes. Sua escassez também pode gerar consequências negativas à saúde 48 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS Figura 19. Modelo de demanda e controle utilizado pela escala de estresse no trabalho. Demanda psicológica Baixa Alta Co nt ro le Al to Baixo desgaste Ativo Ba ixo Passivo Alto desgaste Fonte: o autor, s/d. Entendendo melhor esse modelo e essa escala O modelo que demanda controle é então definido pela demanda e pelo controle no trabalho e também pelo apoio social. Mas como avaliar a demanda e o controle no trabalho? Segundo Karasek, a demanda, o controle e o apoio social no trabalho podem ser avaliados por algumas questões. As questões seguem abaixo e fazem parte da Escala de Estresse no Trabalho. A demanda no trabalho é avaliada por cinco questões: 1. Com que frequência você tem que fazer suas tarefas de trabalho com muita rapidez? 2. Com que frequência você tem que trabalhar intensamente (isto é, produzir muito em pouco tempo)? 3. Seu trabalho exige demais de você? 4. Você tem tempo suficiente para cumprir todas as tarefas de seu trabalho? 5. O seu trabalho costuma apresentar exigências contraditórias ou discordantes? Para cada uma dessas questões, os trabalhadores devem responder: nunca ou quase nunca, raramente, às vezes e frequentemente. Entre as perguntas que avaliam a demanda, quatro se referem a aspectos quantitativos, como tempo e velocidade para realização do trabalho, e uma pergunta avalia o aspecto predominantemente qualitativo do processo de trabalho, relacionado ao conflito entre diferentes demandas. 49 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II O controle no trabalho é avaliado por seis questões: 1. Você tem possibilidade de aprender coisas novas em seu trabalho? 2. Seu trabalho exige muita habilidade ou conhecimentos especializados? 3. Seu trabalho exige que você tome iniciativas? 4. No seu trabalho, você tem que repetir muitas vezes as mesmas tarefas? 5. Você pode escolher COMO fazer o seu trabalho? 6. Você pode escolher O QUE fazer no seu trabalho? Assim como para as questões relativas à demanda de trabalho, as questões a respeito do controle no trabalho devem ser respondidas como: nunca ou quase nunca, raramente, às vezes e frequentemente. Entre as seis questões acerca do controle, quatro se referem ao uso e desenvolvimento de habilidades e duas à autoridade para tomada de decisão sobre o processo de trabalho. Para ambas as dimensões, as opções de resposta são apresentadas em escala tipo Likert (1–4), variando entre “frequentemente” e “nunca/quase nunca”. O apoio social é avaliado por seis questões: 1. Existe um ambiente calmo e agradável onde trabalho? 2. No trabalho, nos relacionamos bem uns com os outros? 3. Eu posso contar com o apoio dos meus colegas de trabalho? 4. Se eu não estiver num bom dia, meus colegas compreendem? 5. No trabalho, eu me relaciono bem com meus chefes? 6. Eu gosto de trabalhar com meus colegas? O trabalhador terá as seguintes opções de resposta para as questões apresentadas acima: discordo totalmente, discordo mais que concordo, concordo mais que discordo e concordo totalmente. Assim, a dimensão referente ao apoio social contém seis questões sobre as relações com colegas e chefes, com quatro opções de resposta em escala tipo Likert (1-4) com variação entre “concordo totalmente” e “discordo totalmente”. 50 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS Essa escala não apresenta um índice que defina quais trabalhadores estão estressados e quais não estão. Ao final da aplicação da escala, nós conseguimos identificar quais das três dimensões avaliadas (demanda, controle, apoio social) apresentam condições críticas. Além disso, podemos classificar os trabalhadores em uma das categorias da Figura 1 (trabalhador ativo, trabalhador passivo, alto desgaste, baixo desgaste), de acordo com a demanda e o controle que eles possuem em seu trabalho. Por exemplo, um trabalhador que apresenta alta demanda no trabalho e baixo controle sobre suas atividades é classificado como um trabalhador com alto desgaste. Esse tipo de condição ocorre com a maioria dos trabalhadores dos setores industriais, em que o ritmo do trabalho é ditado pelas máquinas, os funcionários não têm nenhum controle sobre seu ritmo de trabalho e a demanda por produção é alta. A escala de estresse é apresentada no Anexo III (disponível na biblioteca da disciplina). Entendendo melhor a pontuação da escala Como você deve ter percebido a escala de estresse conta com 17 questões. Para a correta pontuação dessa escala você deve seguir os seguintes passos: 1. Responder as 17 questões. 2. Pontuar as questões com valores que vão de 1 a 4. Sendo que as questões 4 e 10 pontua-se invertido, ou seja, nunca ou quase, nunca vale 4 pontos. 3. Após pontuar as questões, fazer a soma dos domínios, ou seja, somar as questões de 1 a 5 para obter o valor da demanda. Somar as questões de 6 a 11 para obter o valor do controle e por último somar os valores das questões de 12 a 17 para obter o valor do suporte social. 4. Após ter os valores de cada domínio (demanda, controle e suporte social) devemos classificar esses valores em alto e baixo. Os valores são considerados altos ou baixos segundo a mediana do grupo avaliado. Por exemplo, ao avaliar um total de 200 profissionais de enfermagem foram pontuadas as questões e os domínios e em seguida fez-se uma mediana desses valores.O valor de mediana encontrado para cada domínio foi de 14, 16 e 19 respectivamente. Assim, os valores da demanda de cada trabalhador serão considerados altos se o valor for maior que 14 e serão considerados baixos se for menor ou igual a 14. Os valores do controle serão considerados altos se o valor for maior que 16 e serão considerados 51 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II baixos se forem menor ou igual a 16. Os valores do suporte social serão considerados altos se o valor for maior que 19 e serão considerados baixos se for menor ou igual a 19. Esses valores (14, 16 e 19) de cada domínio são, na verdade, valores médios obtidos por meio de um estudo com enfermeiros (SILVA et al., 2012) e estão sendo usados como referência, apenas para facilitar o entendimento. Cada grupo de trabalhadores deve ter a mediana calculada a fim de comparar com os demais trabalhadores. 5. Após a classificação dos domínios (demanda e controle) em alto e baixo devemos seguir os quadrantes do Karasek para então classificar o trabalho em ativo, passivo, baixo desgaste ou alto desgaste. › O trabalho é considerado ativo se a demanda for alta e o controle também for alto. › O trabalho é considerado passivo se a demanda for baixa e o controle também for baixo. › O trabalho é considerado baixo desgaste se a demanda for baixa e o controle for alto. › O trabalho é considerado alto desgaste se a demanda for alta e o controle for baixo. 52 CAPÍTULO 5 Análise Ergonômica do Trabalho (AET) – adaptação de Ergonomic Work Analysis O protocolo “Análise Ergonômica do Trabalho” propõe uma avaliação geral do posto de trabalho, tendo por base a descrição cuidadosa e sistemática das tarefas e levando em consideração a opinião dos trabalhadores. De acordo com o Manual Análise Ergonômica do Posto de Trabalho, desenvolvido pelo grupo (Ergo & Ação e SinuCad, da UFSCAR, o qual utilizaremos como referência nesse capítulo), em um posto de trabalho, a análise se processa de acordo com os três passos seguintes: 1. O analista define e delimita a tarefa a ser analisada. A análise deve ser a respeito da tarefa ou do local do trabalho. Geralmente, a tarefa é dividida em subtarefas, que são analisadas separadamente. São necessárias análises em separado para cada uma das subtarefas caso elas sejam muito diferentes. 2. A tarefa deve ser descrita. Para isso, o analista faz uma lista de operações e desenha um esboço do posto de trabalho. 3. O analista apresenta ao operador a descrição das tarefas e, em conjunto, eles redefinem a lista de tarefas, aproximando-as do trabalho real. O analista classifica os vários fatores em uma escala, geralmente de 1 a 5. O valor 1 é dado quando a situação apresenta o menor desvio em relação à condição ótima, ou geralmente aceitável, para as condições e arranjo espacial do trabalho. Os valores 4 e 5 indicam que a condição de trabalho ou o ambiente pode eventualmente causar danos à saúde dos trabalhadores. Atenção especial deve ser dada ao ambiente e às condições de trabalho em questão. Forma de avaliação As classificações são reunidas em um formulário de avaliação e juntas constituem a avaliação global ou o perfil da tarefa em questão. No perfil, o analista pode listar sugestões para melhorias baseadas nos resultados das análises. As escalas dos itens não são comparativas. Por exemplo, o valor 5 para o item “contatos pessoais” não deve ter o mesmo peso em relação ao valor 5 para o item “ruído”, mas, no perfil final, o valor 5 deve chamar atenção especial para o ambiente de trabalho. 53 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II Relevância da análise Tarefas que requerem habilidades manuais e movimentação manual de materiais têm sido o alvo principal da análise, mas a análise também pode ser usada em outros tipos de tarefas. Em alguns casos, a relevância de cada item deve ser avaliada cuidadosamente. Um item pode ser irrelevante para uma dada tarefa, por exemplo, o item “repetitividade” pode não ser relevante quando se analisa o trabalho de um motorista. A tarefa pode ser diversificada e o conteúdo do trabalho abrangente, de forma que o uso da escala pode não ter sentido. Em alguns casos, a descrição verbal é mais adequada. Se o analista decide que a maioria dos itens não é relevante para a análise, ele pode preferir usar análises mais específicas. Julgamento do trabalhador O analista entrevista e anota a avaliação subjetiva do trabalhador como bom (++), regular (+), ruim (-) e muito ruim (--). Se o julgamento do trabalhador for muito diferente da classificação do analista, a situação de trabalho deve ser analisada mais detalhadamente. Itens avaliados Área de trabalho horizontal Todos os materiais, ferramentas e equipamentos devem estar situados na superfície de trabalho, como recomendado abaixo: » Área 1: área usual de trabalho. » Área 2: atividades leves, pegar materiais. » Área 3: atividades não frequentes, utilizada somente quando a área 2 estiver totalmente preenchida. Figura 20. Área de trabalho horizontal. Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. 54 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS Os controles devem ser colocados de acordo com o alcance natural do trabalhador, que é de aproximadamente 65 cm para homens e 58 cm para mulheres, medidos a partir de seus ombros. Altura de trabalho Nível do cotovelo = altura do cotovelo com o braço em posição relaxada. Figura 21. Alturas de trabalho de acordo com a demanda do trabalho. Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. Se o trabalho inclui diferentes necessidades (por exemplo, a manutenção de uma posição com a combinação de diferentes tarefas), a altura de trabalho é determinada pela tarefa de maior demanda. Visão A distância visual deve ser proporcional ao tamanho do objeto de trabalho: um objeto pequeno requer uma distância menor e uma superfície de trabalho mais alta. Os objetos que são comparados continuamente em uma distância visual fixa (menor que um metro) devem estar situados a uma mesma distância visual. Figura 22. Altura de trabalho de acordo com a demanda visual. Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. 55 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II Figura 23. Ângulo de visão. Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. Ângulo de visão: O objeto de maior frequência de observação deve ser centralizado em frente ao trabalhador. O ângulo de visão recomendado (medido a partir da linha horizontal da visão) varia entre 15° e 45°, dependendo da postura de trabalho. Espaço para as pernas Durante o trabalho sentado, deve haver espaço suficiente entre a parte de baixo da bancada de trabalho e o assento, para permitir o movimento das pernas. O espaço recomendado para as pernas é de 60 cm. A profundidade no nível do joelho deve ter no mínimo 45 cm e, no nível do piso, 65 cm. Durante o trabalho em pé, o espaço para os dedos do pé deve ter no mínimo 15 cm de profundidade e de altura. Recomenda-se que o espaço livre atrás do trabalhador seja de, no mínimo, 90 cm, desde que objetos grandes não sejam manuseados. Figura 24. Distâncias recomendadas de espaço para as pernas. Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. Assento Um assento usado continuamente deve conter: » altura ajustável; 56 UNIDADE II │ FERRAMENTASPARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS » estofamento permeável; » apoio ajustável para as costas. Figura 25. Cadeiras para adoção de várias posturas. Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. Assentos usados por diversas pessoas devem ser facilmente ajustáveis. A necessidade de cadeiras com rodinhas e apoio para coluna cervical ou para os braços depende do tipo de trabalho a ser realizado. Para o trabalho em pé, um banco alto ou um apoio lombar deve estar disponível para o uso temporário. Ferramentas manuais O tamanho, o formato, o peso e a textura do material das ferramentas manuais devem permitir uma boa preensão e serem fáceis de manusear. O uso de ferramentas manuais não deve requerer força excessiva. Vibrações e ruídos devem ser os menores possíveis. Figura 26. Exemplo de sistema de elevação. Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. Outros equipamentos Outros equipamentos incluem, por exemplo, instalações, componentes, equipamentos de proteção individual, controles e dispositivos de elevação e movimentação, que devem ser avaliados de acordo com seu uso. Tabela 5. 1 O espaço de trabalho segue as recomendações ou é inteiramente ajustável pelo trabalhador. 2 Existem limitações em atender às recomendações, entretanto, as posturas e os movimentos de trabalho estão adequados às necessidades da tarefa. 57 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II 3 Nem todas as recomendações são seguidas: as posturas e os movimentos de trabalho são, portanto, inadequados. 4 Há grandes desvios em relação aos padrões recomendados. A organização do espaço de trabalho força o trabalhador a usar posturas de trabalho ruins e tensas, bem como movimentos inadequados. Classificação do analista Julgamento do trabalhador ++ + – – – Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. Atividade física geral A “atividade física geral” é determinada pela duração do trabalho pelos métodos e equipamentos que requerem esforço físico. Esses parâmetros podem estar num patamar ideal, acima ou abaixo dessa referência. A qualidade das atividades físicas gerais é determinada pela relação entre a possibilidade de o trabalhador regular a carga física e a possibilidade dessa carga ser regulada pelo método de produção ou, ainda, pela situação em que o trabalho é feito. Determine, por observação do trabalho, por entrevista com o trabalhador e com a chefia imediata do setor, se a quantidade de atividade física necessária é grande, ótima ou pequena. Grande atividade física é necessária, por exemplo, na agricultura e no trabalho de estivadores. A carga recai sobre os sistemas respiratório e circulatório. A atividade física pequena pode ser encontrada no trabalho fragmentado ou de inspeção. Tabela 6. 4 A atividade depende inteiramente dos métodos de produção ou da organização do trabalho. O trabalho é razoavelmente pesado ou pesado, as pausas durante o trabalho não têm sido levadas em consideração. Ocorrem altos picos de carga de trabalho. GRANDE ↑ APROPRIADO ↓ LEVE 3 A atividade depende dos métodos de produção ou da organização do trabalho. O risco de um esforço excessivo devido a picos de carga de trabalho é relativamente frequente. 2 A atividade depende, em parte, dos métodos de produção ou da organização do trabalho. Os picos de carga de trabalho ocorrem com alguma frequência, mas eles não produzem um risco de esforço excessivo. 1 A atividade física é inteiramente determinada pelo trabalhador; os fatores causadores dos picos de carga de trabalho não acontecem. 1 A atividade física é inteiramente regulada pelo trabalhador. Os espaços de trabalho, equipamentos e métodos não geram restrições de movimentos. 2 Os espaços de trabalho, equipamentos e métodos permitem a realização de movimentos adequados. 3 Os espaços de trabalho, equipamentos e métodos limitam os movimentos de trabalho. As possibilidades de movimentos ocorrem durante as pausas de trabalho. 4 Os espaços de trabalho, equipamentos e métodos restringem os movimentos de trabalho ao mínimo. As atividades durante as pausas de trabalho nem sempre são possíveis. Classificação do analista Julgamento do trabalhador ++ + – – – Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. 58 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS Levantamento de cargas O esforço requerido pelo levantamento é dado pelo peso da carga, a distância horizontal entre a carga e o corpo e a altura de elevação. Os valores apresentados na tabela foram estabelecidos para condições adequadas de levantamento. Em outras palavras, a pessoa que realiza a elevação utiliza as duas mãos para conseguir uma boa pega, diretamente em frente ao corpo, em uma superfície não escorregadia. A tarefa será avaliada como mais difícil em relação aos valores indicados na tabela. São consideradas condições inadequadas de elevação aquelas que ocorrem com elevação de peso acima dos ombros e as que ocorrem várias vezes por minuto. Nesse caso, a tarefa será avaliada como mais difícil do que os valores indicados na tabela. » Confira a altura na qual a elevação ocorre. Em uma altura de “elevação normal”, a elevação ascendente ou descendente está compreendida em uma região entre a altura do ombro e a altura dos dedos das mãos na postura ereta. Em uma “altura de elevação baixa”, a elevação ascendente ou descendente encontra-se na região abaixo da altura das mãos. Neste caso, haverá agachamento. » Peso da carga. Faça a estimativa do estresse de acordo com a carga elevada que é mais pesada. » Meça a distância horizontal entre as mãos e a linha média do corpo. » Escolha, na tabela abaixo, a altura da elevação correspondente. Anote a distância das mãos e vá para baixo na coluna, para anotar o peso da carga. Anote o resultado. Figura 27. Classificação do levantamento de carga. Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. 59 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II Posturas de trabalho e movimentos As posturas de trabalho se referem às posições do pescoço, braços, costas, quadris e pernas durante o trabalho. Os movimentos de trabalho são os movimentos do corpo exigidos pelo trabalho. Determine as posturas de trabalho e os movimentos separadamente para pescoço-ombro, cotovelo-punho, costas e quadril-pernas. A análise é feita a partir da postura e dos movimentos de maior dificuldade. O resultado final é o pior valor desses quatro resultados parciais. O tempo usado para manter a postura afeta a carga de estresse de uma situação. O valor resultante é incrementado de um nível, se a mesma postura for sustentada por mais da metade da jornada, e decresce um nível se a mesma postura for mantida não mais que uma hora. Figura 28. Classificação da postura do pescoço-ombro. 1 Livre e relaxado. 2 Em uma postura natural, mas limitada pelo trabalho. 3 Tenso devido ao trabalho. 4 Rotação ou inclinação de cabeça e/ou elevação dos braços acima do nível dos ombros. 5 Pescoço inclinado para trás, com uma demanda de força grande para os braços. Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. Figura 29. Classificação da postura do cotovelo-punho. 1 Livre em uma postura de escolha, pequena demanda de força. 60 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS 2 Braços em uma posiçãorequerida pelo trabalho, às vezes pouco tensa. 3 Braços tensos e/ou articulações em postura extrema. 4 Braços mantidos em contração estática e/ou repetição do mesmo movimento continuamente. 5 Grande demanda de força para os braços, ou realizando movimentos rápidos. Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. Figura 30. Classificação da postura das costas. 1 Em uma postura natural e/ou bem suportada, em uma posição sentada ou em pé. 2 Em uma posição adequada, mas limitada pelo trabalho. 3 Inclinado e/ou pouco suportado. 4 Inclinado, com rotação e sem apoio. 5 Em uma postura prejudicial durante o trabalho pesado. Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. Figura 31. Classificação da postura do quadril-pernas. 1 Em uma posição livre que pode ser mudada voluntariamente, realizada durante o trabalho sentado. 61 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II 2 Em uma postura adequada, mas limitada pelo trabalho. 3 Pouco suportada, ou realizada inadequadamente em pé. 4 Em pé, em um dos pés ou de joelho, ou numa posição ortostática. 5 Em uma postura prejudicial durante o trabalho pesado. Classificação do analista Julgamento do trabalhador ++ + – – – Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. Risco de acidente Risco de acidente se refere a qualquer possibilidade de lesão aguda ou intoxicação causada pela exposição ao trabalho durante uma jornada. É determinado por meio da possibilidade do acidente ocorrer e sua severidade. Roteiro de análise: » Familiarize-se com as estatísticas de acidente no posto de trabalho e entreviste o pessoal da segurança do trabalho. Pode-se também usar a lista de riscos abaixo, que lhe ajudará a determinar se há risco de acidente. » Avalie a possibilidade de ocorrência de um acidente e sua severidade e escolha a classificação correspondente. Riscos mecânicos » Pode uma superfície, estrutura ou parte móvel da máquina, uma parte da mobília ou um equipamento causar explosão, ferida ou queda? » Podem os movimentos de deslocamento horizontal ou vertical e de rotação de máquinas, material ou outros equipamentos causar acidente? 62 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS » Podem objetos em movimento ou aerodispersoides causar acidente? » Pode a ausência de corrimão, parapeitos, pisos escorregadios ou desarrumação causar quedas? Riscos causados por falha do desenho » Podem os controles ou visores causar acidentes por terem sido mal projetados e não atenderem às características humanas? » Pode um dispositivo de acionamento, a falta de um dispositivo de segurança ou um travamento causar acidente? Riscos relacionados à atividade do trabalhador » Pode uma situação de trabalho que ocorre com uma realização de grande esforço ou postura e movimentos inadequados causar acidente? » Pode a sobrecarga nas habilidades de percepção e atenção causar acidente (prestar especial atenção em fatores como o uso de equipamento de proteção pessoal, ruído, iluminação, temperatura, entre outros, que podem afetar a percepção do trabalhador)? Riscos relacionados à energia e utilidades » A carga ou o fluxo de eletricidade, ar comprimido ou gás pode causar acidente? » A temperatura pode causar incêndio ou explosão? » Os agentes químicos podem causar acidente? Risco de acidente O risco de acidente é: » Pequeno: se o trabalhador pode evitar acidentes empregando procedimentos normais de segurança. Ocorre não mais de um acidente a cada cinco anos. » Médio: se o trabalhador evita o acidente seguindo instruções especiais e sendo mais cuidadoso e vigilante que o usual. Pode ocorrer um acidente por ano. 63 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II » Grande: se o trabalhador evita o acidente sendo extremamente cuidadoso e seguindo exatamente os regulamentos de segurança. O risco é aparente, e um acidente pode ocorrer a cada três meses. » Muito grande: se o trabalhador somente pode evitar o acidente seguindo estritamente e precisamente os regulamentos de segurança. Pode ocorrer um acidente por mês. Severidade do acidente A severidade do acidente é: » Leve: se causa não mais de um dia de afastamento. » Pequena: se causa menos de uma semana de afastamento. » Grave: se causa um mês de afastamento. » Gravíssima: se causa pelo menos seis meses de afastamento ou incapacidade permanente. Tabela 7. Severidade Risco Pequeno Médio Grande Muito grande Leve 1 2 2 3 Pequena 2 2 3 4 Grave 2 3 4 5 Gravíssima 3 4 5 5 Classificação do analista Julgamento do trabalhador ++ + – – – Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. Conteúdo do trabalho O conteúdo do trabalho é determinado pelo número e pela qualidade das tarefas individuais inclusas nas atividades do trabalho. Deve-se seguir o seguinte roteiro para a análise: » Avaliar se o trabalho inclui planejamento e preparação, inspeção do produto e correção, manutenção e gerenciamento de materiais, além da tarefa original. 64 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS » Usar a descrição do trabalho, se possível, com o tempo requerido para as tarefas individuais como uma ajuda para a análise. O tempo necessário para o planejamento afeta a classificação. » Considerar o fato de que o planejamento, a execução e a inspeção podem ocorrer simultaneamente nas tarefas, demandando alto nível de habilidades. » Considerar que, quanto melhor a descrição do conteúdo do trabalho, melhor a classificação. Tabela 8. 1 O trabalhador planeja e executa todo o trabalho, inspeciona e corrige o produto ou resultado e também executa tarefas que envolvem reparo e gerenciamento de materiais. 2 3 O trabalhador executa apenas uma parte do trabalho. 4 5 O trabalhador é responsável por uma tarefa simples ou apenas uma operação. Classificação do analista Julgamento do trabalhador ++ + – – – Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. Restrições no trabalho No trabalho restrito, as condições de execução limitam os movimentos do trabalhador e a liberdade de escolher quando e como fazer o trabalho. Roteiro de análise: » Avalie a limitação da tarefa, determinando se a organização do trabalho ou suas condições limitam a atividade do trabalhador ou sua liberdade de escolher o tempo de executar a tarefa. » Considere que o trabalhador pode ser limitado pela maneira que uma máquina ou mecanismo é usado ou pela necessidade de continuidade do processo. Ele também pode ser limitado pelo fato de que, em uma etapa particular do trabalho, outros trabalhadores determinam o tempo de execução ou a forma de trabalho. » Se o trabalho é feito em grupo, leve em consideração as possibilidades de o grupo regular as limitações de cada trabalhador. 65 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II Tabela 9. 1 As exigências das máquinas, processos, métodos de produção não limitam o trabalho. 2 3 Há ocasionalmente certas limitações no trabalho e exige um certo tempo de concentração. 4 5 O trabalho é completamente limitado por máquinas, processos ou trabalho em grupo. Classificação do analista Julgamento do trabalhador ++ + – – – Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. Comunicação entre trabalhadores econtatos pessoais Refere-se às oportunidades que os trabalhadores têm de comunicação sobre o trabalho com seus superiores ou colegas. Para analisar: » Determine o grau de isolamento avaliando as oportunidades diretas e indiretas de comunicação com outros trabalhadores ou superiores. A comunicação visual não é suficiente para eliminar o isolamento quando, por exemplo, há muito ruído no local de trabalho. Tabela 10. 1 Existe uma preocupação em fazer com que a comunicação e os contatos entre os trabalhadores sejam possíveis. 2 3 A comunicação é possível durante o dia de trabalho, mas ela é claramente limitada pela localização do posto, presença de ruído ou necessidade de concentração. 4 5 A comunicação e o contato são completamente limitados durante o turno de trabalho. Por exemplo, o trabalhador trabalha sozinho, a distância ou está isolado. Classificação do analista Julgamento do trabalhador ++ + – – – Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. Tomada de decisão A dificuldade de tomada de decisões é influenciada pelo grau de disponibilidade de informação e do risco envolvido na decisão. 66 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS Roteiro de análise: » Determine a complexidade de conexão entre a disponibilidade de informação e a ação do trabalhador. » A conexão deve ser simples e clara como quando a informação recebida é composta apenas de um indicador. Por exemplo, uma luz piscando é a informação para desligar uma máquina. » A conexão pode também ser complicada, requerer a formação de uma atividade modelo e a comparação entre ações alternativas. Tabela 11. 1 O trabalho é composto por tarefas que têm informações claras e não ambíguas. 2 O trabalho é composto por tarefas que incluem informações, de forma que a comparação entre possíveis alternativas seja feita e a escolha dos modelos de atividade seja fácil. 3 O trabalho é composto por tarefas complicadas com várias alternativas de solução, sem possibilidade de comparação. É necessário que o trabalhador monitore seus próprios resultados. 4 O trabalhador tem que fazer muitas escolhas sem informações suficientemente claras, para basear sua escolha. Uma decisão errada cria a necessidade de correção da atividade e do produto, ou cria sérios riscos pessoais. 5 O trabalho envolve vários conjuntos de instruções, visores ou máquinas, e as informações podem conter erros. Uma decisão errada pode ocasionar risco de acidente, parada na produção ou perda de material. Classificação do analista Julgamento do trabalhador ++ + – – – Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. Repetitividade do trabalho A repetitividade do trabalho é determinada pela duração média de um ciclo de trabalho repetitivo, sendo medida do começo ao fim desse ciclo. A repetitividade pode ser avaliada somente naqueles trabalhos em que a tarefa é continuamente repetida, relativamente, do mesmo modo. Esse tipo de trabalho é encontrado na produção seriada ou, por exemplo, em tarefas de empacotamento e embalamento. Roteiro de análise: » Avalie a repetitividade, determinando a duração do ciclo repetitivo. Determine a duração medindo as tarefas que são inteiramente ou quase inteiramente iguais, do começo de um ciclo para o começo do próximo. 67 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II Tabela 12. Duração do ciclo. 1 Acima de 30 minutos 2 De 10 a 30 minutos 3 De 5 a 10 minutos 4 De 30 segundos a 5 minutos 5 Abaixo de 30 segundos Classificação do analista Julgamento do trabalhador ++ + – – – Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. Atenção Atenção compreende todo o cuidado e observação que um trabalhador deve atribuir para seu trabalho, instrumentos, máquinas, visores, processos etc. A demanda de atenção é avaliada pela relação entre a duração da observação e o grau de atenção necessário. Para analisar: » Determine a atenção demandada pelo trabalho a partir do tempo que o trabalhador leva para realizar a observação e o grau de atenção requerido. » Determine a duração de um período de tempo em observação alerta, em relação ao tempo completo do ciclo. » Determine o grau de atenção, pela estimativa da atenção envolvida na tarefa, comparando-a com exemplos dados. » O nível de atenção demandada pelo trabalho é a média das classificações. Tabela 13. Período de observação. % da duração do ciclo 1 Menor que 30% 2 De 30 a 60% 3 De 60 a 80% 4 Maior que 80% Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. 68 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS Tabela 14. Demanda por atenção. Demanda de Atenção Exemplos Indústria do metal Trabalhadores de escritório 1 Superficial Manuseio de materiais Carimbar papéis 2 Médio Posicionar um elemento com um padrão Datilografar 3 Grande Trabalho de montagem Revisão de provas 4 Muito grande Usar instrumentos de ajuste e mensuração Desenhar mapas Classificação do analista Julgamento do trabalhador ++ + – – – Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. Iluminação As condições de iluminação de um local de trabalho são avaliadas de acordo com o tipo de trabalho. Para tarefas que requerem acuidade visual normal, o iluminamento é medido e o grau de ofuscamento é avaliado por observação. Para tarefas que requerem alta acuidade visual, se possível, medem-se as diferenças de iluminamento. Roteiro para medições: Se o trabalho demanda acuidade visual normal: » Meça o iluminamento do local de trabalho com um luxímetro. » Calcule a porcentagem de iluminamento, comparando com o que é recomendado para o local de trabalho: 100 x valor medido – valor recomendado. » Determine a quantidade de ofuscamento observando se há ou não luz clara/radiante, superfícies refletoras ou escuras e também áreas brilhantes, que forneçam grande quantidade de iluminamento por todos os lados na área de visão. » Compare as taxas determinadas para iluminamento e ofuscamento. A taxa insatisfatória reflete as condições de iluminamento para todo o local de trabalho. Se o trabalho demanda alta acuidade visual, meça: » iluminamento do objeto visado; 69 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II » iluminamento imediatamente adjacente; » iluminamento médio das partes mais escuras das superfícies no campo visual; » iluminamento das partes mais claras das superfícies no campo visual. Trabalho que requer acuidade visual normal: Tabela 15. Iluminamento % de valor recomendado Ofuscamento 1 100% 1 sem ofuscamento 2 50 – 100% 2 sem ofuscamento 3 10 – 50 % 3 algum ofuscamento 4 Menos que 10% 4 muito ofuscamento Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. Ambiente térmico Os efeitos térmicos no ambiente de trabalho são distribuídos por todos os postos de trabalho. Nos trabalhos ou locais com radiação térmica, ou períodos prolongados com temperaturas que continuamente ultrapassam 28° C, a classificação da carga térmica é baseada no índice de IBUTG (Índice de Bulbo Úmido Natural, Termômetro de Globo) normatizado pela ISO 7243 (Norma Brasileira, NR–15, anexo 3, MTb). A carga de calor e os riscos causados pelas condições térmicas dependem do efeito combinado de fatores ambientais, tais como: temperatura do ar, umidade do ar, velocidade do ar, radiação térmica;do tipo de atividade ou carga de trabalho; e do tipo de vestimenta usada. Roteiro para medições: » Meça a temperatura do ar no posto de trabalho, na altura da cabeça e do tornozelo do trabalhador. Para trabalhadores que se movimentam por vários locais durante a jornada, meça a temperatura do ar a 1 metro de distância das paredes opostas do local de trabalho e também no centro da edificação. Essas medidas de temperatura devem ser feitas a alturas de 10 a 170 cm do piso. » Compare a média dos valores obtidos com os valores da tabela anexa, de acordo com o tipo de trabalho. » Estime o efeito da vestimenta usada pelo trabalhador. Os valores na tabela são para pessoas trabalhando em ambientes internos utilizando 70 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS roupas leves. A classificação dos valores pode aumentar ou diminuir em relação aos valores de referência, dependendo do tipo de roupa usada. » Medir ou estimar a velocidade do ar e a umidade relativa. Em situações de temperaturas elevadas com alta umidade ou situações de baixas temperaturas com alta velocidade do ar, a classificação a partir dos valores da tabela deve ser acrescida de um nível. Tabela 16. Velocidade do ar e umidade relativa de condições técnicas semelhantes. Velocidade do ar m/s Umidade relativa Trabalho leve Menor que 0,5 20 a 50% Trabalho moderado 0,2 a 0,5 20 a 50% Trabalho pesado 0,3 a 0,7 20 a 50% Trabalho muito pesado 0,4 a 1,0 20 a 50% Classificação do analista Julgamento do trabalhador ++ + – – – Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. Ruído A classificação do ruído é obtida em função do tipo de trabalho executado. Existe um potencial de risco de dano à audição quando o ruído for maior que 80 dB(A). O uso de protetor auricular é então recomendado. 71 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II Nas situações de trabalho em que há necessidade de comunicação verbal, as pessoas precisam estar aptas para conversar entre si, para gerenciar ou executar o trabalho. Nas situações que requerem concentração, o trabalhador deve raciocinar, tomar decisões, usar continuamente sua memória e estar concentrado. Roteiro para medições: » Medir ou estimar o nível de ruído nas condições normais de ruído do ambiente. Os exemplos a seguir ajudam na estimativa dos níveis de ruído, para comparações: Tabela 17. DB(A) Exemplos DB(A) Exemplos Aprox. 130 Avião a jato 65 Barulho de conversas em escritórios 110 Máquinas de perfurar rochas 55 Salas de controle 100 Metalúrgicas pesadas 45 Pequeno escritório doméstico 85 Estampagens, tornos 10 Sala isolada acusticamente 75 Datilografia, cabine de caminhão 0 Limiar de audição Trabalho que não requer comunicação verbal Trabalho que requer comunicação verbal Trabalho que requer concentração 1 Abaixo de 60dB (A) Abaixo de 50 dB (A) Abaixo de 45 dB (A) 2 60-70 dB (A) 50-60 dB (A) 45-55 dB (A) 3 70-80 dB (A) 60-70 dB (A) 55-65 dB (A) 4 80-90 dB (A) 70-80 dB (A) 65-75 dB (A) 5 Acima de 90 dB (A) Acima de 80 dB (A) Acima de 75 dB (A) Classificação do analista Julgamento do trabalhador ++ + – – – Fonte: <http://docplayer.com.br/8981626-Analise-ergonomica-dos-postos-de-trabalho.html>. O quadro de respostas do protocolo Análise Ergonômica de Trabalho encontra-se no Anexo IV, disponível na biblioteca da disciplina. 72 CAPÍTULO 6 Estabelecendo limites de carga para o manuseio de peso – equação do NIOSH (National Institute of Occupational Safety and Health) Essa equação foi desenvolvida para auxiliar no planejamento e na avaliação de tarefas de levantamento manual, levando em consideração critérios biomecânicos, fisiológicos e psicofísicos. A primeira versão dessa equação foi desenvolvida em 1981. Posteriormente, em 1991, foi proposta a segunda versão, incluindo a avaliação de manuseios assimétricos e tipos de pegas, quando foi fornecida uma tabela mais abrangente prevendo durações e frequências dos manuseios. Cabe lembrar que a aplicação dessa equação é limitada às condições em que ocorre o levantamento e/ou abaixamento de cargas, usando-se as duas mãos. Ela não deve ser aplicada nas situações em que: » os manuseios sejam realizados com apenas uma mão; » a tarefa tenha duração maior que 8 horas diárias; » as cargas manuseadas sejam muito quentes ou muito frias; » o manuseio ocorra na posição sentada ou ajoelhada; » a situação apresente risco de quedas ou escorregões; » o manuseio ocorra em local com espaços muito restritos; » o objeto manuseado seja muito instável; » ocorra levantamento/abaixamento associado a carregar, puxar e empurrar; » o manuseio tenha auxílio de pás e carriolas; » o manuseio seja realizado de forma muito rápida. Para as situações nas quais a equação não possa ser aplicada, recomenda-se o uso de instrumentos de avaliação ergonômica mais abrangentes, de forma a captar a complexidade da situação de trabalho avaliada. 73 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II Os autores afirmam que o método ainda requer validação para que se possa determinar a efetividade desse instrumento em reduzir os índices de morbidade associados ao manuseio de cargas. No entanto, essa ferramenta é útil e pode ser utilizada em conjunto com a NR–17, a fim de verificar a adequação da tarefa de manuseio às características do trabalhador e à natureza do trabalho. A equação do NIOSH é baseada em um modelo multiplicativo, que fornece uma ponderação de seis variáveis relacionadas à tarefa. A ponderação é expressa por meio de coeficientes que diminuem a constante de carga (valor máximo que pode ser manuseado sob condições ideais: 23 kg). A seguir, apresentaremos a equação e descreveremos cada item (fator multiplicativo) utilizado na fórmula. Massa limite recomendada (RWL) É o resultado da aplicação da equação do NIOSH. É definida para cada tarefa e determinada a partir da combinação de diversos fatores, sendo considerada uma carga que os trabalhadores saudáveis podem manusear por longos períodos de tempo (até 8 horas) sem risco de desenvolver problemas lombares. RWL = LC x HM x VM x DM x AM x FM x CM Constante de carga (LC) A constante de carga é um valor de referência da equação, estabelecido em 23 kg (51 lbs), que é a carga máxima permitida para manuseio em condições ideais. Essa constante representa um valor seguro para 99% dos homens e 75% das mulheres assintomáticos, considerando os limites de segurança para a força de compressão intradiscal. Por condições ideais de manuseio entende-se: manuseio sem rotação do tronco, a 75 cm do solo, com deslocamento de 25 cm da carga, com o trabalhador segurando a carga próxima ao corpo (25 cm). Fator multiplicador da distância horizontal (HM) A distância horizontal (H) é medida entre a massa manuseada e o corpo do trabalhador. Quanto maior essa distância, maior o torque a ser gerado pelos músculos extensores do tronco para se contrapor à ação da gravidade agindo sobre a carga manuseada e menor será o valor da massa limite recomendada. Por isso, uma forma muito recomendada para diminuir a sobrecarga durante o manuseio é aproximar a carga do corpo. Já o fator multiplicador da distância horizontal (HM) é dado por: HM = 25/H. 74 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS Fator multiplicador da distância vertical (VM) A distância vertical (V) é medida entre a carga e o solo no início do levantamento. O fator multiplicador (VM) é dado por: VM = 1 – (0,003/V- 75) Assim,quanto menor a distância vertical no início do manuseio, menor o RWL, já que o risco de ocorrer lesão é maior quando a carga estiver mais próxima do chão, o que exige maior flexão do tronco. Figura 32. Distâncias vertical (V) e horizontal (H) a serem consideradas na equação. Fonte: Niosh, 1994 apud Waters et al., 1994. Fator multiplicador da distância percorrida (DM) A distância percorrida é dada pela subtração da distância vertical final e inicial, ou seja, é o deslocamento da carga no eixo vertical. O fator multiplicador é dado por: DM = 0,82 + (4,5/D) 75 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II Quanto maior a distância percorrida, maior a demanda fisiológica para a execução da tarefa e menor o limite recomendado. Fator multiplicador da assimetria do tronco (AM) A assimetria do tronco indica o ângulo de rotação do tronco em relação à base de apoio. A Figura 33 ilustra como obter esse ângulo. Figura 33. Planos anatômicos e ilustração de exemplo de rotação corporal. Fonte: Niosh, 1994 apud Waters et al., 1994. O fator multiplicador da assimetria é dado por: AM = 1 – (0,0032 X A) Os manuseios assimétricos diminuem o limite máximo recomendado por aumentar a sobrecarga na coluna vertebral, devido à maior magnitude das forças de cisalhamento. Fator multiplicador da frequência (FM) A frequência de levantamentos é dada pelo número de manuseios realizados por minuto, que pode variar de menos de 0,2 a mais de 15, o valor máximo considerado. 76 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS Porém, o fator multiplicador de frequência depende da frequência de manuseios, da duração da tarefa e da distância vertical do levantamento (V). Esse fator é obtido por meio do cruzamento de informações conforme a Tabela 18. Tabela 18. Parâmetros da tarefa e respectivos fatores multiplicadores Freq. levant./ min Duração do trabalho < 1 hora 1 a 2 horas 2 a 8 horas V < 75 V > 75 V < 75 V > 75 V < 75 V > 75 < 0,2 1.00 1.00 .95 .95 .85 .85 0,5 .97 .97 .92 .92 .81 .81 1 .94 .94 .88 .88 .75 .75 2 .91 .91 .84 .84 .65 .65 3 .88 .88 .79 .79 .55 .55 4 .84 .84 .72 .72 .45 .45 5 .80 .80 .60 .60 .35 .35 6 .75 .75 .50 .50 .27 .27 7 .70 .70 .42 .42 .22 .22 8 .60 .60 .35 .35 .18 .18 9 .52 .52 .30 .30 .00 .15 10 .45 .45 .26 .26 .00 .13 11 .41 .41 .00 .23 .00 .00 12 .37 .37 .00 .21 .00 .00 13 .00 .34 .00 .00 .00 .00 14 .00 .31 .00 .00 .00 .00 15 .00 .28 .00 .00 .00 .00 > 15 .00 .00 .00 .00 .00 .00 Fonte: Niosh, 1994 apud Waters et al., 1994. Fator multiplicador da pega (CM) O tipo de pega realizada pelo trabalhador pode ser classificado em bom, moderado ou pobre. Para determinar o tipo de pega, devem ser considerados os aspectos e as escolhas apresentados na Figura 34. 77 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II Figura 34. Aspectos a serem considerados e suas respectivas avaliações (árvore de decisões) para a classificação da qualidade da pega. Fonte: Niosh, 1994 apud Waters et al., 1994. O fator multiplicador da pega depende do tipo de pega e da distância vertical do manuseio, conforme a Tabela 19. Tabela 19. Estabelecimento do multiplicador em função do tipo de pega e da distância vertical percorrida (V). Tipos da pega Multiplicador de pega V < 75cm V > 75cm Bom 1,00 1,00 Moderado 0,95 1,00 Pobre 0,90 0,90 Fonte: Niosh, 1994 apud Waters et al., 1994. A partir do cálculo do RWL, obtém-se o índice de levantamento (lifting index – LI), dado pela razão entre a massa do objeto que é efetivamente manuseada e a massa calculada na equação como limite recomendado (RWL – limite seguro). Assim, quanto maior o LI, maior o risco de ocorrência de problemas lombares devido ao manuseio de cargas: Índice de Levantamento = Massa manuseada Massa Limite Recomendado (RWL) O protocolo para aplicação da equação do NIOSH está apresentado no Anexo V, disponível na biblioteca da disciplina. 78 CAPÍTULO 7 Protocolo de Registro Postural OWAS (Ovako Working Posture Analysing System) O método OWAS é um modelo simples para o registro e a análise de posturas corporais em situação ocupacional. Por esse modelo, é possível realizar de maneira relativamente rápida a análise de um grande número de posturas para a identificação das mais críticas. A identificação dessas posturas extremas envolvendo grande sobrecarga para o corpo permite que elas possam ser corrigidas, reduzindo-se assim os riscos de lesão. As posturas observadas diretamente no local de trabalho ou a partir de filmagens prévias são registradas em uma ficha de registro. Para estudar esses registros, o corpo é dividido em segmentos: costas, membros superiores (braços) e membros inferiores (pernas). Para registrar a posição de cada um desses segmentos, existe um “menu” de possíveis posturas adotadas por cada parte do corpo. Cada uma das posições possíveis tem um número por convenção que a representa, facilitando assim o registro. Então, por exemplo, para o tronco (coluna) existem quatro possíveis posições: » ereto (1); » fletido anteriormente (2); » ereto e rodado ou lateralizado (3) e » fletido e rodado ou lateralizado (4). Para os membros superiores, temos três possíveis posturas adotadas: » braços abaixo do nível do ombro (1); » um braço acima e um abaixo do nível do ombro (2) e » os dois braços acima do nível do ombro (3). Por fim, os membros inferiores foram classificados em sete diferentes posturas: » sentado (1); » em pé, apoio bilateral, joelhos estendidos (2); » em pé, apoio unilateral, joelho estendido (3); » em pé ou agachado, apoio bilateral, joelhos fletidos (4); » em pé ou agachado, apoio unilateral, joelhos fletidos (5); 79 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II » ajoelhado em um ou ambos os joelhos (6) ou » andando ou se movimentando (7). Após a análise das posturas dos três segmentos (tronco, membros superiores e inferiores), devemos fazer a classificação da carga: » (1) menor ou igual a 10kg; » (2) entre 10 e 20kg; » (3) maior que 20kg. Um exemplo de aplicação é apresentado a seguir. O trabalhador está realizando a tarefa de texturização de uma parede com massa corrida. Classificação da postura das costas (tronco): Figura 35. Trabalhador realizando texturização em uma parede. Fonte: adaptada pelo autor. Classificação dos membros superiores Figura 36. Trabalhador realizando texturização em uma parede. Membro superior direito acima do nível do ombro e membro superior esquerdo abaixo do nível do ombro. Fonte: adaptada pelo autor. 80 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS Tenha cuidado na avaliação do membro superior. Algumas vezes, a flexão do tronco pode dificultar a avaliação do membro superior, fazendo com que o avaliador acredite que o membro superior está abaixo do nível do ombro, mas, na verdade, ele está acima! Classificação dos membros inferiores Figura 37. Trabalhador realizando texturização em uma parede. Trabalhador em pé ou agachado, apoio bilateral, joelhos fletidos. Fonte: adaptada pelo autor. Lembre-se, só iremos considerar que o trabalhador está ajoelhado (6) quando os joelhos estão apoiados na superfície (chão). Classificação da carga Figura 38. Trabalhador realizando texturização em uma parede. Fonte: adaptada pelo autor. 81 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS│ UNIDADE II Após classificar a postura (tronco, membros superiores e inferiores) e a carga da tarefa analisada, devemos cruzar essas informações em uma tabela para chegarmos a um nível de ação proposto pelo protocolo, como apresentado na Tabela 20. O cruzamento das informações de postura e carga analisadas previamente nos permitiu encontrar uma pontuação final “4” do protocolo OWAS, de acordo com o apresentado na Tabela 20. Essa pontuação significa que o esforço para a execução da tarefa é extremamente prejudicial e deve receber atenção imediata. Os níveis de ação do protocolo OWAS variam de 1 a 4 e são apresentados a seguir: » Nível 1: Esforço normal, não requer intervenção. » Nível 2: Esforço levemente prejudicial, deve receber atenção no futuro. » Nível 3: Esforço claramente prejudicial, deve receber intervenção assim que for possível. » Nível 4: Esforço extremamente prejudicial, deve receber intervenção imediatamente. Tabela 20. Tabela para o cruzamento das informações de postura do tronco, membros superiores (MMSS) e membros inferiores (MMII) com a carga para a atividade analisada. O cruzamento das informações nos permitirá alcançar a pontuação final do protocolo OWAS. Essa pontuação indicará o nível de ação recomendada para a situação avaliada. Tronco MMSS MMII 1 2 3 4 5 6 7 Carga 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 3 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 3 2 2 3 1 1 1 1 1 2 2 1 2 2 3 2 2 3 2 2 3 3 3 3 3 3 3 2 2 2 2 3 3 2 2 2 3 2 2 3 2 2 3 3 4 4 3 4 4 3 3 4 2 3 4 3 3 3 4 2 2 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 2 3 4 3 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 3 3 3 4 4 4 1 1 1 1 1 1 2 2 2 3 1 1 1 1 1 2 4 4 4 4 4 4 3 3 3 1 1 1 3 2 2 3 1 1 1 2 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 1 1 1 4 1 2 3 3 2 2 3 2 2 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 2 3 4 2 3 3 4 2 3 4 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 2 3 4 3 4 4 4 2 3 4 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 2 3 4 Fonte: <https://www.faac.unesp.br/Home/Pos-Graduacao/MestradoeDoutorado/Design/Dissertacoes/joellen-ligeiro.pdf>. 82 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS Dessa forma, o protocolo OWAS indica o grau de esforço requerido para a realização da tarefa e a necessidade de intervenção para minimizar a sobrecarga ao trabalhador. Não se esqueça que o OWAS é um protocolo de avaliação da postura de atividades consideradas mais pesadas, ou seja, que exigem grande esforço físico do trabalhador para sua realização. Para aplicar o protocolo, devemos avaliar uma determinada postura. Como selecionar a postura que deve ser avaliada? A seleção da postura a ser avaliada depende de cada situação de trabalho. De maneira geral, optamos pela avaliação da postura mantida pelo trabalhador por um grande período do turno de trabalho, ou avaliamos aquela condição na qual o trabalhador está exposto a maior sobrecarga. Não se esqueça de que a aplicação do protocolo OWAS é realizada para uma postura selecionada, ou seja, condição estática. A ficha de aplicação do protocolo OWAS é apresentada no Anexo VI, disponível na biblioteca da disciplina. 83 CAPÍTULO 8 Protocolo de Registro Postural RULA (Rapid Upper Limb Assessment) O protocolo de registro postural RULA (em português, Avaliação Rápida dos Membros Superiores) tem por objetivo analisar principalmente a sobrecarga concentrada no pescoço e membros superiores, geralmente presente no trabalho sedentário. Esse procedimento utiliza diagramas para facilitar a identificação das possíveis amplitudes de movimento das articulações de interesse. As posições de cada segmento são pontuadas e transpostas para três tabelas, dependendo da região do corpo, para avaliar a exposição aos fatores de risco. Além das amplitudes de movimento, o método também avalia o trabalho muscular estático e as forças exercidas pelos segmentos em análise. Para facilitar o registro, o corpo foi dividido em segmentos formando dois grupos: A e B. O membro superior, formado pelos braços, antebraços e punhos, compõe o grupo A. O grupo B é formado por pescoço, tronco e pernas. O movimento de cada articulação a ser registrada foi dividido em sessões numeradas, de forma que o número 1 representa o movimento ou a postura que apresenta risco mínimo, enquanto os números maiores, em ordem progressiva, representam maiores chances de exposição das estruturas corporais a cargas musculoesqueléticas. Os autores realizaram uma extensa revisão literária para o estabelecimento de critérios para avaliar as posturas e pontuar as amplitudes de movimento. As pontuações das amplitudes de movimento do membro superior, do membro inferior, da flexo-extensão e prono-supinação do punho são apresentadas nas ilustrações abaixo. A pontuação do ombro é apresentada na Figura 39. Além da pontuação apresentada para cada uma das posturas, não devemos esquecer que, se o ombro estiver elevado, devemos acrescentar 1 ponto no escore final dessa articulação, o mesmo procedimento deve ser adotado se o ombro estiver abduzido. Contudo, se o ombro estiver apoiado, ou seja, se a sobrecarga na articulação estiver sendo minimizada pelo fato de os braços estarem apoiados, devemos subtrair um ponto da pontuação final do ombro. 84 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS Figura 39. Pontuação para o ombro de acordo com as posturas adotadas. (1) Flexão ou extensão do ombro até uma amplitude de 20°; (2) Extensão do ombro acima de 20° ou flexão do ombro entre 20 e 45°; (3) Flexão do ombro acima entre 45 e 90°; (4) Flexão do ombro acima de 90°. Fonte: <http://www.rula.co.uk/index.html>. A articulação a ser avaliada a seguir é o antebraço (Figura 40). Assim como para os ombros, a pontuação final do antebraço é acrescida de um ponto quando os cotovelos se afastam ou se aproximam da postura neutra. Figura 40. Pontuação para o cotovelo de acordo com as posturas adotadas. (1) Flexo-extensão do cotovelo numa amplitude entre 60° e 100°; (2) Flexo-extensão do cotovelo numa amplitude entre 0° e 60° ou maior que 100°. Um ponto deve ser adicionado à pontuação final se ocorre afastamento ou cruzamento da linha média do cotovelo. Fonte: <http://www.rula.co.uk/index.html>. A última articulação a ser avaliada para o diagrama A é o punho. A pontuação do punho varia de 1 a 3 pontos, de acordo com a postura adotada, e ainda por ser acrescida de mais um ponto se a articulação apresentar desvio ulnar ou radial (Figura 41). Figura 41. Pontuação para o punho de acordo com as posturas adotadas. (1) Postura neutra; (2) Amplitude média de flexoextensão do punho, entre 15° de flexão e 15° de extensão; (3) Acima de 15° de flexão ou extensão. Um ponto deve ser acrescentado ao escore final se o punho apresentar desvio radial ou ulnar. Fonte: <http://www.rula.co.uk/index.html>. 85 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II Ainda devemos avaliar a rotação do punho (Figura 42), ou seja, se o punho está em amplitude média de rotação (1) ou se o punho estiver pronado ou supinado (2). Figura 42. Pontuação para a rotação do punho. (1) Punho em amplitude média de rotação; (2) Punho pronado ou supinado. Fonte: <http://www.rula.co.uk/index.html>. Para calcular a pontuação parcial do grupo A, é necessário consultar a Tabela 21, conforme descrito a seguir. Primeiro, identifique o número registrado para o ombro no lado esquerdo da Tabela 21, então, identifique o número registrado para o antebraço na segunda coluna da Tabela 21. Siga a linha da pontuação identificada para o antebraço até essa cruzar com o número que representa a postura do punho, que podeser 1, 2, 3 ou 4, em sua respectiva coluna. Finalmente, verifique a pontuação obtida para a rotação do punho. Seguindo a coluna da rotação do punho, será encontrado um único valor para a combinação dos quatro elementos registrados para o grupo A. Tabela 21. Pontuação considerando posição e rotação de punho, posição de ombro e antebraço. Ombro Antebraço Posição do punho 1 2 3 4 Rotação Rotação Rotação Rotação 1 2 1 2 1 2 1 2 1 1 1 2 2 2 2 3 3 3 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 2 3 3 3 3 3 4 4 2 1 2 3 3 3 3 4 4 4 2 3 3 3 3 3 4 4 4 3 3 4 4 4 4 4 5 5 3 1 3 3 4 4 4 4 5 5 2 3 4 4 4 4 4 5 5 3 4 4 4 4 4 5 5 5 4 1 4 4 4 4 4 5 5 5 2 4 4 4 4 4 5 5 5 3 4 4 4 5 5 5 6 6 5 1 5 5 5 5 5 6 6 7 2 5 6 6 6 6 7 7 7 3 6 6 6 7 7 7 7 8 6 1 7 7 7 7 7 8 8 9 2 8 8 8 8 8 9 9 9 3 9 9 9 9 9 9 9 9 Fonte: Adaptada de <http://www.rula.co.uk/index.html>. 86 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS Após avaliar os segmentos do grupo A, devemos analisar as posturas dos segmentos do grupo B (pescoço, tronco e membros inferiores). A avaliação da postura do pescoço é apresentada a seguir. Figura 43. Classificação das posturas do pescoço. (1) Flexão do pescoço entre 0° e 10°; (2) Flexão do pescoço entre 10° e 20°; Flexão do pescoço acima de 20°; (4) Qualquer amplitude extensão do pescoço. A pontuação final da postura deve ser acrescida de um ponto se o trabalhador estiver com o pescoço inclinado, da mesma forma mais um ponto deve ser adicionado se o trabalhador estiver com o pescoço rodado. Fonte: <http://www.rula.co.uk/index.html>. Após avaliar a postura do pescoço, o segmento a ser analisado é o tronco. A Figura 44 apresenta a pontuação para cada uma das faixas de amplitude avaliadas pelo protocolo. Figura 44. Classificação das posturas do tronco. (1) Tronco ereto; (2) Flexão do tronco entre 0° e 20°; (3) Flexão do tronco entre 20° e 60°; (4) Flexão do tronco acima de 60°. Um ponto deve ser adicionado à pontuação final se o tronco estiver rodado, da mesma forma, mais um ponto deve ser adicionado se o tronco estiver inclinado. Fonte: <http://www.rula.co.uk/index.html>. 87 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II O último segmento a ser avaliado no grupo B são os membros inferiores (Figura 45). Figura 45. Classificação da descarga de peso dos membros inferiores. (1) Descarga de peso igualmente distribuída entre as pernas; (2) Descarga de peso não igualmente distribuída entre os membros inferiores. Fonte: <http://www.rula.co.uk/index.html>. Para calcular a pontuação parcial do grupo B, é necessário consultar a Tabela 22, conforme descrito a seguir. Primeiro, identifique o número registrado para o tronco acima da tabela. Então, identifique o número registrado para os membros inferiores (1 ou 2) na segunda coluna da tabela. Siga a linha da pontuação identificada para os membros inferiores até essa cruzar com o número que representa a postura do pescoço, que pode variar de 1 a 6, em sua respectiva coluna. O valor encontrado para a combinação dos três elementos registrados é a parcial para o grupo B. Em seguida, para continuar a avaliação do protocolo, deve-se avaliar o trabalho muscular e a força exercida por esse indivíduo. Com relação ao trabalho muscular, atribui-se 1 ponto se a tarefa analisada envolver contrações musculares (por exemplo, apreensão de objetos, pressionamento de botões etc.) mantidas por períodos maiores que 1 minuto e 0 (zero) ponto quando envolver trabalhos musculares por tempos menores. Da mesma forma, atribui-se 1 ponto se a tarefa analisada for repetida por pelo menos 4 vezes por minuto. Tabela 22. Pontuação individual de cada segmento do grupo B (pescoço, tronco e membros inferiores). Pescoço Tronco 1 2 3 4 5 6 MMII MMII MMII MMII MMII MMII 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 1 3 2 3 3 4 5 5 6 6 7 7 2 2 3 2 3 4 5 5 5 6 7 7 7 3 3 3 3 4 4 5 5 6 6 7 7 7 4 5 5 5 6 6 7 7 7 7 7 8 8 5 7 7 7 7 7 8 8 8 8 8 8 8 6 8 8 8 8 8 8 8 9 9 9 9 9 Fonte: Adaptada de <http://www.rula.co.uk/index.html>. 88 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS Para avaliar a força exercida, utiliza-se o seguinte critério para pontuação: » 0 (zero) = carga intermitente ou força menor que 2 kg; » 1 = carga intermitente ou força de 2 a 10 kg; » 2 = repetição ou carga estática e forças de 2 a 10 kg; » 2 = carga intermitente ou forças maiores que 10 kg; » 3 = repetição ou carga estática e forças maiores que 10 kg; » 3 = carga ou força de qualquer magnitude com aceleração do movimento ou ação de sacudir/dar solavancos. Após a classificação das posturas dos grupos A e B, assim como do trabalho muscular e da carga, devemos adicionar a pontuação do trabalho muscular e da carga à pontuação da postura de cada um dos grupos, como apresentado abaixo: Pontuação final da postura do grupo A: + Pontuação do trabalho muscular: + Pontuação da carga: = Pontuação final do grupo A Da mesma forma, a pontuação do trabalho muscular e da carga deve ser adicionada ao escore de postura do grupo B, como demonstrado abaixo: Pontuação final da postura do grupo B: + Pontuação do trabalho muscular: + Pontuação da carga: = Pontuação final do grupo B Finalmente, as pontuações finais A e B são cruzadas na Tabela 23, que integra as contribuições de todos os segmentos e modificantes para fornecer a “Pontuação Geral”. A Tabela 23 é consultada inserindo-se o valor obtido para a pontuação final B (em colunas) e pontuação final A (em linhas). A pontuação final é então inserida no Protocolo de Pontuação do RULA, o que permite a classificação da situação registrada em uma das quatro possíveis categorias de ação. 89 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II Tabela 23. Possíveis pontuações finais dos grupos para calcular a pontuação geral. Grupo B Gr up o A 1 2 3 4 5 6 7+ 1 1 2 3 3 4 5 5 2 2 2 3 4 4 5 5 3 3 3 3 4 4 5 6 4 3 3 3 4 5 6 6 5 4 4 4 5 6 7 7 6 4 4 5 6 6 7 7 7 5 5 6 6 7 7 7 8 5 5 6 7 7 7 7 Fonte: Adaptada de <http://www.rula.co.uk/index.html>. De acordo com o valor obtido na pontuação geral, a situação analisada irá requerer diferentes níveis de atenção para o controle de riscos, conforme a Tabela 24. Tabela 24. Níveis de ação para controle de riscos propostos pelo protocolo RULA. 1 ou 2 Postura aceitável se não mantida ou repetitiva. 3 ou 4 Requer investigação adicional – medidas de controle podem ser necessárias. 5 ou 6 Requer investigação adicional – medidas de controle são necessárias brevemente. 7 Requer investigação e medidas de controle imediatamente. Fonte: <http://www.rula.co.uk/index.html>. O procedimento RULA foi cuidadosamente planejado para fornecer um sistema de classificação útil para avaliar as posturas de trabalho rapidamente. O protocolo é aplicável quando um grande número de posturas e situações precisam ser analisadas. Após identificar as posturas mais críticas, pode ser necessária uma análise adicional, utilizando métodos mais específicos. Conforme os autores enfatizam, o corpo humano é um sistema muito complexo e pode ser influenciado por um grande número de variáveis, incluindo as respostas individuais. Como consequência, métodos como o RULA oferecem diretrizes úteis, apesar de genéricas, para avaliação. O protocolo para aplicação está apresentado no Anexo VII, disponível na biblioteca da disciplina. 90 CAPÍTULO 9 Protocolo de Registro Postural REBA (Rapid Entire Body Assessment) O protocolo de registro postural REBA é uma ferramenta para avaliação de posturasde trabalho na área da saúde e algumas atividades na indústria, ou seja, atividades mais dinâmicas. Esse protocolo foi desenvolvido por ergonomistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e enfermeiros. Essa ferramenta foi desenvolvida com o objetivo de avaliar riscos posturais em várias atividades, considerando aspectos da postura estática, dinâmica, instáveis ou por trocas rápidas de postura. Além de estabelecer a interface entre homem e pega. Assim como o protocolo RULA, o protocolo REBA utiliza diagramas para facilitar a identificação das possíveis amplitudes de movimento das articulações de interesse. As posições de cada segmento são pontuadas e transpostas para três tabelas, dependendo da região do corpo, para avaliar a exposição aos fatores de risco. Além das amplitudes de movimento, o método também avalia o trabalho muscular estático, a carga e o tipo de pega realizada durante a atividade. Para facilitar o registro, o corpo foi dividido em segmentos formando dois grupos: A e B. O pescoço, tronco e membros inferiores compõem o grupo A. O grupo B é formado por ombro, cotovelo/antebraço e punho. O movimento de cada articulação a ser registrada foi dividido em sessões numeradas, de forma que o número 1 representa o movimento ou a postura que apresenta risco mínimo, enquanto os números maiores, em ordem progressiva, representam maiores chances de exposição das estruturas corporais a cargas musculoesqueléticas. A pontuação do grupo A é iniciada pelo tronco como apresentado na Figura 46. Figura 46. Classificação da postura do tronco. (1) Postura ereta; (2) Até 20° de flexão ou extensão do tronco; (3) Flexão do tronco entre 20° e 60°; (4) Flexão do tronco acima de 60°. Um ponto é adicionado à pontuação final se o tronco estiver rodado ou lateralizado. Fonte: Adaptada de <http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/685.pdf>. 91 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II Diferentemente do método RULA, se o tronco do trabalhador estiver, simultaneamente, rodado e lateralizado, apenas um ponto será adicionado ao escore final do tronco. Em seguida, a postura do pescoço deve ser analisada, de acordo com a Figura 47. Figura 47. Classificação da postura do pescoço. (1) Amplitude entre 0° a 20° de flexo-extensão do pescoço; (2) Acima de 20° de flexão ou extensão do pescoço. Um ponto deve ser acrescentado ao escore final da postura do pescoço quando o pescoço estiver rodado ou inclinado. Fonte: Adaptada de <http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/685.pdf>. O último segmento avaliado para o grupo A são os membros inferiores (Figura 48). Figura 48. Classificação da postura dos membros inferiores. (1) Descarga de peso bilateralmente distribuída; (2) Descarga de peso sem distribuição bilateral de peso. Um ponto deve ser acrescentado à pontuação final dos membros inferiores quando os joelhos estiverem fletidos entre 30° e 60°, dois pontos devem ser adicionados à pontuação final quando os joelhos estiverem com flexão superior a 60°. Fonte: Adaptada de <http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/685.pdf>. Para calcular a pontuação parcial do grupo A, é necessário consultar a Tabela 25, conforme descrito a seguir. Primeiro, identifique o número registrado para o pescoço na parte superior da tabela. Então, identifique o número registrado para os membros inferiores na segunda coluna da tabela. Siga a linha da pontuação identificada para os membros inferiores até essa cruzar com o número que representa a postura do tronco, que pode ser 1, 2, 3 ou 5, em sua respectiva coluna. Finalmente, encontre um único valor para a combinação dos três elementos registrados para o grupo A. 92 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS Tabela 25. Pontuação individual de cada segmento do grupo A (pescoço, tronco e membros inferiores). TRONCO PESCOÇO 1 2 3 MMII 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 1 2 3 4 1 2 3 4 3 3 5 6 2 2 3 4 5 3 4 5 6 4 5 6 7 3 2 4 5 6 4 5 6 7 5 6 7 8 4 3 5 6 7 5 6 7 8 6 7 8 9 5 4 6 7 8 6 7 8 9 7 8 9 9 Fonte: Adaptada de <http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/685.pdf>. Após avaliar a postura do grupo A (tronco, pescoço e membros inferiores), a pontuação da carga/força deve ser avaliada. A pontuação da carga varia entre 0 (zero) e 2, sendo que um ponto deve ser adicionado à pontuação final da carga quando a carga acarreta impacto ou ocorre aumento rápido de força. » 0 (zero) = carga inferior a 5 kg. » 1 = carga entre 5 e 10 kg. » 2 = carga superior a 10 kg. A pontuação final do escore A é calculada pela pontuação do diagrama postural do grupo A somado à pontuação da carga. O grupo B é composto por ombro, cotovelo/antebraço e punho. A pontuação da postura do ombro é avaliada de acordo com a Figura 49. Figura 49. Classificação da postura do ombro. (1) Ombro entre 0° e 20° de flexão ou extensão; (2) Acima de 20° de extensão ou entre 20° e 45° de flexão; (3) Ombro entre 45° e 90° de flexão; (4) Ombro em flexão acima de 90°. Um ponto deve ser adicionado à pontuação final do ombro quando o ombro estiver abduzido; mais um ponto deve ser acrescentado se o ombro estiver elevado. Um ponto deve ser subtraído da pontuação final quando os ombros estiverem apoiados. Fonte: Adaptada de <http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/685.pdf>. 93 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II Após classificar o ombro, devemos avaliar a região do cotovelo/antebraço (Figura 50). Figura 50. Classificação da postura do cotovelo/antebraço. (1) Amplitude média do cotovelo entre 60° e 100°; (2) Amplitude do cotovelo entre 0° e 60° e acima de 100°. Fonte: Adaptada de <http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/685.pdf>. A seguir, devemos classificar a postura do punho (Figura 51). Figura 51. Classificação da postura do cotovelo/antebraço. (1) Postura média do punho, entre 0° e 15° de flexão e extensão; (2) Acima de 15° de flexão ou extensão do punho. Um ponto deve ser acrescentado à pontuação final do punho, se esse segmento apresentar desvio ulnar ou radial. Fonte: Adaptada de <http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/685.pdf>. Para calcular a pontuação parcial do grupo B, é necessário consultar a Tabela 26, conforme descrito a seguir. Primeiro, identifique o número registrado para o antebraço na parte lateral esquerda da tabela. Então, identifique o número registrado para os punhos na segunda coluna da tabela. Siga a linha da pontuação identificada para os punhos até ela cruzar com o número que representa a postura dos ombros, que pode variar de 1 até 6, em sua respectiva coluna. Finalmente, encontre um único valor para a combinação dos três elementos registrados para o grupo B. 94 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS Tabela 26. Pontuação individual de cada segmento do grupo B (ombro, cotovelo/antebraço e punho). OMBRO Antebraço = 1 PUNHO 1 2 3 4 5 6 1 1 1 3 4 6 7 2 2 2 4 5 7 8 3 2 3 5 5 8 8 Antebraço = 2 PUNHO 1 1 2 4 5 7 8 2 2 3 5 6 8 9 3 3 4 5 7 8 9 Fonte: Adaptada de <http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/685.pdf>. Após avaliar a postura do grupo B (ombro, cotovelo e punhos), a pega deve ser avaliada. A pontuação da pega varia entre 0 (zero) e 3, como apresentado abaixo: » 0 (zero) (bom) = bom ajuste da mão, amplitude média e preensão forte. » 1 (regular) = preensão aceitável, mas não ideal. » 2 (ruim) = preensão não é aceitável, embora possível. » 3 (inaceitável) = pega inaceitável e insegura, outras partes do corpo sãoutilizadas para manusear o objeto. A pontuação final do escore B é calculada pela pontuação do diagrama postural do grupo B somado à pontuação da pega. O escore C ocorre pelo cruzamento das informações do escore do grupo A com as informações do escore do grupo B, utilizando a Tabela 27 (escore C). Tabela 27. Cruzamento das informações entre o escore do grupo A e o escore do grupo B. ESCORE B ES CO RE A 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 1 1 1 2 3 4 6 7 8 9 10 11 12 2 1 2 3 4 4 6 7 8 9 10 11 12 3 1 2 3 4 4 6 7 8 9 10 11 12 4 2 3 3 4 5 7 8 9 10 11 11 12 5 3 4 4 5 6 8 9 10 10 11 12 12 6 3 4 5 6 7 8 9 10 10 11 12 12 7 4 5 6 7 8 9 9 10 11 11 12 12 8 5 6 7 8 8 9 10 10 11 12 12 12 9 6 6 7 8 9 10 10 10 11 12 12 12 10 7 7 8 9 9 10 11 11 12 12 12 12 11 7 7 8 9 9 10 11 11 12 12 12 12 12 7 8 8 9 9 10 11 11 12 12 12 12 Fonte: Adaptada de <http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/685.pdf>. 95 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II Após encontrarmos o escore C, devemos fazer a classificação da atividade. A atividade pode ser assim classificada: » uma ou mais partes do corpo estão estáticas, isto é, mantidas por mais de 1 minuto na mesma postura; » ações de pequenas amplitudes, repetidas mais de 4 vezes por minuto; » ações que causam rápidas mudanças de postura ou uma base de apoio instável. Se alguma dessas condições estiver presente na tarefa avaliada, um ponto deve ser somado ao escore C. O resultado da soma da pontuação da atividade com o escore C é o escore REBA. De acordo com o valor obtido na pontuação geral, a situação analisada irá requerer diferentes níveis de atenção para o controle de riscos, conforme a Tabela 28. Tabela 28. Níveis de ação para controle de riscos propostos pelo protocolo REBA. NÍVEL DE AÇÃO ESCORE REBA NÍVEL DE RISCO AÇÃO (incluindo avaliações futuras) 0 1 ––––– não é necessário 1 2 – 3 baixo pode ser necessário 2 4 – 7 médio necessário 3 8 – 10 alto necessário em breve 4 11 – 15 muito alto necessário AGORA! Fonte: Adaptada de <http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/685.pdf>. Da mesma maneira que para o protocolo RULA, o protocolo REBA é aplicável quando um grande número de posturas e situações precisam ser analisadas. Após identificar as posturas mais críticas, pode ser necessária uma análise adicional, utilizando métodos mais específicos. 96 CAPÍTULO 10 Laudo ergonômico Nos capítulos anteriores aprendemos sobre os principais fatores de risco presentes no ambiente de trabalho bem como as diferentes ferramentas disponíveis para avaliar esses fatores de risco do ambiente de trabalho. Todo esse conteúdo é de fundamental importância para formularmos o laudo ergonômico do ambiente de trabalho. Mas o que é um laudo ergonômico? O laudo ergonômico, análise ergonômica, parecer ergonômico ou relatório técnico ergonômico é um estudo que avalia todas as possíveis interferências na relação homem/ trabalho visando atender, o prescrito na NR-17 do Ministério do Trabalho (Portaria no 3.751, de 23 de novembro de 1990). Outras definições ainda podem ser encontradas sobre laudo ergonômico, dentre elas destacam-se: É o diagnóstico dos problemas e suas consequências tanto para o funcionário como para a empresa. É condição primordial para que se possa então proceder aos projetos de modificações, visando ao bem-estar do ser humano e à produtividade com qualidade. (VOLPI, s.d., p. 1) As análises ergonômicas são análises quantitativas e qualitativas que permitem a descrição e a interpretação do que acontece na realidade da atividade enfocada. (VIDAl, 2002, p. 145) Também Couto (1995 apud LIMA, 2003) apresentou uma definição sobre análise ergonômica, apresentando uma divisão entre o que ele chamou de análise ergonômica “macroscópica” e “microscópica”: Uma análise ergonômica simples é muito fácil de ser feita: basta andar pela fábrica ou escritório e ir olhando aspectos macroscópicos que saltam à vista, tais como: braços acima do nível dos ombros, tronco encurvado, situação das cadeiras, posicionamento dos pés, manuseio de cargas pesadas, e assim por diante. [...] No entanto, em boa parte das vezes, a análise ergonômica de aspectos macroscópicos é falha, pois se limita à superficialidade do problema. [...] Daí a importância da análise ‘microscópica’ ou de ‘fatores ocultos’. A análise que chamo microscópica envolve as questões relacionadas ao trabalho manual e ao método de trabalho. Portanto, vemos que uma análise ergonômica tem como objetivo averiguar as condições de trabalho de uma determinada tarefa, sendo um instrumento de grande importância 97 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II para um sistema produtivo, não só em proporcionar conforto e segurança ao usuário, mas em extrair dele maior produtividade, com aumento dos lucros e diminuição das perdas. (LIMA, 2004) Além disso, essa análise também procura mostrar uma situação global da tarefa, abrangendo, dentre outros fatores, o posto de trabalho, as pressões, a carga cognitiva, a densidade e a organização do trabalho, o modo operatório, os ritmos e as posturas. Assim, ela não se limita tão só ao posto, mas verifica, também, as características do ambiente, do método de trabalho, do sistema de trabalho e análise cognitiva do trabalho. (COUTO 1995 apud LIMA 2004) Para a elaboração de um laudo ergonômico é de fundamental importância o conhecimento das NR, principalmente da NR 17. A NR 17 é uma norma regulamentadora que trata especificamente da Ergonomia. A NR 17 fornece parâmetros legais que norteiam a análise ergonômica do trabalho, sendo o principal objetivo dessa análise a modificação das situações de trabalho. Essa norma será estudada com mais detalhes nas próximas disciplinas, bem como as demais NR. Entretanto, devido à sua importância para a elaboração de laudos ergonômicos, ela será também abordada nessa disciplina. A NR 17, em seus tópicos, aborda o levantamento, transporte e descarga individual de materiais, mobiliário dos postos de trabalho, equipamentos dos postos de trabalho, condições ambientais de trabalho e organização do trabalho. Além disso, é composta por 2 anexos que abordam, respectivamente, o trabalho dos operadores de check-out e o trabalho em teleatendimento/telemarketing. Abaixo estão os itens abordados pela NR 17 – Ergonomia. Os itens foram divididos nos temas abordados para facilitar o entendimento e, portanto, serão intitulados conforme a abordagem. Alguns pontos serão discutidos. NR 17 - Definição Essa Norma Regulamentadora visa estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente. As condições de trabalho incluem aspectos relacionados ao levantamento, transporte e descarga de materiais, ao mobiliário, aos equipamentos e às condições ambientais do posto de trabalho e à própria organização do trabalho. Para avaliar a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, cabe ao empregador realizar a análise ergonômica do trabalho, 98 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS devendo a mesma abordar, no mínimo, as condições de trabalho, conforme estabelecido nessa Norma Regulamentadora. OBS.: Vale ressaltar que na NR 17 não há parâmetros para todas as condições de trabalho, portanto, é importante utilizar estudos recentes e referências confiáveis para o complemento da análise ergonômica. NR 17 - Manuseio de cargaLevantamento, transporte e descarga individual de materiais Para efeito dessa Norma Regulamentadora: » Transporte manual de cargas designa todo transporte no qual o peso da carga é suportado inteiramente por um só trabalhador, compreendendo o levantamento e a deposição da carga. » Transporte manual regular de cargas designa toda atividade realizada de maneira contínua ou que inclua, mesmo de forma descontínua, o transporte manual de cargas. » Trabalhador jovem designa todo trabalhador com idade inferior a dezoito anos e maior de quatorze anos. » Não deverá ser exigido nem admitido o transporte manual de cargas, por um trabalhador cujo peso seja suscetível de comprometer sua saúde ou sua segurança. » Todo trabalhador designado para o transporte manual regular de cargas, que não as leves, deve receber treinamento ou instruções satisfatórias quanto aos métodos de trabalho que deverá utilizar, com vistas a salvaguardar sua saúde e prevenir acidentes. » Com vistas a limitar ou facilitar o transporte manual de cargas deverão ser usados meios técnicos apropriados. » Quando mulheres e trabalhadores jovens forem designados para o transporte manual de cargas, o peso máximo dessas cargas deverá ser nitidamente inferior àquele admitido para os homens, para não comprometer a sua saúde ou a sua segurança. » O transporte e a descarga de materiais feitos por impulsão ou tração de vagonetes sobre trilhos, carros de mão ou qualquer outro aparelho 99 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II mecânico deverão ser executados de forma que o esforço físico realizado pelo trabalhador seja compatível com sua capacidade de força e não comprometa a sua saúde ou a sua segurança. » O trabalho de levantamento de material feito com equipamento mecânico de ação manual deverá ser executado de forma que o esforço físico realizado pelo trabalhador seja compatível com sua capacidade de força e não comprometa a sua saúde ou a sua segurança. NR 17 - Mobiliário Mobiliário dos postos de trabalho » Sempre que o trabalho puder ser executado na posição sentada, o posto de trabalho deve ser planejado ou adaptado para essa posição. » Para trabalho manual sentado ou que tenha de ser feito em pé, as bancadas, mesas, escrivaninhas e os painéis devem proporcionar ao trabalhador condições de boa postura, visualização e operação e devem atender aos seguintes requisitos mínimos: › ter altura e características da superfície de trabalho compatíveis com o tipo de atividade, com a distância requerida dos olhos ao campo de trabalho e com a altura do assento; › ter área de trabalho de fácil alcance e visualização pelo trabalhador; › ter características dimensionais que possibilitem posicionamento e movimentação adequados dos segmentos corporais. » Para trabalho que necessite também da utilização dos pés, além dos requisitos estabelecidos anteriormente, os pedais e demais comandos para acionamento pelos pés devem ter posicionamento e dimensões que possibilitem fácil alcance, bem como ângulos adequados entre as diversas partes do corpo do trabalhador, em função das características e peculiaridades do trabalho a ser executado. » Os assentos utilizados nos postos de trabalho devem atender aos seguintes requisitos mínimos de conforto: › altura ajustável à estatura do trabalhador e à natureza da função exercida; › características de pouca ou nenhuma conformação na base do assento; 100 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS › borda frontal arredondada; › encosto com forma levemente adaptada ao corpo para proteção da região lombar. » Para as atividades em que os trabalhos devam ser realizados sentados, a partir da análise ergonômica do trabalho, poderá ser exigido suporte para os pés, que se adapte ao comprimento da perna do trabalhador. » Para as atividades em que os trabalhos devam ser realizados de pé, devem ser colocados assentos para descanso em locais em que possam ser utilizados por todos os trabalhadores durante as pausas. NR 17 – Equipamentos Equipamentos dos postos de trabalho » Todos os equipamentos que compõem um posto de trabalho devem estar adequados às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado. » Nas atividades que envolvam leitura de documentos para digitação, datilografia ou mecanografia deve: › ser fornecido suporte adequado para documentos que possa ser ajustado proporcionando boa postura, visualização e operação, evitando movimentação frequente do pescoço e fadiga visual; › ser utilizado documento de fácil legibilidade sempre que possível, sendo vedada a utilização do papel brilhante, ou de qualquer outro tipo que provoque ofuscamento. » Os equipamentos utilizados no processamento eletrônico de dados com terminais de vídeo devem observar o seguinte: › condições de mobilidade suficientes para permitir o ajuste da tela do equipamento à iluminação do ambiente, protegendo-a contra reflexos, e proporcionar corretos ângulos de visibilidade ao trabalhador; › o teclado deve ser independente e ter mobilidade, permitindo ao trabalhador ajustá-lo de acordo com as tarefas a serem executadas; › a tela, o teclado e o suporte para documentos devem ser colocados de maneira que as distâncias olho-tela, olho-teclado e olho-documento sejam aproximadamente iguais; 101 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II › serem posicionados em superfícies de trabalho com altura ajustável. » Quando os equipamentos de processamento eletrônico de dados com terminais de vídeo forem utilizados eventualmente poderão ser dispensadas as exigências previstas no subitem anterior, observada a natureza das tarefas executadas e levando-se em conta a análise ergonômica do trabalho. NR 17 – Condições ambientais Condições ambientais de trabalho » As condições ambientais de trabalho devem estar adequadas às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado. » Nos locais de trabalho onde são executadas atividades que exijam solicitação intelectual e atenção constantes, tais como: salas de controle, laboratórios, escritórios, salas de desenvolvimento ou análise de projetos, dentre outros, são recomendadas as seguintes condições de conforto: › níveis de ruído de acordo com o estabelecido na NBR 10.152, norma brasileira registrada no INMETRO; › índice de temperatura efetiva entre 20o C (vinte) e 23o C (vinte e três graus centígrados); › velocidade do ar não superior a 0,75 m/s; › umidade relativa do ar não inferior a 40 (quarenta) por cento. » Para as atividades que possuam as características definidas no subitem anterior, mas não apresentam equivalência ou correlação com aquelas relacionadas na NBR 10.152, o nível de ruído aceitável para efeito de conforto será de até 65 dB (A) e a curva de avaliação de ruído (NC) de valor não superior a 60 dB. » Os parâmetros previstos no subitem anterior devem ser medidos nos postos de trabalho, sendo os níveis de ruído determinados próximos à zona auditiva e as demais variáveis na altura do tórax do trabalhador. » Em todos os locais de trabalho deve haver iluminação adequada, natural ou artificial, geral ou suplementar, apropriada à natureza da atividade. 102 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS » A iluminação geral deve ser uniformemente distribuída e difusa. » A iluminação geral ou suplementar deve ser projetada e instalada de forma a evitar ofuscamento, reflexos incômodos, sombras e contrastesexcessivos. » Os níveis mínimos de iluminamento a serem observados nos locais de trabalho são os valores de iluminâncias estabelecidos na NBR 5413, norma brasileira registrada no INMETRO. » A medição dos níveis de iluminamento previstos no subitem anterior deve ser feita no campo de trabalho onde se realiza a tarefa visual, utilizando- se de luxímetro com fotocélula corrigida para a sensibilidade do olho humano e em função do ângulo de incidência. » Quando não puder ser definido o campo de trabalho previsto no subitem anterior, esse será um plano horizontal a 0,75 m (setenta e cinco centímetros) do piso. NR 17 – Organização do Trabalho Organização do trabalho » A organização do trabalho deve ser adequada às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado. » A organização do trabalho, para efeito dessa NR, deve levar em consideração, no mínimo: › as normas de produção; › o modo operatório; › a exigência de tempo; › a determinação do conteúdo de tempo; › o ritmo de trabalho; › o conteúdo das tarefas. » Nas atividades que exijam sobrecarga muscular estática ou dinâmica do pescoço, ombros, dorso e membros superiores e inferiores, e a partir da análise ergonômica do trabalho, deve ser observado o seguinte: 103 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II › todo e qualquer sistema de avaliação de desempenho para efeito de remuneração e vantagens de qualquer espécie devem levar em consideração as repercussões sobre a saúde dos trabalhadores; › devem ser incluídas pausas para descanso; › quando do retorno do trabalho, após qualquer tipo de afastamento igual ou superior a 15 (quinze) dias, a exigência de produção deverá permitir um retorno gradativo aos níveis de produção vigentes na época anterior ao afastamento. » Nas atividades de processamento eletrônico de dados, deve-se, salvo o disposto em convenções e acordos coletivos de trabalho, observar o seguinte: › o empregador não deve promover qualquer sistema de avaliação dos trabalhadores envolvidos nas atividades de digitação, baseado no número individual de toques sobre o teclado, inclusive o automatizado, para efeito de remuneração e vantagens de qualquer espécie; › o número máximo de toques reais exigidos pelo empregador não deve ser superior a 8.000 por hora trabalhada, sendo considerado toque real, para efeito dessa NR, cada movimento de pressão sobre o teclado; › o tempo efetivo de trabalho de entrada de dados não deve exceder o limite máximo de 5 (cinco) horas, sendo que, no período de tempo restante da jornada, o trabalhador poderá exercer outras atividades, observado o disposto no art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho, desde que não exijam movimentos repetitivos, nem esforço visual; › nas atividades de entrada de dados deve haver, no mínimo, uma pausa de 10 minutos para cada 50 minutos trabalhados, não deduzidos da jornada normal de trabalho; › quando do retorno ao trabalho, após qualquer tipo de afastamento igual ou superior a 15 (quinze) dias, a exigência de produção em relação ao número de toques deverá ser iniciado em níveis inferiores do máximo estabelecido na alínea “b” e ser ampliada progressivamente. Os anexos I e II regulamentam, respectivamente sobre o trabalho dos operadores de check-out e sobre o trabalho de operadores de telemarketing. Para a elaboração de uma boa análise ergonômica, é importante o conhecimento aprofundado da NR 17, portanto, é aconselhável que você releia a norma acima para melhor fixação do conteúdo e identifique as principais dúvidas. 104 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS Além do bom conhecimento sobre a NR 17, para uma correta análise ergonômica, é extremamente relevante o conhecimento dos fatores de risco a que os trabalhadores podem estar expostos, sendo que esses fatores podem ser pessoais/individuais, psicossociais/organizacionais e físicos/biomecânicos (COURY; SATO, 2010). Os principais fatores de risco foram estudados nos capítulos anteriores, para relembrar e aprender alguns fatores de risco novos dedique um tempo à aprendizagem e análise da tabela abaixo. Tabela 29. Fatores de risco do ambiente de trabalho. PESSOAIS/INDIVIDUAIS PSICOSSOCIAIS/ORGANIZACIONAIS FÍSICOS/BIOMECÂNICOS Idade Sexo Antropometria Características morfológicas Repertório genético Aspectos hormonais Gravidez Doenças crônicas prévias Elasticidade/Força muscular Tabagismo Alcoolismo Nível de escolaridade Hobbies Prática de esporte Trabalho doméstico/Dupla jornada Habilidades Treinamento Estilo individual de trabalho Satisfação no trabalho Perfil psicológico (competitivo, perfeccionista) Necessidade de ultrapassar as próprias metas Autopercepção Expectativa X Realidade Outros Tipo de organização do trabalho (linha) Longas jornadas/hora extra Trabalhos em turnos Trabalho monótono Trabalho repetitivo Trabalho estereotipado Ausência de pausas Ritmo/autodeterminação Automatização parcial Rotação de atividade (requisitos físicos dos trabalhos incompatíveis) Grande demanda de trabalho Trabalho sazonal Grandes alterações organizacionais Perspectiva de demissão Grande responsabilidade em decisões Falta de autonomia Flexibilidade de ação Clareza sobre o processo de trabalho Demanda cognitiva Relacionamento com chefia Relacionamento com colegas Outros Posturas inadequadas Forças excessivas Movimentos repetitivos Trabalho pesado Manuseio de cargas Forças e movimentos assimétricos Vibração Ferramentas inadequadas Ferramentas mal conservadas Mobília inadequada Contrações mantidas/Trabalho muscular estático Uso de pinça ou preensão de força Campo visual restritivo Espaço para movimentação restrito Uso de alguns EPI Fatores ambientais: ruído; iluminação Temperaturas extremas (frio, calor) Outros Fonte. Adaptado de Coury e Sato, 2010. Além dos principais fatores de risco, você também aprendeu nos capítulos anteriores, as principais ferramentas que estão disponíveis para análise desses fatores de risco, assim também é importante que você relembre essas ferramentas como por exemplo o AET, o método RULA, o método REBA, o método OWAS, dentre outros. Vale ressaltar que a ↔ ↔ 105 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II AET (Análise Ergonômica do Trabalho) é um modelo baseado numa proposta dada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que, por advir de um órgão oficial do Executivo, traz maior correlação às exigências normativas expostas na NR 17. (LIMA, 2004) A sequência de análise proposta pela AET pode ser resumida nas seguintes ações: » análise da demanda; » definição das situações de trabalho a serem estudadas; » observações gerais e preliminares; » pré-diagnóstico; » levantamento de hipóteses; » plano de observação; » observações detalhadas e sistemáticas; » avaliação das exigências do trabalho; » análise da atividade; » diagnóstico (global e local) e » recomendações. Essa sequência permite uma correta avaliação do ambiente de trabalho. Lembrando que para a elaboração de um bom laudo ergonômico é necessário uma avaliação que contemple todos os fatores de risco a que os colaboradores estão expostos. Assim, após a realização de uma avaliação do ambiente de trabalho, existe a preocupação com a elaboração do relatório técnico ergonômico. O relatório técnico ergonômico é a descrição de tudo que foi avaliado, como foi avaliado e também apresentação de ideias sobre o queé necessário ser modificado. A elaboração do relatório técnico ergonômico se dá inicialmente por uma avaliação e uma análise detalhada da tarefa realizada e do ambiente de trabalho, sendo esses os requisitos essenciais para a elaboração dos relatórios técnicos ergonômicos (LIMA, 2004). Para a realização da avaliação e análise, alguns métodos podem ser utilizados. Dentre eles destaca-se a observação. A observação é o método de avaliação mais utilizado para elaboração de laudos ergonômicos. A observação permite uma abordagem mais global da atividade no trabalho e é pautada na identificação de problemas presentes e futuros (LIMA, 2003). Para essa abordagem, é importante que além da observação a “olho nu”, o ergonomista conte com a 106 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS ajuda de equipamentos audiovisuais, que capturam diversos detalhes que podem passar despercebidos (SANTOS; ZAMBERLAN, 2016). Além da observação também é importante o contato e a comunicação com os colaboradores e seus supervisores para entender minuciosamente o trabalho desenvolvido. Essa comunicação pode ser realizada por meio de questionários, entrevistas ou check-list. Elaborando um relatório técnico ergonômico Não há um modelo fixo de elaboração de relatório técnico ergonômico, o que temos bem estabelecidos são alguns passos comuns que norteiam essa elaboração. São eles: » entender a demanda da análise; » deixar claro o problema avaliado; » clareza de métodos e técnicas utilizados para avaliar o problema; » descrição dos resultados; » proposição de mudanças diante dos resultados encontrados. Após termos bem definido esses passos, basta relatá-los de forma clara no relatório. Também não existe um modelo padronizado para o relato desses passos, no entanto, segue abaixo um modelo que tem sido bastante utilizado. Assim, é importante que o laudo ergonômico contemple os seguintes itens: 1. Introdução. 2. População de trabalhadores. 3. Objetivo da análise. 4. Metodologia. 5. Resultados. 6. Diagnóstico. 7. Proposição de modificações. 8. Cronograma. 9. Acompanhamento. 107 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II Esses itens serão descritos abaixo: Introdução (caracterização da empresa e análise da demanda e do contexto) Na introdução do relatório técnico ergonômico devemos caracterizar a empresa, apontando os dados gerais como ambiente geográfico (localização, vias de acesso, meios de transporte disponíveis, dentre outros), bem como grau de evolução técnica e a colocação no mercado. Além disso, deve-se indicar também dados como: contexto socioeconômico, estrutura jurídica, clientes, produtos e/ou serviços, estrutura administrativa, os aspectos de segurança e higiene no trabalho dentre outros pontos (LIMA, 2003). A análise da demanda é um ponto muito importante desse tópico, pois é o início do processo de pesquisa, correspondendo à solicitação do estudo ergonômico. Deve-se apontar tanto as demandas explicitas quanto as implícitas, mesmo que sejam de origens diferentes como da direção da empresa, ou do sindicato dos trabalhadores, dentre outros (LIMA, 2003). A análise da demanda pode estar relacionada tanto a aspectos de toda a empresa quanto a aspectos de apenas alguns setores. Além disso, deve-se também apresentar justificativas para a realização do estudo, bem como, quando for o caso, justificativas para mudança no foco da análise. É importante justificar a análise mostrando que a demanda foi atendida. População de trabalhadores Nesse item devemos apontar fatores importantes dos trabalhadores, como política de pessoal, escolaridade, qualificação, realização de horas extras, a faixa etária dos colaboradores bem como as características físicas dos trabalhadores como dados de gênero, peso e altura, questões como a rotatividade do trabalho, tempo na função atual e na empresa, tipos de contratos, dados de afastamentos, e absenteísmos, dentre outros. Essas informações são importantes para que o trabalho seja adaptado a essa população. Objetivo da análise Após a correta justificativa para análise e apresentação da população trabalhadora, é importante estabelecer o objetivo do laudo ergonômico em questão a partir da apresentação das situações de trabalho que serão estudadas e da formulação das hipóteses iniciais, que são criadas a partir da demanda e do contato com o trabalhador. Metodologia Nesse item deve-se fazer uma descrição do setor a ser analisado e dos métodos de avaliação que foram aplicados. É importante descrever minuciosamente: 108 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS » como foi realizada cada etapa da análise; » quais protocolos foram utilizados; » como foi feita a observação (caso tenham sido utilizados registros de imagem, esses também devem ser descritos). Vale ressaltar que o tipo de observação e a duração dependem da natureza da atividade. Resultados Esse item deve contemplar todos os resultados encontrados durante a avaliação, tais como: » Descrição das tarefas e atividades: fazer a descrição das tarefas prescritas e reais, das atividades desenvolvidas para execução das tarefas, apontar se há divergência entre prescrito e real, e qual o motivo dessa divergência, descrever se o trabalhador realiza mudanças posturais para ter melhor eficiência diante das condições de trabalho levando ao adoecimento, caso não possa interferir no processo. Os indicadores de absenteísmo, afastamento e rotatividade são importantes na determinação dessas mudanças. » Descrição do trabalhador: apontar os operadores que intervêm nos postos e seus papeis no sistema de produção, a formação e qualificação profissional, o número de operadores trabalhando simultaneamente em cada posto e regras de divisão de tarefas (quem faz o que?) e o número de operadores trabalhando sucessivamente em cada posto e regras de sucessão (horários, turnos, modos de alternância de equipes). » Descrição das máquinas: apresentação da estrutura geral das máquinas, dimensões características (croqui, foto, fluxograma de produção), quais são os órgãos de comando, os órgãos de sinalização, os princípios de funcionamento da máquina (mecânico, elétrico, hidráulico, pneumático, eletrônico etc.), identificar se há problemas aparentes e apontar os aspectos críticos evidentes. » Descrição das ações dos trabalhadores: identificar as ações imprevistas ou não programadas, os principais gestos realizados pelo(s) operador(es), as principais posturas adotadas, principais deslocamentos realizados pelo(s) operador(es), principais ligações sensório-motoras, grandes categorias de tratamento de informações, principais decisões a serem tomadas pelo(s) operador(es), principais regulações ao nível do 109 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II homem, do posto, do sistema, principais ações do(s) operador(es) sobre a(s) máquina(s), as entradas e as saídas. » Descrição das condições ambientais: analisar os espaços e locais de trabalho em confronto com dados antropométricos e biomecânicos, o ambiente sonoro, térmico, luminoso, vibratório (intensidade, amplitude, frequência) e o ambiente tóxico (concentração de partículas e gases tóxicos). » Exigências físicas da tarefa: apontar se os esforços são dinâmicos ou estáticos. › Esforços dinâmicos: deslocamento a pé, transportes de cargas, utilização de escadas e outros. Devem ser levadas em conta a frequência, a duração, a amplitude e a força exigida. › Esforços estáticos: postura exigida por umadeterminada atividade, estimativas de duração da atividade e frequência. Diagnóstico Apresentar uma conclusão baseada no problema identificado e resultados atingidos durante a análise. O diagnóstico deve ser completo, sem frases vagas. É importante apontar as justificativas e as razões para a realização das mudanças. Proposição de modificações Esse item é o mais importante e o mais negligenciado. Nesse tópico devemos propor melhorias das condições de trabalho a partir dos resultados encontrados e das situações identificadas. Para a melhor formulação das proposições de modificações, é interessante averiguar a situação econômico-financeira da empresa, para que as soluções propostas sejam compatíveis e possíveis de serem realizadas. Cronograma Apresentação dos tempos necessários para implementação das modificações propostas. Os prazos devem ser coerentes com as modificações. Deve sempre pensar em propostas a curto, médio e longo prazo. Pode-se apresentar o cronograma em formato de tabelas ou figuras para facilitar o entendimento. Alguns exemplos estão apresentados a seguir. 110 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS Figura 52. Fluxograma com as prioridades para a viabilização das sugestões. Curto Prazo Médio Prazo Longo Prazo Compra de novos sapatos (EPI) Compra de novos mobiliários Compra de cadeiras com encosto Compra de palminha Manutenção da limpeza do portão Fonte: o autor, 2016. Tabela 30. Tabela com as prioridades para a viabilização das sugestões. Medidas de curto prazo Medidas de médio e longo prazos » É recomendado que o monitor esteja em uma altura em que sua visão caia sobre o 1/3 superior dele. Com a exceção de casos onde se utilize principalmente a parte inferior do monitor, como no caso da edição de vídeos. » Sobre a altura da cadeira, recomenda-se que ela esteja em uma altura que permita o apoio dos cotovelos sobre a mesa. Caso essa regulagem torne a cadeira mais alta do que uma altura que ela permita o apoio dos seus pés no chão, é necessária a aquisição de um apoio para pés, para que os eles estejam apoiados, permitindo que suas pernas fiquem relaxadas evitando dores nas costas. » Em relação à distância do monitor à visão é recomendado um valor de 40 a 75 cm para que a visão esteja em uma distância confortável. » Recomenda-se que as cadeiras estejam equipadas com os apoios de cotovelo. É recomendado também que todas as cadeiras da SEaD sejam com regulação de altura do assento, altura do apoio para braços e altura do apoio para braços. » Recomenda-se que todos os trabalhadores disponham de um apoio para os pés. Fonte: o autor, 2016. Acompanhamento A ação ergonômica apenas começa com a proposição de modificações: as modificações podem ter outras implicações que devem ser avaliadas. Por isso, é importante o acompanhamento da implementação das modificações pelos profissionais competentes para tais funções. Referências Bibliográficas Devemos sempre nos basear em estudos recentes e recomendações dos ministérios e das NR para a proposição das medidas preventivas, bem como das modificações. 111 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II As fontes utilizadas para a formulação do relatório técnico ergonômico devem ser apontadas. Enfim, o relatório técnico ergonômico deve contemplar esses itens, no entanto, caso seja necessário, outros tópicos podem ser acrescentados. Vale ressaltar que a qualidade do relato é muito importante, portanto, algumas dicas serão apresentadas abaixo, a fim de facilitar a elaboração dos textos técnicos e das apresentações. Inicialmente, é notável lembrar que um texto técnico deve ter clareza de linguagem, precisão nas informações e objetividade na abordagem do tema, sendo que a primeira tarefa ao elaborar esse tipo de material é organizar as ideias. Quanto à organização e apresentação do material a ser entregue ou enviado aos responsáveis, esse deve conter capa, contracapa, resumo, índice/sumário, lista de abreviações, o relatório propriamente dito e as referências. Um exemplo de capa e contracapa está apresentado abaixo. Figura 53. Exemplo de capa e contracapa. TÍTULO DA ANÁLISE NOME DA EMPRESA AVALIADA Cidade e ANO Contato TÍTULO DA ANÁLISE NOME DA EMPRESA AVALIADA NOME DA SUA EMPRESA E LOGOTIPO Cidade e ANO Contato NOME DA SUA EMPRESA E LOGOTIPO Nome do ergonomista responsável Fonte: o autor, 2016. O objetivo deve ser escrito de forma clara e adequada. Exemplo de forma adequada: “avaliar as condições de trabalho de acordo com as recomendações apresentadas pela NR 17”. Exemplo de forma inadequada: “atender as exigências da NR 17”. Os métodos devem descrever » apenas o que foi utilizado para avaliação do ambiente de trabalho; 112 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS » sempre ser descrito no passado, uma vez que a análise já foi realizada previamente à confecção do relatório; » devem possibilitar atingir os objetivos. Os resultados devem apresentar se existe inadequação, descrever exatamente o que está inadequado. Além disso, os protocolos fornecem categoria de ação para a situação ocupacional avaliada, portanto, esse resultado deve ser apresentado e deve refletir o que foi apresentado na metodologia. Os resultados devem estar bem descritos e adequadamente apresentados. Lembrando que » tabelas, quadros e figuras auxiliam na visualização dos dados; e » a apresentação correta deve contemplar uso de legendas e descrição das figuras, além de retomar as figuras no texto Abaixo seguem alguns exemplos práticos de apresentação de resultados por meio de gráficos e tabelas. Exemplo prático: Os resultados registrados a partir da aplicação do Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares apontaram alta prevalência de sintomas na parte inferior das costas (Figura 54). Também, a dor na parte inferior das costas foi que provocou maior procura por médicos pelos trabalhadores. Figura 54. Distribuição de dor por região nos últimos 7 dias. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 N úm er o de tr ab al ha do re s Fonte: o autor, 2016. 113 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II Figura 55. Necessidade de procura por um profissional da saúde por causa da dor. 0 1 2 3 4 5 6 7 N úm er o de tr ab al ha do re s Fonte: o autor, 2016. Exemplo prático: apresentação de resultados de questionários. Índice de Capacidade para o trabalho (ICT) Este questionário revela o quão bem o trabalhador é capaz de realizar seu trabalho por meio de uma série de questões que levam em consideração as demandas físicas e mentais de seu trabalho. Os resultados do Índice de Capacidade para o Trabalho estão representados no Gráfico 1, demonstrando que grande parte da população trabalhadora analisada (44%(n=18) apresenta ótima capacidade para o trabalho. Gráfico 1. Classificação dos trabalhadores quanto ao ICT. 0% 17% 39% 44% Baixa Moderada Boa Ótima Fonte: o autor, 2016. 114 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS Exemplo prático: Os resultados apontaram predominância de mulheres no setor avaliado, grande maioria dos trabalhadores tinham alto nível de escolaridade e a maioria tinha carga de trabalho semanal de 40 horas. Tabela 31. Porcentagens da distribuição dos trabalhadores incluídos na análise segundo idade, sexo,índice de massa corporal (IMC), dominância manual, situação conjugal, escolaridade, posto de trabalho, carga horária semana, mudança do setor, idade de ingresso no primeiro trabalho. Variável Número de trabalhadores (n) Porcentagem (%) Idade 19 – 24 anos 11 26,8% 25 – 30 anos 13 31,7% 31 – 40 anos 12 29,3% > 40 anos 5 12,2% Sexo Feminino 22 53,6% Masculino 19 46,6% IMC ≤ 18,5 (Abaixo do peso) 1 2,3% 18,6 – 24,0 (Peso ideal) 28 63,6% 25,0 – 29,9 (Levemente acima do peso) 12 27,3% 30,0 – 34,9 (1o grau de obesidade) 3 6,8% 35,0 – 40,0 (2o grau de obesidade) 0 0,0% Dominância Destros 36 87,8% Canhotos 4 9,8% Ambidestros 1 2,4% Situação conjugal Com vida conjugal 13 31,7% Sem vida conjugal 28 68,3% Escolaridade Ensino médio completo 2 4,9% Ensino superior completo 9 21,9% Ensino superior incompleto 10 24,4% Pós-graduação completa/incompleta 20 48,8% Carga horária semanal 20 horas 8 18,2% 30 horas 6 13,6% 40 horas 30 68,2% Mudança de setor Sim 10 24,% Não 31 75,6% Idade de ingresso no primeiro trabalho < 16 anos 5 12,2% < 18 anos 9 22,0% Com 18 anos 10 24,4% >18 anos 17 45,5% Fonte: o autor, 2016. 115 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II Exemplo prático: Portão da entrada da empresa: Na entrada da empresa onde se encontram os portões de entrada, verificou-se que existe desabamento de terra sobre os trilhos do portão, o que implica na realização de uma força extremamente excessiva do guarda para a abertura e fechamento dos portões. Tarefa que é realizada com uma frequência de 20 vezes por hora. Figura 56. Terra nos trilhos do portão Terra que desaba sobre os trilhos Fonte: o autor, 2016. Exemplo prático: A análise ergonômica dos postos de trabalho apontou alguns desvios com relação às recomendações na maioria dos itens avaliados. Alguns problemas encontrados são apresentados nas figuras abaixo. Figura 57. Flexão do tronco para varrer. Fonte: o autor, 2016. Figura 58. Flexão do tronco para a organização das cadeiras embaixo das bancadas. Fonte: o autor, 2016. 116 UNIDADE II │ FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS Figura 59. Sobrecarga do lado dominante do corpo (direito ou esquerdo) para carregamento do lixo. Fonte: o autor, 2016. Figura 60. Flexão dos membros superiores acima da cabeça para limpeza da lousa. Fonte: o autor, 2016. Exemplo prático: Equipamentos utilizados durante o trabalho e os equipamentos de proteção individual – EPI. » Os rodos utilizados pelos trabalhadores apresentam, em quase toda a sua totalidade, o alongador. Isso é um aspecto positivo, pois diminui a flexão de tronco necessária para a realização da tarefa. Figura 61. Fonte: o autor, 2016. 117 FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DOS RISCOS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS │ UNIDADE II Conclusões e recomendações A conclusão é baseada nos resultados, lembrando que tudo o que for apontado na conclusão deve já ter sido abordado anteriormente, principalmente nos resultados. Assim, as conclusões devem ser baseadas em dados encontrados e deve ser bem explicada. Novos dados não podem surgir nas recomendações sem terem sido apresentados em resultados e metodologia. Portanto, caso isso ocorra, deve haver revisão do texto como um todo. As recomendações devem ser embasadas para serem compreendidas e realmente aplicadas. Portanto, cuidado com as recomendações! Devemos pensar na repercussão de sua aplicação. Exemplo: mesas amplas podem gerar movimentos mais amplos de alcance, aumentando o risco. Além de todos os pontos abordados, também é importante: » Sempre indicar o número de laudas, autor e formação, além da assinatura. Exemplo: Relatório composto por 20 laudas, desenvolvido pela Professora Doutora Fabiana Almeida Foltran, graduada em Fisioterapia e Doutora em Fisioterapia na área de Fisioterapia Preventiva/Ergonomia. » Para textos de apresentação ou pôster devemos utilizar fontes sem serifa. Exemplo: calibri, arial, verdana, tahoma etc. » Para textos de relatórios, livros, trabalhos (textos longos) devemos utilizar fontes com serifa. Exemplo: times new roman, garamond etc. » Textos de apresentações devem, preferencialmente, ser alinhados à esquerda para que a leitura fique mais fácil. Já os textos longos podem ser justificados. Após todas essas etapas, enfim está pronto o relatório técnico ergonômico! Agora vamos praticar tudo que aprendemos nas atividades sugeridas! 118 Para (não) Finalizar A análise postural é uma tarefa complexa, que se torna mais eficiente à medida que um maior número de riscos, presentes na situação analisada, são também incluídos na análise. Assim, é necessário considerar não apenas as amplitudes de movimento, mas também as sobrecargas musculoesqueléticas internas e externas, a repetitividade do movimento, a natureza do trabalho muscular (estático ou dinâmico), a duração das ações, os intervalos de repouso para a recuperação funcional das estruturas envolvidas, os aspectos individuais e organizacionais, as condições físicas presentes na situação, tais como ferramentas, equipamentos de proteção individual utilizados, os quais possam contribuir para o aumento do desconforto físico e da lesão. Em geral, critérios utilizados para análise postural são baseados em resultados de estudos, os quais permitem a proposição de limites de segurança para a exposição das estruturas musculoesqueléticas. Esses estudos utilizam diferentes abordagens, como a epidemiológica, fisiológica (eletromiografia, gasto energético, frequência cardíaca), cinesiológica, biomecânica e psicofísica (escalas para registro da percepção de esforços, desconfortos etc.). A ampla variedade de indicadores utilizados para avaliar as posturas ilustra a complexidade dos aspectos envolvidos nessas análises. Portanto, apesar de o registro de movimento ser um importante elemento da análise postural, ele é apenas um dos elementos de interesse para a análise. Dessa forma, o ambiente ocupacional deve ser avaliado em relação a todos os fatores de risco apontados no Capítulo 2, seja por meio das ferramentas apresentadas nesse material, seja pela observação do avaliador, opinião dos trabalhadores e outros profissionais envolvidos com a prevenção do desenvolvimento de lesões musculoesqueléticas. 119 Referências ARIENS, G. A. et al. Psychosocial risk factors for neck pain: a systematic review. Am. J. Industrial Med. v. 39, p. 180-193, 2001. BALDWIN, M. L. Reducing the cost of work related musculoskeletal disorders: targeting strategies to chronic disability cases. J Electromyogr Kinesiol. v. 14, no 1, pp. 33-41, 2004. BARROS, E.; ALEXANDRE, N. M. C. Crosscultural adaptation of the Nordic musculoskeletal questionnaire. Int Nurs Ver, v. 50, no 2, pp. 101-108, 2003. BITENCURT, C. L.; QUELHAS, O. L. G. Histórico da Evolução dos Conceitos de Segurança. 1998. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/ ENEGEP1998_ART369.pdf>. 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