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ÉTICA PROFISSIONAL E CONTÁBIL Alexandro Farias de Carvalho GUIA DA DISCIPLINA 2019 1 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 1. A ÉTICA: CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES Objetivo Compreender os conceitos iniciais sobre a Ética, sua interação com a filosofia, relacionada com a sociedade e, principalmente, com o profissional de contabilidade. Introdução Atualmente a discussão sobre a ética tem sido muito presente nos mais diversos setores. A sociedade se encontra em crise moral e, tal fato, verifica-se observando o aumento das ocorrências de violência, egoísmo e indiferença entre os semelhantes, além do desejo poder, falta de respeito pelas diferenças, causando uma crise ética no âmbito pessoal e profissional. A disciplina Ética profissional e contábil pretende esclarecer a classe contábil como exercer com dignidade e honra o serviço profissional. O Comitê de Integração Latino Europa América (CILEA), na figura de seu presidente, Sr. Oscar Juan Montaldo, alerta que, “para que sejamos profissionais integrais, é necessário que divulguemos e apliquemos, perante a sociedade, os princípios e valores éticos da profissão. ” A reflexão sobre ética é importante em qualquer profissão, principalmente no que tange compreender a sua integração no desempenho de suas funções com qualidade e outros atributos indispensáveis para desenvolver o trabalho com eficácia. Esse comportamento ético vai traçar o perfil do profissional, contribuindo para a sociedade como um todo como anuncia o Prof. Lopes Sá (1996, p. 151) quando afirma que as “virtudes básicas profissionais são aquelas indispensáveis, sem as quais não se consegue a realização de um exercício ético competente, seja qual for a natureza do serviço prestado. ” 1.1. Conceito de Ética e sua integração com filosofia A palavra ética, segundo a sua etimologia, deriva do grego éthos que significa “modo de ser”, “costume” ou “caráter”, ou seja, é a forma como vive o homem, tendo como premissa que é uma vivência correta. Este conceito é bem difundido para ações, politicamente corretas, ligadas à promoção do bem comum e da justiça no meio social, tendo o homem no centro desta política, da ciência, da arte e da moral. De acordo com o dicionário formal, ética é “o estudo dos juízos de apreciação que se referem a conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto. ” Portanto, na visão ética, não existe uma definição absoluta do bem e do mal, considerando que esses termos 2 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância podem apresentar conceitos diferentes quando analisa a cultura, crenças, ideologias e tradições de uma sociedade, comunidade ou grupo de pessoas. Assim, percebe-se que a ética pode variar conforme a percepção local de uma comunidade. Contudo, a concepção do que seja certo ou errado, bom ou mau, ajuda a servir de guia para aquele que, em algum momento, precisa encontrar um caminho ou norte, ou seja, para não estar perdido. Não se pode obrigar a alguém a ser ético, isso dependerá dos valores morais de cada sujeito, mas o que se pode fazer é deixar explícito aquilo que é certo e o que não é, cabendo a cada pessoa qual o caminho a seguir. De acordo com a FIPECAFI1 (2007), ética é um ramo da filosofia que está ligado com o que é moralmente bom ou mal, certo ou errado. Referir-se à ética denota o estudo teórico dos padrões de julgamento morais, inerentes às decisões de cunho moral. É a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade, ou seja, é a ciência de uma forma específica do comportamento humano. Nesse contexto, percebe-se que a ética volta- se para a racionalidade humana, tendo em vista que todo o ser deve questionar-se e descobrir quais são os seus limites, quanto aos direitos e deveres, a sua essência, aos seus valores e crenças, aos seus princípios e a sua capacidade de viver em sociedade. De acordo com Lopes Sá (1996), ética é compreendida como a ciência da conduta humana perante o ser e seus semelhantes, pois trata das relações interpessoais, envolvendo a aprovação ou reprovação das atitudes ou ações dos homens perante os seus pares. Assim, podemos concluir que um profissional ético age com lisura, dentro do que se considera correto, sendo necessário compreender quais são os aspectos sob os quais a ética é aceita segundo os teóricos que se dedicam ao estudo da questão. O autor define estes aspectos como: 1. Ciência que estuda a conduta dos seres humanos, analisando os meios que devem ser empregados para que a referida conduta se reverta sempre em favor do homem. Nesse aspecto, o homem torna-se o centro da observação, em consonância com o meio que lhe envolve. 1 FIPECAFI, Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras. Ética Geral e Profissional em Contabilidade. 3 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 2. Ciência que busca os modelos da conduta conveniente, objetiva, dos seres humanos. A correlação, nesse aspecto, é objetiva, entre o homem e seu ambiente. A ética se vincula as boas ações do ser humano, inspirando às pessoas, dando suporte e orientação às ações humanas, sejam elas individuais ou coletivas. Também pode ser definida como um conjunto de normas adquiridas por hábitos reiterados de sua prática. O complexo de normas éticas, também conhecida como regras de conduta, se alicerça em valores designados, em grande parte, como valores do bem. Em suma, esgotando o conceito de Ética, podemos defini-la como um conjunto de valores morais que permitem a permanência da civilização. Seus fundamentos foram construídos durante todo o processo de civilização, e são iguais para todos, conforme a região, independentemente de cultura ou religião. Verifica-se que a filosofia grega preocupa-se com a reflexão sobre ética desde os primórdios, considerando que a ética, é uma das três dimensões da filosofia, ao lado da teoria e da sabedoria e, nesse sentido, verificamos a ética inserida na Filosofia. Assim, considerando as exposições, podemos afirmar que: A ética é uma dimensão da Filosofia. Pesquise na WEB: Objetivando expandir o conhecimento, consulte na Biblioteca Virtual Pearson ou em sites acadêmicos, e realize uma pesquisa sobre “As três dimensões da filosofia”, procurando identificar sua influência com a vida profissional e acadêmica. 4 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 1.2. A Ética como um comportamento prudente Sócrates baseava sua ética numa convicção pessoal, adquirida por meio da tentativa de compreender a justiça das leis. A ética é um assunto que tem se tornado corrente no dia-a-dia das pessoas, pois a sociedade enfrenta graves desafios no início desse século XXI, desafios esses evidentes nos comportamentos sociais entre os indivíduos, na busca desenfreada do ter sem respeitar o seu semelhante. Se associarmos a ética ao caráter do indivíduo, a mesma é algo que se forma pelo convívio, ocorrendo, desde a infância, com a presença marcante da família em compartilhar valores morais que, por certo, estarão presentes na vida adulta. Depois da família, verifica- se que o convívio com outros indivíduos e grupos os direcionam as normas de comportamento, que são indicados como adequados. Mediante os conceitos expostos, a ética insere-se em um contexto enquanto ramo do conhecimento,dentro de uma concepção moderna relacionada com a virtude; que é uma palavra que se origina do latim “virtus”, que significa “força”. Lopes Sá (1996, p.65) destaca que “na conduta ética, a virtude é condição basilar, ou seja, não se pode conceber o ético sem o virtuoso como princípio, nem deixar de apreciar tal capacidade em relação a terceiros”. Nesse sentido, a virtude do homem está relacionada com a prudência, justiça, fortaleza e temperança, conforme Quadro 1. Quadro 1 - Virtudes Básicas Prudência É a reta noção daquilo que se deve fazer ou evitar de fazer, buscando o zelo na ação. Justiça É o ato de respeitar os direitos e os deveres; é a disposição de dar a cada um, o que é seu de acordo com a natureza, a igualdade ou a necessidade; é a base da vida em sociedade e da participação na existência comum; a Justiça implica a combinação de diversas atividades, com a imparcialidade, a piedade, a veracidade, a fidelidade, a gratidão, a liberdade e a equidade. Fortaleza Firmeza interior contra tudo o que molesta a pessoa neste mundo, fazendo vencer as dificuldades e os perigos que exercem a medida comum. 5 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Temperança Regra, medida; é a condição de toda virtude; é o meio justo entre o excesso e a falta; exige sensatez baseada num pensamento flexível e firme; encontra-se atrelada à continência, à sobriedade, à humildade, à mansidão e à modéstia. Fonte: Adaptado de Camargo (2001, p.35) Portanto, compreendemos que agir com prudência é agir com ética. Assista ao Vídeo “Ética, virtude e poesia”, do renomado filósofo, Prof. Dr. Gabriel Perissé Madureira. Disponível no Link abaixo: <https://www.youtube.com/watch?v=q6jQXIAC0Fo> Acesso em: 23 abr. 2018. Atrelados às virtudes, existem os vícios que representam ações ou sentimentos contrários à mesma; implicando a combinação de diversos sentimentos como o orgulho, a avareza, a gula, a luxúria, a inveja, a preguiça e a ira, que influenciarão e explicitarão o caráter da sociedade. O Quadro 2, a seguir, apresenta cada um desses sentimentos, que se denominam vícios. Quadro 2 - Vícios Orgulho Procura desordenada de excelência; o orgulhoso se valoriza demais e, normalmente, diminui e menospreza os outros. Avareza Procura desordenada de bens materiais; o avarento acumula riquezas, fazendo uso de meios nem sempre lícitos e, principalmente, centralizando todo o ser neste esforço. Gula Procura desordenada dos prazeres de comer e beber; causa o estrago da própria saúde, prejudicando, muitas vezes, atividades profissionais e familiares. Luxúria Procura desordenada dos prazeres sexuais; vive com fixação e obsessão, procurando satisfações que até implicam desrespeito a si mesmo e a outros. Inveja Tristeza pelo bem alheio como um obstáculo à próprio bem, como se isso impedisse de ele também crescer e aparecer; ele sofre e até gostaria que ninguém fosse superior a si. 6 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Preguiça Recuo diante do trabalho e do esforço; falta-lhe aquela energia para assumir atividades dentro de métodos adequados que lhe assegurem a construção de valores. Ira Violência contra aquilo que resiste à sua vontade, procurando vingança; a pessoa irada não raciocina, mas age tempestivamente. Fonte: Adaptado de Camargo (2001, p.37) 7 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 2. ÉTICA: CORRELAÇÕES TEÓRICAS Objetivo Entender o significado etimológico de ética e moral e como estes dois termos se correlacionam, dentro da filosofia, com outras teorias que a fundamentam. Introdução A ética pode ser considerada como doutrina ou ciência da conduta moral dos homens em sociedade, pois correspondem a uma forma de comportamento humano. Portanto, o caráter científico da ética tem relação com os problemas morais e sua abordagem ocupa- se de um objeto próprio: o campo da realidade humana o qual chamamos moral. A ciência, a ética parte de fatos que propõe descobrir a existência de um comportamento moral eficaz. O conhecimento científico preocupa-se como a ética deve almejar à nacionalidade e objetividade completa e proporciona noção sistemática, metódica e, dentro do limite possível, baseia-se em comprovações. Ética vem do grego ethos, que significa "modo de ser" ou "caráter" enquanto forma de vida também adquirida ou conquistada pelo homem. Originariamente, ethos e mos, "caráter" e "costume", assentam-se num modo de comportamento que não corresponde a uma disposição natural, mas que é adquirido ou conquistado por hábito. Caráter não natural da maneira de ser do homem que, na Antiguidade, lhe confere sua dimensão moral. 2.1. Ética e sua correlação com a Moral No nosso cotidiano é comum confundirmos Ética com Moral e vice-versa. Este fato se deve a uma explicação lógica, pois a palavra “moral” tem sua origem do latim mos (singular) e mores (plural), que significa “costumes”. Já a palavra “ética”, por sua vez, vem do grego ethos e possui o mesmo significado: “costumes”. Nesse sentido, no nosso dia-dia utilizamos a expressão “bons costumes” como sinônimo para ética e moral ou, até mesmo, moralidade. Assista ao Vídeo “O que é Ética”, do renomado filósofo, escritor e professor Mario Sérgio Cortella. Disponível no Link abaixo: <https://www.youtube.com/watch?v=vjKaWlEvyvU> Acesso em: 23 abr. 2018. 8 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Ética é princípio e possui caráter científico e é universal, pois estuda as atitudes humanas relacionadas à Moral, ou seja, este termo refere-se a prática. Assim, podemos afirmar que a Ética leva a modificações nas atitudes humanas, guiando e orientando racionalmente a vida humana. Vejamos estes dois conceitos: ÉTICA MORAL É a ciência que estuda a moral (diretamente relacionada à política e a filosofia). Está relacionada com os hábitos e os costumes locais ou de determinados grupos sociais. É a reflexão filosófica sobre a moral (caráter teórico). Possui caráter prático com força normativa. É considerada princípio. Relativo às aspectos de condutas específicas. É permanente. É temporal. É universal É cultural. É teórica. É prática. Assim, podemos definir moral como um conjunto de regras que se impõem às pessoas pela sociedade ou meio em que vivem. Se determina numa ação coletiva que tende no agir de determinada maneira, sendo a consolidação de práticas e costumes observados no geral pelo receio de uma reprovação social (a pressão é externa). Nesse contexto, todo ser humano é moral ao cumprir normas de conduta oriundas de um conjunto de crenças inquestionáveis dentro de sua cultura, ou seja, ações postas como certas e corretas. No entanto, ética envolve reflexão, por isso não significa apenas um conjunto de normas, mas vai além. Ela é um conjunto de juízos valorativos (racionais) construídos pela civilização, assumidos e manifestados na ação individual de cada um (a pressão é interna). Está estruturada em valores de conduta. É sempre civilizatória. Ética é princípio e Moral é prática. 9 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 2.2. As teorias que explicam os conceitos éticos As teorias que explicam os conceitos éticos tentam nortear, cada uma, o pensamento e o comportamento que deve possuir aquele indivíduo que segue uma ou outra teoria,possuindo cada um, no mínimo, uma teoria sustenta sua conduta. 2.2.1. Teoria do Fundamentalismo Identifica os preceitos éticos externos ao ser humano, não permitindo que o indivíduo encontre o certo ou o errado por si mesmo. O exemplo típico desta teoria é a Bíblia Sagrada, que funciona como um livro de regra de fé e prática para aqueles que depositam a sua confiança nos seus escritos sem questionamento. 2.2.2. Teoria do Utilitarismo Propõe que o conceito ético seja elaborado com base no critério do maior bem para a sociedade como um todo. Portanto, a conduta do indivíduo, diante de determinado fato, dependerá daquela que gerar um maior bem para a sociedade. Por exemplo, podemos citar uma Guerra no qual o Presidente de um determinado país, possa afirmar que sua conduta está dentro dos padrões éticos, por conta de ameaça de outro país no qual o presidente possa causar um mal para toda sociedade. 2.2.3. Teoria do Dever Ético Apregoada por Emanuel Kant (1724-1804), propõe que o conceito ético seja extraído do fato de que cada um deve se comportar de acordo com os princípios universais. Estes conceitos éticos implicam na aplicação de duas regras: 1) Qualquer conduta aceita como padrão ético deve valer para todos os que se encontrem na mesma situação, sem exceções. 2) Só se deve exigir dos outros, o que exigimos de nós mesmos. Como exemplo da teoria do dever ético, pode-se citar que todos os profissionais de contabilidade não devem omitir dados do Balanço Patrimonial por eles elaborados, pois esta é uma conduta universal. 2.2.4. Teoria Contratualista Tendo como precursores John Locke (1632-1704) e Jean Jacques Rousseau (1712- 1778), esta teoria parte do princípio que o ser humano assume com os seus semelhantes a obrigação de se comportar de acordo com regras morais estabelecidas para o convívio 10 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância social. Essa Teoria não atentou-se para a mutabilidade das regras morais aplicadas a determinados grupos sociais. Se um grupo de contadores resolvessem omitir as informações contábeis para os seus clientes, teriam as suas ações de acordo com esta teoria, legitimados sob o ponto de vista ético. 2.2.5. Teoria do Relativismo Com base nessa teoria, cada pessoa deveria decidir sobre o que é ou não é ético, com base nas suas próprias convicções e na sua própria concepção sobre o bem e o mal. Dessa maneira, o que é ético para um pode não o ser para outro. Com essa teoria, muitos tentam justificar os seus próprios erros dentro de uma concepção coletiva. Como exemplo, um profissional de contabilidade poderá informar à diretoria dados distorcidos do Balanço Patrimonial da empresa e achar que é correto agir desta forma para não preocupar o administrador sobre a real situação. 2.3. As fontes das regras éticas Segundo a doutrina, as fontes das regras éticas podem ser divididas em: 1ª. Natureza Humana Verdadeira: trata-se da natureza do homem sadio e puro, no qual habitariam todas as virtudes do caráter íntegro e correto. 2ª. Forma Ideal Universal: expressa em princípios válidos para todo o pensamento sadio. 3ª. Princípios do Comportamento Humano: de acordo com essa fonte, cada significado do comportamento ético tornar-se-ia objeto de reflexão por parte dos agentes sociais, objetivando a procura racional das razões da conduta humana. 4ª. Legislação de cada país: trata-se das leis, códigos, normas de determinado país ou de foros internacionais. 5ª. Costumes: alguns autores dizem se tratar da principal fonte de regras éticas. 2.4. O papel da Contabilidade na sociedade Considerando que o mercado de trabalho está cada vez mais exigente, há de se concluir que não há espaço para amadores. O mercado exige “profissionais” que de fato estejam preparados para enfrentar o dinamismo do mundo atual. Nesse sentido, a qualificação dos profissionais é requisito básico, e essa ideia aplica-se ao profissional da área contábil que, no desempenho de suas funções, deve ter conhecimento de diversas áreas do conhecimento, dentre essas à Ética. 11 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Para entendermos o papel da Contabilidade na sociedade devemos deixar claro quais os principais campos de atuação dos profissionais contábeis. Assim, de forma objetiva, temos: Campo de Atuação Descrição Gestão Contábil de Empresas Principal atividade desenvolvida pelos profissionais contábeis. Gestão Contábil de Entidades Públicas Importante área de atuação, com crescente número de profissionais atuando na área. A Contabilidade Aplicada ao Setor Público estar passando por um processo de convergência aos padrões internacionais, necessitando de profissionais com sólida formação contábil para fazer frente a esse processo. Auditoria Uma das mais importantes áreas de atuação do profissional contábil. Inúmeros profissionais trabalham como auditores independentes, exercendo serviços de auditoria para diversas instituições. Cabe destacar que essas entidades só podem ser auditadas por Contador, inscrito na Comissão de Valores Mobiliários. Gestão de Empresas Muitos Contadores vêm se destacando na área de gestão empresarial, tendo em vista o conhecimento mais aguçado na área das finanças, custos, etc. Perícia Contábil A demanda por laudos técnicos especializados da área contábil é grande na área judicial. Cálculos e pareceres sobre apuração de haveres, lucros cessantes, impugnações fiscais e avaliações patrimoniais estão entre as atividades exercidas pelo perito contábil. Ensino Ensinar contabilidade tem um vasto campo de atuação em que os profissionais necessitam ter sólidos conhecimentos para que possam formar profissionais preparados para atuar no mercado. Em suma, o profissional contábil possui um vasto campo de atuação, sendo uma das profissões que se destacam no atual contexto econômico-financeiro do mercado. O objetivo da Contabilidade é fornecer informações para a tomada de decisão e para tal se faz necessário um caráter idôneo e ético, considerando um mundo em que o compartilhamento de informações se dá de maneira instantânea, verificarmos que a Contabilidade possui um papel importante na sociedade. 12 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 3. PERFIL ÉTICO-PROFISSIONAL Objetivo Compreender o que é ética profissional e conjunto de valores, normas de comportamento e de relacionamento adotados no ambiente de trabalho, bem como o perfil necessário para ser um profissional ético. Introdução Ética profissional é o conjunto de normas éticas que formam a consciência do profissional e representam imperativos de sua conduta. Ética tem relação com o modo ser e também de fazer, assim, ser ético é agir dentro de padrões convencionais considerados corretos, é proceder de forma idônea e não prejudicar o próximo. Portanto, é cumprir os valores estabelecidos pela sociedade em que se vive para que haja o bem comum. O indivíduo que tem ética profissional cumpre com todas as atividades de sua profissão, seguindo os princípios determinados pela sociedade e pelo seu grupo de trabalho. Cada profissão tem o seu próprio código de ética, que pode variar ligeiramente, graças a diferentes áreas de atuação. Contudo, há elementos da ética profissional que são universais e por isso são aplicáveis a qualquer atividade profissional, como a honestidade, responsabilidade e competência. 3.1. Ética Profissional Ética Profissional surge como uma forma deagir honestamente no trabalho. Kraemer (2010) aponta uma definição para o termo: Ética profissional é um conjunto de princípios que regem a conduta funcional e de comportamento daqueles que compõem determinada profissão. Assim, a ética profissional aplicada ao exercício da contabilidade é a parte da moral que trata de regras de conduta do contabilista. Entende-se, pois, que ética profissional é o conjunto de regras de comportamento do contabilista no exercício de suas atividades profissionais. Quando se busca um conceito para Ética Profissional, uma série de normas devem ser consideradas para conduzir o indivíduo à aquisição de hábitos ligados a direitos e deveres que cada profissional deve possuir para viver harmonicamente com os seus pares. O comportamento ético é uma exigência em qualquer empresa e, é considerado como o melhor caminho para o sucesso na empresa. Profissionais éticos e íntegros 13 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância possuem maiores chances de adquirir a confiança dos clientes e o comprometimento dos funcionários. Este fato tem levado as empresas a buscarem profissionais com este perfil como uma forma de aumentar a lucratividade por meio de condutas éticas e pela confiança demonstrada pelos clientes, oportunizando maior crescimento das suas vendas ou de seus serviços. As normas das empresas são criadas pela observação de seus empregados e colaboradores, portanto o seu respeito dependerá dos profissionais que nela exercem suas atividades. Colaboradores que transgridem normas éticas, mesmo que em nome da empresa são uma ameaça para ela e para os demais profissionais que nela trabalham. As normas constituídas nas empresas não devem considerar apenas a conduta de um grupo e, sim, de todos os colaboradores, sob risco de ter a sua qualidade ética reprovada. Assista ao Vídeo “Trabalho e Ética com Leandro Karnal”, escritor, palestrante, professor e historiador. Disponível no Link abaixo: <https://www.youtube.com/watch?v=yljE1IH2jss>. Acesso em: 23 abr. 2018. O comportamento ético se constitui com base na filosofia, por meio do desenvolvimento de padrões de comportamentos e atividades paramentrizadas, de acordo com perfil e a relação de compatibilidade entre os pares na organização. Os comportamentos e atividades, estruturados pela organização para servirem de condutas éticas, devem ser seguidas coletivamente e, não por imposição de uma minoria. Segundo Chiavenato (2000, p.55), historicamente, “A cultura ocidental contém uma marca qualificada como individualista, desde que calcada no interesse por si mesmo e no desenvolvimento de regras neste sentido”. Baseado na fala do autor conclui-se alguns países do ocidente definem o que ético e moral por meio do aprendizado adquirido após eventos e fatos que vão desde escândalos financeiros até os negócios de uma maneira geral. Exemplo deste pensamento é o caso da empresa Enron, que fornece dois aspectos importantes para interpretar o modus operandi das organizações: 14 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância a) Os resultados econômicos e financeiros de decisões apenas especulativas; b) O baixo nível e a consciência profissional que se reflete, dentre outros, no desencadeamento de conflitos, quando da avaliação com os valores subjacentes ao indivíduo. As relações entre as organizações e os seus funcionários surgem a partir de uma ação política e moral, entre bem individual, bem coletivo e o bem da organização. Para que desenvolva com eficácia suas atividades, o profissional deve possuir algumas virtudes, algumas inerentes ao seu caráter e outras que podem ser conquistadas. Lopes Sá (1996, p.161) considera algumas virtudes como básicas e que são comuns a quase todas as profissões, são chamadas de “Virtudes básicas profissionais e são aquelas indispensáveis e, sem as quais não se consegue a realização de um exercício ético competente, seja qual for a natureza do serviço prestado”. Destacam-se algumas virtudes referenciais a qualquer profissão e que podem ser consideradas imprescindíveis, também para o profissional da contabilidade: Virtude Descrição Honestidade É a confiança que se é depositada, com a responsabilidade perante o bem de terceiros e manutenção de seus direitos. Zelo Baseada na relação entre o sujeito e o objeto de trabalho e o cuidado com o mesmo. Sigilo É assumir o papel da conservação de algo que lhe é confiado, no qual a preservação de silêncio é obrigatória. Competência Sob o ponto de vista funcional, significa o exercício do trabalho com o conhecimento técnico necessário. Prudência Bom julgamento da ação, ou seja, cautela, zelo no momento de decidir. Humildade A verdade não é única e exclusiva, pois bom senso e inteligência são inerentes a um grande número de pessoas. Imparcialidade Relaciona-se em defender a verdade de acordo com os valores sociais e éticos, assumindo, principalmente, uma posição justa. Fonte: Adaptado de Lopes Sá (1996, p.161) 15 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Outras virtudes poderiam ser consideradas para traçar um perfil necessário para o profissional contábil; porém, as virtudes citadas atendem aos anseios dos contabilistas para bem exercer as suas atividades. A ética é condição essencial para o exercício de qualquer profissão e a profissão contábil desempenha papel importante na economia de mercado, pois ela fornece informações auxiliares na tomada de decisões por parte dos gestores. O bom contabilista não se compraz com a sonegação; antes, a combate; não se mancomuna com o erro, procura eliminá-lo; não avilta a profissão e nem os honorários a que faz jus, pelo contrário, coloca a profissão em alto padrão e decência e dignidade. Ética Profissional também pode ser chamada de Deontologia, compreendendo os estudos dos conceitos dos direitos e deveres. Num contexto de padrão, decência e dignidade, além de padrões de comportamento, surge a figura dos Códigos de Ética, entendido como a relação de práticas comportamentais a serem seguidas no exercício de uma profissão, visando sempre o bem-estar social de forma a assegurar a transparência de procedimentos dentro e fora de uma determinada instituição. (FIPECAFI, 2007). Nesse sentido, a Ética Profissional exige dos Profissionais Contábeis padrões de conduta norteados por princípios éticos e morais inerentes à profissão. 3.2. Ética e a profissão de Contabilidade Os profissionais de contabilidade, diante dos problemas contemporâneos, precisam de perseverança, tenacidade e honradez para não cometer erros que venham comprometer a imagem de toda uma categoria. Portanto, a discussão sobre a Ética para a Profissão Contábil requer um conjunto de regras de comportamento do contabilista no exercício de suas atividades profissionais. Não é possível nem permissível a um profissional ter todos os conhecimentos técnicos para exercer com maestria a profissão contábil se este mesmo profissional não desenvolver suas atividades baseado num comportamento ético em relação aos demais colegas e a terceiros interessados. 16 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Tratar de conduta ética na profissão contábil é uma tarefa complexa, tendo em vista a amplitude do tema que, envolve uma série de princípios e valores individuais, nem sempre condizentes com a proposta de um conjunto de regras a serem respeitadas portodos indistintamente, no desempenho de suas atividades profissionais. Considerando que o exercício da ética é responsabilidade do indivíduo e que cada profissão deve estar a serviço da sociedade, Lopes Sá (1996, p. 131) argumenta que “a ausência de responsabilidade para com o coletivo gera, como consequência natural, a irresponsabilidade para a qualidade do trabalho. ” Cada profissional atribui valores às suas ações e a ética está diretamente relacionada a esses valores, aos princípios da dignidade, do respeito às pessoas, da boa educação, não possuindo, pois, caráter legal. O Institute of Certified Management Accountants e o Institute of Management Accountants, apontam padrões de conduta ética a serem seguidos pelos profissionais de contabilidade e estão relacionados com as responsabilidades de desenvolverem suas atividades de acordo com o grau de competência, confidencialidade, integridade e objetividade: Responsabilidades dos contadores ao desenvolverem suas atividades profissionais Competência Manter um nível adequado de competência profissional por meio do desenvolvimento contínuo de seus conhecimentos e habilidades. Realizar suas obrigações profissionais em consonância com as leis, regulamentações e padrões técnicos. Elaborar demonstrativos completos e transparentes, e, após as devidas análises, fazer recomendações. Confidencialidade Privar-se de evidenciar informações confidenciais obtidas ao longo de seus trabalhos, exceto quando autorizadas legalmente. Informar os subordinados com os devidos cuidados a respeito da confidencialidade da informação obtida. Privar-se de utilizar informações confidenciais para obter vantagens ilicitamentes. Integridade Evitar conflitos de interesses e aconselhar as devidas partes quanto a qualquer possível conflito. 17 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Privar-se de ingressar em qualquer atividade que prejudique o cumprimento de suas obrigações éticas. Recusar qualquer presente, favor ou hospitalidade que influencie ou venha a influenciar suas decisões. Privar-se de corromper os verdadeiros objetivos da organização e da ética. Reconhecer e comunicar as limitações profissionais. Comunicar informações favoráveis, bem como as desfavoráveis, e suas opiniões como profissionais. Objetividade Comunicar a informação de forma clara e objetiva. Evidenciar aos usuários toda informação relevante que interferiria na compreensão dos demonstrativos, notas explicativas e recomendações apresentadas. Fonte: Adaptado de Horngren, Foster e Datar (2000) Ao tratarmos de grupos profissionais ou de categoria profissional, esses valores podem ser ampliados, estruturados e sistematizados por meio dos códigos de ética profissional, indicando limites em relação aos quais, o profissional pode medir as suas possibilidades e as limitações a que deverá se submeter. Lopes de Sá (1996, p. 100), observa ainda que dentre todas as profissões; a do Contabilista é uma profissão que exige do profissional, a todo instante, um comportamento ético, pois: [...] a atividade contábil é aquela que através de seus relatórios, registros, demonstrativos e principalmente pela assinatura da responsabilidade técnica pelo serviço prestado, que expõe aos dependentes e usuários da contabilidade tais informações. Portanto, é o contabilista que apresenta aos usuários de suas informações, o resultado de seu trabalho e que deve transmitir confiança técnica. Caso as informações não sejam fornecidas com notório conhecimento técnico e ético, problemas poderão surgir, tais como: a) Para o empresário contratante dos trabalhos: informações que poderão levá-lo a tomar decisões prejudiciais à empresa; b) Para os sócios, acionistas ou proprietários: prejuízos na avaliação de seus patrimônios; c) Para os credores ou fornecedores de créditos: prejuízos pelo eventual não- recebimento de seus direitos; 18 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância d) Ao País: pelo não-recebimento de impostos, o que causará danos a todos de maneira geral. A ética necessária para o contabilista deve pautar-se no Código de Ética da Profissão, no qual estão inseridos os problemas específicos da profissão e as maneiras de conduzir as resoluções de forma clara e idônea. Destaque-se que om código não consegue contemplar todas as situações, devendo nesse contexto, prevalecer o bom senso e a honradez para o bem-estar da categoria profissional. 19 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 4. CÓDIGO DE ÉTICA DO PROFISSIONAL CONTÁBIL (CEPC) Objetivo Verificar a aplicação do CEPC aos Profissionais de Contabilidade (Contadores e Técnicos em Contabilidade), no exercício de sua profissão e nos assuntos relacionados à classe profissional. Introdução O Código de Ética do Profissional Contábil tem por objetivo fixar a forma pela qual se deve conduzir os contabilistas, quando no exercício profissional. Os artigos que compõe o CEPC visam precipuamente apresentar o modo de conduta da classe contábil, quando no exercício profissional. A ética diferencia-se da moral, pois esta última é a forma de conduta interior, diretamente relacionada à consciência, enquanto a ética é a exteriorização da conduta humana em sociedade. Quando voltada para uma classe profissional, seu escopo é delimitado para as atribuições específicas desta profissão. Durante o período laborativo, o contabilista precisa seguir fielmente os preceitos deste Código. 4.1. Deveres São deveres do Profissional da Contabilidade: I – Exercer a profissão com zelo, diligência, honestidade e capacidade técnica, observada toda a legislação vigente, em especial aos Princípios de Contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC), e resguardados os interesses de seus clientes e/ou empregadores, sem prejuízo da dignidade e independência profissionais; As NBCs são um conjunto de regras e procedimentos de conduta que devem ser observados como requisitos para o exercício da profissão contábil, bem como os conceitos doutrinários, princípios, estrutura técnica e procedimentos a serem aplicados na realização dos trabalhos previstos e aprovadas por resolução emitidas pelo CFC. 20 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Pesquise na WEB: Objetivando expandir o conhecimento, consulte na Biblioteca Virtual Pearson ou em sites acadêmicos, e realize uma pesquisa sobre “Princípios da Contabilidade e a sua relação com a profissão contábil”, procurando identificar sua influência com a vida profissional e acadêmica. II – Guardar sigilo sobre o que souber em razão do exercício profissional lícito, inclusive no âmbito do serviço público, ressalvados os casos previstos em lei ou quando solicitado por autoridades competentes, entre estas os Conselhos Regionais de Contabilidade; O sigilo não é absoluto, pois existe previsão legal para a quebra do sigilo quando solicitadas pela justiça ou pelos Conselhos Regionais de Contabilidade (CRCs). III – Zelar pela sua competência exclusiva na orientação técnica dos serviços; IV – Comunicar, desde logo, ao cliente ou empregador, em documento reservado, eventual circunstância adversa que possa influir na decisão daquele que lhe formular consulta ou lhe confiar trabalho, estendendo-se a obrigação a sócios e executores; A comunicação deve ser realizadapor documento reservado, portanto, não tem validade a verbal. V – Inteirar-se de todas as circunstâncias, antes de emitir opinião; VI – Renunciar às funções que exerce, logo que se positive falta de confiança por parte do cliente ou empregador, a quem deverá notificar com trinta dias de antecedência, zelando, contudo, para que os interesses dos mesmos não sejam prejudicados, evitando declarações públicas sobre os motivos da renúncia; 21 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância VII – Se substituído em suas funções, informar ao substituto sobre fatos que devam chegar ao conhecimento desse, a fim de habilitá-lo para o bom desempenho das funções a serem exercidas; VIII – Manifestar, a qualquer tempo, a existência de impedimento para o exercício da profissão; IX – Ser solidário com os movimentos de defesa da dignidade profissional, seja propugnando por remuneração condigna, seja zelando por condições de trabalho compatíveis com o exercício ético-profissional da Contabilidade e seu aprimoramento técnico. X – Cumprir os Programas Obrigatórios de Educação Continuada estabelecidos pelo CFC; XI – Comunicar, ao CRC, a mudança de seu domicílio ou endereço e da organização contábil de sua responsabilidade, bem como a ocorrência de outros fatos necessários ao controle e fiscalização profissional. A comunicação deve ser realizada por documento reservado, portanto, não tem validade a verbal. XII – Auxiliar a fiscalização do exercício profissional. Assista ao Vídeo “Ética Empresarial”. Disponível no Link abaixo: <https://www.youtube.com/watch?v=P9RSqqF8HwU>. Acesso em: 23 abr. 2018. 4.2. Proibições (vedações) e Obrigações No desempenho de suas funções, é vedado ao Profissional da Contabilidade: 22 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância I. Anunciar, em qualquer modalidade ou veículo de comunicação, conteúdo que resulte na diminuição do colega, da Organização Contábil ou da classe, em detrimento aos demais, sendo sempre admitida a indicação de títulos, especializações, serviços oferecidos, trabalhos realizados e relação de clientes; O Profissional de Contabilidade não deve indicar seus títulos, especializações, serviços oferecidos, trabalhos realizados e relação de Clientes, como uma forma de diminuir o colega, e sim, apenas como forma de marketing pessoal. II. Assumir, direta ou indiretamente, serviços de qualquer natureza, com prejuízo moral ou desprestígio para a classe; III. Auferir qualquer provento em função do exercício profissional que não decorra exclusivamente de sua prática lícita; IV. Assinar documentos ou peças contábeis elaboradas por outrem, alheio à sua orientação, supervisão e fiscalização; V. Exercer a profissão, quando impedido, ou facilitar, por qualquer meio, o seu exercício aos não habilitados ou impedidos; VI. Manter Organização Contábil sob forma não autorizada pela legislação pertinente; VII. Valer-se de agenciador de serviços, mediante participação desse nos honorários a receber; VIII. Concorrer para a realização de ato contrário à legislação ou destinado a fraudá-la ou praticar, no exercício da profissão, ato definido como crime ou contravenção; IX. Solicitar ou receber do cliente ou empregador qualquer vantagem que saiba para aplicação ilícita; X. Prejudicar, culposa ou dolosamente, interesse confiado a sua responsabilidade profissional; XI. Recusar-se a prestar contas de quantias que lhe forem, comprovadamente, confiadas; XII. Reter abusivamente livros, papéis ou documentos, comprovadamente confiados à sua guarda; 23 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância XIII. Aconselhar o cliente ou o empregador contra disposições expressas em lei ou contra os Princípios de Contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabilidade editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade; XIV. Exercer atividade ou ligar o seu nome a empreendimentos com finalidades ilícitas; XV. Revelar negociação confidenciada pelo cliente ou empregador para acordo ou transação que, comprovadamente, tenha tido conhecimento; XVI. Emitir referência que identifique o cliente ou empregador, com quebra de sigilo profissional, em publicação em que haja menção a trabalho que tenha realizado ou orientado, salvo quando autorizado por eles; XVII. Iludir ou tentar iludir a boa-fé de cliente, empregador ou de terceiros, alterando ou deturpando o exato teor de documentos, bem como fornecendo falsas informações ou elaborando peças contábeis inidôneas; XVIII. Não cumprir, no prazo estabelecido, determinação dos Conselhos Regionais de Contabilidade, depois de regularmente notificado; XIX. Intitular-se com categoria profissional que não possua, na profissão contábil; XX. Executar trabalhos técnicos contábeis sem observância dos Princípios de Contabilidade e das Normas Brasileiras de Contabilidade editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade; XXI. Renunciar à liberdade profissional, devendo evitar quaisquer restrições ou imposições que possam prejudicar a eficácia e correção de seu trabalho; XXII. Publicar ou distribuir, em seu nome, trabalho científico ou técnico do qual não tenha participado; XXIII. Apropriar-se indevidamente de valores confiados a sua guarda; XXIV. Exercer a profissão demonstrando comprovada incapacidade técnica. XXV. Deixar de apresentar documentos e informações quando solicitado pela fiscalização dos Conselhos Regionais. Dentro do capítulo sobre as proibições o CEPC destaca que o Profissional da Contabilidade poderá publicar relatório, parecer ou trabalho técnico profissional, assinado e sob sua responsabilidade. 24 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância O CEPC destaca, também, obrigações para o Contador, quando perito, assistente técnico, auditor ou árbitro: I. Recusar sua indicação quando reconheça não se achar capacitado em face da especialização requerida; II. Abster-se de interpretações tendenciosas sobre a matéria que constitui objeto de perícia, mantendo absoluta independência moral e técnica na elaboração do respectivo laudo; III. Abster-se de expender argumentos ou dar a conhecer sua convicção pessoal sobre os direitos de quaisquer das partes interessadas, ou da justiça da causa em que estiver servindo, mantendo seu laudo no âmbito técnico e limitado aos quesitos propostos; IV. Considerar com imparcialidade o pensamento exposto em laudo submetido à sua apreciação; V. Mencionar obrigatoriamente fatos que conheça e repute em condições de exercer efeito sobre peças contábeis objeto de seu trabalho, respeitado o disposto no inciso II do art. 2º; Art. 2º, II – guardar sigilo sobre o que souber em razão do exercício profissional lícito, inclusive no âmbito do serviço público, ressalvados os casos previstos em lei ou quando solicitado por autoridades competentes, entre estas os Conselhos Regionais de Contabilidade; VI. Abster-se de dar parecer ou emitir opinião sem estar suficientemente informado e munido de documentos; VII. Assinalar equívocos ou divergências que encontrar no que concerne à aplicação dos Princípios de Contabilidade e Normas Brasileiras de Contabilidade editadas pelo CFC; VIII. Considerar-se impedido para emitir parecer ou elaborar laudos sobre peças contábeis, observando as restrições contidas nas Normas Brasileiras de Contabilidade editadas pelo ConselhoFederal de Contabilidade; IX. Atender à Fiscalização dos Conselhos Regionais de Contabilidade e Conselho Federal de Contabilidade no sentido de colocar à disposição desses, sempre que solicitado, papéis de trabalho, relatórios e outros documentos que deram origem e orientaram a execução do seu trabalho. 25 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 4.3. Valor dos Serviços Profissionais O Profissional da Contabilidade deve fixar previamente o valor dos serviços, por contrato escrito, considerados os elementos seguintes: I. A relevância, o vulto, a complexidade e a dificuldade do serviço a executar; II. O tempo que será consumido para a realização do trabalho; III. A possibilidade de ficar impedido da realização de outros serviços; IV. O resultado lícito favorável que para o contratante advirá com o serviço prestado; V. A peculiaridade de tratar-se de cliente eventual, habitual ou permanente; VI. O local em que o serviço será prestado. O Profissional da Contabilidade poderá transferir total ou parcialmente o contrato de serviços ao seu cargo a outro profissional, com a anuência do cliente, sempre por escrito, de acordo com as normas expedidas pelo Conselho Federal de Contabilidade. Destaque que é vedado ao profissional de contabilidade oferecer ou disputar serviços profissionais mediante concorrência desleal. Destaque-se que não existe atualmente uma tabela de preços a serem praticados e não compete aos Conselhos de Contabilidade legislar sobre a cobrança de honorários. Neste caso, o Sindicato dos Contabilistas de cada Estado divulga anualmente uma tabela que propõe um valor mínimo de honorários a ser cobrado sobre os serviços prestados. 4.4. Deveres em Relação aos Colegas A conduta do Profissional da Contabilidade com relação aos colegas deve ser pautada nos princípios de consideração, respeito, apreço e solidariedade, em consonância com os postulados de harmonia da classe. O Profissional da Contabilidade deve, em relação aos colegas, observar as seguintes normas de conduta: I. Abster-se de fazer referências prejudiciais ou de qualquer modo desabonadoras; II. Abster-se da aceitação de encargo profissional em substituição a colega que dele tenha desistido para preservar a dignidade ou os interesses da profissão ou da classe, desde que permaneçam as mesmas condições que ditaram o referido procedimento; 26 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância III. Jamais apropriar-se de trabalhos, iniciativas ou de soluções encontradas por colegas, que deles não tenha participado, presentando os como próprios; IV. Evitar desentendimentos com o colega a que vier a substituir no exercício profissional. 4.5. Deveres em relação à Classe O Profissional da Contabilidade deve, com relação à classe, observar as seguintes normas de conduta: I. Prestar seu concurso moral, intelectual e material, salvo circunstâncias especiais que justifiquem a sua recusa; II. Zelar pelo prestígio da classe, pela dignidade profissional e pelo aperfeiçoamento de suas instituições; III. Aceitar o desempenho de cargo de dirigente nas entidades de classe, admitindo-se a justa recusa; IV. Acatar as resoluções votadas pela classe contábil, inclusive quanto a honorários profissionais; V. Zelar pelo cumprimento deste Código; VI. Não formular juízos depreciativos sobre a classe contábil; VII. Representar perante os órgãos competentes sobre irregularidades comprovadamente ocorridas na administração de entidade da classe contábil; VIII. Jamais utilizar-se de posição ocupada na direção de entidades de classe em benefício próprio ou para proveito pessoal. 4.6. Penalidades A transgressão de preceito deste Código constitui infração ética, sancionada, segundo a gravidade, com a aplicação de uma das seguintes penalidades: I. Advertência reservada: é um comunicado pessoal do Conselho de classe ao contabilista infrator, alertando-o do cometimento da falta ética e advertindo-o reservadamente. II. Censura reservada: é um comunicado pessoal do Conselho de classe ao contabilista infrator, alertando-o do cometimento da falta ética e censurando-o reservadamente. 27 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância III. Censura pública: na censura pública, toda a classe contábil fica conhecendo publicamente o infrator ético-profissional. Censura Pública é a penalidade que cabe recurso ao Conselho Federal de Contabilidade, pois a sua publicidade, perante a sociedade, pode gerar grave dano à imagem da profissão. No caso de denúncia, o Conselho Regional de Contabilidade comunicará ao denunciante a instauração do processo até trinta dias após esgotado o prazo de defesa. Vale destacar que as denúncias não podem ser anônimas, pois o denunciante deve ser comunicado da decisão final do processo. Em caso o Profissional Contábil seja atingido, pública e injustamente, no exercício de sua profissão, ele poderá requerer desagravo público ao Conselho Regional de Contabilidade. 4.7. Disposições Gerais Este Código de Ética Profissional se aplica aos Contadores e Técnicos em Contabilidade regidos pelo Decreto-Lei nº. 9.295/46, alterado pela Lei nº. 12.249/10. 28 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 5. NBC PG 100 – APLICAÇÃO GERAL AOS PROFISSIONAIS DA CONTABILIDADE Objetivo Verificar a NBC PG 100 e a sua aplicação geral aos profissionais de contabilidade. Esta Norma foi editada em 25 de março de 2014, sendo compostas pelas Seções 100, 110, 120, 130, 140 e 150 da Parte A do Código de Ética da International Federation of Accountants (IFAC). Introdução A NBC PG 100, objetiva destacar uma marca característica da profissão contábil que é a aceitação da responsabilidade de agir no interesse público, ou seja, em nome da ética. Portanto, a responsabilidade do profissional da contabilidade não é exclusivamente atender e satisfazer as necessidades do contratante e, sim, agir no interesse público. Nesse contexto o profissional da contabilidade deve observar e cumprir esta Norma. Essa Norma em essência pode ser considerada como um código norteador de princípios éticos alinhado às normas internacionais e o não cumprimento de parte desta Norma por determinação legal ou regulamentar não desobriga o profissional do cumprimento daquilo que não for vedado. 5.1. Estrutura A NBC PG 100 segue a estrutura da Parte A do Código de Ética da IFAC nas seguintes seções: Seção 100 – Introdução Seção 110 – Integridade Seção 120 – Objetividade Seção 130 – Competência e zelo profissionais Seção 140 – Sigilo profissional Seção 150 – Comportamento profissional Esta Norma estabelece a estrutura conceitual para que o profissional da contabilidade possa: a) Identificar ameaças ao cumprimento dos princípios éticos; b) Avaliar a importância das ameaças identificadas; e 29 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância c) Aplicar salvaguardas, quando necessário, para eliminar as ameaças ou reduzi-las a um nível aceitável. As salvaguardas são dispositivos necessários para o profissional avaliar quando as ameaças não estão em nível em que um terceiro com experiência, conhecimento e bom senso, concluiria, analisando todos os fatos e circunstâncias específicas, naquele momento, que o cumprimento dos princípios éticos não está comprometido. O profissional da contabilidadedeve usar julgamento profissional ao aplicar essa estrutura conceitual. 5.2. Ameaças e salvaguardas As ameaças podem ser uma, ou mais situações, geradas por relações e circunstâncias que podem comprometer o cumprimento dos princípios éticos por profissional da contabilidade. As ameaças se enquadram em pelo menos uma das categorias a seguir: a) Ameaça de interesse próprio, que é a ameaça de que um interesse financeiro ou outro interesse influenciará de forma não apropriada no julgamento ou o comportamento do profissional da contabilidade; b) Ameaça de autorrevisão, que é a ameaça de que o profissional da contabilidade não avaliará apropriadamente os resultados de julgamento dado ou serviço prestado anteriormente por ele, ou por outra pessoa física ou jurídica a ele ligada direta ou indiretamente, na qual o profissional da contabilidade confia para formar um julgamento como parte da prestação do serviço; c) Ameaça de defesa de interesse do cliente é a ameaça de que o profissional da contabilidade promoverá ou defenderá a posição de seu cliente ou empregador a ponto em que a sua objetividade fique comprometida; d) Ameaça de familiaridade é a ameaça, devido a relacionamento longo ou próximo com o cliente ou empregador, de o profissional da contabilidade tornar-se solidário aos interesses dele ou aceitar seu trabalho sem muito questionamento; e e) Ameaça de intimidação é a ameaça de que o profissional da contabilidade será dissuadido de agir objetivamente em decorrência de pressões reais ou aparentes, incluindo tentativas de exercer influência indevida sobre o profissional da contabilidade. 30 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância As NBCs PG 200 e 300, explicam como essas categorias de ameaças podem ser criadas por contador externo e interno, respectivamente. Salvaguardas são ações ou outras medidas que visam eliminar ameaças ou reduzi- las a um nível aceitável, se enquadrando em duas categorias amplas: a. Salvaguardas criadas pela profissão, pela legislação ou por regulamento; e b. Salvaguardas no ambiente de trabalho. As salvaguardas criadas pela profissão, pela legislação ou por regulamento incluem: a. Requisitos educacionais, de treinamento e de experiência para ingressar na profissão; b. Requisitos de desenvolvimento profissional contínuo; c. Regulamentos de governança corporativa; d. Normas profissionais; e. Monitoramento profissional ou regulatório e procedimentos disciplinares; f. Revisão externa por terceiro, legalmente autorizado, dos relatórios, de documentos, das comunicações ou das informações produzidas pelo profissional da contabilidade. 5.3. Princípios éticos A NBC PG 100 trata de assuntos relevantes no que tange a Ética Profissional. Destaque-se, portanto, a importância dos princípios éticos; Integridade; Objetividade; Competência e zelo profissionais; Sigilo profissional; e Comportamento profissional, que são aspectos básicos de observância obrigatória no desenvolvimento da profissão contábil. O profissional da contabilidade deve cumprir os seguintes princípios éticos: a. Integridade – ser franco e honesto em todos os relacionamentos profissionais e comerciais. b. Objetividade – não permitir que comportamento tendencioso, conflito de interesse ou influência indevida de outros afetem o julgamento profissional ou de negócio. c. Competência profissional e devido zelo – manter o conhecimento e a habilidade profissionais no nível adequado para assegurar que clientes e/ou empregador recebam serviços profissionais competentes com base em desenvolvimentos atuais da prática, legislação e técnicas, e agir 31 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância diligentemente e de acordo com as normas técnicas e profissionais aplicáveis. d. Sigilo profissional – respeitar o sigilo das informações obtidas em decorrência de relacionamentos profissionais e comerciais e, portanto, não divulgar nenhuma dessas informações a terceiros, a menos que haja algum direito ou dever legal ou profissional de divulgação, nem usar as informações para obtenção de vantagem pessoal pelo profissional da contabilidade ou por terceiros. e. Comportamento profissional – cumprir as leis e os regulamentos pertinentes e evitar qualquer ação que desacredite a profissão. Todos esses princípios éticos são discutidos mais detalhadamente nas Seções 110 a 150. 5.3.1. Seção 110 – Integridade O princípio destacado nesta seção da Norma estabelece a obrigação de que todos profissionais da contabilidade devem ser verdadeiros, diretos e honestos em todos os relacionamentos profissionais. Integridade, de acordo com o dicionário formal é característica ou estado daquilo que se apresenta ileso, intato, que não foi atingido ou agredido. Portanto, o profissional da contabilidade não deve conscientemente participar de trabalho no qual ele acredita que as informações: Contêm declaração materialmente falsa ou enganosa; Contêm declarações ou informações fornecidas de maneira leviana; Omitem ou ocultam informações que devem ser incluídas Quando o profissional da contabilidade tomar ciência de que esteve associado com essas informações, ele deve tomar providências para desvincular-se destas. Para tal, ele deverá fornecer relatório modificado em relação aos assuntos acima destacados. 32 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 5.3.2. Seção 120 – Objetividade O princípio da objetividade impõe aos os profissionais da contabilidade a obrigação de não comprometer seu julgamento profissional ou do negócio em decorrência de comportamento tendencioso, conflito de interesse ou influência indevida de outros. 5.3.3. Seção 130 – Competência e zelo profissional O princípio da competência e zelo profissional impõe a todos os profissionais da contabilidade as seguintes obrigações: Manter o conhecimento e a habilidade profissionais no nível necessário para que clientes ou empregadores recebam serviço profissional adequado; Agir diligentemente de acordo com as normas técnicas e profissionais aplicáveis na prestação de serviços profissionais. Quando pensarmos em uma prestação adequada, precisamos considerar o exercício de julgamento fundamentado em nosso conhecimento e a habilidades profissionais. A competência profissional pode ser dividida em duas fases: Atingir a competência profissional; Manter a competência profissional. A norma destaca que o profissional da contabilidade deve estar atendo em tomar as providências, adequadas, para assegurar que seus subordinados tenham treinamento e supervisão apropriados, bem como, informar aos clientes, empregadores ou outros usuários de seus serviços profissionais e suas limitações. 5.3.4. Seção 140 – Sigilo profissional O princípio do sigilo profissional impõe a todos os profissionais da contabilidade a obrigação de abster-se de: Divulgar externamente informações sigilosas obtidas em decorrência de relacionamentos profissionais, sem estar prévia e especificamente autorizado pelo cliente, por escrito, a menos que haja um direito ou dever legal ou profissional de divulgação; e 33 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Usar, para si ou para outrem, informações obtidas em decorrência de relacionamentos profissionais e comerciais para obtenção de vantagem pessoal. Observe que o sigilo profissional não é absoluto, pois, caso haja obrigaçãolegal, o profissional deverá atender prontamente ao solicitado, não havendo que se falar em sigilo. 5.3.5. Seção 150 – Comportamento profissional Este princípio impõe a todos os profissionais da contabilidade a obrigação de cumprir as leis e os regulamentos pertinentes e evitar qualquer ação que o profissional da contabilidade sabe ou deveria saber possa desacreditar a profissão. Inclui ações que um terceiro com experiência, conhecimento e bom senso, concluiria, ponderando todos os fatos e circunstâncias específicas disponíveis para o profissional da contabilidade naquele momento, que poderiam afetar adversamente a boa reputação da profissão. Nesse sentido, a Norma destaca que na divulgação comercial das pessoas e na promoção do seu trabalho, os profissionais da contabilidade não devem desprestigiar a profissão. Os profissionais da contabilidade devem ser honestos e verdadeiros e: Não fazer declarações exageradas sobre os serviços que podem oferecer, as qualificações que têm ou a experiência que obtiveram; ou Não fazer referências depreciativas ou comparações infundadas com o trabalho de outros profissionais da contabilidade. 34 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 6. NBC PG 200: CONTADORES QUE PRESTAM SERVIÇOS (CONTADORES EXTERNOS) Objetivo Compreender a NBC PG 200, norma que dá continuidade a NBC PG 100, editada em 24 de janeiro de 2014, sendo compostas pelas Seções 200, 210, 220, 230, 240, 250, 260, 270 e 280 da Parte B do Código de Ética da International Federation of Accountants (IFAC). Introdução A NBC PG 200 abrange os contadores externos e se estende aos técnicos de contabilidade. Descreve como os conceitos apresentados na NBC PG 100 possuem aplicabilidade em algumas situações vivenciadas por estes profissionais. Esta Norma não compila todas as circunstâncias e relacionamentos, que podem gerar ameaças para o cumprimento dos princípios éticos. Busca orientar o contador externo a reconhecer tais circunstâncias e relacionamentos. Conforme a NBC PG 200, o contador externo é o contador que, independentemente de sua especialização (auditor, tributário ou perito), presta serviços profissionais a clientes. 6.1. Objetivo e abrangência O objetivo da Norma é descrever como a estrutura conceitual contida na NBC PG 100 aplicada para situações que podem gerar riscos para contadores externos mantendo- os em alerta ao cumprimento dos princípios éticos. Contador externo: contador que, independentemente de sua especialização (auditor, tributário ou perito), exerce atividades em firma que presta serviços profissionais a clientes, sendo que este termo é também usado como referência a uma firma de auditores. Portanto esta Norma tem por essência proteger o contador externo, para que ele não se envolva em negócio, ocupação ou atividade que prejudique, ou possa prejudicar, a integridade, a objetividade ou a boa reputação da profissão, por ações que vão de encontro com os princípios éticos. 35 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Abrangência e Aplicabilidade da NBC PG 200: (i) Contador Externo; (ii) Técnicos em Contabilidade. 6.2. Ameaças e salvaguardas De acordo com a norma, o cumprimento dos princípios éticos pode ser ameaçado por circunstâncias e relacionamentos, cuja natureza e importância podem variar de acordo com o serviço prestado. As ameaças se enquadram em uma ou mais categorias, vejamos a seguir: a) Ameaça de interesse próprio: ameaça no qual um interesse financeiro ou outro, influencie o profissional da contabilidade a comportar-se de forma não apropriada em seu julgamento; b) Ameaça de autorrevisão: ameaça de que o profissional da contabilidade não avalie apropriadamente os resultados de julgamento dado ou serviço prestado anteriormente por ele, ou por outra pessoa física ou jurídica a ele ligada direta ou indiretamente, na qual ele confia para formar um julgamento; c) Ameaça de defesa de interesse do cliente: ameaça de que o profissional da contabilidade promoverá ou defenderá a posição de seu cliente ou empregador a ponto em que a sua objetividade fique comprometida; d) Ameaça de familiaridade: ameaça, devido a relacionamento longo ou próximo com o cliente ou empregador, de o profissional da contabilidade tornar-se solidário aos interesses dele ou aceitar seu trabalho sem muito questionamento; e e) Ameaça de intimidação: ameaça de que o profissional da contabilidade será dissuadido de agir objetivamente em decorrência de pressões reais ou aparentes, incluindo tentativas de exercer influência indevida sobre ele. Pesquise na WEB: Objetivando expandir o conhecimento, consulte na Biblioteca Virtual Pearson ou em sites acadêmicos, e realize uma pesquisa sobre “Exemplos de ameaças a contadores externos, seja ela de interesse próprio; de autorrevisão; de defesa do interesse do cliente; de familiaridade ou de intimação”, procurando identificar sua influência com a vida profissional e acadêmica. 36 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 6.2.1. Ameaças: tratamentos Segundo a NBC PG 200, o contador externo deve exercer julgamento para avaliar a melhor maneira de tratar as ameaças que não estão em nível aceitável, aplicando salvaguardas, conforme tratado na NBC PG 100, para eliminar a ameaça ou reduzi-la a um nível aceitável, terminar ou declinar o trabalho. Para tal, ele deve contratar um terceiro profissional, não interessado, com experiência, conhecimento e bom senso, para poder concluir o trabalho de forma isenta aos fatos e circunstâncias específicas disponíveis para o contador externo naquele momento. Salvaguarda, de acordo com o dicionário formal, representa aquilo ou aquele que serve de garantia, de defesa, de amparo. Assim, na busca de amparo aos princípios éticos, o contador externo utiliza-se de salvaguardas, visando eliminar ameaças ou reduzi-las a um nível aceitável. Existem duas categorias de salvaguardas: Salvaguardas criadas pela profissão ou pela legislação; e Salvaguardas no ambiente de trabalho. 6.3. Seções A NBC PG 200 segue a estrutura da Parte B do Código de Ética da IFAC, iniciando com a Seção 200 – Introdução, já discorrida no capítulo anterior, dividindo-se nas demais seções: Seção 210 – Nomeação de profissionais Seção 220 – Conflitos de interesse Seção 230 – Segunda opinião Seção 240 – Honorários e outros tipos de remuneração Seção 250 – Divulgação comercial de serviços profissionais Seção 260 – Presentes e afins Seção 270 – Custódia de ativos de clientes Seção 280 – Objetividade em todos os serviços 6.3.1. Seção 210 – Nomeação de profissionais A Norma destaca que, antes de aceitar o relacionamento com novo, cliente, o contador externo deve avaliar se a aceitação criaria quaisquer ameaças ao cumprimento dos princípios éticos, criando ameaças em potencial à integridade ou ao comportamento profissional em decorrência de assuntos questionáveis associados a este novo cliente 37 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Portanto, assuntos de cliente, cuja evidência é conhecida, e que poderiam ameaçar o cumprimento dos princípios éticos, como por exemplo, envolvimento do cliente em supostas atividades ilegais, a NBC PG 200, alerta para o dever de avaliar a importância destas ameaças aplicando salvaguardas quando necessário para eliminá-las ou reduzi-las a um nívelaceitável. Nas situações em que não é possível reduzi-las a um nível aceitável, o contador externo deve recusar-se a iniciar o relacionamento com o cliente. Por fim, a Norma recomenda que o contador externo revise periodicamente as decisões de aceitação para trabalhos de clientes, ou confiar em um especialista para substituí-lo, pois quando há pretensão de confiar na recomendação ou no trabalho de especialista, o contador externo, também deve avaliar se essa confiança é aceitável. Nesse contexto, a Norma indica fatores a serem considerados: a) Inexistência de evidência que impactem na reputação; b) Especialização; c) Recursos disponíveis; e d) Normas profissionais e éticas aplicáveis. Essas informações, segundo a Norma, podem ser obtidas da associação anterior com o especialista ou por consulta de outras pessoas. A obtenção de informações deve ser por escrito, para que o profissional tenha o seu trabalho documentado. Destaque, também, para à questão da confidencialidade, pois a Norma orienta que a possibilidade ou dever em discutir os assuntos do cliente com o contador proposto depende da natureza do trabalho e das seguintes situações: Se foi obtida permissão do cliente para isso; ou Se houver exigências legais ou éticas. 38 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 6.3.2. Seção 220 – Conflitos de interesse O contador externo pode defrontar-se com um conflito de interesse quando empreender um serviço profissional. Tal conflito cria uma ameaça à objetividade e aos princípios éticos. Podem ser criadas quando: O contador fornece um serviço profissional relacionado a uma questão particular para dois ou mais clientes cujos interesses a respeito daquela questão estão em conflito; ou Os interesses do contador a respeito de uma questão particular e os interesses do cliente para quem o contador fornece serviços profissionais relacionados à questão estão em conflito. O contador externo não deve permitir que um conflito de interesses comprometa o seu julgamento profissional ou de negócios. 6.3.3. Seção 230 – Segunda opinião Quando o contador externo for solicitado a fornecer segunda opinião sobre a aplicação de normas ou princípios contábeis, de auditoria, de apresentação de relatórios em nome de empresa ou entidade que não é cliente, deverá se precaver contra ameaças ao cumprimento dos princípios éticos. Para tal, ele deve avaliar a importância de quaisquer ameaças e aplicar salvaguardas que incluem solicitar permissão ao cliente de contatar o contador externo que forneceu a primeira opinião, descrevendo nas comunicações com o cliente as limitações de qualquer opinião, e fornecendo cópia da opinião ao contador externo que forneceu a primeira opinião. 6.3.4. Seção 240 – Honorários e outros tipos de remuneração A negociação de serviços profissionais entre o contador externo e o cliente, tem como premissa que um honorário é considerado adequado. Contudo não é propriamente antiético um contador cotar um honorário mais baixo que outro. É necessário compreender que pode haver ameaças ao cumprimento dos princípios éticos decorrentes do nível de honorários cotados, tais como, cobrar honorários baixos que possa ser difícil executar o trabalho de acordo com as normas profissionais e técnicas aplicáveis pelo referido preço. 39 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Com relação aos honorários algumas salvaguardas são recomendadas: Informar ao cliente sobre os termos do trabalho e, especificamente, sobre a base em que os honorários são cobrados e quais serviços são cobertos pelos honorários cotados; Definir o tempo apropriado e pessoal qualificado para a tarefa. 6.3.5. Seção 250 – Divulgação comercial de serviços profissionais O contador externo ao buscar novos serviços, deverá compreender as ameaças ao cumprimento dos princípios éticos ao utilizar propaganda e outras formas de marketing, objetivando neste sentido, promover seus serviços com verdade e honestidade, evitando: Fazer declarações exageradas sobre os serviços oferecidos, as qualificações que têm ou a experiência obtida; ou Fazer referências depreciativas ou comparações infundadas com o trabalho de outro profissional. Se o contador externo estiver em dúvida sobre se uma forma proposta de propaganda ou marketing é, ou não, apropriada, o contador externo deve consultar o Conselho Regional de Contabilidade, a que estiver jurisdicionado. 6.3.6. Seção 260 – Presentes e afins O cliente pode oferecer presentes e afins ao contador externo, ou a familiar imediato ou próximo, sendo que esta oferta pode criar ameaças ao cumprimento dos princípios éticos. Pode surgir ameaça de intimidação à objetividade como resultado da possibilidade de essas ofertas serem divulgadas. A existência e a importância de qualquer ameaça dependem da natureza, do valor e da intenção da oferta. Portanto, se insignificantes ou sem importância, o contador externo pode concluir que está sendo feita no curso normal, sem intenção específica de influenciar a tomada de decisões ou obter informações. Caso contrário, o contador deve negar qualquer oferta de presente. 6.3.7. Seção 270 – Custódia de ativos de clientes O contador externo não deve assumir a custódia de numerários ou outros ativos de clientes a menos que permitido por lei e, em caso positivo, deve estar acordo com as obrigações legais adicionais impostas ao profissional que detém esses ativos. 40 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Portanto, o contador externo, para quem é confiado dinheiro (ou outros ativos) que pertence a outros, deve: Manter esses ativos separadamente de ativos pessoais ou da firma; Usar esses ativos somente com a finalidade para a qual forem destinados; Estar pronto a qualquer tempo para prestar contas sobre esses ativos e sobre qualquer receita, dividendos ou ganhos gerados a quaisquer pessoas com direito a essa prestação de contas; e Cumprir todas as leis e os regulamentos relevantes para a detenção e contabilização desses ativos. 6.3.8. Seção 280 – Objetividade em todos os serviços O contador externo deve avaliar ao prestar qualquer serviço profissional se existem ameaças ao cumprimento do princípio ético de objetividade resultante de interesses em cliente ou seus conselheiros, diretores ou empregados, ou de relacionamentos com eles. Por exemplo, ameaça de familiaridade ao princípio de objetividade pode ser criada por relacionamento familiar ou pessoal ou comercial próximo. 41 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 7. NBC PG 300: CONTADORES EMPREGADOS (CONTADORES INTERNOS) Objetivo Compreender a NBC PG 300, norma que dá continuidade a NBC PG 100, e NBC 200, editada em 24 de janeiro de 2014, sendo compostas pelas Seções 300, 310, 320, 330, 340, 350 da Parte C do Código de Ética da International Federation of Accountants (IFAC). Introdução A NBC PG 300 abrange os contadores internos e se estende aos técnicos de contabilidade que possuem vínculo empregatício ou contratual com uma empresa. Descreve como a estrutura conceitual contida na NBC PG 100, e como está possui aplicabilidade em algumas situações vivenciadas por estes profissionais. Esta Norma não descreve todas as circunstâncias e relacionamentos que podem ser encontradas pelo contador interno que criam ou podem criar ameaças ao cumprimento dos princípios éticos.Portanto, o contador interno deve ficar atento a essas circunstâncias e relacionamentos. 7.1. Objetivo e abrangência A NBC PG 300, objetiva descrever como a estrutura conceitual contida na NBC PG 100 se aplica em situações que podem gerar riscos de cumprimento de princípios éticos, para contadores empregados ou contratados. Contador interno: é o contador empregado ou contratado na função executiva (elaboração da contabilidade da entidade) ou não executiva, em áreas como comércio, indústria, serviços, setor público, educação, setor sem fins lucrativos, órgãos reguladores ou órgãos profissionais, ou contador contratado por essas entidades. O contador interno tem a responsabilidade de apoiar os objetivos legítimos da organização que o contratou. Esta Norma não tem o intuito de impedir este profissional de cumprir adequadamente sua responsabilidade, mas trata de circunstâncias em que o cumprimento dos princípios éticos pode estar comprometido. 42 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Abrangência e Aplicabilidade da NBC PG 300: (i) Contador Interno; (ii) Técnicos em Contabilidade. 7.2. Ameaças e salvaguardas O cumprimento dos princípios éticos pode potencialmente ser ameaçado por ampla gama de circunstâncias e relacionamentos. As ameaças se enquadram em uma ou mais categorias, vejamos a seguir: a) Interesse próprio: ameaça no qual um interesse financeiro ou outro, influencie o profissional a comportar-se de forma não apropriada em seu julgamento; b) Autorrevisão: circunstância que cria ameaça para o contador interno ao definir um tratamento contábil apropriado para um negócio após conduzir o estudo de viabilidade que fundamentou a decisão, ou seja, que ele não avalie apropriadamente os resultados de julgamento dado ou serviço prestado anteriormente por ele; c) Defesa de interesse da organização empregadora: ameaça de que o profissional da contabilidade promoverá ou defenderá a posição da sua contratante ou empregadora de modo a comprometer a sua objetividade; d) Familiaridade: ameaça decorrente de relacionamento próximo do responsável pelos relatórios financeiros da organização com o empregador, de modo que o contador interno torne-se solidário aos interesses do particular ou não realize questionamento; e e) Intimidação: ameaça de que o contador interno seja dissuadido de agir de acordo com os princípios éticos em decorrência de pressões reais ou aparentes, tais como ameaça de demissão. Pesquise na WEB: Objetivando expandir o conhecimento, consulte na Biblioteca Virtual Pearson ou em sites acadêmicos, e realize uma pesquisa sobre “Exemplos de ameaças a contadores internos, seja ela de interesse próprio; de autorrevisão; de defesa do interesse da organização; de familiaridade ou de intimação”, procurando identificar sua influência com a vida profissional e acadêmica. 43 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância As salvaguardas são recomendadas para eliminar ameaças ou reduzi-las a um nível aceitável e se enquadram em duas categorias: Salvaguardas criadas pela profissão ou pela legislação; e Salvaguardas no ambiente de trabalho. 7.3. Seções A NBC PG 300 segue a estrutura da Parte C do Código de Ética da IFAC, iniciando com a Seção 300 – Introdução, já discorrida no capítulo anterior, dividindo-se nas demais seções: Seção 310 – Conflitos de interesse Seção 320 – Elaboração e comunicação de informações Seção 330 – Atuação com competência suficiente Seção 340 – Interesses financeiros, remuneração e incentivos associados aos relatórios financeiros e tomada de decisão Seção 350 – Induzimentos 7.3.1. Seção 310 – Conflitos de interesse O contador interno pode defrontar-se com conflito de interesse quando empreender uma atividade profissional, que cria uma ameaça à objetividade e a outros princípios éticos. Podem surgir quando o profissional realizar uma atividade profissional relacionada a uma questão em particular para duas ou mais partes cujos interesses a respeito daquela questão estão em conflito; ou os interesses do contador a respeito da questão em particular e os interesses da parte para quem o contador realiza atividades profissionais relacionadas à questão estão em conflito. O contador não deve permitir que um conflito de interesse comprometa seu julgamento profissional ou de negócio e quando identificar tais conflitos, deverá implementar salvaguardas, quando necessário, para eliminar ou reduzir qualquer ameaça ao cumprimento dos princípios éticos a um nível aceitável. O contador interno deve exercer seu julgamento profissional e estar alerta a todos os interesses e relacionamentos que um terceiro com experiência, conhecimento e bom senso, provavelmente concluiria, ponderando todos os fatos e circunstâncias específicas no momento, que poderia comprometer os princípios éticos. 44 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 7.3.2. Seção 320 – Elaboração e comunicação de informações Os contadores internos estão frequentemente envolvidos na elaboração e comunicação de informações que podem ser divulgadas ou usadas por outras pessoas dentro ou fora da organização empregadora. Essas informações podem incluir informações financeiras ou administrativas, por exemplo, previsões e orçamentos, demonstrações contábeis, discussão e análise da administração, e carta de representação da administração fornecida aos auditores durante a auditoria das demonstrações contábeis da entidade. Esta Norma aponta que o contador interno deve elaborar ou apresentar essas informações adequadamente, de maneira honesta e de acordo com as normas técnicas e profissionais de modo que as informações sejam entendidas em seu contexto. Portanto, a elaboração ou aprovação das demonstrações contábeis para fins gerais da organização empregadora deve ser apresentada de acordo com as normas de contabilidade aplicáveis. O contador interno deve tomar as providências adequadas para manter as informações pelas quais ele é responsável de forma que: a. Descrevam claramente a verdadeira natureza das transações comerciais, dos ativos ou dos passivos; b. Classifiquem e registrem as informações tempestiva e adequadamente; e c. Representem os fatos de maneira precisa e completa em todos os aspectos relevantes. Ameaças podem ocorrer ao cumprimento dos princípios éticos, por intimidação à integridade, objetividade ou competência profissional e devido zelo, são geradas quando o contador interno é pressionado (seja externamente ou pela possibilidade de ganho pessoal) a elaborar ou reportar informação de maneira enganosa ou associar-se a informações enganosas por meio de ações de outros. Neste contexto é importante que o contador interno esteja alerta ao princípio da integridade, que impõe uma obrigação a todos os contadores de serem diretos e honestos em todas as relações profissionais e de negócios. O contador interno pode ter sido associado às informações enganosas sem saber. Contudo, ao tomar conhecimento do fato, o contador interno deve tomar providências para desassociá-lo dessas informações. Ao avaliar se há exigência de comunicação das 45 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância circunstâncias fora da organização, o contador interno pode procurar assessoria jurídica. Além disso, o contador interno pode considerar a possibilidade de demitir-se. 7.3.3. Seção 330 – Atuação comcompetência suficiente O princípio ético de competência profissional e devido zelo requer que o contador interno somente assuma tarefas importantes para as quais o contador tem, ou pode obter, treinamento ou experiência específicos suficientes. Ele não deve enganar intencionalmente o contratante sobre o nível de especialização ou experiência que ele tem, nem deve deixar de buscar consultoria e assessoria de especialista quando necessário. Circunstâncias que criam ameaça ao contador interno que executa as tarefas com o nível apropriado de competência profissional e o devido zelo incluem: Tempo insuficiente para executar ou concluir adequadamente as tarefas pertinentes; Informações incompletas, restritas ou inadequadas para executar as tarefas adequadamente; Experiência, treinamento e/ou educação insuficientes; e Recursos inadequados para a devida execução das tarefas. A importância desta ameaça depende de fatores como até que ponto o contador interno está trabalhando com outras pessoas, a experiência relativa no negócio e o nível de supervisão/revisão aplicada ao trabalho. No caso de ameaças as salvaguardas incluem: Obter consultoria ou treinamento adicional; Assegurar que haja tempo adequado disponível para executar as tarefas pertinentes; Obter auxílio de alguém com a especialização necessária; e Consultar, sempre que apropriado: Superiores dentro da organização empregadora; Especialistas independentes; ou Órgão profissional competente. 46 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Quando as ameaças não puderem ser eliminadas ou reduzidas a um nível aceitável, o contador interno deve avaliar se deve recusar-se a executar as tarefas em questão. Se o contador interno avaliar que a recusa é apropriada, as devidas razões devem ser claramente informadas. 7.3.4. Seção 340 – Interesses financeiros, remuneração e incentivos associados aos relatórios financeiros e tomada de decisão Contadores internos podem ter interesses financeiros em acordos de remuneração ou incentivos, para ele, familiares imediatos ou próximos. Em determinadas circunstâncias, podem gerar ameaças ao cumprimento dos princípios éticos, como por exemplo, manipular informações privilegiadas em troca de ganhos financeiros. Quanto maior for o nível de conhecimento do contador interno, maior será a habilidade e a oportunidade de influenciar relatórios financeiros e, consequentemente, na tomada de decisão, e maior será a pressão que receberá de seus superiores e colegas para manipular informações. Em tais situações, o contador interno deve estar particularmente alerta ao princípio de integridade, que impõe uma obrigação a todos os contadores de serem diretos e honestos em todas as relações profissionais e de negócios. Em casos de ameaça as seguintes salvaguardas devem ser utilizadas: Políticas e procedimentos para o comitê independente da administração avaliar o nível ou a forma de remuneração da alta administração; Comunicação de todos os interesses pertinentes, e de quaisquer planos de exercício de direitos ou de negociar ações pertinentes para os responsáveis pela governança da organização empregadora, de acordo com quaisquer políticas internas; Consulta, quando adequada, com superiores dentro da organização empregadora; Consulta, quando apropriada, com os responsáveis pela governança da organização empregadora ou com órgãos profissionais pertinentes; Procedimentos de auditoria interna e externa; e Educação atualizada sobre assuntos de ética e sobre restrições legais e outros regulamentos sobre possível utilização de informações privilegiadas. 47 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 7.3.5. Seção 350 – Induzimentos O contador interno ou familiar imediato ou próximo pode receber oferta com o objetivo de induzimento. Os induzimentos podem assumir várias formas, incluindo presentes e afins, tratamento preferencial, e apelos impróprios à amizade ou à lealdade. Quando o profissional receber oferta com este objetivo, cria ameaças de interesse próprio à objetividade ou à confidencialidade e a situação deve ser avaliada e em caso positivo aplicar salvaguardas, com as seguintes medidas: a. Informar imediatamente aos superiores da administração ou os responsáveis pela governança da empregadora; b. Informar a terceiros sobre a oferta, como por exemplo, órgão profissional ou empregador da pessoa que fez a oferta; entretanto, o contador interno pode procurar assessoria jurídica antes de tomar essa providência; c. Avisar familiares imediatos ou próximos sobre ameaças e salvaguardas relevantes quando eles ocuparem cargos que, potencialmente, podem resultar em ofertas de incentivos; e d. Informar os níveis superiores da administração ou os responsáveis pela governança da organização empregadora quando familiares imediatos ou próximos forem contratados por concorrentes ou fornecedores em potencial dessa organização. O contador interno não deve oferecer induzimento para influenciar indevidamente o julgamento profissional de terceiro. Quando a pressão para que seja oferecido induzimento antiético vem de dentro da organização empregadora, o contador interno deve seguir os princípios e a orientação referentes à solução de conflitos éticos especificados na NBC PG 100. 48 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 8. NBC PG 12 – EDUCAÇÃO PROFISSIONAL CONTINUADA (EPC) Objetivo Compreender a NBC PG 12, que trata de Educação Profissional Continuada (EPC), que é a atividade formal e reconhecida pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), que visa manter, atualizar e expandir os conhecimentos e competências técnicas e profissionais, as habilidades multidisciplinares e a elevação do comportamento social, moral e ético dos profissionais da contabilidade como características indispensáveis à qualidade dos serviços prestados e ao pleno atendimento das normas que regem o exercício da profissão contábil. Introdução A NBC PG 12 tem por objetivo regulamentar o Programa de Educação Profissional Continuada (PEPC) para os profissionais da contabilidade; objetivando, também, definir as ações que o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e os Conselhos Regionais de Contabilidade (CRCs) devem desenvolver para viabilizar, controlar e fiscalizar o seu cumprimento, e relacionamentos que podem ser encontradas pelo contador interno que criam ou podem criar ameaças ao cumprimento dos princípios éticos. Portanto, o contador interno deve ficar atento a essas circunstâncias e relacionamentos. 8.1. Diretrizes Básicas O Programa de Educação Profissional Continuada tem como diretrizes básicas: Fomentar a EPC dos profissionais da contabilidade; Criar cadastros de qualificação técnica como forma de incentivar a Educação Profissional Continuada; Ampliar parcerias com entidades regulatórias e fiscalizatórias com o objetivo de apoio ao PEPC; Estabelecer uniformidade de critérios para a estrutura das atividades de qualificação profissional no âmbito do Sistema CFC/CRCs; Estabelecer que a capacitação pode ser executada pelo próprio Sistema CFC/CRCs, por entidades capacitadoras reconhecidas ou pelo próprio profissional em atividades previstas nesta Norma; Fomentar a ampliação do universo de capacitadoras credenciadas para possibilitar o atendimento das necessidades de eventos de educação continuada. 49 Ética Profissional e Contábil UniversidadeSanta Cecília - Educação a Distância Assista ao Vídeo “Programa de Educação Profissional Continuada - NBC PG 12 - com Uipiquer Gomes”. Disponível no Link abaixo: <https://www.youtube.com/watch?v=OBB51h8Ev54>. Acesso em: 23 abr. 2018. 8.2. Campo de aplicação e obrigações dos profissionais A EPC é obrigatória para todos os profissionais da contabilidade: a. Inscritos no Cadastro Nacional de Auditores Independentes (CNAI), exercendo, ou não, a atividade de auditoria independente; b. Registrados na CVM, inclusive sócios, exercendo, ou não, atividade de auditoria independente, responsáveis técnicos e demais profissionais que exerçam cargos de direção ou gerência técnica, nas firmas de auditoria registradas; c. Exercem atividades de auditoria independente nas instituições financeiras e nas demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil (BCB); d. Exercem atividades de auditoria independente nas sociedades seguradoras, resseguradoras, de capitalização e nas entidades abertas de previdência complementar reguladas pela Superintendência de Seguros Privados (Susep); e. Exercem atividades de auditoria independente de entidades não mencionadas nas alíneas (b), (c) e (d) como sócios, responsáveis técnicos ou em cargo de direção ou gerência técnica de firmas de auditoria; f. Sejam responsáveis técnicos pelas demonstrações contábeis, ou que exerçam funções de gerência/chefia na área contábil das empresas sujeitas à contratação de auditoria independente pela (CVM), pelo (BCB), pela (SUSEP) ou consideradas de grande porte nos termos da Lei n.º 11.638/07 (sociedades de grande porte). As disposições da Norma não se aplicam aos profissionais que compõem o quadro técnico da firma de auditoria que exercem função de especialista. Para fins desta Norma, entende-se como especialista o indivíduo ou empresa que detenha habilidades, 50 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância conhecimento e experiência em áreas específicas não relacionadas à contabilidade ou à auditoria das demonstrações contábeis, exceto os sócios da firma de auditoria. O auditor independente pessoa física e os sócios que representam as firmas de auditoria independente na CVM, nos termos do inciso IX do art. 6º da Instrução CVM n.º 308/99 alterada pela Instrução n.º 591/2017, podem responder, solidariamente pelo não cumprimento da NBC PG 12, pelos contadores que estejam registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Os profissionais referidos acima devem cumprir, no mínimo, 40 (quarenta) pontos de Educação Profissional Continuada por ano calendário, conforme Tabelas de Pontuação constante no Anexo II da Norma. No cumprimento da pontuação da Educação Profissional Continuada, o profissional deve observar a diversificação e a adequação das atividades ao seu nível de experiência e atuação profissional. Da pontuação anual acima exigida (40 pontos), no mínimo 20% (vinte por cento) deve ser cumprida com atividades de aquisição de conhecimento, constantes da Tabela I, do Anexo II. Os contadores referidos nas alíneas (a), (b), (c) e (d), aprovados em Exame de Qualificação Técnica específico, devem cumprir, dentro do total de pontos anuais, o mínimo exigido pelo órgão regulador respectivo. Os contadores constantes nas alíneas (a), (b), (c), (d) e (e), devem cumprir o exigido na Norma a partir do ano subsequente ao de início das suas atividades de auditoria ou da obtenção do seu registro no CNAI. Os profissionais da alínea (f), devem cumprir o exigido nesta Norma a partir do ano subsequente ao da investidura na função de gerência/chefia ou do ano subsequente ao que assumiram a responsabilidade técnica pelas demonstrações contábeis. Os profissionais sujeitos ao cumprimento da Norma que, por motivos comprovadamente justificados, estejam impedidos de exercer a profissão por período superior a 60 (sessenta) dias, devem cumprir a EPC proporcionalmente aos meses trabalhados no ano. São consideradas justificativas válidas para este fim: 51 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância a. Licença-maternidade; b. Enfermidades; c. Acidente de trabalho; d. Outras situações a critério da Comissão de Educação Profissional Continuada (CEPC-CFC). Para os devidos fins e comprovação das situações relacionadas nas alíneas (a), (b), (c) e (d) acima, os profissionais interessados devem apresentar ao CRC de sua jurisdição, até 31 de janeiro do exercício subsequente, todos os documentos de comprovação quanto ao eventual não cumprimento do programa de EPC, visando sua análise pela CEPC, para o acolhimento ou não das justificativas. 8.3. Comissão de Educação Profissional Continuada (CEPC-CFC) Integram a CEPC-CFC o vice-presidente de Desenvolvimento Profissional e Institucional do CFC, o diretor Nacional de Desenvolvimento Profissional do IBRACON, os contadores, vice-presidentes de Desenvolvimento Profissional dos cinco CRCs que reúnem o maior número de profissionais com registro ativo, os diretores de Desenvolvimento Profissional das cinco Seções Regionais do IBRACON que reúnem o maior número de profissionais associados ativos e 4 (quatro) membros contadores indicados pelo CFC, aprovados pelo Plenário do CFC, sob a coordenação do primeiro. Em caso de impedimento do vice-presidente de Desenvolvimento Profissional de CRC de participar das reuniões da Comissão, ele deve ser representado por contador, membro da CEPC-CRC ou conselheiro integrante da Câmara de Desenvolvimento Profissional do Regional. No caso de impedimento do Diretor Regional de Desenvolvimento Profissional do IBRACON, ele deve ser representado por outro diretor que compõe a respectiva Diretoria da mesma Seção Regional. O mandato dos membros da CEPC-CFC é de dois anos, permitida a recondução. Observe que é permitida “a” recondução e não “uma” recondução apenas. Logo, pode haver várias reconduções. A Comissão de Educação Profissional Continuada (CEPC-CFC), constituída pelo CFC, tem as atribuições especificadas abaixo: 52 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância a) Estabelecer o cronograma de reuniões do exercício, o qual pode ser alterado em decorrência de fatos supervenientes; b) Estudar, de forma permanente, novas disposições que permitam aprimorar o cumprimento dos objetivos da Norma, propondo-as à Presidência do CFC; c) Propor à Presidência do CFC a ampla e a imediata divulgação de qualquer modificação da Norma; d) Estabelecer e divulgar as diretrizes e procedimentos necessários para cumprimento e implementação da Norma pelos CRCs, pelos profissionais e pelas capacitadoras; e) Prestar esclarecimentos quanto à aplicação da Norma e deliberar sobre o atendimento à pontuação anual nos casos omissos; f) Homologar ou indeferir, total ou parcialmente, os processos encaminhados pelos CRCs no prazo de até 60 (sessenta) dias contados da data do protocolo no CFC; g) Compilar, anualmente, as informações de pontuação de cada um dos profissionais, recebidas dos CRCs, encaminhando-as à Presidência do CFC para comunicação à CVM, ao IBRACON, ao BCB e à Susep, até 30 de setembro de cada ano; h) Julgar recursos encaminhados pelos profissionais ou pelas capacitadoras relativos ao PEPC, cientificando o interessado sobre a decisão; i) Analisar e emitir opinião sobre os casos especiais ou omissos na Norma; j) Encaminhar aos CRCs relação dos profissionais que não cumpriram a pontuação mínima exigida, para fins de abertura deprocesso administrativo. 8.4. Conselhos Regionais de Contabilidade Os CRCs têm a responsabilidade de incentivar a implementação de atividades de capacitação que permitam o cumprimento da Norma e em caso em que não dispuserem de CEPC-CRC terão suas atribuições assumidas pela Câmara de Desenvolvimento Profissional. A CEPC-CRC ou, na falta desta, a Câmara de Desenvolvimento Profissional (CDP) do CRC tem as seguintes atribuições em relação a Norma: a) Receber os pedidos de credenciamento das instituições a serem reconhecidas como capacitadoras e emitir seu parecer, submetendo-o à 53 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância apreciação da CEPC-CFC depois de aprovado pela CDP e homologado pelo Plenário do CRC; b) Receber, analisar e emitir parecer, na reunião subsequente, quanto ao pedido de credenciamento de cursos, eventos ou outras atividades, bem como atribuir pontos para o PEPC, de acordo com o Anexo II, submetendo- o à apreciação da CEPC-CFC depois de aprovado pela CDP e homologado pelo Plenário do CRC; c) Divulgar aos profissionais sob sua jurisdição as disposições e os procedimentos estabelecidos na Norma; d) Prestar esclarecimentos quanto à aplicação da Norma, consoante as diretivas estabelecidas pela CEPC-CFC; e) Receber de cada um dos profissionais o relatório anual sobre as atividades realizadas, acompanhado de cópia da documentação que as comprovem, quando for o caso; f) Validar, no sistema de controle do PEPC, até o dia 28 de fevereiro do ano subsequente ao ano-base, as informações sobre as atividades de EPC das capacitadoras; g) Validar, no sistema de controle do PEPC, até 31 de março do ano subsequente ao ano-base, os dados constantes dos relatórios de atividades de que trata o Anexo III da Norma; h) Verificar, por meio da fiscalização do CRC, a efetiva realização dos cursos e dos eventos na forma em que foram homologados; i) Aplicar a sanção prevista no item 5, do Anexo I, na ocorrência das situações ali elencadas, assegurados à capacitadora o direito à ampla defesa e ao contraditório. Até 30 de abril de cada ano, o CRC deve disponibilizar na internet aos profissionais a certidão de cumprimento, ou não, da pontuação mínima estabelecida na presente Norma. A certidão a que se refere o item anterior não exime o profissional de prestar qualquer esclarecimento ou comprovação que se faça necessário em decorrência de ação fiscalizatória. 54 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 8.5. Capacitadoras Capacitadora é a entidade que promove atividades de Educação Profissional Continuada consoante as diretivas da Norma. São capacitadoras: a) Conselho Federal de Contabilidade (CFC); b) Conselhos Regionais de Contabilidade (CRCs); c) Fundação Brasileira de Contabilidade (FBC); d) Academia Brasileira de Ciências Contábeis (Abracicon); e) IBRACON – Instituto dos Auditores Independentes do Brasil; f) Instituições de Ensino Superior (IES), credenciadas pelo MEC; g) Instituições de Especialização ou Desenvolvimento Profissional que ofereçam cursos ao público em geral; h) Federações, Sindicatos e Associações da classe contábil; i) Firmas de Auditoria Independente; j) Organizações Contábeis; e k) Órgãos Reguladores. 8.6. Eventos de Educação Profissional Continuada Constituem-se eventos de EPC as atividades descritas nos itens seguintes, desde que aprovadas pela CEPC-CFC, nos termos da Norma. Aquisição de conhecimento nas modalidades presenciais, a distância e mistas, por meio de: a) Cursos credenciados; b) Eventos credenciados; c) Cursos de pós-graduação oferecidos por IES credenciadas pelo MEC: i. Stricto sensu; ii. Lato sensu; d) Cursos de extensão devidamente credenciados no PEPC. 55 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 9. DECRETO-LEI Nº 9.295/46 E ALTERAÇÕES. ESTRUTURA DAS NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE: RESOLUÇÃO CFC N.º 1.328/11 Objetivo Compreender o Decreto-Lei nº 9.295/46, que cria o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e os Conselhos Regionais de Contabilidade (CRC’s), definindo, também, as atribuições do Contador e do Guarda-livros, bem como, compreender a Estrutura das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC): Resolução CFC n.º 1.328/11, que tem por objetivo esclarecer a aplicação das NBC’s, definindo regras e procedimentos a serem aplicados em situações, transações ou atividades específicas, sem alterar a substância dessas normas. Introdução O Conselho Federal de Contabilidade é uma autarquia especial de caráter corporativo, criado pelo Decreto-Lei n.º 9295/46, que tem por finalidade, dentre outras, a de disciplinar e regular o exercício da profissão contábil por intermédio dos Conselhos Regionais de Contabilidade. Objetivando nortear o contador, no que tange o bom andamento de seus serviços, surge as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC), por meio da Resolução CFC n.º 1.328/11, que se constitui num conjunto de regras e procedimentos de conduta que devem ser observados como requisitos para o exercício da profissão contábil, bem como os conceitos doutrinários, princípios, estrutura técnica e procedimentos a serem aplicados na realização dos trabalhos previstos nas normas aprovadas por resolução emitidas pelo CFC. 9.1. DECRETO-LEI Nº 9.295, DE 27 DE MAIO DE 1946 CAPÍTULO I – DO CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE E DOS CONSELHOS REGIONAIS Art. 1º. Ficam criados o Conselho Federal de Contabilidade e os Conselhos Regionais de Contabilidade, de acordo com o que preceitua o presente Decreto-lei. Art. 2º. A fiscalização do exercício da profissão contábil, assim entendendo-se os profissionais habilitados como contadores e técnicos em contabilidade, será exercida pelo Conselho Federal de Contabilidade e pelos Conselhos Regionais de Contabilidade a que se refere o art. 1º. (Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010) 56 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Art. 3º. Terá sua sede no Distrito Federal o Conselho Federal de Contabilidade, ao qual ficam subordinado os Conselhos Regionais. Art. 4º. O Conselho Federal de Contabilidade será constituído de nove (9) membros brasileiros, com habilitação profissional legalmente adquirida, e obedecerá à seguinte composição: a. Um dos membros designado pelo Governo Federal e que será o presidente do Conselho; b. Os demais serão escolhidos em Assembleia que se realizará no Distrito Federal, na qual tomará, parte uma representação de cada associação profissional ou sindicato de classe composta de três membros, sendo dois contadores e um guarda-livros. Parágrafo único. A Constituição do Conselho Federal de Contabilidade obedecerá, em relação aos membros enumerados e na alínea b deste artigo a seguinte proporção: dois terços de contadores e um terço de guarda-livros. (Redação dada pela Lei nº 570, de 22.12.1964) Atualmente, o CFC é composto por 1 (um) membro efetivo de cada Conselho Regional de Contabilidade e respectivo suplente, eleitos na forma da legislação vigente. Na composição do CFC e dos CRCs, será observada a proporção de 2/3 (dois terços) de contadores e de 1/3 (um terço) de técnicos em contabilidade. Art. 5º. O mandato dos membros do Conselho Federal de Contabilidade durará três anos, salvo o do representante do Governo Federal. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 9.710, de 3.9.1946) Este artigo difere do praticado atualmente, pois,o mandado dos conselheiros do CFC é de 4 (quatro) anos com renovação a cada biênio, alternandamente, por 1/3 (um terço) e por 2/3 (dois terços). Parágrafo único. Um terço dos membros do Conselho Federal será renovado para o seguinte triênio Art. 6º. São atribuições do Conselho Federal de Contabilidade: a) Organizar o seu Regimento Interno; b) Aprovar os Regimentos Internos organizados pelos Conselhos Regionais modificando o que se tornar necessário, a fim de manter a respectiva unidade de ação; c) Tomar conhecimento de quaisquer dúvidas suscitadas nos Conselhos Regionais e dirimi-las; 57 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância d) Decidir, em última instância, recursos de penalidade imposta pelos Conselhos Regionais; e) Publicar o relatório anual de seus trabalhos, em que deverá figurar a relação de todos os profissionais registrados. f) Regular acerca dos princípios contábeis, do Exame de Suficiência, do cadastro de qualificação técnica e dos programas de educação continuada; e editar Normas Brasileiras de Contabilidade de natureza técnica e profissional. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Art. 7º. Ao Presidente compete, além da direção do Conselho suspensão de qualquer decisão que mesmo tome e lhe pareça inconveniente. Parágrafo único. O ato da suspensão vigorará até novo julgamento do caso, para o qual o Presidente convocará segunda reunião no prazo de quinze dias, a contar de seu ato, e se segundo julgamento o Conselho mantiver, por dois terços de seus membros, a decisão suspensa, esta entrará em vigor imediatamente. Art. 8º. Constitui renda do Conselho Federal de Contabilidade: g) 1/5 da renda bruta de cada Conselho Regional nela não se compeendendo doações, legados e subvenções; h) Doações e legados; i) Subvenções dos Governos. Art. 9º. Os Conselhos Regionais de Contabilidade serão organizados nos moldes do Conselho Federal, cabendo a este fixar- lhes o número de componentes, determinando a forma da eleição local para sua composição, inclusive do respectivo Presidente. Parágrafo único. O Conselho promoverá a instalação, nos Estados, nos Territórios e nos Municípios dos Órgãos julgados necessários, podendo estender-se a mais de um Estado a ação de qualquer deles. Art. 10º. São atribuições dos Conselhos Regionais: a) Expedir e registrar a carteira profissional prevista no artigo 17. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 9.710, de 3.9.1946) b) Examinar reclamações a representações escritas acerca dos serviços de registro e das infrações dos dispositivos legais vigentes, relativos ao exercício da profissão de contabilista, decidindo a respeito; c) Fiscalizar o exercício das profissões de contador e guarda- livros, impedindo e punindo as infrações, e bem assim, enviando às autoridades competentes minuciosos e documentados relatórios sobre fatos que apurarem, e cuja solução ou repressão não seja de sua aIçada; d) Publicar relatório anual de seus trabalhos e a relação dos profissionais registrados; e) Elaborar a proposta de seu regimento interno, submetendo-o à aprovação do Conselho Federal de Contabilidade; f) Representar ao Conselho Federal Contabilidade acerca de novas medidas necessárias, para regularidade do serviço e para fiscalização do exercício das profissões previstas na alínea "b", deste artigo; g) Admitir a colaboração das entidades de classe nos casos relativos à matéria das alíneas anteriores Art. 11º. A renda dos Conselhos Regionais será constituída do seguinte: a) 4/5 da taxa de expedição das carteiras profissionais estabelecidas no art. 17 e seu parágrafo único; b) 4/5 das multas aplicadas conforme alínea "b," do artigo anterior, 58 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância c) 4/5 da arrecadação da anuidade prevista no art. 21 e seus parágrafos. d) Doações e legados; e) Subvenções dos Governos. CAPÍTULO II – DO REGISTRO DA CARTEIRA PROFISSIONAL Art. 12º. Os profissionais a que se refere este Decreto-Lei somente poderão exercer a profissão após a regular conclusão do curso de Bacharelado em Ciências Contábeis, reconhecido pelo Ministério da Educação, aprovação em Exame de Suficiência e registro no Conselho Regional de Contabilidade a que estiverem sujeitos. (Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010) § 1º. O exercício da profissão, sem o registro a que alude este artigo, será considerado como infração do presente Decreto- lei. (Renumerado pela Lei nº 12.249, de 2010) § 2º. Os técnicos em contabilidade já registrados em Conselho Regional de Contabilidade e os que venham a fazê-lo até 1º. de junho de 2015 têm assegurado o seu direito ao exercício da profissão. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Art. 13º. Os profissionais punidos por inobservância do artigo anterior, e seu parágrafo único, não poderão obter o registro sem provar o pagamento das multas em que houverem incorrido. Art. 14º. Se o profissional, registrado em qualquer dos Conselhos Regionais de Contabilidade mudar de domicílio, fará visar, no Conselho Regional a que o novo local dos seus trabalhos estiver sujeito, a carteira profissional de que trata o art. 17 Considera-se que há mudança, desde que o profissional exerça qualquer das profissões, no novo domicílio, por prazo maior de noventa dias. Art. 15º. Os indivíduos, firmas, sociedades, associações, companhias e empresas em geral, e suas filiais que exerçam ou explorem, sob qualquer forma, serviços técnicos contábeis, ou a seu cargo tiverem alguma seção que a tal se destine, somente poderão executar os respectivos serviços, depois de provarem, perante os Conselhos de Contabilidade que os encarregados da parte técnica são exclusivamente profissionais habilitados e registrados na forma da lei. Parágrafo único. As substituições dos profissionais obrigam a nova, prova, por parte das entidades a que se refere este artigo. Art. 16º. O Conselho Federal organizará, anualmente, com as alterações havidas e em ordem alfabética, a relação completa dos registros, classificados conforme os títulos de habilitação e a fará publicar no Diário Oficial. Art. 17º. A todo profissional registrado de acordo com este Decreto-lei, será entregue uma carteira profissional, numerada, registrada e visada no Conselho Regional respectivo, a qual conterá: (Redação dada pelo Decreto Lei nº 9.710, de 3.9.1946) a) Seu nome por extenso; b) Sua filiação; c) Sua nacionalidade e naturalidade; d) A data do seu nascimento; 59 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância e) Denominação da escola em que se formou ou declaração de sua categoria de provisionado; f) A data em que foi diplomado ou provisionado, bem como, indicação do número do registro no órgão competente do Departamento Nacional de Educação; g) A natureza do título ou dos títulos de sua habilitação; h) O número do registro do Conselho Regional respectivo; i) Sua fotografia de frente e impressão dactiloscópica do polegar; j) Sua assinatura. Parágrafo único. A expedição da carteira fica sujeita à taxa de Cr$ 30,00 (trinta cruzeiros). Art. 18º. A carteira profissional substituirá, o diploma ou o título de provisionamento para os efeitos legais; servirá de carteira de identidade e terá fé pública. Art. 19º. As autoridades federais, estaduais e municipais, só receberão impostos relativos ao exercício da profissão de contabilista, mediante exibição da carteira a que se refere o art. 18º. Art. 20º. Todo aquele que, mediante anúncios, placas, cartões comerciais, ou outros meios, se propuser ao exercício da profissão de contabilista, em qualquer de seus ramos, fica sujeito àspenalidades aplicáveis ao exercício ilegal da profissão, se não estiver devidamente registrado. Parágrafo único. Para fins de fiscalização, ficam os profissionais obrigados a declarar, em todo e qualquer trabalho realizado e nos elementos previstos neste artigo, a sua categoria profissional de contador ou guarda-livros, bem como o número de seu registro no Conselho Regional. CAPÍTULO III – DA ANUIDADE DEVIDA AOS CONSELHOS REGIONAIS Art. 21º. Os profissionais registrados nos Conselhos Regionais de Contabilidade são obrigados ao pagamento da anuidade. (Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010) § 1º. O pagamento da anuidade será efetuado até 31 de março de cada ano, devendo, no primeiro ano de exercício da profissão, realizar-se por ocasião de ser expedida a carteira profissional. § 2º. As anuidades pagas após 31 de março serão acrescidas de multa, juros de mora e atualização monetária, nos termos da legislação vigente. (Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010) § 3º. Na fixação do valor das anuidades devidas ao Conselho Federal e aos Conselhos Regionais de Contabilidade, serão observados os seguintes limites: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I – R$ 380,00 (trezentos e oitenta reais), para pessoas físicas; (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) II – R$ 950,00 (novecentos e cinquenta reais), para pessoas jurídicas. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 4º. Os valores fixados no § 3º. deste artigo poderão ser corrigidos anualmente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA, calculado pela Fundação Instituto 60 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Art. 22º. Às empresas ou a quaisquer organizações que explorem ramo dos serviços contábeis é obrigatório o pagamento de anuidade ao Conselho Regional da respectiva jurisdição. (Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010) § 1º. A anuidade deverá ser paga até o dia 31 de março, aplicando-se, após essa data, a regra do § 2º. do art. 21. (Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010) § 2º. O pagamento da primeira anuidade deverá ser feito por ocasião da inscrição inicial no Conselho Regional. Art. 23º. O profissional ou a organização contábil que executarem serviços contábeis em mais de um Estado são obrigados a comunicar previamente ao Conselho Regional de Contabilidade no qual são registrados o local onde serão executados os serviços. (Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010) Art. 24º. Somente poderão ser admitidos à execução de serviços públicos contabilidade, inclusive à organização dos mesmos, por contrato particular, sob qualquer modalidade. O profissional ou pessoas jurídicas que provem quitação de suas anuidades de outras contribuições a que estejam sujeitos. CAPÍTULO IV – DAS ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS Art. 25º. São considerados trabalhos técnicos de contabilidade: a) Organização e execução de serviços de contabilidade em geral; b) Escrituração dos livros de contabilidade obrigatórios, bem como de todos os necessários no conjunto da organização contábil e levantamento dos respectivos balanços e demonstrações; c) Perícias judiciais ou extrajudiciais, revisão de balanços e de contas em geral, verificação de haveres revisão permanente ou periódica de escritas, regulações judiciais ou extrajudiciais de avarias grossas ou comuns, assistência aos Conselhos Fiscais das sociedades anônimas e quaisquer outras atribuições de natureza técnica conferidas por lei aos profissionais de contabilidade. Art. 26º. Salvo direitos adquiridos ex-vi do disposto no art. 2º do Decreto nº 21.033, de 8 de fevereiro de 1932, as atribuições definidas na alínea c do artigo anterior são privativas dos contadores diplomados. CAPÍTULO V – DAS PENALIDADES Art. 27º. As penalidades ético-disciplinares aplicáveis por infração ao exercício legal da profissão são as seguintes: (Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010) a) Multa de 1 (uma) a 10 (dez) vezes o valor da anuidade do exercício em curso aos infratores dos arts. 12 e 26 deste Decreto-Lei; (Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010) b) Multa de 1 (uma) a 10 (dez) vezes aos profissionais e de 2 (duas) a 20 (vinte) vezes o valor da anuidade do exercício em curso às empresas ou a quaisquer organizações contábeis, quando se tratar de infração dos arts. 15 e 20 e seus 61 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância respectivos parágrafos; (Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010) c) Multa de 1 (uma) a 5 (cinco) vezes o valor da anuidade do exercício em curso aos infratores de dispositivos não mencionados nas alíneas a e bou para os quais não haja indicação de penalidade especial; (Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010) d) Suspensão do exercício da profissão, pelo período de até 2 (dois) anos, aos profissionais que, dentro do âmbito de sua atuação e no que se referir à parte técnica, forem responsáveis por qualquer falsidade de documentos que assinarem e pelas irregularidades de escrituração praticadas no sentido de fraudar as rendas públicas; (Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010) e) Suspensão do exercício da profissão, pelo prazo de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, ao profissional com comprovada incapacidade técnica no desempenho de suas funções, a critério do Conselho Regional de Contabilidade a que estiver sujeito, facultada, porém, ao interessado a mais ampla defesa; (Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010) f) Cassação do exercício profissional quando comprovada incapacidade técnica de natureza grave, crime contra a ordem econômica e tributária, produção de falsa prova de qualquer dos requisitos para registro profissional e apropriação indevida de valores de clientes confiados a sua guarda, desde que homologada por 2/3 (dois terços) do Plenário do Tribunal Superior de Ética e Disciplina; (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) g) Advertência reservada, censura reservada e censura pública nos casos previstos no Código de Ética Profissional dos Contabilistas elaborado e aprovado pelos Conselhos Federal e Regionais de Contabilidade, conforme previsão do art. 10 do Decreto-Lei no 1.040, de 21 de outubro de 1969. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) O Capítulo V – Das Penalidades foi totalmente atualizado pela Lei nº 12.249/ 2010. Art. 28º. São considerados como exercendo ilegalmente a profissão e sujeitos à pena estabelecida na alínea a do artigo anterior: a) Os profissionais que desempenharem quaisquer das funções especificadas na alínea c, do artigo 25 sem possuírem, devidamente legalizado, o título a que se refere o artigo 26 deste Decreto-lei; b) Os profissionais que, embora legalmente habilitados, não fizerem, ou com referência a eles não for feita a comunicação exigida no artigo 15 e seu parágrafo único. Art. 29º. O profissional suspenso do exercício da profissão fica obrigado a depositar a carteira profissional ao Conselho Regional de Contabilidade que tiver aplicado a penalidade, até a expiração do prazo de suspensão, sob pena de apreensão desse documento. Art. 30º. A falta de pagamento de multa devidamente confirmada, importará, decorridos trinta (30) dias da notificação, em 62 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância suspensão, por noventa dias, do profissional ou da organização que nela, tiver incorrido. Art. 31º. As penalidades estabelecidas neste Capítulo não isentam de outras, em que os infratores hajam incorrido, por violação de outras leis. Art. 32º. Das multas impostas pelos Conselhos Regionais poderá, dentro do prazode sessenta dias, contados da notificação, ser interposto recurso, sem efeito suspensivo, para o Conselho Federal de Contabilidade. § 1º. Não se efetuando amigavelmente o pagamento das multas, serão estas cobradas pelo executivo fiscal, na forma da legislação vigente. § 2º. Os autos de infração, depois de julgados definitivamente, contra o infrator, constituem títulos de dívida líquida e certa para efeito de cobrança a que se refere o parágrafo anterior. § 3º. São solidariamente responsáveis pelo pagamento das multas os infratores e os indivíduos, firmas, sociedades, companhias, associações ou empresas a cujos serviços se achem. Art. 33º. As penas de suspensão do exercício serão impostas aos profissionais pelos Conselhos Regionais, recurso para o Conselho Federal Contabilidade. Art. 34º. As multas serão aplicadas no grau máximo quando os infratores já tiverem sido condenados, por sentença passada em julgado, em virtude da violação de dispositivos legais. Art. 35º. No caso de reincidência mesma infração, praticada dentro prazo de dois anos, a penalidade se elevada ao dobro da anterior. CAPÍTULO VI – DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 36º. Aos Conselhos Regionais de Contabilidade fica cometido o cargo de dirimir quaisquer dúvidas suscitadas acerca das atribuições de que trata o capítulo IV, com recurso suspensivo para o Conselho Federal Contabilidade, a quem compete decidir em última instância sobre a matéria. Art. 36-A. Os Conselhos Federal e Regionais de Contabilidade apresentarão anualmente a prestação de suas contas aos seus registrados. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Art. 37º. A exigência da carteira profissional de que trata o Capítulo II somente será efetiva a partir 180 dias, contados da instalação respectivo Conselho Regional. Art. 38º. Enquanto não houver associações profissionais ou sindicatos em alguma das regiões econômica que se refere a letra b, do art. 4º a designação dos respectivos representantes caberá ao Delegado Regional do Trabalho, ou ao Diretor do Departamento Nacional do Trabalho, conforme a jurisdição onde ocorrer a falta. Art. 39º. A renovação de um terço dos membros do Conselho Federal, a que elude o parágrafo único do art. 5º, far-se-á no primeiro Conselho mediante sorteio para os dois triênios subsequentes. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 9.710, de 3.9.1946) Art. 40º. O presente Decreto-lei entrará em vigor trinta (30) dias após sua publicação no Diário Oficial. 63 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Art. 41º. Revogam-se as disposições em contrário. 9.2. NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE (NBC) – RESOLUÇÃO CFC N.º 1.328/11 As Normas Brasileiras de Contabilidade editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) devem seguir os mesmos padrões de elaboração e estilo utilizados nas normas internacionais e compreendem as Normas propriamente ditas, as Interpretações Técnicas e os Comunicados Técnicos. As Normas Brasileiras de Contabilidade classificam-se em Profissionais e Técnicas. As Normas Brasileiras de Contabilidade, sejam elas Profissionais ou Técnicas, estabelecem preceitos de conduta profissional e padrões e procedimentos técnicos necessários para o adequado exercício profissional. ESTRUTURA As Normas Brasileiras de Contabilidade Profissionais se estruturam conforme segue: I. Geral - NBC PG - são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas indistintamente a todos os profissionais de Contabilidade; II. Do Auditor Independente - NBC PA - são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas, especificamente, aos contadores que atuam como auditores independentes; III. Do Auditor Interno - NBC PI - são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas especificamente aos contadores que atuam como auditores internos; IV. Do Perito - NBC PP - são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas especificamente aos contadores que atuam como peritos contábeis. A estrutura das Normas Brasileiras de Contabilidade foi definida através da Resolução CFC 1.328/2011. Normas Brasileiras de Contabilidade Profissionais As Normas Brasileiras de Contabilidade Profissionais se estruturam conforme segue: I. Geral - NBC PG - são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas indistintamente a todos os profissionais de Contabilidade; 64 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância II. Do Auditor Independente - NBC PA - são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas, especificamente, aos contadores que atuam como auditores independentes; III. Do Auditor Interno - NBC PI - são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas especificamente aos contadores que atuam como auditores internos; IV. Do Perito - NBC PP - são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas especificamente aos contadores que atuam como peritos contábeis. Normas Brasileiras de Contabilidade Técnica As Normas Brasileiras de Contabilidade Técnicas se estruturam conforme segue: I. Geral - NBC TG - são as Normas Brasileiras de Contabilidade convergentes com as normas internacionais emitidas pelo International Accounting Standards Board (Iasb); e as Normas Brasileiras de Contabilidade editadas por necessidades locais, sem equivalentes internacionais; As NBC TG são segregadas em: a) Normas completas que compreendem as normas editadas pelo CFC a partir dos documentos emitidos pelo CPC que estão convergentes com as normas do Iasb, numeradas de 00 a 999; b) Normas simplificadas para PMEs que compreendem a norma de PME editada pelo CFC a partir do documento emitido pelo Iasb, bem como as ITs e os CTs editados pelo CFC sobre o assunto, numerados de 1000 a 1999; c) Normas específicas que compreendem as ITs e os CTs editados pelo CFC sobre entidades, atividades e assuntos específicos, numerados de 2000 a 2999. II. Do Setor Público - NBC TSP - são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas ao Setor Público, convergentes com as Normas Internacionais de Contabilidade para o Setor Público, emitidas pela International Federation of Accountants (Ifac); e as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas ao Setor Público editadas por necessidades locais, sem equivalentes internacionais; 65 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância III. De Auditoria Independente de Informação Contábil Histórica - NBC TA - são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas à Auditoria convergentes com as Normas Internacionais de Auditoria Independente emitidas pela Ifac; IV. De Revisão de Informação Contábil Histórica - NBC TR - são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas à Revisão convergentes com as Normas Internacionais de Revisão emitidas pela Ifac; V. De Asseguração de Informação Não Histórica - NBC TO - são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas à Asseguração convergentes com as Normas Internacionais de Asseguração emitidas pela Ifac; VI. De Serviço Correlato - NBC TSC - são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas aos Serviços Correlatos convergentes com as Normas Internacionais para Serviços Correlatos emitidas pela IFAC; VII. De Auditoria Interna - NBC TI - são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicáveis aos trabalhos de Auditoria Interna; VIII. De Perícia - NBC TP - são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicáveis aos trabalhos de Perícia; IX. De Auditoria Governamental - NBC TAG - são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas à Auditoria Governamental convergentes com as Normas Internacionais de Auditoria Governamental emitidaspela Organização Internacional de Entidades Fiscalizadoras Superiores (Intosai). Interpretação Técnica e Comunicado Técnico A Interpretação Técnica tem por objetivo esclarecer a aplicação das Normas Brasileiras de Contabilidade, definindo regras e procedimentos a serem aplicados em situações, transações ou atividades específicas, sem alterar a substância dessas normas. O Comunicado Técnico tem por objetivo esclarecer assuntos de natureza contábil, com a definição de procedimentos a serem observados, considerando os interesses da profissão e as demandas da sociedade. INOBSERVÂNCIA A inobservância às Normas Brasileiras de Contabilidade constitui infração disciplinar sujeita às penalidades previstas nas alíneas de "c" a "g" do art. 27 do Decreto- 66 Ética Profissional e Contábil Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Lei nº 9.295/46, alterado pela Lei nº 12.249/10, e ao Código de Ética Profissional do Contador. BÁSICA: ANTUNES, M.T.P. Ética. São Paulo: Pearson, 2012. PEREIRA, S.L. A empresa ética em ambiente econômico. São Paulo: Quartier Latin, 2014. SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9.ed. Revista Ampliada. São Paulo: Atlas, 1996. COMPLEMENTAR: ALENCASTRO, M.S.C. Ética e meio ambiente: construindo bases para um futuro sustentável. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2015. (BV) BRASIL. Decreto-lei nº 9.295, de 27 de maio de 1946. Cria o Conselho Federal de Contabilidade, define as atribuições do Contador e do Guarda-livros, e dá outras providências. Brasília/DF. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del9295.htm>. Acesso em: 24 abr. 2018. BRASIL. Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010. Altera, dentre outras providências o Decreto-lei nº 9.295, de 27 de maio de 1946. Brasília/DF. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007- 2010/2010/Lei/L12249.htm#art76>. Acesso em: 24 abr. 2018. BRASIL. Lei N° 10.406 de 10 de janeiro de 2002. Código Civil Brasileiro. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/CCivil_03/Leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 24 abr. 2018. CAMARGO, Marculino. Fundamentos da Ética Geral e Profissional. Rio de Janeiro: Vozes, 2001. Conselho Federal de Contabilidade – CFC. Abordagens éticas para o profissional contábil. Brasília: CFC, 2003. 90 p. Disponível em: <http://portalcfc.org.br/wordpress/wp- content/uploads/2013/01/livro_abord_etica-pdf>. Acesso em: 10 de abr. 2018. CFC – NBC´s PG 100, 200 e 300 – NBC PG 100. Aplicação Geral aos Profissionais da Contabilidade NBC PG 200 – Contadores que Prestam Serviços (Contadores Externos) NBC PG 300 – Contadores Empregados (Contadores Internos) Portal CFC. Normas brasileiras de contabilidade. Disponível em: <http://www.portalcfc.org.br/coordenadorias/camara_tecnica/normas_brasi leiras_de_contabilidade/>. Acesso em: 01 de abr. 2018. CFC. Resolução CFC n.º 1.328/11. Dispõe sobre a Estrutura das Normas Brasileiras de Contabilidade. Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=2011/00132 8>. Acesso em: 24 abr. 2018. CHIAVENATO, Idalberto. Teoria Geral da Administração. 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