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O CONTADOR E A ÉTICA 
PROFISSIONAL 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Daiane Lolatto 
 
 
CONVERSA INICIAL 
Prezado estudante, seja bem-vindo. Nesta aula, estudaremos a nova 
Norma Brasileira de Contabilidade Profissional Geral, NBC PG 100 (R1), que 
dispõe sobre o cumprimento do código, dos princípios fundamentais e da 
estrutura conceitual. 
Esta norma foi publicada em 21 de novembro de 2019 e entrou em vigor 
em 1 de janeiro de 2020, assim como a NBC PG 200 (R1) e a NBC PG 300 (R1). 
Trata-se de uma revisão ao Código de Ética Profissional do Contador, 
fundamentado no Código Internacional de Ética para Contadores Profissionais, 
emitido pela Federação Internacional de Contadores (Ifac – International 
Federation of Accountants). 
A publicação das NBCs faz parte do processo de convergência aos 
padrões internacionais. A Federação Internacional de Contadores atribuiu os 
direitos de realizar a tradução, publicação e distribuição das normas 
internacionais ao Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e ao Instituto dos 
Auditores Independentes do Brasil (Ibracon). Assim, as normas foram 
convergidas de acordo com a realidade brasileira. 
O Código de Ética Internacional para Profissionais da Contabilidade da 
Ifac está dividido em cinco partes: 
NBC PG 100 (R1) – Cumprimento do Código, dos Princípios 
Fundamentais e da Estrutura Conceitual que é a Parte 1 e suas seções 
de 100 a 199, mais o Glossário; 
NBC PG 200 (R1) – Contadores Empregados (Contadores Internos) 
que é a Parte 2 e suas seções de 200 a 299, mais o Glossário; 
NBC PG 300 (R1) – Contadores que Prestam Serviços (Contadores 
Externos) que é a Parte 3 e suas seções de 300 a 399, mais o 
Glossário; 
NBC PA 400 – Independência para Trabalho de Auditoria e Revisão 
que é a Parte 4A e suas seções de 400 a 899, mais o Glossário; 
NBC PO 900 – Independência para Trabalho de Asseguração Diferente 
de Auditoria e Revisão que é a Parte 5B e suas seções de 900 a 999, 
mais o Glossário. (NBC PG 100 (R1)). 
Os princípios fundamentais e a estrutura conceitual serão detalhados na 
sequência. 
CONTEXTUALIZANDO 
Os princípios fundamentais de ética instituem o padrão de comportamento 
esperado do contador. Considere que determinada empresa entre em contato 
 
 
3 
com um profissional contábil que está no início da carreira. A empresa oferece 
cinco vezes mais para o contador omitir informações contábeis. O contador 
precisa angariar clientes para sobreviver no mercado. Assumir a contabilidade 
da empresa seria uma atitude ética? Que princípio contábil ético está relacionado 
a esta situação? 
Saiba mais 
BARBOZA, E. L.; ROA, M. M. Fluxo de informação no contexto contábil. Revista 
de Ciência da Informação e Documentação, v. 9, n. 2, 2018. Disponível em: 
<http://www.revistas.usp.br/incid/article/view/141456>. Acesso em: 16 abr. 2020. 
TEMA 1 – NBC PG 100 (R1): PRINCÍPIOS ÉTICOS 
A NBC PG 100 (R1) contempla os princípios fundamentais de ética e a 
estrutura conceitual aplicável a todos os profissionais da contabilidade. Os 
princípios éticos estabelecem padrões de comportamento, sendo eles: 
integridade, objetividade, competência profissional e zelo, confidencialidade e 
comportamento profissional, que serão tratadas com profundidade ao longo 
desta aula. 
A estrutura conceitual, segundo NBC PG 100 (R1), deve ser aplicada 
pelos profissionais da contabilidade para “identificar, avaliar e tratar as ameaças 
ao cumprimento dos princípios fundamentais”. Tais ameaças compreendem 
condutas do profissional que podem interferir no desenvolvimento de seu 
trabalho, por exemplo, quando o profissional aceita algum incentivo (presente) 
para manipular as informações contábeis, dentre outros tipos de ameaça que 
serão estudadas na sequência. 
A norma aborda os requisitos e o material de aplicação para que o 
profissional da contabilidade exerça o julgamento profissional. É com base no 
julgamento do profissional que a continuidade do trabalho poderá ser realizada 
ou não, como quando o profissional contábil tem competência e experiência 
suficientes para concluir o trabalho. 
Outro aspecto tratado na norma diz respeito ao profissional manter-se 
vigilante a novas informações e mudanças em fatos e circunstâncias e utilize o 
teste do terceiro informado e prudente. Neste sentido, pode haver o 
envolvimento de um terceiro no trabalho, a fim de verificar se a informação é 
consistente, sendo, então, uma atitude prudente do profissional. 
 
 
4 
1.1 Estrutura Conceitual 
As ameaças ao cumprimento dos princípios fundamentais decorrem das 
condições de trabalho do profissional da contabilidade. Neste sentido, a seção 
120 da NBC PG 100 (R1) descreve os requisitos e o material de aplicação e a 
estrutura conceitual para auxiliar o exercício da profissão. Assim, o profissional 
poderá identificar, avaliar e tratar as ameaças de maneira a eliminá-las ou reduzi-
las a um nível aceitável. 
O exercício do julgamento profissional é um requisito importante na 
execução do trabalho, pois envolve conhecimento, habilidade e experiência para 
saber se as decisões tomadas são apropriadas às circunstâncias. Para isso, a 
norma recomenda que o profissional considere os seguintes pontos: 
 Existe razão para se preocupar com informações faltantes nos fatos e 
circunstâncias conhecidos? Por exemplo, quando o profissional contábil 
está realizando uma análise da conta estoque da empresa e não dispõe 
de um relatório de entradas e saídas de mercadorias, a conclusão do 
trabalho poderá ser prejudicada, pois para apurar o saldo da conta é 
preciso conhecer as entradas e saídas de mercadorias e, então, calcular 
o montante final do estoque. Assim, o contador deve julgar se é viável 
continuar o trabalho mesmo com a falta de informações, ou seja, ele 
precisará estudar alternativas para não prejudicar a continuidade do 
trabalho ou finalizar o contrato com o seu cliente explicando os motivos. 
 Os fatos e circunstâncias possuem inconsistências? Isto é, o profissional 
contábil deve julgar se as informações fornecidas pela empresa são 
consistentes para que o trabalho seja concluído. Não havendo 
consistência, o contador precisa comunicar os responsáveis e avaliar a 
sua permanência com o cliente. É o caso de os documentos fiscais serem 
ocultados pelos gestores da empresa com intuito de manipular os 
relatórios contábeis. 
 O profissional contábil tem competência e experiência suficientes para 
concluir o trabalho? 
 Existe a necessidade de consultar um terceiro que tenha competência ou 
experiência relevante (teste do terceiro informado e prudente)? 
 As informações são suficientes para concluir o trabalho? 
 
 
5 
 A preconcepção ou o comportamento tendencioso do próprio profissional 
da contabilidade pode interferir no julgamento. Neste caso, por exemplo, 
quando o contador tiver qualquer tipo de relação próxima com a empresa, 
deve julgar sua permanência no trabalho, visto que o contato próximo do 
contador com a empresa pode induzi-lo a atender as exigências da 
empresa mesmo que sejam indevidas. 
 Existem outras conclusões plausíveis que poderiam ser obtidas com base 
nas informações disponíveis? 
Presume-se que as conclusões do julgamento profissional seriam as 
mesmas obtidas por um terceiro, denominada terceiro informado e prudente. 
Isso quer dizer que, quando o trabalho do profissional contábil for revisado por 
outro profissional competente, as conclusões serão as mesmas. Por exemplo, 
ao analisar a vida útil de um bem ao final do exercício social, o contador conclui 
que o bem gerará benefícios econômicos futuros por mais três anos. Essa 
mesma conclusão deve ser obtida por outro profissional contábil. 
Segundo a NBC PG 100 (R1), o terceiro informado e prudente “não 
precisa ser profissional da contabilidade, mas ter o conhecimento e a experiência 
pertinentes para entender e avaliar a adequação das conclusões do profissional 
da contabilidadede forma imparcial”. 
A norma evidencia, na fase de identificação das ameaças, as possíveis 
situações que poderiam ameaçar o cumprimento dos princípios fundamentais, 
como: interesse próprio, autorrevisão, defesa de interesse do cliente, 
familiaridade e intimidação. A seguir, algumas situações práticas de ameaça. 
a) Interesse próprio: manipulação do resultado para redução da tributação. 
b) Autorrevisão: o julgamento do profissional contábil é realizado sem 
qualquer revisão, por exemplo, o contador assina as demonstrações 
elaboradas por um terceiro. 
c) Defesa de interesse ao cliente: o profissional da contabilidade atua em 
defesa do cliente mesmo que a conduta da empresa seja incoerente com 
as normas fiscais ou contábeis. 
d) Familiaridade: por exemplo, quando a empresa solicita o 
superfaturamento de notas fiscais e o profissional contábil devido à 
familiaridade, ou seja, tanto em virtude de laços familiares quanto de 
proximidade amigável com a empresa, executa o serviço. 
 
 
6 
e) Intimidação: por exemplo, o profissional contábil aceita qualquer 
imposição da empresa em virtude de não receber seus honorários. 
Na fase de avaliação das ameaças, é necessário avaliar se a ameaça é 
aceitável ou não. Considera-se nível aceitável de ameaça quando o profissional 
usa o teste do terceiro informado e os resultados são os mesmos. Tanto os 
fatores quantitativos (por exemplo, montante financeiro de perdas possíveis) 
quanto qualitativos (por exemplo, perda do direito de exercer a atividade 
profissional) devem ser analisados. 
Por fim, a fase de tratamento das ameaças compreende o tratamento de 
ameaças que não estão em nível aceitável. Por exemplo, quando o gestor 
oferece um incentivo com o propósito de persuadir o contador a manipular as 
informações contábeis, o contador pode tratar esta ameaça não aceitando o 
incentivo. 
Conforme a NBC PG 100 (R1), R120.10, o profissional da contabilidade 
deve assim proceder, mediante: 
a) a eliminação das circunstâncias, incluindo interesses ou 
relacionamentos, que estão gerando as ameaças; 
b) a aplicação de salvaguardas, quando disponíveis e que possam ser 
aplicadas, para reduzir as ameaças a um nível aceitável; ou 
c) a recusa ou o término da atividade profissional específica. 
Todas essas análises e tratamentos apresentados até esse ponto da aula 
se devem ao fato de que o profissional contábil deve ser responsável pelas 
informações geradas, tanto para os usuários internos quanto externos. Nesse 
sentido, a postura profissional e as decisões devem ser baseadas em 
determinados princípios, que serão abordados nos próximos temas, ao longo 
dessa aula. 
Saiba mais 
BATISTA, S. Um olhar para a contabilidade, viés da essencialidade e da ética. 
CFC, 8 mar. 2019. Disponível em: <https://cfc.org.br/destaque/um-olhar-para-a-
contabilidade-vies-da-essencialidade-e-da-etica/>. Acesso em: 16 abr. 2020. 
TEMA 2 – NBC PG 100 (R1): INTEGRIDADE 
O princípio da integridade estabelece que o profissional da contabilidade 
deve ser direto e honesto em todas as relações profissionais e comerciais, o que 
implica em uma negociação justa e verdadeira (NBC PG 100 [R1]). 
 
 
7 
Para isso, o profissional contábil não deve estar vinculado, de maneira 
consciente, a qualquer informação que: 
 envolva informações substancialmente falsas ou enganosas. Neste caso, 
por exemplo, o contador não pode ser conivente com o registro contábil 
de fatos que não apresentam documentos comprovatórios; 
 envolva informações fornecidas de maneira superficial, como estimar as 
perdas com clientes sem analisar o histórico de perdas da empresa; ou 
 omita ou oculte informações essenciais que levariam a declarações 
enganosas. Por exemplo, o contador sabendo da possível 
descontinuidade da empresa, ludibria os usuários da informação com a 
ocultação de despesas ocorridas. 
Caso o profissional não tenha conhecimento de que a informação é falsa, 
enganosa, superficial ou que haja omissão de informações, ele não está violando 
o Código de Ética. Em contrapartida, se tiver conhecimento, deve tomar 
providências para se desvincular dessas informações. Caso o contador não tome 
as providencias necessárias, pode perder seu registro profissional ou prejudicar 
sua imagem no mercado. 
O ano de 2001 foi marcado por um dos maiores casos de fraude do mundo, 
o caso Enron, que nitidamente envolveu a inobservância de integridade por parte 
dos profissionais envolvidos. A empresa Enron Corporation, fundada em 1985, 
era uma empresa de energia, commodities e serviços dos EUA. Em 2001, foi 
descoberto que a empresa ocultava bilhões de dólares (US$) de dívidas 
incobráveis enquanto inflacionava os ganhos da empresa. Essa prática resultou 
na queda das ações de aproximadamente US$ 90 para menos de US$ 1 em um 
ano. Os investidores (acionistas) perderam mais de US $ 74 bilhões. Uma 
investigação da SEC (Securities and Exchange Commission) detectou que o 
CEO (Chief Executive Officer) da Enron, Jeff Skillings, e o ex-CEO da Ken Lay 
manipulavam as informações contábeis e pressionavam a empresa de auditoria, 
Arthur Andersen, a ignorar o fato. Houve a condenação dos envolvidos Jeff 
Skillings e Ken Lay e a empresa de auditoria foi dissolvida e a Enron foi a falência 
(Fenacon, 2017). 
Os casos envolvendo a falta de integridade do profissional contábil são 
inúmeros, como reconhecer perda estimada com crédito de liquidação duvidosa 
(PECLD) a menor, inflar o valor do estoque, desconsiderar possíveis 
 
 
8 
contingências, gerenciar o resultado utilizando taxas de depreciação que não 
correspondem à realidade, inserir registros falsos para manobrar os resultados, 
realizar lançamentos fora do sistema contábil de forma manual dentre outros. 
A ACFE – Association of Certified Fraud Examiners (2016, p. 11) 
desmembra a fraude nos negócios empresariais em superavaliação e 
subavaliação do lucro líquido e do patrimônio líquido. As práticas mais comuns 
abrangem a ocultação de passivos e despesas, reconhecimento de receitas 
fictícias e a divulgação de ativos inexistentes. 
O princípio ético da integridade tem forte relação com o exercício de 
julgamento profissional, pois a responsabilidade de analisar o registro de cada 
fato contábil é do contador. O profissional contábil, não tendo conhecimento 
suficiente sobre o assunto, pode consultar outros profissionais ou até mesmo se 
desvincular dessas informações caso sejam superficiais. 
2.1 Caso prático 
A Fortaleza S.A. é uma indústria que atua no ramo de produção de papel 
e celulose. Os troncos de madeira são a principal matéria-prima. Depois de os 
troncos serem cortados, eles passam por um descascador e picador e 
transformam-se em cavacos. Os cavacos são cozidos por um digestor com 
líquido, composto de água e agentes químicos, e o produto desse cozimento é 
a polpa. A polpa passa pelo processo de lavagem e centrifugação, e os resíduos 
são eliminados. 
Na sequência, a polpa fica em repouso para separar a celulose de outros 
resíduos, etapa denominada branqueamento. Ainda em estado aquoso, a polpa 
da celulose passa por uma mesa plana que transforma a polpa úmida em uma 
folha contínua e lisa sobre uma esteira rolante. Então, a folha passa pela 
prensagem, secagem e rebobinagem formando os rolos para corte, 
empacotamento e distribuição. 
O processo produtivo envolve questões ambientais que preocupam a 
administração da empresa. Assim, foram contratados serviços contábeis de um 
profissional com experiência em registros dessa natureza. O contador, ao 
acompanhar o processo produtivo da empresa, constatou que realmente os 
riscos ambientais eram altos e recomendou a administração que reconhecesse 
em seu passivo uma provisão para contingências ambientais. 
 
 
9 
Pergunta-se: o reconhecimento da provisão para contingências 
ambientais pressupõe o cumprimento do princípio da integridade? Qual é a 
relevância da provisão evidenciada?Conforme o princípio da integridade, o processo produtivo foi 
acompanhado pelo contador, que constatou o risco ambiental e que recomendou 
o registro da provisão de forma completa, verdadeira. Logo, o lançamento 
contábil foi realizado de forma íntegra. 
TEMA 3 – NBC PG 100 (R1): OBJETIVIDADE 
Conforme dispõe a NBC PG 100 (R1), o profissional da contabilidade não 
deve comprometer seu julgamento em razão de comportamento tendencioso, 
por conflito de interesses ou por influência de outros. Isto quer dizer que deve 
ser objetivo, por exemplo, antecipar o registro de uma venda para que a meta do 
período seja batida e ocorra o pagamento de remuneração variável. A norma, 
ainda, estabelece que o profissional não deve realizar uma atividade em que 
uma circunstância ou relação possa influenciar seu julgamento de maneira 
inapropriada, por exemplo, efetuar o pagamento de colaboradores a fim de 
motivá-los sem a devida escrituração para pagar menos encargos trabalhistas. 
Sendo assim, o contador deve escolher um método mais objetivo baseado 
em evidências e documentos para que a informação possa ser verificada. A 
verificabilidade está associada ao teste do terceiro informado e prudente descrito 
na NBC PG 100 (R1), em que especifica: “as mesmas conclusões seriam 
provavelmente obtidas por outra parte”. 
Ludícibus, Marion e Faria (2018, p.109) afirmam que, para não haver 
distorções nas informações contábeis, o contador deve escolher o procedimento 
mais objetivo para descrever o fato contábil, sendo este fundamentado em 
documentos. Segundo os autores, na falta de documento, 
[...] poder-se-ia convocar peritos em avaliação que, por meio de laudos, 
forneceriam um valor objetivo para o contador desenvolver, de maneira 
imparcial, a sua Contabilidade. É importante a impessoalidade 
(neutralidade) do contador (em relação aos usuários dos informes 
contábeis) que, quanto mais objetivo for, mais imparciais (não 
enviesados) serão aqueles informes. 
Na prática, este princípio requer um consenso profissional, pois as 
crenças e os valores podem provocar distorções no resultado. Por exemplo, para 
apurar o valor do estoque, é necessário utilizar o mesmo método de avaliação, 
 
 
10 
pois os resultados obtidos pelos métodos (inventário periódico e permanente) 
são distintos. 
3.1 Caso prático 
A empresa Bom Sucesso adquiriu uma máquina no valor de R$ 
100.000,00, cujo preço tabelado no mercado era de R$ 120.000,00. O contador 
registrou a máquina no valor de R$ 100.000,00 com base na documentação 
gerada na transação (nota fiscal). O princípio da objetividade prevê que o registro 
contábil deve ocorrer pelo valor de aquisição, mesmo que a máquina tenha valor 
de mercado de R$ 120.000,00. Portanto, a opinião do contador sobre o preço 
mais adequado para registro não é válida. O contador deve ser objetivo, 
imparcial, neutro na escrituração dos fatos. 
TEMA 4 – NBC PG 100 (R1): COMPETÊNCIA E ZELO PROFISSIONAIS 
Outro princípio norteador da profissão contábil, conforme NBC PG 100 
(R1), é o da competência profissional e devido zelo. A competência determina 
que o profissional contábil aperfeiçoe constantemente e conserve o 
conhecimento e a habilidade adquiridos a fim de garantir que o cliente ou a 
entidade empregadora obtenham um serviço apropriado, fundamentado em 
padrões técnicos e profissionais atuais e em conformidade com a legislação 
vigente. Neste caso, a incapacidade técnica e facilitação do exercício profissional 
aos não habilitados seriam infrações éticas, conforme exemplificado pelo 
Conselho Regional de Contabilidade de Santa Catarina (CRC SC). 
O profissional, inclusive, deve realizar o trabalho com zelo. A diligência na 
realização do serviço compreende a responsabilidade de atuar de maneira 
cuidadosa, árdua e oportuna. 
Segundo a norma, “atender aos clientes e às organizações empregadoras 
com competência profissional requer o exercício de julgamento sólido na 
aplicação do conhecimento profissional e habilidade na realização de 
atividades profissionais”. O aprendizado contínuo proporciona o 
desenvolvimento que o profissional precisa ter para exercer suas atividades e as 
habilidade exigidas pelo ambiente profissional. 
O CFC criou um programa de Educação Profissional Continuada (EPC) 
por meio da NBC PG 12 (R3), que objetiva atualizar e ampliar conhecimentos e 
 
 
11 
competências técnicas e profissionais, habilidades multidisciplinares e 
progressão do comportamento social, moral e ético dos profissionais da 
contabilidade. Profissionais da contabilidade que estejam inscritos no Cadastro 
Nacional de Auditores Independentes (CNAI), registrados na Comissão de 
Valores Mobiliários (CVM), exercem atividades de auditoria independente, sejam 
responsáveis técnicos pelas demonstrações contábeis e estejam inscritos no 
Cadastro Nacional de Peritos Contábeis (CNPC), de maneira geral, devem 
cumprir a pontuação exigida para cada categoria/habilitação. 
Além disso, o princípio estabelece que o profissional contábil que atribuir 
tarefas aos que estão trabalhando sob sua responsabilidade deve assegurar que 
estes receberão treinamento e supervisão adequada. E, quando oportuno, o 
profissional deve comunicar aos clientes, à entidade empregadora ou a outros 
usuários dos seus serviços, as restrições pertinentes às atividades (NBC PG 100 
(R1)). 
4.1 Caso prático 
Um profissional recém-formado em Ciências Contábeis e ainda não 
registrado no Conselho Regional de Contabilidade, em razão da reprovação no 
Exame de Suficiência, foi requisitado pelo seu primo, contador registrado no 
Conselho, para elaborar alguns demonstrativos contábeis. Seu primo o 
requisitou devido ao intenso volume de trabalho que estava atrasado. 
Logo, o recém-formado em Ciências Contábeis não recebeu qualquer 
orientação quanto à execução do trabalho, porém o realizou da melhor forma 
possível, atendendo ao conhecimento absorvido durante o curso. 
Ao concluir os demonstrativos, o contador, registrado no Conselho, 
assinou os documentos e repassou a informação aos seus clientes sem qualquer 
revisão. 
Pergunta-se: os profissionais cumpriram o princípio da competência e 
zelo? 
Ambos os profissionais não cumpriram com o princípio da competência e 
zelo. Apesar de o recém-formado ter realizado o trabalho da melhor forma 
possível, atendendo a todo o conhecimento absorvido no curso, ele não tem 
competência técnica, pois ainda não foi aprovado no Exame de Suficiência. Seu 
primo, contador, também não agiu de forma zelosa. Conforme dispõe a NBC PG 
100 (R1), o profissional que atribuir tarefas aos que estão trabalhando sob sua 
 
 
12 
reponsabilidade deve assegurar que estes receberão treinamento e supervisão 
adequada. 
TEMA 5 – NBC PG 100 (R1): SIGILO PROFISSIONAL E COMPORTAMENTO 
PROFISSIONAL 
Determinadas informações contábeis são extremamente valiosas para a 
empresa, não devendo ser reveladas à concorrência. Entretanto, existem 
informações que devem ser evidenciadas aos usuários conforme estabelecido 
nos normas contábeis. As informações sigilosas que não devem ser relevadas à 
concorrência são aquelas de aspecto gerencial, por exemplo, o gerenciamento 
dos custos para obtenção de melhores resultados, pois refere-se a uma 
estratégia de mercado. Desta forma, tem-se o princípio da confidencialidade. 
De acordo com a NBC PG 100 (R1), o profissional da contabilidade deve: 
a) atentar-se para a divulgação inapropriada da informação no ambiente 
social e, principalmente, a parceiros de negócio ou familiares próximos, 
por exemplo, o contador em posse da informação não deve repassar a 
estratégia da empresa em que atua a um familiar que pretende abrir um 
negócio similar; 
b) manter o sigilo das informações nos limites da empresa ou da organização 
empregadora; 
c) manter o sigilo das informações apresentadas por clientes ou organização 
empregadora em potencial; 
d) não divulgar informações confidenciaisfora da empresa ou da 
organização empregadora resultante de relações profissionais e 
comerciais sem a devida autorização específica, a não ser que a 
divulgação seja um direito ou dever legal do profissional da 
contabilidade; 
e) não fazer uso de informações confidenciais decorrentes de relações 
profissionais e comerciais para benefício próprio ou de terceiros, como foi 
o caso da empresa JBS S.A., grande empresa do setor alimentício e seus 
controladores, que fizeram uso de informações privilegiadas para obter 
vantagens ilícitas no mercado de valores mobiliários; 
 
 
13 
f) não fazer uso de informações confidenciais obtidas ou recebidas em 
razão da relação profissional ou comercial depois do término dessa 
relação; 
g) tomar medidas plausíveis para garantir que o pessoal, sob a supervisão 
do profissional contábil, e as pessoas que o assessoram e prestam 
assistência respeitem o dever de confidencialidade. Por exemplo, acesso 
ao banco de dados de cadastro de clientes. 
O fato de a divulgação de informações confidenciais ser um direito ou 
dever legal do profissional da contabilidade está relacionado à denúncia de 
irregularidades praticadas por clientes e empresas empregadoras. Isso ocorre 
quando o contador sabe que as informações são sigilosas, mas, em razão de 
serem informações fraudulentas, devem ser divulgadas às autoridades 
competentes. Por exemplo, o contador detecta que a empresa está 
superfaturando notas fiscais; é seu dever comunicar aos órgãos competentes, 
visto que há uma ameaça a sua profissão. 
A norma internacional Noclar (Responding to Non-Compliance with Laws 
and Regulations – Resposta ao Descumprimento de Leis e Regulamentos) 
entrou em vigor em 2017, em vários países, visando estabelecer procedimentos 
claros sobre atos ilícitos, como descobertas de fraudes ou descumprimento às 
normas. 
A NBC PG 100 (R1) regulamenta as circunstâncias nas quais os 
profissionais da contabilidade são ou podem ser requisitados a divulgar 
informações confidenciais ou nas quais essa divulgação pode ser adequada: 
a) a divulgação é exigida por lei, como, por exemplo: 
b) produção de documentos ou outra disponibilização de evidências no 
curso dos procedimentos legais; ou 
c) divulgação às autoridades públicas competentes de infrações da lei 
que são reveladas; 
d) A divulgação é permitida por lei e autorizada pelo cliente ou pela 
organização empregadora; e 
e) há o dever ou direito profissional de divulgação, quando não for 
proibido por lei, de: 
f) cumprir com a revisão de qualidade de órgão profissional; 
g) responder à indagação ou à investigação por órgão profissional ou 
regulador; 
h) proteger os interesses profissionais do profissional da contabilidade 
em procedimentos legais; ou 
i) cumprir com as normas técnicas e profissionais, incluindo as 
exigências éticas. 
As circunstâncias definidas para divulgação de informação confidencial, 
por exemplo, “divulgação às autoridades públicas competentes de infrações da 
 
 
14 
lei que são reveladas”, garantem que a sociedade não seja penalizada, pois este 
evento pode ser, por exemplo, resultado de sonegação fiscal, que impacta na 
destinação de recursos públicos, atitude antiética. 
Os fatores a serem considerados na divulgação das informações 
confidenciais, segundo a norma, são: 
 se o cliente ou a organização empregadora concordar com a divulgação 
das informações pelo profissional da contabilidade, o interesse de 
terceiros e demais partes poderiam ser afetadas; 
 considerando que todas as informações relevantes são conhecidas e 
comprovadas, os fatores que influenciam a decisão de divulgar 
informações sigilosas compreendem fatos não comprovados, 
informações incompletas e conclusões não certificadas; 
 a forma de comunicação pretendida e a quem ela é destinada; 
 os receptores da informação a quem a comunicação é dirigida são 
apropriados. 
O profissional deve cumprir o princípio da confidencialidade, de maneira 
que, mesmo que finalize o contrato com o cliente ou com a organização 
empregadora, as informações não podem ser divulgadas. As experiências 
adquiridas apenas estarão implícitas nos próximos trabalhos. 
5.1 Comportamento Profissional 
O profissional contábil deve se comportar de acordo com os princípios. As 
leis e os regulamentos pertinentes à profissão devem ser obedecidos e qualquer 
conduta que deprecie a profissão deve ser evitada. 
O código de conduta do profissional contábil determina que não deve 
haver envolvimento, de forma consciente, com negócio, ocupação ou atividade 
que cause prejuízo à integridade, à objetividade ou à boa imagem da profissão, 
visto que seria contrário aos princípios fundamentais. 
O marketing pessoal não deve desprestigiar a profissão, fazendo 
declarações falsas, exageradas e depreciando o trabalho de outros profissionais. 
O contador deve ser sempre correto e sincero. E, caso existam dúvidas, deve-
se consultar o órgão profissional competente. 
 
 
 
15 
5.2 Caso prático 
Determinado empresário decidiu cotar honorários contábeis antes de firmar 
contrato com um escritório de contabilidade. Em conversa com um dos 
escritórios, foram propostos honorários irrisórios comparados aos que o mercado 
costuma cobrar. 
O empresário, vislumbrado com a redução de custos contábeis, decidiu 
contratar o serviço do contador. O que não ficou claro na contratação foi que do 
contador não estava interessado no recebimento dos honorários, mas no 
conhecimento que adquiriria sobre o negócio do cliente. 
A informação obtida a respeito do negócio do empresário beneficiaria a 
toda a família do contador. Então, logo após o início da prestação dos serviços 
contábeis, a informação foi divulgada aos interessados. 
Pergunta-se: o profissional contábil cumpriu com o princípio da 
confidencialidade? 
O princípio não foi cumprido, pois, mesmo que os familiares fossem de 
confiança, a informação gerada é sigilosa e somente pode ser divulgada quando 
exigida por lei. 
TROCANDO IDEIAS 
O profissional da contabilidade não deve comprometer seu julgamento em 
virtude de comportamento tendencioso, por conflito de interesses ou por 
influência de outros, ou seja, deve ser objetivo. A objetividade no serviço contábil 
pode ser fundamentada apenas em acordos verbais? 
NA PRÁTICA 
Suponha que a empresa Fortes esteja em busca de um profissional 
contábil que a oriente na redução da carga tributária. Sem conhecer do assunto, 
a Fortes confiou todo o processo de planejamento tributário ao contador. O 
contador, por sua vez, recomendou manipular o resultado reconhecendo uma 
perda estimada para crédito de liquidação duvidosa a maior. 
A perda estimada para crédito de liquidação duvidosa é realizada com 
base nos últimos três anos, mas foi superavaliada para reduzir o resultado e 
recolher menos tributos. 
 
 
16 
Neste contexto, a atitude do contador foi correta?1 
FINALIZANDO 
O profissional da contabilidade deve cumprir os princípios éticos 
estabelecidos na NBC PG 100 (R1). O descumprimento desses princípios 
prejudica o exercício da profissão, tornando a informação falsa. 
Integridade, objetividade, competência e zelo profissional e 
confidencialidade da informação são atributos importantes na realização do 
trabalho do contador. É dever do contador conhecer as normas e aplicá-las de 
maneira adequada. 
Por fim, a educação continuidade é de suma importância para esta 
profissão, que está sempre acompanhado as mudanças socioeconômicas. 
 
 
 
1 A resposta esperada para essa seção pode ser encontrada ao final deste material, logo após 
as referências. 
 
 
17 
REFERÊNCIAS 
ACFE – Association of Certified Fraud Examiners. Report to the nations on 
occupational fraud and abuse: 2016 Global Fraud Study. Disponível em: 
<https://www.acfe.com/rttn2016/resources/downloads.aspx>. Acesso em: 16 
abr. 2020. 
BARBOZA, E.L.; ROA, M. M. Fluxo de informação no contexto contábil. Revista 
de Ciência da Informação e Documentação, v. 9, n. 2, 2018. Disponível em: 
<http://www.revistas.usp.br/incid/article/view/141456>. Acesso em: 16 abr. 2020. 
BATISTA, S. Um olhar para a contabilidade, viés da essencialidade e da ética. 
CFC, 8 mar. 2019. Disponível em: <https://cfc.org.br/destaque/um-olhar-para-a-
contabilidade-vies-da-essencialidade-e-da-etica/>. Acesso em: 16 abr. 2020. 
CFC – Conselho Federal de Contabilidade. NBC PG 12 (R3): Educação 
profissional continuada. Disponível em: <https://cfc.org.br/tecnica/normas-
brasileiras-de-contabilidade/nbc-pg-geral/>. Acesso em: 16 abr. 2020. 
_____. NBC PG 100 (R1): Cumprimento do Código, dos Princípios 
Fundamentais e da Estrutura Conceitual. Disponível em: 
<https://cfc.org.br/tecnica/normas-brasileiras-de-contabilidade/nbc-pg-geral/>. 
Acesso em: 16 abr. 2020. 
_____. NBC PG 200 (R1): Contadores Empregados (Contadores Internos). 
Disponível em: <https://cfc.org.br/tecnica/normas-brasileiras-de-
contabilidade/nbc-pg-geral/>. Acesso em: 16 abr. 2020. 
_____. NBC PG 300 (R1): Contadores que Prestam Serviços (Contadores 
Externos). Disponível em: <https://cfc.org.br/tecnica/normas-brasileiras-de-
contabilidade/nbc-pg-geral/>. Acesso em: 16 abr. 2020. 
CRCSC – Conselho Regional de Contabilidade de Santa Catarina. Ética 
Profissional. Disponível em: <http://www.crcsc.org.br/servico/view/5>. Acesso 
em: 16 abr. 2020. 
IUDÍCIBUS, S. de; MARION, J. C.; FARIA, A. C. de. Introdução à teoria da 
contabilidade: para graduação. 6. ed. [2. Reimpr.]. São Paulo: Atlas, 2018. 
OS 9 MAIORES escândalos contábeis do mundo. Fenacon, 23 out. 2017. 
Disponível em: <http://fenacon.org.br/noticias/os-9-maiores-escandalos-
contabeis-do-mundo-2609/>. Acesso em: 16 abr. 2020. 
 
 
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GABARITO 
Não, pois, de acordo com o princípio da integridade, o profissional contábil 
não deve estar vinculado, de forma consciente, a qualquer informação que ele 
suponha que: 
 envolva informações substancialmente falsa ou enganosa; 
 envolva informações fornecidas de maneira superficial; ou 
 omita ou oculte informações essenciais que levariam a declarações 
enganosas. 
 
	Conversa inicial
	Contextualizando
	Trocando ideias
	Na prática
	FINALIZANDO
	REFERÊNCIAS
	GABARITO

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