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A aplicação prática do 
código de ética na prestação 
de serviços contábeis
Leonard Rodrigues do Vale
Bacharel em Ciências Contábeis pela Univer-
sidade Estadual de Goiás (unidade de Morri-
nhos) e técnico administrativo na Universida-
de Estadual de Goiás. 
E-mail: leonard.do.vale@hotmail.ch 
Fábio Martins Ferreira
Professor no curso de Ciências Contábeis na 
UEG (unidade de Morrinhos), possui gradua-
ção em Ciências Contábeis pela Universidade 
Estadual de Goiás e especialização latu sensu 
em Controladoria, Auditoria e Finanças pela 
Universidade Iles Ulbra de Itumbiara (GO).
E-mail: fabiomartins@cemorrinhos.com.br 
Rodrigo Wiesner
Bacharel em Ciências Contábeis pela Univer-
sidade Estadual de Goiás (unidade de Morri-
nhos), tem experiência profissional nas áreas 
de Escrita Fiscal e Contábil; Gerenciamento de 
Estoques; Controle interno; Gerenciamento de 
Projetos; e Sustentabilidade Organizacional.
E-mail: rodrigowiesner@gmail.com 
Este artigo busca evidenciar o uso do Código de Ética Profissional do Contador (CEPC) durante o exercício prático da profissão, com ênfase na sua aplicação em todas as 
áreas de atuação, tanto nos departamentos públicos, nas instituições 
de ensino, ou como funcionários em empresas privadas, e não 
somente na prestação dos serviços puramente contábeis, realizadas 
pelos escritórios de contabilidade. O presente estudo teve por 
objetivo, demonstrar a necessidade de aplicação da ética profissional 
a todos os ramos de atuação, visto que isso não é evidenciado 
claramente no CEPC. O tema da ética, mesmo que já abordado na 
literatura, é pouco analisado em face aos profissionais que atuam 
fora da prestação de serviços em escritórios contábeis. Por isso, é 
necessário que ele seja contextualizado em face às demais formas 
de atuação do contador, como na docência e no setor público. Para 
o estudo, utilizou-se do método de análise documental de forma 
descritiva, qualitativa e dedutiva na aplicação do CEPC. Após a 
realização das pesquisas, juntamente com as experiências práticas 
vivenciadas por colegas, foi elaborado um quadro comparativo, com 
situações práticas e hipotéticas, para demonstrar a necessidade da 
aplicação da ética em todos os ramos de atuação do profissional da 
contabilidade. Por meio das pesquisas, identificou-se que o Código 
de Ética Profissional do Contador, em sua maioria, está direcionado 
ao trabalho legal realizado pelo profissional em escritórios que 
prestam os serviços puramente contábeis. Porém, a profissão 
possuiu outras diversas formas de atuação que também necessitam 
da ética para a resolução de conflitos. Não há como negar que 
os conflitos existem e que estão presentes em todas as formas de 
atuação do profissional da contabilidade, e são nessas situações, que 
o CEPC deve ser claro e conciso, para auxiliar a tomada de decisão 
do profissional, em face ao comportamento eticamente aceitável 
definido pela própria classe.
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RBC n.º 221
18 A aplicação prática do código de ética na prestação de serviços contábeis
RBC n.º 221
1. Introdução 
Podemos analisar que a Contabi-
lidade e a figura do contador passa-
ram a ser de suma importância para 
as empresas em geral e também 
para a sociedade, que usufrui de 
suas informações, como balanços e 
demonstrações, e dos serviços pres-
tados por eles. O principal papel do 
contador é atuar no mercado para 
apoiar o desenvolvimento econômi-
co por meio da prestação de seus 
serviços. Existem diversos ramos de 
atuação para o profissional que vão 
além da execução dos serviços pura-
mente contábeis e, em todos eles, a 
ética é essencial para garantir a qua-
lidade no trabalho exercido, seja nos 
departamentos públicos, nas insti-
tuições de ensino, como funcioná-
rio em empresas privadas, ou de for-
ma autônoma no mercado.
Como em outras profissões, a 
Contabilidade possui seu próprio có-
digo de ética, cujo objeti-
vo é definir a forma 
pela qual se de-
vem conduzir os 
profissionais da 
contabilidade 
no exercício da 
profissão. No 
exercício contá-
bil, uma ação 
não ética, em 
um primeiro 
momento, pode 
vir a agradar um 
cliente, o contador 
em si ou qualquer 
um que se beneficie dessa má con-
duta. Porém, em médio e em longo 
prazo, essa ação só contribuirá para 
denegrir a imagem da classe. Além 
disso, esse tipo de atitude, eticamen-
te reprovada, pode inclusive lesar de 
alguma forma outro ente participan-
te no processo, seja ele o governo, o 
cliente ou a própria sociedade.
Cabe ao contador o zelo, a de-
dicação, a integridade e a honesti-
dade no exercício de sua profissão, 
para findar com todos os comporta-
mentos inadequados e privar a clas-
se contábil de qualquer exposição 
que possa prejudicar sua imagem, 
cabendo ao profissional da contabi-
lidade a denúncia de qualquer ato 
lesivo contra a ética. Partindo des-
se ponto de vista, o Código de Ética 
propõe que o profissional da conta-
bilidade exerça corretamente a sua 
profissão, garantindo a idoneidade 
profissional; preservando o patri-
mônio de terceiros e a economia 
local; e garantindo nível de 
qualidade nos serviços 
oferecidos. 
A sociedade, em 
geral, costuma ca-
tegorizar uma clas-
se não pelos bons 
profissionais, mas, 
sim, pelos que não 
possuem tal con-
duta. Por isso, o 
presente estudo tem 
por objetivo demonstrar 
que o código de ética é 
aplicável às situ-
ações prá-
ticas que envolvem todas as diversas 
áreas da profissão e, não, somente à 
prestação dos serviços pelos escritó-
rios de contabilidade. Quando uma 
profissão consegue mostrar à socie-
dade o seu poder de contribuir de 
forma positiva, ela ganha o devido 
respeito e mérito pelo seu trabalho, 
e isso acontece com a contabilidade 
quando seus profissionais seguem o 
código de ética e respeitam as de-
mais normas vigentes.
2. A Ética na Sociedade
Desde os primórdios da huma-
nidade, podemos evidenciar a ne-
cessidade de se viver em sociedade, 
seja para a procriação da espécie ou 
para a sua sobrevivência. O indiví-
duo torna-se mais forte em um gru-
po; isso faz parte da necessidade 
em se relacionar com outras pesso-
as. Assim, com o agrupamento de 
uma determinada população, sur-
giram os grupos sociais. 
Em um grupo, cada indivíduo 
deve conciliar sua maneira de pen-
sar com os demais integrantes. É 
nesse ponto que surgem os confli-
tos de interesse pela divergência na 
identificação do que é visto como 
certo e errado. Por isso, foi neces-
sário criar regras para pacificar esse 
convívio e solucionar os problemas 
vinculados ao que é considerado 
aceito ou rejeitado no comporta-
mento do grupo. 
Podemos chamar de “mo-
ral” as opiniões individuais 
que cada pessoa desenvol-
veu, e que definem o que ela 
classifica como certo ou erra-
do em suas decisões. Os con-
ceitos morais formam a essên-
cia do indivíduo, sendo a base 
utilizada na escolha do grupo 
em que se deseja estar. Porém, 
em uma sociedade formada por 
vários grupos com interesses di-
ferentes, foi necessário iden-
tificar os aspectos aceitos a 
19REVISTA BRASILEIRA DE CONTABILIDADE
RBC n.º 221
toda população, visto que não é 
possível conciliar toda a moral in-
dividual e aplicá-la de forma abso-
luta. Segundo Santos (1959, apud 
ANTONOVZ, 2011, p.19), a Moral 
é a ciência descritiva dos costumes 
e está subordinada à Ética, que se 
trata da ciência normativa. Dessa 
forma, para que a moral aceita no 
grupo social seja de conhecimento 
de todos, foi necessário criar regis-
tros por meio de documentos escri-
tos, chamados de códigos de ética. 
“A ética é a ciência vinculada 
a julgamento de apreciação moral 
sobre juízos de valores amarrados 
à distinção entre o bem e o mal.” 
(VIERA, 2006, p. 11). Ela pode ser 
definida como a transcrição de for-
ma escrita da moral aceita no gru-
po. Nela encontram-se as solu-
ções para os conflitos de interesse, 
de acordo com o que foi definido 
como certo e errado. Sem uma ética 
definida, cada pessoa iria agir com 
base em suas convicções pessoais, 
sem analisar, o que issopode im-
plicar aos demais participantes da 
comunidade. 
A ética, como ciência, estuda os 
padrões comportamentais e suas 
transformações históricas para se-
rem utilizados como a base do en-
tendimento e análise da sociedade, 
em busca da redução e resolução 
dos conflitos. Mesmo que ela seja 
universal, ainda está diretamente li-
gada com o tempo e a história da 
sociedade, e pode adaptar-se às no-
vas perspectivas, como mudanças 
políticas, inovações tecnológicas e 
descobertas científicas, que altera-
ram aquilo que é considerado ético 
ou antiético, em um período relati-
vamente curto de tempo. 
Quando um valor transforma-
se em ética, sendo aceito e pratica-
do pela sociedade, origina-se uma 
lei que será aplicada a todos sem 
distinção. Nesse sentido, ela pode 
ser tanto de direito (a constituição 
e as leis do país), quanto uma teo-
ria aprovada (normas éticas). Não 
existe nenhuma lei que não tenha 
por base algum conceito ético. Para 
Robles (2005, p. 115), a complexi-
dade da sociedade atual e o plura-
lismo nela existentes permitem um 
único consenso: o político, estrutu-
rado mediante a linguagem do di-
reito. Nesse sentido, deve-se aceitar 
que a ética corresponde aos valores 
acordados na Constituição e nas de-
mais leis cabíveis. Ao contrário da 
ética, que age diretamente sobre 
determinados grupos, a lei atua so-
bre certa região geográfica e políti-
ca. Ao entrar na área de jurisdição, 
o indivíduo passa a ser obrigado a 
cumprir as leis, independentemente 
de concordar ou não, cabendo a ele 
a responsabilidade de conhecê-la e, 
ao infringi-la, é vedado alegar o seu 
desconhecimento. 
Dessa forma, a ética é criada 
por representantes do grupo (so-
cial, cultural, religioso, profissional, 
etc.) e é redigida por um conselho, 
cabendo a cada grupo a divulgação 
de suas normas. Já a lei, é divulgada 
após sua sanção (aprovação), sendo 
de responsabilidade do próprio in-
divíduo tomar sua ciência. Se com-
pararmos a lei com a ética, ambas 
não necessitam de aceitação pe-
los indivíduos, pois seu intuito é o 
bem comum, acima dos interesses 
pessoais, e quando se pratica ato 
contrário ao definido como corre-
to, eles são julgados pelo conselho 
e punidos de forma adequada, por 
meio de advertências, multas ou até 
mesmo expulsão. Da mesma forma, 
a lei também define as punições 
para seus infratores, seja por meio 
de multas, trabalho voluntário ou 
privação de algum direito.
2.1. O desenvolvimento de 
códigos de ética
Após a definição e aprovação 
das leis e normas éticas pelo conse-
lho de um grupo, elas são transcri-
tas e agrupadas em documentos, os 
códigos de ética. Marques (2013, p. 
79) define um código de ética como 
um acordo explícito entre um gru-
po social e que constitui a sua iden-
“Cabe ao contador o zelo, a dedicação, a integridade e a honestidade no exercício de sua profissão, para 
findar com todos os comportamentos inadequados 
e privar a classe contábil de qualquer exposição que 
possa prejudicar sua imagem...”
20 A aplicação prática do código de ética na prestação de serviços contábeis
RBC n.º 221
tidade. Podemos relacionar alguns 
grupos que desenvolvem códigos 
de ética, ou que possuem suas nor-
mas escritas em documentos, sen-
do: profissões em geral; marcas e 
franquias; empresas públicas e pri-
vadas; religiões; partidos políticos; 
ciência; governo; associações e co-
operativas, entre outros. 
Geralmente, é possível evidenciar 
a generalização de alguns conteúdos 
que são abordados na maioria dos 
códigos de ética, sendo eles: sele-
cionar os valores morais de conduta; 
definir a postura organizacional pe-
rante a sociedade; definir a conduta 
interna (funcionários) e externa (re-
lações com clientes, fornecedores e 
concorrentes); informar sobre aspec-
tos legislativos aplicáveis; delimitar 
as ações permitidas em marketing; 
esclarecer as regras de comunicação 
social e o relacionamento com a im-
prensa; esclarecer sobre o sigilo de 
informações; definir as punições e 
penalidades; esclarecer a missão, vi-
são e valores; enumerar os deveres e 
proibições; garantir a sustentabilida-
de (responsabilidade social, cultural 
e ambiental); delimitar as relações 
de hierarquia; e demais assuntos es-
pecíficos e inerentes.
A ética está presente em todas as 
nossas decisões, em nosso convívio 
social e familiar, na forma de agir e 
pensar, na definição do certo e erra-
do e nas atitudes cotidianas. Mesmo 
que ela não seja explícita, automati-
camente usamos nossa consciência 
moral para definir a melhor resolu-
ção para um problema. Sem sombra 
de dúvida, a definição e aplicação da 
ética, são primordiais para o conví-
vio em uma sociedade formada por 
grupos de pessoas com conceitos 
morais tão diferentes.
3. A Ética Profissional
O desenvolvimento de uma ética 
profissional partiu da necessidade 
de se fortalecerem as classes, sejam 
elas de médicos, contadores, advo-
gados, etc., como uma forma de de-
fender os seus interesses e garantir 
que sua imagem seja sempre posi-
tiva. A ética profissional visa auxiliar 
a resolução dos conflitos pertinen-
tes à profissão. Se pegarmos como 
exemplo a questão do sigilo, cada 
profissão possui seus limitadores 
para a divulgação de informações. 
O código de ética profissional é 
o instrumento que orienta as ações 
e demonstra a postura adequada no 
desempenho das funções, sendo um 
conjunto de normas a serem segui-
das pelos profissionais no exercício 
de seu trabalho. A grande maioria 
das profissões possuem conselhos 
formados por integrantes da pró-
pria classe, que são responsáveis 
pela criação das normas e estipu-
lam deveres e penalidades. 
Também existem comporta-
mentos embasados na ética geral 
da sociedade, que são aplicados a 
todas as áreas de trabalho. De acor-
do com Silva (2005, p. 21), pode-
mos enfatizar os mais importantes, 
sendo: a honestidade: agir sempre 
de acordo com a verdade; o sigilo: 
manter segredo de uma informa-
ção, cuja divulgação seja fechada 
e direta a um cliente, organização 
ou grupo, sobre o qual o profissio-
nal tem inteira responsabilidade; a 
competência: possuir as habilida-
des e os conhecimentos necessá-
rios para a realização das tarefas 
que lhe são encarregadas; prudên-
cia: ter cautela e sabedoria, para 
ser justo e agir da forma mais cor-
reta possível; humildade: saber ou-
vir, perguntar, reconhecer e apren-
der com os erros, manter-se no 
nível dos outros, sabendo que nin-
guém é melhor ou pior; e a impar-
cialidade: tratar todos igualmente, 
independente de cargos profissio-
nais ou classes sociais. O profissio-
nal deve saber separar a relação 
profissional da pessoal.
O dever de cada profissional é 
seguir os padrões éticos de sua clas-
se, além de cumprir os demais pa-
drões estabelecidos pela sociedade. 
Com a prática da ética, cada clas-
se profissional tem a oportunidade 
de se estabelecer como um grupo 
fundado em valores e demonstrar 
a sua importância para a sociedade. 
4. A Ética na Contabilidade
O papel do contador, além de 
indispensável, é a chave para o de-
senvolvimento da economia, uma 
vez que toda a sociedade necessita 
de informações que apenas a con-
tabilidade pode fornecer. A ética 
está diretamente ligada ao exercí-
cio da profissão contábil, visto que 
,em seu código, é afirmado o dever 
de “exercer a profissão com zelo, 
diligência e honestidade, observa-
da a legislação vigente e resguarda-
dos os interesses de seus clientes e/
ou empregadores, sem prejuízo da 
dignidade e independência profis-
sionais” (CFC, 2010). 
Para a perfeita execução da pro-
fissão, é fundamental ao contador 
possuir habilidades e conhecimen-
tos técnicos, uma satisfatória for-
mação ética e moral, conhecer e 
atualizar-se em face às alterações 
na legislação vigente e trabalhar 
com honestidade e independência. 
De acordo com Nascimento 
(2010, apud MEC, 2009, p. 79), no 
ano de 2002, existiam cerca de 700 
cursos reconhecidos em Ciências 
Contábeis no Brasil. Em 2009, o nú-
mero subiu para 1.138 e, em 2011, 
1.180. Esses dados nos evidenciamo crescimento da profissão contábil 
no mercado brasileiro. O estudo da 
ética é matéria fixa de todos os cur-
sos superiores em Ciências Contá-
21REVISTA BRASILEIRA DE CONTABILIDADE
RBC n.º 221
beis, e os docentes devem lecionar 
de forma consciente, pois estão for-
mando o conhecimento e o senso 
crítico de um colega que irá entrar 
no mercado de trabalho. O próprio 
código de ética exige que os pro-
fissionais, mesmo após a conclusão 
da graduação, devem aprimorar-se 
de forma continuada, principalmen-
te de acordo com a legislação e os 
procedimentos técnicos vigentes.
É importante enfatizar que a éti-
ca deve ser estudada, pois somente 
a preparação técnica não é suficien-
te. O contador deve ser capaz de 
defender os princípios e regras con-
tábeis em acordo com a ética e apli-
cá-los em seu cotidiano. Somente 
por meio do seu ensino poderemos 
manter um padrão de qualidade 
dos serviços prestados pelos futu-
ros profissionais. Segundo Guillon 
(1994, p. 149), ao se almejar um 
ensino de qualidade, é necessário 
que os docentes busquem enfoques 
inovadores, que seu currículo este-
ja sempre em evolução, que a ma-
téria lecionada, no caso a ética, não 
se torne defasada, que ele utilize de 
pesquisas e materiais de ensino, e 
até mesmo desenvolva um supor-
te para a integração desses novos 
formandos ao mercado de trabalho.
O Código de Ética Profissional do 
Contador é aplicável a todos os pro-
fissionais da contabilidade e a todas 
atividades relacionadas à área, sen-
do eles contadores, contabilistas, e 
auxiliares de contabilidade. O fato 
de não possuir formação acadêmi-
ca, não exclui os auxiliares de serem 
responsabilizados por faltas éticas.
Somente em 1996, após 50 anos 
da criação dos Conselhos Regionais 
de Contabilidade, mediante a Reso-
lução CFC n.º 803, foi instituído o 
Código de Ética Profissional do 
Contabilista (CEPC). Segundo 
Lisboa (1997, p. 130), o CEPC tem 
por objetivo habilitar o profissional e 
requer que este possua uma condu-
ta pessoal em acordo com os princí-
pios éticos adotados pela sociedade. 
Ele possui 15 artigos e é dividido nos 
seguintes capítulos: I - Do objetivo; 
II - Dos deveres e das proibições; III 
- Do valor dos serviços profissionais; 
IV - Dos deveres em relação aos cole-
gas e à classe; e V - Das penalidades.
Em 2010, houve algumas alte-
rações inseridas pela Resolução CFC 
n.º 1.307 para sua modernização e 
atualização. Uma delas foi a modifi-
cação da palavra “contabilista” para 
o uso da palavra “contador”, devi-
do à futura extinção dos profissio-
nais com formação apenas técnica. 
Outro ponto introduzido pela altera-
ção é o fato de que somente as nor-
mas e princípios editados pelo Con-
selho Federal de Contabilidade estão 
de acordo com a ética profissional. 
Isso estabelece certo controle profis-
sional para a classe, normatizando 
as técnicas éticas aceitáveis. 
Vieira (2006, p. 93-94) define 
os principais deveres e proibições 
da profissão contábil exigida pelo 
CEPC: agir com qualidade profissio-
nal, trabalhar com lealdade, manter 
um critério livre e imparcial, guar-
dar o segredo profissional e evitar 
tarefas que não atendam à moral.
Um dos casos mais comuns de 
desvio das regras do código de éti-
ca está relacionado à cobrança dos 
honorários, que é o pagamento 
pela prestação dos serviços con-
tábeis. Além dos serviços comuns 
como folha de pagamento, escri-
ta fiscal e contábil e apuração de 
tributos, o contador também pode 
oferecer consultorias, auditorias, 
elaboração de contratos e de de-
claração de imposto de renda. São 
esses serviços que agregam valor 
ao profissional no mercado, além 
de contribuir para o aumento de 
sua renda. Porém, alguns profis-
sionais, devido ao relacionamen-
to em longo prazo com clientes ou 
até por medo de os perderem, não 
cobram por esses serviços ou redu-
zem o seu valor. Isso gera, de cer-
ta forma, uma concorrência desleal 
no mercado além de desvalorizar a 
importância do trabalho realizado 
pela classe. 
Podemos destacar algumas hi-
póteses que influenciam o con-
tador a reduzir seus honorários, 
como: desconhecimento do código 
de ética; desconhecimento da com-
plexidade e das técnicas contábeis 
para então poder gerar o contrato 
de prestação de serviços; conside-
rar o fato de manter o cliente mais 
importante do que obedecer aos 
honorários regidos pela classe; ter 
um relacionamento profissional em 
longo prazo com o cliente; por sen-
tir-se pressionado pelo empregador 
ou cliente, pois ele pode encontrar 
outro profissional que realize o tra-
balho por um preço desleal, ou até 
mesmo que ofereça formas de bur-
lar o Fisco; se novo na profissão, 
para tentar angariar clientes; por 
necessidades financeiras, conside-
rando que, mesmo por fazer um va-
lor menor ainda terá algum ganho.
Por isso, no exercício da pro-
fissão, o contador deve buscar es-
tabelecer, antecipadamente, seus 
honorários e as demais cobranças 
adicionais pelos outros serviços 
prestados. Cabe a ele avaliar o va-
lor de seu trabalho em decorrência 
da complexidade, tempo gasto, e 
outros fatores, como a competitivi-
dade de mercado, desde que respei-
te a tabela mínima estabelecida pe-
los sindicatos contábeis regionais, 
para evitar a concorrência desleal 
no mercado.
No CEPC, os deveres do profis-
sional da contabilidade em relação 
aos seus colegas de classe estão ex-
plicitados do Art. 9° ao 11. Segundo 
eles, o contador deve agir sempre 
de acordo com as normas e visar 
não somente seu próprio cresci-
22 A aplicação prática do código de ética na prestação de serviços contábeis
RBC n.º 221
mento profissional, mas também o 
da classe em geral. Essa harmonia 
com seus colegas deve ser pautada 
no cumprimento dos postulados e 
normas definidas pelos conselhos, 
além do código de ética. 
Cabe ao contador nunca criticar 
um colega ou apropriar-se de traba-
lhos que não foram por ele executa-
dos ou colaborados, bem como não 
se deve aceitar cargos que possam 
prejudicar a classe. Até em casos 
em que ele seja substituído, não se 
deve criar desentendimentos, pois 
isso prejudicará tanto o colega e o 
cliente quanto a sua imagem peran-
te a sociedade.
Já em relação aos seus deveres, 
o contador deve buscar cooperar 
com a classe, seja com trabalhos 
ou até mesmo ideias que possam 
servir de apoio para projetos de 
melhoria. E na execução de traba-
lhos, deve sempre estabelecer seus 
honorários com base nos critérios 
estabelecidos pelo conselho, para 
que não haja concorrência desle-
al com os demais profissionais. 
Lembrando também que nunca se 
deve aceitar altos cargos que pos-
sa manchar a reputação da profis-
são da contabilidade visando ape-
nas ao benefício próprio.
As penalidades do Código de 
Ética estão compreendidas do Art. 
12 ao 14. Neles são descritas as pe-
nalidades cabíveis de acordo a gra-
vidade, que serão julgadas primei-
ramente pelos Conselhos Regionais 
e, em casos de recursos, o Conselho 
Federal irá agir como Tribunal Supe-
rior para analisar os fatos. As pena-
lidades do CEPC podem ser dividi-
das em três, sendo elas: 
•	 advertência reservada – O con-
selho entra em contato com o 
infrator e aplica uma advertên-
cia. Como o nome diz, não há 
divulgação da falta ética;
•	 censura reservada – Nesse 
caso, o próprio conselho, por 
meio de um representante, co-
munica pessoalmente o profis-
sional sobre sua infração e o 
censura de forma reservada. Di-
ferentemente da advertência re-
servada, nesse caso há contato 
pessoal entre o conselho e o in-
frator, porém de forma sigilosa;
•	 censura pública – Essa é a mais 
alta punição ética, sendo aplicá-
vel em casos graves. Nesses ca-
sos, a punição tem caráter pú-
blico para o conhecimento de 
toda a classe.
Além delas, existem as penalida-
des ético-disciplinares aplicáveis por 
infração ao exercício legal da profis-
são, estipulados pela Lei n.º 12.249 
de 2010, sendo elas:
•	 Multas – Cobradas de acordo 
com o valor da anuidade do 
exercício em curso e podem va-
riar entre 1 (uma) a 10 (dez) ve-
zes paraos profissionais e de 2 
(duas) a 20 (vinte) vezes para as 
empresas, de acordo com a in-
fração.
•	 Suspensão do exercício da 
profissão – Aplicada pelo pe-
ríodo de até 2 (dois) anos aos 
profissionais que, dentro do âm-
bito de sua atuação e no que se 
referir à parte técnica, forem 
responsáveis por qualquer falsi-
dade de documentos que assi-
narem e pelas irregularidades de 
escrituração praticadas no sen-
tido de fraudar as rendas públi-
cas; 
•	 Suspensão do exercício da 
profissão – Aplicada pelo prazo 
de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, 
ao profissional com comprova-
da incapacidade técnica no de-
sempenho de suas funções, a 
critério do Conselho Regional 
de Contabilidade, a que estiver 
sujeito, facultada, porém, ao in-
teressado a mais ampla defesa;
•	 Cassação do exercício profis-
sional - Quando comprovada 
incapacidade técnica de nature-
za grave, crime contra a ordem 
econômica e tributária, produ-
ção de falsa prova de qualquer 
“Podemos chamar de “moral” as opiniões individuais que cada pessoa desenvolveu, e que 
definem o que ela classifica como certo ou errado 
em suas decisões. Os conceitos morais formam a 
essência do indivíduo, sendo a base utilizada na 
escolha do grupo em que se deseja estar.”
23REVISTA BRASILEIRA DE CONTABILIDADE
RBC n.º 221
dos requisitos para registro pro-
fissional e apropriação indevida 
de valores de clientes confiados 
a sua guarda, desde que homo-
logada por 2/3 (dois terços) do 
Plenário do Tribunal Superior de 
Ética e Disciplina.
Na contabilidade, assim como 
nas demais profissões, mesmo com 
a vigência do código de ética, é ne-
cessário que haja uma fiscalização 
para garantir o seu cumprimento. 
Ela é exercida principalmente pe-
los CRCs e também pelo CFC, como 
dita o Art. 2°, do Decreto-Lei n.º 
9.295/1946, pois cabe a eles desen-
volverem as ações necessárias que 
impeçam essas infrações e que, 
quando cometidas, sejam devida-
mente punidas.
A fiscalização busca garantir a 
continuidade dos bons profissio-
nais e o impedimento de atuação 
de profissionais despreparados. Ela 
também é realizada por meio da 
apuração de denúncias feitas por 
outros contadores ou pela socie-
dade. Nas verificações, são utili-
zadas as informações fornecidas 
pelo profissional investigado, as 
demonstrações contábeis, contra-
tos de prestação de serviços, De-
cores, auditorias, perícias e outros 
documentos por ele emitidos. Caso 
comprovem-se faltas éticas, ou até 
ilícitas, o contador estará sujeito a 
todas as penalidades cabíveis, que 
podem ser desde uma advertência 
reservada, até a cassação de seu re-
gistro profissional.
5. Aspectos Práticos na 
Aplicação do Código de Ética 
na Prestação de Serviços 
Contábeis
A contabilidade é uma das prin-
cipais profissões existentes na eco-
nomia do País e está presente em 
qualquer ramo de atuação, pois 
não há nenhuma empresa, gover-
no ou curso superior na área sem 
um contador. Além disso, os diver-
sos usuários, como o Fisco, acio-
nistas, investidores, instituições fi-
nanceiras e outros, necessitam das 
informações que só a contabilidade 
pode oferecer. Nesse contexto, não 
há como desvincular a contabilida-
de do ramo de serviços. O trabalho 
do contador é intangível, ou seja, 
não pode ser comercializado como 
um produto, pois não possui me-
dida, não é palpável, porém, o seu 
trabalho possui valor mensurável. 
Indiscutivelmente, o curso de Ci-
ências Contábeis prepara executivos 
para as diversas áreas empresariais, 
inclusive fora do ramo da contabi-
lidade. Sua formação possibilita o 
entendimento nos ramos de Admi-
nistração, Economia, Ciências So-
ciais, Negócios, Consultoria, Merca-
dos de Capitais, Recursos Humanos 
e a própria doutrina contábil.
É muito comum identificar-
mos os escritórios de contabilidade 
como a principal área de atuação, 
porém o profissional possuiu diver-
sas outras opções. Bezerra (2013) 
estabelece as quatro áreas de atua-
ção para os contadores e exemplifi-
ca as possibilidades de especializa-
ção do profissional:
•	 empresas privadas: contador 
geral; controller; contador de 
custos; cargos administrativos; 
analista financeiro; auditor in-
terno; e gerente de impostos.
•	 Em órgãos públicos: contador 
público; tribunal de contas; pe-
rícia de fraudes; auditor público; 
contador militar; agente ou au-
ditor fiscal; controlador de arre-
cadação; contador do Ministério 
Público da União; fiscal do Mi-
nistério do Trabalho; analista do 
Banco Central; inspetor da Comis-
são de Valores Imobiliários; audi-
tor-fiscal do Tesouro Nacional; 
analista de finanças e controle.
•	 Profissional autônomo: con-
tador em escritórios de presta-
ção de serviços; consultor fis-
cal, trabalhista, previdenciário, 
de processamento de dados, 
marketing entre outros; auditor 
independente; e perito contábil.
•	 Profissional acadêmico: pro-
fessor; pesquisador; escritor; pa-
lestrante; e parecerista.
É evidente que não há limites 
na atuação profissional do conta-
dor, devido aos diversos ramos que 
podem ser escolhidos, inclusive 
fora da sua formação. Ele é funda-
mental para o desenvolvimento da 
economia nacional, visto que pos-
sui habilidades pragmáticas e teó-
ricas nos diversos assuntos relacio-
nados ao mercado de trabalho e à 
economia em geral. 
A contabilidade tem por fun-
ção a prestação de serviços, for-
necer informações acerca do pa-
trimônio das empresas, pessoas 
físicas e jurídicas e auxiliar duran-
te as tomadas de decisões, visan-
do à proteção do patrimônio. Não 
há garantias do resultado alcança-
do após a execução de um serviço, 
pois existem diversas variáveis que 
podem alterar e influenciar a sua 
conclusão. Assim, chegamos ao 
ponto primordial na prestação de 
serviços contábeis. Antes de efetu-
ar qualquer atividade profissional, 
cabe ao contador estabelecer um 
contrato de prestação de serviço, 
no qual constam os honorários, 
prazos e deveres do contratante e 
do contratado. 
Desde 2003, a Resolução CFC 
n.º 987 regulamenta a obrigato-
riedade do contrato de prestação 
de serviços contábeis, e, em 2013, 
a Resolução CFC n.º 1.457 alterou 
a sua redação. De acordo com a 
norma, o contrato de prestação 
de serviços deverá conter, no mí-
nimo, os seguintes dados: identi-
ficação das partes contratantes; 
relação dos serviços a serem pres-
tados; duração do contrato; cláu-
sula rescisória com a fixação de 
24 A aplicação prática do código de ética na prestação de serviços contábeis
RBC n.º 221
prazo para a assistência, após a 
renúncia do contrato; honorários 
profissionais; prazo para seu paga-
mento; responsabilidade das par-
tes; foro para dirimir os conflitos; e 
obrigatoriedade do fornecimento 
da Carta de Responsabilidade da 
Administração1. 
Portanto, a finalidade do con-
trato é estabelecer as regras e a res-
ponsabilidade de cada parte envol-
vida e serve, inclusive, como prova 
de seu descumprimento. De modo 
geral, a responsabilidade do conta-
dor se divide em 3 partes:
•	 responsabilidade ética – São ex-
pressas no CEPC e definem o 
comportamento ético e moral a 
serem aplicados no exercício da 
profissão;
•	 responsabilidade civil – É descri-
ta no Código Civil e trata sobre 
o direto nas relações da vida pri-
vada;
•	 responsabilidade penal – É des-
crita no Código Penal, que defi-
ne os crimes e penas, de acordo 
com as leis existentes. 
Em cada nível de responsa-
bilidade do contador, são defi-
nidas as infrações envolvidas na 
execução dos serviços e penali-
dades aplicáveis. Quando a infra-
ção é apenas ética, geralmente só 
é descumprida alguma norma ou 
critério estabelecido pela classe. 
Quando a infração é ética e civil, 
além de ser violada uma norma 
do CEPC, também há a prejudi-
cação de um ente na relação. Já 
uma punição ética, civil e penal 
ocorre quando há uma infração 
passível de punição nos três ní-
veis de responsabilidade. Essa é 
a forma mais grave de se punir o 
contador. 
Segundo a Lei de Introdução às 
Normas do Direito Brasileiro, seu 
Art. 3° diz: “Ninguém se escusa de 
cumprir a lei, alegandoque não 
a conhece” (BRASIL, 1942). Dessa 
forma, ao realizar um ato contrá-
rio à lei, o profissional assume sua 
total responsabilidade pelo traba-
lho, principalmente os profissio-
nais da contabilidade que efetiva-
mente assinam as peças contábeis 
produzidas. Isso mostra a gravida-
de de se realizar qualquer traba-
lho sem o devido conhecimento, 
inclusive ao emitir alguma opinião 
sobre determinado assunto sem o 
dominar, que pode acarretar vá-
rios problemas tanto para o pró-
prio profissional, quanto para o 
cliente, para a sociedade e toda a 
classe contábil.
Outro ponto a ser analisado 
é a questão do trabalho contábil 
realizado por auxiliares, que mes-
mo sem a formação na área de-
vem respeitar as normas e os pre-
ceitos contábeis. Nesse caso, cabe 
ao contador, responsável pelo ser-
viço, auxiliar, supervisionar e verifi-
car sua execução, pois ao final, no 
momento de assinar, independen-
temente de sua direta realização, 
qualquer erro será refletido em sua 
assinatura, pois é ela quem confir-
ma o resultado obtido.
E isso estende-se a todas as 
áreas de atuação. Imagine os re-
flexos causados pelo profissional 
que assume determinada matéria 
para lecionar sem o devido conhe-
cimento, ou aquele que, durante as 
aulas, apresenta visível incapacida-
de técnica. Segundo a ética, o pro-
fissional deve recusar-se a realizar 
qualquer serviço, quando não pos-
suir as habilidades necessárias. No 
caso da docência, caso aceite a dis-
ciplina, é seu dever ético inteirar-se 
de todas as circunstâncias antes de 
emitir um parecer sobre o assunto 
abordado.
 1. Documento emitido pelos administradores da entidade, confirmando as informações e dados fornecidos para a preparação, apresentação e divulgação das 
demonstrações contábeis. Ela é o documento formal em que a empresa “aprova” o resultado dos serviços contábeis, explícito nas demonstrações contábeis.
“O contador deve ser capaz de defender os princípios e regras contábeis em acordo com a ética e aplicá-los 
em seu cotidiano. Somente por meio do seu ensino 
poderemos manter um padrão de qualidade dos 
serviços prestados pelos futuros profissionais.”
25REVISTA BRASILEIRA DE CONTABILIDADE
RBC n.º 221
No que diz respeito à ética, as 
infrações mais cometidas pelos 
profissionais estão explicitadas no 
Quadro 1.
Os casos demonstrados acima 
devem ser de conhecimento para 
todos os profissionais, e principal-
mente aos estudantes, para que tais 
erros não sejam cometidos de for-
ma intencional, pois todos são pas-
siveis das penalidades pertinentes. 
Portanto, um serviço contábil de 
qualidade é o responsável pela boa 
gestão financeira nas empresas. 
Ele deve atender as normas contá-
beis, código de ética, ser tempesti-
vo, estar de acordo com os prazos 
previamente estabelecidos e apre-
sentar de forma bem clara, princi-
palmente para leigos, suas infor-
mações. Segundo Vieira (2006, p. 
46), a demanda por serviços con-
tábeis de qualidade pode ser dedu-
zida em dois fatores: 1º - aumento 
do número de profissionais e de or-
ganizações contábeis no mercado, 
que conduz à necessidade de esco-
lher aquele que melhor atende às 
necessidades de cada cliente; 2º - a 
concorrência no mercado faz com 
que as empresas necessitem ofere-
cer produtos de qualidade por meio 
de insumos de qualidade. Assim, as 
informações contábeis, para serem 
úteis aos usuários, precisam refletir 
com precisão a realidade econômi-
ca das empresas, auxiliando dessa 
forma, a tomada de decisões.
5.1. Situações práticas x código 
de ética
Após toda essa discussão sobre 
a ética, não há como negar a sua 
importância na realização da prá-
tica efetiva dos trabalhos dos pro-
fissionais da contabilidade, sejam 
eles realizados por técnicos, bacha-
réis, com ou sem registro profissio-
nal, e inclusive, para os auxiliares 
sem formação na área. Entretanto, 
a simples leitura do código, induz 
o entendimento que sua aplicação 
deve ser voltada aos escritórios con-
tábeis, para a execução dos servi-
ços básicos de contabilidade. Isso 
se deve ao próprio fator cultural da 
profissão, pois quando o CEPC foi 
concebido, não haviam o diversos 
ramos de atuação que temos hoje, 
e consequentemente, suas normas 
foram moldadas à realidade profis-
sional da época. 
Mesmo com a atualização do 
código em 2010, percebemos que 
as modernizações não trouxeram 
os conflitos gerados pelos demais 
ramos de atuação, além daque-
les que já estavam contemplados. 
Percebemos isso principalmente, 
na área de docência da profissão, 
a qual aparenta não ser inserida 
no código. Porém, como o códi-
go deve ser aplicado a todos os ra-
mos possíveis de atuação, estamos 
à mercê de interpretações quando 
o profissional atua fora do traba-
lho explícito na ética profissional.
De fato, mesmo que algumas 
normas sejam gerais à profissão, é 
indiscutível que a grande maioria 
das normas está voltado ao traba-
lho legal realizado pelo profissional. 
Talvez podemos justificar isso devi-
do a essas informações serem tão 
relevantes para a economia e por 
isso possuem um maior embasa-
mento ético. Porém, esse argumen-
to não elimina a necessidade da éti-
ca em todas as possibilidades de se 
desempenhar a profissão. Será que 
a ética de um contador que elabora 
uma demonstração contábil, é mais 
importante do que a ética de um 
Controller, que elabora informações 
gerenciais? Ou até mesmo de um 
professor, que ministra uma aula de 
Quadro 1 – Infrações mais cometidas por faltas éticas.
Infração Descrição
Angariar clientes por meio de agenciador. Oferecer comissões ou percentuais, para um terceiro obter novos clientes.
Inexecução dos serviços contábeis para os 
quais foi expressamente contratado.
Deixar de executar os serviços contábeis contratados pelo cliente em desobediência à legislação e às Normas 
Brasileiras de Contabilidade.
Inexecução de serviços contábeis 
obrigatórios.
Não executar os serviços de acordo com os princípios contábeis, sendo-os obrigatórios e resguardando ao seu cliente a 
situação econômico-financeira de sua empresa, por meio dos lançamentos e das demonstrações contábeis.
Adulteração ou manipulação fraudulenta 
na escrita ou em documentos, com o fim de 
favorecer a si mesmo ou aos clientes.
Trabalhar de forma inidônea para seu cliente ou com os órgãos públicos no recolhimento de impostos, deixando de 
conservar a boa-fé e a confiabilidade depositadas pelo empresário.
Apropriação indébita. Apropriar-se de valores confiados pelos clientes.
Incapacidade técnica. Aceitar realizar serviços contábeis para o qual não esteja, absolutamente, capaz de executá-los.
Incapacidade técnica em virtude de erros 
reiterados.
Persistir nos erros durante a execução dos trabalhos, sabendo que não está capacitado para executá-los em que o 
cliente depositou tal confiança. 
Aviltamento de honorários. Oferecer serviços por preço inferior ao ofertado pelos demais profissionais atuantes no seu mercado específico.
Concorrência desleal.
Propaganda desabonadora que um profissional faça de outro colega. Oferta de serviços de forma promocional, 
como: “Seja nossa cliente e ganhe 3 meses de horários de graça”. Propaganda enganosa, como: “Seja nosso cliente e 
não pague imposto de renda”.
Anuncio que resulte na diminuição de 
colega ou de organização contábil.
Publicar, de forma imoderada, os trabalhos desenvolvidos nos meios de circulação, menosprezando os trabalhos 
executados pelos colegas daquela região.
Retenção abusiva, danificação ou extravio de 
livros ou documentos contábeis. Reter, abusivamente, documentos quando da troca de profissional por parte do cliente, extraviar ou danificá-los.
Fonte: Viera (2006, p. 96-97).
26 A aplicação prática do código de ética na prestação de serviços contábeis
RBC n.º 221
Contabilidade Avançada com visível 
incapacidade técnica? 
Por isso, este estudo procura 
contextualizar a profissão como 
um todo, e exemplificar que em 
todos os ramos de atuação, a éti-
ca é essencial e indispensável. Para 
apoiar essa afirmativa, foram le-
vantadas algumassituações práti-
cas hipotéticas, alheias à realidade 
dos escritórios contábeis, para de-
monstrar assim que o CEPC tam-
bém é necessário para a resolução 
dos conflitos nas demais áreas da 
profissão contábil, conforme po-
dem ser observados no Quadro 2. 
Portanto, não há como negar 
que os conflitos existem e que es-
tão presentes em todas as atua-
ções do profissional da contabili-
dade. E são nessas situações que 
o CEPC deve ser claro e conciso, 
para auxiliar a tomada de decisão 
do profissional, em face do com-
portamento eticamente aceitável 
definido pela classe. 
6. Considerações Finais
Sem sombra de dúvidas, a defi-
nição e aplicação da ética, são pri-
mordiais para o convívio em uma 
sociedade formada por grupos de 
pessoas com conceitos morais tão 
diferentes. Ela deve ser utilizada 
como um mapa, que guia a nos-
sa tomada de decisões em face da 
escolha adequada que foi definida 
pela própria sociedade. À medida 
que a própria sociedade se desen-
Quadro 2 - Soluções éticas para os conflitos práticos da profissão
Conflito Código de Ética Solução
Quando um novo cliente contrata seus serviços 
contábeis, e não aceita os honorários, pedindo sua 
redução.
Art. 8° - É vedado ao Contabilista oferecer 
ou disputar serviços profissionais mediante 
aviltamento de honorários ou em concorrência 
desleal.
O contador poderá reduzir os honorários até o valor 
mínimo definido pelo sindicato da classe. Abaixo 
deste valor, é considerado concorrência desleal.
Quando um cliente pede para omitir dados na 
declaração do imposto de renda, que acarretem na 
redução do imposto.
Art. 3°, VIII - é vedado Concorrer para realização 
de ato contrário à legislação ou destinado a fraudá-
la ou praticar, no exercício da profissão, ato definido 
como crime ou contravenção.
O contador não pode realizar nenhum ato contrário 
a Lei. Se o cliente insistir na omissão, o contador 
deverá recusar o trabalho.
Quando o contador descobre que a empresa não 
está fornecendo todos os documentos para os 
lançamentos contábeis.
Art. 2º, III - é dever zelar pela sua competência 
exclusiva na orientação técnica dos serviços a seu 
cargo.
Após tomar conhecimento, deverá notificar a 
empresa sobre a obrigatoriedade da entrega de 
todos os documentos necessários para a realização 
do seu trabalho. Caso persista, ele deverá renunciar 
ao trabalho.
Quando o cliente pede para “dar um jeito e diminuir 
os impostos”.
Art. 3°, XIII - é vedado, aconselhar o cliente ou 
empregador contra disposições expressas em lei ou 
contra os Princípios de Contabilidade e as Normas 
Brasileiras de Contabilidade editadas pelo Conselho 
Federal de Contabilidade.
O contador somente poderá reduzir os tributos 
através da elisão. Se o cliente insistir em algum 
método de sonegação, o contador deverá renunciar 
às suas funções, pois ele não deve renunciar a 
sua liberdade profissional, e realizar atos que 
prejudiquem a eficácia de seu trabalho.
Quando o cliente não segue a CLT no pagamento 
do salário.
Art. 3°, VIII - é vedado, Concorrer para realização 
de ato contrário à legislação ou destinado a fraudá-
la ou praticar, no exercício da profissão, ato definido 
como crime ou contravenção.
Ele deverá orientar sobre a legislação vigente, e caso 
o cliente se recuse a trabalhar de acordo com a Lei, 
ele deverá renunciar as suas funções.
Quando o contador retêm os livros e documentos 
contábeis, pela inadimplência do cliente.
Art. 3° XII - é vedado reter abusivamente livros, 
papéis ou documentos comprovadamente confiados 
à sua guarda.
Mesmo inadimplente, o contador jamais poderá 
reter os documentos de seus clientes.
Quando o contador identifica alguma atividade 
ilícita; (de superiores, clientes, colegas, ou 
funcionários).
Art. 2° XII - é dever auxiliar a fiscalização do 
exercício contábil.
Ele deverá comunicar às autoridades competentes, 
ou ao conselho de ética da classe, sob risco de 
omissão.
Quando fornece informações confidenciais, que 
tragam vantagens a ele, ou terceiros (amigos, 
familiares, venda de informações).
Art. 3° XV - é vedado revelar negociação 
confidenciada pelo cliente ou empregador para 
acordo ou transação que, comprovadamente, tenha 
tido conhecimento.
O contador deverá guardar o segredo profissional, 
exceto quando for solicitado pelo CFC, pelo CRC e 
em âmbito judicial.
Quando pedem ao contador para apropriar-se de 
trabalho, iniciativas ou de soluções encontradas 
por colegas, que eles não tenha participado, e 
reconhecendo-as suas.
Art. 3° XXIII - É vedado publicar ou distribuir, em 
seu nome, trabalho científico ou técnico do qual 
não tenha participado.
Neste caso, ele deverá recusar assinar e nem declara-
se integrante do trabalho, pois não participou de sua 
confecção ou supervisão.
Em desentendimentos por substituição. (Quando 
o contador solicita ser substituído ou quando 
empregador solicitar sua substituição).
Art. 2° VII - é dever, se substituído em suas 
funções, informar ao substituto sobre fatos que 
devam chegar ao conhecimento desse, a fim de 
habilitá-lo para o bom desempenho das funções a 
serem exercidas.
Caso for substituído, em todas as áreas de atuação, 
deverá repassar para o seu sucessor todas as 
informações necessárias para continuar com o 
trabalho.
Quando é solicitada a opinião do contador, mesmo 
ele não tendo habilidade ou conhecimento, na área 
ou assunto.
Art. 2° V - é dever, inteirar-se de todas as 
circunstancias, antes de emitir opinião sobre 
qualquer caso.
Caso não tenha conhecimento, recusar a emissão 
de um parecer, ou informar-se do assunto e 
posteriormente, dar suas conclusões.
27REVISTA BRASILEIRA DE CONTABILIDADE
RBC n.º 221
Conflito Código de Ética Solução
Quando o contador omite algum conhecimento, 
que pode beneficiar o cliente ou a empresa (elisão, 
aumento do lucro, redução de despesas)
Art. 3º, X - é vedado prejudicar, culposa 
ou dolosamente, interesse confiado a sua 
responsabilidade profissional;
Após assumir a responsabilidade pelo trabalho, ele 
é responsável por eventuais danos à empresa ou 
cliente, com ou sem intenção.
Não passar ao cliente uma análise dos 
demonstrativos contábeis.
Art. 2°, I - é dever, exercer a profissão com zelo, 
diligência, honestidade, e capacidade técnica, 
observada toda a legislação vigente, em especial aos 
princípios de contabilidade e as normas brasileiras 
de contabilidade [...].
Cabe ao profissional seguir as normas e leis 
para a realização do trabalho. Não há nenhuma 
obrigatoriedade no CEPC da necessidade de 
interpretação desses dados. Porém, a isso pode ser 
um dos serviços oferecidos ao cliente, mediante a sua 
cobrança.
Quando o contador não se atualiza às novas leis.
Art. 2°, I - é dever, exercer a profissão com zelo, 
diligência, honestidade, e capacidade técnica, 
observada toda a legislação vigente [...].
Ele deve se inteirar de todas as alterações legislativas e/
ou normativas para a realização dos serviços, pois lhe é 
confiado a responsabilidade profissional pelo trabalho.
Quando o contador não orienta seus funcionários, 
sobre a confidencialidade das informações que 
possuem.
 Art. 3º, X - é vedado prejudicar, culposa 
ou dolosamente, interesse confiado a sua 
responsabilidade profissional.
O contador assume a responsabilidade por todos 
os profissionais sob sua subordinação, e cabe a 
ele, garantir que todos cumpram as normas e leis 
aplicáveis.
Quando não verifica o melhor tipo de abertura de 
empresas, de acordo com a necessidade do cliente.
Art. 3° XXIV é vedado exercer a profissão 
demonstrando comprovada incapacidade técnica.
Caso ele não saiba orientar, de acordo com as 
necessidades do cliente ou superior, deverá recusar 
o trabalho.
Quando o cliente oferecer qualquer presente, favor 
ou hospitalidade.
Art. 3º, IX - é vedado solicitar ou receber do cliente 
ou empregador qualquer vantagem que saiba para 
aplicação ilícita.
Se o presente, favor, ou hospitalidade não estiver 
vinculado à posterior cobrança para a realização de 
ato ilícito, não há recusa obrigatória.Caso contrário, 
deve ser recusado o benefício.
Não informar nas notas explicativas, alguma 
informação que tenha conhecimento e possa 
elucidar a compreensão dos fatos ocorridos.
Art. 3º, XX - é vedado executar trabalhos técnicos 
contábeis sem observância dos princípios 
de contabilidade e das normas brasileiras de 
contabilidade editadas pelo CFC.
De acordo com as NBC, as notas explicativas devem 
ser utilizadas para elucidar os critérios utilizados 
para a emissão das demonstrações contábeis.
Quando o contador recusa contratar funcionários 
recém-formados em Contabilidade, para não 
ensinar a prática às pessoas que podem tomar sua 
clientela.
Art. 9º - a conduta do contabilista com relação 
aos colegas deve ser pautada nos princípios de 
consideração, respeito, apreço e solidariedade, em 
consonância com os postulados de harmonia da 
classe.
O contador não deve ver outro profissional como 
um concorrente, e sim como colega de classe. Ele 
deve contribuir para o fortalecimento da classe.
Quando fala que possui uma especialidade que não 
possui, e utiliza como um diferencial, em vagas de 
emprego.
Art. 3° XXIV é vedado exercer a profissão 
demonstrando comprovada incapacidade técnica.
Além de não poder oferecer um serviço pelo qual 
não possui capacidade técnica, ele também não deve 
promover a concorrência desleal. 
Usar o cargo para solicitar favores ou serviços 
pessoais a subordinados.
Art. 9º - a conduta do contabilista com relação 
aos colegas deve ser pautada nos princípios de 
consideração, respeito, apreço e solidariedade, em 
consonância com os postulados de harmonia da 
classe.
Desde que não prejudique a classe ou vá de encontro à 
lei, não há no código de ética vedação à solicitação de 
favores ou serviços pessoais à colegas ou subordinados.
Quando o contador-professor assume disciplina que 
não é de seu conhecimento.
Art. 3° XXIV é vedado exercer a profissão 
demonstrando comprovada incapacidade técnica.
Neste caso, não será falta ética, se o profissional se 
inteirar do assunto antes de ministrar as aulas. Caso 
contrário, ao demonstrar incapacidade técnica, 
poderá ser penalizado.
Quando a pessoa formada em Contabilidade, 
faz concursos públicos na área, sem o registro 
profissional.
Art. 3º, V - é vedado, exercer a profissão quando 
impedido [...].
Neste caso, sem o registro, o profissional não pode 
concorrer à vaga, a qual não está habilitado, inclusive 
contando com sua habilitação em tempo hábil.
Fonte: elaborado pelos autores.
volve e muda seus pensamentos, é 
necessário reconsiderar as perspec-
tivas ultrapassadas, e analisar os 
novos fatores que interferem nas 
relações humanas e na necessidade 
infinita de se resolver os conflitos 
do homem. 
Como nas demais profissões, 
tais como na medicina e na advo-
cacia, a ética também está presen-
te na contabilidade e não há es-
paço para o livre arbítrio. Ela visa 
harmonizar a relação do profissio-
nal com a sociedade, e, em caso 
de descumprimento, o profissional 
deve arcar com suas responsabili-
dades. O papel do contador, além 
de indispensável, é a chave para o 
desenvolvimento da economia do 
país, uma vez que toda a sociedade 
necessita de informações que ape-
nas a contabilidade pode fornecer.
O profissional que trabalha de 
forma honesta é considerado de 
confiança e tem a oportunidade 
de crescer profissionalmente, uma 
vez que ele valoriza sua classe e o 
trabalho exercido por ela. A con-
duta do contador deve ser impecá-
vel, para propiciar a confiabilidade 
aos seus clientes e para a socieda-
de em geral. 
O Código de Ética Profissional do 
Contador é aplicável a todos os pro-
fissionais da contabilidade e nas ati-
vidades relacionadas à área, sendo 
eles contadores, contabilistas e au-
xiliares de contabilidade. Ele é tão 
amplo quanto objetivo. Seu segun-
28 A aplicação prática do código de ética na prestação de serviços contábeis
RBC n.º 221
do capítulo trata somente dos de-
veres e das proibições do profissio-
nal durante o exercício da profissão, 
buscando garantir que não haja ne-
nhuma brecha para a realização ati-
tudes que não possuam orientações 
definidas pelo Conselho, além de de-
finir as condutas esperadas no de-
sempenho de suas funções. 
Também são estabelecidos os cri-
térios para fixação dos honorários e 
as demais cobranças adicionais pe-
los serviços prestados, os deveres em 
relação aos colegas de classe e as pe-
nalidades cabíveis de acordo a gra-
vidade, que serão julgados primei-
ramente pelos Conselhos Regionais, 
e, em casos de recursos, o Conselho 
Federal irá agir com o Tribunal Supe-
rior para analisar os fatos.
O trabalho desses profissio-
nais deve ser executado de for-
ma consistente, pautada pelo zelo 
aos procedimentos éticos, legais e, 
principalmente, os técnicos, como 
a fixação de um contrato de pres-
tação de serviço. Ele deve ser escri-
to de forma clara, com respeito às 
normas e técnicas desejáveis, para 
evitar controvérsias em seu enten-
dimento. Além disso, como frisa 
o Código de Ética, os honorários, 
também devem ser previamente 
apresentados e fixados no contra-
to, desde que respeitem a tabela 
mínima estabelecida pelos sindi-
catos contábeis regionais, sendo 
que o valor é estipulado, de acor-
do com o tempo gasto, a respon-
sabilidade, complexidade, e outros 
fatos pertinentes ao trabalho de-
sempenhado.
A responsabilidade ética desses 
profissionais foi definida pela pró-
pria classe em face do que se julga 
correto no desempenho da profis-
são, porém, como a contabilidade 
se tornou algo tão imprescindível, 
os códigos Civil e Penal também ti-
veram que atribuir às responsabi-
lidades gerais dos contadores, de-
vido à sua grande participação na 
economia do país, além da serieda-
de das informações e serviços pres-
tados por eles.
Como não há possibilidade 
de desvincular a contabilidade do 
ramo de serviços, o trabalho do 
contador, que é intangível, ou seja, 
não pode ser comercializado como 
um produto, pois não possui me-
dida e não é palpável, deve prezar 
pela qualidade, pois possui um va-
lor mensurável. Um serviço contábil 
de qualidade é o responsável pela 
boa gestão financeira nas empre-
sas. O cliente, empregador ou go-
verno buscam um serviço confiável, 
uma vez que entregam seus dados, 
até mesmo confidenciais, para que 
o contador os transforme em in-
formações úteis. Nesse ponto, a 
qualidade está aliada à constante 
atualização e aprendizagem do pro-
fissional, que se capacita para ofe-
recer um maior conhecimento aos 
usuários de seu trabalho.
Como o estudo procurou con-
textualizar a profissão como um 
todo e exemplificar que em todos 
os ramos de atuação a ética é es-
sencial e indispensável, foram le-
vantadas algumas situações práti-
cas hipotéticas, alheias à realidade 
exclusiva dos escritórios contábeis, 
para demonstrar, assim, que o CEPC 
também é necessário para a resolu-
ção dos conflitos nas demais áreas 
da profissão contábil e não somen-
te no ramo de serviços puramente 
contábeis, realizados pelos escritó-
rios de contabilidade. 
Não há como negar que os con-
flitos existem e que estão presentes 
em todas as formas de atuação do 
profissional da contabilidade. E são 
nessas situações que o CEPC deve 
ser claro e conciso, para auxiliar a 
tomada de decisão do profissional, 
em face do comportamento etica-
mente aceitável definido pela classe.
Hoje, a formação superior é in-
suficiente para garantir o espaço 
no mercado. Muitas universidades 
exigem, no mínimo, uma pós-gra-
duação que especialize o profissio-
nal. Na área pública, verificamos a 
crescente demanda de concorrentes 
para as poucas vagas disponíveis. 
As cidades estão saturadas de es-
critórios contábeis, que se ampliam 
para trabalhar com o máximo de 
empresas possíveis. Com isso, não 
há espaço no mercado de trabalho 
para os maus profissionais.
Não há dúvidas de que a Con-
tabilidade continuará em constante 
desenvolvimento, tanto na forma 
legislativa e profissional. A socieda-
de e o mercado começarão a cobrar 
cada vezmais da profissão, como, 
por exemplo, por meio da qualida-
de nos serviços, da fiscalização dos 
governos, dos informativos eletrô-
nicos que já tomam lugar do pa-
pel, inclusive as finalidades dos in-
formativos, que já ultrapassaram o 
campo puramente contábil, para o 
gerencial.
Dessa forma, o profissional 
do futuro deverá acompanhar es-
sas mutações que alterarão a fi-
nalidade de seu trabalho. Porém, 
é necessário considerar que, além 
dos conhecimentos técnicos e te-
óricos necessário para o desem-
penho da função, os profissionais 
que demonstrarem a aplicação 
dos princípios éticos se sobressa-
íram daqueles que não medem as 
consequências de seus atos. Indis-
cutivelmente, ter caráter e firmeza 
moral será a principal característica 
identificada para a contratação de 
um profissional.
Em um mundo tão competiti-
vo, qual empresa assumirá o risco 
de disponibilizar suas informações 
confidenciais a um profissional eti-
camente duvidoso?
29REVISTA BRASILEIRA DE CONTABILIDADE
RBC n.º 221
7. Referências
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BRASIL. Lei n.º 12.249, de 11 de junho de 2010. [...] altera os Decretos-Leis nos 9.295, de 27 de maio de 1946, 1.040, de 21 
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CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução n.º 803, de 10 de outubro de 1996. Aprova o Código de Ética Profissional 
do Contador – CEPC.
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do contrato de prestação de serviços contábeis e dá outras providências.
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução n.º 1.307, de 09 de dezembro de 2010. Altera dispositivos da Resolução 
CFC n.º 803/96, que aprova o Código de Ética Profissional do Contabilista.
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução n.º 1.457, de 11 de dezembro de 2013. Altera a Resolução CFC n.º 987/03, 
que dispõe sobre a obrigatoriedade do contrato de prestação de serviços contábeis e dá outras providências.
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