Prévia do material em texto
A aplicação prática do código de ética na prestação de serviços contábeis Leonard Rodrigues do Vale Bacharel em Ciências Contábeis pela Univer- sidade Estadual de Goiás (unidade de Morri- nhos) e técnico administrativo na Universida- de Estadual de Goiás. E-mail: leonard.do.vale@hotmail.ch Fábio Martins Ferreira Professor no curso de Ciências Contábeis na UEG (unidade de Morrinhos), possui gradua- ção em Ciências Contábeis pela Universidade Estadual de Goiás e especialização latu sensu em Controladoria, Auditoria e Finanças pela Universidade Iles Ulbra de Itumbiara (GO). E-mail: fabiomartins@cemorrinhos.com.br Rodrigo Wiesner Bacharel em Ciências Contábeis pela Univer- sidade Estadual de Goiás (unidade de Morri- nhos), tem experiência profissional nas áreas de Escrita Fiscal e Contábil; Gerenciamento de Estoques; Controle interno; Gerenciamento de Projetos; e Sustentabilidade Organizacional. E-mail: rodrigowiesner@gmail.com Este artigo busca evidenciar o uso do Código de Ética Profissional do Contador (CEPC) durante o exercício prático da profissão, com ênfase na sua aplicação em todas as áreas de atuação, tanto nos departamentos públicos, nas instituições de ensino, ou como funcionários em empresas privadas, e não somente na prestação dos serviços puramente contábeis, realizadas pelos escritórios de contabilidade. O presente estudo teve por objetivo, demonstrar a necessidade de aplicação da ética profissional a todos os ramos de atuação, visto que isso não é evidenciado claramente no CEPC. O tema da ética, mesmo que já abordado na literatura, é pouco analisado em face aos profissionais que atuam fora da prestação de serviços em escritórios contábeis. Por isso, é necessário que ele seja contextualizado em face às demais formas de atuação do contador, como na docência e no setor público. Para o estudo, utilizou-se do método de análise documental de forma descritiva, qualitativa e dedutiva na aplicação do CEPC. Após a realização das pesquisas, juntamente com as experiências práticas vivenciadas por colegas, foi elaborado um quadro comparativo, com situações práticas e hipotéticas, para demonstrar a necessidade da aplicação da ética em todos os ramos de atuação do profissional da contabilidade. Por meio das pesquisas, identificou-se que o Código de Ética Profissional do Contador, em sua maioria, está direcionado ao trabalho legal realizado pelo profissional em escritórios que prestam os serviços puramente contábeis. Porém, a profissão possuiu outras diversas formas de atuação que também necessitam da ética para a resolução de conflitos. Não há como negar que os conflitos existem e que estão presentes em todas as formas de atuação do profissional da contabilidade, e são nessas situações, que o CEPC deve ser claro e conciso, para auxiliar a tomada de decisão do profissional, em face ao comportamento eticamente aceitável definido pela própria classe. 17REVISTA BRASILEIRA DE CONTABILIDADE RBC n.º 221 18 A aplicação prática do código de ética na prestação de serviços contábeis RBC n.º 221 1. Introdução Podemos analisar que a Contabi- lidade e a figura do contador passa- ram a ser de suma importância para as empresas em geral e também para a sociedade, que usufrui de suas informações, como balanços e demonstrações, e dos serviços pres- tados por eles. O principal papel do contador é atuar no mercado para apoiar o desenvolvimento econômi- co por meio da prestação de seus serviços. Existem diversos ramos de atuação para o profissional que vão além da execução dos serviços pura- mente contábeis e, em todos eles, a ética é essencial para garantir a qua- lidade no trabalho exercido, seja nos departamentos públicos, nas insti- tuições de ensino, como funcioná- rio em empresas privadas, ou de for- ma autônoma no mercado. Como em outras profissões, a Contabilidade possui seu próprio có- digo de ética, cujo objeti- vo é definir a forma pela qual se de- vem conduzir os profissionais da contabilidade no exercício da profissão. No exercício contá- bil, uma ação não ética, em um primeiro momento, pode vir a agradar um cliente, o contador em si ou qualquer um que se beneficie dessa má con- duta. Porém, em médio e em longo prazo, essa ação só contribuirá para denegrir a imagem da classe. Além disso, esse tipo de atitude, eticamen- te reprovada, pode inclusive lesar de alguma forma outro ente participan- te no processo, seja ele o governo, o cliente ou a própria sociedade. Cabe ao contador o zelo, a de- dicação, a integridade e a honesti- dade no exercício de sua profissão, para findar com todos os comporta- mentos inadequados e privar a clas- se contábil de qualquer exposição que possa prejudicar sua imagem, cabendo ao profissional da contabi- lidade a denúncia de qualquer ato lesivo contra a ética. Partindo des- se ponto de vista, o Código de Ética propõe que o profissional da conta- bilidade exerça corretamente a sua profissão, garantindo a idoneidade profissional; preservando o patri- mônio de terceiros e a economia local; e garantindo nível de qualidade nos serviços oferecidos. A sociedade, em geral, costuma ca- tegorizar uma clas- se não pelos bons profissionais, mas, sim, pelos que não possuem tal con- duta. Por isso, o presente estudo tem por objetivo demonstrar que o código de ética é aplicável às situ- ações prá- ticas que envolvem todas as diversas áreas da profissão e, não, somente à prestação dos serviços pelos escritó- rios de contabilidade. Quando uma profissão consegue mostrar à socie- dade o seu poder de contribuir de forma positiva, ela ganha o devido respeito e mérito pelo seu trabalho, e isso acontece com a contabilidade quando seus profissionais seguem o código de ética e respeitam as de- mais normas vigentes. 2. A Ética na Sociedade Desde os primórdios da huma- nidade, podemos evidenciar a ne- cessidade de se viver em sociedade, seja para a procriação da espécie ou para a sua sobrevivência. O indiví- duo torna-se mais forte em um gru- po; isso faz parte da necessidade em se relacionar com outras pesso- as. Assim, com o agrupamento de uma determinada população, sur- giram os grupos sociais. Em um grupo, cada indivíduo deve conciliar sua maneira de pen- sar com os demais integrantes. É nesse ponto que surgem os confli- tos de interesse pela divergência na identificação do que é visto como certo e errado. Por isso, foi neces- sário criar regras para pacificar esse convívio e solucionar os problemas vinculados ao que é considerado aceito ou rejeitado no comporta- mento do grupo. Podemos chamar de “mo- ral” as opiniões individuais que cada pessoa desenvol- veu, e que definem o que ela classifica como certo ou erra- do em suas decisões. Os con- ceitos morais formam a essên- cia do indivíduo, sendo a base utilizada na escolha do grupo em que se deseja estar. Porém, em uma sociedade formada por vários grupos com interesses di- ferentes, foi necessário iden- tificar os aspectos aceitos a 19REVISTA BRASILEIRA DE CONTABILIDADE RBC n.º 221 toda população, visto que não é possível conciliar toda a moral in- dividual e aplicá-la de forma abso- luta. Segundo Santos (1959, apud ANTONOVZ, 2011, p.19), a Moral é a ciência descritiva dos costumes e está subordinada à Ética, que se trata da ciência normativa. Dessa forma, para que a moral aceita no grupo social seja de conhecimento de todos, foi necessário criar regis- tros por meio de documentos escri- tos, chamados de códigos de ética. “A ética é a ciência vinculada a julgamento de apreciação moral sobre juízos de valores amarrados à distinção entre o bem e o mal.” (VIERA, 2006, p. 11). Ela pode ser definida como a transcrição de for- ma escrita da moral aceita no gru- po. Nela encontram-se as solu- ções para os conflitos de interesse, de acordo com o que foi definido como certo e errado. Sem uma ética definida, cada pessoa iria agir com base em suas convicções pessoais, sem analisar, o que issopode im- plicar aos demais participantes da comunidade. A ética, como ciência, estuda os padrões comportamentais e suas transformações históricas para se- rem utilizados como a base do en- tendimento e análise da sociedade, em busca da redução e resolução dos conflitos. Mesmo que ela seja universal, ainda está diretamente li- gada com o tempo e a história da sociedade, e pode adaptar-se às no- vas perspectivas, como mudanças políticas, inovações tecnológicas e descobertas científicas, que altera- ram aquilo que é considerado ético ou antiético, em um período relati- vamente curto de tempo. Quando um valor transforma- se em ética, sendo aceito e pratica- do pela sociedade, origina-se uma lei que será aplicada a todos sem distinção. Nesse sentido, ela pode ser tanto de direito (a constituição e as leis do país), quanto uma teo- ria aprovada (normas éticas). Não existe nenhuma lei que não tenha por base algum conceito ético. Para Robles (2005, p. 115), a complexi- dade da sociedade atual e o plura- lismo nela existentes permitem um único consenso: o político, estrutu- rado mediante a linguagem do di- reito. Nesse sentido, deve-se aceitar que a ética corresponde aos valores acordados na Constituição e nas de- mais leis cabíveis. Ao contrário da ética, que age diretamente sobre determinados grupos, a lei atua so- bre certa região geográfica e políti- ca. Ao entrar na área de jurisdição, o indivíduo passa a ser obrigado a cumprir as leis, independentemente de concordar ou não, cabendo a ele a responsabilidade de conhecê-la e, ao infringi-la, é vedado alegar o seu desconhecimento. Dessa forma, a ética é criada por representantes do grupo (so- cial, cultural, religioso, profissional, etc.) e é redigida por um conselho, cabendo a cada grupo a divulgação de suas normas. Já a lei, é divulgada após sua sanção (aprovação), sendo de responsabilidade do próprio in- divíduo tomar sua ciência. Se com- pararmos a lei com a ética, ambas não necessitam de aceitação pe- los indivíduos, pois seu intuito é o bem comum, acima dos interesses pessoais, e quando se pratica ato contrário ao definido como corre- to, eles são julgados pelo conselho e punidos de forma adequada, por meio de advertências, multas ou até mesmo expulsão. Da mesma forma, a lei também define as punições para seus infratores, seja por meio de multas, trabalho voluntário ou privação de algum direito. 2.1. O desenvolvimento de códigos de ética Após a definição e aprovação das leis e normas éticas pelo conse- lho de um grupo, elas são transcri- tas e agrupadas em documentos, os códigos de ética. Marques (2013, p. 79) define um código de ética como um acordo explícito entre um gru- po social e que constitui a sua iden- “Cabe ao contador o zelo, a dedicação, a integridade e a honestidade no exercício de sua profissão, para findar com todos os comportamentos inadequados e privar a classe contábil de qualquer exposição que possa prejudicar sua imagem...” 20 A aplicação prática do código de ética na prestação de serviços contábeis RBC n.º 221 tidade. Podemos relacionar alguns grupos que desenvolvem códigos de ética, ou que possuem suas nor- mas escritas em documentos, sen- do: profissões em geral; marcas e franquias; empresas públicas e pri- vadas; religiões; partidos políticos; ciência; governo; associações e co- operativas, entre outros. Geralmente, é possível evidenciar a generalização de alguns conteúdos que são abordados na maioria dos códigos de ética, sendo eles: sele- cionar os valores morais de conduta; definir a postura organizacional pe- rante a sociedade; definir a conduta interna (funcionários) e externa (re- lações com clientes, fornecedores e concorrentes); informar sobre aspec- tos legislativos aplicáveis; delimitar as ações permitidas em marketing; esclarecer as regras de comunicação social e o relacionamento com a im- prensa; esclarecer sobre o sigilo de informações; definir as punições e penalidades; esclarecer a missão, vi- são e valores; enumerar os deveres e proibições; garantir a sustentabilida- de (responsabilidade social, cultural e ambiental); delimitar as relações de hierarquia; e demais assuntos es- pecíficos e inerentes. A ética está presente em todas as nossas decisões, em nosso convívio social e familiar, na forma de agir e pensar, na definição do certo e erra- do e nas atitudes cotidianas. Mesmo que ela não seja explícita, automati- camente usamos nossa consciência moral para definir a melhor resolu- ção para um problema. Sem sombra de dúvida, a definição e aplicação da ética, são primordiais para o conví- vio em uma sociedade formada por grupos de pessoas com conceitos morais tão diferentes. 3. A Ética Profissional O desenvolvimento de uma ética profissional partiu da necessidade de se fortalecerem as classes, sejam elas de médicos, contadores, advo- gados, etc., como uma forma de de- fender os seus interesses e garantir que sua imagem seja sempre posi- tiva. A ética profissional visa auxiliar a resolução dos conflitos pertinen- tes à profissão. Se pegarmos como exemplo a questão do sigilo, cada profissão possui seus limitadores para a divulgação de informações. O código de ética profissional é o instrumento que orienta as ações e demonstra a postura adequada no desempenho das funções, sendo um conjunto de normas a serem segui- das pelos profissionais no exercício de seu trabalho. A grande maioria das profissões possuem conselhos formados por integrantes da pró- pria classe, que são responsáveis pela criação das normas e estipu- lam deveres e penalidades. Também existem comporta- mentos embasados na ética geral da sociedade, que são aplicados a todas as áreas de trabalho. De acor- do com Silva (2005, p. 21), pode- mos enfatizar os mais importantes, sendo: a honestidade: agir sempre de acordo com a verdade; o sigilo: manter segredo de uma informa- ção, cuja divulgação seja fechada e direta a um cliente, organização ou grupo, sobre o qual o profissio- nal tem inteira responsabilidade; a competência: possuir as habilida- des e os conhecimentos necessá- rios para a realização das tarefas que lhe são encarregadas; prudên- cia: ter cautela e sabedoria, para ser justo e agir da forma mais cor- reta possível; humildade: saber ou- vir, perguntar, reconhecer e apren- der com os erros, manter-se no nível dos outros, sabendo que nin- guém é melhor ou pior; e a impar- cialidade: tratar todos igualmente, independente de cargos profissio- nais ou classes sociais. O profissio- nal deve saber separar a relação profissional da pessoal. O dever de cada profissional é seguir os padrões éticos de sua clas- se, além de cumprir os demais pa- drões estabelecidos pela sociedade. Com a prática da ética, cada clas- se profissional tem a oportunidade de se estabelecer como um grupo fundado em valores e demonstrar a sua importância para a sociedade. 4. A Ética na Contabilidade O papel do contador, além de indispensável, é a chave para o de- senvolvimento da economia, uma vez que toda a sociedade necessita de informações que apenas a con- tabilidade pode fornecer. A ética está diretamente ligada ao exercí- cio da profissão contábil, visto que ,em seu código, é afirmado o dever de “exercer a profissão com zelo, diligência e honestidade, observa- da a legislação vigente e resguarda- dos os interesses de seus clientes e/ ou empregadores, sem prejuízo da dignidade e independência profis- sionais” (CFC, 2010). Para a perfeita execução da pro- fissão, é fundamental ao contador possuir habilidades e conhecimen- tos técnicos, uma satisfatória for- mação ética e moral, conhecer e atualizar-se em face às alterações na legislação vigente e trabalhar com honestidade e independência. De acordo com Nascimento (2010, apud MEC, 2009, p. 79), no ano de 2002, existiam cerca de 700 cursos reconhecidos em Ciências Contábeis no Brasil. Em 2009, o nú- mero subiu para 1.138 e, em 2011, 1.180. Esses dados nos evidenciamo crescimento da profissão contábil no mercado brasileiro. O estudo da ética é matéria fixa de todos os cur- sos superiores em Ciências Contá- 21REVISTA BRASILEIRA DE CONTABILIDADE RBC n.º 221 beis, e os docentes devem lecionar de forma consciente, pois estão for- mando o conhecimento e o senso crítico de um colega que irá entrar no mercado de trabalho. O próprio código de ética exige que os pro- fissionais, mesmo após a conclusão da graduação, devem aprimorar-se de forma continuada, principalmen- te de acordo com a legislação e os procedimentos técnicos vigentes. É importante enfatizar que a éti- ca deve ser estudada, pois somente a preparação técnica não é suficien- te. O contador deve ser capaz de defender os princípios e regras con- tábeis em acordo com a ética e apli- cá-los em seu cotidiano. Somente por meio do seu ensino poderemos manter um padrão de qualidade dos serviços prestados pelos futu- ros profissionais. Segundo Guillon (1994, p. 149), ao se almejar um ensino de qualidade, é necessário que os docentes busquem enfoques inovadores, que seu currículo este- ja sempre em evolução, que a ma- téria lecionada, no caso a ética, não se torne defasada, que ele utilize de pesquisas e materiais de ensino, e até mesmo desenvolva um supor- te para a integração desses novos formandos ao mercado de trabalho. O Código de Ética Profissional do Contador é aplicável a todos os pro- fissionais da contabilidade e a todas atividades relacionadas à área, sen- do eles contadores, contabilistas, e auxiliares de contabilidade. O fato de não possuir formação acadêmi- ca, não exclui os auxiliares de serem responsabilizados por faltas éticas. Somente em 1996, após 50 anos da criação dos Conselhos Regionais de Contabilidade, mediante a Reso- lução CFC n.º 803, foi instituído o Código de Ética Profissional do Contabilista (CEPC). Segundo Lisboa (1997, p. 130), o CEPC tem por objetivo habilitar o profissional e requer que este possua uma condu- ta pessoal em acordo com os princí- pios éticos adotados pela sociedade. Ele possui 15 artigos e é dividido nos seguintes capítulos: I - Do objetivo; II - Dos deveres e das proibições; III - Do valor dos serviços profissionais; IV - Dos deveres em relação aos cole- gas e à classe; e V - Das penalidades. Em 2010, houve algumas alte- rações inseridas pela Resolução CFC n.º 1.307 para sua modernização e atualização. Uma delas foi a modifi- cação da palavra “contabilista” para o uso da palavra “contador”, devi- do à futura extinção dos profissio- nais com formação apenas técnica. Outro ponto introduzido pela altera- ção é o fato de que somente as nor- mas e princípios editados pelo Con- selho Federal de Contabilidade estão de acordo com a ética profissional. Isso estabelece certo controle profis- sional para a classe, normatizando as técnicas éticas aceitáveis. Vieira (2006, p. 93-94) define os principais deveres e proibições da profissão contábil exigida pelo CEPC: agir com qualidade profissio- nal, trabalhar com lealdade, manter um critério livre e imparcial, guar- dar o segredo profissional e evitar tarefas que não atendam à moral. Um dos casos mais comuns de desvio das regras do código de éti- ca está relacionado à cobrança dos honorários, que é o pagamento pela prestação dos serviços con- tábeis. Além dos serviços comuns como folha de pagamento, escri- ta fiscal e contábil e apuração de tributos, o contador também pode oferecer consultorias, auditorias, elaboração de contratos e de de- claração de imposto de renda. São esses serviços que agregam valor ao profissional no mercado, além de contribuir para o aumento de sua renda. Porém, alguns profis- sionais, devido ao relacionamen- to em longo prazo com clientes ou até por medo de os perderem, não cobram por esses serviços ou redu- zem o seu valor. Isso gera, de cer- ta forma, uma concorrência desleal no mercado além de desvalorizar a importância do trabalho realizado pela classe. Podemos destacar algumas hi- póteses que influenciam o con- tador a reduzir seus honorários, como: desconhecimento do código de ética; desconhecimento da com- plexidade e das técnicas contábeis para então poder gerar o contrato de prestação de serviços; conside- rar o fato de manter o cliente mais importante do que obedecer aos honorários regidos pela classe; ter um relacionamento profissional em longo prazo com o cliente; por sen- tir-se pressionado pelo empregador ou cliente, pois ele pode encontrar outro profissional que realize o tra- balho por um preço desleal, ou até mesmo que ofereça formas de bur- lar o Fisco; se novo na profissão, para tentar angariar clientes; por necessidades financeiras, conside- rando que, mesmo por fazer um va- lor menor ainda terá algum ganho. Por isso, no exercício da pro- fissão, o contador deve buscar es- tabelecer, antecipadamente, seus honorários e as demais cobranças adicionais pelos outros serviços prestados. Cabe a ele avaliar o va- lor de seu trabalho em decorrência da complexidade, tempo gasto, e outros fatores, como a competitivi- dade de mercado, desde que respei- te a tabela mínima estabelecida pe- los sindicatos contábeis regionais, para evitar a concorrência desleal no mercado. No CEPC, os deveres do profis- sional da contabilidade em relação aos seus colegas de classe estão ex- plicitados do Art. 9° ao 11. Segundo eles, o contador deve agir sempre de acordo com as normas e visar não somente seu próprio cresci- 22 A aplicação prática do código de ética na prestação de serviços contábeis RBC n.º 221 mento profissional, mas também o da classe em geral. Essa harmonia com seus colegas deve ser pautada no cumprimento dos postulados e normas definidas pelos conselhos, além do código de ética. Cabe ao contador nunca criticar um colega ou apropriar-se de traba- lhos que não foram por ele executa- dos ou colaborados, bem como não se deve aceitar cargos que possam prejudicar a classe. Até em casos em que ele seja substituído, não se deve criar desentendimentos, pois isso prejudicará tanto o colega e o cliente quanto a sua imagem peran- te a sociedade. Já em relação aos seus deveres, o contador deve buscar cooperar com a classe, seja com trabalhos ou até mesmo ideias que possam servir de apoio para projetos de melhoria. E na execução de traba- lhos, deve sempre estabelecer seus honorários com base nos critérios estabelecidos pelo conselho, para que não haja concorrência desle- al com os demais profissionais. Lembrando também que nunca se deve aceitar altos cargos que pos- sa manchar a reputação da profis- são da contabilidade visando ape- nas ao benefício próprio. As penalidades do Código de Ética estão compreendidas do Art. 12 ao 14. Neles são descritas as pe- nalidades cabíveis de acordo a gra- vidade, que serão julgadas primei- ramente pelos Conselhos Regionais e, em casos de recursos, o Conselho Federal irá agir como Tribunal Supe- rior para analisar os fatos. As pena- lidades do CEPC podem ser dividi- das em três, sendo elas: • advertência reservada – O con- selho entra em contato com o infrator e aplica uma advertên- cia. Como o nome diz, não há divulgação da falta ética; • censura reservada – Nesse caso, o próprio conselho, por meio de um representante, co- munica pessoalmente o profis- sional sobre sua infração e o censura de forma reservada. Di- ferentemente da advertência re- servada, nesse caso há contato pessoal entre o conselho e o in- frator, porém de forma sigilosa; • censura pública – Essa é a mais alta punição ética, sendo aplicá- vel em casos graves. Nesses ca- sos, a punição tem caráter pú- blico para o conhecimento de toda a classe. Além delas, existem as penalida- des ético-disciplinares aplicáveis por infração ao exercício legal da profis- são, estipulados pela Lei n.º 12.249 de 2010, sendo elas: • Multas – Cobradas de acordo com o valor da anuidade do exercício em curso e podem va- riar entre 1 (uma) a 10 (dez) ve- zes paraos profissionais e de 2 (duas) a 20 (vinte) vezes para as empresas, de acordo com a in- fração. • Suspensão do exercício da profissão – Aplicada pelo pe- ríodo de até 2 (dois) anos aos profissionais que, dentro do âm- bito de sua atuação e no que se referir à parte técnica, forem responsáveis por qualquer falsi- dade de documentos que assi- narem e pelas irregularidades de escrituração praticadas no sen- tido de fraudar as rendas públi- cas; • Suspensão do exercício da profissão – Aplicada pelo prazo de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, ao profissional com comprova- da incapacidade técnica no de- sempenho de suas funções, a critério do Conselho Regional de Contabilidade, a que estiver sujeito, facultada, porém, ao in- teressado a mais ampla defesa; • Cassação do exercício profis- sional - Quando comprovada incapacidade técnica de nature- za grave, crime contra a ordem econômica e tributária, produ- ção de falsa prova de qualquer “Podemos chamar de “moral” as opiniões individuais que cada pessoa desenvolveu, e que definem o que ela classifica como certo ou errado em suas decisões. Os conceitos morais formam a essência do indivíduo, sendo a base utilizada na escolha do grupo em que se deseja estar.” 23REVISTA BRASILEIRA DE CONTABILIDADE RBC n.º 221 dos requisitos para registro pro- fissional e apropriação indevida de valores de clientes confiados a sua guarda, desde que homo- logada por 2/3 (dois terços) do Plenário do Tribunal Superior de Ética e Disciplina. Na contabilidade, assim como nas demais profissões, mesmo com a vigência do código de ética, é ne- cessário que haja uma fiscalização para garantir o seu cumprimento. Ela é exercida principalmente pe- los CRCs e também pelo CFC, como dita o Art. 2°, do Decreto-Lei n.º 9.295/1946, pois cabe a eles desen- volverem as ações necessárias que impeçam essas infrações e que, quando cometidas, sejam devida- mente punidas. A fiscalização busca garantir a continuidade dos bons profissio- nais e o impedimento de atuação de profissionais despreparados. Ela também é realizada por meio da apuração de denúncias feitas por outros contadores ou pela socie- dade. Nas verificações, são utili- zadas as informações fornecidas pelo profissional investigado, as demonstrações contábeis, contra- tos de prestação de serviços, De- cores, auditorias, perícias e outros documentos por ele emitidos. Caso comprovem-se faltas éticas, ou até ilícitas, o contador estará sujeito a todas as penalidades cabíveis, que podem ser desde uma advertência reservada, até a cassação de seu re- gistro profissional. 5. Aspectos Práticos na Aplicação do Código de Ética na Prestação de Serviços Contábeis A contabilidade é uma das prin- cipais profissões existentes na eco- nomia do País e está presente em qualquer ramo de atuação, pois não há nenhuma empresa, gover- no ou curso superior na área sem um contador. Além disso, os diver- sos usuários, como o Fisco, acio- nistas, investidores, instituições fi- nanceiras e outros, necessitam das informações que só a contabilidade pode oferecer. Nesse contexto, não há como desvincular a contabilida- de do ramo de serviços. O trabalho do contador é intangível, ou seja, não pode ser comercializado como um produto, pois não possui me- dida, não é palpável, porém, o seu trabalho possui valor mensurável. Indiscutivelmente, o curso de Ci- ências Contábeis prepara executivos para as diversas áreas empresariais, inclusive fora do ramo da contabi- lidade. Sua formação possibilita o entendimento nos ramos de Admi- nistração, Economia, Ciências So- ciais, Negócios, Consultoria, Merca- dos de Capitais, Recursos Humanos e a própria doutrina contábil. É muito comum identificar- mos os escritórios de contabilidade como a principal área de atuação, porém o profissional possuiu diver- sas outras opções. Bezerra (2013) estabelece as quatro áreas de atua- ção para os contadores e exemplifi- ca as possibilidades de especializa- ção do profissional: • empresas privadas: contador geral; controller; contador de custos; cargos administrativos; analista financeiro; auditor in- terno; e gerente de impostos. • Em órgãos públicos: contador público; tribunal de contas; pe- rícia de fraudes; auditor público; contador militar; agente ou au- ditor fiscal; controlador de arre- cadação; contador do Ministério Público da União; fiscal do Mi- nistério do Trabalho; analista do Banco Central; inspetor da Comis- são de Valores Imobiliários; audi- tor-fiscal do Tesouro Nacional; analista de finanças e controle. • Profissional autônomo: con- tador em escritórios de presta- ção de serviços; consultor fis- cal, trabalhista, previdenciário, de processamento de dados, marketing entre outros; auditor independente; e perito contábil. • Profissional acadêmico: pro- fessor; pesquisador; escritor; pa- lestrante; e parecerista. É evidente que não há limites na atuação profissional do conta- dor, devido aos diversos ramos que podem ser escolhidos, inclusive fora da sua formação. Ele é funda- mental para o desenvolvimento da economia nacional, visto que pos- sui habilidades pragmáticas e teó- ricas nos diversos assuntos relacio- nados ao mercado de trabalho e à economia em geral. A contabilidade tem por fun- ção a prestação de serviços, for- necer informações acerca do pa- trimônio das empresas, pessoas físicas e jurídicas e auxiliar duran- te as tomadas de decisões, visan- do à proteção do patrimônio. Não há garantias do resultado alcança- do após a execução de um serviço, pois existem diversas variáveis que podem alterar e influenciar a sua conclusão. Assim, chegamos ao ponto primordial na prestação de serviços contábeis. Antes de efetu- ar qualquer atividade profissional, cabe ao contador estabelecer um contrato de prestação de serviço, no qual constam os honorários, prazos e deveres do contratante e do contratado. Desde 2003, a Resolução CFC n.º 987 regulamenta a obrigato- riedade do contrato de prestação de serviços contábeis, e, em 2013, a Resolução CFC n.º 1.457 alterou a sua redação. De acordo com a norma, o contrato de prestação de serviços deverá conter, no mí- nimo, os seguintes dados: identi- ficação das partes contratantes; relação dos serviços a serem pres- tados; duração do contrato; cláu- sula rescisória com a fixação de 24 A aplicação prática do código de ética na prestação de serviços contábeis RBC n.º 221 prazo para a assistência, após a renúncia do contrato; honorários profissionais; prazo para seu paga- mento; responsabilidade das par- tes; foro para dirimir os conflitos; e obrigatoriedade do fornecimento da Carta de Responsabilidade da Administração1. Portanto, a finalidade do con- trato é estabelecer as regras e a res- ponsabilidade de cada parte envol- vida e serve, inclusive, como prova de seu descumprimento. De modo geral, a responsabilidade do conta- dor se divide em 3 partes: • responsabilidade ética – São ex- pressas no CEPC e definem o comportamento ético e moral a serem aplicados no exercício da profissão; • responsabilidade civil – É descri- ta no Código Civil e trata sobre o direto nas relações da vida pri- vada; • responsabilidade penal – É des- crita no Código Penal, que defi- ne os crimes e penas, de acordo com as leis existentes. Em cada nível de responsa- bilidade do contador, são defi- nidas as infrações envolvidas na execução dos serviços e penali- dades aplicáveis. Quando a infra- ção é apenas ética, geralmente só é descumprida alguma norma ou critério estabelecido pela classe. Quando a infração é ética e civil, além de ser violada uma norma do CEPC, também há a prejudi- cação de um ente na relação. Já uma punição ética, civil e penal ocorre quando há uma infração passível de punição nos três ní- veis de responsabilidade. Essa é a forma mais grave de se punir o contador. Segundo a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, seu Art. 3° diz: “Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegandoque não a conhece” (BRASIL, 1942). Dessa forma, ao realizar um ato contrá- rio à lei, o profissional assume sua total responsabilidade pelo traba- lho, principalmente os profissio- nais da contabilidade que efetiva- mente assinam as peças contábeis produzidas. Isso mostra a gravida- de de se realizar qualquer traba- lho sem o devido conhecimento, inclusive ao emitir alguma opinião sobre determinado assunto sem o dominar, que pode acarretar vá- rios problemas tanto para o pró- prio profissional, quanto para o cliente, para a sociedade e toda a classe contábil. Outro ponto a ser analisado é a questão do trabalho contábil realizado por auxiliares, que mes- mo sem a formação na área de- vem respeitar as normas e os pre- ceitos contábeis. Nesse caso, cabe ao contador, responsável pelo ser- viço, auxiliar, supervisionar e verifi- car sua execução, pois ao final, no momento de assinar, independen- temente de sua direta realização, qualquer erro será refletido em sua assinatura, pois é ela quem confir- ma o resultado obtido. E isso estende-se a todas as áreas de atuação. Imagine os re- flexos causados pelo profissional que assume determinada matéria para lecionar sem o devido conhe- cimento, ou aquele que, durante as aulas, apresenta visível incapacida- de técnica. Segundo a ética, o pro- fissional deve recusar-se a realizar qualquer serviço, quando não pos- suir as habilidades necessárias. No caso da docência, caso aceite a dis- ciplina, é seu dever ético inteirar-se de todas as circunstâncias antes de emitir um parecer sobre o assunto abordado. 1. Documento emitido pelos administradores da entidade, confirmando as informações e dados fornecidos para a preparação, apresentação e divulgação das demonstrações contábeis. Ela é o documento formal em que a empresa “aprova” o resultado dos serviços contábeis, explícito nas demonstrações contábeis. “O contador deve ser capaz de defender os princípios e regras contábeis em acordo com a ética e aplicá-los em seu cotidiano. Somente por meio do seu ensino poderemos manter um padrão de qualidade dos serviços prestados pelos futuros profissionais.” 25REVISTA BRASILEIRA DE CONTABILIDADE RBC n.º 221 No que diz respeito à ética, as infrações mais cometidas pelos profissionais estão explicitadas no Quadro 1. Os casos demonstrados acima devem ser de conhecimento para todos os profissionais, e principal- mente aos estudantes, para que tais erros não sejam cometidos de for- ma intencional, pois todos são pas- siveis das penalidades pertinentes. Portanto, um serviço contábil de qualidade é o responsável pela boa gestão financeira nas empresas. Ele deve atender as normas contá- beis, código de ética, ser tempesti- vo, estar de acordo com os prazos previamente estabelecidos e apre- sentar de forma bem clara, princi- palmente para leigos, suas infor- mações. Segundo Vieira (2006, p. 46), a demanda por serviços con- tábeis de qualidade pode ser dedu- zida em dois fatores: 1º - aumento do número de profissionais e de or- ganizações contábeis no mercado, que conduz à necessidade de esco- lher aquele que melhor atende às necessidades de cada cliente; 2º - a concorrência no mercado faz com que as empresas necessitem ofere- cer produtos de qualidade por meio de insumos de qualidade. Assim, as informações contábeis, para serem úteis aos usuários, precisam refletir com precisão a realidade econômi- ca das empresas, auxiliando dessa forma, a tomada de decisões. 5.1. Situações práticas x código de ética Após toda essa discussão sobre a ética, não há como negar a sua importância na realização da prá- tica efetiva dos trabalhos dos pro- fissionais da contabilidade, sejam eles realizados por técnicos, bacha- réis, com ou sem registro profissio- nal, e inclusive, para os auxiliares sem formação na área. Entretanto, a simples leitura do código, induz o entendimento que sua aplicação deve ser voltada aos escritórios con- tábeis, para a execução dos servi- ços básicos de contabilidade. Isso se deve ao próprio fator cultural da profissão, pois quando o CEPC foi concebido, não haviam o diversos ramos de atuação que temos hoje, e consequentemente, suas normas foram moldadas à realidade profis- sional da época. Mesmo com a atualização do código em 2010, percebemos que as modernizações não trouxeram os conflitos gerados pelos demais ramos de atuação, além daque- les que já estavam contemplados. Percebemos isso principalmente, na área de docência da profissão, a qual aparenta não ser inserida no código. Porém, como o códi- go deve ser aplicado a todos os ra- mos possíveis de atuação, estamos à mercê de interpretações quando o profissional atua fora do traba- lho explícito na ética profissional. De fato, mesmo que algumas normas sejam gerais à profissão, é indiscutível que a grande maioria das normas está voltado ao traba- lho legal realizado pelo profissional. Talvez podemos justificar isso devi- do a essas informações serem tão relevantes para a economia e por isso possuem um maior embasa- mento ético. Porém, esse argumen- to não elimina a necessidade da éti- ca em todas as possibilidades de se desempenhar a profissão. Será que a ética de um contador que elabora uma demonstração contábil, é mais importante do que a ética de um Controller, que elabora informações gerenciais? Ou até mesmo de um professor, que ministra uma aula de Quadro 1 – Infrações mais cometidas por faltas éticas. Infração Descrição Angariar clientes por meio de agenciador. Oferecer comissões ou percentuais, para um terceiro obter novos clientes. Inexecução dos serviços contábeis para os quais foi expressamente contratado. Deixar de executar os serviços contábeis contratados pelo cliente em desobediência à legislação e às Normas Brasileiras de Contabilidade. Inexecução de serviços contábeis obrigatórios. Não executar os serviços de acordo com os princípios contábeis, sendo-os obrigatórios e resguardando ao seu cliente a situação econômico-financeira de sua empresa, por meio dos lançamentos e das demonstrações contábeis. Adulteração ou manipulação fraudulenta na escrita ou em documentos, com o fim de favorecer a si mesmo ou aos clientes. Trabalhar de forma inidônea para seu cliente ou com os órgãos públicos no recolhimento de impostos, deixando de conservar a boa-fé e a confiabilidade depositadas pelo empresário. Apropriação indébita. Apropriar-se de valores confiados pelos clientes. Incapacidade técnica. Aceitar realizar serviços contábeis para o qual não esteja, absolutamente, capaz de executá-los. Incapacidade técnica em virtude de erros reiterados. Persistir nos erros durante a execução dos trabalhos, sabendo que não está capacitado para executá-los em que o cliente depositou tal confiança. Aviltamento de honorários. Oferecer serviços por preço inferior ao ofertado pelos demais profissionais atuantes no seu mercado específico. Concorrência desleal. Propaganda desabonadora que um profissional faça de outro colega. Oferta de serviços de forma promocional, como: “Seja nossa cliente e ganhe 3 meses de horários de graça”. Propaganda enganosa, como: “Seja nosso cliente e não pague imposto de renda”. Anuncio que resulte na diminuição de colega ou de organização contábil. Publicar, de forma imoderada, os trabalhos desenvolvidos nos meios de circulação, menosprezando os trabalhos executados pelos colegas daquela região. Retenção abusiva, danificação ou extravio de livros ou documentos contábeis. Reter, abusivamente, documentos quando da troca de profissional por parte do cliente, extraviar ou danificá-los. Fonte: Viera (2006, p. 96-97). 26 A aplicação prática do código de ética na prestação de serviços contábeis RBC n.º 221 Contabilidade Avançada com visível incapacidade técnica? Por isso, este estudo procura contextualizar a profissão como um todo, e exemplificar que em todos os ramos de atuação, a éti- ca é essencial e indispensável. Para apoiar essa afirmativa, foram le- vantadas algumassituações práti- cas hipotéticas, alheias à realidade dos escritórios contábeis, para de- monstrar assim que o CEPC tam- bém é necessário para a resolução dos conflitos nas demais áreas da profissão contábil, conforme po- dem ser observados no Quadro 2. Portanto, não há como negar que os conflitos existem e que es- tão presentes em todas as atua- ções do profissional da contabili- dade. E são nessas situações que o CEPC deve ser claro e conciso, para auxiliar a tomada de decisão do profissional, em face do com- portamento eticamente aceitável definido pela classe. 6. Considerações Finais Sem sombra de dúvidas, a defi- nição e aplicação da ética, são pri- mordiais para o convívio em uma sociedade formada por grupos de pessoas com conceitos morais tão diferentes. Ela deve ser utilizada como um mapa, que guia a nos- sa tomada de decisões em face da escolha adequada que foi definida pela própria sociedade. À medida que a própria sociedade se desen- Quadro 2 - Soluções éticas para os conflitos práticos da profissão Conflito Código de Ética Solução Quando um novo cliente contrata seus serviços contábeis, e não aceita os honorários, pedindo sua redução. Art. 8° - É vedado ao Contabilista oferecer ou disputar serviços profissionais mediante aviltamento de honorários ou em concorrência desleal. O contador poderá reduzir os honorários até o valor mínimo definido pelo sindicato da classe. Abaixo deste valor, é considerado concorrência desleal. Quando um cliente pede para omitir dados na declaração do imposto de renda, que acarretem na redução do imposto. Art. 3°, VIII - é vedado Concorrer para realização de ato contrário à legislação ou destinado a fraudá- la ou praticar, no exercício da profissão, ato definido como crime ou contravenção. O contador não pode realizar nenhum ato contrário a Lei. Se o cliente insistir na omissão, o contador deverá recusar o trabalho. Quando o contador descobre que a empresa não está fornecendo todos os documentos para os lançamentos contábeis. Art. 2º, III - é dever zelar pela sua competência exclusiva na orientação técnica dos serviços a seu cargo. Após tomar conhecimento, deverá notificar a empresa sobre a obrigatoriedade da entrega de todos os documentos necessários para a realização do seu trabalho. Caso persista, ele deverá renunciar ao trabalho. Quando o cliente pede para “dar um jeito e diminuir os impostos”. Art. 3°, XIII - é vedado, aconselhar o cliente ou empregador contra disposições expressas em lei ou contra os Princípios de Contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabilidade editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade. O contador somente poderá reduzir os tributos através da elisão. Se o cliente insistir em algum método de sonegação, o contador deverá renunciar às suas funções, pois ele não deve renunciar a sua liberdade profissional, e realizar atos que prejudiquem a eficácia de seu trabalho. Quando o cliente não segue a CLT no pagamento do salário. Art. 3°, VIII - é vedado, Concorrer para realização de ato contrário à legislação ou destinado a fraudá- la ou praticar, no exercício da profissão, ato definido como crime ou contravenção. Ele deverá orientar sobre a legislação vigente, e caso o cliente se recuse a trabalhar de acordo com a Lei, ele deverá renunciar as suas funções. Quando o contador retêm os livros e documentos contábeis, pela inadimplência do cliente. Art. 3° XII - é vedado reter abusivamente livros, papéis ou documentos comprovadamente confiados à sua guarda. Mesmo inadimplente, o contador jamais poderá reter os documentos de seus clientes. Quando o contador identifica alguma atividade ilícita; (de superiores, clientes, colegas, ou funcionários). Art. 2° XII - é dever auxiliar a fiscalização do exercício contábil. Ele deverá comunicar às autoridades competentes, ou ao conselho de ética da classe, sob risco de omissão. Quando fornece informações confidenciais, que tragam vantagens a ele, ou terceiros (amigos, familiares, venda de informações). Art. 3° XV - é vedado revelar negociação confidenciada pelo cliente ou empregador para acordo ou transação que, comprovadamente, tenha tido conhecimento. O contador deverá guardar o segredo profissional, exceto quando for solicitado pelo CFC, pelo CRC e em âmbito judicial. Quando pedem ao contador para apropriar-se de trabalho, iniciativas ou de soluções encontradas por colegas, que eles não tenha participado, e reconhecendo-as suas. Art. 3° XXIII - É vedado publicar ou distribuir, em seu nome, trabalho científico ou técnico do qual não tenha participado. Neste caso, ele deverá recusar assinar e nem declara- se integrante do trabalho, pois não participou de sua confecção ou supervisão. Em desentendimentos por substituição. (Quando o contador solicita ser substituído ou quando empregador solicitar sua substituição). Art. 2° VII - é dever, se substituído em suas funções, informar ao substituto sobre fatos que devam chegar ao conhecimento desse, a fim de habilitá-lo para o bom desempenho das funções a serem exercidas. Caso for substituído, em todas as áreas de atuação, deverá repassar para o seu sucessor todas as informações necessárias para continuar com o trabalho. Quando é solicitada a opinião do contador, mesmo ele não tendo habilidade ou conhecimento, na área ou assunto. Art. 2° V - é dever, inteirar-se de todas as circunstancias, antes de emitir opinião sobre qualquer caso. Caso não tenha conhecimento, recusar a emissão de um parecer, ou informar-se do assunto e posteriormente, dar suas conclusões. 27REVISTA BRASILEIRA DE CONTABILIDADE RBC n.º 221 Conflito Código de Ética Solução Quando o contador omite algum conhecimento, que pode beneficiar o cliente ou a empresa (elisão, aumento do lucro, redução de despesas) Art. 3º, X - é vedado prejudicar, culposa ou dolosamente, interesse confiado a sua responsabilidade profissional; Após assumir a responsabilidade pelo trabalho, ele é responsável por eventuais danos à empresa ou cliente, com ou sem intenção. Não passar ao cliente uma análise dos demonstrativos contábeis. Art. 2°, I - é dever, exercer a profissão com zelo, diligência, honestidade, e capacidade técnica, observada toda a legislação vigente, em especial aos princípios de contabilidade e as normas brasileiras de contabilidade [...]. Cabe ao profissional seguir as normas e leis para a realização do trabalho. Não há nenhuma obrigatoriedade no CEPC da necessidade de interpretação desses dados. Porém, a isso pode ser um dos serviços oferecidos ao cliente, mediante a sua cobrança. Quando o contador não se atualiza às novas leis. Art. 2°, I - é dever, exercer a profissão com zelo, diligência, honestidade, e capacidade técnica, observada toda a legislação vigente [...]. Ele deve se inteirar de todas as alterações legislativas e/ ou normativas para a realização dos serviços, pois lhe é confiado a responsabilidade profissional pelo trabalho. Quando o contador não orienta seus funcionários, sobre a confidencialidade das informações que possuem. Art. 3º, X - é vedado prejudicar, culposa ou dolosamente, interesse confiado a sua responsabilidade profissional. O contador assume a responsabilidade por todos os profissionais sob sua subordinação, e cabe a ele, garantir que todos cumpram as normas e leis aplicáveis. Quando não verifica o melhor tipo de abertura de empresas, de acordo com a necessidade do cliente. Art. 3° XXIV é vedado exercer a profissão demonstrando comprovada incapacidade técnica. Caso ele não saiba orientar, de acordo com as necessidades do cliente ou superior, deverá recusar o trabalho. Quando o cliente oferecer qualquer presente, favor ou hospitalidade. Art. 3º, IX - é vedado solicitar ou receber do cliente ou empregador qualquer vantagem que saiba para aplicação ilícita. Se o presente, favor, ou hospitalidade não estiver vinculado à posterior cobrança para a realização de ato ilícito, não há recusa obrigatória.Caso contrário, deve ser recusado o benefício. Não informar nas notas explicativas, alguma informação que tenha conhecimento e possa elucidar a compreensão dos fatos ocorridos. Art. 3º, XX - é vedado executar trabalhos técnicos contábeis sem observância dos princípios de contabilidade e das normas brasileiras de contabilidade editadas pelo CFC. De acordo com as NBC, as notas explicativas devem ser utilizadas para elucidar os critérios utilizados para a emissão das demonstrações contábeis. Quando o contador recusa contratar funcionários recém-formados em Contabilidade, para não ensinar a prática às pessoas que podem tomar sua clientela. Art. 9º - a conduta do contabilista com relação aos colegas deve ser pautada nos princípios de consideração, respeito, apreço e solidariedade, em consonância com os postulados de harmonia da classe. O contador não deve ver outro profissional como um concorrente, e sim como colega de classe. Ele deve contribuir para o fortalecimento da classe. Quando fala que possui uma especialidade que não possui, e utiliza como um diferencial, em vagas de emprego. Art. 3° XXIV é vedado exercer a profissão demonstrando comprovada incapacidade técnica. Além de não poder oferecer um serviço pelo qual não possui capacidade técnica, ele também não deve promover a concorrência desleal. Usar o cargo para solicitar favores ou serviços pessoais a subordinados. Art. 9º - a conduta do contabilista com relação aos colegas deve ser pautada nos princípios de consideração, respeito, apreço e solidariedade, em consonância com os postulados de harmonia da classe. Desde que não prejudique a classe ou vá de encontro à lei, não há no código de ética vedação à solicitação de favores ou serviços pessoais à colegas ou subordinados. Quando o contador-professor assume disciplina que não é de seu conhecimento. Art. 3° XXIV é vedado exercer a profissão demonstrando comprovada incapacidade técnica. Neste caso, não será falta ética, se o profissional se inteirar do assunto antes de ministrar as aulas. Caso contrário, ao demonstrar incapacidade técnica, poderá ser penalizado. Quando a pessoa formada em Contabilidade, faz concursos públicos na área, sem o registro profissional. Art. 3º, V - é vedado, exercer a profissão quando impedido [...]. Neste caso, sem o registro, o profissional não pode concorrer à vaga, a qual não está habilitado, inclusive contando com sua habilitação em tempo hábil. Fonte: elaborado pelos autores. volve e muda seus pensamentos, é necessário reconsiderar as perspec- tivas ultrapassadas, e analisar os novos fatores que interferem nas relações humanas e na necessidade infinita de se resolver os conflitos do homem. Como nas demais profissões, tais como na medicina e na advo- cacia, a ética também está presen- te na contabilidade e não há es- paço para o livre arbítrio. Ela visa harmonizar a relação do profissio- nal com a sociedade, e, em caso de descumprimento, o profissional deve arcar com suas responsabili- dades. O papel do contador, além de indispensável, é a chave para o desenvolvimento da economia do país, uma vez que toda a sociedade necessita de informações que ape- nas a contabilidade pode fornecer. O profissional que trabalha de forma honesta é considerado de confiança e tem a oportunidade de crescer profissionalmente, uma vez que ele valoriza sua classe e o trabalho exercido por ela. A con- duta do contador deve ser impecá- vel, para propiciar a confiabilidade aos seus clientes e para a socieda- de em geral. O Código de Ética Profissional do Contador é aplicável a todos os pro- fissionais da contabilidade e nas ati- vidades relacionadas à área, sendo eles contadores, contabilistas e au- xiliares de contabilidade. Ele é tão amplo quanto objetivo. Seu segun- 28 A aplicação prática do código de ética na prestação de serviços contábeis RBC n.º 221 do capítulo trata somente dos de- veres e das proibições do profissio- nal durante o exercício da profissão, buscando garantir que não haja ne- nhuma brecha para a realização ati- tudes que não possuam orientações definidas pelo Conselho, além de de- finir as condutas esperadas no de- sempenho de suas funções. Também são estabelecidos os cri- térios para fixação dos honorários e as demais cobranças adicionais pe- los serviços prestados, os deveres em relação aos colegas de classe e as pe- nalidades cabíveis de acordo a gra- vidade, que serão julgados primei- ramente pelos Conselhos Regionais, e, em casos de recursos, o Conselho Federal irá agir com o Tribunal Supe- rior para analisar os fatos. O trabalho desses profissio- nais deve ser executado de for- ma consistente, pautada pelo zelo aos procedimentos éticos, legais e, principalmente, os técnicos, como a fixação de um contrato de pres- tação de serviço. Ele deve ser escri- to de forma clara, com respeito às normas e técnicas desejáveis, para evitar controvérsias em seu enten- dimento. Além disso, como frisa o Código de Ética, os honorários, também devem ser previamente apresentados e fixados no contra- to, desde que respeitem a tabela mínima estabelecida pelos sindi- catos contábeis regionais, sendo que o valor é estipulado, de acor- do com o tempo gasto, a respon- sabilidade, complexidade, e outros fatos pertinentes ao trabalho de- sempenhado. A responsabilidade ética desses profissionais foi definida pela pró- pria classe em face do que se julga correto no desempenho da profis- são, porém, como a contabilidade se tornou algo tão imprescindível, os códigos Civil e Penal também ti- veram que atribuir às responsabi- lidades gerais dos contadores, de- vido à sua grande participação na economia do país, além da serieda- de das informações e serviços pres- tados por eles. Como não há possibilidade de desvincular a contabilidade do ramo de serviços, o trabalho do contador, que é intangível, ou seja, não pode ser comercializado como um produto, pois não possui me- dida e não é palpável, deve prezar pela qualidade, pois possui um va- lor mensurável. Um serviço contábil de qualidade é o responsável pela boa gestão financeira nas empre- sas. O cliente, empregador ou go- verno buscam um serviço confiável, uma vez que entregam seus dados, até mesmo confidenciais, para que o contador os transforme em in- formações úteis. Nesse ponto, a qualidade está aliada à constante atualização e aprendizagem do pro- fissional, que se capacita para ofe- recer um maior conhecimento aos usuários de seu trabalho. Como o estudo procurou con- textualizar a profissão como um todo e exemplificar que em todos os ramos de atuação a ética é es- sencial e indispensável, foram le- vantadas algumas situações práti- cas hipotéticas, alheias à realidade exclusiva dos escritórios contábeis, para demonstrar, assim, que o CEPC também é necessário para a resolu- ção dos conflitos nas demais áreas da profissão contábil e não somen- te no ramo de serviços puramente contábeis, realizados pelos escritó- rios de contabilidade. Não há como negar que os con- flitos existem e que estão presentes em todas as formas de atuação do profissional da contabilidade. E são nessas situações que o CEPC deve ser claro e conciso, para auxiliar a tomada de decisão do profissional, em face do comportamento etica- mente aceitável definido pela classe. Hoje, a formação superior é in- suficiente para garantir o espaço no mercado. Muitas universidades exigem, no mínimo, uma pós-gra- duação que especialize o profissio- nal. Na área pública, verificamos a crescente demanda de concorrentes para as poucas vagas disponíveis. As cidades estão saturadas de es- critórios contábeis, que se ampliam para trabalhar com o máximo de empresas possíveis. Com isso, não há espaço no mercado de trabalho para os maus profissionais. Não há dúvidas de que a Con- tabilidade continuará em constante desenvolvimento, tanto na forma legislativa e profissional. A socieda- de e o mercado começarão a cobrar cada vezmais da profissão, como, por exemplo, por meio da qualida- de nos serviços, da fiscalização dos governos, dos informativos eletrô- nicos que já tomam lugar do pa- pel, inclusive as finalidades dos in- formativos, que já ultrapassaram o campo puramente contábil, para o gerencial. Dessa forma, o profissional do futuro deverá acompanhar es- sas mutações que alterarão a fi- nalidade de seu trabalho. Porém, é necessário considerar que, além dos conhecimentos técnicos e te- óricos necessário para o desem- penho da função, os profissionais que demonstrarem a aplicação dos princípios éticos se sobressa- íram daqueles que não medem as consequências de seus atos. Indis- cutivelmente, ter caráter e firmeza moral será a principal característica identificada para a contratação de um profissional. Em um mundo tão competiti- vo, qual empresa assumirá o risco de disponibilizar suas informações confidenciais a um profissional eti- camente duvidoso? 29REVISTA BRASILEIRA DE CONTABILIDADE RBC n.º 221 7. Referências ARISTÓTELES. Ética a Nicômacos. Tradução: Pietro Nassetti. Brasília: UNB, 2001. BRASIL. Decreto-Lei n.º 4.657, de 4 de setembro de 1942. Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro. BRASIL. Decreto-Lei n.º 9.295, de 27 de maio de 1946. Cria o Conselho Federal de Contabilidade, define as atribuições do Contador e do Guarda-livros, e dá outras providências. BRASIL. Lei n.º 12.249, de 11 de junho de 2010. [...] altera os Decretos-Leis nos 9.295, de 27 de maio de 1946, 1.040, de 21 de outubro de 1969 [...]. BEZERRA, Juarez Bandeira. Áreas de Atuação do Profissional de Contabilidade. Disponível em: <http://contadorgestor.blogspot. com.br/2013/03/areas-de-atuacao-do-profissional-de.html>. Acesso em: 22 set. 2014. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução n.º 803, de 10 de outubro de 1996. Aprova o Código de Ética Profissional do Contador – CEPC. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução n.º 987, de 11 de dezembro de 2003. Regulamenta a obrigatoriedade do contrato de prestação de serviços contábeis e dá outras providências. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução n.º 1.307, de 09 de dezembro de 2010. Altera dispositivos da Resolução CFC n.º 803/96, que aprova o Código de Ética Profissional do Contabilista. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução n.º 1.457, de 11 de dezembro de 2013. Altera a Resolução CFC n.º 987/03, que dispõe sobre a obrigatoriedade do contrato de prestação de serviços contábeis e dá outras providências. CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE. Lei de regência, código de ética e prerrogativas do profissional contábil. Goiás: CRC, 2012. 53 p. Disponível em: <http://www.crcgo.org.br/downloads/livros/Livro_lei_organica.pdf>. Acesso em: 20 nov. 2013. FARIAS, Adriana. Legislação e ética profissional. Disponível em: <http://www.crc-ce.org.br/crcnovo/download/apost_eticaCRC. PDF>. Acesso em: 13 jul. 2014. GUILLON, Antônio Bias Bueno; MIRSHAWKA, Victor. Reeducação, qualidade, produtividade e criatividade: caminho para a escola excelente do século XXI. São Paulo: Makron Books, 1994. LISBOA, Lázaro Plácido (Coord.). Ética geral e profissional em contabilidade. São Paulo: Atlas, 1997. MARQUES, Wagner Luiz. Administração geral e profissional: sucesso de vida. Paraná: Vera Cruz, 2013. Disponível em: < http:// goo.gl/gPZ5Yk>. Acesso em: 20 mar. 2014. NASCIMENTO, Cristiano do et al. O tema “ética” na percepção dos alunos de graduação de ciências contábeis em universidades da região sul do Brasil. Revista contemporânea de contabilidade, Florianópolis, v.7, n.° 14, p. 75-96, jul/dez 2010. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/contabilidade/article/view/2175-8069.2010v7n14p75> . Acesso em: 24 jul. 2014. ROBLES, Gregorio. Os direitos fundamentais e a ética na sociedade. Manole, 2005, 134 p. SANTOS, Antônio Raimundo de. Ética: Caminhos da realização humana. São Paulo: Ave Maria, 1997. SILVA, Simone Rodrigues dos Santos. A ética na profissão contábil. Niterói: UnCM, 2005. Disponível em: <http://www.avm. edu.br/monopdf/30/SIMONE%20RODRIGUES%20DOS%20SANTOS%20SILVA.pdf>. Acesso em: 24 jul. 2014. VIEIRA, Maria das Graças. A ética na profissão contábil. São Paulo: IOB Thomson, 2006, 124p.