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www.esab.edu.br Fundamentos da Administração Fundamentos da Administração Vila Velha (ES) 2017 Escola Superior Aberta do Brasil Diretor Geral Nildo Ferreira Em 17/11/2004, inicialmente foi credenciada ‘EM CARÁTER ESPECIAL” para ofertar cursos de pós- graduação Lato Sensu, por intermédio do Parecer CNE/CES nº 305/2004 e da Portaria MEC nº. 3.693/2004. Portanto, desde 2004, mediante a oferta de diversos cursos lato sensu em várias áreas do saber, a Instituição passou a promover a qualificação de profissionais que dispõem de tempo reduzido para estudos e/ou que não podem se deslocar até os centros de formação. Essa oferta de cursos, gradualmente, caracterizou-se como um processo dinâmico, empreendedor e compromissado com a qualidade social da educação. Em 2006, cumprindo o Marco de Regulação do MEC, a ESAB ingressou no Sapiens, atual e-MEC, com a solicitação para oferta do curso de Pedagogia presencial. Em 2009, a ESAB foi credenciada como Instituição de Ensino Superior (IES), por meio da Portaria/MEC Nº 1.242, de 30 de dezembro de 2009 – Parecer CNE/CES nº 317/2009 para a oferta do curso de pedagogia presencial. Em 2010, e já regulada aos marcos do MEC, passou a ofertar Curso de Pedagogia na modalidade presencial, sob o respaldo da Portaria 14/2010, de 08 de janeiro de 2010. Também em 2010, ingressou com pedido via e-Mec para a oferta de 18.000 vagas distribuída em três cursos de graduação na modalidade a distância: Administração, Sistemas de Informação e Pedagogia. *Em Fevereiro de 2012, foi avaliada para credenciamento nestes três cursos em EAD, com nota máxima 5 (cinco), em todas as dimensões previstas e exigidas pelo MEC. Em 23 de outubro de 2012, teve sua trajetória educacional coroada, ocasião em que recebeu da Editora Segmento o PRÊMIO TOP EDUCAÇÃO/ 2012, sendo reconhecida pela sociedade brasileira como a melhor instituição de formação docente de EaD do País. Entre os anos 2011 e 2012 a ESAB, recebeu 19 comissões do MEC, para avaliações de seus polos de apoio em 10 estados e foi credenciada em todos eles, sem que houvesse nenhuma diligência. Em Agosto de 2013 a ESAB foi credenciada para a oferta de graduação em EAD através da Portaria Nº 717 de 08 de agosto de 2013. Em outubro de 2013, obteve autorização para ministrar os cursos de graduação na modalidade à distância, através das portarias SERES/MEC nº 548, 547 e 549, de 24 de outubro de 2013, com 9.000 vagas iniciais. Em dezembro de 2013, fazendo parte do Marco Regulatório do MEC, obteve o Reconhecimento do Curso de Pedagogia Presencial através da PORTARIA nº 648, de 10 de dezembro de 2013. Em maio de 2014, a ESAB foi recredenciada institucionalmente pelo MEC, tendo uma avaliação unânime pela comissão composta por três doutores, no quesito “Tecnologia para EAD” com índices “Muito Além do mínimo do referencial exigido”. *Nos dias 15,16 e 17/12/2015 – A ESAB teve seu curso de Sistema de Informação RECONHECIDO, também com grande destaque em sua plataforma SGEI® onde conquistou nota máxima 5. Em Setembro de 2017 A ESAB foi autorizada através da portaria nº 964 para ofertar o curso em nível de tecnólogo de Gestão de Recursos Humanos. Enfim, a ESAB pensa à frente de seu tempo, produz conhecimento e inovação e contribui para a formação de seres humanos éticos e antenados com os avanços tecnológicos dos tempos atuais. Consequentemente, promove o crescimento, o desenvolvimento e a evolução da educação superior no Brasil. HISTÓRICO A PARTIR DE SUA REGULAÇÃO: Copyright © Todos os direitos desta obra são da Escola Superior Aberta do Brasil. www.esab.edu.br Av. Santa Leopoldina, nº 840 Coqueiral de Itaparica - Vila Velha, ES CEP 29102-040 Apresentação Caro estudante, A disciplina Fundamentos da Administração é uma disciplina base, que visa, por meio de teorias, conceitos e reflexões, fornecer subsídios para uma orientação ao comportamento do futuro profissional. Não se preocupa em ensinar a executar ou fazer determinadas coisas – o como – mas busca ensinar o que fazer em determinadas circunstâncias e ambientes – o porquê –, procurando fazer o futuro profissional pensar, raciocinar a partir de uma bagagem de conceitos e ideias. Isto, pois, quanto maior a mudança e a instabilidade, maior a necessidade de habilidades conceituais para proporcionar a inovação dentro das organizações. Portanto, nada é mais prático do que uma boa teoria. Sobre este assunto, podemos encontrar diversos livros, todos de grande qualidade tanto no que concerne a conteúdo quanto a material gráfico. Com o objetivo de ordenar essas ideias e facilitar-lhes a pesquisa é que este material foi concebido. Trata-se da elaboração de uma matéria especialmente feita para você, tendo como base uma compilação de livros de autores renomados, dos quais Andrade e Amboni (2011), Chiavenato (2011) e Drucker (2003) foram os escolhidos como pilares. Neste material você encontrará conceitos, teorias, fóruns, estudos complementares, entre outros, tudo com o intuito de ajudá-lo na trilha do conhecimento. Bom estudo! Equipe Acadêmica da ESAB. Objetivo O nosso objetivo é desenvolver uma visão ampla da Ciência da Administração, do seu processo formativo, constituição, evolução e estruturação. Competências e habilidades • Entender os fundamentos da Administração reconhecendo suas principais características e aspectos que diferenciam um do outro a partir de uma análise da evolução histórica do pensamento administrativo. • Compreender a importância do estudo e da análise das ferramentas administrativas, visando adaptá-las ao contexto da sua organização e a sua realidade profissional. • Desenvolver estratégias, políticas e diretrizes abalizadas nos fundamentos da Administração e do papel do administrador. • Aplicar na prática, de forma eficiente e eficaz, as ferramentas da Administração e de gestão, gerando benefícios para a organização e o conhecimento para a carreira. Ementa Introdução ao curso: currículo, mercado de trabalho, conceitos de Administração. O papel do administrador na sociedade atual: formação e legislação profissional. Funções gerenciais: planejamento, organização, direção, coordenação e controle. Áreas de atuação da Administração: geral, produção e sistemas, marketing, finanças e recursos humanos. Introdução ao estudo da teoria administrativa e a importância do seu estudo. A evolução histórica do pensamento administrativo. Sumário 1. Administração: conceito ..................................................................................................7 2. Administração: importância ..........................................................................................10 3. Por que estudar fundamentos da Administração? .........................................................14 4. As organizações e necessidade de Administração .........................................................17 5. Administradores e organizações ...................................................................................20 6. As organizações e seus ambientes: conceitos e definições .............................................23 7. Ambiente interno das organizações ..............................................................................30 8. Ambiente externo das organizações .............................................................................34 9. Ambiente internacional das organizações .....................................................................39 10. A nova organização .......................................................................................................43 11. O novo funcionário ........................................................................................................48 12. Níveis da Administração ................................................................................................5213. Papéis dos administradores ..........................................................................................58 14. Administração como ciência, arte e profissão ................................................................62 15. Excelência em Administração ........................................................................................68 16. As habilidades do administrador ...................................................................................73 17. Administração como vantagem competitiva .................................................................79 18. Legislação do administrador .........................................................................................84 19. Desafios para o administrador ......................................................................................90 20. Administração e desempenho .......................................................................................95 21. Processo decisório e resolução de problemas ................................................................99 22. Objetivos: individuais, organizacionais, estratégicos, táticos e operacionais ...............104 23. Funções organizacionais .............................................................................................111 24. Estruturas organizacionais ..........................................................................................118 25. Entendendo grupos e desenvolvendo equipes ............................................................125 26. Comunicação interpessoal ..........................................................................................131 27. Negociação .................................................................................................................136 28. Resistência à mudança ................................................................................................142 29. Estruturas verticais e horizontais .................................................................................148 30. Departamentalização ..................................................................................................156 31. Funções da Administração: planejamento ..................................................................166 32. Funções da Administração: organização......................................................................171 33. Funções da Administração: liderança ..........................................................................177 34. Funções da Administração: controle ............................................................................182 35. Antecedentes históricos da Administração: civilizações e filósofos ..............................187 36. Antecedentes históricos da Administração: Idade Média.............................................193 37. Antecedentes históricos da Administração: Revolução Industrial ................................201 38. Novas perspectivas: um novo enfoque para o marketing .............................................207 39. Novas perspectivas: Tecnologia da Informação, comércio eletrônico e negócios eletrônicos .................................................................213 40. Novas perspectivas: empresa de classe mundial .........................................................219 41. Novas perspectivas: logística estratégica para o diferencial competitivo .....................224 42. Novas perspectivas: gestão de serviços .......................................................................229 43. Novas perspectivas: administração de projetos ...........................................................236 44. Novas perspectivas: gestão do conhecimento .............................................................242 45. Novas perspectivas: administração empreendedora ...................................................249 46. Novas perspectivas: administração empreendedora – plano de negócios ...................254 47. Novas perspectivas: ética, responsabilidade social e meio ambiente ..........................261 48. Novas perspectivas: gestão de pessoas e o processo de alinhamento entre objetivos organizacionais e individuais ..............................................................268 Glossário ............................................................................................................................276 Referências ........................................................................................................................286 www.esab.edu.br 7 1 Administração: conceito Objetivo Apresentar os conceitos introdutórios acerca da administração de empresas. Você sabia que no Egito, durante a construção das pirâmides, existia a divisão de tarefas e a função de planejamento, a divisão em grupos, dentre outras funções hoje da Administração? Sabia que a civilização romana desenvolveu um sistema semi-industrial, de armas, cerâmica e outros? E como Portugal “dominou” o Brasil, apesar do interesse de outras nações poderosas que o invadiram diversas vezes? Será que estes e outros casos seriam possíveis sem organização, divisão de tarefas, entre outras questões? Para respondermos a essas e a outras perguntas, precisaremos de conceitos, tais como administração, estratégia, suprimentos, logística, missão, crenças, recursos, liderança, finanças, tributos, poder, qualidade, tática, motivação, tecnologia, cultura, entre outros. Veremos, nos trilhos de Andrade e Amboni (2011), que a Administração é o processo de trabalhar com pessoas e recursos para realizar objetivos organizacionais. Vamos juntos verificar alguns conceitos de administração? A Administração é um conjunto de atividades orientadas para que os recursos sejam utilizados de maneira eficiente e eficaz de forma a atingir objetivos específicos. Podemos observar na literatura que a palavra administração deriva do latim, assim como manejo (que corresponde ao inglês management) e gestão (que corresponde ao espanhol gestión e ao francês gestion), sendo que, na prática, todas têm o mesmo significado: uma forma dinâmica de decidir sobre como os recursos serão utilizados visando a consecução dos objetivos propostos pelas organizações. Andrade e Amboni (2011) complementam nosso estudo ao citarem que administrar diz respeito ao desempenho da organização como um todo em determinado contexto. www.esab.edu.br 8 Apresentados esses conceitos introdutórios, podemos perceber que recursos, objetivos e processos são palavras-chave para a administração. Porém, para termos uma boa base de conhecimentos, precisamos conhecer outros autores e seus conceitos acerca de administração. Certo (2003), menciona que a Administração faz com que as empresas caminhem em direção a seus objetivos e metas ao designar atividades que seus membros devem realizar, deste modo, contribuindo para o alcance dos objetivos da empresa. Na mesma linha de raciocínio, Chiavenato (2011) cita que a tarefa da Administração passou a ser a de interpretar os objetivos da organização e transformá-los em ação organizacional, por meio do planejamento, organização, direção e controle dos esforços realizados em todas as áreas e níveis de organização a fim de alcançar os objetivos anteriormente propostos. Assim, podemos observar, com base na literatura especializada, que existem muitos conceitos de Administração, e que a grande maioria das definições sobre o assunto compartilha a ideia básica de que a Administração está relacionada com o alcance dos objetivos organizacionais por meio do uso dos recursos disponíveis. Essa ideia nos leva a concluir que a Administração deve ser dinâmica na tomada de decisões que, além de rápidas para atender o anseio dos clientes e mercados, devem ser corretas. A administração é ação. Administração também é o processo pelo qualse permite alcançar as metas de uma empresa, fazendo uso do trabalho com e por meio de pessoas e outros recursos da empresa (CERTO, 2003). Ainda com base nos conceitos dos autores que vimos, os administradores alcançam objetivos das organizações fazendo com que outras pessoas realizem as tarefas necessárias e não as realizando eles próprios. Desta forma, podemos perceber que a Administração é um campo excitante e importante dentro do mundo universitário, pois envolve a busca das organizações pela competitividade. Além disso, a Administração envolve todas as organizações existentes, correto? Você já pensou que toda organização, pública, privada, pequena, média ou grande, precisa dar resultados e atender bem seu cliente? Seja este um cliente que compra ou um cidadão que é atendido pela prefeitura. www.esab.edu.br 9 Você percebeu que, ao longo dos conceitos de Administração, de várias maneiras foi dito que ela visa atingir os objetivos da organização? Portanto, não pense que administrar é apenas executar tarefas ou operações, mas, acima de tudo, é fazer com que elas sejam executadas em conjunto e de maneira satisfatória, trazendo resultados! Saiba mais Sobre esta profissão apaixonante e desafiadora chamada administração existe um site, chamado Administradores. Visite agora mesmo, clique em Administração e Negócios e leia algumas matérias atuais sobre esse mundo dos negócios, cujo desafio ao profissional é melhorar cada vez mais as organizações. Acesse o site clicando aqui. No começo do estudo da Administração, como você poderá observar de forma mais aprofundada na disciplina de Teoria Geral de Administração, a Administração estava focada em como tornar o trabalho individual mais ágil e melhor realizado, ou seja, como fazer o meu, o seu, o trabalho de cada um, separadamente, melhor. Tempos após, passou-se a focar no trabalho em grupo, em como nos relacionamos nos departamentos aos quais pertencemos. Posteriormente, buscou-se a sinergia, a união entre todos os departamentos da organização em busca do resultado comum. Hoje, além dessas visões, tornou-se foco de estudo a relação entre as organizações, relações de parceria, pois, para vendermos um produto em nossa loja, precisamos que o produto tenha sido produzido, transportado, além, claro, de quem ofereça assistência técnica, entre outros. Ou seja, estamos em uma era de relacionamentos e parcerias entre organizações, não mais apenas de trabalho em grupo dentro de nosso departamento. Assim, vamos para a nossa próxima unidade, em que estudaremos a importância da Administração. www.esab.edu.br 10 2 Administração: importância Objetivo Destacar a importância da Administração de empresas para a sociedade. Após estudarmos na unidade 1 o conceito de Administração, vamos agora entender a importância da Administração para a sociedade. Primeiramente, você observou que usamos o termo organizações ao invés de empresas? Qual seria a razão para esse uso? Bom, empresa é uma das formas de organização. A organização, como veremos melhor adiante, pode ser entendida como um conjunto de recursos que procura realizar objetivos. Desta forma, podemos ter como exemplos de organização: as militares, as religiosas, as organizações não governamentais (ONGs), as padarias, os teatros, as prefeituras, entre outras. Algumas não visam o lucro financeiro: o exército visa defender a nação, as religiosas tencionam a espiritualidade; ao passo que outras visam o lucro financeiro, ou seja, dinheiro, para pagarem suas contas, funcionários, fornecedores etc. Estas, que visam o lucro financeiro, são chamadas de empresas. No que tange à importância social da Administração, podemos considerar que Administração, conforme visto na unidade anterior, pode ser entendida como um processo que busca dar segurança de resultados positivos para as organizações. Levando em consideração a variedade de formações que podem ser consideradas organizações, a Administração torna-se importante em qualquer escala de utilização de recursos – para atingir objetivos individuais, familiares, grupais, organizacionais ou sociais. Nesse sentido, embora o processo administrativo seja importante em qualquer situação, a sua importância principal é o impacto nas mais variadas formas de organização, as quais assumiram papel sem www.esab.edu.br 11 precedentes na vida das pessoas, pois raros aspectos na vida cotidiana não são influenciados por alguma forma de organização. Repare que, conforme vivemos hoje, quase todas as coisas são produzidas por organizações. Tudo o que comemos, vestimos, lemos, usamos no nosso cotidiano, seja para transporte, higiene, saúde, lazer, trabalho, é feito em uma organização. Igrejas, indústria, comércio, universidades, hospitais, clubes são organizações. São tão numerosas e diversas as organizações que mal percebemos a importância e influência dessas em nossas vidas. Nascemos, vivemos, aprendemos, trabalhamos e nos divertimos nestas, e até para o nosso enterro dependeremos delas, conforme Figura 1: Economia Companhia telefônica Companhia de eletrecidade Fornecedores Concorrentes Sindicatos Clientes Agências reguladoras Política Governo Entidades de classe Figura 1 – Ser humano moderno e as organizações. Fonte: Elaborada pelos autores (2012). Todas as atividades relacionadas à produção de bens (produtos) e serviços (atividades especializadas) são planejadas, coordenadas, dirigidas, executadas e controladas pelas organizações (CHIAVENATO, 2011). Logo, percebemos que certos objetivos só podem ser alcançados por meio da ação coordenada de grupos de pessoas. Na sociedade organizacional, www.esab.edu.br 12 muitos produtos e serviços essenciais para a sobrevivência somente se tornaram disponíveis porque existem organizações dedicadas a fazê-los. A qualidade de vida depende delas em grande parte: serviços de saúde, fornecimento de energia, segurança pública, controle de poluição, medicamentos, elaboração de livros, alimentação, ensino, tudo depende de uma organização, seja ela pública ou privada. Assim, perceba que a importância da Administração para a sociedade é que ela visa o alcance de objetivos organizacionais, de forma eficiente e eficaz, sendo que o administrador deve usar os recursos organizacionais da mesma forma. A eficiência, ensina Chiavenato (2011), está relacionada com fazer corretamente as coisas, é um meio, com ênfase nos procedimentos, ao passo que eficácia, sendo, portanto, atingir o resultado, alcançar os objetivos, tendo foco nos fins, gerando valor para a organização. Neste sentido, a importância da Administração, ou melhor, a razão de existir de um administrador é cuidar de um todo ou de uma parte da Administração, seja em locadora, pedágio, hidroelétrica, partido político, banco, loja ou hospital, os administradores são responsáveis por essas organizações e pelos recursos que elas utilizam para alcançar esses objetivos, portanto, a eficiência e a eficácia com que as pessoas trabalham em conjunto para conseguir objetivos comuns dependem diretamente da capacidade daqueles que exercem a função administrativa (CHIAVENATO, 2011). Mas quais são os recursos que os administradores fazem uso? A Administração moderna dá especial destaque para as pessoas, citando-as como o recurso organizacional mais importante dentre outros recursos – espaço físico, instalações, máquinas, móveis, equipamentos, tempo, conhecimento etc. Cabe, portanto, ao administrador, por meio da Administração e das ferramentas administrativas que veremos adiante, criar, manter e tornar as organizações lucrativas, gerando trabalho e renda para a população, pagando impostos para o governo, criando produtos e serviços que tragam benefícios para a sociedade como um todo. www.esab.edu.br 13Vamos pensar juntos, de forma simples e prática, a importância da Administração? Reflita sobre alguma situação em que você foi mal atendido, precisou de alguma organização, seja pública e ou privada, e não recebeu tratamento adequado. Vejam as situações de calamidade e catástrofes! Você acredita que os órgãos responsáveis, sejam estes do governo, como, por exemplo, Defesa Civil, Bombeiros, dentre outros, foram eficazes? E os órgãos sociais, como ONU, voluntários, ONGs, apresentaram resultados da mesma forma? Uma organização pública ou privada bem administrada tem impacto de forma positiva na qualidade de vida de uma sociedade, o que nos permite identificar, com base na sociedade competitiva da atualidade, que os administradores competentes são recursos sociais importantes. E você? Já parou para pensar na importância do seu trabalho para o seu departamento, para sua organização e o seu impacto para a sociedade? Estudo complementar A importância da Administração pode ser vista no artigo a “Era do Administrador”, de Stephen Kanitz, consultor de empresas e conferencista, escritor da revista “Veja”, administrador e mestre. Acesse o artigo clicando aqui. www.esab.edu.br 14 3 Por que estudar fundamentos da Administração? Objetivo Mostrar a relevância do estudo dos fundamentos da Administração para o entendimento do atual contexto empresarial. Conforme vimos na unidade anterior, uma das razões para se estudar Administração é o interesse por melhorar a forma como as organizações são administradas, porque todos “interagem” com todos a cada dia dentro das organizações. Por acaso, você não ficaria aborrecido ao permanecer três horas em um aeroporto, esperando, por exemplo, pela liberação de uma bagagem? Ou permanecer dias à espera de um alvará e/ou à espera por uma inspeção de um órgão público? Pense agora no ramo das organizações que visam lucro, as empresas, conforme vimos anteriormente, qual seria sua reação quando da demora ou da não entrega de sua encomenda ou na falha de um produto recém-adquirido? Um ponto importante a ser discutido neste momento é uma pergunta que sempre aparece no estudo da Administração: se a Administração é uma disciplina aplicada, voltada para resultados, por qual razão devo estudar seus fundamentos? Vamos destacar, com base em Chiavenato (2011) e Andrade e Amboni (2011), algumas razões essenciais para o estudo dos fundamentos ou teorias da Administração. Inicialmente, entende-se que a primeira razão trata-se de que as teorias guiam as decisões da administração, pois seu estudo nos ajuda a compreender os processos fundamentais desta ciência. Com base nesses processos, o administrador pode escolher uma linha de ação efetiva. Em essência, a teoria é um conjunto coerente de pressupostos elaborado para explicar as relações entre dois ou mais fatos. Desta forma, perceba que as teorias válidas permitem-nos prever o que acontecerá em determinadas www.esab.edu.br 15 situações, sendo que com esse conhecimento podemos decidir pela aplicação de diferentes teorias. A segunda razão pode ser entendida pela forma como as teorias moldam a nossa visão das organizações. O estudo das teorias da Administração nos orienta sobre de onde retiramos algumas das nossas ideias sobre organizações e sobre as pessoas que participam delas. Seja na administração científica, de Frederick Taylor, seja na linha de montagem de Henry Ford, que você estudará na disciplina de Teoria Geral da Administração, até os casos mais modernos, como, por exemplo, Ford Company e outras indústrias, as teorias da Administração repensaram a forma de lidar com seus funcionários. A terceira razão é que as teorias nos conscientizam do ambiente empresarial. Ao tempo em que estudamos diferentes teorias, vemos que cada uma delas está diretamente relacionada ao seu ambiente, ou melhor, é produto de seu ambiente, das forças sociais, econômicas, políticas, tecnológicas do seu tempo. Pense que no começo do século XX, por exemplo, ocorria escassez de mão de obra especializada. Assim, os administradores precisavam focar em como tornar o trabalhado mais eficiente, o que fazia sentido na época da Administração Científica, o que pode ser visto melhor em Teoria Geral da Administração, nos estudo de Frederick Taylor e Henry Ford. Em contrapartida, hoje, quando o acesso ao ensino, apesar de não ser ideal e para todos, é mais elevado e democrático, temos mais suprimento de mão de obra, sendo que outras teorias tornaram-se mais difundidas e usadas. Pense que em sua organização, provavelmente, deve haver comissões, comitês, equipes de melhoria contínua, de gestão, de sugestão de melhoria, entre outras. A quarta razão está relacionada ao fato de que as teorias são uma fonte de novas ideias. Com base em erros e acertos do passado, as teorias nos dão chance de assumir um ponto de vista diferente com relação às situações do cotidiano. Assim, ainda que você se sinta mais confortável com uma teoria do que com outra, é importante perceber que nenhuma teoria é geral, capaz de unir ou integrar todas as outras. Ao contrário, www.esab.edu.br 16 na Administração, é prática e comum, uma teoria “pegar emprestado” princípios de diferentes teorias de acordo com as circunstâncias. Assim, o Administrador moderno precisa manter a mente aberta e se familiarizar com cada uma das principais teorias que coexistem atualmente. Além disso, precisamos ser capazes, por meio do uso eficaz dos recursos organizacionais, de gerar trabalho e renda, contribuindo para o desenvolvimento local e regional. Porém, para isso, é necessário o estudo das ferramentas e técnicas dos Fundamentos da Administração, pois, afinal, nada mais prático do que uma boa teoria. Fórum Caro estudante, dirija-se ao Ambiente Virtual de Aprendizagem da instituição e participe do nosso Fórum de discussão. Lá você poderá interagir com seus colegas e com seu tutor de forma a ampliar, por meio da interação, a construção do seu conhecimento. Vamos lá? www.esab.edu.br 17 4 As organizações e necessidade de Administração Objetivo Explicar o conceito e a razão da existência das organizações. Durante a maior parte de nossas vidas somos membros de alguma organização, seja uma igreja, um grupo de dança, o time da escola, o exército ou uma empresa. Algumas, citam os autores, são mais formais, têm regras rígidas, como o exército e corporações, outras como grupos de música, esportes, são mais informais. Porém, todas as organizações, formais ou informais, possuem características em comum. A primeira característica é ter um objetivo em comum, que pode variar de acordo com a organização, seja vencer um campeonato, vender um produto, divertir uma plateia. Saiba que a segunda característica é possuir método ou técnica para atingir esse objetivo, seja treino esportivo para a equipe, técnica de vendas para os vendedores e/ou artes cênicas para os integrantes. A terceira característica, possuir um plano, diz respeito à elaboração de como se pretende atingir o objetivo, pois, sem plano, dificilmente se atinge a eficácia. A quarta característica relaciona-se com a aquisição e destinação de recursos para se atingir os objetivos, afinal, pessoas devem ser remuneradas, máquinas e equipamentos devem ser comprados, instalações devem ser adquiridas e mantidas. Ser composta por pessoas é a quinta característica de uma organização, ao passo que depender de outras organizações, fornecedores, representantes, vendedores, distribuidoras, transportadoras, assistência técnica, entre outras, é a sexta característica de uma organização. Finalmente, a sétima característica de uma organização é possuir um administrador ou um líder. www.esab.edu.br 18 Desta forma, apresentadas as características das organizações, vamos estudar de forma mais amplaseus conceitos? Vamos juntos? Certo (2003) explica que uma organização é o resultado de um processo ordenado de recursos combinados para alcançar os objetivos da empresa. Assim, podemos entender que uma organização é composta por duas ou mais pessoas trabalhando juntas e de modo estruturado para alcançar um objetivo específico ou um conjunto de objetivos. Pelas afirmações apresentadas, podemos entender que a organização é um conjunto de pessoas envolvidas em prol de objetivos comuns. Você sabia que as primeiras formas de organização encontram-se nas civilizações antigas? Muitos conceitos e práticas da atualidade tiveram origem nessas civilizações, como o povo sumério e o uso do controle administrativo, e também na civilização egípcia com a descentralização do poder. Ao longo da história, pelo nosso conhecimento, podemos perceber que países, exércitos e organizações religiosas vem há muito tempo criando soluções para lidar com recursos e realizarem objetivos, como, por exemplo, os egípcios, ao usarem princípios de logística e descentralização, quando da construção das pirâmides, e os chineses na criação da burocracia estatal e concursos públicos. Diante dessas evidências, podemos observar que o uso de técnicas administrativas para os mais variados objetivos pode ser identificado em grande parte dos povos da civilização humana, em todos os tempos, formando assim os primeiros esforços coletivos na busca de objetivos, a chamada organização. Cabe a nós, nesta unidade, entendermos qual a necessidade e a importância das organizações para a sociedade. Observando as sociedades, podemos identificar que o ser humano é influenciado por várias organizações, como no nascimento (hospital), passando pelo crescimento (escola) e até mesmo na sua morte. Existem quatro razões básicas, conforme a literatura especializada, para a existência das organizações: • servir à sociedade: são importantes porque são instituições sociais que refletem valores e necessidades culturalmente aceitas. Elas nos www.esab.edu.br 19 permitem viver juntos e de modo civilizado, além da realização de objetivos como sociedade. Das delegacias de polícia as grandes corporações multinacionais, as organizações servem a sociedade, transformando o mundo em um lugar melhor para viver, mais seguro e agradável. Sem elas, seríamos pouco mais do que animais com cérebros desenvolvidos; • realizar objetivos: pense em quantas organizações são necessárias para a elaboração, por exemplo, de um livro, um destes que você compra em uma livraria: madeireiros, serraria, fabricantes de máquinas e equipamentos, fábrica de papel, empresas de transporte e distribuição, combustível, bancos e financeiras etc. Será que um indivíduo conseguiria realizar este objetivo sozinho? Talvez até conseguisse, mas dificilmente ele poderia fazê-lo tão bem ou tão rapidamente. Assim, por meio da coordenação de esforços de diferentes indivíduos, as organizações permitem o alcance de metas; • preservar o conhecimento: sabemos por meio da história que se o conhecimento registrado é destruído em larga escala, como no caso da Biblioteca de Alexandria, grande parte jamais é recuperada. Assim, dependemos dos registros das realizações passadas como uma base de conhecimento sobre a qual podemos construir ou adquirir mais aprendizado e chegar a maiores resultados. Sem esses registros, a ciência e outros campos do conhecimento ficariam imobilizados. Assim, as organizações, sejam elas universidades, museus, empresas, são essenciais porque guardam e protegem grande parte do conhecimento que nossa civilização juntou e registrou. Neste sentido, as organizações tornam esse conhecimento uma ponte contínua entre gerações passadas, presentes e futuras, além de que, por meio de novos produtos, serviços, visando estar na frente da concorrência, aumentam nossos conhecimentos; • proporcionar carreiras: promove aos participantes uma fonte de sobrevivência e até mesmo de satisfação e a autorrealização pessoal. De forma geral, concluímos destacando que sem organizações não teríamos acesso a grande parte dos produtos e serviços disponíveis na atualidade, além de grande parte de nossos empregos. www.esab.edu.br 20 5 Administradores e organizações Objetivo Apontar o administrador como essencial para a eficácia das organizações. A Administração é um fenômeno universal no mundo moderno. As organizações precisam alcançar objetivos em um cenário de concorrência acirrada, tomar decisões, coordenar múltiplas atividades, utilizar tecnologias, conduzir pessoas, avaliar o desempenho dirigido a metas, obter e alocar recursos, gerar valor e produzir resultados, cita Chiavenato (2011). Podemos observar assim que numerosas atividades administrativas são desempenhadas por vários administradores e orientadas para áreas e problemas específicos, precisam ser realizadas e coordenadas de maneira integrada e coesa em cada organização. Desse modo, temos, como futuros administradores, de perceber e ter em mente que o administrador não é um mero executor, mas sim o responsável pela atividade de uma organização ou parte dela. Assim, um administrador competente deve conhecer um pouco de diversas áreas do conhecimento – Matemática, Direito, Psicologia, Sociologia e Estatística – e saber lidar de forma correta com pessoas que executam tarefas ou que as planejam. Além disso, deve estar atento a eventos presentes e passados, bem como a previsões futuras, pois seu horizonte deve ser amplo, devido ao fato de que é responsável pela direção das pessoas que seguem suas ordens e orientação. Andrade e Amboni (2011) acrescentam que o administrar é fundamental em qualquer tipo de organização por lidar diretamente com eventos internos e externos, e que em cada um dos níveis da organização - estratégico, tático e operacional - seu papel é diferente por lidar com questões mais e menos complexas. www.esab.edu.br 21 Por sua vez, Chiavenato (2011) acrescenta que o administrador é um agente – não só de condução do cotidiano – de mudança e transformação das organizações, levando-as a novos rumos, novos processos, objetivos e estratégias, deve ser um agente educador e orientador, pois sua postura e orientação modificam comportamentos e atitudes de pessoas, sendo, portanto, um agente cultural, pois seu estilo de Administração modifica a cultura organizacional. Desta forma, com base nesses autores, você consegue perceber que o administrador deixa marcas profundas na vida das pessoas? Isso porque lida com elas e seus destinos e influencia o comportamento de clientes, fornecedores, concorrentes e demais organizações humanas, sendo sua influência, portanto, interna e externa. Estudo complementar Para fixarmos ainda mais a importância do administrador como essencial para a eficácia das organizações, vamos ver um artigo do renomado escritor e palestrante Stephen Kanitz, chamado “Um país mal administrado”, clicando aqui. Voltando ao nosso tema, autores como Chiavenato (2011) citam que a Administração, entendendo-se como o trabalho dos administradores nas organizações, foi a maior invenção do século XX, pois tornou possível a transformação de outras invenções pelas várias ciências em produtos e serviços oferecidos pelas organizações. É com base nessa percepção que o desenvolvimento e a evolução dos administradores contribuiu para o progresso da humanidade, pois permitiu transformar o conhecimento de outras ciências em resultados concretos. Conforme ilustram os autores Andrade e Amboni (2011), este trabalho dos administradores, somado à explosão tecnológica, permitiu que outras inovações pudessem produzir seus efeitos, pois sem a Administração jamais a física, química, biologia e demais ciências poderiam ter beneficiado a humanidade com seus produtos e serviços, pois precisaramde administradores para gerenciar o projeto www.esab.edu.br 22 de formulação do produto, desenvolvimento, testes, além de estimar demanda e oferecer o produto no preço certo, local certo e na quantidade suficiente para atender à demanda. No atual ambiente, competitivo e ágil, o administrador deve ser capaz de conduzir a organização a sobreviver e a vencer na competição com outras organizações, ou seja, no caso de ser bem administrada, é mais provável que alcance sucesso e seja líder no mundo de negócios extremamente competitivo. Para sobreviver neste contexto, alegam Robbins e Decenzo (2004), as organizações estão tentando criar uma cultura voltada para o cliente, pois reconhecem ser esse o caminho para a lealdade dele e para a rentabilidade em longo prazo. Desta forma, para uma organização ser bem-sucedida no alcance de seus objetivos, assim como em cumprir suas obrigações sociais, ela depende dos administradores. Se estes fizerem seu trabalho de forma correta, a organização tende a atingir objetivos e a crescer. Para sua reflexão Gostaria que você dedicasse um tempo de nossos estudos para pensar na sequência e nas consequências de uma eficaz administração. Reflita: qual poderia ser o passo a passo para uma administração de sucesso, eficaz e eficiente? De que modo os gestores das organizações precisam agir em relação aos funcionários e fornecedores a fim de atingir seus objetivos? As respostas a essas reflexões formam parte de sua aprendizagem e são individuais, não precisando ser comunicadas ou enviadas aos tutores. www.esab.edu.br 23 6 As organizações e seus ambientes: conceitos e definições Objetivo Definir o ambiente em que as organizações estão inseridas. Cada organização está inserida em um ambiente, que pode ser uma cidade, estado, nação ou mundo, dependendo do porte, sendo que todas interagem com elementos externos. Assim, o conceito de organização inclui o conceito de sistemas. Conceituaremos, para fins deste nosso estudo, o sistema como um conjunto de partes que se relacionam entre si para alcançar um objetivo comum. Podemos perceber, por observação, que as organizações se diferem entre si em muitos aspectos importantes, mas também partilham de pontos em comum. As diferenças residem nas atividades e nos métodos de operação de várias formas de organização de negócios e também entre organizações do mesmo tipo, por exemplo, em relação ao tamanho e à escala de atividades. Entretanto, adotando a visão de sistemas das organizações, podem ser identificados princípios e prescrições das organizações e administração que se aplicam as organizações de negócio em geral. Assim, tece Robbins e Decenzo (2004), usando esse modelo de sistemas, a mesma forma de análise pode ser aplicada a todos os tipos de organização, sendo que a visão das organizações como sistemas provê um ponto comum de referência e permite tomar uma abordagem geral para o estudo das organizações, para analisá-las e estabelecer princípios e prescrições gerais. Vamos nos aprofundar na classificação dos sistemas? Um sistema de acordo com suas características pode ser classificado em fechado ou em aberto (ROBBINS; DECENZO, 2004). Os sistemas fechados não www.esab.edu.br 24 apresentam intercâmbio com o ambiente que os envolve, não recebendo nem influenciando o meio, não recebendo nenhum recurso externo e não produzindo nada que seja enviado para fora. Já os sistemas abertos interagem com o ambiente em constantes relações de entradas e saídas, pois trocam energia e matéria-prima regularmente com o ambiente, sendo dinâmicos e adaptativos e não estáticos. Sobre essas duas formas de sistema, devemos pensar em algumas considerações: • a rigor, não existem sistemas fechados no sentido estrito da palavra. Para fins de estudo, consideraremos sistemas fechados aqueles que possuem baixa quantidade de trocas com o ambiente e cujas funções podem ser previsíveis. Por exemplo, um maquinário de produção pode ser previsível pela relação quantidade de insumo versus produtos finais e suas trocas com o ambiente podem ser previsíveis, isto é, matematicamente previsíveis, pois se limitam a questões climáticas e de energia; • sistemas abertos dizem respeito a entidades que estão em constante troca e interação com os elementos que estão fora de seus limites, como, por exemplo, concorrentes, fornecedores, governos; • vimos que uma máquina pode ser previsível e de pouca interação, entretanto um funcionário que opera a máquina interage bastante com o ambiente externo e seu desempenho nem sempre é previsível e sofre muitas influências do meio. Assim, o ser humano é um sistema aberto. Se pensarmos na teoria econômica e no monopólio – situação em que um grupo controla um segmento da economia, não sofrendo concorrência de preço ou qualidade – este pode ser considerado um sistema parcialmente fechado, pois pouca influência recebe do meio externo. Assim, as organizações devem ser vistas como sistemas abertos, os quais tomam entradas do ambiente (saída de outros sistemas) e, por meio de uma série de atividades, transformam ou convertem essas entradas e www.esab.edu.br 25 saídas para alcançar algum objetivo. Tal frase pode ser melhor visualizada na Figura 2 a seguir. Ambiente Entradas Saídas Processo de transformação (subsistemas interrelacionados) Feedback Produtos Serviçose Matérias-primas Informações Recursos �nanceiros Figura 2 – Sistemas abertos. Fonte: Elaborada pelos autores (2012). Saiba que todas as organizações precisam ter objetivos claros, os quais vão determinar a natureza das entradas, a série de atividades para alcançar as saídas e a realização das metas organizacionais. www.esab.edu.br 26 Outra visualização pode ajudá-lo no entendimento: Ambiente Entradas Retroalimentação ou Feedback • Produtos • Serviços • Fornecedores • Concorrentes • Leis • Governos • Clientes • Tecnologia • Informação Sistema da organização Processamento e transformação Saídas Figura 3 – Sistemas abertos. Fonte: Elaborada pelos autores (2012). É importante esclarecer que, dentro dos sistemas, existem as partes denominadas de subsistema, em que cada sistema inicial dependendo do enfoque também pode ser visto como um subsistema de um sistema ainda maior. Isso porque o departamento financeiro é um subsistema do sistema organização, que, por sua vez, se levarmos em conta suas relações com o mercado e a economia, pode ser encarada como um subsistema do sistema sociedade. Para melhor entendermos o conceito de subsistema, veremos a Figura 4, que demonstra o sistema da organização e alguns dos seus subsistemas. www.esab.edu.br 27 Produção Compras Estoque QualidadeDistribuição física Exemplos de subsistema organizacional Entradas Saídas Figura 4 – Exemplo de subsistema organizacional. Fonte: Elaborada pelos autores (2012). Vamos estudar, conforme Chiavenato (2011), os componentes do sistema aberto? • Entradas: também denominada de fronteira do sistema é a forma de arranque do sistema, sendo os elementos que fornecem a energia, a matéria-prima, a informação para a execução do processo, que quando passam pelo processamento resultam nas saídas. Em nosso exemplo da indústria automobilística, o projeto para mudança de foco (objetivo) leva em conta fornecedores em geral, concorrentes, estudo dos clientes, entre outros, todos componentes do ambiente externo da organização. • Processamento e transformação: fenômeno que produz as mudanças, mecanismo conversor das entradas em saídas. É a forma como os elementos interagem para produzir as saídas, sendo composto dos subsistemas. Em nosso caso, os subsistemas responsáveis serão compras, estoque, projeto, qualidade, recursos humanos etc. www.esab.edu.br28 • Saída: resultado do processo de transformação no qual as saídas devem ser coerentes com os objetivos e serem quantificáveis. • Feedback: também chamado de retroalimentação, retroinformação ou retroação, cujo objetivo é comparar a saída com o critério ou objetivo previamente estabelecido. Em relação às características dos sistemas abertos, Chiavenato (2011) cita que: • sinergia: é o somatório de todos os subsistemas, um multiplicador, em que todos estes se auxiliarão em busca do objetivo do sistema. No nosso exemplo, a sinergia será o somatório de todos os subsistemas (compras, produção, estoque etc.) para se atingir o objetivo do sistema (organização), que é a mudança de foco de veículos populares para de maior valor agregado. Pode também ser definido como que o todo é maior que as partes ou a soma de suas partes. • entropia: significa a tendência de um sistema para exaurir-se e morrer. Para que isso não aconteça e conforme vimos na figura 4, o sistema inicia-se com as entradas. A entropia é evitada com novas entradas, o que administrativamente significa monitorar o ambiente (estreitar relacionamento com clientes, fornecedores etc.), ajustar as mudanças e definir novos rumos. • equilíbrio econômico: também conhecido como homeostase ou estado firme, significa o processo de manutenção do equilíbrio interno, necessário para a sobrevivência. Necessita de forte comprometimento das pessoas com os objetivos e de uma liderança eficaz. • equifinalidade: significa que o mesmo resultado pode ser atingido de diferentes maneiras. Uma empresa pode ser líder de mercado, vendendo a preços populares ou preços com maior margem de lucro. De ambas as formas, o resultado pode ser atingido, apenas o esforço necessário será diferente (quantidade de insumos, horas de trabalho, produção, esforço de marketing etc.). Concluímos esta unidade destacando a importância de você reconhecer as peculiaridades dos sistemas fechados e, sobretudo, dos abertos. www.esab.edu.br 29 Resumo Temos certeza de que estas seis unidades introdutórias de fundamentos da Administração serviram para mostrar a sua importância. Vimos que, conceitos à parte, a Administração trata de atingir objetivos, definir onde se deseja chegar e, por meio das pessoas, usar os recursos, como máquinas, equipamentos, matérias-primas, entre outros neste rumo. A importância da Administração reside no fato de que todas as organizações, sejam públicas, privadas e/ou mistas, grandes, médias ou pequenas, precisam atingir objetivos, serem eficientes e eficazes. Para isso, é necessário o estudo e entendimento das teorias, visando analisá-las, identificando a possibilidade do uso em sua organização, qual a necessidade de adaptação delas, a realidade organizacional, além de, por meio da reflexão, poder pegar os pontos positivos e eliminar os negativos das teorias, gerando um novo conhecimento, que será a sua prática, a sua gestão. Essa sua gestão e o impacto na organização deve ser capaz de preservar o conhecimento, trazer melhorias para a sociedade, gerar trabalho e renda, realizando objetivos individuais e organizacionais. Para conseguir tais resultados, você aprendeu que não existe profissional mais adequado e/ou preparado para gerir as organizações que o administrador. Com o uso da Administração e suas ferramentas, deverá gerar um ciclo de prosperidade, ao criar, manter e tornar as organizações lucrativas, gerando trabalho e renda para a população, pagando impostos para o governo, criando produtos e serviços que tragam benefícios para a sociedade. Entendemos ainda que as organizações são sistemas abertos, que interagem com o meio externo, sendo que os ambientes em que as organizações estão inseridas são o ambiente externo geral, ambiente externo específico e o interno, sendo que estes, cada vez mais estão sujeitos a constantes e rápidas mudanças. www.esab.edu.br 30 7 Ambiente interno das organizações Objetivo Reconhecer o ambiente interno e suas variáveis como essenciais para uma correta administração. Vamos começar esta unidade entendendo o conceito proposto por Certo (2003) para o ambiente interno das organizações? O autor afirma que o ambiente interno é o nível de ambiente em uma organização que tem normalmente implicações imediatas e específicas no gerenciamento. Colocamos a seguir alguns componentes que influenciam esse ambiente: • os proprietários são aqueles que possuem os direitos legais de propriedade do negócio. Existem diferentes tipos de proprietários – o indivíduo que cuida de um pequeno negócio, os parceiros que em conjunto estabelecem e dirigem ou não um negócio e os investidores individuais que compram ações de uma organização ou organizações inteiras; • os empregados são os recursos mais importantes de uma organização, pois são as pessoas responsáveis por elaborar ou executar processos e estratégias, bem como operar e utilizar máquinas e equipamentos; • os administradores são responsáveis por comandar os rumos da organização, buscando garantir o desempenho das funções administrativas e os resultados estabelecidos. Por padrão, os administradores são definidos pelo proprietário ou eleitos pelos acionistas; • as instalações das organizações e o trabalho realizado pelas pessoas compõem o ambiente físico, o qual pode ter as mais diversas configurações espaciais. Isto é, o ambiente físico pode estar em um mesmo plano, em vários andares, em um único local ou em várias unidades; www.esab.edu.br 31 • a cultura organizacional, algumas vezes denominada também de cultura corporativa, pode ser entendida como um espelho das visões comuns sobre os processos da organização. Isto é, o ambiente próprio e interno de cada organização; • as normas e os regulamentos determinam os procedimentos formais e a forma de funcionamento da organização. São regras gerais, por padrão, escritas; • quando falamos sobre divisão do trabalho no ambiente interno, nos referimos à característica de fracionamento de todo trabalho, o que significa que cada pessoa fica responsável por parte do trabalho sem ter a visão do todo; • rotinas e procedimentos são normas, e regras devem ser estabelecidas para cada cargo, visando à eficiência de cada função. Para sua reflexão Os recursos humanos estão entre as forças de trabalho que mais abrangem diferenças culturais, fato que representa um grande desafio para os administradores. Tendo em vista que tais fatores − como raça, etnia, gênero, cultura, idade e vida pregressa − influenciam na cultura do empregado e no seu desempenho, reflita: como conciliá-los de maneira a garantir o melhor resultado para a organização? A resposta a essa reflexão forma parte de sua aprendizagem e é individual, não precisando ser comunicada ou enviada aos tutores. Chiavenato (2011) complementa a ideia de ambiente interno informando que podemos entender o ambiente interno das organizações como sistemas abertos que interagem. Portanto, cada sistema existe dentro de um meio ambiente constituído por outros sistemas. Assim, vejamos as dimensões que caracterizam as organizações burocráticas: www.esab.edu.br 32 • as pessoas trabalham dentro de um sistema de controle escalar que vai do topo à base da organização. Isso é entendido pela hierarquia de autoridade – em que tudo é dirigido seguindo uma obediência a uma autoridade superior. Nessa estrutura, comando e responsabilidade possuem estrutura e dimensão claras; • as relações impessoais das organizações burocráticas devem ser caracterizadas pela individualidade, sem nenhuma interferência ou preferência emocional; • deve existir uma separação entre o dono do capital e o dirigente da organização, de forma que o administrador seja um profissional qualificado para o cargo. A essa dimensão da organização damos o nomede especialização da Administração; • a organização deve prezar pelo formalismo nas comunicações – toda comunicação deve ser formalizada; • as organizações burocráticas devem garantir a profissionalização dos participantes. Essa dimensão faz com que as pessoas que participam da organização sejam profissionais qualificados, pois são especialistas no seu cargo. O funcionário ocupa um cargo pela seleção realizada com base na sua competência e capacidade. A admissão do funcionário é baseada na competência técnica. Dessa forma, a escolha deve seguir critérios técnicos e não preferências pessoais; • todos os funcionários de uma organização burocrática devem se comportar dentro das normas e dos regulamentos determinados pela organização. A essa dimensão chamamos previsibilidade de funcionamento. Ela garante a máxima eficiência possível da organização. Você conseguiu entender que o ambiente interno é o nível de organização do ambiente? Percebe ainda que o nível de organização do ambiente está inserido no próprio ambiente interno e que, geralmente, ele tem implicação imediata e específica na administração da organização? www.esab.edu.br 33 Dessa forma, sem perder de vista as regras das dimensões que acabamos de estudar, somamos ao nosso estudo o pensamento de Andrade e Amboni (2011, p. 76), quando apontam que [...] estas características foram formuladas sob o enfoque técnico, permitindo previsibilidade, estabilidade e a certeza, sem levar em conta as mudanças do ambiente externo, a qualificação dos membros da organização e a tecnologia vigente, entre outras dimensões da dinâmica organizacional, gerencial e operacional. Ainda, antes de concluirmos essa unidade, é importante entendermos que o ambiente interno deve ser previsto e previsível até certo ponto, pois o exagero pode engessar processos e ceifar a inovação nas organizações. Pudemos observar ao longo desta unidade que o ambiente interno é formado pelas variáveis internas da organização, como as normas, os procedimentos, a cultura, os funcionários, entre outros itens. Mas não apenas isso, o ambiente interno também contempla a forma como essas variáveis interagem com o ambiente externo, o qual veremos na unidade a seguir. Vamos em frente? www.esab.edu.br 34 8 Ambiente externo das organizações Objetivo Expor as variáveis do ambiente externo às organizações, apresentando a necessidade do correto gerenciamento destas como essenciais para os resultados organizacionais. Conforme vimos na unidade 6, o ambiente das organizações pode ser dividido em externo e interno, sendo que o ambiente externo é subdividido em ambiente geral e ambiente operacional (ANDRADE; AMBONI, 2011). Podemos visualizar essa disposição na figura a seguir. Ambiente interno Ambiente externo Operacional Geral Figura 5 – Ambiente interno e externo. Fonte: Elaborada pelos autores (2012). Saiba que o ambiente geral é formado por todos os fatores externos a uma organização. Esses fatores representam restrições dentro das quais todas as organizações – negócios, sindicatos, universidades – devem www.esab.edu.br 35 operar. Assim, o ambiente geral, também chamado de macroambiente, é constituído de forças indiretas do ambiente externo, que podem afetar os administradores, pois podem influenciar o clima no qual a organização deve atuar. Com base em Andrade e Amboni (2011), os elementos do ambiente externo geral são: • forças tecnológicas: são variáveis do ambiente externo que podem causar impacto na organização de dois modos: (1) influenciando o uso do conhecimento e de técnicas da organização na produção de produtos e serviços e (2) modificando as características dos produtos e dos serviços oferecidos pela organização. Para administrar essa variável, a administração da organização deve se manter à frente do que há de mais recente acerca das forças tecnológicas, incorporando- as aos seus processos; • elementos econômicos: o comportamento do mercado pode ser alterado em função das variáveis como: taxas de juros, taxas de desemprego, inflação, crescimento econômico, nível geral de renda, entre outras, podendo afetar diretamente as organizações. Em momentos de recessão econômica, é comum ocorrer diminuição do consumo, aumento do desemprego, redução dos lucros, diminuição da produção e, quando a economia encontra-se em expansão, temos um efeito inverso. Dessa forma, para uma administração adequada, é preciso monitorar o mercado e seus indicadores econômicos; • atuação das forças político-legais: leis e autoridades impactam no controle e regulamentação dos setores, por exemplo impostos, leis de concorrência, Código de Defesa do Consumidor, leis trabalhistas, entre outros. Da mesma forma que os elementos econômicos, a boa administração das forças político-legais exige constante acompanhamento e estudo por parte dos administradores; • forças culturais e sociais: são mudanças que afetam as relações socioculturais de uma organização e a demanda por seus produtos e serviços, por exemplo questões acerca da qualidade, garantia, meio ambiente, sustentabilidade, entre outros; www.esab.edu.br 36 • elementos internacionais: esses elementos estão evidentes em administrações de organizações que se apoiam em um fornecedor estrangeiro ou que decidem internacionalizar suas operações. Você conseguiu entender o ambiente externo geral? São forças que afetam todas as organizações em diferentes momentos. Por exemplo, em uma crise econômica, talvez sua primeira medida seja parar de jantar fora, diminuir as compras, não trocar de carro. Caso a crise persista, você trancará a matrícula do seu filho em colégio particular, para, por último, diminuir as compras de alimento, o mais essencial. Assim, todas as organizações precisam analisar as variáveis do ambiente externo, pois, seja uma faculdade, uma factoring, um supermercado, todas serão afetadas por elementos do ambiente externo, como crise econômica, guerras, mudanças na sociedade, entre outras que vimos. Dessa forma, todos esses elementos precisam ser administrados de maneira adequada, a fim de preservar o que é essencial à organização. Agora que você já entendeu o significado do ambiente externo geral, vamos estudar o ambiente externo operacional, conhecido também como ambiente das tarefas, ou específico. O ambiente operacional é composto por variáveis como clientes, concorrentes, fornecedores, reguladores e parceiros estratégicos, os quais dependerão de segmentos específicos de cada organização, conforme podemos ler em Andrade e Amboni (2011): • Os clientes são pessoas ou empresas que compram produtos ou serviços de uma organização e podem variar de acordo com a idade, o sexo, a renda, o estilo de vida etc. Para monitorar a variável, a organização deve estreitar o relacionamento com seus clientes, por meio da pesquisa de clientes, por exemplo. • Os concorrentes ou competidores são aqueles com quem a organização compete na hora de vender seus produtos e serviços, bem como por recursos, sejam financeiros, de matéria-prima ou de mão de obra. Os competidores diretos de uma organização produzem produtos e serviços semelhantes, ao passo que os competidores indiretos são aqueles que podem alterar o interesse do consumidor, desviando suas intenções de compra. www.esab.edu.br 37 • Os fornecedores são aqueles que fornecem à organização recursos financeiros, energia, equipamentos, serviços e materiais para a produção de produtos ou serviços. Esses recursos podem afetar de forma positiva ou negativa a qualidade, o custo e o prazo de entrega e de organização. • As entidades reguladoras têm o papel de controlar, legislar ou influenciar as práticas e as políticas das organizações. Essas entidades podem ser grupos de interesse ou agências reguladoras, como sindicatos,associações de donas de casa, Inmetro, Agência Nacional de Energia Elétrica, entre outros. • Os parceiros estratégicos são duas ou mais organizações que trabalham juntas, em parceria, com o objetivo de tornar a venda, a distribuição, a divulgação dos produtos e a assistência técnica mais fáceis. Estudo complementar Aprenda mais sobre as agências reguladoras. Entendê-las é essencial para que possamos melhorar a administração de uma organização. Acesse o site do Planalto e da ABAR (Associação Brasileira de Agências de Regulação), e conheça quais são essas agências e de que maneira costumam atuar no dia a dia. Você conseguiu perceber a diferença entre o ambiente externo geral e o ambiente externo operacional? O ambiente geral é o limite em que todas as organizações atuam e o ambiente operacional é mais imediato, ou seja, em que uma organização específica atua. Vamos ver um exemplo. Pensemos em uma faculdade. O ambiente externo é composto de variáveis tecnológicas, econômicas, político- legais, culturais e sociais, internacionais que afetarão as organizações, não importa o segmento, seja uma concorrente desta faculdade, uma indústria, uma loja de roupas. Por este motivo a tecnologia para melhorar processos é necessária em todos os segmentos, assim como a adaptação às www.esab.edu.br 38 decisões econômicas como combate à inflação e taxa de juros por parte do governo e assim por diante. Já as variáveis do ambiente operacional afetam de forma diferente cada segmento da economia. Por exemplo, o cliente de um supermercado exige rapidez no atendimento, quantidade de produtos e preço baixo, ao passo que o cliente da faculdade tem outras exigências, como um ensino de qualidade, alto nível de aprendizado e a um preço justo. Além disso, o grau e forma de relacionamento de cada organização com seu cliente será diferente, correto? Os concorrentes de uma faculdade são diferentes dos concorrentes do supermercado, pois os serviços prestados e o nível de expectativa do cliente em relação ao serviço são diferentes. Os fornecedores de uma faculdade serão específicos, como, por exemplo, de livros, cadeiras, quadros, sendo os do supermercado, de alimentos. Diante disso, seguimos em frente em nosso estudo para conhecermos o ambiente internacional das organizações e seus impactos no dia a dia da administração. Atividade Chegou a hora de você testar seus conhecimentos em relação às unidades 1 a 8. Para isso, dirija-se ao Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e responda às questões. Além de revisar o conteúdo, você estará se preparando para a prova. Bom trabalho! www.esab.edu.br 39 9 Ambiente internacional das organizações Objetivo Delinear as variáveis do ambiente internacional e seus impactos na Administração Moderna. Conforme vimos na unidade anterior, quando estudamos o ambiente externo, é importante monitorarmos o ambiente internacional, isto é, os acontecimentos que podem afetar as organizações, como cotações de dólar, petróleo, questões políticas e econômicas mundiais em geral, pois, no ambiente atual, globalizado, podemos depender de recursos financeiros, conhecimento, tecnologia, parceiros, clientes e mão de obra do ambiente internacional. Dessa forma, conforme Andrade e Amboni (2011), todas as organizações operam em um macroambiente que assume muitas formas diferentes. Embora alguns ambientes ainda possam ser relativamente simples e estáveis, outros são muito mais complexos e dinâmicos por natureza, portanto as organizações são concebidas como parte de um universo maior, que pode afetar a organização e vice-versa. Veremos algumas das variáveis do ambiente internacional, pois esse conhecimento é essencial para estarmos em sintonia com os acontecimentos históricos mundiais externos. • Unificação europeia (1993): a Europa se uniu para formar o maior mercado do mundo, o que, a princípio, permite que bens, serviços, capital e recursos humanos circulem livremente entre as fronteiras nacionais. • Queda do Comunismo: o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em 1991, a queda do muro de Berlim em 1989 e o fim do comunismo nos países da Europa Oriental na década de 1980, fizeram com que o comércio internacional tivesse um expressivo www.esab.edu.br 40 aumento. Essas nações, agora, estão dando passos em direção ao capitalismo, seja pela privatização ou pela venda de empresas públicas para empresas privadas, o que permite o aumento da economia de mercado. Essa situação promove o aumento da economia e das taxas de emprego e de consumo nessas nações, as quais passam a sentir a necessidade de importar recursos que não possuem e de exportar seus excedentes. • China: Durante muito tempo conhecida como uma nação fechada ao mercado internacional, a China passou, a partir da década de 1990, a comercializar com outros países, especialmente, com o Ocidente, tendo, a partir de então, montado ou atraído fábricas das mais variadas como computadores, automóveis, eletrônicos em geral, assim como indústrias de base como mineradoras e siderúrgicas, além de empresas de tecnologia e software. Como resultado, a China já é a segunda maior economia do mundo, apresentando altos índices de crescimento. Pensando no crescimento do comércio internacional e da competição entre países, continentes e blocos econômicos e algumas organizações – para ganhar mercado, baixar custos ou reforçar a marca – passaram a competir no mercado internacional, ou, como dizemos, internacionalizaram-se. Uma organização internacional é mais difícil de ser administrada devido ao seu tamanho e à necessidade de maior coordenação. Mas, por qual razão uma organização resolve se internacionalizar? Apontamos quatro possíveis motivos. • Obter acesso a recursos mais confiáveis ou mais baratos: empresas de petróleo e mineração frequentemente se internacionalizam para obter matéria-prima mais barata ou mais confiável do que em seu país de origem, ou ainda em busca de mão de obra mais barata. Em algumas outras situações, o objetivo da organização é sair de seu país em crise, nesse caso, as organizações vão em busca de outras terras para suas instalações. www.esab.edu.br 41 • Aumentar o retorno sobre o investimento: assim como nós, as organizações querem maior rentabilidade. Por isso, transferem seus recursos para locais com maior rentabilidade. Países com taxa de câmbio atrativa chamam a atenção de investidores, como no caso dos Estados Unidos, que recebeu pesados investimentos Japoneses na década de 90, e do Brasil, que nos últimos anos recebeu grandes investimentos internacionais. • Aumentar a parcela de mercado: uma organização que se torna internacional acaba ganhando tamanho, o que a permite produzir em larga escala e ganhar em custos. Além disso, o fato de ser internacional resulta em uma maior admiração e vontade por parte dos consumidores em obter seus produtos. • Evitar tarifas e cotas de importação no estrangeiro: os países, para frear o avanço de empresas internacionais, costumam aumentar as taxas de importação para proteger interesses empresariais. Você lembra que o governo brasileiro, em 2011, aumentou o imposto sobre importação de veículos para proteger a indústria nacional? Assim, ou a montadora deveria possuir fábrica no Brasil, ou produzir parte de suas peças aqui, ou seria sobretaxada. Essa é uma decisão que alguns governos acabam por adotar para incentivar suas economias e/ou para protegê-las de efeitos de crise. Em virtude disso, algumas fábricas internacionais anunciaram e começaram a abrir fábricas em nosso solo, o que tende a gerar trabalho e renda. Viu como é fácil? Pense que, para uma organização que pretende investir pesado em um mercado exterior e não quer ficar à mercê das ditas políticas protecionistas, talvez o melhor sejainvestir no país. www.esab.edu.br 42 Dica O documentário de Michael Moore, chamado “Roger e Eu”, lida com essa situação de internacionalização, motivada pela obtenção de recursos mais confiáveis ou mais baratos. A trama conta a história de quando uma grande companhia automobilística fecha sua fábrica nos Estados Unidos e a leva para outra nação por causa dos custos com mão de obra. Assista, vale a pena! Conhecendo esses motivos, podemos perceber que as variáveis do ambiente internacional moderno, como a União Europeia e a queda do Comunismo, fizeram com que aumentasse o número de países no comércio internacional e, consequentemente, a importância da questão internacional na administração de empresas. É importante lembrar que países, outrora isolados e com menor importância no contexto global, como China, Japão, entre outros da região do pacífico, hoje estão entre as maiores economias. Tarefa dissertativa Caro estudante, convidamos você a acessar o Ambiente Virtual de Aprendizagem e realizar a tarefa dissertativa. www.esab.edu.br 43 10 A nova organização Objetivo Descrever as mudanças ocorridas entre a organização tradicional e organização moderna. Já sabemos, pelos nossos estudos, que a economia tem passado por mudanças que afetam as organizações. Em virtude dessas mudanças, as organizações vêm se tornando mais flexíveis e suscetíveis a seus ambientes. O Quadro 1 ilustra algumas questões entre a velha e a nova organização que são relevantes no nosso estudo. Velha Organização Nova Organização Fronteiras nacionais que limitam a competição. Fronteiras quase insignificantes. Empregos estáveis. Cargos temporários. Mão de obra relativamente homogênea. Diversificação da mão de obra. A reflexão sobre qualidade é tardia. Aprimoramento contínuo e satisfação do cliente são lemas. Grandes empresas fornecem estabilidade no emprego. Redução de vagas e do tamanho das grandes organizações. Gerentes tomam decisões sozinhos. Funcionários participam das decisões. Quadro 1 – Velhas e novas organizações. Fonte: Adaptado de Robbins e Decenzo (2004). Como podemos ver pelos dados do quadro 1, a nova organização requer um administrador eficaz, pois é mais dinâmica e enfrenta desafios especiais. Um dos maiores desafios da nova organização é a competição com companhias estrangeiras, as quais estão aplicadas em trazer produtos de qualidade para consumidores cada vez mais exigentes em todo o mundo. O desafio da competição internacional tem levado administradores e trabalhadores a procurarem novos meios de aumentar www.esab.edu.br 44 a produtividade. Nas próximas linhas, vamos estudar detalhadamente as mudanças indicadas no quadro apresentado. Pense bem: nós vivíamos, até poucas décadas, em economias fechadas, com baixa competitividade e restrições a importações, o que resultava em poucos produtos e, geralmente, de baixa qualidade. O fim das fronteiras geográficas e o aumento da competição trouxeram um aumento expressivo no número de variáveis a serem observadas e gerenciadas pelos administradores, desde concorrentes de várias partes do mundo às possibilidades de fornecimento de mão de obra, de tecnologia e de acompanhamento de variáveis como cotações, guerras, crises etc. Passamos de empregos estáveis e que duravam décadas, como na geração de nossos pais, para empregos com menor tempo de permanência e muito menos segurança, os ditos cargos temporários. Isto se deve, acrescentam Robbins e Decenzo (2004), à maior competição e à necessidade de agilidade e eficácia, além da incerteza da economia global. Estudo complementar As mudanças ocorridas na economia mundial foram rápidas e estão ligadas a uma série de fatores. Conhecer esses processos é fundamental para que você possa aguçar seu olhar crítico sobre as novas organizações e a Administração moderna. Nesse sentido, faça uma leitura atenta do artigo “Mudanças estruturais na Economia Brasileira (1988-2002): abertura, estabilização e crescimento”, do autor Simão Davi Silber, que trata de mudanças significativas ocorridas na década de 90. Para acessar clique aqui. No tocante à força de trabalho, Certo (2003) colabora ao comentar que à medida que as organizações se tornam mais globais, seus integrantes tendem a ficar mais diversos. Os gerentes de corporações multinacionais enfrentam o desafio contínuo de formar uma equipe de negócios www.esab.edu.br 45 competitiva com pessoas de raças diferentes, que falam línguas diferentes, provenientes de diferentes partes do mundo. Outro aspecto que destacamos diz respeito à satisfação do cliente, que está relacionada ao fato de que o aumento da competitividade e da oferta de produtos e serviços fez com que o cliente se tornasse mais exigente, ou seja, demandando das organizações melhores produtos e serviços e fazendo com que investissem de forma mais eficaz em programas de pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, programas de qualidade, satisfação do cliente, entre outros. Perceba que, nesse contexto de maior competitividade e incerteza, Robbins e Decenzo (2004) ensinam que nem mesmo as grandes organizações, vistas como portos seguros, ofertantes de inúmeros e múltiplos benefícios e de uma vida de segurança, podem mais oferecer a chamada estabilidade, pois elas passam a competir com novas economias, blocos econômicos e países mais competitivos em relação a custos, como a China. Ou seja, de que forma uma multinacional Europeia e/ou Norte-americana pode competir com uma fabricante chinesa e ainda dar estabilidade no emprego para seus funcionários? Definitivamente, a globalização afeta uma organização, quando sua administração decide entrar no mercado global, como comentam os autores. Entre tantas mudanças e com tantas variáveis a serem analisadas, um mundo sem fronteiras introduz novos desafios para os gerentes das novas organizações, como, por exemplo, administração em países onde há uma cultura nacional diferente. O desafio específico está em reconhecer as diferenças que podem existir e descobrir os meios de fazer interações eficazes, conforme comentam Robbins e Decenzo (2004). Sobre a nova organização, Chiavenato (2011) ainda salienta que as empresas do novo milênio devem reunir simultaneamente inúmeras características fundamentais, baseadas na participação, criatividade empreendedora, flexibilidade e tecnologia. www.esab.edu.br 46 Nesse ponto, questionamos: como fazer frente à concorrência internacional, aumentar produtividade e tomar decisões que gerem resultados para a empresa e interessem à sociedade? Apesar de não existir uma fórmula mágica, existem algumas características próprias dessas empresas, de acordo com Chiavenato (2011). • Flexível e de livre fluxo: a organização eficaz de amanhã será reconstruída a partir do zero a cada dia. • Não hierárquica: as hierarquias não desapareceram e parece improvável que isso aconteça no futuro próximo. No entanto, elas foram drasticamente reduzidas e as organizações tornaram-se enxutas e ajustadas. As organizações terão de continuar esse processo de des- hierarquização se desejam competir no futuro. • Baseada em participação: os gerentes não possuem todas as ideias. A nova organização reconhece isso – e alguns gerentes também. O importante é buscar ideias e retroação a partir de todas as pessoas – dentro e fora da organização. • Criativa e empreendedora: o processo de empreender impulsiona a busca de novas oportunidades, a habilidade da organização de se concentrar no ambiente externo e de criar novos negócios. • Baseada em redes: o presidente da Intel, Andy Grove, comparou sua empresa ao mundo de espetáculos de Nova York. Esta se baseia em uma rede flexível de atores, diretores, autores e técnicos que constituem uma força itinerante, além doapoio de patrocinadores experientes. Explorando essa rede, é possível viabilizar uma produção que talvez seja um sucesso estrondoso ou fracasso retumbante. Inevitavelmente, o número de peças que se consegue manter em cartaz por um longo período de tempo é pequeno, mas ideias novas e criativas continuam surgindo. As organizações bem-sucedidas não são mais conjuntos monolíticos de fatores de produção, mas redes de parceiros com elevada conectividade e desempenho excepcional. São sistemas virtuais. www.esab.edu.br 47 Essas são, portanto, as características essenciais de uma organização que deseja manter-se estável e obter sucesso no mercado nacional e internacional moderno. Vejamos agora quais são as características necessárias para um bom administrador nesse contexto moderno das novas organizações. Primeiramente, é importante você saber que não existe fórmula mágica e ou receita para ser um bom administrador. Além disso, um administrador não nasce pronto, ele deve ser treinado. Mesmo não havendo receita pronta, podemos destacar três características que administradores bem sucedidos possuem: • paixão por administrar: vontade de fazer a diferença, desejo de contribuir, de dar resultados e não apenas administrar por administrar; • desejo de poder: bons administradores têm uma necessidade saudável de influenciar os outros, sendo que para isso usam mais seu conhecimento e habilidade do que autoridade; e • empatia: os administradores eficazes conseguem lidar com as reações emocionais das outras pessoas, visando a entendê-las, motivá-las e guiá-las rumo à melhoria. De posse de todas essas informações, antes de concluirmos esta unidade, não podemos ignorar o chamado novo mundo do trabalho, o qual é exposto por Robbins (2004, p. 3), fazendo referência a uma afirmação de Tom Peters “Hoje em dia, gostar de mudanças, de tumulto e até do caos é um pré-requisito para a sobrevivência, para não falar de sucesso”. Com essa frase, o autor delineou as constantes mutações do mundo do trabalho que hoje em dia é completamente diferente de 20 anos atrás, além de apresentar o perfil mutante das novas organizações e de seus colaboradores. Vamos em frente? www.esab.edu.br 48 11 O novo funcionário Objetivo Definir conceitos acerca do perfil do antigo funcionário e do novo funcionário. Na unidade anterior, vimos as mudanças sofridas pelas organizações que hoje são muito diferentes que há alguns anos. Mas não foram apenas elas que mudaram, os mercados também mudaram e, com ele, o perfil dos funcionários. Em virtude da revolução tecnológica e pessoal, empresas e mercados inteiros estão na iminência de desaparecer para dar lugar a outros mercados que atendam melhor às necessidades globais. O mercado de trabalho já está desaparecendo para dar lugar a dois outros mercados distintos: o mercado de reposição e o mercado de talentos. Vamos entendê-los? O mercado de reposição é um mercado destinado aos profissionais com pouca ou nenhuma qualificação; o lugar-comum das pessoas que estão procurando emprego. É um mercado que se destina a suprir as necessidades das empresas de pequeno porte que não possuem condições de remuneração elevadas e de algumas empresas que buscam mão de obra – apenas as mãos, não o cérebro. Para essas últimas empresas, a qualificação não é essencial e o salário também não. Mas, como o próprio nome diz, é um mercado de reposição, isto é, alguém foi dispensado e outra pessoa ocupará o seu lugar. Até quando? Não sabemos! Já o mercado de talentos é voltado para pessoas em constante desenvolvimento, um mercado em que as pessoas são procuradas por suas capacidades de realização e pelos projetos já realizados. Nesse mercado, atuam melhor os indivíduos que possuem conhecimento de gestão, capacidade de trabalho, liderança, visão empresarial etc. Dessa forma, as necessidades de qualificação são elevadas, assim como a remuneração. O www.esab.edu.br 49 processo de seleção também é diferente, sem filas, sem preenchimento de fichas, com propostas e negociações. No quadro 2, encontraremos uma série de características desses dois mercados: Mercado de reposição Mercado de talentos Profissional Sem qualificação (pouco estudo), visão (medo de se expor) ou opção (busca de sobrevivência). Constante qualificação (não para de estudar), disposição para superar desafios, visão de mercado, faz o que for necessário para VIVER. Trabalho Subordinado, só faz o que lhe “mandam” e o que o salário cobre, não veste a camisa da empresa. Líder, trabalha por projetos (sendo seus ou não), tem iniciativa e se compromete com os objetivos da empresa. Remuneração Baixa, aumenta de acordo com as reposições do mercado. Alta, em constante crescimento, devido às constantes ofertas de trabalho. Seleção Recrutamento em empresas de recursos humanos. Filas de emprego e preenchimento de fichas. Buscado por Head Hunters. Gerenciado por agentes de talentos. Recebem propostas e convites com frequência. Finalidade Suprir a falta de um funcionário. Recebe e assume poucas responsabilidades. Colaborar com o crescimento e a lucratividade da empresa. Responsável por gerar riquezas. Quadro 2 – Mercado de reposição e de talentos. Fonte: Elaborado pelos autores (2012). E você, futuro administrador, vai estar em qual mercado? Com certeza, no de talentos! Estes dois conceitos, Mercado de reposição e Mercado de talentos, podemos chamar de força de trabalho bimodal – força de trabalho composta por duas classes distintas de empregados: os de alta qualificação e os de baixa qualificação. Um novo funcionário precisa de inteligência emocional. Vamos entender o que isso quer dizer? Para estudarmos a inteligência emocional, precisamos entender o conceito de relacionamento intrapessoal e de relacionamento interpessoal. www.esab.edu.br 50 O relacionamento intrapessoal é a maneira como lidamos com os nossos sentimentos, pensamentos e saberes, determinando a imagem que temos de nós mesmos. As habilidades necessárias para um bom relacionamento intrapessoal são: autoconsciência ou autoconhecimento emocional, gerenciamento emocional, e automotivação. Já o relacionamento interpessoal diz respeito à capacidade de conviver com outras pessoas, aceitar pontos de vista divergentes e obter resultados trabalhando com pessoas diferentes. A habilidade de entender outras pessoas – o que as motiva, como trabalham e como trabalhar com elas – é o que chamamos de inteligência interpessoal. As habilidades necessárias para o desenvolvimento da inteligência interpessoal são: empatia ou reconhecimento das emoções alheias e habilidade em relacionamentos interpessoais. Agora que aprendemos os conceitos de inteligência intra e interpessoal, lembremos que é da união dessas duas inteligências que surge a inteligência emocional, isto é, a capacidade de lidar consigo e com os outros de forma equilibrada. Outro item importante para o estudo das diferenças entre os antigos e os novos funcionários é a edificação. Na edificação, primeiro você faz o ético para seus clientes (organizações, chefias, funcionários) para que mais tarde eles possam edificar você, como se fosse um efeito pirâmide, ilustrado na Figura 5. Você Clientes Você Clientes Figura 6 – Edificação. Fonte: Elaborada pelos autores (2012). Nessa visão do novo funcionário, usamos o conceito de edificação, que diz respeito ao uso das virtudes, da ética, da indução e do treinamento para o bem. Isto é, o funcionário não deve pensar apenas no que a www.esab.edu.br 51 organização faz ou deve fazer por ele, mas também, o que ele traz e faz para a organização. Outro conceito importante para entender as variáveis dos atuais tipos de mercado e funcionários é o ser humano – o ato de ser humano.Para ser um ser humano, basta apenas nascer como um humano ou precisamos agir como tal? Com dignidade, ética, possuir um bom relacionamento interpessoal? Nesse sentido, o universo é vasto e diferenciado. O comportamento humano depende de muitas variáveis, tais como: sexo, raça, idade, lugar onde mora, personalidade, lugar onde nasceu, hobby que pratica, cultura que possui, religião, lugar onde trabalha, profissão que exerce, educação que recebeu, carga genética, experiência de vida, entre outras. Ter compreensão disso em relação ao próximo é ser humano. Não no sentido de ter nascido humano, mas no sentido de agir com humanidade, de ser humano com suas atitudes. Além disso, devemos nos lembrar de que no cenário contemporâneo existe rotatividade, que significa que os funcionários estão diante de um mundo que oferece menos permanência e previsibilidade do que antes, o que deve servir como efeito motivador para a qualificação. Segundo Robbins (2004) devemos entender a rotatividade e perceber que o direcionamento da carreira, nesse ambiente, passou de ser responsabilidade das organizações para ser responsabilidade dos funcionários, que devem ser capazes de sair em busca de qualificação, treinamento e desenvolvimento, tendo em vista as constantes mudanças sociais, tecnológicas e legais. Nessa situação, será cada vez mais normal mudar não apenas de emprego, mas de carreira. Perceba que, para estar no mercado de talentos e/ou entre os trabalhadores de alta qualificação, precisamos da inteligência emocional, saber lidar com equipes, ter atitudes dignas com o próximo e saber que não basta apenas esperarmos por nossas organizações, devemos agir em busca da melhoria própria e da organização. Assim, concluímos uma etapa do nosso estudo: já sabemos sobre os ambientes das organizações e a interferência das suas dimensões nas próprias organizações e em seus funcionários. A partir de agora, conheceremos os níveis da Administração. Vamos lá? www.esab.edu.br 52 12 Níveis da Administração Objetivo Mostrar os níveis organizacionais e suas amplitudes. Ainda que todos os administradores realizem o mesmo conjunto de funções, eles são classificados conforme seu nível dentro da organização. De maneira geral, como orienta Andrade e Amboni (2011), os administradores são divididos em três níveis organizacionais: (1) no topo, (2) no nível intermediário e (3) na área de operação; respectivamente, alta e média administração, e administração operacional. Saiba que os níveis administrativos são também classificados como: administração estratégica, tática e operacional; sendo que estratégica se refere à alta administração, a tática diz respeito à média administração e a operacional está relacionada à administração operacional. Vamos aprendê-los? Antes de vermos os conceitos de cada um desses níveis, é importante ter em mente que todos são considerados administrativos ou gerenciais por estarem diretamente ligados a outras pessoas de quem os administradores dependem para a consecução das atividades. Vamos juntos então! Vejamos cada um dos níveis: • Alta administração: a alta direção ou diretoria responde pelo direcionamento maior e pelas estratégias da empresa, sendo sua responsabilidade desenvolver políticas e estratégias, e estabelecer metas para a organização como um todo. Cabe à alta administração definir os objetivos da organização como um todo, os quais serão desdobrados em metas para todos os demais níveis organizacionais. Mas qual a diferença entre objetivo e meta? O termo meta reflete a fragmentação dos objetivos, pois contém indicação de valores, quantidades e datas, além de avaliar as expectativas organizacionais www.esab.edu.br 53 no curto prazo. Isso nos leva a considerar que as metas seriam os objetivos quantificados e especificados, sendo então, um desdobramento dos objetivos. Ainda em relação à alta administração, é ela que representa a organização perante o governo, comunidade e outras organizações. A alta administração está no topo da pirâmide administrativa, sendo representada, geralmente, pelos cargos de presidente, vice-presidente, diretores e presidentes do Conselho de acionistas. • Média administração: a administração de nível médio é conhecida em muitas empresas como gerência de departamento ou gerência de setor. Ao contrário do nível operacional, o próximo nível a ser estudado. Os gerentes de nível médio planejam, organizam, dirigem e controlam outras atividades gerenciais, por exemplo, o cargo de gerente de marketing, que coordena as atividades de uma unidade ou de uma subunidade. A média administração, de acordo com a diretriz da organização definida pela alta administração, irá determinar como produtos ou serviços serão providos ao mercado para atingir de forma correta o público-alvo, isto restrito ao nível do seu departamento. Essa faixa da pirâmide é responsável ainda pela direção e coordenação das atividades dos administradores operacionais. • Administração operacional: também conhecida como administração de primeiro nível, é responsável direta pela produção de bens e serviços, e é composta por supervisores, inspetores, chefes de seção e demais cargos. Esse nível é a ligação entre as operações de cada departamento e a organização como um todo. A maior parte do tempo gasto por ele é com a supervisão das pessoas na execução das tarefas, sendo que alguns dos supervisores têm se transformado em líder de equipe para obter melhores resultados. Vamos ver um exemplo fácil e rápido dos níveis da Administração aplicados? Para melhor entendermos, pensemos em uma organização do segmento automobilístico. Em uma reunião, o presidente, vice- presidente e o diretor do Conselho de acionistas (alta administração ou nível estratégico) ao analisarem o mercado e as tendências futuras do segmento resolvem mudar o atual foco da organização, mudando do enfoque nos veículos populares para automóveis de luxo. Para isso, sabem www.esab.edu.br 54 que será necessário mudar praticamente todo o fluxo de trabalho atual. Agora a pergunta: para mudar o foco, basta apenas querer ou comunicar aos demais níveis? Produzir automóveis mais elaborados e caros é simples? O que fazer? Assim, como são responsáveis não somente pela elaboração do planejamento, mas também pelas estratégias para alcançá- lo, resolvem convocar o nível tático (ou média administração) para comunicar as mudanças e desdobrar as metas para cada nível. Os gerentes de projeto, produção, compras, estoque, qualidade, recursos humanos, marketing e financeiro (pertencente ao nível tático ou intermediário) foram convocados para uma reunião no dia seguinte, em que foi visto que todos os departamentos e funcionários da organização serão afetados pela mudança, e que para o sucesso do planejamento, será necessária a sinergia de todos. Assim, ficou decidido que: a. o gerente de projeto deverá ser o início, o start de todo o projeto, pois será ele quem vai decidir, com base em estudos, os modelos a serem fabricados com suas especificações de matérias-primas. Deverá terminar em seis meses o projeto e encaminhar aos demais departamentos; b. o gerente de produção, para mudar o foco atual, conclui que serão necessários novos equipamentos, treinamento para adequação da mão de obra à nova tecnologia, novos funcionários, verificação das matérias-primas (componentes) especificadas pelo projeto, realização de cálculos de hora de trabalho, homens necessários, hora-máquina- homem; c. o gerente de compras deverá identificar, no mercado em que estão, os fornecedores dos componentes e negociar a política de pagamento (preço e prazo). As características do fornecedor, como política de pagamento, tempo de ressuprimento e distribuição física terão grande impacto sob a gestão de compras e posteriormente sob os estoques;d. o gerente de estoque, com as informações do gerente de compras, deverá reunir informações sobre área disponível para estoque, pessoas, equipamentos e recursos necessários para o seu correto gerenciamento; www.esab.edu.br 55 e. o gerente de qualidade irá elaborar um plano em que identificará o que será necessário para o controle de qualidade dos novos modelos, pois, com certeza, o controle de qualidade de um veículo de maior valor agregado é diferente de um modelo popular; f. o gerente de recursos humanos identificará em conjunto com os demais departamentos a necessidade de novos funcionários, onde captá-los e como motivá-los. É importante também manter um correto clima durante o processo de transição, para que não resulte em traumas, greves ou descontentamentos; g. o gerente de marketing deverá elaborar um plano de marketing com novo enfoque, levando em conta questões como tamanho do mercado, principais concorrentes, custos de entrada no mercado, campanhas publicitárias e de lançamento, pois vender automóvel popular exige campanhas, conquista e programas de fidelização de clientes diferentes dos automóveis de maior valor; h. o gerente financeiro analisará o custo do projeto total, verificará a necessidade de recursos externos e suas fontes ou de recursos internos e seu uso sem a descapitalização da organização. Supondo que, após a análise dessa série de levantamentos e estudos, tudo esteja correto e pronto para entrar em ação, é a hora de passar as informações ao nível operacional, novamente desdobradas. i. o supervisor de produção será o responsável pelo correto funcionamento da linha de produção, da adequação e resolução de problemas para se atingir as metas definidas; j. o supervisor de compras será o responsável pelo acompanhamento do fluxo de compras como a data do pedido, data de chegada, conferências; k. o supervisor de estoque será o responsável para que não faltem os componentes, assim como pelo seu correto manuseio e pelos demais trabalhadores do setor; l. o supervisor de qualidade será o responsável pelo correto controle de qualidade, como equipamentos e equipe de trabalho; www.esab.edu.br 56 m. o supervisor ou analista de recursos humanos fará o processo burocrático, como os fichamentos e desligamentos dos funcionários e será responsável pela elaboração das folhas de pagamento; n. o supervisor ou analista de marketing observará constantemente o mercado em busca de informações dos consumidores, dos resultados das campanhas, entre outros; o. o supervisor ou auxiliar financeiro acompanhará o movimento ou fluxo financeiro em funções de tesouraria, como fluxo de caixa (entrada e saída de dinheiro). Viu como é simples entender os níveis da organização? Cada qual tem suas responsabilidades, porém, o mais importante é todos trabalharem de forma correta e integrada. www.esab.edu.br 57 Resumo Caro estudante, temos certeza de que estas unidades foram importantes para seu aprendizado. O entendimento do ambiente interno da organização e sua relação com o ambiente externo tornam mais consistente a tomada de decisão, inclusive acerca de questões internacionais, seja para conhecer o processo de internacionalização da organização ou para identificar cenários internacionais que podem influenciar no dia a dia corporativo – guerras, crises cambiais, mudanças tecnológicas etc. Lembramos que esses cenários citados, devido ao aumento da competição, fizeram com que surgissem novas premissas para a Administração, nascendo uma nova forma de organização, que requer um novo funcionário, consciente de sua função e colocação no nível administrativo. www.esab.edu.br 58 13 Papéis dos administradores Objetivo Expor os diferentes papéis desempenhados pelos administradores dentro das organizações. Prezado aluno, como estamos até aqui? Esperamos que você esteja aprendendo bastante. Até o presente momento, vimos a importância da Administração, dos administradores, bem como a relevância das organizações para a sociedade, seus ambientes, assim como a configuração das novas organizações e dos novos funcionários. Precisamos agora aprofundar nossos estudos sobre as boas práticas em Administração. Para isso, começaremos a ver quais os papéis desempenhados pelo administrador e quais deveriam ser suas habilidades, visando à excelência nas ações e obtendo vantagem competitiva. Andrade e Amboni (2011) ensinam que o especialista Henry Mintzberg criou o conceito de papel do administrador, que diz respeito aos padrões de comportamento que se espera de um indivíduo dentro de uma organização. Dessa forma, os papéis do administrador são inerentes às funções assumidas na organização. Eles podem ser classificados em: papéis interpessoais, papéis informacionais e papéis decisórios. No entendimento dos autores, o objetivo de Mintzberg, ao criar esses papéis do administrador, era chamar a atenção para o ambiente incerto e turbulento que o administrador enfrenta, pois a realidade é previsível e controlável apenas em certa parte do tempo. Assim, o administrador moderno precisa desempenhar seus papéis de forma ágil e eficaz. Os papéis interpessoais, na visão de Andrade e Amboni (2011), são aqueles desempenhados para aprimoramento do relacionamento e da interação com outras pessoas. Eles podem ser divididos em três tipos, listados a seguir. www.esab.edu.br 59 • Representativo: também considerado o chefe simbólico, papel no qual o administrador se coloca como um representante da organização. Isto é, responde pela organização quando estão em pauta assuntos como princípios, objetivos e missão. A imagem do chefe compreende todas as atividades nas quais o administrador age como símbolo e/ou representante de sua organização, seja falar em público, comparecer a solenidades ou relacionar-se com pessoas e autoridades em nome da organização; • Líder: o administrador contrata, motiva e trata do processo comportamental da equipe. A liderança permeia todas as atividades gerenciais e não é isolada, pois todas as tarefas que envolvem persuasão, negociação, motivação e, de forma geral, relações humanas, têm conteúdo de liderança; • Vínculo: neste papel, o administrador se envolve de modo regular com pessoas de fora da organização para atingir os objetivos organizacionais, sendo assim, torna-se o elo entre as equipes. Esse papel envolve a teia de relações humanas que o administrador deve manter, principalmente com seus pares. Podemos perceber, portanto, que os papéis interpessoais são aqueles que envolvem relações dos administradores com pessoas de dentro e de fora da organização, sejam funcionários, colegas, chefes, clientes, integrantes da comunidade, entre outros. Vamos então ao estudo dos papéis informacionais? Devemos entendê- los como aqueles que, conforme Andrade e Amboni (2011), são desempenhados na troca e no processamento de informações, e assim como os papéis interpessoais podem ser divididos em três grupos: • monitor é o administrador que acompanha ativamente o ambiente para obter informações que sejam relevantes para o desempenho da organização. O administrador executa esse papel quando recebe ou procura receber informações sobre o que se passa na sua organização ou no meio ambiente. Essa atividade envolve capacidade para lidar com uma grande variedade de informações, desde literaturas específicas aos bastidores da organização; www.esab.edu.br 60 • o disseminador transmite informações importantes coletadas do ambiente para as pessoas certas da organização. Os administradores que assumem este papel são responsáveis por distribuir informações importantes aos colaboradores subordinados. A maior parte dessas informações vem de reuniões de equipe e de memorandos, mas parte delas é baseada na análise e na interpretação dos fatos feita peloadministrador. Em ambos os casos, é responsabilidade do dirigente certificar-se de que os subordinados receberam a informação correta e necessária para o desempenho de suas funções; • porta-voz: é o interlocutor ou aquele que fornece todas as informações de alta significância e/ou as respostas em nome da empresa. Esses administradores também transmitem informações para pessoas que estão fora de sua unidade de trabalho, seja de outro departamento da empresa ou externos à organização. Antes de passarmos para o estudo dos papéis decisoriais, é importante fixarmos bem a diferença entre o papel do porta-voz e do disseminador, já que ambos trabalham com transmissão de informações. O porta-voz está relacionado à transmissão de informação de dentro para fora da empresa, ao passo que o disseminador transmite informações de fora para dentro. E os papéis decisoriais? Para Andrade e Amboni (2011), os papéis decisoriais são aqueles desempenhados quando os administradores tomam decisões. Assim como os outros papéis do administrador, eles são subdivididos em: • empreendedor: refere-se ao administrador que procura por oportunidades de valor para organização e age para aproveitá-las. Os administradores, neste papel, tentam melhorar suas unidades, por exemplo, dando início ao desenvolvimento de um projeto para tornar realidade uma boa ideia de que tiveram conhecimento; • solucionador de conflitos: resolve conflitos internos ou externos à organização. Nenhuma organização funciona bem o tempo inteiro. Dessa forma, não existe limite ou hora para acontecerem conflitos, www.esab.edu.br 61 greves, queda dos lucros etc. Nesses casos, cabe ao administrador ter a capacidade de resolver os conflitos; • alocador de recursos: este papel está relacionado à determinação da forma que os recursos (capital, equipamentos, instalações, entre outros) serão alocados entre as várias áreas da organização. Ao passo que as necessidades são infinitas, isto é, não acabam nunca, os recursos são finitos, escassos, e por isso é necessário definir prioridades e preferências (ROBBINS; DECENZO, 2004); • negociador: refere-se ao administrador que busca operar acordos e contratos de interesse da organização, uma qualidade essencial do administrador, pois eles passam grande parte do seu tempo negociando, seja interna ou externamente. Para sua reflexão Acabamos de estudar os papéis dos administradores, não é mesmo? Mas qual é o fator que motiva essas divisões e classificações? O motivo central é o padrão de comportamento esperado dos administradores conforme a função que assumem dentro de uma organização. Você acredita que esses padrões podem ser determinantes para o sucesso da organização? De que forma? A resposta a essa reflexão forma parte de sua aprendizagem e é individual, não precisando ser comunicada ou enviada aos tutores. Diante de todo o conteúdo estudado nesta unidade, devemos entender que os administradores devem ser versáteis e ágeis para acompanhar as imprevisibilidades do ambiente organizacional e para desempenhar da melhor maneira os papéis que lhe são atribuídos ao longo da sua jornada profissional, sejam eles interpessoais, informacionais e ou decisórios. www.esab.edu.br 62 14 Administração como ciência, arte e profissão Objetivo Debater acerca do tripé ciência, arte e profissão no contexto da Administração. Você já parou para pensar se a Administração é uma ciência, uma arte ou apenas uma profissão? Ficou curioso? Vamos juntos desvendar mais esse assunto intrigante do mundo da Administração nas próximas linhas desta unidade. 14.1 Administração como ciência A Administração pode ser entendida como uma ciência, pois lida com fenômenos complexos sobre os quais o administrador tem pouco conhecimento. A condição para a existência da ciência está centrada bem mais na observação e na experimentação do que na simples formulação. Para isso, conforme Andrade e Amboni (2011), alguns procedimentos e operações intelectuais são importantes: • a observação racional e controlada dos fatos, com uso de métodos e técnicas; • a interpretação e explicação adequada dos fenômenos; • a verificação dos fenômenos concretizados pela experimentação ou pela reobservação; e • estabelecimento de princípios e leis. A Administração como ciência, no entendimento de Andrade e Amboni (2011), recebe influências de diferentes ciências como a Filosofia, a Sociologia, a Psicologia e a Economia. As contribuições dessas ciências são as mais variadas conforme suas áreas de atuação: a Sociologia, por exemplo, como uma ciência que estuda as sociedades humanas e os processos que interligam os indivíduos em associações, grupos e www.esab.edu.br 63 instituições, contribui para o administrador entender os processos de interações que podem se estabelecer nas mais variadas situações. Além da influência dessas ciências, outro ponto relevante no reconhecimento da Administração como ciência é que ela não deve ser enquadrada entre as ciências exatas, pois essas são independentes de variáveis, como a Matemática, por exemplo. Os números, que representam uma das grandezas dessa ciência, estão relacionados a uma quantidade ou porção exata. Quando identificamos algo por um mesmo número, significa que podemos estabelecer equivalência entre elas, independentemente do contexto em que elas estejam. Dessa forma, seja em uma organização pública ou privada, o uso das fórmulas e dos métodos matemáticos será igual. Essa verdade já não possui fidelidade nas ciências inexatas como a Administração, pois, diferentemente da Matemática, de acordo com tipo de organização, a forma de liderança, a instabilidade do ambiente, as regras e as formas de trabalho – grandezas da Administração, assim como os números para a Matemática – serão diferentes. Diante disso, devemos ter em mente que a ciência inexata é aquela em que as regras e as fórmulas não se aplicam igualmente a todos nem possuem resultados de aplicação previsíveis. . Pense, por exemplo, em uma organização que apresenta resultados positivos com um gestor centralizador, ao passo que em outra organização esta gestão centralizadora causa prejuízos. Por estar entre as ciências inexatas, o administrador, na maior parte das vezes, toma decisões com base em informações incontroláveis e em um ambiente de negócios altamente mutáveis e circunstanciais (ANDRADE; AMBONI, 2011). 14.2 Administração como arte Costuma-se definir arte como uma ação para atingir um resultado desejado por meio da aplicação de habilidades inerentes ao artista. Para ficar mais simples de entender, pense em atores, pintores, escultores, entre outros. Eles atingem um resultado utilizando suas habilidades de representar algum sentimento ou fato por meio da atuação, de pinturas ou esculturas. Então, por que podemos dizer que a Administração www.esab.edu.br 64 é uma arte? Entre as suas ações, a Administração proporciona o desenvolvimento de habilidades especiais e necessárias ao administrador para que ele realize com desenvoltura as atividades na organização por meio de treinamento educativo. O administrador, diante de uma realidade instável e incerta, deve atuar muitas vezes como um artista e não como um mero executor de tarefas, pois é responsável por orquestrar uma série de fatores, sendo, portanto, maestro. Além disso, é essencial que o administrador possua jogo de cintura para improvisar e reinventar, a fim de não deixar a organização passar por dificuldades para alcançar os objetivos pretendidos. Em outras palavras, não basta aprender o que é explicado nas diferentes áreas estratégicas da Administração, o profissional do campo da Administração tem que ter a capacidade e a habilidade de saber fazer (arte) para traduzir todo o conhecimento em ações práticas que proporcionem resultadossignificativos para as organizações e para a sociedade. Para que você possa entender melhor o ponto exposto, apresentamos a figura 7, a seguir. Conjunto de conhecimentos Ações práticas Projetos (fazer acontecer) Habilidade = arte • Administração de recursos humanos • Administração de marketing • Administração �nanceira • Administração de produção • Administração estratégica • Administração de materiais e logística etc. Figura 7 – Habilidade para saber fazer. Fonte: Adaptada de Andrade e Amboni (2011). www.esab.edu.br 65 Dessa forma, arte, na Administração, é a capacidade, sustentada pelo conhecimento dos conceitos, das metodologias e das técnicas administrativas, que os profissionais devem possuir e aplicar de maneira adequada, nas organizações. 14.3 Administração como profissão O entendimento de Administração como um corpo de conhecimentos tem início a partir dos estudos de pensadores como Adam Smith (1776), James Watt (1800) e Robert Owen (1810), entre outros. Porém, é Joseph Wharton (1881) o responsável pelo estabelecimento dos primeiros cursos de graduação para o estudo da Administração, em 1881, sendo que hoje a mundialmente conhecida Wharton School é uma das líderes no ranking de ensino de Administração. Em território nacional, a Administração começou a ser disseminada em 1931, pelo Instituto de Organização Racional do Trabalho (IDORT), em São Paulo. Em 1938, com a criação do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), foram difundidos os métodos administrativos, visando principalmente à capacitação do servidor público. Inicia-se, assim, o crescimento do ensino de Administração no Brasil próximo dos padrões conhecidos atualmente, como pode ser percebido pelos exemplos apresentados a seguir. • Implantação da Escola Superior de Administração de Negócios (ESAN) – em 1941 foi implantada em São Paulo a ESAN. A escola adotou como m odelo os métodos pedagógicos da Graduate School of Business, da Universidade de Harvard. Contudo, o reconhecimento desse curso pelo Ministério da Educação aconteceu somente em 1961. • Criação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) – o processo de industrialização do Brasil ocorrido na década de 1930, somado à necessidade de procedimentos administrativos no setor público, motivou a criação da Fundação Getúlio Vargas, em 1944. www.esab.edu.br 66 • Implantação da Escola Brasileira de Administração Pública (EBAP) – logo após a criação FGV, foi a vez da Escola Brasileira de Administração Pública no Rio de Janeiro, em 1952. • Implantação da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP) – dois anos depois da EBAP, nasce em São Paulo a Escola de Administração de Empresas de São Paulo, em 1954. Conforme explicam Andrade e Amboni (2011), toda essa evolução fomentou a criação da profissão de administrador no Brasil, que se deu com a edição da Lei n° 4.769, de 9 de setembro de 1965, a qual foi posteriormente regulamentada pelo Decreto nº 61.934, de 24 de fevereiro de 1966. Como outras profissões liberais, a regulamentação da carreira de administrador de empresas previu a criação de órgãos responsáveis pela orientação, disciplina e fiscalização do exercício profissional, quais sejam: (a) o Conselho Federal de Administração (CFA), com a missão de trabalhar pela afirmação da profissão e pela sua fixação no sistema sócio-jurídico-econômico nacional; (b) e os Conselhos Regionais de Administração (CRA), que detêm a responsabilidade de executar as diretrizes formuladas pelo Conselho Federal de Administração e fiscalizar, na área da respectiva jurisdição, o exercício da profissão de administrador. Juntos, esses órgãos constituem o chamado Sistema CFA, autarquia dotada de personalidade jurídica de direito público, com autonomia técnica, administrativa e financeira, não recebendo nenhuma subvenção do Governo Federal, sendo mantida pela anuidade paga pelos profissionais inscritos. www.esab.edu.br 67 Neste contexto, nasceu, de forma oficial, a formação acadêmica em Administração, definida nas diretrizes curriculares. Entre as qualidades esperadas do profissional formado está a capacidade de compreender as questões técnicas (métodos e procedimentos), assim como as questões sociais e econômicas da produção. Além disso, ele deve ter capacidade de análise e tomada de decisão, visando garantir a eficiência dos processos e a eficácia dos resultados, mantendo e gerando trabalho e renda. www.esab.edu.br 68 15 Excelência em Administração Objetivo Exibir os componentes-chave da Administração eficaz. Agora que já vimos os papéis dos administradores na unidade 13 e entendemos a Administração como ciência, arte e profissão na unidade 14, veremos o que é necessário para que você se destaque como um administrador, isto é, princípios que indicam o caminho da excelência na Administração. De forma geral, espera-se que os administradores sejam excelentes líderes, ativos e capazes de criar um ambiente de trabalho positivo, no qual a organização e seu pessoal têm a oportunidade e o incentivo para atingir um alto desempenho. A essas características podemos chamar de componentes-chave da Administração eficaz. Vamos estudá-los melhor? 15.1 Administradores como líderes ativos Os melhores administradores são aqueles que assumem papéis de líderes, isto é, que são participantes ativos nos departamentos e nas organizações dos quais são responsáveis. Dessa forma, eles não podem ser passivos ou observadores desligados sentados em um escritório, sem ter contato com os funcionários e com as operações da organização; os administradores devem estar diretamente envolvidos nas decisões e atividades-chave e possuir amplo e profundo entendimento das tarefas delegadas a outros colaboradores. Já aconteceu com você, caro aluno, ter um chefe que não entende o seu trabalho? Além de não poder ajudá-lo, ele não estará apto para julgar seu desempenho, não é mesmo? Além disso, devemos ter em mente que administradores ativos estabelecem direções estratégicas apropriadas e alinham os funcionários www.esab.edu.br 69 para que eles possam levá-las adiante. Para tomar decisões inteligentes, os administradores devem conhecer e ter paixão por seus negócios, para serem capazes de tomar decisões inspiradas e inspirar outras pessoas. 15.2 Um ambiente de trabalho positivo É comum quando se pede às pessoas que descrevam o trabalho de um administrador, que, com frequência, essas digam “os administradores dizem aos funcionários o que deve ser feito” ou “os administradores dão ordens”. Embora seja uma das funções dos administradores direcionar seus funcionários, aqueles que passam todo seu tempo dando ordens não estão desempenhando bem seu trabalho. Um grande administrador também é responsável por criar um ambiente de trabalho positivo. Mas como fazer isso? Um ambiente de trabalho positivo existe quando o administrador faz todo o possível para estabelecer as condições que encorajam o sucesso e que removem as causas de falhas. De certo modo, os melhores administradores estruturam suas unidades de trabalho para que funcionários não tenham outra alternativa a não ser o alto desempenho. Esse tipo de administrador concentra-se em colocar os funcionários numa posição em que eles são capazes de atingir o sucesso e desejam fazer isso por seus próprios esforços. www.esab.edu.br 70 Para isso, é necessário fornecer o treinamento adequado, deixando claras as funções do colaborador, disponibilizando recursos e estruturas necessários. Como exemplo, vejamos Maria Luíza Trajano, sócia da Magazine Luiza, que é conhecida pela forma de lidar e de incentivar seus colaboradores. Dentre suas ações, está a conversa franca, direta, a presença constante nas unidades, além de reuniões rápidas e motivacionais. Ainda dentro de sua conduta, está a práticade oferta de presentes aos que comemoram aniversário. Também tem simplificado o processo de tomada de decisões, dando aos gerentes de lojas e representantes de vendas experientes a autoridade para estabelecer preços e fornecer crédito. Claro que hoje, tendo em vista o crescimento da rede e os compromissos, Luiza não se faz presente o tempo todo, mas, as práticas, por ela criadas, têm a participação de subordinados diretos seus, além, claro, de eventualmente, sua própria participação. O resultado? A empresa está entre as 10 melhores do Brasil para se trabalhar, nos últimos anos! Você já deve ter percebido que um ambiente de trabalho positivo fornece à organização e aos funcionários a oportunidade de atingir um alto desempenho, bem como o incentivo para atingi-lo. Vamos estudar essas duas características? 15.3 A oportunidade de atingir um alto desempenho Para a organização e seus funcionários terem a oportunidade de atingir um alto desempenho, o administrador deve compreender o trabalho por completo, isto é: o que se quer atingir e como isso será feito. Para sermos administradores que dão oportunidades, não devemos apenas entender a situação atual da organização, mas também possuir um senso do futuro do próprio trabalho, do trabalho da unidade e da organização. Perceba que estamos falando de planejamento e visão de futuro. Outra maneira que os administradores têm para fornecer oportunidades de se atingir alto desempenho é estarem seguros de que os colaboradores possuem todos os recursos de que necessitam para finalizar suas tarefas com sucesso. Esses recursos devem estar disponíveis às pessoas com a qualidade e nas quantidades adequadas, onde e quando precisarem deles. www.esab.edu.br 71 Além disso, uma das tarefas mais importantes de qualquer administrador é remover os obstáculos ao desempenho eficaz do funcionário, o que pode acontecer de variadas maneiras: conseguindo para ele um novo equipamento, eliminando uma demanda desnecessária que tomaria tempo do funcionário ou resolvendo um relacionamento interpessoal difícil. Essas características são muito importantes para atingir a excelência na Administração. 15.4 O incentivo para atingir um alto desempenho Para que a organização e seus funcionários tenham incentivos para atingir um alto desempenho, os administradores devem identificar as razões que motivam as pessoas a construir esses fatores no ambiente de trabalho. Os incentivos podem ser parte do próprio processo de trabalho, como um trabalho interessante e desafiador, bom relacionamento com colegas ou recompensas que são oferecidas em função de um alto desempenho, como aumento no pagamento, promoções e boas designações. Talvez um bom incentivo seja a chance de ser um contribuinte efetivo de uma organização que realiza grandes coisas e ter orgulho de pertencer a ela. Para atingir um alto nível de desempenho, os administradores geralmente precisam ligar os fatores que motivam as pessoas a objetivos claros, ou seja, precisam identificar os objetivos, e posteriormente acompanhar e monitorar o progresso de suas unidades de trabalho, de seus empregados e de sua organização em relação aos objetivos identificados. Muitos indivíduos bem-sucedidos são pessoas orientadas para objetivos ou administradores de baixos escalões, pois foram capazes de identificar os objetivos importantes das tarefas e que era preciso atingi-los. Dessa forma, focalizaram os seus esforços na busca desses objetivos. Estão claras até aqui as dicas para a criação de um ambiente favorável à excelência? Para finalizar a nossa unidade, vamos visualizar os componentes-chave da Administração eficaz em um esquema que pode facilitar nosso aprendizado. www.esab.edu.br 72 Líder ativo Cria um ambiente de trabalho positivo Administrador destacado Dá oportunidade para se alcançar alto desempenho Incentiva a obtenção de alto desempenho Figura 8 – Componentes-chave para a Administração eficaz. Fonte: Elaborada pelos autores (2012). Fechamos esta unidade entendendo que, quando os incentivos e os objetivos são consistentes, a mensagem do administrador é muito simples: todo mundo ganha, seja o funcionário, o administrador ou a organização. Estabelecer esses incentivos e objetivos claros geralmente conduz as pessoas ao trabalho em equipe, característica de organizações bem administradas e eficazes, ou seja, de excelência. Agora que já conhecemos os componentes-chave da Administração eficaz, você deve estar se questionando: mas quais as habilidades necessárias para um administrador de uma organização de excelência? Essas respostas você encontrará na próxima unidade. Até mais! www.esab.edu.br 73 16 As habilidades do administrador Objetivo Conhecer as habilidades necessárias para se tornar um administrador eficaz. Estamos falando de organizações que precisam de um bom desempenho para dar resultados, certo? Então, nesta unidade veremos que o desempenho organizacional está diretamente ligado às habilidades que os administradores devem ter. Habilidades são destrezas específicas para transformar o conhecimento em ação, o que resultará em um administrador com desempenho desejado para alcançar os objetivos. Segundo Certo (2003), um gerente que possua as habilidades administrativas necessárias provavelmente terá um bom desempenho e será relativamente bem-sucedido. Pautados pelos autores que foram eleitos como pilares da nossa disciplina (Andrade e Amboni, Caravantes, Chiavenato, Drucker e outros), podemos dizer que, para um bom desempenho, o administrador deve possuir três habilidades: técnicas, humanas e conceituais. Porém, antes de ler a explicação dessas habilidades, peço que você retorne à unidade 12 e releia os níveis da organização. Temos a alta, a média administração e a administração operacional. Lembrou-se? Essa lembrança é muito importante para o estudo das habilidades do administrador. Vamos continuar? Podemos dizer que uma pessoa possui habilidade técnica quando compreende e tem domínio da atividade que realiza. Essa habilidade exige conhecimento especializado, capacidade de análise e facilidade no uso das técnicas e dos instrumentos voltados especificamente para as atividades que desenvolve. Essa habilidade é típica de um profissional que executa seu trabalho pessoalmente, como um engenheiro, professor, mecânico, motorista, médico, enfim, qualquer profissão. Pense que a habilidade técnica de um diretor comercial compreende o conhecimento www.esab.edu.br 74 dos produtos e das suas aplicações, do preço de venda, dos canais de distribuição, dos clientes, dos mercados e das técnicas de venda. Dessa forma, a habilidade técnica é o saber fazer. É importante lembrarmos que as pessoas, quando iniciam suas carreiras nas organizações, geralmente utilizam em maior proporção a sua habilidade técnica, que é adquirida por meio da experiência, da educação e do treinamento profissional. Portanto, podemos dizer que habilidade técnica envolve entendimento e consequentemente prática de técnicas, métodos e equipamentos que vislumbrem a realização das atividades, sendo que essa habilidade é de grande importância nos níveis mais baixos da organização. Pense que de um candidato a vendedor será pedido a ele sua experiência com vendas, ou seja, sua habilidade técnica de vender. Agora, imagine esse mesmo vendedor após alguns anos de sucesso e resultados. Tendo comprovado sua habilidade técnica em vendas, ele é convidado pela mesma organização para tornar-se o gerente de vendas. Será que nesse novo cargo os desafios serão os mesmos? Certamente não, nem os desafios nem a habilidade exigida. Como gerente de vendas será necessário contratar, motivar, desafiar, premiar e avaliar membros da equipe, estando, portanto, ligado ao trabalho com pessoas. Dessa forma, será necessárioque esse gerente tenha facilidade de relacionamento e de conviver com outras pessoas, característica chamada de habilidade humana. Podemos entender a habilidade humana como sendo a capacidade de as pessoas trabalharem com eficácia como membros de uma equipe, isto é, favorecerem esforços cooperativos em prol do alcance dos objetivos comuns. Diz respeito, portanto, às aptidões para trabalhar com pessoas e para obter resultado por meio delas. De um administrador com habilidade humana, requer-se capacidade para a criação de uma atmosfera de segurança e de comunicação entre os integrantes da equipe e da organização. Dessa maneira, é possível compreender as necessidades e as motivações dos membros, especialmente a capacidade de as pessoas aceitarem os pontos de vista de outras pessoas para compreendê-las. Assim, devemos notar que, além de trabalhar com outras pessoas, o colaborador de quem a habilidade humana também www.esab.edu.br 75 é exigida, deve saber motivar e entender as pessoas, envolvendo comunicação, coordenação, liderança e resolução de problemas. No entendimento de Chiavenato (2011), a habilidade humana consiste na capacidade e no discernimento para trabalhar com pessoas, compreendendo suas atitudes e motivações, exercendo a liderança. Assim, o gerente de vendas do nosso exemplo, que agora deverá desenvolver a cooperação dentro da equipe de vendas, encorajando a participação, cria metas e desafia seus vendedores. A habilidade humana resume-se na habilidade que uma pessoa possui em conviver com outra, bem como entendê-la, motivá-la, coordená-la e fazê-la parte integrante de um grupo; motivo pelo qual é importante em todos os níveis da organização. Nesse ambiente, o critério preponderante é o bom relacionamento entre os funcionários para que as atividades sejam cumpridas da forma planejada e para que não haja a quebra da harmonia no ambiente de trabalho. E a habilidade conceitual? Para entendê-la, vamos voltar ao nosso exemplo do gerente de vendas. Imaginemos que após mais alguns anos de uma brilhante carreira, tendo atingido excelentes resultados na média Administração, nosso gerente foi convidado para ser diretor comercial, integrante da alta Administração. Que habilidade agora lhe será mais necessária? Ele já provou sua habilidade técnica (sabe vender) e a humana (sabe lidar com as pessoas), agora será a vez de mostrar suas habilidades conceituais, que podem ser entendidas como aquelas ligadas à capacidade de ver a empresa como um todo, entender suas várias demandas e buscar alinhar todos na organização para o alcance dos objetivos organizacionais. Para isso, o colaborador deverá coordenar e integrar todos os interesses e atividades de uma organização. Trata- se, assim, da capacidade de análise de mercado, de necessidades e de estratégia. Ao diretor comercial, é necessária uma correta visão de futuro, pois ele vislumbra a organização como um todo, bem como o inter- relacionamento que existem entre as partes que a compõe. Segundo Chiavenato (2011), as habilidades conceituais estão relacionadas à capacidade de trabalhar com ideias e conceitos, teorias e abstrações, isto é, estão relacionadas ao pensar, ao raciocinar, ao www.esab.edu.br 76 diagnóstico das situações e à formulação de alternativas de solução dos problemas. Essas habilidades representam as capacidades mentais sofisticadas do administrador, que lhe permitem planejar o futuro, interpretar a missão, desenvolver a visão de futuro e perceber as oportunidades que ninguém enxerga. Ter habilidades conceituais significa pensar estrategicamente. Para materializar a discussão apresentada anteriormente, continuamos seguindo o nosso exemplo. O nosso diretor comercial, agora na alta Administração, percebe, com base em pesquisa de clientes e na análise de mercado, que determinado segmento da sociedade deverá aumentar o consumo de certo produto nos próximos anos. Estrategicamente, ele deverá, em conjunto com as demais partes da organização, aprofundar esses estudos e, caso a indicação de aumento de consumo pareça verdadeira, deverá efetuar um estudo para verificar a capacidade organizacional de aumentar a produção e se antecipar a esse fato ou descobrir fornecedores nacionais ou estrangeiros que forneçam o produto. Dessa forma, perceba que quem ocupa os níveis mais altos é responsável pela definição das metas, dos objetivos organizacionais e pelas estratégias, além de identificar problemas, propor soluções e inovações para a organização. Para fins de melhor visualização da relação entre as três habilidades estudadas e os níveis da Administração, apresentamos a figura a seguir. www.esab.edu.br 77 Alta administração Alta direção Gerência Supervisão Habilidades conceituais (ideias e conceitos abstratos) Habilidades humanas (relacionamento interpessoal) Habilidades técnicas (manuseio de coisas físicas) Fazer e executar Média administração Administração operacional Execução das operações Figura 9 – Habilidades e níveis do administrador. Fonte: Adaptada de Chiavenato (2011). Por fim, devemos ter em mente que, no âmbito geral, as três habilidades são extremamente importantes para a organização. A habilidade conceitual é fundamental para o sucesso das demais. É a partir dela que surgem as estratégias, a definição das metas, dos objetivos, da missão da organização, enfim todo o planejamento que conduz às atividades operacionais. Por outro lado, a habilidade humana também é essencial em todos os setores e níveis, pois é a partir de um bom relacionamento que as estratégias planejadas pela gerência se tornarão realidade. No nível dos trabalhadores que executam as atividades, é imprescindível a habilidade técnica para poderem desempenhar as atividades operacionais e técnicas com sucesso. Neste aspecto, a especialização e a capacitação dos funcionários é fator preponderante para o sucesso das estratégias propostas. www.esab.edu.br 78 Atividade Chegou a hora de você testar seus conhecimentos em relação às unidades 9 a 16. Para isso, dirija-se ao Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e responda às questões. Além de revisar o conteúdo, você estará se preparando para a prova. Bom trabalho! www.esab.edu.br 79 17 Administração como vantagem competitiva Objetivo Salientar as vantagens competitivas necessárias para as organizações inseridas em ambientes competitivos. A Administração, conforme vimos até agora, tem como um de seus objetivos auxiliar as organizações na busca por eficiência dos processos e eficácia dos resultados, seja na eficaz prestação de serviços, no caso de um órgão público, na busca pelo cliente, na empresa privada, ou na ajuda prestada à sociedade, por meio de organizações não governamentais. Neste caso, se a empresa é bem administrada, a probabilidade de alcançar o sucesso e ser líder no mundo dos negócios, altamente competitivo, é maior. Para sobreviver e vencer, é preciso obter vantagem sobre os concorrentes, ser melhor que ele, produzir itens de valor para os consumidores. Para manter a vantagem, as empresas precisam oferecer produtos e serviços de melhor qualidade ou produzidos com mais eficiência (ANDRADE; AMBONI, 2011). Mas como obter vantagem competitiva? Essa ação, deve acontecer pela satisfação das pessoas, tanto de dentro quanto de fora da empresa, além da competitividade em custos, produtos de alta qualidade, velocidade e inovação. Vamos juntos desvendar o significado de cada uma dessas coisas? 17.1 Competitividade em custos Possuir custos competitivos significa que o produto (bem ou serviço) deve ter preços atrativos para os consumidores. Afinal, se um produto desejável for oferecido a um preço baixo, é mais provável vendê-lo. Mas como oferecer preços baixos? Pela Administração dos custos e suamanutenção em níveis baixos. Isso significa ser eficiente: atingir os objetivos utilizando os recursos corretamente e eliminando as perdas. Se www.esab.edu.br 80 a estrutura de custos da empresa é competitiva (tão ou mais baixa que a de seus concorrentes), o sucesso não está garantido, não se pode ser bem- sucedido sem uma estrutura de custos competitiva. Algumas organizações no Brasil são famosas por terem baixado não apenas os seus preços, mas o preço cobrado por seus concorrentes, ao oferecerem passagens aéreas e automóveis a preços menores que seus concorrentes. Os custos incluem o dinheiro gasto em insumos no processo de transformação e nos métodos utilizados para que os produtos cheguem ao mercado, isto é, matérias-primas, equipamento, capital, fabricação, marketing, entrega e mão de obra, entre outros. Quase nunca a redução de custos é tarefa simples, pois exige a manutenção mínima da qualidade: não basta cortar a força de trabalho ou pagar salários e benefícios baixos, o ideal é pagar as pessoas de modo justo e certificar-se de que elas adicionam maior valor a seus produtos do que os funcionários de seus concorrentes adicionam aos deles, o que vimos anteriormente na unidade 16, habilidade humana. 17.2 Produtos de alta qualidade Qualidade é a excelência de seu produto. A qualidade inclui a atratividade do produto, bem como a ausência de defeitos, confiabilidade e segurança a longo prazo. A importância da qualidade e dos padrões aceitáveis tem crescido exponencialmente nos últimos anos. O que significa que as empresas não conseguirão se manter oferecendo produtos de baixa qualidade, como faziam há alguns anos. Os consumidores agora exigem alta qualidade somada a valor atrativo e não aceitarão menos que isso. Para perceber esse comportamento dos consumidores, basta olharmos para nós mesmos. Além de consumirmos mais hoje em dia, desejamos os melhores produtos e com o menor preço. Diante disso, o conceito de qualidade, que, inicialmente, era apenas do bom funcionamento do produto, expandiu-se, devido ao aumento de nossas exigências como consumidores, passando para garantia, garantida estendida, rapidez e facilidade de acesso à assistência técnica, entre outros. www.esab.edu.br 81 Dica Você conhece os seus direitos como consumidor? E as obrigações das organizações? O Código de Defesa do Consumidor (CDC) – Lei nº 8.078 de 1990 – rege as relações entre fornecedores e consumidores. Conheça mais essa lei clicando aqui. 17.3 Velocidade Quão rapidamente você pode desenvolver e colocar um novo produto no mercado? Quão prontamente você pode responder às solicitações do consumidor? Está na frente quem é mais rápido que os competidores ou quem pode responder rapidamente aos concorrentes. Como exemplo, podemos citar o setor da moda, destacando a velocidade com que os originais de um estilista – de valor elevado – são transformados em versões ou interpretações de menor preço. Para isso, fotografias são feitas nos desfiles de moda e enviadas por fax durante a própria noite para fábricas que emitem amostras algumas horas depois – e essas amostras podem ser despachadas para qualquer lugar no dia seguinte. Essas peças são vendidas nas lojas de varejo, em suas coleções com marcas próprias, ao mesmo tempo em que os modelos originais são oferecidos em lojas caras e exclusivas. A grande velocidade dos concorrentes está levando os estilistas de moda à loucura e também desgastando os lucros. 17.4 Inovação Afinal, o que é inovação? Segundo Certo (2003), inovação é o processo de adotar ideias úteis e transformá-las em produtos, serviços ou métodos operacionais úteis. Essas ideias úteis são o resultado da criatividade, o pré-requisito para a inovação. Uma empresa deve adaptar-se às mudanças nas demandas de consumo e às novas fontes de competição. Os produtos não são vendidos para sempre; de fato, eles não são vendidos nem durante o tempo em que www.esab.edu.br 82 se costumavam vendê-los, porque há muitos concorrentes lançando novos produtos o tempo todo. Dessa forma, uma empresa deve inovar ou morrerá. Assim como as outras fontes de vantagem competitiva, a inovação vem das pessoas e isso deve ser uma meta a ser administrada. Vale lembrar que ela, além de trazer melhorias para as organizações, mantendo e criando novos empregos, garante a melhoria de vida da população de forma geral, com novos produtos e serviços. Estudo complementar Um dos grandes desafios não apenas da Administração, mas do mundo moderno, é fomentar a inovação, isto é, gerar novos produtos e serviços. Esse desafio pertence não apenas às organizações privadas, mas também às públicas, gerando o ambiente necessário para o crescimento e fortalecimento das economias. Vamos nos aprofundar um pouco no assunto, com a leitura do Artigo “Estratégias de inovação para o desenvolvimento”, de Glauco Arbix. O artigo nos desafia e estimula a pensar na importância do assunto em tempos atuais e de que maneira podemos criar uma cultura que promova a inovação em nossa sociedade. Acesse clicando aqui. Bons estudos! Antes de passarmos para a próxima unidade, é bom lembrar três pontos- chave sobre as fontes de vantagem competitiva. São eles: • elas representam os resultados cruciais que uma empresa e seus dirigentes devem atingir; • cada uma delas será diretamente afetada pelas decisões e ações dos dirigentes ou de outras pessoas com quem eles trabalham; • o modo como se administra é o que determina quão bem os dirigentes e seus funcionários obtém vantagem competitiva e distribuem resultados valorizados. www.esab.edu.br 83 Agora que sabemos o papel do administrador, que a Administração é uma ciência, uma arte e também uma profissão e, tendo em vista que precisamos criar vantagens competitivas, atingindo a excelência com habilidade, vamos estudar um pouco a legislação brasileira relacionada à Administração na próxima unidade? Tarefa dissertativa Caro estudante, convidamos você a acessar o Ambiente Virtual de Aprendizagem e realizar a tarefa dissertativa. www.esab.edu.br 84 18 Legislação do administrador Objetivo Alcançar informações acerca da legislação brasileira sobre a Administração. Vamos conhecer a história de nosso curso no Brasil? Nesta etapa, faremos uso de informações do Conselho Federal de Administração (CFA), entidade máxima da profissão no Brasil, para conhecer melhor os caminhos trilhados pela Administração em terras tupiniquins. Em relação ao ensino de Administração no Brasil, podemos destacar dois momentos: (1) a aprovação dos currículos mínimos em 1966 e 1993; e (2) a apresentação da proposta de diretrizes curriculares para os cursos de graduação em Administração em 1998. No começo do século XX, o Brasil era formado por uma sociedade predominantemente rural e ligada a atividades de agricultura, não havendo, portanto, muitas organizações, nem, por consequência, grandes volumes de produção, troca e mesmo de comércio. Nessa época, além de não haver atividade comercial expressiva, ainda se engatinhava no processo de formação do estado brasileiro. Não havia ocorrido o surgimento de grande parte das empresas estatais. Dessa forma, o contexto para a formação do Administrador no Brasil começou a ganhar contornos mais claros apenas na década de 1940, com o impulso da industrialização e da consequente necessidade de ampliar a eficácia de processos organizacionais, como capacidade produtiva, estoque, venda de produtos etc. Não obstante, nessa época, tem-se a expansão e criação de órgãos públicos. Nessa situação, acentua-se a necessidade de mão de obra qualificada e, consequentemente, da profissionalização em Administração. Conforme o site do Conselho Federal de Administração (www. cfa.org.br), era necessária a formação de pessoal especializadoem www.esab.edu.br 85 entender mudanças, assim como a criação de centro de estudos e universidades para dar suporte a uma sociedade que, além da expansão populacional, passava pelo início de processo de mudança, deixando de ser uma economia apenas agrária para ser também industrial. Assim, naquela realidade, era necessário formar, a partir do sistema escolar, um administrador profissional, apto para atender ao processo de industrialização. O processo de formação do administrador desenvolveu-se de forma gradativa desde a década de 1930, porém, acentuou-se por ocasião da regulamentação da profissão, ocorrida na metade dos anos 1970, através da Lei nº 4.769, de 9 de setembro de 1965, seção 14.3. Com essa lei, o acesso ao mercado profissional seria privativo dos portadores de títulos expedidos pelo sistema universitário, feito que rendeu à data de 9 de setembro o título de Dia do Administrador, instituído pela CFA nº 65/68, de 09/12/68. Assim como grande parte das profissões, o juramento do administrador reflete o momento solene em que o profissional, na plenitude de sua formação profissional, de sua conscientização como membro de uma categoria, de seu amadurecimento como cidadão investido de responsabilidade para com toda comunidade, afirma, livre, mas enfaticamente, sua integral dedicação aos postulados da profissão e total respeito aos seus valores técnicos, legais e morais. Dica Mais informações sobre o juramento ou sobre outros símbolos ligados à profissão de administração, você pode encontrar clicando aqui. O ensino de Administração veio privilegiar a participação das grandes unidades produtivas que passaram a constituir um elemento fundamental na economia do país, principalmente a partir de 1964. A grande preocupação com os assuntos econômicos teve seu marco em 1943. Naquele ano, realizou-se, no Rio de Janeiro, o primeiro Congresso Brasileiro de Economia, no qual se manifestou grande interesse pela industrialização do país, postulando-se iniciativas concretas por parte www.esab.edu.br 86 do Estado para motivar a pesquisa em assuntos econômicos. Porém, tais estudos vinham sendo realizados basicamente nos cursos de Direito, na disciplina de economia, vista como de formação geral. Somente em 1945 surgiram os primeiros resultados quanto à implantação desse ensino. Nesse ano, Gustavo Capanema, Ministro da Educação e Saúde, encaminhou à Presidência da República um documento que propunha a criação de dois cursos universitários: Ciências Contábeis e Ciências Econômicas. O documento afirmava que as atividades de direção e orientação, tanto nos negócios públicos como nos empresariais, haviam atingido um nível de maior complexidade, exigindo conhecimentos especializados de seus administradores e técnicos. Isso possibilitou que os cursos de economia passassem a ter um caráter de especialização não mais de natureza genérica, como anteriormente. Nesse período, o processo de industrialização se acentuou, sobretudo devido à importação de tecnologia norte-americana. Estudo complementar Para conhecer a íntegra de Lei nº 4.769, de 9 de setembro de 1965, que dispõe sobre o exercício da profissão de Administrador e dá outras providências, clique aqui. Além disso, você pode acompanhar as alterações e atualizações da legislação ao longo do tempo. Para isso, clique aqui. Depois de passarmos por esse percurso histórico, vamos ver o que faz um administrador e em qual área ele atua conforme a legislação? Segundo o Conselho Federal de Administração, apoiado no art. 2° da Lei nº 4.769/65 e no art. 3°do regulamento aprovado pelo Decreto nº 61.934/67, o administrador exercerá a profissão como profissional liberal ou não, mediante: www.esab.edu.br 87 • a elaboração de pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos; • a realização de perícias, arbitragens, assessoria e consultoria em geral, pesquisas, estudos, análises, interpretações, planejamento, implantação, coordenação e controle de trabalhos; • o exercício de funções e cargos de Administrador do Serviço Público Federal, Estadual, Municipal, Autárquico, Sociedades de Economia Mista, empresas estatais, paraestatais e privadas, em que fique expresso e declarado o título do cargo abrangido; • o exercício de funções de chefia ou direção intermediária ou superior, assessoramento e consultoria em órgãos, ou seus compartimentos, da Administração pública ou de entidades privadas, cujas atribuições envolvam principalmente a aplicação de conhecimentos inerentes à técnicas de administração; • o magistério em matérias técnicas dos campos da Administração e organização. www.esab.edu.br 88 Resumo Caro estudante, tudo bem? Tenho certeza de que estas unidades foram importantes para seu aprendizado. Vimos a importância do papel do administrador: gostar de administrar e, algo que é essencial para as pessoas que pretendem seguir nesta profissão, ter vontade e capacidade para liderar pessoas. Falando em profissão, estudamos também o tripé ciência, arte e profissão, pois é importante entendermos que nossa profissão é uma arte, porém embasada em princípios e no estudo científico e não apenas em “achismos”. O administrador pode trabalhar do jeito que desejar, mas deve saber que está em um ramo que tem impacto na vida das pessoas e das sociedades e que, portanto, precisa de conhecimento e resultados. Neste sentido, a excelência profissional é fundamental para se obter resultados efetivos e ter um ambiente de trabalho positivo. Dando um destaque para as habilidades do administrador, citamos as habilidades técnicas relacionadas ao uso de procedimentos e conhecimentos de um campo de especialização, que por meio de métodos técnicos e manuseio de equipamentos, visam à realização de tarefas específicas. Já ás habilidades humanas, consistem na capacidade para trabalhar com pessoas, de entendê-las e motivá-las como membros de um grupo. Por fim, as habilidades conceituais são aquelas ligadas à capacidade de ver a empresa como um todo, de entender suas várias demandas e de buscar alinhar todos na organização para o alcance dos objetivos organizacionais. Qual a sua ou as suas habilidades? O que você está fazendo para aprimorá-las? Essas habilidades e a excelência tendem a proporcionar vantagem competitiva para as organizações, sendo que a inovação é, em especial, fator essencial em tempos de muitos concorrentes. Lembre-se www.esab.edu.br 89 também de complementar seus estudos com os artigos sugeridos. Dar uma boa lida na legislação do administrador, juntamente com uma visita ao site do Conselho Federal de Administração (CFA), ajudará a entender melhor este mundo mágico. www.esab.edu.br 90 19 Desafios para o administrador Objetivo Discorrer acerca de desafios para a Administração Moderna. Caro estudante, tudo bem? Vamos continuar firmes em nossos estudos? Diariamente, seja por jornais, telejornais, internet ou rádio, reportagens apontam desafios para as carreiras dizendo quais devem ser as características do profissional do século XXI. Vamos, a partir de agora, ver quais os desafios relacionados à Administração. Aqueles que desejam ser bem-sucedidos no ambiente de trabalho do século XXI devem garantir competência e atingir sua realização pessoal. Além disso, devem possuir iniciativa própria, sendo líderes capazes de encontrar maneiras constantes de agregar valor aos empregadores, mesmo enquanto o ambiente se modifica. Bons profissionais devem fazer a coisa certa todos os dias, o que nos remete ao conceito de eficiência. Também podemos observar que os profissionais de sucesso desejam aprender continuamente com base na experiência, no sentido de se tornarem capacitados no futuro da mesma maneira que no presente. Nesse contexto, e especialmente em uma sociedade na qual trabalhadorescom conhecimento são cada vez mais importantes, o administrador deve ter uma boa formação. Mas não deve parar por aí, é preciso ter uma formação continuada, isto é, ao longo de sua carreira, pois o sucesso em tempos turbulentos advém apenas do aprendizado contínuo. Mais que isso: ele vem apenas para aqueles que são incansáveis em seus esforços para evoluir, refinar e manter capacidades e competências relevantes para o trabalho. Estamos prontos para enfrentar os desafios modernos? Qual será o maior deles? Quais as características deste novo ambiente? Vamos ver juntos as www.esab.edu.br 91 características do ambiente organizacional moderno e as qualidades ou atributos que o administrador deve possuir e constantemente aperfeiçoar para estar qualificado nesse contexto, segundo Andrade e Amboni (2011) e Chiavenato (2011). • Expectativa de comprometimento ético: em virtude de recentes escândalos ligados à ética gerencial e à prática de negócios ilícitos, voltamos a ser uma sociedade que demanda um comportamento ético e ações socialmente responsáveis por parte das organizações. Gerentes e líderes de todos os lugares sabem: espera-se que façam a coisa certa e não apenas aquilo que seja conveniente ou que possa gerar algum benefício em causa própria. A sociedade espera o melhor por parte das organizações e de seus líderes atuais, e cada um de nós deve estar comprometido no sentido de corresponder a essa responsabilidade. Não podemos esquecer que a Administração envolve organizações privadas e públicas, ou seja, inclui o funcionalismo público, seja ele municipal, estadual ou federal. • Competitividade econômica: a economia globalizada é uma realidade, e somos todos afetados por ela. Os processos de inovação nos negócios, na produção e na entrega de serviços se espalham cada vez mais pelo globo terrestre. Líderes corporativos e líderes de governo sabem, igualmente, que a competitividade econômica representa agora um desafio de escopo mundial. Não apenas empresas, mas principalmente países e blocos econômicos competem entre si na busca por mercados. Podemos acompanhar, pela história recente, viagens e visitas do governo brasileiro a países ao redor do mundo em busca de novos mercados, o que gera trabalho e renda para o nosso país. Um bom administrador, nesse contexto, deve estar a par do que tem acontecido pelo mundo e, além disso, deve ser capaz de tomar decisões rápidas orientadas para o futuro. Ou seja, o administrador contemporâneo precisa ser tático. • Tecnologia: vivemos a era da tecnologia da informação e dos sistemas de rede eletrônica. Nossa vida no trabalho e fora dele está repleta de códigos de barras, caixas eletrônicos, e-mails, comércio eletrônico, entre outros recursos da internet. A disponibilidade e a facilidade de transferir informações estão afetando as organizações como ambientes de trabalho e, até mesmo, a própria natureza dos www.esab.edu.br 92 negócios. Qual o domínio que você tem sobre essas ferramentas? O quão atualizado está seu domínio técnico sobre softwares, sistemas operacionais, entre outros? Será que um profissional, mesmo capacitado e experiente, terá vaga, caso não saiba usar de forma eficaz um computador? • Acesso generalizado à informação: o conhecimento, conforme Chiavenato (2011), pode ser entendido como todo o acervo de informações, conceitos, ideias, experiências e aprendizagens que o administrador possui a respeito de sua especialidade. Ainda, conforme o autor, com o advento da internet, todos temos acesso à informação. Além disso, a sociedade pós-industrial que está surgindo não é uma sociedade de serviços como se imaginava, mas uma sociedade de informação na qual a informação passa a ser o recurso estratégico, assumindo o lugar do capital financeiro. Dessa forma, terá vantagem quem souber, de maneira eficaz, tomar a decisão correta. Na era da informação, o conhecimento e os trabalhadores que o possuem dirigem cada vez mais as organizações. Eles são os principais recursos de uma sociedade competitiva. Sabemos agora que a fonte da riqueza é algo especificamente humano: o conhecimento (DRUCKER, 2003). Uma vez que o conhecimento se torna constantemente obsoleto em virtude da velocidade das informações, o desafio é aprender e aplicar continuamente novos conhecimentos em relação aos problemas e oportunidades que se apresentam diariamente. • Diversidade: as forças da diversidade estão desafiando as organizações e seus membros no sentido de lidar positivamente com as diferenças. As instituições sociais são pressionadas a rever políticas e operações de recursos humanos já desatualizados, sejam elas sobre educação, governo ou negócios. Valorizar a diversidade cria oportunidades estratégicas até mesmo em mercados de trabalho difíceis e altamente competitivos. • Mudanças: abandonamos os tempos de estabilidade e entramos na era das mudanças difíceis e contínuas. Valores, culturas e sociedades estão se modificando rapidamente e as organizações não têm escolha, devem acompanhar essa mudança. Nosso mundo se movimenta extraordinariamente rápido, e, por isso, a conquista de um alto nível de desempenho é obtida não somente pelo fato de ser capaz de fazer www.esab.edu.br 93 a coisa certa, mas por fazer a coisa certa mais rápido do que a concorrência. Assim, podemos dizer que o ambiente atual de negócios corresponde a uma era de expectativas de elevado nível de desempenho, na qual a mudança representa um modo de vida. Isto é, novas respostas organizacionais e individuais na busca incansável pelo alto nível de desempenho são esperadas a todo momento, sendo que, em todos os lugares, os trabalhadores devem atingir uma alta produtividade sob condições novas e dinâmicas. Diante de tudo que foi apresentado nesta unidade, podemos listar algumas das qualidades e atributos necessários para o administrador do século XXI, conforme Chiavenato (2011): • aprender a aprender: as pessoas devem contribuir construtivamente em tudo, desde como assegurar a qualidade dos produtos até como melhorar os processos organizacionais. O conhecimento das pessoas constitui um ativo intangível; • comunicação e colaboração: agora, as equipes constituem o fundamento das organizações flexíveis, e a eficiência das pessoas está cada vez mais vinculada com sua habilidade interpessoal de comunicação e colaboração; • raciocínio criativo e solução de problemas: hoje, espera-se que todas as pessoas do nível operacional descubram por si como melhorar e agilizar seu trabalho. Para isso, elas precisam pensar criativamente; • conhecimento de negócios globais: cada vez mais as pessoas deverão aprender novas habilidades técnicas e comerciais que levem em conta o ambiente competitivo global; • liderança: o novo imperativo é o desenvolvimento da liderança nas organizações. A identificação e o desenvolvimento de pessoas excepcionais capazes de levar a organização para o sucesso será fundamental. O segredo do sucesso organizacional estará cada vez mais nas pessoas. www.esab.edu.br 94 Quais dessas qualidades você está aprimorando no momento? Essa é uma pergunta que você deve se fazer constantemente para manter-se em movimento. Fórum Caro estudante, dirija-se ao Ambiente Virtual de Aprendizagem da instituição e participe do nosso Fórum de discussão. Lá você poderá interagir com seus colegas e com seu tutor de forma a ampliar, por meio da interação, a construção do seu conhecimento. Vamos lá? www.esab.edu.br 95 20 Administração e desempenho Objetivo Proporcionar entendimentos acerca do contexto de Administração em condições de incerteza, instabilidade e imprevisibilidade. Entender o que é a Administração no contexto contemporâneo de incerteza, instabilidade e imprevisibilidade, nos ensinam Andrade e Amboni (2011), é umaquestão ímpar que propõe desafios para a sobrevivência e manutenção de gestores. Enfrentamos, diariamente, situações que exigem o trabalho em equipe e a cooperação de todos para facilitar o alcance dos objetivos comuns das equipes e das organizações. Vamos, nesta unidade, entender melhor o sentido de administrar uma organização em tempos atuais. Administrar diz respeito ao desempenho da organização como um todo em um determinado contexto. O desempenho, por sua vez, está relacionado aos conceitos de eficiência, eficácia, efetividade e relevância, conforme ensina Andrade e Amboni (2011). A eficiência está relacionada à razão custo/benefício conquistada pela organização na prestação de serviços ou na produção de determinados bens. A eficiência, desta forma, demonstra a coerência entre os meios e os fins, sendo que esta pode ser entendida com base no exemplo a seguir. Meios Fins Recursos humanos Produção de 500 pares de sapatos Tecnologia Insumos Processos Métodos de trabalho Quadro 3 – Meios e fins. Fonte: Adaptado de Andrade e Amboni (2011). www.esab.edu.br 96 Dessa forma, seguindo o exemplo do quadro 3, uma organização pode produzir 500 pares de sapatos de forma mais ou menos coerente, se possuir recursos humanos adequados, tecnologia de ponta, métodos de trabalho e processos interligados. A empresa pode ganhar em termos de custo/benefício, ou seja, pode produzir 500 pares de sapatos com melhor aproveitamento de recursos se conseguir essa produção com menores esforços, menor quantidade de pessoas, menor tempo e com menos matéria-prima. Quando é possível observar a coerência entre os meios e os fins, podemos concluir que a organização é eficiente. As atividades-fim estão diretamente vinculadas ao “carro-chefe” da empresa. Por exemplo, em uma empresa comercial, as atividades do departamento comercial podem ser classificadas como finalísticas por manterem uma relação direta com a razão de ser da organização. As atividades-meio, por sua vez, são aquelas que dão suporte ao desenvolvimento das atividades-fim. Por exemplo, as atividades contábeis servem de apoio para o desenvolvimento das atividades comerciais, conforme o exemplo citado. Vejamos mais um exemplo para fixar a ideia. A atividade, para ser entendida como meio e fim, deve ser analisada de acordo com o objetivo organizacional. Pense que a Contabilidade, para uma indústria ou uma loja, é atividade-meio, pois não é foco delas, mas, para um escritório contábil, é atividade-fim, concorda? No mesmo sentido, a função de transportes é atividade-meio para indústrias em geral, tanto que essas o terceirizam, mas para a transportadora é atividade-fim. Para sua reflexão Você consegue visualizar essa relação de custo/ benefício na empresa em que trabalha, em sua carreira? Seja no momento atual e ou em um emprego anterior? As respostas a essas reflexões formam parte de sua aprendizagem e são individuais, não precisando ser comunicadas ou enviadas aos tutores. www.esab.edu.br 97 Entendida a eficiência, devemos ter em mente que, se uma organização conseguir agregar todos esses fatores, ela possui meios adequados para atingir seu objetivo, seja ele de natureza qualitativa ou quantitativa. O alcance dos objetivos de uma organização traduz o conceito de eficácia. Dessa forma, podemos entender a eficácia como a capacidade de a organização adquirir e utilizar os recursos na persecução de seus objetivos. Para entendermos melhor, voltemos ao conceito de sistema aberto na unidade 6. Quando o administrador encara a organização como um sistema aberto, com interface com o meio ambiente, o conceito de eficácia ultrapassa o mero alcance dos fins, isto é, a eficácia demonstra a capacidade de a organização ou do seu dirigente explorar recursos escassos e valiosos (financeiros, humanos, tecnológicos etc.), visando à correção dos meios para favorecer o alcance dos fins. Já em relação à efetividade, ela demonstra se os produtos ou serviços prestados pelas organizações estão ou não atendendo às necessidades e expectativas de mercado, pois a efetividade diz respeito à eficácia a longo prazo. No momento em que o gestor faz uso do conceito de efetividade, ele pode obter feedback contínuo das atividades que precisam ser melhoradas dentro da organização, o que depende de um gestor com visão de mercado, aquele que sai de trás da mesa para verificar o que há de bom dentro e fora da organização. É importante observarmos que a efetividade prioriza o impacto social da organização, pois seu desempenho é mensurado pelo grau de aceitação do seu produto e pela sua capacidade de atingir objetivos socialmente desejáveis. Por fim, devemos falar da última característica ligada ao desempenho: a relevância. A relevância sugere uma noção de pertinência, de ligação, de relação com alguém ou algo. É um critério de desempenho medido em termos de significância – o valor, a importância ou a pertinência dos atos e dos fatos administrativos. Ao adotar a relevância como critério fundamental, a Administração valoriza as consequências de sua atuação na qualidade de vida dos funcionários. www.esab.edu.br 98 Porém, é importante ressaltar que, conforme os conceitos apresentados por Andrade e Amboni (2011), a eficiência, eficácia, efetividade e relevância, sobre as quais acabamos de ler, estão relacionadas com a época e, principalmente, com o ambiente das organizações, conforme estudamos nas unidade 7 e unidade 8. Isso se deve ao fato de que algumas questões mudaram os mercados e os estão mudando cada vez mais, como na exigência dos clientes por qualidade nos produtos e serviços, nas novas tecnologias, no aumento do número de concorrentes, entre outros. Dessa forma, não existe mais certeza de que o cliente quer e vai comprar seu produto, pois existem muitos concorrentes, o que gera a incerteza. O planeta, explica ainda o autor, passou e passará por muitas crises; mercados se criam e mercados se fecham. A imprevisibilidade, por sua vez, significa que não podemos prever a incerteza nem a instabilidade, podemos apenas, sabendo que tudo é incerto, nos prepararmos cada vez mais para a inovação e melhoria. Assim, ter ciência desse ambiente incerto, instável e imprevisível é uma característica essencial para um bom administrador e indispensável para o sucesso, visando sempre atingir a eficiência, eficácia, efetividade e relevância, segundo Andrade e Amboni (2011). Mais adiante em nossos estudos, a partir da unidade 31, veremos que para atingir o desempenho esperado as organizações também precisam contar com as funções que englobam o processo administrativo – funções do administrador. Mas, para chegarmos lá, é preciso que você estude outros conceitos. Então, seguimos para as próximas unidades! www.esab.edu.br 99 21 Processo decisório e resolução de problemas Objetivo Explicar conceitos gerais acerca do processo de tomada de decisões na Administração de empresas. Você já deve ter ouvido e dito várias vezes a palavra decisão ou a expressão “tomada de decisão”, entre outros sinônimos. Aqui mesmo, em nosso material, muitas vezes falamos sobre a necessidade de administradores capazes de tomar decisões ágeis e acertadas, não é mesmo? Mas, afinal, o que é decisão? Qual o processo e as etapas para a tomada de decisão? Uma decisão é uma escolha feita com as alternativas disponíveis, sendo, conforme Certo (2003), o processo de identificar problemas e oportunidades e, então, resolvê-los. Stoner e Freeman (1999), ainda sobre o mesmo tema, ensinam que a tomada de decisão é o processo de identificar um problema específico e selecionar uma linha de ação para resolvê-lo, sendo que problema é a situação que ocorre quando o estado atual das coisas difere do estado desejado. Dessa forma, podemos entender então que a decisãoé a escolha entre ações alternativas para lidar com um problema, que, por sua vez, é uma diferença entre a situação real e a situação desejada. Isto é, existe problema sempre que há uma diferença entre o que é e o que deveria ser em uma situação de trabalho. As decisões determinam como a organização resolve seus problemas, aloca recursos e atinge suas metas. As organizações crescem, prosperam ou fracassam por força das decisões de seus administradores. Por isso, um processo de tomada de decisão adequado é parte vital para a boa Administração. Porém, algumas decisões não resolverão o problema ou não alcançarão o resultado desejado em virtude das incertezas do ambiente organizacional www.esab.edu.br 100 contemporâneo. Para minimizar as chances de erros ou fracassos, os administradores devem tentar obter o maior número de informações sobre as alternativas de decisão. Esse conhecimento reduzirá a incerteza da decisão. Nesse sentido, cada situação de decisão pode ser organizada em uma escala, de acordo com a disponibilidade de informações e a possibilidade de falhas. Essa escala é composta por três posições, segundo Certo (2003). a. Certeza: significa que todas as informações de que o tomador de decisão necessita estão completamente disponíveis. b. Risco: significa que uma decisão tem metas bem definidas e dispõe de boas informações, mas os resultados futuros associados a cada alternativa dependem do acaso. c. Incerteza: significa que os administradores sabem as metas que desejam alcançar, mas as informações sobre alternativas e eventos futuros são incompletas. Para sua reflexão No nosso dia a dia, lidamos com situações que podem ser problemas ou oportunidades. Problema é uma situação na qual as metas organizacionais não estão de acordo com o planejado, pois há uma dificuldade que deve ser resolvida. Oportunidade, por sua vez, é uma situação em que a meta estipulada pode ser expandida, aumentada. Trata-se de uma ocasião favorável para uma tomada de decisão. A nossa questão de reflexão é: quando você se depara com um problema ou com uma oportunidade, como deve ser o processo de tomada de decisão? As respostas a essas reflexões formam parte de sua aprendizagem e são individuais, não precisando ser comunicadas ou enviadas aos tutores. www.esab.edu.br 101 Até agora já sabemos o que é uma decisão, quais as circunstâncias em que o processo decisório é imposto ao administrador e quais os níveis em que podemos enquadrar uma decisão, correto? O próximo passo, portanto, é conhecer o processo de tomada de decisão. Este processo pode ser entendido por seis etapas: Diagnóstico e análise das causas Desenvolvimento de alternativas Seleção da alternativa desejada Implementação da alternativa escolhida Avaliação e feedback Reconhecimento da necessidade da decisão Figura 10 – Processo de tomada de decisão. Fonte: Elaborada pelos autores (2012). Estar ciente de um problema ou oportunidade é a primeira etapa na sequência de tomada de decisões e requer um olhar atento aos ambientes interno na unidade 7 e externo da organização na unidade 8. De forma simples, o administrador deve, nessa etapa, examinar o mundo ao seu redor para verificar se a organização está progredindo satisfatoriamente em direção às suas metas. www.esab.edu.br 102 A segunda etapa, diagnóstico e análise das causas, é o momento em que, uma vez que o problema ou a oportunidade estejam no centro das atenções, devemos aprofundar o conhecimento da situação. Ou seja, é a etapa do processo de decisão em que os fatores que causaram o problema e/ou a oportunidade são analisados, bem como as possíveis consequências da escolha ou da não escolha de cada solução. Ainda sobre essa etapa, algumas questões precisam ser feitas pelo decisor, como: • Qual o problema que está nos afetando? • Quando ele ocorreu? • Onde e como ele ocorreu? • A quem ele ocorreu? • Qual a urgência? • Quais os resultados e/ou consequências? A terceira etapa no processo de tomada de decisão é o desenvolvimento de alternativas, ou seja, a criação de alternativas. Essa etapa é muito importante no processo de tomada de decisão, pois a tentação de aceitar a primeira alternativa viável impede que os administradores encontrem as melhores soluções para os seus problemas. Uma decisão importante não deve ser tomada sem que sejam criadas várias alternativas, além disso, se a decisão for boa, mas se os seus subordinados não quiserem ou forem incapazes de realizá-la, ela se tornará ineficaz. A quarta etapa, seleção da alternativa desejada, é o momento em que, de posse das alternativas viáveis, uma delas precisa ser selecionada, isto é, a seleção das alternativas mais promissoras dos vários cursos de ação desenvolvidos. O critério para eleição da melhor alternativa é a adequação às metas e aos valores gerais da organização, o que permitirá o alcance dos resultados esperados com menores riscos e com menor uso de recursos. A implementação da alternativa escolhida, quinta etapa, envolve o uso das habilidades técnicas, humanas e conceituais na unidade 16 para transformar a alternativa escolhida em ação. Pense que a escolha pode vir, por exemplo, a afetar a forma e o horário de trabalho das pessoas, causando insegurança. Assim, o administrador deve ser capaz de liderar www.esab.edu.br 103 a equipe e a organização rumo à alternativa selecionada, informando, motivando, solucionando conflitos, entre outros. Em relação ao feedback, última etapa do processo decisório, podemos dizer que ele é o responsável por fornecer, a quem toma decisões, as informações que podem iniciar um novo ciclo de decisão. A decisão escolhida e implementada pode gerar resultados não esperados, proporcionando, portanto, uma nova análise do problema, avaliação de alternativas e seleção de uma nova alternativa. É comum que problemas relevantes sejam resolvidos apenas após tentar a aplicação de diversas alternativas seguidas, cada uma fornecendo uma pequena contribuição. O feedback é, portanto, a parte do monitoramento que avalia quando uma nova decisão deve ser tomada. Finalizamos mais uma etapa de nosso estudo. Nosso próximo norte é estudar um pouco mais sobre os objetivos da organização e de seus colaboradores, bem como entender melhor as funções organizacionais e sua importância para a obtenção dos resultados corporativos. Continuamos seguindo em frente! www.esab.edu.br 104 22 Objetivos: individuais, organizacionais, estratégicos, táticos e operacionais Objetivo Explicar a natureza geral e a função dos objetivos organizacionais e individuais. O que é um objetivo? Como eles são traçados? De que forma os meus objetivos e os da organização em que trabalho estão conectados? É isso que vamos entender agora. Objetivos e planos são conceitos comuns em nossa sociedade. Podemos dizer que um objetivo é um estado futuro, um desejo que quer se tornar realidade. Na verdade, os objetivos são resultados específicos que alguém pretende alcançar em um determinado período de tempo. Um dos grandes dilemas da Administração tem sido a correspondência entre objetivos organizacionais e objetivos individuais. Para muitos autores, eles nunca se deram muito bem, pois quase sempre o alcance de um é conseguido à custa do outro. Quando as pessoas ingressam nas organizações, elas perseguem seus próprios objetivos individuais, como ocupar um cargo, ganhar um salário, receber benefícios sociais, ganhar status dentro da organização etc. Porém, as organizações exigem que cada pessoa contribua para o alcance dos seus próprios objetivos, os objetivos organizacionais – produtividade, lucratividade, redução de custos, qualidade e competitividade, por exemplo. Assim surge um dilema para cada indivíduo: para onde seguir? Em rumo aos próprios objetivosou em rumo aos objetivos da organização? Do lado da organização, quanto maiores os salários, maiores os seus custos. Do lado das pessoas, quanto menores os custos, menores os seus salários. E então? www.esab.edu.br 105 22.1 Sobre os objetivos individuais Todas as pessoas formulam, consciente ou inconscientemente, os seus próprios objetivos particulares – crescer na vida profissional, garantir status e prestígio na comunidade, assegurar estabilidade financeira, comprar casa própria, ter um bom automóvel, vestir-se bem, ter boas amizades, ser feliz. Assim, podemos dividir os objetivos individuais pelo tempo de empenho para sua concretização: curto, médio ou longo prazo. À medida que cada objetivo é atingido, outros objetivos individuais mais sofisticados e mais avançados são formulados em uma sequência sem fim. Ou seja, um objetivo é atingido e outros vão sendo estabelecidos em seu lugar, em uma incessante corrida para o futuro, conforme nos ensina Chiavenato (2011). 22.2 Sobre os objetivos organizacionais As organizações são entidades igualmente orientadas para objetivos, segundo nos ensina Chiavenato (2011). Quase tudo dentro das organizações está orientado para uma meta, finalidade, estado futuro ou resultado a alcançar. O objetivo organizacional é, portanto, um estado desejado pela organização, que orienta seu comportamento em relação ao futuro. Todo objetivo organizacional funciona como uma imagem, quando é atingido, ele deixa de ser a imagem orientadora da organização para se incorporar a ela como algo real e atual. Um objetivo organizacional atingido deixa de ser um objetivo e passa a ser parte da realidade. Então, como equilibrar essas duas questões? Vamos estudar agora. www.esab.edu.br 106 22.3 A compatibilidade entre objetivos organizacionais e individuais Faz décadas que o dilema entre objetivos organizacionais e objetivos individuais é percebido, de acordo com Chiavenato (2011). As pessoas não atuam isoladamente, mas por meio de interações com outras pessoas, para assim alcançarem da melhor maneira os seus objetivos pessoais. Nas interações humanas, as pessoas se influenciam mutuamente, evento conhecido por relações sociais. As relações sociais são permeadas de diferenças individuais. Cada pessoa tem as suas próprias características, suas capacidades e suas limitações, e a maneira de ultrapassar essas limitações e ampliar suas capacidades é a cooperação mútua, como conhecemos no antigo jargão: “A união faz a força!”. É pela participação e cooperação das pessoas que surgem as organizações, sabia? Elas são, portanto, sistemas cooperativos que têm por base a racionalidade; trocando em miúdos: as organizações são sistemas sociais baseados na cooperação entre as pessoas. Para a existência de uma organização, dessa maneira, três condições precisam ocorrer simultaneamente: • interação entre duas ou mais pessoas; • desejo e disposição para cooperar; e • finalidade de alcançar objetivos comuns. A cooperação, portanto, é o elemento essencial da organização e varia de pessoa para pessoa. A contribuição de cada pessoa para o alcance do objetivo comum é variável e depende do resultado, real ou imaginário, das satisfações e insatisfações percebidas pelas pessoas como resultado de sua cooperação. Daí decorre a racionalidade. As pessoas cooperam desde que o seu esforço proporcione vantagens e satisfações pessoais que justifiquem tal esforço. Nesse sentido, a cooperação é fruto da decisão de cada pessoa em função das satisfações e vantagens pessoais. www.esab.edu.br 107 Quando a organização é composta de poucas pessoas, é comum que os objetivos organizacionais se confundam com os objetivos individuais. Por exemplo, se um grupo de pessoas se reúne para formar um empreendimento, os objetivos desse empreendimento são equivalentes aos objetivos pessoais que levaram cada pessoa a cooperar com ele. Mas, à medida que o empreendimento cresce e requer um volume maior de atividades e, consequentemente, de pessoas, torna-se necessária uma maior divisão do trabalho e um desdobramento da hierarquia. Assim, objetivos organizacionais como produtividade, qualidade, redução de custos, lucratividade etc. permanecem comuns aos objetivos pessoais daqueles que pensaram na organização e hoje ocupam a cúpula da hierarquia, mas se distanciam gradativamente dos objetivos pessoais daqueles que estão nos níveis inferiores da hierarquia (como salários e benefícios sociais, maior conforto pessoal, regalias etc.). O desejo de cooperar, portanto, dependerá dos incentivos oferecidos pela organização, a qual precisa influenciar o comportamento das pessoas por meio de incentivos materiais, como salários e benefícios sociais, oportunidades de crescimento, prestígio ou poder pessoal, condições ambientais de trabalho etc. Em outros termos, a organização é responsável por oferecer diferentes incentivos quando precisa conseguir a cooperação das pessoas em todos os níveis hierárquicos. Dentro desse esquema, cada pessoa precisa alcançar os objetivos organizacionais para se manter ou crescer na organização, ao passo que deve atingir os seus objetivos individuais para obter satisfações pessoais. Dessa forma, cada um precisa ser eficaz (alcançar objetivos organizacionais) e eficiente (alcançar objetivos individuais) para sobreviver no sistema. A função do administrador, no sentido de compatibilizar os interesses pessoais aos organizacionais, é criar e manter um sistema de esforços cooperativos entre as pessoas, ou seja, fazer com que as pessoas sejam eficazes e eficientes ao mesmo tempo, que elas consigam atingir aos objetivos organizacionais e, ao mesmo tempo, se sintam satisfeitas em atingir seus próprios objetivos por meio do trabalho, conforme ilustra a figura 11. www.esab.edu.br 108 Indivíduo E�cácia E�ciência Alcance de objetivos organizacionais Produtividade Qualidade Redução de custos Lucratividade Alcance de objetivos individuais Maior salário e benefícios Promoção pessoal Prestígio pessoal Segurança no trabalho Figura 11 – Eficiência e eficácia nos objetivos. Fonte: Adaptada de Chiavenato (2011). Os objetivos organizacionais podem ser divididos em três tipos: estratégicos, táticos e operacionais. Os estratégicos são os objetivos da organização como um todo, são amplos e de longo prazo. Os objetivos táticos dizem respeito a cada unidade ou departamento da organização, também chamados de objetivos de departamento, sendo normalmente de médio prazo, como, metas de aumento de vendas no departamento de marketing e diminuição de custos no departamento de produção, por exemplo. Por fim, os objetivos operacionais são voltados para a execução das operações e estão, portanto, relacionados a atividades cotidianas, sendo de curto prazo. Dessa forma, caro aluno, visando a eficácia no trabalho em equipe, temas que já estudamos, é necessário que os objetivos da organização sejam desdobrados e repassados para todos os níveis e funcionários, como podemos ver no exemplo a seguir. www.esab.edu.br 109 Presidente 12% de retorno sobre o investimento 5% de crescimento anual Nenhum desligamento de empregado Excelente serviço ao cliente Objetivos táticos Objetivos operacionais Objetivos estratégicos Gerar produtos padronizados e customizados para várias aplicações na indústria de ferramentas Missão Gerente de contas a receber Enviar cobranças em 5 dias Veri�car novo crédito em 1 dia Cobrar devedores atrasados todos os dias Devedores duvidosos até 2% Supervisor de maquinas Produzir 150.000 unidades a um custo médio de R$ 16,00 Reduzir a 7% máquinas paradas Reduzir refugos em até 3% Reduzir ciclo operacional em 3% Gerente de vendas - região 1 Responder ao cliente em 2 horas Cota de vendas de 120.000 unidades anuais Visitar 1 novo cliente a cada 4 dias Visitar grande cliente a cada 7 dias Diretor financeiro Lucro anual de 12% Devedores duvidosos até 2% Oferecer balancetes mensais Reduzir estoques em 10% Ciclo �nanceiro de 35 dias Diretor industrial Produzir 1.200.000 produtos com custo médio de R$ 18,00 Reduzir refugos em até 3% Aumentar produtividade em 2% Reduzir ciclo operacional em 3% Diretor de marketing Produzir 1.200.000 produtos com preço médio de R$ 27,00 Introduzir um novo produto Aumentar as vendas em 5% Participar em 19% do mercado Figura 12 – Desdobramento de Objetivos Estratégicos em táticos e operacionais. Fonte: Adaptada de Chiavenato (2011). www.esab.edu.br 110 Concluímos esta unidade dizendo que o planejamento está relacionado com o futuro e necessita de objetivos, pois são eles que oferecem uma linha, um rumo para o futuro. Contudo, para que os objetivos possam ser atingidos, é necessário também o engajamento das pessoas e a compatibilização dos objetivos individuais com os organizacionais, que, por sua vez, serão desdobrados em estratégicos, táticos e operacionais. Prontos para os próximos passos? www.esab.edu.br 111 23 Funções organizacionais Objetivos Proporcionar conhecimentos acerca das funções organizacionais e sua importância para a obtenção dos resultados corporativos. Vamos, neste capítulo, estudar as funções organizacionais, isto é, as tarefas especializadas que as pessoas e os grupos executam para que a organização consiga realizar seus objetivos. Grande parte das organizações, devido à intensa competição, apresentam funções semelhantes, como, a produção (também conhecida por operações), o marketing, a pesquisa e desenvolvimento, as finanças e os recursos humanos. Em virtude da grande importância dos exemplos citados, optamos por dar ênfase a eles neste estudo. Iniciaremos nosso estudo das funções organizacionais pelo papel da administração-geral: a coordenação de todas as funções especializadas, conforme a figura a seguir. Administração geral Operações Marketing Finanças Recursos humanos Pesquisa e desenvolvimento Figura 13 – Funções organizacionais. Fonte: Elaborada pelos autores (2012). www.esab.edu.br 112 Vejamos, agora, cada uma das funções que são coordenadas pela administração-geral. 23.1 Função produção (ou operações) O objetivo básico da função de produção é fornecer o produto ou serviço da organização. No centro de uma organização, encontra-se um sistema de operações produtivas que transforma os recursos para fornecer bens e serviços aos seus clientes e usuários. Produção é uma palavra genérica utilizada para classificar todas essas operações. No fornecimento de produtos (bens), é realizada a transformação de matérias-primas por meio do esforço dos colaboradores e do uso de máquinas (por exemplo, fabricação de automóveis ou pães). Já na prestação de serviços, os próprios clientes são processados e transformados (por exemplo, pacientes tratados em hospitais ou alunos educados nas escolas). www.esab.edu.br 113 Saiba mais Se pensarmos nessa divisão entre fornecimento de bens e prestação de serviços, podemos nos questionar sobre as terminologias cliente e usuário, certo? Qual a diferença entre eles? Cliente é aquele que faz o ato da compra, que vai, por exemplo, ao supermercado ou à concessionária de veículos para comprar a ração do cachorro ou o automóvel. Mas o usuário da ração será o animal doméstico. Já do automóvel, como talvez ele seja um presente para a filha e/ou esposa, estas serão suas usuárias. Assim, apesar de que em grande parte dos momentos compramos produtos e/ou serviços para nós, ocupando, portanto, o papel de cliente e usuário, em outros momentos, apesar de sermos clientes, outra pessoa e/ou espécie fará o papel de usuário. Ah, e saiba ainda mais, usuário e consumidor podem ser entendidos como sinônimos. Vejamos, a seguir, alguns processos produtivos. Podemos apresentar pelo menos três deles: • produção em massa: é a entrega em grande escala de produtos ou serviços, que podem ser simples ou complexos – parafusos, automóveis, refeições rápidas em franquias de lanchonetes etc. Esses sistemas são estáveis e padronizados para garantir que os produtos e serviços não apresentem variações; • produção por processo contínuo: é a produção ininterrupta de um único produto ou serviço, como, por exemplo, energia, transmissão de um programa de televisão ou produção de petróleo. Os processos contínuos funcionam como máquinas que trabalham ininterruptamente para produzir sempre o mesmo produto; e • produção unitária e em pequenos lotes: é a produção sob encomenda de produtos ou serviços, sejam eles simples ou www.esab.edu.br 114 complexos. Como exemplo de produção unitária, podemos citar a organização da Copa do Mundo, a fabricação de um navio de grande porte, a organização de eleições presidenciais, a fabricação de um vestido de alta costura para um evento como o Oscar. 23.2 Função de marketing O objetivo básico da função de marketing é estabelecer o elo entre a organização e seus clientes/consumidores, usuários e público-alvo. Independentemente do tipo de organização – lucrativa ou não – elas realizam a atividade de marketing, a qual é muito ampla e abrange atividades de: (i) promoção – cuida da comunicação com o público-alvo por meio de atividades como propaganda, publicidade e promoção nos pontos de venda; (ii) pesquisa – abrange a identificação de interesses, necessidades e tendências do mercado; (iii) desenvolvimento de produtos – etapa que cuida da criação de produtos e serviços, inclusive seus nomes, marcas e preços, e do fornecimento de informações para o desenvolvimento em laboratórios e oficinas; (iv) vendas – abrange a criação de transações com o público-alvo – existem organizações que possuem a função de venda separada do marketing; (v) preço – determina as políticas comerciais e estratégias de preço no mercado; (vi) distribuição – responsável pelo desenvolvimento dos canais de distribuição e gestão dos pontos de venda. www.esab.edu.br 115 Estudo complementar Você tem vontade de conhecer outro continente, outro país? É fascinado por alguma cultura e/ou história? Talvez as pirâmides do Egito, a Europa, a Ásia, os Estados Unidos? Por qual razão você tem esse desejo? O quanto de marketing existe no seu sonho? Acabamos de estudar a abrangência das atividades de marketing no fornecimento de bens e serviços, não é mesmo? Leia o artigo “Marketing de serviços: uma visão do Turismo no Brasil” e veja o quanto o marketing pode colaborar com países e regiões. Você pode acessar o artigo clicando aqui. 23.3 Função de pesquisa e desenvolvimento O objetivo básico da função de pesquisa e desenvolvimento (P&D) é transformar as informações de marketing, os avanços da ciência e as ideias originais em produtos e serviços. Além disso, a P&D colabora na identificação e a na introdução de novas tecnologias, por exemplo, matérias-primas e fórmulas, e de melhoramentos nos processos produtivos para reduzir custos. Normalmente, as grandes organizações têm pessoas que trabalham em atividades de P&D, técnicos de todas as profissões que trabalham em laboratórios, centros de pesquisa e oficinas com o objetivo de idealizar e desenvolver produtos e serviços dos mais variados tipos. As pequenas organizações, por outro lado, também podem ter atividades de P&D, mas, em muitos casos, as ideias e as fórmulas são compradas ou copiadas de organizações maiores e mais inovadoras. www.esab.edu.br 116 Saiba mais Sabia que as organizações têm feito uso do que chamamos de intraempreendedorismo para estimular novas ideias e inovação? Quer saber o queisso significa? Clique aqui e descubra. O criador desse conceito é Gifford Pinchot III. Se você gostou da ideia e quer conhecê-lo melhor, acesse a entrevista com ele clicando aqui. 23.4 Função de finanças A função financeira, lida com o dinheiro da empresa e tem por objetivo proteger seus recursos financeiros e utilizá-los de maneira eficaz, o que inclui a maximização do retorno dos acionistas. Ao mesmo tempo, esta função tem por objetivo manter certo grau de liquidez, para que a organização consiga cumprir seus compromissos. Inerente à função de finanças estão as decisões relacionadas a: (i) investimentos, avaliação e escolha de alternativas de aplicação de recursos; (ii) financiamento, identificação e escolha de alternativas de fontes de recursos, (iii) controle, acompanhamento e avaliação dos resultados financeiros da organização; e (iv) destinação dos resultados, seleção de possibilidades para aplicação dos resultados financeiros da organização. 23.5 Função de recursos humanos A função de recursos humanos ou de gestão de pessoas tem como objetivos encontrar, atrair e manter as pessoas das quais a organização necessita. Isso envolve atividades que podem começar antes mesmo que uma pessoa seja empregada na organização e seguem até depois que a pessoa se desliga. Assim como as funções de marketing e financeiro, a função de recursos humanos é composta de outras funções como: (i) planejamento de mão de obra, definição da quantidade de pessoas necessárias para trabalhar na organização e das competências que elas devem ter; (ii) recrutamento e seleção, localização e aquisição www.esab.edu.br 117 de pessoas com as habilidades apropriadas para a organização; (iii) treinamento e desenvolvimento, transformação dos potenciais das pessoas em competências; (iv) avaliação de desempenho, informação sobre o desempenho das pessoas e definição de ações que permitam o aprimoramento do desempenho, como o encaminhamento para treinamento; (v) remuneração ou compensação, definição de mecanismos de recompensas para as pessoas por seu trabalho; (vi) higiene, saúde e segurança, proteção das pessoas que trabalham para a organização e, em certos casos, de seus familiares; (vii) administração de pessoal, realização de atividades de natureza burocrática, como registro de pessoal, manutenção de arquivos e prontuários, contagem de tempo de serviço, preparação de folhas de pagamento e acompanhamento de carreiras, funções pós-empregos, recolocação, aposentadoria e outros tipos de benefícios para ex-funcionários. É, portanto, a coordenação adequada de todas essas funções que permitirá um caminho de sucesso para as organizações. Administrar não é fácil, não é mesmo? São muitos critérios para tomar como norte e orquestrar. E é por isso que os Fundamentos da Administração trazem suportes teóricos para nos auxiliar nessa tarefa! Seguiremos nossos estudos com o entendimento das estruturas organizacionais. Vamos lá? www.esab.edu.br 118 24 Estruturas organizacionais Objetivo Esboçar os conceitos acerca de estrutura organizacional e sua importância para a eficácia das organizações. Toda organização precisa se organizar minimamente para administrar suas funções. É sobre essa organização, a estrutura organizacional e a sua importância que conversaremos nesta unidade. Uma estrutura organizacional, afirmam Stoner e Freeman (1999), define como são formalmente divididas, agrupadas e coordenadas as tarefas e os cargos de uma organização. De forma geral, existem seis elementos fundamentais que os gerentes precisam considerar quando projetam a estrutura de sua organização: (1) a especialização do trabalho, (2) departamentalização, (3) cadeia de comando, (4) margem de controle, (5) centralização e descentralização e (6) formalização. Esses elementos foram levantados pelas perguntas apresentadas no quadro 4. Na sequência de nossos estudos, veremos cada um deles amparados por Robbins e Decenzo (2004). Perguntas As respostas são dadas por 1. Em que medidas as tarefas são subdivididas em cargos distintos? Especialização do trabalho 2. Em que base os trabalhos serão agrupados? Departamentalização 3. A quem se reportam os indivíduos e os grupos? Cadeia de comando 4. Quantos indivíduos um gerente pode comandar com eficiência e eficácia? Margem de controle 5. Em que reside a autoridade para tomada de decisões? Centralização e descentralização 6. Em que medida haverá regras e regulamentos para comandar os funcionários e gerentes? Formalização Quadro 4 – Seis perguntas fundamentais que o administrador deve responder ao projetar a estrutura organizacional adequada. Fonte: Adaptado de Robbins e Decenzo (2004). www.esab.edu.br 119 24.1 Especialização do trabalho No início do século XX, Henry Ford ficou rico e famoso fabricando automóveis em uma linha de montagem, a Ford. A cada trabalhador da Ford era designada uma tarefa específica e repetitiva. Uma pessoa, por exemplo, montaria a roda dianteira e outra instalaria a porta esquerda. Ou seja, Henry Ford dividiu os trabalhos em pequenas tarefas padronizadas, que poderiam ser repetidamente executadas. A Ford foi capaz de produzir carros a um ritmo relativamente veloz, ainda que utilizando funcionários com qualificações limitadas. Dessa forma, a Ford demonstrou que o trabalho poderia ser executado mais eficazmente se permitisse que os funcionários se especializassem. Hoje empregamos o termo especialização do trabalho ou divisão do trabalho, alegam Robbins e Decenzo (2004), para descrever o grau em que as tarefas na organização são subdivididas em cargos distintos. A essência da especialização do trabalho é que um trabalho completo não é executado por apenas um indivíduo, ele é dividido em etapas, que são finalizadas por pessoas diferentes. Ou seja, os indivíduos se especializam em realizar parte de uma atividade ao invés de se especializarem na atividade inteira. Ao longo do século XX, administradores procuraram outras eficiências que pudessem ser alcançadas pela especialização do trabalho e descobriram que as qualificações de funcionários na execução bem- sucedida de uma tarefa aumentam por meio da repetição, pois mais tempo é gasto quando o funcionário tem de passar por várias tarefas e se preparar para elas, trocando de ferramentas e equipamentos. Igualmente importante é o treinamento para a especialização, pois é mais fácil e menos dispendioso encontrar e treinar trabalhadores para realizarem tarefas específicas, repetitivas e limitadas, do que encontrar e treinar trabalhadores para realizarem todas as tarefas. Isso é particularmente verdadeiro para operações altamente sofisticadas e complexas. Será que a Embraer, por exemplo, conseguiria produzir um avião por ano se uma pessoa tivesse que construí-lo sozinha? Provavelmente não. www.esab.edu.br 120 Dessa forma, podemos concluir que a especialização do trabalho aumenta a eficiência e a produtividade, estimulando a criação de invenções e maquinarias especiais. 24.2 Departamentalização Uma vez que os cargos estejam divididos por especialização do trabalho, é necessário agrupá-Ios de forma que as tarefas comuns possam ser coordenadas. A base na qual os cargos são agrupados é a chamada departamentalização. Existem várias formas para se agrupar atividades, podendo ser pela função desempenhada, tipo de produto, organização da fábrica, serviços prestados, geografia ou território, processos e cliente. Estudaremos melhor esses assuntos na unidade 30. Por agora, é muito importante que você perceba que as grandes organizações geralmente combinam mais de uma forma de departamentalização. Saiba mais Se você quiser adiantar seus estudos e conhecer mais sobre a departamentalização, clique aqui e leia sobre o assunto. 24.3 Cadeia de comandoA cadeia de comando é uma linha contínua de autoridade que se estende do topo da organização até o mais baixo escalão e tem como objetivo esclarecer quem se reporta a quem. Responde a perguntas como “A quem devo recorrer se tiver um problema?”, “Perante quem sou responsável?”. Não é possível discutir a cadeia de comando sem discutir, com base em Robbins e Decenzo (2004), dois conceitos complementares: autoridade e unidade de comando. www.esab.edu.br 121 • Autoridade diz respeito aos direitos de um colaborador que ocupa uma posição de dar ordens. Para facilitar a coordenação, a organização atribui a cada posto gerencial um lugar na cadeia de comando e a cada gerente um grau de autoridade, a fim de que este cumpra suas responsabilidades. • O princípio da unidade de comando ajuda a preservar o conceito de uma linha contínua de autoridade, isto é, uma pessoa deve ter um, e apenas um, superior perante o qual ela é diretamente responsável. Se a unidade de comando é rompida, um subordinado pode ter de lidar com demandas ou prioridades conflitantes oriundas de vários superiores. 24.4 Margem de controle Quantos subordinados um gerente e/ou administrador pode dirigir com eficiência e eficácia? Essa questão da margem de controle é importante, pois determina o número de níveis e gerentes de que uma organização dispõe. Pense, por exemplo, em uma organização com muitos funcionários. Quanto maior for a margem de controle (mais funcionários com menos superiores), o custo será menor para a instituição. Porém, conseguirá esse administrador efetuar um correto acompanhamento, exercendo, por exemplo, a liderança com seus funcionários? Essa é a questão que deve ficar neste momento, pois estudaremos a Liderança na unidade 33. Em contrapartida, em uma mesma organização, ao optar por uma margem de controle menor (menos funcionários para mais superiores), os administradores terão a oportunidade de exercer suas funções mais próximos aos funcionários, acompanhando-os. Conforme destaca Caravantes (2005), o poder total que um gerente possui é composto de dois tipos diferentes de poder: poder de cargo e poder pessoal. O poder de cargo é aquele que deriva da posição que o gerente detém dentro da empresa. Em geral, um gerente que vai de um nível administrativo baixo a outro mais alto acumula mais poder de cargo. Já o poder pessoal é aquele que deriva do relacionamento do gerente com as outras pessoas. www.esab.edu.br 122 24.5 Centralização e descentralização Em algumas empresas, a alta Administração toma todas as decisões, enquanto os gerentes de nível operacional meramente executam as diretrizes. No extremo oposto, existem organizações nas quais a tomada de decisões é transferida para os gerentes que estão mais próximos da ação. As primeiras são as descritas como altamente centralizadas, enquanto as segundas como descentralizadas. O termo centralização refere-se ao grau em que a tomada de decisões está concentrada em um único ponto da organização. O conceito abrange somente a autoridade formal, ou seja, os direitos inerentes ao cargo da pessoa. Via de regra, se a alta Administração toma as decisões fundamentais da organização com pequena ou nenhuma contribuição do pessoal de nível mais baixo, diz-se que a organização é centralizada. Em compensação, quanto mais o pessoal de nível mais baixo fornecer contribuições ou for dotado de poder de tomada de decisões mais descentralização existirá. Em uma organização descentralizada, a ação pode ser empreendida com maior rapidez para resolver problemas, mais pessoas contribuem para as decisões e é menos provável que os funcionários se sintam alienados em relação àqueles que tomam as decisões. 24.6 Formalização A formalização diz respeito ao grau em que os cargos são padronizados na organização. Um cargo altamente formalizado dá a seu ocupante pouquíssimo arbítrio sobre o que, quando e como será feito. Isto é, um alto nível de formalização prevê uma organização com descrições de cargo explícitas, regras organizacionais e procedimentos claramente definidos, abrangendo os processos de trabalho. Onde a formalização é baixa, os comportamentos de trabalho são relativamente não programados e os funcionários dispõem de muita liberdade para exercer seu arbítrio no trabalho. Como o arbítrio de um indivíduo no trabalho é inversamente proporcional à quantidade www.esab.edu.br 123 de comportamento que é pré-programada pela organização, quanto maior a padronização, menor a contribuição do funcionário sobre como seu trabalho será realizado. A padronização não elimina somente a possibilidade de que os trabalhadores se envolvam em comportamentos alternativos, como também a necessidade de considerarem outras opções. Assim, por permitir que as tarefas sejam bem definidas e façam parte dos cargos corretos, a estrutura organizacional provê eficiência operacional nos cargos, o que, no somatório destes, tendem a levar à eficácia organizacional. Atividade Chegou a hora de você testar seus conhecimentos em relação às unidades 17 a 24. Para isso, dirija- se ao Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e responda às questões. Além de revisar o conteúdo, você estará se preparando para a prova. Bom trabalho! www.esab.edu.br 124 Resumo Estas unidades foram muito esclarecedoras, não é mesmo? Vimos, entre vários assuntos, que uma maneira de vencer os desafios do administrador é tornar os indivíduos mais envolvidos, com participação plena, criativos e encontrando a autorrealização em seu trabalho. Além disso, deve ser incentivado o trabalho em equipe e a compreensão das necessidades e dos objetivos de toda a organização, bem como a utilização de novas tecnologias. No ambiente dinâmico contemporâneo, as organizações estão adotando novas formas e práticas para atender aos desafios inerentes à nova tecnologia, à intensa competitividade e à demanda dos consumidores, objetivando melhorar e adequar seu desempenho. No estudo do processo decisório, podemos perceber que existe um método para a tomada de decisões, pois elas não podem ser tomadas de qualquer forma. Deve ser levado em conta o impacto nas pessoas e a forma de trazê-las para participar. Em relação aos objetivos organizacionais, a organização deve deixá-los claros quando da entrada do funcionário, visando evitar conflitos com os objetivos deste, tarefa que não é nada simples. Finalmente, terminamos esse bloco de estudos com as funções organizacionais, isto é, tarefas especializadas que pessoas e grupos executam para atingir seus objetivos, sendo que, para isto, é necessário haver o entendimento e a definição de questões referentes à especialização do trabalho, departamentalização, cadeia de comando, margem de controle, centralização/descentralização e formalização. www.esab.edu.br 125 25 Entendendo grupos e desenvolvendo equipes Objetivo Caracterizar a relevância do entendimento acerca das diferenças entre grupos e equipes. Caro estudante, tudo bem até aqui? Depois de vermos, nas duas últimas unidades, as funções organizacionais e a sua estrutura, vamos entender o conceito de grupos e de equipes e verificar como eles são desenvolvidos. Diariamente escutamos as expressões grupo e equipe para designar pessoas que trabalham juntas, mas será que as duas significam a mesma coisa? Na verdade, grupos e equipes não são a mesma coisa. Vamos, com a ajuda de Robbins e Decenzo (2004), entender as diferenças de cada um deles! Um grupo é formado por dois ou mais indivíduos em interação e interdependência, que se reúnem para alcançar determinados objetivos. Por exemplo, um grupo de trabalho é um grupo que interage basicamente para compartilhar informações e tomar decisões para se ajudarem mutuamente no desempenho de suas áreas distintas de atuação. É importante notarmosque os grupos de trabalho não têm necessidade ou oportunidade de se envolverem em trabalho coletivo que exija esforço conjunto. Por isso, seu desempenho é meramente a somatória de todas as contribuições individuais de seus membros. Não há sinergia positiva, criando um nível global de desempenho, que ultrapassa a soma das contribuições individuais (ROBBINS; DECENZO, 2004). E a equipe de trabalho? Bom, uma equipe de trabalho gera sinergia positiva mediante o esforço coordenado, pois seus esforços individuais resultam em um nível de desempenho que é maior do que a soma dessas contribuições individuais. www.esab.edu.br 126 Podemos entender essa diferença na figura a seguir. Compartilharam informações Neutra (às vezes negativa) Individual Casuais e variadas Desempenho coletivo Positiva Individual e mútua Complementos Meta Grupo de trabalho Equipes de trabalho Sinergia Responsabilidade Habilidades Figura 14 – Grupos versus equipes de trabalho. Fonte: Elaborada pelos autores (2012). Você percebeu a diferença? Equipe é o sentido mais amplo, pois envolve não apenas compartilhamentos, mas também responsabilidades. Essas definições nos auxiliam na percepção da razão pela qual tantas organizações têm recentemente estruturado seus processos de trabalho em torno de equipes. A Administração está procurando a sinergia positiva, que possibilitará às suas organizações um desempenho melhor. Neste sentido, a maior produção de uma organização pode ser alcançada sem gerar nenhum incremento nos insumos, através do uso generalizado de equipes. www.esab.edu.br 127 Para sua reflexão Queremos que você pense sobre o uso da palavra “potencial” na última afirmação: “[...] o uso generalizado de equipes cria o potencial para uma maior produção [...]”. Por que não podemos dizer que o uso de equipes cria uma maior produção? Será que a criação da sinergia positiva está ligada apenas a uma nomenclatura? Grupo versus Equipe? As respostas a essas reflexões formam parte de sua aprendizagem e são individuais, não precisando ser comunicadas ou enviadas aos tutores. Agora que já percebemos a diferença entre equipes e grupos, vamos nos focalizar nos conceitos básicos dos grupos. Os grupos não são um bando, uma quadrilha e ou amontoado de pessoas desorganizadas, ao contrário, possuem uma estrutura, ou seja, um conjunto de variáveis e componentes que moldam o comportamento de seus membros. Apoiados em Robbins e Decenzo (2004), vamos conhecer esses componentes? • No nosso dia a dia, seja em casa, na faculdade ou no trabalho, somos todos obrigados a desempenhar inúmeros papéis, não é mesmo? E o nosso comportamento varia de acordo com o papel que estamos desempenhando. Entender o conceito dos papéis pode nos ajudar a explicar por que o nosso comportamento em um jogo de futebol no sábado, por exemplo, é diferente do comportamento ao participar de uma reunião para diminuição de custos, pois os papéis que devemos desempenhar e o que é esperado de nossa atuação e postura é diferente. O caminho começa pelos grupos, pois eles impõem diferentes identidades e expectativas aos seus integrantes, fazendo com que as pessoas ajam de acordo com essas identidades e expectativas quando estão inseridas nele. www.esab.edu.br 128 Dessa forma, o entendimento do comportamento seria enormemente simplificado se cada um de nós adotasse um único papel em nosso dia a dia, e o desempenhasse com regularidade e consistência, mas, infelizmente, não é o que fazemos. Para entender melhor o comportamento de um indivíduo em situações específicas, procure saber que papel essa pessoa está desempenhando e em que grupo está inserida. E para o administrador, qual é a importância de conhecer os papéis? Quando você está lidando com funcionários, é útil pensar com quais grupos eles se identificam no momento e quais comportamentos seriam esperados deles no papel que assumem naquele grupo. Essa perspectiva geralmente permite que você possa prever com maior precisão o comportamento do funcionário e se oriente na definição de como lidar melhor com ele em determinadas situações. • Existem padrões de comportamento que são aceitáveis no interior de um grupo, aos quais damos o nome de normas. Todos os grupos possuem normas. Elas dizem aos membros o que devem e o que não devem fazer sob determinadas circunstâncias. Quando acordadas e aceitas pelo grupo, as normas atuam como meio de influenciar o comportamento dos membros com um mínimo de controle externo. Um ponto-chave que devemos lembrar em relação às normas é que os grupos exercem pressão sobre seus membros para que seus comportamentos estejam de acordo com os padrões do grupo. Dessa forma, é de se esperar que os membros do grupo ajam no sentido de corrigir ou até de punir quem viola suas normas. • Os grupos diferem por sua coesão, isto é, o grau de atração mútua entre seus membros e a motivação que têm para continuar no grupo. Alguns grupos de trabalho, por exemplo, são coesos, pois os seus membros passaram muito tempo juntos; o tamanho reduzido do grupo facilita a maior interação; ou, ainda, porque o grupo experimentou ameaças externas que fizeram com que os seus integrantes se tornassem mais próximos. A importância da coesão está relacionada à produtividade do grupo. • E em relação ao tamanho do grupo? Afeta seu comportamento geral? Alguns estudos concluíram que os grupos são afetados pelo seu tamanho. Os resultados sugerem, por exemplo, que grupos menores www.esab.edu.br 129 são mais ágeis na conclusão de tarefas que os grupos maiores. Entretanto, se o grupo está engajado na solução de problemas, os grupos maiores sempre obtêm melhor resultado do que os menores. De maneira geral, grupos grandes – com 12 ou mais membros – são bons para obter contribuições diversificadas. Por isso, se o objetivo do grupo é apurar fatos, os grupos maiores devem ser mais eficazes. Por outro lado, grupos menores são melhores para realizar algo produtivo com essas contribuições. Agora que vimos os componentes de um grupo, vamos aprender como formar equipes de alto desempenho. Para Chiavenato (2011), as seguintes questões são essenciais: • participação: todos os membros estão comprometidos com o empowerment e a autoajuda. Motivo: buscar sinergia de esforços; • habilidade e participação dos membros: seus integrantes devem possuir não apenas capacidade técnica, mas humana e conceitual unidade 16. Além disso, a equipe deve ser capaz de resolver problemas e tomar decisões; • clareza e distribuição de papéis: as equipes possuem diferentes necessidades, assim, as pessoas devem ser selecionadas com base em sua personalidade e preferência. Para isso, os administradores necessitam diagnosticar as vantagens individuais que cada pessoa pode trazer para a equipe e selecionar as pessoas com base nessa vantagem, distribuindo os trabalhos que se ajustem mais aos estilos preferidos por cada um, pois todos os membros compreendem e apoiam o propósito da equipe. Motivo: desenvolver o esforço conjunto; • responsabilidade e estabelecimento de metas específicas: metas devem ser possíveis de serem alcançadas (realistas), focadas (específicas) e quantificadas (mensuráveis). Pois, metas levam o indivíduo a um desempenho melhor, motivando as equipes, facilitando a comunicação e ajudando-as a se concentrar na obtenção de resultados. Todos os membros se sentem responsáveis pelos resultados do desempenho. Motivo: alcançar a solidariedade. www.esab.edu.br 130 Assim, todas as equipes são também grupos, porém nem todos os grupos são equipes, pois para ser uma equipe, é necessário criar uma sinergia que resulta em um nível de desempenho maior que apenas a soma das contribuições individuais. Essa unidade termina com uma conclusão que deve ser guardada porvocê, caro aluno: em uma época de extrema competição e de alta exigência dos clientes como a que vivemos, torna-se indispensável trabalhar em equipe. Na próxima unidade, vamos tratar de mais um assunto fundamental para a Administração: a comunicação. Bons estudos! www.esab.edu.br 131 26 Comunicação interpessoal Objetivo Ordenar conhecimentos em relação ao conceito e à importância da comunicação interpessoal. Existe um velho ditado que diz: “Quem não se comunica, se trumbica”. Você já ouviu falar dele? Essa expressão, se levada para a Administração, nos mostra o quão importante é estarmos em constante comunicação com o mercado, com os clientes, com os fornecedores, com os concorrentes. Porém, para uma correta comunicação, é necessário entender e estudar seus conceitos. Acompanhe-nos! A comunicação, segundo Robbins e Decenzo (2004), envolve a transferência de significado de uma pessoa para outra. Assim, caso uma ideia ou informação não seja transferida, ou caso seja transferida de maneira incorreta, não estará acontecendo comunicação; pois, para ter êxito, a ideia ou informação necessita ter seu significado adequadamente entendido. Existem dois personagens principais no processo de comunicação: o emissor e o receptor. O primeiro transmite a mensagem ao segundo, que a recebe. Esse processo não está limitado à fala, pois, quando você abre um e-mail ou um memorando e os entende, também está se comunicando. Nesta unidade veremos a chamada Comunicação interpessoal, que deve ser entendida como a comunicação entre duas pessoas, seja face a face, caso em que há apenas uma pessoa falando com a outra, ou em contextos de grupos, nos quais as partes são tratadas como indivíduos e não como objetos. O processo de comunicação é um modelo que é composto de sete partes, conforme Robbins e Decenzo (2004): (1) a fonte de comunicação www.esab.edu.br 132 ou emissor, (2) a codificação, (3) a mensagem, (4) o canal, (5) a decodificação, (6) o receptor e (7) o feedback, conforme ilustrado na figura 15. Fonte Codi�cação Canal Decodi�cação Receptor Feedback Mensagem Mensagem Mensagem Mensagem Figura 15 – O processo de comunicação. Fonte: Adaptada de Robbins e Decenzo (2004). Podemos observar na figura que a fonte (ou emissor) inicia o processo de comunicação convertendo um pensamento em uma forma simbólica, a qual chamamos de codificação. A mensagem é o produto físico da codificação da fonte. Pense que, quando escrevemos, a escrita é a mensagem; quando pintamos, o quadro é a mensagem; quando gesticulamos, os movimentos de nossos braços e as expressões do nosso rosto são a mensagem. Na comunicação interpessoal, a mensagem normalmente é constituída por palavras e insinuações não verbais. O canal é o meio pelo qual a mensagem é transmitida. As comunicações interpessoais recorrem muito à conversa face a face, ao telefone e, cada vez mais, ao e-mail como canais básicos. O receptor é o destinatário da mensagem, mas antes de a mensagem poder ser recebida, os símbolos nela contidos devem ser traduzidos de uma forma que possa ser entendida pelo receptor. Essa é a etapa de decodificação da mensagem. www.esab.edu.br 133 O elo final no processo de comunicação é o circuito do feedback, no qual é realizada uma resposta quanto ao sucesso obtido na transferência da mensagem tal como originalmente pretendida. Isto é, o feedback procura determinar se o entendimento aconteceu. O feedback pode ser de dois tipos: • aberto – é óbvio e direto. Obtido através de perguntas e de observação, durante a realização de exercícios e testes. Mostra o que o ouvinte captou e o que não captou; • velado – é obtido através da prática de observar a reação do ouvinte a estímulos externos. Pode se obtido na sua expressão, posição, movimentos e atitude. Como é expressado inconscientemente, tende a dizer a verdade. Para além desses processos, devemos refletir que em comunicações perfeitas as mensagens são transferidas de forma que o receptor as entenda exatamente como foram concebidas na mente do emissor, mas, infelizmente, isso raramente acontece, porque existem desvios ou bloqueios no fluxo do processo de comunicação. Olhe novamente para a figura 15, que ilustra o processo de comunicação, e veja como a maioria dos seus componentes tem potencial para gerar distorções e, dessa forma, atrapalhar a meta de comunicar com perfeição. Por exemplo, se a codificação é feita com negligência, a mensagem codificada será distorcida. A mensagem em si também pode provocar distorção, pois a confusão no conteúdo da mensagem e a má escolha de símbolos são problemas frequentes, recorrentes. O canal também pode distorcer a comunicação se for deficiente ou se o nível de ruído for alto. Neste caso o receptor, naturalmente, também representa uma fonte potencial de distorção. Seus preconceitos, lacunas de conhecimento, aptidões de percepção, amplitude da atenção e cuidado na decodificação representam fatores que podem resultar na interpretação da mensagem de um modo um pouco diferente do pretendido pelo emissor. Entendidos os conceitos acerca de comunicação e seus problemas em potencial, quais seriam os elementos para uma boa comunicação www.esab.edu.br 134 interpessoal? Conforme Robbins e Decenzo (2004), dois dos elementos mais importantes para a comunicação eficaz são a habilidade para ser um ouvinte ativo e a habilidade para dar feedback. • Audição ativa quer dizer ouvir de modo a compreender a comunicação do ponto de vista do emissor, pois a maioria das pessoas não leva em conta as habilidades de audição. Isso significa que a escuta ativa exige que escutemos atentamente o falante e, em muitos casos, que desenvolvamos empatia pelo que ele está dizendo. É comum a confusão entre escutar e ouvir. Qual a diferença? Ouvir é apenas captar vibrações sonoras, ao passo que escutar é compreender aquilo que ouvimos, pois, requer prestar atenção, interpretar e se lembrar de estímulos sonoros. • Em relação à habilidade para dar feedback, vimos que sua função é a verificação do sucesso obtido na transferência das mensagens tais como originalmente pretendidas, procurando determinar se o entendimento aconteceu. Você, por acaso, já observou que certas pessoas, quando precisam dar o feedback negativo sobre o desempenho de alguém, o fazem em público e, em certos momentos, acabam constrangendo a pessoa, ao passo que quando é para elogiar o bom desempenho, o fazem na sala, de forma individual? Acerca da maneira mais eficaz para se dar o feedback, não existe fórmula mágica e ou definitiva, porém, citamos algumas questões importantes. • Enumerar os pontos desejados para feedback: liste as situações e tarefas em que o subordinado está com desempenho abaixo, verifique se o mesmo teve treinamento e instrumentos para o correto desempenho da função, se foi a primeira vez com baixo desempenho. • Agendar reunião de feedback: marcar dia e horário adequados, aonde, o emissor e o receptor conversarão, sem interrupções. • Expor pontos de melhoria: ser claro, direto e específico. Lembrar que está em avaliação o desempenho da pessoa e não o ser humano. • Deixar a pessoa falar: ao sinal de ataque, ou ataca-se ou foge-se. Ao ser atacada de forma deliberada, a pessoa vai atacar ou fugir – www.esab.edu.br 135 ou seja, não vai ouvir nada do que você falar, pois estará pensando em qual argumento usar para se defender ou ainda, poderá estar pensando se será demitida. Portanto, permita que ela fale o que está sentindo. • Oferecer ajuda: sempre que possível, ofereça ajuda, pois, em certos momentos, o receptor pode não ter percebido que aquele comportamento era abaixo do esperado e ou, talvez, não saiba como fazer determinada atividade. • Acompanhar: periodicamente acompanharo progresso do sujeito. Assim, a comunicação interpessoal é a chave para ser visto, lembrado e entendido como um profissional capacitado, pois, ao nos comunicarmos de forma eficaz, conseguimos causar melhor impressão, melhores contatos, melhores resultados. Vamos todos aprimorar, de forma constante, nossa comunicação! www.esab.edu.br 136 27 Negociação Objetivo Formular conceitos relativos à negociação empresarial. A palavra negociação ganha cada vez mais destaque em tempos atuais, devido ao aumento das exigências legais, desde códigos de defesa do cliente, regras para o comércio internacional, além, claro, da grande opção que os clientes possuem para escolher produtos e serviços, o que torna a negociação de preço, prazo e condições cada vez mais importante. Mas qual o seu significado, importância e origens? São as respostas a essas questões o assunto desta unidade. Vamos juntos! Atualmente, a arte de negociar faz parte do dia a dia das pessoas e não somente das organizações. Para atingir um objetivo, seja na vida pessoal, seja na profissional, as pessoas precisam negociar e não impor uma decisão, pois, como já vimos nas unidades anteriores, destaca-se, entre os desafios da atualidade, a arte de comunicar-se eficazmente, tema abordado na unidade 26, e aprender a trabalhar em equipe. Mas por que é importante negociar para a Administração? Podemos destacar alguns contextos que mostram a importância e a necessidade crescente de negociar, como o aumento do comércio internacional. Nas negociações internacionais, conforme nos ensinam Martinelli e Ghisi (2006), são necessárias habilidades de relacionamento para fortalecer alianças estratégicas e canais de distribuição de mercadorias. Na importância da negociação, devemos nos atentar também para as habilidades que são exigidas do negociador, que deve estar sintonizado com as diferenças culturais e seus efeitos no processo de negociação. O avanço das tecnologias, especificamente a internet, fez com que se preparar para uma negociação ficasse mais fácil, pois ela oferece a possibilidade de obter informações e contatos importantes para vencer as barreiras da hierarquia. Entretanto, nada substitui o contato pessoal. www.esab.edu.br 137 Negociar tornou-se, portanto, uma das maiores habilidades humanas nos dias de hoje – por isso, sua relevância na gestão. A negociação foi um fator de desenvolvimento econômico e cultural, pois os ancestrais do homem moderno, em função da capacidade de interagir e negociar entre si, foram capazes de desenvolver avanços nos seus grupos sociais, criando mais produtos, inovações e desenvolvendo relações. Pelo que sabemos da história ‒ e ainda amparados por Martinelli e Ghisi (2006) ‒, na busca pela sobrevivência, nossos ancestrais saíram vitoriosos por causa da definição de funções, que dependia de uma seleção e do consentimento das pessoas envolvidas. Assim, os mais habilidosos com a caça eram responsáveis pela obtenção do alimento, outros produziam artefatos para defesa, alguns cuidavam dos menores, entre outros, sendo esse fenômeno chamado de negociação como fator de sobrevivência. Mas como podemos conceituar negociação? Existem inúmeras definições na literatura, contudo, amparados por Martinelli e Ghisi (2006), podemos entender a negociação como o processo pelo qual as partes se movem de suas posições iniciais divergentes até um ponto no qual o acordo pode ser obtido. É a busca por acordos que satisfaçam ambas as partes, minimizando perdas e maximizando ganhos. Dessa forma, é importante entendermos que a base da negociação é o conflito, palavra que muitas vezes é confundida com competição. Abaixo, relacionamos as principais diferenças entre conflito e competição, com base em Martinelli e Ghisi (2006). • Conflito: consciente; necessita de encontro e comunicação; descontínuo e pessoal. • Competição: natural do ser humano; não precisa de encontro e comunicação; contínua e impessoal. Diante do que foi apresentado, podemos dizer que o conflito é toda atividade em que homens lutam entre si por qualquer objetivo, enquanto a competição pode ser de dois tipos: (1) direta, em que pessoas ou grupos frustram, impedem, reprimem ou lesionam uns aos outros para www.esab.edu.br 138 atingir um objetivo; e (2) indireta, quando não existe ação contra a outra parte. Entendido que a competição é algo natural, ao passo que o conflito é intencional, podemos concluir que a diferença está na intenção, a qual pode ser de divergência –acredita-se que existe uma má intenção nas ações da outra parte –; ou de intransigência – recusa em enxergar que exista um propósito correto da outra parte, não aceitando nada que possa vir dela, mesmo que seja positivo. É o caso, por exemplo, de partidos políticos adversários, que mesmo quando o concorrente apresenta uma ideia considerada boa, recusa-se a aceitá-la, por não acreditar que se possa vir algo de bom do adversário. Em uma negociação, da mesma forma, nada se aceita da outra parte, por achar que esta sempre tem uma intenção negativa. Negociar também exige ética. Mas o que é ética? Podemos entendê- la como um código de princípios e valores morais que governam o comportamento de uma pessoa ou de um grupo, com respeito ao que é certo ou errado. Assim, podemos entender que a ética estabelece padrões sobre o que é bom ou ruim na conduta das pessoas ou na tomada de decisões, seja no plano pessoal, seja sob o ponto de vista organizacional. A ética nas negociações deve permear tanto a Administração Pública, quanto a Administração no âmbito privado, já que o uso de informações privilegiadas, a fraude, o suborno para conseguir informações, o uso de propinas, entre outras atitudes antiéticas prejudicam não apenas a economia, mas a sociedade de modo geral. www.esab.edu.br 139 Saiba mais Você sabia que, para cumprir o requisito da ética nas negociações, as organizações, objetivando criar padrões de conduta, elaboram códigos de ética para seus funcionários para que eles ajam dentro do limite da lei, seja em compras, vendas, negociação com governos, clientes, entre outros? Visite os sites abaixo e conheça o código de conduta de algumas grandes organizações: Código de conduta empresarial da Nestlé Código de ética da empresa Loreal: a nossa forma de trabalhar Com base no que já aprendemos até aqui sobre negociação, uma questão pode estar na sua cabeça: como posso me planejar de uma forma eficaz para uma negociação? Inspirados pelos ensinamentos de Martinelli e Ghisi (2006), destacaremos as seguintes etapas e procedimentos que podem auxiliá-lo nesse processo: a. Mapeamento da situação • levantar e listar as informações necessárias para a negociação, como, por exemplo, o que se está negociando, valores, objetivos, interesse das partes; • identificar e priorizar as questões entre as mais necessárias e as mais relevantes; b. Estabelecimento de parâmetros para a negociação • definir metas ou objetivos, como o que se espera da negociação; • listar as possibilidades de acordos alternativos tendo em vista a barganha da outra parte; • fixar os limites para a negociação, isto é, o máximo e o mínimo aceitável; www.esab.edu.br 140 c. Montagem do cenário para a negociação • definir a agenda da negociação, pois, uma vez que os assuntos estão definidos, evita-se que eles voltem à discussão. Dessa forma, assuntos sem importância ou ressentimentos de negociações anteriores têm menos chances de atrapalhar o processo; • determinar e preparar o local da negociação, o que implica em pensar no local e na infraestrutura que será necessária; • identificar os participantes. Apenas as pessoas necessárias para o processo de negociação devem ser convidadas; d. Preparação final para a negociação • analisar a outra parte, buscando,dentro de limites éticos, informações, como quem será o negociador, qual o seu objetivo, estilo de negociação, reputação em cumprir acordos etc.; • simular o processo de negociação, apresentando seus argumentos, testando seus acordos alternativos, limites mínimo e máximo. Esse teste deve servir para verificar os seus argumentos e sua respectiva consistência; • definir estratégias e táticas com base nas etapas anteriores. Finalizamos a nossa unidade com uma famosa frase de Abraham Lincoln, político estadunidense conhecido por liderar o país de forma bem-sucedida durante a maior crise interna sofrida pelos EUA: “Se eu tivesse nove horas para cortar uma árvore, passaria seis horas afiando meu machado”. Essa frase nos faz perceber que, assim como nas demais áreas da Administração, o segredo de uma boa negociação está em seu planejamento. Na próxima unidade, continuaremos o nosso estudo conhecendo um pouco sobre os motivos que causam resistência à mudança na organização e nos indivíduos que a compõem. Até mais. www.esab.edu.br 141 Tarefa dissertativa Caro estudante, convidamos você a acessar o Ambiente Virtual de Aprendizagem e realizar a tarefa dissertativa. www.esab.edu.br 142 28 Resistência à mudança Objetivo Listar fontes de resistência individual e organizacional à mudança. A Administração da mudança é um desafio que está diante de toda organização. A mudança é uma realidade organizacional, e lidar com ela faz parte do trabalho de todos os administradores, afirmam Robbins e Decenzo (2004). O modo como as organizações administram a mudança, ou deixam de administrá-Ia tende a ser o que inevitavelmente distinguirá a vitória da derrota em um novo mundo ultracompetitivo, pois os administradores que conseguirem explorar a mudança poderão capitalizar as oportunidades ilimitadas geradas por ela. Nesta unidade, apresentaremos algumas diretrizes para ajudar você a entender melhor a mudança. Mais fácil seria o trabalho do administrador caso a maioria das pessoas aceitasse a mudança. Mas não é o que acontece. Uma das descobertas mais bem documentadas nos estudos sobre comportamento individual e organizacional, de acordo com Robbins e Decenzo (2004), é que as organizações e seus membros resistem à mudança. Ainda segundo os mesmos autores, essa resistência é positiva, pois proporciona certo grau de estabilidade e previsibilidade no interior das organizações unidade 20. Se não houvesse resistência, o comportamento organizacional poderia assumir características de caos. Entretanto, também tem um lado negativo: inibir a inovação, já que as coisas são feitas sempre da mesma forma. Assim, por exemplo, a resistência a um plano de reorganização ou a uma mudança em determinada linha de produtos pode estimular um debate saudável em torno dos méritos da ideia e resultar em uma decisão melhor, da mesma forma como pode ser uma forma de impedir a adaptação e o progresso. Enfim, a mudança é um assunto delicado, que www.esab.edu.br 143 tem seus pontos negativos e positivos, os quais dependem de como a organização e os seus colaboradores lidam com ela. Para seguirmos com o nosso estudo, é importante entendermos que a resistência à mudança não surge necessariamente de formas padronizadas. Ela pode ser pública, implícita, imediata ou adiada, conforme nos ensina Robbins (2004). É mais fácil para a Administração lidar com a resistência quando ela é pública e imediata, ou seja, percebida por todos e manifestada durante ou logo após o processo de mudança, como quando uma mudança é proposta e os funcionários reagem depressa, verbalizando queixas, adotando “operação tartaruga” no trabalho, ameaçando entrar em greve ou coisas parecidas. Por outro lado, o desafio maior é administrar a resistência que é implícita ou adiada. Os esforços de resistência implícitos são mais sutis, como perda de lealdade com a organização, falta de motivação para trabalhar, aumento dos erros, maiores faltas devido a doenças, e, portanto, mais difíceis de identificar. Observe que eles não são visíveis, nem públicos. Da mesma forma que são difíceis de ser identificados, não são resolvidos prontamente. De forma parecida são as ações adiadas, pois elas minam a ligação entre a fonte da resistência e a reação a ela. Um exemplo de ação adiada é aquela mudança que produz o que parece ser apenas uma reação mínima no momento em que é iniciada, mas semanas, meses ou até anos depois, manifesta-se como resistência. Ou ainda uma mudança isolada, que em si e por si mesma poderia exercer pequeno impacto, contudo, ela se torna a gota d’água que faz o copo transbordar, pois as reações à mudança podem se acumular e depois explodir em uma resposta que parece totalmente desproporcional à ação da mudança da qual ela deriva. Nesse caso, fica claro que a resistência foi meramente adiada e armazenada. O que se manifesta é uma resposta a uma acumulação de mudanças prévias. www.esab.edu.br 144 Entendido esse contexto da mudança, vamos agora examinar as fontes da resistência. Na literatura, elas são classificadas em fontes individuais e organizacionais. 28.1 Sobre a resistência individual As fontes individuais de resistência à mudança residem em características humanas básicas, como percepções, personalidades e necessidades. Segundo Robbins (2004), os cinco principais motivos pelos quais os indivíduos resistem à mudança estão apresentados na figura a seguir. Processamento seletivo das informações Segurança Fatores econômicos Hábito Medo do desconhecido Resistência individual Figura 16 – Fontes de resistência individual à mudança. Fonte: Elaborada pelos autores (2012). • Hábito: Toda vez que você sai para comer, você experimenta um restaurante diferente? Provavelmente não. Se você for como a maioria das pessoas, descobre uns poucos lugares dos quais gosta e a www.esab.edu.br 145 eles retorna mais ou menos regularmente, certo? A essa característica bastante comum nos seres humanos damos o nome de hábito. Quando somos confrontados pela mudança, a tendência de reagir de acordo com nossos modos habituais torna-se uma fonte de resistência. Se a empresa em que você trabalha for transferida para um novo edifício comercial do outro lado da cidade, é provável que você tenha de alterar diversos hábitos: acordar 10 minutos mais cedo, encontrar um novo lugar para estacionar o carro, ajustar-se ao novo layout do escritório, desenvolver uma nova rotina de horário de almoço e assim por diante. Tantas alterações em sua rotina exigirão esforço e, com isso, você pode resistir à mudança. • Segurança: Pense que você trabalha em uma grande indústria e que uma das unidades ou a filial de outro país anuncia a demissão de pessoas. É provável que você e outras pessoas, que não serão afetadas pela demissão, já que ela será em outro país ou unidade, não recebam bem a mudança por se sentirem ameaçados. • Fatores econômicos: Outra fonte de resistência individual é o medo de que as mudanças reduzam a renda do colaborador. Além disso, mudanças nas tarefas do cargo ou nas rotinas estabelecidas de trabalho também podem despertar receios econômicos, se as pessoas estiverem preocupadas em não conseguir executar as novas tarefas ou rotinas com os mesmos padrões. Isso acontece principalmente quando a remuneração está estreitamente vinculada à produtividade. • Medo do desconhecido: As mudanças substituem o conhecido pela incerteza. Por exemplo, a introdução do método de Gestão de Qualidade Total (GQT) significa que os trabalhadores da produção terão de lidar com técnicas estatísticas de controle de processo. Alguns podem temer que não conseguirão aprendê-Ias. Além disso, podem temer o acompanhamento do seu trabalho durante um processo de certificação. Dessa forma, pode ser que sejamdesenvolvidas atitudes negativas em relação ao método GQT e ao processo de certificação. • Processamento seletivo de informações: Os indivíduos tendem a moldar o mundo de acordo com suas percepções. Uma vez que criamos esse mundo, tendemos a apresentar resistência a fatores diferentes do que imaginamos, ouvindo apenas o que queremos www.esab.edu.br 146 ouvir, aprendendo apenas o que desejamos aprender, acreditando que a forma como sempre foi feito e como sempre fizeram é a ideal. 28.2 Sobre a resistência organizacional Em muitos momentos, as organizações são conservadoras, reagindo de forma negativa à mudança. Seja qual for o tipo de organização – governamental ou privada –, a mudança causa estranheza e medo. Assim, podemos falar de quatro fontes principais de resistência organizacional: 1. inércia estrutural: as organizações criam automaticamente a estabilidade com o uso de controles, regras e normas, sendo que, ao avistar uma mudança, acredita-se que o controle será perdido; 2. inércia de grupo: mesmo quando algum indivíduo quiser mudar algo, os grupos podem criar barreiras. Por exemplo, no caso de um membro do grupo, funcionário, pode estar disposto a aceitar uma norma e ou pedido da empresa, porém, o seu sindicato pode ser contrário; 3. ameaça às relações estabelecidas de poder: qualquer distribuição de autoridade para a tomada de decisão pode ser vista como perda de poder por ameaçar o poder anteriormente estabelecido. Assim, novas técnicas e formas de gestão, como, descentralização, gestão participativa, entre outras, são geralmente vistas como ameaçadoras por gerentes e demais pessoas nas organizações; 4. ameaça às distribuições estabelecidas de recursos: os grupos que controlam recursos consideráveis na organização geralmente encaram a mudança como ameaça. Um setor que costuma receber grande parte dos investimentos e recursos da organização tende a não querer que outros setores se envolvam em grandes projetos por acreditar que este novo desafio irá diminuir os recursos. Saiba mais Aumente seus conhecimentos sobre mudança. Acesse o vídeo “Aprenda a reconhecer quem resiste às mudanças” disponível em clicando aqui. www.esab.edu.br 147 Vimos, portanto, que a mudança traz resistência para os indivíduos e para as organizações em geral. Contudo, no mercado competitivo em que vivemos, a mudança é fato consumado, fator essencial e imperante para se atender às necessidades dos clientes e, portanto, é necessário aprender a lidar com ela. www.esab.edu.br 148 29 Estruturas verticais e horizontais Objetivo Diferenciar estruturas verticais e horizontais, entendendo seus conceitos e suas aplicabilidades. Na unidade anterior acabamos de ver a resistência à mudança, sendo que uma de suas possibilidades é em relação à mudança de estrutura, de posição no organograma. Assim, a estrutura da organização é fator importante para seu desempenho, pois caso ela esteja errada, aumentam as chances de resistência, pois se os cargos estão definidos de forma errada, maior esforço deverá ser feito para atingir o resultado de uma tarefa, o que pode trazer insatisfação. Estudar a estrutura da organização começa por entender que tudo inicia pela adequada disposição de recursos organizacionais para alcançar metas estratégicas. A disposição dos recursos é refletida na divisão de mão de obra da organização em departamentos específicos e cargos, em linhas formais de autoridade e em mecanismos para coordenar as tarefas organizacionais diversas. Dessa forma, segundo Hall (2004), a estrutura organizacional tem por finalidade produzir resultados organizacionais e atingir metas organizacionais; estas são criadas para minimizar ou, ao menos, regular a influência das variações individuais na organização. Nesse sentido, há um processo de organização que leva à criação de uma estrutura organizacional que define como as tarefas são divididas e como os recursos são distribuídos. Assim, a estrutura organizacional é definida como (1) um conjunto de tarefas formais atribuídas aos indivíduos e departamentos; (2) os relacionamentos formais de comando, incluindo as linhas de autoridade, a responsabilidade da decisão, o número de níveis hierárquicos e a amplitude de controle do gerente; e (3) o projeto de sistemas para garantir a coordenação eficaz dos funcionários entre os departamentos. www.esab.edu.br 149 O conjunto de tarefas formais e de relacionamentos formais de comando proporciona a estrutura para o controle vertical da organização. Vamos, portanto, organizar nosso estudo começando pela estrutura vertical. 29.1 Estrutura vertical Caravantes (2005) cita que as características da estrutura vertical são: autoridade, responsabilidade, delegação, amplitude administrativa e especialização do trabalho. Para o autor, a estrutura vertical é popular porque se presta à coordenação centralizada. Estas características, que compõem a estrutura vertical, são retratadas por um organograma, que é a representação visual da estrutura de uma organização. Como exemplo, veja o organograma da figura 17. Presidente Vice-presidente de contabilidade Centro de informações Administrador de benefícios Gerente de relações industriais Analista �nanceiro Contador chefe Contas a pagar Auxiliar da folha de pagamentos Vice-presidente de produção Vendas na região montanhosa Vendas no meio-oeste Vendas na costa-oeste Diretor de marketing Superintendente da instalação de envasamento Supervisores de envasamento Supervisor de manutenção Gerente de controle de qualidade Diretor de recursos humano Figura 17 – Exemplo de organograma. Fonte: Adaptada de Chiavenato (2011). www.esab.edu.br 150 Podemos observar, nesse exemplo de uma empresa de envasamento de refrigerantes, que a fábrica tem quatro departamentos principais: contabilidade, recursos humanos, produção e marketing. O organograma, que é a disposição visual da organização, demonstra a disposição das unidades funcionais, a hierarquia (relações de poder e autoridade), assim como estabelece os canais de comunicação na organização. Além disso, o organograma, proporciona ordem e lógica para a organização, sendo que cada funcionário tem uma tarefa indicada, uma linha de autoridade e responsabilidade de decisão. Para entendermos bem a estrutura vertical, representada pelo organograma, é essencial o conceito de cadeia de comando. Cadeia de comando É a linha de autoridade formal em uma organização, vista no organograma e que identifica as unidades funcionais e a quem deve responder dentro da estrutura organizacional. Dessa forma, a cadeia de comando é a definição formal do sentido da comunicação dentro da organização, e da responsabilidade de cada indivíduo que faz parte dela. A cadeia de comando está associada a dois princípios básicos: (1) unidade de comando, significa que cada funcionário responde a apenas um supervisor e (2) princípio escalar, que se refere a uma linha claramente definida de autoridade na organização, a qual inclui todos os funcionários. Autoridade e responsabilidade para as tarefas diferentes deveriam ser distintas. Esses dois princípios são extremamente importantes, pois permitem que todas as pessoas, em uma organização de estrutura vertical, saibam a quem se reportar, assim como a sucessão dos níveis administrativos até o topo. A cadeia de comando envolve alguns outros conceitos, entre eles: a autoridade, a responsabilidade, a delegação e a amplitude administrativa. Vamos entender cada um deles. www.esab.edu.br 151 Autoridade A cadeia de comando ilustra a estrutura de autoridade da organização. Certo (2003) define autoridade como o tipo de comunicação por meio da qual o indivíduo aceita uma ordem que governa as ações que ele tomadentro do sistema. A autoridade é diferenciada por três características: 1. A autoridade é investida nas posições organizacionais, não nas pessoas (impessoalidade). Isto é, os gerentes têm autoridade por causa da posição que ocupam, de forma que qualquer pessoa nessa mesma posição teria a mesma autoridade. 2. A autoridade é aceita pelos subordinados. Embora a autoridade flua de cima para baixo por meio da hierarquia da organização, os subordinados obedecem porque eles acreditam que os gerentes têm o direito legítimo de emitir ordens (legitimidade). 3. A autoridade flui para baixo na hierarquia vertical (verticalidade). As posições do topo da hierarquia são investidas com mais autoridade formal do que as posições da parte debaixo. Responsabilidade Responsabilidade é o outro lado da moeda da autoridade, dessa forma, representa o dever de realizar a tarefa ou a atividade delegada. Tipicamente, recebe-se autoridade em proporção à responsabilidade. Quando, por exemplo, um gerente é responsável pelos resultados da tarefa, mas tem pouca autoridade, o serviço é possível, porém difícil, passando a depender da persuasão e da sorte. Por outro lado, quando o colaborador tem autoridade que excede à responsabilidade, podem se tornar tiranos. Delegação É o processo que os gerentes usam para transferir autoridade e responsabilidade para as posições abaixo deles na hierarquia. A maioria das organizações, hoje, encoraja gerentes a delegarem autoridade para www.esab.edu.br 152 o nível mais baixo possível, proporcionando o máximo de flexibilidade para satisfazer as necessidades dos clientes e se adaptar ao ambiente. Amplitude administrativa É o número de funcionários que se reportam a um supervisor. Algumas vezes chamada de amplitude de controle. Amplitude é definida por Robbins e Decenzo (2004) como o número de colaboradores que um administrador consegue gerenciar de maneira eficiente e eficaz. Essa característica da estrutura determina a proximidade e a capacidade que um supervisor tem de atingir o monitoramento dos seus subordinados. As visões tradicionais do modelo da organização recomendavam uma amplitude administrativa de aproximadamente sete subordinados por gerente. No entanto, muitas organizações enxutas têm amplitudes administrativas de 30, 40, ou até mais subordinados por gerente. Geralmente, quando os gerentes precisam estar bastante envolvidos com os subordinados, a amplitude deve ser pequena. Por outro lado, quando for necessário pouco envolvimento com os subordinados, ela pode ser grande. Especialização do trabalho Um princípio fundamental é que o trabalho pode ser realizado mais eficientemente se os funcionários se especializarem. A especialização do trabalho, algumas vezes chamada de divisão de mão de obra, é o grau em que as tarefas organizacionais são divididas em trabalhos separados. Em nosso exemplo de organograma, ela demonstra a separação das tarefas de produção em envasamento, controle da qualidade e manutenção. Os funcionários dentro de cada departamento desempenham somente as tarefas relevantes à sua função especializada. Quando a especialização do trabalho é extensa, os funcionários se dedicam a uma única tarefa. Os trabalhos são menores, mas eles podem ser realizados eficientemente. Assim, as características da estrutura vertical, que são: autoridade, responsabilidade, delegação, amplitude administrativa e especialização do trabalho, são melhor visualizadas no organograma. www.esab.edu.br 153 29.2 Estrutura horizontal Ao longo dos anos, algumas organizações perceberam que o modelo tradicional de estrutura, baseado no organograma, tende a ser ineficaz em tempos de rápidas e grandes mudanças. Isso, pois, com o crescimento das organizações, novos cargos são criados e agrupados em departamentos. Porém, esses cargos precisam ser unidos e integrados à estrutura, sendo que, na visão do autor, a estrutura formal, apesar de eficiente no controle, não é suficiente, pois a organização precisa de sistemas para processar as informações e permitir a comunicação entre as pessoas nos diversos departamentos e níveis. Assim, a base da estrutura horizontal chama-se coordenação. Ela pode ser entendida como a qualidade da colaboração entre os departamentos, pois os funcionários tendem a se identificar com seu departamento, atendendo aos interesses deste, seja na forma, no ritmo de trabalho ou nos processos, retendo informações que podem ser vitais para o bom andamento do processo de trabalho de outros departamentos. A estrutura horizontal, com seus organogramas e várias linhas de autoridade, em certos momentos, tende a apresentar baixa agilidade e capacidade de resposta. Dessa forma, a coordenação deve ser o resultado da informação e cooperação. Para atingir esse objetivo, a organização pode usar três formas de estrutura horizontal: força-tarefa, equipe e gerente de projeto. Força-tarefa É uma equipe temporária e ou um comitê destinado a resolver um problema de curto prazo e que envolve vários departamentos. Os membros da força-tarefa representam seus departamentos e compartilham informações que possibilitam a coordenação. Pense, por exemplo, em um alto índice de reclamações por parte dos clientes quanto à qualidade do produto fabricado por uma organização. Quais as possíveis causas? A estrutura vertical permite a busca de respostas por meio do compartilhamento de informações. Por ser uma força-tarefa, específica, quando a solução for encontrada, o grupo é desfeito. www.esab.edu.br 154 Saiba mais Conheça a força-tarefa realizada na Perdigão, a qual envolveu inúmeras decisões para o crescimento da organização, clicando aqui. Equipe É um grupo de participantes de vários departamentos que se reúnem constantemente para identificar e resolver problemas de interesse comum. Voltemos ao nosso exemplo anterior, do problema de qualidade na fabricação. Pense que, após a força-tarefa encontrar o problema e ser desfeito, o gestor da organização e os membros da força-tarefa percebam inúmeras melhorias e possibilidades de trabalho juntos e resolvam dar um caráter contínuo a esse trabalho, o que os leva a criar uma equipe. Essa equipe deverá, de forma contínua, rever os processos organizacionais em busca de melhoria de processo, por meio, principalmente, da gestão e mapeamento de processos. Dessa forma, a organização pode criar comitês de qualidade ou grupos de melhoria contínua, que, de forma permanente, estudarão formas de melhorar processos, de identificar mercados, entre outros. Gerente de projetos É uma pessoa responsável por coordenar a atividade de vários departamentos para o término de um projeto específico, ensina Hall (2004). Para entender melhor o conceito de gerente de projetos, vamos primeiro entender o que é um projeto. Projeto É um empreendimento único, com início e fim definidos, que utiliza recursos limitados e é conduzido por pessoas, visando atingir metas e objetivos predefinidos, os quais foram estabelecidos dentro de parâmetros www.esab.edu.br 155 de prazo, custo e qualidade. Tendo em vista o aumento da competição e das exigências dos clientes, entregar o melhor produto, de forma mais rápida, precisa e com o custo certo, é essencial para a sobrevivência da organização. Prezado aluno, perceba que, ao passo que as estruturas verticais criam a estrutura e o poder necessários para a definição de tarefas e atividades, as estruturas horizontais visam, conforme Hall (2004), diminuir as barreiras entre departamentos, agilizar a comunicação entre as hierarquias, objetivando engajar pessoas em processos compartilhados, visando à cooperação e à busca pela agilidade. www.esab.edu.br 156 30 Departamentalização Objetivo Descrever o conceito, a importância e as formas de departamentalizaçãoexistentes. Departamentalização já não é mais um conceito estranho para você, não é mesmo? Já estudamos a departamentalização como componente da estrutura organizacional de forma introdutória na unidade 24 e agora, após estudarmos a estrutura vertical das organizações na unidade 29, aprofundaremos nossos conhecimentos no assunto. Vimos, no estudo da estrutura vertical, o organograma, assim como questões relacionadas à cadeia de comando, autoridade, responsabilidade, delegação e amplitude administrativa. É importante citarmos que o organograma, na estrutura vertical, nada mais é que a representação da departamentalização, isto é, a base para agrupar as posições em departamentos e os departamentos em uma organização completa. Por meio da departamentalização, os administradores fazem escolhas sobre como usar a cadeia de comando para agrupar as pessoas que desempenharão seus trabalhos. Conforme nos ensinam os autores estudados – Hall (2004), Robbins e Decenzo (2004), Caravantes (2005) e Certo (2003) –, existem cinco abordagens para o modelo estrutural vertical, as quais refletem os usos diferentes da cadeia de comando na departamentalização: (1) funcionais, (2) divisionais, (3) matricial, (4) uso de equipes e (5) as redes. As três primeiras abordagens são tradicionais e dependem da cadeia de comando para definir os agrupamentos departamentais e relatar os relacionamentos ao longo da hierarquia. As duas últimas abordagens são mais contemporâneas. www.esab.edu.br 157 30.1 Abordagem Funcional Vertical A estrutura funcional é o agrupamento de posições em departamentos, baseado em habilidades similares, conhecimento e uso dos recursos. A força da estrutura funcional está na vantagem que advém da especialização do trabalho, segundo Robbins e Decenzo (2004). Uma estrutura funcional pode ser considerada como departamentalização pelos recursos organizacionais, porque cada tipo de atividade funcional – recursos humanos, engenharia, manufatura – representa os recursos específicos para realizar as tarefas da organização. Nessa perspectiva, as pessoas e as instalações que representam um recurso organizacional comum são agrupadas em um único departamento. Esse agrupamento permite o uso eficiente dos recursos e, consequentemente, aumento na economia. A estrutura funcional é um forte modelo vertical em que as informações fluem para cima e para baixo na hierarquia e a cadeia de comando converge no topo da organização. Conforme nos ensinam Robbins e Decenzo (2004), em uma estrutura de departamentalização funcional, o agrupamento das especialidades similares resulta em economia de escala, minimiza a duplicação de pessoal e equipamentos, e faz com que os funcionários se sintam satisfeitos. Nesta estrutura, as pessoas de dentro do departamento se comunicam primariamente com as outras pessoas do mesmo departamento para coordenar o trabalho, realizar tarefas ou implementar decisões vindas dos diretores ou dos gerentes. Como desvantagem, esse modelo reflete as barreiras que existem entre os departamentos e resulta em uma resposta lenta para as mudanças ambientais. Além disso, pode criar problemas administrativos, como a dificuldade em apontar precisamente os problemas que ocorrem dentro dos departamentos. Veja, na figura a seguir, um exemplo de estrutura que adota a Abordagem Funcional Vertical de departamentalização. www.esab.edu.br 158 Presidente Assessoria Financeira Produção Marketing RH Figura 18 – Abordagem Funcional Vertical. Fonte: Elaborada pelos autores (2012). 30.2 Abordagem Divisional Em contraste com a Abordagem Funcional Vertical, na qual as pessoas são agrupadas pelas habilidades comuns e pelos recursos, a Abordagem Divisional, segundo Robbins e Decenzo (2004), ocorre quando os departamentos são agrupados com base nos resultados organizacionais. A estrutura divisional, algumas vezes, é chamada de estrutura do produto, estrutura do programa ou estrutura da unidade independente. Cada um desses termos significa essencialmente a mesma coisa: departamentos diversos são agrupados para produzir um único resultado organizacional, seja esse um produto, um programa ou um serviço para um único cliente. Os gerentes das divisões são totalmente responsáveis por um produto ou serviço. Na estrutura divisional, a cadeia de comando converge para os níveis mais baixos da hierarquia. Isto é, as diferenças de opinião entre pesquisa e desenvolvimento, marketing, manufatura e finanças são resolvidas no nível divisional e não pelo presidente. Assim sendo, a estrutura divisional encoraja a descentralização, pois a tomada de decisão é empurrada para baixo, pelo menos em certo nível na hierarquia, liberando o presidente e outros altos-gerentes para o planejamento estratégico. A figura a seguir apresenta um exemplo de departamentalização fundamentada em uma Abordagem Divisional. www.esab.edu.br 159 Presidente Divisão 1 Finanças Manufatura Marketing P&D Finanças Manufatura Marketing P&D Divisão 2 Finanças Manufatura Marketing P&D Divisão 3 Figura 19 – Abordagem Funcional Vertical x Divisional. Fonte: Elaborada pelos autores (2012). Na figura 19, podemos observar a Divisão 1, Divisão 2 e Divisão 3. Pensemos, por exemplo, em uma grande empresa, fabricante de várias linhas de produtos alimentícios. A Divisão 1, poderia ser laticínios como leite e iogurte, a Divisão 2 poderia ser Chocolate e achocolatados e a Divisão 3, bolachas. Repare que cada uma destas divisões, apesar de serem do ramo alimentício, realizam produtos distintos, além de possuírem custos e forma de produção diferentes, também, precisam de pesquisas e desenvolvimento (P&D) específicos para cada segmento, além de focarem em públicos distintos. www.esab.edu.br 160 30.3. Abordagem Matricial Combina aspectos das Abordagens Funcional e Divisional simultaneamente, na mesma parte da organização. A Estrutura Matricial evoluiu como um meio de melhorar o compartilhamento de informações. Um aspecto singular dessa estrutura é que ela tem linhas duplas de autoridade. Na figura anterior, você pode perceber que a hierarquia funcional de autoridade corre verticalmente, enquanto a hierarquia divisional corre horizontalmente. Dessa forma, ao mesmo tempo em que a Estrutura Vertical proporciona um controle tradicional dentro dos departamentos funcionais, a Estrutura Horizontal proporciona uma coordenação entre os departamentos. A Estrutura Matricial, portanto, proporciona uma cadeia de comando formal para ambos os relacionamentos funcionais (vertical) e divisionais (horizontal). Como resultado dessa estrutura dupla, pode acontecer de alguns funcionários se reportarem a dois supervisores simultaneamente. www.esab.edu.br 161 Presidente Vice-presidente �nanceiro Vice-presidente de engenharia Vice-presidente de manufatura Vice-presidente de marketing Gerente do produto A Gerente do produto B Gerente do produto C Cadeia vertical de comando para as funções Cadeia horizontal de comando para as divisões de produtos Funcionários com dois chefes Presidente Alemanha Gerentes a�liados America Latina Argentina Brasil Espanha Portugal Produtos de plástico do mundo todo Fibra de vidro do mundo todo Produto para isolamento do mundo todo Figura 20 – Estrutura de unidade dupla em uma organização matricial. Fonte: Adaptada de Robbins e Decenzo (2004) e de Chiavenato (2011). www.esab.edu.br 162 30.4. Abordagem de Equipe Provavelmente a tendência mais difundida na departamentalização tem sido o esforço feito pelas empresas para implementar os conceitos de equipe. A cadeia de comando vertical é um meio poderoso de controle, mas passar todas as decisões para a parte de cima da hierarquialeva muito tempo e mantém a responsabilidade no topo. Por isso, hoje as empresas estão tentando encontrar meios de delegar autoridade, empurrar a responsabilidade para os níveis mais baixos e criar equipes participativas que envolvam o compromisso dos trabalhadores. A Abordagem de Equipe permite que as organizações sejam mais flexíveis e sensíveis no ambiente global competitivo. Assim, Chiavenato (2011) apresenta duas maneiras de se pensar sobre usar equipes em organizações: • as equipes multifuncionais são formadas por funcionários de vários departamentos funcionais, os quais são responsáveis por se reunirem como uma equipe e resolver os problemas mútuos. Os membros da equipe tipicamente ainda se reportam a seus departamentos funcionais, mas eles também se reportam à equipe, isto é, a um membro que representa a liderança; • a segunda abordagem é usar equipes permanentes, ou seja, grupos de funcionários reunidos como se fossem um departamento formal. Cada equipe reúne funcionários de todas as áreas funcionais focados em uma tarefa específica ou projeto, como o suprimento de peças e logística para uma montadora de carros. A ênfase está na comunicação horizontal e no compartilhamento de informações, porque os representantes de todas as funções estão coordenando seus trabalhos e habilidades para completar uma tarefa organizacional específica. 30.5. Abordagem de Rede A abordagem mais recente da departamentalização – rede – expande a ideia da coordenação e colaboração horizontal para além dos limites da organização. A estrutura de rede significa que a empresa subcontrata www.esab.edu.br 163 muitas das suas principais funções em empresas separadas e coordena suas atividades a partir de uma pequena organização matriz. Podemos entender essa abordagem como um terminal central cercado por uma rede de especialistas externos, como na figura 21. Empresa central (terminal) Empresa de manufatura (Ásia) Empresa de projeto (Canadá) Empresa de contas a receber (EUA) Empresa de transporte (Coréia) Empresa de distribuição (Europa) Figura 21 – Abordagem de Rede para departamentalização. Fonte: Adaptada de Chiavenato (2011). A ideia por trás das redes é que uma empresa pode se concentrar no que ela faz de melhor e contratar as outras atividades de empresas com competência em áreas específicas. Isso permite que a empresa faça mais com menos. Dessa forma, podemos entender que departamentalização é o modo como os indivíduos são agrupados em departamentos e, estes, em relação à organização. Em relação às abordagens vistas, cada uma serve a um propósito distinto, com vantagens e desvantagens, sendo a diferença principal entre elas a forma como os funcionários são departamentalizados e a quem eles se reportam. www.esab.edu.br 164 Resumo Vimos, na unidade 25, que o uso das equipes visa aumentar a produtividade, a qualidade e a satisfação do trabalhador, o que é essencial nesta época de extrema competitividade. Na sequência, estudamos a comunicação. Boas habilidades na comunicação, especialmente na comunicação interpessoal, são essenciais para o sucesso profissional, principalmente por meio do uso da audição ativa e do feedback. Em relação à negociação, estudada na unidade 27, podemos perceber que um bom negociador resolve os conflitos de forma cooperativa, produzindo ótimos resultados para todos, sendo que, para isso, deve se preparar muito, antes, durante e depois da negociação, devendo usar suas habilidades de percepção e observação para entender melhor os estilos de negociação dos outros. Na unidade 28, estudamos a resistência a mudanças, processo que reúne fatores individuais, como o hábito, a segurança e o medo do desconhecido, assim como fatores organizacionais, como a inércia de grupo e da estrutura, e a disputa por recursos. Esses e outros fatores devem ser estudados e gerenciados pelas organizações, visando não estagnarem em seus processos, o que pode trazer um marasmo na inovação de produtos e serviços para os clientes. Na unidade 29, estudamos alguns conceitos organizacionais importantes sobre as características fundamentais da estrutura de uma organização, as quais incluem a especialização do trabalho, a cadeia de comando, autoridade, responsabilidade e a amplitude administrativa. Essas dimensões representam a hierarquia vertical e indicam como a autoridade e a responsabilidade são distribuídas ao longo dessa hierarquia. Além disso, vimos também as características da estrutura horizontal, que busca diminuir a distância entre os departamentos e melhorar a comunicação das organizações. www.esab.edu.br 165 Finalmente, na unidade 30, vimos as abordagens da departamentalização: Funcional Vertical, com as pessoas agrupadas em departamentos com base nas habilidades comuns e atividades de trabalho; Divisional, quando os departamentos são agrupados em divisões separadas, independentes e baseadas em um produto comum, programa ou região geográfica; Matricial, quando as cadeias de comando funcional e divisional são implementadas simultaneamente e se sobrepõem nos mesmos departamentos. Entre as abordagens contemporâneas, temos a baseada em Equipe, pela qual a organização cria uma série de equipes para realizar tarefas específicas e coordenar os departamentos importantes, assim como a Abordagem de Rede, pela qual a organização passa a ser um terminal pequeno, central, eletronicamente conectado com outras organizações que desempenham funções vitais. www.esab.edu.br 166 31 Funções da Administração: planejamento Objetivo Expor conceitos teóricos acerca da função administrativa planejamento. Já aprendemos bastante coisa até aqui, não é mesmo? Conforme vimos na unidade 1, de acordo com Andrade e Amboni (2011), a Administração é o processo de trabalhar com pessoas e recursos para realizar objetivos organizacionais. Assim, os administradores têm a responsabilidade de atingir os objetivos organizacionais de forma eficiente e eficaz, pois devem usar corretamente os recursos (eficiência) e atingir o objetivo esperado (eficácia). Dessa forma, se o administrador falhar nesses critérios, poderá arriscar o futuro da organização. E então você pode nos dizer: mas como o administrador deve agir para ser eficiente e eficaz? O processo eficaz de administrar deve envolver uma variedade de atividades, as chamadas funções da Administração, as quais podemos visualizar na figura a seguir. www.esab.edu.br 167 Recursos Humanos Financeiros Matérias-primas Tecnológicos Informação Desempenho Alcance das metas Produtos Serviços Eficiência Eficácia Planejamento Seleciona metas e meios de obtê-las Liderança Usa in�uência para motivar os funcionários Controle Monitora as atividades e faz correções Organização Atribui responsabilidade pela realização da tarefa Funções Administrativas Figura 22 – Funções administrativas. Fonte: Adaptada de Andrade e Amboni (2011) e Hall (2004). Dentre essas funções, destacamos nesta unidade o planejamento. Planejar é especificar os objetivos a serem atingidos pela organização e decidir antecipadamente as ações apropriadas que devem ser executadas para atingir esses objetivos, conforme nos ensina Chiavenato (2011). www.esab.edu.br 168 Dessa forma, as atividades de planejamento incluem a análise da situação atual, a visualização da situação futura, a determinação de objetivos, a decisão sobre em que tipos de atividade a organização deverá se engajar, a escolha de estratégias corporativas e de negócios, e a determinação dos recursos necessários para atingir as metas da organização. Pense, por exemplo, em uma organização de telefonia móvel, televisão a cabo e/ou provedor de internet. Qual será o futuro desses segmentos? Qual o tipo de serviço que deveráser ofertado daqui a cinco anos? Qual a tecnologia necessária para isso? Qual aparelho deverá ser oferecido aos clientes? Essas questões estão relacionadas à busca pelo estado futuro do segmento. Mas e em relação ao cenário atual? A empresa deve se questionar sobre quais recursos (pessoas, instalações, competências) possui, se eles são compatíveis com o estágio futuro e/ou se é preciso fazer mudanças e investimentos. Relacionando essas duas variáveis, situação futura versus situação atual, qual estratégia deveremos usar? Competir pelo menor preço ou pelo melhor serviço? Como fidelizar clientes? Em quais mercados deveremos entrar? Caro aluno, isto é planejar: buscar a visualização de um estado futuro e elaborar estratégias para encaminhar a organização para esse momento. Essa visualização do futuro, naturalmente, deve ser feita por meio de pesquisas de mercado, análise de concorrentes, estudo de tecnologias, entre outros, como aponta Chiavenato (2011). Retornando ao nosso exemplo, pense em como era a telefonia móvel, a televisão a cabo e os provedores de internet cinco anos atrás. Podíamos fazer videoconferências, acessar e-mails e jogar on-line no celular? Éramos capazes de comprar, gravar, programar e assistir a filmes em alta definição na televisão? A gama de serviços era muito menor, não é mesmo? E a velocidade da internet, nem se fala! Será que todas as mudanças ocorreram ao acaso, um mero “chute” dos administradores? Certamente, não. Houve planejamento, estudo do futuro e elaboração de estratégias para levar a organização nesse caminho. Assim, precisamos deixar claro que planejar significa que os administradores pensam antecipadamente em seus objetivos e ações, e www.esab.edu.br 169 que seus atos são baseados em algum método, plano ou lógica, e não em palpites. Administrador, não se esqueça dessa frase. Saiba mais Você já pensou em qual a diferença entre plano e planejamento? Apesar de parecidas, essas palavras não querem dizer a mesma coisa. Planejamento é o ato de planejar, enquanto plano é a formalização, o documento final que consolidará o processo de planejamento. O planejamento pode ser classificado em relação ao seu horizonte ou tempo de duração. Na atual dinâmica de mercado, nos ensina Caravantes (2005), o planejamento pode ser de longo prazo (maior que quatro anos), médio prazo (um a quatro anos) e curto prazo (até um ano). Além dessa classificação, também podemos dividir os planejamentos em tipos: estratégico, tático e operacional. Essa divisão está relacionada aos níveis da Administração, portanto, antes de continuar seu estudo, volte à unidade 12 e relembre esses conceitos. • O planejamento estratégico acontece no nível mais alto da organização, no nível estratégico, e tem como objetivo obter uma estratégia no topo da empresa, garantindo resultados para o seu ambiente de atuação, visando à otimização do grau de interação com o ambiente e atuando de forma inovadora e diferenciada. • O planejamento tático acontece no nível tático ou intermediário, ou seja, é desenvolvido em níveis organizacionais inferiores. Tem como principal finalidade (1) a utilização eficiente dos recursos disponíveis para a consecução de objetivos previamente fixados seguindo uma estratégia predeterminada e (2) a elaboração das políticas orientativas para o processo decisório da empresa. • O planejamento operacional trabalha com planos operacionais de ações da empresa, como formalização, principalmente por meio www.esab.edu.br 170 de documentos escritos, das metodologias de desenvolvimento e implantação estabelecidas, sendo representado basicamente pelos planos de ação ou planos operacionais. Em linhas gerais, o planejamento estratégico define o rumo (o que fazer e quais as estratégias que devem ser usadas). Já o planejamento tático define, por setor, como deverá ser colocado em prática o plano estratégico, isto é, de que maneira realizá-lo de forma correta. Por fim, o planejamento operacional é o fazer em si! Terminamos esta unidade com uma importante reflexão de Drucker (2003): planejamento não diz respeito a decisões futuras, mas sim a implicações futuras de decisões presentes. Assim, o futuro será construído com ações presentes, baseadas em muito estudo, ou seja, em planejamento. Saiba mais A frase citada anteriormente foi dita por Peter Drucker, que é, para alguns, o maior administrador de todos os tempos. Conheça mais um pouco sobre a obra desse autor clicando aqui. Desse modo, finalizamos mais uma unidade da nossa disciplina. Pronto para seguir adiante? Vamos lá! Fórum Caro estudante, dirija-se ao Ambiente Virtual de Aprendizagem da instituição e participe do nosso Fórum de discussões. Lá você poderá interagir com seus colegas e com seu tutor de forma a ampliar, por meio da interação, a construção do seu conhecimento. Vamos lá? www.esab.edu.br 171 32 Funções da Administração: organização Objetivo Discorrer conceitos teóricos acerca da função administrativa organização. Vimos na unidade anterior que planejar significa especificar os objetivos a serem atingidos e decidir antecipadamente as ações apropriadas que devem ser executadas para atingir esses objetivos. Agora, estudaremos a segunda função da Administração, organizar. Caro aluno, você não deve confundir a palavra organização, pois ela tem dois sentidos. O primeiro, conforme vimos nas unidades 5 e unidade 6, diz respeito à organização como um sistema de pessoas em busca de um objetivo comum. Como segundo sentido, temos o processo de dividir pessoas e demais recursos em busca do sucesso, conforme descrito no parágrafo anterior, que é conhecido como o processo de organização e/ ou função organização. Esclarecido o conceito, vamos continuar! A organização, segundo Chiavenato (2011), constitui-se de um conjunto de pessoas que atuam juntas em uma criteriosa divisão de trabalho para alcançar um propósito comum. Dessa forma, inclui atividades que atraiam as pessoas para a organização, atividades de especificação de responsabilidades por tarefas, agrupamento de tarefas em unidades de trabalho, ordenação e alocação de recursos, bem como a criação de condições para que as pessoas e os recursos trabalhem juntos para alcançar o máximo sucesso. Ainda podemos entender essa função como sendo uma sequência e/ ou conjunto de decisões ou procedimentos que visam criar estrutura e condição de trabalho estável e que propicie resultados. A essa estrutura dá-se o nome de estrutura organizacional, e ela é responsável por definir o trabalho que as pessoas, individualmente e ou em grupo, executarão. www.esab.edu.br 172 Relacionando essas duas visões, temos a organização como o processo de organizar e dispor recursos em uma estrutura, classificação e/ou ordem. Devemos ter em mente que a função organização é extremamente importante para o sistema administrativo, por ser o principal mecanismo utilizado pelos gerentes para colocarem seus planos em ação. Conforme nos ensina Chiavenato (2011), o ato de organizar tende a criar e a manter relações entre os recursos da empresa ao indicar quais deles serão usados para atividades específicas e quando, onde e como serão utilizados. Além disso, o esforço de organização auxilia os gerentes a minimizar as fraquezas da corporação, como o retrabalho e desperdício. Essa importância faz com que algumas organizações criem departamentos destinados à função de organização, e entre as responsabilidades típicas desse departamento está o desenvolvimento de tópicos como: planos de reorganização que tornem o sistema administrativo mais eficaz e eficiente; planos que aprimorem as habilidades administrativas a fim de adequá-las às atuais necessidades do sistema administrativo; e a criação de um clima organizacional benéfico dentro do sistemaadministrativo. Dessa forma, podemos perceber que não basta apenas criar a estrutura, definir a margem de controle, comando, centralização ou descentralização, mas é importante sim a criação de uma estrutura que, verdadeiramente, auxilie na melhoria do processo de trabalho. Assim, para a criação de uma estrutura organizacional eficiente e eficaz, além dos pontos mencionados na unidade 24, Chiavenato (2011) destaca que delegar a autoridade requer perceber a organização como um ser vivo, a qual deve estar preparada para se adaptar e crescer constantemente para sobreviver e evoluir. Podemos entender que o crescimento organizacional é uma característica de força e prosperidade. E para não causar gargalos e trabalhos exagerados, a delegação de autoridade pode ser a solução possível para que o esforço geral da organização seja produtivo. Nesse sentido, a organização pode ser formal ou informal (CHIAVENATO, 2011). A organização formal está baseada na divisão www.esab.edu.br 173 racional do trabalho, de forma planejada e comunicada de forma oficial na empresa. Já a organização informal emerge de forma natural entre os indivíduos, a partir de relacionamentos humanos, como a amizade, por exemplo, e por se tratar de informalidade, não há controle formal. Mas talvez o que mais nos chame a atenção é a organização específica como função administrativa, pois esse processo significa agir de forma organizada, estruturada e integrada na administração, com estabelecimento de responsabilidades entre os setores e indivíduos da empresa (CHIAVENATO, 2011). Por fim, podemos apresentar a abrangência da organização em uma estrutura com três diferentes níveis (CHIAVENATO, 2011). • Organização de nível global: a qual abrange a empresa inteira e pode apresentar-se de três formas: a organização linear, a organização funcional e a organização do tipo linha-staff. • Organização no nível departamental: caracterizada pela divisão de trabalho por departamentos. • Organização no nível de tarefas e operações: o foco da organização está em cada tarefa, atividade ou operação específica. Essas formas de organização têm sido cada vez mais aplicadas e testadas nas empresas. O que pode variar em função do tamanho da empresa, do estágio de vida, do ramo de atuação, enfim, do contexto em que está inserida a organização. Porém, não basta apenas ter autoridade. Para definir questões como centralização e descentralização, é necessário saber delegar. Chiavenato (2011) diz que a delegação pode ser entendida como o processo de transferência de autoridade e responsabilidade para os subordinados de uma linha de comando. A delegação é o processo de distribuir as atividades de trabalho e a autoridade a indivíduos específicos dentro da empresa. Esse processo pode ser dividido em três etapas: www.esab.edu.br 174 • 1ª etapa: atribuição de tarefas específicas a uma pessoa. Para isso, o administrador ou gerente deve estar seguro de que o subordinado designado possua uma compreensão clara das tarefas que agora estão sob sua responsabilidade, além de que, sempre que possível, as atividades devem ser apresentadas em termos operacionais, a fim de que o subordinado saiba exatamente qual ação deve ser tomada para desempenhar as tarefas a ele atribuídas; • 2ª etapa: implica em ceder a autoridade apropriada ao subordinado, ou seja, o subordinado deve estar investido de direitos e poderes dentro da empresa para realizar as tarefas que lhe foram atribuídas; • 3ª etapa: está relacionada à criação da obrigação de cumprimento das tarefas atribuídas ao subordinado, o qual deve estar ciente da responsabilidade de realizar suas tarefas e aceitar essa responsabilidade. O processo de delegação pode enfrentar obstáculos relacionados ao supervisor/gerente, por exemplo, quando um gerente é resistente à ideia de delegar sua autoridade aos subordinados porque não sabe compartilhar parte de sua autoridade. Assim, aponta motivos como o medo de que os subordinados não realizem bem uma tarefa, o receio de acreditar que perderá espaço ao ceder autoridade ou a atitude será vista como sinal de fraqueza. Ademais, caso estejam se sentindo ameaçados em seus cargos ou acreditem que certas atividades sejam extremamente importantes para seu sucesso profissional, eles podem ter dificuldades em colocar o desempenho dessas tarefas nas mãos de outras pessoas. Contudo, o processo de delegação também pode sofrer obstáculos em relação aos subordinados, que podem se mostrar relutantes em aceitar a autoridade que lhes é delegada, seja pelo medo de fracassar, problema de autoconfiança ou pelo sentimento de que o supervisor não deposita confiança neles. Esses obstáculos tendem a ser mais visíveis naqueles subordinados aos quais nunca foi delegada nenhuma autoridade antes. Além disso, um subordinado pode apresentar receio de que seu supervisor não esteja presente para orientá-lo quando necessário, assim como a relutância em exercer autoridade que pode complicar relações de trabalho confortáveis. www.esab.edu.br 175 Imagine que, na ausência de seu chefe, você fica no lugar dele, investido da autoridade; o que significa cobrar metas, resultados, promover e até punir. Qual o impacto disso nos seus colegas de trabalho? Qual a consequência quando seu chefe voltar e você retornar a ser um deles? Por fim, podemos falar dos obstáculos relacionados à própria empresa. Imagine uma empresa muito pequena, onde um supervisor tenha poucas atividades a delegar. A tentativa de iniciar o processo de delegação pode tornar os funcionários relutantes e apreensivos, pois o supervisor estará introduzindo uma mudança significativa nos procedimentos da empresa, ou seja, ele está mudando a forma como as coisas são tradicionalmente feitas, ato que pode gerar certa resistência por parte dos empregados. Analisando o exemplo anterior, podemos perceber que, para delegar, é necessário que exista uma comunicação, nesse caso específico, entre o supervisor e os funcionários. Ou seja, o supervisor, ao delegar, terá de se comunicar com os funcionários. Vale a pena aqui abrir um parêntese para tratar da comunicação, já que ela é fundamental para que se executem as funções da Administração, tema estudado nesta unidade. Desse modo, destacamos a você que a comunicação formal dentro das organizações diz respeito à forma como a organização se comunica internamente, assim como ao seu fluxo de informações. Sobre as linhas formais de comunicação, Chiavenato (2011) cita que os fluxos podem ser os seguintes. • Comunicação organizacional para baixo: é aquela que ocorre de cima para baixo, ou seja, dos níveis mais altos para os níveis mais baixos da organização. Esse tipo de comunicação organizacional formal se relaciona basicamente com a direção e o controle dos funcionários, tratando de questões como autoridade e responsabilidade. Ela é utilizada, por padrão, para a criação de normas, regimentos e regras vindos do nível mais alto para o mais baixo. • Comunicação organizacional para cima: é aquela que flui de qualquer ponto de um quadro organizacional para cima, em direção www.esab.edu.br 176 a outro ponto do quadro organizacional. Esse tipo de comunicação organizacional contém basicamente as informações das quais os gerentes precisam para avaliar a área organizacional pela qual eles são responsáveis e para determinar se algo está indo mal. As informações que os níveis mais baixos levam ou repassam aos níveis superiores funcionam como o preenchimento de um diagnóstico ou de um relatório que o supervisor preenche e repassa ao gerente. • Comunicação organizacional lateral: é aquela que flui horizontalmente, de qualquer ponto de um quadro organizacional para outro ponto dele. Geralmente ocorre no mesmo nível hierárquico, o que demonstra capacidade de trabalhocoletivo. O compartilhamento de informações entre o gerente de produção e o de estoque é um exemplo, pois além de nas organizações geralmente eles estarem no mesmo nível, o trabalho de um complementa e é complementado pelo do outro. Assim, a função organização, ao iniciar o desenho organizacional, não pode se preocupar apenas com a especialização do trabalho, departamentalização, cadeia de comando, margem de controle, centralização e descentralização e formalização, itens necessários para criar a estrutura organizacional, mas é prioritário levar em conta o aspecto humano, a forma como as pessoas irão se relacionar, comunicar e usar autoridade dentro desse ambiente. Na próxima unidade, estudaremos uma função que tem tudo a ver com a organização, a liderança. www.esab.edu.br 177 33 Funções da Administração: liderança Objetivo Arrolar conceitos teóricos acerca da função administrativa liderança. A função liderança, chamada também por alguns de função direção, é a maneira como os subordinados são levados a compreender e a contribuir eficaz e eficientemente para a consecução dos objetivos organizacionais, afirma Chiavenato (2011). Envolve a qualidade, o estilo e o poder do líder, bem como atividades relacionadas à comunicação, motivação e disciplina. A liderança é necessária em todos os tipos de organização humana, mas principalmente nas empresas e em cada um de seus departamentos. Dessa forma, o administrador precisa conhecer a natureza humana e saber conduzir as pessoas, isto é, liderar. Segundo Chiavenato (2011), a liderança pode ser visualizada sob três ângulos, os quais serão abordados a seguir. 1. Liderança como um fenômeno de influência interpessoal Por este ponto de vista, a liderança é a influência exercida entre diferentes pessoas em uma situação e dirigida por um processo de comunicação humana para atingir um ou mais objetivos específicos. A liderança é aqui um fenômeno social. De forma geral, a influência exercida nesse tipo de liderança é uma força psicológica na qual uma pessoa age de modo a modificar o comportamento de outra pessoa ou de um grupo social intencionalmente. Nesse caso, estão envolvidos conceitos de poder e autoridade: a. o poder é o potencial de influência que uma pessoa possui sobre outras, isto é, a capacidade de exercer influência. Dessa forma, o poder é um potencial influenciador que pode ou não ser utilizado; www.esab.edu.br 178 b. por outro lado, a autoridade é o poder legítimo, ou seja, o poder que uma pessoa possui em relação às demais em virtude do seu papel ou posição na estrutura organizacional de uma empresa ou grupo. Um bom exemplo para entender a diferença entre poder e autoridade é pensarem um chefe que possui poder em virtude do cargo que ocupa, mas seu poder não é bem visto ou aceito pelos outros, carecendo de autoridade. 2. Liderança como um processo de redução da incerteza de um grupo O grau de qualidade da liderança de um indivíduo não depende apenas de suas próprias características pessoais, mas também das características da situação em que se encontra. O grupo tende a escolher como líder a pessoa que pode lhe dar maior assistência e orientação, isto é, a pessoa que escolhe ou ajuda o grupo a escolher os rumos e as melhores soluções para seus problemas e para o alcance de seus objetivos. Dessa forma, a liderança é uma questão de redução da incerteza do grupo e o líder é um tomador de decisões ou, ainda, aquele que ajuda o grupo a tomar decisões adequadas. 3. Liderança como uma relação funcional entre líder e subordinados Esta terceira abordagem lembra que a liderança consiste em uma relação entre um indivíduo e um grupo, especialmente entre líder e subordinados quando pensamos no contexto da empresa. Ainda amparados por Chiavenato (2011), podemos entender a relação entre líder e subordinados de três formas: a. a vida como uma contínua luta para satisfazer necessidades, aliviar tensões e manter equilíbrio; b. a maior parte das necessidades individuais é satisfeita por meio de relações com outros indivíduos ou grupos sociais; e c. para qualquer indivíduo, o processo de usar relações com outros indivíduos é um processo ativo – e não passivo – de satisfazer necessidades. www.esab.edu.br 179 Ou seja, o indivíduo não fica à espera de que a sua relação com outros indivíduos lhe proporcione os meios de satisfazer uma necessidade naturalmente, mas procura os relacionamentos adequados para atingir seus objetivos ou utiliza os relacionamentos que já existem com o propósito de satisfazer suas necessidades pessoais. Podemos entender ainda melhor o conceito de relação funcional quando Chiavenato (2011) explica que é aquela na qual um líder é percebido por um grupo como o possuidor ou o controlador dos meios para a satisfação de necessidades. Dessa forma, segui-lo pode constituir para o grupo um meio para aumentar a satisfação de suas necessidades. Portanto, o líder é um estrategista que sabe indicar os rumos para as pessoas. Entendidos esses três ângulos da liderança, nosso próximo passo deve ser conhecer a Teoria de Estilo de Liderança, a qual estuda a liderança em termos de estilos de comportamento do líder em relação aos seus subordinados. Em outras palavras, trata das maneiras pelas quais o líder orienta sua conduta, referindo-se àquilo que faz, isto é, seu estilo de comportamento para liderar. Inicialmente, baseados em Robbins (2004), podemos afirmar que um líder tem cinco fontes de poder. Vejamos a seguir. • 1. Poder de referência: respectivo ao líder que tem características pessoais que atraem os outros; as pessoas o obedecem devido à admiração, ao desejo de aprovação, à estima pessoal ou à vontade de serem apreciadas pelo líder. • 2. Poder de competência: está relacionado ao líder com certas habilidades ou conhecimentos que fazem com que as pessoas obedeçam porque acreditam nessas habilidades e podem aprender ou obter vantagens delas. • 3. Poder legítimo: está presente em líderes que possuem o direito ou a autoridade de dizer aos subordinados o que fazer. Nesse caso, os subordinados são obrigados a obedecer às ordens legítimas. www.esab.edu.br 180 • 4. Poder sobre recompensas: presente nos líderes que influenciam outras pessoas porque controlam recompensas valorizadas, isto é, as pessoas obedecem aos desejos do líder para receber recompensas. • 5. Poder de coerção: respectivo a líderes que têm controle sobre as punições, fazendo com que as pessoas o obedeçam para evitá-las. Mais uma vez podemos observar a tênue relação entre poder e autoridade na classificação apresentada. Os dois primeiros tipos de poder remetem à autoridade, isto é, ao poder reconhecido, ao passo que os três últimos tipos de poder dizem respeito apenas à função ocupada, ou seja, trata-se de poder. Para finalizar esta unidade, vamos dividir a liderança em três formas, orientados por Chiavenato (2011). • Liderança autocrática: o líder centraliza as decisões e impõe suas ordens ao grupo. Autocrática pode ser traduzida como “poder por si próprio”, sendo uma forma de liderança na qual existe apenas um único detentor do poder e/ou da razão, podendo ser um líder, um comitê, uma assembleia, mas um grupo específico. O comportamento dos grupos liderados autocraticamente tende a mostrar forte tensão, frustração e agressividade de um lado e, de outro, nenhuma espontaneidade, nem iniciativa, nem formação de grupos de amizade. Nessa situação, o trabalho tende a se desenvolver apenas com a presença física do líder. Imagine que, apesar de parecer inaceitável, essa postura pode ser necessária em determinadas situações, como crises, por exemplo, para sinalizar que alguém manda na organização. • Liderança liberal: o líder delega totalmente as decisões ao grupo e deixa-o totalmente à vontade e sem controlealgum. Embora inicialmente possa parecer uma boa solução, após um breve período, a produtividade e a qualidade das relações tende a piorar, pois quando não se é cobrado, não se sabe o que e como melhorar. • Liderança democrática: o líder conduz e orienta o grupo, incentivando a participação democrática das pessoas. Há, nesse caso, a tendência de formação de grupos de amizade e de relacionamentos www.esab.edu.br 181 cordiais entre os membros, que devem desenvolver comunicações espontâneas, francas e cordiais, podendo surgir um sentido de responsabilidade e de comprometimento pessoal. Caro aluno, você deve estar se questionando: qual é o estilo ideal? Segundo Chiavenato (2011), na prática, o líder utiliza os três processos de liderança de acordo com a situação, com as pessoas e com a tarefa a ser executada. O líder tanto manda cumprir ordens como consulta os subordinados antes de tomar uma decisão, além de também sugerir que algum subordinado realize determinadas tarefas. Dessa forma, faz uso da liderança autocrática, da democrática e da liberal. O desafio enfrentado pela liderança nos tempos atuais é a multiplicidade de talentos e perfis, como vimos na unidade 11. Assim, o perfil esperado do novo funcionário é a capacidade de saber quando e qual processo aplicar, com quem e dentro de que circunstâncias e atividades a serem desenvolvidas. www.esab.edu.br 182 34 Funções da Administração: controle Objetivo Construir conhecimentos relativos ao controle como função da Administração. Assim como a liderança é uma característica natural dos grupos sociais, o crescimento de organizações ocorre ao mesmo tempo em que aumenta a necessidade de controle de seus processos, uso de recursos, resultados etc. De acordo com Robbins (2004), podemos definir a função controle como sendo o processo que visa garantir que as atividades realizadas se igualem às atividades planejadas. Ou seja, verificar se aquilo que foi planejado aconteceu realmente. Dessa forma, é o controle que verifica os resultados, analisa e propõe correções nos rumos para a organização. Outra forma de pensarmos a questão do controle, afirma ainda o autor, é entendermos que controlar é fazer com que algo aconteça do modo como foi planejado, o que mostra a proximidade com o planejamento, pois caso este seja feito de forma errada, prejudicará o controle e, se o controle for mal feito, atrapalhará os objetivos definidos no planejamento. Um bom administrador deve, portanto, procurar manter-se informado sobre como anda o desempenho do planejamento e realizar mudanças corretivas sempre que necessário. Imagine uma linha de produção que tem metas diárias. Ao final de cada turno, o responsável deve controlar, via relatórios, o número de unidades produzidas por funcionário, o número total por máquina e por turno, registrando todas as informações para que seja mensurada a produtividade diária, a qual influenciará na produtividade semanal, quinzenal, dependendo do ciclo de cada organização. Na hipótese de o total semanal ser menor do que as metas semanais, o supervisor terá de www.esab.edu.br 183 tomar atitudes corretivas para garantir que os níveis atuais de produção se igualem aos níveis planejados. Se, por outro lado, as metas de produção estiverem sendo cumpridas, o supervisor deverá fazer com que o ritmo dos trabalhadores seja mantido. Mas para tudo e todos deve haver controle? Todos os cargos e todas as tarefas? Até que ponto deve haver controle? Assim como qualquer esforço da empresa, o controle de atividades deve ser feito caso os benefícios dessa ação sejam maiores do que os custos de realizá-la. O processo de comparação de custo de qualquer atividade da empresa com o benefício que se espera do desempenho da atividade é chamado de análise de custo-benefício. Vamos entender melhor o que significa custo-benefício? Trata-se de uma relação entre o custo que se tem com o produto ou serviço e o benefício que é oferecido. Então, podemos pensar em uma divisão, sendo que o custo é o numerador e o benefício é o denominador. Imagine que você pague por um produto um valor fictício de 10 (numerador) e receba um benefício no valor de 5 (denominador). Ao fazer a divisão para descobrir o custo-benefício, teremos 10/5 = 2. Esse é o custo-benefício do produto. Agora, pense que se você conseguir esse ou outro produto com o mesmo benefício (5), porém ao custo de 9, ao fazermos a mesma conta (9/5), chegamos ao custo-benefício de 1,8. Perceba que você tem o mesmo benefício, que é o denominador 5, pagando menos! Isso com certeza é melhor, afinal, por que pagar mais pelo mesmo benefício? Assim, podemos entender que o verdadeiro custo-benefício positivo é o custo- benefício baixo. Entendida a função controle e o que envolve a decisão de aplicá-la ou não na organização, vamos estudar como ela funciona e quais são as suas etapas. Pelo entendimento de Chiavenato (2011), podemos dividir o controle em quatro etapas: www.esab.edu.br 184 • 1. estabelecimento de padrões e métodos para medir o desempenho; • 2. medição do desempenho; • 3. comparação do desempenho com o padrão estabelecido; e • 4. ação corretiva. Na primeira etapa, estabelecimento de padrões e métodos de desempenho, valores válidos, compreensíveis, significativos e realistas são fixados para medir o progresso ou o resultado desejado para o trabalho. Os resultados reais deveriam, em princípio, equivaler aos padrões estabelecidos. Por exemplo, a máquina 12 (doze) da linha de produção deverá produzir 300 unidades por hora; funcionando por quatro horas, sua produção deverá ser de 1200 peças. Esse exemplo ilustrou um estabelecimento de padrões e métodos para medir o desempenho de quantidade por hora de produção da máquina. A segunda etapa, observação ou medição do desempenho, consiste no registro do trabalho efetuado à medida que vai sendo realizado, de modo que o resultado possa ser comparado com o valor do padrão estabelecido. As medidas serão expressas em unidades de produtividade, custo unitário, nível de qualidade ou volume de produção. Essa etapa do controle abrange ainda o envio da informação precisa do resultado do trabalho ao responsável pela sua análise e possível correção. Vamos imaginar uma situação: pense que, ao invés de esperar o final do turno para verificar se a produção atingiu a quantidade, o desempenho poderá ser medido por hora, pois, caso ao final da primeira hora sejam fabricadas menos de 300 peças (valor determinado como padrão), é um indicativo de que haverá um problema na quantidade produzida. Na terceira etapa, comparação do desempenho, os resultados obtidos devem ser avaliados em função dos padrões estabelecidos. Nesse caso, a interpretação envolve não só a comparação dos valores reais com os padrões, mas também a análise das causas dessas variações. Ao comparar a quantidade definida para ser produzida e a efetivamente produzida, deve- se identificar as razões que levaram à diferença que, em nosso exemplo – padrão 300 peças/hora e produção menor do que 300 peças na primeira hora –, pode ser falta de treinamento do operador da máquina, retrabalho devido à baixa qualidade dos componentes, entre outros. www.esab.edu.br 185 A quarta e última etapa, ação corretiva, acontece após a análise caso ocorram desvios em relação ao planejado. Esse é um indicativo de que é necessário trazer o trabalho de volta ao rumo desejado. Assim, o administrador deve tomar a ação corretiva, decidindo, pessoalmente, que medidas tomar para atingir os resultados esperados. Dica Importante lembrar que o controle é um processo dinâmico, tendo em vista que se o administrador não acompanhar o processo de controle até o seu fim, estará apenas medindo o desempenho e não exercendo o controle efetivo. A imagem a seguir ilustra bem o processode controle com as quatro etapas descritas anteriormente. Analise-a. Ação corretiva Observação do desempenho Estabelecimento de padrões Comparação do desempenho com o padrão estabelecido As quatro fases do controle Figura 23 – Função controle. Fonte: Elaborada pelos autores (2012). Antes de finalizarmos esta unidade, é importante ressaltar que a ênfase da função de controle deve estar sempre em imaginar maneiras construtivas de levar o desempenho até os padrões estabelecidos, mais do que somente identificar os fracassos passados. www.esab.edu.br 186 Em linhas gerais, como principal razão para a função controle, cita- se a possibilidade de poder monitorar o progresso e corrigir erros. Outras razões para o uso da função controle são: enfrentar mudanças, acrescentar valor ao produto, unificar trabalhadores com formações e culturas distintas e facilitar a delegação e o trabalho em equipe. Assim, o controle deixa de ser apenas uma função de verificação, ou seja, passa a identificar se o desempenho previsto foi igual ao alcançado e o porquê, e passa a ter sentido estratégico, informativo, pois, ao identificar variações no desempenho e propor ações corretivas, funciona como fonte de informação para a melhoria contínua ao fornecer novas visões que irão alimentar a função planejamento. Tarefa dissertativa Caro estudante, convidamos você a acessar o Ambiente Virtual de Aprendizagem e realizar a tarefa dissertativa. www.esab.edu.br 187 35 Antecedentes históricos da Administração: civilizações e filósofos Objetivo Entender como forças históricas influenciaram a prática da Administração. Depois de vermos as funções administrativas, essenciais para a eficácia organizacional, veremos, nesta unidade, os antecedentes históricos da Administração. Perceba que, todos os dias, um administrador enfrenta situações desafiadoras, como pensar ao mesmo tempo no desejo dos clientes, nas ações dos concorrentes, no volume de vendas, entre outras coisas, conforme estudamos no ambiente das organizações. Para vencê-las, é preciso compreender o que está acontecendo e por qual razão isso acontece. Portanto, conhecer a história do pensamento administrativo é fundamental. Até que ponto a história influencia e ajuda os administradores de hoje? Essa é a questão que pretendemos ver respondida ao final desta unidade. Da Antiguidade vêm algumas das obras que são muito utilizadas por empresários atualmente. Uma delas, e talvez a mais famosa segundo Chiavenato (2011), chama-se “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu, escrita em torno do século IV a.C. Esse livro trata das estratégias de que um general deve fazer uso para vencer, em uma guerra, o exército inimigo. Perceba que o general, nessa parábola, pode ser interpretado como o administrador, e o inimigo é o seu concorrente. Vencer a guerra é conquistar o cliente! Esse fato nos aponta para uma realidade: há séculos, os princípios e funções da Administração já eram utilizados, porém ainda de forma isolada, sem ser uma ciência, um campo de estudo. Apesar da www.esab.edu.br 188 importância das funções da Administração e da própria Administração em si, ao longo da história da humanidade seu estudo apresentou um desenvolvimento lento. Entre as razões para isso, embasados por Chiavenato (2011), destacamos: • mundo eminentemente agrário; • atividade comercial apenas no escambo; • negócios operados em bases pessoais e em escalas reduzidas; • profissões como economistas e cientistas voltadas apenas para o Estado. Nesta unidade, vamos ver que, apesar da demora na organização do pensamento administrativo, algumas civilizações antigas já praticavam formas de administração, sendo que, entre elas, muitas apresentavam alto nível de organização. A seguir, serão abordadas algumas influências de civilizações antigas sobre a Administração (ANDRADE; AMBONI, 2011). 35.1 Os sumérios (4000 a.C.) A civilização suméria, por volta do ano 4000 a.C., na região onde hoje fica o Iraque, apresentava abundância de água. Essa característica levou- os a se unir e criar uma sociedade de irrigação, constituída de pequenas comunidades, as quais compartilhavam responsabilidades. Essa divisão nos remete às funções da Administração, pois havia planejamento, organização, liderança e controle. Por exemplo, o planejamento era feito pelos sacerdotes, e para esse gerenciamento foram construídos centros de administração, onde trabalhavam funcionários que anotavam o desempenho em placas de argila, o que mostra, por exemplo, o uso das funções planejamento e controle, assim como da divisão do trabalho. A Suméria entrou em declínio e foi absorvida pela Babilônia em 2000 a.C. Segundo Andrade e Amboni (2011), a Babilônia influenciou a Administração pela instituição de leis sobre os princípios do trabalho, com “O Código de Hamurabi”, o qual se constitui de um texto que trata do pagamento mínimo, contratos de trabalho e recibos de pagamento. Com isso, facilitam o controle de transações comerciais. www.esab.edu.br 189 Destacamos, ainda, que essa civilização desenvolveu a criação de princípios de Administração Pública por meio da organização das cidades, utilizando controle de estoques e criando livros de contabilidade. 35.2 Egípcios (3000 a.C.) De acordo com a história, em torno do ano 3100 a.C., a região onde hoje fica localizado o Egito foi unificada, dando origem a um reino que se manteve até o início da era cristã. Os egípcios viviam uma época de paz e mantinham um modo de vida baseado no ciclo de inundação do rio, que trazia fertilização para a terra e que, após secar, permitia a colheita. Acredita-se que esse período de regularidade das inundações do Rio Nilo tenha apresentado influência sobre os egípcios, levando- os, provavelmente, a desenvolver uma mentalidade orientada para o planejamento de longo prazo. Os egípcios utilizaram na construção das pirâmides algumas teorias administrativas, com a aplicação do planejamento nas atividades, a necessidade de um líder para os demais trabalhadores, as organizações de grupos de trabalho, a divisão de atividades e as responsabilidades de cada indivíduo em sua tarefa. Então, pode-se perceber a função de um administrador para a coordenação de um empreendimento (ANDRADE; AMBONI, 2011). Dessa forma, os egípcios não deixam como herança apenas as suas construções monumentais, mas também princípios e doutrinas que podem ser relacionados às ideias administrativas: a cultura do planejamento, do tratamento formal, do controle de materiais e da formalidade na comunicação. 35.3 Chineses (2500 a.C.) De acordo Andrade e Amboni (2011), para analisarmos a participação chinesa na definição de regras e princípios de administração, apresentamos a Constituição de Chow e as Regras de Administração Pública de Confúcio. Saiba que a Constituição de Chow continha oito regulamentos para governar os diferentes setores do governo. E as regras www.esab.edu.br 190 de Confúcio tinham leis como a separação das funções do esposo e da esposa, a compreensão entre mestre e jovens e a fidelidade entre amigos. Além disso, outra contribuição da civilização chinesa foi a Constituição da Dinastia Chou, escrita por volta de 1100 a.C., a qual funcionava como um manual de Administração, pois estipulava direitos e deveres da população, assim como as obrigações do Estado para com eles, regulando algumas atividades comerciais e funções de trabalho. Os chineses criaram também a valorização das pessoas baseada no mérito, por meio do uso de avaliação de desempenho dos funcionários públicos da época, assim como criaram, fazendo uso de testes físicos e provas orais, uma das primeiras formas de concursos públicos. Uma contribuição interessante dos chineses foi a implantação de uma seleção científica de seus trabalhadores, pormeio de critérios como habilidade, conhecimento e experiência (ANDRADE; AMBONI, 2011). O que se assemelha com o que hoje temos como o perfil do administrador (CHIAVENATO, 2011). 35.4 Babilônios (2000 a.C.), assírios (1500 a.C.) e gregos (500 a.C.) Esses povos também tiveram importante contribuição para a Administração como é hoje. Foram os babilônios o primeiro povo a fazer uso de técnicas de linha de produção, estabelecer códigos de conduta, remuneração variável. Esse povo pode ser identificado pelo intensivo da função controle. Os assírios, por sua vez, são conhecidos como os pioneiros na logística em virtude do uso de depósitos de suprimentos, desenvolvimento de princípios de gestão de estoque, como o controle da entrada e saída de materiais, e de planejamento no transporte. Os gregos, por fim, desenvolveram a ideia de descentralização das decisões e das ações, assim como dos códigos de ética e princípios de qualidade. www.esab.edu.br 191 Na visão de Andrade e Amboni (2011), os babilônicos, como vimos, criaram “O Código de Hamurabi” para negociar os contratos de trabalho. Já os gregos contribuíram com o desenvolvimento da tese da realidade, de Aristóteles, a qual tratava da percepção e da razão. Mas os gregos tinham um espírito científico de investigação e também com tendência na arte e na música. Por fim, os assírios, que têm uma formação basicamente cristã, e após as guerras, se espalharam pelo Iraque, Síria, Turquia e Irã. 35.5 Romanos (50 a.C.) A contribuição do império para a Administração pode ser caracterizado pelo sistema de organização do governo e também pela atuação de duas instituições que merecem destaque na história, a Igreja Católica Romana e as organizações militares (ANDRADE; AMBONI, 2011). A forma de governo, por exemplo, a república, que continua até hoje sendo utilizada em diferentes nações, e porque não dizer, até mesmo aprimoradas com o passar do tempo. Da Igreja temos a influência direta da hierarquia nas organizações; e dos militares, a estratégia e a logística. Mas esses assuntos certamente serão tratados no decorrer de outras disciplinas. Diante disso, podemos perceber que muitas civilizações já faziam uso de princípios e técnicas de administração há muito tempo, porém isso acontecia de maneira esporádica, não integrada, pois somente no ano de 1881, com a fundação da Wharton School, nasceu o primeiro curso de Administração no mundo. Contudo, além dessas civilizações, alguns filósofos são conhecidos por tratarem de assuntos ligados à Administração. Vamos conhecer alguns deles com base no que afirma Chiavenato (2011). • O filósofo grego Sócrates (470 a.C. a 399 a.C.) expõe o seu ponto de vista sobre a Administração em sua famosa discussão com Nicomaquis. Sócrates explicita sua visão de que as pessoas precisam ser orientadas por um perfil de direção, sendo que, para atingir o sucesso, é necessário, além de planejamento, controle, o qual é exercido pela punição. Esse filósofo também defende que a www.esab.edu.br 192 Administração não é apenas conhecimento técnico e experiência, mas uma habilidade pessoal. • Um dos discípulos de Sócrates, Platão (427 a.C.a 347 a.C.), estudou assuntos de cunho político e social em relação ao povo da Grécia, explicitando, entre alguns assuntos, a forma democrática de Administração Pública (governo) e de negócios públicos, como em seu famoso livro “A República”. • Discípulo de Platão, Aristóteles (384 a.C. a 322 a.C.) estudou a organização do Estado, criando, a seu ver, três formas de Administração Pública: monarquia, aristocracia e democracia. Esse filósofo considerou, ainda, a necessidade de hierarquia e de leis para o funcionamento das organizações. Não importa a época, seja ela a dos filósofos ou hoje em dia, os indicadores que estudamos nesta unidade nos apontam para o fato de que o bom administrador é sempre necessário e deve ser eficaz, esteja ele em uma organização pública ou privada. É bom saber que essa profissão, apesar de nova, é necessária e teve princípios utilizados por grandes civilizações e filósofos, não é mesmo? Afinal, é conhecendo o passado que se entende o presente e se constrói o futuro. Portanto, precisamos compreender que a Administração tem uma interação muito forte com as outras áreas das ciências sociais, como o direito, a ciência política, a economia, a sociologia, a psicologia social e a antropologia (ANDRADE; AMBONI, 2011). Com isso, caro estudante, percebe-se que essa interação influenciou não somente o surgimento e consolidação da Administração como ciência, mas também na formação do profissional e na forma de gerir as organizações. Pense nisso! Mas não devemos parar por aqui. Na próxima unidade, veremos como a Idade Média fez uso de princípios administrativos e influenciou a ciência da Administração. Vamos lá! www.esab.edu.br 193 36 Antecedentes históricos da Administração: Idade Média Objetivo Discutir o impacto de pensadores da Idade Média em aspectos relacionados à gestão empresarial. Depois de vermos como algumas civilizações e filósofos influenciaram a prática da Administração, vamos aprender de que modo a época chamada Idade Média influenciou essa ciência. Inicialmente, vamos identificar esse período histórico? Apesar de não haver uma data definitiva, a literatura tem como consenso que a Idade Média é composta de dois grandes períodos: • a baixa Idade Média, que se inicia por volta de 450 d.C., com a queda do Império Romano, estendo-se até a consolidação do feudalismo, entre os séculos IX e XII; e • a alta Idade Média, que se inicia ao final da baixa Idade Média e termina no século XV, marcada pelo fortalecimento das cidades, pela busca da expansão territorial e pelo acentuado desenvolvimento do comércio. Assim, com Chiavenato (2011), veremos a influência das organizações ao longo desses séculos para a Administração. Com o fim do Império Romano, em torno de 450 d.C., a Igreja Católica Romana se organiza e começa a comandar a Europa. Para isso, ela desenvolveu procedimentos administrativos utilizados até os dias atuais, os quais, é importante destacarmos, são eficientes e eficazes a ponto de manter a instituição há mais de 2 mil anos. www.esab.edu.br 194 As instituições religiosas, como a Igreja Católica e a Ética Protestante e Capitalismo, tem alguns pontos de destaques perante a Administração (ANDRADE; AMBONI, 2011), como veremos a seguir. A Igreja Católica possui uma estrutura que serviu de modelo para muitas outras organizações, que passaram a utilizar suas experiências e incorporar alguns princípios e normas, como: • organização do tempo; • hierarquia de autoridade; • coordenação funcional. Já a Ética Protestante e o Capitalismo, ou seja, o ethos protestante, contribuíram com uma das fontes para a racionalização da vida e formação do que se chama hoje de espírito capitalista. Chiavenato (2011) trata da influência da organização da Igreja Católica através dos séculos, sendo que práticas administrativas foram se transferindo dos Estados (Roma, Atenas etc.) para organizações da Igreja e dos militares. Ou seja, esse aproveitamento de princípios administrativos em diferentes contextos, que hoje chamamos de benchmarking, já pode ser percebido como uma forma de adaptação ao ambiente da época. O que aconteceu foi que alguns princípios apenas mudaram de nome: a delegação de poder da civilização romana corresponde à descentralização da execução católica; o que os romanos chamavam de Administração central, a Igreja entendeu como centralização do comando. Podemos perceber que para construir e administrar sua fé ao redor do mundo, a Igreja Católica representa, talvez, o primeiro caso de organização e administração multinacional, pois teve que se fazer presente em vários continentes, criando cargos ehierarquias, como, por exemplo, papa, bispo, padre, cardeal, entre outros (CHIAVENATO, 2011). Caro aluno, você consegue perceber que, mesmo uma instituição religiosa precisa de práticas administrativas? Perceba que a história www.esab.edu.br 195 nos ensina que a Igreja Católica fez uso de descentralização das ações, porém, com centralização das decisões. Assim, havia divisão de trabalho, departamentalização, e cada supervisor tinha sua amplitude administrativa e/ou de controle. Outro assunto importante ainda na baixa Idade Média é o feudalismo, que no campo político não passa de uma herança da administração geográfica dos romanos. No feudalismo havia os reis, os quais possuíam a propriedade de todos os territórios. Em troca de apoio militar e financeiro, eles cediam parte dos seus territórios para os senhores feudais. Esses, por sua vez, permitiam que pessoas (servos) morassem em suas terras e, em troca desse favor, cobravam parte da colheita ou impostos. Portanto, Chiavenato (2011) pondera que os princípios fundamentais da Igreja e dos militares nem sempre convergem com as ações políticas desenvolvidas pelo setor público. Por isso, os objetivos contraditórios entre os agentes (dirigentes ou classe social). E nesta época do feudalismo, talvez a preocupação maior fosse com a produção agrícola do que com a condição de vida das pessoas, no caso, os feudos ou servos. Vamos ver, agora, o exemplo das associações de artesãos, chamadas de guildas, a fim de entender como elas surgiram. Chiavenato (2011) cita que com o crescimento das cidades na Idade Média e com o aumento da demanda de bens agrícolas que os senhores feudais não podiam fornecer, surgiu a oportunidade para o desenvolvimento de ofícios e artesãos. Junto a isso, com o aprimoramento da agricultura, as terras de cultivo pouco a pouco se diversificaram, passando a serem mais usadas como pastagens, e um número menor de servos ou colonos era necessário para trabalhar nos castelos. Com essas mudanças, mais servos começaram a aprender habilidades em vários ofícios, como, por exemplo, carpintaria, sapataria, ferraria e alfaiataria. Dessa forma, com seus ofícios, alguns deles passaram a ser capazes de comprar, ou, de alguma maneira, estabelecer sua liberdade do senhor feudal. Assim, à medida que os negócios iam crescendo, os servos www.esab.edu.br 196 começaram a contratar ajudantes, levando ao desenvolvimento de uma organização estruturada, as guildas. Mas o que é uma guilda? Eram organizações que controlavam a produção e distribuição de bens, regulamentando o trabalho entre seus associados, protegendo-os da concorrência por meio de práticas justas de negócio, controlando o treinamento de aprendizes e limitando o número de artesãos que produziam para os mercados locais. As contribuições relacionadas à função organização são inegáveis, não é mesmo? Saiba que as guildas regulavam horas de trabalho, salários, preços, o número de aprendizes (que vimos na unidade 29 como amplitude administrativa e/ou amplitude de controle) e território de vendas. Importante citar ainda que muitas guildas ofereciam benefícios fraternos para seus membros, no caso de morte, doença e/ou deficiências, alguns destes extensivos a familiares, o que nos remete às políticas de benefício das organizações modernas. Outra forma de instituição presente na Idade Média e com forte influência da Administração são as organizações militares. Entre os seus princípios, podemos falar da organização linear, com origem nos exércitos da Antiguidade e da época medieval, e da unidade de comando (cada subordinado só recebe ordens de um superior), muito importante para a eficácia da função de direção, como vimos na unidade 34. Podemos destacar ainda a hierarquia, também chamada de escala hierárquica, a qual representa a escala de níveis de comando da organização conforme o grau de autoridade e responsabilidade correspondente a cada colaborador. A hierarquia tem uma base desenvolvida tanto na Igreja Católica quanto nas organizações militares (CHIAVENATO, 2011), conforme trataremos a seguir: www.esab.edu.br 197 Na Igreja Católica, a hierarquia se caracteriza como de autoridade, um estado-maior, assessoria e coordenação. Por isso, a organização hierárquica na Igreja é tratada até hoje em forma de linhas de comando, sendo que o líder maior é o papa. E esse conceito de hierarquia secular tem sido copiado por outras organizações. Já nas organizações militares, os níveis hierárquicos de comando possuem esferas de autoridade e de responsabilidade, pois conforme aumenta o volume de operações, há a necessidade de delegação para os outros níveis, mais baixos. Pode-se dizer que o conceito de hierarquia na organização militar é tão antigo quanto a própria guerra (CHIAVENATO, 2011). Mas o que nos chama a atenção é a estratégia para aumento da eficiência, em que há uma divisão entre os oficiais, os de staff e os de linha. Os oficiais de staff planejam e delegam a execução para os oficiais de linha; e também uma alteração de função, ou seja, o oficial passar parte da carreira como de staff e parte como de linha. E, com o objetivo de ter experiências de gabinete (planejamento) e de campo (operação/execução), ocorrem alterações frequentes. Também temos outra contribuição importante da organização militar para a Administração, que seria o princípio da direção (CHIAVENATO, 2011). Esse princípio se caracteriza como o desenvolvimento de uma cultura em que todo indivíduo deve conhecer o que se espera dele e o que ele precisar realizar. Para tanto, é necessário certificar-se de que todos entenderam o planejamento ou ordem, para que a execução seja inteligente, com consciência e sem uma obediência cega. Caro estudante, chegamos ao fim de mais uma unidade. Portanto, gostaríamos de reforçar que nesta unidade procuramos apresentar algumas contribuições que emergiram na Idade Média e que contribuíram para a nossa área, a Administração. Os pilares básicos foram os princípios da Igreja Católica e das organizações militares, com visões sobre planejamento, operação, hierarquia, autoridade, responsabilidade, comando, entre outros. Bons estudos e até a próxima etapa! www.esab.edu.br 198 Atividade Chegou a hora de você testar seus conhecimentos em relação às unidades 25 a 36. Para isso, dirija- se ao Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e responda às questões. Além de revisar o conteúdo, você estará se preparando para a prova. Bom trabalho! www.esab.edu.br 199 Resumo Temos certeza de que estas unidades foram importantes para ampliar seus conhecimentos, não é mesmo? Então, vamos retomar rapidamente o que estudamos. Começamos na unidade 31 com o estudo da função planejamento, a qual é responsável por definir o rumo a ser seguido pela organização, isto é, qual estratégia deverá ser utilizada. A função organização, estudada na sequência, dispõe sobre os recursos necessários para atingir os objetivos planejados e é responsável por criar a estrutura de funcionamento, como especialização do trabalho, divisão de tarefas, autoridade, entre outros. Na unidade 33, estudamos a função liderança, que visa adequar e motivar os colaboradores dentro da estrutura definida na organização e de acordo com os objetivos traçados no planejamento. O controle, função administrativa estudada na unidade 34, é responsável por realizar a comparação entre o desempenho atual da organização com os padrões determinados, ou seja, os planejados. Pelo estudo das unidades 35 e unidade 36, pudemos perceber os antecedentes históricos da Administração, sejam nas civilizações antigas, nos filósofos e/ou na Idade Média. Desde sempre, a Administração esteve relacionada com a cooperação humana, o que é comprovado pela presença daquela já muito antes da era cristã.Podemos destacar os sumérios, ao realizarem controle de estoques e pela criação dos livros de contabilidade; os egípcios, com a cultura de planejamento, do tratamento formal, do controle de materiais e da formalidade na comunicação; e os chineses, que criaram a valorização das pessoas baseada no mérito e os concursos públicos. www.esab.edu.br 200 Quanto aos filósofos, vimos a grande influência da cultura grega. Além disso, a cultura romana e seus princípios influenciaram fortemente na estruturação do feudalismo e da Igreja Católica, duas das principais organizações da Idade Média, além das organizações militares e das guildas. www.esab.edu.br 201 37 Antecedentes históricos da Administração: Revolução Industrial Objetivo Tecer relações entre a Revolução Industrial e seu impacto nas organizações. Caro estudante, iniciamos agora uma reflexão sobre os antecedentes históricos da Administração, com ênfase na Revolução Industrial, a qual se caracteriza como ponto marcante para a consolidação da Administração como ciência. Podemos dizer que a Administração esteve presente nas atividades humanas e sociais desde as civilizações antigas. Temos indícios da presença de práticas de gestão desde os povos sumérios e egípcios, por volta de 3.000 anos a.C. Todavia, os estudos organizacionais como ciência foram consolidados a partir do século XIX, com a sistematização dos conhecimentos administrativos, a partir de contribuições de estudos em organizações eclesiáticas e militares, por meio de estudiosos como Sun Tzu (500 a.C.), Adam Smith (1723-1790), Frederick Winslow Taylor (1856-1915) e Henri Fayol (1841-1925) (CHIAVENATO, 2011; ANDRADE; AMBONI, 2011). Mas pode-se considerar que a disseminação e evolução desta área da ciência, a Administração, conquistou um maior espaço na sociedade a partir da Revolução Industrial, no final do século XVIII, aproximadamente em 1760. Nessa época, as atividades organizacionais, industriais e agrícolas eram realizadas de forma artesanal, dependentes da força humana. Entretanto, com o aprimoramento da máquina a vapor por James Watt, a energia www.esab.edu.br 202 das pessoas foi substituída pelas máquinas, pelo menos em parte (CHIAVENATO, 2011). Isso também refletiu em uma mudança na forma de gestão, pois foi implementada a divisão do trabalho e especialização dos trabalhadores. Por consequência, os indivíduos se desenvolviam para produzir uma etapa específica das linhas de produção, algo que hoje já nos parece rotineiro. Mas, nessa época, foi uma mudança considerável nos processos produtivos, com melhoria dos indicadores de produtividade, inclusive. Nesse novo ambiente, o planejamento e a execução, a definição de responsabilidades, a autoridade e a liderança das pessoas influenciam em melhores resultados das organizações. Enfim, o contexto da época foi a base para a sistematização dos conhecimentos na área da Administração. Em resumo, é importante que você note que a origem do pensamento administrativo, bem como de suas técnicas, são antigas. A prática administrativa é percebida na construção das pirâmides egípcias, nas organizações eclesiáticas e militares, nas ideias do economista Adam Smith, nos princípios da divisão do trabalho e na Revolução Industrial. Esse ambiente histórico possibilitou aos estudiosos Taylor e Fayol sistematizar os conhecimentos de nossa área, a Administração (CHIAVENATO, 2011). Saiba mais Para saber mais sobre a visão de Adam Smith (1723-1790), que influenciou positivamente o desenvolvimento da ciência da Administração, pesquise mais, por exemplo, clicando aqui. Chiavenato (2011) diz que, apesar da evolução do conhecimento humano, a ciência da Administração somente se consolidou no início do século XX. Ele considera como uma área nova e recente do conhecimento, que surgiu por meio de antecedentes históricos que ofereceram condições indispensáveis para seu desenvolvimento. www.esab.edu.br 203 O autor (2011) ainda pondera a influência da Revolução Industrial como base fundamental para a construção da ciência da Administração, por ser um ambiente de pioneiros industriais e empreendedores, com esforços primordiais para a modernização das empresas da época. A Revolução Industrial teve início na Inglaterra e pode ser dividida em duas eras distintas (CHIAVENATO, 2011): • 1780 a 1860: Primeira Revolução Industrial ou revolução do carvão e do ferro; e • 1860 a 1914: Segunda Revolução Industrial ou revolução do aço e da eletricidade. A Primeira Revolução Industrial se caracterizou por quatro fases (CHIAVENATO, 2011): • primeira fase: mecanização da indústria e da agricultura, no final do século XVII, com a invenção da máquina de fiar; • segunda fase: a aplicação da força motriz à indústria, século XVII a 1776, com a descoberta da força elástica do vapor; • terceira fase: o desenvolvimento do sistema fabril, com a criação de fábricas e divisão do trabalho; e • quarta fase: um espetacular aceleramento dos transportes e das comunicações, com navegação a vapor, estradas de ferro, selo postal e telefone. Já a Segunda Revolução Industrial pode ser apresentada com as seguintes características (CHIAVENATO, 2011): • substituição do ferro por aço como material básico na indústria; • troca do vapor pela eletricidade e por derivados do petróleo como fontes de energia; • desenvolvimento de máquinas automáticas e especialização do trabalhador; • aplicação científica na indústria; www.esab.edu.br 204 • mudanças radicais nos transportes e na comunicação, com ampliação das ferrovias, construção do automóvel e invenção do avião; • desenvolvimento de novas formas organizacionais capitalistas, com o capitalismo industrial e financeiro, utilização de instituições bancárias, acumulações de riquezas, fusões de empresas, trustes, grupos empresariais, administradores de outras empresas etc. Andrade e Amboni (2011) explicam que a Revolução Industrial é o sistema capitalista que se baseia no capital e no trabalho assalariado. O capital se caracteriza por terras, dinheiro, lojas, máquinas ou crédito; e o agricultor, o comerciante, o industrial e o banqueiro, donos do capital, acrescentam os autores (2011, p. 48), “[...] controlavam o processo de produção, contratam ou demitem os trabalhadores conforme sua conveniência”. E os indivíduos que não possuem capitais vendem sua força de trabalho em troca de um salário. Caro estudante, perceba que, nesse momento, houve uma transferência das habilidades dos artesãos para as máquinas e substituição da força animal e humana pela potência também das máquinas. Todas essas mudanças foram em prol de maior rapidez, quantidade e qualidade, redução de custos e produção em escala. Há uma semelhança pela busca de vantagem competitiva de hoje? As empresas modernas foram criadas a partir da Revolução Moderna, devido a fatores como (CHIAVENATO, 2011): • ruptura de estruturas organizacionais da Antiguidade; • avanço tecnológico e utilização da ciência na produção, como a descoberta de novas energias e ampliação de mercados; • substituição da produção artesanal pela industrial. A Revolução Industrial provocou o surgimento de fábricas e mudanças ambientais importantes em nossa sociedade. Chiavenato (2011) cita algumas delas: • crescimento das cidades e aumento da necessidade da gestão pública; • surgimento de sindicatos, com legalização a partir de 1890; www.esab.edu.br 205 • início do marxismo em função da exploração capitalista; • doutrinamento social da Igreja para equilibrar o conflito entre capital e trabalho; • consolidação da Administração como área da ciência; • prolongamento da era industrial até a última década do século XX. Como podemos perceber, a Revolução Industrial influenciou diretamente as organizações.Tanto em questões de processos de produção quanto na utilização do conhecimento científico nas empresas; em novas formas de trabalho, o capital passou a ser fator predominante na evolução industrial. Para sua reflexão Sugerimos uma reflexão crítica sobre as transformações a partir da Revolução Industrial que impactaram as organizações da época, mas que continuam sendo utilizadas nas empresas atualmente, pois as experiências dessa época podem estar nos influenciando até hoje em processo produtivos, nas relações de trabalho, na produtividade, na busca por melhorias, entre outras. O que você pensa sobre isso? As respostas a essas reflexões formam parte de sua aprendizagem e são individuais, não precisando ser comunicadas ou enviadas aos tutores. Podemos dizer que principalmente esse ambiente possibilitou o aprimoramento de técnicas administrativas e a consolidação da ciência da Administração, não apenas pela consideração como mais uma área do conhecimento, mas porque esses estudos podem contribuir para a evolução das organizações, das pessoas e da sociedade. www.esab.edu.br 206 “Essa evolução é observada mais nitidamente quando são identificadas as principais escolas, orientações e abordagens seguidas pelos estudiosos da administração, quer pública quer particular [...]” (ANDRADE; AMBONI, 2011, p. 43). Saiba mais O filme “Tempos Modernos” é um clássico do cinema mudo. Nele, Charles Chaplin retrata a situação que os trabalhadores enfrentaram nos primeiros tempos da Revolução Industrial. Portanto, sugerimos a você que assista a um trecho do filme clicando aqui. www.esab.edu.br 207 38 Novas perspectivas: um novo enfoque para o marketing Objetivo Ofertar uma nova visão acerca do marketing, discorrendo sobre a necessidade de uma nova abordagem para o século XXI. A gestão contemporânea está inserida em um ambiente complexo. Com a evolução tecnológica, o avanço da globalização e uma maior concorrência nos mercados, tem-se a necessidade de monitorar esse ambiente. A preocupação deve estar centrada no ambiente interno e também externo, sob um olhar micro e macroambiental. E é nesse contexto que focaremos agora, caro estudante, no ambiente mercadológico. Atualmente, a área de marketing tem se tornado uma ferramenta estratégica para as decisões tomadas nas organizações e para o alcance de objetivos. O marketing está participando diretamente da leitura do mercado, dos concorrentes, das mudanças ambientais, de tecnologias, de processos e, principalmente, dos clientes. Certamente você já ouviu a afirmação de que os clientes merecem atenção especial. Ora, isso acontece porque eles podem influenciar no sucesso ou fracasso dos negócios. A perspectiva do cliente no momento da compra está relacionada a diferentes aspectos, como a classe social, o estilo de vida, os valores, as emoções, a percepção, as questões sociais e familiares, entre outras. “Os clientes das organizações são representados por todos os indivíduos ou organizações que compram ou podem ser induzidos a comprar um produto ou serviço” (ANDRADE; AMBONI, 2011, p. 31). www.esab.edu.br 208 Portanto, salientamos ser necessário atentar aos processos organizacionais mais importantes e básicos relacionados ao mercado (CHIAVENATO, 2011): • desenvolvimento do produto/serviço; • atendimento ao cliente; • fabricação e manufatura/operações; • logística; • gerenciamento de pedidos; • gestão de pessoas; • planejamento e alocação de recursos; • monitoração do desempenho organizacional. Com isso, caracteriza-se um ambiente complexo. Todavia, para se atender às expectativas do mercado ou dos clientes, há necessidade de focarmos em diferentes áreas organizacionais. Mas como isso pode ser feito? Desde a pesquisa de mercado, o desenvolvimento do produto ou serviço, o estudo da viabilidade e vulnerabilidade, a operação, a logística, as pessoas envolvidas no processo, o atendimento, enfim, a participação e o comprometimento de todos os agentes ligados direta ou indiretamente ao marketing. O termo marketing não está relacionado apenas com a venda e a propaganda, como comumente pode ser entendido. Seu foco principal está em satisfazer as necessidades dos clientes. O marketing se preocupa com a identificação dessas necessidades, e também em desenvolver produtos de qualidade, definir preços, distribuição e promoção (KOTLER, 2007). Já para Drucker (2003), o marketing objetiva conhecer e compreender o consumidor, a partir disso, a venda ocorre por conta própria. Portanto, Kotler (2007) define o marketing como o processo social e gerencial através do qual as pessoas e grupos conseguem os produtos e serviços que desejam ou necessitam. Para tanto, o marketing envolve fatores como necessidades, desejos, demandas, produtos, valor, satisfação, qualidade, troca, transações, relacionamentos e mercados. www.esab.edu.br 209 E para atingir os resultados almejados, Drucker (2003) aponta a necessidade da utilização de equipes que de fato trabalhem em equipes. Ou seja, estejam com o foco na concorrência, modifiquem sua estrutura de custos, funcionem como unidades integradas e, principalmente, tenham o foco em agregar valor aos clientes. Já para Andrade e Amboni (2011), a formulação de estratégias mercadológicas deve ser a prioridade na gestão de marketing. E a visão dos autores sobre a vantagem competitiva está baseada na diferenciação dos produtos ou serviços oferecidos aos clientes ou ao mercado. Esses estudiosos citam algumas variáveis como essenciais nesse processo: • melhoria da imagem da marca; • boa capacidade produtiva; • oferta de serviços sob encomenda; • atenção em aliança estratégica com fornecedores; • diversificação de produtos e mercados; • monitoramento dos concorrentes; • redução de custos unitários; • busca pela lealdade dos clientes; • necessidade de recursos financeiros; • custos da mudança; • preocupação com a logística de distribuição; • atenção à política governamental; • pressão dos produtos substitutos; • poder de negociação com fornecedores. Note que existe uma preocupação na área de marketing em construir uma visão empreendedora sobre o mercado, na qual se destaca a importância de investir os esforços organizacionais para melhorar a força de venda, analisar o mercado, assumir riscos calculados, ter capacidade de execução e atingir resultados planejados. No atual momento da economia brasileira, temos uma possibilidade de crescimento econômico e também melhorias nas condições de vida dos indivíduos. Ou seja, clientes potenciais, propensos a comprar. Temos um ambiente mercadológico favorecido e precisamos aproveitar essa oportunidade que o mercado nos oferece. www.esab.edu.br 210 No passado, acreditávamos apenas que a exportação seria a fonte de expansão das organizações, mas agora temos o mercado nacional. Talvez seja até melhor do que depender de países ricos, como ficou evidenciado na grande crise mundial em 2008/2009. Isso nos faz refletir sobre a complexidade que envolve a gestão de marketing. Portanto, há de se ter preocupação não somente nas variáveis isoladas, como forças demográficas, econômicas, naturais, tecnológicas, políticas e culturais; e os já consagrados 4Ps – produto, preço, praça e promoção. É fundamental que tenhamos uma visão estratégica na integração dessas variáveis. Hall (2004, p. 49) conceitua a complexidade como “[...] um dos primeiros aspectos que se tornam perceptíveis a uma pessoa que passa a fazer parte de qualquer organização, exceto a mais simples”. Expomos isso, caro estudante, com o objetivo de enfatizar que não há receita na administração para alcançar o crescimento e desenvolvimento organizacional. Ou seja, temos que desenvolver estratégias adequadas ao nosso contexto, como, por exemplo, indicadores do ambiente internoe externo, micro e macroambiental, para que possamos analisar as informações e conquistar clientes para, talvez, fidelizá-los. Como mencionamos no início desta unidade, o foco deve estar centrado no cliente (ANDRADE; AMBONI, 2011). Entretanto, para que cheguemos a esse nível organizacional, há a necessidade de desenvolver estratégias de relacionamento junto ao cliente, com a oferta de um bom produto, propagandas criativas, atendimento das necessidades dos clientes e promoção de novos produtos e serviços. Andrade e Amboni (2011) citam algumas responsabilidades da organização perante os consumidores: • desenvolvimento de produtos e serviços confiáveis; • produtos ou serviços que não causem danos à saúde; • publicidade com informações de uso adequado; • informações nas embalagens, como suporte antes e após o uso; www.esab.edu.br 211 • alinhamento aos interesses dos clientes. O posicionamento da organização no mercado precisa ser adequado às expectativas dos clientes. Principalmente relacionado à confiabilidade dos produtos ou serviços, deve-se ter em mente a preocupação em não prejudicar a saúde humana e ter ética na comunicação com os consumidores. Para tanto, há necessidade de se ter uma base administrativa para operacionalizar esse processo. Hall (2004) apresenta um modelo de escritório regional: • gerente; • assistente do gerente; • distribuição, vendas, marketing, contabilidade, jurídico e serviços administrativos. Além desse modelo, Hall (2004) destaca as características diferenciadas de estrutura de departamentos, que podem variar de acordo com o produto ou serviço produzido. Como, por exemplo: produção, pesquisa e desenvolvimento. A formação de equipes com pessoas que consigam planejar e executar estratégias mercadológicas é de fundamental importância para a sobrevivência e expansão das empresas. E neste século em que vivemos, a pressão mercadológica tem aumentado devido ao nível de competitividade exigido, do processo de globalização que se intensifica com as novas tecnologias de informação, do crescimento de alguns mercados e da estagnação de outros. Deste modo, a gestão dos recursos se torna um instrumento ainda mais importante para que as empresas possam enfrentar o novo século, cabendo ao gestor de marketing tomar decisões importantes sobre a análise de cenário e futuro da organização. Vimos aqui alguns conceitos que poderão levá-lo a refletir sobre o marketing e começar a construir uma visão sistêmica sobre as tendências na gestão contemporânea do ambiente mercadológico. www.esab.edu.br 212 Dica Você pode conhecer um pouco mais sobre Marketing e também a respeito de Philip Kotler, conhecido como o “papa do marketing”, um dos mais importantes estudiosos dessa área, clicando aqui. www.esab.edu.br 213 39 Novas perspectivas: Tecnologia da Informação, comércio eletrônico e negócios eletrônicos Objetivo Esclarecer a importância da Tecnologia da Informação (TI) e suas possibilidades de interação e comunicação. A discussão sobre Tecnologia da Informação, comércio eletrônico e negócios eletrônicos está em alta hoje em dia no mundo organizacional, pois as pessoas e empresas estão tendo cada vez mais acesso às novas tecnologias, principalmente à internet. A partir de tais desenvolvimentos, foi nitidamente perceptível, nos últimos anos, a quantidade de novos negócios gerados por meios digitais e a facilitação da comunicação em todo o globo. Portanto, Chiavenato (2011) define que há uma nova maneira de fazer negócios, por meio de uma comunicação baseada na internet e usando computadores para integrar os processos internos e externos. Com o apoio da virtualização, as empresas têm o desafio de formar parcerias em conexões virtuais em um ambiente mutável. Evidentemente, esse maior acesso à tecnologia de informação e comunicação possibilita às organizações terem contato mais rápido com seus clientes e mercados. Portanto, precisamos ter acesso a essas tecnologias e, essencialmente, saber utilizá-las adequadamente, a favor dessas relações. Ou seja, elas devem trazer diferenciais ao negócio. Chiavenato (2011) pondera que a sofisticação da tecnologia advém do uso das telecomunicações, do computador e do transporte. As organizações estão internacionalizando suas atividades e operações. O autor (2011) também enfatiza que a tecnologia proporciona: www.esab.edu.br 214 • maior eficiência; • melhor precisão; • liberação dos indivíduos para atividades complexas, de planejamento e criatividade; • indução a novos processos e instrumentos. As novas tecnologias causam impactos positivos nas organizações. Mas também é preciso salientar que, além de conhecermos as tecnologias disponíveis, é essencial sabermos utilizá-las de forma a contribuir com o negócio, por exemplo, produzindo e disponibilizando aos clientes algo que os concorrentes não tenham condições. A mudança da tecnologia simples para a tecnologia sofisticada pode ser apontada como um dos principais desafios organizacionais contemporâneos. A conversão da tecnologia em produtos e serviços disponíveis ao consumo caracteriza-se como um ciclo de vida cada vez mais curto. Todavia, existe uma tendência de que a sofisticação da tecnologia deve proporcionar eficiência organizacional. E por outro lado, destinar os indivíduos na organização para tarefas complexas e que requisitem conhecimento (CHIAVENATO, 2011). A relação entre tecnologia e estrutura organizacional não é fácil de compreender. [...] é feita em uma situação de grande divisão do trabalho, alta formalização e grande centralização. A tecnologia, no entanto, não é fácil de compreender em situações mais complexas. (HALL, 2004, p. 84) Nesse cenário de mudanças, é fundamental que o administrador esteja focado no futuro para poder preparar sua empresa para enfrentar os novos desafios que surgem, seja por meio de novas tecnologias, novas condições sociais e culturais ou por meio de novos produtos e serviços. Além disso, deve pensar globalmente (ver o mundo) e agir localmente (atuar na empresa). Para levar sua empresa à excelência, o administrador deve ter espírito empreendedor, aceitar desafios, assumir riscos e possuir um senso de inconformismo sistemático. Somente assim ele pode conduzir sua empresa a uma situação melhor (CHIAVENATO, 2011). Perceba que a tecnologia da informação provocou mudanças importantes na vida dos indivíduos e das organizações. Para melhor compreendermos www.esab.edu.br 215 essas transformações, apresentamos doze temas destacados por Chiavenato (2011) que caracterizam uma nova era: • conhecimento: economia do conhecimento das pessoas, aplicada em produtos e serviços; • digitalização: a informação em forma digital, com apoio fundamental da internet; • virtualização: processos virtuais, com a utilização de empresas e lojas virtuais; • molecularização: as organizações tradicionais foram transformadas em moléculas dinâmicas e grupos de pessoas e entidades; • integração em redes: novos processos organizacionais são horizontalizados e conectados pela internet; • desintermediação: a eliminação de intermediários entre consumidores e produtores que se conectam via redes digitais e comércio eletrônico, processo on-line; • convergência: a nova mídia, a qual converge comunicação, computação e telecomunicações digitais; • inovação: obsolescência rápida de produtos; • produto de consumo: contribuição, pela internet, de consumidores em alterações de produtos e serviços; • imediatismo: elemento propulsor do sucesso organizacional; • globalização: não há fronteiras para os negócios e para o conhecimento; • discordância: questões sociais causam conflitos. Essas transformações caracterizam a Era da Informação (CHIAVENATO, 2011), a qual surgiu na metade do século XX emvirtude da evolução tecnológica de programas computacionais, documentações, procedimentos, pessoas e da geração e uso da informação. www.esab.edu.br 216 Para sua reflexão Citamos agora o exemplo de Bill Gates, um empreendedor que se baseou em sua competência e sua capacidade técnica. Aproveitou-se de sua visão do mercado e conseguiu reunir uma empresa pensante, rápida e flexível, que foca no conhecimento e na criatividade. Gates criou a Microsoft, um modelo de organização que se caracteriza como um caso de sucesso de negócios globais. Você acredita que esse exemplo pode ser seguido por outras organizações? As respostas a essas reflexões formam parte de sua aprendizagem e são individuais, não precisando ser comunicadas ou enviadas aos tutores. Ao tratar de tecnologia, Hall (2004) apresenta o conceito dividido em três componentes: • tecnologia de operações: técnicas utilizadas nos processos relacionados ao fluxo de trabalho da organização; • tecnologia de materiais: materiais aplicados no processo de trabalho, uma técnica altamente sofisticada pode ser aplicada a materiais simples; • tecnologia do conhecimento: variáveis complexas presentes no sistema de conhecimento utilizado no fluxo de trabalho. Podemos perceber uma diversidade de opções da aplicação da tecnologia tanto em relação a operações nas organizações quanto em desenvolvimento de materiais utilizados no processo de trabalho, mas, principalmente, no desenvolvimento e disseminação do conhecimento. Hall (2004) ainda conclui que a tecnologia, como um tipo de força impessoal, tratou de maneira igual o nível organizacional e considera que os avanços tecnológicos afetam setores, nações e o próprio mundo. www.esab.edu.br 217 Ao analisarmos esse impacto mundial que a tecnologia provoca nas organizações, nossa preocupação acaba tendo uma importância maior ainda em âmbito nacional e local. Vejamos: um de seus efeitos é o boom do comércio eletrônico, que pode ser considerado por Chiavenato (2011) como o motor da nova economia. O autor classificou esse tipo de comércio como negócios virtuais realizados por mídia eletrônica, internet, e aponta que esse ambiente proporciona condições para interligação de sistemas de intermediações de negócios. Todo esse desenvolvimento recente da Tecnologia da Informação propiciou ao mundo toda a facilitação na troca de informações, na realização de negócios, ao aproximar compradores e vendedores, além de maior rapidez nos processos e acesso às informações. A tecnologia sempre foi associada aos conceitos de automação, velocidade, precisão e rapidez. Até o advento da internet e sua incrível capacidade de interconectar organizações e pessoas a um baixo custo, a tecnologia teve um papel de facilitadora dos processos de negócios. Agora, no mundo do comércio eletrônico, a tecnologia tem outro significado: ela é o próprio ambiente de negócios em que aparecerão as oportunidades e no qual serão realizadas as transações. Ao final de mais uma unidade constatamos a importância da tecnologia no mundo empresarial atual, seja como ferramenta de produtividade e mudanças organizacionais, seja como o próprio produto de trabalho. Partimos do princípio de que os gestores estejam utilizando a tecnologia disponível no mercado para gerar diferenciais competitivos reais, como a conquista de novos clientes e manutenção dos antigos, o alcance da redução dos custos de produção, um ganho real de produtividade, em suma, de melhores resultados para a organização e também aos indivíduos que nela trabalham. www.esab.edu.br 218 Para sua reflexão Reflita sobre sua vida pessoal, profissional e a organização onde você atua, se, de fato, a tecnologia está sendo utilizada de forma produtiva e agregadora de valor aos produtos e serviços. As respostas a essas reflexões formam parte de sua aprendizagem e são individuais, não precisando ser comunicadas ou enviadas aos tutores. Na próxima unidade, daremos continuidade no assunto abordando algumas características que compõem a classificação de uma empresa e apontaremos alguns subsídios teóricos para essa classificação. Até lá! www.esab.edu.br 219 40 Novas perspectivas: empresa de classe mundial Objetivo Ofertar subsídios teóricos que demonstrem condições necessárias para que uma organização seja classificada como de classe mundial. Primeiramente, caro estudante, iremos abordar as características que compõem a classificação de uma empresa de classe mundial. Temos alguns exemplos de organizações brasileiras que se destacaram e são consideradas de classe mundial e conhecidas no Brasil e no mundo. O primeiro exemplo é o da Natura, empresa que vem se desenvolvendo consideravelmente nos últimos anos e avançando pelo mundo com seus produtos de qualidade. Mas talvez a grande diferenciação dela seja a força de sua marca, pois ela desenvolve estratégias de produção e mercadológicas em prol de uma imagem de responsabilidade social e ambiental perante seus stakeholders. Nosso segundo exemplo é o da Localiza. A empresa merece nosso destaque pela criação de um novo segmento no mercado, ou seja, inovação. Iniciou suas atividades com a locação de automóveis em Minas Gerais, entretanto, com o passar dos anos, cresceu, evoluiu e começou a também atuar no segmento de carros usados. Este termo, “carros usados”, foi substituído pelo termo “automóveis seminovos”. Essa mudança não foi apenas de nomenclatura, mas sim pelo início de um novo mercado. Ou seja, uma eficácia organizacional e qualidade em seus produtos possibilitam o acesso do consumidor a automóveis com pouco tempo de uso, um ou dois anos, alguns até na garantia de fábrica e baixa quilometragem. Essa estratégia consolidou a marca no Brasil e também possibilitou sua internacionalização, por meio de franquias, por exemplo. www.esab.edu.br 220 Nosso terceiro caso é o da Alpargatas, de São Paulo. Essa organização tem uma variedade considerável de produtos atualmente, mas iremos focar no produto Havaianas. Esse produto se tornou nacionalmente conhecido na metade do século passado. Inicialmente destinado ao público de baixa renda, em função de seu preço atrativo, também chegou a ser considerado de baixa qualidade, não pelo próprio produto, mas sim pelas cópias ilícitas disponibilizadas no mercado por outras empresas. Esse produto conseguiu se reposicionar no mercado e se destacou tanto que hoje atende a públicos de todas as classes sociais, também havendo uma demanda no mercado externo. O último exemplo é o da Weg, empresa catarinense. Iniciou pequena, com a visão empreendedora de três sócios, cujas iniciais de seus nomes criaram a marca da empresa. Essa organização se aprimorou na produção de motores elétricos, chegando à liderança mundial no setor, e agora também atua em outros segmentos, como energia elétrica e tintas industriais, diversificando suas linhas de produtos e serviços. Nesta exposição inicial, apresentamos quatro exemplos de organizações consideradas de classe mundial, mas brasileiras, com o objetivo de demonstrar, de uma maneira prática, os fatores que embasaram essas empresas atingirem o nível de excelência. Nesses casos, podemos citar a marca alinhada à responsabilidade social e ambiental, inovação na atuação e desenvolvimento de mercado, criação de um produto com alta demanda e com diferentes públicos, diversificação, pioneirismo e liderança de setor. Enfim, uma empresa de classe mundial pode ser conceituada como uma empresa que conseguiu consolidar-se no mercado, oferece produtos de qualidade, atende a legislação vigente onde atua, utiliza tecnologias sofisticadas, tem responsabilidades sociais e ambientais e tem uma atuação em diferentes regiões do globo (CHIAVENATO, 2011). Hall (2004) ainda trata do ambiente da formação de organizaçõescomo ponto de partida essencial para a sobrevivência das empresas. Para tanto, o autor aponta fatores importantes para as novas organizações e novas formas organizacionais: www.esab.edu.br 221 • condições ambientais básicas; • tecnologia e forma organizacional; • condições legais e políticas; • condições econômicas; • condições demográficas e ecológicas; • condições culturais. Essa análise ambiental se torna muito importante para os gestores. Portanto, essa análise de cenário contempla as decisões tomadas sobre o futuro da organização. E em um ambiente altamente competitivo, a busca pela excelência pode ser considerada como estratégica e de vantagem competitiva. A seguir, apresentamos a visão de Andrade e Amboni (2011) sobre a organização e seus ambientes: • ambiente geral: sociocultural, legal, econômico, demográfico, político e tecnológico; • ambiente operacional: clientes, fornecedores, concorrentes, stakeholders e grupos regulamentares; • ambiente interno. Destacamos que o administrador precisa estar voltado para o ambiente interno da empresa, para o microambiente (ambiente operacional) e macroambiente (ambiente geral). Atualmente, sabemos que as organizações estão inseridas em um ambiente conflituoso e acirrado, especialmente no Brasil. Temos um mercado consumidor em expansão, mas também com clientes mais exigentes e legislações sendo aprimoradas e cumpridas. Tivemos recentemente suspensões de venda de planos de saúde e telefonia móvel, por exemplo. Esse papel ocupado pelos consumidores e pelos governos tem influenciado diretamente nas ações organizacionais, seja em âmbito federal, estadual ou municipal. E com isso, a qualidade de adaptação ao ambiente se torna mais importante ainda. www.esab.edu.br 222 Desse modo, uma empresa que está consolidada no mercado, ou busca isso, talvez até idealizando um crescimento global e a chegada à classe mundial, deve se preocupar com sua imagem no mercado. Não somente devido a fatores mercadológicos, mas também relacionados a sua confiabilidade, ética e valores. Suas ações devem estar centradas na terceirização dos processos de apoio, no desenvolvimento de benchmarking, na atuação em rede e globalmente, em atender bem o cliente, agregar valor aos produtos e serviços, ter diferenciais competitivos e estar presente no mercado virtual (ANDRADE; AMBONI, 2011). O autor (2011) também apresenta a importância das qualidades organizacionais, como: virtualidade; conectividade; capacidade de adaptação; velocidade; identidade; emoções; inovação. Esses processos devem estar voltados tanto para o ambiente interno quanto para o ambiente externo da organização. Talvez as mudanças sejam gradativas, mas a busca pela excelência precisa estar presente nas decisões rotineiras, para que se torne um valor cultural. Para você, futuro administrador, a análise ambiental deve ser considerada como uma estratégia diferenciada e constante no mundo organizacional. Não apenas para reagirmos aos acontecimentos – reativos –, mas principalmente sermos proativos – agirmos com antecedência em relação aos nossos concorrentes. Na visão de Drucker (2003), existem empresas bem administradas e subadministradas; há organizações excelentes e também precárias. Tudo é uma questão de talento administrativo, de momento e contexto. Essa percepção nos faz refletir sobre a dependência das empresas às habilidades administrativas. Portanto, há de se construir uma cultura organizacional voltada para a excelência. Por consequência, podemos conseguir concorrer com qualquer outro competidor baseados, evidentemente, em nossos diferenciais, ou seja, naquilo que somos bons, eficientes e eficazes. www.esab.edu.br 223 Para conduzir a empresa à excelência, o administrador deve ter uma visão empreendedora, aceitar desafios e correr riscos. Portanto, deve conseguir identificar no ambiente interno, no micro e macroambiente, possibilidades de melhorias e oportunidades de evolução. Para tanto, o administrador precisa ter uma visão empreendedora, com olhar para as diferentes esferas organizacionais e do mercado. O crescimento das organizações está relacionado à ampliação de suas atividades, em se tratando de quantidade de operações e de recursos. “O crescimento é uma decorrência inevitável do êxito organizacional” (CHIAVENATO, 2011, p. 15). Também podemos analisar esse crescimento pela influência em nossa subdivisão interna do trabalho, necessidade de integração e liderança entre as partes, em prol da eficiência e eficácia organizacional, e uma preocupação com o ambiente externo, com as mudanças cada vez mais rápidas e frequentes. Caro estudante, buscamos aqui uma reflexão sobre as condições necessárias para que uma empresa alcance o patamar de classe mundial. Talvez seja importante, neste ponto, destacarmos que a excelência não é apenas uma meta organizacional, mas uma consequência de todas as ações tomadas dentro dessa mesma empresa. Finalizamos esta unidade destacando que essa busca está relacionada a diferentes aspectos e níveis organizacionais e ambientais. Portanto, a visão sistêmica do administrador se caracteriza como um ponto de partida. E sobre o ponto de chegada, somente no decorrer do tempo poderemos analisar os acertos e erros administrativos. De toda forma, analisar o ambiente, tomar decisões assertivas, desenvolver ferramentas administrativas eficazes e contar com o talento dos administradores é o caminho para aquelas organizações que buscam atingir o nível de classe mundial. www.esab.edu.br 224 41 Novas perspectivas: logística estratégica para o diferencial competitivo Objetivo Conceituar a logística empresarial como fator essencial e inerente para o sucesso das organizações. Atualmente, as organizações buscam incessantemente diferenciais competitivos em sua estratégia para conquistar, manter e fidelizar seus clientes. E a área da logística se tornou, nos últimos anos, uma das principais atividades da empresa, e esta, a ferramenta para o seu sucesso, ou seja, um pilar importante na empresa para cumprir as metas planejadas. Saiba que a logística envolve processos de entrega de matéria-prima de fornecedores, produção, empresas atacadistas, transportadoras e varejistas, até chegar ao mercado consumidor final (CHIAVENATO, 2011). Ou seja, o setor logístico participa em diferentes etapas do processo produtivo, desde o fornecedor até o cliente final. Portanto, para buscarmos uma fundamentação nos estudos da área, citamos, por exemplo, Hall (2004), que se preocupou em refletir sobre a proximidade geográfica. O autor destaca que a distribuição das organizações no espaço geográfico pode facilitar o relacionamento entre unidades ou parceiros, e que a distância pode ser um fator predominante na manutenção desses relacionamentos. Saiba que esse é um dos principais desafios da logística: conseguir aproximar distâncias entre os produtores e consumidores participantes do mercado. Mercados esses cada vez mais próximos nas relações e negociações, mas fisicamente distantes, muitas vezes. www.esab.edu.br 225 Hall (2004, p. 213) ainda diz que “[...] as técnicas de comunicações modernas permitem o fluxo rápido de informações pelo espaço, porém os clientes ou membros do quadro de pessoal são mais difíceis de transferir”. Essa rapidez e agilidade na comunicação contemporânea entre organizações facilitam a negociação em qualquer localidade. “Ter um sistema interno integrado e excelente e uma logística bem programada não basta. Deve-se considerar o atendimento impecável ao cliente [...]” (CHIAVENATO, 2011, p. 431). As organizações dependem de uma área física para obterem seus recursos necessários para o processamento de seus produtos ou serviços, uma vez que os recursos produtivos podem estar dispersos em diferentesáreas geográficas. Então, pode-se ter uma dependência desses recursos (HALL, 2004). Para contribuir com o fluxo adequado desses recursos e facilitar a interação entre as organizações, Hall (2004) apresenta um programa de atividades envolvidas nesse processo: • interdependência de recursos: uma empresa depende dos recursos de outras organizações, os quais podem estar próximos ou distantes, com fácil ou difícil acesso, mas que precisam ser disponibilizados para o processo produto em tempo, quantidade e qualidade adequada; • intensidade: a frequência de relações das empresas e clientes em termos de quantidades de atendimentos e recursos envolvidos influencia na construção de um processo complexo e intenso; • alianças estratégicas: as parcerias podem conduzir as organizações a novas oportunidades, conforme a relação de produtos e serviços for se desenvolvendo. As estratégias de competição e cooperação podem contribuir para que as organizações possam adaptar-se e mudar para atender demandas ambientais (CHIAVENATO, 2011). Portanto, na Administração contemporânea, especialmente na área logística, a cooperação na formação de parcerias e alianças estratégicas se torna fundamental, tendo em vista que com a necessidade de focar em sua atividade-fim (principal), www.esab.edu.br 226 as empresas precisam de parceiros para os processos de apoio, por meio de terceirização. A seguir, temos a percepção de Chiavenato (2011) sobre a gestão integrada na empresa, que deve estar focada em: • construção e integração do sistema interno: ou seja, deve-se objetivar a facilidade no fluxo de processos, materiais e informações, com vistas para a competitividade operacional. Por exemplo, um pedido de venda que passa por diferentes áreas, como a de marketing, de produção, de logística, financeira e contábil; • integrar a cadeia de fornecedores: para se ter a disponibilidade de produtos, precisamos dos nossos fornecedores. E o papel dos fornecedores é essencial em uma cadeia logística. A aliança com os fornecedores, a partir de valores e visões semelhantes, pode influenciar para que de fato conquistemos uma diferenciação no mercado; • relacionamento com os clientes: caracterizado como o foco principal das estratégias organizacionais. A produção e os processos devem estar voltados para a satisfação dos consumidores, pois eles nos responderão se estamos atendendo suas respectivas expectativas. A relação também deve estar centrada na fidelização do cliente em longo prazo. Como afirma Chiavenato (2011), precisamos também estar atentos à casa de nossos parceiros e fornecedores, de forma a buscar soluções adequadas para o gerenciamento de toda a cadeia logística. Esse conceito nos faz refletir sobre uma tendência relativamente recente dos estudos organizacionais e a prática das empresas, a preocupação com toda a cadeia de suprimentos. A utilização de sistemas de informação pode auxiliar no gerenciamento de toda a cadeia de suprimentos na operação da empresa, desde o fornecedor até o consumidor final, passando pelos intermediários (CHIAVENATO, 2011). Outro objetivo apontado pelo autor na cadeia logística é a busca constante pela satisfação dos clientes em relação www.esab.edu.br 227 aos produtos e serviços e, principalmente, aos custos da operação, que influenciarão diretamente nos preços e no nível de competitividade. É importante que você saiba que a cadeia de suprimentos (CHIAVENATO, 2011) é formada por: • unidade de manufatura: processo de transformação – inventário de matéria-prima e componentes, materiais em processamento e produtos acabados; • rede de fornecedores: internos e externos; • rede de clientes: centro de distribuição, atacadistas e cliente final. A formação da cadeia de suprimentos e a visão da formação de alianças estratégicas têm ocupado as energias do administrador logístico das empresas nos últimos anos. Isso porque se identifica que a logística pode contribuir positivamente na trajetória dos produtos ou componentes, desde a produção até o mercado. Por isso, acreditamos que a constatação de Chiavenato (2011) sobre um modelo de interface entre produção, marketing e logística se torna relevante neste momento. Vejamos sua explicação para cada uma das interfaces: • atividades de interface produção/logística: desenho de produto, localização industrial, compras e suprimentos; • atividades de produção/operações: controle de qualidade, planejamento da produção, manutenção, desenho de cargos, padrões e medidas de rendimento; • atividades de logística: transporte, manutenção de inventário, processamento de pedidos e estoques; • atividades de marketing: promoção, pesquisa de mercado, propaganda, força de vendas e mix de produtos; • atividades de interface marketing/logística: padrões de serviço ao cliente, política de preços, embalagem e localização de revendas. www.esab.edu.br 228 Esse modelo apresentado embasa nossa discussão sobre as atividades participantes do processo logístico empresarial. Aqui ficam explícitas quais atividades merecem nossa atenção na prática organizacional. Também citamos a seguir alguns exemplos de indicadores de desempenho na logística, os quais podem contribuir para a tomada de decisão. Chiavenato (2011) cita alguns indicadores de desempenho na logística/ suprimentos: • custo da matéria-prima, produtos ou serviços; • qualidade da matéria-prima, produtos ou serviços; • pontualidade da entrega; • nível de atendimento dos pedidos; • custos de distribuição; • giro dos estoques. Devemos lembrar aqui uma preocupação constante nas organizações: a racionalização dos recursos (CHIAVENATO, 2011). Para um crescimento constante da organização e perpetuidade do negócio, é necessário que haja recursos produtivos suficientes para atender à demanda do mercado. Chiavenato (2011) também alerta sobre a atenção à cadeia de valor, que inclui a participação da logística nas operações para atendimento das expectativas mercadológicas, a fim de dar suporte às atividades primárias da organização. Com a abordagem desta unidade, você deve ter percebido que, no atual cenário, a logística se tornou a área estratégica para o sucesso organizacional. www.esab.edu.br 229 42 Novas perspectivas: gestão de serviços Objetivo Demonstrar a importância do setor terciário e da gestão de serviços como fontes essenciais para o desenvolvimento econômico. Na atual conjuntura econômica, tanto no Brasil quanto no mundo, o setor terciário tem se apresentado como uma opção estratégica para a geração de riquezas (ANDRADE; AMBONI, 2011), pois além de gerar renda, empregos, pagamentos de tributos, ainda pode ter uma preocupação ambiental. E, por isso, pode representar uma vantagem competitiva, tanto na imagem da empresa, como nos custos. As mudanças ocorridas no setor de serviços podem ser percebidas no lançamento de novos serviços e no melhor desempenho das organizações (CHIAVENATO, 2011), com o objetivo de atender às expectativas dos consumidores. O serviço se caracteriza pelo ato ou desempenho intangível que uma pessoa ou uma empresa presta ao consumidor final ou a outra, empresa. E que pode estar vinculado a um produto ou não, ou seja, um serviço isolado que pode ser comercializado ou um serviço que agrega valor a um determinado produto. Destaca-se, ainda, que os serviços podem ser prestados por organizações privadas, públicas ou do terceiro setor (HALL, 2004; ANDRADE; AMBONI, 2011). O desenvolvimento do setor terciário tem sido influenciado pelo aumento da riqueza, ou renda, de pessoas físicas e jurídicas, pela necessidade de serviços anteriormente realizados pelo próprio consumidor, por mais tempo disponível para lazer, viagens, recreação e cursos, mais mulheres no mercado de trabalho, o que, por consequência, fazcom que as atividades domésticas precisem ser realizadas por prestadores de serviço. www.esab.edu.br 230 Também contribui para o crescimento do setor de serviços, o aumento da expectativa de vida, com opções de serviços como plano de saúde e assistência a idosos, por exemplo. Outro fator que pode ser citado é a complexidade dos produtos contemporâneos, que necessitam de serviços de orientação e manutenção. Os serviços incluem atividades, no setor público, de tecnologia, de consultoria, orientação de carreira, aconselhamento psicológico e educação. Citamos apenas alguns exemplos de oportunidades de atuação neste setor – prestação de serviços – que cresce aceleradamente no Brasil nos últimos anos. Vejamos algumas características dos serviços (CHIAVENATO, 2011; HALL, 2004; ANDRADE; AMBONI, 2011): • não podem ser experimentados antes: clientes buscam evidências de qualidade, necessário gerir evidências percebidas, instalações físicas apresentáveis, colaboradores corteses e eficazes, comunicação clara para o cliente, rapidez e qualidade; • são produzidos e consumidos simultaneamente: o indivíduo que presta o serviço faz parte deste, requer interação entre fornecedor e cliente, competência humana e técnica, atendimento em grupo, treinamento de equipes; • depende de quem, como, onde e quando presta o serviço: é necessário administrar a qualidade, selecionar pessoas qualificadas, investir em treinamento, padronizar o processo, analisar a satisfação dos clientes; • não podem ser estocados: demanda flutuante causa problemas, necessidade de equilibrar demanda e oferta, preços diferenciados na sazonalidade, serviços diferenciados em períodos diferentes, serviços especiais adequados ao perfil do cliente, adequar mão de obra à demanda, preparar antes, solicitar participação do consumidor, serviços e instalações compartilhadas, instalações para expansão futura. Neste ambiente, o setor de serviços depende de uma gestão baseada na flexibilidade, da capacidade de aprendizado e do conhecimento (HALL, 2004), pois em países desenvolvidos a renda agregada está relacionada ao www.esab.edu.br 231 desempenho do setor terciário, com inovações no produto, no processo e na gestão. A seguir, vejamos a classificação dos serviços: serviços de alojamento e alimentação; serviços de reparação, manutenção e confecção; serviços de higiene pessoal, saunas, termas e fisioterapia; serviços de diversões, radiodifusão e televisão; serviços auxiliares da agricultura e da pecuária; serviços auxiliares da atividade financeira; serviços auxiliares do transporte; serviços técnicos especializados à construção e ao estudo e demarcação do solo, incluindo agenciamento e locação de mão de obra; serviços de limpeza, higienização, decoração e outros domiciliares; serviços pessoais; serviços diversos (CHIAVENATO, 2011; HALL, 2004; ANDRADE; AMBONI, 2011). Ainda segundo os autores, a classificação dos serviços por durabilidade pode ser apresentada da seguinte forma: • consumo: perecíveis (menos de seis meses) – cinema, eventos esportivos, mudanças; semiduráveis (seis meses a três anos) – contabilidade, agência de empregos; duráveis (mais de três anos) – educação, saúde, seguro de vida, compra de imóveis; • industrial: perecíveis (menos de seis meses) – manutenção da fábrica, distribuição, viagem, TI; semiduráveis (seis meses a três anos) – propaganda, relações públicas, arquitetura; duráveis (mais de três anos) – consultoria, pesquisa e desenvolvimento, aluguel de equipamento. Os serviços de consumo são prestados diretamente ao consumidor final, subdivididos em (CHIAVENATO, 2011; HALL, 2004; ANDRADE; AMBONI, 2011): • conveniência: ocorre quando o consumidor não quer perder tempo em procurar a empresa prestadora de serviço por não haver diferenças perceptíveis entre elas; • escolha: caracteriza-se quando alguns serviços têm custos diferenciados de acordo com a qualidade e tipos de serviço www.esab.edu.br 232 prestados, prestígio da empresa etc. O consumidor buscará comparar as empresas e decidir; • especialidade: são os altamente técnicos e especializados. O consumidor fará todo o esforço possível para obter serviços especialistas. Já os serviços industriais são aqueles prestados às organizações industriais, comerciais ou institucionais, e têm as seguintes categorias (CHIAVENATO, 2011; HALL, 2004; ANDRADE; AMBONI, 2011): • equipamentos: serviços relacionados com a instalação, montagem ou manutenção de equipamentos; • facilidade: são os serviços financeiros, de seguros etc., pois facilitam as operações da empresa; • consultoria/orientação: são os que apoiam nas tomadas de decisões e incluem serviços de consultoria, pesquisa e educação. A gestão de empresas de serviços deve se preocupar com os diferenciais competitivos, as operações, a estratégia, os concorrentes, os consumidores e, principalmente, com os clientes. Outro ponto importante é a avaliação da qualidade do serviço, sendo que o processo de avaliação envolve fatores que influenciam a expectativa e percepção do serviço pelo cliente, a projeção de um sistema de serviços, o planejamento, a programação e controle dos sistemas de serviços, a gestão da capacidade e da demanda, a gestão do fluxo de clientes, os sistemas de informação para o controle das operações, a gestão de materiais, a qualidade e melhoria dos sistemas de serviços, a avaliação de desempenho e as melhorias constantes (CHIAVENATO, 2011). www.esab.edu.br 233 Para sua reflexão Anteriormente, apresentamos os casos das empresas brasileiras Natura, Alpargatas, Localiza e Weg. Reflita sobre as diferentes características dessas empresas sobre a utilização dos serviços para agregarem valor aos seus produtos, e analise quais dessas empresas presta serviço em sua essência como organização ou apenas complementa a oferta de seus produtos. Também pense sobre a importância estratégica de uma organização que trabalha com produtos oferecer serviços agregados. Isso aumenta o custo? Conquista clientes? Gera diferencial competitivo? Ou não? As respostas a essas reflexões formam parte de sua aprendizagem e são individuais, não precisando ser comunicadas ou enviadas aos tutores. Ao finalizar esta unidade, destacamos que o setor de serviços é uma área que contribui para o desenvolvimento econômico, social e ambiental de pessoas e empresas. É fundamental agregar valor aos produtos e diferenciais às organizações que identificam os serviços como estratégicos para atingir os resultados almejados (DRUCKER, 2003). www.esab.edu.br 234 Resumo Caro estudante, durante estas seis unidades, você acompanhou os estudos sobre os antecedentes históricos da Administração – Revolução Industrial – e as novas perspectivas, como um novo enfoque para o marketing, a Tecnologia da Informação, o comércio eletrônico e os negócios eletrônicos, a empresa de classe mundial, a logística estratégica para o diferencial competitivo e a gestão de serviços. Agora, apresentaremos uma síntese de cada etapa. Vimos que a Administração tem sido praticada há milênios, no entanto, se desenvolveu a partir da Revolução Industrial, mas com maior aplicação no século XX, quando também foi estruturada como uma área de estudos científicos. Com o passar do tempo, a Administração vem evoluindo e se preocupando com diferentes ênfases nas organizações e na sociedade. Estudamos também que a gestão de marketing tem se tornado uma das principais ferramentas da estratégia organizacional. Portanto, tem o papel de estudar o mercado, criar indicadores, atender às necessidades dos clientes e fidelizá-los. A Tecnologia da Informação evoluiu e está evoluindo, e facilita a troca de informações entre os indivíduos e as organizações. Logo, proporciona uma maior velocidade, agilidade, flexibilidadee menor custo nas transações comerciais, o que gera uma minimização dos custos e maximização dos resultados. Vimos ainda que a busca por excelência nas organizações faz parte da estratégia. Por isso, chegar a um nível de classe mundial é um desafio enorme, pois está relacionado a diferentes aspectos, como a amplitude de atuação, os tipos de produto e serviço, as tecnologias empregadas no www.esab.edu.br 235 processo, a satisfação dos clientes e as responsabilidades éticas, sociais e ambientais. Destacamos que a logística ocupa a área de destaque na gestão organizacional. Ela atua desde os fornecedores e o ambiente interno da empresa até os clientes. Ou seja, ambiente interno e externo, com prioridade para executar as atividades em tempo, custo, quantidade e qualidade adequadas às expectativas do mercado. E aprendemos que a gestão de serviço foca no setor terciário, tanto em desenvolvimento em seu próprio setor como na contribuição nos setores primário – agricultura – e secundário – indústria –, em virtude da sua capacidade de agregar valor aos produtos, além de gerar riquezas consideráveis, sem prejudicar tanto o meio ambiente. www.esab.edu.br 236 43 Novas perspectivas: administração de projetos Objetivo Explicar as diferenças entre atividades operacionais e projetos, assim como caracterizar tipos de projeto e seu ciclo de vida. Nesta unidade, trataremos da administração de projetos. O conceito de projeto pode estar relacionado a diferentes esferas de nossa vida, desde grandes projetos, como a construção de um prédio ou uma estrada, até ações cotidianas, como organizar uma festa aos amigos e familiares, uma viagem ou fazer compras. Na Administração moderna, as atividades são desenvolvidas nas organizações de maneira planejada e organizada, com a perspectiva de racionalizar o uso de recursos e também cumpriras metas traçadas. Você deve estar ciente de que os projetos estão inseridos em nosso contexto organizacional de maneira a facilitar a visualização do andamento de atividades peculiares e processos especiais. Afinal, as empresas desempenham obrigatoriamente algum tipo de trabalho ou processo. Nesse caso, os trabalhos normalmente estão relacionados a operações (trabalhos continuados e constantes) e projetos (trabalhos únicos e temporários) que se relacionam (CHIAVENATO, 2011). As operações e os projetos compartilham várias características comuns, como as destacadas por Chiavenato (2011): • são desempenhados por pessoas; • são limitados por recursos escassos e restritos; • são planejados, executados e controlados. www.esab.edu.br 237 Entretanto, as operações e os projetos se diferenciam por dois aspectos: temporariedade e unicidade. As operações são constantes e recorrentes, ao passo que os projetos são temporários e únicos. O projeto é uma atividade estabelecida para desenvolver um único produto ou serviço. Caracteriza-se por ser temporário devido ao fato de ter um planejamento de início e finalização, e único porque visa atender a demandas específicas de produtos ou serviços, com distinção e diferenciação. A temporariedade do projeto pode ser apontada como de curto ou longo prazo, mas sempre com duração finita (CHIAVENATO, 2011). Desse modo, podemos perceber que o projeto possui características únicas, tanto no que se refere à forma como ao tempo. Ele está atrelado a um prazo de cumprimento das metas estabelecidas. “Os projetos são meios para responder aos requisitos que não podem ser atendidos dentro dos limites operacionais normais das organizações” (CHIAVENATO, 2011, p. 591). Ou seja, enquanto que as operações conseguem atender demandas de atividades contínuas, os projetos visam a realização de processos peculiares. Essa peculiaridade pode estar relacionada à forma e aos tipos de recurso utilizados, como tecnologias, pessoas, áreas etc. Os projetos podem ser implementados em qualquer nível da organização. Portanto, em se tratando de projetos, há a possibilidade de utilizar poucas ou muitas pessoas, uma ou milhares. A duração deles pode variar de poucos dias, ou semanas, até cincos anos, ou mais. Também podem envolver apenas uma unidade da empresa, como também ser realizados através de parcerias com outras organizações (CHIAVENATO, 2011). O mesmo autor (2011) ainda explica que os projetos podem envolver: • criação e desenvolvimento de um novo produto; • mudança na estrutura ou na cultura organizacional; • desenvolvimento ou aquisição de um novo sistema de informação; www.esab.edu.br 238 • construção de um novo edifício; • implementação de um novo procedimento ou processo de negócio. Podemos citar outros exemplos, como a construção de um móvel sob medida, a implantação de uma nova linha de produção, a elaboração de uma embarcação marítima, um novo automóvel, ou de produto eletrônico. Saiba também que uma das principais características do projeto é fazer algo que não tenha sido realizado antes, com previsão de início e de finalização previamente planejados. O fim pode ser considerado quando os objetivos previstos foram atingidos ou quando se chega à conclusão de que as metas não poderão ser alcançadas (CHIAVENATO, 2011). O objetivo de um projeto pode ser considerado como chegar ao seu fim com êxito. Já o objetivo de uma operação está relacionado à sustentação do negócio de forma indefinida (CHIAVENATO, 2011). Ou seja, o projeto está ligado a algo pontual, enquanto a operacionalidade visa a continuidade do processo. “Cada projeto é único e as características que distinguem seu produto ou serviço são progressivamente elaboradas por meio de etapas sucessivas que agregam continuamente as características que serão alcançadas” (CHIAVENATO, 2011, p. 591). Portanto, vamos aqui sistematizar, a partir da perspectiva do autor, as características dos projetos: • os projetos são únicos; • os projetos são de natureza temporária e tem data de início e fim definidas; • os projetos estarão concluídos quando as metas forem alcançadas; • os projetos bem-sucedidos são aqueles que atendem ou excedem às expectativas dos stakeholders. www.esab.edu.br 239 O projeto possui uma perspectiva racional, pois os desafios das organizações são cumprir as metas planejadas e também ter eficácia em seus respectivos processos (HALL, 2004). Ou seja, o projeto está voltado para atender às expectativas organizacionais e ambientais, com tempo de início e finalização. Hall (2004) também apresenta algumas indicações de que as organizações podem se caracterizar como um objeto de projeto organizacional, e sugere que se tenha em mente os seguintes princípios: • ter tendência para a ação: faça, experimente, não analise o problema exaustivamente; • permanecer próximo ao cliente e compreender as necessidades de produtos ou serviços; • adotar o empreendedorismo e promover a autonomia no interior da organização; • saber que a produtividade ocorre por meio das pessoas, e não da tecnologia; • possuir valores elevados e visar a excelência; • ter flexibilidade e rigidez simultâneas: faça aquilo para o qual você se encontra mais preparado; • manter reduzido o número de empregados (redução de custos); • praticar liberalidade e controle: permita que os indivíduos ajam de modo autônomo, porém com disciplina. Portanto, perceba que o gerenciamento, a administração, a coordenação e a implementação de um projeto necessitam de aplicação de técnicas, ferramentas, experiências e conhecimentos, a fim de garantir que ele seja finalizado com sucesso e dentro do que foi planejado anteriormente. O resultado de um projeto pode ser um produto ou serviço produzido, uma capacidade de realizar um serviço de apoio à produção ou logística ou até mesmo o desenvolvimento de um conhecimento que beneficie a sociedade. www.esab.edu.br240 Saiba ainda que a composição de um projeto pode ser apresentada como o conceito, o pacote e o processo. Começa a partir da geração do conceito, passando pela triagem, pelo projeto preliminar, pela avaliação e melhorias, pela prototipagem até pelo projeto final. Na geração do conceito, visamos a transformação de ideias em conceito; na triagem, propõe-se analisar a viabilidade, a aceitabilidade e a vulnerabilidade, a partir das necessidades de marketing, produção e finanças; no projeto preliminar, nos preocupamos com a especificação dos produtos ou serviços e dos processos. Já na etapa de avaliação e melhoria do projeto, o foco é analisar todos os detalhes antes que seja testado no mercado. Na última parte, prototipagem e produto final, o objetivo é transformar todas as melhorias em um protótipo que possa ser testado e aprovado para o mercado (CHIAVENATO, 2011; ANDRADE; AMBONI, 2011). Saiba mais Sugerimos que você assista ao vídeo “O que é um projeto? O Celeiro”. Confira! Mas você pode estar se perguntando: que tipos de projeto existem? Saiba que os projetos podem ser de engenharia, de construção, de manutenção, de pesquisa e desenvolvimento, de lançamento de novos produtos, de informática, de administração, entre outros. Para o desenvolvimento de projetos, independentemente da área de atuação, há a necessidade de um líder que gerencie esse processo. Por isso, falaremos a seguir do gestor de projetos, que é o indivíduo responsável pelo planejamento e execução de um determinado projeto. A função de gestor de projetos necessita de competências e habilidades, tais como capacidade de liderança, de comunicação, de negociação, de solução rápida e segura de problemas, de influência na organização, além de muito conhecimento e domínio sobre o projeto. www.esab.edu.br 241 Essa capacidade de gerenciamento de um projeto é necessária pela característica dos projetos. Temos um início e fim já previstos. Portanto, precisamos trabalhar por partes do projeto, ou dentro de uma visão do ciclo de vida de um projeto. Nesse sentido, Chiavenato (2011) destaca que uma importante característica do projeto é a sua elaboração progressiva. Assim, por ser único, as características específicas que distinguem seus produtos ou serviços, deverão ser progressivamente elaboradas por meio de etapas sucessivas. No entanto, todos os projetos podem, genericamente, ser enquadrados neste ciclo de vida: iniciação, planejamento, execução, encerramento: • primeira fase – Iniciação: fase inicial que contém o nascimento da ideia, a aprovação e a execução da proposta, como, por exemplo, a identificação de oportunidades e problemas; • segunda fase – Planejamento: nesta fase, a maior preocupação é com a estruturação e a viabilidade operacional do projeto, como, por exemplo, a definição de metas, a escolha do gerente do projeto e da programação; • terceira fase – Execução: fase da operação em si, ou seja, colocar em prática o que foi planejado, exemplos: comunicação, etapas e recursos utilizados; • quarta fase – Encerramento: fase da finalização do projeto, alguns exemplos: acelerar as atividades, os relatórios e as avaliações do projeto. Enfim, o planejamento e a execução de projetos e operações em uma organização podem contribuir para o alcance de metas e a conquista de resultados positivos, com racionalidade no uso de recursos, redução de custos e diferenciação no mercado, ou seja, buscando-se a competitividade e sustentabilidade organizacional. www.esab.edu.br 242 44 Novas perspectivas: gestão do conhecimento Objetivo Ofertar entendimento acerca do processo de criação/disseminação do conhecimento e das mudanças que ele proporciona para a sociedade e para as organizações. A gestão do conhecimento pode contribuir para o desenvolvimento e a disseminação do conhecimento nas organizações e na sociedade em diferentes áreas. Afinal, o conhecimento influencia positivamente na prática organizacional, em melhorias e inovações de processos, produtos ou serviços. A preocupação das organizações com a produtividade abre espaço para novas formas de produção que tragam excelência e melhorias na qualidade de produtos e serviços e também nas condições de vida das pessoas. Portanto, a busca por melhores ações organizacionais que tragam evoluções em questões econômicas, sociais e ambientais para a sociedade passa pelo desenvolvimento do conhecimento. A gestão do conhecimento presente nas organizações está relacionada aos valores envolvidos no processo e é baseada na cultura organizacional, bem como no desenvolvimento, na disseminação e no compartilhamento desse conhecimento. Na era do conhecimento, que pode ter superado a era da informação, o mais importante deixou de ser o capital financeiro para ser o capital intelectual, fundamentado no conhecimento. Ou seja, o recurso essencial para o desenvolvimento das organizações depende diretamente do conhecimento para que se possa atender à demanda de outros recursos organizacionais (CHIAVENATO, 2011). Perceba que aqui não buscamos a conclusão sobre em qual era estamos atualmente, mas sim a reflexão sobre a preocupação contemporânea nas organizações e na sociedade sobre o conhecimento, tanto aquela www.esab.edu.br 243 relacionada com pesquisas científicas como as relacionadas às experiências humanas e de convívio social. O conhecimento é a informação estruturada que possui valor para a organização. O conhecimento conduz a novas formas de trabalho e de comunicação, a novas estruturas e tecnologias e a novas formas de interação humana (CHIAVENATO, 2011). Esse mesmo autor ainda defende que o conhecimento está na cabeça dos indivíduos, os quais desenvolvem e aplicam esse conhecimento na racionalização de uso dos recursos organizacionais. Passamos pela busca por dados, depois pela informação, e agora pelo conhecimento. Mas também precisamos ter a preocupação com a aplicação desse conhecimento nas organizações e na sociedade em geral, com o objetivo de melhorar as condições de vida dos indivíduos e grupos sociais, do mesmo modo que em nosso meio ambiente. Consideramos que “[...] os recursos são estáticos, inertes e dependentes da inteligência humana que utiliza o conhecimento. O conhecimento é criado e modificado pelas pessoas e é obtido por meio da interação social, do estudo, do trabalho e do lazer” (CHIAVENATO, 2011, p. 593). Por consequência, as organizações de sucesso conseguem atrair indivíduos que tenham e apliquem seus conhecimentos na solução de problemas organizacionais. E a organização fundamentada no conhecimento depende diretamente da gestão do conhecimento. Você deve estar ciente de que essa interação social que facilita a construção e disseminação do conhecimento precisa estar presente na consciência das pessoas, tanto nas equipes de trabalho, nas organizações, como na vida social. A gestão do conhecimento caracteriza-se, então, pelo “[...] processo integrado destinado a criar, organizar, disseminar e intensificar o conhecimento para melhorar o desempenho global da organização” (CHIAVENATO, 2011, p. 593). Entretanto, não é qualquer tipo de informação que pode ser importante para a organização, ou seja, transformada em conhecimento. Os desafios das organizações consistem www.esab.edu.br 244 justamente na capacidade de aplicação do conhecimento e na geração de rentabilidade. Afinal, em um ambiente onde o conhecimento deve ser prioridade organizacional, não é somente o capital econômico que pode representar o real valor do negócio. É preciso ter em mente que o conhecimento é um recurso peculiar e intangível, com alta demanda no mercado. E podemos dizer que há uma urgência do conhecimento, devido à existência de cinco tendências (CHIAVENATO, 2011): • intensidade do conhecimento; • obsolescência