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SBDG – Caderno 72 ™ Papel do observador em grupos 1 
Curso de Formação Básica em Dinâmica dos Grupos 
Porto Alegre – RS 
Coordenação: Isabel Doval, Margarete Alves De Boni 
Papel do observador em grupos 
FERNANDA ZANNONI 
NAURO MITTMANN 
RENATO DAS NEVES 
SARA CECIN ROHENKOHL 
WILLIAM DE SOUZA 
 ™ 
 INTRODUÇÃO 
Relacionar-se com pessoas tem sido cada vez mais um diferencial nas relações 
humanas estabelecidas tanto no âmbito profissional como pessoal. O relacionamento in-
terpessoal é vital para eficácia destas relações que, em situações de trabalho realizadas 
em grupo, tornam-se responsáveis pelo alcance, ou não, dos objetivos estabelecidos pela 
equipe. 
Trabalhar em grupo, desenvolvendo uma comunicação que esteja focada em me-
tas, tem sido, nessa nova era, foco do desenvolvimento pessoal e profissional das pessoas. 
Dentro dessa orientação, o trabalho com grupos necessita de formação especial de 
laboratório, em que se contempla a construção de aporte teórico, realizando-se o aprendi-
zado pelo processo indutivo. Esse processo tem a peculiaridade de perceber como os 
eventos acontecem e quais os sentimentos que os envolvem. 
A prática de coordenação experimentada pelos participantes destes grupos neces-
sita, para que sua potencialidade seja plenamente explorada, da coragem para experimen-
tar e da habilidade em observar e tornar-se perceptivo no “aqui e agora”, tanto do proces-
so do grupo como de seu processo individual. 
Existe escassez de literatura no que tange ao papel do observador; assim, o objeti-
vo desse trabalho é realizar uma pesquisa exploratória do papel do observador no grupo. 
Pretende-se obter subsídios para aprofundar o estudo do papel do observador em grupos 
de formação e, a partir da dinâmica destes grupos, construir hipóteses sobre as etapas que 
envolvem o processo de sua aprendizagem. 
A escolha deste tema foi motivada principalmente pela importância do papel do 
observador no aprendizado do coordenador de grupo. O desafio em desenvolver um estu-
do ainda pouco explorado na teoria de dinâmica de grupo também motivou o desenvol-
vimento deste assunto. Para isso o grupo apresenta os seguintes conteúdos: (1) O papel 
do observador no grupo; (2) O papel do observador nas etapas da formação em dinâmica 
de grupo; (3) Análise e apresentação da pesquisa aplicada a membros de grupo de forma-
ção. 
 
 
 SBDG – Caderno 72 ™ Papel do observador em grupos 2 
1 PAPEL DO OBSERVADOR NO GRUPO 
Conforme o conceito dado pelo Aurélio (1988), observador é “quem observa, ob-
servante, respeitador, cumpridor crítico, sensor, expectador”. 
A partir de autores como Bion e Schutz, que desenvolveram teorias a respeito de 
desenvolvimento grupais, podemos identificar alguns aspectos relacionados à Dinâmicas 
dos Grupos: 
1.1 Contribuições de Schutz 
1.1.1 Inclusão 
Conforme Schutz (1989), o grupo desenvolve-se a partir de necessidades dos in-
divíduos. O comportamento de inclusão, que caracteriza a primeira fase, refere-se à asso-
ciação entre as pessoas: exclusão, inclusão, pertinência e proximidade. “O problema da 
inclusão é ficar dentro ou fora. As interações de inclusão concentram-se nos encontros. A 
ansiedade de inclusão é a de que eu seja insignificante” (Schutz, 1989). 
A Figura 1 demonstra os principais aspectos abordados pelo autor quando se refe-
re à inclusão. 
Figura 1 – Aspectos abordados por Schutz em referência à inclusão. 
 
Como observador, meu autoconceito (o que significo como pessoa) pode, na ob-
servação, aparecer no momento da devolução ao grupo. 
Se eu sou subsocial, conforme classifica Schutz (1989), sou introvertido e retraí-
do. Quero manter distância e não me misturar com as pessoas. Se observador, estes as-
pectos podem manifestar-se na dificuldade de exposição durante a observação, pois, se 
não gero interesse sobre minha pessoa, não corro o risco de ser ignorado. 
Se eu sou ultra-social, sou extrovertido, procuro intensamente as pessoas e, tam-
bém, tenho medo de ser ignorado. Como observador, meu comportamento pode colocar 
em risco o foco da observação, que passa a ser o de garantir atenção sobre mim e não no 
processo grupal. 
 
Finalmente, o ser social é identificado pelo autor por meio de uma interação com 
as pessoas, sentindo-se bem com ou sem a presença dos outros. Pode-se participar muito 
ou pouco numa situação de grupo, sem sentir-se ansioso. A pessoa social, para o autor, 
percebe seu valor e sua importância. O grupo identifica, nas situações de observação, a 
 
 SBDG – Caderno 72 ™ Papel do observador em grupos 3 
possibilidade de o ser social estar vinculado à evolução do seu aprendizado como obser-
vador. 
Como o papel do observador se desenvolve de forma estruturada no segundo mó-
dulo da formação em Dinâmica de Grupo, a necessidade de inclusão, acima descrita, é 
reduzida, pois já não existe a ansiedade de estar dentro ou fora do grupo, uma vez que 
esta necessidade já foi trabalhada no primeiro módulo (vivencial). 
1.1.2 Controle 
Conforme Schutz (1989), o comportamento de controle se manifesta conforme se 
observa na Figura 2, em diferentes áreas, e varia entre o desejo de ter autoridade sobre os 
outros e o desejo de ser controlado e assim isento de responsabilidade. 
 
Figura 2 – Aspectos abordados por Schutz em referência ao controle. 
 
O problema do controle é estar por cima ou por baixo. A interação primária de 
controle é o confronto. A ansiedade do controle é ser incompetente. 
A percepção de minha competência, que é pano de fundo do controle, manifesta-
se sendo: 
• Abdicrata, quando me afasto das posições de poder e responsabilidades por 
me sentir incapaz e inadequado; 
• Autocrata, quando necessito provar que sou capaz, assumindo muita respon-
sabilidade a ponto de ser dominador e fanático pelo poder e 
• Democrata, quando me sinto competente e confiante na minha capacidade em 
tomar decisões e na percepção da confiança dos outros sobre minha capacida-
de. A necessidade em seguir ou dar ordens não é mais problema, estando con-
fortável em ambas as situações, que vão variar conforme o que for apropriado. 
Na observação, o controle pode aparecer tanto na dificuldade em assumir a res-
ponsabilidade da função como na “sede” em utilizá-la, dispondo da informação e do pa-
pel de observador como instrumento de poder e dominação, sendo conclusivo no lugar de 
investigativo e gerador de hipóteses. 
1.1.3 Afeto 
Schutz descreve o comportamento de afeto como sentimentos de proximidade 
pessoais e emocionais que ocorrem entre duas pessoas. 
 
 SBDG – Caderno 72 ™ Papel do observador em grupos 4 
“O problema da afetividade é estar próximo ou distante. A interação afetiva é o 
abraço. A ansiedade afetiva é ser ou não ser capaz de ser amado.” 
Meu comportamento na área do afeto reflete sempre a sensação de poder ser ama-
do. Conforme o esquema da Figura 3, este comportamento pode ser expresso em diferen-
tes tipos: subpessoal, superpessoal e pessoal. 
 
Figura 3 – Aspectos abordados por Schutz em referência ao afeto. 
 
O comportamento subpessoal evita elos íntimos com outras pessoas. O autor clas-
sifica como atitude característica deste comportamento considerar dolorosa a área afetiva, 
pois já existe a rejeição. As pessoas com comportamento subpessoal têm dificuldade de 
gostar genuinamente de seus semelhantes e desconfiam dos sentimentos destes a respeito 
delas. 
O ser amigo de todos aparece aqui como escudo, evitando que um sujeito se torne 
realmente próximo de outro sujeito. 
O comportamento superpessoal, assim como o subpessoal, tem como pano de 
fundo experiências dolorosas com o afeto. Neste caso, porém, o comportamento possibili-
ta que a pessoa acredite que suas relações afetivas podemser melhores. O ser querido é 
essencial para que acredite na não rejeição e sua técnica é ser manipulativo e possessivo 
em suas relações. 
Finalmente o ser pessoal sente-se tão bem numa relação íntima, como numa situa-
ção que exige distanciamento emocional. 
Na observação, o afeto pode aparecer na necessidade de estabelecer ou não conta-
to, colocando em risco, quando inconsciente, a imparcialidade necessária para uma boa 
observação e percepção do processo do grupo. Quando existe a consciência, é possível 
que o observador tire partido e utilize esta identificação na sua leitura do processo do 
grupo. 
1.2 Contribuições de Bion 
Bion (1968), em seu livro Experiência com grupos, formula a hipótese da existên-
cia de uma mentalidade grupal, devido ao fato de que o grupo funciona, em muitas opor-
tunidades, como uma unidade, ainda que seus membros a isto não se proponham, nem 
disto tenham consciência. 
As suposições básicas estão configuradas por emoções intensas e de origem pri-
mitiva. O termo grupo, sob determinado suposto básico, refere-se à estrutura particular e 
à organização adotada pelo grupo em função do mesmo suposto quando em atividade. Os 
 
 SBDG – Caderno 72 ™ Papel do observador em grupos 5 
supostos básicos relacionados por Bion são três: dependência, ataque e fuga e acasala-
mento. 
1.2.1 Dependência 
No suposto básico de dependência, o grupo sustenta a convicção de que está reu-
nido para que alguém possa satisfazer todas as suas necessidades e todos os seus desejos; 
alguém de quem o grupo depende de uma forma absoluta. A crença coletiva é que existe 
um objeto externo cuja função é prover a segurança do grupo. 
O grupo de dependência se organiza em busca de um líder que cumpra a função 
de prover suas necessidades. Este papel, no grupo de formação, é facilmente atribuído ao 
facilitador que o coordena, observando-se com freqüência uma expectativa elevada e/ou 
idealizada. A falta ou queda de juízo crítico, a passividade e outras formas de conduta 
evidenciam essa configuração de dependência do grupo. 
Ainda no suposto básico de dependência, podemos levantar hipótese de que o 
grupo, estabelecendo a relação com o observador em uma possível aceitação passiva e 
ausência de juízo crítico, na esperança que ele possa prover todas suas necessidades, se 
exima da responsabilidade de sua participação. 
1.2.2 Ataque e fuga 
O suposto básico de ataque e fuga consiste na convicção grupal de que existe um 
inimigo, e que é necessário atacá-lo ou dele fugir. Em outros termos, o objeto mau é ex-
terno, e a única atividade defensiva diante dele consiste em destruí-lo (ataque) ou evitá-lo 
(fuga). 
No grupo de formação, o inimigo pode ser um membro do grupo – a pessoa do 
facilitador ou observador – suas palavras ou idéias, etc. O grupo pode adotar uma organi-
zação em que se destaca a atividade de evitar qualquer manifestação do “inimigo”, ou 
responsabilizar qualquer pessoa ou subgrupo e atacá-lo em conseqüência disso. 
Uma hipótese, na relação do suposto básico de ataque e fuga, é a de que o obser-
vador seja percebido como o inimigo a ser hostilizado ou simplesmente ignorado, des-
qualificando completamente as contribuições por ele fornecidas ao grupo. 
1.2.3 Acasalamento 
O suposto básico de acasalamento é a crença coletiva e inconsciente de que 
quaisquer que sejam os problemas e necessidades atuais do grupo, um fato futuro ou um 
ser ainda por nascer os resolverão. Quer dizer, há esperança de tipo messiânico. 
Neste grupo, a liderança está relacionada com um casal que promete “um filho”, 
ou alguma idéia relacionada com o futuro; o líder é algo ou alguém que ainda não tenha 
nascido. O par (casal) pode estabelecer-se entre dois integrantes que dialogam; o resto do 
grupo não somente tolera, mas estimula esta relação. 
 
 SBDG – Caderno 72 ™ Papel do observador em grupos 6 
Uma característica comum a todos os grupos de suposto básico é a hostilidade 
com que estes se opõem a qualquer estímulo no sentido do crescimento ou desenvolvi-
mento. A idéia nova, em sua evolução, ameaça a estrutura do grupo básico. 
Oposta às suposições básicas está aquela que se baseia no grupo de trabalho, que 
requer de seus membros capacidade de cooperação e esforço; exige um certo amadureci-
mento e treinamento para participar dele e um estado mental que implica contato com a 
realidade, tolerância com a frustração e controle de emoções. 
O intercâmbio verbal é uma função do grupo de trabalho, assim como o é a ação 
que resulta dessa função. O grupo de trabalho, que suporta a frustração, permite a evolu-
ção de idéias novas; estas não são deificadas, nem negadas, nem expulsas, nem seu avan-
ço é obstruído, como acontece no grupo de suposto básico. 
A coexistência do grupo de suposto básico e do grupo de trabalho determina um 
conflito permanentemente suscitado e sempre recorrente dentro do grupo. A atividade do 
grupo de trabalho é perturbada pelo grupo de suposto básico. 
Sendo o papel do observador, nesse momento, o de oferecer esta percepção ao 
grupo para que possa elaborar o suposto básico, aproximando-se do grupo de trabalho. 
2 PROCESSO DE GRUPO DE FORMAÇÃO EM DINÂMICA DE GRUPO 
Este capítulo apresenta o processo da observação nos três módulos de formação. 
Ao longo do Curso de Formação de Dinâmica de Grupo, a observação vai ser experimen-
tada exercendo papéis diferentes, como observador, participante e coordenador em trei-
namento. 
2.1 Primeiro módulo 
No primeiro módulo, a figura do observador não existiu de forma estruturada; a 
observação ocorria somente como participante do grupo. O feedback do processo de gru-
po era executado pelas didatas por meio de suas intervenções (Figura 4). 
Nos primeiros encontros do grupo de formação, pode-se observar, em muitos 
momentos, a aplicação da teoria de inclusão de Schutz (1989), em que cada membro do 
grupo procura estabelecer os limites de sua participação no mesmo, buscando ser aceito. 
Este período é caracterizado por incertezas dos participantes sobre os seus propó-
sitos no grupo, a estrutura e sua liderança. Os membros do grupo estão verificando o ter-
reno para descobrir quais os comportamentos aceitáveis. Revelaram-se processos intera-
tivos intensos, em que cada membro situa-se frente aos demais, procurando sua identida-
de dentro do grupo. 
Outro exemplo percebido neste momento, que se repete no segundo módulo, são 
os movimentos do grupo em fugir do “aqui e agora”. Segundo Bion, “o grupo deve ser 
seu próprio instrumento terapêutico”, utilizando o próprio processo para seu desenvolvi-
mento. A necessidade de teorizar ou trazer experiências fora do grupo são fortes, necessi-
tando de constantes intervenções sobre a fuga da tarefa. 
 
 
 
 
 SBDG – Caderno 72 ™ Papel do observador em grupos 7 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 4 – Grupo de Formação – Módulos I, II e III. 
2.2 Segundo módulo 
Esta etapa está dividida nos processos de geração de conhecimento teórico, por 
meio de seminários e prática de coordenação e observação e de estímulos aplicados ao 
grupo pelos participantes da formação. 
Neste instante do desenvolvimento o papel do observador é diferenciado e é cria-
da a figura do observador, buscando proporcionar ao grupo o desenvolvimento das habi-
lidades tanto para observação como para coordenação. Também o grupo, neste módulo, 
tem papel informal de observador, quando dá feedback ao observador e coordenador so-
bre os seus desempenhos (ver Figura 4 acima). 
Nas primeiras observações, os relatos freqüentemente eram descritivos, resumin-
do-se aos fatos e ao que foi “dito”; descrições “curtas”, com escolha de eventos não ne-
cessariamente relevantes à dinâmica do grupo, e/ou “longas”, com uma descrição “sem 
fim”, desnecessária e cansativa. 
Além disso, muitasvezes as observações vinham associadas a avaliações como 
“legal”, “certo/errado”, “bom/mau”, “deveria”, etc., fazendo julgamentos, juízos de valor, 
focando aspectos avaliativos do observador em detrimento do relato da dinâmica do grupo. 
As hipóteses sobre o processo do grupo e sobre a coordenação, que eram raras nas 
primeiras observações, vão gradativamente aparecendo com mais freqüência, à medida 
que vai se aprendendo o processo de grupo, superando o “receio de errar”, aliado a uma 
atitude de “correr riscos”. 
Foi possível perceber nos movimentos do grupo, assim como na própria observa-
ção, a fase descrita por Schutz (1989) denominada controle, onde aparecem os jogos de 
força, competição por liderança, discussões sobre metas e métodos e na formulação de 
normas de conduta dentro do grupo. Aqui, cada um busca atingir um lugar satisfatório às 
suas necessidades de controle, influência e responsabilidade. 
DT
CT
CT
DT
OB
DT
CT
Grupo
Grupo
Grupo
Módulo I
Módulo II
Módulo III
• Não existe o papel do observador
• Feedback somente das didatas
• Observação exercida no grupo
DT CT OBDidata (s) Coordenador em treinamento Observador
• O observador como figura de poder
• Percepção do processo como um todo
• Qualificação da observação/observador 
•Dinamica entre coordenadores.
•Não existe o papel de observador
•Expectativa no feedback da(s) Didata(s)
 
 SBDG – Caderno 72 ™ Papel do observador em grupos 8 
Pode-se exemplificar esta fase com observações estruturadas e divididas entre 
oportunidades de melhoria e pontos fortes em que aparece a necessidade do poder pela 
liderança e controle e não simplesmente um feedback de construção. 
Também, nestes momentos, observador e coordenador confrontam o grupo e as 
didatas, tentando justificar seus procedimentos, perdendo a chance de “escutar” e apren-
der com a percepção do outro, diminuindo seu “eu cego” conforme janela de Johari – 
Moscovici (1997), que representa nossas características de comportamento, que são fa-
cilmente percebidas pelos outros, mas das quais, geralmente, não estamos cientes. 
O observador que não participa da atividade do grupo, ficando “fora”, “apenas” 
observando, exerce uma posição de poder, de autoridade, detendo, provavelmente, infor-
mações do processo em que o grupo está inserido, de uma forma mais ampla e precisa. 
A qualificação do papel do observador pelo coordenador em treinamento pode le-
var a uma maior integração entre o “observador” e o “coordenador”. Esta maior integra-
ção favorece ao coordenador em treinamento, durante a sua coordenação, em momentos 
adequados “onde o grupo anda sozinho”, “deixar de intervir”, renunciando sua interven-
ção, que, neste momento, é desnecessária e facilitando o processo do grupo. 
Cabe destacar que a posição/situação da figura do observador permitiu uma me-
lhor visualização do processo do grupo como um todo, mais especificamente, o processo 
de transferência/contratransferência entre o grupo e o coordenador em treinamento, facili-
tando o processo de reconhecimento de uma importante habilidade do coordenador. 
Também, ocorreu, eventualmente, a contratransferência do observador, sendo 
conscientizada e adequadamente manejada, facilitando até a percepção do processo de 
grupo e formulação de hipóteses, e outras vezes prejudicando/distorcendo a observação 
do processo do grupo. 
2.3 Terceiro módulo 
Nesse módulo, tiveram seqüência os seminários realizados por subgrupos de tra-
balho, somados a uma coordenação realizada por dois membros do grupo. Nessa etapa, o 
papel do observador é desempenhado pelas didatas e pelo grupo como um todo. A figura 
formal do observador deixa de existir (ver Figura 4 acima). 
Segundo Schutz (1989), resolvidos razoavelmente os problemas de controle, os 
membros começam a expressar e buscar a integração emocional. Com isso, começam a 
surgir manifestações de hostilidade direta, ciúmes, apoio, afeto e outros sentimentos. 
Neste módulo, é intensificada a vivência da fase de afeto (Schutz), caracterizada 
através de sentimentos mútuos ou recíprocos, agradáveis ou desagradáveis. Identifica-se 
isso no momento em que o grupo traz questões relacionadas à formação de subgrupos ou 
“alianças”. 
Na escolha e na atuação das duplas de coordenação em treinamento, também fo-
ram reconhecidas manifestações da dinâmica grupal como competições, poder, afeto, 
controle, etc. que influenciam da dinâmica do grupo, muitas vezes dificultando o desen-
volvimento do mesmo. 
Finalmente, observou-se que o grupo criou uma expectativa sobre o feedback das 
didatas, em relação à observação do movimento do mesmo, muitas vezes colocando o 
próprio feedback em segundo plano. Como hipótese possível, o grupo estaria sentindo 
falta do papel do observador, que tem condições de perceber o processo do grupo como 
 
 SBDG – Caderno 72 ™ Papel do observador em grupos 9 
um todo assim como a didata. Em função disso, eleva sua expectativa do feedback da 
didata. 
2.4 Processo de aprendizado por meio do observador 
Nesta etapa, abordaremos o processo de observação em Grupos de Desenvolvi-
mento em Dinâmica dos Grupos. 
Posteriormente, pretendemos validar estas etapas (conforme Figura 5) com os re-
sultados das pesquisas e análise da equipe para construção de uma hipótese e modelo. 
 
identificar as competências 
necessárias para o 
Observador 
identificar os Gaps existentes 
entre estas competências e 
as competências existentes
Feedback da Didata sobre a Coordenação
Melhoria na prática e competências para Coordenador 
APRENDIZADO POR MEIO DO PAPEL DO OBSERVADOR 
Melhoria na prática e competências do Observador 
Observação da prática de Coordenação de Grupo, aplicada ao grupo de 
desenvolvimento que pertence o Observador, por um colega também em 
processo de aprendizado sob a coordenação de um Didata
 Conclusões sobre: 
1- trabalho que a vivência estimulou (esperado x planejamento)
2- forma e aplicação do estímulo (consigna, tempo, material utilizado, infra-
estrutura…)
3- adequação do estímulo ao processo grupal
4- postura do Coordenador em treinamento
5- intervenções realizadas (adequações, ausências e hipóteses)
6- fechamento da vivência
Feedback da Didata sobre a Avaliação
 
 
Figura 4 – Processo de aprendizado por meio do observador. 
 
A Figura 5 detalha como percebemos o processo de aprendizado do observador 
em grupo. 
A observação é parte do segundo módulo do desenvolvimento em Dinâmica de 
Grupo; neste módulo, em momentos distintos, participantes do grupo fazem o papel de 
coordenadores e observadores. 
É importante destacar que, em todos os momentos dos itens abaixo descritos, po-
dem estar presentes as dimensões de inclusão, controle e afeto, descritas anteriormente 
por Schutz, bem como os pressupostos básicos de Bion de dependência, luta e fuga. É 
importante, no papel de Observador ou Coordenador, perceber estes processos e possibi-
litar ao grupo esta consciência para seu desenvolvimento. 
 
* 
 
 
 SBDG – Caderno 72 ™ Papel do observador em grupos 10 
Algumas etapas foram elencadas na figura como importantes para serem observa-
das durante a aplicação do estímulo pelo coordenador. Estas etapas estão listadas a se-
guir: 
a. Analisar se o que o coordenador esperava trabalhar no estímulo foi atingido e 
quais fatores foram responsáveis pelo atendimento ou não dos objetivos inicial-
mente definidos; 
b. Verificar se a forma e aplicação do estímulo no grupo poderiam ser melhoradas 
nos itens abaixo sugeridos: 
• Consigna – linguagem clara e de fácil entendimento do grupo; 
• Tempo – flexibilidade e adequação ao estímulo e ao processo do grupo du-
rante sua aplicação; 
• Material utilizado – se foi de fácil compreensão, se estimulou o grupoa 
participar e se estava alinhado com o proposto e 
• Infra-estrutura – se os recursos foram explorados e foram facilitadores no 
processo, como por exemplo, música adequada, distribuição do espaço, 
etc. 
c. Analisar adequação do estímulo ao processo grupal, esta etapa se resume em veri-
ficar se o estímulo possibilitou o trabalho de aspectos encobertos para seu desen-
volvimento como grupo. É importante que o Observador tenha consciência do 
processo que o grupo esta inserido. 
d. Observar a postura do coordenador nos seguintes aspectos: 
• O coordenador conseguiu ficar fora do grupo ou usou expressões, como 
“nós”, que demonstram sua inserção? 
• A possível ansiedade (natural neste caso) atrapalhou o processo? 
• A forma de se colocar na cadeira e o gestual do seu corpo o identificam 
como um facilitador do processo ou o confundem com um membro do 
grupo? 
• O tom de voz é adequado ao momento, buscando atenção do grupo? 
e. Comentar sobre as intervenções realizadas pelo Coordenador, verificando: 
• se as mesmas foram realizadas no melhor momento; 
• se o conteúdo das intervenções estava adequado; 
• a possibilidade de terem sido realizadas com outro conteúdo; 
• a inadequação de sua realização; 
• a necessidade do silêncio do coordenador no momento; 
• a necessidade do não silêncio e de intervenção e 
• a formulação de hipóteses sobre as observações de como o observador fa-
ria se estivesse coordenando. 
f. Finalmente, a análise do fechamento da vivência: se a mesma foi adequada e sou-
be aproveitar o processo desenvolvido pelo grupo durante o estimulo e se possibi-
litou ao grupo fechar todas as lacunas abertas durante o processamento. 
 
* 
Outro momento importante destacado na Figura 5 é do feedback coordenado pe-
la(s) didata(s), dividido nas seguintes etapas: 
a. Ao observador é solicitado que exponha ao grupo suas percepções e sentimentos, 
enquanto observador, a respeito do papel desempenhado e coloque suas percep-
 
 SBDG – Caderno 72 ™ Papel do observador em grupos 11 
ções sobre a observação do processo. Neste momento é que o observador tem a 
oportunidade de entregar ao coordenador e ao grupo o resultado de sua percepção 
do processo do grupo e do desempenho da coordenação conforme aspectos acima 
sugeridos. 
b. Ao coordenador é solicitado da mesma forma que expresse suas percepções, sen-
timentos e quais as mudanças que faria em sua condução (que acredita poderem 
ser melhoradas). 
c. A(s) didata(s), neste último momento, faz(em) o fechamento do processo de feed-
back, acrescentando suas hipóteses do que poderia ser melhorado e dos pontos 
fortes do processo que serão reforçados tanto na prática de observação como de 
coordenação. 
Finalmente, o feedback possibilita ao observador e ao coordenador aprendizado à 
medida que facilita a identificação das lacunas que podem estar relacionadas à melhoria 
ou à ausência das competências importantes para observação. 
Moscovici (1997) descreve a importância da competência interpessoal, necessária 
ao processo de interação humana, seja ela verbal ou não-verbal, que tem como decorrên-
cia as relações interpessoais. 
Para a autora, competência interpessoal é a habilidade de lidar eficazmente com 
relações interpessoais, ou seja, de lidar com outras pessoas de forma adequada às neces-
sidades de cada uma e às exigências da situação. 
Os principais componentes da competência interpessoal, relacionados pela autora 
e percebidos pelo grupo como fundamentais para o desempenho do papel do observador, 
são: percepção composta pela autopercepção, autoconcientização, auto-aceitação e habi-
lidade de dar e receber feedback. 
3 PESQUISA 
Este estudo tem como objetivo avaliar os resultados obtidos, visando auxiliar no 
entendimento do Papel do Observador nos Grupos. Pretende-se obter os subsídios neces-
sários para elaboração de uma hipótese sobre quais as contribuições que o Observador 
deve agregar ao grupo e ao facilitador de modo a contribuir no seu processo. As compe-
tências mais importantes, necessárias para o Papel do Observador em Grupos, também 
são objeto desta pesquisa para que os possíveis gaps existentes em cada grupo possam ser 
identificados para um posterior plano de ação de melhoria. 
O estudo utilizou fontes de dados secundárias e fontes primárias. As fontes se-
cundárias, que já estão disponíveis, foram: publicações e trabalhos do SBDG, pesquisas 
diversas sobre observador em grupos e a experiência individual dos integrantes do grupo 
de trabalho sobre o tema. A fonte primária utilizada neste estudo consiste nos dados bru-
tos obtidos na pesquisa qualitativa exploratória, aplicada em 14 integrantes de um grupo 
de formação em dinâmica de grupos. 
Para a elaboração do questionário da pesquisa exploratória, foi realizado um bra-
instorming, envolvendo os cinco participantes do grupo de formação em torno do tema 
“Qual o Papel do Observador no Grupo?” A seguir apresentamos as respostas e a análise 
da pesquisa aplicada. 
 
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3.1 O papel do observador no grupo 
Para a pergunta “No que consiste a observação do grupo?”, as respostas foram: 
percepção do processo de grupo (incluindo seu comportamento, comunicação e sentimen-
tos) e percepções da adequação das intervenções realizadas pelo coordenador em treina-
mento. Além disso, foi mencionada a observação como um processo de aprendizado da 
leitura dos processos do grupo. 
Para a pergunta “Qual é o papel do observador no grupo?”, foram citados os se-
guintes aspectos: formular hipóteses sobre o processo de grupo e sobre a participação do 
coordenador; contribuir com suas percepções sobre o processo do grupo (sua dinâmica, 
movimento, processo, reações, resistências, alianças) e sobre as intervenções do coorde-
nador em treinamento, facilitando o processo de grupo e a coordenação. 
Para a pergunta “Qual é o valor que o observador pode entregar ao coordenador e 
ao grupo?”, as respostas foram: feedback ao coordenador em treinamento (inclusive in-
tervenções que poderiam ser exploradas) e ao grupo, auxílio da compreensão de aspectos 
subjacentes observados nos processos, ampliação da percepção do coordenador sobre a 
dinâmica do grupo, percepção dos movimentos de grupo de aprofundamento/resistência e 
a formulação de novas hipóteses decorrentes da observação. 
Buscando sintetizar as respostas acima, desenvolvemos a Figura 6 (ver abaixo), 
onde podemos verificar que o papel do observador consiste na percepção do processo do 
grupo e da coordenação, incluindo formulação de hipóteses, para facilitar o processo de 
desenvolvimento do grupo e do coordenador em treinamento através do feedback. Além 
disso, a prática do papel de observador intensifica a aprendizagem da leitura do processo 
de grupo e das competências do observador e, conseqüentemente, do coordenador. 
O feedback é a principal contribuição a ser entregue para o grupo e para o coorde-
nador em treinamento. Destaca-se, aqui, o feedback, que não se limita àquilo que pode ser 
visto na superfície, mas que enxerga o “não dito”, aquilo que está subjacente ao processo 
do grupo. No caso do coordenador em treinamento, um feedback não só sobre as inter-
venções realizadas, mas aquelas que poderiam ter sido ditas de forma a facilitar o proces-
so do grupo. 
Neste sentido, o desenvolvimento das hipóteses sobre o processo do grupo como 
das possíveis relações causa e efeito, movimentos de aprofundamento e resistência, sabo-
tagens, alianças, etc. da dinâmica grupal facilitam a percepção do processo de grupo 
atual, favorecendo uma evolução no desenvolvimento do grupo. 
A prática do papel do observador acelera a aprendizagem da leitura do processo 
grupal. Á medida que o indivíduo vai adquirindo experiência na percepção na dinâmica 
de grupos, tornando-se familiarizado com osmovimentos do processo, percebendo e re-
conhecendo-os cada vez de forma mais distinta, vai melhorando sua capacidade de ob-
servação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Figura 6 – Papel do observador (resultado da pesquisa). 
3.2 Recursos necessários a um observador 
Os recursos para a competência da observação, identificados pelo grupo pesqui-
sado, foram classificados em quatro categorias: conhecimento, habilidades, experiência e 
atitude. 
Em relação ao conhecimento, foram citados o saber teórico de grupos e o saber 
em relação à história do grupo. Isso vai ao encontro do pensamento deste grupo de for-
mação, pois a teoria é importante para fornecer as informações que darão subsídios ao 
observador no reconhecimento dos diversos movimentos, assim como ter conhecimento 
da história do grupo pode facilitar a percepção da fase em que o este se encontra ou dos 
mais diversos movimentos como alianças, fuga, competição, etc. O domínio do conheci-
mento teórico (correto e amplo conhecimento, necessário para a identificação e reconheci-
mento da dinâmica grupal) interfere diretamente na capacidade de observação de grupos. 
A habilidade está relacionada à maneira de saber fazer. Em relação a essa catego-
ria, o grupo identificou várias habilidades que o observador necessita exercitar, colocar 
em prática, ou seja, em ação. Uma série de habilidades, com conceitos muito próximos e 
conectados, foi citada, como: autoconhecimento, afetividade, atenção, percepção, comu-
nicação, objetividade, empatia, saber ouvir, dar e receber feedback, comunicação. Tais 
habilidades podem ser agrupadas, de uma forma geral, em atenção, percepção e comuni-
cação. 
A experiência está próxima da habilidade, do saber fazer, pois, à medida que se 
experimenta, se exercita, adquire-se facilidade de execução da tarefa. Na pesquisa, foram 
Percepção 
Processo do grupo
•Dinâmica,Comp. reações
•Comunicação, Sentimentos
•Aprofundamento, resistências
•Sabotagens, alianças
Coordenação em treinamento
•Intervenções realizadas
•Intervenções possíveis
Aprendizado da observação 
da dinâmica de grupo e da 
coordenação
Facilitador para o processo do 
grupo e coordenação
Formulação de hipóteses
Feedback para o grupo e coordenador
 
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citadas as vivências em diferentes grupos como membro, no papel de observador, no pa-
pel de coordenador e a análise pessoal. As diferentes práticas de observação são comple-
mentares no desenvolvimento da capacidade de observação do processo de grupo. Além 
disso, experiência com a análise pessoal, pode ajudar a perceber e manejar de forma ade-
quada situações onde ocorra a contratransferência. 
A atitude está relacionada ao querer ser e ao querer agir. O grupo pesquisado ci-
tou atitudes para o observador como: ética, discrição, gostar e acreditar em grupos, atitu-
de construtiva, humildade, postura adequada e sem preconceitos. 
Dessa forma, as competências para o papel do observador, baseado nas respostas 
dos questionários e na percepção deste grupo de formação trabalho, são: 
• Atenção – é fundamental no processo de observação do processo de grupo. A 
complexidade do processo exige uma atenção constante e difusa, sem a qual, não 
é possível perceber e realizar uma leitura adequada do que está acontecendo no 
grupo. Na observação do processo, além da forma de comunicação verbal utiliza-
da pelos participantes e facilitador do grupo, a atenção à comunicação não-verbal, 
como gestos ou expressões emocionais e até mesmo o silêncio precisam ser deco-
dificados adequadamente em movimentos da dinâmica do grupo. Além dos vários 
aspectos explícitos/manifestos através da comunicação verbal e não-verbal, o ob-
servador precisa estar atento aos aspectos implícitos/latentes que estão ocorrendo 
na dinâmica grupal. Muitas vezes perceber o que está sendo comunicado de forma 
implícita, o que está latente, ou o que não está sendo dito, é decisivo para a com-
preensão do processo do grupo que está sendo observado. 
• Percepção – mais realística dos outros e da situação interpessoal, resultante de 
um longo processo de crescimento pessoal, abrangendo a autopercepção, auto-
conscientização e auto-aceitação (MOSCOVICI, 2002). Destaca-se aqui, a per-
cepção e manejo adequado do processo de contratransferência. 
• Comunicação – capacidade de expressar-se de forma clara, precisa e objetiva. 
Assim como a habilidade para ouvir, processar e compreender a informação, ar-
gumentar com coerência, usando feedback de forma adequada e facilitando a inte-
ração entre as partes. 
• Ética – é a capacidade de o individuo assumir sua conduta de acordo com as re-
gras do convívio social. São importantes recursos como a capacidade e o desejo 
de adaptação ao que está estabelecido no grupo. 
3.3 Interferências na observação 
Para a questão “Fale sobre as interferências no processo de observação.”, a maio-
ria das respostas mencionou as interferências avaliativas, o fenômeno de transferên-
cia/contratransferência e a interferência que o observador pode exercer sobre o grupo, 
todas podendo comprometer/distorcer a observação do processo grupal. 
A maioria das interferências mencionadas (falta de isenção, juízo de valor, parcia-
lidade, preconceitos e julgamentos) pode prejudicar (distorcendo e/ou comprometendo) o 
processo de observação e gerar reações indesejadas dos membros do grupo ao relato da 
observação. 
Segundo Moscovici (1997), uma das características de um feedback útil é ser, tan-
to quanto possível, descritivo ao invés de avaliativo, não havendo julgamento. Simples-
 
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mente e apenas o relato de um evento, reduzindo-se a necessidade de reagir defensiva-
mente. Assim, o indivíduo pode ouvir e sentir-se à vontade para utilizar aquele dado co-
mo julgar conveniente. Por isso a importância de o observador se “despir” de toda a sua 
escala de valores, de ter a mente aberta. 
À medida que o observador desenvolve a sua capacidade de observação, vai ad-
quirindo a capacidade de descrever o processo do grupo, sem colocar-lhes um julgamento 
de valor, como certo ou errado, bom ou mau, devido ou indevido. Vai abandonando pre-
conceitos (idéias pré-concebidas ou estereótipos) e a parcialidade (tomar partido em favor 
de uma idéia, comportamento ou membro), normalmente presentes no início da formação. 
Com relação à transferência e contratransferência, foram mencionadas as transfe-
rências positivas e negativas, ajudando ou prejudicando o processo de observação. De 
acordo com Freud (1969), a transferência é um fenômeno humano que ocorre natural-
mente na relação entre as pessoas. Diante desta afirmação, fica claro que a relação trans-
ferencial está intrínseca em qualquer processo grupal. A transferência é a repetição de 
atitudes, afetos, impulsos, defesas, etc., anteriormente adquiridos, e reeditados no decor-
rer da vida de cada indivíduo. 
Segundo Zimerman e Osório (2000), a transferência em grupos manifesta-se em 
quatro níveis: 
– de cada indivíduo à figura central do facilitador; 
– do grupo como uma totalidade em relação ao facilitador; 
– de cada indivíduo em relação a determinados indivíduos do grupo; 
– de cada indivíduo em relação ao grupo como uma entidade abstrata. 
Habitualmente, as transferências são classificadas como “positivas” ou “negati-
vas”, apesar de muitas delas, consideradas “positivas”, não passarem de “conluios resis-
tenciais”, enquanto que outras manifestações transferenciais, de aparência agressiva, rotu-
ladas “negativas”, podem ser positivas do ponto de vista terapêutico, desde que, bem ab-
sorvidas, entendidas e manejadas. 
Doval (2001)considera a contratransferência como um fenômeno baseado nas 
forças inconscientes do facilitador, de acordo com as quais o mesmo reage ao sujeito e ao 
grupo, de maneira, em algum grau, inadequada à realidade presente, sendo deslocado de 
relações e experiências primitivas de sua própria vida. 
No momento em que o observador age contratransferencialmente, pode ocorrer 
uma distorção da percepção/compreensão do que está acontecendo no campo grupal e, 
conseqüentemente, resultar em uma observação e/ou feedback inadequados que, em vez 
de facilitar o processo grupal, o dificulta. Assim, o observador não se “dá conta” de uma 
situação transferencial e se “envolve no processo do grupo”. 
Cabe mencionar que a contratransferência não implica necessariamente algo pre-
judicial ou a ser evitado na observação. À medida que a contratransferência do observa-
dor for conscientizada e tiver um manejo adequado, a percepção da situação transferen-
cial, que está acontecendo no grupo, será facilitada. 
3.5 Grupos em que o papel do observador é indicado 
Questionados sobre que tipos de grupos deveriam contemplar a figura do obser-
vador, surgiram os seguintes resultados: formação, desenvolvimento, investigativos, trei-
 
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namento, sensibilidade, operativos, grupoterapia, todos os grupos, grupos com dificulda-
des, sempre que o coordenador achar necessário e/ou com pouca experiência. 
Na literatura sobre grupos, o papel do observador não é definido como um ele-
mento pertencente ao mesmo, ou necessário e fundamental para seu funcionamento. 
O fato de as respostas apontarem para os mais diferentes tipos de grupos, reforça, 
inicialmente, a idéia de que não há um tipo específico de grupo onde o papel do observa-
dor é indicado e, por conseqüência, também não há um tipo específico de grupo onde não 
seja indicado. 
Contudo, pode não ser adequado o papel do observador em todos os tipos de gru-
pos, podendo, em algumas situações, interferir, criando dificuldades para o atingimento 
dos objetivos como grupos de grupoterapia e investigativos. 
A adequação da figura do observador poderia então ser avaliada pela necessidade 
de o grupo receber algum tipo de feedback do seu processo e da compatibilidade deste 
feedback aos objetivos do mesmo e/ou intensificar a aprendizagem do processo de obser-
vação da dinâmica de grupo do observador. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Neste capítulo, apresentamos a análise e a hipótese realizadas por meio do aporte 
teórico, dados da pesquisa, experiências e percepções sobre o processo do grupo. Este 
estudo possibilitou responder as questões propostas como objetivo deste trabalho. Fica 
evidente a importância do papel do observador para o desenvolvimento das competências 
interpessoais, necessárias para o desenvolvimento do coordenador de grupo. 
 
Figura 7 – Hipótese do aprendizado por meio do papel do observador. 
 
 
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A habilidade de percepção fica destacada pela necessidade de o observador ter 
consciência de si, inicialmente, para adquirir, posteriormente, percepção interpessoal e do 
processo do grupo. 
Como o papel do observador em Grupos de Formação desenvolve seu aprendiza-
do, encontra-se descrito por meio da hipótese abaixo apresentada e resumida na Figura 7. 
A figura que descreve a hipótese do grupo do macroprocesso de aprendizado, por 
meio do papel do observador, está dividida em dois processos. O primeiro de identifica-
ção e melhoria das competências necessárias ao observador, e o segundo, na prática de 
aprendizado da observação por meio de sua vivência no grupo. 
Cada processo ainda pode ser desdobrado em subprocessos, conforme abaixo des-
critos e anteriormente demonstrados na Figura 7. 
Processo de identificação das competências necessárias 
ao observador 
Identificar competências 
As competências necessárias a um observador foram trabalhadas em três momen-
tos: 
• na revisão bibliográfica, na qual, por exemplo, a autora Moscovici (1997) 
discorre sobre a importância da competência interpessoal para uma eficaz 
interação humana por meio do processo de comunicação; 
• nas respostas da pesquisa da questão número 4 – “Quais os recursos de 
competências necessárias a um bom observador (conhecimento, habilida-
de, experiência e atitude)?” e 
• na reflexão sobre as observações realizadas durante o curso. 
 
Identificar lacunas e/ou melhorias 
A identificação e a melhoria das competências necessárias ao observador têm co-
mo entrada as informações obtidas por meio da experimentação da observação e coorde-
nação, dos feedbacks recebidos pelas didatas e pelo grupo e de sua própria percepção e 
pela autopercepção de seu desempenho. 
Nesta etapa, a habilidade de receber feedback é importante para que este input 
possa refletir a realidade e contribua para aceitação de componentes do meu eu cego. 
No grupo, pode-se perceber que, conforme o aprendizado se construía, estas habi-
lidades se desenvolviam, aumentando a qualidade das observações e coordenações. 
 
Desenvolver o observador 
O crescimento do observador ocorre na mudança que se inicia no próprio proces-
so de experimentação, onde as habilidades são desenvolvidas. 
Outra forma de evolução identificada pelo grupo pode ser realizada externa à for-
mação em dinâmica de grupo, caracterizando-se pela busca de ajuda em coching, terapia, 
aporte teórico e outros. 
 
 
 
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Processo da prática de observação vivenciada em grupo 
Observar o grupo e o coordenador em treinamento e expor suas percepções e hipóteses 
Aqui se destaca a aplicação dos referenciais teóricos utilizados no presente estu-
do. É importante perceber nos movimentos do grupo e na sua comunicação, verbal ou 
não, aspectos como os descritos e exemplificados nos capítulos anteriores de transferên-
cia, contratransferência (Freud), inclusão, controle, afeto (Schutz) e, dependência, luta e 
fuga e acasalamento (Bion). 
Nesta etapa, é desenvolvida, por meio da experimentação, a percepção do grupo 
para que links possam ser estabelecidos e por meio dos comentários do observador e este 
possa, além de se autodesenvolver, ajudar o grupo e o coordenador, colocando luz em 
questões relevantes ao processo. 
Outros aspectos são observados para que a prática de coordenação, durante apli-
cação de um estímulo, alcance objetivos que contribuam para o crescimento do grupo. 
Estes aspectos, listados na figura acima como estímulo, postura, intervenções e fecha-
mento, estão contemplados no Capítulo II, onde foi apresentada a percepção inicial do 
grupo do processo de aprendizado do observador, agora validada na conclusão. 
Importante ratificar a importância da consciência dos diferentes aspectos viven-
ciados pelo grupo para que a percepção do observador esteja mais próxima da realidade 
do “aqui e agora” do grupo. 
Finalmente, outro aspecto a ser destacado é o desenvolvimento do observador em 
se arriscar, possibilitando a realização de hipóteses, gerando por meio delas, também, a 
construção para dar feedback e da garantia da certeza de que o errar, dentro deste proces-
so de formação em dinâmica, faz parte de seu aprendizado. 
 
Expor autopercepção do desempenho pelo observador 
A autopercepção, realizada antes dos feedbacks recebidos, propicia ao observador 
checar seu eu aberto, o quanto do que percebo de mim vai de encontro ao que é conheci-
do pelos outros. Também esta fase possibilita o aprendizado pela experimentação para 
auto-avaliação por meio do autoconhecimento. 
 
Receber feedback das didatas e do grupo sobre observação e coordenação 
O autoconhecimento só pode ser obtido com o feedback dos outros para que, por 
meio dele, possa aceitar os componentes do meu eu cego.Novamente, o aprendizado nesta fase é construído através do desenvolvimento da 
escuta ativa, percepção e autoconhecimento. 
Enfim, é importante ressaltar que, para que a prática de observação possa ser ex-
plorada em toda sua potencialidade, é necessário que seja vista como uma parte do pro-
cesso de aprendizado da coordenação nos grupos. Gradativamente, o observador, envol-
vido em sua própria função, será integrado dentro do coordenador em treinamento. 
Foi identificada, como sugestão para melhoria do processo de formação de dinâ-
mica de grupos, a possibilidade de inclusão no terceiro módulo da figura do observador. 
Desta forma, as vivências seriam aplicadas por dois coordenadores em treinamento e com 
a participação de um observador. 
A hipótese levantada é de que a utilização deste formato, além de dar continuida-
de ao desenvolvimento do coordenador, como já foi mencionado no decorrer do trabalho, 
também possibilitaria ao grupo receber, não só das didatas, a visão do processo como um 
 
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todo, dificultada quando observada pelos coordenadores em treinamento, pois estão in-
cluídos no processo. 
REFERÊNCIAS 
BION, W. R. Experiências com grupos. Rio de Janeiro: Imago, 1968. 
DOVAL, Isabel. Desenvolvimento grupal: influências do facilitador. Trabalho de conclusão como 
formação de Didata da SBDG. Porto Alegre, 2001. 
FREUD, Sigmund. Obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1969. 
MOSCOVICI, Fela. Desenvolvimento interpessoal. Rio de Janeiro: José Olympio, 1997. 
 . Equipes dão certo. Rio de Janeiro: José Olympio, 2002. 
SCHUTZ, Will. Profunda simplicidade. São Paulo: Ágora, 1989. 
ZIRMERMAN, D. E.; OSÓRIO, L. C. Fundamentos básicos das grupoterapias. 2. ed. Porto Alegre: 
Artmed, 2000.

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