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EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 1 INTRODUÇÃO Mundo atual – Sociedade de organizações. ∆ A ADMINISTRAÇÃO NA SOCIEDADE MODERNA A administração é um fenômeno universal no mundo moderno. Cada organização requer estratégias de comportamento, definição de missões e objetivos, tomada de decisões, coordenação de múltiplas atividades, condução de pessoas, avaliação do desempenho, obtenção e alocação de recursos, etc. Cada organização necessita não de um administrador apenas, mas de uma equipe de administradores em vários níveis e nas várias áreas e funções para conduzir as diversas especialidades dentro de um conjunto integrado e harmonioso de esforços em direção aos objetivos da empresa. O Administrador é um profissional precisa conhecer disciplinas heterogêneas (como Matemática, Direito, Psicologia, Sociologia, Estatística, etc.); precisa lidar com pessoas (que executam tarefas ou que planejam, organizam, controlam, assessoram, pesquisam, etc.); precisa lidar com eventos externos (localizados no mercado) e internos (localizados dentro da empresa). Ele é um agente – não só de condução ou de manutenção do status quo – mas de mudança e transformação das empresas, levando-as a novos rumos, novos processos, novas metas e objetivos, novas estratégias, novas tecnologias e novos patamares. NÍVEIS ADMINISTRATIVOS Nível da Empresa Habilidade do Administrador C A R A C T E R Í S T I C A S Institucional Conceitual Consiste na capacidade de lidar com idéias e conceitos abstratos, que proporciona capacidade de diagnóstico (para resolução de problemas) e visão futura (para geração de novas idéias e inovação). Possui uma visão global da organização e está relacionada com o software. Intermediário Humana Consiste na capacidade e discernimento para trabalhar com pessoas, comunicar, compreender suas atitudes e motivações e desenvolver uma liderança eficaz. Operacional Executivo Técnicas Consiste em utilizar conhecimentos, métodos, técnicas e equipamentos necessários para a realização de tarefas específicas com base em sua experiência profissional. É a habilidade de fazer coisas concretas e práticas e está muito relacionada com o hardware disponível. ADMINISTRAÇÃO: CIÊNCIA, TÉCNICA E ARTE Na extensa bibliografia sobre Administração, nota-se que a sua classificação como ciência ou como técnica fica a critério de cada autor, não faltando aqueles que a classificam como uma arte. Definições: �Ciência – Investiga e busca o conhecimento e a compreensão. Elabora teorias, leis e hipóteses. A ciência busca primordialmente o conhecimento e a explicação. �Técnica – Opera e transforma uma realidade, aplica normas e procedimentos com rigor e sobre a base de um programa objetivamente definido. A ciência fornece os conhecimentos e a explicação para a técnica, que realimenta a ciência com informações que lhe permitem avaliar, confirmar ou modificar os conhecimentos científicos. �Arte – Capta e comunica uma realidade em um plano vivencial e espiritual de uma forma subjetiva e pessoal. A arte não busca a explicação nem a compreensão da realidade de um objeto (tal como a ciência) e tampouco busca transformar ou operacionalizar as coisas (tal como a técnica). TO – TEORIA DAS ORGANIZAÇÕES Estudo das organizações em geral. TGA – TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO Estudo da Administração das organizações Variáveis da TGA • Tarefas • Estrutura • Pessoas • Ambiente • Tecnologia Cada uma dessas cinco variáveis provocou, a seu tempo, uma diferente teoria administrativa, marcando um gradativo passo no desenvolvimento da TGA. PERSPECTIVAS FUTURAS DA ADMINISTRAÇÃO A tarefa da administração nas próximas décadas será incerta e desafiadora, pois deverá ser atingida por uma infinidade de variáveis, mudanças e transformações carregadas de ambigüidades e de incertezas. Vários fatores deverão provocar profundos impactos sobre as organizações e empresas, como: • Crescimento das organizações. • Concorrência mais aguda. • Sofisticação da tecnologia. • Taxas elevadas de inflação. • Globalização da economia e internacionalização dos negócios. • Visibilidade maior das organizações. AS MEGATENDÊNCIAS A sociedade moderna está passando por grandes transformações: as chamadas megatendências, cujos reflexos nas organizações e na sua administração são profundos e marcantes. Essas megatendências são: 1. Da sociedade industrial para a sociedade de informação: A Era Industrial está vivendo estágio final. A mudança é definitiva. A sociedade pós-industrial que está surgindo não é uma sociedade de serviços como se imaginava, mas uma sociedade de informação, na qual a informação passa a ser o recurso estratégico, tomando o lugar do capital financeiro. EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 2 2. Da tecnologia simples para a alta tecnologia: Existe uma tendência para a crescente sofisticação da tecnologia. A tecnologia proporcionará cada vez mais uma eficiência maior, uma precisão mais avançada e a liberação da atividade humana para tarefas mais complicadas e que exijam planejamento, causando impacto, também, na estrutura organizacional das empresas. 3. Da economia nacional para a economia mundial: A globalização está fazendo com que os países deixem de atuar simplesmente em ternos de mercados internos para se projetarem em negócios internacionais. Mais do que nunca, o produto ou serviço que demonstra ser superior, mais avançado, mais seguro, mais desejável, será o mais procurado. 4. Do curto prazo para o longo prazo: O administrador típico do passado era orientado para o curto prazo: fazer o próximo trimestre ser melhor do que o anterior. Atualmente, é a orientação estratégica que norteia o dia-a-dia das operações, e não o contrário. Infelizmente, a profunda recessão econômica nos países menos avançados e a urgência na solução dos graves problemas desses países, têm mantido os administradores no caminho do imediatismo do cotidiano. 5. Da democracia representativa para a democracia participativa: A revolução política ora em curso nos países mais avançados está implícita na seguinte afirmação: “As pessoas cujas vidas são afetadas por uma decisão devem fazer parte do processo de se chegar a essa decisão”. � Democracia representativa – as pessoas escolhem pelo voto aqueles que irão representá- las no processo decisório da vida de um país. � Democracia participativa – as pessoas são consultadas a respeito de suas opiniões e pontos de vista, de suas convicções e expectativas. 6. Das hierarquias para a comunicação lateral intensiva: A tradicional organização hierárquica frustra e aliena as pessoas, pois a autoridade única restringe a comunicação. Na medida em que o ambiente se torna mutável, dinâmico ou incerto, as empresas precisam se flexíveis, inovadoras e orgânicas. A comunicação lateral intensiva será a maneira de garantir o suprimento do recurso mais importante da atualidade: a informação. 7. Da opção dual para a opção múltipla: As soluções para os problemas deixam de ser receitas únicas. A simples opção dual do tipo “sistema aberto ou fechado”; “burocrático ou não burocrático”; “Teoria X ou Teoria Y” tem mostrado o seu reducionismo e a sua extrema simplificação. A sociedade caminha para sofisticação crescente, com múltiplas opções, variações e alternativas intermediárias. 8. Da centralização para a descentralização: As empresas em geral, estão passando por um processo gradativo de deslocamento rumo à periferia, abandonando os centros das cidades industriais, já congestionadas e superpovoadas. A agricultura,por seu lado, está se deslocando gradativamente para outras áreas rurais até então não exploradas. Este fenômeno de deslocamento e descentralização está provocando um espalhamento geográfico não só de empresas como também de negócios complicando o volume de variáveis e de contingências ambientais sobre as empresas. 9. Da ajuda institucional para a auto-ajuda: No decorrer da década de 1970, os cidadãos americanos começaram a se desligar de instituições que os haviam desiludido e a reaprender a agir por conta própria, para resolver seus problemas. Se os serviços públicos não acompanham as novas e crescentes necessidades dos cidadãos de educação, saúde, segurança pública, etc., estes passam a lançar mão de esquemas próprios e cooperativos para solucionar seus problemas. Essas são as grandes transformações pelas quais a sociedade moderna está passando. Tudo é relativo e tudo depende da situação e do momento. O sucesso das organizações dependerá de sua capacidade de ler a realidade externa, identificar oportunidades a seu redor para responder adequadamente a elas, de um lado, e reconhecer ameaças e dificuldades para neutralizá-las ou amortecê-las, de outro lado. OS PRIMÓRDIOS DA ADMINISTRAÇÃO Administração →→→→ Constitui o resultado histórico e integrado da contribuição cumulativa de numerosos precursores (filósofos, físicos, economistas, estadistas e empresários). Exemplos históricos: �Hebreus →→→→ Jetro aconselhou Moisés, seu genro, a delegar poderes. Seus chefes julgavam as causas pequenas, só trazendo a Moisés as causas graves. �Egito/Mesopotâmia/Assíria →→→→ Já havia planejamento no sentido de guiar pessoas para a construção de monumentais obras. �China →→→→ As parábolas de Confúcio sugeriam práticas para a boa administração pública. INFLUÊNCIA DOS FILÓSOFOS a) SÓCRATES Expõe a administração como uma habilidade pessoal separada do conhecimento técnico e da experiência. b) PLATÃO (discípulo de Sócrates) No seu livro “A República”, expõe a forma democrática de governo e de administração dos negócios públicos. c) ARISTÓTELES (discípulo de Platão) No livro “Política”, distingue três formas de administração pública: Monarquia – governo de um só (que pode redundar em tirania). Aristocracia – governo de uma elite (que pode descambar em oligarquia). Democracia – governo do povo (que pode degenerar em anarquia) d) FRANCIS BACON Fundador da “Lógica Moderna”, baseada no método experimental e indutivo, mostra a preocupação prática de separar experimentalmente o que é essencial do é que acidental ou acessório. Antecipou-se ao princípio conhecido em Administração como “Princípio da prevalência do principal sobre o acessório”. RENÈ DESCARTES Fundador da “Filosofia Moderna”, criou as coordenadas cartesianas. Celebrizou-se pelo livro “O Discurso do Método”, no qual descreve seu método cartesiano, cujos princípios são: I. Princípio da Dúvida Sistemática ou da Evidência: Consiste em não aceitar como verdadeira coisa alguma enquanto não se souber com evidência clara e distintamente, aquilo que é realmente verdadeiro. EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 3 II. Princípio da Análise ou de Decomposição: Consiste em dividir ou decompor cada dificuldade ou problema em tantas partes quantas sejam possíveis e necessárias à sua adequação e solução e resolvê- las cada uma, separadamente. III. Princípio da Síntese ou da Composição: Consiste em conduzir ordenadamente nossos pensamentos e nosso raciocínio, começando pelos objetivos e assuntos mais fáceis e simples de se conhecer, para passarmos gradualmente aos mais difíceis. IV. Princípio da Enumeração ou da Verificação: Consiste em fazer recontagens, verificações e revisões tão gerais que se fique seguro de nada haver omitido ou deixado à parte. THOMAS HOBBES Defendia o absolutismo e tinha uma visão pessimista da humanidade. Na ausência de um governo, as pessoas tendem a viver em conflito permanente. No livro “Leviatã”, assinala que o povo renuncia a seus direitos naturais em favor de um governo que, investido do poder a ele conferido, impõe a ordem, organiza a vida social e garante a paz. JEAN-JACQUES RUSSEAU Desenvolveu a “Teoria do Contrato Social” – O Estado surge de um acordo de vontades. Contrato social é um acordo entre os membros de uma sociedade pelo qual reconhecem a autoridade igual sobre todos de um regime político, governante ou de um conjunto de regras. INFLUÊNCIA DA ORGANIZAÇÃO DA IGREJA CATÓLICA Através dos séculos, as normas administrativas e os princípios de organização pública foram se transferindo das instituições dos Estados para a Igreja Católica. Ao longo dos séculos, a Igreja Católica estruturou sua organização, com... o ...uma hierarquia de autoridade; o ...um estado-maior (assessoria); o ...e a coordenação funcional para assegurar integração. Sua enorme organização mundial pode operar sob o comando de uma só cabeça: o Papa. Ávidas de experiência bem sucedidas, as organizações passaram a incorporar os princípios e as normas administrativas utilizadas pela Igreja Católica. INFLUÊNCIA DA ORGANIZAÇÃO MILITAR A organização militar influenciou o aparecimento das teorias da Administração: • Organização Linear – baseada em linhas formais de comunicação. • Princípio da Unidade de Comando: Cada subordinado só pode ter um superior. • Escala Hierárquica – Escalões hierárquicos de comando com graus de autoridade e responsabilidade. As guerras de maior alcance e de âmbito continental exigiram novos princípios de organização, conduzindo a um planejamento e controle centralizados em paralelo com operações descentralizadas. Passou-se à centralização do comando e à descentralização da execução. • Estado-Maior (staff/assessoria) - Frederico II, O Grande, para aumentar a eficiência do seu exército, criou um estado-maior. Os oficiais formados no estado-maior eram transferidos para posições de comando (linha) e novamente para o estado-maior (staff), o que assegurava experiência nas funções de gabinete, de campo e novamente de gabinete. • Princípio da direção – Todo soldado deve saber perfeitamente o que se espera dele e aquilo que ele deve fazer. Segundo Napoleão, “Uma obediência cega, jamais leva a uma execução inteligente de qualquer coisa.” • Pensamento estratégico – Carl von Clausewitz é considerado o pai do pensamento estratégico. Ele publicou um tratado sobre a guerra e seus princípios. Definiu a guerra como um jogo. Como uma continuação da política por outros meios. Clawsevitz considerava a disciplina um requisito básico para a boa organização. Para ele, a organização requer um cuidadoso planejamento, no qual as decisões devem ser científicas e não apenas intuitivas. O administrador deve aceitar a incerteza e planejar de maneira a minimizar seus efeitos. INFLUÊNCIA DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL 1ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL � Fonte de energia: carvão � Material básico: ferro Quatro fases: 1ª FASE: MECANIZAÇÃO DA INDÚSTRIA E DA AGRICULTURA • Máquina de fiar – Hargreaves • Tear hidráulico – Arkwright • Tear mecânico – Cartwright • Descaroçador de Algodão – Whitney 2ª FASE: APLICAÇÃO DA FORÇA MOTRIZ À INDÚSTRIA • Força elástica do vapor – Dénis Papin • Máquina a vapor – James Watt • Com a aplicação do vapor às máquinas, iniciam-se grandes transformações nas oficinas (que se converteram em fábricas), nos transportes, nas comunicações e na agricultura. 3ª FASE: O DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA FABRIL • O artesão e sua pequena oficina patronal desapareceram para ceder lugar aos operários e às fábricas. • A migração das massas humanas das áreas agrícolas para as proximidadesdas fábricas provoca a urbanização. 4ª FASE: ESPETACULAR ACELERAÇÃO DOS TRANSPORTES E DAS COMUNICAÇÕES • Navegação a vapor – Robert Fulton • Locomotiva a vapor – aperfeiçoada por Stephenson • Telégrafo elétrico – Samuel Morse • Telefone – Graham Bell 2ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL � Fonte de energia: eletricidade e derivados do petróleo � Material básico: aço • Processo de fabricação do aço – (1856) • Aperfeiçoamento do Dínamo – (1873) • Motor de combustão interna – Daimler (1873) Características e conseqüências: • Substituição do ferro pelo aço como material básico. • Substituição do vapor pela eletricidade e derivados do petróleo como fontes de energia. • Desenvolvimento da maquinaria automotiva e da especialização do trabalhador. • Crescente domínio da indústria pela ciência EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 4 • Transformações radicais nos transportes e nas comunicações o Daimler e Benz – automóveis (1860) o Aperfeiçoamento do pneumático – Dunlop (1888) o Modelo “T” – Ford (1908) o Avião – Santos Dumont (1906) • Desenvolvimento de novas formas de organização capitalista: O capital industrial que provinha dos lucros auferidos deu lugar ao capital financeiro. � Dominação das indústrias por instituições financeiras e de crédito. � Formação de acumulação de capital proveniente de trustes e fusões. � Separação entre a propriedade particular e a direção das empresas. � Aparecimento das “Holding Companies” para coordenar e integrar negócios. • Expansão da industrialização desde a Europa até o Extremo Oriente. • A maquinização provocou a fusão de pequenas oficinas, que passaram a integrar outras maiores e que aos poucos foram se transformando em grandes fábricas. • O aumento dos mercados exigiu grandes contingentes humanos provocando um acelerado e desordenado êxodo do campo para a cidade (urbanização). • Surgem as primeiras tensões entre trabalhadores e proprietários, provocando o surgimento também as primeiras leis trabalhistas. INFLUÊNCIA DOS ECONOMISTAS LIBERAIS MACROECONOMIA MICROECONOMIA X (fenômenos sociais) (fenômenos empresariais) LIBERALISMO ECONÔMICO • A vida econômica deve afastar-se da influência estatal, pois o trabalho segue os princípios econômicos e a mão-de-obra está sujeita às mesmas leis da economia que regem o mercado de matérias-primas ou comércio internacional. • Livre concorrência ADAM SMITH – Fundador da Economia Clássica • Idéia Central → Competição: Embora os indivíduos ajam apenas em proveito próprio, os mercados em que vigora a competição, funcionam espontaneamente, de modo a garantir (por algum mecanismo abstrato que Smith chamava de a mão invisível que governa o mercado) a alocação mais eficiente dos recursos e da produção, sem que haja excesso de lucros. • O papel econômico do governo (além do básico que é garantir a lei e a ordem) é a intervenção na economia, quando o mercado não existe ou quando deixa de funcionar em condições satisfatórias, ou seja, quando não ocorre competição livre. • Em seu livro “A Riqueza das Nações”, Adam Smith preconizava que a riqueza das nações residia na divisão do trabalho e na especialização e reforçou a importância do planejamento e da organização na Administração. DAVID RICARDO “Princípios de Economia Política e Tributação”: aborda temas como trabalho (focalizado como item de custo), capital, salário, renda, produção, preços e mercados. JAMES MILL “Elementos de Economia Política”: série de medidas relacionadas com os estudos de tempos e movimentos como meio de obter incremento da produção nas indústrias da época. JOHN STUART MILL “Princípios de Economia”: propõe um conceito de controle extremamente voltado para o problema de como evitar furtos nas empresas. A acumulação crescente de capitais gerou profundos desequilíbrios. A partir da segunda metade do Século XIX , o liberalismo econômico começou a perder sua enorme influência, enfraquecendo à medida que o capitalismo se agigantou com o despontar dos Du Pont, Rockfeller, Morgan, Drupp, etc. O Novo Capitalismo se iniciou com a produção em larga escala de grandes concentrações de maquinaria e de mão-de- obra, criando situações problemáticas de organização de trabalho, de concorrência econômica, de padrão de vida, etc. KARL MARX e FRIEDRICH ENGELS – Criadores do socialismo científico e do materialismo histórico. • “Manifesto Comunista” – Afirmam que a história da humanidade é uma história de luta de classes. Analisam os diversos regimes econômicos e sociais e a sociedade capitalista, concluindo que a luta de classes é o motor da história. O Estado é um órgão a serviço da classe dominante, cabendo à classe operária lutar por sua conquista e implementar a ditadura do proletariado. Propõem uma teoria da origem econômica do Estado. O Estado é uma ordem coativa imposta por uma classe social exploradora. • “O Capital” – Em seu livro, “O Capital”, Marx propõe suas teorias a respeito da mais-valia, com base na teoria do valor-trabalho. Marx considerava que o valor de toda a mercadoria é determinado pela quantidade de trabalho socialmente necessário para produzi-la. Se ele trabalhar além de um determinado número de horas, estará produzindo não apenas o valor correspondente ao de sua força de trabalho (que lhe é pago na forma de salário, pelo capitalista), mas também um valor excedente sem contrapartida, denominado mais- valia. O socialismo e o sindicalismo obrigam o capitalismo do início do século XX a enveredar pelo caminho do aperfeiçoamento de todos os fatores de produção envolvidos e sua adequada remuneração. INFLUÊNCIA DOS PIONEIROS E EMPREENDEDORES Ao redor de 1820 o maior negócio empresarial foram as estradas de ferro – desbravaram territórios, provocando a urbanização e a criação de novas necessidades de habitação, alimentação, roupa, luz, etc., o que se traduziu em um rápido crescimento das empresas voltadas para o consumo direto. Antes de 1850, poucas empresas tinham m estrutura que exigisse os serviços e um administrador em tempo integral, pois as empresas industriais eram pequenas. Em geral, eram negócios de família, em que dois ou três parentes conseguiam cuidar de todas as suas atividades principais. Em 1871, a Inglaterra era a maior potência econômica mundial. EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 5 PIONEIROS E EMPREENDEDORES: • John D Rockfeller - Standard Oil. (1865) • Carnegie - Truste do aço. (1890) • Swfit e Armour - Truste das conservas • Guggenheim – Truste do cobre • Mello – Truste do alumínio Os “Criadores de Império” (Empire Builders) passam a comprar e a integrar concorrentes, fornecedores e distribuidores para garantir seus interesses. Surgiram os primeiros impérios industriais, aglomerados de empresas que se tornaram grandes demais para serem dirigidos pelos pequenos grupos familiares. Logo aparecem os primeiros gerentes profissionais, os primeiros organizadores que se preocupavam mais com a fábrica do que com as vendas ou compras. Na década de 1880, a Westinghouse e a General Eletric dominavam o ramo de bens duráveis e criaram organizações próprias de vendas, com vendedores treinados, dando início que hoje denominamos “Marketing”. Ambas assumiram a organização do tipo funcional que seria adotada pela maioria da empresas americanas, a saber: I. Um departamento de produção para cuidar da manufatura de fábricas isoladas. II. Um departamento de vendas, para administrar um sistema nacional de escritórios distritais com vendedores. III. Um departamento técnico de engenharia para desenhar e desenvolver produtos.IV. Um departamento financeiro. Entre 1880 e 1890, as indústrias passaram a controlar as matérias- primas através de seus departamentos de compras adquirindo firmas fornecedoras e controlando a distribuição para vender seus produtos diretamente ao varejista ou ao consumidor final. O mercado foi se tornando saturado, os lucros baixaram e os meios de reduzir custos diminuíram e as empresas passaram a procurar novos mercados por meio da diversificação de produtos. Surgem a empresa integrada e multidepartamental. A empresa integrada verticalmente se formava por meio da combinação: vários pequenos produtores de determinado bem se agregavam em uma combinação horizontal – uma federação – sob o controle de uma companhia holding. Essas alianças levaram a uma organização com escritórios centrais permitindo a economia de escala por meio do processo padrão, a concentração da produção em fábricas e investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Essas unidades deixaram de ser dirigidas pelos antigos donos ou famílias associadas e passaram a ser administradas por gerentes assalariados. Os grandes capitães da indústria não tinham condições de sistematizar seus vastos negócios com eficiência, pois eram empreendedores e não organizadores. A organização era um desafio tão ou mais difícil do que a criação dessas empresas. Entre 1860 e 1900 aconteceu a idade a “idade heróica das invenções”, que provocou um explosivo desenvolvimento tecnológico. O primeiro laboratório de pesquisa surgiu com a síntese da aspirina – a primeira droga puramente sintética -, realizada por Adolph von Bayer e 1899. O sucesso mundial da aspirina convenceu a indústria química do valor da pesquisa e da tecnologia. Na virada do século XX, grandes corporações sucumbiram financeiramente. É que dirigir grandes empresas não era apenas uma questão de habilidade pessoal, como muitos empreendedores pensavam. Estavam criadas as condições para o aparecimento dos grandes organizadores da empresa moderna. Os pioneiros e empreendedores cederam lugar para os organizadores. Estava chegando a era da competição e da concorrência como decorrência de fatores como: I. Desenvolvimento tecnológico, que propiciou um crescente número de empresas e nações concorrendo no mercado mundial. II. Livre-comércio. III. Mudança dos mercados vendedores para mercados compradores. IV. Aumento da capacidade de investimento de capital e elevação dos níveis de ponto de equilíbrio V. Rapidez do ritmo de mudança tecnológica que rapidamente torna obsoleto um produto ou reduz drasticamente seus custos de produção. VI. Crescimento dos negócios e das empresas. Todos os fatores iriam completar as condições propícias para a busca de bases científicas para a melhoria da prática empresarial e para o surgimento da teoria administrativa. ABORDAGEM CLÁSSICA DA ADMINISTRAÇÃO As origens da Abordagem Clássica da Administração remontam às conseqüências geradas pela Revolução Industrial e podem ser resumidas em dois fatos genéricos, a saber: A. O crescimento acelerado e desorganizado da empresas, ocasionando gradativamente a complexidade na sua administração e exigindo uma abordagem científica e mais apurada que substituísse o empirismo e a improvisação até então dominantes. B. A necessidade de aumentar a eficiência e a competência das organizações, no intuito de se obter o melhor rendimento dos recursos e fazer face à concorrência e à competição entre as empresas. A Abordagem Clássica é desdobrada em duas orientações diferentes e, até certo ponto, opostas entre si, mas que se complementam com relativa coerência: 1. Escola da Administração Científica (Frederick Winslow Taylor) *Ênfase nas tarefas dos indivíduos 2. Corrente Anatômica e Fisiologista (Teoria Clássica) (Henri Fayol) *Ênfase na estrutura organizacional ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA (Taylor) *Ênfase nas tarefas dos indivíduos Frederick W. Taylor, o fundador da Administração Científica, nasceu na Filadélfia, nos Estados Unidos. Para ele, a organização do trabalho deve ser estudada e tratada cientificamente e não empiricamente. A improvisação deve ceder lugar ao planejamento e o empirismo à ciência: a Ciência da Administração. Frederick Winslow Taylor (1856-1915) Administração Científica = Sistema de Taylor = Gerência Científica do Trabalho = Organização Racional do Trabalho EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 6 O nome Administração Científica é devido à tentativa de aplicação dos métodos da ciência aos problemas da administração para alcançar a eficiência. � Eficiência – Correta utilização dos recursos (meios de produção) disponíveis. Essa tentativa de substituir métodos empíricos e rudimentares pelos métodos científicos recebeu o nome de Organização Racional do Trabalho (ORT). A Organização Racional do Trabalho (ORT) se fundamenta em: 1. Análise do Trabalho e Estudo dos Tempos e Movimentos – Eliminação dos movimentos inúteis e simplificação dos movimentos necessários, para proporcionar economia de tempo e esforço ao operário. Com isso padronizava-se o método de trabalho e o tempo destinado à sua execução. Frank B. Gilbreth – Engenheiro americano que acompanhou Taylor no esforço de aumentar a produtividade. � Método – é a maneira de se fazer alguma coisa para obter determinado resultado. � Therbligs (anagrama de Gilbreth) – movimentos elementares que permitem decompor e analisar qualquer tarefa. � O conceito de eficiência é fundamental para a Administração Científica. A Análise do Trabalho e o estudo de tempos e movimentos focalizam a melhor maneira (the one best way) de executar uma tarefa e elevar a eficiência do operário. � Eficiência – Correta utilização dos recursos (meios de produção) disponíveis. Pode ser definida pela equação E = P/R, onde: E=Eficiência P=Produtos R=Recursos � Eficiência – Relação entre o que é feito e o que pode ser feito. � Eficiência – É uma relação entre o custo e o benefício. A conseqüência direta da eficiência é a produtividade. 2. Estudo da fadiga humana (casal Gilbreth – Frank e Lilian) – Gilbreth efetuou estudos sobre a fadiga na produtividade do operário. A fadiga predispõe o trabalhador para: diminuição da produtividade e qualidade do trabalho; perda de tempo; aumento da rotatividade de pessoal; doenças; acidentes e diminuição da capacidade de esforço. A Administração Científica pretendia racionalizar os movimentos, eliminando os que produzem fadiga e os que não estejam diretamente relacionados com a tarefa executada pelo trabalhador. 3. Divisão do trabalho e Especialização do trabalhador – Uma das decorrências do estudo de tempos e movimentos. Cada operário passou a ser responsável por uma única operação no processo produtivo. A idéia predominante era a de que a eficiência aumenta com a especialização: quanto mais especializado for um operário, tanto maior será a sua eficiência. 4. Desenho de Cargos e Tarefas – É a maneira pela qual um cargo é criado, projetado e combinado com outros cargos para a execução das tarefas. � Tarefa: se constitui na menor unidade possível dentro da divisão do trabalho em uma organização. � Cargo: é um conjunto de tarefas executadas de maneira cíclica ou repetitiva. 5. Incentivos Salariais e Prêmios de produção – Estímulo salarial para operários que ultrapassassem o tempo padrão. Taylor e seus seguidores entendiam que a remuneração baseada no tempo (salário mensal, diário ou por hora) não estimula ninguém a trabalhar mais e deve ser substituída por uma remuneração baseada na produção de cada operário (salário por peça ou produção). � Tempo Padrão – Tempo médio necessário para o operário realizar a tarefa racionalizada. Constitui o nível de eficiênciaequivalente a 100%. 6. Conceito do “Homo Economicus” – O homem procura o trabalho não porque gosta dele, mas como meio de ganhar a vida, por meio do salário que o trabalho proporciona. A Administração Científica fundamenta-se no conceito de que o trabalhador é influenciado exclusivamente por recompensas salariais, econômicas e materiais. 7. Condições de Trabalho – Conjunto de condições de trabalho que garantam o bem-estar físico do trabalhador e diminuem a fadiga. O conforto do operário e a melhoria do ambiente físico passam a ser valorizados, não porque as pessoas o merecessem, mas porque eram essenciais para a melhoria da eficiência do trabalhador. 8. Racionalização do Trabalho – A contribuição de Taylor à Administração foi logo enriquecida com uma torrente de outras contribuições feitas por contemporâneos. Henry Lawrence Gantt , engenheiro americano que trabalhou com Taylor entre 1887 e 1902, passou a se dedicar a uma nova profissão liberal: a de engenheiro consultor em racionalização do trabalho. Enquanto Taylor dava ênfase à análise e à organização do trabalho em si, como solução para os problemas de eficiência e produtividade, Gantt dava maior atenção às pessoas que executam o trabalho. Enquanto um se preocupava com o aspecto tecnológico e metodológico, o outro se voltava para o aspecto psicológico e humano. As principais contribuições de Gantt para a Administração são: a) Sistema de Salários: Gantt apresentou um sistema de salários denominado plano de tarefa e bonificação (ou Sistema de Salário Gantt) que apresenta a vantagem de um salário mínimo diário acrescido de uma gratificação ou prêmio que depende de uma produção predeterminada a ser atingida pelo operário. b) Gráfico de Gantt: É um cronograma muito aplicado atualmente na metodologia administrativa, como instrumento de planejamento e controle. É uma tabela de dupla entrada que retrata e mede a atividade e o tempo necessários para seu desempenho, permitindo a comparação entre o desempenho real e o desempenho planejado. c) Política de instrução e treinamento: Para Gantt, a administração tem forte responsabilidade pela educação e adestramento dos operários, para que se tornem mais especializados, adquiram melhores hábitos de trabalho, percam menos tempo e se tornem mais idôneos. d) Responsabilidade Industrial: Para Gantt, a atividade fundamental do sistema empresarial é o serviço. Colocava mais ênfase no serviço do que nos lucros. Sua preocupação era introduzir o conceito de responsabilidade industrial, muito considerado na época. 9. Padronização – Uniformidade de métodos, processos, equipamentos, matérias-primas, visando reduzir a variabilidade exceções, no intuito de reduzir a variabilidade e a diversidade no processo produtivo e, daí, eliminar o desperdício e aumentar a eficiência. Padrão é uma unidade de medida adotada e aceita comumente como critério. A padronização é a aplicação de normas em uma organização para obter uniformidade e, conseqüentemente, redução de custos. EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 7 10. Supervisão funcional – A especialização do operário deve ser acompanhada da especialização do supervisor e não de uma centralização da autoridade. Taylor propunha a chamada supervisão funcional, que nada mais é do que a existência de diversos supervisores, cada qual especializado em determinada área e que tem autoridade funcional (relativa apenas a sua especialidade) sobre os mesmos subordinados. Representa a aplicação da divisão do trabalho e da especialização no nível dos supervisores e chefes, permitindo que especialistas - e não mestres - transmitam a cada operário o conhecimento e orientação. PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA A preocupação de racionalizar, padronizar e prescrever normas de conduta ao administrador levou os engenheiros da Administração Científica a pensar que tais princípios pudessem ser aplicados a todas as situações possíveis. Cada autor estabeleceu seus próprios princípios de administração. Um princípio é uma é uma afirmação válida para uma determinada situação; é uma previsão antecipada do que deverá ser feito quando ocorrer aquela situação. Dentre a profusão de princípios defendidos pelos autores da Administração Científica, os mais importantes são: 1. PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA DE TAYLOR Para Taylor, a gerência deve seguir quatro princípios, a saber: A. Princípio de planejamento: Substituir o critério individual do operário, a improvisação e a atuação empírico-prática, por métodos baseados em procedimentos científicos. Substituir a improvisação pela ciência, através do planejamento do método de trabalho. B. Princípio de preparo: Selecionar cientificamente os trabalhadores de acordo com suas aptidões e prepará-los e treiná-los de acordos com o método planejado. Preparar também máquinas e equipamentos através do arranjo físico racional das ferramentas e materiais. C. Princípio do controle: Controlar o trabalho para se certificar de que este está sendo executado de acordo com os métodos estabelecidos e segundo o plano previsto. A gerência deve cooperar como os trabalhos para que a execução seja a melhor possível. D. Princípio da execução: Distribuir distintamente atribuições e responsabilidades para que a execução do trabalho seja disciplinada. 2. PRINCÍPIOS IMPLÍCITOS DE ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA Além dos quatro princípios explícitos acima, há outros princípios que Taylor enunciou dispersivamente em sua obra: A. Estudar o trabalho dos operários, decompondo seus movimentos elementares e cronometrando para, após uma análise cuidadosa, eliminar ou reduzir os movimentos inúteis e racionalizar os movimentos úteis. B. Estudar cada trabalho antes de fixar o modo como deverá se executado. C. Selecionar cientificamente os trabalhadores de acordo com as tarefas que serão atribuídas. D. Dar aos trabalhadores instruções técnicas sobre o modo de trabalhar, ou seja, treiná-los adequadamente. E. Separar as funções de preparo das de execução, com atribuições precisas e delimitadas. F. Especializar e treinar os trabalhadores, tanto no preparo e no controle do trabalho quanto em sua execução. G. Preparar a produção, ou seja, planejá-la e estabelecer prêmios e incentivos para quando forem atingidos os padrões estabelecidos e prêmios e incentivos maiores para quando os padrões forem ultrapassados. H. Padronizar utensílios, materiais, maquinário, equipamento e métodos e processos de trabalho a serem utilizados. I. Dividir proporcionalmente (entre a empresa, acionistas, trabalhadores e consumidores) as vantagens resultantes do aumento da produção proporcionado pela racionalização. J. Controlar a execução do trabalho, para mantê-lo nos níveis desejados, aperfeiçoá-lo, corrigi-lo e premia-lo. K. Classificar de forma prática e simples os equipamentos, processos e materiais a serem empregados ou produzidos, de forma a facilitar seu uso. 3. PRINCÍPIOS DE EFICIÊNCIA DE EMERSON Harrington Emerson – Foi um engenheiro que simplificou os métodos de trabalho. Popularizou a Administração Científica e desenvolveu os primeiros trabalhos sobre seleção e treinamento de empregados. Os princípios de rendimento preconizados por Emerson são os seguintes: A. Traçar um plano bem definido, de acordo com os objetivos. B. Estabelecer o predomínio do bom senso. C. Oferecer orientação e supervisão competentes. D. Manter disciplina. E. Impor honestidade nos acordos, ou seja, justiça social no trabalho. F. Manter registros precisos, imediatos e adequados. G. Oferecer remuneração proporcional ao trabalho. H. Fixar normas padronizadas para as condições de trabalho. I. Fixar normas padronizadas para o trabalho em si. J. Fixar normas padronizadas para as operações;K. Estabelecer instruções precisas. L. Oferecer incentivo ao maior rendimento e à eficiência. Emerson antecipou-se à Administração por Objetivos, proposta por Peter Drucker por volta da década de 1950. 4. OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DE FORD Henry Ford – Um dos mais conhecidos precursores da Administração Científica. Projetou um modelo de carro e em 1899 fundou sua primeira fábrica de automóveis, que logo depois foi fechada. Fundou em 1903, a Ford Motor CO. Sua idéia era popularizar um produto antes artesanal e destinado a milionários. Revolucionou a estratégia comercial da época vendendo carros a preços populares, com assistência técnica garantida. Entre 1905 e 1910, Ford promoveu a grande inovação do século XX: a produção em massa. Henry Ford (1863-1947) Os princípios básicos de Ford A. Princípio de intensificação - Diminuir o tempo de duração com o emprego imediato dos equipamentos e da matéria-prima e a rápida colocação do produto no mercado. É o que chamamos hoje de redução do ciclo de tempo. B. Princípio de economicidade - Reduzir ao mínimo o volume do estoque de matéria-prima em transformação. Ford conseguir fazer com que o automóvel fosse pago à empresa antes de vencido o prazo de pagamento da matéria-prima adquirida e dos salários. A velocidade de produção deve ser rápida: “o minério sai da mina no sábado e é entregue sob a forma de um carro, ao consumidor, na terça-feira, à tarde.” O atual sistema just in time utilizado na produção ou manufatura tem muito a ver com esse princípio. C. Princípio de produtividade – Aumentar a capacidade de produção do homem no mesmo período (produtividade) por meio da especialização e da linha de montagem. O operário ganha mais e a empresa tem maior produção. EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 8 5. O PRINCÍPIO DA EXCEÇÃO Taylor adotou um sistema de controle operacional simples e baseado não no desempenho médio, mas na verificação das exceções ou desvios dos padrões normais. O administrador deve prioritariamente verificar as ocorrências que se afastem dos padrões, ou seja, as exceções, para que sejam corrigidas. Tudo que ocorre dentro dos padrões normais, não deve ocupar demasiado sua atenção. O Princípio da Exceção é um sistema de informação que acusa os resultados concretos que divergem ou se distanciam dos resultados previstos. APRECIAÇÃO CRÍTICA DA ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA 1. Mecanicismo da Administração Científica A Administração Científica restringiu-se às tarefas e aos fatores diretamente relacionados com o cargo e a função do operário. Muito embora a organização seja constituída de pessoas, deu-se pouca atenção ao elemento humano e concebeu-se a organização como “um arranjo rígido e estático de peças”, ou seja, como uma máquina. Daí a denominação “Teoria de Máquina” dada a essa abordagem. 2. Superespecialização do operário Fragmentação das tarefas, tornando supérflua a qualificação do operário, levando-o à bitolação e à desmotivação. Até certo ponto, esse esquema será o responsável pelo alcance de altos lucros em curto prazo, com baixo nível salarial e à custa de tensões sociais e sindicais. A proposição de Taylor de que “a eficiência administrativa aumenta com a especialização do trabalhador” não encontrou amparo nos resultados de pesquisas posteriores. 3. Visão microscópica do homem A utilização dos seres humanos na organização limitou-se às tarefas na linha de produção, abrangendo apenas as variáveis fisiológicas, tanto assim que a Administração Científica é chamada de teoria Fisiológica da organização. Taylor considerou os recursos humanos como um apêndice da maquinaria industrial. 4. Ausência de comprovação científica A administração científica é criticada por pretender criar uma ciência, sem apresentar comprovação científica das suas proposições e princípios. Os engenheiros americanos utilizaram pouquíssima pesquisa e experimentação científica para comprovar sua tese. 5. Abordagem incompleta da organização A Administração Científica é considerada incompleta, parcial e inacabada, por se restringir apenas aos aspectos formais da organização, omitindo completamente a organização informal e os aspectos humanos da organização. 6. Limitação do campo de aplicação As idéias de Taylor e seus seguidores limitaram-se aos problemas de produção localizados na fábrica, não considerando os demais aspectos da vida da empresa (financeiras, comerciais, etc.). 7. Abordagem Prescritiva e Normativa A Administração Científica se caracteriza pela preocupação em prescrever princípios normativos que devem ser aplicados como receituário em todas as circunstâncias para que o administrador possa ser bem sucedido. Essa perspectiva visualiza a organização como ela deveria funcionar, em vez de explicar seu funcionamento. 8. Abordagem de sistema fechado Se caracteriza pelo fato de visualizar somente aquilo que acontece dentro de uma organização, sem levar em conta o meio ambiente em que ela está situada. O comportamento de um sistema fechado é mecânico, previsível e determinístico. Porém , as organizações nunca se comportam como um sistema fechado, nem podem ser reduzidas a algumas poucas variáveis ou a alguns poucos aspectos importantes. 9. Pioneirismo na Administração A Escola da Administração Científica constitui o ponto de partida da administração contemporânea, principalmente nos seguintes aspectos. A. É o primeiro desenvolvimento científico que se propõe a analisar e a padronizar os processos produtivos com o objetivo de aumentar a produtividade e a eficiência. B. Obteve êxito na racionalização e eficiência dentro do contexto de sua época. C. Complementou a tecnologia de então, desenvolvendo técnicas e métodos que racionalizaram a produção, logrando aumento de produtividade. Na década de 1920, Barnes condensou as idéias principais da Administração Científica em seu livro “Handbook of Industrial Engineering”, estabelecendo as bases da chamada Engenharia Industrial. Apesar de todas as críticas formuladas à Administração Científica, há uma forte tendência atual, no intuito de reabilitar a imagem de Taylor. Alguns autores procuram demonstrar que Taylor foi realmente o pai da Teoria das Relações Humanas, considerando-o um cientista social interessado pelos problemas de motivação e de comportamento das pessoas à sua maneira de ver as coisas. O certo é que Taylor teve uma profunda influência na vida do século XX e no forte desenvolvimento industrial que suas idéias proporcionaram. TEORIA CLÁSSICA DA ADMINISTRAÇÃO (Henri Fayol) *Ênfase na estrutura que a organização deveria possuir para ser eficiente. Enquanto Taylor e outros engenheiros desenvolviam a Administração Científica nos Estados Unidos, em 1916 surgia na França, espraiando- se rapidamente pela Europa, A Teoria Clássica da Administração. Segundo a Administração Científica, a eficiência é alcançada por meio da racionalização do trabalho do operário e na somatória das eficiências individuais. Na Teoria Clássica, ao contrário, partia-se do todo organizacional e da sua estrutura, para garantir a eficiência de todas as partes envolvidas. Administração Científica Teoria Clássica Ênfase nas Tarefas Visão das partes para o todo Ênfase na Estrutura Visão do todo para as partes. Henri Fayol, o fundador da Teoria Clássica, nasceu em Constantinopla e faleceu em Paris, vivendo as conseqüências da Revolução Industrial e, mais tarde, da Primeira Guerra Mundial. Expôs sua Teoria da Administração no livro Administration Industrielle et Généralle, publicado em 1916. Seu trabalho, antes da tradução para o inglês, foi amplamente divulgado por Lyndall Urwick e Luther Gulick, dois autores clássicos.EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 9 Jules Henri Fayol (1841-1925) FUNÇÕES BÁSICAS DA EMPRESA (FAYOL) 1. Funções técnicas - produção 2. Funções comerciais - compra e venda 3. Funções financeiras - procura e gerência de capitais 4. Funções de segurança - proteção e preservação de bens e pessoas 5. Funções contábeis - inventários, registros, balanços, custos 6. Funções administrativas - coordenam e sincronizam as demais funções FUNÇÕES ADMINISTRATIVAS • Prever (Previsão) - Avaliação do futuro. Determinar antecipadamente o que deve ser feito. • Organizar (Organização) - Constituir o duplo organismo material e social da empresa. • Comandar (Comando) - Dirigir e orientar o pessoal • Coordenar (Coordenação) - Ligar, unir, harmonizar atos e esforços coletivos. • Controlar (Controle) - Verificar se tudo ocorre conforme o previsto e estabelecera a ação corretiva, se necessário. PROPORCIONALIDADE DAS FUNÇÕES ADMINISTRATIVAS Níveis Hierárquicos PRINCÍPIOS GERAIS DA ADMINISTRAÇÃO PARA FAYOL Como toda ciência, a Administração deve se basear em leis ou em princípios. Fayol tentou definir os “princípios gerais” de Administração, sem muita originalidade, baseado em diversos autores da época. Fayol adota a denominação de princípio, afastando dela qualquer idéia de rigidez, pois nada existe de rígido ou de absoluto em matéria de administração. Os 14 Princípios Gerais de Administração, segundo Fayol, são: 1. Divisão do trabalho - Constitui a base da organização. Conduz à especialização e à diferenciação de tarefas (heterogeneidade). Pode dar-se em duas direções: VERTICALMENTE Distribuição da autoridade e responsabilidade (hierarquia ou cadeia escalar), definindo os diferentes escalões de autoridade. A especialização vertical é responsável pelo aumento de níveis hierárquicos na organização. HORIZONTALMENTE � Em um mesmo nível hierárquico, cada departamento passa a ser responsável por uma atividade específica: "Departamentalização”. A departamentalização pode ser, por exemplo, “por processo”, “por clientela”, “por localização geográfica”. � O Princípio que rege a departamentalização é o princípio da *homogeneidade. � Homogeneidade – significa agrupar em departamentos específicos, funções de mesma natureza, comuns, semelhantes, enfim, funções homogêneas. 2. Autoridade e responsabilidade Autoridade - Poder de mandar e se fazer obedecer Responsabilidade - Dever de fazer e prestar contas do que foi feito. A autoridade deve ser acompanhada da responsabilidade correspondente. Ambas devem estar equilibradas entre si. 3. Disciplina – É essencial para que a organização funcione bem e depende da obediência, aplicação, energia e respeito aos acordos estabelecidos. 4. Unidade de comando - Cada empregado deve receber ordens de um único superior. É o princípio da autoridade única. 5. Unidade de direção – Todas as atividades direcionadas a um único objetivo, devem ser coordenadas por único plano e por um único responsável. 6. Subordinação dos interesses individuais aos gerais – Os interesses gerais da empresa devem sobrepor-se aos interesses particulares das pessoas. 7. Remuneração do pessoal – Deve haver justa e garantida satisfação para os empregados e para a organização em termos de retribuição. 8. Centralização - Concentração ou dispersão de poder dentro da organização. *Delegação → processo pelo qual a autoridade é distribuída pelos níveis mais baixos da organização (descentralização). 9. Hierarquia ou cadeia escalar - É a linha de autoridade que vai do escalão mais alto ao escalão mais baixo em função do princípio de comando. 10. Ordem - Um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar. É a ordem material e humana. 11. Equidade - Justiça para alcançar a lealdade do pessoal. 12. Estabilidade - A rotatividade do pessoal é prejudicial para a eficiência da empresa. Quanto mais tempo uma pessoa permanecer no cargo, tanto melhor para a empresa. FUNÇÕES ADMINISTRATIVAS Técnicas Comerciais Financeiras Contábeis Segurança EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 10 13. Iniciativa – Todas as pessoas devem ser encorajadas a ter iniciativa dentro dos limites impostos pela necessidade de autoridade e disciplina. 14. Espírito de equipe - A harmonia e a união entre as pessoas são fundamentais para a organização. ELEMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Ao definir Administração, Fayol implicitamente definiu os elementos que a compõem: Previsão, Organização, Comando, Coordenação e Controle. Esses cinco elementos constituem as chamadas funções do administrador. Contudo, os seguidores de Fayol definiram, a seu modo, os seus elementos da administração, mas não se afastaram muito da concepção fayoliana. ELEMENTOS DE ADMINISTRAÇÃO (FUNÇÕES DO ADMINISTRADOR) Fayol Urwick Gulick Previsão Organização Comando Coordenação Controle Investigação Previsão Planejamento Organização Coordenação Comando Controle Planejamento (Planning) Organização (Organizing) Assessoria (Staffing) Direção (Directing) Coordenação (Coordinating) Informação (Reporting) Orçamento (Budgeting) As palavras Planning, Organizing, Sttafing, Directing, Coordinating, Reporting e Budgeting, que compõem os elementos de administração para Gulick formam o acróstico POSDCORB, que facilitam sua memorização. PRINCÍPIOS DE ADMINISTRAÇÃO Para os autores clássicos, não basta enunciar elementos da Administração que servem como base para as funções do administrador. É preciso ir além e estabelecer as condições e normas dentro das quais as funções do administrador devem ser aplicadas e desenvolvidas. Daí os princípios gerais de Administração desenvolvidos pelos autores clássicos. Fayol chegou a coletar cerca de 14 princípios. PRINCÍPIOS GERAIS DE ADMINISTRAÇÃO PARA URWICK 1. Princípio da especialização: cada pessoa deve preencher uma só função, o que determina uma divisão especializada do trabalho. 2. Princípio da autoridade: deve haver uma linha de autoridade claramente definida, conhecida e reconhecida por todos, desde o topo até a base da organização. 3. Princípio da amplitude administrativa (span of control): cada superior teve ter um certo número de subordinados. O número ótimo de subordinados varia segundo o nível e a natureza dos cargos, complexidade do trabalho e preparo dos subordinados. 4. Princípio da definição: os deveres, autoridade e responsabilidade de cada cargo e suas relações com os outros cargos devem ser definidos por escrito e comunicados a todos. APRECIAÇÃO CRÍTICA DA TEORIA CLÁSSICA 1. Abordagem simplificada da organização Os autores clássicos partem do pressuposto de que a simples adoção dos princípios gerais de administração - como a divisão do trabalho, a especialização, a unidade de comando - permite uma organização formal da empresa, capaz de proporcionar-lhe a máxima eficiência possível. Daí, a crítica quanto a essa visão simplória e reducionista da atividade organizacional. 2. Abordagem incompleta da organização - Tal como aconteceu com a Administração Científica, também a Teoria Clássica, somente se preocupou com a organização formal, descuidando-se da organização informal. 3. Ausência de trabalhos experimentais O fato de denominarem de princípios a muitas de suas proposições é criticado como um procedimento presunçoso, pois um princípio utilizado como sinônimo de lei, deve envolver um alto grau de regularidade e consistência, permitindo razoável em sua aplicação. Porém, como Taylor, Fayol fundamenta seus conceitos na observação e no sensocomum. Seus princípios carecem de apresentação metódica. Seu método é empírico e concreto, baseado na experiência direta e no pragmatismo. 4. Extremo racionalismo na concepção da administração A insistência sobre a concepção da Administração como um conjunto de princípios universalmente aplicáveis, provocou a denominação Escola Universalista. O abstracionismo e o formalismo são criticados por levarem a análise da Administração à superficialidade, à supersimplificação e à falta de realismo. � Princípios Universais – Únicos; válidos para quaisquer situações; quaisquer empresas. Alguns autores preferem, pelo espírito pragmático e utilitarista, a denominação de Teoria Pragmática � Pragmatismo (do grego pragmata = atos ou negócios) – Doutrina ou atitude de conformidade com a qual a verdade nasce da relação existente entre a experiência humana e seus efeitos práticos. 5. Teoria de máquina A organização deve ser arranjada como uma máquina: a determinadas causas, decorrerão determinados efeitos ou conseqüências, dentro de uma correlação determinística. O parcelamento das tarefas é a mola do sistema. 6. Abordagem de sistema fechado Da mesma maneira como ocorreu com a Administração Científica, a Teoria Clássica trata a organização como se ela fosse um sistema fechado, composto de poucas variáveis, perfeitamente conhecidas e previsíveis que podem ser manipuladas pelos princípios gerais da administração. ABORDAGEM HUMANÍSTICA DA ORGANIZAÇÃO *Ênfase nas pessoas Com a Abordagem Humanística, a Teoria Administrativa passa por uma revolução conceitual: a transferência da ênfase antes colocada na tarefa (pela Administração Científica) e na estrutura organizacional (pela Teoria Clássica) para a ênfase das pessoas que trabalham ou que participam nas organizações. A Abordagem Humanística ocorre com o aparecimento da Teoria das Relações Humanas, nos Estados Unidos, a partir da década de 1930. EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 11 Ela surgiu graças ao desenvolvimento das ciências sociais, notadamente a Psicologia e, em particular, a Psicologia do Trabalho. Esta passou por duas etapas em seu desenvolvimento. A. Análise do trabalho e adaptação do trabalhador ao trabalho: Nessa primeira etapa, domina o aspecto meramente produtivo. O objetivo da Psicologia do Trabalho – ou Psicologia Industrial – era a análise das características humanas que cada tarefa exige do seu executante e a seleção científica dos empregados, baseada nessas características através de testes psicológicos. Os temas predominantes são a seleção de pessoal, orientação profissional, treinamento e métodos de aprendizagem, fisiologia do trabalho e o estudo dos acidentes e da fadiga. B. A adaptação do trabalho ao trabalhador: Nessa etapa, a Psicologia Industrial está voltada para os aspectos individuais e sociais do trabalho, que predominam sobre os aspectos produtivos. Pelo menos em teoria. Os temas predominantes são o estudo da personalidade do trabalhador e do gerente, a motivação e incentivos do trabalho, liderança, comunicações e as relações interpessoais e sociais dentro da organização. A Abordagem Humanística da Administração começou logo após a morte de Taylor, mas foi somente a partir da década de 1930 que encontrou enorme aceitação nos Estados Unidos, principalmente por suas características democráticas. Sua divulgação fora dos Estados somente ocorre bem depois do final da Segunda Guerra Mundial. TEORIAS TRANSITIVAS DA ADMINISTRAÇÃO Em meio à Teoria Clássica e antecipando-se de certo modo, à Teoria das Relações Humanas, surgiram autores que, apesar de defenderem alguns dos princípios clássicos, iniciaram um trabalho pioneiro de revisão, de crítica e de reformulação das bases da Teoria da Administração. Embora, a rigor, não houvessem consolidado uma corrente e não permitam uma conexão teórica entre si, vários autores podem ser colocados nessa zona de transição, em que nem a Teoria Clássica nem a Teoria das Relações Humanas são completamente aceitas. A única coisa que esses autores têm em comum, é a tentativa de aplicação pioneira de certos princípios da Psicologia – como Tead e Miss Follet – ou da Sociologia – como Barnard -, na teoria administrativa, até então relutante e talvez indiferente quanto à aplicação de conceitos baseados nas ciências humanas. PSICÓLOGOS ORDWAY TEAD – Procurou desvendar a psicologia do operário ao mostrar a relação existente entre as ambições e os temores dos operários e a sua realidade com o trabalho. A seguir, tentou mostrar que a compreensão do comportamento administrativo deve partir do conhecimento da natureza humana. Administração como uma Arte – Para Tead, a administração é o conjunto de atividades próprias de certos indivíduos – chefes executivos – que têm a missão de ordenar, encaminhar e facilitar os esforços coletivos de um grupo de pessoas, reunidas em uma entidade, para a realização de objetivos previamente definidos. Liderança em Administração – Cada chefe deve ser um líder. Tead preocupou-se em conceituar a liderança, bem como em analisar os processos de influencia do líder sobre os subordinados. Para Tead, o líder é um agente moral e, principalmente, o símbolo da democracia dentro da organização. Objetivos da Organização – Para Tead, os objetivos que a organização geralmente pretende alcançar, são: a) Legais, estatutários ou regulamentos. b) Funcionais, como fornecimento de produto ou serviço ao consumidor. c) Técnicos, isto é, relacionados com os processos e equipamentos. d) Lucrativos. e) Pessoais. f) Públicos. O sucesso da organização depende de que os subordinados aceitem os objetivos a serem alcançados e lutem por eles. A aceitação dos objetivos depende da maneira como eles são apresentados e explicados, isto é, depende do processo de influência utilizado pelo administrador. MARY PARKER FOLLETT – Principal expoente dessa abordagem transitiva – que constitui uma terceira via alternativa – foi, sem dúvida, Mary Parker Follett. Graças à originalidade de seus pontos de vista, ela forçou a separação desse grupo dos psicólogos da organização do grupo dos sociólogos da organização. O Papel dos Gerentes Mary Parker Follett, cientista política americana, defendia que a principal tarefa da gerência era criar uma situação na qual as pessoas contribuíssem espontaneamente e por vontade própria. Conceito de Organização Para Miss Follett, a organização constitui o resultado global de uma série de intransigências em um número infinito de possibilidades em torno de uma situação específica ou única. Toda organização tem as seguintes características: a) Não é estática, mas uma força viva e fluida. b) Representa pessoas que reagem e respondem a estímulos que não podem ser definidos com precisão. Assim, todos os problemas de uma organização, onde quer que ocorram, constituem fundamentalmente, problemas de relações humanas. Necessidade de Aplicação da Psicologia à Administração A psicologia administrativa, segundo Miss Follett, deve ser utilizada no intuito de reconciliar os indivíduos com a organização. O objetivo básico da ação administrativa é obter a integração das pessoas e a coordenação das suas atividades. Conceito de Liderança O líder, para ela, existe em função do grupo em que trabalha, no qual deve obter a melhor contribuição de cada um dos membros. Ele deve buscar mais a coesão do grupo do que procurar expressar o seu poder pessoal. Para ela, a liderança repousa mais no grupo do que nas características pessoais do líder. Lei da Situação Miss Follett rejeita qualquer fórmula universal ou única para a solução dos problemas da organização. Sua lei da situação ébastante conhecida: é a situação concreta que deve governar as ordens a serem dadas e o empenho das pessoas em executar essas ordens. SOCIÓLOGOS CHESTER BARNARD – Em 1938, um executivo americano, Chester Barnard, antecipando-se à sua época e ao próprio behaviorismo, propôs-se a elaborar uma teoria da cooperação na organização formal. Suas principais idéias são: EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 12 Participação e Cooperação Para Barnard, os seres humanos não são simplesmente entidades discretas e isoladas que possuem um poder de ajustamento ao meio, mantendo um equilíbrio interno, apesar de submetidos a constantes mudanças do ambiente. Mais do que isso, eles possuem capacidade de mudar o caráter dos ajustamentos em função de suas experiências anteriores. Os seres humanos não atuam isoladamente e sim por interações com outros seres semelhantes, cada qual influenciado a atitude que a outra irá tomar e vice-versa. Esse tipo particular de interações, Barnard chama de relações sociais. Todavia, as pessoas têm limitações pessoais que podem ser de natureza biológica, física, psicológica ou de natureza social. Essas limitações impedem que cada pessoa possa sozinha alcançar vários objetivos. Além dessas limitações pessoais, existem limitações físicas do ambiente em que cada pessoa está situada. Assim, surge a necessidade de cooperação entre elas para sobrepujar as limitações pessoais e a ação isolada de cada uma. A ORGANIZAÇÃO COMO UM SISTEMA COOPERATIVO RACIONAL A organização é um sistema de atividades conscientemente coordenadas de duas ou mais pessoas. A cooperação é essencial para a organização. Uma organização somente existe quando: • Há pessoas capazes de se comunicar entres si (interação) • Elas estão dispostas a contribuir com ação (cooperação) • Elas cumprem um propósito comum (objetivos) A cooperação não se baseia unicamente nas relações entre as pessoas, mas depende também de outras variáveis, a saber: a) Variáveis relacionadas com o ambiente físico da organização. b) Variáveis relacionadas com o ambiente social. c) Variáveis relacionadas com os indivíduos. d) Variáveis relacionadas com outras variáveis. Quanto ao desejo de cooperar, Barnard vê nele uma despersonalização da ação individual, sem o que não é possível a manutenção da cooperação. A organização influi no comportamento individual por meio de induções objetivas, como: a) Incentivos materiais como bens ou dinheiro. b) Oportunidades de consideração, prestígio ou poder pessoal. c) Condições físicas convenientes ao trabalho como um ambiente limpo, tranqüilo e agradável. d) Orgulho do próprio trabalho, sentimento de que se está servindo à família, à pátria ou à religião. e) Satisfação pessoal dentro do sistema de relações sociais na instituição. f) Conformidade com as práticas e atitudes habituais, familiarização com os costumes e as normas de conduta vigentes na organização. g) Sentimento de que se está tomando parte em grandes e importantes acontecimentos. TEORIA DE ACEITAÇÃO DA AUTORIDADE Barnard também desenvolveu uma teoria da autoridade completamente em desacordo com os ensinamentos da Escola Clássica. Em determinadas ocasiões e circunstâncias, a autoridade é inefetiva e a sua violação é aceita como uma questão de fato. A decisão sobre a autoridade de uma determinada ordem é da pessoa a quem é dirigida, e não da que a emite. “A autoridade repousa mais na aceitação ou no consentimento dos indivíduos”. A teoria de aceitação da autoridade de Barnard parte da suposição de que um subordinado somente pode aceitar e aceita uma ordem como tendo autoridade, quando quatro fatos ocorrem simultaneamente: 1. O subordinado pode compreender e compreende a ordem. 2. No momento da aceitá-la, não a julga incompatível com os propósitos da organização. 3. No momento de aceitá-la, julga a ordem compatível com seus propósitos e interesses em geral. 4. O subordinado é mental e fisicamente apto para cumprir a ordem. AS FUNÇÕES DO EXECUTIVO Além da função de planejar, organizar, motivar e controlar, os executivos estão diante de um novo desafia: desenvolver sua eficiência como planejadores sociais. De acordo com Barnard, a administração pode ser definida como um processo pelo qual se criam oportunidades, removem-se obstáculos, liberta-se o potencial do indivíduo, motiva-se o desenvolvimento e durante o qual a organização age como um guia mentor. Assim, a função básica do executivo é a de manter um sistema de esforços cooperativos. Barnard definiu os conceitos de estrutura e dinâmica da organização. Conceitos estruturais: o indivíduo, o sistema cooperativo, a organização formal e a organização informal. Conceitos dinâmicos: a vontade, a cooperação, a comunicação, a autoridade, o processo decisório e o equilíbrio dinâmico. TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS (Escola Humanística da Administração) A Teoria das Relações Humanas - ou Escola Humanística da Administração – surgiu nos Estados Unidos como conseqüência imediata das conclusões da Experiência de Hawthorne, desenvolvida por Elton Mayo e seus colaboradores. A Teoria Clássica e A Administração Científica nunca foram pacificamente aceitas num país democrático com os Estados Unidos, onde trabalhadores e sindicatos passaram a considerá-las um meio sofisticado de exploração dos empregados em favor dos interesses patronais. A Teoria das Relações Humanas nasceu da necessidade de corrigir a forte tendência à desumanização do trabalho com a aplicação de métodos rigorosos, científicos e precisos, aos quais os trabalhadores tinham de se submeter. Georges Elton Mayo (1880-1949) ORIGENS DA TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS 1. A necessidade de humanizar e democratizar a Administração, libertando-a dos conceitos rígidos e mecanicistas da Teoria Clássica e adequando-a aos novos padrões de vida do povo americano. 2. O desenvolvimento das ciências humanas – principalmente a psicologia e a sociologia – sua crescente influência intelectual e suas primeiras aplicações à organização industrial. 3. As idéias da filosofia pragmática de John Dewey e da Psicologia de Kurt Lewin foram capitais para o humanismo da Administração. A sociologia de Vilfredo Pareto foi fundamental. EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 13 4. As conclusões da Experiência de Hawthorne, realizada entre 1927 e 1932, sob a coordenação de Elton Mayo, pondo em xeque os principais postulados da Teoria Clássica da Administração. Administração Científica Teoria das Relações Humanas Exploração do operário em favor da classe patronal Necessidade de se humanizar e democratizar a administração A EXPERIÊNCIA DE HAWTHORNE Realizada na fábrica da Western Eletric Company, para verificar a correlação entre a produtividade e a iluminação do local de trabalho, dentro dos pressupostos da Administração Científica. A experiência foi coordenada por Elton Mayo e estendeu-se à fadiga, acidentes de trabalho, rotatividade do pessoal (turnover) e ao efeito das condições de trabalho sobre a produtividade do pessoal. Fator fisiológico x Fator psicológico - Os observadores não encontraram nenhuma relação entre produtividade e iluminação e ainda perceberam e preponderância do fator psicológico sobre o fator fisiológico porque os operários que trabalhavam sob iluminação mais intensa se julgavam na obrigação de produzir mais. Grupo experimental – grupo de pesquisa criado para determinar o efeito de certas mudanças nas condições de trabalho. Grupo experimental (sala de provas) x Grupo de Controle (produção normal) - As pessoas envolvidas na pesquisa preferiam trabalhar na sala de provas(grupo experimental) porque: era mais divertido; havia um ambiente amistoso; não havia temor pelo supervisor, que funcionava mais como um orientador; as pessoas faziam amizades. Foi observado que, durante a experiência, a produtividade do grupo experimental aumentou. Preocupados com a diferença de atitude entre as moças do grupo experimental e as do grupo de controle, os pesquisadores foram gradativamente se afastando do objetivo inicial de verificar as condições FÍSICAS de trabalho e passaram a se fixar no estudo das relações HUMANAS no trabalho. CONCLUSÕES DA EXPERIÊNCIA DE HAWTHORNE A Experiência de Hawthorne proporcionou o delineamento dos princípios básicos da Escola das Relações Humanas. Suas principais conclusões são as seguintes: a) Nível de produção resultante da integração social O que determina o nível de competência e eficiência do trabalhador é a capacidade social e não sua capacidade de executar movimentos eficientes dentro do tempo estabelecido. b) Comportamento social dos empregados Grupo Social - reunião de pessoas que possuem as mesmas idéias, desejos, necessidades. O administrador precisa tratar os empregados como membros de um grupo, porque suas decisões sofrem influências sociais desses grupos. Os trabalhadores não agem ou reagem isoladamente como indivíduos, mas como membros de grupos. c) Recompensas e sanções sociais Cada grupo social tem suas normas ou padrões de comportamento. As pessoas são avaliadas por essas normas e recebem, simbolicamente, recompensas ou sanções sociais, de acordo com o caso. HOMO ECONOMICUS HOMEM SOCIAL Motivação - Estímulos salariais Motivação - Reconhecimento - Aprovação social - Participação nas atividades dos grupos sociais d) Grupos informais A empresa passou a ser visualizada como uma organização social, composta de grupos informais. Os grupos informais constituem a organização informal da empresa, muitas vezes em contraposição à organização formal estabelecida pela direção. Os grupos informais definem suas regras de comportamento, formas de recompensa ou sanções sociais, objetivos, escala de valores sociais, crenças e expectativas que cada participante vai assimilando e integrando em suas atividades e comportamento. ORGANIZAÇÃO FORMAL ORGANIZAÇÃO INFORMAL - Oficial - Determinada pelos administradores - Baseada em aspectos formais como: autoridade, responsabilidade, especialização, padronização - Invisível - Determinada pelo interesse e conveniência de um grupo de pessoas - Baseadas em aspectos como: expectativas, grupos informais, motivação - Sua estrutura nem sempre coincide com a organização da empresa e) Relações Humanas Cada pessoa possui uma personalidade própria e diferenciada que influi no comportamento das outras pessoas e é, igualmente influenciada pelas outras. O comportamento humano é influenciado pelas atitudes e normas informais existentes nos grupos sociais. Compreender as Relações Humanas é fundamental para o administrador. f) Importância do conteúdo do cargo Mayo e seus colaboradores verificaram que a especialização defendida pela Teoria Clássica não cria a organização mais eficiente. Observaram que os operários trocavam de posição para variar e evitar a monotonia, contrariando a política da empresa. Trabalhos simples e repetitivos tendem a se tornar monótonos e maçantes, afetando negativamente a atitude do trabalhador e reduzindo a sua satisfação e eficiência. g) Ênfase nos aspectos emocionais Os elementos emocionais e irracionais do comportamento humano merecem atenção especial da Teoria das Relações Humanas. Daí, a denominação de “Sociólogos da Organização” aos autores humanistas. A CIVILIZAÇÃO INDUSTRIALIZADA E O HOMEM A Teoria das Relações Humanas preocupou-se com o esmagamento do homem pelo imenso desenvolvimento da civilização industrializada. Elton Mayo salienta que enquanto a eficiência material aumentou vigorosamente nos últimos duzentos anos, a capacidade humana para o trabalho coletivo não manteve esse ritmo de desenvolvimento. EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 14 O progresso industrial provocou um profundo desgaste no sentimento espontâneo de cooperação. Há um conflito social na sociedade industrial: a incompatibilidade entre os objetivos organizacionais da empresa e os objetivos individuais dos empregados. Nova concepção das relações humanas no trabalho: Integração entre a organização e o trabalhador. O conflito social deve ser evitado por meio de uma administração humanizada que faça um tratamento preventivo. As relações humanas e a cooperação constituem a chave para evitar o conflito social. Para Elton Mayo, o conflito social é o germe da destruição da própria sociedade. FUNÇÕES BÁSICAS DA ORGANIZAÇÃO SOCIAL A Experiência de Hawthorne permitiu o aparecimento de novos conceitos sobre a Administração. Roethlisberger e Dickson, dois relatores da pesquisa, concebem a fábrica como um sistema social. Para eles, a organização industrial tem duas funções principais: 1. Função Econômica: Produzir bens ou serviços. Busca o equilíbrio externo. 2. Função Social: Proporcionar satisfações a seus participantes. Busca o equilíbrio interno. DECORRÊNCIAS DA TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Com o advento da Teoria das Relações Humanas, uma nova linguagem passa a dominar o repertório administrativo: fala-se agora em motivação, liderança, comunicação, organização, dinâmica de grupo, etc. O engenheiro e o técnico cedem lugar ao psicólogo e ao sociólogo e o conceito de homo economicus cede lugar para o homem social. MOTIVAÇÃO A motivação procura explicar por que as pessoas se comportam. Vimos que a Administração Científica de Taylor e de seus seguidores baseava-se na concepção do homo economicus, segundo a qual o comportamento do homem é motivado exclusivamente pela busca do dinheiro e pelas recompensas salariais e materiais do trabalho. Assim sendo, toda a Abordagem Clássica da Administração se alicerçava nessa teoria da motivação. A Experiência de Hawthorne teve o mérito de demonstrar que o pagamento ou recompensa salarial – mesmo quando efetuado em bases justas ou generosas – não é o único fator decisivo na satisfação do trabalhador dentro da situação de trabalho. Elton Mayo e sua equipe passaram a chamar a atenção para uma nova teoria da motivação, antagônica à do homo economicus: o ser humano é motivado, não por estímulos econômicos e salariais, mas por recompensas sociais, simbólicas e não materiais. Com a Teoria das Relações Humanas passou-se a estudar a influência da motivação no comportamento das pessoas. TEORIA DE CAMPO DE LEWIN Kurt Lewin já se referia em suas pesquisas sobre o comportamento social, ao importante papel da motivação. Para explicar a motivação do comportamento, elaborou a “Teoria de Campo”, que se baseia em duas suposições fundamentais: a) o comportamento humano é derivado da totalidade de fatos coexistentes; b) esses fatos coexistentes têm o caráter de um campo dinâmico, no qual cada parte do campo depende de uma inter-relação com as demais outras partes. O comportamento humano não depende somente do passado, ou do futuro, mas do campo dinâmico atual e presente. Esse campo dinâmico é “o espaço de vida que contém a pessoa e seu ambiente psicológico”. Lewin propõe a seguinte equação para explicar o comportamento humano: C = f(P,M) – Onde o comportamento (C) é função (f) ou resultado da interação entre a pessoa (P) e o meio ambiente (M) que a rodeia. NECESSIDADES HUMANAS BÁSICAS Para os autores da Escola das Relações Humanas, ao longo de sua vida, o homem evolui por três níveis ou estágios demotivação: à medida que cresce e amadurece, vai ultrapassando os estágios mais baixos e desenvolvendo necessidades de níveis mais elevados. As diferenças individuais influem na duração, intensidade e possível fixação em cada um desses estágios. • Necessidades fisiológicas - Necessidades primárias, relacionadas com a sobrevivência (alimentação, sono, atividade física, satisfação sexual, abrigo...) • Necessidades psicológicas - Necessidades exclusivas do homem. São raramente satisfeitas em sua plenitude. O homem procura indefinidamente maior satisfação dessas necessidades, que vão se desenvolvendo e se sofisticando gradativamente (necessidades de segurança íntima, necessidade de participação, necessidade de autoconfiança, necessidade de afeição). • Necessidades de Auto-Realização - São as necessidades mais elevadas e decorrem da educação e da cultura da pessoa. Também raramente satisfeitas em sua plenitude. CICLO MOTIVACIONAL O organismo humano permanece em estado de equilíbrio psicológico até que um estímulo o rompa e crie uma necessidade. Essa necessidade provoca um estado de tensão em substituição ao equilíbrio anterior. A tensão conduz a um comportamento ou ação para chegar a alguma forma e satisfação da necessidade. Se a necessidade é satisfeita, o organismo retorna a seu estado de equilíbrio inicial, até que outro estímulo sobrevenha. FRUSTRAÇÃO E COMPENSAÇÃO Nem sempre a satisfação das necessidades é alcançada. Pode existir alguma barreira ou obstáculo que impeça a satisfação da necessidade. Toda vez que a satisfação é bloqueada, ocorre a frustração. Havendo frustração, a tensão existente não é liberada e mantém o estado de desequilíbrio e tensão. O ciclo motivacional pode ter uma terceira solução, além da satisfação da necessidade ou da frustração: a compensação ou transferência. Ocorre a compensação quando o indivíduo tenta satisfazer uma necessidade impossível de ser satisfeita através da satisfação de uma outra necessidade complementar ou substituta. EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 15 MORAL E CLIMA ORGANIZACIONAL O moral é uma decorrência do estado motivacional provocado pela satisfação ou não-satisfação das necessidades individuais das pessoas. Na medida em que as necessidades das pessoas são satisfeitas pela organização, ocorre elevação do moral. Na medida em que as necessidades das pessoas são frustradas pela organização, ocorre abaixamento do moral. Do conceito de moral decorre o conceito de clima organizacional. Clima organizacional é o ambiente psicológico e social que existe em uma organização e que condiciona o comportamento de seus membros. O moral elevado proporciona um clima receptivo, amigável, quente e agradável, enquanto o moral baixo quase sempre provoca um clima negativo, adverso, frio e desagradável. LIDERANÇA Enquanto a Teoria Clássica enfatizava a autoridade formal, considerando apenas a chefia dos níveis hierárquicos superiores sobre os níveis inferiores, a Teoria das Relações Humanas teve o mérito de demonstrar a existência de líderes informais que encarnavam as normas e expectativas do grupo e mantinham controle sobre o comportamento do grupo. CONCEITO DE LIDERANÇA A liderança é necessária em todos os tipos de organização humana, principalmente nas empresas e em cada um de seus departamentos. Ela é essencial em todas as funções da Administração: o administrador precisa conhecer a natureza humana e saber conduzir as pessoas, isto é, liderar. A liderança pode ser visualizada sob diversos ângulos, a saber: 1. Liderança como um fenômeno de influência interpessoal Liderança é a influência interpessoal exercida numa situação e dirigida por meio do processo da comunicação humana para a consecução de um ou mais objetivos específicos. Esse conceito encara a liderança como um fenômeno social e que ocorre exclusivamente nos grupos sociais. Ela é decorrente dos relacionamentos entre as pessoas em uma determinada estrutura social. Nada tem a ver com os traços pessoais de personalidade do líder. A influência é uma força psicológica, uma transação interpessoal na qual uma pessoa age de modo a modificar o comportamento de outra, de algum modo intencional. A influência envolve conceitos como *poder e **autoridade, abrangendo maneiras pelas quais se provocam mudanças no comportamento de pessoas ou de grupos sociais. PODER: é o potencial de influência de uma pessoa sobre outras, embora isso não signifique que essa influência seja mesma exercida. AUTORIDADE: é o poder legítimo, isto é, o poder que tem uma pessoa em virtude do seu papel ou posição em uma estrutura organizacional. 2. Liderança como um processo de redução da incerteza de um grupo O grau que um indivíduo demonstra qualidade de liderança depende não somente de suas próprias características pessoais, mas também das características da situação na qual se encontra. O grupo tende a escolher como líder a pessoa que pode lhe dar maior assistência e orientação (que escolha ou ajude o grupo a escolher os rumos e as melhores soluções para seus problemas). 3. Liderança como uma relação funcional entre o líder e os subordinados Liderança é uma função das necessidades existentes em uma determinada situação e consiste em uma relação entre um indivíduo e um grupo. Esse conceito repousa em uma relação funcional em que um líder é percebido por um grupo como o possuidor ou o controlador dos meios para a satisfação de suas necessidades. O líder surge como um meio para a consecução dos objetivos desejados por um grupo. Assim, o líder é um estrategista que sabe indicar os rumos para as pessoas. 4. Liderança como um processo em função do líder, dos seguidores e de variáveis da situação Liderança é o processo de exercer influência sobre pessoas ou grupos nos esforços pra realização de objetivos em uma determinada situação. A liderança depende de variáveis no líder, nos subordinados e na situação. Ela pode ser definida pela equação: L = *f(o,s,v). A liderança existe em função das necessidades existentes em determinada situação. Trata-se de uma abordagem situacional. A liderança depende da conjugação de características pessoais do líder, dos subordinados e da situação que os envolve. O líder é a pessoa que sabe conjugar e ajustar todas essas características. Não há um tipo único e exclusivo para cada situação. (*o = objetivos; s = situação; v = valores das pessoas.) TEORIA SOBRE LIDERANÇA A teorias sobre a liderança podem ser classificadas em três grupos: A. TEORIAS DE TRAÇOS DE PERSONALIDADE Segundo essas teorias, o líder é aquele que possui alguns traços específicos de personalidade que o distingue das demais pessoas. O líder apresenta características marcantes de personalidade por meio das quais pode influenciar o comportamento das demais pessoas. Alguns traços característicos de personalidade que definem o líder: a) Traços físicos: energia, aparência pessoa, estatura e peso. b) Traços intelectuais: adaptabilidade, agressividade, entusiasmo e autocontrole c) Traços sociais: cooperação, habilidades interpessoais e habilidade administrativa d) Traços relacionados com a tarefa: impulso de realização, persistência e iniciativa. B. TEORIA SOBRE ESTILOS DE LIDERANÇA São as teorias que estudam a liderança em termos de estilos de comportamento do líder em relação aos seus subordinados. Enquanto a abordagem dos traços se refere àquilo que o líder é, a abordagem dos estilos de liderança se refere ao seu estilo de comportamento para liderar. ����OS TRÊS ESTILOS DE LIDERANÇA AUTOCRÁTICA DEMOCRÁTICA LIBERAL (LAISSEZ-FAIRE) O líder fixa as diretrizes, sem qualquer participação do grupo. As diretrizes são debatidas e decididaspelo grupo, estimulado e assistido pelo líder. Há liberdade total para as decisões grupais ou individuais, e mínima participação do líder. O líder determina as providências para execução das tarefas, cada uma por vez, na medida em que se tornam necessárias e de modo imprevisível para o grupo. O grupo esboça as providências para atingir o alvo e pede aconselhamento do líder, que sugere alternativas para o grupo escolher. As tarefas ganham novas perspectivas com os debates. A participação do líder é limitada, apresentando apenas materiais variados ao grupo, esclarecendo que poderia fornecer informações desde que as pedissem. O líder determina a tarefa que cada um deve executar e o seu companheiro de trabalho. A divisão de tarefas fica a cargo do grupo e cada membro tem liberdade para escolher seus companheiros de trabalho. A divisão das tarefas e escolha dos colegas fica totalmente a cargo do grupo. Absoluta falta de participação do líder. O líder é dominador e é pessoal nos elogias e nas críticas ao trabalho de cada membro O líder procura ser um membro normal do grupo, em espírito. O líder é “objetivo” e limita-se aos “fatos” nas críticas e nos elogios O Líder não avalia os grupo nem controla os acontecimentos. Apenas comenta as atividades quando perguntado. EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 16 C. TEORIAS SITUACIONAIS DE LIDERANÇA As teorias sobre traços de personalidade são simplistas e limitadas. As teorias sobre estilos de liderança consideram apenas certas variáveis da situação. As teorias situacionais explicam a liderança dentro de um contexto mais amplo e partem do princípio de que não existe um único estilo ou característica de liderança válida para toda e qualquer situação. A recíproca é verdadeira: cada situação requer um tipo de liderança para alcançar eficácia dos subordinados. O líder é aquele que é capaz de se ajustar a um grupo de pessoas sob condições variadas. A localização e o reconhecimento de um líder dependem da posição estratégica que ele ocupa dentro da cadeia de comunicações e não apenas de suas características de personalidade. COMUNICAÇÃO O enfoque das relações humanas mostrou que as comunicações dentro das organizações são falhas e compeliu os administradores a: a) assegurar a participação das pessoas dos escalões inferiores na solução dos problemas operacionais da empresa b) incentivar maior franqueza e confiança entre os indivíduos e grupos nas empresas. A comunicação é uma atividade administrativa que tem dois propósitos principais: a) proporcionar informação e compreensão necessárias para que as pessoas possam se conduzir em suas tarefas; b) proporcionar as atitudes necessárias que promovam a motivação, cooperação e satisfação nos cargos; Os subordinados devem receber dos superiores um fluxo de comunicações capaz de suprir-lhes as necessidades e os superiores devem receber dos subordinados um fluxo de comunicações capaz de lhes fornecer uma idéia adequada do que está acontecendo. REDES DE COMUNICAÇÃO As redes de comunicação – ou padrões ou cadeias de comunicação – foram extensivamente pesquisadas pelos autores humanistas. Estes estudos tentaram inicialmente encontrar a melhor maneira (the one best way) de comunicar. A conclusão final foi de que não existe uma única maneira universal de comunicar nas organizações, pois os dados e informações são intercambiados entre as pessoas por uma variedade de propósitos. Leavitt fez uma experiência para verificar qual a melhor estrutura de redes ou cadeias de comunicação em um grupo de cinco pessoas. REDES DE COMUNICAÇÃO Características Roda Cadeia Círculo Rapidez de influenciação Rápida Rápida Lenta Acuracidade Boa Boa Pobre Ênfase no líder Muito pronunciada Marcante Nenhuma Moral Muito pobre Pobre Muito bom Flexibilidade para mudança no cargo Lenta Lenta Muito rápida ORGANIZAÇÃO INFORMAL Conjunto de interações e relacionamentos que se estabelecem entre as pessoas. O comportamento dos grupos sociais está condicionado a dois tipos de organização: a organização formal e a organização informal. Organização formal: Política empresarial previamente traçada, regras e padrões para atingir os objetivos da empresa. Tem caráter essencialmente lógico. Organização informal: Sem objetivo determinado, consciente ou preciso. Concretiza-se no uso de costumes, tradições, ideais e normas sociais. Traduz-se por meio de atitudes e disposições baseadas na opinião e no sentimento. CARACTERÍSTICAS DA ORGANIZAÇÃO INFORMAL 1. Relações de coesão e antagonismo - Sentimento de simpatia e antipatia. 2. Status - Posição social em função do seu papel e participação na vida do grupo. 3. Colaboração espontânea - A organização informal é um reflexo da colaboração espontânea que pode e deve ser aplicada a favor da empresa. 4. A possibilidade de oposição à organização formal - Quando há inabilidade da direção em lidar com a organização informal, ela pode se opor à organização formal. 5. Padrões de relações e atitudes - São desenvolvidos espontaneamente e aceitos pelos integrantes do grupo. 6. Mudanças de níveis e alterações dos grupos informais - Os grupos informais tendem a se alterar com as modificações na organização formal. 7. A organização informal transcende a organização formal - Escapa das limitações do local e o do horário de trabalho da empresa. 8. Padrões de desempenho nos grupos informais - Podem estar em harmonia ou não com os padrões estabelecidos pela organização formal, dependendo do grau de motivação do grupo. ORIGENS DA ORGANIZAÇÃO INFORMAL 1. Os interesses comuns - Ao passarem juntas a maior parte do seu tempo nos locais de trabalho, as pessoas passam a identificar interesses comuns. 2. A interação provocada pela própria organização formal - As relações estabelecidas pela organização formal dão margem a uma vida grupal intensa que se realiza fora dela. 3. A flutuação do pessoal dentro da empresa provoca a alteração dos grupos sociais - A rotatividade do pessoal, causa mudanças na estrutura informal pois a interações se alteram. 4. Os períodos de lazer ou tempos livres - Fortalece os vínculos sociais entre as pessoas. DINÂMICA DE GRUPO A Dinâmica de Grupo é um dos assuntos preferidos da Teoria das Relações Humanas. Kurt Lewin, o fundador da Escola da Dinâmica de Grupo, introduziu o conceito de equilíbrio “quase-estacionário” nos processos grupais para significar o campo de forças existentes dentro dos grupos e que conduzem a processos de auto-regulação e manutenção de equilíbrio. Os processos grupais e os hábitos sociais não são estáticos; ao contrário, são processos vivos e dinâmicos. EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 17 O grupo não é apenas um conjunto de pessoas, mas envolve a interação dinâmica entre pessoas que se percebem psicologicamente como membros de um grupo. Dinâmica de grupo é a soma de interesses dos componentes do grupo e que pode ser ativada por meio de estímulos e motivações, no intuito de facilitar a harmonia e melhor relacionamento humano. APRECIAÇÃO CRITICA DA TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS 1. Oposição cerrada à Teoria Clássica Em muitos aspectos, a Teoria das Relações Humanas foi diametralmente oposta à Administração Científica. Em termos simplificados, a Teoria Clássica tende a valer para condições mais estáveis, enquanto a Teoria das Relações Humanas parece mais apropriada para condições dinâmicas. Recentemente a Teoria das Relações Humanas vem sendo encarada mais como complementodo que como uma contradição da Administração Científica. 2. Inadequada visualização dos problemas Em vez de atuar sobre as causas da alienação e do conflito (controles formais, subutilização das aptidões dos operários, etc.), procurou tornar mais agradáveis para o trabalhador, as atividades extrafuncionais (intervalos de trabalho, torneios de esportes, excursões, etc.). Dessa forma, o trabalho se tornou um sacrifício a ser compensado pela felicidade a ser gozada fora dele. 3. Concepção ingênua e romântica do operário Os autores imaginavam um trabalhador feliz, produtivo e integrado ao ambiente de trabalho. Contudo, essa imagem nem sempre foi confirmada por pesquisas posteriores, que descobriram trabalhadores felizes/improdutivos e infelizes/produtivos, descaracterizando a correlação entre satisfação e produtividade. 4. Limitação do campo experimental Limitação ao mesmo ambiente restrito dos pesquisadores da Administração Científica: a fábrica. Deixaram de verificar outros tipos de organização. 5. Parcialidade das conclusões Relegou os aspectos formais a um plano inferior, focalizando apenas a organização informal. 6. Ênfase nos grupos informais Supervalorização da coesão grupal como condição de elevação da produtividade. 7. Enfoque manipulativo das relações humanas. Relegou a um plano secundário as recompensas salariais e materiais, enfatizando as recompensas sociais, utilizando-as com a finalidade manipulativa de apaziguar os operários, concedendo-lhes símbolos baratos de prestígio e afeição, em vez de aumento de salários. ABORDAGEM NEOCLÁSSICA DA ADMINISTRAÇÃO No início da década de 1950, a teoria administrativa passou por um período de intensa remodelação. A Segunda Guerra Mundial havia acabado e o mundo passou a experimentar um notável surto de desenvolvimento industrial, econômico sem precedentes. Apesar da influência das ciências do comportamento sobre a teoria administrativa, os pontos de vista dos autores clássicos nunca deixaram de subsistir e seus conceitos nunca foram totalmente substituídos por uma outra abordagem. Todas as outras teorias se assentam na Teoria Clássica, seja como ponto de partida, seja como crítica para tentar uma posição diferente, mas sempre se relacionando a ela de alguma maneira. A Abordagem Neoclássica nada mais é do que a redenção da Teoria Clássica, devidamente atualizada e redimensionada aos problemas administrativos atuais e ao tamanho das organizações de hoje. Peter Ferdinand Drucker (1909-2005) TEORIA NEOCLÁSSICA DA ADMINISTRAÇÃO ORIGENS DA TEORIA NEOCLÁSSICA 1. Fortalecimento do pragmatismo, como estilo de vida, principalmente nos Estados Unidos. 2. Necessidade de atualização dos princípios gerais da velha Teoria Clássica, que careciam de idéias para um mundo em transição. 3. Necessidade de reduzir o mecanicismo e rigidez da Teoria Clássica, que fora criada e desenvolvida no começo do século e se tornava rapidamente arcaica e obsoleta com os progressos havidos nas organizações. 4. Início da mudança no panorama dos negócios. Estava em gestação a globalização dos negócios com a internacionalização das grandes organizações multinacionais e expansão mundial dos mercados de consumo. CARACTERÍSTICAS DA TEORIA NEOCLÁSSICA 1. Ênfase na prática da administração Forte ênfase nos aspectos práticos da administração, pelo pragmatismo e pela busca de resultados concretos e palpáveis, muito embora não se tenha descurado dos conceitos teóricos da administração. 2. Reafirmação relativa dos postulados clássicos Redimensionamento do material desenvolvido pela Teoria Clássica, reestruturando-o de acordo com as contingências da época atual, dando-lhe uma configuração ampla e flexível. 3. Ênfase nos princípios gerais da administração Os princípios de administração que os clássicos utilizavam como “leis” científicas são retomados pelos neoclássicos como critérios elásticos para a busca de soluções administrativas práticas. 4. Ênfase nos objetivos e nos resultados É em função dos objetivos e resultados que a organização deve ser orientada e estruturada. 5. Ecletismo da Teoria Neoclássica Os autores neoclássicos, embora se baseiem na Teoria Clássica, são ecléticos, absorvendo conteúdo de outras teorias administrativas. PRINCÍPIOS BÁSICOS DA ORGANIZAÇÃO 1. Divisão do Trabalho O princípio da Divisão do Trabalho, iniciado ao nível dos operários com a Administração Científica, ampliou-se para os escalões hierárquicos mais elevados da organização com o advento da Teoria Neoclássica. 2. Especialização A especialização do trabalho proposta pela Administração Científica constitui uma maneira de aumentar a eficiência e diminuir os custos de produção. Os neoclássicos adotam estas colocações e passam a se preocupar com a especialização dos órgãos que compõem a estrutura organizacional. EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 18 3. Hierarquia Além de uma estrutura de funções especializadas, a organização precisa também de uma estrutura hierárquica para dirigir as operações dos níveis que lhe estão subordinados. Para os autores neoclássicos, a autoridade é o direito formal e legítimo de tomar decisões, transmitir ordens e alocar recursos para alcançar os objetivos. 4. Amplitude Administrativa Significa o nº de subordinados que um administrador pode supervisionar. Quando um administrador tem muitos subordinados, ele tem uma amplitude de comando grande e ampla. Na prática, a amplitude média adotada por uma organização determina a configuração geral de sua estrutura organizacional. CENTRALIZAÇÃO VERSUS DESCENTRALIZAÇÃO CENTRALIZAÇÃO �Vantagens: � As decisões são tomadas por administradores que possuem visão global da empresa. � Tomadores de decisão situados no topo são mais preparados � As decisões de cúpula são mais consistentes com os objetivo empresariais �Desvantagens: � As decisões são tomadas na cúpula, que está distanciada dos fatos e das circunstâncias locais. � Os tomadores de decisão raramente têm contato com os trabalhadores. � Administradores nos níveis mais baixos são frustrados porque ficam fora do processo decisorial. DESCENTRALIZAÇÃO �Vantagens: � Os gerentes ficam mais próximos do ponto onde se devem tomar as decisões. � Decisões mais rápidas tomadas pelos próprios executores. � Maior envolvimento na tomada de decisão cria maior motivação entre os administradores médios. �Desvantagens: � Falta de uniformidade nas decisões. � Pode ocorrer falta de informação e coordenação entre os departamentos. � Administradores tendem a defender seus departamentos em detrimentos de outros. DECORRÊNCIAS DA ABORDAGEM NEOCLÁSSICA PROCESSO ADMINISTRATIVO Dá-se o nome de processo a uma seqüência de atividades que formam um todo integrado ou um conjunto de operações contínuas e recorrentes necessárias para realizar uma ação integrada. Por essa razão, o processo administrativo é cíclico e recorrente. O conceito de processo administrativo não é uma simples seqüência fixa de eventos nem algo parado ou estático. Pelo contrário, as funções que constituem o processo administrativo agem umas sobre as outras e cada uma delas afeta as demais. A Teoria Neoclássica é também denominada Escola Operacional ou Escola do Processo Administrativo pela sua concepção da Administração como um processo composto de funções administrativas. Para a Teoria Neoclássica, as funções do administrador correspondem aos elementos da administração, que Fayol definira no seu tempo (prever, organizar, comandar, coordenar e controlar). De um modo geral, aceita-se hoje, o Planejamento, a Organização, a Direção e o Controle como as funções básicas do administrador.Essas quatro funções básicas constituem o processo administrativo. Teoria Clássica Teoria Neoclássica Escola Universalista Abordagem Universalista PLANEJAMENTO As organizações não trabalham na base da improvisação. Tudo nelas é planejado. O Planejamento representa a primeira função administrativa por exatamente ser aquela que serve de base para as demais funções. É a função administrativa que determina antecipadamente, quais são os objetivos que devem ser atingidos e como se deve fazer para alcançá-los. A função administrativa de Planejar � Definir os objetivos � Verificar onde as coisas estão hoje � Desenvolver premissas sobre condições futuras � Identificar meios para alcançar os objetivos � Implementar o planos de ação necessários ABRANGÊNCIA DO PLANEJAMENTO O planejamento é feito de maneiras diferentes nos vários níveis da organização. Por essa razão, existe uma hierarquia de planos. Há três níveis distintos de planejamento: planejamento estratégico, o tático e o operacional. As expressões “médio prazo” e “curto prazo” utilizadas pelos neoclássicos são empíricas e convencionais e são definidas em função daquilo que se entendo por longo prazo. Quase sempre adotam um período de cinco ou mais anos – podendo chegar a dez anos – para o longo prazo, tendo em vista a relativa estabilidade no decorrer da década de 60, o período de apogeu da abordagem neoclássica. O médio prazo representa o exercício anual e o curto prazo pode denotar dias, semanas ou meses. Hoje, o longo prazo está encurtando em função das transformações que estão ocorrendo, enquanto o médio e o curto prazo estão se mantendo nas mesmas proporções de antigamente. ETAPAS DO PLANEJAMENTO O planejamento é um processo que começa com a determinação de objetivos; define estratégias; políticas e detalha os planos pra alcançá- los; estabelece um sistema de decisões e inclui uma revisão periódica dos objetivos para alimentar um novo ciclo de planificação. Etapas do Planejamento I. Estabelecimento de objetivos a alcançar II. Tomada de decisões a respeito das ações futuras III. Elaboração de planos Tipo de Planejamento Nível da Empresa Conteúdo Extensão de Tempo Foco Amplitude Estratégico Institucional Genérico e Abrangente Longo Prazo Eficácia Macroorientado: Abrange a empresa como uma totalidade. Tático Intermediário Menos genérico e mais detalhado Médio Prazo Coordenaç ão Interna Aborda cada unidade da empresa separadamente Operacional Operacional / Executivo Detalhado, específico e analítico Curto Prazo Eficiência Microorientado: aborda apenas cada tarefa ou operação EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 19 I. Estabelecimento de objetivos Objetivos são resultados futuros que se pretende atingir. São alvos escolhidos que se almeja em um certo espaço de tempo, aplicando-se determinados recursos disponíveis ou possíveis. TIPOS DE OBJETIVOS 1. Objetivos estratégicos: são os objetivos globais da organização e situados a longo prazo. 2. Objetivos táticos: são os objetivos departamentais e situados no médio prazo. 3. Objetivos operacionais: são os objetivos de operação de cada atividade e situados no curto prazo. HIERARQUIA DE OBJETIVOS Como as organizações buscam alcançar vários objetivos ao mesmo tempo, existe naturalmente uma hierarquia de objetivos, pois alguns deles são mais importantes e predominam sobre os outros. Os objetivos estratégicos são globais e costumam ficar no topo da hierarquia, condicionando todos os demais objetivos. Os objetivos táticos são objetivos departamentais ou divisionais e condicionam os objetivos ligados às operações. OS DESDOBRAMENTOS DOS OBJETIVOS A partir dos objetivos globais, a organização pode fixar suas políticas, diretrizes, metas programas, procedimentos, métodos e normas, dentro de uma focalização orientada desde a maior abrangência de alcance para a menor, e para um nível de detalhamento maior. Em outros termos: quanto maior a abrangência, menor o detalhamento; quanto menor a abrangência, maior o detalhamento. OBJETIVOS ORGANIZACIONAIS (Estabelecimento dos objetivos da organização) � Diretrizes (Linhas mestras e genéricas de ação) � Políticas (Colocação dos objetivos como guias para a ação administrativa) METAS (Alvos a atingir a curto prazo em cada órgão) � Programas (Atividades Necessárias para atingir cada meta) • Procedimentos (Modos de execução de cada programa) � Métodos (Planos para a execução de tarefas) � Normas (Regras para cada procedimento) Caminhando gradativamente da maior para a menor abrangência, temos: � Diretrizes: São princípios estabelecidos para possibilitar o alcance dos objetivos pretendidos. Como os objetivos são fins, servem balizar os meios adequados para atingi-los e canalizar decisões. � Políticas: Referem-se a uma colocação dos objetivos ou intenções da organização como guias orientadores da ação administrativa. Direcionam a execução das ações e proporcionam marcos ou limitações, embora flexíveis e elásticos para demarcar a área nas quais a ação administrativa deverá ser desenvolvida. São genéricas. � Metas: São alvos a atingir a curto prazo. Muitas vezes podem ser confundidas com objetivos imediatos ou objetivos departamentais. � Programas: São as atividades necessárias para atingir cada uma das metas. Os programas são planos específicos, muito variáveis e podem incluir um conjunto integrado de planos menores. � Procedimentos: São os modos pelos quais os programas deverão ser executados ou realizados. São planos que prescrevem a seqüência cronológica de tarefas específicas, requeridas para realizar determinados trabalhos ou tarefas. São também denominados rotinas. � Métodos: São planos prescritos para o desempenho de uma tarefa ou atividade específica. Sua amplitude é mais limitada do que o procedimento. � Normas: São regras ou regulamentos que cercam e que asseguram os procedimentos. São comandos diretos e objetivos de cursos de ação a seguir. PRINCÍPIOS PARA O ESTABELECIMENTO DE OBJETIVOS: 1. Princípio da comunicação total: todos os níveis hierárquicos devem conhecer e compreender os objetivos da organização e sua contribuição relativa quanto ao alcance deles. 2. Principio da coerência vertical: o objetivo de um nível organizacional deve ser aquele que torne mais provável, mais fácil e econômica a realização do objetivo organizacional imediatamente superior. Deve prevalecer sempre o objetivo mais global. 3. Princípio da coerência horizontal: deve haver harmonia e coerência entre os objetivos dos órgãos situados no mesmo nível organizacional para evitar incompatibilidades. II. Tomada de Decisão Uma vez que os objetivos da organização são definidos, a tarefa do planejamento é estabelecer as ações racionais para o seu alcance da melhor maneira possível. A racionalidade consiste em escolher os meios mais adequados para alcançar os objetivos. Há várias alternativas diferentes para se fazer esse caminho. O processo decisorial existe justamente por causa da existência de várias alternativas de caminhos ou cursos de ação. Decidir é selecionar e escolher a alternativa mais adequada ou conveniente para uma determinada situação. Embora o planejamento seja um processo de tomada de decisão, a tomada de decisão não resulta necessariamente de um planejamento. O planejamento pode ser considerado um aspecto particular da tomada de decisão, envolvendo algumas características especiais, como: a) Tomada de decisão antecipatória: o planejamento envolve um processo formal que precede a ação, ao passo que a tomada de decisão também precede a ação, mas pode ser informal.b) Interconexão das decisões: o planejamento busca conjugar as decisões tomadas nos diversos níveis e áreas da organização, bem como envolver uma decisão ou um conjunto de decisões em outras decisões. c) Criação de um estado futuro desejável: o planejamento busca alcançar uma situação futura almejada pela organização. Para abastecer processo decisorial, a informação deve ser organizada de maneira racional e isenta de distorções. Assim, o processo decisorial, precisa basear-se em um ou mais dos métodos abaixo: 1. Experiência passada: é o método mais utilizado, muito embora, o que foi apropriado no passado pode ser inteiramente apropriado numa situação futura. Contudo, se a situação atual apresenta alguma relação direta com a experiência passada, a perspectiva histórica não pode ser ignorada. 2. Experimentação: é o caso, por exemplo, de uma empresa manufatureira testar o mercado para um novo produto e analisar as vendas e a aceitação do produto durante uma experiência piloto, para decidir sobre o lançamento daquele produto. 3. Pesquisa Operacional (PO): é um método que utiliza vários modelos analíticos ou matemáticos para verificar as relações entre os vários fatores e alternativas na forma de equações, matrizes e modelos matemáticos. 4. Árvore das decisões: é uma espécie de matriz com as alternativas de decisões ao longo do processo decisorial. Quase sempre mostra os possíveis resultados ou conseqüências de cada bifurcação decisorial. EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 20 III. Elaboração de Planos O planejamento produz um resultado imediato: o plano. O plano é um produto do planejamento e constitui um evento intermediário entre o processo de planejamento e o processo de implementação do planejamento. É um curso predeterminado de ação sobre um período especificado de tempo, que representa uma resposta a uma antecipação ao tempo, a fim de alcançar um objetivo. Existem quatro tipos de planos, a saber; 1. Procedimentos São planos relacionados com métodos de trabalho ou de execução. Quase sempre, os procedimentos são planos operacionais geralmente representados por gráficos denominados fluxogramas. 2. Orçamentos São Planos relacionados com dinheiro, seja por receita ou despesa, em um determinado período de tempo. 3. Programas ou Programações São planos relacionados com o tempo. Os programas geralmente se baseiam na correlação entre duas variáveis: tempo e atividades que devem ser executadas. 4. Regras ou regulamentos São os planos relacionados com o comportamento solicitado às pessoas. Visam substituir o processo decisorial individual, geralmente restringindo o grau de liberdade das pessoas em determinadas situações previstas de antemão. TÉCNICAS RELACIONADAS COM O PLANEJAMENTO Em geral, as técnicas utilizadas para o planejamento servem igualmente para o controle. 1. Cronograma É um gráfico de dupla entrada: nas linhas são colocados os eventos planejados e nas colunas os períodos de tempo considerados padrão. Demonstra o início e o término de cada e evento de um processo operacional dentro dos períodos de tempo considerados. Permite a sincronização dos tempos dos vários eventos de um processo de maneira simples, por meio de simples traços cheios ou pontilhados. Geralmente, as linhas pontilhadas, o que foi realizado. À medida que o tempo passa e as etapas vão sendo realizadas, o controle vai colocando ao lado das linhas cheias, as linhas pontilhadas que representam o realizado. Aulas 1° Trimestre Janeiro Fevereiro Março Antecedentes Históricos - - - - - - - Administração Científica - - - - - - - Teoria Clássica - - - - - - - - Previsto: ___________ Realizado: _ _ _ _ _ _ 2. Gráfico de Gantt Um dos expoentes da Administração Científica, Henry Lawrence Gantt concebeu esse gráfico, que recebeu o seu nome. O Gráfico de Gantt é semelhante ao cronograma, mas com uma variação: as colunas reservadas à variável tempo são divididas em quatro partes, representando as semanas. 3. PERT – Programa Evaluation Review Technique O PERT (ou técnica de Revisão e Avaliação de Programas) é uma técnica indicada para planejamento e controle na qual ocorram múltiplas atividades ou eventos intimamente inter-relacionados e interdependentes, desenvolvidos em períodos de tempo variáveis. Essa complicação de variáveis não pode ser adequadamente tratada pelo cronograma ou pelo gráfico de Gantt. PERT – Quadro N° Evento Tempo Evento pré-requisito Tempo otimista Tempo pessimista 1 ------------------- 10 -- 5 12 2 ------------------- 20 1 15 23 3 ------------------- 50 2 40 55 4 ------------------- 30 2 20 36 5 ------------------- 50 3 e 4 48 52 6 20 5 18 22 PERT – Gráfico PRINCÍPIOS DE ADMINISTRAÇÃO APLICADOS AO PLANEJAMENTO Dentro da sua abordagem prescritiva e normativa típica, os autores neoclássicos defendem a aplicação de princípios universais que devem nortear o planejamento. Esses princípios referem-se à “melhor maneira” de se fazer o planejamento. 1. Princípio da Definição do Objetivo A finalidade do planejamento é determinar “o quê”, “como” e “quando” se alcançará a idéia ou o objetivo. 2. Princípio da Flexibilidade do Planejamento O planejamento deve ter uma certa flexibilidade, porquanto a sua execução poderá mostrar certos problemas ou defeitos imprevistos que poderão ser corrigidos no decorrer da sua implementação. CARACTERÍSTICAS DO PLANEJAMENTO 1. O planejamento é um processo permanente e contínuo: não se esgota em um único plano de ação, mas é realizado continuamente na empresa. 2. O planejamento visa a racionalidade da tomada de decisão: ao estabelecer esquemas para o futuro, o planejamento funciona como um meio de orientar o processo decisório para dar-lhe maior racionalidade e subtrair a incerteza inerente a qualquer tomada de decisão. 3. O planejamento é sistêmico: o planejamento deve considerar tanto o sistema como os subsistemas que o compõem. Deve abranger a totalidade da empresa, do órgão ou da unidade para o qual foi feito, sem omitir as relações internas e externas. 4. O planejamento é iterativo: o planejamento pressupõe avanços e recuos, alterações e modificações tendo em vista os eventos novos e inesperados que ocorrem tanto no ambiente interno como no ambiente externo da empresa ou da unidade. 5. O planejamento é uma técnica de alocação de recursos: visa a definição, o dimensionamento e a alocação dos recursos, de forma antecipadamente estudada e decida. 6. O Planejamento interage com as demais funções administrativas: está intimamente relacionado com as demais funções administrativas (organização, direção e controle), influenciando e sendo influenciado por elas. EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 21 ORGANIZAÇÃO Os autores neoclássicos utilizam a palavra organização para assumir dois diferentes significados em Administração: 1. Organização como uma entidade social dirigida para objetivos específicos e deliberadamente estruturada. Essa definição é aplicável a todos os tipos de organizações, sejam elas lucrativas ou não, como empresas, bancos, hospitais, clubes, igreja, etc. Dentro desse ponto de vista, a organização pode ser visualizada sob dois aspectos distintos. a) Organização formal: é a organização planejada ou definida no organograma e sacramentada pelos dirigentes e comunicadas a todos pelos manuais da organização. b) Organização informal: é a organização que emerge espontânea e naturalmente entre as pessoas que ocupam posições na organização formal. 2. Organizaçãocomo função administrativa e parte integrante do processo administrativo. Nesse sentido, a palavra organização significa o ato de organizar, estruturar e integrar os recursos e os órgãos incumbidos de sua administração, bem como estabelecer relações entre eles e suas atribuições. Para os neoclássicos, organizar basicamente consiste em cinco etapas: � Dividir o trabalho � Agrupar as atividades em uma estrutura lógica � Designar as pessoas para sua execução � Alocar os recursos � Coordenar os esforços ABRANGÊNCIA DA ORGANIZAÇÃO Abrangência Tipo de Desenho Conteúdo Resultante Nível Institucional Desenho organizacional A empresa como uma totalidade Tipo de Organizaçã o Nível Intermediário Desenho Departamenta l Cada departamento isoladamente Tipo de departamen talização Nível Operacional Desenho de cargos e tarefas Cada tarefa ou atividade específica Análise e descrição de cargos COMPONENTES DA ORGANIZAÇÃO Para os neoclássicos, a organização é um conceito básico da administração: ela agrupa e estrutura todos os recursos para atingir os objetivos predeterminados. De todos os recursos, o elemento humano é o mais importante. Por meio da organização, as pessoas são agrupadas para melhor realizar as tarefas inter-relacionadas e para melhor poderem trabalhar em conjunto. A função de organizar envolve quatro componentes: 1. Tarefas: subdivisão das tarefas, que provoca a especialização. 2. Pessoas: cada pessoa é designada para ocupar um cargo, que é uma parte do trabalho global. 3. Órgãos: as tarefas e as pessoas devem ser agrupadas em órgão, como divisões, departamentos ou unidades da organização. Na medida em que envolvam características ou objetivos similares, os órgãos passam a ser dispostos em níveis hierárquicos e em áreas de atividades. 4. Relações: a preocupação dos autores neoclássicos focalizou inicialmente a relações entre os órgãos componentes da organização e entre as pessoas com relação ao seu trabalho. Posteriormente, essa preocupação estendeu-se para outros aspectos, como relacionamento entre uma pessoa com outras situadas em setores diferentes da empresa, relacionamento informal entre os participantes em situações fora do trabalho, etc. PRINCÍPIOS DE ADMINISTRAÇÃO APLICADOS À ORGANIZAÇÃO 1. Princípio da Especialização A especialização do trabalho é decorrente da divisão do trabalho. Constitui a característica básica de toda atividade organiza 2. Princípio da Definição Funcional Os deveres, atribuições, autoridade e relações de cada pessoa devem estar situados no organograma e definidos de maneira clara por meio da descrição de cargos. Descrição de cargos é a relação de tarefas de um cargo, definindo sua subordinação, autoridade atribuída ao seu ocupante e responsabilidades envolvidos. 3. Princípio da Paridade da Responsabilidade e Autoridade O princípio da paridade salienta que a autoridade atribuída a uma posição ou pessoa deve corresponder à sua responsabilidade. Essa correspondência entre o volume de responsabilidade e de autoridade é necessária para evitar responsabilizar subordinados por certos deveres sem que estes tenham a necessária autoridade. 4. Princípios das funções de Staff e de Linha As funções de linha estão diretamente ligadas aos objetivos da empresa ou do departamento, enquanto as funções de staff não se encontram diretamente ligadas àqueles objetivos. 5. Princípio Escalar Refere-se à cadeia de relações diretas de autoridade de um supervisor para um subordinado, em toda a organização. O princípio escalar salienta que cada subordinado deve saber exatamente que lhe delega autoridade e a quem deve se dirigir-se quando surgirem assuntos que fujam de sua alçada de autoridade. TÉCNICAS RELACIONADAS COM A ORGANIZAÇÃO 1. ORGANOGRAMA É o gráfico que representa a estrutura formal da empresa. O organograma define claramente os seguintes aspectos: • Estrutura hierárquica contendo os diversos níveis da organização. • Órgãos que compõem a estrutura formal. • Canais de comunicação que interligam os órgãos. • Cargos que compõem os órgãos. TIPOS DE ORGANOGRAMA: a) Organograma Clássico É o mais utilizado dentre todos os tipos de organogramas, pelo fato de apresentar as características mais relevantes da estrutura organizacional. EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 22 b) Organograma Vertical É um gráfico idêntico ao organograma clássico, com a única diferença de que é disposto em posição vertical. c) Organograma Diagonal ou Europeu É um organograma clássico disposto em sentido diagonal, de tal forma que possa existir no rodapé, um escaninho de informações para cada nível hierárquico. Nesse escaninho, pode-se registrar informações importantes como o número de empregados lotados em cada órgão, seu código do plano de contas, volume de despesas previstas no orçamento, índice de participação no faturamento global da empresa, etc. d) Organograma Setorial ou Radial É elaborado por meio de círculos concêntricos, cada qual representando um nível hierárquico. A autoridade máxima localiza-se no centro do organograma, diminuindo o nível hierárquico na medida em que se aproxima da periferia. O organograma setorial ou radial permite representar de forma compacta a estrutura organizacional, porém, apresenta certas limitações de ordem técnica, pois dificulta a representação de órgãos auxiliares de staff. e) Organograma Circular É um organograma elaborado em círculos concêntricos que são traçados em linhas pontilhadas ou tracejadas, que representam os diversos níveis hierárquicos. As linhas cheias representam os canais de comunicação existentes entre os órgãos (ou cargos). Os retângulos situados na periferia representam os órgãos (ou cargos) dos níveis mais baixos. Na medida em que se aproximam do centro, os níveis hierárquicos são gradativamente mais elevados. No centro do gráfico fica o órgão de nível mais elevado da organização. Alguns organogramas circulares não necessitam dos círculos concêntricos que representam os níveis hierárquicos, quando a própria posição dos órgãos permite identificá-los claramente. f) Organograma em Barras É um organograma que permite representar a estrutura organizacional por meio de barras dispostas horizontalmente com extensões variáveis de acordo com o nível hierárquico. Cada órgão (ou cargo) é representado por uma barra. Todas as barras começam da mesma posição à esquerda (ou à direita) e se prolongam para a direita (ou para a esquerda). Quanto mais elevado o nível hierárquico, maior será a extensão da barra. A subordinação de um órgão (ou cargo) ao outro é determinada pela continuidade espacial. Cada órgão subordina-se ao órgão de nível hierárquico mais elevado imediatamente próximo. g) Listograma É um organograma equivalente ao organograma em barras e apresenta extrema facilidade da construção. As barras são substituídas pelo margeamento ou alinhamento dos órgãos em função de seus níveis hierárquicos. EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 23 h) Organograma Linear de responsabilidade É baseado no “Linear Responsability Chart” idealizado por Ernest Hijmans e modificado por Serge. A. Birn. É um dos gráficos mais completos, apesar de ser de elaboração complexa. Compõem-se de um quadro de dupla entrada: nas linhas estão dispostas as responsabilidades (atribuições), enquanto nas colunas estão colocados os cargos. O organograma linear de responsabilidade é especialmente indicado para os seguintes casos: 1. Para facilitar as reorganizações departamentais, pela visão que oferece da hierarquiae do fluxo das atribuições de cada órgão ou cargo. 2. Para facilitar o trabalho de auditoria de pessoal ou verificação de tarefas. 3. Para eliminar desequilíbrios de organização ou de processamento, pela facilidade como evidencia falhas ou congestionamentos. 4. Para verificar se há excesso de centralização ou de delegação de responsabilidades. 5. Para permitir uma correta distribuição de tarefas em um departamento. 6. Para facilitar a descrição de cargos. 7. Como substituto do organograma, especificando os responsáveis por cada atividade ou operação. 8. Como substituto do gráfico de análise do processo (fluxograma), pois permite enumerar as diferentes fases do fluxo do processo, o tempo de trabalho de cada funcionário e o custo total e parcial da mão- de-obra aplicada. 2. FLUXOGRAMAS São gráficos que representam e fluxo ou seqüência de procedimentos e rotinas. São gráficos descritivos e dinâmicos que descrevem analiticamente as tarefas ou operações executadas, seja por órgãos ou por ocupantes de cargos. Indicam a seqüência do processo envolvido, as unidades envolvidas e os responsáveis pela sua execução, permitindo a visualização de eventuais atividades desnecessárias, que poderão se abreviadas, canceladas ou distribuídas e outras atividades relevantes. O fluxograma recebe diferentes denominações na língua inglesa: process chart, flow chart, flow diagram, flow process e work chart. Vantagens: a) Facilita a simplificação do trabalho pela combinação adequada das fases ou etapas de cada tarefa. b) Permite localizar e eliminar ações inúteis ou desnecessárias. c) Possibilita localizar e eliminar os contatos desnecessários. d) Possibilita estudar, corrigir e obter melhor seqüência das operações. e) Permite melhor compreensão das ordens e instruções, pois o pessoal dica ciente de onde vem e para onde vai o seu trabalho, e porque ele é executado. TIPOS DE FLUXOGRAMA a) Fluxograma Horizontal É indicado para estudar em detalhes uma rotina complexa que envolve a participação de diversas unidades de trabalho. Evidencia a rotina, realiza movimentos pouco racionais, voltando sucessivamente a locais ou aos órgãos já percorridos. É muito útil em procedimentos ou rotinas que envolvam muitos órgãos ou pessoas, pois permite visualizar a participação de cada um e comparar a distribuição das tarefas entre todos os envolvidos, para uma possível racionalização ou redistribuição ou para facilitar os trabalhos de coordenação e de integração. A seqüência da rotina corre da esquerda para a direita e os símbolos não são impressos e devem ser desenhados. b) Fluxograma Vertical ou Gráfico de Análise do Processo Possui duas grandes vantagens: primeira, pode ser desenhado e impresso num formulário padronizado que permite sua utilização até mesmo por qualquer funcionário que pode preenchê-lo com facilidade, consultando a lista de atividades ou tarefas. A segunda consiste na rapidez da sua elaboração, pois os símbolos e convenções já se encontram impressos. É um gráfico destinado à representação de rotinas simples dentro de uma unidade administrativa ou de um centro de produção. EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 24 Para a elaboração dos fluxogramas “Horizontal” e “Vertical” são adotadas algumas convenções, que podem variar, mas aceitas universalmente, conforme abaixo: FLUXOGRAMA HORIZONTAL X FLUXOGRAMA VERTICAL c) Fluxograma de Blocos Baseia-se numa seqüência de blocos encadeados entre si, cada um com um significado. Apresenta duas vantagens sobre o fluxograma vertical e horizontal: utiliza uma simbologia muito mais rica e variada e não se restringe a linhas e colunas preestabelecidas no gráfico. É utilizado por analistas de sistemas para representar graficamente as atividades que constituem o fluxo ou a seqüência de um processo ou das atividades de um sistema. Símbolos do Fluxograma de Blocos Fluxograma de Blocos: Direção Definido o planejamento e estabelecida a organização, resta fazer as coisas andarem e acontecerem. Esse é o papel da direção: acionar e dinamizar a empresa. A direção está relacionada com a ação e como se colocar em marcha e tem muito a ver com as pessoas. Está diretamente relacionada com a atuação sobre os recursos humanos e não-humanos das empresas. Assim, a direção é a função administrativa que se refere às relações interpessoais dos administradores em todos os níveis da organização com seus respectivos níveis hierárquicos. A função administrativa de Dirigir: � Dirigir os esforços para um propósito comum. � Comunicar. � Liderar � Motivar Enquanto as demais funções administrativas – como planejamento, organização e controle – são impessoais, a direção é um processo interpessoal que determina relações com indivíduos e grupos. ABRANGÊNCIA DA DIREÇÃO Níveis da Organização Níveis de Direção Cargos Ocupados Abrangência Institucional Direção Diretores e altos executivos A empresa ou áreas da empresa Intermediário Gerência Gerentes e pessoal do “meio de campo” Cada departamento ou unidade da empresa Operacional Supervisão Supervisores e encarregados Cada grupo de pessoas ou tarefas. AUTORIDADE E PODER A autoridade e poder constituem meios de influência. Influência refere- se a qualquer comportamento da parte de uma pessoa que altere o comportamento, atitudes ou sentimentos de outra pessoa. O poder significa o potencial para exercer influência. Uma pessoa pode ter poder par influenciar outras pessoas e nunca tê-lo feito. A autoridade é o conceito mais controvertido. Seu significado é mais restrito e representado o poder institucionalizado. O termo autoridade refere-se ao poder que é inerente ao papel de uma posição na organização. A autoridade é delegada por meio de descrição de cargos, títulos organizacionais, políticas e procedimentos na empresa. A autoridade é chave do processo administrativo e representa o poder legal. A autoridade é um conceito implícito no conceito de poder, o que não ocorre na recíproca. EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 25 A direção exige diferentes estratégias baseadas em diferentes tipos de poder. Cada tipo de poder envolve uma diferente relação entre a pessoa que exerce o poder e a pessoa sujeita a ele. TIPOS DE PODER 1. Poder de Recompensa: é o ripo de poder baseado na percepção que uma pessoa ou grupo de pessoas tem a respeito da capacidade de outra pessoa ou grupo de proporcionar variados tipo e quantidades de recompensas. É o caso do superior que proporciona diferentes gratificações em dinheiro para diferentes níveis de desempenho dos seus subordinados. 2. Poder Coercitivo: é o tipo de poder baseado na percepção que uma pessoa ou grupo de pessoas tem a respeito da capacidade de outra pessoa ou grupo de pessoas de administrar punições, como medidas disciplinares, advertências escritas, suspensões e demissões. O poder coercitivo tende a coagir e pressionar, criando uma reação de alienação, afastamento ou hostilidade agressiva das pessoas submetidas a ele. 3. Poder Legitimado: é o tipo de poder baseado sobre valores sociais sustentados por um indivíduo ou sobre valores organizacionais mantidos pelo processo de socialização. A pessoa acredita que deve aceitar a influência porque ela é justificável e legítima. 4. Poder de Referência: é o tipo de poder baseado no desejo de um indivíduo ou grupo para identificar-se ou ser semelhante a outra pessoa ou grupo que respeita e admira. 5. Poder de Perícia: é o ripo de poder baseado na percepção de uma pessoa um grupo a respeito do maior conhecimento,capacidade ou perícia de outra pessoa ou grupo e que os leva a seguirem estes. As organizações utilizam uma variedade de tipos de poder combinados em grau que variam enormemente. O segredo é saber dosar e equilibrar os tipos de poder para não bloquear as pessoas, pois do ponto de vista humano, uma estruturação hierárquica muito rígida pode levar as pessoas a uma dependência crescente à passividade e à falta de iniciativa nos escalões inferiores. O segredo dos dirigentes bem sucedidos é obter o apoio e o comprometimento das pessoas e fazê- las trabalhar em equipe dando-lhes força e autonomia. É o que chamamos hoje de empowerment. PRINCÍPIOS GERAIS DE ADMINISTRAÇÃO APLICADOS À DIREÇÃO 1. Princípio da Unidade de Comando Também denominado de princípio da autoridade única ou comando único, foi consagrado por Fayol e pelos autores anatomistas. Esse princípio enfatiza que cada subordinado deve prestar contas a superior e somente a um superior, evitando, desse modo a divisão de lealdade, os problemas de prioridade e de ordens contraditórias. 2. Princípio da Delegação O processo de delegação compreende a designação de tarefas, a delegação de autoridade para a execução dessas tarefas e a exigência de responsabilidade para sua execução. A delegação de autoridade pode ser genérica ou específica, escrita ou oral, contudo, é essencial que seja acompanhada por uma designação de deveres ou de tarefas. A delegação de autoridade pode ser recuperada pelo outorgante, pois uma de suas características é o fato de que o possuidor original não abre mão permanentemente desse poder ao delegá-lo pra outra pessoa. 3. Princípio da Coordenação ou das Relações Funcionais Em toda organização, o volume e a complexidade das tarefas, provocam a divisão do trabalho e esta ocasiona a especialização de funções, a qual leva os indivíduos a cada vez mais perder a visão do conjunto e a atuar focalizando os detalhes. A coordenação funciona como uma ação globalizadora e convergente, que harmoniza e capitaliza todos os esforços individuais em benefício do objetivo comum. 4. Princípio da Amplitude de Controle (Amplitude Administrativa, Âmbito de Comando, “Span of Control” ou Princípio da Saturação) Refere-se ao número de pessoas que um chefe pode supervisionar e às quais pode delegar sua autoridade. Trata-se de saber, qual o número de subordinados que cada órgão ou cargo pode ter, a fim de que posso influenciá-los adequadamente. Quanto maior a amplitude, maior o número de subordinados, e conseqüentemente, menor o grau de atenção e de controle que o supervisor pode desenvolver sobre eles. Principais fatores que condicionam a amplitude administrativa: a) A personalidade do chefe: a habilidade do chefe em delegar, em livrar-se dos detalhes, em saber distinguir entre o essencial e o acidental, o importante e o efêmero, sua maturidade emocional, etc., permitir-lhe-ão um maior ou menor número de subordinados. b) O nível em que a supervisão é exercida: no nível operacional pode existir um grande número de subordinados para um supervisor, pois os problemas que um operário pode levar ao seu supervisor são de solução relativamente simples e imediata. No nível intermediário, porém, os problemas que um gerente leva ao seu superior, envolvem debates, longas coletas de dados, abordagem eclética e, portanto, muito mais tempo de supervisão. Isso determina uma amplitude menor de supervisão. Em geral, o número de subordinados diretos é inversamente proporcional ao nível em que a supervisão é exercida. c) A qualidade e o nível dos subordinados: subordinados que preenchem satisfatória e plenamente as suas funções, dão ao supervisor mais tempo para supervisionar um número maior do que se ele, pessoalmente, tivesse de preencher as deficiências de seus subordinados por meio de maior orientação e treinamento. d) O tipo de trabalho dos subordinados: quanto mais complexo e variável o trabalho dos subordinados, menor será o número deles para garantir uma adequada supervisão. e) A distância entre as pessoas supervisionadas: um gerente poderá supervisionar mais subordinados, que estiverem próximos geograficamente, mas terá maior dificuldade em supervisionar o mesmo número de subordinados, se estiverem distribuídos dispersivamente em uma extensa área geográfica. f) Outros fatores: o tipo de organização, o ambiente geral da empresa, o nível de treinamento, etc., são fatores que condicionam, na prática, a amplitude de controle. V. A. GRAICUNAS Consultor francês de administração. Publicou um trabalho, mostrando as relações na organização sob o prisma da amplitude administrativa. Equacionou o número de relações entre os supervisores e os subordinados, por meio de fórmulas matemáticas, demonstrando que á medida que aumenta o número de subordinados, aumenta geometricamente a complexidade dessas relações. Graicunas identifica três tipos de relações entre supervisores e subordinados: Exemplo: 3 subordinados. Onde: n = número de subordinados / r = n° de relações. A B C D EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 26 a) Relações simples diretas: são relações que o superior tem direta e individualmente com os seus subordinados imediatos. São, portanto, em número equivalentes ao dos subordinados. Se o supervisor A tem três subordinados (n) B, C e D, existirão três relações simples diretas (r). RELAÇÕES SIMPLES DIRETAS A com B A com C A com D b) Relações grupais diretas: são as relações existentes entre o supervisor e cada uma das possíveis combinações de subordinados. Um supervisor pode dirigir-se a um subordinado na presença de um segundo ou de todos os demais subordinados RELAÇÕES GRUPAIS DIRETAS A se relaciona com: B na presença de C B na presença de D C na presença de B C na presença de D D na presença de B D na presença de C B na presença de C e D C na presença de B e D D na presença de B e C c) Relações cruzadas: são as relações existentes quando subordinados que têm um superior comum, dirigem-se uns aos outros. RELAÇÕES CRUZADAS B com C B com D C com B C com D D com B D com C Graicunas estabeleceu uma fórmula matemática capaz de indicar todos os possíveis tipos de relações que afetam a amplitude administrativa. Com base nessa fórmula, o número total de relações, conforme o número de subordinados é o seguinte: Número de Subordinados Número de Relações 1 1 2 6 3 18 4 44 ... ... 10 5.210 11 11.374 12 24708 ... ... 18 2.359.602 A fórmula de Graicunas, todavia, não trata da freqüência com que as relações possam ocorrer, nem do nível em que os elementos estão situados, nem da complexidade dessas relações. Seu papel é mostrar a amplitude sob o ponto de vista meramente quantitativo. CONTROLE A palavra controle pode assumir diversos significados em administração. Os três principais são: 1. Controle como função restritiva ou coercitiva: utilizado no intuito de coibir ou limitar certos tipos de desvios indesejáveis ou de comportamentos não-aceitos. 2. Controle como um sistema automático de regulação: utilizado no intuito de manter automaticamente um grau constante de fluxo ou de funcionamento de um sistema. 3. Controle como função administrativa: é o controle como parte do processo administrativo, como planejamento, organização e direção. A função administrativa de Controlar. � Definir os padrões de desempenho. � Monitorar o desempenho. � Comparar o desempenho com os padrões. � Tomar a ação corretiva para assegurar os seus objetivos. A administração geralmente cria mecanismos para controlar todos os aspectos possíveis das operações da organização. Os controles podemser usados para: 1. Padronizar o desempenho, por meio de inspeções, supervisão, procedimentos escritos ou programas de produção. 2. Proteger os bens patrimoniais de desperdícios, roubos e abusos, por meio de exigência de registros escritos, procedimentos de auditoria e divisão de responsabilidade. 3. Padronizar a qualidade de produtos e serviços, por meio de treinamento de pessoal, inspeções e controle estatístico de qualidade. 4. Limitar a quantidade de autoridade que está sendo exercida pelas várias posições ou pelos níveis organizacionais, por meio de descrições de cargos, regras e regulamentos e procedimentos de auditoria. 5. Medir e dirigir o desempenho dos empregados, por meio de sistemas de avaliação do desempenho do pessoal, supervisão direta, vigilância e registros. 6. Como meios preventivos para o alcance dos objetivos da empresa O Controle é um processo cíclico e é composto de quatro fases: 1. Estabelecimento de Padrões ou de Critérios Os padrões representam o desempenho desejado. Os critérios as normas que guiam as decisões. São balizamentos que proporcionam meios para se estabelecer o que se deverá fazer e qual será o desempenho ou resultados a ser aceito como normal ou desejável. Os padrões podem ser expressos em tempo, dinheiro, qualidade, unidades físicas, custos ou por meio de índices. 2. Observação do Desempenho Para se monitorar o desempenho deve-se pelo menos conhecer algo a respeito dele. O processo de controle atua no intuito de ajustar as operações a determinados padrões previamente estabelecidos e funciona de acordo com a informação que recebe. A observação ou verificação do desempenho ou do resultado, busca obter informação precisa a respeito daquilo que está sendo controlado. A eficácia de um sistema de controle depende de informação imediata a respeito dos resultados passados, transmitida às pessoas que têm poder para gerar mudanças. 3. Comparação do Desempenho Atual com o Esperado Toda atividade está sujeita a algum tipo de variação, erro ou desvio. É importante determinar os limites dentro dos quais essa variação pode ser aceita como normal ou desejável. A comparação da atuação atual com o que foi planejado não busca apenas localizar as variações, erros ou desvios, mas também permitir a predição de outros resultados futuros. r = n r = n (2 n /2+n-1) r = n (2 n /2–1) r = n(n-1) EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 27 4. Ação Corretiva O objetivo do controle é exatamente indicar quando, quanto, onde e como se deve executar a correção. A essência do controle é a ação corretiva que ajusta as operações aos padrões predeterminados e sua base é a informação que os gerentes recebem. Controle é a função administrativa que consiste em medir e corrigir o desempenho de subordinados para assegurar que os objetivos da empresa e os planos delineados para alcançá-los sejam realizados. Fayol já dizia que “num empreendimento, o controle consiste em verificar se tudo ocorre em conformidade com o plano adotado, as instruções emitidas e os princípios estabelecidos.” ABRANGÊNCIA DO CONTROLE Da mesma forma que ocorre com o planejamento, a abrangência do controle também pode ser feita no nível global, no nível departamental e no nível operacional, respectivamente nos planos estratégico, tático e operacional. PRINCÍPIOS GERAIS DE ADMINISTRAÇÃO APLICADOS AO CONTROLE 1. Princípio da Garantia do Objetivo: o papel do controle é identificar e localizar as falhas ou distorções existentes nos planos, para indicar as correções a serem feitas, no intuito de se alcançarem os objetivos. 2. Princípio da Definição dos Padrões: a determinação de desempenho e de qualidade, quando objetivamente colocados e precisamente definidos, facilitam a aceitação por parte de quem se responsabiliza pela execução das tarefas e permitirá uma atuação de controle mais fácil e segura. 3. Princípio da Exceção: este princípio foi formulado por Taylor, pela primeira vez. O administrador deve preocupar-se mais com os desvios importantes do que com as situações relativamente normais. 4. Princípio da Ação: o controle somente se justifica quando indica providências capazes de corrigir os desvios apontados, em relação aos planos. Este princípio também está associado com o custo do controle. Quando o custo do controle é maior do que o custo decorrente de desvios da situação controlada, então o controle não se justifica. TÉCNICAS RELACIONADAS COM A FUNÇÃO DE CONTROLE As técnicas relacionadas com a função de controle são basicamente as mesmas que verificamos na função de planejamento. Como o planejamento define os padrões e critérios de controle, os mesmos gráficos de planejamento são utilizados para o controle, como cronogramas, gráfico de Gantt, PERT, etc. DECORRÊNCIAS DA ABORDAGEM NEOCLÁSSICA: TIPOS DE ORGANIZAÇÃO A Teoria Clássica havia dado demasiada ênfase à estrutura, ou seja, à organização formal. Os autores clássicos restringiram-se aos aspectos formais da organização, como divisão do trabalho, especialização, hierarquia, autoridade, responsabilidade, coordenação, etc. Todos esses aspectos formais foram abordados pelos autores clássicos em termos normativos e prescritivos, em função dos interesses da organização e no sentido de alcançar a máxima eficiência possível. RACIONALIDADE DA ORGANIZAÇÃO FORMAL Uma das características da organização formal é o racionalismo. Uma organização é um conjunto de cargos funcionais e hierárquicos a cujas prescrições e normas de comportamento todos os seus membros devem se sujeitar. Cada empresa tem a sua própria organização em função dos seus objetivos, tamanho, conjuntura que atravessa e da natureza dos produtos que fabrica ou dos serviços que presta. Os autores neoclássicos distinguem três tipos tradicionais de organização, a saber: organização linear, organização funcional e organização linha-staff. Cada um desses tipos tradicionais de organização tem a sua própria racionalidade e raramente são encontrados no seu estado puro, isto é, dentro do modelo teórico aqui apresentado, de modo que os seus conceitos adiante alinhados devem considerados com bastante relatividade. ORGANIZAÇÃO LINEAR É uma decorrência da unidade de comando. Entre o superior e subordinado existem linhas diretas de autoridade e de responsabilidade que formam a cadeia escalar. CARACTERÍSTICAS DA ORGANIZAÇÃO LINEAR • Autoridade linear ou única • Linhas formais de comunicação • Centralização das decisões • Aspecto piramidal Vantagens o Fácil visualização, proporcionando uma nítida delimitação das responsabilidades das unidades envolvidas. o Ideal para pequenas empresas que operam em ambientes estáveis. Desvantagens o Devido a constância das relações formais, a empresa pode ter dificuldades de adaptação a novas situações. o O chefe pode tornar-se generalista e não tem condições de especializar-se em coisa alguma. o À medida que a empresa cresce, as linhas de comunicação ficam congestionadas, em face da centralização. ORGANIZAÇÃO FUNCIONAL É o tipo de estrutura organizacional que aplica o princípio funcional ou princípio da especialização das funções. O princípio funcional separa, distingue e especializa: é o germe do staff. CARACTERÍSTICAS DA ORGANIZAÇÃO FUNCIONAL • Autoridade funcional ou dividida • Linhas diretas de comunicação • Descentralização das decisões • Ênfase na especialização Vantagens o Proporciona o máximo de especialização nos diversos órgãos ou cargos da organização o Permite a melhor supervisão técnica possível, com especialização em todos os níveis o Desenvolve comunicações diretas, sem intermediação Diretoria Produção Vendas Financeiro Informática ProcessamentoAcabamento Brasil Exterior Diretoria Produção Vendas Financeiro Informática Processamento Acabamento Brasil Exterior EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 28 Desvantagens o Diluição e conseqüente perda de autoridade de comando o Subordinação múltipla o Tendência à concorrência entre os especialistas o Tendência à tensão e conflitos dentro da organização ORGANIZAÇÃO LINHA-STAFF O tipo de organização linha-staff é o resultado da combinação dos tipos de organização linear e funcional, buscando incrementar as vantagens desses dois tipos de organização e reduzir as suas desvantagens. Alguns autores o denominam organização do tipo hierárquico- consultivo, devido a essa feliz combinação. As características do tipo linear e do tipo funcional são reunidas para proporcionar um tipo de organizacional mais completo e complexo. É ainda o tipo de organização mais utilizado nas empresas. CRITÉRIOS DE DISTINÇÃO ENTRE LINHA E STAFF 1. RELACIONAMENTO COM OS OBJETIVOS DA ORGANIZAÇÃO a) Órgão de linha: diretamente e intimamente ligadas aos objetivos básicos da organização. b) Órgão de staff: ligadas indiretamente aos objetivos da organização. 2. TIPO DE AUTORIDADE a) Órgãos de linha: têm autoridade para decidir e executar as atividades principais ou vinculadas diretamente aos objetivos da organização. b) Órgãos de staff: têm autoridade de assessoria, de planejamento e controle, de consultoria e de recomendação (autoridade funcional). PRINCIPAIS FUNÇÕES DO STAFF a) Serviços: contabilidade, compras, pessoal, pesquisa e desenvolvimento, processamento de dados, propaganda, etc., realizadas pelo staff. b) Consultoria e assessoria: assistência jurídica, métodos e processos, consultoria trabalhista, etc., que são fornecidas pelo staff, como orientação e recomendação. c) Monitoração: acompanhar e avaliar uma determinada atividade ou processo sem nele intervir ou influenciar. O staff geralmente se incumbe de levantamento de dados, elaboração de relatórios e pesquisas, acompanhamento de processos, etc. d) Planejamento e controle: planejamento e controle financeiro ou orçamentário, o planejamento e controle de produção, o planejamento e controle de manutenção de máquinas e equipamentos, o controle de qualidade, etc. Quase sempre delegadas aos órgãos de staff. As funções de staff podem existir em qualquer nível de uma organização. Na medida em que se sobe na escala hierárquica, aumenta a proporção das funções de consultoria, assessoramento, aconselhamento e recomendação e diminui a proporção das funções de prestação de serviços especializados. Características: • Fusão da estrutura linear com a estrutura funcional, como predomínio da primeira, coexistindo características lineares funcionais simultaneamente. • Coexistência entre as linhas formais de comunicação com as linhas diretas de comunicação. A rede de comunicações da organização linha-staff é formada de linhas formais de autoridade e responsabilidade lineares e de linhas diretas de assessoria e prestação de serviços de staff. • Separação entre os órgãos operacionais (executivos) e órgãos de apoio e suporte (assessores). • Hierarquia versus especialização. Apesar do convívio entre características lineares e funcionais, há forte predominância dos aspectos lineares na organização linha-staff. A organização linha-staff mantém o princípio da hierarquia (cadeia escalar), ou seja, a nivelação dos graus de autoridade linear, sem abrir mão da especialização. Vantagens o Assegura assessoria especializada e inovadora, mantendo o princípio de unidade de comando. o Atividade conjunta e coordenada de órgão de linha de Staff. Desvantagens Possibilidade de conflitos entre os órgãos de linha e de Staff. Os principais conflitos são: o O assessor de staff é um técnico com preparo profissional, enquanto o homem de linha é homem de prática que é promovido pela experiência e conhecimento adquiridos no trabalho. o O assessor tem melhor formação escolar - e geralmente é mais jovem -, mas menos experiência. A diferença de formação e de idade predispõe a uma rejeição das idéias do staff pelo pessoal de linha. o O pessoal de linha pode acreditar que os assessores pretendem roubar-lhes parcelas cada vez maiores de autoridade, a fim de aumentarem seu prestígio e posição. o Ao planejar e recomendar, o assessor não assume responsabilidade pelos resultados dos planos. A situação é propícia ao conflito porque, a qualquer dificuldade, o assessor pode assegurar que seu plano falhou por inépcia do pessoal de linha na execução, enquanto o pessoal de linha pode argumentar que o plano era impraticável e teórico. o A assessoria representa custos elevados para a empresa. Enquanto o pessoal de linha se preocupa quanto aos resultados financeiros da contribuição do staff para as operações da empresa, os assessores são levados a apresentarem trabalho na forma de planos e idéias em quantidade a fim de justificar seu custo. COMISSÕES Comissões é um grupo de pessoas ao qual se atribui um assunto para ser estudado ou projeto para ser desenvolvido. É esta característica de ação em grupo que distingue a comissão dos outros instrumentos administrativos. As comissões têm recebido uma infinidade de denominações: comitês, juntas, conselhos, grupos de trabalho, etc., revelando forte discordância quanto à sua nomenclatura. Sobre a natureza e o conteúdo das comissões, também não existe uniformidade de critérios, pois certas comissões desempenham funções administrativas, outras executam funções técnicas, outras estudam problemas, outras ainda apenas fornecem recomendações. Características das Comissões 1. A comissão não é um órgão da estrutura organizacional, pois: • Enquanto o órgão tem um objetivo específico, próprio e particular, a comissão tem um objetivo que geralmente abrange vários órgãos (assuntos interdepartamentais). • Enquanto cada órgão tem o seu pessoal próprio, a comissão tem participantes que, na realidade, pertencem a vários e diferentes órgãos e a vários e diferentes níveis hierárquicos, que são cedidos provisoriamente. Diretoria Produção Vendas Contabilidade Informática Processamento Acabamento Brasil Exterior EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 29 • Enquanto o órgão tem uma posição definida na estrutura organizacional, a comissão é proposta em termos de assessoria de algum órgão e em dependência desse órgão. • O órgão funciona ininterruptamente durante todo o período de funcionamento da empresa, ao passo que a comissão funciona esporádica ou intermitentemente durante certos dias ou em determinadas horas. • Enquanto um órgão é permanente e definitivo na organização, a existência da comissão é provisória e instável. 2. As comissões podem assumir tipos bastante diferentes. É possível faze uma tipologia das comissões: • Formais, quando fazem parte integrante da estrutura formal da organização, como autoridade e deveres especificamente delegados. Assim, essas comissões têm existência duradoura e posição definida na estrutura da organização. • Informais, quando são organizadas pra algum estudo, plano ou decisão grupal, sobre um problema específico. Nesse caso, a comissão não tem posição definida nem nenhuma delegação de autoridade. • Temporárias, quando sua existência depende do estudo, trabalho ou tratamento de algum assunto, sendo sua duração relativamente curta. • Relativamente permanente, quando sua existência é prolongada no tempo. Normalmente as comissões formais devem ser mais permanentes do que as informais. A comissão não é propriamente um tipo de organização, mas uma excelente ferramenta de trabalho, desenvolvimento de idéias e derecomendações sobre as decisões a tomar, e que pode ser aplicada dentro de qualquer tipo de organização. Vantagens das Comissões o Tomadas de decisões e julgamentos grupais: intercâmbio de idéias e uma diversidade de opiniões que enriquecem as alternativas de soluções apontadas. o Coordenação: é uma maneira eficiente de obter a coordenação, principalmente quando os planos a serem executados envolvem diferentes áreas, órgãos e pessoas da empresa, para alcance de objetivos múltiplos. o Transmissão de informações: na medida em que as partes afetadas pertencem a diversas áreas e órgãos da empresa. o Restrição à delegação de autoridade: a utilização das comissões pode ser decorrente ao temor da delegação de muita autoridade a um só indivíduo. o Consolidação da autoridade: Algumas vezes, podem surgir certos assuntos que exigem o exercício de um volume amplo de autoridade, que nenhum administrador de certo nível tenha individualmente. A comissão dá flexibilidade necessária à organização, evitando que a estrutura organizacional seja constantemente modificada para atender a alterações de autoridade necessárias para a realização de certas tarefas. Desvantagens das Comissões o Possível perda de tempo na tomada de decisões: devido a dificuldade de chegar a um termo comum quando há heterogeneidade de participantes. o Custo em tempo e em dinheiro: quando o parecer exige argumentação, discussão, ponderação e pouca concisão e quando o se conta com especialistas de alto nível e com altos salários. o Substituição do administrador: decisões que, individualmente, alguns executivos pode tomar, podem ser frágeis e morosas quando tomadas pelas comissões. A liderança é um assunto individual e a comissão pode tirar a iniciativa o comando. o Divisão de responsabilidades: o perigo oferecido pela comissão é que os seus membros não têm o mesmo grau de responsabilidade. Assim, nem sempre todos os indivíduos que compõem uma comissão se sentem igualmente responsáveis pelos próprios atos na comissão, e muito menos, por certas deliberações da comissão. o Exigem um coordenador excepcionalmente eficiente, capaz de vencer a tendência para a intransigência ou para a acomodação de alguns participantes. DECORRÊNCIAS DA ABORDAGEM NEOCLÁSSICA: DEPARTAMENTALIZAÇÃO A especialização horizontal ocorre quando se verifica a necessidade de aumentar a perícia, a eficiência e a melhor qualidade do trabalho em si. Corresponde a uma especialização de atividade e de conhecimentos. A especialização horizontal se faz à custa de um maior número de órgãos especializados, no mesmo nível hierárquico, cada qual em sua tarefa. A especialização horizontal decorrente do princípio funcional caracteriza-se sempre pelo crescimento horizontal do organograma. É mais conhecida pelo nome de departamentalização, pela sua tendência de criar departamentos. É o desenho departamental da empresa que decorre da diferenciação de atividades da empresa, agrupando em cada departamento (heterogêneos entre si), funções homogêneas (que possuem o mesmo conteúdo). Raramente ocorre a especialização vertical sem que ocorra também a especialização horizontal, e vice-versa. Princípio Escalar e Princípio Funcional se completam e dificilmente andam separados. A especialização vertical é uma divisão do trabalho em termos de autoridade e responsabilidade, enquanto a departamentalização é uma divisão do trabalho em termos de diferenciação entre os diversos tipos de tarefas executados pelos órgãos. *Departamento – Área, divisão ou segmento distinto de uma empresa, sobre a qual um administrador tem autoridade. TIPOS DE DEPARTAMENTALIZAÇÃO a. Departamentalização por Funções Quando a tarefa empresarial é desdobrada em funções especializadas, como produção, marketing, recursos humanos e finanças. Cada departamento tem a sua função específica e os seus sub- objetivos específicos. Vantagens o Permite agrupar especialistas sob uma única chefia comum, quando há uma tarefa especializada. o Garante o máximo de utilização das habilidades técnicas das pessoas. o Permite economia de escala pela utilização integrada de pessoas, máquinas e produção em massa. o Orienta as pessoas para uma específica atividade, concentrando sua competência de maneira eficaz, e simplifica o treinamento do pessoal. o É indicada para circunstância estáveis de poucas mudanças e que requeiram desempenho continuado de tarefas rotineiras. o Aconselhada para empresas que tenham produtos e serviços que permaneçam inalterados por longo tempo. o Reflete um dos mais altos níveis de auto-orientação de uma organização e de introversão administrativa. Diretoria Produção Marketing Recursos Humanos Financeiro EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 30 Desvantagens o Reduz a cooperação interdepartamental, pois exige forte concentração intradepartamental e cria barreiras entre os departamentos devido à ênfase nas especialidades. o É inadequada quando a tecnologia e as circunstâncias externas são mutáveis ou imprevisíveis. o Dificulta a adaptação e flexibilidade a mudanças externas, pois a sua abordagem introvertida não percebe e nem visualiza o que acontece fora da organização ou de cada departamento. o Faz com que as pessoas focalizem seus esforços sobre suas próprias especialidades em detrimento do objetivo global da empresa. Aplicações É indicada para circunstâncias estáveis e de pouca mudança e que requeiram desempenho constante de tarefas rotineiras. É aconselhável para empresas que tenham poucas linhas de produtos ou de serviços e que permaneçam inalterados por longo tempo. b) Departamentalização por Produtos ou Serviços. Quando a tarefa empresarial focaliza os produtos e é estruturada em decorrência deles. A sua principal característica é a orientação para o produto: cada departamento deve conter todos os recursos necessários para produzir e vender o seu produto específico ou a sua linha de produtos. Vantagens o Fixa a responsabilidade dos departamentos para um produto ou linha de produto ou serviço. O departamento é avaliado pelo sucesso do produto ou serviço. o Facilita a coordenação interdepartamental, uma vez que a preocupação básica é o produto e as diversas atividades departamentais tornam-se secundárias e precisam sujeitar-se ao objetivo que é o produto. o Facilita a inovação, que requer cooperação e comunicações de vários grupos contribuintes para o produto. A estratégia de crescimento de muitas empresas levou-as a abandonar a departamentalização funcional para adotar a estrutura de departamentos de produtos. o Indicada para circunstâncias externas e mutáveis, pois induz à cooperação entre especialistas e à coordenação de seus esforços para um melhor desempenho do produto. o Permite flexibilidade, pois a unidades de produção podem ser maiores ou menores, conforme as condições mudem, sem interferir na estrutura organizacional como um todo. Desvantagens o A departamentalização por produtos ao contrário da departamentalização por funções, dispersa os especialistas em subgrupos orientados para diferentes produtos, provocando a duplicação de recursos e de órgãos, com evidente aumento de custos operacionais. o É contra indicada para circunstâncias externas estáveis, para empresas com poucos produtos ou linhas reduzidas de produtos. o Provoca problemas humanos de temores e ansiedades, quando em situação de instabilidade externa: os empregados tendem a ser mais inseguros com relação a alguma possibilidade de desemprego ou por retardamento na sua carreira profissional. Aplicações É indicada para circunstâncias ambientais, instáveis e mutáveis, pois induz à cooperação entre especialistas e à coordenação de seus esforços paraum melhor desempenho do produto/serviço. c) Departamentalização por Região Geográfica Quando a tarefa empresarial focaliza a área geográfica abrangida e é estruturada em decorrência dela. A sua principal característica é a orientação para o mercado: cada departamento cobre uma área geográfica e deve conter todos os recursos necessários para servi-la adequadamente. Vantagens o Quando as circunstâncias externas indicam que o sucesso da organização depende particularmente do seu ajustamento às condições e necessidades locais ou regionais, a estratégia territorial torna-se imprescindível. o Permite fixar a responsabilidade de lucro e desempenho, da mesma forma que a organização por produto, apenas que, no caso, a ênfase é colocada no comportamento regional ou local. o Encoraja os executivos a pensar em termos de sucesso do território, melhor que em termos de sucesso de um departamento especializado em uma departamentalização funcional ou em termos de sucesso de um produto em uma departamentalização por produtos. o É indicada para firmas de varejo, desde que certas funções (como , por exemplo, compras ou finanças) sejam centralizadas. o Pode acompanhar as variações regionais e locais sem grandes problemas. Como cada divisão opera em um território como se fosse uma companhia independente, cada gerente divisional pode tomar decisões adequadas e adaptadas às diferenças regionais. Desvantagens o Deixa em segundo plano a coordenação tanto dos aspectos de planejamento, execução ou controle da organização como um todo, em face do grau de liberdade e autonomia colocado nas regiões ou filiais. o A departamentalização territorial ocorre principalmente nas áreas de marketing e produção. Aplicações Típica da área mercadológica (filiais e agências distribuídas territorialmente) e da área de produção ou operações (fábricas e instalações distribuídas territorialmente para melhor utilização dos recursos locais). A estrutura geográfica é aplicável quando a empresa pretende dar cobertura a um mercado de consumidores ou usuários ou a um mercado de fornecedores de recursos de produção. d) Departamentalização por Clientela Envolve a diferenciação e o agrupamento das atividades de acordo com o tipo de pessoa ou pessoas para quem o trabalho é executado. As características dos clientes como idade, sexo, nível sócio- econômico, tipo de consumidor etc., constituem a base para esse tipo de departamentalização. Presidente Região Norte/Nordeste Região Centro Oeste Região Sul/Sudeste Presidente PRODUTO “A” PRODUTO “B” PRODUTO “C” Produção Vendas Produção Vendas Produção Vendas EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 31 Vantagens o Quando a satisfação do cliente é o aspecto mais crítico da organização. A departamentalização por cliente é a abordagem mais extrovertida da organização, mais preocupada com o cliente do que consigo mesma. o Quando o negócio depende de diferentes tamanhos ou características de produtos ou serviços que variam conformo o tipo ou o tamanho do cliente. o Predispõe os executivos e todos os participantes da organização para a tarefa de satisfazer às necessidades e aos requisitos dos clientes. o Permite à organização concentrar seus conhecimentos sobre as distintas necessidades e exigências dos canais mercadológicos. Desvantagens o As demais atividades da organização (como produção, finanças, etc.) podem tornar-se secundárias ou acessórias, em face da preocupação compulsiva pelo cliente. o Os demais objetivos da organização (como lucratividade, produtividade, eficiência, etc.) podem ser deixados de lado ou sacrificados em função da satisfação do cliente. Aplicações É indicada quando o negócio depende de diferentes características de produtos/serviços que variam conformo o tipo e necessidades do cliente. e) Departamentalização por Processo Também denominada departamentalização por fases do processo ou por processamento ou ainda por equipamento. É frequentemente utilizada nas empresas industriais no níveis mais baixos da estrutura organizacional. A diferenciação e o agrupamento se fazem por meio da sequência do processo produtivo ou operacional, ou ainda, por meio do arranjo de disposição racional do equipamento utilizado. É processo de produção dos bens e serviços que determina a estratégia de diferenciação e agrupamento. Processo é um conjunto de atividades estruturadas e destinadas a resultar em um produto especificado para um determinado cliente ou mercado. É uma ordenação específica das atividades de trabalho no tempo e no espaço, com um começo, um fim, entradas e saídas claramente identificadas. Vantagens Procura extrair vantagens econômicas oferecidas pela própria natureza do equipamento ou da tecnologia. A tecnologia passa a ser o foco e o ponto de referência para o agrupamento de unidades. Desvantagens Quando a tecnologia utilizada passa por intenso desenvolvimento e mudanças que alteram o processo produtivo, a departamentalização por processo peca pela absoluta falta de flexibilidade e de adaptação. No caso do computador, os tremendos desenvolvimentos tecnológicos no processamento de dados têm provocado mudanças seja no equipamento (hardware) seja no processo (software), acarretando enxugamento (downsizing) da área e sua descentralização rumo aos usuários. Aplicações O agrupamento por processo está também ligado ao produto/serviço produzido por meio do processo. O processo é uma variável dependente da tecnologia empregada para o produzir determinado produto/serviço. O agrupamento por processo é interessante quando tanto os produtos como a tecnologia aplicada são estáveis e duradouros. f) Departamentalização por Projetos Envolve a diferenciação e o agrupamento das atividades de acordo com as saídas e resultados (outputs) relativos a um ou a vários projetos da empresa. É uma estratégia utilizada em empresas de grande porte e que produzem produtos que envolvam grande concentração de recursos e prolongado tempo para sua produção. É o caso de estaleiros navais, de obras de construção civil, etc. O produto é variável, de grande porte e exige planejamento individual e detalhado e um extenso período para a execução. Cada produto é tratado como um projeto especial e sob encomenda. Requer uma estrutura organizacional flexível e mutável, capaz de adaptar-se às necessidades do projeto. Vantagens A departamentalização por projetos é, no fundo uma departamentalização temporária por produto, quando este assume proporções enormes, requerendo investimentos e recursos elevados, tecnologia específica e períodos prolongados de tempo para seu planejamento e execução. Sua principal vantagem é a enorme concentração de diferentes recursos em uma atividade complexa e que exige pontos definidos de início e término, com datas e prazos determinados. Desvantagens Cada projeto é único e inédito e envolve habilidades e conhecimentos dispersos dentro na empresa, como os quais pode passar de uma fase para a outra dentro do ciclo de vida. Assim, quando termina um projeto, a empresa pode ser obrigada a dispensar pessoal ou paralisar máquinas e equipamentos se não tiver outro projeto em vista. Além dessa descontinuidade, o agrupamento por projeto provoca forte dose de ansiedade e angústias nas pessoas pela imprevisibilidade de futuro no emprego. Aplicações É utilizada por organizações que se dedicam a atividades influenciadas pelo desenvolvimento tecnológico, como no caso de pesquisas e desenvolvimento empresas do ramo de eletrônica, energia nuclear, astronáutica, aeronáutica, farmacêutico, etc., quando o projeto se refere a um novo produto a ser pesquisado e desenvolvido para ser futuramente colocado em linha deprodução. A principal tarefa é reunir uma equipe de especialistas em diversos campos de atividade. Diretoria PROJETO “I” PROJETO “II” Especialidade “A” Especialidade “B” Especialidade “C” Especialidade “A” Especialidade “D” Diretoria Produção Vendas Matéria Prima Tecelagem Tinturaria Acabamento Divisão de Vendas Departamento Masculino Departamento Feminino Departamento Infantil EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 32 O desenho organizacional por projeto é indicado para situações em que o empreendimento é muito grande e tecnicamente complexo, acabada em si mesmo, tal como ocorre nas indústrias de construção (civil, de maquinaria pesada e de produtos de grande porte) e em atividades de pesquisa e desenvolvimento. ESCOLHAS ALTERNATIVAS DE DEPARTAMENTALIZAÇÃO Dificilmente se encontra, na prática, a aplicação pura de um único tipo de departamentalização em toda a organização. É comum encontrar-se uma conjugação de diversos tipos de departamentalização, seja no mesmo nível, seja nos diferentes níveis hierárquicos da organização. Cada empresa escolhe o tipo de departamentalização mais adequado às suas necessidades e objetivos. Na maioria dos casos, as empresas utilizam uma mistura de critérios de departamentalização. Em geral, o nível hierárquico mais elevado costuma ser departamentalizado por funções, o nível intermediário por produtos ou áreas geográficas e o nível operacional por processos. ADMINISTRAÇÃO POR OBJETIVOS (APO) A partir da década de 1950, a Teoria Neoclássica deslocou a atenção antes fixada nas chamadas “atividades-meio” para os objetivos e finalidades da organização. O enfoque baseado no “processo” e a preocupação maior com atividades (meios) passaram a ser substituídos por um enfoque nos resultados e objetivos alcançados (fins). A preocupação de “como” administrar passou à preocupação de “por que” ou “para que” administrar. A ênfase em fazer corretamente o trabalho (the one best way de Taylor) para alcançar eficiência passou à ênfase em fazer o trabalho mais relevante aos objetivos da organização para alcançar eficácia. ORIGENS DA APO A Administração por Objetivos (APO) ou Administração por Resultados, constitui um modelo administrativo identificado com o espírito pragmático e democrático da Teoria Neoclássica. Seu aparecimento ocorreu em 1954, quando Peter F. Drucker publicou um livro, caracterizando a Administração por Objetivos, sendo considerado o criador da APO. As organizações da década de 1950 estavam passando por período amargo. As dificuldades econômicas e a necessidade de reduzir despesas para concentrar-se nos resultados provocaram uma espécie de “administração por pressão”. O endurecimento dos controles provocou um círculo vicioso: maior controle, maior resistência dos gerentes, maior controle ainda, aumento da resistência gerencial. Surgiu a necessidade de equilibrar objetivos – organizacionais e individuais – admitir maior participação, descentralização das decisões, auto-controle e auto-avaliação. Com isso, cada gerente escolheria “como” atingir os resultados. Também foram abolidos os órgãos de staff, ficando a cargo de cada departamento ou divisão a criação dos serviços necessários para atingir tais resultados, o que fortaleceu a posição e autoridade de cada gerente. CARACTERÍSTICAS DA APO A APO é um método no qual as metas são definidas em conjunto pelo gerente e subordinado, as responsabilidades são especificadas para cada um em função dos resultados esperados, que passam a constituir os padrões de desempenho sob os quais ambos serão avaliados. Analisando o resultado final, o desempenho do gerente e do subordinado podem ser objetivamente avaliados e os resultados alcançados são comparados com os resultados esperados. A APO funciona com um abordagem amigável, democrática e participava. Ela serve como base para os novos esquemas de avaliação do desempenho humano, remuneração flexível e, sobretudo, para a compatibilização entre os objetivos organizacionais e os objetivos individuais das pessoas. A APO apresenta as seguintes características: • Estabelecimento conjunto de objetivos entre o executivo e o seu superior. • Estabelecimento de objetivos para cada departamento ou cargo. • Interligação entre os vários objetivos departamentais. • Ênfase na mensuração e no controle dos resultados. • Contínua avaliação, revisão e reciclagem dos planos. • Participação atuante das gerências. • Apoio intensivo do Staff. Fixação de Objetivos A “Administração por Objetivos” é um modelo de administração por meio do qual todas as gerências de uma organização estabelecem metas para suas administrações, no início de cada período, de preferência coincidindo com o exercício fiscal da empresa, em consonância com as metas gerais da organização, fixadas pelos acionistas, por meio da diretoria. Um “objetivo” é um enunciado escrito sobre resultados a serem alcançados num período determinado. O objetivo deve ser quantificado, difícil, relevante e compatível. São números que orientam o desempenho dos gerentes para um resultado mensurável, difícil, importante e compatível com os demais resultados. Critérios na escolha dos objetivos São fixados de acordo com a sua prioridade e contribuição para o alcance dos resultados-chave da empresa. Devem focalizar a atividade e não a pessoa; devem específicos e concretos – o que e quando; devem ser detalhados em metas subsidiárias e devem indicar os resultados a serem atingidos. Hierarquia de objetivos Como as organizações perseguem vários objetivos, surge o problema de quais são os objetivos mais importantes e prioritários. Os objetivos precisam ser escalonados em uma ordem gradativa de importância, relevância ou de prioridade, em uma hierarquia de objetivos, em função de sua contribuição à organização como um todo. Cada organização tem a sua hierarquia de objetivos. Os objetivos organizacionais estão acima dos objetivos departamentais e estes acima dos objetivos operacionais. Existem três níveis de objetivos: estratégicos, táticos e operacionais. a) Objetivos estratégicos: São os chamados objetivos organizacionais, que abrangem a organização como uma totalidade. Características básicas: globalidade e longo prazo. b) Objetivos táticos: São os chamados objetivos departamentais, referentes a cada unidade da organização. Características básicas: ligação com cada departamento e médio prazo. c) Objetivos operacionais: São objetivos referentes a cada atividade ou tarefa. Características básicas: detalhamento e curto prazo. PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO E PLANEJAMENTO TÁTICO Após a escolha e fixação dos objetivos organizacionais, o próximo passo é saber como alcançá-los, isto é, estabelecer a estratégia empresarial a ser utilizada para alcançar aqueles objetivos e quais as táticas que implementem a estratégia adotada. Conceito de Estratégia e Tática O antigo conceito militar define estratégia como a aplicação de forças em larga escala contra algum inimigo. Tática é um esquema específico de emprego de recursos dentro de uma estratégia geral. Uma mobilização de tropa é uma tática dentro de uma estratégia mais ampla. A diferença básica entre estratégia e tática reside nos seguintes aspectos: em primeiro lugar, a estratégia se refere à organização como um todo, pois procura alcançar objetivos organizacionais globais, enquanto a tática se refere a um de seus componentes (departamentos ou unidades) isoladamente, pois procura alcançar objetivos departamentais. EAGS/SAD Administração – Prof. Fábio Arruda MÓDULO I 33 ESTRATÉGIA TÁTICA • Envolve a organização como um todo. • É um meio para se alcançar objetivosorganizacionais. • É orientado para longo prazo. • É decidida no nível institucional • Refere-se a cada departamento ou unidade da organização. • É um meio para alcançar objetivos departamentais. • É orientada para médio ou curto prazo. • É definida no nível intermediário por cada gerente de departamento. PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Refere-se à maneira pela qual a empresa pretende aplicar determinada estratégia para alcançar os objetivos propostos. É um planejamento global e a longo prazo. O modelo prescritivo de planejamento estratégico dos autores neoclássicos obedece aos seguintes estágios: a) Formulação dos objetivos organizacionais A organização escolhe os objetivos globais que pretende alcançar a longo prazo e define a ordem de importância e prioridade de objetivos. b) Estágio da auditoria externa Trata-se de uma análise do ambiente externo, ou seja, das condições externas que rodeiam a empresa e que lhe impõem desafios e oportunidades. A análise externa envolve: • Mercados abrangidos pela empresa: características atuais e tendências futuras, oportunidades e perspectivas. • Concorrência ou competição: empresas que atuam no mercado, disputando os mesmos clientes, consumidores e recursos. • Fatores externos: conjuntura econômica, tendências políticas, sociais, culturais, legais, etc., que afetam a sociedade e todas as demais empresas. c) Estágio da Auditoria Interna A seguir, faz-se uma análise organizacional das condições internas para permitir uma avaliação dos principais ponto fortes e dos pontos fracos que a organização possui. Essa análise envolve: • Análise dos recursos de que a empresa dispõe para suas operações. • Análise da estrutura organizacional da empresa, seus aspectos positivos e negativos, divisão de trabalho entre departamentos e como os objetivos organizacionais foram distribuídos em objetivos departamentais. • Análise do desempenho da empresa, em termos de lucratividade, produção, produtividade, inovação, crescimento e desenvolvimento de negócios d) Estágio da Formulação da estratégia Nesta quarta fase do planejamento estratégico formulam-se alternativas que a organização pode adotar para alcançar os objetivos organizacionais pretendidos, tendo em vista as condições internas e externas. As alternativas estratégicas constituem os cursos de ação futura que a organização pode adotar para atingir seus objetivos globais. De um modo genérico, o planejamento estratégico da organização refere-se ao produto (bens que a organização produz e serviços que presta) ou ao mercado (onde a organização coloca seus produtos e presta seus serviços). e) Estágio de desenvolvimento de planos táticos e operacionalização da estratégia É a parte mais detalhada no processo de planejamento. Para Steiner, “todas as estratégias devem ser divididas em subestratégias para o sucesso da implementação.” O planejamento estratégico passa a ser desdobrado em planejamentos táticos. Cada um dos planos táticos é desdobrado em planos operacionais específicos. Enquanto o planejamento tático se refere ao médio prazo, o plano operacional é mais detalhado e se refere ao curto prazo. OS PECADOS CAPITAIS DA APO Humble assegura dez maneiras para se fracassar com a APO. a) Não obter a participação da alta direção. b) Dizer a todos que a APO é uma técnica capaz de resolver todos os problemas. c) Adotar a APO dentro de um programa acelerado. d) Fixar somente objetivos quantificáveis. e) Simplificar ao extremo todos os procedimentos. f) Aplicar a APO em áreas isoladas – não fazer a companhia participar globalmente. g) Delegar todo o projeto da APO ao pessoal de nível inferior. h) Concentrar em indivíduos e ignorar os problemas de grupo. i) Inaugurar o sistema e depois deixá-lo andar sozinho, sem avaliá-lo. j) Ignorar as metas pessoais dos gerentes, concentrando-se nos objetivos da companhia. ALGUNS BENEFÍCIOS DA APO ALGUNS PROBLEMAS COM A APO • Aclaramento dos objetivos. • Melhoria do planejamento. • Padrões claros para controle. • Aumento da motivação do pessoal. • Avaliação mais objetiva. • Melhoria do moral • Coerção sobre os subordinados. • Aprovação de objetivos incompatíveis. • Papelório em excesso. • Focalização sobre resultados mais facilmente mensuráveis do que sobre resultados mais importantes. • Perseguição rígida de objetivos que poderiam ser abandonados. A APO teve um período de apogeu e acabou caindo no descrédito devido a três exageros: 1. Excesso de regulamentos e de papelório. 2. Autocracia e imposição. 3. Motivação negativa Hoje, os programas bem sucedidos de APO incluem os seguintes aspectos: 1. Ênfase constante na formulação de objetivos consensuais. 2. Frequente interação e retroação (feedback) entre subordinados e superiores quanto ao progresso frente aos objetivos, remoção de obstáculos ou necessidades de revisão dos objetivos. 3. Oportunidades de participação, mesmo quando as decisões finais devam ser tomadas na cúpula da empresa. A TRANSIÇÃO DO ESTILO ADMINISTRATIVO A PARTIR DA APO PRÉ APO PÓS APO • Administração do cotidiano • Visualização para dentro • Orientação para produtos • Orientação para a organização • Orientação para as atividades • Administração da rotina • Ênfase no “como” • Ênfase do dinheiro, máquinas e materiais • Controle centralizado, funcional e tecnocrático • Estilo autoritário • Diretrizes e supervisão • Individualismo • Focalização no futuro • Visualização para fora • Orientação para pessoas • Orientação para clientes • Orientação para resultados • Criação de inovações • Ênfase no “para que” • Ênfase em pessoas, mentalidade e tempo • Iniciativa descentralizada dos subordinados • Estilo participativo • Delegação e responsabilidade • Trabalho em equipe