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O desenvolvimento ao longo da vida: Infância
Aspectos sócio-históricos;
Desenvolvimento biossocial;
Desenvolvimento cognitivo;
Desenvolvimento linguístico;
Infância na contemporaneidade.
Como é a infância de hoje?
Sentimos o desaparecimento de uma infância porque há um processo de antecipação da adolescência.
Mas será que sempre foi assim?
A infância, seu sentimento perante a sociedade e as regras que a circundam são construções sociais.
A busca pela compreensão da infância é um objeto de estudo relativamente novo, principalmente no Brasil. Atualmente, ainda se procura entender como ocorre a construção social da infância.
A história social da criança e da infância
A história da criança passou por longos e diversos momentos no decorrer da evolução da sociedade. 
Demorou para que as pesquisas focassem na criança como objeto central de estudo e mais ainda para que o corpo social reconhecesse a criança como sujeito de direitos. 
De acordo com Ariès (1978, p. 18), “a preocupação com a infância começou a partir do século XVI e durante o século XVII”, pois alguns costumes começaram a mudar, como: os modos de se vestir, a preocupação com a educação e a separação das crianças em classes sociais.
Uma linha do tempo 
Da Antiguidade até a Idade Média, a figura da criança está ausente por não existir um objeto discursivo que chamamos de infância.
Na Idade Média, as crianças eram vistas como adulto em miniaturas, sem qualquer amparo legal, regimento ou direitos. 
Desde muito cedo a criança já se tornava adulto e acompanhava sempre um adulto, do mesmo gênero e fazia o mesmo que ele. 
Finalmente algum cuidado com a infância
Os séculos XVI e XVIII apresentaram grandes mudanças na sua postura perante à infância. 
Até o século XVI a criança encontrava-se sob custódia do poder dos pais, mas era negligenciada.
A partir do século XVI surge o sentimento de mimo ou paparicação, pois a criança era encarada como um ser inocente e inofensivo idealizado e planejado por sua família.
Dos séculos XVII e XVIII surgiu o período moralista, com o objetivo de disciplinar a criança. 
No século XIX, houve a criação da escola pública e a atenção foi voltada para as necessidades das crianças.
O papel da criança na organização socioeconômica da sociedade
No século XIX, as mudanças ocorridas nas sociedades modernas com o capitalismo industrial, ocasionaram alterações radicais, transformaram o modo de organização e funcionamento familiar, e a vida cotidiana das crianças.
Surge o trabalho infantil na indústria
No século XX, com as inovações das áreas humanas, descobriu-se a especificidade 
da criança e a necessidade de formular seus direitos. 
O reconhecimento da infância através das leis
Em 1959, foi proclamado a Declaração Universal dos Direitos da Criança (ONU) onde se afirma a importância de se garantir a universalidade das questões relativas aos direitos da criança. 
A Declaração objetivava resguardar a importância de promover atitudes para respeitar o direito à sobrevivência, à proteção, ao desenvolvimento e à participação. 
Em 1989, a Conferência Mundial sobre os Direitos Humanos promoveu a Convenção das Nações Unidas sobre Direitos da criança. 
Iconografia dos século XVII representando maior atenção à criança em detrimento do infanticídio existente.
Percebe-se que a infância e a criança foram sendo construídas pelo homem através das necessidades sociais de cada momento da história. A infância é uma construção cultural e social. 
O movimento higienista, iniciado em XIX e seguido até o XX, tinha como objetivo uma modificação no comportamento da população brasileira.
Pretendia: manter e melhorar a vida da coletividade em relação à educação, ao salário,
 à saúde, ou seja, pretendia valorizar a população do Brasil.
Houve a redefinição do estatuto da criança pelo poder médico a partir de 3 frentes a serem cuidadas:
a elevada taxa de mortalidade infantil; 
o problema do menor abandonado e 
a necessidade do médico na medicalização da família. 
Desenvolvimento biossocial
Crescimento na estatura e no desenvolvimento neurológico.
A maturação neurológica faz com que o cérebro atinja 90% do tamanho do adulto aos 5 anos de idade.
Elementos importantes para o desenvolvimento:
 
Alimentação; 
Proteção; 
Educação.
O desenvolvimento humano segue as direções:
Lei Céfalo-caudal: as partes do corpo que estão mais próximas da cabeça são controladas antes, sendo que o controle estende-se posteriormente para baixo. 
A criança mantém sua cabeça ereta antes do tronco e antes de começar a andar.
Lei Próximo-distal: as partes que estão mais próximas do eixo corporal são controladas antes das que se encontram mais afastadas. A articulação do ombro é controlada antes da articulação do cotovelo e antes da ponta dos dedos.
   	
O desenvolvimento humano segue as direções:
O movimento da criança vai integrando e controlando voluntariamente um maior número de grupos musculares que será chamado de coordenação motora ampla, com o que vai se tornando progressivamente mais preciso (chamada de coordenação motora fina), permitindo incorporar repertórios psicomotores mais especializados e complexos, que abrem novas perspectivas à percepção e à ação sobre o meio.
   	
Importância da brincadeira
Na brincadeira, a criança se diverte, se socializa, aprende sobre os assuntos do seu universo cultural, elabora sentimentos, extravasa emoções, desenvolve a linguagem, resolve conflitos, ressignifica sua história de sofrimento, supera o medo, compara, analisa, nomeia, mede, associa, calcula, classifica, compõe, conceitua, cria, deduz. 
Jean Piaget (1896-1980
Foi um epistemólogo suíço, conhecido pelo seu trabalho pioneiro no campo da inteligência infantil. 
Seu objetivo de pesquisa era descobrir como a criança construía seu conhecimento passando de estruturas mais simples para estruturas mais complexas de
Estágios de desenvolvimento cognitivo
Para Piaget, toda criança passa por estágios de desenvolvimento que se aprensentam com características semelhantes em todo o mundo.
Nesses estágios, há a construção de esquemas cognitivos específicos que tornan as crianças capazes de interagirem com o ambiente vencendo os desafos cognitivos que lhes são colocados.
É assim que ela constrói a sua inteligência: na interação com estruturas neurológicas maduras e os desafios colocados pelo ambiente.
A criança desenvolve esquemas de conhecimento para explorar o ambiente através da percepção, da motricidade e da exploração prática dos objetos físicos que a rodeiam.
O bebê adquire o conhecimento por meio de suas próprias ações que são controladas por informações sensoriais imediatas.
Compreendendo as subfases deste estágio
A exploração manual e visual do ambiente;
A experiência obtida com ações, a imitação;
A inteligência prática (através de ações);
Ações como agarrar, sugar, atirar bater e chutar;
As ações ocorrem antes do pensamento;
A centralização no próprio corpo;
E, finalmente, a noção de permanência do objeto.
A criança começa a utilizar esquemas simbólicos e a linguagem em sua atuação no ambiente. 
Ela modifica sua forma de interagir com o ambiente: 
nomeia-o, usa a memória, planeja, imagina, mas conserva uma lógica egocência de compreender a realidade, pois só o faz a partir do seu ponto de vista.
A função da linguagem
A linguagem oral é a maior e a principal construção do estágio pré-operatório, pois a partir dela a criança inaugura a utilização de esquemas simbólicos em suas interações cotidianas. 
A criança interioriza a palavra e a transforma em pensamento ou intuições, se socializa, brinca e reproduz no jogo de faz de conta os elementos mais importantes do seu meio cultural. 
Começa sua interação como letramento, desenha e deseja escrever.
As sub fases desse estágio dos 2 aos 6 anos aproximadamente
Inteligência simbólica — Agora não utiliza só esquemas práticos para interagir, mas já pensa sobre os objetose as relações em um plano simbólico, sem que eles ou pessoas estejam presentes.
O pensamento egocêntrico, intuitivo e mágico — A criança fica centrada em si mesma, e não consegue se colocar, abstratamente, no lugar do outro pois faltam esquemas lógicos de conhecimento para isso.
A confusão entre aparência e realidade – pela própria imaginação; 
A noção de irreversibilidade – a criança não consegue perceber que as ações são reversíveis; 
O raciocínio transdutivo – a criança aplica uma mesma explicação para situações parecidas; 
 animismo 
A criança dá características humanas ( dor, sentimento etc.) a seres inanimados:
O sol se pôs porque está com o sono
A minha boneca está doente 
As estrelas que estão no céu à noite iluminam o Sol para ele dormir sem medo do escuro.
Artificialismo
A criança explica os fenômenos naturais como se fossem produzidos pelos seres humanos para lhes servir como todos os outros objetos; 
Tendência para acreditar que os objetos físicos e acontecimentos naturais são produzidos por pessoas: 
O céu foi pintado por um grande artista.
Realismo
A realidade é construída pela criança;
Tendência para atribuir a realidades psicológicas (medo, desejos, fantasias) uma existência. 
Assim a Fada Madrinha, o Lobo Mau, o Papai Noel ou o Perna Longa não são ficções.
Finalismo
 Existe uma relação entre o finalismo e a causalidade.
Essas características serão transformadas com o fim do pensamento egocêntrico e como início da percepção das relações de reversibilidade.
 Tendência para acreditar que nada acontece por acidente e, sobretudo, que tudo tem uma justificação finalista, isto é, existe uma função do fim que cumpre. 
Assim, as nuvens ou o arco-íris movimentam-se para encobrirem o Sol, este existe para que não vivamos sempre de noite, as professoras da escola vivem lá esperando por mim todos os dias da semana. 
É típico da criança nesta fase pensar que as pessoas e os objetos existem em função delas mesmas
Juntamente com o desenvolvimento da linguagem estará sendo desenvolvido o nosso psiquismo, uma constituição complexa que leva os primeiros anos da infância para ser consolidado.
Desenvolvimento da linguagem
A aquisição da linguagem depende da maturação cerebral.
As fases de balbucio, primeiras palavras e aquisição de gramática exigem níveis mínimos de tamanho cerebral, de conexões a longa distância e de sinapses, particularmente nas regiões responsáveis pela linguagem. 
O bebê passará por um processo de desenvolvimento que envolve a compreensão dos gestos e expressões, diálogos tônicos e manifestações emocionais que serão reguladas por setores subcorticais do nosso cérebro, setores mais maduros e responsáveis pela nossa comunicação. 
Pré-linguística: a capacidade linguística da criança desenvolve-se sem qualquer produção linguística identificável. Os sons emitidos são balbucios e se iniciam aproximadamente aos 6 meses de idade. 
Estágio linguístico: as suas falas se limitam a uma palavra que e pronunciada de maneira um pouco diferente da dos adultos. 
Posteriormente, temos o estágio da fala com sintaxe em que a criança utiliza entonações e já reconhece a sintaxe de sua língua natal.
Infância e contemporaneidade
Compreender a dinâmica de desenvolvimento e de aprendizagem no contexto de:
Globalização econômica;
Mudança na estrutura familiar;
Tecnologia de comunicação digital;
Riscos sociais;
Aumento de doenças crônicas e problemas emocionais.
Elementos importantes no desenvolvimento da criança
Acesso a informações inadequadas para a sua faixa etária como pornografia e violência;
Riscos sociais do uso de drogas químicas;
Transposição de sua educação e cuidados para instituições e funcionários domésticos;
Alimentação repleta de agrotóxicos e agentes de contaminação;
Mudança no entretenimento que passa ser digital e individual .
Desenvolvimento de habilidades sociais
Autocontrole e expressividade emocional;
Habilidades de civilidade, empatia, assertividade;
Solução de problemas interpessoais; 
Fazer amizades e habilidades sociais acadêmicas.
O autocontrole e a limites e respeitar regras de convivência.

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