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ATUALIZAÇÃO EM 
URGÊNCIA E 
EMERGÊNCIA 
 
PROF. ENF. ESP. EMERSON DIAS DE SOUSA 
 
 
 
PICOS – PI 
2019 
 
 
Sumário 
INTRODUÇÃO.......................................................................................................................................3 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR E AVALIAÇÃO INICIAL DA VÍTIMA................................4 
CAPÍTULO 2 
PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA................................................................................................11 
CAPÍTULO 3 
PROTOCOLO DE REANIMAÇÃO CARDIOPULMONAR – DIRETRIZES 2018...........................14 
CAPÍTULO 4 
URGÊNCIAS E EMERGÊNCIAS CARDIOVASCULARES..............................................................26 
CAPÍTULO 5 
URGÊNCIAS E EMERGÊNCIAS NEUROLÓGICAS.........................................................................31 
CAPÍTULO 6 
URGÊNCIAS E EMERGÊNCIAS OBSTÉTRICAS.............................................................................33 
CAPÍTULO 7 
INTOXICAÇÕES EXÓGENAS E ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS........................41 
CAPÍTULO 8 
QUEIMADURAS E CHOQUE ELÉTRICO.........................................................................................51 
CAPÍTULO 9 
AFOGAMENTO....................................................................................................................................56 
CAPÍTULO 10 
CONSIDERAÇÕES SOBRE O TRAUMA...........................................................................................58 
REFERÊNCIAS....................................................................................................................................66 
 
 
 
 
3 
 
 
 
Introdução 
O Suporte Básico de Vida compreende o atendimento prestado a uma vítima de mal súbito ou trauma, 
visando manter seus sinais vitais e preservar a vida, além de evitar o agravamento das lesões 
existentes, até que uma equipe especializada possa transportá-la ao hospital e oferecer-lhe um 
tratamento definitivo. 
Apesar de qualquer cidadão poder ajudar em uma situação de emergência, é importante lembrar que 
isso não o torna um “socorrista” profissional. Para se profissionalizar, é necessário adquirir muito mais 
informações e habilidades, treinamento adequado e, inclusive, para muitas das funções, diploma e 
registro profissional. Portanto, devemos preferir, sempre que possível, o atendimento pelos socorristas 
e profissionais de saúde, que contam com formação qualificada e equipamentos especiais para 
realizá-lo. 
Nesta disciplina serão abordadas situações de urgências e emergências mais comumente encontradas 
pelo profissional de saúde no ambiente pré-hospitalar e as principais condutas a serem tomadas até a 
chegada de equipe especializada para atendimento e transporte do paciente ao hospital. 
Objetivos 
 Aplicar corretamente procedimentos voltados para o atendimento de urgência e emergência 
prestado aos pacientes no ambiente extra-hospitalar. 
 Reconhecer falência dos sistemas respiratórios e (ou) cardiovasculares. 
 Reconhecer urgências e emergências cardiovasculares, neurológicas e obstétricas. 
 Aplicar procedimentos em situações especiais como: 
 Intoxicações; 
 Queimaduras; 
 Choque elétrico; 
 Afogamento e 
 Trauma. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
 
 
CAPÍTULO 1 
Atendimento pré-hospitalar e avaliação inicial da vítima 
 
“A principal causa de morte fora dos hospitais é a falta de atendimento. A segunda é o socorro 
inadequado. As pessoas morrem, porque ninguém faz nada e continuam morrendo, porque alguém 
não capacitado resolveu fazer algo.” 
O Suporte Básico de Vida (SBV) oferecido aos pacientes no ambiente extra-hospitalar consiste no 
reconhecimento e na correção imediata da falência dos sistemas respiratório e (ou) cardiovascular, ou 
seja, a pessoa que presta o atendimento deve ser capaz de avaliar e manter a vítima respirando, com 
batimento cardíaco e sem hemorragias graves, até a chegada de uma equipe especializada. 
Em outras palavras, o profissional de saúde que presta o socorro, que aqui o identificaremos como 
socorrista para fins didáticos, ao iniciar o suporte básico estará garantindo por meio de medidas 
simples, não invasivas e eficazes de atendimento as funções vitais do paciente e evitando o 
agravamento de suas condições. 
São inúmeras as situações de urgências e emergências que necessitam do atendimento de um 
profissional de saúde ou de um socorrista especializado: traumatismos, queimaduras, doenças 
cardiovasculares, parada cardiorrespiratória, crise convulsiva, afogamento, intoxicações, entre outras. 
Para cada caso específico, o profissional deverá estar apto a prestar um socorro adequado e de 
qualidade. 
É preciso definir e diferenciar o que vem a ser então uma situação de urgência ou emergência. 
Segundo o Conselho Federal de Medicina (Resolução CFM no 1451/1995), “define-se por urgência a 
ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou sem risco potencial de vida, cujo portador necessita 
de assistência médica imediata”. 
Por sua vez, o conceito de emergência é entendido como “a constatação médica de condições de 
agravo à saúde que impliquem risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, 
tratamento médico imediato”. 
De forma mais objetiva, a urgência é uma situação em que não existe risco imediato à vida (ou risco 
de morte). O atendimento requer rapidez, mas o paciente pode aguardar tratamento definitivo e 
solução em curto prazo (algumas literaturas referem-se a um prazo de até 24 horas), tendo um caráter 
menos imediatista. 
Como exemplos, citam-se contusões leves, entorses, hemorragia classe I etc. 
Na emergência geralmente estamos diante de uma situação de aparecimento súbito e imprevisto, 
grave, crítica e que exige ação imediata, pois a ameaça à vida é grande. 
Como exemplos citam-se as hemorragias de grande proporção, PCR. 
Como o próprio nome diz, o serviço de Atendimento Pré-Hospitalar (APH) envolve todas as ações 
efetuadas com o paciente, antes da sua chegada ao ambiente hospitalar. Compreende, portanto, três 
etapas: 
 
1. assistência ao paciente na cena (no local da ocorrência); 
5 
 
 
 
2. transporte do paciente até o hospital; 
3. chegada do paciente ao hospital. 
 
O APH divide-se, ainda, basicamente em duas modalidades de atendimento: 
Suporte Básico à Vida (SBV): caracteriza-se por não realizar manobras invasivas. 
Suporte Avançado à Vida (SAV): caracteriza-se pela realização de procedimentos invasivos de 
suporte ventilatório e circulatório, como, por exemplo, a intubação orotraqueal, acesso venoso e 
administração de medicamentos. Geralmente, o suporte avançado é prestado por equipe composta 
por médico e enfermeiro. 
 
O APH tem como objetivos específicos preservar as condições vitais e transportar a vítima sem causar 
traumas iatrogênicos durante sua abordagem, como, por exemplo, danos ocorridos durante 
manipulação e remoção inadequada (do interior de ferragens, escombros etc.). O socorrista deve ter 
como princípio básico evitar o agravamento das lesões e procurar estabilizar as funções ventilatórias e 
hemodinâmicas do paciente. 
As condições essenciais para que esses objetivos sejam alcançados são: pessoal qualificado e 
devidamente treinado; veículos de transporte apropriados e equipados, sendo inclusive dotados de 
meio de comunicação direta com o centro que receberá a vítima e hospitais de referência 
estrategicamente localizados, com infraestrutura material e recursos humanos adequados. 
Uma atenção pré-hospitalar qualificada é de suma importância para que a vítima chegue viva ao 
hospital. Nos locais onde esse sistema é inadequado, a mortalidade hospitalar por trauma,por 
exemplo, é baixa, porque os pacientes graves morrem no local do acidente ou durante o transporte. 
Sistemas de atendimento e melhoria contínua da qualidade 
A qualidade do atendimento nos serviços de urgência e emergência é, sem dúvida, um diferencial 
tanto para a equipe que presta o serviço como para quem recebe o atendimento. Dessa forma, o quesito 
qualidade foi ponto de destaque para a melhoria contínua e para a integração entre a estrutura, o 
processo, o sistema e a finalização com a qualidade dos serviços prestados. 
De acordo com AHA (2018, p. 3) a Atualização das Diretrizes de 2018 fornece às partes interessadas 
nova perspectiva sobre os sistemas de atendimento, diferenciando as PCR ocorridas no ambiente 
hospitalar (intra-hospitalares) (PCRIH) das PCR extra-hospitalares (PCREH). Os principais destaques 
são: 
 Uma taxonomia universal para os sistemas de atendimento. 
 Separação da cadeia de sobrevivência do adulto da AHA em duas: uma para sistemas de 
atendimento intra-hospitalar e outra para o ambiente extra-hospitalar. 
 Revisão das melhores evidências sobre como esses sistemas de atendimento de PCR são 
reavaliados, com foco em PCR, infarto do miocárdio (IAM) e acidente vascular cerebral (AVC). 
 
As equipes com profissionais bem-treinados, bem como aquelas especializadas no atendimento de 
emergência pré e hospitalar, devem realizar uma abordagem que inclua diferentes acessos e realização 
de manobras feitas simultaneamente. As orientações e indicações sequenciais são voltadas para o 
socorrista que se depara com uma emergência em via pública ou em outro local, onde não disponha de 
recursos, quando está sozinho ou quando presta o socorro, mesmo que com ajuda de outras pessoas, 
em uma ambiente onde não faça parte de equipes de emergência. 
6 
 
 
 
Assim, as equipes de suporte básico de vida, quando atuam de forma integrada e bem treinada, podem 
acessar, ao mesmo tempo, a avaliação e a conduta para a ventilação e a circulação. 
Figura 1. Taxonomia dos sistemas de atendimento: SPSO 
 
De acordo com a figura 1, os cuidados com a saúde precisam de elementos considerados universais 
para conseguir atender as necessidades conforme destacados pela Associação Americana de 
Cardiologia: 
 
Figura 2. Cadeias de sobrevivência de PCRIH e PCREH 
 
7 
 
 
 
O socorrista, ao decidir intervir em determinada ocorrência no ambiente pré-hospitalar, deverá seguir 
algumas regras básicas de atendimento. Vejam-se. 
AVALIAR cuidadosamente o cenário: 
Qual a situação? Observar, reconhecer e avaliar cuidadosamente os riscos que o ambiente oferece 
(para você, sua equipe e terceiros – paciente, familiares, testemunhas, curiosos), qual o número de 
vítimas envolvidas, gravidade etc. 
Como a situação pode evoluir? Tenha sempre em mente que o ambiente pré-hospitalar nunca está 
100% seguro, e uma situação aparentemente controlada pode tornar-se instável e perigosa a qualquer 
momento. Portanto, a segurança deverá ser reavaliada constantemente. Identifique as ameaças ao seu 
redor, tais como riscos de atropelamento, colisão, explosão, desabamentos, eletrocussão, agressões etc. 
Na existência de qualquer perigo em potencial, aguarde o socorro especializado. Lembre-se: não se 
torne mais uma vítima! Quanto menor o número de vítimas, melhor. 
Que recursos devem ser acionados? Verifique se há necessidade de solicitar recursos adicionais, tais 
como corpo de bombeiros, defesa civil, polícia militar, companhia elétrica e outros. 
 
ACIONAR A EQUIPE DE RESGATE especializada e autoridades competentes, caso seja 
necessário, conforme avaliação anterior. Não devemos esquecer que solicitar o serviço de socorro pré-
hospitalar profissional é tão importante quanto cuidar da própria vítima. Na maioria das cidades 
brasileiras, os principais números para acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência 
(SAMU), serviço de salvamento e resgate (Corpo de Bombeiros) e Polícia Militar são, 
respectivamente, 192, 193 e 190. 
SINALIZAR O LOCAL: isso é especialmente importante em casos de acidentes automobilísticos, 
portanto não se esqueça de sinalizar a cena e torná-la a mais segura possível. Utilize o triângulo de 
sinalização, pisca-alerta, faróis, cones, galhos de árvores etc. 
Utilizar BARREIRAS DE PROTEÇÃO contra doenças contagiosas. Ao examinar e manipular a 
vítima, o socorrista deverá tomar todas as precauções para evitar a sua contaminação por agentes 
infecciosos, sangue, secreções ou produtos químicos. O uso de Equipamento de Proteção Individual 
(EPI), tais como luvas descartáveis, óculos de proteção, máscaras e aventais, é essencial para a 
segurança do profissional de saúde em atendimento. Portanto, proteger-se de qualquer contaminação e 
minimizar os riscos de exposição fazendo uso das precauções universais é uma obrigação da pessoa 
que presta o socorro. Lembre-se do bom senso: a sua segurança em primeiro lugar. Lembramos ainda 
que a lavagem de mãos com água e sabão deverá ser feita rigorosamente antes e após cada 
atendimento. Esse é um hábito imprescindível a ser adotado tanto no ambiente pré-hospitalar quanto 
no hospitalar por todos os profissionais de saúde. Quando se tratar de emergência, o que se deve fazer 
é se proteger (com luvas) para salvar a vida e não procurar uma pia para se lavar. 
RELACIONAR TESTEMUNHAS para sua própria proteção pessoal, profissional e legal enquanto 
prestador de socorro. 
ABORDAGEM E AVALIAÇÃO DA VÍTIMA 
Após avaliar o ambiente e tomar todas as precauções de segurança e proteção individuais, o socorrista 
deverá se identificar e se apresentar à vítima dizendo: “Sou um profissional de saúde. Posso ajudar?” 
Em seguida, devidamente autorizado a prestar auxílio e observando todos os aspectos pessoais e legais 
da cena do acidente (ou doença aguda), o profissional poderá intervir diretamente no atendimento. 
8 
 
 
 
É fundamental que o socorrista profissional classifique a vítima em bebê, criança ou adulto, pois os 
procedimentos de SBV, caso sejam necessários, serão adotados respeitando-se essa classificação, de 
acordo com as recomendações de 2018 da American Heart Association. 
 Bebê (“lactente”): do nascimento ao primeiro ano de vida. 
 Criança: do primeiro ano de vida até o início da puberdade (por exemplo, desenvolvimento 
das mamas em meninas e pelos axilares nos meninos). 
 Adulto: a partir da puberdade. 
 
A prioridade de atendimento é determinada basicamente pela gravidade da vítima, ou seja, serão 
socorridas e atendidas primeiramente aquelas que se encontram sujeitas a maior risco de morte, pois o 
objetivo principal do primeiro socorro é a preservação da vida. O socorrista deverá seguir uma 
sequência padronizada e executar as medidas de socorro conforme for identificando as lesões da 
vítima. O exame é dividido em dois tempos principais: avaliação primária e avaliação secundária. 
AVALIAÇÃO PRIMÁRIA consiste em uma análise de todas as condições que impliquem risco 
iminente de morte, tais como estabilização da coluna cervical, permeabilidade das vias aéreas, 
respiração eficaz (anormal ou gasping), estabilidade circulatória, e controle de grandes sangramentos. 
Essa etapa inicial da avaliação deverá ser completada em 60 segundos, no máximo, e imediatamente 
chamar ou solicitar alguém que chame o serviço de atendimento móvel, se disponível no local trazer o 
Desfibrilador Externo Automático (DEA). Durante a avaliação primária, o socorrista identifica e 
corrige prontamente todos os problemas que ameaçam a vida do doente. As medidas de suporte básico 
de vida são iniciadas nesse primeiro instante. 
Contudo, é crucial antes de adentrar ao atendimento observar a segurança do local, se é seguro ou não, 
para o socorrista ofertaro atendimento. 
Fica mantida a sequência utilizada C-A-B levando ao mesmo conceito de que quanto mais rápido 
iniciar as compressões a vítima terá mais chances de sobrevida, visto o início precoce das 
compressões. 
A maior parte dos pacientes que sofrem PCR inicialmente apresenta Fibrilação Venticular (FV) ou 
Taquicardia Ventricular (TV) sem pulso. Diante disso, as medidas imediatas são compressões e 
desfibrilação precoce. Sendo assim, a sequência utilizada anteriormente retardaria o início da 
massagem cardíaca. Com alteração da sequência, as manobras de compressões serão iniciadas sem 
atraso e a ventilação virá em seguida. A sequência recomendada para um único socorrista é iniciar as 
compressões torácicas antes de aplicar as ventilações de resgate (C-A-B em vez de X-A-B-C...), para 
reduzir o tempo até a primeira compressão. O único socorrista deve iniciar a RCP com 30 
compressões torácicas seguidas por duas respirações (AHA, 2018, p. 5). 
Hemorragia Exsanguinante: Existe alguma hemorragia grave? 
Circulação – O pulso está presente? Não se deve demorar mais do que 10 segundos para identificar o 
pulso. Na ausência de pulso iniciar de imediato 30 compressões torácicas, em uma frequência de no 
mínimo 100 vezes por minuto, em uma frequência de 100 a 120/min. Já a profundidade dessas 
compressões torácicas em adultos é de pelo menos 5 cm e não superior a 6 cm. Contudo vale lembrar 
que é difícil verificar uma diferença de apenas 1 cm na profundidade das compressões. Daí a 
importância do treinamento continuado em manequins. 
Verificar se as vias aéreas estão pérvias, realizar estabilização da coluna, estabilização manual por 
profissionais de saúde (vítimas com suspeita de trauma, no intuito de impedir movimentos) até a 
chegada do suporte móvel. A recomendação do uso de colar cervical exige muita prática e 
treinamento. Estudos realizados mostraram complicações ocasionadas pelo uso incorreto do colar e 
isso fez com que a utilização não seja recomendada para prestadores de primeiros socorros. 
9 
 
 
 
Respiração – Verifique se existe respiração, respiração anormal ou apenas gasping. O socorrista deve 
estar atento para identificar o mais rápido possível a ausência de resposta por parte da vitima e acionar 
imediatamente o serviço de urgência/emergência e iniciar a RCP 100 a 120/min compressões no 
centro do tórax, não parar até a chegada do socorro especializado, ambulância do SAMU ou corpo de 
bombeiros. 
Avaliação neurológica – Chamar pela pessoa. “Você está bem? Posso ajudar? Qual o seu nome?” Um 
método muito simples para determinar rapidamente o estado de consciência é a utilização do sistema 
AVDI. 
 
A – Acordado, Alerta: o indivíduo emite respostas coerentes (nome, endereço, detalhes do acidente). 
Geralmente a vítima mantém contato visual com o socorrista e atende normalmente aos estímulos 
visuais, auditivos e táteis. 
V – Verbal: nesse estágio a vítima ainda atende ao estímulo verbal dado pelo socorrista (comando de 
voz), no entanto, pode apresentar-se confusa e emitir palavras desconexas. Devemos considerar que 
essa vítima poderá perder a consciência a qualquer momento, portanto ela deve ser estimulada a se 
manter acordada. 
D – Doloroso: nesse estágio a vítima não atende mais aos estímulos verbais do socorrista, apesar de 
poder emitir sons ou gemidos, mas sem capacidade de contato visual direto. Realiza-se um estímulo 
doloroso (sobre o esterno, trapézio ou leito ungueal) para obter qualquer resposta da vítima (localizar a 
dor, reagir com caretas, movimentos, gemidos). É bom lembrar que, em muitos casos, a vítima estará 
em um estado de semiconsciência e poderá até mesmo ouvir e sentir o que acontece ao seu redor. 
Dessa forma, o socorrista também deverá estimular o retorno da vítima ao estado de resposta verbal, 
incentivando a melhora do seu nível de consciência. 
I. Irresponsivo ou Inconsciente: nesse estágio o indivíduo não responde nem mesmo ao estímulo 
doloroso. Isso, por si só, já caracteriza uma situação crítica. Exposição da vítima com controle da 
hipotermia – Retirar ou cortar as vestes para visualizar melhor e tratar as lesões de extremidades. Em 
seguida, cobrir a vítima, prevenindo assim a hipotermia e minimizando o choque. 
 
É muito importante obter todas as informações possíveis do local do acidente. O socorrista deverá 
observar cuidadosamente a cena por si só, conseguir informações com a própria vítima (se consciente 
e orientada), familiares e testemunhas e avaliar os sinais e sintomas indicativos de uma emergência. 
AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA (complementar): consiste na segunda etapa do exame, em que serão 
observadas todas as lesões que não impliquem risco imediato à vida. O socorrista deve buscar realizar 
anamnese direcionada, checar a história do acidente ou mal súbito, identificar os ferimentos, aferir os 
sinais vitais e realizar exame físico padronizado, da cabeça aos pés. Algumas perguntas e informações 
são fundamentais e devem ser levantadas, como, por exemplo: 
Nome, idade, telefone (menor de idade – contatar responsáveis). 
 O que aconteceu? 
 Isso já aconteceu antes? 
 Algum problema de saúde? 
 Está tomando algum remédio? 
 Está fazendo algum tratamento de saúde? 
 É alérgico a algum medicamento? 
10 
 
 
 
 Fez uso de algum tipo de droga? 
 Qual o horário da última alimentação? 
 O que você está sentindo? Sente dor em algum lugar? 
 
Dica para realizar a anamnese: utilizar a sigla AMPLA. 
A – Alergias 
M – Medicamentos 
P – Passado médico 
L – Líquidos e Alimentos 
A – Ambiente (eventos relacionados ao trauma ou emergência clínica) 
 
Durante a avaliação secundária, proceder, ainda, à avaliação dos sinais vitais, observar a cor da pele e 
verificar o nível de consciência. Destacamos abaixo algumas observações e “dicas” quanto aos dados 
obtidos pelo socorrista durante a realização dessa etapa. 
 
Condições que estimulam o sistema nervoso parassimpático, como algumas intoxicações, síncope e 
pressão intracraniana elevada podem provocar bradicardia. 
Condições que elevam a demanda de oxigênio, como febre alta, choque, hipóxia e anemia grave, 
provocam taquicardia. 
Um ritmo de pulso irregular e uma deficiência do pulso (frequência do pulso radial menor que a 
frequência do pulso apical) ocorrem com as arritmias. 
Um pulso filiforme geralmente é encontrado no choque hipovolêmico, assim como respirações rápidas 
e superficiais. 
1. Respiração profunda e difícil (com esforço – dispneia) pode indicar obstrução nas vias aéreas, 
doença cardíaca ou pulmonar. 
2. A diferença entre a PA sistólica e a diastólica (pressão de pulso) é aproximadamente de 30 a 
40mmHg. 
3. Quando a pressão de pulso é baixa, diz-se que a PA é convergente e, quando é alta, diz-se que a 
PA é divergente. A PA convergente indica vasoconstrição e ocorre, por exemplo, precocemente no 
choque hemorrágico antes da queda da pressão sistólica. A PA divergente indica vasodilatação e 
ocorre nas reações anafiláticas e no choque neurogênico. 
4. Uma pele fria e úmida é indicativa de uma resposta do sistema nervoso simpático a um 
traumatismo ou perda sanguínea (estado de choque). A exposição ao frio produz uma pele fria, no 
entanto seca. Uma pele quente e seca pode ser causada por febre, em uma doença, ou ser o 
resultado de uma exposição excessiva ao calor, como na insolação. 
5. Todo politraumatizado taquicárdico e pálido está em choque, até que se prove o contrário. 
Pacientes com coloração rosada raramente têm hipovolemia crítica. 
6. A cianose não aparece na intoxicação por monóxido de carbono, e a coloração vermelho-cereja da 
pele e mucosas, descrita como sinal clássico nesse tipo de intoxicação, é rara. 
11 
 
 
 
7. Dilataçãopupilar bilateral e não reativa sugere dano cerebral grave. 
8. Presença de pupilas anisocóricas sugere lesão cerebral por traumatismo craniano ou acidente 
vascular encefálico (AVE). 
CAPÍTULO 2 
Parada cardiorrespiratória 
A parada cardiorrespiratória (PCR) é uma emergência relativamente frequente em qualquer serviço de 
atendimento de emergência e significa a cessação dos batimentos cardíacos e dos movimentos 
respiratórios. 
 
Já foi o tempo em que ausência de respiração e batimento cardíaco significava morte. Com a evolução 
das técnicas de reanimação cardiopulmonar, desenvolvimento de drogas, aperfeiçoamento de 
equipamentos e treinamento de leigos e profissionais, milhares de vidas são salvas em todo o mundo. 
As células do organismo começam a morrer alguns minutos depois de cessadas as funções vitais. As 
células nervosas são as mais frágeis do corpo humano. Elas não conseguem sobreviver por mais de 
cinco minutos sem oxigênio, sofrendo lesões irreversíveis. 
É claro que toda pessoa com alguma possibilidade de ser salva deve ser reanimada. No entanto, como 
saber que essa chance existe e quando devemos considerar a pessoa morta? Sabemos que uma vítima 
estará morta quando houver parada total e irreversível de suas funções encefálicas. Quando essas 
estruturas cessam suas funções de forma irreversível, podemos afirmar que ela se encontra morta e não 
há mais nada a ser feito. 
“A parada total e irreversível das funções encefálicas equivale à morte, conforme critérios já bem 
estabelecidos pela comunidade científica mundial.” (Trecho da Resolução do Conselho Federal de 
Medicina n° 1.480/1997, de 8/8/1997). 
Observação – intoxicação por drogas depressoras do Sistema Nervoso Central (SNC), distúrbios 
metabólicos e hipotermia podem simular os parâmetros de lesão encefálica irreversível. 
O socorrista, ao se aproximar da vítima e constatar que não existe respiração e pulso, não pode ter 
certeza se já existe a morte encefálica, portanto a vítima deverá receber as manobras de reanimação, a 
não ser que se encontrem sinais claros de morte óbvia. Existem inúmeros casos conhecidos em que a 
vítima foi reanimada com sucesso após longo tempo de parada cardíaca (fato relacionado com as 
causas da parada cardíaca e fatores ambientais que podem preservar o encéfalo por um tempo maior 
que os tradicionais 4 a 6 minutos para que a morte cerebral se inicie). 
As causas de parada cardiopulmonar podem ser divididas em dois grupos: primárias e secundárias. 
Primárias: devido a um problema do próprio coração, causando uma arritmia cardíaca, geralmente a 
fibrilação ventricular. A causa principal é a isquemia cardíaca (chegada de quantidade insuficiente de 
sangue oxigenado ao coração). 
Secundárias: são as principais causas de PCR em crianças e vítimas de traumatismos. A disfunção do 
coração é causada por problema respiratório ou por uma causa externa: 
1. oxigenação deficiente: obstrução de vias aéreas e doenças pulmonares; 
2. transporte inadequado de oxigênio: hemorragias graves, estado de choque e intoxicação pelo 
monóxido de carbono; 
3. ação de fatores externos sobre o coração: drogas,trauma direto no coração e descargas elétricas. 
12 
 
 
 
Parada respiratória 
A vítima interrompe os movimentos respiratórios, mas o coração pode continuar bombeando sangue 
durante alguns minutos e a circulação continua enviando oxigênio dos pulmões para os tecidos. Se 
houver uma intervenção precoce, é possível reverter o quadro e prevenir a parada cardíaca. Do 
contrário, ocorrerá interrupção do funcionamento do coração enquanto bomba cardíaca, a circulação 
será suspensa e o quadro se agravará com parada cardiorrespiratória. 
Causas da parada respiratória: 
. Estado de inconsciência – obstrução de vias aéreas por queda da língua na faringe posterior. 
. Obstrução de vias aéreas por corpo estranho (OVACE). 
. Afogamento. 
. Acidente vascular encefálico. 
. Inalação de fumaça. 
. Overdose de drogas. 
. Trauma cranioencefálico, entre outras. 
Como reconhecer os sinais de uma parada cardiorrespiratória (PCR) 
Tríade: vítima inconsciente, ausência de respiração e ausência de pulso em grande artéria (o principal 
sinal da parada cardiopulmonar, sendo o mais específico – ausência de pulso carotídeo no adulto e 
braquial no bebê). 
Atenção! A midríase bilateral é um sinal tardio, ocorre em até 45 segundos após a parada cardíaca e 
pode aparecer em outras situações. Assim sendo, não utilizar a dilatação das pupilas para o diagnóstico 
da parada ou para definir que a vítima está com lesão cerebral irreversível. A persistência da midríase 
com a RCP é um sinal de prognóstico ruim. 
A ausência de circulação do sangue interrompe a oxigenação dos tecidos. Após alguns minutos as 
células mais sensíveis começam a morrer. Os órgãos mais sensíveis à falta de oxigênio são o cérebro e 
o coração. A lesão cerebral irreversível ocorre geralmente após cinco a seis minutos (morte cerebral). 
Dica: As vítimas submetidas a baixas temperaturas (hipotermia) podem suportar períodos mais longos 
sem oxigênio, pois o metabolismo diminui, reduzindo o consumo de oxigênio. 
Portanto, a reanimação cardiopulmonar (RCP) é a técnica utilizada para retardar a lesão cerebral até a 
instituição de medidas de suporte avançado de vida. Consiste nas manobras de abertura das vias 
aéreas, respiração artificial e compressões torácicas, na tentativa de restabelecer a ventilação pulmonar 
e a circulação sanguínea. 
Objetivos das manobras de reanimação cardiopulmonar (MRCP) 
São objetivos das manobras de reanimação cardiopulmonar: 
1. oxigenar e circular o sangue até que seja iniciado o tratamento definitivo; 
2. retardar ao máximo a lesão cerebral; 
13 
 
 
 
3. prolongar a duração da fibrilação ventricular (modalidade de PCR mais encontrada no ambiente 
extra-hospitalar), impedindo que ela se transforme em assistolia e permitir que a desfibrilação 
tenha sucesso; 
4. reverter a parada cardíaca em alguns casos de PCR por causas respiratórias. 
 
A RCP não é capaz de evitar lesão cerebral por períodos prolongados. Com o tempo (minutos) a 
circulação cerebral obtida com as compressões torácicas vai diminuindo progressivamente até se 
tornar ineficaz. Durante a RCP a pressão sistólica atinge de 60 a 80mmHg, mas a pressão diastólica é 
muito baixa, diminuindo a perfusão de vários órgãos, entre os quais o coração. As paradas por 
fibrilação ventricular só podem ser revertidas pela desfibrilação (tratamento definitivo). 
Para cada minuto sem as manobras de reanimação cardiopulmonar e desfibrilação, as chances de 
sobrevivência da vítima caem de 7% a 10%. 
Para a vítima em parada cardiopulmonar, o tempo é um fator crítico. (“Tempo é cérebro!”). Durante 
alguns minutos após a parada ainda existe oxigênio nos pulmões e na corrente sanguínea para manter a 
vida, mas as manobras de reanimação devem ser iniciadas tão logo se detecte a parada cardíaca. No 
entanto, o SBV sem desfibrilação não é suficiente para manter a vida por períodos prolongados e a 
reversão da PCR na maioria dos casos também não é obtida. Portanto, é fundamental a solicitação de 
unidade com desfibrilação e recursos de suporte avançado de vida. Estudos comprovam que vítima 
desfibrilada em até 8 minutos após a parada cardiopulmonar tem mais chances de sobrevivência. 
O desfibrilador é um aparelho que emite descarga elétrica (choque) no intuito de reverter a arritmia 
cardíaca letal. É indicado nas situações em que o coração apresenta ritmo de fibrilação ventricular 
(FV) e taquicardia ventricular sem pulso (TV). 
O desfibrilador externo automático (DEA) é um aparelho simples, bastante confiável e de fácil 
manuseio. Qualquer pessoa tem condição de operá-lo corretamente apóstreinamento adequado. (Veja 
modelos de desfibriladores ao final da unidade). 
 
 
14 
 
 
 
CAPÍTULO 3 
Protocolo de reanimação cardiopulmonar – diretrizes 2018 
“Qualquer pessoa, em qualquer lugar, pode iniciar ressuscitação 
cardíaca. Tudo o que é necessário são duas mãos.” 
As manobras de reanimação cardiopulmonar vêm sendo aperfeiçoadas ao longo de várias décadas. 
Dessa forma, a American Heart Association (AHA) – Associação Americana de Cardiologia 
desenvolve protocolos de reanimação cardiovascular, resumindo principais questões discutidas 
referentes ao Suporte Básico de Vida, enfrentadas por socorristas e leigos, concentrando as 
recomendações mais importantes de uma forma mais efetiva no enfrentamento das urgências e 
emergências. 
A sobrevivência à parada cardiorrespiratória depende de uma série de intervenções fundamentais, que 
correspondem à “corrente de sobrevivência”. O reconhecimento imediato dos sinais, o acionamento 
precoce do serviço de emergência (acesso rápido), a RCP imediata, a chegada da equipe de 
atendimento (com a desfibrilação precoce) e entrada rápida no hospital (Suporte Avançado de Vida 
(SAV)) são elos vitais da corrente para garantir a eficácia do processo. A recuperação da circulação 
deve ocorrer num período inferior a 4 minutos, caso contrário poderão sobrevir alterações irreversíveis 
no sistema nervoso, um dos tecidos mais sensíveis à falta de oxigênio. 
 
Sequência resumida dos passos para execução do Suporte Básico de Vida e manobras de RCP 
1. Avaliar a responsividade: avaliar o nível de consciência, tocando a vítima pelo ombro e 
chamando-a em voz alta. 
15 
 
 
 
 
2. Chamar por ajuda: na ausência de resposta da vítima, acionar imediatamente o serviço médico 
de emergência e solicitar desfibrilador. Nas proximidades onde se encontra a vítima, profissionais de 
saúde devem solicitar ajuda, visto a não responsividade da vítima, porém, é necessário avaliar 
simultaneamente respiração e pulso, passando informações mais precisas ao suporte médico, na 
intenção de minimizar atrasos e obter eficiência. 
 
3. Detectar presença de pulso (C – Circulation): palpação da artéria carótida ou femoral (5 a 10 
segundos). Na ausência de pulso, iniciar compressões torácicas: comprimir com força e rápido na 
frequência de no mínimo 100 a 120 vezes por minuto (porém, a frequência mínima continua sendo 
de 100/min). As compressões devem ser de pelo menos 5 cm a 6 cm para um adulto médio, evitando 
excesso na profundidade das compressões torácicas, permitindo sempre que o tórax retorne por 
completo, não apoiando sobre o tórax; em crianças e bebês, cerca de 1 ½ polegada (4 cm). A relação 
compressões/ventilações com um socorrista deve ser mantida na proporção de 30:2, em qualquer 
faixa etária (exceto em recém-nascidos), quando houver apenas um socorrista e de 15:2 em crianças 
até a puberdade, se houver dois ou mais socorristas. Deve-se minimizar a interrupção das manobras 
de compressão e, quando dois ou mais profissionais de saúde estiveram presentes durante a RCP, os 
socorristas devem revezar-se nas compressões torácicas a cada 5 ciclos (2 minutos de RCP), visando 
manter a eficácia do procedimento. 
 
A maioria dos estudos mostrou que um número maior de compressões aumentou a taxa de sobrevida 
enquanto um número menor resultou em uma baixa sobrevida, contudo a efetividade das 
compressões também é determinante. 
4. Abrir as vias aéreas (A – Airway): assegurar permeabilidade e desobstrução das vias aéreas. 
Identificar respiração anormal ou gasping. Abrir as vias aéreas (A – Airway): assegurar 
permeabilidade e desobstrução das vias aéreas. Identificar respiração anormal ou gasping. 
5. Avaliar respiração (B – Breathing): realizar ventilação de resgate – 2 insuflações, com duração de 
1 segundo cada. 
6. Desfibrilação (D – Defibrillation): o tratamento definitivo da fibrilação ventricular (FV) ou 
taquicardia ventricular sem pulso (TV) consiste na desfibrilação (choque). 
 
Observações: 
Colocar o DEA assim que disponível, minimizando compressões torácicas antes e após o choque. 
Reduzir o tempo entre a compressão e a aplicação do choque e o reinício imediato das compressões. 
Quando houver suporte ventilatório avançado instalado não interromper compressões nem alternar. A 
frequência de ventilação deve ser aplicada a cada 6 segundos (10 respirações por minuto) enquanto 
são aplicadas compressões torácicas contínuas. 
16 
 
 
 
Suporte básico de vida aplicado em crianças 
A aplicação do suporte básico de vida em pediatria obedece sempre ao praticado nos adultos. O 
atendimento pré-hospitalar tem o objetivo de reduzir a mortalidade após uma parada 
cardiorrespiratória e ofertar uma qualidade de vida melhor a essas vítimas. Hoje com a ajuda dos 
desfibriladores automáticos em lugares de grande aglomeração isso tem contribuído para essa redução. 
Sequência de passos para a execução do suporte básico de vida para crianças 
acima de 1 ano 
1. Segurança do local: observar se no local onde encontra a vítima existe segurança para que o 
socorrista consiga ofertar atendimento. 
2. Reconhecimento de PCR: verificar se a vítima responde e se existe respiração (gasping, 
respiração anormal); detectar a presença do pulso em 10 segundos. 
3. Acionar o serviço de emergência: se estiver sozinho desloque-se para solicitar o suporte móvel 
de emergência e obtenha um DEA, antes de realizar RCP; se estiver acompanhado solicite que se 
chame o suporte móvel e inicie RCP. 
4. Relação compressão ventilação: com um socorrista executar 30:2; com dois socorristas executar 
15:2 em crianças. Em adolescentes e adultos realizar sempre 30:2 mesmo havendo dois 
socorristas. 
Frequência das compressões: executar as compressões sempre entre 100 a 120/min. Com profundidade 
das compressões de 5 cm, não apoiando em cima do tórax deixando-o retornar por completo a cada 
compressão. Em adolescentes, o limite máximo de profundidade das compressões é de 6 cm. O 
posicionamento das mãos deve ser duas mãos ou uma mão (crianças muito pequenas) sobre a metade 
inferior do esterno. 
 
 
Em crianças menores de 1 ano (exceto recém-nascidos) 
O atendimento segue os mesmos passos de crianças acima de um ano, porém, sofre algumas 
especificidades. 
 A profundidade das compressões torácicas deve ser de 4 cm. 
 O posicionamento das mãos deve ser: com um socorrista, dois dedos no centro do tórax abaixo 
da linha dos mamilos; com dois socorristas dois polegares no centro do tórax abaixo da linha mamilar. 
17 
 
 
 
 
Vias aéreas 
A vítima encontrada inconsciente e irresponsiva deverá ser posicionada em decúbito dorsal sobre uma 
superfície dura, firme e plana, com os membros superiores estendidos ao longo do corpo. A cabeça da 
vítima não deve ficar mais alta que os pés, para não prejudicar o fluxo sanguíneo cerebral. Nas vítimas 
de trauma com suspeita de lesão na coluna cervical, o movimento deve ser cuidadoso para evitar danos 
à medula espinhal. 
A ventilação pulmonar (respiração artificial) só poderá ser executada com sucesso caso as vias aéreas 
da vítima estejam abertas, desobstruídas. Nas vítimas inconscientes, a principal causa de obstrução é a 
queda da língua sobre a parede posterior da faringe. Como a língua está presa à mandíbula, as 
manobras que tracionam a mandíbula para frente também elevam a língua. A manobra de abertura das 
vias aéreas pode ser suficiente para restabelecer a respiração e prevenir a parada cardíaca. 
As principais manobras utilizadas para desobstruir as vias aéreas são: inclinação da cabeça com 
elevação do queixo e manobra de elevação da mandíbula. Pode ser utilizada também uma cânula 
orofaríngea (do tipo Guedel) para mantera permeabilidade das vias aéreas. 
Inclinação da cabeça e elevação do queixo: manobra mais utilizada, fácil e efetiva. Com uma das 
mãos, pressionar a testa da vítima, inclinando a cabeça levemente para trás (hiperextensão do 
pescoço). Posicione os dedos da outra mão sobre o queixo, deslocando a mandíbula para cima. Não 
utilizar o polegar e não aplicar pressão excessiva nas partes moles sob o queixo, que poderão obstruir 
as vias aéreas. Manter a boca da vítima aberta. 
 
 
Elevação do ângulo da mandíbula: é a manobra de escolha nas vítimas com suspeita de 
traumatismos na coluna cervical, pois pode ser realizada sem estender o pescoço. Segurar com as duas 
18 
 
 
 
mãos os ângulos das mandíbulas, uma de cada lado, e deslocar anteriormente, mantendo a cabeça fixa. 
Com os polegares, afaste os lábios inferiores. Essa técnica deverá ser adotada apenas por profissionais 
de saúde treinados. 
 
Observação – socorristas leigos não devem realizar essa manobra e sim a elevação do queixo. 
Atenção! De acordo com as diretrizes 2010, caso essa manobra não promova abertura das vias aéreas, 
o profissional de saúde é orientado a utilizar a manobra convencional (inclinação da cabeça e elevação 
do queixo), pois a abertura das vias aéreas é uma prioridade nos pacientes inconscientes, inclusive nas 
vítimas de trauma. 
Obstrução das Vias Aéreas por Corpos Estranhos (OVACE) 
Se um corpo estranho for visualizado e estiver acessível após a manobra de abertura das vias aéreas, 
remova-o com o dedo indicador “em gancho”. No caso de líquidos, tente removê-los com os dedos 
indicador e médio envolvidos por gaze. Somente tente remover o material que está causando a 
obstrução se ele estiver bem visível e de fácil acesso. 
 
 
Embora a perda de consciência seja a causa mais frequente de obstrução das vias aéreas (pela queda da 
língua), a obstrução por corpos estranhos pode provocar a perda de consciência e parada 
cardiopulmonar. A eventualidade de corpos estranhos obstruindo as vias aéreas ocorre mais 
frequentemente durante as refeições, mas outras causas de obstrução incluem próteses dentárias 
deslocadas, fragmentos dentários, sangue, secreções (saliva, vômito), balas etc. Em lactentes ou 
crianças, as causas mais frequentes são aspiração de pequenos objetos ou leite regurgitado. 
19 
 
 
 
A obstrução de vias aéreas pelo conteúdo regurgitado do estômago também poderá ocorrer durante a 
parada cardiopulmonar ou nas manobras de ressuscitação. Pessoas com nível de consciência alterado 
correm maior risco de obstrução de vias aéreas pela aspiração de material vomitado ou sangue (Perda 
ou diminuição do reflexo faríngeo). 
A obstrução das vias aéreas pode ser parcial (semiengasgo) ou total (engasgo). Com a parcial, a vítima 
ainda pode ser capaz de manter boa troca gasosa, caso em que poderá tossir, apesar dos sibilos entre as 
tossidas. Enquanto existir uma troca gasosa satisfatória, a vítima deverá ser estimulada e encorajada a 
persistir na tosse espontânea e nos esforços respiratórios, sem interferir nas tentativas para expelir o 
corpo estranho. 
A troca insuficiente de ar é indicada pela presença de tosse ineficaz e fraca, ruídos respiratórios 
estridentes ou gementes, dificuldade respiratória acentuada e, possivelmente, cianose. Nesse ponto, 
iniciar o manejo da obstrução parcial como se houvesse obstrução total. 
A obstrução total das vias aéreas (engasgo real) é geralmente reconhecida quando a vítima está se 
alimentando e, repentinamente, fica incapaz de falar ou tossir. Pode demonstrar sinais de asfixia, 
agarrando o pescoço (sinal clássico, universal), apresentando esforço respiratório exagerado e cianose. 
O movimento de ar pode estar ausente ou não ser detectável. A vítima não consegue falar ou tossir 
com eficácia. O pronto atendimento é urgente, preferencialmente enquanto a vítima ainda está 
consciente. Caso não seja instituído tratamento, a vítima evolui rapidamente para inconsciência, PCR e 
óbito. 
Como proceder? 
MANOBRA DE HEIMLICH. 
Essa técnica tem como objetivo expulsar o corpo estranho por intermédio da eliminação do ar residual 
dos pulmões, criando uma espécie de “tosse artificial”. 
 
»»Posicione-se atrás da vítima, abraçando-a em torno do abdome. Estando a vítima em pé, ampliar sua 
base de sustentação, afastando as pernas, e posicionar uma perna entre as pernas da vítima (para evitar 
que ela caia, caso venha perder a consciência). 
»»Localizar o umbigo. 
»»Colocar a mão fechada a um dedo acima do umbigo. A mão do socorrista em contato com o abdome 
da vítima está com o punho fechado e o polegar voltado para dentro. A outra mão é colocada sobre a 
primeira. 
»»Aplicar 5 compressões abdominais sucessivas, direcionadas para cima. 
»»Conferir se a vítima voltou a respirar expelindo o objeto. 
20 
 
 
 
»»Se necessário, reposicionar e repetir os ciclos de cinco compressões, até que o objeto desobstrua as 
vias aéreas, ou a vítima perca a consciência. 
 
 
Se a vítima ficou inconsciente, apoiá-la cuidadosamente até o solo e iniciar manobras de reanimação 
cardiopulmonar (30 compressões torácicas e 2 ventilações. Reavaliar a cada 2 minutos (5 ciclos) ou se 
a vítima mostrar sinais de desobstrução, respiração espontânea e circulação). 
Atenção! A manobra de Heimlich é perigosa e poderá provocar lesões internas graves. As principais 
complicações são lesões de vísceras abdominais como o fígado e o baço e a regurgitação de material 
do estômago com broncoaspiração. Sempre encaminhe a vítima ao médico após a aplicação da 
manobra de Heimlich. 
Observação – segundo a American Heart Association, a manobra de Heimlich com compressões 
abdominais é recomendada apenas para crianças maiores de um ano e adultos. 
Dica – para a desobstrução de vias aéreas em bebês, mulheres grávidas e pessoas obesas, realizar 
compressões torácicas e não compressões abdominais. 
Nos bebês (lactentes), intercalar 5 tapotagens com as 5 compressões torácicas, até que o objeto seja 
expulso ou o bebê perca a consciência. Caso isso ocorra, considerar a criança em parada 
cardiorrespiratória e iniciar imediatamente manobras de RCP. 
21 
 
 
 
 
Boa ventilação 
Após a desobstrução da via aérea por corpo estranho deve-se observar se a vítima tem respiração 
normal ou gasping. 
 
O procedimento de verificação da respiração não deve levar mais do que 3 a 5 segundos. 
Respiração difícil, ruidosa e com esforço respiratório pode indicar obstrução de vias aéreas, ou 
respiração agônica que antecede a parada cardíaca. O socorrista deve estar atento. 
Ao constatar que a vítima não está respirando, iniciar imediatamente a ventilação artificial (“sopro da 
vida” ou duas ventilações de resgate). 
Conforme visto anteriormente, o socorrista não deve se esquecer de utilizar barreiras de proteção ao 
realizar a técnica de ventilação boca a boca. Deve se lembrar que a segurança do profissional vem em 
primeiro lugar! O socorrista poderá utilizar dispositivos de barreira como a face-shield ou pocket mask 
(existem diversos modelos disponíveis no mercado). O ideal é utilizar o balão-valva-máscara 
(reanimador manual), conhecido popularmente como “Ambu®”. 
22 
 
 
 
 
 
Abrir a via aérea com manobra de inclinação da cabeça ou elevação da mandíbula; pinçar as narinas da 
vítima com a mesma mão que inclina a cabeça; aplicar sua boca sobre a da vítima, vedando-a 
completamente. Efetuar duas ventilações, com duração de 1 a 2 segundos (cada sopro), observando o 
movimento do peito e sentindo o ar expirado da vítima (ventilações mais rápidas causam distensão do 
estômago); manter um sopro a cada 5 ou 6 segundos (no adulto, frequência de aproximadamente 12 
respirações/min).Observação – se a vítima estiver inconsciente, mas apresentar respiração espontânea, deverá ser 
mantida em posição de recuperação (decúbito lateral esquerdo). Essa posição é particularmente 
importante, pois permite que seja reduzido o risco de aspiração para os pulmões, em caso de vômito 
ou excesso de sangue nas vias aéreas. A posição lateral de segurança (posição de recuperação) é 
utilizada nos momentos em que a vítima deverá ser lateralizada para desobstrução das vias 
respiratórias ou quando seu estado exigir descanso. 
 
23 
 
 
 
Circulação 
Após as duas ventilações iniciais, o prestador de socorro deve verificar o pulso da vítima. O 
procedimento de verificação do pulso não deve demorar mais que 5 a 10 segundos. 
A parada cardiorrespiratória é reconhecida pela ausência de pulso nas grandes artérias de vítimas 
inconscientes. Nos adultos e nas crianças maiores de um ano, a artéria utilizada é a carótida. Essa 
artéria pode ser palpada facilmente no pescoço (nos dois lados). Em lactentes, a artéria de escolha para 
verificar a presença de pulso é a braquial. 
 
Atenção! Verificar o pulso nas carótidas por 5 a 10 segundos de cada lado. No entanto, não verificar o 
pulso nos dois lados ao mesmo tempo, pois poderá induzir a vítima a uma bradicardia (diminuição dos 
batimentos cardíacos), por compressão dos barorreceptores localizados próximos do ponto correto de 
verificação. 
Caso o pulso presente, mas a vítima estiver em parada respiratória, a ventilação artificial deverá ser 
mantida. 
Lembrete – vítima que respira não está em parada cardíaca! A realização de compressões torácicas 
em pacientes adultos com pulso presente pode causar complicações sérias. Se confirmada a ausência 
de pulso nas grandes artérias (carótid ou femoral), iniciar imediatamente as compressões torácicas. 
A manobra de compressão torácica externa consiste em aplicação rítmica de compressão no centro do 
tórax. Isso causa pressão direta no coração e também aumento da pressão no interior do tórax, 
suficientes para manter a circulação do sangue e a oxigenação, sempre associada à ventilação artificial. 
Entretanto, mesmo com a técnica correta, o débito cardíaco é três vezes menor que o normal. Assim, o 
atendimento avançado deve ser iniciado rapidamente. O ideal é que se inicie até 8 min após a RCP 
básica. Pesquisas demonstram que, atualmente, mesmo se a RCP é iniciada em menos de 4 min após a 
parada cardiopulmonar e o Suporte Avançado à Vida (SAV) chega ao local em menos de 8 min após a 
parada, as chances da vítima se recuperar são muito pequenas. 
 A vítima deve estar em decúbito dorsal (de costas) em uma superfície dura, tomando-se o 
cuidado para que a cabeça não esteja elevada acima do nível do coração. O socorrista se mantém 
ajoelhado, ao lado do tórax da vítima. 
 A identificação correta da metade inferior do esterno é muito importante. 
 
24 
 
 
 
 
Com a mão, localizar a margem inferior do rebordo costal da vítima. 
»»Percorrer o rebordo costal até identificar o Apêndice Xifoide. 
»»Colocar dois dedos acima do apêndice xifoide sobre o esterno. preconizado encontrar um ponto 
entre os mamilos sobre o esterno. Apoiar a palma de uma das mãos sobre a metade inferior do esterno. 
 
»»Colocar a outra mão sobre a primeira, de forma que ambas fiquem paralelas. Pode entrelaçar os 
dedos ou mantê-los estendidos, mas não apoiá-los sobre a caixa torácica. O objetivo é impedir que a 
força de compressão seja efetuada sobre as costelas, podendo fraturá-las. 
»»Alinhar os ombros sobre o esterno da vítima, mantendo os cotovelos estendidos. A força de 
compressão deve ser provida pelo peso do tronco do socorrista e não pela força de seus braços. 
 
25 
 
 
 
Exercer pressão vertical, comprimindo no centro do tórax com profundidade de 5 a 6 cm em adultos. 
As compressões devem ser regulares e ininterruptas, seguidas de relaxamento com o mesmo tempo de 
duração de cada compressão. O ideal é verificar se a compressão efetuada é suficiente para gerar um 
pulso carotídeo palpável. A compressão deve ser aliviada completamente (fase de relaxamento), sem 
que o prestador de socorro retire suas mãos do tórax da vítima, para que não seja perdida a posição 
correta das mãos. 
 Após 5 ciclos (2 min) de compressão e ventilação (30:2), a vítima deve ser reavaliada. Pulso 
ausente: reiniciar RCP pelas compressões torácicas. 
 
 Pulso presente: verificar respiração; se a vítima estiver respirando – monitorizar os sinais 
vitais e colocá-la em posição de recuperação. Respiração ausente: manter ventilação artificial (1 sopro 
a cada 6 segundos, sendo de 8 a 10 por minuto) e monitorizar o pulso. 
 
As modificações recomendadas em 2010 visam otimizar as compressões torácicas e incentivar os 
socorristas a iniciar os procedimentos de RCP através por meio das compressões. 
De forma resumida, estas são as principais considerações e recomendações sobre as diretrizes 2015 de 
reanimação cardiopulmonar e uso do desfibrilador externo automático (DEA): 
1. Iniciar a RCP com as compressões torácicas e minimizar as interrupções, otimizando a função 
cardiopulmonar e perfusão dos órgãos. 
2. Comprimir o tórax a uma frequência de 100 a 120 compressões por minuto, para todas as vítimas. 
3. A proporção de compressão/ventilação para qualquer faixa etária (exceto recém--nascido) é de 
30:2 (30 compressões para 2 ventilações), com um socorrista. 
4. Em lactentes e crianças, na presença de dois socorristas, efetuar 15 compressões para 2 
ventilações. 
5. Na RCP realizada por dois socorristas, assim que uma via aérea avançada estiver em posição 
(intubação orotraqueal), os socorristas não devem mais aplicar ciclos de compressão com pausas 
para ventilação. Um socorrista realiza compressões ininterruptamente e o outro socorrista aplica as 
ventilações, em uma frequência de 8 a 10 ventilações por minuto (1 ventilação a cada 6 segundos). 
6. Comprimir com força, rápido e sem parar. 
 
7. Permitir que o tórax retorne totalmente após cada compressão (retorne à posição normal) e 
utilizar aproximadamente o mesmo tempo para compressão e relaxamento. 
8. Cada ventilação de resgate deve ter a duração de 1 segundo e produzir elevação visível do tórax. 
9. Evitar aplicar um número excessivo de ventilações ou ventilações muito longas e forçadas. 
10. Desfibrilar com choque único, seguido de RCP imediata. 
11. Reiniciar imediatamente, após a desfibrilação, as manobras de compressão, sem checar o pulso. O 
pulso somente será reavaliado após 2 minutos (ou realização de 5 ciclos de RCP). 
12. Alternar os reanimadores a cada 2 minutos, para evitar a fadiga e manter a qualidade das manobras 
de RCP. 
26 
 
 
 
13. Abrir as vias aéreas é uma prioridade, mesmo na vítima de trauma com possível lesão cervical. so 
a elevação da mandíbula sem a extensão do pescoço não abra a via aérea, os profissionais de saúde 
devem utiizar ra de inclinação da cabeça e elevação do queixo. 
14. Aplicar, se a vítima adulta não estiver respirando, mas tiver pulso, 10 a 12 ventilações de resgate 
por minuto (1 ventilação a cada 6 segundos). Para lactentes ou crianças, aplicar de 12 a 20 
ventilações por minuto (aproximadamente 1 ventilação a cada 3 a 5 segundos). 
15. Iniciar as compressões torácicas, se a frequência cardíaca do lactente ou da criança for inferior a 
60 batimentos/min, com sinais de perfusão sistêmica inadequada. 
16. Usar uma ou duas mãos para aplicar as compressões torácicas em crianças. Comprimir sobre o 
esterno no centro do tórax logo abaixo da linha mamilar. Para lactentes, pressionar sobre o 
esterno, imediatamente abaixo da linha dos mamilos. 
17. Na RCP de lactentes realizada por dois socorristas, utilizar a técnica dos dois polegares pararealizar as compressões torácicas. 
 
18. Usar o DEA para crianças acima de um ano de idade (abaixo de um ano utilizar o 
desfibrilador manual). 
 
Capitulo 4 
Urgências e emergências cardiovasculares 
Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) 
A humanidade enfrenta uma epidemia de cardiopatias, nas quais as Síndromes Coronarianas Agudas 
(SCA) representam importante causa de morbimortalidade em todo o mundo. Fatores como a 
hipertensão arterial, tabagismo, redução da prática de atividade física, maus hábitos alimentares, ganho 
ponderal, traços genéticos (hereditariedade), automedicação, estresse, privação de sono e outros 
agravos representam uma equação em que o resultado é bombástico, patológico, coletivo e, de certa 
forma, evitável. 
Atualmente, sabe-se que em grandes capitais o cidadão enfrenta cerca de uma hora de trânsito por dia, 
tem menos de 30 minutos para cada refeição, segue com vários deveres sociopolíticos, cultiva a 
ganância pelo aumento da renda e valoriza cada vez menos a saúde, chegando ao ponto de trocá-la por 
status e bens materiais. 
O sistema cardiovascular sofre, inquestionavelmente, com o padrão de vida adotado pela sociedade 
nos dias de hoje. O coração enfrenta uma sobrecarga episódica ou rotineira que prejudica seu 
funcionamento de tal maneira que o órgão perde gradativamente seu potencial de ação, entrando em 
hipoatividade e inviabilizando a manutenção do metabolismo pelo princípio básico da homeostasia. 
Assim, quando o indivíduo alcança o limiar do estresse, da fadiga e da irresponsabilidade com seu 
autocuidado, expressa uma síndrome que acomete um ou mais sistemas do organismo comprometendo 
sua integridade física. Sinais e sintomas como dor no peito, sudorese, pele fria, palidez, taquicardia e 
dispneia estão cada vez mais presentes nos serviços de atendimento médico especializado, desde 
aqueles que atuam diretamente na comunidade como nos hospitais de referência. 
Dentro desse quadro de doenças cardiovasculares, as Síndromes Coronarianas Agudas (SCA) 
correspondem à angina instável, Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e morte súbita. 
27 
 
 
 
 
A principal etiologia da SCA é a instalação de placas de ateroma nas coronárias, causando obstrução 
total ou parcial das artérias ou seus ramos, com consequente interrupção do fluxo sanguíneo e chegada 
de oxigênio e nutrientes para as células do músculo cardíaco. 
Alterações na circulação coronariana com redução do débito promovem um desequilíbrio entre a 
oferta e a demanda de oxigênio das células cardíacas. Assim, a redução do fluxo sanguíneo e 
isquemia, quando prolongada, acarretam hipóxia e culminam com a morte (necrose) do músculo 
cardíaco. Nesse processo de injúria, o coração demonstra seu sofrimento a partir de sinais e sintomas 
clássicos, tais como precordialgia, epigastralgia, sudorese fria e pegajosa, palidez cutâneo-mucosa, 
taquicardia, dispneia, inquietação, mal-estar geral, confusão mental, náuseas, vômitos, fadiga e 
síncope. 
 
A injúria sintomática decorrente da hipóxia recebe a denominação fisiopatológica de angina. Ao 
estabelecer necrose na estrutura cardíaca é diagnosticado o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM). A dor 
de um infarto do miocárdio é semelhante à da angina, mas, em geral, ela é mais intensa, prolongada e 
dificilmente aliviada pelo repouso ou administração de medicamentos. O diagnóstico diferencial entre 
a angina e o infarto é feito pelo eletrocardiograma e exames complementares. 
Alguns indivíduos apresentam parada cardiorrespiratória súbita e não respondem à reanimação 
cardiopulmonar, caracterizando um quadro de morte súbita (geralmente ocasionada por arritmias 
ventriculares como a fibrilação ventricular e a taquicardia ventricular sem pulso FV/TV). 
Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, o infarto agudo do miocárdio é considerado a 
principal causa isolada de morte no Brasil (doença cardiovascular). Esses dados coincidem com 
aqueles encontrados em países desenvolvidos. 
28 
 
 
 
Como proceder? 
Diante de uma vítima com possível quadro de IAM, deve-se acionar imediatamente o serviço de 
socorro especializado (Suporte Avançado), monitorar os sinais vitais, colocar a vítima em posição 
confortável (cabeça elevada 30º a 45º), afrouxar as roupas, gravata ou cinto; ventilar o ambiente, não 
oferecer bebida ou comida, realizar manobras de RCP (se necessário) e conduzir a vítima ao hospital o 
mais rápido possível. 
Lembre-se que “tempo é músculo cardíaco!”, portanto o paciente com dor torácica e suspeita de 
infarto agudo do miocárdio deverá ser encaminhado à emergência o quanto antes, para avaliação 
diagnóstica e tratamento adequado. O atendimento ao paciente com SCA deverá ser feito de forma 
rápida e organizada. 
Observação – o atendimento médico ao paciente (com administração de oxigênio, vasodilatadores, 
analgésicos e outras drogas), bem como os exames diagnósticos, monitorização hemodinâmica e 
tratamento não serão abordados, pois representam suporte avançado de vida e conduta específica. 
Acidente Vascular Encefálico (AVE) 
Nas últimas quatro décadas houve um aumento progressivo de sobrepeso e obesidade em função das 
mudanças do padrão alimentar e do sedentarismo da vida moderna e, por consequência, do 
crescimento da morbimortalidade por doenças crônicas não transmissíveis, incluindo o Acidente 
Vascular Encefálico (AVE). 
O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é a principal causa de incapacidade funcional no mundo e de 
morte por causas cardiovasculares no Brasil. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 
mais de 5 milhões de pessoas morrem a cada ano por causa de acidentes cardiovasculares. Segundo a 
Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares, o AVE é responsável por 30% dos óbitos 
registrados no País. 
Segundo dados do Ministério da Saúde, mesmo os pacientes que sobrevivem a um AVE correm riscos: 
cerca de 50% morrem após um ano, 30% necessitam de auxílio para caminhar e 20% ficam com 
sequelas graves. 
A definição de Acidente Vascular Encefálico no dicionário médico é a de uma manifestação, 
geralmente súbita, de insuficiência vascular do cérebro de origem arterial decorrente de espasmo, 
isquemia, hemorragia ou trombose. O Acidente Vascular Encefálico decorre da alteração do fluxo de 
sangue ao cérebro. Responsável pela morte de células nervosas da região cerebral atingida, o AVE 
pode se originar de uma obstrução de vasos sanguíneos, o chamado acidente vascular isquêmico, ou de 
uma ruptura do vaso, conhecido por acidente vascular hemorrágico. 
O Acidente Vascular Isquêmico é responsável por 80% dos casos de AVE. Essa obstrução dos vasos 
cerebrais pode ocorrer devido a um ateroma (formação de placas numa artéria principal do cérebro) ou 
tromboembolia (quando um trombo ou uma placa de gordura originária de outra parte do corpo se 
solta e, pela rede sanguínea, chega aos vasos cerebrais). 
29 
 
 
 
 
Ataques isquêmicos transitórios, como o próprio nome indica, correspondem a obstruções temporárias 
do sangue a uma determinada área do cérebro. Geralmente, essas obstruções são originadas do 
acúmulo de plaquetas agregadas em placas nas paredes dos vasos ou formação de coágulos no 
coração. Os sinais e sintomas desse ataque são os mesmos do AVE, contudo, têm duração de menos de 
24 horas. 
Em um Acidente Vascular Hemorrágico (AVEH), o rompimento dos vasos sanguíneos se dá na 
maioria das vezes no interior do cérebro, com a denominada hemorragia intracerebral. Em outros 
casos, ocorre a hemorragia subaracnoide, o sangramento entre o cérebro e a aracnoide. Como 
consequência imediata, há o aumento da pressão intracraniana, que pode resultar em maior dificuldade 
para a chegada de sangue em outras áreas não afetadas e agravara lesão. Esse subtipo de AVE é mais 
grave e tem altos índices de mortalidade. 
 
Fatores de risco 
Os fatores de risco aumentam a probabilidade de ocorrência de um acidente vascular encefálico, no 
entanto muitos deles podem ser minimizados com tratamento médico ou mudança nos estilos de vida. 
Entre os fatores de risco que podem ser modificados, destacam-se os seguintes: 
30 
 
 
 
 hipertensão; 
 diabetes; 
 tabagismo; 
 consumo frequente de álcool e drogas; 
 estresse; 
 dislipidemia; 
 doenças cardiovasculares, sobretudo as que produzem arritmias; 
 sedentarismo; 
 uso de contraceptivos hormonais; 
 doenças hematológicas. 
 
Existem, contudo, fatores que podem facilitar o desencadeamento de um acidente vascular encefálico 
e que são inerentes à vida humana, tais como: 
»»idade; 
»»etnia; 
»»predisposição genética. 
Manifestações clínicas 
A sintomatologia depende da localização do processo isquêmico, do tamanho da área isquêmica, da 
natureza e funções da área atingida e da disponibilidade de um fluxo colateral. Muitos sinais e 
sintomas são comuns aos dois tipos de acidente vascular encefálico. 
 cefaleia; 
 alterações do nível de consciência; 
 convulsões; 
 perda do equilíbrio; 
 tontura e fraqueza; 
 alterações motoras (hemiplegia, hemiparesia); 
 alterações sensitivas (parestesia, alterações do campo visual); 
 alterações da fala e de comunicação; 
 náuseas e vômitos; 
 alterações da memória. 
Atendimento inicial 
O Acidente Vascular Encefálico é uma emergência médica. O socorro especializado deve ser chamado 
imediatamente para que a vítima seja encaminhada ao hospital o mais breve possível. 
31 
 
 
 
O tratamento adequado a uma vítima desse acidente deve ser realizado dentro do hospital, por uma 
equipe multiprofissional treinada e bem coordenada. Infelizmente, muitos pacientes não chegam ao 
hospital a tempo de receber atendimento médico apropriado; portanto, quanto mais cedo o paciente for 
atendido, melhor será o prognóstico e maiores serão as chances de sobrevivência. 
No entanto, até a chegada do socorro especializado, responsável pelo transporte da vítima, é 
fundamental a avaliação do nível de consciência e monitorização dos sinais. A Escala de Coma de 
Glasgow (ECG) é uma escala neurológica que se constitui num método confiável e com o objetivo de 
registrar o nível de consciência de uma pessoa, para avaliação inicial e contínua após uma disfunção 
neurológica. 
Escala de coma de Glasgow 
 
 
Capitulo 5 
Urgências e emergências neurológicas 
Vertigem 
A vertigem é uma falsa sensação de movimento ou de rotação ou a impressão de que os objetos se 
movem ou rodam. Geralmente, ela é acompanhada por náusea e perda do equilíbrio. Somente a tontura 
verdadeira – a que os médicos denominam vertigem – causa uma sensação de movimento ou de 
rotação. A vertigem pode durar apenas alguns instantes ou pode persistir por horas ou mesmo dias. 
A vertigem deverá ser vista como um aviso de que o organismo da vítima está debilitado. Os sintomas 
podem ser alterações da visão, dificuldade de andar, debilidade passageira nas pernas, desorientação 
no espaço, alterações do equilíbrio até a inconsciência completa. Essas alterações poderão estar 
associadas a hipoglicemia, hipotensão, entre outros problemas de saúde. 
 
32 
 
 
 
Como proceder? 
Sentar a vítima, colocar sua cabeça entre as pernas, com os braços caídos na lateral do corpo. Pedir a 
ele que empurre a cabeça para cima, enquanto o socorrista a força para baixo. Essa manobra aumenta o 
fluxo sanguíneo para o cérebro, melhorando o quadro do paciente. Levar a vítima a procurar 
atendimento médico ou orientá-la para isso. 
Síncope (desmaio) 
A síncope, popularmente conhecida como desmaio, é uma perda súbita e transitória da consciência. É 
um sinal de aporte inadequado do oxigênio e de outros nutrientes ao cérebro, que geralmente é 
provocado por uma diminuição temporária do fluxo sanguíneo. 
Os indivíduos com esse tipo de problema podem sentir-se bem em repouso, mas podem desmaiar 
durante o exercício, pois a demanda de oxigênio pelo organismo aumenta subitamente. Esse tipo de 
desmaio é denominado síncope de exercício ou de esforço. Com frequência, a pessoa desmaia após 
haver praticado exercício. Isso ocorre porque o coração é incapaz de manter uma pressão arterial 
adequada durante o exercício. 
O fluxo também pode diminuir quando a pessoa está desidratada em decorrência de problemas como a 
diarreia, a sudorese ou a micção excessivas, o que, frequentemente, ocorre em casos não tratados de 
diabetes. 
Em geral, o desmaio causado pela tosse (síncope da tosse) ou pela micção excessiva (síncope da 
micção) ocorre quando a quantidade de sangue que retorna ao coração diminui durante a realização do 
esforço. O desmaio causado pela micção excessiva é particularmente comum nos idosos. 
A síncope da deglutição pode acompanhar doenças do esôfago. Outras causas de desmaio também 
incluem a anemia, jejum prolongado e hipoglicemia, arritmias cardíacas, hipotensão arterial, ansiedade 
que leva à hiperventilação, estresse, alterações emocionais, permanência em lugares abafados e 
quentes, levantamento brusco da cama (síncope ortostática) etc. 
Atenção! A síncope que ocorre subitamente com perda da consciência e se repete com frequência é 
sugestiva de arritmias cardíacas ou alterações neurológicas (tipo pequeno mal epilético). 
Sinais e sintomas 
A síncope pode ser precedida de alguns sinais e sintomas, antes do desmaio propriamente dito (perda 
da consciência), como, por exemplo, fraqueza, tontura, relaxamento muscular, escurecimento da vista, 
palidez e sudorese, pele fria, náuseas, pulso rápido e fraco. 
Como proceder? 
Impedir que a vítima caia, para que não se machuque; deitá-la em decúbito dorsal, elevando os 
membros inferiores cerca de 30 cm do chão, monitorar os sinais vitais, afastar os curiosos, ventilar o 
ambiente e afrouxar as suas roupas, se necessário; não dar tapas no rosto da vítima nem fazê-la cheirar 
amônia ou álcool. Se ela não acordar em alguns minutos, chamar socorro. A síncope não é uma 
doença, mas um sinal de que algo não está bem no organismo da pessoa. Portanto, mesmo que ela 
recobre a consciência espontaneamente, oriente-a a procurar um serviço médico. 
 
 
 
33 
 
 
 
Crise convulsiva 
 
Uma convulsão é a resposta a uma descarga elétrica anormal no cérebro. O termo crise convulsiva 
descreve várias experiências e comportamentos e não é o mesmo que uma crise epilética, embora os 
termos sejam às vezes utilizados como sinônimos. Qualquer coisa que irrite o cérebro pode produzir 
uma crise convulsiva. Dois terços dos indivíduos que apresentam uma crise convulsiva jamais a 
apresentam novamente. Um terço dos indivíduos continuarão a apresentar crises convulsivas 
recorrentes (transtorno neurológico denominado epilepsia). 
O que ocorre exatamente durante uma convulsão depende da parte do cérebro que é afetada pela 
descarga elétrica anormal. A descarga elétrica pode envolver uma área mínima do cérebro, fazendo 
apenas com que o indivíduo perceba um odor ou sabor estranho e tenha crises de ausência (crise 
convulsiva de “pequeno mal”), ou pode envolver grandes áreas, acarretando uma convulsão (abalos e 
espasmos musculares generalizados e descoordenados – convulsão de “grande mal”). 
Além disso, o indivíduo pode apresentar episódios breves de alteração da consciência, confusão 
mental, perda do controle muscular ou vesical. As convulsões frequentemente são precedidas por 
auras – sensações incomuns de odores, sabores ou visões, ou uma sensação intensa de que uma crise 
convulsiva está prestesa ser desencadeada. 
Os sinais e sintomas comuns das crises convulsivas são aura convulsiva, grito ou urro epiléptico, perda 
de consciência, crise de ausência, convulsões tônico-clônicas, salivação excessiva (sialorreia), 
descontrole urinário e (ou) intestinal. 
Como proceder? 
Proteger a vítima para que não se machuque, evitando sua queda ou protegendo principalmente sua 
cabeça; afastar os curiosos e objetos que possam causar lesões, não segurá-la e permitir que a crise 
ocorra. Em caso de vômito, lateralizar a sua cabeça; desobstruir suas vias aéreas com gaze ou pano 
limpo, não colocar nada na boca da vítima durante o ataque, não “puxar a língua” nem jogar água no 
seu rosto. Cessada a crise, ela poderá encontrar-se sonolenta e desorientada. Mantenha-a em repouso, 
em um ambiente calmo, silencioso e em observação constante até a recuperação completa, 
monitorando os sinais vitais. Encaminhe-a ao hospital ou aguarde o serviço de emergência. 
Capitulo 6 
Urgências e emergências obstétricas 
Médicos e enfermeiros devem estar preparados para prestar assistência a uma paciente em processo de 
gestação, parto e puerpério, reconhecendo os sinais da gestação de alto risco, encaminhando para 
atendimento especializado quando necessário e prestando orientações quanto à saúde reprodutiva, 
planejamento familiar e assistência pré-natal, além de um atendimento humanizado e de qualidade ao 
parto. 
34 
 
 
 
Assistência ao parto normal 
Primeiramente, é preciso realizar uma anamnese e exame físico obstétrico, buscando informações 
sobre a gestação atual, realização do pré-natal, paridade (número de partos), intercorrências em 
gestações anteriores, problemas de saúde etc. 
O início do trabalho de parto é desencadeado por fatores maternos, fetais e placentários, que se 
interagem. O socorrista poderá identificar o trabalho de parto pela presença de sinais como discreto 
sangramento vaginal, perda de tampão mucoso, eliminação de líquido amniótico (em condições 
normais, apresenta-se claro, translúcido e com pequenos grumos semelhantes a pedaços de leite 
coalhado); contrações uterinas inicialmente regulares, de pequena intensidade, com duração variável 
de 20 a 40 segundos, podendo chegar a duas ou mais em dez minutos; desconforto lombar; alterações 
da cérvice (colo uterino) com amolecimento e dilatação progressiva (o exame cervical deve ser 
realizado por médico ou enfermeiro obstetra). 
Ao se realizar a palpação abdominal com as manobras de Leopold (palpação do fundo uterino, flancos, 
pesquisa da mobilidade do polo e exploração das escavas), busca-se perceber a situação e apresentação 
do feto, além de localizar o seu dorso, para ausculta fetal. 
SITUAÇÃO: relação entre o grande eixo longitudinal fetal e uterino. A situação pode ser longitudinal, 
transversa e oblíqua (inclinada). 
APRESENTAÇÃO: é a região fetal que se encontra na área do estreito superior da bacia, ocupando-a 
em seu todo, ou seja, a região do feto que se encaixa na bacia para nascer. Pode ser cefálica, pélvica 
(completa e incompleta) e acromial (ou córmica – “de ombro”). Exemplos: 
 
A – Situação longitudinal, apresentação cefálica. 
B – Situação transversa, apresentação acromial. 
C – Situação longitudinal, apresentação cefálica. 
D – Situação longitudinal, apresentação pélvica. 
A ausculta dos batimentos cardíacos fetais constitui técnica indispensável à avaliação da vitalidade 
fetal durante o trabalho de parto. A ausculta pode ser realizada com o estetoscópio monoauricular 
chamado Pinard, como se faz desde o século XX, ou por sonar Doppler portátil simples, sendo a 
vantagem principal a ausculta independente da posição materna. A frequência cardíaca fetal normal 
varia de 120 a 160 batimentos por minuto (bpm). Uma redução progressiva da frequência cardíaca 
fetal (bradicardia), ou uma frequência cardíaca fetal mantida acima de 160 bpm (taquicardia) devem 
ser observadas com cautela e uma melhor monitorização fetal. 
35 
 
 
 
O controle dos batimentos fetais deve ser realizado a cada hora do trabalho de parto, durante e após a 
contração uterina. Dessa forma, na avaliação da dinâmica uterina, sempre deve ser feita a ausculta do 
coração do feto. Na presença de complicações (acelerações, desacelerações ou mecônio), a ausculta 
necessita ser verificada a cada 5, 10 ou 15 minutos, dependendo da situação. 
A avaliação da dinâmica uterina também é importante, momento em que o examinador analisa toda a 
dinâmica de contração e relaxamento da musculatura uterina. 
A duração de uma contração uterina corresponde ao intervalo de tempo entre a sensação de 
endurecimento do músculo uterino e seu completo relaxamento. Pode-se percebê-la com a mão 
espalmada, repousada no fundo uterino. Verifica-se, também, a frequência das contrações, 
demonstradas pelo intervalo de tempo entre o seu início, seu final e o início da contração seguinte. A 
sua duração é estimada pelo tempo em segundos de sua percepção tátil, e a atividade uterina aumenta 
progressivamente, desde o início do trabalho de parto até a expulsão do feto. Em condições normais, 
ocorrem 3 a 5 contrações no intervalo de 10 minutos, com duração aproximada de 30 a 60 segundos, 
cada uma. 
Avaliação da dilatação do colo uterino 
A progressão da dilatação cérvico-uterina é avaliada pelo médico ou enfermeira obstétrica no 
transcorrer do trabalho de parto pelo toque vaginal. O exame deve ser realizado após orientação à 
parturiente sobre a importância e a necessidade do procedimento, de forma que se obtenha sua 
cooperação. Para um menor desconforto, orienta-se a parturiente que esvazie a bexiga antes do 
procedimento. A dilatação do colo é expressa por centímetros. 
Com relação ao número ideal de toques vaginais durante o trabalho de parto, a maioria dos autores 
aceita que esse exame deve ser realizado o menor número de vezes possível. Após sua realização, o 
examinador obterá todas as informações adequadas quanto às características do colo uterino, à 
apresentação fetal, à bacia obstétrica, ao estado das membranas amnióticas (bolsa) e à 
proporcionalidade. Esses dados necessitam ser anotados no prontuário da parturiente. Existem relatos 
em que o excessivo manuseio do canal do parto (número grande de toques vaginais) está relacionado à 
contaminação da cavidade uterina, com infecções no pós-parto. 
 
Avaliação da coloração do líquido amniótico 
Outro parâmetro empregado no acompanhamento da vitalidade fetal durante o trabalho de parto é a 
coloração do líquido amniótico, sendo possível encontrar o líquido claro com presença de grumos nas 
gestações próximas a termo. A presença de líquido meconial, para alguns autores, é indicativa de 
36 
 
 
 
sofrimento fetal; o mecônio espesso eliminado durante o trabalho de parto está intimamente associado 
ao aumento de morbimortalidade neonatal. 
A eliminação do mecônio tinge de verde o líquido amniótico. O líquido meconial é uma preocupação 
constante para o profissional que assiste ao parto. No momento expulsivo do parto, nos casos de 
presença de líquido com mecônio, recomenda-se a aspiração das vias aéreas superiores do recém-
nascido, antes do desprendimento dos ombros, para se evitar a aspiração de mecônio pelo recém-
nascido. 
A aspiração de mecônio espesso pelo recém-nascido poderá levar à chamada síndrome da aspiração do 
mecônio, resultante de obstrução mecânica e inflamação química, associadas à angústia respiratória, 
hipoxia e acidose com elevada taxa de mortalidade ao redor de 25%. 
O parto é dividido em quatro períodos clínicos, a saber. 
 Dilatação. O período definido clinicamente de primeiro estágio, período de dilatação, tem início com 
a instalação das contrações regulares que induzem duas importantesmudanças na cérvice (colo 
uterino): apagamento completo do canal cervical, que consiste na incorporação dele ao segmento 
inferior do corpo uterino, ocorrendo gradualmente durante o período de dilatação; 
 dilatação total da cérvice. É considerado o período mais demorado e consiste nas modificações que o 
colo uterino sofre. A dilatação indica a abertura do colo do útero. É expressa em centímetros e, ao 
atingir a dilatação máxima (10 cm), forma-se um único canal entre o útero e a vagina. 
O apagamento na primigesta ocorre antes da dilatação, e nas multíparas, simultaneamente, por isso o 
trabalho de parto é mais rápido. 
No período da dilatação, após o colo atingir 5 cm, as contrações uterinas progridem e aos poucos 
aumentam a intensidade, o intervalo e a duração, diminuindo o intervalo entre uma e outra. Como 
resultado, a cabeça do feto vai gradualmente descendo no canal pélvico e, nesse processo, rodando 
lentamente. Essa descida, auxiliada pela pressão da bolsa amniótica, determina uma pressão maior da 
cabeça sobre o colo uterino, que vai se apagando. Para possibilitar a passagem do crânio do feto – que 
mede por volta de 9,5 cm – faz-se necessária uma dilatação total de 10 cm. Esse é o período em que a 
parturiente experimenta desconfortos e sensações dolorosas e pode apresentar reações diferenciadas 
como exaustão, impaciência, irritação ou apatia, entre outras. 
Além das adaptações no corpo materno, visando o desenrolar do trabalho de parto, o feto também se 
adapta a esse processo: sua cabeça tem a capacidade de flexionar, estender e girar, permitindo entrar 
no canal do parto e passar pela pelve óssea materna com mais mobilidade. Durante o trabalho de parto 
os ossos do crânio se aproximam uns dos outros e podem acavalgar, reduzindo o tamanho do crânio e, 
assim, facilitar a passagem pela pelve materna. Nos trabalhos de parto prolongados, também não é 
incomum a presença de bossa serossanguinolenta, uma coleção de líquido que é absorvida na primeira 
semana de vida do recém-nascido. A mãe e o pai devem ser informados de que ele não é um defeito 
(má-formação) na cabeça do feto, e que irá desaparecer espontaneamente em alguns dias. 
 
37 
 
 
 
A dilatação do colo uterino progride de 4 para 10 centímetros (dilatação total). 
››A parte com que o concepto se apresenta, geralmente a cabeça, desce até a pelve da mãe. 
››A mãe começa a sentir vontade de empurrar à medida que o concepto desce. 
 
Em média, essa fase dura horas numa primeira gestação e 2 horas nas gestações seguintes. 
 
1. Expulsão fetal. O período de expulsão inicia-se com a completa dilatação do colo uterino e 
termina com o nascimento completo do bebê. Em outras palavras, a total dilatação da cérvice 
caracteriza o início do segundo período do parto – expulsão – que termina com o nascimento da 
criança. 
 
Ao final do primeiro período do trabalho de parto, o sangramento aumenta com a laceração dos 
capilares no colo uterino. Náuseas e vômitos podem estar presentes, por ação reflexa. A parturiente 
refere pressão no reto, vontade de evacuar e urgência urinária. Ocorre distensão dos músculos 
perineais e abaulamento do períneo. 
Segundo Estágio 
 
Da dilatação total do colo do útero até o parto. Em média, esse estágio dura 60 minutos numa primeira 
gestação e 15 a 30 minutos nas gestações seguintes. 
Esses sinais, observados pela pessoa que assiste o parto, indicam que o nascimento é iminente e o 
socorrista deve preparar-se para auxiliar a parturiente. Ela deve ser colocada em posição ginecológica 
e orientada a respirar tranquilamente, repousando nos intervalos das contrações para economizar 
energia. 
Ao constatar o coroamento do polo cefálico, o socorrista realizará a “proteção do períneo”, manobra 
que consiste em aplicar de forma constante um apoio firme, protegendo o períneo com uma das mãos 
aberta e coberta por uma compressa, ao mesmo tempo em que a outra faz um leve apoio sobre a 
cabeça, com a intenção de controlar a velocidade de desprendimento. 
Dessa forma, haveria uma eventual diminuição ou ausência de lacerações em períneos. No momento 
do coroamento fetal, a parturiente deve ser encorajada a realizar força para baixo, durante as 
contrações. 
Após a exteriorização da cabeça, é importante assistir ao desprendimento fetal espontâneo. Caso esse 
desprendimento não ocorra naturalmente, a cabeça deve ser tracionada para baixo, visando favorecer a 
passagem do ombro. 
38 
 
 
 
 
Com a saída da cabeça e ombros, o corpo desliza facilmente, às vezes acompanhado de um jato de 
líquido amniótico. Sugere-se acomodar o recém-nascido, com boa vitalidade, sobre o colo materno, ou 
permitir que a mãe o faça, se a posição do parto favorecer essa prática. 
O cordão umbilical só deve ser pinçado e laqueado quando o recém-nascido estiver respirando. O 
cordão umbilical é pinçado em dois lugares e seccionado entre as pinças, para evitar o sangramento em 
qualquer uma das extremidades. A laqueadura é feita com material adequado e estéril. É importante 
manter o recém-nascido aquecido, cobrindo-o com um lençol/campo – o que previne a ocorrência de 
hipotermia. A mulher deve ser incentivada a iniciar a amamentação nos primeiros minutos após o 
parto, pois isso facilita a saída da placenta e estimula a involução do útero, diminuindo o sangramento 
pós-parto, além de promover vínculo precoce com o bebê. 
O cordão umbilical que se estende do umbigo à superfície fetal da placenta tem em média 55 cm e um 
diâmetro que oscila entre 1 e 2,5 cm. É uma estrutura que liga o feto à placenta, sendo vital ao feto. 
O cordão umbilical curto pode resultar em atraso da descida fetal, sofrimento fetal, descolamento da 
placenta, inversão uterina e ruptura, levando a hemorragias. O cordão longo pode produzir nós 
circulares ou mesmo prolapso de cordão (quando o cordão umbilical sai antes do bebê). 
A ocorrência de circular de cordão, habitualmente cervical, pode também ser observada ao redor do 
tronco ou membros, podendo ser única, dupla, tripla e, excepcionalmente, quádrupla. A importância de 
detectar sua presença é devida à possibilidade de desencadear complicações, particularmente durante o 
período expulsivo, como o óbito fetal. 
Dequitação. Também chamado de secundamento ou delivramento, esse período tem início após a 
expulsão do feto e termina com a saída da placenta e seus anexos (membranas – córion e âmnio). 
 
39 
 
 
 
 
Da expulsão do concepto até a liberação da placenta geralmente dura apenas alguns minutos. 
Tradicionalmente, o trabalho de parto é dividido em três estágios. No entanto, as 4 horas que sucedem 
a liberação da placenta, quando o risco de sangramento é maior, são frequentemente denominadas de 
quarto estágio do trabalho de parto. 
Nesse momento, a parturiente experimenta um período de bem-estar e alegria, devido ao repouso 
fisiológico do útero pelo término das contrações uterinas. 
Como já foi visto, a aproximação precoce entre a mãe e o recém-nascido fortalece o vínculo afetivo e a 
maternidade. Tem início com a interação desse novo ser; portanto, a sucção do bebê estabelece um 
vínculo precoce, favorecendo a contração uterina e a saída da placenta (dequitação). As contrações 
uterinas são de baixa frequência e alta intensidade, indolores, caracterizando-se pelo descolamento, 
descida e expulsão da placenta. 
O desprendimento da placenta é considerado como um processo fisiológico e deve ocorrer 
espontaneamente, evitando-se manipulações e massagens uterinas (compressões no abdome). A 
assistência ao terceiro período do parto exige amplo conhecimento da enfermeira obstetra ou do 
médico que o realiza, pois esse momento é bastante susceptível a acidentes e complicações. 
Após os sinais positivosde descolamento placentário (sangramento aumentado), o profissional que 
assiste ao parto deve realizar a manobra de rotação no sentido horário para a retirada da placenta, 
denominada manobra de Jacobs, levando as membranas a se descolarem e a se desprenderem. 
Após a dequitação, examina-se o canal vaginal, o colo uterino e a região perineal, para a identificação 
de rupturas e lacerações; caso tenha sido realizada episiotomia (corte no períneo), proceder à sutura. 
A placenta deverá ser cuidadosamente examinada com relação à sua integridade (deve estar completa), 
tipo de vascularização e local de inserção do cordão, bem como verificação do número de vasos dele 
(2 artérias e 1 veia), presença de nós e tumorações. 
O profissional deve ficar atento para as perdas sanguíneas, que não podem ser superiores a 500 ml, e 
as condições gerais da paciente. Deve, também, registrar o horário de saída da placenta. 
Posteriormente, a placenta deverá ser pesada e ter o registro do seu peso devidamente anotado. 
A dequitação determina o início do puerpério imediato, onde ocorrerão contrações que permitirão 
reduzir o volume uterino, mantendo-o contraído e promovendo a hemostasia nos vasos que irrigavam 
a placenta. 
40 
 
 
 
Período de Greenberg. Definido como a primeira hora após a saída da placenta, quando podem 
acontecer as grandes hemorragias e complicações que solicitem habilidade e conhecimento da equipe 
de saúde. A assistência ativa nesse período e a vigilância ao lado da paciente surpreendem e corrigem 
oportunamente quaisquer desvios do mecanismo fisiológico. 
 
Nessa fase, o profissional de saúde deve observar rigorosamente os lóquios (sangramento pós-parto) e 
avaliar a involução e contração uterina, estando preparado para intervir em qualquer anormalidade. Os 
sinais vitais devem ser verificados com atenção, especialmente a pressão arterial e frequência cardíaca, 
que se manifestam alteradas em quadros hemorrágicos. 
Mortalidade materna 
Segundo o Ministério da Saúde, a morte de mulheres em idade fértil por causas ligadas à gravidez, ao 
aborto, ao parto e ao puerpério é, em sua grande maioria, evitável. 
É importante o profissional de saúde saber reconhecer uma gestação de alto risco e as complicações 
que porventura possam surgir durante o trabalho de parto, parto ou puerpério. 
São sinais indicativos de possíveis complicações materno-fetais: 
Sangramento anormal durante a gestação ou trabalho de parto podem indicar uma placenta prévia 
(placenta baixa) ou descolamento prematuro da placenta (DPP). Nessa última patologia, a hemorragia 
é acompanhada de dor súbita e enrijecimento da parede abdominal. A gestante deverá ser encaminhada 
com urgência ao hospital para avaliação e conduta; 
Pré-eclâmpsia – paciente com elevação da pressão arterial, presença de edema e proteinúria. 
Monitorar atentamente a pressão arterial e batimentos cardíacos fetais. A gestante deverá ser mantida 
em decúbito lateral esquerdo e encaminhada para acompanhamento em serviço de gestação de alto 
risco. Na eclâmpsia ocorrem crises convulsivas, além dos sinais descritos na pré-eclâmpsia; 
Vômitos excessivos (hiperemese gravídica); 
Excesso de líquido amniótico (polidrâmnio); 
Redução do líquido amniótico (oligodrâmnio); 
Presença de líquido amniótico com mecônio; 
Prolapso de cordão umbilical – a parturiente deverá ser colocada em posição genupeitoral e o cordão 
envolvido com uma compressa estéril umidificada com soro fisiológico. O cordão umbilical não 
deverá ser colocado para dentro do canal vaginal, e a cesárea é indicada imediatamente; 
Diminuição significativa dos movimentos fetais ou mesmo interrupção dos movimentos – encaminhar 
ao serviço de saúde para avaliação da vitalidade e bem-estar fetal; 
Alterações do BCF (taquicardia ou bradicardia) – a gestante deverá ser atendida para realização de 
monitorização fetal. 
 
Uma assistência pré-natal de qualidade pode prevenir grande parte das complicações surgidas no ciclo 
gravídico-puerperal, reduzindo significativamente a morbimortalidade materna e (ou) fetal. 
41 
 
 
 
A equipe de saúde deve trabalhar conjuntamente e de forma humanizada para promover a saúde do 
binômio mãe-filho e estar apta a lidar com as intercorrências e dificuldades do processo gestacional. 
Capitulo 7 
Intoxicações exógenas e acidentes com animais peçonhentos 
“Todas as substâncias são venenos, não existe nada que não seja veneno. Somente a dose correta 
diferencia o veneno do remédio.” 
Um dos grandes problemas enfrentados em nosso País é a subnotificação ou notificação irregular, que, 
de acordo com a pesquisadora Rosany Bochner do Instituto de Comunicação e Informação Científica e 
Tecnologia em Saúde (Icict/Fiocruz) e coordenadora do Sistema Nacional de Informações Tóxico-
Farmacológicas (Sinitox), em análise feita nos registros do Sistema de Informação sobre Mortalidade 
(SIM) do Ministério da Saúde, esse seria um dos maiores problemas enfrentados, uma vez que 
dificultam as pesquisas bem como as notificações judiciais contra as empresas produtoras de 
agrotóxicos. 
Segundo dados do Sinitox, foram registrados, no período de 2007 a 2011, 26.385 casos de 
intoxicações por agrotóxicos de uso agrícola, 13.922 por agrotóxicos de uso doméstico, 5.216 por 
produtos veterinários e 15.191 por raticidas. Os agrotóxicos são o terceiro grupo responsável pelas 
intoxicações, com 11,8% dos casos, antecedido pelos medicamentos (28,3%) e animais peçonhentos 
(23,7%). Os óbitos causados por agrotóxicos de uso agrícola, de acordo com o estudo feito pela 
coordenadora do Sinitox, atingiram 863 pessoas (39,4%), os de uso doméstico, 29 casos (1,3%), os 
produtos veterinários corresponderam a 22 ocorrências (1,0%) e os raticidas, por 138 óbitos (6,3%). 
Segundo levantamento feito por Rosany Bochner, desses óbitos, apenas 14 (1,3%) foram registrados 
como ocupacionais. Ela analisou 33 óbitos registrados no Brasil pelo SIM, no período de 2008 a 2012, 
levantando variantes como perfil socioeconômico; ano de óbito, estado e local do acidente, causas 
associadas aos óbitos decorrentes de intoxicações, dentre outros pontos. Ela também cruzou os dados 
com as informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN)/MS e dados do 
próprio Sinitox. 
Venenos ou tóxicos são substâncias químicas que podem causar danos ao organismo. As intoxicações 
podem ser classificadas em três categorias: acidentais, ocupacionais e intencionais. A maioria dos 
envenenamentos é acidental, mas também pode resultar de tentativas de suicídio e, mais raramente, até 
de homicídio. 
Não existem muitos antídotos (antagonistas específicos dos venenos) eficazes, sendo muito importante 
tentar identificar a substância responsável pelo envenenamento o mais breve possível. 
Caso isso não seja conseguido de imediato, posteriormente devem ser feitas tentativas de obter 
informações – e (ou) amostras – da substância e das circunstâncias em que ocorreu o envenenamento. 
Uma substância tóxica pode penetrar no organismo por diversos meios ou vias de administração. 
 Ingerida: medicamentos, derivados de petróleo, agrotóxicos, raticidas, plantas, alimentos 
contaminados etc. 
 Inalada: gases tóxicos. Exemplos: monóxido de carbono, amônia, agrotóxicos, cola à base de 
tolueno (cola de sapateiro), acetona, benzina, éter, gás de cozinha, fluido de isqueiro e outras 
substâncias voláteis, gases liberados durante a queima de diversos materiais (plásticos, tintas) etc. 
42 
 
 
 
 Absorvida: inseticidas, agrotóxicos e outras substâncias químicas que penetrem no organismo 
pela pele ou mucosas. 
 Injetada: toxinas de diversas fontes como cobras, aranhas, escorpiões ou drogas injetadas com 
seringa e agulha. 
 
Sinais e sintomasmais comuns de intoxicação são variados, dependendo da substância. 
 Sudorese 
 Sialorreia e lacrimejamento 
 Alterações pupilares: midríase ou miose 
 Queimação nos olhos e mucosas 
 »»Cefaleia 
 »»Alterações da consciência 
 »»Convulsões 
 »»Queimaduras ou manchas ao redor da boca 
 »»Dificuldade para deglutir 
 »»Náuseas e vômitos 
 »»Distensão e dor abdominal 
 »»Alterações na pele: palidez, hiperemia ou cianose 
 »»Odores característicos: na respiração, roupa, ambiente 
 »»Alterações na frequência cardíaca (taquicardia, bradicardia e arritmias) 
 »»Respiração anormal (taquipneia, bradipneia ou dispneia) 
 »»Choque e óbito 
Abordagem e primeiro atendimento à vítima de envenenamento 
Verifique se o local está seguro, procure identificar a via de administração e o veneno em questão. 
Aborde a vítima como de costume, identifique-se e faça o exame primário; esteja preparado para 
intervir com manobras para liberação das vias aéreas e de RCP, caso seja necessário. Proceda ao 
exame secundário e remova a vítima do local. Há situações em que a vítima deve ser removida 
imediatamente para diminuir a exposição ao veneno e preservar a segurança da equipe. 
De acordo com as últimas diretrizes para o tratamento de intoxicações e envenenamento, propostas 
pela American Heart Association e a Cruz Vermelha Americana, a vítima intoxicada não deve beber 
nada (nem mesmo água ou leite). Os socorristas não devem oferecer carvão ativado ou xarope de ipeca 
para a vítima, a não ser que seja recomendado pelo Centro de Controle de Intoxicação. 
 
O melhor a ser feito é remover a vítima para o hospital o mais rápido possível. O envenenamento é um 
dos casos em que o socorrista poderá remover a vítima rapidamente para o hospital sem aguardar o 
Suporte Avançado de Vida (SAV). Ligue para o Centro de Informações Toxicológicas (CIT) e 
obtenha maiores informações sobre a substância em questão. 
 
Acidentes com animais peçonhentos 
Animal peçonhento é aquele que possui glândula produtora de veneno que se comunica com dentes 
ocos, ferrões ou aguilhões por onde a peçonha passa ativamente. Exemplos: cascavel, aranha marrom, 
escorpiões, abelhas etc. 
 
43 
 
 
 
Animais venenosos são aqueles que produzem veneno, mas não possuem um aparelho inoculador 
para injetá-lo. Provocam o envenenamento por contato (lagartas), compressão (sapo) ou ingestão 
(peixe baiacu). 
Sempre que estivermos diante de um possível caso de envenenamento causado por animal peçonhento, 
devemos tentar capturá-lo para identificação, sem correr maiores riscos ou perder tempo com esse 
procedimento. A identificação correta permitirá a administração do soro antiveneno específico. 
É importante ressaltar que os sinais e sintomas do envenenamento variam de acordo com a espécie que 
causou o acidente, a quantidade de veneno inoculado, peso e idade da vítima, as condições de nutrição 
e o atendimento recebido. 
Acidente ofídico 
Mordidas de cobras não peçonhentas não são consideradas sérias e geralmente são tratadas como 
ferimentos leves; apenas as mordidas de cobras peçonhentas são consideradas urgências médicas. Os 
sinais e sintomas aparecem de forma imediata em somente um terço dos casos de mordidas de cobras 
peçonhentas e a maioria das pessoas não apresenta sintomas, normalmente porque o veneno não foi 
injetado. É muito importante saber identificar se o acidente foi causado por uma serpente peçonhenta 
ou não. Para isso, observam-se características do local da mordida, assim como as características da 
serpente que causou o acidente. 
No Brasil existem duas famílias de serpentes consideradas peçonhentas e de interesse médico: 
 Família Viperidae (Viperídeos): destaca-se a subfamília Crotalinae, a que pertencem os 
gêneros Crotalus (cascavel), Bothrops (jararaca) e Lachesis (surucucu). 
 Família Elapidae (Elapídeos): engloba o gênero Micrurus (corais verdaderas) 
As serpentes peçonhentas em nosso País geralmente apresentam as seguintes características: 
1. cabeça triangular e destacada do corpo, escamas pequenas e ásperas, pupila em fenda vertical 
(elíptica), cauda bem destacada do corpo, presença de guizo ou chocalho no final da cauda (cascavel); 
2. presença de fosseta loreal (com exceção da coral verdadeira): órgão termossensorial situado 
entre o olho e a narina, que permite à serpente detectar variações mínimas de temperatura no ambiente, 
ou seja, perceber a presença de animais de sangue quente (homeotérmicos); 
3. presença de presas inoculadoras de veneno; 
4. hábito noturno, movimentos lentos e vagarosos. 
 
 
44 
 
 
 
Observação – existem exceções, e nem todas as serpentes peçonhentas se enquadram nas 
características descritas. Exemplo: a coral verdadeira não possui cabeça triangular nem fosseta loreal, 
mas é peçonhenta, enquanto a jiboia possui cabeça triangular e cauda afinando bruscamente, mas não 
é peçonhenta. 
 
Gênero Bothrops (conhecidas como jararaca, jararacuçu, urutu, urutu-cruzeiro, caiçaca, 
cotiara) 
 
As serpentes desse gênero são responsáveis pela maioria dos acidentes ofídicos registrados no país 
(cerca de 90%), pois são espécies agressivas. Apreciam locais úmidos e existem exemplares de 
Bothrops em todo território brasileiro. O veneno tem ação proteolítica, coagulante e hemorrágica, com 
manifestações locais (de instalação precoce e caráter evolutivo) e sistêmicas. A mordida provoca 
muita dor imediata, vermelhidão, sangramento no local, edema, bolhas e necrose. As manifestações 
sistêmicas incluem náuseas, vômitos, sudorese, hipotermia, hipotensão arterial, choque, hemorragias a 
distância (epistaxe, gengivorragia, sangramento digestivo, hematúria etc.) e Insuficiência Renal 
Aguda. 
Tratamento: soro antibotrópico, via endovenosa, de acordo com a sintomatologia apresentada e 
classificação do acidente em leve, moderado ou grave. 
Gênero Crotalus (grupo das cascavéis) 
 
Menos agressivas que as jararacas, são responsáveis por cerca de 8% a 11% dos acidentes ofídicos; no 
entanto, o ofidismo (envenenamento causado por mordida de cobra) costuma ser de maior gravidade 
devido à frequência com que evolui para Insuficiência Renal Aguda (IRA). 
45 
 
 
 
A característica mais importante para identificar a serpente desse gênero é a presença de guizo ou 
chocalho na ponta da cauda. As cascavéis atingem na idade adulta 1,6 m de comprimento, vivem em 
lugares secos, regiões pedregosas e pastos, raramente sendo encontradas nas regiões litorâneas. 
O veneno possui ação neurotóxica, miotóxica (lesa a musculatura esquelética – rabdomiólise) e 
coagulante, causando manifestações locais geralmente pouco intensas: edema, pouca dor e sensação de 
formigamento e adormecimento da área (parestesias discretas). 
As manifestações sistêmicas e neurológicas são as mais importantes e perigosas: náusea, prostração, 
sonolência, cefaleia, diplopia e visão turva, midríase, ptose palpebral (“fácies miastênica” – fácies 
neurotóxica de Rosenfeld), dificuldade para deglutir, mialgia generalizada e de aparecimento precoce, 
fraqueza muscular, urina escura (avermelhada e posteriormente marrom, devido à mioglobinúria) e 
insuficiência renal. 
Dica – O indivíduo intoxicado parece estar embriagado, tem a fala arrastada e dificuldade para abrir os 
olhos, franzindo a testa numa tentativa de manter os olhos abertos. 
Tratamento – Soro anticrotálico, via endovenosa, de acordo com a sintomatologia apresentada e 
classificação do acidente em leve, moderado ou grave. 
Gênero Micrurus (grupo das corais verdadeiras) 
 
FALSA: 
 
A coral é a serpente do Brasil que tem o veneno mais potente, porém, como já vimos, não é a maior 
responsável pelos acidentes ofídicos. Essas serpentes peçonhentas não possuem fossetaloreal (isto é 
46 
 
 
 
uma exceção), cabeça triangular, nem um aparelho inoculador de veneno tão eficiente quanto o das 
jararacas e cascavéis. O veneno é inoculado por meio de presas pequenas e fixas. O que chama atenção 
é o seu padrão colorido, com anéis vermelhos, brancos e pretos. Na prática, é difícil diferenciar uma 
coral verdadeira de uma coral falsa, então, como regra e medidas de segurança, considera-se toda 
serpente que possua os referidos anéis coloridos como sendo coral verdadeira. Portanto, é melhor 
manter distância, pois estamos diante da serpente peçonhenta que possui o veneno mais tóxico 
existente aqui no Brasil. 
As corais habitam preferencialmente buracos, tornando os acidentes raros (menos de 1%), mas muito 
graves, pela característica de seu veneno poder provocar parada respiratória. O veneno desse gênero 
possui elevada toxicidade neurotóxica e miotóxica. Os acidentes elapídicos geralmente não causam 
manifestações locais significativas, porém, as sistêmicas são graves: vômitos, sialorreia, ptose 
palpebral, dilatação das pupilas (midríase), sonolência, perda de equilíbrio, fraqueza muscular, 
paralisia flácida que pode evoluir comprometendo a musculatura respiratória, causando insuficiência 
respiratória aguda e parada respiratória. Todos os casos devem ser considerados potencialmente graves 
Segundo as últimas diretrizes de Primeiros Socorros da American Heart Association e Cruz Vermelha 
Americana, em 2005 passou-se a recomendar a aplicação de uma bandagem elástica enrolada com 
firmeza ao redor de toda a extremidade (braço ou perna) mordida por serpente do gênero Micrurus. 
Esse procedimento já demonstrou que pode reduzir a incorporação de veneno proveniente de um 
acidente ofídico relacionado à família Elapidae (coral). O tratamento específico consiste na 
administração do soro antielapídico, via endovenosa. 
Gênero Lachesis (surucucu) 
 
As serpentes desse gênero vivem em regiões de matas fechadas, como floresta Amazônica e mata 
Atlântica, tornando os acidentes raros. São consideradas as maiores serpentes peçonhentas das 
Américas, podendo atingir 3,5m. 
Os sinais e sintomas do envenenamento são semelhantes ao acidente botrópico, porém, acrescidos de 
tontura, escurecimento visual, hipotensão arterial, bradicardia, cólicas abdominais e diarreia (síndrome 
vagal). Os acidentes por mordida de surucucu são considerados moderados ou graves, a depender do 
porte do animal e a quantidade de peçonha injetada. 
47 
 
 
 
 
Acidente aracnídico 
Normalmente, a picada será tratada como qualquer ferimento. O auxílio médico só é necessário se o 
prurido ou dor durarem mais de 2 dias, houver sinais de infecção no local, desenvolvimento de reação 
alérgica ou se o aracnídeo pertencer a um dos três gêneros de aranhas peçonhentas e de importância 
médica que existem no Brasil: Phoneutria spp (aranha armadeira, várias espécies), Loxosceles (aranha 
marrom, várias espécies) e Latrodectus (viúva negra, 3 espécies ocorrendo no Brasil, sendo a 
Latrodectus curacaviensis a mais comum). 
Gênero Phoneutria (aranha armadeira) 
 
A armadeira é responsável pelo maior número de acidentes no Brasil, por ser uma aranha muito 
comum e extremamente agressiva. Não faz teia, é encontrada em bananeiras, folhagens, entre 
madeiras, pedras empilhadas e no interior das residências. Tem coloração marrom-escura ou 
acinzentada, com manchas claras formando pares no dorso do abdome e atinge até 12 cm de diâmetro. 
Nos acidentes com armadeiras (foneutrismo) predominam as manifestações locais. A dor é imediata e 
geralmente intensa, podendo irradiar para a raiz do membro acometido. Ocorre edema, vermelhidão, 
sensação de anestesia e sudorese (transpiração) no local da picada, onde podem ser encontradas duas 
marcas em forma de pontos. Nos casos graves, geralmente restritos às crianças, registram-se sudorese, 
náuseas, vômitos, diarreia, priapismo (ereção involuntária e dolorosa do pênis), hipertonia muscular, 
hipotensão arterial, choque e edema agudo de pulmão. 
O tratamento é sintomático e nos casos mais graves está indicada a soroterapia específica. 
 
 
48 
 
 
 
Gênero Loxosceles (aranha marrom) 
 
A aranha marrom é pequena (4cm), possui hábitos noturnos e tem comportamento pouco agressivo. É 
encontrada em pilhas de tijolos, telhas e no interior das residências, atrás de móveis, cortinas e 
eventualmente em roupas. A picada geralmente ocorre quando a aranha é comprimida contra o corpo 
da vítima, quando ela se veste ou se deita. Não produz dor imediata e o local da picada é quase sempre 
imperceptível. No entanto, posteriormente, evolui com uma ferida de difícil cicatrização, necessitando, 
muitas vezes, de correção cirúrgica (enxerto). O acidente loxoscélico representa a forma mais grave de 
araneísmo no Brasil, ocorrendo particularmente no Paraná e Santa Catarina. 
A evolução mais frequente é a forma “cutânea” (87% a 98% dos casos): a manifestação local se 
acentua nas primeiras 24 – 72 horas, podendo ocorrer edema, calor e rubor, com ou sem dor em 
queimação, inchaço duro e aparecimento de bolha com conteúdo seroso; aparece um ponto de necrose 
central (escuro); surgem outros sinais e sintomas como febre, mal-estar geral e ulceração local. 
Na forma “cutâneo-visceral” (mais grave), além do quadro descrito acima, entre 12 e 24 horas após a 
picada podem surgir manifestações clínicas de hemólise intravascular (anemia, icterícia e 
hemoglobinúria), cefaleia, náuseas, vômitos, urina escura (cor de coca-cola), volume urinário 
diminuído significativamente e insuficiência renal aguda (principal causa de óbito no loxoscelismo). 
O acidente loxoscélico é classificado em leve, moderado e grave. O tratamento consiste em 
antissepsia, curativo local, uso de compressas frias, corticoides e antibióticos, além de administração 
de soroterapia específica (soro antiloxoscélico) conforme a necessidade do caso. 
Gênero Latrodectus (viúva negra) 
 
49 
 
 
 
Possui um corpo negro (ou marrom) e brilhante, pernas finas e uma marca vermelha ou alaranjada em 
seu abdome, normalmente na forma de uma ampulheta ou de dois triângulos. É encontrada em áreas 
secas, isoladas e com pouca luz; elas constroem teias irregulares e extremamente fortes. No Brasil, 
duas espécies são responsáveis por acidentes, que ocorrem do Sul até o litoral do Rio de Janeiro. 
O veneno da viúva negra é de elevada toxicidade, o mecanismo da sua peçonha é neurotóxico. Além 
dos sinais e sintomas gerais das picadas, podemos encontrar outros sinais e sintomas importantes: 
pequenas marcas vermelhas de presas, espasmos musculares graves (especialmente nos ombros, nas 
costas, no peito e no abdome, que se iniciam dentro de 1 a 4 horas após a picada), febre e calafrios, dor 
de cabeça e tontura, náuseas e vômitos, irritabilidade, insônia, aumento da pressão arterial, parada 
cardiorrespiratória etc. 
O tratamento consiste na administração da soroterapia específica, uso de analgésicos sistêmicos, 
sedativo, monitorização dos sinais vitais e suporte cardiorrespiratório, se necessário. Os demais 
procedimentos são utilizados de acordo com a sintomatologia. 
Observação – as aranhas tarântula e caranguejeira não representam risco de saúde pública. Tais 
aranhas causam mais danos “psicológicos” por seu aspecto assustador e por serem de grande porte. O 
veneno não tem importância médica nos acidentes com seres humanos, embora algumas pessoas 
possam desenvolver reação dermatológica e alérgica devido ao contato com os pelos. 
 
Acidente escorpiônico 
Os acidentes com escorpiões são menos frequentes do que com aranhas, pois eles são pouco 
agressivos (picam para se defender) e têm hábitos noturnos. A visão é pouco desenvolvida,orientam-
se pela vibração do ar e do solo e localizam suas presas pelo tato. São facilmente encontrados em 
pilhas de madeira, sob cascas de árvores, pedras, troncos, tijolos, cupinzeiros, entulhos, dentro das 
residências, no interior de sapatos e botas. 
No Brasil existem acima de 50 espécies de escorpiões, mas somente o gênero Tityus tem interesse 
médico. Das espécies que merecem maior atenção destacam-se o Tityus serrulatus (escorpião amarelo) 
e Tityus bahiensis (escorpião marrom). 
50 
 
 
 
 
O escorpião amarelo é o responsável pela maioria dos casos graves em nosso meio, especialmente nos 
acidentes envolvendo crianças. O veneno está localizado em uma pequena bolsa situada antes do 
ferrão, ao final da cauda. O ferrão (aguilhão) perfura e inocula o veneno na vítima. 
O veneno é potente e neurotóxico. O quadro clínico do escorpianismo manifesta-se por dor local de 
intensidade variável (pode chegar a ser insuportável), em queimação ou agulhada, irradiando para o 
membro afetado. Parestesia (sensação de formigamento ou dormência) também é referida no local da 
picada. Nos acidentes moderados e graves, principalmente em crianças, podem surgir manifestações 
sistêmicas, tais como sudorese profusa, tontura, visão turva, tremores, espasmos musculares, confusão 
mental, hiper ou hipotermia, sialorreia, náuseas, vômitos, dor abdominal, diarreia, priapismo (ereção 
dolorosa e involuntária do pênis) e convulsões. Podem ocorrer ainda arritmias cardíacas, hipertensão 
ou hipotensão arterial, insuficiência cardíaca congestiva, taquipneia, dispneia, edema agudo de 
pulmão, choque, coma, parada respiratória e cardíaca. 
Os acidentes podem ser classificados como leves, moderados e graves. O tratamento inclui medidas 
gerais de suporte e administração da soroterapia específica (soro antiescorpiônico) ou soro 
antiaracnídico. 
Observação – as condutas gerais de primeiros socorros para picadas de aranhas e escorpiões são as 
mesmas seguidas no acidente ofídico. Quando a vítima for criança, pessoa idosa ou com a saúde 
debilitada, sempre encaminhar para o hospital. 
Emergência especial: o choque anafilático 
Essa é uma emergência médica prioritária, ocorrência grave, causada por uma reação alérgica intensa, 
de hipersensibilidade (geralmente a picadas de insetos – abelhas, vespas – alimentos ou 
medicamentos). A reação anafilática ocorre em questão de segundos ou minutos após o contato com a 
substância a que a vítima é alérgica. 
Entre aqueles que morrem de choque anafilático, 60% a 80% morre por não conseguir respirar (em 
virtude do edema de vias aéreas) e 25% morre da própria condição circulatória do choque. 
Alguns sinais e sintomas característicos incluem pele avermelhada, com prurido generalizado ou 
queimação, placas semelhantes à urticária em relevo; edema na face, língua e glote; respiração ruidosa 
e difícil (devido ao edema das cordas vocais); sensação dolorosa de aperto no peito; tosse e espirro; 
náuseas, vômitos, cólicas abdominais e diarreia; hipotensão arterial, pulso filiforme, tontura, palidez e 
cianose; inquietação, desmaio, convulsões e coma; parada cardiorrespiratória e morte. 
O socorrista deve providenciar o transporte rápido da vítima ao hospital, desobstruir as vias aéreas, 
afrouxar as roupas da vítima, iniciar a respiração de salvamento (se for o caso) ou aplicar as manobras 
de RCP. 
51 
 
 
 
Se a reação alérgica tiver ocorrido em virtude de picada de abelha, proceda também à retirada do 
ferrão, cuidadosamente. Não utilize pinças ou os próprios dedos para “puxar” o ferrão, pois assim a 
glândula (bolsa coletora) de veneno será espremida, injetando uma quantidade maior de veneno na 
vítima. Retire o ferrão utilizando um canivete, papel, cartão magnético, ou a própria unha (se estiver 
comprida), empurrando o ferrão para cima. Utilize qualquer objeto que possa ser colocado rente à pele 
para “levantar o ferrão”. Lave o local com água e sabão e aplique uma bolsa de gelo para aliviar a dor 
e reduzir o edema. 
 
 
Capitulo 8 
Queimaduras e choque elétrico 
 
As queimaduras representam um tipo de trauma comumente encontrado, envolvendo principalmente 
as crianças e o ambiente domiciliar. As lesões são produzidas por ação de agentes físicos térmicos 
(calor ou frio), tais como fogo, vapores, eletricidade, gelo; por irradiação (raios solares); ou agentes 
químicos, como ácidos ou soluções básicas fortes (soda cáustica). A profundidade da queimadura 
depende do elemento que a causou e do tempo que a vítima ficou exposta. Qualquer queimadura, 
mesmo a mais simples queimadura solar, poderá complicar e até levar a vítima a um estado de choque, 
portanto merece tratamento cuidadoso. 
 
Uma das formas de classificar as queimaduras é verificando o grau de destruição celular produzido 
(profundidade). São elas: 
QUEIMADURA DE 1o GRAU – a lesão ocorre apenas na camada mais externa da pele, ou seja, a 
epiderme. É o tipo mais comum de queimadura e pode ser causada por uma simples exposição 
prolongada ao sol. Os sinais e sintomas incluem edema e vermelhidão da pele, hipersensibilidade e 
ardor, que se iniciam quase que imediatamente no caso de agentes físicos serem sua causa, podendo se 
intensificar até 12 a 48 horas, pela ação de agentes inflamatórios. 
Queimadura de primeiro grau 
52 
 
 
 
 
Como proceder? 
Afaste a vítima de perto da fonte causadora da queimadura, resfrie o local com água fria ou pano 
úmido e proteja o local atingido. Ofereça líquidos à vítima. 
QUEIMADURA DE 2 o GRAU – atinge a epiderme e a derme, sendo mais dolorida e facilmente 
identificada, porque provoca a formação de flictenas (bolhas). 
 
Os sinais e sintomas mais importantes são a dor (hipersensibilidade), presença de flictenas, edema e 
umidade. Na ocorrência de muitas bolhas ou lesões extensas, poderá haver a perda importante de 
líquido e plasma nessas áreas, podendo haver também a formação de cicatrizes. O tratamento 
dermatológico deverá ser considerado. 
Como proceder? 
Utilizar água fria em abundância, para resfriar apenas o local afetado. 
Não furar as bolhas porque elas protegem o local contra infecção e aceleram o processo de 
cicatrização. Não tentar retirar coisa alguma que esteja grudada à pele (por exemplo, roupas). 
Não aplicar pomadas, líquidos, cremes, pastas dentais ou qualquer outra substância sobre a 
queimadura. Proteger o local atingido e encaminhar a vítima ao atendimento médico o mais breve 
possível. 
53 
 
 
 
 
Cobrir a queimadura com uma bandagem de preferência estéril 
 
 
QUEIMADURA DE 3o GRAU – ocorre a destruição de todas as camadas da pele, atingindo também 
gordura, músculos, tendões e até órgãos internos, podendo trazer risco iminente de morte. Esse tipo de 
queimadura exige extrema atenção e cuidados por parte do provedor de saúde. 
 
 
Os sinais e sintomas incluem a destruição da epiderme, derme e tecido subcutâneo, podendo 
apresentar coloração branca, avermelhada, escura ou carbonizada (necrose). É indolor, porque a 
54 
 
 
 
queimadura destrói os receptores e terminações nervosas nas estruturas afetadas, sendo dolorosa a área 
circundante que sofre queimadura de segundo ou primeiro grau. 
Como proceder? 
Siga as mesmas regras para as queimaduras de 2° grau. Se a vítima estiver com as roupas em chamas, 
abafe o fogo com um cobertor ou algo similar; deite a vítima, colocando a cabeça e o tórax mais 
baixos que o corpo. Cubra o local atingido com pano limpo, de preferência compressa ou gaze estéril, 
embebida em vaselina estéril. Monitore os sinais vitais e transporte a vítima para o hospital o mais 
rápido possível. 
QUEIMADURAS ELÉTRICAS – lesões induzidas pela passagem de corrente elétricapelo corpo de 
uma pessoa que, dependendo da intensidade da corrente, da resistência, da voltagem e do tempo de 
exposição, podem ser mais, ou menos graves. Algumas literaturas classificam a queimadura produzida 
por corrente elétrica como sendo de quarto grau. 
Os sinais e sintomas dependem do tipo da lesão e das circunstâncias, podendo surgir ferimentos 
incisivos isquêmicos, carbonizados, deprimidos ou amarelo-esbranquiçados. O ferimento de entrada 
da corrente geralmente é pequeno e mascara uma lesão tecidual profunda. O ferimento de saída pode 
ser do tamanho do de entrada ou maior. 
Como proceder? 
Evite o contato direto com a vítima se ela ainda estiver sofrendo o choque elétrico; procure desligar a 
fonte de energia e se não for possível, afaste-a da fonte da corrente, utilizando um mau condutor de 
energia, como madeira, pedaços de tecidos fortes, luvas. Mantenha a vítima deitada. 
 
Eventualmente a vítima sofre parada cardiorrespiratória, portanto esteja preparado para iniciar as 
manobras de suporte básico de vida. Se não for o caso, monitore os sinais vitais e proceda aos 
cuidados para queimaduras e prevenção do estado de choque. Encaminhe a vítima para o hospital o 
mais rápido possível. 
QUEIMADURAS QUÍMICAS – são lesões teciduais resultantes de contato químico, geralmente 
relacionado ao ambiente de trabalho ou doméstico. Essas queimaduras podem se tornar 
significativamente graves até que o produto seja inativado ou sua ação interrompida. As queimaduras 
químicas podem ser ácidas ou alcalinas (básicas) e os sinais e sintomas variam de acordo com a 
substância agressora. 
Ambas as queimaduras causam dor, mas, de um modo geral, as queimaduras ácidas causam necrose de 
coagulação, produzindo escaras e úlceras. As queimaduras alcalinas são mais graves, porque penetram 
55 
 
 
 
profundamente na pele e permanecem ativas por longo período. Exemplo de produto químico básico: 
hidróxido de sódio – NaOH (soda cáustica). 
Como proceder? 
Remova toda a roupa ou objetos contaminados de perto da vítima. Lembre-se da sua segurança 
pessoal, ao tocar na vítima. Dependendo da substância química, poderá ser feita a lavagem da região 
afetada com água abundante e contínua. Em casos de contato com produtos químicos em pó, limpe a 
pele antes de molhá-la, para evitar a ativação da substância. De acordo com as orientações da 
Sociedade Brasileira de Queimaduras, no caso de queimaduras produzidas por líquidos é 
recomendável lavar a área com água corrente e abundante por pelo menos 30 minutos. 
Monitore os sinais vitais, procure identificar a substância causadora e encaminhe a vítima 
imediatamente para um serviço de pronto-atendimento. 
Jamais tente neutralizar a substância, porque a neutralização de uma substância é uma reação que 
produz calor, podendo causar danos adicionais à vítima. 
Outra forma de classificar as queimaduras é em relação à Superfície Corporal Queimada (SCQ). 
Existem várias classificações para o cálculo da Área Total de Superfície Corporal Queimada (ATSQ), 
sendo a “Regra dos Nove”, proposta por Wallace, a mais empregada. 
 
 
56 
 
 
 
Capitulo 9 
Afogamento 
 
De acordo com David Szpilman, médico especialista e uma referência na área de afogamento, após a 
realização do Congresso Mundial de Afogamento, em 2002, na Holanda, a definição do termo 
afogamento foi modificada, devido à grande confusão da palavra na língua inglesa (drowning: vítimas 
que faleciam em até 24 horas). Define-se por afogamento a aspiração de líquido não corporal por 
submersão ou imersão. Uma sufocação (asfixia) após imersão em meio líquido. 
O afogamento é a terceira causa mais comum de morte acidental; 40% ocorrem com crianças abaixo 
de quatro anos de idade. Entre elas, os locais mais comuns de afogamento são as piscinas e banheiras. 
Diversas causas levam ao acidente de submersão: indivíduo que não sabe nadar e se vê em situação 
que envolva meio líquido, que cansa ou tem câimbras, indivíduo cardiopata que tem infarto; o que usa 
álcool antes de entrar na água; o epiléptico que tem crise convulsiva na água e o que mergulha em 
águas rasas, entre outras. 
Nos acidentes por submersão, independentemente da causa, o fator principal que leva o indivíduo à 
morte é a hipoxia. 
Inicialmente, a vítima em contato com a água prende voluntariamente a respiração e faz movimentos 
com todo o corpo, tentando desesperadamente nadar ou agarrar-se a alguma coisa. Nessa fase, pode 
haver aspiração de pequena quantidade de água que, em contato com a laringe, por reflexo 
parassimpático, promove constrição (fechamento) das vias aéreas superiores. Em10% a 15% dos 
casos, esse laringoespasmo é tão severo que impede a entrada de água e ar no trato respiratório, até 
que a vítima seja resgatada ou perca a consciência e morra, “afogamento seco”. As vítimas que não 
aspiram líquidos geralmente respondem melhor ao tratamento, quando resgatadas a tempo. 
Após essa fase inicial, se não ocorrer o salvamento, a vítima atingirá seu limite e fará movimentos 
respiratórios involuntários, aspirando grande quantidade de água. (“Afogamento molhado”: associado 
à aspiração de líquido, tem pior prognóstico e representa 85% dos afogamentos fatais). Essa entrada de 
grande quantidade de águanos pulmões piora a constrição das vias aéreas. Ocorre diminuição da 
capacidade de expansão pulmonar, além de impedir a troca gasosa normal. Os movimentos 
diafragmáticos involuntários aumentam a aspiração de líquidos e os movimentos de deglutição, 
causando distensão do estômago e vômitos na sequência. Ocorre inundação total dos pulmões com 
perda de consciência, parada respiratória (apneia) e consequente morte. 
As pessoas idosas, as que se debatem na água, que sofreram lesões, que ficaram submersas por um 
longo período e que estão em águas quentes, sujas ou salgadas estão entre as vítimas que apresentam 
os piores prognósticos. 
Observação – há uma diferença significativa entre afogamentos em água quente e em água gelada. 
Quando a pessoa mergulha em água gelada (abaixo de 20ºC), a respiração é inibida, a frequência 
cardíaca diminui e os vasos sanguíneos, na maior parte do corpo, se contraem. Entretanto, o fluxo 
sanguíneo para o coração e para o cérebro é mantido. 
Desse modo, o oxigênio é enviado e usado apenas onde é imediatamente necessário para a manutenção 
da vida. Quanto mais gelada a água, mais oxigênio é desviado para o coração e o cérebro. Em águas 
com temperatura igual ou inferior a 20ºC, as necessidades metabólicas do corpo são apenas a metade 
do normal. Alguns pesquisadores sugerem que a sobrevivência em água gelada se deve à hipotermia, 
que diminui o metabolismo e reduz a necessidade corporal de oxigênio. 
Existem casos de vítimas que foram ressuscitadas após ficarem submergidas em águas geladas com 
parada cardíaca em períodos iguais ou superiores a 30 minutos. 
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Como regra, qualquer vítima sem respiração, sem pulso e que estava submersa em águas geladas deve 
ser reanimada. 
Alguns especialistas aconselham realizar a ressuscitação em toda vítima de afogamento, 
independentemente da temperatura da água – mesmo naquelas que ficaram por um longo período na 
água. 
Classificação do afogado 
Resgate: paciente tem tosse e falta de ar. 
Grau I: paciente lúcido, apresentando tosse seca. Inicialmente o paciente está taquicárdico e 
taquipneico, mas melhora rapidamente à medida que se acalma. Não há aspiração pulmonar 
significativa. O tratamento na cena do acidente consiste em repouso, aquecimento da vítima e 
oferecimento de oxigênio. 
 
Grau II: lucidez ou agitação. Elevação moderada das frequências respiratória e cardíaca. Vítima com 
taquipneia, sem grande dificuldade respiratória. Há presençade tosse e vômitos. Existe pequena 
quantidade de espuma na boca e no nariz. Óbito em 0,6% dos casos. 
Grau III: vítima agitada e pouco colaborativa devido à falta de oxigênio. Frequência cardíaca e 
ventilatória elevadas e grave dificuldade respiratória, muitas vezes com cianose. Ocorre tosse com 
espuma esbranquiçada ou rósea em quantidade. A mortalidade acontece em cerca de 5,2% dos casos. 
Grau IV: semelhante ao Grau III, porém, o pulso radial está fraco ou ausente (sinais de choque). 
Óbito em 19,4% dos casos. 
Grau V: presença de parada respiratória. Óbito em 44% dos casos. 
Grau VI: presença de parada cardiorrespiratória. Óbito em 93% dos casos. 
Salvamento 
Lembre-se que a segurança de quem faz o salvamento é o principal cuidado inicial. 
Sempre se deve suspeitar de lesão na coluna cervical em vítimas inconscientes por afogamento em 
águas rasas, portanto, deve-se proceder à imobilização adequada para a sua retirada, sempre que 
possível. 
O salvamento deverá ser realizado, de preferência, sem a entrada do prestador de socorro na água. Ele 
deve jogar algum objeto para a vítima (consciente) se apoiar: corda, boia, colete salva-vidas, prancha 
de surfe, bola de futebol, pneu, remo, galho, toalha, ou outro objeto resistente, que não irá se romper. 
Uma vez que a vítima tenha agarrado o objeto, deve ser puxado para a margem. 
Se a vítima estiver inconsciente ou longe demais para ser alcançada com uma corda, o prestador de 
socorro deverá ir até ela. 
Atenção! O prestador de socorro apenas entra na água se souber nadar muito bem, ou tenha recebido 
treinamento em técnicas de resgate aquático; se estiver vestindo equipamento pessoal de flutuação; se 
estiver acompanhado por outros socorristas. O socorrista deve estar preparado para o salvamento de 
vítimas em pânico. Lembre-se da segurança em primeiro lugar. Se o socorrista não estiver apto, deve 
marcar o lugar do afogado e procurar socorro. Somente em último caso, deve-se tentar ir até a vítima. 
58 
 
 
 
Deve-se remover a vítima da água o mais rápido possível. O socorrista deve ficar sempre atento à sua 
segurança pessoal durante o resgate e solicitar auxílio. 
Sempre suspeitar de lesão medular se a vítima estiver envolvida em um acidente de mergulho. Deve-se 
também suspeitar desse tipo de lesão em qualquer nadador inconsciente, especialmente em águas 
rasas. 
No caso de possível lesão medular, o objetivo é sustentar as costas da vítima e estabilizar a cabeça e o 
pescoço enquanto outros cuidados são administrados. Sempre deixar a cabeça e o pescoço no mesmo 
nível das costas. 
Se não houver suspeita de lesão medular, colocar a vítima em posição lateral de segurança, de modo 
que água, vômito e secreções possam ser drenadas das vias aéreas superiores. 
Executar a avaliação primária e dar início ao C, A e B. Na ausência de respiração, desobstruir as vias 
aéreas imediatamente e começar a respiração de salvamento. 
Observações: 
1. Água nas vias aéreas pode causar resistência à respiração. Após a verificação da ausência de 
corpos estranhos nas vias aéreas, aplicar a respiração de salvamento com mais força até ver o tórax da 
vítima subir e descer. 
2. Não tentar retirar a água dos pulmões ou do estômago! A utilização da manobra de Heimlich 
para esvaziar o estômago distendido só aumenta o risco de aspiração pulmonar. A manobra só deve ser 
utilizada se houver suspeita de obstrução de vias aéreas superiores por corpos estranhos. 
3. Se não houver pulso, começar imediatamente as compressões torácicas (RCP). Prosseguir com 
a reanimação até a chegada da equipe de emergência, ou a recuperação da vítima. 
4. Caso a vítima esteja inconsciente, mas com respiração espontânea presente, colocá-la em 
posição lateral de segurança, a fim de evitar broncoaspiração, especialmente se apresentar vômitos. 
 
5. Aquecer a vítima, secando-a e cobrindo-a com cobertores ou toalhas. Todas as vítimas de 
afogamento, mesmo aquelas que só necessitaram de mínimo auxílio, devem ser submetidas à 
avaliação médica, mesmo quando se acredita que o perigo já passou. Às vezes a lesão pulmonar ocorre 
horas após o episódio de submersão, e a vítima poderá morrer em até 3 ou 4 dias após o acidente 
(aproximadamente 15% das mortes por afogamento ocorrem por complicações secundárias). Se 
necessário, realizar manobras básicas de reanimação, desfibrilação e procedimentos de suporte 
avançado. 
 
Capitulo 10 
 
Considerações sobre o trauma 
 
O trauma é uma “doença” da sociedade moderna que resulta em perdas de vidas humanas, 
incapacidade física e consideráveis problemas de ordem social e econômica. A palavra trauma vem do 
grego, traûma e significa ferida. 
Tendo como princípio que a maioria dos “acidentes” poderia ser evitada, faz sentido a expressão “é 
melhor prevenir do que remediar”. Sob esse ponto de vista, o trauma deve ser encarado como doença, 
ao invés de mero “evento acidental”. A educação em saúde e prevenção ocupam um papel 
importantíssimo na redução de sequelas, mortalidade da população e inestimáveis gastos do sistema de 
saúde com internação hospitalar e reabilitação consequentes à epidemia globalizada do trauma (ou 
causas externas). 
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Em 1966, a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos (National Academy of Sciences) 
publicou um trabalho que se tornou referência no desenvolvimento dos sistemas modernos de 
atendimento ao traumatizado, reconhecendo que “a longo prazo, a solução para o problema do trauma 
é a prevenção”. 
No Brasil, estatísticas oficiais e dados do Ministério da Saúde revelam que o perfil de mortalidade por 
trauma veio sofrendo modificações nos últimos anos. As mortes por acidentes de trânsito, que 
anteriormente predominavam, foram superadas pelos homicídios. O aumento da violência urbana e o 
uso de armamento pesado de alta energia (disparando projéteis de maior energia cinética e, portanto, 
maior poder de lesão tecidual) estão alterando significativamente as características dos ferimentos e 
atendimento às vítimas. Assim, os hospitais dos centros urbanos das grandes capitais estão, em certo 
sentido, desenvolvendo e praticando técnicas de medicina utilizadas nas guerras. 
 
A violência interpessoal, os acidentes de trânsito, as quedas e os acidentes de trabalho constituem as 
causas mais comuns de mortalidade por causas externas (trauma) entre a ampla faixa etária de 1 a 44 
anos de idade, sendo os homens adultos jovens os mais vulneráveis a sofrerem traumatismos, 
especialmente em relação às agressões. O trauma ocupa hoje a terceira causa geral de morte na 
população brasileira, superado apenas pelas doenças cardiovasculares e neoplasias. 
Conforme estudamos na primeira unidade, após avaliar a cena e tomar as devidas medidas de 
segurança, prosseguimos a avaliação inicial da vítima em ordem de prioridade: 
x. hemorragia exosanguinante (controle de sangramento externo); 
a. via aérea (manutenção da permeabilidade das vias aéreas com controle da coluna cervical); 
b. ventilação (verificação da respiração e administração de oxigênio para a vítima traumatizada); 
c. circulação (verificação do estado circulatório, pulso, presença e controle de hemorragias); 
d. incapacidade (avaliação do estado neurológico e determinação do nível de consciência); 
e. exposição (remoção das roupas e avaliação completa do paciente, com controle do ambiente e 
prevenção da hipotermia). 
 
A instabilidade hemodinâmica na vítima de trauma é geralmente ocasionada por uma perda sanguínea 
significativa e, portanto, o socorrista deverá identificar e tratar prontamente a hemorragia externa. Para 
o doente que apresenta hemorragia interna, nada poderá ser feito no atendimento pré-hospitalar, no 
sentido de estancar o sangramento. A vítimanecessitará ser encaminhada rapidamente ao hospital de 
referência equipado com recursos humanos e materiais, pois o controle da hemorragia é 
potencialmente cirúrgico. 
Hemorragia 
A hemorragia externa pode ser classificada em três tipos. 
1. Hemorragia capilar: causada por escoriações que lesam minúsculos vasos capilares situados 
abaixo da superfície da pele. O sangramento é mínimo e geralmente terá cessado antes mesmo da 
chegada da equipe de atendimento pré-hospitalar. 
2. Hemorragia venosa: o sangramento é de coloração vermelho-escuro (por ser pobre em oxigênio e 
rico em gás carbônico) e normalmente é controlado mediante uma compressão moderada no local 
60 
 
 
 
do ferimento. Em geral não ameaça a vida, a não ser que a lesão seja grave ou o sangramento não 
seja controlado. 
3. Hemorragia arterial: o sangramento causado pelo rompimento de uma artéria é o mais 
importante e também o mais difícil de ser controlado. Caracteriza-se por um sangue de coloração 
vermelho-vivo e que ocorre em jatos compassados com o ritmo cardíaco (o sangue jorra da ferida 
a cada batimento do coração). 
 
No caso de suspeita de hemorragia interna, os sinais e sintomas são evidenciados pela síndrome do 
choque hemorrágico. O paciente encontra-se muitas vezes ansioso (sinal de hipoxia cerebral) e com 
outras alterações de consciência, apresenta taquicardia, taquipneia, hipotensão arterial, palidez cutânea 
(devido à intensa vasoconstrição periférica), enchimento capilar lento ou ausente, hipotermia, sede etc. 
A vítima deve ser tratada como em estado de choque, ter monitorados os sinais vitais e ser levado, 
para o hospital imediatamente, pois se trata de uma emergência grave. 
No controle da hemorragia externa, como primeira opção, o socorrista deverá aplicar pressão manual 
direta sobre o ferimento (compressão local), de preferência utilizando uma gaze, compressa estéril ou 
pano limpo. 
Atenção! Se a compressa estiver muito encharcada, colocar outra por cima da primeira e continuar 
mantendo a pressão. (O objetivo de não remover as primeiras compressas é evitar a remoção dos 
coágulos formados e, com isso, aumentar novamente o sangramento). 
De acordo com a última edição do Atendimento Pré-Hospitalar ao Traumatizado (PHTLS) (2007), o 
torniquete voltou a ser recomendado e, mais ainda, como segunda opção para o controle de uma 
hemorragia externa que não pôde ser contida com a pressão local. Isso é justificado pelo fato de que 
aproximadamente 99% das hemorragias externas são contidas apenas com a compressão local. No 
passado era recomendada a elevação do membro e a compressão sobre um ponto de pressão (pressão 
indireta – na artéria próxima ao ferimento), como etapas intermediárias no controle das hemorragias. 
Essas manobras não tiveram eficácia comprovada por meio de estudos, pesquisas e dados 
convincentes, por isso não são mais recomendadas nas situações em que a compressão direta não 
conseguiu controlar o sangramento. 
Os torniquetes salvam vidas e devem ser aplicados imediatamente na extremidade proximal do 
ferimento hemorrágico e apertados o suficiente para bloquear o fluxo arterial. Não devem ser 
utilizados torniquetes estreitos e em faixa, devido à maior probabilidade de causar danos aos vasos 
sanguíneos e nervos. O manguito do esfigmomanômetro também pode ser adotado como alternativa ao 
torniquete. 
Como improvisar um torniquete? Escolha um pedaço de pano com cerca de 10cm de largura, coloque-
o logo acima do ferimento e dê um primeiro nó, sem apertar. Um bastão de madeira ou metal deve ser 
colocado sobre este primeiro nó, sendo feito um segundo nó por cima. Agora basta torcer o bastão até 
que a hemorragia cesse e fixá-lo no lugar. Antigamente, a orientação era para que o torniquete fosse 
afrouxado a cada 10 min, mas, em geral, um torniquete colocado no APH deve permanecer até que o 
paciente chegue ao hospital. A exceção é em situações de transporte demorado (mais de 2 horas). 
Atualmente existem, nos EUA e em outros países, tecnologia e diversos dispositivos desenvolvidos 
especialmente para conter hemorragias externas graves, tais como torniquetes, bandagens especiais e 
outros produtos utilizados em medicina tática e de combate, inclusive já disponíveis para uso com a 
população civil, aplicados pelos profissionais dos sistemas de emergências médicas. 
O torniquete geralmente é o método de contenção escolhido para tratar o sangramento profuso que 
ocorre com a amputação (avulsão) de um membro. Essa é uma lesão grave em que ocorre a separação 
de um membro ou de uma estrutura do corpo. Pode ser causada por objeto cortante, esmagamento ou 
61 
 
 
 
força de tração. As amputações estão frequentemente relacionadas a acidentes industriais e 
automobilísticos, tendo maior prevalência em homens jovens. 
O tratamento inicial deverá ser rápido e eficiente, pela gravidade da lesão e possibilidade de 
reimplante do segmento amputado. O membro amputado deve ser preservado sempre que possível, 
porém, a maior prioridade é a preservação da vida. 
A amputação é classificada em três tipos: 
 amputação completa (total): o segmento é totalmente separado do corpo; 
 amputação parcial: o segmento desprendeu-se cerca de 50% do corpo; 
 desenluvamento: quando a pele e o tecido adiposo são arrancados sem lesão do tecido 
subjacente. 
 
Nas amputações parciais ou nas do tipo desenluvamento, a exposição das artérias laceradas leva a 
sangramento importante. 
Como proceder nos casos de feridas amputativas? 
1. Controlar imediatamente a hemorragia – prioridade. 
2. Tratar o estado de choque e prevenir a hipotermia. 
3. Cuidar do segmento amputado: 
 
 limpar com solução de Ringer Lactato; 
 envolver o membro com gaze estéril umedecida ou compressa limpa; 
 proteger o membro amputado com saco plástico; 
 colocar o saco plástico em recipiente de isopor com gelo (de preferência gelo moído); jamais 
colocar a extremidade em contato direto com o gelo. 
 
4. Transportar a parte amputada junto com o paciente para o hospital mais apropriado e próximo. 
Estado de choque 
O choque é uma condição potencialmente letal que se caracteriza por redução significativa da perfusão 
tecidual, resultando em inadequada oferta de oxigênio aos tecidos. 
Os tipos mais comuns de choque são: 
 hipovolêmico 
 cardiogênico 
 séptico 
 neurogênico 
 
62 
 
 
 
Existe ainda o choque anafilático que já foi comentado no capítulo de acidentes com animais 
peçonhentos. Iremos abordar agora somente o choque hipovolêmico e de causa hemorrágica, uma vez 
que estamos falando do paciente vítima de lesão traumática. 
A hipovolemia pode ser decorrente de desidratação (perda de plasma, líquidos e eletrólitos) ou de 
hemorragia (perda de plasma e hemácias), sendo a perda rápida de sangue (choque hemorrágico) a sua 
principal causa no paciente traumatizado. 
No primeiro estágio do choque, o organismo ainda consegue manter o equilíbrio por meio dos 
mecanismos compensatórios, a perfusão sanguínea dos órgãos é mantida e os sinais e sintomas são 
mínimos. A queda na pressão arterial marca a mudança do choque compensado para descompensado. 
Com a intensa vasoconstrição e a hipotensão arterial, ocorre também uma diminuição da intensidade 
dos pulsos periféricos, que se tornam fracos e de difícil palpação. 
O paciente, que está chocado por hipovolemia, apresenta os seguintes sinais e sintomas: agitação, 
ansiedade (sinais de hipoxia cerebral), posteriormente cansaço, sonolência, confusão mental, 
taquicardia e pulso filiforme, respiração curta, rápida e superficial, hipotensão arterial, náusea, sede, 
sudorese, pele fria, pálida e úmida, câimbras, mucosas esbranquiçadas, enchimento capilar lento 
(perfusãoperiférica maior que 2 segundos) ou ausente, hipotermia, tremores, perda gradual da 
consciência, coma e morte. 
Como proceder? 
Tranquilizar a vítima, controlar hemorragias externas, prevenir a hipotermia com o uso de cobertor 
térmico, elevar as pernas da vítima cerca de 30 cm do chão, monitorar os sinais vitais, não oferecer 
líquidos e providenciar a remoção para o hospital mais preparado para receber o doente. 
Observação – o tratamento inicial, realizado pelo suporte avançado, é o estabelecimento de 2 acessos 
periféricos calibrosos (jelco 14 ou 16) e início de infusão de cristaloides aquecidos, sendo o soro 
Ringer Lactato a solução de primeira escolha. 
Evisceração 
É a protrusão de vísceras para fora da cavidade abdominal, como consequência de incisão abdominal 
entreaberta ou pós-trauma. É um trauma relativamente comum, ocasionado por armas brancas e 
acidentes automobilísticos. 
O socorrista realizará um curativo do tipo oclusivo, da seguinte maneira: irrigar uma compressa estéril 
com soro fisiológico e colocá-la por cima, cobrindo as vísceras expostas. Em seguida, aplicar uma 
bandagem ou plástico protetor, fixando-o no lugar com esparadrapo. É importante essa prevenção de 
contaminação, com a proteção adequada dos órgãos eviscerados. Evite a manipulação das vísceras ou 
reintroduzi-las para dentro da cavidade abdominal, pois esse procedimento será feito durante o ato 
cirúrgico. 
Objeto empalado 
Se o traumatizado tiver algum objeto transfixado em seu corpo (geralmente madeira ou metal), deve-
se realizar curativo compressivo aplicando pressão em um dos lados do objeto, e não sobre o objeto. O 
objetivo é controlar o sangramento e estabilizar o objeto no local. Jamais remova o objeto, com risco 
de aumentar significativamente a hemorragia, lesionar estruturas internas (como os nervos) e agravar 
ainda mais o estado da vítima. O corpo estranho empalado será retirado posteriormente, em centro 
cirúrgico. 
63 
 
 
 
Fratura 
Embora sejam comuns no paciente traumatizado, as lesões de extremidades raramente apresentam 
risco de morte imediato. Quando leva à acentuada perda sanguínea, o trauma de extremidades pode 
pôr em risco a vida do paciente. Todo politraumatizado deve ser imobilizado em prancha longa e o 
mais próximo possível da posição anatômica. 
Não é responsabilidade do socorrista identificar o tipo de lesão em si (classificar as fraturas), mas 
saber agir rapidamente, identificar e tratar as lesões que apresentem risco de morte (por exemplo, 
existência de fraturas pélvicas e do fêmur) e, se tiver tempo, estabilizar as lesões das extremidades. 
Lembre-se que o objetivo do exame primário é o reconhecimento e tratamento imediato das lesões que 
impliquem risco à vida. 
A quebra do tecido ósseo pode ser suspeitada se houver os seguintes sinais e sintomas: dor (a menos 
que haja lesão de nervo), edema, deformidade (alterações na angulação com elevação ou 
afundamento), crepitação, hematoma, hemorragia visível e comunicação do osso com o meio externo, 
interrupção da função motora, alterações de sensibilidade, temperatura e pulso no membro afetado. 
Na fratura fechada, a pele encontra-se íntegra, pois não foi rompida pelo osso fraturado. Já na fratura 
exposta (aberta), como o próprio nome diz, a integridade da pele foi rompida pela extremidade óssea 
que perfurou a pele. O socorrista deve considerar qualquer ferimento próximo de uma possível fratura 
como sendo uma fratura exposta e tratá-la como tal. 
Como proceder? 
1. Realizar exame primário. 
2. Realizar hemostasia (controle das hemorragias). 
3. Tratar o choque. 
4. No exame secundário, examinar os pulsos, coloração da pele, função motora e sensibilidade 
do membro com suspeita de fratura. 
5. Imobilizar adequadamente todo o membro, usando talas ou outros materiais rígidos (a 
imobilização ajuda a conter a hemorragia e proporciona alívio da dor). 
 
1. Após a imobilização, aplicar bolsa de gelo ou compressa fria no local pode ajudar a reduzir a 
dor e o edema. 
2. Movimentar o membro lesado o mínimo possível. 
3. Na maioria das vezes, a fratura é imobilizada na posição em que é encontrada. Se o membro 
estiver sem pulso, ou o paciente não puder ser transportado por causa da posição incomum do 
membro, o socorrista pode tentar realinhá-lo delicadamente, trazendo o membro à posição anatômica. 
Se houver resistência ou dor intensa, a tentativa deverá ser abandonada. É importante ressaltar que o 
fato de imobilizar o membro na posição normal melhora a dor e a circulação. 
4. O socorrista não deve tentar “recolocar os ossos no lugar”, especialmente quando se trata de 
fraturas expostas. 
5. Cobrir com curativo estéril as feridas abertas ou extremidades ósseas expostas. 
64 
 
 
 
6. Remover joias e relógios (esses objetos podem prejudicar a circulação, quando o edema 
aumentar). 
7. Verificar pulso, sensibilidade e cor do membro, antes e após realizar a imobilização. 
Traumatismo craniano 
O Traumatismo Crânio-Encefálico (TCE) ou Lesão Cerebral Traumática (LCT) contribui 
significativamente para a morte de vítimas de trauma. As colisões automobilísticas continuam sendo a 
principal causa desse tipo de lesão em pessoas com idade inferior a 65 anos. Já no idoso, as quedas são 
responsáveis pela principal causa de TCE. 
O TCE é a lesão do crânio e (ou) encéfalo com intensidade, extensão e gravidade que podem variar e 
ser consequência de vários agentes, como colisões automobilísticas, atropelamentos, quedas de grande 
altura, agressões físicas. 
Os indivíduos podem sofrer muitos tipos de traumatismos crânio-encefálicos como, por exemplo, 
fraturas, concussões, contusões, lacerações cerebrais e hematomas intracranianos. 
As fraturas cranianas podem lesar artérias e veias, provocando sangramento nos espaços em torno do 
tecido cerebral. O líquido cefalorraquidiano (líquor), que circula entre o cérebro e as meninges, pode 
sair pelo nariz (liquorreia) ou pelo ouvido (otorreia). Ocasionalmente, por meio dessas fraturas, ocorre 
invasão de bactérias no crânio, causando infecção e lesão cerebral graves. 
 
Sinais de reconhecimento do TCE: ferimento na cabeça, exposição óssea ou de massa encefálica, 
alterações do nível de consciência (agitação, confusão mental, desorientação, sonolência e coma), 
cefaleia, perda de líquor e (ou) sangue pelo nariz e ouvido (rinorreia e otorreia, rinorragia e otorragia), 
dor, náusea e vômito em jato (devido à hipertensão intracraniana), edema e hematoma periorbital 
(“sinal de guaxinim”), hematoma retroauricular (“sinal de Battle”), hipo ou hipertermia, padrões 
respiratórios irregulares, alterações pupilares (anisocoria), posturas anormais (decorticação ou 
descerebração), possível incontinência urinária ou fecal, distúrbios visuais, alterações da fala e da 
marcha, hemiparesia, convulsão etc. 
Todo paciente com suspeita de traumatismo craniano deverá ser considerado como possível portador 
de trauma raquimedular e vice-versa. 
Dica: “Todo politraumatizado é um portador de lesão na coluna cervical, até que se prove o 
contrário!” 
65 
 
 
 
A imobilização completa é imprescindível (prancha longa rígida, uso do colar cervical e imobilizador 
lateral de cabeça). A vítima deverá ser manipulada por equipe especializada, com as devidas técnicas e 
protocolos de atendimento ao traumatizado. 
O socorrista deverá monitorar os sinais vitais e nível de consciência e, caso exista extravasamento de 
fluidos pelo nariz e (ou) boca (sangue ou líquor), não deve tentar contê-los. 
Como vimos, atendimento pré-hospitalar é toda assistência prestada, direta ou indiretamente, fora do 
ambiente hospitalar, visando à manutenção da vida e (ou) à minimização das sequelas. Esse suportebásico garante, por meio de medidas simples adotadas pelo profissional de saúde, as funções vitais dos 
pacientes, evitando o agravamento de suas condições. 
E mais, medidas de urgência incluem a prestação de socorro adequado e com qualidade nos casos de 
problemas cardiovasculares, neurológicos e obstétricos, assim como em situações especiais como 
intoxicações, queimaduras, afogamento, entre outros. 
Desnecessário afirmar o quanto é importante que o profissional que vai desempenhar essa tarefa esteja 
apto a fazê-lo para garantir êxito ao seu trabalho. 
Portanto, caro cursista, as informações técnicas apresentadas e as ações recomendadas não se esgotam 
aqui. Há muitas fontes disponíveis para complementação de seus estudos. Pesquise e aprofunde seus 
conhecimentos. Seu papel é imprescindível para salvar vidas. 
 
Para finalizar, reafirmamos as palavras de Fernando Barreiro: 
A principal causa de morte fora dos hospitais é a falta de atendimento. A 
segunda é o socorro inadequado. As pessoas morrem porque ninguém faz 
nada e continuam morrendo porque alguém não capacitado resolveu fazer 
algo. 
Desejo-lhes sucesso e aproveito para parabenizá-los pela carreira que escolheram! 
Prof. Enf. Esp. Emerson Dias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Referências 
AHA – Destaques da American Heart Association – Atualização das diretrizes de RCP e ACE. 
Guidelines, 2018. .Disponível em: <http://www.americanheart.org/> 
BRASIL, Ministério da Saúde. Saúde Brasil 2013 - Uma análise da situação de saúde e das doenças 
transmissíveis relacionadas à pobreza. Disponível em: 
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_brasil_2013_analise_situacao_saude.pdf>. Acesso 
em: 30 dez. 2015. 
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Resolução no 1.480, de 8 de agosto de 1997. Disponível 
em: <http://www.geocities.com/fnasis/resolucao1480.html>. 
_________. Comitê do PHTLS da National Association of Emergency Medical Technicians 
(NAEMT) em colaboração com o Colégio Americano de Cirurgiões. Atendimento pré-hospitalar ao 
traumatizado: básico e avançado. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018. 
CEVAP – Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos – Centro Virtual de Toxinologia 
(Unesp). Disponível em: <http://www.cevap.org.br>. Acesso em: 19 abr. de 2009. 
FEBRACO. Urgências e emergências maternas. Guia para diagnóstico e condutas em situações de 
risco de morte materna. Ministério da Saúde, 2018. Disponível em: 
<http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/urgencias%20e%20emergencias.pdf>. Acesso em: 26 
abr. 2009. 
GOLIN, Valdir; SPROVIERI, S. R. S. Condutas em urgências e emergências para o clínico. São 
Paulo: Atheneu, 2008. 
GRUPO TÉCNICO DE EMERGÊNCIA. Curso de emergência médica e atendimento pré-
hospitalar. Brasília, 2018. 
HAFEN, Brent Q. First Aid for Colleges and Universities. Seventh Edition, 1999. INSTITUTO 
BUTANTAN. Disponível em: <http://www.butantan.gov.br>. Acesso em: 19 abr. 2009. 
INSTITUTO VITAL BRAZIL. Disponível em: <http://www.ivb.rj.gov.br>. Acesso em: 12 maio. 
2019.

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