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As células são pequenas e complexas, o que torna difícil ver suas estruturas, descobrir sua composição molecular e, mais difícil ainda, encontrar funções para seus vários componentes. O que podemos aprender sobre as células depende dos instrumentos que dispomos e dos enormes avanços na biologia celular surgidos, devido à introdução de novas técnicas. Entre essas, incluem-se as diversas técnicas de citoquímica, histoquímica, imunocitoquímica, auto-radiografia, hibridação in situ, entre outras, que permitem a localização ao microscópio de luz ou eletrônico, de componentes químicos específicos que compõe as células e tecidos. Essas técnicas baseiam-se em reações químicas desenvolvidas entre a substância pesquisada e o reagente utilizado, que resulta numa resposta colorida. 1. Citoquímica A citoquímica é uma área da biologia celular e estrutural dedicada aos estudos dos métodos de coloração dos tecidos e dos constituintes celulares ou subcelulares, preocupando-se não somente com os princípios químicos das reações de coloração, mas também com os procedimentos protocolares para obtenção de preparados a serem avaliados ao microscópio. Muitos são os elementos que podem ser visualizados por essas técnicas. Dentre eles, podemos citar, os ácidos nucléicos, os polissacarídeos, os lipídios, as proteínas, alguns íons e enzimas. Para que essa técnica tenha sucesso são necessários que sejam cumpridos alguns princípios básicos: • o produto a ser pesquisado deve ser insolúvel, o que evita a sua difusão para outras regiões das células e dos tecidos; • é indispensável que o produto da reação apresente cor ou, pelo menos, apresente-se na forma de um precipitado insolúvel no local da reação; • a reação colorida desenvolvida deve ser específica, isto é, só deve ocorrer com o composto pesquisado; • a reação também deve ser sensível para detectar quantidades muito pequenas do produto colorido formado. Métodos de estudo da célula: Técnicas para a localização de componentes químicos nas células e tecidos. O sucesso de uma reação depende ainda dos passos anteriores à coloração. A coleta do material, a fixação e os fixadores usados e os agentes desidratantes são fatores que influenciam sobre a reação citoquímica (Figura 1). Pode-se, definir as reações citoquímicas em 3 tipos diferentes, dependendo da natureza da reação química envolvida: (a) por ligações eletrostáticas; (b) por ligações covalentes; (c) por interações hidrofóbicas. Figura 1 – Cortes histológicos preparados com fixadores diferentes e submetidos a mesma reação citoquímica Método do fast green pH 8,1. (a) fixação com formalina e (b) fixação com etanol: ácido acético (3:1). Fonte: Carvalho e Recco-Pimentel, 2001 (a) Reações citoquímicas mediadas por ligações eletrostáticas Neste caso, um corante ionizado em uma solução reage com um substrato de carga iônica oposta. Assim, podemos enumerar dois fenômenos citoquímicos: acidofilia e basofilia. Entende-se por acidofilia como o fenômeno citoquímico no qual um substrato carregado positivamente, chamado de substrato catiônico, reage eletrostaticamente com um corante carregado negativamente, dito aniônico (Figura 2). Por ligação iônica, esses dois elementos reagem e formam um composto colorido, evidenciado ao microscópio de luz (Figura 3). Como exemplos de corantes aniônicos têm-se o xylidine ponceau, o Sirius Red, o Fast Green e a eosina. Já no fenômeno da basofilia, o substrato carregado negativamente chamado de substrato aniônico, reage eletrostaticamente com um corante carregado positivamente, dito catiônico (Figura 2). Como exemplo de corantes catiônicos pode-se citar os corantes Azul de Toluidina, Azul de metileno e o Azul de Alcien (Figura 4). A hematoxilina, embora não seja um corante, pode ser considerada um complexo de corantes que comportam-se como corante catiônico. Esses corantes reagem com os elementos ionizáveis nos tecidos que apresentam cargas negativas, os grupamentos aniônicos. Substrato carregado positivamente Substrato carregado negativamente Figura 2 – Fenômenos da acidofilia e basofilia em citoquímica. + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + Acidofilia - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Basofilia - Corante negativo + Corante positivo Figura 3 – Exemplo de Acidofilia. Cartilagem hialina corada pelo Xilydine Ponceau em pH 2,5. Na região pericondral (p) existe um acúmulo de fibras colágenas. Fonte: Carvalho e Recco-Pimentel, 2001. Figura 4 – Exemplo de Basofilia. Corte de testículo corado com azul de toluidina pH 4,0. Observa-se núcleos imaturos (i) com maior disponibilidade de grupamentos fosfatos (substrato -), fortemente corados, e núcleos maduros (m) com menor disponibilidade de grupos fosfato, com coloração esverdeada. Fonte: Carvalho e Recco-Pimentel, 2001. (b) Reações citoquímicas mediadas por ligações covalentes Nessas técnicas, a interação entre os corantes e as substâncias pesquisadas é feita por ligações covalentes. Embora, não se tenha ainda descrito o princípio exato dessas reações, essas técnicas são muito difundidas e utilizadas na histopatologia e na pesquisa científica na área de biologia celular e tecidual. Os exemplos mais clássicos das reações citoquímicas mediadas por ligações covalentes são a reação de Feulgen, para DNA e o teste do Ácido Periódico Schiff (PAS), para polissacarídeos neutros. Ambas as reações são obtidas a partir de um mesmo reagente chamado de Reativo de Schiff, que consiste num leucoderivado do corante Fucsina Básica. b.1 REAÇÃO DE FEULGEN PARA EVIDENCIAR DNA: A reação de Feulgen utiliza como pré-tratamento do material uma hidrólise ácida com ácido clorídrico (HCl). Essa hidrólise remove da molécula de DNA as bases púricas, adenina e guanina, processo chamado de depurinação do DNA, que consequentemente abre o anel liberando grupos aldeídos. No tratamento com o reativo de Schiff ocorre a reação radicais aldeídos-reativo de Schiff promovendo uma coloração rósea ou magenta ou bonina (Figura 5). Figura 5 – Corte de Células do epitélio da próstata humana corados com reativo de Schiff. Fonte: Carvalho e Recco-Pimentel, 2001. b.2 REAÇÃO DE PAS PARA EVIDENCIAR POLISSACARÍDEOS: O teste de PAS é muito utilizado para avaliações citoquímica de polissacarídeos neutros, como o glicogênio, o amido e a celulose. Ele utiliza como pré-tratamento do material o ácido periódico (HIO4). Esse ácido oxida os grupos hidroxila livres em dois átomos de carbono adjacentes (grupos glicólicos, chamados de vic-glicol ou amino glicol, dependendo do tipo de carboidrato), produzindo radicais aldeídos, ou seja, há quebra da ligação entre os carbonos e conversão à aldeído. Os radicais aldeídos reagem com o reativo de Schiff promovendo uma coloração rósea ou magenta ou bonina. Na técnica de PAS, como vários carboidratos respondem positivamente à reação de PAS, podemos utilizar reações complementares para se fazer a distinção entre eles. Por exemplo, a distinção entre o glicogênio e as glicoproteínas é feita, nas células animais, submetendo-se o material a tratamento enzimático pela amilase (enzima que digere glicogênio e amido). Assim, as estruturas que não se coram com PAS, após digestão prévia com amilase, contêm glicogênio (Figura 6a), enquanto as que se coram com PAS, após tratamento com amilase, contêm glicoproteínas (Figura 6b e 6c). A distinção entre glicoproteínas neutras e glicoproteínas ácidas e de outros glicoconjugados é feita associando-se à técnica PAS com a técnica de Alcien Blue (azul de Alcien). A positividade ao Alcien Blue é indicada pelo aparecimentode componente corado de cor azul celeste. O Alcien Blue, quando preparado em diferentes pHs, marca componentes celulares ditintos: no pH 0,5 evidencia glicoconjugados ácidos sulfatados e no pH 2,5 glicoconjugados ácidos sulfatados, glicoconjugados ácidos carboxilados e glicoproteínas ácidas. Figura 6 – Preparações histológicas submetidas ao teste de PAS. (a) Corte de fígado mostrando os hepatócitos com glicogênio na periferia do citoplasma (seta); (b) corte do intestino com células caliciformes (C) com glicoproteínas PAS positivas; (c) PAS positivo na membrana basal do epitélio devido a grande quantidade de glicoproteínas. Fonte: Carvalho e Recco-Pimentel, 2001. Vale ressaltar que a técnica de Feulgen é semelhante à do PAS, ou seja, ambas utilizam o reativo de Schiff, após exposição dos radicais adeídos. A diferença é que na técnica do PAS usa-se o ácido periódico enquanto na de Feulgen usa-se o ácido clorídrico para quebrar as moléculas pesquisadas. (c) Reações citoquímicas mediadas por interações hidrofóbicas Essas reações são específicas para lipídios não polares, como, por exemplo, os triglicerídeos e derivados de colesterol. Essas colorações partem do princípio que os lipídios não polares são altamente hidrofóbicos, portanto esses corantes interagem com os lipídios hidrofobicamente. Dentre os corantes específicos para os lipídios, podemos citar o Sudan Black, o Sudan III, e o Azul de Nilo. Os métodos para evidenciar lipídios requerem fixação em formol ou cortes por congelamento. Apenas os fosfolipídios podem ser evidenciados em cortes de parafina, pois resistem ao tratamento com álcool, xilol e a própria inclusão em parafina. 1.1 Citoquímica enzimática Os estudos citoquímicos de enzimas baseiam-se, principalmente, na possibilidade de averiguar in situ a atividade das memas. Para isso, são necessários alguns pré-requesitos, tais como: a preservação da integridade molecular da enzima, com fixações brandas e/ou por meio de cortes por congelamento. Em linhas gerais, a técnica consiste em proporcionar um ambiente de incubação (geralmente de 37ºC), onde se coloca o fragmento de tecido ou corte histológico a ser estudado juntamente com o substrato da enzima que se quer investigar. Após a incubação, a atividade da enzima resulta em um precipitado insolúvel, de cor conhecida, que será observado ao microscópio (Figuras 7 e 8). Podem ser avaliadas as atividades de fosfatases alcalinas e ácidas, peroxidases, algumas enzimas mitocondriais entre outras. Figura 7 – Mecanismo de Reação da Citoquímica enzimática. A enzima hidroliza o substrato, formando 2 substâncias. A substância 2 reage com o composto 1 , reduzindo-o a uma terceira substância que combina-se com o Composto 2 formando o cromóforo. Figura 8 – Glândula salivar de larva de drosófila submetida a reação citoquímica para detecção de atividade de fosfatase alcalina, que se mostra altamente positiva na região da membrana plasmática (seta). Fonte: Carvalho e Recco-Pimentel, 2001. 1.2 Citoquímica ultra-estrutural No microscópio eletrônico, a imagem não se forma por feixes luminosos e, portanto, a visualização dos elementos não é conseguida por cores, mas por meio de diferenças de contraste em preto, dito elétron-denso, e branco, dito elétron-lúcido (Figura 9). Esse contraste é obtido pelo tratamento do material estudado com sais de metais pesados para que esses possam interagir com os elétrons, possibilitando a formação da imagem. A quantidade de sais impregnados nos diversos constituintes celulares é diretamente proporcional ao contraste. O princípio da detecção ultra-estrutural de atividade enzimática é o mesmo preconizado para a citoquímica enzimática em microscópio de luz. A diferença fundamental reside em se obter um produto de reação elétron-denso e não simplesmente colorido. Figura 9 – Reações citoquímicas para avaliação seletiva de estruturas celulares e de atividades enzimáticas ao microscópio eletrônico. (a) Citoquímica ultra-estrutural para evidenciação de endomembranas. (b) Atividade da enzima fosfatase-ácida em células epiteliais de túbulo de Malpighi. (c) Atividade de enzima ATPase em regiões organizadoras do nucléolo de células epiteliais de túbulo de Malpighi. Fonte: Carvalho e Recco-Pimentel, 2001. 2. Imunocitoquímica A imunocitoquímica utiliza a especificidade dos anticorpos na localização de moléculas ou de regiões de moléculas nas células e tecidos. A imunocitoquímica consiste em uma excelente ferramenta para estudos celulares, por garantir grande especificidade, associado à identificação das relações estruturais entre a molécula de interesse e outros componentes e/ou compartimentos celulares. A visualização dos anticorpos depende do acoplamento desses com marcadores detectáveis que permitam a sua localização, uma vez que tenham se ligado ao antígeno específico. Quando o anticorpo primário que detecta o antígeno de interesse é marcado com um marcador qualquer, o processo é chamado de imunocitoquímica direta (Figura 10). Antígeno Anticorpo Figura 10 – Esquema ilustrando o procedimento de imunocitoquímica direta. Nesta técnica, utilizam-se anticorpos que se ligam ao antígeno e são localizados por uma sonda acoplada diretamente ao anticorpo. Entretanto, o acoplamento do marcador ao anticorpo pode ocorrer numa região da molécula do anticorpo que seja importante no reconhecimento do antígeno, de modo a reduzir o número de anticorpos disponíveis na preparação. Dessa forma, a estratégia comumente utilizada para contornar este problema é utilizar um segundo anticorpo (anticorpo secundário), este sim, acoplado a um marcador, procedimento denominado imunocitoquímica indireta (Figura 11). Figura 11 – Esquema ilustrando o procedimento de imunocitoquímica indireta. Neste caso, após ligação do anticorpo primário ao antígeno, utiliza-se um segundo anticorpo acoplado à sonda escolhida. A ligação de várias moléculas do anticorpo secundário ao anticorpo primário, resulta em ampliação do sinal, o que favorece a identificação de antígenos encontrados em baixa concentração. + + Antígeno Anticorpo primário Anticorpo secundário A imunocitoquímica indireta possibilita também uma amplificação do sinal obtido, pois a cada anticorpo primário, podem se ligar vários anticorpos secundários. Quando o composto utilizado na marcação do anticorpo é um fluorocromo, o procedimento recebe às vezes a designação de imunofluorescência. Além da necessidade da utilização de um microscópio de fluorescência para a observação das reações obtidas com o uso de sondas fluorescentes, o material obtido tem vida limitada, uma vez que a fluorescência se perde. Estas dificuldades podem ser superadas, ao menos em parte pelo uso de enzimas como marcadores, na localização dos anticorpos. Usualmente, utiliza-se a peroxidase, e o procedimento recebe, algumas vezes, a denominação imunoperoxidase. Um exemplo de imunofluorescência é o ensaio TUNEL (Marcação de corte na extremidade com d-UTP mediada por transferase de deoxinucleotídeo terminal) baseia-se na ocorrência de quebras nas fitas do DNA (strand breaks) Esses eventos de quebra, juntamente com a fragmentação do DNA é um dos mecanismos iniciais e diagnósticos de morte celular programada. Na presença da enzima transferase de deoxinucleotídeo terminal é possível adicionar nestes cortes nucleotídeos (dNTP) ou seja nucleotídeos sem o OH livre na extremidade 3` o que impede que a reação de polimeração do DNA se prolongue. A marcação desses nucleotídeos com moléculas fluorescentes torna possível a sua detecção por citometria de fluxo ou por microscopia fluorescente. Os núcleos positivos para a reação de TUNEL são visualizados no microscópiocomo sinais verde, quando o fluorocromo utilizado é o FITC, fluoresceína ou Alexa Flúor, que são os mais utilizados nos protocolos de marcação direta (Figura 12). Figura 12 – Morte celular em Hordeum vulgare. Núcleos positivos para fluoresceína- dUTP no ensaio de TUNEL (diagnóstico de morte celular programada). Barra = 20µm. 3. Auto-radiografia A auto-radiografia é empregada quando deseja-se acompanhar fenômenos celulares. Fenômenos como a secreção celular, a síntese de RNA e de DNA e a síntese protéica foram elucidados por este método. O procedimento consiste em utilizar pequenas moléculas precursoras marcadas com isótopos radioativos e colocadas em contato com o material a ser estudado. Quando deseja-se, por exemplo, estudar o processo de síntese de DNA e RNA pode-se usar a H3-timidina e a H3-uridina, precursores que participam da síntese do DNA e do RNA respectivamente. Uma vez incorporada a radioatividade pela célula, as mesmas são fixadas em intervalos sucessivos e subsequentemente coradas. Os cortes são submetidos a uma emulsão igual a um filme fotográfico comum. A radioatividade marca essa emulsão e deste modo conseguimos localizar a molécula que desejamos marcar na célula (Figura 13). Figura 13 – Utilização de um aminoácido radioativo que é incorporado na insulina. Observa-se a passagem da insulina do RER para o Golgi (estruturas mais eletrodensas). 4. Hibridação in situ A hibridação in situ é uma metodologia utilizada para a localização de sequências definidas de ácidos nucléicos, em preparações celulares, através de hibridação de sequências complementares denominadas sondas. Este método foi descrito por Pardue e Gall (1969) e permite a detecção de sequências específicas de DNA/RNA em cromossomos metafásicos, bem como em núcleos interfásicos. A técnica de hibridação in situ baseia-se no princípio de construir uma sonda (sequência curta de nucleotídeos) que seja complementar a uma região de uma molécula de DNA ou RNA que se deseja localizar. Essa sonda é marcada geralmente com um corante fluorescente e deste modo propicia a sua localização quando hibridizada à sua sequência complementar (Figura 14). Como exemplo, quando se deseja localizar um determinado gene nos cromossomos humanos, construói-se uma sonda complementar a sequência desse gene e marca-a com um corante fluorescente, sendo possível localizar em qual dos 23 cromossomos humanos esse gene se localiza. Lâmina com os cromossomos humanos Construção de uma sonda marcada para a sequência do gene. ...TAGCGACTGCAAATGCAT... A hibridação sonda/DNA permite a localização nos cromossomos do gene estudado. Figura 14 – Técnica de hibridação in situ. Essas técnicas permitem a localização de DNA ou RNA em células eucarióticas, além de permitir detectar RNA ou DNA viral. ...ATCGCTGACGTTTACGTA... Sequência do gene que se deseja detectar ...ATCGCTGACGTTTACGTA... ...TAGCGACTGCAAATGCAT 5. Fracionamento Celular Todas essas técnicas em conjunto, descritas até aqui, dependem da obtenção de cortes histológicos, mas em alguns casos, há a necessidade de obtenção de células isoladas de tecidos ou mesmo da obtenção de organelas isoladas. O fracionamento celular consiste na homogeneização ou destruição das células por meio de diferentes procedimentos mecânicos ou químico, os quais rompem as membranas plasmáticas e separam as frações subcelulares de acordo com sua massa, superfície e peso específicos. Diversos métodos de fracionamento celular são utilizados, a maioria está baseada em um conjunto de procedimentos que inclui a separação de estruturas celulares por centrifugação de homogeneizados. A centrifugação diferencial é o método mais empregado para separar organelas. Este método baseia-se nas diferenças de velocidade com que as estruturas sedimentam-se no fundo do tubo de centrifugação, podendo-se assim isolar, por exemplo, mitocôndrias, cloroplastos, ribossomos, e estudá-las separadamente (Figura 17). Uma outra técnica para estudar os componentes celulares separadamente é a microdissecção celular, que permite o isolamento de células com a utilização de um laser (Figura 15). A separação de células em suspensão pode ser feita pela utilização de aparelhos como o citômetro de fluxo (Figura 16), no qual as células fluem enfileiradas através de um tubo delgado. As células são selecionadas e separadas de acordo com a fluorescência que emitem. O fluorocromo é acoplado aos diferentes tipos celulares por anticorpos específicos. Figura 15 – Técnica de microdissecção. Tecido contendo tumor é submetido ao corte a laser na região do tumor. Posteriormente um segundo laser é usado, selecionando a região que é colocada em um tubo para centrifugação e separação dos componentes celulares. Figura 16 – Isolamento de células em suspensão. A suspensão de células com diferentes componentes marcados com fluorocromos é colocada no citômetro de fluxo. As células a suspensão passam através de um tubo delgado. Um laser detecta o sinal de cada partícula que passa no tubo, separando-as pelas diferentes emissões. Posteriormente cada componente detectado é coletado separadamente. Figura 17 – Etapas da técnica de centrifugação diferencial. Um fragmento de fígado é homogeneizado em solução de sacarose. Em seguida é submetido a uma série de centrifugações de força centrífuga crescente (lado esquerdo da figura): Tubo 1- 1.000G por 20min; Tubo 2- 10.000G por 20min; Tubo 3- 105.000G por 120min; Tubo 4- 105.000G por 20min. No lado direito, estão ilustradas as diversas sub-frações celulares. Bibliografia Consultada BROWN, R.C.; LEMMON, B.E. Methods in Plant Immunolight Microscopy. In: Methods in Cell Biology - Part A. (Galbraith D; Bourque, D; Bohnert, H). Vol 49.1995 CARVALHO, Hernandes F.; RECCO-PIMENTEL, Shirlei M. (Ed.). A célula 2001. Barueri, SP: Manole. 2001, 287 p. DE ROBERTIS, Eduardo D. P.; HIB, José. De Robertis bases da biologia celular e molecular. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 2001, 418 p. MELO, R. C. N. Células & Microscopia: princípios básicos e práticas. Juíza de Fora: Ed UFJF. 2002, 144.