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UM ESTUDO SOBRE
LINGUAGEM
NO
SISTEMA MONTESSORI DE
EDUCAÇÃO
3 A 6 ANOS
Marcia Righetti
Aldeia Montessori - RJ
2001/2002
www.aldeiamontessori.com.br
�
“Eu sempre sustentei que a educadora deve conhecer a criança e as necessidades da vida para oportunizar o conjunto de fatos que chamamos educação.
Por isto eu defini a educação como
uma ajuda à vida.“
Maria Montessori
�
"Quando se começa a entender os processos do desenvolvimento da mente humana, vemos que há um professor interno que trabalha alegre e jovialmente seguindo um programa preciso para construir a grande maravilha do universo: o ser humano."
�
Quando "descobri" Montessori eu tinha 30 anos, dois filhos pequenos e era professora da rede municipal. Trabalhava numa escola do meu bairro com crianças de favela.
Quando meus filhos foram para a escola busquei a que tivesse mais afinidade com meus anseios de mãe e de educadora.
Foi então que encontrei Montessori, através do trabalho realizado com meus filhos na "Escola Experimental Jean Piaget". Agradeço a Fabio e Bruno que foram a linha guia no meu caminho.
Na busca pelo conhecimento encontrei Talita de Almeida, Ivonete, Rosa, Ana Lucia Carvalheira, Letícia Ludolff, pessoas com quem compartilhei os primeiros momentos de minha formação.
Depois, criei a Aldeia Montessori, onde comecei a pôr em prática um projeto pedagógico fundamentado no Sistema Montessori de Educação.
Agradeço ao meu marido, companheiro de todas as horas por dividir comigo o sonho de criar a Aldeia Montessori e por estar sempre ao meu lado na busca de novos saberes...
À equipe da Aldeia Montessori, que sempre foi a grande companheira no aprofundamento do trabalho, na construção dos saberes, na transformação pessoal: muitos passaram, muitos ficaram...
Phil Ghan, dos EUA, que já há muito tempo, tocou meu coração com o seu trabalho "Nosso planeta, nossa casa".
No caminho percorrido, um novo grupo veio fortalecer a busca e as descobertas: a OMB – Organização Montessori do Brasil. Oportunidade de troca com novos e queridos companheiros de tantos rincões deste país.
Gente de muito longe que veio somar: Carolina Gomez, do México, que me fez ver com outros olhos o trabalho de 0 a 3;
Alicia Renton e Olga Dantus, também ambas do México, que ampliaram o conhecimento sobre a Educação Cósmica.
Esta é apenas uma parte desta teia que se tece com a vida e da qual agora você também participa...
Marcia Righetti
marcia@aldeiamontessori.com.br
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Índice
										Página
I – Introdução
(Segmento: Pré-escolar da Educação Infantil - 3 a 6 anos)
(Área: Educação da Linguagem)						07
II - Parâmetros da Educação da Linguagem diante dos períodos sensíveis
1 – Sobre os períodos sensíveis						08
2 – Sobre os períodos sensíveis para a aquisição da linguagem articulada, segundo Montessori (0 a 2 anos e meio)		13
3 - Sobre os períodos sensíveis para a aquisição da linguagem escrita (3 a 6 anos)								18
III – A preparação do ambiente					21
O Ambiente Alfabetizador							22
Do Referencial Curricular Nacional (Brasil) para a Educação Infantil										22
IV– A educação da Linguagem na Casa dei Bambini	25
A - Orientações didáticas para o desenvolvimento da linguagem oral											26
Materiais de desenvolvimento utilizados				29
B – Orientações didáticas para o desenvolvimento da linguagem escrita; a escrita e a leitura						31
A preparação / Os órgãos físicos
a) Preparação indireta da mão para a escrita			31
b) Preparação visual e auditiva						32
c) Preparação da mão para o uso do instrumento de escrita (preparação direta)								32
O trabalho da inteligência							33
Mantendo à disposição da criança a produção escrita de sua época										35
Mantendo à disposição da criança os símbolos da escrita	36
1o alfabetário / 2o alfabetário						37
V -Algumas considerações sobre as etapas do processo												38
VI - A gramática como ajuda à leitura				39
A consciência da estrutura da linguagem				39
As funções gramaticais e estrutura do discurso			39
VII - Aperfeiçoamento da escrita enquanto ortografia												41
VIII - Aperfeiçoamento da escrita enquanto caligrafia												42
IX - Aperfeiçoamento da linguagem gráfica como meio de comunicação									42
Reflexões										47
Referências Bibliográficas						49
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Segmento: Pré-escolar da Educação Infantil (3 a 6 anos)
Área: Educação da Linguagem
I – Introdução
A referência Educação da Linguagem reporta-se à consideração de como Montessori vê a educação de modo geral, relacionada a um processo de autoconstrução, no qual o papel do educador é preparar as melhores condições para que crianças e jovens possam desenvolver de forma plena as suas habilidades e talentos.
Este seria o papel da escola, assim como o da família ou da sociedade: "educar = ajuda à vida, para a vida".
"O conceito de uma educação que assuma a vida como centro da própria função, altera todas as idéias educativas precedentes. A educação não deve estar baseada sobre um programa preestabelecido, mas sobre o conhecimento da vida humana.
Mas este conhecimento do desenvolvimento psíquico da criança deve ser largamente difundido, então a educação poderá conquistar nova autoridade e dizer à sociedade: “estas são as leis que regem a vida, não podeis ignorá-las e deverás agir em conformidade com elas porque estes são os direitos do homem e da humanidade inteira."
("La mente del bambino", Garzanti Ed., 1980)
...
"O primeiro problema da educação é o de prover para a criança um ambiente que lhe permita desenvolver as funções a ele asseguradas pela natureza."
("La mente del bambino", Garzanti Ed., 1980)
II - Parâmetros da Educação da Linguagem diante dos períodos sensíveis
1 – Sobre os períodos sensíveis
Ao nascer a criança tem pela frente um trabalho especial, adaptar-se ao momento cultural em que vive.
Para realizar este trabalho a natureza dotou-a de características próprias, somente encontradas no homem.
Na sua pesquisa científica a Dra. Montessori descreve a criança como um "embrião espiritual do homem", pois deve realizar um trabalho formativo que, no campo psíquico, recorda aquele trabalho que já desencadeou no campo biológico, enquanto embrião.
Neste novo desenvolvimento embrional, a criança apresenta sensibilidades passageiras para determinadas aprendizagens, denominando os períodos em que isto acontece como períodos sensíveis, característicos do período de crescimento, na idade infantil (0 a 6 anos), segundo a pesquisa de Maria Montessori.
Durante os períodos sensíveis a energia vital (horme), que impulsiona e guia o desenvolvimento natural da criança, ativa uma determinada aprendizagem que a mente absorvente (mneme) registra de forma inconsciente.
É a mente absorvente que vai permitir que as condições da espécie sejam apreendidas pelo neonato de forma correspondente ao momento cultural. Em "La mente del bambino", Montessori cita o "mimetismo" como comparativo. Seria esta uma forma de defesa para o ser jovem da espécie humana inserir-se no seu grupo?
Vale registrar que a descoberta de Montessori data do início do século passado, quando, em 1909, publicou "Pedagogia Cientifica".
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Observação:
O texto a seguir foi retirado das Bases teóricas para Plano de Integração para o desenvolvimento e a integração da América Latina – Rede PEA – Unesco. Pesquisa realizada pelo Parlamento Latino Americano – Parlatino, sob a coordenação técnica de Alfredo Jiménez Barros, tendo na referência bibliográfica obras publicadas após 1997, que o atualizam nas "novas" descobertas científicas.
"Cientistas mostram que as experiências durante a infância alimentam os circuitos nervosos e determinam o futuro da inteligência"
"Pesquisadores de diversas partes do mundo estão descobrindo que existem etapas definidaspara o desenvolvimento do cérebro das crianças, e informam que a inteligência, a sensibilidade e a linguagem podem ser aperfeiçoadas na escola, no clube e especialmente no lar. E a grande surpresa: o gosto pela ciência, pela arte e pelos idiomas acontece muito mais cedo do que se imaginava. Em um quilo e quinhentos gramas de cérebro, a massa encefálica de um adulto, cem trilhões de células nervosas estão em atividade. Cada uma se liga a outra em mais de cem quatrilhões de conexões. A trama é precisa e delicada. Graças a ela, o ser humano pensa, raciocina, recorda. Vê, ouve, aprende. Esta estrutura, entretanto, não vem pronta e acabada. Os quatrocentos gramas de matéria cinza de um recém-nascido guardam os neurônios de toda uma vida. Entretanto, as conexões ainda não estão totalmente desenvolvidas. E elas não são etéreas, imateriais. A diferença de peso entre o cérebro de um adulto e o de um bebê vem exatamente deste fato. As fibras nervosas capazes de ativar o cérebro têm que ser construídas e o são pelas exigências dos desafios e estímulos aos quais uma criança é submetida, na maior parte entre o nascimento e os quatro anos."
As janelas da oportunidade
Os circuitos cerebrais responsáveis por diferentes funções amadurecem em períodos diferentes da vida. No quadro abaixo são indicadas as épocas mais propícias para estimular o desenvolvimento destes circuitos.
	Pré-Natal
	Nasci-
mento
	1
ano
	2
anos
	3
anos
	4
anos
	5
anos
	6
anos
	7
anos
	8
anos
	9
anos
	
	Desenvolvi-mento motor
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	Controle emocional
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	Visão
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	Sociabili-dade
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	Vocabulá-rio
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	2
	Idioma
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	Matemáti-ca/Lógica
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	Músi-
ca
	
	
	
	
	
	
�
O cérebro falante
Habilidade: linguagem
Janela aberta: desde o nascimento até os dez anos de idade.
O que se sabe:
Por volta do primeiro ano de vida os circuitos do córtex auditivo, responsáveis pela transformação dos sons em palavras, estão conectados. Pouco a pouco as crianças perdem a capacidade para identificar sons existentes na sua língua materna, escutada desde o nascimento; a aprendizagem de um idioma estrangeiro torna-se mais difícil.
Aos dois anos, quanto mais palavras a criança escutar, mais rico será seu vocabulário.
Como desenvolvê-la:
Conversar com a criança é um recurso simples e eficaz. Os pais que desejam que seus filhos aprendam uma segunda língua devem começar a ensiná-la à criança antes dos dez anos.
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2 – Sobre os períodos sensíveis para a aquisição da linguagem articulada, segundo Montessori (0 a 2 anos e meio)
"O mecanismo da linguagem deve preexistir às outras atividades psíquicas que devem utilizá-lo. Isto acontece porque são dois os períodos do desenvolvimento da linguagem: um inferior, que prepara as vias nervosas e os mecanismos centrais que devem fazer o 'raport' entre as vias sensoriais e as motoras e outro superior, determinado pela atividade psíquica que exterioriza, por meio de pré-formado mecanismos da linguagem."
"... os sons da linguagem vêm a formar um centro auditivo, entre a produção daqueles mesmos sons se forma um centro motor. A conexão entre os dois centros é a via intercentral de associação."
("Il segreto dell'infanzia", Montessori, ....)
Assim, depois do longo silêncio dos primeiros meses, a criança inicia um longo período de exercícios psicomotores (vocalizações e balbucios) para fazer com que os órgãos materiais estejam prontos quando a maturação mental atingir a capacidade de abstração e simbolização, isto é, a compreensão da palavra no seu significado semântico, compreensão que precede sempre a primeira enunciação verdadeira e própria, isto é, a primeira palavra intencional.
Em "Il segreto dell'infanzia" ainda lemos: "Assim acontece a aquisição da linguagem, entre os sons do ambiente, confusos e de tão variadas procedências, como se estivesse cumprindo um combinado, a criança se faz sentir e distinguir como se estivesse atraída e fascinada pelos sons singulares da linguagem articulada ainda incompreensível..."
...
"Então as próprias fibras da criança se escutam. Não todas as fibras, mas aquelas que tenham nascido para guiar de modo regular e ordenado a 'construção da linguagem articulada'."
Tudo isto acontece nos primeiros meses de vida e termina "por volta" dos três anos.
Neste período, sem esforço a criança constrói a linguagem de sua gente (língua materna).
Se aos três anos esta conquista não é efetivada ela a fará com maior esforço e talvez com a ajuda de algum método terapêutico; e, mesmo que fale, poderá fazê-lo de modo imperfeito.
Em "La mente del bambino" encontra-se o gráfico no qual Montessori registra o desenvolvimento da Linguagem, e a partir do qual pode-se concluir os períodos sensíveis que antecedem cada aquisição, sendo assim:
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0 aos 3 meses – desenvolvimento da audição;
0 aos 4 meses – desenvolvimento da visão;
0 aos 6 meses – desenvolvimento dos aspectos motores da fala;
0 a 1 ano – desenvolvimento do significado da palavra;
0 a 1 ano e 6 meses – absorve a estrutura da língua materna e inicia a utilização do substantivo, continuando este trabalho até que aos dois anos e meio já seja capaz de utilizar as frases e diferentes funções gramaticais.
Ainda no que se refere à aquisição da linguagem oral, quando ingressa no pré-escolar da Educação Infantil, a Casa dei Bambini:
Dos 3 aos 6 anos, nas classes do pré-escolar da Educação Infantil, a criança apresenta como característica a capacidade de absorver o vocabulário e construir a consciência da estrutura da linguagem.
Sobre este aspecto diz Montessori:
"A linguagem já existe ao fim dos dois anos e meio, ela já está completa não só na construção da palavra mas na construção do discurso. Todavia permanece a sensibilidade para a construção da linguagem que neste ponto se volta para fixar os sons e adquirir um grande número de palavras."
("Il segreto dell'infanzia", Montessori, ....)
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3 - Sobre os períodos sensíveis para a aquisição da linguagem escrita (3 a 6 anos)
"A linguagem é como um solfejo
Que passa através das cordas vocais
e faz ressoar a voz musical
(vogais)
e o acompanhamento
(consoantes)
e depois de ter expressado na ária
o pensamento do homem
se perde no silêncio."
(de "Psicogramática", obra não publicada de Maria Montessori)
Para Montessori a aquisição da linguagem escrita é uma necessidade do homem, "como comprova a história da evolução da humanidade, uma característica biológica da evolução da espécie". Chomsky, 1998, em acordo com a idéia de Montessori, também afirma que a Linguagem está relacionada com a evolução das espécies.
As nébulas� que permitirão esta aquisição já estão presentes no neonato.
Cabe ainda considerar que é necessária uma análise acurada de todos os aspectos que envolvem o desenvolvimento da linguagem, da linguagem articulada à linguagem escrita, sem se deter na imensa gama dos demais tipos de linguagem, para que se possa delinear a atuação para cada período sensível.
Que condições precisa apresentar uma criança para falar?
- Condições físicas: tônus muscular, ponto articulatório adequado para os fonemas, audição capaz de identificar sons vocais e não-vocais, ainda que de forma inconsciente.
- Condições intelectivas e condições emocionais.
"Ainda que traga com ela ao nascer a nébula da linguagem, o que nos referimos neste momento é sobre o que a educação pode oferecer-lhe: condições de um maior refinamento diante de um processo natural de desenvolvimento."
"A natureza oferece à criança a oportunidade de crescer, lhe dá independência e a guia para a liberdade."
(La mente del bambino, Garzanti Ed., 1980)
Que condições precisa apresentar uma criança para escrever? Para ler?
Em "La scoperta del bambino",pág. 222, in 'Il mecanismo della scritura':
"A escrita é um ato complexo que precisa ser analisado. Contém uma parte que refere-se aos mecanismos motores e uma outra que representa um trabalho verdadeiro e próprio da inteligência."
Estes mecanismos motores, segundo Montessori, podem ser ainda divididos em dois grupos; aqueles que dizem respeito ao traçado dos símbolos e, ainda, os que dizem respeito ao manejo do instrumento de escrita (o lápis).
A educação dos movimentos, que mais tarde resultarão no ato da escrita, é cuidadosamente abordada em atividades que se iniciam com a utilização do material sensorial, ou de educação dos movimentos – estes exercícios vão constituir a preparação indireta da mão para a escrita.
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"Ela então se dá conta que as crianças já haviam feito atividades com o material sensorial nas quais o toque era realizado como o toque posterior nas letras de lixa, no sentido da escrita. Na idade infantil se fixam os mecanismos motores. Aquelas crianças haviam aprendido a escrever sem escrever."
("Maria Montessori: il pensiero, il método", Opera Nazionale Montessori)
Sendo a natureza sábia, enquanto a inteligência se prepara, os órgãos físicos aquecem-se para que depois, em harmonia, possam chegar à maturação acontecendo a "explosão" no processo.
Por volta dos quatro anos, os órgãos motores e a inteligência estão sensíveis ao aprendizado da escrita.
Estando esta janela de aprendizagem aberta, que capacidades e competências precisam ser desenvolvidas para que esta aprendizagem se processe de forma plena?
Sim, são as capacidades motoras, capacidades socioafetivas, capacidades cognoscitivas, capacidades visuais, etc.
Vejamos o que diz Montessori em sua obra:
Sobre as capacidades motoras:
"... é a pequena mão da criança pequeníssima de quatro anos que toca todas as coisas em torno na tentativa irresistível e inconsciente de estabilizar sua coordenação definitiva."
...
"Primeiro era guiado por uma força interior, inconsciente; agora é o seu "eu" que o guia, é a sua mão que se mostra ativa. É como se a criança que absorvia o mundo através de uma inteligência inconsciente, agora o retivesse em suas mãos."
("La scoperta del bambino", Garzanti Ed., 1970)
Sobre as capacidades cognoscitivas:
"Uma outra coisa que observamos é que a criança desta idade (4 anos) aprende muitas palavras novas, apresenta uma especial sensibilidade e um interesse pelas palavras e delas se apropria espontaneamente. Através de muitas experiências, constatou-se que o enriquecimento do vocabulário é uma conquista própria desta idade."
("La scoperta del bambino", Garzanti Ed., 1970)
Sobre as capacidades emocionais:
"A personalidade é una e indivisível e todas as atitudes da mente dependem de um único centro. É este o segredo que a própria criança revelou, cumprindo seu próprio trabalho, bem superior ao nosso e às nossas expectativas em todos os campos."
("Come educare il potenziale umano", Garzanti Ed., 1992)
III – A preparação do ambiente
"E foi seguindo o que as crianças me mostravam e cuidando de ajudá-las e de interpretar o que assisti que construí o nosso método de educação."
("Pedagogia Cientifica", Maria Montessori, 1907)
Mesmo sem um ambiente preparado o processo de desenvolvimento natural da criança fluirá. O que Montessori percebe é que o ambiente preparado para que a criança possa atuar de forma adequada (proporcionalidade), rico em estímulos (culturalmente rico), permite que a criança se conduza por um processo mais consistente que poderá assegurar melhores resultados.
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O Ambiente Alfabetizador
Cabe levar em consideração que a terminologia "ambiente alfabetizador" é bastante recente, embora o ambiente estruturado cientificamente, utilizado no Sistema Montessori, seja por excelência um ambiente alfabetizador.
Do Referencial Curricular Nacional (Brasil) para a Educação Infantil
"Diz-se que um ambiente é alfabetizador quando promove um conjunto de situações de usos reais de leitura e escrita nas quais as crianças utilizam a escrita no seu cotidiano e oferecem a elas a oportunidade de presenciar diversos atos de leitura e escrita, elas podem, desde cedo, pensar sobre a língua e seus usos, construindo idéias sobre como se lê e como se escreve."
"Sabe-se que para aprender a escrever a criança terá que lidar com dois processos de aprendizagens paralelos: o da natureza do sistema de escrita (o que a escrita representa e como) e o das características da linguagem que se usa para escrever. O aprendizado da linguagem escrita está intrinsecamente associado ao contato com textos diversos, para que as crianças possam construir sua capacidade de ler, e às praticas de escrita, para que possam desenvolver a capacidade de escrever automaticamente."
É importante também levar em conta que esta abordagem teve início com as pesquisas de Emília Ferreiro e Ana Teberosky, entre outros, e que isto data da década de 70, registradas na obra "Psicogênese da Língua Escrita".
Ora, levando-se em conta tais aspectos poder-se-á, sem dúvida, comprovar a contemporaneidade da proposta montessoriana, mesmo tendo hoje o trabalho da Dra Montessori, quase um século; pois que as atividades e materiais de desenvolvimento que fazem parte do ambiente preparado significam-no como um ambiente alfabetizador por excelência.
Mesmo não sendo esta uma proposição de sua época, Montessori, na pesquisa científica sobre as necessidades da criança em cada etapa do seu desenvolvimento natural, procura inserir no ambiente aquilo que lhe servirá de apoio, afinal, a função da educação é de ajuda à vida, significando prover os meios facilitadores para o desenvolvimento natural, meios capazes de proporcionar o desenvolvimento pleno do potencial humano em todas as circunstâncias.
Sendo a necessidade deste período descobrir os fatos da língua, materiais e atividades são oferecidos para supri-la. Montessori, ao que nos parece, não se preocupou apenas em deixar registrada uma teoria sobre como as crianças aprendem a escrita; ela foi além.
Verificando a função da linguagem para o homem, procurou prover os meios pelos quais o desenvolvimento natural da linguagem pudesse ser apoiado.
Cabe então considerar o quê para Montessori "significaria" um ambiente alfabetizador?
Partindo da premissa de que a linguagem tem uma função cósmica, afinal é este um dos pressupostos de seu sistema de educação, como se comprova em “La mente del bambino“, Garzanti Ed., 1980:
"... a linguagem, enquanto órgão de um pensamento livre e criativo tem uma particular importância. Isto ratifica e explica a função específica do homem na escala evolutiva, é uma particular importância. Somente o homem fala. A linguagem e o uso criativo e refinado da mão são funções peculiares dos seres humanos, os quais constituem um salto de qualidade na escala evolutiva dos seres vivos."
Ou ainda, em "Maria Montessori: il pensiero, il método", Giunti & Lisciani Editori, a cura dell'Opera Nazzionale Montessori, 1993:
"De modo diverso dos psicolingüistas, que isolam o estudo da língua do contexto das funções da personalidade, Maria Montessori insere o estudo da construção da linguagem na visão global do estudo do organismo psíquico, cuja criação é obra da criança na primeira fase de sua vida. (dos 0 aos 6 anos)"
Para Montessori, o ambiente alfabetizador será aquele que coloque a criança em contato com a cultura sob os seus mais diferentes aspectos, e que permita à criança apropriar-se de forma adequada dos hábitos e das atitudes de sua gente, a humanidade; da sua história; da sua língua; da ciência; da música; da arte...
Não se poderá considerar como ambiente alfabetizador, sob o olhar montessoriano, um ambiente que enfoque apenas as questões da língua pátria na forma escrita, pois são muitas as linguagens nas quais a criança precisa alfabetizar-se.
IV – A educação da Linguagem na Casa dei Bambini
"A educação da linguagem após os três anos consiste em ajudar a criança a enriquecer seu agora modestovocabulário e dar-lhe consciência da sua linguagem."
("Maria Montessori: il pensiero, il método", Giunti & Lisciani Editori, a cura dell'Opera Nazionale Montessori, 1993)
Isto não significa ensinar, mas promover a descoberta dos fatos da língua, o que é sempre interessante e fascinante.
É competência da escola ajudar a criança a aperfeiçoar e consolidar a estrutura da língua, propor atividades que consolidem a competência lingüística para que, então, possa ser realizada com excelência a função cósmica da linguagem.
Para Montessori a linguagem é parte da unidade psicobiofísica.
No homem, todas as possibilidades de desenvolver a linguagem nascem com o novo ser. Elas estão presentes desde o nascimento e se desenvolvem como um único organismo; embora cada sistema tenha suas funções separadas, eles se conectam para dar a unidade ao indivíduo (microcosmo), permitindo que a linguagem cumpra a sua função cósmica, conectando todos os indivíduos (macrocosmo).
Montessori comprovou através do estudo científico que realizou com as crianças, que entre os três e os seis anos de idade elas atravessam um período caracterizado pela tomada de consciência de tudo que construíram inconscientemente no período precedente.
A educação da linguagem na Casa dei Bambini (3 a 6 anos) está diretamente relacionada com o conhecimento do mundo e às relações que cada criança trava com a cultura: a ampliação do vocabulário, construindo significados, e o desenvolvimento da consciência das estruturas.
A - Orientações didáticas para o desenvolvimento da linguagem oral
A aprendizagem da linguagem oral (a fala) se dá de forma privilegiada por meio das interações que a criança estabelece desde que nasce.
As diversas situações cotidianas configuram oportunidades que permitem que a criança conheça e possa apropriar-se do universo discursivo e dos diversos contextos nos quais a linguagem oral é conhecida.
O adulto deve utilizar a linguagem de forma apropriada, sem infantilizações; com clareza para pronunciar as palavras proporciona um referencial adequado à criança.
Nomear elementos do ambiente (externo e interno, da comunidade, da natureza, do mundo), na realidade próxima e distante que permitam atribuir nomenclatura adequada no conhecimento do mundo dando significado ao nome.
Utilização das "nomenclaturas", análise de gravuras (de quadrinhos, de livros, de revistas, fotografias, etc.).
Identificar detalhes em fotografias, gravuras, etc.
Criar situações de escuta, de fala e de compreensão da linguagem oral, de modo que a criança possa vivenciar os diversos usos da linguagem oral, tais como:
recados orais;
ouvir histórias, lidas e contadas;
recontos orais de histórias conhecidas com aproximação da história original;
dramatizações;
ouvir a leitura de poesias, parlendas, adivinhas, trava-línguas, quadrinhas;
gravar e ouvir a voz das crianças no gravador;
ouvir músicas folclóricas, populares, clássicas, no seu idioma e em outros idiomas;
fazer a avaliação do dia;
planejar as atividades do dia, excursões, lanches ou almoços coletivos;
entabular um diálogo;
elaborar perguntas e respostas de acordo com os diversos contextos de que participa;
participar de situações que envolvam a necessidade de explicar e argumentar, como o jogo das perguntas (desenvolvimento do pensamento lógico, objetividade e prontidão de respostas) ou jogos de seqüência lógica.
Criar um clima de confiança, respeito e afeto em que as crianças experimentem o prazer e a necessidade de se comunicar:
organizar um canto da dramatização, canto da boneca;
relatos orais das próprias experiências, novidades, conversas informais.
Planejar situações de comunicação que exijam diferentes graus de formalidade:
conversas, exposições orais, entrevistas.
Utilizar diferentes práticas de leitura:
participar de situações em que os adultos lêem textos de diferentes gêneros;
participar de situações onde as crianças leiam, mesmo que de forma não-convencional;
confeccionar e utilizar "livros montessorianos", seguindo uma gradação;
utilizar os cartões de relacionamento e demais materiais que permitam a prática da leitura;
utilizar diferentes portadores de texto no cotidiano escolar;
utilizar diferentes tipos de texto no cotidiano escolar;
realizar leituras interpretadas a partir de gravuras significativas.
Materiais de desenvolvimento utilizados
- Nomenclaturas;
- Caixas de reconhecimento;
- Ambiente miniatura (representado no espaço escolar o mundo circundante, trazendo a cultura);
- Bilhetes.
Materiais suplementares diversos, classificados segundo os critérios montessorianos, para a organização do ambiente preparado e que insiram a criança no contexto cultural do momento em que vive.
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B – Orientações didáticas para o desenvolvimento da linguagem escrita; a escrita e a leitura
"A escrita é um ato complexo que precisa ser analisado. Contém uma parte que refere-se aos mecanismos motores e uma outra que representa um trabalho verdadeiro e próprio da inteligência."
("La mente del bambino", Garzanti Ed., 1992)
A preparação
- Os órgãos físicos
Preparação indireta da mão para a escrita
Esta etapa é realizada a partir dos 2 anos e meio / 3 anos, com a utilização do material sensorial. Deverá o educador estar atento à movimentação da criança ao utilizar cada material de forma a favorecer o refinamento do movimento de pinça, flexibilidade dos dedos, leveza da mão, o movimento leve do pulso, que atuarão diretamente no ato da escrita.
Ao trabalho com o material sensorial somam-se as atividades de educação dos movimentos, entre as quais:
- atividades de amassar, picotar, recortar com as mãos e com a tesoura;
- recortes livres e dirigidos: de revistas, recorte interno e externo;
- pintura a dedo, modelagem;
- e todas as atividades que desenvolvem o controle muscular.
Preparação visual e auditiva
Também realizada através da utilização do material de educação dos sentidos e educação dos movimentos nos exercícios e materiais que desenvolvem e refinam também a coordenação óculo manual; a audição, etc.
Preparação da mão para o uso do instrumento de escrita (preparação direta)
Realizada através da utilização dos encaixes de ferro ou encaixes do desenho em etapas de trabalho que proporcionam o refinamento dos movimentos intencionais da escrita.
Os encaixes do desenho apresentam todas as linhas que a criança utilizará posteriormente na escrita.
contorno interno e externo
preencher a figura com traços horizontais
preencher a figura com traços verticais
composição de formas
O trabalho da inteligência
A consciência da estrutura da linguagem; a consciência da "estrutura" das palavras constrói a linguagem escrita.
"O processo de análise de sons constituiu-se numa enorme dificuldade para o gênero humano, foi também sentido como uma exigência da espécie, por sua natureza superior, o desejo de registrar seu pensamento sobre a matéria para tê-lo interpretado por outro sem limite de espaço ou de tempo.
A história da escrita é fascinante e deve ser contada às crianças maiores das classes elementares para guiá-las no estudo da história dos povos primitivos.
Foi longo o caminho que percorreu a humanidade até a descoberta do alfabeto, fazendo relacionar cada som a um símbolo, mas uma vez descoberta esta correspondência foi fácil registrá-la.
Nascia assim o alfabeto gráfico de uma tomada de consciência de um mecanismo inato (a linguagem articulada). O nosso é apenas um dos muitos alfabetos que circulam pelo mundo. No período histórico em que estamos vivendo, caracterizado pela difusão da comunicação, temos contado cotidianamente com o alfabeto árabe, chinês, japonês, etc."
...
"A criança porém não deve percorrer todas as etapas da história. Ela absorve o presente tal como o encontra. Basta para isto manter à sua disposição esta descoberta e ela a renova de súbito em si própria."
("Pedagogia Cientifica", M. Montessori, 1907)�
Mantendo à disposição da criança a produção escrita de sua época:
Organizar uma caixa com diferentes portadores de textos: livro, jornal, revista, dicionário, folder, etc.
Organizar uma caixa com diferentes tipos de textos sociais e literários: lista, poesia, receita, bula, manual, carta, convite, conto, telegrama, notas fiscais, etc.
Participar de situações do cotidiano nas quais se faz necessário escrever(exercícios com os bilhetinhos, nomeando os elementos do ambiente e realizando os jogos intuitivos gramaticais).
Escrita do próprio nome.
Produzir textos coletivos ou individuais, que podem ser registrados pela professora.
Prática da escrita de próprio punho, utilizando o conhecimento de que dispõe no momento, sobre o sistema de escrita em língua materna.
Desenvolver situações onde a criança estabeleça uma relação entre o que é falado e o que está escrito.
Desenvolver situações onde as crianças se apropriem das formas textuais, do sentido do texto, apoiando-se nos mais diversos elementos como nas gravuras (leituras interpretadas de gravuras).
Jogo da análise das palavras: conhecimento de significado das palavras e análise dos sons que a compõem.
Mantendo à disposição da criança os símbolos da escrita:
Letras de lixa
Orientação didática para a seqüência do trabalho com as letras de lixa, que deve iniciar por volta dos três anos e meio / quatro anos:
apresentação com "lição dos três tempos";
movimentos amplos sem o instrumento da escrita, com o indicador, com os três dedos em superfícies diversas;
movimentos intencionais de reprodução dos símbolos utilizando diferentes recursos (tabuleiro de areia, pintura a dedo, movimentos no ar, etc.);
identificar auditivamente os sons (relação fonema - grafema).
Atividades correlacionadas ao trabalho com as letras de lixa desenvolvidas através de materiais previamente preparados pela professora de acordo com os princípios montessorianos, em atividades coletivas ou individuais: confecção de um quadro fonético com reálias, com gravuras ou desenhos; pesquisa de sons; jogos; jogos de "pista"; pesquisa de letras de imprensa, maiúsculas e minúsculas, atividades de buscar "onde está escrito"; jogo da análise das palavras, conhecimento de significado das palavras e análise dos sons que a compõem, relacionamento do fonema ao grafema.
1o alfabetário�:
Formação de palavras livremente ou com auxílio de objetos do ambiente.
2o alfabetário�:
composição de palavras livremente ou com auxílio de objetos reais;
trabalho em duplas para permitir a troca entre crianças que estejam construindo a linguagem escrita, favorecendo os intercâmbios;
escrita no chão, quadro de giz, no papel sem pauta.
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V -Algumas considerações sobre as etapas do processo
A metodologia montessoriana apresenta etapas definidas para o trabalho, onde cada material está relacionado com a etapa do processo a ser vivenciado pela criança, de modo a permitir a descoberta pela sua própria ação, a construção do conhecimento e o refinamento, que tanto pode ocorrer no campo psicomotor como no da cognição, e que representa o processo de autoconstrução:
- As letras de lixa são utilizadas de forma que a criança se aproprie dos símbolos que utilizará para a escrita convencional.
- Quando a criança chega à etapa alfabética, ela identifica todos ou quase todos os sons que compõem a palavra; o 1o alfabetário é introduzido para que sirva de ajuda ao seu trabalho.
As letras móveis adquirem uma importante função em situações de interação pois permitem fazer e desfazer as escritas a partir das discussões entre as crianças, ou, quando o trabalho é individual, que a criança exerça o controle do erro, verificando a sua hipótese, fazendo as próprias correções a fim de que o registro final apresente a correção ortográfica, que deve iniciar-se nesta etapa.
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VI- A gramática como ajuda à leitura
"Quando se põe um cartãozinho com a palavra interpretada sobre um objeto ao qual corresponde se está distinguindo o nome das outras partes do discurso e se vem intuitivamente definindo-o, assim é dado o primeiro passo real na gramática."
("L'autoeducazione", M. Montessori, Garzanti Ed., 1970)
VI.1. 	A consciência da estrutura da linguagem
- As funções gramaticais e estrutura do discurso
"os símbolos gramaticais"
Enquanto a criança está desenvolvendo o processo de construção da escrita algumas atividades de gramática vêm em auxilio para ajudá-la à conquista da leitura.
A gramática, nesta etapa do trabalho, atende às necessidades da criança para a compreensão da estrutura da língua, já que este é o período sensível para esta aprendizagem.
A escrita é um processo de análise; a leitura é um processo de síntese, que, como tal, deve ser estimulado na criança. Os jogos gramaticais vão utilizar os mecanismos da leitura proporcionando atividades estimulantes para a criança.
"Depois da explosão da escrita, algumas vezes até mesmo antes, se verifica a explosão da leitura. É um erro considerarmos que a escrita e a leitura constituem um único fenômeno. Para escrever é necessário analisar a palavra, descobrir os elementos fonéticos que a compõem (sons) e relacioná-los aos símbolos que os representam. Para ler, além de conhecer os símbolos que representam os sons, preciso sintetizá-los para compreender o significado da palavra, que se apresenta como uma unidade desconhecida."
("Maria Montessori: il pensiero, il método", Lisciani & Giunti Editori, Opera Nazionale Montessori, 1993)
Bilhetinhos
Jogos intuitivos gramaticais
Caixinhas das palavras
Comandos
Família do nome
Família do verbo
Símbolos gramaticais
Caixas gramaticais
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VII - Aperfeiçoamento da escrita enquanto ortografia
Várias são as atividades e materiais de desenvolvimento que apóiam o trabalho de aperfeiçoamento da ortografia, embora, no método, o enfoque seja fundamentalmente no estudo da palavra e na construção do patrimônio lingüístico.
O estudo da ortografia não tem significado se a criança não tem a construção da palavra e suas variações semânticas.
Atividades e materiais de desenvolvimento:
- Terceiro Alfabetário
- Quadro dos sufixos e prefixos
- Quadro das palavras compostas
- Quadro das famílias das palavras
- Jogos de movimento para concordância entre artigo e substantivos e para flexão do substantivo.
O objetivo do material é o estudo morfológico das palavras que levará a criança a uma conquista consciente da ortografia, agrupando as palavras e permitindo a comparação.
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VIII - Aperfeiçoamento da escrita enquanto caligrafia
A mão que foi preparada para a escrita continua a receber atenções; a caligrafia é refinada inclusive com o trabalho que os encaixes de ferro proporcionam em etapas subseqüentes, onde a gradação de aprendizagens propostas requer competências cada vez mais apuradas.
Outros materiais, como os folhetos de linguagem, os quadros pautados, servem de apoio a este trabalho.
VIII - Aperfeiçoamento da linguagem gráfica como meio de comunicação
Tendo seu objetivo principal para o trabalho na área da linguagem focado na visão cósmica da educação, Montessori afirma que é competência da educação, como ciência, levar à criança, os meios de aprimorar as suas capacidades e desenvolver as inteligências.
A utilização da escrita como meio de comunicação retrata o momento vivido por Montessori.
Em nosso tempo, a comunicação abrange diferentes tipos de linguagem para os quais cada vez mais a escola precisa preparar-se para fornecer melhores meios para que a criança desenvolva competências.
Destacamos neste trabalho apenas o enfoque da produção textual, numa visão metalingüística, que possibilitará à criança o desenvolvimento da leitura e da escrita e o aprimoramento do uso da linguagem gráfica como meio de comunicação, cumprindo o seu papel cósmico.
"Produzir um texto é um processo dinâmico de construção cognitiva e psicomotora, ligado à necessidade de agir, na qual intervêm também a afetividade eas relações sociais.
Produzir um texto é uma atividade complexa de tratamento de diversas informações por parte da inteligência.
Produzir um texto é escrever "de verdade", desde o início, textos autênticos, funcionais, em situações reais de uso, em relação às necessidades e desejos.
Produzir um texto é ter o poder de convocar diversas pessoas, por exemplo, para assistir uma peça de teatro, através de um cartaz; obter permissão, através de uma carta; etc."
("Aprender a formar Crianças Leitoras e Escritoras", Gloria Inostroza de Celis & Josete Jolibert)
"Produzir um texto é também cumprir a função cósmica da linguagem à que Montessori se refere:
a comunicação entre os homens."
Marcia Righetti
O ambiente estruturado é de vital importância neste trabalho, pois é nele que a criança construirá suas impressões e conhecimentos.
A produção escrita do momento cultural em que vive a criança deverá estar presente.
Atividades e materiais criados para proporcionar o desenvolvimento da produção textual:
- Utilização de enxovais nas caixas gramaticais que apresentem diferentes tipos de textos.
- Utilização de textos funcionais da vida escolar.
- Biblioteca de sala com diferentes tipos de textos e portadores de textos: jornais, revistas, dicionário, enciclopédia, livros de histórias, histórias em quadrinhos, livros de poesia, livros de receita, etc.
- Jornal Mural.
- Caixa com textos da vida cotidiana (rótulos, receitas, cartas, convites, canções, bula, telegrama, nota fiscal, anúncio classificado, etc.).
- Caixas ou álbuns com os textos das crianças (escritos por elas ou ditados à professora).
- Álbuns (Livros montessorianos):
- com letreiros, propagandas, sinais de trânsito (que permitam às crianças reconstituírem o sentido do texto);
- profissões, aspectos da cultura e outros – que permitam conversar sobre ações, lugares, hábitos e costumes;
- com informações científicas.
- Banco de palavras.
- Cartazes de metacognição (diferentes tipos de texto).
- Blocões, para registro do que se aprende.
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Para reflexão:
"Atualidade não significa legitimação de transposições pontuais, ortodoxias, mas a capacidade de fecundar as inovações e a diversificação. Montessori é atual como todos os grandes protagonistas da pedagogia: prova uma teoria ao desenvolvê-la.
Montessori é atual também num outro sentido: muitas de suas importantes coisas não são conhecidas à fundo e por isso são redescobertas com uma leitura atenta, aberta portanto a confrontos e discussões."
(Francesco De Bartolomeis, nos debates comemorativos dos 80 anos da obra de Maria Montessori)
"A linguagem humana parece estar biologicamente isolada em suas propriedades essenciais e ser um desenvolvimento na verdade recente sob uma perspectiva evolucionista."
(Noan Chomsky, 1998)
"O homem é diferente dos outros animais, não apresenta movimentos coordenados fixos, ele todo deve construir-se a si próprio. Neste <tudo> a linguagem, como órgão de um pensamento livre e criativo tem uma particular importância. Isto ratifica e explica a função específica do homem na escala evolutiva, é uma particular importância. Somente o homem fala. A linguagem e o uso criativo e refinado da mão são funções peculiares dos seres humanos, os quais constituem um salto de qualidade na escala evolutiva dos seres vivos."
Maria Montessori
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Referências Bibliográficas
MONTESSORI, Maria. (2000) "Il método della Pedagogia Scientifica aplicatto all’educazione infantile nelle Case dei Bambini". Edizione critica, Instituto Superiore di Ricerca e Formazione dell'Opera Nazionale Montessori.
______________. (1980) "La mente del Bambino". Garzanti Editore, Milano.
______________. (2000) "L'autoeducazione nelle scuole elementari". Garzanti Editore, Milano.
_____________. (1993) "La scoperta del bambino". Garzanti Editore, Milano.
_____________. (1992) "Come educare il potenziale umano". Garzanti Editore, Milano.
MARCHETTI, M. Teresa. (1993) "Educação da linguagem segundo o pensamento de Maria Montessori", em "Maria Montessori, o pensamento e o método", vol. 2, Opera Nazionale Montessori, Lisciani & Giunti Editori, Roma.
HELMING, Helene. "El sistema Montessori". Buenos Aires.
SCHWEGNAN, Marjan. (1999) "Maria Montessori". Ed. Il Mulino, Bologna.
GARDNER, Howard. (1994) "Estruturas da mente: A teoria das Inteligências Múltiplas". Artes Médicas, Porto Alegre.
CELIS, Gloria Inostroza de; JOLIBERT, Josete. "Aprender a formar Crianças Leitoras e Escritoras". Artes Médicas, Porto Alegre.
ANTUNES, Celso. (2002) "Novas maneiras de ensinar, novas formas de aprender". Artes Médicas, Porto Alegre.
AXT, Margarete. Tese de doutorado, UFRGS. Porto Alegre.
DELVAL, Juan. "A construção do conhecimento na escola". Artes Médicas, Porto Alegre.
CHOMSKY, Noan. (1998) "Linguagem e Mente". Editora UnB, Brasília, DF.
JOLIBERT, Josette e colaboradores. (1994) "Formando crianças produtoras de textos". Artes Médicas, Porto Alegre.
______________________. (1994) "Formando crianças leitoras". Artes Médicas, Porto Alegre.
ALMEIDA, Talita. (1978/1995/2002) "Apostilas de Desenvolvimento da Linguagem" (nos 1, 2 e 3). Presence Editora, Rio de Janeiro.
Plano para o desenvolvimento e a integração da América Latina, Parlatino, Unesco (2001, 3a edição).
Parâmetros Curriculares Nacionais, Secretaria de Educação Fundamental, Brasília: MEC/SEF, 1997.
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Aldeia Montessori		Rio de Janeiro			Brasil
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� Nébulas: Energia criativa que guia os diferentes processos de construção da psique humana, encontrada desde os neonatos. Características presentes no homem no momento do nascimento, que permitem ao homem <absorver o ambiente> - "sob este plano nós formulamos o conceito de nébula, confrontando com a energia criativa que guia as crianças para absorver o ambiente à nébula da qual são formados através de processos sucessivos os corpos celestes" (La mente del bambino, Garzanti Ed., 1992).
� Segundo Montessori: alfabeto recortado em azul e vermelho, do mesmo tamanho das letras de lixa.
� Todas as letras em preto, muito pouco usado no Brasil.
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