Prévia do material em texto
TÉTANO Acadêmicas: Carla Victoria Franco da Cruz Kethlen de Souza Gonçalves Talita Araújo Sobreira Universidade do Estado do Amazonas Escola Superior de Ciências da Saúde Disciplina: Microbiologia Introdução Doença infecciosa não contagiosa Causada por um bacilo que produz uma exotoxina ( tetanospasmina ) Toxina tem período de incubação variável Doença cosmopolita que predomina em países subdesenvolvidos 20/05/2019 Talita Araujo 2 Manifestações Clínicas Aumento da tensão muscular geral Febre Sudorese Confusão mental Dispneia Ritmo cardíaco acelerado Cólicas Espasmos musculares Asfixia Baba Constrição mandibular 20/05/2019 Talita Araújo 3 Agente Etiológico 20/05/2019 4 Talita Araújo Fatores de virulência Tetanolisina O Proteínas de ligação à fibronectina Toxina do tetânica (tetX) e seu regulador de transcrição direto TetR 20/05/2019 Talita Araújo 5 5 Mecanismos de Patogenicidade 20/05/2019 Talita Araújo 6 6 Mecanismos de Patogenicidade 20/03/2019 Talita araujo 7 Mecanismos de Patogenicidade 20/03/2019 Talita Araujo 8 Vetores e reservatórios Não tem vetor Reservatórios Solo Poeira Intestino de humanos e animais Fezes Superfície de objetos 20/05/2019 Kethlen de Souza Gonçalves 9 Vias de transmissão Não é contagioso - sem transmissão direta Tétano acidental Contato de esporos da bactéria em solução de continuidade da pele Tétano neonatal Contaminação do cordão umbilical - secção com instrumentos não esterilizados - substâncias contaminadas no curativo do coto umbilical 20/05/2019 Kethlen de Souza Gonçalves 10 Epidemiologia Mundial Distribuição mundial Países subdesenvolvidos – imunização Alta letalidade – 30 mortes a cada 100 pessoas 20/05/2019 Kethlen de Souza Gonçalves 11 Epidemiologia Mundial Tétano acidental Tétano neonatal 20/03/2019 12 Epidemiologia no Brasil Tétano acidental 1.298 casos entre os anos de 2013 a 2017 Nordeste (29%), Sudeste (23%), Sul (20%) Aumento de ocorrência na zona urbana (78%) 20/05/2019 Kethlen de Souza Gonçalves 13 todas as faixas etárias ( 30 a 69 anos) aposentado-pensionistas, trabalhador agropecuário, trabalhador da construção civil, estudantes e donas de casa letalidade de 33% Epidemiologia no Brasil Tétano Neonatal 35 casos entre 2007 e 2017 - SINAM Maior incidência na região norte Em 20015 e 2017 não houve registro de casos 20/03/2019 14 Epidemiologia no Amazonas Tétano acidental 64 casos entre 2006 e 2016 30,8 % de letalidade 8 casos em 2016, 5 deles em Manaus 20/05/2019 Kethlen de Souza Gonçalves 15 Tétano neonatal 10 casos entre 2000 e 2006 80% de letalidade sem registro em 2016 Prevenção e controle Existe cura para o Tétano? O tétano não é contagioso, porém, mesmo aqueles que já contraíram a doença, não adquirem anticorpos para evitá-lo novamente. Como Evitar o Tétano? A vacinação é a única forma de proteção. Imunização adequada: é preciso ter tomado 3 doses de toxóide tetânico (presente em todas as seguintes vacinas: DTP, DT e dT), tendo sido a última dose há menos de dez anos. Todas as mulheres em idade fértil (12-49 anos) tem que ter tomado pelo menos 2 doses da vacina. No pré-natal repete-se. E toma-se como medida de cuidados o conjunto de hábitos limpos e saudáveis. O ESQUEMA BÁSICO DE VACINAÇÃO na infância é feito com três doses da vacina pentavalente (DTP, hepatite B, Hib). Aos dois, quatro e seis meses. O primeiro reforço é feito com a Tríplice (DTP) aos 15 meses. O 2 reforço faz-se entre os 4 a 6 anos de idade. A partir daí, os reforços devem ser feitos com a vacina dupla dT, de 10 em 10 anos. 20/03/2019 16 20/05/2019 16 Carla Victoria Prevenção e controle 20/05/2019 Carla Victoria 17 Diagnóstico O DIAGNÓSTICO DA DOENÇA É ESSENCIALMENTE CLÍNICO O Período de incubação (pode variar de um dia a três ou mais semanas) E compreende ao período da exposição ao agente infeccioso até o surgimento dos primeiros sintomas. O Período de progressão é o tempo entre o surgimento dos primeiros sintomas e a primeira contratura No caso do tétano, quanto menor o período de incubação e o período de progressão, (No caso, com 48h) mais grave poderá ser a doença. Apenas na internação, aproveita-se os exames de rotina. (hemograma, bioquímica do sangue (TGO, TGP, uréia e creatinina), radiografia de tórax e EAS.0 O leucograma é normal ou com discreta leucocitose. Pode haver anemia devido à hemólise causada pela toxina tetanolisina ou pelos medicamentos. Normalmente o líquor é normal, motivo pelo qual não é colhido de rotina, exceto em casos do diagnóstico diferencial com meningite. 18 20/05/2019 18 Carla Victória Diagnóstico TÉTANO LOCALIZADO: Mialgia e contrações involuntárias nos músculos próximos ao ferimento. Quase sempre, restringe-se a um membro. Mi TÉTANO CEFÁLICO: Ferimentos no couro cabeludo, face, cavidade oral e orelha. Leva à paralisia ipsilateral à lesão, trismo, disfagia e compromete os nervos cranianos III, IV, IX, XII. TÉTANO GENERALIZADO: Trismo e riso sardônico. Os musculos retos abdominais e paravertebrais são comprometidos. Conforme a doença vá evoluindo, outros músculos vão sendo atingidos progressivamente juntamente com as famosas contraturas musculares. Dependendo da gravidade da doença. Pode piorar os estímulos auditivos, visuais e táteis. Se o quadro for muito grave, os espasmos evoluem para fraturas de vértebras ou até mesmo paradas cardiorrespiratórias. O paciente permanece lúcido. Febre baixa, apenas indica infecção ou mau prognóstico. MANIFESTAÇÕES: hiperatividade simpática, temos: taquicardia, hipertensão arterial lábil, sudorese profusa, vasoconstrição periférica, arritmias cardíacas e até hipotensão arterial TÉTANO NEONATAL: Ocorre quando há aplicação de substâncias contaminadas na ferida do coto umbilical. (tem o período de incubação de 7 dias aproximadamente) O opístono é o principal meio de manifestação na criança. No início, a criança pode apresentar apenas dificuldade para se alimentar. Geralmente ocorre em filhos de mães não-vacinadas ou inadequadamente vacinadas no pré-natal. 20/05/2019 Carla Victoria 19 Tratamento 20/05/2019 20 Carla Victória O cuidado com a ferida inclui uma limpeza imediata e completa. Especialmente nas feridas incisas profundas, porque o pó e o tecido morto favorecem o crescimento das bactérias Clostridium tetani. DEBRIDAMENTO DO FOCO: deve ser amplo, profundo e rigorosamente diário, visando bloquear a produção de toxina no local da ferida, através da limpeza do ferimento com peróxido de hidrogênio (água oxigenada) ou permanganato de potássio. A finalidade é retirar as condições de anaerobiose, removendo todo o tecido desvitalizado e possível corpo estranho (pedaço de madeira, osso ou metal). A cicatrização deve se dar por segunda intenção e a sutura está proscrita. Eventualmente, novos debridamentos podem ser necessários. No caso de tétano neonatal, o curativo do coto umbilical com água oxigenada ou permanganato de potássio. SORO ANTI-TETÂNICO: utiliza-se o soro anti-tetânico (SAT), para a neutralização da toxina circulante, na dosagem de 20.000 UI IV (independente do peso do paciente ou da gravidade do caso). 20 Tratamento VACINA ANTI-TETÂNICA: o toxóide tetânico deve ser aplicado em três doses para a imunização plena do paciente, sendo a primeira dose (1 ampola IM) aplicada na admissão do paciente ao hospital e as demais doses com 30 e 60 dias, respectivamente. TRATAMENTO ANTIMICROBIANO: recomenda-se a penicilina G cristalina (150.000 a 200.000 UI/kg/dia IV), 4/4 horas, por 10 a 14 dias. Em caso de alergia à penicilina, podemos optar pelo metronidazol (30 mg/kg/dia IV), 8/8 horas, por 10 dias. TRATAMENTO DAS CONTRATURAS: podemos lançar mãos de drogas sedativas para manter o paciente sedado. TRATAMENTO DA HIPERATIVIDADESIMPÁTICA: utilizam-se beta-bloqueadores, como o propranolol ou atenolol, nas taquicardias acima de 140 bpm (a dose deve ser avaliada de acordo com a resposta do paciente, com o devido cuidado no uso em idosos). 20/05/2019 Carla Victoria 21 Tratamento 1. O paciente deverá sempre ser transferido para o Isolamento, em quarto fechado, escuro e silencioso, a fim de se prevenir as contraturas desencadeadas por estímulos luminosos ou sonoros (lembrar sempre de confortar o paciente, que geralmente está muito ansioso); a remoção para a UTI está indicada nos casos de impossibilidade de controle das contraturas ou comprometimento da ventilação; 2. O paciente deve estar em constante vigilância pela enfermagem; 3. Oxigenioterapia por máscara facial e controle diário da gasometria arterial estão indicados nos pacientes com distúrbio ventilatório; 4. Inicialmente o paciente deve estar em dieta oral zero e, posteriomente, poderá receber dieta líquida oral, sob supervisão da enfermagem, ou através de sonda nasogástrica, caso o paciente esteja entubado; 5. Hidratação venosa e suporte calórico adequado estão indicados, preferencialmente através de dissecção venosa, a fim de se corrigir distúrbios hidro-eletrolíticos e ácido- básicos; 20/03/2019 Carla Victoria 22 Tratamento 6. Utilizar medicação anti-ácida para prevenção das úlceras gástricas de estresse; 7. Aspirar as secreções das vias aéreas superiores (ou do tubo endotraqueal ou cânula de traqueostomia) sempre que necessário, já que as complicações pulmonares infecciosas são muito freqüentes, consistindo em importante causa de mortalidade nesses pacientes; 20/03/2019 Carla Victoria 23 8. Deve-se considerar a traqueostomia precoce nos pacientes com contraturas incontroláveis ou acúmulo de secreção no tubo endotraqueal, já que permite higiene mais eficaz; 9. O uso prolongado de sondas vesicais de demora predispõe à infecção de trato urinário, motivo pelo qual deve-se evitar ao máximo este procedimento; Referências TAVARES, Walter. O CLOSTRIDIUM TETANI E O TÉTANO. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, v. 7, n.1, p 57-68, 1973. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rsbmt/v7n1/a07v7n1.pdf VIEIRA, Lúcio José; OLIVEIRA, Maria Helena Pessini de; LEFEVRE, Fernando. O uso da expressão "mal-de-sete-dias" por mães de crianças que morreram de tétano neonatal em Minas Gerais (1997-2002). Texto contexto - enferm., Florianópolis , v. 15, n. 1, p. 51-59, marzo 2006 . Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-07072006000100006&lng=es&nrm=iso . VIEIRA, Lúcio José; SANTOS, Laila Marília. Aspectos epidemiológicos do tétano acidental no Estado de Minas Gerais, Brasil, 2001-2006. Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília , v. 18, n. 4, p. 357-364, dez. 2009 . Disponível em http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742009000400005&lng=pt&nrm=iso BUNCH, T. J.; THALJI, M. K.; PELLIKKA, P. A., et al. Respiratory failure in tetanus: Case report and review of a 25-year experience. Chest, v. 122, n. 4, p.1488-92, 2002. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12377887 Breidenbach, M. A. e Brunger, A. T. (2005). New insights into clostridial neurotoxin –SNARE interactions, TRENDS in Molecular Medicine, 11(8), pp. 377-381. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16006188 Bhatia, R., Prabhakar, S. e Grover, V. K. (2002). Tetanus, Neurology India, 50, pp. 398-407. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12577086 HASSEL, Bjornar. Tetanus: Pathophysiology, Treatment, and the Possibility of Using Botulinum Toxin against Tetanus-Induced Rigidity and Spasms, 2013. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3564069/ Fernando S. V. Martins & Terezinha Marta P.P. Castiñeiras, TÉTANO, 2012. Disponível em: http://www.cives.ufrj.br/informacao/tetano/tetano-iv.html Brauner JS, Vieira SR, Bleck TP. Changes in severe accidental tetanus mortality in the ICU during two decades in Brazil. Intensive Care Med. 2002. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12122532 Bassin SL. Tetanus. Curr Treat Options Neurol. 2004. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/14664767 Gupta PS, Kapoor R. Intrathecal tetanus immunoglobulin (human). Indian J Pediatr. 1982. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/6896700 Brook I. Current concepts in the management of Clostridium tetani infection. Expert Rev Anti Infect Ther. 2008. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18588497 20/05/2019 24 Obrigado pela atenção!