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1 COMISSÁRIO(A) VOO Versão 1.1 2 3 GRUPO I O COMISSÁRIO DE VOO................................................................................................5 PROCEDIMENTOS ROTINEIROS DE SEGURANÇA.....................................................11 EMERGÊNCIA E SEGURANÇA.....................................................................................33 COMBATE AO FOGO.....................................................................................................89 SOBREVIVÊNCIA.........................................................................................................113 GRUPO II REGULAMENTAÇÂO DA AVIAÇÃO CIVIL - DIREITO AERONÁUTICO....................209 SISTEMA DE AVIAÇÃO CIVIL INTERNACIONAL.......................................................231 SISTEMA DE AVIAÇÃO CIVIL BRASILEIRO...............................................................243 DIREITO DO TRABALHO E SEGURIDADE SOCIAL..................................................271 REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO DE AERONAUTA..........................................281 SEGURANÇA DE VOO................................................................................................295 GRUPO III HIGIENE........................................................................................................................313 O CORPO HUMANO.....................................................................................................319 MEDICINA AEROESPACIAL.......................................................................................347 PRIMEIROS SOCORROS.............................................................................................373 GRUPO IV METEOROLOGIA.........................................................................................................417 NAVEGAÇÃO AÉREA..................................................................................................445 CONHECIMENTOS GERAIS DE AERONAVES...........................................................461 TEORIA DE VOO..........................................................................................................479 FATORES HUMANOS DA AVIAÇÃO CIVIL.................................................................495 SUMÁRIO: 4 5 O COMISSÁRIO(A) VOO 6 7 CAPÍTULO 1 O COMISSÁRIO DE VOO 1- A FUNÇÃO DO COMISSÁRIO DE VOO Em conformidade com o MCA 58-11/2005 pg 25. A arte de voar compreende operações rotineiras e padronizadas, assim consideradas por aqueles que fazem do vôo sua profissão. Em outras palavras, há no vôo uma certa satisfação e realização entendida pelos tripulantes, que transcendem o trabalho mecânico de sua profissão. Daí eles suportarem e superarem todos os problemas e obstáculos inerentes ao vôo. Com a confiança que inspira o avião moderno, os períodos de alerta vão se tornando cada vez mais raros. Contudo, é imprescindível uma instrução metódica e periódica, a fim de que as tripulações estejam devidamente preparadas para enfrentarem situações anormais e de emergência, com julgamento preciso e ação imediata, segundo normas e procedimentos previamente estabelecidos. De acordo com o Código Brasileiro do Ar, capitulo V da responsabilidade civil – artigo 83: O transportador é responsável pela integridade física de seus passageiros a bordo de aeronaves em vôo ou nas operações de embarque e desembarque. Embora o Comandante seja responsável pela segurança e integridade física dos passagei- ros e tripulantes, é essencial que cada membro da tripulação esteja bem familiarizado com os procedimentos de emergência, com as atribuições dos outros membros da tripulação, de modo que, na hipótese de acidente com um deles, o outro possa assumir devidamente os seus encargos. Esta obra, não pretendem esgotar o assunto, muito menos substituir qualquer curso preparatório para a profissão, reunimos ao máximo informações teóricas de cursos e profissionais voltados à formação de comissários, mas duas situações emergenciais semelhantes jamais serão iguais, e nisso reside o uso constante de bom senso, adaptação à realidade local e temporal, iniciativas e julgamento de cada tripulante da aeronave, tudo isso aliado ao pleno conhecimento do que se pode fazer com o que se tem à mão. Procuramos fornecer uma base sólida, o resto é com os profissionais do ar. A principal razão da existência do comissário (a) de bordo é exatamente a de agir com eficiência, rapidez, conhecimento e bom senso, em uma possível situação de emergência. Para tal, na manutenção da segurança, torna-se necessário que sejam mantidas as regras Básicas dos manuais, o equilíbrio e a personalidade de comando, através de cursos, reciclagens e treinamentos. Obs: Para minimizar os efeitos psicológicos do vôo e evitar situações de estresse entre passageiros, algumas empresas adotam o serviço de bordo e desenvolvem programas divercionais. Os comissários desenvolvem ainda a limpeza básica interna da aeronave como medida de higiene, sendo que a limpeza completa deverá ser realizada por equipe de limpeza especifica. Não é da responsabilidade ou atribuição do CMS o desembarque de passageiros que estejam colocando em risco a segurança da aeronave, devendo este comunicar ao comandante que irá providenciar autoridade local competente para o cumprimento da lei. Nota: Nenhum tripulante poderá atuar em aeronaves civis brasileiras se tiver ingerido bebida alcoólica ou similares em período inferior a 8 horas da apresentação para o vôo. 8 2 - A PREPARAÇÃO DO COMISSÁRIO DE VOO Em conformidade com o MCA 58-11/2005 pg 26 Objetivos específicos: Os conhecimentos adquiridos nestas matérias visam preparar o aluno a; • Preparar a cabine de passageiros para o embarque, o voo e o desembarque ou trânsito • Zelar pela segurança dos passageiros e tripulantes • Reconhecer as emergências aeronáuticas; • Identificar as providências a serem tomadas em cada caso de emergência; • Identificar as técnicas para utilizar adequadamente os equipamentos de emergência; • Identificar as normas de segurança no combate aos incêndios; • Identificar os procedimentos adotados no salvamento por helicóptero; • Identificar as medidas de segurança no solo ou em vôo; • Identificar os procedimentos a serem adotados para a sobrevivência em terra e no mar. • Identificar as medidas em caso de turbulência. • Prevenir e combater o fogo a bordo. • Prevenir e identificar transporte de artigos perigosos na cabine. • Prevenir e identificar atos de interferência ilícita contra a aviação civil. 9 10 11 PROCEDIMENTOS ROTINEIROS DE SEGURANÇA 12 13 CAPÍTULO 2 PROCEDIMENTOS ROTINEIROS DE SEGURANÇA INTRODUÇÃO Todos os tripulantes (técnicos de cabine) a bordo têm a responsabilidade de assegurar que a preparação da cabine para pousos e decolagens é tal que proporcione a máxima segurança no caso de aborto de decolagem ou pouso forçado. Os comissários são a extensão do comandante no que se refere a segurança e gerenciamento da cabine e passageiros, em condições normais e de emergência. Qualquer ocorrência anormal, tanto em solo como em vôo, deverá ser informada ao Comandante imediatamente. Ao ser escalado para qualquer tipo de vôo o CMS deverá checar e conhecer todos os equipamentos de uso normal ou de emergências disponíveis, sua forma de utilização, de acordo com o equipamento que irá voar, bem como suas posições e localidades em que se encontram. Durante as operações de pouso e decolagem os comissários deverão executar com rigor os cheques dos equipamentos e os cheques preparatórios com relação as cabines de PAX , galleys e toaletes. DOCUMENTAÇÃO DE UM COMISSÁRIO NECESSÁRIA DURANTE O VÔO VÔO NACIONAL • CARTEIRA DE IDENTIDADE; • CERTIFICADO DE CAPACIDADE FÍSICA (VÁLIDOS) • CERTIFICADO DE HABILITAÇÃO TÉCNICA (VÁLIDO)VÔO INTERNACIONAL ACRESCENTAR: • PASSAPORTE COM VISTOS VÁLIDOS; • ATESTADO DE VACINA CONTRA FEBRE AMARELA; • ATESTADO DE VACINA CONTRA VARÍOLA. PROCEDIMENTOS PRÉ VÔO ANTES DO EMBARQUE DE PAX O Chefe de Equipe designa as posições dos comissários para a estação de emergência de acordo com os mapas de posicionamento de cada aeronave. Todos os CMS checam os equipamentos de emergência da cabine de PAX, tendo-se em mente que a quantidade de kits/pax , deverá ser de 1 kit para 50 passageiros desprezando-se as frações. CHEQUE DE EQUIPAMENTOS DE SEGURANÇA Deverão ser checados: I) Antes de cada início de vôo; II) Após troca de tripulação; 14 CHECK PRÉ VÔO: - Funcionamento dos sistemas de PA, interfone, luz de emergência e sinalização de evacuação. - Garrafas de oxigênio portátil deverão conter a carga completa. - A presença de todos os equipamentos de emergência a bordo sua localização apropriada e de fácil acesso. - Verificar visualmente as janelas de emergência se encontram-se em ordem e com os comandos travados. - Verifique se há cartões de instruções de segurança nas bolsas das poltronas Caso um equipamento de emergência não esteja à bordo ou esteja inoperante, informar ao comandante que verificará no MEL (Minimum Equipment List) e decidirá o procedimento a ser tomado. Referida anormalidade deverá ser reportada no diário de bordo pelo comandante ou pelo CMS na ausência de outro tripulante técnico mais graduado. EMBARQUE DE PASSAGEIROS (PAX) - Antes do embarque peça identificação a qualquer pessoa não autorizada encontrada à bordo e comunique ao cockpit. - Assegurar-se de que os passageiros não fumem por ser expressamente proibido desde o portão de embarque, nas fases do vôo, até o portão de desembarque; - Pessoas inválidas devem ser acomodadas próximo as saídas, nunca colocar dois inválidos na mesma fileira; - Pessoas idosas, crianças e senhoras não devem sentar se junto às janelas de emergência; - O número de passageiros por fila não poderá exceder ao número de máscaras de oxigênio do PSU (Unidade de Serviço de Passageiros). - Monitoramento de bagagens de PAX, sempre deixando livre os corredores primários e secundários. SEJA CONTRA A OBSTRUÇÃO DA CABINE; - Atenção à bagagem de mão e a passageiros suspeitos; - Assegurar-se de que os passageiros estão sentados para decolagem; - Checar se todos os itens carregados por passageiros estão devidamente acomodados nos bins ou embaixo dos assentos; - Assegurar – se de que os passageiros estejam sentados e confortáveis e com seus cintos de segurança devidamente ajustados, os encostos das poltronas na posição vertical e mesas e apoio para os pés fechados; 15 - Verifique se os BINS estão fechados e travados, se os TROLLEYS estão travados, se os lavatórios estão desocupados; EMBARQUE DE GESTANTE Embarca antes dos demais, devendo ser acomodada em lugar de fácil visualização, sendo que a partir do sétimo mês, deverá portar atestado médico permitindo a viagem. EMBARQUE DE MENOR DESACOMPANHADO • DE 0 A 5 ANOS: pode viajar desde que um comissário seja escalado para acompanhar e cuidar exclusivamente deste menor, durante todo o vôo • de 5 a 12 anos: viaja sozinho, sob responsabilidade da tripulação • de 12 a 18 anos: recebe tratamento igual aos demais pax: PROCEDIMENTOS: Embarcam antes dos demais passageiros devendo ser levados pelo recepcionista ou despachante da empresa. Deve ser acomodado em poltrona perto da estação de comissário para que possa observa-lo durante a viagem; Seus documentos ficam em poder do comissário até o seu desembarque; As refeições do menor até 12 anos será servida antes dos demais e o comissário deve, cortar a carne, cortar o pão e passar manteiga, substituir copos de vidro por plástico, retirar facas, sal, pimenta e palitos da bandeja; Não é permitido servir bebidas alcoólicas a menores desacompanhados; Permanece na aeronave nas escalas intermediárias e quando chegar ao seu destino, deve ser entregue junto com seus documentos à recepcionista ou despachante, devendo desembarcar antes dos demais pax; O menor desacompanhado não deve, em nenhuma fase do vôo, ser confiado aos cuidados de outros pax, mesmo quando conhecido; Se, no local de desembarque não houver recepcionista ou despachante, o menor poderá ser entregue a seus responsáveis, mediante a apresentação de identificação. EMBARQUE PASSAGEIRO DEPORTADO Embarca antes dos demais e pode viajar sozinho, sendo que seus documentos ficam com o comissário até o seu desembarque quando será entregue ao despachante na pista. Não poderá desembarcar nas escalas intermediárias e no final da viagem deverá desembarcar após os demais passageiros sendo entregue as autoridades legais. EMBARQUE DE PRESO Embarca antes dos demais e desembarca por último; viaja acompanhado de autoridade policial devendo ser acomodado nas últimas fileiras de poltronas, não podendo ser algemado a partes da aeronave. EMBARQUE DE PASSAGEIRO ENFERMO Embarca antes dos demais, devendo conforme o caso, ser acompanhado de médico ou enfermeiro, deve apresentar atestado sobre sua doença que ficará em poder do comissário até o seu destino. Sua presença deve ser comunicada ao comandante. EMBARQUE SURDO-MUDO Embarca normalmente, devendo ser acomodado em poltrona junto à janela para que possa distrair-se com a paisagem. EMBARQUE DE CEGO Embarca antes dos demais, devendo ser acomodado em poltrona junto ao corredor e que não seja nas saídas de emergência. Sua refeição será servida antes dos demais pax, devendo o comissário através do tato, demonstrar os componentes da bandeja e se ele permitir cortar os alimentos. Deverá ser avisado quando acender e apagarem os avisos luminosos. 16 O comissário deverá familiarizá-lo pessoalmente com os equipamentos de emergência da aeronave quanto ao sistema de despressurização (máscaras de oxigênio) e saída de emergência mais próxima. Deve desembarcar após os demais pax. TRIPULANTE COM PASSAGENS GCS (PESSOAS LIGADAS A EMPRESA) Deverá por educação apresentar-se à tripulação, e em vôos sem marcação de lugares, deverá embarcar após os pax. TRIPULANTE EXTRA O comissário viaja nesta condição para assumir programação de vôo em outro local (podendo viajar sem uniforme). Deverá apresentar-se à tripulação e ocupar poltrona reservada para tripulante. Poderá embarcar antes dos pax. TRANSPORTE DE ANIMAIS Cães e gatos de porte pequeno terão o seu transporte permitido com autorização especial e acondicionado em container próprio, devendo ali permanecer durante a viagem, não podendo ocupar poltrona. Cão guia de cego poderá viajar na cabine em etapas curtas, sem o container, não podendo ocupar poltrona. A autorização final para o embarque de animais será do comandante da aeronave, sendo que a presença de animais clandestinos deverá ser comunicada ao mesmo. PORTE DE ARMA É permitido apenas a militares devidamente fardados e policiais em serviço. Para os demais pax, a arma ficará na cabine de comando, devendo ser entregue ao despachante da pista antes do embarque e entregue pelo despachante no destino do pax. BAGAGENS COMO CARGA E BAGAGENS DE MÃO Em conformidade com o MCA 58-11/2005 pg 92. Segundo a resolução 745 da IATA, a bagagem do passageiro deve ser pesada no check-in e guardada nos porões de carga da aeronave. Por motivos de segurança, essa bagagem não poderá conter (segundo o Anexo 18 da OACI), itens tais como: - malas equipadas com alarme ou com baterias de Lithium; - explosivos, munições e material pirotécnico; - gases, líquidos e sólidos inflamáveis; - oxidantes, substâncias tóxicas, venenosas ou infecciosas; - materiais radioativos; - corrosivos (fluido de bateria, ácidos); - materiais magnetizados; - radioativos; O passageiro pode transportar na cabine, comobagagem de mão, objetos de uso pessoal, tais como: - guarda-chuva ou bengala, sobretudo, casaco ou manta;bolsa e/ou pasta, livros e revistas, máquina fotográfica, filmadora ou binóculos; - berço portátil e alimentos para o bebê, cadeira de rodas (transportada no porão) e/ou muletas; Além destes itens, pode transportar na cabine uma mala de viagem desde que: - o peso não exceda 5 kg; - a soma de suas dimensões (altura + largura + comprimento) não exceda 115 cm; - os objetos estejam devidamente acondicionados; As mesmas restrições referentes às bagagens do porão se aplicam às bagagens de cabine. Toda bagagem transportada a bordo, deve ficar acomodada nos compartimentos de bagagem sobre as filas de poltronas (BINS) ou debaixo da poltrona à frente do passageiro, desde que não atrapalhe o trânsito e as saída rápida dos passageiros em caso de emergência. É proibida a colocação de bagagens junto às saídas de emergência, em compartimentos com equipamentos de emergência, corredores, galleys e em lugares em que não possam ser devidamente presas. 17 O comissário deve zelar para que o passageiro não embarque com bagagem em excesso ou grande demais e que as coloque em locais proibidos. Bagagens que não possam ser acomodadas deverão ser etiquetadas e colocadas nos porões de carga. NOTA: Urna funerária, perecíveis e animais vivos são considerados carregamento especial e deverão ser acondicionados em porão pressurizado. FECHAMENTO DAS PORTAS E CROSS CHECK Após o fechamento das portas conecte os SCAPE SLIDES a coloque a fita vermelha sobre o visor. CHE (Chefe dos CMS) Fecha as portas e se dirige ao COCKPIT. Ele anota o horário de fechamento da porta e entrega o POB ao comandante contendo: - Número de PAX; - Número de colos, inválidos e doentes; - Número de tripulantes extras e outras informações necessárias; O que significa OK para o PUSH – BACK. OBS: Considera-se fases de um vôo desde o fechamento das portas após o embarque até a abertura das mesmas para desembarque. Os aparelhos celulares deverão estar desligados em todas as fases do vôo O comandante (ou o co-piloto) deverá fazer um speech: “ TRIPULAÇÃO PORTAS EM AUTOMÁTICO” - A tripulação, deverá colocá-las em automático e realizar o cross check que é checar a porta oposta a sua, dando OK para o CHE via interfone (um toque e reseta) DURANTE O TAXI ALOCUÇÃO (SPEECH) DE SEGURANÇA O CHE ( chefe de equipe) ou outro comissário por ele designado, faz a alocução de segurança e dois outros comissários fazem a demonstração de máscaras e saídas de emergência e flutuadores ou coletes. 18 - Proibição do uso de telefones celular, CD Player e certos equipamentos eletrônicos; - Chamar a atenção para os sinais de “atar cintos” e “não fumar”. OBS: Os cintos de segurança da cabine de PAX , são de retenção abdominal e visam proporcionar maior segurança durante os pousos, decolagens, turbulências e em situações de emergências. RESTRIÇÕES AO USO DE ARTIGOS ELETRÔNICOS Em conformidade com o MCA 58-11/2005 pg 95. Uso Permitido em todas as fases do Vôo: máquinas fotográficas com flash embutido, marca-passos, relógios eletrônicos, aparelhos auditivos, equipamentos médicos eletrônicos(imprescindíveis). Uso Proibido nas fases de Decolagem e Pouso: câmeras filmadoras e de vídeo, gravadores de fita cassete, calculadoras, agendas eletrônicas e barbeadores elétricos. Uso Proibido no interior da aeronave: pagers (receptores de mensagens), telefones celulares, toca discos CD e D.A.T., jogos eletrônicos (Gameboy...), laptops e notebooks (equipados com impressora, mouse sem fio ou CD Rom), rádios transmissores e receptores de FM e GPS, controles remotos e microfones sem fio, TV’s portáteis). - Fazer referência aos cartões de segurança para informações adicionais; SPEECH DAS MÁSCARAS DE OXIGÊNIO - Um speech sobre o uso das máscaras de oxigênio dos passageiros deverá ser feito cada vez que o vôo for acima de 13.000 ft; O speech das máscaras será através de gravação ou através do PA por membro da tripulação para informar aos passageiros que: - Em caso de despressurização, máscaras de oxigênio localizadas acima das poltronas serão liberadas automaticamente; 19 - Como utilizar as máscaras de oxigênio; O speech das máscaras será através de gravação ou através do PA por membro da tripulação para informar aos passageiros que: - Em caso de despressurização, máscaras de oxigênio localizadas acima das poltronas serão liberadas; POLTRONAS PARA PASSAGEIROS As poltronas para passageiros estão equipadas com cintos de segurança de retenção abdominal, que deverão estar afivelados e ajustados durante decolagens, pousos ou se o aviso luminoso de ATAR CINTOS estiver aceso. Como medida de segurança, deve-se recomendar aos passageiros que mantenham seus cintos de segurança sempre afivelados (não necessariamente ajustados) enquanto estiverem sentados. Sempre que houver um adulto segurando um passageiro “Colo”, o cinto deverá ser ajustado somente no adulto. A criança deverá estar segura pelos braços do adulto. Em pousos normais, o acender do aviso luminoso de “Atar Cintos” é, geralmente, o sinal para os comissários iniciarem a preparação da cabine para o pouso. Os passageiros deverão retornar aos seus respectivos lugares e afivelarem seus cintos de segurança. Quando o aviso luminoso de “Atar Cintos” se acende na cabine de passageiros, simultaneamente nos lavatórios também se acende um aviso luminoso de “Retorne ao Assento” (Return do Seat). Se, ao pousar, houver um impacto maior com a pista ou, ao tentar decolar, ocorrer um aborto de decolagem com impacto, os passageiros poderão sofrer fraturas na coluna vertebral caso estejam com suas poltronas reclinadas. Para evitar tal possibilidade, as normas de segurança internacionais requerem que todas as poltronas estejam na POSIÇÃO VERTICAL durante decolagens e pousos. *** É da responsabilidade dos comissários checar, antes das decolagens e pousos, todas as poltronas em posição vertical, cintos de segurança corretamente afivelados e mesinhas recolhidas. Extensões de Cintos de Segurança: Os extensores de cinto são usados em conexão com os cintos das poltronas de passageiros, caso necessário. É importante a verificação dos terminais das extensões. Devem ser do tipo “macho e fêmea” para que possam ser conectadas ao cinto da poltrona. 20 - Assegurar que os passageiros estejam sentados com seus cintos atados, encosto da poltrona na posição vertical, mesinha e descanso para os pés deverão estar fechados; NOTA: A poltrona deve se manter na vertical para possibilitar uma evacuação rápida em caso de emergência. Imagine um passageiro sentado na janela. De repente, surge um problema no avião e ele precisa deixar seu assento rapidamente, mas encontra o banco da frente ainda reclinado. Diante da situação, certamente o passageiro terá mais dificuldade de deixar o seu lugar. E em caso de acidentes, um segundo perdido pode ser fatal. O encosto na posição vertical é indicado para que o peso do passageiro esteja concentrado na coluna de fixação das poltronas e no assoalho da cabine, o que pode protegê-lo em uma desaceleração brusca. “Com isso, o risco de uma lesão na coluna do passageiro diminui em caso de um impacto’’. - Assegurar que as crianças abaixo de 12 anos, passageiros idosos e deficientes não estejam sentados na mesma fileira de uma saída de emergência; - Verificar se as crianças estão sentadas corretamente e seguras por um adulto sem estarem com o mesmo cinto de segurança. O cinto de um bebê deverá ser utilizado quando fornecido pela tripulação. Um bebê é aquela criança que ainda não tem 02 anos; - Assegurar que todas as bagagens estejam devidamente guardadas nos bins ou embaixo das poltronas.Todos os bins deverão estar fechados e travados; - Verificar e deixar livre todas as saídas e portas evitando quaisquer obstruções. As cortinas deverão estar abertas e amarradas; - Verificar se todos os toaletes estão livres e travados; - Reduzir as luzes da cabine para decolagens e pousos noturnos; - O chefe de cabine tem que informar o comandante que a aeronave está pronta para decolar (via interfone, apenas um toque na tecla captain ou verbalmente); PREPARAÇÃO DAS GALLEYS - Utensílios das Galleys, equipamentos de serviço e outros itens deverão estar devidamente guardados; - Compartimentos, lixeiras e trolleys deverão estar guardados e travados; - As partes elétricas das galleys deverão estar desligadas durante decolagens e pouso; - A tripulação deve assegurar-se que todos os switches estejam desligados durante as escalas noturnas e em longas paradas; - Caso um CB (Circuit Breaker) salte, a tripulação deverá esperar pelo menos 02 minutos para resetá-lo; Obs: Caso o CB salte novamente após o segundo RESET, não tente novamente. Relate para o comandante. Apenas um RESET é permitido O chefe da tripulação de cabine deverá ser responsável pela preparação da segurança da cabine, Galley, tripulação e passageiros para decolagem e pouso. OBS: O CMS deve estar atento e monitorar a cabine de PAX durante todas as fases do vôo evitando possíveis anomalias. PROCEDIMENTO PARA DECOLAGEM Em vôo noturno coloque o switch de iluminação da cabine de PAX na posição NIGHT ou OFF e do vestíbulo dianteiro na posição DIM ou OFF. Apague as demais luzes. Quando a aeronave está pronta para decolagem, o co-piloto deverá fazer um speech: “ TRIPULAÇÃO DE CABINE, PREPARAR PARA DECOLAGEM” Ao ser dado o aviso dirija-se à sua posição específica, coloque o cinto de segurança ( Tóraco – abdominal). 21 Poltronas para Comissários: As poltronas para comissários são denominadas ESTAÇÕES DE COMISSÁRIOS e se encontram próximo às saídas de emergência da aeronave. Os assentos das estações de comissários são retráteis e os cintos de segurança são de retenção tóraco - abdominal. No cheque pré-vôo o comissário deverá verificar o bom funcionamento do assento (retração) e do cinto de segurança. No caso de inoperatividade dos cintos ou assentos de comissário, sente-se no assento de PAX mais próximo de sua posição. Não havendo assento disponível, ocupe assento no cockpit. AVISE O COCKPIT É obrigatório o uso dos suspensórios APÓS A DECOLAGEM A tripulação técnica não deverá ser distraída sem necessidade tanto pessoalmente quanto a- través do interfone durante os períodos de decolagem e pouso. Evite entrar em contato com o cockpit nos primeiros 10 minutos após a decolagem. A partir do momento que a tripulação de cabine tenha sido instruída pela tripulação técnica a assumir suas posições ou enquanto o aviso de “APERTAR OS CINTOS” estiver aceso perma- neça em suas posições (aproximadamente 10.000 pés). PROCEDIMENTOS DURANTE O VOO Um comissário fica na cabine de PAX e outro na galley dianteira - Esteja atento para passageiros que necessitem maior atenção. Seja cauteloso com as atitu- des de passageiros suspeitos; - Faça uma mentalização dos passageiros com pouco conhecimento de português e por quem será responsável em uma emergência; - Se o aviso “APERTAR CINTOS” for ligado, faça um speech informando aos passageiros para retomarem aos seus assentos e atarem os cintos. O Chefe deverá obter maiores informações com o comandante; - Faça cheques periódicos em todos os toaletes e nas galleys para evitar possíveis incêndios. “Pratique a boa governância para medidas de segurança adicionais”; - A porta do cockpit deverá permanecer fechada e travada. Quando a porta for aberta, verifique que nenhuma pessoa suspeita esteja por perto; - Esteja preparado para executar as instruções do comandante quando qualquer situação especial ocorrer; - Não permita a presença de PAX nas galley, pois se houver despressurização não haverá máscara de oxigênio suficiente; - Não permita entrada de PAX no cockpit sem a prévia autorização do comandante ou do piloto em comando; - Contenha PAX que coloque em risco a segurança de vôo e comunique ao cockpit - Ao detectar qualquer irregularidade que exija a ação de manutenção, avise ao cockpit. - Os carrinhos devem ser travados em seus lugares, quando não estiverem sendo usados; - Durante o vôo o CMS deverá observar os toaletes; - Em vôo noturno não permitir que passageiros adormeçam sem atar cintos de segurança; PASSAGEIRO ADORMECIDO Verificar se o mesmo encontra-se com o cinto de segurança atado; 22 Deverá ser acordado para as refeições e para pouso e decolagens. FALECIMENTO A BORDO O comissário deverá: • avisar o comandante de imediato fornecendo-lhe os dados do pax, nome, endereço, nacionalidade, local de embarque e destino; • agir o mais discretamente possível, atar o cinto de segurança e cobri-lo com discrição; • se possível, trocar de lugar os pax sentados nas poltronas ao lado ou na mesma fileira de poltronas. • se o mesmo estiver viajando desacompanhado, fazer uma relação de todos os seus pertences pessoais e documentos trazidos para bordo; TURBULÊNCIA Em conformidade com o MCA 58-11/2005 pg 92. A agitação vertical do ar quando atua sobre uma aeronave, causa movimentos que tornam o vôo desagradável. A turbulência de céu claro (CAT - Clear Air Turbulence) é a principal causa de ferimentos em tripulantes e passageiros em incidentes não fatais com aeronaves comerciais. Este tipo de turbulência (CAT) é um movimento de ar que habitualmente não pode ser visto ou previsto. Ele pode ser causado por um número de diferentes condições que inclui pressões atmosféricas, ventos de encosta de montanhas, frentes frias e quentes ou tempestades. A turbulência poderá acontecer quando o céu estiver claro e limpo. Atualmente não existem meios (radares ou satélites) que consigam detectar este fenômeno com antecedência. É importante a utilização correta dos cintos de segurança e da obediência aos avisos de apertar cintos para proteger passageiros e tripulantes. De acordo com a intensidade, a turbulência poderá ser classificada em: Leve, Moderada, Severa e Extrema. O que poderá proteger os comissários uma vez que passa o vôo quase todo trabalhando em pé nas galleys e corredores? Não é possível eliminar os riscos de turbulências completamente e os comissários estão expostos a este perigo frequentemente. As normas da empresa aérea quanto à política de atar cintos devem ser observadas e as tripulações devem estar conscientizadas quanto ao seu cumprimento, minimizando assim as possibilidades de risco. Sempre que houver previsão de turbulências (detectadas através do radar), os avisos luminosos de atar cintos devem ser obedecidos. O chefe de equipe deve consultar a cabine de comando sobre a previsão e intensidade da turbulência, avaliando a respeito da suspensão do serviço de bordo. Se durante uma turbulência muito intensa, os trolleys (carros de bebidas) estiverem nos corredores e não houver a possibilidade de recolhê-los para as galleys, estes devem ser travados (freios) e se possível, colocar mantas sobre ele, a fim de evitar que o material solto provoque ferimentos aos ocupantes da cabine. Sempre que houver a previsão de alterações no vôo que dizem respeito à segurança, os passageiros devem ser informados. Como existe o risco de uma turbulência inesperada (CAT), a fim de minimizar os riscos de ferimentos nas galleys, os comissários devem ter o cuidado de fechar todos os compartimentos das galleys Deve-se também evitar aglomeração de passageiros nos corredores e galleys. Sempre que o aviso luminoso de atar cintos for ligado, automaticamente um aviso será acionado nos lavatórios (Return to Seat / Retorne ao seu Assento). Quando acender o avisode “APERTAR CINTOS“ a qualquer momento de vôo, tome as seguintes precauções: 23 - Locução de “APERTAR OS CINTOS” ( instrua adultos para segurar colos); - Garanta que os toaletes estejam desocupados; - Trave galleys e carrinhos, se a turbulência ocorrer durante o serviço de bordo, leve imediatamente os trolleys para as galleys dianteira ou traseira, travando-os; - Sente-se em posição específica e ate o cinto de segurança e suspensórios apertando-os; - Aguarde em sua posição que o aviso de “APERTAR CINTOS” se apague; NOTA: No caso do sinal permanecer aceso, sem que haja turbulência, entre em contato com o cockpit pelo interfone. ALIJAMENTO DE COMBUSTÍVEL Todas as aeronaves têm um peso máximo de decolagem e um peso máximo de pouso, que normalmente é inferior ao peso máximo de decolagem. Em caso de uma pane logo após a decolagem, havendo necessidade de retornar ao ponto de partida, o peso da aeronave deve ser diminuído para que ela possa pousar. A única forma existente para se diminuir o peso da aeronave em vôo é desfazendo-se do seu combustível, seja queimando-o através dos motores (permanecer voando em círculos), seja abrindo as válvulas e despejando o combustível no espaço. A última opção, chamada alijamento de combustível, é a mais rápida e segura. Por medida de segurança, durante o alijamento do combustível os comissários devem desligar o sistema elétrico da galley e fazer cumprir o aviso luminoso de NÃO FUMAR, informando aos PAX para não acender e nem ligar luzes individuais ou usar objetos que produzam faísca. O anúncio de bordo correspondente deverá ser feito conforme orientação da cabine de comando. *** O peso máximo de decolagem do B-737 300 é de 56.700 Kg. 24 DURANTE A DESCIDA - Assegurar que os PAX estejam acordados antes do início da descida; - Direcione os passageiros para seus assentos e peça para atarem os cintos; - Prepare a cabine e galley como nos “procedimentos para decolagem”; Evite entrar em contato com o cockpit nos 5 minutos antes do pouso ou após ter sido instruída pela tripulação técnica a assumir suas posições até que a aeronave tenha pousado e saído da pista de pouso. Obs: Relate ao cockpit assim que ocorra qualquer caso de emergência mesmo no período de decolagem e pouso, através do interfone. ANTES DO POUSO Quando o aviso de “Atar Cintos” for ligado assegurar que todos os PAX estejam sentados com seus cintos devidamente atados, poltronas na posição vertical, mesinhas e descansos para os pés fechados. Todos os itens soltos na cabine e galley deverão ser guardados em seus lugares específicos, assegurando-se de que aquelas estejam travadas. CHECK DA CABINE DE PAX - CINTOS DE SEGURANÇA ATADOS; - ENCOSTO DAS POLTRONAS NA POSIÇÃO VERTICAL; - MESAS TRAVADAS; - COPOS, XÍCARAS, MATERIAL EM GERAL EM PODER DE PAX GUARDADOS; - BAGAGENS DE MÃO DEVIDAMENTE ALOJADOS; - COMPARTIMENTOS DE GALLEYS TRAVADOS; - NÃO PERMITA PAX DORMINDO OU DEITADO EM ASSENTOS VAZIOS DURANTE O POUSO; Em vôo noturno coloque o switch de iluminação da cabine de PAX na posição NIGHT ou OFF e dos vestíbulos na posição OFF. Apague as demais luzes. Na final, aproximadamente 2. 000 pés acima do solo , o tripulante técnico que não estiver no comando fará um speech. “ TRIPULAÇÃO DE CABINE, PREPARAR PARA POUSO” - A tripulação deve estar familiarizada com os arredores dos aeroportos, notando quando possível se as direções das decolagens ou pousos são sobre a terra ou mar; - Os tripulantes deverão retornar para suas posições e atar cintos; No caso de inoperatividade dos cintos ou assentos de comissário, sente-se no assento de PAX mais próximo de sua posição. Não havendo assento disponível, ocupe assento no cockpit. AVISE O COCKPIT É obrigatório o uso dos suspensórios. NOTA: Qualquer situação que ocorra fora dos procedimentos padrões são consideradas ANOR- MAIS e deverão ser notificadas ao COCKPIT. 25 APÓS O POUSO Enfatize a necessidade dos PAX permanecerem sentados até a parada total dos reatores, completo estacionamento da aeronave e aviso de “APERTAR CINTOS” apagado. Os comissários permanecem sentados até a parada total da aeronave. Quando a aeronave estiver parando ou parada no portão o comandante ou o co-piloto deverá fazer um speech: “TRIPULAÇÃO, PORTAS EM MANUAL” Quando esse speech for feito, a tripulação deverá colocá-las em manual e verificar todas as portas sobre seu controle e logo em seguida checar se a porta oposta a sua está em manual Quando o aviso de “APERTAR CINTOS” apagar: - Desconecte o scape slide; - Solte a fita vermelha do visor; - Abra a porta; - Posicione-se para desembarque de PAX; - PAX inválidos e orientação de emergência transmitida no início da viagem; - Caso a porta seja aberta e não tenha escadas ou plataformas, assegurar que a fita de segurança esteja esticada na porta; - Passageiros não devem desembarcar caso os funcionários de terra não estejam presentes, pois os passageiros poderão caminhar nas trilhas de movimentação dos veículos ou serem expostos à rajadas de jatos; - Depois do desembarque de todos os passageiros verificar toda a cabine; - Bagagens ou outros itens deixados, quando encontrados, deverão ser entregues em mãos para funcionários de segurança na presença de uma testemunha; - A tripulação tem que completar os seus deveres de vôo e não deixar a aeronave até a substituição pela outra tripulação caso ainda tenha passageiros à bordo; 26 PROCEDIMENTOS DA ABERTURA DAS PORTAS NA CHEGADA. ABERTURA POR DENTRO A porta da cabine é aberta pelo lado de dentro pelo CHE ou por um membro da tripulação, de- signado por ele . Esta abertura só será efetuada depois da confirmação de que o finger ou escada já estejam bem próximo da aeronave e o aviso de atar cintos esteja desligado ABERTURA DAS PORTAS – PRECAUÇÕES Depois de checar visualmente se as portas estão em manual, assegurar que o pino de segurança está colocado com uma fita vermelha, tenha certeza de que a escorregadeira esteja desarmada. Caso a luz vermelha de alerta “PRESSURIZAÇÃO DA CABINE” esteja piscando após colocar a porta em manual, não abra. Relate para a tripulação cockpit. LIBERAÇÃO DE PASSAGEIRO Por ocasião do desembarque, os comissários somente liberarão os passageiros para a saída da aeronave após a recepção do despachante (funcionário de terra). NOTA: Os CMS devem permanecer a bordo da aeronave até que todos os PAXs tenham desembarcado. PROCEDIMENTOS DURANTE AS ESCALAS Confirme o número de passageiros em trânsito e observe quando as portas forem abertas para que nenhuma pessoa suspeita entre na aeronave Preste atenção especial para a movimentação suspeita do pessoal da limpeza, comissária de terra. Assegurar que as escadas estejam livres de obstáculos antes de iniciar o embarque. Informe ao comandante quando tudo estiver pronto para a partida. EMBARQUE E DESEMBARQUE COM MOTOR EM FUNCIONAMENTO Existem algumas situações em que por alguma necessidade técnica, um dos motores da aeronave deve permanecer ligado. Neste caso, o embarque ou desembarque dos passageiros deverá ser efetuado do lado contrário ao motor em funcionamento. Os passageiros poderão permanecer à bordo durante o abastecimento ou desembarcarem seguindo as instruções da tripulação. ABASTECIMENTO COM PASSAGEIROS A BORDO DE AERONAVES Em conformidade com o MCA 58 -11/2005 pg 95. Os procedimentos estabelecidos para o abastecimento com passageiros a bordo da aeronave são os seguintes: Antes do abastecimento, o chefe de equipe deve fazer um anúncio, através do P.A., com o seguinte teor: 27 “Srs. Passageiros, sua atenção por favor. Informamos que esta aeronave estará sendo reabastecida durante os próximos minutos. Em atenção às normas de segurança internacionais, alertamos a todos sobre a proibiçãode fumar, acender fósforos, isqueiros ou manusear outros objetos que produzam faíscas. Alertamos ainda que, se necessário, sigam rigorosamente as instruções dos tripulantes”. - Deve ser feita a intercomunicação entre a cabine de comando e o solo através do interfone. É da responsabilidade do funcionário da Manutenção no solo informar à cabine de comando o início e o fim do abastecimento, bem como quaisquer anormalidades que ocorram durante o mesmo. Um tripulante técnico deverá estar a postos na cabine de comando e ali permanecer durante todo o abastecimento, com as seguintes atribuições: 1- em caso de necessidade, dar a ordem de evacuação da aeronave, através do P.A., ou outra ordem que se fizer necessária; 2- Informar ao controle do solo qualquer anormalidade surgida no abastecimento; 3 - efetuar o cheque de abandono da cabine de comando; - No B-737 , a porta dianteira esquerda deverá estar aberta, com a escada própria arriada, ou, ainda, conectada a uma plataforma de embarque (FINGER); A porta traseira esquerda deverá estar aberta, conectada a uma escada ou plataforma de embarque (FINGER). Na impossibilidade desta porta permanecer aberta, dever-se-á mantê-la fechada, com a escorregadeira armada e com um comissário obrigatoriamente a postos até o final do abastecimento, para acioná-la em caso de necessidade. PROCEDIMENTO DE REABASTECIMENTO DA AERONAVE A tripulação técnica deverá: - assegurar que o aviso de “Atar Cintos” esteja desligado; - assegurar que as luzes da cabine estejam acesas, as de emergência na posição “Armed” e o sinal de “Não Fumar” ligado; - Informar ao chefe de cabine o início e o término quando houver reabastecimento com passageiros à bordo; - O comandante deverá assegurar que os procedimentos da tripulação de cabine estejam sendo executados e coordenados pelo chefe de cabine; A tripulação da cabine deverá: - A tripulação deverá fazer um speech para os passageiros e verificar se o aviso de “Não Fumar” está sendo respeitado; - Pelo menos uma porta dianteira principal deverá permanecer aberta. A plataforma do finger ou as escadas deverão estar na posição, caso não esteja disponível ou a porta estiver fechada, esta deverá ser monitorada e assegura que a área abaixo está livre; - O acesso as portas, saídas e corredores devem ser mantidos desobstruídos e a tripulação deve estar posicionada em suas respectivas áreas. Metade do número das portas principais deve ser monitorada pelos tripulantes; - A tripulação cabine ficará responsável por notificar a tripulação técnica/ manutenção caso ocorra algum incidente que possa causar problemas durante o reabastecimento ou se for detectado o vapor de combustível na cabine; - A tripulação deve estar sempre alerta e preparada para uma evacuação de emergência; 28 DEMAIS PROCEDIMENTOS ASSENTOS DE COMISSÁRIOS Os assentos dos comissários somente poderão ser ocupados por tripulantes. Em cada assento pelo menos um tripulante, que se posicionará junto à porta, deverá estar habilitado para efetuar uma eventual evacuação. VÔO NOTURNO Nunca abra a porta do cockpit sem antes ter selecionado as luzes do vestíbulo para DIM. PANES Toda pane deverá ser representada à manutenção através do comandante. MACA A maca deve ser acomodada na traseira da aeronave, nas últimas fileiras de poltronas do meio. GESTANTES A gestante deverá ser colocada próximo a uma porta, atando o seu cinto O MAIS BAIXO POSSÍVEL. BERÇO As divisórias de cada classe possuem encaixes para que o berço seja acomodado, devendo ser retirado para pouso, decolagem e turbulência. COMUNICAÇÃO VISUAL E AUDITIVA Para uma pronta atuação, seja numa situação normal ou em uma emergência, a comunicação bem feita é de suma importância. A comunicação com a cabine de comando deve ser estabelecida constantemente. E sempre que possível, manter os passageiros bem informados. O chefe de equipe deve obter junto à cabine de comando informações sobre o andamento do vôo. COMUNICAÇÃOENTRE TRIPULANTES Esta comunicação é feita através de interfones, sempre que houver necessidade de informar à equipe sobre alguma ocorrência ou anormalidade. O atendimento à cabine de comando poderá 29 ser feito através do interfone ou pessoalmente. Este atendimento deve ser imediato. Recomenda- se que o comissário permaneça o mínimo de tempo na cabine de comando. Comunicação de Emergência (B-737): Em caso de emergência a tripulação utilizará o código seguinte: 1 série de 3 toques. Os comissários devem estar em constante comunicação em qualquer situação de emergência, inclusive com a cabine de comando. PROCEDIMENTOS DE COMUNICAÇÃO Chamada do cockpit para o comissário Com um toque atenda pelo interfone dando um toque em resposta, com três toques atenda rapidamente (emergência) Chamada do comissário ao cockpit: - Um toque e aguarde; - Dois toques em emergência; - Três toques seqüestro; - Cinco toques início da evacuação; Comunicação Entre Tripulantes e Passageiros: Esta comunicação é feita através do P.A. (Passenger Address ou Public Address). Os anúncios de bordo são de responsabilidade do chefe de equipe; porém esta função poderá ser delegada para qualquer outro comissário. O anúncio de bordo deve ser feito em voz clara e compassadamente. O comissário deve identificar-se ao falar. O passageiro deve ser informado sobre quaisquer mudanças que ocorram (atraso, turbulência, suspensão do serviço de bordo, mudança do itinerário, etc.).Estas informações tem efeito calmante, evitando tumultos e possível clima de apreensão. Megafone: Este equipamento deverá ser utilizado quando houver falha no sistema de P.A, ou em casos de emergências quando houver falha no sistema elétrico no APU. São amplificadores portáteis de som. Alguns são alimentados por pilha comum e outros por pilha seca. Alguns também são providos de um alarme sonoro para ser usado como sinalizador. Para acioná-lo, basta retirar o pino de seu orifício e ele passará a emitir um sinal que se propaga a grande distância. Após um pouso de emergência, caso um grupo tenha saído para reconhecimento da área e se perca, não conseguindo retornar ao ponto onde se encontram os demais sobreviventes, estes poderão acionar o alarme, possibilitando aos perdidos orientarem - se pelo sinal, facilitando o retorno dos mesmos ao ponto de partida. Para operar o megafone deve-se: - pressionar o gatilho ou botão, mantendo-o pressionado enquanto fala. - nos megafones sem controle de volume, manter os lábios em contato com o microfone. O volume de saída depende da intensidade da voz. - não colocar a mão sobre o microfone 30 - falar devagar e compassadamente, usando terminologias que os passageiros possam entender. *** Nos megafones alimentados a pilha comum, caso, ao pressionar o gatilho ou botão, não haja sinal de microfonia, verificar a colocação das pilhas. O correto é pólos positivos e negativos alternados. Cheque Pré-Vôo: - pressionar o gatilho ou botão. Se o megafone emitir um som de microfonia, significa que está com suas pilhas carregadas. - Verificar a fixação do equipamento O comissário deve estar atento às chamadas dos interfones e às chamadas dos passageiros, atendendo - as de imediato. Os passageiros podem chamar os comissários através das PSUs (passenger service unit) e das LSUs (lavatory service unit). PSU - cada passageiro, em seu assento, pode chamar o comissário através de botões localizados no teto ou no braço de sua poltrona. LSU: As chamadas provenientes dos lavatórios servem como alerta aos comissários caso algum usuário necessite de atendimento, por razões diversas. Se a porta do lavatório estiver trancada, deve-se questionar o ocupante sobre o que está acontecendo. Caso não haja resposta, o comissário deverá abrir a porta pelo lado externo.31 Master Call : O master call é um placar luminoso localizado no teto das partes dianteira e traseira da cabine de passageiros. É um placar indicativo de chamadas de tripulantes e passageiros. A comunicação é sonora e visual, podendo ser verificada segundo o seguinte padrão: Luz Rosa - chamada pelo interfone (inter-tripulação). O reset é feito no painel da estação de comissários. Luz azul - chamada pela PSU (passageiro-comissário). O reset é feito na própria PSU. Luz âmbar - chamada pela LSU (passageiro-comissário). O reset é feito na própria LSU, ou em alguns aviões, na parede externa do lavatório. Cockpit : Evitar as comunicações com a cabine de comando após os avisos “Preparar para a partida” até o nivelamento, e “Preparar para o Pouso”, até o corte dos motores, exceto em casos de emergência ou anormalidades operacionais. 32 33 EMERGÊNCIA E SEGURANÇA 34 35 CAPITULO 3 EMERGÊNCIA E SEGURANÇA GENERALIDADES Em conformidade com o MCA 58-11/2005 pg 88. DEFINIÇÃO Emergências são situações anormais que põe em risco a segurança da aeronave e de seus ocupantes. PRESSURIZAÇÃO CONCEITO: A atmosfera é dividida em camadas. As aeronaves operam nas duas primeiras: troposfera e tropopausa. A atmosfera é composta dos seguintes gases: 78% de Nitrogênio, 21% de Oxigênio, 1% de Argônio e gases raros. NITROGÊNIO - é um gás inerte e tem a função de neutralizar o efeito oxidante do oxigênio sobre os tecidos vivos. Sob condições de baixa pressão, pode causar sérios problemas fisiológicos, dentre os quais, os sintomas de BENDS (Aeroembolismo). Os sintomas de BENDS são dores que ocorrem, primeiramente nas articulações do corpo. São atribuídas ao desprendimento do nitrogênio e acontecem sempre que a pressão do ambiente é bruscamente decrescida. Nas operações aéreas entre altitudes entre 25 e 30 mil pés, os sintomas de BENDS não constituem problemas, pois raramente ocorrem com a queda rápida da pressão abaixo destas altitudes. OXIGÊNIO - é um gás essencial à vida. Quando o organismo humano é privado do oxigênio, sérias complicações ou mesmo a morte podem ocorrer em muito pouco tempo. Quando inspiramos, 21% do ar inalado é oxigênio. Este gás é absorvido pelo sangue e levado para todas as partes do corpo. Ao nível do mar e em condições normais de umidade e pressão, a temperatura padrão da atmosfera é de 15º Centígrados, decrescendo na proporção de 2º a cada 1.000 pés (304,8m) subidos, até atingir a tropopausa, onde a média térmica é de 55º C negativos. Ao nível do mar e em condições normais de umidade e temperatura, a pressão padrão da atmosfera é de 14.7 PSI (Pound Square Inches / libras por polegada quadrada). A pressão decresce com o aumento da altitude. O corpo humano vive sob condições especiais de temperatura e pressão. O oxigênio, temperatura e pressão são vitais para o organismo. O limite fisiológico para uma pessoa normal é a altitude de 10.000 pés (3.048 m). De 10.000 a 12.000 pés de altitude, o organismo pode se adaptar. Acima de 12.000 pés, o uso de equipamento suplementar de oxigênio é necessário para que as funções fisiológicas e mentais se mantenham normais. A absorção de oxigênio pelo sangue depende do diferencial entre a pressão interna dos pulmões e a pressão atmosférica. Quando se inspira, a contração do diafragma provoca a expansão da caixa torácica, aumentando o volume dos pulmões e baixando, conseqüentemente, a pressão interna dos mesmos. A pressão atmosférica agora sendo maior, empurra o ar para dentro dos pulmões, através da boca e do nariz. O oxigênio, então, é levado para todas as células do corpo através do sangue. Acima do limite fisiológico (10.000 pés) e da zona de reação compensada (12.000 pés), a pressão do ar ambiente é inferior à pressão parcial de oxigênio nos pulmões. Neste caso, não há pressão suficiente para empurrar o oxigênio dos pulmões para a corrente sanguínea, ocasionando problemas de insuficiência respiratória. Esta insuficiência de oxigênio nas células do corpo é conhecida como HIPÓXIA. As células do cérebro são as primeiras a serem afetadas. Sendo assim, a capacidade para agir normalmente fica comprometida. 36 A variação da altitude acarreta a variação no percentual de oxigênio do sangue arterial. A pessoa pode apresentar então os seguintes sintomas da Hipóxia: A grandes altitudes, há um acentuado decréscimo na densidade do ar, pois quanto maior a altitude, menor a pressão atmosférica; portanto, mais rarefeito é o ar. O decréscimo na densidade do ar provoca dificuldades para respirar. MECANISMO PARA PRESSURIZAR AS AERONAVES O homem aperfeiçoou as aeronaves, dotando-as de sistemas de pressurização que permitem vôos em grandes altitudes com uma margem muito grande de segurança. A maioria das aeronaves modernas é pressurizada para que seus ocupantes possam respirar normalmente, mesmo em altitudes superiores a 14.000 pés. A pressão interna da cabine é mantida compatível com a altitude fisiológica do ser humano. Para que se possa viajar numa aeronave cuja altitude de vôo seja de 27.000 pés (8.229m) sem ter problemas respiratórios, é necessário que o seu interior seja mantido em uma altitude artificial inferior a 10.000 pés (limite fisiológico). O sistema de pressurização tem como finalidade manter a altitude-pressão equivalente a aproximadamente 8.000 pés. Isto é conseguido através do sistema de pressurização. O ar “sangrado” (sugado), dos compressores dos motores é injetado na cabine. É um ar quente que deve ser resfriado até uma temperatura confortável. Quanto mais ar for injetado no interior da cabine, maior a pressão e menor a altitude artificial (altitude da cabine). Entretanto, se houver uma constante injeção de ar no interior de uma cabine hermeticamente fechada, sem que haja uma válvula de saída para aliviar a pressão que estará aumentando (o volume dos gases aumenta com a altitude), chegará a um ponto de saturação tal que a cabine explodirá. Para que isto não aconteça, parte do ar injetado na cabine deve ser eliminado, porém de forma controlada, para que possa ser mantida na cabine, a pressão desejada. O ar é eliminado através de válvulas OUT FLOW que regulam o fluxo de saída mantendo o DIFERENCIAL DE PRESSÃO, que vem a ser a diferença entre a pressão externa e pressão interna da aeronave (quanto mais alto a aeronave voar, maior será o diferencial de pressão). Para se manter a pressão desejada na cabine, janelas e portas são vedadas por protetores de borracha. As saídas de emergência não podem ser abertas quando a cabine está pressurizada, devido o primeiro movimento de abertura (desencaixe) ser para o interior da cabine. A pressão interna torna este movimento impossível. DESPRESSURIZAÇÃO CONCEITO: Ar comprimido é extraído dos motores da aeronave e passando pelas packs de ar condicionado, é resfriado e injetado na cabine. Válvulas (OUT-FLOW) comandadas pelo sistema de pressurização regulam a saída do ar injetado na cabine, e desta forma, controlam a pressão interna da aeronave. O mais sério risco que os ocupantes de uma aeronave em grandes altitudes enfrentam é o de uma despressurização da cabine, provocada por uma pane do sistema, ruptura de uma janela ou porta. 37 Se ocorrer uma falha na extração de ar dos motores, ou nas válvulas que controlam a pressurização, ou ainda se ocorrer vazamento pelos selos das portas, ou alguma ruptura na fuselagem, a pressão interna irá diminuir e se equalizar com a pressão do ar externo. No caso de falha do sistema pneumático ou a válvula OUT-FLOW permanecer na posição aberta ocorrerá uma despressurização. Quando a altitude da cabine interna atingir 10.000ft, soará um alarme no cockpit, alertando os pilotos que a aeronave entrou no processo de despressurização. Resumindo:despressurização é a saída do ar de um meio de maior pressão para um meio de menor pressão. Se a cabine atingir 14.000FT, ocorrerá queda automática das máscaras de oxigênio, com fluxo de 1 litro por minuto e na seqüência: 15.000ft .......................................................................2 litros por minuto 16.000ft .......................................................................3 litros por minuto 17.000ft........................................................................4 litros por minuto PROCEDIMENTO DA TRIPULAÇÃO DE CABINE: (Descompression Procedures) - Puxe a máscara mais próxima e sente-se imediatamente; 38 Se o COCKPIT avisar que a aeronave está estabilizada, porém acima da altitude de segurança de respiração, e se você puder apanhar a garrafa de oxigênio sem tirar a sua própria máscara, muna -se da garrafa e: - verifique se todos os PAX tem oxigênio; - verifique os toaletes; - preste os primeiros socorros; - de oxigênio aos PAX quando necessário; - Havendo uma despressurização rápida forma-se um nevoeiro na aeronave; - Trave o carrinho e aguarde que a aeronave nivele e o comandante comunique que a situação foi normalizada; - O cockpit avisará quando as máscaras podem ser removidas; - Após a descida da aeronave até uma altitude que seja possível respirar sem o uso de oxigênio, no caso algum passageiro necessite, ofereça oxigênio das garrafas portáteis; - Informe à cabine de comandos a situação geral da cabine de PAX; VAZAMENTO DE PRESSÃO AÇÃO IMEDIATA: - Tire todos os PAX da área; - Avise ao cockpit; Havendo rachaduras ou bolhas nos painéis das janelas da cabine, avisar imediatamente o comandante. O mais sério risco que os ocupantes de uma aeronave em grandes altitudes enfrentam é o de uma despressurização da cabine, provocada por uma pane do sistema, ruptura de uma janela ou porta. TIPOS DE DESPRESSURIZAÇÃO Explosiva: ocorre em menos de 1 segundo; Rápida: ocorre em até 10 segundos; (é comum a formação de nevoeiro na cabine) Lenta: acima de 10 segundos; FATORES QUE INTERFEREM NA VELOCIDADE DA PERDA DE PRESSÃO Diferencial de Pressão: quanto maior for o diferencial entre a altitude-pressão da cabine e a altitude real da aeronave, maiores e mais rápidos serão os efeitos da despressurização. Diâmetro da Saída de Pressão: a velocidade da perda de pressão é proporcional ao orifício por onde a mesma escapa. Tamanho da cabine: quanto maior a cabine, mais tempo levará para despressurizar. Sabendo-se que o organismo humano também tem pressão, deve-se estar ciente dos efeitos que acompanham uma rápida perda de pressão: - saída brusca do ar dos pulmões, parecendo por instantes, que os pulmões aumentam de tamanho no interior do tórax. O ar sai violentamente pela boca e pelo nariz; - momentânea sensação de ofuscamento ou de confusão; - a queda brusca da temperatura e pressão produz uma intensa neblina dentro da cabine (condensação do ar), também de rápida duração; No caso de uma descompressão rápida, o organismo ainda sofre alguns efeitos fisiológicos: - possível presença de dores devido à expansão dos gases contidos nas cavidades orgânicas; - sintomas de aeroembolismo; - sintomas de hipóxia, se o equipamento com oxigênio suplementar não for imediatamente usado. 39 DESCIDA DE EMERGÊNCIA DA AERONAVE Quando ocorre uma despressurização, a providência a ser tomada pelos tripulantes técnicos é DESCER e utilizar , com a máxima urgência, o Sistema Fixo de Oxigênio de Emergência. O procedimento de descida da aeronave será num ângulo acentuado até atingir uma altitude de segurança onde todos poderão respirar sem o auxílio do sistema fixo de oxigênio. Os comissários serão os primeiros a sofrer os efeitos da altitude, por estarem desenvolvendo uma atividade física, quando é maior o consumo de oxigênio. Em altitudes mais elevadas, o TUL (Tempo Útil de Lucidez) é muito curto. O TUL pode ser definido como o tempo em que alguém pode fazer alguma coisa por si mesmo, tal ajustar corretamente a máscara de oxigênio. De acordo com vários experimentos, foram obtidos os seguintes resultados para o TUL: Estes são valores médios, uma vez que a tolerância pessoal à Hipóxia varia consideravelmente. Em fumantes, a existência de monóxido de carbono nos pulmões reduz significativamente o oxigênio disponível para os tecidos do corpo. Álcool no organismo, mesmo consumido com antecedência de 18 horas, atua sobre as células e interfere na assimilação do oxigênio. A fadiga diminui a tolerância pessoal. O indivíduo em boas condições físicas tem uma tolerância bem maior à altitude do que um indivíduo sedentário. Durante o período de tensão, o consumo de oxigênio de pessoas não atléticas é também muito grande. Um indivíduo médio, em boas condições físicas, recuperar-se-á rapidamente da hipóxia, assim que for suprido de oxigênio. Tal indivíduo, mesmo nos limiares da inconsciência, poderá, em 20 a 30 segundos, recuperar totalmente as suas faculdades. O procedimento de descida da aeronave, numa despressurização, é muito rápido e num grau elevado de inclinação, não permitindo mobilidade na cabine durante o processo. A primeira atitude do CMS deverá ser, SENTAR NA POLTRONA MAIS PRÓXIMA E PEGAR A MÁSCARA SOBRESSALENTE MAIS PRÓXIMA, E ATENDER A PAX, QUANDO POSSÍVEL. As unidades de PSU abrigam número de máscaras superior ao número de assentos cuja finalidade é servir a crianças de “colo”, podendo servir aos comissários em situações de emergências. Para a hipótese de ocorrer uma despressurização no instante em que alguém se encontrar no interior de um lavatório, acompanhando uma criança, duas máscaras cairão do alojamento, possibilitando, assim, o atendimento simultâneo a ambos. Os acompanhantes de crianças, idosos e portadores de deficiências deverão ser orientados para fixarem primeiro a sua própria máscara. Devem-se evitar aglomerações nas áreas de galleys, em função do número de máscaras ser limitado aos CMS. Se houver falha no acionamento automático do Sistema Fixo de Oxigênio da Cabine de Passageiros, o mesmo poderá ser acionado eletricamente, através de um interruptor localizado no painel superior da cabine de comando (painel overhead). 40 SISTEMA DE OXIGÊNIO Os sistemas de oxigênio das aeronaves civis divide-se em dois: - Sistema fixo - Sistema portátil O sistema fixo de oxigênio das aeronaves são divididos em dois, sendo um para a cabine de passageiros e outro separado para a cabine de comandos. A finalidade básica do sistema fixo de oxigênio nas aeronaves, visa atender os tripulantes e passageiros numa despressurização. Seu funcionamento se dá através dos Módulos Geradores Químicos: os módulos geradores químicos são independentes, podendo ser acionados individualmente. As máscaras estão ligadas ao gerador por meio de uma mangueira. Cordéis prendem as máscaras ao pino acionador e o fluxo do gerador será iniciado quando qualquer uma das máscaras ligadas ao mesmo for puxada. Uma vez acionado, o gerador passará a fornecer um fluxo contínuo e ininterrupto de oxigênio durante aproximadamente 15 minutos para todas as máscaras ligadas ao mesmo. Durante o ciclo de geração de oxigênio, a temperatura na face externa do módulo pode chegar a 260 Graus Centígrados, razão pela qual o módulo é protegido por uma placa metálica, cuja finalidade é evitar queimaduras. Esta alta temperatura faz também com que, ao ser acionado o gerador, exale um cheiro característico. Os comissários devem estar atentos, pois neste caso, a cabine será invadida por um forte cheiro de queimado, o que poderá provocar inquietação entre os passageiros. Este sistema só será acionado quando, em cada gerador, uma das máscaras for puxada. Os sistemas que acionam a queda das máscarasde oxigênio são automáticos, podendo também ser acionados através de comando elétrico localizado na cabine de comando ou manualmente pelos CMS. 41 *** Após uma despressurização, caso a tampa de algum alojamento de máscaras do sistema fixo de oxigênio (quer alimentado por cilindros, quer por módulos) não se abra, o procedimento a ser adotado será o de abri-lo individualmente. Para isso deve-se agir de acordo com o sistema específico de cada aeronave. Ocorrendo uma despressurização, quando a cabine atingir uma altitude-pressão de 14.000 pés, as tampas dos alojamentos abrir-se-ão automaticamente (válvula aneróide). Se houver falha na abertura automática das tampas dos alojamentos das máscaras, as mesmas serão abertas eletricamente por meio de um interruptor localizado na cabine de comando. *** O oxigênio que flui para as máscaras oro nasais da cabine de passageiros tem a finalidade exclusiva de atender passageiros e comissários em caso de despressurização (como anti- hipóxia). É desaconselhável a utilização deste sistema em casos de fumaça e/ou gases tóxicos na cabine, por serem suas máscaras do tipo “misturadoras”, ou seja, o oxigênio será diluído com o ar ambiente. SISTEMA FIXO DE OXIGÊNIO PARA AS ESTAÇÕES DE CMS - Máscaras em compartimento junto às estações de comissários (ASU) 42 Sistema Fixo de Oxigênio nos Lavatórios - Duas máscaras em compartimento no teto de cada lavatório (LSU); uma para o PAX e outra para o bebê de colo (se houver). SISTEMA FIXO DE OXIGÊNIO PARA A CABINE DE COMANDO ***Quando a altitude-pressão da cabine atingir 10.000 pés soará um alarme na cabine de comando alertando os tripulantes técnicos quanto a despressurização da cabine. O oxigênio que supre a cabine de comando provém de um cilindro independente, localizado no compartimento de aviônica (porão eletro-eletrônico) ou junto aos cilindros que contêm oxigênio destinado à cabine de passageiros (compartimento de carga). Uma vez acionado, o sistema é liberado do cilindro e chega ao usuário através de dutos, passando então, para as mangueiras e daí para as máscaras oronasais da cabine de comando. Estas máscaras possuem duas seleções: misturadoras ou não misturadoras. O fluxo de oxigênio possui três seleções: - sob demanda, misturado com o ar da cabine; demanda a 100%; - contínuo a 100% sob pressão;Teste do Sistema: Posicionar o interruptor de acionamento do sistema em ON. Posicionar o seletor do teor de oxigênio em 100%. O sistema está armado e preparado para fornecer oxigênio a 100% sob demanda. Para testar o fluxo contínuo sob pressão, posicionar e manter posicionado o seletor de fluxo de oxigênio em TEST, verificando no visor do painel regulador a indicação da passagem de fluxo. *** Nos painéis que não possuem a posição TEST, posicionar o seletor o fluxo de oxigênio em ON, verificar no visor do painel regulador a indicação da passagem de fluxo e, depois, reposicionar o seletor de emergência em OFF. Fornecimento De Fluxo Sob Demanda: Posicionar o interruptor de acionamento em ON. O seletor de oxigênio deve ser mantido na posição 100% durante todo o vôo, a menos que uma situação requeira oxigênio misturado com o ar da cabine. Neste caso, reposicionar o seletor do teor de oxigênio em NORMAL. 43 Indicador de fluxo *** Em algumas aeronaves o painel regulador do fluxo de oxigênio encontra-se acoplado à própria máscara. *** A finalidade do sistema fixo de oxigênio da cabine de comando é ser utilizado pelos seus ocupantes, em caso de despressurização como anti-hipóxia. Poderá também ser utilizado em caso de fumaça e/ou gases tóxicos na cabine (juntamente com o par de óculos).*** Quando a altitude-pressão da cabine atingir um nível entre 25.000 e 28.000 pés, a concentração de oxigênio 100% será automaticamente selecionada. Painel Regulador de Fluxo - interruptor de acionamento ON / OFF; - Seletor do teor de oxigênio: 100% / NORMAL; - Seletor do fluxo de oxigênio: EMERGENCY/NORMAL/TEST ou ON / OFF; Fornecimento De Fluxo Contínuo Sob Pressão: Posicionar o interruptor de acionamento do sistema em ON. Posicionar o seletor do fluxo de oxigênio em EMERGENCY ou em ON (esta seleção tem prioridade sobre a NORMAL). Vestir e ajustar a máscara. O oxigênio 100% fluirá sob pressão. **Todo tripulante, viajando na condição de EXTRA e ocupando assento na cabine de comando, deve checar se está armado o sistema fixo de oxigênio de emergência (painel regulador correspondente à sua máscara), testar o fluxo e manter o sistema armado até o final do vôo. Para desarmar o sistema, no final do vôo, reposicionar o interruptor do sistema em OFF. Cheque pós - despressurização (WALK AROUND PROCEDURE) Após uma despressurização, estando a aeronave nivelada numa altitude-pressão equalizada com a altitude de vôo, num nível fora do nível de segurança (acima de 10.000 pés), os equipamentos portáteis com oxigênio poderão ser utilizados, pelos comissários, para a realização do cheque pós-despressurização, com as seguintes finalidades: - abertura individual dos alojamentos de máscaras do sistema fixo que tenham permanecido fechadas. - contactar a cabine de comando - assistência a passageiros que estejam apresentando sintomas de insuficiência respiratória. *** Sempre que a aeronave nivelar fora do nível de segurança, este procedimento deverá ser executado. Entretanto, somente após o aviso de nivelamento da aeronave proveniente da cabine de comando. SISTEMA PORTÁTIL DE OXIGÊNIO DE EMERGÊNCIA Capuz Anti-Fumaça, C.A.F (Smoke Hood) O equipamento consiste de: - Unidade composta de duas capas flexíveis, interna e externa de poliéster revestido de PVC resistente ao calor e às chamas, incluindo visor de plástico policarbonatado rígido, com sistema anti-embaçante; - Diafragma de neoprene que veda a parte inferior do capuz, em torno do pescoço; 44 - Reservatório metálico de formato anelar, contendo oxigênio sob pressão e uma alavanca para acionamento do sistema (A); - Sistema de absorção do CO2 para manter sua concentração abaixo do percentual de 4% (B); - Válvula de pressão positiva que estabiliza a pressão interna do capuz entre 1 e 2 milibares D); - Diafragma acústico para permitir a comunicação oral do usuário, mesmo que ele esteja utilizando interfone ou megafone (C); O Capuz Anti-Fumaça vem empacotado a vácuo numa embalagem aluminizada e armazenado no interior de uma maleta plástica lacrada. A embalagem aluminizada tem a sua extremidade inferior presa ao fundo da maleta. Dimensões da Maleta....................................315mm X 315mm x 70 mm; Peso da Maleta..................................................................................1 Kg; Peso do Capuz..............................................................................1,30 Kg; Armazenamento..............................................................+ 70ºC a -40º C; Volume de Oxigênio.....................................................................40 litros Pressão do Oxigênio..............................................................150 milibares Autonomia................................................................................15 minutos Fluxo de Oxigênio: Quando o sistema for acionado, o fluxo de oxigênio passará através de um orifício calibrado, onde será ajustado em função de duas variáveis: o tempo de utilização do capuz e o consumo de oxigênio. O fluxo será contínuo e poderá ser percebido, pelo usuário, um leve ruído à liberação do oxigênio. Inicialmente o fluxo será mais forte com a finalidade de eliminar o ar tóxico da cabine que tenha ficado retido no interior do capuz; logo a seguir, o fluxo baixará para um nível compensatório de acordo com o consumo do usuário. A pressão interna do capuz será sempre positiva, isto é, maior do quea pressão da cabine. A temperatura interna do capuz nunca excederá 40 graus C, porque a alta pressão do fluxo de oxigênio refrescará o interior do equipamento. Sistema de Absorção de CO2: O sistema de absorção de dióxido de carbono não permitirá que a concentração ultrapasse o percentual de 4%; não obstante, no final da utilização o usuário poderá ter a sensação de estar respirando num ritmo acelerado. Trata-se do sintoma de hiperventilação, que não envolverá nenhum risco. Adequação: O capuz anti-fumaça é um equipamento fabricado para uso de tripulantes da aviação civil e destinado a proteger os olhos e o sistema respiratório do usuário contra a fumaça e/ou gases tóxicos, nas seguintes situações: - combate a um princípio de fogo localizado; - pouso em emergência com fumaça densa na cabine; - evacuação da aeronave com fumaça densa na cabine; Operação: O tempo necessário para abrir a maleta, retirar o capuz e vesti-lo é de aproximadamente 10 segundos. Deve-se executar a seguinte operação: - Destravar o fecho da maleta plástica; - Abrir a tampa da maleta. Com este movimento, o lacre será rompido; 45 -Puxar a embalagem aluminizada do interior da maleta. A embalagem se rasgará em sua extremidade inferior, liberando o capuz. - Retirar o capuz da embalagem - Dilatar a abertura do diafragma de neoprene que veda a parte inferior do capuz e acionar o sistema de oxigênio, empurrando a alavanca acoplada ao reservatório. - Vestir o capuz e respirar normalmente. A alta pressão do fluxo inicial de oxigênio inflará e pressurizará o interior do capuz. Possui visor e é possível falar e ouvir através da máscara. 46 SISTEMA DE OXIGÊNIO TERAPÊUTICO O oxigênio terapêutico é constituído de cilindros portáteis com capacidade para 311 litros, carregados em sua capacidade normal, indicarão, nos respectivos manômetros, 1800 psi a 21 graus C. Cada cilindro está equipado com uma alça de lona para seu transporte e possui duas saídas de fluxo contínuo: - Vermelha (ou indicando HI), com fluxo de 4 litros por minuto sendo utilizada para adultos. - Verde (ou indicando LO), com fluxo de 2 litros por minuto para ser utilizada em crianças ou passageiros extremamente idosos. *** Em se tratando de recém-nascido, deve-se remover a máscara e posicionar a extremidade da mangueira a, aproximadamente, 10 cm do rosto do bebê, utilizando o fluxo de saída de 4 litros por minuto. As máscaras deste sistema são do tipo oronasal e misturadoras. São de plástico transparente, descartáveis e estão ligadas a uma mangueira em cuja extremidade se encontra um pino de encaixe. Sabe-se que a inalação de oxigênio a 100%, com fluxo de 5 litros por minuto, por um tempo superior a 15 minutos, pode ser fatal. Não existe risco de que ocorra um acidente desta natureza a bordo, pois embora o oxigênio contido nos cilindros portáteis ser a 100%, o fluxo máximo de saída é de 4 litros por minuto. Além do que, este oxigênio, antes de ser inalado, mistura-se dentro da máscara com o gás carbônico exalado pela pessoa e, também, com o ar ambiente. Sempre que houver necessidade de se ministrar oxigênio a algum passageiro, o mesmo não deverá ser abandonado. Os comissários deverão permanecer em constante vigília. Qualquer passageiro que estiver recebendo oxigênio por tempo prolongado, sofrerá um ressecamento no rosto e nas mucosas. Para minimizar os efeitos deste ressecamento, deve-se, a intervalos de 10 minutos, proceder à umidificação do rosto (passar pano úmido), bem como verificar a necessidade de o mesmo continuar a inalar oxigênio. Se o passageiro continuar com dificuldade respiratória, deve continuar recebendo oxigênio até sua capacidade respiratória voltar ao normal; sempre com uma verificação a intervalos de 10 minutos. Deve-se tomar o máximo de cuidado quanto a posição da válvula a ser conectado pelo CMS, se conectado na posição HI e utilizado em crianças poderá ser fatal, da mesma forma que se conectado na posição LO em adulto poderá ser insuficiente. Operação: - Conectar os pinos das mangueiras de duas máscaras oro nasais às saídas de fluxo contínuo (vermelha e verde), sendo que, após verificação da passagem de fluxo por ambas as mangueiras, o comissário deverá vestir uma delas (LO), e destinar a outra ( HI ) a um passageiro que necessite de oxigênio suplementar. Portanto o principal cuidado que se deve ter e com relação a posição das válvulas. - Girar a válvula de abertura no sentido anti-horário; - Verificar se o fluxo está saindo normalmente (indicador junto à máscara): Indicação vermelha = bloqueio na passagem do fluxo. Indicação verde = liberação à passagem do fluxo. 47 - Remover o excesso de gordura do rosto do usuário; - Ajustar a máscara, amoldando a pequena tira metálica de uma das bordas sobre o nariz, para evitar fuga de oxigênio e conseqüente lesão ocular; - Fixar a tira elástica ao redor da cabeça e respirar normalmente; - Após a utilização, deve-se fechar a válvula, girando-a no sentido contrário ao de abertura e recolocar o cilindro no seu lugar de origem, fixando-o com as presilhas; Adequação: A finalidade deste sistema é atender aos ocupantes (passageiros e tripulantes) da aeronave que se encontrem com insuficiência respiratória. Variação na Utilização: Caso a aeronave, após uma despressurização, nivele em altitude fora do nível de segurança, este equipamento poderá ser utilizado no cheque pós-despressurização (walk-around procedure). Outra finalidade deste equipamento é a proteção de órgãos de visão e respiração contra fumaça e/ou gases tóxicos. ***É desaconselhável a utilização deste equipamento em presença de fumaça densa (máscaras oro nasais misturadoras). Cheque Pré-Vôo: Verificar se: - os cilindros estão devidamente fixados;- o manômetro indica a pressão mínima de 1.500 psi; - a quantidade mínima de máscaras - 3 para adultos (e, eventualmente, para crianças) por cilindro foi atendida; - Informar à cabine de comando a utilização do cilindro, e incluir no relatório de bordo o número de registro do cilindro e o propósito de sua utilização; 48 PROCEDIMENTOS DE EMERGÊNCIA INTRODUÇÃO: Embora as emergências à bordo irão sempre constituir a exceção e não a regra os tripulantes devem ter conhecimento absoluto dos procedimentos de emergência bem como a localização, tipo e utilização correta de todos equipamentos de emergência disponíveis nas aeronaves pois a responsabilidade da tripulação é de manusear com destreza os equipamentos para que possam obter o melhor êxito nas eventuais emergência que possam ocorrer. OBS: Em geral temos como consequência de um acidente o fogo, calor, fumaça, gases tóxicos e as ações decorrentes do impacto. Diversos fatores podem ocasionar um pouso em emergência, e devem ter ação coordenada e simultânea dos comissários, como por exemplo: - Fogo, inclusive nos motores, se os extintores não puderem ser acionados ou forem insuficientes; - Perda total da força elétrica; - Fumaça densa e de origem desconhecida; - Falta de combustível, inclusive por vazamento (pane seca); - Perda da potência dos motores, aquém do limite mínimo para a aeronave se manter em vôo; - Sabotagem; sequestro OBS: Óbitos de passageiro a bordo não requer procedimento de pouso de emergência a menos que seja oriunda de doença infécto contagiosa grave e detectada a possibilidade de colocar em risco os demais passageiros. A decisão de se efetuar um pouso em emergência é da responsabilidade do comandante. O sucesso na realização de um pouso forçado vai depender das condições da aeronave. Não existe instrução que possa cobrir todas as condições de emergência, e nem é possível detalhar cada passo a ser seguido. A situação quando vivida na realidade supera todas as expectativase revelam o verdadeiro potencial de cada indivíduo. O treinamento tem peso muito grande no direcionamento de cada ação a ser tomada o que nos leva a crer que um tripulante deve sempre estar atento as reciclagens para manter o seu potencial de ação. Outro fator que poderá contribuir para o sucesso na realização de um pouso forçado será o estado físico e mental dos tripulantes, o grau de treinamento da tripulação, as ações coordenadas e simultânea da equipe. OBS: Toda e qualquer incidente que ocorrer na cabine de PAX deverá ser comunicado ao CMTE, e manter os PAXs sob controle. Esteja atento para qualquer movimento após a parada inicial, ex: deslizamento ou rolagem. Os CMS devem iniciar a evacuação imediatamente após o comando do cockpit. Se um CMS iniciar a evacuação, todos deverão iniciar os procedimentos imediatamente. Desta forma, todos os tripulantes devem estar totalmente familiarizados com a localização e operação de todos os equipamentos de emergência e preparados para assumirem as tarefas designadas a outro tripulante. É de vital importância que em qualquer emergência os tripulantes se mantenham calmos, pareçam organizados, e dêem instruções claras e concisas usando frases curtas e afirmativas acompanhadas por mímicas. Se um CMS se descontrolar deve ser acalmado imediatamente e o mesmo deverá ficar sob observação. A maioria dos passageiros não deixarão os seus assentos ou a aeronave, a menos que instruídos a fazê-lo. A reação dos passageiros durante uma evacuação de emergência pode apresentar um problema em potencial. Se você não assumir a liderança, algum passageiro poderá fazê-lo e dar instruções erradas que venham resultar em ferimentos graves ou até a morte. Os procedimentos abaixo devem ser aplicados na medida em que se encaixem à emergência. Se a os mesmos não forem adequados, use de iniciativa e bom senso. 49 EQUIPAMENTOS DE EMERGÊNCIA Com a finalidade de ajudar os tripulantes nas diferentes situações anormais que eventualmente venham a acontecer, existem nas aeronaves equipamentos chamados de emergência, que todo CMS deve ter extensa familiaridade e habilidade na utilização. - Extintores de incêndio (nas diversas classes para os diversos tipos de fogo); Garrafas portáteis de oxigênio para passageiros; - Garrafas portáteis de oxigênio com máscara full-face para tripulantes; - Óculos contra fumaça; Machadinha; Cordas de escape rápido; Botes de salvamento; Coletes salva vidas; Megafones; Luvas de amianto; - Caixas de sobrevivência; Bolsa de primeiros socorros; Esses equipamentos são colocados a bordo em locais visíveis de fácil acesso, em número e quantidade de acordo com a especificação de cada aeronave, e número de assentos disponíveis dentro das mesmas, em perfeitas condições de uso. ESTAÇÕES DE EMERGÊNCIA Compreende o lugar de uma ou mais saídas de emergência. Deverá ter normalmente: - Assentos de tripulantes – simples ou duplos; - Equipamentos auxiliares de emergência; Sistema de comunicação; FATORES QUE ORIGINAM UM ACIDENTE FATOR HUMANO: ocasionado por erro humano, ex: erro de rota, avaliações técnicas,... FATOR TÉCNICO: ocasionado por falhas técnicas, ex motor parar de funcionar. FATOR OPERACIONAL: ocasionado por erro operacional – Má informação da torre de controle. FATOR METEOROLÓGICO: ocasionado por fenômeno da natureza Ventanias, temporal... FATOR CASUAL: ocasionado pelo acaso, ex: colisão com pássaro. FATOR DESCONHECIDO: ocasionado pelo desconhecido ex: Triângulo das Bermudas. EMERGÊNCIA PREPARADA E NÃO PREPARADA As emergências são classificadas em dois tipos: Emergência preparada e emergência não preparada. Emergência imprevista (não preparado): acontecimento repentino e inesperado, podendo haver evacuação de cabine. Toda decolagem e todo pouso constitui-se numa emergência em potencial. A maioria das emergências ocorre durante a partida dos motores, decolagens e pousos. Nestas circunstâncias não há tempo hábil para os comissários efetuarem uma preparação adequada de passageiros e cabines. Durante as operações de decolagem e de pouso, é necessária toda atenção para a real possibilidade de ocorrer uma desaceleração inesperada. Nestes casos, a ação imediata e condicionada dos procedimentos será fundamental para a determinação de um maior número de sobreviventes. É importante que cada comissário tenha em mente os procedimentos a serem adotados nos pousos em emergência contidos nos cartões de procedimentos localizados junto a cada estação de comissários. Sempre que uma manobra de decolagem ou pouso é diferente do normal, o comissário deve determinar o tipo de emergência iminente e quais ações deverão ser tomadas. Como medida de segurança, durante as operações de decolagem e de pouso, os comissários devem: - executar com rigor os cheques preparatórios de decolagem e de pouso com relação a passageiros, cabines, galleys e lavatórios. 50 - estabelecer as atitudes de cada um nas estações com assentos duplos: quem faz o quê, na eventual situação de emergência? Um fica na porta controlando o fluxo de saída e outro se posiciona na linha divisória da cabine para direcionar o fluxo de passageiros. - ter sempre em mente os procedimentos de abertura das portas em emergência e os de utilização das escorregadeiras, revisados no briefing de pré-vôo. Se houver tempo na iminência de um impacto: - Comandar aos passageiros: Abaixem-se, agarrem seus tornozelos! ” “Brace, grab your ankles!” - Assumir a posição de impacto para comissários, permanecendo assim até que a aeronave esteja completamente parada. PROCEDIMENTOS IMPACTO NO POUSO OU DECOLAGEM Quando provocado por quebra de trem de pouso, saída da aeronave da pista com danos es- truturais, toque no solo fora da pista, danos estruturais e paradas em atitude anormal. Após a parada completa da aeronave: - Verificar a área externa. Se uma saída não puder ser aberta por estar abaixo da linha d’água ou houver, na área externa, fogo, combustível derramado ou destroços, permanecer junto a ela e redirecionar os passageiros para as saídas operantes. - Avaliar hierarquia e evidência. Ao ser dada a ordem de evacuação: - Comandar aos passageiros “ Soltem os cintos e saiam! ” “Release your seat belt and get out!” - Abrir a porta, puxar o comando manual de inflação da escorregadeira e comandar: “Venham por aqui!” “Pule, pule!” EMERGÊNCIA PREPARADA Emergência com conhecimento prévio, com tempo hábil para se preparar e minimizar os efeitos decorrentes . Quando há uma avaria na aeronave em vôo e provavelmente um pouso forçado em terra ou em mar, havendo tempo, os comissários devem preparar a cabine e orientar os passageiros para o pouso. A primeira medida a ser tomada pelo comandante será acionar os equipamentos de sinalização de emergência disponíveis na cabine de comando tais como o transponder (equipamento que codifica o sinal emitido pelo radar), através do código 7700, ELT, e notificar via radiotelefonia (ou qualquer meio de transmissão de voz tais como rádio SSB), a palavra internacional MEIDÊ (mayday) 51 O comandante, provavelmente, chamará o chefe de equipe para um briefing (preleção), comunicando o tempo disponível, provável área do pouso, motivo do pouso, áreas restritas da aeronave, carga restrita, sinal convencional para a evacuação, e outras instruções gerais. O chefe de equipe, por sua vez, deverá transmitir aos comissários as instruções necessárias. Após serem informados da situação, os comissários deverão posicionar-se ao longo da cabine, pois no momento em que a situação de emergência for comunicada aos passageiros, os comissários terão condições de, estando assim posicionados,controlar possíveis manifestações de pânico, bem como instruir passageiros. Em princípio, a comunicação de um pouso de emergência é feita pelo comandante.Caso transfira este encargo ao chefe de equipe, este utilizará o anúncio específico, encontrado nos cartões de procedimentos de emergência (check - list), ou no Manual de Anúncios de Bordo, que deverá ser lido com voz clara e calma Num caso de pouca iluminação, a voz de comando ajudará na orientação dos passageiros em direção às saídas de emergência. Lembrar-se, também, que esta situação poderá gerar pânico e nervosismo em todos. O fato de se falar em voz alta (voz de comando) fará com que as pessoas não pensem em outra coisa que não obedecer às ordens dadas, atuando no subconsciente e induzindo-os à sua execução. Num caso de pouca iluminação, a voz de comando ajudará na orientação dos passageiros em direção às saídas de emergência. Lembrar-se, também, que esta situação poderá gerar pânico e nervosismo em todos. O fato de se falar em voz alta (voz de comando) fará com que as pessoas não pensem em outra coisa que não obedecer às ordens dadas, atuando no subconsciente e induzindo-os à sua execução. Com essas considerações, temos em mente que a segurança de vôo depende, em um elevado índice, do conhecimento e da habilidade de um tripulante bem treinado em todos os aspectos. As instruções que seguem nestas páginas devem ser aplicadas, quando necessárias, e empregadas, com bom senso e julgamento. DEVERES - ENCARGOS Toda vez que uma tripulação for envolvida numa situação difícil cabe ao Comandante analisar, declarar e comandar a emergência. Caso um tripulante esteja impossibilitado fisicamente, um outro deverá acumular suas funções. A hierarquia a bordo é a seguinte: § Comandante § Co-piloto; § Pilotos Suplementares; ou DOV; § 1º Comissário (Chefe de Equipe); Comissários/as auxiliares; 1. Comandante: comanda de seu lugar a emergência. 2. Co-piloto: comunica aos demais tripulantes, as ordens do Comandante, quando solicitado. 3. 3º Tripulante ou DOV: dá as mensagens via CW sem interferir, com as mensagens do Comandante, no que for necessário. 4. Chefe de Equipe: comunica aos passageiros a decisão do Comandante. Arruma a cabine e acalma os passageiros exaltados. 5. Comissários/as: auxiliam o 1º comissário 6. Tripulantes dispensáveis na cabine de comando deverão desempenhar tarefas na cabine de PAX ATRIBUIÇÕES ESPECÍFICAS DO COMISSÁRIO Ao ser declarada uma emergência, e couber ao Comissário comunicá-la aos passageiros, deverá fazê-lo em poucas palavras, não mostrando medo e não exagerando a situação, para que a mesma não se torne dramática. Preparação dos Passageiros: O chefe de equipe fará o anúncio aos passageiros e os comissários farão a verificação do que foi solicitado. - remover óculos, objetos pontiagudos e sapatos de salto alto e colocá-los nas bolsas das poltronas a frente; 52 - colocar o encosto das poltronas na posição vertical; - afivelar cintos de segurança; Preparação da cabine: - retirar todo o material solto nas cabines (bolsas, pastas, sacolas, câmeras, etc) colocando-o no interior de lavatórios cujas portas não se abram em direção à cabine de comando e trancando suas portas; - desimpedir os corredores (longitudinais e transversais) e as áreas de saídas de emergência; - abrir e prender todas as cortinas; Preparação das Galleys: - materiais guardados nos compartimentos cujas portas deverão estar fechadas e travadas. - materiais excedentes devem ser colocados nos lavatórios cujas portas não se abram em direção à cabine de comando e trancar suas portas. Havendo tempo disponível, os comissários deverão: - relocar passageiros especiais (deficientes físicos, grávidas, idosos e menores desacompanhados); - selecionar passageiros capazes, preferencialmente tripulantes-extra, militares e desportistas para que possam auxiliar na evacuação; Quando escalado para auxiliar PAX inválido o CMS deve fazer o que for possível utilizando sempre o bom senso - instruir os passageiros capazes sobre a operação das saídas e os procedimentos de evacuação; - Se o pouso ocorrer em locais desabitados os CMS devem cuidar para que todos saciem completamente a sede antes do pouso. - preparar mantas e suprimento adicional de água e alimento, utilizando sacos plásticos (jogando-os para fora da aeronave em pousos em terra ou amarrando-os a coletes salva-vidas de reserva em pousos na água). *** Passageiros sentados nas áreas de janelas de emergência que não possam ser operadas por algum tripulante, deverão ser instruídos a não abrir as saídas antes de verificar a área externa. PASSO A PASSO DO POUSO EM EMERGÊNCIA PREPARADO 1º PASSO: O comandante deve fazer um briefing com os demais tripulantes técnicos e o CHE. O CHE informa-se sobre: 1. Natureza da emergência; 2. Tempo disponível para preparação da cabine; 3. O local do pouso; 4. Saídas operacionais prováveis, zona da aeronave que provavelmente será mais atingida, havendo impacto; 5. Confirma se o comandante efetuará o speech sobre a natureza da emergência aos PAX’S ou se o CMS o fará; 6. Solicita- se tempo para briefing com a equipe; 2º PASSO: CHE efetua briefing com a equipe, transmitindo todas as informações obtidas, e determinando reposicionamento de setor, caso necessário (CMS em instrução). 3º PASSO: CMS’s posicionam-se ao longo da cabine, atentos ao speech do CMTE, e reação dos PAX’s contendo os focos de pânico. 4º PASSO: O CHE efetua o speech de emergência com o auxilio dos comissários que se posicionam ao longo da cabine. 5º PASSO: Pedir que os PAX observem as instruções do cartão de informações nas alças das poltronas (POSIÇÃO DE IMPACTO). 6º PASSO: Após a demonstração, os CMS preparam a cabine e mentalmente revêem suas funções: 53 Auxilie na remoção de objetos soltos e na acomodação de PAX’S especiais. Instrua os PAX para que removam objetos pontiagudos (para evitar ferimentos), óculos (poderá ser usado no abandono da aeronave), dentaduras, canetas, sapatos de salto alto, lentes de contato e que os coloquem nas bolsas das poltronas à frente de seus lugares. Remova material solto na cabine, bolsa (caso haja recusa em entregá-las façam com que fiquem com o dinheiro ou valores) colocando-os amarrados numa manta ou cortina, guardando no toalete e travando-os. Se houver tempo os comissários trocarão PAX’S de lugar acomodando voluntários como médicos, enfermeiros, policiais, bombeiros ou pessoas jovens e calmas ensinando-se a abrir a porta ou saída. Trocar de lugar junto a uma porta ou saída paralíticos ou deficientes, idosos, gestantes ou crianças desacompanhadas colocando outro PAX que aparente calma e capacidade, ou tripulante para atendê-los. Colocar gestantes próximos a uma porta, atando-se a seu cinto o MAIS BAIXO POSSÍVEL, colocando travesseiros até a altura do queixo lateralizando a cabeça. Havendo bebês – envolvê- los em mantas, colocá-los no chão, encostados no anteparo das primeiras poltronas na frente da mãe ou responsável. NUNCA SEPARE OS BEBÊS DA MÃE. Oriente sobre a utilização de travesseiros, paletós ou blusas, para proteção individual na posição de impacto; 7º PASSO: - Poltronas vagas, empurre o encosto para a frente; - Check do encosto das poltronas na posição vertical, PAX não fumando, mesas travadas e cintos apertados; - Efetue auto cheque, retirando crachás, canetas, gravatas; Trave a porta dos toaletes;Verificar galleys travando e desligando tudo, remova as cortinas e usar como apoio para senhoras grávidas e crianças de colo; - AUX havendo disponibilidade, reposicionar o PAX e sentá-lo junto a uma janela; Famílias devem se sentarem juntas se possível; 8º PASSO: Havendo tempo disponível identifique tripulantes extras e voluntários e brife-os sobre os seguintes assuntos: - Abertura de portas e janelas;Procedimentos com as escorregadeiras; - Lift Dumpers (lâminas sobre as asas) erguidas; Parada total da aeronave e ordem de “evacuar aeronave”;Existência de fogo externo; 9º PASSO: - Coloque, quando em vôo noturno luzes da cabine na posição NIGHT e OFF as luzes das janelas em OFF. A noite mantenha sua lanterna de bolso acesa durante o pouso; Efetuar o “speach” com as últimas recomendações e dar “OK” para cabine de comandos. 10º PASSO: - Assumem POSIÇÃO DE IMPACTO, quando recebido do comando; *** O anúncio “Impacto” será dado aproximadamente 1 minuto antes do pouso, que será dado através do P.A, piscando os sinais luminosos de atar cintos e não fumar. A partir daí o comissário procura fazer a revisão dos trinta segundos, procurando repassar mentalmente todos os procedimentos necessários para a evacuação e mantem esta posição até a parada total. 11º PASSO: Tripulação - Ação após o Impacto. - O CMTE avalia a situação para determinar se uma evacuação é ou não necessária. - Se uma evacuação não for necessária, o CMTE anuncia: “passageiros e tripulantes, permaneçam sentados”. - Se uma evacuação for necessária, os pilotos prosseguem com o cheklist de evacuação e o CMTE anuncia “Evacuar a aeronave” - Enquanto aguarda determinação do CMTE, toda a equipe avalia a situação em sua área. Se não houver fogo interno, fumaça, rompimento da estrutura da fuselagem, ou qualquer situação 54 que comprometa a segurança, e houver tumulto entre os pax, comande “Mantenham-se sentados, aguardem instrução do comandante”. - CHE: Se após a parada total da aeronave, e enquanto aguarda a instrução do cockpit, o CHE observar qualquer anormalidade (como por exemplo, fumaça na parte traseira da aeronave) o mesmo deverá abrir a porta do cockpit e passar esta informação ao CMTE. Tal informação auxiliará o comandante na sua tomada de decisão com relação a evacuar ou não a aeronave - CHE: Na falta de comando, checa o cockpit. Se os pilotos estiverem completando check-list ou avaliando a situação, aguarde. Se os pilotos estiverem incapacitados o CHE avalia a situação e determina ou não a evacuação. - Co-piloto: Ao término do check-list, apanha a lanterna e o extintor de incêndio do cockpit e evacua a aeronave por uma das portas dianteiras, para auxiliar os passageiro no solo e combater qualquer pequeno foco de fogo. - Comandante: Ao término do check-list, apanha a lanterna, aguarda o término da evacuação, certifica-se com o CHE de que todos os PAX evacuaram a aeronave, e auxilia o CHE a carregar os equipamentos de emergência. *** Em qualquer situação de emergência, o comandante da aeronave deverá ser imediatamente comunicado e mantido informado pelo meio mais rápido e eficaz. Lembrar que um único comissário pode levar toda a aeronave ao pânico. Após o Pouso: Uma evacuação somente poderá ser iniciada após terem ocorrido o corte dos motores e a parada total da aeronave. Só então os comissários deverão desatar os seus cintos de segurança para avaliar a situação de hierarquia ou de evidência. Após o pouso o CMS deverá efetuar o desembarque e levar consigo todo material a ele designado, de acordo com os procedimentos de emergência Executar os procedimentos anteriormente descritos em POUSO DE EMERGÊNCIA PREPARADO, tanto para pousos em terra quanto em água. POSIÇÕES DE IMPACTO (BRACE POSITIONS) A posição de impacto deve ser assumida em qualquer pouso de emergência seja o pouso em terra ou em mar. O objetivo da posição de impacto é reduzir o efeito do impacto secundário do corpo com o interior da aeronave, ou seja, protegê-lo contra os anteparos existentes na área, nos quais se possa colidir no momento do impacto. De acordo com estudos efetuados, a posição de impacto adequada a cada ocupante de uma aeronave depende de diversos fatores, tais como as condições de colisão (direção, velocidade, violência do impacto, etc.), a configuração do interior, o desenho e a resistência das poltronas, bem como as características físicas dos ocupantes da mesma. Obviamente, com tantos fatores envolvidos, é impossível se eleger uma única posição de impacto que abranja todos os casos. O impacto secundário pode ser reduzido ao se posicionar o corpo (ou parte dele), o mais próximo possível do anteparo com o qual ele deverá ter contato após o impacto. O chamado efeito chicote (movimento provocado sobre o corpo por uma desaceleração) pode ser reduzido, desde que os ocupantes tenham seus corpos posicionados na direção em que, provavelmente, serão impelidos (por inércia) após o impacto. 55 O cinto de segurança deve ser posicionado na região do baixo ventre, só devendo ser ajustado após o ocupante ter encostado totalmente o tronco no encosto da sua poltrona: quanto mais justo estiver o cinto de segurança, maior será a resistência à desaceleração. Os pés do ocupante devem estar apoiados firmemente no assoalho, um pouco à frente da parte anterior do assento da poltrona. As pernas não devem ser posicionadas sob o assento da poltrona à frente, pois poderiam ser quebradas durante o impacto, devido ao efeito alavanca que se formaria ao chocarem-se contra a referida poltrona. OBS: Antes de assumirem a posição de impacto, os CMS devem distribuir o máximo de travesseiros e mantas para serem colocados sobre os joelhos com a finalidade de proteger o rosto na posição de impacto. Cinto Segurança de Retenção Abdominal: Se a poltrona for localizada de forma que a cabeça não tenha contato com parte alguma da aeronave (anteparo), podendo o ocupante inclinar seu corpo para frente por cima do cinto de segurança, deverá fazê-lo até que o tronco se encontre com os membros inferiores (coxas). A cabeça deverá estar voltada diretamente para o chão. Virando a cabeça para o lado, o pescoço ficará torcido, reduzindo a capacidade de suportar o próprio peso, aumentado na hora do impacto. Quanto ao efeito chicote dos braços, pode- se reduzi-lo se o ocupante agarrar seus tornozelos ou pernas. Caso essa posição não seja possível, o ocupante deverá se curvar para frente com o cinto abdominal devidamente afivelado, posicionando os braços e mãos de forma que fiquem entre o corpo e qualquer parte do interior da aeronave que possa ser atingida (anteparo), como o encosto da poltrona à frente. Os braços e as mãos funcionarão como amortecedor sustentando a cabeça. Em resumo a posição correta que o PAX deve assumir por ocasião de um pouso forçado é cintos apertados, poltronas na vertical, braços entrelaçados por entre os joelhos e cabeça entre as pernas voltada para baixo, ou cintos apertados, poltronas na vertical, braços cruzados com a testa sobre os mesmos apoiados no encosto da poltrona a frente. 56 Gestantes: Mantas deverão ser utilizadas para elevar o assento da poltrona ocupada por uma gestante. Esta deverá ser instruída a colocar o cinto de segurança bem baixo (baixo ventre) para que sua força seja exercida sobre a pelve (isto é possível devido à elevação do assento). Crianças: Crianças sentadas em poltronas de passageiros devem seguir os mesmos procedimentos para posição de impacto que os adultos, conforme explicado anteriormente. Devido à sua estrutura, o efeito chicote será menor do que nos adultos. Sendo assim, a probabilidade de sofrerem o impacto secundário no interior da aeronave é, também, menor. Os cintos de segurança, na maioria das poltronas de passageiros, são instalados de forma que proporcionem resistência efetiva, com pequena chance de se deslocarem para o abdômen. A fivela do cinto de segurança geralmente está colocada de forma que fique ao lado de uma criança pequena (quando ajustado), reduzindo o risco de ferimentos. O cinto deve ser colocado no baixo ventre da criança, logo acima das pernas. Se não puder ser ajustado de forma que fique sem folga, travesseiros e mantas deverão ser colocados por trás da criança para que crie volume, ajustando, assim, o cinto de segurança. É importante que crianças pequenas se inclinem parafrente, sobre o cinto e coloquem suas cabeças encostadas no próprio assento, entre as pernas. Isto é feito para se reduzir o efeito chicote da cabeça. As crianças que estiverem no colo de adultos devem ser seguras deitadas de maneira que se sustente tanto a cabeça quanto o tronco. O adulto deverá se inclinar para frente, sobre o cinto, de forma que a criança fique no espaço criado entre seu tronco, suas pernas e o encosto da poltrona à frente. Ambos os braços devem envolver a criança para proporcionar o máximo possível de suporte. Um adulto e uma criança não devem dividir um mesmo cinto de segurança, pois o adulto poderia esmagar a criança contra o mesmo. *** Há evidências que demonstram risco em potencial para crianças e adultos durante o impacto de uma aeronave, mesmo que a área onde estejam sentados permaneça sem grandes danos após o choque. Havendo bebês – envolvê-los em mantas, colocá-los no chão, encostados no anteparo das primeiras poltronas na frente da mãe ou responsável. NUNCA SEPARE OS BEBÊS DA MÃE. Cintos de Segurança de retenção Tóraco-Abdominal (Shoulder Harness). 57 Poltronas Voltadas para o Nariz da Aeronave: O ocupante da poltrona com cinto de segurança tóraco-abdominal de inércia deve sentar-se de forma que as costas estejam firmemente apoiadas contra o encosto, ajustando, então, o cinto de segurança. Se as tiras de retenção do tórax tiverem ajuste manual, este deverá ser operado de forma que as costas fiquem firmes, braços cruzados, cabeça baixa e queixo tracionado contra o pescoço. Se a trava retrátil usada for do tipo não-automática, as tiras deverão ser puxadas até que o sistema de trava seja acionado, recolocando-se então o excedente das tiras em seu lugar de origem, de forma que as mesmas fiquem bem ajustadas ao corpo. Se as tiras de retenção do tórax tiverem travas retráteis automáticas (carretilhas de inércia), não deverão ficar frouxas sobre os ombros. As tiras devem, sempre, estar justas contra o corpo e nunca torcidas, pois isto impedirá o seu movimento retrátil. O ocupante deverá inclinar a cabeça para baixo, o máximo possível. As mãos do ocupante poderão estar cruzadas, unidas sobre o colo, espalmadas na parte anterior do assento (sem que se tencione os pulsos ou cotovelos), ou, ainda, sob as coxas do ocupante. O ocupante não deverá segurar o cinto, pois isto poderá afrouxá-lo, principalmente se este for equipado com trava retrátil automática, o que aumentaria a chance de sofrer ferimentos. Poltronas Voltadas para a Cauda da Aeronave: O procedimento será o mesmo adotado para os ocupantes de poltronas dispostas de frente para o nariz da aeronave, equipadas com cinto de segurança de retenção tóraco-abdominal, exceto que a cabeça deverá estar apoiada diretamente contra o cabeçote da poltrona e os braços cruzados. ***NOTA: Qualquer tripulante envolvido em acidente aeronáutico fica com sua licença de saúde automaticamente suspensa, devendo submeter-se a novos exames no hospital da aeronáutica. Os comissários envolvidos em acidente aeronáutico devem procurar, imediatamente, as suas respectivas chefias para encaminhamento. É considerado acidente aeronáutico, todo acidente que ocorra com a aeronave com fins de transporte, do embarque ao desembarque, que envolvam danos extensos, ferimentos que requeiram hospitalização dentro dos 7 dias subseqüentes ou quaisquer fraturas de ossos que não sejam dedo ou nariz. EVACUAÇÃO DE EMERGÊNCIA Em conformidade com o MCA 58-11/2005 pg 95. As situações que podem atrapalhar em uma evacuação são saídas inoperantes e o fator humano. Em princípio, todas as saídas operantes devem ser abertas, guardadas as restrições segundo instruções do comandante e aquelas observadas na VERIFICAÇÃO DA ÁREA EXTERNA (linha d’água, arestas metálicas, destroços e áreas cobertas por combustível). Todas as saídas só poderão ser abertas com a aeronave totalmente parada. Rupturas na fuselagem, devidamente avaliadas, também poderão ser utilizadas como saídas. Para iniciar a evacuação, depois de analisada a situação (hierarquia x evidência), deve-se comandar: “Soltem os cintos e saiam!” - “Release your seat belt and get out!” Antes da abertura das saídas, deve - se orientar os passageiros, comandando: “Venham por aqui!” , “Pule, pule...!” - “Come this way!”, “Jump, jump...!” Se, por qualquer razão, alguma saída não puder ser aberta, o comissário responsável por ela deverá posicionar-se junto à mesma e redirecionar o fluxo de passageiros para as saídas operantes, comandando: “Use aquela saída!”- “Use that way!” 58 Deve-se ter especial atenção com sapatos de salto alto porque além do risco de provocar entorse ou fraturas, podem também danificar os equipamentos auxiliares de evacuação e flutuação. Todos os procedimentos anteriormente descritos são comuns a pousos em emergência, tanto em terra quanto na água. Entretanto, procedimentos diferenciados se estabelecem a partir de então, e devem ser analisados em separado. Para que haja um salvamento correto devem ser observados procedimentos condicionados através de treinamento em simulador. **** Não sendo possível efetuar uma evacuação de emergência num pouso em terra ou mar, conforme aprendido no treinamento o CMS deve usar de bom senso e fazer o que for possível para a evacuação TEMPO DE EVACUAÇÃO 90 SEGUNDOS – TEMPO PADRÃO Esse tempo foi considerado depois de teste realizado em órgãos internacionais. COEFICIENTE DE EVACUAÇÃO Número de ocupantes de uma aeronave que possam sair por uma saída operativa obedecendo o tempo padrão de 90 segundos. SEQUÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO DE EVACUAÇÃO - Comandante; - Qualquer membro da tripulação técnica na incapacidade do comandante; - Qualquer comissário que seja evidente a necessidade de evacuação da aeronave; ALGUNS CASOS DE EVACUAÇÃO EVIDENTE: - Alta concentração de fumaça na cabine; - Saída da aeronave na pista com danos estruturais; - Queda de trem de pouso; - Fogo seguido de explosão; - Formação de fumaça – gases tóxicos; 59 IMPORTANTE: Em uma evacuação os CMS devem permanecer a bordo até que todos os passageiros tenham desembarcados e feito o check da cabine ou quando o fogo, fumaça ou nível d’água torne impossível sua permanência a bordo. CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES Havendo necessidade de evacuação da aeronave a mesma deverá se iniciar após a: - Parada total da aeronave e seus motores desligados; - Ordens dadas aos passageiros devem ser claras e prévias; - Usar mímica reforçando as frases indicando as saídas operativas. A mímica é uma linguagem internacional e pessoas com deficiência auditiva e estrangeiros poderão compreender a situação; *** Em caso de sabotagem ou bomba a bordo, estando a aeronave parada no solo, será providenciado o desembarque de todos os passageiros devendo o CMS instruí-los para que o façam de forma ordenada e retirem todos os pertences de mão trazidos a bordo. AERONAVE PARADA Verificar OPERATIVIDADE da saída e retirar Pax GRITANDO para que saiam o mais depressa possível. Fazer check da cabine principal e cabine de comando, descer, desembarcar. Afastar – se da aeronave com os PAX para lugar seguro a fins de evitar destroços em uma eventual explosão. *** Não se deve voltar ao interior da aeronave antes que os motores tenham esfriado, o combustível derramado e evaporado ou se tenha certeza da impossibilidade de incêndio ou explosão. DINÂMICA GERAL DE EVACUAÇÃO DE AERONAVE Envolve os seguintes procedimentos: - Abrir os cintos. - Verificar OPERATIVIDADE da saída. - Conduzir a evacuação, com rapidez, ordem e segurança. - Verificar a cabine após a evacuação. Abandonar a aeronave. PASSAGEIROS ESPECIAIS: (Passanger with Special Needs) Os PAX’S especiais serão retirados por último quando tudo estiverestabilizado. Os passageiros especiais são definidos como pessoas incapazes de embarcar, desembarcar e se movimentar sem ajuda de outra. Se houver tempo disponível em uma situação de emergência, eleja um passageiro para ajudar o deficiente a chegar a porta e a sair da aeronave. Remover os passageiros doentes se eles estiverem sentados em saídas operantes. Puxar a pessoa para a saída pela cintura, empurrar a pessoa para fora com os pés para frente e dar assistência no fim do escape. **** O abandono deverá ser feito pela saída mais conveniente, de modo rápido e seguro, evitando danos pessoais. EVACUAÇÃO DE PESSOAS INVÁLIDAS - Segure o inválido por trás e de costas. - Mantenha as mãos dos inválidos seguros e na altura da cintura. - Levante as suas costas de modo que fique sentado. - Coloque suas mãos abaixo dos braços do inválido, segurando-o pelo pulso. 60 NOTA: São considerados inválidos – paralíticos, surdos, cegos, sendo o cego acompanhado de um cão guia não será considerado inválido. O cão guia será acomodado na frente do cego na 1a fileira de poltronas. EVACUAÇÃO COM CRIANÇAS E BEBÊS: (Evacuating with a lap child/infant) A criança deve ser envolvida pelo braço de adulto e descer junto no slide. Após uma evacuação de emergência não se deve voltar ao interior da mesma antes que os motores se esfriem e o combustível evapore ou se tenha certeza de não haver mais riscos de fogo ou explosão. Os perigos podem ocorrer permanecendo-se junto à aeronave logo após uma decolagem interrompida com danos materiais. **** Caso um passageiro caia no corredor obstruindo a passagem o CMS deve auxilia-lo imediatamente e se preciso for deverá pedir ajuda a outro passageiro para ajuda-lo e dar prosseguimento EQUIPAMENTOS DE SINALIZAÇÃO As aeronaves comerciais são equipadas com um sistema de iluminação normal alimentados por geradores ligados aos motores e outro de emergência independente de todos os outros sistemas São divididos em dois grupos: - Equipamentos de sinalização em evacuação; - Equipamentos de sinalização em sobrevivência (rádio transmissor de emergência, fumígenos, corante marcador de água, espelho, apito e lanterna); EQUIPAMENTOS DE SINALIZAÇÃO EM EVACUAÇÃO Luzes de Emergência: Todas as aeronaves comerciais estão, obrigatoriamente, equipadas com um sistema de luzes de emergência dotado de força própria (baterias), independente do sistema normal de iluminação. As luzes de emergência foram projetadas para funcionar automaticamente no caso de falha no sistema normal e continuar funcionando por um período aproximado de 20 minutos após ter ocorrido a falha (variável de acordo com o fabricante da aeronave. A iluminação de emergência encontram-se:, Interna nas cabines de comando e de PAX, corredores indicando o caminho. Externamente sobre as asas e junto as saídas principais e de serviços. Luzes de Emergência Internas: Na área interna, há luzes de emergência acima da porta da cabine de comando e acima de cada saída de emergência da cabine de passageiros. Há também pontos de luzes brancos e vermelhos no assoalho. Os de cor vermelha indicam as saídas de emergência, e os de cor branca indicam o caminho até as saídas. 61 ***Em algumas aeronaves (B-737-200) as luzes de emergência localizadas acima das portas, inclusive a da cabine de comando, são portáteis. Para retirar, remover a carenagem plástica e pressionar as presilhas laterais. *** Nas aeronaves com dois corredores, há ainda, uma luz de emergência em cada corredor transversal. Luzes de Emergência Externas: Na área externa há luzes de emergência junto a todas as saídas da cabine de passageiros e também na área sobre a asa, com facho luminoso incidindo sobre “flaps”. A finalidade específica da luz que incide sobre os “flaps” é possibilitar a verificação de possíveis danos nos mesmos que possam danificar as escorregadeiras (aeronaves wide-bodies), ou provocar ferimentos em pessoas que, eventualmente, evacuem por aquela área. Em caso de falha no acendimento automático, as luzes de emergência podem ser ligadas através de interruptores (tipo ON-ARMED-OFF) na cabine de comando e (tipos ON-NORMAL ou ON-OFF) na cabine de passageiros. Interruptor na Cabine de Comando: ON-Liga todo o sistema de luzes de emergência; ARMED-Arma o sistema para o seu acionamento automático, no momento em que for desligado o sistema elétrico da aeronave; OFF-Desliga todo o sistema de luzes de emergência; Interruptor da Cabine de Passageiros:ON-Liga todo o sistema, independente da posição do interruptor da cabine de comando, devendo ser utilizado no pré-vôo para checar o sistema e colocado na posição normal após o check. NORMAL-Luzes apagadas, a menos que ativadas pelo interruptor da cabine de comando. Em vôo para que as luzes de emergências funcionem corretamente o interruptor de cabine deve estar na posição ARMED e na cabine de PAX deve estar na posição NORMAL. Desta forma em uma situação de emergência as luzes se acenderão automaticamente (tanto as da cabine de comando como as de PAX) Todos os comissários devem saber a localização do interruptor de acionamento das luzes de emergência localizado na cabine de passageiros, bem como operá-lo estando a aeronave às escuras. 62 As luzes de emergência somente deverão ser acesas após a parada completa da aeronave, pois, devido à localização de uma dessas luzes na cabine de comando, o acendimento das mesmas durante a operação de pouso poderá provocar uma cegueira momentânea nos pilotos, devido ao reflexo da luz nos painéis. As luzes de emergência não devem ser usadas como luzes de trabalho. Sua utilização é restrita a situações de emergência, devido à curta duração das baterias que as alimentam. São, também, equipamentos de sinalização em evacuação: - Lanterna (uma para cada tripulante); - EVAC (alarme de evacuação nas aeronaves wide-bodies); *** Por motivo de segurança, nos pousos e decolagens em períodos noturnos, a iluminação interna da aeronave deverá estar na menor intensidade possível. SAÍDAS DE EMERGÊNCIA As saídas consideradas de emergência são aquelas pelas quais se pode evacuar os ocupantes de uma aeronave com o máximo de rapidez e segurança, numa situação de emergência. As saídas de emergência, assim homologadas, devem estar providas de equipamentos auxiliares de evacuação. Convencionalmente são consideradas saídas de emergências as portas, janelas sobre as asas, janelas do cockpit, saídas auxiliares e escotilhas. Em caso de sinistro, qualquer ruptura da fuselagem que permita a passagem de uma pessoa deve ser devidamente avaliada antes de ser utilizada como saída. Nota: Para que uma aeronave receba a homologação para vôos, considera-se o número de saídas de emergências compatível com o número de assentos oferecidos. PORTAS PRINCIPAIS E DE SERVIÇO Todas as portas das aeronaves, quer para o embarque/desembarque de passageiros, quer de serviço, são homologadas como saídas de emergência. Estão localizadas em ambos os lados da cabine de passageiros de modo que, em caso de emergência, facilitem a evacuação. O sistema de operação das portas em situação normal não é obrigatoriamente o mesmo numa situação de emergência. Dependerá do modelo da aeronave. Existem sistemas manuais e elétricos para operação normal, e sistemas pneumáticos ou simplesmente manuais em situações de emergência. 63 As portas podem ser operadas interna e externamente, tanto em situação normal quanto em emergência. Para fechar a porta, pressionar um pino na dobradiça superior da porta para destravá-la e proceder de modo inverso ao de abertura. A abertura externa deve ser feita puxando a alavanca para fora da carenageme girá-la no sentido nariz-cauda. A porta sairá do seu encaixe. Puxar a porta até o final do seu curso. EQUIPAMENTO AUXILIAR DE EVACUAÇÃO DAS PORTAS Em situação de emergência como equipamento de evacuação são usadas as portas com escorregadeiras sendo que existem as não infláveis, utilizadas em aeronaves turbo hélice, as escorregadeiras infláveis também denominadas escape–slide ou escape-slide raft usadas em aeronaves modernas (a jato). Nas aeronaves comerciais destinadas ao transporte de passageiros, todas as saídas que estejam a mais de 2 metros de altura (estando a aeronave com todos os trens de pouso arriados), deverão estar providas de equipamentos auxiliares de evacuação (escorregadeiras infláveis), que auxiliem seus ocupantes a chegarem ao solo. Nas saídas ao nível do piso homologadas como saídas de emergência (no caso, portas), o equipamento exigido são escorregadeiras. O equipamento auxiliar de evacuação para a homologação das portas como saídas de emergência são escorregadeiras. Para cada porta existe uma tira de segurança. Sempre que a porta estiver aberta, estando desprovida de escada ou finger, por medida de segurança, deverá ter conectada esta tira de proteção nos encaixes existentes no batente da porta. Cuidado especial deve ser tomado quando houver crianças a bordo, pois elas podem passar sob a tira. No B-737, as escorregadeiras são armadas e desarmadas manualmente. Em aeronaves “wide-bodies” são armadas e desarmadas por meio de uma alavanca seletora de modo que se encontra junto à porta. Para que o mesmo seja utilizado a barra deve estar conectada no piso junto à porta. Ao abrir a porta ele sairá do compartimento formando um colchão de ar. ***** Se o mesmo não inflar automaticamente ao abrir-se a porta, o tripulante deverá puxar uma alça vermelha que se encontra do lado direito do mesmo (alça de inflação manual), situada 64 na base junto ao piso, que irá iniciar a inflação da escorregadeira. Se ainda assim não inflar poderá ser usada como escorregadeira não inflável, obedecendo o procedimento de evacuação descrito anteriormente. Em caso de pouso no mar quando separados da aeronave poderão ser utilizados como flutuadores. As escorregadeiras infláveis (escape slide ou slide chute), são usadas em aeronaves de grande porte também nas janelas de emergência, sobre as asas. Ficam acondicionadas em compartimentos sendo um de cada porta, tendo em seu interior uma garrafa de gás comprimido. ***** As escorregadeiras devem ser armadas após o embarque no momento que se fecha a porta antes da partida dos motores. Cada escorregadeira inflável é equipada com um cilindro com ar comprimido e com um cabo de aço que está acoplado ao cilindro. Ao ser distendido (automática ou manualmente), o cabo de aço provoca a liberação do ar comprimido para as câmaras da escorregadeira. O ar comprimido do cilindro é responsável pela inflação de, aproximadamente, 40% da escorregadeira. No momento em que o cilindro libera o ar comprimido, aspiradores (tubos venturis) localizados nas laterais externas das câmaras se abrem e começam a sugar o ar ambiente para o interior das mesmas. A evacuação através de uma escorregadeira inflável só deverá ser comandada quando a mesma estiver completamente inflada, isto é, ao cessar o ruído de entrada de ar pelos aspiradores (venturis). ESCORREGADEIRAS INFLÁVEIS SEMI-AUTOMÁTICAS Ao se abrir uma porta equipada com escorregadeira inflável semi-automática, estando a mes- ma armada, esta cairá por força da gravidade e ficará pendurada pelo lado de fora da porta, po- rém dobrada por meio de um freno. Para inflar uma escorregadeira semi-automática, deve-se puxar uma alça (comando manual de inflação), de cor vermelha, na qual está escrita a palavra PULL (puxe). Esta alça está localizada na saia da escorregadeira. 65 Para que o mesmo seja utilizado a barra deve estar conectada no piso junto à porta. Ao abrir a porta ele sairá do compartimento formando um colchão de ar. Se o mesmo não inflar automaticamente ao abrir-se a porta, o tripulante deverá puxar uma alça situada na base junto ao piso, que acomodará a inflação da escorregadeira. As escorregadeiras semi-automáticas são de pista simples, isto é, permitem o deslizamento de apenas uma pessoa de cada vez. Se não ocorrer a inflação da escorregadeira e na impossibilidade de redirecionar os passageiros para as demais saídas operantes, deve-se soltar o freno que a mantém dobrada e utilizá-la como corda (escorregadeira não inflável simples) ESCORREGADEIRAS INFLÁVEIS AUTOMÁTICAS As escorregadeiras infláveis automáticas são projetadas para que inflem sem a necessidade de se puxar comando algum. Ao se abrir a porta, estando a escorregadeira armada, a mesma deve cair de seu alojamento por força da gravidade e inflar automaticamente (o tempo de inflação é de 5 a 10 segundos). Se a escorregadeira não inflar automaticamente, deve-se puxar o comando manual de inflação (alça de cor vermelha - Pull) idêntico ao das escorregadeiras infláveis semi-automáticas. Nota: A utilização correta da escorregadeira é orientar os PAX para sentar-se e deslizar após a constatação da inflação total da mesma. Sempre que se abrir em emergência uma porta equipada com escorregadeira inflável automática, deve-se estar atento para a possibilidade da mesma cair para o interior da aeronave, principalmente se esta estiver inclinada. Nesta situação, o tripulante deverá empurrar o pacote da escorregadeira para fora da aeronave. Como última opção, deve-se furá-la com qualquer objeto cortante ou pontiagudo. 66 Escorregadeiras Não Infláveis (simples): Consistem de uma lona reforçada com alças laterais e quatro tiras de nylon com prendedores em cada uma das extremidades destinadas à armação da mesma. Duas pessoas descem pela própria escorregadeira e depois estendem para que os demais passageiros possam deslizar. O momento para desarmar a escorregadeira é após ter sido dado o aviso: “Atenção tripulação, preparar para o desembarque”. Sempre que a escorregadeira estiver armada, uma tira indicativa será colocada no visor da porta, a fim de alertar tripulantes e funcionários de terra (que precisem operar a porta externamente). Em caso de pouso no mar quando separados da aeronave poderão ser utilizados como flutuadores. *** Nas aeronaves Wide-bodies”, cada conjunto rampa-escorregadeira que equipa as saídas sobre a asa possui um indicador (dedo) que quando totalmente inflado demonstra que o mesmo está pronto para o uso. ***As escorregadeiras com pistas duplas permitem que duas pessoas deslizem simultaneamente. **** Dinâmica de evacuação por porta: - Abrir a porta - Inflar a escorregadeira - Gritar para que os passageiros saltem 67 UTILIZAÇÃO DAS ESCORREGADEIRAS COM PERDA DO TREM DE POUSO Devido a mudanças de atitude da aeronave, em função da perda do trem de pouso, o grau de inclinação das escorregadeiras sofrerá variações, sem entretanto, inviabilizar a sua utilização. ] *** Nota: mesmo em pousos de emergências com trem o desembarque pelas asas poderão ser feitos pelo bordo de fuga. JANELAS DE EMERGÊNCIA As janelas de emergência são encontradas nas cabines de comando e de passageiros (exceção aos B-747 que não possuem janelas). Dependendo do tipo de aeronave, estas janelas poderão ser abertas por dentro e por fora. As janelas da cabine de comando do B-737 podem ser operadas internamente. Porém, somente a janela do lado direito pode ser operada também externamente. Para abrir internamente uma janela da cabine de comando, deve-se pressionar o gatilho que se encontra no punho da janela e, girando-o de fora para dentro,mover a janela em direção à caudada aeronave até o seu travamento. Localizam-se na direção da asa uma de cada lado ou mesmo duas de cada lado conforme o tamanho da aeronave. Possuem cordas que se localizam no interior da fuselagem ficando aparente somente depois que a janela é retirada. Essas cordas deverão ser conectadas em argola situadas na parte superior da asa formando corrimões, principalmente numa amerissagem (pouso na água). Para abrir externamente a janela do lado direito da cabine de comando, deve-se pressionar uma pequena chapa metálica (Push), de cor contrastante com a da fuselagem, para então puxar o comando de destravamento da janela (Pull). A seguir, mover a janela em direção à cauda da aeronave, até o seu travamento. Quando os tripulantes da cabine de comando, numa situação de emergência, não puderem sair pelas portas da aeronave, deverão utilizar as janelas da própria cabine de comando. 68 A SEQUÊNCIA CORRETA PARA SAIR POR UMA JANELA DE EMERGÊNCIA É: PERNA - CABEÇA - TRONCO - PERNA Nota: As janelas e escotilhas normalmente oferecem maiores restrições em evacuações de emergência. A quantidade de janelas de emergência distribuídas ao longo da cabine de passageiros varia de acordo com o tipo de aeronave e, geralmente, dão acesso ao extra-dorso da asa. São abertas manualmente, por dentro e por fora. As janelas da cabine de passageiros somente devem ser utilizadas numa situação de emergência. Para abrir internamente a janela deve-se puxar a alavanca superior da janela e segurar o punho inferior (levantando), retirando-a do seu encaixe e jogando-a para fora da aeronave ou colocando-a sobre a poltrona. Para a abertura externa, basta pressionar um retângulo de cor contrastante existente na parte superior da janela. Ao sair da aeronave por uma janela sobre as asas deve-se escorregar pelo flap localizado no bordo de fuga. Lembre-se: Gestantes, pessoas idosas e crianças não devem ocupar os assentos das janelas de emergências. Equipamento Auxiliar de Evacuação das Janelas de Emergência: Pode - se encontrar dois tipos de equipamentos auxiliares distintos e com a mesma finalidade: as tiras de escape (achatadas e com largura aproximada de 5 cm) e as cordas de escape (com aproximadamente 3 cm de diâmetro). 69 Na cabine de comando estão localizadas uma sobre cada janela (ou próximo a ela), embutidas em compartimentos. Nas janelas de emergências da cabine de passageiros estes equipamentos ficam embutidos em um encaixe superior da janela, estando visível apenas quando retirada a janela, que poderão ser utilizadas em pouso no mar (amerissagem). Cada tira de escape das janelas que dão acesso à asa possui um gancho em sua extremidade que, em caso de pouso na água, deve ser engatado em uma argola fixa, localizada sobre cada seção da asa. Este procedimento é para que as tiras (ou cordas) sirvam como “corrimão”, permitindo que tanto passageiros quanto tripulantes se mantenham seguros sobre a asa, enquanto não adentram o barco salva-vidas. Mar agitado com ondas muito fortes poderá jogar as pessoas na água. É importante saber a área exata onde se encontram as argolas sobre a asa, pois na eventualidade de estarem submersas, será necessário localizá-las pelo tato. Saídas Auxiliares: Aeronaves que não possuem janelas de emergência na cabine de comando (B-747), na impossibilidade dos tripulantes utilizarem as saídas preferenciais (portas da cabine de passageiros), dispõem de uma saída auxiliar (escotilha) localizada no teto da referida cabine. O equipamento auxiliar de evacuação desta saída são cabos de aço. ESCOTILHAS Geralmente localizadas na cabine de comando possuindo cordas de escape rápido. SAÍDAS LOCALIZADAS NA TRASEIRA DA AERONAVE Algumas aeronaves possuem saídas localizadas na traseira, os procedimentos são os mesmos descritos anteriormente. 70 OPERATIVIDADE DE UMA SAÍDA DE EMERGÊNCIA Uma saída só será considerada operativa, quando o tripulante puder utilizá-la com segurança isto é: 1º quando puder abri-la; 2º quando equipamento auxiliar funcionar adequadamente; 3º quando a área adjacente estiver livre; Não completando uma das condições acima a mesma será considerada INOPERANTE. Nota: Uma torção de fuselagem pode ocasionar travamento ou emperramento, de portas e janelas da aeronave ocasionando a inoperatividade das mesmas. Quando uma saída encontrar-se inoperante (ex: fogo), poderá ser utilizado o lado oposto desde que o mesmo não apresente restrições. Lembre-se: ao notar uma inoperatividade de uma saída de emergência o CMS deverá permanecer junto a ela e orientar os PAX para utilizarem outra saída. Em caso de fogo deve-se enfatizar a palavra “FOGO” e orientar os PAX para outra saída. Nota: É considerado uma saída obstruida quando algo tais como: carrinhos de serviço de bordo, bancos quebrados ou outros atrapalhem a passagem dos PAX, entretanto ela poderá ser operativa assim que for desobstruida. POUSO NA ÁGUA AMERISSAGEM (DITCHING): Mesmo estando o mar em condições normais, seguramente haverá ondas de mais de três metros que poderão provocar impactos de violência desconhecida na aeronave. Estudos programados em ditching mostraram considerável divergência entre os tempos de flutuação das aeronaves (tempo entre o toque da aeronave na água e sua submersão). Algumas flutuaram durante poucos minutos, outras chegaram a flutuar por mais de uma hora. O risco em se estabelecer, arbitrariamente, o tempo de flutuação de uma aeronave é, portanto, muito grande: deve-se, então, iniciar a evacuação imediatamente e no menor tempo possível, após a parada completa da aeronave. Após o pouso, a transferência dos ocupantes da aeronave para as escorregadeiras - barco ou barcos é o que há de mais urgente. Esta é, provavelmente, a fase mais crítica de um ditching. Seu sucesso depende muito do treinamento, do condicionamento e da liderança dos tripulantes. 71 EQUIPAMENTOS DE FLUTUAÇÃO De acordo com normas da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI ou ICAO) que tratam de equipamentos de flutuação, todas as aeronaves que efetuarem vôos transoceânicos (além de 370 km do litoral), deverão dispor de equipamentos individuais e coletivos de flutuação. Aeronaves que efetuarem vôos costeiros (rotas de até 370 km do litoral) deverão, obrigatoriamente, portar equipamentos individuais de flutuação. Os equipamentos individuais de flutuação homologados são coletes salva-vidas e assentos flutuantes. Os equipamentos coletivos de flutuação são escorregadeiras-barco e botes (barcos). As aeronaves que efetuam vôos costeiros dispõem de coletes salva-vidas para tripulantes e assentos flutuantes para passageiros. As aeronaves que efetuam vôos transoceânicos dispõem de coletes salva-vidas para tripulantes e passageiros, além dos equipamentos coletivos de flutuação (escorregadeiras-barco ou botes). Diferentemente do pouso em terra, é de fundamental importância que o CMS localize e selecione passageiros (preferencialmente nadadores), em condições de operar as saídas de emergências para colocá-los junto a elas para que possam auxiliar os CMS na evacuação. DINÂMICA GERAL NA AMERISSAGEM 1 – Selecione e coloque junto às saídas de emergência PAX com condições de operá-las ( devem ser nadadores) e instrua-os quanto à operação da mesma. Havendo tripulantes extras coloque-os junto às janelas de emergência. 2 – Instruir os PAX que após o pouso deverão permanecer juntos utilizando os equipamentos de flutuação disponíveis. 3– Dar comandos claros, física e verbalmente sobre: - Leve seus assentos; - Coloque os coletes (quando em vôos transoceânicos); - Colocar colete salva vidas em seus assentos mantendo ocinto de segurança afivelado e instruir aos passageiros para inflá-los somente após a saída da aeronave sobre as asas ou na soleira (batente) da porta; - Retirar sapatos, óculos e objetos pontiagudos que possam causar ferimentos ou perfurar o bote. 72 4 – Orientar sobre como inflar o colete e como mantê–lo inflado NOTA: Os coletes encontram-se sob os assentos dos PAX , podem ser inflados de forma automática através dos punhos (alças) de inflação de cor vermelha, ou soprando-se com a boca nos tubos de borracha. Os comissários deverão, também, auxiliar na colocação de coletes em crianças e deficientes, bem como, se houver tempo, nos demais passageiros. NOTA: Nos adultos os coletes deverão ser ajustados nos ombros e na cintura, Nas crianças devem ser ajustados nos ombros, na cintura e entre as pernas. Se necessário, distribuir coletes extra. Os equipamentos individuais de flutuação são divididos em dois: Coletes salva vidas e assentos flutuantes. Coletes Salva-Vidas: possuem duas câmaras de flutuação, que serão infladas, cada uma, por uma cápsula de ar comprimido. Em caso de falha no sistema de inflação, os coletes podem ser inflados por sopro, através de um tubo acoplado a cada câmara. Os coletes possuem, ainda, uma tira ajustável. Na altura do ombro, entre as câmaras, há uma luz localizadora (ou sinalizadora) que é alimentada por uma bateria ativada à base de água. O tempo de duração da luz do colete é de oito horas, aproximadamente. Cada câmara inflada suporta, em média, um peso inercial de 60 kg. É recomendável que as duas câmaras sejam infladas. Os coletes salva-vidas também podem ser utilizados para flutuação de suprimento extra de água, mantas e alimentos, desde que haja tempo disponível para prepará-los. - instruir os passageiros para vestirem os coletes sem se levantarem de seus lugares. - orientar para não inflá-los no interior da aeronave, mas na área das soleiras das portas, ao abandonar a aeronave, ou sobre a asa. - os sobreviventes deverão manter os coletes vestidos e inflados até o momento do resgate. 5 – Informar aos PAX sobre os assentos flutuantes. Assentos Flutuantes: são assentos de aspecto normal, porém com uma placa de poliuretano rígido que os torna flutuantes. Possuem, também, duas alças vermelhas onde os PAX/ TRIP, deverão segurar ao abraçá-lo apoiando o queixo sobre o mesmo para evitar morder a língua, machucar a boca ou quebrar dente se houver impacto ao evacuar a aeronave ou entrar na água. Os assentos flutuantes suportam um peso médio inercial de 90 kg. Num pouso na água, os passageiros devem ser orientados para levá-los consigo para fora da aeronave. 73 6 – Verificar as condições externas das saídas. 7 – Informar as saídas que poderão ser utilizadas – SOBRE A ASA E ACIMA DO NÍVEL D’ ÁGUA. - seguras abrir; - inseguras: bloquear e redirecionar os passageiros; 8 – Após a abertura das portas, verifique se os rafts/ slides inflaram, se não, inflar manualmente. 9 – Se a porta não abrir ou o slide/ raft não inflar, cancelar a saída. - Se o nível da água estiver acima da soleira, cancelar a saída e redirecionar os passageiros. - Se o nível da água estiver abaixo da soleira ou no mesmo nível: • Orientar os passageiros a se apoiarem no slide através da alça que está ao redor; • Colocar em cima do slide o kit de sobrevivência, lanternas e qualquer outro material que julgue necessário; 10 – Os botes salva-vidas só deverão ser retirados de seus alojamentos após a parada total da aeronave, levados para as saídas. Os passageiros devem ser acomodados com calma, dando atenção especial aos idosos, grávidas e crianças de colo (as crianças não devem ser separadas dos pais). Se, acidentalmente um bote inflar dentro da aeronave, deve-se rasgar imediatamente as câmaras com uma faca ou outro objeto cortante. Antes de serem jogados na água deverão ser fixados em punhos auxiliares de portas ou, em algumas aeronaves, em argolas existentes nos encaixes das janelas de emergência. Quando cessar o ruído dos aspiradores (venturis) da escorregadeira - barco ou do barco, comandar através do comando: “Inflem os coletes!” “Entrem no barco!” - “Inflate your life vest!” “Board the raft!” Dependendo das condições do mar e da posição da aeronave, o embarque nos equipamentos coletivos de flutuação deverá ser direto, porque quanto menor for o contato com a água, melhor, pois nisto interfere, não somente a temperatura da água (a sobrevivência de uma pessoa em 74 água a 3 graus centígrados não ultrapassa 5 minutos), mas também os estados físico e emocional dos sobreviventes. Se o embarque direto (ideal) não for possível, deve-se desconectar a escorregadeira - barco (cabo desconector), mantendo a mesma o mais próximo possível da porta, comandando os passageiros: “Inflem os coletes!” ,“Pulem para o barco!” - “Inflate your life vest!”, “Jump to the raft!” EQUIPAMENTOS COLETIVOS DE FLUTUAÇÃO Os equipamentos coletivos de flutuação são: Botes salva-vidas (barcos), Escorregadeiras barcos. Os equipamentos necessários para sobrevivência no mar encontram-se dentro dos bote e das escorregadeiras e estarão espostos após a completa inflação dos mesmos. Barcos Salva-Vidas: apresentam formato poligonal ou arredondado. Existem vários tipos e cada um possui uma capacidade diferente (25, 45 ou mais pessoas). Os barcos são acondicionados em invólucros de lona e alojados, normalmente, em rebaixamentos de teto das aeronaves. Os barcos salva-vidas possuem duas câmaras principais de flutuação e estão equipados com rampas de acesso, alças de embarque, toldo, montantes metálicos, mastros infláveis ou metálicos, facas flutuantes, luzes localizadoras, âncora, corda de amarração e pacote (kit) de sobrevivência no mar. Num pouso na água, os barcos, devido ao seu peso considerável, somente deverão ser retirados de seus alojamentos após a parada completa da aeronave. Uma vez removidos de seus alojamentos ( dependendo do tipo de aeronave podem estar próximos as galleys, banheiros ou em compartimentos no teto da aeronave, devem estar dobrados e guardados em seus respectivos lugares), os barcos deverão ser levados para as saídas prioritárias (um dado específico de cada aeronave), que estejam acima do nível da água. No entanto, só deverão ser levados para cima da asa ou jogados para fora da aeronave após terem sido fixados por intermédio da corda de amarração. Caso o barco seja retirado através de uma janela, a fixação deverá ser na argola existente no encaixe da referida saída. O “corrimão” formado pela tira de escape que equipa a janela de emergência também poderá ser utilizado como último recurso para se fixar o gancho da corda de amarração. Antes do barco ser jogado na água deve-se observar, além das condições adversas (arestas metálicas, combustível derramado e fogo), também a direção do vento, a favor do qual o barco deverá ser jogado. Ao se lançar o barco na água, um dos participantes da operação deverá segurar e puxar o comando manual de inflação (punho metálico). 75 O sistema de inflação dos barcos é semelhante ao das escorregadeiras. Portanto, somente se poderá comandar a abordagem após ter cessado o ruído de entrada de ar pelos aspiradores (venturis), o que indica a completa inflação do equipamento. Deve-se promover a abordagem mantendo-se o barco o mais próximo possível da aeronave, utilizando a tira de amarração. 11 – Após abandonar a aeronave os passageiros devem ser orientados para que mantenham os coletes inflados. OBS: Pode-se acomodar sobre o slide, crianças, idosos e passageiros deficientes. - O número de PAX em cada slide deve ser equilibrado. - Os CMS devem checar sua área e retirar os equipamentos de emergênciaantes de deixar a aeronave; - O comissário deve soltar o slide/ raft da aeronave após chegar no mesmo, cortando a corda e afastar o equipamento (bote ou raft), da mesma para que não seja sugado pela aeronave enquanto esta afundar; Ao abandonar a aeronave, os tripulantes responsáveis por radiofaróis, farmácias, conjuntos de sobrevivência na selva e megafone, devem providenciar a retirada dos mesmos de seus locais de fixação e levá-los consigo para fora da aeronave. Inflar e levar para fora os coletes salva-vidas previamente preparados, contendo suprimentos de água, mantas e alimentos. Os tripulantes, ao abandonarem a aeronave, devem - se certificar de que não tenha ficado ninguém para trás, na sua área de ação (cheque de abandono). Deve-se evitar flutuar sobre combustível para evitar risco de incêndio. Ao abandonar a aeronave deve-se levar todos os equipamentos (de sobrevivência) disponíveis e resgatar todos os que estiverem flutuando Escorregadeiras-Barco: A corda (tira) de amarração tem um comprimento aproximado de seis metros e possui, na sua extremidade, um gancho que serve para fixar o barco à aeronave. O comando manual de inflação, em forma de punho metálico, está fixado na corda de amarração. A localização da rampa de acesso (estação de embarque) está indicada por setas existentes nas laterais do barco. As facas flutuantes, que são de Lâmina curva, estão localizadas, respectivamente, uma em cada câmara principal de flutuação do barco, ao final da tira de amarração. A finalidade da faca flutuante é cortar a corda de amarração, separando definitivamente o barco da aeronave. 76 Estão equipadas com estações de embarque (com alças e degraus), toldo, montantes estruturais, faca flutuante, luzes localizadoras, bomba manual de inflação, corda com anel de salvamento, âncora, tira de amarração e pacote (kit) de sobrevivência no mar. Na saia da escorregadeira - barco há uma dobra fechada por fita “velcro” ou botões de pressão. Sob esta dobra encontra-se um cabo (cabo desconector) ligado a uma alça de lona, na qual está escrita a palavra HANDLE. Antes de comandar a abordagem, deve-se constatar a completa inflação da escorregadeira - barco, isto é, o cessar do ruído da entrada de ar pelos aspiradores (venturis). Preferencialmente, deve-se promover a transferência direta dos passageiros da aeronave para a escorregadeira - barco. Se as condições do mar ou a posição da aeronave não o permitirem, deve-se desconectar a escorregadeira - barco de sua barra de fixação e proceder à abordagem “via água” (embarque indireto). Para se desconectar uma escorregadeira - barco de sua barra de fixação deve-se: - levantar a dobra (aba) da saia da escorregadeira - puxar o cabo desconector Mesmo após desconectada, a escorregadeira - barco ficará ligada à aeronave por intermédio da tira de amarração, que tem, assim como nos barcos, aproximadamente seis metros de comprimento. Ao se proceder a uma abordagem, deve-se, dentro do possível, manter a escorregadeira - barco bem próxima à aeronave, utilizando a tira de amarração. Para separar definitivamente a escorregadeira - barco da aeronave, corta-se a tira de amarração junto à embarcação, utilizando-se a faca flutuante, localizada na própria escorregadeira, próximo ao final da tira (câmara superior). *** Em algumas aeronaves, a separação definitiva das escorregadeiras-barco pode, também, ser efetuada ao se puxar uma ALÇA DE RÁPIDA LIBERAÇÃO (Quick release handle), localizada próximo ao final da tira de amarração. *** O tamanho e a capacidade das escorregadeiras-barco varia de acordo com o tipo de aeronave e, dentro de cada equipamento, de acordo com a dimensão das portas. 77 ATOS DE INTERFERÊNCIA ILÍCITA Em conformidade com o MCA 58-11/2005 pg 93. SEQUESTRO AÇÃO IMEDIATA: - Acate os pedidos do seqüestrador, não arrisque sua vida, dos PAX e da tripulação; - Avise o cockpit pelo interfone – 3 toques; - Pronuncie o código 7.500, quando atendido; - Não faça sinais de alarme; CUIDADOS ESPECIAIS: - Ponha um comissário para falar com o seqüestrador; - Tente manter a conversação com os seqüestradores; - Acalme-o com uma conversa amigável; - Tente conquistar sua confiança convencendo-o de que está do lado dele; - Tente desviar a atenção do seqüestrador para outro tripulante, se perceber que o está irritando; - Acate as decisões do seqüestrador e não tente pressionar; - Tente propor-lhe outras alternativas de decisão; - Não reaja se ele tornar-se agressivo; COMPORTAMENTO ANORMAL: Se o comportamento anormal do PAX ameaça a segurança de vôo: - Chame o cockpit; - Tente conter o PAX, peça ajuda a outros comissários ou PAX para evitar que ele se machuque, machuque os outros ou coloque em risco a segurança do vôo; Se o comportamento anormal do PAX não coloca em risco a segurança dos outros PAX e da tripulação, trate-o como achar mais conveniente, ignorando-o persuadindo-o sendo simpático, etc. AMEAÇA DE SABOTAGEM - Avise o cockpit. Se você ouvir comentários de que há bomba ou ameaça de sabotagem, ou se você suspeitar de qualquer dispositivo, avise imediatamente o cockpit. NOTA: O gravador de vôo normalmente está localizado no teto do vestíbulo traseiro e pode provocar um som audível durante segundos, não interprete como um som suspeito. CUIDADOS ESPECIAIS: Quando avisado pelo cockpit de que existe a ameaça de sabotagem: - Preparar o desembarque de acordo com a orientação do comandante; - O Comandante determinará e avisará a hora e a forma de desembarque; - INFORME AOS PAX PARA QUE LEVEM SEUS PERTENCES DE MÃO; - PLANEJE o desembarque usando a escada móvel, passarela telescópica ou as próprias escadas da aeronave; - Faça o desembarque o mais rápido possível; - Use os slides somente em último caso, use as saídas sobre a asa somente quando determinado pelo Comandante; - O pessoal de terra é responsável pêlos PAX após o desembarque; 78 TRANSPONDER O transponder é um equipamento localizado na cabine de comando e sua função é receber o sinal emitido pelo radar, fortificando este sinal e enviando de volta ao radar com um código específico (informado pelo controlador), mais alguns dados tais como altitude e velocidade da aeronave. Em caso de interferência ilícita, falha de comunicação ou emergência o comandante da aeronave irá colocar os referidos códigos e os órgãos de controle saberão o que está acontecendo com a aeronave independentemente de haver comunicação via fonia entre a aeronave e o órgão de controle. Interferência Ilícita (seqüestro).................. código 7500 Comunicação (falha).................................. código 7600 Emergência................................................. código 7700 79 TRANSPORTE DE ARTIGOS PERIGOSOS Em conformidade com o MCA 58-11/2005 CARGAS PERIGOSAS GENERALIDADES Produtos perigosos caracterizam-se como artigos ou substâncias capazes de provocar riscos significativos para a saúde, segurança ou para a propriedade quando transportadas pelo ar e que são classificados de acordo com a Regulamentação IATA. Algumas substâncias perigosas são proibidas para o transporte aéreo. Entretanto, em circunstâncias excepcionais e sobre dispensa do país interessado, podem ser transportadas com cuidado, desde que a companhia aérea providencie para que todas as condições da dispensa concedida sejam cumpridas. A Regulamentação não permite o transporte de artigos e substâncias perigosas por passageiros e tripulantes. A lista de produtos perigosos relaciona 3500 itens comumente expedidos e indica a quantidade permitida por volume de cada um, seja aeronave mista ou cargueira. Eles não são permitidos como bagagem (passageiro ou , tripulante) ou bagagem de mão. E possível que as limitações dos artigos colocados na Regulamentação IATA possaser restringida por países e transportadores. Essas restrições são referenciadas em State and Operator Varistions e são sempre mais restritivas que a Regulamentação. As considerações que se seguem podem ser necessárias para proporcionar ações de emergências no caso de acidentes de produtos perigosos. Estas considerações são aplicáveis dentro de uma aeronave que está transportando passageiros, carga ou ambos. A seguir apresentamos alguns equipamentos que podem ser utilizados para procedimentos de emergência: * bar ou caixas dos serviços de bordo; * luvas de forno / luvas resistentes ao fogo; * sacos de polietileno; * cobertores; toalhas; As mãos deverão estar bem protegidas antes de tocar garrafas ou volumes suspeitos. As luvas resistentes ao fogo ou luvas para fornos, protegidas através de sacos de polietileno para garantir a proteção adequada, deverão ser utilizadas. Quando realizar limpeza de respingos ou vazamentos de produtos perigosos, certificar-se de que não ocorrerá reação com o material que está sendo utilizado para remover a substância em questão. Caso isso ocorra poderá haver uma reação, e o respingo deverá ser coberto com um saco plástico Em qualquer incidente de salvamento e combate a incêndio (fire-fighting RFF) a brigada especializada virá para a aeronave, quando produtos perigosos forem a causa do incidente ou mesmo quando não estão diretamente envolvidos no incidente, mas estão sendo carregados na aeronave. Deverá estar disponível para o pessoal do serviço de RFF o formulário NOTOC - Notificação ao Comandante preenchido. 80 PRODUTOS PERIGOSOS NOS COMPARTIMENTOS DE CARGAS Respingos ou vazamentos de produtos perigosos causadores de fumaça, podem ser detectados na cabine de passageiros ou na cabine de comando. A fumaça ou fogo, podem não ter se originado de algum produto perigoso no compartimento de carga, porém, esses produtos podem ser afetados pelo fogo. O procedimento de emergência na aeronave para fumaça e gases deverá sempre ser seguido. De qualquer modo qualquer ação de evacuação de fumaça pode não necessariamente ajudar no controle de fogo. Fumaça ou gases podem penetrar na cabine de passageiros ou na cabine de comando. Se isso acontecer, os tripulantes deverão admitir que o ar dentro da aeronave pode estar contaminado com gases tóxicos, irritantes ou inflamáveis e a ação apropriada deverá ser tomada. Este procedimento deverá incluir o uso de máscaras de oxigênio para a tripulação (Full face). Sempre que possível, deverão ser fornecidas aos passageiros toalhas ou roupas molhadas, orientando-os a colocá-las sobre o nariz boca. Se um incidente é originado do compartimento de carga, os passageiros e tripulantes deverão ser desembarcados antes que seja feita qualquer tentativa para abertura das portas do referido compartimento de carga. Estas portas serão abertas pelo atendimento do serviço de emergência. LISTA DE VERIFICAÇÃO PARA INCIDENTES COM PRODUTOS PERIGOSOS 1- Seguir o procedimento apropriado para remoção de fogo ou fumaça; 2- Acionar os avisos de “Não Fumar”; 3- Considerar um possível pouso; 4- Minimizar a utilização do sistema elétrico desnecessário; 5- Identificar origem da fumaça / fogo / vapor; 6- Incidentes com produtos perigosos na cabine de passageiros verificar check-list apropriado; 7- Determinar os procedimentos de emergência conforme código do manual da ICAO; 8- Utilizar a tabela do manual da ICAO que orienta a ação correspondente ao tipo de produto; 9- Havendo tempo, notificar ATC pelo menos do número UN de um dos produtos transportados; Detalhamento da lista de verificação Incidentes com Produtos Perigosos: Seguir o procedimento apropriado para remoção de fogo ou fumaça: refere-se a procedimentos de fogo e fumaça no manual ICAO. Acionar os avisos de “Não Fumar”: uma proibição de fumar será dada quando houver presença de fogo ou fumaça de forma continuada. Considerar um possível pouso: por causa das dificuldades e possibilidades de um desastre em conseqüência de um incidente com produtos perigosos, instruções devem ser dadas para pouso o quanto antes possível. A decisão para pousar no aeródromo mais próximo, deve ser tomada imediatamente, antes que o incidente possa evoluir para um ponto crítico, restringindo severamente a flexibilidade de operação. Minimização da utilização do sistema elétrico desnecessário: Um incidente pode causar problemas elétricos, assim como um sistema elétrico pode ser afetado por um incidente (particularmente um sistema de combate a incêndio ativado, etc., pode danificar sistema elétrico). Desta forma, desligar todo sistema elétrico desnecessário, mantendo somente energia para os instrumentos, sistemas e controles necessários para a segurança da aeronave. Não restabelecer a eletricidade até que se garanta uma total segurança. Identifique origem da fumaça / fogo / vapor: Pode-se ter dificuldade em determinar a origem de qualquer fumaça, fogo ou vapor. Um combate efetivo ou procedimento cabível pode ser melhor aplicado quando a origem do incidente é identificada. 81 Incidentes com produtos perigosos na cabine de passageiros - verificar check-List apropriado: incidentes na cabine de passageiros deverão ser verificados pelos tripulantes, usando o procedimento e check-list apropriados. Isto é essencial para que os tripulantes (comissários e pilotos) coordenem suas ações e que cada um se mantenha totalmente informado de outras ações. Utilizar a tabela do manual da ICAO que orienta a ação correspondente ao tipo de produto: quando o item está identificado, a entrada correspondente no formulário NOTOC (notifícation to captain) será encontrada. O código de resposta de emergência correspondente poderá ser verificado no NOTOC, se não, através da UN da substância ou do Nome Próprio para Embarque da substância. Se o item que causou o incidente não está na relação, de algum modo deverá ser feita a sua identificação. A lista alfabética pode ser utilizada para determinar o código de emergência correspondente. Havendo tempo, notificar ATC pelo menos do número UN de um dos produtos transportados: quando houver uma emergência em vôo, o piloto em comando deverá informar a unidade de serviço de tráfego aéreo correspondente, (para a informação das autoridades aeroportuárias), dos produtos perigosos a bordo. Se a situação permitir, a informação deverá incluir o Nome Próprio da Substância, a Classe e o Risco Secundário para as etiquetas adequadas, o Grupo de Compatibilidade para a classe 1, a quantidade de produtos perigosos e a localização dentro da aeronave. Caso não seja possível a mensagem completa, identificar o produto perigoso a bordo da aeronave transmitindo o número UN. EM CASO DE VAZAMENTO OU DERRAME 1- Juntar sacos de polietileno, luvas e material absorvente; 2- Colocar luvas de borracha, capuz de fumaça ou máscara portátil de oxigênio; 3- Remover os passageiros da área e distribuir toalhas e roupas molhadas: o uso de máscaras com garrafas de oxigênio portátil ou as máscaras do sistema de respiração para os passageiros não devem ser consideradas quando significativas quantidades de fumaça ou vapor são inaladas através de válvulas ou orifícios das máscaras. O auxílio mais efetivo aos passageiros em caso de fumaça ou vapor, deverá ser o uso de toalhas ou roupas molhadas colocadas sobre a boca ou nariz. 4- Colocar os produtos perigosos em sacos de polietileno; 5- Armazenar os sacos de polietileno; 6- Considerar que as poltronas e almofadas podem estar contaminadas 7- Cobrir derrames no piso; 8- Inspecionar regularmente a substância derramada ou o local contaminado; As mãos deverão estar bem protegidas antes de tocar garrafas ou volumes suspeitos com luvas resistentes ao fogo ou luvas para fornos, protegidas através de sacos de polietileno para garantir a proteção adequada. Remover os passageirosda área e distribuir toalhas e roupas Cobrir Respingos no Piso: cobrir qualquer respingo no carpete ou mobiliário com um saco de lixo ou saco de polietileno, se disponível. Caso contrário, usar sacos de enjôo abertos, de forma que o lado do plástico cubra o respingo ou utilizar o cartão de emergência existente nas poltronas. Carpetes que tenham sido contaminados por respingos e que estejam causando vapor apesar de cobertos, devem ser enrolados, se possível, e colocados em um saco plástico grande. Eles poderão ser acondicionados em um container de serviço de comissária e armazenados, quando possível, no lavatório traseiro ou galley traseira. Se o tapete não puder ser retirado, deverá ser coberto com um saco plástico grande, e sacos adicionais deverão ser utilizados para reduzir os vapores. Colocar os itens de produtos perigosos em sacos de polietileno: coletar a substância e colocá- la em saco de polietileno. Certificar-se que o recipiente contendo o produto perigoso seja mantido na posição vertical ou a área de vazamento esteja voltada para cima. Utilizar toalhas de papel, 82 jornal etc. Lavar os respingos e verificar se não há reação entre o material utilizado para limpar e o produto perigoso. Colocar as toalhas usadas em um outro saco de polietileno. Armazenar os sacos plásticos: colocar os sacos com o material contaminado nas caixas de alumínio do serviço de bordo. Levar as caixas para o lavatório traseiro, sem deixá-las encostadas às paredes da aeronave. Inspeção regular de substâncias perigosas isoladas e mobiliário contaminado: Considerar que as poltronas e almofadas podem estar contaminadas com produtos perigosos: assentos e encostos de poltrona e outro mobiliário da aeronave que estiverem contaminados por respingos dever ser removidos de suas fixações e colocados em um saco plástico grande ou outro qualquer de polietileno, junto com qualquer sacola usada inicialmente para cobri-los. Eles deverão sempre ser armazenados da mesma maneira que os produtos perigosos que causaram o incidente. Qualquer produto perigoso, que contaminou mobiliário ou equipamentos, que tenha sido removido e colocado distante (ou coberto por segurança) deverá estar sujeito a inspeções periódicas. APÓS O POUSO (AFTER LANDING) 1- Desembarcar passageiros e tripulantes antes da abertura de qualquer compartimento de carga e antes de qualquer ação para eliminação da substância perigosa. A porta do compartimento de carga deverá ser aberta com os sistemas de emergência ativados. 2- Informar o pessoal de serviço de emergência: após desembarque informar as autoridades competentes o local onde a substância está acondicionada. Passar através de meios de disponibilizar rapidamente todas as informações a respeito do item, incluindo, quando possível, cópia do NOTOC - Notification to Captain. 3- Efetuar os registros apropriados no diário de manutenção da aeronave qualquer informação deverá ser feita no diário de registro de manutenção da aeronave, disponível fora da aeronave, para garantir que qualquer vazamento ou respingo de produtos perigosos não tenha danificado a estrutura ou sistema da aeronave e que alguns equipamentos (extintores ou outros) possam precisar de recarga ou substituição. MERCADORIAS PERMITIDAS COMO BAGAGEM Como carga, cada volume está sujeito a inspeção detalhada pelo pessoal do operador, aquele que tenha recebido certificação em treinamento de Produtos Perigosos e esteja familiarizado com os requisitos da Regulamentação IATA com tal profundidade que o permita verificar a embalagem e a documentação correspondente. Líquidos voláteis tais como álcool, benzina, éter ou acetona quando encontrados entre os PAX, devem ser retirados e acondicionados em lugar seguro. Tratam-se de itens usuais das pessoas, que para transporte seguro apresentam 3 diferentes requisitos de procedimentos, citados a seguir. Grupo 1: Necessitam de aprovação do operador e do piloto em comando da aeronave. Cadeiras de Roda (ou outra ajuda motriz) operadas com baterias conteúdo derramável - cadeira de rodas ou outra ajuda motriz movida a bateria com líquido derramável. Na condição de que a cadeira de rodas possa ser carregada, acomodada, fixada e descarregada na posição vertical e que o acumulador esteja desconectado, seus bornes estejam isolados para evitar curtos-circuitos acidentais e o acumulador aprisionado de maneira segura no equipamento. É recomendável que os passageiros efetuem acordos prévios com cada transportador e que as baterias derramáveis levem, quando possível, tampões com orifícios de ventilação que impeçam o derrame. Barômetros e termômetros (estação meteorológica), transportado por um representante do serviço meteorológico governamental ou organismo oficial similar. Deverá estar acomodado em uma embalagem resistente com forro interior selado, ou em uma bolsa de material resistente, estanque e impermeável ao mercúrio, que impeça eventuais fugas do mercúrio em caso de quebra, independente da posição de acomodação. Grupo 2: Necessitam somente de aprovação do operador. Gelo seco, em quantidades que não ultrapassem 2 kg por passageiro, quando utilizados para embalar produtos perecíveis em equipamento de mão, ou quando aprovado pelo transportador, em bagagem despachada sempre que o volume permita o escape do anídrio carbônico gasoso. 83 Pequenas garrafas de oxigênio ou cilindro de ar. Cartuchos desportivos. Divisão 1.4S - em quantidades inferiores a 5kg por volume por passageiro, uso pessoal, excluindo munições com projéteis explosivos ou incendiários. Cadeiras de Roda movidas a bateria com fluido não derramável (instrução de embalagem 800 e disposição especial A67), sempre que a bateria esteja desconectada, seus bornes estejam isolados para evitar curtos-circuitos acidentais e a bateria esteja fixada de modo seguro à cadeira de rodas e outra ajuda motriz. Cilindro de dióxido de carbono, acoplado a coletes salva-vidas de inflagem automática e cartucho de reposição. Artigos que produzam calor. Fogos submarinos e equipamentos de solda que ativados acidentalmente possam produzir incêndio. Os mecanismos que produzam calor e qualquer fonte de energia deverão estar desativados de forma a evitar funcionamento acidental. Pequeno gerador de oxigênio para uso pessoal, sempre e quando o gerador: puder absorver o impacto de uma queda de 1 ,8m contra uma superfície rígida, plana e horizontal, na posição propicia a dano, sem perder conteúdo; apresentar sistemas de proteção contra ativação acidental; for aplicado a 20° C, com o gerador bem isolado, a temperatura da superfície externa não deverá exceder a 100° C; estiver acomodado em embalagem do fabricante com uma envoltura exterior selada que garanta que o gerador não se desloque; apresentar marcas que se cumprem os requisitos anteriores. Grupo 3: Não necessitam de aprovação. Bebidas alcoólicas, que não excedam a 70% de álcool em volume, em recipientes de menos de 5 litros quando transportados por passageiros e tripulantes como equipamento de mão ou despachado. Artigos medicinais como sprays para o cabelo, desodorantes etc., não radioativos ou os artigos de tocador (incluindo os aerossóis) transportados como equipamento de mão (ou despachado) ou dentro dele. A quantidade total líquida de todos os artigos referenciados transportados por um único individuo não poderá ser superior a 2 kg e 2 l, não podendo a quantidade líquida de qualquer artigo individual ultrapassar 500 g e 500 ml. Tais artigos incluem produtos como atomizadores, perfumes, colônias e medicamentos que contenham álcool. Cilindros de gás para operação de membros mecânicos. Podem ser transportadas garrafas de reposição de tamanho similar para garantir o adequado suprimento durante o tempo que durar a viagem. Fósforos de segurança ou isqueiros a gás, para uso de uma pessoa.Os isqueiros que contenham combustível líquido (que não seja gás líquido) sem absorção, o combustível e as cargas para isqueiros não estão permitidos como bagagem despachada nem de mão e tão pouco é permitido a uma pessoa. Marcapasso contendo radioisótopos implantados em pessoas cardíacas. Implantados cirurgicamente que contenham materiais radio- ativos ou baterias de lítio; os produtos radiofarmacêuticos implantados no corpo de uma pessoa, como resultado de um tratamento médico. Frisadores para enrolar o cabelo, contendo gás hidrocarburado, somente uma por passageiro ou membro da tripulação na condição de que a tampa de segurança esteja bem colocada sobre o elemento calefator (estas tenazes não poderão ser utilizadas durante o vôo). Estão proibidas as recargas de gás para as referidas tenazes. Termômetro clínico, contendo mercúrio, para uso pessoal e quando estiver acondicionado em uma embalagem de proteção. ATENÇÃO: passageiros que não cumprirem com as normas estarão pondo em perigo a si próprios e aos demais, violando as leis em vigor e ficando sujeitos às penalidades legais. Ignorantes às informações de atenção aos produtos perigosos, disponíveis em bilhetes de passagem, timetables, avisos de atenção e posters localizados em lojas de venda de passagem e check-in de embarque, os passageiros transportam estes produtos. Portanto, necessita-se estar atento a estes passageiros. Como um guia de ajuda, os seguintes carregamentos provavelmente possam conter mercadorias perigosas: 84 Se houver suspeita, por qualquer razão, deverá ser questionado passageiro a respeito de um conteúdo em particular dentro da bagagem. Um passageiro pode insistir em colocar produtos perigosos como bagagem de mão ou despachada em razão da viagem. Em nenhuma circunstância um produto perigoso poderá ser aceito como bagagem; porém, poderá ser transportado como carga, desde que cumpra com os requisitos da regulamentação IATA. Nota: estas normas são aplicáveis a todos os passageiros, bem como aos tripulantes. 85 PRODUTOS PERIGOSOS - CLASSES E DIVISÕES São artigos considerados perigosos e classificados como carga restrita, sendo o seu transporte efetuado de acordo com determinação de órgão competente, Os produtos perigosos possuem as propriedade reunidas em uma das nove classes ou divisão de risco das Nações Unidas: explosivos, inflamáveis, oxidantes, venenos, materiais radioativos e corrosivos 86 CLASSE 1 - EXPLOSIVOS Possui 6 divisões de risco. A letra indica o grupo de compatibilidade. Somente os explosivos da divisão 1.45 são aceitos para transporte em aeronaves de passageiro, exemplo: estopim de segurança (UN0105 - Fuse, safety). CLASSE 2 - GASES Inclui gases inflamáveis, não inflamáveis, liquefeitos, dissolvidos sobre pressão, ou profundamente refrigerado como nitrogênio líquido. Exemplos: Divisão 2.1 (butano, hidrogênio, propano, acetileno, isqueiros); Divisão 2.2 (dióxido de carbono neon, extintor de fogo, gás refrigerado a baixa temperatura, Nitrogênio e Hélio); e Divisão 2.3 (aerossol de baixa toxidade, dispositivos de gás lacrimogêneo). CLASSE 3 - LÍQUIDOS INFLAMÁVEIS Líquidos ou misturas de líquidos contendo sólidos em solução ou suspensão com a base de definição baseada no ponto de inflamação (flash point). Exemplos: tintas, álcoois, alguns adesivos, acetona, petróleo etc. CLASSE 4 - SÓLIDOS INFLAMÁVEIS Compreende sólidos inflamáveis, substâncias passíveis de combustão espontânea e substâncias que quando em contato com a água emitem gases inflamáveis ou podem se inflamar espontaneamente. Exemplos: Divisão 4.1 (fósforos, nitronaftalina e alguns autoreativos); Divisão 4.2 (fósforo branco ou amarelo, magnésio); e Divisão 4.3 (sódio e lítio). CLASSE 5 - SUBST. COMBURENTES/PERÓXIDOS ORGÂNICOS Exemplos: Divisão 5.1 (fertilizante à base de nitrato de amônia e cloreto de cálcio); e 5.2 (água oxigenada e hidroperóxido de butil). Nota: por peróxido entende-se o óxido em que existem dois átomos de oxigênio diretamente ligados e que formam água oxigenada pela ação de ácidos diluídos. Óxido é um composto binário de oxigênio e outro elemento. CLASSE 6 - SUBSTÂNCIAS TÓXICAS (VENENOSAS) E INFECCIOSAS Exemplos: Divisão 6.1 (arsênico, nicotina, cianido, pesticidas, estricnina alguns totalmente proibidos como bromoacetona) e 6.2 , ( HIV, hepatite, raiva, doenças da boca e do pé, e resíduos clínicos e médicos). CLASSE 7 - MATERIAIS RADIOATIVOS Possui três categorias de risco de materiais não fósseis que determina o nível de radiação total do volume, Exemplos: césio 157 e cobalto 60 CLASSE 8 - CORROSIVOS Substâncias que causam danos para tecidos humanos, outras mercadorias ou ação química na aeronave. Exemplos: ácido sulfúrico e mercúrio CLASSE 9 - DIVERSOS Ditonito de zinco; Equipamentos de sobrevivência; Gelo seco; Máquinas com motores de combustão interna incorporados; Pedras poliméricas; Cadeira de rodas elétrica; Substâncias perigosas em volta; e Veículos autopropulsados. A etiquetagem de volumes de produtos perigosos está contida na regulamentação IATA/ICAO. Uma etiqueta de risco possui as seguintes características: formato de diamante (45°) e símbolo de identificação do risco em seu canto inferior. 87 O risco menor de cada substância é descrito como risco secundário: SIMBOLOGIA: EXPLOSIVOS GASES LÍQUIDOS SÓLIDOS SUBSTÂNCIA SUBSTÂNCIA INFLAMÁVEIS OXIDANTES TÓXICA RADIOATIVO I RADIOATIVO II RADIOATIVO III MATERIAL SUBSTÂNCIAS CORROSIVO PERIGOSAS DIVERSAS 88 89 COMBATE AO FOGO 90 91 COMBATE AO FOGO O fogo e um fenômeno químico que se caracteriza pela presença de luz e calor, é um elemento indispensável e de grande utilidade ao homem, porém pode ser vital se fugir ao controle. Para se manter o controle um conjunto de medidas, normas, procedimentos e providências devem ser adotadas com o propósito de evitar que o fogo se declare e tome proporções desastrosas a vida humana. FOGO (produz luz) ou combustão (podendo produzir luz ou não) é um processo de transformação química quando materiais combustíveis e inflamáveis, combinados com um comburente (geralmente oxigênio) e ativados por uma fonte calorifica, iniciam reação em cadeia, produzindo energia na forma de calor ou luz (em caso de fogo). Eclosão: o que era conhecido como “triângulo do fogo”, passou a ser representado pelo “Tetraedro do Fogo” . Para que se origine o fogo, é necessária a existência e equilibrio de três elementos físicos: - combustível; / - calor; / - comburente (oxigênio); E também um elemento químico: reação em cadeia; COMBUSTÍVEL É o material que alimenta o fogo (que é possivel de queimar) e serve de campo à sua propagação. O combustível poderá ser sólido, liquido e gasoso. COMBURENTE É o elemento reagente essencial na composição química geradora do fogo. O oxigênio (O2) é o principal dos comburentes. Para que haja chamas, o ambiente precisará ter no mínimo 16% de O2, lembrando que o ar atmosférico normal contém 21% deste gás. CALOR É o elemento que serve para dar início à combustão, mantê-la e incentivar sua propagação. Como vimos anteriormente, os combustíveis necessitam ser transformados em gases para queimar e para tal, precisam obter temperaturas que variam de um corpo para outro. Assim, a gasolina queima mais fácil que a madeira, pois precisa de menos calor para se vaporizar. REAÇÃO EM CADEIA Os combustíveis, após iniciarem a combustão, gerammais calor, o qual provocará o despren- dimento de mais gases ou vapores, desenvolvendo então, uma transformação ou reação em cadeia, ou seja, o produto de uma transformação gerando outra transformação. 92 FENÔMENOS DA COMBUSTÃO PONTO DE FULGOR (FLASH POINT): Temperatura mínima na qual o combustível começa a desprender gases ou vapores, capazes de inflamar ao aproximar-se de uma chama ou centelha, porém a chama não se mantém devido a insuficiência de vapores. PONTO DE COMBUSTÃO (FIRE POINT): Temperatura na qual, os gases desprendidos dos combustíveis, são capazes de inflamar-se ao se aproximar uma chama ou centelha e manter a chama. Neste ponto o combustível gera gases suficiente para manter chama permanente. PONTO DE IGNIÇÃO ( IGNITION TEMPERATURE): É a temperatura mínima em que os gases (vapores) desprendidos por um corpo entram em combustão sem o auxílio de fonte externa de calor (chamas ou centelhas). Somente a presença do comburente é o suficiente à combustão. IGNIÇÃO EXPONTÂNEA: Alguns combustíveis, normalmente os gases gerados por decomposição orgânica (exemplo gás metano), inflama-se com o simples contato com o oxigênio. DIFERENTES FORMAS DE COMBUSTÃO As combustões podem se classificar quanto à sua velocidade: · Ativa; / Lenta; / Explosiva; / Expontânea; Tal diferenciação deve-se principalmente à porcentagem de comburente (oxigênio) contido no ambiente e, secundariamente, à divisão do material combustível, pois quanto mais fracionado, mais superfície estará exposta ao calor e consequentemente, maior quantidade de gases produ- zirá. EX: um cubo de madeira queimará com maior dificuldade do que uma mesma massa da mes- ma madeira em forma de raspas ou serragem. COMBUSTÃO ATIVA: É aquela em que o fogo, além de produzir calor, produz chama, isto é, luz. A razão de tal fenômeno deve-se ao fato de que tal reação, se processa em ambiente rico em oxigênio. COMBUSTÃO LENTA: É aquela em que a combustão só produz calor, não apresentando chamas (fogo), geralmente, a reação se processa em ambientes pobres em oxigênio. EXPLOSÃO: É uma combustão rápida (proveniente de combustíveis com grande capacidade de queima), e que atinge altas temperaturas. Essa reação se caracteriza por violenta dilatação de gases que, consequentemente, exercem também violenta pressão às paredes que os confinam. COMBUSTÃO EXPONTÂNEA: Determinados materiais, geralmente de origem vegetal, tendem a fermentar quando armaze- nados (ex: palha de café, gás metano), e desta fermentação, resulta o calor que vai se elevando gradativamente até atingir seu ponto de ignição. De igual forma, determinados produtos, quando em contato com outros, reagem quimicamente gerando calor e, consequentemente, uma com- bustão. Para evitar este tipo de ocorrência deve-se acondicionar estes materiais em compartimentos frescos e arejados. 93 DESENVOLVIMENTO DE UM INCÊNDIO Eclosão: é a causa imediata, isto é, o evento que, atuando sobre as condições existentes, é capaz de dar origem ao fogo. Dentro desta fase interessa identificar esses eventos e descrever em que condições eles atuam. Instalação: é o primeiro momento do fogo propriamente dito. É o instante em que deixa de haver apenas condições, passando a existir uma forma definida de combustão. Propagação: é todo o desenvolvimento do fogo após a instalação. É quando são determinadas as dimensões e a área de abrangência. Nesta fase são estudadas as razões da propagação do fogo, isto é, quais os fatores que facilitam o desenvolvimento do fogo. Para melhor compreensão das três fases, pode-se considerar o seguinte exemplo: uma instalação elétrica embutida num forro e mal dimensionada, é exigida acima de sua capacidade, resultando num superaquecimento dos condutores. Este fato gera a combustão do material. Após algum tempo, o próprio forro entra em combustão, levando o fogo ao seu redor. As causas prováveis da eclosão são: - uso impróprio do equipamento elétrico e/ou; - o material em que se instala (isolante de má qualidade); Algumas razões da propagação são: - uso de materiais combustíveis na estrutura e no acabamento - presença de grande quantidade de materiais combustíveis. PROPAGAÇÃO DO FOGO O fogo se propaga por contato direto da chama sobre os materiais, pelo deslocamento de partículas incandescentes que se desprendem de outros materiais já em combustão, ou pela ação do calor (energia ou movimento de moléculas de um corpo).Neste último processo de propagação do fogo, transmissão de calor pode ocorrer por: CONDUÇÃO: Quando se transmite de molécula a molécula, pelo simples contato dos corpos (ex: combus- tão em uma fogueira). CONVECÇÃO: Quando a transmissão é feita por meio de deslocamento de massa de ar aquecido mais leve que o ar comum), a qual se desloca do local em chamas levando energia calorífica suficiente para que outros materiais combustíveis atinjam seus pontos de combustão (ex: chama no topo de chaminés). IRRADIAÇÃO OU RADIAÇÃO Quando a transmissão de energia calorífica se dá por meio de ondas através do espaço ou materiais (ex: calor da energia solar). 94 CLASSIFICAÇÃO Dependendo do tipo de combustível que está sendo queimado, o fogo terá a seguinte classificação: Classe A: fogo em materiais sólidos comuns (ordinários), tais como papéis, madeiras, tecidos, plásticos..., deixando cinzas e resíduos após a queima. A queima destes materiais em geral emana grandes quantidades de gases tóxicos. Não geram explosões Classe B: fogo em líquidos inflamáveis, tais como querosene, gasolina, óleos e graxas lubrificantes..., não deixando resíduos após a queima. Emana gazes tóxicos e em lugares fechados podem ocorrer explosões. Classe C: fogo em equipamentos eletro/eletrônicos energizados. Classe D: fogo em metais pirofóricos (que inflamam em contato com o ar por fricção). Ex: magnésio, potássio, zinco, titânio, sódio, zircônio, silício, cádmio, alumínio em pó, etc. Exige muito cuidado para sua extinção onde deverá ser utilizado extintores halogenados. 95 MÉTODOS DE EXTINÇÃO A eliminação de um ou mais componentes do tetraedro resultará na extinção do fogo. Resfriamento:método em que se retira o calor; Abafamento:método em que se retira o comburente; Isolamento:método em que se retira o combustível; Quebra da Reação em Cadeia: método em que se impede a interação do combustível, do calor e do comburente; Resfriamento: é o método de extinção mais utilizado. Consiste em se retirar o calor do material incendiado; Ex. redução da temperatura do combustível, com utilização do agente água. Abafamento: consiste na eliminação do comburente (oxigênio) das proximidades imediatas do combustível. Ex. sufocação do combustível por meio de espuma, pano, areia, cobertor, etc. Isolamento: consiste na retirada do material que poderá vir a ser atingido pelo fogo, evitando a propagação para outras áreas. Ex. fechamento da válvula de passagem do combustível; retirada do material ainda não incandescido, etc. 96 OBS: Agentes extintores são todas substâncias ou material que pode ser utilizado para apagar um fogo. Quebra da Reação em Cadeia: ocorre a nível molecular e é o principal método de extinção dos extintores químicos (Extinção Química). Impede que moléculas incandescentes entrem em contato com os vapores emanados do combustível, evitando a propagação do fogo. EQUIPAMENTOS DE COMBATE AO FOGO As aeronaves devem estar equipadas com extintores portáteis de tipos e em quantidades adequadas para atender eventuais necessidades. Os CMS deverão efetuar verificações com relações aos extintores portáteis se estão identificados, validade, manômetro (se houver), onde estão fixados e se possuem tarja vermelha identificatória.Desse modo, antes de usar qualquer extintor, deve-se avaliar as condições do local e, sempre que possível, desligar todos os circuitos elétricos. Sempre direcionar o jato de qualquer tipo de extintor para a base da chama.Os extintores portáteis são aparelhos operados por uma única pessoa no combate a principio de incêndio. Os extintores portáteis encontrados nas aeronaves são: ÁGUA / PÓ QUÍMICO/ HALON /GÁS CARBÔNICO, existe ainda o extintor de espuma largamente utilizado em pistas de pouso dos aeroportos sem no entanto fazer parte dos equipamentos utilizados nas aeronaves. OBS: Todo extintor deve ser utilizado na posição vertical Extintor de Água - possui as seguintes características: - Formato Cilíndrico; / - Recipiente metálico; / - Cor vermelho; / - Gatilho, punho e bico ejetor; / - Conteúdo: 1,5 litros de água/glicol; / - Duração média de 30 segundos; / - Alcance médio de 6 metros; / - Cápsula com ar comprimido (embutida no punho); Classe A/ B: O extintor de água é específico e indicado para o combate a um fogo Classe A, onde a extinção por resfriamento é a mais adequada. É contra-indicada para combater fogo que envolva equipamento elétrico energizado (Classe C), devido a água ser condutora de corrente elétrica e contra a classe D por causar explosões espalhando detritos incandescentes. 97 Operação: - Girar o punho no sentido horário, para romper o lacre e pressurizar o cilindro; - Manter o extintor na posição vertical para um melhor aproveitamento do agente extintor (tubo sifão no seu interior); - Pressionar o gatilho dirigindo o jato d’água para a base das chamas, em forma de varredura; - Após o uso, recolocar o extintor em seu local de origem, fixando-o com as presilhas; - Reportar à cabine de comando e fazer constar em relatório; Cuidados: - Não dirigir o jato do extintor para os olhos, pois o glicol pode provocar reações nocivas aos mesmos; Extintor de Pó Químico Seco PQS (Bicarbonato de Sódio ou Sulfato de Alumínio) - Formato cilíndrico / - Recipiente metálico / - Cor vermelha / - Base convexa / - Alça empunhadora, gatilho e bico ejetor / - Pino/argola de segurança / - 900g de bicarbonato de sódio 100g de nitrogênio / - Duração média de 25 segundos / - Alcance médio de 2 metros / - Manômetro Classes:A/ B / C e D. Para fogo Classe B, onde a extinção por abafamento é a mais indicada, é um extintor muito eficaz. É adequado para a Classe C, pois não é condutor de eletricidade. Entretanto, tem efeito corrosivo nos equipamentos elétricos a longo prazo. Quando usado em áreas confinadas pode provocar dificuldades de respiração e visualização do ambiente. Ao ser empregado em fogo Classe A, recomenda-se, após o seu uso, fazer rescaldo dos resíduos, devido ao agente extintor agir somente na superfície. Operação: - Puxar o pino/argola para romper o lacre; - manter o extintor na posição vertical (tubo sifão); - Apertar o gatilho dirigindo o jato do agente extintor para a base das chamas, em forma de varredura; - Após o seu uso, recolocar o extintor em seu lugar de origem, fixando-o com as presilhas; - Reportar à cabine de comando e fazer constar em relatório; Cuidados: Não usar diretamente sobre pessoas, pois pode provocar a sensação de bloqueio da respiração (sufocamento). 98 Extintor de Halon: composto halogenado de Bromoclorodifluormetano (BCF). É o extintor mais utilizado nas aeronaves, principalmente nas cabines de comando. - Formato cilíndrico; Recipiente Plástico; / - Cor vermelha; / - Alça empunhadora, gatilho e bico ejetor; / - Pino/argola de segurança; / - 900g de composto halogenado; / - 100g de nitrogênio; / - Duração média de 8 segundos; Classes A/ B/ C e principalmente D. O agente extintor é um líquido que se vaporiza rapidamente, atinge locais de difícil acesso, não deixa resíduo e o vapor não diminui a visibilidade durante a descarga. É o mais indicado nos incêndios de classe D por interagir com o material combustível extinguindo o fogo por isolamento. Não é condutor de eletricidade (testado a 1.000 volts). Ao ser empregado em fogo Classe B, cuidar para não espalhar o fogo devido à pressão de saída do agente extintor. Ao ser empregado em fogo Classe A, recomenda-se o rescaldo dos resíduos, pois o agente extintor age somente na superfície. - Alcance médio de 2 metros; Manômetro; Operação: - Puxar o pino/argola para romper o lacre ou pressionar a trava de segurança; - Manter o extintor na posição vertical (tubo sifão); - Apertar o gatilho dirigindo o jato para a base das chamas, em forma de varredura; - Após o uso, recolocar o extintor em seu lugar de origem, fixando-o com as presilhas; - Reportar à cabine de comando e fazer constar em relatório; Cheque Pré-Voo: - Fixação (se estão em seus lugares e as presilhas bem seguras); / - Lacre e prazo de validade; - Manômetro (indicando a faixa verde); Extintor de CO2 (Dióxido de Carbono / Gás Carbônico) - Formato cilíndrico; Recipiente metálico; / - Cor vermelha; / - Gatilho, cano metálico e punho de revólver; - 900 psi de pressão; / - Duração média de 25 segundos; / - Alcance médio de 1,5 metros; / - Tubo difusor; Classes A/ B e C. Age por abafamento e resfriamento. Não conduz eletricidade, nem danifica equipamentos. Em fogo envolvendo papéis (Classe A) ou líquidos inflamáveis (Classe B), deve-se ter o cuidado de não espalhar o fogo devido à alta pressão de saída do agente extintor. Ao ser empregado em fogo Classe A, recomenda-se o rescaldo dos resíduos, pois o extintor age somente na superfície. Em áreas muito ventiladas, o agente extintor perde a eficácia. Não é corrosivo e nem danifica tecidos. Pode causar queimadura quando em contato com a pele (ao segurar pela mangueira), devido a baixa temperatura quando 99 expelido do cilindro. Operação: - Direcionar o tubo difusor, protegendo-o com uma das mãos (caso o tubo esteja frouxo, não se movimentará em direção ao rosto) ou segurá-lo com luva de amianto; - Manter o extintor na posição vertical (tubo sifão); - Apertar o gatilho (rompendo o lacre) e direcionar o jato para a base das chamas, em forma de varredura. Em um fogo Classe C, se os circuitos elétricos não puderem ser desligados, pode- se lançar descargas intermitentes do extintor, após o fogo ter sido extinto, para evitar reignição. - Após o uso, recolocar o extintor em seu lugar de origem, fixando-o com as presilhas. - Reportar à cabine de comando e fazer constar em relatório. Cuidados: - Não segurar com as mãos nuas o cano metálico, o tubo difusor ou o fundo do cilindro; - Não dirigir o jato para o rosto, pois a pressão e a baixa temperatura do agente extintor. podem provocar lesões nos olhos; - Não expor a pele ao jato do agente extintor por tempo prolongado, pois pode ocorrer queimadura por congelamento; ESPUMA: Proveniente de soluções aquosas e cuja densidade é menor do que as dos líquidos inflamáveis (proveniente de reações químicas entre o sulfato de alumínio e o bicarbonato de sódio). Age por abafamento e resfriamento. Classe A e principalmente B não devendo ser utilizado em classe C por ser condutor de eletricidade. 100 EQUIPAMENTOS AUXILIARES NO COMBATE AO FOGO EM AERONAVES Os equipamentos auxiliares no combate ao fogo nas aeronaves compõem luvas de amianto, machadinha, máscara CAF e óculos contra fumaça. Luvas de Amianto (ou Asbesto / kevlar): Luvas isolantes térmicas que protegem mãos e parte dos braços do usuário. Cheque Pré-Vôo: verificar se os pares de luvas encontram-se em seus devidos lugares. Machadinha: Possui um lado cortante e outro lado perfurante. Seu cabo é revestido de borracha isolante (resistência aproximada de 20.000 volts). No combate ao fogo este equipamento pode ser utilizado para cortar fios energizados, rompere remover painéis e facilitar a remoção de objetos com altas temperaturas. Num pouso de emergência, ocorrendo deslocamento de partes internas da aeronave, a machadinha poderá ser utilizada para desobstruir a área de acesso a alguma saída ou remover pessoas presas a destroços. Em todas as aeronaves comerciais, a machadinha é um equipamento fixo da cabine de comando. Cheque Pré-Vôo: verificar se a machadinha da cabine de passageiros (quando houver) encontra-se devidamente fixada. O Capuz Anti-Fumaça (CAF / Smoke Hood) e o Cilindro de Oxigênio para uso em Emergência com Máscara Full-face também são equipamentos auxiliares no combate ao fogo, protegendo órgãos de visão e respiração contra fumaça e/ou gases tóxicos. O tempo médio de uso destes equipamentos e de 15 minutos OBS: Em locais com fumaça ou gases, é necessário que o CMS utilize além da máscara C.A.F o cilindro de oxigênio com máscara full-face. Para utilizá-lo deve-se puxar a alça de liberação de oxigênio antes de vesti-lo *** Os Óculos presentes na cabine de comando têm a finalidade de proteger os olhos contra fumaça. SISTEMAS PREVENTIVOS DE FOGO NOS LAVATÓRIOS Extintor Fixo de Gás Freon: o freon é um gás extintor que está acondicionado em um recipiente fixado sob a pia dos lavatórios (toaletes). Se houver aumento de temperatura, o gás será liberado automaticamente, através de dois ejetores. Estes ejetores, quando expostos à temperatura de 174º Fahrenheit (aproximadamente 80º Centígrados), liberam o gás diretamente sobre a lixeira (um ejetor) e sobre o aquecedor de água (outro ejetor). 101 Na porta de acesso ao extintor existe um placar indicativo de temperatura com quatro pontos claros. Abaixo de cada ponto está determinado o grau de temperatura. À medida que a temperatura vai subindo e atingindo as temperaturas indicadas, os respectivos pontos vão ficando enegrecidos. A responsabilidade dos comissários é verificar se a porta da lixeira (acesso ao extintor) está bem fechada, para diminuir a entrada de oxigênio no compartimento, pois o mesmo só viria alimentar o fogo caso ele ocorresse. Detectores de Fumaça: todos os lavatórios das aeronaves dispõem de detectores de fumaça (smoke detectors) bem como de painéis com alarme visual e sonoro e teste do sistema. Em algumas aeronaves os detectores de fumaça, os alarmes visual e sonoro e o teste do sistema estão em uma única peça localizada no interior de cada lavatório. Em outras, os detectores de fumaça encontram-se no interior de cada lavatório, porém os painéis com alarme visual e sonoro e teste do sistema estão localizados na parede externa dos referidos lavatórios. A finalidade é detectar qualquer tipo de fumaça que ocorrer no toalete. 102 FOGO A BORDO A ocorrência de fogo em pleno vôo existe e é de alta periculosidade, pelas graves conseqüências que pode acarretar. A exigüidade dos meios de combate ao fogo, a quantidade de material combustível presente, a ausência de auxílio especializado e, principalmente, a adversidade das condições reinantes, concorrem para aumentar os problemas causados. Daí a necessidade do tripulante se especializar e ter os devidos conhecimentos de como prevenir a eclosão de fogo a bordo. Um fogo a bordo poderá ocorrer dentro das limitações da cabine de comando, sob o controle de seus ocupantes (tripulantes técnicos). Porém, muitas vezes, se situa na área de atuação dos comissários, sendo o combate, portanto, de sua responsabilidade. Os extintores disponíveis para combate ao fogo no interior das aeronaves são PQS, CO2, BFC. No interior das aeronaves os extintores de PQS e CO2 estão entrando em desuso devido sua ação corrosiva que danifica os equipamentos, ainda podem ser encontrados em algumas empresas aéreas. Os extintores de CO2 são utilizados para extinguir fogo no motor. Há certas regras básicas de combate ao fogo, sendo importante lembrar que cabe aos comissários aplicar os conhecimentos a cada caso específico, mas como regra primária e principal será LUTAR CONTRA O FOGO E TENTAR EXTINGUI-LO imediatamente utilizando equipamentos adequados. Um comissário deve sempre ter em mente três regras para diminuir o risco da ocorrência de fogo a bordo: Prevenção: impedir a eclosão do fogo; Combate: atacar o fogo com os recursos disponíveis, caso ele ocorra; Salvamento: reduzir ao mínimo os danos causados pelo fogo; Prevenção: A prevenção contra o fogo envolve um conceito simples: a Vigilância Contínua. Normas de prevenção ao fogo são basicamente simples, mas há necessidade de enfatizá-las. Prevenção é uma atividade que os comissários DEVEM praticar todos os dias, como parte de seus deveres normais de profissionais para manter ou mesmo aumentar a sua segurança e a dos passageiros. Antes de cada decolagem, bem como durante todo o tempo de vôo (inclusive paradas técnicas e escalas), o comissário tem por obrigação certificar - se de que áreas da aeronave que se encontram sob sua responsabilidade estão em perfeita ordem. É necessário a verificação de toda a parte elétrica e painéis de galleys, observando se o seu funcionamento é normal e se os fornos não deixam transpirar gases, odores de fumaça ou fogo. Verificar, especialmente, todos os extintores: se estão em seus devidos lugares, fixos em seus encaixes, com os lacres de segurança e dentro da validade. Verificar, também, se o acesso aos mesmos está desimpedido. Realizar rondas periódicas durante os plantões, mantendo severa vigilância, principalmente sobre os lavatórios. 103 CAUSAS PROVÁVEIS DE ECLOSÃO DE FOGO A BORDO Cabine de passageiros: -cigarros (Classe A); -grades de retorno de ar obstruídas (Classe A); -colocação de papelão ou pano para vedação de luzes individuais que não apaguem; -curto-circuito na fiação das facilidades existentes nas PSUs, ou nos braços das poltronas (Classe C); Na cabine de passageiros, uma área sujeita a fogo é a área inferior das paredes, onde existem grades de ventilação. A colocação de objetos (jornais, revistas, casacos) sobre estas grades de retorno de ar tem provocado combustão por super-aquecimento e, como o fluxo de ar da cabine dispersa a fumaça, esta não é percebida de imediato. Jornais e revistas em vôos de longa duração tornam-se tão ressecados que se transformam em excelente combustível. É uma norma preventiva não deixar sobras deste material amontoadas em cantos ou mesmo sob poltronas. Colocá-las sempre em compartimentos fechados. Galleys: - fósforos ou cigarros jogados nas lixeiras (Classe A); - manuseio inadequado do equipamento elétrico (Classe C); - curto-circuito nos painéis (Classe C); - super-aquecimento de térmicas e hot--cups deixados ligados, embora vazios (Classe C); - colocação de papéis, papelão ou panos em fornos ligados (Classe C); Lavatórios: - pontas de cigarros acesas ou fósforos jogados no interior das lixeiras (Classe A); - curto-circuito nas fiações de painéis ou iluminação (Classe C) Latas vazias de sprays ou vidros de colônia não devem ser jogados nas lixeiras dos lavatórios, pois caso ecloda fogo na lixeira, o calor fará com que explodam, espalhando o material em chamas. ***Circuit Breakers (CBs, Fusíveis ou Disjuntores) Estão localizados em painéis nas galleys. São responsáveis pela alimentação elétrica de vários equipamentos (fornos, térmicas...). Todos os disjuntores devem estar ligados. Caso um desses CBs venha a saltar, aguardar 3 minutos e empurrá-lo. Se voltar a saltar, informar à cabine de comando. OBS: A causa mais comum de incêndios em uma aeronave está relacionada a curto circuito em materiais elétricos e eletrônicos. É comum passageiros tentarem fumar no banheiro. 104 COMBATE AÇÃO IMEDIATA: - LUTE CONTRA O FOGO; - NOTIFIQUE O COCKPIT; - Se outros comissáriosou PAX forem úteis, peça para avisar ao cockpit, enquanto você luta contra o fogo. Se o fogo for de causa elétrica, DESLIGUE A ENERGIA NOS SWITCHES ou nos CB’s; - Só utilize líquidos na extinção do fogo desde que os mesmos não contenham álcool e a energia elétrica esteja desligada, evacue, se for necessário. - Jogue líquido na área do fogo para impedir o seu reinicio, na falta de água jogue qualquer líquido que não contenha álcool: suco, café, etc. - Monitore a área durante o restante do vôo - Observe DISCRETAMENTE o PAX que estava na área. *** Em focos de fogo Classe A, podemos utilizar agentes extintores não convencionais, tais como, refrigerantes, suco, gelo, mantas...) FOGO NO TOALETE: (LAVATORY FIRE) - Durante todo o vôo os CMS deverão observar os toaletes. - O primeiro tripulante a observar fumaça ou fogo no toalete, será responsável por combater o fogo; - Se for observado fumaça densa saindo do toalete, mantenha a porta do toalete fechada enquanto pede ajuda e reúna material de combate ao fogo (extintores e Smoke Hood); - O tripulante que for ajudar pega a Smoke Hood; - Com as costas das mãos sente a temperatura da porta; - A porta deve ser aberta levemente, e o primeiro extintor de BCF deve ser descarregado se possível na base do fogo; - Se não houver certeza de que o fogo foi extinto, dispare outra garrafa; - O tripulante que estiver disponível deverá remover as garrafas de oxigênio e qualquer outro material inflamável (jornais, revistas, etc...) da área, fechar as saídas de ar nas proximidades dos toaletes, e manter o comandante informado da gravidade do problema; - Mantenha os passageiros calmos e afaste-os da área afetada. Um speech deverá ser feito e os passageiros orientados a cobrirem o nariz e a boca com lenços ou qualquer outro tecido molhado; - Quando o fogo for controlado cubra a área com cobertores molhados para evitar que o fogo reacenda; - Mantenha líquidos não inflamáveis nas proximidades; - Monitore a área constantemente; FOGO NO FORNO (Oven Fire): Se a porta do forno apresentar alguma das seguintes situações descritas abaixo, fique atento, pois há suspeita de fogo no forno: - Fumaça saindo por cima e pelas laterais da porta; - Porta demonstrar sinais de pressão interna (porta querendo abrir ou estufada) - Calor excessivo do lado de fora. O que deverá ser feito: - Notificar o cockpit imediatamente; - Não abrir a porta. A abertura da porta vai aumentar o fogo interno. Se a porta estiver aberta, feche-a imediatamente. - Desligar o forno. - Puxar todos os cb’s da galley - Remover todos os equipamentos de segurança ao redor, principalmente extintores; - Monitorar a área em caso de fogo se espalhar pela cavidade do forno; - Manter a porta do forno fechada. 105 FUMAÇA NA LUZ FLUORESCENTE: Pode ocorrer fumaça do filtro das luzes fluorescentes da cabine. O superaquecimento deste filtro pode causar fumaça antes que o fusível queime, sem necessariamente provocar fogo. Neste caso os comissários devem lembrar que o uso desnecessário dos extintores pode gerar confusão e tumulto. - Avise o cockpit; - Desligue as luzes afetadas; - Não use os extintores até que um tripulante técnico venha verificar a causa; *** Sempre que houver fumaça densa na cabine, lembrar-se que a fumaça tem tendência a subir. Sendo difícil respirar estando em pé, arrastando pelo chão conseguir-se-á respirar, pois sempre permanece uma pequena camada de oxigênio próximo ao chão. Colocar um lenço molhado no nariz também é uma boa opção, pois o mesmo serve como filtro, minimizando os efeitos tóxicos da fumaça. FOGO EM CARGAS PERIGOSAS: a) Pousar o mais rápido possível; b) Coloque o equipamento para respiração; c) Lute contra o fogo seguindo os procedimentos de Combate ao Fogo; d) Ministre oxigênio aos passageiros e tripulantes se necessário; c) Para o vazamento de líquidos inflamáveis, proíba o fumo e desligue aparelhos que produzam calor e interruptores elétricos que não sejam essenciais; d) Para vazamento de mercúrio, informe à manutenção imediatamente. Não respire os vapores. Em caso de contato com a pele, lave rapidamente. LEMBRETE: Numa situação de fogo a bordo, o comissário terá pouco tempo para uma eventual atuação e que deverá ser rápido e eficiente. O uso do Bom Senso, é primordial para o sucesso da operação. O procedimento de emergência aprovado para o tipo de aeronave para remoção de fumaça ou fogo deverá sempre ser transportado a mão. Usando o procedimento adequado para remoção de fumaça, é possível reduzir a concentração de qualquer contaminação, o que ajuda a evitar a recirculação do ar condicionado, devendo o sistema de ar condicionado operar em sua capacidade máxima para que todo ar da cabine seja jogado para fora. Reduzindo-se a altitude, reduz-se o grau de vaporização de líquidos podendo diminuir o grau de vazamento, porém, podendo ampliar o grau de incêndio. Ao contrário, o aumento de altitude pode reduzir o valor do incêndio e ampliar o valor de vaporização ou vazamento. Se houver dano estrutural e risco considerável de explosão, deverá ser mantida uma pressão diferencial baixa, o quanto seja possível (em ambiente fechado aumentando a temperatura aumenta-se a pressão). O grau de ventilação não deve ser reduzido numa tentativa de extinguir o fogo, pois isso terá um efeito de incapacitação nos passageiros (a não ser que afetando significativamente o fogo). Passageiros podem se sufocar antes do fogo se extinguir. As chances de sobrevivência são aumentadas, se assegurado o máximo de ventilação na cabine. Equipamentos de respiração devem sempre ser utilizados quando atendendo a um incidente envolvendo fogo e vapor. O uso de máscaras com garrafas de oxigênio portátil ou as máscaras do sistema de respiração para os passageiros, não devem ser utilizadas quando quantidades elevadas de fumaça ou vapor estejam no ambiente, pois serão inaladas através de válvulas ou orifícios das máscaras. O mais efetivo auxílio ao passageiro em caso de fumaça ou vapor deverá ser uma toalha ou roupa molhada, segura sobre a boca ou nariz. Os comissários devem estar 106 prontos para a ação e remover os passageiros da área envolvida, se necessário, providenciando toalhas ou roupas molhadas e dando instruções para respirar através delas. Em geral, água não deve ser usada em derrames ou quando há fumaça presente, uma vez que isso pode expandir o derrame ou aumentar a fumaça. Considerações também devem ser dadas para uma possível presença de componentes elétricos ,quando usando extintores de água. FOGO NA CABINE DE COMANDO As medidas a serem tomadas serão a encargo do comandante, o extintor disponível será o halogenado (BFC portátil), por possibilitar o uso em classe C sem que os equipamentos da cabine sejam danificados. Por esta razão extintores de água ou espuma poderão causar curto- circuito, PQS danifica os equipamentos causando corrosão assim como o extintor de CO2. FOGO EM MOTOR Os extintores fixos do tipo gás freon estão alojados nos compartimentos dos trens de pouso principal, cone de cauda ou nos compartimentos de carga, sendo acionados pelo CMTE, de acordo com a necessidade. Nos motores são utilizados extintores de CO2 FOGO EXTERNO NA AERONAVE A maioria das panes ocorre normalmente no solo, no momento da ignição dos motores. Eles estão mais propensos a apresentar um mau funcionamento quando são ligados do que em qualquer outro momento de sua operação. O fogo que irrompe durante a ignição de um motor, em geral se desenvolve no sistema de exaustão. É conhecido como “tail pipe fire”. O fogo pode se iniciar em um motor durante o taxiamento. Neste caso, a situação pode vir a ser bastante grave, pois encontra-se longe de qualquer possibilidade imediata de combate ao fogo por parte dos bombeiros ou do pessoal de manutenção(pista). Tanto o fogo durante a ignição dos motores quanto durante o taxiamento pode desenvolver- se e tornar-se tão perigoso que haja necessidade de evacuar a aeronave. Uma vez que esta possibilidade existe, os comissários devem sempre estar treinados (física e psicologicamente), pois se houver comando de evacuação, a ação deverá ser imediata. Os responsáveis por portas, após armar as escorregadeiras, deverão permanecer junto às mesmas até após a decolagem. Outra situação,é a possibilidade de fogo em algum motor durante o vôo. Sabe-se que todos os motores são equipados com sistemas automáticos de extinção de fogo. Ocasionalmente um motor pode vir a sofrer pane, resultando muitas vezes em vazamento de combustível ou óleo que, vaporizados dentro ou ao redor dos motores, podem ocasionar fogo. Uma vez extinto o fogo, o motor em questão fica inoperante durante o restante do vôo. Devido ao sistema de exaustão dos motores, e também da localização, fogo na área externa da aeronave é facilmente notado pelos passageiros, causando bastante preocupação. Os comissários devem estar atentos para evitar pânico e reassegurar aos passageiros total segurança. Durante o vôo, se ocorrer fogo ou falha em qualquer motor, por decisão do comandante, a aeronave poderá retornar ao ponto de partida, prosseguir até um aeroporto alternativo ou continuar até a próxima escala. Como precaução, todos os serviços de segurança dos aeroportos estão sempre em alerta para atender a uma aeronave em emergência. Caso haja necessidade de retorno ou pouso alternativo, o fato deverá ser comunicado aos passageiros mas, a menos que o comandante dê ordens em contrário, deve-se omitir o fato de um motor ter sido cortado. *** Não se deve ir à cabine de comando durante uma situação de fogo no motor, a menos que seja chamado. A tranquilidade dos passageiros depende da atuação dos comissários. Neste caso, deve - se seguir à risca as determinações do comandante. *** Ao primeiro sinal de fogo (tanto interna quanto externamente), a cabine de comando deve ser imediatamente comunicada e mantida informada pelo meio mais rápido e eficaz. 107 *** Se o fogo acontecer quando a aeronave ainda estiver em terra (fogo externo) e se houver um comando de evacuação, evacuar os passageiros pelo lado oposto ao fogo. FOGO INTERNO (AERONAVE NO SOLO) AÇÃO IMEDIATA: - LUTE CONTRA O FOGO; - Notifique ao cockpit; - Se outros comissários ou PAX forem úteis, peça para avisar ao cockpit, enquanto você luta contra o fogo. Se o fogo for de causa elétrica, DESLIGUE A ENERGIA NOS SWITCHES ou nos CB’s; - Só utilize líquidos na extinção do fogo desde que os mesmos não contenham álcool e a energia elétrica esteja desligada. Desembarque ou evacue, se for necessário; - Se a passarela telescópica ou escada estiverem disponível FAÇA OS PAX DESEMBARCAREM; - Se a passarela telescópica não estiver disponível EVACUE; 108 SALVAMENTO Toda vez que a segurança for afetada por qualquer motivo, todo cuidado em relação ao que se pode chamar Salvamento deverá ser criteriosamente observado, de uma maneira rápida e organizada. 1- Tomar todo o cuidado na proteção de primeiros socorros , agindo de maneira rápida e organizada, observando os critérios de atendimento. 2- O uso do sistema fixo de oxigênio, em casos que não sejam de despressurização, é de responsabilidade do comandante. PLANIFICAÇÃO DE EMERGÊNCIA EM AEROPORTOS Todo aeroporto deve estabelecer um plano de procedimentos que devam ser executados em casos de emergência. 1- RESPONSABILIDADES NO ATENDIMENTO ÀS EMERGÊNCIAS: A- Tripulação de Vôo As tripulações de vôo são as responsáveis principais pelas aeronaves e seus ocupantes. Cabendo-lhes a decisão definitiva para a evacuação da aeronave e a maneira como esta deve ser executada, desde que seus membros estejam em condições de atuar normalmente. 2- CLASSIFICAÇÃO DE EMERGÊNCIAS: - Alerta Branco - São remotas as possibilidades de desastre; - Alerta Amarelo - São iminentes as possibilidades de desastre; - Alerta Vermelho - O desastre é inevitável ou já consumado; 3- SETORES DE ALERTA: São órgãos estabelecidos dentro e fora do aeroporto, equipados e prontos para entrarem em ação em casos de emergência no aeroporto. Como exemplos de setores de alerta podemos citar: - Serviço de contra- incêndio da FAB; - Serviço de socorro marítimo;- Serviços médicos; - Serviços de guarda e segurança; - Serviços de helicópteros; - Serviços de controle de tráfego aéreo; - Operador da aeronave ( Cia – Aérea ); - Bombeiro urbano; - Corpo de voluntários especiais ; etc. 109 4- CENTRO DE OPERAÇÕES DE EMERGÊNCIAS: Órgão acionador que assume o controle , coordenação e comunicação de todos os recursos envolvidos na emergência. 5- PONTO DE ENCONTRO Local de referência onde são reunidos os auxílios externos. 6- ÁREA DE EQUIPAMENTOS EM PRONTIDÃO Local estratégico onde os recursos internos e externos possam ser mantidos em estado de alerta para ação imediata. 7- SELEÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DE VÍTIMAS Embora não sendo esta a responsabilidade principal dos comissários, o conhecimento dos procedimentos adotados no plano de emergência no trato com os sobreviventes será de vital importância quando estes por algum motivo tenham que prestar ajuda ou desempenhar as atividades de seleção e classificação de vítimas. FOGO EM HOTÉIS 110 Ao chegar ao andar e ao quarto, verificar todas as saídas e rotas de emergência em caso de incêndio. Em incêndios, algumas pessoas morrem queimadas, mas a grande maioria morre intoxicada por fumaça, envenenada por gases e/ou pânico. O pânico, geralmente, é conseqüência da ignorância sobre como proceder. Havendo um plano de escape em caso de incêndio, aumenta-se muito a chance de sobrevivência: Cheque de Saídas: fazer reconhecimento do local, procurando conhecer a exata localização dos extintores. Caminhar por todo o corredor do andar e verificar quantas saídas de emergência existem. Em caso de fogo, nunca utilizar os elevadores (se o fogo estiver nos andares inferiores, o elevador poderá parar em uma área cheia de fumaça ou fogo). Verificar se as saídas de emergência estão em condições de uso. As portas abrem? As escadas estão desimpedidas? Contar quantas portas existem entre o quarto e a saída de emergência. Verificar também se há algum objeto no corredor que possa servir de orientação. Em caso de incêndio, o corredor poderá estar escuro ou cheio de fumaça e saber antecipadamente a distância e o caminho a ser percorrido será de grande valia. Se o hotel tiver um sistema de alarme de fogo, procurar a localização do alarme mais próximo. Procurar saber também como usá-lo, pois poderá ser necessário ativá-lo no escuro ou sob fumaça muito densa. Cheque de Quarto: é importante conhecer os recursos de que se dispõe no interior do quarto, pois pode ser necessário permanecer no interior do mesmo caso o fogo bloqueie a saída. Muitas pessoas conseguiram sobreviver a incêndios permanecendo em seus quartos, protegidas contra fumaça e/ou gases tóxicos, enquanto aguardavam ser resgatadas. Como medida de precaução deve-se colocar a chave do quarto sempre no mesmo lugar (preferencialmente próximo à cama) e levá-la consigo ao deixar o quarto durante um incêndio, pois pode-se encontrar o caminho obstruído, sendo necessário retornar ao mesmo. Experimentar as janelas. Verificar se abrem e como funcionam. Se houver mais de uma janela, escolher a melhor para uma eventual saída de emergência. Observar através da(s) janela(s) para ver o que há do lado de fora. Certificar-se da possibilidade de sair por ela(s). Lembrar que pular de uma altura de mais de 2 metros geralmente provoca ferimentos graves. Saber como utilizar o telefone. Caso haja um início de fogo no quarto, avisar imediatamente à telefonistaou diretamente ao Corpo de Bombeiros. Procurar controlar as chamas empregando os recursos disponíveis, visando extinguir ou contornar o incêndio, mas somente tentar apagá-lo se tiver certeza que poderá fazê-lo. Ao tentar escapar de um prédio em chamas, deve-se considerar a hipótese de ter que retornar ao quarto por não conseguir ultrapassar as chamas. Por isso, deve-se fechar a porta ao sair, impedindo, assim, que chamas e fumaça nele penetrem. Acionar o alarme e avisar aos vizinhos. Muitas pessoas morrem por não acreditar que um incêndio possa se alastrar rapidamente. Alarme de Incêndio: em caso de alarme de incêndio, deve-se proteger o corpo, isto é, nunca tirar roupas. Ao contrário, acrescentar outras peças, se possível umedecidas. Improvisar filtros de gases, protegendo nariz e boca. Caso haja evidência de fumaça no quarto, não levantar, ROLAR da cama e ENGATINHAR, pois a fumaça tem tendência a subir, deixando a área próxima ao chão melhor oxigenada. 111 Testar a temperatura da porta com o dorso da mão antes de sair do quarto. Se a porta ou maçaneta estiver quente, NÃO ABRIR. Se não estiver quente, abri-la, mas mesmo assim, devagar e preparado para fechá-la com rapidez, se necessário. Verificar o corredor. Se tudo estiver normal, dirigir-se à saída de emergência mais próxima. Caso haja fumaça no corredor, caminhar junto às paredes, contando o número de portas. Assim se saberá a que distância está a saída. Se a saída mais próxima estiver bloqueada, tentar chegar a uma outra. Não utilizar elevadores. Descer sempre, isto é, ao chegar à saída de emergência, procurar descer até o andar térreo. O fogo provoca calor, fumaça e pânico. Ao descer pelas escadas, deve-se fazê-lo segurando o corrimão, que servirá como orientação e proteção, evitando ser derrubado por pessoas em pânico. Se nos andares de baixo o fogo ou a fumaça estiver tão denso que impeça a passagem, deve-se voltar para cima. Nesta situação, caso não haja fogo nos andares superiores e se o acesso for possível, deve-se buscar o terraço. Tirar proveito do vento, colocando-se no prédio em posição segura ao deslocamento das chamas. Ter calma, NÃO CORRER e sim ANDAR. Na impossibilidade de sair do quarto: se a porta ou maçaneta estiver quente, isto quer dizer que o corredor deve estar em chamas, impedindo a passagem. NÃO SE DEVE ABRIR A PORTA NEM ENTRAR EM PÂNICO. Permanecer no seu quarto em tal situação pode significar maiores chances de sobrevivência. Molhar toalhas e lençóis e vedar as frestas da porta para evitar que fumaça entre no quarto. Resfriar o local molhando as paredes, piso, portas e janelas. Encher a banheira com água. Ela poderá ser necessária para combater o fogo. Nunca entrar na banheira com água, esperando, com isto escapar do fogo. A água poderá estar fervendo. Se houver fumaça no quarto e esta for muito densa, tentar conseguir ar. Abrir as janelas em cima e embaixo. Calor e fumaça normalmente saem por cima. Deve-se respirar pela abertura inferior. Usando um cobertor, pode-se fazer uma tenda sobre a cabeça e colocá-la para fora da janela (somente se na área externa não houver fogo ou fumaça). Se a janela não abrir, quebrá-la. Caso não consiga quebrá-la, procurar um dos cantos, pois aí encontrar – se - á ar circulando. Procurar se fazer notar. Se o telefone estiver funcionando, usá-lo para pedir ajuda. Caso contrário, agitar um lençol do lado de fora para chamar a atenção dos bombeiros. Finalmente, se não houver saída e a permanência no quarto tornar-se impraticável, será necessário decidir a melhor maneira de sair. Seja qual for a atuação durante o incêndio (fuga ou proteção), as observações abaixo são válidas e devem sempre ser seguidas: - TESTAR AS PORTAS ANTES DE ABRI-LAS. Se estiverem quentes, não abri-las; - FECHAR AS PORTAS atrás de si; - ANDAR JUNTO AO SOLO sempre que houver fumaça no local; - NUNCA UTILIZAR ELEVADORES. Utilizar sempre as escadas; - NÃO DAR OUTRA CHANCE AO FOGO. Tendo conseguido escapar, não retornar ao hotel enquanto ele não estiver fora de perigo; 112 113 SOBREVIVÊNCIA 114 115 SOBREVIVÊNCIA As sobrevivências são divididas em: sobrevivência na selva, no mar, deserto e gelo é entre elas se destacam algumas medidas e características diferenciadas entre si como serão descritas a seguir SOBREVIVÊNCIA NA SELVA Apenas por cunho didático, desenvolvemos esta apostila pressupondo um acidente com aeronave. Hoje com as novas tecnologias existe um aparelho obrigatório chamado E.L.T. (Emergency Locator Transmitter) cuja finalidade é a de que quando a aeronave sofrer impacto acima de 4G ou mesmo acionado pelo piloto o mesmo emitirá um sinal para um satélite e este será lido pelos técnicos dos centros de estudos e pesquisas espaciais que informará aos órgãos competentes sobre a existência do sinal para que os mesmos possam checar as informações e iniciar as buscas de emergência o que reduz consideravelmente o tempo de espera pelo salvamento pois a informação é instantânea e as coordenadas geográficas para localização são precisas evitando que a equipe de salvamento (SAR) tenha que ficar procurando. O ELT está presente em todas aeronaves, é a prova de água e sua revisão é feita anualmente. Basicamente o sistema funciona com o uso de satélites múltiplos em órbitas polares de baixa altitude, capazes de captar os sinais transmitidos pelos radiofaróis de emergência nas freqüências 121.5 MHZ versão civil e 243 e 406 MHZ versão militar. Os sinais recebidos pelos satélites são retransmitidos para uma estação rastreadora no solo LUT (Local User Terminal) onde são determinados as coordenadas geográficas do ponto de emissão dos sinais, a posição é enviada ao SAR que acionará os meios para a busca e o resgate. ***** Antes de iniciar o vôo sobre grandes extensões de florestas, deve-se checar todos os equipamentos de salvamento a ser transportado pela aeronave. As necessidades básicas para uma sobrevivência na selva baseiam-se na sigla AFAA: água, fogo, abrigo e alimento. O sobrevivente deverá lembrar-se sempre que “a selva não pertence ao mais forte, mas ao mais inteligente, calmo, sóbrio e resistente.” A capacidade de sobrevivência residirá basicamente numa atitude mental adequada para enfrentar situações de emergência e na posse de estabilidade emocional, a despeito de sofrimentos físicos decorrentes da fadiga, da fome, da sede e de ferimentos, por vezes, graves. Se o indivíduo ou o grupo de indivíduos não estiver preparado psicologicamente para vencer todos os obstáculos e aceitar os piores reveses, as possibilidades de sobreviver estarão sensivelmente reduzidas. Conservar a saúde em bom estado será requisito de especial importância, quando alguém se encontrar em situação de só poder contar consigo mesmo para salvar-se ou para auxiliar um companheiro. Da saúde dependerão, fundamentalmente, as condições físicas individuais. Na selva, saber defender-se contra o calor e o frio, saber encontrar água e alimento, saber prestar os primeiros socorros, em proveito próprio ou alheio, serão tarefas de grande importância para a preservação da saúde. ÁREAS DE SELVA Localização: As áreas geográficas com características de selva situam-se, em sua quase totalidade, na zona tropical, limitada pelos paralelos de CÂNCER e de CAPRICÓRNIO. Assim é que, no continente americano, encontram-se a Selva AMAZÔNICA , a mais vasta do mundo, abrangendo porções territoriais do BRASIL, GUIANA FRANCESA, SURINAME, GUIANA, VENEZUELA, COLÔMBIA, PERU, EQUADOR e BOLÍVIA, e a Selva da AMÉRICA CENTRAL. Na ÁFRICA, encontram-se as grandes florestas das bacias dos Rios NÍGER, CONGO e ZAMBEZE, a da costa oriental e a da ilha MADAGASCAR. Na ÁSIA, as florestas do sul da ÍNDIA e do sudeste do continente. Na OCEANIA, as ilhas em geral são cobertas por vegetação comcaracterísticas de selva. 116 Selvas Tropicais. a. Não há tipo de selva que se possa chamar de padrão comum. A sua vegetação depende do clima e, até certo ponto, da influência exercida pelo homem através dos séculos. b. As árvores tropicais levam mais de 100 anos para atingir a sua maturidade e somente nas florestas primitivas, virgens, não tocadas pelo homem, encontram-se em completo crescimento. c. Essa selva primitiva, por sua abundância de árvores gigantescas, torna-se facilmente identificável. Apresenta uma cobertura densa, formada pelas copas de árvores que, por vezes, atingem mais de 30 metros de altura, e sob as quais há muito pouca luz e uma vegetação suja, o que não impede a progressão através da mesma. d. A vegetação, nas florestas primitivas, tem sido destruída para permitir o cultivo em algumas áreas. Estas áreas, mais tarde, deixando de ser cultivadas, propiciam o crescimento de uma vegetação densa, cheia de enredadeiras, constituindo a selva secundária, muito mais difícil de atravessar do que a selva primitiva. e. Em qualquer desses tipos de selva, são encontradas plantas e frutas nativas diversas, pássaros, animais e abundante variedade de insetos. Áreas de Selva no Brasil f. No BRASIL, encontram-se áreas cobertas com vegetação característica das grandes florestas. A principal e a maior do mundo é a Floresta AMAZÔNICA ou Selva AMAZÔNICA, como já é conhecida internacionalmente. As outras, bastante limitadas, quer pelas extensões que ocupam, quer pelas condições de povoamento e conseqüente existência de núcleos populacionais e de estradas, quer ainda pelas diferentes condições climáticas, topográficas e de vegetação, são encontradas formando os conjuntos florestais que se desenvolvem a sudoeste do Estado do PARANÁ, a noroeste do Estado de SANTA CATARINA e próximo ao litoral, sendo conhecida por MATA ATLÂNTICA. g. Outras áreas de florestas existem, embora possam ser consideradas pequeninas manchas se comparadas com as mencionadas; entretanto, dentro da finalidade a que se propõe este manual, não serão consideradas, porquanto não justificam apreciações especiais relacionadas quer com sobrevivência, quer com operações militares na selva. h. As próprias áreas florestais PARANÁ - SANTA CATARINA e a MATA ATLÂNTICA não serão apreciadas em particular, uma vez que aquilo que for dito para a Selva AMAZÔNICA terá aplicação, feitos os ajustamentos relativos, para essas áreas. Entretanto, sobreviver e operar nelas será menos difícil do que na Selva AMAZÔNICA, não só porque as condições de clima, de topografia e de vegetação são diferentes, como também pelo progresso decorrente da ação do homem sobre a área. PRINCÍPIOS GERAIS DA SOBREVIVÊNCIA Após qualquer pouso forçado, procure proceder, inicialmente, da seguinte maneira: • Planeje antes de agir: não se apresse; • Não tenha medo da selva. Sabendo evitar o pânico , pode-se sobreviver por várias semanas nela; • A média de tempo para os sobreviventes serem localizados é de quatro dias; • Lembre-se sempre que sono é indispensável , assim como água e alimentos, que são abundantes na selva: basta saber localizá-los; • A maior parte dos animais selvagens só atacam o homem se molestados antes; • As possibilidades de você ser picado por serpentes venenosas são pouco maiores que a de ser atingido por um raio; • De modo geral, os índios são acolhedores , desde que não se tente ludibriá-los ou molestá- los; • Na selva, seu pior inimigo é o mosquito e o maior perigo é a malária. • Antes dos vôos sobre grandes extensões de florestas, cheque sempre todo o equipamento de salvamento transportado pelo avião; • Cuide da higiene e condições sanitárias do acampamento, pois seu maior inimigo em matéria de alimentação serão as bactérias que podem contaminar os alimentos; 117 • Mantenha sempre a liderança sobre o grupo evitando que algum passageiro sem qualificação procure liderar. Entretanto , recorra sempre à ajuda dos demais sobreviventes. Alguns passageiros também são eficientes; • Impeça que incerteza e angústia precipitem comportamentos inadequados à situação, falta de auto controle , nervosismo ou mesmo alegria em excesso. Encare a situação com calma e pense nas possibilidades a seu favor; • Se o interior da aeronave for utilizado e houver mortos lá dentro, eles devem ser retirados e enterrados para afastar animais , manter as condições de higiene e diminuir o impacto psicológico sobre os sobreviventes; • Mantenha como rotina os cuidados com a saúde e higiene. Trate de qualquer arranhão, corte ou picada de inseto, mesmo aparentemente inofensivos, com anti-séptico; • Poupe suas forças , evite fadiga em excesso. Mesmo que não consiga dormir, procure descansar; AÇÕES IMEDIATAS: • Mantenha-se afastado do avião até que o (s) motor (es) tenha (m) se esfriado e o combustível derramado tenha se evaporado completamente, levando consigo roupas de frio e agasalhos que tiver a mão; • Mas não se afaste em demasia, a não ser que tenha a certeza de poder buscar auxílio a pouca distância; • Verifique, entre os sobreviventes, o número de feridos e a natureza de seus ferimentos para prestar os primeiros socorros; socorra-os sem no entanto, descuidar de si próprio; Verifique o estado do rádio e baterias do avião; • Verifique também a possível presença de médicos, enfermeiros , dentistas, veterinários , que possam ajudar; • Acione o rádio transmissor de emergência; • Providencie um abrigo temporário ( para no máximo seis dias ) para proteger os sobreviventes do vento e chuva, principalmente os feridos. Se estiver na selva amazônica, lembre-se que lá chove principalmente entre outubro e março. Na selva os dias são curtos, a noite desce rapidamente e o clima é muito quente , exceto nas madrugadas, frias, mas sempre muito úmido; • Procure por fonte de água. • Faça uma fogueira ( distante da aeronave sinistrada e com cuidado quanto à possibilidade de incêndio nas proximidades ) para sinalizar o local, espantar os animais e utilizar para o futuro preparo de alimentos; • Em tempo frio, providencie bebidas quentes; • Separe todo o material da aeronave que poderá ser útil , desde o forro das poltronas a chapas de alumínio, fiação etc; • Tenha à mão os equipamentos de sinalização; Isso tudo providenciado, a sobrevivência basear –se- á no tripé água, alimentação e descanso. As atividades seguintes serão : descanse física e mentalmente, recuperando- se do choque do acidente . Uma vez descansado: • Um tripulante deverá assumir como líder distribuindo funções a serem cumpridas por cada indivíduo; • Faça um levantamento de todos os suprimentos; • Faça um depósito para lixo e uma latrina, cavando um buraco para cada um , o mais longe possível do acampamento e dos cursos d’água . Sempre após o uso, jogue terra por cima ; • Lembre-se que roupas, medicamentos e alimentos, água etc. podem ser encontrados também nos porões da aeronave; • Descubra nas proximidades animais ou plantas comestíveis ; • Somente abandone o local do acidente após ter esperado por socorro por vários dias e estiver convencido da pouca probabilidade de serem encontrados. Também é necessário dispor de equipamento necessário para afastar-se ( ex .: bússola); • Distribuição de tarefas entre os sobreviventes . 118 • Inicie um diário relatando os acontecimentos e enumerando testemunhas; acrescente também a possível localização do grupo, calculando-se tempo de vôo até a queda, alguma referência geográfica natural etc.; *** O sobrevivente deve usar o máximo de roupa possível, protegendo todo corpo inclusive extremidades e rosto, lembrando-se também que à noite a temperatura tende ser bem mais baixa. VANTAGENS DE PERMANECER JUNTO À AERONAVE • É mais fácil localizar do ar uma aeronave do que um grupo de pessoas caminhando pela mata. •A aeronave ou partes da mesma proporcionarão material para diversas necessidades do grupo ou servirão como abrigo, meios de sinalização, refletores para ativar fogueiras etc. PROTEÇÃO NA SELVA ABRIGOS O melhor procedimento a ser adotado pelos sobreviventes será usar a aeronave como abrigo e esperar socorro. Um homem na selva, em regime de sobrevivência, necessita de algum conforto, de condições psicológicas as mais favoráveis possíveis e de proteção contra o meio adverso. Em qualquer área poderá ser improvisado um abrigo com partes da aeronave, com equipamento de emergência ou, simplesmente, com os materiais naturais que encontrar no local do acidente. Necessitamos de um abrigo eficiente, limpo e de bom aspecto. As operações na selva podem ser sinteticamente conceituadas como sendo o emprego da inteligência, do vigor físico e da adaptabilidade do sobrevivente para suportar, com o mínimo desgaste, as influências meteorológicas e, assim, apresentar um rendimento máximo nas ações. Um dos meios de conseguir isto é construir um bom abrigo, sempre que possível. Definição: Abrigos são construções preparadas pelo sobrevivente, com os meios que a selva e o próprio equipamento lhe oferecem, para a proteção contra as intempéries do tempo, insetos e os animais selvagens. Recomendações importantes: - Nunca acampe em terreno de inclinação muito pronunciada ou em áreas onde houver perigo de avalanches, deslizamentos, inundações (no mínimo 100 metros de distância de cursos d´água), quedas de rochas ou locais demasiadamente expostos ao vento; - Prefira acampar em um ponto elevado e o mais afastado possível de charcos e pântanos, para evitar mosquitos, - Não construa abrigos debaixo de árvores grandes (comportam-se como pára-raios) ou com galhos secos podem cair e causar ferimentos). - Não durma ou arme abrigo debaixo de coqueiros devido ao perigo de queda de seus frutos. - Cuidado ao armar abrigos debaixo de árvores frutíferas ex; abacateiros, coqueiros pé de jaca..., devido ao perigo da queda dos frutos. - Evite ao máximo a presença de insetos dentro do abrigo pois eles constituem o maior perigo na selva, vede a entrada e cubra a abertura com tecidos. - Alinhe a barraca com a entrada na direção contrária de onde o vento sopra, faça canaleta à sua volta para evitar a entrada de água de chuva. 119 A aeronave poderá ser utilizada como abrigo desde que não contenha sangue ou coisas que atraiam insetos. Deve-se vedá-la para evitar a entrada de mosquitos e insetos. A vantagem de se utilizá-la é de que facilita a localização dos sobreviventes pelos grupos de salvamento. **** Considera-se o abrigo mais fácil de se improvisar uma lona estendida sobre uma corda ou vara, amarrados sobre estaca ou entre árvore. Cama: Proteja-se de escorpiões, cobras, aranhas, formigas e outros animais rasteiros, além da umi- dade do terreno, improvisando uma cama suspensa ou uma rede. Nos pés de fixação coloque água (através de canaleta na terra ou improvise um funil em volta do suporte para que este retenha água), isto evita que formigas ou outros insetos subam por ele e cheguem na sua cama ou rede. Procure forrar a cama com folhas largas para torna-la mais confortável. INSETOS Na selva a maior preocupação e o maior perigo que um sobrevivente pode encontrar são os insetos transmissores de moléstias e parasitas. Para se proteger é fundamental manter o acampamento limpo e higienizado deixando alimentos limpos e cobertos, purificar água antes de beber (para evitar verminose), enterrar restos de alimentos, bem como organizar o local onde deverá ser feita as necessidades fisiológicas evitando a atração de mosquitos, formigas, varejeiras e outros insetos, nunca deixe de providenciar repelentes e na falta deste pode-se utilizar óleo do tipo de cozinha (fornecido no kit de sobrevivência) ou gordura animal espalhando-se pelo corpo. Evite usar perfumes, cremes ou loções pois normalmente o perfume é um forte atrativo para insetos. 1 - Formigas: Em seus formigueiros, elas tornam-se muito ferozes. As picadas de algumas espécies são muito dolorosas e podem causar sérias irritações na pele. Combata-as com gasolina ou fogo. 2 - Mutucas e Insetos semelhantes: Insetos de duas asas curtas, comuns nos trópicos, cujas larvas penetram na pele valendo-se de ferimentos ou sangue causando infecções ou inflamações graves, inchaços e bolhas. Para tratar a parte picada pingue óleo de qualquer espécie sobre ela, várias vezes ao dia. A larva procurará sair para respirar, ocasião em que a inchação deverá ser espremida comprimindo- se suas bordas com as unhas dos polegares. Pode-se também matá-las untando-se a mordida com uma porção de fumo úmido, espremendo-se, então, a larva para fora. 120 3 - Sanguessugas: São muito comuns nas florestas pantanosas e estão sempre prontas para sugar o sangue. Sua sucção é indolor mas resulta em grandes ulcerações. Livre-se delas aplicando uma pitada de sal, gotas de iodo ou tocando-as com um fósforo aceso ou ponta de cigarro. 4 - Carrapatos: Os carrapatos podem andar pelo corpo às centenas. Tire-os cuidadosamente, encostando pontas de cigarro ou brasas a fim de não deixar suas garras na pele, para evitar inflamações locais. Nunca se deve achatá-los contra a pele, pois eles são portadores dos germes de uma febre mortal. Normalmente são encontrados em capinzais por onde passam animais. 5 - Bicho-de-pé: São pequenos insetos semelhantes a pulgas que penetram na pele e nela deixam ovos que se desenvolvem produzindo inchaço local, coceiras e inflamações. Para extrair o inseto, esterilize uma agulha ou a ponta de uma faca ou canivete, numa chama. Retire o inseto alojado sem, contudo, esmigalhá-lo. Evite-o permanecendo vestido e calçado. 6 - Abelhas e Marimbondos: As picadas são perigosas quando múltiplas ou localizadas no pescoço, língua etc. 7 - Mosquitos: A malária é uma doença transmitida pelo mosquito Anopheles, comumente encontrado desde o cair da noite até o amanhecer. Mas ele também pode atacar durante o dia em recantos escuros da floresta. Mosquitos também podem transmitir febre amarela, maleita, leishmaniose etc, mantenha a maior parte do corpo coberta para diminuir a área exposta às picadas. Uma forma de se proteger destes mosquitos e tomar (quando disponível) comprimidos de Atebrina ou Aralen. ÁGUA Em qualquer situação a água é uma de suas necessidades mais importantes, pode-se viver até semanas sem alimentos mas sem água, vive-se muito pouco, especialmente nas regiões quentes onde se perde grandes quantidades d´água pela transpiração. Até mesmo para se fazer digestão o organismo gasta em média de um a três litros d´água. Mesmo em tempo frio o corpo necessita, normalmente de dois litros de água, em situações de emergência para se manter a eficiência a necessidade mínima e de meio litro por dia. De modo algum deverá o sobrevivente lançar mão de outros líquidos, como álcool, gasolina, urina (devido a grande quantidade de sal) e água do mar , à falta absoluta da água. Tal procedimento, além de trazer conseqüências funestas, diminuirá as possibilidades de sobrevi -ver, revelando indícios da proximidade do pânico que, quando não dominado, será fatal. Portanto, saber onde há água e estar sempre abastecido dela é importantíssimo e fundamental. Se houver uma provisão mínima de água e a possibilidade de aumentar o estoque, a água também deverá ser usada para ferver alimentos e manter a higiene. É preferível bebê-la toda de uma vez no primeiro dia do que perdê-la pela evaporação. Na falta total de água, evite locomover-se e expor-se ao sol e alimente-se somente de frutas ou verduras. ONDE ENCONTRAR ÁGUA: - Ao encontrar um curso d´água estabeleça sua localização em relação ao avião. Além de fonte de água, poderá auxiliá-lo para volta à civilização;- Em terrenos rochosos, procure nascentes e infiltrações; - Nas costas marítimas, o local apropriado para encontrar água potável é acima das marés altas. 121 - Cave em solos arenosos, às margens de correntes ou lagos lamacentos, numa distância da margem variável de 30cm à 2m;- Em locais baixo e úmido, encostas, fundo de vales, pé de aclives ou junto a vegetação verde e viçosa, onde existiu rio, cave até um metro e meio de profundidade; - Recolha água da chuva em latas e outros recipientes ou em cisternas improvisadas no chão desde que forradas e filtradas para o consumo. - Trilhas de animais normalmente vão dar a uma fonte de água, como um regato ou lagoa. Mas tome cuidado para não se perder, além da possibilidade de algum animal estar de tocaia nas proximidades; - A água poderá ser encontrada nas folhas de plantas como gravatás, cocos, hastes de bambus, cipós ( especialmente os marrons ou de cascas grossas), abacaxis, laranjas, enfim.... A água de coco deve ser obtida de frutos que não estejam muito verdes ou extremamente maduros. Para retirar água de bambus, basta fazer um furo junto aos nós; - Coqueiros além de apresentar o miolo interno da flor comestível, ainda proporciona ao sobrevivente um método de obter água com um coletor de bambu; - Os cipós são parasitas vegetais que crescem pendurados entre os galhos de árvores e o solo. Sua água pode ser bebida sem necessidade de tratamento. Os cipós d´água, de cascas grossa, produzem água cristalina e refrescante. Para extraí-la, basta cortá-lo primeiro na parte superior (o mais alto que se possa alcançar) e depois na parte inferior para que o liquido possa fluir; - Cactos, principalmente os bojudos, devem ser cortados, depois destacada sua parte superior (topo) e amassada sua polpa, para a água ser sugada através de bambus finos ou canudos de capim. - Beba também o orvalho retido nas folhas e consuma frutas suculentas para saciar a sede 122 PURIFICAÇÃO DA ÁGUA: Toda água deve ser purificada antes de ser consumida. As exceções são a água de chuva e as encontradas em fontes vegetais desde que colhida diretamente em vasilhas limpas. Purifique a água através de: - Pela fervura, durante pelo menos um minuto; - Adicionando oito gotas de tintura de iodo em um litro de água e esperando 30 minutos antes de beber ou qualquer comprimido ou líquido para este fim seguindo as instruções na bula. - Utilizando o purificador existente no equipamento de primeiros socorros ou sobrevivência, conforme instruções da bula; - Adicionando uma colher de café de água oxigenada a 10 volumes por litro d´água e esperando-se 30 minutos par consumi-la; - Através de filtro improvisado utilizando-se tecido para improvisar um coador, em seu interior coloque uma camada de pedra, uma camada de areia, uma camada de terra, quanto maior o número de camadas mais purificada sairá a água; ALIMENTAÇÃO Verifique as provisões e a quantidade de água de que se dispõe. Calcule o número de dias que poderá passar antes de ser encontrado pela equipe de salvamento. Utilize tudo o que puder dispor da aeronave, exceto bebidas alcoólicas. Prefira consumir alimentos cozidos, por oferecerem menor risco de contaminação, serem mais fáceis de digerir e ter melhor sabor. Prefira alimentos com alto teor de carboidratos, como balas e frutas. As mudanças de hábitos alimentares, fadiga excessiva, água e alimentos contaminados e comer demais em tempo de calor podem causar diarréia e outras doenças do intestino. Para assegurar energia, os alimentos devem conter proteínas, carboidratos e gordura: ATENÇÃO! No caso de pouca disponibilidade de água (menos de um cantil ou um litro de água disponível para cada indivíduo, por dia) evite alimentos farinhosos, secos ou muito condimentados e muita proteína. Nesse caso, prefira vegetais. Não se esqueça que o comer aumenta a sede. Os melhores alimentos em tais casos, são os que contêm um alto teor de carboidratos, tais como balas, confeitos e tabletes (ou barras) de frutas. Quando comer, faça-o normalmente. Não belisque. Se for obrigado a viver de rações limitadas, faça uma boa refeição, ao menos, ao dia. Por conseguinte, “sente-se à mesa” e coma sem cerimônia. O melhor será contar com duas refeições por dia, especialmente quando uma delas é constituída de alimento quente. Se conseguir alimentos silvestres, planeje uma refeição quente. Os alimentos cozidos oferecem menor risco, são mais fáceis de digerir e de melhor sabor. E o tempo que você trabalhar de cozinheiro, descansará a mente e o corpo em geral. Os alimentos silvestres serão melhores se comidos separadamente. Não é agradável ao paladar, a mistura de rações com alimento natural (silvestre). Como Efetuar o Racionamento: Não se come e não se bebe no período de 24 horas imediatamente após o pouso, para racionamento, diante da impossibilidade de se saber quanto tempo o grupo permanecerá na selva. A exceção: feridos e crianças. Calcule o número de dias em que poderá passar antes de ser encontrado pela equipe de salvamento, de acordo com a região do acidente. 123 Divida as provisões disponíveis em três partes iguais: duas terças partes para a primeira metade do período calculado e a última terça parte para a segunda metade do período. Se parte do grupo permanecer perto da aeronave enquanto outra parte sai para buscar socorro, cada indivíduo do grupo que procurará socorro levará o dobro do alimento que deverá receber aquele que vai permanecer no acampamento. Assim, tanto os que permanecerem descansando enquanto os que saíram em busca de socorro deverão estar, ao serem salvos, em idênticas condições físicas. Ração de emergência: É constituída de alimentos já prontos para consumo que não requerem qualquer tipo de preparo, e proporcionam o sustento adequado à situação. Siga as instruções do invólucro da mesma para melhor aproveitamento nutritivo do alimento. Devem ser poupados, no caso de disponibilidade de outras fontes de alimentação. As rações são geralmente caramelos, pílulas vitaminadas e chicletes. Requisitos de energia A sua quota de energia será assegurada se os alimentos que dispuser, contiverem: a)Carboidratos (hidratos de carbono) – de origem vegetal, principalmente açúcar, farináceos, cereais e frutas. Se a provisão d’água for diminuta, procure alimentar-se principalmente de vegetais. b)Proteínas – de origem animal principalmente: carne, peixe, ovos, leite e queijo. As proteínas são combustível de alto valor, mas a sua finalidade principal é a de conservar e refazer os tecidos do organismo. Quando se consome mais destes alimentos do que é necessário para conservar a energia do organismo, a quantidade adicional é queimada como combustível (orgânico) ou transformada em gorduras e hidratos de carbono (carboidratos). Noventa gramas de proteínas é a quantidade de que necessita, diariamente, o indivíduo, sob quaisquer condições. O trabalho intenso não torna necessária uma quantidade maior do que essas mesmas 90 gramas. Quando a reserva d’água de que você dispuser não for abundante, procure não ingerir grandes quantidades de proteínas. c)Gorduras – em parte, vegetal como sejam: o azeite de oliveira, o óleo de caroço de algodão, de amendoim e de coco e, em parte, animal: manteiga e banha. A não ser em quantidades muito pequenas, as gorduras não constituem elemento essencial para a nutrição do que o dobro de calorias por unidades de peso, do que é fornecido pelas proteínas ou pelos carboidratos. A ingestão contínua de alimentos muito gordurosos, poderá causar distúrbios na digestão e com freqüência acarreta a formação de ácido, que exige, para a sua eliminação, maior quantidade (ingestão) d’água. O ALIMENTO SILVESTRE: Com poucas exceções, todos os animaissão comestíveis quando recém abatidos. Não coma sapos. Caso saiba diferenciá-lo da rã, poderá comer esta. O sapo tem a pele com crostas; é mais claro, tem duas mossas entre a cabeça e as patas dianteiras. A rã tem as pernas mais escuras e mais esguia; pernas mais gordas. Refúgio costumeiro na água. Come-se das rãs menores somente as covas; das médias covas e pernas e das maiores, toda rã, excluindo-se somente a cabeça/ prepare-a moqueada ou frita. É ótimo alimento. Supere sua aversão a determinados alimentos. A espécie humana, de acordo com seus costumes nativos, está acostumada a comer gafanhotos, lagartas sem pêlos, larvas, crisálidas, escaravelhos, içás (formigas aladas) e cupins, todos estes insetos com alto teor de gordura. Certamente você já comeu, sem saber, insetos que pululam em farinhas de trigo e de milho, arroz, feijão, frutas e verduras. Alguns povos também se alimentam de escorpiões, répteis e até pulgas. Não se esqueça que a fome sobrepuja toda repugnância. ALIMENTOS SILVESTRES DE ORIGEM VEGETAL: As plantas são mais comuns que os animais e mais fáceis de serem obtidas. São poucas as plantas silvestres que, ingeridas em pequena quantidade, produzem efeito mortal. No entanto, alimentos estranhos sempre devem ser provados antes. Cozinhe, primeiramente, uma amostra. Em seguida, ponha-a na boca, mastigue, e conserve-a na boca durante cinco minutos. Se, 124 após esse prazo, o paladar não estranhar o gosto da porção, coma sem susto. Recuse se tiver um gosto que seja abrasador (queima), amargo ou que cause enjôo e náuseas. De qualquer maneira, pequenas “provas” não farão mal ao organismo, ao passo que uma quantidade maior, da substância em questão, poderá causar-lhe a morte. De um modo geral, não há perigo em ingerir substâncias que são procuradas como alimento pelos pássaros e pelos mamíferos; existem, entretanto, algumas exceções também os alimentos procurados pelos roedores (ratos, camundongos, coelhos, cutias, caxinguelês, pacas, etc.) ou pelos macacos e por vários outros animais onívoros (que comem tudo), não constituirão perigo para o homem. Folhas de bananeiras podem ser usadas como pratos ou papel para embrulhar e conservar alimentos. • O cozimento ao fogo elimina o veneno que possa estar contido nos vegetais ou frutos ( na dúvida, cozinhe a planta, por 5 minutos antes de comer). Mas há uma exceção: o cogumelo, cujo veneno continua ativo; • Além de diminuir os riscos com intoxicação, o cozimento facilita a digestão, torna o alimento mais saboroso e distrai a mente do sobrevivente; • Alimentos que contêm amido devem ser ingeridos somente cozidos, pois são indigestos, quando crus (ex.: tubérculos); • Evite sempre plantas e frutas cabeludas, amargas ou leitosas (lembre-se desta sigla: CAL), a não ser que já sejam de nosso conhecimento, como jiló, mamão e figo; • Em geral, pode-se comer tudo o que for procurado por pássaros e mamíferos, especialmente macacos; • Em sua maior parte, os legumes são constituídos de folhas sumarentas, vagens, sementes, talos e raízes não lenhosas. Escolha os mais novos e macios, que devem ser cozidos antes de consumidos; • Grande número de brotos vegetais são comestíveis, principalmente os de samambaias. Os rebentos de todos brotos vegetais são encaracolados e quase todos são cobertos de fiapos que lhes dão um gosto amargo. Para prepará-los, tire os fiapos esfregando-os dentro d’água. Depois, ferva os brotos durante 10 minutos. Finalmente, troque a água e ferva-os por mais 30 a 40 minutos; • Praticamente toda palmeira produz palmito (miolo) que pode ser comido cru ou cozido. Ele está localizado no topo do tronco, normalmente “enterrado” na árvore, porém limitado pela coroa de folhas nas partes mais baixas (início das folhas); embora uns sejam mais saborosos que outros, todos são comestíveis; • As palmeiras também podem possuir seiva potável e nutritiva e coquinhos sob as folhas. Nenhuma espécie de coquinho é venenosa; 125 Nenhuma das espécies de gramídeas (arroz, milho, sorgo etc.) é venenosa; eles podem ser fervidos para produzir caldo, assados e alguns tipos até arrebentam como pipoca, quando aquecidos em vasilha fechada. Debulhe as espigas estendendo um pano no chão e batendo-as; Ferva antes de ingerir, os cocos caídos germinam no mesmo local e tudo deles é consumido. São nutritivos e seu gosto é agradável. Os brotos de coco são comidos como se come aipo. Nestes tanto o leite quanto a “carne” (a polpa) são consumidos, mas a cavidade é enchida por uma massa esponjosa, chamada “o Pão”. Coma o pão cru ou tostado, seu gosto é agradável e é muito nutritivo; Amoras, framboesas e morangos silvestres podem ser encontrados em locais altos, nos trópicos. Mesmo as frutinhas que tenham gosto de capim podem ser comidas; Mamão pode ser encontrado à volta de clareiras e habitações abandonadas ou áreas abertas e ensolaradas das matas virgens. É rico em vitamina C e o fruto verde pode ser cozido ou colocado ao sol (ele seca rápido). Pode-se comer, do mamoeiro, as folhas novas, as flores e as hastes. Mas coza cuidadosamente essas partes, em várias águas, como se costuma As frutas maduras aliviam a sede, ajudando na economia da ração de água; coma sem medo frutas doces ou agridoces; Plantas comestíveis com sumo leitoso; Folhas novas, flores e hastes devem ser cozidas por bastante tempo, trocando-se a água; Plantas de folhas polpudas são boas para saladas; Coma somente o fruto das mangueiras; Frutas sumarentas devem ser bem fervidas. As grandes, de polpa dura ou casca grossa, ficam melhor cozidas ou assadas; Sumos adocicados de frutas podem ser desidratados até o ponto de xarope ou calda, através de fervura lenta, durante várias horas; Nozes, castanhas e pinhões são os alimentos mais nutritivos oferecidos pelas florestas. No Brasil contamos com os coqueiros, cajueiros (praticamente em todas as regiões), pinhões (sul), castanha-do-pará e sapucaia (norte e nordeste); São raras as plantas aquáticas venenosas. Desenvolvem-se em margens de rios, lagos e poços naturais ou diretamente na água; , Cascas de árvores (a parte interna, esbranquiçada) devem ser cozidas em várias águas e depois consumidas ou transformadas em farinha. A casca do pinheiro, por exemplo é rica em vitamina C; 126 Escolha raízes em plantações abandonadas, cerradas e florestas pouco densas, evitando as amargas e leitosas. Tome cuidado com a mandioca-brava, que é venenosa: antes do cozimento, deve ter as raízes raladas completamente e sua massa deverá ser lavada e espremida em várias mudas de água antes de ser coberta e deixada de molho; Existem pelo menos 700 espécies de inhames tropicais, assemelha-se a batata doce mas é altamente venenoso se for ingerido cru. Todas as espécies de inhame podem ser comidas após terem sido cobertas com cinza de madeira e, em seguida, postas de molho em correntes d´água ou em água salgada durante uns três a quatro dias. Isto serve para neutralizar as propriedades venenosas de algumas espécies silvestres. Na dúvida, sempre cozinhe a planta desconhecida; REGRAS GERAIS A – Existem aproximadamente 300 mil espécies vegetais catalogadas no mundo, sendo a maioria delas comestíveis e pouquíssimas as que matam quando ingeridas em pequenas quantidades. Não há uma forma absoluta para identificar as venenosas. Seguindo-se a regra abaixo, poder-se-á utilizar qualquer vegetal, fruto ou tubérculo, sem perigo de intoxicação ou mesmo envenenamento. NÃO DEVEM SER CONSUMIDOS os vegetais que forem cabeludos e tenham sabor amargo e seiva leitosa, CAL: C – cabeludos; A – amargos; L – Leitosos; - Exceção será feita ao amapá, à sorva e ao abiu; B – Qualquer fruto comido pelos animais poderá também ser consumido pelo homem. 127 C – Se uma planta não for identificada, outra regrabásica é utilizar exclusivamente os brotos, de preferência os subterrâneos, pois serão mais tenros e saborosos. D – Nas regiões onde houver igarapés, seguindo seus cursos, obter-se-ão alimentos vegetais com maior facilidade. E – Não há na área amazônica palmitos tóxicos; todos podem ser consumidos: buriti, bacaba, açaí, patauá. Apresentam-se sempre como prolongamento central do tronco, sendo o seu tamanho proporcional à idade da palmácea. F – Os alimentos de origem vegetal estarão sempre na dependência da época do ano e da distribuição geográfica. VEGETAIS COMESTÍVEIS A- Os mais conhecidos são: (1) Abiu – Fruto do abieiro, cuja árvore é oriunda do PERU. É comestível, variando de forma e tamanho, esférico ou ovóide. A coloração é predominantemente amarela com manchas verdes. (2) Abricó – Fruta de casca amarela, redonda, polpa também amareladas; as flores do abricoteiro são brancas. Come-se a polpa que, além de saborosa, é abundante. (3) Abutua – Outros nomes: parreira-brava, parreira-do-mato, uva-do-rio-apa. É uma trepadeira que dá cachos semelhantes aos da videira e de gosto adocicado. Não se comem essas frutas a casca do tronco, por cocção, podem ser usadas para reumatismo, prisão de ventre, afecções hepáticas e má digestão, além de diuréticas. 10 a 15 gramas por litro d’água e 4 a 5 xícaras por dia será a dose indicada. Por outro lado, é indicada para cataplasmas em inflamações e contusões. A–Ramo masculino; a–Flor masculina; B–Ramo feminino; b–Flor feminina; (4) Açaí – Fruto escuro, colhido em cachos. Quando amassado, produzirá um líquido grosso, do qual resulta, em mistura com água, saudável refresco. O açaizeiro é uma palmeira cujo palmito poderá ser comido cru ou cozido. (5) Açucena– Planta aquática, de flores brancas ou amarelas; os talos e as tuberosidades (batatas) são comestíveis, crus ou cozidos, e as sementes também, delas resultando, quando secas e trituradas uma espécie de farinha. (6) Amapá – Árvore grande, de cuja casca, após sulcada inclinadamente, escorrerá um leite vegetal com teor alimentício, de gosto semelhante ao leite de gado, mesmo sem açúcar. (7) Anil – Outros nomes: caachica (AMAZONAS) ou timbó-mirim (MATO GROSSO). Planta herbácea, ramosa, de cor verde-esbranquiçada; folhas em palmas e compridas; flores róseas, miúdas e em pequenos cachos; o fruto é uma vagem cilíndrica, curvada, aguda na ponta, contendo sementes parecidas com o feijão. Usos principais: diurético, purgativo e febrífugo (chá das folhas e raízes), contra sarnas (folhas machucadas) e repelente de insetos (raízes e sementes, secas e pulverizadas). (8) Araçá – Várias espécies de vegetais com este nome têm larga distribuição em toda a AMAZÔNIA. O fruto é semelhante à goiaba, um pouco ácido, de casca amarelo-avermelhada e pequenas sementes. A polpa do araçá, além de ser consumida ao natural, serve para o fabrico de doces e refrescos, e para os chamados “vinhos” dos indígenas. (9) Babosa – Outros nomes: caraguatá ou erva-babosa. Planta semelhante ao ananás, de folhas compridas, grossas e orladas de espinhos em serrilha; tem cheiro forte e do centro sai uma haste onde, na parte superior, ficam as flores amarelas; seus frutos são ovóides e cheios de pequenas sementes. Usos principais: queimaduras e inflamações (suco das folhas) e oftalmia (polpa das folhas). 128 (10) Bacaba – Palmeira que, além de fornecer um palmito comestível, produz frutos semelhantes ao açaí, que dão um excelente vinho. (11) Bacuri – Fruto do bacurizeiro, árvore de grande porte que ocorre no AMAZONAS, PIAUÍ, GOIÁS e MATO GROSSO. O fruto é uma baga globosa, amarela, de 7cm de diâmetro longitudinal, com polpa branco-amarelada, comestível e de gosto agradável. As próprias sementes têm sabor de amêndoas e são comestíveis. (12) Bambu – Os brotos são amargos, mas poderão ser comidos crus; para tirar o amargo bastará cozinhá-los em uma ou duas águas; antes de comê-los, tirar as películas que os envolvem; as sementes também são comíveis. (13) Biribá – Fruta grande, semelhante à ata ou pinha, de casca esverdeada. A polpa é abundante e esbranquiçada e as sementes, pequenas e pretas. O fruto verde e seco, reduzido a pó, é empregado como antidiarréico, por ser rico em substâncias tônicas. (14) Buriti – Palmeira que fornece folhas, palmito e frutos. O palmito será encontrado no prolongamento do caule. Os frutos são arroxeados e escamosos, possuem alto teor de provitamina A e são ricos em gordura. (15) Cacau – Fruto gomoso, de casca dura e amarelada, dentro do qual estão as sementes envoltas por uma polpa branca. Somente esta polpa poderá ser aproveitada em estado natural. (16) Cajá – Conhecido também pelo nome de taperebá, é uma fruta ácida, de casca e polpa amareladas; o caroço é grande e meio espinhento. (17) Cajuí – Também conhecido como caju-do-mato, é uma fruta vermelha, semelhante ao caju comum; a castanha, torrada, poderá ser comida. (18) Camocamo – Árvore de caule liso, que poderá ser encontrada em terrenos baixos à beira dos lagos; o fruto é semelhante à jabuticaba e também comestível. (19) Os Capins (Gramíneas em Geral) – As várias espécies compreendidas pelas gramíneas poderá servir como a mais importante fonte singela de alimento de sobrevivência, em uma emergência, especialmente nas regiões mais quentes do país. O arroz, o milho miúdo, o sorgo (outra espécie de milho) , o maçambará, ou sorgo de alepo, o milho grosso e muitos outros cereais, são característicos das regiões temperadas do Brasil. Os brotos bem novos da maior parte das espécies do bambu poderão ser cozidos e comidos sem receio. Em algumas áreas existem a cana de açúcar silvestre. Os capins silvestres possuem em geral, grande abundância de sementes, as quais poderão ser comidas após fervidas ou assadas. Freccione os grãos a fim de separar a palha dos mesmos. A Preparação – Nenhuma das espécies de gramínea é venenosa. Se a polpa, a semente, o grão da noz (o “miolo” – a parte comestível) não apresentar pêlos duros, espinhosos, e estiver, ainda macia, você poderá pela fervura preparar um caldo desse alimento. Para apanhar as sementes das gramíneas, estenda um pano no chão e bata nas espigas com uma vara (a isto chama-se: debulhar, ou joeirar). Muitas espécies de grão rebentam como pipocas, quando aquecidos. Procure obter este resultado, aquecendo os grãos em uma vasilha fechada. As plantas Aquáticas crescem e se desenvolvem em locais muito úmidos ao longo das margens dos rios, nos lagos e poços (naturais). As plantas que crescem diretamente na água, são de valor latente como o alimento de sobrevivência. As partes sob a terra, dessas plantas que são as partes mais frequentemente utilizadas como alimento. As espécies venenosas são raras. Duas espécies de plantas aquáticas de brejo são: “o rabo de gato” ou o “capim elefante” e a açucena branca d’água. Dele são comestíveis o pólen, os renovos e as raízes. 129 (20) Cará ou inhame – Planta de folhas cordiformes e comestíveis, substituindo os espinafres. Os tubérculos dos carás podem ser arroxeados ou brancos, são ricos em amido e são consumidos cozidos, assados ou associados a outros alimentos de origem animal. (21) Caruru – Planta de folhas finamente recortadas, que flutuam na corrente. As flores, que parecem penas róseas com cheiro de violetas, emergem da água na extremidade de compridos pedúnculos. A planta, secada ao sol, queimadas e lavadas suas cinzas, apresentará como resíduo um sal grosseiro, porém útil. (22) Castanha – Árvore majestosa, atingindo até 50 metros de altura, de onde pendem pesados ouriços. Em cada ouriço encontram-se de 12 a 22 nozes. As amêndoas contidas nestas nozes possuem alto teor nutritivo (100g de castanha do BRASIL fornecem 400 calorias). Nozes – As nozes comestíveis, de todos os alimentos crus que a floresta oferece são os mais nutritivos eencontrados por toda parte. No Brasil, encontram-se por toda parte o coqueiro e cajueiro. No Sul o pinhão e no Norte e Nordeste, a castanha do Pará e a sapucaia. Várias espécies de árvores de viço constante (sempre verdes) da zona temperada, especialmente os pinheiros, produzem nozes (pinhões) comestíveis. Para obter a semente comestível (o “miolo”) sacuda a pequena pinha ou noz (o fruto da árvore em questão), ou quebre-a entre duas pedras ou comprimindo uma contra a outra. A Casca – Você poderá aproveitar como alimento a parte interna da casca, crua ou cozida, de grande número de árvores. Nas regiões do globo onde reina a fome, o povo aproveita a parte interna da casca das árvores, para fazer farinha. A parte externa normalmente, aproveitadas como alimento. A casca de cor castanha (marrom) comumente contém tanino, que é muito amargo. A casca do pinheiro é rica em Vitamina C. A casca externa do pinheiro é removida pela raspagem e a casca interna é arrancada do tronco e comida crua, após ter sido secada. Poderá também ser comida cozida ou depois de reduzida à farinha. A casca (interna) ingere-se melhor quando recém formada na primavera (23) Cúbio – Fruto amarelado, redondo e azedo, cujo pé é um arbusto de capoeira coberto de espinhos. Cozido, pode ser comido. (24) Cucura – Planta leguminosa robusta, com raízes tubulares acima do solo, para sustentar o possante tronco. Seus frutos são doces e acídulos e, fermentados, dão uma bebida vinosa. (25) Cupuaçu – É cultivado em todo o Norte do BRASIL e sua árvore, podendo atingir até 6 metros de altura, tem a casca branco-acinzentada. O fruto é uma cápsula elipsóide de até 30cm de comprimento por 15 de diâmetro, de casca escura, verrugosa e lenhosa; a polpa branca, envolvendo as sementes, é agradável. Rica em glicídios, pode ser dissolvida na água, em forma de vinho ou refrigerante. A semente pode substituir a do cacaueiro. (26) Cupuaí – Vegeta na AMAZÔNIA, sobretudo em terrenos pantanosos; seu caule pode atingir até 15 metros de altura e é de casca amarela ou cinzento-escura. O fruto é uma cápsula amarela, sendo consumido o epicarpo carnoso, que é adocicado. As sementes são similares as do cacau. (27) Fedegoso – Outros nomes: mata-pasto, mananga, manjerioba (CEARÁ), pajamarioba (PARÁ), folha-de-pajé ou lava-pratos. É uma planta de caule cilíndrico, ramoso e ascendente, de folhas enrugadas e de flores tubulosas, brancas ou violetas; o fruto é uma noz, contendo 4 caroços redondos. Usos principais: purgativa (infusão das folhas, na dose de 10 gramas em uma xícara de água) e diurética (casca da raiz, na dose de 4 gramas em 1 xícara de água fervendo). 130 OS FETOS VEGETAIS E SAMAMBAIAS Três tipos de fetos vegetais largamente difundidos pelo planeta ilustram este tipo de planta alimentícia, a saber: O Feto Vegetal Brácteo e o Arbóreo; O Feto Vegetal Polipódeo; Grande número de fetos são comestíveis, e nenhum deles é venenoso. As espécies comestíveis encontram-se principalmente nas áreas de florestas das regiões temperadas cálidas e nas regiões tropicais. Algumas destas plantas têm uns poucos centímetros de altura, os fetos vegetais arbóreos com altura até 10 metros, existem nas áreas tropicais, desde o nível do mar até as encostas de montanhas, onde as chuvas são fortes e freqüentes. A parte comestível – Os rebentos (ou renovos, brotos) de todos os fetos vegetais são encaracolados (ou anelados), suculentos e o seu valor alimentício corresponde à couve ou ao aspargo. Quase todos os brotos de fetos vegetais são cobertos de fiapos, os quais lhes dão um gosto amargoso. Tire os fiapos, esfregando-os dentro d’água. A preparação – Se o gosto for muito amargo, ferva os brotos durante uns 10 minutos, mude a água e torne a ferver durante uns 30 ou 40 minutos. Se tiver achado ovos de aves silvestres, poderá aproveitar e cozê-lo juntamente com os brotos. (28) Fetos – São plantas encontradas em lugares úmidos. A figura ilustra as partes comestíveis. (29) Fruta-de-guariba – Também chamada gogó-de-guariba. Tem o fruto arredondado, de 10cm de diâmetro, cor marrom clara, casca lisa e sabor pouco agradável. (30) Goiaba-de-anta – A árvore alcança 10 metros de altura, ocorrendo na AMAZÔNIA. Seus frutos são bagas que se desenvolvem aderidas ao próprio tronco. (31) Graviola – Árvore disseminada pelos trópicos de todo o globo, atingindo até 10 metros de altura e sendo encontrada, inclusive, em forma silvestre. O fruto é uma baga de forma irregular, areolada, com polpa branca, suculenta e um pouco fibrosa. Uma única fruta pode pesar até 2 quilos. A polpa é comestível ao natural ou transformada em suco. O fruto verde é antidisentérico e as sementes são adstringentes e eméticas. Outros nomes: pinha, ata, pão-do-pobre, graviola-do- norte. (32) Inajá – Palmeira de pequeno porte (5 a 6 metros), cujas amêndoas e palmitos são comestíveis. (33) Ingá-açú – Árvore alta, copada, de folhas miúdas; o fruto é uma vagem achatada, de até 30cm de comprimento. A polpa que envolve a semente é doce e saborosa. (34) Ingá-cipó – Semelhante à anterior, mas as vagens alcançam 80cm de comprimento. (35) Ingaí – Árvore silvestre, de vagem pequena, cuja polpa dos frutos é comestível. (36)Inhame – Ver Cará (37)Jambuaçu – Conhecido ainda como agrião-do-pará ou agrião-do-brasil. É uma planta de hastes ramosas e rasteiras, de folhas dentadas, flores amarelas que passam a pardacentas e de frutos secos, com uma única semente. As folhas são comestíveis, mesmo cruas, e o extrato das flores, utilizado nas dores de dente. (38) Janari – Palmeira donde se poderá extrair palmito. (39) Jatobá – Árvore grande, também chamada jataí, que dá vagens marrons com bagas semelhantes às do ingazeiro. (40) Jenipapo – Fruto de casca marrom, do tamanho de uma laranja, cuja polpa é comestível e o vinho muito apreciado. 131 (41) Macaxeira – Espécie de mandioca cuja raiz não contém princípios venenosos. A planta é menor que a da mandioca amarga. Os tubérculos podem ser comidos assados, cozidos ou fritos como a batata. Na AMAZÔNIA há duas variedades: a branca e a de casca roxa. Pedaços de macaxeira cozida podem ser associados a cozidos e assados de carne de gado e de peixe. (42) Marajá – Palmeira que dá coquinhos pretos, conhecidos por cocos-de-catarro. (43) Mari – Conhecido também como umari ou mari-gordo. Árvore pequena que ocorre na AMAZÔNIA. A fruta é do tamanho de um ovo pequeno, com polpa adocicada e oleosa, comestível, mas um tanto enjoativa. (44) Marimari-de-várzea – Árvore pequena que ocorre na AMAZÔNIA. Seu fruto é uma vagem de 80cm de comprimento, quase cilíndrica, contendo grande número de sementes envoltas numa polpa verde, doce, comestível. (45) Marupá – Outros nomes: marupá-mirim, marubá ou papariúba (MARANHÃO). Árvore de 20 a 25 metros de altura, o que a distingue do marupá-do-campo (marupaí-do-campo, pau- paraíba ou mata-barata), que também é medicinal. A casca é muito espessa, fibrosa e porosa; a madeira é leve e branca, manchada de amarelo claro; folhas alternadas; flores esbranquiçadas e pequenas; fruto de 5 cápsulas, de forma e volume de uma azeitona, contendo cada uma 1 caroço oval. A infusão da casca, principalmente a da raiz, é indicada contra diarréias, disenterias, cólicas, febres intermitentes e afecções verminosas, na dose de 4 a 5 xícaras por dia. O pó da casca é cicatrizante. (46) Mucajá – Palmeira que dá coquinhos amarelos, conhecidos por cocos-de-catarro. (47) Murici – Árvore alta e frondosa, de folhas largas e aveludadas e caule reto, com ramagem simétrica. O fruto é pequeno e agridoce, com propriedades laxativas. Toda a planta é diurética e emética. A casca é adstringente e febrífuga. (48) Pacova – Banana que alcança 40cm de comprimento, bastante indigesta quando consumida ao natural, porém muito apreciada quando assada ou cozida. (49) Pajurá – Árvorede porte médio, comum na AMAZÔNIA, de fruto ovóide, com caroço unilocular, doce, pouco oleoso e aromático. (50) Palmeiras – São plantas que reúnem cerca de 1.500 espécies e entre as quais estão os coqueiros, isto é, as que dão cocos grandes; as demais dão os chamados “coquinhos”. Cocos e coquinhos são os seus frutos, nunca venenosos, mas alguns não podendo ser comidos crus. De uma palmeira tudo será aproveitado; assim: a - O tronco poderá servir para construir balsas; b - As folhas servirão para cobertura dos diferentes abrigos e para “acolchoar” uma “cama”. c - Como alimentos, ela poderá fornecer amido extraído de seu âmago, o qual, após duas lavagens em água, dará um depósito de goma que, seco, será usado como farinha; fornecerá palmito, cocos e coquinhos. Os cocos encontrados no chão, mesmo germinando, poderão ter sua polpa consumida, desde que seja antes cozida; com isto, ela perderá muito do seu poder laxativo. Será necessário ter cuidado, entretanto, ao se mexer na folhagem das palmeiras, porque, sendo quase todas muito semelhantes, o leigo não distinguirá a espécie chamada pindoba ou patioba que se constitui no “habitat” da serpente “surucucu-de-patioba”. Além disso, geralmente, a vegetação estará cheia de outros pequenos animais, como formigas, cabas e lagartas. (51) Patauá – Palmeira que dá coquinhos semelhantes, na cor, ao açaí, e dos quais se extrairá bebida e óleo; podem ser comidos crus. (52) Paxiúba – Palmeira de onde se extrai palmito e material para utilização no acampamento( mesas, bancos etc.) (53) Pequiá – Fruto do pequizeiro, que se comerá cozido ou assado. (54) Pindoba – Palmeira que fornece palmito e, dos coquinhos, óleo. (55) Piririma – Palmeira de que se pode obter, igualmente, palmito e óleo. (56) Pitomba – Árvore copada, com folhas em palmas, de fruto globoso pequeno, marrom, com casca tenaz. O caroço é adstringente, aplicando-se contra diarréias crônicas. (57) Pupunha – Árvore que pode atingir 18 metros de altura; os frutos, ovóides ou arredondados, amarelados ou vermelhos, são comidos cozidos, muito nutritivos e de gosto agradável. (58) Pupunharana – Árvore de até 20 metros, com frutos do tamanho de um ovo, comestíveis. (59) Saracura-muirá – Arbusto de 1 metro de altura, de folhas longas, abundante na AMAZÔNIA. A infusão de uma raspagem da casca ou caule, bem batida com água, dá uma espécie de cerveja, um pouco amarga; se fervida, este amargor desaparecerá. É narcótica, quando ingerida em 132 grande quantidade. Um caneco, por homem e por dia, é a medida máxima. Possui propriedades terapêuticas, funcionando como protetor hepático. (60) Sorva – Árvore frondosa e de grande porte que fornece frutos pequenos e esverdeados e um tipo de leite vegetal, o leite de sorva. Este leite, colhido à semelhança do látex, sulcando-se em bisel o grosso tronco e colocando-se uma folha no encontro das duas incisões, para facilitar a colheita, poderá ser utilizado, sem nenhum temor, na proporção de dois dedos para um caneco d’água. O leite de sorva é perfeitamente branco e possui teor nutritivo, com sabor bastante semelhante ao leite de gado. (61) Tucumã – Sob esta denominação encontram-se diversas palmeiras, de grande utilidade, desde as folhas aos frutos. Das folhas obtêm-se fibras que, tecidas, são utilizadas no preparo de redes, cordas e atilhos, e os frutos são comestíveis, tanto crus, como cozidos. Os troncos destas palmeiras são revestidos de espinhos e seus frutos são amarelos, com polpa fibrosa e semente (caroço) grande. A polpa é rica em provitamina A e seu valor energético é significativo: 247 calorias por 100g de fruto. Da semente pode-se extrair óleo vegetal de grande aceitação. (62) Uxi – Árvore grande, cujos frutos poderão ser comidos crus ou cozidos e donde se poderá extrair uma gordura comestível. b - A relação acima não esgota o assunto. Conforme a área da Região AMAZÔNICA, novas plantas e frutos poderão enriquecer esta lista ou, no mínimo, suplementá-la com novidades ou denominações locais. OS ALIMENTOS AMIDOADOS Muitas plantas armazenam grandes quantidades de amido comestível (como sejam: a fécula de batata, o polvilho, etc.), nas suas partes de sob a terra. Os tubérculos – da batata silvestre com a folhagem semelhante às variedades cultivadas são comestíveis. Os tubérculos de outras plantas, tais como os do inhame, a açucena branca da água, são abundantes no interior. As hastes – (grandes talos) = são achados em milhares de plantas, mas somente dois tipos, muito espalhados pelo mundo, são aqui ilustrados: O feto vegetal (samambaias); O rabo-de-gato. Nos trópicos, muitos dos vegetais mais comuns, como sejam: o aipim, a cana de açúcar, etc., provém dos grandes talos (das hastes). Os Bulbos – são, na maior parte das vezes, produzidos pelos membros da família das liliáceas como sejam: o próprio lírio, a cebola e o narciso. Muitas espécies de bulbos são comestíveis. Os tubércules, os talos (e as hastes – talos grandes, a cana de açúcar são excelentes fontes de alimentação porque, geralmente, pode-se contar com essas fontes o ano todo. Os Troncos – da palmeira salgueiro, das cicadáceas (como o salgueiro) e outros determinados tipos de palmeira, produzem grandes quantidades de amido comestível, no seu interior, o suficiente para sustentar a vida durante várias semanas. Os grãos ou sementes – do milho miúdo, dos capins bravos, e de muitas gramíneas. Esses grãos (ou sementes) são feculosos (amidosos) e constituem excelente alimento-base. A Banana – verde na cor não significa que ainda não esteja madura. Exemplo: a banana d’água, a banana da terra, a banana figo (que se deve primeiramente cozinhar), todas tropicais, contêm muito amido, (mas não são naturais, podendo ser encontradas em roças abandonadas). A preparação – Todo alimento que contêm amido deve ser cozido, pois cru é indigesto. O amido não é extraído do arum (parecido ao inhame “taioba”) nem do inhame, nem da banana figo (de cozinhar), quando estão crus. Essas plantas e frutas são, primeiramente cozidas na água, ou no vapor d’água, assadas ou fritas, e são comidas sem qualquer condimento ou tempero, podendo, também, ser misturadas a outros alimentos silvestres. A mandioca é sempre, cozida porque, quando crua, é venenosa. O amido é extraído da palmeira salgueiro e de outros troncos, pelo processo de rachar o tronco e de remover a substância mole e esbranquiçada, de dentro, por meio de um pau pontiagudo. Essa substância branca, concentrada (o amido puro), é despejada em uma vasilha. Depois de lavada uma segunda vez poderá ser empregada, diretamente, como farinha. Um tronco de palmeira 133 salgueiro bastará para suprir de amido, um indivíduo, na quantidade necessária a sua substância normal, durante muitas semanas. PROCESSOS PARA APANHAR ALIMENTO NO ALTO DAS ÁRVORES O tronco normalmente esguio e escorregadio, é de difícil escalada. Nesses casos deve-se fazer uso de “PECONHAS” (cordas ou cipós). São cintas que o indivíduo, que sobe em árvores, passa à voltar da mesma e do próprio corpo, para facilitar a subida e preservar-se de uma queda. É muito usado pelos seringueiros, apanhadores de coco e habitante do interior da Amazônia. Para subir em uma árvore ou coqueiro, feche o laço em volta do tronco, deixando espaço suficiente para os pés, e firme-se nele com ambos os pés. O apoio que o tronco oferece à volta oposta do laço suportará o seu peso. Eleve os braços e segure o tronco com ambas as mãos. Erga-se então, endireitando o corpo, com apoio sobre o laço, a fim de chegar a nova posição. Repita o processo e você, possuindo a energia de um indivíduo normal, poderá subir até a copa de uma árvore ou palmeira. Com isto se tornará mais fácil apanhar alimentos ou colocar um pano colorido amarrado a uma vara comprida, para sinalizar o local. ALIMENTOS DE ORIGEM ANIMAL Normalmente se obterácarne através da caça e da pesca. A carne tem um valor energético muito maior que os vegetais, pela quantidade de proteínas e nutrientes que possui, portanto o sobrevivente devem dar maior preferência para alimentos de origem animal . Entretanto, é mais difícil de ser conseguida na selva, devendo o homem, para isso, estar altamente capacitado, conhecendo os hábitos diurnos e noturnos dos animais, seus “hábitats”, seus rastros e locais de comida, onde possa ser feita uma espera ou colocada uma armadilha para caça. PREPARAÇÃO DA CAÇA: A melhor maneira de se aproveitar a caça é o cozimento ( toda carne antes de ingerida deverá ser fervida de 2 a 3 minutos para evitar contaminação com vermes ou parasitas, jamais coma a carne crua) , na impossibilidade de se fazer o cozimento ( falta de recipiente) o sobrevivente poderá assá-lo. Para efeito do preparo, utilização e conservação, convenciona-se dividir a caça em: a. Animais de Grande Porte: antas, onças, veados, macacos, pacas, cutias, cutiaras, capivaras etc. (1) Uma vez abatido o animal, deve-se proceder à esfola. Pendura-se o animal pelos posteriores, abrindo-os para facilitar o trabalho. Faz-se uma incisão transversal na parte mais alta dos mesmos, abaixo dos joelhos, e outra longitudinal até as entrepernas. Com a ponta da faca inicia-se o esfolamento, liberando a pele do músculo através de uma fina camada de gordura ali existente. Procede-se com os demais membros da mesma forma (2) Há alguns animais, como os macacos, que permitem ser descamisados, isto é, uma vez feitas as incisões transversais e longitudinais, pela simples tração, o couro vai-se destacando do músculo. (3) Após esfolado ou descamisado, o animal será aberto pela linha do peito (linha branca) para a evisceração. Nesta operação dever-se-á ter um duplo cuidado: com a bexiga e com o fel. Para isso, coloca-se a ponta da faca protegida pelo indicador e, tracionando-se para a frente e para baixo, o animal estará aberto sem se correr o risco de perfurar a bexiga ou a bolsa biliar. Nos grandes animais, nenhuma parte das vísceras deverá ser aproveitada. (4) Eviscerado e lavado, o animal estará pronto para a cocção que poderá ser para consumo imediato ou moqueado para uso posterior. (5) A pele dos animais poderá ser aproveitada para abrigar, para colher água ou para simples adorno. Para isso, deverá ser estaqueada e posta a secar ao sol ou fogo.(6) As parte da caça que possuem vitaminas essenciais estão no coração, figado e rins, por este motivo não os despreze em hipótese nenhuma. 134 CLASSIFICAÇÃO DOS ANIMAIS Classificados dentro de uma sistemática, de acordo com suas características: a- Mamíferos; / b- Aves;/ c- Répteis;/ d- Batráquios;/ e- Peixes. Classe dos Mamíferos – São animais que alimentam as crias com o leite das mamas. Têm pele frouxa e fina e o corpo mais ou menos coberto de pelos. Compreende as ordens dos: A. DESDENTADO: (1) Tatu – Apesar de classificado como desdentado, o tatu possui dentes, porém fracos e situados no fundo da boca. Morando em tocas profundas, preferem sair à noite para a procura de alimentos. Sua proteção é a carapaça óssea, em forma de placas, que os envolve, desde a cabeça até a própria cauda. São onívoros e apresentam os seguintes tipos: tatu-canastra ou tatuaçu, que chega a pesar 50 quilos; tatu-peludo ou tatupeba, até 10 quilos; tatu-de-rabo- mole, até 10 quilos; tatu-bola ou apar, que se enclausura dentro da casca como defesa e mede uns 40cm de comprimento. (2) Tamanduá – São desdentados que se alimentam de formigas, cupins e ovos de aves. Não são agressivos e, se ameaçados, limitam-se a fugir ou a se defender. Variedades: tamanduá- bandeira, que chega a medir 1,20m de comprimento, mais a cauda, de tamanho equivalente e que lhe serve de cobertor; tamanduá-mirim, de porte menor, também conhecido como tamanduá- de-colete, pela disposição de sua pelagem. (3) Tamanduaí – Possui garras semelhantes às da preguiça. É pequeno, 25cm no máximo, gosta de morar em umbaúbas e prefere sair à cata de alimento à noite. B. ROEDORES: São mamíferos que possuem os incisivos grandes. (1) Capivara – É o maior roedor conhecido no mundo, pois chega a ter um metro e vinte de comprimento por sessenta centímetros de altura, pesando 50 quilos. Vive próximo à água e prefere alimentar-se à noite. Possui pelos sedosos e híspidos, pardo-avermelhados ou amarelados, cabeça alongada, crânio achatado e orelhas pequenas. A carne é apreciada mas um pouco gordurosa. Domestica-se com facilidade, sendo conhecida também como capincho. (2) Cutia – Roedor de corpo grosso, com 50 a 60cm de comprimento e 3 a 5 quilos de peso, sem cauda, pelos ásperos, pardos, amarelos e negros. Vive nas matas e tem hábitos noturnos, passando o dia oculta na toca, geralmente entre raízes de árvores. Alimenta-se de frutos e sementes e sua carne é bastante boa, devendo, no entanto, ao ser preparada, serem retiradas as glândulas subaxilares anteriores e posteriores e a subcaudal. Existem as seguintes variedades: cutia-preta, cutia-parda e cutia-vermelha. (3) Cutiara – Roedor menor que a cutia, que tem hábitos idênticos a esta e apresenta um pelo pardo-avermelhado e uma pequena cauda de uns 8cm. É também conhecida por cutia-de-rabo. (4) Paca – Mamífero roedor, de pelagem marrom-chocolate ou marrom-avermelhada, com manchas brancas. De hábitos noturnos, passa o dia dormindo na toca, saindo à noite para se alimentar de frutas e raízes. Sua carne é muito apreciada, podendo também ser aproveitado o seu couro. 135 (5) Cuandu ou ouriço-cacheiro – Mede uns 60cm de corpo e uns 50 de cauda. Tem o corpo recoberto de espinhos de até 10cm de comprimento. Animal de hábitos noturnos, vive em tocas e ocos de pau e se alimenta de preferência de frutos: goiabas, bananas, ameixas etc. Seus espinhos são sua defesa, principalmente no contato direto, e só podem ser arrancados rasgando- lhe a carne. (6) Quatipuru – Pequeno roedor, de pelo vermelho vivo e cauda felpuda, mais comprida que o corpo. É essencialmente arborícola, sendo comumente encontrado em todo o BRASIL, pois está representado por cerca de 21 espécies. É também conhecido por acutipuru e caxinguelê. (7) Rato-coró – Roedor do feitio de rato, porém com o corpo coberto de pelos rijos ou cercas, de acordo com as variedades. Vive em ocos de pau ou moitas de capim, à beira dos rios, lagos e igapós. C. UNGULADOS: São mamíferos terrestres, de grande porte, geralmente herbívoros e cujos membros terminam em cascos, contínuos ou fendidos em duas partes. (1) Anta – É o maior mamífero terrestre da fauna brasileira, chegando a medir 2m de comprimento por 1,10 de altura e peso de até 300kg. Tem o corpo maciço e a cabeça é grande, volumosa e triangular quando vista de perfil; as orelhas são grandes, os olhos pequenos, o pescoço curto e o focinho em forma de pequena tromba móvel e pelo pardo. É encontrada geralmente nos “barreiros”. Sua carne é boa. É conhecida também por tapir. (2) Veado – Mamífero ruminante, muito veloz e tímido. Alimenta-se de frutos e apresenta várias espécies, como: a) Veado-capoeiro – Alcança 1,45m de comprimento por 0,80 de altura e possui ramagem pequena e curta. b) Veado-galheiro – É o maior da espécie na AMÉRICA DO SUL, com 2m de comprimento por 1,30 de altura. Vive em regiões banhadas e tem armação ramificada. c) Veado-mateiro ou pardo – Atinge 1,40 por 0,90 metros e tem a cor castanho-ferrugem. (3) Caititu – Espécie de porco-do-mato, com cerca de 90cm de comprimento e 30 a 40cm de altura. Tem cauda curta, pernas delgadas e cerdas rijas de cor pardacenta com salpicos brancos, com uma coleira amarela no pescoço, do peito às costas. Anda em varas de 5 a 10 elementos e é menos agressivo que a queixada. É também denominado cateto, coleira-branca ou tateto. (4) Queixada – Morfologicamente, assemelha-se aocaititu, mas é pouco maior, atingindo mais de 1 metro de comprimento. Apresenta pequena mancha branca na papada e é mais feroz que o caititu, inclusive por andar em varas bem mais numerosas. Sua carne é desprovida de gordura, porém muito apreciada pelos caçadores. D. CARNÍVOROS: São mamíferos que se caracterizam, principalmente, por possuírem os caninos avantajados. (1) Gato maracajá – Mamífero da AMÉRICA DO SUL, que atinge 85cm de comprimento (corpo) e 50cm de altura e tem a cor ruivo-amarelada, com numerosas manchas arredondadas, orladas de preto. Vive nas matas, nada bem e trepa em árvores com facilidade. Alimenta-se de aves e mamíferos. É chamado ainda de jaguatirica. (2) Onça-pintada – Mamífero felídeo, encontrado do TEXAS à PATAGÔNIA. É vigorosa, atinge 1,20m de comprimento sem a cauda, por 0,85m de altura, e tem a pelagem amarelo-ruiva, com cinco séries de rosetas pretas nos lados. Dificilmente ataca o homem, preferindo os porcos- do-mato, as capivaras e os veado. (3) Suçuarana – Habita o continente americano e tem o corpo delgado, embora seu porte atinja 1,20m de comprimento por 0,70 de altura, e cerdas de tom amarelo-vermelho-queimado, mais escuro no dorso. Caça de noite, atacando geralmente todos os animais, mostrando-se, entretanto, tímida em relação ao homem. É também chamada onça-parda, onça-vermelha e puma. (4) Cachorro-do-mato – Mamífero carnívoro, de cor pardo-cinzenta, de orelhas curtas e focinho denegrido. Mede, aproximadamente, 70cm de comprimento. Vive nas matas e alimenta- se de pequenos mamíferos e aves. (5) Jupará – Carnívoro encontrado no Norte do BRASIL. Tem cerca de 0,80m de comprimento e pelagem amarelada, com uma faixa escura no dorso. Devido a uma preênsil, é confundido com os macacos. Caça à noite e alimenta-se de pássaros. É também chamado macaco-da-noite. 136 (6) Lontra – Carnívoro de comprimento em torno de 70cm e mais de 30cm de cauda. De cor geralmente pardo-cinzentada, alimenta-se de peixes e aves aquáticas e é um pouco maior que a outra espécie do mesmo gênero, a ariranha. Prefere sair à noite e passar o dia entocada nos barrancos de rios e igarapés. (7) Irara – Ocorre em todo o BRASIL. Carnívoro de corpo baixo e longo e cauda curta, num total de 1,10m de comprimento, tem a cor pardacenta e habita as matas, costumando caçar à noite, de preferência aves, pequenos mamíferos e ovos. (8) Quati – Pequeno carnívoro de hábito arborícola, que mede cerca de 70cm de comprimento e mais de 50cm de cauda. A cor geral é cinzento-amarelada. Percorre a selva de dia, alimentando- se de pássaros, ovos, insetos e frutos. Fossa o humo à procura de vermes e larvas, vive em família e é muito inteligente e valente. E. PRIMATAS São mamíferos que possuem os pés quase semelhantes às mãos. (1) Macaco-prego – Símio pequeno, conhecido no sul como mico. Sua cor varia do amarelo- palha ao ruivo; vive em bandos e seu grito parece um assobio. Familiariza-se com o cativeiro.(2) Macaco-caiarara – Variedade de micos da AMAZÔNIA, de pêlo amarelado e mãos (3) Macaco-barrigudo – Mede 60 a 70cm de comprimento, mais a cauda que é externa. A pelagem é densa e lanosa, de cor cinzento-escura, e a cauda é preênsil. É um macaco gordo, pesado, ventrudo e comilão. (4) Guariba – Tipo do macaco conhecido pelo poderio de sua voz, devido ao grande desenvolvimento do osso hióide, que funciona como caixa de ressonância. São corpulentos, porém ágeis, e tem a cabeça maciça, o queixo barbado, nos machos, e pelos ruivo-afogueados. Vivem em bandos, alimentam-se de frutos e sementes e movimentam-se pelas copas das árvores. (5) Cuatá – Comum em todo o BRASIL, o macaco cuatá chega a atingir 1,50m de comprimento. Caracteriza-se pelas extremidades e cauda muito longas, sendo esta a metade de seu comprimento total. Tem a pelagem preta e é facilmente domesticável. Sua carne é reputada como a melhor caça da AMAZÔNIA. (6) Macaco-de-cheiro ou jurupixuna ou boca-preta – Seu nome vem da mancha preta ao redor da boca; vive em pequenos bandos. (7) Outras espécies: macaco-leão, parauaçu, macaco-duas-cores, cuxiú, macaco-da- noite. F. MARSUPIAIS: Mamíferos que possuem bolsa cutânea no ventre. Mucura – Mamífero marsupial de hábito noturno, do porte de um gato e de pelagem cinza- avermelhada. Dentro da bolsa marsupial acham-se as tetas, onde se agarram os filhotes. Alimenta- se de frutos, vermes e larvas. Bem preparada, sua carne é saborosa. Gambá – Marsupial de porte menor que a mucura, de hábitos noturnos, preferindo aves, frutos e pequenos animais para sua alimentação. Seu pêlo é composto de cerdas longas, pretas e brancas, mescladas. Retirando-se a glândula fétida. 137 PÁSSAROS E PEQUENOS ANIMAIS São mais difíceis de serem capturados. Dentre eles destacam-se os papagaios, tartarugas, capivaras, ratos selvagens e macacos. A melhor maneira de apanhá-los é por meio de armadilhas e alçapões que devem ser armados à tarde e recolhidos pela manhã. Esfole (tire a pele) a caça abrindo-a pela linha do peito, sangre-a e limpe-a . A carne não deve ser muito cozida, aproveitando-se principalmente o coração, rins e fígado, que possuem vitaminas essenciais e podem ser consumidos crus. Remova, porém a bexiga biliar (que contém fel) e a de urina, que uma vez rompidas, contaminarão a carne. Lave, depois, a carne com água pura. Retire também glândulas odoríferas, se houver. O cheiro desagradável de pequenos roedores desaparece em parte com a esfoladura. Se a caça ocorrer em período quente, é conveniente retirar os intestinos do animal. O inconveniente das caças é o fato de conter substâncias tóxicas que se localizam no sangue, músculos e vários órgãos. Essas substâncias dependem em larga medida das circunstâncias que levaram o animal à morte e são pouco toleradas pelo organismo. A intoxicação muscular causa a rigidez cadavérica que se manifesta logo após a morte do animal. Retire imediatamente as penas das aves, através de descamisamento (perdendo-se também a pele) água quente. Suspenda lebres e aves maiores pelos membros inferiores para que o sangue passe para a cabeça. Já no caso de pássaros pequenos, deverão ser apoiados em um plano. Depois, providenciar a retirada das penas e do couro. Aves que comem carniça não tem sabor agradável para seres humanos e as aves que se alimentam de peixes tem carne com odor e sabor de óleo de peixe. Mutuns, jacus, nhambus-galinha, jacamins, papagaios, ciganas, socós, garças etc. (1) Abatida a ave, estando ela ainda quente, será fácil a retirada das penas. Outro processo para depenar é o caseiro, com o emprego da água quente, mas difícil de ser realizado em plena selva, além de moroso. Pode-se ainda retirar as penas juntamente com a pele, pelo descamisamento; embora seja um processo rápido, haverá porém a perda da pele como alimento. (2) O processo do barro é eficiente, porém demorado; consiste em ser a ave levada ao fogo envolta no barro; pelo calor haverá a desidratação e o tijolo assim obtido, quando partido, liberará a ave sem as penas. (3) Das vísceras das aves podem ser aproveitados o coração, o fígado e a moela, sendo que desta pode-se extrair uma pequena quantidade de sal. Para isto, após bastante picada, é posta a ferver com água e, com a evaporação, restará uma pequena porção de sal em depósito. A quantidade assim obtida, embora insuficiente para salvar a ave, servirá para dar um paladar melhor à carne. (4) Os ovos, tanto os das aves como os dos quelônios, podem ser conservados até 30 dias, quando cozidos em água e guardados em salmoura, ou então, após, cozidos, esfarelados e postos ao sol para uma melhor desidratação. CLASSE DAS AVES: São vertebrados de sangue quente, ovíparos, de corpo coberto de penas, tendo os membros anteriores transformados em asas e respiração pulmonar. Compreendem as ordens: A. Rapaces – Têm bicos aduncos e garrasterminadas por unhas possantes e podem ser de hábitos diurnos e noturnos. (1) São de hábitos diurnos: Gavião – Nome comum à variedade de falconídeos. Têm o bico recurvado e afiado, e os pés nus, providos de unhas fortes e afiadas. Em geral só se alimentam dos animais que prendem, caçando-os durante os dia. Tipos conhecidos: ximango, carancho, carcará, gavião-pedrês etc. Gavião-tanató – Falconídeo do tamanho de um galo, com o corpo listrado de branco e cinzento escuro, de bico forte e dentado. É agressivo. 138 Caburé – Coruja pequena, de hábitos diurnos e cor parda com manchas amareladas ou brancas. Nidifica em oco de pau. É caçador valente. (2) Corujas – Aves de porte variável e de hábitos noturnos, que tem a cabeça grande, com ou sem orelhas, olhos redondos voltados para a frente, bico curvo, garras curtas e cobertas de penas. Possui plumagem macia e mole, que lhe proporciona vôo silencioso, e cores sóbrias, predominando o cinza ou pardo escuro. Pássaro noturno, enxergando muito bem à noite, é tímida e alimenta-se de ratos, morcegos, batráquios e insetos. B. Trepadoras – são aves com dois dedos voltados para a frente e dois para trás. (1) Arara – Ave de grande porte, de bico curto e grosso e maxilar superior curvado e maior que o inferior. De colorido vivo (vermelho, azul e amarelo) e de grande vivacidade, vive em bandos e alimenta-se de frutos, preferindo os de casca grossa. (2) Tucano – Ave trepadora que na mata prefere saltar a voar. Alimenta-se de frutos, principalmente de palmeira (açaí, bacaba) e bichinhos. A variedade de tipos, pelo porte e coloração, é enorme, do araçari (20cm) ao tucanaçu (55cm). (3) Papagaios – Habitam regiões tropicais ou subtropicais. Tem bico curto, grosso, mais alto que longo, língua carnosa e plumagem vistosa, existindo grande variação dentro da ordem. Nidificam em ocos de pau e alimentam-se de grãos, sementes e frutos. C. Galináceos – Aves de vôo curto e bico liso. (1) Mutum (Fig 124) – Ave do tamanho de um peru, toda preta, com ventre e ponta da cauda brancos e bico vermelho-alaranjado. Há variedades com o bico amarelo e menor e uropígio preto ou branco. Nidifica no chão e alimenta-se de frutos e bichinhos, sendo encontrada sempre em bandos. Sua carne é muito apreciada. (2) Jacu – Ave de porte de uma galinha, de penas marrons. Nidifica no solo. É selvática e, afora a época da incubação, vive em bandos mais ou menos numerosos. Alimenta-se de toda a sorte de frutos e sementes. Sua carne é saborosa e a ave é comum em todo o BRASIL. (3) Jaçanã ou piaçoca – Ave pequena, de cor castanha, comum nos lagos, açudes e brejos. Alimenta-se de insetos e põe ovos no solo, sem preparar ninho. Tem grande vivacidade e seu grito metálico constitui alarma contra os caçadores. (4) Téu-téu – Semelhante ao “sentinela dos pampas”, porém sem o panacho, o téu-téu da savana é uma ave encontrada, principalmente, nas campinas do alto RIO BRANCO. (5) Inhambu ou nhambu – Há 14 espécies brasileiras, variando apenas no tamanho e um pouco no colorido. São aves que vivem no chão, alimentando-se de frutas e sementes. Voam pouco e propiciam carne muito apreciada. Espécies principais: inhambu-galinha e inhambu- relógio. (6) Jacutinga ou cujubim – Sob estas denominações são encontradas várias espécies de galináceos, de porte grande, de cor negro-verde, com reflexos metálicos, crista brancacenta e garganta manchada de branco. Sua carne é muito apreciada. (7) Jacamim – Ave encontrada unicamente na AMAZÔNIA e MATO GROSSO. São aves da mata que vivem em bandos. Domesticam-se facilmente e alimentam-se de frutos e bichinhos, sendo abatidas nestas ocasiões. Sua carne é saborosa. (8) Juruti – Pequena galinhola de colorido metálico no pescoço e dorso avermelhado. Alimenta- se de insetos, larvas e frutos e prefere vir comerno chão. É muito rápida e difícil de ser vista. D. Pernaltas – Tem 4 dedos e asas próprias para vôo. (1) Socó – Aves de plumagem amarelo-ferruginosa, ornada de listras de cor bruna, que as torna malhadas. Preferem movimentar-se à noite, permanecendo escondidas nas folhagens durante o dia. São variedades: o socó-boi, socó-onça, socoí e socó-mirim. (2) Jaburu – É a maior das aves sul-americanas, com cerca de 1,20m de comprimento, de plumagem branca, cabeça e pescoço pretos e nus e bico também preto, grosso na base e com a extremidade afilada. Ave noturna, ictiófaga e de grande voracidade, nidifica em árvores e é encontrada em todo o BRASIL. (3) Maguari – Aproxima-se, no porte, à cegonha européia e ocorre em toda a AMÉRICA DO SUL. Tem a plumagem azul-cinzenta e a cabeça e pescoço também providos de penas. De hábitos noturnos, nidifica em árvores e alimenta-se de peixes, insetos e ofídios não peçonhentos. 139 (4) Garacura – Ave de porte médio, de bico forte e comprido, de tíbias nuas na parte inferior e pés munidos de dedos longos e finos, que se alimenta de toda sorte de bichinhos, inclusive de camundongos. Sua carne é apreciada. (5) Garças – Habitam os banhados, lagos e rios. Alimentam-se de peixes, batráquios, insetos etc. têm hábitos diurnos. Há inúmeras variedades de plumagem e porte. As principais são: garça- pequena, garça-azul, garça-morena e garça-branca. E. Palmípedes: São aves que possuem os dedos interligados por uma membrana. (1) Carará ou biguá – Grande ave aquática, de cor marrom-escura, de bico avermelhado, comprido e recurvado na ponta, e que ocorre em todo o BRASIL. Ictiófaga, vive tanto no litoral como nos rios e lagos, sendo também conhecida por anhinga e pata-d’água. (2) Marrecas – Aves de bico longo, pernas curtas e dedos providos de membranas natatórias. Nidificam no chão e põem ovos brancos ou esverdeados. Vivem em bandos e compreendem diversos gêneros: marreca-cabocla, marrecão, marreca-do-pará, paturi ou marreca-ananaí etc. (3) Mergulhão – Ave aquática encontrada em lagos e rios de todo o BRASIL. Sua coloração é pardo-avermelhada ou negro-esverdeada. Alimenta-se de peixes e sua carne é boa. Há variedades desde 35 até 70cm de comprimento. RÉPTEIS Todas as cobras, com exceção as do mar, servem para comer. Ao capturar cobras para a alimentação, tenha o cuidado de retirar e jogar fora aproximadamente um palmo da região da cabeça e um palmo da região da cauda. São vertebrados de corpo alongado e se locomovem por movimentos de reptação. São ovíparos e têm o corpo coberto de escamas. Compreende 3 ordens: a. Quelônios – Possuem notável carapaça óssea dorsal e ventral, protegendo todo o corpo. (1) Tartaruga-grande-do-amazonas – Habita os rios da bacia AMAZÔNICA. Atinge 1 metro de comprimento por 60cm de largura; de cor preto-cinzenta, sua carne é muito apreciada, bem como seus ovos. (2) Tracajá – Quelônio de pequeno porte, com cerca de 40cm de comprimento por 30 de largura, cuja carne e ovos são muito apreciados. (3) Jabuti – Mede de 30 a 40cm até 1 metro (jabutiaçu) de comprimento. Alimenta-se de frutas caídas. Prefere as encostas próximas aos cursos de água. Sua carne e ovos são considerados excelentes. (4) Outras variedades de quelônios: matamatá, iaçá, cabeçuda etc. b. Sáurios Compreendem duas famílias: (1) Lacertídeos – Firmam-se em 4 membros e são ágeis. Jacuruaru – Lacertídeo de grande porte, podendo atingir até 80cm de comprimento. É frugívoro, insetívoro e carnívoro. Tem cor geral olivácea, com exceção da cabeça que é amarelada, cauda longa e achatada e gosta de viver próximo à água. Calango – Tipo de lagarto também conhecido como taraguira. Vive no chão e é de colorido azul na frente e verde atrás, com linhas negras. Lagartos – Existem 2.500 espécies de lagartos, sendo o maior número encontrado nos trópicos. Possuem grande capacidade de regeneração dos tecidos. Alimentam-se de vermes, insetos e alguns moluscos. Têm vida longa (mais de 20 anos). 140 Dos ofídios, quer sejam peçonhentosou não, retira-se um palmo a partir da cabeça e um a partir da cauda; faz-se um corte longitudinal pelo ventre e pode ser esfolado ou descamisado pela tração; feita a eventração, todo o ofídio pode ser consumido, sem qualquer outra preocupação. c. Crocodilianos – São répteis porte avantajado, de dentes cônicos e implantados nas mandíbulas. São muito temidos. No BRASIL há 6 espécies de jacarés, distribuídos por 3 gêneros. Os mais conhecidos são: (1) Jacaré-de-papo-amarelo – Muito arisco e agressivo é encontrado no pantanal. (2) Jacaretinga – De menor porte. (3) Jacaré-açu – Agressivo, de cor preta com rajas amarelas, de grande porte, atingindo até 5 metros de comprimento. Enquadram toda a variedade de lacertídeos, quelônios, ofídios e jacarés. Não devem ser consumidos lacertídeos que se deixem apanhar com facilidade ou que estejam doentes. Nos lacertídeos e jacarés, a carne mais indicada para o consumo é a da cauda. Os quelônios (jabutis, tracajás, tartarugas etc.) podem ser levados inteiros ao fogo. Entretanto; convém bater com o facão nas laterais da carapaça ventral e, rompendo-a, pode o animal ser eviscerado, e apenas aproveitados os ovos, quando houver. O próprio casco pode servir de vasilha para a cocção do quelônio, cuja carne poderá ser cortada em pequenas postas e assadas no espeto. Não esquecer que a fome sobrepuja toda repugnância. BATRÁQUIOS São vertebrados de sangue frio e dupla respiração, branquial e pulmonar. a. Sapo – Batráquio desdentado e temido, abrange inúmeras famílias, das quais os exemplares mais conhecidos são: sapo-cururu, sapo-boi e sapo-ferreiro. b. Salamandra – Tem o corpo desprovido de escamas e pele macia e úmida. Vive em terra firme, preferindo lugares úmidos e escuros. c. Rã – Batráquios que, após sua evolução na água, passam a viver na beira de charcos, lagos ou rios. As rãs possuem dentes. Atingem 15cm de comprimento e têm cor parda. Como alimento, sua carne é bastante apreciada. Das rãs pequenas comem-se pernas. Das maiores, tudo, menos a cabeça. Podem ser moqueadas ou fritas. Evite comer sapos. Elas diferem dos sapos pelas seguintes características: Rã: as pernas são mais escuras e esguias e seu refúgio costumeiro é a água. Sapo: tem pele em crostas, é mais claro e tem duas partes afundadas (mossas) entre a cabeça e as patas dianteiras. OVOS Os de tartarugas poderão ser cozidos ou assados mas, de qualquer maneira, a clara continuará mole. Esses ovos assemelham-se a bolas de pingue-pongue mas sua consistência é de borracha. Consuma também ovos de passarinhos, desde que frescos, mesmo que contenham embriões. 141 TEMPEROS a. Quando do preparo de alimentos, a presença de temperos na selva constituirá o maior problema, embora alguns vegetais possuam pequena salinidade. b. Na selva, o sal poderá ser encontrado: Nas cinzas, que possuem pequeno teor salino; No caruru, planta que, secada ao sol, queimada e lavada, fornecerá como resíduo um sal grosseiro; Na moela das aves, que após picada e fervida até a evaporação da água, por várias vezes, deixará um pequeno depósito com certo teor de sal; No sangue, que, posto a ferver até secar, também fornecerá sal; INSETOS a- Cupins A fêmea alada ou tanajura pode aparecer em clareiras ou relvados. Tiradas as asas podem ser comidas cruas ou fritas em gorduras, tendo o sabor de castanhas torradas. b- Gafanhotos e grilos c- Escaravelhos São pequenas lagartas riscadas de verde e preto podendo ser encontradas no interior de paus secos ou árvores caídas. Podem ser secos ao fogo ou fritos em gorduras. PEIXES São vertebrados adaptados essencialmente à vida aquática. Têm corpo alongado, provido de barbatanas ou nadadeiras para locomoção. São ovíparos e de respiração bronquial. São ricos em vitamina D, proteínas e sais minerais (principalmente sódio). Na falta de anzóis e linha para pesca, improvise esse equipamento usando arames, alfinetes, grampos de cabelo, fios elétricos, linhas de roupa ou cordões de calçados. Use como iscas insetos, carnes, vísceras de qualquer animal panos coloridos, iscas artificiais, penas de cores vivas ou fragmentos de metais brilhantes. Evite comer os que apresentam guelras viscosas, olhos fundos, carne e pele excessivamente moles, como se estivessem se desmanchando, com cheiro desagradável ou ainda paredes abdominais moles e polpudas, com começo de descoloração, boca semelhante a bico de papagaio. Comprima a carne com o polegar e, se ao retirar o dedo houver uma marca na carne, é indício de deterioração. Evite também os que tenham pele espinhosa e lisa, ao contrário de escamas. Não coma arraias de água doce. Peixes de água doce não devem ser comidos crus ou defumados porque frequentemente são portadores de parasitas. Peixes pequenos são facilmente escamados se colocados antes em uma vasilha com água fervente por alguns segundos. Podem ser escamados, sempre da cauda para a cabeça, no sentido contrário ao das escamas. Há peixes, entretanto, cujo couro pode ser retirado juntamente com as escamas, numa operação mais rápida e higiênica. Escamado o peixe ou dele retirado o couro, cortam-se as barbatanas (dorsais e ventrais) e as nadadeiras e, pelo ventre, faz-se a evisceração. Das vísceras dos peixes, somente são aproveitáveis as ovas. 142 Das espécies de água doce as principais variedades são: a. Pirarucu – O chamado bacalhau brasileiro é o maior peixe de água doce da AMAZÔNIA; atinge mais de 2 metros e há exemplares com 100 quilos de peso. É uma espécie importante, pelo grande desenvolvimento que adquire e por servir à nutrição de grande parte da população amazônica. b. Tucunaré – Peixe que alcança 8 quilos. Sua coloração é viva, onde se misturam o vermelho, o amarelo, o verde e o negro, e apresenta dois ocelos, de cada lado da cauda, em ouro-gema sobre fundo negro. Faz ninho no chão e ali desova. Habita águas claras, como as do Rio BRANCO, e águas negras, como as do Rio URUBU, afluente da margem esquerda do AMAZONAS, sendo encontrado ainda em toda a Bacia AMAZÔNICA. Sua carne, um tanto seca, mas delicada e rica em elementos nutritivos, é muito apreciada. c. Jandiá – É o mesmo peixe conhecido no sul do país como jundiá. É um bagre dos mais procurados, pela carne delicada, onde uma fina camada de gordura empresta-lhe incomparável sabor. d. Pirapitinga – Peixe de vasta distribuição geográfica na AMAZÔNIA, é frugívoro e um pouco menor que o tambaqui, ao qual é semelhante, desde os espinhos grandes ao sabor da carne. e. Piraíba – Tipo de bagre que atinge 3 metros de comprimento por 1,40m de circunferência. De focinho achatado e cor bronzeada, dá enormes saltos fora d’água, mostrando todo o corpo. Sua carne é muito procurada, principalmente a dos filhotes. f. Sarapó – Peixe de larga distribuição em toda a AMAZÔNIA. De colorido variado e de maxilares proeminentes e dentes cônicos, chegam a 3 palmos de comprimento. Possuem carne tenra e de ótimo sabor. São suas variedades: tuvira e ituí. g. Matrinchão – Peixe de águas amazônicas, de cor geralmente oliváceo-dourada e de corpo alongado, atingindo 50cm de comprimento. Sua carne é boa. h. Aracu – Peixe da AMAZÔNIA que correspondem às piavas do Sul. De tamanho médio (um palmo) e 300g de peso, sua carne não é das melhores, mas, pela abundância, sua pesca é rendosa. i. Jaraqui – Peixe de escamas, vulgar na AMAZÔNIA, vivendo entre detritos de madeiras submersas e no lodo. Sua carne é excelente, apesar das espinhas no lombo, que são numerosas. PEIXES FLUVIAIS PERIGOSOS Bagres e Mandris: possuem três ferrões nas nadadeiras dorsal e peitorais. A ferroada é muito dolorosa e resulta em inflamações locais e, às vezes, febre. Trate das feridas com tintura de mertiolate. Ainda assim, são ótimo como alimentos.Mandri Bagres Piranhas: carnívoro e muito comum no Brasil (Amazônia e região central), vive em cardumes e são três os tipos: branca, preta e vermelha ou acaju, sendo esta última a mais perigosa e, a branca, a menos. Tornam-se mais agressivas no início da época das chuvas (outubro e dezembro). São mais perigosas em águas paradas de lagoas, poços, canais que escoam as águas de brejos etc., especialmente rios de águas escuras, onde não obtêm alimentação suficiente. São saborosas, apesar do excesso de espinhas. 143 Arraias: cartilaginosos, possuem o corpo romboidal, comprido de cima para baixo, com cauda muito delgada e armada de ferrão, bifarpeado, com aspas retorças em forma de punhal, geralmente com cinco centímetros de comprimento. O ferrão, que entra com facilidade mas não sai sem arrancar pedaços de carne, produz um corte de difícil cura porque deixa dentro do ferimento um produto viscoso que aumenta a inflamação. A dor é muitíssimo intensa, a toxina provoca taquicardia acentuada mas o veneno não é mortal. Na região Amazônica são encontradas com maior freqüência nos rios Amazonas, Paraguai, Branco e Tocantins. O peixe fica na beira dos rios, coberto de lama ou areia e está sempre de tocaia. Ao atravessar a pé riachos ou igarapés, utilize um bastão para tatear o fundo, afim de não pisá-las. Pirarara: peixe de couro com um metro e meio de comprimento que costuma puxar com sua boca (com dentes serrilhados) os calcanhares de quem nada em rios de águas mornas, levando a vítima para o fundo, onde aguarda o apodrecimento de suas carnes. É malhado com ligeiras cores amarelo-vermelhas. Não coma sua carne: embora não seja venenosa, sua gordura transformará sua pele em uma cor amarela impressionante. Poraquê ou peixe-elétrico: – Semelhante a uma enguia ou muçum, carnívoro ou frugívoro, é largamente conhecido pelos choques fulminantes que dá em suas vítimas. dependendo de seu tamanho, produz descarga elétrica acentuada, embora sem centelha, utiliza como autodefesa. Habitam regiões do Amazonas, Pará e Mato Grosso, especialmente pequenos cursos d’água (igarapés) e podem atingir até dois metros de comprimento por 20cm de diâmetro. Baiacus: seu tamanho varia entre 10 e 15cm. É menor que seu irmão marítimo. Tem pele flácida com quatro pequenas manchas escuras. É cor verde-malva no dorso e esbranquiçado na barriga. A parte inferior do ventre é ligeiramente áspera. São guarnecidos por minúsculos acúleos e a boca é pequena. São perigosos devido aos espinhos e são extremamente venenosos, mas não a carne e sim a pele, fígado, vesícula biliar e órgãos genitais, na época da reprodução. Portanto, para consumo, devem ser preparados sem a pele e vísceras, embora deve- se dar preferência a outros peixes. Ao ser retirado da água, infla-se até parecer uma bola. Seu veneno não é mortal. 144 Candirú: É considerado o peixe fluvial mais perigoso; minúsculo peixe hematófago amazônico de até três centímetros de comprimento por um e meio de largura. Assemelham-se a bagrinhos e têm grande facilidade para penetrar no ânus e uretra das pessoas que se banham nos rios onde habitam (geralmente em águas escuras). A operação para retirá-los é difícil, pois têm espinhos que se cravam nas mucosas. É recomendável evitar tomar banho sem roupa nos rios onde habitam. PEIXES MARITIMOS PERIGOSOS Mariscos, Ostras e Crustáceos São ricos em sais minerais mais sua carne se estraga com facilidade, portanto devem ser consumidos sempre muito frescos e bem cozidos. Podem ser encontrados presos aos ramos mais baixos das árvores nos manguezais, durante a maré baixa. Se não forem cobertos pelas águas durante a maré alta, não deverão ser consumidos, bem como os que pertencem a colônias contendo membros doentes, cuja aparência é facilmente reconhecível. Ostras e mariscos agarrados em cascos enferrujados de navios jamais devem ser consumidos. Mariscos, ostras, mexilhões e lagostas, se deixados de molho em água pura durante a noite, limpam-se por si mesmos e poupa-se, assim, o trabalho de limpá-los. Cozidos, são mais agradáveis ao paladar e todos que forem coletados em água doce devem ser cozidos. Os caranguejos e siris são facilmente encontrados em manguezais onde se proliferam em abundância. Os caranguejos são fáceis de pegar em água rasa por meio de um puçá, tendo como isca cabeça de peixe ou miúdos de animais em geral. Ficam também entre ramos e raízes ou andando sobre o lodo. OBS: Em hipótese alguma devem ser consumidos medusas, agua viva, caravelas, visceras ou ovos de qualquer peixe. 145 CONSERVAÇÃO DOS ALIMENTOS a. As carnes deverão ser cortadas em fatias finas, de no máximo 2 dedos de espessura, e submetidas a uma desidratação, pela defumação, salga ou moquém. b. O sal, elemento hidroscópico, auxiliará, de qualquer modo, a desidratação e a conservação das carnes. c. Para maior proteção deverão ser guardadas envoltas em panos, papel ou folhas. Caso acumulem mofo, bastará raspá-las ou lavá-las, antes de serem preparadas para consumo. CAÇA REGRAS GERAIS a. A maior parte dos animais de sangue quente e com pêlos são cautelosos e difíceis de se deixar apanhar. Para caçá-los será preciso habilidade e paciência; o melhor método será o chamado de “ESPERA”, cujo tipo, altura e comodidade ficarão a critério do caçador. Os locais mais indicados para uma espera serão uma trilha, um bebedouro ou um comedouro. b. O caçador deverá construir sua espera segundo a direção do vento, isto é, o vento deverá levar ao caçador o cheiro da caça, e não o contrário. c. O silêncio será fundamental. Se o caçador quiser uma caça, poderá fazê-lo, mas terá que caminhar lentamente e com segurança; o vento terá de soprar, durante todo o tempo da perseguição, no sentido do animal para o homem. Só deverá avançar quando ele estiver comendo ou olhando para outro lado que não o do caçador, devendo este permanecer imóvel, se o animal levantar a cabeça em sua direção. d. As horas mais recomendáveis para caçar serão de manhã bem cedo e à noitinha. e. A caça deverá ser mais abundante e fácil de ser encontrada nas proximidades de água e nas clareiras. Ao caminhar; observar com atenção o terreno, a fim de descobrir sinais de caça: trilhas, vegetação rasteira pisoteada, excrementos ou restos de comida, e mesmo ruídos característicos. Quando se estiver percorrendo uma trilha, essa atenção deverá ser redobrada, pois o animal poderá surgir a qualquer momento. f. Muitas espécies de animais vivem em buracos, nos ocos das árvores ou no chão. No primeiro caso, para pegá-los, tampam-se todos eles, menos um, o qual será remexido com uma vara comprida e flexível, ou enchido de água, para forçar a saída do animal; quando isto se der, uma pancada forte na cabeça será suficiente. g. A caça noturna geralmente dará bom resultado, pois a maior parte dos animais se movimenta à noite. A luz de uma lanterna ou de um archote, projetada nos olhos do animal, torná-lo-á parcialmente cego, o que permitirá maior aproximação do caçador que, se não possui arma de fogo, procurará abatê-lo com uma lança (pau com ponta afiada) ou mesmo com uma paulada. Os chamados “olhos sem corpo” não deverão perturbar o caçador, pois serão apenas o resultado dos reflexos da luz nos olhos de aranhas e insetos. 146 h. Animais de grande porte, quando feridos ou quando protegem os filhotes, são perigosos. Antes da aproximação para recolher a caça abatida, será conveniente certificar-se bem de que ela se acha realmente morta. i. Rãs existirão de todos os tamanhos; à noite, na beira das águas, poderão ser pegadas com as mãos, após focá-las com lanternas ou archote; de dia, com um caniço fino, espetando-as. j. Cobras também serão comestíveis, menosas “de água”; para pegá-las, poderá ser usada uma vara comprida com forquilha na ponta, com a qual se prenderá o “pescoço” do ofídio, matando-o em seguida com uma pancada na cabeça, de preferência, a fim de economizar munição. k. Lagartos também poderão ser laçados ou fisgados com vara. l. Tartarugas vivem na água, mas costumam vir a terra, quando, então, serão presas fáceis. As que forem pegas, deverão ser viradas de pernas para o ar, em lugares onde não haja pontos de apoio que permitam que se desvirem por si. Será necessário, apenas, ter cuidado com a boca e as garras do animal. Quando elas figurem para a água, irão esconder-se pousando na areia do fundo; neste momento, poderão ser fisgadas ou arpoadas. Até com anzol, tendo como isca pedaços de palmito, poder-se-ão pegá-las. Existem várias espécies de tartarugas; tracajá e viração são as mais encontradas, sendo a segunda, de grande porte, somente encontrada em grandes rios ou lagos, onde existem boas praias. m. O jabuti, chamado “a tartaruga do seco”, aprecia toda e qualquer variedade de frutas, além de comer ervas e carnes. Costuma viver em troncos ocos de árvores caídas. Para caçá- lo, bastará fazer fogo em uma das bocas do tronco, ou fustigá-lo com uma vara comprida. Não morde, nem arranha. n. Os pássaros não deverão ser desprezados como futuros alimentos. Para caçá-los, a melhor arma será a atiradeira (bodoque, baladeira, lançadeira, estilingue), pois não valerá a pena gastar munição. o. Aves grandes, como mutum, jacu, jacamim, uru, nhambu, poderão ser caçadas a tiro ou por meio de arapucas. Serão encontradas, normalmente, nas árvores frutíferas, próximas das águas. Seus ninhos, quando encontrados, poderão fornecer ovos, comestíveis todos eles. p. As trilhas serão os caminhos normais percorridos pelos animais da floresta. Sobre o solo deverão ser procurados ratos, porcos-espinho, porcos-do-mato, pacas, veados, tatus, antas, cutias etc. Onças, gatos-maracajás e jaguatiricas raramente serão avistados, mas, se o forem, fornecerão também caça para alimentação. Nas árvores serão procurados macacos, morcegos, esquilos, quatis e ratos. ARMAS QUE FAZEM PARTE DO EQUIPAMENTO DE SOBREVIVÊNCIA A espingarda de chumbo possui um alcance efetivo de 15 metros, no tiro aos pássaros, e um alcance efetivo de uns 10 a 15 metros no tiro à caça miúda. Não desperdice munição com tiros além do alcance prático, especialmente em tiros à asa ou a caça miúda, em geral, em movimento (quando em fuga correndo). A espingarda recomendada pelo SAR para constar do equipamento de sobrevivência, pode utilizar cartuchos com chumbo granulado para aves ou com projétil, calibre 20 com projétil pode matar a caça graúda além de 180 metros, mas será difícil acertar em ponto mortal quando a caça estiver a mais de 80 metros, a menos que você seja um campeão de tiro. E lembre-se bem deste detalhe. A maior parte da caça grossa é fulminada a distância menores do que 50 metros. A menos que seja impossível aproximar-se da caça para abatê-la com um tiro certeiro. Nunca tente fulminá-la atirando a mais de 80 metros. Faça o possível para acertar o primeiro tiro, não só para não perder a caça como também para economizar munição. 147 PRINCIPAIS ARMADILHAS a. Chiqueiro São armadilhas para pegar onça ou gato-maracajá. Quando destinados à primeira, não haverá necessidade de serem assoalhadas, mas para o segundo sim, com madeira dura (paxiúda, por exemplo). Quando para onça, deverá ter um outro compartimento na parte de trás, onde será colocada a isca (qualquer animal vivo); quando para o gato-maracajá, não haverá necessidade desse compartimento, pois a isca será carne, vísceras ou peixe. O importante nessa armadilha será o gatilho que a fará funcionar, composta de madeiras e cipós, e cuja construção dependerá da habilidade do caçador. b. Mundéus Muito empregado para pegar tatus, baseiam-se no peso do próprio tronco que, quando cai, por desarme ou gatilho, atingirá o animal. Serão construídos sobre trilhas ou próximo às tocas e não requerem o uso de iscas. Associados a um laço, poderão apanhar animais maiores. Utiliza um barbante esticado atravessando a trilha de caça também não necessita de isca. Quando o animal tropeça no barbante um tronco ou outro objeto cai sobre ele. Animais de médio e grande porte também podem ser capturados por meio dessas armadilhas. É um tipo de armadilha que dá mais trabalhopara ser preparada. c. Arapuca Normalmente usada para pegar jacu, jacemim, mutum etc., ou seja, aves grandes. d. Alçapão Consiste de um buraco fundo, cuja boca será coberta de varas finas e folhagem, a fim de camuflá-la. Poderá ou não ser colocada uma isca; se for o caso, terá a vantagem de atrair pelo cheiro. Nota: Arapucas e alçapão deverão ser armados durante a tarde e recolhidos pela manhã e. Estilingue (Atiradeira) O sobrevivente também poderá utilizar atiradeiras ou estilingues improvisados com borracha de câmaras de ar (duas tiras de uns 20cm) e forquilhas de galhos de árvores. É ideal para animais pequenos, como pássaros. 148 f. Laços Grande será a variedade de laços, nos quais se colocarão, ou não, iscas, de acordo com a caça pretendida. Nos troncos de maior altura pode-se fazer uma fogueira em sua base e procurar espantar a caça para fora, por meio de fumaça. RECOMENDAÇÕES FINAIS a. As armadilhas deverão ser montadas antes do cair da noite e nas partes mais estreitas das trilhas; quando se quiser canalizar o animal em direção a uma delas, bastará construir um “túnel”. b. Os laços deverão ter suas aberturas calculadas para deixar passar a cabeça do animal, e não o seu corpo. Os de enforcar e suspender terão duas vantagens: matar rapidamente e colocar a caça fora do alcance de outros animais. c. Tudo o que se construir durante a montagem de uma armadilha deverá ser muito bem camuflado, para não despertar suspeitas. d. Os locais em que forem carneadas as caças poderão atrair outros animais; neles será, portanto, aconselhável e vantajoso colocar armadilhas. 149 A PESCA Os conjuntos de sobrevivência contêm um estojo de pesca constituído basicamente de anzóis de diversos tamanhos, linhas de pesca e iscas artificiais. Mas também poderão ser usadas outras iscas como insetos, mariscos, minhocas, carne, frutinhas, folhas, panos coloridos e fragmentos de metais brilhantes. Improvise a vara com hastes de bambu os galhos. Use como anzóis pedaços de arame, alfinetes, hastes de bambu etc. Pesque preferencialmente bem cedo ou no final da tarde. Em lagos e correntes caudalosas os peixes tendem a aproximar-se das margens e áreas rasas nos mesmos períodos do dia citados. Mas pescas noturnas também podem dar bom resultado. Ao pescar em água doce dê preferencia aos locais onde a profundidade é maior, nos poços naturais, ao pé das cachoeiras ou por trás de grandes rochedos. Durante o dia, os peixes costumam abrigar-se junto a obstáculos naturais (pedras, plantas aquáticas, troncos etc.). Improvise uma rede usando as cordas do conjunto de sobrevivência e conserve os peixes vivos mantendo-o num “cercado” dentro de uma parte rasa do rio ou lagoa: será uma reserva de alimento sempre fresca. Pesque na praia quando a maré estiver baixando ou já mais baixa, mas mantenha-se afastado da arrebentação, quando estiver próximo ou sobre rochas. Sobre recifes de coral poderão ser encontrados mariscos e moluscos de concha agarrados a eles. Evite, porém, os agarrados a cascos de navios ou qualquer objeto metálico, pois eles provocam intoxicação violenta, capaz de levar à morte. Ao caminhar por uma praia descoberta sobre o fundo lamacento próximo às margens de rios ou fundo barrento junto às praias, faça deslizar o pé sobre o fundo, antes de firmá-lo, para evitar pisar sobre arraias ou outros animais que possuam ferrões ou espinhos venenosos.Você poderá também portar um bastão ou vara que atinja o fundo, usado para examiná-lo antes de pisar. Use a vara também buracos escuros ao procurar alimento. Conchas vazias de ostras amontoadas perto de um poço de água na rocha pode significar a presença de um polvo. À noite, os polvos vão para a água rasa à procura de lagostas e crustáceos. Podem, então, ser vistos e capturados. Use um anzol com isca e espere que ele se envolva completamente com a linha e o anzol. Um repentino e enérgico puxão para cima o trará consigo. Mate-o com um facão. Aves aquáticas poderão ajudar na localização de um cardume, pois voam para fazer o reconhecimento do terreno e descobrir fontes de alimentação. Onde pousam costuma haver muito peixe miúdo; os grandes estarão atrás deles. A noite, a pescaria poderá tornar-se mais produtiva que de dia, se dispuser de lanternas ou archotes, ocasião em que, até com pauladas ou varas pontiagudas, será possível matar os peixes. Pescar dependerá, às vezes, de paciência; por isso, deverão ser tentadas todas as águas, profundas e rasas, rápidas, vagarosas e estacionárias, claras e turvas, utilizando-se vários tipos de iscas nos vários materiais para pesca. Caranguejos, siris, caramujos e mariscos poderão ser encontrados sob rochedos, troncos e moitas de arbustos que se prendem sobre os cursos de água ou no fundo lodoso. O melhor lugar para encontrá-los fica nos manguezais. Os peixes mais comumente encontrados na água doce serão os bagres, os mandis, as piranhas, os baiacus e as arraias, entre aqueles que poderão oferecer mais periculosidade, quer devido à ferocidade, quer aos sistemas de defesa que possuem. Os que regionalmente são mais apreciados são o tucunaré, a pescada, a traíra, o tambaqui, o pirarucu (bacalhau brasileiro), o pacú, o acará, o jaraqui, o matrinchão, a pirapitinga, o surubim e vários outros encontrados nos cursos de água. No litoral, de água salgada ou salobra, ou nos mangues, serão encontrados a tainha, a cavala, a corvina etc., e crustáceos como o camarão e o caranguejo. 150 ISCAS, ANZÓIS E LINHAS a. O material mais prático para se usar em pescaria será a linha com anzol. b. Como iscas, poderão ser usados insetos, minhocas, carnes e vísceras de quaisquer animais. Se conseguir descobrir o que comem os peixes no local em que se está, a pescaria será mais fácil. Iscas artificiais poderão ser confeccionadas com pedaços de panos coloridos, com penas de cores vivas, com fragmentos de algum metal brilhante, ou com pequenos objetos. c. Anzóis poderão ser improvisados; assim, poderão ser confeccionados anzóis de osso e de prego, anzóis de espeto de madeira. d. As melhores linhas serão as de “nylon” e barbante; também poderão ser improvisadas de cipós, de tecimento de fios tirados de um tecido de pano, pedaços de arame, enfim daquilo que a imaginação e habilidade condicionarem fazer. e. Se os peixes se mostrarem indiferentes a todos esses artifícios, o melhor será fisgá-los com varas compridas e pontiagudas, ou procurar encravar o próprio anzol nos seus corpos, quando passarem perto. OUTRAS ARMADILHAS a. Outro material muito aconselhável para pescaria será a rede, inclusive a de dormir, de malha de camarão, que poderá ser armada como que interceptando um curso de água raso e de pouca correnteza, ficando com uma borda afundada por meio de pesos e a outra à superfície, flutuando, enquanto as duas alças serão afixadas por cipós; será uma espécie de “rede guelras”. b. Também será possível apanhar peixes jogando-se bombas tipo “cabeça-de-negro” em um remanso, em uma curva de igarapé, em um poço, ou lançando timbó (veneno) à água, o que atordoará os animais. O timbó é uma planta venenosa da qual se aproveitarão as raízes para, após macerá-las, espalhar nas águas. c. Outros materiais poderão ser empregados para pescar: a camina, uma vara com um cesto preso à ponta e dentro do qual se colocará a isca; o espinhel, uma linha comprida, mesmo improvisada, amarrada de margem a margem, na qual se prenderão vários anzóis iscados; o covo ou juquiá d. Conhecidas pelo nome de curral, poderão ser construídas e serão bastante vantajosas, pois nelas os peixes entrarão e permanecerão às vezes em grande quantidade e variedade. A construção de um curral dependerá de um estudo do local. As figuras apresentam alguns tipos de construção de armadilhas para peixes. A armadilha para peixe, nada mais é, basicamente, do que um cercado (uma cerca) cumunmente denominado “CURRAL DE PEIXE” e ainda - cercada. A entrada do curral, larga a princípio, vai se estreitando para dentro do curral, como um funil. 151 O tempo e o esforço que você despender na construção de um desses currais, mesmo que pequeno, deverão depender da séria necessidade de arranjar alimento e também do período de tempo que você pensa permanecer no local em questão. O local da cerca a ser construída deverá ter lugar com a maré baixa (o baixa-mar). Uma ou duas horas deverão ser o suficiente para completar a cercada. Estude as possíveis vantagens que os acidentes naturais do local oferecem, e aproveite essas vantagens, a fim de economizar trabalho. Nas costas rochosas, aproveite as poças de água do mar que a maré deixa nas rochas. Evite os pontos onde a água parece ferver, ao longo da linha de arrebentação. Nas costas arenosas aproveite as pequenas “LAGOAS” formadas pelas ondulações da faixa arenosa. A melhor pescaria próximo à praia, do lado do mar, é a prati- cada à sotavento (no lado contrário ao do vento) das línguas de areia. Nos currais bem construídos os peixes podem ser retidos durante vários dias, pois as águas que vêm ter ao curral lhe traz alimento. Em muitos casos será preferível conservá-los vivos até que haja necessidade deles. É uma das reservas que se mantém sempre fresca Os baixios dos mangues são, frequentemente, bons campos de pescarias. Na maré baixa, cachos de ostras acham-se expostos nos “joelhos” ou nos ramos mais baixos das árvores dos mangues, e também mariscos e mexilhões. Mariscos podem ser encontrados na lama, junto às árvores. Os caranguejos são muito ativos entre os ramos. e. Apesar de não serem peixes, mas sáurios, os jacarés também poderão ser apanhados, após atraídos e mortos, de preferência com tiros na cabeça. A isca a empregar será carne putrefata. Daí o cuidado quanto ao destino a ser dado à carne aproveitada na alimentação. OBTENÇÃO DE FOGO GENERALIDADES Você necessitará do fogo para se aquecer, para se manter enxuto, para sinalizar (fazendo fumaça branca através de folhas verdes, musgos, pequenas quantidade de água ou óleo do motor), para cozinhar e para purificar a água pela fervura. Não despreze os conselhos que se seguem, todos baseados em velhas experiências e de valor comprovado. Não faça uma fogueira grande demais as fogueiras pequenas consomem menos combustíveis e são mais fáceis de controlar; além do que, o seu calor pode ser concentrado. 152 PREPARAÇÃO DO LOCAL PARA O FOGO Limpe a área de folhas, gravetos, musgos e capim seco, a fim de não estabelecer um incêndio geral na floresta. Se o chão estiver seco, raspe tudo até chegar à terra pura. Não tente fazer o fogo sobre terra molhada, se for preciso utilize pedras ou pedaços da aeronave como plataforma. É aconselhável que se faça proteções contra chuva e ventos em volta do fogo, mas com o cuidado para que a proteção não vire parte integrante do fogo. Procure por encostas, rochas grandes ou até mesmo anteparos feitos por troncos de árvores. COMO FAZER O FOGO O fogo necessita de material combustível, ex: toras, lenha, papel, combustível da aeronave, óleos, enfim... Evite ao máximo desperdiçar os recursos dos kites de sobrevivência. É necessário ter paciência e preparo para se conseguir com eficiência obter o fogo. Primeiro prepare a isca que pode ser constituída de:pequenos gravetos bem secos, pedaços de papel amassados e secos, folhas secas, lascas de madeira seca, raminhos secos, cascas de árvores secas, fiapos de pano tipo estopa, palhas de aço, etc (combustível da aeronave, óleos ou gordura animal embora provoquem labaredas que podem ser vistas a grandes distâncias não servem como isca por não inflamar em contato com faísca). O importante é que a isca esteja seca para, facilitar pode-se umidecer levemente com combustível tipo álcool, gasolina de aviação, bebidas alcóolicas, desodorantes que contenham álcool, repelentes que contenham álcool, enfim...., tome o cuidado para não encharcar pois estes combustíveis não se inflamam em contato direto de um fósforo aceso ( o que inflama é o vapor ). Não deite gasolina ou líquidos inflamáveis direto ao fogo já iniciado pois podem voltar sobre você e causar queimaduras gravíssimas. A isca deverá ser bem fragmentada para facilitar o aproveitamento do calor ou da faísca. Certifique-se de que a isca esteja bem seca e preparada, é bom ter uma boa quantidade de isca para ir adicionando enquanto o fogo estiver nascendo. Uma vez acesa a isca abane-a suavemente até surgir uma chama. Não coloque grandes quantidade de combustíveis (madeira ou outros), para não abafar e extinguir o fogo. Não deixe que o fogo se apague, utilize madeiras secas panos folhas, óleo, combustível da aeronave ou gordura animal para mante-lo ACENDENDO A FOGUEIRA Com o uso de fósforo ou isqueiro: Prepare o local e a isca como já descrito, acenda o fósforo certificando-se de que não se apagará por uma corrente de vento, insira o fósforo cuidadosamente à isca e adicione a isca conforme descrito anteriormente. Pederneira e aço: Pederneiras são pedras duras (normalmente encontradas em kits de sobrevivência), podendo ser pedregulhos, que quando atritadas com metal produzem faísca. Pode se conseguir faisca através do choque de duas pedras duras ex: pedregulhos. 153 Lentes de vidro: Atiçam fogo através do aquecimento quando utilizada, com sol brilhante, para concentrar os seus raios sobre a isca para acendê-la. Atrito: São muitas as maneiras de se conseguir fogo pelo atrito porem é sem dúvidas o método mais difícil e demorado, o principio e através do aquecimento gerado pelo atrito sendo que a isca deverá ser colocada sobre o local de maior foco de calor, ex: Faisca elétrica: Pode-se conseguir faisca através de uma pilha ou bateria provocando – se um curto circuito atritando – se com um fio as extremidades (polo positivo com o negativo) e fazendo –se que a faisca incida-se sobre a isca. 154 MÉTODOS DE FOGUEIRA E A PREPARAÇÃO DO ALIMENTO ANIMAL (CARNES) Ferva toda caça por pelo menos dois ou três minutos. Use para cozimento latas e outros recipientes que resistam ao calor. Na falta de vasilha, a carne pode ser assada enrolando-a em várias camadas de folhas verdes. O cozimento indireto ou sob o fogo: 1 - Por meio de pedras quentes: Aqueça várias pedras dentro de uma fogueirinha até desaparecerem as chamas e restarem brasas. Coloque o alimento a ser cozido (mariscos de água doce, por exemplo) sobre e entre as pedras aquecidas. Cubra tudo com folhas de plantas ou capim e também umas camadas de areia ou terra seca. Mariscos, ostras e mexilhões apresentarão as conchas abertas e poderão ser comidos imediatamente. A carne estará pronta para consumo após aproximadamente duas horas. 2 - Fervura por meio de pedras quentes: Prepare uma vasilha ou faça um buraco no chão forrando-o com lona. Coloque dentro o alimento e a água; coloque as pedras aquecidas avermelhadas, até que ferva. Cubra a vasilha com folhas grandes pelo período de mais ou menos uma hora. 3 - Nós de bambu: Os nós de bambu constituem boas vasilhas. Aqueça-os até carbonizarem parcialmente. 4 - Cozimento sob o fogo: Abra um buraco raso no chão, forre-o com folhas de plantas ou envolva o alimento em folhas, antes de colocá-lo no fundo. Cubra o buraco com uma camada de areia ou terra com um centímetro de espessura e acenda uma fogueira bem acima dessa camada. 5 - Moquear: Consiste em armar sobre uma fogueira uma grade de madeira verde ou bambu distante mais ou menos 50 cm do fogo. A carne ou peixe é colocada sobre a grade e o fogo, à medida que assa os alimentos, também os seca. É conveniente que as postas não tenham espessura superior a dois centímetros, para a desidratação ser mais rápida e uniforme. A carne é, depois, conservada no fogo pendurada. Antes de ser consumida é novamente passada no moqueador ou cozida. 6 - Assando diretamente no fogo: Envolva peixes, batatas, mariscos de água doce e outros alimentos de tamanho regular em camadas de barro ou argila. Asse-os diretamente nas chamas ou sobre brasas de uma fogueira, diminuindo-se, assim, o perigo de queimar o alimento. Preparado dessa maneira, o peixe não precisará ser escamado, bastará raspá-lo com os pedaços de barro que o protege durante o cozimento, pois o barro também é “cozido” e solidificado durante o preparo. 7 - Assando no “fogo-no-chão”: Um buraco aberto no chão seco é forrado com pedras e aquecido por pequena mas intensa fogueira. Uma vez bem aquecido são retirados os carvões quase extintos. O alimento é colocado, então, no “forno”, sendo hermeticamente fechado por pedras chatas ou galhos cruzados cobertos por folhas largas e terra seca ou, preferencialmente, areia, sobre tudo. Demora mais que o cozimento ao ar livre mas exige menos atenção, além de proteger o alimento de moscas e outros animais. 155 TIPOS DE FOGÕES 1 - Fogão de Espeto: É feito de um espeto, com uma forquilha na ponta, com a outra extremidade enterrada no solo. No próprio espeto coloca-se a caça a ser assada, e na forquilha pode-se pendurar o caneco ou outra vasilha para cozinhar outro alimento. 2 - Fogão de Assar: Duas forquilhas colocadas uma de cada lado, sustentando o espeto com a caça e a vasilha para cocção, podendo esta última também ser colocada junto a fogo no solo. 3 - Fogão de Moquém ou Moquear Para este tipo de fogão são necessário 3 ou 4 forquilhas. Uma vez dispostas em triângulo ou quadrado envolve o fogo, arma-se com varas um estrado aproximadamente 50 cm do fogo, sobre o qual será depositada a caça a ser moqueada. É processo ideal para assar peixes. O moquém é utilizado para o preparo de carnes para o consumo posterior. Todavia, para se obter um moqueado mais uniforme e mais rápido, convém que as postas de carne não tenham uma espessura superior a dois dedos. Com isto a desidratação será mais perfeita e rápida, e, consequentemente, a conservação da carne será maior, podendo durar uma semana. 4 - Fogão de Fosso O fogo é feito numa depressão do terreno ou num fosso cavado, onde, como melhoria, podem ser colocadas lateralmente, dois toros de lenha no sentido longitudinal obtém-se assim, uma maior profundidade, evitando ainda a ação do vento. 5 – Fogareiros de combustíveis líqüidos Servem principalmente para fritar ou cozinhar. É prático por ser facilmente transportado. 156 DESLOCAMENTO JORNADA SOBRE A TERRA Antes de sair em busca de auxílio ou de meios de subsistência, o grupo deverá planejar cuidadosamente a jornada. É importante lembrar que poderá ser surpreendido por animais, obstáculos naturais, e mesmo grande distância até seu objetivo. Não se deixe levar pela precipitação. Faça todos os preparativos da maneira mais completa possível. Somente abandone o local do acidente: Se instruído para isso; ou tenha certeza de encontrar socorro. Se tiver certeza absoluta de que conhece sua localização geográfica e que poderá encontrar melhores condições de abrigo ou sobrevivência ao se afastar, considerando todos os recursos de que dispõe; Ou se a possibilidade de salvamento for pequena (um local impossível de ser achado) e puderlevar consigo recursos necessários à viagem; Demora excessivamente grande da vinda da equipe de resgate; É importante lembrar que, embora haja buscas mais intensas nas primeiras 48 horas desde o desaparecimento, aviões já foram encontrados muitos dias ou semanas depois. Preferencialmente, parte do grupo permanecerá perto da aeronave, enquanto os sobreviventes com melhores conhecimentos e condições físicas partem para a jornada (quatro pessoas é o número ideal, pois não é grande demais para no caso de alguém se perder não ser notado, nem pequeno demais para o caso de ter de enfrentar uma situação difícil). No caso de deslocamento exclusivo para buscar alimento e água as regras são as mesmas, evitando-se apenas afastar-se mais que 200 m do local do acampamento. Cuidados antes da partida e durante o deslocamento: 1 - Não se sobrecarregue – mas procure levar : a - Acondicionados em um saco à prova d’água: Palitos de fósforo ou isqueiro; Velas; Bússola (se puder, leve a do avião, retirando os ímãs de compensação, leve também o máximo de luzes de emergências disponíveis da aeronave); Altímetro (do avião, se for possível); Estojo de primeiros socorros; Cadernos de notas; Lápis ou caneta; b - Leve também: Um machado ou faca Água e alimentos Um saco ou mochila pesando de 12 a 15 kg deverá ser o suficiente para carregar tudo o que for necessário. Se não dispuser de mochila, improvise uma com os restos dos destroços. Se o grupo se dividir o grupo que de deslocar deverá levar o dobro de provisões em relação ao grupo que permanecerá junto a aeronave. 2 - Indique a direção que seguiu e que objetivo procura: Para o caso da aeronave ser encontrada, no caso de não ficar nenhum sobrevivente junto à mesma, deixe um ou mais bilhetes contendo informações sobre a direção seguida pelo grupo através de um mapa rudimentar ou revelando- se a intenção era atingir algum ponto específico (visto do alto antes do pouso forçado, por exemplo), além de data e hora do início da jornada, ou um sinal visível do ar que indicará o rumo seguido pelos sobreviventes. E, é claro, siga exclusivamente o caminho a que se propôs.Procure caminhar seguindo o curso de um rio ou trilha (animais ou índios). 157 Marque os caminhos percorridos com sinais claros e objetivos, de preferência que se destaquem da mata, tais como: - setas desenhadas em troncos ou pequenas pedras; - cortes de árvores e galhos quebrados; - tiras de pano presos em galhos - pedaços da aeronave; 3 - Poupe energia: Procure seguir sempre o caminho mais fácil e mais seguro, mesmo que seja o mais longo. Os deslocamentos devem ser lentos. Para poupar sua força, contorne obstáculos. Prefira também contornar cerrados, montes e capoeiras, ao invés de cortar o mato com facão. Não havendo possibilidades de contornar, suba aclives muito inclinados em ziguezague, não em linha reta. Evite andar em brejos, pântanos e atoleiros, a não ser quando não houver como contorná-los. Viaje pelos rios somente à luz do dia. O ideal é caminhar por 3 horas e descansar por 1 hora. 4 - Fique atento aos horários para poder descansar: Na selva, às 17 horas já começa a escurecer. Portanto, a partir das 15h já deve ser procurado um local para o acampamento. Mantenha sempre um ritmo normal de marcha e descanse uma hora, a cada três de caminhada. Inicie a marcha pela manhã, para poder percorrer uma boa distância antes do anoitecer. 5 - Evite caminhar durante tempestade ou nevoeiro Acampe e espere a melhora da visibilidade e das condições do tempo antes de prosseguir. Lembre-se que as correntes de água e as picadas abertas por animais são as “estradas do sertão”. 6 - Assinale todo o caminho percorrido e o rumo seguido. Faça setas nas árvores e em pequenas pedras, quebre galhos, amarre pedaços de pano e modifique ao máximo a paisagem natural. 7 - Muita atenção ao local para armar o acampamento . Evite margens de rios ou riachos ou sob árvores e galhos secos. Prefira elevações a mais de cem metros de um curso d’água. Procure manter o acampamento organizado, todos com tarefas a cumprir e turnos de vigilância de duas horas para cada vigilante. 8 - Respeite os indígenas. Os primeiros contatos com povos nativos deverão ser de maneira devagar e com calma, sem precipitação. Se preciso, coloque presentes à sua vista para que eles se aproximem, criando confiança; Deixe que eles se aproximem antes de você. Lembre-se que eles conhecem bem a mata e poderão ajudá-lo (mas peça, nunca exija auxílio); Caso o grupo se aproxime sem ser visto, deverá bater palmas e chamar-lhes a atenção, para que eles tomem a atitude seguinte; Respeite-os, especialmente suas mulheres, mesmo as mais jovens, provavelmente já noivas, bem como seus costumes, hábitos e crenças; Não lhes mostre armas; Procure sorrir; Não entre nas habitações sem ser convidado; Não faça movimentos bruscos; Procure sempre remunerar, de alguma maneira, os bens e gêneros que deles receber; Não faça perguntas que possam ser respondidas somente por SIM ou NÃO; VESTUÁRIO O ideal é usar calças compridas e camisas de mangas longas. Cubra a cabeça com uma camisa ou camiseta e improvise luvas ou botas. Roupas frouxas tornam o calor mais suportável. 158 Posicione as alças para que fiquem altas e a bagagem não golpeie seus quadris ou rins durante o deslocamento. Uma faixa passando pela testa servirá de apoio e aliviará parte da carga repousada sobre os ombros. Tome cuidado ao atravessar capim alto pois algumas espécies de plantas possuem arestas que esfiapam a roupa, que deve também ser mantida sempre limpa: pense muito antes de atravessar pântanos e charcos. Roupas sujas duram menos e causam doenças de pele. Se tiver outra muda lave-a depois seque-a com a ajuda da fogueira. Evite dormir com a roupa molhada. Vantagens de manter seu corpo sempre coberto: A roupa evita picadas de insetos rasteiros e alados, especialmente mosquitos portadores de malária e outras doenças. A pele ficará protegida contra infecções causadas por arranhões de espinhos, capim ou galhos. A roupa possibilita proteção adequada contra as queimaduras de Sol, nos terrenos descobertos. Proteção também contra frio ou calor. CUIDADOS COM A SAÚDE Uma dica importante: use óleo de coco contra queimaduras de sol, úlceras e inchaços causados por água do mar, além de afastar bichos-de-pé e insetos. Esse óleo pode ser obtido aquecendo- se a polpa em água no fogo lento. Quando a mistura esfriar, o óleo subirá e flutuará na água. Para preservar sua saúde, siga esta rotina: Poupe sua energia; Se não tiver sapatos, improvise-os com papelão e capim; Cuide das queimaduras; Improvise uma latrina para as necessidades fisiológicas, pois, caso contrário, moscas e mosquitos serão atraídos ao acampamento; Mantenha-se limpo, bem como o próprio acampamento; Use repelentes e inseticidas e espante os insetos com fumaça branca; Antes de vestir-se, examine suas roupas e calçados; Cuidado com as onças, que atacarão, quando famintas; Conserve as unhas limpas para evitar arranhar a pele, ao coçar-se; Evite doenças intestinais causadas por água ou alimentos estragados fervendo tudo o que comer e beber. Em caso de diarréia, o sobrevivente deverá jejuar durante 24 horas, bebendo apenas água purificada; 159 DESLOCAMENTO EM MATAS Se não tiver sapatos, improvise-os pensando no conforto e proteção dos pés. Lembre-se que você depende inteiramente dos pés, no caso de deslocamentos demorados. Procure evitar o uso de vegetação como ponto de apoio, a fim de desenvolver seu senso de equilíbrio. Quando for indispensável agarrar-se a folhagens, observe antes onde vai por a mão, para evitar espinhos, insetos, cipós soltos e outros perigos. Numa descida escorregadia, desça de lado, procurando firmar bem umdos pés antes do próximo passo. Tombos eventuais provarão que não somos tão frágeis assim. Observe atentamente a mata e pratique a escolha de referências usando uma árvore grande e bonita, uma raiz que atravesse o caminho, uma pedra com formato peculiar ou mesmo uma trilha bem limpa, com trechos que não se confundem com o redor etc. essas referências deverão ficar gravadas na memória. Mas não confie em demasia em sua própria lembrança: marque o caminho com amontoando pedras, marcando árvores com o facão, formando figuras com galhos secos, pendurando pedaços de tecidos etc. Evite sair abrindo picadas através do mato fechado: não é tão fácil quanto nos filmes de cinema e, aos olhos de uma pessoa desacostumada ao mato recém-cortado, este pode parecer igualmente intocado. Uma pessoa mais lenta, indo na frente, evitará que o ritmo da caminhada se torne excessivo e permitirá que todos fiquem juntos, constantemente atentos e motivando uns aos outros. A ânsia de salvar-se leva muitas pessoas a andar a esmo, sem a menor noção de direção a seguir; isso poderá ocasionar pânico ou expor o indivíduo a riscos desnecessários. Não há pontos de referência nítidos em selvas: tudo parece “igual”. Mesmo as pessoas com alguma experiência em deslocamento em matas evitam confiar cegamente em possíveis referências: na repetição contínua da vegetação fechada tudo se modifica e se confunde. Os incontáveis obstáculos quase sempre causarão desequilíbrios ou quedas, dificultando que se tenha sempre à vista determinado ponto. Além disso, o próprio cuidado com o lugar onde se pisa ou onde se apóia as mãos desvia a atenção quanto às referências. Também a própria densidade da vegetação somente permite um alcance visual de 15 a 20 metros a frente, ou menos. Na mata, à noite nada se vê, sequer a própria mão a um palmo dos olhos. O luar, quando houver, poderá diminuir um pouco a escuridão mas jamais entusiasmará deslocamentos noturnos. O copado fechado das árvores não permitirá que se observe o sol ou o céu, a não ser que se esteja em uma clareira e o céu não esteja nublado. Em suma, haverá muitas restrições para os processos de orientação em geral. Ao parar para descansar, faça-o voltando-se para o caminho ainda a percorrer ou improvise uma seta para indicar a direção a ser seguida. 160 Orientação por bússola: As bússolas encontradas nos conjuntos de sobrevivência na selva são agulhas magnéticas móveis colocadas sobre um eixo que passa pelo centro de gravidade. Regras a ser seguidas: Quem determina o NORTE é a agulha e não o limbo; Para proceder à leitura com segurança, colocar o NORTE do limbo de maneira que coincida com o NORTE da agulha; Marca-se a direção a ser seguida a partir do local do acidente; Calcula-se o tempo de caminhada na direção determinada; Caso seja necessário mudar de direção, sinaliza-se o local em que se efetuou a mudança; Sempre que for feita a leitura da bússola, deve-se certificar se ela não está sob influência de alguma força magnética externa (ímã, ferro, aparelho elétrico etc); A bússola da aeronave poderá ser utilizada após retirar-se os magnetos compensadores que vêm acoplados a ela e que servem para compensar desvios causados pela estrutura e componentes elétricos do avião; ATENÇÃO! Lembre-se que uma bússola nunca diz o lugar onde se está e sim o lugar para o norte. Orientação por relógio analógico: No hemisfério sul: coloque o número 12 do mostrador em direção ao sol. A bissetriz (metade do espaço) do ângulo formado entre o 12 e o ponteiro das horas indicará o norte a qualquer hora do dia. No hemisfério norte aponta-se o ponteiro das horas para o sol e a bissetriz do ângulo entre o número 12 e o ponteiro das horas será o sul. Orientação pelo sol: Estenda o braço direito para o nascente (Leste); à esquerda, você terá o Oeste, à frente, o Norte e, às costas, o Sul 161 Orientação Pelas Estrelas: Apenas dois exemplos: 1 - No hemisfério sul: Pela constelação cruzeiro do sul, qualquer que seja sua posição no céu, nas diferentes horas da noite, meça, no prolongamento do maior eixo da cruz, cerca de quatro vezes e meia o seu tamanho e, desse ponto, baixe uma perpendicular para o horizonte: este é o sul verdadeiro. 2 - No hemisfério norte: Oriente-se pela constelação ursa maior, cuja forma é de uma panela com seu cabo. O lado oposto do “cabo” é formado pelas estrelas Merak e Dubhe e o prolongamento dessas estrelas, numa distância aproximada de cinco vezes a separação entre elas, encontrará a estrela polar, que representa o norte verdadeiro em qualquer posição que ela se encontre, nas diferentes horas da noite. Esta constelação já é bem visível em nosso hemisfério a partir da latitude 05º S. NAVEGAÇÃO TERRESTRE DIURNA 1 - Equipe de navegação: Teoricamente, uma equipe de navegação na selva deverá compor-se de quatro pessoas: a -Homem-ponto: será aquele que seguirá à frente para servir de ponto de referência. Portará um facão para abrir a picada; b-Homem-bússola: será o portador da bússola e deslocar-se-á imediatamente à retaguarda do homem-ponto; mantendo a bússola atada ao corpo para não perdê-la e fechada, quando não estiver sendo utilizada; c -Homem-passo: deslocar-se-á atrás do homem-bússola e sua missão será contar os passos percorridos, transformando-os em metros. Para isso, deverá ter o passo aferido com antecedência, dessa maneira: Em um terreno plano, medir e marcar a distância de 100 metros; Percorrer essa distância dez vezes, observando-se, assim, cada vez, um determinado número de passos; Tirar a média e concluir: “100 metros são percorridos por um número “N” de passos; a esse número “N” somar um terço de “N”, Concluir, finalmente: 100 metros, na selva, são percorridos por “N” + 1/3 de “N” passos. Essa margem de segurança (1/3 de “N” ) compensará os erros provenientes de incidentes comuns no deslocamento através da selva, como quedas, desequilíbrios, passagens sobre troncos, pequenos desvios, terrenos alagados (quando não puderem ser evitados) etc. 162 d-Homem-carta: conduzirá a carta (se houver) auxiliará também na identificação de pontos de referência, ao mesmo tempo que nela lançará outros que mereçam ser locados. Para possibilitar o rodízio de funções, é aconselhável que todos os integrantes do grupo saibam utilizar a bússola e tenham o passo previamente aferido. Os erros de cálculo também serão minimizados, se houver dois indivíduos para cada função. Os elementos deverão evitar caminhar próximos uns dos outros. A distância ideal é de um metro entre si. 2 -Técnicas de navegação: No caso de azimute (direção seguida em graus de um ponto a outro ou estrada imaginária) desconhecido, o grupo estará perdido e tentará encontrar um caminho para a salvação. Antes de mais nada, deverá estudar a situação calmamente e selecionar uma direção da qual tirará um azimute para navegar segundo o mesmo. Isso evitará a situação, normal para quem está sem bússola, de caminhar em círculos. Também permitirá, se necessário, o retorno ao ponto de partida, orientando-se pelo contra-azimute. a - O homem-bússola lançará o homem-ponto à frente, na direção do azimute até o limite de sua visibilidade. Para isso, utilizará deslocamento comandados (“um pouco mais à direita” ou “um pouco mais à esquerda”). O homem-bússola determinará, com precisão, o local onde o homem- ponto deverá parar. Uma vez este parado, aquele deslocar-se-á até ele e fará um novo lance à frente, na direção do azimute de marcha, repetindo as operações anteriores. Será portanto, uma navegação por lances. b - O homem-ponto não será mais que um comandado do homem-bússola; ao se deslocar, ele abrirá a picada com o facão para melhorar a visibilidade para os demais. c - O homem-passo seguirá aqueles dois, contando o númerode passos; à medida que atingir 50, 100, ou quantos passos convencionar, irá anotando-os em um cordão por meio de nós, palitos de fósforos, pequenos galhos ou folhas etc., de modo que a qualquer momento possa converter passos em metros para saber o quanto andou. Tal procedimento será necessário porque poderá haver a necessidade de se retornar ao ponto de partida: neste caso, será sempre útil saber que distância ter-se-á que marchar até ele. Além do mais, caso haja uma carta e surjam acidentes dignos de ser locados, essa distância será necessária. 3 - Ultrapassagem de obstáculos: Durante o deslocamento, será normal encontrar árvores caídas, galharia, buracos, aclives e declives suaves ou fortes, barreiras quase na vertical, banhados e alagadiços, pantanais, igarapés e rios estreitos e largos e de correnteza forte ou fraca, lagos, lagoas etc. Na marcha seguindo-se um azimute, nem sempre será possível vencê-los. Dois processos podem ser usados para se desviar deles: a - Processo do ponto de referência nítido Chegando ao obstáculo, escolhe-se um ponto bem nítido no lado oposto para servir de referência. Efetua-se o desvio necessário, chegando-se ao ponto, onde a marcha é reiniciada. Entretanto, o processo raramente terá aplicação prática no caso de obstáculos de grandes dimensões, pois o mais difícil na selva será encontrar aquele ponto nítido. Por isso, quando se sair de um ponto em busca de outro, não se deve esquecer de deixá-lo antes muito bem marcado, o que facilitará o retorno em caso de insucesso. b - Processo da compensação com passos e ângulos retos Marcha-se na direção amarrada pelo azimute de marcha até o ponto “A”, frente ao obstáculo. De “A” vai-se a “B”, deslocando-se segundo um novo azimute, de modo que este forme com o de marcha um ângulo reto em “A”. Neste deslocamento contam-se os passos dados entre “A” e 163 “B” (“N” passos). De “B” vai-se a “C” deslocando-se segundo o mesmo azimute marcha (será o azimute paralelo ao inicial). Também neste deslocamento contam-se os passos dados entre “B” e “C” ( “X” passos) para que não se perca a noção da distância geral do percurso realizado ou ainda a realizar. De “C” vai-se a “D”, deslocando-se segundo o contra-azimute da direção “AB” e percorrendo a mesma distância que se percorreu entre “A” e “B”, isto é, os mesmos “N” passos. Chegando em “D” reinicia-se o deslocamento na direção dada pelo azimute de marcha original. Será normal ocorrerem pequenas diferenças em direção e distância, quando se realizarem deslocamentos desse tipo por causa dos acidentes ou incidentes em terreno de selva; daí a necessidade de, quando possível, designar no mínimo dois homens para lidar com a bússola e outros dois para contar os passos, a fim de minimizar os erros. 164 SOBREVIVÊNCIA NO MAR INTRODUÇÃO Em todos os setores de atividade humana, seja por situações criadas pelo próprio homem, ou por fatores alheios, ele pode ter sua vida, bem como de outrem, ameaçada ou estar sujeito sérios danos físicos ou materiais. São estas situações que nos levam a criar uma série de equipamentos e normas de procedimentos para podermos ultrapassá-las sem danos ou pelo menos o menor número possível deles. Em nossas atividades, especificamente a aviação, todos os meios foram colocados e estudados para que em tais ocorrências, possamos evitar o máximo de perdas, sejam humanas ou materiais. Para tal, torna-se necessário um perfeito conhecimento de todos os equipamentos a nossa disposição, bem como o modo de usá-los. Assim sendo, procuramos traçar algumas normas a serem seguidas em caos de emergência. No entanto, desejamos esclarecer que o conteúdo deste manual não deve ser interpretado como normas rígidas ou inflexíveis. É impraticável descrever ou prever todas as situações de emergência possíveis, já que raramente duas situações idênticas se apresentam em circunstâncias também idênticas. Outrossim, as normas não podem ser excessivamente detalhadas, sob pena de faltar-lhes a devida flexibilidade na prática. Assim o manual deve ser considerado apenas um guia de noções gerais, prevalecendo em qualquer situação as iniciativas e o julgamento do comandante da aeronave. Durante o último conflito mundial, numerosos foram os casos de náufragos que permaneceram vários meses no mar, em pequenas balsas ou botes de borracha e que se salvaram apesar de, inicialmente, não disporem de água ou de comida. O recorde pertence a um marinheiro chinês, que permaneceu 133 dias no mar, mantendo-se vivo à custa de água de chuva e de peixe. De um modo geral, a sobrevivência no mar, dependerá principalmente das rações e dos equipamentos disponíveis, bem como da iniciativa do próprio náufrago. Desses equipamentos, destaca-se da pesca, portanto o peixe constitui a única fonte de comida e de água, de um náufrago. O maior perigo para os ocupantes de um bote salva-vidas é a ansiedade e o medo, geralmente provocados pelo desconhecimento de como sobreviver em alto mar enquanto não chegam as equipes de salvamento. A fim de evitar esta situação, os tripulantes do avião têm que saber o que fazer e como fazê- lo para garantir a sobrevivência de todos. Um outro fator importantíssimo, aplicável a todos os ocupantes dos botes, é o DESEJO DE SOBREVIVER, sem o qual todos os equipamentos e conhecimentos nada valerão. Centenas de casos provaram que aqueles que sobreviveram tiveram a firme determinação e o desejo de sobreviver, e nunca perderam as esperanças ou se deixaram dominar pelo medo. 165 AÇÕES IMEDIATAS: Após o pouso no mar, deve-se abandonar a aeronave imediatamente para evitar explosões, fogo ou submersão. Após completada a lotação, soltar o bote da corda que o prende à aeronave (utilizar a faca de lâmina curva do equipamento de sobrevivência) e mantê-lo afastado da mesma (mas não em excesso) até que esta afunde; Evite boiar ou manter o bote em água coberta de combustível e destroços, e, enquanto estiver dentro dessa área, evite utilizar fósforos, isqueiros etc.; Procure imediatamente pelos desaparecidos vasculhando o local da amerissagem, lembre- se que os náufragos se afastam rapidamente de acordo com as marés (em média de 6 a 8 milhas por hora). Eles poderão estar boiando com seus coletes inflados, porém, desacordados. Localizando-os, atire uma bóia, nade até ela e coloque-a, depois nade com a bóia até a pessoa a ser resgatada. Os demais sobreviventes, no bote, deverão puxá-los; Ponha imediatamente para funcionar o rádio transmissor de emergência e prepare todos os demais meios de sinalização; Salve tudo o que puder dos equipamentos, mantimentos, roupas e mesmo fragmentos da aeronave que estiverem boiando; Mantenha os sobreviventes juntos para se aquecerem; Preste os primeiros socorros aos que necessitarem. Coloque os feridos de comprido (deitados) dentro do bote e solicite a colaboração de profissionais da área médica que estejam presentes (médicos, enfermeiros, dentistas, veterinários etc.). Adie, porém, o tratamento aos feridos leves até que seja completada a distribuição dos ocupantes dos barcos; Logo que possível, solte a biruta d’água ou improvise uma com lona ou uma camisa: ligada ao bote, ela o manterá próximo do local do acidente(servirá como âncora, retardando a deriva da embarcação) e facilitará o trabalho da equipe de buscas e salvamento. Se precisar improvisar 166 uma, utilize um pedaço de lona ou uma camisa, que deverá ser solta após a separação definitiva do bote, mas tome cuidado para que não fique presa em parte alguma da aeronave. Um pano enrolado evitará que o atrito da corda da biruta danifique o bote. Se o mar estiver calmo, libere toda a corda; no caso de mar agitado, use meia extensão da mesma. Se o vento estiver soprando em direção à terra, retire a biruta d’água e solte o toldo apenasdo lado do vento, segurando-o o mais alto possível, à maneira de uma vela de barco, proporcionando um deslocamento mais rápido; Se utilizar uma âncora, tome o cuidado para que ela não fique presa na aeronave ou em seus destroços; O tripulante mais graduado deverá assumir o comando do bote onde estiver e coordenar a distribuição de tarefas, além de dividir os ocupantes em turnos de vigilância (duas horas) a serem cumpridos por todos exceto os doentes, feridos ou exaustos. Manter pelo menos uma pessoa de vigilância, preferencialmente amarrado ao bote por uma corda de pelo menos três metros para servir de âncora, caso o bote vire; Em qualquer circunstância, evite ficar de pé ou sentar nas bordas para não cair na água; a posição correta é sentar apoiando as costas na câmara principal de flutuação e ficar com os pés voltados para o centro do bote. Pessoas mais obesas deverão ficar sentadas no centro; Verifique se o bote não está vazando ou apresenta zonas esfoladas. Use tampões especiais para vedar aberturas e mantenha-o inflado com a bomba manual (para manter constante o estado de equilíbrio do bote, nos dias quentes, esvazie-o pela manhã e infle-o de tarde, devido à dilatação do ar quente); Faça com que todos mantenham o bote seco, retirando a água do mar que estiver dentro dele; Proteja o bote contra arranhaduras (como sapatos e objetos pontiagudos ou cortantes); Arme um toldo sobre o bote e procure instalar um “quebra- vento” para proteger todos de salpicos de água do mar, frio, sol, vento etc. O toldo também ajudará a coletar água potável (de chuva); Movimente-se com regularidade para manter adequada a circulação. Isso o aquecerá e evitará feridas nos pés e nádegas. Além disso, no caso de permanência prolongada no bote, a imobilidade favorecerá a perda de cálcio ósseo, enfraquecimento muscular, endurecimento das articulações, etc. São recomendáveis exercícios leves com as mãos e dedos, permanecer com as pernas levantadas por alguns minutos, mudar a posição da cabeça em pequenos intervalos etc.; Se houver mais do que um bote, amarre-os por meio de cordas fixando-as à corda salva- vidas que circunda o bote, a fim de que não derivem para rumos diferentes, dificultando o resgate. Mantenha a distância de oito a dez metros entre os botes, para evitar abalroamento; Evite deixar canivetes, anzóis, latas e demais objetos afiados ou cortantes no fundo do bote; Proteja-se contra os raios solares através de toldo, roupas, óculos e cera protetora de lábios; Avalie a quantidade de água disponível levando em conta que o náufrago necessita de meio litro de água por dia; Não deixe o material do conjunto de sobrevivência solto dentro do bote; mantenha tudo amarrado e a salvo da água para que nada se perca. Proteja especialmente as bússolas, relógios, fósforos e isqueiros contra a umidade; familiarize-se com todo o equipamento; Não use violência ou palavras ásperas com pessoas abatidas ou deprimidas; mas trate dos histéricos ou violentos com palmadas no rosto ou mesmo pondo-as a nocaute, se necessário; Todos deverão se manter com o colete salva-vidas até a chegada do resgate; 167 CUIDADO COM OS BOTES 1 - Os botes deverão ser mantidos inflados corretamente, compensando-se as variações de temperatura ou eventuais vazamentos. As câmaras devem ficar redondas e estiradas, porém tão esticadas como couro de um tambor. 2 - Ao atarraxar a bomba manual a um local de enchimento, devem ser observados os seguintes itens: Não forçar o conjunto ao atarraxar a bomba; Não abrir a válvula de enchimento antes de atarraxar a bomba; Após o enchimento, fechar a válvula antes de desatarraxar a bomba. 3 - Anzóis, latas vazias, canivetes, etc., furam botes com facilidade. Cuidado com os mesmos. 4 - Vazamentos devem ser vedados assim que localizados, utilizando os recursos disponíveis. 5 - Não amarrar linhas de pesca ao barco (nem aos ocupantes), pois um peixe grande poderá causar danos materiais ou pessoais. 6 - Em mar agitado observar o seguinte, a fim de evitar que o bote possa virar: Ninguém poderá ficar de pé ou ficar na amurada. Os ocupantes deverão sentar o mais baixo possível; Distribuir os passageiros de modo que o peso dos mesmos, contrabalance a tendência de o barco levantar do lado do vento; Ajustar o compartimento da âncora de modo que a mesma esteja no cavado de uma onda quando o bote estiver na crista da mesma; 7 - Se houver mais de uma embarcação coletiva, deverão ser agrupados, unidos (dentro do possível) através de corda de, no mínimo, 8 metros, para evitar abalroamento entre as embarcações e também que as embarcações derivem para rumos diferentes, facilitando trabalho de localização e o resgate pelo SAR. Em dias de calmaria os botes poderão ficar mais próximos. Examine os fragmentos da aeronave que esteja flutuando, aproveitando o que for possível. Procure retirar da água todas as rações, garrafas térmicas, vasilhas e todos os materiais que avistarem, desde que não comprometa as condições do bote (material cortante e peso). 8 - Verificar frequentemente se o bote está inflado. Ocorrendo um esvaziamento, procure corrigi-lo com o auxílio da bomba manual. Nos dias frios coloque mais ar no bote salva-vidas e nos dias quentes retire um pouco de ar. Isso é necessário devido a capacidade de expansão dos gases. 9 - Evite deixar anzóis, canivetes, latas e demais objetos afiados ou correntes no fundo do bote. 10 - Conservar o bote seco e em constante estado de equilíbrio utilizando-se do balde de lona e a esponja desidratada para retirar a água que fica empossada no fundo do bote (a umidade poderá danificar equipamentos de sobrevivência tais como bússolas fósforo, isqueiro, relógio, além de causar danos a saúde de seus ocupantes). 11 - Não deixar de usar uma biruta d’água, ligada ao bote. Não dispondo da mesma, improvise-a por meio de um balde de lona, uma camisa ou um pedaço de lona. Ela manterá o bote próximo ao local do acidente e facilitará o trabalho de busca e salvamento. Deve-se cuidar para que a biruta d’água não fique presa à aeronave ou partes desta. 168 CONTEÚDO DOS BOTES SALVA-VIDAS: - Um balde de borracha; Quatro bujões de vazamento - Um canivete de múltiplas finalidades; Um alicate; Uma faca; - Um espelho sinalizador;Cinco cartuchos pirotécnicos/fumaça; - Cinco latas de ração; - Cinco latas com tabletes de nitrato de prata (dessalgadores químicos); - Uma bússola; Uma bíblia; - Um estojo com cola, lâminas de borracha, lixa, tesoura e pincel; - Um toldo com suportes laterais e centrais; dossel de cobertura. - Um estojo com material de pesca; Esponjas; - Uma âncora ou biruta; Uma bomba de ar (manual); - Kit de Primeiros Socorros em estojo à prova d’água; - Manual de sobrevivência no mar; Uma lanterna; - Cordas; Fósforos a prova d’água; Repelentes de tubarões; ENQUANTO ESTIVER BOIANDO: O sobrevivente já deverá estar usando seu colete salva-vidas, ao abandonar a aeronave. Apenas uma das câmaras do colete deverá estar inflada, para que os movimentos e a natação não fiquem prejudicados. A segunda câmara só deverá ser inflada se o sobrevivente não tiver condições para se orientar, estando desmaiado ou em estado de pânico, por exemplo. Se precisar ficar na água por longo período e seu colete estiver danificado, ao interromper seus movimentos natatórios para descansar, flutue de costas, se for um nadador experiente. Em mar agitado, mantenha-se a prumo na água; inspire, enchendo os pulmões de ar; em seguida mergulhe a face na água e dê braçadas. Isto feito, descanse nesta posição até sentir necessidade de inspirar novamente. Levante a cabeça, expire, movimente braços e pernas para sustentar o corpo na devida posição vertical, inspire e repita o ciclo. Improvise uma bóia com as calças; amarre as duas pernas,dando um nó em cada boca; desabotoe a braguilha, segure a calça pela cintura por trás da cabeça e, com um rápido movimento de trás para frente, em arco por cima da cabeça, mergulhe à sua frente a cintura da calça. O ar aprisionado irá encher as pernas amarradas da calça. Após isso deite-se sobre ela, de modo que as duas bolsas de ar fiquem à altura das axilas. Dependendo do tipo de tecido a calça poderá reter o ar por um tempo maior ou menor. De qualquer maneira, repetindo-se o processo, o sobrevivente poderá ficar um tempo razoável na água, sem cansar-se. 169 CUIDADO COM A SAÚDE DOS NÁUFRAGOS Nos casos de enjôo de mar, evite comer e beber, deite-se e mude a posição de sua cabeça. Dispondo de remédio contra enjôo de mar, tome-o logo; Úlceras (bolhas, assaduras etc.) causadas pelo contato com a água do mar (salpicos): não procure abri-las ou espremê-las. Use pomada antisséptica e não deixe umidade penetrar nas feridas; Olhos doloridos: o reflexo intenso do céu e da água podem fazer com que os olhos fiquem injetados de sangue, inflamados ou doloridos. Use óculos protetores ou improvise-os com pedaços de pano ou ataduras. Umedeça um pedaço de gaze ou algodão com água do mar e coloque-os sobre os olhos antes de fixar a atadura. Trate dos olhos com pomada oftálmica; Prisão de ventre: é comum, devido à alimentação precária. Não se preocupe em demasia com ela e evite laxantes; Dificuldade de urinar: molhar as pontas dos pés e das mãos pode funcionar. É um fenômeno normal em tais circunstâncias, assim como a cor escura da urina. Não se impressione com isto. Distúrbio mental: a fadiga e o esgotamento resultantes de grandes privações podem gerar distúrbios mentais. A melhor maneira de evitá-los é procurando dormir e descansar o quanto possível. Perceber miragens não significa distúrbio mental. Cuidados com os lábios: Use manteiga de cacau, batom incolor ou qualquer tipo de óleo ou pomada para proteger os lábios; Queimaduras de sol: O melhor é prevenir: conserve a cabeça e a pele cobertas, inclusive o pescoço e a nuca, através de uma aba improvisada. Os raios solares refletidos na água também queimam a pele. Use pomada antisséptica para evitar rachaduras, inclusive nos lábios. Não fure as bolhas e evite que umidade penetre nas feridas. Mantenham-nas cobertas com pomada e o mais secas possível. O reflexo intenso do sol, céu e água poderá provocar olhos injetados de sangue, inflamados e doloridos. Na falta de óculos, use um pedaço de pano ou atadura sobre os olhos, além de pomada oftálmica. Obs: A proteção contra os raios solares, num bote salva vidas se dá por meio de toldo devendo o naufrago utilizar-se de roupas e óculos. Desidratação: Suspender a alimentação, ingerir bastante líquido, manter a pessoa em repouso, evitar sol, manter as roupas umedecidas. Frio: Um corpo exposto ao frio perde calor e consequentemente perde energia para manter o corpo aquecido aumentando a sede e a fome. O calor por ele gerado será mantido por mais tempo se o corpo estiver vestido. Mas a resistência ao frio depende também da sensibilidade pessoal, treinamento e outros fatores. Não deixe de se movimentar com regularidade mas lembre-se que movimentos desnecessários não são recomendados, pois esgotam a reserva de força muscular. Considera-se FRIO quando há uma queda da temperatura corpórea abaixo de 30 º C, muitas vezes causadas por ventos ou até pela evaporação da umidade da pele, na forma de suor ou pelo contato com a água gelada, a maioria das pessoas perde a capacidade física e mental podendo até entrar em estado de choque. Se a temperatura continuar a cair a pessoa poderá chegar ao óbito pela hipotermia. O poder de resfriamento da água é 23 vezes superior ao do ar, o que causa ventos gélidos. Assim, é preferível que o sobrevivente saia diretamente do avião para o bote, evitando ao máximo entrar na água. Água com temperatura inferior a 0º causa a morte em 10 minutos; a zero grau, em meia hora; a cinco graus, entre meia e três horas; a dez graus, de uma a seis horas; a quinze graus, duas a 24 horas; a vinte graus, entre três e quarenta horas. Isso sem contar a hidrocussão, choque de paralisia, possível à temperatura inferior a 17ºC. 170 Os sobreviventes devem zelar ao máximo sendo solidários para que consigam manter o grupo aquecido. Recomendações: Mantenha o toldo como proteção; Use preferencialmente roupas de lã, que mesmo molhada aquece um pouco, e tecidos de malha apertada; Alimente-se pouco, o que facilita a adaptação ao frio; Evite ingerir álcool, que provoca vasodilatação e perda de calor (a sensação de calor que provoca é seguida pela sensação de frio); Descanse sempre que possível: repouso e sono alternados com trabalho muscular moderado melhoram a resistência; Manter todos os sobreviventes juntos ajuda ao aquecimento recíproco Congelamento: O congelamento se manifesta principalmente no rosto, orelhas, pés e mãos, levando a ulceração das partes atingidas, podendo inclusive gangrenar os locais levando a amputação, e ameaçando seriamente a vida humana. Ao menor sinal de congelamento (coloração azulada, lívida ou escura da pele e/ou dormência) deve-se aquecer gradativamente as partes, porém em hipótese alguma deve-se friccionar ou massagear as partes atingidas. FATORES ADVERSOS AO SOBREVIVENTE 1)Pânico: O pânico normalmente toma conta da pessoa no momento do acidente, ou mais tarde, já na embarcação. Pode, entretanto, ser controlado e até mesmo dominado, quando se está preparado para enfrentar situações de emergência. O conhecimento de procedimentos e um razoável adestramento fará com que se desenvolva o auto controle. 2)Solidão: A solidão é o prelúdio do tédio no barco salva-vidas. A pessoa, inicialmente, acredita que em pouco tempo será resgatada e, caso não aconteça, começa a se deixar abater, principalmente quando dá conta da sua situação e da vastidão do mar que a cerca. 3)Tédio: Em uma prolongada sobrevivência no mar, o aparecimento de uma certa rotina, aliada a solidão, faz com que o tédio tenda a se estabelecer, o sobrevivente começa a se desinteressar das coisas que poderiam servir de ocupação, começa a se revoltar contra tudo e contra todos ou perde a vontade de viver. Deve ser combatido persistentemente. ÁGUA A água será sempre prioridade. Em média sobrevive-se três dias sem água e sete dias sem alimento, exceto as crianças, que desidratam-se rapidamente (elas deverão ter prioridade quanto a água). A água também faz parte do racionamento, que deverá iniciar-se 24 horas após o acidente. 171 Equilíbrio Hídrico: Em condições normais o conteúdo de água no organismo é bem equilibrado, podendo variar de 2.500ml a 3.000 ml por dia, obtidos, através da ingestão de água pelos alimentos, em forma líquida e pela oxidação. O equilíbrio se dá através da urina, fezes, respiração e transpiração. Entradas Diárias de H2O: ÁGUA DE NATURAL (H2O): É água sob forma de bebidas e alimentos líquidos ÁGUA DE CONSTITUIÇÃO: É a água presente em todos os alimentos normalmente num variação de 75 (alimentos sólidos) à 80% (frutas), o que significa que devemos ingerir o máximo de frutas disponíveis, pois além de serem ricas em água são de fácil digestão e evitar alimentos protéicos como o peixe e as aves que se ingeridos, por dificultarem a digestão irão aumentar a desidratação. ÁGUA DE OXIDAÇÃO:É formada metabolicamente pelo organismo, através da queima de proteínas, gorduras e carboidratos. Perdas de Água Pelo Organismo: VIA PULMONAR: A perda é involuntária e constante devido a água sair do corpo sob forma de vapores durante a expiração. Em condições normais perde-se de 200 a 400 ml de água por dia. Esta perda pode variar com a temperatura da atmosfera (quanto mais alta maior a perda), febre e taquipnéia. Portanto evite aomáximo atividades físicas que o deixam ofegante, procure repousar o máximo. VIA CUTÂNEA: Assim como na via pulmonar a perda também é involuntária e aumenta com o aumento da temperatura corpórea do sobrevivente. Evite ao máximo a sudorose abrindo e ventilando o máximo o bote, sem ficar exposto ao sol, nos dias muito quentes mantenha as roupas molhadas ou úmidas, com água do mar, para diminuir ao máximo a transpiração e evite atividades físicas. VIA RENAL: Apesar de ser notado de que numa sobrevivência ocorre uma sensível redução da produção de urina pelos rins, afim de reter água no organismo, ainda este é sem dúvidas o maior eliminador de água (por isto deve-se evitar ao máximo a ingestão de sal). Cada rim é capaz de filtrar aproximadamente 180 litros de sangue por dia, sendo que apenas 1,5 l deste montante é expelido sob a forma da urina. Após o terceiro ou quarto dia nota-se que a urina passa a ter uma coloração âmbar escura (avermelhada) devido a concentração de sais e ácidos. Deve-se beber somente água potável e jamais a água do mar pois o organismo tem capacidade de absorver 6 gramas de sal por dia e sendo que a água do mar possui em média 35 gramas de sal num único litro o que resulta em 10,6grama de sal em um único copo de chopes. Para eliminar o sal excedente os rins necessitam de água sendo que sua capacidade é de 3 gramas excedentes para cada litro. Conclusão: se você beber um copo de 300 ml de água do mar vai necessitar de um litro de água pura para eliminar o sal excedente e não ficar doente. Beber a própria urina produz efeito parecido pois o sobrevivente estará ingerindo novamente o sal eliminado entre outras substâncias. Dentre estas a melhor alternativa seria beber o sangue dos peixes pois o sangue de um peixe é composto de 0.6% a 0.9% de sal, de um litro de sangue de peixe (aproximadamente 900 gramas) teríamos 8,1 grama de sal. VIA DIGESTIVA: Pelas fezes, o indivíduo normal elimina 100ml de água por dia, sendo que em situações normais esta perda não é significativa. Evite comer alimentos estragados que possam causar diarréia para não aumentar a eliminação de água. Evite enjôos tomando comprimidos caso ocorra para se evitar o vômito e conseqüente perda de água . Se você não dispuser de água, não coma. 172 PERDAS ADICIONAIS: Alguns ferimentos podem ocasionar uma perda adicional de água. Como reduzir sua necessidade de água: Reduza sua alimentação; Conserve o corpo bem protegido tanto do sol como de seu reflexo na superfície da água; Mantenha as roupas molhadas ou úmidas, com água do mar, nos dias quentes, mas não exagere nessa medida, diante de muito calor, se não houver um toldo protetor a bordo; Sempre que puder permanecer quieto e procure cochilar um pouco. Facilite de todos os meios a ventilação do bote; OBTENÇÃO DE ÁGUA POTÁVEL A quantidade mínima de água potável necessária para que uma pessoa possa manter-se em forma numa situação de sobrevivência é de aproximadamente meio litro (500 ml) por dia. Se o suprimento de água foi insuficiente, será preferível bebê-la no primeiro dia, de uma vez só. A sede pode ser verdadeira ou falsa: a verdadeira provoca sensação de queimadura na garganta e na boca; a falsa pode ser aliviada mastigando-se um botão, goma de mascar ou um pedaço de couro; Tente, primeiramente, colher água de chuva em vasilhas ou no próprio toldo do bote. Lembre- se que água da chuva colhida diretamente não precisa ser purificada. Sempre que chover, beba o máximo que agüentar. A própria postura do sobrevivente no barco evitará que beba até se sentir mal. A água da chuva desagrada um pouco o paladar e falta-lhe alguns minerais necessários ao corpo humano mas seu sabor pode ser melhorado misturando-a com pouca água do mar ou dissolvendo nela caramelos duros, café ou chá solúvel. 173 Sede provocada pela ingestão de água do mar leva o náufrago a beber mais e mais da mesma fonte até que ele perca o autodomínio. Nota: Pode-se beber o sangue dos peixes a fins de matar a sede, como último recurso, porque o sangue de um peixe é composto de 0.6% a 0.9% de sal. Utilize o dessalgante ou, se existente a bordo, utilize o aparelho destilador atuado pelo Sol. Leia com atenção as instruções que o acompanham e monte-o imediatamente, amarrando-o bem forte ao bote. O gosto não é muito agradável, nem a temperatura o será, mas poderá ser bebida sem problemas; Se você não dispuser de água, não coma ALIMENTAÇÃO Não possuindo mais rações ou mantimentos do avião ou quando sua quantidade estiver muito reduzida, procure o alimento marinho, principalmente peixes, mas mantenha o racionamento e alimente-se somente após as primeiras 24 horas. Conseguindo pescar ou caçar alguma ave deve-se cortar os peixes ou aves em postas e mastigue-as demoradamente. Evite engolir a carne, para não ter distúrbios intestinais. Beba o sangue que poderá ser ingerido normalmente. Estando-se em uma ilha procure por caranguejos que serão encontrados com maior facilidade debaixo das pedras ou próximos a riachos. Não se deve comer em hipótese nenhuma: Mariscos pertencentes a colônias onde existam moluscos mortos ou mal cheirosos; Ostras e mariscos agarrados a cascos de navios ou qualquer outro objeto metálico, pois há risco de violentas intoxicações; Qualquer peixe deteriorado; Na dúvida sobre se o peixe é venenoso ou não, use-o como isca; Medusas, águas-vivas, caravelas, cobras do mar, ouriços e estrelas-do-mar; Vísceras ou ovos de qualquer peixe desconhecido; Líquidos corpóreos dos peixes; Baiacus lisos ou espinhudos (ele têm o corpo arredondado com pele dura, boca pequena e bico semelhante ao de papagaio; são venenosos). 174 ANIMAIS MARINHOS PERIGOSOS Objetos brilhantes e peixes recém-pescados, ao lado do bote, poderão atrair a atenção de peixes perigosos. Fique atento ao pescar peixes grandes, que poderão causar riscos ao bote. Não há um método seguro para determinar se um peixe é venenoso ou não. Muitos são venenosos através de órgão internos ou ovas; noutros, sua própria carne contém veneno. Mas eles quase sempre vivem em águas tropicais pouco profundas ou, então, em recifes de corais. Suas formas estranhas, sua pele é dura recoberta por placas ósseas ou espinhos. A maioria apresenta olhos, bocas e guelras pequenas. a)Moréia: As moréias são raivosas e agressivas quando perturbadas em seu “habitat” e sua mordida causa grande lesão que, se não for tratada, infecciona rapidamente. b)Barracuda: Numerosos são os casos de ataques por barracudas. Nadam em pequenos cardumes e suas mordidas, assim como as de moréias, causam lesões graves. c)Arraia: Possuem ferrões na cauda que podem causar ferimentos doloridos e de difícil cicatrização. d)Medusa: As medusas (caravelas, águas-vivas) são comuns nas águas tropicais. O perigo das medusas está no seu contato físico com as cápsulas venenosas cheias com um líquido urticante, distribuídas pelos seus longos tentáculos e que provocam irritações e queimaduras, podendo até provocar a morte. Ocorrendo queimadura procure colocar sobre ela água do mar, urina ou se vinagre caso disponha, jamais lave com água doce ou coloque pomadas. e)Ouriço e Anêmona: Os espinhos de algumas espécies de ouriços provocam ferimentos dolorosos. Algumas espécies possuem espinhos dentados, tornando- se necessário extraí-lo cirurgicamente. Nos casos menos graves, os espinhos de natureza calcária e silicosa, podem ser dissolvidos pela aplicação de amoníaco, álcool ou sumos cítricos (gotas de limão). As anêmonas assim como as medusas, expelem uma secreção urticante, que produz irritação. Evitar tocá-las com a pele desprotegida. f)Caracol Venenoso: Os caracóis compridos e de formas cônicas, (principalmente algumas espéciesdo Oceano Pacífico e Índico) são venenosos. Os mais perigosos possuem um apêndice vermelho e uma 175 tromba, que é usada para injetar o seu veneno. A ação desta picada produz fortes dores, inchação, paralisia, cegueira e, as vezes, a morte num espaço de até 4 horas. Na dúvida, o melhor a fazer é evitar tocar em caracóis, principalmente se estiverem vivos. g)Tubarões: Apesar de existirem até em águas frias do Ártico e Antártico, os tubarões são mais numerosos em áreas tropicais, subtropicais e temperadas, e, a grande maioria dos ataques foi registrada em águas com temperaturas acima dos 18 graus centígrados. O tubarão ataca quando tem fome mas seu apetite parece ilimitado. Ao contrário da maioria dos vertebrados, ele tem aparelho digestivo bastante curto, com área de absorção de alimentos bastante ampliada e, com isso, sua digestão é rapidíssima, tornando o tubarão um eterno faminto. De 250 a 300 espécies conhecidas de tubarões apenas doze são perigosas para o homem. Seu tamanho pode variar de 30 cm até 18 metros (tubarão baleia). Pelas palavras do pesquisador Jacques Costeau temos um resumo do que se sabe a respeito deles: “Quanto mais se fica em contato com tubarões, menos se conhece sobre eles, pois nunca se pode prever qual será a sua atitude”. Os tubarões são de fato imprevisíveis e as causas dos ataques a seres humanos são as mais diversas. As medidas enunciadas a seguir não significam que o ataque será evitado, mas em muitas ocasiões poderá surtir efeito. O olfato detecta sangue se ele estiver diluído numa concentração de 0,6 parte por milhão. Sua audição também é aguçada, mas a visão é deficiente. Sendo míope, só consegue ver nitidamente objetos que estejam até dois a cinco metros de distância. Ficou provado que eles não atacam deliberadamente o homem e são muito cautelosos ao aproximarem-se. A maioria deles afasta-se quando encontra algo tão grande quando um homem submerso, interpretando-o como um animal grande e incomum, desconhecido e potencialmente perigoso. O medo pode prevalecer e superar a necessidade de alimentar-se, provocando sua fuga. Mas na superfície da água a situação é diferente: aí a presa é mais fácil de se apanhar, o tubarão pode encontrar uma gaivota agonizante, um peixe mais fraco, lixo atirado de navios etc. O peixe pode avistar somente as partes submersas do ser humano e ataca a fonte de vibrações, seja um braço ou uma perna. As causas dos ataques a seres humanos são as mais diversas e as medidas a seguir não significam que o ataque será evitado, embora possam surtir efeito em muitas ocasiões. Procure evitar o ataque dessa maneira: Não tirar as roupas. Aparentemente, roupas escuras oferecem melhor proteção que as claras; Permaneça imóvel ou, se estiver próximo a uma embarcação, nade com movimentos regulares, rápida e silenciosamente, jamais com movimentos bruscos, de preferência utilizando nado de peito; Se um tubarão se aproximar, não tente atingí-lo. Mergulhe, o que frequentemente o assusta; Pessoas sangrando devem abandonar a água imediatamente; Estanque tão logo seja possível o sangue dos ferimentos; Afaste-se dos locais onde existam cardumes de peixes; Estando no interior da embarcação, evite deixar mãos e pés dentro da água; 176 Não atire pela borda restos de alimentos. Abandone o peixe que tenha por acaso sido fisgado pelo anzol preso ao bote; Se um tubarão atacar a embarcação, procure atingí-lo no focinho e cabeça com um objeto contundente; Se precisar lutar diretamente contra um tubarão, use uma faca e procure atingí-lo nas guelras e olhos; Caso seu grupo esteja na água e seja ameaçado por tubarões, reunam-se de encontro uns aos outros, em mar agitado, amarrem-se uns aos outros. Fiquem alertas quando qualquer ataque real de um ou vários tubarões. Se lhes parecer que não foram percebidos por eles, mantenham- se quietos o máximo possível. Repelentes para tubarões existentes nos botes salva-vidas são substâncias que, quando colocadas na água, produzem uma mancha negra que abrange uma área relativamente grande e permanece ativa por três horas. Ela aproveita a má visão dos tubarões, limitando-a ainda mais, contando com uma possível desistência do peixe em função de nada estar enxergando. O uso desse tipo de repelente não parece ser muito eficaz com tubarões de grande porte. Os tubarões costumam acompanhar as embarcações em busca de alimento. Quando não o conseguem, perdem o interesse pela embarcação. Fique atento, porque nem todo tubarão faz aparecer a barbatana dorsal acima da linha d’água. h) Baiacus lisos ou espinhudos: São Venenosos e incham quando molestados 177 A PESCA EM ALTO MAR Na falta dos apetrechos de pesca normalmente existentes no bote, utilize as seguintes alternativas: a) Improvise um anzol com alfinetes, clipes de papel, pregos de sapato, grampos de cabelo, canivetes, espinhas de peixe, ossos de pássaros, pedaços de madeiras etc. Mas lembre-se que os anzóis devem ser pequenos; b) Improvise a linha de pesca com cordão de sapatos, fio da própria roupa, estáis ou montantes (peças da aeronave) . A linha de pesca deve ser muito leve; c) Improvise iscas com penas de aves, pedaços de panos coloridos, vísceras de peixes e pássaros e mesmo os pequenos peixes que se agrupam à sombra do bote; d) Improvise um arpão amarrando uma faca a um remo; e) Utilize tudo o que puder ser utilizado como uma pequena rede; prenda um pano à extremidade de um remo, colocando o pano primeiramente debaixo d’água e, em seguida, fazendo-o subir lentamente para a tona; f) Utilize um facho de luz, da lanterna ou reflexo dos raios de luz num espelho, à noite, incidindo-o sobre a água. A luz atrairá os peixes e muitos deles poderão mesmo cair dentro do bote; g) Não amarre a extremidade da linha de pesca ao bote, pois peixes de grande porte poderão causar sérios transtornos; proteja as partes do bote onde a linha possa causar atrito e procure proteger também as mãos ao segurá-la. ATENÇÃO! Lembre-se de sempre manusear com cuidado objetos perfurantes ou cortantes a fim de evitar danos ao bote. Outras recomendações: Mate qualquer tipo de animal pescado antes de colocá-lo no bote, os peixes, por exemplo, através de uma pancada na cabeça. Peixes pequenos poderão servir como iscas. Tartarugas: consuma sua gordura e seu fígado. Seus músculos são duros mas podem ser mascados durante curto tempo e depois jogados fora. Aves marinhas também são alimento em potencial. Muitas pousarão no bote, atraídas pelos peixes ou para descansar. Oriente o grupo para manter-se imóvel enquanto elas se aproximam. Trate de agarrá-las logo que fecharem as asas, mas somente ao ter certeza de que terá êxito, caso contrário, não mais pousarão. Use também anzóis com iscas (como pedaços triangulares de metais brilhante), rodopiando-os no ar. Elas fornecerão: Carne: que poderá ser comida mesmo crua; Penas: que servirão como iscas de peixes; Sangue: que poderá ser bebido; 178 SINAIS DE TERRA Nuvens cúmulos paradas sob céu limpo ou em céu onde todas as demais nuvens se movem, tal nuvem (a fixa) muitas vezes indica a existência de terra. Nas costas brasileiras uma coloração esverdeada do céu é muitas vezes causada pelo reflexo dos raios solares em lagunas rasas, tabuleiros de rocha de coral ou enseadas. Águas profundas apresentam coloração verde ou azul escuro; colorações mais claras indicam pontos rasos e, provavelmente, proximidade de terra. Em geral, são avistadas aves em maior número próximo à terra, do que em alto mar. A direção da qual elas voam, de madrugada, e para a qual voltam, à noitinha, poderá indicar a direção de terra próxima. Próximo ao litoral pode-se ouvir os ruídos da arrebentação e, então, tentar o desembarque. O sobrevivente somente