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1 2
Laminados cerâmicos
Jackeline Guimarães
Luiz Narciso Baratieri
A demanda por tratamentos estéticos é crescente e 
diversas opções estão atualmente disponíveis para a correção 
da aparência dos dentes anteriores. Durante um longo período, 
a restauração mais previsível e durável era obtida através do 
preparo para coroas totais, que consistia na remoção de 
extensa quantidade de estrutura dental sadia, podendo 
ocasionar efeitos adversos tanto à polpa quanto aos tecidos 
periodontais. Essas restaurações foram gradualmente 
substituídas por procedimentos mais conservadores, como as 
facetas diretas de resina composta ou indiretas de cerâmica. 
A referência para essa transformação baseia-se na busca 
constante por substitutos que se assemelham aos diferentes 
constituintes do dente, que quando associados, possuem um 
excepcional comportamento biomecânico. A base dessa 
premissa está consolidada na observação de que o esmalte, 
com sua alta concentração mineral, fornece proteção ao 
desgaste da dentina, que por sua vez, como apresenta menor 
rigidez, em função do maior conteúdo orgânico, proporciona 
suporte à estrutura suprajacente, dissipando e absorvendo 
tensões durante as atividades funcionais e parafuncionais. 51, 57 
Seguindo essa filosofia biomimética, as resinas compostas são 
materiais que apresentam características de dureza e resiliência 
similares às da dentina, enquanto as cerâmicas reproduzem de 
forma mais satisfatória as propriedades mecânicas do esmalte. 
51 
As facetas de resina composta podem ser utilizadas 
adequadamente para modificação de cor, forma, posição e 
textura dos dentes anteriores. No entanto, esse material é 
susceptível às alterações de cor, ao desgaste e às fraturas, o 
que restringe o seu resultado estético ao longo do tempo. 73, 74 
Para compensar tais limitações, foram então propostas os 
laminados cerâmicos. A idéia de se confeccionar laminados 
cerâmicos surgiu em 1938, quando o Dr. Charles Pincus, 77 com o 
intuito de melhorar o sorriso de algumas estrelas de Hollywood, 
descreveu uma técnica onde laminados de reduzida espessura 
eram unidos aos dentes, sem qualquer preparo, com um pó 
para fixação de próteses totais. No entanto, mesmo obtendo-se 
resultados estéticos favoráveis, as restaurações precisavam ser 
removidas logo após as filmagens, devido à falta de retenção. 
A utilização dos laminados cerâmicos somente foi possível 
devido à evolução dos sistemas adesivos 65, 70, 96 e sua 
consolidação ocorreu após a divulgação por Horn (1983),	 40 
bem como por Simonsen e Calamia (1983),	84 de procedimentos 
de tratamento da superfície interna da cerâmica, que 
propiciava uma adequada adesão dessas restaurações ao 
dente e ao agente cimentante. 
Atualmente, os laminados cerâmicos consistem em 
restaurações estéticas e duráveis, o que pode ser constatado 
através de estudos clínicos que demonstram taxas de sucesso 
de 93 a 100%, durante um período de 2 a 12 anos. 2, 19, 31, 32, 46, 60, 
63, 69, 76, 100 Os principais aspectos analisados nesses estudos 
foram: incidência de fratura, integridade marginal (adaptação 
marginal e microinfiltração clínica), retenção, resposta 
periodontal e estética.
 Laminados Cerâmicos
3
Jackeline Guimarães
Luiz Narciso Baratieri
INCIDÊNCIA DE FRATURA 
A porcentagem de fraturas clinicamente inaceitáveis 
variou bastante entre os diferentes estudos clínicos (Tabela 1), no 
entanto, a maioria dessas fraturas foi reparada satisfatoriamente 
através de acabamento e polimento ou de restaurações com 
resina composta. Além disso, muitas das fraturas se 
caracterizavam como trincas, que não raramente, podem ser 
observadas nos dentes naturais, sem qualquer dano adicional 
(Fig. 1). Os principais fatores predisponentes para a ocorrência 
dessas fraturas foram: adesão parcial a uma superfície de 
dentina, 31, 72, 82, 98 presença de restaurações de resina composta, 
54, 72 adesão aos dentes tratados endodonticamente com 
escassa estrutura dental remanescente. 39, 72, 98 e intensa carga 
funcional e parafuncional. 16, 34, 72, 76	
Autor Número de facetas Período de observação Fraturas inaceitáveis
Magne et al. (2000) 60 48 4,5 anos 0%
Kihn e Barnes (1998) 46 59 4 anos 0%
Fradeani (1998) 31 83 6 anos 1,2%
Walls (1995)	98 54 5 anos 14%
Peumans et al. (1998)	76 87 5-6 anos 1%
Peumans et al. (2004) 72 81 10 anos 11%
Aristides e Dimitra (2002) 2 286 5 anos 0,6%
Nordbo et al. (1994) 69 135 3 anos 5,1%
Tabela 1. Estudos clínicos e suas respectivas taxas de fratura clinicamente inaceitáveis para laminados cerâmicos.
Figura 1. Trincas presentes em um incisivo central (A e C), que de maneira similar às trincas em laminados cerâmicos cimentados, não se desprendem da superfície do dente. 
A B C 
4
INTEGRIDADE MARGINAL 
  
Adaptação marginal 
A região mais propícia a falhas em um laminado cerâmico 
é a interface dente-cimento-restauração. 75 As resinas 
compostas quando empregadas como agentes de 
cimentação, apesar de apresentarem-se como uma fina 
camada (Fig. 2A), podem demonstrar uma contração de 
polimerização três vezes superior que a de um volume 
considerável desse material.28 Isso resulta em uma tensão de 
contração maior que a rotineiramente mensurada em 
restaurações de resina composta, 2 ocasionando, em algumas 
situações, o aparecimento de fendas marginais. 75 Além disso, 
pode ocorrer a dissolução da matriz de resina quando em 
contato com os fluidos orais. 62, 80, 97 Assim, é desejável que a 
espessura do agente cimentante seja minimizada através de 
uma apropriada adaptação marginal do laminado cerâmico 
(Fig. 2). 
No que tange a adaptação marginal, a maioria dos 
estudos clínicos relatam um número elevado de laminados com 
excelente adaptação.	2, 19, 44, 46, 63 Por outro lado, alguns autores 
mencionam a presença de pequenos defeitos na linha externa 
da restauração após 5 76 e 10 anos 72 de função. Através de 
microscopia eletrônica de varredura, foi possível observar que 
esses defeitos eram atribuídos ao desgaste do agente 
cimentante resinoso. 76 No entanto, mesmo com a possibilidade 
de perda substancial do cimento com o tempo, é imprescindível 
que todas as discrepâncias marginais sejam preenchidas pelo 
agente cimentante e que as margens da restauração recebam 
adequado acabamento e polimento.	75
Figura 2. Corte longitudinal de um incisivo central restaurado com um laminado cerâmico. Observe a uniformidade e a delgada espessura do agente cimentante (A). Em 
maior aumento (B e C) é possível notar a adaptação das margens da restauração, que contribui para minimizar a espessura do cimento .
A 
B C 
5
Microinfiltração clínica 
Como já ressaltado, existe uma concentração de tensões 
na interface dente-cimento-restauração decorrente da 
contração de polimerização do cimento resinoso. Dessa forma, 
ocorrerá uma "competição" entre a força adesiva de duas 
interfaces: cerâmica-cimento resinoso e cimento resinoso-dente. 
75 
A microinfiltração relatada na interface cerâmica-cimento 
resinoso é insignificante, 86, 91 em decorrência da elevada 
resistência adesiva obtida entre a cerâmica condicionada/
silanizada e o cimento resinoso, que é superior à existente entre 
o cimento e o esmalte e até mesmo excede a resistência 
coesiva da própria cerâmica. 14, 48, 50, 68, 87 
Por outro lado, na interface cimento resinoso-dente, a 
microinfiltração está relacionada diretamente ao substrato 
dental presente nos limites do preparo sobre o qual o laminado 
está cimentado. 
Q u a n d o a s m a r g e n s d a r e s t a u r a ç ã o e s t ã o 
completamente localizadas em esmalte, a microinfiltração 
relatada in vitro é mínima, 49, 83, 86, 91,103 sendo somente 
observada, de forma mais pronunciada, na região cervical, 
possivelmente em função da existência de esmalte aprismático.	
33 É importante ressaltar que os términos de preparos para 
laminados geralmente estão localizados nessa região de 
esmalte aprismático,	 75 o que pode comprometer o 
desempenho em longo prazo dessas restaurações. Os estudos 
clínicos 24, 46, 69, 89, 90 também relatam uma menor incidência de 
microinfiltração quando os preparos permanecem em esmalte. 
A microinfiltração é significantemente mais freqüente 
quando a margem cervical do preparo está situada em 
dentina, 13, 21, 26, 102 provavelmente devido à inferior resistência 
adesiva da cerâmica à dentina quando comparada ao 
esmalte. 94 Para alguns autores, 20, 29 mesmo quando a redução 
vestibular é entre 0,4 e 0,6mm, a dentina subjacente 
possivelmente será exposta durante o preparo da região 
cervical. 
Com o objetivo de aprimorar a resistência adesiva à 
dentina, foi proposta uma técnica onde o sistema adesivo é 
aplicado e foto-ativado previamente aos procedimentos de 
moldagem, imediatamente após a conclusão do preparo. 56, 71 
O princípio dessa técnica, conhecida como Selamento 
Dentinário Imediato, baseia-se na concepção de que ocorrerá 
a maturação da união adesiva durante o período de espera até 
a cimentação final, retardando o momento em que a interface 
agente cimentante/dentina estará sujeita aos desafios de 
contração de polimerização do cimento resinoso. Observações 
por microscopia eletrônica de varredura demonstraram que a 
aplicação tradicional do sistema adesivo, no momento da 
cimentação, está associada com falhas entre a camada híbrida 
e o adesivo, enquanto interfaces contínuas e sem falhas são 
obtidas com o uso da técnica de Selamento Dentinário 
Imediato. 56 A prevenção da infiltração bacteriana e da 
sensibilidade trans-operatória é também atribuída à aplicação 
do sistema adesivo da forma descrita. No entanto, apesar das 
possíveis vantagens relacionadas a esse procedimento, ainda 
há uma carência de estudos clínicos que comprovem a sua 
efetividade. 
RETENÇÃO 
De modo semelhante à microinfiltração, a taxa de 
retenção dos laminados cerâmicos também parece estar 
relacionada ao tipo de substrato dental. Observações clínicas 32 
sugerem que o laminado pode se deslocar quando 80% ou mais 
de substrato é dentina e, de forma inversa, torna-se improvável 
quando esmalte periférico é mantido após o preparo. No 
entanto, mesmo com grandes quantidades de esmalte, essa 
falha poderá ocorrer caso não sejam realizados um adequado 
tratamento da superfície interna da cerâmica e dos substratos 
dentais ou quando houver contaminação durante as etapas de 
cimentação.
6
RESPOSTA PERIODONTAL 
Tendo-se como base o menor acúmulo de placa sobre a 
superfície da cerâmica quando comparada a outros materiais e 
até mesmo ao esmalte, 17, 42 é esperado que nenhuma reação 
ou uma resposta mais favorável dos tecidos periodontais seja 
obtida ao redor dos laminados cerâmicos. Diversos estudos 
clínicos 14, 44, 46, 47, 63, 78, 81, 98 confirmam essa expectativa. Em 
contraste com esses estudos, Christensen e Christensen (1991), 24 
observaram uma ligeira inflamação gengival em dentes 
restaurados. Para evitar esse problema, recomenda-se a 
manutenção de uma ótima higiene oral e um adequado 
acabamento/polimento das margens da restauração, após a 
cimentação. 75 
ESTÉTICA 
De acordo com estudos de acompanhamento clínico, a 
estética é mantida após algum tempo de função 13, 24, 44, 46, 63, 69, 
89, 90 e a aceitação do paciente varia entre 80 a 100%.	24, 63, 76, 81 
Os casos de insatisfação estão relacionados, principalmente, a 
dentes restaurados que apresentam intensa alteração de cor, 
confirmando a dificuldade de reprodução da tonalidade dos 
dentes naturais em um dente escurecido. 75, 76 
De fato, as cerâmicas disponíveis assemelham-se em 
diversos aspectos ao esmalte, mas muitas ainda não são 
capazes de reproduzir todas as respostas dessa estrutura às 
diferentes condições de luz (Figs. 3 a 6 ).  
Figura 3 e 4. Em algumas condições de iluminação as cerâmicas reproduzem satisfatoriamente 
as propriedades ópticas do esmalte.
7
Apesar de tais limitações, existe uma concordância de 
que os laminados cerâmicos continuarão a desempenhar um 
significante papel na estética dental, 75 especialmente, se sua 
execução for realizada dentro do leque de indicações. 
  
INDICAÇÕES E CONTRA-INDICAÇÕES 
Com base nos diferentes aspectos citados, é possível 
sumarizar algumas indicações e contra-indicações para a 
restauração com laminados cerâmicos (Quadro 1). 
Nota-se que muitas das indicações são coincidentes com 
as das facetas de resina composta e a opção por um dos tipos 
de restauração dependerá da preferência do profissional e, 
principalmente, do grau de exigência estética do paciente e de 
sua disponibilidade de recursos financeiros. 
Em relação às contra-indicações, é relevante destacar 
que muitas delas são relativas, ou seja, podem ser contornadas 
e dessa forma os laminados poderão ser apropriadamente 
confeccionadas. Além disso, como os materiais estão em 
constante evolução, algumas atuais contra-indicações 
poderão, com o tempo, deixar de existir. 
Figura 4. 
8
Figura 5. Mesmo sendo as cerâmicas ideais para a reprodução do esmalte, muitas não se comportam como essa estrutura, em algumas condições de iluminação. 
A B C D
E F G H
9
Figura 6. Em distintas condições de luz , as cerâmicas são capazes de reproduzir as propriedades ópticas do esmalte.
INDICAÇÕES 
Modificar forma (Figs. 7 a 10)
Alterar posição (Fig. 11)
Restituir textura 
Restaurar dentes fraturados em adultos (Fig. 12)
Mudar a cor (Fig. 13)
CONTRA-INDICAÇÕES 
Impossibilidade de preservar esmalte, especialmente nas margens do preparo
Dentes com múltiplas restaurações (Fig. 14)
Oclusão inadequada (Fig.15)
Dentes tratados endodonticamente com pouca estrutura remanescente (Fig. 16)
Atividade de cárie e higiene precária (Fig.17)
Quadro1. Indicações e Contra-indicações para utilização de laminados cerâmicos.
A B C D
10
Figura 7. Vista frontal de incisivos laterais conóides. Os dentes conóides apresentam uma configuração ideal para o uso de laminados cerâmicos, havendo apenas a necessidade 
de confecção de um término cervical. Teoricamente seria possível realizar a restauração sem o preparo do dente, entretanto, isto iria gerar uma delicada e frágil margem de 
cerâmica. 
Figura 8. Vista frontal de incisivos centrais que apresentam deficiência no comprimento incisal , o que resulta em uma linha de sorriso invertida . As resinas compostas não 
deveriam ser utilizadas nessa situação, pois apresentam sinais precoces de fadiga quando restauram a região incisal.
11
Figura 10. Vista frontal de um diastema entre os incisivos centrais. Apesar 
dos laminados cerâmicos estarem indicadas para o fechamento de diastemas, 
a sua utilização deve ser preferencialmente executada em casos de múltiplos 
diastemas, onde o procedimento restaurador com resina composta é 
demorado e existe uma grande dificuldade para obtenção de uma 
padronização na cor e na forma. 
Figura 11. Vista lateral do sorriso de uma paciente que além de apresentar 
múltiplos diastemas, possui uma acentuada discrepância de posicionamento 
entre os dentes anteriores. A posição dos dentes, nesse caso, pode ser 
ajustada através de tratamento ortodôntico ou por meio de restaurações com 
laminados cerâmicos. 
Figura 9. Vista frontal de incisivos laterais com dimensões reduzidas. Como 
já ressaltado, restaurações de resina composta também poderiam ser 
realizadas e a decisão entre um laminado cerâmicoe esse tipo de 
restauração dependerá , principalmente, da exigência estética do paciente e 
de sua disponibilidade de recursos financeiros.
Figura 12. Vista frontal da fratura de um incisivo central. As fraturas 
coronárias podem ser adequadamente restauradas somente com laminados 
cerâmicos, sem a necessidade de preenchimento prévio com resina composta. 
No entanto, essa indicação está restrita aos pacientes adultos. As resinas 
compostas devem ser preferencialmente utilizadas nos casos de crianças. 
12
Figura 13. Vista frontal dos dentes 11 e 21 com moderada alteração de cor, que não foi solucionada através do clareamento externo no 11 e interno no 21. O laminado cerâmico 
está indicado para o dente 11 e apresenta prognóstico favorável, uma vez que a pigmentação não é intensa. No caso do dente 21, não é adequada a confecção desse tipo de 
restauração pois o dente possui uma extensa perda de estrutura dental, caso essa perda não estivesse presente, mesmo com tratamento endodôntico, o laminado poderia ser 
confeccionado . É importante ressaltar, que em função da possibilidade de escurecimento do dente, caso a indicação fosse a de um laminado no dente 21, o acesso endodôntico 
deveria ficar desobstruído para eventuais reforços no clareamento.
Figura 15. Vista lateral dos dentes anteriores em oclusão. Observe a presença 
de uma fratura na restauração do elemento 11, que provavelmente ocorreu 
devido à oclusão inadequada do paciente. Nesses casos, se for possível, um 
tratamento ortodôntico deverá preceder o restaurador. 
Figura 14. Vista frontal do dente 41 que além de uma considerável alteração 
de cor, apresenta múltiplas restaurações de resina composta, contra-indicando 
a confecção de um laminado cerâmico, em especial devido à impossibilidade 
de preservar esmalte nas margens do preparo. Como já ressaltado, o 
prognóstico dessas restaurações tendo esmalte como substrato é 
consideravelmente superior. 
13
Figura 16. Vista frontal da fratura dos incisivos centrais, onde o dente 11 
apresenta uma fratura coronária moderada, restrita ao terço incisal, e o 21 
uma extensa fratura, com comprometimento pulpar. O dente 11 pode ser 
restaurado com um laminado cerâmico, porém o 21 não poderá receber o 
mesmo tratamento. Somente o envolvimento pulpar, que ocasionou a 
necessidade de endodontia, não contra-indicaria a confecção de um laminado, 
esse fato se deve à ampla perda de estrutura dentária, que torna o 
prognóstico desse tipo de procedimento desfavorável .
Figura 17. Vista frontal dos incisivos centrais superiores que necessitam de 
tratamento restaurador. Porém, qualquer procedimento deve somente ser 
realizado após o controle da atividade de cárie e da instituição de um 
programa de manutenção da higiene oral. 
Uma sugestão de protocolo clínico está descrita em 
detalhes a seguir, incluindo cada etapa que julgamos relevante 
para realização de um laminado cerâmico no caso exposto, 
bem como algumas propostas para distintas situações clínicas. A 
figura18 refere-se à condição clínica inicial. 
PROCEDIMENTOS PRÉVIOS AO PREPARO 
Uma das etapas mais importantes para obtenção de um 
favorável prognóstico quando da realização dos laminados 
cerâmicos consiste na elaboração de um adequado 
planejamento, que inclua um protocolo clínico apropriado para 
cada caso específico. No entanto, mesmo diante de tal 
relevância, essa etapa é freqüentemente negligenciada, 
impedindo que algumas correções, que teriam um significante 
efeito sobre o resultado final, sejam executadas. 
Entre esses procedimentos prévios, pode-se destacar a 
necessidade de clareamento, restauração dos dentes 
adjacentes, cirurgia periodontal, tratamento ortodôntico, 
endodôntico e/ou periodontal. 
Outro aspecto a ser considerado é a expectativa do 
paciente e sua disponibilidade financeira para realização de um 
procedimento restaurador indireto, que apesar das vantagens 
estéticas, requer mais sessões clínicas e é mais oneroso quando 
comparado a uma restauração direta. 
14
Figura 18. Aspecto clínico inicial do sorriso da paciente (A, B e C), com uma evidente alteração de cor no elemento 11, o qual foi submetido a diversas tentativas prévias de 
clareamento. Em uma vista frontal (E) e lateral (D, F e G) nota-se a presença de uma restauração insatisfatória de resina composta, que se estende do terço médio ao incisal 
da face vestibular. É possível observar a deficiência no contorno da face vestibular, numa vista incisal (H e I). 
A B C 
D E F 
G I 
H
15
Por fim, um detalhado exame clínico e modelos de estudo 
visam determinar as alterações necessárias para a obtenção de 
uma adequada restauração. Em muitas situações, é 
conveniente realizar um enceramento diagnóstico, que irá 
permitir a visualização do resultado final da restauração, além 
de favorecer a restrição do preparo ao esmalte, como poderá 
ser constatada nas etapas seguintes. A figura 19 ilustra o 
enceramento do elemento 11, que restituiu a forma e o 
contorno da superfície vestibular. 
Para que o enceramento possa orientar os procedimentos 
de preparo, guias devem ser confeccionadas com o material 
pesado de uma silicona, uma com cortes transversais (Figs. 20A, 
20B e 20C) e outra com um corte vertical no centro do dente a 
ser preparado (Figs. 20D e 20E). Preparos realizados sem guias de 
orientação proporcionam tanto desgastes insuficientes quanto 
desnecessários. 57 Nos casos em que o volume de esmalte não 
esteja alterado, as guias poderão ser confeccionadas 
diretamente na boca. 
PREPARO 
A adaptação de laminados cerâmicos sobre superfícies 
sem preparo foi inicialmente recomendada,	 22, 79 no entanto, a 
insuficiência ou a ausência de redução freqüentemente 
ocasiona um sobrecontorno da restauração	37 e parece ser uma 
das causas de fratura.	 11, 82 Atualmente, aconselha-se a 
realização de um preparo conservador limitado ao esmalte, 66 
uma vez que a resistência adesiva da cerâmica a esse substrato 
é ainda superior à da dentina, embora as novas gerações de 
adesivos dentinários sejam promissoras. 94, 95 A espessura de 
esmalte relatada para dentes anteriores foi de 0,3 a 0,5mm no 
terço cervical, 0,6 a 1,0mm no terço médio e 1,0 a 2,1mm no 
terço incisal, 29 idealmente, portanto, o desgaste deverá se 
restringir a tais dimensões. 
Figura 19. Modelo de estudo com o enceramento do elemento 11. Observe que o contorno (A) e a forma (B) da superfície vestibular foram restituídos. 
A B 
16
Figura 20. Guias de silicone com cortes horizontais (A, B e C) e corte vertical ( D e E). Para que as guias possam auxiliar os procedimentos de preparo, é imprescindível que 
estejam bem adaptadas ao modelo (A e D). Ao posicionar a guia horizontal , a deficiência de volume do esmalte torna-se evidente (B).
A 
B 
C 
D 
E 
17
Além disso, o preparo da face vestibular irá variar em 
função da necessidade de restituição de esmalte e do grau de 
inclinação do dente para palatal, sendo tanto menor quanto 
mais acentuadas forem essas características. Contudo, o fator 
que terá uma influência direta sobre esses outros dois e 
conseqüentemente determinará a profundidade final do 
preparo vestibular é o grau de escurecimento dental. Assim, 
quanto maior for a alteração de cor mais pronunciada deve ser 
a redução para permitir o mascaramento da pigmentação. A 
figura 21 exibe uma sugestão de qual deveria ser o espaço 
necessário para que um laminado cerâmico possa reproduzir as 
características de um dente natural em casos com e sem 
alteração de cor. 
Definidos esses aspectos, um protocolo de preparo deve 
ser seguido para possibilitar um desgaste preciso e como 
resultado uma restauração de espessura uniforme.
Figura 21. Sugestão de espaço necessáriopara a confecção de um laminado cerâmico em um dente com e sem alteração de cor. 
Terço cervical
Terço médio
Terço incisal
De
nte
 Es
cu
ro
De
nte
 Cl
ar
o
0,5mm 0,4mm
0,7 a 1,0mm
0,7 a 1,0mm
0,5mm
0,5mm
18
Canaletas cervical, proximais e incisal 
Para orientar o desgaste da região cervical, confecciona-
se uma canaleta nesse local com uma ponta diamantada 
esférica (Fig. 22A) em alta velocidade, que deverá penetrar no 
esmalte aproximadamente metade de seu diâmetro (Fig. 22B). A 
escolha da espessura da ponta diamantada estará diretamente 
relacionada à quantidade de desgaste planejada através da 
análise prévia dos aspectos anteriormente listados (necessidade 
de restituição de esmalte, grau de inclinação e coloração do 
dente). Nessa etapa, a canaleta deve permanecer supra-
gengival e acompanhar o contorno da gengiva marginal. Na 
seqüência, com a mesma ponta diamantada, estende-se a 
canaleta para proximal (Fig. 22C) e incisal (Fig. 22D ). 
Figura 22. Pontas diamantadas esféricas de diferentes diâmetros (A) indicadas para confecção das canaletas cervical (B), proximaisC) e incisal (D).
Diâmetro = 1,0mm
Diâmetro = 1,2mm
Diâmetro = 1,4mm
B 
A D 
C 
19
Canaletas vestibulares 
Com uma ponta diamantada tronco-cônica de extremo 
arredondado (Fig. 23A) e em alta velocidade, deve ser 
confeccionada uma canaleta central, seguindo as distintas 
inclinações da face vestibular (Fig. 23B) nos terços cervical (Fig. 
23C), médio (Fig. 23D) e incisal (Fig. 23E). Quando a extensão 
mésio-distal do dente permitir, outras canaletas laterais, 
paralelas à central, poderão ser criadas, com o intuito de 
fornecer mais referências para a conclusão do desgaste 
vestibular. É interessante, que as guias horizontais sejam 
posicionadas para confirmar a exatidão da profundidade 
dessas canaletas, que por sua vez estarão na dependência dos 
mesmos fatores que orientam a confecção das canaletas 
cervical, proximais e incisal.
Figura 23. Com uma ponta diamantada de extremo arredondado (A), é confeccionada uma canaleta central, respeitando as inclinações da face vestibular nos terços cervical 
(B e C), médio (B e D) e incisal (B e E).
C 
B E 
D 
A 
Terço cervical
Terço médio
Terço incisal
20
União das canaletas 
Procede-se ao desgaste de metade da face vestibular 
(Fig. 24A), para a seguir completar o desgaste de toda a face 
(Fig. 24B). Essa seqüência permite a visualização e comparação 
entre uma região preparada e outra sem preparo, o que 
fornecerá indícios para regularização do desgaste onde for 
necessário. Associado a isto, o posicionamento das guias de 
silicone também provê informações sobre possíveis ajustes. Essa 
etapa deve obedecer às inclinações das canaletas e 
conseqüentemente de cada terço da face. 
Extensão Proximal 
A extensão do preparo para a região proximal é 
diretamente influenciada por fatores como a área estática e 
dinâmica de visibilidade, a localização do contato proximal e a 
presença de restauração ou diastema. 
  
Área estática e dinâmica de visibilidade 
Ao se unir as canaletas, a observação do preparo apenas 
por vestibular proporcionará uma falsa impressão de que todas 
as áreas visíveis de esmalte foram incluídas no desgaste (Fig. 
25B). Contudo, em uma visão de viés, pode-se freqüentemente 
perceber uma deficiência na extensão do preparo no sentido 
palatal (Fig. 25A e 25C), que deve ser ajustada com uma ponta 
diamantada (Fig. 25D) até que esmalte não seja mais 
perceptível nessas regiões (Fig. 25E e 25F). 
Figura 24. Desgaste de metade da face vestibular (A), que servirá de referência para o desgaste completo de toda a face (B). 
B A 
21
Figura 25. Após o desgaste da superfície vestibular, numa vista frontal (B), o preparo parece adequado. No entanto, em uma visão de viés (A e B), percebe-se uma deficiência 
na extensão do preparo no sentido palatal. Com uma ponta diamantada estende-se o desgaste no sentido palatal (D) até que todo o esmalte visível seja incluído no preparo 
(E e F). 
C A B 
F D E 
22
Localização do contato proximal 
O envolvimento ou não do contato proximal no preparo 
consiste em uma questão controversa. Se por um lado a 
conservação do contato favorece o ajuste da restauração e 
garante a manutenção da posição do dente, por outro, poderá 
dificultar os procedimentos de moldagem e comprometer a 
estética nos casos de intensa alteração de cor. Dessa forma, o 
contato proximal pode ser mantido nos casos de dentes sem 
significativa pigmentação (Fig. 26) e quando for imprescindível 
ou desejável removê-lo, esse procedimento deve considerar a 
sua localização. Quando mais vestibularizado, o preparo pode 
ser estendido até que o contato com o dente adjacente seja 
totalmente incluído no preparo (Fig. 27B). No entanto, se isto for 
realizado em contatos proximais palatinizados ou que terminam 
nessa região, um desgaste mais acentuado será necessário (Fig. 
27B). Nesses casos, com o intuito de preservar estrutura dental, 
uma lixa pode ser indicada para a eliminação do contato entre 
dentes contíguos (Fig. 27C). 
Figura 26. Como não há uma intensa alteração de cor, os contatos proximais foram preservados.
23
Presença de restauração 
As restaurações devem ser preferencialmente incluídas no 
preparo. 52 Grandes volumes de resina composta sob essas 
restaurações indiretas deveriam ser evitados devido aos efeitos 
da expansão térmica de algumas resinas.	 4, 58, 61 Para 
restaurações do tipo Classe III, a sugestão é de um recobrimento 
parcial (Fig. 28A) ou total (Fig. 28B) pela cerâmica para que as 
tensões térmicas sejam minimizadas .55 
Presença de diastema 
 
Os diastemas requerem uma extensa penetração 
interdental para obtenção de um adequado perfil de 
emergência e um fechamento mais efetivo, o que proporciona 
um aspecto natural. 52 
Figura 27. Vista incisal de incisivos centrais hígidos (A) e após o desgaste do terço incisal (B, C e D). No caso de contatos proximais mais vestibularizados (B), a sua inclusão no 
preparo é realizada sem a necessidade de grandes desgastes no sentido palatal. No entanto, em contatos palatizados ou superfícies de contato (C), para que o preparo possa 
abranger essa região, o desgaste deve ser menos conservador. Uma alternativa é estender o preparo ligeiramente para palatal e usar uma lixa para promover uma discreta 
separação interdental (D). 
A B 
C D 
24
Figura 28. Representação esquemática do recobrimento parcial (A) e total (B) de uma restauração Classe III de resina composta pelo laminado cerâmico. Observe a 
necessidade de maior extensão palatal na região onde a restauração está presente. 
A 
B 
25
Redução incisal	
Não há consenso na literatura sobre o envolvimento ou 
não da borda incisal durante o preparo para um laminado. 
Alguns autores afirmam que o recobrimento dessa estrutura 
aumenta a resistência mecânica dos laminados. 38, 41, 99 No 
entanto, estudos mais recentes 16, 88 não encontraram diferenças 
na resistência entre dentes preparados com e sem redução 
incisal após serem restaurados com laminados cerâmicos. 
Portanto, considerando casos em que a borda incisal está 
íntegra e o dente não apresenta considerável alteração de cor, 
parece lógico não incluir essa etapa durante o preparo (Fig. 
29A). Quando a opção for por incluí-la, um término plano (Fig. 
29B) fornece uma melhor resistência à fratura quando 
comparado às extensões palatais com término em chanfro (Fig. 
29C). 
A extensão da redução estará estritamente relacionada à 
necessidade de reprodução de efeitos incisais, às dimensões da 
fratura ou da restauração pré-existente,sendo de no mínimo 
1,0mm. 
Figura 29. Representação esquemática do dente preparado quando a borda incisal não necessitar ser incluída no preparo (A). Em (B) pode ser observado o término palatal 
plano que consiste em uma configuração mais favorável do que o término em chanfro (C), quando a redução incisal for inevitável. 
A B C 
26
Dimensões da fratura ou da restauração pré-existente 
Como já ressaltado, a perda de estrutura pode ser reposta 
unicamente através de um laminado cerâmico e o preparo, 
para que se preserve o máximo de estrutura remanescente, 
deve seguir a linha de fratura 52 (Fig. 30A). Seguindo esse mesmo 
raciocínio, restaurações do tipo Classe IV podem ser removidas 
e o preparo será guiado pelo contorno resultante (Fig. 30B). 
Necessidade de reprodução de efeitos incisais 
Quanto mais caracterizada a incisal de um dente anterior, 
mais desafiadora é a sua reprodução. Para favorecer o trabalho 
do ceramista, pode-se realizar o desgaste até que se incluam 
todos esses detalhes. 
Figura 30. O preparo incisal deve ser orientado pela linha de fratura (A) e pela estrutura remanescente resultante da remoção de restaurações Classe IV (B). Note que na 
extensão do preparo incisal, para evitar espessuras muito finas de cerâmica nessa região, um mínimo de 1,0mm de redução deve ser realizada .
B 
A 
27
 Extensão gengival 
O término do preparo pode permanecer supra-gengival 
ou no nível da margem gengival, exceto para os casos de 
dentes escurecidos e de fechamento de diastemas. Em dentes 
com alteração de cor, caso o preparo não seja estendido para 
um nível intra-sulcular, uma região pigmentada ficará visível 
após a cimentação da faceta, o que comprometerá o 
resultado estético (Fig. 31). Na presença de espaços 
interdentais, um per f i l de emergência progressivo e 
conseqüentemente uma estética mais favorável, somente serão 
obtidos com margens subgengivais. Durante o procedimento de 
extensão subgengival, pode ser utilizado um dispositivo que 
fornece proteção e ao mesmo tempo retrai a gengiva (Fig. 32A) 
ou estende-se o preparo até o nível da gengiva quando um fio 
retrator (Fig. 32B,) estiver adequadamente inserido no sulco 
gengival (Fig. 32C, 32D, 32E e 32F). É imprescindível não 
provocar danos aos tecidos periodontais durante essa etapa, 
assim deve-se limitar o preparo a uma extensão intra-sulcular 
que não exceda 0,5mm.	8 
Figura 31. No caso de dentes escurecidos, a permanência de um preparo supra-gengival acarretará em comprometimento estética do conjunto dente-restauração, por 
permanecer uma região pigmentada cervical (A). O ideal é que uma extensão intra-sulcular de no máximo 0,5mm seja realizada (B). 
A B 
28
Figura 32. Para a extensão subgengival do preparo pode ser utilizado um dispositivo que afasta e protege a gengiva (A) ou um fio retrator de calibre compatível com o sulco 
gengival (B). O fio retrator selecionado deve ser adequadamente inserido com um auxílio de um instrumento específico (C, D, E e F).
A B 
C D 
E F 
29
Figura 33. Após a inserção do fio retrator (A e B), realiza-se o desgaste (C) até atingir o nível da margem gengival (D e E). Após a conclusão dos procedimentos de extensão 
subgengival, as guias de silicone devem posicionadas para verificar a precisão dos desgastes (F). 
A B 
C D 
E F 
30
Acabamento 
Essa etapa visa tornar o preparo liso e sem ângulos vivos, 
utilizando pontas diamantadas de granulação fina (Fig. 34B e C), 
borrachas (Fig. 34A) e discos abrasivos flexíveis (Fig. 34D). 
MOLDAGEM 
Essa etapa é indispensável para a obtenção de um 
modelo fiel,	15, 101 que inclua detalhes do preparo e dos tecidos 
circundantes. Como os limites do preparo para laminados 
cerâmicos são acessíveis, possivelmente a moldagem não 
apresentará maiores desafios. 
Os materiais elastoméricos não aquosos, especialmente as 
siliconas de adição, consistem na primeira escolha para a 
moldagem de restaurações indiretas em dentes anteriores, em 
função de sua estabilidade dimensional e alta precisão. 23, 52 
Além disso, possibilitam múltiplos vazamentos, 59, 92 o que é de 
extrema importância para os procedimentos laboratoriais. Esse 
material pode ser empregado em várias técnicas de 
moldagem, no entanto, recomenda-se a técnica da dupla 
mistura em um único tempo, 43, 92 onde os materiais de distintas 
consistências são manipulados simultaneamente, minimizando a 
possibilidade de distorções. 
Quando o término do preparo estiver localizado no nível 
gengival ou intra-sulcular, haverá a necessidade de um 
afastamento prévio que desloque os tecidos gengivais e permita 
a penetração do material de moldagem na região do sulco 
gengival. Com esse intuito, sugere-se uma técnica utilizando dois 
fios retratores, 67 sem substâncias químicas e de diâmetros 
compatíveis com a profundidade do sulco. 
Figura 34. O acabamento do preparo pode ser realizado utilizando borrachas (A), pontas diamantadas de granulação fina (B) e extra-fina (C), além de discos abrasivos 
seqüenciais (D). 
A D 
B 
C 
31
Com o preparo devidamente livre de quaisquer depósitos 
superficiais, é inserido o fio retrator de menor calibre, o qual 
permanecerá em posição no decurso dos procedimentos de 
moldagem (Fig. 35A). Esse primeiro fio tem a função de permitir 
que as margens do preparo permaneçam sem contaminação 
por sangue ou exudado gengival durante a aplicação do 
material de moldagem. A seguir, um segundo fio, agora de 
maior diâmetro, é inserido na entrada do sulco (Figs. 35B e 35C) 
e deve permitir a visualização do término do preparo (Fig. 35D). 
Para auxiliar e facilitar a inserção de ambos os fios um 
instrumento específico pode ser empregado (Fig. 35B e 35C). 
Para a técnica de moldagem podem ser utilizadas 
moldeiras individuais ou de estoque. Uma sugestão é a da 
moldeira parcial do tipo "triple-tray" (Fig. 36A), que 
simultaneamente fornecerá a impressão do segmento do dente 
preparado, dos dentes antagonistas e da relação interoclusal. 
Após a seleção e prova da moldeira, esta é carregada com o 
material pesado ao mesmo tempo que o segundo fio é 
removido, o material leve é injetado no espaço criado no interior 
do sulco gengival (Fig. 36B). Em seguida, aplica-se um leve jato 
de ar (Fig. 36C) e a moldeira com o material pesado é 
posicionada com um movimento suave e contínuo (Fig. 36D). 
Decorrido o tempo de presa recomendado pelo 
fabricante, a moldeira deve ser removida e o molde 
inspecionado. Será considerado adequado, o molde que 
apresentar margens nítidas em sua totalidade e ausência de 
bolhas, rupturas ou áreas de compressão acentuada (Fig. 36E, 
36F E 36G), o que propiciará a obtenção de um modelo de 
trabalho apropriado.
Figura 35. Fio retrator de menor calibre adequadamente inserido no sulco gengival (A), para posterior inserção do segundo fio (B e C). Com os fios posicionados deve ser 
possível a visualização do término cervical (D) 
A D 
B 
C 
32
Figura 36. As moldeiras do tipo “triple-tray", específicas para o segmento anterior (A), devem ser carregadas com o material pesado e simultaneamente realiza-se a injeção 
do material fluido (B e C) no espaço criado no sulco gengival. A moldeira deve permanecer em posição (D) até que se complete o tempo de presa do material. Decorrido esse 
período, o molde é inspecionado (E) e deve apresentar margens nítidas e ausência de bolhas, rupturas e áreas de compressão acentuada. Observe , a partir de um corte 
vertical do molde (F e G), a penetração do material de moldagem no sulco gengival.
B D 
A 
C 
E G F 
33
Figura 37. Condicionamento com ácido fosfórico de uma área restrita da superfície preparada (A), para posteriorconfecção da provisória com resina composta (B e C). 
RESTAURAÇÃO PROVISÓRIA 
As provisórias podem ser confeccionadas através da 
técnica direta por meio do emprego de procedimentos 
adesivos e resina composta, ou de forma indireta utilizando 
resina acrílica. 
Na técnica direta, condiciona-se com ácido fosfórico um 
ponto restrito da superfície do esmalte (Fig. 37A), que após ser 
lavada e seca, deve ser submetida à aplicação do sistema 
adesivo. A seguir, um único incremento de resina composta é 
adaptado à superfície preparada e com o auxílio de pincéis e 
espátulas reproduz-se a anatomia desejada (Fig. 37B e 37C). Se 
a borda incisal está incluída no preparo, o enceramento 
diagnóstico poderá servir de base para a confecção de uma 
matriz de silicone, que facilitará a reconstrução dessa região. 
Nesse caso específico, antes da inserção do incremento de 
resina composta referente à face vestibular, um outro 
incremento é previamente inserido na região incisal, com o 
auxílio da matriz de silicone. Só depois da reprodução incisal, 
procede-se com as demais etapas relativas ao contorno 
vestibular. Após a polimerização, os excessos grosseiros de resina 
podem ser removidos com lâminas de bisturi e para o 
acabamento/polimento são sugeridos discos abrasivos 
seqüenciais, pontas siliconizadas, feltros e pastas específicas. 
Essa técnica é preferencialmente realizada quando poucos 
dentes estão preparados.
A 
B 
C 
34
Quando diversos dentes estão envolvidos no preparo, a 
técnica mais recomendada é a indireta. Nessa técnica as 
provisórias poderão ser confeccionadas sobre o modelo de 
estudo, pelo técnico de laboratório, para depois serem 
reembasadas sobre os dentes preparados. Outra alternativa é 
obter, a partir do modelo de estudo, uma matriz de silicone ou 
plástica, dentro da qual, na região correspondente aos 
desgastes, é adicionada a resina acrílica. Nesse caso, após a 
perda de brilho superficial, o conjunto matriz/resina deve ser 
adaptado sobre os preparos. Nas duas técnicas, realiza-se o 
acabamento/polimento com discos abrasivos seqüenciais, 
pontas siliconizadas, feltros e pastas específicas. As provisórias de 
resina acrílica poderão ser mantidas unidas entre si e 
cimentadas com um cimento temporário ou com o auxílio de 
uma técnica adesiva, após o condicionamento de uma área 
restrita do esmalte. 
  
SELEÇÃO DE COR 
O ideal é que o técnico possa participar diretamente do 
processo de seleção das cores, no entanto, como nem sempre 
isso é possível, torna-se imprescindível estabelecer um método 
de comunicação, para que o dentista seja capaz de transmitir o 
que observa ao mesmo tempo que o técnico compreenda de 
forma precisa o que está sendo notificado. Para facilitar esse 
processo, podem ser utilizadas escalas de cores, fotografias e 
mapas cromáticos. 
A escala deve ser a mesma empregada pelo técnico, 
sendo imperativo destacar a sua especificação. Para facilitar a 
visualização e percepção das distintas nuances de cores, 
fotografias com a escala posicionada por incisal tanto do dente 
preparado quanto do homólogo devem ser enviadas, 
juntamente com um mapa cromático, que ilustra, dentro de 
suas limitações, detalhes de cor, forma e textura. É importante 
ressaltar que um processo de seleção das cores requer que os 
dentes permaneçam úmidos e a luminosidade seja 
preferencialmente a do dia. 
CIMENTAÇÃO 
O sucesso dos laminados cerâmicos ao longo do tempo 
está em grande parte relacionado aos procedimentos de 
cimentação adesiva, os quais exigem atenção irrestrita para 
cada uma de suas etapas, pois qualquer negligência poderá 
comprometer o prognóstico dessas restaurações. 
Prova do laminado 
Ao receber o trabalho do laboratório (Fig. 38A e 38B), é 
interessante verificar, no modelo de gesso não-troquelado se o 
alinhamento, a forma e a textura estão adequados (Fig. 38C e 
38D), já a adaptação marginal é melhor inspecionada no 
troquel individual. Caso existam falhas nesses itens, recomenda-
se que sejam reparadas antes de se proceder às demais etapas. 
Na seqüência, remove-se a provisória e todos os resquícios 
de cimento provisório ou resina composta da superfície do 
dente. Qualquer depósito poderá impedir o correto 
assentamento da restauração, bem como ocasionar fraturas. 
No caso de múltiplas restaurações, a prova e os ajustes são 
individuais, para que posteriormente sejam assentadas em 
conjunto. Em algumas situações serão necessários ajustes na 
região proximal, os quais devem ser realizados após o registro 
dos contatos com uma fita articular de fina espessura. O 
desgaste poderá ser executado com pontas diamantadas de 
granulação extra-fina, em alta rotação e sob refrigeração ou 
com borrachas diamantadas específicas para cerâmicas. Em 
ambos os casos, os locais desgastados precisam ser polidos com 
borrachas diamantadas para evitar a manutenção de 
irregularidades que podem, além de permitir o acúmulo de 
placa, constituírem-se em regiões de concentração de tensões 
e conseqüentemente de propagação de trincas.
35
Figura 38. O laminado cerâmico (A e B) necessita ser inspecionado, antes da cimentação, em diferentes ângulos de visão. Além disso, no modelo (C e D) devem ser 
observados se o alinhamento, a forma e a textura estão adequados. 
A 
B 
D C 
36
Figura 39. As diferentes cores das pastas para cimentação adesiva propiciam sutis alterações na coloração final da restauração, o que pode ser constatado observando a 
interação de distintas nuances de cor com o fundo subjacente. 
Simulação da cimentação 
Os laminados cerâmicos possuem uma espessura bastante 
fina, sendo translúcidas e, portanto, susceptíveis à influência da 
coloração do substrato e da película do cimento. Por esse 
motivo, diversos fabricantes disponibilizam pastas de múltiplas 
colorações para cimentação dessas restaurações (Fig. 39), 
permitindo um maior controle sobre a influência do substrato e, 
até mesmo sutis alterações de cor. 35 Para facilitar a seleção da 
pasta mais apropriada, alguns sistemas fornecem seringas "try-
in", que consistem em pastas hidro-solúveis de cores referentes às 
dos cimentos. A simulação da cimentação é executada 
inserindo-se uma tonalidade de pasta "try-in" e reassentando a 
restauração. No entanto, deve-se ter cautela ao realizar tais 
simulações, uma vez que as cores dessas pastas, com certa 
freqüência, diferem das correspondentes cores do cimento. 3 
Preparo do laminado e do dente para cimentação 
Para que uma união adesiva efetiva e duradoura seja 
obtida entre a restauração e a estrutura dental, o tratamento 
da superfície interna do laminado e da região preparada do 
dente é essencial. 
 Preparo do laminado para cimentação 
As cerâmicas ricas em sílica, como as feldspáticas e as 
vítreas são as mais utilizadas na confecção de facetas. Essas 
cerâmicas ao serem condicionadas com ácido hidrofluorídrico 
passam a apresentar uma super fície interna rica em 
microrretenções, de vários micrômetros de profundidade, 25 que 
proporciona uma melhora na resistência adesiva. 25, 30 O tempo 
de condicionamento irá variar de acordo com o material 
cerâmico uti l izado, 18 ass im, é importante seguir as 
recomendações do fabricante. Todavia, caso o tempo de 
condicionamento da cerâmica seja desconhecido, uma 
aplicação por 2 a 3 minutos parece ser suficiente para a 
obtenção de apropriadas microrretenções. 7 Outro aspecto 
relevante refere-se a possibilidade de redução da resistência de 
união quando os depósitos sal inos provenientes do 
condicionamento com ácido hidrofluorídrico permanecem 
sobre a superfície da cerâmica. 53 Para evitarqualquer 
influência negativa, esses resíduos podem ser totalmente 
removidos imergindo a restauração em álcool e submetendo-a 
a um banho ultra-sônico por 10 minutos. 53
37
Quadro 2. Sugestão de protocolo clínico para o tratamento da superfície interna do laminado e da região preparada do dente. 
Na seqüência, tais microrretenções poderão ser infiltradas 
por um agente bifuncional de ligação, os silanos. Esses agentes 
propiciam a obtenção de uma elevada adesão e uma união 
mais durável aos materiais resinosos, 45, 64 através de sua ligação 
simultânea à sílica da cerâmica e à matriz orgânica das resinas 
compostas. 1, 85 
Após a silanização, o sistema adesivo selecionado é 
aplicado na superfície preparada da cerâmica. Como essa 
restauração possui uma espessura reduzida e, portanto, permite 
a passagem de luz, não é necessário polimerizar o adesivo nessa 
etapa, o que poderia prejudicar o assentamento do laminado. 
A polimerização será realizada no momento da cimentação, 
juntamente com o material cimentante. 
  
Preparo do dente para cimentação 
A superfície do dente preparado poderá estar restrita ao 
esmalte ou envolver também a dentina. O condicionamento do 
esmalte com ácido fosfórico dissolve os cristais de hidroxiapatita 
e como conseqüência obtém-se uma superfície microporosa. 9 
O sistema adesivo penetra nessas retenções 12, 36 formando uma 
união esmalte-cimento resinoso clinicamente aceitável. No caso 
da dentina, o condicionamento remove a lama dentinária e 
desmineraliza a dentina subjacente, 27 o que desoblitera a 
embocadura dos túbulos dentinários e expõe um densa rede de 
fibras colágenas. 93 Com a dentina úmida, os espaços 
interfibrilares resultantes e os túbulos dentinários são preenchidos 
pelo sistema adesivo, 65 formando uma camada aderida à 
dentina e que concomitantemente apresenta-se propícia para 
se unir ao cimento resinoso. 
Todos esses procedimentos são adversamente afetados 
pela contaminação por saliva, sangue ou fluido sulcular. Dessa 
forma, previamente a cada uma dessas etapas, as superfícies 
dos dentes devem estar limpas e adequadamente isoladas. 
  
Com base no exposto, o Quadro 2 fornece uma sugestão 
de protocolo clínico para o tratamento da superfície interna do 
laminado e da região preparada do dente.
TRATAMENTO DA SUPERFÍCIE 
 INTERNA DO LAMINADO
TRATAMENTO DA SUPERFÍCIE 
 PREPARADA DO DENTE 
Limpar (Figs. 40A, 40B e 40C) e isolar (Figs. 40D, 40E e 40F) Isolar (Fig. 42A) e limpar (Fig. 42B)
Condicionar com ácido hidrofluorídrico (Figs. 40G e 40H) Condicionar com ácido fosfórico (Figs. 42C e 42D)
Lavar, imergir em banho ultra-sônico e secar (Figs. 41A, 
41B, 41C e 41D)
Lavar e secar (Fig. 42E) 
Aplicar o silano e o sistema adesivo (Figs. 41E e 41F) Aplicar o sistema adesivo (Fig. 42F)
38
Figura 40. Ao receber o laminado do laboratório (A), deve-se limpá-lo com um jato de óxido de alumínio (B), para remoção de depósitos superficiais (C). Na seqüência, com o 
material pesado de uma silicona, isola-se a superfície externa do laminado (D e E), permanecendo apenas visível a região interna (F) que será condicionada com ácido 
hidrofluorídrico (G). A figura (H) evidencia o aspecto branco-opaco obtido pelo condicionamento. 
C A B 
H F G 
D E 
39
Figura 41. Mesmo após a lavagem do ácido hidrofluorídrico, resíduos permanecem depositados na superfície interna da cerâmica (A), e para a sua completa remoção o 
laminado pode ser submetido a um banho ultrassônico (B, C e D). A seguir, com o auxílio de um pincel, aplica-se o silano (E) e o sistema adesivo (F), que não deve ser 
fotaativado nesse momento.
A 
B C 
D 
E F 
40
Figura 42. O isolamento do campo operatório deve ser preferencialmente realizado com um dique de borracha (A), no entanto, nas situações em que não for possível ou 
conveniente utilizar o isolamento absoluto, fios retratores devem ser empregados para afastar os tecidos gengivais e barrar a secreção sulcular. Antes dos procedimentos 
adesivos, o preparo deve ser limpo com uma pasta profilática (B) e os dentes adjacentes protegidos com uma fita veda rosca (C). A seguir, condiciona-se a superfície 
preparada com ácido fosfórico (D). Após lavar e secar (D), aplica-se o sistema adesivo (F). 
E F 
C D 
A B 
41
Figura 43. O cimento resinoso é aplicado cuidadosamente na superfície interna do laminado cerâmico. 
Cimentação do laminado	
Como anteriormente ressaltado, os laminados cerâmicos 
possuem uma delgada espessura e em função dessa 
característica a coloração da película de cimento poderá 
exercer significante influência sobre o resultado final do conjunto 
dente-restauração. Como os cimentos resinosos duais não 
possuem estabilidade de cor, em decorrência da degradação, 
ao longo do tempo, de um componente responsável pela 
aceleração da reação de polimerização, 6, 10 a indicação de 
um sistema de cimentação recai sobre os cimentos resinosos 
foto-ativados. Esses cimentos também permitem um tempo de 
trabalho prolongado, o que facilita a remoção de excessos e os 
procedimentos de acabamento. 75 Uma outra possibilidade é 
utilizar resinas compostas restauradoras após torná-las mais 
fluidas sob ação do calor. Estão disponíveis no mercado 
aparelhos especialmente desenvolvidos para esse fim. 
O material cimentante selecionado deve ser aplicado na 
superfície interna do laminado (Fig. 43A, 43B e 43C) para que 
essa seja cuidadosamente assentada sobre o dente preparado 
(Fig. 44A). É importante que após o correto posicionamento do 
laminado, fiquem visíveis excessos de cimento em todas as 
margens do preparo (Fig. 44B), para que não existam dúvidas 
quanto o escoamento desse material em toda a extensão do 
preparo e se obtenha um selamento efetivo do limite dente-
restauração. Para a apreensão dos laminados poderão ser 
utilizados instrumentos que se aderem à superfície externa da 
restauração e facilitam a sua manipulação. Após posicionada, 
com o auxílio de um fio dental e de uma sonda exploradora os 
excessos mais grosseiros devem ser removidos. Alternativamente, 
uma pré-polimerização de apenas 5 segundos poderá ser 
realizada (Fig. 44C) para posterior remoção de excessos 
grosseiros com uma lâmina de bisturi (Fig. 44D). A polimerização 
é então concluída, posicionando-se a luz por 60 segundos na 
superfície palatal e a seguir, durante o mesmo período de 
tempo, na superfície vestibular (Fig. 44E, 44F e 44G). As margens 
da restauração devem ser revestidas com um gel de glicerina, 
que bloqueia a ação inibidora do oxigênio, permitindo a 
completa polimerização do cimento nessas regiões. Margens 
polimerizadas sem o gel mostram uma degradação mais rápida 
ao serem comparadas com as recobertas por esse material. 5 
Caso múltiplas restaurações necessitem ser cimentadas, as 
etapas descritas deve ser realizadas individualmente para cada 
dente, não sendo recomendada a execução simultânea de 
procedimentos adesivos em diversos dentes.
A B C 
42
Figura 44. O laminado deve ser assentado sobre o dente preparado (A) e após o seu adequado posicionamento, excessos de cimento devem escoar por todas as margens da 
restauração (B). Uma forma de facilitar a remoção dos excessos mais grosseiros é realizar uma pré-polimerização durante 5 segundos (C) e a seguir utilizar uma lâmina de 
bisturi, sempre posicionada no sentido do laminado para o dente (D), para evitar danos à restauração. A polimerização final é realizada durante 60 segundos por palatal e 
por vestibular (E e F). Na figura (G) observa-se o aspecto final da restauração imediatamente após a cimentação.
F G 
C D 
A B 
E 
43
Figura 45. Aspecto clínico inicial (A) e após a cimentação e ajusteda restauração (B e C). 
Ajuste oclusal 
Após a remoção do isolamento, o ajuste da oclusão é 
realizado em máxima intercuspidação e durante os movimentos 
excursivos. Pontas diamantadas de granulação extra-fina ou 
borrachas diamantadas específicas podem ser utilizadas 
durante esse procedimento. É imperativo que, sob nenhuma 
circunstância, o ajuste oclusal seja realizado antes da 
cimentação da faceta, devido à inerente fragilidade dessas 
restaurações e ao alto risco de fraturas. 
 Acabamento e polimento 
Para o acabamento das regiões proximais podem ser 
utilizados discos abrasivos ou lixas especiais. Nas margens 
acessíveis da restauração estão indicadas pontas siliconizadas e 
feltros associados a uma pasta específica para polimento de 
cerâmicas. Para evitar qualquer resposta periodontal 
desfavorável, essa etapa deve ser meticulosamente executada. 
75 
Segu indo essa sugestão de protocolo c l ín ico, 
possivelmente serão obtidas restaurações estéticas e com 
prognóstico bastante favorável ao longo do tempo (Figs. 45 a 
47). 
As figuras 48, 49 e 50 ilustram outros casos clínicos que 
tiveram como base a seqüência de procedimentos descrita.
A 
B C 
44
Figura 46. Aspecto clínico final. 
C B 
A
45
Figura 47. Aspecto clínico final. 
A C 
B
46
Ca
so
 Cl
ín
ic
o 1
A B C 
D E F 
G H I 
J L M 
N O P 47
Ca
so
 Cl
ín
ic
o 1
Figura 48. Aspecto clínico inicial da arcada superior, evidenciando a presença de restaurações insatisfatórias de resina composta e deficiências na forma (A). Após a 
confecção dos laminados cerâmicos (G e I), foi possível restituir o contorno e uma linha do sorriso mais harmônica (B, C e H). Em (D), (E) e (H), observa-se o 
comportamento óptico das restaurações em distintas condições de iluminação. Na arcada inferior, uma situação similar estava presente (J) e, de forma semelhante, os 
laminados cerâmicos (L, H e F) permitiram, através de um preparo conservador, o reestabelecimento estético e funcional (M e O).
48
Ca
so
 Cl
ín
ic
o 2
A B C 
D E F 
G H I 
J L M 
N O P 49
Ca
so
 Cl
ín
ic
o 2
Figura 49. O fechamento de múltiplos diastemas (A, B e C) é preferencialmente realizado utilizando laminados cerâmicos (D, E, F, G, H, I, J, l e M). Se restaurações 
diretas de resina composta fossem a opção selecionada, dificilmente seria obtida uma padronização de cor e forma, além de constituir-se em um procedimento 
demorado e tedioso para o paciente. Como a cerâmica apresenta uma excelente interação com os tecidos gengivais, foi possível constatar uma evolução no contorno 
gengival, o qual tornou-se mais favorável com o tempo. Em (H) observa-se o contorno gengival imediatamente após a cimentação dos laminados e em (O) e (P) o seu 
progresso após, respectivamente, duas semanas e um ano.
50
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