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1 2 Laminados cerâmicos Jackeline Guimarães Luiz Narciso Baratieri A demanda por tratamentos estéticos é crescente e diversas opções estão atualmente disponíveis para a correção da aparência dos dentes anteriores. Durante um longo período, a restauração mais previsível e durável era obtida através do preparo para coroas totais, que consistia na remoção de extensa quantidade de estrutura dental sadia, podendo ocasionar efeitos adversos tanto à polpa quanto aos tecidos periodontais. Essas restaurações foram gradualmente substituídas por procedimentos mais conservadores, como as facetas diretas de resina composta ou indiretas de cerâmica. A referência para essa transformação baseia-se na busca constante por substitutos que se assemelham aos diferentes constituintes do dente, que quando associados, possuem um excepcional comportamento biomecânico. A base dessa premissa está consolidada na observação de que o esmalte, com sua alta concentração mineral, fornece proteção ao desgaste da dentina, que por sua vez, como apresenta menor rigidez, em função do maior conteúdo orgânico, proporciona suporte à estrutura suprajacente, dissipando e absorvendo tensões durante as atividades funcionais e parafuncionais. 51, 57 Seguindo essa filosofia biomimética, as resinas compostas são materiais que apresentam características de dureza e resiliência similares às da dentina, enquanto as cerâmicas reproduzem de forma mais satisfatória as propriedades mecânicas do esmalte. 51 As facetas de resina composta podem ser utilizadas adequadamente para modificação de cor, forma, posição e textura dos dentes anteriores. No entanto, esse material é susceptível às alterações de cor, ao desgaste e às fraturas, o que restringe o seu resultado estético ao longo do tempo. 73, 74 Para compensar tais limitações, foram então propostas os laminados cerâmicos. A idéia de se confeccionar laminados cerâmicos surgiu em 1938, quando o Dr. Charles Pincus, 77 com o intuito de melhorar o sorriso de algumas estrelas de Hollywood, descreveu uma técnica onde laminados de reduzida espessura eram unidos aos dentes, sem qualquer preparo, com um pó para fixação de próteses totais. No entanto, mesmo obtendo-se resultados estéticos favoráveis, as restaurações precisavam ser removidas logo após as filmagens, devido à falta de retenção. A utilização dos laminados cerâmicos somente foi possível devido à evolução dos sistemas adesivos 65, 70, 96 e sua consolidação ocorreu após a divulgação por Horn (1983), 40 bem como por Simonsen e Calamia (1983), 84 de procedimentos de tratamento da superfície interna da cerâmica, que propiciava uma adequada adesão dessas restaurações ao dente e ao agente cimentante. Atualmente, os laminados cerâmicos consistem em restaurações estéticas e duráveis, o que pode ser constatado através de estudos clínicos que demonstram taxas de sucesso de 93 a 100%, durante um período de 2 a 12 anos. 2, 19, 31, 32, 46, 60, 63, 69, 76, 100 Os principais aspectos analisados nesses estudos foram: incidência de fratura, integridade marginal (adaptação marginal e microinfiltração clínica), retenção, resposta periodontal e estética. Laminados Cerâmicos 3 Jackeline Guimarães Luiz Narciso Baratieri INCIDÊNCIA DE FRATURA A porcentagem de fraturas clinicamente inaceitáveis variou bastante entre os diferentes estudos clínicos (Tabela 1), no entanto, a maioria dessas fraturas foi reparada satisfatoriamente através de acabamento e polimento ou de restaurações com resina composta. Além disso, muitas das fraturas se caracterizavam como trincas, que não raramente, podem ser observadas nos dentes naturais, sem qualquer dano adicional (Fig. 1). Os principais fatores predisponentes para a ocorrência dessas fraturas foram: adesão parcial a uma superfície de dentina, 31, 72, 82, 98 presença de restaurações de resina composta, 54, 72 adesão aos dentes tratados endodonticamente com escassa estrutura dental remanescente. 39, 72, 98 e intensa carga funcional e parafuncional. 16, 34, 72, 76 Autor Número de facetas Período de observação Fraturas inaceitáveis Magne et al. (2000) 60 48 4,5 anos 0% Kihn e Barnes (1998) 46 59 4 anos 0% Fradeani (1998) 31 83 6 anos 1,2% Walls (1995) 98 54 5 anos 14% Peumans et al. (1998) 76 87 5-6 anos 1% Peumans et al. (2004) 72 81 10 anos 11% Aristides e Dimitra (2002) 2 286 5 anos 0,6% Nordbo et al. (1994) 69 135 3 anos 5,1% Tabela 1. Estudos clínicos e suas respectivas taxas de fratura clinicamente inaceitáveis para laminados cerâmicos. Figura 1. Trincas presentes em um incisivo central (A e C), que de maneira similar às trincas em laminados cerâmicos cimentados, não se desprendem da superfície do dente. A B C 4 INTEGRIDADE MARGINAL Adaptação marginal A região mais propícia a falhas em um laminado cerâmico é a interface dente-cimento-restauração. 75 As resinas compostas quando empregadas como agentes de cimentação, apesar de apresentarem-se como uma fina camada (Fig. 2A), podem demonstrar uma contração de polimerização três vezes superior que a de um volume considerável desse material.28 Isso resulta em uma tensão de contração maior que a rotineiramente mensurada em restaurações de resina composta, 2 ocasionando, em algumas situações, o aparecimento de fendas marginais. 75 Além disso, pode ocorrer a dissolução da matriz de resina quando em contato com os fluidos orais. 62, 80, 97 Assim, é desejável que a espessura do agente cimentante seja minimizada através de uma apropriada adaptação marginal do laminado cerâmico (Fig. 2). No que tange a adaptação marginal, a maioria dos estudos clínicos relatam um número elevado de laminados com excelente adaptação. 2, 19, 44, 46, 63 Por outro lado, alguns autores mencionam a presença de pequenos defeitos na linha externa da restauração após 5 76 e 10 anos 72 de função. Através de microscopia eletrônica de varredura, foi possível observar que esses defeitos eram atribuídos ao desgaste do agente cimentante resinoso. 76 No entanto, mesmo com a possibilidade de perda substancial do cimento com o tempo, é imprescindível que todas as discrepâncias marginais sejam preenchidas pelo agente cimentante e que as margens da restauração recebam adequado acabamento e polimento. 75 Figura 2. Corte longitudinal de um incisivo central restaurado com um laminado cerâmico. Observe a uniformidade e a delgada espessura do agente cimentante (A). Em maior aumento (B e C) é possível notar a adaptação das margens da restauração, que contribui para minimizar a espessura do cimento . A B C 5 Microinfiltração clínica Como já ressaltado, existe uma concentração de tensões na interface dente-cimento-restauração decorrente da contração de polimerização do cimento resinoso. Dessa forma, ocorrerá uma "competição" entre a força adesiva de duas interfaces: cerâmica-cimento resinoso e cimento resinoso-dente. 75 A microinfiltração relatada na interface cerâmica-cimento resinoso é insignificante, 86, 91 em decorrência da elevada resistência adesiva obtida entre a cerâmica condicionada/ silanizada e o cimento resinoso, que é superior à existente entre o cimento e o esmalte e até mesmo excede a resistência coesiva da própria cerâmica. 14, 48, 50, 68, 87 Por outro lado, na interface cimento resinoso-dente, a microinfiltração está relacionada diretamente ao substrato dental presente nos limites do preparo sobre o qual o laminado está cimentado. Q u a n d o a s m a r g e n s d a r e s t a u r a ç ã o e s t ã o completamente localizadas em esmalte, a microinfiltração relatada in vitro é mínima, 49, 83, 86, 91,103 sendo somente observada, de forma mais pronunciada, na região cervical, possivelmente em função da existência de esmalte aprismático. 33 É importante ressaltar que os términos de preparos para laminados geralmente estão localizados nessa região de esmalte aprismático, 75 o que pode comprometer o desempenho em longo prazo dessas restaurações. Os estudos clínicos 24, 46, 69, 89, 90 também relatam uma menor incidência de microinfiltração quando os preparos permanecem em esmalte. A microinfiltração é significantemente mais freqüente quando a margem cervical do preparo está situada em dentina, 13, 21, 26, 102 provavelmente devido à inferior resistência adesiva da cerâmica à dentina quando comparada ao esmalte. 94 Para alguns autores, 20, 29 mesmo quando a redução vestibular é entre 0,4 e 0,6mm, a dentina subjacente possivelmente será exposta durante o preparo da região cervical. Com o objetivo de aprimorar a resistência adesiva à dentina, foi proposta uma técnica onde o sistema adesivo é aplicado e foto-ativado previamente aos procedimentos de moldagem, imediatamente após a conclusão do preparo. 56, 71 O princípio dessa técnica, conhecida como Selamento Dentinário Imediato, baseia-se na concepção de que ocorrerá a maturação da união adesiva durante o período de espera até a cimentação final, retardando o momento em que a interface agente cimentante/dentina estará sujeita aos desafios de contração de polimerização do cimento resinoso. Observações por microscopia eletrônica de varredura demonstraram que a aplicação tradicional do sistema adesivo, no momento da cimentação, está associada com falhas entre a camada híbrida e o adesivo, enquanto interfaces contínuas e sem falhas são obtidas com o uso da técnica de Selamento Dentinário Imediato. 56 A prevenção da infiltração bacteriana e da sensibilidade trans-operatória é também atribuída à aplicação do sistema adesivo da forma descrita. No entanto, apesar das possíveis vantagens relacionadas a esse procedimento, ainda há uma carência de estudos clínicos que comprovem a sua efetividade. RETENÇÃO De modo semelhante à microinfiltração, a taxa de retenção dos laminados cerâmicos também parece estar relacionada ao tipo de substrato dental. Observações clínicas 32 sugerem que o laminado pode se deslocar quando 80% ou mais de substrato é dentina e, de forma inversa, torna-se improvável quando esmalte periférico é mantido após o preparo. No entanto, mesmo com grandes quantidades de esmalte, essa falha poderá ocorrer caso não sejam realizados um adequado tratamento da superfície interna da cerâmica e dos substratos dentais ou quando houver contaminação durante as etapas de cimentação. 6 RESPOSTA PERIODONTAL Tendo-se como base o menor acúmulo de placa sobre a superfície da cerâmica quando comparada a outros materiais e até mesmo ao esmalte, 17, 42 é esperado que nenhuma reação ou uma resposta mais favorável dos tecidos periodontais seja obtida ao redor dos laminados cerâmicos. Diversos estudos clínicos 14, 44, 46, 47, 63, 78, 81, 98 confirmam essa expectativa. Em contraste com esses estudos, Christensen e Christensen (1991), 24 observaram uma ligeira inflamação gengival em dentes restaurados. Para evitar esse problema, recomenda-se a manutenção de uma ótima higiene oral e um adequado acabamento/polimento das margens da restauração, após a cimentação. 75 ESTÉTICA De acordo com estudos de acompanhamento clínico, a estética é mantida após algum tempo de função 13, 24, 44, 46, 63, 69, 89, 90 e a aceitação do paciente varia entre 80 a 100%. 24, 63, 76, 81 Os casos de insatisfação estão relacionados, principalmente, a dentes restaurados que apresentam intensa alteração de cor, confirmando a dificuldade de reprodução da tonalidade dos dentes naturais em um dente escurecido. 75, 76 De fato, as cerâmicas disponíveis assemelham-se em diversos aspectos ao esmalte, mas muitas ainda não são capazes de reproduzir todas as respostas dessa estrutura às diferentes condições de luz (Figs. 3 a 6 ). Figura 3 e 4. Em algumas condições de iluminação as cerâmicas reproduzem satisfatoriamente as propriedades ópticas do esmalte. 7 Apesar de tais limitações, existe uma concordância de que os laminados cerâmicos continuarão a desempenhar um significante papel na estética dental, 75 especialmente, se sua execução for realizada dentro do leque de indicações. INDICAÇÕES E CONTRA-INDICAÇÕES Com base nos diferentes aspectos citados, é possível sumarizar algumas indicações e contra-indicações para a restauração com laminados cerâmicos (Quadro 1). Nota-se que muitas das indicações são coincidentes com as das facetas de resina composta e a opção por um dos tipos de restauração dependerá da preferência do profissional e, principalmente, do grau de exigência estética do paciente e de sua disponibilidade de recursos financeiros. Em relação às contra-indicações, é relevante destacar que muitas delas são relativas, ou seja, podem ser contornadas e dessa forma os laminados poderão ser apropriadamente confeccionadas. Além disso, como os materiais estão em constante evolução, algumas atuais contra-indicações poderão, com o tempo, deixar de existir. Figura 4. 8 Figura 5. Mesmo sendo as cerâmicas ideais para a reprodução do esmalte, muitas não se comportam como essa estrutura, em algumas condições de iluminação. A B C D E F G H 9 Figura 6. Em distintas condições de luz , as cerâmicas são capazes de reproduzir as propriedades ópticas do esmalte. INDICAÇÕES Modificar forma (Figs. 7 a 10) Alterar posição (Fig. 11) Restituir textura Restaurar dentes fraturados em adultos (Fig. 12) Mudar a cor (Fig. 13) CONTRA-INDICAÇÕES Impossibilidade de preservar esmalte, especialmente nas margens do preparo Dentes com múltiplas restaurações (Fig. 14) Oclusão inadequada (Fig.15) Dentes tratados endodonticamente com pouca estrutura remanescente (Fig. 16) Atividade de cárie e higiene precária (Fig.17) Quadro1. Indicações e Contra-indicações para utilização de laminados cerâmicos. A B C D 10 Figura 7. Vista frontal de incisivos laterais conóides. Os dentes conóides apresentam uma configuração ideal para o uso de laminados cerâmicos, havendo apenas a necessidade de confecção de um término cervical. Teoricamente seria possível realizar a restauração sem o preparo do dente, entretanto, isto iria gerar uma delicada e frágil margem de cerâmica. Figura 8. Vista frontal de incisivos centrais que apresentam deficiência no comprimento incisal , o que resulta em uma linha de sorriso invertida . As resinas compostas não deveriam ser utilizadas nessa situação, pois apresentam sinais precoces de fadiga quando restauram a região incisal. 11 Figura 10. Vista frontal de um diastema entre os incisivos centrais. Apesar dos laminados cerâmicos estarem indicadas para o fechamento de diastemas, a sua utilização deve ser preferencialmente executada em casos de múltiplos diastemas, onde o procedimento restaurador com resina composta é demorado e existe uma grande dificuldade para obtenção de uma padronização na cor e na forma. Figura 11. Vista lateral do sorriso de uma paciente que além de apresentar múltiplos diastemas, possui uma acentuada discrepância de posicionamento entre os dentes anteriores. A posição dos dentes, nesse caso, pode ser ajustada através de tratamento ortodôntico ou por meio de restaurações com laminados cerâmicos. Figura 9. Vista frontal de incisivos laterais com dimensões reduzidas. Como já ressaltado, restaurações de resina composta também poderiam ser realizadas e a decisão entre um laminado cerâmicoe esse tipo de restauração dependerá , principalmente, da exigência estética do paciente e de sua disponibilidade de recursos financeiros. Figura 12. Vista frontal da fratura de um incisivo central. As fraturas coronárias podem ser adequadamente restauradas somente com laminados cerâmicos, sem a necessidade de preenchimento prévio com resina composta. No entanto, essa indicação está restrita aos pacientes adultos. As resinas compostas devem ser preferencialmente utilizadas nos casos de crianças. 12 Figura 13. Vista frontal dos dentes 11 e 21 com moderada alteração de cor, que não foi solucionada através do clareamento externo no 11 e interno no 21. O laminado cerâmico está indicado para o dente 11 e apresenta prognóstico favorável, uma vez que a pigmentação não é intensa. No caso do dente 21, não é adequada a confecção desse tipo de restauração pois o dente possui uma extensa perda de estrutura dental, caso essa perda não estivesse presente, mesmo com tratamento endodôntico, o laminado poderia ser confeccionado . É importante ressaltar, que em função da possibilidade de escurecimento do dente, caso a indicação fosse a de um laminado no dente 21, o acesso endodôntico deveria ficar desobstruído para eventuais reforços no clareamento. Figura 15. Vista lateral dos dentes anteriores em oclusão. Observe a presença de uma fratura na restauração do elemento 11, que provavelmente ocorreu devido à oclusão inadequada do paciente. Nesses casos, se for possível, um tratamento ortodôntico deverá preceder o restaurador. Figura 14. Vista frontal do dente 41 que além de uma considerável alteração de cor, apresenta múltiplas restaurações de resina composta, contra-indicando a confecção de um laminado cerâmico, em especial devido à impossibilidade de preservar esmalte nas margens do preparo. Como já ressaltado, o prognóstico dessas restaurações tendo esmalte como substrato é consideravelmente superior. 13 Figura 16. Vista frontal da fratura dos incisivos centrais, onde o dente 11 apresenta uma fratura coronária moderada, restrita ao terço incisal, e o 21 uma extensa fratura, com comprometimento pulpar. O dente 11 pode ser restaurado com um laminado cerâmico, porém o 21 não poderá receber o mesmo tratamento. Somente o envolvimento pulpar, que ocasionou a necessidade de endodontia, não contra-indicaria a confecção de um laminado, esse fato se deve à ampla perda de estrutura dentária, que torna o prognóstico desse tipo de procedimento desfavorável . Figura 17. Vista frontal dos incisivos centrais superiores que necessitam de tratamento restaurador. Porém, qualquer procedimento deve somente ser realizado após o controle da atividade de cárie e da instituição de um programa de manutenção da higiene oral. Uma sugestão de protocolo clínico está descrita em detalhes a seguir, incluindo cada etapa que julgamos relevante para realização de um laminado cerâmico no caso exposto, bem como algumas propostas para distintas situações clínicas. A figura18 refere-se à condição clínica inicial. PROCEDIMENTOS PRÉVIOS AO PREPARO Uma das etapas mais importantes para obtenção de um favorável prognóstico quando da realização dos laminados cerâmicos consiste na elaboração de um adequado planejamento, que inclua um protocolo clínico apropriado para cada caso específico. No entanto, mesmo diante de tal relevância, essa etapa é freqüentemente negligenciada, impedindo que algumas correções, que teriam um significante efeito sobre o resultado final, sejam executadas. Entre esses procedimentos prévios, pode-se destacar a necessidade de clareamento, restauração dos dentes adjacentes, cirurgia periodontal, tratamento ortodôntico, endodôntico e/ou periodontal. Outro aspecto a ser considerado é a expectativa do paciente e sua disponibilidade financeira para realização de um procedimento restaurador indireto, que apesar das vantagens estéticas, requer mais sessões clínicas e é mais oneroso quando comparado a uma restauração direta. 14 Figura 18. Aspecto clínico inicial do sorriso da paciente (A, B e C), com uma evidente alteração de cor no elemento 11, o qual foi submetido a diversas tentativas prévias de clareamento. Em uma vista frontal (E) e lateral (D, F e G) nota-se a presença de uma restauração insatisfatória de resina composta, que se estende do terço médio ao incisal da face vestibular. É possível observar a deficiência no contorno da face vestibular, numa vista incisal (H e I). A B C D E F G I H 15 Por fim, um detalhado exame clínico e modelos de estudo visam determinar as alterações necessárias para a obtenção de uma adequada restauração. Em muitas situações, é conveniente realizar um enceramento diagnóstico, que irá permitir a visualização do resultado final da restauração, além de favorecer a restrição do preparo ao esmalte, como poderá ser constatada nas etapas seguintes. A figura 19 ilustra o enceramento do elemento 11, que restituiu a forma e o contorno da superfície vestibular. Para que o enceramento possa orientar os procedimentos de preparo, guias devem ser confeccionadas com o material pesado de uma silicona, uma com cortes transversais (Figs. 20A, 20B e 20C) e outra com um corte vertical no centro do dente a ser preparado (Figs. 20D e 20E). Preparos realizados sem guias de orientação proporcionam tanto desgastes insuficientes quanto desnecessários. 57 Nos casos em que o volume de esmalte não esteja alterado, as guias poderão ser confeccionadas diretamente na boca. PREPARO A adaptação de laminados cerâmicos sobre superfícies sem preparo foi inicialmente recomendada, 22, 79 no entanto, a insuficiência ou a ausência de redução freqüentemente ocasiona um sobrecontorno da restauração 37 e parece ser uma das causas de fratura. 11, 82 Atualmente, aconselha-se a realização de um preparo conservador limitado ao esmalte, 66 uma vez que a resistência adesiva da cerâmica a esse substrato é ainda superior à da dentina, embora as novas gerações de adesivos dentinários sejam promissoras. 94, 95 A espessura de esmalte relatada para dentes anteriores foi de 0,3 a 0,5mm no terço cervical, 0,6 a 1,0mm no terço médio e 1,0 a 2,1mm no terço incisal, 29 idealmente, portanto, o desgaste deverá se restringir a tais dimensões. Figura 19. Modelo de estudo com o enceramento do elemento 11. Observe que o contorno (A) e a forma (B) da superfície vestibular foram restituídos. A B 16 Figura 20. Guias de silicone com cortes horizontais (A, B e C) e corte vertical ( D e E). Para que as guias possam auxiliar os procedimentos de preparo, é imprescindível que estejam bem adaptadas ao modelo (A e D). Ao posicionar a guia horizontal , a deficiência de volume do esmalte torna-se evidente (B). A B C D E 17 Além disso, o preparo da face vestibular irá variar em função da necessidade de restituição de esmalte e do grau de inclinação do dente para palatal, sendo tanto menor quanto mais acentuadas forem essas características. Contudo, o fator que terá uma influência direta sobre esses outros dois e conseqüentemente determinará a profundidade final do preparo vestibular é o grau de escurecimento dental. Assim, quanto maior for a alteração de cor mais pronunciada deve ser a redução para permitir o mascaramento da pigmentação. A figura 21 exibe uma sugestão de qual deveria ser o espaço necessário para que um laminado cerâmico possa reproduzir as características de um dente natural em casos com e sem alteração de cor. Definidos esses aspectos, um protocolo de preparo deve ser seguido para possibilitar um desgaste preciso e como resultado uma restauração de espessura uniforme. Figura 21. Sugestão de espaço necessáriopara a confecção de um laminado cerâmico em um dente com e sem alteração de cor. Terço cervical Terço médio Terço incisal De nte Es cu ro De nte Cl ar o 0,5mm 0,4mm 0,7 a 1,0mm 0,7 a 1,0mm 0,5mm 0,5mm 18 Canaletas cervical, proximais e incisal Para orientar o desgaste da região cervical, confecciona- se uma canaleta nesse local com uma ponta diamantada esférica (Fig. 22A) em alta velocidade, que deverá penetrar no esmalte aproximadamente metade de seu diâmetro (Fig. 22B). A escolha da espessura da ponta diamantada estará diretamente relacionada à quantidade de desgaste planejada através da análise prévia dos aspectos anteriormente listados (necessidade de restituição de esmalte, grau de inclinação e coloração do dente). Nessa etapa, a canaleta deve permanecer supra- gengival e acompanhar o contorno da gengiva marginal. Na seqüência, com a mesma ponta diamantada, estende-se a canaleta para proximal (Fig. 22C) e incisal (Fig. 22D ). Figura 22. Pontas diamantadas esféricas de diferentes diâmetros (A) indicadas para confecção das canaletas cervical (B), proximaisC) e incisal (D). Diâmetro = 1,0mm Diâmetro = 1,2mm Diâmetro = 1,4mm B A D C 19 Canaletas vestibulares Com uma ponta diamantada tronco-cônica de extremo arredondado (Fig. 23A) e em alta velocidade, deve ser confeccionada uma canaleta central, seguindo as distintas inclinações da face vestibular (Fig. 23B) nos terços cervical (Fig. 23C), médio (Fig. 23D) e incisal (Fig. 23E). Quando a extensão mésio-distal do dente permitir, outras canaletas laterais, paralelas à central, poderão ser criadas, com o intuito de fornecer mais referências para a conclusão do desgaste vestibular. É interessante, que as guias horizontais sejam posicionadas para confirmar a exatidão da profundidade dessas canaletas, que por sua vez estarão na dependência dos mesmos fatores que orientam a confecção das canaletas cervical, proximais e incisal. Figura 23. Com uma ponta diamantada de extremo arredondado (A), é confeccionada uma canaleta central, respeitando as inclinações da face vestibular nos terços cervical (B e C), médio (B e D) e incisal (B e E). C B E D A Terço cervical Terço médio Terço incisal 20 União das canaletas Procede-se ao desgaste de metade da face vestibular (Fig. 24A), para a seguir completar o desgaste de toda a face (Fig. 24B). Essa seqüência permite a visualização e comparação entre uma região preparada e outra sem preparo, o que fornecerá indícios para regularização do desgaste onde for necessário. Associado a isto, o posicionamento das guias de silicone também provê informações sobre possíveis ajustes. Essa etapa deve obedecer às inclinações das canaletas e conseqüentemente de cada terço da face. Extensão Proximal A extensão do preparo para a região proximal é diretamente influenciada por fatores como a área estática e dinâmica de visibilidade, a localização do contato proximal e a presença de restauração ou diastema. Área estática e dinâmica de visibilidade Ao se unir as canaletas, a observação do preparo apenas por vestibular proporcionará uma falsa impressão de que todas as áreas visíveis de esmalte foram incluídas no desgaste (Fig. 25B). Contudo, em uma visão de viés, pode-se freqüentemente perceber uma deficiência na extensão do preparo no sentido palatal (Fig. 25A e 25C), que deve ser ajustada com uma ponta diamantada (Fig. 25D) até que esmalte não seja mais perceptível nessas regiões (Fig. 25E e 25F). Figura 24. Desgaste de metade da face vestibular (A), que servirá de referência para o desgaste completo de toda a face (B). B A 21 Figura 25. Após o desgaste da superfície vestibular, numa vista frontal (B), o preparo parece adequado. No entanto, em uma visão de viés (A e B), percebe-se uma deficiência na extensão do preparo no sentido palatal. Com uma ponta diamantada estende-se o desgaste no sentido palatal (D) até que todo o esmalte visível seja incluído no preparo (E e F). C A B F D E 22 Localização do contato proximal O envolvimento ou não do contato proximal no preparo consiste em uma questão controversa. Se por um lado a conservação do contato favorece o ajuste da restauração e garante a manutenção da posição do dente, por outro, poderá dificultar os procedimentos de moldagem e comprometer a estética nos casos de intensa alteração de cor. Dessa forma, o contato proximal pode ser mantido nos casos de dentes sem significativa pigmentação (Fig. 26) e quando for imprescindível ou desejável removê-lo, esse procedimento deve considerar a sua localização. Quando mais vestibularizado, o preparo pode ser estendido até que o contato com o dente adjacente seja totalmente incluído no preparo (Fig. 27B). No entanto, se isto for realizado em contatos proximais palatinizados ou que terminam nessa região, um desgaste mais acentuado será necessário (Fig. 27B). Nesses casos, com o intuito de preservar estrutura dental, uma lixa pode ser indicada para a eliminação do contato entre dentes contíguos (Fig. 27C). Figura 26. Como não há uma intensa alteração de cor, os contatos proximais foram preservados. 23 Presença de restauração As restaurações devem ser preferencialmente incluídas no preparo. 52 Grandes volumes de resina composta sob essas restaurações indiretas deveriam ser evitados devido aos efeitos da expansão térmica de algumas resinas. 4, 58, 61 Para restaurações do tipo Classe III, a sugestão é de um recobrimento parcial (Fig. 28A) ou total (Fig. 28B) pela cerâmica para que as tensões térmicas sejam minimizadas .55 Presença de diastema Os diastemas requerem uma extensa penetração interdental para obtenção de um adequado perfil de emergência e um fechamento mais efetivo, o que proporciona um aspecto natural. 52 Figura 27. Vista incisal de incisivos centrais hígidos (A) e após o desgaste do terço incisal (B, C e D). No caso de contatos proximais mais vestibularizados (B), a sua inclusão no preparo é realizada sem a necessidade de grandes desgastes no sentido palatal. No entanto, em contatos palatizados ou superfícies de contato (C), para que o preparo possa abranger essa região, o desgaste deve ser menos conservador. Uma alternativa é estender o preparo ligeiramente para palatal e usar uma lixa para promover uma discreta separação interdental (D). A B C D 24 Figura 28. Representação esquemática do recobrimento parcial (A) e total (B) de uma restauração Classe III de resina composta pelo laminado cerâmico. Observe a necessidade de maior extensão palatal na região onde a restauração está presente. A B 25 Redução incisal Não há consenso na literatura sobre o envolvimento ou não da borda incisal durante o preparo para um laminado. Alguns autores afirmam que o recobrimento dessa estrutura aumenta a resistência mecânica dos laminados. 38, 41, 99 No entanto, estudos mais recentes 16, 88 não encontraram diferenças na resistência entre dentes preparados com e sem redução incisal após serem restaurados com laminados cerâmicos. Portanto, considerando casos em que a borda incisal está íntegra e o dente não apresenta considerável alteração de cor, parece lógico não incluir essa etapa durante o preparo (Fig. 29A). Quando a opção for por incluí-la, um término plano (Fig. 29B) fornece uma melhor resistência à fratura quando comparado às extensões palatais com término em chanfro (Fig. 29C). A extensão da redução estará estritamente relacionada à necessidade de reprodução de efeitos incisais, às dimensões da fratura ou da restauração pré-existente,sendo de no mínimo 1,0mm. Figura 29. Representação esquemática do dente preparado quando a borda incisal não necessitar ser incluída no preparo (A). Em (B) pode ser observado o término palatal plano que consiste em uma configuração mais favorável do que o término em chanfro (C), quando a redução incisal for inevitável. A B C 26 Dimensões da fratura ou da restauração pré-existente Como já ressaltado, a perda de estrutura pode ser reposta unicamente através de um laminado cerâmico e o preparo, para que se preserve o máximo de estrutura remanescente, deve seguir a linha de fratura 52 (Fig. 30A). Seguindo esse mesmo raciocínio, restaurações do tipo Classe IV podem ser removidas e o preparo será guiado pelo contorno resultante (Fig. 30B). Necessidade de reprodução de efeitos incisais Quanto mais caracterizada a incisal de um dente anterior, mais desafiadora é a sua reprodução. Para favorecer o trabalho do ceramista, pode-se realizar o desgaste até que se incluam todos esses detalhes. Figura 30. O preparo incisal deve ser orientado pela linha de fratura (A) e pela estrutura remanescente resultante da remoção de restaurações Classe IV (B). Note que na extensão do preparo incisal, para evitar espessuras muito finas de cerâmica nessa região, um mínimo de 1,0mm de redução deve ser realizada . B A 27 Extensão gengival O término do preparo pode permanecer supra-gengival ou no nível da margem gengival, exceto para os casos de dentes escurecidos e de fechamento de diastemas. Em dentes com alteração de cor, caso o preparo não seja estendido para um nível intra-sulcular, uma região pigmentada ficará visível após a cimentação da faceta, o que comprometerá o resultado estético (Fig. 31). Na presença de espaços interdentais, um per f i l de emergência progressivo e conseqüentemente uma estética mais favorável, somente serão obtidos com margens subgengivais. Durante o procedimento de extensão subgengival, pode ser utilizado um dispositivo que fornece proteção e ao mesmo tempo retrai a gengiva (Fig. 32A) ou estende-se o preparo até o nível da gengiva quando um fio retrator (Fig. 32B,) estiver adequadamente inserido no sulco gengival (Fig. 32C, 32D, 32E e 32F). É imprescindível não provocar danos aos tecidos periodontais durante essa etapa, assim deve-se limitar o preparo a uma extensão intra-sulcular que não exceda 0,5mm. 8 Figura 31. No caso de dentes escurecidos, a permanência de um preparo supra-gengival acarretará em comprometimento estética do conjunto dente-restauração, por permanecer uma região pigmentada cervical (A). O ideal é que uma extensão intra-sulcular de no máximo 0,5mm seja realizada (B). A B 28 Figura 32. Para a extensão subgengival do preparo pode ser utilizado um dispositivo que afasta e protege a gengiva (A) ou um fio retrator de calibre compatível com o sulco gengival (B). O fio retrator selecionado deve ser adequadamente inserido com um auxílio de um instrumento específico (C, D, E e F). A B C D E F 29 Figura 33. Após a inserção do fio retrator (A e B), realiza-se o desgaste (C) até atingir o nível da margem gengival (D e E). Após a conclusão dos procedimentos de extensão subgengival, as guias de silicone devem posicionadas para verificar a precisão dos desgastes (F). A B C D E F 30 Acabamento Essa etapa visa tornar o preparo liso e sem ângulos vivos, utilizando pontas diamantadas de granulação fina (Fig. 34B e C), borrachas (Fig. 34A) e discos abrasivos flexíveis (Fig. 34D). MOLDAGEM Essa etapa é indispensável para a obtenção de um modelo fiel, 15, 101 que inclua detalhes do preparo e dos tecidos circundantes. Como os limites do preparo para laminados cerâmicos são acessíveis, possivelmente a moldagem não apresentará maiores desafios. Os materiais elastoméricos não aquosos, especialmente as siliconas de adição, consistem na primeira escolha para a moldagem de restaurações indiretas em dentes anteriores, em função de sua estabilidade dimensional e alta precisão. 23, 52 Além disso, possibilitam múltiplos vazamentos, 59, 92 o que é de extrema importância para os procedimentos laboratoriais. Esse material pode ser empregado em várias técnicas de moldagem, no entanto, recomenda-se a técnica da dupla mistura em um único tempo, 43, 92 onde os materiais de distintas consistências são manipulados simultaneamente, minimizando a possibilidade de distorções. Quando o término do preparo estiver localizado no nível gengival ou intra-sulcular, haverá a necessidade de um afastamento prévio que desloque os tecidos gengivais e permita a penetração do material de moldagem na região do sulco gengival. Com esse intuito, sugere-se uma técnica utilizando dois fios retratores, 67 sem substâncias químicas e de diâmetros compatíveis com a profundidade do sulco. Figura 34. O acabamento do preparo pode ser realizado utilizando borrachas (A), pontas diamantadas de granulação fina (B) e extra-fina (C), além de discos abrasivos seqüenciais (D). A D B C 31 Com o preparo devidamente livre de quaisquer depósitos superficiais, é inserido o fio retrator de menor calibre, o qual permanecerá em posição no decurso dos procedimentos de moldagem (Fig. 35A). Esse primeiro fio tem a função de permitir que as margens do preparo permaneçam sem contaminação por sangue ou exudado gengival durante a aplicação do material de moldagem. A seguir, um segundo fio, agora de maior diâmetro, é inserido na entrada do sulco (Figs. 35B e 35C) e deve permitir a visualização do término do preparo (Fig. 35D). Para auxiliar e facilitar a inserção de ambos os fios um instrumento específico pode ser empregado (Fig. 35B e 35C). Para a técnica de moldagem podem ser utilizadas moldeiras individuais ou de estoque. Uma sugestão é a da moldeira parcial do tipo "triple-tray" (Fig. 36A), que simultaneamente fornecerá a impressão do segmento do dente preparado, dos dentes antagonistas e da relação interoclusal. Após a seleção e prova da moldeira, esta é carregada com o material pesado ao mesmo tempo que o segundo fio é removido, o material leve é injetado no espaço criado no interior do sulco gengival (Fig. 36B). Em seguida, aplica-se um leve jato de ar (Fig. 36C) e a moldeira com o material pesado é posicionada com um movimento suave e contínuo (Fig. 36D). Decorrido o tempo de presa recomendado pelo fabricante, a moldeira deve ser removida e o molde inspecionado. Será considerado adequado, o molde que apresentar margens nítidas em sua totalidade e ausência de bolhas, rupturas ou áreas de compressão acentuada (Fig. 36E, 36F E 36G), o que propiciará a obtenção de um modelo de trabalho apropriado. Figura 35. Fio retrator de menor calibre adequadamente inserido no sulco gengival (A), para posterior inserção do segundo fio (B e C). Com os fios posicionados deve ser possível a visualização do término cervical (D) A D B C 32 Figura 36. As moldeiras do tipo “triple-tray", específicas para o segmento anterior (A), devem ser carregadas com o material pesado e simultaneamente realiza-se a injeção do material fluido (B e C) no espaço criado no sulco gengival. A moldeira deve permanecer em posição (D) até que se complete o tempo de presa do material. Decorrido esse período, o molde é inspecionado (E) e deve apresentar margens nítidas e ausência de bolhas, rupturas e áreas de compressão acentuada. Observe , a partir de um corte vertical do molde (F e G), a penetração do material de moldagem no sulco gengival. B D A C E G F 33 Figura 37. Condicionamento com ácido fosfórico de uma área restrita da superfície preparada (A), para posteriorconfecção da provisória com resina composta (B e C). RESTAURAÇÃO PROVISÓRIA As provisórias podem ser confeccionadas através da técnica direta por meio do emprego de procedimentos adesivos e resina composta, ou de forma indireta utilizando resina acrílica. Na técnica direta, condiciona-se com ácido fosfórico um ponto restrito da superfície do esmalte (Fig. 37A), que após ser lavada e seca, deve ser submetida à aplicação do sistema adesivo. A seguir, um único incremento de resina composta é adaptado à superfície preparada e com o auxílio de pincéis e espátulas reproduz-se a anatomia desejada (Fig. 37B e 37C). Se a borda incisal está incluída no preparo, o enceramento diagnóstico poderá servir de base para a confecção de uma matriz de silicone, que facilitará a reconstrução dessa região. Nesse caso específico, antes da inserção do incremento de resina composta referente à face vestibular, um outro incremento é previamente inserido na região incisal, com o auxílio da matriz de silicone. Só depois da reprodução incisal, procede-se com as demais etapas relativas ao contorno vestibular. Após a polimerização, os excessos grosseiros de resina podem ser removidos com lâminas de bisturi e para o acabamento/polimento são sugeridos discos abrasivos seqüenciais, pontas siliconizadas, feltros e pastas específicas. Essa técnica é preferencialmente realizada quando poucos dentes estão preparados. A B C 34 Quando diversos dentes estão envolvidos no preparo, a técnica mais recomendada é a indireta. Nessa técnica as provisórias poderão ser confeccionadas sobre o modelo de estudo, pelo técnico de laboratório, para depois serem reembasadas sobre os dentes preparados. Outra alternativa é obter, a partir do modelo de estudo, uma matriz de silicone ou plástica, dentro da qual, na região correspondente aos desgastes, é adicionada a resina acrílica. Nesse caso, após a perda de brilho superficial, o conjunto matriz/resina deve ser adaptado sobre os preparos. Nas duas técnicas, realiza-se o acabamento/polimento com discos abrasivos seqüenciais, pontas siliconizadas, feltros e pastas específicas. As provisórias de resina acrílica poderão ser mantidas unidas entre si e cimentadas com um cimento temporário ou com o auxílio de uma técnica adesiva, após o condicionamento de uma área restrita do esmalte. SELEÇÃO DE COR O ideal é que o técnico possa participar diretamente do processo de seleção das cores, no entanto, como nem sempre isso é possível, torna-se imprescindível estabelecer um método de comunicação, para que o dentista seja capaz de transmitir o que observa ao mesmo tempo que o técnico compreenda de forma precisa o que está sendo notificado. Para facilitar esse processo, podem ser utilizadas escalas de cores, fotografias e mapas cromáticos. A escala deve ser a mesma empregada pelo técnico, sendo imperativo destacar a sua especificação. Para facilitar a visualização e percepção das distintas nuances de cores, fotografias com a escala posicionada por incisal tanto do dente preparado quanto do homólogo devem ser enviadas, juntamente com um mapa cromático, que ilustra, dentro de suas limitações, detalhes de cor, forma e textura. É importante ressaltar que um processo de seleção das cores requer que os dentes permaneçam úmidos e a luminosidade seja preferencialmente a do dia. CIMENTAÇÃO O sucesso dos laminados cerâmicos ao longo do tempo está em grande parte relacionado aos procedimentos de cimentação adesiva, os quais exigem atenção irrestrita para cada uma de suas etapas, pois qualquer negligência poderá comprometer o prognóstico dessas restaurações. Prova do laminado Ao receber o trabalho do laboratório (Fig. 38A e 38B), é interessante verificar, no modelo de gesso não-troquelado se o alinhamento, a forma e a textura estão adequados (Fig. 38C e 38D), já a adaptação marginal é melhor inspecionada no troquel individual. Caso existam falhas nesses itens, recomenda- se que sejam reparadas antes de se proceder às demais etapas. Na seqüência, remove-se a provisória e todos os resquícios de cimento provisório ou resina composta da superfície do dente. Qualquer depósito poderá impedir o correto assentamento da restauração, bem como ocasionar fraturas. No caso de múltiplas restaurações, a prova e os ajustes são individuais, para que posteriormente sejam assentadas em conjunto. Em algumas situações serão necessários ajustes na região proximal, os quais devem ser realizados após o registro dos contatos com uma fita articular de fina espessura. O desgaste poderá ser executado com pontas diamantadas de granulação extra-fina, em alta rotação e sob refrigeração ou com borrachas diamantadas específicas para cerâmicas. Em ambos os casos, os locais desgastados precisam ser polidos com borrachas diamantadas para evitar a manutenção de irregularidades que podem, além de permitir o acúmulo de placa, constituírem-se em regiões de concentração de tensões e conseqüentemente de propagação de trincas. 35 Figura 38. O laminado cerâmico (A e B) necessita ser inspecionado, antes da cimentação, em diferentes ângulos de visão. Além disso, no modelo (C e D) devem ser observados se o alinhamento, a forma e a textura estão adequados. A B D C 36 Figura 39. As diferentes cores das pastas para cimentação adesiva propiciam sutis alterações na coloração final da restauração, o que pode ser constatado observando a interação de distintas nuances de cor com o fundo subjacente. Simulação da cimentação Os laminados cerâmicos possuem uma espessura bastante fina, sendo translúcidas e, portanto, susceptíveis à influência da coloração do substrato e da película do cimento. Por esse motivo, diversos fabricantes disponibilizam pastas de múltiplas colorações para cimentação dessas restaurações (Fig. 39), permitindo um maior controle sobre a influência do substrato e, até mesmo sutis alterações de cor. 35 Para facilitar a seleção da pasta mais apropriada, alguns sistemas fornecem seringas "try- in", que consistem em pastas hidro-solúveis de cores referentes às dos cimentos. A simulação da cimentação é executada inserindo-se uma tonalidade de pasta "try-in" e reassentando a restauração. No entanto, deve-se ter cautela ao realizar tais simulações, uma vez que as cores dessas pastas, com certa freqüência, diferem das correspondentes cores do cimento. 3 Preparo do laminado e do dente para cimentação Para que uma união adesiva efetiva e duradoura seja obtida entre a restauração e a estrutura dental, o tratamento da superfície interna do laminado e da região preparada do dente é essencial. Preparo do laminado para cimentação As cerâmicas ricas em sílica, como as feldspáticas e as vítreas são as mais utilizadas na confecção de facetas. Essas cerâmicas ao serem condicionadas com ácido hidrofluorídrico passam a apresentar uma super fície interna rica em microrretenções, de vários micrômetros de profundidade, 25 que proporciona uma melhora na resistência adesiva. 25, 30 O tempo de condicionamento irá variar de acordo com o material cerâmico uti l izado, 18 ass im, é importante seguir as recomendações do fabricante. Todavia, caso o tempo de condicionamento da cerâmica seja desconhecido, uma aplicação por 2 a 3 minutos parece ser suficiente para a obtenção de apropriadas microrretenções. 7 Outro aspecto relevante refere-se a possibilidade de redução da resistência de união quando os depósitos sal inos provenientes do condicionamento com ácido hidrofluorídrico permanecem sobre a superfície da cerâmica. 53 Para evitarqualquer influência negativa, esses resíduos podem ser totalmente removidos imergindo a restauração em álcool e submetendo-a a um banho ultra-sônico por 10 minutos. 53 37 Quadro 2. Sugestão de protocolo clínico para o tratamento da superfície interna do laminado e da região preparada do dente. Na seqüência, tais microrretenções poderão ser infiltradas por um agente bifuncional de ligação, os silanos. Esses agentes propiciam a obtenção de uma elevada adesão e uma união mais durável aos materiais resinosos, 45, 64 através de sua ligação simultânea à sílica da cerâmica e à matriz orgânica das resinas compostas. 1, 85 Após a silanização, o sistema adesivo selecionado é aplicado na superfície preparada da cerâmica. Como essa restauração possui uma espessura reduzida e, portanto, permite a passagem de luz, não é necessário polimerizar o adesivo nessa etapa, o que poderia prejudicar o assentamento do laminado. A polimerização será realizada no momento da cimentação, juntamente com o material cimentante. Preparo do dente para cimentação A superfície do dente preparado poderá estar restrita ao esmalte ou envolver também a dentina. O condicionamento do esmalte com ácido fosfórico dissolve os cristais de hidroxiapatita e como conseqüência obtém-se uma superfície microporosa. 9 O sistema adesivo penetra nessas retenções 12, 36 formando uma união esmalte-cimento resinoso clinicamente aceitável. No caso da dentina, o condicionamento remove a lama dentinária e desmineraliza a dentina subjacente, 27 o que desoblitera a embocadura dos túbulos dentinários e expõe um densa rede de fibras colágenas. 93 Com a dentina úmida, os espaços interfibrilares resultantes e os túbulos dentinários são preenchidos pelo sistema adesivo, 65 formando uma camada aderida à dentina e que concomitantemente apresenta-se propícia para se unir ao cimento resinoso. Todos esses procedimentos são adversamente afetados pela contaminação por saliva, sangue ou fluido sulcular. Dessa forma, previamente a cada uma dessas etapas, as superfícies dos dentes devem estar limpas e adequadamente isoladas. Com base no exposto, o Quadro 2 fornece uma sugestão de protocolo clínico para o tratamento da superfície interna do laminado e da região preparada do dente. TRATAMENTO DA SUPERFÍCIE INTERNA DO LAMINADO TRATAMENTO DA SUPERFÍCIE PREPARADA DO DENTE Limpar (Figs. 40A, 40B e 40C) e isolar (Figs. 40D, 40E e 40F) Isolar (Fig. 42A) e limpar (Fig. 42B) Condicionar com ácido hidrofluorídrico (Figs. 40G e 40H) Condicionar com ácido fosfórico (Figs. 42C e 42D) Lavar, imergir em banho ultra-sônico e secar (Figs. 41A, 41B, 41C e 41D) Lavar e secar (Fig. 42E) Aplicar o silano e o sistema adesivo (Figs. 41E e 41F) Aplicar o sistema adesivo (Fig. 42F) 38 Figura 40. Ao receber o laminado do laboratório (A), deve-se limpá-lo com um jato de óxido de alumínio (B), para remoção de depósitos superficiais (C). Na seqüência, com o material pesado de uma silicona, isola-se a superfície externa do laminado (D e E), permanecendo apenas visível a região interna (F) que será condicionada com ácido hidrofluorídrico (G). A figura (H) evidencia o aspecto branco-opaco obtido pelo condicionamento. C A B H F G D E 39 Figura 41. Mesmo após a lavagem do ácido hidrofluorídrico, resíduos permanecem depositados na superfície interna da cerâmica (A), e para a sua completa remoção o laminado pode ser submetido a um banho ultrassônico (B, C e D). A seguir, com o auxílio de um pincel, aplica-se o silano (E) e o sistema adesivo (F), que não deve ser fotaativado nesse momento. A B C D E F 40 Figura 42. O isolamento do campo operatório deve ser preferencialmente realizado com um dique de borracha (A), no entanto, nas situações em que não for possível ou conveniente utilizar o isolamento absoluto, fios retratores devem ser empregados para afastar os tecidos gengivais e barrar a secreção sulcular. Antes dos procedimentos adesivos, o preparo deve ser limpo com uma pasta profilática (B) e os dentes adjacentes protegidos com uma fita veda rosca (C). A seguir, condiciona-se a superfície preparada com ácido fosfórico (D). Após lavar e secar (D), aplica-se o sistema adesivo (F). E F C D A B 41 Figura 43. O cimento resinoso é aplicado cuidadosamente na superfície interna do laminado cerâmico. Cimentação do laminado Como anteriormente ressaltado, os laminados cerâmicos possuem uma delgada espessura e em função dessa característica a coloração da película de cimento poderá exercer significante influência sobre o resultado final do conjunto dente-restauração. Como os cimentos resinosos duais não possuem estabilidade de cor, em decorrência da degradação, ao longo do tempo, de um componente responsável pela aceleração da reação de polimerização, 6, 10 a indicação de um sistema de cimentação recai sobre os cimentos resinosos foto-ativados. Esses cimentos também permitem um tempo de trabalho prolongado, o que facilita a remoção de excessos e os procedimentos de acabamento. 75 Uma outra possibilidade é utilizar resinas compostas restauradoras após torná-las mais fluidas sob ação do calor. Estão disponíveis no mercado aparelhos especialmente desenvolvidos para esse fim. O material cimentante selecionado deve ser aplicado na superfície interna do laminado (Fig. 43A, 43B e 43C) para que essa seja cuidadosamente assentada sobre o dente preparado (Fig. 44A). É importante que após o correto posicionamento do laminado, fiquem visíveis excessos de cimento em todas as margens do preparo (Fig. 44B), para que não existam dúvidas quanto o escoamento desse material em toda a extensão do preparo e se obtenha um selamento efetivo do limite dente- restauração. Para a apreensão dos laminados poderão ser utilizados instrumentos que se aderem à superfície externa da restauração e facilitam a sua manipulação. Após posicionada, com o auxílio de um fio dental e de uma sonda exploradora os excessos mais grosseiros devem ser removidos. Alternativamente, uma pré-polimerização de apenas 5 segundos poderá ser realizada (Fig. 44C) para posterior remoção de excessos grosseiros com uma lâmina de bisturi (Fig. 44D). A polimerização é então concluída, posicionando-se a luz por 60 segundos na superfície palatal e a seguir, durante o mesmo período de tempo, na superfície vestibular (Fig. 44E, 44F e 44G). As margens da restauração devem ser revestidas com um gel de glicerina, que bloqueia a ação inibidora do oxigênio, permitindo a completa polimerização do cimento nessas regiões. Margens polimerizadas sem o gel mostram uma degradação mais rápida ao serem comparadas com as recobertas por esse material. 5 Caso múltiplas restaurações necessitem ser cimentadas, as etapas descritas deve ser realizadas individualmente para cada dente, não sendo recomendada a execução simultânea de procedimentos adesivos em diversos dentes. A B C 42 Figura 44. O laminado deve ser assentado sobre o dente preparado (A) e após o seu adequado posicionamento, excessos de cimento devem escoar por todas as margens da restauração (B). Uma forma de facilitar a remoção dos excessos mais grosseiros é realizar uma pré-polimerização durante 5 segundos (C) e a seguir utilizar uma lâmina de bisturi, sempre posicionada no sentido do laminado para o dente (D), para evitar danos à restauração. A polimerização final é realizada durante 60 segundos por palatal e por vestibular (E e F). Na figura (G) observa-se o aspecto final da restauração imediatamente após a cimentação. F G C D A B E 43 Figura 45. Aspecto clínico inicial (A) e após a cimentação e ajusteda restauração (B e C). Ajuste oclusal Após a remoção do isolamento, o ajuste da oclusão é realizado em máxima intercuspidação e durante os movimentos excursivos. Pontas diamantadas de granulação extra-fina ou borrachas diamantadas específicas podem ser utilizadas durante esse procedimento. É imperativo que, sob nenhuma circunstância, o ajuste oclusal seja realizado antes da cimentação da faceta, devido à inerente fragilidade dessas restaurações e ao alto risco de fraturas. Acabamento e polimento Para o acabamento das regiões proximais podem ser utilizados discos abrasivos ou lixas especiais. Nas margens acessíveis da restauração estão indicadas pontas siliconizadas e feltros associados a uma pasta específica para polimento de cerâmicas. Para evitar qualquer resposta periodontal desfavorável, essa etapa deve ser meticulosamente executada. 75 Segu indo essa sugestão de protocolo c l ín ico, possivelmente serão obtidas restaurações estéticas e com prognóstico bastante favorável ao longo do tempo (Figs. 45 a 47). As figuras 48, 49 e 50 ilustram outros casos clínicos que tiveram como base a seqüência de procedimentos descrita. A B C 44 Figura 46. Aspecto clínico final. C B A 45 Figura 47. Aspecto clínico final. A C B 46 Ca so Cl ín ic o 1 A B C D E F G H I J L M N O P 47 Ca so Cl ín ic o 1 Figura 48. Aspecto clínico inicial da arcada superior, evidenciando a presença de restaurações insatisfatórias de resina composta e deficiências na forma (A). Após a confecção dos laminados cerâmicos (G e I), foi possível restituir o contorno e uma linha do sorriso mais harmônica (B, C e H). Em (D), (E) e (H), observa-se o comportamento óptico das restaurações em distintas condições de iluminação. Na arcada inferior, uma situação similar estava presente (J) e, de forma semelhante, os laminados cerâmicos (L, H e F) permitiram, através de um preparo conservador, o reestabelecimento estético e funcional (M e O). 48 Ca so Cl ín ic o 2 A B C D E F G H I J L M N O P 49 Ca so Cl ín ic o 2 Figura 49. O fechamento de múltiplos diastemas (A, B e C) é preferencialmente realizado utilizando laminados cerâmicos (D, E, F, G, H, I, J, l e M). Se restaurações diretas de resina composta fossem a opção selecionada, dificilmente seria obtida uma padronização de cor e forma, além de constituir-se em um procedimento demorado e tedioso para o paciente. Como a cerâmica apresenta uma excelente interação com os tecidos gengivais, foi possível constatar uma evolução no contorno gengival, o qual tornou-se mais favorável com o tempo. Em (H) observa-se o contorno gengival imediatamente após a cimentação dos laminados e em (O) e (P) o seu progresso após, respectivamente, duas semanas e um ano. 50 REFERÊNCIAS 1. Aida M, Hayakawa T, Mizukawa K. Adhesion of composite to porcelain with various surface conditions. J Prosthet Dent. 1995May;73(5):464-70. 2. Aristidis GA, Dimitra B. Five-year clinical performance of porcelain laminate veneers. Quintessence Int. 2002Mar; 33(3):185-9. 3. Balderamos LP, O'Keefe KL, Powers JM. Color accuracy of resin cements and try-in pastes. Int J Prosthodont. 1997Mar-Apr;10(2):111-5. 4. Barghi N, Berry TG. Post-bonding crack formation in porcelain veneers. J Esthet Dent. 19979(2):51-4. 5. Bergmann P, Noack MJ, Roulet JF. Marginal adaptation with glass-ceramic inlays adhesively luted with glycerine gel. Quintessence Int. 1991Sep;22(9):739-44. 6. Berrong JM, Weed RM, Schwartz IS. Color stability of selected dual-cure composite resin cements. J Prosthodont. 1993Mar;2(1):24-7. 7. 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