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Ventilação 
Mecânica 
DoMiciliar
Recomendações para a
MINISTÉRIO DA SAÚDE
HOSPITAL ALEMÃO OSWALDO CRUZ
Brasília – DF
2018
MINISTÉRIO DA SAÚDE
HOSPITAL ALEMÃO OSWALDO CRUZ
Brasília – DF
2018
Ventilação 
Mecânica 
DoMiciliar
Recomendações para a
2018 Ministério da Saúde. Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não Comercial – Compartilhamento 
pela mesma licença 4.0 Internacional. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.
A coleção institucional do Ministério da Saúde pode ser acessada, na íntegra, na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde: <www.saude.
gov.br/bvs>. O conteúdo desta e de outras obras da Editora do Ministério da Saúde pode ser acessado na página: <http://editora.saude.gov.br>.
Tiragem: 1ª edição – 2018 – versão eletrônica
Elaboração, distribuição e informações:MINISTÉRIO DA SAÚDE 
Secretaria de Atenção à Saúde
Departamento de Atenção Hospitalar e de Urgência
Esplanada dos Ministérios, bloco G, Edifício Sede
CEP: 70058-900 – Brasília/DF
Tels.: (61) 3315-6161
Site: www.saude.gov.br
E-mail: atencaodomiciliar@saude.gov.br
HOSPITAL ALEMÃO OSWALDO CRUZ
R. Treze de Maio, 1.815, Bela Vista
CEP: 01327-001 – São Paulo/SP
Tel.: (11) 3549-0000
Site: https://www.hospitaloswaldocruz.org.br/
E-mail: atencaodomiciliar@haoc.com.br
Editor-geral:
Marcelo Oliveira Barbosa
Coordenação-geral:
Mariana Borges Dias
Elaboração:
Amanda Magaly Ferreira
Andréia Nogueira Araujo 
Claudia Rocha Gonçalves
Cristiane Rodrigues de Souza 
Daniela Laranja Gomes Rodrigues
Débora Spalding Verdi
Fernanda Saks Hahne
Guilherme Cesar Silva Dias Santos
Laerte Borges Honorato Junior 
Lisandra Parcianello Melo Iwamoto
Marcelle Morgana Vieira de Assis 
Mariana Borges Dias
Milton Hanashiro
Nídia Cristina de Souza
Rafael Leandro de Mendonça 
Sandra Barbosa Moreira Nagata
Sílvia Reis
Simone Rodrigues Faria Carvalhaes
Tatiane Cifuentes
Távila Aparecida de Assis Guimarães
Vera Anastácio 
Vinicius Pafume de Oliveira
Colaboração:
Danyelle Monteiro Cavalcante 
Dante Brasil Santos 
Fernando Arsênio Flexa Daltro Barreto 
Kalyne Ferreira Nascimento de Aguiar
Mauro Vidigal 
Neulânio Francisco de Oliveira 
Rita Guedes 
Rogério Yassuaki Sakurada 
Úrsula Wille Campos
Normalização:
Editora MS/CGDI
Revisão:
Editora MS/CGDI
Capa, projeto gráfico e diagramação:
Renato Carvalho
Ficha Catalográfica
Brasil. Ministério da Saúde. 
Recomendações para a ventilação mecânica domiciliar [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Hospital Alemão Oswaldo Cruz. 
 – Brasília : Ministério da Saúde, 2018.
 42 p. : il.
Modo de acesso: World Wide Web: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/recomendacoes_ventilacao_mecanica.pdf>
 ISBN 978-85-334-2624-5
 1. Respiração artificial. 2. Ventiladores mecânicos. 3. Agravos à saúde. I. Título. II. Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
CDU 615.816-78
Catalogação na fonte – Coordenação-Geral de Documentação e Informação – Editora MS – OS 2018/0109
Título para indexação:
Recommendations for Home Mechanical Ventilation
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................5
IDENTIFICANDO USUÁRIOS ELEGÍVEIS PARA A VMD: 
ASPECTOS CLÍNICOS E PSICOSSOCIAIS .................................................................................8
ADEQUAR A CASA, CAPACITAR E CUIDAR DO CUIDADOR: 
A TRANSIÇÃO HOSPITAL-DOMICÍLIO ......................................................................................10
A EFETIVAÇÃO DA ALTA HOSPITALAR E A CHEGADA AO DOMICÍLIO ..................14
A ORGANIZAÇÃO E INTEGRAÇÃO DA REDE PARA A 
REALIZAÇÃO DA VMD COM SEGURANÇA E QUALIDADE ............................................16
COMPETÊNCIAS DO HOSPITAL .......................................................................................18
COMPETÊNCIAS DAS EQUIPES DE ATENÇÃO DOMICILIAR ............................19
CRITÉRIOS DE REINTERNAÇÃO HOSPITALAR ........................................................21
ASPECTOS BIOÉTICOS E CUIDADOS PALIATIVOS EM VMD ........................................22
ASPECTOS LEGAIS ..............................................................................................................................24
MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DA VMD .........................................................................26
REFERÊNCIA ..........................................................................................................................................29
BIBLIOGRAFIA .......................................................................................................................................30
ANEXO – EQUIPAMENTOS PARA A 
VENTILAÇÃO MECÂNICA DOMICILIAR – VMD ...................................................................37
5
É possível observar, nas últimas décadas, mudanças nas necessidades de 
saúde e nos modos de adoecer da população brasileira. Ocorre, nesse cenário, 
um aumento significativo na prevalência de pessoas com necessidades de 
cuidados intensivos e com apoio de equipamentos para suporte à vida. Há, 
nesse sentido, aumento no número de adultos com condições complexas 
de saúde e de necessidades de cuidados intensivos, em função de traumas, 
sequelas de acidente vascular cerebral (AVC), e, no caso de crianças, aumento 
de taxas de sobrevivência, em casos de prematuridade ou de acometimento de 
condições crônicas.
Segundo Mendes (2012), ao contrário das condições agudas nas quais, em 
geral, pode-se esperar uma recuperação completa, as condições crônicas levam 
a mais sintomas e à perda da capacidade funcional. Pessoas com condições 
crônicas, entretanto, também podem apresentar eventos agudos, especialmente 
pelo manejo inadequado dessas condições ou, ainda, pelo próprio avançar 
da doença.
INTRODUÇÃO
6
Ministério da Saúde
Isso exige novas respostas do Sistema Único de Saúde (SUS), a fim de que se 
possa oferecer formas de cuidado mais adequadas a essas pessoas, bem como 
otimizar os recursos disponíveis, tanto de infraestrutura quanto financeiros.
Pessoas em uso de ventilação mecânica (VM) prolongada enquadram-se 
neste cenário. Por muitos anos, receber essa indicação significava viver em 
um leito hospitalar, seja em enfermarias, seja em unidades semi-intensivas ou 
intensivas. Entretanto, esta realidade vem mudando no âmbito mundial por 
meio da expansão do cuidado domiciliar. 
Também no Brasil, a partir de experiências municipais bem-sucedidas – 
como a dos Programas de Assistência Ventilatória Domiciliar, do Hospital Albert 
Sabin e do Hospital Waldemar de Alcântara, ambos em Fortaleza, do Programa 
Ventilar, vinculado à Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais e do 
Serviço de Atenção Domiciliar de Uberlândia –, observa-se uma mudança nos 
critérios de manutenção desses pacientes no ambiente hospitalar e uma maior 
abertura para a transição do cuidado para o domicílio. Esse processo tem se 
fortalecido com a criação, pelo Ministério da Saúde, do Programa Melhor em 
Casa, que desde 2011 habilita Serviços de Atenção Domiciliar. 
Essa transição do hospital para o domicílio, que também nomeamos 
“desospitalização”, precisa ser realizada com responsabilidade e segurança. 
Requer, portanto, planejamento, comunicação e articulação da Rede de Atenção 
à Saúde (RAS) de forma a garantir o cuidado das pessoas dependentes de VM no 
âmbito do domicílio, assim como a continuidade em outros âmbitos de atenção, 
quando necessária. É fundamental, ainda, a elaboração de planos terapêuticos 
que singularizem a oferta de serviços e corresponsabilizem gestores, profissionais 
de saúde, pacientes e cuidadores. 
O objetivo deste manual é oferecer orientações aos gestores locaise 
trabalhadores das equipes multiprofissionais envolvidas na atenção às pessoas 
que demandam o uso de ventilação mecânica domiciliar (VMD) por período 
7
Recomendações para a Ventilação Mecânica Domiciliar
maior que 8 horas diárias. Com isso, pretende-se potencializar ainda mais os 
processos de desospitalização e propiciar aos pacientes e suas famílias melhor 
qualidade de vida e, para o SUS, uma importante estratégia para a qualificação 
da atenção domiciliar e otimização dos recursos disponíveis.
Na intenção de promovermos a compreensão e a incorporação da 
cultura do cuidado domiciliar em ventilação mecânica, trabalharemos, neste 
documento, alguns dos seus aspectos imprescindíveis, a saber: aspectos clínicos 
e assistenciais, aspectos organizacionais, aspectos psicossociais e econômicos, 
aspectos bioéticos e cuidados paliativos (Figura 1).
Figura 1 – Aspectos relacionados ao cuidado com o paciente em VMD
Fonte: Autoria própria.
8
Os pacientes elegíveis para a VMD são os que, em qualquer faixa etária, 
apresentam insuficiência respiratória crônica decorrente de causas pulmonares, 
neurológicas ou outras causas (comprometimento diafragmático, das vias aéreas 
e da caixa torácica, excetuando apneia do sono). 
A sustentabilidade e a segurança da assistência prestada resultam da 
articulação, da integração e da ordenação de pessoas e serviços para sua 
realização. A alta hospitalar torna-se possível quando a equipe multiprofissional, 
a família, a comunidade e os gestores de saúde juntam esforços para viabilizar 
o cuidado em casa. Por isso, destacamos a importância da tomada de decisão 
compartilhada sobre a atenção domiciliar do paciente dependente de VM, de 
modo que esses atores se corresponsabilizem por esse cuidado. 
IDENTIFICANDO USUÁRIOS 
ELEGÍVEIS PARA A VMD: 
ASPECTOS CLÍNICOS 
E PSICOSSOCIAIS
9
Recomendações para a Ventilação Mecânica Domiciliar
Os seguintes critérios devem ser analisados para a definição da VMD:
Estabilidade 
clínica
•	 Paciente em conforto respiratório após adaptação aos 
parâmetros ventilatórios que serão utilizados no domicílio.
•	 Em casos de crises convulsivas, episódios de agitação ou 
dor, entre outros, estes devem estar controlados ou com 
possibilidade de manejo seguro no domicílio.
•	 Avaliação de parâmetros e/ou condições clínicas para registro 
e documentação da estabilidade do paciente antes da alta 
hospitalar, conforme a necessidade do caso: gasometria, 
frequência respiratória, padrão respiratório, expansibilidade, 
ausculta e radiografia de tórax.
Definição e 
adaptação ao 
ventilador
Definição do equipamento mais adequado para o caso, com 
adaptação do paciente ainda durante a internação hospitalar. 
Veja especificações dos aparelhos no Anexo.
Existência de 
cuidador
Existência de cuidador apto e capacitado para o cuidado 
domiciliar (preferencialmente dois cuidadores).
Consentimento 
da família
•	 Decisão para o cuidado em domicílio foi compartilhada com a 
família, com consentimento e definições de responsabilidades 
entre todos os envolvidos no processo. 
•	 Termo de consentimento livre e esclarecido assinado pela 
família/cuidador.
Adequação do 
domicílio
Domicílio apresenta fornecimento regular de água e energia 
elétrica, bem como telefone fixo ou celular. 
10
O domicílio é o local de pertencimento do paciente e de sua família e possui 
características, funcionamentos e aspectos culturais próprios e que jamais serão 
(e não devem ser) transformados em um estabelecimento de saúde. Nesse 
sentido, a análise das condições do domicílio deve partir de uma visão ampliada 
e que se preocupe não apenas em identificar limitadores para a realização da 
VMD, mas principalmente em orientar e apoiar a família na busca por melhorias 
dos recursos habitacionais para a sua viabilização.
Assim, considera-se imprescindível que o domicílio tenha fornecimento 
regular de água e energia elétrica, bem como acesso a um telefone fixo ou 
celular. Além disso, recomenda-se:
 • Tomada exclusiva e individualizada para cada equipamento envolvido 
no cuidado ao paciente.
 • Luz de emergência.
 • Ambiente físico livre de objetos/móveis que possam provocar quedas, 
atrapalhar o deslocamento ou que possam cair sobre o paciente.
ADEQUAR A CASA, 
CAPACITAR E CUIDAR DO 
CUIDADOR: A TRANSIÇÃO 
HOSPITAL-DOMICÍLIO
11
Recomendações para a Ventilação Mecânica Domiciliar
 • Posicionamento do leito com espaços vagos ao redor. 
 • Ambiente com boa ventilação (se necessário, pode-se utilizar ventilador, 
ar-condicionado), boa iluminação e proteção contra insetos e demais 
animais peçonhentos (tela nas janelas etc.). 
 • Pia e local para higienização dos materiais envolvidos no cuidado, bem 
como lavagem de mãos de cuidadores e profissionais.
 • Forro, piso e pintura laváveis.
 • Cama hospitalar, conforme o caso.
 • Acessibilidade, ao redor do domicílio, para Samu ou serviço equivalente. 
É muito provável que no período próximo à alta, o cuidador já esteja apto 
a realizar uma série de procedimentos necessários aos cuidados do seu familiar 
em casa, uma vez que o acompanha na rotina do hospital. Entretanto, neste 
período, é necessário que seja realizado um treinamento mais intensivo e 
organizado a fim de que o cuidador adquira maior segurança e se sinta mais 
tranquilo e apoiado em todo este processo.
A aptidão para a realização dos cuidados não é uma característica prévia 
ou rígida, mas deve envolver a avaliação dos profissionais e do próprio cuidador 
sobre suas possibilidades de entender e desempenhar as tarefas envolvidas 
neste cuidado.
O treinamento para a desospitalização deve ser iniciado pela equipe do 
hospital e seguido pelo Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) e deve conter, entre 
outros temas que a equipe multiprofissional julgar pertinentes, os seguintes:
 • Orientações sobre cuidados básicos, incluindo posicionamento, cuidados 
com higiene e conforto.
 • Interpretação de sinais e dados vitais, especialmente os que indicam 
possíveis mudanças do quadro do paciente.
12
Ministério da Saúde
 • Aspiração traqueal e de vias aéreas.
 • Cuidados com a traqueostomia. 
 • Higiene e prevenção de lesões de pele.
 • Utilização de materiais de oxigenoterapia.
 • Instruções sobre os equipamentos (ventilador, concentrador de oxigênio, 
circuitos do ventilador, bateria, nobreak, umidificadores, inaladores, 
reanimador manual).
 • Orientações sobre manobras e atividades que podem ser realizadas por 
cuidador treinado.
 • Planos de contingência para casos de intercorrências (decanulação 
acidental, falta de energia elétrica, problemas técnicos com o ventilador), 
com reavaliações periódicas junto aos familiares/cuidadores.
 • Suporte Básico de Vida.
 • Limpeza e desinfecção dos equipamentos.
Destaca-se que o cuidador é ator fundamental para o cuidado adequado 
no domicílio e, por isso, deve ser envolvido no plano de cuidado e acolhido pela 
equipe não apenas para esclarecimento de dúvidas ou para a realização de 
novos treinamentos, mas de forma que ele se sinta apoiado no desempenho de 
suas atividades e escutado em suas próprias demandas e anseios, em função do 
desgaste físico e emocional que pode ocorrer neste contexto. A existência de 
dois cuidadores ou mais é o ideal, tendo em vista a possibilidade de revezamento 
para evitar sobrecarga. Entretanto, o fato de haver apenas um cuidador não 
constitui, por si só, fator de inelegibilidade para VMD. 
Além disso, é fundamental que a equipe (primeiro do hospital e, depois, 
do SAD) realize momentos de formação/capacitação e espaços de cuidado 
13
Recomendações para a Ventilação Mecânica Domiciliar
direcionados aos cuidadores, tais como grupos de apoio ou outros, conforme a 
realidade e a necessidade local.
Nesse sentido, é importante a equipe:• Realizar reuniões periódicas com paciente, família e cuidadores 
para monitoramento e avaliação do plano terapêutico e demais 
pactuações realizadas. 
 • Acompanhar e avaliar a dinâmica e as relações familiares após 
internação domiciliar, atentando para os aspectos biopsicossociais, que 
envolvem a internação domiciliar prolongada.
 • Acompanhar e avaliar sinais de risco e/ou situações detectadas 
de violação de direitos como abandono/negligência, violência ou 
maus-tratos ao paciente, considerando suas diferentes formas: física, 
psicológica, sexual, além de violações que envolvem os aspectos 
financeiros e materiais.
 • Apoiar a família na organização do cuidado e na distribuição de tarefas, 
inclusive por meio da disponibilização de materiais como cartilha e 
escala de tarefas.
 • Avaliar condições de renda familiar diante de eventuais custos envolvidos 
no cuidado.
 • Conscientizar, informar, orientar e encaminhar paciente e/ou família na 
busca e no acesso aos benefícios e demais direitos, conforme demanda 
apresentada, para viabilizar o atendimento na internação domiciliar.
 • Identificar, avaliar, construir e acompanhar a Rede Social de Apoio 
envolvida no cuidado do paciente, na perspectiva de trabalhar a 
corresponsabilidade da assistência prestada, de forma articulada e 
integrada aos demais atores, serviços e políticas.
14
Para que o processo de alta hospitalar, transporte do paciente e admissão 
na atenção domiciliar possa ser realizado em segurança e garantindo a 
continuidade dos cuidados, sugere-se que:
 • Não seja realizado em dias próximos ao final de semana ou feriados, ou 
em período noturno. 
 • O transporte do paciente ao seu domicílio aconteça em veículo 
apropriado. Sugere-se uso de ambulância de suporte básico tipo B 
que possui: ponto de energia elétrica para adaptação do aspirador 
e do ventilador, e fonte de oxigênio (com volume suficiente para o 
deslocamento) e equipamentos mínimos para atender intercorrências.
 • O transporte do paciente deve ser acompanhado pelo médico, 
fisioterapeuta e profissional de Enfermagem. Se houver necessidade, 
outros profissionais poderão participar.
A EFETIVAÇÃO DA ALTA 
HOSPITALAR E A CHEGADA 
AO DOMICÍLIO
15
Recomendações para a Ventilação Mecânica Domiciliar
Após a acomodação do paciente no seu domicílio, é necessário:
 • Certificar-se quanto à adaptação do paciente ao aparelho e monitorar 
os parâmetros ventilatórios até estabilização do paciente e confiança 
do cuidador.
 • Verificar os alarmes e reforçar a orientação sobre eles ao familiar/
cuidador.
 • Retomar orientações prévias dadas ao cuidador, agora em contexto 
domiciliar, sobre os procedimentos e cuidados principais. É importante 
que a equipe observe os cuidadores na realização dos primeiros cuidados 
domiciliares, de forma a apoiá-los e orientá-los.
 • Realizar checklist com o cuidador e ter assinatura do familiar ao final 
sobre a revisão de todas as rotinas revistas, estando o cuidador/familiar 
apto a desenvolvê-las em domicílio.
 • Disponibilizar números de contato (do SAD, do serviço de urgência, da 
empresa que presta assistência técnica aos equipamentos) para possíveis 
intercorrências e orientar que sejam colocados em local de fácil acesso.
 • Preencher e entregar o prontuário domiciliar, o qual deve conter: 
termo de consentimento e responsabilidade assinado, evolução clínica, 
prescrição médica, parâmetros do ventilador e demais informações 
iniciais do plano de cuidado.
Destaca-se que, inicialmente, é muito provável que o cuidador demande 
maior suporte do SAD, uma vez que ainda estará se adaptando ao novo cenário 
de cuidado e aos novos papéis familiares. Por isso, recomenda-se que, nesse 
período, seja realizado um maior número de visitas domiciliares, sendo que, 
na primeira semana, sugere-se que as visitas sejam diárias. Após perceber 
maior segurança por parte do cuidador, começar a rotina de atendimentos 
preestabelecida, de acordo com a frequência definida a partir da complexidade 
do paciente e das características do cuidador.
16
Ainda que o SAD seja protagonista do cuidado, ele não é o único responsável 
pela sua efetivação de forma segura e que garanta a integralidade. Portanto, 
cabe ao gestor local (SMS, SES ou ambas, em parceria), juntamente ao SAD, 
garantir as condições de funcionamento adequado do serviço, inclusive no que 
se refere à articulação com outros pontos de atenção. Nesse sentido, destaca-se:
 • Definir e gerenciar equipe assistencial para VMD contendo, no mínimo: 
médico, enfermeiro, auxiliar/técnico de Enfermagem e fisioterapeuta. 
É recomendado fisioterapeuta com capacitação em fisioterapia 
respiratória. A equipe deve ainda contar com apoio de serviço social e 
outros profissionais que forem necessários.
 • Fornecer medicamentos, insumos, materiais e equipamentos necessários 
para o cuidado no domicílio, sejam por aquisição própria do SAD ou 
pactuação com serviços da rede, outros setores ou instâncias. 
 • Garantir, nos contratos de fornecimento dos ventiladores, a assistência 
técnica 24 horas dos equipamentos utilizados na VMD, bem como 
manutenção preventiva e corretiva.
A ORGANIZAÇÃO E 
INTEGRAÇÃO DA REDE PARA 
A REALIZAÇÃO DA VMD COM 
SEGURANÇA E QUALIDADE
17
Recomendações para a Ventilação Mecânica Domiciliar
 • Estabelecer fluxos e serviços para retaguarda nos casos de intercorrências, 
especialmente após o horário de funcionamento do serviço e aos finais de 
semana e referência assistencial para especialidades, apoio diagnóstico, 
internação hospitalar etc.
 • Pactuar transporte para remoções eletivas e de urgência.
 • Promover espaços de educação permanente e capacitação para as 
equipes envolvidas na VMD.
 • Promover e organizar fórum de avaliação das ações de Ventilação 
Mecânica Domiciliar, com participação de representantes do Serviço de 
Atenção Domiciliar, hospitais, responsáveis pela logística e infraestrutura 
envolvidos na VMD, representantes da Atenção Básica e de serviços de 
urgência e demais serviços e órgãos envolvidos com a oferta de VMD.
 • Garantir meios (insumos, equipamentos, qualificação profissional, 
logística etc.) para que a Equipe de Saúde da Família (eSF) e o Núcleo 
de Apoio à Saúde da Família (Nasf) corresponsabilizem-se pelo cuidado 
dos casos de VMD em seus territórios. 
 • Avaliar a viabilidade e garantir meios da rede de saúde pública 
local assumir os cuidados, nos casos em que houver necessidade de 
desospitalização de usuários dependentes de VMD, quando não houver 
SAD no município ou na região de moradia do paciente.
 • Promover meios de garantir sustentabilidade da modalidade da VMD, 
incluindo a participação do Controle Social.
18
Ministério da Saúde
COMPETÊNCIAS DO HOSPITAL
A equipe hospitalar deve estar sempre atenta para a possibilidade de 
desospitalização oportuna de qualquer paciente, não só em VM. Para isso, 
sugere-se que cada hospital tenha designado um ponto de referência para 
este fim, preferencialmente a equipe do Núcleo Interno de Regulação (NIR), 
conforme estabelecido pela Política Nacional de Atenção Hospitalar (PNHosp). 
Assim, são competências do hospital:
 • Realizar busca ativa de pacientes em VM aptos ao tratamento domiciliar 
e encaminhar solicitação ao SAD, conforme fluxo estabelecido.
 • Discutir com familiares e pacientes quanto à possibilidade de 
acompanhamento domiciliar e, havendo aceitação, iniciar o processo 
de alta segura para o domicílio com o registro adequado de todas 
as etapas.
 • Realizar apoio matricial1 da equipe que acompanhará o paciente em 
VMD, consoante necessidade desta.
 • Assegurar a adaptação do paciente ao ventilador que será utilizado no 
domicílio e o treinamento do cuidador. Este momento deve ser partilhado 
entre as equipes da unidade hospitalar e da atenção domiciliar, e que 
sejamconsideradas as especificidades das patologias, o que definirá o 
tempo adequado para o processo de transição.
Segundo a organização do hospital, é possível a criação de setores para 
cuidados intermediários para migração gradual para o domicílio, a fim de que 
seja continuado o processo de reabilitação, tentativa de desmame e demais 
aspectos relacionados ao preparo para a desospitalização. 
1 O apoio matricial em saúde objetiva assegurar retaguarda especializada (assistencial e pedagógica) a equipes e 
profissionais encarregados da atenção a problemas de saúde (CAMPOS; DOMITTI, 2007). 
19
Recomendações para a Ventilação Mecânica Domiciliar
COMPETÊNCIAS DAS EQUIPES DE 
ATENÇÃO DOMICILIAR
Para garantia da maior segurança possível à família e ao cuidado do paciente 
que será desospitalizado, consideramos como de competência das equipes de 
atenção domiciliar:
 • Realizar busca ativa de pacientes em VM aptos ao tratamento domiciliar, 
conforme fluxos estabelecidos.
 • Avaliar as condições para alta segura em conjunto com o hospital, 
envolvendo aspectos clínicos e psicossociais. 
 • Abordar o paciente e a família, com a equipe do hospital, para discussão 
sobre o acompanhamento domiciliar.
 • Elaborar e executar um projeto terapêutico singular (PTS), incluindo 
objetivos do cuidado, periodicidade das visitas dos profissionais 
envolvidos, rol de procedimentos, de acordo com a necessidade do 
paciente e a organização do fluxo/linha de cuidado integral, garantindo 
a execução, podendo, para isso, envolver outros serviços da rede. O 
projeto terapêutico singular deverá ser multiprofissional e contemplar:
 » Visitas domiciliares da equipe mais frequentes, imediatamente após 
a alta hospitalar, a fim de analisar a adaptação do paciente e dos 
familiares à rotina de cuidados necessária.
 » Previsão de reavaliação do plano terapêutico.
 » Articulação com a rede para garantir a equipe necessária na 
execução do PTS.
 » Organização e documentação do fluxo da assistência nas 
intercorrências, em tempo integral, pela rede de atenção à saúde.
20
Ministério da Saúde
 • O registro dos atendimentos no prontuário domiciliar, especialmente 
a prescrição medicamentosa atualizada, para o caso de atendimento 
por outros serviços. Nos casos de Cuidados Paliativos, é fundamental o 
registro das informações de plano terapêutico e de diretivas antecipadas 
de vontade do paciente, para evitar intervenções divergentes.
 • A organização dos encaminhamentos e a realização da alta responsável 
do paciente para atendimento ambulatorial, quando for possível.
 • Estabelecer espaços de educação permanente para a equipe e buscar, 
com o gestor municipal ou estadual, aprimoramento para a assistência 
ao paciente em VMD.
 • Elaborar ou utilizar manuais práticos para orientação ao cuidador, por 
exemplo: cartilhas contendo orientações de como proceder em casos 
de intercorrências clínicas, óbito domiciliar, falhas com equipamentos, 
fornecendo contatos telefônicos úteis.
 • Articular e acionar a rede de apoio intersetorial, nos casos em que a 
equipe detectar insuficiência familiar para o cuidado ou em demais 
necessidades que extrapolem a capacidade de atuação do SAD.
21
Recomendações para a Ventilação Mecânica Domiciliar
CRITÉRIOS DE REINTERNAÇÃO HOSPITALAR
Para haver atenção domiciliar a um paciente em uso de ventilação mecânica, 
é imprescindível a garantia de retaguarda hospitalar quando se justificar a 
reinternação, conforme fluxo preestabelecido e nos casos de:
 • Instabilidade clínica ou emergências com indicação de tratamento 
hospitalar.
 • Indicação de internação hospitalar para tratamentos eletivos ou 
complicações.
 • Discordância da família em relação ao atendimento domiciliar.
 • Impossibilidade de permanência no domicílio, por mudança nas 
condições da família ou do paciente.
 • Saída da família da área de abrangência do serviço, caso outro serviço 
não possa assumir o cuidado.
 • Impossibilidade de fornecimento regular dos insumos e equipamentos 
necessários que impeçam o paciente de continuar no domicílio.
22
A extensão da sobrevida dos pacientes com doenças crônicas, como os 
dependentes de ventilação mecânica, traz para as famílias, os profissionais e 
as instituições de saúde importantes questões de natureza ética. Podemos 
citar, por exemplo, a decisão sobre realização de um procedimento que, além 
do benefício esperado, possa trazer riscos, desconforto ou custos adicionais ao 
paciente, e a discussão sobre diretivas antecipadas de vontade2. Nessas situações, 
a bioética oferece um campo apropriado para avaliação de casos e tomada de 
decisão de maneira responsável, com a possibilidade de participação de todos 
os envolvidos. 
Segundo Goldim (2006), a Bioética consiste na reflexão compartilhada, 
complexa e interdisciplinar sobre a adequação das ações que envolvem a vida e 
o viver. A bioética propõe e possibilita a análise dos fatos de cuidado à saúde em 
um contexto amplo que, além do aspecto clínico, contempla também os valores 
morais, afetivos e espirituais do paciente, de sua família e dos profissionais 
de saúde. Para isso, ela dispõe de referenciais importantes, como princípios 
2 Conforme a Resolução CFM nº 1.995/2012, as diretivas antecipadas de vontade são o conjunto de desejos, prévia e 
expressamente manifestados pelo paciente, sobre cuidados e tratamentos que quer, ou não, receber no momento em 
que estiver incapacitado de expressar, livre e autonomamente, sua vontade.
ASPECTOS BIOÉTICOS E 
CUIDADOS PALIATIVOS 
EM VMD
23
Recomendações para a Ventilação Mecânica Domiciliar
éticos (beneficência, não maleficência, autonomia e justiça, por exemplo) e 
metodologias práticas para a tomada de decisão. 
Assim, dispondo deste instrumental bioético e considerando as demandas 
do paciente e/ou responsáveis, cabe ao SAD elaborar e discutir uma proposta 
consensual de plano individualizado de cuidados. Este plano deve se pautar pela 
ótica da integralidade, da humanização e do respeito à autonomia do paciente 
e de sua família/cuidador.
Ao longo da evolução do paciente, é fundamental que todos os critérios 
de atuação assistencial, inclusive aqueles relativos à utilização da ventilação 
mecânica, sejam sistematicamente reavaliados, em função das mudanças do 
quadro clínico, prognóstico e condições de cuidado, especialmente quando se 
entra em processo de terminalidade de vida. A equipe deve ainda considerar 
as expectativas da família, as possibilidades de alívio da dor e do sofrimento 
(físico, emocional, social e espiritual) e os riscos de se incorrer em futilidade 
terapêutica (utilização de meios extraordinários que acabam por prolongar o 
caminho natural da morte) ou distanásia (morte com sofrimento). Em outras 
palavras, as condutas assistenciais também devem se inserir, desde o início, no 
âmbito dos cuidados paliativos. 
Segundo a OMS, o cuidado paliativo consiste na abordagem promovida por 
equipe multiprofissional a pacientes e seus familiares diante de uma doença que 
ameace a vida, por meio da prevenção e do alívio do sofrimento, da identificação 
precoce, da avaliação impecável e do tratamento da dor e demais sintomas 
físicos, sociais, psicológicos e espirituais. Reconhecer e tratar efetivamente os 
sintomas mais prevalentes nos pacientes, abordá-los de maneira multidisciplinar, 
fomentar um bom relacionamento entre equipe, família e pacientes, discutir as 
questões relacionadas ao final da vida, acompanhar a família durante o processo 
de morte e luto, assim como o suporte para toda a equipe, são fundamentos 
básicos dos cuidados paliativos essenciais para o cuidado integral aos pacientes 
em uso de VMD.
24
Para que as ações da VMD possam transcorrer com maior tranquilidade, 
sugerimos que sejam redigidos com cuidado os documentos que devem ser 
produzidos pelaequipe, na intenção de se promover maior segurança no 
amparo legal:
1. Termo de Consentimento Livre e Esclarecido antes do paciente 
e desospitalizado.
2. Termo de Responsabilidade com relação à utilização dos aparelhos de 
ventilação mecânica.
3. Termo de retaguarda hospitalar/de urgência (vaga zero) em situações 
de intercorrências agudas que não podem ser manejadas em domicílio.
4. Declaração de óbito.
ASPECTOS LEGAIS
25
Recomendações para a Ventilação Mecânica Domiciliar
Além dos citados anteriormente, existem serviços que elaboram termo de 
responsabilidade do cuidado, no qual se determina de forma clara o que é da 
alçada de cada parte envolvida: família, equipe de atenção domiciliar e hospital 
de referência, podendo envolver órgãos do Judiciário ou promotoria pública, de 
forma a propiciar maior segurança jurídica para todas as partes.
É fundamental que todos os processos decisórios que ocorram em conjunto 
com equipe e família sejam cuidadosamente anotados no prontuário dos 
pacientes, para segurança de todos os envolvidos. Pela mesma razão, é também 
recomendável que as conversas importantes da equipe com a família se deem 
na presença de mais de um profissional desta mesma equipe. 
Por fim, é importante frisar que a emissão da declaração de óbito (DO) de 
paciente em cuidado domiciliar é de responsabilidade do médico assistente 
da equipe de AD. Caso o óbito ocorra fora do horário de trabalho do serviço, 
esta emissão deve estar pactuada de forma segura com um médico auxiliar ou 
substituto, que pode ser da Equipe de Saúde da Família do território, de serviço 
de urgência ou hospitalar de plantão. Lembramos que, para possibilitar o correto 
preenchimento da DO, especialmente pelo médico substituto, as informações 
contidas no prontuário do paciente devem estar registradas de forma clara e 
precisa, uma vez que, pelo Código de Ética Médica, o médico poderá se negar 
a emitir a DO caso não tenha segurança quanto à causa mortis, ou em casos de 
suspeita de morte induzida ou violenta.
26
Realizar monitoramento e avaliação (MeA) de ações em saúde é 
fundamental para identificar êxitos e fragilidades (tanto em intervenções da 
gestão quanto do cuidado), assim como obter elementos para o planejamento e 
a tomada de decisão para a qualificação do serviço, promovendo transparência, 
ou seja, “prestação de contas” aos atores envolvidos. Servem como subsídio tanto 
para ações mais simples, por exemplo, planejamento de materiais necessários 
para o atendimento de determinada demanda, quanto para as mais complexas, 
como avaliar os resultados do cuidado e (re)definir plano terapêutico.
Os processos de MeA devem ser planejados e realizados de forma 
contínua, não somente ao final da intervenção. Assim, é importante avaliar os 
efeitos do cuidado realizado, considerando o estado de saúde dos usuários 
(ex.: monitoramento de internações de usuários em acompanhamento pelo SAD; 
evolução do estado geral), bem como avaliar os fluxos entre os diferentes serviços 
necessários para a assistência, em busca de identificar possíveis melhorias no 
cuidado integral.
MONITORAMENTO E 
AVALIAÇÃO DA VMD
27
Recomendações para a Ventilação Mecânica Domiciliar
Como oferta para apoio neste processo, sugere-se utilização do Manual 
de Monitoramento e Avaliação: Programa Melhor em Casa3, dirigido ao 
monitoramento do SAD. Contém indicadores prioritários e secundários, incluindo 
anexo com descrição dos indicadores, método de cálculo, indicações e limites, 
que devem ser adaptados às necessidades e realidades de cada SAD. A seguir, 
destacamos alguns indicadores relevantes para o monitoramento dos casos 
de VMD:
1. Percentual de reinternações dos usuários em VMD (no manual: Percentual 
de usuários por conduta/motivo de saída – internação hospitalar):
 » Corresponde ao percentual de usuários em VMD encaminhados para 
internação hospitalar. 
 » Método de cálculo: total de usuários em VMD, que saíram do SAD 
com desfecho “internação hospitalar”, no período/total de usuários 
em VMD no mesmo período.
 » Pode ser utilizado considerando outros desfechos, por exemplo, 
encaminhamento para serviços de urgência, bem como com situações 
específicas como internações por infecção respiratória.
 » Fonte: módulo e-SUS AD ou registros locais. Periodicidade: semestral.
 » Ações que promovem a melhoria do indicador: ações de educação 
permanente voltadas para as condições patológicas e as condições 
desencadeadoras; melhorar a infraestrutura e as condições de 
acesso dos SADs a exames, medicamentos e demais necessidades. 
Caracterização da relação entre SAD e RAS; monitoramento e 
planejamento dos SADs e das equipes.
3 Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_monitoramento_avaliacao_programa.pdf>.
28
Ministério da Saúde
2. Percentual de usuários em VMD acometidos por infecção respiratória: 
 » Corresponde ao percentual de usuários em VMD acometidos por 
infecção respiratória.
 » Método de cálculo: total de usuários em VMD acometidos por 
infecção respiratória no período/total de usuários em VMD no 
mesmo período X 100.
 » Fonte: módulo e-SUS AD ou registros locais. Periodicidade: trimestral.
 » Ações que promovem a melhoria do indicador: ações de educação 
permanente voltadas para as condições patológicas relacionadas 
e as condições desencadeadoras; melhorar a infraestrutura e as 
condições de acesso dos SADs a exames, medicamentos e demais 
necessidades.
3. Percentual de munícipes em uso crônico de VM em AD:
 » Corresponde ao percentual de pacientes em uso crônico de VM que 
estão em acompanhamento pelo SAD, em determinado período, em 
relação aos que permanecem hospitalizados. 
 » Método de cálculo: total de usuários em VMID no período/total de 
munícipes em uso crônico de VMI, no mesmo período.
 » Fonte: registros locais. Periodicidade: semestral
 » Ações que promovem a melhoria do indicador: realizar levantamento 
de necessidades no território; realizar busca ativa em hospitais no 
município ou regionais de referência; melhorar a infraestrutura e as 
condições de acesso ao SAD.
OBSERVAÇÃO:
Todos os indicadores podem ser calculados e analisados de forma separada 
entre os casos em Ventilação Invasiva e Não Invasiva.
29
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37
VENTILADORES MECÂNICOS
O primeiro passo na escolha do aparelho de ventilação mecânica domiciliar 
(VMD) e acessórios é avaliar a situação do paciente, considerando especialmente 
suas condições clínicas, que indicarão o nível de dependência e o número de 
horas diárias de utilização dos aparelhos. A forma de ventilação também deve 
se basear na experiência da equipe, em evidências científicas e em protocolos 
específicos. 
A definição da forma de ventilação e a escolha do aparelho devem basear-se 
em evidências científicas, em protocolos específicos, na experiência da equipe e, 
sobretudo, na condição clínica do paciente, uma vez que esta indicará o nível de 
dependência e, assim, o número de horas diárias de utilização dos aparelhos.
ANEXO – EQUIPAMENTOS 
PARA A VENTILAÇÃO 
MECÂNICA DOMICILIAR – VMD
38
Ministério da Saúde
Quanto ao nível de dependência do usuário à ventilação mecânica, 
considera-se:
a ) Baixa dependência: utilização do aparelho por até 8 horas diárias.
b ) Moderada dependência: utilização do aparelho de 8 horas a 
16 horas diárias.
c ) Alta dependência: utilização do aparelho por mais de 16 horas diárias.
Considerando esses aspectos, seguem sugestões de equipamentos que 
podem ser utilizados para ventilação em domicílio.
Tipos de aparelho
a ) Aparelho de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP): é utilizado 
em pacientes com respiração espontânea, constitui-se em um aparelho 
que mantém pressão positiva contínua nas vias aéreas.
b ) Aparelhos Bi-level ou Bi-nível (pressão positiva em vias aéreas a dois 
níveis – bifásico): são indicados para usuários com necessidade do uso de 
pressões relativamente altas, apresentam dispositivo para compensação 
de vazamentos e, em geral, são portáteis e leves. Normalmente operam 
em modo pressão de suporte, sendo que o nível de pressão escolhido 
orienta o fluxo inspiratório para o paciente. Os aparelhos de Bi-level 
diferenciam-se pelas seguintes características:
 » Automático: sem possibilidade de programação de frequência 
respiratória mínima (sem backup de apneia).
 » Sem bateria: sem bateria interna com possibilidade de programação 
de frequência respiratória mínima (com backup de apneia).
39
Recomendações para a Ventilação Mecânica Domiciliar
OBSERVAÇÃO:
Há possibilidade de adaptação de bateria externa.
 » Intermediário: com bateria (interna e externa) com possibilidade de 
programação de frequência respiratória mínima (com backup de 
apneia) e modalidades de duplo controle com garantia de volume.
São indicados:
 » Na fase inicial de síndromes de hipoventilação para pacientes com 
doenças neuromusculares com necessidade de utilização inferior a 
16 horas por dia. Nessas situações, deve-se utilizar aparelhos que 
tenham frequência respiratória mínima programável (aparelhos 
com backup de apneia).
 » Para pacientes com doenças pulmonares hipercápnicas que 
preencham os critérios de indicação de VMNI.
 » Para pacientes com desmame parcial da VM, em que o tempo livre 
de VM é maior que 8 horas diárias.
OBSERVAÇÃO:
Nos aparelhos pressóricos (Bi-level), a pressão de suporte muito elevada, 
quando necessária, pode levar a altos fluxos nas vias aéreas e gerar desconforto 
ao paciente.
a ) Aparelho de Suporte à Vida: aparelhos que garantem condições 
ventilatórias para sobrevivência, permitindo controle mais preciso sobre 
a ventilação e com maior variedade de modos e parâmetros ventilatórios. 
Apresentam as seguintes características:
 » Aparelhos com múltiplos modos ventilatórios (à pressão e a volume) 
com alcance de pressões máximas maiores do que os aparelhos 
40
Ministério da Saúde
pressóricos Bi-level. Possuem circuito único com válvula exalatória 
de CO2 (válvula de Plateau) ou circuito duplo com ramo inspiratório 
e expiratório que levam a menor reinalação de CO2. 
 » Permitem controle de fluxo ou tempo inspiratório.
 » Possibilidade de maior monitorização e mais opções de alarmes. 
Equipados com baterias (interna e externa) de maior duração para 
maior segurança do paciente. Permitem programação de frequência 
respiratória mínima (com backup de apneia). Monitorização precisa 
da pressão gerada e do volume expirado. 
 » Melhor garantia da ventilação-minuto do paciente.
São indicados para:
 » Crianças com mais de 5 kg.
 » Traqueostomizados com dependência de mais de 16 horas diárias 
de VMID.
 » Casos de intolerância a altos fluxos inspiratórios por altas pressões 
de suporte.
 » Pacientes com patologias mais severas que necessitem de uma 
monitorização mais efetiva das pressões inspiratórias (Pins) geradas 
ou dos volumes correntes expirados (Vte), como, por exemplo: fases 
avançadas de doenças neuromusculares com dependência 24 horas 
de VNI e necessidade de adaptação à peça bucal diurna, ausência ou 
insuficiência de drive respiratório, alteração da mecânica respiratória 
severa, como ocorre em pacientes com distúrbios restritivos e 
obstrutivos, deformidades severas da caixa torácica, Síndrome de 
Hipoventilação da Obesidade (SH-O) com IMC>50, e Síndrome de 
Superposição (Overlap Syndrom), entre outros. 
41
Recomendações para a Ventilação Mecânica Domiciliar
EQUIPAMENTOS E MATERIAIS ACESSÓRIOS
Para a adequada abordagem e manutenção dos pacientes em VMD, 
deve-se disponibilizar:
 • Reanimador Manual (Ambu).
 • Aspiradores de secreção a vácuo.
 • Oxímetro de pulso portátil, conforme avaliação de necessidade a ser 
julgada pela equipe de atendimento domiciliar.
 • Cilindro de oxigênio com umidificador, fluxômetro, extensões, máscaras 
e catéteres nasais.
 • Materiais de reserva para intercorrências:
 » Cânulas de traqueostomia (diâmetro menor que a utilizada).
 » Sondas de aspiração. 
 » Circuito ventilatório de reserva (especialmente para aparelho de 
suporte à vida (ex.: circuito com válvula de Plateau ou circuito duplo 
com ramo inspiratório e expiratório). 
OBSERVAÇÃO:
A maior parte das intercorrências relacionadas aos aparelhos de suporte à 
vida é relacionada ao circuito externo.
 • Ventilômetro de Wright ou expirômetro portátil e medidores de pico 
de fluxo (peak flow) são equipamentos sugeridos para pacientes 
neuromusculares em cuidados respiratórios não invasivos (CNI = tosse 
assistida e ventilação não invasiva – VNI), para adequada avaliação 
diagnóstica, monitorização e acompanhamentodesses pacientes em 
longo prazo.
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Ministério da Saúde
OBSERVAÇÃO:
Cabe à equipe do SAD estabelecer os cuidados no que concerne à 
higienização dos equipamentos e acessórios em geral. Destaca-se, ainda, no que 
se refere aos cuidados com as cânulas de traqueostomia, a importância não só 
da higienização, mas também da definição da periodicidade de troca delas.
MINISTÉRIO DA
SAÚDE
Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde
www.saude.gov.br/bvs
9 7 8 8 5 3 3 4 2 6 2 4 5
ISBN 978-85-334-2624-5
	INTRODUÇÃO
	IDENTIFICANDO USUÁRIOS ELEGÍVEIS PARA A VMD: ASPECTOS CLÍNICOS E PSICOSSOCIAIS
	ADEQUAR A CASA, CAPACITAR E CUIDAR DO CUIDADOR: A TRANSIÇÃO HOSPITAL-DOMICÍLIO
	A EFETIVAÇÃO DA ALTA HOSPITALAR E A CHEGADA AO DOMICÍLIO
	A ORGANIZAÇÃO E INTEGRAÇÃO DA REDE PARA A REALIZAÇÃO DA VMD COM SEGURANÇA E QUALIDADE
	COMPETÊNCIAS DO HOSPITAL
	COMPETÊNCIAS DAS EQUIPES DE ATENÇÃO DOMICILIAR
	CRITÉRIOS DE REINTERNAÇÃO HOSPITALAR
	ASPECTOS BIOÉTICOS E CUIDADOS PALIATIVOS EM VMD
	ASPECTOS LEGAIS
	MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DA VMD
	REFERÊNCIA
	BIBLIOGRAFIA
	ANEXO – EQUIPAMENTOS PARA A VENTILAÇÃO MECÂNICA DOMICILIAR – VMD

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