Prévia do material em texto
Clique para editar o estilo do título mestre Clique para editar o estilo do subtítulo mestre * * * Caso Clínico Nefrolitíase Luca Leal Nobre Coordenação: Luciana Sugai Internato de Pediatria- Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) www.paulomargotto.com.br 29/9/2009 * * * Identificação: GFG, 6 anos, sexo masculino, procedente do Paranoá. Queixa Principal: “Dor nas costas há 1 semana” * * * H.D.A: Mãe refere início de lombalgia há 7 dias, bilateral, de intensidade moderada, sem fator desencadeante, que melhorava parcialmente com uso de dipirona. No primeiro dia o quadro era associado com vômitos alimentares(5 episódios). Há 6 dias foi atendido nesta unidade, quando recebeu hidratação venosa e realizou um hemograma sem alterações (SIC). Recebeu alta no mesmo dia após remissão dos sintomas. * * * Há cerca de 24 horas houve retorno do quadro de lombalgia bilateral e um episódio de disúria. Nega febre. Aceita bem a dieta. Fezes e urina sem alterações macroscópicas. * * * Antecedentes Fisiológicos: Nascido de parto normal, a termo, sem complicações. Desenvolvimento neuropsicomotor adequado. Antecedentes Patológicos: Paciente portador de asma desde os 11 meses de idade. 1 internação prévia por crise de broncoespasmo há 4 anos. Nega cirurgias. Nega alergias. Cartão vacinal completo. Nunca apresentou os sintomas atuais anteriormente. * * * Hábitos de vida: Mora em apartamento com a mãe e os 2 irmãos. Alimentação variada sem restrições. Pais divorciados. Antecedentes Familiares: Pais e irmãos saudáveis. Avó paterna hipertensa. * * * Exame físico BEG, eupnéico, corado, hidratado, afebril, anictérico, acianótico, ativo, sorridente. A.R: MVF, sem RA. A.C: BNF, RCR, 2T, sem sopro. Pulsos cheios e simétricos. Abdome: Globoso, RHA+, normotenso, indolor, sem visceromegalias. Giordano ausente. Extremidades: Boa perfusão, sem edema. * * * Exames complementares HC, EAS, ecografia de rins e vias urinárias. * * * Hemograma Leuc: 9800 Seg: 58% Bast: 0% Linf: 27% Eos: 4% Mon: 11% HGB: 13,6 HCT: 44% Plaq: 320 000 * * * EAS Densidade: 1015 pH: 6,0 Proteína: - Cetona: - HGB: ++ Hemácias: incontáveis Leucócitos: 5-8 /campo C.E.D: - * * * Ecografia de rins e vias urinárias “Imagem compatível com cálculo em pelve renal direita sem sombra acústica posterior” “Dilatação pielocalicial discreta à esquerda” “Discreta hidronefrose bilateral” * * * Diagnósticos diferenciais ITU- cistite, pielonefrite Abdome agudo Dor musculo-esquelética Nefrolitíase * * * Nefrolitíase * * * Aspectos Gerais Prevalência em torno de 3% da população 12% das pessoas irão desenvolver cálculos urinários em algum período da vida. Destes, 20-30% irão necessitar de terapia intervencionista Nos países em desenvolvimento é mais comum em crianças- principalmente cálculos de ácido úrico Nos países desenvolvidos há predomínio em adultos- principalmente cálculos de cálcio * * * Taxa de recorrência: -10% no primeiro ano -35% em 5 anos -50-60% em 10 anos 3 vezes mais comum em homens Pico de incidência entre 20-40 anos Principais fatores de risco: -História familiar positiva -Desidratação * * * Composição dos cálculos 70-80% dos cálculos são formados por sais de cálcio (oxalato de cálcio-40-70% de todos os cálculos). Pode ser puro ou misturado com fosfato de cálcio. Cálculo puro de fosfato de cálcio é incomum 10-20% são de fosfato de amônio magnesiano (Estruvita). Após infecções por bactérias produtoras de urease na urina. * * * 5-10% de ácido úrico 2-3% de Cistina * * * Como os cálculos são formados? Há elementos na urina que podem formar cristais(microlitos) ao se combinarem Primeiro pré-requisito e a supersaturação da urina por algum sal químico Para a formação do primeiro cristal a saturação deve estar muito acima da solubilidade do sal. >100 moléculas no primeiro cristal Nucleação homogênea e heterogênea * * * Nem todas as pessoas que formam cristais apresentam cálculos Adesão à superfície do epitélio urinário * * * Inibidores da formação de cálculos Principal inibidor é a água Citrato e magnésio são inibidores da formação de cálculos de oxalato de cálcio Algumas proteínas urinárias(proteína de Tamm-Horsfall) * * * Manifestações clínicas Cálculos assintomáticos podem ser identificados por exames de imagem A dor é causada pela mobilização e obstrução à passagem da urina Algumas pessoas podem eliminar cálculos pequenos sem dor Principais pontos de obstrução: 1-Junção uretero-pélvica 2-Terço médio do ureter 3-Junção vésico-ureteral * * * Cólica nefrética: Dor em flanco, intensa, contínua, acompanhada de náuseas, vômitos, sudorese, taquicardia e hipertensão arterial. Pode haver disúria e polaciúria. Manobra de Giordano geralmente negativa Hematúria: Segunda causa. 90% dos casos. Pode ser micro ou macroscópica. Infecção: Complicação mais temível de um cálculo impactado. Febre alta, calafrios, Giordano positivo. Pode levar rapidamente a perda irreversível da função renal. * * * Obstrução:Pode ser total, levando a hidronefrose e perda progressiva do parênquima renal Nefrocalcinose:Calcificação do parênquima renal. Fosfato de cálcio. Cálculos coraliformes: Crescem muito ocupando quase toda a pelve e cálices renais. Normalmente são de Estruvita. Mal prognóstico do rim acometido. Indicativo de intervenção * * * * * * Diagnóstico História Exame físico abdominal detalhado Exames complementares: -EAS, Urocultura. -Métodos de imagem * * * TC helicoidal não contrastada: Padrão ouro. Sensibilidade e especificidade próximos de 100%. Exame rápido. Não avalia função renal. Radiografia simples de abdome: Sempre deve ser solicitada. Identifica posição anatômica dos cálculos radiopacos (exceto os de ác. Úrico). Sens. e espec. de ~ 65%. Ecografia renal: Exame fácil e de menor risco. Avalia hidronefrose. Examinador dependente. Não demonstra o local de obstrução. * * * Urografia excretora: Ótima acurácia. Avalia função dos rins. Uso de contraste iodado. Pielografia retrógrada: visualização do trato urinário sem contraste iodado. Exige cistoscopia. HASTE-RNM:Em desenvolvimento. * * * Análise da composição dos cálculos Análise do próprio cálculo Sedimentoscopia urinária pH urinário Exames de imagem * * * Qual o fator predisponente? “Não forma cálculo quem quer, só quem pode...” Base do tratamento preventivo Principais causas: -Hiperclaciúria idiopática -Hipocitratúria -Hiperuricosúria (gota) -Infecção por germe produtor de urease -Cistinúria Necessidade de outros exames complementares * * * Dosagem na urina de 24h: pH, uréia, cretinina, cálcio, ác. úrico, citrato, fosfato, magnésio, sódio, potássio, cloreto, amônia e sulfato. Dosagens séricas: Cálcio, fosfato, sódio, potássio, cloro, bicarbonato, ác. úrico, uréia, creatinina e albumina. * * * Tratamento agudo Analgesia Hidratação Seguimento * * * Intervenção urológica (métodos) 1-Litotripsia com ondas de choque extra-corpórea (LOCE) 2-Cistouretroscopia 3-Nefrolitotomia percutânea 4-Nefrolitotomia aberta * * * 1-LOCE Escolha na maior parte dos cálculos renais Eficácia de 75-85% em cálculos >5mm Primeira escolha em cálculos renais e ureterais proximais <2cm Complicações: Hematoma perinéfrico, hematúria, cólica renal, pancretite. Contra-indicações: Gravidez, aneurisma de aorta ou artéria renal, marca-passo, hipertensão severa, cálculos grandes ou coraliformes, cálices com distensão grosseira. * * * * * * 2-Cistoureteroscopia Litotripsia intracorpórea Primeira escolha em cálculos no ureter distal * * * Nefrolitotomia percutânea Substituta da cirurgia aberta Punção percutânea da pelve renal guiada por U.S. ou radioscopia. Retirada doscálculos Principal opção em cálculos grandes e coraliformes * * * * * * Nefrolitotomia aberta Cirurgia quase obsoleta Usada nos casos refratários aos outros métodos * * * Litíase complicada(pielonefrite obstruída ou obstrução ureteral completa em rim único): 1-Nefrostomia percutânea(único J) 2-Stent ureteral (catéter de duplo J) * * * * * * Tratamento Crônico Beber no mínimo 2-3 litros de água por dia Tratamento das infecções e condições predisponentes * * * INFECÇÃO DO TRATO UTINÁRIO No 1° ano de vida é mais frequente no sexo masculino Causadas principalmente por Enterobactérias: Escherichia coli, Serratia, Klebsiella, Enterobacter, Acinetobacter, Proteus, Pseudomonas 3 formas de infecção: Hematogênica, linfática e ascendente(95% dos casos) * * * Cistite: Maioria das ITUs; muitas vezes é assintomática; pode ter sintomas locais(disúria, urgência, polaciúria, etc.) Pielonefrite aguda: Infecção bacteriana do rim e da pelve renal. Acompanhada de sintomas gerais intensos: Febre alta, sudorese, calafrios, dor abdominal e/ou lombar (Giordano). Causa importante de choque séptico. * * * Diagnóstico: História e exame físico + EAS Urocultura Imagem RX Ultra-sonografia Uretrocistografia Miccional Cintilografia com DMSA (ácido dimercaptosuccínico) Urografia Exretora* * * * Tratamento: Recém-Nascidos: Internação com antibioticoterapia EV: Cefalosporinas Aminoglicosídeos Lactentes, pré-escolares e escolares: Ác. Nalidíxico 30-50mg/kg/dia em 4 doses – não deve ser usado em lactentes jovens pelo risco de hipertensão intracraniana. Nitrofurantoína 5-7 mg/kg/dia em 4 doses Sulfametoxazol 40mg/kg/dia + Trimetoprim 6mg/kg/dia Cefalosporinas (1° e 3° geração) Aminoglicosídeos 15mg/Kg/dia EV, IM, 3x ou 2x/dia Quinolonas * * * Muito obrigado!!!