Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO 
 SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA 
 INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE GOIÁS 
 PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO 
 DIRETORIA DE PESQUISA E INOVAÇÃO 
 
 
LOUCURA, MORTE E INCOMUNICABILIDADE EM MACHADO DE 
ASSIS: NOVAS PERSPECTIVAS PARA A ABORDAGEM DE CLÁSSICOS 
DA LITERATURA BRASILEIRA NO ENSINO MÉDIO 
 
Emanuely da Silva Santos ​1 
Rafael Machado Dias da Silva​2​, Lucas Ferreira Neri Sobrinho​3​, Karine Rios de Oliveira 
Leite​4​, Ana Clara Magalhães de Medeiros​5 
 
1​Instituto Federal de Goiás/Campus Águas Lindas/Curso Téc. em Meio Ambiente Integrado ao E.M./Programa 
PIBIC-EM, emanuely.silva576@gmail.com 
2 ​Instituto Federal de Goiás/Campus Águas Lindas/Curso Téc. em Análises Clínicas Integrado ao E.M /Programa 
PIBIC-EM, rafa.ma80@gmail.com 
3​Instituto Federal de Goiás/Campus Águas Lindas/Curso Téc. Em Vigilância em Saúde Integrado ao E.M /Programa 
PIBIC-EM, lucasnery2000@gmail.com 
4​Instituto Federal de Goiás/Campus Águas Lindas/Departamento de Áreas Acadêmicas, karine.leite@gmail.com 
5​Instituto Federal de Goiás/Campus Águas Lindas/Departamento de Áreas Acadêmicas, 
a.claramagalhaes@gmail.com 
Resumo 
Este projeto analisa os quatro romances centrais da obra de Machado de Assis – ​Memórias 
póstumas de Brás Cubas ​(1881), ​Quincas Borba ​(1891), ​Dom Casmurro ​(1899) e ​Esaú e Jacó 
(1904) – com o objetivo de tornar a leitura de clássicos da cultura brasileira acessível e 
significativa para adolescentes habitantes de região periférica, de letramento deficitário e acesso 
mínimo a ferramentas de difusão artístico-cultural. A espelho da tese da professora-orientadora, 
que toma ​Memórias póstumas de Brás Cubas ​como romance irradiador da tanatografia (escrita 
de morte) e do discurso da loucura na obra machadiana, nesta investigação, parte-se do livro do 
defunto autor Brás Cubas para se estabelecer comparativo com as três publicações subsequentes. 
Desse modo, morte, loucura e incomunicabilidade humana surgem como ​temas motivadores ​que, 
a um só tempo, estruturam discursivamente a literatura de Machado de Assis e suscitam 
curiosidade e inquietação nos jovens leitores. Buscamos acessar o desenvolvimento desses 
índices principais na filosofia inovadora de Quincas Borba (personagem do romance 
homônimo); na obsessão amorosa de Bento Santiago e na narrativa do trespasse da amada Capitu 
(de ​Dom Casmurro​); bem como nas alucinações da menina Flora (​Esaú e Jacó​) que tem seu 
falecimento narrado pelo autor defunto Conselheiro Aires. Assim, releva-se uma literatura que 
discute questões atuais, pertinentes à realidade de jovens de periferia: morte, sandice e 
monologismo. A partir de tais motes, procura-se compreender, junto aos adolescentes, como 
clássicos da literatura brasileira podem dizer sobre questões-desafio de nosso tempo e apontar 
mecanismos de convivência e superação das mazelas humanas. 
 
Palavras-chave: ​Machado de Assis, Loucura, Morte, Incomunicabilidade, Ensino Médio. 
INTRODUÇÃO 
 
Relatório Final PIBIC-EM – IFG Edital nº 008/2017 
 
 
 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO 
 SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA 
 INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE GOIÁS 
 PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO 
 DIRETORIA DE PESQUISA E INOVAÇÃO 
 
A pesquisa “Loucura, morte e incomunicabilidade em Machado de Assis: novas 
perspectivas para abordagem de clássicos da literatura brasileira no Ensino Médio” esteve 
pautada na leitura ativa e inflexão crítica dos quatro romances nucleares da prosa machadiana: 
Memórias póstumas de Brás Cubas ​(1881), ​Quincas Borba ​(1891), ​Dom Casmurro ​(1899) e 
Esaú e Jacó ​(1904). Nossa abordagem alicerçou-se em três ​temas motivadores ​pesquisados pelos 
estudantes nos romances investigados: a tanatografia (SILVA JUNIOR, 2009; 2014) – escrita de 
morte –, o discurso da loucura (especialmente a partir de Foucault) e a incomunicabilidade no 
discurso humano. Trespasse, sandice e entraves dialogais despontaram como índices que 
atualizam a leitura do ​bruxo do Cosme Velho e a tornam provocativa para jovens de periferia que 
convivem ordinariamente com essas questões fulcrais da condição humana. 
Esta proposta erigiu-se de um problema evidenciado na dinâmica escolar do Ensino 
Médio: o desafio de se apresentar e tornar acessível a obra de Machado de Assis aos estudantes 
do 2​o ano desta etapa da Educação Básica, tendo-se em vista que o autor máximo da nossa 
literatura insere-se no âmbito das competências e saberes a serem desenvolvidos a esta altura da 
formação escolar, a despeito da preferência (verificada por pesquisas na área) dos adolescentes 
pela leitura de ​best-sellers ​contemporâneos. 
Constatou-se, ainda, que obras comumente referidas em exames de avaliação para 
ingresso em universidades (ENEM, vestibulares), como o são as de Machado de Assis, tornam-se 
deveras assustadoras para os alunos, preocupados com prazos, rendimento nas avaliações e 
imersos no sentido pragmático da leitura (que teria por finalidade conferir sucesso acadêmico, 
sem qualquer perspectiva de deleite estético ou fruição artística). 
Nosso objetivo central foi reapresentar os romances machadianos como obras a serem 
lidas não pela obrigatoriedade gerada pelas avaliações, mas como objeto de desenvolvimento 
intelectual e pessoal do estudante, bem como de seu círculo social e familiar. Nesta ótica, a 
leitura saiu do contexto de obrigatoriedade para assumir-se como ato voluntário, deixa de 
significar algo com estrito benefício individual (resultado em exames) para implicar ganho 
coletivo (contribuição com os níveis investigativos/culturais do câmpus e da cidade onde o 
adolescente está situado). 
O CASO BRÁS CUBAS: A ASCENSÃO DA TANATOGRAFIA 
 
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) erige a partir de um defunto autor, o que 
gera uma sensação de mistério em torno da existência: ao se ver morto, Brás Cubas se sente livre 
para falar o que sente pois já não haverá consequências sobre suas opiniões. Na trajetória que 
envolve vida e ​post-mortem​, ele se envolve em diversos conflitos amorosos, de interesse político 
e de loucura, chegando a narrar um delírio seu (em capítulo específico). 
Logo no primeiro capítulo de ​Memórias Póstumas​, há um trecho que destaca a morte do 
narrador, que se declara, no caso, autor da história, ao afirmar ser um “defunto autor”, não um 
autor defunto, como costuma acontecer. Isto é, o narrador lança-se como figura que escreve após 
a morte, um morto que se tornou autor. Analisando o modo conforme o romance se desenvolve 
podemos perceber uma noção de que “a morte não cala”, para além disso, a morte oferece 
liberdade para dizer aquilo que em vida era cerceado pela falta de coragem ou oportunidade, 
Relatório Final PIBIC-EM – IFG Edital nº 008/2017 
 
 
 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO 
 SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA 
 INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE GOIÁS 
 PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO 
 DIRETORIA DE PESQUISA E INOVAÇÃO 
 
como é o caso de Brás Cubas que, ao contar a própria história, acaba revelando muito, por vezes 
até mesmo desabafando, em processo de encobrire “desencobrir” – como acentua o crítico José 
Paulo Paes (1985, p. 13-14). 
Em ​Memórias Póstumas​, parece ser entrevista a ideia de que o morto é exaltado apenas 
quando envolve certo prestígio social. Brás Cubas fala de seu funeral, em que estavam poucos 
amigos e um “fiel da última hora”, a quem Brás deixara apólices. Essa fala permite perceber que 
sua morte, não sendo algo necessariamente trágico, para que tivesse como honraria fúnebre a 
presença desse “fiel” foi necessário certo pagamento (as apólices). 
Os dizeres que comumente se professam face à morte são de exaltação ao morto pelo 
que ele foi, ou teve, em vida. Assim, Brás Cubas, para garantir esse direito, não tendo tido nem 
esposa, nem filhos, precisou pagar pelas honrarias. Quanto menos é feito pelo morto, menos é 
dito e feito sobre e para o falecido. Isso pode ser visto, inclusive, em outros momentos desta e de 
outras obras, como será abordado adiante. 
No tocante à presença central da morte na obra de 1880/81, cumpre esclarecer que a 
tanatografia é uma escrita de morte. A constituição ampla do conceito de tanatografia vai desde 
de defuntos e fantasmas que tentam se comunicar, vivos evocando defuntos até defuntos autores. 
Essa escrita sepulcral tem uma longa trajetória e se traduz em uma tentativa de busca pelo 
sentido da morte, intento de significação do fim que faz parte da história da humanidade e, por 
consequência, da história da literatura. 
Tratar o discurso do morto ao longo da literatura é valorizar a consciência do outro e 
acreditar que essa não pode ser concluída e finalizada. Há sempre uma tentativa de burlar o 
trespasse, o silêncio e a solidão que esta gera, daí surge a escrita póstuma (que é uma 
ressurreição sentimental) e a análise do discurso do morto. Podemos observar a escrita de morte 
durante toda a história da literatura, sendo possível traçar a seguinte linha (no que tange a uma 
evolução da escrita de morte, no Ocidente, num período linear até culminar em Machado de 
Assis, com quem a tanatografia tem sua ascensão): ​Íliada e ​Odisseia de Homero (na Grécia 
Antiga), ​Os Diálogos dos mortos de Luciano de Samósata (no séc. II d.C.), ​A divina comédia de 
Dante e ​Autos da barca do inferno de Gil Vicente (na Idade Média, quando entra o campo 
religioso e o pagão na percepção de morte), ​Bobók de Dostoiévski (já no século XIX, nesta obra 
já há um desenvolvimento do discurso póstumo, discurso realizado por uma pessoa já morta) e, 
mais recentemente, ​O ano da morte de Ricardo Reis​, ​Todos os nomes e ​As intermitências da 
morte de José Saramago. Todas as obras acimas citadas já apresentam elementos tanatográficos, 
mas a teoria tanatográfica só nasce em Machado de Assis, conforme entendimento de Augusto 
Silva Junior (2008), autor do termo “tanatografia”. 
A teoria da tanatografia, por ser uma teoria do literário e não da literatura, surge, no 
Brasil, com Machado de Assis em seu livro ​Memórias Póstumas de Brás Cubas​, pois além de 
fundir todos elementos tanatográficos já despontados na literatura ocidental, inova ao trazer um 
defunto autor. O defunto além de grafar, pratica filosofia, inventa biografia, romanceia a própria 
biografia em uma decomposição autobiográfica-romanesca. 
Machado de Assis, grande expoente neste campo literário, revoluciona tudo que já se 
havia visto de personagens mortos na literatura brasileira até então, trazendo à tona um 
defunto-autor, aquele que escreve após a morte. O defunto tagarela de Machado explora a 
liberdade de dizer dos finados. Por não haver repressão e coerção, este defunto agora podem 
Relatório Final PIBIC-EM – IFG Edital nº 008/2017 
 
 
 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO 
 SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA 
 INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE GOIÁS 
 PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO 
 DIRETORIA DE PESQUISA E INOVAÇÃO 
 
dizer tudo que pensara e quisera dizer em vida, podendo confessar os seus piores pecados e seus 
segredos mais embaraçosos. No capítulo 124 de ​Memórias Póstumas ​, a passagem “Que há entre 
a vida e a morte? Uma curta ponte” (ASSIS, 2012, p.225) oferece o tom que guia este trabalho: o 
morrer, por sua proximidade com o viver, ensina a ler, na palavra romanesca, formas de vida 
para-além do ordinário. 
Uma memória póstuma constitui-se de um discurso autoral; confissões em relações a si 
próprio; memórias de outros. Machado de Assis apresenta, em seus romances finais, uma 
literatura tanatográfica. Em ​Memórias Póstumas de Brás Cubas ​, um defunto autor; em ​Quincas 
Borba​, um personagem defunto; em ​Dom Casmurro​, um velho autor que discorre sobre 
lembranças e incriminações a sua finada esposa; Em ​Esaú e Jacó​, temos uma personagem fadada 
à loucura e ao finamento fatalista; e, por último, no ​Memorial de Aires​, um defunto que “volta” 
para narrar outras variáveis do riso ruminante de uma narrador que proclama que ​os vivos vão 
mais depressa que os mortos​. 
 
A LOUCURA NÃO É TÃO FEIA QUANTO SE PINTA: A SANDICE NOS ROMANCES 
MACHADIANOS DE ​MEMÓRIAS PÓSTUMAS ​A ​ESAÚ E JACÓ 
 
O capítulo sétimo de ​Memórias Póstumas de Brás Cubas é bastante emblemático no 
que se refere à loucura. Podemos observar um estado de delírio da parte de Brás Cubas na 
iminência de morte, havendo um descompasso da existência em plenitude e a existência 
ordinária. O capítulo em si, que narra um delírio de forma consideravelmente detalhada, pode ser 
considerado um episódio claro de loucura. Explora-se também a forma como a sandice chega ao 
indivíduo quando este está frente a uma situação de iminência da morte, como o personagem 
Brás Cubas em seus momentos derradeiros. 
O capítulo em si traz a natureza personificada em um diálogo com Cubas, que a define 
como um “imenso absurdo”. Há uma conversa que mais tarde supõe ironia por parte de Brás, o 
medo da natureza que “cria para destruir” é mascarado pelo riso. O humor do protagonista 
representa o sentimento genuíno do homem da necessidade de viver a qualquer custo, quando a 
vítima se eleva acima da fatalidade e quer viver independente da condição em que se encontra. 
Augusto Meyer utiliza Stefan George, em sua obra ​Machado de Assis​, para resumir essa vontade 
insaciável de ser do homem, em uma frase​:“Ich bin Beginn will alles fur allzeit”. ​Traduz-se o 
excerto por: “Eu sou o começo e quero tudo por todo o sempre” e sugere que a ideia de que a 
vida surge com o seu próprio nascimento, numa visão natural e egocêntrica esquece-se de que já 
houve vida antes da nossa primeira inspiração. 
Tal desejo de ser e viver pode ser observado no personagem Rubião, presente em 
Quincas Borba​, que morre com a ganância de ser, a fim de agradar a todos e ter visibilidade 
social, pois só o dinheiro ainda não lhe era suficiente para a ascensão que visava. Delira e morre 
“coroando” a si mesmo como imperador. Cena marco na literatura universal que versa sobre a 
loucura. Ainda sobre a sandice, Augusto Meyer adverte: “Nafalta da crença inventam para seu 
uso a ‘mística inquietação’, e a inquietação acaba tendo para a pulsação insaciável do seu espírito 
o mesmo valor que a fé religiosa tem para o crente” (2008, p. 27). A busca pela verdade, 
Relatório Final PIBIC-EM – IFG Edital nº 008/2017 
 
 
 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO 
 SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA 
 INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE GOIÁS 
 PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO 
 DIRETORIA DE PESQUISA E INOVAÇÃO 
 
aceitação, o certo e o errado, acaba gerando ideias fixas, que na literatura machadiana representa 
uma forte tendência ao delírio, como adverte Silva Junior em sua tese (2008). 
Há ainda a definição da morte dita pela Natureza/Pandora no capítulo “Voluptuoso 
nada” e Brás Cubas, como defunto autor, não nos garante se tal definição não passou de delírio, 
ou se chega perto dos ideais de morte que temos em mente durante a vida. 
Também no âmbito do delírio, na obra ​Quincas Borba​, logo no capítulo quinto, em 
diversas passagens durante a fase doente do personagem Quincas Borba (o filósofo), temos 
demonstrações de lapsos de delírio e demência – característica que marca vários personagens na 
literatura machadiana, a saber: a loucura na iminência da morte. Mais tarde, Rubião começa a 
mostrar traços de delírio também, quando ouve uma cigarra cantar o nome de Sofia (seu amor 
impossível e não correspondido). Posteriormente, esses traços proliferam-se com gestos 
impulsivos, até atingir atitudes obsessivas que resultaram na sua perda total de identidade e 
sanidade. 
No capítulo dezenove, de ​Memórias Póstumas ​, afirma-se que dormir é um jeito interino 
de morrer. Uma interessante visão de Brás Cubas sobre o sono, que fala de dormir como uma 
forma de morte, seria uma realidade muito presente ainda nos dias de hoje, na fuga dos 
problemas que cercam o dia a dia, tanto no sono quanto na morte. 
Avançando na cronologia das publicações machadianas, chegamos a ​Dom Casmurro 
(1899), notamos que desde o título do livro revela-se a personalidade encurvada sobre si próprio 
do protagonista Bento Santiago, que leva a alcunha de Camurro.. No entanto, há que se 
considerar que reside no título algum auto-chiste, na medida em que a alcunha é apelido, lançado 
por um jovem poeta, ao já retirado ​e rabugento Santiago. Tendo vivido, basicamente, ora a 
cortejar ora a incriminar Capitu, escreve justamente com o fim de expurgar a lembrança ​oblíqua 
e dissimulada que sobre ele paira. Um aficionado pela amante, Bentinho ocupa seus dias de 
solidão com uma escrita que possa incriminar a já defunta esposa. Atormentado pela hipótese de 
um triângulo amoroso que envolvesse sua mulher e seu melhor amigo, o abastado Santiago 
encasmurra-se​: como quem cultiva a loucura, a ideia fixa pelos hábitos solitários. 
A ideia fixa também aparece na personagem Flora, do romance ​Esaú e Jacó ​(1904): a 
jovem parece acreditar que sua plenitude existencial só pode ser alcançada com a 
realização/consumação de sua ideia fixa, acreditando que a existência só vale a pena se for plena. 
Então, começa-se uma busca inalcançável pela consumação desta ideia, esta perseguição a todo 
custo irá culminar em loucura, morte e incomunicabilidade no texto literário, conforme adverte o 
crítico brasileiro Augusto Meyer. Para Flora, havia uma necessidade de decidir com qual dos 
irmãos ficaria (Pedro ou Paulo), esta era sua ideia fixa: ela, a todo custo, tentava fazer sua 
escolha, mas sempre que se inclinava para um lado, o peso oposto exigia o reestabelecimento do 
equilíbrio, assim hesitou durante toda a trama entre Pedro e Paulo. 
Flora, vivendo a hesitação e a espera pelo momento certo para tomar a decisão, começa 
a apresentar sintomas de loucura e incomunicabilidade que acabam culminando em sua morte. 
Augusto Meyer descreve o percurso da moça no decorrer do livro ​Esaú e Jacó pelo seguinte 
trecho: “Querendo tudo sem renúncia, perderá tudo, num longo suicídio consciente, através de 
uma agonia narcisista voltada para os quatro pontos cardeais da insatisfação” (MEYER, 1952, p. 
34). Nesta descrição de Meyer sobre o percurso da personagem Flora é notável que sua ideia fixa 
de decidir entre um dos gêmeos exercia uma grande força sobre esta, mas, em contrapartida, 
Relatório Final PIBIC-EM – IFG Edital nº 008/2017 
 
 
 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO 
 SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA 
 INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE GOIÁS 
 PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO 
 DIRETORIA DE PESQUISA E INOVAÇÃO 
 
exercia uma força de recusa a aceitar um dos gêmeos e negar o outro. Estas duas forças se 
neutralizavam, pois ao mesmo tempo que não decide, não tem paz por não decidir, tentando 
agradar ambas as forças sem renúncia, Flora acaba indo ao abismo da loucura, perdendo tudo 
com sua morte. 
A escrita de Machado revela o poder da ideia fixa sobre o ser humano, muitas vezes a 
ideia-emplasto planta a loucura na mente daquele que a detém e pode levar a consequências tais 
como a morte do indivíduo. Brás Cubas cria um emplasto sem embasamento científico aparente, 
não chega a obter sucesso e morre com a dúvida da ideia fixa. Já Rubião busca um amor e 
aceitação social, perde todos os seus bens, mas luta pela sua ideia fixa até se confundir com a 
própria personalidade e achar que é Napoleão. 
Quincas Borba, presente tanto em ​Quincas Borba​, quanto em ​Memórias Póstumas de 
Brás Cubas​, representa bem a loucura no cerne dos romances: sem transparecer insanidade o 
tempo todo, Borba chega a ser convincente com sua filosofia do “Humanitismo”. Há uma 
questão sem resposta aparente envolvida para reflexão: o humanitismo foi uma consequência da 
loucura de Quincas, ou a loucura foi uma consequência do fato de se entregar tanto ao 
humanitismo? Tal questionamento pode ainda ser estendido para os demais personagens que 
sofreram com ideias fixas nas obras machadianas. 
Finalmente, Foucault, em seu ​História da loucura​, oferece aparato teórico para a 
reflexão sobre os personagens machadianos que enveredam pela desrazão – como alternativa a 
uma razão ou a razões incompletas, monológicas e autoritárias: 
 
Mas ela [a consciência da loucura] se precipitou, sem medida nem conceito, no próprio interior da diferença, no 
ponto mais acentuado da oposição, no âmago desse conflito onde loucura e não-loucura trocam 
sua linguagem mais primitiva; e a oposição se torna reversível: nesta ausência de ponto fixo, pode 
ser que a loucura seja razão, e que a consciência da loucura seja presença secreta, estratagema da 
própria loucura (...). 
Mas como não existe para a loucura a certeza de estar louca, há aí uma loucura mais geral que todas as outras e 
que abriga, pela mesma razão que a loucura, a mais obstinada das sabedorias (...). 
Sabedoria frágil, porém suprema. Ela pressupõe, exige o eterno desdobramento da consciência da loucura, sua 
absorção pela loucura e sua nova emergência. Ela se apóia em valores ou, melhor, sobre o valor, 
desdelogo colocado, da razão, mas o abole para logo reencontrá-lo na lucidez irônica e 
falsamente desesperada dessa abolição. Consciência crítica que finge levar o rigor até o ponto 
extremo de fazer-se crítica radical de si mesma, e até a arriscar-se no absoluto de um combate 
duvidoso, mas que ela evita secreta e antecipadamente ao se reconhecer como razão apenas pelo 
fato de aceitar o risco (FOUCAULT, 1991, p. 184-5). 
 
A literatura (ao menos a que se observa nesta arena) coloca-se sobre a plataforma 
incerta da razão para aboli-la, para depois reencontrá-la, em movimento inacabado que aponta 
para uma “lucidez irônica”, a referida “consciência crítica” que conduz à autocrítica radical – 
autoconsciência dialógica, para falar em termos de teoria estética. Os parágrafos destacados de 
Foucault, além de célebres pelo novo estatuto que conferem à sandice, orientam a concepção de 
loucura arrolada nesta pesquisa. 
Relatório Final PIBIC-EM – IFG Edital nº 008/2017 
 
 
 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO 
 SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA 
 INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE GOIÁS 
 PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO 
 DIRETORIA DE PESQUISA E INOVAÇÃO 
 
 
DIALOGISMO E POLIFONIA COMO ESTRATÉGIAS DE SUPERAÇÃO DA 
INCOMUNICABILIDADE NO TERCEIRO MILÊNIO 
 
Para compreender o dialogismo e a polifonia, conceitos desenvolvidos por Mikhail 
Bakhtin, faz-se necessário ter ciência de como o teórico acreditava que a língua surgira. Segundo 
Bakhtin, a palavra viva funciona por meio das relações sociais e das interações verbais. Ou seja, 
a língua é dotada de resquícios da interação de vários discursos, e nisso consiste o dialogismo. 
Para o teórico russo, o discurso não acontecia de forma neutra e sem influência de terceiros, uma 
vez que o discurso é resultado de várias interações. 
Embora dialogismo e polifonia sejam constantemente associados a mesma ideia, estes 
conceitos se diferem. Tendo em vista que a polifonia é um gênero de texto em que há uma 
pluralidade de ideias, ou seja, não há predominância de apenas um discurso como sendo uma 
verdade, ou como Bakhtin mencionou "a última palavra não foi dita". Como o próprio nome 
"polifonia" sugere, há presença de várias vozes, ao contrário da monofonia. A polifonia também 
pode ser comparada à intertextualidade, porque há presença de aspectos de uma obra em outras 
obras. 
Dialogismo, polifonia, alteridade, carnavalização e liberdade são conceitos explorados 
por Mikhail Bakhtin para explicar suas teorias sobre linguagem e literatura. Além desses 
conceitos citados, o russo permite o desenvolvimento de uma crítica polifônica, revelando sua 
presença em diversas obras literárias. A crítica polifônica é a prática de agregar e por em arena 
diferentes discursos literários (antigos e atuais), modelos estéticos e modelos de produção e 
inserir estas no campo cultural. 
Dialogismo e polifonia sempre estão próximos: o dialogismo é o diálogo entre textos, 
entre obras, entre produções de diferentes visões, mas estas matérias são permeadas pela 
polifonia, pois a obra em si é polifônica, ela possui múltiplas vozes e discursos. Uma obra é 
produzida de forma polifônica, pois esta recebe influência de teorias, de discursos passados e até 
mesmo influenciado por estéticas de vários cunhos. Além deste dois, há um terceiro conceito 
fundamental para compreender as teorias de Bakhtin (os três conceitos dão base a maneira 
bakhtiniana de pensar o literário e a cultura em si), que é o conceito de inacabamento. Para 
Bakhtin, a última palavra do mundo e sobre o mundo ainda não foi dita. O autor de romances, 
portanto, deixa de ser o maestro da literatura e torna-se apenas um agente no contexto do 
dialogismo e da polifonia. Torna-se um produtor de material dialógico, que irá influenciar e 
dialogar com inúmeras outras obras, por isso a última palavra de um texto não foi dita, esta irá 
reverberar e se disseminar no campo literário ininterruptamente. 
Marta de Senna, importante estudiosa de Machado de Assis no século XX, adverte que 
a obra machadiana, ao flagrar a “incomunicabilidade que preside aos relacionamentos humanos” 
(SENNA, 1998, p. 47), pode apresentar, a seus leitores-pesquisadores, o problema da 
comunicação, das relações de alteridade, escuta e diálogo ainda absolutamente graves na 
sociedade contemporânea. Perplexo diante da problemática, o leitor machadiano pode 
interessar-se por sondar novas formar de pensar, agir e dialogar – mais polifônicas e menos 
individualistas. 
Relatório Final PIBIC-EM – IFG Edital nº 008/2017 
 
 
 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO 
 SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA 
 INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE GOIÁS 
 PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO 
 DIRETORIA DE PESQUISA E INOVAÇÃO 
 
Fazendo breve percurso de crítica literária sobre o papel do dialogismo e da polifonia na 
articulação da incomunicabilidade, temos: no capítulo dois de ​Memórias Póstumas ​, o narrador 
afirma: “Agora, porém que estou cá do outro lado da vida, posso confessar tudo [...]” (ASSIS, 
2012, p.70). A partir desse trecho, podemos observar que a vida pode gerar incomunicabilidade, 
pois, em vida, não se pode dizer ou confessar tudo. Usualmente, é necessário pontuar as 
limitações do politicamente correto ou do desejável e quando se ultrapassa tais espaços liminares 
se é punido. Contudo, após a morte não há retaliações ou punições, podendo-se assumir tudo sem 
medos ou meandros. 
Ainda no que tange à incomunicabilidade, no capítulo 6 de ​Memórias Póstumas​, há 
trecho em que essa situação é comum no dia a dia, como em “[...] durante algum tempo ficamos 
a olhar um para o outro, sem articular palavras” (ASSIS, 2012, p.76). Na passagem, podemos ver 
como o desconforto, o acanhamento ou situações inesperadas podem gerar a incomunicabilidade. 
Já no primeiro capítulo de ​Esaú e Jacó (1904), também é possível observar um execrto 
expressivo da incomunicabilidade. Quando Natividade e Perpétua estavam na casa da Cabocla, 
logo no primeiro capítulo do romance, estas permanecem caladas, por se situarem naquele local, 
consultando uma negra sobre o futuro, algo que é um tabu para sociedade elitizada carioca 
novecentista. Podemos observar que situações que não agradam a sociedade ou são vistas 
pejorativamente tornam-se problemáticas e geram silenciamento – de ações e de personagens 
sociais marginalizados sistematicamente. 
Ainda, podemos observar no capítulo 52 de ​Esaú e Jacó​, que Flora (personagem 
feminina central na trama) pensa de forma atrevida e guarda só para si suas conclusões, pois este 
pensamento não era aceitável. Podemos observar isso no seguinte trecho: “Tudo isto era visto ou 
pensando em silêncio” (ASSIS, 2012, p.60). 
Na obra ​A ordem do discurso​, o francês Michel Foucault define a produção do discurso 
como ​"ao mesmo tempo controlada, selecionada, organizada e redistribuída por certo número de 
procedimentos que têm por função conjurar seus poderes e perigos, dominar seu acontecimento 
aleatório,esquivar sua pesada e temível materialidade" (2004, p.8-9). Ou seja, há uma relação de 
poder envolvida no discurso, voltamos então ao medo de represália, consequências ou exclusão 
motivada pelo discurso. Tais fatores podem ser relacionados à incomunicabilidade de Brás 
Cubas em vida e de Rubião em estado de sandice, de Bento Santiago em relação à sua amada 
silenciada (por ele mesmo) e de Flora em relação aos jovens pretendentes, à sua família e mesmo 
à cena político-social brasileira do período de transição para a República. ​A morte e a loucura, 
então, podem ser vistas como modos de os personagens poderem confessar ou expor sua 
condição humana. Consideramos as formas de reação da sociedade, através de punição, exclusão 
e retaliação como elementos que refletem a incomunicabilidade social – magistralmente 
pontuada na literatura machadiana por capítulos curtos, silêncios longos e entrelinhas definitivas. 
 
CONCLUSÃO 
 
Os romances machadianos a partir de ​Memórias póstumas de Brás Cubas ​(1880/81) são 
permeados pela tanatografia (esta, por sua vez, é embasada na iminência da morte e na espreita 
da loucura) e portam o anseio de superação da incomunicabilidade entre os vivos – problema 
Relatório Final PIBIC-EM – IFG Edital nº 008/2017 
 
 
 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO 
 SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA 
 INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE GOIÁS 
 PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO 
 DIRETORIA DE PESQUISA E INOVAÇÃO 
 
discursivo, ético e político que afeta também o século XXI, quando os jovens leitores estudantes 
do Ensino Médio acessam o legado de Machado de Assis. Em suma, podemos concluir que o 
Machado de Assis faz críticas à sociedade carioca, fluminense e mesmo brasileira e a seu modo 
de organização, mostrando de forma lúdica como esta é cruel e coercitiva. Utilizando-se conceito 
de Mikhail Bakhtin na produção machadiana, pode-se dizer que em tentativa de carnavalização, 
Machado de Assis utiliza-se da literatura para romper e criticar padrões sociais, com um 
defunto-autor, com personagens que voltam entre livros, ou que partem em sandice, tudo isto a 
fim de superar a incomunicabilidade, podendo dar voz e cena ao personagem que foi calado, e 
que é calado diariamente pela sociedade patriarcal e elitizada que, a despeito da passagem de um 
século inteiro das publicações machadianas até os dias de hoje, ainda caracteriza nosso meio. 
 
REFERÊNCIAS 
ASSIS, Machado de. ​Obra Completa​. (Org. Afrânio Coutinho). Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 
1992. 
ASSIS, Machado de. ​Memórias Póstumas de Brás Cubas ​. Rio de Janeiro: Globo, 1997. 
ASSIS, Machado de. ​Quincas Borba​. São Paulo: Editora Martin Claret, 2001. 
ASSIS, Machado de. ​Esaú e Jacó​. Rio de Janeiro: Globo, 2012. 
BAKHTIN, Mikhail. Epos e romance (sobre a metodologia do estudo do romance). ​Questões de 
literatura e de estética: ​a teoria do romance. Trad. Aurora Bernardini et al. 5. ed. São Paulo: 
HUCITEC; ANNABLUME, 2000, p. 397-428. 
BAKHTIN, Mikhail. ​Estética da criação verbal. ​4. ed. Trad. Paulo Bezerra. São Paulo: Martins 
Fontes, 2006. 
BAKHTIN, Mikhail. ​A cultura popular na Idade Média e no Renascimento​: o contexto de 
François Rabelais. 6. ed. Trad. Yara Frateschi Vieira. São Paulo: Hucitec; Brasília: Editora 
Universidade de Brasília, 2008. 
BAKHTIN, Mikhail. ​Problemas da poética de Dostoiévski​. 5. ed. Trad. Paulo Bezerra. Rio de 
Janeiro: Forense Universitária, 2010. 
FOUCAULT, Michel. ​História da loucura na idade clássica​. 3. ed. Trad. José Teixeira C. Netto. 
São Paulo: Perspectiva, 1991. 
FOUCAULT, Michel. ​A ordem do discurso​: aula inaugural no Collège de France, pronunciada 
em 2 de dezembro de 1970. Tradução de Laura Fraga de Almeida Sampaio. São Paulo: Edições 
Loyola, 2004. 
MEYER, Augusto. ​Machado de Assis​ (1935-1958). Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 2008. 
PAES, J. Paulo. Um aprendiz de morto. _______. ​Gregos & baianos​: ensaios. São Paulo: 
Brasiliense, 1985, p. 13-36. 
SILVA, Junior, Augusto Rodrigues. "Morte e decomposição biográfica em Memórias póstumas 
de Brás Cubas". 216 f. Tese (Doutorado). Instituto de Letras, Universidade Federal Fluminense, 
Niterói, 2008. 
SENNA, M. de. ​O olhar oblíquo do Bruxo: ​ensaios em torno de Machado de Assis. Rio de 
Janeiro: Nova Fronteira, 1998. 
SILVA JUNIOR, A. R. Mortos do subterrâneo: o discurso sepulcral em Bobók e Memórias 
póstumas de Brás Cubas. ​Signótica. ​Universidade Federal de Goiás, jan./jul. 2009, p. 17-38. 
Disponível em: ​https://www.revistas.ufg.br/sig/article/viewFile/8612/6080​. Acesso em: 20 jul 
2016. 
Relatório Final PIBIC-EM – IFG Edital nº 008/2017 
 
 
 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO 
 SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA 
 INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE GOIÁS 
 PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO 
 DIRETORIA DE PESQUISA E INOVAÇÃO 
 
_______. Tanatografia e morte literária: decomposições biográficas e reconstruções dialógicas. 
ComCiência ​(online)​. ​n. 163. Campinas, nov. 2014, p. 1-8. Disponível em: 
SILVA JR, 2014 - 
http://comciencia.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-76542014000900012&lng=
pt&nrm=isso​. Acesso em: 12 jun 2016. 
SILVA JUNIOR, A. R.; MEDEIROS, A. C. Poética da criação verbal: a crítica polifônica nos 
estudos da linguagem literária. ​Anuário de Literatura​, Florianópolis, v. 20, n. 1, p. 228-245, 
2015. Disponível em: 
https://periodicos.ufsc.br/index.php/literatura/article/view/2175-7917.2015v20n1p228/29688​. 
Acesso em: 9 abr 2017. 
 
 
Relatório Final PIBIC-EM – IFG Edital nº 008/2017

Mais conteúdos dessa disciplina