Prévia do material em texto
34 Síndrome de Abstinência RODRIGO DÍAZ OLMOS HERLON SARAIVA MARTINS INTRODUÇÃO E DEFINIÇÕES A abstinência alcoólica está inserida em um contexto mais amplo, que é o abuso e a depen- dência do álcool. No Brasil, a maioria dos estudos mostra uma prevalência de dependência do álcool em torno de 6%, sendo a segunda causa de internações psiquiátricas e uma das principais causas de aposentadoria por invalidez, absenteísmo, acidentes de trabalho e trânsito. O álcool est:á envolvido em 86% dos homicídios, 60% das agressões sexuais, 57% das agressões familiares, 64% dos incêndios e queimaduras, 50% das morte:s no trânsito e 20% dos suicídios bem-sucedidos. Define-se abuso de álcool quando existe um padrão desadaptado de consumo, levando a prejuízo ou problema clinicamente significativo, manifestados em doze meses por um dos seguintes motivos: • Falha em realizar obrigações no trabalho, em casa ou na escola. • Uso recorrente em situações perigosas. • Problemas legais relacionados ao áko oi. • Uso contínuo a despeito de problemas pessoais ou sociais relacionados ao álcool. A dependência do álcool, por sua vez, é definida pelo padrão desadaptado de consumo, le- vando a prejuízo ou problemas clinicamente significativos, manifestados em doze meses por três ou mais dos seguintes motivos: 564 • Tolerância (uso de doses progressivamente maiores ou efeito reduzido com a mesma dose). • Abstinência (sintomas de abstinência ou uso para aliviar ou evitar os sintomas). • Uso de doses maiores e por períodos mais prolongados que o planejado. ■ Desejo persistente ou tentativas sem sucesso de parar ou reduzir o uso. • Grande tempo despendido na obtenção, no uso ou na recuperação do uso. • Deixar de realizar ou reduzir atividades sociais, recreacionais ou ocupacionais importantes. • Uso continuado a despeito do conhecimento dos problemas físicos e psicológicos asso- ciados ao álcool. Síndrome de abstinência 565 ETIOLOGIA E FISIOPATOLOGIA A síndrome de abstinência alcoólica inclui dois componentes: 1. Cessação ou redução no uso crônico de grande quantidade de álcool ( dependência do álcool). 2. Presença de dois ou mais dos sintomas de abstinência: ., Hiperatividade autonômica (sudorese, taquicardia, hipertensão sistólica) . ., Tremor nas mãos . ., Insónia . ., Náuseas ou vômitos . ., Alucinações visuais, auditivas ou táteis transitórias . ., Agitação psicomotora . ., Ansiedade . ., Crises tônico-clônicas generalizadas. A ingestão aguda de álcool leva inicialmente a uma liberação de opioides endógenos cau- sando euforia e reforço para o uso continuo; em seguida, há ativação dos receptores inibitórios GABA tipo A, causando efeitos sedativos, ansiolíticos, descoordenação e inibição dos recepto• res excitatórios. Em razão do uso crónico do álcool ocorrem alterações no número e na função dos receptores, como uma resposta compensatória aos efeitos depressivos do álcool. Assim, há uma diminuição nos receptores GABA tipo A e um aumento nos receptores excitatórios. Essa adaptação crônica reverte-se quando há suspensão da ingestão crônica de álcool, culminando com o estado de hipe- rexcitabilidade da sínd.-ome de abstinência alcoólica. ACHADOS CLÍNICOS O curso da síndrome de abstinência alcoólica é altamente variável e depende de alguns fato• res,como: • Quantidade de álcool consumida. ■ Síndromes de abstinência prévias. • Condições médicas associadas. Em média, os sintomas de abstinência podem começar de 5 a 10 horas após a última dose, com pico entre 48 e 72 horas, desaparecendo em 5 a 14 dias. Os achados clínicos mais importantes estão descritos na Tabela 1. A escala CIWA-Ar (J-Clinical lnstitute Withdrawal Assessment of Alcohol Scale, revim/) con- tém os principais achados clínicos da síndrome de abstinência, sendo possível quantificar cada um deles. Dessa forma, podemos classificar a abstinência da seguinte forma: • < IO pontos: abstinência muito leve. • 10 a IS pontos: abstinência leve. • 16 a 20: pontos: abstinência moderada. • >20 pontos: abstinência grave. Além disso, a escala poderá ser útil no tratamento e acompanhamento clinico, sendo a meta usar benzodiazepínico para manter o paciente com menos de 10 pontos na escala (Tabela 2). 566 Emergências clínicas - abordagem prática T ASE LA I Achados clínicos da síndrome de abstinência do álcool Sinais e sintomas precoces Convulsões associadas à abstinência Alucinações alcoóbcas De/1m,m Lremens Início de 5 a I O horas após a última dose. Tremores. sudorese. insônia, hipertensão. taqUICNdia e sintomas gastrintestinais. Pico em 48 a 72 horas: cessação após 5 a 14 dias. Geralmente. 6 a 24 horas após a úlbma dose (> 90% das convulsões ocorrem em 48 horas). Ocorrem em 15-33% dos casos. Convulsões generalizadas e autolimitadas ( < 3% resultam em estado de mal epdéptico). Risco de convulsões aumenta se o indrvíduo 1á teve outras abstinências prévias. Nível de consciênc,a preservado (exceto no período pós-ictal). São relativamente precoces (24 a 48 horas após a última dose). Ocorrem em 25% dos casos. Alucinações visuais, táte,s e auditivas. Exceto pelas alucinações, o nível de consciência é preservado. Complicação mais tardia (após 48 horas, em geral dentro dos primeiros 4 dias). Complicação grave (cerca de I a 10% de monalidade). Início abrupto com desorientação. confusão, ideação paranoide, ilusões, alucinações (especialmente visuais), sinais importantes de atrvação adrenérgica e febre . TABELA 2 CIWA-Ar l (escala de abstinência alcoólica) lllit , Náusea Distúrbios táteis Tremor Distúrbios auditivos Sudorese : ?a ?ZE Zero ponto: não há náusea 4 pontos: náusea intermitente 7 pontos: náusea constante e vômitos frequentes Zero ponto: nenhum 1 ponto: alucinações muito leves 3 pontos: parestesias moderadas S pontos: alucinações graves 7 pontos: alucinações contínuas Zero ponto: nenhum tremor 2 pontos: tremores leves 4 pontos: moderado tremor com braços estendidos 7 pontos: tremores intensos mesmo sem extensão dos braços Zero ponto: nenhum 1 ponto: raras alucinações 3 pontos: moderada aluoriação auditiva 5 pontos: grave alucinação auditrva 7 pontos: alucinações aud,trvas contínuas Zero ponto: nenhuma sudorese 2 pontos: leve sudorese 4 pontos: períodos de sudorese. sobretudo na face 7 pontos: intensa sudorese (continua) TABELA 2 CIWA-Ar 1 (escala de abstmência alcoólica) (Conunuação) Distúrbios visuais Ansiedade Cefaleia Agrtação Orientação Zero ponto: nenhuma alucinação visual 2 pontos: leve fo:ossens1b1lidade 3 pontos: moderada fotossens1bdidade 4 pontos: moderadas alucinações 5 pontos: alucinações visuais graves 7 pontos: alucinações visuais continuas Zero ponto: nenhuma 1 ponto: leve ansiedade 4 pontos: moder3damente ansioso 5 pontos: ansiedade intensa 7 pontos: equivalente a ataques de pânico Zero ponto: ausente 2 pontos: cefaleia leve 3 pontos: moder3da cefaleia 5 pontos: intensa 7 pontos: muito ntensa Zero ponto: nenhuma agitação 1 ponto: agitação leve 4 pontos: agitação moderada 7 pontos: muito agitado Ze,o ponto. orientado 1 ponto: desorientação ocasional 2 pontos: desorientação leve para data 3 pontos: desonentação moclerada para data 4 pontos: desorientação para local e pessoas 1: C/rn,co/ lnsutute W,tf>drawal A=sment o( Akohol Scal~. re'Vised. EXAMES COMPLEMENTARES Síndrome de abstinência 567 É importante lembrar que, na grande maioria dos casos, os indivíduos entram cm absti- nência cm razão de complicações médicas que os impedem de ingerir álcool (exemplos: vômi- tos, dor abdominal) ou que dificultam o acesso ao álcool (trauma craniano, acidente vascular cerebral, sepse). Dessa forma, é importante realizar uma minuciosa história e umdetalhado exame físico na busca de complicações. Exames complementares serão solicitados de acordo com as hipóteses clí- nicas (Tabela 3). A tomografia de crânio deve ser indicada em casos específicos: pacientes confusos à entrada, com convulsões parciais ou generalizadas reentrantes, história de trauma craniano, déficit neuro- lógico focal ao exame físico etc. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL O diagnóstico diferencial pode ser dividido em dois grandes grupos: • Complicações clínicas coexistentes com a abstinência (Tabela 4). 568 Emergências clínicas - abordagem prática • Situações clínicas que podem ser confundidas com abstinência (Tabela 5); é importante lem- brar-se de hipoglicernia, intoxicações agudas, infecções do sistema nervoso central, trans- tornos psiquiátricos primários, síndrome neuroléptica maligna e síndromes hipertérmicas. TABELA 3 Exames complementares • Hemograma. • Am1lase e l1pase. • Glicemia (ou dextro). • Urina t,po 1 • • Ureia. creatinina. sódio, potássio. magnésio. cálcio. • Eletrocardiograma. • Enzimas e testes de função hepática: AL T. AST, Mrrubinas, albumina e tempo de protrombina. • Rad,ograf,a de tórax. • Tomografia computadorizada de crânio. • • A tomografia de crânio fica reservada para pacientes confusos. com COr'IVUlsões parc,ais ou generalizadas reentrantes. história de TCE. défic,t neurológico focal ao exame ffsico. TABELA 4 Situações associadas à abstinência alcoólica • Neurológicas: trauma craniencefáhco. acidente vascular cerebral. meningite, encefalite. • Cardíacas: síndromes coronananas agudas. insuficiência cardíaca. • Infecção: pneumonia. infecção unn.ána. otite. sinusite, abscesso penodôntico. gastroenterocolfte. celulite. endocardite etc. • Hepatite alcoólica. • Pancreatite aguda. • Outros: hiperglicemia, hipoglicemia. injúria renal aguda. anemia megaloblástica, hemorragia digestiva. TABELA S Diagnóstico diferencial dos principais achados da abstinência kti:§#F;;;f-Wllí'4MG t;;;;;;;EJ Deltnum Alucinações Convulsões • Abstinência: benzod1azepínicos. opioides. barbrtúricos. • Intoxicação agucla: cocaína. anfetamina, ecstasy, LSD. • Infecções: meningrte. encefalite. • Metabólicas: h,pogtocemia, hiperglicemia, encefalopatJa hepática. hipóxia, uremia, tireotoxicose. • SNC: trauma. hemorragia. • Abstinência: benzod1azepínicos. opioides. barbrtúricos. • Intoxicação agucla: cocaína. LSD, fenciclidina. anbcolinérg1cos. • Psiquiátricas: esqulZofrenia. bipolar. • Abstinência: benzod1azepínicos. opioides. barbrtúricos. • Intoxicação agucla: cocaína. fenciclidina. anticol1n.érgicos, antidepressivos tnácl,cos, fenotiazinas. teofilina. ison1az1da. • Infecções: meningrte. encefalite . • Metabólicas: hipoghcemia, hiperglicemia, encelalopat,a hepát,ca, hipóxia. uremia, tireotoxicose. h1pocalcemia. • SNC: trauma, hemorragia, tumor, abscesso. • Epilepsia idiopática. As convulsões relacionadas à abstinência ocorrem precocemente após a última dose de álcool, são generalizadas e, na grande maioria das vezes, ocorrem com o nível de consciência preservado (ao Síndrome de abstinência 569 contrário do delirium tremens). Existem evidências de que o risco de convulsões aumenta proporcio- nalmente ao tempo de abuso de álcool, e é maior cm indivíduos que já apresentaram síndromes de abstinência prévias, com ,iu sem convulsôcs. As alucinações alcoólicas ocorrem precocemente durante o curso da abstinência (primeiras 48 horas) e o indivíduo apresenta nível de consciência preservado. O delirium tremens é uma complicação tardia (> 48 horas) e cursa com confusão, agitação, tremor, febre, alucinaçôes visuais e ideação paranoide. TRATAMENTO Os objetivos gerais do tratamento de pacientes com abstinência alcoólica são: • Fornecer suporte clínico: hidratação, correção de distúrbios eletrolíticos, hipóxia etc. • Manter o paciente em estado confortável, calmo e acordado(< 10 pontos na escala CIWA- ·Ar). • Prevenir sintomas graves e complicações agudas (convulsões, delirium treme/IS, arritmias, infecções etc.). • Evitar sequelas crônicas: síndrome de Wernickc-Korsakoff. Há controvérsias e incertezas sobre as intervenções farmacológicas e sua efetividade cm re- duzir complicações. Há uma variação significativa no manejo da abstinência do álcool, inclusive entre especialistas da área. Benzodiazepínicos Principal medicação para controlar os sintomas de abstinência, além de reduzir a incidência de convulsões e dclirium. Em geral, a preferência é por diazepam ou lorazepam. A dose e a via de administração dependem de vários fatores. Via oral é a prioridade, desde que o paciente seja capaz de ingerir a medicação (nível de cons- ciência preservado e ausência de vómitos). • Intravenosa: paciente confuso, agitado, com vômitos. • Dessa maneira, é possível traçar dois polos: 1. Abstinência leve a moderada: sem vômitos, parou de ingerir bebida alcoólica por grande pressão familiar - nesse caso, um benzodiazepinico pode ser prescrito por poucos dias; diazepam 5 a I O mg, via oral, a cada 6/6 ou 8/8 horas, com ajustes após as primeiras doses. As doses são rapidamente dim inuidas (5 mg ao dia) nos próximos dias até ades- continuação. 2. Abstinência grave: paciente muito agitado, confuso, vômitos intensos e com uma com- plicação médica ou cirúrgica (por exemplo, pneumonia). Nesse caso, a via de escolha é parenteral (não se deve usar o d iazepam IM); diazepam: 5 a 10 mg IV lentamente; de- pendendo da resposta, a dose pode ser repetida várias vezes, até de 30/30 minutos ou 1/1 hora. O objetivo é deixar o paciente calmo, evitando deixá-lo rebaixado (aumenta o risco de complicações e aspiração). Em condições ideais, o paciente deve ser avaliado de 1 / 1 hora com doses adicionais de diaze- pam, de acordo com os achados clínicos (regime de dose ajustado). Se possível, recomenda-se usar a escala CIWA-Ar com a meta de manter o paciente com< 10 pontos. 570 Emergências clínicas - abordagem prática í3-bloqueadores Não há evidências de que o uso de ~-bloqueadores reduza convulsões. Dclirium é uma com- plicação potencial e existe pelo menos um estudo em que a incidência de delirium m1111entou co111 o uso de propranolol. Dessa forma. seu uso não deve ser rotineiro, devendo-se restringir a pacientes com comorbi- dades que necessitem da medicação (exemplos: doença coronariana, hipertensão ou taquicardia). Carbamazepina Maior utilidade em abstinência leve a moderada .. Apresenta bom perfil de toxicidade, bom efeito anticonvulsivante, não causa depressão do sistema nervoso central e não tem po- tencial para abuso. Em um estudo europeu, pacientes tratados com carbamazepina tiveram menos sintomas persistentes após 5 dias da cessação dos agentes que aqueles tratados com lorazepam. Além disso, a recorrência do uso de álcool em 3 meses de seguimento foi menor no grupo da carbamazepina. ~ o agente com melhor perfil (e razoáveis evidências) para abstinência, juntamente com os benzodiazepínicos. Obviamente,. ao usar carbamazepina, deve-se ficar atento à adicional hepato- toxicidade; na presença de hepatite alcoólica associada. deve-se evitar o uso. A administração é por via oral; iniciar com 200-400 mg de 12/12 horas, podendo chegar a 1.200 a 1.600 mg ao dia. Pode causar náusea e vômitos ao início da terapêutica. Em pacientes com deliri11m tremellS, fenobarbital 100-200 mg EV a cada 20 minutos foi eficaz. Neurolépticos Os neurolépticos reduzem sinais e sinto111as de abstinência, mas são menos efetivos que os diazepínicos na prevenção de deliri11111. Em contrapartida. aumentam a incidência de convulsões, cm razão da redução do limiar convulsivo, sendo contraindicados como monoterapia. Podem ser usados em associação com os diazepínicos e111 pacientes extremamente agitados e com muitas alucinações, especialmente apósas primeiras 24 ,1 48 horas da abstinência (período cm que a chance de convulsões já diminuiu consideravelmente). Tiamina e outras vitaminas A deficiência de tiamina é comum cm alcoolistas e pode aumentar a chance de o indivíduo evoluir para a síndrome de Wcrnicke-Korsakoff. Por isso, deve-se prescrever a vitamina por via oral (300 a 600 mg ao dia) ou parenteral (IM ou IV, 100 a 200 mg ao dia). Outras vitaminas devem ser prescritas de acordo com os achados clínicos: ácido fólico (ane- mia mcgaloblástica) ou niacina (pelagra). Magnésio e potássio Sabe-se que os níveis de magnésio e potássio são frequentemente baixos cm indivíduos com abstinência alcoólica, devendo ser repostos. Obviamente, se as concentrações séricas forem nor- mais, não há indicação para reposição de rotina. Síndrome de abstinência 571 Fenitoína Embora a fenitoína seja amplamente usada como anticonvulsivante, ela não é recomendada para o tratamento de abstinência alcoólica. Estudos mostraram que a fenitoína profilática não diminuiu a incidência de convulsões recorrentes. mas aumentou a chance de efeitos colaterais do medicamento. CONCLUSÕES • A abstinência é mais frequente cm indivíduos com consumo crônico e de grandes quan- tidades de álcool. Os sintomas podem surgir de 5 a 48 horas após a cessação da ingesta. • Os achados precoces são: tremor, taquicardia, sudorese, hipertensão, ansiedade, alucina• ções e convulsões. • Dc/iri,1111 treme11S ocorre mais tardiamente(> 48 horas) e se caracteriza pelos sintomas da abstinência associados a confusão e febre. • O tratamento é leito com suporte clinico e bcnzodiazepinicos. • Diazepam cm esquema de dose ajustada aos sintomas (com reavaliações periódicas) é me- lhor que o tratamento com doses fixas. O objetivo é deixar o paciente calmo e tranquilo, porém acordado. Sedação excessiva aumenta a chance de complicações. • ~ importante buscar e tratar os fatores desencadeantes da abstinência: pneumonia. menin- gite, pancreatite, trauma craniano etc. ALGORITMO 1 - ABORDAGEM INICIAL DA ABSTIN~NCIA ALCOÓLICA PACIENTE COM TREMOR. ANSIEDADE, TAQUICARDIA E SUDORESE • Parou de ingerir álcool nas últimas 5 a 48 h? • Usuário crônico de álcool? • Náo Procurar diagnósticos d1ferencia1s • H1poglicem1a - Intoxicações agudas - Abstinência a benzod1azepln1Co • Feocromoc1toma - Síndromes hipertérm1cas - Transtornos psiquiátricos Tratar conforme a causa J Sim Procurar achados que aumentam o risco de morte, se presentes, internar em terapia intensiva - Doença cardíaca prévia • Instabilidade hemod,namica - Insuficiência respiratória - Graves distúrbios eletrolíticos • Graves distúrbios ac,dobásicos • Infecções potencialmente graves - Patologia do TGI grave Cpancreatite, hemorragia digestiva. peritonite) • lnsuf1Ciência hepática - lnJúria renal - Hepatite alcoólica grave • Prévia abstinênC1a com evoluçao grave 572 Emergências clínicas - abordagem prática ALGORITMO 2 - MANEJO DA ABSTIN~NCIA MANEJO DA ABSTIN~NCIA l - História clinica detalhada • Exame fisico completo - Quantif1caçc'lo dos pontos na escala CIWA-Ar - Conversar com familiares l - Abstinência leve - Ausência de complicações clínicas • Bom suporte familiar l - Medicar com 1 O mg de d1azepam via oral no PS - Carbamazepina: 200 mg de 12/12 h para casa l Consulta ambulatorial precoce l Abstinência moderada a grave l • Suporte clínico: tratar emergências - Coleta de exames - RXeECG l Tratamento 1nic1al: - Local calmo. silencioso. pouca ilummaçoo - Glicemia capilar . Tiam1na: 100 mg IM/EV - HidrataçAo e correçAo de distúrbios eletr0Ut1cos - Diazepam: 5 a 10 mg VO/EV, até de 1/1 h, conforme sintomas. com a meta de obter e manter menos de 10 pontos na escala CIWA-Ar l Buscar e tratar condições clínicas associadas. - Hepatite alcoólica • Pancreat1te aguda - Pneumonia • lnfecçc'lo urinária • Trauma em SNC - Meningite • Outras