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2 
SUMÁRIO 
1 A CIÊNCIA MODERNA E A PSICOLOGIA ................................................. 3 
2 FENOMENOLOGIA E PSICOLOGIA HUMANISTA .................................... 9 
2.1 Fenomenologia, gênese e evolução histórica .................................... 10 
3 HUMANISMO ............................................................................................ 15 
4 EXISTENCIALISMO ................................................................................. 18 
5 Teoria da Intencionalidade ........................................................................ 20 
6 O conceito de Existência........................................................................... 21 
7 A RELAÇÃO ENTRE AS TÉCNICAS E A PSICOTERAPIA ..................... 23 
8 Psicoterapia Existencial: Que lugar? ........................................................ 25 
8.1 O que caracteriza a existência individual ........................................... 27 
8.2 A ansiedade resulta do confronto com os dados da existência .......... 30 
9 OBJETIVOS DA PSICOTERAPIA EXISTENCIAL .................................... 34 
10 ENCONTRO TERAPÊUTICO ................................................................ 37 
10.1 Características da relação existencial em terapia ........................... 38 
10.2 Estilo terapêutico ............................................................................. 39 
10.3 Atitudes e qualidades profissionais e pessoais desejáveis ............. 42 
11 BIBLIOGRAFIA ...................................................................................... 44 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
1 A CIÊNCIA MODERNA E A PSICOLOGIA 
 
Fonte: www.istockphoto.com 
Os paradigmas clássicos do método científico influenciaram fortemente as 
ideias e práticas de uma época. Ofereciam ao mundo uma certeza extremamente 
ansiada de progresso, respostas objetivas, ordem, liberdade e justiça social. Segundo 
Dahlberg; Moss; Pence (2003), o projeto sustentado e defendido pela modernidade, 
berço do surgimento da ciência clássica, compreende o ser humano totalmente 
realizado, maduro, independente, autônomo, livre e racional. Ressaltam: “ 
... o projeto da modernidade tinha objetivos ambiciosos: progresso, linear e 
contínuo; verdade, como a revelação de um mundo “conhecível”, 
emancipação e liberdade para o indivíduo – social, política e culturalmente (p. 
33) 
Nesta direção, a busca da razão constitui-se no caminho da busca da essência 
humana e das verdades da natureza. Assim, o progresso e a tecnologia caminham de 
mãos dadas em direção à prometida felicidade. A partir destas reflexões torna-se 
muito claro a grande aceitação e difusão do projeto da ciência moderna, uma vez que 
trazia embutida no seu paradigma, uma promessa de desenvolvimento, ordem e 
progresso social. Com a modernidade, incrementada que foi pela invenção da 
imprensa, pelas conquistas das grandes navegações, pela revolução industrial, pela 
transformação social e familiar, pelas mudanças do sistema econômico mundial, 
dentre outras, ofereceu-se ao mundo a promessa da produção de um saber construído 
 
4 
a partir de uma metodologia objetiva, quantificável, infalível. Ora, esta promessa 
encheu os olhos e aqueceu o coração de todos aqueles que desejavam respostas 
para suas questões. 
A sociedade sonhava com o dia em que pudesse resolver seus problemas mais 
urgentes como a cura de doenças, a produção de alimentos suficiente para todos, a 
busca de uma justiça social e, principalmente, a superação das crenças religiosas que, 
por muito tempo dominaram as mentes humanas, impedindo-as ou dificultando na 
produção de um saber que se sustentasse em si mesmo. 
A criação de um método científico foi extremamente bem-vindo na sociedade 
da época. O método científico, foi profundamente marcada pela filosofia de Descartes 
-penso, logo existo; pela metodologia científica de Bacon e pela teoria matemática de 
Newton. Para Descartes, o mundo material deveria ser estudado com absoluta 
objetividade, criando, a partir de então, a necessidade de neutralidade do 
pesquisador. 
 As ideias de Bacon, sugeriram um método de busca de saber, ou seja, de 
produção de conhecimento, que seguisse uma metodologia objetiva, passível de ser 
repetida, testada e generalizada, crível, infalível. 
Newton, com seu modelo matemático e uma postura reducionista, sugeriu que 
o todo pode ser conhecido através da soma de suas partes. Seu modelo também 
sugere uma temporalidade linear, uma relação absoluta de causa e efeito, de 
determinismo e do primado da matéria. Então, o modelo mecanicista dominou o 
pensamento científico até a bem pouco tempo. A ciência foi aceita como a via de 
acesso a todo e qualquer conhecimento, passando a desvalorizar qualquer saber 
produzido por outras vias. A crença existente era a de que o método científico 
descrevia corretamente a realidade, sendo adotada como modelo pelos saberes que 
se pretendessem científicos. 
Para Feijo (2000), a racionalidade deveria superar qualquer paixão na busca 
dos saberes científicos a partir dos paradigmas clássicos da ciência moderna. Além 
disso, perseguindo a herança newtoniana, o mundo deveria ser compreendido como 
um grande complexo, formado por partes contínuas, que somadas resultariam numa 
totalidade. Para atingir uma compreensão e, posterior, domínio do todo, seria 
necessário desmembrá-lo em partes, cognoscíveis através de um método objetivo, 
seguido por cientistas neutros e racionais. Tal busca seria possível uma vez que as 
leis do universo seguiriam uma causalidade mecanicista, e seriam regidas por uma 
 
5 
temporalidade linear - com presente, passado e futuro bem marcados - autônomo e 
independente do observador; assim como por um espaço constante e em repouso. 
Uma figura metafórica que seria, como descreve a autora, “a imagem do universo 
seria comparada a um grande relógio gigantesco, inteiramente determinístico” (p. 19). 
A busca de verdades pela ciência moderna é marcada pelo estatuto de 
cientificidade, sendo garantida pela construção de conceitos logicamente 
parametrados e ausência de intimidade entre homens e mundo. 
O modo técnico pelo qual o homem moderno habita o mundo tem estreita 
relação, denuncia Critelli (1996), com sua necessidade de superar a insegurança do 
seu ser ou, senão, esconder esta condição. Porém, não é porque os homens criaram 
método, técnicas e processos que nos permitem controlar alguns fenômenos e criar 
outros, que se alterou a condição ontológica de inospitalidade no mundo e de 
liberdade humana. Pelo contrário, talvez tenha sido para esconder isso que a ciência 
moderna tenha se lançado sobre o conhecimento e o controle do mundo, 
transformando-os em coisa objetiva, e (que) tenha se afastado cada vez mais, de 
qualquer tentativa de compreensão de sentido da vida” (p. 21). 
O modelo de pensamento e produção de conhecimentos marcou 
profundamente a sociedade ocidental desde o século XVIII até meados do século XX. 
A partir daí o projeto da modernidade vem sofrendo grandes abalos na sua tão 
propagada pretensão da busca de verdades universais. Aos poucos a humanidade foi 
se dando conta de que a ciência moderna não seria capaz de compreender e 
acomodar a diversidade e a complexidade da experiência humana concreta. 
Chamou-se de saber pós-moderno aquele estado da cultura construído após 
as transformações que afetaram as regras do jogo da ciência, da literatura e das artes 
a partir do século XIX (LYOTARD, 1989). 
Seu saber não se propõe a ser um instrumentalizador de poderes. Ele refina a 
sensibilidade para o diferente e para suportar o incomensurável. Sob uma perspectiva 
pós-moderna, não existe conhecimento absoluto, realidadecristalizada esperando 
para ser conhecida e domado; um ensinamento universal, que se faça fora da história 
ou da sociedade (FROTA, 2007). 
No lugar disso, seu projeto propõe que o mundo e o conhecimento sejam vistos 
como socialmente construídos. Isso significa pensar que todos nós estamos 
engajados na construção de significados, em vez de engajados na descoberta de 
verdades. Torna-se possível afirmar, deste modo, que não existe somente uma 
 
6 
realidade, mas várias. O conhecimento não é único, e sim múltiplo, variável, 
fragmentado e mutável, inscrito nas relações de poder, que lhes determinam o que 
deve ser considerado como verdade e falsidade. 
A verdade é compreendida como uma correspondência da verdade, uma 
representação falseada, mas que, como tal deve ser tomada. Enquanto a verdade 
para a ciência moderna é compreendida como veritas, verdade; a fenomenologia, a 
compreende como aletheia, desvelamento, deixando clara a diferença de paradigma 
entre elas. A verdade para a fenomenologia sabe-se transitória, parcial e incompleta. 
Assim, muito menos pretensiosa. Na origem das psicologias existe uma tendência a 
atuar como se os saberes psicológicos fossem “grandes narrativas”, e, como tal, 
representassem o modelo essencialista da natureza humana. 
 
 
Fonte:www.lauraquiroga.es 
As grandes teorias psicológicas, encarnadas por seus seguidores, assumem 
seus saberes como se eles fossem “os verdadeiros” e representassem “o modelo 
correto” da realidade. Contudo como alertam Dahlberg; Moss; Pence (2003), “em vez 
de serem vistas como representações socialmente construídas de uma realidade 
complexa, uma maneira selecionada de como descrever o mundo, essas teorias 
parecem se tornar o próprio território” (p.54). 
O risco daí advindo é esquecermos a contextualização histórica do saber ou, 
ainda, perdermos de vista a subjetividade concreta do humano. Perderíamos de vista 
o homem ficando dele somente sua representação, falseada, que é, via teoria. Além 
deste risco, não podemos esquecer que as grandes narrativas contam as histórias 
dos saberes como se fossem únicos e universais, já repudiadas pelo estatuto pós-
 
7 
modernista, por representarem perspectivas teóricas descoladas da realidade e por 
representarem empecilhos para a compreensão dos sujeitos reais em situações 
históricas concretas vivendo numa condição pós-moderna, o conhecimento e os 
diversos saberes solicitam que abandonemos as grandes narrativas teóricas e nos 
contentemos com objetivos locais e mais práticos. 
Para Heywood (2004), isso significa abandonar as esperanças mais profundas 
do pensamento iluminista: que o que está para ser descoberto seria, de fato, um 
mundo ordeiro e sistemático, idêntico para cada um de nós, sendo possível 
estabelecer um acordo universal com a natureza. O que fica, então, é a busca de 
conhecer verdades, multiplicidades de narrativas, saberes construídos na e pela 
realidade social concreta. 
 A partir destas reflexões, pensemos no que isso interfere nos nossos pensares 
e fazeres psicológicos, para nos achegarmos na nossa questão maior: origens e 
destinos das psicoterapias humanista. Também para a Psicologia foi importante o 
método científico, como possibilidade de se fazer aceita e receber o estatuto de 
ciência, é o que afirma Capra (1983). Deste modo, a adaptação do objeto de estudo 
da psicologia, o psiquismo humano, aos princípios da mecânica clássica de Newton 
fizeram-se no sentido de busca de cientificidade. É, assim, que a Psicanálise de Freud 
e o Behaviorismo de Skinner se enquadram no mecanicismo da ciência positivista. 
Capra tem razão ao dizer que a primeira tópica de Freud seguia um modelo 
mecanicista. Como o próprio Freud afirma no seu Projeto de uma psicologia científica, 
sua intenção era representar os processos psíquicos como estados, quantitativamente 
determinados. Deste modo, pelo menos de princípio, é lícito afirmar que Freud parece 
respeitar e seguir os princípios apregoados pela ciência moderna, os quais, 
certamente, lhe garantiram respeitabilidade e divulgação. 
Também o behaviorismo skineriano segue o modelo científico. Aliás, para ele, 
seu objeto de estudo era o comportamento, aquele que poderia ser observado e 
quantificado. A mente existia somente enquanto expressa pelo comportamento. 
Na verdade, o behaviorismo de Skinner parece se adequar completamente ao 
método experimental: a relação causa-efeito é inquestionável, as causas dos 
fenômenos psíquicos encontram-se no mundo externo, o tempo é linear, a força é 
sempre externa (SKINNER, 1985). 
Para os behavioristas, a objetividade é imprescindível e deve ser garantida pelo 
controle das condições que regem as relações sujeito – objeto. Por sua vez, as 
 
8 
técnicas comportamentais clássicas “possuem um status físico para o qual as técnicas 
usuais da ciência são adequadas e permitem uma explicação dos comportamentos 
nos moldes da de outros objetos explicados pelas respectivas ciências. 
A Psicanálise e o Behaviorismo formaram a primeira e segunda força dentro da 
psicologia. A terceira força, Psicologia Humanista, surgiu como reação ao panorama 
da psicologia norte-americana, dominado pela leitura mecanicista e determinística da 
Psicanálise e do Behaviorismo. Maslow, conforme narra o autor, foi um dos principais 
responsáveis pela criação de um movimento que pretendia, de início, unir tendências 
que se opusessem ao behaviorismo e psicanálise, a partir de elementos fundantes de 
sua identidade. 
A partir daí, torna-se clara a negação da perspectiva pessimista e 
psicopatologizante da metapsicologia freudiana. Além disso, a terceira força assume 
a perspectiva holística e organísmica do ser humano e adota uma perspectiva 
fenomenológica e existencial para a compreensão do homem. Assegura o autor: 
Assim, a volta ao humano como objeto de estudo é uma das bandeiras do 
movimento, importante a ponto de fornecer-lhe o título designativo. 
Qualidades, e capacidades humanas por excelência, tais como valores, 
criatividade, sentimentos, identidade, vontade, coragem, liberdade, 
responsabilidade, auto realização etc., fornecem temas de estudo típicos das 
abordagens humanistas (p. 31). 
A Psicologia Humanista defende uma visão globalizante do ser humano, 
enfatizando a vivência das emoções, a subjetividade, a intuição e as potencialidades. 
Provavelmente como resultado da exacerbação do sentimento, da vivência e da 
experienciação, adotadas como métodos de trabalho, ela foi duramente acusada de 
irresponsável, de teoricamente vazia, de ter uma prática rasa em termos de 
fundamentação teórica e filosófica. 
O movimento humanista teve forte influência das filosofias existenciais e da 
fenomenologia. Assim, “assume e propõe a inevitabilidade da adoção de um modelo 
de homem, ou seja, uma concepção filosófica da natureza humana, como ponto de 
partida e princípio norteador de qualquer projeto de construção de psicologia. Além 
disso, prioriza o fenômeno, em detrimento das técnicas e teorias, centrando-se na 
“relação fenomenológica” existencial atual entre seus agentes. 
 
 
9 
2 FENOMENOLOGIA E PSICOLOGIA HUMANISTA 
 
Fonte: www.mindmeister.com 
A Fenomenologia representa um marco na história da Filosofia, podendo ser 
comparada às autenticas revoluções paradigmáticas, como a socrática, a cartesiana 
e a kantiana. Sua penetração no âmbito da psicologia é de fundamental importância 
para se entender a totalidade da relação psicoterapêutica e da psicopatologia. 
A importância da fenomenologia se caracteriza pelo resgate da subjetividade 
na Filosofia e nas demais ciências humanas. O compromisso de Husserl com o 
pensamento de Descartes torna a Fenomenologia uma correntede pensamento 
imprescindível para a própria compreensão da cultura e da evolução do nosso século. 
Husserl era um profundo admirador da filosofia de Descartes. Todavia, 
considerava que Descartes não havia aprofundado suficientemente sua investigação 
epistemológica. Seu compromisso com Descartes consiste no seu projeto de tornar 
a Filosofia uma ciência rigorosa, semelhante à ideia cartesiana. Em complemento a 
isto, podemos citar o próprio Husserl, quando escreve que: 
“ Com efeito nenhum filósofo do passado teve uma influência tão decisiva 
sobre o sentido da fenomenologia como o maior pensador da França, René 
Descartes. É a ele que ela deve venerar como seu verdadeiro patriarca. Foi 
de um modo muito direto diga – se expressamente, que o estudo das 
meditações cartesianas interveio na nova configuração da fenomenologia 
nascente e lhe deu a forma de sentido que agora tem e que quase lhe permite 
chamar – se um novo cartesianismo, um cartesianismo do século XX”. 
 
10 
Para realizar seu projeto, Husserl parte de Descartes para criticá-lo no 
estabelecimento de um subjetivismo solipsista caracterizado por uma consciência 
definidora, mas que esquece os objetos e as relações que esta consciência 
estabelece com o mundo. 
O projeto de Husserl é de tornar a Filosofia o fundamento básico de todo o 
conhecimento, ou mais especificamente fazer da filosofia uma ciência de rigor, 
tomando por base as matemáticas. A fenomenologia se preocupa essencialmente 
com o rigor epistemológico, promovendo a radicalização do projeto de análise crítica 
dos fundamentos e das condições de possibilidade do conhecimento. 
Além disso, a Fenomenologia como método, possibilitou o advento de uma forte 
corrente de pensamento europeia, cujo legado ainda está para ser avaliado: o 
Existencialismo, com todas as suas conotações e diversificações. Esta abordagem de 
pensamento é muito bem representada em nosso século por figuras como Martin 
Heidegger, Jean Paul Sartre, Karl Jaspers, Gabriel Marcel, Martin Buber e Emmanuel 
Lévinas, apenas para citar alguns. 
2.1 Fenomenologia, gênese e evolução histórica 
O que entendemos hoje como fenomenologia diz respeito a uma corrente de 
pensamento cujas raízes estão calcadas na preocupação: preocupação com os rumos 
da ciência e com a colocação do ser humano nessa situação. 
Fenomenologia é uma filosofia, se a entendemos de maneira original. Todavia, 
antes de se caracterizar como um modo específico de pensamento antes de se 
constituir numa forma sistemática de se acessar a realidade, a Fenomenologia é um 
método, uma metodologia de pesquisa dessa mesma realidade, e como tal implica 
uma específica visão de mundo. 
Originalmente diríamos que a Fenomenologia é um retorno, um recomeço 
radical, uma retomada do sentido exato do vocábulo grego phainómenon, que significa 
“aquilo vem à luz”, que se mostra, é a manifestação daquilo que se esconde. 
Historicamente, phainómenon era para os astrônomos gregos, a referência aos 
eventos celestes. 
A expressão “Fenomenologia” à qual nos referimos não é aquela utilizada por 
Hegel quando escreve sua obra A Fenomenologia do Espírito; mas refere – se a 
metodologia idealizada pelo filósofo alemão Edmund Husserl. 
 
11 
 
 
Fonte: blogdopadregilberto.blogspot.com 
A figura de Husserl é central dentro dessa consideração, podendo ser 
considerado um marco na filosofia do século XX. Suas ideias foram determinantes 
diretas dos pensamentos de filósofos como Sartre, Heidegger, Merleau – Ponty e 
outros. 
A história de Husserl é marcada por situações de considerável relevância. De 
origem judaica, foi proibido de publicar durante o período de governo do III Reich; suas 
obras somente foram publicadas integralmente em 1950 na cidade de Haia, na 
Holanda, e segundo alguns autores, graças aos esforços de alunos seus que 
conseguiram clandestinamente, evitar a queima de seus manuscritos enviando – os 
para fora da Alemanha. 
A gênese da Fenomenologia, contudo se dá através da figura de Franz 
Brentano, alemão nascido em Marienberg. Em 1874, publica sua obra capital: 
Psicologia do Ponto de Vista Empírico, fato este importante devido à posterior 
influência que terá sobre Husserl o pensamento deste filósofo. Brentano foi 
representante de uma psicologia descritiva a qual chamou de “psicologia dos atos”, 
que considera o essencial das manifestações anímicas (atos) em sua relação com o 
objetivo ao qual estão encaminhadas (intencionalidade). 
 
12 
Foi sacerdote católico, tendo se ordenado em 1864, mesmo ano de seu 
doutoramento em Filosofia. Entrou em confronto com a igreja por não aceitar o dogma 
da infalibilidade papal, tendo por isto se retirado de sua cátedra em 1873 e se 
convertido ao protestantismo em 1879. 
O fundamental da psicologia brentaniana é que a experiência se baseia na 
percepção interior, ao contrário do que propunham os sistemas psicológicos primevos 
a apontar para a introspecção (observação interior). Com isto reage contra a análise 
dos conteúdos da consciência conforme a psicologia experimental de Wilhelm Wundt 
e contra a orientação naturalista tomada de empréstimo à física e à fisiologia. 
Husserl nasceu na cidade de Prostnitz, na Morávia em 1859, entre os anos de 
1876 a 1878 frequenta e se gradua em Matemática pela Universidade de Leipizig. 
Baseado na obra de Brentano, Husserl desenvolve grande parte de sus ideias. Em 
1882, Husserl obtém seu doutorado na Universidade de Viena com a tese “Sobre o 
Cálculo das Variações”. 
No ano seguinte, em Berlim, torna – se assistente de um ex professor seu, 
Weirtrass. Em 1884, Husserl retorna a Viena e se afilia ao pensamento Brentano. Dois 
anos depois renuncia à sua ascendência judaica, convertendo ao Luteranismo, 
casando no ano seguinte com Malvine Steinschneider. Posteriormente torna – se livre 
docente pela Universidade de Halle. Começa aí sua vida intelectual realmente 
produtiva. 
No ano de 1891 publica o primeiro volume da sua Filosofia Aritmética, obra que 
ficou inacabada. Entre os anos de 1900 -1901, publica uma de suas obras capitais: 
Investigações Lógicas. Cresce sua consideração, tanto que em 1906, é nomeado 
professor da Universidade de Gottingen. Seus cursos sempre foram fonte de 
questionamento e de desenvolvimento de suas ideias. 
Definir a Fenomenologia talvez seja tarefa árdua. Na realidade, o próprio 
conceito de definição carrega uma conotação de algo estático que ignora a própria 
essência do termo. 
O problema da Fenomenologia é um problema de fundamentação da ciência. 
Husserl estabeleceu para si a tarefa de repensar os fundamentos. Eugen Fink, um 
eminente conhecedor do pensamento husserliano, aponta a fenomenologia como um 
“recomeço radical” uma retomada da busca das raízes. Constitui – se numa tentativa 
de superação da dicotomia sujeito/objeto, através da apreensão das relações do 
homem com o mundo. 
 
13 
A Fenomenologia surge como uma crítica, no sentido original do termo, como 
uma tentativa de pôr em crise o conhecimento vigente. Assim, surge com crítica à 
psicologia positivista, objetiva, experimental, que como as demais ciências buscava 
conhecimento absoluto ignorando a subjetividade. 
Ao propor isso, a ciência constrói uma imagem de homem que não condiz com 
sua realidade. O homem não é uma coisa, entre as coisas, e como tal não pode assim 
ser considerado. O mundo é um objeto intencional com referência a um sujeito 
pensante, o que invalida a objetividade absoluta. 
A Fenomenologia se opõe também ao naturalismo, que assinala o 
comportamento como uma mera relação causa e efeito, e ao idealismo de Kant e 
Hegel, que propunha o homem como um conjunto conceptual organizado. 
No prefácio de seu livroPhénomenologie de la Perception, o filósofo francês 
Maurice Merleau – Ponty – principal personagem da Fenomenologia pós husserliana 
propõe a questão: 
“ O que é a fenomenologia? (...) É o estudo das essências...Mas a 
fenomenologia é também uma filosofia que recoloca as essências na 
existência e não pensa que seja possível compreender o homem e o mundo 
de outra forma que não seja a partir de sua facticidade. É uma filosofia 
transcendental, que põe em suspenso para compreender as afirmações da 
atitude natural, mas é ainda uma filosofia para a qual o mundo está sempre 
aí,antes da reflexão como uma presença inalienável... 
A Fenomenologia é um esforço, uma tentativa de clarificação da realidade 
humana. É uma abertura à experiência, à vivência integral do mundo. É a busca do 
fenômeno, daquilo que surge por si só, daquilo que aparece, que se revela. 
Fenomenologia é ir às coisas mesmas, descobrí –las tais quais se apresentam aos 
meus sentidos, tais quais eu as percebo. Mas é um ir em busca aliado à minha própria 
experiência subjetiva concreta. É um olhar e ver, e não apenas uma colocação diante 
de algo. É participação, envolvimento. 
Assim sendo a Fenomenologia torna – se um modo de existir, de se colocar no 
mundo de fazer parte deste mundo. Neste contexto, temos o ser humano também 
como fenômeno. O mais complexo (talvez) mas o mais completo também. 
A Fenomenologia é, pois, um método de evidenciação, uma forma de 
renovação dos problemas filosóficos, mas o que temos como primordial na 
Fenomenologia é o seu caráter de contínua reflexão crítica, de repensar o mundo e a 
realidade, pois afinal o ser somente se completa no seu devir, no seu crescer. 
 
14 
Ao contrário do humanismo individual, a fenomenologia é um movimento 
filosófico que se estruturou no início do século XX, através de Husserl. A palavra 
Fenomenologia foi utilizada pela primeira vez pelo médico francês J.H. Lambert em 
meados do século XVIII, para designar o estudo ou a "descrição da aparência", na 
quarta parte do seu livro intitulado New Organon (1764). 
Este sentido pré-husserliano é recolhido por Kant e retomado por Hegel na 
Fenomenologia do Espírito já para designar a sucessão, por necessidade dialética, 
dos fenômenos da consciência, desde as simples aparências sensíveis até o saber 
absoluto. Sem se esquecer que o termo foi também utilizado por Hartman, Pirce e 
Stumpf, chegamos ao sentido husserliano, anunciado na obra Logische Unter-
Suchunger (1900-1901) onde Fenomenologia é entendida como um método para 
fundar a lógica pura, e, posteriormente, pensada por Husserl para fundamentar a 
totalidade dos objetos possíveis. 
É necessário lembrar que a concepção da Fenomenologia não foi colocada por 
Husserl de maneira acabada na referida obra. Ela sofre uma evolução ao longo do 
pensamento husserliano. Como nos mostra Van Breda no seu excelente artigo 
Phenomenologie, existe, em Husserl, duas grandes concepções de Fenomenologia. 
Na primeira, Husserl "define Fenomenologia como uma ciência filosófica 
propedêutica, que tem como objeto a descrição das essências fundamentais para uma 
problemática filosófica dada". A segunda concepção, que se desenvolveu a partir do 
escrito de 1907, "Ideias para uma fenomenologia pura", proclama a fenomenologia 
possuidora da seguinte tarefa: 
"redescobrir a gênese intencional da consciência e os passos constitutivos 
que a consciência coloca em movimento". 
Hoje, quando falamos que um pensador é influenciado pela fenomenologia, 
devemos ter o cuidado de detectar qual é a sua concepção de fenomenologia 
subjacente ao seu trabalho teórico, pois a 1a. concepção de fenomenologia 
influenciou um grande número de psicólogos, psiquiatras, crítico de artes dos quais 
podemos citar Jagers como o 1º que trouxe esta concepção para o domínio da 
psicopatologia. Já a 2ª concepção foi utilizada mais pelos filósofos nas suas 
investigações. 
 
 
15 
 
Fonte:edukaparadigma.blogspot.com 
3 HUMANISMO 
 
Fonte:sitedopsicologo.com.br 
O conceito histórico-cultural de humanismo se refere à época do Renascimento 
e tinha como objetivo uma volta aos estudos dos autores clássicos greco-latinos. 
Dessa maneira, a recuperação dos grandes modelos de sabedoria do pensamento 
antigo possibilitava o crescimento do homem. Por outro lado, o humanismo, enquanto 
possuidor de um significado ideal, designa uma concepção do mundo e da existência 
que tem por centro o homem. Assim temos tantos humanismos quantas concepções 
de homem. É nesta perspectiva que devemos entender o movimento humanista que 
surgiu na sociedade americana e que foi responsável pelo aparecimento da Psicologia 
 
16 
humanista que se apresentou como a terceira força da Psicologia e como alternativa 
a psicanálise de Freud, que tinha como preocupação central o estudo do inconsciente, 
e a Psicologia behaviorista, que tinha como objeto de estudo o comportamento. A 
psicologia humanista é um retorno ao estudo da experiência consciente. 
"Esta psicologia constitui-se em oposição à objetividade do behaviorismo, e, 
embora em acordo com a ênfase subjetiva da psicanálise, opõe-se ao 
reducionismo do comportamento a defesas e pulsões". 
O movimento cultural que sustentou esta transformação foi chamado por 
Gomes (1986) de humanismo individual e 
"sua história está associada com o desempenho da economia. Com a 
economia em ascensão, decorrente das transformações sociais pós-guerra, 
valores tais como, independência, hedonismo, dissidência, tolerância, 
permissividade, auto-expressão, ganham proeminência. Todo este 
movimento liberalizante e permissivo alcança seu pico no governo Kennedy 
onde suas qualidades anunciam mudanças rápidas e significativas". 
Nós assistimos à invasão da sociedade pelo Eu, onde tudo, a partir dos anos 
60, se estruturou tendo nas preocupações pessoais seu lugar privilegiado. A lei, a 
seguir, formou-se depois da percepção de que a política não leva a nada: Sentir e 
viver plenamente suas emoções. O impacto desta maneira de viver pode se sentir 
também na psicologia e é descrita por Gomes assim: 
Exemplos da atmosfera dominante podem ser vistas em frases que ficaram 
célebres como a oração da Gestalt: 'Você cuide da sua vida que eu cuido da minha. 
Eu estou aqui para não viver as suas expectativas e nem você está aqui para viver as 
minhas'. Ou como Maslow (1968) costumava dizer que uma pessoa é valorizada não 
pelo que ela produziu, mas pelo que pode vir a ser; ou ainda, na teoria rogeriana da 
confiança irrestrita na pessoa". 
Este clima de centramento no sujeito é a matriz de vários movimentos terápicos 
e, hoje, a exacerbação do eu como centro, em tudo que se faz, provoca a onda de 
técnicas de autoajuda que assistimos proliferarem na sociedade contemporânea. 
A psicologia humanista procura entender a vida humana na sua totalidade e, 
assim, a compreensão do homem pelos psicólogos humanistas é entendê-lo como um 
ser que, em primeiro lugar, possui uma unidade. A diferença entre as diversas 
abordagens está em que cada uma, ao descrever as características principais do 
homem, sublinhará pontos diferentes. Como exemplo podemos citar Maslow, que 
 
17 
coloca o acento sobre o projeto humano e na superação de si, quando fala das 
experiências culminantes. 
A ênfase sobre o ciclo da vida é outra característica da Psicologia Humanista. 
Seus representantes têm enfatizado que a vida humana possui uma dinâmica na qual, 
em cada fase da vida, o ser humano deve alcançar um certo grau de realização, a fim 
de que possa, ao longo da vida, se estruturar como uma pessoa plena, integrada. 
Ora, essa ênfase dos humanistas nos faz perceber que o homem é 
compreendido, em primeiro lugar, como processo eevolução. Somente a partir deste 
processo é que podemos compreender a sua estrutura. Assim, Poelman, em seu livro 
"O homem a caminho de si mesmo", afirma que esse processo da evolução é inerente 
à própria vida e que "essa evolução não ocorre ao acaso, mas segue uma certa 
direção, tem um certo fim em vista; não é um processo que ocorre somente por acertos 
e erros ou por tentativas desconexas, não é um vôo no escuro". 
O conceito de auto realização quer acentuar que esse processo de crescimento 
inerente à dinâmica da vida deve ser entendido na sua globalidade, isto é, no 
desenvolvimento de todas as dimensões humanas, sejam elas biológicas, 
psicológicas, espirituais e sociais. Gostaria de citar Rogers e Maslow como os 
representantes mais significativos da explicitação das fases do processo de auto 
realização do homem. Rogers, no seu livro "Tornar-se Pessoa", na quarta parte, 
quando trata da Filosofia da Pessoa, traça características deste processo de auto 
realização. Por outro lado, Maslow, no seu livro "Motwation and Personality", na parte 
que trata da Teoria da Motivação humana, desenvolve as dimensões do ser humano 
que devem ser atingidas no processo de auto realização. 
 
 
Fonte: psicoativo.com 
 
18 
O conceito de autodesenvolvimento nos ajuda a entender a evolução do ciclo 
da vida do homem. Entre os humanistas citaria Bühler e um neoculturalista que traduz 
bem este processo, Erikson. Enquanto Buhler mostra que o ser humano deve passar 
por cinco fases, Erikson enumera oito fases, destacando sempre, em cada uma delas, 
uma dialética entre dois polos opostos. 
As duas interpretações estão baseadas no fato de que a vida é vivida como um 
todo por uma pessoa que atinge seu pleno desenvolvimento no instante em que 
percorre as diversas fases, cada uma com uma conquista integrativa, retratadas 
através de seus sucessos e de seus fracassos. 
4 EXISTENCIALISMO 
 
Fonte: tig-saude-mental-cersam.webnode.com 
Enquanto a Fenomenologia é compreendida pelos discípulos como um método, 
o Existencialismo é entendido como uma doutrina filosófica sobre o homem. As 
filosofias da Existência surgirão como uma oposição a toda filosofia clássica a qual é 
entendida como o estudo das essências, cuja ideia principal seria a compreensão das 
dimensões estáveis. Os filósofos da existência vão redirecionar as perguntas sobre o 
homem. Em vez de se perguntar: o que é o homem, se perguntará: quem é o homem? 
Evidentemente a palavra existencialismo começou a ser usada depois da 
primeira guerra mundial para designar justamente o movimento de alguns pensadores 
 
19 
e de alguns literatos sobre a investigação de quem é o homem. Este movimento, que 
se estruturou com mais força no entre guerras, isto é, entre 1918 e 1945, teve suas 
raízes históricas no pensamento de Kierkegaard quando o filósofo dinamarquês se 
opôs ao pensamento pós- hegeliano dominante do seu tempo. A ideia central de luta 
de Kierkegaard era reagir contra o caráter universal, intelectual e determinista do 
hegelianismo, afirmando o interesse pelo singular e pela vontade. 
Segundo os historiadores, o movimento existencialista se iniciou na Alemanha, 
em 1919, quando Barth publicou um comentário sobre a epístola aos Romanos e 
Jaspers publicou A Psicologia da Mundividência. De um lado, o movimento 
existencialista ganha forças justamente a partir da década de 20, uma vez que o entre 
guerras foi um período de muito sofrimento, desespero e angústias. Estes temas se 
tornaram os temas preferidos dos existencialistas, pois estes se preocupavam em 
falar e refletir sobre o que o homem estava vivendo naquele instante. Por outro lado, 
este movimento só veio a se expandir fora do contexto europeu a partir do fim da 
segunda guerra mundial. A década de 50 foi, talvez, a década de divulgação do 
movimento existencialista. 
É necessário observar que, embora encontramos um número muito grande de 
escritores ditos existencialistas, Büber, Bultmann, Guadini, Camus, Dostoevsky, entre 
outros, só são considerados clássicos filósofos existencialistas Heidegger, Jaspers, 
Sartre e Marcel. E uma segunda observação é que todos estes quatro filósofos, que 
passaram para os anais da história da filosofia como os filósofos da existência, 
utilizaram, cada um a partir de uma inspiração pessoal, o método fenomenológico para 
concretizarem as suas reflexões sobre o homem. 
A Filosofia da existência pode ser concretizada através de duas grandes 
características. A primeira é que todos os filósofos e escritores procuram valorizar o 
homem. A segunda é que todos procuram descrever e explicitar o modo concreto do 
homem viver, isto é, refletindo sobre a angústia, a liberdade. 
Salientamos que o desenvolvido até aqui visa explicitar a necessidade de um 
cuidado de se detectar as diversas fontes da psicoterapia e, mais ainda, observar que 
os três movimentos, que ora analisamos, possuem as origens mais diversas e ideias 
forças diretrizes muito diferentes. 
 
 
20 
5 TEORIA DA INTENCIONALIDADE 
 
Fonte: queconceito.com.br 
Sem querer fazer um estudo exaustivo sobre a fenomenologia, os psicólogos 
devem se interrogar sobre quais conceitos fundamentais da Fenomenologia são úteis 
para seu trabalho. Assim, não se trata de fazer Filosofia Fenomenológica, mas captar 
os conceitos que nos ajudariam a entender melhor os fenômenos psicológicos. 
De um modo geral, utilizamos uma compreensão do método fenomenológico 
para nossos estudos. Este método tem, porém, alguns fundamentos e procedimentos 
que podem ser tematizados através da explicitação de suas características. 
Para um certo domínio da fenomenologia, será necessária a compreensão do 
retorno "às coisas mesmas", o conceito de redução eidética e a redução 
transcendental, a teoria da intencionalidade, a intuição das essências, o mundo da 
vida a intersubjetividade. Diante do tempo limitado desta conferência, destacaremos 
o que nos parece ser a descoberta mais significativa de Husserl, que é a teoria da 
intencionalidade. 
A afirmação de Husserl é que a consciência é intencionalidade, isto é, que ela 
é sempre consciência de alguma coisa. Husserl avança o conceito de intencionalidade 
dos escolásticos retomado por Brentano, pois 
"a intencionalidade husserliana não é apenas uma propriedade do ato ou 
vivência, como em Brentano que não fala ainda de consciência intencional. 
Segundo Husserl, a intencionalidade vivifica a vivência, tornando-a 
 
21 
designativa do objeto, em virtude de um processo mais radical, inerente à 
própria consciência". 
"A novidade, aqui, é que a consciência se esgota em visar algo que não é ela 
mesma: ela se define pelo objeto que visa. 
Assim, a ideia de intencionalidade que começou a ser desenvolvida por 
Brentano e retomada por Husserl, vai se articular independentemente da ideia que o 
sujeito e o objeto são duas substâncias separadas, justamente o contrário da filosofia 
cartesiana onde o Cogito separa radicalmente o mundo do pensamento e a realidade 
do corpo. 
Podemos concluir com Forghieri dizendo que a intencionalidade é, 
essencialmente, o ato de atribuir um sentido: é ela que unifica a consciência e o objeto, 
o sujeito e o mundo. "Com a intencionalidade há o reconhecimento de que o mundo 
não é pura exterioridade e o sujeito não é pura interioridade, mas a saída de si para 
um mundo que tem uma significação para ele". 
6 O CONCEITO DE EXISTÊNCIA 
 
Fonte: www.resumoescolar.com.br 
Se também percorrermos os principais existencialistas, como citamos os 
principais humanistas, vamos destacar os temas mais relevantes para a Psicologia 
Existencial. Antes de destacar as principais categorias da Filosofia da Existência,faria 
duas observações. A primeira é que os ditos filósofos oficiais do existencialismo 
 
22 
Sartre, Jaspers, Heidegger, Marcel - cada um, a seu modo, utilizou o método 
fenomenológico para elaborar a sua filosofia da existência, unido assim os dois 
conceitos - fenomenologia e existencialismo. A segunda observação é que a 
Psicologia Existencial não se baseia só nas filosofias "oficiais" do Existencialismo, 
mas utiliza também os conceitos elaborados pelos outros escritores existencialistas 
supracitados. Sem corrermos o risco de, sob o nome de Existencialismo, abrigarmos 
todo tipo de pensamento anti-racionalista, é necessário procurarmos explicitar os 
fundamentos teóricos, isto é, analisar e esclarecer nossas próprias pressuposições de 
entendermos a existência humana. 
Dentre a vasta temática das filosofias da Existência, podemos destacar as 
categorias de Existência, ser-no-mundo, liberdade, o outro, a Angústia, 
Temporalidade, o Amor etc. Escolhemos falar sobre a Existência pois é ela que nos 
explicita melhor as dimensões do ser humano. A pergunta inicial seria a seguinte: é 
possível definir o conceito de Existência? A palavra Existência, diz Jaspers, "é um dos 
sinônimos da palavra realidade", mas, graças à maneira de como Kierkegaard a 
acentua, ela tomou um aspecto novo: "ela designa o que eu sou fundamentalmente 
por mim". 
Existência não deve ser entendida no sentido trivial de ser-no-mundo, como 
simplemente um ente no meio de outros entes. Ex-sistere deve ser compreendida 
como ex = fora de e sistere = ter sua postura. Existir é, pois, ter sua postura fora. 
A existência difere radicalmente do comportamento de todo os outros entes. 
Nós somos o destino de nós mesmo. Esta postura, que está sempre em construção, 
nunca acabada nos permite captar algumas características do existir humano. Em 
primeiro lugar, existir é ir sendo, o que se fará através da escolha e da decisão. Em 
segundo lugar, é estar em conflito consigo mesmo, e uma preocupação infinita de si 
próprio. Em terceiro lugar, ela não é definível. Ela não pode tornar-se objeto. 
Cada filósofo, através de seus escritos, procura precisar as características de 
Existência. Heidegger deve ser lembrado como, talvez, o que fez um esforço 
gigantesco na sua obra Ser e Tempo para analisar a estrutura da Existência, 
mostrando a estrutura Dasein, o estar fora de si e estar-no-mundo. Por isso, vai falar 
de existência autêntica e existência mantêutica. 
No aprofundamento do pensamento de Heidegger, vamos encontrar 
Binswanger que, mostrando o limite das análises heideggerianas, quando 
 
23 
compreende o Dasein como cuidado (Sorge), mostra que o amor (Liebe) é uma outra 
dimensão do Dasein (de Existência) que não mereceu atenção dos filósofos. 
 
7 A RELAÇÃO ENTRE AS TÉCNICAS E A PSICOTERAPIA 
 
Fonte: www.slideshare.net 
Desde o século XX que as psicoterapias e as suas respetivas definições se 
vêm alterando. Se antigamente psicoterapia e psicopatologia tinham uma relação 
estreita, com o passar dos anos essa relação foi se alargando (Leal, 2005). Foi 
Sigmund Freud quem deu um salto enorme para se passar a entender a psicoterapia 
ligada não só à psicopatologia, mas também à normalidade (Leal, 2005). Ainda assim 
a relação entre psicoterapia e psicopatologia foi-se mantendo sempre muito próxima. 
Se se recordar algumas definições inicias de autores como Piéron ou Chaplin verifica-
se o termo doença mental associado (Leal, 2005). 
Só nas décadas seguintes é que se verifica uma tônica na relação entre duas 
pessoas, Gauquelin et al., refere mesmo a psicoterapia como “um trabalho de relação 
de homem a homem” (1978, cit. por Leal, 2005). É a partir desta definição que a ênfase 
na relação entre paciente e terapeuta começa a ganhar uma importância maior. 
Distanciando - se cada vez mais do modelo médico entra-se numa lógica de 
“construção de sentidos” (Leal, 2005). 
 
24 
De acordo com Leal (2005) pode- se falar em psicoterapia como um tratamento 
que permite melhorar um mal-estar anterior tratando – se de um tratamento implica, 
ainda que de maneira subtil, uma doença. Wampold (2001) define a psicoterapia como 
“um tratamento interpessoal baseado em princípios psicológicos e envolve um 
terapeuta treinado e um cliente com doença mental, problema ou queixa. Cabe ao 
terapeuta então remediar essa doença, problema ou queixa. Contudo, mais 
recentemente o foco já não está na doença mental. 
A psicoterapia é um processo entre duas pessoas onde é possível o cliente 
refletir sobre experiências passadas, presentes e futuras, compreendê-las e viver de 
forma mais prazerosa consigo próprio (Ribeiro, 2013). As psicoterapias implicam um 
quadro teórico subjacente. Estes quadros teóricos podem ser definidos como “as 
teorias, as hipóteses e os modelos que sustentam as práticas e as intervenções de 
qualquer disciplina científica” (Leal, 2005). 
Existem diferentes quadros teóricos desde o psicanalítico, ao cognitivo, 
passando pelo existencial, entre outros. O modelo teórico subjacente a este trabalho 
é o existencial, contudo antes de se falar em que consiste este modelo, importa referir 
que são necessárias técnicas para se aplicar o modelo. 
De acordo com Tejera (1970, p82, citados por Ribeiro, 1986) as técnicas da 
entrevista psicológica são definidas como “um conjunto de regras práticas… as quais 
tendem a garantir a liberdade de decisão e aquela ajuda de intervenção por parte do 
psicólogo na dinâmica do encontro psicólogo-sujeito”. 
As técnicas devem ser aplicadas não com o propósito de gerar algum 
fenómeno, mas em consequência desse fenómeno. Devem surgir da necessidade ou 
da importância do momento (Ribeiro, 1986). 
Um modelo teórico pode ser definido como um conjunto de crenças ou como 
uma teoria única sobre como fazer com que a pessoa ou paciente consiga mudar algo 
em si, num contexto terapêutico (Ogles, Anderson, & Lunnen, 1999). Os modelos 
estão baseados numa série de princípios que incluem técnicas terapêuticas 
específicas (Castonguay & Beutlei, 2006, citados por Ogles et al., 1999). Por sua vez 
Goldifried (1980, citados por Ogles et al., 1999) refere que estas técnicas são definidas 
como extensões das crenças do modelo teórico. Entende-se desde já esta relação 
muito próxima entre técnicas e modelos teóricos e é de fácil entendimento que 
dependendo do modelo teórico subjacente as técnicas utilizadas serão diferentes. 
 
25 
Em 1936, surge uma ideia que progressivamente foi ganhando terreno não só 
na investigação em psicoterapia, mas também na sua prática propriamente dita. 
8 PSICOTERAPIA EXISTENCIAL: QUE LUGAR? 
 
Fonte:www.scoop.it 
Com a evolução das psicoterapias suportadas em números, ou seja, baseadas 
em dados empíricos, os modelos teóricos ficaram colocados numa sessão secundária, 
não sendo fundamental para poder produzir mudança terapêutica. Sendo este dado 
adquirido, como pode o modelo existencial se colocar face a estas novas questões? 
Tradicionalmente o modelo fenomenológico-existencial nunca dominou ou sequer se 
interessou muito pela investigação em psicoterapia (Timulak, 2011). 
Algumas razões podem ser levantadas quanto a esta posição, desde logo o 
fato de o existencialismo ter partido de correntes filosóficas, o que comparando à 
psicanálise, que “nasceu” num contexto da clínica, fez diferença (Leal, 2005) ou até 
devido ao facto de se posicionar contra a visão do Homem como objeto para ser 
analisado. 
O que parece ter suscitado algum interesse pela investigação em psicoterapia 
foi o descontentamento sentido pelas pessoas dessa mesma corrente/modelo em 
relação à psicologia empírica produzida até a data, nomeadamente por ter por detrásum modelo cognitivo comportamental (Schneider et al., 2001). Sabendo que muitos 
 
26 
estudos apontavam já para ganhos semelhantes entre as várias psicoterapias, desde 
cognitivas a psicanalíticas, a psicoterapia existencial precisava também de o mostrar. 
Elliott et al. (2004) apresenta então alguns resultados referentes a terapias 
experienciais, nas quais englobavam as terapias existenciais, as terapias centradas 
no cliente e a terapia Gestalt. Alguns resultados são importantes serem descritos, 
desde logo a eficácia desta terapia experiencial quando ao final da mesma, ou seja, 
as pessoas depois da terapia mantinham os ganhos. Em seguida foi feita uma 
comparação entre as terapias experienciais com as terapias não experienciais, sendo 
que tal como outras terapias já o tinham feito, os resultados apontaram para níveis de 
eficácia semelhantes, ou seja, não existe diferença entre as diferentes terapias. E 
mesmo numa comparação exclusivamente feita com as terapias cognitivas-
comportamentais não foram encontradas diferenças significativas (Elliott et al., 2004), 
o que tendo em conta que foi um dos motivos, divergência face ao modelo cognitivo-
comportamental, que levou ao aumento exponencial da investigação em psicoterapia 
existencial deu um enorme impulso e motivo para que a investigação aumentasse. 
Alguns conceitos teóricos da corrente existencialista foram também colocados 
em “prática” já que se encontrou esses mesmos conceitos relacionados com o 
processo de mudança em psicoterapia. Desde logo toda a essência do existencialismo 
remete para a noção de experiência enquanto algo único, individual e diferente para 
cada indivíduo. 
A atitude terapêutica tem também uma relevância fundamental neste modelo 
(Walsh & McElwain, 2001). Repare-se que em ambos os conceitos denota-se 
variáveis tanto da relação terapêutica, como das características individuais da pessoa 
como também aspetos mais específicos de todo o processo psicoterapêutico estando 
por isso este modelo relativamente em linha com a evidência das Task Forces 
referidas anteriormente. Relativamente aos temas ou a assunções deste modelo 
importa referir que já existe uma vasta evidência empírica que sustenta a sua 
importância. 
Destaca-se entre outros a noção de liberdade versus limitação, ou seja, como 
o sujeito encara o fato de o ser humano não ter uma autonomia absoluta e viver com 
limitações. Os dados empíricos sustentam que esta noção de liberdade, o pensar 
sobre, permite uma maior reflexão pessoal por parte do paciente e isso está ligado ao 
sucesso na terapia. 
 
27 
A intersubjetividade é também um tema frequente e importante no modelo 
existencial, no sentido em que todo o ser humano é um ser em relação com os outros 
e, portanto, existe toda uma dinâmica entre paciente e terapeuta a ser considerada. 
Neste âmbito detecta-se um grande desinteresse por este conceito nos estudos já 
feitos, de perceber se há um encontro entre ambos ou não, já que as perspectivas de 
um face a outro são muitas vezes distintas. Outro aspecto prende-se com a 
autenticidade, na abertura face ao outro. A este nível, estudos apontam para que 
quanto maior for a abertura à experiência de contato com o outro maior probabilidade 
de ocorrer mudança em psicoterapia. 
8.1 O que caracteriza a existência individual 
O que caracteriza a existência individual é o ser que se escolhe a si mesmo 
com autenticidade, construindo assim o seu destino, num processo dinâmico de vir-a-
ser. O indivíduo é um ser consciente, capaz de fazer escolhas livres e intencionais, 
isto é, escolhas das quais resulta o sentido da sua existência. Ele faz-se a si próprio 
escolhendo-se e é uma combinação de realidades/capacidades e 
possibilidades/potencialidades, está “em aberto” ou melhor está em projeto. Este, é a 
maneira como ele escolhe estar-no-mundo, o que se permite ser através da sua 
liberdade, sendo que as escolhas podem ser feitas em função do futuro ou em função 
do passado: escolher o futuro envolve ansiedade (associada ao medo do 
desconhecido) e escolher o passado envolve culpabilidade (associada à consciência 
das possibilidades perdidas). 
A autenticidade (Cabestan, 2005) implica aceitar a condição humana tal como 
é vivida e conseguir confrontar-se com a ansiedade e escolher o futuro, reduzindo a 
culpabilidade existencial. A autenticidade caracteriza a maturidade no 
desenvolvimento pessoal e social. A escolha é um processo central e inevitável na 
existência individual e a liberdade de escolher-se envolve responsabilidade pela 
autoria do seu destino e compromisso com o seu projeto. 
A liberdade de escolha não só é parte integrante da experiência como o 
indivíduo é as suas escolhas: a identidade e as características do indivíduo seriam 
consequências das suas próprias escolhas. 
O projeto existencial é a união, o “fio condutor” entre o passado, presente e 
futuro, a continuidade compreensível das vivências, coerência interna do mundo 
 
28 
individual, que reflete a escolha originária que o indivíduo fez de si e que aparece em 
todas as suas realizações significativas, quer ao nível dos sentimentos, quer ao nível 
das realizações pessoais e profissionais. 
O mundo interno exprime-se na simbolização (categorias cognitivas que 
representam a experiência na sua ausência), na imaginação (recombinação de 
categorias mentais que se assemelham à experiência, mas sem interação com o meio) 
e juízo (avaliação em relação à experiência), associadas à intimidade, ao amor, à 
espontaneidade e à criatividade. O processo de individuação opõe-se ao conformismo 
com as normas e papéis sociais, o que conduz a um funcionamento estereotipado e 
inibidor da simbolização e da imaginação. 
 
 
Fonte: allevents.in 
O indivíduo está comprometido com a tarefa, sempre inacabada, de dar sentido 
à sua própria existência. Em síntese, a existência individual caracteriza-se por três 
palavras-chave – cuidado, construção e responsabilidade– na medida em que o 
indivíduo cuida da sua existência procurando conhecer-se e compreender-se, 
descobrindo-se na relação com o outro, constrói o seu-mundo dando sentido à sua 
existência e escolhendo viver de acordo com os seus valores (o que confere um 
carácter único e singular) e responsabiliza-se por si próprio na realização do seu 
projeto. Assim, a existência individual é uma totalidade, única (singular) e concreta. 
 
 
O que é estar-no-mundo 
 
A existência enquanto estar-no-mundo envolve a unidade entre o indivíduo e o 
meio em quatro dimensões, que são as dimensões da existência (Van Deurzen-Smith, 
 
29 
1996, 1998) e o processo terapêutico seria a exploração do mundo do cliente nas suas 
várias dimensões (Cohn, 1997): 
 Física – É o mundo natural (Umwelt), o da relação do indivíduo com os 
aspectos biológicos do existir e com o ambiente e que envolve as suas atitudes 
em relação ao corpo, aos objetos, à saúde e à doença e no qual se exprime em 
permanência uma procura de domínio sobre o meio natural, que se opõe a 
submissão e aceitação das limitações impostas, nomeadamente pela idade e 
pelo ambiente. O sentimento de segurança é aqui dado pela saúde e bem-estar 
 Social – É o mundo da relação com os outros ( Mitwelt), do estar-com e da 
intersubjetividade onde se revela e descobre o que se é, mundo que envolve 
as atitudes e os sentimentos em relação aos outros, tais como amor/ódio, 
cooperação/competição, aceitação/rejeição e partilha/isolamento. Inclui os 
significados que os outros têm para nós, quer sejam os familiares, os amigos 
ou os colegas de trabalho, significados que dependem das modalidades da 
nossa relação com eles. Esta dimensão relacional é uma premissa fundamentaldo modelo existencial (Spinelli, 2003) 
 Psicológica – É o mundo da relação consigo próprio (Eigenwelt), da existência 
subjetiva e fenomenológica de si mesmo, da construção do mundo pessoal, 
com auto percepção de si, da sua experiência passada e das suas 
possibilidades, recursos, fragilidade e contradições, profundamente marcado 
pela procura da identidade própria, assente na autoafirmação e numa 
polaridade de atividade/passividade 
 Espiritual – É o mundo da relação com o desconhecido (Ueberwelt), que 
envolve uma relação com o mundo ideal, a ideologia e os valores, onde se pode 
exprimir o propósito da existência individual, numa tensão permanente entre o 
propósito/absurdo e esperança/desespero. 
 
Cada indivíduo centra-se na construção de significados com que luta contra o 
vazio e a falta de sentido, sendo responsável (existencialmente) pela sua 
autoafirmação e desenvolvimento, estando consciente do que sentiu e pensou, do que 
sente e pensa e podendo antecipar o que poderá vir a ser no futuro. Cada indivíduo 
necessita e deseja estar com os outros, com os quais pode empatizar e aprender, 
através dos quais se descobre e com os quais constrói projetos e relações 
significativas. 
 
30 
 
8.2 A ansiedade resulta do confronto com os dados da existência 
 
Fonte:www.mulheresid.com.br 
O desenvolvimento individual e a integração envolvem um confronto 
incontornável e inevitável do indivíduo com os dados da existência, confronto do qual 
resulta experiências de ansiedade na gestão da qual o indivíduo pode utilizar 
estratégias variadas. 
Existir envolve, por um lado, a consciência de tragédia inerente à condição 
humana e construída por insegurança, frustração e perdas irreparáveis e, por outro, 
pela consciência da esperança que resulta da liberdade de escolha, da auto 
realização, da dignidade individual, do amor e da criatividade. 
Os dados da existência são: 
 Consciência da morte – Implica a experiência de contingência, enquanto 
possibilidade do fim de todas as suas possibilidades (existência/finitude), 
geradora da ansiedade e medo da morte, que emerge do conflito entre a 
consciência de finitude e o desejo de continuar sendo; 
 Consciência da liberdade– Implica a experiência de responsabilidade e 
autonomia no sentido das escolhas concretas e situadas que envolvem medo 
do incerto e do desconhecido. A ansiedade emerge do conflito/dependência 
 
31 
 Consciência da solidão – Implica a experiência de isolamento, com medo da 
separação. A ansiedade emerge do conflito solidão/sociabilidade 
 Consciência da falta de sentido – Implica a experiência de vazio e 
desespero associado ao absurdo de existir. A ansiedade emerge do conflito 
falta de sentido/projeto e a coragem é a capacidade para continuar em direção 
ao futuro apesar do desespero. 
 
O indivíduo não pode escolher as limitações da sua existência, mas pode 
escolher os modos de confronto com essas limitações, isto é, como é que se confronta 
com elas. Assim, diferentes autores têm enfatizado preferencialmente diferentes 
dados da existência, o que também tem contribuído para a heterogeneidade das 
concepções mesmo dentro da perspectiva existencial. No entanto, quase todos deram 
importância que pode ter a negação da liberdade de escolha e/ou à negação das 
limitações inerentes à facticidade. Assim surgiu o conceito de inautenticidade, usado 
como sinónimo de auto decepção por Heidegger e correspondendo ao conceito de má 
fé de Sartre. Negando a sua liberdade de escolha e a sua responsabilidade, o 
indivíduo nega a possibilidade de escolher livremente o seu futuro. 
A ansiedade é, ela própria um dado da existência com que o indivíduo se 
confronta inevitavelmente e que pode ser experimentada de forma mais intensa e 
significativa mais em certos momentos da trajetória existencial do que noutros. Por 
exemplo, pode associar-se a crises pessoais, luto, doença física, fases de transição 
do ciclo de vida individual ou familiar, entre outras situações. 
 
 
Perturbar-se é uma possibilidade do existir 
 
 
32 
 
Fonte:www.altoastral.com.br 
No quadro existencial é importante situar o estatuto da perturbação mental, 
uma vez que parte significativa das psicoterapias existenciais não a tomam 
necessariamente como foco da sua intervenção, por considerarem que isso seria uma 
perspectiva redutora ou, pelo menos, não tomam a psicopatologia como foco principal 
de intervenção. Até porque a valorização da dignidade existencial opõe-se às 
classificações psiquiátricas (Erthal, 1999), que fragmentam a totalidade da existência 
individual. 
Nesta medida, as perturbações mentais são vistas como aspectos integrado na 
totalidade da existência individual, expressões parciais das modalidades de 
construção do seu-mundo. 
Sem uma finalidade exaustiva, uma vez que o objetivo deste não é a relação 
entre a psicopatologia e a existência, mas sim introduzir as psicoterapias existenciais, 
referem-se aspectos valorizados por autores relevantes sobre o significado existencial 
da psicopatologia, tendo em conta que ela é uma possibilidade humana universal 
(pode acontecer a qualquer um...). 
Com Binswanger (1981, 1971) a psicopatologia é o que se afasta da estrutura 
apriorística do ser (categorias ontológicas) e se tornou uma estrutura existencial 
modificada. 
Para May (1958), que introduziu a psicoterapia existencial nos Estados Unidos 
da América, a ansiedade patológica resultaria do indivíduo não se confrontar com a 
ansiedade normal, sendo esta a que deriva do confronto com os dados da existência. 
 
33 
Denominando-a ansiedade neurótica, desproporcionada ao perigo, May 
contextualizou-a como resultado das tentativas feitas pelo indivíduo para diminuir ou 
negar a ansiedade resultante do confronto com os dados da existência. Assim, a 
ansiedade neurótica poderia significar, por exemplo, negação do medo da morte, 
negação da liberdade de escolha, evitando assumir responsabilidades ou 
conformismo com as normas sociais impostas. Assim, serviria para proteger o 
indivíduo contra a ansiedade que emerge dos dados da existência, na medida em que 
resultaria da tentativa de reduzir ou negar a ansiedade ligada à existência, na busca 
duma existência segura, certa e livre de ansiedade. 
Desta maneira, o que denominamos por sintomas em psicopatologia poderiam 
ser considerados como possibilidades escolhidas: ao escolher não se confrontar 
diretamente com a ansiedade associada aos conflitos existenciais, o indivíduo poderia 
perturbar-se mentalmente. Isto é, os sintomas derivariam de escolhas não autênticas 
que, não reduzindo a ansiedade associada aos dados da existência, apareceria sob a 
forma de ansiedade neurótica. Portanto, os sintomas poderiam ser compreendidos 
como expressões parciais da forma como o indivíduo constrói o seu mundo. Ou, se 
quiser, o desajustamento é o resultado de uma escolha do próprio indivíduo, que 
experimenta uma inabilidade para contatar com o mundo e consigo mesmo, 
mantendo-se bloqueado num falso projeto de ser, uma forma pouco autêntica de 
realizar o projeto. Por exemplo, o esforço do indivíduo neurótico para ser o que deseja 
afasta-o da possibilidade de ser o que é (Erthal,1999). Isto não significa, de modo 
algum, que o indivíduo seja culpado pela perturbação mental que experimenta. 
Apenas quer dizer que a perturbação mental se relaciona compreensivelmente com 
as modalidades de construção do seu-mundo. 
Com Yalom (1980), o comportamento perturbado surge diretamente associado 
ao fracasso na resolução dos conflitos existenciais, entendidos estes como confrontos 
entre o indivíduo e os dados da existência. Ou seja, são definidas modalidades de 
perturbaçãomental especificamente associadas ao medo da morte, ao medo da 
liberdade de escolha, ao medo do isolamento e à falta de sentido. 
 
34 
9 OBJETIVOS DA PSICOTERAPIA EXISTENCIAL 
 
Fonte: amenteemaravilhosa.com.br 
Tendo em conta que não existe uma, mas sim várias propostas de psicoterapia 
existencial, apenas podem delimitar-se objetivos gerais uma vez que cada proposta 
tem os seus objetivos específicos (Deurzen-Smith, 1996): 
- Facilitar ao indivíduo uma atitude mais autêntica em relação a si próprio; 
- O conceito de autenticidade assume aqui importância central. Trata-se de um 
processo gradual de auto compreensão com a finalidade do sujeito vir-a-ser mais 
verdadeiro e coerente consigo próprio, para que possa responder às situações com 
sentimento de domínio e maior percepção de controle pessoal. 
Para Cohn (1997), trata-se de ajudar o cliente a libertar-se das consequências 
perturbadoras da negação e evasão no seu confronto com os dados da existência, 
acendendo a uma forma de existir mais autêntica 
- Promover uma abertura cada vez maior das perspectivas do indivíduo em 
relação a si próprio e ao mundo; 
– Esta abertura, que consiste num trabalho focalizado na relação do indivíduo 
consigo mesmo, pode ser promovida através da facilitação de uma auto avaliação das 
suas crenças, valores e aspirações que sirva para atingir maior clareza na exploração 
das suas experiências. 
 
35 
O foco é a autoconsciência, enquanto consciência de si mesmo, em particular 
a autoconsciência do tempo perdido (possibilidades perdidas) e da necessidade de 
viver agora. O principal objetivo é proporcionar o máximo de auto--Consciência para 
favorecer um aumento do potencial de escolha (Erthal, 1999). 
 Clarificar como agir no futuro em novas direções 
 Trata-se de facilitar a abertura a novas possibilidades de vir-a-ser, diferentes 
das desenvolvidas até aí e de acordo com o seu projeto, em relação ao qual 
se facilita o confronto. Pretende-se ajudar o cliente a descobrir o seu poder de 
autocriação e a aceitar a liberdade de ser capaz de usar as suas próprias 
capacidades para existir. 
 O foco é a autodeterminação, enquanto poder do indivíduo de decidir o que 
lhe convém ser e fazer, exercendo a sua liberdade de escolha. Trata-se de 
facilitar a abertura à construção de novas alternativas: 
 Facilitar o encontro do indivíduo com o significado da sua existência; 
 Trata-se de promover o confronto e a reavaliação da compreensão que o 
indivíduo tem da vida, dos problemas que tem enfrentado e dos limites 
impostos ao seu estar-no-mundo. 
 O foco é a procura de sentido que permite a auto realização, enquanto tudo o 
que o indivíduo é capaz de vir-a-ser; 
 Promover o confronto com e a superação da ansiedade que emerge dos 
dados da existência, nomeadamente da inevitabilidade da morte, da liberdade 
de escolha em situação, da solidão e da falta de sentido para a vida. 
Em síntese, trata-se de facilitar ao indivíduo o desenvolvimento de maior 
autenticidade em relação a si próprio, uma maior abertura das suas perspectivas 
sobre si próprio e o mundo e, ainda, de ajudar a clarificar como é que poderá agir no 
futuro de forma mais significativa. O centro é a responsabilidade da liberdade de 
escolha do indivíduo. 
A palavra-chave é construção, uma vez que se trata de desafiar o indivíduo a 
ser o construtor da sua existência. 
Tendo em conta que a psicoterapia existencial não é conceitualizada como um 
tratamento nem como uma terapêutica da perturbação mental, nem se focaliza 
necessariamente no alívio dos sintomas, mas que é essencialmente um processo de 
confronto com as potencialidades e de mudança pessoal, os indivíduos que mais 
podem beneficiar são os que: 
 
36 
 Apresentam um pedido de ajuda no qual já mostram a percepção de que os 
seus problemas são acerca do existir e não uma forma de patologia, ou que 
acabam por reconhecer isto ao fim de algumas entrevistas; 
 Consultam por motivos relacionados com crises pessoais e/ou psicopatologia 
mas conseguem relacionar o seu mal-estar com a sua trajetória existencial; 
 Têm interesse genuíno em aumentarem o seu autoconhecimento e auto 
compreensão, isto é, re-situarem-se em relação a si próprios e à situação que 
vivem; 
 Desejam ser mais autênticos, considerando mais o futuro do que o seu 
passado nos momentos de tomada de decisão e que querem desenvolver 
expressões mais significativas nas suas relações com os outros; 
 Desejam pensar sobre si próprios e sobre os significados que atribuem aos 
seus comportamentos e relações interpessoais; 
 Enfrentam crises pessoais, tais como luto, separações, desemprego, transição 
de fase do ciclo de vida, solidão e anomia; 
 Estão em confronto com doença física grave ou pelo menos percepcionada 
como ameaçadora, ou com consequências de acidentes e/ou incapacidades 
 Têm facilidade em verbalizar sobre as suas experiências, ideias intenções, 
emoções e Sentimentos; 
 Têm interesse genuíno em aumentarem o seu autoconhecimento e auto 
compreensão, isto é, re-situarem-se em relação a si próprios e à situação que 
vivem; 
 Desejam ser mais autênticos, considerando mais o futuro do que o seu 
passado nos momentos de tomada de decisão e que querem desenvolver 
expressões mais significativas nas suas relações com os outros; 
 Desejam pensar sobre si próprios e sobre os significados que atribuem aos 
seus comportamentos e relações interpessoais; 
 Enfrentam crises pessoais, tais como luto, separações, desemprego, transição 
de fase do ciclo de vida, solidão e anomia; 
 Estão em confronto com doença física grave ou pelo menos percepcionada 
como ameaçadora, ou com consequências de acidentes e/ou incapacidades 
 Têm facilidade em verbalizar sobre as suas experiências, ideias intenções, 
emoções e sentimentos; 
 
37 
Em princípio, a psicoterapia existencial não beneficiará significativamente 
indivíduos que procuram apenas alívio de sintomas, em que o mal-estar que motiva o 
pedido de ajuda está exclusivamente relacionado com representações de doença, 
buscam dependência ou não desejam ou temem pôr-se em questão, não desejando 
confrontar-se com as suas contradições e possibilidades de mudança. 
10 ENCONTRO TERAPÊUTICO 
 
Fonte:oferplan.elcorreo.com 
O encontro terapêutico enraíza no método fenomenológico, de tal modo que é 
apreensão da presença do outro “tal como” ele aparece diante do terapeuta – 
apreensão da presença do outro tal como ele se fenomenaliza frente ao terapeuta, 
sem distorções interpretativas – pelo que é necessário estabelecer contato 
(sintonizando), acender ao seu estado de consciência (empatizando) e compreender, 
captando as modalidades de constituição da sua presença no mundo. 
O foco é a realidade do outro, isto é, a experiência que ele tem do mundo. 
Caracteriza-se por uma relação existencial que envolve estar-com e estar-para. 
 
38 
10.1 Características da relação existencial em terapia 
 
Fonte:www.e-tlaxcala.mx 
A relação existencial é estar-com porque é encontro enquanto tal (Spinelli, 
2003), de uma existência com outra existência, implicando uma presença sentida 
(estar-por-si), a reciprocidade (estar-para-o-outro), cuidado (acolher o outro na sua 
esfera vital), o laço emocional (eu/tu que criam um “nós”, numa reciprocidade ativa 
para que o outro se ilumine e descubra) e convite ao diálogo autêntico, a partir das 
vivências ou intencionalidades significativas. 
A atitude fundamental é a atitude fenomenológica, de aproximação ao mundo 
do outro com abertura e espírito de descoberta dos significados que ele atribui (O 
quê? Como?), permitindo aumentar a consciência que ele tem da sua experiência(autoconsciência), compreender a importância que dá ao futuro nas suas decisões 
(auto realização) e perspectivar a autenticidade em termos de agir interações 
determinadas (autodeterminação) e fundadas na sua individualidade e integradas no 
seu projeto. 
 A psicoterapia desenvolve-se a partir da aplicação do método fenomenológico 
aplicado à existência. As características principais do encontro terapêutico em 
psicoterapia existencial são: a coerência (comportamento mútuo de co-relação), o 
caráter fortuito, uma vez que o encontro pode chegar no instante de forma imprevista 
(acontece...), a liberdade de deixar o outro ser como é, e a abertura a novas 
possibilidades. Envolve também o face-a-face, porque o encontro acontece no olhar. 
 
39 
As grandes finalidades relacionam-se com facilitar ao cliente o aceitar-se (como se é), 
querer-se (a si mesmo), sentir-se e escolher-se. Na entrevista clínica de avaliação 
inicial é necessário considerar um conjunto de focos e dinâmicas existenciais. 
Entre os focos salientam--se: experiência subjetiva, intencionalidade, liberdade 
e responsabilidade, escolhas, autenticidade e o mundo pessoal (dimensões da 
existência, sonhos). 
Entre as dinâmicas existenciais salientam-se a incorporação do passado e do 
futuro no presente e, também, o comprometimento para vir-a-ser. 
10.2 Estilo terapêutico 
 
Fonte: harmonizandovinculos.com 
O estilo terapêutico é marcado pela variabilidade adaptável às necessidades 
individuais, passividade, atividade, ritmo que segue as preocupações do cliente, 
temas considerados e explorados em diálogo e interesse por aquilo que interessa ao 
sujeito. As intervenções mais essenciais destinam-se a contrariar a persistência, na 
pessoa do cliente, em evitar o reconhecimento da sua autoafirmação 
(responsabilidade) e a facilitar-lhe a identificação de alternativas pessoalmente 
viáveis. 
É possível sistematizar as estratégias de intervenção que são mais utilizadas 
em psicoterapia existencial: 
 
40 
 Utilizar a atitude fenomenológica na abordagem dos conteúdos 
temáticos que estão implícitos nas produções discursivas do indivíduo, 
dos seus valores e crenças pessoais, explorando as suas construções 
mais significativas sobre si próprio e o mundo. 
 Qual a minha natureza essencial? Quais as minhas qualidades? O que 
é importante para mim? Quais as pessoas mais importantes para mim? 
O que é o mundo? É seguro ou ameaçador?). 
 O método fenomenológico é usado para compreender o existente tal 
como ele é e se escolhe; 
 Confrontar com as limitações existenciais, nomeadamente no que 
concerne à auto decepção/frustração (ajudando a redescobrir as 
oportunidades e desafios esquecidos), à angústia existencial (facilitando 
a consciência das limitações provenientes da inevitabilidade da morte), 
à culpabilidade existencial, às consequências das escolhas passadas e 
futuras (reconhecendo limitações e possibilidades) e as contradições 
próprias relacionadas com sucesso/fracasso, liberdade/necessidade e 
certeza/dúvida. 
 Facilitar a exploração do mundo pessoal 
 Em relação às quatro dimensões da existência (física, psicológica, social 
e espiritual) para identificar prioridades e impasses, bem como eventuais 
preocupações em níveis particulares da existência, o que exige a 
facilitação de uma atitude expressiva de auto exploração e envolvimento 
emocional. Inclui também a eventual exploração dos sonhos, entendidos 
como mensagens do sonhador para si próprio e refletindo as várias 
dimensões da existência 
 Facilitar a elucidação de significados, encorajando uma atitude de 
procura focalizada em si próprio, com abertura à autodescoberta para se 
encontrar ( 
 Como se identifica a si próprio e ao mundo? O que é que lhe interessa 
realmente neste momento? Que conflitos encontra? Quais são os 
desejos? Quais são os obstáculos?). 
 
Assim, as intervenções deverão facilitar as alternativas ao cliente, pelo que 
beneficiam de aspectos tais como: 
 
41 
 
 Porque não? Haverá outras possibilidades? 
 Encoraja a reflexão, cria uma oportunidade para a auto exploração e pode gerar 
alternativas 
 Poderia...? 
 Promove o confronto com a responsabilidade existencial e com a liberdade 
 O que terá feito para criar essa situação? 
 Permite aumentar a consciência da autoria das suas escolhas 
 O que é que isto quer dizer para si? 
 Solicita uma compreensão do significado dos acontecimentos para o próprio 
 O que vai fazer para o futuro? 
 Perspectiva a possibilidade de vir-a-ser 
 Será que poderia fazer de outra maneira? 
 Proporciona a possibilidade de mudança ao desafiar o cliente a compreender 
como poderá fazer outras escolhas. 
Pretende-se facilitar o confronto ativo do cliente com o seu projeto, 
questionando a sua existência e facilitando a abertura à construção de alternativas, 
para que possa mudar o presente e o futuro. Esta reconstrução alternativa da 
experiência destina-se a proporcionar mudança e deve ter em conta que a mudança 
terapêutica é um processo de construção gradual que implica comprometimento com 
o desejo (projeto), escolha e ação. 
Trata-se de ajudar o outro a ser o seu nome (o“quem”), fazendo aquilo que 
deseja e se permite, convertendo a história na sua história e a realidade individual em 
realização pessoal. 
Procura-se ativar as zonas de desenvolvimento potencial da pessoa do cliente 
que se integrem no seu projeto, para que ele possa cuidar de si e da situação. 
 
 
42 
10.3 Atitudes e qualidades profissionais e pessoais desejáveis 
 
Fonte: vilamulher.uol.com.br 
As atitudes do terapeuta permitem escrutinar o nível de consciência que o 
cliente tem da sua experiência e devem também facilitar-lhe tomar ainda mais 
consciência de si. Devem permitir também ao cliente perspectivar a sua autenticidade 
para girações determinadas e fundadas na sua individualidade, integradas no seu 
projeto. Entre essas atitudes clínicas destacam-se: 
A autenticidade de apresentar-se “tal como se é”, evitando esconder-se atrás 
do profissionalismo, estando consciente dos seus próprios sentimentos em relação à 
pessoa do cliente. Implica uma atitude natural e espontânea, com vontade de ser 
verdadeiro para a pessoa do outro, que lhe facilite o autoconhecimento e seja sensível 
e fator de confiança; 
A aceitação incondicional da pessoa do cliente, sem pré-juízos nem ideias 
preconcebidas da originalidade do cliente, tal como se apresenta. Implica recusa de 
qualquer atitude avaliativa, para que venha a ser possível libertar o medo e confirmar 
a responsabilidade de cuidar de si e da situação. Envolve interesse positivo, respeito 
por todas as manifestações da personalidade do cliente, escuta acreditante, 
consideração pelo seu sistema explicativo e respeito pela sua capacidade potencial 
de vir-a-ser mais autêntico; 
 
43 
A compreensão empática, enquanto partilha baseada na intuição participante, 
uma aproximação que permitirá ressoar as referências internas do outro tal como ele 
as experimenta e que alternará com o distanciamento analítico que permite a distância 
terapêutica óptima para a compreensão da totalidade da existência do cliente. 
No seu conjunto, as atitudes de autenticidade, aceitação incondicional e 
compreensão empática permitem o escrutínio do nível de consciência que o cliente 
tem sobre a sua experiência (para facilitar uma maior consciência de si) e, também, 
compreender a importância que ele confere ao futuro ou ao seu passado nas decisões 
pessoais. Pode questionar-se se existem qualidades desejáveis para ser terapeuta 
existencial. Para além dos conhecimentos teóricos e do treino profissional que são 
necessários,a natureza específica da psicoterapia existencial torna desejável a 
presença de certas características pessoais e de certa experiência de vida. Entre as 
características pessoais destacam - se: capacidade de autorreflexão, atitude de 
procura de significados e abertura a várias perspectivas. 
A experiência de vida envolve diferentes experiências profissionais em 
diferentes contextos, experiência de crises existenciais e de conflito satisfatoriamente 
resolvidas e capacidade de lidar com um número muito diverso de contradições, 
atitudes, sentimentos, pensamentos, valores e experiências. A relação terapêutica 
deverá caracterizar-se por um movimento para a reciprocidade positiva, no interior de 
uma relação real em desenvolvimento 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
44 
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