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Questão 1/5 - Teoria Literária Leia a citação a seguir: “Com a alegria, contentamento e ufania já ditas seguia D. Quixote sua jornada, imaginando-se, pela passada vitória, ser o cavaleiro andante mais valente que tinha o mundo naquela idade; dava por acabadas e a feliz fim conduzidas quantas aventuras lhe pudessem acontecer dali adiante; tinha em pouco os encantos e os encantadores; não se lembrava das inumeráveis pauladas que no discurso das suas cavalarias recebera, nem da pedrada que lhe arrancara metade dos dentes, nem da ingratidão dos galeotes, nem do atrevimento e da chuva de bordões dos arreeiros”. Após esta avaliação, caso queira ler o texto integralmente, ele está disponível em: CERVANTES, Miguel de. O Engenhoso cavaleiro D. Quixote de La Mancha (segundo livro). Trad. Sérgio Molina. São Paulo: 34 Letras, 2007, p. 199. A obra de Cervantes é, entre outras coisas, uma paródia de um estilo literário predominante na Idade Média, os romances de cavalaria. Esse estilo apareceu com nuances diferentes em boa parte da Europa, variando temas e estilos de acordo com a língua em que foi escrito. Considerando a citação acima e os conteúdos do livro-base Teoria da Literatura sobre as características dos romances de cavalaria, é correto afirmar que: Nota: 20.0 A eram histórias protagonizadas por cavaleiros pagãos, gentios ou cristão, cuja finalidade era conquistar territórios e riquezas para seus reis. B protagonizados por cavaleiros cristãos, as ações dos romances de cavalaria envolviam donzelas em apuros, dragões e respeito a códigos de honra. Você acertou! Os romances de cavalaria caracterizavam-se pela presença dos elementos mencionados na alternativa, variando alguns aspectos dependendo da língua em que foi escrito. As ações desses romances “assemelhavam-se e repetiam-se – encontro com dragões, salvamento de donzelas em apuros, defesa da inocência e punição da malfeitoria. [...] O herói do romance era sempre um cristão cavaleiro, que nas cruzadas para reconquista da Terra Santa [em Jerusalém] se batera pelo seu Deus e sua dama” (livro-base, p. 184). As demais alternativas estão erradas pelas razões acima e porque esses livros não eram realistas no sentido que damos a esse termo hoje, tampouco foram proibidos de circular por essa razão, pelo contrário; China e Índia não eram palco das lutas das Cruzadas, que diziam respeito à retomada de Jerusalém; nem giravam em torno de brigas entre famílias rivais encenadas por pares amorosos como em Romeu e Julieta, drama da era moderna escrito por Shakespeare. C os romances de cavalaria eram demasiado realistas, retratando hábitos e costumes das cortes medievais, por isso foram proibidos de circular. D os romances de cavalaria eram protagonizados por cavaleiros cristãos que lutaram na Índia e na China para promover ali a fé cristã. E protagonizados por casais de famílias rivais, os romances de cavalaria sempre terminam mal por causa da impossibilidade da consumação carnal. Questão 2/5 - Teoria Literária Leia o excerto de texto a seguir: “‘O silêncio eterno desses espaços infinitos me apavora’ [...]. O pavor é o sentimento de um homem que vaga em um universo sem telos [finalidade], sem evidência de um começo, sem um sentido objetivo absoluto, impossível de apreender totalmente, impossibilidade também de não conceber nada, impossível de imaginar totalmente, impossibilidade de não imaginar nada”. Após esta avaliação, caso queira ler o texto integralmente, ele está disponível em: Martins, Andrei Venturin. As faces do silêncio em Blaise Pascal. Último Andar, n. 13, dez. 2005, p. 71 <https://revistas.pucsp.br/index.php/ultimoandar/article/viewFile/12690/9233>. Acesso em 12 de mai. 2017. A arte está ligada a sentimentos que nos aproximam dos chamados homens primitivos. A expressão de Pascal leva o homem a procurar compreender de alguma forma aquilo que não compreende. Considerando o fragmento de texto acima e o conteúdo do livro-base Teoria Literária sobre as hipóteses que buscam explicar a necessidade da arte, é correto afirmar que: Nota: 20.0 A A arte ajuda o homem a preencher sua experiência diante da sensação de falta e abandono que experimenta em face do mundo. Você acertou! “As considerações de Gombrich mostram a fragilidade que ainda pertencem ao ser humano e o quanto isso pesa para manter o ‘primitivo’ em nós e o quanto da arte é, ainda, parte da nossa necessidade de proteção e de nossa forma de exorcizar aquilo que nos incomoda. Uma outra possibilidade de avaliar o surgimento da arte discursa sobre a necessidade humana de completar uma vida que, por si só, não basta” (livro-base, p. 28) B A arte surgiu para simbolizar o domínio da natureza sobre o homem e sobre as demais espécies animais, eternizando esse poder. C A necessidade da arte está ligada hoje ao uso terapêutico ou medicinal, buscando curar doenças físicas ou mentais. D O ornamento, a decoração, as bijuterias são elementos que buscam seduzir e submeter o outro, finalidades que explicam a necessidade da arte. E A arte surge para completar o conhecimento científico, dando-lhe elementos concretos e empíricos para comprovação da verdade. Questão 3/5 - Teoria Literária Leia a passagem a seguir: “Porque não é do lado teórico ou teológico, nem do lado prático ou pedagógico, que a teoria me parece principalmente interessante e autêntica, mas pelo combate feroz e vivificante que empreende as ideias preconcebidas dos estudos literários e pela resistência igualmente determinada que as ideias preconcebidas lhe opõem”. Após esta avaliação, caso queira ler o texto integralmente, ele está disponível em: COMPAGNON, Antoine. O demônio da teoria: literatura e senso comum. Belo Horizonte: UFMG, 2014. p. 15-16. Compagnon no texto acima destaca o combate que a teoria empreende nos estudos literários. A forma mais visível desse fenômeno são as diversas correntes da crítica que se sucederam no tempo e que hoje, muitas delas, convivem nos meios dos estudos literários. Considerando esses aspectos, a citação e o livro-base Teoria da Literatura, relacione as críticas abaixo as suas respectivas características. Crítica impressionista Crítica formalista Nova crítica ( ) Essa crítica defende a leitura minuciosa do texto, rastreando os significados literais e figurados das palavras, além de examinar detidamente o enredo e as personagens do texto. ( ) Essa corrente vê a obra como um sistema em que os elementos todos estão de tal modo vinculados entre si, que não é possível separar forma e fundo. ( ) O forte dessa abordagem era a recusa de qualquer método objetivo, pois para ela o centro da crítica era guiada pelos sentimentos que a obra provocava no crítico. Agora, marque a sequência correta: Nota: 20.0 A 3 – 2 – 1 Você acertou! A nova crítica se caracteriza por “escanear” com uma lupa o texto literário de modo a percorrer todos os sentidos de forma detalhada e aprofundada: “Na leitura microscópica o crítico e aproxima do texto como quem porta uma lupa [...]” (livro-base, p. 76). Já a crítica formalista objetivava “encontrar no próprio texto as características que o tornam literário. A obra é vista por eles como uma forma, um sistema em que todos os elementos interagem, logo não é possível separar forma e fundo” (livro-base, p. 73). E a crítica impressionista recusa “qualquer forma de erudição, método ou crítica objetiva e é das leituras que surge o diálogo da subjetividade do leitor com as subjetividades das obras-primas universais” (livro-base, p. 73). B 1 – 2 – 3 C 3 – 1 – 2 D 2 – 1 – 3 E 2 – 3 – 1 Questão 4/5 - Teoria Literária Leia o fragmento de texto a seguir: “Poesia española serve como introdução [...] tanto dos clássicos da poesia espanhola quanto, de modo geral, da pesquisa estilística moderna. O livro apresenta uma construção clara: a introdução sobre Saussure e o posfácio sobre Bally discutem teorias linguísticas que servemde base para teorias literárias”. Após esta avaliação, caso queira ler o texto integralmente, ele está disponível em: SPITZER, L. A poesia española de Dámaso Alonso. In: LIMA, L. C. Teoria da literatura em suas fontes. v. 1. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1983. p. 352-353. O fragmento de texto acima envolve dois grandes teóricos da chamada crítica estilística: Leo Spitzer e Dámaso Alonso. De acordo com o fragmento e os conteúdos do livro-base Teoria da Literatura sobre a crítica estilística, é correto afirmar que: Nota: 20.0 A a análise estilística enfatiza o papel do leitor, que é visto sob dois ângulos: o das expectativas e o da emancipação. B o estímulo à análise que tem o texto como base e o foco no pensamento voltado para a essência do homem são o centro da crítica estilística. C o exame minucioso do autor e de sua psicologia são os elementos da análise do texto literário mais importantes para a crítica estilística. D o aspecto histórico e social que envolve tanto o autor quanto a obra dirigem a pesquisa e a análise estilísticas. E a crítica estilística detém-se nos recursos afetivos da língua, propõe uma estilística da linguagem e tem como objeto o estilo individual. Você acertou! As alternativas a, b, c e d remetem-se respectivamente às críticas da recepção, hermenêutica, biográfica e sociológica. A alternativa “e” é a única correta pois traz parte das características da crítica estilística, como se lê no livro-base: “Charles Bally [...] propõe que as operações metodológicas devem voltar-se para os recursos afetivos da língua [...], Vossler propõe uma estilística da linguagem [...], Spitzer entende como objeto de estudo da estilística o estilo individual” (livro-base, p. 74). Questão 5/5 - Teoria Literária Leia a citação a seguir: “Assim como os poetas mânticos das comunidades primitivas aprendem métodos para atingirem estados conducentes à ‘possessão’, e assim como [...] os religiosos são aconselhados a usar para as orações lugares e horários fixos, [...] assim também os escritores do mundo moderno descobrem, ou julgam descobrir, rituais para os induzirem a um estado criador”. Após esta avaliação, caso queira ler o texto integralmente, ele está disponível em: WELLEK, René; WARREN, Austin. Teoria da literatura. Lisboa: Publicações Europa-América, 1971. p. 107 Um texto para se constituir num fenômeno literário precisa, entre outras coisas, da capacidade de o autor revelar ao leitor uma visão única de mundo, que parta de sua experiência pessoal e singular. De acordo com a citação acima e o conteúdo do livro-base Teoria da Literatura, essa capacidade é chamada de: Nota: 20.0 A habilidade linguística. B competência comunicativa. C disponibilidade anímica. Você acertou! “Assim, bem vemos que a primeira importância de um texto literário repousa na competência da elaboração, cujo peso é, sem dúvida, muito grande, mas a importância maior que podemos atribuir a um bom trabalho literário é aquilo que realmente constitui o fenômeno literário: chamemos de disponibilidade anímica para revelar ao outro essa condição absolutamente única de ver e sentir o mundo, com a alma e a partir da alma” (livro-base, p. 19). D performatividade literária. E redundância criativa.