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Pincel Atômico - 06/07/2023 16:59:14 1/7 JOSÉ RAIMUNDO SOARES MOTA Exercício Caminho do Conhecimento - Etapa 4 (21586) Atividade finalizada em 01/07/2023 13:28:48 (1059643 / 1) LEGENDA Resposta correta na questão # Resposta correta - Questão Anulada X Resposta selecionada pelo Aluno Disciplina: PRÁTICA PEDAGÓGICA INTERDISCIPLINAR: TEORIA LITERÁRIA [873319] - Avaliação com 8 questões, com o peso total de 3,33 pontos [capítulos - 2] Turma: Segunda Graduação: Segunda Graduação 6 meses - Licenciatura em Letras-Português - Grupo: FPD-MAIO2023 - SGegu0A300523 [93041] Aluno(a): 91209464 - JOSÉ RAIMUNDO SOARES MOTA - Respondeu 3 questões corretas, obtendo um total de 1,25 pontos como nota [359299_1319 54] Questão 001 Em texto de 1972, Algirdas-Julien Greimas acentua a relatividade do conceito, ao vincular a interpretação da "literariedade", ou seja, das características que tornam "literário" um texto, "a uma conotação sociocultural e sua consequente variação no tempo e no espaço humanos"5. E, no ano seguinte, Michel Arrivé, reitera o posicionamento, ao afirmar que "a literatura é o conjunto dos textos recebidos como literários numa sincronia sociocultural dada"6. Paralelamente, o caráter ficcional que, durante largo tempo, foi considerado uma das características básicas do texto de literatura, entendida a ficção como fingimento, resultante do ato de fingir, tem sido posto em questão. Para alguns especialistas contemporâneos, o ficcional não se confunde com o falso: nele se abriga alguma coisa captada da realidade. A conceituação da literatura, assim, permanece em aberto, na medida em que acompanha o dinamismo da cultura em que se insere. A questão fundamental, e que continua desafiando os especialistas, é a caracterização da natureza das propriedades estéticas do texto literário e quais as ligações entre ambas. Se é difícil, entretanto, conceituar ou definir, por meio de palavras, certas realidades do mundo, isso não significa que deixem de existir os elementos que as singularizem. (FILHO, Dominício Proença. A Linguagem Literária. São Paulo: Ática, 2007, p. 10). Tomando como referência o texto acima, avalie as afirmações que se seguem: I – O conceito de literatura se subjaz, além da literariedade, aos elementos socioculturais. II – Para definir o que é ou não literatura é preciso apenas observar o uso particular que se faz da linguagem. III – O que é ou não Literatura relaciona-se não apenas com o uso estético da linguagem, mas pela leitura e juízo que determinada época e sociedade fazem da obra literária. IV – Apesar de não podemos desvincular a literatura dos contextos históricos, sociais e culturais, é possível caracterizar alguns de seus elementos estéticos recorrentes. Apenas I , III, IV estão corretas. Apenas I e II estão corretas. Apenas II e III estão corretas. X Apenas I e III estão corretas. Apenas II e III e IV estão corretas. [359298_1319 49] Questão 002 “[...] inventamos horrores para nos ajudar a suportar horrores verdadeiros. Contando com a infinita criatividade do ser humano, nos apoderamos dos elementos mais polêmicos e destrutivos e tentamos transformá-los em ferramentas – para desmantelar estes mesmos elementos.” (KING, Stephen. Dança macabra: o fenômeno do horror no cinema, na literatura e na televisão dissecado pelo mestre do gênero. Tradução de Louisa Ibañez. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007, p. 24) Considerando o trecho acima do ficcionista Stephen King assinale a alternativa correta. Pincel Atômico - 06/07/2023 16:59:14 2/7 O comentário do ficcionista rememora a função educativa da literatura que ao trabalhar temas polêmicos, nos ensina a evitar discussões. O comentário do ficcionista lembra-nos que das funções da literatura é permitir através das experiências negativas expurgar sentimentos e emoções e assim nos permitir desconstruir no real os problemas nela postos. O comentário do ficcionista critica a Literatura que trabalha temas polêmicos e destrutivos porque pode influenciar negativamente os leitores. O comentário do ficcionista lembra-nos que os horrores da literatura são apenas uma forma de entretenimento que nos ajuda a expurgar sentimentos e emoções. X O comentário do ficcionista lembra-nos que das funções da literatura é permitir através das experiências negativas expurgar sentimentos e emoções e assim nos ajudam a enfrentar nossos problemas pessoais. [359297_1329 94] Questão 003 (Enade 2011) Nos textos comuns, não literários, o autor seleciona e combina as palavras geralmente pela sua significação. Na elaboração do texto literário, ocorre uma outra operação, tão importante quanto a primeira: a seleção e a combinação de palavras se fazem muitas vezes por parentesco sonoro. Por isso se diz que o discurso literário é um discurso específico, em que a seleção e a combinação das palavras se fazem não apenas pela significação, mas também por outros critérios, um dos quais, o sonoro. Como resultado, o texto literário adquire certo grau de tensão ou ambiguidade, produzindo mais de um sentido. Daí a plurissignificação do texto literário. GOLDSTEIN, N. Versos, sons, ritmos. 5. ed. São Paulo: Ática, 1988, p. 5. Os símbolos, as metáforas e outras figuras estilísticas, as inversões, os paralelismos e as repetições constituem outros tantos meios de o escritor transformar a linguagem usual em linguagem literária. AGUIAR E SILVA, V. M. Teoria da literatura. 3. ed. Coimbra: Almedina, 1979, p.58 (com adaptações). Tomando como referência os textos acima, avalie as afirmações que se seguem. I. A plurissignificação de um texto literário é construída pela combinação de elementos que vão além da significação das palavras que o compõem. II. A construção do texto literário envolve um processo de seleção e combinação de palavras baseados, necessariamente, no uso de metáforas. III. A ambiguidade do texto literário resulta de um processo de seleção e combinação de palavras. IV. O texto literário se diferencia do não literário por não depender de significação, mas, sim, de outros recursos no processo de seleção e combinação das palavras. É correto apenas o que se afirma em I e III. I, III e IV. II, III e IV. X I e II. II e IV. Pincel Atômico - 06/07/2023 16:59:14 3/7 [359297_1329 88] Questão 004 (OMNI 2021 – Prefeitura Santana do Livramento – magistério - adaptado) Cegalla, no Dicionário escolar da língua portuguesa, afirma que a Literatura é a “arte de compor ou escrever trabalhos em prova ou verso com o objetivo de atingir a sensibilidade ou emoção do leitor ou do ouvinte” (CEGALLA, 2005, p. 543). Com base na afirmação, analise as afirmativas a seguir: 1) Considera-se obra literária somente o escrito que se distingue pela beleza da forma e a excelência do conteúdo. Será tanto mais apreciada quanto maior o seu poder de sugerir, de tocar a nossa sensibilidade, de empolgar o nosso espírito. 2) As obras literárias de alcance universal têm, geralmente, menos valor que as de caráter estritamente nacional ou regional. 3) Todo escritor tem seu estilo próprio, pessoal, isto é, sua expressão reveste uma forma característica, pela qual se manifestam seus impulsos emotivos, sua sensibilidade e a feição peculiar de seu espírito, afirmando que o estilo é o espelho em que se reflete a alma do escritor, a tela em que se projeta a personalidade do artista. Assinale a alternativa CORRETA. Está correta somente o segunda afirmativa. Está correta somente a primeira afirmativa. Está correta apenas a terceira afirmativa. X Estão corretas a primeira e a terceira afirmativas. Estão corretas o primeira e segunda afirmativas. [359297_1329 92] Questão 005 Texto 1 Ainda quando se defende a existência de "uma escrituralidade literária", herdeira, em certo sentido, do conceito de "literariedade", utilizado pelos formalistas russos, a questão da especificidade do discurso literário esbarra em entraves complicados e quase sempre obriga o estudioso a trilhar caminhos que podem desviá-lo do seu objeto de análise. Isso explica, por exemplo, a possibilidade de haver excelentes teóricosda literatura que sejam incapazes de ser leitores "desarmados" de literatura; que possam deixar de lado a teoria e "entrar no texto", confundir-se com personagens que transitam no palco literário. Se, de fato, parece ser problemático definir literatura pelo que ela é – e sua existência está comprovada por uma tradição e pela multiplicidade de obras que mantêm viva essa tradição –, talvez seja mais prudente concordar com a existência de um "estatuto do literário" que, por vezes, se vale de critérios externos ao texto mais do que de uma observação minuciosa de sua produção. Disponível em: <http://www.pucminas.br>. Acesso em: 28 jul. 2014 (adaptado). Texto 2: Desencanto Eu faço versos como quem chora De desalento... de desencanto...Fecha o meu livro, se por agora Não tens motivo nenhum de pranto. Meu verso é sangue. Volúpia ardente... Tristeza esparsa... remorso vão... Dói-me nas veias. Amargo e quente, Cai, gota a gota, do coração. E nestes versos de angústia rouca, Assim dos lábios a vida corre, Deixando um acre sabor na boca. Eu faço versos como quem morre. (BANDEIRA, M. A cinza das horas. 1917) A partir dos textos citados, assinale a opção que apresenta a relação entre a especificidade da linguagem literária e a crítica literária. A crítica literária, por não apontar caminhos precisos do processo de leitura do texto, é ineficaz para a fruição e interpretação do poema de Manuel Bandeira. Pincel Atômico - 06/07/2023 16:59:14 4/7 X Para que possa fruir esteticamente o poema de Manuel Bandeira, é necessário que o leitor articule sua experiência de mundo com seus conhecimentos sobre a literatura. Para facilitar a leitura e permitir fruição estética mais intensa ao leitor, os críticos literários mostram a morfologia do texto e as armadilhas que constituem a sua estrutura Os critérios de classificação propostos pela crítica e pelos teóricos da literatura permitem ao leitor uma fruição mais prazerosa do poema de Manuel Bandeira. A partir de leituras críticas do poema de Manual Bandeira, é possível fruí-lo melhor, pois a crítica literária não deixa nada descoberto. [359297_1329 99] Questão 006 A própria produção literária atual encaminha-se na direção de uma fusão com vários segmentos culturais, de que a chamada cultura de massa, tradicionalmente discutida em sua diferença negativa, constitui tão somente um dos aspectos de negociação em bases renovadas. A defesa exclusiva da literatura clássica e da herança nacional, um casamento expresso e legitimado pela construção e manutenção de repertórios recheados de um saber cultural canônico, no entanto, parece tão problemática quanto a sua rejeição global. Hoje circulam e prevalecem formas culturais mistas, e até os textos canônicos são relidos como pontos de cruzamento de discursos amplos, que transcendem as fronteiras tradicionais da esfera do literário e do horizonte de pertença a espaços nacionais linguística e geograficamente circunscritos. OLINTO, H. K. Literatura/cultura/ficções reais. In: OLINTO, H. K.; SCHLLHAMMER, K. E. Literatura e Cultura. Rio de Janeiro: EPUC, 2008, p. 75 (adaptado). (Enade 2014) Assinale a opção que melhor expressa as ideias desenvolvidas no texto 2. Pincel Atômico - 06/07/2023 16:59:14 5/7 X Pincel Atômico - 06/07/2023 16:59:14 6/7 [359299_1319 56] Questão 007 (ENADE - 2017) TEXTO 1 A conceituação do termo ideologia tem sido marcada por transformações ao longo da história. Criado pelo pensador francês Desturt de Tracy (1754 - 1836), o termo ideologia, na explicação de Alfredo Bosi, apresenta dois sentidos: "Há uma concepção ampla e flexível de ideologia que se confunde um pouco com a cultura da época, o estilo, em que a ideologia entra como um componente difuso na cultura. E há um sentido que foi desenvolvido principalmente por Marx e Engels no livro A Ideologia Alemã, que precede O Capital, em que apalavra ideologia tem um sentido negativo — isto é, a ideologia é a racionalização que as classes dominantes fazem do conhecimento da sociedade. A literatura e, por extensão, outras formas de expressão cultural podem oferecer ao leitor textos comprometidos ideologicamente com um grupo social ou uma ideia ou exercer o papel de uma contra ideologia, criando uma literatura de resistência, explica Bosi. (BOSI, A. Entrevista. Poesia como resistência à ideologia dominante. Revista Aduspm, nº 58, 2015) TEXTO 2 Os mendigos assaltaram o depósito do lixão. Puseram nos sacos sobejos de valor. Foram pelas Cadeiras alegres, mas sem abrir a boca, o vento era frio e os dentes de sorrir doíam. Lá nos viadutos fizeram a partilha. Quero a boneca pra minha neta. Que nada, ela é minha! Sem conversa o chefe saltou sobre o da boneca e dividiu sua cara ao meio com uma giletada. O sangue quente nos dentes...Todos sacaram suas giletes e retocaram uns aos outros. O velho barrigudo segurava a torneira da jugular. A netinha aproveitou para tomar a boneca e correr, os cabelos espetando o vento, um olho aberto e outro fechado, sorriso de brinquedo. Sãs e salvas, as duas moram no sinal. A boneca, olho fechado, olho aberto, mão estendida recebe as moedas. O sujeito do outro lado da rua tem planos para a menina. (PONTES, C.G. O sorriso de brinquedo. In: FERNANDES, R. (org). Contos cruéis: as narrativas mais violentas da literatura brasileira contemporânea. São Paulo: Geração Editorial, 2006 – adaptado) Considerando os textos apresentados, conclui-se que a narrativa do texto 2 evidencia uma perspectiva ideológica, assinalada pela construção de um discurso panfletário a favor das camadas populares, que sofrem violência social. uma perspectiva ideológica, identificada pelo interesse do narrador em combater a violência contra crianças por meio da criação literária. X uma perspectiva contra ideológica, manifestada pela elaboração de um discurso narrativo sensível à violência que atinge sujeitos em situação de marginalidade e vulnerabilidade social. uma perspectiva ideológica e contra ideológica, marcada pela defesa dos sujeitos marginalizados e pelo emprego de uma linguagem neutra na abordagem da violência. uma perspectiva contra ideológica, alicerçada pelo discurso entrecruzado de narrador e personagens que lutam pela boneca. Pincel Atômico - 06/07/2023 16:59:14 7/7 [359297_1330 09] Questão 008 (Quadrix - 2018 - SESC-DF - Professor - Português) De fato, antes procurava―se mostrar que o valor e o significado de uma obra dependiam de ela exprimir ou não certo aspecto da realidade, e que este aspecto constituía o que ela tinha de essencial. Depois, chegou―se à posição oposta, procurando―se mostrar que a matéria de uma obra é secundária, e que a sua importância deriva das operações formais postas em jogo, conferindo―lhe uma peculiaridade que a torna de fato independente de quaisquer condicionamentos, sobretudo social, considerado inoperante como elemento de compreensão. Hoje sabemos que a integridade da obra não permite adotar nenhuma dessas visões dissociadas; e que só a podemos entender fundindo texto e contexto numa interpretação dialeticamente íntegra, em que tanto o velho ponto de vista que explicava pelos fatores externos, quanto o outro, norteado pela convicção de que a estrutura é virtualmente independente, se combinam como momentos necessários do processo interpretativo. Sabemos, ainda, que o externo (no caso, o social) importa, não como causa, nem como significado, mas como elemento que desempenha um certo papel na constituição da estrutura, tornando―se, portanto, interno. Antonio Candido. Crítica e sociologia. In: Literatura e sociedade. Rio de Janeiro: Ouro sobre azul, 2010, p. 13 e 14. A respeito das duas correntes teóricas de interpretação da obra literária apresentadas no texto acima, assinale a alternativa correta. Uma interpretação dialeticamente íntegra implica na neutralidade do crítico, que não deve assumir nem uma perspectiva sociológica nem uma abordagem esteticista. X O texto defende a ideia de que a corrente crítica que privilegia a centralidade da matéria social na obra de arte está ultrapassada edeve ser substituída pela perspectiva crítica atenta aos jogos de linguagem. Infere―se do texto que a abordagem crítica exigida pela obra de arte é aquela que considera o trabalho estético de internalização dos dados externos na estrutura da obra. A fusão de texto e contexto no processo interpretativo da obra significa, necessariamente, o apagamento do contexto em favor das dimensões estéticas do texto. De acordo com o texto, o essencial em uma obra literária é a expressão de determinado aspecto concreto da realidade, independentemente de fatores estéticos.