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Nutrição Parenteral Profa Dra Mariana Catta-Preta Conceito Portaria n° 272 - ANVISA “Solução ou emulsão, composta basicamente de carboidratos, aminoácidos, lipídios, vitaminas, estéril e apirogênica, acondicionada em recipiente de vidro ou plástico, destinada à administração intravenosa em pacientes desnutridos ou não, em regime hospitalar, ambulatorial ou domiciliar, visando a síntese ou manutenção dos tecidos, órgãos ou sistemas” Histórico Primeiros relatos no século XIV, porém seus primeiros resultados não se mostraram satisfatórios. As primeiras soluções glicosadas e hidrossalinas apareceram no início do século XVII, mas somente no século XX, mais especificamente 1968, houve a sistematização da Nutrição Parenteral através da proposta de Dudrick da Universidade da Pensilvânia, a qual provava a eficácia e a aplicabilidade segura do uso do método. Indicações Marchini ,1998 Impossibilidade do uso das vias oral/enteral Interferência de doença de base em ingestão, digestão ou a absorção dos alimentos Desnutrição com perda de massa corporal > 20% Estados hipermetabólicos - grandes queimados - pacientes sépticos - politraumatismo extenso - pancreatite aguda (?) - fístulas intestinais de alto débito Contra indicações Marchini ,1998 Pacientes graves em instabilidade hemodinâmica (hipovolemia, choque cardiogênico ou choque séptico) Anúria sem diálise Pacientes terminais (end of life) Vias de acesso Vias de acesso Acesso periférico: Solução de glicose (5-10%) associada a aminoácidos e eventualmente lipídios administrada diretamente a uma veia periférica de baixo calibre (geralmente nos braços); Tolera pouco volume e osmolaridade devido o calibre dos vasos utilizados; Utilizada por períodos entre 7 a 10 dias, porque em geral não atinge as necessidades nutricionais do paciente. Média calórica em torno de 1000-1500Kcal/dia e osmolaridade <900mOsm/L Indicações: pacientes em jejum de 3 a 5 dias, com disfunção do trato gastrointestinal não complicada (PO apendicectomia, pequena ressecção intestinal com SNG aberta em alto débito, em boas condições nutricionais e que possam retornar à ingestão oral rapidamente; Recomenda-se a troca do local de inserção a cada 72 horas (INS1998) Vias de acesso Acesso Central: Também conhecida como Nutrição Parenteral Total (NPT); Administrada por meio de uma veia de grande diâmetro (geralmente subclávia ou jugular interna) diretamente ao coração; Indicada por períodos mais longos (superior a 7-10 dias) porque oferece melhor aporte energético e protéico; Osmolaridade superior a 1000mOsm/L; Indicações: pacientes que não possam tolerar ingestão oral ou enteral e ficarão por mais de 7-10 dias dependendo desse suporte Qual via escolher? Fatores que devem ser considerados na decisão de uso da NPT: Previsão da duração da terapia; Limitação de infusão hídrica; Acesso venoso disponível (distúrbios de coagulabilidade, anasarca); Administração da dieta parenteral Administração contínua de NP Consiste na infusão contínua de nutrientes, em 12 a 24 horas, com fluxo constante, sem interrupção. Geralmente se inicia com uma infusão de 30 a 40 ml/hora (cerca de 50% das necessidades protéico-calóricas) progredindo de acordo com a tolerância do paciente, tendo como principais parâmetros os níveis séricos de glicose e o quadro clínico do paciente, até alcançar as necessidades nutricionais calculadas e prescritas. Utiliza-se principalmente em pacientes hospitalizados. Administração da dieta parenteral Administração cíclica de NP Consiste na infusão da NP em períodos de 12 a 18 horas, geralmente durante a noite. É o método ideal para pacientes domiciliares, pois a solução é administrada à noite permitindo que o paciente realize suas atividades normais durante o dia. A infusão começa de forma escalonada com gotejamento lento, aumentando a velocidade a cada 20 a 30 minutos, até alcançar o período em que se mantém constante a velocidade de infusão. É fundamental controlar a glicemia para evitar estados de hiper ou hipoglicemia. Tipos de dieta parenteral Solução 2 em 1 = Aminoácido + Glicose C/vitaminas - amarela S/vitaminas - incolor Solução 3 em 1 ( Emulsão) = Aminoácido + Glicose + Lipídeo C/vitaminas - branco-amarelado S/vitaminas - branco Tipos de dieta parenteral Tipos de solução Aminoácidos Solução C/ 20 aa Solução C/ 13 aa Solução C/ 15 aa Solução Pediátrica Solução P/ Nefropata Solução P/ Hepatopata Lipídios Emulsão TCL (≥14) Emulsão TCL/TCM (6-12) Emulsão TCL/TCM/TCC (4) 10% 20% 30% Óleo oliva Óleo de peixe Mix de gorduras Glicose Solução 5% Solução 10% Solução 25% Solução 50% Solução 70% Quando iniciar? • Duração prevista pelo menos sete dias • Estabilização das funções vitais • Determinar o equilíbrio ácido-base • Estabelecer o equilíbrio de fluidos e eletrólitos • Desnutridos / prematuros – mais breve possível • 50 ml/h nas primeiras 24 h • Eleva-se gradualmente a oferta até 100 a 200 ml/h • Hipercatabólicos – 50 ml/h e progride-se a cada 8 h Como iniciar? Quando terminar? • Restauração da função normal do TGI • Parenteral – Enteral – Oral • Parenteral – Oral (líquida, branda) • Não interromper abruptamente • Administrar glicose 10 % por 12 h • Retirada rápida - Metade da velocidade do gotejamento por 1 h e a ¼ na hora seguinte Como terminar? Complicações da dieta Parenteral Metabólicas Infecciosas PsicológicasGastrintestinal Mecânicas Complicações Mecânicas relacionadas com a inserção do cateter • Pneumotórax (perfuração da pleura e/ou pulmão) • Punção e laceração arterial e/ou venosa • Hemotórax (Penetração de sangue na cavidade pleural) • Lesão do plexo braquial • Lesão do ducto torácico • Embolias (formação de corpo estranho no pulmão ou no cateter que pode causar obstrução de vasos) • Mal posicionamento do cateter Complicações mecânicas relacionadas ao cateter: • Trombose venosa (formação de coágulo) • Oclusão do acesso venoso • Saída acidental do cateter Complicações metabólicas • Hiperglicemia • Hipoglicemia • Hipovolemia • Hipercapnia • Deficiência dos ácidos graxos essenciais Complicações infecciosas • Os problemas sépticos representam uma das complicações mais graves da NP, chegando a ameaçar a vida do paciente. • As infecções no local de inserção podem ocorrer por falhas durante a colocação do acesso venoso, durante os cuidados do paciente ou podem ser provocadas por fontes de infecção remotas. • Translocação bacteriana por jejum prolongado Complicações gastrintestinais • Litíase biliar • Colestase hepática • Atrofia da mucosa intestinal • Hipoplasia de colon Complicações psicológicas • Depressão • Ansiedade • Desilusão • Pouca cooperação ao tratamento Monitorização da NP Todos os pacientes que recebem essa terapia nutricional devem ser controlados quanto à eficácia do tratamento, efeitos adversos e modificações clínicas que possam influenciar na qualidade da dieta. (ANVISA 272 - 1998) Exames Controle Sódio, potássio e cloro Semanal Cálcio, fósforo e magnésio Semanal Glicose Diário Uréia, creatinina, proteína totais e frações Semanal Função hepática e pancreática Semanal Hemoglobina e hematócrito Semanal Colesterol total e frações Semanal Aprendendo a calcular a NP... 1. Determine o gasto energético; 2. Determine a solução protéica da dieta; 3. Determine a solução de lipídios que irá ofertar para o paciente; 4. Determine o volume da solução de carboidratos. Inicie sempre com 50ml/h nas primeiras 24horas.Evolua de acordo com a tolerância do paciente! Caso clínico • Paciente 21a, masculino. • Diagnóstico clínico: Doença de Crohn • Data internamento: 12 de julho de 2007 • História Clínica: Paciente com história de perda de peso (21kg a 4 meses), diarréia e algia abdominal por Doença de Crohn • Tratamento clínico: Cirurgia de ressecção intestinal (enterctomia 110cm de duodeno e jejuno) resultando em Síndrome do Intestino Curto + colocação de colostomia. 1) Qual conduta nutricional para esse paciente? 2) Determine o gasto energético e o tipo de formula para este paciente Caso clínico • Após 33 dias de suporte nutricional parenteral, paciente apresenta condições de alimentação por V.O. 3) Qual conduta nutricional para esse paciente? Caso clínico • 5 meses após a alta hospitalar, paciente retorna para realizar reconstrução de trânsito intestinal. 4) Qual conduta nutricional para esse paciente?