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DISCIPL INA: AVALIAÇÃO NUTRICIONAL AVALIAÇÃO NUTRICIONAL DE PACIENTES HOSPITALIZADOS O QUE AVALIAR EM PACIENTES HOSPITALIZADOS? 1. História Clínica: • alterações do apetite • hábito intestinal • presença de alterações gastrointestinais como náuseas, vômitos, disfagia • condições de mastigação • presença de doenças crônicas • alterações no peso corporal recente ou baixo peso • uso de medicamentos e efeitos colaterais • condições psicossociais 2. EXAME FÍSICO • Visa detectar sinais clínicos indicativos ou sugestivos de deficiência nutricional • Avaliação de Sinais Clínicos identificar alterações de tecidos orgânicos e de órgãos externos como: pele, mucosas, cabelos, olhos, unhas, etc. • Presença de alterações podem estar relacionadas com possível alimentação inadequada ou carências nutricionais causadas secundariamente por doenças. 2. EXAME FÍSICO • Principal limitação do método: DIFÍCIL INTERPRETAÇÃO NA FASE INICIAL DA CARÊNCIA NUTRICIONAL NÃO É CONSIDERADO BOM INDICADOR PRECOCE DE DESNUTRIÇÃO CABELOS ASCITE GLÂNDULAS AUMENTO DA TIREOIDE UNHAS OLHOS BOCA LÍNGUA DOLOROSA E GLOSSITE DEF. NIACINA, ÁCIDO FÓLICO, RIBOFLAVINA, FERRO, B12, PIRIDOXINA Fissura na língua Def. Niacina ESTOMATITE E QUEILOSE ANGULAR DEFICIÊNCIA DE ZINCO, RIBOFLAVINA, VITAMINA C LÍNGUA: ATROFIA DE PAPILAS – DEF. RIBOFLAVINA, NIACINA E FERRO HEMORRAGIA GENGIVAL - DEF. VIT C E RIBOFLAVINA PETÉQUIAS E HEMORRAGIA FOLICULAR – DEF. VIT. C E/OU VIT K PELE PELAGRA DEFICIÊNCIA DE NIACINA (B3) DOENÇA CARACTERIZADA POR DERMATITE, DISTÚRBIOS GASTRINTESTINAIS E PSÍQUICOS Xerose Def. Vitamina A Seborreia Nasolabial Def. Riboflavina e ácidos graxos essenciais 3. HISTÓRIA ALIMENTAR (ANAMNESE ALIMENTAR) Roteiro: • idade • profissão ou atividade desenvolvida • atividade física • responsável pelo preparo da alimentação • número, horário e local das refeições • hábitos alimentares • preferências alimentares e/ou alimentos ou preparações que aliviam os sintomas • intolerância alimentar e/ou alimentos ou preparações que pioram os sintomas • alterações no consumo alimentar: tipo e duração • avaliação do consumo alimentar: Recordatório de 24 hs, Questionário de Frequência Alimentar e outros. 4. ANTROPOMETRIA • Peso – atual aferido, habitual relatado ou atual estimado • % de adequação do peso ideal ou Peso Habitual; • IMC; • Para acamados: * estimativa de Estatura (AJ) * estimativa de Peso (AJ + CB) • Dobras Cutâneas (DCT, DCSE) • Circunferência da Panturrilha (para idosos) ÍNDICE DE MASSA CORPORAL IMC = Peso Corporal (Kg) Estatura2 (m) Classificação: Adultos adaptado de OMS (2000) Classificação IMC (Kg/m2) Baixo Peso 27 Organização Pan-Americana de Saúde - OPAS, 2001 Classificação IMC (Kg/m2) Baixo Peso 30 kg/m2: Ajuste de P. Ideal = (P. Atual - P. Ideal) x 0,25 + P. Ideal ESTIMATIVA DE PESO CORPORAL DESEJÁVEL – PESO IDEAL POR IMC PI = A2 x IMC desejável IMC ideal para Idoso 25 kg/m2 Peso Ideal para idoso A2 x 25 % de Adequação do Peso Percentual do peso corporal ideal (%PI): %PI = (Peso atual / Peso ideal) x 100 DIAGNÓSTICO % Peso Obesidade Mórbida > 145 Obesidade 120 – 145 Sobrepeso 110 – 119 Eutrofia 90 – 109 Desnutrição calórica leve 80 – 89 Desnutrição calórica moderada 70 – 79 Desnutrição calórica grave 145 Obesidade 120 – 145 Sobrepeso 110 – 119 Eutrofia 90 – 109 Desnutrição calórica leve 80 – 89 Desnutrição calórica moderada 70 – 79 Desnutrição calórica grave 2,0 1 mês 5,0 > 5,0 3 meses 7,5 > 7,5 6 meses 10,0 > 10,0 Fonte: Blackburn & Bistrian, 1977 ESTIMATIVA DE ESTATURA (AJ) Frisancho, 1990: • HOMENS: Estatura = [2,02 x AJ (cm)] – [0,04 x idade (anos)] + 64,19 • MULHERES: Estatura = [1,83 x AJ (cm)] – [0,24 x idade (anos)] + 84,88 AJ= altura do joelho ESTIMATIVA DE ESTATURA (AJ) IDADE/SEXO/RAÇA EQUAÇÃO MULHERES Negras 6-18 anos Estatura = 46,59 + (2,02 x AJ) 19-60 anos Estatura = 68,10 + (1,86 x AJ) – (0,06 x idade) Mais de 60 anos Estatura = 58,72 + (1,96 x AJ) Brancas 6-18 anos Estatura = 43,21 + (2,14 x AJ) 19-60 anos Estatura = 70,25 + (1,87 X AJ) – (0,06 x idade) Mais de 60 anos Estatura = 75,00 + (1,91 x AJ) – (0,17 x idade) HOMENS Negros 6-18 anos Estatura = 39,60 + (2,18 x AJ) 19-60 anos Estatura = 73,42 + (1,79 x AJ) Mais de 60 anos Estatura = 95,79 + (1,37 x AJ) Brancos 6-18 anos Estatura = 40,54 + (2,22 x AJ) 19-60 anos Estatura = 71,85 + (1,88 x AJ) Mais de 60 anos Estatura = 59,01 + (2,08 x AJ) Chumlea, 1994: PESO Avaliação Nutricional Antropometria PESO • CHUMLEA e cols. (1987): Mulheres Peso = (PB x 1,63) + (CP x 1,43) – 37,46 Peso = (PB x 0,92) + (CP x 1,50) + (DCT x 0,42) – 26,19 Peso = (PB x 0,98) + (CP x 1,27) + (DCT x 0,40) + (AJ x 0,87) – 62,35 Homens Peso = (PB x 2,31) + (CP x 1,50) – 50,10 Peso = (PB x 1,92) + (CP x 1,44) + (DCT x 0,26) – 39,97 Peso = (PB x 1,73) + (CP x 0,98) + (DCT x 0,37) + (AJ x 1,16) – 81,69 Antropometria Estimado: PB : perímetro do braço; CP: circunferência da panturrilha; DCT: dobra cutânea triciptal; AJ: altura do joelho ESTIMATIVA DE PESO (AJ + CB) Chumlea, 1988: Mulheres Peso (kg) = (0,98 x CB) + (1,27 x CP) + (0,4 x DCSE) + (0,87 x AJ) – 62,35 Homens Peso (kg) = (1,73 x CB) + (0,98 x CP) + (0,37 x DCSE) + (1,16 x AJ) – 81,69 ESTIMATIVA DE PESO (AJ + CB) Idade (anos)/sexo Raça Equações MULHERES 6 – 18 Negra Peso = (AJ x 0,71) + (CB x 2,59) – 50,43 6 – 18 Branca Peso = (AJ x 0,77) + (CB x 2,47) - 50,16 19 – 59 Negra Peso = (AJ x 1,24) + (CB x 2,97) – 82,48 19 – 59 Branca Peso = (AJ x 1,01) + (CB x 2,81) – 66,04 60 – 80 Negra Peso = (AJ x 1,50) + (CB x 2,58) – 84,22 60 – 80 Branca Peso = (AJ x 1,09) + (CB x 2,68) – 65,51 HOMENS 6 – 18 Negro Peso = (AJ x 0,59) + (CB x 2,73) – 48,32 6 – 18 Branco Peso = (AJ x 0,68) + (CB x 2,64) – 50,08 19 – 59 Negro Peso = (AJ x 1,09) + (CB x 3,14) – 83,72 19 – 59 Branco Peso = (AJ x 1,19) + (CB x 3,21) – 86,82 60 – 80 Negro Peso = (AJ x 0,44) + (CB x 2,86) – 39,21 60 – 80 Branco Peso = (AJ x 1,10) + (CB x 3,07) – 75,81 Lee, 1990: CIRCUNFERÊNCIAS CIRCUNFERÊNCIA DO BRAÇO CIRCUNFERÊNCIAS E ÁREAS MUSCULAR E ADIPOSA DO BRAÇO • Utilizam-se equações para estimar os valores • Necessário medir CB e DCT ESTIMATIVA DE PESO CORPORAL PARA PACIENTES EDEMACIADOS Peso= Peso atual – Peso resultante do edema Grau de edema Peso a ser subtraído + tornozelo 1kg ++ joelho 3 a 4 kg +++ raiz da coxa 5 a 6 kg ++++ anasarca 10 a 12 kg Fonte: DUARTE; CASTELLANI, 2002. ESTIMATIVA DE PESO CORPORAL PARA PACIENTES EDEMACIADOS Peso = Peso atual – Peso resultante do edema Grau da ascite/edema Peso ascítico (kg) Edema periférico (kg) Leve 2,2 1,0 Moderado 6,0 5,0 Grave 14,0 10,0 Fonte: JAMES, 1989. AVALIAÇÃO DE EDEMAS (CRUZES) EDEMA DE TORNOZELO EDEMA DE PERNA ATÉ JOELHO EDEMA PERNA ATÉ RAIZ DA COXA EDEMA PERIFÉRICO (MEMBROS INFERIORES E SUPERIORES) EDEMA GENERALIZADO (ANASARCA) ASCITE 5. DADOS BIOQUÍMICOS: Proteínas Plasmáticas (estado nutricional proteico): • Albumina • Pré-albumina • Transferrina • RBP Sistema Imune: • Contagem linfocitária total • Testes cutâneos - Dados Bioquímicos 1 - INDICADORES CLÍNICOS PARA DESNUTRIÇÃO (MARASMO E KWASHIORKOR) DADOS BIOQUÍMICOS 1 - INDICADORES CLÍNICOS PARA DESNUTRIÇÃO (MARASMO E KWASHIORKOR) Marasmo % Peso Ideal % ICA Testes Cutâneos (mm) Moderado 60 a 80 60 a 80 10 - 5 Severo 2,0 1 mês 5,0 > 5,0 3 meses 7,5 > 7,5 6 meses 10,0 > 10,0 ALTERAÇÃO DE PESO • Informações devem ser confirmadas através de informações sobre mudança na numeração das roupas ou percepção dos familiares. • Importante questionar como ocorreu perda: de forma contínua, no período de 6 meses (pior prognóstico) ou com períodos de recuperação (melhor prognóstico). ALTERAÇÃO DA INGESTÃO DIETÉTICA É importante: - verificar a alteração da ingestão dietética com relação ao tipo da dieta (dieta liq., hipocalórica, etc.) e duração da alteração (dias, semanas); - o paciente definir se houve ou não alteração no seu padrão, desde que ocorrida de forma não intencional (dietas para emagrecimento sob orientação, dietoterapia por patologias como hipertensão e diabetes etc.) ALTERAÇÃO DA INGESTÃO DIETÉTICA • Em caso afirmativo, será avaliada tanto a duração (em semanas) como o tipo de modificação. A modificação pode ser quantitativa (tipo da dieta, por exemplo: dieta líquida completa, dieta líquida hipocalórica ou jejum). • Verificar a ocorrência de restrições de alguns alimentos. PRESENÇA DE SINTOMAS GASTROINTESTINAIS (>2 SEMANAS) – náuseas, vômitos, diarréias Vômitos ou diarreia esporádicos, assim como náuseas que não interfiram com a ingestão alimentar não devem ser valorizados. diarréia = 3 ou +evacuações líquidas diárias. AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE FUNCIONAL DO PACIENTE O paciente deverá definir se houve ou não modificações em suas atividades diárias. A alteração da capacidade funcional será avaliada pelo tempo em que vem ocorrendo e pelo grau de diminuição da atividade física. AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE FUNCIONAL DO PACIENTE • Pode ser considerada: - leve: manutenção das atividades cotidianas, porém com maior grau de cansaço ou dificuldades para exercê-la; - moderada: com interrupção das atividades cotidianas, com movimentação apenas dentro de casa, ficando sentado boa parte do dia (ambulatorial); - grave: grau extremo de inatividade, maior parte do tempo paciente acamado. Exame físico Observar: SINAIS DE DESNUTRIÇÃO PRESENÇA DE EDEMA • Avaliado pela presença de edema na região do tornozelo e na região sacral em pacientes que permanecem a maior parte do tempo, sentados ou acamados. • A gravidade do edema será avaliada conforme a profundidade da depressão que persiste após a pressão digital da região sacral ou do tornozelo contra superfície óssea. • A presença de edema em pequenos volumes pode ser de difícil avaliação pelos observadores não médicos. COMO REALIZAR A TRIAGEM DE RISCO NUTRICIONAL – NRS 2002 CÁLCULO PARA PERDA DE PESO: % PPR = [(PH – PA)/ PH] x 100 VAMOS PRATICAR? Você é nutricionista da UTI de um hospital, e necessita fazer avaliação nutricional do paciente para definir necessidade energética e VET da dieta enteral. O caso é o seguinte: Homem, 67 anos, internado há 1 semana por pneumonia grave, IRC e diabetes, acamado, com edema generalizado grave. Veja as fotos a seguir: Com auxílio da equipe de enfermagem, foi possível aferir as seguintes medidas: CB= 37 cm (com edema) AJ= 52,5 cm CP= 38 cm (com edema) OBS: Peso habitual (antes da internação) relatado pela esposa = 90 Kg Exame de albumina atual: 3,3 g/dL Avalie o paciente conforme se pede (próximo slide): Calcule a estimativa de estatura por Chumlea, 1994. Calcule a estimativa de peso por Lee, 1990. Calcule a correção do peso, descontando a anasarca (edema periférico grave). Calcule e classifique o IMC por OPAS (peso corrigido). Calcule o peso ideal. Calcule e classifique o percentual de perda de peso (%PPR). Calcule o Índice de Risco Nutricional (IRN) do paciente. Elabore o diagnóstico nutricional final, relatando apenas as classificações do IMC, da % de perda de peso e IRN.