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PROCESSOS QUÍMICOS INDUSTRIAIS Profa. Dra. Márcia Regina Baldissera Rodrigues FLUXOGRAMA DA PRODUÇÃO DE AÇÚCAR EVAPORAÇÃO DO CALDO PRODUÇÃO DE AÇÚCAR • Dentro do processo de fabricação do açúcar as duas etapas que reconhecidamente apresentam maiores dificuldades de operação são a evaporação e a cristalização. • A etapa de evaporação tem grande peso no balanço energético das usinas de açúcar, pois ao menos tempo que necessita de grande quantidade de vapor das caldeiras, também gera muito vapor vegetal de baixa pressão, utilizado por outros equipamentos da usina. •Quanto à cristalização, sua maior importância é em relação à operação dos cristalizadores na qualidade do produto final e na economia do processo produtivo. Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar CONCENTRAÇÃO DO CALDO O objetivo da evaporação é concentrar o caldo clarificado, produzindo o xarope com 60 – 70º Brix. A concentração do caldo, por motivos técnicos e econômicos é realizada em duas etapas. A primeira em evaporadores de múltiplos efeitos aquecidos a vapor, produzindo xarope. A segunda etapa realiza-se em evaporadores de simples efeito, aquecidos a vapor, denominados cozedores. Nestes o caldo entra na forma de xarope e sai na forma de massa cozida, na qual a sacarose apresenta-se parcialmente cristalizada. Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar FLUXOGRAMA DA CONCENTRAÇÃO DO CALDO PRÉ- EVAPORAÇÃO Tem a finalidade de elevar o Brix do caldo clarificado a +/- 25° Brix e gerar vapor vegetal a partir da água existente no caldo. A quantidade de água removida na evaporação é cerca de 80% em peso do caldo ou aproximadamente 70 – 80% do peso da cana. Evaporador Tipo Roberts Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar PRÉ- EVAPORAÇÃO • Evaporador de tubos verticais, que trabalha de maneira contínua. • A superfície de aquecimento situa-se na parte inferior do corpo do aparelho e, entre duas chapas (espelhos), estão fixados os tubos verticais por onde circula o caldo em concentração. • O vapor introduzido na calandra condensa entre os espelhos e externamente aos tubos cedendo energia ao líquido que se encontra no interior do equipamento. Evaporador Tipo Roberts Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar PRÉ- EVAPORAÇÃO Transmissão de Calor em Tubo de Evaporação PRÉ- EVAPORAÇÃO • Devido à intensa ebulição que ocorre na calandra, gotículas de caldo são atiradas ao corpo do evaporador. Parte dessas gotículas cai sobre a calandra, enquanto que a outra, representada pelas gotículas menores, é arrastada pelos vapores ascendentes resultando numa perda significativa de açúcar. Quanto maior o vácuo existente no interior do aparelho, maior o perigo desse arraste ocorrer. • Para evitar esta perda, os evaporadores possuem em sua parte superior um dispositivo, separador de arraste, que utilizando a inércia das gotículas, faz com que estas, mediante uma súbita mudança na direção do vapor, separem-se dessa corrente e escorram novamente para o interior do corpo de evaporação. Evaporador Tipo Roberts Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar EVAPORAÇÃO O sistema é constituído de três a cinco efeitos, onde o primeiro, denominado pré-evaporador, tem a sua superfície de troca térmica maior do que a dos efeitos seguintes. A maior área do pré-evaporador é proposital para que se tenha um excesso de vapor vegetal produzido (proveniente da evaporação do caldo), que pode ser extraído (sangrado) e utilizado em outras etapas do processo, como nos trocadores de calor e cristalizadores. Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar EVAPORAÇÃO O vapor de escape das turbinas entra no primeiro efeito, condensa, transfere calor para o caldo que se encontra dentro dos tubos, ocasionando a evaporação da água (caldo) dentro dos tubos. Este vapor gerado (vapor vegetal) é utilizado no evaporador (efeito) seguinte. O evaporador múltiplo efeito é econômico ao usar vapor vegetal. O 2º e demais evaporadores são aquecidos pelo vapor vegetal (vapor produzido pela evaporação de água do caldo) do efeito anterior. Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar EVAPORAÇÃO EVAPORAÇÃO EVAPORAÇÃO Tubos de Evaporadores Roberts Material de construção: aço carbono, latão ou aço inox Comprimento: 1,60 a 4,5 m Diâmetro interno: 27 a 46 mm Espessura: 1,0 a 2,65 mm Os tubos são mandrilados nos espelhos e desgastam-se principalmente nas extremidades, próximo aos espelhos. Para substituição de tubos, aqueles retirados dos primeiros evaporadores são utilizados nos posteriores, pois em geral estes são menores. É importante adotar para toda a usina um diâmetro padrão para tubos e empregá-lo tanto nos aquecedores, como nos múltiplos efeitos. Quanto mais estreitos são os tubos, mais facilitam a subida do caldo, porque esta subida depende da proporção entre a superfície de aquecimento do tubo e sua seção interna. Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar EVAPORAÇÃO Calandra Situa-se no fundo do evaporador e é constituída de duas placas perfuradas, uma superior e uma inferior denominadas espelhos, os quais são interligados pelos tubos. Existe na calandra um tubo central de diâmetro maior que os tubos periféricos. Desta maneira, durante a evaporação existem duas correntes de circulação de caldo, uma ascendente nos tubos periféricos e da periferia para o centro e uma segunda descendente pelo tubo central. Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar EVAPORAÇÃO Gases Incondensáveis Em qualquer equipamento que se utiliza vapor como fonte de calor, após a sua condensação é necessária uma continua retirada de incondensáveis, pois eles ocupam espaço e impedem a entrada de vapor naquela região, reduzindo o processo de transferência de calor Os gases incondensáveis, se acumulam sob o espelho superior, formando zonas inativas, dificultando a transferência de calor do vapor em condensação para os tubos. Tais gases devem ser removidos através de tubos, às vezes denominados tubos amoniacais. Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar EVAPORAÇÃO Retirada de Gases Incondensáveis EVAPORAÇÃO Disposição dos Tubos nos Evaporadores Os tubos são dispostos em quincôncio nos espelhos dos evaporadores. Esta disposição permite colocar um número maior de tubos por unidade de superfície dos espelhos, com uma mesma distância entre os tubos. Os tubos são alinhados segundo três direções diferentes a 120º (ou os centros de trêstubos vizinhos formam um triângulo eqüilátero). O vapor entra na calandra por uma, duas ou mais entradas: Altura de tubo< 3 m: uma entrada de vapor Altura de tubo >3 m: duas entradas de vapor Altura de tubo >>3 m: quatro entradas Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar EVAPORAÇÃO EVAPORAÇÃO Fatores que influenciam na Eficiência dos Pré – Evaporadores Incrustações A formação de incrustações nos evaporadores, pertinentes à parte interna dos tubos, se deve, principalmente a uma crescente redução de água no caldo em concentração, esta redução permite aos não açúcares atingirem, com mais intensidade, nos últimos vasos, a condição de supersaturação e precipitarem. A quantidade de incrustações nos evaporadores depende das seguintes condições: Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar EVAPORAÇÃO A presença de grande formação de incrustação em determinadas regiões da calandra, é um dos sintomas característicos de má circulação do caldo. É importante que o nível do caldo seja mantido em aproximadamente 1/3 da altura dos tubos (mantém o efeito da pressão no ponto de ebulição do caldo), para proporcionar uma boa circulação do caldo. Nível do Caldo muito Baixo: O caldo tende a ferver e não consegue chegar à parte superior dos tubos, concentrando. Nível do Caldo demasiadamente Alto: Os tubos ficam submersos e a evaporação é prejudicada. Proporciona maior arraste e perda de açúcar, e contaminação do condensado para as caldeiras. Se a tubulação da evaporação não estiver limpa, a incrustação se formará rapidamente; se estiver com a superfície dos tubos lisa, não ocorrerá depósito. Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar EVAPORAÇÃO Causas de uma Evaporação Deficiente •Temperatura baixa caldo clarificado alimentando os pré - evaporadores (<105 ºC) •Tubos incrustados •Tubos furados ou soltos •Remoção de condensados deficiente •Remoção de gases incondensáveis deficiente •Tubos operando com nível incorreto de caldo •Baixo vácuo no último efeito •Baixa pressão do vapor de escape das turbinas •Partidas e paradas frequentes •Variações na vazão de caldo •Vazão de caldo acima do projetado (moagem elevada) Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar EVAPORAÇÃO Métodos de Limpeza a) Limpeza mecânica: Efetuada com rasquete ou roseta rotativa. roseta rotativa EVAPORAÇÃO Métodos de Limpeza EVAPORAÇÃO Métodos de Limpeza b) Limpeza com Jato de Água sob Alta Pressão EVAPORAÇÃO Métodos de Limpeza c) Limpeza Química CIP (Clean In Place) Encher os tubos com solução 2 a 3% de NaOH, ferver por várias horas e lavar em seguida com água; Evetualmente pode-se após o tratamento com soda, lavar com solução 2% HCl EVAPORAÇÃO Transformações Físico-químicas no Caldo durante a Evaporação Formação da Cor É maior no primeiro evaporador onde a temperatura é mais alta. É causada por uma circulação deficiente do caldo na calandra e altos tempos de retenção. Quando o vácuo é baixo, a temperatura de sistema sofre uma elevação, aumentando a formação de cor. Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar EVAPORAÇÃO Diminuição do pH Durante a evaporação é comum um decréscimo no pH de valores próximos a 0,3 e não deve ultrapassar uma queda de 0,5. Como exemplo: pH do caldo clarificado 6,9 e do xarope 6,5. Este decréscimo é proporcional ao tempo de retenção na evaporação. Gabriela Destacar Gabriela Destacar EVAPORAÇÃO Pureza do Xarope Quando há uma queda nesta pureza, é uma indicação de inversão de sacarose, causando perdas indesejáveis. Perdas por inversão, tanto mais elevadas quanto mais altas forem a temperatura e a acidez. Acima de 100ºC, a inversão aumenta muito e fica proibitiva acima de 125 -130ºC. Gabriela Destacar Gabriela Destacar FLUXOGRAMA DA CONCENTRAÇÃO DO CALDO FLOTAÇÃO O flotador tem como função eliminar parte da cor, materiais em suspensão e impurezas que passam pela decantação e pelos evaporadores. Os equipamentos que compõem um flotador de xarope são: • Caixa cilíndrica de aço carbono geralmente com pintura em epóxi. • Raspadores em sua superfície, também uma caixa com saída de xarope. • Aquecedores de xarope, que são do tipo tubular e estão dispostos na horizontal, ou aquecedores diretos. Gabriela Destacar Gabriela Destacar FLOTAÇÃO A flotação é um processo de separação sólido-líquido e líquido- líquido onde os materiais em suspensão são aderidos a bolhas de ar (ou outro gás), tornando-os mais leves que o meio em que se encontram. Os flocos formados tendem a flutuar na superfície do meio, de onde são removidos na forma de um lodo ou espuma. A flotação de xarope envolve as etapas principais: condicionamento, ajuste de temperatura, aeração, macrofloculação e separação de fases. A etapa inicial de condicionamento consiste no "preparo" das partículas presentes no meio para a flotação, através de um ou mais processos físico-químicos, que tornam essas partículas hidrofóbicas (aversão à água), forçando a sua precipitação na forma de pequenos flocos (microflocos) de separação mais fácil. Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar FLOTAÇÃO A etapa de aquecimento acelera as reações de condicionamento e reduz a viscosidade do meio. A seguir, tem-se a etapa de aeração, onde é feita a adição de microbolhas de ar que vão se unir às partículas a serem separadas do meio tornando- as menos densas que o líquido e, portanto, propensas a flotação. O tamanho e quantidade de bolhas de ar geradas são fundamentais para o bom desempenho do processo: O ideal é que as bolhas de ar e as partículas tenham tamanhos semelhantes, variando entre 10 e 200 micra. Abaixo de 10 micra a flotação é muito lenta e, pela hidrodinâmica do líquido, o contato entre bolhas e partículas é mais difícil. Acima de 200 micra, as bolhas são grandes e causam turbulência no líquido, dificultando o contato com as impurezas. Sistemas de aeração inadequados comprometem o desempenho de toda a unidade de flotação, consistindo em uma das deficiências mais usuais observadas nas unidades de flotação existentes. Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar FLOTAÇÃO Uma etapa complementar de macrofloculação é necessária para agrupar as partículas (ou microflocos) com as bolhas de ar, formando grandes flocos (macroflocos) de baixa densidade. Isto ocorre com a adição de um agente floculante, que provoca a aglomeração de várias partículas em um floco. A separação das fases é realizada em um tanque flotador, onde as partículas ou flocos menos densos que o líquido encontram condições favoráveis para se deslocar em relação ao líquido, acumulando na superfície como uma densa espuma (lodo) que é removida por raspadores mecânicos de superfície. Tal remoção deve ser adequada para manter uma camada de lodo ideal que favoreçaa concentração das impurezas sem ocasionar a destruição dos flocos flotados. Após a remoção dessa espuma, tem-se uma fase líquida isenta de partículas e flocos. Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar Gabriela Destacar FLOTAÇÃO FLOTAÇÃO Os sólidos em suspensão, mais leves que o xarope, flotam para a superfície, enquanto o xarope clarificado direciona-se para o fundo dos flotadores. No interior dos flotadores, os raspadores de superfície removem o lodo flotado para as calhas de lodo FLOTADORES FLOTADORES FLOTADORES