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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA FACULDADE DE FARMÁCIA FISIOLOGIA HUMANA – ICS45 – NOTURNO PROFESSORA: EMÍLIA MARIA MEDEIROS Estudo Dirigido de Microcirculação Uma unidade microcirculatória é constituida essencialmente de arteríolas, metarteríolas, capilares e vênulas. Diferencie, morfologicamente, estes vasos. Arteríolas – consistem em ramificações arteriais que apresentam diâmetro inferior a 0,1mm, sendo que a constituição em parede tripla observada nas artérias elásticas e musculares é altamente reduzida nas arteríolas. A túnica íntima pode não apresentar lâmina limitante elástica interna e a túnica média é composta de 1 a 3 camadas de células musculares. Metarteríolas-As arteríolas terminais são denominadas metarteríolas e se diferenciam das demais pela camada incontínua de células musculares lisas. Cada célula muscular lisa origina um capilar, cujo perímetro é completamente envolto por uma dessas células. Essa formatação funciona como um “esfíncter pré-capilar”, o qual, ao se contrair, controla o fluxo sanguíneo que permeia o leito capilar. Capilares –Os capilares originam-se das arteríolas terminais, que se ramificam e anastomosam, formando um leito (rede) capilar. Há três tipos de capilares: contínuos, fenestrados e sinusoidais. Os capilares são constituídos por uma camada de células epiteliais pavimentosas, que se enrolam em forma de tubo e compõem o diâmetro do capilar, que é constante. A lâmina basal é secretada pelas próprias células epiteliais e circundada pelos pericitos. Os pericitos são células com longos prolongamentos, primários e secundários, que envolvem o capilar e formam junções comunicantes entre as células endoteliais. Os capilares contínuos são encontrados nos tecidos muscular, nervoso e conjuntivo. As junções entre as células endoteliais são do tipo faixas de oclusão, que impedem a passagem de muitas moléculas. O transporte de inúmeras substâncias é mediado por carreadores. Os capilares fenestrados são encontrados no pâncreas, nos intestinos e nas glândulas endócrinas. Caracterizam-se pela presença de poros (fenestras) recobertos por diafragmas.Os capilares sinusoides são descontínuos, tanto no que tange as células endoteliais quanto a lâmina basal. São mais calibrosos que os demais. Vênulas -ssemelham-se aos capilares. O endotélio é revestido por pericitos. Conforme o diâmetro da veia aumenta, os pericitos são substituídos por células musculares lisas. As vênulas pós-capilares são bastante permeáveis, sendo o principal local de intercâmbio de substâncias, como a migração de leucócitos da corrente sanguínea para os espaços teciduais. Os poros na membrana capilar apresentam características diferentes em alguns tecidos. Quais são esses tecidos e quais as respectivas características na membrana capilar? Podemos dividir os capilares em quatro tipos, de acordo com sua localização e forma. Os capilares sanguíneos encontrados nos músculos, retina, testículos e encéfalo são do tipo continuo, assim chamados pois a lâmina basal que revestem o seu endotélio é continua. Os capilares do tipo frenestrados não-diafragmáticos ocorrem nos rins e são muito similares ao tipo anterior, enquanto que os frenestrados diafragmáticos são encontrados no estômago, intestino, porções do baço e do fígado e se diferenciam dos demais por terem poros na membrana responsáveis pela seletividade daquilo que consegue passar entre o sangue e os tecidos corporais. O último tipo de capilar é conhecido como sinusoide, encontrado em partes do baço e do fígado e na medula óssea. Sua lâmina basal endotelial é descontínua e suas células apresentam grandes cavidades entre si, o que permite a passagem de células sanguíneas entre os órgãos que esses capilares irrigam e o sangue, o que é essencial no combate às infecções. A membrana capilar é de natureza lipídica. Portanto, favorece a difusão de substâncias lipossolúveis como gás carbônico, oxigênio e álcool. Como se difundem através dos capilares as substâncias hidrossolúveis como a água, a glicose e o cloreto de sódio? Uma das funções da pressão arterial é impulsionar o sangue através dos capilares que é o local de intercâmbio de água e íons entre o sangue e o líquido intersticial. As paredes dos capilares são compostas de tecido elástico que permite variação (contração ou dilatação) de calibre e controle do fluxo de sangue. Esses capilares são vasos sanguíneos de aproximadamente oito micrômetros de diâmetro e cinco milímetros de comprimento. Essas características permitem a passagem do sangue próximo ao líquido intersticial. Cerca de 1% da parede dos capilares são fendas preenchidas com água que permitem a passagem de substâncias hidrossolúveis como eletrólitos e aminoácidos. Já as substancias lipossolúveis difundem-se através das células endoteliais que compõem os capilares. O transporte de substancias vai depender das características do tecido em questão. Por exemplo, o fígado possui capilares fenestrados que são grandes fendas por onde passam proteínas plasmáticas (como as globulinas). Essa característica auxilia na desintoxicação já que as toxinas se ligam a proteínas plasmáticas. Já o cérebro possui capilares por onde passam apenas pequenas moléculas e eletrólitos. Neste caso, como a principal fonte de energia para as células do SNC é a glicose, os neurônios possuem proteínas de membrana especializadas para absorvê-la. A filtração e a reabsorção capilar são fenômenos que dependem do jogo das pressões presentes dentro e fora dos capilares. Assim, contribuem as pressões de Starling. Quais são essas pressões e como se comportam estas pressões para promoverem a filtração ou a reabsorção capilar? O equilíbro de Starling é uma teoria ligada às trocas capilares. Ernest Starling comprovou que normalmente existe um estado próximo ao equilíbrio em grande parte dos capilares . A quantidade de líquido filtrado para fora é praticamente igual ao líquido que retorna a circulação. A pequena diferença a favor das forças que tendem a mover o liquido pra fora corresponde ao liquido que retorna através do sistema linfático. No cálculo das forças que movem o líquido para fora, encontra -se a pressão capilar media, a pressão negativa do liquido livre intersticial e a pressão coloidosmótica intersticial. Quanto as forças que movem o liquido pra dentro, encontra -se a força coloidosmótica do plasma. Explique por que a pressão do fluido intersticial em alguns tecidos é negativa ou subatmosférica? Alguns tecidos do corpo saõ cercados por estruturas rígidas , como a caixa craniana ao redor do encéfalo, a forte capsula fibrosa ao redor do rim, as bainhas fibrosas ao redor do músculo e a esclera em torno do olho. Na maioria desses tecidos, independentemente dos métodos usados para a medida , as pressões do líquido intersticial são usualmente positivas. Entretanto essas pressões são ainda assim, quase sempre menores que as exercidas sobre o exterior dos tecidos pelas estruturas que o contém. O que efeito Donnan? É o equilíbrio entre as cargas positivas e negativas presente na membrana. O plasma é composto de proteínas plasmáticas (exemplo albumina), essas proteínas têm cargas negativas que promove a redistribuição dos pequenos cátions e ânions, através da parede do capilar. Quando esse plasma é filtrado, ou seja passa dos vasos para os tecidos ele se transforma em liquido intersticial , esse liquido não possui as proteínas plasmáticas que ficam retidas dentro do vaso o que leva a conseqüências secundarias ao equilíbrio da eletroneutralidade. 7. Quais os mecanismos de regulação do fluxo sanguíneo capilar? O sangue não flui de maneira contínua pelos capilares , ao contrário, o fluxo é intermitente , ocorrendo ou sendo interrompido a cada poucos segundos ou minutos. A causa dessa intermitência é o fenômeno chamado de vasomotilidade, que consiste na contração intermitente de metarteríolas e o dos esfíncteres pré – capilares( e as vezes até mesmos das pequenas arteríolas).Explique Estudo Dirigido de Sistema linfático Qual a importância do sistema linfático? Qual o destino final da drenagem linfática? O sistema linfático é uma rede complexa de órgãos linfoides, linfonodos, ductos linfáticos, tecidos linfáticos, capilares linfáticos e vasos linfáticos que produzem e transportam o fluido linfático (linfa) dos tecidos para o sistema circulatório, ou seja, é constituído por uma vasta rede de vasos semelhantes às veias (vasos linfáticos), que se distribuem por todo o corpo e recolhem o líquido tissular que não retornou aos capilares sanguíneos, filtrando-o e reconduzindo-o à circulação sanguínea. O sistema linfático também é um importante componente do sistema imunológico, pois colabora com glóbulos brancos para proteção contra bactérias e vírus invasores. O estudo do sistema linfático na sala de dissecação não é muito satisfatória porque a tenuidade das paredes dos vasos e seu pequeno tamanho fazem com que sejam indistinguíveis dos tecidos vizinhos.O sistema linfático é uma rede complexa de órgãos linfoides, linfonodos, ductos linfáticos, tecidos linfáticos, capilares linfáticos e vasos linfáticos que produzem e transportam o fluido linfático (linfa) dos tecidos para o sistema circulatório, ou seja, é constituído por uma vasta rede de vasos semelhantes às veias (vasos linfáticos), que se distribuem por todo o corpo e recolhem o líquido tissular que não retornou aos capilares sanguíneos, filtrando-o e reconduzindo-o à circulação sanguínea. O sistema linfático também é um importante componente do sistema imunológico, pois colabora com glóbulos brancos para proteção contra bactérias e vírus invasores. O estudo do sistema linfático na sala de dissecação não é muito satisfatória porque a tenuidade das paredes dos vasos e seu pequeno tamanho fazem com que sejam indistinguíveis dos tecidos vizinhos. A maior parte da informação sobre o sistema linfático tem sido obtida por estudos em laboratórios, com injeção de massa corada dentro de vasos muito pequenos. A injeção em grandes vasos não apresenta resultado satisfatório para estudo do sistema linfático devido a presença de numerosas válvulas. Estes ductos desembocam no sistema circulatório na veia subclávia esquerda e direita. Descreva a estrutura e funcionamento dos capilares linfáticos. A circulação linfática é responsável pela absorção de detritos e macromoléculas que as células produzem durante seu metabolismo, ou que não conseguem ser captadas pelo sistema sanguíneo.O sistema linfático coleta a linfa, por difusão, através dos capilares linfáticos, e a conduz para dentro do sistema linfático. Uma vez dentro do sistema, o fluido é chamado de linfa, e tem sempre a mesma composição do que o fluido intersticial.A linfa percorre o sistema linfático graças a débeis contrações dos músculos, da pulsação das artérias próximas e do movimento das extremidades. Todos os vasos linfáticos têm válvulas unidirecionadas que impedem o refluxo, como no sistema venoso da circulação sanguínea. Se um vaso sofre uma obstrução, o líquido se acumula na zona afetada, produzindo-se um inchaço denominado edema.Pode conter microrganismos que, ao passar pelo filtros dos linfonodos (gânglios linfáticos) e baço são eliminados. Por isso, durante certas infecções pode-se sentir dor e inchaço nos gânglios linfáticos do pescoço, axila ou virilha, conhecidos popularmente como “íngua”. Ao contrário do sangue, que é impulsionado através dos vasos pela força do coração, o sistema linfático não é um sistema fechado e não tem uma bomba central. A linfa depende exclusivamente da ação de agentes externos para poder circular. A linfa move-se lentamente e sob baixa pressão devido principalmente à compressão provocada pelos movimentos dos músculos esqueléticos que pressiona o fluido através dele. A contração rítmica das paredes dos vasos também ajuda o fluido através dos capilares linfáticos. Este fluido é então transportado progressivamente para vasos linfáticos maiores acumulando-se no ducto linfático direito (para a linfa da parte direita superior do corpo) e no duto torácico (para o resto do corpo); estes ductos desembocam no sistema circulatório na veia subclávia esquerda e direita. Qual a composição da linfa? É um líquido transparente, esbranquiçado (algumas vezes amarelado ou rosado), alcalino e de sabor salgado, que circula pelos vasos linfáticos. Cerca de 2/3 de toda a linfa derivam do fígado e do intestino. Sua composição é semelhante à do sangue, mas não possui hemácias, apesar de conter glóbulos brancos dos quais 99% são linfócitos. No sangue os linfócitos representam cerca de 50% do total de glóbulos brancos. A linfa é transportada pelos vasos linfáticos em sentido unidirecional e filtrada nos linfonodos (também conhecidos como nódulos linfáticos ou gânglios linfáticos). Após a filtragem, é lançada no sangue, desembocando nas grandes veias torácicas. Quais os fatores fisiológicos que aumentam o fluxo de linfa? Ele pode ser infinto? Explique. Qualquer fator que aumente o fluxo do líquido intersticial também aumenta o fluxo do linfático, se os vasos linfáticos estiverem funcionando normalmente. Esses fatores incluem: pressão capilar elevada; pressão coloidosmótica diminuída do plasma; pressão coloidosmótica aumentada do líquido intersticial; permeabilidade aumentada dos capilares. Não pode ser infinito porque o fluxo linfático atinge intensidade/velocidade máxima quando a pressão do líquido intersticial fica 1 a 2 milimetros maior que a pressão atmosférica( maior que 0 mmHg) , o fluxo linfático para de aumentar mesmo sob pressões maiores. Isso ocorre porque o aumento da pressão tecidual tão somente aumenta a entrada de líquido para os capilares linfáticos , mas comprimem também as superfícies externas dos grandes linfáticos , impedindo o fluxo de linfa. Sob pressões maiores, esse dois se contrabalanceiam de forma quase exata. Explique o funcionamento intrínseco das bombas linfáticas. Quais os fatores externos que estimulam o bombeamento linfático? O sistema linfático, diferentemente do sistema sanguíneo, não possui um órgão central de bombeamento, portanto, para fluir, a linfa depende de vários fatores como a contração da musculatura dos vasos linfáticos. Outros fatores que auxiliam o escoamento da linfa são: contração muscular, movimentos passivos do corpo, pulsações de artérias próximas aos linfáticos e a compressão externa dos tecidos. O que é edema e quais suas principais causas. A quantidade de líquido nos espaços intersticiais depende da pressão capilar, da pressão do líquido intersticial, da pressão oncótica, da permeabilidade dos capilares, do número de capilares ativos, do fluxo linfático e do volume total de líquido extracelular. A relação entre as resistências pré-capilares e pós-capilares venular também é importante. Alterações em alguns destes parâmetros leva a variações no volume do líquido intersticial. O excesso de líquido no interstício é fator determinante do que classificamos como edema. A quantidade anormal de líquido nos espaços intercelulares ou nas cavidades do organismo é o que definimos por edema. O edema é uma consequência do aumento nas forças que tendem a mover os fluidos do compartimento intravascular ao intersticial. As principais causas que podem levar à formação de edema são: aumento da pressão hidrostática, diminuição da pressão osmótica obstrução da drenagem linfática e aumento da permeabilidade vascular. Quais os fatores que normalmente impedem a formação do edema? Explique. Os edemas podem ser evitados através de algumas medidas básicas, tais como evitar ficar muito tempo em uma mesma posição, diminuir o consumo de sal e bebidas alcoólicas, evitar saltos muito altos e também temperaturas elevadas. São fatores que evitam o acumulo de liquido intersticial. Bibliografia: GUYTON, A. C., HALL, J. E. Tratado de Fisiologia médica. 12.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.