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Valnir de Paula 82 
CAPÍTULO VI 
A Órbita 
 
6.1 – CONSIDERAÇÕES ANATÔMICAS 
 
A anatomia física da órbita inclui a cavidade óssea, o globo, cone muscular, complexo 
nervo óptico-bainha, aparelho lacrimal, gordura orbitária, as várias estruturas vasculares e 
nervosas, e o septo orbitário e pálpebras. 
A órbita óssea é uma coalescência de múltiplos elementos do crânio incluindo Os ossos frontal, 
maxilar, esfenóide (asas menor e maior), etmóide e lacrimal. Também há múltiplos forames para 
entrada ou saída da órbita, das quais as mais proeminentes incluem os tecidos orbitais superiores 
e inferiores e canal óptico e os forames infra-orbitário e supra-orbitário e o ducto lacrimal. Há 
outros forames que geralmente não são observados nas imagens, sendo de tamanho muito 
pequeno. O conteúdo dos grandes forames é relacionado no quadro a seguir. 
 
 
 
Principais forames da órbita 
Canal óptico 
Nervo óptico 
Artéria oftálmica 
 
Fissura orbitária superior 
Nervos cranianos III, IV, VI, V1 
Nervos lacrimal e frontal 
Veias oftálmicas superior e inferior 
 
Fissura orbitária inferior 
Nervo craniano V2 
Vasos infra-orbitários, nervo zigomático 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tomografia Computadorizada 
83 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 6.1 
Fig. 6.2 
 
Valnir de Paula 84 
 
 
 
O cone muscular consiste em sete músculos extra-oculares incluindo os músculos retos 
superior, medial, lateral e inferior, bem como os oblíquos superior e inferior, e o levantador da 
pálpebra superior. Todos, com exceção do oblíquo inferior, originam-se no ápice da órbita no 
anel de Zinn e seguem anteriormente para formar fixações tendíneas ao globo. O oblíquo 
inferior origina-se na face ínfero-medial da órbita e segue em um trajeto algo lateral para fixar-se 
à face póstero-lateral do globo. O cone de músculos foi designado um limite ou demarcação 
relativa para discutir a posição de vários processos patológicos, dividindo a órbita em espaços 
"intraconal" e "extraconal". Em geral, processos que envolvem o espaço intraconal são 
problemas cirúrgicos em contraposição ao espaço extraconal, quando o tratamento clínico é 
freqüentemente uma opção. Os processos que envolvem os próprios músculos serão discutidos 
como uma condição separada. 
O complexo nervo óptico-bainha inclui o nervo óptico, a bainha meníngea, que se 
estende do canal óptico até o globo, e o espaço subaracnóide e líquido entre a dura e o nervo. 
O diâmetro normal do nervo é de até 4 mm, com o diâmetro do complexo variando de 4 a 6 mm. 
A quantidade de líquido subaracnóide visualizado é variável. 
O nervo segue um trajeto sigmóide do ápice ao globo: a principal razão pela qual a 
imagem coronal é essencial para avaliação do complexo nervo-bainha. 
Fig. 6.3 
 
 
Tomografia Computadorizada 
85 
 
 
 
 
O aparelho lacrimal consiste em glândula – que se situa na face súpero-lateral da órbita, 
seu ducto para secreção para a córnea e superfícies conjuntivais – e o sistema ductal de 
drenagem próximo ao canthus medial da órbita, que consiste em puncta (superior e inferior) e 
seus ductos associados, o saco lacrimal, ducto lacrimal, e orifício de drenagem ínfero-lateral ao 
cartucho nasal inferior. Embora a dacriocistografia seja o exame de escolha para avaliação da 
perviedade do sistema ductal, imagens de TC (e em menor extensão, estudos por RM) são os 
exames para avaliação da glândula e a região saco-ducto. Todo o espaço remanescente na 
órbita é ocupado por gordura, que auxilia na produção de contraste natural entre esta e as 
outras estruturas da órbita. 
O septo orbitário é uma estrutura fibrosa aderente à margem interna da borda orbitária 
com porções centrais que se estendem até os tarsea das pálpebras. Embora haja alguns 
orifícios para a passagem de ductos (lacrimais), vasos e nervos nos sentidos medial e lateral, o 
septo forma uma barreira eficaz aos processos superficiais que se estendem até a órbita 
propriamente dita. A demarcação é designada "pré-septal" versus "pós-septal" (ou intra-
orbitária). 
 
6.2 – TÉCNICA DE EXAME 
O estudo por imagens da órbita sofreu várias transições nos últimos anos, principalmente 
no que se refere à contribuição das imagens por ressonância magnética (RM). O contraste de 
tecidos moles (TM) superior e a capacidade multiplanar de estudos de RM prestou-se ao estudo 
por imagens desta região. Entretanto, as imagens da patologia orbitária e periorbitária, devido à 
pequena região anatômica e componentes, exige um pouco mais de atenção aos protocolos e 
técnica de imagens que algumas outras regiões, para assegurar consistência e fidedignidade da 
informação diagnóstica obtida. 
Embora os estudos de RM tenham melhorado o contraste dos TM, estudos 
complementares incluindo imagens de tomografia computadorizada (TC), radiografias simples, 
angiografia convencional e ultra-sonografia, todos possuem seu lugar no diagnóstico da 
patologia orbitária. 
As imagens por TC proporcionaram ao radiologista e ao clínico a capacidade de 
identificar rápida e especificamente alterações anatômicas na órbita resultantes de contraste 
inerente da órbita isto é, uma abundância de gordura delimitando os vários elementos de 
tecidos moles da órbita. Devido ao fato do estudo por TC ser rápido e incremental, a cooperação 
relativa do paciente é mínima. 
Os protocolos comumente aceitos exigem combinações de imagens axiais e coronais 
com o potencial de reconstrução multiplanar. Para a maioria dos estudos patológicos orbitais, 
cortes de 3 mm no plano axial e cortes de 5 mm no plano coronal são adequados, embora seja 
comum a opção por 5mm também na série axial. Cortes coronais devem ser iniciados na borda 
orbitária lateral (para evitar superexposição do cristalino radiossensível) e continuar até a porção 
posterior dos canais ópticos, utilizando a clinóide anterior ou o dorso da sela como pontos de 
reparo. Os cortes axiais devem incluir imagens de todo o encéfalo, especificamente para incluir 
o aparato óptico retro-orbitário, com incidências adicionais ampliadas retrospectivas das órbitas. 
As imagens coronais são particularmente importantes porque a avaliação em corte 
transversal de todas as estruturas da órbita são ótimas - por exemplo, músculos extra-oculares 
 
Valnir de Paula 86 
(MEO), bainha do nervo óptico, complexo nasal, vasos e globo. Este plano também é imperativo 
para avaliar a propagação de processos a partir de estruturas adjacentes (por ex., seios 
paranasais, trauma, tumor). A posição do paciente em decúbito ventral é ideal, principalmente 
com doença relacionada ao seio, mas o decúbito dorsal também é aceitável. O uso adequado 
das janelas também é fundamental para avaliar alterações patológicas e deve incluir tanto para 
os tecidos moles quanto orientados para o osso . 
O material de contraste intravenoso, com a exceção de trauma, é considerado um 
acréscimo necessário ao protocolo da órbita. Isso pode aumentar a sensibilidade e algumas 
vezes a especificidade da distinção entre várias condições - sejam inflamatórias, infecciosas, 
neoplásicas ou vasculares. 
 
6.2.1 - Preparo prévio: jejum de 6 horas. 
 
6.2.2 - Anamnese: Investigar déficit visual, extrusão ocular, dor ou qualquer outro sinal ou 
sintoma relatado pelo paciente. 
 
6.2.3 - Exames anteriores de interesse: TC de Órbitas, TC de Crânio, TC de Seios 
Paranasais e/ou exames oftalmológicos. 
 
6.2.4 - Preparo imediato: Punção venosa e retirada de quaisquer objetos radiopacos da 
cabeça (óculos, próteses dentárias, grampos, etc.). 
 
6.2.5 - Utilização de contraste: Sim 
 
6.2.6 - Posicionamento do Paciente: Idêntico ao de TC de Seios Paranasais,salvo pela 
posição da mesa para escanograma na série axial, onde a linha central de posicionamento deve 
estar 2 cm acima da MSO(margem supra orbital). 
 
 6.2.7 - Rotina de Exame: Realiza-se duas séries com cortes axiais, uma sem contraste 
endovenoso( com cortes de 5mm e passo da mesa 10mm) e uma com contraste(5x5 ou 
3x3mm).O plano de cortes deve ser paralelo ao nervo óptico. Após, realiza-se a série com cortes 
coronais. 
 
6.2.8 - Registro das Imagens: As imagens devem ser copiadas em filme em janela de tecidos 
moles e janela óssea (análise de eventual lesão osteolítica). Não deixar de medir a espessura 
comparativa dos músculos orbitários sempre que for percebida alguma alteração nos mesmos. 
Salvo nas lesões oriundas de traumatismo, estas devem ter a sua densidade medida em um 
mesmo corte sem e com contraste endovenoso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tomografia Computadorizada 
87 
 
 
 
 
6.3 - ANATOMIA SECCIONAL 
6.3.1 – CORTES AXIAIS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 6.4 – Imagem de escanograma com plano de cortes 
axiais das órbitas. 
 
 
Fig. 6.5 - Corte axial basal demonstrando: 
 
a) cristalino 
b) músculo reto medial direito 
c) músculo reto lateral direito 
d) seio etmoidal 
e) hipófise 
f) músculo reto inferior esquerdo 
g) globo ocular esquerdo 
 
Valnir de Paula 88 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 6.6 - Corte axial no plano dos nervos ópticos, demonstrando: a) cristalino, 
b) pálpebra, c) glândula lacrimal, d) m. reto medial, e) complexo nervo óptico-bainha, 
f) m. reto lateral, g) fissura orbitária superior. 
Fig. 6.7 – Corte axial no plano superior das órbitas, demonstrando: a) gordura peri-ocular, 
b) seio frontal, c) osso frontal, d) globo ocular esquerdo e) m. reto superior 
 
 
Tomografia Computadorizada 
89 
 
 
 
 
 
6.3.2 – CORTES CORONAIS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 6.8 
Fig. 6.8 – Escanograma com plano de cortes coronais. 
 
Fig. 6.9 – Corte coronal, passando pelo centro dos globos 
oculares, demonstrando: a) m. reto lateral, b) m. reto 
superior, c) m. reto medial, d) m. oblíquo superior, e) m. 
elevador da pálpebra superior, f) glândula lacrimal, g) m. 
oblíquo inferior. 
 
 
Fig. 6.10 – Corte coronal retro-ocular demonstrando: 
a) m. reto medial, b) m. oblíquo superior, c) artéria oftálmica, 
d) complexo reto superior-elevador da pálpebra superior, 
e) bainha dural, f) veia oftálmica superior, g) espaço sub- 
aracnóide, h) nervo óptico, i) m. reto inferior, j) m. reto-
lateral. 
Fig. 6.9 
Fig. 6.10

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