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CEDERJ – CENTRO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR A DISTÂNCIA
DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DE AULA PARA EAD
(MATERIAL DIDÁTICO USO EXCLUSIVO DA PLATAFORMA CEDERJ NA
DISCIPLINA PORTUGUÊS VI )
CURSO: LETRAS DISCIPLINA: Português VI
CONTEUDISTAS: Ana Cláudia Machado Teixeira/ Ivo da Costa do Rosário / Monclar
Guimarães Lopes
AULA 11
Domínio científico: resumo, resenha, artigo, ensaio, monografia, dissertação,
tese
META
Compreender o domínio científico como esfera de produção discursiva que
abrange gêneros textuais da escrita acadêmica voltada para a instrução, produção
e divulgação de saberes, levando o leitor à assimilação de conceitos e
metodologias constituídos por meio de pesquisas. 
OBJETIVOS
Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de:
1
1. Compreender o domínio científico como instância de produção discursiva
que propicia o surgimento de discursos específicos caracterizados por um
tipo de escrita referencial e conceitual com base em pesquisa de dados e
exposição metodológica;
2. Compreender que a função social desses gêneros objetiva a divulgação do
trabalho intelectual de cunho científico.
3. Reconhecer o conteúdo temático, a estrutura composicional e o estilo de
cada um dos gêneros, relacionando os processos de leitura aos de
produção textual.
INTRODUÇÃO
Nesta aula, objetivamos apresentar gêneros que materializam textos de uma
esfera discursiva particular que é estabelecida no meio acadêmico. Os gêneros do
domínio científico trabalhados aqui são aqueles que mais comumente utilizamos
quando estamos inseridos no ensino superior ou envolvidos em pesquisas de
cunho científico-acadêmico. Trata-se de textos cujo objetivo principal é a
divulgação de pesquisas científicas realizadas com base numa tese e em sua
comprovação por meio de dados e análises sistemáticas. Para tanto, tais textos
estão baseados, principalmente, na função referencial da linguagem que tem
como objetivo principal discorrer acerca de informações objetivas sobre a
realidade. Por conta disso, é imprescindível dar prioridade a dados concretos, a
fatos, a circunstâncias devidamente comprovadas. 
O caráter referencial da escrita acadêmica se fundamenta na transmissão de uma
mensagem, basicamente de uma proposição ou tese, que o aluno, professor e
pesquisador expõem, dispondo-se a discuti-la ou defendê-la. Portanto, a
expressão linguística pretende evidenciar com objetividade e pretensa
imparcialidade as conclusões a que o autor chega, a partir de estudo minucioso,
2
com vistas a informar esses resultados. A subjetividade do autor, assim, fica por
conta do recorte que ele se propõe a fazer mediante as inúmeras possibilidades
de abordagem do tema-alvo de sua análise. Contrapondo a escrita intimista do
domínio memorialista à escrita referencial do domínio científico-acadêmico, por
exemplo, o espaço de criação textual, suas condições de produção, ou seja, os
fatores que condicionam a produção do texto (quem, o quê, para quem, em que
contexto, por quê, de que maneira, a partir de qual abordagem escreve) visam a
dar conta do objetivismo, no sentido da abstenção sistemática de uma opinião
preconcebida ou mesmo particular. Essa escrita isenta e equânime tem como
finalidade primeira apresentar a realidade/verdade dos fatos com a qual os textos
estão comprometidos, tendo em vista que são representantes de proposições
tecnicamente testadas.
Além disso, em se tratando de traduzir a realidade dos fatos ao interlocutor, o
autor não deve manifestar opiniões explícitas tampouco pessoais. Dessa forma, a
relação do escritor com a sua produção revela um apagamento do Eu, pois impõe
a compreensão do assunto, portanto do conteúdo temático, por meio de suposta
objetividade, segurança, racionalidade, universalidade como método racional de
trabalho.
Se considerarmos que o ato de escrita no domínio científico-acadêmico não
delineia um sujeito a priori, mas o resultado de seu trabalho de pesquisa, os
gêneros textuais abordados nesta aula exemplificam o discurso da ciência cujo
conceito de verdade assume a acepção de realidade essencial dos fatos e,
portanto, não pode estar atrelado a perspectivas particulares. A língua, então, é
acionada para dar conta desse conteúdo temático mediante um estilo permeado
por recursos linguístico-gramaticais que visam a representar essa objetividade. 
Nesse sentido, o autor tende a buscar expressões linguísticas mais formais
advindas de um vocabulário técnico atendendo às especificidades do referente. O
3
distanciamento, que tem como foco materializar esse caráter objetivista da escrita,
prioriza a ordem direta das sentenças, ou seja, sujeito + verbo + complemento(s) +
acessório(s). Manifesta-se também através do uso de palavras metadiscursivas
como assunto, artigo, dados, dissertação, monografia, parágrafo, pesquisa, seção,
tema, tese, trabalho, título entre outros, bem como do uso da terceira pessoa do
singular (que gera a impessoalização), da construção passiva, do plural
majestático ou até da utilização das mesmas expressões acima destacadas a fim
de possibilitar a dissimulação da autoria.
INÍCIO DE BOX EXPLICATIVO
A função referencial é a função da informação. É utilizada quando a mensagem é
centrada na necessidade de transmitir ao interlocutor dados da realidade de uma
maneira direta e objetiva. É correto afirmar que a função referencial está presente
em praticamente todos os textos, visto que a maior finalidade de todo ato de
comunicação é transmitir informação. Principais características: Nos textos em
que prevalece a função referencial, a mensagem está centrada no referente, ou
seja, naquilo de que se fala. Normalmente, são textos escritos na terceira pessoa
(ele). Nos textos em que prevalece a função referencial, as frases são
estruturadas na ordem direta, evitando inversões na estrutura sintática das
orações que possam prejudicar o entendimento da mensagem. 
Fonte: Adaptado de http://portugues.uol.com.br/redacao/funcao-referencial.html
FIM DE BOX EXPLICATIVO
INÍCIO DE BOX EXPLICATIVO
Expressões metadiscursivas são aquelas que se referem à organização do
discurso ou da atitude do escritor em relação ou ao conteúdo ou ao leitor. São
usadas para organizar, classificar, interpretar e avaliar a informação e se
caracterizam por uma autorreflexividade discursiva, ou seja, o discurso trata de si
mesmo, referenciando-se. 
FIM DE BOX EXPLICATIVO
4
INÍCIO DE BOX EXPLICATIVO
Em português, o plural majestático, também conhecimento como plural de
modéstia, ainda é muito usado como recurso estilístico, tanto na comunicação
formal como na literatura. É uma forma de evitar o tom individualista no discurso.
Trata-se de referir-se a si próprio usando a primeira pessoa do plural em vez de
usar a primeira pessoa do singular, quer na língua falada quer na escrita.
FIM DE BOX EXPLICATIVO
Não podemos esquecer, entretanto, como veremos mais detidamente na aula 16,
que os gêneros do discurso são, segundo Bazerman (2006, p. 23), “lugares onde
o sentido é construído”, uma vez que “moldam os pensamentos que formamos e
as comunicações através das quais interagimos” além de serem “modelos que
utilizamos para explorar o não-familiar”. Pautando-nos nessa abordagem, os
gêneros trabalhados nesta aula são esquemas textuais diretamente vinculados às
funções sociais, através dos quais pretendemos atingir um objetivo comunicativo. 
Dessa forma, apesar de o artigo, a dissertação, o ensaio, a monografia, a resenha,
o resumo, a tese se assemelharem em estiloe veicularem assuntos que giram em
torno de resultados de pesquisa científica, de acordo com a situação discursiva
em que estamos inseridos e com os papéis sociais que desempenhamos,
optamos por um determinado gênero em função de estar mais adequado para
atingirmos nossas metas comunicativas. Ou seja, um determinado gênero existe
para comunicarmos um determinado assunto e, por conta disso , entendemos que
a apropriação dos gêneros que circulam em espaços públicos e privados
possibilita condições para um letramento mais efetivo.
Nesse sentido, fica claro o motivo pelo qual os PCN afirmam que os gêneros são a
unidade básica de ensino, e é exatamente por isso que esse domínio, e mais
5
especificamente os gêneros discursivos tratados nesta aula, foram selecionados
para fazerem parte desta disciplina. 
Esperamos, assim, que você, aluno e futuro professor, considere o domínio
discursivo científico-acadêmico e os gêneros (caracterizados por seu conteúdo
temático, estrutura composicional e estilo) apresentados nesta aula como
instrumentos importantes para sua prática cotidiana. Bons estudos!
1. A produção discursiva com base em pesquisa de dados e exposição
metodológica
Produzir artigo, dissertação, ensaio, monografia, resenha, resumo, tese com o
propósito comunicativo de divulgar saberes requer que se admitam diferentes
atribuições de sentidos e seus recortes possíveis a essa divulgação. Se esses
gêneros fazem parte de um mesmo domínio e têm em comum um propósito
comunicativo, seu conteúdo temático precisa justificar uma maneira distinta de se
tratar dessa divulgação. Caso contrário, teríamos apenas um gênero textual para
esse propósito comunicativo. 
Apesar de alinhados a uma mesma finalidade – divulgar pesquisas –, o artigo, por
exemplo, normalmente veicula temas que giram em torno de pequenos, porém
completos, estudos acerca de determinada pesquisa. Já a monografia, pode tratar
da mesma pesquisa, do mesmo autor, por exemplo, mas o seu assunto requer
mais profundidade até porque se espera uma exposição mais detalhada acerca do
assunto. O tipo de produção, então, particulariza uma maneira de veicular as
informações.
Fica claro, assim, que a estrutura composicional é o quesito relacionado à
definição de relativa estabilidade dos gêneros e à maneira como as informações
6
podem se organizar. A estruturação do texto, o modo como é organizado na
sociedade, como é visivelmente reconhecido, definitivamente permite que
saibamos que o propósito comunicativo se materializa de forma distinta.
Estritamente ligado à estrutura composicional está o estilo, caracterizado pela
escolha de recursos linguístico-gramaticais que precisam veicular o conteúdo num
determinado tipo de escrita. Se estamos diante do propósito de divulgar saberes
científicos, lugar das pretensas objetividades e verdades, é natural, como
mencionamos anteriormente, que utilizemos do código linguístico para ancorar
essa escolha. 
Voltando à questão das condições de produção, fica claro, portanto, que a
pesquisa científica é a tarefa à qual esses textos se associam. Mas, o que é
pesquisa científica?
Grosso modo, a pesquisa científica é um estudo planejado, desenhado e
engendrado a partir da abordagem de um problema com base em uma
metodologia que dá caráter científico à investigação empreendida. Esse problema,
comumente denominado problema de pesquisa, parte do princípio de que pode
ser resolvido mediante pressupostos teóricos e dados acessíveis ou que possam
ser (re)produzidos. Dessa forma, uma pesquisa está sempre atrelada a um
problema, uma interrogação, um questionamento, uma intuição para os quais o
conjunto de conhecimentos disponíveis não forneceu resposta adequada. A partir
desse problema, o pesquisador levanta hipóteses cuja pesquisa pretende refutar
ou confirmar. Esse trabalho de pesquisa para solução do problema está
embasado em alguma vertente teórica sem a qual não há como fazer uma
investigação decente. Esse processo é de mão dupla, já que a teoria busca
embasar a pesquisa investigativa e, no decorrer desse trabalho, a teoria pode ser
revisitada, ampliada ou mesmo dar origem a novas teorias. De todo modo, para
serem validadas, tais teorias precisam estar apoiadas em fatos observados que
possam ser comprovados. 
7
Conforme nos informa Rauen (2013, p. 1): 
Uma pesquisa compreende três fases principais: planejamento, execução
e relato. A fase de planejamento consiste em projetar, propor ou
esquematizar as diversas etapas que compõem uma pesquisa científica,
incluindo: a delimitação de um tema e a prospecção de um problema; a
definição de um desenho metodológico, conforme o quadro teórico
referencial a ser adotado, que determine objetivos, metas, ações e
procedimentos de coleta, análise e discussão dos dados ou achados a
serem obtidos; e a coordenação de meios e recursos para a consecução
adequada da pesquisa. 
A fase de execução é aquela onde se cumprem, implantam ou efetivam
todos os elementos planejados de modo crítico e atento a
realimentações, especialmente quando ocorrem obstáculos que exigem
ações corretivas. A execução não consiste de mera aplicação do
planejamento, uma vez que sempre haverá aspectos subestimados,
superestimados ou não considerados que necessitam ser avaliados. 
A fase de relato consiste na produção e publicação de textos sobre a
pesquisa. Nesta fase, o pesquisador converte-se em escritor,
socializando ou difundindo os resultados à comunidade científica. Cabe à
comunidade científica o papel de avaliação crítica da qualidade da
pesquisa (crítica intersubjetiva dos pares), assimilando as conclusões
obtidas, rejeitando-as ou apontando aspectos que precisam ser
melhorados. Com base nestas réplicas, novas investigações são
propostas em novos ciclos de investigação.
Tratando de gêneros discursivos como práticas sociais, torna-se evidente que a
fase de relato fomenta a necessidade de divulgação. É a partir daí que se
configura o contexto produtivo dos gêneros aqui estudados.
INÍCIO DE ATIVIDADE
Atende ao objetivo 1.
ATIVIDADE 1
Vamos testar o que estudamos até aqui?
Complete o quizz abaixo, assinalando em CERTO ou ERRADO, e confira o quanto
você compreendeu dessa parte introdutória. 
8
a)
Um gênero é constituído de três quesitos por meio dos quais
se particularizam. Podem existir diversos gêneros a partir de
um mesmo domínio independente de os propósitos
comunicativos serem similares.
Cert
o ( )
Errado
( )
b)
A estrutura composicional é o quesito relacionado à definição
de relativa estabilidade dos gêneros, já que é por meio dele
que o gênero textual é visivelmente reconhecido.
Cert
o ( )
Errado
( )
c)
Como os gêneros apresentam diferenças sutis dentro do
domínio científico-acadêmico, já que o propósito comunicativo
é quase o mesmo, o quesito estilo não se altera. Isso ocorre
porque o autor sempre expõe o texto em primeira pessoa de
forma a identificar a sua autoridade de pesquisador.
Cert
o ( )
Errado
( )
d)
Qualquer pesquisa é um processo único que parte da intuição
de um pesquisador, tornado autor, a fim de divulgar o seu
trabalho. Quando ele faz isso, está confirmando sua hipótese.
Cert
o ( )
Errado
( )
e)
A fase de relato consiste na produção e publicação de textos
sobre a pesquisa. É nessa fase que o pesquisador faz o
recorte do conteúdo temático do gênero acadêmico.
Cert
o ( )
Errado
( )
f)
A apropriação dos gênerosque circulam em espaços públicos
e privados possibilita condições para um letramento mais
efetivo. Nesse sentido, quaisquer domínios discursivos, assim
como os gêneros produzidos a partir deles, devem ser
estudados e ensinados, independente de virem a ser incluídos
na prática diária do aluno e do professor. 
Cert
o ( )
Errado
( )
RESPOSTA COMENTADA:
a) Certo.
b) Certo.
c) Errado. O quesito estilo pode ser até similar, mas na medida em que o referente
muda, as especificidades linguístico-gramaticais, pelo menos no que se refere à
maneira de fazer referência a esse referente, também mudam. A prática de escrita
dos gêneros desse domínio tende a impessoalizar o sujeito que escreve. Assim, o
texto não é identificado na primeira pessoa independente de questões de
autoridade.
d) Errado. O problema de pesquisa pode partir da intuição do pesquisador, mas o
processo de pesquisa parte de uma dada teoria que busque comprovar as
9
hipóteses por meio de uma metodologia convincente. Portanto, o fato de o autor
publicar seu trabalho não está atrelado à confirmação da hipótese. 
e) Errado. A fase de relato da pesquisa configura-se como base para que o
pesquisador faça o recorte do conteúdo temático do gênero que, será publicado
como artigo, dissertação, ensaio, monografia, resenha, resumo, tese. Acadêmico é
o domínio a partir do qual os textos são materializados. 
f) Errado. Nem todos os domínios discursivos, assim como os gêneros produzidos
a partir deles, devem ser estudados e ensinados. Alguns gêneros, como a
conversa informal, por exemplo, não precisam ser ensinados. Nesse exemplo, o
mais interessante a se fazer é trazê-la como exemplo de análise quando se quer
contrapor gêneros mais espontâneos a outros mais elaborados. No caso dos
gêneros estudados nesta aula, a tese, por exemplo, poderia ser assinalada como
exemplar de texto mais elaborado, em que o nível de formalidade e especificidade
do conteúdo temático pode chegar a um patamar muito elevado e singular, típico
de outras esferas de circulação. 
FIM DE ATIVIDADE
2. A função social de divulgação do trabalho intelectual de cunho científico 
Antes de começar esta seção, é importante salientar que os gêneros
apresentados nesta aula são basicamente vinculados ao contexto universitário.
Tratar da função social desses gêneros implica relacionar o trabalho intelectual às
práticas universitárias de leitura e escrita, já que tais gêneros não constituem
conteúdo e nem práticas preferenciais nas escolas de ensino fundamental e
médio. A leitura e a escrita de artigos, teses, monografias, dissertações, resenhas
acadêmicas, entre outros, são realizadas, em maior frequência, na universidade,
porque é essa instituição que produz, por necessidades próprias, esses gêneros.
Apesar disso, o contato com esses gêneros na educação básica é produtivo, uma
vez que a proposta dos PCN abrange atividades de leitura e produção discursiva.
10
Nesse sentido, podemos apresentar esses gêneros, como veremos mais adiante,
para compará-los a outros em termos de estruturação, para avaliar os recursos
linguístico-discursivos e para promover uma leitura diferente, focando em
elementos que podem estimular os alunos a possibilidades outras de inclusão
social. 
Portanto, a função social dos gêneros que pretendem divulgar o trabalho
intelectual de cunho científico atende não só ao propósito de “dar a conhecer” aos
próprios membros de uma certa comunidade, constituindo um background, um
repositório de trabalhos para posteriores consultas ou discussões, mas também ao
de dominar um comportamento social. Isso significa que é possível ter um bom
domínio da língua, mas ser inexperiente na atividade de moldar os gêneros, ou
seja, apropriar-se, sobretudo, de sua estrutura composicional e seu estilo. 
Dessa forma, ao dominar os gêneros em questão, o aluno, o professor ou o
pesquisador avança na experiência que, como sabemos, é algo constitutivo da
prática. Por essa razão, é crucial desenvolver tais habilidades nas comunidades
que fazem uso de determinados gêneros, tornando-se, assim, condição
indispensável para uma interação verbal bem-sucedida. Conforme afirma Bakhtin
(1992, p. 303), “são muitas as pessoas que, dominando magnificamente a língua,
sentem-se logo desamparadas em certas esferas da comunicação verbal,
precisamente pelo fato de não dominarem, na prática, as formas do gênero de
uma dada esfera.” 
Se compreendemos que entrar em contato com os mais diversos gêneros é,
principalmente, ampliar o nível de letramento, (re)conhecer os gêneros dessa
esfera discursiva viabiliza o aperfeiçoamento crescente da prática discursiva, de
forma a permitir a inserção do cidadão em diferentes espaços sociais. 
11
Ainda tratando da função social dos gêneros científico-acadêmicos, mas agora
refletindo mais especificamente sobre eventos de letramento que transcorrem nas
salas de aula da universidade, consideramos que um debate precisa ser
impetrado a partir de observações e análises de práticas de leitura e de escrita:
quem, para que e como se ensina o gênero acadêmico nesse nível de
escolarização? Qual é o nível de conhecimento prévio acerca desses gêneros?
Em que situações eles são levados em consideração ou mesmo ativados em
situações reais de leitura e escrita? Há alguma discussão acerca de
conhecimentos linguístico-discursivos envolvidos na formação de habilidades e
competências específicas desses gêneros? Dessa forma, não poderíamos
considerar que o ensino-aprendizagem sistemático desses gêneros se constitui
em uma função social importante, já que permitem a entrada do indivíduo em
círculos sociais específicos? 
Essa discussão tem como objetivo promover uma reflexão acerca das práticas de
letramento da universidade, tendo em vista que, em muitos casos, há apenas o
comando do professor para a produção desses gêneros, mas não há uma
preocupação em ensiná-los sistemicamente. 
Além dessas questões, é interessante refletir sobre a autoria, no que se refere à
escrita acadêmica como provedora da função social de divulgação do trabalho
intelectual. Qual é o lugar do autor nesses gêneros, se entendemos que é um
trabalho que, apesar de dissimular linguístico-discursivamente a presença do Eu,
visa a veicular o trabalho do indivíduo, mesmo que seja orientado pelo professor
ou escrito em conjunto com outros pesquisadores participantes do mesmo projeto
de pesquisa? Ou seja, além da divulgação da pesquisa intelectual, a apresentação
do autor como sujeito do seu discurso também poderia ser considerada uma
função social dos gêneros científico-acadêmicos? Estamos considerando a função
social nesse último questionamento como a possibilidade de inserção do sujeito
no meio social em que circula, sedimentando a sua atuação nesse meio. 
12
Acerca dessas considerações, entendemos como Possenti (2002, p. 107) que:
Tem-se falado cada vez mais em autoria. De alguma forma, pode-se
dizer que os conceitos levados em conta para conferir alguma substância
a essa noção - exatamente para objetivá-la de alguma forma - tem a ver
com os conceitos de locutor (expressão que designa o "falante" enquanto
responsável pelo que diz) e com o de singularidade (na medida em que,
de algum modo, serve para chamar a atenção para uma forma um tanto
peculiar de o autor estar presente no texto; talvez uma noção revitalizada
de estilo fosse aqui necessária). 
O autor propõe a tese de que existem indícios de autoria se o indivíduo, ao
escrever um gênero, sabe utilizardiversos recursos da língua de forma um tanto
particular e, ao mesmo tempo, sabe reconhecer o agenciamento desses recursos
a partir de práticas sociais historicamente situadas. Ou seja, sabe manejar seu
estilo pessoal aos gêneros que escolhe para veicular seus propósitos
comunicativos. 
Se a produção textual está atrelada à leitura, uma vez que as atividades estão
relacionadas tanto no nível cognitivo quanto no nível intelectual, é natural que,
quanto mais o indivíduo leia e escreva, mais ele se torne dono de seu discurso, já
que reflete sobre o que apreende e se compromete com o que vai divulgar.
Assim, ao produzir um ensaio, há que se entrar em contato com vários textos do
assunto a ser ensaiado, não só por meio de uma leitura prazerosa, mas também
de uma leitura crítica, levantando os prós e contras do que está sendo lido. Essa
leitura fundamenta-se numa atividade sistemática, já que seleciona unidades de
sentido importantes para o processo de análise.
Outro aspecto do lugar do autor, a partir de atividades de letramento, é se
apropriar dos gêneros em seus três níveis ou quesitos. Ora, se o autor do ensaio
13
não conhece o gênero em si, como pode ensaiar sobre o tema que deseja? Como
se tornar autor de seu discurso se não sabe veiculá-lo de forma adequada ao
propósito comunicativo a que se propõe? É preciso reconhecer o conteúdo
temático, a estrutura e o estilo através dos quais esse gênero se caracteriza. 
Voltamos, então, à função social de divulgação do trabalho intelectual.
Consideramos que essa é uma atividade extremamente importante porque é
através dela que os novos mecanismos científicos, as novas formas de pensar,
agir e expressar metodológica e cientificamente podem ser compartilhadas. Falar
de propósito comunicativo, nesse contexto, é realmente pensar na escolha do
gênero que será necessário e mais adequado à divulgação de certas informações
para um público tal, de forma que a interação possa ser efetivada e sua função
social cumprida. Assim, é em razão disso que consideramos os gêneros como
mediadores e organizadores de nossas atividades sociais, daí sua importância e a
relevância de seu estudo de forma aprofundada e sistematizada.
Para finalizar esta seção, vamos a uma atividade que busca fazer uma reflexão do
conteúdo discutido aqui.
INÍCIO DE ATIVIDADE
Atende ao objetivo 2.
ATIVIDADE 2
Os gêneros textuais estão vinculados também à ampliação do nível de letramento,
portanto sua função social mais básica é preparar o indivíduo para o exercício da
cidadania e qualificá-lo para atuar em quaisquer instâncias de interação. Levando
isso em consideração, qual das expressões abaixo tem o estilo mais adequado
para a escrita acadêmica? Após a escolha, responda em que nível a característica
do estilo pode ampliar o nível de letramento.
14
a) Considerando-se os dados coletados, é possível afirmar que . . .
b) A partir dos dados coletados, ficou praticamente certo que . . .
c) Os dados coletados me provaram que . . .
d) Considerando-se os dados coletados, sabemos que, sem dúvida . . .
e) Os dados coletados comprovam o que pensei inicialmente, ou seja, que . . .
RESPOSTA COMENTADA:
Esperamos que você reconheça a resposta A como a mais adequada, já que
pretende, de forma imparcial, com o afastamento do Eu, tornar a escrita objetiva,
estabelecendo o fazer científico por meio de informações concretas dos dados.
Nesse sentido, a característica do estilo pode ampliar o nível de letramento
porque, ao reconhecer e saber manejar esse tipo de escrita, o indivíduo tem
acesso a outras esferas sociais em cujo âmbito circulam distintos saberes.
FIM DE ATIVIDADE
3. Caracterização dos gêneros do domínio científico/acadêmico 
 
Nesta seção, vamos abordar mais especificamente os gêneros artigo, dissertação,
ensaio, monografia, resenha, resumo, tese. Primeiramente queremos deixar claro
que, ao tomarmos como base a caracterização descrita por Bakhtin em conteúdo
temático, estrutura composicional e estilo, pretendemos evidenciar que, apesar
das sutis diferenças entre os gêneros dissertação, monografia, tese, por exemplo,
o propósito comunicativo é distinto. Podemos perceber isso, principalmente, por
meio do conteúdo temático e da estrutura composicional de cada um deles. Por
essa razão, passamos inicialmente a caracterizar o estilo que é comum aos
gêneros aqui estudados. Na sequência, apresentamos cada um dos gêneros no
que se refere às outras duas características.
15
Retomando a questão da escrita acadêmica, reafirmamos que os textos cujo
propósito comunicativo é o de divulgar saberes construídos no contexto
acadêmico-científico têm por base a proposta de objetividade. Nesse sentido, o
estilo dos gêneros discursivos desse domínio se fundamenta nas convenções
linguísticas próprias do texto científico, como, por exemplo, a concisão e
formalidade, o léxico representativo do referente em questão (área médica, física,
astronômica etc), apagamento do Eu por meio das estratégias de
impessoalização, plural majestático, utilização dos termos metadiscursivos para
atuar como sujeito discursivo etc.
O recurso basilar da impessoalização do discurso científico-acadêmico é de
extrema importância para os gêneros que têm por propósito divulgar ciência. Isso
ocorre porque são tomados como mecanismos argumentativos que têm por
finalidade atestar a veracidade e, acima de tudo, a legitimidade do discurso
proferido. Além disso, esse recurso estabelece uma forma de neutralidade, que
pretende retratar uma espécie de inquestionabilidade do discurso. 
A subjetividade, entretanto, de alguma forma, é apresentada nos artigos
científicos. Podemos percebê-la nas modalizações (como, por exemplo, nas
frases: com base nos dados pretende-se demonstrar; dessa forma, é possível
compreender que esse resultado; podemos constatar, a partir da análise do
corpus etc) e das citações. As modalizações são representadas por tempos do
verbo no futuro do pretérito, auxiliares de modalizações (poder, querer, ser
necessário, ser preciso, dever, etc.), subconjunto de advérbios (certamente, sem
dúvida, talvez, etc.), frases impessoais (é evidente que..., é possível que...), entre
outros.
As citações também visam a dar caráter de cientificidade aos textos, uma vez que
contribuem para embasar o conteúdo transmitido ou mesmo embasar e refletir
16
acerca do que o autor citado disse e o que o autor do texto está dizendo. São, por
conta disso, uma forma disfarçada de apresentar a subjetividade do autor e
garantir a cientificidade de seu texto. Assim, as citações seriam um tipo de
confirmação ao que está sendo afirmado pelo autor que pode não ter ou ter pouca
autoridade no assunto que está escrevendo. Tanto a modalização quanto a
citação são, na verdade, avaliações formuladas sobre alguns aspectos do
conteúdo temático. Elas contribuem para o estabelecimento da coerência
pragmática ou interativa do texto e para orientar o interlocutor na interpretação
desse conteúdo temático (Bronckart, 1999).
Além desses recursos, podemos citar a nomeação, que atua numa função
legitimadora, para melhor elucidar as questões, tais como: o recurso se chama...,
a nova teoria é definida como..., o processo é nomeado..., a metodologia de
pesquisa é denominada..., entre outros. O uso de estruturas como: é preciso, é
necessário, é importante, é coerente, dá ao texto caráter atemporal e apriorístico,
uma vez que se apresentam opiniões sob a forma de verdadeslegítimas. 
É comum, também, observarmos o predomínio da ordem direta como forma de
marcar um discurso simples e de fácil entendimento que pretende ser menos
marcado na medida em que se abstém de adornos, antecipações, deslocamentos.
Complementando essa questão, é praticamente renegado o uso de figuras de
linguagem que deixem transparecer a pessoa do autor. Elementos linguísticos
muito utilizados são as expressões de reformulação como isto é, em outras
palavras, quer dizer, que objetivam explicar mais claramente o sentido de
determinado termo ou assunto. 
Além desses mecanismos e recursos, o tipo textual expositivo é predominante.
Vamos apresentar aqui a definição mais comum desse tipo de texto: intenta
explicar, dar informações a respeito de alguma coisa. Atende ao objetivo de fazer
com que o interlocutor adquira um saber, um conhecimento que até então não
17
tinha. Os textos explicativos não fazem defesa de uma ideia, de um ponto de vista,
e sim tratam da apresentação de um tema, a partir de mecanismos como a
conceituação, a definição, a descrição, a comparação, a informação e
enumeração. 
Estamos falando aqui de predominância. Como sabemos, em se tratando de
gêneros, os tipos textuais podem coexistir, apesar de um sempre predominar.
Assim, o outro tipo textual que é bastante comum nos gêneros desse domínio é o
argumentativo, que encadeia ideias com a finalidade de organizá-las
essencialmente pela lógica, manifestada por meio de relações de causa, condição,
concessão, contraste, conclusão.
Passemos, agora, à análise de cada gênero textual enunciado no título desta aula.
3.1 Resumo
Para começar a tratar do gênero resumo, é importante diferenciar o ato de resumir
- que se atém a sintetizar as ideias de um texto - e o propósito comunicativo do
gênero textual. Na verdade, o que vamos fazer nesta aula é apresentar o gênero,
mas, antes disso, consideramos importante tecer alguns comentários sobre o ato
de resumir, tendo em vista que ele é o cerne de muitos outros trabalhos de cunho
científico como, por exemplo, a resenha, o fichamento, entre outros. 
Qual seria a finalidade de resumir um texto? No contexto acadêmico, praticamente
durante todo o tempo, alunos, professores e pesquisadores resumem. Isto
acontece porque resumir é o ato de ler, analisar e traçar em poucas linhas o que
de fato é essencial e mais importante para si, a partir do texto que se está
estudando. Na posição de estudante, resumir os textos possibilita que
internalizemos melhor o assunto, já que travamos contato com ele de duas
maneiras: lendo e reescrevendo. A verdade é que quanto mais resumimos textos,
18
mais ficamos hábeis nesse procedimento, o que é muito útil na vida de
universitários e pesquisadores.
Passemos agora a tratar do gênero em si. A ABNT - Associação Brasileira de
Normas Técnicas – por meio da NR 6028:2003, informa que o resumo é uma
apresentação concisa dos pontos relevantes de um documento. Segundo
Medeiros (2006, p. 137), “essa definição pode, no entanto, ser melhorada: resumo
é uma apresentação sintética e seletiva das ideias de um texto, ressaltando a
progressão e a articulação delas. Nele devem aparecer as principais ideias do
autor do texto”.
INÍCIO DO BOX PARA SABER MAIS
A ABNT estabelece normas para trabalhos acadêmicos. É o órgão responsável
pela normalização técnica de todo o material produzido no país que, apesar de ser
facultativa, é seguida por todos. 
Acesse o link: http://www.abnt.org.br/ 
FIM DO BOX PARA SABER MAIS
Como propósito comunicativo, os resumos têm a função de abreviar “o tempo dos
pesquisadores; difundir informações de tal modo que pode influenciar e estimular
a consulta do texto completo” (idem). Aliando o propósito ao conteúdo temático,
podemos dizer que o resumo é um texto produzido por um resumista, cujo
conteúdo sintético busca veicular as principais ideias contidas num determinado
texto. A produção intelectual do resumista, apesar de estar atrelada ao texto
original, é particular. Apesar de existirem técnicas próprias para facilitar a
composição do texto do resumo, a decisão do que destacar e, principalmente, de
como introduzir o conteúdo original para o texto do resumo é peculiar, própria do
resumista. Estamos tratando aqui, principalmente, das escolhas lexicais e do tom
que se dá à produção escrita. Veja o exemplo abaixo:
19
O artigo de fulano de tal, intitulado Modelo de resumo para aula do CEDERJ, trata
de um exemplo desenvolvido para que seja possível perceber nitidamente como
se faz um resumo breve. Fulano inicia seu texto tratando da importância que o
gênero resumo tem nas atividades acadêmicas. Na sequência, já na parte do
desenvolvimento, elenca os vários tipos de resumos e suas funções. Depois
disso, o autor ensina quais são os principais passos para se realizar um resumo.
Fechando a parte de desenvolvimento, faz um exercício mostrando o passo a
passo. No final do artigo, fulano destaca que o aluno torna-se hábil resumista
quanto mais resumos faz, por isso apresenta uma série de exercícios com as
respectivas chaves de resposta ao final. 
Como podemos observar, o resumista apresenta o texto original. As escolhas
lexicais de que falamos anteriormente vão dar o tom do texto, e a seleção das
ideias estabelece a produção intelectual singular. Daí dizermos que o texto do
resumo é um novo texto, uma nova produção. Apesar disso, em quaisquer tipos
de resumo, evitam-se comentários pessoais e juízos de valor. 
Ainda tratando do conteúdo temático, no gênero resumo, o assunto é o texto
original. Entretanto, independente disso, não é uma cópia, mas uma versão que
tem a marca do resumista. Por meio dos resumos, apresentamos um trabalho que
já foi realizado – no caso de resumo como atividade acadêmica, ele funciona
como uma ferramenta útil para o estudo e para a memorização de textos escritos
ou falados – ou apresentamos um trabalho que está sendo divulgado – no caso
dos resumos de produções como artigos, dissertações, ensaios, monografias,
teses, etc.
De que forma podemos falar por meio do resumo? Podemos falar de forma
sintética, atendo-nos às ideias principais de um texto, distinguindo suas partes
principais, produzindo um novo texto que responda a duas perguntas,
basicamente: o que o autor pretende demonstrar? De que trata o texto? 
20
Trataremos da estrutura composicional, apresentando–a a partir dos tipos de
resumo, segundo a ABNT. Já adiantamos aqui que o formato dos resumos que
seguem essa normatização é de um parágrafo único.
De acordo com Medeiros (2006: 138), a ABNT orienta a produção de três tipos de
resumo: indicativo, informativo e crítico. Vamos a eles! 
a) Resumo indicativo ou descritivo
Neste tipo de resumo, a ideia é apenas indicar os pontos principais do documento.
Por conta disso, não apresenta dados qualitativos tampouco quantitativos. O que o
difere dos resumos que costumamos fazer para estudar ou mesmo para
mantermos como fonte de consulta é que o indicativo não dispensa a leitura do
texto original. Observe o exemplo retirado de Medeiros (2006):
ROCCO, Maria Thereza Fraga. Crise na linguagem: a reação no vestibular. São
Paulo: Mestre Jou, 1981, 184 p.
Estudo realizado sobre as redações de vestibulandos da FUVEST. Examina os
textos com base nas novas tendências dos estudos da linguagem, que buscam
erigir uma gramática do texto, uma teoria do texto. São objeto de seu estudo a
coesão, o clichê, a frase feita, o “não-texto” e o discurso indefinido. Parte de
conjecturas e indagações,apresenta critérios para a análise, informações sobre o
candidato, o texto e farta exemplificação.
Como podemos observar, o resumo apenas destaca as partes do texto. Notamos,
entretanto, que a escolha dos verbos com os quais o resumista apresenta o texto
recupera o movimento do material original, ou seja, a seleção lexical vai retratar
exatamente a ação empreendida pelo autor do texto original.
A estrutura composicional deste tipo de resumo obedece às orientações gerais do
gênero: na primeira linha, há a referência bibliográfica do texto original; no corpo
do resumo, utilizam-se frases curtas que sintetizem as partes do texto fonte,
verbos que retratem o que o autor realizou (realizar, examinar, buscar, partir de,
21
apresentar, discutir etc). Esse formato deixa claras as partes do texto original,
sendo esse o objetivo principal. 
b) Resumo informativo ou analítico
A principal diferença entre o resumo anterior e o informativo é que neste a leitura
do texto original é dispensável. Dessa forma, para atender a este propósito, a
estrutura vai necessariamente comportar mais informação: salienta objetivos,
apresenta métodos e técnicas empregados no texto original, resultados e
conclusões. Vamos direto ao exemplo para identificar melhor essas diferenças.
Observe que o texto original resumido é o mesmo, retirado de Medeiros (2006). 
ROCCO, Maria Thereza Fraga. Crise na linguagem: a redação no vestibular. São
Paulo:Mestre Jou, 1981, 184 p.
Examina 1.500 redações de candidatos a vestibulares (1978), obtidas da
FUVEST. O livro resultou de uma tese de doutoramento apresentada à USP em
maio de 1981. Objetiva caracterizar a linguagem escrita dos vestibulandos e a
existência de uma crise na linguagem escrita, particularmente desses indivíduos.
Escolheu redações de vestibulandos pela oportunidade de obtenção de um
corpus homogêneo. Sua hipótese inicial é a da existência de uma possível crise
na linguagem e, através do estudo, estabelecer relações entre os textos e o nível
de estruturação mental de seus produtores. Entre os problemas, ressaltam-se a
carência de nexos, de continuidade e quantidade de informações, ausência de
originalidade. Também foram objeto de análise condições externas como família,
escola, cultura, fatores sociais e econômicos. Um dos critérios utilizados para a
análise é a utilização do conceito de coesão. A autora preocupa-se ainda com a
progressão discursiva, com o discurso tautológico, as contradições lógicas
evidentes, o nonsense, os clichês, as frases feitas. Chegou à conclusão de que
34,8% dos vestibulandos demonstraram incapacidade de domínio dos termos
relacionais: 16.9% apresentaram problemas de contradições lógicas evidentes. A
redundância ocorreu em 15,2% dos textos. O uso excessivo de clichês e frases
feitas aparece em 69,0% dos textos. Somente 40 textos verificou-se a presença
de linguagem criativa. Às vezes o discurso se estrutura com frases bombásticas,
pretensamente de efeito. Recomenda a autora que uma das formas de combater
a crise estaria em se ensinar a refazer o discurso falho e a buscar a originalidade,
valorizando o devaneio.
Nesse exemplo, é evidente a diferença entre a indicação do primeiro tipo e a
informação do segundo tipo de resumo. Destacamos as escolhas lexicais feitas
22
pelo autor do resumo para demonstrar o que queremos dizer quando falamos que
o resumo é um texto de autoria intelectual de um indivíduo que, nesse caso,
atende pelo nome de resumista. Evidentemente, o texto original precisa
apresentar essas ações, mas, de todo modo, a escolha do vocabulário é singular.
Note que a estrutura composicional é a mesma. A diferença reside na quantidade
de informações que são trazidas para o corpo do resumo. O informativo pode
dispensar a leitura do original quanto às conclusões, apesar de não dispensar
essa leitura quando se tratar de aspectos mais específicos que são, geralmente,
suprimidos quando queremos sintetizar um texto.
O último tipo de resumo indicado pela ABNT é o crítico. Não nos ateremos muito a
ele em função de sua aproximação com a resenha. Aliás, esse resumo é também
conhecido como recensão ou resenha, é redigido por especialistas e compreende
a análise crítica de um texto.
Podemos sintetizar o gênero resumo a partir de Medeiros (2006, p.139-140):
1) Ressalta o objetivo, o método, os resultados e as conclusões de um texto;
2) É precedido da referência bibliográfica do texto original. Exceto, é claro, os
resumos que estão inseridos nos gêneros artigo, dissertação, ensaio,
monografia etc; 
3) O corpo do texto apresenta frases na ordem direta, concisas, dispostas
sequencialmente. Recomenda-se um único parágrafo. Os resumos
realizados para o próprio aluno ou pesquisador não necessariamente
precisam ser constituídos em um único parágrafo, tampouco apresentarem
palavras-chaves. Já nos resumos inseridos em outros gêneros científico-
acadêmicos, necessariamente devem constar de 3 a 5 palavras que
indiquem do que o texto vai tratar.
23
4) A estrutura composicional deve conter: primeira frase explicando o assunto
do texto; na sequência esclarece-se o gênero do texto original (livro
introdutório da disciplina tal, artigo ilustrando estudo de caso, ensaio
refletindo acerca de tal coisa); as frases são diretas, concisas, geralmente
selecionando verbo no presente do indicativo; tem-se também a
impessoalização do sujeito autor e palavras-chaves antecedidas por título
do mesmo nome;
5) Evitam-se símbolos e contrações de uso não correntes, fórmulas,
equações, diagramas (exceto se forem extremamente necessários).
Com relação à extensão do resumo, quando esse gênero está inserido em outros
gêneros do domínio científico, a ABNT recomenda a seguinte distribuição:
a) De 150 a 500 palavras – teses, dissertações, relatórios técnico-científicos 
b) De 100 a 250 palavras – artigos de periódicos
c) De 50 a 100 palavras – trabalhos destinados a indicações breves
Ressaltamos que os resumos realizados como atividade escolar/universitária vão
ter sua extensão indicada pelo professor que solicitou a tarefa. Os resumos de uso
pessoal, bem como os resumos críticos (resenhas) não estão sujeitos a limite de
palavras. Contudo, as resenhas publicadas em periódicos devem respeitar a
indicação contida nas normas da revista. Lembramos que o periódico que publica
artigos ou resenhas pode indicar extensão maior ou menor do que a orientação da
ABNT.
INÍCIO DO BOX PARA SABER MAIS
Em Medeiros (2006, p. 141-148), o autor apresenta um passo a passo para
elaboração de resumos. É muito importante que você saiba as técnicas para
24
desenvolver um bom resumo. Você vai precisar saber sintetizar ideias para outros
gêneros científico-acadêmicos. Vale a pena!
FIM DO BOX PARA SABER MAIS
3.2 Resenha
O propósito comunicativo da resenha é, principalmente, apresentar um texto de
forma resumida a partir de uma perspectiva crítica. Para dar conta desse
propósito, o gênero em questão tem como conteúdo temático a crítica
fundamentada que visa a dissertar acerca de um tema específico. 
A ABNT – NBR 6028:2003 denominou resumo crítico como resenha. Dessa forma,
não há uma orientação estrita, tampouco detalhada desse gênero emitida por um
órgão normatizador. 
O objetivo principal da resenha é o de fornecer informações para o leitor decidir
quanto à consulta ou não do original, daí que é imprescindível um resumo das
ideias do texto fonte, uma avaliação dessas informações e da qualidade da obra,
justificando a avaliação realizada, naturalmente, através dos comentários do
resenhista.
Temos aqui um autor que,necessariamente, precisa conhecer o assunto sobre o
qual se debruça. Ao avaliar o texto original e relatar minuciosamente as ideias
principais, compará-las, discuti-las a partir de um enfoque subjetivo, o resenhista
precisa apresentá-las de forma objetiva. Novamente temos aqui a
impessoalização do Eu, que, entretanto, não dispensa considerações e
julgamentos. Por essa razão, o resenhista geralmente traz informações de outros
textos para fundamentar sua análise.
25
Segundo Andrade (1995, p. 60) apud Medeiros (2006, p. 153), a resenha “é um
tipo de trabalho que exige conhecimento do assunto, para estabelecer
comparação com outras obras da mesma área e maturidade intelectual para fazer
avaliação e emitir juízo de valor”. A partir dessa definição, supõe-se que o
resenhista seja especialista no assunto do texto original. Contudo, no contexto
acadêmico, esse tipo de trabalho pode ser solicitado para o aluno, desde que
guarde as necessárias adaptações. 
De acordo com Medeiros (2006, p. 153), resenha é, então, “um relato minucioso
das propriedades de um objeto ou de suas partes constitutivas; é um tipo de
redação técnica que inclui descrição, narração e dissertação”. Esses elementos a
que Medeiros se refere podem ser relacionados à estrutura composicional da
resenha, como veremos a seguir.
Estruturalmente, a resenha descreve as propriedades da obra (descrição física da
obra), relata as credenciais do autor, resume o texto fonte, apresenta suas
conclusões e metodologia empregada, bem como expõe um quadro de referências
em que o autor se apoiou, procedendo, então, nessa parte, a uma narração.
Finalmente, o resenhista apresenta uma avaliação da obra e diz a quem o texto
fonte se destina, por meio de uma dissertação. Observe o exemplo abaixo,
adaptado do site http://modelosprontos.com/resenhas-prontas-critica.html:
26
27
Sintetizando o que vimos até aqui:
a) Resenha é um gênero científico-acadêmico cujo conteúdo temático visa a
divulgar, criticar e recomendar a leitura de textos;
b) É um texto de informação e de opinião, chamado de recensão crítica. A
ABNT o define como resumo crítico.
c) Procura divulgar os conteúdos de textos científicos também com a
finalidade de orientar a leitura. 
d) A extensão do texto da resenha depende bastante do suporte e da
finalidade. Como já dissemos antes, funcionando como atividade
acadêmica, a extensão é definida pelo professor. Caso seja publicada em
periódico científico, o resenhista deve se ater às normas da revista. De
forma geral, não deve ser um texto longo. O processo deve acontecer como
uma espécie de resumo em uma extensão um pouco maior.
e) Numa resenha devem constar basicamente o título, a referência
bibliográfica do texto fonte, os dados bibliográficos do autor da obra
resenhada, os resumos ou sínteses de conteúdo, além de sua avaliação
crítica, que deve apontar todos os aspectos considerados positivos e
negativos, explicando os porquês. Em alguns textos, observa-se a
indicação de leitura, ou seja, a quem se destina o texto original e como
pode ser aproveitada de forma produtiva. Ao final, também pode
recomendar ou não a leitura do texto fonte.
3.3 Artigo científico
Para Marcantonio et al (1993), o artigo de cunho acadêmico-científico é o gênero
cujo conteúdo temático comporta resultados de estudos “de um dado objeto de
pesquisa. Não chega a constituir-se em matéria para dissertações, teses ou livros.
Apresenta as pesquisas realizadas e é publicado em revistas ou periódicos
especializados”. Nesse sentido, esse gênero atende à função de divulgação de
28
atividade intelectual, porém, diferentemente de outros que cumprem essa função
(dissertação, monografia, tese), os artigos científicos têm dimensão e conteúdo
reduzidos. Seu propósito, portanto, é veicular resultados de pesquisas, ideias,
estudos de caso, análises de dados de uma maneira clara, concisa e fidedigna.
Além disso, busca tanto servir de meio de comunicação e de intercâmbio de
debates teórico-metodológicos entre cientistas de determinada área de atuação
como levar ao público da academia ou da área de pesquisa os resultados do teste
de uma hipótese, a fim de comprovar as perguntas de pesquisa. 
O artigo científico designa um trabalho acadêmico que apresenta resultado sucinto
de pesquisa. Tal pesquisa necessariamente foi realizada de acordo com a
metodologia referendada pela comunidade de pesquisadores e, por esse motivo, é
submetido ao exame de outros cientistas. No caso do artigo, esse exame é
realizado pela comissão científica do periódico a que foi submetido. Ali, são
verificadas as informações, os métodos e a precisão lógico-metodológica das
conclusões ou dos resultados obtidos e, ao final, é dado um parecer que
possibilita ou não a sua publicação.
Outro detalhe que é comum na escrita acadêmico-científica e que esse gênero
partilha é o fato de o texto ser produzido com ineditismo e originalidade e, assim,
contribuir não só para incrementar e ampliar conhecimentos, interpretar, resolver
ou compreender determinados problemas, mas também fornecer modelos ou
subsidiar outros trabalhos/estudos de uma área em comum. Tendo isso em conta,
geralmente esses gêneros são o resultado de sínteses de trabalhos maiores como
produtos de monografias, dissertações e teses e dissertações. Nesse caso,
podem ser desenvolvidos sob a assistência de um orientador acadêmico. 
No que se refere à estrutura composicional, o texto do artigo deve ser elaborado
de acordo com normas pré-estabelecidas definidas a partir de alguns parâmetros
apresentados pelo periódico científico que o veiculará. Geralmente, essa
29
estruturação obedece ao seguinte esquema, definido por Marcantonio (1993): uma
introdução, um corpo do trabalho ou texto propriamente dito, conclusão ou
resultados, indicação das referências e a bibliografia em geral. Como veremos na
dissertação, monografia e tese, esse macroesquema é comum aos quatro. O que
vai particularizar um ou outro gênero é o recorte feito a partir da pesquisa maior
em que o autor esteja inserido. Sendo assim, no artigo, o que temos é
apresentação de uma estrutura que poderia ser traduzida como problema-solução,
circundado por outras partes como introdução, método, resultados, discussão,
referências bibliográficas. 
Essa estrutura composicional é distribuída em um número determinado de páginas
que gira em torno de 10 a 25, dependendo do periódico em que for publicado.
Com relação à apresentação de figuras, fórmulas, gráficos, exemplos de texto,
tabelas e outros elementos, esses recursos são plenamente utilizados e servem
de base para comprovação e discussão dos resultados de pesquisa que estão
sendo divulgados.
Observe o modelo abaixo, adaptado do site http://modelosprontos.com/modelos-
artigo-cientifico.html:
30
31
3.4. Ensaio
Para REBOUÇAS (2010, p.4), o ensaio
reúne desde o seu nascedouro alguns “ingredientes” característicos,
como a erudição, a reflexão pessoal e o informalismo (SALDANHA, 2002,
p.34). Por isso, embora sempre tenha encontrado seu espaço de
realização, o ensaio, no quadro geral de uma racionalidade formal e
abstrata, objetiva e comprovável, sobretudo sistematizável, vai ser
desqualificado como uma produção inferior, adjacente, sobretudo se
tomada a questão metodológica em oposição ao seu informalismo.
Marcado pelo precário e efêmero, pelo subjetivo, pela crítica pontual, o
ensaio mais pareceum recorte. Não se pode simplificar, contudo, um
gênero tão polêmico e importante. 
O conteúdo temático do ensaio tem um caráter muito mais argumentativo e, ao
contrário do que o nome pode suscitar, não se trata de um esboço ou material
inacabado com falta sentido e cientificidade, ou ainda uma exposição científica
não acompanhada de provas explícitas. A ação preponderante é a reflexão feita a
partir de um recorte do tema, portanto não pretende ser exaustivo. O que se
entende por particular em termos de assunto, a partir do propósito comunicativo
de divulgar saberes, é a discussão empreendida por um autor que reflete sobre
algo apresentado sob a forma de uma “anotação crítica” (idem). Por essa mesma
razão, aproxima-se bastante do caráter filosófico, mas esbarra nas contenções
científicas, ou seja, a reflexão filosófica vai até o limite dos dados e provas
concretas.
Rebouças (2010, p.5) explica que o conteúdo explorado pelo gênero não se
apresenta de maneira positivista. Não é na “objetividade do método que o ensaio
se expressa, mas na subjetividade das escolhas discursivas [...].” De todo modo,
não seria correto afirmar que, no contexto acadêmico, esse gênero abandone
padrões técnicos, cuidado com a escrita, preocupação com o corpus,
apresentação por meio de uma estrutura composicional que o defina como tal,
principalmente no que se refere à pesquisa e às referências. 
32
Além disso, o conteúdo do texto deve apresentar conclusão original, porém o que
se distingue aqui é um teor menos aprofundado ou de menos considerações e
explicações do que o artigo científico. O que deve sobressair é a criticidade e a
originalidade do autor, não esquecendo que a criticidade é exposta por meio de
recursos linguísticos que “desapaixonam” a crítica, isto é, camuflam as paixões
que revelam a subjetividade do autor. Espera-se que o autor do ensaio faça
considerações de cunho pessoal, como se apresentasse suas considerações
acerca do que ele traz com uma pergunta/dúvida/reflexão a ser debatida, mas
ancorada num profundo conhecimento técnico e científico do tema que traz à luz,
ou seja, espera-se um autor com profundo conhecimento de pesquisa e produção
científica.
Dessa forma, o caráter crítico que o autor veicula por meio do conteúdo, do
assunto, gira em torno de debate ou questão de ordem científica. Nesse sentido, o
ensaio questiona, critica, faz experimentações e ponderações a respeito do ponto
sob consideração. Ainda sob a chancela de científico, esse gênero, ainda que
trazendo posicionamento nítido, apresenta-se formal e articuladamente com o
intuito de expor de forma lógica e clara os juízos feitos, articulando-os ao assunto
ou à temática sobre a qual reflete. A diferença reside no modo de fazer essas
articulações, já que é mais flexível do que o artigo científico, por exemplo, mas
nem por isso o rigor e a organização são menos importantes. Do mesmo modo, o
comprometimento e a maturidade intelectuais de quem redige o ensaio são
fundamentais.
A alegação de que o propósito comunicativo do ensaio se situa entre o cultural, o
literário, o didático e o não-didático, o científico e o filosófico se situa na forma
como esse conteúdo temático é apresentado, já que o autor defende um ponto de
vista. O ensaio não determina, como o artigo ou as dissertações e teses, que se
incluam, de forma extensiva, pressupostos teóricos, revisão bibliográfica para
33
apoiar o que se veicula, tampouco necessita de provas e evidências empíricas
para cada item que se propõe a refletir. É nesse sentido que o nome ensaio se faz
mais facilmente compreensível. Entretanto, isso não significa que o conteúdo
possa prescindir de ser sensato em sua argumentação, ou seja, o conteúdo deve
oferecer reflexões plausíveis a partir do que a ciência já demonstrou na área, não
podendo, portanto, ser desordenado, confuso, muito menos fortuito, casual ou
aleatório. 
Com relação à estrutura composicional, como já mencionamos antes, no texto
ensaístico, não há uma rigidez igual à dos outros gêneros tratados aqui. Porém, a
estrutura elementar de introdução, desenvolvimento e conclusão acerca de uma
proposição não pode ser infringida. 
Grosso modo, o que podemos verificar são os seguintes elementos:
a) introdução – apresenta a ideia a ser explorada, sugere a linha de
argumentação a ser adotada e esboça a organização do desenvolvimento do
texto;
b) desenvolvimento – explora os argumentos com base na linha sugerida na
introdução. O texto é redigido em parágrafos desenvolvidos em torno de um
argumento cuja comprovação e reflexão deve fundamentar a tese. Geralmente,
inicia-se com uma proposição e um argumento sobre o tema alvo do ensaio. Na
sequência, apresenta-se um contra-argumento e, finalmente, discorre-se sobre o
que se considera mais relevante sobre o tema, apresentando justificativas; 
c) conclusão – tece considerações acerca do movimento de argumentação e
contra-argumentação. No ensaio, a conclusão não é definitiva. As verdades aqui
não são absolutas. O caráter filosófico do gênero também se ancora na
provocação que o autor faz ao seu leitor a partir da articulação realizada entre a
proposição trazida para a discussão e a reflexão em si.
34
Observe o modelo abaixo, adaptado do site
http://www.monografiasonline.com.br/ensaio.asp
35
36
INÍCIO DO BOX PARA SABER MAIS
Observe um ensaio científico no site abaixo e faça as comparações com a
estrutura composicional e o conteúdo temático dos outros gêneros apresentados
nesta aula.
http://www.scielo.br/pdf/%0D/ci/v32n1/15971.pdf
FIM DO BOX PARA SABER MAIS
3.5 Monografia, dissertação, tese
Para apresentar os três últimos gêneros textuais do domínio científico, faremos
uma exposição por comparação. Essa escolha passa, principalmente, pelo fato de
existirem muito mais semelhanças do que diferenças entre eles. Na verdade, as
diferenças se atêm muito mais ao nível de complexidade dos textos do que a algo
mais substancial. No contexto acadêmico, costuma-se associar esses gêneros a
certos tipos de trabalho de conclusão de curso, os conhecidos TCCs. 
A monografia é o resultado do trabalho realizado pelo aluno no nível de graduação
e, também, nos cursos de pós-graduação no nível de especialização. Já a
dissertação e a tese são trabalhos de conclusão que se relacionam ao nível de
pós-graduação stricto sensu, ou seja, no mestrado e no doutorado,
respectivamente. Monografias, dissertações e teses visam à obtenção de um
título, quais sejam: especialista, mestre e doutor. Esse é o propósito comunicativo
de cada um desses gêneros. 
Com relação à monografia, uma observação pertinente a ser feita é que algumas
disciplinas ministradas nos cursos de pós-graduação solicitam esse texto como
avaliação final. Nesse caso, a monografia atende ao objetivo de produzir um
material acerca de algum tema solicitado pelo professor.
37
Além da apresentação desses gêneros a uma banca que fará a avaliação, esses
textos são escritos sob a orientação de um professor, denominado professor-
orientador. Esse orientador é uma referência que vai auxiliar o aluno na execução
da pesquisa, e, com relação ao trabalho final correspondente, a seleção do tema,
composição do texto etc.
Em termos mais gerais, o conteúdo temático desses gêneros versa sobre um
determinado tema que é desenvolvido por um autor a partir das pesquisas
empreendidas durante o curso de graduação ou pós-graduação, com vistas a
divulgar tais pesquisas. Muitas vezes esses textos sãoutilizados como bibliografia
para outros trabalhos.
Vamos ao conteúdo temático dos três gêneros de forma mais específica: 
Monografia é uma composição textual sobre um ponto particular de um fato, de
um fenômeno, sobre um mesmo assunto ou sobre assuntos relacionados.
Normalmente é escrito apenas por uma pessoa. É um trabalho acadêmico que
apresenta o resultado de investigação pouco complexa e sobre tema único e bem
delimitado.
Dissertação é uma composição textual em que o autor desenvolve suas ideias
com base em uma pergunta de pesquisa. Essa pergunta parte da intuição do autor
baseada nas leituras de determinado tema. Muitas vezes o aluno faz parte de um
grupo de estudos liderado por um professor que já desenvolve um projeto numa
determinada área. A pergunta de pesquisa, então, pode partir da inquietação do
aluno acerca do estudo desenvolvido em grupo ou pelo grupo de que faz parte. De
todo modo, o interesse e a intuição levam o aluno-pesquisador-autor a
desenvolver uma pesquisa com base em pressupostos teóricos. 
O texto da dissertação é, na verdade, um documento que representa o resultado
de um trabalho experimental ou exposição de um estudo científico retrospectivo,
38
de tema único e bem delimitado em sua extensão, com o objetivo de reunir,
analisar e interpretar informações. Deve evidenciar, portanto, o conhecimento da
literatura existente sobre o assunto e a capacidade de sistematização do autor. 
A característica básica da dissertação é o cunho reflexivo-teórico. Dissertar é
debater, discutir, questionar, expressar ponto de vista. É desenvolver um
raciocínio, desenvolver argumentos que fundamentem posições. No caso do
gênero, é um trabalho realizado a partir de uma hipótese, embasado em teoria,
com o auxílio de dados que visem à confirmação da hipótese. Tal estudo, contudo,
polemiza determinado tema com opiniões e argumentos, muitas vezes
estabelecidos por meio de relações de causa e consequência, fornecendo
exemplos, chegando a conclusões e apresentando um texto com organização
lógica das ideias. 
Tese é uma composição textual mais complexa. Na verdade, é uma proposição
intelectual. O autor não apenas pesquisa dados ou fenômeno(s) embasados em
um corpo teórico. Hoje, principalmente, é o trabalho acadêmico que apresenta um
resultado de investigação complexo e aprofundado sobre tema mais ou menos
amplo, com a diferença de que se espera uma proposição original, mesmo que
sobre um tema já debatido. O texto, então, é o resultado de um trabalho
experimental, construindo-se em real contribuição para a especialidade em
questão. Requer grande maturidade intelectual. Geralmente o aluno já faz parte de
um grupo de pesquisa e desenvolve outros trabalhos de natureza intelectual.
O conteúdo temático caracteriza-se pela defesa de uma ideia, de um ponto de
vista ou, ainda, por um questionamento acerca de um determinado assunto,
resultado de pesquisa na área em que se situa. A pesquisa para a tese acadêmica
pode ser teórica, de campo, documental, experimental, histórica ou filosófica.
Deve expor e solucionar um problema demonstrando hipóteses formuladas em
evidências e fatos, sempre obedecendo a um raciocínio lógico.
39
O texto é elaborado seguindo metodologia específica. O pesquisador vai trabalhar
com argumentos, com fatos, com dados, que utiliza para reforçar ou justificar o
desenvolvimento de suas ideias. A defesa é realizada publicamente diante de uma
banca de professores-doutores credenciados.
Como todos os gêneros expostos nesta aula, o estilo requer linguagem clara,
concisa, formal, impessoal, objetiva, com tom sóbrio e apresentando rigor e
organização textual que respeitem as partes do estudo e os objetivos propostos.
Com relação à estrutura composicional, os três gêneros possuem estrutura similar.
Vamos apresentar a divisão, considerando a monografia como trabalho de
conclusão de curso de especialização, no nível de pós-graduação lato sensu,
como gênero textual modelar.
De modo geral, a estrutura composicional deve incluir em todos esses tipos de
trabalhos uma ordem lógica com a introdução do estudo, seu desenvolvimento e
as respectivas conclusões sobre a pesquisa conduzida, além dos elementos pré e
pós-textuais. Temos uma parte obrigatória e uma parte opcional nesses
elementos, contudo o texto em si segue a estrutura básica dos textos dissertativo-
argumentativos, conforme assinalado a seguir:
a) Introdução - Apresenta um contexto inicial, insere uma ideia central, aponta
do que o texto vai tratar no desenvolvimento;
b) Desenvolvimento – É a parte encarregada pelo desdobramento da ideia
central. Corresponde à exposição dos argumentos que comprovam o ponto
de vista contido na introdução; discorre sobre o assunto abordado pela
tese; utiliza fatos, exemplos e argumentos que permitam o desenvolvimento
do texto; leva a uma conclusão;
c) Conclusão - Retoma a ideia central, para confirmá-la; resume as ideias
(argumentos) apresentadas e discutidas; sugere soluções para resolução
40
da problemática abordada, como estratégia para provocar a reflexão do
leitor.
Ressaltamos que, na parte do desenvolvimento, o autor pode citar alguns autores,
trazendo parte do texto deles a fim de sustentar o argumento do aluno-
pesquisador. Essas citações dividem-se de acordo com sua extensão em menos
de três linhas e mais de três linhas. Na primeira, a orientação da ABNT é que seja
utilizada no corpo do texto entre aspas duplas. Na segunda, a citação deve ser
colocada em destaque com um adentramento de parágrafo maior do que o corpo
do texto, geralmente com 4cm. Há a opção de o autor, ano de publicação e página
da obra estarem posicionados no corpo do texto ou não. Vejamos os exemplos
adaptados abaixo, retirados do link
www.uff.br/sga/monografia/formatacao/Manual_adm_uff.pdf
Antes de fechar a sua charada literária, Graça Aranha (1995, p. 137) acusa
recebimento do livro de contos Páginas recolhidas, em que destaca, entre outros
textos, “essa cousa rara, delicada que é ‘ Missa do galo’, com aquela perfeição de
dizer, de insinuar de que só você entre nós tem o segredo e a distinção”.
Ou 
Antes de fechar a sua charada literária, o autor acusa recebimento do livro de
contos Páginas recolhidas, em que destaca, entre outros textos, “essa cousa rara,
delicada que é ‘ Missa do galo’, com aquela perfeição de dizer, de insinuar de que
só você entre nós tem o segredo e a distinção” (GRAÇA ARANHA, 1995, p. 137).
Neste particular Bialoskorski Neto (1997, p.516) registrou que: 
Pode-se expressar a importância do cooperativismo na agricultura
brasileira através da participação das cooperativas no cenário
produtivo nacional, em que grande parte da produção de soja,
milho, leite, suínos, entre outros, é feita por cooperativas.
Ou
41
Neste particular o autor registrou que: 
Pode-se expressar a importância do cooperativismo na agricultura
brasileira através da participação das cooperativas no cenário
produtivo nacional, em que grande parte da produção de soja,
milho, leite, suínos, entre outros, é feita por cooperativas.
BIALOSKORSKI NETO (1997, p.516)
Ainda com relação à estrutura geral desses gêneros, existem orientações quanto à
formatação. Em geral são as seguintes: o papel a ser utilizado é o de formato A4
de cor branca, o texto deve ser digitado na cor preta (com exceção das
ilustrações), e deve ser impresso em um dos lados da folha (também denominado
anverso), exceto a ficha catalográfica que deve ser impressa no verso da folha de
rosto. Para digitação, recomenda-se a utilizaçãode fonte tamanho 12 para o texto
e tamanho menor para as citações de mais de três linhas, notas de rodapé,
paginação e legendas das ilustrações e tabelas.
De forma mais particular, a estrutura composicional se apresenta da seguinte
forma: 
Quadro 1 – Disposição dos elementos
ESTRUTURA ELEMENTO
Pré-textuais Capa (obrigatório)
Lombada (opcional)
Folha de rosto (obrigatório)
Errata (opcional)
Folha de aprovação (obrigatório)
Dedicatória (s) (opcional)
Agradecimento (s) (opcional)
Epígrafe (opcional)
Resumo em língua vernácula (obrigatório)
Resumo em língua estrangeira (obrigatório)
Lista de ilustrações (opcional)
42
Lista de abreviaturas e siglas (opcional)
Lista de símbolos (opcional)
Sumário (obrigatório)
Textuais Introdução
Desenvolvimento
Conclusão
Pós-textuais Referências (obrigatório)
Glossário (opcional)
Apêndice (s) (opcional)
Anexo (s) (opcional)
Índice (opcional)
Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2003, p. 2)
Com relação aos elementos textuais, é válido ressaltar que essa é a parte da
estrutura em que vai estar exposto o trabalho de pesquisa em si. Geralmente, na
introdução, 
o pesquisador “constrói o seu problema”, isto é, coloca a pesquisa
proposta no contexto da discussão acadêmica sobre o tema, indicando
qual a lacuna ou inconsistência no conhecimento anterior que buscará
esclarecer, demonstrando, assim, que o que está planejando fazer é
necessário e original. (ALVES-MAZZOTTI, 2001, p.152).
O desenvolvimento é a parte principal do texto, que contém a exposição ordenada
e pormenorizada do assunto. Apesar de os gêneros estudados nesta seção
variarem em função de serem o veículo de pesquisas de cunho experimental ou
qualitativo, é comum que eles sejam subdivididos em revisão da literatura,
metodologia, resultados e discussão. Comumente, o texto em si divide-se em
seções e subseções, que variam em função da abordagem do tema e do método.
Na dissertação e na tese, é habitual apresentar um capítulo específico para a
metodologia, em que o pesquisador expõe detalhadamente como realizou o seu
trabalho e quais foram os materiais e instrumentos que utilizou para efetuar a
pesquisa.
A conclusão deve estar ligada à introdução, buscando apresentar quais foram os
resultados a que se chegou a partir das hipóteses e dos objetivos.
43
Com relação à formatação desses trabalhos, temos o seguinte: as margens
usadas são de 3 cm na esquerda e na parte superior; 2 cm na direita e na parte
inferior; o espacejamento mais comumente orientado é o de 1,5 cm para todo
texto, com exceção para as notas de rodapé e textos de citações em que é
utilizado espacejamento simples (1 cm).
Ao final desta parte de caracterização, esperamos ter dado uma visão mais
detalhada do que geralmente vemos em sites que se propõem a apresentar o
conteúdo desses gêneros. 
INÍCIO DO BOX PARA SABER MAIS
Para acessar dissertações e teses, vá até o banco da CAPES - Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, por meio do site
http://bancodeteses.capes.gov.br/banco-teses/#/. A CAPES é uma fundação
ligada ao MEC, que desempenha papel fundamental na consolidação e expansão
da pós-graduação stricto sensu em todos os estados federados.
FIM DO BOX PARA SABER MAIS
INÍCIO DE ATIVIDADE
Atende ao objetivo 3.
ATIVIDADE 3
Atende ao objetivo 3
A revista Fórum Linguístico, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, traz
normas para submissão de artigos, resumos e resenhas conforme descrevemos a
seguir: 
a) título do texto em português, espanhol e inglês; b) autor(es); c) filiação
institucional; d) resumo contendo entre 100 e 150 palavras, elaborado em
44
português, espanhol e inglês; e) palavras-chave (de 3 a 5), redigidas em
português, espanhol e inglês, separadas entre si por ponto e vírgula, sendo a
última palavra seguida de ponto; f) corpo do texto, incluindo introdução e
conclusão; g) referências, elaboradas de acordo com a norma NBR6023/02; h)
anexos; i) partes textuais da resenha: referência completa da obra resenhada,
nome do autor (resenhado por Fulano de TAL (instituição), resenha da obra,
referências (quando houver). Sugere-se que os resumos explicitem: o tema e/ou
o(s) objetivo(s) do artigo, a orientação teórica e as conclusões mais relevantes.
Nos resumos de artigos de pesquisa, citar também dados da metodologia (corpus,
sujeitos, procedimentos, etc.). 
Esse material pode ser consultado na íntegra no site:
https://periodicos.ufsc.br/index.php/forum/about/submissions#authorGuidelines. 
Essa orientação da revista diverge do que estudamos nesta aula? Por quê?
(DIAGRAMAÇÃO: Deixar 5 linhas para resposta)
RESPOSTA COMENTADA:
As normas para submissão se assemelham ao que foi apresentado na aula.
Apesar de o conteúdo temático e a estrutura composicional não estarem
informados separadamente como a aula apresentou, fica clara a convergência
dessas características, principalmente se compararmos as partes pré e pós-
textuais. O corpo do texto, como a revista informa, vai ao encontro do que
trabalhamos aqui. As especificidades giram em torno da adequação à
normatização singular da revista. Isso pode ser percebido no detalhamento dos
dados do autor da resenha, por exemplo. Algumas observações feitas com relação
ao conteúdo do texto do resumo têm o propósito de padronizar todos os textos
que serão expostos na mesma edição da revista. Com relação aos gêneros
ensaio, monografia, dissertação e tese, observamos que as partes pré- e pós-
textuais, que são a matéria comum nos gêneros estudados, também convergem
com o que foi estudado na aula, apesar de os três últimos gêneros não serem alvo
45
de publicações em revistas. Como apresentamos na seção correspondente ao
artigo, esses gêneros são, na maioria de vezes, publicados por meio de artigos,
quando, então, se faz um recorte da pesquisa defendida neles. 
FIM DE ATIVIDADE
INÍCIO DE ATIVIDADE
ATIVIDADE FINAL
Atende aos objetivos1, 2, e 3.
As atividades de leitura e produção textual devem acompanhar todo o processo de
ensino-aprendizagem. Essa é a proposta dos estudos linguísticos que embasaram
os PCN e, a partir desses estudos, temos o compromisso de levar aos alunos o
maior número de gêneros, dos mais variados domínios, a fim de proporcionar ao
alunado chances reais de inserção na sociedade. 
Se os gêneros são de fatos instrumentos de ação social, nada mais importante do
que disponibilizarmos esses instrumentos para os alunos. Sabemos, entretanto,
que os gêneros apresentados nesta aula correspondem a um domínio bem
específico do contexto científico-acadêmico ao qual os alunos do ensino básico
normalmente não têm acesso com tanta facilidade. O gênero textual resumo
acadêmico, por exemplo, não seria muito utilizado, mas é importante trabalhar
com os alunos o poder de síntese, muito problemático no ensino por sinal. Assim,
a apresentação desse gênero pode e deve ser realizada, uma vez que o processo
de resumir, que é comum a diversos gêneros apresentados nesta aula, é
extremamente útil em todos os níveis de ensino.
O trabalho pedagógico acerca das atividades de leitura e produção textual pode
ser realizado com os gêneros estudados aqui para que seja feita uma comparação
entre domínios e, sobretudo, para que se possa refletir acerca da objetividade e
subjetividade na língua. Entretanto, consideramos que os gêneros monografia,
46
dissertação e tese, em razão do propósito comunicativo peculiar, da especificidade
temática do texto, do nível de complexidade da escrita,como já tratamos durante
a aula, não é apropriado para o trabalho no ensino básico. Acreditamos que
apenas apresentar a definição desses gêneros e explicar as condições de
produção já são suficientes para apresentar a função social desses gêneros.
Retomando o que dissemos antes, apresentar os gêneros não necessariamente
significa que os alunos precisem reproduzi-los, até porque na educação básica
não é esse o objetivo quando se trata do domínio científico. Entretanto, esperamos
que você, aluno e futuro professor, possa motivar seus alunos com leituras
desafiadoras que venham a desenvolver o interesse dos discentes por estudos
além daqueles que eles já reconhecem.
Com base nas discussões propostas nesta aula e na reflexão acima exposta,
perguntamos: o professor da educação básica pode trabalhar os diversos
domínios discursivos e seus respectivos gêneros com base no conteúdo temático,
na estrutura composicional e no estilo a partir da comparação entre eles? Quais
seriam as atividades que poderiam ser trabalhadas com os alunos a fim de fazê-
los conhecer o universo textual do domínio científico? Justifique sua resposta.
(DIAGRAMAÇÃO: Deixar 20 linhas para resposta)
RESPOSTA COMENTADA:
Os gêneros textuais do domínio científico-acadêmico costumam estar atrelados
aos alunos de ensino superior. A redação científica, a leitura e escrita complexas
tendem a ser mais bem exploradas quando o aluno já possui uma melhor
desenvoltura nessas atividades. Isso se dá principalmente se pensarmos que os
gêneros monografia, dissertação e tese somente são produzidos quando os
alunos estão em situações bem específicas, já que são trabalhos de conclusão de
curso que, teoricamente, são elaborados uma única vez.
47
Acreditamos que a leitura é uma atividade enriquecedora e que o professor pode
facilitar essa tarefa, motivando o aluno a perceber as diferenças entre os domínios
e os gêneros. Nesse sentido, fazer os alunos compreenderem que podemos falar
por meio da linguagem de diversas maneiras requer que saibamos nos expressar
de maneiras distintas. Além da leitura, uma tarefa muito produtiva é a elaboração
de um quadro comparativo para que se percebam não só os elementos
caracterizadores dos gêneros de um mesmo domínio, mas também a diferença
entre, por exemplo, i) o tipo de escrita objetiva e subjetiva e ii) a presença do autor
no texto por meio dos tipos de pessoalização e impessoalização do sujeito do
discurso.
FIM DE ATIVIDADE
CONCLUSÃO
O domínio científico-acadêmico é um espaço de produção discursiva
caracterizado por uma escrita que se pretende objetiva. Como estudamos nesta
aula, um tema que deve ser explorado a partir da apresentação desses gêneros
aos alunos do ensino básico é a inscrição da subjetividade por meio da
objetividade reconstruída nos textos. 
A partir desta aula, adentramos numa esfera diferente da comunicação humana.
Gêneros com o adjetivo científico apresentam trabalhos executados no âmbito das
instituições de ensino, pesquisa e extensão universitária, formalmente
reconhecidas para o exercício dessas atividades. Nesse sentido, esperamos que o
contato com esses gêneros seja uma motivação para os alunos do ensino básico
no que se refere à possibilidade de participar desse universo, e para você aluno
que pode estar travando contato com esses mesmos gêneros a partir desta aula.
No que se refere a finalidades, consideramos principalmente que podem ser
sintetizadas em apresentar, demonstrar, difundir, recuperar ou contestar
o conhecimento produzido, acumulado ou transmitido. Ao apresentar resultados
48
ou ao ensaiar sobre assuntos, esses gêneros respondem à necessidade de
divulgação relativa ao processo de conhecimento. A pesquisa empreendida,
a ideia engendrada ou a dedução realizada se perdem caso não venham a ser
divulgadas. Por conta disso, é importante existir suportes e canais de divulgação
adequados aos diferentes gêneros, seja por meio de defesas públicas, seja pelos
periódicos, pela multimídia virtual, entre outros. 
O trabalho com esses gêneros nesta aula propiciou uma abordagem comparativa
entre os domínios anteriormente apresentados. Buscamos trazer a definição dos
gêneros, caracterizando-os pelo conteúdo temático, estrutura composicional e
estilo, por considerarmos que, dessa maneira, seria mais fácil a compreensão de
gêneros mais específicos e complexos. Ao mesmo tempo, nosso desejo foi o de
possibilitar ao aluno universitário, futuro professor, compreender como se pode
trabalhar com a composição bakhtiniana tão citada nesta disciplina. Sabemos que
esse é um desafio, porém consideramos ser possível e bastante sedutor.
RESUMO
Nesta aula, trabalhamos o domínio científico, por meio dos gêneros textuais
resumo, resenha, artigo, ensaio, monografia, dissertação, tese. Nosso objetivo
principal foi de apresentar essa esfera de produção discursiva que propicia o
surgimento de discursos singulares de especificidade intrínseca ao espaço em que
circula. Tivemos como objetivo também demonstrar que tal especificidade é
embasada numa escrita referencial e conceitual que tem como base a pesquisa de
dados e exposição metodológica. Mesmo em gêneros como o ensaio, que tem
uma liberdade maior em termos de estrutura e vai explorar a subjetividade do
autor, e a resenha, que comporta em sua estrutura um momento de crítica e
exposição desse autor, observamos que a subjetividade é trabalhada com certo
distanciamento, principalmente porque esses gêneros estão ligados à ciência
como resultado de uma reflexão intelectual. Nesse sentido, os indícios de autoria
são mais localizados e a referência ao Eu é disfarçada. 
49
Essa questão é muito produtiva quando se pretende demonstrar a função social
desses gêneros, uma vez que objetiva divulgar o trabalho intelectual desse Eu
científico. 
Nesta aula apresentamos sete gêneros do discurso científico, são eles:
O resumo consiste na apresentação concisa do conteúdo de um trabalho de
cunho científico e tem a finalidade específica de informar ao leitor acerca dos
objetivos, fundamentação teórica, metodologia, resultados do texto que o sucede.
Escrito em apenas um parágrafo, sua extensão – em número de palavras – é
definida pela ABNT, de acordo com o gênero o qual integra.
A resenha apresenta síntese e crítica sobre trabalho científico de maior extensão.
Não é um gênero normatizado pela ABNT que, ao invés dele, apresenta o resumo
crítico como sua versão oficial. É publicada em periódico técnico que define as
normas mais específicas de sua publicação, sendo avaliado por pareceristas que
são geralmente cientistas da mesma área de atuação. 
O artigo, como a resenha, é publicado em periódico técnico que define normas
detalhadas para sua elaboração, inclusive número de páginas. Avaliado por
pareceristas doutores que aprovam ou não sua publicação de acordo com os
parâmetros da revista. Geralmente é o produto da pesquisa que o autor vem
desenvolvendo e que objetiva divulgar para a academia.
O ensaio é um gênero que expõe ideias, críticas e reflexões a respeito de certo
tema. É elaborado em bases teórico-científicas cujo teor é menos formal e mais
flexível do que os demais gêneros do domínio científico abordados nesta aula. O
ensaio consiste também na defesa de um ponto de vista sobre um tema sem que
seja exigida revisão de literatura ou outros elementos factuais de caráter científico.
50
A monografia, a dissertação e a tese são trabalhos de conclusão de curso
(também conhecidos como TCC). São normatizadospela ABNT que orienta sua
composição por meio não só de uma série de elementos pré- e pós-textuais, como
também dos elementos textuais que são a introdução, o desenvolvimento e a
conclusão. Tem como objetivo comum tratar de um tema específico, sobre um
mesmo assunto ou sobre assuntos relacionados. São os principais textos dos
cursos de pós-gradução lato sensu e stricto sensu, e requerem apresentação a
uma banca de professores doutores que aprovam ou não o conteúdo do trabalho.
Esses gêneros divergem em termos de complexidade. A monografia é
normalmente escrita apenas por uma pessoa, sendo um trabalho acadêmico
resultante de uma pesquisa original investigativa ou de cunho experimental menos
complexa em torno de um tema único e bem delimitado. Objetiva a obtenção do
título de especialista, sendo usada ainda como trabalho de conclusão de alguma
disciplina dos cursos regulares de pós-graduação. Na dissertação, o aluno
escreve acerca de um tema alvo de pesquisa e investigação em que foi aplicado
um método de análise e interpretação. Já a tese, além de tratar do fenômeno
pesquisado com a mesma cientificidade por meio de pressupostos, literatura
pertinente, metodologia apropriada, dados, testes etc, implica originalidade do
tema ou da abordagem explorando, debatendo e refletindo acerca do fenômeno à
luz da teoria a qual é exposta e discutida.
Por fim, um dos objetivos principais foi o de apresentar os gêneros a partir da
caracterização de Bakhtin. Assim o fizemos por compreendermos que através
dessa abordagem nós poderíamos deixar mais claras as diferenças e
semelhanças entre os gêneros em questão. Esperamos ter chegado lá!
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
51
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ciências naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. 2. ed. São Paulo:
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documentação: referências – elaboração. Rio de Janeiro, 2003.
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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6028: resumos –
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BAKHTIN, Mikhail. Estética da Criação Verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
BAZERMAN, Charles. Systems of Genres and the Enactment of Social Intentions.
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_________________. Gêneros Textuais, Tipificação e Interação. São Paulo:
Cortez, 2006.
_________________. Gênero, Agência e Escrita. São Paulo: Cortez, 2006.
BRONCKART, J.P. Atividades de linguagem, textos e discursos: por um
interacionismo sócio-discursivo. São Paulo: EDUC, 1999.
52
MARCANTÔNIO, A. T., SANTOS, M. M. e LEHFELD, N. A. de S. Elaboração e
divulgação do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 1993. 
MEDEIROS, João B. Redação científica. São Paulo: Atlas, 2006.
POSSENTI, Sírio. Indícios de autoria. PERSPECTIVA, Florianópolis, v.20, n.01,
p.105-124, jan./jun. 2002
53

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