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FUNDAMENTOS 
ANTROPOLÓGICOS 
E SOCIOLÓGICOS
Professor Me. Wanderly Alves de Sousa
GRADUAÇÃO
Unicesumar
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a 
Distância; SOUSA, Wanderly Alves de.
 
 Fundamentos Antropológicos e Sociológicos. Wanderly 
Alves de Sousa. 
 Reimpressão
 Maringá-Pr.: UniCesumar, 2018. 
 116 p.
“Graduação - EaD”.
 
 1. Fundamentos. 2. Antropologia. 3. Sociologia. 4. EaD. I. Título.
 ISBN 978-85-459-0994-1
CDD - 22 ed. 306
CIP - NBR 12899 - AACR/2
Ficha catalográfica elaborada pelo Bibliotecário
João Vivaldo de Souza – CRB-9 - 1807
Impresso por:
Reitor
Wilson de Matos Silva
Vice-Reitor
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de Administração
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de EAD
Willian Victor Kendrick de Matos Silva
Presidente da Mantenedora
Cláudio Ferdinandi
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Direção Operacional de Ensino
Kátia Coelho
Direção de Planejamento de Ensino
Fabrício Lazilha
Direção de Operações
Chrystiano Mincoff
Direção de Mercado
Hilton Pereira
Direção de Polos Próprios
James Prestes
Direção de Desenvolvimento
Dayane Almeida 
Direção de Relacionamento
Alessandra Baron
Head de Produção de Conteúdos
Rodolfo Encinas de Encarnação Pinelli
Gerência de Produção de Conteúdos
Gabriel Araújo
Supervisão do Núcleo de Produção de 
Materiais
Nádila de Almeida Toledo
Coordenador de Conteúdo
Maria Cristina Araujo de Brito Cunha
Qualidade Editorial e Textual
Daniel F. Hey, Hellyery Agda
Design Educacional
Rossana Costa Giani
Iconografia
Isabela Soares Silva
Projeto Gráfico
Jaime de Marchi Junior
José Jhonny Coelho
Arte Capa
Arthur Cantareli Silva
Editoração
André Morais
Robson Yuiti Saito
Revisão Textual
Keren Pardini
Jaquelina Kutsunugi
Ilustração
André Morais
Em um mundo global e dinâmico, nós trabalha-
mos com princípios éticos e profissionalismo, não 
somente para oferecer uma educação de qualida-
de, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão 
integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-
-nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emo-
cional e espiritual.
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cur-
sos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais 
de 100 mil estudantes espalhados em todo o 
Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá, 
Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 
300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de 
graduação e pós-graduação. Produzimos e revi-
samos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil 
exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo 
MEC como uma instituição de excelência, com 
IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 
10 maiores grupos educacionais do Brasil.
A rapidez do mundo moderno exige dos educa-
dores soluções inteligentes para as necessidades 
de todos. Para continuar relevante, a instituição 
de educação precisa ter pelo menos três virtudes: 
inovação, coragem e compromisso com a quali-
dade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de 
Engenharia, metodologias ativas, as quais visam 
reunir o melhor do ensino presencial e a distância.
Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é 
promover a educação de qualidade nas diferen-
tes áreas do conhecimento, formando profissio-
nais cidadãos que contribuam para o desenvolvi-
mento de uma sociedade justa e solidária.
Vamos juntos!
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está 
iniciando um processo de transformação, pois quando 
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou 
profissional, nos transformamos e, consequentemente, 
transformamos também a sociedade na qual estamos 
inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportu-
nidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de 
alcançar um nível de desenvolvimento compatível com 
os desafios que surgem no mundo contemporâneo. 
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de 
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo 
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens 
se educam juntos, na transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica 
e encontram-se integrados à proposta pedagógica, con-
tribuindo no processo educacional, complementando 
sua formação profissional, desenvolvendo competên-
cias e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em 
situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado 
de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal 
objetivo “provocar uma aproximação entre você e o 
conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento 
da autonomia em busca dos conhecimentos necessá-
rios para a sua formação pessoal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de cresci-
mento e construção do conhecimento deve ser apenas 
geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos 
que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. 
Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu 
Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns 
e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das dis-
cussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe 
de professores e tutores que se encontra disponível para 
sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de 
aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranqui-
lidade e segurança sua trajetória acadêmica.
Professor Me. Wanderly Alves de Sousa
Possui graduação em filosofia (2005) e mestrado em filosofia (2008) pela 
Universidade Federal do Paraná. Doutorando em filosofia pela UFPR (2014). 
Graduando em Análise de Sistemas pela UNOPAR (2014).
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SEJA BEM-VINDO(A)!
Caro(a) estudante, é com muito prazer que apresento a você o livro que fará parte da 
disciplina de Fundamentos Antropológicos e Sociológicos. Nele, buscaremos apre-
sentar em linhas gerais as teorias antropológicas e sociológicas que compõem o acervo 
cultural no qual estamos inseridos. Dedicar-se ao estudo da antropologia e da sociolo-
gia constitui-se em uma tarefa desafiadora e encantadora à medida que ambas vão, por 
definição, revelando a origem do homem e da formação da sociedade entre os homens. 
Por um lado, o desafio está na tarefa da qual o antropólogo e o sociólogo não podem 
abrir mão, qual seja, a de descrever fatos empíricos que devem ser apresentados de ma-
neira objetiva e livre de opiniões infundamentadas; por outro lado, o aluno não deixará 
de se espantar com a visão encantadora que se dá, não por acaso, quando o estudo do 
homem da perspectiva antropológica vincula-se ao estudo da formação da vida em so-
ciedade. A passagem das considerações antropológicas às considerações sociológicas é 
natural para quem se dedica a essas ciências. 
Aqui, convido você estudante a refletir a respeito da definição de antropologia e so-
ciologia, entre outras coisas que veremos, a refletir também a respeito do nascimento 
da antropologia e da sociologia como ciência, a perceber – ainda que em linhas gerais 
– que a sociologia nasce no período de revoluções, a exemplo da revolução industrial, 
a qual transformou para sempre a sociedade dos homens. Sem dúvidas, a revolução in-
dustrial foi o ponto de partida que conduziu grandes teóricos da época a pensarem na 
sociedade moderna e suas transformações inevitáveis no modo como o homem se vê e 
interage com o meio onde vive. De fato, quero dizer-lhe que a sociologia é um conjunto 
de conceitos, de técnicas e de métodos de investigação que foram produzidos paulati-
namente e sistematicamente para explicar a vida social. 
Nesse sentido, a sociologia é o resultado de uma tentativa de compreender situações 
sociais novas, tais como as que foram originadas pela então nascente sociedade capita-
lista. Dessa maneira, a sociologia nasce com a finalidade de expressar o pensamento do 
homem moderno, mas com a tarefa precípua de ir além do pensamento fundamental-
mente matemático dos séculos XIII – XV (até os dias atuais). As teorias de ordem social 
vierampreencher lacunas do saber social, seguindo-se após elas o surgimento de outras 
ciências naturais. A sociologia surge como resposta a problemas oriundos do desapa-
recimento lento, mas gradativo, da sociedade feudal e da consolidação da civilização 
capitalista, trata-se, portanto, da revolução industrial com seus modos de produção. 
Dada as transformações ocorridas pelo modo de produção e o surgimento de novas 
técnicas de reprodução em massa que acaba por modificar as relações de trabalho e 
consumo, exige-se que o cientista social reflita a respeito da sociedade, de suas trans-
formações, de suas crises e, especialmente, dos antagonismos de classe. Assim, se pode 
concluir que a sociologia é uma ciência fundamentalmente baseada na observação e 
no experimento, nos fatos que empiricamente podem ser provados, de modo que a 
observação e os fatos são fontes fundamentais à sociologia. Assim, o novo método da 
observação e da experimentação amplia infinitamente o poder do homem para com-
preender a sociedade em que vive. 
A você desejo bons estudos! 
APRESENTAÇÃO
FUNDAMENTOS ANTROPOLÓGICOS 
E SOCIOLÓGICOS
SUMÁRIO
09
UNIDADE I
O SURGIMENTO DA ANTROPOLOGIA 
E DA SOCIOLOGIA COMO CIÊNCIAS, SEUS IDEALIZADORES E 
PRINCIPAIS TEÓRICOS
15 Introdução 
16 Definição de Antropologia 
21 Divisão da Antropologia 
24 Definição de Sociologia 
32 Considerações Finais 
UNIDADE II
ANÁLISE ANTROPOLÓGICA
E SOCIOLÓGICA DO PROCESSO IDENTITÁRIO DO HOMEM CULTURAL E 
SOCIAL
39 Introdução 
39 Conceito de Cultura do Ponto de Vista Antropológico 
41 Homem, Ser Cultural e Social 
47 Identidade Cultural e Social 
51 Considerações Finais 
SUMÁRIO
UNIDADE III
O HOMEM E A ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE
57 Introdução 
57 Fundamentos da Sociabilidade do Homem 
59 Organização Social 
61 Organização Política 
67 Considerações Finais 
UNIDADE IV
A PERSPECTIVA DA ANTROPOLOGIA E DA SOCIOLOGIA
NA CONTEMPORANEIDADE MUNDIAL E BRASILEIRA
73 Introdução 
74 Era da Globalização 
76 Globalização: Enigmas Históricos e Teóricos 
78 Realidade Social, Antropológica e seus Desafios Teóricos 
Contemporâneos 
82 Considerações Finais 
SUMÁRIO
11
UNIDADE V
SABERES E FAZERES ANTROPOLÓGICOS E SOCIOLÓGICOS NAS 
DISTINTAS ÁREAS DE ATUAÇÃO
89 Introdução 
90 Arte, da Perspectiva Antropológica e Social 
99 Educação, da Perspectiva Antropológica e Social 
102 Direito, da Perspectiva Antropológica e Social 
106 Considerações Finais 
109 CONCLUSÃO
111 REFERÊNCIAS
113 GABARITO
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Professor Me. Wanderly Alves de Sousa
O SURGIMENTO DA ANTROPOLOGIA 
E DA SOCIOLOGIA COMO CIÊNCIAS, 
SEUS IDEALIZADORES E PRINCIPAIS 
TEÓRICOS
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Aprender como se estabeleceu o surgimento da antropologia como 
ciência. 
 ■ Refletir a respeito do surgimento da sociologia como ciência.
 ■ Conhecer os principais teóricos da sociologia.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Definição de antropologia
 ■ Divisão da antropologia
 ■ Definição de sociologia
INTRODUÇÃO
Bem-vindo(a) ao estudo dos fundamentos antropológicos e sociológicos. Tanto a 
antropologia como a sociologia proporcionam ao(à) estudante uma visão ampla 
e crítica da atividade do homem no mundo em que vive. Entender o homem com 
base em sua dimensão biológica e cultural ajuda-nos a estabelecer critérios para 
abalizar as diferenças culturais, religiosas, políticas, bem como a diferença racial 
existente no mundo. Isso é possível porque a antropologia é uma ciência que se 
mantém aberta ao diálogo com outras áreas do saber, tais como a física, a bio-
logia, a arqueologia, entre outras. Do ponto de vista da biologia, por exemplo, 
ao antropólogo será perfeitamente possível constatar que o grau de diferença da 
pigmentação da pele do indivíduo está diretamente relacionado com a região 
em que seu grupo social estabeleceu sua primeira moradia. Há, como atestam os 
pesquisadores, uma adequação genética do indivíduo ao lugar de sua habitação. 
Caro(a) aluno(a), note que a biologia por si só não dará ao antropólogo essas 
informações, o que deixa subentendido que o antropólogo lança mão também 
da arqueologia para determinar a origem de determinado grupo social e assim 
por diante. E por causa desse caráter dialogal da antropologia não será estranho 
ouvirmos falar em antropologia arqueológica, antropologia filosófica, antropolo-
gia física, antropologia forense e antropologia social entre modos antropológicos 
de investigação. Ao enveredar pelo campo da investigação antropológica, o estu-
dante tem diante de si um vasto campo de possibilidades em que pode buscar 
sua especialização. 
Devemos seguir nosso estudo apresentando o significado de antropologia, 
suas divisões possíveis e a definição de sociologia. 
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Introdução
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O SURGIMENTO DA ANTROPOLOGIA 
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
I
DEFINIÇÃO DE ANTROPOLOGIA
A antropologia é a ciência que estuda o homem. Bem, é isso que a palavra antro-
pologia significa: anthropos – homem; logos – ciência; por consequência, estamos 
diante de uma ciência cujo objeto é o homem ou, se quisermos, poderíamos dizer 
que a antropologia é o discurso racional acerca da natureza humana. No entanto, 
essa afirmação não esclarece nada acerca dessa disciplina que se encontra entre 
as chamadas ciências humanas. Veja só, a psicologia, a sociologia, entre outras, 
também têm como objeto o estudo do homem, sendo assim, qual é a caracte-
rística fundamental da antropologia que a torna diferente dessas disciplinas? O 
que torna a antropologia uma disciplina especificamente voltada ao homem é a 
constante preocupação em defini-lo. Nesse sentido, a pergunta fundamental é: 
o que é o homem? 
Quem já viajou de avião ou subiu em um prédio bem alto pôde contemplar 
a beleza de uma paisagem ou de uma cidade sem se preocupar com os deta-
lhes graças ao ponto de vista panorâmico. Um sentimento semelhante pode ser 
experimentado por aqueles que olham para a história da humanidade a partir 
de um ponto de vista panorâmico. Com isso em mente, convido você a traçar 
uma linha histórica da humanidade para compreender, antes de mergulharmos 
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Definição de Antropologia
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na antropologia propriamente dita, que a história das ideias passa por períodos 
característicos ao seu tempo. 
Ao pensamos na história de uma perspectiva filosófica, podemos identifi-
car diferentes ênfases do pensamento humano em diferentes épocas da história 
da humanidade. E, nesse sentido, podemos identificar os seguintes períodos: 
Figura 1: Linha cronológica de uma perspectiva filosófica 
Fonte: o autor
COSMOLÓGICO 
A ênfase do pensamento do mundo antigo era essencialmente cosmológico. Isso 
não significa dizer que a atividade intelectual do homem tenha se limitado única e 
exclusivamente a uma abordagem cosmológica. Não! Esse foi um tema predomi-
nante de uma época específica da história humana. O pensamento grego ilustra 
bem isso. Na história da filosofia, verifica-se que a reflexão filosófica dos chamados 
pré-socráticos – filósofos antes de 
Sócrates – era predominantemente 
cosmológica. A preocupação des-
ses filósofos era a natureza como 
dado objetivo do conhecimento. 
Suas pesquisas tinham comoobje-
tivo compreender a estrutura do 
universo e dos seus elementos 
constitutivos. Por causa disso, os 
pré-socráticos eram comumente 
chamados de físicos. 
Cosmológico Teocêntrico Antropológico
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O SURGIMENTO DA ANTROPOLOGIA 
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
I
TEOCÊNTRICO 
Inicialmente, o pensamento grego reflete também uma ênfase teocêntrica, tal 
como se pode ver nas obras de Homero e de Hesíodo. Aqui, o mito precede a 
filosofia – ao discurso racional – e as cosmogonias de Homero e de Hesíodo 
explicam a constituição do mundo. Note, caro(a) aluno(a), que nesse período, 
no período socrático e posteriormente a este, até chegar ao pensamento cris-
tão, não se fala em criação do mundo, mas sim em origem do mundo, em que a 
matéria que compõe o mundo é eterna, sempre existiu. 
Na origem do pensamento grego, a razão humana não ousa explicar causas 
e efeitos dos fenômenos observados. Nesse sentido, falamos em período mítico, 
em que os fenômenos da natureza eram explicados por um discurso mítico. 
Como sugere nossa imagem acima, sempre houve – na história da humanidade 
– o desejo do homem em ligar-se a algo que fosse superior a ele, é nesse sentido 
que se toma a palavra religião. 
ANTROPOLÓGICO
Mas no decorrer dos tempos, a ênfase do pensamento filosófico dos gregos 
começa a mudar da natureza, como objeto de estudo e da ênfase teocêntrica, 
para o homem, como sujeito e objeto de sua própria reflexão. Isso se deu gra-
ças aos, assim chamados, sofistas, que se encontram já no período denominado 
socrático; você já ouviu falar deles? Não?! Bem, os sofistas eram homens que 
tinham habilidades para ensinar a outras pessoas os mais variados assuntos. No 
período socrático, os sofistas são tidos como educadores profissionais que ensi-
navam a jovens, em especial, a retórica, que é a arte da persuasão, por pagamento. 
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Com os sofistas, a preocupação maior parece ser 
com a educação do homem e sua relação com o 
âmbito social. 
A ênfase antropológica que é dada nesse perí-
odo atinge o ponto mais alto com Sócrates. Ele 
parte da famosa frase escrita no oráculo de Delfos: 
“Conhece-te a Ti mesmo”, como ponto funda-
mental de todo filosofar. Assim, quando paramos para pensar na história da 
filosofia em termos ainda que gerais, podemos identificar diferentes ênfases do 
pensamento humano em diferentes épocas: cosmológico, teológico e antropo-
lógico. Essas ênfases aparecem, desaparecem e voltam a reaparecer novamente 
com grande ímpeto em dado momento do processo histórico humano. 
De fato, no período da Idade Média, o foco da atenção foi teocêntrico, devido 
à grande desconfiança depositada única e exclusivamente na razão humana para 
explicar as causas dos fenômenos no mundo; o filosofar torna-se teologar. Já no 
período moderno, o homem volta-se para a reflexão antropológica, tornando-se 
ponto de partida da formulação e reformulação do pensamento. Assim, ainda 
que o homem reflita sobre a natureza das coisas, a despeito dos avanços na área 
tecnológica, o homem tem sido para si a sua maior preocupação. 
De fato, o surgimento da antropologia como ciência é um atestado do desejo 
insaciável que o homem tem de conhecer a si mesmo. O autoconhecimento tem 
como fim, como objetivo, definir o homem, tendo sempre a questão com a qual 
estamos às voltas: o que é o homem? 
Nesse particular, a influência de Kant – filósofo da era moderna – parece 
óbvia. Kant operou, o que ficou conhecido entre os filósofos modernos, o cha-
mado giro copernicano. Antes de Copérnico, o centro da especulação filosófica 
era o ser, de modo que a preocupação essencial da filosofia era essencialmente 
com a metafísica – por metafísica entendemos a investigação a respeito dos 
assuntos que estão para além da física. 
Com Kant, o centro da especulação filosófica passa a ser o modo como o 
homem pode conhecer. Nesse sentido, a epistemologia torna-se a preocupação 
central do filosofar. De acordo com o filósofo, os problemas filosóficos redu-
zem-se a quatro, a saber:
O SURGIMENTO DA ANTROPOLOGIA 
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
I
1. O que podemos conhecer? Este seria o campo específico de uma teoria 
do conhecimento (epistemologia).
2. O que devemos fazer? Aqui, a pergunta ocupa-se com a ética.
3. O que podemos esperar? Aqui, a pergunta ocupa-se com o problema 
religioso.
4. O que é o homem? Este é o problema antropológico. 
Segundo Kant, todos os problemas filosóficos reduzem-se ao antropológico. 
Nesse sentido, o objetivo da filosofia seria o de proporcionar ao homem a pos-
sibilidade de conhecer-se adequadamente. De acordo com Kant (2006, p. 22): 
O ser humano que percebe que está sendo observado e que procuram 
examiná-lo, parecerá embaraçado (constrangido) e não pode se mos-
trar como é, ou finge e não quer ser conhecido como é. Mesmo quando 
só quer investigar a si mesmo, ele se encontra numa situação crítica, 
principalmente quando é tomado por uma afecção, estado que habi-
tualmente não admite fingimento, a saber, quando os móbiles da ação 
estão atuando, ele não se observa, e quando se observa, os móbiles es-
tão em repouso. Quando permanecem constantes, o lugar e as circuns-
tâncias temporais geram hábitos que são, como se diz, outra natureza e 
dificultam o juízo do homem acerca de si mesmo e de quem considera 
que é, porém mais ainda acerca de que conceito deve ter a respeito do 
outro com o qual mantém relação, pois quando muda a situação em 
que o ser humano é colocado por seu destino, ou em que se coloca a si 
mesmo quando se aventura, essa mudança dificulta muito a antropo-
logia a se elevar à condição de uma ciência propriamente dita. Por fim, 
não são precisamente fontes, mas meios auxiliares da antropologia: a 
história mundial, as biografias e até peças de teatro e romances. Pois 
ainda que a estes últimos não se atribua propriamente experiência e 
verdade, mas só ficção, e ainda que seja permitido exagerar os caracte-
res e as situações em que se colocam os homens, tal como aparecem em 
imagens de sonho, ainda, portanto, que aqueles nada pareçam ensinar 
para o conhecimento do ser humano, ainda assim os caracteres esboça-
dos por um Richardson ou por um Moliére devem ter sido tirados, em 
seus traços fundamentais, da observação do que os homens realmente 
fazem ou deixam de fazer, porque são de fato exagerados em grau, mas, 
quanto à qualidade, precisam estar de acordo com a natureza humana. 
Uma antropologia sistematicamente delineada e, todavia, popular (pela 
referência a exemplos que todo leitor possa por si mesmo encontrar), 
composta desde um ponto de vista pragmático, traz ao público leitor 
a vantagem de que, esgotando todas as rubricas sob as quais se pode 
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Divisão da Antropologia
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colocar esta ou aquela qualidade humana, observada na prática, lhe 
são dadas numerosas ocasiões e lhe são dirigidas numerosas exortações 
para tratar, como um tema próprio, cada qualidade particular, inse-
rindo a um item específico: com isso, na antropologia os trabalhos se 
dividem por si mesmos entre os amantes desse estudo e serão poste-
riormente reunidos num todo pela unidade do plano, promovendo-se 
e acelerando-se então o crescimento de uma ciência de utilidade geral. 
DIVISÃO DA 
ANTROPOLOGIA
A resposta à perguntade Kant sobre o 
que é o homem, tal como falamos no 
tópico anterior, pode ser dada de dife-
rentes pontos de vistas, segundo Barrio 
(2014). Nesse sentido, podemos res-
pondê-la da perspectiva empírica. Isso 
significa que podemos chegar a conclu-
sões gerais a respeito do homem e sua 
natureza por meio da observação e, a 
partir disso, recompilar os dados reco-
lhidos e comparar as variantes físicas e 
culturais que podemos observar entre 
os diferentes grupos de homens. 
Kant foi um filósofo importante para o pensamento filosófico do século 
XVIII. Com ele, houve a nítida separação entre o que podemos pensar e aqui-
lo que podemos conhecer. Podemos conhecer todas as coisas que afetam 
nossos sentidos corporais, e sobre todas as outras, apenas podemos pensar, 
tais como: Deus, a imortalidade da alma, a origem do mundo e a liberdade 
do homem. 
Fonte: o autor 
ANTROPOLOGIA
Antropologia empírica
Antropologia física Antropologia cultural
Etnografia geral
Etnografia
Etnologia
Antropologia social
LinguísticaArqueologia
Antropologia filosófica
O SURGIMENTO DA ANTROPOLOGIA 
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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Saiba, aluno(a), o homem pode ser estudado de diferentes perspectivas, 
nesse sentido, a antropologia contemporânea comporta várias divisões ou 
especializações. 
Figura 2: Divisão da antropologia
Fonte: adaptada de Barrio (2014, p. 22) 
Podemos falar, por exemplo, em antropologia física, que seria o estudo da espécie 
humana, suas origens, evolução e diferenciação em tipos raciais, contando com dis-
ciplinas auxiliares, como a antropometria, que estabelece critérios de classificação 
dos tipos raciais, e a paleontologia, que se ocupa do homem fóssil ou pré-histó-
rico. Indo um pouco além, a pergunta a respeito do que é o homem nos coloca 
na perspectiva da antropologia humanística e filosófica, que trata do homem a 
partir de seus costumes e diferentes modos de vida, como também de seu destino. 
Segundo Barrio (2014, p.23):
A antropologia, desde que se constituiu como saber organizado, de-
sempenhou tradicionalmente um papel unificador em muitas áreas 
da pesquisa científica, assim como em humanidades, e o pôde fazer 
porque é um conhecimento integral e integrador. As classificações es-
tritas de objetos de estudo foram muito frutíferas no desenvolvimento 
das ciências, mas, hoje em dia, cada vez há maior interesse por aquelas 
áreas nebulosas que se encontram nos limites das taxonomias clássicas 
(como o demonstra o desenvolvimento de ciências intermediárias: físi-
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co-química, bioquímica, astrofísica etc.). Do mesmo modo, o enfoque 
integral para estudar o homem exige que cada vez que se estude uma 
parte – sejamos conscientes: só é uma parte – ela seja posta em conexão 
com o resto. O conhecimento antropológico envolve o uso de técnicas 
e teorias de muitas disciplinas e, por sua vez, as técnicas e conceitos da 
antropologia possuem ramificações e consequências que se prolongam 
muito além dela.
Nesse sentido, ainda segundo Barrio (2014, p. 23), teríamos então: 
A etnolingüística, cujo tema central se apresenta como a dicotomia 
linguagem-cultura. A etnopsicologia e seu estudo das relações entre 
cultura versus personalidade (nome adotado por toda uma escola an-
tropológica). A etno-história: a mudança cultural, as aculturações su-
cessivas etc.
Do ponto de vista de uma antropologia filosófica, a antropologia reflete todas as 
preocupações do homem e de sua relação com o mundo em que vive. No entanto, 
uma antropologia filosófica é de natureza fundamentalmente especulativa, vol-
tando-se para os aspectos mais gerais da experiência do homem. Nesse sentido, 
sua justificação encontra-se na necessidade que temos em ter uma visão global 
do homem e de seus problemas. Uma visão global do homem e de seus pro-
blemas nos distancia de uma ciência cada vez mais especializada, que por sua 
natureza precisa realizar um recorte dessa visão global do homem. O que quero 
dizer, caro(a) aluno(a), é isto: quanto mais uma ciência é particularizada, tanto 
mais ela se torna abstrata em relação aos problemas do homem e da sociedade 
em que vive. Contrariamente, quanto mais uma ciência tem uma visão da totali-
dade do homem e de seus problemas, tanto mais concreto, autônomo, completo 
o homem se manifesta para essa ciência. 
Dada a possibilidade de uma antropologia filosófica, o que está em jogo aqui 
não é tanto o problema do homem em geral, mas o problema daquele homem 
concreto que vive em uma comunidade, que se encontra engajado na realidade, a 
qual fatidicamente constitui suas experiências pessoais. Pelas ciências particulares 
conhecemos e avançamos em muitas áreas, tais como: no campo tecnológico, no 
campo da medicina, entre outros. No entanto, deixamos de conhecer o homem 
em sua essência, não vemos seus feitos em sua totalidade, por isso ignoramos o 
real sentido do labor humano. 
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Nesse sentido, segundo Max Sheler (apud CASSIER, 1967, p. 40): 
Em nenhum outro período do conhecimento do humano o homem se 
tornou mais problemático para si mesmo do que em nossos dias. Dis-
pomos de uma antropologia científica, antropologia filosófica e de uma 
antropologia teológica que se ignoram entre si. Por conseguinte, já não 
possuímos nenhuma idéia clara e coerente do homem. A multiplicida-
de cada vez maior das ciências particulares, que se ocupam do estudo 
dos homens, antes confundiu e obscureceu do que elucidou nossa con-
cepção do homem. 
DEFINIÇÃO DE SOCIOLOGIA
A sociologia é a ciência que estuda a sociedade 
humana. Como ciência, nasce em função da neces-
sidade que o homem tem de compreender a si mesmo 
e o grupo no qual está inserido. Como se sabe, um 
dos percursores da sociologia foi Auguste Comte, 
filósofo positivista, que atribui o nome sociologia às 
pesquisas sobre os princípios universais do compor-
tamento social. Para ele, a sociedade só poderia ser 
convenientemente reorganizada por meio de uma 
completa reforma intelectual do homem. Para isso, 
propôs uma ciência estruturada em três pontos cen-
trais, segundo Barreto (2012, p. 27):
1) Essa ciência deve investigar as razões pelas quais o homem funda-
menta seu pensamento; a este procedimento Comte chamou de filosofia 
positiva ou pensamento positivo.
2) Fundamentar e classificar as ciências baseadas na filosofia positiva.
3) Reformar na prática as instituições, inclusive religiosas, através de 
uma determinação estrutural da Sociedade, dada pelo que ele chamou 
de Física Social e depois Sociologia. 
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Como queria Comte, o conhecimento advindo da ciência era a única forma de 
conhecimento verdadeiro. Foi com essa assertiva que ele divulgou o positivismo, 
concebido por ele como uma doutrina que buscava explicações para os fenô-
menos sociais, baseada na observação e não o idealismo, somada à ascensão da 
experiência sensível, o que para ele era o caminho para se chegar à verdadeira 
ciência. Ao longo do tempo, esse termo foi sendo apropriado por várias áreas 
do conhecimento fazendo com que servisse de premissa para muitas teorias. 
Deste modo, a sociologia, fruto da sociedade moderna, nasce para explicar 
o surgimento e as condições nas quais se tornou possível o desenvolvimentoda 
sociedade industrial. Com esse intuito, Comte recorreu a conhecimentos oriun-
dos da Filosofia e da História. 
Segundo Costa (2010, p. 29): 
O desenvolvimento das bases científicas do estudo da sociedade huma-
na dependeu de fatores internos ao campo científico e de circunstân-
cias externas e históricas, tais como: a complexa relação social diante 
da industrialização, o colonialismo europeu e o contato entre diferentes 
civilizações. Devido a esses fatores, os primeiros teóricos do pensamen-
to sociológico preocuparam-se em justificar as diferenças e as desigual-
dades sociais e em estudar a ordem e o progresso da nova ordem social 
inaugurada pelo desenvolvimento industrial que levou à derrocada 
do artesanato e à submissão das atividades agrárias à manufatura. É 
verdade que alguns estudiosos admitiram uma atitude de otimismo 
diante da sociedade capitalista identificando os valores e os interesses 
da classe dominante como representativos do conjunto da sociedade, 
deixando de lado preocupações como os conflitos e as lutas de classes, 
mas também é verdade que foi nos pressupostos teóricos da Sociolo-
gia que o proletariado buscou auxílio para encampar a luta prática na 
sociedade de classes. É nesse contexto que a Sociologia vincula-se ao 
socialismo e a nova teoria crítica da sociedade passa a estar ao lado dos 
interesses das classes trabalhadoras. 
Ainda conforme Costa (2010, p. 30):
Toda uma ordem social baseada nos valores de uma cultura senhoril e 
rural entrou em declínio e foi suplantada por uma economia urbana, 
industrial e burguesa, voltada para os privilégios da classe emergente. O 
surgimento dessa nova ordem social exigiu que filósofos sociais dessem 
explicações racionais para os problemas oriundos dessa nova ordem. 
Com esse objetivo, o positivismo buscou delimitar o objeto, a estabe-
lecer conceitos, a elaborar uma metodologia de investigação e definir 
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em que deveria consistir o estudo científico da sociedade, de modo que 
foi possível instituir o lugar próprio para ciência social. No interior de 
uma discussão acerca da natureza da ciência social, quando falamos 
em “positivismo” quer-se atribuir a esse nome, originado do adjetivo 
positivo o significado de certo seguro, definitivo. Isto quer dizer então 
que essa escola filosófica aposta todas as fichas no poder dominante e 
absoluto da razão humana em conhecer a realidade e traduzi-la sob 
forma de leis, que seriam a base da regulamentação da vida do homem, 
da natureza e do próprio universo. Os teóricos sociais, devido à grande 
influência das ciências naturais, defendiam que a sociologia e a física 
só eram diferentes quanto à sua essência, nesse sentido, a sociedade 
era concebida como um organismo constituído de partes integradas e 
coesas, que funcionavam harmonicamente segundo um modelo físico 
ou mecânico. 
Ora, se Auguste Comte foi um dos percussores que atribuiu o nome sociologia 
às pesquisas sobre os princípios universais do comportamento social, será com 
Émile Durkheim, na segunda metade do século XIX, que os estudos no âmbito 
da sociologia relacionar-se-ão diretamente com os fatos, deixando para trás a 
especulação dos teóricos sociais de seu tempo. Durkheim preocupou-se constan-
temente com as questões de ordem social, por isso ele ocupou-se em estabelecer 
qual era o objeto de estudo da sociologia assim como indicar o seu método de 
investigação. Com efeito, com Durkheim, a sociologia penetrou o universo aca-
dêmico ganhando delimitações próprias de uma disciplina universitária. 
Vale dizer, caro(a) aluno(a), que a obra durkheiminiana nasce em período 
de crises econômicas cada vez mais constantes, de modo que o desemprego e a 
miséria provocaram o acirramento das lutas de classe. Operários lançavam mão 
da greve como instrumento de luta para impor-se diante das dificuldades. Não 
precisamos recuar muito no tempo para entendermos como eventos de uma 
greve são tão persuasivos a conduzir teóricos a pensarem no homem na comu-
nidade em que vivem. 
Vivendo nessa época em que as teorias socialistas ganhavam terreno, 
Durkheim não poderia ignorá-las, tanto é que em certo sentido, suas ideias 
constituíam a tentativa de fornecer uma resposta às formulações socialistas. 
Discordava, sobretudo, das teorias socialistas quanto à ênfase atribuída aos fatos 
econômicos para diagnosticar a crise das sociedades europeias. Para Durkheim 
(2014), a origem dos problemas sociais não era de natureza econômica, mas 
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originavam-se da fragilidade dos princípios morais da sociedade para orientar 
adequadamente o comportamento individual.
Com essa preocupação no horizonte de suas reflexões, Durkheim buscou 
estabelecer um objeto de estudo e um método para a sociologia. Dedicou-se, 
então, a essa questão, salientando que nenhuma ciência poderia constituir-se 
sem uma área própria de investigação. A sociologia deveria ocupar-se com os 
fatos sociais que se apresentavam aos indivíduos como exteriores e coercitivos. 
Referindo-se aos grandes sociólogos de seu tempo, Durkheim (2014, p.10) 
nos diz que: 
(...) raramente saíram das generalidades sobre a natureza das socieda-
des, sobre as relações do reino social e do reino biológico, sobre a mar-
cha geral do progresso; mesmo a volumosa sociologia de Spencer quase 
não tem outro objeto senão mostrar como a lei da evolução universal 
se aplica às sociedades. 
Durkheim compreendeu que para tratar da natureza das sociedades não são 
necessários procedimentos especiais e complexos. Pelo contrário, será suficiente 
pesar os méritos comparados da dedução e da indução e fazer uma inspeção 
sumária dos recursos mais gerais de que dispõe a investigação sociológica. O 
que ele propõe é 
tomar na observação dos fatos, a maneira como os principais proble-
mas devem ser colocados, o sentido no qual as pesquisas devem ser di-
rigidas, as práticas especiais que podem permitir chegar aos fatos, as re-
gras que devem presidir a administração das provas (...) (DURKHEIM, 
2014, p.10). 
Essa postura mais factual de Durkheim deve-se à sua formação judaica, que favo-
recia a análise dos laços comunitários e da coesão social. Motivado por conflitos 
pelos quais atravessava a Europa, Durkheim dedicou-se a um vasto repertório de 
temas que vão da emergência do indivíduo à origem da ordem social, da moral 
ao estudo da religião, da vida econômica à análise da divisão social do trabalho. 
Para isso, Émile Durkheim valeu-se da história, da etnografia (estudo descritivo 
das diversas etnias), do estudo das leis, da estatística e da filosofia. Herdeiro tam-
bém do positivismo, dedicou-se a constituir o objeto da sociologia e as regras 
para desvendá-lo. A obra mais importante nesse sentido foi As Regras do Método 
Sociológico, na qual o autor procurou instituir a fronteira entre a sociologia e as 
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demais ciências, dando-lhe autonomia e objetividade. Nesta obra, Durkheim 
definiu o que entendia por fatos sociais.
Segundo ele (2014, p.10), fatos sociais
consistem em maneiras de agir, de pensar e de sentir, exteriores ao 
indivíduo, e que são dotadas de um poder de coerção em virtude do 
qual esses fatos se impõem a ele. Por conseguinte, eles não poderiam se 
confundir com os fenômenos orgânicos, já que consistem em represen-
tações e em ações; nem com os fenômenos psíquicos, os quais só têm 
existência na consciência individual e através dela. Esses fatos consti-
tuem,portanto, uma espécie nova, e é a eles que deve ser dada e reser-
vada a qualificação de sociais. Essa qualificação lhes convém; pois é cla-
ro que, não tendo o indivíduo por substrato, eles não podem ter outro 
senão a sociedade, seja a sociedade política em seu conjunto, seja um 
dos grupos parciais que ela encerra: confissões religiosas, escolas polí-
ticas, literárias, corporações profissionais, etc. Por outro lado, é a eles 
só que ela convém; pois a palavra social só tem sentido definido com a 
condição de designar unicamente fenômenos que não se incluem em 
nenhuma das categorias de fatos já constituídos e denominados. Eles 
são, portanto, o domínio próprio da sociologia. 
Durkheim (2014, p.11) resumidamente diz que: 
É fato social toda maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer 
sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou ainda, toda maneira de fa-
zer que é geral na extensão de uma sociedade dada e, ao mesmo tempo, 
possui uma existência própria, independentemente de suas manifesta-
ções individuais. 
Vejamos então as características dos fatos sociais, tal como Costa (2014, online) 
interpreta: 
a) Coerção
Para Durkheim (apud COSTA, 2014, online), os fatos sociais distinguem-se dos 
fatos orgânicos ou psicológicos por se imporem ao indivíduo como uma pode-
rosa força coercitiva à qual ele deve, obrigatoriamente, se submeter. A adoção 
de um idioma, a organização familiar e o sentimento de pertencer a uma nação 
são manifestações do comportamento humano dotadas dessa força impositiva 
sobre o indivíduo, força essa que Durkheim denominou coerção social. A força 
coercitiva dos fatos sociais se manifesta pelas “sanções legais” ou “espontâneas” 
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a que o indivíduo está sujeito quando tenta rebelar-se contra ela. “Legais” são 
as sanções prescritas pela sociedade, sob a forma de leis, nas quais se define a 
infração e se estabelece a penalidade correspondente. “Espontâneas” são as que 
afloram como resposta a uma conduta considerada inadequada por um determi-
nado grupo ou por uma sociedade. Multas de trânsito, por exemplo, fazem parte 
das coerções legais, pois estão previstas e organizadas pela legislação que regula 
o tráfego de veículos e pessoas pelas vias públicas. Já os olhares de reprovação 
de que somos alvo quando comparecemos a um local com a roupa inadequada 
constituem sanções espontâneas. Embora não codificados em lei, esses olhares 
têm o poder de conduzir o infrator para o comportamento esperado? Durkheim 
afirma (2014, p.10) que, nesses casos,
[...] a coerção é menos violenta; mas não deixa de existir. Se não me 
submeto às convenções mundanas; se, ao me vestir, não levo em con-
sideração os usos seguidos em meu país e na minha classe, o riso que 
provoco, o afastamento em que os outros me conservam, produzem, 
embora de maneira mais atenuada, os mesmos efeitos que uma pena 
propriamente dita.
O comportamento desviante em um grupo social pode não ter penalidade pre-
vista por lei, mas o infrator pode ser espontaneamente punido pelo grupo na 
medida em que sua ação fere determinados valores e princípios. A reação nega-
tiva da sociedade a certas atitudes ou comportamentos é, muitas vezes, mais 
intimidadora do que a lei.
A “educação” – entendida de forma geral, ou seja, a educação formal e a infor-
mal – desempenha, segundo Durkheim, uma importante tarefa nessa adequação 
dos indivíduos à sociedade em que vivem, a ponto de, após algum tempo, as 
regras estarem internalizadas nos membros do grupo e transformadas em hábi-
tos. O uso de uma determinada língua ou o gosto por determinada comida são 
internalizados no indivíduo, que passa a considerar tais hábitos como pessoais.
b) Exterioridade
A segunda característica dos fatos sociais é que eles existem e atuam indepen-
dentemente da vontade ou adesão consciente dos indivíduos, sendo, assim, 
“exteriores” a eles. Ao nascer, já encontramos regras sociais, costumes e leis que 
somos coagidos a aceitar por meio de mecanismos de coerção social, como a 
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educação. Não nos é dada a possibilidade de opinar ou escolher, sendo inde-
pendentes de nós, de nossos desejos e vontades. Por isso, os fatos sociais são, ao 
mesmo tempo, coercitivos e dotados de existência exterior às consciências indivi-
duais. Podemos experimentar a exterioridade dos fatos sociais nas formas de agir 
e pensar que não adotaríamos de modo espontâneo ou como resultado apenas 
de nossa vontade, por exemplo, ao nos sentirmos pressionados a obedecer nosso 
lugar em uma fila quando nosso desejo nos impele a passar os outros para trás.
c) Generalidade
Além da coerção e da exterioridade, é possível distinguir fatos sociais porque eles 
não se apresentam como fatos isolados. Eles são dotados de generalidade, envol-
vem muitos indivíduos e grupos ao longo do tempo, repetem-se e difundem-se. 
Permitem, por isso, uma grande sondagem como a que Durkheim desenvolveu 
para estudar o suicídio, fato social dotado de grande generalidade. A assiduidade 
com que determinados fatos ocorrem na sociedade indica a sua importância e a 
necessidade de estudá-los, assim como torna a estatística uma das ferramentas 
que garante ao sociólogo a objetividade e o controle. É pela generalidade que os 
fatos sociais exibem a sua natureza coletiva, sejam eles fatos observáveis, como 
o modelo das habitações de um grupo, sejam 
fatos morais, como os valores e as crenças.
A formação e o desenvolvimento do 
conhecimento sociológico crítico e negador 
da sociedade capitalista, sem dúvida, ligam-
-se à tradição do pensamento socialista, que 
encontra em Marx e Engels a sua elaboração 
mais expressiva. Esses pensadores não esta-
vam preocupados em fundar a sociologia como 
disciplina específica. A rigor, não encontramos 
neles a intenção de estabelecer fronteiras rígi-
das entre os diferentes campos do saber, tão ao 
gosto dos “especialistas” de nossos dias. Eles, 
em suas obras, interligavam disciplinas como 
antropologia, política, economia, procurando 
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oferecer uma explicação da sociedade como um todo, colocando em evidência 
as suas dimensões globais. Seus trabalhos não foram elaborados nos bancos das 
universidades, mas frequentemente no calor das lutas políticas.
A formação teórica do socialismo marxista constitui uma complexa operação 
intelectual, na qual são assimiladas de maneira crítica as três principais correntes 
do pensamento europeu do século passado, tais como o socialismo, a dialética 
e a economia política. O socialismo antes do marxismo, também denominado 
socialismo utópico, constituía uma clara reação à nova realidade implantada 
pelo capitalismo, principalmente quanto às suas relações de exploração. Marx 
e Engels, ao tomarem contato com a literatura socialista da época, assinalaram 
as brilhantes ideias de seus antecessores sem deixarem de elaborar algumas crí-
ticas a esse socialismo, a fim de dar-lhe maior consistência teórica e efetividade 
prática. Assinalavam que as lacunas existentes nesse tipo de socialismo possu-
íam uma relação com o estágio de desenvolvimento do capitalismo da época, 
uma vez que as contradições entre burguesia e proletariado não se encontravam 
ainda plenamente amadurecidas.
Atuavam os “utópicos” como representantes dos interesses da humanidade, 
não reconhecendo em nenhumaclasse social o instrumento para a concretiza-
ção de suas ideias.
A filosofia alemã da época de Marx encontra em Hegel uma de suas mais 
expressivas figuras. Como se sabe, a dialética ocupava posição de destaque em 
seu sistema filosófico. A tomarem contato com a dialética hegeliana, eles ressalta-
ram o caráter revolucionário, uma vez que o método de análise de Hegel sugeria 
que tudo o que existia, devido às suas contradições, tendia a extinguir-se. A crí-
tica que eles faziam à dialética hegeliana se dirigia ao seu caráter idealista. Assim, 
procuraram “corrigi-la”, recorrendo ao materialismo filosófico de seu tempo. A 
intenção era conferir à sociologia uma reputação científica encontrando em Max 
Weber um marco de referência. Durante toda sua vida, insistiu em estabelecer 
uma clara distinção entre o conhecimento científico, fruto de cuidadosa inves-
tigação, e os julgamentos de valor sobre a realidade.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para finalizar, poderíamos supor que a busca de uma neutralidade científica 
levou Weber a estabelecer uma rigorosa fronteira entre o cientista, homem do 
saber, das análises frias e penetrantes; e o político, homem de ação e de decisão, 
comprometido com as questões práticas da vida. Essa posição de Weber, que 
tantas discussões tem provocado entre os cientistas sociais, constitui, ao isolar 
a sociologia dos movimentos revolucionários, um dos momentos decisivos da 
profissionalização dessa disciplina. A ideia de uma ciência social neutra seria um 
argumento útil e fascinante para aqueles que viviam e iriam viver da sociologia 
como profissão. A sociologia por ele desenvolvida considerava o indivíduo e a 
sua ação os pontos-chave da investigação. Com isso, ele queria salientar que o 
verdadeiro ponto de partida da sociologia era a compreensão da ação dos indiví-
duos e não a análise das “instituições sociais” ou do “grupo social”, tão enfatizados 
pelo pensamento conservador.
Existe uma clara distinção entre o conhecimento científico, fruto de cuida-
dosa investigação, e os julgamentos de valor sobre a realidade?
33 
1. Qual é a característica essencial que distingue estes três períodos: cosmológico, 
teocêntrico e antropológico?
2. Qual é o significado da palavra antropologia? 
3. O que é sociologia? 
4. O que é “fato social”?
5. Comente: em que consiste a “força coercitiva dos fatos sociais”?
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Marx sabia que a incompatibilidade entre o pensamento político clássico e as modernas 
condições políticas repousa no fato consumado das Revoluções Francesa e Industrial, 
que, em conjunto, elevaram o trabalho, tradicionalmente a mais desprezada de todas as 
atividades humanas, ao grau máximo de produtividade, e pretenderam ser capazes de 
reafirmar o ideal de liberdade sob condições inauditas de igualdade universal. A questão 
era colocada apenas superficialmente nas asserções idealistas de igualdade do homem 
e da dignidade inata de todo ser humano, e era respondida apenas de modo superficial 
por meio da concessão do direito de voto aos operários. Não se tratava de um problema 
de justiça que pudesse ser resolvido concedendo à nova classe de trabalhadores o seu 
direito, após que a velha ordem do suum cuique fosse automaticamente restaurada e 
funcionasse como no passado. Há o fato da incompatibilidade básica entre os conceitos 
tradicionais, que fazem do trabalho o símbolo da sujeição do homem à necessidade, e a 
época moderna, que viu o trabalho elevado para expressar a liberdade positiva do ho-
mem, a liberdade da produtividade. É do impacto do trabalho, isto é, da necessidade no 
sentido tradicional, que Marx visou salvar o pensamento filosófico, destinado pela tradi-
ção a ser o núcleo de todas as atividades humanas. Entretanto, ao proclamar que “não se 
pode abolir a Filosofia sem realizá-la”, começou por sujeitar também o pensamento ao 
inexorável despotismo da necessidade à “lei férrea das forças produtivas na sociedade”.
A desvaloração dos valores de Nietzsche, como a teoria do valor-trabalho de Marx, sur-
ge da incompatibilidade entre as “ideias” tradicionais, que haviam sido utilizadas como 
unidades transcendentes para identificar e medir pensamentos e ações humanas, e a 
sociedade moderna, que dissolvera todas essas normas em relacionamentos entre seus 
membros, estabelecendo-as como “valores” funcionais. Valores são bens sociais que não 
têm significado autônomo, mas, como outras mercadorias, existem somente na sempre 
fluida relatividade das relações sociais e do comércio. Por meio dessa relativização, tanto 
as coisas que o homem produz para seu uso como os padrões conforme os quais ele 
vive sofrem uma mudança decisiva: tornam-se entidades de troca, e o portador de seu 
“valor” é a sociedade e não o homem que produz, usa e julga. O “bem” perde seu caráter 
de ideia, padrão pelo qual o bem e o mal podem ser medidos e reconhecidos; torna-se 
um valor que pode ser trocado por outros valores, tais como: eficiência ou poder. O 
detentor de valores pode recusar-se a essa troca e se tornar um “idealista” que estima o 
valor do “bem” acima do valor da eficiência; isso, porém, em nada torna o “valor” do bem 
menos relativo. 
O termo “valor” deve sua origem à tendência sociológica que, mesmo antes de Marx, es-
tava inteiramente explícita na ciência relativamente nova da Economia clássica. Marx era 
ainda cônscio do fato, esquecido desde então pelas Ciências Sociais, de que ninguém 
“visto em isolamento produz valores”, de que os produtos “tornam-se valores somente 
em seu relacionamento social”. Sua distinção entre “valor de uso” e “valor de troca” reflete 
a distinção entre coisas tais como os homens as utilizam e as produzem e seu valor na 
sociedade, e sua insistência na maior autenticidade dos valores de uso, sua frequente 
descrição do surgimento do valor de troca como uma espécie de pecado original no 
princípio da produção mercantil reflete seu reconhecimento, desamparado e como que 
35 
cego, da inevitabilidade de uma iminente “desvalorização de todos os valores”. O nas-
cimento das Ciências Sociais pode ser localizado no instante em que todas as coisas, 
tanto “ideias” como objetos materiais, equacionavam-se a valores, de tal modo que tudo 
derivasse sua existência da sociedade e fosse a ela relacionado, o bonum e o malum 
não menos que os objetos tangíveis. Na disputa sobre se a fonte de todos os valores é 
o capital ou trabalho, geralmente percebe-se que em nenhuma ocasião anterior à in-
cipiente Revolução Industrial admitiu-se serem os valores, e não as coisas, o resultado 
da capacidade produtiva do homem, ou relacionavam-se todas as coisas que existem à 
sociedade e não ao homem “visto em isolamento”. A noção de homens socializados, cuja 
emergência Marx projetou na sociedade sem classes futuras, é de fato o pressuposto 
subjacente tanto à Economia clássica como à marxista (ARENDT, 2000, p.61).
MATERIAL COMPLEMENTAR
Germinal
Diretor: Claude Berri
Ano: 1993
Sinopse: A respeito do que foi a Revolução Industrial, 
assista ao fi lme “Germinal” baseado no romance de 
Émile Zola. Nele, você perceberá o contexto que 
envolve a referida revolução.
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Professor Me. Wanderly Alves de Sousa
ANÁLISE ANTROPOLÓGICA
E SOCIOLÓGICA DO PROCESSO 
IDENTITÁRIO DO HOMEM 
CULTURAL E SOCIAL
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Apresentar o conceito de cultura. 
 ■ Discutir a relação entre antropologia e cultura. 
 ■ Avaliar a relação entre sociologia e cultura. 
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Conceito de cultura do ponto de vista antropológico 
 ■ Homem, ser cultural e social 
 ■ Identidade cultural e social 
INTRODUÇÃOO conceito de cultura é o mais importante conceito da antropologia, assim como 
das ciências sociais. Também é uma das noções mais complexas que encontramos 
nas ciências humanas, pois não há acordo entre os especialistas no assunto sobre 
o que seja cultura. Devido ao seu caráter polissemântico, o termo cultura recebe 
três significados e três usos principais, a saber: elitista, pedagógico e antropo-
lógico. No primeiro sentido, cultura significa uma grande quantidade de saber; 
no segundo sentido, indica educação recebida durante a vida; no terceiro, cul-
tura significa o conjunto de costumes. 
Devemos ter em mente que todo e qualquer conceito de cultura surge a partir 
de uma determinada cultura, como veremos. Assim, se temos inúmeras defini-
ções para o conceito de cultura, é porque há inúmeras culturas informando sobre 
a sua própria formulação. O conceito de cultura forma, com a noção de natureza, 
uma das grandes oposições do quadro do pensamento das ciências sociais. Mais 
do que vê-las delimitando espaços opostos mutuamente excludentes, é interes-
sante e oportuno tratá-las como complementares, ou seja, ambas são limites de 
um sistema que hierarquiza e ordena uma multiplicidade de elementos que se 
situam entre dois extremos e se articulam de maneira dinâmica. Muitos desses 
sentidos tendem a revelar algo de nossa sociedade e até de nós mesmos. Não é 
incomum pensarmos a antropologia e o outro como um grande espelho pelo 
qual podemos nos ver. É isso que buscaremos expor a seguir.
CONCEITO DE CULTURA DO PONTO DE VISTA 
ANTROPOLÓGICO
Como dissemos, no sentido elitista, cultura significa uma grande quantidade 
de saber, assim, quando falamos que certa pessoa sabe muito de antropologia, 
de filosofia, de sociologia, nesse sentido, dizemos que essa pessoa sabe muito 
a respeito de quase tudo. Caro(a) estudante, aposto que você já ouviu alguém 
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Introdução
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falar desse modo: conheço 
certa pessoa que possui vasta 
cultura científica, filosófica, 
artística, literária etc. Diante 
desse cenário, fala-se: fulano 
é “muito culto”. No sentido 
pedagógico, cultura indica a 
educação, a formação que a 
pessoa teve ao longo de sua 
vida, trata-se do cultivo do homem, isto é, do processo por meio do qual o homem 
chega à plena maturação e realização de sua personalidade. 
No sentido antropológico – e acredito que esse sentido nos interessa muito 
– cultura significa o conjunto de costumes, técnicas e valores que caracterizam 
um grupo social, uma tribo, um povo, uma nação. Colocado isso, sabemos agora 
que essa indefinição acerca da noção da palavra nos informa bastante sobre o 
próprio conceito. Ao contrário do que podemos pensar, quando articulamos a 
ideia de cultura, surgem inúmeros sentidos e significados para ela. É por isso 
que dizemos que cultura assume uma variedade de sentidos. 
Em todas as áreas do conhecimento, cada vez mais a ideia, noção ou con-
ceito de cultura tem sido vista como uma forma de pensarmos a diferença entre 
os homens ao mesmo tempo em que pensamos sua unidade. Em geral, estamos 
falando de diferenças em todos os planos do vir a ser do homem, por exemplo, 
formas de existir, fazer, pensar, ser e sentir. 
São vários os sentidos atribuídos à palavra cultura. Em alguns momentos, 
nos imaginamos sujeitos portadores de cultura, em outros, somos acusados de 
não termos cultura, como se isso significasse que não temos modos, costumes, 
Estado, educação, conhecimento, refinamento, acesso ao campo das artes, letras, 
teatro e ciência, enfim, nos dias atuais, acesso à informação. Cultura diz respeito 
a muito mais do que isso que acabamos de enumerar.
Mas é possível uma pessoa, grupo ou mesmo uma sociedade inteira ser despro-
vida de cultura? Do ponto de vista da antropologia, isso não é possível. O homem 
só se torna homem à medida que se torna membro de uma sociedade e interna-
liza códigos ou formas de agir/ser no mundo. Então, fique tranquilo(a)! Não há 
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como um membro de qualquer sociedade não ter ou estar inserido em uma rede 
de sentidos e significados que chamamos de cultura, afinal, você é sujeito dela em 
qualquer um de seus aspectos, e eles são muitos. Pode ter certeza que todos nós 
somos portadores de cultura à medida que fomos socializados nos princípios mais 
gerais que nos tornam membros de um grupamento social. Nenhuma pessoa é 
plenamente socializada em toda a cultura de sua sociedade. Isso nos informa o 
quanto somos dependentes de outros sujeitos para vivermos em uma sociedade.
Nós compartilhamos alguns códigos simbólicos, mas não todos os códigos, 
afinal, a vida social nas sociedades modernas é bastante complexa. Tais códigos 
e sua interpretação permitem-nos chegar a acordos razoáveis com outros sujei-
tos, sobre o mundo e alguns de seus sentidos. Há exemplos para isso que estamos 
falando? Sim, com certeza. Por exemplo: àquela partida de futebol que assisti-
mos pela televisão ou mesmo no estádio, não se trata de um evento irracional, 
absurdo e incompreensível para seus participantes ou para seus expectadores. 
Pelo contrário, assistir a uma partida de futebol pode nos fazer compreender um 
pouco ou muito do que pensamos ser e do que somos capazes de fazer quando 
o que está em disputa é muito mais do que uma simples vitória. 
HOMEM, SER CULTURAL E SOCIAL 
Antes do século XVIII, o problema cultural 
coincidia fundamentalmente com o peda-
gógico. Isto é, até a chegada do período que 
conhecemos como iluminismo, a cultura 
era concebida essencialmente como pai-
deia, como formação da pessoa e não como 
estrutura fundamental da sociedade. Nesse 
sentido, o problema cultural era tratado como 
exclusivamente um problema antropológico, 
como um problema da educação do homem. 
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Caro(a) aluno(a), a educação é uma exigência própria da natureza do homem, 
porque ele nasce com ilimitadas capacidades de agir, no entanto, não tem a habi-
lidade necessária para realizar qualquer ação. O homem deve, pois, aprender 
com o outro como exercer suas capacidades fundamentais, tais como: alimen-
tar, caminhar, falar, ler, escrever e trabalhar. 
Nesse sentido, poderíamos dizer que o fenômeno da educação é tipicamente 
humano. Dado que somente o homem pode e deve educar-se. Assim, comparativa-
mente com o mundo dos animais irracionais, a estes é possível apenas adestrá-los. 
O animal é um ser já especializado desde seu nascimento, um ser dotado ins-
titivamente de determinadas habilidades e somente destas. Contrariamente, o 
homem está inicialmente privado de qualquer especialização, mas possui a capa-
cidade de adquirir, por meio da educação, da aprendizagem, as especializações 
mais variadas. Dada essa capacidade em especializar-se mediante a educação, 
o homem pode individualizar-se, tornar-se um eu, adquirir uma personalidade 
exclusivamente sua que está em contínua evolução e maturação. 
Antes de prosseguir, quero destacar aqui três pontos importantes da educa-
ção do homem: o primeiro diz respeito ao pessoal, a educação deve promover 
ao educando o conhecimento de si mesmo, o conhecimento de suas habilidades 
para desenvolver-se como indivíduo; o segundo diz respeito ao social, porque 
a educaçãoenvolve eminentemente uma relação interpessoal: educador e edu-
cando; o terceiro diz respeito à cultura propriamente dita, uma vez que a educação 
deve transmitir à pessoa valores culturais elaborados pela humanidade ao logo 
de sua história no mundo. 
Do ponto de vista da Antropologia e da Sociologia, é a partir do conceito de 
cultura que podemos entender o homem como ser cultural e social, inserido em 
uma comunidade, sendo esta, por sua vez, dotada de cultura. O homem, inde-
pendentemente de sua base biológica, acaba detendo um componente cultural 
e seu comportamento é essencialmente influenciado por ele. Para entender esse 
homem, há que se entender também suas interações, seja com a natureza, com 
os outros homens, seja com o grupo a que pertence, pois é o seu grupo quem 
dita as regras de convívio social. 
Ao nascer, o homem começa o seu processo de socialização, ou seja, a inte-
riorização dos elementos socioculturais que lhe permitem adaptar-se à sociedade, 
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vencendo os obstáculos das situações novas e amadurecendo a sua maneira de 
ser e de estar no mundo. O processo de socialização, nesse sentido, sedimenta 
no novo homem ou no homem novo os modelos de comportamentos anterior-
mente definidos e aceitos.
Se por um lado temos os indivíduos que aceitam a realidade como ela é e 
aprendem a conviver, por outro, temos os indivíduos inconformados e que não 
aceitam as regras como elas são, não aceitam “a vida como ela é” e, por isso, tor-
nam-se objeto de crítica, mas, ainda assim, revelam-se a base da mudança social. 
É esse tipo de minorias que, resistindo à pressão social para o conformismo e 
obediência, consegue estabelecer condições para o progresso, na medida em que 
influencia, para um lado ou para o outro, grupos existentes em cada sociedade, 
e assim o homem torna-se um ser cultural e social.
É aprendendo e produzindo formas de viver e conviver que o ser humano 
incorpora, reelabora e reflete a língua, a culinária, a estética, a vestimenta, as 
artes, a forma de morar, a religião, dentre outras expressões culturais. Com o pas-
sar dos anos, porém, acabamos escolhendo se aquela forma de vida é de fato a 
que queremos ou vamos viver de outra forma, podendo até encabeçar um movi-
mento reconhecido como contracultura.
O que é contracultura? Para entendermos o que é contracultura, tomemos como 
exemplo a cultura gótica. Segundo Ianni: 
Os Emos – gênero musical que se estabeleceu sob forte influência nor-
te-americana em meados de 2003 que influenciou a moda, a música e 
o comportamento dos adolescentes. Os adolescentes reconhecidos por 
cultivar a cultura da rebeldia, da irreverência e indisciplina têm nos 
Emos pessoas com comportamento eminentemente emotivo e toleran-
A palavra pedagogia é de origem grega e significa: arte de guiar a criança. 
Modernamente, nos referimos a essa palavra como sinônimo de ciência da 
educação.
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te cujo visual consiste em geral em trajes pretos ou listrados, tênis, ca-
belos coloridos e franjas caídas sobre os olhos. Por certo, movimentos 
como esses são encontrados em várias partes do mundo, e que, não 
por isso, deixam de ser julgados, deixam de ser vistos sob a ótica do 
observador, a partir dos valores do observador, como um fenômeno 
estranho, como algo que vai de encontro a sua cultura, a sua forma de 
pensar, de realizar, de se portar. A esse “estranhamento”, a esse julga-
mento, a Antropologia denomina etnocentrismo, que nada mais é do 
que o ato de analisar o outro ou sua sociedade a partir dos meus valores 
e, consequentemente, de minha sociedade.
A Antropologia e a Sociologia procuram definir as várias relações que surgem na 
sociedade, em meio às quais fica cada vez mais difícil e complicado determinar 
quem é quem e qual o seu papel dentro do todo social. Assim, buscar respostas 
para entendermos o que somos a partir da imagem refletida pelo “outro” é aten-
tar para o fato de que estamos situados na fronteira de vários mundos sociais e 
culturais, ora fazendo ligações entre eles, ora impedindo que o diferente se torne 
comum aos nossos olhos.
Pensar a relação indivíduo e sociedade em uma tribo indígena, em um país 
miserável, em um país subdesenvolvido ou mesmo em um país de primeiro 
mundo nos ajuda a alargar nossas possibilidades de sentir, agir e refletir sobre o 
que, afinal de contas, nos torna seres singulares e humanos. Entretanto, não se 
pode negar que cada um desses recortes tem dentro de si suas particularidades, 
seus diferenciais, além do poder das circunstâncias. 
Como a sociedade é composta de indivíduos, necessário se faz centrar-se 
no indivíduo. E acredito que seria muito significativo tentar problematizar o 
papel do indivíduo, restituindo-lhe seu caráter ativo, mutável, inconstante e de 
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alteridade. Levar em conta o vínculo existente entre as maneiras de sentir, de se 
comportar, de aceitar, de negar, de ver, de ouvir, é um exercício bastante perti-
nente, principalmente se o que estiver em jogo for o entendimento da relação 
entre o indivíduo e a sociedade.
Diante da crescente industrialização e da consequente troca do homem pelas 
máquinas, diante das exigências cada vez mais rígidas de aperfeiçoamento e 
especialização, diante dos novos e disponíveis meios de comunicação, das novas 
doenças sociais, do baixo salário, da carestia, dos impostos por vezes abusivos, 
das epidemias, da liberdade sexual, do uso abusivo das drogas, enfim, diante 
de tantos problemas sociais, fica mais fácil conceber as formas de diferenciação 
social e suas implicações. Não é verdade?
A procura do entendimento entre tais diferenciações e implicações faz ruir 
a barreira entre a Antropologia e a Sociologia. Segundo Costa (2010, p. 166):
A Antropologia e a Sociologia procuram redefinir as múltiplas relações 
que emergem na sociedade, em meio às quais fica cada vez mais difícil 
definir quem sou eu e quem é o outro, o que é tradicional ou efetiva-
mente moderno, aquilo que é globalizado e o que é regional.
De qualquer maneira, perduram certas práticas de pesquisa mais próximas de 
uma ou de outra ciência. Enquanto métodos de pesquisa de massa se desenvol-
vem na investigação das diferenças regionais entre fenômenos mundiais – como 
desemprego e miséria –, as análises minuciosas da Antropologia procuram iden-
tificar nessa sociedade tecnológica e informacional os nichos de resistência e, 
como sempre, de manifestações de alteridade.
Mas como entender a análise sociológica e antropológica dos homens e da 
sociedade sem que se incorpore a história? Do mesmo modo que não podemos 
nos esquecer das relações internacionais instauradas pelo capitalismo, nem do pro-
cesso de colonização, não podemos deixar de lado, para as nossas análises, a história 
de cada povo, de cada nação, de cada região, de cada estado, de cada município.
Não podemos esquecer que qualquer aspecto da realidade social tem suas 
especificidades e estas são frutos da história e das disparidades internas de cada 
nação, que revelam, por sua vez, as diferentes formas seguidas pelas socieda-
des ao se implicarem no sistema capitalista. Sem que as conheçamos, fica quase 
impossível propor soluções eficientes, propor melhorias substanciais. 
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Para se entender e propor soluções para um problema social, é preciso 
conhecer as relações intersubjetivas ou de reciprocidade. No seu já citado livro 
“Ensaio sobre o dom”, Marcel Mauss estuda os dons e os contradons, ou a troca 
de presentes, e chega à conclusão de que nesses rituais de troca há uma natu-
reza voluntária, porém obrigatória, embasada nos princípios de dar, receber e 
retribuir. Por isso é preciso conhecer os diferentes graus de dependência entre 
indivíduos e grupos. É preciso também entender quem domina e quem é subor-
dinado, e só a história nos revela tais elementos.
O indivíduo dotado de liberdade, vontade e motivação busca romper com 
os determinismos e causalidades e é assim que ele deve ser entendido em sua 
relação com a sociedade. Mas, para isso, é preciso que se conheçam suas confi-
gurações e habitus, ou seja, o universo simbólico dos sujeitos envolvidos na ação 
social. Em outras palavras, para se entender a relação indivíduo e sociedade, é 
preciso atentar para as marcas que a sociedade imprime nos sujeitos, é preciso 
entender como determinada cultura é incorporada ou apropriada e reelaborada 
pelo indivíduo por meio das disposições para sentir, pensar e agir.
Por cultura entendemos nossa forma de pensar, agir, se expressar, o nosso 
repertório gastronômico e artístico, dentre outros elementos que se revelam no 
nosso cotidiano e que se tornam característicos de nosso tempo e do nosso espaço. 
Não fosse a cultura dos nossos antepassados, não teríamos as feições que 
temos, não seríamos como somos, pois o que somos é resultado, sobretudo, das 
formas de viver dos que nos antecedem na escala da vida. Não nos perguntamos 
a toda hora por que somos de um jeito e não de outro, não vivemos nos pergun-
tando por que nos vestimos de um modo e os indianos de outro, e, por certo, 
achamos muito estranho que os japoneses comam cachorro e não caranguejo 
ou paca ou cutia como muitos de nós, sabe por quê? Porque somos diferentes, 
fomos colonizados de modo diferente, temos climas diferentes, temos recursos 
diferentes e, consequentemente, temos culturas diferentes, e isso não é demé-
rito nenhum, muito pelo contrário, essa diversidade é o que dá identidade a um 
povo, é o que o faz singular, o que o faz detentor de um rol de ideias e de práti-
cas que conjugam os indivíduos que os compõem. 
Para o sociólogo Karl Mannheim (2012), o indivíduo tem a capacidade de 
compor sua identidade pela junção entre o que lhe é próprio, inato e aquilo que 
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a interação social com outros indivíduos proporciona. É assim, segundo ele, que 
construímos nossa identidade. É verdade que ela pode ser individual ou cole-
tiva, mas seja qual for a identidade, é aquilo que nos caracteriza e que nos faz 
ser reconhecido.
Já deve ter se perguntado: se eu tivesse nascido em outro país ou mesmo 
em outra família, como seria? Será que teria os mesmos valores, o mesmo senso 
crítico, os mesmos gostos, as mesmas ideias, a mesma escolha de profissão? Ou 
será que somos determinados geneticamente? Tais perguntas podem não ter 
respostas certas, mas podemos, baseando-nos na experiência sensível, vislum-
brar algumas respostas que recairiam no que Mannheim (1950, p. 20) afirmou:
[...] pertencemos a um grupo, não apenas porque nascemos nele, nem 
porque professamos pertencer a ele, nem finalmente porque lhe ofere-
cemos nossa lealdade e lhe prestamos nosso preito de fidelidade, mas 
primeiramente porque vemos o mundo e certas coisas do mundo da 
mesma maneira pela qual eles os veem (isso é, em função das signifi-
cações do grupo em apreço). Cada conceito, cada significado concreto 
é resultante das experiências de um determinado grupo. Em qualquer 
definição todo conteúdo substancial, toda avaliação não mais susce-
tível de merecer um consenso sofre uma reinterpretação em termos 
funcionais.
IDENTIDADE CULTURAL E SOCIAL
A discussão a respeito do tema 
Identidade começou a ser central 
no campo de estudos das ciências 
humanas a partir dos anos de 1970. 
No campo da administração, a dis-
cussão e a problematização acerca da 
identidade, de sua construção, manu-
tenção e reprodução, assim como dos 
processos de identificação, adquirem 
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centralidade à medida que, diante do processo de globalização, passa-se a dis-
cutir cada vez mais a influência do choque entre culturas distintas no processo 
de trabalho, de produção e de controle da mão de obra no interior das organi-
zações. A identidade, seja ela social, pessoal ou cultural, é sempre uma relação 
social construída com outros, jamais algo ou alguma coisa com a qual nasce-
mos ou herdamos por meio de nossos genes. Identidade, portanto, nada tem a 
ver com os genes que herdamos; a identidade é definida historicamente e não 
biologicamente. 
Com essas primeiras palavras, queremos logo deixar claro que a noção de 
identidade implica em algum tipo de montagem social e simbólica. Nesse sen-
tido, discutimos a ideia de que o homem é sempre um ser social em construção; 
um ser social em constante devir ou vir a ser; ele é sempre uma possibilidade 
dentre muitas que coabitam nesse mundo. Na casa, na rua ou no trabalho, na 
faculdade, na família, na igreja ou no bairro, estamos sempre nos perguntando 
sobre quem somos nós ou quem sou eu? Imagino-me pertencendo a um grupo 
social ligado à minha profissão, sou morador de uma cidade que está localizada 
em um estado e que faz parte de um país, de uma nação. Ao mesmo tempo, per-
tenço a uma determinada classe social, tenho uma renda X, moro em uma parte 
da cidade diferente de outras regiões, frequento uma igreja e me incluo, assim, 
em uma religião específica, ao mesmo tempo, sou filiado a um partido político 
e a um sindicato. Enfim, são muitos os componentes de um sistema social e as 
possibilidades de vinculação do sujeito a um desses subsistemas. Parece que 
não há quem não tenha se deparado com a ideia de uma crise de identidade. A 
identidade, em linhas gerais, operaria como um mapa ou guia na estrutura de 
posições do sistema social, sem ela, não poderíamos nos localizar nem sermos 
localizados na estrutura de posições do sistema social. Ao mesmo tempo, sem 
“identidade”, não poderíamos nos diferenciar dos demais sujeitos de nossa própria 
sociedade ou de grupos sociais em seu interior, assim como aqueles localizados 
em seu exterior. Dessa maneira, identidade é fundamental para que eu me per-
ceba em contraste com aquele que é diferente de mim. 
Prezado(a) aluno(a), como já falamos nesta unidade, a identidade não é 
uma coisa: é uma relação. Não nascemos com uma identidade pronta, acabada 
e definitiva. Lenta e gradualmente, nossa identidade pessoal, social e cultural 
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vai sendo constituída pela sociedade em que nascemos. Isso não é uma tarefa 
fácil, pelo contrário. Ela implica em tensões, problemas, ambiguidades, dúvidas 
e incertezas que se inserem na vida de todos nós. A identidade é, vale repetir, 
uma relação social. Isso jamais pode ser esquecido. Ela é uma construção social 
dos sujeitos que habitam um território e que compartilham de uma cultura em 
comum, ainda que haja disputas, tensões e contradições sobre os valores comuns 
que compartilhamos. Ela somente pode ser pensada quando pessoas esujeitos 
sociais interagem uns com os outros – às vezes contra ou a favor dos outros – a 
fim de sustentar ideias, representações, ações, gestos e memórias. 
A identidade é construída como relação social quando uma espécie de ten-
são entre a semelhança e a diferença está em jogo. Diferença e semelhança são 
fundamentais à construção da identidade. A diferença cultural é fundamental 
à construção da identidade. É somente quando me vejo diferente do outro que 
tenho consciência da alteridade e que sou identificado como sendo diferente 
dele; é assim que posso me identificar com aqueles os quais julgo como meus 
semelhantes.
Ao estarmos incluídos em um grupo, logicamente, ao mesmo tempo nos 
excluímos de outro. Assim, a inclusão só existe concomitantemente com a exclu-
são. São dois lados da mesma moeda. Somos brasileiros em oposição a argentinos, 
americanos, franceses etc., da mesma forma que argentinos se veem em oposição 
a brasileiros, ingleses e franceses, e assim por diante. Dessa forma, a identidade 
ou identificação, como preferem alguns, como processo de inclusão/exclusão, nos 
informa sobre uma relação entre minimamente dois grupos, pessoas, empresas, 
países, que se veem de forma distinta e que se reconhecem na relação como tais.
Instituições, grupos, espaços ou termos sociais aos quais nos vinculamos 
são fundamentais à constituição da pessoa social, é por meio dela que qualquer 
homem se percebe como pertencendo a algum grupo, sociedade, cultura ou 
território. Sentir-se parte do grupo, de uma comunidade, de uma sociedade e 
de uma cultura; sentir-se integrado a outros sujeitos que compartilham de uma 
mesma herança cultural, de um mesmo código simbólico, das mesmas ideias: 
eis o quanto é fundamental a identidade para qualquer pessoa. Ser brasileiro, 
mineiro, casado ou solteiro, negro ou branco, profissional liberal ou funcionário 
público, desempregado ou aposentado, hetero ou homossexual, nos informa o 
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quanto a identidade pode ser construída por meio das mais diferentes vincula-
ções. O que isso significa e o que tem a ver com identidade? Muita coisa; pode 
acreditar! Pois estamos falando de como e por meio de quais mecanismos o indi-
víduo biológico, unidade da espécie humana, é investido de um papel social e 
do status correspondente no interior de um grupo social que com outros esta-
belece oposição.
Hoje, muitas pessoas se perguntam quem são, no que estão se tornando, no 
que deixaram de ser ou no que gostariam de se tornar ou de ser. Quem nunca se 
perguntou: o que estarei fazendo daqui dez anos? – pelo menos. Muitas vezes, 
construímos nossa identidade ocultando uma determinada vinculação, por exem-
plo, basta pensarmos nos sentimentos de vergonha e humilhação quando somos 
identificados como brasileiros e associados à corrupção, injustiça e pobreza de 
nosso povo ou de alegria e profundo orgulho quando vencemos no futebol ou 
somos elogiados por nossas belezas naturais e culturais.
“Muitas pessoas pensam que estão a pensar quando estão apenas a re-
arrumar os seus preconceitos” (William James)
 
Ao filósofo Hobbes está associada esta máxima: “homo lupus hominis”, o 
homem é o lobo do homem.” O que você pensa a respeito?
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Considerações Finais
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Antropologia Cultural analisa a essência humana e o que determinados grupos 
sociais criam historicamente. Entendemos que o homem é ser social, portanto, 
ele aprende sempre com outros indivíduos, assim, o ser humano ao utilizar suas 
inúmeras habilidades e competências perscruta a sua realidade e tenta explicá-la 
ao outro, o que o caracteriza como um ser que gosta de socializar-se. 
Nossos hábitos são essencialmente humanos porque fomos inseridos em 
um grupo social e aprendemos a reconhecer determinados símbolos, expressar 
os nossos sentimentos como chorar, rir etc. O que distingue os homens dos ani-
mais é a nossa capacidade de pensar e utilizar a nossa inteligência para sanar as 
nossas vicissitudes por meio do trabalho, que transforma o meio em que vive-
mos. Somos capazes de mudar o curso de um rio, construir prédios e casas para 
nos abrigar e proteger nossos familiares. 
Há algum tempo, dispomos de muitas formas de reconstruir ou reconfigurar 
nossa identidade, mas essa flexibilidade ou abertura ampliada da construção da 
identidade nem sempre foi assim tão flexível. Houve momentos na história do 
homem, e eles formam a grande parte dessa história, que a identidade que nos 
era atribuída nos acompanhava até o fim de nossas vidas. Queremos deixar claro, 
mais uma vez, que a noção de identidade implica em algum tipo de montagem 
social e simbólica. Nesse sentido, discutimos a ideia de que o homem é sempre 
um ser social em construção, um ser social em constante devir ou vir a ser; ele 
é sempre uma possibilidade dentre muitas que coabitam nesse mundo. Na casa, 
na rua ou no trabalho, na faculdade, na família, na igreja ou no bairro, estamos 
sempre nos perguntando sobre quem somos nós ou quem sou eu?
1. O que é cultura?
2. O que é identidade cultural?
3. Uma pessoa, grupo ou mesmo uma sociedade inteira pode ser desprovida de 
cultura?
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
53 
Maria Araújo, a mulher trans que passou na UFPE
MULHER TRANSEXUAL, NEGRA E DE INFÂNCIA POBRE, MARIA CLARA 
ARAÚJO CAUSOU COMOÇÃO AO SER APROVADA.
Aos 18 anos, Maria Clara Araújo já se tor-
nou um símbolo da luta pelos direitos das 
transexuais. Aprovada pelo Sisu para cur-
sar Pedagogia na Universidade Federal de 
Pernambuco, a jovem de Recife comemora 
o fato de ser mais uma transexual matricu-
lada em uma universidade pública. Passada 
a euforia, no entanto, um percalço na hora 
da matrícula: mesmo tendo encaminhado 
os papéis para adequar seus documen-
tos com seu nome social, precisou fazer a 
matrícula com o seu nome civil, aquele que 
recebeu ao nascer e que não corresponde 
ao seu gênero (...).
Leia a matéria na íntegra no site: <http://www.cartacapital.com.br/sociedade/conheca-ma-
ria-clara-araujo-a-transexual-que-passou-na-universidade-publica-6544.html>. Acesso em: 26 
fev. 2015.
AMALA E KAMALA: AS MENINAS-LOBO
Na Índia, onde os casos de meninos-lobo 
foram relativamente numerosos, desco-
briram-se em 1920, duas crianças, Amala 
e Kamala, vivendo no meio de uma família 
de lobos. A primeira tinha um ano e meio e 
veio a morrer um ano mais tarde. Kamala, 
de oito anos de idade, viveu até 1929. Não 
tinham nada de humano e seu comporta-
mento era exatamente semelhante àquele 
de seus irmãos lobos. Elas caminhavam de 
quatro, apoiando-se sobre os joelhos e coto-
velos para os pequenos trajetos e sobre as 
mãos e os pés para os trajetos longos e rápi-
dos. Eram incapazes de permanecer em pé. 
Só se alimentavam de carne crua ou podre. 
Comiam e bebiam como os animais, lan-
çando a cabeça para a frente e lambendo 
os líquidos. Na instituição, onde foram 
recolhidas, passavam o dia acabrunhadas 
e prostradas em uma sombra. Eram ativas 
e ruidosas durante a noite, procurando fugir 
e uivando como lobos. Nunca choravam ou 
riam. Kamala viveu oito anos na instituição 
que a acolheu, humanizando-se lentamente. 
Necessitou de seis anos para aprender a 
andar e, pouco antes de morrer, tinha um 
vocabulário de apenas cinquenta pala-
vras. Atitudes afetivas foram aparecendo 
aos poucos. Chorou pela primeira vez por 
ocasião da morte de Amala e se apegou len-
tamente às pessoas que cuidaram dela bem 
como às outras com as quais conviveu. Sua 
inteligência permitiu-lhe comunicar-se porgestos, inicialmente, e depois por palavras 
de um vocabulário rudimentar, aprendendo 
a executar ordens simples. 
Fonte: Martins e Aranha (1993)
ANÁLISE ANTROPOLÓGICA
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
II
Raça Humana
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 42 min.
Ano: 2009
Sinopse: O país do orgulho da miscigenação, apregoado por Gilberto Freire e Darcy Ribeiro, se 
deparou há alguns anos com uma questão espinhosa: a adoção de cotas raciais nas universidades. 
Se falar de racismo no Brasil já era tabu, falar de cotas então se transformou em um daqueles 
temas sobre os quais é melhor nem iniciar conversa. A menos que estejamos em um grupo onde 
todos são favoráveis ou todos contrários. Aí, sim, dá para desabafar os inconformismos, de um 
lado e de outro.
Tabu – Fanatismo
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 45:37 min.
Ano: 2014
Sinopse: Uma mulher abre mão de se casar e ter fi lhos para se dedicar de corpo e alma ao seu 
time de futebol. Um professor de inglês afi rma ser a reencarnação de seres de outro planeta e ter 
conexão com extraterrestres. 
A Outra História Americana
Gênero: Drama 
Tempo de Duração: 1h59m.
Ano: 1999
Sinopse: Derek (Edward Norton) busca vazão para suas agruras 
tornando-se líder de uma gangue de racistas. A violência o 
leva a um assassinato, e ele é condenado pelo crime. Três 
anos mais tarde, ele sai da prisão e tem que convencer 
seu irmão (Edward Furlong), que está prestes a assumir 
a liderança do grupo, a não trilhar o mesmo caminho.
Sinopse: Derek (Edward Norton) busca vazão para suas agruras 
tornando-se líder de uma gangue de racistas. A violência o 
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Professor Me. Wanderly Alves de Sousa
O HOMEM E A 
ORGANIZAÇÃO DA 
SOCIEDADE
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Apresentar a natureza social do homem.
 ■ Averiguar o nascimento da organização social.
 ■ Demonstrar o fundamento da organização política.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Fundamentos da sociabilidade do homem
 ■ Organização social 
 ■ Organização política
INTRODUÇÃO
Aristóteles, em sua obra A Política (1998, p.1-37), expõe o que ele entendeu a 
respeito da origem e a finalidade da “polis” – que modernamente chamamos de 
Estado – guardadas as devidas diferenças. O filósofo grego partiu de uma consi-
deração que lhe é peculiar: a natureza deu aos homens a vida; em função da vida 
eles têm o dever, bem como o fim principal, de encontrar meios para conservá-la. 
Naturalmente inclinados para viverem juntos, os homens estabeleceram 
entre si uma natural sociedade. Dado que querem viver juntos, eles não estão 
destinados a satisfazerem apenas suas necessidades fundamentais para conserva-
ção da vida, há que se considerar algo a mais, os homens são por natureza seres 
inclinados a viverem em sociedade, mais do que isso, são por natureza seres polí-
ticos. De modo que, para Aristóteles, como veremos, “todas as sociedades têm 
como meta alguma vantagem... [e] a principal [sociedade que] contém em si 
todas as outras [vantagens, propondo-se] à maior possível” (1998, p. 2); o autor 
a denomina de polis. Ela é o lugar em que os homens deliberam acerca de ques-
tões políticas, nela há igualdade de direito, uma vez que ali é o lugar de homens 
livres. Ainda que falando rapidamente, há em Aristóteles, uma dupla definição 
do homem: ele concebe o homem como, nos diz Arendt (2005, p.49), um zôon 
politikón e um zôon lógon ékhon, isto é, o filosofo grego concebe o homem como 
um ser que atinge sua possibilidade máxima na faculdade do discurso e na vida 
em uma polis. Passaremos a expor, mesmo que brevemente, a origem e o fun-
damento da sociedade humana.
FUNDAMENTOS DA SOCIABILIDADE DO HOMEM 
Aristóteles (1998, p.1) argumenta que a natural associação dos homens tem como 
fim formar a “sociedade política”; esta é o primeiro objeto a que se propôs a natu-
reza. Eis sua afirmação lapidar: “o todo existe necessariamente antes das partes” 
(ARISTÓTELES, 1998, p. 5). Ora, as partes são: a família, a aldeia e a cidade. 
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Introdução
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III
A primeira sociedade natural é a família, pequena comunidade que se forma 
da dupla reunião do homem e da mulher (unidade familiar), do senhor e do 
escravo (lar como um todo). Vale ressaltar aqui que Aristóteles toma o escravo 
como parte integrante que compõe a família porque ele compreende que a escra-
vidão seja uma condição natural (como veremos em Agostinho, a escravidão não 
é uma condição natural, mas resultado do pecado). 
Para afirmar o caráter natural da escravidão, Aristóteles (1991) parte da 
seguinte premissa: o homem que não pertence a si mesmo é escravo por natureza. 
Com esta afirmação Aristóteles não quer dizer outra coisa senão que o homem 
dotado de “sabedoria prática” (modo de vida, por excelência, no âmbito polí-
tico) deve dominar aqueles que não a possuem. A analogia que melhor exprime 
essa ideia é visível na relação entre alma e corpo. Para o autor, a alma, por natu-
reza, exerce domínio sobre o corpo; a primeira comanda e o segundo obedece, 
de modo que o corpo serve naturalmente a alma. 
Dessa analogia, Aristóteles retira a ideia de que a autoridade do senhor sobre 
o escravo segue a hierarquia de comando, tal como existe entre alma e o corpo. 
O escravo como instrumento e propriedade do senhor é usado para atingir os 
seus objetivos racionais. Dado que o senhor é dotado de sabedoria prática, segue-
-se que todos os que não têm nada melhor para oferecer do que o uso de seus 
corpos e de seus membros é condenado pela natureza à escravidão (1998, p.13). 
Para Aristóteles (1998, p.13), não é apenas necessário, mas também vantajoso 
que haja mando por um lado e obediência por outro. 
Na família, em particular, e na casa, em geral, há uma hierarquia natural 
em que o pai da família exerce sua auto-
ridade porque é dotado de sabedoria 
prática. Aristóteles argumentará em 
favor de uma hierarquia das virtudes 
entre os membros da família, ou seja, 
a virtude presente no homem não é 
encontrada no mesmo grau na mulher, 
no filho e no escravo. Dessa primeira 
sociedade natural segue-se a forma-
ção da aldeia, lugar de satisfação das 
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Organização Social
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necessidades para manutenção da vida. Das várias aldeias surge a cidade. Essa é 
a comunidade perfeitamente suficiente não só porque foi organizada para con-
servar a existência dos homens na vida, mas porque também ela ocupa-se com 
o bem viver. 
Para Aristóteles a natureza de cada coisa é precisamente seu fim. Ora, ele 
compreende que sociedade doméstica (a família e a aldeia) não tem um fim em 
si mesma, seu desenvolvimento tende naturalmente para a formação da “socie-
dade política”, pois a casa e a aldeia são associações incompletas que só encontram 
plenitude na polis. A polis é o bem e a plena realização da natureza humana. A 
família é o núcleo primeiro que compõe a sociedade. 
ORGANIZAÇÃO SOCIAL
A polis é o bem e a plena realização da natureza, ela existe necessariamente 
antes das partes, por isso é pre-
ciso ter em vista que Aristóteles 
argumenta do ponto de vista da 
finalidade da natureza. Nesse sen-
tido, o argumento do autor visa 
demonstrar que a finalidade da 
natureza humanatende a formar a 
sociedade política, de tal modo que 
Aristóteles não deixará de afirmar 
que o homem é um “animal polí-
tico”. É natural, pois, que o homem 
encontre sua plena realização na 
polis. Este é o espaço em que o cidadão – o homem dotado de sabedoria prática 
delibera acerca do que é o justo, o útil e o nocivo para sociedade. A ele é dado o 
direito de voto nas Assembleias e o direito de participar no exercício do poder 
público em sua pátria.
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Reprodução proibida. A
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III
Disso, segue-se que a justiça política será encontrada entre homens que vivem 
em comum tendo em vista a autossuficiência, isto é, entre os homens que são 
livres e iguais na pólis. De modo que, para Aristóteles (1998, 13-18), a mulher, 
as crianças e o escravo estão subjugados não à justiça política, mas a um tipo de 
justiça doméstica conforme a natureza. Segundo Aristóteles, a justiça do senhor 
e a do pai de família não é a mesma que a justiça dos cidadãos (1998, p. 13-14). 
Ora, Aristóteles (1998) argumenta que:
1. Não pode haver justiça em relação às coisas que nos pertencem. Com isto, 
Aristóteles quer dizer que o filho e o escravo, até atingirem certa idade e 
tornarem-se independentes, são uma parte do senhor da casa. Além do 
mais, na ordem natural, isto é, no convívio familiar, o que se observa é 
uma hierarquia que aponta para uma natural diferença: o homem está 
acima da mulher, o mais velho está acima do mais jovem e o senhor 
manda no escravo.
2. A justiça política existe apenas entre homens cujas relações mútuas são 
governadas pela lei, ou seja, no âmbito da polis, não há distinção de natu-
reza, muito menos hierarquia natural.
Ora, se a ordem política é o espaço de absoluta igualdade, é preciso, então, esta-
belecer a justiça legal como critério de distinção entre os homens livres iguais. 
De modo que Aristóteles passa a denominar de justiça legal aquela que existe 
para estabelecer a distinção entre o justo e o injusto. 
Seguindo Aristóteles, é preciso dizer que os homens não são iguais por natu-
reza, pelo contrário, com a instituição da “ordem política”, todos os homens livres 
são “considerados” iguais, pois na ordem política a hierarquia natural desapa-
rece, tal como existe na ordem doméstica.
No livro V da Ética a Nicômaco, Aristóteles (1991, p.81-98) trata da justiça. 
Ele parte da análise da linguagem comum, dos usos e costumes praticados no 
interior da vida social para retirar daí a noção de justiça. Aristóteles dedica-se, 
portanto, a descrever comportamentos, maneiras habituais de agir, o caráter do 
homem prudente, do homem temperante, do bom amigo, ou do homem justo, 
as virtudes e os vícios que lhes correspondem, como a virtude da justiça e de 
seu contrário, a injustiça. 
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Aristóteles caracteriza o homem justo como aquele que não toma mais do 
que sua parte dos bens exteriores compartilhados em um grupo social. São suas 
essas palavras: 
[...] justiça é aquilo em virtude do qual se diz que o homem justo pra-
tica, por escolha própria, o que é justo, e que distribui, seja entre si 
mesmo e um outro, seja entre dois outros, não de maneira a dar mais 
do que convém a si mesmo e menos ao seu próximo (e inversamente 
no relativo ao que não convém), mas de maneira a dar o que é igual de 
acordo com a proporção; e da mesma forma, quando se trata de distri-
buir entre duas pessoas (ARISTÓTELES, 1991, p.89). 
Por conseguinte, a justiça legal refere-se àquela parte da justiça geral que cons-
titui no interior da polis a boa repartição dos bens exteriores, assim, essa justiça 
será uma virtude puramente política, e visa, sobretudo, que se realize em uma 
comunidade social a justa divisão dos bens e dos encargos.
ORGANIZAÇÃO POLÍTICA
O orador romano Marco Túlio Cícero 
(1973, p. 147) – ao fazer ressoar as teses 
de Aristóteles a respeito da formação social 
entre os homens – nos informa que nada 
se diz de “são e honesto”, entre os filósofos, 
que não tenha sido confirmado antes pelo 
povo (populus); por conseguinte, é o povo 
que confirma o direito (ius) da República. É 
o povo que, segundo os costumes, confirma 
com leis a formação do Estado. Daí deriva 
então a piedade, a religião, o direito das 
gentes, a justiça, a fé, a equidade, o pudor, 
a contingência, o horror ao que é infame e 
o amor ao que é louvável e honesto. 
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III
Na concepção de Cícero (1973, p. 148-149), a existência do povo não só con-
firma o direito da res publica (coisa pública) como também precede a própria 
existência da cidade, pois “sem a reunião dos homens, as cidades não seriam 
edificadas e habitadas”. Mas uma vez que se estabeleceram, não só foram “insti-
tuídas as leis e os costumes, como também a distribuição equitativa do Direito e a 
correta disciplina do viver”, eis a civitas. Por isso faz-se necessário explicar clara-
mente os conceitos de res publica e populus. Isso Cícero passará a expor dizendo 
que a “República” é coisa do povo, considerando como tal não todos os homens 
de qualquer modo congregados, mas a reunião que tem seu fundamento no con-
sentimento jurídico (iuris consensus) e na utilidade comum (communio utilitatis). 
De acordo com essa definição, a res publica é considerada como massa de 
homens de interesse comum unida por um vínculo jurídico. O que dá, pois, a 
forma à massa é o “direito” (iuris universum), reconhecido por todos e a todos, 
no qual mantém na comunidade o bem que pertence a todos, a coisa pública 
(res publica). Só assim esta massa de homens, pode-se dizer, é uma sociedade. 
Consequentemente, a multidão de homens se constitui um povo porque se encon-
tra diretamente regida por um princípio unificador, que é o Direito Natural; 
este se constitui, em Cícero, o fundamento da res publica. O Direito Natural a 
que Cícero se refere é ricamente tratado em sua obra intitulada Das leis. O iuris 
consensus designa o assentimento recíproco e espontâneo dos homens a reuni-
rem-se em grupos particulares sob uma “regra de justiça” que garanta a todos 
a proteção de seus interesses, infundindo em cada um o mesmo respeito para 
com os outros e a colaboração nos interesses da sociedade. Disso resulta a von-
tade comum – uma vez que é natural – que provém da justiça natural, fora da 
qual não existe ou deixa de existir o povo. Com isso, conclui-se que a forma-
ção da sociedade política implica três condições: que seja composta por uma 
multidão de homens (coetus multitudinis); que eles estejam associados por uma 
legislação comum (juris consensu), ou como diz Agostinho que os homens sejam 
associados por direitos reconhecidos por todos; e que sejam uma comunidade 
de interesses comuns (utilitatis communione sociatus).
O direito natural a serviço de todos é o que torna possível um agregado 
natural de homens converter-se em povo, e a partir disso se pode falar em res 
púbica. Logo, res publica não se refere a uma concreta forma de governo que se 
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contrapõe a outra forma de governar como, por exemplo, a monarquia; por este 
termo, deve-se entender o governo público. Assim, a república – como é apre-
sentada por Cícero – consiste naquele governo que afeta o povo, um governo 
que tem o povo como objeto, daí dizer-se quea república é coisa (res) do povo 
(populus). Cada povo pode servir-se de comum acordo da res publica, pois esta 
disponibilidade desse direito é precisamente a utilitas, que designa aquilo que 
deve ser usado em comum por todos. 
A república nasce não de uma carência dos homens, mas de certa propen-
são natural da espécie humana para a sociabilidade, que é, sem dúvida, anterior 
às leis (lege) e aos costumes. Pode-se dizer que a primeira causa da reunião dos 
homens é o instinto de sociabilidade, que é inato a todos.
Na modernidade, sabemos que o primeiro autor a dedicar-se à teoria do 
Estado no sentido moderno foi Maquiavel (1469-1527). Em 1513, ao escrever sua 
famosa obra intitulada de “O Príncipe”, Maquiavel estudou as formas de poder e 
os tipos de governo: monarquia e república. Ao analisá-los, ele estabeleceu pas-
sos que deveriam ser seguidos por um governante para que tenha sucesso em 
seu governo. Nesse período, o que hoje denominamos de Estado fora concebido 
como conjunto de instituições cujo objetivo era o de regular a vida social. Tais 
instituições tinham no comando reis cujo poder era considerado divino, uma vez 
que, segundo as doutrinas cesaropapistas bizantinas, o rei ocupava esse lugar de 
poder por vontade de Deus, recebendo da Igreja Católica a devida legitimação 
para ocupar o poder. Assim, tanto na França quanto na Inglaterra – guardadas as 
devidas diferenças entre catolicismo de uma e protestantismo de outra, o direito 
de governar era emanado por Deus. Ainda que resumidamente, nesse sentido, 
podemos dizer isto: a lei e o direito são também de origem divina, uma vez que 
o próprio poder do Estado origina-se de uma fonte não natural. 
Com efeito, ainda no período em que antecede as teses sobre o Estado que 
saem das penas de Maquiavel, a lei tem origem divina, é uma emanação da 
Divindade que pode ser, inclusive, demasiadamente boa para os maus e não 
merecedores. O mesmo se dá com o direito (ius). Ele pode ser demasiado bom 
para aqueles que se encontram debaixo do governo Divino. Ainda que não com-
preendamos como isso funciona, para um medieval, cuja tendência no âmbito 
jurídico é a de tratar de ajustar as realidades terrenas a um esquema universal de 
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O HOMEM E A ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE
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III
perfeita bondade, isso é perfeitamente compreensível. A ordem social do ponto 
de vista teórico, nesse período, é essencialmente estática: aceita-se ou rebate-se, 
não podendo ser melhorada. 
A única maneira como o homem pode cooperar para a finalidade cósmica 
universal é submetendo-se à lei moral, com isso, ele imediatamente se con-
forma com a lei eterna (lex aeterna). Essa lei é a mente Divina ou Razão Suprema 
governando o universo; a lei natural é um reflexo, na natureza das criaturas (dos 
homens), da lei eterna, que o homem interpreta e aplica mediante a lei positiva. 
Para esta construção jurídica, não existe a possibilidade de um conflito entre as 
leis – a lei de ordem natural não se confunde com a lei de ordem sobrenatural. 
Para um medieval, em verdade, a lei natural nada mais é do que a participação 
da criatura racional na luz eterna. A lei da razão natural, que nos permite dis-
cernir o bem e o mal, nada mais é que a marca indelével da luz Divina em nós 
mesmos. Assim, só há conflito entre essas ordens se elas forem confundidas, 
como no caso da luta entre Sacerdotum e Imperium ocorrido, no fim do perí-
odo medieval e início do período moderno. 
O conceito de Estado Natural, caracterizado pela inexistência de controle e 
onde os indivíduos agiam baseando-se apenas em sua consciência e em seu poder, 
é a base a partir da qual podemos entender a formação do Estado Moderno. Este, 
por sua vez, nasce da necessidade que os indivíduos têm de um governante e de 
um regime político em detrimento de sua pretensa liberdade e assim por diante, 
como veremos. 
O Estado, por meio da 
polícia, é a única institui-
ção que pode fazer uso da 
força legitimamente. Max 
Weber (1991), ao estudar a 
autoridade dos governan-
tes, identificou três tipos, a 
saber: a tradicional, a caris-
mática e a racional-legal. A 
primeira explica a autoridade 
de determinado governante 
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por acreditar que, como sempre foi assim, seu poder é legitimo. A autoridade 
carismática, por sua vez, é compreendida quando se leva em consideração que 
o líder é virtuoso, especial, um verdadeiro herói. Já com relação à autoridade 
racional-legal, ela pode ser entendida quando o governante assume o poder de 
forma legal e suas ações e atos são tomados a partir de um conjunto de leis espe-
cíficas (Costa, 2010, p.54).
Apesar de outros teóricos também terem se dedicado à temática do Estado 
e do governo, o que se pode entender é que o Estado hoje é concebido como 
expressão da vontade coletiva, como produto da razão humana. Na visão de Kant, 
ao saírem do estado de natureza para o de associação, os indivíduos se subme-
teram a uma limitação externa, o que fez surgir a autoridade civil e o Estado.
Se levarmos em consideração que o ser humano, além do biológico, é cultural 
e social e que, por isso, precisa de seus semelhantes para criar, produzir, trocar, 
enfim, viver, entenderemos a necessidade da família como primeiro conglome-
rado para guiar os indivíduos. As famílias, por sua vez, para sobreviverem, para 
se prolongarem, acabam por compor agrupamentos contínuos que chegaram a 
ideia de Estado-nação, cujas bases foram determinadas pela Ordem de Westfália, 
em 1648, e que tem como objetivo regimentar e regular a vida em sociedade. A 
prevalência estatal é de suma importância para as sociedades, pois, despótica ou 
não, ela evita o caos estabelecido pela falta de regras.
A Paz de Westfália ou Tratados de Munster e Osnabruck nomeia uma série 
de tratados que puseram fim a guerras, como a Guerra dos Trinta Anos, e tam-
bém reconheceram oficialmente as Províncias Unidas e a Confederação Suíça, 
dando início ao moderno Sistema de Relações Internacionais, acatando consen-
sualmente as noções e os princípios de soberania estatal e o de Estado-nação.
Com uma série de prescrições jurídicas e sociais que regulam a vida em 
Sociedade, o Estado evita a degeneração social. Na prática, isso ocorre com o 
estabelecimento dos poderes que podem ser identificados em países republica-
nos, como o Brasil, são eles: o legislativo, o judiciário e o executivo. 
1. O poder legislativo está na esfera do municipal (vereadores), estadual 
(deputados estaduais) e federal (deputados federais e senadores), e é o 
responsável pela criação de leis que favoreçam a população;
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III
2. O poder executivo, por sua vez, também está nos âmbitos municipal 
(prefeito e secretariado), estadual (governador e secretariado) e federal 
(presidente e ministros), e é o responsável pelo cumprimento das leis, 
representadas principalmente pela constituição federal;
3. O poder judiciário. Este é responsável pelo julgamento de casos que por 
algum motivo remetem à injustiça social e que tem nos membros desse 
poder a esperança de justiça. Composto pelo:
01. Supremo Tribunal Federal, responsável pela interpretação e aplicação da 
constituição.
02. Superior Tribunal de Justiça, responsável pela uniformidade da lei em todos 
os estados, bem como dos casos infraconstitucionais.
03. Justiça federal, responsável pelas causas indígenas e pelos casos que envolvem 
a união, autarquias e empresas públicas federais. 
O judiciário aindaconta com sua esfera estadual, composta pelos tribunais de 
justiça e juízes de direito em fóruns que procuram resolver as questões de incons-
titucionalidade e atos normativos no âmbito estadual, sem contar com a Justiça do 
Trabalho, responsável pelas questões trabalhistas; Justiça eleitoral, que tem seus 
tribunais regionais e seu tribunal superior eleitoral, e é responsável pelo encami-
nhamento, coordenação e fiscalização das eleições e do processo de formação e 
registro dos partidos políticos; além da Justiça Militar, constituída pelo Superior 
Tribunal Militar (STM), juízes e tribunais militares e os Conselhos de Justiça 
Militar, sendo este responsável pelo processo e julgamento de crimes militares. 
“A violência é, tradicionalmente, a última ratio nas relações entre nações e, 
das ações domésticas, a mais vergonhosa, sendo considerada sempre a ca-
racterística saliente da tirania” (ARANT, 2005, p. 49).
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Considerações Finais
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
De maneira geral, podemos dizer que Aristóteles compreendeu que sociedade 
doméstica (a família e a aldeia) não tem um fim em si mesma, seu desenvolvi-
mento tende naturalmente para a formação da “sociedade política”, pois a casa e 
a aldeia são associações incompletas que só encontram plenitude na polis. Sendo 
assim, a polis é o bem e a plena realização da natureza humana, e a família é o 
núcleo primeiro que compõe a sociedade. Parece ser clara a tradição grega que 
sem ordem social seria impossível a formação do Estado, e sem este não pode-
ríamos falar em justiça, uma vez que justiça é atribuir a cada um aquilo que lhe 
é devido dentro da sociedade. Assim, uma sociedade sem Estado, ou seja, hori-
zontalizada, sem hierarquias não só é utópica, tal como Marx a desejava, como é 
quase impossível de ser implementada nos dias de hoje, onde predomina o capi-
talismo, caracterizado por ser um sistema sociopolítico e econômico centrado na 
propriedade privada. Com efeito, sistemas políticos do tipo comunismo e mesmo 
anarquismo se revelam cada vez mais impossíveis de serem implantados dada a 
realidade da globalização mundial. Lembramo-nos de países fundamentalmente 
socialistas, como o caso de Cuba, de Fidel Castro, em que suas ideologias, ao 
vigorarem, acabaram por desfazer a composição da ideia de Estado tal como a 
concebemos por tradição histórica, o que conduziu a reconhecê-lo como dita-
dor. Mas poderíamos legitimamente nos questionar se o melhor sistema é o 
capitalismo. Poderíamos responder que a pergunta não é trivial e muito menos 
a resposta, pois esta vai muito além de uma resposta pragmática. A razão da não 
trivialidade repousa no fato de que a resposta exige reflexão rigorosa uma vez que 
ela está no campo das ideias e do dever ser. Isso é, parece evidente que o capita-
lismo está muito longe de ser um sistema ideal, porque não é imperceptível os 
vários casos em que vigoram as injustiças, os antagonismos e as desesperanças 
semeadas por esse sistema, para aqueles que pensam a necessidade de constru-
ção de um sistema mais adequado.
1. O que é justiça? Comente.
2. A polis é o bem e a plena realização da natureza. Comente essa frase a partir da 
concepção de Aristóteles a respeito da política. 
3. Max Weber, ao estudar a autoridade dos governantes, identificou três tipos de 
governantes, quais são eles?
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Você provavelmente já leu sobre ou ouviu a expressão “Novos Arranjos Familiares”, mas, 
afinal, você sabe o que isso significa?
O artigo intitulado “A escola e os arranjos familiares” trata de um estudo que apresenta 
a transformação do modo tradicional de família patriarcal. Segundo o autor, novas mo-
dalidades de famílias surgiram atualmente no cenário social que optaram por estabe-
lecerem laços familiares livremente sem o estabelecimento de vinculação cível ou reli-
giosa. O autor identificou a formação de famílias monoparentais, que são tipo de família 
formada ao menos por dois parentes integrais, seja mãe e filho, seja pais e filhos, seja 
avós e neto. Esse tipo de formação familiar não decorre exclusivamente de casamento 
tradicional: homem e mulher. Essa nova realidade constatada pelo pesquisador possibi-
lita como resultado desse novo fenômeno social o surgimento de famílias formadas por 
casais homossexuais, os quais vêm ganhando cada dia mais o direito e a capacidade de 
formarem famílias, de criar, educar, proteger e amar uma criança como qualquer família 
tradicional. Isso também acaba que estabelecendo novo arranjo no modo como a edu-
cação infantil deve ser conduzida a fim de levar a bom termo o processo educativo da 
criança diante das mudanças sociais. Nesse sentido, trata-se de averiguar como o edu-
cador enfrenta a questão do ato educativo diante dessa nova composição familiar. Qual 
deve ser a atitude do educador e da sociedade diante de datas festivas como dia das 
mães e dia dos pais, frente a famílias constituídas com dois pais ou duas mães? Diante de 
uma transformação tão profunda, um princípio deve ser cada vez mais afirmado: iguais 
e diferentes vivem juntos, daí a necessidade precípua de respeito mútuo.
Leia o artigo na íntegra no site dispoível em: <https://www.puc-campinas.edu.br/rep/
pos/docentes/producao_cientifica/AP_Adolfo_Aescolaeosnovosarranjosfamiliares.
pdf>. Acesso em: 27 fev. 2015.
MATERIAL COMPLEMENTAR
12 ANOS DE ESCRAVIDÃO
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 2h13 min
Ano: 2014
Direção: Steve McQueen (II) 
Sinopse: Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor) é um escravo 
liberto, que vive em paz ao lado da esposa e fi lhos. Um 
dia, após aceitar um trabalho que o leva a outra cidade, 
ele é sequestrado e acorrentado. Vendido como se fosse 
um escravo, Solomon precisa superar humilhações físicas e 
emocionais para sobreviver. Ao longo de doze anos, ele passa por dois senhores, Ford (Benedict 
Cumberbatch) e Edwin Epps (Michael Fassbender), que, cada um à sua maneira, exploram seus 
serviços.
Cidade de Deus
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 2h10min
Ano: 2002
Direção: Fernando Meirelles
Sinopse: Buscapé (Alexandre Rodrigues) é um jovem pobre, 
negro e muito sensível, que cresce em um universo de muita 
violência. Buscapé vive na Cidade de Deus, favela carioca 
conhecida por ser um dos locais mais violentos da cidade. 
Amedrontado com a possibilidade de se tornar um bandido, 
Buscapé acaba sendo salvo de seu destino por causa de seu talento 
como fotógrafo, o qual permite que siga carreira na profi ssão. É por meio de seu olhar atrás da 
câmera que Buscapé analisa o dia a dia da favela onde vive, onde a violência aparenta ser infi nita.
LIXO ESTRAORDINÁRIO
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 1h39 min
Ano: 2011
Direção: Lucy Walker
Sinopse: Uma análise sobre o trabalho do artista plástico Vik 
Muniz no Jardim Gramacho, localizado na cidade de Duque de 
Caxias (RJ), que é um dos maiores aterros sanitários do mundo.
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Professor Me. Wanderly Alves de Sousa
A PERSPECTIVA DA 
ANTROPOLOGIA E DA SOCIOLOGIA
NA CONTEMPORANEIDADE 
MUNDIAL E BRASILEIRA
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Apresentar os desafios teóricos para antropologia e sociologia.
 ■ Discutir a respeito dos desafios metodológicos para antropologia e 
sociologia. 
 ■ Apontar os problemas de um mundo cada vez mais globalizado e 
tecnológico. 
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Era da globalização 
 ■ Globalização: enigmas históricos e teóricos
 ■ Realidade social, antropológica e seus desafios teóricos 
contemporâneos
INTRODUÇÃO
O que é globalização? Globalização parece compreender um processo histó-rico-social que transforma inevitavelmente os padrões da sociedade atual e 
seus modelos mentais, de referência de indivíduos e coletividade com os quais 
estamos acostumados. A globalização rompe e recria o mapa do mundo, inau-
gura diversos processos, outras estruturas e outras formas de sociabilidade, as 
quais se articulam e se impõem aos povos, tribos, nações e nacionalidades. A 
Antropologia e a Sociologia concebem a contemporaneidade mundial e brasi-
leira cada vez mais como ruptura histórica. 
Essa ruptura histórica é essencialmente moderna e nos separa do modo de 
pensar moderno, por exemplo, do pensamento filosófico grego, especialmente o 
estoico, que concebia o homem como cidadão do mundo. Para o filósofo estoico, 
o mundo que compreende toda a terra habitável (ou não) era – em última instân-
cia – sua pátria. Nesse modo de pensar, não há ruptura de pensamento, quebra 
de paradigmas, mas sim uma concepção de unidade de pensamento, de referên-
cias absolutamente estáticas, de modo que não há enfraquecimento da força nas 
crenças estabelecidas, não há adesão a ideias díspares que colocam em perigo a 
visão de mundo com aspirações à verdade absoluta. 
Contrariamente, o termo globalização não sugere que o homem moderno 
ou contemporâneo seja, cada vez mais, um cidadão do mundo. Pelo termo glo-
balização fica pressuposto que a ordem vigente de conceitos ora estabelecidos 
e em pleno vigor, de categorias ou interpretações, relativos aos mais diversos 
aspectos da realidade social, parece perder significado, tornando-se anacrônico 
adquirir outros sentidos. Parece haver – como efeito da globalização – um esforço 
para mesclar territórios, fronteiras, regimes políticos, estilos de vida, culturas e 
civilizações. Nesse âmbito global, tudo parece tencionar-se e dinamizar-se em 
outras modalidades, direções ou possibilidades. Com efeito, há uma multiplici-
dade de pessoas bem como de ideias que se movimentam em direções diversas 
e até mesmo contraditórias; não há unidade de pensamento. 
Há sim perda de unidade, perda de singularidade e identidade que se confi-
gura em um sincretismo religioso, econômico, cultural. Como nos sugere Ianni 
(1998, p.1): 
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Introdução
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Nesse sentido mudam-se as sensações e as noções de próximo e dis-
tante, lento e rápido, instantâneo e ubíquo, passado e presente, atual e 
remoto, visível e invisível, singular e universal. Está em curso a gênese 
de uma nova totalidade histórico-social, abarcando a geografia, a eco-
logia e a demografia, assim como a economia, a política e a cultura. As 
religiões universais, tais como o budismo, o taoísmo, o cristianismo 
e o islamismo, tornam-se universais também como realidades histó-
rico-culturais. O imaginário de indivíduos e coletividades, em todo o 
mundo, passa a ser influenciado, muitas vezes decisivamente, pela mí-
dia mundial. 
Passaremos a investigar isso agora.
ERA DA GLOBALIZAÇÃO 
Vivemos em um mundo globalizado, de modo que nossa época é marcada por 
um modo de vida em que as relações nacionais e internacionais exigem do teó-
rico social cada vez mais estruturas lógico-conceituais que consigam explicar 
e explicitar acontecimentos que ganham repercussão em escala mundial, disso 
não temos dúvidas. 
Edgar Morin, filósofo francês contemporâneo, alerta-nos para certa inadequa-
ção crescente entre os conhecimentos compartilhados, as realidades e problemas 
globais. Caro(a) aluno(a), o que o filósofo quer dizer com isso é que aquilo que 
acontece na Ásia, na África, na Europa ou nas América do Norte e Central acaba 
de uma maneira ou de outra chegando até nós na América do Sul. Assim, seja 
na economia, educação e tecnologia, cabe ao antropólogo e sociólogo interpre-
tar a onda de transformações que nos atinge devido à globalização. Diante dessa 
constatação, Morin propõe que o conhecimento adequado para o presente século 
seja contextualizado, global, multidimensional e complexo. 
Por contextualização do conhecimento, determinam-se as condições de 
validade, assim, o que é válido para o contexto do Brasil não é válido para o 
contexto da Argentina. Por global, quer-se dizer a respeito das relações entre o 
todo e as partes. Isso é mais do que contexto, isso tem uma significação de cunho 
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organizacional, de organismo. Nesse sentido, a sociedade é compreendida como 
organismo e princípio organizador do qual os indivíduos fazem parte, de modo 
que é impossível entender o indivíduo sem entender a sociedade e vice-versa. 
A sociedade não é outra coisa senão a união entre indivíduos. O indivíduo 
não é outra coisa senão parte da sociedade, assim compreende-se que a sociedade 
está presente nos indivíduos e estes contribuem para a manutenção e a trans-
formação da sociedade a partir de seus atos individuais. O mesmo raciocínio 
aplica-se ao que diz respeito ao conhecimento. Uma teoria do conhecimento na 
era da globalização deve ter caráter multidimensional tanto do indivíduo, que é 
um ser humano biológico, histórico e cultural, quanto da sociedade, cujas par-
tes econômica, social, política, religiosa não podem ser isoladas umas das outras. 
Diante das transformações nascidas da era da globalização, a sociologia e 
antropologia encontram-se frente a novos desafios tanto metodológicos, como 
teóricos que pertencem ao domínio do conhecimento propriamente dito. Nesse 
sentido, quero dizer que o objeto das ciências sociais deixa de ser principalmente 
a realidade histórico-social nacional e passa a ser também uma realidade da 
sociedade global. Assim, aquele que se dedica aos problemas sociais deve deixar 
de refletir apenas nos problemas oriundos da sociedade em que se vive e passar 
a pensar também – e, sobretudo, – nos problemas de ordem social, econômica, 
política, cultural, linguística, religiosa, demográfica e ecológica, em sua signifi-
cação propriamente mundial. 
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GLOBALIZAÇÃO: ENIGMAS HISTÓRICOS E TEÓRICOS
Com o advento da era da globalização, houve também um exponencial cresci-
mento de dificuldades históricas e teóricas que envolvem problemas da ordem 
estritamente epistemológica, da ordem da possibilidade do conhecimento certo 
e seguro dessa nova realidade. No âmbito da globalização, entendido aqui como 
uma totalidade histórico-teórica, reabrem-se os contrapontos, as continuidades 
e as descontinuidades, sintetizados em noções, tais como: 
Sujeito e objeto do conhecimento, parte e todo, passado e presente, 
espaço e tempo, singular e universal, micro teoria e macro teoria. Es-
tes e outros problemas envolvem novos desafios e outras perspectivas 
quando se trata de refletir sobre as relações, os processos e as estrutu-
ras, bem como as formas de sociabilidade e os jogos das forças sociais, 
que desenham as configurações e os movimentos da sociedade global 
(IANNI, 1998, p. 5). 
Conforme Ianni (1998, p. 6): 
Uma parte importante das controvérsias que abalam, traumatizam e 
fertilizam as ciências sociais na época do globalismo desemboca no 
desenvolvimento de estudos que podem ser classificados de “metate-
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Globalização: Enigmas Históricos e Teóricos
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óricos”. Realmente, multiplicam-se os estudos de História, Sociologia, 
Antropologia, Economia, Política, Geografia, Demografia, Ecologia e 
outros, contribuindo para interpretações abrangentes e integrativas, 
ou propriamente metateóricas. Ocorre que a globalização, como tota-
lidade não só abrangente e integrativa, mas complexa, fragmentária e 
contraditória, subsume crescentemente indivíduos e coletividades, po-
vos e tribos, nações e nacionalidades, grupos sociais e classes sociais, 
partidos políticos e movimentos sociais, etnias e raças, línguas e reli-
giões, culturas e civilizações. Sem esquecer que a recíproca também é 
verdadeira, já que estas diversas e múltiplas realidades se constituem 
como determinações da globalização, globalidade ou globalismo. Mais 
uma vez, e sempre, recoloca-se a dialética parte e todo, tanto quanto 
singular e universal. 
E o que dizer da Antropologia? A Antropologia também se debruça sobre o tema 
da globalização. Parece ser instigador ao antropólogo a ideia segundo a qual o 
mundo pode ser visto como um pequeno viveiro ligado pela abrangente força 
da mídia e do capitalismo internacional. Esse é o pano de fundo que serve de 
base ao empenho de muitos intelectuais à atividade comercial e às diretrizes de 
governo na atualidade:
Uma das coisas que a tecnologia realmente revoluciona é a escala, ou 
são as escalas, em que operam as relações sociais. Globalização diz 
respeito à multiplicidade de relações e interconexões entre Estados e 
sociedades, conformando o moderno sistema mundial. Focaliza o pro-
cesso pelo qual os acontecimentos, decisões e atividades em uma parte 
do mundo podem vir a ter consequências significativas para indivíduos 
e coletividade em lugares distantes do globo. Nesse “congresso” de cien-
tistas sociais está presente inclusive o economista: a economia global é 
o sistema gerado pela globalização da produção e das finanças. A pro-
dução global beneficia-se das divisões territoriais da economia inter-
nacional, jogando com as diferentes jurisdições territoriais, de modo a 
reduzir custos, economizar impostos, evitar regulamentos antipoluição 
e controles sobre o trabalho, bem como obtendo garantias de políticas 
de estabilidade e favores (IANNI, 1998, p. 6).
Ainda segundo Ianni (1998, p. 7):
Devemos notar que “definições” de globalização nem sempre se distin-
guem pela originalidade. Algumas são um tanto vagas, ao passo que 
outras dedicam-se a precisar aspectos ou ângulos. Mas a maioria reco-
nhece a novidade dessa problemática, desafiando a pesquisa e a teoria 
nas ciências sociais. Aliás, já é notável a quantidade e a qualidade dos 
estudos sobre a globalização, ou os seus diferentes aspectos, que po-
Vale a pena examinar algumas das breves “definições” de globalização pre-
sentes em estudos de cientistas sociais. Há congruências e disparidades 
entre elas, mas cabe registrar a unanimidade com que se reconhece a pro-
blemática.
A PERSPECTIVA DA ANTROPOLOGIA E DA SOCIOLOGIA
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IV
dem ser classificados de metateóricos. Uns são monográficos e outros 
ensaísticos, assim como há os que são principalmente descritivos, ao 
lado dos interpretativos. Além disso, destacam-se os que são críticos, 
no sentido de que se debruçam sobre os nexos e os movimentos da 
realidade, buscando desvendar a sua constituição e a sua dinâmica, ao 
lado dos seus impasses e das suas contradições. Mas também multi-
plicam-se os que se dedicam a fundamentar e explicitar prognósticos, 
diretrizes ou objetivos convenientes para governos, corporações, orga-
nizações multilaterais, movimentos sociais. 
REALIDADE SOCIAL, ANTROPOLÓGICA E SEUS 
DESAFIOS TEÓRICOS CONTEMPORÂNEOS 
Para Ianni (1998, p. 7),
A realidade social, ou o “objeto” das ciências sociais, revela-se diferente, 
novo ou surpreendente. Revela-se simultaneamente mundial, nacional, 
regional e local, sem esquecer o tribal. Muito do que é particular re-
vela-se também no geral. O indivíduo e a coletividade constituem-se 
na trama das formas de sociabilidade e no jogo das forças sociais em 
desenvolvimento em âmbito global. Muito do que pode ser identidade 
e alteridade, nação e nacionalidade, ocidental e oriental, cristão e islâ-
mico, africano e indígena ou soberania e hegemonia revela-se consti-
tutivo das formas de sociabilidade e do jogo das forças sociais que se 
desenvolvem em âmbito simultaneamente global, regional, nacional, 
tribal e local.
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Precisamente nesse sentido é que a globalização se constitui como um objeto dife-
rente, novo ou surpreendente das ciências sociais. Com efeito, aqui se desenvolvem:
Relações, processos e estruturas demarcando as configurações e os 
movimentos da sociedade global. Uma sociedade na qual se inserem 
dinâmica e decisivamente os indivíduos e as coletividades, os grupos 
sociais e as classes sociais, os gêneros e as raças, os partidos e os sin-
dicatos, os movimentos sociais e as correntes de opinião pública; uma 
sociedade na qual tanto se multiplicam como se dissolvem os espaços 
e os tempos. Revela-se insatisfatório, carente de significado, exigindo 
reelaboração ou mesmo dependente de novos conceitos, categorias ou 
leis. São muitos os recursos teóricos acumulados pelas várias teorias da 
realidade social que se mostram problemáticos, inadequados ou caren-
tes de complementação. Ocorre que, em sua maioria, os conceitos, as 
categorias e as leis são construídas tendo como referência a sociedade 
nacional (IANNI, 1998, p. 7).
O que se quer dizer com noções científicas no contexto de um mundo globali-
zado não é outra coisa senão aquelas noções construídas, aceitas, debatidas e mais 
ou menos sedimentadas, tendo como referência principal a sociedade nacional. 
Nesse sentido, teríamos um cabedal de noções, tais como: 
Sociedade civil e Estado, Estado/nação e soberania e hegemonia, povo 
e cidadão, grupo social e classe social, classe social e lutas de classe, 
partido político e sindicato, indivíduo e sociedade, natureza e socieda-
de, identidade e alteridade, cooperação e divisão do trabalho, ordem 
e progresso, democracia e ditadura, nacionalismo e imperialismo, tri-
balismo e nacionalismo, cultura e tradição, mercado e planejamento, 
reforma e revolução, revolução e contra-revolução, revolução nacional 
e revolução social, relações internacionais e geopolíticas, geopolítica e 
guerra, capitalismo e socialismo (IANNI,1998, p. 8).
Para Ianni (1998, p. 8), em geral, essas noções construídas, aceitas, debatidas e 
mais ou menos sedimentadas, ajudam-nos a pensar a respeito da
(...) sociedade mundial, em toda a sua originalidade e complexidade, 
tendo em vista interpretar as suas configurações e os seus movimentos. 
Daí a importância de noções, metáforas ou conceitos como: mundiali-
zação, planetarização, globalização, mundo sem fronteira, aldeia global, 
fábrica global, shopping center global, divisão transnacional do traba-
lho e da produção, estruturas mundiais de poder, desterritorialização, 
cultura global, mídia global, sociedade civil mundial, cidadão do mun-
do, mercados mundiais, infovia, internet, metahistória, metateoria.
A PERSPECTIVA DA ANTROPOLOGIA E DA SOCIOLOGIA
Reprodução proibida. A
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Não há dúvidas de que a globalização força o sociólogo a ampliar seus conheci-mentos no sentido de alargar seu cabedal conceitual. Assim:
Mais do que nunca, diante da problemática da globalização, o cientista 
social é levado a realizar comparações mais ou menos complexas, bus-
cando que sejam rigorosas. Na medida em que a globalização abre um 
vasto e complexo cenário à observação, pesquisa e análise, o cientista 
social é levado a mapear ângulos e tendências, condições e possibilidades, 
recorrências e descontinuidades, diversidades e desigualdades, impasses 
e rupturas, desenvolvimentos e retrocessos, progressos e decadências. 
São muitos os processos e as estruturas presentes, ativos, visíveis ou 
subjetivos, no vasto e complicado palco constituído com a globalização 
do capitalismo, como modo de produção e processo civilizatório. Daí a 
importância do método comparativo, como uma forma experimental, 
uma espécie de experimento mental, ideal ou imaginário. 
Com a globalização, tanto se criam novos desafios e novas perspectivas 
para a interpretação do presente, como se descortinam outras possi-
bilidades de interpretar o passado. A partir dos horizontes da globali-
zação, o passado pode revelar-se ainda pouco conhecido, enigmático 
ou mesmo carente de novas interpretações. É como se uma nova luz 
permitisse clarificar com outras cores o que parecia desenhado, assim 
como desvendasse traços, movimentos, sons e cores que não se havia 
percebido quando o patamar podia ser nacionalismo, colonialismo, 
imperialismo, internacionalismo ou outro. Com as novas perspectivas, 
são várias as realidades e interpretações que podem ser repensadas. 
Torna-se possível reavaliar o alcance e o significado da acumulação 
originária, do mercantilismo, colonialismo e imperialismo, tanto quan-
do do nacionalismo e tribalismo. Também se torna possível repensar 
outras realidades antigas e recentes: islamismo e cristianismo, Oriente 
e Ocidente, ocidentalização do mundo, orientalização do mundo, afri-
canismo, indigenismo, transculturação.
Ele precisa rever as suas posições habitualmente adotadas na análise 
da problemática nacional. Posições que parecem estabelecidas, cômo-
das ou estratégicas precisam ser revistas ou radicalmente modificadas. 
Quando se trata da problemática global, o sujeito do conhecimento é 
desafiado a deslocar o seu olhar por muitos lugares e diferentes pers-
pectivas, como se estivesse viajando pelo mapa do mundo. As exigên-
cias da reflexão implicam a adoção de um “olhar desterritorializado”, 
capaz de mover-se do indivíduo à coletividade, caminhando por po-
vos e nações, tribos e nacionalidades, grupos e classes sociais, cultu-
ras e civilizações. Um olhar desterritorializado movendo-se através de 
territórios e fronteiras, atravessando continentes, ilhas e arquipélagos 
(IANNI, 1998, p. 8). 
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Na atualidade, a ciência social encontra-se em embate com várias questões quando 
se trata de surpreender os movimentos e as configurações da sociedade mundial. 
Ora, se é verdade que as ciências sociais nascem, concomitantemente, com a revo-
lução industrial e com ela a nova ordem social – como temos visto –, podemos 
afirmar, com Ianni (1998), que elas “renascem com a globalização”. Os estudos 
sobre a globalização podem ser classificados, conforme Ianni (1998, p. 8), em: 
“sistêmicos” e “históricos”. De maneira geral, os estudos sistêmicos 
privilegiam as relações internacionais, a interdependência das nações, 
a integração regional, a geoeconomia e a geopolítica. Aí predomina a 
preocupação com as zonas de influência, os blocos de nações, os espa-
ços geográficos, as hegemonias, as articulações dos mercados, a divisão 
transnacional do trabalho e da produção, a fábrica global, o shopping 
center global, as redes de internet, o fim da geografia e o fim da história, 
entre outras articulações, malhas, redes, interdependências ou traçados 
do mapa do mundo. Muito do que são as relações, os processos e as 
estruturas tecendo os diversos níveis e segmentos da globalização são 
descritos e interpretados em termos sistêmicos. 
Segundo nos diz Ianni (1998, p. 8-9), devemos compreender pela expressão 
sistema “um conjunto específico de relações concernentes a uma escala de deter-
minados problemas envolvidos na consecução, ou busca organizada, da atuação 
coletiva em nível global”. O que significa isso? Isso significa que essas relações 
envolvem a administração de liderança global que estejam capazes de adminis-
trar conflitos igualmente globais. Assim, por exemplo, um sistema administrativo 
mundial deve orientar-se de tal maneira que seja possível “visualizar os arranjos 
sociais mundiais em termos de totalidade”, permitindo a possibilidade de pesquisar 
“as relações entre as interações de alcance mundial e os arranjos sociais em níveis 
regional, nacional e local”. Nesse sentido, as análises orientam-se principalmente 
A violência possui íntima relação com os conflitos de classes e as mazelas 
econômicas da sociedade? Qual seu posicionamento sobre isso?
A PERSPECTIVA DA ANTROPOLOGIA E DA SOCIOLOGIA
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IV
com a finalidade de propiciar a inteligência da 
ordem socioeconômica mundial vigente, tendo 
em conta o seu funcionamento, a sua integra-
ção, os seus impasses e o seu aperfeiçoamento. 
No mundo sistêmico, os subsistemas são 
muitos, diversos, integrados e desencontra-
dos, o que é complexamente desafiador, uma 
vez que tais sistemas podem “conjugar-se ou 
atritar-se, modificar-se ou recriar-se, em geral, 
segundo exigências da dinâmica do capitalismo, 
com o sistema global” (IANNI, 1998, p. 9). 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como podemos perceber, cada processo e estrutura de âmbito mundial, com 
todas as suas implicações, sejam locais, nacionais, regionais e mundiais, exige 
conceitos, categorias ou interpretações de alcance global. O papel das ciências 
sociais, nesse contexto, não é outro senão o de propiciar os meios pelos quais 
o pesquisador possa lançar mão da rica biblioteca multicultural com os livros 
e as revistas de ciências sociais que se publicam, gerando uma visão múltipla, 
polifônica, babélica ou fantástica de diversas formas de autoconsciência, com-
preensão, explicação, imaginação e fabulação tratando de entender o presente, 
repensar o passado e imaginar o futuro (IANNI, 1998). 
Esses estudos sistêmicos e históricos revelam ao pesquisador o esforço das 
ciências sociais em interpretar os acontecimentos mundanos, exatamente na 
medida em que é possível verificar o que se pode realmente falar dessa imensi-
dão de um mundo globalizado. 
83 
1. O que é globalização? 
2. O que significa ruptura histórica? 
3. O que está em causa quando se trata de globalização? Comente.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CRIMINALIZAÇÃO DA POBREZA
Um morador do bairro Cabula, Salvador, desmentiu a versão da Polícia Militar da Bahia, 
sobre o assassinato de 12 jovens numa suposta troca de tiros, na madrugada de sex-
ta-feira (6/02/2015). Segundo o homem, que pediu para não ter o nome revelado, os 
rapazes estavam rendidos e desarmados quando foram executados, a informação é do 
jornal Correio, de Salvador.
“Nossos contatos com organizações sociais e relatos da comunidade mostram que há 
indícios de que algumas dessas mortes foram feitas com as pessoas já rendidas (...)”.
Leia a íntegra da matéria no site disponível em: <http://www.cartacapital.com.br/socie-
dade/em-tres-dias-pm-de-salvador-matou-15-jovens-negros-5479.html>. Acesso em: 
27 fev. 2015.
Material Complementar
MATERIAL COMPLEMENTAR
ComoSteve Jobs mudou o mundo
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 121 minutos
Ano: 2011
Sinopse: Este documentário do Discovery Channel, com 
a apresentação de Adam Savage e Jamie Hyneman, os 
Mythbusters, procura detalhar a história e infl uência de Steve 
Jobs, desde sua contribuição no desenvolvimento do PC até a 
mudança na forma de ver fi lmes e ouvir músicas.
Zeitgeist: The Movie
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 1h57 min.
Ano: 2007
Sinopse: O fi lme reúne fontes de informação variadas e mostra 
que é possível que as pessoas sejam manipuladas por grandes 
instituições, governos e poderes econômicos. Ele é dividido 
em três partes. 1. Religião: Crenças astrológicas pagãs 
comparadas a religiões modernas e antigas. 2. Onze de 
setembro: Uma perspectiva dos numerosos aspectos 
questionáveis deste evento imensamente importante. 3. O 
Banco de Reserva Federal: Uma história de sua formação e a 
habilidade de controlar a economia. Trazendo novas imagens 
de eventos trágicos da história e depoimentos daqueles que 
acreditam que as pessoas estão sendo iludidas sobre o nível de liberdade que elas 
têm, este instigante documentário vai afetar tanto aqueles que concordam com isso quanto 
aqueles que discordam.
Sinopse: O fi lme reúne fontes de informação variadas e mostra 
que é possível que as pessoas sejam manipuladas por grandes 
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Professor Me. Wanderly Alves de Sousa
SABERES E FAZERES 
ANTROPOLÓGICOS E SOCIOLÓGICOS 
NAS DISTINTAS ÁREAS DE ATUAÇÃO
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Apresentar o ponto de vista da antropologia e da sociologia em 
relação à arte.
 ■ Averiguar o ponto de vista da sociologia e da sociologia em relação à 
educação.
 ■ Demonstrar o ponto de vista da sociologia e da sociologia em relação 
ao direito.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Arte, da perspectiva antropológica e social
 ■ Educação, da perspectiva antropológica e social
 ■ Direito, da perspectiva antropológica e social
INTRODUÇÃO
Iremos estudar a Arte, a Educação e o Direito do ponto de vista antropológico 
e sociológico. No que diz respeito à Arte, iremos usar especialmente o texto de 
autoria de Walter Benjamin acerca do lugar da obra de arte na era de sua reprodu-
tibilidade técnica, publicado em 1955. Há, como o próprio autor deixa entender 
logo no início de usa obra, uma forte influência das teses de Karl Marx. Tanto 
é que a reflexão a respeito do modo de produção ou reprodução da arte, seja 
qual for o tipo de arte, parte do ponto em que Marx parou. Segundo Benjamim 
(2000, p. 1): 
Quando Marx empreendeu a análise do modo de produção capitalista, 
esse modo de produção ainda estava em seus primórdios. Marx orien-
tou suas investigações de forma a dar-lhes valor de prognósticos. Re-
montou às relações fundamentais da produção capitalista e, ao descre-
vê-las, previu o futuro do capitalismo. Concluiu que se podia esperar 
desse sistema não somente uma exploração crescente do proletariado, 
mas também, em última análise, a criação de condições para a sua pró-
pria supressão. 
Tendo em vista que a superestrutura se modifica mais lentamente que 
a base econômica, as mudanças ocorridas nas condições de produção 
precisaram mais de meio século para refletir-se em todos os setores da 
cultura. Só hoje podemos indicar de que forma isso se deu. Tais indi-
cações devem por sua vez comportar alguns prognósticos. Mas esses 
prognósticos não se referem a teses sobre a arte de proletariado depois 
da tomada do poder, e muito menos na fase da sociedade sem classes, 
e sim a teses sobre as tendências evolutivas da arte, nas atuais condi-
ções produtivas. A dialética dessas tendências não é menos visível na 
superestrutura que na economia. Seria, portanto, falso subestimar o va-
lor dessas teses para o combate político. Elas põem de lado numerosos 
conceitos tradicionais - como criatividade e gênio, validade eterna e 
estilo, forma e conteúdo - cuja aplicação incontrolada, e no momento 
dificilmente controlável, conduz à elaboração dos dados num sentido 
fascista. Os conceitos seguintes, novos na teoria da arte, distinguem-se 
dos outros pela circunstância de não serem de modo algum apropriá-
veis pelo fascismo. Em compensação, podem ser utilizados para a for-
mulação de exigências revolucionárias na política artística.
Tenhamos em mente que Walter Benjamin discute os efeitos que o capitalismo exer-
ceu e exerce no modo de produção da obra de arte em geral. Para isso, ele inicia 
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V
sua reflexão com a reconstrução do que ele designa como reprodução técnica por 
meio da história da humanidade. Diga-se de passagem que a reprodução técnica 
já era algo conhecido entre os gregos, o que significa que esse fenômeno não é fun-
damentalmente moderno. Estejamos atentos! A diferença entre os gregos e nós, da 
modernidade, pode ser resumida assim: os gregos buscavam o eterno, o atemporal 
e expressavam essas aspirações mediante as obras de arte que permaneciam únicas, 
não reprodutivas, mas como objeto de contemplação. Nós, os modernos, ao contrá-
rio, por causa da industrialização massificada das obras de arte, perdemos o caráter 
único que cada obra de arte deve conter em si como histórico de sua identidade. 
É a respeito disso, da educação e do direito, que passaremos a falar em seguida.
ARTE, DA PERSPECTIVA ANTROPOLÓGICA E SOCIAL
Em sua essência, a obra de arte sempre foi reprodutível. O que os homens fazem 
sempre pode ser imitado por outros homens. De modo que no mundo dos 
homens não há criação propriamente dita, mas sim imitação. Segundo Walter 
Benjamin (2000, p.1): 
Imitação é exercida e praticada por discípulos, em seus exercícios, pe-
los mestres, para a difusão das obras, e finalmente por terceiros, me-
ramente interessados no lucro. A reprodução técnica da obra de arte 
representa um processo novo, que se vem desenvolvendo na história 
intermitentemente, através de saltos separados por longos intervalos, 
mas com intensidade crescente. 
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O que interessa a Walter Benjamin, pelo menos no texto 
que estamos analisando, é investigar a tendência evo-
lutiva da arte nas atuais condições reprodutivas. Nesse 
sentido, a reprodução técnica da obra de arte repre-
senta um processo novo na história da própria arte. Ele 
começa a descrever seu diagnóstico do estado da arte, 
pela xilogravura, técnica de gravura em madeira, que 
se tornou pela primeira vez tecnicamente reprodutível, 
muito antes que a imprensa prestasse o mesmo serviço 
para a palavra escrita. 
E será com a litografia que 
(...) a técnica de reprodução atinge uma etapa essencialmente nova. 
Esse procedimento muito mais preciso, que distingue a transcrição do 
desenho numa pedra de sua incisão sobre um bloco de madeira ou uma 
prancha de cobre, permitiu às artes gráficas pela primeira vez colocar 
no mercado suas produções não somente em massa, como já acontecia 
antes, mas também sob a forma de criações sempre novas. Dessa for-
ma, as artes gráficas adquiriram os meios de ilustrar a vida cotidiana. 
Graças à litografia, elas começaram a situar-se no mesmo nível que a 
imprensa (BENJAMIN,2000, p.2). 
Mas logo a litografia foi ultrapassada pela fotografia. E segundo Walter Benjamin 
(2000, p.2): 
Pela primeira vez no processo de reprodução da imagem, a mão foi 
liberada das responsabilidades artísticas mais importantes, que agora 
cabiam unicamente ao olho. Como o olho apreende mais depressa do 
que a mão desenha, o processo de reprodução das imagens experi-
mentou tal aceleração que começou a situar-se no mesmo nível que 
a palavra oral. Se o jornal ilustrado estava 
contido virtualmente na litografia, o cine-
ma falado estava contido virtualmente na 
fotografia. 
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Da fotografia, chega-se à reprodução téc-
nica do som e com ela:
A reprodução técnica atin-
giu tal padrão de qualidade 
que ela não somente podia 
transformar em seus objetos 
a totalidade das obras de arte tradicionais, submetendo-as a transfor-
mações profundas como conquistar para si um lugar próprio entre os 
procedimentos artísticos (BENJAMIN, 2000, p.2). 
Mas mesmo com o avanço da técnica em reproduzir aquilo que o olhar atinge e 
captura pela lente de uma câmara fotográfica ou aquilo que as mãos desenham 
ao reproduzir objetos da natureza:
Um elemento está ausente: o aqui e agora da obra de arte, sua existên-
cia única, no lugar em que ela se encontra. E nessa existência única, e 
somente nela, que se desdobra a história da obra. Essa história compre-
ende não apenas as transformações que ela sofreu, com a passagem do 
tempo, em sua estrutura física, como as relações de propriedade em que 
ela ingressou. Os vestígios das primeiras só podem ser investigados por 
análises químicas ou físicas, irrealizáveis na reprodução; os vestígios das 
segundas são o objeto de uma tradição, cuja reconstituição precisa par-
tir do lugar em que se achava o original. O aqui e agora do original cons-
titui o conteúdo da sua autenticidade, e nela se enraíza uma tradição 
que identifica esse objeto, até os nossos dias, como sendo aquele objeto, 
sempre igual e idêntico a si mesmo (BENJAMIN, 2000, p.2).
A produtividade técnica deixa escapar o aqui e o agora original do objeto, a 
saber, sua autenticidade: a esfera da autenticidade, como um todo, escapa à repro-
dutibilidade técnica, e naturalmente não apenas à técnica.
Caro(a) aluno(a), há aqui uma distinção sutil que Walter Benjamin estabelece 
(2000, p.2): “O autêntico preserva toda a sua autoridade com relação à repro-
dução manual, em geral considerada uma falsificação, o mesmo não ocorre no 
que diz respeito à reprodução técnica (...)”. 
Tal distinção tem suas razões de ser, de acordo com Walter Benjamin (2000, p.2):
Em primeiro lugar, relativamente ao original, reprodução técnica tem 
mais autonomia que a reprodução manual. Ela pode, por exemplo, pela 
fotografia, acentuar certos aspectos do original, acessíveis à objetiva - 
ajustável e capaz de selecionar arbitrariamente o seu ângulo de obser-
vação, mas não acessíveis ao olhar humano. Ela pode, também, graças a 
procedimentos como a ampliação ou a câmera lenta, fixar imagens que 
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fogem inteiramente à ótica natural. Em segundo lugar, a reprodução 
técnica pode colocar a cópia do original em situações impossíveis para 
o próprio original. Ela pode, principalmente, aproximar do indivíduo 
a obra, seja sob a forma da fotografia, seja do disco. A catedral aban-
dona seu lugar para instalar-se no estúdio de um amador; o coro, exe-
cutado numa sala ou ao ar livre, pode ser ouvido num quarto. Mesmo 
que essas novas circunstâncias deixem intacto o conteúdo da obra de 
arte, elas desvalorizam, de qualquer modo, o seu aqui e agora. Embora 
esse fenômeno não seja exclusivo da obra de arte, podendo ocorrer, 
por exemplo, numa paisagem, que aparece num filme aos olhos do es-
pectador, ele afeta a obra de arte em um núcleo especialmente sensível 
que não existe num objeto da natureza: sua autenticidade. A autentici-
dade de uma coisa é a quintessência de tudo o que foi transmitido pela 
tradição, a partir de sua origem, desde sua duração material até o seu 
testemunho histórico. Como este depende da materialidade da obra, 
quando ela se esquiva do homem através da reprodução, também o 
testemunho se perde. Sem dúvida, só esse testemunho desaparece, mas 
o que desaparece com ele a autoridade da coisa, seu peso tradicional. 
Pelo menos sob dois aspectos a reprodução 
técnica sobressai à reprodução manual: a 
lente de uma câmera fotográfica, por exem-
plo, é capaz de captar aspectos próprios 
de um objeto que são inacessíveis ao olho 
humano. A lente da câmera fotográfica pode 
também, uma vez captada a imagem original 
de um objeto, colocá-lo (objeto) em lugares 
impossíveis de estarem. Veja, por exemplo, a 
imagem que se segue, ela está em um lugar 
que é impossível para o próprio original. 
Como julga Walter Benjamin (2000, p. 2), o que permite perceber essas carac-
terísticas é o conceito de aura: 
O que se atrofia na era da reprodutibilidade técnica da obra de arte é sua 
aura. Esse processo é sintomático, e sua significação vai muito além da es-
fera da arte. Generalizando, podemos, dizer que a técnica da reprodução 
destaca do domínio da tradição o objeto reproduzido. Na medida em que 
ela multiplica a reprodução, substitui a existência única da obra por uma 
existência serial. E, na medida em que essa técnica permite à reprodução 
vir ao encontro do espectador, em todas as situações, ela atualiza o objeto 
reproduzido. Esses dois processos resultam num violento abalo da tradi-
ção, que constitui o reverso da crise atual e a renovação da humanidade.
SABERES E FAZERES ANTROPOLÓGICOS E SOCIOLÓGICOS NAS DISTINTAS ÁREAS DE ATUAÇÃO
Reprodução proibida. A
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V
A reprodução técnica produz dois efeitos sintomáticos:
1. A reprodução serial de um único objeto. Imagine, caro(a) aluno(a), quan-
tas Torres Eiffel foram reproduzidas a partir de uma única foto.
2. A possibilidade dessa reprodução vir ao encontro do espectador atuali-
zando o objeto reproduzido. 
Esses dois efeitos se relacionam intimamente com os movimentos de massa, quer 
dizer com a cultura de massa própria dos nossos dias. De acordo com Walter 
Benjamin (2000, p.2), o agente mais poderoso da cultura de massa é o cinema:
Sua função social não é concebível, mesmo em seus traços mais positi-
vos, e precisamente neles, sem seu lado destrutivo e catártico: a liqui-
dação do valor tradicional do patrimônio da cultura. Esse fenômeno 
é especialmente tangível nos grandes filmes históricos, de Cleópatra 
e Ben Hur até Frederico, o Grande e Napoleão. E quando Abel Gan-
ce, em 1927, proclamou com entusiasmo: “Shakespeare, Rembrandt, 
Beethoven, farão cinema... Todas as lendas, todas as mitologias e todos 
os mitos, todos os fundadores de novas religiões, sim, todas as religi-
ões... aguardam sua ressurreição luminosa, e os heróis se acotovelam 
às nossas portas”; ele nos convida, sem o saber talvez, para essa grande 
liquidação. 
Bem, a possibilidade da reprodução serial de um objeto promovido pela 
reprodução técnica acaba por transformar também a forma de percepção das 
coletividades humanas. Assim, 
A forma de percepção das coletividades humanas se transforma ao 
mesmo tempo que seu modo de existência. O modo pelo qual se or-
ganiza a percepção humana, o meio em que ela se dá, não é apenas 
condicionado naturalmente, mas também historicamente. A época das 
invasões dos bárbaros, durantea qual surgiram as indústrias artísti-
cas do Baixo Império Romano e a Gênese de Viena, não tinha apenas 
uma arte diferente da que caracterizava o período clássico, mas tam-
bém uma outra forma de percepção. Os grandes estudiosos da escola 
vienense, Riegl Wickhoff, que se revoltaram contra o peso da tradição 
classicista, sob o qual aquela arte tinha sido soterrada, foram os primei-
ros a tentar extrair dessa arte algumas conclusões sob a organização da 
percepção nas épocas em que ela estava e vigor. Por mais penetrantes 
que fossem, essas conclusões estavam limitadas pelo fato de que esses 
pesquisadores se contentaram em descrever as características formais 
do estilo percepção característico do Baixo Império. Não tentaram, tal-
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vez não tivessem a esperança de consegui-lo, mostrar as Convulsões 
sociais que se exprimiram nessas metamorfoses da percepção (BEN-
JAMIN, 2000, p. 2). 
Walter Benjamin (2000, p.2) identifica aqui o seguinte: a reprodutividade téc-
nica do objeto de arte em massa desemboca na destruição do caráter único do 
objeto de arte. Se “fosse possível compreender as transformações contemporâ-
neas da faculdade perceptiva segundo a ótica do declínio da aura, as causas sociais dessas 
transformações se tornariam inteligíveis”. Isto é, entender o declínio da aura nos 
permite entender as transformações da faculdade perceptiva. Para tornar mais 
evidente seu ponto argumentativo, Walter Benjamin (2000, p.3) define o que ele 
compreende por aura:
É uma figura singular, composta de elementos espaciais e temporais: 
a aparição única de uma coisa distante por mais perto que ela esteja. 
Observar, em repouso, numa tarde de verão, uma cadeia de montanhas 
no horizonte, ou um galho, que projeta sua sombra sobre nós, significa 
respirar a aura dessas montanhas, desse galho. Graças a essa definição, 
é fácil identificar os fatores sociais específicos que condicionam o de-
clínio atual da aura. 
Esse momento de repouso, de observação da aparição única de uma coisa distante 
que tão-somente observo é abalado por fatores sociais específicos que, segundo 
Benjamin (2000, p.3), derivam-se de duas circunstâncias, 
Estreitamente ligadas à crescente difusão e intensidade dos movimen-
tos de massas. Fazer as coisas “ficarem mais próximas” é uma preo-
cupação tão apaixonada das massas modernas como sua tendência a 
superar o caráter único de todos os fatos através da sua reprodutibili-
dade. Cada dia fica mais irresistível a necessidade de possuir o objeto, 
de tão perto quanto possível, na imagem, ou antes, na sua cópia, na sua 
reprodução. Cada dia fica mais nítida a diferença entre a reprodução, 
como ela nos é oferecida pelas revistas ilustradas e pelas atualidades 
cinematográficas, e a imagem. 
Benjamin chama-nos a atenção para percebermos que as mudanças técnicas ocor-
ridas nos processos de produção de imagens refletem-se na própria percepção 
que temos da unicidade da obra de arte, que até o momento de suas reflexões 
expostas na obra que estamos analisando não tinha sido colocada em discussão. 
Aqui, o autor tem como horizonte de sua reflexão, caro(a) aluno(a), o problema 
SABERES E FAZERES ANTROPOLÓGICOS E SOCIOLÓGICOS NAS DISTINTAS ÁREAS DE ATUAÇÃO
Reprodução proibida. A
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da modernidade, qual seja: o problema da percepção, da produção e consumo 
da obra de arte. Talvez a pergunta a qual autor pretende responder poderia ser 
colocada nestes termos: quais são os efeitos da produção, do consumo de massa 
e da tecnologia moderna sobre o status da obra de arte? 
Uma resposta possível seria a de que as técnicas de reprodução da obra de 
arte em massa – seja no âmbito da arte fotográfica ou no âmbito da produção 
cinematográfica, tanto uma como outra, acabaram por transformar profunda-
mente nosso entendimento, na nossa concepção, na nossa percepção da obra de 
arte enquanto tal. A causa dessa transformação se deve ao fato de que o capita-
lismo estabeleceu novas formas de produção, as quais passaram a ter efeitos até 
mesmo na própria concepção cultural. Nas palavras de Benjamin (2000, p.4): 
Retirar o objeto do seu invólucro, destruir sua aura, é a característica de 
uma forma de percepção cuja capacidade de captar “o semelhante no 
mundo” é tão aguda, que graças à reprodução ela consegue captá-lo até 
no fenômeno único. 
Assim se manifesta na esfera sensorial a tendência que na esfera teórica 
explica a importância crescente da estatística. Orientar a realidade em 
função das massas e as massas em função da realidade é um processo de 
imenso alcance, tanto para o pensamento como para a intuição. A uni-
cidade da obra de arte é idêntica à sua inserção no contexto da tradição. 
Sem dúvida, essa tradição é algo de vivo, de extraordinariamente vari-
ável. Uma antiga estátua de Vênus, por exemplo, estava inscrita numa 
certa tradição entre os gregos, que faziam dela um objeto de culto, e 
em outra tradição na Idade Média, quando os doutores da Igreja viam 
nela um ídolo malfazejo. O que era comum às duas tradições, contudo, 
era a unicidade da obra ou, em outras palavras, sua aura. A forma mais 
primitiva de sua inserção da obra de arte no contexto da tradição se 
exprimia no culto. As mais antigas obras de arte, como sabemos, sur-
giram a serviço de um ritual, inicialmente mágico, e depois religioso. 
O que é de importância decisiva é que esse modo de ser aurático da 
obra de arte nunca se destaca completamente de sua função ritual. Em 
outras palavras: o valor único da obra de arte “autêntica” tem sempre 
um fundamento teológico, por mais remoto que seja: ele pode ser re-
conhecido, como ritual secularizado, mesmo nas formas mais profanas 
do culto do Belo. Essas formas profanas do culto do Belo, surgidas na 
Renascença e vigentes durante três séculos, deixaram manifesto esse 
fundamento quando sofreram seu primeiro abalo grave. Com efeito, 
quando o advento da primeira técnica de reprodução verdadeiramente 
revolucionária - a fotografia, contemporânea do início do socialismo 
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- levou a arte a pressentir a proximidade de uma crise, que só fez apro-
fundar-se nos cem anos seguintes, ela reagiu ao perigo iminente com 
a doutrina da arte pela arte, que é no fundo uma teologia da arte. Dela 
resultou a teologia negativa da arte, sob a forma de uma arte pura, que 
não rejeita apenas toda função social, mas também qualquer determi-
nação objetiva. (Na literatura, foi Mallarmé o primeiro a alcançar esse 
estágio). É indispensável levar em conta essas relações em um estudo 
que se propõe estudar a arte na era de sua reprodutibilidade técnica. 
Assim,
Com a reprodutibilidade técnica, a obra de arte se emancipa, pela pri-
meira vez na história, de sua existência parasitária, destacando-se do 
ritual: A obra de arte reproduzida é cada vez mais a reprodução de 
uma obra de arte criada para ser reproduzida. A chapa fotográfica, por 
exemplo, permite uma grande variedade de cópias; a questão da auten-
ticidade das cópias não tem nenhum sentido. Mas, no momento em 
que o critério da autenticidade deixa de aplicar-se à produção artística, 
toda a função social da arte se transforma. Em vez de fundar-se no 
ritual, ela passa a fundar-se em outras práxis: a política. 
De acordo com Walter Benjamin (2000), precisamos diferenciar as funções da 
obra de arte enquanto: 
a. “Valorcultural”, diferenciar a obra de arte enquanto pertencente ao con-
junto de crenças que estão ineridas na tradição de uma determinada época. 
b. Valor puramente expositivo, ou seja, enquanto uma reprodução pura-
mente mecânica. Nesse sentido, o valor cultural passa a faltar: a obra se 
torna uma mera imagem, um simples objeto desligado de valores pro-
fundos, que não faz mais parte daquilo que, para o autor, é a tradição. 
A conclusão que poderíamos tirar disso é a de que a obra de arte, perdendo 
seu valor cultural, perde também sua autenticidade, perde sua singularidade 
perceptível naquilo que Benjamin chamou de aura. A causa desse processo de 
definhamento da autenticidade da obra de arte está em processo, a saber: no 
processo de secularização da obra de arte. Ao secularizar a obra de arte, não 
importa mais sua autenticidade, sua unicidade, ou o fato de ter sido uma expe-
riência única. Ela se torna, simplesmente, uma coisa qualquer diante de nós que 
pode ser trocada por sua imagem.
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Reprodução proibida. A
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Segundo Benjamim (2000, p.3), 
Os gregos só conheciam dois processos técnicos para reprodução de 
obras de arte: o molde e a cunhagem. As moedas e terracotas eram as 
únicas obras de arte por eles fabricadas em massa. Todas as demais 
eram únicas e tecnicamente irreprodutíveis. Por isso, precisavam ser 
únicas e construídas para a eternidade. Os gregos foram obrigados, 
pelo estágio de sua técnica, a produzir valores eternos. Devem a essa 
circunstância o seu lugar privilegiado na história da arte e sua capaci-
dade de marcar, com seu próprio ponto de vista, toda a evolução artís-
tica posterior. Não há dúvida de que esse ponto de vista se encontra no 
pólo oposto do nosso. Nunca as obras arte foram reprodutíveis tecnica-
mente, em tal escala e amplitude, como em nossos dias. 
A reprodução, nos diz Benjamin (2000), sempre ocorreu, entretanto, é a partir do 
advento da fotografia que ela passa a ser diferenciada, isto é, por meio das técni-
cas de reprodução, as obras passam a ser pensadas e concebidas para as massas, 
visto que podem ser vistas e ouvidas – no caso da música – em qualquer lugar 
e a qualquer momento. 
A reprodução de qualquer obra de arte – considerada materialmente única 
– não possui o status de arte, por mais perfeita que ela seja, alerta-nos Walter 
Benjamin. A obra original constitui-se historicamente e mediante sua unicidade é 
possível observar as transformações ocorridas na mesma. Isso significa dizer que 
o status da obra de arte é determinado por elementos essenciais à obra: o aqui 
e agora e sua existência única. Em outra perspectiva, cada reprodução é uma 
obra nova, com uma vida nova, diz Benjamin. Então, é importante observar que, 
assim como a obra original, sua reprodução também passa por transformações 
físicas, que constituem sua história. Desse modo, por mais que seja uma repro-
dução, esta passa por processos semelhantes ao das obras originais. 
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SOCIAL
De modo geral, a sociologia investiga as bases das sociedades em busca da com-
preensão dos seus modos de educar, de maneira que essa investigação possa 
resultar em uma intervenção a fim de tornar a educação mais eficiente e eficaz. 
Dado ao caráter investigativo do sociólogo ou antropólogo, a Sociologia, assim 
como a Antropologia, se constituem ciências humanas com o alto grau de refle-
xão e consequentemente passíveis de serem ouvidas em muitas das questões 
sociais que envolvem a educação.
Na perspectiva de Durkheim (2014), educar é socializar o indivíduo. Isso 
significa que educar é o processo pelo qual se aprende a ser membro da socie-
dade. O indivíduo nasce em uma sociedade que já está formada, estruturada, 
com suas instituições, com sua dinâmica econômica e as funções previamente 
definidas, resta a ele apenas receber a educação que vai prepará-lo para convi-
ver, para fazer parte do todo funcionando.
Durkheim vê a educação com duplo aspecto, uno e múltiplo, com seus cons-
tituintes básicos, e aponta suas principais funções, a saber:
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Suscitar na criança: 
um certo número de estados físicos e mentais, que a sociedade a que 
pertença considere como indispensáveis a todos os seus membros;
certos estados físicos e mentais, que o grupo social particular (casta, 
classe família, profissão) considere igualmente indispensáveis a todos 
quantos o formem (DURKHEIM, 1967, p. 40).
Segundo Weber (2003), a educação é dirigida a três tipos de finalidade:
1. despertar o carisma;
2. preparar o aluno para uma conduta de vida; 
3. transmitir conhecimento especializado.
Essas duas acepções de educação (a de Durkheim e a de Weber) não são excludentes, 
muito pelo contrário, elas complementam-se. O que nos deixa à vontade para afirmar 
que, baseando-se nos dois clássicos, a Sociologia da Educação não se faz necessária 
apenas pela via teórica, mas, principalmente, pela via prática, pois na medida em 
que a educação visa preparar o aluno para uma conduta de vida, é na Sociologia, 
ciência que se dedica ao estudo das interações sociais, que ela vai buscar subsídios. 
Para Marx, a educação foi pensada sob o ponto de vista econômico. Foi analisando 
a sociedade em seus aspectos históricos e filosóficos que ele contribuiu com a ação 
educativa. Pensando na classe trabalhadora, ele concebe a escola como aquela que 
deveria preparar o indivíduo integralmente, ensinando-lhe, inclusive, uma profissão. 
Ao passo que muitos dos seus discípulos, seguindo a lógica marxista de compreensão 
das relações sociais, que se dão no seio da sociedade capitalista, criaram teorias que 
explicam a escola em seu aspecto mais importante, qual seja o da sua função. Louis 
Althusser (1918-1990), por exemplo, percebeu que as classes sociais são frutos da 
ação dos “aparelhos repressivos e ideológicos do Estado”, sendo a Escola o principal 
deles, pois, segundo ele, é ela quem inculca a ideologia nele que, por sua vez, repre-
senta os interesses da classe dominante. Já Antonio Gramsci (1891-1937) analisou 
a escola a partir do entendimento de que a sociedade capitalista é eminentemente 
conflituosa, pois de um lado está o patrão (o explorador) e do outro o trabalhador 
(o explorado), e a educação é o meio onde o capitalista pode impor sua hegemonia, 
mas é também o meio que o trabalhador encontra para entender sua situação de 
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exploração e, consequentemente, reagir. Para ele, a escola tem que ser crítica e polí-
tica para promover mudança na estrutura social.
Assim como Althusser e Gramsci, outros autores se dedicaram à educação como 
objeto de estudo, analisando aspectos, tais como: a relação sociedade e educação, as 
relações de poder dentro da escola, aspectos como o acesso à escola, políticas públi-
cas voltadas à educação, cultura escolar, práticas escolares, bem como o entorno das 
escolas. De modo que a educação tem encontrado nas ciências sociais pensadores 
que se dedicaram a teorizá-las, oferecendo aos estudiosos de hoje um ponto de par-
tida, seja para concordar ou discordar.No ano de 2000, houve o fórum mundial de educação, ocorrido em Dacar, no 
Senegal. Nesse fórum, foram decididas 6 metas para uma “educação para todos” e 
que devem ser alcançadas até 2015. São elas:
1. Estender e melhorar a proteção e a educação da primeira infância.
2. Conseguir que todos tenham acesso ao ensino primário obrigatório e gratuito.
3. Garantir o acesso de jovens e adultos à aprendizagem e à aquisição de com-
petências para a vida diária.
4. Aumentar o nível de alfabetização dos adultos para 50%.
5. Promover a igualdade entre os gêneros na educação primária e secundária.
6. Melhorar a qualidade da educação.
A educação é indispensável para que as pessoas possam exercitar os demais direi-
tos fundamentais. Koichiro Matsuura, ex-diretor geral da UNESCO, por ocasião da 
celebração do Dia dos Direitos Humanos, disse que somente aquele que sabe o valor 
dos direitos é quem pode impor sua observância. O que se conclui é que os indiví-
duos não podem exercer nenhum direito civil, político, econômico ou social sem 
terem recebido o mínimo de educação.
Mesmo que os conhecimentos produzidos pelas ciências sociais ainda não 
garantam uma educação crítica e transformadora, eles vêm contribuindo com suas 
análises para a ampliação da compreensão da realidade social e da educação, o que 
já as legitimam. 
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DIREITO, DA PERSPECTIVA ANTROPOLÓGICA E 
SOCIAL 
Sociologia e Direito têm uma relação muito estreita, pois sociedade e norma não 
estão dissociadas. A Sociologia, como ciência que trata das sociedades enfocando 
seus fatores econômicos, culturais, artísticos e religiosos, soma-se ao Direito, que 
estabelece e sistematiza as regras necessárias para assegurar o equilíbrio das fun-
ções do organismo social e dá lugar à Sociologia Jurídica ou do Direito. Esta, 
com a responsabilidade de tratar sempre da consequência do direito na socie-
dade e desta no próprio direito.
No campo das ciências sociais, analisar uma sociedade requer, dentre outros 
aspectos, que se considere que os problemas se apresentam de forma distinta e 
que por isso devem ser analisados à luz de seu contexto histórico, de preferência 
com o máximo de neutralidade, a partir de pesquisas calcadas em observação e 
análises lógicas e à luz de teorias coerentes. Assim, para se entender a justiça de 
um país, se requer também que se conheça seu passado e seu presente, além de 
um embasamento teórico e metodológico, afinal, ciência requer rigor e análise.
A Sociologia do Direito, nesse sentido, se propõe a auxiliar na percepção 
das relações, dos conflitos, das normas, do descontrole de todas as ligações que 
possam surgir entre os indivíduos e que necessite de um regulador. Afinal, as 
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relações humanas sempre precisaram de normas para ocorrer. Sejam religiosas, 
morais, políticas ou econômicas, as normas fizeram e fazem com que o homem 
conviva melhor com o outro.
Na idade antiga, as regras vinham do mais forte. Na idade média, o cristia-
nismo foi quem as elaborou. Na idade moderna, obras foram feitas no sentido 
de regular a política e a economia. Na idade moderna, mais precisamente no 
século XVIII, surgiu a Sociologia, e os seus estudos vêm contribuindo, significa-
tivamente, na elaboração das regras de convívio social. Deste então, a Sociologia 
sempre procurou analisar as modificações que ocorreram na sociedade, seus con-
flitos e consequências a fim de tornar mais eficazes as normas jurídicas. Criando 
métodos próprios, sendo assistida por outras ciências e tendo a certeza de que o 
homem tem, necessariamente, que viver sob regras, a Sociologia do Direito vem 
auxiliando os estudos sobre os crimes e suas punições na tentativa de melhor 
fornecer subsídios para o legislador.
Durkheim, que combinou teoria sociológica e pesquisa empírica, chegou à 
conclusão de que os fatos sociais podem ser normais e patológicos, sendo nor-
mais aqueles que independem do indivíduo, em outras palavras, são superiores 
a ele e acabam sendo obrigatórios, já os patológicos são o contrário disso. Tal 
imposição do fato social normal acaba por favorecer o surgimento de uma soli-
dariedade entre os indivíduos, e esta, por sua vez, é variável e acompanha o 
tempo, o espaço, o contexto social e é moldada por normas, que, ao longo do 
tempo, transformaram-se em normas jurídicas que favorecem, dentre outras 
coisas, a colaboração e troca de serviços entre os que participam do trabalho 
coletivo. Assim, o crime é considerado um fato social e a pena, por sua vez, é 
para Durkheim (2014) um artifício criado pela sociedade para aqueles que têm 
atitudes ou comportamentos ameaçadores à ordem social e consiste na repara-
ção do mal. Diante do conceito de Pena de Durkheim, é possível afirmar que as 
penas alternativas de fato punem os criminosos?
A coerção social, conceito empregado por Durkheim e que se tornou caro 
à Sociologia, é fundamental para entendermos como atua a Sociologia jurídica. 
A força da coletividade e da sociedade sobre a força individual parece até des-
proporcional, entretanto, podemos perceber que o homem, durante toda a sua 
vida social, submeteu-se a regras, sejam estas impostas por um grupo social ou 
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pelo Estado. Desde que nascemos, todas as nossas ações estão reguladas. Para 
Durkheim, coerção social é a força que os fatos exercem sobre os indivíduos, 
fazendo-os aceitarem as regras de sua sociedade mesmo não concordando.
A sociedade possui vários modos de conduta coletiva, entre eles, os que mais 
se destacam são os usos e os costumes. São eles que exercem pressão ou certa 
obrigatoriedade, reservando a designação de hábitos sociais para os usos não 
normativos. Existem várias teorias que tentam caracterizar as diversas normas 
existentes na sociedade, além das normas morais e do direito, a exemplo das nor-
mas de trato social e das normas técnicas, religiosas, políticas, higiênicas, dentre 
outras. Caracterizar essas normas não se traduz tarefa fácil, pois vários fatores 
influenciam nesta diferenciação, entre eles, a própria convicção de cada grupo. 
O que é errado para uma sociedade pode não ser para outra.
Ainda hoje, em pleno século XXI, existem tribos indígenas que praticam o 
infanticídio em crianças consideradas portadoras de algum mal. Percebe o quanto 
a convicção de um grupo é determinante em suas atitudes? 
As normas morais, técnicas, religiosas, políticas e mesmo higiênicas, por 
exemplo, incidem no indivíduo, já as normas jurídicas incidem no eu socializado, 
ou no homem social, ou seja, as normas jurídicas procuram o homem no sentido 
de regular a convivência humana em dada sociedade. Exemplo: um indivíduo do 
qual é chamada a atenção pelo padre ou pastor por estar vestindo roupa de praia 
na missa ou no culto não está recebendo sanção penal, mas moral. Esta sanção, 
ou seja, a “bronca” foi dada ao indivíduo que foi inconveniente, o que não quer 
dizer que é um crime, pois a “bronca” do padre ou pastor não foi pensada para 
regular a convivência entre os homens, mas para regular um único indivíduo.
Nesse sentido, a Sociologia do Direito trata da moral coletiva como fato 
social e não da moral individual, em que o indivíduo é legislador. Assim, o que 
diferencia uma e outra moral é a institucionalização. Desse modo é que algumas 
situações encaminhadasnas últimas décadas no Brasil merecem ser referenciadas 
no campo da Sociologia jurídica. Uma delas é o antagonismo entre o privilé-
gio, como forma arcaica de poder, e o direito, como afirmação democrática dos 
interesses públicos. Um exemplo que identifica essa antinomia é o do concurso 
público no Brasil, estabelecido desde a Constituição Federal de 1988. O concurso 
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retira do poder político o privilégio de atender os seus apadrinhados e submete 
as vagas efetivas ao rigor do mérito.
O modelo de justiça restaurativa vem ganhando força no Brasil porque mui-
tos dos que compõem o sistema judiciário querem fazer justiça e não aplicar 
punição. Por certo uma coisa não anula a outra, entretanto, tal medida vem pri-
vilegiando a resolução de conflitos. Por inclusão social entende-se o conjunto 
de procedimentos e meios que combatem a exclusão dos indivíduos do seio da 
sociedade. Esta exclusão pode ser pela classe social, pelo gênero, pela raça ou 
mesmo pela falta de acesso às tecnologias. 
Marco Túlio Cícero – orador, filósofo e político romano (106-43 a.C.) – com-
preendia a justiça como uma virtude essencialmente social, de modo que a 
sociedade dos homens deve se agrupar em torno dela. Em sentido amplo, 
justiça consiste em dar a cada um o que é de cada um, incide sobre a distri-
buição dos bens e se liga à equidade e à liberalidade. Um dos fundamentos 
da justiça é a boa-fé, assim considerada a firmeza moral e o caráter incorrup-
tível em palavras e acordos. Fé advém de fides, assim chamada porque “faz 
(fiat) o que foi dito”. O homem que “não faz o que foi dito”, que não mantém 
a palavra, que rompe ou não cumpre o contrato, perde a fides e, com ela, a 
própria reputação.
“Os indivíduos não podem exercer nenhum direito civil, político, econômico 
ou social sem terem recebido o mínimo de educação”. Disso concluímos que 
é necessário dedicar-nos aos estudos. O que você acha?
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro(a) aluno(a), concluo aqui dizendo que o fato de que o direito depende da 
existência de um poder capaz de impor pela força a obediência não põe a per-
der a natureza estritamente jurídica do Estado. Certamente, a soberania do 
Estado é uma realidade jurídica, um ente de razão, produto da concórdia entre 
os homens; não obstante, aquele que detém a soberania dispõe de um poder de 
fato do qual faz uso para governar os homens e determinar efetivamente suas 
vontades e comportamentos. Em suma, vale repetir, perceber a diferença entre 
a justiça retributiva e a justiça restaurativa vai nos dotar de um espírito crítico, 
capaz de conceber outras formas de analisar o crime, o sistema penal, o infra-
tor, a vítima, a culpa e a comunidade, o que será de extrema importância para 
atuar na área do serviço social. 
107 
1. Na perspectiva de Durkheim, o que é educar?
2. Quais são as metas para uma “educação para todos”?
3. Durkheim combinou teoria sociológica e pesquisa empírica e chegou a que con-
clusão? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O filme é uma forma cujo característico é em grande parte determinado por sua repro-
dutibilidade. (...) Com o cinema, a obra de arte adquiriu um atributo decisivo (...): a per-
fectibilidade. O filme acabado não é produzido de um só jato, e sim montado a partir de 
inúmeras imagens isoladas e de sequências imagens entre as quais o montador exerce 
seu direito de escolha - imagens, aliás, que poderiam, desde o início da filmagem, ter 
sido corrigidas, sem qualquer restrição. 
Para produzir A opinião pública, com uma duração de 3000 metros, Chaplin filmou 
125000 metros. O filme, pois, a mais perfectível das obras de arte. O fato de que essa 
perfectibilidade se relaciona com a renúncia radical aos valores eternos pode ser de-
monstrado por uma contraprova. 
Para os gregos, cuja arte visava a produção de valores eternos, a mais alta das artes era 
a menos perfectível, a escultura, cujas criações se fazem literalmente a partir de um só 
bloco. Daí o declínio inevitável da escultura, na era da obra de arte montável.
Fonte: Walter Benjamin (2000)
Confira, um breve bate-papo a respeito do pensamento de Walter Benjamim:
 <https://www.youtube.com/watch?v=zLMggZCo0dg>
CONCLUSÃO
109
Apresentamos neste livro de Fundamentos Antropológicos e Sociológicos as teo-
rias antropológicas e sociológicas que compõem o acervo cultural no qual estamos 
inseridos e que nos influenciam no dia a dia. Verificamos que o estudo da antropo-
logia e da sociologia é uma tarefa desafiadoramente árdua, mas recompensadora, 
pois revela-nos – não no sentido dogmático – a origem do homem e da formação 
da sociedade entre os homens. Mas para chegar à visão do homem e sua sociedade, 
dividimos o texto em cinco unidade que tiveram a missão de apresentar ao(à) alu-
no(a) facetas da saga humana em busca do conhecimento de si para a compreensão 
do outro. Não houve a pretensão de esgotar os temas propostos nas unidades, mas 
houve sim a intenção de introduzir o(a) estudante à problemática antropológica e 
sociológica. 
 Como vimos, a Sociologia nasceu da necessidade do homem explicar as profundas 
transformações na sociedade provocadas pela revolução industrial e proliferação 
profícua das ciências ditas particulares. Por isso, tivemos que percorrer e averiguar 
como se deu o nascimento da sociedade entre os homens, a qual denominamos 
modernamente de Estado. Dada a concórdia entre os homens para viverem em so-
ciedade, compreendemos, no desenvolver deste livro, que nossa identidade é mol-
dada pela sociedade em que vivemos, o que significa que ela é uma construção 
progressiva. E apoiados na literatura especializada no assunto, verificamos que a 
revolução industrial foi um marco decisivo que mudou irreversivelmente não só as 
relações entre os homens ditos modernos mas também o modo de produção e seus 
valores. Aqui o valor do homem tem sua origem na força de seu trabalho, isso signi-
fica que o homem moderno cria a si mesmo na medida em que sua atividade trans-
forma a si mesmo e o mundo em que vive. Vale dizer: o trabalho dignifica o homem. 
O homem moderno foi considerado por Marx – como vimos em linhas gerais – 
como um animal laborans. O atributo máximo do homem é o trabalho, no trabalho 
o homem encontra sua humanidade. No decorrer do livro, não tivemos a intenção 
de expor as teses marxistas, mas essa faceta de sua teoria acerca do capitalismo nos 
ajuda a compreender que essa foi a razão pela qual – consciente ou inconsciente-
mente – houve desde os primórdios da revolução industrial produção em série, 
bens puramente artísticos e bens de sobrevivência da espécie humana no mundo. 
Vimos também que a educação, a arte e o direito são maneiras pelas quais podemos 
expressar nossos sentimentos e ideias, podemos expressar nosso contentamento 
ou descontentamento. A educação, por exemplo, é fundamental ao homem na 
medida em que compreendemos que ela é instrumento de socialização entre os 
homens. Nesse sentido, poderíamos dizer que a educação nos torna decisivamente 
indivíduos políticos, nos torna capazes de argumentar e defender ideias. 
Enfim, a tarefa que fica ao antropólogo e ao sociólogo é a de não abrir mão da pes-
quisa empírica, isto é, não abrir mão de averiguar os fatos, de verificá-los objetiva-
mente livre de opiniões infundamentadas, pois a antropologia e a sociologia forne-
cem ao estudante técnicas e fundamentação teórica para que ele possa desenvolver 
um espíritocrítico e sensível em relação à condição da vida humana em sociedade. 
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
111
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WEBER, Max. Sobre a teoria das ciências sociais. Trad. Rubens Eduardo Frias. São Pau-
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WILLIS, Paul. Aprendendo a ser trabalhador: escola, resistência e reprodução 
GABARITO
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UNIDADE I 
1. Qual é a característica essencial que distingue estes três períodos: cos-
mológico, teocêntrico e antropológico?
O período cosmológico tem como característica fundamental a preo-
cupação que o filósofo tinha com a natureza, tomando-a como dado 
objetivo do conhecimento. Suas pesquisas tinham como objetivo com-
preender a estrutura do universo e dos seus elementos constitutivos. 
O período teocêntrico tem como característica a explicação da origem 
do mundo pelo mito. Nesse sentido, as cosmogonias de Homero e de 
Hesíodo explicam a constituição do mundo. O período antropológico 
tem como preocupação fundamental a educação do homem e sua rela-
ção com o âmbito social. O homem torna-se o centro das investigações 
filosóficas.
2. Qual é o significado da palavra antropologia? 
Antropologia significa estudo do homem. 
3. O que é sociologia? 
A sociologia é a ciência que estuda a sociedade humana. Como ciência, 
nasce em função da necessidade que o homem tem de compreender a 
si mesmo e o grupo no qual está inserido.
4. O que é “fato social”?
Fato social constitui-se em maneiras de agir, de pensar e de sentir, ex-
teriores ao indivíduo, e que são dotadas de um poder de coerção em 
virtude do qual esses fatos se impõem a ele.
5. Comente: em que consiste a “força coercitiva dos fatos sociais”?
Coerção social é definida por Durkheim como força impositiva sobre o 
indivíduo. Nesse sentido, trata-se sempre de manifestações do compor-
tamento humano com que o indivíduo já está desde sempre envolvido, 
tais como: adoção de um idioma, a organização familiar e o sentimento 
de pertencer a uma nação.
GABARITO
GABARITO
UNIDADE II
1. O que é cultura? 
Segundo a frase bem conhecida do antropólogo britânico Edward Bur-
nett Taylor, cultura é: o modo de viver próprio de uma sociedade. 
2. O que é identidade cultural? 
A identidade, seja ela social, pessoal ou cultural, é sempre uma relação 
social construída com outros, jamais algo ou alguma coisa com a qual 
nascemos ou herdamos por meio de nossos genes. Identidade, portan-
to, nada tem a ver com os genes que herdamos. A identidade é definida 
historicamente e não biologicamente.
3. Uma pessoa, grupo ou mesmo uma sociedade inteira pode ser despro-
vida de cultura?
Do ponto de vista da antropologia, isso não é possível. O homem só 
se torna homem à medida que se torna membro de uma sociedade e 
internaliza códigos ou formas de agir/ser no mundo.
UNIDADE III
1. O que é justiça? Comente?
Justiça é dar a cada um aquilo que lhe é de direto.
2. A polis é o bem e a plena realização da natureza. Comente essa frase a 
partir da concepção de Aristóteles a respeito da política.
Para Aristóteles, a natureza de cada coisa é precisamente seu fim. Nesse 
sentido, ele compreende que sociedade doméstica (a família e a aldeia) 
não tem um fim em si mesma, seu desenvolvimento tende naturalmen-
te para a formação da “sociedade política”, pois a casa e a aldeia são 
associações incompletas que só encontram plenitude na polis. Por isso, 
a polis é o bem e a plena realização da natureza humana, uma vez que 
a família é apenas o núcleo primeiro a partir do qual que se compõe a 
sociedade política. 
GABARITO
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3. Max Weber, ao estudar a autoridade dos governantes, identificou três 
tipos de governantes; quais são eles?A tradicional, a carismática e a racional-legal. A primeira explica a 
autoridade de determinado governante por acreditar que como sempre 
foi assim, seu poder é legítimo. A autoridade carismática por sua vez é 
compreendida quando se leva em consideração que o líder é virtuoso, 
especial, um verdadeiro herói. Já com relação à autoridade racional-
-legal, ela pode ser entendida quando o governante assume o poder de 
forma legal e suas ações e atos são tomados a partir de um conjunto de 
leis específicas.
UNIDADE IV
1. O que é globalização? 
Globalização parece compreender um processo histórico-social que 
transforma inevitavelmente os padrões da sociedade atual e seus mo-
delos mentais, de referência de indivíduos e coletividades ao qual esta-
mos acostumados. A globalização rompe e recria o mapa do mundo, 
inaugura diversos processos, outras estruturas e outras formas de so-
ciabilidade as quais se articulam e se impõem aos povos, tribos, nações 
e nacionalidades.
2. O que significa ruptura histórica? 
Ruptura histórica é essencialmente moderna, e nos separa do modo 
de pensar da antiguidade clássica como, por exemplo, do pensamento 
filosófico grego ou medieval.
3. O que está em causa quando se trata de globalização? Comente.
Diante das transformações nascidas da era da globalização, a sociolo-
gia e antropologia encontram-se frente a novos desafios, tanto meto-
dológicos como teóricos, que pertencem ao domínio do conhecimento 
propriamente dito. Nesse sentido, o objeto das ciências sociais deixa de 
ser principalmente a realidade histórico-social nacional e passa a ser 
também uma realidade sociedade global. Assim, aquele que se dedi-
ca aos problemas sociais deve deixar de refletir apenas nos problemas 
oriundos da sociedade em que se vive e passar a pensar também – e, 
sobretudo, – nos problemas de ordem social, econômica, política, cul-
tural, linguística, religiosa, demográfica e ecológica, em sua significa-
ção propriamente mundial. 
GABARITO
UNIDADE V
1. Na perspectiva de Durkheim, o que é educar?
Na perspectiva de Durkheim, educar é socializar o indivíduo. Isso sig-
nifica que educar é o processo pelo qual se aprende a ser membro da 
sociedade. O indivíduo nasce em uma sociedade que já está formada, 
estruturada, com suas instituições, com sua dinâmica econômica e as 
funções previamente definidas, resta a ele apenas receber a educação 
que vai prepará-lo para conviver, para fazer parte do todo funcionando.
2. Quais são as metas para uma “educação para todos”?
No ano 2000, houve o fórum mundial de educação, ocorrido em Dacar, 
no Senegal. Nesse fórum foram decididas 6 metas para uma “educação 
para todos” e que devem ser alcançadas até 2015. São elas:
 ■ Estender e melhorar a proteção e a educação da primeira infância.
 ■ Conseguir que todos tenham acesso ao ensino primário obrigatório e gratuito.
 ■ Garantir o acesso de jovens e adultos à aprendizagem e à aquisição de com-
petências para a vida diária.
 ■ Aumentar o nível de alfabetização dos adultos para 50%.
 ■ Promover a igualdade entre os gêneros na educação primária e secundária.
 ■ Melhorar a qualidade da educação.
3. Durkheim combinou teoria sociológica e pesquisa empírica e chegou à 
qual conclusão? 
Chegou à conclusão de que os fatos sociais podem ser normais e pa-
tológicos, sendo normal aqueles que independem do indivíduo, em 
outras palavras, são superiores a ele e acabam sendo obrigatórios, já o 
patológico é o contrário disso.

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