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PORTUGUÊS
Leia o seguinte texto de Ronald de Carvalho, para responder às questões 01, 02 e 03.
A natureza sempre foi a grande inspiradora da nossa poesia. Desde Bento Teixeira
Pinto, no alvorecer da nacionalidade, até os árcades, no século XVII, os românticos, os
parnasianos e os simbolistas, no século XIX, aos poetas contemporâneos, não é difícil
perceber essa influência predominante. Não possuímos, como os gregos antigos, os latinos
e os franceses da Idade Média, o calor, a imaginação atrevida, a grandiloqüência e o sopro
heróico imprescindível à musa épica. Preferimos à epopéia cantada a epopéia realizada.
Quem, até agora, cantou a conquista da floresta amazônica pelo cearense, a imensidade
silenciosa dos sertões, as lutas contra os usurpadores estrangeiros, o episódio formidável
das bandeiras? Bilac, por exemplo, no Caçador de Esmeraldas, tão formoso e comovido,
deu-nos apenas um fragmento da aventura sem par dos bandeirantes. Seu poemeto
admirável não traduz inteiramente nem as condições mesológicas do cenário, nem a
totalidade da ação moral dos homens que empreenderam o milagre do desbravamento do
solo brasileiro.
É certo que, aos seus versos sobram sentimento e paixão, mas falta-lhes justamente
a visão panorâmica, a largueza cíclica exigida pelo motivo. Bilac apreciou apenas uma face
do heroísmo: a tenacidade ambiciosa. Viu unicamente um aspecto do ambiente: o pitoresco,
a fantasia graciosa e delicada do meio físico. Sua poesia mostra-se, aí principalmente
descritiva. À semelhança de Bilac, todos os nossos poetas épicos desde Santa Rita Durão e
Basílio da Gama até Magalhães e Porto Alegre, foram, sobretudo, descritivos. O Caramuru e
o Uraguai revelam, antes do mais, o propósito de pintar, ou simplesmente enumerar as
excelências da nossa terra, a sua exuberância, a sua opulência, a sua formosura. As
batalhas, os recontros, os episódios gloriosos que ali são narrados, têm a natureza rápida, a
instantaneidade passageira das guerrilhas, das emboscadas súbitas, dos assaltos
inopinados. Vê-se que o interesse primordial dos autores estava mais na pura
representação das coisas que nos estudos dos caracteres. O heroísmo desaparecia ante a
maravilha dos painéis pintados. As florestas, as cachoeiras, os rios e as montanhas
dominavam com as suas mil vozes misteriosas e as suas massas brutais a frágil criatura
humana. Eis porque, até hoje, não temos propriamente um poema épico, senão alguns
cantos heróicos, repassados de um sopro contínuo de lirismo, muito peculiar à nossa
psique, e onde está, realmente, a nossa verdadeira índole poética.
(Ronald de Carvalho, In O Espelho de Ariel, p. 227-8)
01. As seguintes teses são apresentadas no texto, exceto:
a) A literatura greco-romana e a literatura francesa medieval caracterizam-se pela presença de
poesia épica.
b) A reação às invasões estrangeiras não é tema freqüente na poesia nacional.
c) Os feitos heróicos brasileiros não estão devidamente registrados em obras literárias.
d) A descrição de belezas naturais é privilegiada na literatura brasileira.
e) Na descrição literária dos episódios históricos de heroísmo e bravura predomina a análise dos
sentimentos humanos.
02. Se substituirmos a palavra destacada pela palavra entre parênteses não alteramos o sentido
dos enunciados, exceto em:
a) Seu poemeto admirável não traduz inteiramente nem as condições mesológicas do cenário,
nem a totalidade da ação moral dos homens (ecológicas).
b) As batalhas, os recontros, os episódios gloriosos que ali são narrados, têm a natureza rápida
(reencontros).
c) Quem até agora cantou o episódio formidável das bandeiras? (magnífico).
d) As batalhas têm a natureza rápida, a instantaneidade passageira das guerrilhas, das
emboscadas súbitas, dos assaltos inopinados (imprevistos).
e) Desde Bento Teixeira Pinto, no alvorecer da nacionalidade, até os poetas contemporâneos
percebe-se essa influência (albor).
03. As palavras que compõem cada um dos pares estão relacionadas entre si morfológica ou
semanticamente, exceto no caso de:
a) índole indolência.
b) ação ativo.
c) paixão passional.
d) amazônica hiléia.
e) primordial primeiro.
04. Marque o item que apresenta uma ilustração confirmatória da tese postulada no seguinte
texto:
“Pode-se afirmar que a distribuição injusta de bens culturais, principalmente das formas
valorizadas de falar, é paralela à distribuição iníqua de bens materiais e de oportunidades.”
(S. M. Bortoni)
a) Prova disso são os modernos “shopping centers”, cujo espaço foi arquitetonicamente projetado
para permitir a convivência harmoniosa da empregada e da “madame”, do porteiro e do ministro,
enfim, de ricos e pobres.
b) Temos na diversidade dos programas de televisão um exemplo de que diferença outrora
marcante entre cultura de elite e cultura popular hoje está reduzida a uma mera questão de grau.
c) A iniqüidade na distribuição de bens culturais no Brasil encontra demonstração inequívoca na
oposição que ainda hodiernamente se faz entre casa-grande e senzala.
d) Demonstra este fato o esforço que fazem dirigentes políticos e sindicais provenientes das
camadas baixas da sociedade para dominar a variedade padrão da língua portuguesa.
e) Os chamados “meninos de rua”, menores abandonados e meninas prostituídas testemunham,
no Brasil da modernidade, a falência das elites em dividir o bolo da economia.
05. Indique a alternativa que interpreta corretamente o trecho transcrito abaixo:
(...) esta minha a que chamam prolixidade, bem fora estaria de merecer os desprezilhos, que
nesse vocábulo me torcem o nariz. A mais copiosa das orações não é, ainda assim, difusa,
quando o assunto não comportara menos dilatado tratamento. Não haverá prolixidade, em não
havendo sobejidão; e o discurso não entra a cair no vício de sobejo senão quando excede a
medida à matéria do seu tema. Só principia a superabundância, onde se começa a descobrir a
superfluidade.
(Ruy Barbosa)
a) No trecho, Ruy Barbosa rebate as críticas dos que lhe impõem a pecha de orador sobejo em 
superficialidade.
b) Ruy Barbosa desdenha dos vocábulos desprezíveis por fazerem eles o discurso cair no vício de
sobejo.
c) A caracterização de um discurso prolixo, para Ruy, deve considerar a largueza do assunto a ser
tratado.
d) Depreende-se do trecho que a medida da prolixidade é inversamente proporcional à medida da
sobejidão.
e) O conceito de prolixidade, em Ruy Barbosa, incorpora as noções de complexidade temática e
seletiva do auditório.
06. Marque a única seqüência que, ao completar o trecho abaixo, atenda às exigências de 
coerência, adequação semântica e formulação de argumentos.
O uso que se faz das madeiras nobres é outra prova de insensatez, agravando o
desmatamento indiscriminado, em si mesmo uma aberração. Ocorre que, na ânsia de
promover o aumento da nossa receita cambial,
a) os empresários do setor madeireiro alinham-se aos ecologistas contra a extinção das madeiras
nobres.
b) deixa-se de exportar essa madeira, para usá-la na indústria de marcenaria nacional.
c) dificulta-se a exportação justamente para os países que mais remuneram essa madeira.
d) a indústria tem preferido desenvolver os projetos que exigem grande consumo de madeiras
nobres.
e) facilita-se a exportação dessa madeira, em toras, o que é desvantajoso financeiramente, em
relação à madeira elaborada.
Leia o texto abaixo para responder às questões 07 e 08.
“Um dos mais respeitados colégios particulares da cidade de São Paulo está fechando suas
portas por causa da briga crônica entre pais de alunos e donos de escolas em torno das
mensalidades escolares.”
(Veja, 27/09/89, p. 114)
07. Assinale a alternativa que contém uma conseqUência do fato relatado.
a) Duas escolas se prontificaram a admitir os alunos da escola extinta. Uma delas estácontratando boa parte de seu corpo docente.
b) A interferência do governo na fixação dos índices de reajuste das mensalidades escolares é
conseqüência do “lobby” bem sucedido dos proprietários de escolas privadas junto ao MEC.
c) O triste desfecho desse fato é emblemático da situação da educação brasileira.
d) Dois meses depois que o governo federal liberou os preços das mensalidades escolares, a
Justiça de São Paulo decidiu que os reajustes voltam a ser controlados, não podendo exceder os
índices mensais de inflação.
e) O Sindicato dos Professores de São Paulo realizou um levantamento segundo o qual esta é a
escola que melhor remunera os professores.
08. Assinale o trecho que constitui uma premissa do fato relatado.
a) As escolas que pagam salários baixos a seus professores e funcionários são as que mais dão
lucros.
b) Para manter a qualidade do ensino requerida pela sociedade, as escolas privadas estão
incrementando convênios com empresas e indústrias.
c) O ensino privado custa caro e tende a ficar mais caro com as necessidades tecnológicas
impostas a cada dia pela moderna educação.
d) No vácuo criado pela ausência do Estado no ensino secundário proliferaram as escolas
privadas.
e) Como decorrência do crescimento populacional urbano, existe hoje, nas grandes metrópoles,
um grande déficit de salas de aula.
09. Assinale o item que tem a ordem correta para a formação de um parágrafo coeso e coerente
(Hélio Jaguaribe).
1. Inicialmente estão as de caráter assistencial e previdenciário, no sentido amplo de ambos
abrangendo os domínios da saúde, da educação, da habitação popular e do transporte.
2. Tal intervenção deverá se fazer sem nenhum preconceito, tanto no que tange às formas
superficiais ou socialmente responsáveis de contestação de qualquer atuação produtiva do
Estado, como ao revés, no que tange aos mitos de que a ampliação da ação produtiva do Estado
implica sempre a elevação da taxa de bem-estar e da eqüidade social.
3. E, em seguida, as de caráter empregatício, assegurando, através do Serviço Nacional, emprego
aos que não logrem sua absorção pelo mercado de trabalho.
4. A intervenção direta do setor público abrange uma ampla gama de demandas e atividades. No
fundamental, essas atividades são de duas ordens.
5. Além dessas formas de atuação há também a intervenção direta do Estado na atividade
produtiva, inclusive agrária, para suprir e corrigir deficiências do setor privado.
a) 5-2-3-4-1
b) 4-1-3-5-2
c) 1-3-5-2-4
d) 3-5-2-1-4
e) 2-4-1-3-5
10. Indique o item em que o par de sentenças NÃO apresenta o mesmo sentido.
a) O despreparo do aluno, principalmente na parte de emissão de mensagens escritas, fez com
que as autoridades educacionais decretassem a inclusão da redação no vestibular.
As autoridades educacionais instituíram nos exames vestibulares a prova de redação devido à
falta de preparo do aluno mormente no tocante à produção escrita.
b) Quem diz cópia pensa nalgum original, que tem a precedência, está noutra parte, e do qual a
primeira é o reflexo inferior.
Falar em cópia implica tomar algo como primeiro, que antecede, que está alhures, cujo original é
o reflexo inferior.
c) As estórias “abertas”, isto é, incompletas ou com um final a escolher, têm a forma do problema
fantástico: a partir de certos dados, decide-se sobre sua combinação resolutiva.
As estórias que não apresentam o fechamento de um fim explícito, ou que trazem várias
possibilidades de finalização, têm a forma do problema fantástico, no qual se chega à resolução
pela combinação de certos dados.
d) Inventar estórias com os brinquedos é quase natural, é uma coisa que vem por si nas
brincadeiras com as crianças: a estória não é senão um prolongamento, um desenvolvimento,
uma alegre explosão do brinquedo.
Quando brincam, é comum, quase natural, as crianças inventarem estórias com os brinquedos —
a estória passa a ser uma extensão, um prolongamento, um alegre transbordar do brinquedo.
GABARITO
01. E
02. B
03. A
04. D
05. C
06. E
07. A
08. C
09. B
10. B

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