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"Nesse lugar, onde muitos só enxergam a violência,
nasce uma nova maneira de contar os tempos da cidade, 
a partir do diálogo, da troca e do respeito à diversidade cultural. 
O Museu da Maré é um convite à construção desse novo tempo".
Frase afixada na entrada do museu
Entrada principal ao Museu (2018)
Panorama geral do Museu (2018)
Muro de boas vindas do Museu (2018)
Entrada que dá acesso as exposições (2017)
PARCERIA COM O CEASM
No final dos anos noventa, a Maré era apontada como o terceiro 
bairro de pior índice de desenvolvimento humano da cidade já que 
a população da Maré não parou de crescer, recebendo imigrantes, 
sobretudo dos estados do Nordeste e Minas Gerais que por sua vez 
não possuíam acesso à educação.
É neste cenário nada promissor que um grupo de jovens 
moradores, que a despeito das precárias condições de educação na 
região havia chegado à Universidade, esses jovens fundam o 
CEASM, Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré que é uma 
associação civil sem fins lucrativos, cuja primeira iniciativa centrou-
se num Curso de Pré-Vestibular para estimular o ingresso dos 
jovens nas universidades. O curso era realizado em uma sala cedida 
por uma igreja do Morro do Timbau.
Com o tempo e o sucesso do Curso de Pré-Vestibular e outros 
projetos, o CEASM conseguiu adquirir duas sedes: uma no Timbau 
e outra na Nova Holanda. Mais tarde, conquistou a oportunidade 
de utilização do espaço da antiga Fábrica de Transportes Marítimos 
(Cia Libra de Navegação).
A localização da antiga Fábrica de Transportes Marítimos tratava-se 
de uma área de ampla e fácil acesso, por esse motivo foi cedida 
para sediar o Museu da Maré. 
Sede do CEASM localizada no morro do Timbau (2017)
FUNDAÇÃO DO MUSEU
A necessidade de eternizar as memórias da Maré surgiu a partir da 
tomada de consciência de jovens moradores, que ao decidirem 
desenvolver um vídeo comunitário para registrar a fala dos mais 
velhos e contar a história do lugar onde viviam se viram 
surpreendidos por uma história que não conheciam. Na busca de 
sua própria identidade estes jovens mergulharam num processo de 
pesquisa sobre a história local, que já não se limitava apenas ao 
depoimento oral, mas avançava em outras formas de registro 
documental, principalmente num processo quase arqueológico de 
identificação de imagens, já que o objetivo principal era o de 
realização de um vídeo que contasse a história do lugar.
Nesse trabalho conseguiram reunir um considerável volume de 
informação e como resultado desse engajamento no trabalho de 
memória, foi constituída a Rede Memória da Maré, que passou a 
desenvolver, de forma institucional, uma série de projetos voltados 
para a preservação da história local.
No esforço de garantir uma historiografia local, que seja inclusiva e 
situe o processo histórico da Maré no contexto da história da 
cidade e do país, a Rede Memória produziu um texto fundador 
chamado “História da Maré”.
Por fim, o desejo de memória chegou às últimas consequências 
após a proposta de sediar o Museu na antiga Fábrica de Transportes 
Marítimos e assim no dia oito de maio de 2006 foi inaugurado o 
Museu da Maré.
“Favela tem direito à memória” – Intervenção do Coletivo 
Projetação na Praça do Parque União.
ORDEM DE DESPEJO (2014) 
O Museu da Maré está instalado num imóvel que foi cedido por dez 
anos em comodato para o Centro de Estudos e Ações Solidárias da 
Maré (Ceasm), ONG gestora do Museu no qual tem um documento 
de empréstimo assinado com a empresa proprietária do terreno, a 
Companhia Paulista de Navegação, que faz parte do Grupo Libra de 
Comércio Marítimo.
No final de agosto de 2014, um dos diretores entrou em contato 
com os representantes do Museu da Maré para dizer que não havia 
mais interesse por parte da empresa em renovar o comodato, 
estabelecendo o prazo de 90 dias para desocupação do terreno. No 
mês de setembro chegou uma notificação ao Museu da Maré 
decretando o prazo para o início de dezembro.
Os representantes do Museu da Maré buscaram apoio e criaram o 
movimento “Museu da Maré resiste!” que conta com a adesão de 
várias pessoas. No dia 18 de outubro de 2014 foi realizado um ato 
pelas ruas do Complexo da Maré com a participação de moradores, 
movimentos sociais, sociedade em geral, entre outros, 
reivindicando a permanência do Museu da Maré.
O ato em defesa ao Museu da Maré, em 2014, 
em direção à avenida Brasil durante as pacificações. 
CANVAS – MODELO DE NEGÓCIOS
PROPOSTA DO MUSEU
Podemos perceber a proposta deste museu pela apresentação que 
encontramos no site de museus do Rio. Ao acessarmos o link, nos 
deparamos com a seguinte afirmação:
O Museu da Maré, fundado no dia oito de maio de 2006, surgiu a 
partir do desejo dos moradores de terem o seu lugar de memória, 
um lugar de imersão no passado e de olhar para o futuro, na 
reflexão sobre as referências dessa comunidade, das suas condições 
e identidades, de sua diversidade cultural e territorial.
Deste modo percebemos que sua proposta está fortemente 
vinculada a uma dimensão coletiva, social e comunitária, cujo o 
objetivo é o de preservar e divulgar a histórias das comunidades 
da Maré, em seus mais amplos aspectos, sejam eles culturais, 
sociais ou econômicos afim de criar uma identidade, fortalecendo 
os pontos positivos da favela, bem como a autoestima dos 
moradores.
As ações propostas no Plano Museológico, contemplam o programa 
institucional, de acervos, de exposição, educativo cultural, de 
pesquisa e de divulgação da iniciativa. 
O museu conta a participação voluntária da comunidade local e a 
colaboração de professores universitários e técnicos do 
Departamento de Museus e Centros Culturais do IPHAN.
RENDA DO MUSEU
A renda do museu provém, preponderantemente, da inscrição de 
editais disponibilizados pela FAPERJ, os fundos arrecadados nesses 
editais são utilizados para a manutenção do espaço e pagamento 
de alguns funcionários. Para além dos editais, o museu disponibiliza 
o aluguel de um galpão, usualmente ele é utilizado para sediar 
eventos culturais na Maré, como por exemplo rodas de debate, 
exibição de documentários, entre outros fins. 
Nas dependências do museu há uma loja chamada Marias da Maré 
que apresenta uma linha de itens artesanais produzidos pelos 
artesões da Maré. Ela comercializa produtos de qualidades, como: 
camisetas, blocos de anotações, chaveiros, dentre outros. E todos 
os itens que estão a venda foram doados por artesãos. Vale 
ressaltar que todo o dinheiro arrecadado com as vendas é voltados 
para o museu. 
O museu não obtém nenhuma ajuda do estado, nem 
patrocinadores ou até mesmo qualquer instituição privada. 
Possuindo como fontes rendáveis apenas os itens citados 
anteriormente, porém, não tem sido o suficiente para suprir todas 
as necessidades internas do museu, que por consequência 
atrapalha no desenvolvimento do museu, visto que ele não tem 
renda fixa por mês.
Galpão (2018) 
Interior da loja Marias da Maré (2018)
MELHORAMENTO DA RENDA
Durante o estudo dos serviços prestados pelo Museu da Maré e 
pelas informações que foram contatadas, o grupo elaborou algumas 
possíveis soluções para auxiliar o desenvolvimento de renda no 
museu, dentre eles: 
• Criar parcerias com empresas de turismo, afim de expandir o 
público do museu e entrar em com novas pessoas;
• Adesão de um valor simbólico ao ingresso de 2 a 5 reais, em 
alguns dias da semana. O dinheiro arrecadado teria como 
prioridade a manutenção do espaço na parte estética e assim 
será possível tornar o museu mais atraente para os visitantes. 
• Estabelecer um sistema colaborativo entre os próprios 
moradores, funcionários e outros projetos da Maré para 
promover Bazares e Cantinas Colaborativas a partir de doações 
feitas pelos mesmos. 
LEGENDA
LIMITE DO MUSEU DA MARÉ
RUAS
Distância entreo museu e o ponto de ônibus mais próximo
LOCALIZAÇÃO
O museu está localizado no meio do maior complexo de 
favelas do Rio, a Maré, mais precisamente na Avenida 
Guilherme Maxwell, 26, atrás do antigo Sesi. Localizado 
próximo ao entroncamento da Avenida Brasil com as linhas 
Amarela e Vermelha, sendo a Linha Amarela o caminho 
mais próximo de se chegar ao museu. 
Imagens: Google Earth (2019)
PROBLEMAS DA LOCALIZAÇÃO
Apesar da proximidade com as três vias mais importantes do Rio de 
Janeiro, à saber linhas vermelha e amarela e Avenida Brasil. O 
espaço é compreendido no contexto da cidade como um lugar de 
violência, principalmente a partir da ação midiática, que sempre 
destaca nos noticiários os conflitos entre as facções do narcotráfico 
instaladas no local e as ações policiais. Esta realidade impõe uma 
permanente tensão e o fato de haver um domínio marcado pela 
territorialidade, com limites definidos entre os grupos rivais, acaba 
por reforçar a fragmentação do espaço.
Me diga: quem vai visitar esse museu, logo na Maré,
tão dividida por facções?
Comentário de Tereza — 9/05/2006
Esse negócio de glamourizar favelas em vez de 
promover a sua extinção via remoções ou reurbani-
zação levou o Rio à situação que se vê hoje
Comentário de The Talking Cricket — 9/05/2006
Que lembranças terríveis são essas q as pessoas 
querem tanto guardar na memória. Morar em 
palafitas, sem rede de esgoto e inúmeras dificul-
dades enfrentadas. Sem contar o que já foi dito 
anteriormente. Com a insegurança predominante 
nas favelas, quem irá visitar esse museu? 
Comentário de Isaias — 10/05/2006 (www.nominimo.com.br)
Comentários reais retirados de um artigo encontrado no 
acervo museu sobre a sua inauguração em 2006.
EXPOSIÇÕES
MAPA DAS EXPOSIÇÕES
UM MUSEU EM DOZE TEMPOS
O museu tem como exposição permanente a mostra “12 tempos”, 
que representa os tempos de construção da Maré, entre eles, 
tempo da água, tempo da casa, tempo da migração, tempo da 
resistência, tempo do trabalho, tempo da festa, tempo da feira, 
tempo da fé, tempo do cotidiano, tempo da criança, tempo do 
medo e tempo do futuro que foi substituído por uma exposição 
temporária de vida da Marielle Franco, ex-moradora da Maré e ex-
vereadora.
Ao todo são doze exposições de longa duração (tempos), 
ressignificando o tempo cronológico que tem nesse número uma 
especial referência, pois são doze as horas do relógio e os meses do 
ano. O museu compreende o tempo, ao mesmo tempo, de modo 
diacrônico e sincrônico, ele dialoga com relógios, calendários, 
cronômetros e diferentes ritmos naturais e sociais. 
Os objetos de seu acervo foram reunidos a partir da doação dos 
moradores e o museu é uma das principais fontes de estudos sobre 
a memória e a história da favela e o seu acervo reúne mais de três 
mil e duzentos itens, é composto por mapas, vídeos, fotografias, 
recortes de jornais e outros documentos textuais, objetos pessoais, 
objetos de uso doméstico, alfaias de faina, alfaias religiosas e 
brinquedos.
A exposição foi criada com base na história da Maré e no arquivo 
pessoal de Orosina Vieira, uma antiga moradora do morro do 
Timbaú e uma das precursoras das ocupações iniciais na região da 
Maré, por volta da década de 1930.
TEMPO DA ÁGUA
A primeira sala de exposição é toda azul, um azul intenso e vibrante 
que expressa a cor da maré, a maré que regulou durante anos a 
vida dos moradores da região. Maré baixa, maré alta, sinalizando o 
tempo de chegar em casa e o tempo de permanecer nela. Quando 
a maré ficava alta não dava pra andar nas pontes que ligavam as 
casas de palafitas.
Uma placa sinaliza o “Tempo da Água”, escrita em uma tipografia 
que propositalmente se assemelha as escritas dos barcos antigos 
que transitavam na Baia de Guanabara. Esse tempo tem bastante 
simbologia, além do mais, era o tempo de fartura e de pobreza; 
fartura de peixes, pobreza de saneamento urbano e de condições 
de moradia e saúde.
Nas paredes encontramos fotografias antigas que detalham as 
cenas sensíveis do cotidiano, como por exemplo crianças brincando 
nas pontes de tábuas que dão acesso às casas de palafitas mesmo 
sabendo que qualquer descuido elas poderiam cair na maré. Cenas 
que emocionam e fazem a visitante refletir sobre a vida e de como 
ela é repleta de sentido, imagens e cores.
Em uma das extremidades do “Tempo da Água” encontramos 
diversos artefatos expostos, artefatos esses que buscavam ilustrar o 
modo de vida daquelas pessoas. Dentre todas as coisas, o que salta 
aos olhos são os barris enormes com rodas que serviam para 
transportar a água já que não havia saneamento básico e 
tratamento de água e esgoto. 
Tempo da Água (2018)
Indicação do Tempo da Água com letras que imitam as que 
eram usadas nos barcos (2018) Algumas fotos que ilustram as fases da Maré (2018)
TEMPO DA CASA
O “Tempo da Casa” escrita em uma tipografia que 
intencionalmente se assemelha as placas que eram encontradas 
nas entradas das casas, é um dos tempos com maior impacto ao 
visitante, pois diante da palafita- habitação de madeira apoiada 
sobre estacas o visitante é levado à compreensão da dimensão 
humana, ancestral e arquetípica desse formato de casa. 
Por conta de se tratar de uma região cheio de mangues os recém-
chegados tiveram que construir sobre a lama e começaram a fazer 
casas de palafitas e por esse motivo tornou-se o símbolo maior da 
Maré, que chegou a ser signo da miséria nacional nos anos 80.
A cor da palafita é azul, mas não o azul monótono e frio das 
paredes lisas. “É um azul de muitos tons, que representa cor das 
águas e do céu e da vida, mutável conforme a luminosidade dos 
dias, os anúncios de tempestades, os fluxos do mar e os dramas da 
existência”, como explica um dos organizadores do museu, Antonio 
Carlos Pinto Vieira.
No interior da palafita existem velhas fotos retocadas, um 
calendário antigo, muitos quadros, como por exemplo o Menino 
Jesus de Praga, todos acima da velha cama patente. Sobre o 
guarda-roupa há malas de couro e papelão, denunciando que 
quem vive certamente veio por migração. O telhado é pesado, de 
telhas de barro tipo francesas, em duas águas, de acabamento 
irregular, tem frestas e goteiras.
Da casa de palafitas vemos as roupas no varal de roupas brancas, 
que eram usadas pelas pessoas, uma curiosidade é que elas são 
brancas por conta de serem mais baratas que as coloridas, por 
conta dos tingimentos. Da palafita e é possível ter um panorama 
geral de todos os tempos .
Indicação do Tempo da Casa (2018)
O grande símbolo do museu, uma palafita em tamanho real 
que representa o “Tempo da Casa” (2018)
Interior da palafita (2018)Exterior da palafita (2018)
TEMPO DA MIGRAÇÃO
O espaço é de um tom alaranjado forte quase avermelhado, “cor da 
terra do sertão, de onde vieram os primeiros migrantes” como 
explica Marcelo Pinto Vieira, cenógrafo, morador do Timbau e 
responsável pelo projeto museográfico. Uma placa sinaliza o 
“Tempo da Migração”, escrita em uma tipografia que 
propositalmente se assemelha às utilizadas nos caminhões de pau-
de-arara, bastante marcante no cotidiano daquelas pessoas.
O singelo espaço destinado à memoria dos tempos de migração é 
composto por paredes de pau a pique (feitas de barro e madeira) 
que representam o estilo das casas dos migrantes já que essa 
técnica é de baixo custo e muita das vezes feito com materiais 
encontrados na própria natureza. Entretanto essas construções por 
muito tempo foram diretamente relacionadas à doença de Chagas, 
por conta frestas nas paredes onde o barbeiro (parasita) pode se 
esconder.
Nas paredes encontramos objetos antigos que eram usados nas 
casas, como rádios analógicos que eles usavam para ouvir as 
notícias e outros objetos que podemos dizer que são, 
majoritariamente, nordestinos pelo uso damadeira, revestimento 
em couro, entre outras coisas características do sertão nordestino.
Mais abaixo está disposto uma mesa com três tamanhos de malas, 
nas quais as pessoas colocavam todos os seus bens para a longa 
viagem. Os migrantes, que vinham de pau-de-arara, uma espécie 
de caminhão adaptado com bancos de madeira demoravam 
aproximadamente 4 dias até desembarcarem no Rio de Janeiro e 
muito deles não sobreviviam a viagem devido à precariedade do 
transporte e a superlotação dos caminhão.
Indicação do Tempo da Migração com letras que imitam as 
que eram vistas nos caminhões pau-de-arara (2018)
Artefatos expostos no Tempo da Migração (2018)
Parede de pau a pique (2018)
Coleção de areias, cada garrafa possui um exemplar de areias 
recolhidas pelo mundo todo trazidas pelos visitantes (2018)
TEMPO DO TRABALHO E TEMPO DA RESISTÊNCIA
A primeiro impacto os visitantes ao descerem do “Tempo da Casa” 
são confrontados com uma outra placa: “Tempo do Trabalho” 
escrita de uma maneira a aludir ripas de madeiras. No espaço 
existem algumas fotos indicam o trabalho cotidiano, os 
trabalhadores e seus gestos de trabalho. Varrer as ruas, lavar as 
roupas, fazer obras em mutirão.
O “Tempo do Trabalho” se mistura com o “Tempo da Resistência”, 
até porque muito material de trabalho (tijolos, areia, madeira e 
cimento) serviu para a construção da resistência... Numa pequena 
vitrine, podemos ler notícias em jornais artesanais, documentos 
singelos da união de alguns moradores lutando por melhores 
condições de vida na região e também as primeiras associações de 
moradores. 
Menções à Dona Orosina, mulher combativa que defendia seu 
território portando um temível facão e uma garrucha, líder que 
ficou na lembrança do imaginário popular.
Dona Orosina Vieira, considerada uma das
primeiras moradoras da Maré.
Tempo do Trabalho (2018)
Tempo da Resistência (2018)
A tipografia do “Tempo da Festa” incita a imaginação do visitante a 
lembrar coisas alegres, dada as cores e o arranjo tipográfico ali 
representados.
O “Tempo da Festa” exemplifica as folias, blocos e carnavais que 
tiveram seu início na Maré e no acervo é possível ver o estandarte, 
o bumbo, a cuíca, o pandeiro, símbolos da festa maior dos rituais 
populares, o carnaval
O primeiro bloco que surgiu se chamava “Mataram meu gato” e 
esse nome foi dado a partir da história de uma fatídica moradora 
chamada Maria Dentão que não gostava de muita conversa e 
também não gostava muito dos meninos de sua vizinhança. Sempre 
que a bola caía em seu quintal, ela destruía. Certo dia, os rapazes 
resolveram se vingar. Caçaram o gato de estimação de Maria 
Dentão, e fizeram um ensopado com ele. Maria não demorou a 
descobrir o que acontecera com o bichano, e foi diretamente ao 
posto policial dar queixa do acontecido, bradando 
desesperadamente: "Mataram meu gato, mataram meu gato" e 
assim surgiu o nome do bloco.
TEMPO DAS FESTAS
Tempo da Festa com imagens de festas que aconteceram na Maré e 
também a primeira bandeira do Bloco ‘Mataram meu Gato’ (2018)
O “Tempo da Feira” é um dos tempos com o menor número de 
peças do acervo, pois se trata apenas de um acontecimento no 
cotidiano dos moradores, que são as feiras que vendem frutas e 
legumes. Essa feira ocorria na principal rua da Nova Holanda em 
um trecho de aproximadamente 500 metros, dispostos de barracas 
nas quais os feirantes ofereciam seus produtos aos moradores. 
O acervo possui dois tipos de balanças que eram utilizados pelos 
feirantes, com seus pesos e suas medidas para dar a sensação do 
visitante de total imersão naquela realidade. 
TEMPO DA FEIRA
Tempo da Feira (2018)
A sala é onde é reservado o “Tempo do Cotidiano” é margeada 
por instalações de tijolos, massas de cimento batido, telhas, 
basculantes, emoldurando fotografias de interiores das casas, como 
mulheres com filhos ao colo e cozinhando, crianças sentadas nas 
camas, temos a ilusão de poder observar na intimidade o interior 
das novas casas, aquelas que substituíram as antigas palafitas, 
casas de tijolo, cimento e laje. Casas sólidas e em permanente 
construção, para ilustrar a demora da construção definitiva da 
Maré, convivendo com a fugacidade dos dias, das noites, dos 
moradores, das paisagens. 
Uma instalação que salta aos olhos é a representação de um bar 
simples, no qual há milhares de exemplares de garrafas de bebidas 
que eram facilmente encontradas no cotidiano das pessoas 
naquela época, das mais diversas marcas e tipos, como por 
exemplo engradados de garrafas de vidro da Coca-Cola ou garrafas 
de Jurupinga, uma bebida alcoólica bastante famosa entre os 
jovens. Todas as garrafas foram doadas por moradores da Maré ou 
visitantes dos mais diversos estados do Brasil. 
TEMPO DO COTIDIANO
Tempo do Cotidiano (2018)
Recriação de uma barbearia antiga (2018)
“Botequim” (2018)
Exterior do “botequim” (2018)
Atravessando essa sala plausível observar uma sala fechada com 
uma renda branca, ao adentrar percebemos que é o “Tempo da Fé”. 
No Tempo da Fé ou da religiosidade, não há nenhuma religião 
privilegiada, há uma clara indicação dos hibridismos, das 
miscigenações culturais. É possível observar numa mesma vitrine 
objetos ligados aos cultos afro-brasileiros, ao espiritismo, ao 
catolicismo popular e aos evangélicos protestantes. 
A escultura de Nossa Senhora dos Navegantes que esteve exposta 
durante algum tempo voltou para a igreja; a imagem de São Jorge, 
cedida pela paróquia, está em exposição, mas poderá a qualquer 
momento sair do nicho da cultura e voltar para o seu lugar de culto.
TEMPO DA FÉ
Tempo da Fé (2018)
Panorama geral do Tempo da Fé (2018)
Essas peças são promessas de cura que as pessoas pediam e se 
curadas elas faziam uma prótese do membro em sinal de 
gratidão (2018)
No “Tempo das Crianças” os visitantes se deparam com um cenário 
alegre, no qual os jogos espalhados pelo chão em caixas de areia, 
cobertas por placas de vidro muito resistente. É possível caminhar 
sobre essas placas de vidro, o que produz um sentido lúdico para 
esse setor da exposição. 
Ali estão bolas de gude, patinetes, carrinhos de rolimã, piões, 
pipas, atiradeiras, bambolês, patas de cavalo, petecas, telefones 
sem fio... Brincadeiras de outros tempos, brincadeiras de crianças 
que faziam seus próprios brinquedos e reciclavam sobejos com as 
alegrias infantis. 
TEMPO DAS CRIANÇAS
Tempo da Criança (2018)
Placas de Vidros no chão com brinquedos dentro (2018)
Na tempo do medo, espalham-se tábuas de madeira pelo solo onde 
somos forçados a pisar e tropeçar. Tudo é muito instável, como 
eram instáveis as pontes de tábuas que ligavam as casas de 
palafitas, como ainda hoje é instável a realidade dos moradores da 
Maré. A instabilidade do solo de tábuas é absolutamente proposital 
e por elas somos conduzidos a um espaço escuro, fechado, com as 
paredes pintadas de preto. Pequenas prateleiras com cápsulas de 
balas de vários calibres recolhidas nas ruas da Maré nos indicam 
que ali não há espaço para a descontração. 
O texto exposto na parede sinaliza a gravidade do que se tenta 
exprimir neste setor da exposição: “Quais são os nossos medos? / 
No tempo do medo havia tábua podre,/ Criança caindo na água/ 
Ventania, tempestade, ratos, remoções.../No tempo do medo, 
existe a bala perdida,/ Violência, morte bruta.../O medo que nos 
assombra pode nos paralisar/ Tanto quanto nos motivar a lutar/ 
Pela transformação da realidade.” 
O módulo do “Tempo do Medo” é uma parada estratégica. Ela 
provoca instiga e incomoda os visitantes. São centenas de cápsulas 
de balas amontoadas ao centro do espaço e recobertas por uma 
cúpula de vidro na intenção evidente de formar um monumento. 
TEMPO DO MEDO
Tempo do Medo (2018)
Capsulas de balas (2018)
Na parede há negativos de perfuraçõesnas paredes feitas por 
balas durante os confrontos na comunidade (2018)
Na exposição Retratos da Marielle o intuito do museu foi 
homenagear uma personagem de extrema relevância na 
comunidade da Maré. Marielle Franco foi mulher, negra, mãe e 
socióloga com mestrado em Administração Pública. Em 2016 foi 
eleita Vereadora da Câmara do Rio de Janeiro filiada pelo PSOL, 
com 46.502 votos e foi também Presidente da Comissão da Mulher 
da Câmara, entretanto, no dia 14/03/2018 ela e seu motorista 
sofreram um atentado ao seu veículo, no qual não sobreviveram.
Ela nasceu e cresceu na comunidade, e se apresentava com orgulho 
como "cria da Maré“ e estava envolvida diretamente com vários 
projetos sociais da região.
A exposição trata-se de uma pequena reflexão acerca da trajetória 
de vida da Marielle, com um mapa desenhado na parede apelidado 
de Pontes entre Brasil e Quênia. No quarto em que está a 
exposição, há uma fila de fotos com o rosto da Marielle, cada foto
com um desenho diferente e logo o visitante observa um enorme 
corredor com enfeites pendurados e imagens que fazem parte de 
um vídeo em stop motion em homenagem à Marielle.
RETRATOS DA MARIELLE (EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA)
Marielle Franco, ex-vereadora e ‘cria’ da Maré. 
Marielle Franco em um ensaio fotográfico no
Morro do Timbau (2016)
Retratos de Marielle, criando pontes entre Brasil e Quênia (2018)
Imagens do stop motion espalhadas pela parede (2018)
OBRIGADO
Disciplina:
Elementos de Projeto de Serviço
Professor:
Wandyr Hagge
Ester Oliveira
Isaac Passos
Thayná Barreto
Vitória Souza
Vivian Marinho

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