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SUMÁRIO 
 
Introdução.................... .................................................................................... 2 
Marcos Internacionais de Memória ................................................................... 3 
Marcos Nacionais de Memória Século XIX ..................................................... 20 
O momento atual e a Educação Física ........................................................... 32 
A nossa missão; um compromisso para a toda a vida .................................... 33 
Referências ………………………………………………………………………….33 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
https://trabalhosparaescola.com.br/historia-da-educacao-fisica/ 
 
Quando se pensa sobre a história da Educação Física escolar no Brasil, é 
muito importante lembrar que a sua recomendação, introdução e permanência na 
educação formal ocorreu em um cenário de época bastante conservador; ocupou 
um espaço físico modesto e foi marcada por uma história social com muitos 
percalços. 
Filha das fileiras militares, guiada por preceitos médicos, os nossos 
primeiros professores de gymnástica foram os soldados de D. Leopoldina. Princesa 
austríaca, e Imperatriz do Brasil, D. Leopoldina trouxe consigo um grupo pequeno, 
porém, muito importante formado por cientistas e pela sua guarda pessoal. Esta 
guarda pessoal praticava exercícios que foram adotados pelos nossos soldados. A 
partir deste fato, a prática da gymnástica foi gradualmente “ganhando 
espaços”. Vencendo os costumes, combatendo o preconceito e ampliando seus 
conteúdos a citada prática motora de então, hoje, educação física, é oferecida aos 
escolares brasileiros sem distinção de sexo, gênero ou classe social. 
 
Educação Física Escolar é um elemento do processo educacional formal, 
que tem como meio específico as atividades físicas exercidas a partir de uma 
intenção educativa, possibilitando o desenvolvimento das dimensões cognitiva, 
afetivo-social e motora de crianças e adolescentes através de exercícios ginásticos, 
jogos, esportes, danças e lutas. Para se abordar as manifestações da Educação 
Física escolar brasileira, requer, primeiramente, que se estabeleçam alguns marcos 
de memória gerais que contribuíram para o seu desenvolvimento. Uma definição de 
partida concerne à interpretação temporal do corpo que, pouco valorizado no 
período medieval, reconquistou seu espaço no período renascentista, tendo o 
exercício físico denominado de ginástica desde o século XVIII, recebido maior 
ênfase na escola. 
 
MARCOS INTERNACIONAIS DE MEMÓRIA 
 
1423: A escola La Giocosa de 
Mantova foi estabelecida por Vittorino 
Rambaldoni da Feltre no norte da Itália, 
primeiro educador a colocar a educação do 
corpo no mesmo nível das disciplinas tidas 
como intelectuais. 
Século XVII: A Educação Física não era considerada como um aspecto 
essencial da educação para ser tratado, salvo em raras exceções. 
Século XVIII: A Educação Física já era alvo de atenção a qual eram 
buscadas soluções, apesar de que, na maioria dos casos, as mesmas se 
fundamentassem em mero empirismo. 
 
1762: Jean Jacques Rousseau (1712-1778), 
enciclopedista e pedagogo suíço, escreveu e publicou a 
obra “Emílio ou da Educação” em que foi ressaltada a 
importância do exercício do corpo e do espírito. A 
Educação F ísica ocupou uma importante função na 
concepção de Rousseau, já que era considerado um dos 
meios mais seguros para se estabelecer relações naturais entre o homem e as 
coisas (experiência que a criança adquiria sob a ação das 
coisas externas). 
1774: Johann Bernard Basedow (1723-1790), 
estabeleceu sua escola-modelo – Philanthropinum, em 
Dessau, Alemanha, onde a ginástica estava incluída no 
currículo escolar e possuía o mesmo status que as disciplinas intelectuais. 
Inicialmente, nessa instituição eram praticadas atividades originárias dos tempos 
medievais como a equitação, o volteio, a natação, a esgrima, a dança e os jogos, 
posteriormente, foram acrescentados exercícios naturais como o correr, saltar, 
arremessar, transportar e trepar. 
1784: Christian Gotthilf Salzmann (1744-1811), pedagogo e 
educador alemão, criou um estabelecimento semelhante ao de 
Basedow, localizado, também, na Alemanha, na cidade de 
Schnepfenthal. Era, nele, acentuada a importância da educação 
sensorial para a formação física, para o desenvolvimento e 
aperfeiçoamento da capacidade intelectual do educando, como também, 
desenvolvido o interesse educativo do esforço, que deveria ser executado de 
acordo com as possibilidades dos alunos. 
 
1785: Johann Christoph Guts Muths (1759-1839), educador alemão, iniciou a 
lecionar como professor de Ginástica no Instituto de Schnepfenthal, fundado por 
Salzmann, e lá permaneceu por 54 anos. A Educação Física para Guts Muths 
possuía, então, o objetivo de exercitar uma ação educativa destinada a harmonizar 
o corpo com as forças espirituais e morais e desenvolver, na criança, qualidades e 
capacidades que lhe permitisse superar obstáculos de caráter físico. Observa-se, 
também, a sua preocupação em proporcionar às mulheres atividades físicas, 
fundando a primeira escola de ginástica feminina onde os exercícios físicos eram 
adaptados ao sexo, como, também, possuía a consciência do valor que o esporte 
oferecia à formação física e da personalidade da juventude. 
 
1794: Gerhard Ulrich Anton Vieth (1763-
1836) publicou o primeiro de três volumes de sua 
obra “Ensaios de uma Enciclopédia dos 
Exercícios do Corpo” (Versuch einer 
Enzyklopädie der Leibesübungen), onde atribuía 
importância à prática do exercício físico para a 
formação moral e física do indivíduo e insistia na obrigatoriedade de Educação 
Física nos âmbitos da escola e da universidade. Afirmando que os exercícios 
físicos deveriam visar o aperfeiçoamento completo do corpo humano, Vieth os 
 
classificava de acordo com as diferentes partes do corpo em exercícios simples e 
combinados. Preferia, entretanto, classificá-los em exercícios passivos (exercícios 
de oscilação, atitudes, fricções e massagens, banho e exercícios de 
endurecimento) e exercícios ativos, que se dividiam em exercícios para os sentidos 
e para os membros, como marchar, corridas, exercícios de trepar, saltos, dança, 
exercícios de tração e de repulsão, lançamentos, lutas, esgrimas, volteios e 
transporte de fardos, além da patinação, do tiro, da equitação e de jogos diversos. 
Vieth tornou-se o primeiro professor de ginástica a demonstrar a necessidade de se 
proporcionar ao exercício físico uma base anátomo-fisiológica tendo em vista a sua 
preparação científica, que lhe permitia compreender e delinear os efeitos biológicos 
e higiênicos da ginástica, como também, estabelecer uma relação de causa e efeito 
entre a atividade física e as suas influências sobre o corpo. 
1799: Vivat Victorius Franziskus Nachtegall 
(1777–1847 ), educador dinamarquês, influenciado por 
Guts Muths, inaugurou seu ginásio particular ao ar 
livre, primeira instituição européia dos tempos 
modernos, direcionada exclusivamente ao ensino da 
Educação Física, que ocupou lugar de destaque nos 
meios educacionais europeus por mais de 25 anos. 
Nachtegall acreditava num programa de Educação 
Física de natureza ampla, mas, com a destruição de seu Instituto pelos 
bombardeios a Copenhague durante as guerras Napoleônicas (1801 a 1814), foi 
forçado, pelas circunstâncias, a atribuir uma característica militar a seu programa. 
Embora não tenha estabelecido um novo sistema de ginástica na Dinamarca, 
organizou e sistematizou a prática da Educação Física de uma forma não 
 
observada, na época, em outros países. É, também, considerado o primeiro 
educador a mencionar a utilização de colchõescomo forma de segurança. 
Século XIX: Foram observadas 
preocupações metodológicas do ensino da 
Educação Física, principalmente, na primeira 
metade, em vários países europeus. Certamente 
que o crescimento e interesse pelos problemas da 
Educação Física, em 1800, deu-se com base em experiências pedagógicas dos 
enciclopedistas, dos filantropos, de Pestalozzi, Fröbel entre outros. O 
desenvolvimento das escolas públicas alemãs para as massas aconteceu no século 
XIX. As sociedades ginásticas intituladas Turnvereine, logo que se constituíram, 
não alteraram as práticas escolares nem introduziram a ginástica nas escolas, 
tinham, entretanto, a tendência de agir de forma suplementar ao trabalho escolar, 
em vez de nelas assegurar o espaço para a prática da Educação Física. A 
Educação Física, em particular a ginástica, passou a ser introduzidas nas escolas 
públicas com caráter obrigatório. Entretanto, a imposição legal da obrigatoriedade 
freqüentemente não era atendida por falta de meios adequados para a sua prática 
e porque os objetivos pretendidos eram baseados em doutrinas com pouca 
fundamentação científica e orientação pedagógica, como também, metodologia 
inadequada. 1801 Nachtegall tornou o ensino da ginástica compulsório numa 
escola pública de ensino fundamental freqüentada por crianças de baixo poder 
aquisitivo, em 1801. Pode-se, então, observar que a Dinamarca, tornou-se o 
primeiro país a exigir o ensino da Educação Física nas escolas públicas de ensino 
fundamental e médio, administrada diariamente fora do horário escolar com 
 
previsão para a utilização de aparelhos e espaço externo entre 96 a 144 metros 
quadrados para essa prática. 
1804: Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827), 
suíço, educador por excelência e pedagogo influenciado 
por Rousseau, estabeleceu, no Castelo de Yverdon na 
cidade de Yverdon, nas cercanias do Lago NeuChâtel, 
Suíça, seu instituto de educação onde aplicou suas ideias 
educacionais. A Educação Física, ou melhor, a ginástica 
era considerada um meio de formação do espírito, sob o 
ponto de vista intelectual, e uma forma de desenvolvimento moral e estético, sob o 
ponto de vista da moral e da beleza. Observa-se, assim, a influência formativa do 
exercício físico, no desenvolvimento integral do indivíduo. Pestalozzi, também, 
considerava que o movimento era uma necessidade natural, indispensável à 
criança e a Educação Física, um meio de formação física e de desenvolvimento 
sensorial e estético essencial na educação e na saúde da juventude. 
1807: Foi aprovada uma legislação na Suécia que determinava que, em 
cada estabelecimento de ensino, de acordo com as suas possibilidades, deveriam 
ser disponibilizados locais para a prática da ginástica onde seriam praticadas 
atividades de saltar, trepar, fazer volteios, nadar entre outras, sob a supervisão de 
um mestre (professor). Nota-se que Pehr Henrik Ling (1776-1839), embora tenha 
tido a intenção de desenvolver a ginástica escolar através de sua ginástica 
pedagógica, somente teve essa idéia concretizada através de seu filho Hjälmar 
Frederick Ling. 
 
1820: Foi determinado na Suécia que não poderiam ser dispensados da 
prática da ginástica os jovens considerados inaptos para tais atividades, a não ser 
aqueles autorizados pela direção do estabelecimento. 
1823: A Round Hill School foi criada por Joseph Cogswell (1786- 1871) e 
George Bancroft (1800-1891), na cidade de Northampton, Massachusetts, Estados 
Unidos. A escola utilizava a instrução individual e primava pela preservação da 
saúde e melhoria dos aspectos moral e mental das crianças. Os fundadores da 
escola acreditavam que uma forma de se alcançar tais objetivos era através do 
estabelecimento de um programa de Educação Física, assim, foram, então 
incluídas aulas de dança, de equitação e de ginástica, esta última, ministrada por 
Charles Beck (1798-1866), discípulo de Jahn. A Round Hill School tornou-se 
pioneira na inclusão da atividade física como parte integral do currículo escolar nos 
Estados Unidos. Inicialmente, a prática da Educação Física nas escolas 
fundamentais era prerrogativa dos meninos, apenas. Em 1825, William Bentley 
Fowle (1795-1865) introduziu em sua escola de meninas, em Boston, 
Massachusetts, a utilização de aparelhos como barras e as roldanas para serem 
usadas nos horários de recreio. 
1826: Friedrich Fröbel (1782-1852), pedagogo alemão, fundador dos jardins 
da infância, discípulo e continuador das ideias de Pestalozzi, escreveu a obra 
Educação do Homem em que era salientada a importância da manutenção de um 
corpo vigoroso e ativo. Fröbel retorna à idéia de Platão e de Vittorino da Feltre, mas 
a ultrapassa ao afirmar que os exercícios corporais conduziam a criança a um 
conhecimento claro da estrutura interna de seu corpo, levando-a a sentir, com 
maior intensidade, as conexões mútuas internas da atividade de seus membros. Ao 
defender a idéia de se utilizar o jogo e os exercícios ginásticos com um sentido 
 
recreativo e de educação sensorial, acompanhados de música e de canto na 
educação pré-escolar, demonstrou a sua preocupação em relacionar a Educação 
Física, intelectual e moral da criança à formação de sua personalidade. 
1857: o superintendente das escolas de Cicinnati, Ohio, Estados Unidos, 
propôs que todos os professores contratados deveriam aprender um sistema de 
ginástica adaptado a todas as séries do ensino fundamental. 
1863: Foram alteradas de 4 para 6 horas de ginástica e de exercícios com 
armas, para as classes mais adiantadas e para as mais atrasadas, 3 horas apenas, 
na Suécia. Assim, mesmo com esses dispositivos legais, a ginástica pedagógica de 
Ling não conseguiu ser desenvolvida. 
1864: O Instituto Central Real de 
Ginástica, fundado por Pehr Henrik Ling em 
1814, foi reorganizado, assumindo o 
controle da ginástica escolar seu filho 
Hjälmar Frederick Ling (1820-1886). Ao 
desenvolver a ginástica escolar ou higiênica, 
este recebeu o título de pai da ginástica escolar sueca, disseminando a prática de 
tal atividade nas escolas suecas com o apoio de Ellin Falk (1872- 1942), Inspetora 
de Ginástica das Escolas Elementares de Estocolmo, criadora da ginástica 
moderna infantil adaptada às características psíquicas da criança e às suas 
necessidades lúdicas. Enquanto que no século 
XIX os sistemas ginásticos, centrados na saúde 
do corpo, na perfeição física e de movimentos e 
utilizados como forma de servir à nação estavam 
sendo transformados em programas de Educação 
 
Física na Alemanha e na Escandinávia, na Inglaterra, as escolas públicas estavam 
vivenciando uma outra forma de educação, através de jogos e esportes, cuja 
ênfase estava nos valores de honestidade, jogo limpo (fair play), espírito esportivo, 
esforço individual, iniciativa e coragem. 
1866: Foi inaugurada a Escola Normal da União de Ginástica Norte-
Americana, que formava professores de ginástica de acordo com o movimento 
alemão de Jahn, com enfoque no treinamento físico. No curso, com duração de um 
ano, desenvolvido à noite, os alunos estudavam história e objetivos da Educação 
Física, anatomia, primeiros socorros, dança e ginástica combinada com métodos de 
ensino. 
1874: August Hermann (1835-1906), professor de 
ginástica na escola de ensino médio – Ginásio Martino 
Katharineum – em Brunswick, Alemanha, após 
permanecer por algum tempo na Inglaterra, ficou tão 
convencido da importância do jogo como poder educativo 
que introduziu a prática do rugby nas escolas de meninos, 
sendo seguido pela implantação do baseball americano em 1875 e o críquete, em 
1876. 
1877: Na Suécia, com a visita do professor e capitão Lars Mauritz Törngren 
(1839-1912), diretor do InstitutoReal Central de Ginástica de Estocolmo, às escolas 
públicas inglesas, foi escrito um livro sobre jogos escolares. 
1880: Em Hartford, Cicinnati, Estados Unidos, nas duas escolas de meninas 
de Catharine Beecher (1800-1878), eram realizados exercícios semelhantes à 
ginástica sueca de Ling, quando começou a ser divulgada nos Estados Unidos. 
Outros planos e sistemas de Educação Física foram introduzidos nos Estados 
 
Unidos a partir da década de 1880, incluindo o sistema ginástico sueco cujo 
precursor foi Hartwig Nissen (1855-1924), que o introduziu em Washington, DC e, 
posteriormente, em Boston. Outro divulgador deste sistema foi Nils Posse (1862-
1895) em Boston, Massachusetts que estabeleceu uma escola de formação de 
professores que muito contribuiu para a popularidade da ginástica sueca, no 
continente norte-americano. A Educação Física curricular no século XIX possuía, 
principalmente, natureza corretiva, com ênfase na prática de exercícios formais. Os 
sistemas de Educação Física utilizados nas escolas americanas eram os de origem 
européia e escandinava. Poucas eram as salas específicas para os exercícios 
físicos nas escolas públicas dos Estados Unidos. As aulas eram ministradas nas 
salas de aula regulares, reunindo um grande número de alunos num pequeno 
espaço, e os professores não estavam preparados pedagogicamente para ministrar 
atividades físicas. O sistema sueco de ginástica começa a ser mais aceito do que o 
sistema alemão, pois o primeiro não era praticado com aparelhos, era mais flexível 
no que se refere às condições de oferta do que a ginástica alemã. 
1884: Pierre Fredi, Barão de Coubertin (1863-1937), 
ao visitar a Inglaterra, conheceu as doutrinas pedagógicas 
de Thomas Arnold e o deixou convencido da repercussão 
que o movimento desportivo poderia ter na educação da 
juventude e na melhoria do entendimento entre as classes 
sociais, os povos e as nações do mundo contemporâneo. Ao 
retornar à França, tentou utilizar a estrutura dos jogos como instrumento 
pedagógico para revitalizar a juventude francesa. 
1892: Na convocação da Associação Americana para o Avanço da 
Educação Física-AAAPE, hoje conhecida como American Alliance for Health, 
 
Physical Education, Recreation and Dance (Aliança Americana para a Saúde, 
Educação Física, Recreação e Dança) – AAHPERD, Nils Posse, defensor do 
sistema ginástico sueco, face ao que foi intitulado de “batalha dos sistemas”, entre 
os defensores dos sistemas de ginástica sueco e alemão, sugeriu que os sistemas 
de ginástica estrangeiros fossem substituídos por um sistema nacional baseado 
nas necessidades do povo americano. Para esta idéia, contribuiu John Dewey 
(1859-1952) que sugeria mudanças no processo educacional, com enfoque na 
criança. A Educação Física nova propunha um ambiente no qual as crianças 
pudessem vivenciar experiências sociais e psicomotoras. Aqueles programas 
tradicionais que não utilizassem o jogo e a dança associados à atividades 
espontâneas, não mais atingiriam as necessidades de desenvolvimento das 
crianças. Assim, a Educação Física deveria se tornar o componente principal no 
currículo escolar. Estes foram os indícios de uma mudança de paradigma, isto é, da 
utilização de sistemas rígidos de Educação Física para uma Educação Física nova, 
mais centrada no desenvolvimento integral da criança. 
1896: Observa-se a influência do movimento inglês na Dinamarca através de 
Wilhelm Bardenfleth, Ministro da Igreja e de assuntos Escolares quando enviou 
uma circular para todas as autoridades escolares, solicitando a inclusão dos jogos 
no programa de Educação Física das escolas públicas dinamarquesas. No ano 
seguinte, um orçamento, por um período de 3 anos, foi encaminhado ao Comitê 
Nacional para a promoção de jogos entre escolares dinamarqueses. Observa-se, 
então, que esta atitude estimulou o desenvolvimento de um novo enfoque à prática 
da ginástica nas aulas de Educação Física. 
1908: A Educação Física Escolar recebeu impulso na Suécia, por Elin Falk 
(1872-1942) quando ocupava o cargo de inspetora de Educação Física das Escolas 
 
Primárias de Estocolmo. Nota-se que Elin Falk criticava a ginástica escolar 
preconizada por Ling, na época, por sua rigidez de movimentos e de atitudes com 
conotação militarista, pelo conteúdo corretivo que limitava a liberdade de ação e o 
sentimento de liberdade da criança, pelo excesso de exercícios de ordem, pouco 
justificados e pelo excesso e falta de adequação nas vozes de comando. Ao 
observar crianças que jogavam entre si, fora da atividade escolar, notou que o 
faziam de forma alegre, com vivacidade e entusiasmo o que não era observado nas 
aulas de ginástica, então ministradas nas escolas. Para interferir neste processo, 
acrescentou nas aulas de Educação Física os jogos, as rodas, os exercícios em 
forma de jogo e as sessões historiadas. Ellin Falk é considerada a criadora da 
ginástica moderna infantil, essencialmente adaptada às características psíquicas da 
criança e às suas necessidades lúdicas, acreditava que a finalidade da ginástica 
era libertar o corpo e a alma para alcançar o indivíduo a sua totalidade. 
1910-1930: Período em que Josef Gottfrid Thulin (1875-1965) dominou a 
ginástica na Suécia. Ao tratar da Educação Física para crianças de 6 a 8 anos, 
dizia que a sessão deveria enfocar vários temas e os exercícios, deveriam ser 
ministrados em forma de jogo, com a finalidade de desenvolver as qualidades de 
observação, de criatividade, de vivacidade e de coragem da criança, como também, 
da confiança em si próprio. Pretendia, então, constituir um todo coerente em que as 
formas de exercícios e de jogos dariam expressão às ações de uma narração ou de 
um conto, também conhecido como sessão historiada de exercícios. Foi, também, o 
introdutor das sessões historiadas ou contos do movimento nas práticas infantis, 
assinalando a transição da concepção anátomo-fisiológica, característica principal 
do sistema de Pehr Henrik Ling, para o enfoque psicológico-social. 
 
Década de 1920: Período em que Karl Gaulhofer (1885-1941) e Margarete 
Streicher (1891 -?) estabeleceram a filosofia da escola austríaca de ginástica. A 
ginástica escolar ou natural austríaca de Gaulhofer e de Streicher, contribuiu para o 
desenvolvimento da Educação Física Escolar. Influenciado por Jahn e Spiess e 
familiarizado com as obras de Guts Muths e Vieth, Gaulhofer desenvolveu seu 
próprio programa de Educação Física, incluindo uma variedade de atividades e 
respeitando a individualidade da criança. A ginástica escolar austríaca, 
contrapondo-se aos outros sistemas europeus que previam exercícios com 
movimentos criados artificialmente, considerava a Educação Física como educação 
do indivíduo e o corpo, seu ponto de aplicação. Os exercícios físicos tinham o 
objetivo principal de desenvolver os movimentos necessários para a vida cotidiana 
e para o trabalho físico aos quais as pessoas estavam engajadas. Assim, era 
postulado que a ginástica natural compreendia todos os meios de formação 
empregados dentro e fora da escola e que, ao se exercitar o corpo, seguindo 
princípios pedagógicos rígidos, tinha-se como objetivo educar o homem em sua 
totalidade. 
1930-1945: Período de amadurecimento dos estudos sobre o 
desenvolvimento motor, a partir da Inglaterra. A abordagem desenvolvimentista 
partiu de estudos feitos primeiramente por Arnold Gesell, em 1928, e Myrtle 
McGraw, em 1935, a partir da perspectiva maturacional que argumentava ser o 
desenvolvimento uma função de processos biológicos que resultavam na aquisição 
da habilidade motora infantil; Mary Shirley, em 1931, e Nancy Bailey, em 1935, 
cujos estudos estavam relacionados ao interesse pelo relacionamento damaturação e de processos de aprendizado com o desenvolvimento cognitivo. 
Monica Wild, em 1938, realizou a primeira investigação abordando os padrões 
 
motores desenvolvimentistas em crianças em idade escolar. Após a segunda 
grande guerra, as investigações se concentravam na descrição das capacidades de 
desempenho motor de crianças, liderados por Anna Espenschade, Ruth Glassow e 
G. Lawrence Rarick. 
1933: Deu-se a implementação do programa Movimentando-se e Crescendo 
(“Moving and Growing”) e Planejando o Programa (“Planning the Programme”) em 
substituição ao Plano de Treinamento Físico para as Escolas primárias inglesas, 
pelo Departamento de Educação da Inglaterra, estendendo-se o movimento 
expressionista alemão, através de Rudolf von Laban (1879-1958), ao campo 
educacional. Nota-se a influência de Laban nessa nova proposta, através do estudo 
da arte do movimento que propunha a substituição do ritmo de classe imposto pelo 
professor e da posição ocupada pela ginástica na educação, pelo movimento e 
pelas atividades individuais. Assim, Laban defendia a idéia de que para as crianças 
realizarem movimentos adequados deviam passar pelas etapas da exploração, da 
experiência e da repetição, assegurando-se a elas, o desenvolvimento de formas 
pessoais de movimentos. 
1945: É apresentado, em dezembro, por Maurice Baquet, diretor técnico do 
Instituto Nacional de Esportes da França-INS, após longa discussão entre técnicos 
e representantes de cada federação esportiva francesa, o projeto da Educação 
Esportiva que contribuiu para a introdução do esporte nas escolas de ensino 
fundamental, como também, nas de ensino médio. É atribuído ao Dr. Bellin de 
Coteau, a sistematização do método esportivo. A Educação Física Esportiva 
Generalizada surgiu como uma opção mais prazerosa do que o exercício físico feito 
por mera obrigação. Era, então, proposta uma atividade corporal voluntária a jovens 
franceses de ambos os sexos que não conheciam a satisfação do esforço físico, do 
 
domínio corporal e da exaltação de seu ser. Os vários métodos de Educação Física 
utilizados na França e em outros países europeus tornaram-se inoperantes, porque 
não levavam em consideração o fator psicológico, elemento preponderante. A 
expressão Educação Física conotava apenas o aspecto físico e não a melhoria ou 
manutenção da estrutura corporal. Ao desenvolver uma educação integral, a 
Educação Física Esportiva atuava simultaneamente sobre o corpo, o espírito, o 
caráter e sobre o senso social do indivíduo, através da utilização do desporto, isto 
é, da iniciação desportiva e do treinamento desportivo generalizado ou 
especializado. O esporte e a Educação Física, não eram um fim em si mesmos, 
mas um meio de formação e preparação para a vida. Assim, a iniciação esportiva 
generalizada proporcionaria à criança, a partir dos 6 anos de idade, uma iniciação à 
vida social e coletiva, através de jogos e competições esportivas; iniciação ao 
esforço progressivo, dosado em relação à idade e as possibilidades fisiológicas das 
crianças e iniciação técnica a qualquer esporte. 
Década de 1960: Período em que a Educação Física Infantil se 
fundamentou nas questões da psicomotricidade, com enfoque reeducativo e após, 
terapêutico. A psicomotricidade, além de incorporar, inicialmente, o mesmo 
paradigma da Educação Física, através da ginástica, da dança, do jogo e do 
esporte, utilizou a primeira, através de diferentes grupos de exercícios, no 
diagnóstico de variáveis físico-motoras ou no tratamento re-educativo terapêutico 
de crianças. Observa-se, então, que a psicomotricidade, como também, a 
Educação Física é utilizadas no âmbito da Educação Física Escolar numa 
perspectiva educativa. A Educação Psicomotora, vertente da psicomotricidade, é a 
ação psicológica e pedagógica que utiliza os meios da Educação Física com o 
objetivo de normalizar ou melhorar o comportamento da criança. Assim, parte dos 
 
pressupostos re-educativo e terapêutico cuja finalidade é de normalizar o 
comportamento da criança, tomando como referência o diagnóstico através de 
provas de avaliação do perfil psicomotor, e do pedagógico, que busca a melhoria 
dos padrões motores de comportamento através de grupamentos de exercícios 
utilizados pela ginástica. Entre os defensores da Psicomotricidade encontram-se 
Picq e Vayer. Le Boulch defende a idéia de que a educação básica pelo 
movimento, associada aos jogos e as atividades esportivas, constituem um meio 
educativo primordial que deveria ocupar um lugar de destaque no ensino de 
crianças na faixa etária de 6 a 14 anos. Lapierre, Vayer, Aucouturier, Costalatt, 
entre outros, inicialmente adotaram uma postura re-educativa-terapêutica para, 
posteriormente, expandirem suas ideias para o aspecto educativo. Tais estudiosos 
fizeram uma inovação no âmbito do exercício físico, e por extensão, no da 
Educação Física Escolar, determinando novas variáveis de investigação e de 
diagnóstico relativos ao desenvolvimento de habilidades motoras das crianças. 
Décadas de 1960 e de 1970: os estudos sobre a abordagem 
desenvolvimentista foram direcionados para a aquisição de padrões motores 
maduros fundamentais. Observou-se, então, um período normativo-descritivo nas 
investigações relativas ao desenvolvimento motor. 
Décadas de 1980 e 1990 O enfoque das investigações concentrou- se na 
compreensão dos processos subjacentes envolvidos no desenvolvimento motor, ao 
invés de se centralizar no produto do desenvolvimento. Observa-se, então, a 
contribuição de Esther Thelen e de Jane Clark e colaboradores na formulação da 
teoria de sistemas dinâmicos de desenvolvimento motor. 
1992: A abordagem ecológica do desenvolvimento humano, de Urie 
Bronfenbrenner surgida, como teoria, a partir de 1992, com a publicação de sua 
 
Teoria dos Sistemas Ecológicos, considera de forma equilibrada, a questão pessoa-
contexto. Ao caracterizar o ser humano em desenvolvimento, como alguém ativo 
em seu meio, inter-relacionando-se com outras pessoas direta ou indiretamente, 
amplia a visão de homem e de mundo, ao considerar as dinâmicas que se 
estabelecem entre as pessoas e seus contextos e as transformações daí advindas. 
1999: A Agenda de Berlim vem a público depois de uma reunião 
internacional com mais de 500 representantes de 60 países, convocada pelo 
International Council of Sport Science and Physical Education-ICSSPE. Este 
documento listou os problemas comuns diagnosticados em mais de 50 países 
quanto à prática da Educação Física (pesquisa sob responsabilidade de Ken 
Hardman da Universidade de Manchester, Inglaterra). De um modo geral foi 
constatado um estado de retrocesso da Educação Física Escolar em escala 
mundial, em grande parte devido à impossibilidade da escola e dos órgãos 
dirigentes da educação manterem adequadamente as atividades físicas e jogos nos 
currículos, já saturados por demandas de novos conhecimentos. Foi aventada 
ainda a possibilidade da extinção da Educação Física nas escolas, pela extensão 
do problema tanto nos países ricos como pobres. A Agenda – nome derivado do 
fato de ter sido feito um elenco de recomendações a serem implementadas pelos 
países signatários – foi então orientada no sentido de redefinir a Educação Física 
na área de saúde mais sensível e envolvida com os benefícios das atividades 
físicas em qualquer país (vide texto da Agenda de Berlim, em destaque neste 
capítulo). Logo se seguindo à emissão da Agenda, realizou-se a Terceira 
Conferência Internacional de Ministros e Representantes Oficiais responsáveis pela 
Educação Física e Esporte-MINEPS III, em Punta Del Este – Uruguai de 30 de 
Novembro a 3 de Dezembro de 1999, quando se referendou as recomendações de 
 
Berlime tendo o Brasil como um de seus signatários (vide textos da Agenda de 
Berlim e da MIMEPS III em destaque, neste capítulo). 
 
MARCOS NACIONAIS DE MEMÓRIA SÉCULO XIX 
 
No Brasil, desde o início deste século houve manifestações relacionadas à 
Educação Física. Na origem, os primeiros vínculos se referiram às instituições 
militares e à classe média, sendo conduzidos para caminhos higienistas, que 
visavam à melhoria da condição de saúde e de higiene da população brasileira. 
Favorecendo a educação do corpo, objetivava a constituição de um físico saudável 
e equilibrado organicamente, menos suscetível às doenças. Associado a essas 
ideias, observava-se nos meios políticos e intelectuais, uma preocupação com a 
eugenia já que o contingente de escravos negros era relativamente grande e 
poderia gerar, segundo aquela concepção, uma desqualificação da raça branca. A 
Educação Física, neste contexto, juntamente com a educação sexual, 
sensibilizaram os brasileiros para manterem a “pureza” e a “qualidade” da raça 
branca. Apesar dos pressupostos higiênicos, eugênicos e físicos da Educação 
Física serem defendidos, a prática das atividades físicas era um tanto prejudicada, 
pois havia, no período, uma associação do trabalho físico ao trabalho escravo. 
Essa relação gerava na sociedade uma discriminação no que tange à prática das 
atividades físicas que, de certa forma, dificultou a sua obrigatoriedade nas escolas. 
1834: Primeiro aluno brasileiro é matriculado no Philanthropinum de 
Schnepfentahl, na Alemanha, escola modelo de Educação Física na Europa, e que 
foi seguido por mais três dezenas nos anos seguintes, vindos de varias regiões do 
Brasil. 
 
1837: Antonio Ferreira França possibilitou, em cada escola paroquial de 
primeiras letras do Município do Rio de Janeiro – então capital do país –, o ensino 
da ginástica e defesa do corpo, natação, equitação e dança. 
1851: É registrado, através do Decreto No. 630, de 17 de setembro, a 
reforma dos ensinos primário e secundário do Município da Corte no qual nada 
consta sobre a obrigatoriedade do ensino da Educação Física (ginástica) nas 
escolas. 
1854: O deputado e Ministro do Império, Luiz Pedreira do Couto Ferraz 
aprova o “Regulamento da Instrução Primária e Secundária do Município da Corte” 
que incluía no ensino fundamental (primário, na época) das escolas públicas, a 
ginástica. 
1855: Em 17 de fevereiro, é aprovado o regulamento do Colégio D. Pedro II 
(colégio modelo do país) que previa o ensino da dança e de exercícios ginásticos, 
durante as horas de recreação dos alunos. 
1876: O regulamento do Colégio D. Pedro II 
foi alterado, através do Decreto No.6.130, de 
primeiro de março, pelo qual o ensino da ginástica 
continuava obrigatória aos alunos. Ficava, 
entretanto, ao critério dos diretores (reitores, na época) a dispensa dos alunos que 
estivessem impossibilitados de praticá-la. Os alunos que se distinguissem nas 
aulas de ginástica, receberiam uma menção nas notas de aprovação relacionadas 
a cada ano escolar. 
1877: O Decreto No. 6.479, de 18 de janeiro, aprovou o regulamento para as 
escolas públicas de instrução primária no Município da Corte que dividia as escolas 
de instrução primária em duas classes: as que pertenciam à instrução primária 
 
elementar com denominação de 1o. grau e as complementares, chamadas de 2o. 
grau. O ensino da ginástica era previsto nas escolas primárias de 1o. grau. 
Salienta-se que o ensino da ginástica não era obrigatório a não ser três anos após 
a promulgação do regulamento em questão, para que os professores pudessem se 
habilitar no ensino dessa disciplina. 
1879: Contribuição de Rui Barbosa através de seu parecer, em nome da 
Comissão de Instrução Pública, sobre a reforma decretada pelo ministro Leôncio de 
Carvalho. O parecer, emitido em setembro de 1882, previa a ginástica para os 
meninos nos dois primeiros anos da escola primária elementar e calistenia, para as 
meninas. Nos dois anos de estudos seguintes, chamados de escola primária média, 
seria observado a mesma prática do período anterior. Na escola primária superior, 
isto é, nos quatro anos que se seguiam, seriam oferecidos: a ginástica e os 
exercícios militares para meninos e calistenia para meninas. 
1882: Em 9 de janeiro é aprovado o programa de ensino que deveria ser 
observado, provisoriamente, nas escolas públicas de instrução primária do 
Município da Corte em que a ginástica, através de exercícios de corpo livre, 
constituía-se em matéria facultativa a ser ministrada no intervalo das aulas, isto é, 
das 11:30 ás 13:30. Apresentação do parecer sobre a Reforma do Ensino Primário, 
na sessão de 12 de setembro de 1882 da Câmara dos Deputados. Rui Barbosa, 
além de defender a inclusão da ginástica nas escolas, equiparou os professores de 
ginástica aos das outras disciplinas, destacando a necessidade de se ter um corpo 
saudável para sustentar as atividades intelectuais. Seu parecer sobre a Reforma do 
Ensino Primário, repercutiu, também, em outros estados brasileiros, além do 
Município da Corte. Observa-se, no Amazonas e no Pará, medidas que davam uma 
 
posição de destaque à Educação Física. Apesar de ter sido aprovado seu projeto 
na Câmara dos Deputados, jamais foi posto em execução. 
1883: O regimento interno para as escolas públicas primárias do Município 
da Corte é aprovado em 6 de novembro e previa a prática de exercícios de 
ginástica durante as pausas existentes entre as aulas, de meia hora cada. O ensino 
da ginástica compreendia exercícios de corpo livre, consistindo de flexões, 
extensões, passos, marchas, carreiras e saltos. 
1885: A prática da ginástica nas escolas públicas de instrução primária é 
declarada obrigatória, em 23 de novembro, através da Decisão Imperial No. 71. 
Assim, a ginástica se tornaria obrigatória no currículo das escolas primárias. 
Século XX: No início desse século, a Educação Física, sob o título de 
ginástica, foi incluída nos currículos escolares da Bahia, do Ceará, do Distrito 
Federal, de Minas Gerais, de Pernambuco e de São Paulo. Nesse período, a 
educação brasileira estava sendo influenciada pelo movimento que discutia a 
reconstrução educacional do Brasil, através de uma nova educação voltada para o 
desenvolvimento integral do indivíduo. A Educação Física, como meio para se 
alcançar o objetivo almejado, seria um dos agentes de importância no processo. 
Nesse período, a Educação Física seguia os moldes europeus – o alemão, o sueco 
e o francês – baseados em princípios biológicos e que estavam inseridos num 
movimento mais amplo, de natureza política, cultural, e científica denominado de 
Movimento Ginástico Europeu. Assim, no período de 1889 a 1920, enquanto o 
método alemão era utilizado nos estabelecimentos militares, nas escolas civis 
brasileiras predominava o método sueco. O método alemão foi oficialmente 
substituído no Brasil em 27 de abril de 1921, pelo decreto n.º 14.784, emitido pelo, 
 
então, Ministério da Guerra que oficializou o método de Géorges Hébert, adaptado 
às teorias da Escola Militar Francesa de Joinville-le-Pont. 
1905: O deputado pelo Estado do Amazonas, Jorge de Morais, defendeu a 
inclusão da Educação Física no ensino fundamental podendo ser continuado tal 
empreendimento, no ensino secundário. 
1929: Um ante-projeto de lei foi submetido pelo Ministro da Guerra General 
Nestor Sezefredo dos Passos, à Comissão de Educação Física. A Educação Física, 
ministrada dentro dos moldes do Método Francês sob o título de Regulamento 
Geral da Educação Física, seria obrigatória em todos os estabelecimentos de 
ensino brasileiros, a partir dos seis anos para meninos e meninas. Apesar das 
intenções de implementar a prática da EducaçãoFísica nas escolas, observava-se 
uma ausência de professores que pudessem administrá-la de forma competente 
porque não existia, anterior a 1929, uma instituição superior que formasse 
professores de Educação Física para atuar nas escolas de Ensino Fundamental. 
Criação do Curso Provisório de Educação Física, na escola de Sargentos de 
Infantaria, que diplomou 22 professores públicos primários (ensino fundamental) 
encaminhados pelo então, Diretor da Instituição Pública do Distrito Federal (Rio de 
Janeiro-RJ), Prof. Fernando de Azevedo, além dos 60 sargentos instrutores, 8 
oficiais e 2 médicos militares. 
Década de 1930: Com a expansão das ideologias fascistas, a idéia da 
eugenia da raça associada à Educação Física voltou a ser enfatizada. O Exército 
Brasileiro passou a se constituir na principal instituição de estruturação de um 
movimento em prol de uma Educação Física que mesclasse objetivos patrióticos e 
de preparação pré-militar. Nota-se, entretanto, que o discurso eugênico cedeu seu 
espaço aos objetivos higiênicos e de prevenção de doenças, possíveis de serem 
 
trabalhados no contexto escolar. Como pode ser observada na Constituição 
outorgada por Getúlio Vargas em 10 de novembro de 1937, a Educação Física 
passou a ser obrigatória em todas as escolas de ensino fundamental, médio, como 
também, nos cursos de magistério em nível médio. 
1930-1941: Para dar uma maior amplitude ao ensino da Educação Física, o 
General Nestor Sezefredo dos Passos, Ministro da Guerra, sensibilizado pelo 
comentário do Presidente da República, Washington Luis, de que a Educação 
Física merecia ser melhor considerada e era um problema de máxima relevância 
para a nação, determinou a reabertura do Centro Militar de Educação Física em 11 
de janeiro, o qual havia sido fechado em 1922. Embora destinado a formar 
instrutores e monitores, além de difundir, unificar e intensificar o ensino da 
Educação Física no Exército, o Centro Militar de Educação Física, que em 19 de 
outubro de 1933 se transformou na Escola de Educação Física do Exército, estava 
aberto, também, aos oficiais e sargentos das forças auxiliares, professores federais, 
estaduais ou municipais e civis. Nota-se, então, uma ação mais efetiva na formação 
profissional, no âmbito civil em Educação Física, no mesmo período, sobretudo a 
partir da criação da Escolas de Educação Física de São Paulo e Espírito Santo, e 
principalmente, a partir de 1939, através do Decreto Lei Nº 1.212, de 17 de abril de 
1939, que criou a Escola Nacional de Educação Física e Desportos-ESEF na 
Universidade do Brasil, hoje, Universidade Federal do Rio de Janeiro. A Escola 
Nacional da Educação Física teve a incumbência de oferecer o curso superior de 
Educação Física (2 anos de duração), curso normal de Educação Física (1 ano), 
curso de técnica desportiva (1 ano), curso de treinamento e massagem (1 ano) e 
curso de medicina da Educação Física e dos Desportos (1 ano). Assim, a partir de 
1941, o exercício da função de professor de Educação Física, nos 
 
estabelecimentos oficiais de ensino fundamental das capitais dos estados 
brasileiros e nas cidades com população superior a 50.000 habitantes, seria 
prerrogativa de professor normalista especializado em Educação Física. 
1931: O Ministério dos Negócios da Educação Pública, criado no governo de 
Getúlio Vargas em 14 de novembro, aprovou o Decreto n.º 19.890, de 18 de abril 
de 1931, que previa a obrigatoriedade da Educação Física nos estabelecimentos de 
ensino médio (secundário, na época) voltado para o desenvolvimento harmonioso 
do corpo e do espírito, concorrendo, desta forma, para formar um indivíduo de 
ação, física e moralmente sadio, alegre e resoluto, consciente de seu valor e de 
suas responsabilidades. 
1937: A Constituição de 1937 tornou-se a primeira referência sobre a 
Educação Física feita em textos constitucionais federais sendo incluída no 
currículo, como prática educativa obrigatória e não como disciplina curricular, 
juntamente com o ensino cívico e os trabalhos manuais, em todas as escolas 
brasileiras. Segundo o art. 132 dessa mesma Carta, havia uma previsão de serem 
organizados para a juventude períodos de trabalhos anuais nos campos e nas 
oficinas e desenvolvida a disciplina moral e o adestramento físico, de maneira a 
prepará-la para o cumprimento de seus deveres para com a economia e a defesa 
da Nação. Em 24 de dezembro de 1937, o Estado da Bahia criou a Inspetoria de 
Educação Física, Recreação e Jogos Escolares que tinha como finalidade difundir, 
regulamentar e controlar a Educação Física nas escolas de ensino, fundamental e 
normal em nível médio; elaborar e reunir dados biométricos necessários à dedução 
de médias e extremos de normalidade dos escolares baianos, para que pudesse 
ser agrupado, de forma homogênea inicial e de verificação final, o aproveitamento 
dos mesmos; organizar festas e torneios desportivos escolares, como forma de 
 
incentivo, entre as escolas, no desenvolvimento de jogos, de exercícios ginásticos e 
de educação desportiva. O Estado da Bahia, com essa iniciativa, e, de acordo com 
a Constituição de 1937, proporcionou um tratamento que tinha como objetivo 
revigorar a prática da Educação Física escolar no território brasileiro. 
1939: Com o Decreto Lei Nº 1.212/39, deram início Cursos de Educação 
Física nos estados do Espírito Santo, de São Paulo, de Minas Gerais, de 
Pernambuco, do Pará, da Bahia, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, todos 
seguindo os padrões da Escola de Educação Física do Exército que, 
conseqüentemente, estava fundamentada nas diretrizes emanadas pela Escola 
francesa de Joinville-Le-Pont. A idéia do desenvolvimento da aptidão física nos 
cursos formadores profissionais de Educação Física do Brasil, já que seus 
conteúdos e programas estavam vinculados às Ciências Biológicas, não era 
observado na Escola de Educação Física do Exército, pois, primeiramente era 
considerado necessário o suporte da Educação Física regular para depois se 
desenvolver a aptidão física e o rendimento desportivo. Considerando-se o 
estabelecimento de instituições de ensino superior formadoras de profissionais de 
Educação Física, o contingente de professores habilitados na área começou a ser 
disponibilizado no mercado de trabalho que se consolidou, principalmente a partir 
de 1937 (Estado Novo), através do processo de escolarização da Educação Física, 
com forte ênfase no método francês originado na Escola de Joinville-Le-Pont. 
1945: No período de 1945 a 1961, com a promulgação da Lei Nº 4024, de 20 
de dezembro de 1961 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – L.D.B.), 
houve um amplo debate a respeito do sistema educacional brasileiro. Na discussão 
do projeto de lei que resultou na LDB de 1961 não se verificava menção sequer à 
Educação Física, o que causou um grande impacto, entre os idealistas, os técnicos 
 
e os educadores especializados da área, que se esforçavam em introduzir essa 
prática educativa no sistema educacional brasileiro. Com a intervenção do diretor 
da Divisão de Educação Física, do Ministério da Educação e Saúde, Prof. Antônio 
Pires de Castro Filho, a Educação Física foi agregada à lei e se constituiu na única 
prática educativa a receber um tratamento especial. O art. 22 da LDB obrigava a 
sua prática nos cursos primários (ensino fundamental) e médio, até os 18 anos de 
idade, as demais disciplinas seriam regulamentadas no currículo escolar, por 
decisão dos Conselhos Federais e Estaduais de Educação. 
1946: O Governo Federal aprovou o Decreto No. 8529, de 2 de janeiro, que 
tratava da Lei Orgânica do Ensino Primário, primeiro passo para a centralização da 
educação e, conseqüentemente, da Educação Física noBrasil, que dividia a 
educação primária em curso elementar, primeiros quatro anos de escolarização e 
curso complementar, um ano após o curso elementar. Tal Lei mencionava que a 
Educação Física deveria ser incluída no currículo de ambos os cursos, em cada 
série escolar. O Decreto No. 8530, de 2 de janeiro, lançou as bases para a nova 
estrutura centralizada no ensino normal do Brasil. A Lei Orgânica do Ensino Normal 
subdividiu o ensino normal em curso de 1o. e 2o. ciclos: o primeiro, efetuado nas 
escolas normais regionais e formava regentes de ensino primário e o segundo, 
realizado nas escolas normais e graduava professores primários. A Educação 
Física constava da lista de disciplinas que deveriam ser oferecidas aos alunos do 
curso normal, através de atividades recreativas e jogos. 
1948: O anteprojeto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi 
encaminhado à Câmara de deputados, em novembro, resultado na Lei No. 4024 
aprovada em 1961 que tornava a Educação Física obrigatória nas escolas de 
ensino fundamental e médio, até a idade de 18 anos. 
 
1961: Promulgou-se a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional LBD. Nº 4024 As diferentes estruturas de educação escolar receberam a 
denominação de Primário (quatro anos), (o quinto ano) e o Ginásio também com 
quatro anos. Após este, havia o Curso Colegial propedêutico e os Cursos Técnicos 
como Curso Normal ou Curso de Formação de Professores; Curso de 
Contabilidade, de Secretariado, dentre outros. 
 Abrigadas sob esta estrutura vertical, a (aula de) Educação Física 
ministrada pelos regentes “dada suas bases científicas, é atualmente considerada 
como um aspecto de educação geral, oferecendo valiosa contribuição ao 
educando” (Programa da Escola Primária de São Paulo, 1967:59). 
“Na escola primária a educação física teve como objetivo a recreação 
(individual e coletiva) nos seus variados aspectos era realizada por meio das 
atividades naturais, jogos, atividades rítmicas, dramatizações, atividades 
complementares” (Programa da Escola Primária de São Paulo, 1967:59), visando 
abarcar a totalidade do desenvolvimento do aluno. A Educação Física na década 
de 60, também se preocupou com a atitude postural adequada, com a coordenação 
sensório motor, o refinamento dos sentidos, e o aumento da sensibilidade rítmica, 
favorecendo a co educação, e o conhecimento de nossos costumes. 
Neste período houve por parte governamental e pela iniciativa privada, um 
significativo esforço para uma escolarização diversificada. Essa realidade pode ser 
notada pela criação de inúmeras experiências inovadoras no processo de educação 
formal tais como os ginásios pluri-curriculares, vocacionais, a unificação em dois 
níveis dos anos do primário formando apenas dois blocos. A experiência não 
vingou e logo sofreu revezes devido ao regime implantado pelo governo militar 
(ARANTES, 1991). 
 
Quanto às aulas de Educação Física para a juventude, consistiam em 
ensinar a ginástica formativa, fundamentos de jogo (modalidades esportivas 
coletivas), valendo-se do Método “da Desportiva Generalizada”; não se previa 
processo de inclusão daqueles que não se adequassem a normalidade. 
1971: Dez anos depois da LDB. Nº 4224/61 foi implementada a segunda Lei 
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Nº 5692. Os diferentes graus de 
escolarização recebiam agora nova organização e unificação vertical. O primeiro 
segmento denominado 1º Grau era composto por oito séries integradas pelo Núcleo 
Comum e Parte Diversificada. Nomeavam-se Disciplina aquelas com orientação 
teórica e por Atividade as de cunho prático sem reprovação exceto por faltas; 
Educação Artística, Inglês e Educação Física (PAR.CFE. 853/71). 
O programa recomendado para as aulas de Educação Física 
compreendia “um conjunto de ginástica, jogos desportos, danças e recreação, 
capaz de promover o desenvolvimento harmonioso do corpo e do espírito e, de 
modo especial, fortalecer a vontade, formar e disciplinar hábitos sadios, adquirir 
habilidades, equilibrar e conservar a saúde e incentivar o espírito de equipe de 
modo que seja alcançado o máximo de resistência orgânica e de eficiência 
individual” (SÃO PAULO,SE/CENP,1985:158). 
O 2o. Grau; composto por três ou quatro séries, de cunho técnico 
profissionalizante foi oferecido a todos os estudantes. Abriram-se à população a 
real possibilidade de acesso ao ensino superior. 
Em São Paulo, neste tempo (19..) deu-se a confecção do “Verdão” - material 
de apoio e conteúdo obrigatoriamente seguido e desenvolvido por todos os 
professores da rede pública estadual; apresentava orientação rígida e estrutural. O 
“Verdão” vinha acompanhado por outro material explicativo o Manual do Professor. 
 
Em Educação Física, o documento explicava as seqüências pedagógicas dos 
diferentes conteúdos das modalidades ginásticas, atléticas e esportivas (SÃO 
PAULO, s.d). 
1983: Em São Paulo, a Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas 
(CENP.) ofereceu ao professores da rede estadual, subsídios para a 
implementação da Proposta Curricular de Educação Física para a pré-escola. 
Acompanhada do Manual para o Professor, apresentava exercícios versando a 
construção da imagem e consciência corporal, atividades temporo-espaciais, 
expressão corporal e recreação (SÂO PAULO, SE/CENP. 1983). 
1985: com a instalação do processo democrático, abriram-se novas 
perspectivas para multiplicidade de Propostas Curriculares em todas as Disciplinas 
e Atividades. Observa-se em São Paulo a formulação das Propostas Curriculares 
pela Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas para as escolas estaduais. 
Este processo de intensa discussão acerca dos conteúdos escolares 
terminou em 1992 com a publicação do modelo final das Propostas Curriculares 
para o 1º e 2º. Graus para todas as Disciplinas e Atividades coordenadas pela 
CENP. Quanto ao Curso de Habilitação Específica para o Magistério HEM. (antigo 
Curso Normal), além das disciplinas já implementadas, haviam as denominadas 
Instrumentais; as de Metodologias das diferentes Disciplinas ou Atividades a serem 
ensinadas aos alunos da escolarização até 4ª. série do 1º. Grau. As aulas de 
Metodologia da Educação Física estavam previstas no documento demonstrando 
que seu conteúdo merecia ser estudado. 
 
 
O MOMENTO ATUAL E A EDUCAÇÃO FÍSICA 
 
Desde 1996 o currículo vigente está organizado segundo a terceira Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação Nacional LBD. Nº 9394. O processo de 
escolarização brasileiro apresenta-se agora completo. Iniciando pela Educação 
infantil nosso Sistema Escolar termina formalmente na Graduação, no Ensino 
Superior. Hoje, as propostas e os conteúdos têm a preocupação em atender, incluir 
e integrar todos os estudantes em torno do Projeto Escolar. 
As aulas de Educação Física ao contrário das épocas passadas, e, segundo 
o artigo 26, deve ser “integrada à proposta pedagógica da escola, é componente 
curricular da educação básica, ajustando-se às faixas etárias e às condições da 
população escolar, sendo facultativa nos cursos noturnos” (São Paulo; SE/CENP 
1985;79). 
A partir desta Lei vigente passou-se entender o currículo como um todo. A 
escola, portanto, deve ser vista como um lugar de informação, de produção de 
conhecimento, de socialização e de desenvolvimento integral de todos os 
estudantes. Para consecução de tal tarefa, todos os especialistas, os professores, 
as Disciplinas e os Componentes Curriculares, devem ter compromisso com o 
desenvolvimento dos aspectos teórico práticos além de articulá-los aos Temas ou 
Eixos Transversais (saúde, meio ambiente, trabalho e consumo, orientação sexual 
 
e ética). O plano de curso, de ensino e das aulas inclusiveos de Educação Física 
devem ser pensados segundo o Projeto Escolar e orientados de acordo com as 
características dos estudantes. 
 
A NOSSA MISSÃO; UM COMPROMISSO PARA A TODA A VIDA 
 
Hoje, possuímos muitas linhas ou abordagens filosóficas; cinesiológica, 
motricidade humana, cultura corporal do movimento, aptidão física, tradicional, 
desenvolvimentista, sócio construtivista, sócio interacionista e a ligada ao meio 
ambiente. Demos um passo gigantesco se comparamos ao Capitão Ataliba e aos 
idos século XIX. 
Se esta realidade nos conforta e nos alimenta também nos alerta para a 
construção de um Brasil com oportunidades mais amplas a todos. Somada a isto e, 
dentro de nossa especificidade, tomara que possamos discutir e fazer praticar com 
excelência o jogo, a luta, o esporte, a ginástica e a dança, sem nos esquecermos 
da sensibilidade que deve guiar os todos os nossos passos. 
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