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SOPROS CARDÍACOS São produzidos por vibrações decorrentes da alteração de fluxo sanguíneo. É um sinal e não uma doença. Em condições normais o sangue flui de modo laminar, sendo um pouco mais rápido nas regiões centrais. Em casos de obstáculos intraluminares, curvas acentuadas com alta velocidade sanguínea, dilatações, estenose, etc, fluxo se tornará turbilhonado, formando o sopro. Assim, o sopro pode aparecer por alterações do próprio sangue, dos vasos sanguíneos ou das câmaras cardíacas. Obs.: Na maioria das alterações cardiovasculares em que surgem sopro, há associação de dois ou mais mecanismos citados acima. A velocidade do sangue é um fator que pode somar-se a qualquer um dos outros. É até possível tirar proveito deste fato na investigação diagnóstica: para isso determina-se ao paciente que faça um exercício para aumentar a frequência cardíaca. Em crianças febris, não é raro o aparecimento de sopro cardíaco pelo aumento da velocidade do sangue. Quando essas crianças são portadoras de defeitos valvares ou cardiopatias congênitas, sopros pré-existentes tornam-se mais intensos. Características semiológicas do sopro Avalia-se: Situação no ciclo cardíaco Localização Irradiação Intensidade Timbre e Tom Modificações com a fase de respiração Posição do paciente Exercícios físicos Situação no ciclo cardíaco Os sopros podem ser: sistólicos, diastólicos, sistodiastólicos ou contínuos. Sistólicos Podem ser: sistólicos de ejeção ou sistólicos de regurgitação. Sopro sistólico de ejeção: causados por estenose da valva aórtica ou pulmonar. Se originam durante o período de ejeção ventricular. Começam alguns centésimos de segundos após a 1ª bulha. Termina antes da 2ª bulha. Escuta-se um sopro crescendo-decrescendo (intensidade varíavel), pois a princípio a ejeção é lenta, passando a ser máxima na mesossístole, e voltando a se reduzir na telessístole. Estenose pulmonar: mais observado em crianças, adolescentes e adultos jovens. Estenose aórtica: mais observado em adultos e idosos. Sopro sistólico de regurgitação: causados por insuficiência mitral ou tricúspide. Audível desde o início da sístole. Surge com a 1ª bulha, recobrindo-a e mascarando-a. Ocupa todo o período sistólico (holossítólico) com intensidade mais ou menos igual e termina antes da segunda bulha ou pode mascará-la. São sopros causados pela regurgitação de sangue do ventrículo para o átrio. Essa regurgitação ocorre porque durante a fase de contração isovolumétrica, período em que as valvas atrioventriculares estão se fechando, a pressão nos ventrículos é maior do que nos átrios. Assim, a regurgitação apenas cessa no final do período sistólico. Diastólicos Podem ser protodiastólicos, mesodiastólico e telediastólico ou pré-sistólico, conformo o momento em que se situam na diástole. Ocorre em estenose atrioventriculares e insuficiência das valvas pulmonar e aórtica. Sopro diastólico de estenose atrioventriculares: É mesodiastólico, ou seja, situa-se no meio da diástole, momento em que se dá o enchimento dos ventrículos. Algumas vezes se prolonga, podendo sofrer determinado reforço no final da diástole. Isso é depende da contração atrial. São de baixa frequência e tem tom grave, o que lhes confere o caráter de “ruflar”. Sopro diastólico de insuficiência das valvas pulmonar ou aórtica: Iniciam-se imediatamente após a 2ª bulha. Pode ficar restrito a protodiastóle, ou ocupar ocupar as demais fases. São de alta frequência, de intensidade decrescente, o que lhes dão um caráter “aspirativo”. Sistodiastólicos ou contínuos São ouvidos durante toda a sístole e diástole, mascarando a 1ª e 2ª bulhas. A parte sistólica costumam ser mais intensa e mais rude. São designados sopros “em maquinaria”. Surgem na persistência do canal arterial, nas fístulas arteriovenosas, nas anomalias dos septos aortopulmonares e no rumor venoso. Localização Localiza-se o sopro na região onde é mais bem audível. No entanto, se um sopro for auscultado na região da valva mitral, não quer dizer que ele esteja sendo formado na valva mitral Irradiação Depois de se localizar o sopro, desloca-se o receptor do estetoscópio em várias direções para determinar sua irradiação. Fatores que influenciam: Intensidade: quanto maior a intensidade, maior a área audível. Direção da corrente sanguínea: Ex: sopro da estenose aórtico se irradia para os vasos do pescoço. Enquanto o da insuficiência mitral se propaga predominantemente para a axila. Intensidade Obs.: Em geral, a intensidade de um sopro não diz nada sobre a gravidade do quadro clínico. Timbre e Tom “Qualidade ou caráter” do sopro. Estão relacionados com a velocidade do fluxo e com o tipo de efeito causador do turbilhonamento. Podem ser: suave, rude, musical, aspirativo, em jato de vapor, granular, piante. Relação do sopro com a fase de expiração Manobra de Rivero-Carvallo: Isso ocorre porque durante a inspiração profunda, aumenta-se a negatividade intratorácica, propiciando maior afluxo de sangue para o coração direito. Pode-se, portanto, ocorrer maior refluxo pela válvula tricúspide. Relação do sopro com a posição do paciente Sopros da base do coração (particularmente o da insuficiência aórtica): tornam-se mais nítido quando o paciente está na posição sentada, com tórax fletido para frente. Ruflar diastólico da estenose mitral: torna-se mais intenso no decúbito lateral esquerdo. Rumor venoso: aumenta de intensidade na posição sentada ou em pé. Diminui ou desaparece na posição deitada. Relação do sopro com o exercício físico Exercício físico causa aumento da velocidade do fluxo sanguíneo, e portanto, quase intensificação dos sopros.