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Questão 01. (Fuvest-2003) Um homem vem caminhando por um parque quando de repente se vê com sete anos de idade. Está com quarenta, quarenta e poucos. De repente dá com ele mesmo chutando uma bola perto de um banco onde está a sua babá fazendo tricô. Não tem a menor dúvida de que é ele mesmo. Reconhece a sua própria cara, reconhece o banco e a babá. Tem uma vaga lembrança daquela cena. Um dia ele estava jogando bola no parque quando de repente aproximou-se um homem e… O homem aproxima-se dele mesmo. Ajoelha- se, põe as mãos nos seus ombros e olha nos seus olhos. Seus olhos se enchem de lágrimas. Sente uma coisa no peito. Que coisa é a vida. Que coisa pior ainda é o tempo. Como eu era inocente. Como os meus olhos eram limpos. O homem tenta dizer alguma coisa, mas não encontra o que dizer. Apenas abraça a si mesmo, longamente. Depois sai caminhando, chorando, sem olhar para trás. O garoto fica olhando para a sua figura que se afasta. Também se reconheceu. E fica pensando, aborrecido: quando eu tiver quarenta, quarenta e poucos anos, como eu vou ser sentimental! (Luís Fernando Veríssimo, Comédias para se ler na escola) O discurso indireto livre é empregado na seguinte passagem: A) Que coisa é a vida. Que coisa pior ainda é o tempo. B) Reconhece a sua própria cara, reconhece o banco e a babá. Tem uma vaga lembrança daquela cena. C) Um homem vem caminhando por um parque quando de repente se vê com sete anos de idade. D) O homem tenta dizer alguma coisa, mas não encontra o que dizer. Apenas abraça a si mesmo, longamente. E) O garoto fica olhando para a sua figura que se afasta. Questão 02. (Fuvest-2007) “‘Muito!’, disse quando alguém lhe perguntou se gostara de um certo quadro.” Se a pergunta a que se refere o trecho fosse apresentada em discurso direto, a forma verbal correspondente a “gostara” seria: A) gostasse. B) gostava. C) gostou. D) gostará. E) gostaria. Questão 03. (FGV-2003) Assinale a alternativa em que ocorra discurso indireto. A) Perguntou o que fazer com tanto livro velho. B) Já era tarde. O ruído dos grilos não era suficiente para abafar os passos de Delfino. Estaria ele armado? Certamente estaria. Era necessário ter cautela. C) Quem seria capaz de cometer uma imprudência daquelas? D) A tinta da roupa tinha já desbotado quando o produtor decidiu colocá-la na secadora. E) Era então dia primeiro? Não podia crer nisso. Questão 04. (Universidade Anhembi Morumbi) "A novidade veio dar à praia na qualidade rara de sereia metade um busto de uma deusa maia metade um grande rabo de baleia a novidade era o máximo do paradoxo estendido na areia alguns a desejar seus beijos de deusa outros a desejar seu rabo pra ceia oh, mundo tão desigual tudo tão desigual de um lado este carnaval do outro a fome total e a novidade que seria um sonho milagre risonho da sereia virava um pesadelo tão medonho ali naquela praia, ali na areia a novidade era a guerra entre o feliz poeta e o esfomeado estraçalhando uma sereia bonita despedaçando o sonho pra cada lado” (Gilberto Gil – A Novidade) SEDUCE/SSP-AP CEPMG Jardim Guanabara Ano Letivo – 2019. 2º Bimestre LISTA 04 (Figuras de linguagem/hiponímia/hiperonímia/ verbo de ligação) Valor: 2,0 Série Turma Turno Nota: 2º D/ E MATUTINO Disciplina: LÍNGUA PORTUGUESA Professor (a): ALESSANDRA LIMA ENTREGAR DIA: 16/05/19 Aluno (a): Nº: Observações: 1. TODAS as questões devem ser respondidas à caneta (azul ou preta); 2. Não serão aceitas rasuras ou uso de corretivo, implicando na anulação da resposta; 3. Lista sem nome NÃO será corrigida; Polícia Militar do Estado de Goiás CPMG – Jardim Guanabara Ano Letivo - 2015 Série Atividade Turma(s) Turno Disciplina: Professor(a): Data: / / Aluno (a): Nº Gilberto Gil em seu poema usa um procedimento de construção textual que consiste em agrupar ideias de sentidos contrários ou contraditórios numa mesma unidade de significação. A figura de linguagem acima caracterizada é: A) metonímia B) paradoxo C) hipérbole D) sinestesia E) sinédoque Questão 05 - (UECE/2016) O texto é um excerto de Baú de Ossos (volume 1), do médico e escritor mineiro Pedro Nava. Inclui-se essa obra no gênero memorialístico, que é predominantemente narrativo. Nesse gênero, são contados episódios verídicos ou baseadas em fatos reais, que ficaram na memória do autor. Isso o distingue da biografia, que se propõe contar a história de uma pessoa específica. 1 O meu amigo Rodrigo Melo Franco de 2 Andrade é autor do conto “Quando minha avó 3 morreu”. Sei por ele que é uma história 4 autobiográfica. Aí Rodrigo confessa ter passado, 5 aos 11 anos, por fase da vida em que se sentia 6 profundamente corrupto. Violava as promessas 7 feitas de noite a Nossa Senhora; mentia 8 desabridamente; faltava às aulas para tomar 9 banho no rio e pescar na Barroca com 10 companheiros vadios; furtava pratinhas de dois 11 mil-réis... Ai! de mim que mais cedo que o 12 amigo também abracei a senda do crime e 13 enveredei pela do furto... Amante das artes 14 plásticas desde cedo, educado no culto do belo, 15 eu não pude me conter. Eram duas coleções de 16 postais pertencentes a minha prima Maria Luísa 17 Palleta. Numa, toda a vida de Paulo e Virgínia – 18 do idílio infantil ao navio desmantelado na 19 procela. Pobre Virgínia, dos cabelos 20 esvoaçantes! Noutra, a de Joana d’Arc, desde os 21 tempos de pastora e das vozes ao da morte. 22 Pobre Joana dos cabelos em chama! Não resisti. 23 Furtei, escondi e depois de longos êxtases, com24 medo, joguei tudo fora. Terceiro roubo, terceira 25 coleção de postais – a que um carcamano, 26 chamado Adriano Merlo, escrevia a uma de 27 minhas tias. Os cartões eram fabulosos. Novas 28 contemplações solitárias e piquei tudo de latrina 29 abaixo. Mas o mais grave foi o roubo de uma 30 nota de cinco mil-réis, do patrimônio da própria 31 Inhá Luísa. De posse dessa fortuna nababesca, 32 comprei um livro e uma lâmpada elétrica de 33 tamanho desmedido. Fui para o parque Halfeld 34 com o butim de minha pirataria. Joguei o troco 35 num bueiro. Como ainda não soubesse ler, 36 rasguei o livro e atirei seus restos em um 37 tanque. A lâmpada, enorme, esfregada, não fez 38 aparecer nenhum gênio. Fui me desfazer de 39 mais esse cadáver na escada da Igreja de São 40 Sebastião. Lá a estourei, tendo a impressão de 41 ouvir os trovões e o morro do Imperador 42 desabando nas minhas costas. Depois dessa 43 série de atos gratuitos e delitos inúteis, voltei 44 para casa. Raskólnikov. O mais estranho é que 45 houve crime, e não castigo. Crime perfeito. 46 Ninguém desconfiou. Minha avó não deu por 47 falta de sua cédula. Eu fiquei por conta das 48 Fúrias de um remorso, que me perseguiu toda a 49 infância, veio comigo pela vida afora, com a 50 terrível impressão de que eu poderia reincidir 51 porque vocês sabem, cesteiro que faz um 52 cesto... Só me tranquilizei anos depois, já 53 médico, quando li num livro de Psicologia que só 54 se deve considerar roubo o que a criança faz 55 com proveito e dolo. O furto inútil é fisiológico e 56 psicologicamente normal. Graças a Deus! Fiquei 57 absolvido do meu ato gratuito... (Pedro Nava. Baú de ossos. Memórias 1. p. 308 a 310.) Sinônimo é um vocábulo que, em determinado texto, apresenta significado semelhante ao de outro e que pode, em alguns contextos, ser usado no lugar desse outro sem alterar o sentido da sentença. Hiperônimo é um vocábulo ou um sintagma de sentido mais genérico em relação a outro. Ele abarca vocábulos de sentidos menos genéricos ou mais específicos. Hipônimo é um vocábulo menos geral ou mais específico,cujo sentido é abarcado pelo sentido do hiperônimo. Considere a ordem em que foram distribuídos os vocábulos do excerto transcrito a seguir e assinale a opção correta: “abracei a senda do crime e enveredei pela do furto...” (Refs. 12- 13). A) Os vocábulos roubo e furto são sinônimos e um pode substituir o outro, indistintamente, em qualquer contexto. B) Crime é hiperônimo de furto. Isso significa que o sentido do vocábulo crime é mais genérico do que o sentido do vocábulo furto. C) Nesse contexto, a inversão da posição dos vocábulos crime e furto seria aceitável: “abracei a senda do furto e enveredei pela do crime”. D) Sendo vereda um caminho estreito e enveredar, seguir por uma vereda, seria lógico dizer “abracei a vereda do crime e enveredei pelo caminho do furto”. E) N. D. A Questão 06 - (IFAL/2017) A senhora, uma dona de casa, estava na feira, no caminhão que vende galinhas. O vendedor ofereceu a ela uma galinha. Ela olhou para a galinha, passou a mão embaixo das asas da galinha, apalpou o peito da galinha, alisou as coxas da galinha, depois tornou a colocar a galinha na banca e disse para o vendedor: “Não presta!”. Aí o vendedor olhou para ela e disse: “Também, madame, num exame assim nem a senhora passava.” FERNANDES, Millôr. Como se sabe, galinhas são aves. Assim, a relação que se estabelece, respectivamente, entre esses dois termos é de A) homonímia. B) paronímia. C) antonímia. D) hiponímia. E) hiperonímia. Questão 07 - (UNITAU SP/2019) TEXTO 1 Na semana passada, uma eleição presidencial que deveria ter como marca a volta da democracia ao Zimbábue terminou em confusão quando contas falsas no Twitter, no Facebook e no WhatsApp disseminaram resultados contraditórios. O país inteiro chegou a presenciar comemorações espontâneas pela vitória dos dois candidatos, o que resultou em confrontos violentos. Em um clima geral de desconfiança, até observadores internacionais não sabiam onde obter informações confiáveis. Na Índia, o governo empreende verdadeira batalha contra uma onda de linchamentos depois que rumores falsos viralizaram no WhatsApp sobre supostos sequestradores de crianças. Nacionalistas interessados em atiçar o ódio religioso usam a plataforma para aprofundar a polarização, que também tem resultado em linchamentos. Na Grã-Bretanha, 52% dos eleitores votaram por deixar a União Europeia em 2016, atraídos por uma enxurrada de informações falsas disseminadas por nacionalistas oportunistas. Em uma pesquisa recente, uma porcentagem semelhante dos britânicos disse acreditar que os desembarques na Lua de 1969 a 1972 eram falsos. A triste ironia é que, pela primeira vez na história, a maioria dos cidadãos pode carregar no bolso todo o conhecimento do mundo, mas, ao mesmo tempo, nunca esteve tão vulnerável a informações falsas. Engana-se quem pensa que algumas mudanças nas leis e ajustes técnicos podem resolver a situação e permitir que tudo volte a ser como antes. A humanidade testemunha os primeiros momentos de uma nova era em que todo o relacionamento com a informação – e a realidade como um todo – mudará de maneira hoje inimaginável. A democracia, tal como se concebe hoje, dificilmente sobreviverá a essa transformação. Basta considerar duas grandes tendências. A primeira: apenas cerca de 50% da população mundial tem acesso à internet hoje. Nos próximos anos, a outra metade, potencialmente ainda mais vulnerável a notícias falsas, também poderá participar do debate on-line. Por exemplo, muitos aplicativos populares no mundo em desenvolvimento concentram-se apenas em mensagens de voz, já que parcela considerável de seus usuários não sabe ler nem escrever, dificultando ainda mais a identificação de informações falsas. A segunda: o desenvolvimento de ferramentas baseadas em inteligência artificial, capazes de manipular ou fabricar vídeos, arquivos de áudio e fotos falsas – as chamadas deep fakes – ampliará consideravelmente a dificuldade de separar fato de ficção, o que fará as fake news de hoje parecerem brincadeira de criança. Daqui a alguns anos, um smartphone será suficiente para simular uma sequência de notícias, como as da CNN, por exemplo, na qual a perfeita imitação da voz de um apresentador famoso reportaria um golpe militar em Washington ou um anúncio da Casa Branca sobre uma guerra iminente, sem meio técnico para confirmar ou negar sua veracidade. Em uma futura eleição presidencial no Brasil, não será mais necessário atacar os concorrentes – pode-se simplesmente produzir um vídeo em que o rival promete que, se eleito, encerrar o programa Bolsa Família, eliminar a propriedade privada ou qualquer absurdo que o faça perder apoio. Confusos e desconfiados, os cidadãos se refugiarão ainda mais em suas bolhas aparentemente seguras, isolados em relação a qualquer tipo de debate público. O Brasil também tem sido cenário de disseminação de inúmeras notícias falsas, sobretudo porque o País passa por um período eleitoral bastante tenso e polarizado. As pessoas que disseminam notícias falsas o fazem por dois motivos: a) por que são incapazes de pesquisar e confrontar informações, b) usam as notícias falsas para dar legitimidade a suas posições políticas. De um jeito ou de outro, são posturas graves e que precisam ser combatidas em nome da jovem democracia brasileira. Adaptado de https://brasil.elpais. com/brasil/2018/08/06/opinion/ 1533562312_266402.html. Acesso em out. 2018. TEXTO 2 Laerte. Adaptado. As expressões “a primeira” e “a segunda”, destacadas no texto, cumprem função A) anafórica nos dois casos. B) catafórica nos dois casos. C) anafórica e catafórica, concomitantemente, nos dois casos. D) anafórica no primeiro caso e catafórica no segundo caso. E) catafórica no primeiro caso e anafórica no segundo caso. Questão 08 - (Mackenzie SP/2018) Escrever é um ato não natural. A palavra falada é mais velha do que nossa espécie, e o instinto para a linguagem permite que as crianças engatem em conversas articuladas anos antes de entrar numa escola. Mas a palavra escrita é uma invenção recente que não deixou marcas em nosso genoma e precisa ser adquirida mediante esforço ao longo da infância e depois. A fala e a escrita diferem em seus mecanismos, é claro, e essa é uma das razões pelas quais as crianças precisam lutar com a escrita: reproduzir os sons da língua com um lápis ou com o teclado requer prática. Mas a fala e a escrita diferem também de outra maneira, o que faz da aquisição da escrita um desafio para toda uma vida, mesmo depois que seu funcionamento foi dominado. Falar e escrever envolvem tipos diferentes de relacionamentos humanos, e somente o que diz respeito à fala nos chega naturalmente. A conversação falada é instintiva porque a interação social é instintiva: falamos às pessoas “com quem temos diálogo”. Quando começamos um diálogo com nossos interlocutores, temos uma suposição do que já sabem e do que poderiam estar interessados em aprender, e durante a conversa monitoramos seus olhares, expressões faciais e atitudes. Se eles precisam de esclarecimentos, ou não conseguem aceitar uma afirmação, ou têm algo a acrescentar, podem interromper ou replicar. Não gozamos dessa troca de feedbacks quando lançamos ao vento um texto. Os destinatários são invisíveis e imperscrutáveis, e temos que chegar até eles sem conhecê-los bem ou sem ver suas reações. No momento em que escrevemos, o leitor existe somente em nossa imaginação. Escrever é, antes de tudo, um ato de faz de conta. Temos de nos imaginar em algum tipo de conversa, ou correspondência, ou discurso, ou solilóquio, e colocar palavras na boca do pequeno avatar que nos representa nesse mundo simulado. Adaptado de Steven Pinker, Guia de Escrita Observeas afirmações seguintes. I. Na construção a palavra falada é mais velha do que nossa espécie (Refs. 1-2) há o emprego da figura de linguagem reconhecida como comparação. II. No trecho as crianças precisam lutar com a escrita (Ref. 8), há emprego metafórico do verbo lutar. III. Nos trechos A fala e a escrita diferem em seus mecanismos (Ref. 7) e Mas a fala e a escrita diferem também (Ref. 10), é possível apontar a presença de uma construção textual que se utiliza do paralelismo. Assinale a alternativa correta. A)Estão corretas as afirmações I e II. B) Estão corretas as afirmações I e III. C) Estão corretas as afirmações II e III. D) Todas as afirmações estão corretas. E) Nenhuma das afirmações está correta. Questão 09 - (Uniube MG/2017) Leia o fragmento a seguir, retirado da crônica A mulher ideal, de Rubem Braga: Fraca é a minha imaginação; não sei inventar nada, nem o enredo de um conto, nem o entrecho de uma peça; se tivesse imaginação escreveria novelas, e não croniquetas de jornal. (RIBEIRO, Carlos (org.). Melhores crônicas: Rubem Braga. São Paulo: Global, 2013, p. 239) Nesse fragmento, é possível percebermos o pensamento do autor sobre o ato de produção. A esse instrumento de construção chamamos de: A) Metalinguagem B) Intertextualidade C) Sonoridade D) Paralelismo E) Simbologia GABARITO: NOME: _________________________________________________________________________________ NOTA: _____________________ 1 A B C D E 2 A B C D E 3 A B C D E 4 A B C D E 5 A B C D E 6 A B C D E 7 A B C D E 8 A B C D E 9 A B C D E