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Índice 
 
Declaração....................................................................................................................................... v 
Dedicatória ..................................................................................................................................... vi 
Agradecimentos ............................................................................................................................ vii 
Lista de Siglas e Abreviaturas ...................................................................................................... viii 
Resumo .......................................................................................................................................... ix 
0.Introdução .................................................................................................................................. 10 
0.1.Delimitação do Tema .............................................................................................................. 11 
0.2.Problematização ...................................................................................................................... 11 
0.3.Justificativa ............................................................................................................................. 12 
0.4.Objectivos ............................................................................................................................... 14 
0.4.1.Objectivo Geral .................................................................................................................... 14 
0.4.2. Objectivos Específicos ........................................................................................................ 14 
0.5.Hipóteses ................................................................................................................................. 14 
0.6. Procedimentos Metodológicos ............................................................................................... 15 
0.6.1. Quanto a Natureza: Pesquisa Básica ................................................................................... 15 
0.6.2.Quanto a Abordagem: Pesquisa Qualitativa ........................................................................ 15 
0.6.3. Quanto aos Objectivos: Pesquisa Exploratória ................................................................... 15 
0.6.4. Quanto aos Procedimentos: Método Indutivo ..................................................................... 16 
0.6.5.Universo ............................................................................................................................... 16 
0.6.6.Amostra ................................................................................................................................ 16 
0.6.7.Técnicas e Instrumentos de recolha de dados ...................................................................... 16 
CAPITULO I: REVISÃO DA LITERATURA ............................................................................ 18 
1.1.Conceitos Básico ..................................................................................................................... 18 
1.1.1.Ensino .................................................................................................................................. 18 
1.1.2.História ................................................................................................................................. 18 
1.1.2.1. História Local................................................................................................................... 18 
1.1.3.Memória ............................................................................................................................... 19 
1.1.3.1.Memória Histórica ............................................................................................................ 19 
1.1.4.Identidade ............................................................................................................................. 20 
1.1.4.1.Identidade Cultural............................................................................................................ 20 
1.1.5.Identidade Histórica ............................................................................................................. 21 
1.1.6.Consciência Histórica .......................................................................................................... 21 
1.1.7.Fontes Históricas .................................................................................................................. 22 
1.1.8.Fontes Matérias .................................................................................................................... 22 
1.1.10. Museu ................................................................................................................................ 23 
1.2. Breve Históricos dos Museus................................................................................................. 23 
1.2.1.Historial dos Museus em Moçambique................................................................................ 26 
1.2.2. Museus em Moçambique .................................................................................................... 27 
1.2.2.1.Em Maputo: Museu Nacional de Arte (MUSART) .......................................................... 27 
1.2.2.2.Em Manica ........................................................................................................................ 28 
1.2.2.3. Em Nampula .................................................................................................................... 28 
1.2.2.4.Na Ilha de Moçambique .................................................................................................... 29 
1.2.2.5.Em Inhambane .................................................................................................................. 29 
1.3. O papel do museu na sociedade ............................................................................................. 30 
1.5. A relação entre Escola e Museu ............................................................................................. 38 
CAPITULO II: DESCRIÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO ............................................................ 40 
2.1. Caracterização Geral da Cidade de Nampula ........................................................................ 40 
2.2. Museu Nacional de Etnologia em Nampula .......................................................................... 42 
CAPITULO III: APRESENTACAO, ANALISE E INTREPRETACAO DE DADOS .............. 44 
3.1. Referente aos alunos da Escola Secundária de Nampula....................................................... 44 
3.3. Opinião do funcionário do Museu Nacional de Etnologia de Nampula ................................ 50 
Conclusão ...................................................................................................................................... 52 
Sugestões....................................................................................................................................... 53 
Bibliografia ................................................................................................................................... 54 
APÊNDICES................................................................................................................................. 57 
 
v 
 
Declaração 
 
Declaro que esta monografia é resultado da minha investigação pessoal e das orientações do meu 
supervisor, o seu conteúdo é original e todas as fontes consultadas estão devidamente 
mencionadas no texto, nas notas e bibliografia final. 
Declaro ainda que este trabalho não foi apresentado em nenhuma outra instituiçãode ensino para 
obtenção de qualquer grau académico. 
 
 
Quelimane, aos ___/___/ 2019 
 
___________________________________ 
Luciano T. P. J. Manuel 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
vi 
 
Dedicatória 
 
Aos meus pais Pedro Joaquim Manuel e Joana Ramos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
vii 
 
Agradecimentos 
Agradecer a Deus, pelo dom da vida. Um agradecimento especial vai para minha família, pais 
Pedro Joaquim Manuel e Joana Ramos, irmãos Hermano, Jaimina, Suzana, Bete , Calton, Sarita, 
e especialmente a minha namorada Telma Aguiar, pelo amor incondicional, pelo apoio moral, 
financeiro, por não desistirem, por acreditarem em mim e nos meus sonhos e na concretização do 
mesmo, eternamente grato. 
 Agradecer ao meu supervisor dr. Óscar Zumbir , pelas orientações e acompanhamento para a 
realização do trabalho, ao corpo docente da Universidade Pedagógica de Quelimane, em 
particular aos do curso de História e a todos que contribuíram para a minha formação académica, 
o meu muito obrigado. Agradecer aos meus colegas do curso, em especial aos que permitiram 
que eu fosse amigo muito além de colega: Bolivario Pilica, Celestina Vasco Lamos, e Noberto 
Antonio, Varnila, Emilio pelos ensinamentos, pelo companheirismo, pelo apoio, por tudo que 
enfrentamos juntos durante a vida académica. 
Agradeço a direcção da ES Geral de Nampula, em particular ao professor de história e aos alunos 
da 12ª classe, grupo A, pela paciência disponibilidade do seu tempo. A todos que directas e 
indirectamente contribuíram para a minha formação académica, muito obrigado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
viii 
 
Lista de Siglas e Abreviaturas 
 
AL - Aluno 
ESN – Escola Secundária de Nampula 
PEA – Processo de Ensino e Aprendizagem 
PE1 – Professor 
CR - Curador 
UP – Universidade Pedagógica 
MUSET- Museu Nacional de Etnologia 
PEA – Processo de ensino e Aprendizagem 
ICCP - Instituto Central de ciências Pedagógicas 
IBRAM - Instituto Brasileiro de Museus 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ix 
 
Resumo 
 
 
A presente monografia com o tema O contributo do Museu Nacional de Etnologia de Nampula para o 
ensino da História – Caso da Escola Secundária de Nampula 2016 - 2017. Este trabalho se propõe a uma 
breve análise da função educativa e do processo de escolarização dos museus para ensino da história, 
através da relação constituída pelo museu e a escola. Procurou-se compreender as modificações a cerca do 
conceito de museu delineando as relações com a educação ao longo do processo histórico da instituição 
para compreensão do museu enquanto espaço educativo para a Escola secundária de Nampula. Debate-se 
o contributo do museu para ensino da história e a relação entre o museu e a escola principalmente o 
processo de escolarização do museu. Com o intuito de responder a questão colocada no problema, 
optamos pela realização de uma pesquisa qualitativa, e exploratória, em termos de técnicas, a pesquisa 
bibliográfica, apoiada pela entrevista, observação, o questionário e análise documental foram de grande 
importância para constatar o a relação entre o museu e o ensino da história e seu contributo. No âmbito da 
recolha de dados foi utilizada a entrevista, onde foram entrevistados alunos e professor, funcionário do 
museu de etnologia de Nampula para melhor compressão do assunto. 
 
 
Palavras-chave: Contributo, Museu, Ensino da História. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
 
0.Introdução 
 
O nosso País é rico em bens patrimoniais, de entre os quais, móveis e imóveis, divididos em 
tangíveis e intangíveis que gozam de protecção legal (LEI Nº10/88 DE 22 DE DEZEMBRO DE 
1988: 23). O património cultural ajuda a perceber as várias componentes do passado, sendo uma 
memória colectiva, dentro da sociedade. 
A presente monografia tem como tema: O contributo do Museu Nacional de Etnologia de 
Nampula para o ensino da História – Caso da Escola Secundária de Nampula 2016-2017. O 
museu pode ser considerado como um agente de desenvolvimento comunitário e o património 
deve ser um dos instrumentos para a educação das pessoas de todas idades, formação de 
habilidades e reforço da identidade cultural, através do respeito pela diversidade étnica. O museu 
deve também facilitar e diversificar a relação do indivíduo com o património cultural, 
contribuindo assim para os processos de construção de conhecimentos histórico, que 
caracterizam o desenvolvimento do ser humano. Nesse sentido, os valores dos objectos 
museológicos são a razão da sua preservação. Mas para isso, é necessário que as formas de 
disseminação sejam mais abrangentes a toda sociedade para que o património exposto nos 
museus seja do domínio público e que a informação que detêm seja acessível aos estudantes, 
pesquisadores e à comunidade em geral. Pretende-se também, desenvolver-se uma breve análise 
da função educativa e do processo de escolarização dos museus, através da relação constituída 
pelo museu e a escola. Procura-se entender as mudanças a cerca do conceito de museu 
delineando as relações com a educação ao longo do processo histórico da instituição para 
compreensão do museu enquanto espaço educativo. 
De modo possibilitar a compreensão do trabalho, estruturamos da seguinte maneira: A 
introdução, em que se faz a presentação dos conteúdos a serem abordados, apresentação do 
estudo, onde são apresentadas, a delimitação, o problema de pesquisa, a justificativa, os 
objectivos, hipóteses e por fim a metodologia. 
O capítulo I referente a revisão da literatura, faz-se a apresentação dos principais conceitos em 
torno do tema em estudo o contributo do Museu nacional de etnologia de Nampula para o ensino 
11 
 
da História – caso da E.S de Nampula, abordam-se também outros conteúdos considerados úteis 
para o desenvolvimento da pesquisa. 
O capítulo II faz-se a descrição da área de estudo, começando pela descrição da cidade de 
Nampula em termos de localização geográfica, características da população e um breve historial. 
De seguida, partimos para a caracterização do MUSET, e a caracterização da Escola Secundária 
de Nampula, onde tocamos nas áreas de administração e gestão da própria escola, localização e 
descrição Escola; 
O capítulo III, referente a apresentação, análise e interpretação de dados. Nesta fase do trabalho, 
com base nos questionários, entrevistas realizadas, procuramos saber o contributo do Museu 
Nacional de Etnologia de Nampula para ensino da História – caso da E.S de Nampula. E por fim, 
a conclusão e sugestões. 
0.1.Delimitação do Tema 
O tema de pesquisa foi desenvolvido na província de Nampula, concretamente na cidade com 
mesmo nome no período entre 2016 a 2017, procurando-se analisar o contributo do Museu 
Nacional de Etnologia de Nampula para ensino da História – caso da E.S de Nampula, também 
procurar perceber o impacto deste na consolidação do dito na sala de aula. A escolha do 
horizonte temporal deve-se ao facto do autor visitar este local e compreender que o Museu 
possibilita mais informações aos indivíduos. 
O tema observado é desenvolvido tendo suporte científico adquirido durante o curso de 
licenciatura em ensino de História e habilitação em Geografia, concretamente na cadeira de 
História de Moçambique. 
0.2.Problematização 
Segundo SEMEDO (2004:135), o museu contribui para regular as condutas das sociedades, 
nomeadamente pela compreensão dos contextos de tempo-espaço,apresentados através das 
narrativas ilustradas por artefactos que representam uma história concreta. Neste contexto, para 
AZEVEDO (2010:51), apesar dos museus serem imprescindíveis para a sociedade na 
disseminação do património cultural, estes deparam-se com falta de visitantes, sendo as escolas 
12 
 
através de iniciativas meramente educativas o grupo de interesse. Esta situação reflecte-se no 
contexto Moçambicano, pós a maior parte dos principais museu da cidade de Nampula depara 
com a problemática da falta de visitantes, todavia esforços não faltam para que este problema 
seja ultrapassado, tanto que alguns museus têm produzido panfletos, e outros meios para dar a 
conhecer acerca dos bens museológicos existentes nas suas exposições. 
O que se observa na cidade de Nampula é a existência deste local porem não é constantemente 
explorado pela E.S de Nampula, podendo assim promover baixo aproveitamento pedagógico na 
disciplina de História em particular. O Museu de Nampula localiza-se no centro da cidade 
facilitando a deslocação de professores e alunos a este local em busca de conhecimento, podendo 
reduzir os custos económicos. Embora a localização facilita, a Escola Secundária de Nampula 
pouco promove visitas de estudo ao Museu Nacional de Etnologia de Nampula podendo de certa 
forma contribuir negativamente para o aproveitamento pedagógico dos alunos e assegurar a fraca 
consolidação do conteúdo teórico desenvolvido na sala de aulas na disciplina de História. 
O Museu é muito importante porque vai contribuir na formação do aluno em ensino de História 
na medida em que, existe uma experiência personalizada visto que, na sala de aula, todos os 
alunos recebem informações da mesma maneira através da explicação dos professores e do 
material didáctico. O museu ajudará o visitante nesse caso o aluno assim como o professor a 
relacionar as “matérias” a experiências pessoais, e até a situações interessantes que aconteceram 
na visita. Isso é uma grande vantagem em relação à sala de aula, já que essa liberdade também 
serve de factor motivador para o aluno. Diante desta situação levanta-se a seguinte questão: 
Como é que o Museu Nacional de Etnologia de Nampula pode contribuir para o ensino da 
História - Caso da Escola secundária de Nampula (2016 a 2017)? 
0.3.Justificativa 
 
A escolha desse tema surge primeiramente como curiosidade do autor e como estudante 
académico no curso de História e habilitação em Geografia. Quando o autor faz sua primeira 
viagem a cidade de Nampula acompanhado de um seu amigo nativo, num dos seus passeios pela 
cidade deparou-se com um Museu Nacional de Etnologia de Nampula isso foi no ano de 2014 
quando o mesmo frequentava seu primeiro ano na UP Delegação - Quelimane. 
13 
 
Não frequentado um Museu anteriormente, resolve o autor fazer uma visita para mitigar a sua 
curiosidade procurando saber se existiam requisitos básicos para frequentar no Museu tendo 
assim se apercebido que Museu de Nampula é uma instituição pública não privada. 
Quando se fez presente dentro do museu, o autor passou por uma recepção, sendo acompanhado 
por um profissional para a sala onde estavam expostos alguns matérias ou objectos históricos. O 
profissional apresentou-se enquanto explicava e respondia algumas questões relacionadas com 
Museu e os tais objectos históricos encontrados no local. 
Já em 2016 a 2017 numa das suas visitas ao Museu cujo objectivo principal era para fazer uma 
observação directa e colher informações se a Escolas encontradas ao redor da Museu tem 
realmente feito visitas de estudos especificamente ES de Nampula. O autor teve informação que 
a escola que encontra-se ao redor e assim como a ES de Nampula não tem feito visitas de estudo 
questionando os porquês o profissional de museu alega que não sabe os motivos para tal. Sendo 
assim acredita-se que neste período houve um fraco aproveitamento pelágico na disciplina de 
História. 
O que motiva o autor é pelo facto de este local contribuir para o processo de ensino e 
aprendizagem na disciplina de História, pois no mesmo encontram-se alguns artefactos históricos 
que ajudara no domínio e consolidação de conhecimento sobre a História de Moçambique. 
Contudo, o Museu de Nampula não e devidamente explorado pela Escola Secundária de 
Nampula situação que pode influenciar negativamente no processo de ensino. Há necessidade de 
promover diálogos e propor mudanças na política educacional, utilizando meios subjectivos 
(como o simples olhar sob o objecto ou organizando diálogos) com fins objectivos (como 
conhecimento, acção social e política, inclusão social, melhoria educacional). 
O tema é de extrema relevância porque vai ajudar o autor no domínio e consolidações de 
conhecimentos teóricos adquirido durante o processo de ensino e aprendizagem na cadeira de 
História de Moçambique, tendo como auxílio a prática, esta que decorrera no Museu de Nampula 
e vai contribuir para a análise e compreensão da importância do Museu. Os Museus apresentam-
se como uma nova fonte desconhecimento, e uma nova forma de se ensinar e aprender. Visto 
que, um educador bem preparado, pode utilizar o museu, com suas riquezas históricas, para fazer 
da visita um espaço de curiosidade, envolvimento, questionamento, enfim de efectivo interesse 
14 
 
pelo conhecimento. Muitos objectos em exposição como, por exemplo, objectos de devoção, 
utensílios doméstico, armas, moedas, enfim, que podem ser transformados em simples objectos 
da vida quotidiana e que apenas despertam interesse por serem antigos, podem servir como fonte 
de análises, de interpretação e de crítica por parte dos alunos. 
Sendo assim, é de fundamental importância que a escola promova visitas de estudos a museus de 
diversos tipos, de modo a incentivar os alunos a associarem o conteúdo recebido em sala de aula 
com as realidades históricas, naturais, científicas e culturais presentes nesses locais muitas vezes 
esquecidos pela maioria da população. Sendo uma pesquisa científica que busca resolver os 
problemas de uma determinada sociedade o tema vai contribuir para o melhoramento do PEA 
dos alunos como membro de uma sociedade e, também, vai atribuir soluções e propostas que 
conduzem para o domínio e consolidação de conteúdos ligado a disciplina de história. 
0.4.Objectivos 
0.4.1.Objectivo Geral 
 Avaliar o contributo do Museu Nacional de Etnografia de Nampula para o ensino da 
História – Caso da Escola Secundária de Nampula, 2016 a 2017. 
0.4.2. Objectivos Específicos 
 Identificar as razões que levam o Museu Nacional de Etnologia de Nampula a contribuir 
para o ensino da História; 
 Perceber o contributo do Museu Nacional de Etnologia de Nampula para o melhoramento 
do processo de ensino e aprendizagem na Escola Secundária de Nampula; 
 Explicar o contributo do Museu Nacional de Etnologia de Nampula para ensino da História 
- caso da Escola Secundária de Nampula, 2016 a 2017. 
0.5.Hipóteses 
Para responder a questão levantada na problematização foram levantadas duas hipóteses que são: 
15 
 
H1: O Museu pode contribuir para o ensino da História – Caso da Escola secundária de Nampula 
na medida em que são realizadas visitas de estudo com vista a consolidar o conhecimento teórico 
com a prática através das fontes matérias lá existentes. 
H2: O Museu pode não contribui para o ensino da História - Caso da Escola secundária de 
Nampula, razão que leva a fraca realização de visitas de estudo com vista a consolidar o 
conhecimento teórico com a prática. 
0.6. Procedimentos Metodológicos 
0.6.1. Quanto a Natureza: Pesquisa Básica 
Quanto a natureza trata-se de uma pesquisa básica visto que, a sua finalidade não é imediata, pois 
todos os resultados gerados devem serdivulgados para a sociedade em geral na forma de 
publicações bem como artigos científicos, livros, monografias, dissertações, teses e cadernos 
didácticos, pois todos têm direito ao conhecimento. 
0.6.2.Quanto a Abordagem: Pesquisa Qualitativa 
O estudo qualitativo permitiu a interpretação do tema mediante a observação não participativa e 
entrevista não estruturada que são as técnicas de recolha de dados para, seguidamente 
compreender a realidade do ponto de vista dos sujeitos, isto é, a pesquisa possibilitou a busca dos 
sentimentos individuais, do único, do particular de modo a generalizar os factos mediante a 
observação, entrevista e finalmente a interpretação sem aplicação de dados quantificáveis. 
0.6.3. Quanto aos Objectivos: Pesquisa Exploratória 
Os estudos exploratórios efectuam-se, normalmente, quando o objectivo é examinar um tema ou 
problema de investigação pouco estudado ou que não foi abordado antes. A pesquisa exploratória 
empregue nesta monografia, ajudou o autor a fazer a descrição precisa da situação na Escola 
Secundária de Nampula, que a posteriormente desenvolvessem a compreensão sobre a 
importância do Museu Nacional de etnografia de Nampula para ensino de história. 
16 
 
0.6.4. Quanto aos Procedimentos: Método Indutivo 
O método indutivo, nesta pesquisa foi empregado em função dos objectivos, onde partindo da 
entrevista não estruturada dirigida aos participantes da pesquisa, observação não participativa 
referente a Museus como meio de aprendizagem no ensino de História. 
0.6.5.Universo 
A presente monografia foi desenvolvida na Escola Secundaria de Nampula, observar-se-á como 
universo alunos da 12ª classe da Escola em referência, professores de história e funcionário de 
Museu. 
0.6.6.Amostra 
Esta actividade foi realizada na E.S de Nampula, abrangiu funcionário do museu, professores, e 
alunos da 12ª Classe que constituem o universo, na qual foi retirado uma amostra de 17 
indivíduos, sendo (1) professor da disciplina de História, e 15 alunos dos quais (7) alunos de 
sexo Masculino, e (8) alunos de sexo feminino. 
0.6.7.Técnicas e Instrumentos de recolha de dados 
Para a realização da monografia usou-se como técnicas e instrumentos de recolha de dados, à 
pesquisa bibliográfica, entrevista semi-estruturada e a observação sistemática. 
 A pesquisa bibliográfica: consistiu na busca de livros, artigos científicos, teses e 
monografias publicadas, publicações, páginas da internet, revistas, jornais. Nesta etapa 
consultar-se-á fontes que directa e indirectamente abordam o contributo do Museu 
Nacional de Etnologia de Nampula para ensino da História – caso da Escola secundária 
de Nampula de 2016 à 2017, que permitirão a definição e discussão dos conceitos, 
revisão da literatura e elaboração dos instrumentos de recolha de dados para a pesquisa 
na produção do guião de entrevistas. 
 A entrevista semi-estrutura: Neste tipo de entrevista, o entrevistador tem um conjunto 
de questões predefinidas, mas mantem liberdade para colocar outras cujo interesse surja 
no decorrer da entrevista. Esta técnica de colecta de dados sendo algo flexível, 
17 
 
possibilitará que sejam explorados outras questões que iram surgir no decorrer da 
entrevista, mesmo quando saem um pouco do “ guião” do entrevistador. 
Será feita a entrevista aos alunos e professores da Escola Secundária de Nampula 
procurando deles, percepções sobre o tema em causa. 
 A observação sistemática: Esta técnica permitiu observar os fenómenos tal como 
acontece e uma melhor percepção sobre os diferentes tipos de Museus existentes em 
Moçambique em particular o Museu da cidade de Nampula. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
18 
 
CAPITULO I: REVISÃO DA LITERATURA 
1.1.Conceitos Básico 
1.1.1.Ensino 
De acordo com O INSTITUTO CENTRAL DE CIÊNCIAS PEDAGÓGICAS - ICCP (1988: 31), 
define “ ensino como processo de organização da actividade cognoscitiva” processo que 
manifesta de uma forma bilateral a aprendizagem, como assimilação do material estudo ou 
actividade do estudante, e o ensino como direcção deste processo ou actividade do professor. 
Segundo LIBÂNEO (1994: 77), ensino é a actividade que tem por finalidade que o outro obtenha 
o conhecimento. Para que se tenha um ensino de forma que realmente agregue valor é preciso 
que o professor como sendo um transmissor de conhecimentos se utilize de métodos e técnicas 
adequadas que tenham base não apenas no contexto geral como o local, assim a necessidade 
básica do aluno será encarada como uma ponte para o ensino e não como um obstáculo. 
1.1.2.História 
Segundo RÜSEN (2001:13), história como ciência, é uma modalidade específica de 
conhecimento que emerge das carências que os seres humanos sentem em “ orientar-se em 
função das mudanças que experimentam no seu mundo e em si mesmos. 
Para BLOCH (2001: 55), a história tem por objecto o homem e por isso ela é a ciência que 
estuda os homens no tempo “ uma ciência dos homens no espaço”. 
1.1.2.1. História Local 
Para GONÇALVES (2007: 30), a narrativa histórica que toma o lugar como objecto e referência 
do conhecimento, o adjectivo local é relativo à circunscrição de um lugar que pode ser associado 
a diversas configurações. Assim, é possível estabelecer o local tanto como um lugar político-
administrativo (município, bairro, distrito) quanto uma aldeia indígena ou até mesmo uma 
instituição (escola, hospital, fábrica). Nesse sentido, o local é mais que o recorte de uma unidade. 
Ele é um lugar de sociabilidade onde o conjunto de experiências dos sujeitos individuais e 
19 
 
colectivos se desenvolvem em relação de complementaridade, favorecendo o diálogo entre o 
passado, presente e futuro. 
 
Para SCHMIDT e CAINELLI (2004:77), concebem a História local como uma “estratégia de 
aprendizagem” e acreditam que ela estaria voltada para “ garantir uma melhor apropriação do 
conhecimento histórico baseado em recortes seleccionados do conteúdo, os quais serão 
integrados no conjunto do conhecimento”. 
1.1.3.Memória 
Para BRANDÃO ( 1996 : 99), memória é o armazenamento de informações e fatos obtidos 
através de experiências ouvidas ou vividas. Relaciona-se fortemente à aprendizagem que é a 
obtenção de novos conhecimentos, pois utiliza a memória para reter tais informações no cérebro. 
Para LE GOFF (2003:419), “a memória é vista como a faculdade humana responsável pela 
conservação do passado, das experiências vividas”. Em razão disso, “remete-nos em primeiro 
lugar a um conjunto de funções psíquicas, graças às quais o homem pode actualizar impressões 
ou informações passadas, ou que ele representa como passadas”. 
1.1.3.1.Memória Histórica 
LE GOFF (1990:486), defende que, “a memória histórica, parte das construções referenciais do 
passado e presente e permite observar as diferentes perspectivas dos grupos sociais e culturais. 
Justamente elevando o carácter significativo desta interacção directa com a história, constituindo 
lembranças que podem ajudar a recompor o facto histórico”. A memória acaba por estabelecer 
um “vínculo” entre as gerações humanas e o “tempo histórico que as acompanha”. Esse vínculo 
que se torna afectivo, possibilita que essa população passe a se enxergar como “sujeitos da 
história”, que possuem assim como direitos, também deveres para com a sua localidade. 
Segundo BARROS (2011:379), “atribui o significado de memória colectivo àquela feita também 
de descontinuidades, porém estas se esfacelariam facilmente disfarçáveis em continuidade. Deste 
modo, ela (memória colectiva), assegura a sensação humana e social de unidade e permite que se 
atravessem mesmo os períodos históricos mais transformadores”. Portanto, as memóriasdos 
20 
 
grupos sociais consideradas colectivas, trazem consigo um espaço comum de encontro a 
determinado facto histórico, atribuindo-lhes um carácter simbólico. 
1.1.4.Identidade 
De acordo com BRANDÃO (1996: 101), identidade é uma daquelas palavras carregadas de 
significado. Vinda do latim identitate, ela é um substantivo feminino que têm acepções que vão 
desde o Registro Geral até questões filosóficas importantes que caracterizam a existência 
humana. Partindo-se do geral para o específico, em primeira instância, identidade refere-se 
àquilo que é idêntico. 
Do ponto de vista individual, identidade remete a autenticidade. É o conjunto de elementos que 
determinam que tal indivíduo é único e irreplicável. Tais elementos (nome, sobrenome, 
impressão digital, filiação, data de nascimento, impressão digital, características físicas, entre 
outros) identificam o indivíduo no universo, rotulando-o como um ser excepcional. 
GONÇALVES (2007: 22), define identidade como sendo a “fonte de significado e experiência 
de um povo”. O significado é o eixo em torno do qual os actores sociais estruturam a sua 
identidade de modo a que ela seja capaz de se auto-sustentar no tempo e no espaço. E o modo de 
uso do espaço liga-se ao quotidiano dando-lhe sentido, unindo-se à memória e agindo, 
expressivamente, na construção da identidade organizando, de modo inflexível quotidiano – 
lugar identidade. 
1.1.4.1.Identidade Cultural 
De acordo com COELHO (1997:101), refere que, identidade cultural é a característica que nos 
difere em grupo, ela transmite de onde viemos, quais são nossos valores, crenças e costumes. 
Segundo KIM (2007:237), é um sistema de representação das relações entre indivíduos e grupos, 
que envolvem o compartilhamento de patrimónios comuns como a língua, a religião, as artes, o 
trabalho, o esportes, as festas, entre outros. E um processo dinâmico de construção continuada, 
que se se alimenta de varias fontes no tempo e no espaço. 
 
21 
 
1.1.5.Identidade Histórica 
De acordo com FERREIRA (2008:37), uma identidade, implica em definir quem a pessoa é, 
quais são seus valores e quais as direcções que deseja seguir pela vida. O autor entende que 
identidade é uma concepção de si mesmo, composta de valores, crenças e metas com os quais o 
indivíduo está solidamente comprometido. 
Para FILHO citado por REIS (1999:101), há possibilidade de múltiplas leituras e manipulação 
dos referenciais em uma situação de contacto entre diferentes grupos, que remetem a valores 
tradicionais e históricos, como a percepção estratégica do próprio contacto. Portanto, além de 
chamar a atenção para a não essencialidade cultural das identidades, Seja como for, é 
indispensável considerar, em primeiro lugar, a partir das observações a importância do recurso à 
própria história, ou seja, à memória social como o suporte fundamental da identidade e, como tal, 
condição da vida psíquica e social humana. Suporte básico da identidade porque alimenta o 
sentimento de pertença a uma comunidade, através da percepção de continuidade temporal, de 
uma entidade historicamente enraizada, que se projecta no futuro. Em segundo lugar, que a 
memória vista como tradições sociais, é ela mesma representação social, construída de modo 
selectivo e situacional. 
1.1.6.Consciência Histórica 
Segundo RÜSEN (2001:59), é o trabalho intelectual realizado pelo homem para tornar suas 
intenções e agir conforme com a experiência do tempo. Esse trabalho é efetuado na forma de 
interpretações das experiências do tempo. Estas são interpretadas em função do que se tenciona 
para além das condições e circunstâncias dadas da vida. 
Para BANN (1994:23), pode ser entendida como uma representação social que uma 
colectividade adquire advinda de seu desenvolvimento no espaço e no tempo. O elemento que 
permite ao homem compreender a dimensão da própria história, sem o qual o homem não 
poderia compreender quem ele é ou que foi. 
22 
 
1.1.7.Fontes Históricas 
Para ARÓSTEGUI (2006:33), são todos os materias, instrumentos ou ferramentas, símbolo ou 
discurso intelectual, que tem origem humana, através do qual se pode inferir algo acerca de uma 
determinada situação social no tempo. 
Para ALVES (2010:51), as fontes históricas são vestígios de toda espécie capazes de refazer a 
História de uma época. Podem ser escritas ou não-escritas, tais como as orais, arqueológicas, 
iconográficas etc. Os fósseis também são considerados fontes históricas. As fontes históricas são 
importantes para a História, porém só se constrói uma História verdadeira quando dela todos 
participam independente de serem ou não especialistas. Todas as pessoas, independentes de raça, 
classe social, sexo ou idade são agentes construtores da História. 
1.1.8.Fontes Matérias 
Para ARÓSTEGUI (2006: 51), fontes materiais ou documentos figurados, constituem os 
vestígios matérias da actividade humana e que incluem as fontes arqueológicas em geral, os 
instrumentos de trabalho, os monumentos, as moedas, entre muitas outras. Algumas ciências 
auxiliares da história são dedicadas a este tipo de fontes, como a Arqueologia, a Numismática e a 
Sigiolografia. 
Na opinião de BITTENCOURT (2008:71), são os vestígios matérias sinal que o homem deixa 
pelo lugar por onde passa, que podem ser vistos em vários sítios arqueológicos abertos a 
visitação pública ou em Museus especializados. Exemplos: cerâmica com elementos femininos, 
pedra talhadas e polidas. 
1.1.9.Comunidade 
Para o ARÓSTEGUI (2006: 51) refere que, comunidade significa “vida real e orgânica”. Há um 
pressuposto que rege a comunidade: a perfeita unidade das vontades humanas como estado 
originário ou natural. As relações que compõem a comunidade são, para o autor, relações de 
sangue, de lugar e de espírito, derivadas do parentesco (casa), da vizinhança (convivência na 
aldeia) e da amizade (identidade e semelhança nas profissões). Na comunidade é muito 
importante a “compreensão” (consenso), que é um modo associativo de sentir comum e 
23 
 
recíproco. Esta compreensão implica a posse e o desfrute de bens comuns, amigos e inimigos 
comuns, e também a vontade de protecção e defesa recíproca. 
 
No ponto de vista de COHEN (1985:20), vê comunidade como um mecanismo simbólico que 
permite uma reflexão sobre a diferença cultural de seus membros. Nessa perspectiva, a 
comunidade é “uma forma de pensar, sentir e acreditar”. É ela um fenómeno cultural que é 
construído em termos do seu significado, por pessoas, através de recursos simbólicos. A 
comunidade é, portanto, um símbolo que expressa as suas próprias fronteiras. Enquanto símbolo, 
é apropriada colectivamente pelos seus membros, mas os seus significados variam conforme as 
perspectivas pessoais. 
1.1.10. Museu 
De acordo com SUANO (1986:44), Museu é uma organização sem fins lucrativos, instituição 
permanente a serviço da sociedade e seu desenvolvimento, aberto ao público, que adquire, 
conserva, pesquisa, comunica e exibe o património tangível e intangível da humanidade e de seu 
ambiente para fins de educação, estudo e diversão. 
Segundo o INSTITUTO BRASILEIRO DE MUSEUS - IBRAM de acordo com a lei nº11.904 de 
14 de Janeiro de 2009: 
Artigo. 1º Consideram-se Museus, para os efeitos desta Lei, as 
instituições sem fins lucrativos que conservam, investigam, comunicam, 
interpretam e expõem, para fins de preservação, estudo, pesquisa, 
educação, contemplação e turismo, conjuntos e colecções de valor 
histórico, artístico, científico, técnico ou de qualquer outra natureza 
cultural, abertas ao público, a serviço da sociedade e de seu 
desenvolvimento. 
1.2. Breve Históricos dos Museus 
 
Segundo SUANO (1986:8), como histórico-socialmente condicionadasestando sobre a 
influência das ações do homem no mundo, sendo necessário contextualizá-las. Desde o mito 
fundador do Museium, templo das musas, pode-se criar relações entres estes dois espaços. 
Templo este das nove musas, filhas de Zeus com Minemosine, deusa da memória, espaço 
destinado para o desenvolvimento das artes e dos estudos. Espaço este onde as obras eram 
24 
 
voltadas para as divindades não para os homens, uma “mistura de templo com instituições de 
pesquisa voltadas para o saber filosófico”. 
 SUANO (1986:9), no século II A.C em Alexandria este espaço chamado de Mouseion não 
apenas cumpria a função de museu mas também de biblioteca, centros de pesquisa que 
objectivavam a produção de conhecimento em diversas áreas (filosofia, medicina, história, 
astronomia, mitologia e etc.). O intuito deste espaço era preservar os conhecimentos do passado 
“o Mouseion foi utilizado para definir um local de estudos, possuía centros de educação e 
irradiação do conhecimento” possuía carácter enciclopédico “buscava-se distinguir e ensinar 
todo o saber existente” Durante muito tempo o termo Mouseion esteve ligado à compilação 
exaustiva sobre um tema. Durante a Idade Média muda-se o foco, devido ao cristianismo pregar 
o despreendimento material. A Igreja passa a ser a principal receptora de doações (eclesiásticas, 
principescas, de famílias abastadas) estas representações estavam ligadas com os objectivos 
didácticos da Igreja de propagação da religião cristã. 
Ainda que o termo fosse pouco utilizado durante a Idade Média, o hábito de coleccionar objectos 
de arte manteve-se, para obtenção de prestígio por uma elite feudal. Apenas no final da Idade 
Média passa-se a ter colecções privadas, com alguns príncipes de cidades republicanas italianas. 
No século XIV, as colecções principescas foram enriquecidas com “obras de arte da antiguidade, 
de tesouros e curiosidades provenientes da América e da Ásia e das produções artísticas da 
época, financiadas pelos nobres” tendo continuidade no século XV com colecções oriundas de 
preceitos Renascentistas e da expansão marítima. Já no século XVI e XV existiam colecções de 
estudiosos usados nas aulas das universidades europeias (SUANO 1986:11). 
No período Renascentista que surgem as primeiras expressões modernas do que hoje é chamado 
de museu, os Gabinetes de Curiosidade ou Câmara das Maravilhas. Nestes espaços encontravam-
se diversos objectos, estes eram expostos buscando uma simulação do ambiente de origem. O 
processo de coleccionar objectos de diversas origens foi fundamental para o desenvolvimento 
científico da época, pois além do incentivo para que diversas instituições abrissem suas próprias 
colecções científicas também havia os catálogos que auxiliavam na divulgação das pesquisas. 
“Abandonavam, assim, a função exclusiva de saciar a mera curiosidade, voltando-se para 
pesquisas e a ciência pragmática e utilitária”. 
25 
 
 SUANO (1986:23),posteriormente vários desses espaços transformaram-se em museu, mas 
ainda não estavam abertos ao público. Estes espaços eram destinados “a fruição exclusiva de 
seus proprietários e de pessoas que lhe eram próximas” Apenas no século XVIII estes espaços 
foram se tornando públicos. 
Neste momento, é necessário entender que, existe distinção de um “museu aberto ao público” e 
um “museu a serviço do público”. Pois, desde 1471, abrem-se colecções para o acesso ao 
público, mas com uma série de restrições. Em 1601, Frederico Barros, arcebispo de Milão 
“reuniu incontáveis obras de arte e fez daquilo que chamava seu museu, um centro didáctico de 
produções artísticas”. O segundo presidente deste espaço, Bonanni, reestruturou-o para ter 
carácter pedagógico, utilizado pelos Jesuítas. 
No séc. XIX, com a revolução burguesa e industrial, os museus aparecem como instituições, na 
sua maioria ligadas ao Estado-nação, com enfoque no Museu de História Natural em Londres 
(exibiu os seus objectos ordenados cientificamente). Nessa altura, a ideia de reformulação da 
concepção de Museu na Europa, nasce pela necessidade de construir identidades referentes às 
novas nações, surgindo assim vários museus nacionais. 
FIGURELLI (2011:112) refere que, por vários períodos os Museus eram simplesmente vistos 
como instituição ou edifícios, que apenas tinha função de preservar colecções históricas de 
grande valor de uma sociedade, turismo, exposição. Com o passar do tempo foi feito 
modificações conceituais da Instituição Museu ocorrem mudanças do prédio para o território, do 
objecto museológico que não é apenas o material mas também o imaterial, a função de 
preservação deixa de ser função central e dá espaço para a comunicação e a pesquisa, a colecção 
não é mais a prioridade e o público tem potencialidades participativas na instituição. Contudo 
estas mudanças não são determinantes em todos os museus, elas ocorrem com diversas 
intensidades e repercutem em diferentes contextos museológicos, como um reflexo do 
posicionamento ideológico dos profissionais que actuam em museus. Isto também explica o fato 
da educação em museu ser entendida e praticada de maneiras tão variadas nas instituições 
museológicas. As relações possíveis entre a Museologia e a Educação são as mais diversas e 
podem se dar com diversos públicos e ambientes, mas é notável a relação que as duas 
instituições, Museu e Escola, possuem. 
26 
 
Segundo HERNÁNDEZ (2001:266), as mudanças ocorridas no conceito de museu levaram a 
remodelação de sua função no campo educativo. 
As transformações vivenciadas nas últimas décadas no campo da 
educação têm afectado directamente o Museu, obrigando-o a adoptar 
medidas de carácter didáctico segundo as novas correntes pedagógicas e 
tendo como referencia o ambiente escolar. 
É possível perceber nesta modificação a importância em que a educação em museus vem 
ganhando, mas segundo Martins está “nova” faceta não é consensual não foram compreendidas 
de forma semelhante e em cada tipologia de instituição se aplicou de forma diferenciada de 
acordo com a constituição da instituição. 
MARTINS (2011:17), refere que, se por um lado à necessidade de um 
viés educativo nos museus já não é mais contestada e os museus são 
vistos, e se vêem, enquanto instituições educacionais, por outro lado não 
se sabe a amplitude que a educação assume nessas instituições. 
Esta percepção como espaço educativo por mais que desenvolvido ao longo dos anos não é 
espaço isento de conflitos. O que não exclui as potencialidades educativas dos espaços que não 
possuem um sector educativo. 
PEREIRA (2007:23), refere que, os museus são instituições educadoras, 
tenham ou não um sector específico encarregado da acção educativa. Ele 
exerce a sua função educativa na sua relação com os visitantes e dos 
meios dos quais se vale para comunicar com os diferentes públicos, entre 
eles o público escolar. 
Os museus são instituições educadoras, de carácter informal tenha ou não um sector 
especializado encarregado no seu acto de educação. Ele desempenha a sua tarefa educativa na 
sua conexão com os visitantes e dos instrumentos dos quais fortifica a comunicação com os 
diferentes públicos, entre eles o público escolar. É de responsabilidade do sector educativo 
planejar actividades a serem desenvolvidas pela instituição. 
1.2.1.Historial dos Museus em Moçambique 
Para ISSAK (2006:1), de acordo com a informação do departamento de Museus, na Direcção 
Nacional do Património Cultural do Ministério da Cultura e Turismo, em Moçambique existem 
26 museus e projectos de Museus tutelados por vários organismos públicos e privados, que 
foram surgindo desde o período colonial até ao presente. Embora seja esta a realidade, várias 
27 
 
acções foram sendo desenvolvidasao longo dos anos a seguir à Independência do país no sentido 
de recuperar o património cultural e natural de Moçambique, sendo de destacar a Campanha 
Nacional de Preservação Cultural, que decorreu de 1978 a 1982. Esta campanha permitiu 
recolher, registar e descrever vários aspectos da cultura e tradições locais, à escala nacional, um 
processo que culminou com a criação de depósitos Museológicos em todas as províncias e o 
enriquecimento das colecções dos museus existentes. 
ISSAK (2006:4) refere que, o museu passa a ser um vinculador do discurso ideológico das 
identidades de um grupo social concreto e atinge o objectivo de consciencializar e educar o povo 
acerca da sua identidade e cultura. Assim, com a revolução francesa, as pessoas passam de 
súbditos a cidadãos; expropriasse o património cultural da monarquia e da aristocracia para o 
povo; mas também se utilizaram os museus como instrumentos de educação do povo. 
1.2.2. Museus em Moçambique 
CHUQUELA (2005:117-118) refere que, em Moçambique existem alguns museus, distribuídos, 
essencialmente, pelas províncias de Maputo, Inhambane e Nampula. Dependendo das suas 
características, os museus existentes no país permitem essencialmente o contato com coleções de 
peças específicas e de coleções definidas. Considerando cada um dos museus, em seguida 
descrevem-se os museus existentes em Moçambique, tendo em conta as suas principais 
características: 
1.2.2.1.Em Maputo: Museu Nacional de Arte (MUSART) 
Segundo CHUQUELA (2005:118) a designação de Museu Nacional de Arte (MUSART) vem 
sendo utilizada desde a altura em que se começou a definir um espaço para exposições 
temporárias e para o depósito de obras de arte desde os primeiros anos da Independência. Possui 
uma exposição permanente de arte moçambicana, na qual os visitantes se podem familiarizar 
com obras de arte contemporânea, fruto de doações de obras, empréstimos e subsídios de 
aquisição especial cujo objectivo é construir um ponto de referência das artes plásticas 
moçambicanas com representação das suas fases mais significativas. 
28 
 
 O Museu de História Natural – Este é o mais antigo museu de Moçambique e único do 
seu género, tendo sido criado em 1913. Possui uma colecção que se singulariza pela sua 
riqueza, diversidade e combinação entre a parte natural e a etnográfica. No mesmo 
podem ser encontrados objectos que representam seres humanos, animais, minerais e 
plantas. Este museu possui uma vocação educativa muito forte e tem-se empenhado no 
seu desenvolvimento, no crescimento das colecções através de vários projectos de 
investigação. 
 O Museu da Moeda – O Museu da Moeda possui uma rica colecção de moedas que 
foram usadas desde os períodos mais remotos e que simbolizam a moeda como um 
instrumento de troca e marco cultural ao longo das gerações e civilizações. 
 O Museu da Revolução – O Museu da Revolução foi criado em 1978 que tem a mais 
rica colecção dos testemunhos da história da resistência à ocupação colonial, com 
destaque para o processo de libertação de Moçambique. 
 O Museu de Geologia (Museu Freire de Andrade) - Fundado em 1940 e com o 
objectivo específico de retratar o sector geológico e mineiro, que é de vital importância 
para a economia do país, este museu espelha a importância deste sector, não apenas como 
fonte de riqueza material, mas também como área privilegiada de estudo e conhecimento. 
A actividade deste museu sediado na cidade de Maputo é largamente complementada 
pelo Museu de Geologia de Manica. 
1.2.2.2.Em Manica 
CHUQUELA (2005:120), na vila de Manica reuniram-se num pequeno museu (ainda hoje 
existente) exemplares mineralógicos e amostras geológicas mostrando e promovendo os recursos 
de valor comercial da colónia. 
1.2.2.3. Em Nampula 
 O Museu Nacional de Etnologia (MUSET) - O Museu Nacional de Etnologia 
(MUSET), na cidade de Nampula, inaugurado a 23 de Agosto de 1956, esteve 
inicialmente virado para várias secções como de história e arqueologia para além de 
outros capítulos da etnografia, etnologia, folclore, paleontologia e pintura. Após a 
29 
 
Independência Nacional, a preocupação passou a ser outra, a de criar um Museu 
Etnológico de âmbito nacional. 
1.2.2.4.Na Ilha de Moçambique 
 
CHUQUELA (2005:124) refere que, o museu da Ilha de Moçambique (MUSIM), gozam de uma 
grande atenção do Governo e das instituições nacionais e internacionais, por um lado, pelo seu 
conteúdo ímpar e, por outro, por constituírem parte do conjunto que fazem da Ilha de 
Moçambique Património Mundial da Humanidade. Estes são constituídos por: 
 O Museu de Arte Sacra - contém objectos antigos que pertenceram à Igreja Católica da 
Ilha de Moçambique, bem como de outras Igrejas de outras partes de Moçambique. 
Existe uma colecção de objectos de prata que foram usados para serviços religiosos e 
uma estátua Maconde de Jesus Cristo feita nos séculos XVII e XVIII. 
 O Museu Palácio de São Paulo - possui uma colecção de peças de mobiliário indo-
português, uma colecção de porcelana chinesa e artefactos históricos que foram usados 
pelos governadores, representando assim uma época histórica na História de 
Moçambique. 
 O Museu da Marinha - contém objectos de marinha usados pelos marinheiros 
portugueses como canoas, bússolas, equipamento de navegação, âncoras e partes de 
navios. Contém ainda objectos locais da Ilha de Moçambique relacionados com a 
actividade marinha, produzidos com material local. 
1.2.2.5.Em Inhambane 
De acordo com TEIXEIRA (2000:51) refere que, na província de Inhambane localiza-se o 
Museu Regional de Inhambane. Este museu representa a realidade local na multiplicidade dos 
seus aspectos geográficos, naturais, históricos, sociais, culturais, entre outros, sendo o único 
museu que possui um espaço infantil. Alguns museus foram criados ao longo dos tempos e, por 
razões basicamente relacionadas com a falta de recursos financeiros e de pessoal qualificado 
foram deixando de existir. Por exemplo: Museu Histórico-Militar (1955), instalado na Fortaleza 
30 
 
de Maputo, que hoje já não existe e do Museu Comandante Ferreira de Almeida (1956) em 
Nampula. 
1.3. O papel do museu na sociedade 
 
De acordo com ISSAK (2006:4), o museu como uma unidade “documental” do património 
cultural de Moçambique, desempenha um papel importante na educação da comunidade no geral, 
visto que podemos encontrar diferentes objectos expostos, sobre diferentes manifestações 
culturais do país durante diferentes épocas que o país atravessou (antes, durante e depois da 
ocupação colonial, bem como no período pós-independência. 
 
ISSAK (2006:5) refere que, o investimento na constituição de colecções, a determinação de 
quais os objectos que devem fazer parte dessas colecções, a formação de pessoal especializado e 
a divulgação da informação, constituem áreas prioritárias na área dos museus em Moçambique. 
O museu como um local de exposição guarda a memória de uma pessoa e da comunidade no 
geral de um determinado património. Nos últimos tempos, para além de recolher, restaurar e 
expor os objectos que fazem parte das colecções, os museus também responsabilizam-se pela 
pesquisa, divulgação, aquisição do conhecimento e da participação activa da comunidade. 
Tornam-se elementos determinantes na sua função social e educativa. 
 
Assim sendo, os museus passaram a educar a partir da cultura material, e este processo educativo 
ultrapassa as fronteiras de idade, sexo, classe social, religião, raça, nível de escolaridade e ocorre 
ao longo da vida. Os museus passam também a constituir um espaço de formação integral do 
indivíduo, relativamente ao património cultural, social, histórico e económico da sociedade na 
qual está inserido.1.4. A utilização de novos recursos para a disciplina de História: o ambiente Museal como 
Factor positivo 
 
Os museus, enquanto monumentos históricos não servem simplesmente como um espaço de 
guardar “objectos antigos e coisas velhas”, mas como fonte de memória. Para a historiadora e 
31 
 
Doutora Kátia Maria Abud, os museus sempre foram vistos como um espaço onde se “juntam 
velharias”: 
 
Essa visão, comum entre crianças, jovens e adultos dos diferentes grupos 
sócio económicos, mostra representações do passado, da memória e da 
História como sinónimo de “antiguidade”, algo distante no “tempo-
espaço”, com poucas relações com o presente e quase nenhuma relação 
com o futuro. Essa representação indica a existência de uma “consciência 
histórica” em que, aparentemente, não há conexão entre diferentes 
temporalidades, o passado é compreendido considerando-se a ideia de 
deficit, da carência de objectos e conhecimentos (ABUD, 2010 : 127). 
 
O ensino ministrado por meio da visitação aos museus é relevante para à aprendizagem e a 
formação da consciência histórica, pois se trata de uma oportunidade de “sair” da dinâmica da 
sala de aula e mergulhar em novos conhecimentos, que esses espaços museais oferecem. As 
aulas ministradas em lugares como, casarões, igrejas, ruas centenárias ou mesmo ao ar livre são 
relevantes para o ensino da História, visto que, aproxima o conhecimento científico daquele 
experimentado pelos alunos nas salas de aula (ABUD 2010:136), afirma que: 
 
Visitar museus é um exercício de cidadania, pois possibilita o contacto 
com temas relativos à natureza, sociedade, política, artes, religião. Leva a 
conhecer espaços e tempos, próximos e distantes, estranhos e familiares, 
e a reflectir sobre eles; aguça a percepção por meio da linguagem dos 
objectos e da iconografia, desafia o pensamento histórico com base na 
visualização das mudanças históricas, permitindo repensar o quotidiano. 
 
A visitação aos museus favorecerá o conhecimento dos alunos, possibilitando uma aprendizagem 
agradável, que permite o contacto com objectos, imagens e todos esses conjuntos de bens 
materiais e imateriais encontrados nos espaços do ambiente museal, consentindo que o aluno 
desenvolva experiências com o passado, de modo a instigar novas práticas e conhecimentos 
históricos. É valido lembrar que o museu é um espaço histórico composto por documentos, 
objectos e exposições. 
Para ABUD (2010:136), aponta o restrito como algo perigoso, o papel da exposição nos museus 
históricos se organizada como o “teatro da memória”, seu objectivo central seria reproduzir o 
passado como um imenso manual didáctico, “o autor reflecte sobre as possibilidades de o museu 
participar da produção do conhecimento histórico, argumentando que a dimensão educacional da 
32 
 
exposição precisa ter como referência o conhecimento, para que a instituição cumpra 
efectivamente seu papel. 
 
 
1.5. Acções educativas em Museus 
De acordo com CHIOVATTO e AIDAR (2007:113), dentre as diversas contribuições das 
instituições museológicas à sociedade, uma em especial destaca-se por facilitar, dinamizar, 
diversificar e qualificar a relação do indivíduo com o património cultural preservado: as acções 
educativas. Voltada para o indivíduo, a acção educativa nos museus é pensada e realizada para 
cooperar com o seu desenvolvimento, contribuir para o seu aprimoramento e facilitar o seu 
reconhecimento enquanto sujeito social, pois é através de uma acção educativa que o contacto do 
público com o bem cultural é potencializado, contribuindo assim para os processos de construção 
de conhecimentos, que caracterizam o desenvolvimento do ser humano. 
Um museu comprometido com sua sociedade priorizará acções que instrumentalizem seu 
público, contribuindo para o seu processo de desenvolvimento pessoal, através de experiências 
que privilegiem a aprendizagem. Proporcionará aos seus públicos o acesso a uma formação 
voltada para o contacto com os espaços museológicos, que os estimulem a olhar criticamente, a 
ler os objectos e os espaços, a identificar as mensagens subentendidas, a perceber o discurso 
oculto na expografia, a criar novos significados, relações, narrativas. Muito além da visita guiada 
à exposição, a acção educativa precisa privilegiar a preparação para as ‘leituras da exposição’, 
direccionando suas iniciativas para a formação integral do ser humano. Assim, a acção educativa 
em museus, utilizando-se de textos, actividades, visitas, palestras, etc., deve ser capaz de 
potencializar a construção de conhecimentos do público em sua multiplicidade, desenvolvendo 
um olhar curioso e investigativo no contacto com a instituição e os objectos ali resguardados, 
visando ampliar sua capacidade crítica. 
Pautado nos princípios da educação não-formal, que entende a educação enquanto processo e 
privilegia o desenvolvimento do ser humano ao longo da vida, o museu encontra na acção 
educativa a estratégia para implementar seu carácter social e educativo. A acção educativa, por 
sua vez, encontra respaldo no património cultural preservado, que tem entre outros intuitos, o de 
auxiliar na reflexão do sentido da vida e nutrir a criatividade em toda sua diversidade. Tendo 
33 
 
como referencial básico o património seja ele natural, histórico, biológico, cultural, material ou 
imaterial o museu é capaz de instrumentalizar o indivíduo, qualificando a relação que este 
estabelece com a sua realidade mediante iniciativas que potencializem essa interacção. 
 
De acordo com HORTA et al.. (1999: S/d), numa sociedade globalizada que, contraditoriamente, 
ainda fragmenta os saberes através de currículos escolares, o património cultural pode ser visto 
como um contributo para estimular a capacidade de estabelecer relações e criar diálogos. Se a 
habilidade de interpretar objectos e fenómenos culturais expande a capacidade de compreender o 
mundo, bens culturais podem colaborar para a formação do indivíduo antenado com as 
exigências do seu tempo, que requer pessoas criativas e imaginativas, capazes de observar, 
analisar, interpretar, contextualizar e ressignificar dados, fatos, tempos e espaços. 
Na óptica de SANTOS (2008:16) refere que, o património cultural “um referencial para o 
exercício da cidadania e do desenvolvimento social por meio do processo educativo” é através de 
uma acção museológica participativa, apoiada na apropriação deste património, que o museólogo 
será capaz de auxiliar os indivíduos a ampliarem a dimensão de valor e sentido em relação às 
suas práticas culturais. O museólogo pode cooperar para que o cidadão perceba o património 
como um contributo para decifrar seus códigos, linguagens, paradigmas, valores, crenças e 
conceitos, colaborando para que observe e compreenda, utilize, crie e recrie, escolha, valorize, 
divulgue e preserve aquilo que considerar parte de sua identidade e suas memórias. 
 
Através do património cultural, o museu viabiliza a construção social da memória e a 
potencializa como ferramenta para a percepção crítica da sociedade e a promoção de melhorias 
sociais. Com o auxílio do património cultural, o museu desempenha o papel de mediador, 
articulando público, património e espaço, na busca pela construção, ressignificação e apropriação 
das identidades que auxiliam no processo de conscientização social. 
O bem cultural composto de memórias, significados e valores, provoca novas ideias e sentidos, 
diferentes emoções. E é através da implementação de acções museológicas socialmente 
engajadas que o património cultural cumpre uma de suas funções primordiais: suscitar a criação 
de novos conhecimentos. Contudo, as interacções entre sujeito e património são estabelecidas 
mediante a posturaactiva do sujeito. Tais influências, dinamizadas no museu, desencadeiam um 
34 
 
processo que visa estimular diferentes habilidades no indivíduo capacitando-o para actuar na 
sociedade, de maneira autónoma e consciente, mas que só atingirá resultados promissores 
mediante a sua vontade de interagir com o espaço, o património, as propostas. 
SANTOS ( 2008: 20), estas habilidades contribuem para o pleno exercício da cidadania, 
entendida como a capacidade dos indivíduos de participar das decisões políticas, opinar e 
interferir sobre os rumos da sociedade, apresentar seus próprios pontos de vista e compará-los 
com pontos de vista diversos, contribuindo assim para a construção de uma sociedade 
democrática. Ao acreditar que a prática da cidadania pode ser a estratégia, por excelência, para a 
construção de uma sociedade melhor, entende-se também que é necessário uma mudança na 
postura do cidadão. Esta mudança reside na possibilidade de o homem contemporâneo romper 
quotidianamente com as trevas da alienação. Isso se daria, a todo instante, nas relações diárias, 
criando relações que eliminem o homem ‘marcado’ historicamente e apontem, dentro desse 
homem, o ser universal que possui. Trata-se de pensar, sentir e agir no sentido de que a 
democracia se constrói a todo instante, nas relações sociais de que fazemos. 
Assumindo assim que a responsabilidade para a construção de uma sociedade igualitária é de 
todos. Logo, se ‘todos’ são responsáveis por este processo de mudança, ‘todos’ precisam ter 
oportunidade de implementar suas habilidades para participar conscientemente. Direccionando 
essa reflexão para o contexto museológico, subentende-se que é preciso incluir ‘todos’ como 
público-alvo das iniciativas educativas nos museus, adaptando as acções às diferentes demandas. 
 
As iniciativas realizadas pelo museu, que tem como intuito o desenvolvimento do ser humano, 
podem suscitar resultados positivos ao nível individual relacionado à esfera pessoal, psicológica 
e emocional da vida de uma pessoa, e ao nível colectivo relacionado à vida social de uma pessoa 
AIDAR (2002: s/d), mediante o desenvolvimento de diferentes perspectivas. Dentre elas destaca-
se: a consciência histórica e noção de temporalidade; a criticidade; a noção de pertencimento; a 
identidade; e a diversidade cultural. 
a) Consciência histórica e noção de temporalidade 
 De acordo com SANTOS (1994: 103), O compromisso em preservar testemunhos da 
historicidade é uma das diversas formas que o museu possui de colaborar para a qualidade de 
35 
 
vida da população, aspecto essencial para o progresso social. O contacto com o património 
cultural, visto como testemunho da historicidade do sujeito, pode estimular o desenvolvimento 
da noção de temporalidade, assim como a consciência histórica, objectivando a integração do 
indivíduo em seu meio. E essa conscientização da relação temporal e histórica, a compreensão do 
indivíduo acerca do tempo e do espaço social em que está inserido, auxilia-o muito em seu 
processo de autoconhecimento. Logo, o património cultural visto com referencial básico da 
trajectória humana, actua como facilitador para a reflexão crítica a respeito da condição humana 
na sociedade. 
Ao colocar o indivíduo em contacto com as memórias, ao instigá-lo a (re) pensar e indagar o 
tempo presente e também ao estimulá-lo a criar o tempo futuro, o património contribui para um 
processo de reflexão que, por sua vez, pode colaborar para uma mudança de atitude frente aos 
desafios da sociedade pois, 
Não há transição que não implique um ponto de partida, um processo e 
um ponto de chegada. Todo amanhã se cria num ontem, através de um 
hoje. De modo que o nosso futuro baseia-se no passado e se 
corporificando presente. Temos de saber o que fomos e o que somos, 
para saber o que seremos (FREIRE, 1984: 33). 
 
Portanto, qualificar o uso do património cultural, para que ele seja empregado como ferramenta 
para compreensão do meio, da história, é justificar a relevância de sua preservação, não apenas 
como testemunho do passado, mas como subsídio para a acção no presente; pois o ato de 
preservar deve ter o objectivo de “contribuir para a formação do cidadão, para que ele possa criar 
e transformar a realidade, tendo como base a cultura produzida, que será o estímulo para um 
novo fazer cultural”. 
 
b) Noção de pertencimento 
O sentimento de pertencimento é próprio ao ser humano. Os indivíduos, enquanto seres sociais 
que são, buscam pertencer a algum domínio seja um espaço, um lugar ou um grupo que lhe 
identifique, caracterize e diferencie. Esta noção de pertencimento está intimamente relacionada à 
noção de participação, que faz o indivíduo sentir-se parte de um colectivo, que lhe possibilite 
integrar e compartilhar determinadas características com outras pessoas. 
36 
 
O museu, enquanto espaço de memórias e referências culturais, possibilita o exercício individual 
e colectivo do sentimento de pertencimento, visto que através do património cultural o indivíduo 
é capaz de reconhecer-se membro de uma colectividade que partilha especificidades e 
particularidades. O património cultural preservado colabora para que o indivíduo sinta-se 
membro dessa colectividade, percebendo que esses bens culturais lhe pertencem também porque 
lhe representam. E através da socialização destes bens, a cultura contribui para os indivíduos 
perceberem-se parte de um grupo social e construírem sua própria identidade. 
c) Identidade 
Para GUARNIERI (1990:41), Construída socialmente e desenhada a partir de escolhas políticas, 
“a identidade cultural está, assim, muito intimamente ligada à vida e à história dos homens, bem 
como à consciência que eles têm de si mesmos. Não se trata de ser, mas de saber-se ser, ou de se 
saber ser como tal”. E esta percepção auxilia bastante o ser humano em seu processo de 
reconhecimento e autoconhecimento. 
Tanto as identidades pessoais como as identidades colectivas são construídas, reconstruídas e 
revisitadas constantemente, com o apoio das memórias preservadas. O museu, enquanto 
mediador cultural, constitui-se em espaço propício para esse processo de negociação e 
resinificarão, enquanto o património cultural compõe-se em subsídio essencial para a 
reconstrução de noções e concepções. Relacionada ao fortalecimento de uma consciência 
histórica e também uma consciência social, a identidade é vista como uma afirmação política e 
social, como um princípio preeminente e organizador da sociedade. Desta forma, auxilia no 
processo de conscientização social do indivíduo e, consequentemente, contribui para a 
constituição de uma sociedade formada por cidadãos críticos e actuantes. 
Na visão ARAUJO e BRUNO (1995:10), ao auxiliar o indivíduo em seu processo de 
caracterização e diferenciação humana, a identidade contribui para a conscientização sobre a 
importância da diversidade para o desenvolvimento humano. Para tanto, o potencial do museu 
está em “contribuir para o reconhecimento das identidades culturais, para seu fortalecimento e 
para o reconhecimento da existência de outras culturas, que merecem igual respeito” (, 
colaborando assim para a formação de uma sociedade muito mais tolerante, onde a discriminação 
perca espaço nas relações humanas. 
37 
 
d) Diversidade cultural 
Segundo UNESCO (2009:2), umas das contribuições da Museologia contemporânea para o 
aumento da qualidade de vida dos indivíduos está ligada ao exercício da cidadania, expresso na 
diversidade cultural representada no património, uma vez que acredita-se que “o respeito à 
diversidade das culturas, à tolerância, ao diálogo e à cooperação, em um clima de confiança e de 
entendimento mútuos, estão entre as melhoresgarantias da paz e da segurança internacionais”. 
A diversidade é o conceito fundamental para a reflexão, para a adaptação, para a troca, para a 
construção, para a mudança, para a invenção, entre outros processos que caracterizam a 
existência humana e fazem-se essenciais para a dinâmica da vida. Vista como factor de 
enriquecimento, a diversidade cultural amplia a oferta de referências e as possibilidades de 
escolha que se oferecem a todos, além de propiciar intercâmbios culturais e o desenvolvimento 
das capacidades criadoras que alimentam a vida pública. 
 
De acordo com UNESCO (2009: 4), toda criação tem suas origens nas 
tradições culturais, porém se desenvolve plenamente em contacto com 
outras. Essa é a razão pela qual o património, em todas suas formas, deve 
ser preservado, valorizado e transmitido às gerações futuras como 
testemunho da experiência e das aspirações humanas, a fim de nutrir a 
criatividade em toda sua diversidade e estabelecer um verdadeiro diálogo 
entre as culturas. 
Portanto, a formação do cidadão passa pela conscientização de que no âmbito da cultura toda 
manifestação deve ser respeitada por ser reflexo da expressão humana. Reconhecer que todos os 
povos produzem cultura e que cada um tem uma forma diferente de se expressar é aceitar a 
diversidade cultural, é entender que não existem culturas mais importantes do que outras, é 
entender que não existem culturas melhores do que outras. 
O aprendizado do respeito à diversidade e da valorização à pluralidade são questões pertinentes 
ao museu, quando este também educa para uma maior tolerância frente à heterogeneidade de 
ideias que compõe a sociedade. A defesa da diversidade cultural implica também no 
compromisso em respeitar os direitos humanos e as liberdades fundamentais, sendo de tal modo 
uma facilitadora para a democraticidade cultural, que está relacionada ao desenvolvimento social 
e consequentemente há um contexto democrático. 
38 
 
1.5. A relação entre Escola e Museu 
Posto isto, são diversos os meios pelos quais o museu pode potencializar a relação do indivíduo 
com o bem cultural. Aguçar junto aos públicos a criatividade para olhar o património cultural e 
criar novos sentidos; despertar emoções e inspirar sensações para ressignificar suas experiências 
e reconstruir antigos conceitos; provocar questionamentos e estimular a criticidade para facilitar 
a construção de conhecimentos a partir da análise e interpretação do património cultural, 
promover o reconhecimento da pluralidade cultural existente na sociedade contemporânea para 
incentivar o respeito ao diverso e a valorização do desigual, são algumas das diversas 
contribuições de uma prática museológica desenvolvida com criticidade, aplicada com 
autonomia e engajada socialmente. 
 
Pode-se afirmar que o serviço educativo nas instituições museológicas simbolize a parceria entre 
museu e Educação, que o público escolar represente a maior parcela de público e que a Educação 
Patrimonial seja um exemplo de iniciativa. Porém, é necessário que os profissionais dos museus 
ampliem seu entendimento sobre as possibilidades de interacção entre as áreas, para assim 
expandir a relação entre Museologia e educação, ambas construções humanas e portanto reflexos 
de seus criadores. Desta forma, será possível aproximar-se da recomendação feita no ano de 
1992, na ‘Declaração de Caracas’, segunda a qual, 
O museu é um importante instrumento no processo de educação 
permanente do indivíduo, contribuindo para o desenvolvimento de sua 
inteligência e capacidades crítica e cognitiva, assim como para o 
desenvolvimento da comunidade, fortalecendo sua identidade, 
consciência crítica e auto estima, e enriquecendo a qualidade de vida 
individual e colectiva), propiciando assim, oportunidades educacionais à 
toda a sociedade (UNESCO, 2009: 10). 
Brasil é um dos países onde essa extrema relação entre a “Escola e o Museu” fica clara, nota-se 
um grande número de escolas que exploram este espaço informal como um meio de educar de 
aprender e transmitir conhecimento. Estatísticas oscilam entre 50% a 90% participação de grupos 
escolares é importante que se faça uma reflexão se essas aderências desse grupos a locais 
informal se esta a ser influenciadas pela Escola nova, um processo que pretende moderna o 
museus e usa-lo no processo de ensino de aprendizagem como fonte de transmissão de 
conhecimento. 
39 
 
Cada vez mais professores das diferentes áreas se interessam por conhecer melhor este espaço, 
tendo por objectivo proporcionar um melhor aproveitamento do mesmo pelos alunos. Em 
contrapartida, os museus tem procurado, através de diferentes programas, oferecer material de, 
reunião de roteiro, cursos sobre museus e sobre estratégias de utilização deste espaço para este 
público. Os professores das diferentes áreas educativas estão se interessando para entender 
melhor os Museus (espaço informais) como objectivo de facilitar o aprendizado nas salas de 
aulas. Em compensação os museus têm oferecer cursos sobre museus e estratégias de utilização 
de espaços informal para este público (UNESCO, 2009: 12). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
40 
 
 
 
 
 
CAPITULO II: DESCRIÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO 
2.1. Caracterização Geral da Cidade de Nampula 
Segundo ARAÚJO (2005: 30) refere que, a cidade de Nampula localiza-se ao norte do território 
moçambicano, país situado na África Austral, na costa do Oceano Índico. Tem como fronteiras: 
a norte, as províncias de Cabo Delgado e Niassa, através do rio Lúrio; a sudoeste, separa-se da 
Zambézia através do rio Ligonha e, a este, é banhada pelo Oceano Indico. 
A província de Nampula surge como resultado de intercâmbios comerciais. Árabes e Persas 
fixaram-se nesta região, particularmente no seu litoral, nos séculos IX e XIII, e fundaram 
entrepostos comerciais que incrementaram a entrada de Moçambique no comércio internacional, 
com destaque para a Ilha de Moçambique. A ilha foi também o ponto de chegada da frota 
marítima portuguesa, que na sua expansão, no século XVI em busca do ouro do império dos 
Mutapas, continuaram a usá-la como entreposto comercial e um dos pontos estratégicos da 
defesa do seu monopólio. Por isso, o litoral do norte de Moçambique conservou vestígios dos 
povos árabe - swahilis - fisionomia, religião, língua hábitos e costumes enquanto o interior, 
habitado pelos povos nativos, devido ao longo período de isolamento conservou a sua cultura e 
tradição de origem (ARAUJO, 2005:33). 
Segundo ARAÚJO (2005: 55), uma das características que mais se salienta na província de 
Nampula é o facto de ela ser atravessada em toda sua extensão pelos eixos ferroviários e 
rodoviários que ligam o litoral (porto de Nacala) com o interior do país e com a República do 
Malawi. Há também ramificações que a liga às províncias de Cabo Delgado e Niassa. Esta 
localização confere-lhe o papel de centro económico e de ligação de todo o território a norte do 
rio Zambeze, pelo que se lhe ajusta o título de “capital nortenha ou rainha do norte”. 
41 
 
A diversidade de composição étnica que este cruzamento de ligações tem proporcionado se, por 
um lado, lhe confere importância económica, por outro lado impulsiona alguns choques 
culturais. Além da multiplicidade étnica dentro do país, a influência dos povos asiáticos e 
portugueses acima referidos, na actualidade, Nampula é um ponto de atracção de imigrantes 
vindos de diversos países africanos como (Congo, Mali, Somália). Trata-se de povos com suas 
especificidades culturais e sua maneira de estar. Cremos que o trabalho com os objectos 
museológicos poderá alicerçar raízes de identidade local, que funcionem como plataformade 
entendimento das várias subculturas, numa negociação constante para uma comunidade 
multicultural, sem perder de vista a reafirmação da moçambicanidade. 
ARAÚJO (2005:57), a cidade de Nampula é a capital da província de Nampula. Esta foi fundada 
com fins de controlo militar da penetração colonial para o interior, desde 1896. Inicialmente 
fundada como posto militar, após sucessivas transformações, em 26 de Agosto de 1956, 
Nampula foi elevada a categoria de cidade. A cidade de Nampula constitui um município e é 
formada por 6 postos administrativos urbanos (Central, Muatala, Muhala, Namicopo, Napipine, 
Natikiri) que compõem 18 bairros. O posto administrativo urbano central corresponde à “cidade 
de cimento”, onde se situam as principais infra-estruturas económicas e sociais. 
Os seus bairros foram, no período colonial, habitados exclusivamente por populações brancas e 
alguma mulata e assimilada; actualmente são habitados por indivíduos de alta renda. Os outros 5 
postos administrativos circundam a “zona cimento” e constituem a “cidade de caniço”, 
actualmente em plena transformação e expansão. Os bairros destes postos administrativos, 
também chamados bairros periféricos ou suburbanos, eram os bairros segregados da população 
negra que se aproximava da cidade de cimento à procura de trabalho, assim como áreas rurais 
habitadas pelos camponeses. Ainda hoje, essas características se mantêm, apesar de serem 
classificados como urbanos (ARAÚJO, 2005:59). 
É importante salientar que, tal como demonstraram várias pesquisas que se dedicaram à 
urbanização moçambicana, como a de realidade urbana em Moçambique revela-se contraditória 
num processo de transformação/persistência. Se por um lado, os bairros centrais urbanos 
procuram reproduzir um estilo de vida ocidental, por outro, nos bairros periféricos existe alguma 
42 
 
persistência do modo de vida autóctone, caracterizado não só pela precariedade da habitação e 
relações sociais de base rural, mas também pelo uso de objectos tradicionais da cultura local. 
2.2. Museu Nacional de Etnologia em Nampula 
Segundo KULYUMBA (2006: 99) refere que, o museu Nacional de Etnologia, também 
designado abreviadamente por MUSET, é uma instituição pública de carácter cultural e 
científico, ao serviço de sociedade e do seu desenvolvimento. Tem a sua sede na cidade de 
Nampula e exerce funções de coordenação científica e orientação metodológica, dentro da sua 
área de especialidade em todo o território nacional moçambicano. É uma das poucas instituições 
de âmbito nacional que se situa longe da capital moçambicana. As suas instalações comportam 
um edifício moderno, imponente e elegante. Está ornamentado na sua entrada por duas peças de 
arte Maconde, com uma idealização egípcia, que perduram desde a sua inauguração. 
KULYUMBA (2006: 100), O Museu Nacional de Etnologia em Nampula foi inaugurado em 23 
de Agosto de 1956, tendo passado desde então por várias transformações: Museu regional 
(representando as actuais províncias de Niassa, Cabo Delgado e Nampula) e, depois, Museu 
Municipal de Nampula. Depois da Independência Nacional proclamada em 1975, com a 
responsabilização do Estado na salvaguarda e valorização dos bens materiais e imateriais do 
património cultural moçambicano, através da lei nº10/88, de 22 de Dezembro, tornou-se 
necessária a criação de museu de âmbito nacional que desse continuidade ao estudo e à 
constituição de colecções representativas de várias culturas de Moçambique. Após ter encerrado 
ao público em 1981, período imediatamente pós-independência, caracterizado por falta de 
quadros profissionais e especializados, o museu voltou a abrir as suas portas oficialmente ao 
público, a 25 de Junho de 1993, transformado no Museu Nacional e com uma vocação 
especialmente etnográfica. Daí, salienta o autor em referência, a preocupação passou a centrar-se 
numa abordagem que, embora não fosse cronológica, pudesse seguir um certo encalço etnológico 
do ser cultural moçambicano e trazer à tona a sua identidade. Esta missão caracterizou e tem 
caracterizado o MUSET até aos nossos dias. É um museu que cria admiração aos seus visitantes, 
tanto estrangeiros como nacionais. 
Dos excertos do livro de assinaturas que KULYUMBA (2006:101), teve a sábia tarefa de 
organizar, dentre vários ditos retêm-se os que baptizam este local como a alma mater da 
43 
 
moçambicanidade; o rever de um processo histórico, desde a etapa dos primatas até ao Homem 
actual, permitindo um revisitar de leituras que ficaram na memória, sem deixar de lado as 
referências das belas artes que as suas colecções apresentam. 
No que respeita as artes e exposições neste museu, a arte Maconde é a que mais sobressai. Esta 
predominância é também notória no projecto - aldeia dos artistas e artesãos fazedores de objectos 
típicos da arte Moçambicana onde dentre dezenas de escultores Macondes que se reúnem no 
museu todos os dias para praticarem as suas actividades, que não só elevam a arte e cultura 
Maconde mas também o espírito de combate à pobreza, apenas um artesão Macua se tem 
notabilizado neste projecto, participando de forma individualizada nas exposições que o museu 
realiza. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
44 
 
CAPITULO III: APRESENTACAO, ANALISE E INTREPRETACAO DE DADOS 
Para a presente monografia, realizou-se entrevistas, na qual entrevistou-se (17) indivíduos dos 
quais: (1) funcionário do museu, (1) professor da disciplina de História e 15 alunos, (7) alunos de 
sexo feminino (8) alunos de sexo Masculino, alunos estes da 12ᵃ classe, grupo (A) da E.S de 
Nampula. Neste caso elaborou-se guiões de entrevista para cada grupo alvo contendo (8) e (3) 
questões. 
3.1. Referente aos alunos da Escola Secundária de Nampula 
Já ouviste falar sobre o Museu Nacional de Etnologia de Nampula durante a aula de 
História? 
Para AL2, AL3, AL4, AL7, AL8, AL9, AL5, AL11, AL12, AL13, AL14, AL15 responderam 
“sim’’. E para AL1, AL6, AL10 responderam que não. 
Ainda AL3, AL4, AL5, AL8 diz que, Museu é um lugar onde faz-se exposições de tudo aquilo 
que de alguma maneira fez parte da história e considera-se importante. Para AL13, AL9, AL15 é 
um lugar onde faz-se arte relacionado com nossa cultura Moçambicana. AL11, AL7 Museu é um 
lugar onde tem objectos históricos relacionado com nossos antepassados, respondeu os alunos. 
AL6, AL10, AL1, responderam que, não fazem menor ideia o que seria Museu Nacional de 
etnologia. 
Isso revela que o professor tem falado pouco sobre museu nacional de etnologia de Nampula na 
aula de história com objectivo de relacionar conteúdos que tem leccionado na sala de aula com o 
museu com objectivo de despertar interesse por parte dos alunos. Visto que, a maior parte dos 
alunos tem conhecimento sobre museu sendo local aberto ao público que guarda e preserva a 
história de uma determinada povo. 
Com que frequência fazes visita de estudo ao Museu Nacional de Etnologia de Nampula? 
Para AL3, três vezes por ano. AL13, AL10, AL9, AL15 nunca visitei o Museu. AL14 três vezes 
este ano com colegas e amigos e sem autorização da escola e nem do conhecimento professor, 
frequentamos momento de lazer. E para AL1, AL2, AL6, AL11, AL12, AL4, AL5, AL8 desde 
45 
 
comecei a estudar aqui nunca realizamos visita de estudo. AL7 visitei duas vezes so para matar 
curiosidade. 
É importante a visita de estudo neste local? Porque? 
Para AL1, AL2, AL3, AL4,AL5, AL6, AL7, AL8, AL9, AL10, AL11, AL12, AL13, AL14, 
AL15 sim é importante. AL3, AL9 porque o Museu ajuda-nos a ter uma noção da cultura da 
nossa sociedade. AL7, AL14, AL8 é uma forma de ganhar experiência sobre o que aconteceu 
com nossos antepassados. AL1, AL2, AL3, AL4, AL5, AL6, AL10, AL11, AL12,AL13 estes 
locais guardam consigo objectos históricos de grande valor para nossa sociedade. AL15 não sabe 
explicar somente sabe dizer que é importante visitar o museu. 
Neste caso os alunos mostraram ter conhecimento sobre a importância de visita de estudo ao 
Museu de etnologia de Nampula. É importante visitar os museus, pois a partir dessa prática 
encontramos nesses recintos uma diversidade de temas expostos que nos ajudam a compreender 
a nossa história local, por exemplo, O Museu de etnologia de Nampula possuem peças que 
carregam a memória da região Norte de Moçambique, ou seja, os acervos apresentam um 
discurso, que é contado a partir de suas exposições realizadas nas instituições museológicas. 
Qual é a importância do Museu de Etnologia para o ensino da História? 
Em relação a esta questão, os AL1, AL3, AL7, AL9, AL10, AL12, museu é importante para 
ensino da história porque ajuda a explicar melhor aquilo que era na época passadas. AL13 
respondeu que o museu é importante para ensino da história porque guarda lembranças do nosso 
povo. AL2 o museu é importante na disciplina da história porque ajuda o professor de história a 
levar os alunos a este local para concretizar suas aulas de história. Enquanto que, AL4, AL5, 
AL6, AL8, AL11, AL14, AL15 não sabem explicar a importância do Museu. 
De acordo com as respostas obtidas pode-se notar que a maiória dos alunos tem conhecimento da 
importancia do MUSET para ensino da história, ao passo que a menoria não sabe explicar do 
mesmo. 
O MUSET é muito importante no ensino da história porque, é o espaço onde os alunos podem 
entrar em contacto directo com diferentes tipos de conhecimento sem qualquer pressão por parte 
dos professores, muito diferente do que acontece na escola. Estes locais são conhecidos como 
46 
 
lugares de educação informal, exactamente por oferecerem essa possibilidade de aprender sem 
compromisso. Quem visita Museu nacional de etnologia pode seleccionar quais informações que 
quer saber e de que maneira. 
O Museu nacional de etnologia de Nampula ajuda na aprendizagem de história? Como? 
Para o AL3, AL12, o Museu etnologico de Nampula ajuda aquisição de conhecimento em 
história na medida em que cada objecto que esta guardado neste local retrata uma história. AL10, 
AL8, AL2, o museu ajuda para aquisição de conhecimento quando se faz consolidação de 
teorias e praticas. Ajuda na aquisição de conhecimento na disciplina de história, quando são 
realizadas visitas de estudo AL6, AL7. Que museu etnologico ajuda na aquisição de 
conhecimento em história ‘’ sim ” infelizmente não sei como explicar como acontece este 
processo de aquisição de conhecimento na disciplina de história AL1, AL4, AL5, AL9, AL11, 
AL14, AL13, AL15. Contudo a maioria dos estudantes afirmou que o MUSET ajuda na 
aquisição de conhecimento de história, mas não sabe explicar como ocorre processo. 
 No MUSET o aprendizado ocorre partir de objectos, pinturas e outros artefactos históricos, o 
aluno conhece a história na “prática”, dando um senso de realidade ao aprendizado. Com os 
artifícios do museu é possível tirar a matéria do abstracto, como está nos livros didácticos, 
fazendo com que ela se torne muito mais real e fácil de assimilar. As experiências obtidas no 
museu são benéficas tanto para quem possui uma inteligência visual, quanto para aqueles que 
preferem aprender pela leitura. A interacção com os objectos históricos é outro factor que auxilia 
a absorver conhecimento de maneira simples, fazendo com que realmente qualquer um consiga 
aprender. 
 
Que contributo tem o Museu Nacional de etnologia de Nampula para ensino da História na 
Escola Secundária de Nampula? 
Para o AL3, AL12, AL10, AL8, AL2, AL6, AL7 museu de Etnologia contribui para ensino da 
história na E.S de Nampula na medida que trás consigo instrumentos ou vestígios históricos. No 
caso dos alunos AL1, AL4, AL5, AL9, AL11, AL14, AL13, AL15, não sabem qual o contributo 
do Museu de Etnologia para o ensino da história na E.S de Nampula. 
47 
 
3.2. Referente ao Professor de História da Escola Secundária de Nampula 
O que é Museu? 
Em relação a esta questão PE1 diz que, Museus são espaços históricos que reúne e criam 
condições sócias, culturais e politicas, relacionados com nossos passados. Este local preserva a 
história de uma determinada sociedade tanto que podemos encontrar alguns objecto ou matérias 
históricos que revelam existência de primeira sociedade. No caso da Cidade de Nampula 
podemos encontrar Museu de etnologia e o Museu de Ilha de Moçambique, estes locais carregam 
consigo um fardo de história que podemos preservar e aprender com elas para futuramente 
transmitimos para nova geração. 
Isso demonstra que o professor tem conhecimento sobre museus que ira de certa forma transmitir 
para seus alunos. 
Aborda sobre o museu etnologico de Nampula durante as aulas de história? 
Para PE1 tem falado pouco, principalmente sobre o (MUSET) uma vez que encontra-se mais 
próximo da escola e considera simples dar exemplos dos temas leccionados recorrendo a este. 
Acrescentou a falta de temas relacionados a esse conteúdo, pois leccionamos aquilo que 
dosificamos. 
Isso revela a demonstra a falta de iniciativa e criatividade do professor de história na sua 
leccionação e planificação, porque algumas dessas justificação do professor faz com que não 
transmitam na sala de aula assuntos relacionados com os museus, ora porque não há temas 
relacionados com o conteúdo ou porque não consta no programa, e como resultado disso é o que 
verificamos hoje, pouco alunos tem conhecimento sobre museus apenas olham esse local como 
um simples edifício que guardam objecto antigos tendo desconhecimento sobre os seus 
significados tanto para disciplina de história e para a sociedade. 
Tens orientado visita de estudo ao Museu Nacional de Etnologia? 
Em relação a esta pergunta acima o PE1 respondeu que, não tem orientado visita de estudo. 
Porquê existe falta de inciativa por parte da direção da escola que não tem criado este habito nos 
alunos a realizarem visitas de estudo ao MUSET. 
48 
 
Quais são as fontes históricas que podemos encontrar no Museu de Etnologia de Nampula? 
Para PE1 História uma ciência com base na observação indirecta (estuda eventos não acessíveis à 
nossa observação), o seu estudo é inferencial, e os factos ganham veracidade se estes forem 
argumentados a partir da evidência, estas evidências chamam-se fonte históricas. São diversas 
fontes que podemos encontrar no (MUSET) a fonte arqueológicas ou fontes escritas e Matérias, 
exemplo da pedras lascadas, flechas, zagaias. Fontes históricas são todas as matérias, 
instrumento ou ferramenta, símbolo ou discurso intelectual, que tem origem humana, através do 
qual se pode inferir algo acerca de uma determinada situação social no tempo como: as fontes 
escritas, fontes imagéticas (ou visuais) por exemplo pinturas, fonte oral (por exemplo 
depoimentos, fontes de cultura matérias (por exemplo, restos de moradias, pedras lascadas, redes 
de pescas, espingardas), etc. 
Qual é relação que existente entre Museu e História? 
Para PE1 existe uma relação entre Museu e História, que a história é uma ciência que estuda a 
vida do homem no tempo e no espaço. Enquanto, museus são instituição que tem como objectivo 
preservar a história de uma determinada sociedade ou povo. Em contrapartida este local para 
além de preservar história trás consigo diversas fontes históricas pinturas ou objectos históricos 
por exemplo no período colonial houve conflitos em diferentes pontos do país e este local tras 
aqueles armamentos que foram usados neste conflitos então e nesse momento que encontramos 
essa estreita relação entre Museu e históriauma depende da outra para fazer história. 
O PE1 mostrou ter conhecimento sobre a relação existente entre o museu e história. 
Conhecimenro este que não deve faltar nos alunos, pois estes devem saber que para o ensino de 
História promova o seu papel é necessário que os alunos usem e percebam a natureza das fontes. 
Esta necessidade alia o ensino desta disciplina e o Museu, se olharmos os objectos museológicos 
como documentos históricos a serem estudados para compreender o passado, como demonstra o 
próprio conceito de museu histórico. Um museu é uma instituição a serviço da sociedade e de 
seu desenvolvimento, aberta ao público, que adquire, conserva, pesquisa, divulga e expõe, para 
fins de estudo, educação e lazer, testemunhos materiais e imateriais dos povos e seu ambiente. 
Assim, podemos considerar o museu como uma é uma ferramenta de grande valor /alavanca no 
49 
 
ensino da História, que permite conhecer o passado e contribuir para despertar no aluno a 
consciência histórica. 
O que se deve fazer para que o museu tenha uma influência directa no processo de ensino e 
aprendizagem da história? 
Segundo PE1, o museu não pode estar estagnado deve fazer publicidades para as escolas com 
vista a criar mais interesse nos alunos assim como nos professores, os responsáveis dos museus 
etnologico não criam debates na escola com este intuito, sendo assim este local não influência 
indirectamente no processo de ensino e aprendizagem na Escola Secundaria de Nampula. 
Enquanto estes locais criarem debates e publicidades nas escolas estarão influenciando 
directamente no processo de ensino e aprendizagem principalmente em ensino da história. 
Como professor da disciplina de história quais são as estratégias metodológicas usadas pelo 
professor no ensino da história? 
O PE1 chamou atenção a questão da planificação que são elaborados dentro dos padrões do 
programa de ensino escolar, onde são feitas escolhas de temas para serem leccionados na 
disciplina de história. Como trata-se da 12ª classe, poucas vezes tenho leccionado conteúdos 
relacionados com cultura geral em alguns momentos tenho abordado sobre museu de etnologia 
mas não tenho aprofundado bastante, porque no programa de ensino geral não costa nenhuma 
unidade sobre museus e o que se faz dentro de um Museu. A estratégia que tenho usado para 
leccionar é a mesma de sempre uso livro da 12ª classe da disciplina de história e as aulas 
ocorrem sempre na sala de aula. 
 A estratégia usada pelo professor de história é aceitável, mas é não muito eficaz no PEA em 
ensino da história, o professor tem de criar novas metodológia e usá-las na sala de aulas com 
vista a chamar atenção e despertar interesse por parte do alunos. A escola deveria criar iniciativa 
de uma vez a outra realizar visita de estudo aos museus ou património históricos com o objectivo 
de consolidar a teoria-prática. Os professores têm de buscar os espaços educativos não-formais 
como lugares alternativos de aprendizagem estes espaços podem ser bons aliados, 
complementando o trabalho escolar. O professor não pode estar limitado apenas em leccionar 
com manuais em espaços fechados, sempre proporcionando o mesmo tipo de ambiente aos 
alunos, faz com que as aulas tornam-se cansativas e poucos criam interesse em aprender história. 
50 
 
 
3.3. Opinião do funcionário do Museu Nacional de Etnologia de Nampula 
O que é um Museu? 
O CR respondeu que, Museus são instituições sem fim lucrativo que tem objectivo de preservar e 
expor a cultura de uma determinada sociedade. 
O que se deve fazer para que o Museu tenha uma influência directa sobre o processo de 
ensino e aprendizagem em história? 
De acordo com CR, o museu tem trabalhado com várias escolas na cidade de Nampula não só a 
ES de Nampula nos temos recebido visitas também de Escolas primárias, alguns estudantes 
universitários e turistas ou seja estrangeiro que vem fazer estudos no museu. O que acontece é o 
seguinte, o Museu de etnologia conserva uma história colectiva, mas em dado momento nos 
moçambicanos não damos valor a nossa própria história visto que cabe a nos responsáveis do 
museu expandir e fazer chegar a informação de que é necessário valorizar o que é nosso e a 
nossa propria cultura. 
Reconhecemos que não é um trabalho fácil por se fazer na comunidade e fazer chegar a todos 
esta informação, o quanto o museu é importante para nossa região norte e que este local preserva 
a nossa história. Para expandir a informação sobre a importância do museu para ensino da 
história não pode só depender dos museus tem de partir de ambos locais tanto das escolas e 
museus, mais o que acontece é que a escola atribui esta tarefa a museus poucos tem abordado 
sobre este edifício tanto nas universidades e como nas escolas (primarias e secundarias), mesmo 
os docentes das universidades ou uma figura de grande relevo não tem dado valor apenas 
lembram-se destes locais nas datas comemorativas. Nos como jovens e como docentes podemos 
mudar esse cenário não é só tarefa dos museus, temos feito a nossa parte digo isso porque temos 
dado palestra sobre MUSET e projectamos filmes etnológicos. 
Existe aquela concepção que o museu guarda ‘’matérias velhos’’ essa concepção de algumas 
figuras sem querer frisar nomes um caso mais concreto é que hoje em dia podemos perguntar um 
professor de história sobre a importância do museu como estratégia metodológicas no ensino vai 
51 
 
responder simplesmente que, museu não tem nada para oferece a disciplina de história, a falta de 
interesse e conhecimento do professor sobre este local é um risco no processo de ensino e 
aprendizagem. Essa concepção vai ser transmitida de geração em geração e o museu acaba 
desaparecido porque não há alunos que tem informação sobre este local porque o professor 
nunca comentou na sala de aula. Este local não esta estagnado tem acontecido vários eventos no 
caso do teatro, dança, exposição, jogos e projecções de filmes-etnográficos como objectivo de 
chamar atenção à individuos que se interessam mais por museu, para que realize visitas quer seja 
de estudo ou com familiares e amigos. 
Diante a resposta podemos verificar que o museu de Nampula não esta parado uma vez que a sua 
maior prioridade é de expandir cada vez mais a imagem do MUSET por isso está em curso 
vários projectos em prol da difusão das potencialidades deste museu de etnologia de Nampula. 
Um dos projectos denominado O Museu vai à Escolas, onde os profissionais deste museu vão 
formular questões relacionadas com o museu para alunos/individuo de todos os níveis, a serem 
entregues aos professores, para a sua resolução será necessário ir ao próprio museu. Assim os 
alunos terão mais necessidade de ir visitar o museu e conhecerão mais acerca do mesmo. De 
entre as estratégias do Museu Nacional de Etnologia de Nampula para disseminar os bens 
patrimoniais neles existentes, destaca-se o uso da internet e a oferta de folhetos. São também 
feitas campanhas de educação patrimonial e disseminação do próprio museu nas escolas 
sobretudo primárias e secundárias com vista o museu tenha uma influência directa sobre o 
processo de ensino e aprendizagem principalmente em ensino da história. 
 
 
52 
 
Conclusão 
 
Com a pesquisa conclui-se que, O MUSET tem trabalhado com várias escolas e tem recebido 
visitas das Escolas primárias, estudantes universitários e turistas. O museu de etnologia além de 
conservar uma história colectiva, é responsável pela expansão de informação de que é necessário 
valorizar a nossa propria cultura. 
Diante das respostas obtidas pelo alunos e professor da ES Nampula, constatou-se que mesmo 
diante dos esforços do MUSET na expansão da informação para a valorização da nossacultura, 
através de um dos projectos denominado O Museu vai à Escolas, oferta de folhetos, projecção 
filmes etnológicos, das campanhas de educação patrimonial e disseminação do próprio museu 
nas escolas sobretudo primárias e secundárias com vista a influenciar directa ou indirectamente 
no processo de ensino e aprendizagem em ensino da história, não tem se reflectido bastante na 
ES Nampula, isso nota-se pela falta de visitas de estudos e pouco conhecimento profundo da 
parte dos alunos sobre o MUSET. 
Estes espaços desempenham um papel especial que ajuda na constituição de uma pedagogia 
museológica relacionada com a educação não formal, na área onde estão inseridos. Contudo, a 
utilização dos museus como centro de recurso para o ensino da história é ainda algo a que não 
tem sido dada a sua devida atenção. Nesse sentido, os alunos deviam ser ensinados e 
incentivados a recorrerem aos museus da mesma forma que por exemplo, são incentivados a 
recorrerem às bibliotecas. O MUSET pode contribuir significativamente para o ensino, pois pode 
ser visto como um lugar estimulante e aberto, visto até como um espaço de encontro, 
convivência, investigação e confrontação das diversidades de linguagens. Independentemente de 
sua filosofia e área de actuação, todo o museu transmite ao público uma mensagem, educando 
através da cultura material. 
 
 
 
 
 
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Sugestões 
 
 Os professores de História devem visitar regularmente os Museus e locais históricos, para 
que possam criar experiências patrimoniais de aprendizagem construtivista, incluindo o 
uso diversificado de fonte pois, não só permite-nos adoptar modelos de aprendizagem 
construtivista, como também o uso diversificado de fontes, possibilitando aos alunos a 
sua interpretação para a construção de um saber histórico mais significativo. Esta visita 
ao museu mostra também como alternativa na problemática de “perda de valores locais” 
que a sociedade actual tantas vezes crítica, na medida em que, ao longo das visitas, os 
alunos desenvolvem uma compreensão histórica dos objectos, facto que os orienta para 
um equilíbrio entre a tradição e a modernidade; 
 Promover reuniões de auscultação, com pais e encarregados de educação e organizações 
a fins, de modo que sejam debatidos assuntos relacionados a integração dos conteúdos 
sobre museus na disciplina de história. 
 Sugerir que pais e encarregados de Educação participem na vida escolar dos seus 
educandos, conversem mais sobre questões relacionadas com a importância do Museus 
para o ensino da história; 
 Que o MUSET continue a permitir o acesso das crianças e adolescentes “ alunos” às 
riquezas culturais dos seus antepassados, buscando, ao mesmo tempo, abrir as portas para 
o conhecimento de outras culturas; 
 Que o Museu crie programas, oferecer material os professores da escola, reunião de 
roteiro, cursos sobre museus e sobre estratégias de utilização deste espaço para o ensino 
de história. 
 
 
 
 
 
 
 
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