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TEC II Óleos e Gorduras Biodiesel Ana Cláudia Freitas Margarites Faculdade de Engenharia e Arquitetura Engenharia Química Biodiesel – Matérias-primas 1. Óleos Vegetais Alimentares: Palma, Soja, Amendoim, Girassol, Colza, Coco. 2. Óleos Vegetais não Alimentares: Jatropha, Ricíno, Giesta, Karanga, Algas. 3. Gorduras Animais: Sebo, Gordura de galinha, Sub-produtos de óleo de peixe TIPOS DE MATÉRIAS-PRIMAS ÓLEOS E GORDURAS Substâncias hidrofóbicas (insolúveis em água) que pertencem à classe química dos lipídeos, podendo ser de origem animal, vegetal ou microbiana. Gorduras: constituídas por mistura de triacilgliceróis, que contém quantidade de grupos acila saturados maiores do que a de insaturados. Óleos: maior proporção de grupos acila insaturados. São constituídos por diversos compostos químicos, sendo os mais importantes os ácidos graxos livres e seus derivados, como acilglicerídeos e fosfatídeos. Ácidos graxos – diferem pelo número de carbonos e presença de insaturações (ligações duplas) Ácidos graxos saturados – sem presença de ligações duplas Ácidos graxos insaturados ou poli-insaturados– com presença de ligações duplas ÓLEOS E GORDURAS ÓLEOS E GORDURAS O ponto de fusão, que diminui drasticamente com o aumento do número de ligações duplas, fazendo com que os ácidos graxos saturados sejam sólidos à temperatura ambiente (sebo animal e óleo de palma-dendê), e que os insaturados ou poli- insaturados sejam líquidos à temperatura ambiente (óleos de soja, milho e Girassol). ÓLEOS E GORDURAS ÓLEOS E GORDURAS Ácidos graxos - são encontrados na natureza na forma não associada, sendo assim conhecidos como ácidos graxos livres, ou associados formando outras classes de compostos químicos. Acilglicerídeos - representam uma das principais formas em que ésteres de ácidos graxos são encontrados na natureza, são formados pela condensação entre ácidos graxos e o glicerol. Fosfatídeos - são derivados do ácido fosfatídico, que é um composto obtido pela condensação de um poliol, comumente o glicerol, com ácido fosfórico e dois ácidos graxos, que podem ser iguais ou diferentes. Ácidos graxos associados ao glicerol - Triacilglicerol ÓLEOS E GORDURAS ÓLEOS E GORDURAS Ácidos graxos associados ao glicerol - Fosfatídeos As propriedades químicas e físicas da matéria-prima estão diretamente associadas à tecnologia e ao rendimento do processo de conversão e, por conseguinte, às variações na qualidade final do produto para fins combustíveis. Em geral, pode-se afirmar que ésteres alquílicos de ácidos graxos podem ser produzidos a partir de qualquer tipo de matéria- prima oleaginosa, mas nem toda matéria-prima pode ser utilizada para a obtenção de um produto que atenda às especificações internacionais do biodiesel. baixa estabilidade à oxidação - armazenamento do biodiesel mais complexo viscosidades muito altas Ex: o óleo de mamona produz ésteres de viscosidade superior aos limites estabelecidos pela especificação do motor Características indesejáveis Matéria-prima Competitividade tanto técnica quanto econômica e socioambiental: (a) o teor de óleo vegetal e a complexidade exigida no processo de extração; b) a produtividade por unidade de área; (c) a atenção a diferentes sistemas produtivos; (d) o ciclo de vida da planta (sazonalidade); (e) sua adaptação territorial; (f) o impacto socioambiental de seu desenvolvimento Quanto menor o número de insaturações (duplas ligações), maior o número de cetano do combustível, o que resulta numa melhor "qualidade da combustão“, mas elevado número de insaturações torna as moléculas menos estáveis quimicamente, o que pode provocar inconvenientes devido à sua menor estabilidade oxidativa e maior tendência para polimerizar com a consequente formação de resíduos sólidos durante o armazenamento e transporte. O aumento do teor de cadeias saturadas provoca também um aumento no ponto de turvação e temperatura limite de filtrabilidade, o que representa maior sensibilidade aos climas frios. De uma forma geral, um biodiesel com predominância de ácidos graxos mono-insaturados (oleico C18:1, rinoleico C18:1), são os que apresentam os melhores resultados em termos da qualidade do biodiesel produzido Produção e rendimento óleos vegetais - Oleo de soja - óleo vegetal mais consumido no mundo. É, atualmente, a mais importante oleaginosa produzida no Brasil. No comércio exterior o complexo soja (óleo, farelo e grão) movimenta bilhões de dólares. - A importância da soja no mercado internacional deve-se a sua proteína de alto valor nutritivo que possibilita a comercialização do óleo em grande escala e preços atraentes. O farelo resultante da extração representa 60% da renda obtida no processamento do grão. - Devido a grandeza deste agronegócio no Brasil, a soja ofereceu as bases para o desenvolvimento do PNPB. SOJA COLZA Trata-se de uma oleaginosa plantada para nitrogenar naturalmente os solos exauridos. O farelo de colza é empregado na ração de animais. Terceira oleaginosa mais produzida em todo o mundo superada apenas pela soja e palma. O melhoramentos genéticos ocorridos com a colza, acarretaram redução do teor de ácido erúcico, glucosinolatos e de gorduras saturadas originando um grande mercado de novos consumidores. Esta variedade genética de colza passou a chamar-se canola (canadian oil low acid) para incentivar o consumo. O Canadá foi o país que a desenvolveu. CANOLA - A palma (Elaes guineensis) é uma palmeira oleaginosa de origem africana (Golfo da Guiné). Entre as oleaginosas cultivadas, a palma ou dendezeiro como é conhecido é a planta que apresenta a maior produtividade por área cultivada. Produz, em média, 10 vezes mais óleo do que a soja. - Óleo de palma (mesocarpo - ácidos gordos saturados) e o óleo de palmiste (amêndoa), ambos com composições e características diferentes PALMA Considera-se o óleo de palma como uma matéria-prima promissora para a produção de biodiesel por reação de esterificação e/ou transesterificação. GIRASSOL O girassol é cultivado em várias regiões do mundo, com destaque para Rússia, Argentina, Hungria e Estados Unidos. O cultivo do girassol, apesar da planta ter sido domesticada há cerca de 5000 anos, só foi introduzida na América do Sul no século XIX. A Argentina é o maior produtor mundial do grão. AMENDOIM A importância econômica do amendoim está relacionada ao fato das sementes serem ricas em óleo (aproximadamente 50%) e proteína (22 a 30%). Responsável por 10% da produção mundial de óleo comestível, com produção estimada em 5 milhões de toneladas anuais. BABAÇU 66% de óleo PINHÃO-MANSO Espécie nativa do Brasil, da família das Euforbiáceas, exigente em insolação e com forte resistência a seca, é uma cultura viável para pequenas propriedades rurais, com mão-de-obra familiar. MICROALGAS Biodiesel - Métodos de produção Biodiesel - Métodos de produção Métodos combinados -híbridos Transesterificação Esterificação Esterificação Transesterificação Hidroesterificação Métodos isolados Transesterificação Esterificação Interesterificação Transesterificação - um mol de triacilglicerídeo reage com três mols de um álcool de cadeia curta para produzir três mols de monoésteres graxos e um mol glicerina (principal coproduto) Transesterificação Óleo vegetal Gordura animal Ésteres alquílicos BIODIESEL Mono di e triacilglicerós residuais Transesterificação Transesterificação Transesterificação – Preparo da matéria-prima Óleos Umidade Ácidos graxos livres Produtos saponificados Eficiência de conversão Reação de transesterificação de triglecerídeosTransesterificação - Reação Álcool Adicionado em excesso RM 12:1 - Permiti separação do glicerol -Desloca equilíbrio para formação do biodiesel 1 mol 3 mol 3 mol Comparação entre as rotas metílicas e etílicas da síntese de biodiesel via catálise alcalina. Reação de transesterificação de triglecerídeos Transesterificação - Reação Catalisador - Ácido (HCl ou H2SO4 ) - Base (NaOH, KOH, carbonatos) - Enzimas (lipases) Básico (KOH ou NaOH - 0,3% a 1,0%) – reação mais eficiente (maior rapidez) - Sem problemas de corrosão 1 mol 3 mol 3 mol Transesterificação – Separação das fases Contaminação das fases Álcool Catalisador Água Transesterificação – Separação das fases Glicerina Decantação ou centrifugação Recuperação do Álcool Destilação - Reutilizado Transesterificação – Lavagem do Biodiesel Biodiesel Lavagem Retirada do catalisador + glicerol + álcool Desumidificado Transesterificação – Purificação da Glicerina Glicerina Purificação Maior valor agregado Retirada da água+ álcool + impurezas matéria-prima Transesterificação – Purificação da Glicerina Transforma sabão em ácido graxo livre Reação caráter básico Adição de ácido Processo de neutralização Glicerina + sais Mais densa Ácido graxo livre (oleína) Menos densa Decantação ou centrifugação Glicerina – Pureza de 84% Destilação à vácuo Glicerina – Pureza de 99% Transesterificação Processo não atrativo Quando teor de ácidos graxos livres > 1% - Parte de matéria-prima não forma produto; - Elevada formação de sabão – uso de catalizador básico – dificuldade de purificação do biodiesel; Esterificação Aplicação - Matérias-primas com teor de ácidos graxos livres superior a 1% Ácido graxo Álcool Éster monoalquílico Reduz a acidez livre do lipídeo antes do processo ou para recuperar o ácido graxo formado durante a transesterificação. Esterificação Adição de HCl ou H2SO4 oxigênio carbonílico é protonado Favorece a reação Transesterificação Esterificação Catálise enzimática Década de 1990 resposta aos aspectos negativos da catálise alcalina homogênea altos teores de água e de ácidos graxos livres e o apelo ambiental decorrente da utilização de processos mais brandos Transesterificação Esterificação Catálise enzimática Lipases material de partida não precisa ser livre de umidade ou de ácidos graxos livres triacilglicerídeo hidrolases podem catalisar reações de esterificação e de transesterificação, em presença de água, em um mesmo processo de síntese. Transesterificação Esterificação Catálise enzimática Lipases triacilglicerídeo hidrolases Catalisam a hidrólise dos triacilgliceróis em ácidos graxos, diacil gliceróis, monoacil gliceróis e glicerol. Transesterificação Esterificação Catálise enzimática Transesterificação Esterificação Catálise enzimática Lipases -Recuperação simples do glicerol; -Transesterificação total dos ácidos graxos livres; -Uso de condições brandas no processo; -Inexistência de resíduos aquosos alcalinos; Hidroesterificação Matérias-primas com elevada acidez e alto teor de água Ao invés de submeter a matéria-prima a etapas de purificação, de modo a possibilitar o processamento por esterificação ou transesterificação acidez da matéria-prima e a contaminação por água não são relevantes Hidroesterificação Hidroesterificação Processo de hidroesterificação 1 2 Hidroesterificação 1 Etapa de hidrólise 2 Esterificação Enzima Hidroesterificação 1 Etapa de hidrólise 2 Esterificação Independente da acidez e da umidade da matéria-prima, o produto final da hidrólise possui acidez superior a 99%. Portanto, ao invés de diminuir a acidez através de um refino, a hidrólise aumenta propositadamente a acidez da matéria- prima. Além disso, obtém-se uma glicerina muito mais pura que a glicerina advinda da transesterificação. Hidroesterificação 1 Etapa de hidrólise 2 Esterificação O biodiesel é gerado com elevada pureza, sem necessidade de etapas de lavagem que geram efluentes e elevado consumo de compostos químicos. Na reação também se obtém, como subproduto, a água, que retorna para o processo de hidrólise Hidroesterificação Matérias-primas: materiais graxos de menor valor agregado - Borras de ácidos graxos obtidas como subprodutos no processamento de óleos vegetais; - Óleos após fritura; - Materiais graxos captados em caixas de gorduras Hidroesterificação Fluxograma simplificado do processo de hidroesterificação de materiais graxos de elevada acidez Interesterificação Produção de biodiesel e como subproduto, o glicerol já quimicamente modificado, sem a necessidade de processos complementares. Interesterificação Triacetina líquido oleoso -plastificante do acetato de celulose contido nos filtros para cigarros, -agente fixador em perfumaria, -solvente para especialidades químicas, -como fungicida, -na manufatura de cosméticos -para o recobrimento de comprimidos de aplicação farmacêutica, -melhorar as propriedades de combustíveis como diesel e biodiesel, tais como o ponto de fluidez e o perfil de emissão de materiais particulados. Pirólise - Craqueamento Conversão de uma estrutura química orgânica em outra por meio de calor, em deficiência de oxigênio e na presença ou na ausência de catalisador. Triacilgliceróis Pirólise Decomposição térmica Hidrocarbonetos e compostos oxigenados Pirólise - Craqueamento Quebra de ligações formando uma mistura de compostos constituída principalmente de hidrocarbonetos e, em menor quantidade, compostos oxigenados Pirólise - Craqueamento Aquecimento em ausência de oxigênio (pirólise) de compostos orgânicos provoca a quebra das cadeias originalmente presentes, resultando em uma mistura de moléculas com cadeias menores e alguns produtos de elevada massa molar. As diversas moléculas menores formam uma mistura de hidrocarbonetos com características físico-químicas muito semelhantes àquelas dos combustíveis fósseis, constituindo um ótimo substituinte para geração de energia. Pirólise - Craqueamento Óleos Pirólise Entre 300 °C e 500 °C Pressão atmosférica 1 h Biocombustível