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Marcelo C. Escher, Desenhando Mãos, 1948, Litogravura. www.mcescher.com Maurits Cornelis Escher (1898-1972) era holandês e nasceu na cidade de Leeuwarden. Seu pai queria que o filho seguisse alguma carreira relacionada às Ciências Exatas. Observou que o filho tinha jeito para as artes plásticas e achou que ele poderia se tornar arquiteto. Escher até estudou Arquitetura, mas não se formou. Gostava mesmo era de desenhar. Seus professores de Arte não o consideravam um artista. De qualquer forma, seu pai acreditava nele e o sustentou no início da carreira. Depois sua obra foi mundialmente reconhecida, e hoje é visto como um dos grandes artistas gráficos do século XX. Fez gravuras, litografias, ilustrou livros, pintou murais, entre outros trabalhos. A obra do artista holandês M. C. Escher o ajudará a compreender de forma lúdica as questões doimediatismo, da superficialidade e dos preconceitos do olhar. Escher gostava de brincar com o nosso olhar, com o imediatismo do olhar. Para ele, desenho é ilusão. O desenho procura mostrar em uma superfície bidimensional algo que é tridimensional. Por meio de sua obra é possível refletir sobre a superficialidade do olhar e debater a questão do “certo” e do “errado”. Perceber tudo neste quadro de Escher com um primeiro olhar é impossível! Pode-se dizer que aí está a primeira verdade revelada pela Sociologia – as coisas não são o que parecem ser. Essa também é uma afirmação ilusoriamente simples. Logo deixa de parecer tão simples. A realidade social apresenta-se como possuidora de muitos significados. A descoberta de cada novo nível modifica a percepção do todo (BERGER, 1976, p.32-33). Esse desenho nos ajuda a refletir sobre a relatividade dos nossos pontos de vista, de nossa perspectiva, pois, quando mudamos o ângulo por meio do qual vemos algo, podemos às vezes compreender isso de uma forma melhor. Isso ajuda a refletir a respeito da questão dos preconceitos, pois nosso olhar não só é cheio de prenoções, mas também de juízos de valor que desqualificam sem conhecer. No caso da Sociologia, deve-se ter em mente que sempre será necessário fazer o esforço mental de procurar diferentes ângulos para conseguir dar conta da realidade. Afastar-se dos juízos de valor é um cuidado metodológico fundamental do sociólogo para entender as situações sociais. Com base no texto acima faça uma análise da imagem, argumentando as possíveis relações com o olhar sociológico. A imagem apresentada na atividade, bem como o texto que compõe os objetivos da mesma, nos leva a discutir o papel fundamental da sociologia como ciência e desta como mecanismo de analise e compreensão das sociedades, bem como sua organização, manutenção e conflitos inerentes. É interessantíssimo como a Sociologia e ou o olhar sociológico nos permite ver coisas que não são perceptíveis a todos, como o senso critico se torna aguçado. O olhar sociológico faz com que sejamos capazes de compreender, opinar, discutir e transitar dentre os mais diversos campos, inclusive o da Arte, uma vez que esta está intrinsecamente ligada à produção humana, o que vem a ser também objeto de estudo da sociologia. A litogravura Desenhando Mãos de Marcelo C. Escher a meu ver possui uma semelhança com o símbolo Yin Yang, que é no Taoísmo e na filosofia chinesa duas energias opostas, Segundo a Sino filosofia, o mundo é composto por forças opostas e achar o equilíbrio entre elas é essencial. Como apresentado e proposto na atividade, no que concerne a Sociologia, deve-se ter em mente que ela nos orienta que sempre será necessário fazer esforços para procurar diferentes perspectivas para se conseguir compreender a realidade. Abrir mão de preconceitos e assumir uma conduta altruísta torna possível entender as situações sociais e a exemplo da filosofia chinesa presente no Yin Yang, encontrar o equilíbrio entre as partes. Uma vez que o conceito e senso comum são de que a sociologia seria a ciência da esquerda, a litogravura de Escher mostra exatamente o equilíbrio e como ambas se completam.