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UNIVERSIDADE MARANHÃOESTADUAL DO UNIDADE 2 UNIDADE 2 - TRANSTORNOS ESPECÍFICOS DA APRENDIZAGEM ...................................................... 31 1 Introdução ......................................................................................................................................................... 31 2 Critério de Diagnóstico ............................................................................................................................... 32 2.1 .......... 36 2.1.1 Breve apontamento da descrição histórica ..................................................................................... 37 ................................................................................................................. 38 2.1.3 Possíveis causas ...................................................................................................................................... 40 2.1.4 Estratégias para intervenção .............................................................................................................. 41 2.2 O Transtorno Especí�co na Aprendizagem com prejuízos na expressão escrita ou .................................................................................................................................................... 42 2.2.1 Breve apontamento da descrição histórica ..................................................................................... 44 ................................................................................................................. 44 2.2.3 Possíveis causas ...................................................................................................................................... 45 2.2.4 Estratégias para intervenção .............................................................................................................. 45 2.3 ..... 47 2.3.1 Breve apontamento da descrição histórica .................................................................................... 48 ................................................................................................................. 50 2.3.3 Possíveis causas ...................................................................................................................................... 51 2.3.4 Estratégias para intervenção .............................................................................................................. 53 Resumo ......................................................................................................................................................................... 53 Referências .................................................................................................................................................................. 55 . Objetivos TRANSTORNOS ESPECÍFICOS DA APRENDIZAGEM • Estabelecer a categorização dos transtornos especí�cos da aprendizagem; • De�nir o Transtorno Especí�co da Aprendizagem com prejuízos na leitura ou Dislexia; • Descrever o Transtorno Especí�co da Aprendizagem com prejuízos na expressão escrita ou Disortogra�a; • Apontar as principais características do Transtorno Especí�co da Aprendizagem com prejuízos na Matemática ou Discalculia; • Reconhecer a função da equipe multidisciplinar para o diagnóstico e a intervenção dos prejuízos na aprendizagem. 1 Introdução Os Transtornos Especí�cos da Aprendizagem se caracterizam por di�culdades na aprendizagem e no uso de habilidades acadêmicas. É considerado um Transtorno do Neurodesenvolvimento pelo DSM- 5 (2014) que atinge cerca de 5 a 15% das crianças em idade escolar mundialmente. Estes transtornos são aparentes principalmente durante os primeiros anos escolares, que é quando a criança tem acesso ao uso da linguagem por meio da leitura e da escrita e da concepção do senso numérico e do uso do cálculo matemático. Algumas pesquisas sobre a origem desses transtornos os relacionam a fatores de ordem neurológica, hereditárias e ambientais que acabam por inuenciar a forma que o cérebro processa algumas informações durante o ato de aprender. ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO32 As di� culdades se mostram persistentes durante o aprendizado das habilidades acadêmicas fundamentais, em que a criança precisa de assessoramento para realizar suas atividades e tem prejuízos visíveis, por exemplo, na precisão e velocidade da leitura, na ortogra� a e na precisão e memorização de fatos aritméticos. A avaliação diagnóstica para identi� cação e a intervenção dos Transtornos Especí� cos da Aprendizagem (TEA) deve ser feito por uma equipe interdisciplinar que tenham conhecimentos sobre a área e que vise acima de tudo a superação das di� culdades que a pessoa apresenta, focando em suas potencialidades e não apenas no dé� cit. 2 Critério de Diagnóstico A categorização das di� culdades de aprendizagem tem sido objeto de estudo e debates na área médica e educação há muitos anos, os quatro Critérios de Diagnósticos indicados no DSM-5 (2014) sobre os Transtornos Especí� cos da Aprendizagem demonstram que a vivência no ambiente escolar traz à tona as principais características para diagnosticar crianças com transtornos do neurodesenvolvimento. O DSM-5 (2014) ressalta que os sintomas indicados pelo Critério de Diagnóstico A, tenham persistência por mais de seis meses e, que tenham sido feito intervenções dirigidas de acordo com a di� culdade apresentada. Entre os sintomas indicadas no Critério de Diagnóstico A, nos chama atenção à di� culdade na leitura e a ênfase nas fragilidades que a pessoa possui em desenvolver as habilidades do mecanismo da leitura, pois geralmente tem dé� cit na velocidade da leitura e lê de forma incorreta, apresenta di culdades na compreensão do que lê, assim como, no que escreve, seja na gra� a das palavras ou na organização e expressão na construção do texto. Os Critérios de Diagnósticos presentes no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5 são uma forma de facilitar a pesquisa em saúde mental e é organizado a partir de reuniões e comitês. Adotando-se um sistema multiaxial para apresentar um quadro completo do paciente de acordo com o modelo de categorização (DUNKER; KYRILLOS NETO, 2011). Transtornos Especí� cos da Aprendizagem | UNIDADE 2 33 O Critério de Diagnóstico A indica transtornos signi� cativos no uso dos números, ou seja, no domínio em si da concepção de número ou na realização do cálculo e di� culdades em lidar com a resolução de problemas matemáticos, visto que apresenta dé� cit no raciocínio. O Critério de Diagnóstico B elenca que medidas de desempenho padronizadas administradas individualmente e avaliação clínica indicam que pessoas com Transtorno Especí� co da Aprendizagem têm habilidades acadêmicas em um signi� cativo nível abaixo do esperado para a idade cronológica do indivíduo, fator este que lhes causa prejuízos na vida acadêmica, pro� ssional e em atividades cotidianas (Figura 1). Figura 1 - Transtorno Especí� cos da Aprendizagem Fonte: http://aescritanasentrelinhas.com.br/wp-content/revista-maringa.jpg Sabemos que os transtornos signi� cativos trazem as pessoas, com di� culdade na aprendizagem e no uso das habilidades acadêmicas, muitos danos à vida pessoal e principalmente nos primeiros anos da vida escolar da criança, que deverá ser acompanhada e registrada durante toda a infância e vida adulta. Dessa forma, o DSM-5 (2014, p.66) recomenda que pessoas com 17 anos (ou mais) que tenham em seu histórico registros de di� culdades de aprendizagem, quando realizarem uma avaliação padronizada devemos levar em conta taisregistros e os substituir após o resultado da avaliação. O Critério de Diagnóstico C que trata sobre o início das di� culdades de aprendizagem destaca a importância da identi� cação logo durante as primeiras situações escolares, pois geralmente é na vida escolar em que se manifestam, pois a pessoa com Transtorno Especí� co da Aprendizagem externa dé� cits na aquisição das habilidades acadêmicas. Di culdades de Aprendizagem – O quê são? Como entendê-la? Autores: Luís de Miranda Correia e Ana Paula Martins Biblioteca Digital – Coleção Educação Acesse:http:// someeducacional.com. br/apz/di� culdade_ de_aprendizagem/ Di� culdade Aprendizagem.pdf ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO34 Os dé� cits na aquisição das habilidades acadêmicas limitam a pessoa a desenvolver seu papel como discente, seja na aquisição da linguagem oral ou escrita, no uso do número ou do raciocínio lógico. No Critério de Diagnóstico D, o DSM-5 (2014, p.66) deixa claro que di� culdades de aprendizagem não podem ser confundidas com de� ciências intelectuais, acuidade visual ou auditiva não corrigida, outros transtornos mentais ou neurológicos, adversidade psicossocial, falta de pro� ciência na língua de instrução acadêmica ou instrução educacional inadequada. O DSM-5 (2014) faz mais uma recomendação ao indicar que os Critérios de Diagnósticos A, B, C e D devem ser listados a partir de uma síntese da história do indivíduo que apresente dados relacionados ao seu desenvolvimento, acompanhamento médico, vida familiar, problemas educacionais somados aos relatórios da sua vida escolar e da avaliação psicoeducacional. O National Joint Committeeon Learning Disabilities (2006) ao indicar alguns aspectos sobre o desenvolvimento das crianças com di� culdade de aprendizagem, explica que estas geralmente apresentam atrasos em habilidades cognitivas relacionadas ao desempenho escolar no que se refere à leitura e escrita. Signi� cativos atrasos na compreensão e/ou expressão da linguagem falada é um marco, seu vocabulário receptivo é limitado e tem redução de vocabulário expressivo; apresenta di� culdade de compreender instruções simples; sua fala é monótona com características incomuns prosódicos da fala; tem Inteligibilidade reduzida; sua comunicação vocal, verbal, ou não-verbal espontânea é pouco frequente ou inadequada; sintaxe imaturo. Há atraso em habilidades de alfabetização emergentes; marcha lenta para nomear objetos e cores; consciência fonológica limitada; interesse mínimo na impressão; consciência de impressão limitada; atraso em habilidades perceptual-motoras; problemas na coordenação motora � na ou grossa; di� culdade para colorir, copiar e desenhar. Quanto à atenção e comportamento: distração e desatenção; impulsividade; hiperatividade; di� culdade mudança das atividades ou manusear interrupções às rotinas; repetição constante de uma ideia (NJCLD, 2006). Saiba mais sobre os critérios diagnósticos no site Di culdades de Aprendizagem em: <http://www. di� culdadesemapren- dizagem.com.br/> Não confunda inteligibilidade reduzida com de� ciência intelectual, pois inteligibilidade reduzida é a di� culdade na capacidade de percepção e compreensão, já de� ciência intelectual é “uma limitação signi� cativa no funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo, como expresso nas habilidades práticas, sociais e conceituais, originando-se antes dos dezoito anos de idade.” (LUCKASSON et al., 2002, p. 8). Transtornos Especíicos da Aprendizagem | UnidAdE 2 35 O DSM-5, além dos quatro Critérios de Diagnósticos, categoriza aspectos especíicos de prejuízos nas habilidades acadêmicas, como os prejuízos na leitura, prejuízos na expressão escrita, prejuízos na Matemática e aponta três formas de gravidade dentro das especiicidades, leve, moderada e grave. o prejuízo na leitura indicado pelo código 315.00 no DSM-5 (2014) e F81.0 no CID-10 (2008), apresenta o que comumente é conhecido por dislexia, visto que se trata da diiculdade na leitura de palavras, na velocidade e luência e compreensão da leitura. A dislexia é um termo alternativo para indicar diiculdades no uso das palavras e de problemas de decodiicação e de ortograia, pois afeta diretamente capacidade de compreensão da leitura, o reconhecimento das palavras, a leitura oral e o desempenho de tarefas que necessitam da leitura. o prejuízo na expressão escrita, com código 315.2 e CID-10 (2008) F81.81, indica o transtorno no uso da ortograia, gramática, pontuação e refere-se a falta de clareza ou organização da expressão escrita. Seu termo alternativo é disortograia e se caracteriza pela aparente diiculdade que a pessoa tem em traçar as letras, pois é um conjunto de erros de graia ou pelo déicit no aprendizado e no desenvolvimento da linguagem escrita expressiva. o prejuízo na Matemática, tem código 315.1 e CID-10 (2008) F81.2, ou comumente discalculia. Segundo o DSM-5 (2014, p.67), este prejuízo dar-se por um “padrão de diiculdades caracterizado por problemas no processamento de informações numéricas, na aprendizagem de fatos numéricos e na realização de cálculos precisos e luentes”. A discalculia é caracterizada pelos prejuízos no senso numérico, na memorização de fatos numéricos, na precisão ou luência do cálculo e do raciocínio matemático. Segundo o DSM-5 (2014, p.67), há três formas de se apresentar a gravidade destes prejuízos: leve, moderada e grave (Quadro 1– Material complementar). Estes prejuízos trazem a criança diiculdades em realizar tarefas simples da vida acadêmica como soletrar, copiar uma atividade como “retirar do quadro” ou fazer contas simples, ocasionando muitas vezes vergonha na criança, que acaba desenvolvendo outros transtornos, como o da fala, emocionais e do comportamento. ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO36 2.1 O Transtorno Especí co da Aprendizagem com prejuízos na leitura ou Dislexia Rotta e Pedroso (2006, p.152) lembram que antes de se de� nir dislexia (Figura 2) é necessário primeiro que se entenda o que é leitura. Os autores apontam que leitura pode ser entendida “como interpretação de qualquer sinal que chegando aos órgãos dos sentidos, conduza o pensamento a outra situação além dele próprio”, ou seja, leitura seria a interpretar sinais grá� cos que substituem sinais sonoros e obedecem a uma convenção. Se há problemas nesta convenção surge então uma di� culdade de decodi� cação ocasionada por um prejuízo na leitura. Figura 2 - Crianças que apresentam dislexia Fonte: http://www.olharvital.ufrj.br Segundo a Associação Brasileira de Dislexia - ABD, este é um Transtorno Especí� co da Aprendizagem que tem origem neurobiológica e se caracteriza pela “di� culdade no reconhecimento preciso e/ou uente da palavra, na habilidade de decodi� cação e em soletração” (ABD, 2014). Essa a� rmação da ABD tem suas raízes na de� nição adotada pela International Dyslexia Association - IDA e National Institute of Child Health and HumanDevelopment– NICHD em 2002. De acordo com esta de� nição, as pessoas que apresentam dislexia têm dé� cits no componente fonológico da linguagem relacionados às habilidades cognitivas e que se apresentam de forma diferenciada dependendo da idade do sujeito (ABD, 2014). Dislexia é uma palavra que surge da junção de dois vocábulos gregos “dus” – difícil, mau – e lexis – palavra. Portanto, poderíamos de� nir, de uma maneira simplista, dislexia como di� culdade com as palavras. No entanto é muito mais que isso. (MOURA, 2006, p. 8). Transtornos Especí� cos da Aprendizagem | UNIDADE 2 37 As crianças com dislexiarevelam muitas di� culdades em adquirir e desenvolver o mecanismo da leitura e da escrita. Apresentam uma leitura muito lenta, com diversas incorreções, como: trocas de letras de sílabas e di� culdades na compreensão da informação lida. A sua escrita surge com muitos erros ortográ� cos, as frases e os textos que escreve são confusos em termos de conteúdo, com pouca riqueza no vocabulário, podendo a qualidade da sua letra ser igualmente má e irregular. Moura (2003, p. 9) lembra que por ser considerada uma perturbação da aprendizagem especí� ca e por estar associada etiologicamente as alterações neurobiológicas e neuropsicológicas, a dislexia traz para o sujeito “um conjunto signi� cativo de alterações na leitura e escrita, que podem conduzir a di� culdade na aprendizagem escolar”. 2.1.1 Breve apontamento da descrição histórica No século XIX, mais precisamente em 1872, a primeira descrição sobre dislexia utilizada por Berlin e propagada por Kerr e em 1896 pelo físico britânico Pringle Morgan que acreditava ser uma “cegueira verbal congênita”. Em seus estudos Pringle Morgan descreveu um caso de um menino de 14 anos que apesar de não apresentar dé� cit na área intelectual ainda não tinha aquisição da leitura (ROTTA; PEDROSO, 2006; WAJNSZTEIN; LOPES, 2010). Apesar das primeiras descrições britânicas, principalmente do oftalmologista Hishelwood que a� rmou que cabia ao cérebro fazer a leitura e não aos olhos, os estudos dos oftalmologistas norte-americanos devem também ser destacados, pois foram os primeiros a dar relevância a este transtorno. Com o aprofundamento das pesquisas na área (em 1925), em Iowa surge uma pesquisa sobre a necessidade de encaminhar este grupo de alunos para o acompanhamento na área de saúde mental, abrindo caminhos para os estudos sobre distúrbios de aprendizado do psiquiatra e neuroanatomista Samuel Orton. Assista ao � lme: “Como estrelas na terra (2007)” e observe um exemplo sobre as di� culdades de um aluno em adquirir os mecanismos da leitura e da escrita. SINOPSE: O � lme conta a história de Ishaan, uma criança de 8 anos que sofre com a dislexia e, por isso, custa ser compreendida.Com enorme di� culdade de aprendizado, não consegue se concentrar nas aulas e as letras “dançam” na sua frente, já repetiu de ano e corre o risco de repetir outra vez. Seu pai, acredita que ele é um menino preguiçoso e indisciplinado e, por isso, manda-o para um colégio interno, onde Ishaan entra em profunda depressão. Apesar de ser um ambiente totalmente repressor é lá que um professor de artes substituto, percebe que existe algo de errado com o menino, mas com paciência, carinho e compreensão consegue resgatá-lo e recuperar a sua alegria pela vida. Vale a pena conferir! ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO38 Orton, que já realizava estudos post-mortem em cérebros humanos, indicou hipóteses para a incidência dos casos de dislexia e para possíveis procedimentos para a superação do transtorno. O psiquiatra e neuroanatomista atribuiu a causa da dislexia a “distúrbios de dominância lateral” (WAJNSZTEIN; LOPES, 2010). Com a continuidade dos estudos, pesquisadores da área têm atribuído às causas da dislexia de forma mais complexa, como é o caso das pesquisas do neurologista norte-americano Albert Galaburda (2006). 2.1.2 Identi�cação e diagnóstico As crianças com dislexia apresentam di�culdades nos processos de decodi�cação fonológica e processamento lexical. Por isso, ela se torna perceptível na idade escolar, pois há representações signi�cativas de alterações na aquisição e automação leitura e escrita, assim como na uência, velocidade da leitura, vocabulário pobre e imaturo em relação construção de sentenças curtas e longas e no uso de rima e aliteração, dispersão e di�culdades em “retirar do quadro” para realizar cópia, confusão em usar listas, mapas, indicar esquerda ou direita e ainda, di�culdade na coordenação motora �na e/ou grossa. Como já comentado, podem existir graus diferenciados entre os Transtornos Especí�cos da Aprendizagem e, por isso, é importante que se perceba alguns aspectos gerais logo nos primeiros anos da criança na escola. Durante os primeiros anos escolares crianças com dislexia apresentam algumas características como dispersão, fragilidade no desenvolvimento da fala e da linguagem, di�culdades na atenção e a coordenação motora, estorvo na realização de jogos, principalmente de quebra-cabeças e no aprendizado de rimas e canções (ABD, 2014). WAJNSZTEIN e LOPES (2010) lembram que durante o avanço do período escolar, a pessoa com dislexia pode apresentar di�culdade para ler orações e palavras simples, inverte a escrita de letras ou números: “p”/”b”, “m”/”n”, “f”/”v”,“n/z”ou “9”/”6”, “3”/”5” ou inverte de forma total Transtornos Especí� cos da Aprendizagem | UNIDADE 2 39 ou parcial palavras a leitura de palavras e tem di� culdade de pronúncia e soletração, apesar do seu conhecimento sobre a escrita e leitura apresenta erros involuntários, altera a ortogra� a e sequência de letras na estruturação das sílabas e das palavras, apresenta di� culdades ao copiar palavras do quadro e de outros livros, possui di� culdades na percepção entre direita e esquerda, tem di� culdades ao se deparar com palavras semelhantes ou homônimas, prejuízos na velocidade da leitura, na compreensão de algumas palavras, na construção gramatical e elaboração de frases, acentuado dé� cit na gra� a de letras e números, falta de habilidades ao realizar cálculos e compreender enunciado de situações-problemas (Figura 3). Figura 3 - Na dislexia a criança inverte letras mesmo com intervenção educacional Fonte: http://4.bp..com/dislexia.png Pessoas adultas com dislexia permanecem com as mesmas di� culdades na leitura, escrita e compreensão de texto caso não haja intervenção, atendimento clínico e educacional especializado. A Associação Brasileira de Dislexia (ABD, 2014) ressalta que o adulto disléxico tem prejuízos na memória imediata e operacional, disnomia (disfunção da linguagem, re etida na incapacidade em nomear pessoas ou objetos.), di� culdade de organização e de orientação quanto à lateralidade e são frequentes casos de baixa autoestima, depressão, ansiedade e outros prejuízos afetivos e emocionais. É importante lembrar que apesar dos notáveis prejuízos em sua vivência escolar apresentados por uma pessoa com dislexia, o diagnóstico só será possível a partir da avaliação multidisciplinar, realizada por meio Vale a pena assistir ao � lme: “O Sino de Anya (1999)” que nos apresenta Scott, um adolescente com dislexia. SINOPSE: A verdadeira amizade é aquela em que os amigos se impulsionam mutuamente a serem cada vez melhores. Anya’s Bell (O sino de Anya) é um � lme lançado para televisão pela CBS em 1999, estrelado por Della Reese no papel de AnyaHerpick. Em 1949, Anya é uma mulher cega que sempre foi cuidada pela sua mãe e não saia de casa, uma situação que se agrava quando sua mãe morre. Anya lida com sua solidão colecionando sinos. Agora, mais velha e sozinha, Anya faz amizade com um menino, com dislexia, que tem 12 anos, Scott Rhymes, e encontra nele a amizade e a ajuda que precisava para enfrentar a vida. Fonte: http://www. � lmesdetv.com/anya-s- bell.html Acesso 05 JAN 2015. ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO40 de exames especí� cos realizados por neuropsicólogos e de testes realizados por psicopedagogos e fonoaudiólogos e, acompanhamento da vida acadêmica. A avaliação multidisciplinar faz-se relevante para que sejam observadossituações de enfermidades distintas ou da possível associação a outros transtornos do neurodesenvolvimento (WAJNSZTEIN; LOPES, 2010). Após o diagnóstico inicial, a pessoa com dislexia deverá continuar com os apoios da equipe multidisciplinar que proporá atividades de estimulação cognitiva. No caso do aluno com dislexia, se proporcionará em parceria com a escola adequação das atividades, principalmente por ser neste lugar que seus prejuízos se mostram mais evidentes. 2.1.3 Possíveis causas Rotta e Pedroso (2006) lembram que há várias formas de classi cação da dislexia, pois há cada uma obedece ao modelo de teste utilizado, seja ele com bases fonoaudiológica, pedagógica ou psicológica. Porém, dentro das possíveis etiologias, os autores destacam as causas genéticas, adquiridas e multifatoriais. Há evidências de causa genética e hereditária, pois geralmente � lhos e � lhas de pessoas com dislexia tem histórico de di� culdades no desenvolvimento, em áreas como da percepção, aquisição da linguagem e produção da fala, este grupo é chamado pela ABD (2014) de crianças de risco (Figura 4). Figura 4 - Diferenças nas áreas afetadas de um cérebro com e sem dislexia Fonte: http://www.dislexia.maisbarcelos.pt/Image/Cerebros%20Dislexicos.JPG Para saber mais sobre a Classi� cação da dislexia acesse: Portal da dislexia (http:// dislexia.pt/) Transtornos Especí� cos da Aprendizagem | UNIDADE 2 41 As causas adquiridas são provenientes de malformações ou mau desenvolvimento do sistema nervoso central, problemas perinatais, lesões ou danos ao sistema nervoso central pós-natais, privação, problemas educacionais (ROTTA; PEDROSO, 2006). As multifatoriais são identi� cadas por problemas ocasionados por causas genéticas e adquiridas correlacionadas. Considerando estas causas gerais Rotta e Pedroso (2006) apontam que outros autores e estudiosos buscam a classi� cação da dislexia e sua explicação � siopatológicas (Quadros 2 e 3 – Anexo B - Material complementar) 2.1.4 Estratégias para intervenção Quanto às formas de intervenção, é necessários o acompanhamento e a intervenção de uma equipe multidisciplinar que possibilite apoio necessário para o aluno com prejuízos na leitura, principalmente na escola. Devemos proporcionar um ambiente facilitador para a aprendizagem, com recursos acessíveis e adaptados para possibilitar a superação do dé� cit em relação à leitura e aos mecanismos que a envolvem. A equipe multidisciplinar conta com pro� ssionais especializados como fonoaudiólogos, psicopedagogos, pedagogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos etc., que buscam em conjunto potencializar aquilo que a pessoa com transtorno no neurodesenvolvimento já possui de positivo e superar o dé� cit. Esta equipe é responsável por terapias, apoio à pessoa com dislexia, apoio a família, orientação à escola, fornecendo subsídios com base no tratamento clínico, que apoiará as medidas que serão tomadas na escola ou no ambiente familiar por exemplo. Wajnsztein e Lopes, (2010) indicam que na escola deverão ser propostas atividades direcionadas, que ajudem o aluno com dislexia a superar suas di� culdades a partir de materiais que auxiliem a leitura, orientação no A Cartilha da Inclusão Escolar traz dicas muito interessantes de como oferecer um ambiente facilitador para a aprendizagem de alunos com dislexia Acesse: http://media. wix.com/ugd/9592a0 _4402f1ae772944f290 8e577eb903fced.pdf e pesquise. ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO42 uso de corretores ortográ�cos, aprendizagem estruturada e cumulativa, aprendizagem com foco multissensorial, ensino com base diretiva, sintética e analítica, automação das competências até sua realização, uso de grá�cos, ilustrações e �guras, não optar por textos longos para cópias do quadro ou de livros, utilização de projetos culturais, avaliações orais e/ou adaptadas, uso de atividades que estimulem a atenção e concentração, foco na fusão fonêmica, silábica, na segmentação simbólica e na segmentação fonêmica. 2.2 O Transtorno Especíco na Aprendizagem com prejuízos na expressão escrita ou Disortograa O Transtorno Especí�co da Aprendizagem com prejuízos na expressão escrita ou Disortogra�a é caracterizado pelos problemas ortográ�cos quanto à precisão da ortogra�a, do uso da gramática e da pontuação e falta de clareza ou de organização da expressão escrita. A criança com prejuízos ortográ�cos (Figura 5) apresenta di�culdades na ortogra�a e não necessariamente na gra�a. Figura 5 - Criança com prejuízos ortográ�cos Fonte: http://www.centrodefonoaudiologia.com/images/disortogra�a-caso1.jpg Este transtorno da expressão escrita é considerado uma di�culdade no uso da ortogra�a. Pode se apresentar de maneira combinada e que apresenta frequência na realização da composição de textos, no uso da gramática e da pontuação (OHLWEILER, 2006). Transtornos Especí� cos da Aprendizagem | UNIDADE 2 43 A Disortogra a pode se apresentar de maneira isolada ou associada a outros Transtornos Especí� cos da Aprendizagem como a dislexia ou a discalculia ou em outros transtornos relacionados ao neurodesenvolvimento. Este transtorno é categorizado pelo DSM-5(2014) pelo código 315.2 e pelo CID-10 (2008) tem código F81.8, indicado como um dos transtornos do desenvolvimento das habilidades escolares denominado, Transtorno de desenvolvimento da expressão escrita. É importante lembrar que a disortogra� a é um dé� cit que afeta a ortogra� a das palavras e não a gra� a, como no caso da disgra� a, apesar de muitas vezes se apresentarem associadas. De acordo com Coelho (2014), a pessoa com disortogra� a tem di� culdade na organização, estruturação e composição de textos escritos, geralmente, sua construção frásica é empobrecida e curta, seus erros ortográ� cos são aparentes e múltiplos em atividades simples e há problemas na qualidade da ortogra a. Segundo Fernández (et al., 2010, p. 500), este transtorno é uma “alteração na plani� cação da linguagem escrita, que causa transtornos na aprendizagem da ortogra� a, gramática e redação, apesar do potencial intelectual e a escolaridade do indivíduo estarem adequados para a idade”. Entende-se por disortogra� a, di� culdades que se contrapõem as regras da escrita já formalmente estabelecidas na sociedade e que obedecem a convenções entre símbolo e som. A importância da identi� cação da disortogra� a está principalmente na busca contra o fracasso escolar que ela acaba levando o aluno, pois este como não obedece às regras gramaticais por conta do dé� cit tem prejuízos evidentes em todas as disciplinas escolares. Apesar do processo de alfabetização não estar centrado apenas no ato da escrita e da leitura, ocorrem prejuízos em seu aprendizado, como a� rmam Fernández (et al., 2010, p.501), aspectos negativos a vida acadêmica, pois durante a escrita e a leitura é que se adquirem os “processos de decodi� cação ou grafofonêmico e de codi� cação ou fonografêmico”, Para saber mais sobre a Disortogra a acesse ao site do Centro Psi- copedagógico Apoio http://www.centrop- sicopedagogicoapoio. com.br/o-que-e-disor- togra� a/ Assista ao Documen- tário: Documentário do MEC aborda a cons- trução dos sistemas de escrita Acesse: http://plata- formadoletramento. org.br/acervo-para- -aprofundar/348/a- -construcao-da-escrita. html ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO44 estes autores também a�rmam que é no “reconhecimento das letras e os valores atribuídos aos grafemas no reconhecimento das palavras e a possibilidade de codi�cá-los, não são os únicos, nem os objetivos centrais da alfabetização”. 2.2.1 Breve apontamentoda descrição histórica Fernández (et al., 2010) para descrever as diferentes formas de classi�cação da disortogra�a consoante a leitura especializada (Quadro 4 – Anexo B - Material complementar), pois a disortogra�a foi primeiramente observada em conjunto com a dislexia quando Morgan descreveu a “cegueira verbal congênita”. Desde então estes dois transtornos vem sendo descritos de forma semelhante ao que o DSM-IV (1994) descreveu como Transtorno da Expressão Escrita caracterizado como prejuízos na ortogra�a, com isso a disortogra�a vem ganhando cada vez mais pesquisadores e sendo de fato identi�cada como um Transtorno Especí�co da Aprendizagem segundo o DSM-5 (2014). 2.2.2 Identi�cação e diagnóstico As di�culdades nas representações ortográ�cas manifestadas pelos alunos com disortogra�a são aparentes logo desde o início da idade escolar, principalmente durante os primeiros anos do ensino fundamental, em que trocas a escrita de palavras impressas e seus sons, porém se faz necessária a atenção em seu diagnóstico, pois durante os primeiros anos escolares é muito comum as trocas acontecerem. Apenas depois da avaliação diagnóstica, acompanhamento por meio de atividades e relatórios e da intervenção educacional e terapêutica é possível diagnosticar um quadro de disortogra�a (Quadro 5 – Anexo B - Material Complementar). Transtornos Especí� cos da Aprendizagem | UNIDADE 2 45 De maneira geral, a avaliação para identi� cação deverá buscar saber o nível ortográ� co da criança, indicando a frequência dos erros ortográ� cos na escrita e observar a realização das tarefas escolares seja na realização de ditados, cópias ou nas atividades que tenham que completar grafemas (FERNÁNDEZ, 2010). 2.2.3 Possíveis causas Coelho comenta que as possíveis causas podem estar relacionadas aos problemas na automação da escrita, nas falhas das estratégias de ensino, que por vezes se mostram imaturas ou ine� cazes, na di� culdade de reconhecer os processos relativos à escrita (COELHO, 2014). Já para Torres e Fernandes (2001 apud COELHO, 2014, p.10) as possíveis causas da disortogra� a se relacionam a aspectos perceptivos, intelectuais, linguísticos, afetivo-emocionais e pedagógicos (Quadro 6 – Anexo B - Material Complementar). 2.2.4 Estratégias para intervenção A intervenção para os prejuízos na escrita deverão ser direcionados a partir de modelos concretos, priorizando o sistema de escrita de cada cultura. A equipe para a intervenção deve ter conhecimento sobre o padrão da escrita e suas convenções ser formada por professores e terapeutas. A intervenção deverá não apenas buscar a superação do erro ortográ� co, o trabalho deverá ser focado em atividades que visem o apoio e exercício do uso das letras aos seus respectivos sons, visando trabalhar com os aspectos referentes a causas de origem perceptiva, intelectual, linguística, afetivo-emocionais e pedagógicas. Para obter informações sobre intervenção da Disortogra� a acesse: Clínica educação - A Disortogra� a na infância disponível em: http://www. clinicadaeducacao. com/wp-content/ uploads/2012/05/ disortogra� a_saraLouro. pdf ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO46 Para a reeducação da pessoa com disortogra�a, segundo Torres e Fernandes (2001 apud COELHO, 2014, p.12), é necessário um trabalho de intervenção sobre os fatores associados ao fracasso ortográ�co e a correção dos erros ortográ�cos especí�cos. Para a intervenção acerca dos fatores associados ao fracasso ortográ�co é importante que se trabalhe aspectos relativos à percepção, discriminação e memória auditiva ou visual a partir de exercícios que trabalhem a discriminação de ruídos, o reconhecimento e a memorização de ritmos, tons e melodias, uso de exercícios de reconhecimento de formas grá�cas, de identi�cação de erros e de percepção �gura-fundo. Quanto aos problemas de organização e estruturação espacial Torres e Fernandes (2001 apud COELHO, 2014, p.12) apontam o uso de exercícios de distinção de noções espaciais básicas como: direita/esquerda, cima/ baixo, frente/trás e para os problemas relativos à percepção linguístico- auditiva deverão ser realizados exercícios de consciencialização do fonema isolado, sílaba, soletração, formação de famílias de palavras, análise de frases e de exercícios que enriqueçam o léxico e vocabulário da criança (Figura 6). Figura 6 - Erros evidentes no uso dos fonemas com dupla gra�a, na diferenciação de sílabas, no reforço da aprendizagem e no uso do “h”, do “m” antes de “p” e ‘’b”, uso do “r”/“rr”. Fonte: http://www.centrodefonoaudiologia.com Para a intervenção especí�ca sobre os erros ortográ�cos Torres e Fernandes (2001 apud COELHO, 2014, p.12) deverão ser realizadas atividades que visem trabalhar com a ortogra�a natural, a ortogra�a visual e que se diferenciem os erros de ortogra�a das falhas na compreensão. Transtornos Especí�cos da Aprendizagem | UNIDADE 2 47 Coelho (2014, p.13) lembra que atividades de ortogra�a natural são aquelas que apresentam a substituição de um fonema por outro, por letras semelhantes e que se dá “omissões/adições, inversões/rotações, uniões/separações” e ortogra�a visual são situações que se trabalhem “fonemas com dupla gra�a, diferenciação de sílabas, reforço da aprendizagem e ainda, situações que envolvam o uso do “h”, do “m” antes de “p” e ‘’b”, uso do “r”/“rr”. Na realização da avaliação de aprendizagem devemos possibilitar um ambiente acolhedor, com uso de apoio se necessário, buscando que o aluno tenha compreensão do que esta sendo cobrado em cada questão, considerando as potencialidades do aluno antes dos dé�cits. 2.3 O Transtorno Especíco na Aprendizagem com prejuízos na Matemática ou Discalculia Os Transtornos Especí�cos de Aprendizagem também podem estar relacionados a prejuízos na área da Matemática como destaca o DSM- 5 (2014). Este prejuízo envolve desde di�culdades na realização de um cálculo simples a aspectos relacionados à discriminação viso-espacial. Tais prejuízos são apontados no meio acadêmico como um fator que propicia o fracasso escolar. O uso do termo discalculia é uma forma alternativa para o termo Transtorno Especí�co na Aprendizagem com prejuízos na Matemática por conta da nítida di�culdade para calcular que apresenta o aluno acometido por este dé�cit (Figura 7). Figura 7 - Demonstrativo de criança com discalculia Fonte: http://www.appai.org.br/Jornal_Educar/jornal49/psicopedagogia/ilustra1.jpg ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO48 Conforme o DSM-5 (2014), este problema afeta o processamento das informações numéricas, da aprendizagem de fatos aritméticos e de realização de cálculos precisos ou uentes e podemos utilizar o termo alternativo discalculia desde que este se relacione a um padrão particular de di�culdades matemáticas em geral, no raciocínio matemático ou na precisão na leitura de palavras. 2.3.1 Breve apontamento da descrição histórica A primeira descrição segundo as causas neurológicos deste transtorno data de 1908 por Lewandowsky e Stadelmanque ao descreverem o caso de um paciente que tinha um hematoma na região occipital esquerda e apresentava dé�cit na adição e subtração. Inuenciados pelos estudos do médico autríasco Franz Joseoh Gall realizados em 1796 ao criar a teoria localizacionistaou teoria frenológica (Figura 8), o qual a�rmava ser possível perceber as funções especi�cas de cada área a partir das observações do formato do cérebro, pois segundo ele o cérebro possuía quatro órgãos que iam crescendo ou reduzindo a partir de seu uso (BASTOS, 2006). Figura 8 - A Frenologia de Gall: localização cerebral das faculdadesmentais e sociais Fonte: http://s3.amazonaws.com Apesar da grande contribuição de Gall e de sua teoria localizacionista, o advento dos estudos da neurociência trouxe novos avanços e apresentou novas formas para tentar entender o cérebro da pessoa com transtorno especí�co de aprendizagem com prejuízos na Matemática. Transtornos Especí� cos da Aprendizagem | UNIDADE 2 49 Outra importante contribuição sobre a descrição deste transtorno devemos ao médico Gerstmann, que em 1927 escreveu um artigo tratando sobre um complexo sintomático que apontava alterações no cérebro de crianças com problemas na aprendizagem da Matemática. Em 1940, Gerstmann descreveu um distúrbio neurológico raro que se caracterizava por lesões no giro angular da área dominante do cérebro. Chamada de Síndrome de Gerstmann de desenvolvimento ou Síndrome Angular, este giro angular se localiza no lobo parietal, próximo ao lobo temporal (WAJNSZTEIN; LOPES, 2010). As principais causas para a Síndrome de Gerstmann de desenvolvimento seriam advindas de lesões no giro angular (Figura 9) da área causadas por isquemia cerebral, traumatismo ou Acidente Vascular Cerebral. Figura 9 - Giro angular da área dominante do cérebro descrito por Gerstmann Fonte: http://www.lookfordiagnosis.com Gerstmann descreveu que estas lesões causavam sérios prejuízos à vida acadêmica e pro� ssionais, pois a pessoa apresentava os sintomas de di� culdade na leitura e na expressão escrita (disgra� a) ou a incapacidade (agra� a), desorientação entre direita e esquerda, di� culdade na compreensão das habilidades matemáticas (discalculia) ou a incapacidade desta compreensão (acalculia) e agnosia digital (WAJNSZTEIN; LOPES, 2010; DEUS, NAVARRO, 1996). Agnosia digital: é a incapacidade de distinguir os dedos na mão. DEUS, Joan; ESPERT, Raúl; NAVARRO, José Francisco. Síndrome de Gerstmann: perspectiva actual. Psicología conductual, v. 4, n. 3, p. 417-36, 1996. ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO50 O tratamento para a Síndrome de Gerstmann do desenvolvimento ocorre apenas por meio de terapia ocupacional, acompanhamento psicológico e psicoeducativo, que devem buscar a superação no dé� cit na capacidade de ler, escrever e calcular e se pode utilizar de recursos como calculadores, processadores de texto e jogos educativos. Um dos sintomas da Síndrome de Gerstmann do desenvolvimento, a Acalculia, foi introduzida no meio acadêmico a partir do estudo de Hernschen no ano de 1925 ao tratar da “perda da capacidade de executar cálculos e desenvolver o raciocínio aritmético” (BASTOS, 2006, p.202), mas tarde em 1961, em um estudo desenvolvido por Hecan e colaboradores identi� caram-se três possíveis subtipos de acalculias depois de um levantamento com 183 pacientes com lesões cerebrais: 1) alexia e agra� a para números, em que existe di� culdade para ler e escrever quantidades, com comprometimento no hemisfério cerebral esquerdo; 2) acalculia espacial, em que existe di� culdade na orientação espacial, impossibilitando a colocação dos números em posições adequadas para se executar cálculos, com comprometimento do hemisfério direito; 3) anaritmetia, que corresponde à acalculia primária e implica a inabilidade em conduzir operações aritméticas, em consequência de lesões em ambos os hemisférios (BASTOS, 2006, p. 202). 2.3.2 Identi� cação e diagnóstico Ao se identi� car o transtorno especí� co de aprendizagem com prejuízos na Matemática o DSM-5 (2014) lembra que se deve especi� car se a di� culdade apresentada se relaciona ao senso numérico, a memorização de fatos numéricos, na precisão ou uência de cálculo e/ou na precisão no raciocínio matemático. Para um diagnóstico de transtorno especí� co de aprendizagem com prejuízos na Matemática é importante que se observe as práticas educativas que estão sendo oferecidas para aquela pessoa que Núcleo de estudos da Discalculia acesse o site: http://www. nucleodadiscalculia. com/WPress/ e obtenha mais informações sobre o tema. Assista ao vídeo “Não sei fazer isso, mas sei fazer aquilo” que trata dos Distúrbios e Di� culdades de Aprendizagem e fala sobre a Dislexia e a Discalculia: URL: https:// www.youtube.com/ watch?v=WurheIyza0s Fonte: Compartilhado na página do facebook: “Psicopedagogia online para todos”. Disponível em: <http://www.face- book.com/Psicopeda- gogiaOnLineParaTodos- Blog>. Acesso em: 10 jan. 2015. Transtornos Especí� cos da Aprendizagem | UNIDADE 2 51 apresenta tal di� culdade, pois fatores como o ensino inadequado ou incorreto podem também ocasionar problemas na aprendizagem da Matemática, assim como problemas sensoriais, doenças neurológicas e psiquiatras confundindo-se em muitos casos aos transtornos do neurodesenvolvimento. O CID-10 (2008) o classi� ca como um transtorno especí� co da habilidade Matemática (F81.2), considerando-o uma alteração no uso dos conhecimentos básicos da Matemática, pois o aluno apresenta dé� cit em domínios básicos relativos as quatro operações já que apresenta um dé� cit que concerne ao domínio de habilidades computacionais básicas. Wajnsztein e Lopes (2010) apontam que segundo Johnson e Myklebust, uma criança com discalculia não é capaz de compreender a noção de conjuntos de objetos dentro de um conjunto maior; não tem noção de conservação de quantidade, tem di� culdade ao sequenciar e classi� car números, em armar as quatro operações e entender seu signi� cado, relacionar os princípios de medida, fazer correspondência entre pares, ler mapas, grá� cos e relacionar legendas e di� culdades em ações relacionadas ao processo cognitivo como: a memória de trabalho em situações que envolvam contagem e memória, em tarefas não verbais, soletração de palavras, habilidades viso espaciais, psicomotoras, perceptivo-táteis e alguns casos de ausência de problemas fonológicos. 2.3.3 Possíveis causas Bastos (2006) descreve as duas principais diferenças entre as causas da di� culdade de Matemática. O primeiro fator ocorre por causas neurológicas que podem ser divididas entre causas primárias e causas secundárias. Entre as primárias apresentam-se a acalculia e a discalculia do desenvolvimento, nas causas secundárias está à associação com outros distúrbios neurológicos, transtornos, síndromes, de� ciências, ou fatores socioeconômicos. Con ra a leitura do artigo Sentido de número e desempenho em Matemática: diagnóstico e acompanhamento em alunos do 1º ciclo de Marcelino, De Sousa, Cruz e Lopes (2012), apresentado no II Seminário Internacional “Contributos da Psicologia em Contextos Educativos”, 1427-1437. Braga: Universidade do Minho. Disponível em: <http://webs.ie.uminho. pt/iisicpce/atas.pdf>. Acesso em: 10 jan. 2015. Para saber mais sobre o diagnóstico da Discalculia. Acesse: http:// discalculicos.blogspot. com.br/2007/10/o- diagnstico-da- discalculia-cid-10-e.html ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO52 Quanto às causas não neurológicas, Bastos (2006) aponta os fatores escolares, sociais e até a ansiedade para Matemática (Quadro 7 – Material Complementar). Assista ao Documentário: “Dividedbynumbers: studyingwithdyscal- culia” para saber mais sobre a Discalculia do desenvolvimento. É um Documentário feito na Bélgica com a colaboração da Profª Annemie Desoete da Universidade de Gent. A Profa. Desoete é uma investiga- dora internacional na pesquisa sobre discalculia do desenvolvimento, sendo co-autora da famosa bateria neuropsicológica para o diagnósti- co de discalculia, a TEDI-Math. URL: http://www.arteveldehogeschool. be/dyscalculie/documentary e http://www.ekgp.ugent.be/index.php?position=5x1x0&page=ADES#.URN9s6U722U Fonte: Núcleo da Discalculia, 2013. Disponível em: <http://www. nucleodadiscalculia.com/WPress/2013/02/08/belissimo-documentario-sobre- discalculia-do-desenvolvimento/>. Acesso em: 10 jan. 2015. Kocs em 1998 classi� cou a discalculia do desenvolvimento em subtipos (Quadro 8 – Anexo B - Material Complementar)e indicou que poderia haver combinações diferentes, pois por conta do dé� cit o processo cognitivo pode ser alterado em áreas como a velocidade de processamento de informações, as memórias relacionadas ao trabalho, às tarefas não-verbais, de curto e longo prazo, sequencial auditiva e ainda as habilidades de visão espacial, psicomotora e perceptiva tátil e a linguagem matemática (WAJNSZTEIN; LOPES, 2010). Como a� rmam Wajnsztein e Lopes (2010), a pessoa que tem esses comprometimentos, possivelmente apresenta algumas áreas especí� cas do cérebro afetadas (Ver Quadro 9 – Anexo B - Material Complementar). Transtornos Especí� cos da Aprendizagem | UNIDADE 2 53 2.3.4 Estratégias para intervenção Assim como na dislexia, a intervenção na discalculia deve ser baseada a partir do apoio de uma equipe multidisciplinar. Isto é de grande valia, visto que somente uma equipe especializada pode ter a noção geral dos problemas enfrentados por uma pessoa com prejuízos na Matemática. A escola, em seu papel de instituição educadora, deverá ser capacitada a buscar mecanismos que proponham novas abordagens no ensino da Matemática, reorganizando seus planejamentos, estruturas curriculares e formas de avaliação, visando atender aquele aluno com dé� cit. Wajnsztein e Lopes (2010) demonstram que são necessários que se revejam alguns pontos durante as aulas de Matemática, por exemplo: a possibilidade do uso de calculadora, a organização de uma prova com questões mais diretas e de fácil entendimento, em virtude de sua visível di� culdade de compreensão, de preferência que as questões sejam claras e diretas, deve ser dado ao aluno autonomia para que tente responder às questões sem ter a dependência constante do professor ou de um tutor, realizar jogos, que se utilizem materiais concretos para o entendimento de situações-problema e evitar ressaltar os dé� cits do aluno, pois se deve centrar na pessoa e não nas di� culdades que ela possui. Resumo Nesta aula, estudamos que os Critérios de Diagnósticos do DSM-5 buscam categorizar os aspectos especí� cos de prejuízos nas habilidades acadêmicas, tentando não mais centralizar nos dé� cits e sim, na pessoa, discutindo como ocorrem os prejuízos na leitura, na expressão escrita e na Matemática. Observamos que o Transtorno Especí� co de Aprendizagem com prejuízos na leitura ou dislexia apresenta-se como um dé� cit na aquisição da leitura, que é especí� co e permanente, por ser Con� ra as dicas sobre intervenção da Discalculia na Cartilha Apoiando a criança na escola:KONKIEWITZ, Elisabete Castelon. Apoiando a criança na escola: cartilha informativa para pais e professores. Dourados, MS: Editora da UFGD, 2010. Disponível em: <http://www.ufgd.edu. br/editora/cadernos...a- crianca...cartilha.../ pd ivro>. Acesso em: 10 jan. 2015. ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO54 um transtorno que se origina no neurodesenvolvimento tem suas raízes em causas genéticas e/ou hereditárias, adquiridas e multifatorias. Outro tema estudado foi o Transtorno Especí� co da Aprendizagem, analisando prejuízos na expressão escrita ou conforme o termo alternativo Disortogra� a que é um Transtorno do Neurodesenvolvimento que tem sua origem nos primeiros anos da criança e torna-se evidente durante a vida escolar. Este transtorno se caracteriza como uma di� culdade na organização da expressão escrita, isto é, no uso da ortogra� a, da gramática e dos sinais de pontuação. Por último, estudamos o Transtorno Especí� co de Aprendizagem com prejuízos na área da Matemática ou discalculia está relacionado aos dé� cits na área do senso do numérico, na realização de cálculos simples, na atenção, raciocínio lógico, discriminação viso-espacial etc. Este transtorno tem causas neurológicas e não neurológicas e, muitas vezes, se apresenta associado a outros Transtornos do Neurodesenvolvimento. Atividades de aprendizagem 1. Construa um Mapa Conceitual sobre os Critérios de Diagnósticos do O DSM-5 do Transtorno Especí� co da Aprendizagem. 2. Indique qual a função da equipe multidisciplinar para o diagnóstico e a intervenção dos prejuízos na leitura? 3. Comente sobre como o professor pode identi� car um aluno que apresenta Disortogra� a. 4. Qual a importância do diagnóstico cedo para a intervenção dos prejuízos na área da Matemática? Transtornos Especíi cos da Aprendizagem | UNIDADE 2 55 referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISLEXIA. ABD (2014). Disponível em: <http://www.dislexia.org.br/>. Acesso em: 28 dez. 2014. BASTOS, José Alexandre. Discalculia: transtorno especíi co da habilidade em Matemática. In: ROTTA, N. T. et al. transtornos da aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2006. CID – 10. Classii cação estatística internacional de doenças e problemas relacional à saúde. Décima revisão, OMS – Organização Mundial da Saúde, 2008. Disponível em: <http://www.datasus.gov.br/ cid10/V2008/WebHelp/f80_f89.htm>. Acesso em: 20 dez. 2014. COELHO, Diana Tereso. dii culdades de aprendizagem especíi cas: Dislexia, Disgrai a, Disortograi a e Discalculia. Porto/PT: Areal Editores, 2014. DEUS, Joan; ESPERT, Raúl; NAVARRO, José Francisco. Síndrome de Gerstmann: perspectiva actual. psicología conductual, v. 4, n. 3, p. 417- 36, 1996. FERNÁNDEZ, Amparo Ygual et al. Avaliação e intervenção da disortograi a baseada na semiologia dos erros: revisão da literatura. revista Cefac, v. 12, n. 3, p. 499-504, 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ rcefac/v12n3/196-09>. Acesso em: 20 jan. 2014. GALABURDA, Albert M. Dyslexia: advances in cross-level research. The DyslexicBrain. London: Lawrence Erlbaum Associates, p. 329-54, 2006. Disponível em: <http://sni-seminars.stanford.edu/reprints/Galaburda2. pdf>. Acesso em: 27 dez. 2014. Manual dIaGnÓstICo e estatÍstICo de transtornos MentaIS [recurso eletrônico]: dsM-5 / [American PsychiatricAssociation ; tradução: Maria Inês Corrêa Nascimento... et al.] ; revisão técnica: Aristides VolpatoCordioli ...[et al.]. – 5. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre: Artmed, 2014. ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO56 MOURA, Octávio. A problemática dos 3DS: Dislexia, Disortogra�a e Discalculia. Revista CRIAP Educação. N.2. Instituto CRIAP - Psicologia e Formação Avançada. Porto/PT, Novembro 2013. Disponível em: <http:// dislexia.pt/>. Acesso em: 28 dez. 2014. MOURA, Octávio. O que é dislexia e quais são os principais sintomas e sinais. Jornal de Notícias: Suplemento “Guia Prático da Educação”. Portugal. Setembro, 2006. Disponível em: <http://dislexia.pt/>. Acesso em: 28 dez. 2014. MOURA, Octávio. Portal da dislexia. Disponível em: <http://dislexia. pt/>. Acesso em: 28 dez. 2014. OHLWEILER, Lygia. Transtornos da aprendizagem: introdução. In: ROTTA, N. T. et al. Transtornos da aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2006. ROTTA, NewraTellechea; PEDROSO, Fleming Salvador. Transtorno da linguagem escrita-dislexia. In: ROTTA, N. T. et al. Transtornos da aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2006. TORRES, R. & FERNÁNDEZ, P. Dislexia, Disortogra�a e Disgra�a. Amadora: McGrawHill, 2001 Apud COELHO, Diana Tereso. Diculdades de Aprendizagem Especícas:Dislexia, Disgra�a, Disortogra�a e Discalculia. Porto/PT: Areal Editores, 2014. WAJNSZTEIN, Alessandra Bernardes Caturani; LOPES, Monica B. R. Dislexia. In: VALLE, Luiza Elena L. Ribeiro do [et al.]. Aprendizagem na Atualidade: Neuropsicologia e desenvolvimento na inclusão. Ribeirão Preto, SP: Novo Conceito Editora, 2010. UNIVERSIDADE MARANHÃOESTADUAL DO UNIDADE 3 UNIDADE 3 - TRANSTORNOS E COMORBIDADES AOS PREJUÍZOS NA APRENDIZAGEM ....... 57 1 Introdução ......................................................................................................................................................... 57 2 ......................................... 58 2.1 Breve apontamento da descrição histórica ....................................................................................... 60 2.2 ....................................................................................................................... 60 2.3 Possíveis causas .............................................................................................................................................. 61 2.4 Estratégias para intervenção .................................................................................................................... 62 3 ....................................................... 63 3.1 Breve apontamento da descrição histórica ....................................................................................... 65 3.2 ....................................................................................................................... 66 3.3 Possíveis causas .............................................................................................................................................. 69 3.4 Estratégias para intervenção .................................................................................................................... 70 4 ..................................................... 70 4.1 Breve apontamento da descrição histórica ....................................................................................... 71 4.2 ....................................................................................................................... 72 4.3 Possíveis causas .............................................................................................................................................. 74 4.4 Estratégias para intervenção .................................................................................................................... 75 Resumo ......................................................................................................................................................................... 76 Referências .................................................................................................................................................................. 77 . TRANSTORNOS E COMORBIDADES AOS PREJUÍZOS NA APRENDIZAGEM • Conceituar o Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação; • Diferenciar Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação de Transtorno Especí�co da Aprendizagem; • Estabelecer os principais prejuízos ao desenvolvimento psicomotor causado pela Disgra�a; • Conceituar a Dislalia como um Transtorno Especí�co da Articulação da Fala; • Descreveras principais evidências de um quadro de dislalia em uma criança; • Discutir quais as ações para se diagnosticar a dislalia; • Descrever os aspectos que identi�cam uma pessoa comTranstorno de Dé�cit de Atenção/Hiperatividade e uso das nomenclaturas; • Identi�car a combinação da tríade do TDAH: desatenção, desorganização e/ou hiperatividade-impulsividade e seus subtipos. 1 Introdução Os Transtornos do Neurodesenvolvimento, de maneira geral, trazem prejuízos à aprendizagem, visto que se apresentam na forma de De�ciência Intelectual, Transtornos da Comunicação, Transtorno do Espectro Autista, Transtorno de Dé�cit de Atenção/Hiperatividade, Transtorno Especí�co da Aprendizagem e Transtornos Motores, podendo se apresentar ainda de forma associada, o que ocasiona prejuízos ainda maiores a vida de crianças e adultos com essas di�culdades. Os Transtornos da Comunicação, os Transtornos Motores e o Transtorno de Dé�cit de Atenção/Hiperatividade são também objetos de estudo das di�culdades de aprendizagem por estarem diretamente ligados ao Objetivos ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO58 uso das habilidades acadêmicas funcionais e por provocarem problemas na autoestima e nas relações sociais. Os Transtornos Motores ligados ao uso da coordenação inuenciam diretamente no ato de escrever e se demonstra evidente no desenvolvimento da coordenação durante os primeiros momentos da criança com o processo de alfabetização, já que inuencia no processo da escrita, fazendo que a criança apresente uma “letra feia”, considerada um problema para professores e pais. Os Transtornos da Comunicação se direcionam para a aquisição da linguagem e da fala. As di�culdades na articulação da fala, em que a criança apresenta trocas evidentes no uso dos fonemas, como na troca do “r” pelo “l” traz também prejuízos signi�cativos à aprendizagem durante a idade escolar e, se não tratados ocasionam problemas emocionais e sociais a pessoa com o dé�cit. O Transtorno de Dé�cit de Atenção/Hiperatividade - TDAH é um Transtorno do Neurodesenvolvimento que se apresenta por um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere no funcionamento e no desenvolvimento, segundo o DSM- 5(2014) muitas crianças que têm TDAH também possui um transtorno especí�co da aprendizagem. Para a avaliação inicial e intervenção dos Transtornos Motores, dos Transtornos da Comunicação e do Transtorno de Dé�cit de Atenção/ Hiperatividade, se faz necessário o apoio de uma equipe com especialização na área, formada por pro�ssionais que visem atender e busquem a superação do problema. 2 O Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação ou Disgraa A Disgra�a é um Transtorno do Motor do Neurodesenvolvimento categorizado com um Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação que tem como código 315.4 no DSM-5 (2014) e F82 no CID-10 (2008). Transtornos e Comorbidades aos Prejuíos na Aprendizagem | UNIDADE 3 59 Caracterizada como transtorno da “letra feia”, a Disgra� a é uma di� culdade na habilidade da escrita. Alves (2012, p.125) a� rma que é uma “di� culdade de coordenar movimentos dos símbolos grá� cos, é uma dispraxia da escrita”. Letra feia não é apenas sinônimo de preguiça, mas em muitos casos ocorre o transtorno motor do neurodesenvolvimento conhecido como disgra� a (Figura 1). Figura 1 - Disgra� a afeta muitas crianças, tem passado despercebido pelas salas de aula Fonte: http://veja4.abrilm.com.br/assets/images/2010/6/9141/R.P.-14-anos-size-598.jpg A Disgra� a se caracteriza pela lentidão no traçado das letras que geralmente são ilegíveis, pois a pessoa apresenta dé� cit na área motora que faz com que ela não consiga realizar no plano motor o que é observado no plano visual (ALVES, 2012). A Disgra� a pode se apresentar de forma associada à Dislexia, a Disortogra a e a Discalculia, assim como a outros transtornos. A pessoa que tem este transtorno na coordenação motora pode chegar a ter outros comprometimentos de ordem cognitiva, emocional e neurológica. O conceito etimológico indica que disgrafia “se origina dos “dis” (desvio) + “grafia” (escrita), ou seja, é “uma perturbação de tipo funcional que afeta a qualidade da escrita do sujeito, no que se refere ao seu traçado ou à grafia”” (TORRES; FERNÁNDEZ, 2001, p. 127 apud COELHO, 2014, p. 7). Coelho (2014) lembra que criança no inícioda idade escolar pode apresentar naturalmente problemas no traçado das letras que pode ser corrigido com o uso da caligra� a, porém quando esta apresenta disgra� a os prejuízos são mais perceptíveis e de difícil resposta com a intervenção. Visite o site: http:// www.dislexia.com. br/dislex_disgra� a. html e pesquisesobre dislexia, discalculia, disortogra a, disgra a Disponível. ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO60 Um dos fatores que caracteriza um Transtorno Motor são a permanência e duração da di�culdade mesmo com intervenção, no caso do transtorno de um Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação o fato se veri�ca na di�culdade da aquisição e a execução de habilidades motoras coordenadas. 2.1 Breve apontamento da descrição histórica Segundo Portellano (1995) o termo Disgra�a nasceu a partir do termo Agra�a que é um distúrbio neurológico que tem causas na perda na capacidade de se comunicar por meio da escrita introduzido por Ogle em 1867 para se referir a distúrbios adquiridos na estrutura devido a danos cerebrais. A partir do termo agra�a, o austríaco Dr. Josef Gerstmann em 1940, em seu livro “Brainstorms” descreve o termo Disgra�a para caracterizar as perturbações na escrita de um grupo que ele pesquisava. O neurologista alemão Joseph H. Horacek, em continuidade aos estudos de Gerstmann, descreveu esta condição como uma completa incapacidade de escrever e associou a incapacidade a trauma cerebral de um acidente ou lesão. Apesar da continuidade dos estudos por vários pesquisadores somente em 1981, o psicólogo americano John E. Exner propõe a existência de um centro de escrita, localizada na base do segundo giro frontal, oposta a área motora a mão. 2.2 Identicação e diagnóstico O CID-10 (2008) descreve como um transtorno especí�co do desenvolvimento motor (F82) que se caracteriza como um comprometimento grave do desenvolvimento da coordenação motora, não atribuível exclusivamente a um retardo mental global ou a uma afecção neurológica especí�ca, congênita ou adquirida. Transtornos e Comorbidades aos Prejuíos na Aprendizagem | UNIDADE 3 61 O DSM-5 (2014) apresenta a categoria Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (Quadro 1 – Anexo C - Material Complementar) incluso na categoria de Transtorno Motor (Quadro 2 – Anexo C - Material Complementar) sendo este um tipo de Transtorno do Neurodesenvolvimento. Alves (2012) ressalta que a criança que tem disgra�a tem di�culdades em organizar o texto no caderno, em obedecer às margens das folhas e respeitar os limites; em sua escrita apresenta espaço irregular entre as palavras, linhas e entrelinhas. O traçado é de tamanho muito pequeno ou muito grande; exerce pressão na escrita ou não há prensa; algumas de suas letras são irregulares e muitas vezes retocadas e distorcidas; o caderno geralmente apresenta rasuras. Faz movimentos contrários ao da escrita convencional, apresentando inversões ou “escrita espelhada”; escreve com irregularidade no espaçamento das letras na palavra e faz mau uso do espaço grá�co disponível na folha; a direção de sua escrita é inadequada, ora oscila para cima ou para baixo; tem di�culdade na escrita e no alinhamento dos números. Tem desorientação espacial; di�culdade ao copiar do quadro ou do caderno e expressa lentidão exagerada na escrita ou para executar tarefas. 2.3 Possíveis causas Para Ardila e Rosselli (2007) existem di�culdades neuropsicológicas que impedem a criança de escrever de forma satisfatória, pois escrever é uma atividade perceptivo-motora, fator que exige uma integração adequada de maturidade neuropsicológica da criança. Os autores a�rmam que existem quatro fatores neuropsicológicos que podem causar disgra�a: di�culdades de lateralidade; de�ciência em distúrbios psicomotores, distúrbios da imagem corporal e as funções motoras perceptivas e distúrbios de linguagem de expressão grá�ca. Torres e Fernández (2001 apud COELHO, 2014, p. 8) agrupam em três tipos as causas da disgra�a, sendo elas: maturativas, carateriais e pedagógicas (Quadro 3 – Anexo C - Material Complementar). ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO62 2.4 Estratégias para intervenção Além do bom relacionamento com o aluno, o professor deve buscar reforços positivos ao desenvolver as atividades de caligra� a, cópia e ditado tentado facilitar o processo de reeducação do gra smo. A reeducação do gra� smo, segundo Camargo (2008),está relacionada a três fatores: o desenvolvimento psicomotor, o desenvolvimento do gra� smo em si e a especi� cidade do gra� smo da criança(Figuras 2 e 3). Figura 2 - Métodos para ajudar a criança com disgra� a Fonte: http://stat.correioweb.com.br Figura 3 - Orientações que o professor pode dar para ajudar a criança com disgra� a Fonte: http://stat.correioweb.com.br Para Camargo (2008), a reeducação do gra� smo está relacionada com três fatores fundamentais: desenvolvimento psicomotor, desenvolvimento do gra� smo em si e especi� cidade do gra� smo da criança. Comunidade Aprender Criança - Desvendando a Disgra a, acesse o site: http://www. aprendercrianca. com.br/noticias- do-cerebro/edicao- 35-julho-2014/379- desvendando-a- disgra� a e obtenha mais informações. Transtornos e Comorbidades aos Prejuíos na Aprendizagem | UNIDADE 3 63 Quanto ao desenvolvimento psicomotor devemos proporcionar situações de aprendizagem que se estimule: a postura, controle corporal, dissociação de movimentos, representação mental do gesto necessário para o traço, percepção espaço-temporal, lateralização, coordenação viso-motora e percepção corporal (CINEL, 2003). Para o desenvolvimento do gra� smo em si, Camargo (2008) propõe para a melhora das habilidades da escrita o uso de atividades pictográ� cas: diferentes técnicas de pintura, desenho e modelagem e de atividades escriptográ� cas, que visam à melhora dos movimentos e posição grá� ca, em que a criança deve realizar sentada, utilizando lápis e papel em um espaço grá� co limitado. Em relação à especi� cidade do gra� smo da criança, Camargo (2008) diz que há a necessidade da correção de erros especí� cos do gra� smo, incluindo as formas, tamanho, inclinação das letras, os enlaces, o aspecto do texto, a forma de inclinação da folha, a manutenção da margem e da linha. 3 O Transtorno Especí co da Articulação da Fala ou Dislalaia O Transtorno Especí� co da Articulação da Fala que tem como termo alternativo Dislalia que é um Transtorno da Comunicação que pode ocorrer durante o neurodesenvolvimento. Este transtorno se caracteriza por problemas na utilização dos fonemas considerado um problema relativo à consciência fonológica. Os Transtornos da Comunicação são dé� cits na linguagem, na fala e na comunicação. Observando que: se entende por Fala “a produção expressiva de sons da qual se inclui a articulação, a uência, a voz e a qualidade da ressonância de um indivíduo”, por Linguagem, “a função e o uso de um sistema convencional de símbolos” e por Comunicação “todo comportamento verbal e não-verbal (intencional ou não) que in uencia o comportamento, as ideias ou as atitudes de outro indivíduo.” (DSM-5, p.41). Material de apoio para o professor trabalhar com alunos com Disgra� a, acesso no site: http:// pedagogiaaopedaletra. s3.amazonaws. com/wp-content/ uploads/2012/11/ MATERIAL-DE-APOIO- PARA-O-PROFESSOR- TRABALHAR-COM- ALUNOS-COM- DISGRAFIA.pdf. ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO64 Entre os Transtornos da Comunicação descritos pelo DSM-5 (2014) encontram-se transtorno da linguagem, transtorno da fala, transtorno da uência com início na infância (gagueira), transtorno da comunicaçãosocial (pragmática) e outro transtorno da comunicação especi� cado e não especi� cado (Figura 4). Figura 4 - A identi� cação da dislalia deve ser feita pelo fonoaudiólogo Fonte: http://tatianabertapsicologa.com.br O DSM-5 (2014) o categoriza como um Transtorno do Neurodesenvolvimento pertencente ao quadro de Transtorno da Comunicação e tem código 314.39 o CID-10 (2008) indica que este é um Transtorno Especí� co da Articulação da Fala - F80.0, em que a utilização dos fonemas de acordo com a idade é inferior à correspondência de sua idade, apesar de não apresentar aparentes comprometimentos da área de aptidão linguística. A dislalia pode se apresentar associada a outros transtornos do neurodesenvolvimento, neurológicos e de� ciências. Na dislalia os erros mais frequentes afetam os fonemas / r / / s / / l / / k // Z / / ch / e outros encontros consonantais, seja por omissão, substituição ou distorção (LÓPEZ LLORENTE, 2013). Segundo Pascual (1995), a dislalia corresponde a um distúrbio na articulação dos fonemas, quer pela ausência ou alteração de alguns sons ou pela substituição especí� ca deles injustamente por outros. Isso ocorre por conta da incapacidade de formar ou pronunciar corretamente determinados fonemas ou grupos de fonemas. Para saber mais sobre a dislalia acesse o site do Instituto de Oratória e Fonoaudiologia Simon Wajntraub. Acesse: http://www.boasfalas. com.br/fala-2/dislalia- troca-de-letras Transtornos e Comorbidades aos Prejuíos na Aprendizagem | UNIDADE 3 65 Moreno González e Ramírez Villegas (2012, p.38) indicam que entre as classi� cações que têm sido utilizadas para de� nir dislalia, as mais relevantes são de Carrió Rovira(et al., 1991), Pascual (1995) e Valverde e Cols. (1992) que apontam a dislalia orgânica, a dislalia evolutiva e a dislalia funcional (Quadro 4 – Anexo C - Material complementar) 3.1 Breve apontamento da descrição histórica Smith (2008) lembra que os transtornos da comunicação tem sido objeto de estudo há muitos anos apesar da falta de organização sobre o diagnóstico e dos elementos para intervenção. A autora lembra que nos Estados Unidos durante a década de 10 no século XX, cabia a um professor itinerante a tarefa de ajudar crianças que apresentavam gagueira. Porém, naquela mesma década, nas escolas de Nova York houve um programa fonoaudiológico para atender crianças com gagueira. De acordo com Smith (2008) o aumento da necessidade da precisão do tratamento fonoaudiológico, ocasionou em 1914, por meio deSmileyBlanton,a fundação da primeira clínica de fonoaudiologia na Universidade de Wisconsin. Uma década depois, funda-se a American Academy for Speech Correction conhecida hoje como American Speech- Language- HearingAssociation - ASHA liderada por Robert West, que in uenciou uma tentativa de empregar especialistas para tratar crianças com transtorno da fala na escolas, entretanto, os recursos eram limitados e não se obteve êxito. Um � lme muito bom sobre a gagueira é: “O discurso do Rei (2011)”que conta a história do Rei George da Inglaterra.SINOPSE: Desde os 4 anos, George (Colin Firth) é gago. Este é um sério problema para um integrante da realiza britânica, que frequentemente precisa fazer discursos. George procurou diversos médicos, mas nenhum deles trouxe resultados e� cazes. Quando sua esposa, Elizabeth (Helena Bonham Carter), o leva até Lionel Logue (Geo¿ rey Rush), um terapeuta de fala de método pouco convencional, George está desesperançoso. Lionel se coloca de igual para igual com George e atua também como seu psicólogo, de forma a tornar-se seu amigo. Seus exercícios e métodos fazem com que George adquira autocon� ança para cumprir o maior de seus desa� os: assumir a coroa, após a abdicação de seu irmão David (GUY PEARCE). Acesse o site: www.asha.org da AMERICAN SPEECH- LANGUAGE-HEARING ASSOCIATION – ASHA e obtenha mais informaçõessobre o tema ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO66 Com a segunda grande guerra, foram desenvolvidos programas militares e pesquisas clínicas para a identi�cação de pessoas que possuíam problemas na fala e perda de audição. Essas pesquisas mostraram-se e�cazes e os cursos universitários de fonoaudiologia passaram a ter maior abrangência e procura, assim como os tratamentos em parceria com as escolas, incluindo o tratamento não apenas da gagueira, mas também de outros transtornos da comunicação (SMITH, 2008). Até durante a primeira metade do século XX, os pro�ssionais que atuavam com problemas de comunicação da criança foram chamados de corretores de fala ou professores da fala e tinham foco em áreas relacionadas à gagueira, problemas relativos a voz e das di�culdades da articulação. Com o aprofundamento da área, depois da segunda metade do século XX, estes pro�ssionais receberam novos títulos, chamados de terapeutas ou clínicos da fala. Na década de 70, a American Speech- Language-HearingAssociation propôs o termo fonoaudiólogo com intuito de “reetir a extensão dos serviços por eles prestados” (SMITH, 2008, p.151). 3.2 Identicação e diagnóstico Conforme López Llorente (2013) para a identi�cação da dislalia é importante fazer um diagnóstico completo da situação da criança, para que se possa ter o melhor quadro de tratamento de acordo com suas causas, o CID-10 (2008) (Quadro 5 – Anexo C - Material Complementar), o aponta como um Transtorno especí�co da articulação da fala e o DSM-5 (2014) explica que entre os seus critérios diagnósticos deve se observar as perturbações na inteligibilidade da fala (Quadro 6 – Anexo C - Material Complementar). Ressalta-se que não se deve confundir o Transtorno da Fala com Transtorno da Linguagem 315.32, a qual o segundo se caracteriza por di�culdades persistentes na aquisição e no uso da linguagem falada, na linguagem de sinais ou outra devido a dé�cits na compreensão ou na produção. Segundo o CID-10 (2008), o Transtorno da Linguagem refere-se a um Transtorno Receptivo de Linguagem - F80.2, a pessoa que apresenta Transtornos e Comorbidades aos Prejuíos na Aprendizagem | UNIDADE 3 67 este transtorno tem di� culdades na capacidade de compreensão da linguagem que se mostra abaixo do nível correspondente à sua idade mental, que geralmente está prejudicada e são comuns anormalidades na articulação, se caracteriza por Agnosia auditiva congênita, surdez verbal e por transtorno de desenvolvimento como a Afasia de Wernicke e afasia ou disfasia de compreensão (receptiva). Agnosia - Se entende que uma pessoa tem agnosia, quando apesar de ter suas funções sensoriais preservadas apresenta di� culdade no reconhecimento ou identi� cação de objetos, pessoas, sons, e formas. Esta não deve ser reduzida a defeitos sensoriais, deterioração mental, perturbações de consciência, pois todas as suas áreas são conservadas, ou ainda a uma desatenção ou falta de familiaridade com o assunto, visto que a agnosia é uma alteração intermediária entre as sensações e a percepção. Fonte: CERVANTES (1983) Afasia de Wernicke – tem sido denominada como afasia sensorial, afasia receptiva, afasia central, e por muitos outros nomes. Sua maior característica é a di� culdade na compreensão da linguagem, a fala é uente e faz pouco sentido. Os pacientes com essa síndrome começam a falar espontaneamente, embora de modo vago, fugindo do objetivo da conversa. Fonte: ARDILA, Alfredo. Las afasias. Universidad de Guadalajara, Centro Universitario de Ciências Sociales y Humanidades, 2005. Disponível em: http://www.jmunozy.org/� les/9/Logopedia/ Afasia_TCV/documentos/BV_afasias.pdfPascual (1995) diz que para um diagnóstico completo da dislalia (Figura 5) funcional são necessários diferentes testes e que se proponha um estudo profundo das causas. O autor aponta o uso da anamnese para colher dados pessoais da criança e da situação familiar que deverão ser fornecidos pelos pais, atendo-se a dados sobre o desenvolvimento da linguagem e da fala, do desenvolvimento psicomotor, da personalidade e escolaridade. Figura 5 - O personagem Cebolinha (Maurício de Souza), exemplo de dislalia ou “Disfunção do Cebolinha”. Fonte: http://www.apoiofonoaudiologico.com.br ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO68 Após a anamnese obtêm-se dados sobre a articulação da criança e, por meio de um rigoroso exame que possibilita conhecer os defeitos existentes na pronúncia da criança e, onde ocorre a falha e qual seu nível, se inicial, intermediário ou �nal; qual o tipo de expressão: linguagem repetida, dirigida ou espontânea (PASCUAL, 1995). É relevante para estudar o nível intelectual da criança para esclarecer se os problemas são causados por uma dislalia funcional ou por uma de�ciência intelectual, nas quais os transtornos da comunicação podem apenas ser uma característica, deste modo é necessário mais do que um teste para o estudo da capacidade intelectual e para que se considerem os resultados precisos. As crianças com dislalia têm di�culdades em sua capacidade motora, deste modo é importante para detectar problemas no desenvolvimento motor, veri�cando se ela realiza os movimentos básicos como a coordenação estática, coordenação dinâmica das mãos, a coordenação movimentos rápidos e dinâmicos gerais, movimentos simultâneos ou sinestésicos e o movimento orofacial motor, o qual a criança deve saber operar os organismos envolvidos na articulação e mobilidade avaliando exerce língua e os lábios que nos informe se há falhas na elevação da língua, ao abrir e fechar a boca, nos movimentos de rotação da língua, fazer exercícios fazendo-o mostrar um pouco da língua sem abrir a boca, juntar os lábios e fazer a expressão de um sorriso, morder o lábio inferior com os dentes superiores e vice-versa. Veri�car também a conduta da respiração e do relaxamento (PASCUAL, 1995). A criança com dislalia também apresenta di�culdade quanto à percepção e orientação espacial, por isso devemos observar a organização perceptiva em que ocorre na criança a função viso-motor associado com a capacidade da fala e a organização do espaço que considera como a criança orienta-se no espaço, se já adquiriu os conceitos de direita e esquerda. Devemos também analisar se ela (a criança) tem percepção temporal e de ritmo, observando o tempo que desenvolve espontaneamente uma atividade motora e sua regularidade, a reprodução das estruturas rítmicas, em que a criança tenha que fazer uma estrutura rítmica que escutará e, a compreensão do simbolismo dessas estruturas e sua reprodução, as quais indicarão uma estruturação temporal e rítmica do sujeito. Transtornos e Comorbidades aos Prejuíos na Aprendizagem | UNIDADE 3 69 Devemos observar os aspectos relativos à percepção e discriminação auditiva, analisando a capacidade de discriminação de som, dos fonemas e das palavras e se há desajustes relacionados à personalidade e as relações familiares. Apesar da importância de se considerar todos estes fatores Pascual (1995) lembra que apenas eles não são su�cientes para se identi�car as causas e fechar o diagnóstico completo de um caso de dislalia e que apenas um médico neurologista juntamente com a terapia fonoaudiológica poderão, de fato, con�rmar um quadro de dislalia funcional. 3.3 Possíveis causas Conforme o DSM-5 (2014) as possíveis causas da dislalia são os fatores genéticos e �siológicos, pois os transtornos da fala têm traços hereditários, porém não devem ser esquecidos os aspectos culturais e sociais que inuenciam diretamente na aquisição dos fonemas. Pascual (1995) ao apontar as causas da dislalia funcional explica que ela ocorre pela combinação de vários fatores que trazem dé�cit a fala das crianças, indicando causas relacionadas às habilidades motoras empobrecidas, di�culdade na percepção do espaço e do tempo, falta de compreensão ou discriminação auditiva, fatores psicológicos, ambientais, hereditários e a de�ciência intelectual. Sobre a pobreza nas habilidades motoras, Pascual (1995) explica que é importante destacar que não há uma relação direta entre o grau de atraso motor e o grau de defeito de fala em atraso da pronúncia, por esta razão, os defeitos desaparecerão ao mesmo tempo em que desenvolve habilidades motoras �nas, pois aos poucos a criança adquire agilidade e coordenação dos movimentos para falar corretamente. A di�culdade na percepção do espaço e do tempo pode iniciar no período em que a criança começa a imitar movimentos e som, já a falta de compreensão ou discriminação auditiva é perceptível quando a criança não consegue imitar sons diferentes, pois não é capaz de discriminá-los. ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO70 Os fatores psicológicos apontados por Pascual (1995) ressaltam a sua importância como geradores dos transtornos da fala e da linguagem e, que muitas vezes estão associados a outras causas. Quanto aos fatores ambientais é interessante ressaltar que estes estão ligados à evolução da criança e aos elementos de suas capacidades pessoais, os quais irão de� nir seu processo de maturação. Os fatores hereditários, quando presente, podem ser reforçados pela limitação dos erros cometidos ao se falar com familiares, sem que essas deformações articulatórias existam de fato. No caso da de� ciência intelectual, em muitos casos o transtorno da fala dá-se de forma associada. 3.4 Estratégias para intervenção Para a intervenção López Llorente (2013) aponta que existe uma série de condições para se estabelecer o tratamento para a dislalia funcional. Após o diagnóstico, o tratamento deve se basear nas causas do fracasso, revelando as causas do problema na articulação da criança e se utilizando de técnicas baseadas em princípios pedagógicos, que tenham como objetivo promover a participação ativa da criança a partir de suas possibilidades e não de suas limitações. Assim como nos outros transtornos, devemos buscar um tratamento multidimensional, não se concentrando em apenas corrigir o problema, mas também estender o apoio as atividades que envolvam toda a comunicação, sendo sempre fortalecida pela intervenção fonoaudiológica direcionada aos problemas articulatórios e ao aspecto funcional. 4 O Transtorno de Dé cit de Atenção/Hiperativi- dade - TDAH De acordo com DSM-5 (2014) o Transtorno de Dé� cit de Atenção/ Hiperatividade é um Transtorno do Neurodesenvolvimento que traz à pessoa dé� cits de desatenção, desorganização e/ou hiperatividade- impulsividade. Material de apoio para o professor trabalhar com alunos com Dislalia da Secretaria Municipal de Educação de Luziânia, Divisão de atendimento a Necessidades Educacionais Especiais, Núcleo de Avaliação Diagnóstica – NAD, março de 2011, você pode ter acesso pelo site: www.cefac.br/ revista/revista12/ Artigo%2012.pdf e obter maiores informações. Transtornos e Comorbidades aos Prejuíos na Aprendizagem | UNIDADE 3 71 4.1 Breve apontamento da descrição histórica O TDAH como é comumente conhecido, é tema de estudos desde metade do século XIX, em que Ho¿man registrou o comportamento daqueles que eram “idiotas loucos” ou que tinham “insanidade impulsiva”. Contudo, os primeiros registros sobre a possível identi�cação e diagnóstico do TDAH ocorreua partir de 1901 com Demoo, quando registrou um grupo de criançasque apresentava labilidade afetiva, falta de inibição e atenção, mudavam-se de lugar a todo instante. Porém, o uso do termo criança hiperativa surge em 1902 com o médico inglês Still ao descrever o que ele chamou de defeito mórbido do controle mental (DIAS; WAJNSZTEIN, 2010). Com o início da Primeira Guerra Mundial, os estudos aparentaram estar adormecidos quando durante os anos de 1916 a 1927 houve a descrição da Encefalite de von Economo ou Encefalite letárgica que acometeu a Europa e América do Norte naqueles anos. O neurologista romeno Constatin von Economo foi o primeiro a apresentar as principais características da doença que trazia aos adultos sequelas semelhantes as manifestações da Doença de Parkinson e fazia com que as crianças apresentassem alterações no comportamento e hiperatividade (TOLEDO; SIMÃO, 2003). Com os avanços dos estudos na área da aprendizagem, em 1960 um grupo de pesquisadores de Oxford diz que aquele quadro deveria ser chamado de disfunção cerebral mínima por conta do comportamento que a crianças acometidas apresentavam. Mas em 1980 a descrição no DSM-III indicava a Síndrome do Dé�cit de Atenção com ou sem hiperatividade e residual – DAS que mais tarde, em 1987, no DSM-III-R tornou-se o Distúrbio de Dé�cit de Atenção/ Hiperatividade ou DDAH. Já na atualização do DSM-IV em 1994, o termo utilizado passou a ser Transtorno de Dé�cit de Atenção e Hiperatividade ou TDAH, considerado o termo ainda atual. O DSM-5 (2014) apresenta o Transtorno de Dé�cit de Atenção e Hiperatividade como um Transtorno do Neurodesenvolvimento categorizado com os códigos 314.00 – 314.01 e pelo CID-10 (2008) entre os códigos F90.0 – F90.9 de acordo com suas especi�cidades. ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO72 4.2 Identi cação e diagnóstico O TDAH deve ser diagnosticado a partir de acompanhamento clínico e, que se possível iniciado durante a infância e contínuo na vida do sujeito, pois se manifesta em diversas situações da vida. Apesar do avanço dos estudos clínicos em geral, ainda não há de fato exames laboratoriais que comprovem o TDAH, por isso a necessidade de observação e avaliação por meio de acompanhamento realizado a partir da análise da vida do sujeito. Quantos aos exames grá� cos como o eletroencefalograma – EEG já é possível observar algumas anormalidades que já foram relacionadas com o TDAH, mas ainda há necessidade de avanço das técnicas e dos estudos que comprovem essa relação. Considerando isto, ressalta-se a importância do acompanhamento do médico neurologista ou psiquiatra fazerem parte da equipe multidisciplinar para o atendimento e devidos apoios à pessoa com TDAH e a sua família. Ainda que o quadro geral do TDAH (Quadro 7 – Anexo C: Material Complementar) seja o padrão: desatenção, e/ou hiperatividade- impulsividade, é importante destacar que há formas destas se apresentarem e que apenas a equipe médica poderá dar os subsídios para avaliar os critérios diagnósticos, determinar os subtipos e indicar as especi� cidades aparentes em cada caso conforme o quadro a seguir. Os subtipos previstos pelo DSM-5 (Quadro 8 – Anexo C: Material Complementar) são os mais aceitos no que se refere às classi� cações entre as últimas pesquisas na área como ressaltam Dias e Wajnsztein (2010) e autores como Smith e Strick (2012) também concordam com esta organização para o TDAH. Além dos subtipos para a classi� cação é necessário observar a especi� cação (Quadro 9 – Anexo C: Material Complementar), pois pode acontecer de acordo com o DSM-5 (2014) que os critérios tenham sido todos preenchidos anteriormente e não preenchidos nos últimos 06 meses e o sintoma ainda indicar prejuízos no funcionamento social, acadêmico ou pro� ssional. A chamada tríade é baseada em comportamentos que se associados conjuntamente são o TDAH e se isoladas, apresentam-se de forma Acesse Programa de Transtornos de Dé� cit de Atenção/ Hiperatividade ProDAHpor meio do site: http://www.ufrgs. br/prodah/ e SHIRE Farmacêutica Brasil LTDA - Site informativo sobre TDAH -http://www. tdahevoce.com.br/ Transtornos e Comorbidades aos Prejuíos na Aprendizagem | UNIDADE 3 73 distinta e não geram o transtorno em si, fato que tem feito muitas crianças não acometidas com o transtorno está sendo rotuladas como desatentas, hiperativas ou impulsivas. A desatenção, por exemplo, segundo o DSM-5 (2014, p.61) caracteriza- se como um comportamento de “divagação em tarefas, falta de persistência, di� culdade de manter o foco e desorganização – e não constitui consequência de desa� o ou falta de compreensão”. Já a hiperatividade é “se a atividade motora excessiva (como uma criança que corre por tudo) quando não apropriado ou remexer, batucar ou conversar em excesso” e a impulsividade são “ações precipitadas que ocorrem no momento sem premeditação e com elevado potencial para dano à pessoa”, que podem “ser re exos de um desejo de recompensas imediatas ou de incapacidade de postergar a grati� cação” (DSM-5, 2014, p. 61). Como o TDAH inicia na infância é possível perceber a ação da tríade em situações escolares como na falta de atenção na execução de tarefas simples como copiar uma atividade, se relacionar com professores e colegas ou mesmo prestar atenção na aula. Os prejuízos da TDAH continuam a aparentes na vida adulta, seja na di� culdade de concluir a leitura de um livro ou em adaptar-se na rotina do trabalho. Uma boa dica de lme sobre as ações precipitadas é “Impulsividade”. SINOPSE: Justin Cobb (Lou Taylor Pucci) seria um adolescente comum se não fosse o fato de que nunca conseguiu parar de chupar o dedo. Aos 17 anos, após ter tentado de tudo para se livrar do vício, ele � nalmente resolve o problema através da hipnose feita pelo seu dentista, que tem ambições a psicólogo. O verdadeiro problema, porém, está apenas começando. Justin continua compensando suas frustrações pela boca, consumindo todo e qualquer tipo de droga, de maconha a remédios antidepressivos. Fonte: http://www. apoiopsicopedagogico. com/impulsividadeSem dúvida o comportamento da criança com TDAH desa� am pais e professores, por isso vale ler o livro “TDAH Crianças que desa� am: como Lidar com o Dé� cit de Atenção e a Hiperatividade na Escola e na FamíliaAcesse: http:// tdahcriancasquedesa� am.blogspot.com.br/ A pessoa com TDAH também é in uenciada diretamente pelo ambiente social e cultural em que estar envolvido e pelas intervenções clínicas ou pedagógicas que lhe forem propostas, podendo aos poucos superar o dé� cit. ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO74 Em resumo os principais sinais para que se suspeite de um quadro de TDAH são (Figura 6): Falta de atenção constante Prejuízos sociais e pro ssionais Desorganização Inquietação durante as atividades Di culdade em permanecer parado Atrapalha a dinâmica da classe Figura 6 - Principais sinais do TDAH Fonte: http://neuropedi.com.br 4.3 Possíveis causas As possíveis causas do Transtorno de Dé� cit de Atenção/Hiperatividade estão nas questões comportamentais relacionadas ao temperamento, questões ambientais, genéticas e � siológicas. O DSM-5 (2014) aponta que dentro das questões relacionadas ao temperamento, pois se associa a níveis menores de inibição comportamental, de controle à base de esforço ou de contenção, a afetividade negativa e/ou maior busca por novidades, porém não é especí� co do TDAH. Para saber mais sobre as causas do TDAH acesse o site da Associação Brasileira de Dé� ct de Atenção: http://www. tdah.org.br/ Transtornos e Comorbidades aos Prejuíos na Aprendizagem | UNIDADE 3 75As questões ambientais são indicadas por causas pré-natais como: o uso de drogas e álcool pela mãe durante a gestação e pós-natais como em crianças abaixo do peso e ainda, fatores relacionados ao abuso infantil, negligência, múltiplos lares adotivos, exposição à neurotoxina (p. ex., chumbo), infecções (p. ex., encefalite). Quanto às causas genéticas e � siológicas estão situações hereditárias e por isso a importância do anamnese que deverá ser realizada pela equipe multidisciplinar. Há comorbidades com outros transtornos, de� ciências ou doenças como: De� ciências visuais e auditivas, anormalidades metabólicas, transtornos do sono, de� ciências nutricionais e epilepsia (SMITH; STRICK, 2012). Segundo o DSM-5 (2014) as interações familiares no começo da infância são causas sozinhas de TDAH, apesar de poderem in uenciar para o desenvolvimento de problemas de conduta. 4.4 Estratégias para intervenção Quanto à abordagem terapêutica mais indicada está à adequação das ações pedagógicas desenvolvidas durante a vida escolar (Figura 7), a condução terapêutica da equipe multidisciplinar com orientação cognitiva-comportamental e quando for o caso o tratamento farmacológico que só poderá ser ministrado por médicos habilitados para tal intervenção. Figura 7 - A identi� cação cedo do TDAH traz maiores possibilidades de intervenção Fonte: http://www.idhesp.com.br/wp-content/uploads/2012/09/hip.jpg Comorbidades - Designação de duplo diagnóstico. Corresponde a associação de pelo menos duas patologias num mesmo paciente. Fonte: http://www. dicionarioinformal.com. br/comorbidade/ Para saber sobre as relações quando se tem uma pessoa com TDAH na família assista ao � lme “Sei que vou te amar”. SINOPSE: Thomas Mollison é um jovem de 16 anos em busca de uma vida normal. Seu irmão mais velho, Charlie, tem autismo e TDAH e o funcionamento de toda sua família gira em torno de oferecer a Charlie um ambiente de vida seguro. Thomas conhece Jackie Masters e começa a se apaixonar por ela. Quando sua mãe � ca con� nada à cama devido à gravidez, Thomas então deve assumir a responsabilidade de cuidar de seu irmão, o que pode custar a sua relação com Jackie, especialmente quando isso desencadeia um violento confronto na família em sua festa de aniversário, que leva o garoto a uma viagem emocional repleta de frustrações e angústias. Fonte: http://www. apoiopsicopedagogico. com/sei-que-vou-te- amar/ ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO76 Resumo Nesta aula, estudamos Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação ou Disgra� a que se caracteriza como um transtorno do motor do neurodesenvolvimento que afeta crianças e adultos. Este transtorno traz prejuízos para as habilidades escolares e pro� ssionais, podendo ser associada a outros transtornos, inclusive de causa emocional. Envolve desde a incapacidade de segurar um lápis até o traço de uma linha. A disgra� a é perceptível em qualquer situação que envolve o movimento da escrita seja em desenhos simples das crianças e ou em atividades de repetição. Estudamos ainda, que a dislalia como é comumente conhecida é um Transtorno Especí� co da Articulação da Fala que inicia durante o neurodesenvolvimento da criança e pode atingir a idade adulta. Este transtorno causa prejuízos na utilização dos fonemas e para intervenção conta com apoio de uma equipe multidisciplinar. Analisamos o Transtorno de Dé� cit de Atenção/ Hiperatividade – TDAH, o qual é um transtorno que causa à pessoa dé� cits de desatenção, desorganização e/ou hiperatividade-impulsividade que tem início na infância e se perdura por toda a vida adulta. Suas causas não são totalmente conhecidas e as principais intervenções tem se apoiado na terapia cognitiva-comportamental e em tratamentos farmacológicos. Atividades de aprendizagem 1. Conceitue o Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação. 2. Diferencie o Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação de Transtorno Especí� co da Aprendizagem. 3. Estabeleça os principais prejuízos ao desenvolvimento psicomotor causado pela Disgra� a. 4. Diferencie o Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação do Transtorno Especí� co na Aprendizagem. Uma boa dica para leitura e orientação são as Cartilhas sobre TDAH da Associação Brasileira de Dé� ct de Atenção. Acesse o site: http:// www.tdah.org.br/br/ sobre-tdah/cartilhas- sobre-tdah.html e leia: Cartilha da ABDA: perguntas e respostas sobre TDAH; Direitos dos Portadores de TDAH: doutrinas e jurisprudência; Cartilha da Inclusão Escolar: inclusão baseada em evidências cientí� cas; Cartilha para Pro� ssionais de Educação: perguntas e respostas sobre TDAH. Transtornos e Comorbidades aos Prejuíos na Aprendizagem | UNIDADE 3 77 5. Estabeleça os principais prejuízos ao desenvolvimento psicomotor causado pela Disgra� a. 6. Conceitue a Dislalia como um Transtorno Especí� co da Articulação da Fala. 7. Descreva as principais evidências de um quadro de dislalia em uma criança. 8. Descreva os aspectos que identi� cam uma pessoa com Transtorno de Dé� cit de Atenção/Hiperatividade e uso das nomenclaturas. 9. Identi� que a forma da combinação da tríade do TDAH: desatenção, desorganização e/ou hiperatividade-impulsividade e seus subtipos. Referências ALVES, Fátima. Psicomotricidade: corpo, ação e emoção. 5. ed. Rio de Janeiro: Wak editora, 2012. ARDILA, A. ROSSELLI, M. Neuropsicología Clínica. Editorial Manual Moderno, 2007. CAMARGO, M. J. G. Disgra a Motriz. UNIDADE DE NEUROLOGIA INFANTIL DO HOSPITAL PEQUENO PRÍNCIPE (UNIPP). NEUROLOGIA. Curitiba, 2008. Disponível em: <http://www.neuropediatria.org.br/ index.php?option=com_content&view=article&id=93:disgrafia- motriz&catid=59:transtorno-de-aprendizagem-escolar&Itemid=147>. Acesso em: 20 jan. 2011. CARRIÓ ROVIRA, M. T. et al. Prevención de las dislalias. Alcoy: Mar� l, 1991. CID – 10. Classi cação estatística internacional de doenças e problemas relacional à saúde. Décima revisão, OMS – Organização Mundial da Saúde, 2008. Disponível em: <http://www.datasus.gov.br/ cid10/V2008/WebHelp/f80_f89.htm>. Acesso em: 20 dez. 2014. ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO78 CINEL, Nora Cecília Bocaccio. disgraia: Prováveis causas dos distúrbios e estratégias para a correção da escrita. 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