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PRODUÇÃO TEXTUAL
AULA 1: FALANDO SOBRE A ESCRITA
	Sem a comunicação não seríamos capazes de viver em grupo. Percebemos que, para comunicar as nossas ideias verbalmente, ou seja, fazendo o uso das palavras, falamos ou escrevemos. 
	FALA E ESCRITA: MODALIDADES DE USO DE LÍNGUA
	Sabemos que a fala e escrita são modalidades distintas de uso da língua. Com a nossa experiência ao longo da vida escolar, já entendemos que a escrita não é uma simples transcrição da fala. Quando escrevemos, diferentemente do que ocorre quando falamos, o contexto de produção e o contexto de recepção não coincidem. Se, em uma conversa natural, o planejamento e a execução acontecem ao mesmo tempo, em um texto escrito, temos tempo para planejar, escrever e revisar o que produzimos. 
	Nosso objetivo não é tratar fala e escrita de modo polarizado, ou seja, de um lado a fala, de outro, a escrita. Concordamos com Koch e Elias (2009, p. 14) e tantos outros autores quando ressaltam que a fala e a escrita não dever ser vistas “de forma dicotômica, estanque, como era comum até algum tempo e, por vezes, como acontece ainda hoje”.
	Sobre esse aspecto, destacamos a proposta de Marcuschi (2004) que afirma que “as diferenças entre a fala e escrita se dão dentro de um continuum tipológico das práticas sociais e não na relação dicotômica de dois polos opostos.” (APUD, Koch & Elias(2009:14)).
	Desse modo, poderíamos situar os diversos tipos de práticas sociais de produção textual ao longo desse contínuo, partindo da conversação espontânea, coloquial até chegarmos à escrita formal. Perceberíamos, assim, que alguns textos escritos como bilhetes, cartas familiares e textos de humor estariam mais próximos às nossas conversações naturais. Por outro lado, alguns contextos de língua falada como conferências e algumas entrevistas profissionais estariam mais próximas da escrita formal.
	COMO SURGIU A ESCRITA
	Já vimos que a comunicação é indispensável para a vida em sociedade, mas como o homem interagia com os outros membros do seu grupo? Ao longo da história, vimos que o homem, inicialmente, fazia o uso de imagens para expressar suas ideias. Depois vieram as palavras orais e, só mais tarde, a escrita.
	Vale a pena lembrar a existência de comunidades ágrafas, ou seja, sem tradição escrita.
	Podemos inferir, então, que a escrita é “derivada” da fala? Não!
	“Sob o ponto de vista mais central da realidade humana, seria possível definir o homem como um ser que fala e não como um ser que escreve. Entretanto, isto não significa que a oralidade seja superior à escrita,nem traduz convicção, hoje, tão generalizada quanto equivocada, de que a escrita é derivada e a fala é primária. A escrita não pode ser tida como uma representação da fala, como você verá adiante. Em parte, porque a escrita não consegue reproduzir muitos fenômenos da oralidade, tais como a prosódia, a gestualidade, os movimentos do corpo e dos olhos, entre outros. Em contrapartida, a escrita apresenta elementos significativos próprios, ausentes da fala, tais como o tamanho e tipo de letras, cores e formatos, elementos pictóricos, que operam como gestos, mímicas e prosódia graficamente representados”. (MARCUSCHI, L.A. Da fala para escrita – atividades de retextualização. São Paulo: Cortez, 2000. P. 17
	Segundo Sauchutk (2011:2), o fato de a escrita ocupar uma posição segunda dentre as possibilidades de comunicação verbal não significa que ocupe uma posição secundária. Pelo contrário: “saber escrever é e sempre será requisito essencial para promover a ascensão social, cultural, profissional e econômica de qualquer indivíduo”.
	Hoje em dia, percebemos a facilidade ao acesso à escrita, mas nem sempre foi assim. Houve um tempo em que a escrita era uma atividade de difícil acesso e realizada por poucos privilegiados. A invenção da prensa contribuiu muito para as atiidades de leitura e de escrita. 
	POR QUE ESCREVEMOS?
	Ao longo da vida, escrevemos diferentes textos para diferentes destinatários e com diversos objetivos. 	Notamos que escrever é um ato individual, pois é o produtor do texto o responsável por algumas decisões: a quem escrever, o que escrever, como escrever.
FUNÇÃO DE TRANSFERÊNCIA: a partir da escrita, é possível transferir o ato de comunicação para um outro momento ou um outro local. no entanto, isso não seria suficiente para explicar a necessidade de continuarmos escrevendo, como salienta o autor, temos, hoje, uma série de recursos tecnológicos capazes de exercer a mesma função que a escrita como as gravações em dvd.
FUNÇÃO DE PRESERVAÇÃO: segundo essa função, escrevemos para armazenar informações, o que, atualmente, pode ser feito também por meio de outros recursos. 
FUNÇÃO DE MEMORIZAÇÃO: escrevemos para registrar dados que serão utilizados ainda no presente. como exemplo, podemos destacar o uso de agendas. 
FUNÇÃO SÓCIO-POLÍTICO-CULTURAL: A escrita é uma forma de preservar a identidade cultural de um povo, o que salienta a relação entre língua escrita e nacionalidade.
FUNÇÃO ARTÍSTICA: por mais que se possa, na língua falada, produzir obras artísticas de qualidade, percebemos que a escrita é o veículo de grandes obras de literatura.
FUNÇÃO DE PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO: à medida que escrevemos, estamos formando um pensamento. A escrita é uma grande aliada no desenvolvimento da cultura de um povo por ser uma ferramenta na produção de conhecimentos e na manutenção de conhecimentos acumulados ao longo da vida.
	O filme narrações de Javé, temos a história de uma cidade ameaçada de extinção devido à construção de uma hidrelétrica. Para manter a cidade, os moradores resolveram produzir um documento com os feitos importantes ocorridos na cidade para que, entendida como um patrimônio histórico, a cidade seja preservada. O curioso é que, na cidade, há apenas um indivíduo capaz de colocar no papel esses fatos.
	O PAPEL DA ESCOLA NA AQUISIÇÃO DA ESCRITA
	Já vimos que a fala é desenvolvida a partir do convívio com os familiares, mas como podemos adquirir a escrita?
	A primeira observação a ser feita refere-se aos verbos utilizados na pergunta apresentada: a fala é “desenvolvida”; a escrita é “adquirida”. Desse modo, para que um indivíduo adquira um sistema de escrita, é necessário que ele passe por um processo de educação formal. Por outro lado, para falar, basta que o indivíduo esteja exposto a uma língua.
	Muitos estudos sobre aquisição da escrita, como os das pesquisadoras Emília Ferrero e Ana Teberosky, apresentam a rese de que esse processo acontece bem antes do ingresso à escola. 
	É importante refletir que o fato de um individuo não dominar o sistema de escrita não compromete seu desempenho ao utilizar a língua falada. 
AULA 2: ESCREVER - MISSÃO POSSÍVEL
	“Escrevi e escrevi, mas não disse nada! Eu não sei escrever!...”
	“Bloqueei! Não consigo escrever! Já chega! Não consigo escrever mais nada!”
	É comum ouvir enunciados como os apresentados aqui. Quem nunca vivenciou uma crise em frente a uma folha de papel em branco?
	Por que colocar as nossas ideias no papel, em alguns momentos, é tão difícil? Será mesmo?
	Nesta aula, vamos entender que escrever pode sim ser uma “missão possível”! Não vamos pensar que, para escrever, é preciso ter inspiração. Na verdade, para escrever bem, é preciso, como dizem, transpiração. A tarefa pode não ser fácil no início, mas é, sem dúvida, muito prazerosa. Afinal, o que é “escrever bem”? Como conseguir isso?
	Planejar é importante!
	Em algumas situações da vida, falamos sem pensar e acabamos em arrependimento. Nos contextos da língua falada, não podemos voltar atrás. No entanto, isso não acontece na língua escrita. Nela, podemos refletir sobre o que vamos abordar em nosso texto. O planejamento serve exatamente para isso.
	Planejar faz parte da execução de uma atividade. Um arquiteto, antes de construir a casa, faz uma planta. O empresário planeja a sua indústria antes de começar as suas atividades. O Estado programa a aplicação dos recursos. 	Imagine o caos de oferecer uma festa de aniversário, convidar seus amigose não planejar nada! Você acha que a festa seria um sucesso? Será que você e seus convidados ficariam satisfeitos?
	Percebemos que planejar é o primeiro passo para o sucesso da festa. Pode até ser que alguma coisa dê errado, mas, com um planejamento bem feito, as chances de isso acontecer são minimizadas. Bem, como acontece em quase todas as situações da vida (sabemos que algumas fogem ao nosso controle...), precisamos de planejamento. Nas conversações naturais, planejamos a nossa fala no momento da interação, mas, quando produzimos um texto escrito, temos a possibilidade de fazer isso com mais tranquilidade. 
	Não vamos, por ora, nos referir aos contextos escritos na Internet, onde, como salienta Marcuschi (2008), “o próprio estado de anonimato dos bate-papos favorece o lado instintivo, desde a escolha do apelido até as decisões linguísticas, estilísticas e liberalidades quanto ao conteúdo”. (MARCUSCHI, 2008, p. 199). 
	Abordamos um determinado tema, ou seja, já sabemos sobre o que vamos escrever. As ideias surgem. Temos, portanto, uma (ou mais) ideia, e agora? Precisamos planejar o que vamos escrever! Se você planejar o seu texto, você conseguirá expor suas ideias com mais clareza. Sem isso, você estará mais suscetível a ter dificuldades, pode se perder e acabar tendo como resultado um texto superficial.
	Por isso, ter um plano é fundamental para tornar o seu texto mais claro. Assim, organizamos o nosso pensamento e não caímos no erro de repetir as ideias. O plano representa a estrutura do que vamos abordar. 
	O segundo passo é preencher essa estrutura. Ao construir o plano, trabalhamos a organização do nosso texto: o que vem primeiro, o que virá em seguida, etc. Desse modo, organizamos o conjunto.
	Observe os desfiles das escolas de samba. A ideia é contar uma história acerca de um determinado tema. Cada ala representa uma ideia, uma parte de um todo maior que se relaciona ao tema, é claro. A partir disso, vamos preencher o “recheio” dessa estrutura. Para isso, os carnavalescos usam os carros alegóricos, os componentes das alas com suas coreografias e fantasias, etc. Qual é o papel dos jurados ao avaliar o desfile de uma escola de samba? Eles estão analisando o conjunto da obra, se a história foi bem contada, se as partes (alas) estão conectadas e fazem sentido. Por isso, o planejamento é tão importante.
	O resultado é, de fato, muito bonito. Notamos que, mal acaba o carnaval, os carnavalescos já começam a preparação do próximo desfile. Por isso, quando alguns autores dizem que para escrever é preciso inspiração, dizemos que, para executar tal tarefa com propriedade, é necessário, antes de tudo, planejamento.
	Aliás, podemos, inclusive, pensar que, para realizar algumas tarefas na vida, devemos sempre antes pensar em planejá-las. Isso vale para a apresentação do projeto ao gestor, para a festa de casamento, para o gerenciamento das tarefas do dia a dia... enfim, planejar é preciso!
	É importante salientar que, ao longo da nossa produção, trabalhamos com um plano provisório, responsável por nos ajudar a delimitar o assunto abordado, a estabelecer as partes do texto a ser construído. 
	Uma versão mais definitiva do plano vai surgindo à medida que desenvolvemos o texto.
	Nesse momento, trabalhamos a organização das ideias, o modo como vamos desenvolvê-las e apresentá-las no texto ao nosso leitor. Podemos concluir, portanto, que o esquema estabelecido, inicialmente, é um guia para o caminho percorrido; não há um “único plano” ou um “plano ideal”. Tudo depende do nosso propósito ao construir um texto.
	Como se planeja um texto?
	A tarefa é árdua: riscamos, anotamos, rasgamos a folha, recomeçamos e assim por diante. Propomos uma sugestão de direcionamento. Primeiramente, vamos pensar sobre o próprio ato de escrever: por que escrever? Para quem escrever? Qual é o meu objetivo ao escrever? Com isso em mente, é hora de apresentar ao seu leitor o assunto que será abordado. Em seguida, vamos desenvolver as ideias, formando assim o corpo do texto. Por fim, vamos finalizá-lo, apresentar ao leitor um fechamento sobre o que escrevemos.
	Pensando no meu leitor...
	A regra básica da comunicação é “Alguém diz alguma coisa a uma outra pessoa”. Por essa razão, quando produzimos um texto escrito, sempre escrevemos a alguém. Esse “alguém” pode ser um leitor identificado, conhecido ou não. Assim, os colunistas escrevem aos leitores de um determinado jornal. Não sabemos dizer se é o fulano ou beltrano, mas sabemos que o leitor daquele jornal apresenta um determinado perfil.
	Você pode estar pensando no que acontece quando escrevemos um diário. Quem será o nosso leitor? Nós mesmos (por que não?) ou até nossas próximas gerações. A ideia é registrar um fato para sua lembrança em um momento futuro. 
	Pensamos no nosso leitor, mas também não podemos nos esquecer da nossa intenção ao produzir o texto, assim como das ideias que vão compor esse material e do modo como vamos organizá-lo para o nosso destinatário, não é mesmo?
	E as ideias? Como surgem?
	Partimos sempre do conhecido, daquilo que já temos armazenado, não é mesmo? Sendo assim, escrevemos com mais facilidade sobre um assunto do nosso interesse, cujos conteúdos sejam dominados por nós. Se você é um especialista em restauração de objetos de arte conseguirá escrever mais facilmente, por exemplo, sobre o papel dos restauradores na preservação da nossa cultura do que alguém que nem conheça essa atividade. Então, só podemos escrever sobre assuntos que façam parte da nossa vida cotidiana? Será que precisamos ser especialistas em um determinado assunto para conseguir escrever sobre ele?
	A resposta é NÃO, mas, obviamente, precisaremos de mais tempo para recuperar o que temos armazenado em nossa memória em relação a um assunto que não nos seja tão familiar. Por isso, precisaremos pesquisar, nos informar mais sobre o que vamos escrever. Concluímos, então, que levaremos um pouco mais de tempo no nosso planejamento, mas nada disso impedirá a realização da nossa tarefa. Veremos, inclusive, que o tempo, que alguns podem considerar “perdido” no trabalho de pesquisa, será compensado na realização da tarefa em si.
	Independentemente do tema escolhido, após ter uma “enxurrada” de ideias sobre o assunto, você deve ter em mente a melhor forma de apresentá-las ao leitor. 
	Lembre-se: a ordem de apresentação das ideias, no texto, é um importante facilitador para o processo de construção do sentido do seu leitor. 
	Como começar um texto?
	O que faz você se interessar por um filme? O que o leva a passar dos seus primeiros minutos e assistir à película até o final? Certamente, você respondeu que o início do filme é fundamental para que você se interesse pelo desenrolar da história, não é mesmo? Pois é, assim como, em um primeiro encontro, queremos chamar a atenção do nosso pretendente, em um texto, isso também acontece.  
	Uma apresentação bem feita atrai o olhar do leitor ao nosso texto e o leva a percorrê-lo até o final. Por isso, podemos dizer que “ganhamos” o nosso leitor na introdução, o ponto de partida de tudo. Isso vale para a produção de qualquer texto. A introdução dever ser “atraente” até mesmo em uma tese de doutorado, por exemplo, ainda que seja um texto que circule no meio acadêmico.
	Segundo Boaventura (2007, p. 16), definição e indicação são requisitos imprescindíveis a qualquer introdução. 	O escritor deve, primeiramente, definir a questão a ser apresentada, de modo a despertar o interesse do leitor. Em seguida, ele deve indicar o caminho a ser seguido pelo leitor na construção do sentido do texto. Afinal de contas, todo leitor que se propõe a ler um determinado texto quer saber o que será tratado naquele material.
	Para que a ideia seja apresentada adequadamente ao leitor, antes de tudo é preciso que o próprio produtor do texto tenha em mente exatamente o que deseja abordar em seu texto. Por isso, delimitar o assunto a ser tratado é também um grande desafio para um escritor competente. Veja a seguir um exemplo de plano de introdução.
	O papeldo setor público no desenvolvimento do Nordeste (cf. Boaventura, 2007:22)
	Introdução.
• A região e o setor público (ideia geral do tema).
• A situação geográfica (situação do assunto).
• As disparidades de renda entre as regiões (motivação, ideias diretrizes).
• A ação do Estado na coordenação de seus recursos e na incitação ao setor privado (anúncio do plano).
	Qual é o objetivo do “desenvolvimento” e da “conclusão” do texto? 
	Portanto, devemos agir como pescadores: usar a introdução como uma isca apetitosa aos leitores à leitura de todo o texto. 
	Depois da introdução, precisamos desenvolver o nosso texto em partes e finalizá-lo com uma conclusão. 
	Desenvolver o assunto do texto em partes é uma maneira interessante de facilitar a vida do nosso leitor. Ao planejar a divisão do texto, temos em mente tornar a interação produtor-leitor mais dinâmica, pois cada ideia será desenvolvida separadamente sem, entretanto, esquecermos o todo do texto.
	Finalmente, é necessário concluir o texto. Chegou o momento de retomar as ideias que foram apresentadas para que o leitor possa relembrar o caminho percorrido ao longo do seu processo de leitura. A conclusão, portanto, é uma boa forma de resumir o que foi trabalhado no texto.
	Não queremos apresentar, aqui, um modelo pronto, uma “receita de bolo” a ser seguida para construir um bom texto. Por isso, vamos apenas exemplificar o plano da exposição da seguinte maneira (Boaventura, 2007, p. 20):
1) INTRODUÇÃO – ANÚNCIO DO TEMA.
• Fornecer a ideia geral do tema,
• Situar na história, na teoria, no espaço e no tempo.
• Motivar para prender a atenção.
• Fornecer as ideias diretrizes.
• Anunciar o plano.
2) CORPO DA EXPOSIÇÃO – O DESENVOLVIMENTO POR PARTES.
3) CONCLUSÃO – O RESUMO MARCANTE.
	Os mitos do “escrever bem”.
	Assim como acontece quando falamos, ao escrever um texto queremos ser lidos, e mais: queremos que o nosso leitor entenda o que escrevemos e goste daquilo que leu. Para isso, precisamos “escrever bem” o nosso texto. 
	O que significa “escrever bem?”.
 	Alguns autores destacam a capacidade de ser conciso, ou seja, de dizer muito com poucas palavras como uma qualidade fundamental do bom escritor. No entanto, como salienta Carneiro (2001), “escrever bem não se resume à concisão e, muito menos, às qualidades literárias do texto”. O autor afirma que a tarefa não é assim tão difícil:
	“(...) basta evitarmos certos conceitos ultrapassados e prestarmos muita atenção a todos os elementos que participam do ato comunicativo em que estamos inseridos. Quanto mais adequados estivermos a esses elementos, melhor escreveremos. Como tais elementos variam, também se devem modificar as qualidades da escritura e talvez aí esteja o segredo: na adequação à variação. Escrever bem, antecipando nossa conclusão, é produzir estratégias comunicativas adequadas, ou seja, variar segundo as circunstâncias.” (CARNEIRO, 2001, p. 20.)
	MITOS SOBRE “ESCREVER BEM”
	Para escrever bem não basta:
Escrever de forma gramaticalmente correta;
Escrever de forma culta e elaborada, utilizando sempre palavras rebuscadas;
Pensar bem;
Apresentar boas construções sem considerar a situação comunicativa;
Ler muito
	ESCREVENDO COM QUALIDADE
	Ao escrever um texto, devemos pensar em alguns fatores, que serão responsáveis pela qualidade daquilo que produzimos. Sautchuk (2011, p. 5) destaca alguns fatores de decisão e de escolha envolvidos nesse ato:
1. para quem estou escrevendo – é o destinatário, o leitor.
2. por que estou escrevendo – é o seu objetivo, a sua intenção.
3. o que vou escrever – é o conteúdo do texto.
4. como vou escrever – é o formato, o molde do texto e também a maneira como você via expressar as ideias no papel, a “aparência” escrita do seu texto, construída por meio das palavras, das frases.
	Na tirinha apresentada, percebemos que o autor, para chamar a atenção do leitor e transmitir um efeito de humor, apresenta uma contradição: ele fornece dicas para escrever bem, mas não as segue em seu próprio texto.
AULA 3: O CONCEITO DE TEXTO – TECENDO IDEIAS
	Leia o verbete “texto” retirado de um dicionário etimológico:
	Texto sm. ‘as próprias palavras de um autor, livro ou escrito’ |XIV, textu XIV| Do lat. textum –i ‘entrelaçamento, tecido’  ‘contextura (duma obra)’. (Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa. Antônio Geraldo da Cunha. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.)
	Isso mesmo! Ao analisarmos a etimologia da palavra “texto”, temos a indicação de um caminho para chegarmos ao seu conceito. Assim como acontece na produção de um tecido, em que precisamos entrelaçar os fios, ao produzirmos um texto, tecemos ideias, entrelaçamos partes para que tenhamos um todo inter-relacionado. Então, vamos entender essa “textura”, ou seja, essa rede de relações de um texto ao longo da nossa aula.
TEXTO, TEXTURA, TEXTUAL, TEXTUALIZAR, TEXTUALIDADE
	Nas nossas duas primeiras aulas, conhecemos um pouco mais sobre a escrita, abordamos a importância de escrever textos. Como o nosso objetivo é trabalhar a produção textual, precisamos, neste momento, refletir sobre o conceito de texto. Segundo Val (1999):
	Para se compreender melhor o fenômeno da produção de textos escritos, importa entender previamente o que caracteriza o texto, escrito ou oral, unidade linguística comunicativa básica, já que o que as pessoas têm para dizer umas às outras não são palavras nem frases isoladas, são textos. (p.3) (VAL, M. G. C. Redação e textualidade. São Paulo: Martins Fontes, 1999.)
	Desse modo, entendemos que o texto é o elemento fundamental para a realização da comunicação humana e pressupõe alguns elementos fundamentais: produtor do texto, mensagem, leitor/ouvinte. Dissemos leitor ou ouvinte, pois não podemos nos esquecer de que um texto pode ser oral ou escrito.
	“A comunicação verbal, oral ou escrita, sempre se realiza por meio de textos. De modo geral, as pessoas acham que só podem chamar de texto aquilo que está impresso em livros. Não é bem assim. Quando você deixa um bilhete para alguém, você escreveu um texto. Quando você faz um trabalho para o professor de economia, você fez um texto (com dez páginas, mas é um texto). Se você escrever uma tese de doutorado, com cinco capítulos e trezentas páginas, você fez um texto. E todas aquelas folhas de papel que você entregava para o professor de português corrigir – e que tanto ele quanto você chamavam de redação – sempre foram um texto. Um e-mail, com duas palavras ou com duas páginas, é um texto. 	Conclusão: toda unidade de comunicação escrita, elaborada por alguém, enviada para outro, e que transmita uma mensagem para esse outro, é um texto. Na verdade, também quando estamos nos comunicando pela fala, nós o fazemos por meio de textos, só que orais. E é claro que você não se esqueceu de que comunicação significa literalmente “pôr em comum”, dividir alguma coisa com alguém.” (p. 3)
	De acordo com a citação apresentada, palavras ou frases isoladas não são textos. Tomamos, como exemplo, a palavra “socorro”, que, isoladamente, não constitui um texto, mas vamos analisar as situações A e B abaixo:
	Nas situações apresentadas, percebemos que a palavra “socorro”, inserida nesses contextos comunicativos, traz uma significação. Entendemos que, na situação A, ela é utilizada para um pedido de ajuda; na situação B, trata-se do nome de uma das participantes do ato de comunicação. Portanto, podemos concluir que um texto é uma unidade de significação que pressupõe, necessariamente, um contexto, um evento comunicativo para se realizar.
	Retomando a ideia de “textura”, apresentada no início da aula, temos que ter em mente que o significado de uma parte do texto não é autônomo. Quando produzimos um texto, devemos pensar como suas partes se relacionam. Isso vale para a atividade de leitura também. Afinal, não basta entender as partes do texto isoladamente. É preciso, de fato, relacioná-las de modo a construir um sentido para aquele todo.
	TEXTO VERBAL E TEXTO NÃO VERBAL
	Como afirma Sautchuk (2011), “há duas maneirasbásicas de comunicação: ou você a faz por meio de palavras faladas (comunicação verbal oral) ou palavras escritas (comunicação verbal escrita) ou por meio de imagens ou gestos (comunicação não verbal)” (p.1).
	A escolha pelo texto verbal ou pelo não verbal depende muito da intenção daquele que quer comunicar e aquilo que se quer comunicar. Em alguns casos, uma imagem, uma música (sem a letra, só a melodia), um gesto podem valer muito mais do que algumas palavras. 
	Vale ressaltar que, na nossa vida em sociedade, lidamos com combinações de textos escritos e imagens, sejam elas ilustrações, gravuras ou fotografias. 
	O que dizer, por exemplo, sobre as tirinhas? Nelas, percebemos o quanto a interação entre o texto verbal e o não verbal é fundamental no processo de construção de sentido. Vejamos a tirinha a seguir:
	Para que possamos compreender a tirinha e até prever que, em uma situação da vida real, teríamos a demissão do funcionário, precisamos analisar a relação entre o verbal e o não verbal: a expressão facial do personagem, o jogo de paciência no computador, a mentira...
TEXTO LITERÁRIO E TEXTO NÃO LITERÁRIO
	Como estamos falando sobre texto, deve ter vindo à sua mente os conceitos de texto literário e texto não literário.  Como distingui-los? 
	Apesar de ainda haver muita discussão a esse respeito, vamos partir dos critérios utilizados por Platão e Fiorin (1999:358). Segundo os autores, não é o tema abordado pelo texto que fará com que ele seja um texto literário ou não. Afinal, podemos pensar que não há conteúdos específicos da literatura. É bem verdade que, ao longo das nossas aulas de literatura, sabemos que alguns temas foram tratados em determinadas épocas (os autores da época barroca, por exemplo, contemplaram muito a ideia de que a vida é transitória e a morte, inevitável).
TEXTO LITERÁRIO: Tem função estética, apresentando, portanto, os seguintes traços: relevância do plano da expressão, intangibilidade da organização linguística (se, por exemplo, resumíssemos uma poesia; ela não teria mais “graça”), criação de conotações (o autor cria novos significados), plurissignificação (apresenta mais de um sentido).
TEXTO NÃO LITERÁRIO: Tem função utilitária (informar, convencer, explicar, responder, ordenar etc.), há uma busca por um único significado, uso denotativo das palavras (significado real).
POEMA TIRADO DE UMA NOTÍCIA DE JORNAL (MANUEL BANDEIRA)
	João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número. 
	Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro.
	Bebeu.
	Cantou.
	Dançou.
	Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
	(BANDEIRA, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983.)
	Vale dizer que é preciso ter cautela na distinção entre texto literário e texto não literário. Uma propaganda, por exemplo, pode ter uma função estética, em função do jogo de palavras, e, ainda assim, não ser um texto literário. Os autores destacam que a literatura é “apenas o lugar privilegiado” da utilização dessa função da linguagem (p. 363).
OS CONTEXTOS SOCIAIS, HISTÓRICOS E IDEOLÓGICOS PRESENTES NOS TEXTOS
	Um texto, querendo ou não, apresenta suas marcas sócio-históricas e ideológicas. Como leitores, podemos ou não ter consciência disso. Entretanto, é importante enfatizar que, para ser um bom leitor e produtor de texto, temos de entender como as vozes estão relacionadas no texto.  Para exemplificar este conceito, analisemos a música “Meu caro amigo”, do compositor e cantor Chico Buarque de Holanda. 
	Nela, ele e Francis Hime produzem uma carta musicada ao amigo Augusto Boal que estava exilado na época da ditadura militar brasileira. 
Meu Caro Amigo
Chico Buarque e Francis Hime
Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita
Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando e também sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão
Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades
Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
É pirueta pra cavar o ganha-pão 
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão
Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa
Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão
Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco
Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus
	Para depreender o verdadeiro sentido desse texto, é preciso entender que ele foi composto no período da ditadura militar no Brasil como uma crítica à situação vigente na época. Se não soubermos quem é Marieta (Marieta Severo, ex-mulher de Chico Buarque e mãe de  seus filhos); quem é  Francis (Francis Hime, amigo de Chico Buarque), fazemos uma leitura parcial desta letra de música. 
	Volte ao texto, agora, e veja como os sentidos ficam diferentes. Tomando este contexto, você pode dizer de que mutreta ele está falando?  Que rojão é este? Qual a crítica da letra que está sendo feita?  
	O que faz, então, um texto ser um texto?
	Para que um texto seja um texto e não uma sequência de frases, devemos pensar na noção de textualidade. Beaugrande e Dressler (1983), citados em Val (1999), apresentam sete fatores responsáveis pela textualidade:
COERÊNCIA: “é responsável pelo sentido do texto” (p. 5). Em um enunciado como “João está cansado. Ele trabalhou muito.”, percebemos, com base no nosso conhecimento de mundo, que o que está expresso faz sentido, é um todo coerente.
COESÃO: é “responsável pela unidade formal do texto, constrói-se a partir de mecanismos gramaticais e lexicais” (p. 6). Em “João está cansado porque trabalhou muito.”, é possível notar a presença de um elemento linguístico responsável pela conexão causal (porque).
INTENCIONALIDADE: refere-se ao “empenho do produtor em construir um discurso coerente, coeso e capaz de satisfazer os objetivos que tem em mente em uma determinada situação comunicativa” (p. 10). Se o produtor do texto tem a intenção de convencer o outro, ele, certamente, usará bons argumentos para que o resultado esperado seja obtido.
ACEITABILIDADE: “concerne à expectativa do recebedor de que o conjunto de ocorrências com que se defronta seja um texto coerente, coeso, útil e relevante, capaz de levá-lo a adquirir conhecimentos ou a cooperar com os objetivos do produtor” (p. 11). É necessário que o receptor coopere e coloque todo o conhecimento de que dispõe a serviço da compreensão do texto. Por exemplo, ao ouvirmos/lermos a sentença “Obama virá ao Brasil.”, recuperamos a informação de que o Obama é o presidente dos Estados Unidos e entendemos a mensagem.
SITUCIONALIDADE: “diz respeito aos elementos responsáveis pela pertinência e relevância do texto quanto ao contexto em que ocorre. É a adequação do texto à situação sociocomunicativa” (p. 12).Uma placa de trânsito, por exemplo, tem como função informar algo aos motoristas e funciona muito mais do que um texto explicativo ou persuasivo que seria inadequado à situação, pois os motoristas não teriam como ler todo aquele material.
INFORMATIVIDADE: “diz respeito à medida na qual as ocorrências de um texto são esperadas ou não, conhecidas ou não, no plano conceitual e no formal” (p. 14). Um texto menos previsível é mais informativo. No entanto, o texto não pode ser totalmente inesperado, pois poderá ser rejeitado pelo receptor. O ideal é que o texto contenha informações novas e informações já conhecidas, equilibrando, assim, o que é mais fácil de ser processado e o que vai exigir mais trabalho para ser entendido pelo outro.
INTERTEXTUALIDADE: “concerne aos fatores que fazem a utilização de um texto dependente do conhecimento de outro(s) texto(s)” (p. 15). Algumas piadas e programas de humor retomam o discurso de um político conhecido ou de alguma celebridade e, por isso, a “graça” só é obtida se o receptor tiver tido acesso a essa informação.
	O que faz, então, um texto ser um texto?
	Platão e Fiorin (1999) apresentam algumas propriedades de um texto. Para os autores, um texto tem que:
I - ter coerência de sentido – em um texto, “um sentido de uma frase depende do sentido das demais com que se relaciona; (...) o sentido de qualquer passagem de um texto é dado pelo todo” (p.14).
II - ser delimitado – um texto é “delimitado por dois brancos. Se o texto é um todo organizado de sentido, ele pode ser verbal (um conto, por exemplo), visual (um quadro), verbal e visual (um filme) etc. Mas, em todos esses casos, será delimitado por dois espaços de não sentido, dois brancos, um antes de começar o texto e outro depois” (p.17).
III - estar inserido em um contexto histórico-social – um texto é “produzido por um sujeito num dado tempo e num determinado espaço. Esse sujeito, por pertencer a um grupo social num tempo e num espaço, expõe em seus textos as ideias,  os anseios, os temores, as expectativas de seu tempo e de seu grupo social. Todo texto tem um caráter histórico, não no sentido de que narra fatos históricos, mas no de que revela os ideais e as concepções de um grupo social numa determinada época”(p.17).
AULA 4 – PARÁGRAFO
	O símbolo § é utilizado para representar o parágrafo naqueles textos em que não há o recuo à esquerda. Sua utilização é comum em códigos e leis. Ele representa dois “SS”, abreviatura de signum sectionis, que significa “sinal de separação ou de seção”. (GARCIA,2006)
ALGUMAS DEFINIÇÕES DE PARÁGRAFO:
	“É a unidade de composição do texto que apresenta uma ideia básica à qual se agregam ideias secundárias relacionada pelo sentido.” (ANDRADE, M. M.; HENRIQUES, A. Língua Portuguesa: noções básicas para cursos superiores. Rio de Janeiro: Atlas, 2007.)
	“É uma estrutura superior à frase, que desenvolve, eficazmente, uma única ideia-núcleo.” (ABREU, Antonio Suarez. Curso de redação. São Paulo: Ática, 2001.)
	“É uma unidade de composição constituída por um ou mais de um período, em que se desenvolve determinada ideia central ou nuclear, a que se agregam outras, secundárias, intimamente relacionadas pelo sentido e logicamente decorrentes dela.” (GARCIA, Othon M. Comunicação em prosa moderna. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2006.).
	Observamos, nas definições, o fato de que, a cada parágrafo, o produtor do texto desenvolve uma ideia. Há, assim, uma ideia central e outras ideias secundárias, responsáveis pelo desenvolvimento dessa ideia central. Desse modo, percebemos que o parágrafo é um importante elemento de organização textual, um recurso utilizado pelo produtor do texto escrito para facilitar a compreensão de suas ideias pelo leitor.
	Observamos, nas definições, o fato de que, a cada parágrafo, o produtor do texto desenvolve uma ideia. Há, assim, uma ideia central e outras ideias secundárias, responsáveis pelo desenvolvimento dessa ideia central. Desse modo, percebemos que o parágrafo é um importante elemento de organização textual, um recurso utilizado pelo produtor do texto escrito para facilitar a compreensão de suas ideias pelo leitor.
	Por isso, devemos pensar que “a noção de parágrafo depende, de certo modo, da percepção mais ou menos intuitiva que nós temos de uma hierarquia de ideias e de fatos, de uma organização do mundo que não se reduz a um macete ou a uma regra fixa.” (FARACO & TEZZA, 1992:162)
	Como destaca Sautcht* (2011), o parágrafo constitui uma unidade de processamento do conteúdo do texto, que sinaliza uma mudança não de assunto, mas de enfoque da ideia central, de argumento, de ponto de vista, de detalhes complementares, sempre relacionados á ideia nuclear do texto. Se cada parágrafo contiver diferentes temas ou assuntos, o resultadoo será um texto ‘colcha de retalhos’ em que o autor fala um pouquinho de multas coisas diferentes e acaba não dizendo nada de mais aprofundado. (p.69). Devido a isso. recomenda-se, antes de começar a escrever sobre um assunto, delimitá-lo, ou seja, reduzi-lo a um tema, que deve ser mantido e desenvolvido até o final do texto. 
	Veja a distinção de Sautchuk (2011) sobre tema e assunto: ‘Para acompanhar as explicações, você deve apoiar-se na diferença entre assunto e tema. Ainda que muitos achem que ambas as denominações seja sinônimas, é importante estabelecer diferenças. Para você entender bem a diferença, basta se lembrar de que assunto é generalização e tema é especificação. Assim, ‘ensino’ seria um assunto que poderia ser desenvolvido sob diferentes temas, como, por exemplo, ‘alfabetização de idosos’ ou ‘ensino superior a distância’. Inclusive, é até possível derivar de um tema anterior outros temas, mais restritos, fechando ainda mais o foco de abordagem, como, por exemplo, ‘alfabetização de idosos em grandes centros econômicos’.” (SAUTCHUK, 1. Perca o medo de escrever da frase ao texto. São Paulo: Saraiva, 2011:1861. 
Ler pouco
Rubem Alves
	Ler é um ritual antropofágico. Sabia disso Murilo Mendes quando escreveu: “No tempo em que eu não era antropófago, isto é, no tempo em que eu não devorava livros - e os livros não são homens, não contém a substância, o próprio sangue do homem?”
	A antropofagia não se fazia por razões alimentares. Fazia-se por razões mágicas. Quem come a carne do sacrificado se apropria das virtudes que moravam no seu corpo. Como na eucaristia cristã, que é um ritual antropofágico: “Esse pão é a minha carne, esse vinho é o meu sangue...” 
	Cada livro é um sacramento. Cada leitura é um ritual mágico. Quem lê um livro escrito com sangue corre o risco de ficar parecido com o escritor. Já aconteceu comigo...
Tópico frasal: Ler é um ritual antropofágico. 
Desenvolvimento: Sabia disso Murilo Mendes quando escreveu: “No tempo em que eu não era antropófago, isto é, no tempo em que eu não devorava livros - e os livros não são homens, não contém a substância, o próprio sangue do homem?” A antropofagia não se fazia por razões alimentares. Fazia-se por razões mágicas. Quem come a carne do sacrificado se apropria das virtudes que moravam no seu corpo. Como na eucaristia cristã, que é um ritual antropofágico: “Esse pão é a minha carne, esse vinho é o meu sangue...” Cada livro é um sacramento. Cada leitura é um ritual mágico.
Conclusão: Quem lê um livro escrito com sangue corre o risco de ficar parecido com o escritor. Já aconteceu comigo...
Disponível em http://www.rubemalves.com.br/lerpouco.htm
	Ao analisarmos o exemplo apresentado, é possível notar uma harmonia entre os parágrafos, uma vez que o assunto e o tema se mantêm ao longo do texto produzido. Cada parágrafo, portanto, contém uma unidade e essa unidade é parte de um todo. Isso acontece, pois existe apenas uma ideia predominante por parágrafo. Vemos que as ideias expostas fazem sentido, ou seja, há uma relação intrínseca entre a ideia principal e as ideias secundárias de um parágrafo.
	No texto do candidato, notamos ainda o papel importante do título produzido. Ele, em conjunto com os parágrafos, promove o encadeamento das ideiasdo texto, possibilitando sua coesão.
	E O TÍTULO?
	Em alguns gêneros textuais, é preciso que se coloque um título, elemento importante para atrair a atenção do leitor ao nosso texto. Portanto, sua criação merece o nosso cuidado. Afinal, quantas vezes assistimos a um filme só por causa do título? Por isso, vamos vê-lo como uma ferramenta útil à construção do sentido do texto. Como afirma Sautchuk (2011), “um bom texto também é coeso se apresentar uma conexão significativa entre o título (se tiver um) e aquilo que for expresso sob esse título” (p. 185).
	COMO INICIAR UM PARÁGRAFO? – O TÓPICO FRASAL
	Vimos que o parágrafo auxu=ilia a leitura, pois indica ao leitor que estamos trabalhando posições, ideias sobre o assunto. Dessa forma, mesmo sem ler o que está escrito no parágrafo, apenas a percepção da sua já pode nos trazer uma série de interpretações e, em decorrência, um protocolo de leitura em relação ao texto.
	O primeiro parágrafo de um texto é o nosso abre-alas. 
	Boaventura (2007) ilustra a importância da introdução com a seguinte metáfora: “Ao se receber uma visita, a primeira coisa é abrir-lhe a porta. Da mesma forma, na exposição é preciso abrir o assunto (...). Não se começa viagem sem saber o destino; fazem-se provisões e previsões; avisam-se amigos e hotéis” (p.11).
	Como salienta o autor, devemos “caprichar” na introdução de modo a convidar o leitor a particiapar da construção do sentido de um texto. Por isso, todos os parágrafos (especialmente, o primeiro) devem ser bem construídos. Uma possibilidade é iniciar o parágrafo com um tópico frasal, “que literalmente significa’a frase do topo’ ou ‘a frase que contém a ideia principal’. È essa frase ou período que orienta ou governa as informações restantes do parágrafo’. (SAUTCHUK, 2011, P. 187).
	Ao usar um tópico frasal para construir um parágrafo, estamos chamando a atenção do nosso leitor para a ideia que será desenvolvida mais adiante naquele bloco. Por essa razão, o tópico frasal marca uma organização do assunto. No entanto, vale destacar que nem sempre é obrigatório que o produtor do texto o apresente logo no início de seu parágrafo. Há casos em que ele pode ser apresentado apenas no final, como um estratégia para atrair o leitor.
	
	Isso é o que acontece no parágrafo abaixo, em que o tópico frasal (“O fato é que, em meio a outras 84 obras de retrospectiva de Tarsila do Amaral, em cartaz no CCBB carioca, faz sucesso a tela intitulada Carnaval em Madureira”) só é apresentado ao leitor no final do parágrafo:
	Talvez a época do ano seja favorável. Talvez a importância da tela, uma espécie de representação gráfica do movimento antropofágico, fale por si só. O fato é que, em meio a outras 84 obras de retrospectiva de Tarsila do Amaral, em cartaz no CCBB carioca, faz sucesso a tela intitulada “Carnaval de Madureira”. (XEXÉO, Artur. Carnaval em Madureira. Coluna da revista O Globo de 19/02/2012. Disponível em: HTTP://oglobo.globo.com/cultura/xexeu/?a=917).
	Há também casos em que o tópico frasal não fica claro em um parágrafo. Nessas situações, não conseguimos perceber a presença de uma única ideia-núcleo. Desse modo, nenhum dos períodos, isoladamente, podem funcionar como um tópico frasal, como ocorre no exemplo citado por Sautchuk (2011:194): São Paulo possui a maior população do Brasil e vários problemas daí decorrem. Apesar da alta arrecadação do município, o sistema de transporte não funciona. O trânsito é um tormento, pois o acréscimo constantede milhares de novos veículos à frota existente dilui os benefícios que o rodízio poderia trazer. Em média o paulistano perde três horas do seu dia para ir e voltar no trajeto ao trabalho.
RECOMENDAÇÕES IMPORTANTES SOBRE TÓPICOS FRASAIS, segundo Sautchuk (2011, p. 194):
Não os coloque em frases demasiadamente longa;
Não os deixe com um conteúdo vago e genérico;
Não os use em frase com inserção(ões);
Obedeça à ordem SVC (sujeito-verbo-complemento), evitando ordem indireta.
ALGUNS MODOS POSSÍVEIS DE CONSTRUÇÃO DE TÓPICOS FRASAIS (cf. GARCIA, 2006)
	Embora tenhamos destacado a importância do tópico frasal, vale lembrar que há outras formas de começar um parágrafo. A utilização de um tópico frasal é apenas uma delas. Devemos sempre considerar a nossa intensão ao produzirum texto, nosso estilo etc. Abaixo, vemos alguns modos de apresentar um tópico frasal em um parágrafo segundo Garcia(2006):
	DECLARAÇÃO INICIAL - uso de frase afirmativa ou negativa para declarar uma ideia. Exemplo: Os estudos de um cientista brasileiro abrem novas possibilidades de controle da malária e, no futuro, da dengue. Gustavo Rezende, do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), analisou a formação da casca impermeável dos ovos de mosquitos. Pesquisador do Laboratório de Fisiologia e Controle de Artrópodes Vetores (IOC), o biomédico identificou um conjunto de genes associados à impermeabilização dos ovos do mosquito Anopheles gambioe, principal transmissor de malária na África. Disponível em: <http:/igi.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2010/09/estudo-desvendaformacao-da- casca-impermeavel-dos-ovos-de-mosquitos.html>. 
	DEFINIÇÃO - apresentação de urna definição do assunto a ser explorado. Exemplo: Os índices de preços, ou de inflação, são, portanto, indicadores que procuram mensurar a evolução do nível de preços. É um número que está associado à média ponderada dos preços de um conjunto de produtos, denominado cesta, em um determinado período. Assim, se de um mês para o outro determinado índice de preços sofre uma elevação de 0,6%, por exemplo, significa que os preços que fazem parte da cesta correspondente a esse índice aumentaram, em média, 0,6%. (Disponível em: chttp: / /www.gazetadeitauna.com.br/conceito_inflacao.htm>) 
	DIVISÃO - divisão do assunto, sinalizando ao Leitor como o terna será tratado. Exemplo: Quando assumi o cargo de Editor de Qualidade no JB, em 1° de outubro de 1995 (deixei-o em 15 de outubro de 1996, para tornar-me, com grande alegria para mim, um auxiliar do velho amigo Onvaldo Penn no trabalho de dar forma final à ia página), tinha três preocupações básicas:1. o empobrecimento da linguagem de jornal; 2. a vulgarização da linguagem de jornal; 3. a correçãodessa mesma linguagem. (CASTRO, Marcos de. Revista de Comunicação, maio 1997) 
(Disponível em: chttp: //www.pucrs.br/gpt/textos.php>.) 
	INTERROGAÇÃO - uso de uma pergunta para iniciar o parágrafo. Exemplo: Onde estão os melhores programas da 1V a cabo? Que programas merecem que se reserve um bom tempo para a televisão? Quais as diferenças entre canais que oferecem programação do mesmo gênero? Onde encontrar bons documentários, filmes in&htos, notícias ao vivo, transmissões esportivas? A equipe da revista da 1V sentou-se na frente da televisão, de controle remoto em punho, e apresenta este número especiaL, concebido como um guia da 1V que os gaúchos assinam. (Zero Hora, 27 de junho de 1999) (Disponível em: http: / /www.pucrs.br/gpt/textos.php>.) 
	ALUSÃO HISTÓRICA - referência a um fato histórico ou as palavras de uma outra pessoa. Exemplo: Um exame de sangue simples pode ser capaz de diagnosticar o mal de Alzheimer, disseram pesquisadores dos Estados Unidos na segunda-feira (13), numa descoberta que pode ampliar a detecção da doença. (Disponivel em: chttp: / igi .globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2010/09/exame-desangue-pode- detectar-aLzheimer-afi rma-estudo. html>.) 
	DICAS PARA PRODUÇÃO DE BONS TÓPICOS FRASAIS 
	Sautchuk (2011:196) fornece-nos algumas dicas para a produção de bons tópicos frasais. Para finalizar a nossa aula, vamos a elas: 
1) Nunca use em suas definições as expressões é quando ou onde: Exemplo: Dirigir irresponsavelmente é quando não damos valor à vida dos outros. 
2) Não use para a definição a mesma palavra que está sendo definida (ou outra dela derivada): Exemplo: Uma narração acontece quando se narra um fato qualquer. 
3) Não faça definições empregando termos mais difíceis do que aquele que está sendo definido. Exemplo: A descrição literária é um detalhamento de características, usando-se, de preferência,imagens sinestêsicas. 
AULA 5: O DESENVOLVIMENTO DE PARÁGRAFOS NARRATIVOS, DESCRITIVOS, DISSERTATIVOS (EXPOSITIVOS E ARGUMENTATIVOS ) E INJUNTIVOS
	Na aula passada, entendemos a importância do parágrafo na construção do texto escrito. Vimos que um parágrafo padrão terá como ponto de partida um tópico frasal, ou seja, uma ideia-núcleo. Nesta aula, vamos trabalhar o desenvolvimento dessa ideia principal ao longo do parágrafo. É claro que, para realização deste trabalho, precisamos ter em mente o assunto que estamos abordando e o nosso propósito ao produzir um texto. 
	Também não podemos deixar de lado a clareza na hora de estruturar o parágrafo, seja ele narrativo, descritivo, injuntivo ou dissertativo. 
	Por que pensar em diferentes tipos de parágrafo? 
	Veremos, por exemplo, que cada tipo de parágrafo nos levará a um desenvolvimento particular do tópico frasal. Além disso, dependendo do tipo de texto, teremos critérios diferentes para estabelecer a mudança de parágrafo. 
	Já que vamos falar sobre diferentes tipos de texto (narrativo, descritivo, dissertativo), precisamos começar a aula com uma distinção fundamental entre tipologia textual e gênero textual. Na nossa vida escolar, nós sempre lidamos com a noção de tipologia textual. Desde cedo, aprendemos como produzir uma narração, uma descrição e uma dissertação. Mas o que dizer sobre os gêneros textuais? 
	TIPOLOGIA TEXTUAL E GÊNERO TEXTUAL 
	Podemos classificar um texto em relação à tipologia e ao gênero. Primeiramente, vamos rever o conceito de tipologia textual. 
	Quando pensamos na tipologia de um texto, devemos refletir as sequências presentes no texto, ao modo como o texto foi estruturado, e as suas características internas. 	Assim, podemos ter sequências em que descrevemos alguém ou um fato, em que contamos uma história, em que ensinamos alguém a fazer algo ou em que apresentamos uma ideia. 
	Os tipos textuais “designam uma espécie de sequência teoricamente definida pela natureza linguística de sua composição (aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas)” (cf. MARCUSCHI, 2002). Os tipos textuais são limitados a algumas categorias fundamentais: 
narração, descrição, dissertação (expositiva ou argumentativa) e injunção. 
	Vamos trabalhar, detalhadamente, os tipos de texto na disciplina Produção Textual II. 
NARRAÇÃO - Na narração, o autor conta uma história que pode ser real ou imaginária. 
DESCRIÇÃO - Na descrição, o autor apresenta as características, qualidades ou especificações dos objetos, seres ou processos. 
DISSERTAÇÃO - Na dissertação, o autor expõe ideias, expressa o que sabe ou acredita saber a respeito de determinado assunto, podendo ou não ter como objetivo convencer o leaor. Por isso, temos a distinção entre um texto expositivo (cujo objetivo é informar) e um texto argumentativo (cujo objetivo, além de informar, é convencer o leitor sobre um determinado ponto de vista). 
INJUNÇÃO - Na injunção, “o autor pede, recomenda ou ordena algo ao leitor” (cf. SAUTCHUK, 2011, p.159). Os textos injuntivos têm como objetivoinstruir ou prescrever. 
	É importante destacar que “um texto, porém, só raramente apresenta-se em estado puro, ou seja, totalmente pertencente a um só modo de organização discursiva. Na maioria das vezes, sua classificação se faz pela predominância de sequências de um tipo sobre os demais” (CARNEIRO, 2001). 
	É comum, portanto, termos, em um texto narrativo, algum trecho descritivo. 
	E OS GÊNEROS TEXTUAIS? 
	Os gêneros textuais são os textos que encontramos em nossa vida diária e que apresentam características sociocomunicativas definidas pelos conteúdos, propriedades funcionais estilo e composição característica (cf. MARCUSCHII, 2002). 
	Para entendermos melhor o conceito de gênero textual, vamos pensar em uma receita culinária. 
	Em geral, os falantes, leitores da língua, reconhecem uma receita em uma revista, em um livro de culinária ou em um programa de televisão. 	
	Que características esse texto apresenta? 	
	Em que contexto esse texto pode ser utilizado? 
	Qual é a intenção de quem apresenta, escreve ou lê uma receita? 
	Temos, portanto, o gênero “receita culinária”, pois esse texto apresenta uma série de características que faz com que ele pertença a um conjunto de textos das “receitas culinárias”, ou se a, textos que compartilham as mesmas características em sua construção. 
	Temos, portanto, o gênero “receita culinária”, pois esse texto apresenta uma série de características que faz com que ele pertença a um conjunto de textos das “receitas culinárias”, ou se a, textos que compartilham as mesmas características em sua construção. 
	São exemplos de géneros textuais: telefonema, sermão, carta comercial, carta pessoal, romance, bilhete, 
reportagem jornalística, aula expositiva, bula de remédio, resenha, lista de compras, cardápio de um restaurante, editaL de concurso, piada, e-mail, bate-papo por computador etc. 
	Os gêneros textuais existem em grande quantidade na nossa sociedade. Por isso, o domínio de diferentes gêneros textuais, ao Longo da vida, o entendimento de sua estrutura, suas marcas peculiares, objetivos e propósitos comunicativos e seu uso nas diferentes situações de comunicação é fundamental na formação do escritor/leitor competente. 
	Vale lembrar que um tipo textual pode aparecer em qualquer gênero textual, da mesma forma que um único gênero pode conter mais de um tipo textual. Uma carta, por exemplo, pode ter passagens narrativas, descritivas, injuntivas e assim por diante. 
COMO DESENVOLVER OS PARÁGRAFOS? - RECONHECENDO AS CARACTERÍSTICAS ESTRUTURAIS DOS TIPOS DE PARÁGRAFOS. 
	Para produzirmos um parágrafo, partimos da explanação da ideia-núcleo. No entanto, também precisamos entender que cada tipo de parágrafo apresentará características estruturais específicas. 
	Em parágrafos descritivos e narrativos, temos uma referência ao mundo natural. Por isso, usamos elementos concretos (substantivos concretos, complementados por adjetivos e verbos), em nosso texto, para mostrar ao leitor uma representação de uma forma real ou imaginária. 
	Para distinguir um trecho narrativo de um descritivo, devemos refletir a questão do tempo. Em uma descrição, temos a apresentação dos elementos como se estivessem estáticos no tempo. Segundo Sautchuk (2011, p131), “as descrições podem e devem ter verbos de ação, desde que nõo obedeçam a qualquer ordem cronológica. Para que esse efeito ocorra o da anulação da passagem do tempo -, basta que se empreguem os verbos em um único tempo: ou no pretérito imperfeito do indicativo ou no presente do indicativo. Também não poderá ser usada qualquer palavra que sirva para marcar a passagem de tempo como hoje, ontem, agora, por exemplo), mas apenas para citar o momento em que se está descrevendo algo”. 
	Por outro lado, em uma narração, o tempo regride ou prognde. Desse modo, a mudança de tempos verbais e o uso de advérbios ou expressões utilizados como marcadores de tempo são fundamentais para estabelecer essa distinção. 
	Para Sautchuk (2011, p143), “nos trechos narrativos, o centro de referência ao tempo é representado por verbos no pretérito perfeito do indicativo; tudo o que acontecer para trás desse tempo portanto, voltando mais ainda ao passado será assinalado por verbos no pretérito mais-que-perfeito e o que ocorrer para adiante será assinalado por verbos no futuro do pretérito”. 
	O exemplo apresentado por Sautchuk (2011, p.142) foi retomado abaixo para ilustrar a questão dos tempos verbais: 
	No dia seguinte, acordei às quatro horas da manhã, ainda frio e escuro. 	
	Coloquei a cesta nas costas e fui para a casa do meu avô materno que era feirante. A feira, aos domingos, era no largo da Câmara (praça de Toledo). A praça tinha muitas árvores, e a iluminação se fazia por postes de ferro trabalhado com um Lustre pontiagudo e com fios embutidos. (...) Quando cheguei na sua casa, já o encontrei fazendo o café que ele tomava com um sanduíche muito extravagante. (GALHARDO, J. 8. O vendedor de camomila. Crônicas. Araraquara:Zerocnativa, 2008.) 
	Analisando o parágrafo apresentado, temos: 
a) verbos no pretérito perfeito, indicando o que ocorre no momento da narrativa: acordei, coloques, fui, cheguei, encontrei.
b) marcadores de tempo responsáveis pela progressão temporal: no dia seguinte, quando, já. 
c) verbos no pretérito imperfeito, caracterizando a descrição: era, tinha, fazia. 
	COMO FICAM OS PARÁGRAFOS DISSERTATIVOS - EXPOSITIVOS E ARGUMENTATIVOS? 
	Quando produzimos um parágrafo expositivo, temos como objetivo informar o leitor: definir, enumerar, comparar dados, comunicar algo. 	Nele, predominam os seguintes tempos verbais: o presente do indicativo, o pretérito perfeito (indicando retrospectiva) e o futuro do presente. 
Exemplo:
	Vamos a um exemplo (SAUTCHUK, 2011, p.i 50) com verbos no presente do indicativo: 
Marketing é uma orientação da administração que visa proporcionar a satisfação do cliente e o bem-estar do consumidor a longo prazo, como forma de satisfazer os objetivos e as responsabilidades da organização (PHILIP KOTLER). 
	Nos textos argumentativos, além de informar, o autor, a partir de seu posicionamento crítico, busca convencer o leitor. Em sua estrutura, percebemos o desenvolvimento de um raciocínio lógico a fim de que não haja contradição. Observamos marcas de avaliação pessoal do autor apresentadas de modo atemporal. Vejamos, como exemplo, o trecho abaixo em que o autor faz uma crítica favorável a um filme infantil. Os trechos em itálico ilustram o posicionamento critico do autor que argumenta a favor do filme: 
	Kung Fu Panda 2 foi talvez uma das sequências mais esperados nos últimos anos quando falamos em animações. E a espera valeu a pena, o filme é realmente impressionante, tanto no quesito visual como também nas cenas de ação, além de fazer você dar boas gargalhadas durante a projeção. Mais uma vez, temos Jack Black fazendo a voz de P0, o Panda, assim como temos outros grandes atores interpretando outros personagens como Jackie Chan, Angeline Jolie, Seth Rogen e Dustin Hoffman. (Disponível em http: / /www.criticasdefilmes.com.br/kung-fu-panda-2/).
	E um trecho injuntivo? Produzimos parágrafos injuntivos quando queremos pedir, recomendar ou ordenar. 
	Vamos observar três exemplos que ilustram o caráter mais convidativo (exemplo A) instrucional (exemplo B) 
e impositivo (exemplo C) de trechos injuntivos: 
	“Invista em imóveis comerciais. Você não irá se arrepender!” (Propaganda de imobiliária) 
	Bata no liquidificador o leite condensado, a lata de leite in natura e 4 gemas e leve ao fogo brando até engrossar. Espalhe esse creme num refratário médio. Em seguida, dissolva o achocolatado no copo de leite in natura, molhe os biscoitos nessa mistura e coloque em camadas sobre o creme. Em seguida, bata as claras em neve e junte o creme de leite e o açúcar, cubra os biscoitos com esse chantilly e leve à geladeira por cerca de 2 horas. Decore a gosto e sirva geladíssimo. (Disponível em http: / /casacorba.com.br/index. php?id-rnoscatel).
	Art. 6°. Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei. (CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Disponível em http: //jusvi.com/artigosl 1436) 
	Como salienta Sautchuk (2011, p.161), em uma sequência injuntiva, notamos as seguintes características: predomínio de verbos de ação; verbos no modo imperativo; verbos modais como mandar, ordenar, determinar, pedir, suplicar, sugerir, recomendar etc. 
	Como reconhecer a necessidade de mudarmos de parágrafo? 
	Veremos, por exemplo, que, dependendo do tipo de texto, teremos critérios diferentes para estabelecer a mudança de parágrafo. 
	Em um trecho predominantemente narrativo, a mudança de parágrafo acontecerá em função de mudanças de tempo e Lugar, de personagem e de ação, como se tivéssemos uma sequência de cenas. Em um texto descritivo, tomamos como base para a paragrafação a ordem de focalização do que está sendo descrito ou a intenção do autor. Em textos dissertativos (expositivos e argumentativos), Levamos em consideração a 	Lógica e a clareza de exposição das ideias. 
	Como produzir parágrafos? - Desenvolvendo os tópicos frasais. 
	Depois de trabalharmos algumas características dos diferentes tipos de parâgrafos, vamos apresentar algumas possibilidades de desenvolvimento do tópico frasal. 
	COMO PRODUZIR PARÁGRAFOS? 
	Desenvolvendo os tópicos frasais.
	Sugerimos alguns modelos, tendo como base Garcia (2006) e Henriques e Andrade (2007), pois sabem os que devemos levar em consideração diferentes aspectos: assunto/tema, o tipo de texto, o estilo do autor etc.
(a) Explanação da declaração inicial – é tipo de desenvolvimento mais comum e consiste no desdobramento da afirmação ou negação do tópico frasal. Exemplo (1): Tempos de falsa liberdade O toque de recolher não protege a juventude nem a sociedade. Embora venha sendo sucessivamente adotado em várias grandes cidades brasileiras, mostra-se uma medida de eficiência duvidosa que mais esconde que soluciona o problema dos jovens e as noites urbanas do Brasil. (Disponível em http://educacao.uol.com.br/bancoderedacoes/redacao/ult4657u525.jhtm)
(b) Causa e consequência - percebe-se, neste tipo, que o tópico frasal é desenvolvido a partir da relação lógica entre causa e consequência. Exemplo (2): Tanto do ponto de vista individual quanto social, o trabalho é uma necessidade, não só porque dignifica o homem e o provê do indispensável à sua subsistência, mas também porque lhe evita o enfado e o desvia do vício e do crime. (GARCIA, Othon M. Comunicação em prosa moderna. Rio de Janeiro: Ed. 
FGV, 2006.) 
(c) Ordenação por enumeração ou exemplificação – neste tipo de desenvolvimento, a ideia-núcleo, expressa pelo tópico frasal, é especificada, ordenada minuciosamente por meio de exemplos ou detalhes. Exemplo (3): O termo cultura, por ser muito amplo, engloba qualquer tipo de intervenção do homem na natureza. Desta forma, o cultivo do milho, a construção de uma casa, a elaboração de uma lenda, a pintura de um quadro ou até mesmo os recentes avanços da informática, tudo isto é cultura. E mais. Ela é resultado de criação social, é uma herança social, transmitida através de ensinamento a cada geração que surge. Somente o homem é capaz de criar, manter e participar de uma cultura. (Disponível em www.pead.letras.ufrj.br) Exemplo (4): O exercício necessário Na busca incessante por seu espaço na sociedade, o jovem adere aos mais variados tipos de comportamentos de acordo com o referencial que tem do certo ou errado. Esse vaivém frenético de mudanças de atitude passa pela troca da cor do cabelo, dos olhos, da pele, do modo de se vestir, se comunicar e assim tem sido também no abster-se de votar aos dezesseis anos de idade. Estão renunciando a uma conquista estudantil que foi consagrada na Carta Magna do país, desde 1988. (Disponível em http://educacao.uol.com.br/bancoderedacoes/redacao/ult4657u624.jhtm)
(d) Resposta à interrogação – neste tipo, o parágrafo é desenvolvido em forma de resposta à pergunta feita no tópico frasal. Exemplo (5): “Por que escrevemos? São muitos os motivos, mas escrevemos para pedir (1), reclamar (2), ordenar (3), receitar (4), advertir (5), agendar (6), pedir socorro (7), dar avisos (8), contar histórias (9) e expressar o que sentimos (10), em prosa ou em poesia, nem que seja para nós mesmos, como no caso dos diários.” (p. 278)
(Trecho extraído de Por que escrevemos? In Silva, Deonísio da. A língua nossa de cada dia. São Paulo: Novo Século Editora, 2007).
	Vale lembrar que essas são algumas possibilidades de desenvolver um parágrafo. 
	Tudo depende de determinadas escolhas que o produtor do texto faz em seu planejamento. Com isso em mente, precisamos entender que o parágrafo, apesar de ser uma unidade significativa completa, faz parte de um texto maior. Desse modo, os parágrafos que compõem o texto precisam estar bem articulados, contribuindo para um todo textual. Vamos finalizar a nossa aula sobre parágrafos com uma citação importante de Sautchuk (2011, p. 74): “ O mais importante (...) é redefinira função do parágrafo em qualquer tipo de texto e não mais considerá-lo meramente como uma unidade significativa completa. Os parágrafos não podem ser fechados em si mesmos, como se fossem sempre formados por uma frase com sentido central, o seu desenvolvimento e a qualquer redação seria uma sucessão de minirredações que, por serem completas em si mesmas, poderiam ser facilmente descartáveis do contexto global do que se escreve. E pior: essa amputação de pedaços do texto provavelmente nem seria percebida pelo leitor.”
AULA 6: COMO PRODUZIR UM TEXTO? A QUESTÃO DA COERÊNCIA
	COESÃO E COERÊNCIA: Elementos importantes da textualidade.
	Já vimos que, para que um texto seja, de fato, um texto, precisamos da textualidade. Duas qualidades são essenciais para que um texto tenha essa textualidade: a coesão e a coerência. 
	Ao Longo da nossa vida escolar, já ouvimos muito sobre coesão e coerência. Agora, nas aulas 6, 7 e 8, vamos entender como esses dois aspectos são importantes e não podem ser esquecidos se quisermos produzir um bom texto. 
	“Antes de abordarmos os aspectos que envolvem a coerência, leia o texto abaixo de Abaurre e Abaurre (2007:284).
“Escrever um bom texto exige de nós a capacidade de estabelecer relações claros entre as várias ideias a serem apresentadas. O desafio a ser enfrentado é descobrir a melhor maneira de construir essas relações com os recursos que a língua nos oferece. Pense, por exemplo, na construção de uma casa. As paredes são essenciais para a sua sustentação. No texto, as ideias, as informações e argumentos equivalem aos tijolos que, dispostos lado a lodo, permitem que as paredes de uma casa sejam erguidas. Mas, assim como os tijolos precisam de argamassa para mantê-los unidos, o texto precisa de elementos que estabeleçam uma ligação entre ideias, informações e argumentos. 
A “argamassa” textual se define em dois níveis diferentes. O primeiro deles é o aspecto formal, linguístico, alcançado pela escolha de palavras (elementos linguísticos específicos) cuja função é justamente a de estabelecer referências e relações, articulando entre si as várias partes do texto. A isso chamamos de coesão textual. 
O segundo nível da “argamassa” textual é o da significação. Somente a seleção e a articulação de ideias, informações, argumentos e conceitos compatíveis entre si produzirão como resultado um texto claro. Nesse caso, como a articulação textual promove a construção do sentido, ela é chamada de coerência textual.” p. 284) 
(ABAURRE, M. L. e ABAURRE. M. B. M. Produção de texto: interlocução e gêneros. São Paulo: Moderna, 2007.) 
	Comparar a coesão e a coerência a uma “argamassa” textual foi uma ótima estratégia das autoras para mostrar como esses dois elementos são fundamentais à articulação do texto. 
	Que tal começarmos pelo “segundo nível da argamassa textual”? 
	Coerência: o sentido do texto. 
	vamos conhecer a análise etimológica da palavra “coerência”, apresentada por Savioli e Fionn (1999): “A palavra coerência, da mesma família de aderência e aderente, provém do latim cohaerentia (formada pelo prefixo co - junto com + o verbo haerere estar preso). Significa, pois, conexão, união estreita entre várias partes, relação entre ideias que se harmonizam, ausência de contradição. 	É a coerência que distingue um texto de um aglomerado de frases.” (p. 393) 
	Ao observarmos a origem da palavra “coerência”, notamos a referência à união e à harmonia das partes do texto. Entendemos, assim, que um texto é coerente a partir do momento que o leitor consegue perceber como as ideias que compõem o texto se articulam. 	
	O que fazemos quando lemos ou construímos um texto coerente? Segundo Abaurre e Abaurre (2007), “quando avaliamos a coerência de um texto, o que fazemos é investigar se os nexos de sentido estabelecidos entre as informações, dados, argumentos correspondem, de fato, a relações possíveis entre as ideias apresentadas. Para construir um texto coerente, portanto, precisamos garantir que a articulação entre as ideias seja estabelecida de modo adequado”. (. 284). importante destacar que a coerência não está no texto, mas é construída a partir dele. 
	Como diz Marcuschi (2008:121), “a coerência é em boa porte uma atividade realizada pelo receptor de um texto que atua sobre a proposta do autor. E, nesse afã, o receptor segue as pistas (deixadas pelo autor nas operações de coesão textual) como primeiros indicadores interpretativos. De todo modo, a coerência é uma atividade interpretativa e não uma propriedade imanente ao texto. Liga-se, pois, a atividades cognitivas e não ao código apenas “. 
	Ao lermos um texto, estamos construindo o seu sentido a partir da interação entre o texto, o escritor e o leitor. 
	Como exemplifica Sautchuk (2011 :204), “é por isso que um mesmo texto - um artigo científico, por exemplo - pode não ter sentido algum para um determinado leitor, ter poucas informações novas para outro e ser altamente informativo para outro. A coerência não existe antes do texto, mas vai se construindo simultaneamente à construção/recepção do próprio texto”. 	Devemos ter cuidado com a coerência na hora de produzirmos o nosso texto. 
	O que fazer para que seu texto tenha coerência? (cf. SAUTCHUK, 2011:205) 	“Primeiramente, cuide para que seu texto não apresente incoerências Locais, aquelas que se originam de qualquer defeito que afete a clareza ou a exatidão. Depois confira, principalmente em texto mais extenso, se ele forma um todo organizado, se não há contradição entre os diversos segmentos textuais. E, finaLmente, avalie muito bem para que tipo de leitor você está escrevendo e quais são os objetivos reais que você quer atingir.” (SAUTCHUK, 1. Perca o medo de escrever da frase ao texto. São Paulo: Saraiva, 2011.) 
	Desse modo, podemos dizer que a coerência: 
- relaciona-se à possibilidade de se construir um sentido para o que lemos ou ouvimos; 
- é uma atividade interpretativa, construída a partir do texto. 
	A importância do conhecimento de mundo no estabelecimento da coerência textual. 
	As relações de sentido de um texto são estabelecidas de várias maneiras. No entanto, é fundamental que tenhamos em mente a importância do conhecimento de mundo. 
	Analisemos o exemplo a seguir: MARIA ESTÁ COM TPM PORQUE COMEU TODO O BOLO DE CHOCOLATE. 
	Por que achamos o texto coerente? Apesar de termos o conectivo “porque”, não vamos pensar em uma relação de causa e consequência. Afinal, Mana não está com TPM por ter comido o bolo de chocolate. Quem produziu esse enunciado conhece a Maria e sabe que quando ela está com TPM come chocolate. De todo modo, qualquer um de nós podemos achar o texto coerente, basta que o nosso conhecimento de mundo seja acionado para que possamos recuperar algumas informações: 
1)O significado de TPM (tensão pré-menstrual). 
2) Algumas mulheres sofrem com a TPM. 
3) Um dos sintomas da TPM é a ansiedade. 
4) Algumas mulheres acham que comer doces, em especial chocolate, é uma das formas de “aliviar” a ansiedade comum em época de TPM. 
5) Mana é uma mulher que tem TPM. 
6) Maria costuma comer chocolate quando está com TPM. 
	Nosso conhecimento de mundo vai sendo ampliado a partir do momento que vamos tendo contato com o mundo. Por isso, podemos dizer que esse conhecimento tem a ver com aspectos socioculturais. A todo o momento, ao vivenciarmos certas situações, estamos adquirindo conhecimentos que vão sendo armazenados na nossa memória. Por isso, uma criança de 4 anos, por exemplo, talvez não consiga construir um sentido para o texto: Mana está com TPM porque comeu todo o bolo de chocolate 
	A tirinha do “Rato de Sebo”, de Custódio, serve como ilustração para a importância do conhecimento de mundo no estabelecimento da coerência de um texto. Devemos observar que os personagens não compartilham o mesmo grau de conhecimento de mundo, mas, mesmo assim, cada um, ao seu modo, tendo em vista as experiências adquiridas, é capaz de estabelecer a coerência do texto.
	A análise das respostas do rato e do burro, personagens da tirinha,nos leva a perceber que ambos apresentam conhecimentos diferenciados. Enquanto que o rato cita uma série de pensadores, o burro torna o texto coerente, tendo como base o seu conhecimento de mundo.
	Na prática, quando escrevemos um texto, devemos ter muita atenção ao modo como vamos desenvolver o tema, pois, dependendo do nosso público-alvo, precisaremos ter cuidado com a seleção e apresentação das nossas ideias. Sem isso, corremos o risco de o nosso leitor achar o texto incoerente, independentemente do fato de que ele tenha sido produzido com clareza, objetividade, precisão e correção. Assim, mesmo que o texto esteja bem escrito, devemos pensar no conhecimento prévio que o nosso leitor tem sobre o que será abordado. 
COERÊNCIA TEXTUAL: CONHECIMENTO COMPARTILHADO E FOCALIZAÇÃO. 
	A coerência de um texto depende de uma série de fatores. Com base em Sautchuk (2011:206), vamos destacar dois desses fatores: o conhecimento partilhado e a focalização. Entenderemos como eles podem ser úteis na construção de um texto coerente. 
	Fatores de coerência - Carneiro (2001) apresenta, além de conhecimento de mundo, focalização e conhecimento partilhado, outros fatores de coerência, tais como: o conhecimento linguistico, inferências, fatores de contextualização, situacionalidade, informatividade, intertextualidade, intencionalidade e aceitabilidade, consistência e relevância. 
	Diferentemente do conhecimento de mundo, o conhecimento partilhado envolve apenas determinado escritor e determinado leitor (ou grupo de leitores). É necessário que um texto, para ser coerente, apresente uma série de conhecimentos comuns entre escritor e leitor. Quanto menos conhecimento for compartilhado, mais será preciso explicitar as informações. Por outro lado, quando escritor e leitor compartilham conhecimentos, essa explicitação será desnecessária, ou então seremos redundantes. 
	Será que o enunciado abaixo faz sentido para você? 
	A chaleira está acabando com nossas economias. As formigas voltaram a importunar. Dor na coluna! Não vou enviar mais o café. (SAUTCHUK, 2011, p. 207) 
	Poderíamos imaginar um contexto em que o enunciado apresentado seja aceitável, mas só conseguiremos perceber sua coerência, se soubermos que se trata de um email enviado entre parentes. 
	Outro fator de coerência, que merece a nossa atenção quando produzimos um texto, é a focalização. Esse fator de coerência refere-se ao modo de ver específico de determinado conhecimento. Há casos em que nos deparamos com uma informação que nos fornece uma pista de como devemos este1ecer o sentido do texto. Há outros em que buscamos em nossa mente ao ter um texto. 
	Vamos ao exemplo:
	LEÃO RECONHECE ASSALTANTES
	A manchete foi apresentada na seção de Esportes de um jornal eletrônico. Nós a acharíamos incoerente se a tivéssemos lido na seção ‘Cotidiano’, por exemplo. Certamente, pensaríamos “como será que um leão conseguiu reconhecer os assaltantes?”. Teríamos, portanto, um problema na focalização. No entanto, com base em nosso conhecimento de mundo e considerando o lugar onde a frase foi publicada, conseguimos entender perfeitamente o sentido do texto. Em uma seção que fale sobre Esportes, é esperada a referência ao técnico do São Paulo, Emerson Leão. 
	Sautchuk (2011:208) cita outra possibilidade de focalização: a cobertura do casamento de uma atriz famosa feita por dois repórteres de uma mesma revista. Na festa, um deles focaliza o que foi servido e o modo como o bufê trabalhou. Seu texto será publicado na seção de culinária da revista. O outro, por ser especialista em moda, ocupa-se com os trajes dos convidados e dos noivos. Esse texto será publicado na seção de moda da mesma publicação. Segundo a autora, teremos o perfeito ajuste de focalização do que foi escrito. Por isso, teremos textos coerentes. 
	A exploração da incoerência de um texto pode ser intencional? 
	Há casos em que a incoerência de um texto pode ser proposital, cumprindo, de algum modo, as intenções do seu produtor. Isso é muito comum em textos publicitários, humorísticos e, até mesmo jornalísticos (vejam as manchetes de jornal). Vamos analisar o exemplo: 
	A incoerência pode ser percebida na parte final do texto. Como temos um texto publicitário, o objetivo do produtor foi, de um modo bem criativo, reforçar a ideia de que Aruba, destino sugerido na 
propaganda, é um local maravilhoso, capaz de fazer com que seus visitantes voltem a ser crianças. 
	É preciso ter toda a matéria para que possamos entender que o título no é incoerente, pois, nele, a palavra Canadá está sendo usada de modo metonímico, ou seja, como parte do nome do parque construído em São Paulo que homegeia Toronto (‘Parque Cidade de Toronto’), uma vez que foi construído com a ajuda de recursos dessa cidade canadense. 
	Chegamos ao final da nossa aula sobre coerência! Nas duas próximas aulas, abordaremos outro aspecto responsável pela textualidade: a coesão. 
AULA 7: COMO PRODUZIR UM TEXTO? A QUESTÃO DA COESÃO (PARTE I)
	Já sabemos que coesão e coerência são dois fatores responsáveis pela textualidade. Na aula 6, falamos sobre a coerência, base do sentido de um texto. Vimos que a coerência é construída a partir do texto, pois envolve alguns fatores que não são linguísticos (conhecimento de mundo, conhecimento partilhado, inferências, focalização, etc).
	Dedicaremos esta aula e a próxima à coesão textual, responsável pela ligação significativa das partes do texto. Entenderemos que essa articulação é promovida pelo uso de elementos e de recursos linguísticos. Por isso, diferentemente da coerência, a coesão está sinalizada no texto.
	Um texto bem escrito, além de apresentar clareza, concisão, exatidão e correção gramatical, deve também estar bem coeso e coerente. Exploramos a coerência na aula passada e, agora, esperamos que vocês estejam bem ligados para o estudo da coesão textual.
A COESÃO TEXTUAL 
	Na aula 3, definimos “texto”, recorremos a ia etimologia, que se relaciona a palavra “tecido”. Podemos pensar nos fios que se unem para compor, perfeitamente, um tecido. Da mesma forma, ao construirmos um texto, devemos refletir sobre elementos/recursos linguísticos que podem ser usados para garantir o entrelaçamento do que se quer dizer. Como queremos que o nosso leitor entenda o que escrevemos, precisamos facilitar essa tarefa com uma boa utilização dos recursos coesivos. 
	Saber usar elementos que promovem a ligação das ideias no texto é um importante passo para um texto bem escrito e um sinal de maturidade do escritor. As crianças, por exemplo, quando começam a produzir seus textos, geralmente produzem algo como: “Minha mãe é bonita. Minha mãe é legal. Minha mãe me dá presentes.”, ou: “Aí, o menino chegou. Aí, a mãe brigou com o menino.” Percebemos, assim, estruturas sintáticas bem simples. 
	Com o passar dos anos, ampliamos o nosso conhecimento de mundo, o que é fundamental para estabelecermos a coerência de um texto. Além disso, com os anos a prática da leitura e escrita, também ampliamos o 
domínio dc recursos linguísticos que promovem a coesão de um texto. 
	Vale destacar, no entanto, que nem sempre a presença ou ausência de elementos coesivos garantirá a coerência 
do texto. Como afirma Marcuschi (2008, p. l02), “a coesão explícita não é uma condição necessária para a textualidade. (...) Mas isto não é um entrave à compreensão”. Vamos comparar os exemplos (I) e (II) a seguir.
	Ao produzirmos um texto, podemos usar os recursos coesivos 
para estabelecer funções diferentes. Segundo Koch (1989), apud Marcuschi (2008), há dois tipos de coesão: a referencial e a sequencial. Vamos à explicação: 
	Há alguns autores como Fávero (1995) e Carneiro (2001) que trabalham com mais um tipo de coesão: a recorrencial, segundo a qual, a partir da utilização de alguns recursos coesivos,é possível articular informações novas e antigas no texto. 
	Coesão referencial: são usados diferentes recursos para retomar um elemento já mencionado no texto, substituindo-o ou reiterando-o. Vejamos os exemplos abaixo:1 – Minha mãe é bonita. Ela é legal. No exemplo, percebemos que o pronome “ela” substitui o referente “minha mãe”, mencionado na primeira oração.
2 – Um leão foi encontrado abandonado em uma praça no subúrbio. O animal estava muito ferido. Nesse exemplo, “um animal” foi a forma encontrada para fazer menção ao referente “um leão”, apresentado inicialmente. O uso de um termo com significado mais genérico foi o recurso para reiterá-lo.
Coesão sequencial: é a utilização de diferentes recursos para estabelecer uma relação lógica ou significativa entre diferentes segmentos do texto, fazendo com que ele apresente uma progressão. 
	A noiva foi pontual, pois o trânsito estava bom. Nesse exemplo, percebemos a articulação das duas orações. O ‘pois’ introduz uma explicação ou justificativa para o fato apresentado na primeira oração.
	Mais importante do que se lembrar da nomenclatura - referencial e sequencial - é perceber como a coesão atua em um texto. É, efetivamente, entender como cada tipo de coesão pode ser utilizado pelo autor para promover para a articulação textual. Ao escrever um texto, devemos refletir sobre a utilização desses recursos coesivos de modo a conduzir o trabalho do leitor. 
	Vamos, então, conhecer os mecanismos de coesão referencial. Na próxima aula, nós nos dedicaremos à coesão sequencial. 
OS MECANISMOS DE COESÃO REFERENCIAL.
	Coesão referencial refere-se ao modo de tomada de referentes que já foram introduzidos no texto. Vejamos a definição de Kock: “Chamo, pois, de coesão referencial aquela em que um componente da superfície do texto faz remissão a outro(s) elemento(s) do universo textual”.
	Devemos estar atentos ao que afirma Abreu (2001). Segundo o autor, a coesão referencial pode representar uma marca da enunciação. Vamos aos exemplos citados pelo autor e retomados abaixo: 
	Percebemos, no exemplo (I), uma apreciação positiva do Papa João Paulo II, o não acontece no exemplo (I iI) em que o modo como o referente João Paulo foi retomado (‘o mais recente aliado do capitalismo ocidental’) denota uma apreciação negativa. A análise dos exemplos reforça a ideia de que os mecanismos de coesão referencial estão, sobretudo, ligados à significação ou à referência.
	É possível perceber duas formas de coesão referencial. Uma relacionada à utilização de itens lexicais plenos (repetições, sinônimos, hiperônimos, hipônimos, nomes genéricos, expressões nominais definidas, nominalizações); outra, à utilização de itens gramaticais, tais como: pronomes, artigos, numerais, formas verbais e advérbios. 
	VEJAMOS EXEMPLOS DO PRIMEIRO GRUPO:
Repetições: Comprou o livro, mas o livro estava rasgado
Sinônimos: O menino estava com fome. O moleque devorou o sanduíche num minuto.
Hiperônimos: Comprei um novo automóvel. O veículo estava com um ótimo preço.
Hipônimos: João comprou flores e deu as violetas para a sua amada.
Nomes genéricos: Comprei cadernos, livros e canetas. Essas coisas são importantes.
Expressões nominais definidas: Ronaldo foi à Espanha, onde o Fenômeno foi premiado.
Nominalizações: Estudar é bom e o estudo amplia os conhecimentos.
EXEMPLIFICAMOS, A SEGUIR, O SEGUNDO GRUPO:
Pronomes: Maria e Paula foram à festa, mas elas não comeram nada. 
Paulo e Pedro são irmãos. 
Este é calmo. 
Aquele é agitado.
Adorei o novo carro. Vou pagá-lo com o dinheiro da minha herança.
Artigos: pedi um sanduíche. O sanduíche, entretanto, estava estragado.
Numerais: comprei o livro de matemática e o de português. Os dois custaram caro.
Formas verbais: O diretor pediu demissão, mas o gerente não fez o mesmo.
Advérbios pronominais: a casa da minha avó é legal. Lá posso brincar na rua.
AULA 8: COMO PRODUZIR UM TEXTO? A QUESTÃO DA COESÃO (PARTE II)
	Vamos continuar a falar sobre a coesão textual. Nesta aula, teremos como foco os mecanismos de coesão sequencial. 	Vamos então dar sequência ao assunto?
	Os mecanismos de coesão sequencial.
	Vimos que a coesão refere-se à ligação significativa entre as partes do texto. Além dos mecanismos de coesão referencial, temos também outros recursos responsáveis por essa ligação. Ao escrever, é preciso estar atento à utilização de alguns elementos que têm como tarefa promover ligações semânticas e sintáticas entre as partes que compõem um texto.
	Por que ligações semânticas e sintáticas? Vamos observar os exemplos abaixo: 
	1 - A polícia conseguiu prender os ladrões.
	2 - O dinheiro roubado ainda não foi recuperado.
	Nos exemplos, temos duas sentenças que podem ser articuladas sintaticamente. Como queremos atribuir um valor de oposição, precisamos de um elemento que promova esse tipo de articulação. Nesse caso, podemos usar os seguintes “articuladores”: mas, porém, contudo, entretanto, todavia, no entanto. 
	Vamos observar, a seguir, a articulação das duas sentenças apresentadas:
	3 - A polícia conseguiu prender os ladrões, mas o dinheiro roubado ainda não foi recuperado.
	4 - A polícia conseguiu prender os ladrões, o dinheiro roubado, entretanto, ainda não foi recuperado.
	5 - A polícia conseguiu prender os ladrões, o dinheiro, no entanto, roubado ainda não foi recuperado.
	Vimos, nos exemplos (3), (4) e (5), a importância dos articuladores. Além de promoverem a integração entre as duas sentenças, atribuem o valor de oposição entre as ideias contidas nessas estruturas. Precisamos chamar a atenção para a posição ocupada pelo articulador. O “mas” apresenta uma posição fixa no início da sentença. Por outro lado, “entretanto” e “no entanto” apresentam mobilidade e podem ocupar diferentes posições na sentença.
 
	[LEIA, NO LIVRO CUSTOMIZADO “CURSO DE REDAÇÃO”, NA PÁGINA 31, A EXPLICAÇÃO DE ABREU (2001) A RESPEITO DA MOBILIDADE DE ALGUNS ARTICULADORES.]
	Podemos pensar em outras formas de articular as duas sentenças:
	Embora a polícia tenha conseguido prender os ladrões, o dinheiro roubado ainda não foi recuperado.
	Apesar de a polícia ter conseguido prender os ladrões, o dinheiro roubado ainda não foi recuperado.
	Após analisarmos a articulação dessas sentenças, a que conclusões podemos chegar?
	1- Tendo em mente a classificação tradicional, fazem parte do grupo dos articuladores sintáticos as conjunções (mas, porém, entretanto...), as locuções conjuntivas (muito embora, ainda que, posto que...) e as locuções prepositivas (apesar de, a despeito de...).
	2- Devemos estar atentos à posição (fixa ou móvel) ocupada pelos articuladores ao utilizarmos alguns articuladores para relacionar sentenças. 
	3-Devemos ajustar o verbo utilizado (“conseguiu”, “tenha conseguido” e “ter conseguido”).
	Qual é o melhor articulador para relacionar as sentenças quando escrevemos?
	Para responder a essa pergunta, precisamos mais uma vez pensar na nossa intenção ao produzirmos um texto. Abreu (2001) destaca que, quando articulamos sentenças como, por exemplo, temos um efeito de modalização, ou seja, procuramos mostrar um determinado posicionamento em relação ao que foi dito. A modalização, portanto, pode servir para confirmar, atenuar ou impor uma determinada ideia.
	OUTRAS FUNÇÕES SEMÂNTICAS DE PRINCIPAIS ARTICULADORES 
	Outras ideias, além da de oposição, podem ser veiculadas por outros articuladores. Listamos, a seguir, com base em Abreu (2001), outras funções semânticas de principais articuladores:
Causa: porque, pois, como, por isso que, já que, visto que, uma vez que, por, por causa de, em vista de, em virtude de, devido a, em consequência de, por motivo de, por razões de.
Condição: se, caso, contanto que, desde que, a menos que, a não ser que.
Fim: para, a fim de, com o propósito de, com a intenção de, com o fito de, com o intuito de, com o objetivo de.
Conclusão: logo, portanto, então, assim, por isso, por conseguinte, pois (posposto ao verbo), de modo que, em vista disso.
Abreu (2001)
	Há casos em que a articulação sintática pode ser estabelecida por meio da utilização do gerúndio. Vamos aos exemplos: 
Fim: Havendo recuperação do paciente, ele poderá ter alta.
Condição: prestando atenção à explicação do professor, você não vai errar.Causa: estando cansado, parei de correr.
	Percebemos que os articuladores apresentados ligam basicamente orações entre si. Muitos autores, como Sautchuk (2011) e Fávero (1995), destacam o papel dos “operadores discursivos”, elementos que são utilizados para estabelecer “conexões entre partes ainda maiores do texto, como parágrafos e até capítulos” (Sautchuk, 2011, p. 181). Podemos citar alguns exemplos: assim, pelo contrário, antes, depois.
	Vejamos exemplos de Sautchuck (2011:181), que foram retomados abaixo, como esses elementos sinalizam ao leitor a organização das ideias que serão apresentadas no texto:
Inicialmente passarei a discutir as razões do fato em si; em seguida abordarei as consequências conhecidas e, mais adiante, procurarei sugerir possíveis soluções. 
Apresento a seguir os resultados estatísticos
O PAPEL DOS CONECTIVOS NO TEXTO
	Ao produzirmos um texto, sempre temos em mente o nosso leitor. Por isso, nosso objetivo é facilitar seu processo de construção do sentido para aquilo que ele lê. Se fizermos conexões malfeitas em nosso texto, certamente dificultaremos sua tarefa, pois estaremos comprometendo também a articulação das ideias apresentadas. 
	Sautchuk (2011:181) apresenta os textos a seguir que se destacam pela conexão malfeita, com relações ilógicas:
Exemplo (1) - É mais fácil mostrar o Brasil como um país modernizado, sendo que grande parte da população vive em estado de miséria.
	Vejamos a proposta de correção da autora:
	É mais fácil mostrar o Brasil como um país modernizado, ainda que grande parte da população vive em estado de miséria.
	Vamos ao exemplo (2) também de Satuchuk (2011, p.181): A Internet é uma tecnologia desgastante, pois, além de oferecer aos jovens momentos de distração, reduz o tempo que poderiam dedicar ao cinema ou ao esporte.
	Com a correção sugerida pela autora, percebemos que “apesar de” estabelece, devidamente, a relação de oposição:
	A Internet é uma tecnologia desgastante, pois, apesar de oferecer aos jovens momentos de distração, reduz o tempo que poderiam dedicar ao cinema ou ao esporte.
	Como nos mostra Abreu (2001), dependendo do modo como articularmos as ideias em um texto, podemos estabelecer qual dessas ideias terá destaque no parágrafo. Vejamos um exemplo de articulação citado pelo autor:
1) Muitas empresas multinacionais estão decepcionadas com alguns aspectos da nova Constituição.
2) Muitas empresas multinacionais continuarão a investir no Brasil.
3)Muitas empresas multinacionais acreditam no futuro do Brasil.
	Vamos às articulações com foco especial em cada sentença.
	- Articulação com relevância à primeira sentença:
	Muitas empresas multinacionais estão decepcionadas com alguns aspectos da nova Constituição, mas continuarão a investir no Brasil, uma vez que acreditam no futuro do país.  
	- Articulação com relevância à segunda sentença:
	Muitas empresas multinacionais continuarão a investir no Brasil, já que acreditam no futuro do país, embora estejam decepcionadas com alguns aspectos da nova Constituição.
	- Articulação com relevância à terceira sentença:
	Muitas empresas multinacionais acreditam no futuro do país, uma vez que continuarão a investir aqui, apesar de estarem decepcionadas com alguns aspectos da nova Constituição.
	Vimos que há elementos que sinalizam relações semânticas entre orações e entre partes do texto. Eles servem para sinalizar ao leitor o modo como o texto foi organizado pelo seu produtor. Esses elementos pertencem, tradicionalmente, a diferentes classes de palavras: conjunções, advérbios, locuções conjuntivas e prepositivas.
	Com o auxílio dos recursos coesivos, será possível produzirmos parágrafos com ideias bem articuladas. Vale voltar à noção de parágrafo com uma citação de Sautchuk (2011:74) que ilustra a importância de um parágrafo bem articulado:
	Os parágrafos devem compor o texto por inteiro, caracterizando-se, sim, como unidade significativa, mas também cumprindo a função de se articularem entre si, colaborando para uma totalidade textual. Os parágrafos devem exibir elementos gramaticais que funcionem como conectores, criando a organização lógica do texto e a progressão do conteúdo.
	Para encerrar a aula, vamos comentar a importância da coesão e da coerência na progressão temática do texto.
Coesão, coerência e progressão temática do texto.
	Já vimos que, para a produção de um bom texto, precisamos pensar na coesão e na coerência. Esses dois fatores de textualidade devem fazer parte do nosso texto do início ao fim. Quando escrevemos um texto, precisamos nos preocupar em atrair a atenção do nosso Leitor ao que produzimos sem decepcioná-lo. Por isso, precisamos nos esforçar para manter o foco no tema desenvolvido. 
	A progressão do tema ao Longo do texto é fundamental, pois o leitor espera que o desenvolvimento do texto o direcione a algum Lugar. Por isso, é importante que sua unidade temática seja mantida e que suas ideias estejam relacionadas sem que haja contradição. Além disso, não basta apenas manter o tema, é necessário também que, ao longo do desenvolvimento do texto, o autor possa fazer com o que ele progrida, ou seja, que existam também informações novas. 
	Desse modo, a boa formação de um texto requer o equilíbrio entre a apresentação de uma informação nova e a repetição ou retomada de informações já apresentadas no texto ou fornecidas pelo contexto. Com isso, estabelecemos a continuidade temática e, consequentemente, tomamos o nosso texto coeso. 
	Chegamos ao final da segunda aula sobre coesão textual. Ao estudar esse fator de textualidade, reconhecemos a importância de alguns elementos linguísticos, responsáveis por estabelecer ligações de sentido entre as partes de um texto.Como afirma Sautchuck (2011, p. 178)
	Um texto coeso caracteriza-se não só por manter uma unidade de referências em torno de um tema central, sem fugir a ele, como também por manter uma continuidade de sentidos e uma renovação de informações. Enfim, coesão significa exatamente manter e desenvolver.
AULA 9: ASPECTOS NORMATIVOS EM UM TEXTO – PARTE I (VOCABULÁRIO: SELEÇÃO, GRAFIA E ACENTUAÇÃO)
	Como queremos facilitar a vida do nosso leitor, é preciso selecionar adequadamente as palavras, sempre objetivando a construção de um texto claro, breve e objetivo. Afinal, não queremos ser *prolixos, *repetitivos e *imprecisos. Além disso, devemos estar atentos aos erros ortográficos, pois, em um texto escrito, ficamos mais expostos em relação ao uso que fazemos da língua.
	Vamos comparar os textos (1) e (2) abaixo, citados em Sautchuk (2011). 
Texto (1) - “De acordo com o que foi decidido na última reunião da diretoria, a entrada e a permanência em qualquer setor desta empresa de pessoas estranhas a todo tipo de atividade administrativa ou técnica são terminantemente proibidas. No caso de necessidade extrema, deverão ser previamente autorizadas pelo chefe da segurança, permanecendo no local o tempo mínimo necessário.” (p. 81)
Texto (2) - “É proibida a entrada de pessoas não autorizadas.” (p. 82)
 	Todos nós vamos concordar que o texto (2), por ser mais objetivo, exige menos esforço para compreensão. Percebemos que todas as informações desnecessárias, apresentadas no texto (1), foram eliminadas de modo a favorecer a clareza e a objetividade da mensagem. Por isso, economizamos tempo e esforço no momento da leitura.
 	Podemos concluir que “escrever bem” é escrever de modo claro e objetivo, evitando informações desnecessárias e facilitando o trabalho do nosso leitor.
SELECIONANDO PALAVRAS...  
	Algumas pessoas têm o hábito de dizer que “as palavras têm poder”. Podemos perceber “esse poder” quando produzimos um texto. Dependendo da nossa seleção, podemos: 
tornar a nossa mensagem mais clara ou mais obscura;
“brincar” com os diferentes significados de uma palavra;
ser julgados sobre o uso que fazemos da língua;
mostrar desconhecimento ou confusão em relação ao significado de uma palavra.
	Assim, quanto mais dominarmos o vocabulário da nossa língua, melhor conseguiremos selecionar adequadamenteas palavras para elaboração de um texto.
	Devemos lembrar que uma mesma palavra pode apresentar vários sentidos. Por isso, devemos estar atentos a essa variedade de significados quando construímos o nosso texto. Perceberemos que determinados gêneros textuais, como as propagandas, por exemplo, exploram o caráter polissêmico das palavras.
	Vamos apresentar os problemas mais comuns no que se refere à seleção e à adequação do vocabulário:
PROPRIEDADE VOCABULAR
 
	Veja o exemplo abaixo:
	“No momento da transmissão dos desfiles das escolas de samba, foi possível perceber que o câmera estava, a todo o momento, fiscalizando aquela linda modelo.”
	Será que o indivíduo que produziu o texto realmente queria dizer “fiscalizando”? Ou será que sua intenção (o que seria, de fato, mais adequado ao contexto) era dizer “focalizando”?
Segundo Sautchuk (2011), “o uso de palavras inadequadas decorre de dois fatores: ou a pessoa não sabe o que significa exatamente a palavra ou pensa que sabe. E em ambos os casos não se dá ao trabalho – ou ao bom senso – de confirmar o significado em um dicionário.” (p. 86)
	Vimos que é comum a comum a confusão em relação ao uso de palavras com sons muito parecidos. Há também aqueles casos em que o indivíduo quer usar um vocabulário mais rebuscado, mas sem conhecer o significado das palavras. Nessas duas situações, vale a pena sempre consultar um dicionário. Caso isso não seja possível de ser feito no momento da produção do texto, uma solução mais apropriada é não usar determinada palavra.
USO DO DICIONÁRIO
	É comum a ideia, totalmente equivocada, de que o dicionário é o “pai dos burros”. Ao produzirmos um texto escrito, como buscamos a exatidão de sentido, precisamos estar atentos à nossa seleção de palavras. Desse modo, nossa mensagem terá algumas qualidades importantes como concisão e clareza.
	Veja a dica de Sautchuk (2011): “Quem escreve bem recorre ao dicionário inúmeras vezes, perseguindo a palavra perfeita para o sentido preciso, pois sabe a diferença entre exato e o aproximado.” (SAUTCHUK, I. Perca o medo de escrever – da frase ao texto. São Paulo: Saraiva, 2011.)
ESTRANGERISMOS
	É preciso ter muito cuidado com o uso de palavras estrangeiras quando construímos um texto. A preocupação, no entanto, não deve acontecer com formas que já foram aportuguesadas, pois essas já fazem parte da nossa língua. Nossa atenção deve ser redobrada com aquelas palavras que são usadas em sua forma original de grafia. Nesse caso, bom senso é sempre a melhor saída.
	Existem situações em que não temos um termo equivalente em português. Por isso, o estrangeirismo acaba sendo necessário.  No entanto, há pessoas que usam a palavra estrangeira para mostrar modernidade e, geralmente, acabam, dificultando a vida do leitor, que ou não conseguirá entendê-la ou terá que dispor de mais tempo e atenção para compreender seu significado no texto.  
	Vale, então, a preferência na utilização de uma palavra equivalente na nossa língua portuguesa. Por que dizer “Comprei este vestido numa sale da loja XXX.” se podemos, sem problemas, usar a palavra “liquidação”, equivalente na nossa língua portuguesa?
NEOLOGISMOS
	O mesmo bom senso em relação aos estrangeirismos deve ser utilizado em relação aos neologismos, aquelas palavras criadas a partir de outras. Novas palavras surgem a todo o momento. Umas cumprem uma determinada função comunicativa em um determinado tempo e desaparecem (são as gírias); outras permanecem e, assim, começam a fazer parte do nosso acervo. 
	Tudo é uma questão de adequação ao contexto comunicativo. Já que estamos buscando sempre a clareza e a exatidão de sentido, o uso de um neologismo, em alguns textos, pode não ser adequado.
GÍRIA: vocabulário que caracteriza um determinado grupo social.
JARGÃO: vocabulário utilizado por indivíduos que compartilham a
mesma profissão.
ARCAÍSMOS: formas que já saíram do uso da língua corrente.
EXATIDÃO DE SENTIDO 
	É preciso fazer de uso de palavras que expressem maior exatidão de sentido. “Compare os exemplos (A) e (B) abaixo e observe como a substituição das palavras “intuito” e apetrechos” por “objetivo” e “instrumentos” contribuiu para tornar o conteúdo da frase mais preciso. 
(A)”A tecnologia da empresa XXX tem como intuito criar vários apetrechos inovadores na área médica.” 
(B) “A tecnologia da empresa XXX tem como objetivo criar vários instrumentos inovadores na área médica” 
	Já que falamos em exatidão de sentido, vate ressaltar que os clichês, também chamados de lugar-comum, chavão, frase feita, DEVEM SER EVITADOS! 
	Os exemplos abaixo foram apresentados em Sautchuk (2011). Veja, em (C), um enunciado com clichês. Em (D), a autora propõe a reescritura, eliminando essas frases feitas: 
(C) “O trabalho vai de vento em popa. vamos encerrá-lo com chave de ouro.” 
(C) “O trabalho vai de vento em popa. Vamos encerrá-lo com chave de ouro.” 
(D) “O trabalho vai muito bem. Vamos encerrá-lo satisfatoriamente.” 
(SAUTCHUK, 1. Perca o medo de escrever - da frase ao texto. S Paulo: Saraiva, 2011) 
ECO E CACOFONIA 
	Na seleção das palavras que compõem o texto, devemos ter cuidado com a combinação de palavras para que elas não rimem entre si (ECO) ou não provoquem um efeito indesejado (cacofonia). 
ECO: “É constrangedor que o pintor tenha feito aquele horror com o ator famoso”.
CACOFONIA: “Ela não pode escrever. Tem uma mão ruim.” (uma mão x um mamão).
REPETIÇÃO E REDUNDÂNCIA 
	É preciso estar atento’ repetição de palavras no texto. Há casos em que a repetição pode cumprir um determinado efeito expressivo. Observe os exemplos a seguir: 
 “Maria pediu ajuda ao prefeito e ajudou a fazer melhorias para o bairro”.
“Levei um menino de rua a um restaurante, e ele comeu, comeu, comeu...”.
	No exemplo (A), a repetição de “ajuda” e “ajudou” ocorreu inconscientemente. Já no exemplo (B), a repetição do verbo “comer” contribui para a ideia de intensidade que o produtor do texto deseja transmitir. 
	Podemos também produzir contextos redundantes, ou seja, sem perceber, podemos repetir, desnecessariamente, uma mesma ideia, mas com palavras diferentes. Veja, nos exemplos abaixo, o mau uso de “seu” e “pessoal” e de “elo” e “ligação”. “A decisão em relação ao investimento a ser feito fica a seu critério pessoal.” 
 “Ela apresenta um elo de ligação com o trabalho.” 
	De todo modo, a tarefa de revisão do texto contribui para que problemas dessa natureza sejam evitados. 
GRAFIA 
	O que você pensaria se lesse um bilhete com o seguinte texto: “A coiza mais importante é conceguir o suceço, mais, para isso, é precizo trabalhar muito.” 	Sabemos o quanto somos julgados em relação ao uso que fazemos da língua. Seu texto pode ter ótimas ideias, apresentadas de um modo claro e organizado, mas, dependendo da situação comunicativa, é provável que seu texto acabe sendo pouco valorizado em função de erros ortográficos. Por isso, se surgir dúvida em relação à grafia de alguma palavra, vale sempre consultar um dicionário. 
DÚVIDAS ORTOGRÁFICAS COMUNS 
	X ou ch?Ç ou ss? J ou g? 
	Em palavras originárias de línguas ágrafas e de línguas com alfabetos exóticos JAMAIS usaremos CH, SS ou G, mas sim o X, o Ç e o J. Exemplos: açai, Iguaçu, Paraguaçu, miçanga; xaxim, Hiroxima, xale, paxá; acarajé, mujique, jiló etc. 
	Veja mais algumas informações sobre o uso do -SÃO, -ÇÃO OU -SSÃO? 
	Se a terminação do verbo NÃO permanecer no substantivo derivado, usaremos o SÃO OU SSÃO. 
Se a terminação do verbo permanecer no substantivo derivado, usaremos o ÇÃO.
-ISAR ou -IZAR? 
Escrevem-se com (= ISAR) os verbos derivados de palavras que já possuem o “s”: 
análise analisar 
aviso avisar 
paralisia paralisar 
pesquisa pesquisar 
Escrevem-se com “z” (= IZAR) os verbos derivados de palavras que não possuem a letra “s”: 
ameno amenizar 
civil civilizar 
fértil fertilizar 
legal legalizar 
normal normalizar 
real realizar 
FIQUE ATENTO AO NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO! 
	O motivo do Novo Acordo: unificação do Português nos diversos países que falam a língua. Ospaíses que assinaram o Acordo: Portugal, Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola, Guiné-Bissau. 
O QUE MUDOU COM O NOVO ACORDO? 
Alfabeto: 26 letras (K, W e Y não eram consideradas letras do nosso alfabeto); 
Acentuação de algumas palavras; 
Uso do trema; 
Uso do hífen 
ATENÇÃO 
Outros aspectos de natureza gramatical não foram alterados com o Acordo. 
AULA 10: ASPECTOS NORMATIVOS EM UM TEXTO - PARTE II (CLAREZA E ORGANIZAÇÃO DO CONTEÚDO: CONCORDÂNCIA, REGÊNCIA, PONTUAÇÃO)
 
	Chegamos à nossa última aula! Depois de abordarmos a importância da seleção e da adequação do vocabulário, vamos refletir alguns aspectos relacionados à estrutura do texto, ao modo como as ideias são organizadas e apresentadas ao leitor.
	Sendo assim, veremos o quanto a organização do conteúdo respeitando a ordem S-V-C (sujeito-verbo-complemento) contribui para que o texto seja claro. Também vamos rever alguns aspectos normativos, relacionados direta ou indiretamente à ordem, tais como pontuação, concordância e regência.
	Como combinar os elementos na frase com exatidão?
	Além da boa escolha das palavras, saber como combiná-las é um desafio para quem escreve um texto.
	Há, na língua portuguesa, padrões de combinação dos termos na frase. No entanto, não podemos negar que há também algumas possibilidades de inversões, o que pode ser interessante em alguns gêneros textuais, mas não em outros.
	Por isso, devemos estar atentos para que qualquer alteração no modo de combinar as palavras na frase não comprometa a exatidão e a clareza da sua mensagem.
	Como afirma a professora Inez Sautchuk, “escrever é falar de maneira clara”. Vamos refletir o que diz a autora a seguir:
	“Antes de verificar os ‘erros de português’ no seu texto, observe se suas frases estão bem construídas. Como você vai fazer isso? Por incrível que pareça, é usando basicamente conhecimento sintático. Para aprender a construir boas frases, basta deixar de fazer análise sintática de uma maneira mecânica, apenas dando nome a um termo grifado, mas utilizá-la para conferir se estamos realmente sendo claros ao escrever” (2011, p. 19).
	Vamos começar a usar o nosso conhecimento sintático? Para isso, faça uma revisão sobre os conceitos de frase, oração e período. (SAUTCHUK, Inez. Perca o medo de escrever – da frase ao texto. São Paulo: Saraiva, 2011.)
O PADRÃO SVC (SUJEITO-VERBO-COMPLEMENTO) 
 	Há um modo comum de construirmos frases na nossa língua. A chamada ordem direta é aquela em que temos um sujeito, um verbo, seguido ou não de seu complemento. Como esse complemento é o “objeto” direto ou indireto do verbo, também podemos nos referir a essa ordem como SVO, ou seja, sujeito- verbo-objeto. Vale lembrar que nem todos os verbos irão necessitar de um complemento. São os verbos intransitivos. Para esses casos, teremos apenas uma estrutura SV (sujeito-verbo).
	Vejamos o padrão de construção de frases em português:
S + V + C
 
	Perceberemos que a parte principal da frase aparece nesse padrão. Embora possam ser apresentadas algumas informações acessórias, a ideia central aparecerá nessa estrutura SVC. Vamos ao exemplo apresentado em Sautchuk (2011):
“Tendo sido expulso pelo partido, [o vereador] [guardou] durante um bom tempo [mágoa de seus ex-companheiros], antigos colegas de campanhas.”
 
S = o vereador
V = guardou
C = mágoa de seus ex-companheiros
 
	(SAUTCHUK, Inez. Perca o medo de escrever – da frase ao texto. São Paulo: Saraiva, 2011.)
	Apesar da existência de ideias acessórias, reconhecemos que a ideia principal foi apresentada na ordem direta SVC o que é, sem dúvida, um facilitador para o leitor.
	 A autora cita dois outros exemplos, reproduzidos a seguir, para reforçar a ideia de que, intuitivamente, quando lemos um texto, buscamos esse modo de organização. Ao compararmos os exemplos (1) e (2), percebemos que, em (1), temos uma expectativa em relação ao que será dito, pois não temos acesso, ainda, à ideia principal. Esse fato é percebido em (2) que, após uma sequência de informações acessórias, temos a informação principal na ordem SV. Para Sautchuk (2011), a informação principal funciona como o centro de sentido do período.
	“No começo da noite, com as janelas fechadas, sem um único som na sala, entre móveis cobertos de pó...”
	“No começo da noite, com as janelas fechadas, sem um único som na sala, entre móveis cobertos de pó, um estranho vulto aparece.”
estranho vulto aparece = CENTRO DE SENTIDO DO PERÍODO
EXPANDINDO O PERÍODO – O USO DE IDEIAS ACESSÓRIAS 
 
	Sabemos que, ao produzirmos nossos textos, não usamos apenas estruturas SVC, pois precisamos de ideias acessórias que contribuem para a compreensão do leitor. Ao analisarmos os exemplos (1) e (2) a seguir, reconhecemos a necessidade de situarmos o nosso leitor em relação a algum aspecto (tempo, causa, modo etc.);
(1) Um grande número de pessoas precisará de ajuda emocional.
(2) Em algum momento de sua vida, um grande número de pessoas precisará de ajuda emocional.
‘Podemos pensar, então, na posição mais adequada para a inserirmos essas informações. Sautchuk (2011) comenta a inserção de ideias acessórias em quatro posições diferentes.
	São elas:
	Posição à esquerda da ideia principal:
‘Em algum momento de sua vida, um grande número de pessoas precisará de ajuda emocional’ (posição 1).
 
Posição interna à ideia principal:
‘Um grande número de pessoas, em algum momento de sua vida, precisará de ajuda. emocional.’ (posição 2)
São elas:
‘Um grande número de pessoas precisará, em algum momento de sua vida, de ajuda emocional’ (posição 3).
 
‘Posição no final da ideia principal:
um grande número de pessoas precisará de ajuda emocional em algum momento de sua vida (posição 4).
QUAL É A MELHOR POSIÇÃO PARA A INSERÇÃO DE IDEIAS ACESSÓRIAS? 
 
‘‘Diante dessas quatro possibilidades, precisamos analisar a melhor forma de inserirmos as ideias acessórias na estrutura SVC sem deixar de lado a clareza do nosso texto. Vejamos algumas observações importantes:
I- As extremidades são as melhores posições para as ideias acessórias. 
II- Como clareza é fundamental, devemos evitar a posição 3. 
III- A seleção à esquerda ou à direita da frase dependerá da sua intenção ao produzir o texto, da necessidade em destacar ou não a ideia acessória.
Uma ideia acessória na posição 2, se for muito longa, também pode dificultar a leitura do texto.
PROBLEMAS NA CONSTRUÇÃO DO PERÍODO 
 
	É preciso ter bom senso na inserção das ideias acessórias ao produzirmos um período. Se a falta de informações pode dificultar a compreensão do texto, o excesso também pode prejudicar sua clareza. 
	Vamos a um exemplo de um período com problemas em sua construção (SAUTCHUK, 2011):
“Na última semana, uma de nossas colegas de trabalho, a do setor de planejamento financeiro, sofreu, na parte da manhã, em virtude da imprudência de alguns colegas que insistem em jogar cascas de frutas no chão, um grave acidente.” 
	(SAUTCHUK, I. Perca o medo de escrever – da frase ao texto. São Paulo: Saraiva, 2011.)
Analisemos os comentários da autora:
	É difícil para o leitor perceber um SVC em que esteja a ideia central: Uma de nossas colegas de trabalho sofreu um grave acidente.
	Há muitas informações secundárias: na última semana; a do setor de planejamento financeiro; na parte da manhã; em virtude da imprudência de alguns colegas que insistem em jogar cascas de frutas no chão.
	Vale refletir sobre o equilíbrio entre as ideias acessórias úteis e as dispensáveis em um único período.
O PADRÃO SVC E A PONTUAÇÃO 
 	Como as placas de trânsito orientam os motoristas, os sinais de pontuação orientam seu leitor a percorrer os caminhos do texto. 
	Vamos voltar a nossa atenção a um sinal muito importante na organização das ideias no texto: a vírgula.
O USO DA VÍRGULA
	Considerando o nosso padrão SVC, observamos que a posição “normal” para algumas ideias acessórias é ao final da oração.
	A dedicada professora – informou – a nota ao aluno – no último dia de aula.
no último dia de aula =ideia acessória
	Ao deslocarmos essa ideia acessória, tradicionalmente conhecida como “adjunto adverbial”, usamos a vírgula para sinalizar a mudança de posição:
No último dia de aula, a dedicada professora informou a nota ao aluno.
 
A dedicada professora, no último dia de aula, informou a nota ao aluno.
 
Qualquer outro elemento intercalado também aparecerá entre vírgulas:
 
A dedicada professora, meus amigos, informou a nota ao aluno no último dia de aula.
, todos sabem,
, filha da D. Maria,
, entretanto,
	As inversões da ordem SVC são muito comuns com os verbos intransitivos. Esse tipo de inversão, embora não comprometa a clareza do que se quer dizer, pode promover problemas no que se refere à concordância verbal.
 
	Os livros chegaram rapidamente.
	Rapidamente chegaram os livros.
	*Rapidamente chegou os livros.
	Importante!
	Embora seja comum a inversão com verbos intransitivos, prefira 
	sempre a ordem direta.
CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL
	Observe:
	As crianças estão animadas.
	Crianças animadas.
	No primeiro exemplo, o verbo estar se encontra na terceira pessoa do plural, concordando com o seu sujeito, as crianças.
	No segundo exemplo, o adjetivo animadas  está concordando em gênero (feminino) e número (plural) com o substantivo a que se refere: crianças. Nesses dois exemplos, as flexões de pessoa, número e gênero se correspondem.
	Concordância é a correspondência de flexão entre dois termos, podendo ser verbal ou nominal.
	O uso de determinados verbos também promove algumas confusões em relação à concordância. 
 	Vejamos algumas dicas importantes segundo Silva (2009).
O PADRÃO SVC E A REGÊNCIA 
 	É importante estar atento à necessidade de preposição introduzindo ou não os complementos verbais, o que pode levar até a mudança em relação ao significado do verbo:
	Não conseguimos aspirar um ar puro em uma grande cidade 
(aspirar = respirar).
O novato do setor já aspira a um cargo de chefia 
(aspirar = ter por objetivo). 
Quando pensamos em regência verbal, pensamos também no uso do acento grave para indicar a crase, 
fusão da preposição A com o artigo A. Assista agora a uma explicação sobre o acento indicativo de crase.

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